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Transtornado

Elisabeth Naughton
Guardiões Eternos - 7

Transtornado
Elisabeth Naughton
Série - Guardiões Eternos - 7

Nick, o líder dos mestiços e o último verdadeiro herói. Ele passou sua vida lutando contra uma
atração escura em direção aos deuses. A atração que agora sabe, está ligada a seu pai Krónos e o
plano do Titan para escapar do Inframundo.
Mas os poderes ocultos de Nick são cobiçados por mais do que apenas seu pai. Aprisionado por
Hades, Nick luta para não sucumbir a todas as formas de tortura que se possa imaginar
esquematizadas pelo deus sádico para quebrá-lo. Só uma coisa o mantém saudável. Uma mulher
que lhe dá a força para lutar contra a escuridão implacável. Embora, ela tendo um plano perigoso,
e os poderes de Nick ficando mais forte, mesmo assim isso pode não ser suficiente para alterar o
seu destino.
Como o destino do mundo está em jogo, as alianças de Nick são testadas. E ninguém sabe se ele vai
escolher lutar para o bem ou sucumbir à sedução sinistra do mal. Nem mesmo ele.

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Transtornado
Elisabeth Naughton
Guardiões Eternos - 7

Traduzido e Revisado Inglês


Envio do arquivo: Cleusa
Revisão Inicial: Cap. 01 a 12 Cleusa
Cap. 13 ao 25 Elen
Revisão Final: Cap. 01 ao 12 Elen
Cap. 13 ao 25 Cleusa
Formatação: Cleusa
Imagem: Elica
Talionis

Comentário Cleusa: O tão esperado livro de Nick acabou não me empolgando. Aquele Nick
maravilhoso dos livros anteriores acabou por se transformar em um homem frustrado, inseguro. O
herói se perdeu em meio às torturas, escuridão e fraqueza, que o fez dependente de uma mulher, que
também não empolgou. Sem contar os eventos paralelos carregados de absurdos que a autora usou
para escrever essa história. Enfim é aguardar para ver se a autora se redime no próximo.

Comentário Elen: Pois bem fãs da série chegou o tão esperado livro do Nick!!! Nosso herói vive
um momento de puro transtorno, depara-se com uma encruzilhada em sua vida, nunca teve o que
quis, o pai de seu irmão gêmeo o rejeitou, a mulher que é sua alma gêmea o rejeitou, seu próprio
povo – os Argoleans – o rejeitou... e num momento de crise existencial (sim, os heróis também
sofrem!) ele mesmo rejeitou a liderança de sua amada colônia Misos, mergulhado em culpa ele
agora se vê numa situação inusitada, depois de tanto desprezo, é disputado por todos os lados, a
tentação de ceder ao ‘lado escuro da força’ é muito grande, seria o caminho mais fácil, o justo
pagamento a tantos desmandos que sofreu, até que ele encontra em sua algoz, a força que precisa
para não sucumbir... E lá está ela, Cynna, linda, cruel, tão forte quanto ele, tão sofrida quanto ele,
envenenada por uma vingança fermentada nos calabouços de Zagreus, e tão sem esperança quanto
ele... A Cynna é diferente, eu — particularmente — demorei um pouco para me conectar com ela, a
Cynna não é nem um pouco o que eu imaginava pro Nick, mas no fim ela me conquistou – assim
como o fez com o protagonista. E o Nick, com sua força e determinação transformou o coração de
Cynna, mostrou a ela que vale a pena lutar por um sentimento, pela esperança... Divirtam-se!!!

“Você me mostrou o amor, você me mostrou o amor


Você me mostrou tudo o que meu coração é capaz
Você remodelou-me como uma borboleta de origami
Você invadiu meu coração
Desta vez eu sinto que a tristeza partiu
Nada pode me afastar deste sentimento
Eu sei que eu estou simplesmente apaixonada por você”
Trecho da canção “Simply Falling - Iyeoka
(https://www.youtube.com/watch?v=9Pes54J8PVw)

“Aqui, portanto, guerreiro forte e poderoso que és, aqui deveis morrer.”
—Homero, A Ilíada

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Capítulo 1

Ela tinha feito um pacto com o diabo. Um diabo retorcido, pervertido, sádico.
Como se realmente houvesse algum de outro tipo.
Claro, o fato de que ele fosse um filho da puta depravado realmente não incomodava
Cynna. Ela sabia exatamente no que estava se metendo. Pesou o custo e a recompensa antes de
concordar. Não, o que a incomodava era o fato de seu diabo não era o típico, eu-vou-tirar-sua-alma-
e-você-pode-ter-a-fantasia-mais-selvagem com o cara. Seu diabo continuou tomando, mesmo
depois da transação inicial. E o que ele ainda queria dela...
Moléstia agrupou em seu estômago. Uma moléstia que aprendeu há muito tempo a
combater. Neste local, náuseas significavam fraqueza, e fraqueza igualava a morte. E se havia uma
coisa que não estava disposta a desistir, até mesmo pela maior vingança em todo o mundo, era sua
vontade de viver. Ele poderia levar sua alma. Poderia tomar seu corpo. Poderia até mesmo tirar sua
liberdade. Ela não hesitaria por qualquer um desses. Mas ele nunca teria a sua vontade. Não
enquanto ela tivesse um pingo de força dentro dela para lutar.
— Como está o nosso menino hoje, minha querida?
O corpo de Cynna instintivamente enrijeceu com o som da voz profunda de Zagreus vindo
atrás dela, mas forçou seus músculos relaxarem centímetro por centímetro. Jogando o peso do corpo
para a perna direita e desejando que estivesse usando calças em vez da estúpida minissaia de couro
e botas de salto agulha na altura do joelho, que ele insistiu que ela desfilasse, ela cruzou os braços
sobre o peito e olhou para a arena abaixo.
Três sátiros seguravam armas afiadas, olhar vis circulando um homem sem camisa
balançando uma espada em seu antebraço. Seus pés estavam descalços, calça jeans de cós baixo em
seus quadris magros, seu tronco forte e ferido sob as luzes pairando acima. Músculos flexionados
em seus braços e debaixo de sua pele, mas eram as cicatrizes nas costas que chamaram sua atenção.
Linhas brancas finas que cruzavam toda a sua pele, como se tivesse sido chicoteado e torturado
muito antes de ele estar preso neste covil miserável. — Se mantendo. Até agora.
— Ele está lutando. — Zagreus se posicionou contra suas costas, seu calor avançando
sobre ela em uma onda quente, pegajosa, que fez seu estômago embrulhar novamente. Ele colocou

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as mãos em seus ombros, fazendo-a desejar que estivesse vestida com algo que não fosse este
espartilho preto de couro apertado, algo, que ele insistiu que ela vestisse. — Isso é um avanço.
Cynna não tinha tanta certeza. O homem podia estar empunhando uma espada como um
profissional, mas estava fazendo isso em seus termos, não nos deles, e assim que Zagreus
percebesse, seu humor amigável iria direto para a bosta.
Os dedos de Zagreus apertaram sua pele nua, e ela teve que engolir a bile deslizando pela
garganta. As mãos dele estavam arreganhadas, os dedos longos. Sabia por experiência que ele podia
usar as mãos tanto para o prazer quanto para a dor, e ela recebeu ambos, mas hoje em dia, qualquer
toque dele parecia errado. E isso desde que o homem embaixo entrou em seu mundo.
O sátiro à direita atacou, e o estômago de Cynna enrolou em um nó. O homem abaixou sob
a espada, por pouco não foi decapitado, girou, e formou um arco com sua espada. Acertou o sátiro
no peito, e cambaleou para trás. O sátiro à esquerda viu a sua oportunidade e se lançou. O homem
caiu no chão com um baque, rolou, em seguida, bateu de volta, pegando o segundo sátiro na perna.
Ele era furtivo, perigoso, preciso e uma força contida, e o sangue de Cynna cantarolava
enquanto observava o corpo torcer, girar e derrotar os monstros com um ritmo que mais parecia
uma dança do que uma batalha. O sangue jorrou da ferida do sátiro. A besta deixou cair sua arma,
uma forquilha como tridente, com dentes angulares longos e uivou. O terceiro, percebendo que era
sua chance, saltou do chão, atirou-se em direção ao homem que concentrou sua atenção nele.
Seus corpos colidiram em um arrocho de ossos, tendões e nervos. Armas saíram voando.
Socos acertaram as mandíbulas. Rolaram pela areia da arena de treinamento. Bem acima, Cynna
ficou tensa ao vê-lo tomar golpe atrás de golpe. Às suas costas, a emoção de Zagreus permeava o ar
ao seu redor, enquanto ele sussurrava: — Vamos. Libere o monstro.
Os dedos cravaram em seus ombros. Dor fluiu do local, espalhando-se para cima e para
baixo em sua coluna vertebral, mas não se moveu. Seus olhos estavam fixos na luta abaixo. Areia
voou pelo o ar. Sangue e suor revestiam seus corpos. Grunhidos ecoaram pelas paredes. Rolaram
outra vez, e o sátiro teve a vantagem, fixando o homem no chão da arena. Uma mão apertou com
força em seu ombro, a outra fechou em um torno de sua garganta.
A adrenalina de Cynna subiu, e um nó firme, duro formou em seu peito, alterando sua
respiração.
Músculos flexionaram sob a pele pálida dos braços do homem. Ele passou uma mão
gigante ao redor da mão do sátiro que cobria sua garganta, e tentou puxar os dedos de sua traqueia.
Seu outro braço voou para o lado, lutando pela espada um pouco fora de seu alcance. Seus olhos se
arregalaram. Seu rosto ficou vermelho.

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Aa palmas de Cynna ficaram suadas, engoliu em seco sabendo o que ele sentia ao ser
dominado assim, desejando que ele se libertasse. Que vivesse. Embora ela não pudesse dizer.
O sátiro riu, um som ameaçador escuro que subiu até o teto em um grunhido gutural. —
Você não é nenhum salvador. Apenas um mortal inútil e fraco a ponto de visitar os fogos de Hades.
— Não. Sem. Você.
Os músculos do pescoço do homem enrijeceram. Seus dedos encontraram o cabo da
espada. Liberando seu aperto na mão do sátiro em seu pescoço, empurrou contra o ombro do sátiro,
levantou o joelho, e pegou o sátiro nas bolas. O sátiro engasgou com dor. O homem fechou a mão
em torno do punho da espada, puxou-a, então empunhou no ventre do sátiro.
Os olhos da besta arregalaram. O sangue jorrou da ferida. O homem empurrou com força,
derrubando o sátiro, em seguida, tropeçou em seus pés.
Com a respiração pesada, ele olhou para o sátiro se contorcendo. Sangue cobria o peito nu
do homem, e o suor pingava de seus músculos tensos. O sátiro suspirou uma última vez, então seus
braços pousaram contra a areia da arena com um baque, e se calou. Peito arfando, o homem voltou
sua atenção para as outras duas bestas, ambos feridos, mas não derrotados. Ainda não.
— Sim, — Zagreus sussurrou perto da têmpora de Cynna, seu hálito quente flamejando sua
pele já superaquecida, sua excitação palpável no ar denso. — Acabe com eles. Solte sua raiva.
Como se tivesse ouvido, o homem se virou e olhou para a área de espectador, onde eles
estavam. Uma cicatriz profunda atravessava o lado esquerdo de seu rosto, mas seu olhar âmbar
perfurante não pairava sobre Zagreus. Desembarcou em Cynna. E o manteve. Como se fossem as
únicas duas pessoas na sala.
Seu pulso acelerou, enquanto observava os olhos se estreitarem. Como se desgosto
enchesse suas feições. Peito subindo e descendo com as respirações profundas, ele jogou a espada
no chão e se afastou da carnificina que acabara de causar. E enquanto seu olhar escaldante
continuou a segurar o dela, algo em seus olhos cortou em seu centro. Ela o observava desafiar a
vontade de Zagreus há meses, mas esta foi a primeira vez que ele fez isso enquanto olhava para ela.
A primeira vez que ela sentiu como se... ele estivesse testando-a.
Os sátiros feridos rosnaram e levantaram lentamente. Sangue emaranhado no cabelo grosso
de seus peitos. A tinta branca em uma faixa ao longo de seus crânios nus pingava sobre os ombros
com seu próprio suor, formando gotas de gosma branca escorregadia descendo na pele escura, como
uma pintura de guerra. As calças que usavam estavam amassadas e rasgadas em lugares diferentes
da luta, mas a roupa não escondia seus cascos grotescos ou a curva de suas pernas animalescas. E a
raiva que viu em seus rostos disse a ela que eles estavam prestes a mudar a maré desta batalha.

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Os sátiros avançaram sobre o homem indefeso, mais uma vez, e sua adrenalina disparou de
novo. Mas seu olhar não mudou a forma. Ele continuou a olhá-la com aqueles olhos ardentes,
continuou a olhar através dela, como se pudesse ver a sua alma e soubesse que era negra. Continuou
a imobilizá-la com o seu foco singular como se ela fosse a ameaça real.
Ela lambeu os lábios. Olhou entre ele e as bestas. Vire-se e olhe, seu idiota.
Os dedos de Zagreus enrolaram na carne de seus ombros. A dor amplificou para fora do
local, mas mal se moveu. Sua frequência cardíaca saltou quando seu olhar continuou a ir do homem
para os sátiros e de volta. Zagreus realmente os deixaria matá-lo? Isso não o ajudaria em nada. Ele
não permitiria que o seu bem mais valioso morresse, aqui, agora... não é?
Suor eclodiu em toda a sua pele. Seu pulso transformou-se um rugido em seus ouvidos. O
sátiro à direita rosnou. O da esquerda empurrou seus cascos contra o chão e atacou. Ambos os seus
rostos torcidos em fúria.
Mova. Defenda-se. Pegue sua arma porra!
Queria gritar as palavras. Lançar-se na arena. Mas não se atreveu a fazer um movimento. O
homem continuou a ficar parado e em silêncio, olhando para ela com aqueles ardentes, misteriosos,
olhos de fogo.
Corra!
O sátiro à direita levantou a espada com o movimento para matá-lo.
— Alto! — Zagreus a soltou e deu uma guinada em direção à grade, seus dedos enrolando
em torno do metal até que eles ficaram brancos.
Os sátiros derraparam até parar, suas espadas ainda suspensas em fúria, o peito subindo e
descendo com a respiração ofegante.
— Afastem-se, — Zagreus rosnou.
Um suspiro de alívio saiu dos pulmões de Cynna.
Eles baixaram as armas, mas o veneno em seus olhos indicava que não estavam felizes.
Gostaram de sangue e queriam mais. E, no entanto, o homem nem sequer olhou-os de relance. Ele
continuou a olhar por eles, deixou Zagreus, e se concentrou apenas nela.
— Filho da puta, — Zagreus murmurou sob sua respiração. Ele se afastou da grade, o rosto
contorcido de raiva, e olhou para Cynna. Ela endureceu, cobrindo qualquer reação, trabalhando a
indiferença para não sentiu nada. — Eu lhe dei uma tarefa simples. Quebrá-lo. E você falhou.
Pânico deslizou para misturar com o medo que acabara de experimentar. Mas o pânico,
como as náuseas, era uma fraqueza que não mostraria. Forçou seu olhar longe do homem abaixo e
incidiu sobre o demônio para quem ela se vendeu.

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Com os ombros tensos e o queixo erguido, endireitou as costas com uma força que tirou do
âmago de seu ser. — Ele tem o sangue de Krónos em suas veias. Sua vontade provou ser mais forte
do que a maioria.
Zagreus mastigou no interior de seu lábio. Ele era mais alto do que ela. Mesmo a poucos
passos abaixo dela próximo ao corrimão, ela tinha que erguer o olhar para ele. Para a maioria, um
deus do sexo, bronzeado, sombrio, musculoso, com um corpo esculpido para tentar e um rosto feito
para seduzir. Mas Cynna conhecia o diabo astuto que ele era no interior. E sendo o filho de Hades,
seus apetites, e sua busca pelo poder, não conheciam limites.
— Sua vontade deve ser quebrada para forçar que seus poderes divinos apareçam. E
preciso de seus poderes divinos para superar meu pai e os outros malditos deuses que pensam que
são donos deste mundo e do próximo. Se ele se recusar a cooperar, teremos que encontrar outra
maneira.
Os olhos de Cynna estreitaram. Eles já haviam torturado o homem em todos os sentidos
que se podia imaginar. Bateram nele até que ele sangrasse. Esticaram-no em cremalheiras.
Espancaram-no até que ele ficasse preto e azul e quebrado. E meio a tudo isso, ela observou, e até
mesmo ordenou que o torturassem porque tinha que fazê-lo, quando no interior só queria vomitar e
correr. Mas cada vez que ele se curava, seus genes super-humanos reparavam cada grama dos danos
que foram infligidos, para sua surpresa e alívio.
Levaram-no ao limite da dor física, e ele ainda tinha força, por isso ela não podia imaginar
o que mais poderiam fazer com ele. — Como o que?
Uma luz escura, perversa chamejou nos olhos de Zagreus. — Vamos usar as ninfas.
Oh merda. Ela estava errada. Havia outra maneira de torturá-lo. Uma que não tinha sequer
considerado.
— Se não podemos quebrá-lo fisicamente, — disse Zagreus, — você vai quebrá-lo...
sexualmente.
Ele se afastou dela e olhou para a arena. — Leve-o de volta para sua cela. — Guardas
posicionados nas portas se moveram das sombras e seguraram os braços do homem. Limpem-no
em seguida, o deixem nu e o acorrentem à parede. Minha doce Cynna tem algo especial planejado
para ele.
Zagreus virou com seu sorriso revoltante seguiu seu caminho, e piscou, apenas uma vez.
— Não tem, agapi?

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A náusea voltou com força total. O olhar de Cynna desviou do sorriso vitorioso do Zagreus
até Nick, de pé esticado no centro da arena, seguro em cada braço pelos guardas, o rosto encharcado
de suor, com o corpo em sangue, seu olhar penetrante âmbar jamais se afastando do rosto dela.
Zagreus aproximou ficando ao seu lado e inclinou-se próximo ao seu ouvido. — Quebre-o,
Cynna. Use as ninfas para trazê-lo ao limite de novo e de novo, não importa quanto tempo leve.
Porque se puder, se falhar comigo agora, lembra o que eu disse que aconteceria, não é?
Seu estômago cedeu e o medo, o verdadeiro medo cortou através de suas veias. Sim, ela se
lembrava. Ele prometeu quebra-la. A mente, o corpo e a alma... Sua vontade. Até não sobrar nada.
Só que ela nunca seria capaz de resistir. Não como Nick.
Lentamente, ela balançou a cabeça. E olhou para o rosto cheio de cicatrizes de sua vítima.
Odiando, desprezando, tudo com que ela concordou em nome da vingança.
— Boa menina, — Zagreus sussurrou. — Você pode fazer isso direito, agapi, e sua
recompensa será mais prazerosa. Isso, eu prometo.

Capítulo 2

Nick não tinha certeza do que estava acontecendo, mas sabia seja lá o que fosse que
Zagreus tivesse planejado para ele a seguir não seria bom.
Soldados, não, não soldados, os sátiros mercenários, contratados por Zagreus conduziram-
no pelo longo corredor escuro em direção a sua cela, iluminado a cada dez metros por tochas presas
às paredes de pedra. Água escorria para formar poças onde o piso era irregular. Um ar frio se
espalhava pelo corredor, estava muito abaixo do chão, mas se acostumou com isso ao longo dos
últimos meses. Nunca se acostumaria, porém, com os gemidos, os gritos, o estalar de couro batendo
na carne. Os gritos de miséria final e a desolação sem esperança que reverberavam através dos
túneis noite e dia.
A energia sombria contra a qual lutava — energia que sempre pensou que tivesse vindo de
sua mãe, Atalanta, mas que agora sabia vinha diretamente de seu fodido pai, Krónos, o mais
malicioso de todos os deuses — rodava e agitava dentro dele, eletrizando-o, estimulando-o e
excitando-o, apesar do asco fermentando em seu estômago por conta do que estava sendo feito às

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outras pobres almas presas neste inferno. Ele tentou de tudo para não sintonizar no som, mas
estavam sempre lá, insultando na escuridão, chamando-o, pedindo-lhe para deixar ir.
Rangeu os dentes contra essa força. Concentrou-se nas pedras sob seus pés descalços, nas
algemas de metal mordendo os pulsos, em avançar um passo de cada vez. Diminuiu a velocidade
quando atingiu o limite de sua cela, mas o sátiro às suas costas o empurrou com força, obrigando-o
a tropeçar na besta a frente.
— Continue se mexendo.
O sátiro à sua frente se virou e o empurrou de volta. Fraco da luta e perda de sangue, Nick
cambaleou, mas se conteve, antes de cair. Um mau cheiro se levantou em torno dele, que ele
bloqueou. Todos os sátiros cheirava a morte. Outra coisa com a qual não se acostumara durante os
meses de cativeiro.
Levaram-no para os banhos, e hoje estava grato ao encontrar a caverna vazia. Não tinha
energia para brigar com alguns dos outros presos que muitas vezes eram trazidos aqui para tomar
banho ao mesmo tempo. Os que estavam tentando se agarrar a alguma aparência de controle, agindo
com agressividade na frente dos guardas, na esperança de que fossem lhes conceder um ou dois dias
de vida. Esses não perceberam que cada pessoa presa aqui tinha um propósito, ou que duravam
apenas alguns dias. E assim que cedessem, Zagreus perdia o interesse e eles estavam realmente
mortos.
Três grandes piscinas tomavam o espaço no centro da caverna. Estalactites penduradas no
teto. Um banco foi esculpido ao longo do lado direito, e toalhas foram colocadas com antecedência.
O sátiro à direita jogou a Nick um pequeno saco plástico. — O príncipe quer você limpo
antes de levá-lo de volta para sua cela. Seja rápido.
Quando os sátiros viraram para ficar de guarda na porta, Nick olhou para o saco em suas
mãos. Sabão e uma navalha de plástico descartável.
A navalha tinha potencial. Seu olhar passou por cima das paredes de pedra grossa, em
seguida, para as costas dos dois sátiros que ele podia ver. Dois ele poderia derrubar com uma arma
tão simples como uma lâmina de barbear. Três era arriscar. E se tivesse sucesso, havia boas chances
de que fosse capturado antes que pudesse descobrir como sair desse inferno de labirinto que era essa
prisão.
Além disso, havia a dura realidade que tinha perdido uma boa quantidade de sangue nessa
última luta e estava mais cansado do que queria admitir. Agora não era o momento de planejar a sua
grande fuga. Ele tirou o que restava de suas calças rasgadas e entrou na piscina.

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Água fria o cercou, e ele fez uma careta quando atingiu um corte na perna e outro no
ombro, então suspirou quando o líquido embalou seu corpo dolorido. Ele mergulhou abaixo da
superfície e deixou que a água corresse sobre seu rosto e agitasse acima de sua cabeça, arrancando a
sujeira de seu cabelo e barba. Não, não tinha ideia do que Zagreus planejava a seguir, mas estava
grato pela chance de se livrar da sujeira, mau cheiro e sangue dos sátiros. Ao menos até a próxima
batalha injusta.
Ele se voltou, sacudiu o cabelo molhado dos olhos e abriu o pequeno saco. Depois de lavar
o cabelo desgrenhado e a barba vasta, esfregou o sabão em toda a pele, lavando-se, sentindo mais
humano a cada segundo. Quando estava limpo, olhou para a navalha depositada na beira da piscina
e franziu a testa, porque sabia que doeria como o inferno retirar todos os pelos do queixo. Pensou
em deixar seu maldito rosto do jeito que estava, então pensou melhor. Se os sátiros lhe deram uma
navalha, isso significava que ele faria a barba ou eles fariam por ele. E não queria esses filhos da
puta perto dele.
Ele fez o seu melhor, sem um espelho e uma tesoura, estremecendo cada vez que se
cortava. Depois de enxaguar, saiu da piscina, pegou uma toalha, depois hesitou com a mão sobre o
algodão macio quando seu olhar pegou as algemas em seus pulsos e as marcas no seu antebraço.
Marcas que o fez pensar em sua alma gêmea.
Queria saber onde ela estava e o que estava fazendo. Se seu bebê recém-nascido
sobrevivera ou não ao ataque daemon na colônia mestiça. Se Demetrius, seu irmão gêmeo e —
graças aos malditos deuses — também alma gêmea dela, cuidara dela neste minuto ou saíra para
missões inúteis com seus Argonautas.
Se ela alguma vez pensou no sacrifício que Nick fez por ela.
Raiva pressionou dentro dele. Uma raiva que vivia com ele por muitos e longos anos.
Esperou pela rajada familiar de desejo que sempre o seguiu, que o atraia para alma gêmea, que era
como um imã, o arrastasse para Isadora. Sim, ela estava lá, chamando-o, mas não tão intensa quanto
antes. E não podia deixar de se perguntar o motivo.
Talvez ele finalmente estivesse endurecendo por dentro, perdendo o pouco de humanidade
que lhe restava. Ou talvez o vínculo de Isadora com Demetrius fosse tão forte que ele simplesmente
não importava mais. Seu irmão e Isadora estavam unidos um ao outro agora, com toda a pompa e
circunstância da estúpida cerimônia Argolean. Mas mais do que isso, eles solidificaram seu lado do
vínculo de alma gêmea através do ato de fazer amor, algo sobre o que Nick verdadeiramente não
queria pensar.

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Seu próprio vínculo com Isadora nunca foi selado assim. Não que não tivesse
considerado... só um zilhão de vezes. Mas mesmo que fantasiasse sobre essa possibilidade de novo,
sabia que nem mesmo era mais uma opção. Ele morreria nesse lugar miserável. Era só uma questão
de tempo. O que significava que seu irmão acabaria ficando com ela só para ele. Justamente como o
filho da puta queria.
O pensamento era mais deprimente do que queria admitir, então empurrou sua mente de
volta para a batalha na arena. E, desta vez, quando a energia escura surgiu, ele apreciou. Sim, sua
morte podia ser iminente, mas ainda não estava morto. E antes que caísse, planejava levar alguns
sátiros e esse Zagreus tarado com ele.
— Chega, — o mais alto dos dois guardas latiu, olhando por cima do ombro. — Deixe as
roupas. Envolva-se em uma toalha.
A toalha era nova. Normalmente quando lhe concediam banhos, era obrigado a vestir as
mesmas roupas sujas que usou no dia anterior. Olhou para a navalha agora embotada, mais uma vez
e por um momento fugaz considerou suas chances contra os três guardas, em seguida, descartou. Se
Zagreus o queria limpo, isso significava que alguém viria vê-lo. E alguém vindo visita-lo
significava que ele poderia ter uma melhor chance de uma vingança ainda mais destrutiva.
— Minha doce Cynna tem algo especial planejado para ele.
Seus dedos se detiveram sobre a toalha na cintura, e um calor espalhou por todo o torso, os
quadris, e para baixo em sua virilha.
Cynna... O nome encaixava. A fêmea que dirigiu a sua tortura nestes últimos seis meses
era o pecado de todas as maneiras imagináveis. Pele caramelo, cabelos loiros longos que não
combinavam com sua coloração, amendoados, olhos exóticos, e um corpo...
Aquela excitação intensificou-se, trazendo seu pênis à vida quando ele imaginou seus seios
atrevidos, que estavam sempre em exposição em algum espartilho revelador, sua cintura fina, e
aquelas pernas longas e finas que ostentavam botas pretas de couro com salto agulha que ela usava
em todos os lugares.
Não conseguia ler seu relacionamento com Zagreus. O deus sádico era ligado a ela, embora
tivesse certeza que não era amor que a mantinha por perto. E embora ela não estremecesse quando o
Zagreus a tocava, não era acolhedora ou se derretia com o deus do jeito que Isadora fazia quando
seu irmão tocava a sua alma gêmea. Não, a ligação de Cynna com Zagreus era algo mais, algo mais
sombrio, e cada vez que via o olhar morto em seus olhos quando Zagreus se aproximava, ficava
cada vez mais convencido de que ela não era a responsável pela captura nesta versão distorcida do
inferno como ambos queriam que ele acreditasse.

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Os guardas entraram quando ele terminou de atar a toalha. Um ficou à direita segurando
uma lança, olhando para ele. O corte vermelho na bochecha foi obra de Nick, de ontem, quando o
filho da puta chegou nele no corredor, sem motivo aparente. Nick conseguiu dar três bons socos
antes de várias guardas virem em socorro do filho da puta. Nick sorriu.
— Algo engraçado, mortal? — O guarda ferido rosnou.
Nick não respondeu. Insultos só o levariam a uma surra. E embora adorasse ter outra
chance com esse idiota, agora estava muito interessado em ver o que Cynna tinha planejado para ele
independente do que esses dois pensem.
Eles o levaram para fora do banho e de volta pelo corredor em direção a sua cela. As
pedras estavam geladas contra seus pés, e uma brisa fria percorria o túnel, deixando os pelos de sua
nuca arrepiados.
Os guardas abriram a porta de aço e empurraram-no para sua cela. Sem janelas, sem luz. O
guarda ferido acendeu uma tocha na parede, iluminando o espaço úmido feito com nada além de
paredes de pedra e sua pilha de cobertores onde dormia no canto.
Eles manobraram em torno dele até que ficou de pé no centro da sala, de frente para a
porta. Um guarda tirou as algemas de seus pulsos, e por um momento, pensou em derrubá-los. Mas
vozes já estavam ressoando pelo corredor, cada vez mais fortes, chegando mais perto. E uma se
destacava, fazendo com que seu estômago apertasse e a excitação corresse através de seu corpo,
trazendo todos os outros pensamentos a um impasse.
O clique de saltos soava enquanto os guardas o prendiam a corrente fixas aos parafusos no
teto, os quais não se lembrava de estar lá, estenderam seus braços. Quando prenderam a primeira
corrente em seu pulso esquerdo, esticando seu braço para cima e longe de seu corpo, ele
estremeceu, a lesão no ombro causava uma imensa dor aguda através de seus músculos. Eles
agarraram o outro braço e o prenderam à corrente, fechando as algemas de metal em torno de seus
tornozelos, chutaram suas pernas abrindo-as na largura dos ombros, e as acorrentaram aos ganchos
no chão.
Cynna apareceu na porta da cela.
A dor se dissipou quando focou nela. Ela estava usando a mesma roupa reveladora que
usava quando viu a luta na arena de treinamento, e o distraiu do que estava acontecendo ao seu
redor. Excitação. Enviou uma emoção perversa através da parte escura do que restava de sua alma.
— Senhora, — o guarda ferido, disse diretamente. — O prisioneiro está pronto.

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Guardiões Eternos - 7

O olhar de Cynna dirigiu-se para Nick, sobre seu torso nu e a pequena toalha branca
cobrindo sua ereção desperta, em seguida, até o seu rosto pairando sobre a cicatriz na face esquerda.
Sem poupar um olhar em direção aos guardas, ela disse: — Deixem-nos.
Sua voz era como lixa e veludo, uma voz feita para o pecado, assim como seu corpo. Em
suas mãos ela segurava um frasco.
Duas fêmeas, não, ninfas, correram para a cela, logo que os guardas saíram. Uma delas era
loira, a outra com cabelo escuro curto. Ambos eram pequenas, submissas com os olhos diretos para
o chão, e usavam vestidos rosa pálidos frágeis feitos de tecido fino que mal escondia seus corpos.
Também usavam colares de metal. Colares que viu em outras submissas nos túneis. Colares que as
marcavam como escravas sexuais.
O estômago de Nick apertou. Seu olhar ignorou as mulheres, indo para a porta de aço, que
agora estava fechada, e através da pequena janela para ver quem estava assistindo.
A escuridão refletia no vidro. Mas isso não quer dizer que eles estavam sozinhos. Zagreus
sempre estava olhando de algum lugar quando era torturado. Alimentava-se disso. Esperando
quebrá-lo.
Virando-se para a ninfa de cabelos escuros à sua direita, Cynna entregou a fêmea o frasco e
disse: — Use este. Mas não o toque em qualquer lugar, a não ser onde está sangrando.
A ninfa assentiu e se aproximou, seu rosto uma cereja vermelha escura, sua respiração
superficial. Ela abriu a tampa e a colocou sobre as pedras a seus pés, em seguida, reuniu tudo o que
estava no frasco em uma colher e abaixou-se de joelhos na frente dele.
Nick respirou. Ela estava a centímetros de distância, sua virilha escondida apenas pela
pequena toalha. Seus dedos roçaram a ferida na coxa, uma sensação de cócegas que deixou seus
músculos tensos, mas o bálsamo curativo era frio onde cobria o corte. Relaxou enquanto ela
esfregava o bálsamo na ferida, sentindo a pele irregular volta ao normal, sentindo seu corpo curar
mais rápido do que faria por si só, sentindo um calor que não esperava aquecendo de sua pele.
— Chega, — disse Cynna. — Agora a outra.
A ninfa de cabelos escuros ficou de pé, ainda não o encarando, e se moveu em torno de
suas costas. Novamente sentiu os dedos deslizando sobre sua pele, e ficou tenso, então o bálsamo
espalhou em seu ferimento no ombro, aquecendo lentamente a pele, reparando os danos e
relaxando-o de fora para dentro.
Os profundos olhos castanhos de Cynna permaneceram inexpressivos, enquanto observava
o trabalho da ninfa. Nenhuma emoção atravessava seu rosto. Nenhum prazer ou excitação sobre o

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que estava por vir, como Zagreus sempre demonstrou. Nada mais que o vazio. Um vazio que se
acostumara a ver em seu rosto impecável.
Só... que não era verdade. Quando esteve no ringue mais cedo, quando deixou cair a arma,
desafiando o desejo de Zagreus para fazê-lo lutar, ele viu algo em seus olhos. Algo que parecia
muito com o pânico.
— Isso é o suficiente, — disse Cynna.
Os dedos da ninfa ergueram-se de sua pele, e ela recuou. Movendo-se em torno dele, se
ajoelhou para pegar a tampa, tampou frasco, então ficou contra a parede perto da outra ninfa.
Cynna avançou, seus olhos nunca deixando os dele, e o aroma de jasmim o atingiu como
sempre fazia quando ela se aproximava, enchendo seus sentidos, mexendo com sua mente. Ela era
alta para uma mulher, pelo menos um metro e setenta e sete, e naquelas botas com saltos
ridiculamente altos, ela ficava apenas alguns centímetros mais baixa do que ele. Hoje seu cabelo
loiro estava jogado sobre um ombro, uma mecha azul perto de sua testa contrastando fortemente
com sua pele caramelo. Usava uma maquiagem pesada em seu rosto, os olhos delineados com
traços negros intensos, fazendo-a parecer cada pedaço como uma dominatrix. E embora soubesse
que deveria estar ansioso sobre o que ela e Zagreus armaram para ele, não estava. Porque havia algo
nela que lhe interessava. O deixava perplexo. Fazendo com que quisesse saber mais.
Nunca admitiria, mas o mistério de quem ela era e como veio parar aqui o salvou. Salvou
de ficar louco ou ceder à energia sombria que Zagreus estava esperando para reclamar.
— Apenas... não... quebre.
Suas palavras eram um sussurro, uma frustração, uma surpresa. Ela nunca falou com ele.
Embora tivesse passado mais tempo com ela do que qualquer outra pessoa neste buraco, ela nunca
se dirigiu a ele diretamente. Ela dava as ordens aos seus guardas, e eles faziam o seu trabalho sujo.
Ela nunca sequer chegou perto dele.
Algo sobre hoje era diferente, no entanto. Uma pequena voz na parte de trás de sua cabeça
gritava que o que estava prestes a acontecer nesta cela estava em um nível totalmente diferente do
que tinha passado antes.
Ela chegou mais perto, tão perto que podia sentir seu calor, mas não perto o suficiente para
tocar, então se moveu para a direita, fazendo lentamente seu caminho em torno dele. Seu estômago
se apertou, e aquela excitação borbulhante voltou correndo.
— Isso não é um jogo. — Seu hálito quente espalhou em sua nuca, enviando um arrepio
na pele nua. E em suas feridas, onde a ninfa espalhou o bálsamo, o calor se reuniu, irradiando para

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fora, em direção à sua barriga. — Você não pode derrotar Zagreus. Ninguém ganha do Príncipe das
Trevas.
Os braços de Nick flexionaram, e as correntes sacudiram acima de sua cabeça. Não queria
derrotar o filho da puta, só queria destruí-lo. Não apenas pelo o que fez a ele durante os últimos
meses, mas pelo o que ele fazia com todos neste lugar miserável, a Cynna, de acordo com seus
instintos, inclusive.
— Não posso parar o que ele planejou para você. — Ela circulou em volta e parou na
frente dele novamente. — Ceda, e você economizará o tormento. Ceda, e isso acaba agora.
— Ceder, — Nick repetiu, olhando em seus olhos escuros. Mas ao contrário de antes, eles
não estavam vazios. Não estavam mortos. Havia algo ali. Algo que parecia muito com... desespero.
Ela o estava advertindo de algo terrível viria? Por que faria isso? Ela era o fantoche de
Zagreus. Ou ela estava simplesmente com medo do que poderia acontecer se ele não quebrasse?
— Você quer que eu ceda? — perguntou.
Ela não respondeu. Apenas olhou para ele.
— Do jeito que você cedeu?
O desespero em seus olhos desapareceu e foi substituído por aquele olhar vago e sem vida,
um que tantas vezes vira, quando ela comandava os sátiros de Zagreus para torturá-lo. Sem uma
palavra, ela deu um passo para trás, mas não quebrou o contato visual.
— Você foi avisado, — disse ela em voz baixa. — Fêmeas?
O olhar de Nick correu dela para as ninfas, aproximando-se de lados opostos. A loira, que
estava no fundo da cela aproximou pela primeira vez, agarrou a toalha de seus quadris, e a puxou
para longe. A outra se aproximou e gemeu quando ela olhou seu pau. E embora não pudesse ver
seus olhos, podia ver seus rostos, agora carregados com a luxúria, com uma obsessão que sabia que
era sua próxima forma de tortura.
Merda...
Ambas caíram de joelhos à sua frente. E caralho... calor, um calor que não queria, espalhou
por suas feridas indo direto em seu pau. Seja lá o que for que a ninfa espalhou sobre todos os seus
ferimentos não só o curou, deixou-o instantaneamente duro. Ele passou as mãos em torno das
correntes acima e tentou se afastar, mas suas pernas estavam presas no local, seu corpo em plena
exibição. E quando sentiu uma mão pousar contra sua coxa e o hálito quente escorregar sobre seus
quadris nus, não conseguia impedir o gemido que retumbou em seu peito.
— Façam o quiserem com ele. — A voz rouca de Cynna ecoou na sala.
As ninfas congelaram e voltaram o olhar para ela, mas Cynna não deu a elas um olhar.

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Luz da tocha refletiu em seus olhos impassíveis e mortos, fixos nele, e nem uma única
emoção revelou-se em qualquer lugar em sua expressão. — Traga-o até o limite tantas vezes quanto
quiserem, mas não deixem que ele goze. Se deixar, sua punição será severa. Agora. Comecem.

Capítulo 3

Cynna não conseguia respirar.


Fora forçada a fazer algumas coisas horrendas no ano que esteve com Zagreus, mas ver o
que essas ninfas estavam fazendo a Nick foi o pior.
Seu estômago embrulhou. A ninfa de joelhos balançava a cabeça entre as pernas. A outra
beliscava seus mamilos. Cada vez que ele se aproximava do gozo, elas paravam e trocavam de
posições, em seguida, reiniciavam o seu tormento de novo. Felizmente, ela se posicionou longe o
suficiente para que não pudesse ver os detalhes, mas podia ver Nick. Seu cabelo loiro areia estava
encharcado, ele estava frouxamente pendurado por seus braços e suas pernas já não estavam
segurando o corpo ereto.
Ela não conseguia olhá-lo nos olhos. Não conseguia se concentrar em seu rosto
insanamente bonito, caramba, agora que sua barba foi retirada. Cinco minutos de sessão, ela teve
que olhar para uma mancha na parede longe atrás da cabeça e desassociar-se do que estava
acontecendo. Era assim que conseguia passar por tudo o que Zagreus a fez fazer, desligava-se
mentalmente do momento, fazia sua mente flutuar, se concentrava na razão que a levou a se vender
ao deus sádico em primeiro lugar.
Só hoje, agora, não foi capaz de fazer isso. Cada gemido, cada respiração ofegante, cada
vez que Nick sacudiu as correntes, enquanto as ninfas o levavam ao limite com a boca, com as
mãos, isso cortou sua barreira mental, arrastou-a de volta para o momento, fez seu estômago revirar
com um mal-estar, que ela mal conteve.
— Chega. — Ela se virou quando as ninfas relutantemente o soltaram incapaz de olhar
para as gotas de suor descendo a cicatriz robusta e misteriosa no lado esquerdo de seu rosto, mais
visível agora que ele raspou a barba. Recusando-se a visualizar outra imagem de seu corpo nu,
cinzelado, muito excitada com que as ninfas tinham feito, ela conduziu as escravas para o corredor e
as seguiu rapidamente.

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Zagreus tinha dois sátiros esperando por elas. Dois que agarraram as ninfas e as arrastaram
para longe, gemendo e tremendo. Não queria pensar sobre o que os sátiros fariam com as ninfas.
Não queria pensar sobre o fato de que essas mulheres estavam sentindo um elevado nível hormonal
que elas não podiam controlar. Não queria reconhecer que por ser forçada a usá-las para atormentar
Nick, ela também foi mantida em sua tortura iminente.
— Agapi.
Meu amor. Repulsa enviou um arrepio em sua espinha, mas engoliu em seco e olhou para
Zagreus, vindo em sua direção pelo corredor longo e frio. Não era seu amor. Nem nunca quis ser.
— Como está o nosso prisioneiro?
Sua coluna enrijeceu, e ela encontrou seu olhar escuro, sabia que não devia se afastar dele.
— Ele não quebrou, se é isso que você está pensando.
Um sorriso largo, mal se espalhou pelos lábios de Zagreus. — Não quero que ele quebre
muito cedo. Acabaria com toda a diversão, você não acha?
Os olhos de Cynna se estreitaram. Desde que Zagreus prendera seu dom a esse covil, ela
não podia dizer quando ele estava mentindo ou sendo sincero, e odiava isso, odiava como ele a
aleijou, mas algo lhe dizia que desta vez, estava sendo honesto. Ele tinha uma espécie doentia de
prazer em coloca-la em situações chocantes. E agora ele sabia que ela queria correr, e estava
adorando cada momento de sua miséria.
Ela ergueu o queixo, recusando-se a mostrar até uma gama de fraqueza. — As mesmas
duas amanhã?
Seu sorriso se alargou, e sua mão deslizou em torno da nuca até o cabelo dela, arrastando-a
para a sua escuridão, o calor perigoso. Ela não enrijeceu, não reagiu, não vacilou, pois isso faria
tudo o que ele planejou muito, muito pior.
— Não, agapi. Acho que essas duas amanhã estarão deliciosamente incapacitadas.
Encontraremos outra. Mas esta noite, minha querida, doce Cynna... — Ele passou o cabelo por cima
do ombro e abaixou a boca para seu pescoço, em seguida, mordeu. Dor espalhou do local, mas ela
não se atreveu a mover. — Hoje à noite quero que você recrie para mim o que você assistiu na cela.
E quando eu estiver convencido de que a sua observação foi profunda o bastante, então vou lhe dar
o que as nossas ninfas estão começando a ter agora.
Como uma deixa, um grito rasgou a caverna.
As pálpebras de Cynna caíram e por dentro, embora repulsa agitasse e empurrasse até o
peito, ela repetiu as palavras fizeram-na passar por isso e muito mais.
Desassocie. Desapareça. Deixe de existir.

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Com ele, ela não era uma pessoa, era uma coisa. Mas poderia suportar ser uma coisa por
agora, porque a promessa de vingança valia a pena este pequeno preço.
Em breve, muito em breve, seria uma lembrança, e quem destruiu sua vida pagaria.
Ou então era o que sussurrava para si mesma na calada da noite para segurar a parte escura
de sua alma. A parte que ela temia que logo fosse consumi-la.

— Viu a cara deles? — Orpheus riu quando ele e a rainha de Argolea caminharam pela
porta principal do castelo e no hall de entrada trabalhado. — Cara, eu realmente gostaria de ter uma
câmera. Achei que o queixo de Lorde Timaeus bateria no chão.
— O meu quase caiu quando aqueles seus servos entraram com champanhe para
comemorar sua indicação, — Isadora murmurou, cruzando o grande selo Alpha no chão de
mármore brilhante. — Existe uma coisa chamada tradição você precisa estar ciente, Orpheus.
— Tradição é superestimada. — Ele sorriu enquanto se dirigiam até a escadaria curva. —
Cara, isso vai ser divertido.
Isadora não tinha tanta certeza. Lorde Lucian estivera no Conselho de Anciãos, o órgão
que aconselha a monarquia, enquanto pôde, mas sua saúde estava se debilitando rapidamente depois
de 500 anos, e o Conselho foi finalmente forçado a encontrar um substituto para o seu lugar. A
tradição considerava que o membro masculino mais antigo de cada família fundadora fosse
indicado, mas o Conselho claramente não ficou emocionado com suas duas opções: Orpheus, o
encrenqueiro sobrinho mais velho de Lorde Lucian, ou seu irmão mais novo o Argonauta, Gryphon.
Enquanto um Argonauta nunca sentou no Conselho, Gryphon foi considerado o menor dos dois
males, até que seu cativeiro no Inframundo o mudou para sempre. O Conselho agora estava
hesitante em indicar Gryphon, não apenas porque não tinham certeza de sua estabilidade mental nos
dias de hoje, mas porque suspeitavam que suas decisões de governo fossem influenciadas por sua
relação com sua companheira, Maelea, a filha de Zeus e Perséfone.
Com isso restou Orpheus, a ovelha negra da família, meio-bruxo, meio-Argolean, e uma
grande pedra no sapato do Conselho. Orpheus nunca fazia nada do que se esperava, Inclusive por
Isadora. A escolha do Conselho era ou indicá-lo, ou rever todo o processo de governo, o que eles
estavam hesitantes em fazer porque a tradição, para eles, era o mais sagrado dos rituais. Mas
Isadora ainda estava nervosa com toda a situação. Sim, Orpheus veio em sua ajuda várias vezes, e

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sim, ele estava servindo com os Argonautas agora, mas ainda era imprevisível. Ele não se importava
com o que os outros pensavam, muitas vezes foi contra o protocolo, e gostava de antagonizar o
Conselho, algo que ela temia que fosse voltar e mordê-la na bunda.
— Apenas se lembre de que você não está simplesmente representando a sua família, —
disse ela a ele quando eles viraram o corrimão no segundo patamar. — Você está representando os
Argonautas também. Se o Conselho vá admitir ou não, indicar um Argonauta é um evento histórico.
Ele puxou a manga de sua blusa até pará-la. — Espera aí. Você acha que não posso lidar
com isso, Isa?
Isadora olhou para seus olhos cinzentos irritados. Não sua alteza, não minha rainha,
simplesmente Isa. Ele a chamara assim durante anos, e ainda que ela não tivesse nenhum problema
com isso em privado, em público isso só era um passo em mostrar a sua falta de respeito pelo seu
modo de vida. — Acho que o seu desdém pelo Conselho é alto e claro.
— Eles não merecem nada além de desprezo. E você é a primeira que deve reconhecer
isso. Eles tentaram executar seu companheiro, ou você se esqueceu?
Náuseas rolaram através de sua barriga quando ela se lembrou de Demetrius enforcado na
câmara do conselho, mas empurrou isso de lado. — Não, eu não me esqueci, nem nunca esquecerei.
Mas a tradição alimentou este país há milhares de anos. Isso não pode ser simplesmente alterado. O
que estou tentando fazer é incutir mudanças dentro dos parâmetros que nosso povo está
acostumado. Se mudar muito rapidamente, o Conselho vai reunir o povo se levantar contra mim.
Estamos a um tris de um golpe de Estado Orpheus, especialmente com os Misos aqui. O que eu
preciso é que você escolha suas batalhas e não antagonize os lordes apenas para sua diversão.
— Ninguém se preocupa mais com os Misos do que eu.
Isadora também sabia disso. Depois que Gryphon, o irmão de Orpheus, retornou do
Inframundo, os Misos, ou mestiços, como o Conselho gostava de chamá-los, meio-Argoleans,
meio-humanos, o acolheram quando ninguém mais o fez, até mesmo o seu próprio povo. Embora o
próprio Orpheus não fosse um mestiço, ele sentia afinidade pelas pessoas que ajudaram seu irmão.
E ele foi fundamental na ajuda em evacuá-los para Argolea depois que a colônia Misos no reino
humano foi atacada por Hades e seu filho, Zagreus. Ele, assim como Isadora odiava o fato de o que
os Misos fossem alvo do Conselho.
— Posso provar que você está errada, você sabe, — ele disse, retomando os seus passos.
— Eu sou conhecido por fazer isso uma vez ou duas.

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Ele era e estava certo, e Isadora sabia que estava se preocupando com algo que nunca
poderia acontecer, mas no fim das contas, esse era seu trabalho como rainha. Se preocupar com
todos, com ele, o Conselho, os Argonautas, Nick...
Um espaço dentro de seu peito apertou quando pensou em Nick, e um profundo sentimento
de perda a invadiu. Ele se sacrificou para salvar a vida dela quando Hades reivindicou sua alma, e
ela nunca teve a chance de agradecê-lo, nunca teve a chance de dizer a ele que sentia muito pela
maneira como eles discutiram pouco antes da chegada de Hades. Ela amava Demetrius, não tinha
vontade de estar com mais ninguém, mas entendia a atração de Nick por ela. Ele foi amaldiçoado
pelos deuses mais do que qualquer outro, e não simplesmente porque lhe deram uma alma gêmea
que não podia ter, mas porque esta foi dada a seu irmão. E ela escolheu Demetrius.
Precisava encontrá-lo. Precisava resolver pelo menos uma parte desse pesadelo e resgatá-lo
de Hades e Zagreus. Não importava que ele fosse filho de Krónos. Tudo o que importava era
encontrá-lo.
Vozes soaram do escritório em frente, e, endireitando sua coluna, Isadora seguiu Orpheus
em direção à porta aberta. Ela disse a Theron, o líder dos Argonautas, que passasse por lá após os
trabalhos do Conselho para que ele soubesse como foi, mas mais do que tudo, estava ansiosa para
saber se ele tinha alguma notícia sobre Nick.
Titus estava sentado atrás da mesa de Theron quando ela entrou, seu cabelo escuro e
ondulado amarrado na nuca, suas mãos enluvadas passando as telas virtuais. Theron estava atrás
dele, com os braços musculosos cruzados sobre o peito, sua expressão sombria, enquanto estudava
o que quer que Titus esteja apontando.
— É tudo desgraça e tristeza por aqui, — Orpheus murmurou enquanto entrava na sala. —
Parece as câmaras do Conselho.
Os dois Argonautas olharam em sua direção, e as sobrancelhas escuras de Theron
levantaram. — Como foi?
— Obviamente, melhor do que aqui, — Orpheus murmurou, sentando-se no braço de um
sofá próximo. — Onde está Gryph?
— Com Cerek e Demetrius, — Theron respondeu: — buscando uma pista no reino
humano. Eles ainda não voltaram.
Isadora pegou um flash de preocupação nos olhos de Orpheus. Ele estava sempre
preocupado quando Gryphon ia a algum lugar sem ele.
Ela focou Theron. — Uma boa pista?

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— Nenhuma das nossas pistas são boas neste momento, — Titus bufou, desligando a tela
virtual.
Decepção tomou Isadora, mas tentou não deixar transparecer.
— Vamos encontrá-lo, — disse Theron. — Os caras estão investigando um povoado
Nereida ao largo da costa da Flórida. Sabemos que é um tiro no escuro, mas Zagreus tem uma coisa
com ninfas. Esperamos que eles possam saber algo. Demetrius queria verificar isso pessoalmente.
Demetrius queria verificar cada pista pessoalmente. Embora ele e seu irmão gêmeo nunca
tivessem sido próximos, sentia-se responsável pela prisão de Nick, assim como Isadora. Talvez
mais, porque ele acreditava que deveria ter sido ele a salvá-la, não Nick.
O que era outra razão pela qual Isadora precisava encontrar Nick. Assim seu companheiro
poderia parar de se sentir culpado. Desde o desaparecimento de Nick, Demetrius se afastou cada
vez mais, passando a cada hora à procura de seu irmão ou insistindo sobre algo fora de seu controle.
O relacionamento deles levou um golpe sério. Assim como o tempo que passava com sua filha.
— Então, — disse Theron, olhando do outro lado da sala em direção a Orpheus. — É
oficial?
— Sim, — Isadora suspirou. Estava cansada. Cansada de se preocupar, cansada de lutar
contra o Conselho, mas acima de tudo, só queria sua família unida e saudável. — Você está olhando
para o mais novo membro do Conselho.
O sorriso presunçoso de Orpheus a fez revirar os olhos.
— Que os deuses nos ajudem, — Titus murmurou.
— Os deuses não podem ajudá-lo neste momento, — Orpheus disse, rindo.
Passos ecoaram no corredor, e, segundos depois, Skyla entrou na sala, seguida pela
companheira de Theron, Casey.
— Tudo certo? — perguntou Skyla, olhando para Orpheus.
Orpheus estendeu a mão para ela. — Me chame de Lorde Orpheus. O grande e poderoso.
Skyla deixou seu companheiro puxá-la para o seu lado, mas seus olhos verde-prado
estavam hesitantes quando o braço envolveu sua cintura. — Bons deuses. É isso que eu tenho que
aturar a partir de agora?
O sorriso presunçoso de Orpheus se arregalou. — Baby, você ama isso. — Suas
sobrancelhas arquearam. — Eles vão me dar aquele manto muito legal. Acho que ir sem roupa de
baixo é a única forma de me apresentar.
Do outro lado da sala, Titus suspirou. — Eu disse que isso era uma má ideia.

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Casey descansou a mão em sua barriga muito redonda quando ela estava ao lado de Theron
e inclinou a cabeça. — Poderia ter sido pior. Eles poderiam tê-lo feito líder Conselho. Em seguida,
todos nós estaríamos em apuros.
Todos riram, exceto Isadora. Ela esfregou os dedos sobre o ponto entre os olhos, sem
encontrar humor na situação, especialmente porque tinha acabado de ouvir os Lordes falando sobre
o “problema” em seu reino.
Ela baixou a mão e olhou para Theron. — O Conselho negou o meu pedido de ajudar os
Misos, o que significa que temos uma situação. Eles os estão empurrando para a segregação
forçada, usando a desculpa de que a maioria deles já se mudou para fora da cidade. Mas a verdade é
que querem isolar o Misos no que sobrou do povoado de Kyrenia permanentemente.
— Claro que sim, — disse Skyla, repousando o antebraço sobre o ombro de Orpheus e
empurrando seus longos cabelos loiros para trás do rosto. — Porque eles são diferentes. Qualquer
um que seja diferente é uma ameaça no modo de vida do Conselho. A esse respeito, eles são como
os deuses. E por esse pensamento, Maelea, Natasa e eu, deveríamos ser segregadas com eles.
— Você não vai a lugar nenhum Siren, — Orpheus disse com firmeza, a provocação em
seu tom muito distante.
— Só porque eu tenho o apoio dos Argonautas, — Skyla respondeu a seu companheiro. —
Essas pessoas não.
Skyla se sentia tão protetora em relação aos Misos quanto Orpheus. Todos eles se sentiam.
A frustração de Isadora subiu outro degrau, então caminhou até as janelas em arco que
proporcionava uma visão deslumbrante da cidade. Precisavam se concentrar em localizar o
elemento água, o último dos quatro elementos antigos necessários para completar o Orbe de
Krónos, o disco mágico que tinha o poder de controlar a prisão de Krónos no Inframundo. Todos os
deuses queriam Orbe que mantinha a força para começar a guerra, para acabar com todas as guerras,
e os Argonautas o tinham, e estavam prestes a ser capaz de destruí-lo de uma vez por todas para
proteger não só o seu mundo, mas todos os mundos. Mas seu foco agora estava dividido entre o
Orbe e Nick. E com o Conselho fazendo ameaças contra os Misos, o foco se dividiu ainda mais.
— Não tenho nenhum problema que os Misos escolham reunir-se fora da cidade, — disse
Isadora, — mas não pela força.
— O que você está propondo? — perguntou Theron, olhando-a com cautela.
O que ela estava propondo? Algo que afastaria seus guardiões de sua busca por Nick e o
elemento restante. Algo que odiava fazer, mas que não conseguia ver outro caminho.

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Ela se virou para a sala. — Acho que o Conselho perseguirá os Misos uma vez que eles
estejam separados. Eles destruíram a colônia Kyrenia uma vez antes, porque as bruxas moravam lá,
e queriam impedi-las de subir ao poder. Eles as forçaram a permanecer à margem da sociedade.
Como Skyla disse, eles veem qualquer diferença como uma ameaça.
— Sacanas, — Orpheus murmurou.
Theron ignorou a interjeição e se concentrou em Isadora. — Já viu alguma coisa que
indique isso?
Seu dom de previsão nem sempre era confiável, especialmente se estivesse relacionado
diretamente a ela. E isso definitivamente estava. Mas o que ela vira... Seu estômago revirou
novamente. Não estava pronta para compartilhar isso com ninguém, porque estava esperando como
o inferno que não se tornasse realidade.
— Não. — Essa era a verdade. O que viu nada tinha a ver com Misos. — Mas posso senti-
lo.
— Acho que ela está certa, — disse Casey, seu cabelo castanho macio balançou quando ela
se virou para olhar para seu companheiro. — Eu li sobre o que o Conselho fez ao povoado de
Kyrenia. A repetição disso reduziria o poder de Isadora na altura dos joelhos e a faria parecer fraca
aos habitantes de Argolea.
O incêndio do povoado Kyrenia era uma parte obscura da história da Argolea. Não que
tudo isso acontecera há muito tempo, mas Isadora se lembrava das histórias sobre o sofrimento. Seu
pai, o rei, havia concedido a permissão ao Conselho para erradicar o que ele considerara “uma
ameaça viável” vinda das bruxas, e apesar de que ela não foi forte o suficiente para enfrentá-lo ou o
Conselho, estava determinada há nunca repetir esse erro.
— Toda a vida tem valor aqui, — disse ela, — sem distinção de raça, sexo ou filiação. E
não vou deixar o legado de Nick ser destruído. Proteger o seu povo é o mínimo que posso fazer
depois de tudo que ele fez por nós.
Casey sorriu para sua irmã, mas Isadora não tinha forças para sorrir de volta. Se o
Conselho conseguisse, Casey seria segregada junto com o Misos. Ela era uma verdadeira mestiça,
mas porque ela era filha ilegítima do rei e companheira do líder dos Argonautas agora, eles
fecharam os olhos para ela.
— Você está falando de levar a guarda privada da monarquia e colocá-la no povoado
Misos, — disse Theron.
— E Argonautas.

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— E Argonautas, — ele murmurou, claramente não aprovando este plano. — Isso deixaria
o castelo vulnerável.
Deixaria. Mas não conseguia ver outra maneira de contornar isso. — Nós tentamos manter
os Misos dentro das muralhas do castelo, mas isso não funcionou. Não os culpo por querer ficar
longe deste lugar. Qualquer tipo de segregação é uma prisão, não importa quão elaborado o
mecanismo possa ser. Mas, se o Conselho consegue e força a segregação, as coisas se deteriorarão
rapidamente.
Quando o líder dos Argonautas apertou a mandíbula, Isadora suspirou. — O trabalho dos
Argonautas nunca foi proteger a monarquia ou o castelo Theron. Os Argonautas foram criados para
proteger o reino humano, e os Misos são parte disso. Você sabe que eu estou certa.
Theron não respondeu, mas uma veia repuxou em sua têmpora. Uma que lhe disse que ele
não estava feliz.
— Demetrius nunca concordará com isso, — alertou Casey.
— Isso não é assunto de Demetrius, — disse Isadora, olhando para a irmã. — É meu. —
Demetrius estava onde ele precisava estar certo agora, procurando por Nick e por hora ela faria o
que precisava ser feito, cuidar do povo de Nick.
Ela olhou para Theron mais uma vez. — Amanhã, quero que pegue tantos soldados e
Argonautas quanto forem precisos para a segurança dos Misos. O restante dos Argonautas eu quero
divididos em dois grupos. Um para buscar o elemento água, e o outro ajudar Demetrius na procura
por Nick.
— Minha rainha... — começou Theron.
— Essa é a minha decisão, — disse ela com firmeza.
Um barulho soou pela porta antes que ele pudesse argumentar com ela, e Isadora olhou
naquela direção. Max, com seu sobrinho de onze anos de idade entrou na sala carregando a
sorridente Elysia. Atrás dele, sua mãe, outra irmã de Isadora, Callia, o seguia.
O bebê balbuciou, e humor de Isadora saltou à vista com sua alegre filha. Elysia tinha
apenas seis meses, mas estava crescendo rapidamente, e parecia enorme nos braços de Max.
O bebê envolveu seus dedos gordinhos em torno de um punhado de cabelo loiro
desgrenhado de Max, em seguida, puxou. Os dois tinham uma relação especial. Se Max estivesse
próximo, Elysia queria estar perto dele.
— Ai, — disse Max. — Ela definitivamente tem genes Argonauta. Está ficando mais forte
a cada dia.
Callia sorriu atrás dele. — Os bebês tendem a fazer isso.

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Orpheus soltou Skyla e se levantou do sofá antes que Isadora pudesse chegar para sua
filha. — Me dá essa garota.
Ele pegou Elysia em seus braços e foi até as janelas, pulando com o bebê e conversando
com ela com uma voz doce musical que não soava em nada como o meio bruxo sabichão que
gostava de antagonizar o Conselho.
— Titus, — Callia disse: — Natasa está procurando para você. Passei por ela na biblioteca.
Os olhos castanhos de Titus acenderam, e rapidamente se afastou da mesa de Theron. —
Isso significa que meu trabalho aqui terminou.
Enquanto ele corria para fora em busca de sua nova companheira, Skyla caiu no sofá com
uma carranca. — Alguém tira esse bebê longe do Lorde de merdas e risos por ali.
Orpheus se afastou da janela e lhe atirou um olhar quente perverso. — Assustada Siren?
Skyla arqueou uma sobrancelha seu caminho. — Com um bebê? Não. De você e suas
ideias não tão brilhantes? Sim. Você não terá um, Daemon, então pare de me olhar assim.
Orpheus sorriu e reorientou Elysia em seus braços. — Não se preocupe minha linda Lys.
Vamos colocar algum bom senso nela.
Skyla bufou. Elysia agarrou o nariz de Orpheus com sua mãozinha. O riso ecoou na sala.
De todos, menos Isadora e Theron.
Abaixando-se em uma cadeira, Isadora passou os dedos sobre a testa e tentou ignorar os
olhares de desaprovação vindos do líder dos Argonautas.
Theron estava preocupado com ela. Mas isso era maior do que a monarquia e os
Argonautas. Era algo sobre o qual não recuaria.
— Hei. — Callia encostou-se ao braço da cadeira, seu cabelo castanho balançando com o
movimento. — Você está bem? Você não parece tão quente.
— Estou cansada, — disse Isadora. E a falta de Demetrius. E preocupação com Nick. E,
com base nessa visão que ela teve, esperava não estar cometendo um erro gigante, colocando-se
bem no meio do seu povo.
Callia sorriu. — Tudo vai dar certo.
— Vai? — Isadora olhou para a irmã. — Como você pode ter certeza?
— Porque as Destinos1 não acabam com qualquer um de nós. Você apenas tem que ter fé.

1
Destinos – (Fates no texto original) eram três deusas mitológicas e pode se referir a: Moiras, as Parcas da mitologia
grega; Sudice, as Parcas da mitologia eslava; Parcas, as Parcas da mitologia romana; Nornas, numerosos seres do
sexo feminino que determinam o destino ou o futuro de uma pessoa no paganismo germânico; Três bruxas,
personagens em Macbeth de Shakespeare; Os destinos, personagens da Disney Hercules e o nome do Inglês para o
Moirai.

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A fé não é algo que tinha muito em estoque nestes dias. Porque sabia no fundo do seu
coração que fé não ia salvar Nick ou seu povo. Ação sim. Olhou para sua alegre filha que sorria
para Orpheus, e desejou que todos pudessem sentir esse tipo de alegria novamente, Nick
especialmente.
Mas algo lhe dizia que nem mesmo fé seria suficiente para impedir esta desgraça iminente
que sentia que estava chegando à boca do estômago.

Capítulo
Capítulo 4

Cynna se empurrou de debaixo de Zagreus e tropeçou de sua cama plataforma gigante. Ela
não se preocupou em acordá-lo. Depois de uma de suas “sessões”, ele dormia como uma pedra, e
hoje ele foi especialmente duro, o que significava que estava extremamente cansado.
Desgraçado
Olhou para ele dormindo de bruços, completamente nu, o cobertor empurrado para o chão.
A tatuagem de serpente enrolada em torno de seu ombro e braço direito, e podia ver as bordas do
escorpião em seu bíceps esquerdo. Seu corpo era todo músculo, perfeito em todos os sentidos, mas,
então, sendo um deus, não esperava nada menos. Mas nunca, nem uma vez em todas que esteve
aqui, sentiu qualquer coisa além de resignação. Algo que a surpreendia que ele nunca tivesse
percebido.
Seu corpo doía, costas, joelhos, o peito, os pulsos, seu estômago revirava com as coisas
que ela o deixara fazer com ela, sabia que não tinha ninguém a culpar além de si mesma. Nunca lhe
disse não. Nunca se opôs contra ele. Parte dela pensava que era porque ele era imortal, e não seria
nada bom. Mas outra parte, a torcida, sabia que era porque havia um lugar dentro dela que desejava
a escuridão, mesmo que tentasse pensar simplesmente que o usava como ele a usava.
Desgostosa com ela mesma virou-se, pegou suas roupas do chão, cruzou para sua cômoda
e puxou a gaveta. Ela agarrou a primeira camisa, fechou a gaveta de repente, saiu do quarto.
Na sala de estar de seu quarto de dormir, empurrou a sua camiseta de mangas compridas,
estremecendo com a dor em seus ombros, odiando o cheiro e a forma como sentia o algodão contra
sua pele, mas recusando-se a entrar de novo naquele espartilho apertado com o qual ele a fazia

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desfilar. Depois de puxar a saia, calçou suas botas, inclinou-se para fechá-las, em seguida, olhou
seus pulsos.
Contusões já se formaram. Normalmente, ele mantinha as “marcas” onde ninguém pudesse
vê-las, mas esta noite ele não se importou, como se quisesse marcá-la como sua propriedade. E que
significava que amanhã teria que trabalhar duro para cobri-las para que nenhum de seus sátiros
visse e decidisse que era hora de ter uma chance com ela.
Idiota do caralho. Ela, desta vez, não ele. Porque ela não era forte o suficiente para pôr fim
a algo que sabia que era errado.
Ela puxou as mangas para baixo para cobrir as marcas, e como isso, sua mente saltou para
as masmorras, e a seu prisioneiro com cicatrizes. Era assim que Zagreus o chamava. Dela. Como se
ele fosse um presente, em vez de um ser vivo. Nada neste lugar esquecido por Deus era dela,
embora, e nem que quisesse, mas um lugar profundo no fundo de sua mente estava começando a se
perguntar se alguma coisa dele jamais seria dela também.
Sua mandíbula se apertou. Ficou de pé e saiu de seu quarto, não querendo pensar muito
sobre isso ainda. Os degraus de pedra levavam para baixo. O covil de Zagreus era um complexo de
túneis subterrâneos nos sistemas de Yucatán. O deus era tão perverso, na verdade ele tinha mais
prazer sabendo que os seres humanos estavam brincando em resorts e destinos de férias diretamente
acima das suas câmaras de tortura, e se alguns “acidentalmente” tropeçassem em seu covil, graças a
mórbida curiosidade, como ele alegavam sempre para os Olimpianos quando era pego com um
humano, bem, então, não era culpa dele, não é?
Estalactites penduradas no teto. Passou por uma janela de vidro com água, peixes e corais,
mas não parou para apreciar a vista. Não havia nada a apreciar neste lugar miserável, e todos os dias
se perguntava por que diabos se vendeu a Zagreus em primeiro lugar.
Por vingança. Para vê-los pagar.
Sim, mas se ele não seguisse adiante com sua parte do acordo... Seu estômago revirou, e
um pensamento percorreu sua mente, retardando seus passos.
Se ele não seguisse adiante, então ela ficaria presa aqui para sempre, repetindo o que fez
hoje, revivendo o que sofreu esta noite.
Sua coluna formigou, mas se recusou a aceitar essa realidade quando empurrou seus pés a
frente. No momento em que chegou ao seu andar e atravessou o patamar, tudo o que queria era
algumas horas de paz antes Zagreus a forçasse a fazer tudo de novo.
No meio do caminho para o arco que abria para um conjunto de salas, o dela incluído, uma
voz chamou, — Senhora?

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Foda.
Ela olhou para a Nereida ruiva, de pé perto das escadas com uma expressão cautelosa. Ela
não era uma escrava de prazer como as Maenads, as ninfas orgásticas treinadas pelo deus do êxtase,
Dionísio, que Zagreus rebocou das amazonas e quem ele insistiu em usar com Nick hoje cedo. Não,
ela era apenas uma das muitas servas de Zagreus que existiam à margem deste pesadelo, tentando se
misturar às sombras. Algo que ela nunca poderia fazer. — O que?
A Nereida, Cynna não conseguia lembrar o nome dela, deu um hesitante passo à frente. —
Eu estive procurando por você. Temos um... um problema.
Não queria lidar com quaisquer problemas. Não era sua responsabilidade. Ela se virou para
seu quarto. — Encontre um sátiro e que ele tome conta disso.
— Eu não posso. Eles não vão fazer nada. É sobre o seu prisioneiro.
Os passos desaceleram. E pensou em Nick no calabouço.
Skata. Suas pálpebras se fecharam por um breve segundo antes de abrir novamente e olhou
por cima do ombro. — O que tem ele?
— Ele está... Tem alguma coisa errada com ele. Suas feridas não curaram do jeito que
deveriam. Ele não está bem.
Não está muito bem. Dupla Skata. Tinha que ser a pomada. Ela disse Zagreus para não
usá-la para melhorar a sua reação as ninfas, mas o filho da puta nunca a ouviu.
Indecisão guerreava dentro dela. Ela só queria voltar para seu quarto e chafurdar na sua
própria miséria por algumas horas, não lidar com outra pessoa, mas não podia fazer isso agora. Se
as feridas não estavam cicatrizando corretamente, então, seria ela quem acabaria pagando. Porque,
afinal de contas, era seu prisioneiro, e cada parte de sua tortura e cuidados era sua responsabilidade.
O queixo apertou, olhou para a Nereida. — Se estiver me incomodando com bobagem
desnecessária...
— Rhene. Meu nome é Rhene. E eu não estou, eu juro, senhora. Venha. Rapidamente.
Rhene agarrou sua saia fina e correu em direção à escada, conduzindo Cynna às entranhas
do complexo. Atravessaram os arcos de pedra rumo à prisão. Dois sátiros estavam de guarda na
entrada, olharam para Cynna e para a ninfa com nada mais do que desprezo enquanto passavam.
Havia interesse lá. Interesse que se forçava a ignorar todos os dias. A única coisa que a mantinha
viva neste lugar era o fato que Zagreus a reivindicara como dele. No minuto em que ele perdesse o
interesse, ela estaria morta.
Gemidos ricochetearam através da caverna, e um arrepio na espinha espalhou quando seus
saltos clicaram ao longo do chão de pedra. A água pingava das rochas ao seu redor, como se

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chorasse, como os prisioneiros nas celas. Seu estômago revirou como sempre acontecia quando
vinha aqui em baixo, mas se concentrou no que viria nos próximos minutos.
Rhene parou quando ela chegou à porta de Nick. — Aqui. Olhe.
Olhando pela janela alta na porta, Cynna varreu seu olhar sobre o espaço escuro. Os sátiros
o tinham tirado de suas correntes. O quarto parecia vazio, e por um momento, o pânico surgiu.
Então, ela o avistou amontoado no canto, com a cabeça encostada na parede ao lado, seus braços em
volta de sua cintura, seu corpo inteiro tremendo e coberto por uma fina camada de suor.
Aquele filho-da-puta de merda do Zagreus. A infecção já havia se estabelecido. Nick
poderia ter genes sobre-humanos que poderiam reparar qualquer ferida, mas a pomada prendeu
bactérias no interior antes que seu corpo tivesse a chance de se curar. E agora estava infeccionado.
Ela olhou para Rhene. — Traga-me uma cama. Quero um colchão novo, não um sujo,
cobertores e toalhas limpas.
Os olhos de Rhene se arregalaram. — Mas Zagreus...
— Zagreus não está aqui. Este prisioneiro vai morrer, a menos que o ajude. Você foi
responsável por seus cuidados enquanto eu estava fora. Você quer sua morte em sua cabeça?
Medo brilhou nos olhos de Rhene, e ela rapidamente balançou a cabeça.
— Então, cuide disso, — Cynna estalou. — Traga tudo o que eu pedi. Junto com as ervas
medicinais e o kit curador. E faça rapidamente.
Rhene virou e suspirou enquanto se dirigia de volta para a entrada da prisão.
Sozinha, Cynna mordeu o interior de seu lábio enquanto olhava para dentro da cela. Ela
não podia simplesmente entrar. Mesmo doente e febril Nick era forte. E não era estúpida o
suficiente para se colocar em qualquer tipo de situação onde ele poderia retaliar contra ela, porque
ele tinha todos os motivos para querer fazê-lo.
Fortalecendo seus nervos, ela marchou até o posto do guarda. O guarda da prisão, Lykos,
olhou-a com o calor e luxúria enquanto ela se aproximava, assim como sempre fez. — Senhora. O
que se deve a este inesperado... prazer?
Do jeito que ele disse “prazer” enviou um arrepio na espinha. Lykos tinha um traço
perverso. Um que Zagreus aprovava e, frequentemente deixa solto. Tinha visto o que o sátiro fez
com duas ninfas com as mãos e uma chibata, e não queria esse filho da puta perto dela. Também
não queria que ele soubesse que ela não o queria perto dela.
— O prisioneiro quatorze está doente. Tenho que tratá-lo, mas ele precisa ser algemado
primeiro.

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O olhar de Lykos pulou dela para o corredor escuro, então, novamente para ela. — Eu não
recebi nenhuma instrução do príncipe.
— Nem vai. Acabei de deixá-lo na cama. — Ela inclinou a cabeça. — Mas eu poderia
acordá-lo para você, se você quiser, e ele podia lhe dizer ele mesmo.
A desconfiança se arrastou nos olhos de Lykos. Acordar Zagreus nunca era uma coisa boa,
e mesmo ele não queria estar na ponta receptora da ira do Príncipe das Trevas. Sem dizer uma
palavra, pegou os grilhões de uma prateleira atrás dele, em seguida, passou por ela e se dirigiu para
o corredor.
Ela esperou enquanto o metais soou, e ele abriu a porta, em seguida, empurrou-a. Nick não
se moveu, apenas abriu os olhos e olhou para a luz derramando dentro da sala.
— Mãos, — Lykos latiu.
O rosto de Nick estava pálido e escorregadio com o suor. Seu peito subia e descia com
respirações rápidas e irregulares. Ele ainda não moveu seu corpo longe das rochas ou levantou a
cabeça, mas conseguiu deslizar os braços acorrentados em frente a ele, o suficiente para Lykos
poder remover as restrições que o mantinham presos à parede e fechasse as algemas em torno de
seus pulsos.
Algum tipo de comoção soou do corredor. Cynna virou quando Rhene e mais dois sátiros
apareceram arrastando uma cama de metal e um colchão nu com eles.
Cynna apontou para a parede oposta. — Lá.
O primeiro sátiro colocou a cama e o outro jogou o colchão em cima. Rhene acendeu a
tocha na parede oposta, em seguida, colocou uma bolsa de couro à esquerda.
Quando os sátiros se endireitaram, Cynna apontou para Nick. — Mova-o para a cama.
Os guardas pegaram em torno de seus braços dele e o arrastou de pé. Ele fez uma careta,
mas não fez nenhum som. A mesma toalha que Nick tinha usado antes estava envolvida em torno de
seus quadris de novo, mas a atenção de Cynna focou na ferida na perna. Ou o que restava dela. Não
estava mais aberta e escorrendo como esteve mais cedo hoje, mas cicatrizou inchada e vermelha.
A última coisa que ela precisava era que ele tivesse uma septicemia2 e morresse. Se isso
acontecesse, sua morte era iminente. E, tanto quanto odiava o fato de seu destino agora estava
amarrado ao dele, também não queria que ele morresse, porque estava com medo, se ele morresse,
que a escuridão que ameaça sua alma realmente iria ganhar. De repente, ele era tudo que estava
entre ela e uma eternidade de miséria que cada parte dela sabia que merecia.

2
A septicemia é uma infecção generalizada por todo o corpo causada por bactérias que infectam o sangue.

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Ela pensou em lhes dizer para ser gentil, mas segurou a língua. Eles o deitaram na cama, e
ele gemeu. Lykos colocou uma algema nos punhos e a trancou na parte superior da cama. A argola
podia deslizar na largura da cama, mas ainda forçava seus braços sobre a cabeça. Ele rolou para o
lado para que seus braços dobrados ficassem na frente dele, exalou um longo suspiro e estremeceu.
Ela fez coisas terríveis, enquanto esteve aqui. Terríveis, coisas horríveis que nunca deveria
ter participado. Uma voz mesquinha na parte de trás de sua cabeça sussurrou que esta era a sua
penitência.
— Deixem-nos, — disse Cynna.
Quando Lykos lhe atirou um olhar, ela fixou-o com um olhar duro. — Você quer ser o
único a ficar e fiscalizar isso?
De jeito nenhum no inferno os olhos dele brilharam, e foi até a porta. Cynna estendeu a
mão enquanto ele se aproximava. — A chave.
— Senhora, isso é imprudente. Se o príncipe descobre...
— A chave, — ela disse mais alto.
Sua expressão mudou para algo como é o seu funeral, mas deixou cair à chave na palma de
sua mão e fez um gesto para os outros sátiros o seguir.
Quando foram embora, Cynna respirou lentamente para se acalmar. Os olhos de Nick
estavam fechados, seu corpo mole contra o colchão nu, seus antebraços marcados perto seu rosto,
joelhos dobrados até a cintura. Ele parecia como se ele estivesse dormindo, mas sabia que estava
delirando da febre que maltratava o seu corpo, não descansando.
Ela não deveria estar nesta cela. Nem deveria estar neste reino. O que ela fez... Não havia
redenção para o que fez. Mas estava aqui agora, e pela primeira vez em muito tempo, estava
determinada a fazer a coisa certa. Mesmo se amanhã o destino a obrigasse a para fazer o mal.
A ninfa ao seu lado moveu seus pés, e qualquer esperança que tinha de chafurdar em sua
própria miséria caiu no esquecimento. Concentrou a atenção na ferida na perna de Nick.
— Rhene feche a porta. Eu vou precisar da sua ajuda.
Os ombros de Rhene caíram, mas arrastou até a porta conforme as instruções. Segundos
depois, um tinido sinistro ecoou pela sala.
— Agora, — Cynna disse: — me dê uma faca.

Nick abriu os olhos e olhou para o teto de rocha acima.

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A luz da tocha refletia nas pedras, iluminando o espaço, o que era estranho, porque
normalmente ele era deixado na escuridão, a menos que estivesse sendo submetido a uma de suas
sessões de tortura.
Ele se mexeu, tentou mover seus braços, mas percebeu que estavam algemados juntos e
presos a uma corrente acima de sua cabeça. Algo suave pressionado contra suas costas. Rolando
para o lado, empurrou-se em seu ombro e olhou ao redor. Sim, isso ainda era sua cela, mas estava
em uma cama, uma cama de verdade. Seus quadris e pernas estavam cobertos por um cobertor fino,
e do outro lado da cela.
Cada músculo ficou imóvel quando olhou a mulher sentada em seu estrado de cobertores
no canto, a cabeça apoiada contra as rochas, os olhos fechados, suas longas pernas esticadas à
frente.
Cynna.
Seu pulso acelerou. Ele olhou para a porta, tentando descobrir o que estava acontecendo,
mas estava bem fechada. Olhando para ela, percebeu que não estava vestida como normalmente se
vestia quando vinha até ele. Sim, ela ainda estava usando aquelas botas ridículas e essa saia curta
que mostrava suas pernas tonificadas, mas em vez de espartilho que empurrava os seios, ela estava
vestida com uma camiseta de mangas compridas soltas que parecia engoli-la inteira. A camiseta
estava manchada de sangue.
Tentou ficar mais ereto e foi gratificante descobrir que seus pés não estavam algemados. A
corrente ao longo da cabeceira da cama de metal deslizou ao longo da barra, enquanto ele se movia,
e foi capaz de se inclinar para trás contra a parede. Sua mente caiu com possibilidades, enquanto
tentava não fazer barulho. Se ela fez alguma coisa para irritar Zagreus, ele não duvidava que o filho
da puta doente fosse atirá-la na cela dele só para ver o que ele faria. E agora, não sabia o que queria
fazer. Esta era a fêmea que conduziu sua tortura ao longo dos últimos seis meses. Isso dava todos os
motivos para querer retaliar contra ela. Mas ela também era a única pessoa que ele não foi capaz de
parar de pensar na mesma quantidade de tempo, provando que ele estava tão doente como todos os
outros neste lugar esquecido por deus.
As correntes tintilaram e ele congelou, mas ela já estava acordada, olhos abertos,
levantando a cabeça na parede, seu olhar procurando e encontrando o dele outro lado da sala escura.
Por uma fração de segundo, a culpa penetrou em seus olhos, então ela piscou e foi como se
isso nunca tivesse acontecido. E quando se levantou e alisou a saia um pouco curta, Nick se
perguntou se tinha acontecido ou se ele finalmente perder sua mente fodida e alucinante.

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Ela atravessou a sala e pegou o cobertor. Seus músculos agrupados, ele puxou as pernas
para cima, pronto para chutar, se fosse preciso.
Sua mão parou centímetros de tocá-lo. — Eu não estou aqui para te machucar. Estou aqui
para ajudar. Você estava machucado.
Ele não sabe lê-la. Sempre se machucava neste lugar maldito, mas ninguém nunca tinha
tentado ajudá-lo de alguma forma. — Por que eu deveria confiar em você?
Aquela culpa brilhou em seus olhos castanhos muito familiares mais uma vez. Outra faísca
rápida, isso estava lá, em seguida, rapidamente desapareceu. E não pela primeira vez, ele teve
aquela sensação estranha de que a tinha conhecido antes. Ou alguém como ela. Ele simplesmente
não conseguia descobrir onde.
— Não há razão para confiar, — ela respondeu com aquela voz aveludada, o que sempre o
excitava. — Mas se eu estiver certa, e você não deixar que eu te ajude, você vai morrer. Nem
mesmo seus genes sobre-humanos pode curá-lo disso.
Parte dele queria morrer, acabar com este inferno, mas a outra parte não estava pronta.
Porque ele ainda não tinha descoberto como levar Zagreus com ele.
Ela pegou o cobertor de novo, e desta vez deixou, não porque confiasse nela, mas porque
percebeu que ela não estava totalmente mentindo. Havia algo de errado com ele, algum tipo de
infecção deixando-o mais fraco do que deveria. Algo que deveria ter curado por conta própria.
Ela empurrou o cobertor de lado para revelar a sua perna nua. O ar frio tomou conta de sua
pele, lembrando-o que estava nu sob o tecido e coberto de uma fina camada de suor. Um arrepio
acumulou seu corpo.
Mas a frio foi rapidamente substituído por calor. Surpreso, ele olhou para baixo para vê-la
ajoelhada à sua frente, como as ninfas de ontem. Mas, ao contrário delas, ela não estava brincando.
Seus dedos macios cuidadosamente removeram a bandagem em torno da coxa, uma que não se
lembrava de ter sido colocada lá. E cada toque de sua mão contra sua perna despertava consciência
por seus membros.
Ela puxou o pano, em seguida, seu toque morno, elétrico, em um corte irregular já em
processo de cura.
— Hmm. — Ela se afastou e ar frio o varreu de novo, mas depois ela estava de volta,
ajoelhando-se à sua frente, mais uma vez, o corpo a centímetros do dele, seu toque quente
mandando outro arrepio em seu corpo, desta vez não pela temperatura.
O sangue correu para seu pênis, provando que não estava tão doente quanto pensava. Lutou
contra a reação de seu corpo quando seu hálito quente fez cócegas em sua pele, fazendo com que os

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pelos de sua perna se eriçassem. Ela deslizou algum tipo de pomada sobre a incisão, e ele respirou
fundo quando o formigamento quente espalhou por sua pele e permeou os músculos. Mas não foi
direto para sua virilha como ontem. Esse era um calor de cura, não um estimulante. Pelo menos o
bálsamo era. Ela era outra questão.
Ele ficou em silêncio enquanto ela limpava as mãos em um pano, em seguida, estendeu a
mão para bandagens novas de uma bolsa perto de seus pés. Seu cabelo loiro pendurado pelos
ombros, uma mecha azul larga roçava sua têmpora quando ela olhou para o seu trabalho. Sua pele
era tons mais escuros do que a dele, como caramelo quente amanteigado, e ficou fascinado com o
contraste. Fascinado novamente por ela, quem ela era, como veio parar nesse buraco, e o que estava
fazendo com um tarado como Zagreus.
— Você cheira como ele, — ele murmurou.
— E você cheira a suor, — ela respondeu, sem olhar para cima. — Nenhum de nós
receberá um prêmio pela forma como sentimos o cheiro.
Por alguma razão, isso aliviou o nó crescendo na boca do estômago. Então viu as marcas
em seus pulsos. Cortes e contusões que conhecia muito bem, porque convivia com eles diariamente
graças às restrições. Cortes e contusões que não estavam em sua pele antes.
— O que aconteceu com os pulsos?
Seus dedos vacilaram na bandagem, então retomou o trabalho até terminar. — Nada.
Besteira se isso não era nada. Seu olhar viajou de seus braços, para o grande colarinho da
camiseta de mangas compridas que usava. O colarinho estava aberto, mostrando apenas um toque
de pele acima dos seios. Pele que também parecia inflamada. Estendendo a mão, com as mãos
algemadas, enganchou o dedo no colarinho e puxou para que pudesse ver melhor.
Ela foi atingida ali, com um açoite ou chicote, não poderia dizer qual.
Ela empurrou para trás e bateu com a mão sobre o peito, apertando a camiseta. Descrença
brilhou em seus olhos, seguida de uma rápida explosão de horror que mascarou rapidamente.
Ela se levantou e olhou para ele. — Poderia bater em você por isso.
— Você já bateu. — E, de repente, uma surra era a menor das suas preocupações. Seu
olhar saltou para os pulsos. — O que ele fez com você?
Ela agarrou seus suprimentos do chão e os empurrou na bolsa, desviando os olhos,
movendo-se rapidamente agora para ficar longe dele. — Nada que eu não tivesse pedido para fazer.
Isso atingiu um nervo. Havia mais que não estava dizendo. Muito mais. Aquela sensação
de que ela era tão prisioneira quando ele nesse inferno se chocou novamente.

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— Sua infecção baixou, — disse ela, ainda sem olhar em sua direção. — Você vai ficar
bem amanhã.
Ela agarrou a bolsa, foi até a porta, e deslizou a chave na fechadura do lado de dentro. Nick
queria perguntar por que, exatamente, eles o estavam curando, mas então seu olhar rolou sobre ela.
Sobre sua aparência exausta, os círculos escuros sob seus olhos, e seu cabelo despenteado. E
percebeu que ela estava exausta. Obviamente, não dormiu muito, e tinha que ser de madrugada. Ela
veio a ele em algum momento no meio da noite e ficou.
Ele queria perguntar por que. Por que ela, por que não enviou outra pessoa, por que ainda
se importava se ele estava vivo ou morto. Mas não podia. Porque parte dele não queria ouvir a
resposta. E outra parte, a parte escura, não queria lhe dar nenhuma razão para nunca mais voltar.
Metal raspou metal, as dobradiças rangeram, e então a pesada porta de aço abriu para
dentro. Ela deu um passo para o corredor.
— Cynna.
Seus pés se pararam, mas ela não se virou. E no silêncio, o pulso de Nick disparou. Era a
primeira vez que dizia seu nome, e gostou do som. Gostou do modo que rolou de sua língua.
Gostou, mais do que qualquer coisa, que ela reagisse. E, de repente queria ouvi-la dizer o nome dele
de volta com aquela voz pecaminosa. Só uma vez.
Sua garganta ficou grossa, e desejo queimou através de seu corpo. Um desejo que ele agora
sabia que estava focado apenas nela. — Obrigado.
Ela não respondeu. Não esperava que respondesse. Mas seu corpo estava quente e apertado
de qualquer forma. E, quando a porta da cela soou fechando em seu rastro, uma verdade amarga
ecoou.
Ele a queria. A queria espalhada nua e diante dele, gritando em sua voz sexy de
dominatrix. A queria de joelhos, deixando-o louco em sua boca pecaminosa, a queria amarrada e
curvada, tremendo de suas estocadas profundas. Queria mesmo sabendo que isso seria pervertido de
todas as maneiras imagináveis e que ela provavelmente seria a única pessoa que ele devia odiar
acima de todas as outras. Mas não podia deixar de querê-la. Porque querê-la lhe deu algo no que
concentrar.
E porque, pela primeira vez, em não sabia quanto tempo, queria alguém que não fosse sua
alma gêmea.

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Capítulo 5

— Essa não é a resposta que eu estava esperando ouvir.


Em pé no escritório palaciano do Zagreus, Hades, o deus-rei do Inframundo e pai de
Zagreus dor-na-bunda, afastou-se da visão subaquática de vidro que estava olhando e prendeu seu
filho com um olhar mordaz.
Zagreus lutou para desviar os olhos e deu um passo para trás em sua cadeira. — Essas
coisas levam tempo. Você o trouxe aqui por um motivo. Você não pode apressar a perfeição.
Hades virou totalmente para encará-lo. — Você já teve seis meses. A força dele está
aumentando, posso senti-lo, mas você ainda tem que quebrá-lo. Se puder fazê-lo logo, serei
obrigado a levá-lo de volta.
Zagreus bufou. Hades nunca levaria Nick para o Inframundo. Com Nick mais perto de
Krónos, o mais provável é que o deus mais velho descobrisse e enviasse um de seus asseclas do
Tártaro para raptá-lo. Então, todo o inferno, literalmente, seria liberado. Não, Hades não correria o
risco de perder seu prêmio para seu pai, o que significava que Nick ficaria com ele até que o
trabalho terminasse.
— Eu não tenho que levá-lo para o Inframundo, — Hades disse, lendo a mente de seu
filho. — Eu poderia deixar sua mãe terminar o que começou.
Ah, não. De jeito nenhum. Zagreus sentou a frente e bateu com a mão contra a mesa de
pedra, odiando mais do que qualquer coisa que seu pai estivesse lendo sua mente e evocando
poderes que não podia bloqueá-lo. Não entregaria Nick a Perséfone, a Rainha dos Mortos. Ela tinha
tanta fome de poder como Hades e os trairia num piscar de olhos para ter acesso a poderes de
Krónos. — Ela não vai tocá-lo. Ele é meu.
Hades atravessou o cômodo numa nuvem negra e bateu as palmas das mãos sobre a mesa,
elevando-se sobre seu filho em uma fúria escura. — Não, ele é meu. E você não vai esquecer tão
cedo esse fato, ou vou arrancar de você a única coisa que você mais gosta neste mundo.
Zagreus olhou para seu pai, uma mistura de malícia e ódio correndo em suas veias. —
Você não ousaria.
— Empurre-me, e você vai descobrir exatamente o quanto eu ouso.

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Zagreus não queria outra coisa a não ser empurrar a porra seu pai direto para fora deste
mundo, mas até que quebrasse Nick e se aproveitasse dos poderes não utilizados do semideus para
si mesmo, ele nunca seria capaz de fazer isso. Hades era muito forte, e mesmo que Zagreus fosse
um deus, não conseguiria bater seu pai. Não em força, pelo menos. Na astúcia, porém, aprendeu
com o mestre e estava determinado a vencer este jogo.
Ele relaxou de volta em sua cadeira, fingindo indiferença. — Não me importo com o que
acontece com o semideus. Simplesmente não quero ver Mamãe afundar suas garras nele. Não há
como dizer o que ela iria desencadear.
— Nem eu, — disse Hades, endireitando-se. — Sua mãe é a minha última escolha, é por
isso que o trouxe para você primeiro. Temos um acordo, filho. Não me faça lembra-lo a você.
Um acordo que pendia fortemente para o lado de Hades. — Sirva-me ou destruo tudo que
você construiu. — Quem no seu perfeito juízo diria não a isso?
Zagreus tamborilou com os dedos ao longo de mesa de pedra, lutando contra o seu
desprezo. — Não esqueci o acordo. E estou vivendo para o meu fim. Ele vai quebrar em breve.
— Você tem um mês, — Hades anunciou. — Um mês para terminar o que comecei, ou
virei reclamá-lo. Saberei o momento em que seus poderes forem liberados, então não tente me
ferrar com isso.
Hades conhecia seu filho também, mas Zagreus não planejava trair o deus pelos motivos
que seu pai esperava. Ele não dava a mínima para o reino humano, a terra Hades e para as terras que
cada um de seus dois irmão, Zeus e Posseidon, reclamaram. Não, queria um reino mais perfeito.
Um mundo mais atraente. Uma raça mais ágil do que os seres humanos insinceros com os quais os
deuses gostavam de brincar. Ele queria Argolea toda para si mesmo.
Hades caminhou até a porta, mas parou antes de chegar ao limiar e olhou para trás. — Para
seu próprio bem, filho, você deve se livrar da mulher.
A fúria que Zagreus mal conteve chicoteou por ele com a força de um furacão. — Você
não vai tocá-la.
— Eu não sonharia com isso. A menos que você me foda. Mas marque minhas palavras.
Você fica macio no que se refere a ela. Se ficar com ela, ela será sua ruína.
— Como a Queridíssima Mamãe é a sua?
Um sorriso severo, malvado, torceu os lábios do deus-rei do Inframundo. — Sua mãe é a
força reencarnada. A fêmea a qual está preso, é nada mais que a destruição. Encontre outra para
foder e livre-se dela antes que ela o arruíne por toda a eternidade.

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Hades desintegrou no éter tão rápido como chegou. E sozinho olhou através da sala escura,
cintilando com uma luz azul-verde da janela subaquática.
Seu pai estava errado. Com Cynna não havia qualquer tipo de destruição. Ela era sua saída.
O farol brilhante de esperança na porra da sua interminável vida de miséria. E ela nunca se atreveria
a enfrentá-lo. Ele fazia questão de lembra-la em uma base contínua.
Mas mesmo quando tentou se convencer dessa verdade, sua mente saltava de volta para a
luta ontem na arena. Pelo jeito que ela observou o prisioneiro abaixo. Para o olhar que estava em
seus olhos. Um olhar que ele notou, mas não pensou muito sobre até naquele momento.
Medo.
Preocupação.
Compaixão.
Os dois primeiros não lhe diziam respeito. Mas o último causou um aperto estranho
concentrado em seu peito.
A energia escura no interior, energia que o mantinha poderoso, brotou como uma vida,
desejando a criatura no fundo de sua alma, envolvendo tentáculos retorcidos em torno de seus
pensamentos, estimulando suas ações. Empurrou a cadeira antes que pudesse impedir-se e saiu
pelas cavernas até encontrar as escadas, em seguida, pulou degraus para chegar ao andar dela.
Não bateu quando chegou ao quarto, simplesmente virou a maçaneta e entrou. As luzes
estavam apagadas, a única iluminação a mesma luz azul-esverdeada misteriosa de uma janela
subaquática muito parecida com a de seu escritório. Olhou ao redor, rosnando, a energia escura
girando a cada segundo que ele não a via. E então ele a viu, dormindo de bruços no meio da cama,
com a cabeça inclinada no travesseiro, seu cabelo loiro derramava sobre suas costas e bloqueava
parcialmente o rosto perfeito.
Cruzando a cama, ele se sentou na beirada do colchão e afastou a mecha azul para longe de
sua têmpora. Ela tinha tirado as botas, nada mais. Estava tão exausta depois que ela deixou seu
quarto ontem à noite, que nem se dera ao trabalho de deitar-se debaixo das cobertas. Seu olhar se
deslizou sobre seu corpo, sobre a saia curta que mostrava suas pernas e a camiseta de mangas
compridas que tinha três tamanhos do dela ela. Uma explosão de alívio correu através dele quando
pegou em cada centímetro delicioso dela.
Lembre-a quem está no controle. Certifique-se de que ela nunca se esqueça...
O pensamento ficou fora de controle. Pensamento escuro, entortado, ira que era alimentada
pela energia sombria que agitava dentro dele, a energia que estava presa no Inframundo e que
alimentava seus poderes. Seus dedos se enredaram nas pontas dos cabelos, e apertou a mão em um

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punho apertado, uma vontade cega para arrancar em seu couro cabeludo, para acordá-la com a dor
que o consumia. Mas lutou contra isso. Ceder a essa energia o manteria forte, mas odiava o
resultado. Odiava o que o fazia fazer. Especialmente para ela.
Lentamente, soltou seu cabelo e alisou os dedos para baixo nos cabelos loiros sedosos.
Marcou uma grande vitória quando ela veio a ele em busca de um acordo, e não podia deixá-la ir.
Não se já esperava se libertar do controle de seu pai. Ele pode perder o seu reino subterrâneo,
poderia até mesmo perder seus sátiros, não se importaria, mas não estava disposto a perdê-la e a
promessa de liberdade que ela tinha se tornado.
— Durma minha doce Cynna. Nós ainda temos muito trabalho a fazer.
Ele afastou da cama e olhou para ela. A energia escura ainda rugia em seu interior, mas
desta vez, ele lutou. Desta vez, ele não ia deixá-la controlá-lo.
Porque desta vez, ele finalmente tinha uma saída.

Cynna não conseguia afastar o frio.


Sentada em uma das extremidades da longa mesa de jantar, enquanto a conversa derivava
em torno dela, ela olhava para o fogo crepitante na grande lareira de pedra e via as chamas
lamberem e pularem sobre a madeira carbonizada. Onde Zagreus conseguia a madeira? Seu covil
estava em um sistema de cavernas subterrâneas. Alguém tinha que sair e trazê-la. Por que não podia
lhe ter sido dado esse trabalho, em vez de ser designada como a senhora da dor e da tortura?
E por que, em nome de todos os deuses Nick lhe agradeceu depois de tudo que fez a ele?
A chama estalava e chiava quando rolava sobre a tora, consumindo-a de fora para dentro.
Sentia-se como aquele pedaço de madeira. Como se não houvesse nada que pudesse fazer para
impedir que o fogo a devorasse. Como se tivesse sido apanhada em uma armadilha e não pudesse
fugir. Como se estivesse destinada a ser nada mais que uma concha fria e escura de seu antigo eu,
tanto quanto aquela madeira se tornaria em cinzas, pela manhã.
Obrigado.
Obrigado.
Outro arrepio lhe percorreu sua coluna. Não merecia o agradecimento de Nick depois das
coisas que fez. Não merecia nada, apenas sua vingança. E de nenhuma maneira ele deve lhe
agradecer por prolongar a sua tortura sem fim.
Obrigado...
— Agapi?

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Demorou alguns segundos para perceber que Zagreus estava falando com ela. Arrancou o
olhar do fogo, olhou para a esquerda, em direção à cabeceira da mesa onde ele estava sentado
recostado no braço de sua cadeira, observando-a, os olhos negros como a noite avaliando-a.
Piscando várias vezes, lutou para engolir e não mostrar qualquer pingo de fraqueza sobre a
qual ele pudesse prevalecer. — Sim?
— Quase não falou hoje à noite. Acha que a sessão não correu bem?
Ele estava falando sobre o tormento de Nick pelas ninfas. Zagreus deu há Nick um dia para
se recuperar após Lykos informar ao deus que seu querido prisioneiro não tinha se curado
corretamente após o uso da pomada. Cynna foi surpreendida pela interrupção na programação, mas
estava tão cansada de tudo, que passou o dia todo dormindo, outro boato que surpreendeu... Zagreus
a deixou descansar. Normalmente, ele não pensa em seus desejos ou necessidades.
Lykos a olhou, sentado à sua frente. Ela também ficou consternada ao saber que o sátiro
não informou Zagreus que ela passou a noite na cela de Nick cuidando dele. Não tinha certeza quais
eram os motivos de Lykos, mas também não estava a ponto de perguntar.
Forçou a imagem da tortura de Nick de sua mente. Não podia pensar nisso. Mal foi capaz
de manter seu estômago estando na mesma sala. A única maneira que foi capaz de passar por isso
foi levar sua mente para longe, como sempre fazia quando alguém era torturado em sua frente. Mas
mesmo agora, depois de um dia inteiro, podia ouvir seus gemidos estrangulados. Podia sentir o
barulho de suas correntes nas paredes de rocha ao seu redor. E a qualquer momento, esperava seu
corpo romper em suor frio, o mesmo que revestia a pele pálida.
Ela era uma covarde. Sabia disso. Por não se levantar contra Zagreus, por deixar isso
continuar, por não fazer nada para ajudar aqueles que sofrem nas masmorras abaixo.
Obrigado...
— Agapi?
Piscando rapidamente, olhou a esquerda novamente. Para expressão curiosa de Zagreus.
Santa Skata. Precisava se concentrar no aqui e agora. Precisava se recompor e lembrar o
que era importante. Precisava mais do que qualquer coisa, sair desta sala de jantar maldita e longe
de Zagreus antes de ele ver sua vulnerabilidade e atacar.
— Como a sessão foi não importa, — disse ela em uma voz que trabalhou para ser
indiferente.
— E por que isso, minha Cynna? — Zagreus pegou a garrafa e voltou a encher sua taça de
vinho. — Eu vi o que essas ninfas estavam fazendo. — Ele sorriu para Lykos. — Nenhum ser
humano pode aguentar muito mais tempo contra aquilo.

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Lykos riu. Ele sabia muito bem o que as ninfas eram capazes se forçadas. Desgraçado.
— Nenhum ser humano aguentaria, — Cynna concordou. — Mas ele não é humano
completamente, agora é ele?
Zagreus colocou cuidadosamente a taça na mesa e a encarou com um olhar severamente
calculado. — O que você está dizendo?
O que estava dizendo? Algo que provavelmente não deveria. Mas estava cansada de curvar
para Zagreus. E seus asseclas. — Ele não vai quebrar com isso. Ele é muito forte.
Os olhos de Zagreus estreitaram afiados e os cabelos finos ao longo de sua nuca ficaram
em pé, ela ergueu o queixo, recusando-se a recuar.
Depois de vários segundos, ele olhou para o sátiro para confirmação. — Lykos?
O olhar aquecido e sorriso rosnado de Lykos lhe disse que ele sabia que ela estava andando
em uma linha muito fina e que ele não podia esperar para vê-la cair do poleiro. Também lhe disse
que ele estaria lá para reclamá-la quando isso acontecesse. — Ele vai quebrar meu príncipe. É só
uma questão de tempo. A fêmea não sabe o que fala.
Cynna estava doente e cansada de suportar a merda de Lycos. Ela bateu a mão na mesa e
se inclinou para frente. — Eu sei mais do que você jamais vai saber sobre as pessoas de seu mundo,
animal.
Todos os músculos do corpo de Lykos ficaram tensos, e um rugido subiu em sua garganta.
Zagreus riu e cortou seu bife sangrento. — Pena que não podemos simplesmente deixar
Cynna com ele. Ela poderia quebrar qualquer homem com essa boca. — Ele pegou um pedaço de
carne com a faca, o seu humor desaparecendo. — O tempo é a questão aqui, agora não é?
Raiva bombeou fora de Lykos em ondas. Ele olhou para Cynna com malícia e desprezo em
seus olhos escuros, mas ela esperou que ele atirasse para ela. Especialmente em frente Zagreus.
Vamos, seu desgraçado, venha para mim, agora.
A mão do sátiro enrolou em um punho contra a superfície de madeira toda arranhada de
cicatrizes da mesa. Ele olhou para Zagreus e de volta para ela, julgando suas chances.
Zagreus mastigou então engoliu em seco e tomou um gole de vinho como se nada estivesse
acontecendo. Ele pode ser duro com ela de vez em quando, mas se um de seus sátiros colocasse a
mão sobre ela, ele rasgaria sua garganta com as mãos nuas. Ela o observou fazê-lo. E não podia
esperar para vê-lo fazê-lo novamente, agora.
Zagreus colocou o vinho no copo. — As ninfas são boas, mas nós temos a necessidade de
intensificar as coisas. Quero ver o progresso. Lykos, você tem mais conhecimento nos talentos
secretos das ninfas do que eu, você pode fazer o trabalho?

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Lykos relaxou em sua cadeira, mas seus olhos ainda produziam fogo. Um incêndio com a
promessa de retribuição. — Nesaea, — ele disse, respondendo o príncipe, mas continuando a olhar
para Cynna. — Ela mostrou uma alta tolerância à dor. Acho que gosta de dar tanto quanto receber.
Zagreus riu e cortou mais um pedaço de carne sangrando. — Eu conheço essa mulher por
mim mesmo.
Isso era tudo que Cynna poderia tomar. Não podia ficar aqui mais um minuto e sobre os
olhares venenosos do Lykos ou ouvir as várias maneiras que ele e Zagreus iam usar as ninfas para
quebrar Nick, ou continuar ignorando quaisquer comentários depreciativos dirigidos a ela.
Ela levantou-se da mesa. — Se você me desculpar.
Utensílios de Zagreus silenciaram sobre o prato. — Mal tocou o seu jantar.
Seu olhar para Lykos. — Eu de repente perdi o apetite.
Zagreus se sentou e a observou. — Você me preocupa agapi. Não gosto de estar
preocupado.
Ela hesitou. A última coisa que precisava era de algum tipo de atenção extra do Príncipe
das Trevas. Mas o que a preocupava mais era o olhar em seus tempestuosos olhos escuros. Um
olhar que vira antes, mas tentou ignorar. Um que insinuava algum tipo de vulnerabilidade. Um
sussurro de... humanidade.
O que era um pensamento estúpido. Não havia humanidade nele. Ele era um demônio.
Gerado a partir Hades. Um que tinha grande prazer na dor e ansiava só por tortura. Encontrar
alguma coisa... qualquer coisa... que redimisse Zagreus apenas sinalizava o quanto a tinha
envolvido em sua mente fodida.
Trabalhando para relaxar a mandíbula, ela forçou o desprezo em sua voz quando disse: —
Não precisa se preocupar. Estou apenas cansada. Eu tive uma noite difícil.
Aquele olhar permaneceu em seus olhos. Só que desta vez ela viu um flash de...
Não, ela tinha que estar errada. O Príncipe das Trevas não poderia se sentir culpado pelo
que fez com ela a noite passada.
Ele piscou, e o olhar passou. Como se nunca tivesse estado lá. Alcançando a sua taça de
vinho, ele disse: — Nesse caso, acho que posso deixar você ir. Dessa vez. — Ele olhou para ela e
piscou. — Descanse meu amor. Preciso de você em excelente forma para o que ainda está por vir.
O estômago de Cynna embrulhou, mas se forçou a não responder. Saindo da sala de jantar,
disse a si mesma que estava apenas cansada, era por isso que estava vendo coisas que não estavam
lá. Caminhou através da porta de pedra, em direção à escada circular no meio do complexo que
levava à liberdade.

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Não, não à liberdade. Uma pausa minúscula do inferno. Algo Nick nunca teria.
A suíte estava escura quando entrou e fechou a porta às suas costas, a única iluminação da
janela subaquática refletia um brilho azul-esverdeado de luz no chão. Seu quarto era um dos
maiores no complexo. Tinha as mesmas paredes de pedra e teto, como qualquer outro quarto, mas
era mais suave, mais feminino, e sabia Zagreus fez um grande esforço para mantê-la bem mimada.
Um tapete branco de pelúcia estava sobre o chão de pedra, uma cama king-size branca com
dossel posicionada ao longo de uma parede. Sua sala de estar composta de duas cadeiras de
tamanho grande e um longo sofá também branco e ao longo da parede oposta estavam seus livros.
Livros de todo o mundo. Histórias de aventuras, romances e mistérios que muitas vezes lia para
relaxar. Histórias que a levavam para longe deste pesadelo e lhe davam outra coisa no que pensar.
Sonhar. Querer.
Mas isso era tudo o que eram. Histórias. Não eram reais. Não havia tal coisa como felizes
para sempre. Sabia disso melhor do que ninguém.
Afastando-se da porta, atravessou o chão e se virou para seu armário. Como o resto de sua
suíte, este era grande, filas e filas de roupas com as quais Zagreus a recompensou por bom
comportamento. Metade delas nunca usara. Mais espartilhos, saias atrevidas e botas de salto agulha,
que a deixavam com dores nos pés? Não, obrigada.
Após retirar seus atuais sapatos de torturas, jogou-os de lado, puxou a saia, e conseguiu
desatar o espartilho de gola alta que comprimia ar suficiente para que ela pudesse desejar estar fora
dele. Arrancou as pulseiras grossas que usou para cobrir as marcas em seus pulsos, chutou tudo de
lado, não se importando onde caíssem, em seguida, caminhou até o banheiro.
Ligou a água e entrou debaixo da ducha. Fechando os olhos, respirou fundo, e então
relaxou quando a água quente bateu sobre a pele. Além de seus livros, este era o único prazer tinha
neste lugar. Mas, mesmo esse pequenino alívio reduziu quando pensou em Nick nas masmorras.
Não tinha nenhum alívio lá, sem chance para descanso, nem mesmo um pingo de esperança para
levá-lo até o dia seguinte.
Apoiando a mão contra a parede de pedra, abriu os olhos enquanto a cascata de água caía
por seu rosto, arrastando a maquiagem com ela. A esperança era uma coisa perigosa. Esperança a
trouxera a Zagreus. Esperança a convenceu a aceitar o acordo. E a esperança a manteve viva, dia
após dia infeliz, porque ele lhe deu algo diferente no que pensar, no quanto sua vida se tornara
miserável.
Mas essa esperança estava desaparecendo. Zagreus não cumpriria o acordo afinal. Viu em
seus olhos na noite passada, quando ela lhe perguntou como iam as coisas sobre seus termos. Ela

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sentiu isso em cada golpe do seu chicote. Mas, principalmente, sentiu no que restou de seu coração.
E quanto mais tempo ficasse aqui... Quanto mais fizesse o que ele ordenasse, sem tomar uma
posição, a mais de si mesma iria perder, até que realmente não fosse nada, apenas, uma brasa fria e
negra como a madeira em sua lareira.
Esta não era quem ela deveria ser. Esta não era a mulher que sua mãe criou. E se quaisquer
uns de seus pais pudessem vê-la agora...
Ela fechou os olhos, baixou a cabeça sob o jato de novo, e franziu os lábios para conter o
gemido dirigiu seu caminho até sua garganta. Fez tudo isso por eles. Mas eles não queriam isso.
Não entenderiam. E a cada minuto que ficasse aqui, se dobrando à vontade de Zagreus, era mais um
minuto, que se afastava do que restava de sua memória.
O que fizemos ontem não importa. É o que fazemos hoje, que determina quem somos.
A voz da mãe rolou por sua mente e seus pensamentos centraram em Nick no calabouço
abaixo.
Não podia libertá-lo. Não podia salvá-lo sem matar os dois. Mas podia fazer algo para
aliviar seu sofrimento. Algo que ninguém mais ousasse fazer.
Os nervos agruparam e reuniram em seu estômago, fazendo com que seu pulso batesse
mais rápido, fazendo com que sua respiração acelerasse. Abriu os olhos e olhou para as pedras à sua
frente, enquanto seu coração batia forte, perguntando se realmente teria forças para ir até o fim.

Capítulo 6

Sentado no chão, em sua cela, as costas apoiadas contra as pedras frias, Nick olhou através
da escuridão para o teto acima de sua cabeça.
Não podia vê-lo, mas sabia que as correntes de seus pulsos algemados atravessavam os
ganchos no teto, e depois desapareciam em tubos pequenos altos ao longo da parede. Agora as
correntes estavam soltas, permitindo uma folga suficiente para que pudesse se sentar e se mover em
torno da metade de trás da sala, mas o tensor era controlado por um botão perto da porta da cela.
Um botão para o qual olhou por horas e horas, tentando descobrir como em todo o inferno que
pudesse acessá-lo a partir da evidência que tinha em toda a cela.

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Seu olhar desviou para os braços apoiados nos joelhos dobrados, em seguida, para as
algemas de metal, pouco visíveis no escuro. Uma única luz brilhava por debaixo da porta e a uma
pequena janela que dava para o corredor, mas era o suficiente para que pudesse ver as mãos
calejadas quando virou os pulsos, em seguida, as crostas sobre as dorso das mãos.
O texto grego antigo percorria os braços e entrelaçavam os dedos. O texto que o marcava
como um argonauta. O texto que ditava a sua vida até que foi trazido para cá, o fez o pensar que
poderia ser um líder para o seu povo, o fez pensar que era uma coisa honrosa.
Mas não era honrado. Não era nem um Argonauta. Era filho de Krónos, que, por uma
espécie de forma doentia explicava muita coisa, e apenas esse pensamento virou o estômago, agora
mesmo não era contrário ao pequeno poder de seu suposto pai. Porque se pudesse descobrir como
diabos aproveitar alguns desses dons onipotentes que Zagreus achava que tinha nele, poderia sair
desse inferno e chutar a merda sobre o Príncipe das Trevas e qualquer outro deus que entrasse em
seu caminho.
Metal raspou metal em toda a sala. Levantando a cabeça, Nick se esticou e olhou através
da escuridão para ver o que estava acontecendo.
A porta rangeu, e as tochas do corredor inundou a abertura, forçando-o a piscar várias
vezes com o aumento da luz. Mas não precisa ver quem estava entrando para saber quem era. Podia
sentir o cheiro dela. O doce aroma de jasmim precedia em todos os lugares que ela ia, e todo o seu
corpo respondeu em um instante, apertando com antecipação.
— Levante. — Aveludada voz de Cynna deslizou sobre ele como uma carícia, trazendo
cada centímetro de sua pele a vida.
Lentamente, ele ficou de pé, as correntes em seus pulsos chacoalhando enquanto ele se
movia. Tortura durante a noite não era uma surpresa. Tinha aprendido a não relaxar, mesmo na
escuridão absoluta, porque nunca sabia quando eles vinham buscá-lo, mas ela estar aqui agora foi
um choque. Como foi o fato de a porta se fechar atrás dela, prendendo-os em paz.
A cela ficou escura novamente. Ela empurrou o botão na parede perto da porta, e o tensor
das correntes apertou, arrastando os braços para cima e para longe de seu corpo, forçando-o a sair
da parede. Ela deixou o zumbido do motor por alguns segundos enquanto seus braços estavam
erguidos, em seguida, apertou Pare quando os cotovelos estavam em um ângulo reto. Não
exatamente confortável, mas não tão doloroso como quando os sátiros erguiam os braços sobre a
cabeça, puxando as suas bases, fazendo-o lutar para manter-se de pé.
As pedras eram frias sob as solas dos pés, a brisa correu por sua espinha. Hoje, felizmente,
ele não estava nu para começar. As calças de cordão de algodão podiam ser finas, mas dava pelo

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menos, um pouco de proteção contra qualquer coisa que estivesse por vir. Movendo seus braços,
envolveu as mãos em torno das correntes em busca de equilíbrio. Tecido sussurrou, e em seguida, a
tocha na parede distante queimou à vida, lançando a iluminação quente sobre a cela. Desviou o
olhar quando seus olhos se ajustaram à luz, então deslizou lentamente seu olhar na direção dela e
quase engoliu a língua.
Ela não estava adornada com seu traje habitual dominatrix. Hoje à noite seu cabelo loiro
estava preso em um rabo simples, mostrando a linha flexível de sua mandíbula, e seu rosto estava
limpo de maquiagem, fazendo-a parecer anos mais jovem do que antes. Em vez de o espartilho
colante e saia minúscula que sempre usava, estava vestida com uma fina camiseta preta e larga,
calças leve de pijama de algodão rosa que acentuavam suas curvas naturais. Mas o que o
surpreendeu mais foi o fato de seus pés estavam descalços como o dele. Como se ela não tivesse
planejado vir ao calabouço esta noite. Como se tivesse apressada e esqueceu os sapatos.
Ele olhou para ela com atenção, querendo saber o que ela estava fazendo, perguntando-se o
que tinha planejado. Além da outra noite, quando ele estava doente e ela cuidou de seu ferimento,
ela nunca veio sozinha. Calmamente, ela colocou um pequeno saco no chão, perto da porta, retirou
algo que ele não pode ver e guardou em seu bolso, em seguida, tirou uma garrafa de plástico branca
e se virou para encará-lo.
Seus olhos escuros encontraram o dele e compreendeu. Olhos não pareciam tão vazios e
mortos como foram nos últimos dias. Ela girou a garrafa em sua mão várias vezes, em seguida, deu
um passo adiante. Calor se reuniu em sua barriga e deslizou baixo quando ela se aproximou, e sua
pele se arrepiou com a perspectiva de seu toque. Um toque que não deveria querer, mas a respeito
do qual não conseguia parar de fantasiar.
O calor abafado rodeou enquanto ela se aproximava. Ela destampou a garrafa e a estendeu
aos lábios. — Beba.
Quando ele hesitou, ela inclinou a cabeça, e algo suave passou por cima de seus olhos.
Algo que ele não conseguia ler. — É só água. Eu juro.
Sua boca estava seca de repente. A água fresca era uma raridade neste lugar. Uma que ele
desejava.
Ela pressionou a ponta da garrafa aos lábios, e ele abriu lentamente, sentindo o plástico liso
contra sua pele. Em uma corrida, água fresca, clara tomou conta de sua língua, inundando sua boca,
despertando suas papilas gustativas, fazendo-o gemer.

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Um lado de seus lábios ergueu apenas um toque, o suficiente para mudar toda a aparência
de seu rosto. Em um instante, ela passou de dura e cansada para suave e... linda. — Eu acho que é
seguro dizer que você gosta.
Ele gostava. Mas não apenas a água. Gostava que fosse ela a pessoa a coloca-la em sua
boca. O sangue correu de sua barriga em seu pênis enquanto a observava encará-lo. E emoção que
sabia que não deveria sentir energizou seu corpo e fez o seu pulso bater duro em suas artérias.
— Cuidado, — disse ela com aquela voz sexy, sedutora quando puxou a garrafa de água.
— Não quero que fique doente.
Ficar doente era a última coisa em sua mente. De repente ela se tornou o centro de tudo.
Ele lambeu os lábios enquanto ela tampou a garrafa e a colocou no chão, observando cada
movimento dela.
Respirando fundo, ela estava na frente dele mais uma vez e acenou com a cabeça em
direção a sua perna. — Preciso verificar sua ferida.
Ela não esperou por sua resposta, simplesmente abaixou no chão e apoiou as mãos sobre as
coxas. E no silêncio, enquanto esperava que o primeiro toque, Nick não pode evitar a não ser pensar
nas ninfas ajoelhadas à sua frente ontem, como ela agora, a forma como elas haviam roubado sua
toalha, as coisas que elas fizeram com as mãos e bocas.
Seu pênis endureceu e cresceu, mas não com a lembrança. Não, agora era puramente com a
perspectiva de ver Cynna ajoelhada tão submissa à sua frente, preparando-se para tocá-lo de
qualquer maneira que ela quisesse.
E Skata, o quanto pervertido era que ele soubesse que algum tipo de tortura estava
chegando, mas ele não podia esperar para ver o que ela faria em seguida?
Seu pulso rugiu enquanto seus dedos suaves seguravam a barra de sua perna esquerda da
calça. As calças eram soltas o suficiente para empurrar o algodão fino até o joelho, além de sua
ferida. Toda sua pele formigou quando ela levantou o tecido, e ele engoliu em seco, lutando contra a
reação de seu corpo traidor. Só quando ela ajuntou o tecido em torno de sua coxa se deu conta que
seus tornozelos não estavam algemados, como esteve ontem.
Estava sempre acorrentado, braços, pernas, e os guardas o conheciam para nunca chegar
perto o suficiente de sua boca, onde ele poderia morder. Mas esta noite, ela tinha esquecido que ele
era capaz de retaliação, ou ela simplesmente não ligava. Se ele quisesse, poderia envolver suas
pernas em volta dela e tirar a vida dela em questão de segundos.
Mas, mesmo com o pensamento circulando, ele sabia que não o faria. Não porque ela não
merecesse isso depois de tudo que ela o fez passar, mas porque aquele lugar escuro dentro dele

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estava ansioso para ver onde isso estava indo. E por que cada vez que os dedos sedosos roçavam
sua pele, as vibrações elétricas atiravam através de seus membros e eram melhores do que qualquer
coisa que já sentiu há muito tempo, mesmo se estivesse acorrentado e completamente à sua mercê.
Mesmo sabendo as coisas poderia virar direto para a merda.
Ela libertou o curativo e lentamente desenrolou a bandagem em torno de sua coxa. Quando
o último do algodão se soltou, o ar frio tomou conta de sua pele, mas foi imediatamente substituído
pelo calor quando ela moveu a frente para dar uma boa olhada em sua ferida. E só de vê-la inclinar-
se assim, tão perto de sua virilha, seu hálito quente atingindo a pele sensível da parte interna da
coxa, seu pau pulsava e crescia dolorosamente duro.
— Parece melhor. — Ela apertou os dedos ao redor do ferimento. A dor surda irradiou para
fora do local, mas foi rapidamente substituída pelo calor de seus dedos e mais dessas minúsculas
vibrações elétricas que se sentiam tão bem.
Lentamente, ela baixou a mão e recuou em seus calcanhares. — Cortar a ferida,
obviamente funcionou.
A perna da calça caiu, cobrindo a pele mais uma vez. A decepção foi rápida. Queria que
ela o tocasse. Não importava se fosse apenas sua ferida. Queria essas mãos em seu corpo, em
qualquer lugar. Em todos os lugares.
Empurrando os joelhos, levantou-se a seus pés, em seguida, caminhou em torno de suas
costas. Seus músculos agruparam quando ele não podia mais vê-la, mas podia senti-la. Perto. Mais
uma vez o calor do corpo dela pairou sobre ele, seguido por seu hálito quente, sedutor roçando a
pele sensível de sua nuca.
— Isso parece muito melhor. — Seus dedos pousaram contra o ferimento no ombro direito
superior, e um tremor incontrolável correu por sua espinha.
Sua mão parou. — Você está com frio?
Frio? De jeito nenhum no Hades. Estava fudidamente quente. Quente, duro e doendo
agora. E mesmo que soubesse que não deveria estar, não queria que ela parasse.
— Não, — ele conseguiu dizer com a voz grossa e pesada de desejo. Ela ouviu? Ela não
fez nenhum movimento abertamente sexual, mas já estava mais do que tinha estado com as ninfas,
apesar dela não usar nenhuma das técnicas que conhecia e estava apenas tocando-o. E ela tinha que
saber. As calças de algodão finas não estavam escondendo nada.
— A pomada conteve a infecção em sua ferida, — disse ela, sondando as bordas do corte
nas costas tanto como ela tinha feito em sua coxa. — Não tenho dúvida de que você teria curado
bem sem ela. Esta não estava tão ruim, mas a lesão na coxa precisava ser reaberta.

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— O que havia na pomada? — Ele queria mantê-la falando. Se ela estava oferecendo
informações, ele ia usá-las.
— Ervas da cura que selaram suas feridas.
E...?
— E, — ela continuou como se tivesse ouvido o seu pensamento, — um produto químico
para melhorar a sua reação.
Isso explicava o calor. E o fato de que ficou instantaneamente duro mesmo que essas
ninfas não lhe interessavam nem um pouco. Também explicava como elas foram capazes de mantê-
lo no limite de liberar por horas.
Negação do orgasmo era uma técnica de tortura eficaz. Zagreus, obviamente, não foi capaz
de quebrá-lo fisicamente, então estava tentando quebrá-lo sexualmente. Nick só tinha passado por
uma sessão, mas apenas essa foi pior do que toda a merda física que foi submetido nos seis meses
que esteve aqui. Não tinha certeza de como iria fazê-lo através meses deste tipo de tortura, sem
perder a cabeça, especialmente apenas olhando para Cynna, apenas cheirando seu perfume
selvagem e sabendo que ela estava observando-o ficar instantaneamente duro, no início de cada
sessão isso tornaria tudo muito mais fácil para as ninfas.
Seus dedos se moviam da ferida nas costas para sua coluna, em seguida, delicadamente
traçou uma linha no topo de suas calças de cintura baixa com cordão, forçando outro tremor se
acumular em seu corpo. — Você tem muitas cicatrizes. Cicatrizes que estavam aqui muito antes de
Zagreus trazê-lo a este lugar. Eu vi essas antes. Ou outras como eles. Onde você as obteve?
Choque registou. Que ela tivesse notado. Que estava perguntando. Estava com a resposta
na ponta da língua, mas segurou-a, sem saber o que ela estava procurando. Mesmo que não fez nada
para atormentá-lo, sabia muito bem que havia outras maneiras de torturar um prisioneiro. Formas
mentais que iria foder com a cabeça. E, embora ela estivesse totalmente quente e cada parte dele
queria desesperadamente seu toque, não estava disposto a dar-lhe alguma vantagem.
Não respondeu, e, no silêncio, ela arrastou as mãos para trás até o pescoço, em seguida,
para o seu maxilar. E então, muito gentilmente, ela deslizou os dedos sobre a cicatriz irregular que
correu pelo lado esquerdo do rosto e terminou perto do canto da boca.
Ele endureceu. Seu pulso batia forte no silêncio.
— As cicatrizes são tatuagens com histórias mais sombrias, — ela disse em voz baixa,
traçando a pele irregular até a borda dos lábios. — Pergunto-me o que esta diria se pudesse falar.
Ele esperou que ela perguntasse. Esperou por mais, mas nunca veio. Suspirando, ela
levantou a mão do rosto e colocou de volta em seu ombro, em seguida, seus dedos roçaram

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suavemente em suas costas de uma maneira lânguida, sensual que fez os pelos em pele levantar e
outra onda arrepio em sua espinha.
— Seu desafio constante frustra Zagreus, — disse ela. — Ele sente que você está ficando
mais forte. Ele vai dobrar seus esforços em breve.
Frustrar o cérebro de merda de Zagreus era o maior prazer que Nick tinha. Ele zombou. —
Eu acho que ele já dobrou seus esforços ontem.
Suas mãos deslizaram em seus ombros, e deuses, sentiu-se bem, como se estivesse fazendo
cócegas em sua pele. Lutou para fechar os olhos e relaxar nas sensações correndo para cima e para
baixo sua espinha.
— Ontem foi apenas uma amostra do que ele tem planejado para você. As fêmeas que
estão presas aqui são ninfas Maenads, treinadas pelo deus Dionísio. Elas prosperam na energia
sexual. Ele vai usá-las em você de novo e de novo até que você não aguenta mais.
Então, as ninfas não eram participantes dispostas, tal como adivinhou. Eram prisioneiras
também, forçadas a fazer algo que provavelmente não queriam, mas não podia parar, uma vez que
seguia o curso.
Como Cynna?
Seu toque fez a sua mente pular para o que ela estava fazendo agora. E isso o fez pensar
que tinha aguentado.
Morte por sexo. Embora gostasse de sexo tanto quanto os sátiros, ele tinha muito de seus
próprios desejos mais escuros centrados em torno de Cynna hoje, o pensamento de ser torturado
assim, por essas mulheres virou o estômago.
Suas mãos deslizaram por baixo dos braços e ao redor de suas costelas até que descansou
contra seu peito. Então ela se aproximou, seu calor penetrando suas costas, os seios suculentos
pressionando contra sua coluna, quadris magros que embalam sua bunda. E senti-la tão perto deu
um nó em sua função cerebral, trouxe toda a sua atenção para onde ela tocou, deixando de lado
todos os outros pensamentos. Seu pulso acelerou, e atirou calor por debaixo de suas mãos, a sua
barriga e diretamente em sua virilha, deixando-o ainda mais grosso e mais duro.
— Ele quer que você quebre, — ela sussurrou perto de seu ouvido. Os dedos da mão
direita deslizaram mais baixo até que roçou seu mamilo. Seu pênis saltou, e seu estômago cedeu
como a eletricidade que arqueou do local e ricocheteou em suas bolas. — Ele está esperando você
quebrar então ele pode ter o que há dentro de você.
Seus dedos rolou seu mamilo já um pico duro, e Nick mordeu os lábios e lutou contra o
gemido com a emoção erótica. Sabia que Zagreus estava esperando de alguma forma que pudesse

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aproveitar os poderes que Krónos havia escondido dentro dele para guardá-los, mas não sabia como
Zagreus planejava fazer isso, ou o que implicaria.
Ele abriu a boca para perguntar, mas Cynna arrastou a outra mão para seu mamilo oposto,
torcendo e beliscando, da mesma forma, distraindo-o de sua pergunta. A dor misturada com prazer
enviou uma explosão de desejo carnal por todo seu corpo. Instintivamente, ele balançou os quadris
para frente, querendo atrito lá, querendo que ela toque mais baixo.
A respiração dela falhou. Foi tão sutil que quase não ouviu. Mas foi o suficiente para evitar
que cedesse. De deixar ir a maneira como seu corpo queria.
Ela raspou as unhas em seu mamilo, enviando faíscas de prazer e dor através de sua pele, e
ele mordeu o lábio. Contra seu ouvido, seu hálito quente irradiava calor, causando mais tremores
através de seus membros. — Você não pode deixar isso acontecer. Não importa o que ele queira,
não dê a ele.
Ceda... Não ceda... Ela estava enviando mensagens confusas, dizendo-lhe uma coisa num
dia e outra no outro. Tentou entender o que ela estava fazendo, mas não podia porque a neblina de
excitação foi nublando tudo, especialmente sua capacidade de pensar.
Ela está fodendo com sua cabeça. Zagreus mandou. Não caia em seus jogos. Mantenha o
controle.
Ele rangeu os dentes contra seus dedos continuando a provocar e atormentar seus mamilos
já sensíveis. Trabalhou como o inferno para não se perder o que estava fazendo ao seu corpo. —
Quando você esteve aqui com as ninfas, você me disse que eu não poderia aguentar. Isso foi apenas
algum tempo. Por que a mudança de atitude?
— Eu disse que o que ele queria que você ouvisse. Ele estava observando.
E Zagreus não estava assistindo agora? Nick não tinha certeza se acreditava nisso. O filho
da puta sempre parecia saber o que estava acontecendo em seu covil.
— Por que está me dizendo tudo isso?
Seus dedos se acalmaram contra seus mamilos. — Porque seu desafio dá aos outros
esperança. E esperança é algo sem o qual muitos tem vivido aqui por muito tempo.
Suas palavras foram tão silenciosas, um sussurro tão sutil, que quase não as ouviu. Mas
eram reais. Ecoando em sua cabeça, irradiando para baixo por seu peito, despertando algo lá dentro,
que ele achava que estava morto. E embora não quisesse acreditar, uma sensação sinistra em suas
entranhas lhe disse que a esperança da qual ela falava não era para os outros, mas para ela.
Mil perguntas passaram por sua mente, quem ela realmente era, como acabara neste
buraco, o que diabos estava fazendo com Zagreus, mas todas chegavam a um ponto insuportável

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quando os dedos tentadores começaram a se mover para sul, ao longo do seu abdômen, em direção
à borda de suas calças de algodão finas.
Respirou fundo e segurou. Calor se reuniu sob os dedos, penetrando na pele de sua barriga,
levando sua excitação a outro patamar pecaminoso. Finalmente, ela alcançou o cordão na cintura,
encontrou uma extremidade, e puxou.
Cada gota de sangue de seu corpo pareceu reunir-se em sua virilha. Seu pênis pulsava
dolorido para ser tocado. Seu estômago cedeu. Sua respiração superficial acelerou quando ela
puxou o laço, então calmamente colocou a mão, deslizando os dedos tentadores sob o algodão, em
seguida, para baixo até que as pontas roçaram a base de seu pênis.
Seus dentes afundaram em seu lábio inferior, e agarrou as correntes bem acima de sua
cabeça para não gemer. Mas isso não a impediu. O pequeno suspiro atrás dele fez seu pênis se
contorcer contra seus dedos.
A mão em seu peito caiu para os quadris, empurrando as calças baixo, liberando sua
ereção. Mas, em vez de agarra-la como ele queria, ela o soltou e puxou as mãos para trás. Algo
clicou no silêncio.
Ficou tenso, sem saber o que ela planejava. Em seguida, as mãos retornaram. Ela colocou
os dedos longos e finos em torno de seu pênis e apertou. Só que desta vez estavam escorregadias. E
percebeu, puta merda, ela tinha revestido a palma da mão com lubrificante.
Seus olhos se fecharam, e embora soubesse que não devia, não conseguia parar os quadris
de flexionar para frente, empurrando seu pênis em seu aperto, a aderência molhada.
— Tão duro, — ela sussurrou, arrastando os dedos da outra mão para trás até a torcer e
provocar seu mamilo mais uma vez. — Você doe para se liberar, não é, guerreiro?
Deuses, sim, ele doía. Agora era tudo o que podia pensar. Ela afrouxou seu aperto, deslizou
a mão até a ponta, em seguida, de volta para a base, e a sensação era tão erótica, tão quente que suas
bolas contraíram, e ele balançou em sua mão novamente, querendo que ela se movesse mais rápido,
precisando dela para levá-lo até a borda, mesmo que em algum lugar na parte de trás de sua cabeça,
sabia que ela não iria levá-lo de novo.
Ela o acariciou novamente, base até a ponta, depois hesitou e espalhou o pouquinho de
fluido que vazou livre da ponta para cima e por baixo da cabeça alargada aonde encontrava as
terminações nervosas tensas abaixo. Todo o seu corpo tremia.
— Tão grande, — ela sussurrou com sua voz de dominatrix, sedutora, sexy, direto em seu
ouvido, fechando a mão em torno dele mais uma vez. — Zagreus te odeia por isso também. — Ela
arrastou a mão abaixo de novo, apertou a base, em seguida, deslizou os dedos maiores, bombeando-

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o suavemente, fazendo seu pênis inchar ainda mais. O calor de sua pélvis pressionou contra a sua
bunda, deixando-o completamente louco. — Todas as mulheres aqui fantasiam sobre isso. Sobre vê-
lo gozar. Há poder no sexo. Poder em dar, poder em liberá-lo. Zagreus receia que você tenha esse
poder.
Nick não dava a mínima para Zagreus. Tudo o que podia focar era o deslizamento
escorregadio de sua mão, movendo-se mais rápido, mais apertado ao longo de sua extensão que
estava deixando-o absolutamente selvagem. Ele gemia, não conseguia parar de empurrar em seu
aperto, sentiu sua liberação pressionando tão absolutamente perto.
Só mais um pouco...
Ele empurrou a frente de novo e de novo, não podia deixá-la parar. Queimado mais ardente
do que ele tinha em... sempre.
Mais, mais, mais...
— Sim, é isso. — A mão em seu mamilo beliscou duro, em seguida, liberou. E então ele
sentiu os dedos sedosos fechar em torno de suas bolas e apertou, — Goze guerreiro, goze agora.
Para mim.
O orgasmo disparou de espinha, detonou em suas bolas e explodiu por seu pênis, lhe
roubando a vista, o som, a respiração. Jatos quentes revestiram sua mão, mas ela não parou de
acariciar seu comprimento, não parou de bombear até mesmo enquanto seu corpo se contraía e
tremia com o poder de sua libertação. Foram tão longos meses e meses de frustração, e ela estava
tirando tudo isso, ordenhando-o cada gota, não o deixando até não sobrar nada.
Seu corpo tremia. Sentia cada músculo gasto e enfraquecido. Se não fosse pelas cadeias,
teria entrado em colapso, tinha certeza disso. Finalmente, ela diminuiu seus golpes, mas contra seu
ouvido, seu hálito quente, pecaminoso irradiava, enviando pequenos tremores a cima e a baixo sua
coluna, lembrando-o que não estava sozinho, que não estava no controle, que ela detinha o poder.
Gentilmente, soltou-o e deu um passo para trás. O ar frio tomou conta de sua espinha
umedecida pelo suor, substituindo seu calor sufocante, e roçou seu pênis sensível, fazendo-o tremer.
Ela cruzou o chão e enfiou a mão na bolsa que deixou perto da porta. Não podia ver o que
estava fazendo, mas no silêncio, seu cérebro lentamente começou a clicar novamente em marcha.
De repente ele estava mais vulnerável do que jamais esteve. Se ela quisesse machucá-lo,
torturá-lo, agora que não seria capaz de mentalmente ou fisicamente se preparar. Ficou tenso, tentou
endireitar em suas correntes, tentou se recompor, mas seu corpo ainda não estava escutando. O
orgasmo o destruiu completamente e ainda estava pulsando em cada célula e músculo.

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Ela caminhou de volta para ele, pegou a garrafa que tinha fixado no chão, em seguida,
levantou a água de volta para seus lábios. — Beba.
Abriu a boca e engoliu o refrescante líquido, mantendo os olhos fixos nos dela, sem saber o
que ela tinha planejado. Em sua mão, ela segurava alguma coisa, algo que não conseguia ver.
— Bom. Isso é o suficiente.
Ela baixou a garrafa, em seguida, derramou a água sobre o objeto em sua mão. E então,
com os olhos escuros fixos nos dele, ela se aproximou. Segundos depois, um tecido de algodão
fresco, molhado roçou seu pênis sensível, e ele empurrou.
Olhou para baixo, para onde ela estava limpando os últimos vestígios de sêmen de seu
corpo. Mesmo que estivesse fraco o sangue ainda agrupava em sua virilha com cada toque de seus
dedos. Se ela percebeu, não demonstrou, só continuou o que estava fazendo de forma metódica,
quase clínica. Sem uma palavra, ela o enfiou de volta em suas calças, e os amarrou na cintura.
Seu cérebro estava tendo problemas em recuperar-se da letargia. Continuou esperando que
ela o atacasse, fizesse algo agressivo, o punisse de alguma forma, mas não o fez. Depois de amarrar
as calças, ela jogou o pano em sua bolsa, em seguida, apertou o botão perto da parede. O motor no
teto cantarolou, e suas correntes folgaram, deixando cair os braços para os lados. Ele gemeu pela
dor em seus músculos, tentou se segurar, mas suas pernas estavam fracas, e ele obedeceu a seu
corpo e caiu no chão contra a parede. Alcançando a sua bolsa do chão, ela a atirou por cima do
ombro, em seguida, deslizou uma pequena chave na fechadura da porta.
— Descanse enquanto pode, — disse ela sem se virar. — E beba.
Olhou a garrafa de água que ela deixou ao seu alcance, em seguida, de volta para ela. A luz
da tocha caiu sobre ela, destacando o cabelo loiro que sabia não era sua cor real, fazendo sua pele
parecer ainda mais escura. — Não tenho a menor ideia de que horas elas virão amanhã.
Ela abriu a porta da cela. O metal gemeu. E o peito apertou quando ele percebeu que ela
estava indo embora. Depois de não puni-lo como esperava, mas dar prazer a ele.
— Por que?
Era a única palavra que pôde sair. Sua garganta estava grossa, seu cérebro ainda nebuloso,
mas nada disso, nada do que ela fez na noite passada, quando cuidou de seu ferimento ou hoje à
noite, quando ela o levou a um clímax alucinante, fazia sentido.
Ela hesitou, com uma mão na maçaneta da porta, em seguida, virou a cabeça de volta para
a cela, apenas o suficiente para que pudesse ver a linha flexível de sua mandíbula e a perfeição de
seus lábios gordos. Mas ela não encontrou seus olhos. E como tinha antes, aquela sensação de que
ela era tão prisioneira como ele o acertou.

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O que seria pior? Ser torturado? Ou, ser forçado a torturar os outros e viver com o
consciência do que fez, dia após dia miserável?
— Porque eu não sou o monstro que Zagreus é, — ela sussurrou. — Ainda não.

Capítulo 7

Cynna estava tremendo quando conseguiu voltar para seu quarto.


Ela largou a bolsa no chão, fechou a porta com um estalo, e se recostou contra a madeira
fria, com falta de ar.
O que acabou de fazer... Isso ia contra tudo que Zagreus havia ordenado que fizesse.
Levantou uma mão trêmula na testa e parou. O cheiro de Nick estava sobre ela. Seu corpo
cantarolava com a excitação sexual e sua própria necessidade de gozar. Assistir o corpo de Nick,
agitar, sentir o poder de seu orgasmo através da sua mão... Ela só podia imaginar o que seria o gosto
na boca. Qual seria a sensação se espalhando através de seu próprio corpo.
Baixou a mão e respirou fundo. Tinha que tirar seu cheiro dela. Não podia continuar
cheirando, não poderia continuar querendo. Porque querer neste lugar era tão perigoso quanto ter
esperança.
Correu para o banheiro, não se incomodou com a luz. Quando chegou à pia, ela ligou a
água e esfregou as mãos com sabão sob a água. Não ajudou em nada. Ainda podia sentir o cheiro
dele em suas roupas, em sua pele, onde tinha pressionado contra suas costas. A única maneira de se
livrar dele foi tomar banho. Ficar nua. Para...
— Isso foi... Como devo colocar isso? — Disse uma voz masculina em suas costas. —
Interessante agapi.
Uma rajada fria deslizou sobre ela, trazendo cada pensamento, necessidade e desejo a uma
interrupção de gelar os ossos.
Suas mãos tremiam de novo quando virou fora da água, mas desta vez não de excitação.
Agora, de verdadeiro medo que fez seus músculos tremer quando se virou para enfrentar Zagreus.
Ele encostou-se à porta do quarto, seu corpo relaxado, os braços cruzados sobre o peito.
Mas seus olhos... Eles brilhavam com uma fúria que sabia que ele estava prestes a desencadear.

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Ela engoliu em seco quando ele empurrou para longe da parede, quando caminhou em
direção a ela, toda a potência muscular enrolada e fervendo que ela sabia que podia moê-la em pó, e
parou em frente a ela. Ele se inclinou para baixo, perto de seu ouvido, o calor de seu corpo fazendo-
a pele se contrair, e atraiu uma lufada profunda. — Você está com o cheiro de meu tio.
Seus olhos se fecharam ao som de suas palavras rosnadas, e seu coração bateu forte no
peito. Ela deixou-se esquecer desse pequeno fato. Como o filho bastardo de Krónos, isso fazia Nick
meio-irmão de Hades e o tio de Zagreus. E mesmo que Nick ainda tivesse que liberar os poderes,
que seu pai escondeu dentro dele, quando o fizesse, Nick um dia seria mais poderoso do que
Zagreus, uma realidade que o deus em sua frente nunca esqueceu.
— Você me feriu, agapi.
Skata era isso. Ele a mataria. Bem aqui. Agora mesmo. Ele não era um deus que dava uma
segunda chance, mas surpreendentemente... Ela não queria uma.
Essa certeza fez seu pulso retardar, empurrou o frio para fora do centro do peito. Sim, ela
poderia morrer, mas não se importava mais. Porque, pelo menos, fez uma coisa altruísta neste
buraco. Quando Nick lhe agradeceu a outra noite, sabia que não merecia isso, mas hoje à noite...
Esta noite deu a ele um pequeno pedaço de prazer no meio de uma miséria sem fim, enquanto não
tomou nada para si mesma. E para que pudesse se orgulhar. Orgulhosa porque mesmo que ela
passasse toda a eternidade no fogo do inferno de Hades pagando por todas as coisas horríveis que
fez na vida, pelo menos saberia que sua alma não era completamente negra. Não como de Zagreus.
Lentamente, levantou o olhar para ele. O deus estava perto. A poucos centímetros de
distância. E a raiva se construindo dentro dele... Podia vê-lo em seus olhos, em seus músculos
tensos, nas linhas em seu rosto perfeitamente esculpido. Não era estúpida o suficiente para incitá-lo,
mas não estava desistindo também. Não mais.
— Sim, — ela disse em uma voz que sabia se agitou embora ela tentou impediu. — Feri.
Seu rosto ficou vermelho. Sua mandíbula endureceu até que ficou tão rígida como pedra.
Ela se preparou para a sua ira, mas não veio. Em vez disso, ele deu um passo para trás, com as mãos
em punhos ao lado do corpo, os músculos esticando como se estivesse lutando para segurar alguma
coisa de volta. Não afastando o olhar para longe de seus olhos, ele chamou, — guardas?
Baralhar soou no outro quarto. O olhar de Cynna saltou passado por Zagreus quando aos
sátiros pesadões correndo por ele, um dos quais ela reconheceu como Lykos.
— Eu estive esperando por isso, — Lykos rosnou.
O pânico se espalhou por cada centímetro do corpo de Cynna. Ela se mexeu, tentou passar
para o lado, mas as duas bestas pegaram-na pelos braços antes que ela pudesse fugir.

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Zagreus entrou em seu quarto. Os sátiros a arrastaram chutando e lutando pela porta.
Zagreus acenou em direção à cama. — Lá.
— Não. — Não, não, não, não, não... Ela se debatia, tentou lutar contra eles, mas seus
punhos eram fortes demais. Ela estava errada. Ele não a mataria. Ainda não, pelo menos. Ele
deixaria que Lykos e o outro sátiro tivessem seus caminhos com ela primeiro. Tinha visto o que
Lykos podia fazer a uma mulher. Nunca sobreviveria. Não queria sobreviver. Lutou, chutou, tentou
pegá-lo nas bolas, mas errou.
— Em suas costas, — Zagreus ordenou.
Os sátiros a manobraram como uma boneca de pano. Cynna tentou lutar, mas eram muito
fortes. Um prendeu seus braços acima da cabeça, o outro puxou suas pernas para baixo. A cama
afundou, e sentiu Zagreus mover perto, sentiu a grande mão arrastar suas calças para baixo no
quadril. Estremeceu quando algo afiado esfaqueado em sua carne.
Uma queimadura atravessou seu músculo e se espalhou através de sua perna e barriga. Ela
gritou, tentou chutar, mas seus músculos estavam ficando negligentes, seus membros pesados. Seja
o que for que ele injetou nela imobilizou-a em segundos.
— Shh, agapi. É isso aí. Deixe trabalhar. Você sabe que merece isso.
Lágrimas agruparam nos olhos de Cynna. Ela tentou rolar para o lado, mas não podia. Era
assim que Nick sentia. Era para saber que miséria estava chegando, impotente para detê-la. Ela
merecia isso. Mas não porque desafiou Zagreus. Merecia isso, porque não o desafiou mais cedo.
— Assim é melhor. — As mãos de Zagreus pousaram em sua barriga nua, traçando um
círculo lento, onde sua agitação subia. Podia senti-lo. Podia sentir as mãos de Lykos agarrando-lhe
os pulsos e outro sátiro acariciando suas pernas. Seu estômago revirou, e o vômito ameaçou. Ela
podia sentir tudo, mas não conseguia reagir.
— Aplique, — disse Zagreus para Lykos. Em seguida: — Não, em seu braço.
Uma pontada perfurou a carne de parte interna de seu braço, esta agulha maior do que a
outra, bem maior e algo passou em sua pele. Algo sólido. Cynna gritou, mas ainda não podia se
mover.
— Isso é para que eu possa encontrá-la de novo, meu amor. — Zagreus correu os dedos
sobre a barriga, empurrando, agitando, até o ar frio tomar conta de seus seios, mostrando-lhes os
animais segurando-a. Rosnados ecoaram na sala. Rosnados de luxúria e aprovação que não queria
pensar.
— Fiquei muito chateado quando descobri que fez, — disse Zagreus, ainda tocando-a, —
mas então percebi como poderíamos usá-la a nosso favor. Você estava certa, agapi. Ele não vai

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quebrar nas mãos das ninfas. Mas vai quebrar graças a você. Eu vi nos seus olhos quando você deu
prazer a ele. Ele quer você. — As pontas de seus dedos traçaram sobre os mamilos. — Ah, como eu
compreendo esse querer. — Ele beliscou uma ponta até a dor atravessou seu peito. — E vou deixá-
lo tê-la. Por um preço.
— Solte-a, — Zagreus ordenou. — E deixe-nos.
Lykos rosnou baixo em sua garganta. Esqueceu a dor, se deteve, lutar era inútil e tentou se
concentrar no que estava acontecendo ao seu redor. Mesmo que não pudesse virar a cabeça para
olhar, reconheceu o som da fúria do sátiro.
Zagreus virou a cabeça. — Não me tente, sátiro. Não gostaria de nada mais do que rasgar a
garganta de alguém, e agora não me importo se for a sua.
As mãos deslizaram de seu corpo, mas ainda não podia se mover. Tensão crepitava no
quarto, misturando uma cacofonia de luxúria e ira, e embora ainda não pudesse vê-los, Sabia que
havia luta pelo poder quando ouviu isso. Também sabia, se não tivesse cuidado, seria pega no meio.
O outro sátiro que não conseguiu uma boa olhada rosnou: — Vamos lá. Vamos encontrar
as ninfas.
Segundos tensos passaram, depois passos soaram, seguido de uma porta batendo.
— Sátiro inteligente, — Zagreus murmurou.
Cynna não tinha tanta certeza. Zagreus tinha acabado de tirar a única coisa Lykos queria
mais do que poder. E ele a miraria na próxima chance que tivesse. Mas mesmo esse pensamento
desapareceu quando percebeu que os passos de Zagreus estavam se movendo para longe da cama.
Reconhecendo isso aproveitou a chance, tentou rolar para o lado, mas não pôde. Frustração,
medo e raiva brotaram dentro dela, mas a droga que ele deu a ela estava fazendo seu trabalho, e ela
não podia se mover um único músculo.
— Minha doce, doce Cynna, — ele sussurrou, aproximando-se mais uma vez. — Isto é
apenas temporário, agapi. Até que possamos estar juntos novamente. — Ela ficou tensa quando ele
levantou a parte superior do corpo, enquanto se sentava nos travesseiros atrás dela e segurou a
cabeça em seu colo. Trazendo uma taça aos lábios, inclinou a cabeça para cima. — Beba.
Ela disse a mesma palavra para Nick antes. Zagreus tinha que saber. Mas isso não era água
fresca que deu Nick. Antes que o líquido espesso, quente atingisse os lábios, ela sabia que era
sangue. Seu sangue.
Ele derramou em sua boca e em sua garganta. Ela engasgou, tossiu, tentou forçá-la para
fora, mas a língua não estava funcionando. O líquido metálico salgado borbulhava entre os lábios e
deslizou para baixo do queixo. Ele inclinou o copo, segurando a boca para a borda. — Beba tudo.

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Lágrimas derramaram sobre as pálpebras. Não conseguia respirar, tinha certeza de que
sufocaria até a morte. E então ele afastou o copo, esfregando os dedos manchados de sangue através
de seu cabelo, alisando a mão pelo seu rosto. — Isso é tudo. Não mais. Você fez bem. Respire
agora.
Cynna não podia fazer mais nada. Mas não estava bem. Podia sentir o sangue se instalar na
boca do estômago, o enviou um calor desagradável por todo seu corpo.
— É isso aí. Deixe meu sangue se tornar parte de você. Sei que isso não vai ser fácil, mas
para quebrá-lo, temos que dar a ele algo para viver. É você, meu amor. Você estava certa, e deveria
ter escutado mais cedo. Este é o único caminho.
Não sabia o que ele queria dizer, mas o fogo estava construindo em suas veias. Um, que de
repente ela temia que a consumisse.
— Você ganhará a sua confiança. — Zagreus acariciou seus cabelos, como se fosse um
animal de estimação em vez de uma pessoa. — Fará com que ele pense que o está salvando, fará
com que se apaixone por você. Ele não será capaz de resistir. Está meio caminho andado. Tudo que
ele precisa é de um empurrãozinho. E quando ele finalmente der as costas a esse heroísmo honrado
inútil e escolhe-la acima de seu precioso povo, então vamos ter o que queremos. Então eu vou
entrar e reclamar ambos.
Ele se inclinou para perto de seu ouvido, tão perto que seu hálito quente era tudo que ela
sentia. Isso e sua maldita mão apertando em torno de sua mandíbula até que a dor fez seus olhos
lacrimejarem e escuridão atingir a borda de sua visão. — Mas lembre-se que você é minha. Não
importa o quanto transe com ele. Se com a sua mão ou boca ou o seu pequeno corpo sacana, nunca
se esqueça de que você pertence a mim. Meu sangue corre em suas veias agora. Meu e de mais
ninguém. Fizemos um acordo, e você nunca estará livre de mim. Não até que eu tenha o que eu
quero. Isso eu prometo.
Ele soltou sua mandíbula. E vagamente, ela sentiu as mãos percorrendo seu pescoço,
através de seus seios nus e sobre seu abdômen, mas não se importava. A escuridão a estava
reivindicando, tragando-a, arrastando-a em um abismo escuro. E adorava isso. Porque lá ela não
teria de suportar tudo aquilo que ele planejou para ela. E ela não podia se preocupar com o que ele
ia fazer para Nick.
— Durma agora, agapi. E saiba que virei por você. Logo.

Um murmúrio suave acordou Isadora.

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Rolando para o lado, ela olhou pela porta aberta de seu quarto que dava para o berçário. A
pouca luz queimava na escuridão, o arrulhar feliz da filha flutuou do outro quarto, mas foi a voz
masculina doce que a tirou da cama.
Ela correu os dedos pelos cabelos na altura dos ombros quando atravessou o quarto, seu
pulso acelerou, seu estômago apertou como sempre acontecia quando ele estava perto. As alças de
seu pijama de seda azul caíram, passou os dedos sobre elas enquanto pegou no batente da porta, e
seus pés se aproximaram para parar.
Calor enrolou para fora do seu peito e expandido através de seus membros. Demetrius
estava perto do berço de sua filha, embalando Elysia em um de seus grandes braços, deixando-a
segurar o dedo indicador da outra mão com seu pequeno punho, enquanto ele a balançava e
cantarolava uma canção de ninar que conhecia desde a sua juventude.
Todos os Argonautas pareciam surpresos com a brandura que ele exalava quando estava
perto de sua filha, mas ela sabia que ele era assim há muito tempo. Desde aqueles dias que passaram
naquela ilha deserta juntos, quando conseguiu o primeiro vislumbre do verdadeiro homem, e não o
fechado guardião endurecido que ele queria que o mundo visse.
Ele ainda estava vestido com a calça preta e camisa grossa de mangas compridas que
sempre usava quando estava lutando no reino humano. Uma mancha de sujeira em seu rosto, e seu
cabelo escuro estava despenteado em torno de seu rosto, como se tivesse corrido os dedos por ele
várias vezes em frustração. Obviamente veio direto para o castelo depois de atravessar de volta para
Argolea, mas podia dizer sem sequer perguntar que ele ainda não tinha encontrado seu irmão. Ela
sentia isso, tão certo como sentia que Nick ainda estava vivo.
— Gostaria que fosse a minha saudação de boas-vindas.
Seu murmúrio cortou, e ele se virou para ela, surpresa evidente em seus olhos negros. Nós
a acordamos?
—Sim. — Ela se afastou da porta e caminhou para a sala de estar ao lado dele, olhando
para baixo, para a sua filha. Seus olhos castanhos eram iguais aos dela, mas o cabelo preto grosso e
aquele pequeno queixo empinado eram de seu pai, e cada vez olhava para Elysia, ela via o homem
que amava. — E é uma boa maneira de acordar.
Ela estendeu a mão à outra mão de Elysia, o bebê balbuciou e segurou o dedo de Isadora,
fechando os três juntos.
Isso era o que queria. Sua família em um único lugar. Mas aquela visão trivial que ela teve
não a deixaria, e temia que a separação desta tarde foi apenas o começo do fim.

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Ela olhou para cima quando percebeu que Demetrius estava olhando para ela. Ele ainda
estava balançando Elysia, mas a preocupação agora sombreava seus olhos, e suas feições apertadas
enquanto a estudava. — O que? — ela perguntou.
Ele soltou a mão de Elysia e colocou a mão sobre a testa de Isadora. — Você está doente?
Você está pálida.
Suspirando, Isadora soltou o bebê e empurrou a mão dele. Odiava quando todo mundo se
preocupava com ela como se fosse uma boneca de vidro. E esse não era o jeito que queria que seu
companheiro a tocasse, não depois dos dias que estiveram separados. — Eu estou bem Demetrius.
Apenas cansada. Houve muita coisa acontecendo aqui, mas então você não sabe por que você não
estava por perto.
Era um cutucão. Mas não conseguiu se impedir de dizê-lo. Saiu do berçário para que não
discutissem na frente de sua filha, foi para as janelas em seu quarto e cruzou os braços sobre o
peito. Frustração nublou sua mente enquanto olhava a vista cintilante do Oceano olímpico sob a luz
da lua cheia. Seguida por uma onda de confusão se viu sendo grossa com ele, quando o que
realmente queria era ele em casa e com ela.
A porta do berçário se fechou suavemente, em seguida, os passos de Demetrius cruzaram o
chão. Mas não a tocou. Parou vários metros de distância, como se não pudesse ler o seu humor e
não tinha certeza de como proceder.
Bem, isso faz de nós dois.
— Voltei para ficar, — disse ele em voz baixa. — Sem mais semanas longe por um tempo.
Ela se concentrou na ressaca da água contra a praia lá embaixo, à luz da lua brilhante. —
Você falou com Theron, não é?
— Eu preciso estar aqui.
Não, ele havia conversado com Theron e descobriu que ela tinha decidido sobre os Misos e
o Conselho. — Estamos perfeitamente seguros aqui no castelo. Não preciso que você sacrifique
seus deveres por culpa.
Ele se aproximou, seu corpo irradiando calor ao redor dela, aquecendo-a e, em seguida, as
mãos grandes desembarcou contra seus braços, gentilmente virando-a para encará-lo. — Você
nunca é um sacrifício, kardia.
Lágrimas queimaram em seus olhos. Lágrimas inúteis que ela não entendia.
Suas mãos deslizaram até seu rosto e seu olhar ponta até dela. Confusão nublou suas
feições. — O que há de errado? — Ele sussurrou.

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Ela não sabia. E isso a frustrava mais que tudo. Era mais do que a visão, a visão que ela
não estava disposta a aceitar. Era mais do que o que estava acontecendo com os Misos e o
Conselho. Era ainda maior do que a distância que estava esticando entre eles. Era outra coisa. Algo
que não conseguia entender ainda. — Estou cansada. E sinto sua falta. Tanto.
Ele a puxou para perto, colocou seu braço ao redor dela, e deslizou uma mão em seu
cabelo. — Também senti sua falta. Não tem ideia do quanto. Desculpe-me, por não estar aqui.
Desculpe, por te deixar lidando com tudo sozinha. Não vou fazer isso de novo.
Enquanto lutou contra as lágrimas estúpidas, descansou a cabeça contra seu peito e fechou
os braços em torno de suas costas, inalando profundamente o seu aroma masculino, amando o seu
calor, amando sua força, amando-o mais do que jamais pensou que poderia. — Não, você está
fazendo o que precisa ser feito. Quero que encontre Nick. Não podemos deixar que os deuses
tenham o controle sobre ele, se realmente tem os poderes de Krónos dentro dele. É que eu só...
— O que? — Seus dedos parou sua massagem suave contra seu couro cabeludo.
— Sou só sem você.
— Kardia... — Ele recuou, em seguida, inclinou a cabeça e roçou os lábios nos dela. —
Estou aqui. Sempre estarei aqui por você. Não importa o que. Você é o meu tudo.
O beijo foi doce. O roçar suave de pele contra pele, mas no momento que sua pele tocou a
dela, ela queria mais. Precisava dessa conexão, se não por outra razão que provar a si mesma que
esse enorme desejo de encontrar Nick não era pessoal. Ele não era o homem que ela amava. Este
era. Esta era a sua vida.
Ela levantou os dedos dos pés, deslizou sua língua ao longo do canto de seus lábios, em
seguida, gemeu quando ele abriu e a beijou profundamente. Suas mãos apertaram em torno de suas
costas, e em sua frente, sentiu a reação de seu corpo, sentiu os músculos se contraírem e sua ereção
inchar contra sua barriga.
— Prove para mim, — ela sussurrou. — Prove para mim agora.
Ele se afastou apenas o suficiente para que pudesse olhar para ela na luz fraca. — Com
uma condição.
— Qualquer coisa. — Neste momento, ela prometeria tudo o que ele queria apenas para
estar perto dele.
Ele tirou uma mecha de cabelo de sua têmpora em um movimento tão suave, seu coração
rolou debaixo de suas costelas. — Depois, deixe-me fazer-lhe algo para comer. Você está mais
magra do que quando eu saí.

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Ela empurrou para baixo a irritação com a lembrança de que ele ainda pensava nela como
fraca, subindo nas pontas dos pés, disse. — Depois. Mas agora tudo o que eu quero é você.

Escape.
A palavra pulsava na cabeça de Cynna, cada vez mais alto a cada segundo.
Seus olhos se abriram, e uma queimadura ardente deslizou por sua garganta. Rolando para
o lado, tossiu, tentando expulsar a degradação dentro dela.
Seu corpo tremia com seu ataque de tosse. Quando passou, piscou e olhou em volta. Ela
estava deitada de lado na cama em seu quarto. Algo pegajoso cobria seus dedos. Algo vermelho e...
Seus olhos se arregalaram quando olhou para o sangue seco em sua mão e a poça vermelha
sobre o colchão embaixo dela. Sacudiu para fora da cama e correu para o banheiro antes de por para
fora o que estava em seu estômago.
A dor irradiava de seu estômago. Afastando-se do banheiro, encostou-se à parede enquanto
tentava recuperar o fôlego. Sua mente era uma bagunça, nublada. Verificou os braços e as pernas,
procurando por feridas, mas não conseguiu encontrar nenhuma. O que tinha acontecido? De onde
veio todo o sangue? A última coisa que se lembrava de era de estar na cela de Nick, as mãos
percorrendo seu corpo, trazendo-o para o orgasmo, depois voltar aqui para seu quarto...
Zagreus...
Oh merda.
Pedaços brilharam em sua memória. Ele, os sátiros, sua luta frenética. Mas não podia
juntá-los, não poderia formar uma imagem coerente do que fizeram com ela. Pânico se espalhou por
suas veias, e freneticamente verificou a cada parte do seu corpo, procurando por marcas, feridas,
pelo que Zagreus tinha feio.
A única coisa que encontrou foi um galo vermelho um pouco inchado no interior de seu
antebraço direito e um pequeno ferimento na pele. O resto de seu corpo estava intacto.
Alívio correu por ela. Alívio por ele não ter deixado seus sátiros tê-la a sua maneira, que
ele não a violou. Pode ser estúpido, mas se tratando de Zagreus era uma coisa. Tê-la e tomar sem o
seu consentimento era algo completamente diferente. E uma vez que ela mal se segurava junta esses
dias, temia que algo assim poderia mandá-la sobre a borda.
Escape.

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A palavra abafou tudo. Seja o que for que Zagreus tinha feito a ela foi o resultado de sua
ida para Nick ontem à noite. E isso significava que Zagreus não confiava nela e que isto era apenas
o começo. Isso significava também que Nick estava em tão grande perigo como ela.
Fuja...
Tinha pensado em fugir logo depois que veio aqui, depois que lidou com Zagreus e
percebeu o que ele queria dela. Mas parecia ser um grande negócio, que não seria capaz de fazer
com muitos dos sátiros de Zagreus à espreita. Mas com a ajuda de Nick...
Escape. Vá agora.
Lentamente, avançou o seu caminho pela parede até que ficou de pé, então se inclinou para
frente e apoiou as mãos em suas coxas enquanto respirava e trabalhou para não ficar enjoada de
novo. Pelo canto do olho, pegou seu reflexo no espelho.
O sangue manchava a boca, o queixo. O sangue seco em seu cabelo. Apertando a mão, ela
tocou o dedo aos lábios, tentando se lembrar de como tinha chegado lá, mas não conseguiu. Seu
estômago revirou de novo, e apenas foi ao banheiro antes que vomitou mais uma vez.
Tinha que sair daqui. Não podia ficar. Não mais. Algo em suas entranhas lhe diziam que
tudo o que Zagreus lhe fez na noite passada era nada comparado ao que pretendia fazer.
Um plano formou-se em sua mente. Um plano que iria libertá-la para sempre.
Só que ela não ia sozinha.

Capítulo 8

Nick não podia ficar parado.


Ele andou pela parte de trás da sua cela, os grilhões e correntes nos pulsos chacoalhando
enquanto se movia. Sabia que era noite. Mesmo que sua cela fosse escura, manteve a noção do
tempo e percebeu que tinha que ser cerca de duas da manhã. Uma boas vinte e quatro horas desde
Cynna passara para vê-lo.
Ela não esteve por lá hoje. Ninguém veio até ele, na verdade, o que era estranho. Nos seis
meses que esteve aqui, não conseguia se lembrar de um único dia em que não havia sido cutucado
ou insultado ou torturado de alguma forma. Com exceção de ontem e toda esta noite.

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As cicatrizes nas costas vibraram, um sinal de que algo estava acontecendo nos bastidores,
algo que não era bom. Zagreus viu o que ela fez? Esta foi sua nova forma de tortura? Prazer, depois
o silêncio, então... filho da puta... preocupação?
Não gostava de se preocupar. A única coisa que não sentia falta desde que chegou aqui.
Toda a sua vida foi cheia de preocupação, com seu povo, sua colônia, sua alma gêmea, e ainda que
tivesse sido torturado de formas terríveis desde que foi arrastado para este inferno, pelo menos
durante esse período ele teve um refúgio nessa emoção inútil.
Sua mente derivou para Isadora, e seu ritmo mais lento. Um eco de... alguma coisa...
atravessou seu peito. Um puxão em sua direção, como sempre, mas também uma sensação de que
algo estava errado. Como ela era sua alma gêmea, ele sempre sabia quando ela estava em perigo ou
doente ou ferida, e embora este sentimento não o avisaria de uma dessas possibilidades, estava lhe
dizendo alguma coisa não estava certa.
A porta da cela rangeu antes que pudesse especular mais, e se virou, olhando para a luz
derramando dentro dela. Enrijeceu, apoiou os pés descalços no chão de pedra, esperando um sátiro
ou até mesmo o próprio Zagreus invadir a cela. Mas a figura que entrou pela porta não era grande
ou desmedida ou besta. Era magra, curvilínea e feminina, e antes mesmo que visse seu rosto, ele
sabia que era Cynna. Sabia por que aquele seu cheiro de jasmim doce a precedeu na cela,
misturando com o calor sufocante para lavar cada centímetro de sua pele, lembrando-lhe que ela
fizera na noite passada com as mãos tentadoras.
A porta se fechou com um tilintar suave. Ele não podia mais vê-la, mas em uma fração de
segundo ela estava na luz, ele percebeu seu longo cabelo foi novamente puxado para trás de seu
rosto. Mas ao contrário de ontem à noite, ela não estava descalça e vestida com roupas confortáveis
soltas. Esta noite ela estava vestida em calças pretas justas, botas nos tornozelos e uma jaqueta leve.
— Não temos muito tempo, — ela sussurrou.
Não acendeu a tocha, mas seus passos se aproximaram, o som misturando com o zumbido
em sua cabeça como um aviso de sinistro. Seus dedos roçaram as mãos, em seguida, fecharam-se
sobre seu pulso. Metal clicou contra metal, sinalizando... ela estava liberando seus punhos.
Levou apenas uma fração de segundo para perceber que era a oportunidade que estava
esperando.
As algemas se abriram e chiaram contra o chão. Seus dedos levantaram a partir de sua pele,
em seguida, virou-se para a porta. Mas antes que ela pudesse obter um passo de distância, ele
capturou seu antebraço, chicoteou as costas para ele, e fechou a mão em torno de sua garganta.

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Ela engasgou, e mesmo que a cela estava escura, ele viu o branco de seus olhos se
arregalam em seu rosto.
— Que tipo de jogos que você está jogando comigo? — Ele a apoiou contra a parede de
pedra e segurou-a imóvel.
Sua mão livre correu e agarrou contra seu pulso, mas ela não tentou afastá-lo. — Estou...
tentando... ajudá-lo.
— Por que agora?
— Porque...
Quando as palavras dela morreram, ele percebeu que estava esmagando sua traqueia. Ele
afrouxou o aperto, apenas o suficiente para que pudesse tirar o fôlego e responder.
— Porque, — disse ela mais forte, — Sou a sua única chance. Se Zagreus não pode
quebrá-lo, ele vai ser obrigado a entregá-lo a Hades. Ele está correndo contra o tempo, e está
ficando ansioso. E se Hades coloca a mão em você, vai levá-lo para o Inframundo, onde você nunca
será livre.
Nick definitivamente não queria isso. Claro, Orpheus se aventurou dentro e fora do
Inframundo, mas ele fez isso com um mapa e uma Siren e surpresa do seu lado. Se fosse enviado
para o Inframundo, Hades e até mesmo a porra do seu pai, Krónos, saberiam, e ele nunca escaparia.
As cicatrizes nas costas de Nick vibraram novamente, dizendo-lhe nada era o que parecia.
Ele apertou sua mão ao redor de sua garganta. — Por que eu deveria confiar em você?
Seus olhos se abriram de novo, e sabia que estava a machucando, mas ele foi espancado,
cortado, quebrado, esticado e provocado sob a direção desta fêmea. Não era estúpido o suficiente
para pensar que um simples momento de prazer tinha mudado seu coração.
— Você... não devia, mas... — Ela deixou cair sua mão para o seu lado, soltando o pulso,
dando-lhe o poder de fazer o que quisesse, então encontrou seu olhar de frente. — Nem todas as
prisões têm barras.
Seus olhos procuraram pelos escuros dela, procurando engano, à procura de qualquer coisa
que pudesse indicar que ela estava fazendo o papel de fantoche de Zagreus. Mas ele não viu. A
única coisa que viu foi determinação. O tipo que faz saber que você não tem mais nada a perder.
Ele soltou a garganta e deu um passo atrás. Engoliu uma vez, em seguida, massageou seu
pescoço. — Os guardas estão mudando em breve. Se vamos, temos que ir agora.
Ela se afastou e pegou algo do chão. Um zíper raspou na escuridão, então um tecido roçou
suas mãos. — Estes foram os melhores que poderia encontrar. Tomei de outro prisioneiro. Se vista
rapidamente.

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Jeans, uma camiseta e botas. Nick não se importava de onde veio, estava apenas grato que
não teria que fugir sem nada, a não ser essa calça muito fina de algodão. Vestiu-se rapidamente,
empurrou os pés dentro das botas e respirou um suspiro de alívio quando elas se encaixam. Quando
ele terminou, andou até a porta, onde Cynna estava espiando através da pequena janela, olhando
para o corredor.
O calor do corpo dela penetrou em sua pele, e aquele cheiro doce encheu sua cabeça.
Todas as outras vezes que ela veio a ele, exalava confiança, mas esta noite sentiu a preocupação que
irradiava de seu corpo, sentiu o medo, e sabia que a mulher que esteve ali ilegível e sem expressão
todos os momentos de sua tortura não era a verdadeira. Esta era. Esta era a verdadeira Cynna.
— O guarda acabou de passar. — Ela estendeu a mão para a maçaneta da porta. — Agora é
a nossa chance.
Ele pegou o braço dela antes que ela pudesse se mover. — O que acontece com você, se
formos apanhados?
— Zagreus vai me matar.
— Então por que você está me ajudando?
Lentamente, os olhos voltados para cima dos dele. Ela era uma cabeça mais baixa do que
ele, escura, onde ele era claro, suave onde ele estava duro, e embora soubesse que estava perdendo
tempo, precisava saber esta resposta mais do que precisava de ar para respirar.
— Porque nenhum de nós jamais deveria ter estado aqui, — ela sussurrou. — E porque, se
eu não fizer a coisa certa agora, receio que nunca farei.
Seu coração batia forte contra suas costelas. Ele buscou os olhos, procurando de mentira.
Tudo o que via era verdade.
Ele apertou sua mão em torno de seu braço. — Se isso é algum tipo de aprisionamento...
— Então você pode me matar. Assumindo que os guardas não façam primeiro. Eles me
odeiam mais do que você.
Suas palavras ricochetearam em sua cabeça. Queria perguntar o que ela queria dizer com
aquilo, mas não tinha tempo. Ela já estava alcançando a porta, puxando suavemente o batente.
— Há uma saída dos fundos da prisão que sobe até a superfície. Tenho uma chave mestra
que abre todas as portas, mas temos que chegar à saída primeiro sem ser pego.
— Armas seria bom, — ele murmurou enquanto ela abriu a porta devagar para não ranger
demais.
— Eu sei onde podemos encontrar algumas. Fique perto.

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Ela olhou para os dois lados. Achou claro, ela se arrastou até o corredor. O olhar de Nick
observou o em torno enquanto ele a seguiu. Mas quando se moveram através do corredor escuro de
pedra, percebeu que as portas ao seu redor conectavam a outras celas. E os sons vinham das celas,
os gemidos, os gritos de socorro, a agonia, eles inflamavam a energia escura dentro, fazendo saltar
através de sua barriga e peito com entusiasmo e desgosto.
Lutou contra a escuridão e seguiu Cynna em torno de um canto. Ela o levou através de um
túnel para a direita, em seguida, parou em frente a uma porta que nunca tinha visto. Depois de
deslizar a chave na fechadura, ela se virou, em seguida, empurrou a porta com o ombro.
Armas forravam a parede de trás. Estavam em algum tipo de arsenal. Ela não acendeu uma
tocha na parede, mas havia luz suficiente vindo do corredor para ver as prateleiras de facas e
espadas e armas com dentes irregulares destinadas a rasgar a carne. Cynna foi para a fila de facas,
escolheu duas, e as prenderam nas coxas. Em seguida, caminhou para uma caixa contendo uma
seleção de adagas, enganchou uma bainha sobre os ombros que cruzavam as costas, e deslizou dois
punhais do comprimento do braço nelas.
— Depressa, — ela sussurrou. — Os guardas farão a ronda de novo em breve.
Nick foi até o armário, desejando uma maldita arma. As balas não eram geralmente
eficazes contra os daemons de Hades, mas funcionavam com sátiros. Não encontrando armas de
fogo, ele escolheu uma parazonium, uma espada grega antiga semelhante a uma que ele deixou na
colônia. Ele levantou a arma em sua mão direita, testou o peso, e balançou frente e para trás.
Satisfeito, estendeu a mão para facas semelhantes as que Cynna tinha escolhido, mas com alças
curvas e espadas serrilhadas, pegou um par de estrelas de arremesso, que colocou nos bolsos, em
seguida, pegou um bastão, semelhante a uma arma com cabo de madeira comprida e vários dentes
afiados salientes numa bola metálica na extremidade.
Cynna olhou as armas que ele tinha escolhido, mas não disse nada e voltou-se para a porta.
Ela hesitou um pouco antes de abri-la. — As escadas não estão longe. Mas podemos nos deparar
com sátiros. Eles vão soar o alarme, se eles nos veem.
O que significava que não podia ser vistos. Ou informados.
Cynna abriu a porta e escapuliu para o corredor. As luzes das tochas refletiam as armas em
suas costas. Nick ficou perto, mas o cheiro dela, o doce aroma de jasmim era perturbador. Como era
o calor que irradiava de sua pele e sua própria adrenalina que sentia pulsando no ar.
Alguma coisa aconteceu. Algo entre o momento em que ela lhe deu prazer e agora. Algo
que a levou a assumir esse risco quando antes não o fizera. Nick queria perguntar exatamente o que

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era, mas sabia que esse não era o momento. O minuto que estivesse livre, porém, estava
determinado a saber tudo. Não ia deixá-la esconder nada.
Dobraram três esquinas diferentes. Os túneis de rocha pareciam durar para sempre. Água
escorria das paredes e agrupava em poças ao longo do chão. A luz da tocha ficava escassa quanto
mais eles caminhavam, mas os gemidos ao seu redor não parou. E a cada grito de agonia, cada som
de dor atormentado, seus membros ondulavam e irradiavam através de seu peito.
Cynna parou em frente a outra porta e pegou a chave do bolso. Sua mão tremia quando ela
a enfiou na fechadura e girou. A trava deu com um clique, em seguida, colocou os dedos em torno
do punho e puxou. Metal rangeu pelo corredor escuro quando a porta abriu em direção a eles.
Um conjunto de escadas de pedra desaparecia na escuridão. Cynna deu um passo além da
porta. — Por aqui. Quase lá.
Um grito rasgou a caverna antes de ele pudesse se mover para dentro, e a energia, a energia
escura com a qual lutou dia após dia, saltou de alegria e repulsa.
Ele capturou Cynna no braço. — Espere.
Ela se virou para olhar para ele, com o rosto sombreado, seus olhos escuros se estreitaram
quando eles encontraram o dele. — O que?
Nick olhou para trás pelo corredor vazio à sua esquerda. O grito agora era um soluço
abafado. Um som que ele reconheceu. Um que emitiu mais vezes do que podia contar neste buraco.
Ele olhou para Cynna. — Nós não podemos deixá-los.
A confusão nublou em seus olhos, então apagou quando percebeu que ele estava dizendo.
Seu olhar correu para a direita, passando pela porta. — Nós não podemos levá-los todos. Há muitos.
— Nós podemos dar alguma chance. A mesma chance que você está me dando.
Indecisão nadou em seus olhos familiares quando ela olhou para ele. Ela disse a ele que
estava libertando-o porque era a coisa certa a fazer. Precisava acreditar que ela quis dizer isso.
Precisava saber que havia algo de bom deixado dentro dela, mesmo depois de toda a merda que a
tinha visto e feito. Precisava saber que ela não era o fantoche de Zagreus depois de tudo.
— Os guardas vão ouvir, — ela sussurrou. — Não há nenhuma maneira que nós podemos
mantê-los quietos.
— Eu não posso partir sem tentar.
Seus olhos nos dele, e mil emoções diferentes nadou em suas íris castanhas profundas.
Muitos para citar. Mas reconheceu medo e compaixão, e, principalmente, autopreservação.
Vários segundos tensos se passaram. Nenhum dos dois falou. Nem olhou para longe.
Finalmente, os olhos fechados, e, ela murmurou, — Skata.

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Guardiões Eternos - 7

Ela puxou o braço de seu aperto e deu a volta dele. — Muitos vão morrer por causa disso.
Isso não é minha culpa.
Ele não a responsabilizaria por isso. Mas o alívio lhe percorreu da mesma forma. Alívio
que ele estava certo desde o início. Ele se virou e a seguiu. — Se ficarem aqui, eles já estão mortos,
e você sabe disso.
Ela não respondeu. Não esperava que ela fizesse. Mas algo em seu peito aqueceu com sua
decisão.
Ela parou na frente da primeira porta da cela por aonde eles vieram e tirou a chave do
bolso mais uma vez. — Esta é a ideia mais estúpida. Você quer libertar prisioneiros que
provavelmente vão tentar nos matar assim que estiverem livres.
— Vou me certificar que não.
Ela bufou e abriu a porta. Um rangido soou pelo corredor vazio. — Boa sorte com isso.
Ela entrou no quarto escuro. A cela era como a dele, feita de pedras sem iluminação. Uma
figura estava sentada ao longo da parede de trás nas sombras. Cynna puxou um objeto cilíndrico de
metal do bolso e o empurrou na mão de Nick, em seguida, deu um passo adiante. — Eu não quero
morrer hoje. Não agora, quando eu finalmente estou fazendo algo de bom.
Nick acendeu a lanterna na mão e iluminou sobre a parede traseira. Cynna já estava
ajoelhada ao lado do prisioneiro, um homem vestindo apenas finas calças de algodão como a que
esteve usando, com o cabelo até os ombros e uma barba longa. Ele era magro, ósseo em lugares que
ele deveria ter sido forte, e embora fosse difícil ver na penumbra, ele parecia estar avançando em
direção à velhice.
— O que você quer de mim agora? — perguntou o homem.
Ele não era forte o suficiente para dominar Cynna. Nem perto disso. Mas isso não diminuiu
a ansiedade de Nick. Ele apertou sua mão ao redor do bastão, apenas no caso. — Relaxa velho.
Estamos libertando-o.
As algemas abriram dos pulsos do homem e batiam contra o chão. Cynna ficou de pé. —
Vá pelo corredor à direita. Os degraus levam até a superfície. Siga-os até o fim. Não olhe para trás.
Ela se virou e passou por Nick sem um olhá-lo.
— P-por que está me ajudando? — o velho perguntou, levantando lentamente.
Nick não sabia quem diabos era o homem ou o que ele fez para ser preso aqui, mas agora
não era o momento de perguntar. — Porque nós podemos.
Nick seguiu Cynna de volta pelo corredor escuro, segurando a lanterna para cima cada vez
que entrou em uma cela enquanto ela se movia em direção ao prisioneiro. Eles libertaram seis

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machos e oito fêmeas, de todas as idades e raças diferentes. A maioria estava fracos, sujos e
atordoados, e poucos deram a eles algum problema. A maioria nem sequer os reconheceram. Mas
uma mulher sim. Uma o reconheceu instantaneamente, seus olhos arregalaram, quando ele entrou
em sua cela. E no minuto em que a luz caiu sobre ela, Nick a reconheceu também.
A ninfa de cabelos escuros. A pessoa que o levou à beira da frustração sexual apenas
alguns dias atrás. Só que agora ela não parecia em nada com ela foi antes. Seu cabelo era pegajoso e
emaranhado, sujeira cobriu a pele, manchas de sangue seco pelos braços e panturrilhas, e seu rosto
estava todo machucado e inchado de um lado.
Alguém havia batido muito nela depois que ela o deixou. Alguém que estava certo foi que
um sátiro.
A raiva o rasgou. Uma raiva escura ameaçou rolar.
— Vá pelo corredor a direita, — disse Cynna, liberando as algemas da ninfa. — Há...
— Obrigada. — No momento em que a ninfa estava livre, levantou e jogou os braços ao
redor da cintura de Nick, segurando forte. — Obrigada, — ela repetiu. — Vou fazer o que quiser.
Só não me deixe aqui.
Nick segurou seus braços bem abertos, sem saber o que fazer. Olhou para Cynna para obter
ajuda. Levantando, Cynna fez uma careta em direção à ninfa e pousou a mão em seu quadril.
— Ok, você está livre. — Nick chegou arrancou as mãos da ninfa de suas costas. Era
surpreendentemente forte por ser tão pequena e ferida. — Vá antes que os guardas cheguem.
A ninfa inclinou a cabeça para trás e olhou para cima, com os olhos arregalados e cheios de
gratidão. — Vou fazer de tudo. Qualquer coisa que você quiser. Basta me manter com você.
— Já chega de implorar. — Cynna reprendeu a ninfa por parte de trás do vestido e a
arrancou longe de Nick.
A ninfa olhou para Cynna, então de volta para Nick. Confusão nublou seus olhos. Ela,
obviamente, reconheceu Cynna também. Antes que ela pudesse começar a questionar, Cynna disse:
— Nós temos mais prisioneiros para libertar. Vá agora, antes que nós mudamos de ideia.
A ninfa lançou a ele um último olhar de desejo, então, passou correndo por ele para o
corredor.
Quando ela se foi Cynna apertou sua mandíbula e foi até a porta, murmurando, — ninfas
grudentas.
Nick se virou e seguiu. — Onde está a outra?
— Eu não sei.

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Cynna, obviamente, sabia quem ele queria dizer, mas essa resposta não era boa o suficiente
para Nick. Eles se moveram para o corredor mal iluminado, e outro gemido ecoou pelo corredor,
fazendo com que a escuridão dentro dele crescesse novamente.
— Ela está viva? — perguntou.
Cynna deslizou a chave em outra fechadura. — Eu não sei.
— Mas você sabe o que aconteceu com as duas.
Ela virou a chave. — Uma vez que elas me deixaram, seus destinos estavam fora das
minhas mãos.
Nick apoiou uma mão na porta acima de sua cabeça antes que ela pudesse abri-la. — Mas
você sabe o que aconteceu com elas, — repetiu ele.
Os ombros de Cynna caíram. — Não me faça dizer isso agora. Se fizer, nós nunca vamos
chegar a todas elas.
Eles não conseguiriam chegar a todos elas, não importa o que eles fizessem. E Nick
precisava saber a resposta à sua pergunta antes de eles se moverem. — Elas não eram participantes
dispostas, eram? Essa ninfa era uma prisioneira, assim como eu. Ela era inocente.
Cynna ficou imóvel, mas não retire a mão da maçaneta da porta ou virou para olhar para
ele. — Ninguém aqui é inocente. Não verdadeiramente. Mas, sim, todos são prisioneiros. Alguns
são apenas obrigados a fazer... mais... do que outros.
Como ela.
Seu estômago apertou com a veracidade que tinha razão, em ambos os casos, e ele tirou a
mão e deu um passo para trás para que ela pudesse abrir a porta. Só não sabia o significado das
razões que a levou a libertá-lo ou como isso mudava o que ele sabia do relacionamento dela com
Zagreus.
Endireitando, ela puxou a maçaneta. O metal ressoou, em seguida, as dobradiças rangeram.
Ela entrou na cela. Com as mãos úmidas, ele ergueu a lanterna e a seguiu, iluminando o fundo da
cela. Uma fêmea sentou encostada na parede, seu cabelo escuro caindo até a cintura, os olhos azul-
claros arregalados e sem foco.
— Estamos aqui para libertá-la. — Não querendo pensar em Cynna e Zagreus agora, Nick
passou por Cynna, enrolou uma mão ao redor braço fino da fêmea e a levantou.
Os olhos da fêmea arregalaram. — Você não pode.
Cynna deslizou a chave das algemas nos punhos da fêmea. — Siga o túnel à direita. Há um
conjunto de escadas...
— Eu sei onde estão as escadas. — A mulher puxou o braço para trás e bateu na chave.

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Guardiões Eternos - 7

— Droga. — Cynna se ajoelhou para pegá-la.


— Os guardas vão estar aqui em minutos, — ela disse Nick.
— Então é melhor você ir antes que eles cheguem, — a mulher respondeu. Ela puxou o
braço de sua mão, deu um passo para trás, em seguida, sentou-se contra a parede mais uma vez. —
Eu não posso sair.
Ela claramente tinha sofrido uma lavagem cerebral. Ninguém que pensasse claramente
escolheria este inferno sobre a liberdade. — Escute, nós...
— Não, você ouve filho. — Ela virou os olhos azuis pálidos para cima. Olhos cheios de
uma sabedoria que enviou um aviso familiar através do sangue de Nick. — É mais seguro para
todos se eu permanecer.
Nick não tinha ideia do que ela quis dizer. Ele abriu a boca para perguntar, mas ela o
interrompeu, dizendo: — Você pode fazer uma coisa para mim, apesar de tudo.
— O que?
— Encontrar Epimeteu. Diga a ele... Diga a ele para não vir atrás de mim. Eu sei que ele
está me procurando.
Puta merda. O estômago de Nick apertou. Esta era Pandora. A primeira mulher humana,
criada pelos deuses. A guardiã de todos os males da humanidade. Essa escuridão dentro dele
empurrou com prazer. Olhou ao redor da cela para uma jarra ou urna ou caixa de algum tipo, mas
não encontrou nada, apenas frio, pedra vazia.
— Ela não está aqui, — Pandora sussurrou como se estivesse lendo sua mente. — Está
bem escondida.
Vozes e passos se soaram do corredor. Cynna correu para a porta e olhou para fora, então
murmurou, — Skata. — Ela se virou para encarar a cela. — Os guardas estão chegando.
— Vá agora, — Pandora disse, olhando para Nick. — Não há outra escolha.
Nick hesitou. Se ela era o flagelo do mundo, ele não poderia deixá-la nas mãos de Zagreus.
E essa parte obscura de si mesmo, a parte ligada a Krónos a queria com ele. Queria que os poderes
que ela poderia desencadear.
— Você não pode controlá-la, — disse Pandora, lendo sua mente novamente. — Ninguém
pode. Nem mesmo eu. Zagreus já tentou de tudo para que eu lhe dissesse onde a caixa está, mas não
direi. Se você me libertar, no entanto, eu for ser atraída para ela, ele me seguirá. E se isso acontecer,
o mundo como você conhece deixará de existir.
— Nick, — Cynna disse, puxando uma adaga de suas costas. — Nós temos que ir agora.

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Nick ainda hesitou. Eles estavam sem tempo, e todos sabiam disso. E, no entanto, ele ainda
lutava com a escolha diante dele. Este era o poder como nada que ele já conheceu. Esta era a sua
oportunidade de exercê-lo sem ceder a seu pai. — Vou mandar alguém por você.
— Não, — Pandora sussurrou enquanto caminhava em direção à porta. — A humanidade
está segura enquanto eu permanecer aqui.
Possivelmente. Embora a parte vil de Nick não acreditasse nisso. E parte honrável, a parte
que ele se esforçou para trazer em primeiro plano, não conhecia ninguém que merecia esse tipo de
prisão. Nem mesmo ela.
Arrastando o olhar de Pandora, ele deu um passo para trás e olhou para Cynna sobre sua
cabeça para o corredor. — Quantos?
— Três, eu acho. Eles passaram e entraram em um túnel à direita. Estamos livres. Mas não
temos tempo para liberar quaisquer outros.
Não, eles não tinham. Não se quisesse viver. E ele queria viver. Agora mais do que nunca.
Ele olhou para trás em direção a Pandora quando Cynna abriu a porta. — Eu vou encontrar
o seu marido. Vou dizer a ele.
— Ele não é meu marido, Guardião.
Considerando o que sabia sobre a união dos deuses, ele não tinha ideia do que ela queria
dizer, mas uma palavra, guardião, anulou sua curiosidade enquanto seguia Cynna de volta para o
corredor mal iluminado. A fêmea tinha obviamente visto o antigo texto grego em seus braços. Mas
ele não era um guardião. E só o fato de que ele brincou com a ideia de levá-la independentemente
de suas advertências provou que ele não merecia ser qualquer um.
Eles caminharam de volta pelo corredor em silêncio. As portas das celas de cada lado
foram fechadas, escondendo o fato de que seus prisioneiros agora se foram. A única porta aberta
estava na extremidade do corredor. A porta que dava para a liberdade.
Cynna lançou uma respiração à medida que se aproximava. — Finalmente.
Sim, finalmente. Mas Nick não foi capaz de compartilhar seu alívio. Porque de repente se
perguntou se alguma vez poderia haver qualquer tipo de liberdade para alguém como ele. Ou se ele
estava apenas trocando uma espécie de prisão por outra.
Cynna foi para a porta. Assim quando ela chegou ao limite, um sátiro entrou em seu
caminho. Um que Nick reconheceu como responsável aqui pelas masmorras. Um segurando uma
espada tão longa quanto seu braço.
Adrenalina inundou o corpo de Nick. Ele pegou a parazonium amarrada às costas.

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— Indo a algum lugar Senhora? — O sátiro resmungou. Atrás dele, mais dois sátiros
colocados em posição. — Agora, onde está a diversão nisso?

Capítulo 9

Cynna engasgou e recuou um passo. Os olhos vermelhos de Lykos brilhavam com fúria
quando ele se aproximou, a malícia torcendo seu rosto. Ela já tinha visto o sátiro chateado, mas
sabia que isso era algo completamente diferente. A mão trêmula, ela chegou tocar a arma amarrada
às suas costas.
— Oh, você não vai precisar disso, minha senhora. — Lykos formou um arco com o braço
antes de Cynna pudesse arrastar sua faça. A parte de trás da sua mão acertou seu rosto, jogando-a
para trás e para baixo.
Um tiro agudo de dor correu em seu rosto. Ela gemeu e caiu aos pés de Nick. Os braços
fortes se fecharam em torno dela, amortecendo sua queda. Mas ele não a puxou para cima como ela
esperava. Em vez disso, deitou-a no chão, sussurrou, — Fique aí, — depois passou por cima dela.
— Você quer brincar agora humano? — Lykos rosnou. — Ok, vamos brincar.
Os ouvidos de Cynna estavam zunindo. Ela lhe deu um rápido aceno de cabeça e olhou
para cima. Nick estava agachado em uma posição de combate, segurava a espada vagamente na
mão, esperando o ataque. — Brincar é tudo que eu acho que você sabe fazer, sátiro.
Nick balançou a espada, cortando no braço de Lykos. O sangue jorrou, e a besta recuou.
Os dois sátiros atrás Lykos rosnaram e atacaram. Mas Lykos os deteve, levantando o braço
e latindo: — Ele é meu.
Fúria impregnou no rosto de Lykos quando ele deu um passo para a direita. — Vou
desfrutar cortando-o em pedaços, humano. E quando terminar darei tudo que essa puta merece.
Cynna apoiou as mãos no chão e arrastou para trás, seu olhar nunca deixou o rosto de
Lykos. O sátiro estava focado em Nick, mas os dois atrás dele olhavam diretamente para ela.
Observando-a. Esperando que ela se juntasse à luta.
Ela olhou para a porta aberta e a escada que levava até a superfície. Se ela corresse para
ela, eles a seguiriam. Ela não iria longe. Seu olhar correu de volta para Nick, que movia para a sua
direita quando Lykos começou a circular em torno dele. Ela o vira lutar sozinho contra dois, três,

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até quatro sátiros, mas nenhum dos que Zagreus jogou na arena com Nick era como Lykos. Havia
uma razão para ele ser o número dois de Zagreus. Porque ele era um filho da puta cruel e o sátiro
mais forte neste buraco.
Ela não podia correr. Não importa o quanto quisesse fugir. Não libertou Nick para que ele
pudesse morrer aqui.
Lykos atacou. Nick passou por baixo do braço do sátiro e bateu com o cotovelo nas costas
de Lykos. Lykos gritou e virou. Espada contra espada. Grunhidos e sons de punhos batendo osso
ressoaram no corredor. Cynna levantou, suas mãos avançando até a parede de pedra fria. Ela olhou
por Nick e Lykos, para os dois sátiros atrás. Ambos estavam ainda olhando para ela. E o da
esquerda estava salivando.
— Cynna cuidado!
A voz de Nick arrastou o olhar de Cynna de volta para a luta.
Nick bateu com o punho na mandíbula de Lykos, empurrando o sátiro nas rochas. Ele
agarrou o pulso do sátiro e esmagou-o contra a parede, batendo a espada em seus dedos nodosos. —
Atrás de você!
Cynna agarrou a espada em suas costas e virou. Mais dois sátiros vinham correndo sobre
eles. Apoiando os pés contra o chão irregular, ela atacou com sua espada, pegando o primeiro no
peito assim que ele a alcançou.
O sátiro caiu para trás e uivou. Grunhidos ecoaram às suas costas. Seguido por mais
passos, osso atingindo osso e rachando contra a rocha. Suor cobriu sua pele enquanto chutou o
primeiro sátiro longe e esfaqueou o segundo. Sua espada afundou na carne macia, e ele grunhiu,
então caiu para trás em sua bunda. Ela liberou a arma num puxão e abaixou, escapando por pouco
da espada do primeiro que pulou para trás em seus pés e girou sua espada como um grande
rebatedor da liga.
Metal ressoou contra metal no corredor quando a espada de Cynna colidiu com a do sátiro.
Ela desviou de golpe e olhou para Nick no meio do caos. Ele estava coberto de suor e sangue,
segurando sua própria luta contra os três agora, com duas espadas e o bastão que ele pegou no
arsenal, mas se aparecesse mais eles estavam indo para...
Passos pesados soaram dos túneis. Esqueça o se. Estavam prestes a ser dominados.
Cynna girou, se esquivou, e atacou com sua espada, atingindo o pescoço do sátiro a sua
frente. Seus olhos se arregalaram, ele engasgou e depois caiu no chão. Respirando pesadamente, ela
retirou o cabelo de seus olhos e virou-se, pronta para agarrar Nick e dar o fora de dali. Mas antes
que ela pudesse fazer um movimento, algo afiado esfaqueado a sua lateral, logo abaixo das costelas.

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Ela engasgou. Empurrado para trás. Os olhos dela se arregalaram. O sátiro ainda em sua
bunda, o que ela o acertou no peito, sorriu para ela com uma luz brilhante em seus olhos.
Filho da puta...
Dor, descrença e raiva em ondas a atravessaram. Pressionando a mão contra a lateral de
seu corpo, ela apertou os dentes e balançou a espada, cortando limpamente através da garganta do
sátiro. O sangue jorrou de sua artéria carótida, matando o seu sorriso vitorioso. Ele caiu de costas,
com a cabeça batendo com força contra as rochas.
Estremecendo, ela se virou para Nick e se inclinou para as rochas, respirando fundo. Um
olhar para baixo confirmou que ela estava sangrando. Muito. Deixando cair sua arma, ela puxou o
casaco e mordeu o lábio para não gritar de dor. Depois de amarrar o casaco em torno de seu torso,
ela pegou a espada novamente.
Os passos ficaram mais altos. Vozes ricochetearam nas pedras. Santo Hades, eles estavam
sem tempo. — Nick!
Nick tinha derrubando um sátiro, mas Lykos e o outro estavam vindo para ele de ângulos
diferentes. A espada em uma das mãos, o bastão na outra, ele chutou Lycos, torcido longe da espada
da segunda sátiro, e arremessou o bastão.
Lykos abaixou sob o bastão de Nick e girou para trás, prendendo Nick entre as duas bestas.
Nick virou a espada na direção do sátiro em seu outro lado, errou, e olhou por cima do ombro para
Lykos.
Lykos rosnou e avançou. O outro sátiro seguiu o exemplo. Nick desviou do primeiro sátiro
e cortou seu braço. Grunhindo, Cynna se afastou da parede e caiu a frente. Suor cobriu sua pele,
escorrendo em seus olhos, porém as costas de Lykos estavam inclinadas em seu caminho. E ela
sabia que se não ajudasse agora, Nick podia não sair dessa vivo.
Ignorando a dor em seu corpo, ela se lançou à frente, empurrando espada o mais forte que
podia.
Metal perfurou carne, espetando Lykos nas costas. O sátiro uivou. Mas antes Cynna
pudesse endireitar seu ombro e enfiar a espada mais profundamente, uma voz que conhecia quase
tão bem quanto a sua inundou o túnel.
— Onde está esse sátiro cabeça de merda?
Zagreus. Era a voz de Zagreus. Cynna girou em direção ao som, cada centímetro de seu
corpo aqueceu com adrenalina.
Nick chutou o segundo sátiro no chão e puxou a espada do peito do animal. Ele tentou ver
no final do corredor. Carrancudo, ele murmurou, — Porra, temos que ir.

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Lykos tropeçou de volta para a parede, com uma mão cobrindo a ferida clara em sua
barriga, o sangue escorrendo do local manchando sua camisa rasgada. Seu peito subia e descia com
sua respiração irregular quando ele olhou o caminho de Cynna. — Você não irá muito longe,
cadela. Ele vai encontrá-la.
A visão de Cynna ficou vermelha, e ela agarrou a espada para dar o golpe mortal, mas
Nick a agarrou pela manga. — Não há tempo. Vamos. — Ele a puxou para a porta aberta e os
degraus que davam para a liberdade. — Porra vamos.
Cynna lutou para se libertar de seu agarre para que pudesse finalmente terminar com
Lykos, de uma vez por todas, mas Nick a segurou com muita força. Ela lhe lançou um olhar furioso
por trás, em seguida, percebeu sua súbita urgência.
Zagreus vinha em direção a eles. Uma tempestade de fúria, vingança e a promessa de
morte rolaram como um trovão em seus olhos negro como o pecado.
Flashes do que tinha acontecido em seu quarto, que a instigou a fugir, ecoou em sua mente
Cynna. O sangue. Incapaz de se mover. A voz de Zagreus.
Meu sangue corre em suas veias agora. Você nunca estará livre de mim. Não até que eu
tenha o que eu quero...
Horror disparou por todo seu corpo, substituindo qualquer outro pensamento, emoção e
instinto.
Ela se arrastou para as escadas. Nick a puxou para a escada e fechou a porta atrás deles.
Segurando o braço dela, ele a puxou com ele, quando ele subiu os degraus, e desta vez, ela não lutar
contra ele. — Não pare de se mover. Continue. Estamos quase livres.
Livre...
A palavra era um fantasma. Uma fantasia. Um sonho.
Uma mentira.
A realidade congelou cada centímetro de sua pele. Ela nunca ia ser livre. Lykos tinha
razão. Podia escapar dessas paredes, mas sempre seria prisioneira de Zagreus. Fez um pacto com o
diabo, e de uma ou outra forma isso a assombraria para sempre.

Folhas de palmeira molhadas bateram no rosto de Nick. Afastando a chuva dos seus olhos,
ele respirou profundamente o ar úmido, enquanto esperava Cynna alcançá-lo, em seguida, fez uma
pausa para olhar ao redor.

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Eles estavam em movimento por mais de uma hora. Mais perto de duas, supôs. Assim que
eles foram até as escadas do covil de Zagreus, encontraram-se envoltos em escuridão com apenas
uma dispersão de luz de cima para iluminar o seu caminho. Palmeiras subiam para o céu. A mata
densa tornava praticamente impossível mover rapidamente. Ele foi capturado no verão, o que
significava que tinha que ser janeiro agora, mas nunca sabe por seus arredores. Insetos zumbiam na
escuridão. De vez em quando a mata sussurrava. E os sons combinados com o calor, a umidade, a
vegetação tropical... Tudo indicava que estavam em algum tipo de selva. Onde, porém, não tinha
certeza.
Não tem a menor ideia para onde foram os prisioneiros que libertaram. Ouviu vozes
quando lutaram para atravessar a selva, mas não viu uma única alma. Também não ouviu nenhum
dos sátiros de Zagreus em perseguição. Um fato que fez suas cicatrizes nas costas formigar com
desconfiança.
Respirações pesadas soaram às suas costas. Ele se virou quando Cynna se aproximou de
seu lado, baixou a espada na mão para o chão, e inclinou-se contra uma árvore. — Eu estou te
atrasando. — Ela apoiou a mão no seu lado e prendeu a outra respiração. — Você deveria ir sem
mim.
Nick olhou para sua mão, pressionando em seu lado esquerdo, em suas costelas. A
aspersão do luar brilhava apenas o suficiente para iluminar a vermelhidão grossa revestindo os
dedos. — Você está ferida?
— Não é nada.
Ele se aproximou, empurrou a mão dela e puxou o casaco de sua cintura para que pudesse
ver o tecido rasgado abaixo.
— Eu disse que não é nada.
Ele levantou a bainha de sua camisa. Um corte em seu lado de cinco centímetros sangrava.
— Isso não é nada.
Estremecendo, ela se afastou. Sangue quente, vermelho fluiu da ferida. — Vou... ficar bem.
Não, ela não iria. Não se não parasse de sangrar. Emoções conflitantes o percorreram. Sim,
ela supervisionou alguns de suas piores torturas nas cavernas de Zagreus, mas também o libertou,
algo que ela não precisava ter feito. E, claramente, ela pagou o preço.
Ele abaixou a blusa. — Onde estamos?
Cynna apertou o casaco em volta da cintura, mais uma vez, fazendo uma careta com o
movimento, em seguida, encostou-se no tronco da árvore. — Yucatan. Belize.
América Central. Filho da puta. Isso não lhes dava um monte de opções.

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Mechas desse cabelo loiro estranho estavam presas na têmpora e rosto. Seu rosto estava
pálido. Sob esse ângulo, agora podia ver sangue encharcado claramente através de sua jaqueta. Em
uma hora ela estaria fraca demais para andar, o que significava colocar mais espaço entre eles e
Zagreus só ia ficar mais difícil.
— Eles não estão nos seguindo, — ele disse.
Sua respiração desacelerou, e seus músculos tensos, mas ela não abriu os olhos. — Sim.
Eu... eu notei.
— Qual é sua opinião sobre isso?
— Eu não tenho certeza.
Não tenho certeza. Ele não acreditava nisso por um segundo. Seus alarmes internos
gritaram ela sabia que tinha um inferno de muito mais do que ela estava dizendo.
Ele examinou a selva escura. Ele tinha uma escolha. Poderia abandonar a bunda dela aqui,
como ela sugeriu, ou mantê-la com ele. A primeira faz todo o sentido, considerando sua história.
Ele não lhe deve nada. Mas a segunda...
Suas cicatrizes vibraram novamente, e algo em seu intestino disse a ele deixá-la aqui não
era a escolha certa. Pelo menos ainda não.
Não tinha tempo para discutir com ele mesmo. Virou-se para encará-la. — Preciso chegar a
um telefone.
— Há uma estrada costeira em direção ao interior. — Ela respirou profundamente. —
Você chegará a uma aldeia ou duas, se você continuar indo para o oeste.
Ele pegou a arma do chão e deslizou na bainha em suas costas, pegou as facas extras que
ela agarrou do arsenal e enviou em seus bolsos e os adicionou à sua coleção, em seguida, estendeu a
mão para seu braço, puxou-a para longe árvore. — Venha.
— O que...? — Seus olhos escuros se abriram, e surpresa ondulou sobre suas feições. —
Você será mais rápido sem mim.
— Eu sei. — Conectando seu antebraço por cima do ombro, ele passou o braço em volta
da cintura para que ela pudesse apoiar-se nele, em seguida, começou a caminhar, obrigando-a ir
com ele.
— Se Zagreus enviou seus sátiros atrás de nós...
— Então você não será capaz de lhes dizer o caminho que eu fui, agora vai? — Ele bateu
uma folha de palmeira de qualquer maneira, espirando água sobre ambos os seus rostos.
Ela piscou e retirou o orvalho de seus olhos. — Você acha que eu faria isso? Matei seus
guardas. Confie em mim, neste momento ele provavelmente quer me matar mais do que a você.

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— Não estou tão certo sobre isso. E Zagreus nunca me quis matar. Esse é o ponto. Até eu
descobrir o seu plano e como você está envolvida em tudo isso, você é minha prisioneira.
Seus músculos se apertaram ao seu lado.
— Não gosta disso, não é? — perguntou. — A virada de mesa?
— Fui prisioneira por mais tempo do que você pode imaginar, — ela disse em voz baixa,
tropeçando ao lado dele. — E não pode me manter. Não, se você realmente quer ser livre.
Ele olhou para ela, mas ela não encontrou o seu olhar. Seus olhos estavam concentrados a
frente, e suas respirações erguiam o peito rapidamente, ela lutava com corpo, ele sabia, tinha que
sentir dor intensa enquanto se moviam. Mas suas cicatrizes vibraram mais uma vez quando ele
olhou para seu perfil no luar, as maçãs do rosto altas, o elegante queixo, e a inclinação do nariz que
era mais familiar do que tinha percebido até esse momento, dizendo-lhe que ela não era nada do que
ele tinha imaginado. O problema era, neste momento, não sabia quem ela era. Ou o que ela
realmente queria.
Balançou as teias de aranha de sua cabeça, lembrando-se de não perder o senso comum,
onde ela estava em causa. Ela poderia ter abalado o seu mundo quando lhe deu prazer naquela cela,
em seguida, o surpreendeu pra caramba quando o libertou, mas estava longe de ser sua aliada. E
quanto mais cedo ele se lembrasse desse fato, melhor seria.
— A essa altura, fêmea, você não está em forma para lutar comigo.
Ela não deu nenhuma resposta, e o fato de ela não tentar se afastar lhe disse que ela sabia
que ele estava certo e que ela não tinha forças para discutir.
Caminharam mais vinte minutos antes que Nick notasse as luzes cintilantes entre folhas de
palmeiras em frente. As respirações de Cynna ficaram mais lentas e, a cada passo ela apoiava mais
nele do que em seu próprio peso.
Ele estreitou os olhos para ver através da folhagem. Vinte talvez trinta casas. Mais escuras.
Com base na posição da lua, eles estavam nas primeiras horas da manhã, e a maioria dos habitantes
da aldeia à frente estavam dormindo. Ele sintonizado com seus sentidos. Contou setenta e cinco
seres humanos na área, no máximo.
Uau.
Ele piscou contra as luzes. Suas habilidades de rastreamento sempre foram boas, mas ser
capaz de detectar todos os seres humanos na área... Isso era algo novo. Algo que desencadeou uma
onda de mal-estar durante todo o abdômen e fez aquelas cicatrizes vibrarem ainda mais.
— O que há de errado...? — perguntou Cynna.

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— Nada. — Ele a encostou em uma palmeira e soltou o braço de seu ombro. Ela não
apresentou resistência, apenas deslizou para o chão, encostou a cabeça contra a base da árvore, e
fechou os olhos. Ajoelhado ao lado dela, Nick estudou a mancha de sangue aumentando em seu
corpo.
Merda. Ela precisava de cuidados agora. Não mais tarde. Especialmente se pretendia
mantê-la viva para descobrir o que realmente estava acontecendo.
Ele puxou sua espada da bainha em suas costas, colocou-a no colo e fechou os dedos dela
sobre o punho. — Segure isso.
Os olhos dela se abriram. — Abandonando sua prisioneira? Não é uma jogada inteligente.
Eu vou embora antes que você possa piscar.
— Vou me arriscar fêmea. Fique quieta.
Ele não esperou pela resposta. Empurrou-se no meio do mato, mas hesitou na beira da
selva, enquanto olhava para a aldeia. As casas eram pequenas, feitas de estuque, não mais que três
ou quatro cômodos. Mas as linhas de energia correram para cada uma, dizendo-lhe que tinha que ter
telefones.
Ele contornou a primeira de duas, alguém estava acordado dentro de cada um. Como sabia
que não tinha certeza, mas sentiu. Concentrando sua atenção na terceira, sintonizado com seus
sentidos novamente. Respirações humanas pesadas soaram de dentro. Dois adultos. Três crianças.
Todos dormindo.
Ele andou até a porta e passou os dedos em torno do punho. Trancada.
Uma carranca puxou seus lábios. Ele estava prestes a deixar ir e verificar a parte de trás da
casa, quando uma explosão de energia irradiou contra a palma da mão.
Ele olhou para baixo. Essa carga elétrica estranha pulsava entre o metal frio e sua pele
mais quente. Em seguida, um clique soou no ar silencioso da noite, e a maçaneta girou em sua mão.
Nick soltou e puxou sua mão de volta. Olhou para a palma da mão, em seguida, a maçaneta
da porta. Cuidadosamente, estendeu a mão para o batente novamente e encontrou... com certeza... a
coisa já não estava trancada.
Puta merda. Seus sentidos diziam que os seres humanos dentro ainda estavam dormindo, o
que significava... que ele simplesmente pensou e a maldita porta se abriu.
Suas mãos ficaram suadas, e ele se afastou novamente. Nunca teve o poder de telecinese
antes. Sim, claro, como um semideus, foi abençoado com certos dons. Os dele era a capacidade de
ouvir sons amplificados e ver objetos a grandes distâncias. Dons que fizeram dele um caçador e
rastreador incrível, e ajudara a proteger seu povo dos daemons de Atalanta. Mas isso, ser capaz de

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manipular a matéria com apenas sua mente, se isso era o que acabara de fazer, isso era algo
inteiramente novo. E, uma voz na parte de trás de sua cabeça avisou que isso poderia ser
extremamente perigoso.
Ele sente que você está ficando mais forte.
Cynna lhe dissera essas palavras. Em sua cela, antes de lhe dar prazer. Naquele momento,
ela o estava alertando sobre os planos de Zagreus duplicar seus esforços com as ninfas, mas até este
momento, ele não tinha pistas para o significado disso.
Agora tinha. Agora sabia que se Zagreus suspeitava que sua ligação com Krónos estivesse
dando a ele habilidades que não tinha então isso significava que era perfeitamente possível que o
Príncipe das Trevas o deixou escapar de propósito. Com que fim, ainda não sabia, mas o fato de o
diabo tinha lançado Cynna com ele significava que ela estava de alguma forma profundamente
ligada à sua liberdade. Ou a sua servidão potencial para os deuses.
As cicatrizes nas costas vibraram mais fortes, mas não havia tempo para especular sobre
essa realidade ainda. Precisava encontrar o telefone antes que qualquer um dos seres humanos
acordasse.
Cautelosamente, abriu a porta e entrou na pequena casa escura. Uma área de estar com um
tapete, duas cadeiras e uma mesa caindo aos pedaços ocupava o espaço à sua esquerda. A cozinha
em forma de U à sua direita. À frente, uma porta aberta levava a um banheiro e dois quartos
pequenos.
Ele se moveu até o banheiro, não se incomodou com a luz, e abriu o armário debaixo da
pia. Encontrando, antissépticos e curativos, empurrou-os nos bolsos, em seguida, voltou para a sala
de estar. Um gemido ecoou do quarto à esquerda, e ele hesitou. Segundos depois, a respiração
pesada voltou, sinalizando que o humano tinha voltado a dormir.
Esquadrinhou o quarto escuro à procura de um telefone. A casa pode ser velha. O
mobiliário pode ser antigo. Mas o Chevy que estava na frente era de um modelo mais novo, e no
mundo de hoje, todo mundo tinha um telefone celular.
Ele o viu na cozinha, ligado a um carregador. Pegando o dispositivo, ele passou o dedo
sobre a tela e digitou os quatro primeiros números de código de acesso que lhe veio à mente. A tela
desbloqueada, iluminou a sala com uma luz branca misteriosa.
Perverso. Ele poderia me acostumar com isso.
Seu polegar hesitou sobre o botão telefonar. E do nada, sua mente derivou para a sua alma
gêmea, Isadora.

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Ela o ajudaria se ele estendesse a mão para ela? Ele havia recebido a mensagem alta e clara
a última vez que estiveram sozinhos: ela não o queria. Não se sentia como sua alma gêmea como
ele sentia. Ela escolheu Demetrius em vez dele, e essa decisão nunca iria mudar. Mas, pela primeira
vez em... não conseguia se lembrar de quanto tempo... não se importava.
Olhou para o telefone, empurrando os pensamentos de Isadora de sua mente. Só havia uma
pessoa em quem confiava para ajudá-lo a sair dessa bagunça. Apenas uma pessoa ele ousava
chamar agora.
A única questão era, se o filho da puta concordaria ou não em ajudar.

Capítulo 10

Cynna acordou assustada.


Um arrepio acumulou em seu corpo quando ela olhou ao redor da selva escura, procurando
a origem do som que a despertou. Sombras dançaram na frente de seus olhos, uma mistura de folhas
de palmeira e escuridão, não podia ver claramente.
Retirou o suor da testa e tentou sentar mais ereta contra a base da árvore onde derivou para
o sono, fazendo uma careta ao tiroteio de dor através de seu lado com o simples movimento. Skata,
estava em má forma. Prendendo a respiração, olhou para baixo, mas não conseguiu ter uma boa
visão da ferida.
Ela estremeceu novamente. Sua coluna estava úmida, os músculos fracos, e, com base no
brilho fino de suor cobrindo sua pele, tinha certeza que já estava com febre. Ela cerrou os dentes e
se inclinou a frente. Algum tipo de pássaro ou morcego ou criatura que não queria pensar sobre
uivou alto, e um arbusto sussurrou à sua direita.
Animais. Nada mais. Não tinha certeza de como sabia, mas estava confiante que não era
Zagreus enviando alguém atrás deles. Lykos...
Um sussurro de... algo varreu sua mente. Uma memória que não conseguia trazer à vista.
Ela, Zagreus e Lykos em seu quarto. Seu pulso pegou, e o suor deslizou por sua espinha. Algo
aconteceu lá. Algo que não conseguia se lembrar, mas que sabia que era importante.
Com os dedos trêmulos desamarrou o casaco de sua cintura e o deixou cair no chão. Então
pegou a ponta de sua camisa, respirou fundo e puxou o tecido da ferida.

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Dor intensa irradiou do local, mas mordeu o lábio para não gritar. Através de seus olhos
lacrimejando, olhou para a ferida, irregular, vermelho e ainda sangrando.
Sua cabeça ficou leve. Deixando de lado sua camisa, fechou os olhos e encostou-se na base
da árvore, esforçando-se para trazer o ar de volta.
Morreria aqui, e ninguém saberia. Ninguém se importaria. E por que deveriam? Toda a
merda que ela fez finalmente a alcançou. O que ela fez para Lykos, os meses que ela se inclinou a
vontade de Zagreus, e Nick, especialmente todas as coisas horríveis com Nick que supervisionou
Seria a primeira a admitir que merecesse cada pedaço de miséria acumulando agora.
Uma onda de tristeza a envolveu, tão forte que a fez querer deixar ir, desistir, parar de lutar
esta batalha que não podia ser vencida. O farfalhar à direita ficou mais alto, e sabia que se algum
tipo de animal pegou o cheiro do sangue, precisava obter um aperto em sua arma para que pudesse
se defender. Mas não se importava mais. Sua espada estava no chão ao lado dela, mas não pegou,
nem queria mais. Tudo o que queria era paz. E esquecer tudo o que já não podia mudar.
— Eu vejo que você chegou longe
Sua frequência cardíaca acelerou. Nick não deveria estar aqui agora, não quando decidiu já
era o suficiente, finalmente. Arrastando em respirações lentas, forçou abrir as pálpebras e olhou
para cima.
Não podia vê-lo muito bem. Ele não era nada mais do que uma silhueta aguada na
escuridão, mas podia sentir seu cheiro. Esse aroma único de sândalo, pinho e terra que ela se
lembrava de sua cela. E podia sentir o calor do corpo se aproximando, aquecendo sua pele gelada de
uma forma que a lembrava que... não estava morta. Pelo menos ainda não.
Ele se ajoelhou ao seu lado, colocou algo que ela não podia ver no chão ao lado dela, em
seguida, estendeu a mão para os ombros. — Você precisa se deitar.
Seu cérebro não estava funcionando, e não tinha forças para lutar contra ele, mas tentou.
Quando suas mãos pousaram em sua pele superaquecida, ela lutou, mas ele a puxou para longe da
árvore facilmente, moveu ao seu redor, e a deitou no chão úmido. Ondas de dor atravessaram sua
pele mais uma vez com o movimento, e mordeu os lábios contra um gemido.
— Sinto muito.
Desculpa? Ele estava se desculpando com ela? Deuses, isto estava tão fodido. — Você
deveria ir embora. — Droga. Odiava estar tão fraca. Odiava que ele voltou e a via assim. Odiava
ainda mais que suas mãos se sentissem tão bem e que parte dela estava regozijando-se com o fato de
que ele tinha retornado. — O-o que você está fazendo... aqui?
— Ajudando você.

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— Eu não preciso de sua ajuda...


Ele levantou a camisa da ferida. Ela tentou afastá-lo, mas ele colocou seu braço no chão,
em seguida, chegou mais perto de forma que seu antebraço estava pressionado contra o joelho,
impedindo-a de movê-lo. — Ah, sim, porque parece que você está indo tão bem por conta própria.
Estava cansada demais para tentar detê-lo. Ele puxou o cós de sua calça para baixo,
expondo mais a carne. O ar frio tomou conta de sua barriga, mas não se atreveu a olhar para baixo
de novo. Tinha medo de ficar doente se tentasse. Piscando várias vezes, olhou para o balanço da
folhagem escura acima e tentou como o inferno focar.
— Fique quieta, — ele disse. — Isso pode doer.
Algo úmido e fresco derramou sobre seu lado do abdômen e, fazendo-a chupar uma
respiração. Uma pontada atingiu toda a ferida, e mordeu o lábio contra a dançar dor sobre sua carne.
— O peróxido de hidrogênio, — ele murmurou, despejando mais líquido sobre sua pele. —
Ele vai limpá-la, até que possamos tê-la costurada.
Cynna fechou os olhos e respirou fundo. Ele esfregou um pedaço de pano ao redor da
ferida, limpando o sangue de sua pele, em seguida, aplicou algum tipo de curativo no ferimento.
Quando terminou, abaixou a camisa de volta e pressionou a palma da mão contra a testa.
Ela se concentrou em respirar lentamente até que a dor recuou para um pulsar maçante. O
tecido sussurrou, então sentiu as mãos em seus ombros, levantando-a. Agonia atravessou seu lado
mais uma vez, mas foi rapidamente substituída por outra sensação. Esta, de calor e eletricidade
quando ele deslizou atrás dela, esticando as pernas em cada lado dela, deitando a cabeça no ombro
dele, e em seguida, levou algo em direção a seus lábios.
— Beba.
Ele pressionou uma garrafa em seus lábios, e Cynna imediatamente abriu. Um líquido frio,
fresco derramou sobre sua língua, umedecendo a boca seca.
Água. Ele estava lhe dando água. Assim como ela lhe deu em sua cela. Engoliu em seco.
Desta vez, ela não pôde deixar de gemer.
— Chega, — ele sussurrou, afastando a garrafa.
Ela disse o mesmo para ele. A ironia não passou despercebida para ela. Nem o calor
crescendo em sua barriga sobre o fato de que ele estava tomando conta dela.
Ninguém cuidou dela. Não, desde que seus pais morreram. Esteve sozinha por tanto tempo,
que se esqueceu de como era. E tanto amava como odiava isso agora, porque se viu querendo se
apoiar nele. Querendo deixar alguém levar a carga por um tempo. Mesmo que fosse a única pessoa
que deveria odiá-la mais do que qualquer outra.

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Quando acabou de beber, ela inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Ele tampou a
garrafa de água e a colocou no chão ao seu lado, em seguida, correu uma mão grande sobre seu
couro cabeludo, puxando seu cabelo úmido do rosto.
Deuses santos, isso era... tão errado, alguém ser bom para ela de qualquer maneira. Mas
parecia tão incrivelmente bem, não tinha forças para combatê-lo por mais tempo.
Eles ficaram em silêncio por vários minutos. Em seguida, em voz baixa, ele disse, — Você
é Argolean.
Surpresa a tomou. Nunca contara sobre herança. Então percebeu que ele deve ter visto a
marca de nascença Alpha em seu quadril. Sinal de nascença de todo Argolean, a identificação da
raça.
Não havia nenhuma razão para mentir. Não agora. — Sim.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, em seguida, disse: — Seu Conselho proíbe que
Argolean cruze para o reino humano. Como diabos você acabou com Zagreus?
Uma explosão de raiva chicoteou através dela, à menção do Conselho de Anciãos, o órgão
que aconselha a monarquia de Argolea, mas esta noite misturou ódio com a estupidez dentro dela ao
som do nome de Zagreus.
Memórias a bombardearam. Aquelas que não queria ver hoje à noite. Obrigou-as de volta e
disse a si mesma que os detalhes não eram importantes. Mas sabia que não podia lhe contar tudo.
Embora Nick não fosse tecnicamente um Argonauta, ele tinha as marcas no seu antebraço, e ela
soube por Zagreus que ele se alinhou com os Guardiões Eternos.
Seu primeiro instinto foi mentir, mas ele estava sendo gentil com ela. E com os poderes
dele aumentando não sabia se ele poderia dizer quando ela estava mentindo. Dizer uma verdade
parcial era sua melhor aposta. — Minha família foi assassinada. Quando tive idade suficiente, eu
cruzei para o reino humano através de portais de bruxa. E fui à procura de Zagreus.
— Por que?
Por que? Porque pareceu uma boa ideia na época. Porque tinha ouvido histórias do
Príncipe das Trevas cruel. Porque sabia que Zagreus era a única pessoa que poderia treiná-la para
lutar e colocar seu plano de vingança em movimento.
Mas não podia contar a Nick nada disso, então simplesmente disse: — Porque sabia que
ele era um deus que estava sempre à procura de um acordo. E porque prometeu me ajudar a
encontrar a pessoa que matou a minha família e fazê-los pagar.
A mão de Nick voltou a acariciar seu cabelo, e deuses, que se senti bem. Muito bem. Seus
olhos se fecharam mais uma vez.

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— Vingança sempre vem com um preço.


Sua voz era baixa, um pouco acima de um sussurro, mas fez seus cílios vibrarem e as
pálpebras abriram mais uma vez. Ela olhou para a escuridão, sem ver nada além de sombras e
névoa, enquanto pensava sobre esse preço.
Não apenas sua liberdade. Mas o coração de quem ela era. Ou quem ela foi uma vez.
Não sabia quando fez aquele acordo com Zagreus que iria trazê-la para este momento. Para
questionar tudo o que tinha feito e acreditava. Mas agora... Agora se perguntava se a vingança era
realmente a solução. Ainda queria vingança contra aquele que destruído sua família, mas não queria
perder a sua alma no processo. E não estava disposta a ir em frente com seu plano, se isso
significasse levar a alma de outra pessoa com ela.
— Então, o que a fez mudar de ideia? — ele perguntou com a mesma voz profunda e sexy,
o que a fez pensar sobre tudo, menos vingança. — O que a fez finalmente decidir se afastar de algo
que queria tão desesperadamente?
Você fez.
As palavras pairavam em seus lábios, mas não teve coragem de dizê-las.
— Encontrou um telefone? — ela perguntou, mudando de assunto.
— Sim. — Seu peito vibrou com suas palavras, a sensação que passou dele para ela,
aqueceu seu interior. — Também encontrei um carro para nós. Em poucos minutos, vamos naquela
direção e encontraremos alguém que pode nos ajudar a dar o fora desta selva maldita.
Nós. Ele ainda tinha a intenção de mantê-la com ele. Calor floresceu em sua barriga mais
uma vez, seguido de uma pequena explosão de pânico. — Você... você chamou os Argonautas?
— Claro que não.
Alívio e confusão nublaram seus pensamentos. — Mas você é um deles. Por que não os
chamou?
— Nunca fui um deles. E eles são as últimas pessoas que eu chamaria em um aperto,
confie em mim.
A curiosidade levou a melhor dela. Os Argonautas não estavam no topo da lista de amigos,
de qualquer forma, mas a animosidade que ouviu na voz de Nick era forte, e isso a fez se perguntar
o que eles fizeram para causar uma reação tão veemente.
— Você foi presenteado com as marcas.
— Maldição é mais parecido com isso. Não tenha ideias fêmea. Eu não sou um herói.
Mas... ele era. O fato de ele insistir em libertar os prisioneiros e cuidar de sua ferida e a
consolar agora, quando ele devia querer vê-la morta só confirmava o fato.

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Seu pulso acelerou, mas disse a si mesma para não ficasse excitada. Ele já havia dito que
ela era agora sua prisioneira. O senso comum diz que ele estava tomando conta dela, que era apenas
para se certificar de que não morreu, caso precisasse dela como uma vantagem contra Zagreus.
— P-por que você não se pediu ajuda aos guardiões?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, e ela tinha certeza que ele não ia responder.
Mas, então, ele a surpreendeu, dizendo: — Porque chamá-los significa alertar minha alma gêmea
para o fato de que eu ainda estou vivo. E eu não estou a fim de lidar com essa merda agora.
Alma gêmea...
Algo em seu peito apertou. Algo que reconheceu como o ciúme, mas se sentia tão fora do
lugar, sabia que era uma emoção ridícula.
Ela se concentrou em um galho de palmeira escuro à frente. — Você tem uma alma
gêmea? Alguém poderia pensar que estaria ansioso para vê-la. Ou talvez seja ele.
Ele bufou. — Eu dou essa impressão? Cara, eu sou fora de forma.
Oh, inferno, não, ele não dava essa impressão. Mas não estava prestes a lhe dizer isso
agora.
— É ela, — ele continuou. — E ela é a última pessoa que quero ver ou pensar. Confie em
mim, ter uma alma gêmea não é uma bênção. É uma maldição.
— Como assim?
— Não conhece a maldição sobre alma gêmea dos Argonautas? — Você é Argolean...
— Eu fui criada fora de Tiyrns. Meus pais eram refugiados se escondendo das rigorosas
leis do Conselho. Argonautas e tudo o que acontecia na capital não eram as coisas que nos
importavam.
— Sorte sua, — ele murmurou.
Ele mudou de posição contra a árvore em suas costas, forçando-a a afundar mais para
dentro do calor do seu peito, e ele passou o braço em torno de seu lado bom, colocando a mão em
sua coxa, enquanto continuava a lhe acariciar o cabelo com a outra. Calor infundiu em sua pele
mais uma vez, fazendo-a relaxar de volta para ele. Fazendo-a sentir... segura. O que era algo
totalmente estranho, ela não sabia como reagir.
— A forma como a história se passa, — disse ele, — Hera tinha um ódio especial por
Héracles, e quando Zeus criou o reino de Argolea, ela retaliou amaldiçoando Héracles e todos os
Guardiões Eternos com uma alma gêmea. A única pessoa no mundo a quem eles seriam para
sempre atraídos, mas que era o pior par possível para eles. A pessoa que iria atormentar a sua

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existência. Desde que eu nasci com as marcas, mesmo que eu não seja tecnicamente um deles, eu
tirei a sorte grande. Minha alma gêmea está casada com meu irmão.
Oh, ai. Sim, ela podia ver como isso seria uma maldição. — E ela, esta mulher, é capaz de
simplesmente ignorar a maldição da alma gêmea? Não é torturada por isso? Como isso é possível?
— Porque ela não é amaldiçoada. Somente aqueles que possuem as marcas sentem a
atração. Ela está muito feliz em seu reino protegido, brincando de casinha com o meu irmão. Eles
até mesmo tem uma criança agora.
Isso tinha que morder. Não só supervisionara a tortura física de Nick nos últimos meses,
mas agora sabia que o pobre rapaz vinha sendo emocionalmente torturado em uma base diária.
— Quantas vezes você a viu... você sabe, antes? — Antes de Zagreus o aprisionar e a
colocar através de outro tipo de inferno.
— O mínimo possível.
Não havia animosidade colocada ali, e seu ódio pelos guardiões e todos os Argoleans
saltou outro degrau.
Que ridículo, porque ele não era nada para ela. Nada mais que alguém que ela se sentiu
obrigada a libertar.
Sim, certo. Continue dizendo a si mesma, garota...
Uma infinidade de emoções agitaram dentro dela, aquelas que não estava pronta para
enfrentar. Quando sua mão se levantou de seu cabelo, ela ficou desapontada e aliviada.
— Precisamos nos movimentar, — disse ele. — Eu estacionei o caminhão cerca de um
quilometro e meio daqui. Acha que pode andar, ou eu preciso levá-la?
— Eu ando. — Andar Definitivamente. Levantou a cabeça do ombro dele, cerrou os
dentes, e se sentou, afastando-se dele. — Mas você deveria ir sem mim.
— Nós já passamos por isso. Não vai acontecer.
Mesmo a dor rasgando seu lado, ela se virou para olhar para ele, frustrada e confusa...
como o inferno. — Por que está fazendo isso?
Seus olhos cor de âmbar se estreitaram e prenderam os dela. E, embora ela não pudesse ler
seus pensamentos, sentiu sua determinação na intensidade de seu olhar. — Porque você me disse
naquela cela que estava me libertando, porque nenhum de nós deveria ter estado lá. E porque se
você não fizesse a coisa certa, então, tinha receio de nunca o faria. Por enquanto, estou te mantendo
comigo pela mesma razão.

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Procurou em seus sentidos e fixou-se sobre seu dom, que agora estava funcionando desde
que era livre da posse de Zagreus, e percebeu... ele estava sendo honesto. Não a estava salvando só
porque poderia, eventualmente, utilizá-la como vantagem. Ele a estava salvando porque podia.
Seu coração disparou contra as costelas, e seu rosto ficou quente. Observou atentamente
enquanto os joelhos dobraram e ele ficava em pé, em seguida, andou ao redor dela e estendeu a
mão. — Você pode vir comigo por vontade própria, ou pode lutar contra mim. Mas de qualquer
forma, eu vou te tirar dessa selva. Como é que vai ser Cynna?
Ela olhou para seu rosto e engoliu em seco. Ele não se vê como um herói, mas isso era
exatamente o que ele era, salvando seu inimigo quando tinha todos os motivos para não. E nesse
momento, quando olhou para sua ampla palma e dedos longos pensou sobre os terríveis eventos em
sua vida que lhe trouxera a este momento, sentiu algo dentro mudar. Algo que foi duro e escuro por
tanto tempo, que tinha certeza de que nunca iria dobrar. Algo que foi amolecendo... por causa dele.
A raiva e ódio eram fáceis. Mas perdão, especialmente perdoar a si mesma pelas coisas
horríveis que fizera e nunca poderia mudar, era o verdadeiro desafio.
E as consequências que desconhecia do que escolheu agora a assustavam mais do que
Zagreus já fez.

— Não estou feliz com os resultados.


Isadora desviou o olhar da janela e a vista do porto para onde estava olhando do escritório
de Callia e olhou para sua irmã. — E não gosto de você se preocupando com algo que claramente
não é grande coisa.
Encostada à beira de sua mesa na clínica médica, Callia franziu a testa, colocou uma
mecha de cabelo ruivo atrás da orelha, e disparou a Isadora um olhar irritante-eu-estou-sempre-
certa. — Você perdeu quase cinco quilos em um mês, está pálida, e você mesma me disse que está
exausta.
Isadora descruzou os braços deixando-os cair. — Isso é amor fraternal? Apontar todos os
meus defeitos? Porque se for, eu posso definitivamente ficar sem.
— Não, isso é a curadora oficial da rainha dizendo que algo não está certo.
— Eu tenho uma criança de seis meses e um reino para administrar. Dê-me alguma folga.
Eu só estou um pouquinho cansada.
— Isso é mais do que cansaço, e você sabe disso.

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Isadora respirou fundo para manter seu temperamento sob controle. Não sabia o que era,
mas não gostava de sua irmã se preocupando. Demetrius se preocupava o suficiente por todos. E
ultimamente ele tem estado muito pior do que o habitual.
— Olha. — Ela se virou totalmente da janela. — Você fez uma varredura e não encontrou
nada, não é?
Como curadora, Callia tinha a capacidade de sentir doenças e ferimentos no corpo, e, na
maioria dos casos, o dom dela lhe dava o poder de cura. — Não. Nada que pudesse explicar os seus
sintomas.
— E você não está sentindo os efeitos estranhos em si mesma, não é?
Callia franziu a testa. — Não. Não estou.
Uma vez que as três irmãs, Isadora, Callia e Casey estavam ligadas por sua linhagem
através do rei à Horae, as antigas deusas da ordem da natureza, seja qual fosse a doença que uma
irmã sofresse, as outras também a teriam. — Então, não é nada.
A porta do escritório abriu antes que Callia pudesse responder, e Casey colocou a cabeça
para dentro da sala escura. — Não estou muito atrasada, estou?
Isadora olhou para trás em direção Callia. — Você a chamou?
— Sim, chamei. — Callia afastou de sua mesa. — Isto é pesado, e acho que nós três
precisamos discutir isso.
— Oh, pelo amor de Deus. — Isadora revirou os olhos e voltou para a janela.
— Ok, me dê detalhes. — Casey entrou na sala e fechou a porta às suas costas. Colocando
a mão em sua barriga, ela esfregou a palma da mão sobre o bebê que estaria aqui em apenas poucos
meses, enquanto Callia explicava os resultados dos testes de Isadora.
— Eu não senti nada, — disse Casey quando sua irmã terminou.
— Isso é o que eu precisava saber, — respondeu Callia. — Eu também não. Mas algo está
definitivamente acontecendo com Isadora.
Exasperação brincou com a pouca paciência que Isadora tinha. — Sou mãe recente, tenho
um companheiro que não pode parar de se culpar pelo desaparecimento de seu irmão, um
Argonauta que gosta de antagonizar o Conselho, os Misos para assentar em sua nova terra, e o
destino do mundo pendurado na balança enquanto procuramos Nick, que pode ou não ser a chave
para libertar Krónos do Tártaro e iniciar o apocalipse. Se alguma coisa está acontecendo, é que
estou apenas um pouco esticada em todas as direções. Assim, vocês podem parar de especular sobre
o que há de errado comigo e me deixar voltar para o meu trabalho.
Ela deu um passo em direção à porta, mas Casey entrou em seu caminho.

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— Uau. — Com os olhos arregalados, Casey olhou para Callia. — Acho que sei por que eu
e você não estamos sentindo nada.
— Por que? — perguntou Callia.
Casey olhou para sua barriga, depois de volta para Callia.
— Porque você está grávida? — perguntou Callia.
Bons deuses. Isadora apertou seu queixo. Elas não estavam sequer a ouvindo agora. Ela
não tinha tempo para isso. Precisava voltar para o povoado Kyrenia, onde os Argonautas estavam
trabalhando para obter os serviços básicos disponíveis para os Misos antes de o Conselho chegar e
declarar a lei marcial.
— Lembra quando Isadora teve hemorragia depois de ter Elysia, e você sentiu os efeitos
imediatamente?
Callia assentiu. — Sim.
— Não os senti, — disse Casey. — Eu estava aqui em Argolea, mas não senti nada. Eu já
estava grávida então. Só não sabia ainda.
A testa de Callia caiu. — Você está achando que porque você estava grávida, não sentiu
quaisquer efeitos adversos de nossa conexão?
— Não, — respondeu Casey. — Não só porque eu estou grávida. Porque estou grávida de
um Argonauta. Geneticamente, os Argonautas são mais fortes do que os seres humanos e Misos,
certo? — Ela abriu os dedos sobre o arredondamento do seu ventre. — Não é muito possível que
este bebê seja forte o suficiente para me impedir de sentir quaisquer efeitos nocivos que Isadora está
passando?
— Sim, — disse Callia, formando um vinco entre as sobrancelhas. — Isso é totalmente
possível. Só que...
— Só o que? — perguntou Casey.
— Bem. — Callia mudou seu peso. — Se for esse o caso, então eu deveria estar sentindo
as mesmas coisas que Isadora. Eu não estou grávida.
— Você tem certeza disso? — Casey inclinou a cabeça. — Você me disse a algumas
semanas que você e Zander esperava dar um irmão Max em breve.
Um olhar perdido preencheu os olhos violetas de Callia, e ela olhou ao redor da sala, como
se não as visse. Lentamente, seus olhos se arregalaram, e ela se virou rapidamente para a porta que
dava para uma sala de exames. — Eu-eu volto já.
Ela foi embora sem dizer mais nada.

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Isadora franziu a testa para sua irmã quando estavam sozinhas. — Isto é um exagero. Até
mesmo para você.
— Por que? — perguntou Casey. — Porque você não acha que seja possível?
— Não, porque não há nada de errado comigo. E preciso de você e Callia me apoiando
nisso para que eu possa fazer Demetrius parar de se preocupar. Ele tem coisas mais importantes
para tratar agora.
Com cuidado, porque seu centro de gravidade tinha mudado graças à gravidez, Casey se
abaixou até o braço do sofá. — Ainda não há informações sobre Nick?
Isadora passou um braço em volta da cintura e apertou a ponte do nariz. — Não, nada. É
como se ele estivesse completamente desaparecido da face do planeta.
— Se Hades o tem, isso é perfeitamente possível.
Casey esteve no Inframundo, quando Hades a levou para lá na tentativa de convencê-la a
desistir de sua vida por causa de uma profecia e sua tentativa de manter a deusa Atalanta em
cheque. Na época, Atalanta provocava estragos sobre uma parte do Inframundo e ele queria mantê-
la sob seu controle. Seu plano saiu pela culatra, no entanto, quando Isadora fez um acordo com o
rei-deus do Inframundo para salvar a vida de sua irmã. Um acordo que levou a esse momento em
que Isadora estava morrendo e Nick fez a mesma coisa para salvar a dela. Só que Hades não queria
a alma de Nick como queria a dela. Não, o que ele queria era poder de Krónos, que fora trancado
dentro de Nick.
— Não, — disse Isadora. — Ele está no reino humano em algum lugar. Hades não correria
o risco de levá-lo para o Inframundo, onde Krónos poderia influenciá-lo. Ele o deixou com seu filho
até que possa acessar esses poderes.
— Você previu isso? — perguntou Casey.
— Não. — Isadora esfregou os dedos pela testa, desejando que a dor de cabeça de tensão
ocupando espaço por trás de seus olhos fosse embora. Ela sentia que Nick ainda estava no reino
humano. Da mesma forma que sentia que ele estava vivo. O que era estranho, porque nunca foi
capaz de sentir algo assim antes.
Ela deixou cair sua mão. — Mesmo que Zagreus não tenha êxito e Nick está...
A porta da sala de exame abriu e rosto pálido da Callia encheu o espaço.
— Callia? — perguntou Casey, levantando. — O que está errado?
— Você estava certa. Eu fiz o teste. Eu estou... grávida.
Um sorriso lento se espalhou pelos lábios de Casey, e ela se adiantou e apertou a mão de
sua irmã. — Isso é maravilhoso. Zander ficará tão animado. Quando você...

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— Não. — Os olhos de Callia bloqueado Casey. — Não é uma boa notícia em tudo. Isso
significa que você estava certa. O que quer que esteja afetando Isadora não está nos afetando por
causa dos genes Argonauta que estamos carregando. E tão rapidamente quanto Isadora está
enfraquecendo, isso significa que tudo o que está acontecendo com ela é sério.
Um arrepio espalhou pela espinha de Isadora. E essa visão que tinha tido antes, de seu
futuro com seu companheiro, brilhou na frente de seus olhos. Só este futuro não era o futuro que ela
tinha planejado. E o homem no centro disso não era Demetrius.
O estômago de Isadora apertou. Cautelosamente, para Callia, ela disse: — Você me disse
que não sentiu qualquer doença ou enfermidade em mim.
— Eu não sabia, — respondeu Callia. — Mas nós estamos todas ligadas à Horae. É
possível que, o que quer que isso seja, está escondido.
Skata. Isso não a fazia se sentir nem um pouco melhor. Ela levantou a mão subitamente
trêmula. — Ok, não que eu compre nada disso, mas quero registrar como estou doente e cansada de
ser a irmã que está doente e cansada. Uma de vocês poderia ficar doente para variar e me dar um
tempo. O que acham disso?
Callia não reagiu à sua piada. Na verdade, Isadora não estava certa de que sua irmã sequer
a ouvira. A curadora caminhou até mesa e pegou um livro da estante ao longo da parede. — Preciso
fazer alguma pesquisa. — Para Isadora, ela disse: — Não quero que vá ao povoado Kyrenia. É
muito cansativo. Até que eu descubra o que está acontecendo, você precisa ficar perto do castelo.
A irritação pulsou dentro de Isadora. — Eu tenho trabalho a fazer.
— Ninguém a está impedindo. Delegue isso daqui. — Quando Isadora bufou, Callia largou
o livro sobre a mesa. — Isso é importante. Não é apenas sobre você. É sobre todas nós. Você está
enfraquecendo rapidamente. O que quer que esteja acontecendo com você é mais do que apenas
estresse e falta de sono. É algo que acabará por afetar Casey e a mim também.
O estômago de Isadora apertou com o medo que ouviu na voz de sua irmã. — Tudo bem,
— disse ela cautelosamente. — Ficarei por perto.
— Bom. — Callia olhou para Casey. — Nesse meio tempo, você poderia me ajudar.
— Fale.
— Preciso verificar os textos antigos. Para qualquer assunto relacionado às Horae. Se eu
não consigo descobrir o que está acontecendo clinicamente, isto significa que tem que ser algo
genético.
— Sim, eu posso fazer isso.
Callia assentiu, sentou-se na cadeira, e abriu o livro.

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— Callia, — disse Casey. — E quanto a Zander?


A mão de Callia acalmou na página, e ela exalou um longo suspiro. — Vou contar a ele.
— Ele ficará feliz.
— Eu sei. — Callia balançou a cabeça e virou uma página. — Mas isso não é exatamente
algo para comemorar. Se não pudermos parar o que está enfraquecendo Isadora, e ela continuar a
diminuir e eventualmente morrer...
O que? Cabeça de Isadora balançou. Morrer? De jeito nenhum. Agora suas irmãs estavam
ficando muito à frente de si mesmas. — Eu estou bem. Um pouco cansada, mas bem. Isso é uma
completa paranoia...
— Oh, deuses santos, — Casey respirou.
A cor desapareceu do seu rosto, e ela colocou uma mão protetora sobre sua barriga. E num
piscar de olhos, todo um novo entendimento veio à tona, trazendo uma onda de tontura na cabeça de
Isadora.
Callia olhou para cima. — Sim. Isso significa que nós também. E Zander, porque eu sou a
sua fraqueza. Eu já abandonei uma criança no mundo sozinha. Não o farei uma segunda vez. Custe
o que custar, nós vamos descobrir isso. Depois de tudo que passamos, eu me recuso a aceitar que
este é o fim.

Capítulo 11

— Droga. — Nick apertou os dentes quando o Chevy que roubou da pequena aldeia
diminuiu e apagou. Ele torceu o volante para a direita, empurrando o veículo sobre os buracos no
lado da estrada de terra estreita.
O veículo parou. Ao seu lado Cynna acordou assustada e levantou a cabeça pela janela do
passageiro onde estava encostado. — O-o que aconteceu?
— Acabou o combustível.
Ela fez uma careta, pressionou uma mão contra a lateral de seu corpo enquanto se
endireitava, e olhou para fora do para-brisa com os olhos nublados. — Onde estamos?
Nick não tinha a menor ideia. Ainda estava escuro lá fora, provavelmente por volta das
cinco da manhã, supôs a partir da posição da lua. Eles não tinham passado um povoado pelo menos
uma hora atrás, e a selva aumentou em ambos os lados da estrada de pista única, invadindo em

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vários pontos, como tentáculos monstruosos. Se havia uma pista de pouso real aqui, ele comeria
seus malditos sapatos. Seria bem típico de Ari foder com ele nisso.
Ele verificou as coordenadas no celular que tirara daquela casa e franziu a testa. — Não
está muito longe daqui. Teremos que andar o resto do caminho.
O brilho esverdeado do painel iluminou seu rosto pálido e o jeito que ela fez uma careta.
Ela se encostou ao banco, ainda pressionando a mão em sua lateral. — Talvez eu deva ficar aqui.
Droga... Ele disse a si mesmo que a tiraria desta selva, e falou sério, se ela cooperasse ou
não. Não estava do que faria com ela depois, mas algo em seu íntimo não permitiria que a deixasse
para trás, para Zagreus encontrá-la e torturá-la. Não depois que ela arriscou sua vida para libertá-lo.
Não quando ela ainda podia ser importante.
Ele saiu do caminhão, andando ao redor do capô, em seguida, puxou a porta do passageiro.
Deslizando o braço sob seus joelhos, levantou-a para fora do caminhão. Ela conteve um gemido, e
ele sabia que o movimento causou uma dor excruciante, mas não protestou. — Está apenas cerca de
um quilômetro de distância.
Habilidades de sobrevivência. Essa fêmea as possuía. Depois de tudo que ela passou, isso
fazia todo o sentido. Mas um pensamento não saía de sua cabeça quando ele a levou para a selva.
Uma coisa que ela disse a ele quando ele estava cuidando do ferimento, que não gostou. A realidade
amarga que ela tinha escolhido fazer um acordo com Zagreus tudo por causa de uma vingança.
— Nem todas as prisões têm paredes...
Não, elas não tinham. Sabia disso melhor do que a maioria. Era bem possível que ela não
soubesse no que estava se metendo e que seu acordo se transformou em sua própria forma de
tortura. Mas ainda assim... que tipo de ódio uma pessoa abrigaria a ponto de fazer um acordo com o
Príncipe das Trevas? Que tipo de raiva a levara a isso?
O mesmo tipo de ódio que tinha por sua mãe. A mesma raiva que você sente agora por seu
pai amaldiçoar sua vida.
Um formigamento estranho tomou um espaço em seu peito. Ele se concentrou em seus
sentidos, esperando que algo novo fosse torná-lo capaz de ler a mente de Cynna para que pudesse
entender o que ela não estava dizendo a ele, mas claramente esse não foi um dom que adquiriu.
Porque, não, ele não tinha a porra da sorte, agora tinha?
As árvores acabaram abruptamente, e Nick saiu para um amplo campo, verde com um
pequeno barraco a uma centena de metros de distância.
— O-o que é isso? — perguntou Cynna.

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Pensou que ela tivesse adormecido. Ela ficou em silêncio durante toda a caminhada, seus
músculos negligentes em seus braços. — Eu não tenho certeza. Acho que é a pista de pouso.
A grama no meio do campo era menor do que ao longo das bordas, mas ainda na altura do
joelho. Não havia nenhum sinal de vida em qualquer lugar próximo. Se esta era a pista de pouso que
Ari lhe dissera, era rústica e pouco usada. O que significava que os principais habitantes da região
eram, provavelmente, os traficantes e os cartéis de drogas.
Foda fantástico. A última coisa que queria lidar agora era humanos.
Ele colocou Cynna no chão, a vinte metros do barraco. — Fique aqui. Eu já volto.
Ela não discutiu. Apenas deitou na grama, estremeceu e fechou os olhos. E quando ele
ficou de pé e olhou para ela, um sussurro de preocupação lhe percorreu, preocupações que ele sabia
que não deveria estar sentindo, mas da qual não conseguia se livrar.
Ela não é uma pessoa. Ela é uma garantia.
Ele se virou, repetindo as palavras em sua cabeça. Mas o jeito como ela parecia vulnerável,
quebrada, fraca faiscou mais e mais em sua mente, impedindo-o de pensar em nada além dela.
Foi fácil invadir o barraco. Dentro, encontrou um cortador, facões para cortar folhagem da
selva, pás, luvas de trabalho, e um pouco de diversos tipos materiais de sobrevivência.
Ele não sabia quanto tempo eles estariam aqui fora esperando, então pegou o que pensava
que eles precisam e voltou para Cynna. A área ainda estava escura, e verificou o telefone no bolso
para ver se tinha chegado alguma mensagem, mas a tela estava em branco.
Droga, Ari.
Ficando ainda mais irritado, cobriu Cynna com um cobertor que pegou do barraco. —
Aqui, levante-se.
Ela piscou várias vezes e lentamente levantou a cabeça do chão. Mas seu rosto
empalideceu com o simples movimento. Dizendo a si mesmo que não era problema dele, empurrou
outra manta sob o lado de seu rosto, em seguida, passou a procurar lenha para fazer uma fogueira.
Ela deitou-se e fechou os olhos mais uma vez. — Obrigada.
A palavra foi dita mansamente. Quase num sussurro. E tão malditamente estranho vindo
dela, ele não sabia o que pensar. Toda esta situação era insana. Como era o estranho desejo de se
sentar com ela de novo, como fez na selva, de colocar a mão em seu cabelo loiro e confortar a
pessoa que o torturara durante os últimos seis meses.
Merda. Você, claramente, está enlouquecendo, cara.
Ele exalou um longo suspiro e reuniu uma braçada de madeira. Prisioneira. Ela era sua
prisioneira agora. E quanto mais cedo ele se lembrasse desse fato, melhor seria para ele.

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Ele voltou, empilhou a madeira, e depois usou o isqueiro que encontrou no barraco para
acender a madeira. As chamas começaram lentamente, em seguida, rapidamente lamberam seu
caminho até os ramos e galhos.
Nick se sentou e apoiou os antebraços nos joelhos, enquanto olhava para o fogo. Não
estava frio o suficiente aqui para precisar de calor. Construiu isso para manter os animais longe e
iluminar a área de modo que Ari pudesse encontrar a pista de pouso. Não a fizera porque Cynna
estava fria, caramba.
Negação cara. Primeiro sinal que você está ferrado.
— Quem é esse amigo que nós estamos esperando?
As palavras murmuradas de Cynna arrancaram-no de seus pensamentos confusos, e olhou
para a esquerda, onde ela estava deitada ao seu lado. Com os olhos fechados e o luar fazendo seu
cabelo parecer ainda mais loiro, ela parecia quase como um anjo. Seu peito apertou com as emoções
desconhecidas. — Só um cara que eu conheço há vários anos.
— Um ser humano?
— Não.
— O que ele é?
Nick olhou para o fogo, pensando em uma maneira de descrever Ari. — Ele costumava ser
Argolean.
Seus olhos se abriram lentamente. — Costumava ser? Como assim “costumava ser”?
Nick tentou não olhar, mas não conseguia parar de olhar de soslaio para ela. Em suas
feições pálidas, o suor umedecendo a testa e as danças da luz do fogo em seus olhos vidrados.
Droga. Ele não sentia coisas pelas outras pessoas. Não os indivíduos, de qualquer maneira.
Por sua raça... sim. E isso só começou porque ajudar os Misos a prosperar era uma maneira de dar o
troco no Conselho Argolean que o rejeitou quando era criança. Mas mesmo com esse objetivo
singular, em sua essência ele era um solitário. E, sabendo quem eram seus pais, por uma boa razão.
Então não havia nenhuma maneira no inferno que ele estivesse sentindo qualquer coisa por qualquer
mulher, especialmente a que estava ao seu lado agora.
Apertou a mandíbula e olhou para o fogo. — Seu povo acha que ele está morto. É assim.
— Por que eles acham isso?
— Porque ele quer que seja assim.
Ela estava curiosa. Mas ele não estava com vontade de lhe dar mais. Especialmente quando
ela estava fodendo com sua cabeça.

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O zumbido de um motor ecoou na escuridão, e os sentidos de Nick despontaram. Olhando


para cima, viu o avião, ainda a cinco quilômetros no céu escuro. Alívio tomou em suas veias como
um barril de vinho doce. — Aqui está ele.
— Onde? — Cynna olhou para cima. — Eu não vi nada.
Nick se levantou. — Você verá.
Luzes vermelhas piscaram na escuridão. O zumbido do motor ficou mais alto. O
monomotor Cessna fez um grande círculo sobre a pista, em seguida, caiu no céu, direto para eles.
Cynna fez uma careta e se empurrou para sentar. — Ele está vindo de lado.
Ela estava certa. As asas do pequeno avião estavam sacudindo para cima e para baixo. Se
aquele filho da puta estava se exibindo e derrubasse o avião agora...
A roda esquerda abaixou. Em seguida, à direita. Um rugido soou através do campo quando
os freios foram aplicados. Finalmente, o avião desacelerou e virou-se, roncou em sua direção.
O motor desligou e a hélice morreu. Dentro do cockpit, o piloto tirou um fone de ouvido,
abriu a porta e saltou no chão com uma risada estridente. — Caramba, isso foi divertido.
Nick franziu a testa quando ele cruzou para cumprimentar Ari. — Você tem certeza que
gosta de fazer uma entrada.
Os olhos incompatíveis de Ari, um azul brilhante e o outro um verde profundo, cintilaram
nas luzes do avião. Ele capturou o antebraço de Nick em um aperto e sorriu, seus dentes brancos
praticamente brilharam na escuridão. — Pensei que estivesse morto, cara. Todos pensaram. Tenho
que dizer, porém, morto não é exatamente um lugar ruim para se estar. Assim como o cabelo, por
sinal.
Nick soltou o antebraço marcado de Ari e passou a mão sobre o cabelo loiro espesso.
Normalmente, o mantinha raspado, a maneira mais fácil de lidar, mas nos meses que foi mantido
em cativeiro, não teve o luxo. — Parece muito estranho.
Sempre avaliando, os olhos sempre selvagens de Ari estreitaram e ele lançou um olhar a
Nick. Ele levantou o queixo em direção a Cynna. — Quem é a mulher?
Relutantemente, Nick girou. Não precisava de Ari sabendo exatamente quem ela era ou
como estava envolvida, especialmente quando ainda estava tentando resolver tudo em sua cabeça.
Podia ter chamado o cara para ajudar, mas isso não quer dizer que confiasse nele. Não totalmente.
Especialmente conhecendo as peculiaridades de Ari. — Só alguém que me ajudou a escapar.
Ari deu uma cheirada profunda. — Não é uma Siren. Mas ela tem cheiro de ninfa. E isso a
faz de alto interesse.
Ele passou por Nick e indo direto para ela.

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Merda.
Nick virou-se e seguiu. Ari era tão hábil caçador e rastreador quanto ele, talvez mais,
vivendo em estado selvagem nos últimos anos. Mas seus métodos eram mais do que questionáveis.
Vestido com jeans gastos, uma camisa cinza de mangas curtas e botas, Ari parou na frente
do fogo, enfiou as mãos nos bolsos enormes, e inclinou a cabeça escura quando ele olhou para
Cynna. A luz do fogo parecia dançar sobre as cicatrizes franzidas que cobria o lado esquerdo do
queixo, desceu de seu pescoço, e desapareceu sob a gola de sua camiseta. — Ela é Argolean.
— É. — Nick prendeu a respiração, imaginando como diabos isso ia para baixo. A
obsessão de Ari com Sirens era bem conhecida, mas o seu interesse em ninfas foi pessoal.
— E você disse que ela era um das prisioneiras de Zagreus?
Porcaria. Ari estava fazendo conexões. De repente, Nick desejou que ele tivesse deixado
Cynna na selva depois de tudo. — Sim.
Cynna puxou o cobertor sobre o colo, mas seus olhos escuros ainda estavam vidrados
quando eles foram dele para Ari e vice-versa. Nick sabia que ela estava tendo dificuldade para
seguir a conversa. Então era para ele essa questão.
— Ela tem um nome, ou você simplesmente a chama de puta?
— Ei, — Cynna finalmente disse, sua rigidez na coluna. — Quem diabos você pensa...
— Cynna, — Nick interrompeu, querendo apenas manter a paz agora. Eles precisavam de
ajuda de Ari. Não irritar o cara. — O nome dela é Cynna.
— Cynna... — Seus olhos se estreitaram e incompatíveis, compreensão em seu rosto. — Já
ouvi falar de uma mulher com o mesmo nome sob as asas de Zagreus. Parece que você se pegou
uma viva.
Antes de Nick pudesse perguntar o que ele tinha ouvido, Ari puxou uma faca dentada da
das costas e deu uma guinada ao redor do fogo.
Ele era grande e musculoso, quase tão grande como Nick e Cynna recuou quando ele se
aproximou. Suas mãos enormes agarrou Cynna pelos ombros e colocou-a no chão. Cynna gritou.
Ari subiu em cima dela.
— Filho da puta. — Nick correu em volta do fogo. — Ari, merda solte-a.
Cynna gritou um grito de gelar o sangue, e a adrenalina de Nick foi muito alta. Ele agarrou
Ari pelo ombro, mas não conseguia puxar o bastardo. Girando em torno, avistou o que Ari estava
fazendo. Seus joelhos a segurava presa ao chão enquanto a faca na mão cortava a carne de seu
antebraço.

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O sangue jorrava da ferida. Ari deixou cair à faca e levou os dedos em seu músculo. Cynna
gritou e chutou para fora, mas não conseguiu fugir.
— Filho da puta Ari. — Nick agarrou os ombros do macho e puxou-o para trás. — Eu
disse para soltá-la. Ela não é uma ameaça, porra.
Ari soltou Cynna e cambaleou para trás, por pouco não caindo no fogo. Em suas mãos
ensanguentadas, ele levantou algo pequeno e metálico. — Não é uma ameaça? Como é que você
chama essa porra?
O peito de Nick soltou. Ele se concentrou no pequeno dispositivo circular nos dedos
manchados de sangue de Ari. — Isso é...
— Um dispositivo de rastreamento. Sim. — Ari cabeceou para Cynna. — Você disse que
ela o ajudou a escapar. Tem certeza que ela não está preparando uma armadilha para você em vez
disso? Chamam-na de Senhora, homem. Ouvi tudo sobre ela em minhas viagens. Ela é a prostituta
de Zagreus.
Cynna gemeu e rolou para o lado dela no chão, segurando o antebraço sangrando.
Peito subindo e descendo com as respirações profundas, Nick olhou para ela, lutando
contra a sua primeira reação a assumir o pior. Ele sintonizou com seus sentidos. Procurado sua
mente pelo o que ele sabia como fato. E veio... porra completamente vazio.
Merda. Que bom ter poderes se não pode acessá-los? Pense, caramba. Ela poderia ter
sabido. Percebeu que ela não estava dizendo a ele toda a verdade antes, quando ele perguntou por
que ninguém os seguia. Ela ainda poderia estar trabalhando com Zagreus, atraindo-o em uma
espécie de armadilha como Ari sugeriu. Mas a maneira como ela repetidamente disse a ele para
deixá-la para trás, o pânico em seus olhos quando ela desceu para a cela e libertou-o... Não eram
coisas que alguém que ainda está trabalhando para Zagreus faria. Não se ela sabia que estava sendo
monitorado e que ficando com ele levaria a sua recaptura.
Nick pegou o rastreador de Ari, deixou-a cair no chão, em seguida, esmagou-o sob sua
bota. Raiva fluindo por ele. A raiva porque não podia fazer uma leitura sólida sobre Cynna. E
porque, graças a ele, ela estava agora em ainda mais dor. — Eu sei quem ela é. Porque você acha
que eu a trouxe comigo?
Ele se ajoelhou ao lado dela, estendeu a mão para seu ombro, e rolou acima. — Fique
quieta.
— Eu não sabia, — ela sussurrou, ainda segurando o braço dela. — Ele veio para o meu
quarto depois que eu o deixei. Eu... eu não consegui me lembrar de forma clara, por isso eu não
disse nada. Ele estava lívido. Ele nos viu. — Ela fechou os olhos e apertou os lábios, respirando

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através da dor. — Quando eu acordei, eu estava coberta de sangue. Não sei o que aconteceu. Só
sabia que tinha que sair de lá. Isso se ficasse, ele ia me matar... nós. Ele ... ele poderia ter colocado
aquela ... coisa ... no meu braço então. Eu não sabia. Eu não sabia.
— Shh. — Suas palavras foram apressadas, correndo juntas e preencheu um senso de
imediatismo que desencadeou um impulso de proteção estranho dentro dele. Um que nunca sentiu
antes. — Está tudo bem. — Ele atirou um olhar irritado por cima do ombro em direção a Ari. — Vá
daqui e resolve isso.
Ari fez uma careta, mas seguiu sua direção. — Ela está mentindo. Todas as fêmeas
mentem.
Os músculos de Cynna contraíram enquanto ele se aproximava, mas Nick apertou as mãos
contra os ombros para mantê-la imóvel. — Não se mexa. Ele não vai cortá-la novamente. Vou me
certificar disso.
Ari se ajoelhou do outro lado dela e pousou as mãos ensanguentadas nas coxas. — Você
deve apenas deixá-la morrer, cara. Mais humano.
— Eu não sou humano.
Ari riu, o som escuro e um pouco louco. — Isso seria muito fácil, agora não é?
Nick observou quando Ari estendeu as mãos sobre o ferimento em seu braço. Os olhos de
Cynna se arregalaram, e ela lutou sob o aperto de Nick, Nick, mas apenas a abraçou mais apertou.
— Se você quiser mudar de ideia, — disse Ari, — agora é a hora de dizê-lo.
— Apenas faça, — Nick resmungou.
Ari balançou a cabeça. — É o seu funeral cara, droga.
Ele colocou a mão sobre o antebraço sangrando de Cynna. Seu olhar seguiu, os olhos
arregalaram tanto que os brancos podiam ser vistos ao redor de suas íris escuras. A pele sob a palma
de Ari começou a brilhar, pouco no início, em seguida, em intensidade até que era uma luz branca
radiante, fazendo sua pele parecer translúcida e as bordas de seu brilho vermelho.
Os olhos de Cynna se fecharam. Suas costas se curvaram fora da terra, e um grito
estridente saiu de sua boca. Nick a segurou com mais força. Longos segundos se passaram enquanto
Ari trabalhava a ferida, então o brilho finalmente esmaeceu. Quando ele levantou a mão, a ferida foi
fechada, mas a pele ao redor dela estava vermelha, inflamada, e crepitante.
— Onde está o outro? — perguntou Ari.
— Na lateral do corpo. — Nick apontou para a camisa manchada de sangue.

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Ari retirou o tecido, então colocou a mão sobre o ferimento debaixo de suas costelas e
repetiu o processo. Segundos depois, tudo estava acabado. Cynna estava mole no chão, ofegando e
gemendo.
Ari se inclinou para trás em seus calcanhares. — Você vai precisar cobrir essas. As
queimaduras vão curar rapidamente, mas ainda podem se infectar.
Nick balançou a cabeça, uma onda de alívio correr por ele. Alívio que era tão estranho
como o impulso de proteção que tinha sentido antes. — Obrigado.
De repente, Ari ficou de pé e respirou fundo, como se farejando o ar úmido. Um rosnado
baixo construído em sua garganta.
A cabeça de Nick veio à tona. Ele lançou um olhar para Ari, então olhou ao redor da pista
de pouso escura. — O que você sente?
A cabeça de Ari correu de um lado para o outro, e o olhar selvagem enlouquecido, encheu
seus olhos de cores diferentes mais uma vez. — Sirens.
Ele atirou para as árvores e desapareceu.
Piscando rapidamente, Cynna olhou para Nick, ainda pálida e de olhos vidrados, mas pelo
menos agora não mais sangrando. — O-o que foi isso?
Nick tirou as bandagens extras do bolso, que havia roubado daquela casa. — Psicose Séria,
isso é o que é.
Ele passou o primeiro curativo em torno das bolhas se formando em seu braço, em seguida,
para o lado dela, cuidado para não roçar na ferida. Apesar de ter sido fechada, as queimaduras tinha
que doer como uma cadela.
— Quem é ele? — Sua voz estava fraca, cansada e decadente. Mas pelo menos agora o
descanso iria corrigir isso. Alívio deslizou por ele. O que, mais uma vez, foi uma reação estranha
para ele ter.
— Um ex-Argonauta.
— Ex? Eu não reconheci o nome.
— Lembra que eu disse que ele falsificou a sua morte? Ele fez isso depois que seu filho
atingiu a maioridade e se juntou à ordem. Seu nome dado é Aristokles.
A testa de Cynna abaixou. — Isso soa estranhamente familiar. Qual Argonauta é seu filho?
Sendo Argolean, mesmo que ela não tivesse vivido em Tiyrns, fazia sentido que ela
soubesse quem são os guardiões. Todos na maldita terra sabia. — Cerek.
— Por que ele deixou a ordem?
Nick deu de ombros. — Não aguentava mais, acho. Você o viu. Ele é um pouco diferente.

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Ela ficou em silêncio por um momento, enquanto ele puxou a camisa para baixo e a cobriu
com o cobertor de novo. — O que é com a coisa Siren? Elas estão realmente lá fora? Por que ele
iria procurar pelas guerreiras de Zeus sozinho?
Nick se recostou e pousou as mãos sobre os joelhos, sentindo-se um inferno de muito
melhor do que ele tinha apenas alguns minutos antes. — Porque ele as caça.
— Caça Sirens?
Ele acenou com a cabeça.
— Por que?
Ele deu de ombros e olhou na direção das árvores. Não havia como dizer quanto tempo Ari
sumiria. O cara era como um gato, aqui um minuto, no outro se foi. E pouco antes suas perguntas
poderia tê-lo irritado, pelo menos agora elas o impediu de pensar sobre o que ele ia fazer com ela
uma vez ele voltasse para a colônia.
— Lembra que eu disse que uma alma gêmea é uma maldição, e não uma bênção? — Ela
assentiu com a cabeça. — Ari é o exemplo perfeito disso. Vários anos atrás, quando ele estava em
uma missão para os Argonautas, ele se deparou com uma ninfa ferida. A maneira como ele conta,
ela foi ferida ao escapar das garras de Zeus. Ele a levou para Argolea, onde Zeus e os outros deuses
Olympus não podem cruzar, e, basicamente, se apaixonou por ela. Alegou que ela era sua alma
gêmea e que eles estavam destinados a ficar juntos. Alguns diziam que ela era sua prisioneira,
outros, sua amante. Eu não tenho certeza. Não estava lá e não sei. Mas de acordo com Ari, eles
estavam loucamente apaixonados. Só que Zeus a queria de volta. Ele estava chateado que um
Argonauta havia roubado seu prêmio. Assim enviou suas Sirens para sequestrar a ninfa e trazê-la de
volta. Quando Ari percebeu que ela tinha ido embora, ele ficou um pouco balístico e abandonou
suas funções para encontrá-la. Causando todos os tipos de problemas para os guardiões. Então, ele
se encontrou com as Sirens, e resultou em uma briga. A ninfa foi morta.
— Oh caramba.
— Depois disso, ele se perdeu. Qualquer Siren que pudesse encontrar era essa série de
assassinatos. Foi terrível. Os guardiões tentaram controlá-lo, mas não conseguiram. Quando um
Argonauta perde sua alma gêmea pode ficar desagradável. De qualquer forma, para manter a paz
com o Olimpo, ele foi banido para o reino humano. Seu filho, Cerek, no entanto, não quis aceitar
essa decisão. Ele o encontrou. Pensou que poderia reabilitá-lo e trazê-lo de volta. Ari não queria
voltar, apesar de tudo. Tudo o que ele queria fazer era continuar matando Sirens, desbastando Zeus
sempre que podia. Mas ele também sabia que Cerek nunca desistiria dele. Assim, falsificou a sua
morte para fazer o seu filho a se afastar.

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— Em um incêndio, — Cynna murmurou.


Nick olhou em sua direção. — Como você sabe disso?
— As cicatrizes em seu rosto e pescoço.
— Sim. — Nick olhou as chamas na frente dele. — Em um incêndio. Um que eu
provoquei.
— Você?
Nick deu de ombros. — Ele pediu minha ajuda. E eu ajudei. Não tinha nenhum amor pelos
Argonautas naquela época.
— E agora?
Sua mente derivou para sua alma gêmea e seu irmão, Demétrius. E apesar da puxão por
Isadora ainda estar lá, não era tão forte como foi uma vez. Algo que achou tanto estranho como um
alívio. Ele deu de ombros novamente. — Agora ainda não tenho nenhum amor por eles.
Cynna ficou em silêncio por alguns momentos. Suavemente, ela disse: — Eu não sabia
sobre o rastreador. Se Zagreus o colocou em meu braço, isso significa que ele não confia em mim.
Nick sabia que ela estava certa, mas estava lutando contra sentimentos conflitantes no que
se referia a ela. E esses sentimentos, combinados com seus estranhos poderes aumentando e as
mudanças na empatia a sua alma gêmea o fizeram desconfiar de sua reação instintiva. Mais do que
nunca, não estava prestes a ser pego sendo idiota. Não por Cynna. Não por qualquer pessoa. —
Ainda não decidi se eu confio em você.
— Não tem porque confiar em mim, — disse ela com a voz cansada. — Mas juro a você,
não estou trabalhando com Zagreus.
Juramentos eram fáceis de fazer. Manter esses juramentos, é que eram a parte mais difícil.
Por mais que Nick quisesse acreditar nela, sabendo que ela voluntariamente foi até Zagreus
significava que havia todo outro lado dela que ele ainda não conhecia. Um lado que não tinha
certeza de que estava preparado para conhecer.
Ele olhou para a selva escura. — Você deveria dormir. Ari pode demorar um pouco. Vou
acordá-la quando for hora de ir.
Ela olhou para ele, e ele sentiu que ela queria dizer algo mais, mas não o fez. Depois de
vários segundos, ela suspirou, inclinou a cabeça sobre o cobertor sob sua bochecha, e fechou os
olhos. — Obrigada por salvar minha vida.
Um nó se formou em sua garganta, que não gostou. Ele olhou para ela, com os olhos
fechados, aquele cabelo loiro estranho caindo em sua bochecha. — Não me agradeça. Estou apenas
a mantendo viva como uma vantagem.

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— Não importa, — disse ela suavemente. — Você ainda me salvou. Ninguém sequer
tentou. Não vou esquecer isso.
Nem ele. E ele tinha uma estranha sensação de que isso iria mudar as coisas para ele de
modo que não tinha certeza se estava preparado.
Um som de estalo eclodiu nas árvores atrás dele. Ao longe, mas se aproximando. Nick
empurrou ao redor e olhou naquela direção.
Os olhos de Cynna se abriram, e ela se sentou. — O que foi isso?
— Tiroteio. — Nick se levantou e apertou os olhos para ver na direção das árvores, seus
sentidos ficaram acentuados, sintonizando-se com o ambiente. Sete, não... dez homens. Em dois
veículos. Vindo em sua direção.
Um motor acelerado. Mais tiros explodiram. Cynna se levantou para ficar ao seu lado,
cambaleou, então agarrou seu braço para manter-se em pé. — Tiroteio?
— Merda. — O pulso de Nick disparou. E não do calor de sua palma descansando contra
sua pele nua. Não, isso era o fato de que algo ruim estava prestes acontecer.
O arbusto chacoalhou à sua esquerda. Ele estendeu a mão para a espada que ele roubou da
toca de Zagreus e deixou pelo fogo. Espadas, bastões e outras armas de mão foram eficazes contra
os asseclas do Príncipe das Trevas, mas tiros significava humanos. E os seres humanos atirando
significava problemas de toda uma variedade de merda diferente.
O farfalhar ficou mais alto. Nick empurrou Cynna atrás dele. — Corre para o avião.
— Mas...
Ari deu uma guinada no meio do arbusto antes que Cynna pudesse terminar seu protesto,
os braços acenando freneticamente, seus olhos grandes como pires. — Vá! Corra! Ponha o maldito
motor para funcionar!
Os músculos agruparam, e ele conduziu Cynna em direção ao avião. Ela tropeçou e quase
caiu. Pegando-a em seus braços, Nick correu velozmente. Ari correu a seu lado.
Nick chegou ao avião, colocou Cynna no chão e abriu a porta. — O que diabos você fez?
Ari derrapou até parar, levantando poeira e rochas. — Eu estava errado. Não eram Sirens.
Nem perto disso. As duas prostitutas servem um grupo de traficantes de drogas.
— Skata. — Nick ajudou Cynna na parte de trás do avião. — Me diga que não fez.
— Só dei uma amostra a uma.
— Filho da puta. — Nick sabia exatamente o que “dar uma amostra” de Ari implicava. O
filho da puta gostava de brincar com sua presa. — Você não parou quando percebeu que ela não era
uma Siren?

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— Ela era quente, mesmo que ela fosse uma prostituta. Tenho necessidades, idiota.
Nick entrou no avião depois de Cynna e fechou a porta. Ari deslizou no assento do piloto e
pegou o fone de ouvido.
— Eu devo ter tropeçado em sua plantação. De jeito nenhum que eles se preocupam com
essas garotas. — Rapidamente, Ari empurrou os botões no painel de instrumentos. As luzes se
acenderam, então o motor rugiu, e a hélice veio à vida, girando lentamente no início e ganhando
velocidade.
Nick tomou o assento do copiloto e pegou o cinto de segurança, enquanto Ari manobrava o
avião em direção ao final da pista de grama. Os pneus saltaram ao longo do terreno irregular,
empurrando-os em seus lugares. — Eles vão chegar através dessas árvores a qualquer momento.
— Eu sei, eu sei, — Ari repetiu, com as mãos segurando o manche.
— Você tem uma porra de um problema, psicopata.
— Eu vim salvar a sua bunda, não é?
— Mal, — Nick jogou para trás. Filho da puta, ele deveria ter chamado os malditos
Argonautas em vez de esse maluco.
— Ah, Nick? — Cynna disse do banco de trás, o medo enchendo sua voz.
Nick virou e olhou por cima do ombro, para fora da janela. O sol estava começando a
aparecer, lançando uma luz branca misteriosa através da selva. Mas facilmente viu o que ela estava
olhando. Dois caminhões saíram das árvores e canos apontando em suas direções, as carrocerias
cheias de homens carregando armas automáticas.
A mandíbula de Nick assinalou. — É melhor voar, Ari.
— Voar alto é o que eu faço melhor. — Ari virou o avião em direção à pista e deu um soco
no motor. — Se segurem, filhos da puta. Esta vai ser um inferno de uma decolagem.

Capítulo 12

Todo o corpo de Cynna estava rígido e dolorido. Rolando de costas, ela levantou os braços
sobre a cabeça, espreguiçou-se e piscou várias vezes. Lentamente, sua visão clareou, e concentrou-
se em um gigantesco lustre de ferro pendurado em vigas do velho mundo e um teto alto.

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Confusa, ela se sentou e olhou em volta. Estava deitada em um colchão. Cobertores


amarfanhados cobriam suas pernas, e um fogo crepitava na maior lareira de pedra que já vira. Mas
um arrepio correu por sua espinha, e, olhando para a sua direita, percebeu que era porque o vidro
das janelas arqueadas estava quebrado, deixando entrar uma brisa gelada espalhando um frio pela
sala gigantesca.
Jogando as cobertas para trás, empurrou de joelhos, em seguida, levantou-se descalça. Ela
estava agradecida por eles escaparem dos barões da droga com apenas um arranhão, e que tivesse
dormido a maior parte do voo. No momento em que Ari finalmente pousou o avião, ela estava
grogue e fora dele. Lembrou-se de estar em um carro. Em seguida, caminhou por algo escuro, mas
isso era tudo. Movendo-se em direção às janelas quebradas, ela cruzou os braços sobre o peito para
aliviar o frio e olhou para a vista, então respirou surpresa.
Rochedos abriam para um grande lago, se espalhavam para fora diante dela como um
cobertor de cristal azul. Montanhas roxa-rosa, o verde ao redor do lago, mesclando com um céu
cada vez que escurecido. O primeiro brilho da luz das estrelas brilhara no alto, dizendo a ela que era
o início da noite e que ela tinha dormido mais do que pensava.
Seu olhar se desviou para baixo para o braço, coberto por uma bandagem branca. Ela
puxou a borda e estudou o corte por baixo. Uma fina linha vermelha marcava sua pele. Alcançou a
barra da sua camisa manchada de sangue, puxou o algodão e encontrou o mesmo do lado, onde foi
espetada pela espada do sátiro.
Ari tinha conseguido curá-la. Memórias difusas de toda essa provação chicotearam por sua
cabeça. Afastando-se da visão, ela se perguntava onde o estranho Argonauta fora. Não havia sinal
dele no quarto. Ela olhou ao redor, à procura de Nick, só que não havia sinal dele também.
Desconforto infiltrou-se em seu peito, mas se acalmou quando viu as armas de Nick no
canto da sala. Ele não teria ido sem elas. E o fato de que não as estava levando agora indicava que
onde quer que ele estivesse, e ela estava confiante de que eles não estavam mais em Yucatan, não
havia nenhuma ameaça imediata.
Respirou mais leve enquanto saía do colchão, com a intenção de encontrá-lo. Poucos
móveis estavam posicionados na sala gigante além da cama improvisada. Uma pilha de madeira
estava espalhada no canto. Dois sofás foram derrubados, as almofadas cortadas, o lixo jogado no
chão. E uma parede inteira estava enegrecida, como se um fogo tivesse corrido por esta parte do
edifício.
Esta não era uma casa ou mesmo de um complexo. Era algum tipo de ruína. Um arco
aberto para uma sala ampla com paredes de estuque e desmoronando. À frente, uma escada gigante,

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ou que restava dela, desaparecia para os níveis superiores. O corrimão estava faltando. O que foi
uma vez uma madeira esculpida intricada, agora estava enegrecida e coberta de fuligem. Outro
conjunto de escadas em ruínas caia para andares abaixo, mas não conseguia ver onde levaram.
Ficou parada. Apurou os ouvidos. Não era possível escutar nada, apenas o grito de um
pássaro em algum lugar através das janelas quebradas. O que foi este lugar uma vez, claramente foi
abandonado agora.
Seu estômago revirou com tanto receio e temor. Apertando os dentes, disse a si mesma que
ficar ali em pé não ia responder a todas as suas perguntas. Moveu-se para a escada. Foi golpeada,
mas estava estável, e agarrou o corrimão do lado direito, enquanto subia para o próximo nível.
Outro corredor aberto à sua frente, este não tão grande. Um tapete desgastado corria ao longo do
chão, e portas quebradas, buracos e madeira lascada presas em dobradiças que pareciam que
soltariam com uma pequena rajada de vento.
Ela olhou nos quartos quando ela passou. Os restos de uma biblioteca de livros queimados
e rasgados e espalhados pelo chão como gravetos. Um refeitório, mesas quebradas e jogadas,
janelas quebradas com cortinas esfarrapadas soprando na brisa. Um escritório, as telas de
computadores rachados e despedaçados, jogados no chão, mesas estilhaçadas e presa como se
alguém tinha golpeado com uma marreta.
Esse mal-estar voltou correndo. Virou a esquina e parou, olhando para o que sabia no
primeiro olhar foi um viveiro. Brinquedos foram quebrados, rasgados, espalhados pelo chão. Berços
em ruínas. Uma cadeira de balanço aos pedaços perto de uma janela quebrada.
Isto não eram apenas ruínas. Fora uma demolição.
Sua cabeça ficou leve. Seu estômago um nó apertado. Ela virou para fora do viveiro em
ruínas e passou a mão sobre a testa de repente úmida enquanto passava sala após sala saqueada,
procurando uma que não estivesse em pedaços. No final do corredor, ela encontrou uma porta
fechada que ainda estava pendurado em duas dobradiças, envolveu a mão ao redor do botão, e
empurrou.
Papel espalhado pelo chão, e alguns espelhos nas paredes rachados e quebrados, mas este
quarto não sofreu o tipo de dano que os outros. Ela atravessou a sala de estar, em seguida, entrou o
que sabia instintivamente foi um salão de beleza.
Cadeiras giratórias foram alinhadas de cada lado da sala. Espelhos normais, sem danos
espelhos, na frente de cada um, tesouras, escovas de cabelo, aparelhos de barbear e cortador, todos
colocados em vasilhas nos postos de trabalho.

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Ela pegou seu reflexo em um dos espelhos mais próximos. Sua pele ainda estava pálida,
com os olhos um pouco selvagem depois de tudo o que viu, e suas roupas eram uma bagunça,
manchada de sangue e sujeira. Ela tocou as pontas dos cabelos loiros duros e olhou fixamente para a
imagem Zagreus havia criado.
Não ela. Não quem era por dentro. Não quem sempre quis ser novamente. De repente,
sentiu a necessidade de purgar de tudo relacionado com o ano passado.
Ela vasculhou os armários até encontrar o que precisava. Puxando as luvas de plástico
transparente, misturou a solução até estar o mais perto de sua cor natural em uma tigela de plástico,
em seguida, esfregou o creme em seus cabelos loiros artificiais. Depois de envolver o cabelo em um
saco plástico, amarrou, então foi em busca de algo limpo para vestir.
O próximo nível claramente uma vez foi os quartos de dormir. Estes foram deixados em
ruínas também, mas não se concentrar na destruição. Em um quarto, encontrou calças jeans limpas
que pareciam que ia caber. Em outro, uma blusa branca folgada com uma gola babada. Em outro,
procurou em um armário desorganizado até que tirou um par de botas de seu tamanho.
Voltou para o salão. No fundo da sala, encontrou um banheiro completo enfeitado com um
espelho de parede comprido, balcões de granito, e um chuveiro com Box de vidro com um chão de
pedra. Ela ligou o chuveiro. A água cuspiu como se o ar tivesse no cano, então finalmente fluiu
livremente, ficando mais quente a cada segundo. Puxando as suas roupas nojentas, entrou debaixo
do spray, lavado o cabelo, e suspirou.
Ficar limpa a fez se sentir mil vezes melhor. Ela ficou no chuveiro enquanto pôde, então
saiu e se secou. Depois de se vestir com as roupas limpas, voltou para o salão de beleza, enrolou
uma toalha em volta dos ombros, encontrou um par de tesouras, e começou a cortar.
Sempre odiou o loiro claro que Zagreus tanto gostava. A mecha azul fora sua tentativa de
rebeldia, mas ele também gostou, o desgraçado. Ela cortou usando os dedos como um guia. Quando
estava feliz com o comprimento, puxou a toalha, passou as mãos pelos cabelos castanhos até os
ombros, em seguida, olhou para seu reflexo.
Era como olhar para seu antigo eu. Antes que a raiva e o ódio a levassem a se tornar outra
pessoa. Seu olhar se desviou para o suéter branco que mostrava o comprimento do pescoço e a linha
de sua clavícula, ainda machucada pelas mãos de Zagreus. Nojo rodou na barriga, mas forçou para
baixo junto com as memórias, concentrando-se sobre o jeans que era tão novo, achou que foi usado
apenas uma ou duas vezes.
A quem pertencia? O que aconteceu com ela? E por que de repente sentia como se
estivesse roubando de um fantasma?

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Sentiu alívio após tomar banho. E a necessidade de encontrar Nick ficou ainda mais forte.
Virou para fora do salão e continuou até vários lances até chegar o que ela achou que foi o
nível superior. As portas duplas penduradas ao acaso em suas dobradiças, e uma brisa forte soprou o
cabelo para trás de seu rosto. Tremendo, caminhou até a porta quebrada, parou no parapeito de
pedra, e olhou para baixo.
Estava em uma espécie de varanda. Seu olhar saltou sobre o lago mais além, em seguida,
para um pátio de pedra lá embaixo. Grandes manchas pretas prejudicavam as pedras. Cinzas
rodavam pelo chão. E no meio do que claramente eram os restos de algum tipo de fogo, de costas
para ela, estava Nick.
Suas mãos estavam empoleiradas em seus quadris magros. Sua cabeça inclinada de modo
que não podia ver seu rosto. Mas os músculos de suas costas estavam apertados e agrupados sob a
camiseta preta fina que ele tinha trocado, como se carregasse o peso do mundo ali. E mal-estar
pressionou em seu peito enquanto o observava olhar ao redor do pátio, levantou uma mão grande e
passou através de seu cabelo loiro desgrenhado. Ele baixou o braço para o lado dele, curvou os
ombros, e se ajoelhou no chão, abaixando a cabeça, como se em derrota.
Cynna olhou através da varanda vazia, então o lago novamente, em cada parte de
destruição como se visse sob uma nova luz.
A colônia mestiça. Seu estômago embrulhou com a compreensão de onde eles estavam.
Ouvido rumores de sua existência quando era criança em Argolea. Seus pais haviam sequer
considerado mudar para a colônia, em vez das Montanhas Aegis com as bruxas. E soube em seu
tempo com Zagreus que Hades, especialmente, estava procurando a colônia por anos porque ele
suspeitava que Maelea, a fêmea ele chamou de “a manchada” poderia estar escondida lá.
Esta era a colônia de Nick. Sua casa. Seu povo. E sabia disso sem sequer perguntar, e essa
não se parecia como a última vez que ele esteve aqui.
As emoções rolaram através de seu peito e suas próprias memórias voltaram para uma cena
muito parecida com esta, fazendo seu coração bater mais rápido, espalhando o pânico através de
seus membros. Girando rapidamente do corrimão, encontrou as escadas, e apressou em descer para
o pátio antes de sair. Estava ofegante, quando encontrou um conjunto quebrado de portas pesadas
de madeira que encontravam obliquamente contra um arco de pedra. Avistou Nick ainda ajoelhado
no meio do pátio enegrecido, ela respirou de alívio e acalmou seus pés para se recolher.
Quando sentiu constante, foi lentamente em direção a ele. Mas seus nervos chutaram
novamente a cada passo. Isso não foi apenas um fogo. Podia sentir os restos de almas ainda
espalhadas ao vento. Isso foi tudo o que restou de uma cremação em massa.

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Ela parou. Ele tinha que tê-la ouvido, mas não se virou. Olhando em volta das pedras
enegrecidas, ela tentou pensar em algo para dizer.
— Nick... — Condolências permaneceram na ponta da língua, mas ela não podia dizer.
Não porque não sentia pelo que ele tinha perdido, mas porque sabia que nenhuma palavra poderia
aliviar seu sofrimento. Porque elas nunca aliviaram o dela.
— Três dos meus homens pegaram um daemon lá. — Ele acenou com a cabeça em direção
ao canto do pátio, onde uma seção de rocha carbonizada se destacou contra as pedras cinzentas. —
Cinco sátiros os encurralaram antes que eles pudessem fugir. — Ele olhou para a direita, onde outro
trecho de chão enegrecido manchado, com os ombros apertados, os olhos sombreados, um tom
rouco de sua voz. — Dois daemons rasgaram uma mulher tentando escapar lá. Ela tinha um filho
com ela. Eu não sei o que aconteceu com o menino.
Oh deuses... Uma nova onda de medo tomou conta dela. — Você... os vê?
— Não, eu os sinto.
Ela olhou ao redor do pátio vazio de novo, e um arrepio sinistro ondulou por sua espinha
quando visões nadaram na frente de seus olhos. Pessoas correndo em todas as direções. Sátiros e
daemons invadindo com espadas, bastão e armas vis, destinados a procurar apenas para matar.
Ossos quebrando, gritos flutuando na brisa. O barulho das espadas contra espadas ricocheteando nas
pedras quando os homens de Nick lutavam para combatê-los. A poça de sangue pelo chão. E em
todos os lugares, fogo e fumaça. A noite viva com chamas vermelhas de raiva lambendo o céu sob
as sombras escuras de Hades e Zagreus, olhando da encosta do outro lado do lago.
A visão clareou, e Cynna engasgou e cambaleou para trás. O suor escorria na testa quando
olhou para Nick com os olhos arregalados. Com o passar dos meses, sabia que ele estava ficando
mais forte, Zagreus percebeu que os poderes de Nick estavam aumentando demais, e era por isso
que estava tão ansioso para quebrá-lo mais cedo ou mais tarde, mas até o momento, não tinha
percebido o quão forte esses poderes se tornaram. Ou não tinha a intenção de mostrar a ela que ele
percebera. Cada momento horrível, horripilante.
— Eles eram meu povo. E eu os deixei quando eu deveria ter ficado e lutado. Eu escolhi
uma vida... ao invés de centenas de pessoas. — A voz dele caiu. — Eu os deixei morrer.
A angústia que ouviu, a miséria... Cortou seu coração. Porque sabia o que era fazer essa
escolha. Optar por viver em vez de lutar por aqueles que amavam. Sabia porque a mesma culpa
ainda agitava no fundo de sua alma, todo santo dia.
Apertando a mão, deu um passo para mais perto e gentilmente tocou seu ombro. — Você
não sabia.

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Ele ficou de pé e se virou para ela. Surpresa, ela puxou a mão de volta. E viu então que
seus olhos não tinha apenas dor. Eles estavam furiosos. Em chamas com uma escuridão perversa
que nunca tinha visto antes, nem mesmo quando Zagreus o insultava, espancava e torturava em seu
calabouço de horrores.
— Eu sabia. Sabia que estava deixando-os a este pesadelo. E mesmo assim eu parti.
Engoliu em seco. Sabia que ele estava em um lugar ruim. Sabia que a coisa mais
inteligente para ela agora era ir embora. Ele não confiava nela. Ainda não tinha razão para confiar
nela. Mas algo dentro dela não a deixou sair. Não fez após sua aldeia ser destruída. Ninguém para
se apoiar. Sem ninguém a quem recorrer para o conforto. Ninguém para ajudá-la a pegar os pedaços
de uma vida em ruínas. E que a solidão tinha criado um ódio que finalmente a empurrou para
Zagreus. Não queria que Nick tomasse o mesmo caminho escuro. Não queria olhar para trás em sua
vida e se arrepender de mais uma coisa que poderia ter tido o poder de mudar. Não quer saber que
um guerreiro como ele finalmente chegou ao ponto de ruptura.
Ela levou a mão para sua bochecha.
Ele fechou sua mão grande em torno de seu pulso em um aperto firme antes que pudesse
tocá-lo, seus olhos âmbar inflamados arregalados, com descrença. — O que diabos você pensa que
está fazendo?
Ele estava mais perto da borda do que pensava, mas não ia recuar. — Ajudando você. A
forma como eu fiz antes. Apenas...
Seu olhar percorreu suas feições, tão intensas, calculistas, sentiu como visse após todas as
barreiras no fundo de sua alma. Mas não recuou como fez uma vez com Zagreus. Não tentou
esconder o que estava vendo. Porque ela precisava que ele soubesse que não estava sozinho.
— Você nunca me ajudou, — ele zombou. — Você é tão responsável por tudo isso quanto
o seu mestre. Se não fosse por você, eu poderia ter sido capaz de me libertar daquele inferno e
voltar para parar isso. — Ele ergueu o queixo, indicando a destruição. — Eu poderia ter sido capaz
de salvá-los.
Ele estava culpando-a, porque ela era um alvo fácil. Reconheceu, mas ainda assim suas
palavras doíam, porque em um lugar lá dentro sabia que ele estava certo.
Seu coração batia rápido contra suas costelas. — Se eu soubesse...
— Nem diga isso. — Ele jogou o braço em desgosto, e seus olhos escureceram. Tão escuro
como o seu coração. — Fique o mais longe possível de mim, porque agora eu quero você tão morta
quanto o Príncipe das Trevas do caralho que você escolheu servir.

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Ele se virou para o arco em ruínas que levava de volta para o castelo. — Corra fêmea.
Corra rápido. Esta é a única chance que eu vou te dar.

Energia formigava nas pontas dos dedos de Nick, alimentado pela escuridão, ele apenas
segurava. Pulando os degraus, rapidamente foi para o nível mais baixo da colônia e se dirigiu para
os túneis que espalhavam por baixo da estrutura maciça.
O labirinto cheio de curvas era um ponto de entrada, projetado para desorientar e confundir
todos os inimigos que conseguissem chegar perto, mas Nick conhecia cada passo, cada curva, e hoje
precisava do consolo que dos túneis sempre lhe dera. Necessitava uma pausa da responsabilidade.
Necessitava de liberdade.
Só que não havia liberdade a ser encontrada aqui. Não quando as visões do que o seu povo
tinha sofrido eram jogadas por trás de suas pálpebras como um filme em repetição, cada grito
agonizante ajudava aumentava como fogo de canhão em seus ouvidos.
Desviou dos armários curvados com portas quebradas penduradas na antessala, nem parou
para ver se algum armamento foi deixado para trás, e passou por cima da porta de aço mutilada que
já havia formado uma barreira entre o castelo e a caverna embaixo. Seguindo em frente na memória,
andou mais no interior dos túneis e não parou até chegar à sala ampla onde uma infinidade de
corredores abria em todas as direções diferentes.
Os gritos ficaram mais altos. As visões giravam mais rápidas. Apertou as mãos contra os
ouvidos, na esperança de abafar os sons, Fechou os olhos e rangeu os dentes contra as trevas.
Estava quebrando. Podia sentir a energia de Krónos dentro dele alimentando-se de sua
raiva, ódio e dor. Produzindo em seu peito. Apressando-se através de seus membros com um poder
todo-abrangente. A energia só esperando para comandar, destruir e aniquilar.
Lutou contra a atração. Pressionado com mais força contra seus ouvidos. Abriu a boca. E
rugiu.
Seu corpo tremia. O som de seu grito ecoou nas cavernas.
— Nick. — Os dedos suaves e quentes de Cynna tocaram seu ombro.
Ele baixou as mãos e virou. Nessa profundidade dos túneis, não havia luz, mas seus
sentidos estavam tão elevados agora pela energia de Krónos agitando dentro dele que ele não
precisava de nenhuma iluminação para vê-la de pé ao seu lado, seu cabelo sedoso caindo até os
ombros, os grandes olhos chocolate iluminados com tristeza e... pena.
A pena empurrou direto até o limite. Quem era ela para ter pena dele? Para cuidar dele?

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Transtornado
Elisabeth Naughton
Guardiões Eternos - 7

— Não se deixe vencer. — Ela se aproximou. — Lute. Da maneira como você lutou nos
últimos meses.
Esses meses giraram em sua memória. Reverberaram em seus ouvidos. Apressaram-se em
suas veias. O estalo de um chicote estalando na escuridão. A picada do corte em sua carne. O metal
frio das algemas apertadas contra seus pulsos. As correntes sacudindo os braços acima da cabeça. A
sensação quente, os dedos das ninfas deslizando ao longo de sua pele superaquecida. E a liberação
que não sabia que desejava pairando fora de seu alcance, impossível de alcançar. Tudo graças a ela.
Sangue bateu em suas veias. Raiva, fúria e desespero se fundiram. Essa energia estalou e
chiou em suas mãos até que ele não podia segurá-la mais. — Movimento estúpido, fêmea. — Ele
fechou a mão em torno de seu pulso e puxou. — Eu te avisei.
Ela engasgou e tropeçou. Mas antes que pudesse se afastar, ele virou e arrastou-a para trás.
— Nick...
Dirigiu-se para o túnel do lado esquerdo, passou os dedos em torno do primeiro conjunto
de barras de aço voltou a si e abriu a porta.
Ele a atirou para a cela escura e deu um passo atrás dela.
Ela bateu na parede de pedra, virou-se rapidamente, e olhou para trás, os olhos arregalados
em busca da escuridão, tentando encontrá-lo. — O-o que lugar é esse?
— Nossa versão de prisão para bêbedos. Nunca usado até agora. Merda poética, se você
me perguntar.
Ela prendeu a respiração quando ele se aproximou, mas não resistiu quando ele a pegou
pelo braço, puxando-a para cima, e prendeu uma braçadeira de metal no alto da parede em seu
pulso. Não afastou nenhuma vez enquanto ele estendeu a mão para o braço esquerdo, empurrou esse
acima, assim como, e prendeu a segunda sobre seu outro pulso.
Essa energia sombria cantarolava e rolou para dentro quando ele recuou. Graças a seus
sentidos aprimorados, ele podia vê-la. Vê-la bem, mesmo na escuridão total. Seu olhar se deslizou
sobre seu cabelo recentemente escurecido, a camisa branca quase angelical aberta em seu peito, as
pontas de seus seios pressionando contra o algodão macio, e seus quadris estreitos e pernas longas
envolto em jeans justo. Excitação agitou em sua barriga, misturada com a escuridão, então deslizou
para baixo até que ele estava duro como pedra.
— Nick. Ouça-me. — Suas mãos se fecharam em punhos. — Eu...
— O que você disse para mim naquela cela quando você trouxe aquelas ninfas para mim?
— Poder ondulou em suas veias enquanto apoiava as mãos nas pedras ao lado da cabeça dela e foi
instalar tão perto que seu corpo sentia a respiração dela.

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Transtornado
Elisabeth Naughton
Guardiões Eternos - 7

— Eu...
Ele roçou a ponta de seu nariz contra sua orelha e baixou a voz para um sussurro
ameaçador. — Eu acho que foi algo ao longo das linhas de... isto não é um jogo.
Ela engoliu em seco.
Respirou profundamente o cheiro de jasmim que sobrecarregou seu sangue. E quando ela
estremeceu com o leve roçar de seu nariz contra o pescoço, a excitação cresceu até que era um
rugido em seus ouvidos, bloqueando todo o resto, apenas ela.
— Mas é, — ele sussurrou, deixando a borda dos lábios roçarem seu lóbulo. — Os deuses
fodem com nossas vidas, porque para eles não somos nada mais do que um jogo. E estou finalmente
pronto para jogar junto. Eu me pergunto quanto tempo você vai ser capaz de aguentar? Quando
você vai quebrar? Quanto tempo eu tenho para atormentá-la antes de ceder e me pedir para acabar
com você para sempre?
Ela engoliu em seco novamente, em seguida, mudou seu peso de pé, ereta contra as rochas
em suas costas. — Você pode fazer o que quiser comigo. Nós dois sabemos que eu mereço.
Ela merece. Estava certa. Mas o fato de ela admitir isso o puxou de volta, apenas o
suficiente para que pudesse ver seus olhos. Assim, poderia ver as mentiras se formando no fundo da
sua alma.
No entanto, elas não estavam lá. O que permanecia em seu olhar desfocado, percorrendo a
escuridão era emoção. E determinação. E apenas uma pitada de medo.
A excitação e medo o incitaram ainda mais. Ela queria isso. Gostava de ser maltratada.
Mas seu desafio o confundiu. E sua incapacidade de lê-la desencadeou um formigamento estranho
no centro do peito.
Ele se afastou da parede. Sacudiu rapidamente a cabeça e se lembrou que ela escolheu estar
com Zagreus. Ela dirigiu sua tortura. Impediu-o de voltar para seu povo. Estava na raiz de cada
bocado de dor e sofrimento dentro dele.
Ele estendeu a mão para a bainha de sua camisa, empurrou-a com os braços, e puxou pela
cabeça, deixando-o bando entre as omoplatas. Ela prendeu a respiração, mas não se moveu. E
quando seu olhar passou por cima dela mais uma vez, seu corpo pulsava com uma emoção ímpia
enquanto tomava em cada centímetro de sua pele deliciosa caramelo contrastando contra o sutiã
branco austero e do cós da calça jeans embutidos.
— Você merece isso. — Posicionando as pernas de modo que ficassem ao lado das dela,
ele colocou os dedos sobre a pele macia de sua barriga. Seus músculos estremeceram, e seu

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Guardiões Eternos - 7

estômago cedeu. Ele colocou suas mãos ao redor de sua caixa torácica, baixou o nariz de volta ao
seu pescoço, e respirou fundo. — Só quero saber o quanto você pode aguentar.
Ele abaixou a cabeça, soprou quente contra sua carne sensível enquanto arrastou o nariz ao
longo do comprimento do pescoço, ao longo de sua clavícula, em seguida, para o vale entre os
seios. Um pequeno tremor percorreu. Abrindo a boca, ele mordeu seu sutiã e rasgou o tecido com os
dentes.
Ela engasgou, mas ele estava muito preso nos globos de suculentas de seus seios em queda
livre de seus limites para se importar. Roçou o nariz sobre o interior do seio esquerdo, ele trabalhou
seu caminho em direção à ponta endurecida. Quando ela engoliu em seco, ele puxou seu nariz sobre
sua aréola, estendeu sua língua, e arrastou-a em todo o cerne duro de seu mamilo.
Um gemido retumbou em sua garganta. Olhando para cima, ele fez de novo e viu quando
suas pálpebras se fecharam, as mãos punhos nos punhos, e sua cabeça caiu para trás.
— Você gosta disso. — Ele lambeu ao redor da ponta, segurou-lhe o outro seio, e deslizou
o polegar sobre o outro mamilo.
Ela gemeu de novo, e seus quadris empurraram à frente, buscando os dele, mas ele inclinou
o corpo para que não pudesse alcançá-lo. — Diga-me que você gosta, Cynna.
— Eu ... eu gosto.
—Aposto que gosta. — Ele soprou quente sobre ela, então capturou o outro mamilo entre o
polegar e o indicador e beliscou. Duro.
Ela empurrou contra as contenções e gritou.
— E agora? Ainda gosta?
Ela trocou os pés para trás, até que atingiu a parede, como se estivesse tentando fugir. O
movimento só lhe deu resistência, e ele deslizou para mais perto, até que o comprimento de seu
corpo roçava a dela e seu pau pressionou em sua barriga.
Ele lançou a pressão. Beliscou novamente. —Diga-me. Ainda gosta?
—Sim. Ainda gosto. Não ... não pare.
Ou ela estava mentindo ou ela era tão distorcida quanto ele. O segundo girava em sua
mente enquanto ele raspou os dentes sobre o mamilo, em seguida, deslocou-se para o outro seio,
puxando a ponta em sua boca para insultar e tormento, enquanto ele rolou e brincou com o
primeiro.
Ela gemeu. Descansou a cabeça contra as rochas. Levantou os quadris, tentando esfregar
contra ele.

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Guardiões Eternos - 7

— Ansiosa, não é? — Ele rolou seu mamilo esquerdo em seus dedos e úmido de sua boca.
—Diga-me o quanto quer gozar.
Ela mordeu o lábio, balançou nele. Seu corpo tremia e sacudiu a cada toque da pele dele
contra a dela, cada pitada de seus dedos, cada raspagem de seus dentes. Não de dor mais, ele tinha
certeza, mas de prazer. Prazer mau, incandescente, proibido.
Ela era a fantasia sexual de todo homem. Deuses sabiam, fora a sua por meses. Mas estava
mais do que na hora de que ela sofresse da maneira como ele sofreu.
Liberando seus seios, ele passou as mãos pelo seu torso magro, sobre o travessão do seu
umbigo, em seguida, abriu o fecho de sua calça jeans. — Aposto que está molhada.
Sua respiração ficou pesada quando ele colocou a mão em sua barriga e deslizou os dedos
debaixo de sua cintura. Movendo-se lentamente, ele avançou o seu caminho para o cabelo macio
sedoso no ápice de suas pernas.
— Molhada e dolorida. Está molhada, Cynna?
Ela apertou sua bunda de volta contra as rochas, dando-lhe mais espaço em seus jeans.
Mordeu o lábio para não gemer. Ele a olhou com atenção enquanto ele deslizava os dedos mais
baixo, entre os lábios macios de sua vagina, e em um rio de excitação.
— Puta merda. — Apoiou a mão livre contra as rochas perto de sua cabeça e baixou a boca
para seu pescoço, respirando pesadamente enquanto ele acariciava seu sexo, em seguida, encontrou
o disco nó, apertado de seu clitóris. — Você não está só molhada, está fudidamente encharcada.
Ela gemeu, incapaz de resistir erguendo-se para encontrar cada investida. Olhando em seu
rosto, ele observava enquanto brincava com o clitóris de novo e de novo, enquanto arrastava seus
dedos e provocava a entrada de sua vagina. Enquanto ela revirava os olhos e os primeiros sinais de
seu orgasmo começaram a se manifestar.
— Vai gozar, não é? — Ele empurrou um dedo grosso em seu canal liso, tirou, e
pressionou de volta com dois, bombeando lentamente, levando-a para mais perto do ápice. — Diga-
me o quanto está desesperada para gozar.
Com os olhos bem fechados. Ela mordeu o lábio. Abanou a cabeça. Gemeu quando ele
atingiu um ponto mais sensível.
— Diga-me, Cynna. — Ele torceu os dedos dentro dela e esfregou o polegar sobre seu
clitóris. — Implore para que eu a deixe gozar.
Ele acariciou mais rápido. Pressionado mais profundo. — Faça isso. Implore-me.

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Guardiões Eternos - 7

— Oh deuses. — Sua cabeça caiu para trás. Suor salpicava sua pele. Seus seios
empurraram à frente, e ela balançou os quadris contra cada impulso. — Sim, quero gozar. É ali
mesmo. Skata, não pare.
Ela abriu a boca para gritar. Mas antes que a onda se chocou contra ela, ele puxou sua mão
e deu um passo atrás.
Cynna caiu para frente nos apoios. Lamentando por ter sido negado o que ela tanto queria.
Choramingou.
Ele se aproximou novamente e apoiou as duas mãos contra as rochas em ambos os lados de
sua cabeça. — Ainda não teve o suficiente?
Seu peito subia e descia com sua respiração irregular. Mas lentamente, ela levantou a
cabeça e murmurou, — Nunca.
Ela era durona. Mas ele já sabia disso. Tinha que ser por causa da parceria com Zagreus, o
tarado.
Ele abaixou a boca para a dela. Soprou quente sobre os lábios. Contra seu peito, seu pulso
acelerou. Ela gemeu e levantou para atender seu beijo. Mas em vez de tomar seus lábios, ele pescou
para sua orelha, pegou a carne macia entre os dentes, e mordeu.
Seu corpo todo contraído, e ela gritou. Ele lambeu e chupou seu caminho até o pescoço
dela, sabendo que estava deixando marcas. Raspou os dentes sobre o mamilo esquerdo, ele beliscou
o caminho certo com os dedos, em seguida, caiu de joelhos na frente dela.
Ela sufocou uma respiração irregular, abriu os olhos para procurá-lo. Ele agarrou o cós da
calça jeans e rasgou o denim como se fosse papel. Um gemido chegou aos seus ouvidos enquanto
ele empurrou suas botas livre e despojado do vestuário em ruínas de suas pernas. Agarrando a borda
da calcinha, rasgou de sua pele e as jogou no chão. Então ele abriu as pernas e devorou seu sexo.
Um grito rasgou de sua garganta. Ele não tinha certeza se ele estava enraizado no prazer ou
de choque, mas ele não se importou. Ela tinha gosto de mel, tinha cheiro de pecado. Ele passou a
língua sobre ela, tomou o clitóris em sua boca, sugou duro, então raspou os dentes pela carne
sensível. Ele a odiava. A desejava. Queria fazê-la pagar. Precisava ouvir seu grito de liberação.
Empurrando os dedos para dentro dela, ele a atormentava com a boca e acariciava mais profundo
com a mão.
Ela estava apertada em torno dele. Tão apertado o sangue martelava em seu pênis com sua
própria necessidade de libertação. Lutando contra o desejo, ele lambeu-a de novo e de novo até que
ela estava ofegante. Até que seu corpo estava encharcado de suor. Até seu nome era um apelo em
seus lábios.

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Guardiões Eternos - 7

— Nick...
As sinapses falharam. Ele queria transar com ela. Empurrar violentamente dentro dela.
Deixá-la tão destruída como ela o deixou. Não apenas fisicamente, mas sexualmente, mentalmente.
Emocionalmente.
— Oh deuses, Nick ...
Ele sentiu seu orgasmo prestes a quebrar e se afastou rapidamente, deixou-a livre, assim
ele não mais a tocaria. Assim, não seria tentado a toma-la.
Ela gemeu de novo, desta vez em completa frustração. Ele ficou de pé, e ar tão legal tomou
conta de sua pele, ele percebeu que ele estava suando muito.
— Implore para que eu pare, — ele rosnou, inclinando-se para ela novamente.
— Não, — ela engoliu em seco. Abanou a cabeça. Sua pele estava úmida em todos os
lugares. Seus olhos selvagens. — Nunca vou pedir para você parar. Não importa o que faça.
Sua frustração aumentou para níveis épicos. — Vou mantê-la acorrentada aqui. — Ele
mudou a boca para seu pescoço, mordeu a carne escorregadia. Ela gritou, e ele a soltou. — Vou
trazê-lo ao limite novamente e novamente. — Ele pressionou seus quadris contra os dela. — Usá-la
como minha escrava sexual particular.
Ela caiu nas algemas. — Não, você não vai.
— Não vou? — Ele ergueu a boca para o queixo e mordeu lá também. — Você não parece
tão confiante.
Ela choramingou, mas não tentou se afastar de seus dentes. — Estou. — Suas palavras
eram doloridas, seu corpo se esforçando. — Porque eu sei que você também não é o monstro que
Zagreus é. E não importa o que pense, nunca o será.
Tudo se acalmou dentro dele. E algo duro e morto, enterrado em toda aquela escuridão,
esforçou-se para a superfície.
Ele recuou. Olhou para ela. Sabia que ela não podia vê-lo na escuridão. Mas a maneira
como seus olhos estavam fixos nos dele o fez se perguntar se ela podia ver o que se passava em seu
rosto. Ultrapassando suas barreiras. Nas profundezas da sua alma.
Sob suas costelas, seu coração acelerou, e ao longo da espinha, as cicatrizes esculpidas em
sua carne vibraram com... dúvida.
Ela fechou os olhos e ergueu o queixo. Em seguida, muito gentilmente, ela apertou os
lábios contra os dele.
Ele congelou. Não conseguia se mover. E de repente, não sabia o que fazer a seguir.

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Guardiões Eternos - 7

Ela inclinou a cabeça, deslizando os lábios nos dele novamente. O fez até que a sala estava
girando em torno dele e ele não tinha ideia de que maneira foi para cima.
— Quero você, — ela sussurrou contra sua boca. — Te quis por meses. Desde o primeiro
momento que te vi. Não vou lutar com você. Nunca. — Ela o beijou novamente. Suavemente.
Suavemente. Docemente. — Pegue o que quiser. Tanto quanto quiser. Pegue cada parte de mim.
Calor reuniu-se em seu peito, empurrando de lado toda a escuridão, substituindo-o por luz
e necessidade, impelindo-o à frente antes mesmo que ele percebesse o que estava fazendo.
Ele levantou a mão para o queixo, abriu a boca para a dela, mergulhou sua língua dentro, e
beijou-a profundamente. Do jeito que sonhou beijá-la todos os meses trancado em sua cela. A
maneira como ela foi subitamente beijando-o de volta, como se ela estivesse tão desesperada para
provar como ele era de prová-la.
Ela gemeu, acariciando a língua contra a dele, e se inclinou seu corpo contra o dele, sua
barriga segurando seu pênis, seu calor e as pontas de seus seios roçando seu peito e deixando-o
ainda mais duro do que antes.
Ah deuses ... Seu beijo se tornou ganancioso. Ela tinha gosto de salvação. Como esperança.
Como a luz. E ele tinha tão pouco de cada um em sua vida, estava louco para mais. Delirante por
isso. Desesperado. Ele ergueu a outra mão, embalando seu rosto quando ele inclinou a cabeça para
o lado para que ele pudesse prová-la mais profundamente, para que pudesse beijá-la com mais
força, para que pudesse entrar dentro dela.
Dentro dela...
Ele empurrou sua boca de volta da dela. Ela engasgou com a retirada súbita. Rapidamente,
ele sacudiu o punho livre de sua mão direita, depois à esquerda, e rasgou a camisola das costas de
seus braços. Ela tropeçou, logo que ela estava livre, e suas mãos pousaram em seus ombros, mas ele
a pegou antes que ela caísse.
Seus olhos encontraram os dela. Ele esperou que ela o afastasse. Lutasse agora que estava
livre. Mas ela não o fez. Seus dedos afundaram em seus músculos, seus olhos escureceram, e
excitação corou suas bochechas. Em seguida, ela levantou a boca de volta para ele e beijou-o mais
uma vez. Desta vez, com um renovado sentido de urgência que fez seu pênis absolutamente latejar.
Mais, mais, mais ... Eram as únicas palavras que ouvia. Os únicas que fizeram algum
sentido. Suas mãos mechas para baixo seus lados, em seguida, de volta sobre sua bunda. Ele
agarrou cada bochecha e levantou, abrindo caminho entre as pernas quando ele pressionou suas
costas contra a parede e devorou sua boca.

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Guardiões Eternos - 7

Ele balançou contra ela escorregadio calor quando ela o beijou. Gemeu porque ela provou
tão bom. Queimado com o calor de mil sóis em todos os lugares que ela tocou. Sacudindo a língua
contra a dele, ela tirou as mãos entre eles, então lutou com o botão em seu jeans.
Ela rasgou a boca da dele. — Tecido demais. Tire isso e me fode.
Suas palavras eram como uma droga, nublando sua cabeça, levando-o rapidamente a uma
loucura que não podia parar. Mais duro do que certamente ele já estivera, pressionou-a contra a
parede para sustentá-la, beijá-la mais profundamente, e livrou-se de seus jeans. Sua mão se fechou
sobre ele assim que ele estava livre, arrastando seu pau para toda a sua calor líquido.
Ele a deixou assumir a liderança e bateu a mão contra a parede. Ela arrastou a cabeça de
seu pênis sobre o clitóris, circulou o nó apertado, e estremeceu.
— Sim, sim, — ela gemeu, fazendo isso de novo.
Foda. Ele não aguentava mais. Ele arrastou os lábios em sua garganta, fechou os dentes
sobre a coluna suave, e mordeu. Ela engasgou. Seu corpo tremia. O segundo seu pênis deslizou
sobre a abertura de sua boceta, ele empurrou.
Ela gritou quando ele afundou. Gemeu quando ele recuou, arrastando seu pênis ao longo de
suas paredes, em seguida, empurrou profundamente mais uma vez. Seus dedos morderam seus
ombros, deslizaram até seu rosto. Inclinando a cabeça para cima, ela fechou a boca sobre a dele em
um beijo que abalou o chão diretamente sob seus pés.
Mais. Mais rápido. Mais fundo.
Ele mergulhou duro, porra nela mais e mais, precisando de mais. Precisando de tudo. Ela
envolveu suas pernas nuas ao redor da parte inferior de sua coluna. Seu sexo apertou, criando o
atrito mais perfeito. Ele a segurou mais alto em seus braços para que pudesse chegar o mais
profundamente possível. Assim, ele poderia atingir aquele ponto dentro dela que ele sabia que a
faria explodir.
—Nick...— Seus dedos roçaram as maçãs do rosto, e ela inclinou o rosto para o outro lado.
Beijou-o tão docemente. Tão intimamente, que aquele lugar dentro dele que eclodiu para a vida
parecia crescer e aquecer e florescer. "Goze. Goze, agora. Para mim.
Ela dissera aquilo antes. Em sua cela, quando ela lhe deu prazer com as mãos. E como da
daquela vez, ele foi impotente para fazer qualquer coisa a não ser o que ela mandou.
Seu orgasmo correu por sua espinha, estourou em suas bolas, e ricocheteou através de cada
célula de seu corpo.
Seus músculos se contraíram, e ela apertou o cerco em torno dele. E então ela tirou sua
boca e desmanchou-se completamente. Ele empurrou mais forte, ainda que estivesse desgastado,

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querendo arrancar seu orgasmo. Querendo sentir aquelas ondulações através de seu corpo.
Querendo conhecer cada gota de seu prazer.
Quando aquilo se desvaneceu, ela caiu nele. Sua cabeça pousou em seu pescoço. Seus
dedos deslizaram por seu cabelo úmido. Seu calor o cercou, infundindo-o, misturando-se com o
dele até que ele não tinha certeza de onde ele terminava e ela começava.
Longos minutos se passaram apenas com o som de seu pulso soando em seus ouvidos e
seus respirações pesadas, erráticas ecoando na escuridão. Cada músculo em seu corpo estava fraco,
espremido, drenado. E quando as últimas arestas da sua liberação, finalmente desapareceram, ele
descobriu que estava contente de que houvesse uma parede os segurando. Porque se não houvesse,
estava certo de que ele estaria em uma pilha no chão agora, deitado em seu traseiro.
Seus dedos deslizaram por seu cabelo novamente, e um arrepio correu sobre seu couro
cabeludo e escorreu por sua espinha. — Mm. Obrigado.
Essas duas palavras trouxeram de volta outra memória. Dela saindo da sua cela depois de
ter lhe dado prazer, e ele dizer o mesmo para ela.
A realidade o atingiu. Ela estava nua, presa entre ele e a parede de pedra fria, em uma cela
em que ele não planejara lhe dar prazer, mas torturá-la.
O dia retornou por trás de seus olhos. Vindo para a colônia, encontrando-a em ruínas,
deixando Cynna dormir enquanto ele ia para procurar sobreviventes, não encontrando nada além de
morte. A raiva, a dor e a miséria. Levando-o a loucura. Vindo aqui, então, torturando-a e usando-a.
Ele não era o monstro Zagreus foi? Ele baixou a cabeça em seu ombro, incapaz de conter o
gemido. Acabara de provar que ele era mais como o fodido lado paterno da família do que qualquer
um poderia ser.
—Não, — ela sussurrou.
Ele baixou seu pés no chão, depois a soltou e voltou, precisando de espaço. Precisando
deixá-la ir antes que ele fizesse algo pior.
— Foda. — Ele puxou as calças para cima e passou a mão sobre o rosto.
Ela estendeu a mão para ele na escuridão, encontrou o seu rosto, e capturou sua mandíbula.
— Não. Eu gostei.
Ele se acalmou e olhou para ela, chocada e ainda mais o inferno confuso. — Eu deixei
marcas. Como ele fez.
— Sim, mas a diferença é que eu gostei.
Ele se encolheu e desviou o olhar.

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— Nunca fiz com ele. — Ela virou o rosto para o dela. — Nem uma única vez. E você me
deu uma escolha. Eu o senti quando você me libertou. Ele nunca fez isso. Você não é como ele,
Nick. De modo nenhum.
Ele estudou os olhos no silêncio. Mais uma vez procurou mentiras. E encontrou... só
verdade. Ou, pelo menos, uma verdade que ela tolamente queria acreditar.
Suas pálpebras se fecharam. Ele não sabia o que era. Tudo o que sabia era que ele estava
cansado de tentar descobrir. Cansado de tudo. Cansado do ódio e da miséria e, acima de tudo,
cansado da luta que nunca termina.
Seus dedos roçaram sua bochecha. — Deixe-me ajudá-lo.
Ele não achava que qualquer um poderia. E isso o assustava mais do que qualquer coisa.
Porque, pela primeira vez em sempre, sentia-se como se ela pudesse ter sido a única a fazer
exatamente isso.
Se a porra das Destinos apenas por uma vez estivesse ao seu lado.

Capítulo 13

— Tem que estar aqui. — Sentada em uma mesa na grande biblioteca no centro do castelo,
Callia fechou um livro e estendeu a mão para outra montanha de textos antigos que tinha puxado
das pilhas. — Tem que haver alguma documentação em algum lugar.
Demetrius sentia a frustração da fêmea tão fortemente como se estivesse sentado ao seu
lado. E ele estava vivendo isso também. Estava enlouquecendo a cada dia observando Isadora ficar
ainda mais fraca e cansada, sem motivo aparente. Toda vez que tentava falar com sobre isso, ela
desconversava com desculpas sobre os Misos, o Conselho e Elysia. Ela podia não querer encarar a
realidade, mas ele sabia em seu coração que algo estava errado. Algo que Callia não conseguia
descobrir clinicamente, mas que estava drenando sua força vital.
Ele não tentou insistir no fato de que ela o estava deixando de fora. Tentou não pensar
sobre o que faria se a perdesse. Não a perderia. Ela era a razão pela qual seu coração batia. E estava
determinado a encontrar uma solução. Mesmo que isso significasse ficar sentado, hora após hora,
nesta biblioteca empoeirada, lendo cada maldita palavra que já fora escrita.

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Pelo canto do olho, observou Zander fechar o livro em que esteve procurando, movendo-se
para ficar atrás Callia, e massageando suavemente os ombros de sua companheira.
— Vamos encontrar, — ele disse a ela. — Não se preocupe.
— Não posso deixar de me preocupar. — Callia virou as páginas mais rapidamente. —
Você a viu esta manhã. Acho que ela perdeu outros dois quilos durante a noite.
—Thea, — Zander disse suavemente. — Cuidado.
Callia ergueu a cabeça castanho-avermelhada, lançou um olhar de esguelha a Demetrius, e
depois se encolheu. — Desculpe. Não quis que saísse da maneira como soou. Ela está...
— Você está certa. — Demetrius fechou o livro que tinha terminado e ficou de pé. Suas
mãos tremiam, seu estômago era um nó apertado, e sentia aquele impulso de fechar-se de tudo e
todos, mas não entraria nessa. Isadora precisava dele, e não regrediria de volta aos velhos hábitos.
— Ela não está dormindo e quase não tem mais apetite. O que quer que a esteja afetando, é reflexo
de uma reação física, mesmo que você não possa encontrá-lo.
Callia suspirou e olhou para o livro à sua frente. — Ok, vamos percorrer o que sabemos.
Demetrius se aproximou e se encostou a uma mesa, enquanto Callia sacava um bloco de
notas e começava a fazer anotações em rabiscos furiosos.
— Ela estava bem há um mês.
Demetrius recordou. — Não sei. Fisicamente, comecei a perceber a sua falta de apetite
cerca de um mês atrás, mas a agitação, as noites sem dormir... Essas estiveram acontecendo há
alguns meses, pelo menos.
— Ela pôs a culpa na maternidade recentemente, o que poderia ter sido, — Callia
observou, — mas olhando para trás agora...
— Provavelmente estava conectado ao que quer seja, — Demetrius terminou para ela.
— Sim, — disse Callia. — Isso é o que eu estou achando também.
— Então, o que mudou ao longo dos últimos meses? — perguntou Zander.
— Bem, ela teve um bebê, — disse Callia.
— As pessoas têm bebês o tempo todo, — Zander apontou. — E continuam a cada dia.
Callia lhe apertou a mão em seu ombro, e Demetrius viu o olhar de preocupação que
passou sobre seu rosto. Preocupação por o seu próprio filho por nascer. Ela meneou a cabeça
concordando. — Sim. Verdade.
— Os Misos vieram a Argolea, — disse Demetrius. — Eles estavam vivendo no castelo até
recentemente.

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— Sim. — Callia anotou outra nota. — É possível que um deles tenha passado um vírus a
ela, ou ela poderia ter entrado em contato com algum tipo de bactéria. Mas se esse fosse o caso, eu
teria visto isso em meus exames.
O silêncio se esticou na biblioteca. Depois de vários segundos, Zander disse: — O contrato
de Hades por sua alma estava quebrado.
— Estive pensando sobre isso. — Callia girou em sua cadeira para olhar para seu
companheiro. — Hades estava chateado por tê-la perdido. É possível que ele tivesse feito alguma
coisa contra sua alma? Colocado algum tipo de, eu não sei, feitiço nela?
—Não. — Quando Callia virou para olhar para Demetrius, ele cruzou os braços sobre o
peito, confiante de que isso não tinha nada a ver com qualquer tipo de feitiço. — Os deuses não
podem ditar a vida ou a morte. Somente as Destinos fazem isso. E, no caso de uma profecia, como a
que levou Casey para Argolea, isso é predestinado no nascimento. Nós saberíamos se fosse esse o
caso agora.
Callia mordeu o lábio e olhou para o seu bloco de notas novamente. Calmamente, ela
disse: — Nick desapareceu.
Zander olhou para sua companheira. — Como isso teria algum tipo de impacto em Isadora,
thea?
Callia virou para encará-lo novamente. — É um tiro no escuro, mas tenha paciência
comigo. Já sabemos que Isadora é a alma gêmea tanto de Demetrius quanto de Nick, certo? Graças
a toda essa coisa de gêmeos e da maldição de Hera. E se a maldição da alma gêmea estiver de
alguma forma afetando-a?
— Não é assim que funciona, — disse Demetrius. — A fêmea na equação é imune à
maldição. Somente o Argonauta que sente o efeito, mesmo assim, é mais um...
— Efeito emocional, — Zander ofereceu, olhando para Demetrius por cima da cabeça de
Callia. Quando Demetrius balançou a cabeça, olhou para trás para baixo em sua companheira. — É
uma dor física para o Argonauta, sim, mas a atração é pela alma da outra pessoa. Não é o corpo.
Nunca ouvi falar que isso enfraquecesse ou ameaçasse a vida de um guardião.
Callia colocou a mão na parte de trás de sua cadeira. — Entendo, mas Nick não é um
Argonauta normal, ele é? Já sabemos que ele é o filho de Cronos. E se Atalanta era sua mãe, ela era
uma deusa. Mesmo que, de alguma forma, Cronos a tenha tornado mortal quando a engravidou,
então isso faz com que Nick seja um verdadeiro semideus. E nunca tivemos um verdadeiro
semideus nas fileiras dos Argonautas, não é?

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Demetrius olhou para Zander e levantou as sobrancelhas inquisidoramente. Zander


balançou a cabeça.
— Não, acho que não, — disse Zander. — Não recentemente, pelo menos. Os sete
originais eram semideuses verdadeiros, mas isso foi há gerações. Apesar de tudo, ainda não vejo
como isso mudaria qualquer coisa.
— Eu mesma ainda não tenho certeza, — respondeu ela, olhando para o seu livro. — Estou
só...
— Acho que encontrei algo. — A voz de Maelea soou de algum lugar nas estantes.
Callia e Zander viraram em sua direção. Demetrius olhou além deles, onde a companheira
de Gryphon caminhava por entre as prateleiras, seu cabelo preto caindo pelos ombros, um livro de
couro desbotado aberto em suas mãos.
Ela colocou o livro aberto sobre a mesa na frente de Callia e apontou para uma passagem.
— Ali. Sabia que me lembrava de algo semelhante.
Callia esquadrinhava a página, e uma vez que não conseguia ver as palavras, Demetrius
observava seu rosto. Seus olhos furiosamente liam as palavras, em seguida, seu rosto empalideceu.
E esse nó em seu estômago se apertou ainda mais.
Ele se afastou da mesa, preocupação e medo deslizando ao longo de suas terminações
nervosas já desgastadas. — O que diz?
Callia colocou a mão sobre o livro desgastado e olhou para Maelea. — Você se lembra
disso acontecendo?
Como filha de Zeus e Perséfone, Maelea tinha mais de três mil anos de idade e vira ou
estivera a par de quase todos os momentos importantes da história da Grécia antiga. — Lembro-me
de ouvir sobre cada um, sim.
— Callia, — Demetrius exigiu, dando um passo mais perto. — O que diz?
Callia suspirou e olhou para ele. — Aiakos, Minos, e Rhadamanthys eram três mortais a
quem foi dada a escolha entre morrer ou tornarem-se Juízes dos Mortos do Inframundo.
— Ok. — Demetrius olhou para ela. — O que esses três mortais têm a ver com Isadora?
— Os três eram da linhagem de Zeus, — disse Maelea. — E estiveram ligados em vida a
uma companheira. Quando se tornaram deuses do Inframundo, a companheira que cada um deixou
para trás lentamente secou até que eventualmente a morte as reclamou.
Demetrius a encarou. — Ainda não estou entendendo. Não estou morto.

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— Não, — disse Callia, sacudindo a cabeça. — Você não está entendendo. A morte não é
a ligação. O poder é. À medida que seus poderes aumentavam, os pontos fortes de suas
companheiras diminuíam até não sobrar nada.
Demetrius encarou a mulher. E suas palavras não penetraram imediatamente. Ele estava
perfeitamente saudável. Nada nele havia mudado. E já que Isadora era sua alma gêmea, significava
que nada deveria estar afetando-a. Porque...
Oh skata... O sangue drenou de seu rosto, e todo o quarto parecia ter oscilado sob seus pés.
Callia virou em seu assento para olhar para Zander mais uma vez. — Temos que encontrar
Nick. Hades disse que precisava de Zagreus para aproveitar os poderes que Krónos deu a Nick. Se
isso está prestes a acontecer e os poderes de Nick estão crescendo, isso poderia explicar porque
Isadora está doente.
Zander já estava caminhando em direção à porta. — O que fará se o encontrar?
Callia se empurrou para fora de sua cadeira. — Não sei. Mas talvez tê-lo aqui me dê
alguma chance de descobrir alguma coisa.
Demetrius sentia como se seu cérebro estivesse com a espessura de uma sopa de ervilha. A
saúde de sua companheira estava se deteriorando por causa de seu irmão?
Seu coração batia com força no peito, e sua pele ficou úmida e formigando. Desde o
primeiro momento, a vida dela fora amaldiçoada. Por ele. Por Nick. As Destinos não poderiam ser
tão cruéis assim com eles. Não podiam continuar ameaçando tirar a única coisa que mais importava
em sua vida.
Em uma névoa, Demetrius se afastou da mesa, com a intenção de seguir Zander, mas o
grande corpo de Titus enchendo a porta de entrada para a biblioteca obrigou-o a parar.
— Aqui estão vocês. — A voz de Titus estava ofegante, como se ele tivesse corrido. Tufos
dos cabelos longos e ondulados caíam sobre sua testa. — Estivemos procurando por vocês. Há um
movimento na colônia.
— Que tipo de movimento? — perguntou Maelea, saindo de trás da mesa.
— Não tenho certeza, — disse Titus. — Mas alguém acionou os geradores, e há pelo
menos duas pessoas movendo-se lá dentro.
Zander olhou para Demetrius. — Para onde Nick iria, se de alguma forma, conseguisse
escapar da prisão de Zagreus?
— Para a colônia.
— Exatamente o que pensou Theron, — disse Titus. — Estamos saindo em cinco.

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Zander beijou a bochecha de Callia. E com um novo senso de propósito correndo por ele,
Demetrius saiu para o corredor. Mas em suas costas, ouviu Zander dizer: — Está vendo? Eu lhe
disse que tudo daria certo.
— Ainda não deu certo, — Callia sussurrou.
— Tenha fé, thea. Vai dar certo.
Fé... Demetrius nunca fora capaz de invocar muita fé, mas por sua companheira, ele
encontraria um caminho. Não importa o que tivesse que fazer, encontraria uma maneira de salvar a
vida de Isadora.

Ele estava tão silencioso, que Cynna tinha certeza que Nick podia ouvir seu coração
batendo contra as costelas na cela. E desde que não conseguia vê-lo na escuridão, ela não tinha
nenhuma maneira de julgar o que ele estava pensando.
Ele não acreditou em você. Agora que seu temperamento foi acalmado e o desejo
arrefeceu, ele não quer estar perto de você. Por que você acha que ele possivelmente iria querer
sua ajuda de qualquer maneira?
Dúvidas surgiam rapidamente. Cada dúvida que já teve no que se referia a ele. Mas
empurrou-as para longe, como fazia com todas as dúvidas que já ameaçaram arrastá-la para baixo.
Procurando por sua mão e encontrando-o na escuridão, ela colocou os dedos entre os dele e puxou-o
para a porta aberta da cela. — Venha.
Ele não puxou a mão. Não lutou contra ela. Inclusive, não disse nada. Ela o levou pelo
túnel, andando com cuidado pelas pedras irregulares com os pés descalços enquanto se dirigia em
direção à luz laranja escuro, o corredor cada vez mais brilhante a cada passo.
Eles viraram numa curva, ela viu a porta aberta e estilhaços no chão. Pouco antes de
alcançá-la, Nick puxou sua mão, parando-a. — Espere.
Seu rosto estava envolto em sombras quando ele soltou sua mão, agarrou a bainha de sua
camiseta, e a tirou, em seguida, passou-a sobre a cabeça dela de forma que o algodão macio caiu
sobre a pele nua.
Até aquele momento, ela nem percebera que ainda estava nua. Ela estava muito focada
nele. — Oh. Obrigada.
— Não me agradeça Cynna. Não depois disso. Suas costas estão completamente
arranhadas pelas rochas. Você tem contusões sobre todo...

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— Eu estou bem. — Ela sabia que tinha hematomas. Mas eles eram do tipo bom de
contusões, não eram tão ruins. E ela, mais do que ninguém, sabia a diferença.
Ele franziu a testa e desviou o olhar, e ela percebeu então e que isso era muito mais sobre o
que acabara de acontecer entre eles. Ele estava bem e verdadeiramente abalado. Podia vê-lo em seus
olhos planos e pela forma como seus olhares não se encontravam, podia ouvi-lo em sua voz grave.
As horas, os dias, os meses estavam atingindo-no, e de repente ela sabia exatamente o que ele
precisava.
— Vamos. — Ela agarrou sua mão novamente e pegou seu caminho em torno da porta
quebrada a seus pés, em seguida, moveu-se pela antessala que dava para a colônia.
Ele não se afastou dela novamente, não lutou contra ela, não fez nada a não ser suspirar e
deixar que ela o levasse. E, enquanto o puxava para cima nas escadas e a devastação em torno deles
ficava visivelmente maior, ela sentiu sua pulsação acelerar-se contra a dela. Sentiu os músculos
tensos em sua mão. E soube que ele estava novamente se culpando de tudo.
Não podia deixá-lo se concentrar nisso. Não, se ele estivesse se reerguendo. Foram pelo
caminho até o nível principal, e ele gemeu às suas costas. Apertando os dedos ao redor dele, ela o
puxou para a escada carbonizada. — Não olhe ao redor. Apenas fique comigo.
Eles se foram para outro nível. No momento em que chegaram ao corredor vazio que
encontrara mais cedo, sua cabeça estava baixa, a mão livre cobria os olhos, e estava massageando as
têmporas. Estresse, pesar e miséria irradiavam dele. Tanto que sabia que teria que fazer algo rápido
para tirar a mente dele daquilo tudo.
Ela empurrou a porta para o salão, puxou-o para dentro, fechou-a em suas costas, e levou-o
a uma das muitas cadeiras giratórias que revestiam ambos os lados do quarto. Soltando sua mão, ela
se virou, pressionou as palmas das mãos contra o peito nu, e empurrou-o para baixo. — Sente-se.
— Cynna. — Sua voz era firme, a cabeça ainda inclinada para baixo para que não pudesse
ver seu rosto. — Você precisa sair. Caia fora daqui. Hades e Zagreus conhecem esse lugar.
Um tremor de pânico serpenteava através de suas costelas, mas ela o lançou fora. Mesmo
que Zagreus soubesse onde a colônia estava localizada, ele não sabia que ela e Nick estavam aqui. E
pelo tempo que ele percebesse isso, eles estariam muito longe.
Pegando um pente e tesoura da mesa, ela se moveu ao redor de suas costas e passou o
pente pelos cabelos dele. — Vamos sair daqui mais tarde.
Ele levantou a cabeça, e lançou um olhar pelo espelho do tipo que porra você está
fazendo?

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Ela o ignorou e continuou a pentear. — Confie em mim. Isso fará com que se sinta melhor.
— Ela apontou para sua própria cabeça, então se inclinou para frente e usou a tesoura para cortar o
cabelo suavemente em sua nuca. — Apenas me livrando dessa bagunça loira que fez maravilhas
para mim.
Seu olhar a perfurou através do espelho. Ela sabia acabara de confundi-lo terrivelmente,
mas não se importava. Ela penteou, cortou, passou os dedos pela parte de trás de seu cabelo, cortou-
o mais curto. Por um momento, considerou usar um aparelho e raspar sua cabeça ao estilo que ele
usava quando o viu pela primeira vez, mas depois pensou melhor. Ele tinha um belo cabelo. Grosso.
Suave. Ela não queria cortar tudo. Calor deslizou por sua barriga e esgueirou-se entre suas pernas
quando ela se lembrou de envolver os dedos em toda essa de seda maravilhosa, enquanto ele a tinha
presa à parede e estava empurrando dentro dela.
Oh homem. Isso tinha sido muito errado. Mas pareceu incrivelmente certo. E, no momento,
tudo o que ela conseguia pensar era em fazer tudo de novo.
Energia sexual cantarolava por seu corpo, amplificando sua consciência dele à medida que
ela fazia seu caminho para ficar de frente para ele, moldando os lados de seu cabelo, passando os
dedos entre os fios até o topo, cortando as mechas que caíam no chão. Ele não se moveu. Não falou.
Mas seus olhos observavam cada movimento dela. E embora não pudesse ter certeza, porque ainda
não olhava diretamente para ele, a partir do canto de sua visão, ele não parecia mais tão mais
perplexo. Sim, ainda havia confusão lá, mas também viu o calor em seu olhar âmbar. E... uau.
Sério? ... Admiração.
Ela vacilou. Ninguém ficava admirado por ela. Horrorizado. Enojado. Com medo, com
certeza. Mas admirado? Nunca.
Limpou a garganta. Tentou pensar em alguma coisa, qualquer coisa, para dizer. — O que
aconteceu com Ari?
— Ele partiu.
Ela esperou por mais, mas ele não foi em frente. E um olhar para o espelho lhe disse que
ele ainda estava olhando para ela com aqueles olhos intensos, seguindo todos os seus movimentos.
Ela engoliu em seco, subitamente nervosa, colocou o pente e tesoura no balcão atrás dela,
em seguida, correu os dedos por todo o cabelo, testando o comprimento. Satisfeita com o resultado,
ela deu um passo para o lado para que ele pudesse ver seu reflexo. — O que você acha?
Ele olhou fixamente para a imagem no espelho, e ela olhou para o que ele estava vendo. O
tronco nu, tão-sexy-quanto-possível, de um homem que atravessou o inferno e sobreviveu, sentado
no pequeno assento giratório, fazendo com que parecesse minúscula em comparação. Mas depois de

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vários segundos, ela descobriu que ele não estava olhando para si mesmo. Ele estava olhando para
ela. E quando seus olhos se encontraram no espelho, e ela percebeu novamente o olhar de
admiração por ela, sua pulsação acelerou, e o calor se espalhou por todos os seus membros,
elevando aquela energia sexual até o ponto de ebulição.
— Gosto disso. — Sua voz ainda estava rouca, mas desta vez ele foi atada com apenas a
excitação suficiente para o interior de suas coxas doerem.
Ela desviou o olhar e limpou a garganta. Correndo os dedos pelos cabelos mais uma vez,
ela se esforçou para parecer indiferente quando disse: — Você deve se sentir mais leve. Sem as
mechas caindo em seus olhos. Isso...
— Não o meu. O seu. Gosto do castanho. É real. Ele ilumina seu rosto. É deslumbrante.
Seus dedos congelaram em seu cabelo. Ninguém nunca a chamara de deslumbrante. Não
Zagreus. Nem mesmo seus pais.
Permaneceu parada ao seu lado, seu calor irradiando em torno dela até que sua pele se
arrepiou, seu olhar a observando cuidadosamente no espelho até que seu pulso estava rugindo em
seus ouvidos. Em um momento, ela percebeu que o que estava fazendo por ele aqui não era sobre
corrigir um erro que tivesse cometido. Nem sequer era sobre jogá-lo contra seu pai, como ela
dissera a si mesma nos túneis. O fizera puramente para dar a ele um pedaço de normalidade em um
mar de miséria sem fim. Para mostrar-lhe que nem tudo estava perdido. Para confortá-lo de uma
forma que ninguém o fizera antes.
Ela podia contar apenas com duas pessoas em sua vida que já quisera confortar assim: Sua
mãe e seu pai. As duas únicas pessoas com as quais ela verdadeiramente alguma vez se importou.
Suas mãos tremiam, e ela rapidamente soltou seu cabelo e deu um passo atrás. Um nó se
formou em sua garganta, que tornou difícil de engolir. Torcendo as mãos ao longo da borda da
camiseta enorme que ele deu a ela, ela se virou rapidamente para a parte de trás do salão e forçou a
língua a funcionar. — Há um chuveiro por aqui. Você tem cabelo sobre todo o corpo. Vá se limpar
enquanto eu encontro uma toalha.
Couro rangeu quando ele empurrou seu grande corpo para fora da cadeira giratória. Ela
encontrou um armário e abriu a porta, ocupou-se procurando a toalha, dizendo a si mesma o tempo
todo que estava andando em uma linha perigosa.
Se apaixonando por Nick? O filho de Krónos? Não. Isso não era possível. Isso não era
sequer saudável. Ela o ajudara, porque era a coisa certa a fazer. Cortou seu cabelo, porque ele não o
cortara nem uma vez nos meses em que esteve preso nos túneis de Zagreus. E transou com ele
porque ... bem, ele era quente. Ela ainda era uma fêmea com necessidades. E o sexo era uma reação

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física natural para a adrenalina que os dois passaram. Não o fizera porque sentisse qualquer coisa
por ele. Porque, caramba, não estava se apaixonando por ele. De jeito nenhum.
— Cynna.
Ela respirou bruscamente ao ouvir o som de sua voz diretamente em suas costas e bateu a
cabeça contra a prateleira acima. Dor espiralou por seu couro cabeludo, e estendeu a mão,
esfregando o local repentinamente dolorido. — Skata.
Sua grande mão se fechou sobre a dela, e antes que ela percebesse o que estava fazendo,
ele a virou e a puxou para dentro de toda aquela calorosa perfeição muscular.
Calor infundiu-se em sua pele, e seu aroma natural, terroso com toques de sândalo e
pinheiro, encheu seus sentidos. Assim como os restos almiscarados do sexo que compartilharam
poucos minutos atrás.
Sua mão aberta, espalmada contra a parte inferior da coluna, em seguida agarrou o algodão
de sua camisa em suas costas. — Obrigado, — ele murmurou em seu cabelo enquanto a segurava
imóvel contra ele. — Não percebi o quanto eu precisava disso. — Em seguida, mais suave, —
Obrigado.
Aquele nó na garganta ficou ainda maior, e embora ela tentasse lutar contra isso, seus
olhos se fecharam, e ela inalou seu cheiro profundamente em sua alma, cada centímetro dele, tanto
quanto ela poderia ficar, até que sentiu tonta e com vertigens apenas pelo seu simples toque.
Oh deuses. Ela estava apaixonando por ele, caramba. Por alguém a quem não tinha nem
mesmo o direito de olhar duas vezes. Para alguém a que não deveria querer estar em qualquer lugar
perto dela. Serem qualquer coisa além de inimigos não fazia absolutamente nenhum sentido. E ela
tinha zero esperança em qualquer tipo de futuro com ele além de hoje à noite. Nenhuma. O jogo
mais inteligente para ela era partir, não, correr, como ele dissera a ela que fizesse antes, neste exato
segundo.
Ele ergueu a palma de seu couro cabeludo, deslizou os dedos para baixo em seu braço nu,
deixando arrepios na sua esteira, em seguida, agarrou a mão dela. — Tome banho comigo.
Sim. Oh deuses. Seu corpo inteiro se apertou com a necessidade de senti-lo profundamente
dentro dela novamente. Sim...
Não!
Seu pulso disparou em seus ouvidos. Pensamentos conflitantes giravam no que restou de
sua massa cinzenta. Se fosse com ele, e ele mostrasse até mesmo uma fração da bondade que estava
lhe mostrando agora, estaria totalmente perdida. Renda-se. De um passo para fora desse penhasco e

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não se importe onde pousará. E se isso acontecesse, aquela parede que erguera para se manter
íntegra desde que seus pais morreram se inflamaria como gravetos consumidos pelas chamas.
Levara muito tempo para que saísse dessa espiral induzida pela depressão. Se se deixasse
apaixonar perdidamente por Nick, sabia que acabaria de volta nesse abismo escuro. E considerando
que a última vez que estivera lá fizera um pacto com o Príncipe das Trevas, não havia como dizer
que coisas horríveis ela faria quando essa relação fodida implodisse.
Ela engoliu em seco e pressionou a mão no peito dele. — Vá aquecer a água. Vou pegar
toalhas.
— Ok. — Ele soltou sua camisa. Recuou um passo. E lhe lançou um olhar quente-
pecaminoso misturado com... Oh skata... Mais daquela porra de admiração que estava desbastando
até a última de sua pouquíssima determinação. — Não demore muito.
Ele se afastou, suas botas ressoando contra o chão de ladrilhos sincronizado com o pulso
latejante em suas artérias. E, enquanto observava os músculos de suas costas ondularem debaixo de
sua pele cheia de cicatrizes à medida que ele saía, sabia que ele era cada bocado do guerreiro que
ela achava que ele fosse desde o início. Toda vez que pensava sobre a constante luta interior que ele
estava travando, cada vez que ela se lembrava da miséria em seu rosto naquele pátio, queria ir até
ele, para consolá-lo, para ser para ele o que ninguém jamais fora. Mas não podia. Não, se ela tinha
alguma esperança de sobreviver sozinha. E agora, a autopreservação precisava estar acima de tudo
em sua mente. Porque se não fosse...
Se não fosse, ela sabia exatamente onde ela acabaria.
Assim que ele fez a curva, ela deixou a toalha cair de sua mão e correu para a porta.

Capítulo 14
14

Nick inclinou a cabeça para trás e enxaguou o shampoo e sabonete de seu corpo enquanto
a água quente descia em cascata por sua pele e aliviava os músculos doloridos e cansados. Vapor
subia em torno dele, aquecendo cada centímetro de sua pele, mas não precisava daquilo para aliviar
o frio interior sempre presente. Cynna o fizera quando tão gentilmente cortou seu cabelo. Quando
cedeu a ele momentos antes de deixá-lo segurá-la. Quando o beijou na cela nos túneis, em seguida,
balançou seu mundo bem debaixo de seus pés.

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Sangue correu para sua virilha com a lembrança, e ficou duro e dolorido sob o jato de
água. Estivera fascinado por ela durante meses. A quisera por muito tempo antes que tomassem
juntos essa jornada. E agora que sentira seu gosto, sabia que uma vez não seria suficiente.
Seu corpo o incitava a descobrir por que diabos ela já não estava nua neste chuveiro com
ele, mas antes que pudesse virar e chamar por ela, compreensão arremessou tudo a um ponto
insuportável.
Estivera tão perto do limite como nunca antes naqueles túneis. O poder de Krónos
ondulara por suas veias, apenas implorando para ser liberado com uma ferocidade maligna
inigualável. E, no entanto, não o deixara ir. Não porque possuísse algum autocontrole sobre-
humano, mas porque Cynna o puxara para trás desse limite. Ela dera a ele algo em que se
concentrar, algo melhor para desejar. E fora o suficiente para impedi-lo de sucumbir a toda aquela
escuridão miserável, que sem dúvida seria o seu fim e, possivelmente, do mundo, se o liberasse.
Seu coração acelerou, batendo um ritmo staccato3 contra suas costelas, e ele abaixou a
cabeça e abriu os olhos enquanto a água corria em regatos pelo seu rosto.
Precisava dela. Não porque ela fosse uma espécie de seguro contra um ataque de Zagreus,
mas porque ela o manteve centrado, o manteve são quando sentiu como se estivesse perdendo o
tênue apego à realidade. E, embora o lado racional de seu cérebro o avisasse que ainda não a
conhecia bem o suficiente para tomar qualquer tipo de decisão firme sobre seus motivos, seu
coração lhe dizia alto e claro que ela não estava aqui para traí-lo. Se traição tivesse sido seu
objetivo, não o teria confortado como acabara de fazer. Não teria se preocupado em cortar seu
cabelo e fazendo-o se sentir humano novamente. E certamente não o teria o beijado loucamente
quando ele deu a ela a chance de fugir.
Voltou-se em direção à porta do chuveiro, desesperado por senti-la contra ele outra vez,
para provar sua perfeição pecaminosa, para agradecê-la da única maneira que podia. Mas antes que
pudesse alcançar a maçaneta, as cicatrizes em suas costas vibraram, e um novo tipo de consciência
o atingiu.
Seis pessoas estavam no castelo. Não eram humanos. Não eram Misos. Nem sátiros ou
daemons. Ele se sintonizou com seus sentidos e deixou que os receptores de sua mente, que eram
como tentáculos, se expandissem.
Argoleans. Os seis recém-chegados definitivamente eram Argolean.

3
O staccato ou «destacado» — designa um tipo de fraseio ou de articulação no qual as notas e os motivos das frases
musicais devem ser executadas com suspensões entre elas, ficando as notas com curta duração. É uma técnica de
execução instrumental ou vocal que se opõe ao legato. Normalmente associada à execução em ‘soquinhos’, e
geralmente em velocidade acelerada.

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Sinos de alerta soaram em sua cabeça. Seu primeiro pensamento foi sobre Isadora, o que
só o irritou. Finalmente estava em um lugar onde ele tinha algo, alguém, mais que desejar, e a
maldição da alma gêmea ainda estava lá, insultando-o. Desligando a água com violência, saiu do
chuveiro e pegou uma toalha, apenas para perceber que não havia ninguém. Seu olhar vagou pela
porta aberta do banheiro até o salão. Uma toalha descansava numa pilha no chão.
Ele agarrou suas roupas do chão, cruzou para a toalha e a pegou. Depois de se secar,
colocou a calça jeans, enfiou os pés em suas botas, e percebeu que Cynna ainda estava vestindo sua
camisa.
Cynna... Merda. Aqueles sinais de alerta completamente ativos.
Seu olhar esquadrinhou o salão, mas ele já sabia que ela fora embora. Conectando-se
novamente em seus sentidos, procurou por ela. Ela ainda estava no castelo. No nível abaixo, no
salão principal. Inferno se sabia como conseguia rastreá-la, mas podia, e agora mesmo estava feliz
por isso.
Moveu-se para a porta. Vozes, vozes masculinas, derivavam da escada, seguidas pelo tom
áspero de Cynna.
— Não, — ela retrucou. — Não tenho que lhe dizer nada. E eu disse, pra soltar!
Aquela escuridão interna surgiu. Nick virou fez a curva e olhou para a escadaria curva e
carbonizada. Cynna estava no arco que dava para a sala principal, ainda vestindo nada além de sua
camiseta preta, lutando contra o aperto de Theron em seu braço. Vários outros Argonautas — Titus,
Zander e Gryphon — estavam em pé ao seu redor, bloqueando-a.
— Tire as mãos de cima dela.
Todos se viraram como um só e olharam para a escada em sua direção. Mas Theron foi o
único em quem Nick se concentrou. E seu domínio sobre o braço de Cynna. Aquela escuridão
saltou e borbulhou por dentro, com a perspectiva de derramamento de sangue.
— Nick. — Theron soltou. — Santa skata.
Cynna sacudiu o braço para longe lançou um olhar fulminante à nuca do líder dos
Argonautas. Mas Nick não mais se importava com o que Theron estivesse fazendo. Seu foco
voltou-se para ela. Para o olhar nervoso nos olhos escuros, para a forma em que ela encontrava seu
olhar, e para o fato de que ela estava ativamente à procura de um lugar para fugir.
Para longe dele.
A realidade era como uma pontada no plexo solar. Sim, ela não queria estar em nenhum
lugar perto dos Argonautas, ele podia sentir sua animosidade crescente por eles a cada segundo,
mas essa necessidade de fugir não tinha nada a ver com eles e tudo a ver com ele.

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Aquele momento, quando ele a segurou no salão, ricocheteou através de sua memória. O
jeito que ela ficou tensa, depois relaxou, então, relutantemente, como agora parecia, concordou em
se juntar a ele no chuveiro.
Estava assustada. Era por isso que fora embora. Era por isso que estava chateada agora.
Ela sentira a mesma coisa que ele lá em cima. A mesma conexão profunda que não estava enraizada
em uma ligação de alma gêmea forçada e tola, mas algo que ia mais fundo, mais imediato, mais...
real.
Ele desceu as escadas, seu olhar diretamente nela, não estava disposto a deixá-la fora de
sua vista agora nem por um minuto. — Você está bem?
Ela lançou um olhar venenoso para Titus, de pé à sua direita, em seguida, um para Theron
novamente. Ainda não encontrando os olhos de Nick, ela cruzou os braços sobre o peito. — Estou.
O cabelo escuro de Theron balançava enquanto ele se movia em direção à escada. —
Quando você fugiu? Santa skata, estivemos procurando por você freneticamente em todos os
lugares.
Nick ignorou o líder dos Argonautas, passou por ele, e estendeu a mão para o cotovelo de
Cynna. — Não saia assim novamente.
Seu olhar finalmente ondulou em sua direção, mas seus olhos não eram suaves e
compassivos como foram no andar de cima. Não, agora eles tinham uma borda afiada. Uma que ele
vira antes. No covil de Zagreus. — Vou para onde diabos eu queira. Não sou sua prisioneira.
Então, estavam de volta a isso agora...
— Nick, — disse Theron em suas costas. — Há coisas acontecendo em Argolea que
dizem respeito a você.
— Argolea? — Os olhos de Cynna se arregalaram, e ela lançou um olhar para Theron
sobre o ombro de Nick. — Oh, você definitivamente deveria ir.
— O Conselho tem um sério conjunto de varas em suas bundas, — disse Titus em algum
lugar à esquerda de Nick. — Orpheus está fazendo o melhor que pode para tentar manter a paz, mas
merda, cara. É O. Nós todos sabemos o quanto isso vai acabar bem.
Zander murmurou algo Nick não pegou. Algo sobre o Conselho e as bruxas e algum tipo
de acordo. Tudo porcaria sobre a qual Nick não poderia se importar menos. E Argolea era o último
lugar que ele já quis visitar novamente.
Sua mão apertou em torno de cotovelo de Cynna, e um desejo desesperado de ficar
sozinho com ela, para terminar o que começaram no andar de cima o consumiu. Ele puxou seu

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braço, puxando-a um passo para trás em direção às escadas. — Você vem comigo. Temos negócios
inacabados.
Cynna fincou os calcanhares descalços e lutou contra o aperto. — Acho que não.
— É definitivamente mais forte, — disse uma voz feminina perto de Gryphon. Uma Nick
reconheceu. — Pude senti-lo logo que entrou no castelo. Está claramente vindo dele.
O olhar irritado de Nick correu para Maelea, a quem não percebera à primeira vista,
porque ela estava de pé atrás de seu companheiro, em seguida, a Gryphon. — Você a trouxe aqui?
Argonauta estúpido. O minério therillium não está camuflando mais este lugar. Hades pode
encontrá-lo novamente, se procurar.
Gryphon pegou a mão de sua companheira e a puxou para o seu lado. — Não vamos ficar
muito tempo. Você precisa voltar com a gente.
— Quem diabos é essa? — Cynna murmurou, ainda recuando contra o domínio de Nick.
— Maelea.
Os olhos de Cynna se arregalaram. — Maelea ... como a filha de Zeus e Perséfone? — Ela
puxou mais contra seu aperto. — Oh sim. Eu simplesmente não vou ser pega nisso. Solte-me agora.
A irritação de Nick atingiu o ponto de ruptura. Ele apertou a mandíbula e a puxou mais
um centímetro em direção às escadas.
— Nick...
— Olha, — Nick respondeu antes Theron pudesse dizer mais do que seu nome, — Não
estou interessado em qualquer crise que você tenha em Argolea. Vocês todos conhecem o caminho
para sair, assim encontrem a maldita porta por sua própria conta.
— Niko, pare.
Nick paralisou ao uso de seu nome de batismo. Seu olhar se desviou para a direita, em
direção a Demetrius, que ainda não tinha notado quando desceu as escadas, porque estivera muito
focado em Cynna.
O cabelo escuro de seu irmão estava bagunçado, sua pele pálida, e havia um semblante
assombrado de seus olhos negros. Um que o interrompeu imediatamente.
— Ela está doente, — disse Demetrius. — Não temos certeza do que há errado com ela,
mas Callia acha que você pode ser capaz de ajudar.
Ela.
Isadora.
Sua alma gêmea.

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O turbilhão de irritação subitamente estancou. O olhar de Nick vagou sobre os rostos ao


seu redor, não vendo nada e ninguém à medida que procurava pela conexão que sentia com Isadora.
O vínculo de alma gêmea ainda estava lá. À espreita abaixo da superfície. Mas não era tão forte
como fora há um mês. Algo pelo qual estava grato, mas subitamente fodidamente confuso por isso.
Especialmente desde que não percebera que ela estava doente. Agora, sim, podia sentir que algo
estava errado, mas tinha que pensar e concentrar-se para percebê-lo. O que era mil vezes diferente
do ano passado.
Sua testa caiu baixo quando ele olhou para seu irmão. — O que posso fazer? Seu vínculo
com ela é mais forte.
— Não mais, — Demetrius respondeu com a voz tensa.
Nick não tinha ideia do que Demetrius queria dizer, mas quando Cynna lutou contra seu
aperto de novo, sua atenção se lançou em sua direção.
— Você deveria ir com eles, — disse ela. — Eles claramente precisam de você.
E ela não precisava. O olhar aguçado em seus olhos escuros. E ele viu novamente o que
vira lá em cima no salão, logo depois que a segurou.
Medo.
Embora agora, ele não poderia dizer se era por causa dele ou dos Argonautas em torno
dela. Indecisão deslizou por sua mente e, em seguida, desapareceu. Ela poderia não precisar dele,
mas ele definitivamente precisava dela. E não havia nenhuma maneira de que fosse Argolea sem a
sanidade do seu lado.
Ele olhou para o irmão. — Bem. Vou com você. — Ele acenou com a cabeça em direção à
mulher que ele ainda tinha que liberar. — Mas ela vem também.
— O que? — Cynna puxou duro na mão de Nick. — De jeito nenhum.
Nick apenas a segurou com mais força, puxando-a contra o seu lado. Os olhos de
Demetrius viraram-se na direção dela, e embora o olhar de Nick não seguisse, a julgar pelo aumento
da pulsação sob as pontas dos dedos e o calor agora fluindo dela em ondas onde ela apertou contra
ele, sabia que ela estava fervendo.
Muito ruim. Ele precisava dela para impedi-lo de se perder. Especialmente agora, quando
estava voltando para o lugar que ele jurou que nunca mais visitaria novamente.
— Quem é ela? — perguntou Demetrius.
— Eu...
— Apenas alguém que me ajudou a escapar de Zagreus, — respondeu Nick,
interrompendo-a.

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— Ela é Argolean, — disse Theron com cautela às costas de Nick. — O que uma
Argolean estava fazendo com o Príncipe das Trevas?
Nick bufou. — É uma longa história.
— Eu estou aqui, — Cynna resmungou entre os dentes cerrados. — Posso responder eu
mesma...
Nick apertou o cotovelo até que ela estremeceu.
Theron olhou para ela um longo momento, e então finalmente olhou para os outros
Argonautas. — Bem. Ela pode atravessar conosco. Z?
— Estou nisso. — Zander juntou as mãos e seus dedos mindinhos se juntaram. O portal
entre os mundos estalou, chiou e aberto com um feixe de luz afiado que iluminava o quarto.
Um peso brutal empurrou com força contra o peito de Nick. Ao seu lado, todos os
músculos do corpo de Cynna contraíram.
Ele se inclinou para perto de seu ouvido enquanto Gryphon e Maelea atravessavam o
portal, e sussurrou: — Não se preocupe. Não vamos ficar muito tempo. Falei sério antes. Ainda
temos negócios inacabados.
— Foda-se, — ela resmungou.
— Tenho certeza que você já fez isso.
— Não me lembre. — Ela se agitou em seu aperto mais uma vez, seus olhos como
punhais, mas ele apenas a segurou mais apertado, não a deixaria ir embora. — No segundo em que
me soltar, eu vou embora.
A pressão em seu peito diminuiu, mesmo que apenas por um momento. Por isso, seu
desafio mal-humorado, deu-lhe algo sólido e real para se concentrar em vez da merda que estava
prestes a acontecer. E permanecer concentrado nela impedia que essa escuridão venenosa
borbulhasse para a superfície. — Então sugiro que você se acostume com o meu toque, fêmea,
porque não há nenhuma maneira de que eu a deixe ir. E isso quer dizer que você terá muito mais de
mim em breve.

Cynna estava à beira de hiperventilar. Não eram só os dedos de Nick fincados em seu
cotovelo, deixando hematomas em seu rastro, mas ele a arrastou por meio do portal e agora estava
puxando-a com ele para o castelo.
O castelo Argolean.

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Deuses todo-poderosos. Deuses todo-fodidamente-poderosos.


Transpiração pontilhava sua testa, juntava-se ao longo de suas costas, e deslizava por sua
espinha. Sua “alma gêmea” claramente conhecia a rainha. O que significava que havia uma chance
de Cynna encontrar a vadia nesse lugar horrível. Raiva, pânico e descrença se enredaram em seu
peito até que não conseguia respirar.
Concentrou-se em inalar profundamente o ar em seus pulmões, em seguida, empurrá-lo
para fora, para que realmente não se descontrolasse. Uma rajada de vento varreu a porta de entrada
extremamente grande, enviando um arrepio na espinha, e foi quando ela percebeu que não só ela
estava no meio de seu pior pesadelo prestes a se tornar realidade, como estava usando nada além de
uma camiseta fina de Nick. Sem sapatos, sem calças, nem mesmo roupas íntimas por baixo do
algodão macio preto que chegava ao meio das coxas. E, graças ao fato que fora arrancada antes que
sequer tivesse a chance de pensar sobre a roupa, significava que ela provavelmente ainda ostentava
um olhar de recem-fodida também.
— Filho da puta, — ela murmurou.
— Fique perto de mim, — Nick sussurrou ao seu lado.
Fúria chicoteou por ela com a força de um tornado. — Foda-s...
— Cynna. — Seu olhar correu até ela, enquanto caminhavam atrás dos Argonautas. —
Isso não é um jogo.
Ela sabia que não era um jogo, caramba. Para ela, era a coisa mais distante de um jogo.
Era possivelmente o último lugar em que queria estar. Sua própria versão privada do inferno. Um...
— Sei que está chateada, — disse ele, diminuindo a um toque o aperto em seu cotovelo.
— Mas estou pedindo a você que, por favor, não piore a situação. Quinze minutos, então vamos
embora. Confie em mim, não quero estar aqui mais do que você.
Suas palavras estavam repletas por uma de ansiedade que tirou o foco da raiva que a
turvava. Ela arriscou um olhar em sua direção. Sua mandíbula estava apertada, os músculos
flexionando sob sua pele desalinhada, e seus olhos eram duros e resguardados enquanto ele olhava
para frente.
Ele disse a ela que sua alma gêmea estava ligada a seu irmão. Ela testemunhou a tensão
entre os dois homens na colônia, mesmo que não quisesse reconhecê-lo. Sua mente vagou sobre a
conversa que tiveram na selva, quando ele contou sobre a maldição da alma gêmea, e ela lembrou-
se vividamente da animosidade em suas palavras quando ele mencionou a mulher no centro de seu
confuso triângulo amoroso. Usando seu dom, Cynna procurou qualquer indício de que ele estivesse

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mentindo, só que não achou nada. Ele estava dizendo a verdade. Estar perto de sua alma gêmea não
lhe dava nenhum tipo de felicidade.
— Somente aqueles de nós com as marcações sentem a atração. — Dissera também a ela,
que a mulher naquela equação de alma gêmea não fora afetada pela maldição. O que significava que
estar aqui, estar perto dela, tinha que ser como uma nova forma de tortura para ele. E Cynna estava
tornando tudo pior surtando assim.
Destravou o quiso. Relaxou os músculos dos braços. À medida que se movimentavam até
as escadas, ela suspirou e percebeu que poderia continuar sendo uma cadela... ou poderia passar por
isso e, em seguida, afastar-se dele para sempre.
— Não tem que me segurar com tanta força, — ela murmurou. — Claramente não poderia
ir a qualquer lugar. E eu não vou. Por pelo menos 15 minutos.
O aperto de Nick diminuiu seu cotovelo, e o sangue correu para o local. Ela se aproximou
e esfregou seu cotovelo dolorido, mas estava distraída quando sua mão se fechou sobre a dela
segurando-a a seu lado, com os dedos entrelaçados nos dela para mantê-los próximos. Ela olhou
para cima, captou a gratidão em seu olhar âmbar, e de repente não conseguia respirar novamente.
— Obrigado.
Obrigado...
Ele precisava parar de dizer isso a ela. Isso a fazia se sentir pior. Porque ele não tinha
absolutamente nenhuma razão para agradecê-la, caramba. Não depois das coisas que ela fizera.
Concentrou-se em respirações lentas, dentro e fora, enquanto subia as escadas ao lado
dele, sabendo que precisava se afastar de sua mão. Mas um lugar perigoso dentro dela não queria
deixar ir. E o simples reconhecimento desse fato fazia com sua adrenalina se elevasse novamente.
—Yo, Nick. — O Argonauta com o cabelo comprido ondulado amarrado na nuca com
uma tira de couro os abordou assim que alcançaram o patamar no próximo nível e empurrou uma
camisa nas mãos de Nick. — Pode querer colocar isso antes de entrar lá.
— Obrigado Titus. — Nick pegou a camisa, soltou a mão de Cynna, e colocou o tecido
azul claro cobrindo seu peito nu. E embora ainda estivesse irritada que permanecesse seminua e que
ninguém trouxesse nada para ela vestir, um pequeno lugar dentro Cynna estava feliz que essa alma
gêmea dele que parecia gostar de atormentar sua existência, não conseguiria ver toda a beleza de
músculos esculpidos e fortes dos quais Cynna tivera uma amostra apenas uma hora atrás.
Seu corpo aqueceu com a lembrança de suas mãos correndo sobre seu corpo nu, pela boca
mordendo sua pele sensível, as coisas más que ele poderia fazer com a língua, e imediatamente ela
se perguntou se essa mulher nunca experimentara nada disso. Tão rápido quanto o pensamento a

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bateu o repeliu. Não havia espaço para o ciúme em seu coração. Depois de tudo o que fizera, ficou
muito claro que ela não tinha um coração, de qualquer maneira.
Ele agarrou a mão dela novamente enquanto se dirigiam para baixo numa corredor amplo
e longo, com uma abóbada esculpida e pilares ornamentados enfileirados, e ela o deixou segurá-la,
não porque queria tocá-lo, disse a si mesma. Mas porque estava agindo exatamente o que ele pedira:
não fazendo uma cena.
Arcadas abertas para uma biblioteca, uma sala de estar, que pareciam escritórios. A cada
passo, a ansiedade disparava, e ela procurou a cada quarto por algum sinal da rainha, esperando e
rezando que ela não encontrasse a fêmea antes que pudesse escapar. Quinze minutos. Poderia dar
quinze minutos a Nick depois de tudo que ela o fez passar.
Pararam do lado de fora de outra porta aberta, mas desta vez Cynna não podia ver além
dos Argonautas para dar uma olhada na sala. Vozes ressoaram da porta aberta, no entanto. A de
uma fêmea e de um macho, ambos, claramente, numa conversa profunda.
— Não, — disse a mulher: — Lord Tiberius definitivamente enviou espiões.
Interceptamos dois correios levando relatórios detalhados para o Conselho, delineando o layout do
povoado, as entradas e saídas, até mesmo os horários de chegada e partida dos Argonautas. Eles
estão à procura de padrões. Esperando o momento perfeito para atacar.
— Acha realmente que farão isso? — perguntou o homem. — Isso seria descarado, até
mesmo para eles. Sua campanha política sequer disparou ainda. Eles se arriscam a se indispor com
uma grande parte da população com um ataque preventivo contra um grupo desarmado.
— É um risco calculado, — disse outra mulher. — Eliminá-los antes que eles representem
um risco. E não se esqueça, as bruxas os estão ajudando, o que, aos olhos do Conselho, é
justificativa para qualquer tipo de ataque.
— Acho que sim, — disse o homem. — Mas não consegui pegar nenhum deles ainda, e
tenho passado tanto tempo com o Conselho quanto eu posso.
— Eles não planejarão algo quando você puder ouvir, — disse a primeira mulher. — Por
que o fariam? Eles sabem onde sua fidelidade se encontra, mesmo que tenham votado em você.
— Nós vamos precisar melhorar a segurança em torno do povoado, — disse uma terceira
mulher, que tinha a voz mais suave do que os outros. — Mesmo que isso signifique tirar os
Argonautas do reino humano, eu quero...
Theron bateu no batente da porta, e as vozes lá dentro cessaram. Mas aquele fogo em
Cynna estava crescendo novamente enquanto os primeiros Argonautas entraram na sala. Só a

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menção das bruxas e do Conselho fizeram a temperatura do seu sangue parecer como se tivesse
subido dez graus.
— Minha rainha. — Theron inclinou-se ligeiramente quando entrou na sala. — Há alguém
que eu acho que você gostaria de ver
Rainha? Rainha?
Os olhos de Cynna se arregalaram, e seu coração deu uma guinada em sua garganta,
batendo tão forte que ela se sentia como se estivesse prestes a sufocar. Ela instintivamente recuou,
mas Nick lhe segurou a mão com força na dele e puxou-a com ele para a sala.
O piso era feito de mármore. O teto foi decorado em vigas de madeira escura, e janelas
altas arqueadas, davam vista para a baía, mas isso era tudo Cynna poderia pegar. Porque de repente
ela não conseguia pensar. Não conseguia respirar. Não era possível interromper o pânico golpeando
em cada centímetro de sua pele como facas quentes e afiadas.
— Relaxe, — disse ele suavemente ao seu lado. — Quinze minutos. É isso.
Não. Ela não podia ficar por quinze minutos. Não poderia ficar nem mesmo por cinco
minutos. E esqueça sobre relaxar. Tinha que dar o fora daqui, agora mesmo.
Com as mãos trêmulas, Cynna tentou se afastar novamente, só para congelar quando ouviu
a voz feminina do outro lado da sala de exclamar: — Nick.
Seu olhar se levantou. Uma fêmea pequenina, magra, com cabelos loiros claríssimos, se
erguia por trás de uma mesa que parecia que poderia engoli-la inteira, e encarava Nick com olhos
arregalados. Uma fêmea que Cynna reconheceu ao primeiro olhar.
A frequência cardíaca de Cynna disparou. Os passos silenciavam atrás dela à medida que
mais pessoas entravam na sala. De pé no outro lado da mesa estava outro macho, tão grande quanto
os Argonautas, e duas fêmeas, uma com longos cabelos loiros dourados, e outra com cachos
castanho-avermelhado que iam pela altura do ombro, olhando de Nick para ela e vice-versa com
curiosidade velada.
Ninguém falou. O silêncio caiu sobre a sala enquanto todos esperavam por... Inferno,
Cynna não sabia o que eles estavam esperando.
Longos segundos se passaram. E então o rosto de Isadora brilhou, e ela moveu-se
rapidamente em torno da mesa antes de parar exatamente na frente de Nick.
Ela era ainda menor do que Cynna pensara, uma cabeça mais baixa do que ela, pálida
onde Cynna era escura e forte ela era fraca. Mas estando tão perto da rainha, cada senso de
inferioridade que Cynna já tivera voltou correndo. E no momento em que a fêmea jogou os braços
em torno de Nick e o abraçou com força, quebrando seu domínio sobre a mão de Cynna, Cynna

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estalou diretamente para fora de seu transe. Seu sangue não estava apenas aquecendo, ele entrara
em plena ebulição.
— Nick, — a rainha exclamou. — Oh meus deuses. Não posso... Estou tão... — Ela
recuou, mas não o soltou, e um grande sorriso apareceu em seu rosto. — Não posso acreditar que
você está aqui.
Ainda assim ninguém falou. A tensão permanecia tão alta como sempre na sala. E, embora
as mãos de Cynna estivessem coçando para pegar a rainha e atirá-la para longe de Nick, ela se
segurou. Seu olhar deslocou-se para Nick. E concentrou-se na expressão totalmente perplexa no
rosto cheio de cicatrizes.
O sorriso de Isadora vacilou. E seu olhar parrou de Nick para o Argonauta alto, sombrio
atrás dele. Aquele que Cynna rapidamente percebera na colônia que era o irmão de Nick.
— Demetrius. — Ela soltou uma das mãos de Nick, e alcançando-o por trás, agarrou o
antebraço do Argonauta de cabelos escuros, e arrastou-o para o lado dela. Mas, Cynna notara, que
ainda assim ela não soltou a outra mão de Nick. — Não posso acreditar. Como você...? Quando...?
A fêmea de cabelos castanhos, aquela que estava em pé perto da mesa da rainha,
aproximou-se e colocou dois dedos no pulso da Isadora, naquele que estava conectado à mão que
ainda descansava no peito de Nick. Ela se virou e olhou para além Cynna em direção à porta. —
Está mais forte. Seu pulso está definitivamente mais forte.
O olhar de Nick virou para aquela direção.
— Eu tinha receio disso, — disse Maelea. — A escuridão nele está muito maior do que a
última vez em que estive na colônia.
— Que diabos está acontecendo? — perguntou Nick, olhando para a mulher de cabelo
castanho avermelhado, em seguida olhando para a rainha, e, finalmente, para o Argonauta alto. —
Você me trouxe de volta para cá. Diga-me o que é isso tudo.
— É sobre a maldição da alma gêmea, — o líder dos Argonautas disse em algum lugar
atrás Cynna. — E como isso está afetando Isadora.
Cynna quase engasgou com a língua. — Alma gêmea? — Ela olhou de Nick para a rainha
e de volta, seus olhos crescendo mais amplo. — Ela é sua alma gêmea?
Santo inferno. A rainha do Argolea era a porra da alma gêmea dele?
Pressão empurrava em cada centímetro de sua pele, fazendo com que seus pulmões
parecessem como se estivessem prestes a explodir. As Destinos não poderiam ser tão injustas. A
vida não poderia ser tão injusta. De todas as pessoas em todo o mundo com quem ela poderia se
envolver, tinha que ser a alma gêmea da única que ela odiava com cada fibra do seu ser?

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Ela apenas segurou o riso patético. Se a situação não fosse tão grave, estaria rolando no
chão de tanto rir. Mas não podia. Porque este era a droga do seu destino.
Em algum lugar no fundo da sala, alguém riu. Seguido por um sussurro: — O que é tão
engraçado? — E um — Te conto mais tarde.
Mas Cynna não podia virar para ver quem falara, porque a atenção de Nick finalmente
voltara-se para ela. E no seu irritado olhar âmbar, ela viu exatamente o que ela esperava. Ele
esquecera que ela até mesmo estava lá. — Falaremos sobre isso mais tarde.
O coração de Cynna, ou o que restava dele, parecia como se tivesse se partido. Bem ali, no
chão. Ela deu um passo para longe e murmurou, — No inferno que falaremos.
A rainha finalmente tirou a mão do peito de Nick e olhou para ela. — Quem é essa?
A mandíbula de Nick apertou, e, oh sim, ele estava chateado. Bem, Cynna também estava.
Tanto que ela queria esmurrar o punho através de uma parede. Ou a cara de alguém. Só que ela não
conseguia fazer com a maldita mão parasse de tremer.
— Cynna, — disse Nick. — Ela estava comigo no covil de Zagreus.
— Cynna, — o cara perto da mesa sussurrou para a loira ao seu lado. — Não é aquela
que...?
— Shh, — a loira murmurou, interrompendo-o.
O olhar avaliador da rainha deslizou sobre Cynna, fazendo com que os finos pelos ao
longo das costas se eriçassem em atenção. Mas nem mesmo um lampejo de reconhecimento passou
pelos olhos de Isadora.
Ainda que estivesse fervendo, ainda que não quisesse fazer nada além de fugir, Cynna
respirou um pouco mais fácil. A rainha não sabia quem ela era. Podia sair dessa se mantivesse a
calma.
— Ela é Argolean, — disse a rainha. — O que uma fêmea Argolean estava fazendo com
Zagreus?
Infelizmente, a calma de Cynna foi diretamente pela janela com a pergunta, e seu
temperamento se alastrou para trás para frente. Oh, não. Não estavam passando por isso novamente.
Não estava disposta a sentar e deixar que uma única pessoa, especialmente a rainha de Argolea,
fizesse suposições sobre ela como se ela nem mesmo estivesse na sala.
Ela endireitou a coluna e abriu a boca para dizer a rainha exatamente o que ela poderia
fazer com suas malditas perguntas quando a loira que estava parada perto da mesa deu um passo
adiante.

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— Posso ver que esses caras estiveram agindo como homens das cavernas novamente e
nem mesmo se preocuparam em lhe dar tempo suficiente para que se vestisse antes que a
arrastassem para cá. — O olhar de Cynna estalou em direção à loira, que tinha uma expressão
agradável fixa em todo seu rosto bonito. — Que tal se você e eu formos encontrar algo para você
usar enquanto todos fofocam como colegiais?
O fato de que Cynna estava vestindo nada além da camiseta de Nick a atingiu novamente,
mas ela não se importava. Não precisava de roupas para colocar essas pessoas em seus lugares. Ela
morava com Zagreus, porcaria. Ela poderia se segurar diante da rainha de Argolea e seus estúpidos
marry men4. Mas antes que ela pudesse gabar-se demais, seu cérebro começou a funcionar, e ela
percebeu... isso poderia ser sua maneira de sair deste pesadelo.
Ela freou seu temperamento, mesmo que tenha custado cada grama de força de vontade
que ela tinha, engoliu em seco e assentiu com a cabeça uma vez.
— Bom, — a mulher disse. — Sou Skyla. Venha comigo.
Cynna deu um passo em direção à porta para seguir a loira, mas Nick agarrou seu braço na
altura do pulso antes que ela pudesse ir muito longe e puxou-a para trás. Seu olhar âmbar fixo no
dela, duro, firme, resoluto. — Não vá longe. Eu vou encontrá-lo em poucos minutos.
O simples fato de que a estava olhando agora mandou seu temperamento de volta ao ponto
de ebulição. Dois minutos atrás, ele esquecera que ela existia.
Ela arrancou o braço de seu aperto. — Seus quinze minutos estão valendo.

Capítulo 15
15

Cynna tentou acalmar seu temperamento furioso quando se virou para seguir Skyla, apenas
para perceber que havia mais pessoas na sala do que ela pensava. Outra mulher adiantou-se atrás
dela, uma com cabelo vermelho-fogo que tinha se esgueirado do lado do cara usando luvas e que
estava na parte de trás, o mesmo que ela tinha certeza de que estava rindo. E outros dois homens
também se juntaram ao conflito, ambos claramente Argonautas e os dois tão absurdamente lindos
quanto o resto.

4
Merry men (homens felizes em tradução literal), é inicialmente a referência aos fora-da-lei que seguiam Robin Hood
em meados de 1420. A expressão “merry men”, originalmente é um termo genérico para qualquer um que se submeta a
seguir a liderança de alguém, seja num bando de foras-da-lei, ou num grupo armado.

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Onde diabos achavam esses caras? Na “Temos Galãs”5?


As vozes se desvaneceram atrás dela enquanto seguia Skyla de volta pelo corredor.
Quando chegaram à enorme escadaria curva, Skyla disse: — Vamos para o nível superior.
Cynna prestava atenção a todos os detalhes enquanto caminhavam. Os guardas abaixo no
hall de entrada, os funcionários que passavam, os arredores chiques e móveis caros. E a cada
segundo que ela passava neste castelo, rodeada de luxo e mais riqueza do que ela podia imaginar,
ela se lembrava da pequena casa em que morou com seus pais antes que eles morressem. O piso de
madeira, os quartos minúsculos, um para eles e outro para ela, e a cozinha do tamanho de um
armário, onde ela e sua mãe preparavam as refeições. Não tiveram muito, mas foram felizes. Ou
assim pensava. Mas como alguém pode se contentar com aquilo depois de ser cercado por tudo essa
riqueza?
— Aqui estamos. — Skyla parou em frente a uma porta grande, arqueada, girou a
maçaneta e empurrou com o quadril.
Cynna seguiu para o quarto, e mais uma vez, seu queixo quase caiu no chão. Armários e
prateleiras de roupas cobriam as paredes. Todos os diferentes tamanhos, para todos os sexos e
idades diferentes. Caixas enormes estavam alinhadas em fileiras no meio, contendo meias e sapatos
e roupas íntimas.
Skyla moveu em direção a uma prateleira à esquerda e tateou por ela até que encontrou
um par de jeans e uma camiseta vermelha de mangas compridas, em seguida, virou-se e entregou-as
a Cynna. — Estes devem servir. Você é do meu tamanho. Vá em frente e pegue algumas roupas de
baixo das caixas, e eu vou te encontrar umas botas. Não se preocupe. Tudo é novo. — Ela apontou
para uma divisória alta montada em frente das janelas. — Dá pra se vestir ali
Cynna pegou o que precisava das prateleiras e moveu-se para trás da divisória. Colocou a
calcinha, grata que elas servissem, em seguida, estendeu a mão para o jeans. — Deve ser bom ter
um shopping em sua própria casa.
— Sim, é — Skyla disse do outro lado da tela. — Mas esses não são para o castelo. São
para um campo de refugiados fora da cidade.
A rainha realmente se preocupava com os refugiados? Cynna quase zombou enquanto
abotoava a calça jeans e pegava a camisa.

5
A autora faz trocadilho com a expressão “R Us” – no texto original, está escrito “Studs ‘R’ Us”- , que
invariavelmente é utilizada para brincar com o nome de uma empresa ou fornecedora de serviços, indicando que essa
empresa/fornecedora de serviços é especialista naquele segmento, e que o produto/segmento estará sempre disponível
na loja. Aparentemente, a origem da expressão remonta ao nome da empresa “Toy ‘R’ Us” (algo como “Temos
brinquedos).

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— Você sabe, — disse Skyla, — Ouvi falar de uma fêmea chamada Cynna que vive com
Zagreus. Ela também é conhecida como a Senhora da Tortura.
Os braços de Cynna congelaram, a camisa sobre a cabeça, e seu pulso acelerou. Engolindo
em seco, terminou de colocar a camisa e a puxou para baixo em seus quadris. — Qual é seu ponto?
— Meu ponto é simples. Os outros podem assumir que você era apenas uma prisioneira,
mas acho que nós duas sabemos que não era assim. Quero saber o que a fêmea que é o braço direito
de Zagreus está fazendo com Nick.
Cynna afastou o cabelo do rosto, e lembrou a si mesma de manter a calma, e saiu de trás
da divisória. — O que você é, espiã pessoal da rainha?
Skyla inclinou a cabeça. — Até recentemente, eu passei muito tempo no reino humano
lidando com sátiros de Zagreus e as confusões que eles criavam. O resto do tempo passei no
Olimpo, com Athena.
Cynna passou os olhos pela loira, e percebeu o que não notara anteriormente. A postura de
guerreira, o olhar calculista nos olhos verdes da fêmea, e a força contida escondida sob aquela
fachada atraente.
Skata. Isso mudava as coisas... um pouco. Enquanto Cynna não tinha reservas sobre o
duelo com um Argonauta, ela não queria chatear Zeus. — Você é uma Siren.
— Era, — respondeu Skyla. — Deixei a ordem recentemente. — Ela cruzou os braços
sobre o peito. — Agora, responda a minha pergunta. Que diabos você está fazendo com Nick?
Ela poderia mentir, mas neste momento tudo o que Cynna queria era sair. E o caminho
mais rápido para sair era terminar esta conversa para que pudesse escapar. — Eu o ajudei a fugir.
— Por que?
— Porque Zagreus ia entregá-lo a Hades.
— E você, o quê? Desenvolveu uma consciência sobre isso?
O temperamento de Cynna avançou para cima. — Não quero vê-lo nas mãos de um deus
que poderia usar seus poderes para o mal contra o mundo inteiro. Então, sim, acho que você poderia
dizer que eu desenvolvi uma consciência. Não acredito que alguém queira isso.
— E Zagreus? Ele simplesmente concordou que você saísse?
— Não, — disse Cynna, olhando as prateleiras de roupas, — tenho certeza que ele estava
muito chateado. — Ela olhou para a Siren. — Não quis esperar para descobrir.
Skyla estudou um longo momento, e Cynna não poderia dizer se a mulher acreditava nela
ou não, mas ela não se importava mais. Pela primeira vez fizera a coisa certa e ainda estava sendo
rotulada como uma traidora.

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— Olha, — disse ela, trabalhando duro para não perder a calma com a Siren. — Nem tudo
é o que parece. Há todos os tipos de prisões, e quer você acredite ou não, eu não sou a vilã aqui. —
Não mais, pelo menos.
A mandíbula de Skyla cerrou. — Qual é o seu relacionamento com Nick?
Desta vez Cynna não pôde impedir seu estômago de balançar. Relacionamento? Será que
ainda tinham um relacionamento? Cativo-captor veio à mente quando se lembrou de seu tempo
juntos em covil de Zagreus. Seguido por amantes quando suas memórias pularam para o sexo
quente, suado nos túneis sob a colônia. Mas rejeitou tanto um quanto o outro porque nenhum deles
era uma imagem acurada e precisa do que eles eram. A única coisa, ainda que remotamente, fazia
sentido era...
— Realmente fodido, — Cynna finalmente respondeu.
Skyla olhou para ela, e à medida que os segundos passavam, a ansiedade de Cynna
avançou mais uma vez.
Será que a Siren tentaria prendê-la? Estaria levando-a diante da rainha para contar-lhe
tudo o que Cynna acabara de admitir? Se isso acontecesse, nunca poderia sair deste pesadelo. Seu
olhar correu para as janelas que davam para um pátio, e aquela reação de lutar-ou-fugir surgiu só
que desta vez fugir ganhou, disparado.
Skyla baixou os braços e apontou para um par de botas e um casaco leve que estavam no
chão, perto da divisória. — Essas são para você. A temperatura está para neve, e eu tenho certeza
que você não quer ser pega no frio. Vamos voltar e ver se eles já terminaram de fofocar.
Alívio pulsou pelo corpo de Cynna. Ela estendeu a mão para as botas e jaqueta. — Hum,
há um banheiro em algum lugar que eu poderia usar?
Aquele olhar avaliatório cruzou o rosto de Skyla novamente, fazendo Cynna achar que a
Siren desconfiava de algo. Mas, em vez de pedir explicações, a loira apontou para uma porta do
outro lado da sala. — Por ali. Não demore muito.
Cynna assentiu. — Eu não vou.
Ela fechou a porta do banheiro e olhou ao redor. Era quase todo de mármore, tão grande
quanto sua casa inteira na infância, e repugnantemente dispendiosa. Mas, graças às Destinos, havia
uma janela que dava para o pátio vários andares abaixo.
Ela rapidamente colocou as botas e jaqueta, em seguida, ligou o ventilador para abafar
qualquer ruído. Uma oração silenciosa de agradecimento chicoteou por ela quando encontrou a
janela destrancada.

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Empurrando-a para cima, ela olhou para fora. Não havia sacada. Nada além de uma
pequena saliência que corria ao longo desta ala. Mas isso era tudo que precisava. Ela saiu, agarrou a
borda de pedra acima, e fez seu caminho para o lado do edifício.
E disse a si mesma que sequer olharia para trás.

— Isso é absurdamente louco. — Nick passou as mãos pelo seu cabelo e deixando-as cair
para o lado, nivelando um duro olhar para o seu irmão.
Demetrius, recostando-se contra a mesa no escritório palaciano de Isadora com uma
carranca em seu rosto duro e os braços cruzados sobre o peito enorme, não respondeu. Na verdade,
desde que chegaram a Argolea, o guardião não dissera nenhuma merda. Apenas olhou para Nick,
como se não tivesse certeza se queria abraçá-lo ou descer o punho em sua cara. O que apenas
chateou a Nick ainda mais. Seu irmão não era de falar, mas o fato de que não estava argumentando
contra essa teoria estúpida, que se referia à sua alma gêmea, só aumentou a ansiedade de Nick sobre
toda a situação.
Ele olhou para Isadora, que também tinha os braços magros cruzados sobre o peito, mas
agora se recusava a encontrar seu olhar, em seguida, olhou para Theron, de pé ao seu lado,
parecendo frustrado e culpado ao mesmo tempo. — Não é assim que a maldição alma gêmea
funciona, e todos vocês sabem disso. Somente aquele com as marcas são amaldiçoados. Eles são os
únicos que sentem isso.
Nick estava feliz que Theron tivesse conduzido a maior parte dos guardiões e suas
companheiras para fora da sala para que eles não tivessem que ouvir essa porcaria. Se pudesse
escolher, estaria fora daqui também. Porque a escuridão dentro dele estava borbulhando a cada
minuto que passa, e estar perto de sua alma gêmea, aquela que ele não poderia ter, não estava
ajudando. Arriscou um olhar para a porta, em busca de Cynna, mas ela ainda não voltara com
Skyla.
— Tudo sobre esta situação é diferente, — Theron disse, — Porque você está diferente.
Nick zombou, pousou as mãos nos quadris, e se voltou para a janela. — Eu estou bem.
— Maelea pode sentir a energia aumentando em você, — disse Theron. — E se esse fora o
caso, então isso corresponde ao que aconteceu com aqueles três mortais que...
— Aqueles eram os Juízes da Morte. — Ok, sim, Maelea, ela própria um produto do
Inframundo, poderia ser capaz de sentir a energia escura de Krónos crescendo dentro dele, mas isso

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não significava que ela sabia o que diabos ela estava falando. Nick apertou os dedos contra seu
peito. — Da última vez que chequei, eu estava vivo. E aqui não é a porra do Inframundo.
Theron suspirou. — Sim. Mas todos nós sabemos que você está um inferno de muito mais
forte do que você era. Quem pode garantir que o aumento de sua força não está de alguma forma,
bagunçando com a maldição da alma gêmea e fazendo Isadora enfraquecer.
— É possível, — disse Orpheus de seu lugar perto das janelas. — Eu realmente não senti a
atração alma gêmea pela Skyla até que meu daemon começou a desvanecer-se. Esse impulso
definitivamente se fortaleceu à medida que meu daemon se tornava mais fraco.
Nick revirou os olhos e apoiou as mãos contra os quadris. Estavam todos malucos. Essa
era a única explicação. Ele fez uma careta para Isadora, então voltou seu olhar sobre seu irmão. —
Não me diga que você está comprando para isso também. É da porra da sua alma gêmea que
estamos falando. Uma da qual você me disse para ficar bem longe.
A mandíbula de Demetrius estalou, mas ainda assim o bastardo não respondeu. Apenas
olhou para Nick com aqueles olhos frios duros.
— Olha. — Callia adiantou, sentindo claramente a tensão na sala. — Ainda não sabemos
de nada. Tudo é apenas especulação. Mas posso dizer que seus sinais vitais estão muito melhores
desde que você chegou aqui. Isa, — ela se virou para ela irmã — como você se sente?
Isadora soltou um suspiro. Ela mordeu o lábio enquanto olhava em direção a Nick, em
seguida, olhou para seu companheiro perto da mesa. Ela virou-se para a irmã. — Melhor. Um pouco
mais forte. Mas talvez seja apenas uma coincidência.
—Está vendo? — Disse Nick, mantendo os braços bem abertos. — Finalmente, alguém
com um pouco de sentido.
Callia colocou uma mecha de cabelo ruivo atrás da orelha e franziu a testa. — Sinto
muito, mas o pulso de Isadora ficar regular quando ela o tocou não foi uma coincidência. — Ela se
virou para a irmã. — Nós vamos descobrir isso, não se preocupe. Agora que Nick está aqui,
devemos ganhar algum tempo.
Oh, não. Não ficaria. Ele olhou por sobre os rostos na sala. Eles não esperavam realmente
que ele permanecesse nesse reino, não é?
Passos reverberaram do corredor antes que ele pudesse perguntar, e sua atenção se voltou
nessa direção, seu pulso pulando com a esperança de ver Cynna, de volta para mantê-lo centrado.
Exceto que a mulher que entrou na sala não era quem ele precisava desesperadamente. Era
Casey, seu cabelo castanho cintilando sob o lustre acima, seus olhos violetas brilhando quando seu
olhar encontrou Nick. — Alguém me disse que tínhamos um visitante.

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Nick lutou contra a escuridão empurrando-o para fugir. Casey atravessou o salão,
levantou-se na ponta dos pés, e colocou os braços em volta dos ombros de Nick. Mas desta vez, ao
contrário de quando Isadora o abraçara, ele não vacilou. Porque Casey não era, e nunca fora,
qualquer tipo de ameaça a sua sanidade.
— Eu sabia que você ia voltar, — ela disse suavemente, abaixando-se de pé e sorrindo
para ele. — Você é como uma moeda ruim, que sempre reaparece.
Nick apontou para sua barriga arredondada. — Você obviamente esteve ocupada enquanto
eu estive fora. Quanto tempo mais?
Casey lançou um olhar afetuoso para Theron, que conversava calmamente com a rainha e
Callia. O guardião lhe chamou a atenção, enviou-lhe um meio sorriso preocupado, em seguida,
voltou para a sua conversa.
Casey voltou para Nick. — Mais dois meses.
— E como está o herói com tudo isso?
— Um urso. Preocupado. Constantemente. — Casey sorriu. — Não muito diferente do
habitual.
Nick bufou.
Casey enganchou o braço no dele e puxou-o para um sofá na sala de estar do escritório
palaciano de Isadora. — A grande questão é como você está?
Ela foi a primeira pessoa que perguntou. A primeira que até mesmo parecia se importar.
Mas, então, sendo uma mestiça, uma do povo dele, talvez ela fosse a única que se importaria.
Cynna se importava. Sua mente mostrou-lhe rapidamente a forma como Cynna o agarrara
e beijara quando ele deu a ela a chance de fugir nos túneis. Em seguida, como ela soubera que ele
estava fora de controle e delicadamente levou para cima, cortou seu cabelo, e o arrastou de volta do
limite de algo que ele estava certo de que não seria capaz de livrar-se sem ela.
— Nick?
Ele olhou para a direita, onde Casey estava sentada ao seu lado no sofá, uma mão
descansando sobre a barriga inchada enquanto ela o olhava com curiosidade. Droga, ele nem sequer
se lembrava de ter sentado. — O que?
— Eu perguntei como você está indo. Depois de tudo pelo que tem passado...
— Estou bem, — ele disse rapidamente, não querendo se aprofundar pelo que passara.
Não com ela. — Sempre estou bem.
Ela franziu a testa como se ela não acreditava nele. — Você não está feliz por estar aqui,
não é?

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Ele se inclinou para frente, apoiou os braços sobre os joelhos, e se esforçou para não fazer
uma careta de novo. Os pelos ao longo das costas se eriçaram. — Vamos apenas dizer que este não
é o meu lugar favorito no mundo.
— Eu sei. Mas estou feliz por você estar aqui, mesmo se você não esteja. Isadora precisa
de você agora.
Ele virou-se para Casey, seus olhos endurecendo quando um sussurro de animosidade,
não, um inferno de muito mais do que um sussurro, chicoteou por ele. — Ela nunca precisou de
mim antes. Não me diga que você está comprando em toda essa bobagem também.
— Não é bobagem. Você não esteve aqui, assim não a viu se deteriorando, mas algo está
definitivamente afetando-a. Olhe para ela. Ela está mais magra agora do que quando eu a conheci.
A cabeça de Nick moveu-se na direção de Isadora antes que pudesse impedir-se, e deu
uma boa olhada na rainha, de pé do outro lado da sala enquanto ela falava calmamente com Callia e
Theron. Sim, ela estava magra, mas a última vez que a vira, ela estava grávida de oito meses. Era
difícil para ele avaliar o que era normal para ela e o que não era, uma vez que ficara tão longe dela
quanto possível no passado. Mas, à medida que a estudava mais de perto, até mesmo ele não
poderia ignorar a palidez em sua pele, a forma em que seus olhos estavam fundos, as maçãs do rosto
mais proeminente do que antes, e a inclinação cansada dos ombros.
Culpa girou em torno dele. E a atração da alma gêmea, aquela que ele nunca fora capaz de
parar, arrancou algo profundo de seu peito.
Seu olhar de chocolate vagou e fixou-se no dele do outro lado da sala, quase como se ela
também o sentisse. E o choque dele foi tão repentino, tão intenso, que enviou um arrepio de
surpresa por Nick que o fez piscar e rapidamente desviar o olhar para longe.
— Ela está lutando contra isso, — disse Casey ao seu lado. — Ela não vai admitir a
ninguém que ela está fraca, especialmente para Demetrius, porque ela não queria machucá-lo, mas
ela está. Pelo menos agora você está aqui, e espero que possamos descobrir o que está acontecendo.
— Eu não vou ficar.
As palavras eram roucas, forçadas, e não soavam como a sua própria voz. Ele limpou a
garganta.
— É claro que você vai ficar. Acabou de chegar aqui.
Nick olhou para trás em direção à porta. Desesperado agora por Cynna para que ele
pudesse desviar seus pensamentos de Isadora e voltar a algo que o mantinha centrado. Onde diabos
ela estava?

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Um rápido olhar sobre o ombro lhe disse que Demetrius ainda o observava com
demasiado cuidado. — Não acho que seja uma boa ideia
Ele começou a se levantar, mas a mão de Casey em seu antebraço o deteve. — Espere,
Nick. — Quando ele se virou em sua direção, ele pegou a preocupação em seus olhos amigáveis. —
Sei que as coisas entre você e Isadora e Demetrius estão... tensas
— Isso pra dizer no mínimo.
Um meio sorriso curvou os lábios, mas desapareceu rapidamente. — Também sei que aqui
é o último lugar em que você quer estar. Mas se você não puder ficar por ela, ou por eles, então
fique por mim.
— Você tem um super-herói por aqui. Não precisa de mim.
— É aí que você está errado. Nosso povo precisa de você. E eu sempre serei um deles.
— Nosso povo? — A confusão marcou suas sobrancelhas.
— Sim. — Ela olhou para ele. — Você não sabe? Depois que você saiu da colônia com
Hades e Zagreus...
As palavras de Casey foram cortadas quando Skyla entrou na sala. Sozinha.
Nick ficou de pé, com os olhos ampliando, procurando no corredor vazio para além
Cynna. — Onde ela está?
— Ela saiu pela janela do banheiro. Boa escaladora, aquela ali.
Puta merda. — Você a deixou ir embora?
— Relaxe, — disse Skyla. — Ela não pode ir muito longe. Já alertei os guardas do castelo.
Não muito longe? Ela claramente subestimara a fêmea. Assim como Nick.
— Ela é Argolean. Se ela sair, poderá piscar. — E ele nunca a encontraria novamente. Ele
se dirigiu para a porta.
— Ela não pode piscar através das muralhas do castelo, ainda que ela esteja no pátio. —
Skyla suspirou. — Além disso, algo me diz que ela voltará.
Nick não esperou por mais. Não ouviu os protestos atrás dele. Virou-se em direção à porta
e rumou para as escadas.
— O que foi que você descobriu? — A voz de Orpheus derivou para o corredor atrás dele.
— Algo bastante interessante, — respondeu Skyla.
Nick só podia especular que Cynna dissera a Siren, mas agora não dava à mínima. Tinha
que alcançá-la antes que ela fosse embora para sempre.

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Pulou os degraus para chegar ao primeiro nível tão rapidamente quanto possível. Do outro
lado do piso de mármore e da imponente entrada do castelo, Cynna estava abrindo seu caminho por
entre os guardas da porta, em direção ao pátio externo e a parede de castelo mais adiante.
Nick não gritou para ela, não queria lhe dar qualquer razão para correr. Ele empurrou as
pernas para frente, movendo-se com discrição em todo o grande selo Alpha estampado no chão.
Ambos os guardas olharam-no especulativos enquanto ele se aproximava, mas ele visitou o castelo
com bastante frequência no passado, de forma que não lhe deram atenção extra. Ele desceu
correndo os degraus da frente e encontrou-se com Cynna a metros do portão fechado da frente,
agarrou-a pelo braço e puxou-a para encará-lo.
— Espere, — disse ele. — Para onde acha que está indo?
Seus olhos se arregalaram de surpresa, mas rapidamente endureceram. — Estou indo
embora
— Não, você não está.
Fúria brilhou em seu olhar chocolate. — Você não tem que decidir isso. Você não tem
escolha. Eu estava disposta a ajudá-lo de qualquer maneira que eu pudesse, porque eu sei que você
merece depois de todas as coisas de merda que fiz para você. Mas não isso. Não posso. — Ela
puxou de volta contra seu aperto. — Eu não vou.
Ele a vira irritada quando aqueles sátiros vieram por ela. Mas isso era diferente. Isso não
era apenas raiva, era pânico, medo e dor todos colidindo juntos.
— Olha, — ele disse calmamente, esperando que isso os acalmasse. — Sei que você não
quer estar em Argolea.
— Acha que isso é sobre Argolea? — Ela puxou seu braço de seu aperto. — Isto não é
sobre Argolea. É sobre ela.
— Ela quem?
— Ela. — Ela ergueu a mão em direção ao castelo. — Sua alma gêmea.
Um duro nó formado no peito de Nick, e sua memória pulou para trás para os últimos
minutos. Ela, obviamente, viu sua reação a Isadora. Não fora capaz de mascará-lo, mesmo que
tivesse tentado. Não é à toa que ela estava chateada. Especialmente depois que as coisas que fizera
com ela nos túneis da colônia. Especialmente considerando as coisas que ele queria fazer com ela
tudo de novo.
Nick deu um passo em direção a ela. — Não é o que está pensando. Isadora e eu...
— Oh, pelo amor de Deus. — Cynna recuou para que ele pudesse tocá-la. — Não me
importo que você tenha uma alma gêmea. Não me importo que você tenha dez. O que me interessa

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é o fato de que é ela. De todas as pessoas em todo o mundo, a sua alma gêmea acaba por ser a única
pessoa que eu odeio mais do que qualquer outra. Eu deveria ter esperado por isso. Deveria ter
sabido, caramba.
Ela deu mais um passo para trás e acenou com as mãos e, enquanto observava seus
movimentos frenéticos, enquanto viu o pânico e a raiva crescentes, um formigamento estranho se
espalhou nas cicatrizes ao longo das costas.
— Não importa o quanto me sinta culpada pelas coisas que Zagreus me obrigou a fazer,
— ela retrucou. — Não vou ter nada a ver com ela. E você não pode me fazer ficar em qualquer
lugar perto este castelo nojento.
Ela se virou para sair de novo, mas Nick a pegou pelo braço, torcendo-a de volta para
enfrentá-lo mais uma vez. — Espere. O que Isadora fez para você?
Sua mandíbula apertou, e aquela expressão morta, uma que não vira nela desde antes que
ela cuidasse de suas feridas no covil do Príncipe das Trevas, rastejou de volta em seu olhar. Um
olhar que era tão brusco, tão sem emoção, que interrompeu cada um dos arrepios anteriores e
enviou um calafrio direto por sua espinha.
— Tudo, — ela disse em uma voz dura, fria. — Ela é a razão pela qual eu estava com
Zagreus. A pessoa por quem eu troquei minha liberdade para vê-la arruinada. Aquela que
assassinou toda minha família.

Capítulo 16
16

A descrença no rosto cheio de cicatrizes de Nick disse a Cynna tudo o que ela precisava
saber.
Ele não acreditava nela. Mas então, por que ele acreditaria? Sua alma gêmea era a porra da
rainha de Argolea. E ele estava tão completamente afetado, que não acreditaria na verdade sobre
ela, mesmo que isso lhe desse um soco no rosto quadrado.
Metal rangeu sobre metal às suas costas. Cynna não precisava olhar para saber que as
portas do castelo estavam se abrindo. Alguém estava entrando. O que significava, uma vez que não
podia piscar através de paredes sólidas, nem mesmo aqui no espaço aberto, que agora ela tinha uma
saída.

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Ela puxou o braço de seu aperto mais uma vez e voltou a meio passo. — Isso está
terminado
— Cynna...
Ela fechou os olhos e imaginou sua casa. Ou o que restava dela. E num piscar de olhos,
estava flutuando, girando, viajando através da distância para o único lugar nesta terra miserável,
onde ela já sentiu que pertencia.
Seus pés conectaram-se com o chão duro, e abriu os olhos apenas para emitir um suspiro
surpreso.
Neve atravancava ambos os lados da estrada de terra. As árvores esguias e desfolhadas
estendiam-se como estátuas decrépitas enquanto as coníferas balançavam na brisa fresca. Para além,
as Montanhas Aegis erguiam-se contra o céu cinza em tons de azul e roxo. Mas o que a surpreendeu
não foi o cenário familiar. Não, foi o muro alto de pedra de dois andares que fora reconstruído, a
enorme porta de madeira sólida, não queimada ou quebrada ou repleta de buracos, e os soldados.
Soldados do castelo de Tiyrns, reconheceu os emblemas, guarneciam a entrada.
Seu pulso disparou, e ela olhou ao redor enquanto se movia à frente, tentando descobrir o
que estava acontecendo.
O guarda a sua direita nivelou seu olhar ao dela e estendeu a lança. — Detenha-se, fêmea.
São necessários documentos para admissão ao povoado de Kyrenia.
— Documentos? Que documentos?
As portas maciças abriram, só uma fresta, e um jovem do sexo masculino, perto da idade
de Cynna, passou por ela, acenou para os guardas, e seguiu. Cynna olhou através da abertura
enquanto os portões lentamente se fechavam. Dezenas de pessoas enchiam as ruas. Havia edifícios,
prédios reais, não ruínas, em ambos os lados da estrada.
Sua pele aqueceu, e ela deu um passo em frente, uma nova espécie de pânico se
espalhando por suas veias. — Quem está aí? O que...?
O guarda colocou a mão em seu ombro, parando-a. — Documentos, fêmea. Sem
documentos, sem admissão.
— Mas essa é a minha casa, — disse ela, empurrando contra ele. — Eu tenho todo o
direito de estar aqui. Eu exijo saber quem está usando a minha...
— Cynna? É você?
A voz da fêmea além das portas fechando retardou a luta de Cynna. Ela conhecia aquela
voz. Conhecia bem.

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Seu coração batia forte, desta vez não de pânico, mas de um calor que se entranhava por
todo seu corpo. — Delia?
— Abra estas portas, de uma vez, — Delia exigiu no outro lado da porta. — Ela é uma de
nós.
Algum tipo de discussão estava acontecendo. Cynna não podia ouvir claramente através
das portas fechadas. Mas segundos depois, o rangido pesada da grande porta de madeira se abrindo
soou mais uma vez, e o rosto de Delia apareceu, branco como a neve, o cabelo pairando pelos
ombros, os olhos azuis penetrantes, as maçãs do rosto salientes em um rosto jovem e lábios finos se
curvaram em um sorriso de boas-vindas. Para a maioria ela parecia estar em seus trinta e poucos
anos, a mesma idade de Cynna, mas ela era muito, muito mais velha. E mais sábia. — Minha
querida Cynna.
A bruxa colocou os braços ao redor Cynna e a puxou para um abraço apertado, e quando o
cheiro familiar de limão a cercou, ela fechou os olhos e os manteve assim, pela primeira vez em
anos... sentindo algo diferente daquela solidão.
— Ela não tem documentos, — o guarda resmungou.
Delia olhou sua direção com uma expressão irritada. — Você e seus documentos inúteis.
Eu vou responder por ela. — Ela olhou para Cynna, seu aborrecimento desvanecendo. — Venha.
Você parece assustada, criança. Venha para fora do frio.
Delia puxou Cynna para o povoado. Um arrepio correu pela espinha de Cynna quando
entrou no pátio, e, pela primeira vez, ela registrou a temperatura. Mas mesmo o clima abrandou
quando as portas gigantescas se fecharam atrás dela, e ela olhou ao redor da movimentada cidade de
Kyrenia.
— Parece bastante diferente, não é? — Disse Delia ao seu lado, com um braço ainda ao
redor dos ombros de Cynna.
— Um pouco. — Cynna engoliu o nó na garganta.
A última vez que esteve neste local, antes que saísse para o reino humano, Cynna olhara
para nada além de ruínas. Pedras quebradas, vigas de madeira carbonizadas, cinzas e poeira e os
restos de uma vida que, por vezes, pensara que fora um sonho. Mas essas não eram ruínas. As lojas
foram reconstruídas. Casas foram restauradas. A fonte no meio do pátio onde ela nadou quando era
criança estava borbulhando. Crianças vestidas com casacos e botas estavam brincando e jogando
bolas de neve, enquanto os machos e fêmeas compravam, conversavam, e iam para o seu negócio.
Cynna olhou de cara a cara, em busca de alguém familiar, não encontrando nada além de
estranhos. — Quem são todas essas pessoas?

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— Refugiados, — respondeu Delia, movendo-se para frente e puxando Cynna junto com
ela. — O clã está os ajudando.
— Refugiados de onde?
— Do reino humano. Eles são Misos. Da colônia mestiça. — Quando a testa de Cynna
caiu, Delia acrescentou, — Meio-Argoleans, meio-humanos.
— Sei o que são mestiços, — disse Cynna, tentando afastar a irritação em sua voz. —
Como chegaram aqui?
— A rainha os trouxe.
— O que? — Cynna parou e enfrentou a velha amiga de sua mãe.
A expressão de Delia ficou triste. — Hades e seu filho atacaram a colônia Misos, e a
rainha e os Argonautas os trouxeram para cá sob sua custódia.
— Aqui? — Cynna olhou ao redor, descrença rodando em seu peito. — Para a nossa casa?
— Não era mais uma casa ultimamente. Esteve fora por muito tempo, não poderia saber.
O povoado esteve vazio e gelado por anos. Originalmente, a rainha estava abrigando os refugiados
no castelo em Tiyrns. Mas havia muitos, e o Conselho... Bem... — Delia suspirou. — O Conselho
deixou claro que não queria que os Misos ficassem vagando ao redor da capital. Ela entrou em
contato comigo para se aconselhar. Sugeri o povoado de Kyrenia. Então, eles foram realocados
aqui.
Só o fato de Delia, de todas as pessoas, permitisse que a rainha utilizasse sua casa como
uma prisão deflagrou o fogo da ira de Cynna de volta à vida.
— Banidos, você quer dizer, — Cynna disse entre dentes. Sim, isso fazia sentido. É claro
que a rainha trancaria qualquer um que fosse diferente, de modo que não infectassem sua sociedade
Argolean perfeita. Mas Cynna não tinha ideia de por que ela sequer se preocupou em trazer os
Misos do reino humano para cá em primeiro lugar.
— Não banidos, — disse Delia, sua voz afiada arrastando o olhar de Cynna. — Salvos.
Você não viu os guardas nos portões? Aqueles eram guardas do castelo, tirados da guarda pessoal
da monarquia.
— Sim, eu os vi. Escolhidos, obviamente, para manter os Misos presos.
— Não, Cynna. Para afastar o Conselho e os seus espiões. — Os olhos de Delia se
estreitaram. — O seu coração foi tão endurecido que você não pode ver o que está bem à sua frente?
Olhe ao seu redor, criança. Olhe para estas pessoas. Será que parecem como prisioneiros para você?
Cynna olhou por sobre os rostos. Rostos sorridentes, risonhos. E mesmo que não quisesse
acreditar, até ela podia ver que essas pessoas pareciam satisfeitas. Não miseráveis como ela e todos

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os outros que viveram no reino de Zagreus tinha sido. Não amarga e quebrada. Sim, alguns
andavam com muletas, outros tinham cicatrizes feias, do que sabia que foram as batalhas passadas,
mas ninguém parecia nervoso. Ninguém parecia amedrontado. Ninguém ao redor dela parecia com
nada, a não ser calmo e relaxado e, sim, mesmo feliz.
Sua pele ficou fria e úmida. Um formigamento estranho construiu-se em seu peito. Ela
olhou ao redor novamente, apenas para perceber...
Ela voltou para Delia. — Você disse que eles são Misos? De qual colônia?
— Aquela em Montana. Por que?
A colônia de Nick. O olhar de Cynna passeou pelos rostos, mesmo quando sua mente se
turbava com visões de Nick em pé naquele pátio queimado e quebrado, não vendo nada a não ser
morte ao seu redor. Esse era o povo de Nick. Saudável. Completo. Vivo.
Aquele formigamento se transformou em um calor que se deflagrou por todo seu coração,
fazendo-o bater mais rápido. Precisava contar a ele. Ele achava que todos estavam mortos. Mas
assim que o pensamento a atingiu, a realidade golpeou-a de volta.
Ele não precisava dela para lhe dizer qualquer coisa. A rainha, sem dúvida, o atualizaria
de tudo o que precisasse saber. Agora que ele estava com sua alma gêmea, não havia uma única
coisa que ele precisasse de Cynna.
Aquele calor morreu, deixando para trás as cinzas geladas e estéreis, muito parecido com
o que ela encarara na enorme lareira de Zagreus. Só que então, fora inteligente o suficiente para
proteger seu coração. Em algum ponto, desde então, deixou cair à guarda, e agora não estava apenas
lutando com emoções que não queria sentir. Agora sabia o que significava estar verdadeiramente
sozinha. Engoliu em seco, só que a dor no peito não foi embora. E caramba, não precisava disso
agora. Não quando não tinha ideia do que diabos faria a seguir.
— Cynna?
A voz de Delia flutuava no ar fresco, e Cynna olhou em sua direção, apenas para perceber
que ela ainda estava de pé no meio do pátio fazendo-se de boba. Dando um chacoalhão mental em
sua cabeça, disse a si mesma para sair dessa. — Eu-eu preciso de um lugar para ficar.
A expressão de Delia se suavizou. —Você é sempre bem-vinda com a gente criança. O clã
tem uma casa aqui em Kyrenia usamos sempre que um de nós está visitando. Considere-a sua. Pode
me chamar de egoísta, mas estou esperando que você decida ficar permanentemente.
Cynna não estava pronta para se comprometer com nada ainda, mas um lugar onde
ninguém pudesse encontrá-la soou quase perfeito no momento. — Obrigada. Eu agradeço. Eu...
— Cynna.

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Elisabeth Naughton
Guardiões Eternos - 7

Ao som da voz de Nick Cynna girou ao redor, e seus olhos se arregalaram ao vê-lo
caminhando rapidamente em sua direção através do pátio. Como em Hades ele a encontrara? Como
passara pelos portões? Não ouvira as malditas coisas serem abertas. E por que diabos ele estava
aqui a atormentando?
Ela se voltou rapidamente para Delia e envolveu sua mão ao redor do pulso da bruxa. —
Me leve daqui. Agora.
— Mas...
— Agora. — Quando o olhar de Delia estalou em Nick, Cynna intensificou seu aperto. —
Não quero falar com ele.
Indecisão atravessou o rosto de Delia. Atrás Cynna, alguém disse: — Nick? Oh meus
deuses, é....?
— Olha todo mundo, é Nick!
Vozes flutuavam. Passos soaram. Pelo canto do olho, Cynna viu um grupo de repente
pulular em torno de Nick, desacelerando seu ritmo. Mas seu olhar ainda estava trancado nela, e
embora Cynna não soubesse o que diabos ele queria dela, não se importava. Não queria ouvir mais
nada sobre sua alma gêmea ou falar sobre o que aconteceu com sua família ou refazer o que estava
obviamente terminado entre eles. Ela só queria um momento de paz.
—Por favor, — ela implorou para Delia.
Os olhos de Delia escureceram. Em seguida, ela balançou a cabeça uma vez. — Sim.
Energia zumbiu ao redor de Cynna enquanto elas piscavam, e sentiu-se voando. Quando
abriu os olhos, estava de pé na varanda de uma casa de dois andares que parecia que acabara de ser
construída.
— Venha para dentro. — Delia soltou o braço de Cynna e empurrou a porta da frente
abrindo-a. — Está frio aqui fora.
A porta de entrada dava para a combinação de sala de estar e jantar. As escadas levavam
ao segundo andar, à direita, e um corredor conduzia para a parte traseira da casa. A sala à sua
esquerda estava escassamente mobilada com um sofá, duas cadeiras laterais, uma lareira e uma
velha mesa de jantar de madeira em que parecia caber seis pessoas sentadas. Não havia fotos
penduradas nas paredes, nenhuma obra de arte, nada que indicasse que alguém vivia aqui
permanentemente.
O que ia bem com Cynna. Não precisava de memórias de alguém agora, incluindo as
próprias.

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Transtornado
Elisabeth Naughton
Guardiões Eternos - 7

— Está vazia? — Ela se moveu para a sala de estar e correu a mão ao longo das costas do
suave sofá marrom. Foi tomada pela exaustão, e percebeu o quanto estava cansada depois de tudo o
que tinha acontecido.
— Sim. — Delia seguiu pelo corredor que dava para a cozinha, copa, e outra sala de estar.
— Eu estava aqui embrulhando algumas coisas e planejando voltar para o clã esta noite. Mas se
você está aqui, eu poderia ficar. Está com fome criança?
O estômago de Cynna rosnou ante a mera menção de comida, e tentou se lembrar da
última vez que tivera uma refeição. Não comera naquela noite que jantara com Zagreus e Likos.
Não comera nada, enquanto esteve correndo na selva com Nick, porque tinha se machucado. Sequer
olhara para a comida na colônia. E então vieram para Argolea e encontrou a alma gêmea de Nick
e... Aquela pressão voltou ao seu peito novamente, e ela se forçou a respirar em meio à dor. Não
pensaria em Nick e na rainha. Não pensaria em nada.
Seu estômago roncou de novo, e ela tirou a jaqueta e a colocou sobre uma cadeira, em
seguida, empurrou as pernas à frente para seguir Delia. — Sim. Eu estou. Eu...
— Cynna.
Choque a percorreu mais uma vez, e ela se virou ao som da voz familiar. Nick estava no
meio da sala, olhando para ela com aqueles olhos âmbar, duros e determinados.
A fome foi levada para longe por uma onda de desgosto que não tinha lugar dentro dela e
foi seguida por uma rápida explosão de raiva. — Maldição!
— Não terminamos fêmea.
— Oh, estamos muito mais do que terminados. — Ele obviamente usou seus novos
poderes não só para rastreá-la e piscar através de paredes sólidas, mas para seriamente irritá-la. Ela
apontou para a porta às suas costas. — Basta voltar para a sua alma gêmea e me deixe em paz.
— Cynna? — Delia chamou. — Pelo amor dos deuses, com quem está gritando? Posso
ouvi-la a...
Delia parou abruptamente no corredor, seu olhar descansando em Nick. Cynna não tinha
ideia se a bruxa poderia dizer quem, ou o que, ele realmente era, mas seu palpite era que sim. Como
uma das mais velhas no clã, Delia tinha a capacidade de ver mais do que outras.
Um pouco da raiva de Cynna diminuiu. De jeito nenhum Delia permitiria que o filho de
Krónos em qualquer lugar em sua casa. Ela tinha poderes. Fortes. Mais fortes do que os de Nick
nesse momento. Ela poderia expulsá-lo do povoado e lançar um feitiço para mantê-lo afastado.
Cynna cruzou os braços sobre o peito, sentindo-se orgulhosa e, caramba, estranhamente
deprimida. O que era uma coisa estúpida para se sentir por um homem a quem torturara, abusara, e

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que não tinha motivos para querer estar perto dela. Por que diabos ela se importaria? Sua alma
gêmea estava...
— Lembrei-me de repente uma reunião da qual devo participar, — Delia anunciou. Ela se
virou para Cynna e a puxou para um abraço rápido. No ouvido de Cynna, sussurrou: — Você
precisa lidar com isso criança.
A boca de Cynna caiu. Não. Tinha que ter ouvido errado. Delia não estava simplesmente
deixando-a sozinha com isso. — Mas...
— Eu a encontrarei mais tarde. — A bruxa soltou, e num piscar de olhos ela se foi, seus
poderes fortes o suficiente para ela a piscar através de paredes, assim como Nick.
— Cynna. — Nick lhe lançou um olhar duro. — Nós precisamos conversar.
Toda aquela raiva, humilhação e traição que Cynna sentiu no castelo quando encarou
Isadora voltou furiosa. Tinha que sair. Tinha que ir embora antes que dissesse ou fizesse algo do
qual se arrependeria. Moveu-se em torno de Nick e marchou para a porta. — O inferno que temos.
O cadeado sacudiu e trancou assim como sua mão se fechou ao redor da maçaneta da
porta. Assustada, ela olhou para baixo, tentou destrancá-lo, mas o mecanismo não se mexia. Sua
raiva se acendeu, ela se virou para a janela. As persianas estalaram fechadas com um clack
ensurdecedor, escurecendo o ambiente.
Ela virou-se para Nick, aquela ira incendiando ao ponto da fúria. — Pare de usar seus
malditos poderes divinos e me deixe sair.
— Não até você me diga o que Isadora fez a sua família.
Sua calma, e até mesmo tom de voz eram tão irritantes, era tudo o que poderia suportar. —
Quer saber o que ela fez? — Ela retrucou. — Nada. Ela não fez nada.
— Então por quê...
— Ela sabia que seu pai aprovou o ataque do Conselho sobre este povoado. Ela sentou-se
enquanto centenas, não, milhares de pessoas, foram abatidas porque serem diferentes. Não eram só
as bruxas que viviam aqui. Havia todas as raças, todos os tipos de pessoas de todas as terras que se
reuniram aqui para evitar a perseguição do Conselho. E ela assistiu enquanto os soldados do
Conselho não só assassinaram e violaram, mas arrasaram esta cidade até o chão. Pode ser diferente
agora. Pode ter sido reconstruída, mas eu me lembro. Lembro-me de meus pais mortos na rua.
Lembro-me dos fogos e dos gritos. Lembro-me de Delia me agarrando e me obrigando a correr.
Lembro-me de tudo o que a sua alma gêmea não fez para impedir o massacre.
Suas feições suavizaram, e ele deu um passo em sua direção. — Cynna...
Ela deu um tapa na mão dele antes que ele pudesse tocá-la e recuou. — Não, não.

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Sua pele estava vibrando, suas emoções cruas e desprotegidas. E agora que falou, não
conseguia tirar as imagens da cabeça. Imagens que eram mil vezes piores do que aquelas que viram
na colônia, porque eram de seu povo. Sua família. E embora ela ferisse, ela saboreava a dor porque
esta alimentou a raiva dentro dela. A raiva que a manteve focada e a lembrava... que a vingança era
a única coisa que importava.
— Cynna. — Sua voz era calma, muito calma, enquanto ele se movia mais um passo. —
Você não sabe o que foi para ela. O poder que seu pai tinha sobre ela. Ela não poderia tê-lo
impedido se quisesse.
— Oh, que besteira. — Cynna recuou um passo. — Ela poderia tê-lo impedido. Ela
poderia ter-se adiantado. Ela escolheu sentar-se e não fazer nada enquanto as pessoas sofriam.
Do mesmo jeito que você sentou e observou Nick sofrer?
Uma onda de calor tomou conta dela, fazendo sua pele formigar. Isso era diferente, disse a
si mesma. O que fizera, fizera por uma razão. Como indenização. Para dar o troco. Para...
Para o seu próprio ganho pessoal. Exatamente como ela.
Seu estômago embrulhou, e o ar pareceu entupir em seus pulmões. Ela não era como
Isadora. Ela não podia ser. Ela...
— Foi um erro, — Nick sussurrou, seu hálito quente soprando em seu rosto, fazendo-a
piscar várias vezes. De alguma forma, ela se apoiou contra a parede, e ele agora estava a apenas
alguns centímetros de distância, uma mão apoiada perto de sua cabeça, os dedos da outra mão
correndo suavemente pelo seu rosto para fazê-la tremer. — O que o rei e o Conselho fizeram ao seu
povo foi errado. Mas não foi ela. Ela não estava no poder, naquela época. Ela era acanhada, tímida,
não como ela é agora. Ninguém jamais a teria ouvido. Se ela soubesse o que estava acontecendo
aqui, ela não teria sido capaz de pará-lo.
Uma bola quente se formou na garganta de Cynna, que tornou difícil de engolir. Ela olhou
para ele. — Ela é sua alma gêmea. É claro que ficará do lado dela.
Por que ele estava tão perto? Por que a estava tocando? Por que diabos sequer estava aqui
quando sua alma gêmea estava lá no castelo, apenas esperando por ele?
Ela empurrou de lado o ciúme e afastou a mão. — Volte para ela e me deixe em paz. Não
sou o que você quer, e nós dois sabemos disso.
Ela torceu para ficar longe dele, mas ele a pegou pela cintura e empurrou-a contra a
parede. — É aí que você está errada. Não a quero. Eu preciso de você.
Cynna acalmou e sabia que ele tinha que estar mentindo, porque... ninguém precisava
dela. Ninguém nunca precisou.

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Guardiões Eternos - 7

— Você é um mentiroso fodido.


— Isso não é mentira. — Seu braço apertou ao redor de sua cintura, e seu corpo
totalmente pressionado no dela, seu peito roçando seus seios, sua coxa empurrando entre as dela,
sua ereção, oh deuses, sua celestial, ereção, aninhando-se contra seu quadril. — Você me mantem
centrado. Você o fez desde o início. Como acha que eu passei por cada coisa doente que Zagreus
me submeteu? Porque você estava lá. Porque não importava o que estivesse acontecendo comigo,
eu poderia olhar para você e pensar em você, e não me concentrar na dor. Se não fosse por você, eu
teria enlouquecido há muito tempo. Zagreus me controlaria, Krónos estaria livre, os deuses estariam
em guerra, e o mundo humano seria consumido pelo apocalipse. Você impediu que tudo isso
acontecesse. Você me dá a força para lutar contra isso.
O coração de Cynna bateu forte, e sua pele se arrepiou com um calor que não podia
segurar. Ela apoiou as mãos em seus ombros e tentou afastá-lo, mas ele era uma força imóvel, e ele
não a deixaria ir. — Você está mentindo.
— Por que mentiria? O que eu ganharia mentindo sobre isso? Preciso de você, Cynna, não
dela. Preciso de você por um longo tempo.
Seus dedos se enroscaram no tecido da sua camisa, e sua respiração veio rápida e
superficial. Mas já não tinha certeza se estava tentando afastá-lo ou puxá-lo para mais perto. E o seu
dom, a capacidade que ela sempre tinha de distinguir entre verdade e mentira, estava gritando que
ela estava errada. Ele acreditava no que estava dizendo. Acreditava naquilo como em nada mais.
Ela tentou ficar desgostosa. Sabia que era a reação lógica. Mas não ficou. Ficou intrigada.
E, caramba, incrivelmente excitada. — Isso é ... doente
— Não para mim. Para mim, é a única coisa que parece certa. Você é a única coisa que
parece certa.
Sua boca estava tão perto, seu hálito quente e mentolado, e em todos os lugares que ele a
tocava, mesmo através do tecido que formava uma barreira entre eles, sua pele se arrepiou.
Precisava ficar longe dele. Não conseguia pensar quando ele estava perto assim. Mas o pensamento
de deixá-lo voltou para ela...
Seus dedos se apertaram ainda mais em sua camisa, e ela o arrastou uma polegada mais
perto. A eletricidade se arqueou entre eles, como um fogo de artifício prestes a explodir. — Não
preciso de você. Nem mesmo te quero.
— Agora nós dois sabemos quem está mentindo, — ele sussurrou.
Sua cabeça baixou sobre a dela. Ela tomou ar e ergueu-se para encontrá-lo. Seus lábios se
separaram ao primeiro toque, e ela lambeu em sua boca, seus lábios enrolados em um beijo ardente

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Guardiões Eternos - 7

que disparou através de cada célula. Ele a empurrou mais duro contra a parede enquanto devorava
sua boca, enquanto ela devorava de volta. Sua ereção fincada em sua barriga. O desejo vibrava em
suas veias. Envolvendo a perna ao redor de seu quadril, desesperada para sentir a fricção do pênis
esfregando contra seu montículo, ela agarrou sua camisa, precisando de pele. Precisando de calor.
Precisando dele.
— Cynna...
— Não fale. — Ela mordeu o lábio inferior com força suficiente para fazê-lo estremecer.
Ele puxou sua cabeça para trás. Ela apoiou as mãos contra o peito e empurrou com força. — Não
diga uma palavra.
Ele cambaleou para trás um passo e olhou para ela, com o rosto corado de excitação, os
olhos tão escuros como ela nunca vira. E em algum lugar no fundo de seu cérebro, uma voz gritou
que ela precisava ir embora, precisava fugir se ela tinha alguma esperança de salvar a si mesma. Ele
poderia acreditar nas coisas que dissera, poderia querê-la agora por causa do que acontecera entre
eles, mas, eventualmente, essa ligação de alma gêmea venceria, e Cynna acabaria sozinha e com o
coração partido.
Mas não deu ouvidos. Não podia. Porque cada grama de raiva, desejo, frustração e mágoa
estavam rodando dentro dela, fazendo-a enfurecer-se, fazendo seu corpo tremer, fazendo-a querer
provar a ele e talvez a si mesma, que era mais real do que sua alma gêmea jamais poderia ser.
Ela jogou os braços ao redor de seu pescoço e beijou-o com força. O peso do seu corpo
bateu na parte de trás do sofá, mas ele não perdeu o ritmo. Seus braços em volta de sua cintura,
arrastando-a num aperto, e sua boca aberta sobre a dela. E então ele a estava beijando como se não
pudesse ter o suficiente, saboreando-a com mais força, mais profundamente, tornando-a mais
molhada a cada toque, fazendo-a esquecer tudo, menos dele.
Suas mãos moveram-se rapidamente até a bainha de sua camisa, e ele quebrou o beijo
longo o suficiente para puxá-la por cima de sua cabeça. Ela encontrou sua boca de novo quando ela
caiu no chão, em seguida, respirou fundo quando sua língua acariciou a dela e seus dedos liberaram
o fecho do sutiã. Ele passou a camisa por seus braços, em seguida, colocou a mão quente e grande
sobre seu peito esquerdo e apertou.
Ela gemeu quando o golpe eletricidade atingiu seu mamilo, em seguida, correu para seu
núcleo. Isso era errado, querê-lo assim depois de tudo o que fez, mas não conseguia parar o desejo.
Não era possível estancar a fome. Simplesmente necessitava disso, aqui e agora.
Suas próprias mãos deslizaram para baixo seu torso e encontraram a bainha de sua camisa.
Ela se afastou para que pudesse arrancar a roupa do corpo. Soltando o algodão macio no chão, ela

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Guardiões Eternos - 7

deixou o olhar deslizar sobre ele. Sobre os amplos músculos flexionando sobre a pele áspera. Sobre
a penugem loira cobrindo seus peitorais. Sobre as cicatrizes de todas as formas e tamanhos que
provaram que ele era mais do que Zagreus ou Hades pensavam. Ele não era apenas um vaso de
poder inexplorado. Ele era um guerreiro. Um que ela quis desde o primeiro momento que lhe pusera
os olhos.
Memórias a bombardearam. Do dia em que Zagreus o havia empurrado para dentro da
câmara de tortura e lhe apresentando Nick como se ele fosse um presente. Assistindo do alto do
nível superior da arena, enquanto ele lutava com os sátiros de Zagreus, sendo hipnotizada por cada
ondulação de músculo cada vez que ele se movia. Ficar parada e imóvel enquanto a ninfa caía de
joelhos na frente dele em sua cela, arrancava a toalha, e o levava profundamente em sua boca.
Seu sangue pulsava aquecido. Sua boca ficou seca. Seu sexo queimava. Ela odiava aquele
momento com a ninfa, não só porque a mulher o atormentara, mas porque Cynna queria ser a única
a saboreá-lo, a acariciá-lo, fazê-lo gemer.
— Cynna. — A mão de Nick deslizou por seu cabelo, e os dedos flexionaram contra seu
couro cabeludo, puxando seu rosto para trás em direção ao dela. Ela abriu-se ao seu beijo, arrastou a
língua ao longo da dele, e deslizou as mãos pelo seu torso até que encontrou o fecho em seu jeans.
Ele gemeu em sua boca, usou a outra mão para posicionar o queixo mais para cima para
que ele pudesse prová-la mais profundamente. Ela moveu o fecho abriu as calças, deslizou o zíper
para baixo, enquanto ele a beijava, em seguida, empurrou o cós sobre os quadris.
Seu pênis saltou livre, e ela colocou a mão em torno do eixo espesso. Ele estava duro
como aço sob seus dedos, quente na palma da mão e, enquanto ele continuava a devorar sua boca,
ela o acariciava, da base à ponta, apertou a cabeça até que ele gemeu, em seguida, arrastou a
umidade da ponta para baixo em seu comprimento, para que pudesse acariciá-lo novamente.
Ele soltou seu queixo, arrastou a mão ao seu seio e apertou o mamilo. E quando a
eletricidade arqueou direto para seu sexo com a mistura de prazer e dor, ela se aproximou,
acariciou-o mais rápido, ergueu o peito para que ele pudesse fazê-lo novamente. Seus dentes
mordiscaram o lábio inferior, em seguida, seu queixo enquanto os dedos rolavam seu mamilo, e, em
seguida, seus lábios estavam quentes, pressionando beijos perversos junto à pele macia atrás de sua
orelha, seu hálito quente fazendo cada centímetro de seu corpo estremecer.
— Deuses, — ele sussurrou. — Sua mão é tão boa. Muito melhor do que antes.
Antes...
Ela sabia o que ele estava se lembrando. Quando esteve acorrentado em sua cela e ela lhe
deu prazer com a mão. Exceto que então, como agora, o que ela realmente queria fazer naquela

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noite era prová-lo. Ficar em de joelhos, como aquela ninfa. Sentir seu cumprimento pulsando contra
a língua. Tomá-lo tão profundamente que ele nunca mais quereria ninguém além dela.
Ela pode não ter tido a coragem de fazê-lo naquele momento, mas agora não havia nada a
segurando. Deixando-se levar, apoiou as mãos em sua barriga, então deslizou de joelhos. Ele
respirou fundo. Seu pênis se destacava forte e orgulhoso à sua frente. Envolvendo os dedos em
torno de seu comprimento de aço, mais uma vez, ela o tomou entre os lábios e olhou para cima em
seu rosto.
Desejo escurecia seus olhos, corava suas bochechas, fazia com que uma veia em sua
têmpora se destacasse contra a pele pálida. Mantendo os olhos fixos nos dele, ela inclinou-se mais
perto, abriu a boca, e traçou a ponta da língua ao redor da cabeça de seu pênis.
Um gemido retumbou em seu peito. Suas mãos deslizaram em seu cabelo, seus dedos
flexionando contra seu couro cabeludo. Ela o fez novamente, passando a língua ao longo da veia na
parte de baixo, então, finalmente, cerrou os lábios em torno de seu comprimento e o chupou.
— Puta merda...
Ele era tão grosso, que ela teve que abrir a boca amplamente para levá-lo profundamente.
Sacudindo sua língua contra ele, ela o levou para a parte de trás da boca. Ele gemeu e flexionou, as
mãos apertando seu cabelo. Envolvendo as mãos ao seu redor para equilibrar-se, ela apertou sua
bunda, recuou a boca, e em seguida, levou-o ainda mais fundo.
Seu pênis atingiu o fundo de sua garganta, inchado e pulsando. Ela chupou duro, soltou-o,
e o fez novamente. Ele baixou a cabeça para trás. Toda vez que ela o atraía, ele flexionava e
empurrava para frente até que seus olhos lacrimejavam.
— É tão bom, — ele gemeu, empurrando em sua boca. Seus dedos apertados em seu
cabelo. — Engole.
Querendo dar-lhe um prazer que sua alma gêmea nunca poderia, ela abriu a garganta e
tomou tudo dele, lutando contra o reflexo de vômito e respirando pelo nariz para que ele pudesse
deslizar mais uma polegada.
— Oh merda, sim. Não pare.
Ele estava no limite. Ela podia sentir a energia sexual irradiando dele, podia sentir que ele
estava prestes a gozar. Ela cravou as unhas em sua bunda e engolido de novo e de novo,
ordenhando-o com os músculos da garganta, necessitando levá-lo. Seu pau inchou em sua boca,
crescendo ainda mais. Ele empurrou mais duro. Ela segurou firme quando o clímax o atingiu, e ele
explodiu em sua boca, gemendo longo e profundo a cada pulso de abalar a alma.

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Guardiões Eternos - 7

Ela engoliu a sua liberação, prolongando seu prazer. Lentamente, ela recuou e rodou sua
língua ao redor da cabeça de seu pênis. Ele se contorceu com o simples toque e caiu contra o
encosto do sofá. E quando ela sentiu os músculos relaxarem, um sorriso brincava em seus lábios.
Fizera aquilo com ele. O deixara cego de prazer. Sua alma gêmea poderia ter um domínio
interminável sobre ele, mas a fêmea nunca seria capaz de fazê-lo enfraquecer da maneira que Cynna
fazia. Porque ela não fora treinada nas artes escuras do erotismo pelo capitão do sexo e depravação
da maneira que Cynna fora.
Pensamentos de Zagreus rolaram pela mente de Cynna, trazendo um aperto em seu
estômago e escurecendo seu desejo. E à medida que isso acontecia, ela se lembrava das coisas que o
Príncipe das Trevas a obrigara a fazer. Das horas que passara silenciosa e quieta, supervisionando a
tortura de Nick em seus túneis. Do jeito que deixara aqueles sátiros machucarem-no e no tempo em
que ficara observando enquanto as ninfas o torturaram sexualmente.
Sua pele aqueceu novamente, mas desta vez não de excitação. Desta vez, por desgosto.
Ela não tinha nenhum lugar aqui. Nick não deveria querer estar em qualquer lugar perto dela. Ela o
criticou sobre o quanto sua alma gêmea fora terrível, quando na verdade... ela era o monstro, não
Isadora. As coisas que fizera eram mil vezes piores do que as que Isadora tinha ou não feito,
porque, ao contrário da rainha, Cynna era forte o suficiente para impedi-los e escolheu não fazê-lo.
Levantou-se rapidamente, passou a mão trêmula sobre o rosto, e recuou três passos. O
quarto oscilou em torno dela. As paredes ficaram embaçada. Olhando em volta, ela procurou sua
camisa.
— Cynna
Ela engoliu em seco. Não conseguia olhar para Nick novamente. Precisava de ar.
Precisava sair. Encontrando sua camisa no chão, lançou-se para ela. — Eu... Eu tenho que ir.
Seus dedos roçaram o algodão macio, mas antes que pudesse fechar a mão em torno da
peça, ela desapareceu.
Com os olhos arregalados, ela olhou para cima. Nick tinha puxado suas calças para cima,
mas elas ainda estavam desabotoadas, seus abdominais cinzelados e ombros fortes flexionando sob
a luz fraca enquanto ele avançava sobre ela. E o olhar intenso em seus olhos âmbar gritava que ele
não estava disposto a deixá-la ir.
Seu coração dobrou-se ao meio. Não por causa de sua força ou o que ainda estivesse
desarmado dentro dele, mas porque soube então, que se apaixonara por ele. E se ela não fugisse
agora, ele a machucaria mais do que Zagreus já machucara.

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Guardiões Eternos - 7

Ela recuou até que bateu na parede e enterrou os dedos no gesso. — M-me deixe ir. Só...
me deixe ir.
Ele aproximou à sua frente. Perigo. Sexo. Calor. Luxúria. Tudo o que ela queria, mas
sabia que não podia ter.
— Não vai acontecer. — Ele colocou o braço ao redor de sua cintura, puxando-a com
força para o calor de seu corpo até que ela suspirou, em seguida, aproximou sua boca a um sopro da
dela. — Porque ainda não tive o suficiente de você. E porque, no fundo, você sabe que não teve o
suficiente também.

Capítulo 17
17

As mãos de Cynna aterrissaram no peito nu de Nick, espalhando eletricidade por toda a


pele. Mas os seus olhos escuros estavam sombreados, duvidosos, e o medo que cintilara neles
quando ele olhou para ela seus momentos antes ainda estava lá, furioso tão forte quanto sempre.
Ele vira dentro de sua mente naquele momento, não tinha certeza de como, mas sabia que
ela tivera um lampejo de Zagreus. Das coisas que deixara que o deus fizesse a ela. Das coisas que
ela fizera com ele. Das inúmeras vezes que ela ficou para trás, enquanto seus asseclas torturavam
Nick, física e sexualmente. E esses momentos estavam todos rodando em sua cabeça agora,
atormentando-a, fazendo-a querer fugir, fazendo-a pensar que ele não poderia querê-la.
Mas ele a queria. Seu pau inchou, provando que a queria agora mais do que nunca. Sim,
ele devia estar doente. E sim, as coisas que estava vendo deviam desestimulá-lo. Mas não o fizeram.
Porque ainda que uma parte dele quisesse esmurrar a cara do deus pelas coisas que a fez passar,
outra parte adorava o fato de que ela se excitava com as mesmas coisas escuras e retorcidas que
Nick sempre desejou.
A energia sombria dentro dele cantarolava com aprovação. Ele abaixou sua boca em
direção à dela, tomou seus lábios em um beijo agressivo. Ela engasgou, mas abriu a boca ao
primeiro toque e deslizou sua língua ao longo da dele. Empurrando a ereção em sua barriga, ele
fechou a mão em torno de seu seio e apertou até que ela gemeu.
Ele soltou sua boca, abaixou a cabeça e puxou o peito aos lábios. Seu corpo tremia. Ela
passava os dedos em seu cabelo. Não falou, mas não tentou afastá-lo também, e ele ficou ainda mais

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duro quando ela apertou o seio como se o estivesse oferecendo, quando ele passou a língua sobre o
mamilo, quando tragou o ar e o segurou enquanto ele raspava os dentes sobre a ponta de uma
maneira que sabia que tinha doer, mas que a fazia gemer no fundo de sua garganta.
Precisava fazê-la esquecer de Zagreus e se concentrar nele. Levantando a cabeça, colou os
lábios nos dela e a beijou com força novamente. Ela respondeu lambendo em sua boca e segurando
a nuca até a dor disparar na espinha. Envolvendo seus braços ao redor dela, levantou-a do chão,
cruzou para a mesa, chutou a cadeira para fora do caminho, e colocou-a sobre a madeira maciça.
Imaginou-a nua, como estivera nos túneis, enquanto ele se inclinava e atormentava seus
mamilos com a língua mais uma vez. E segundos depois, o resto de suas roupas desapareceu, como
se tivesse desejado tirá-las.
Os olhos de Cynna se abriram. Ela empurrou contra seus ombros e olhou para o seu corpo
nu com surpresa, então olhou para ele. — Como fez isso?
Um sorriso perverso lento puxou seus lábios. — Não sei. Mas eu gosto.
O choque lentamente deu lugar a uma luxúria aquecida, vibrante que escureceu os olhos.
Ele capturou sua boca mais uma vez. Seus dedos deslizaram ao longo de sua nuca, puxando sua
cabeça com mais firmeza para a dela, e enquanto seus lábios se abriam para ele, também suas
pernas, abrindo espaço para ele entre suas coxas, deixando-o tonto pela necessidade furiosa
pulsando dela em ondas quentes.
Sim, ela queria fugir, mas até ela não podia mais negar essa conexão entre eles. E ele não
estava disposto a deixar ir a única coisa em sua vida que parecia certa.
Seu pênis pulsava dentro de sua calça jeans, e a necessidade de tomá-la, fodê-la duro e
rápido cresceu tão forte, que mexeu com sua determinação. Mas ele queria que ela soubesse que as
coisas que fizera em seu passado não o incomodavam. Precisava que ela acreditasse que o excitava.
Cada parte.
Ele se afastou de sua boca, se afastou de seu corpo, e agarrou seus quadris, girando-a
facilmente em seu estômago. Ela resmungou quando suas mãos e barriga bateram na mesa, em
seguida gemeu quando ele chutou as pernas dela abrindo-as e apertou-se contra sua bunda.
Ele revirou os quadris contra ela, deixando-a sentir o quanto estava duro. O quanto ela o
deixava duro. Ela gemeu e deixou a testa cair contra a mesa. Apoiando a mão na madeira maciça,
ele passou o braço ao redor da cintura dela, puxando-a para trás e para cima contra o peito, em
seguida, respirou quente contra seu pescoço e mordiscou o lóbulo da orelha até que ela tremeu.
— Nós somos iguais, eu e você, — ele sussurrou em seu ouvido. — Nós temos os mesmos
desejos escuros. As mesmas necessidades depravadas. Eu sei por que você estava com Zagreus.

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Não era só porque queria vingança, mas porque o perigo a excita. Do mesmo jeito que me excita.
Toda vez que te via na prisão, eu ficava duro. Mesmo quando eu sabia que haveria dor. — Ele
esfregou contra sua bunda novamente. — Ficava duro como agora.
Suas pálpebras caíram. — Não me diga isso.
— Por que não? — Ele a tirou da mesa, aproximou-se, e beliscou seu mamilo. Ela
empurrou, então gemeu e deixou cair à cabeça para trás contra o seu pescoço, empurrando seu peito
para fora mais uma vez, induzindo-o a fazê-lo novamente. — Porque isso te assusta? Ou porque te
excita? Diga-me, Cynna. Naquela noite, você veio à minha cela e me acariciou com a mão. Quando
sabia que alguém podia estar assistindo e que eu poderia retaliar. Diga-me... você ficou molhada?
Ela engoliu em seco e ficou tensa em seus braços.
— Aposto que estava, — ele sussurrou, arrastando a mão de seu seio por cima do braço
segurando-a firme contra ele, em seguida, mais abaixo em sua barriga. — Aposto que estava tão
molhada naquele momento, quanto está agora.
Seus dedos deslizaram para a palha de cachos no ápice de suas coxas, em seguida, mais
baixo, entre sua carne inchada. E no segundo que sentiu o mel liso revestindo os dedos, ele gemeu e
apertou seu pênis contra sua bunda mais uma vez. — Foda, fêmea. Você está pingando.
Ele arrastou os dedos mais abaixo, através da abertura de sua vagina, em seguida para
cima, circulando seu clitóris. Ela gemeu, agarrou seu antebraço, e tremeu contra ele.
Ele esfregou seu clitóris novamente. — Você gosta áspero e sujo, não é, Cynna? — Seus
dedos deslizaram mais baixo, e ele pressionou um dedo grosso profundamente dentro dela. — Do
mesmo jeito que eu. Diga.
— Nick... — Ela flexionou os quadris, forçando-o mais profundo.
Ele bombeou dentro de seu corpo e esfregou o polegar sobre o clitóris novamente e
novamente. — Diga, e eu lhe darei exatamente o que precisa. Sem mais provocações.
Ela gemeu, virou o rosto em seu pescoço. A respiração quente tomou conta de sua pele
enquanto ela empurrava seus quadris para frente e para trás, buscando mais fricção, fazendo seu pau
doer e as bolas vibrarem com sua própria necessidade de gozar.
Ele arrastou o dedo para fora e pressionou de volta em sua profundeza apertada com dois,
esfregando aquele local especial que ele sabia que ela não seria capaz de resistir. — Diga, Cynna
— Oh deuses. — Suas costas inclinaram. Ela estendeu um braço para cima, envolveu-o
em volta do pescoço, erguendo a boca para ele.

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Seus lábios se encontraram, suas línguas emaranharam. Ela estava escorregadia e molhada
e apertada ao redor dos dedos, quente, selvagem e perversa em sua boca. Tudo o que ele precisava.
A única coisa que ele queria.
— Diga Cynna, — ele sussurrou, afastando-se lentamente de sua boa e empurrando os
dedos mais fundos. — Diga que gosta de todas as coisas devassas e pecaminosas que eu.
— Eu gosto, — ela sussurrou, resistindo contra ele. — Eu gosto de todas elas.
Vitória ardeu em suas veias. Ele a soltou empurrou-a para frente sobre a mesa, e chutou
suas pernas abrindo-as novamente. Suas mãos bateram contra a superfície sólida, e ela engasgou de
surpresa, então gemeu e empurrou para trás, procurando por ele, dizendo que, oh sim, ela adoraria
cada pequena coisa impertinente que ele queria fazer com ela.
Ele empurrou as calças para baixo e puxou seus quadris para trás até a borda da mesa.
Empunhando o pênis dolorido, ele dobrou os joelhos, em seguida, esfregou a cabeça ao longo de
seu centro erótico.
Ela gemeu e pressionou a testa contra a mesa.
Alcançando sua mão direita, ele a puxou em direção à parte baixa de suas costas,
colocando-a entre seus corpos. Em seguida, ele se inclinou para frente, respirou quente contra seu
pescoço e mordiscou o lóbulo da orelha. — Eu vou te foder. Exatamente desse jeito. Assim não
poderá se mover. Então, tudo o que poderá sentir é a mim, tomando-a profundamente, uma e outra
vez. Você quer isso?
— Sim. — Ela arqueou as costas, esfregando o calor de seu sexo contra o seu pau já
distendido. — Skata, eu quero. Leve-me, Nick.
Ele agarrou seu pulso firme contra a parte inferior das costas, inclinou-se para longe, e
observava enquanto empurrava devagar, sentindo o alongamento bainha apertada em torno de seu
pênis. Seu corpo tremia. Suor reunia-se ao longo de sua espinha quando ele lutava para não
empurrar duro e rápido. Seu gemido gutural soou em seus ouvidos quando ele passou a mão livre
em torno de seu quadril, como ele tirou um pouco, em seguida, pressionou mais longe, deslizando
tão profundo quanto poderia alcançar.
— Oh foda, — ela engasgou quando ele atingiu o colo do útero. Ele se manteve parado,
deixando-a adaptar-se a esta nova profundidade, a seu pênis esticando-a tão amplamente, o tempo
todo adorando o jeito que ela tremia e balançava para trás contra ele, como se não pudesse esperara
para que ele se movesse. — Nick.
— Você quer mais?

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— Sim, caramba. — Ela virou a cabeça para que seu rosto pressionado em cima da mesa,
em seguida, bateu a mão livre contra a madeira dura. — Me fode. Duro.
Essa energia escura dentro dele saltou com entusiasmo, e ele não podia mais retê-la, não
queria mais. Arrastou-se para fora por quase todo o caminho, em seguida, empurrou de volta, tão
duro quanto ela pediu. Ela gritou, o som era uma mistura de prazer e dor, e arqueou as costas,
incentivando-o a fazê-lo novamente. Arrastando seu pênis ao longo de suas paredes lisas, ele
observava seu rosto enquanto mergulhava fundo de novo e de novo, à medida que a luxúria
embaçava seus olhos, e sua boceta ficava mais quente e mais úmida ao seu redor. Seus gemidos se
transformaram em gritos febris e aquela necessidade carnal ecoando em seus ouvidos e empurrando
ainda sua fome por ela.
Soltando seu braço, ele agarrou seus quadris e empurrou seu corpo ao encontro do dele,
fodendo-a mais e mais rápido, do jeito que queria desde o primeiro momento em que a conheceu.
— Diga-me o que adora isso, — ele rosnou. — Diga que me adora foder, tanto quanto eu adoro
foder você.
— Adoro. — Seus dedos se curvaram contra a mesa. — Não pare. Não se atreva a parar.
Ele não achava que pudesse. Ele empurrou profundo, precisando chegar mais longe dentro
dela, precisando que ela o sentisse em todos os lugares. Ela empurrou-se em suas mãos e arqueou as
costas, tomando mais dele. Prazer correu por sua espinha. Seu orgasmo estava perigosamente perto.
Envolvendo o braço ao redor de sua coxa, ele deslizou os dedos ao longo de seu calor úmido e
erótico e encontrou seu clitóris, precisando senti-la explodir antes que ele fosse além. Ela gemeu
quando ele brincou com o feixe tenso de nervos de novo e de novo. Fechou os olhos. Arqueou-se
ainda mais.
Ela o excitava, o impressionava, o despertava em níveis que nunca esperou. Cada som que
ela fazia, cada vez que ela tremia, cada onda de prazer que abalava seu corpo... Tudo o deixava
mais quente, mais alto, tão fodidamente vivo. — Goze no meu pau, Cynna. Me fode também. Mm,
sim. Preciso-te sentir gozando em mim. Preciso disso agora. Me dê isso, baby.
Ela balançou para trás de novo e de novo, levando-o mais profundo, apertando-o com
mais força. E justamente quando ele pensou que não seria capaz de segurar por mais tempo, ela
jogou a cabeça para trás e gritou. Seu corpo tremia, e seu sexo pulsava e ondulava em torno dele
com a força de seu orgasmo. E a consciência de que ela estava gozando, a consciência de que estava
dando a ela exatamente o que ela precisava, fez seu próprio orgasmo descer por sua coluna, detonar
em suas bolas, e disparar por de cada célula de seu corpo.

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Prazer arqueou através de cada membro, correu ao longo de suas terminações nervosas, e
explodiu por trás de seus olhos em um flash de luz e calor. Sua vagina continuava a apertar em
torno de seu pênis enquanto seu orgasmo prosseguia, ordenhando-o de cada gota de felicidade
erótica. Quando finalmente diminuiu, ele percebeu que estava respirando com dificuldade, seu
corpo estava coberto de uma camada de suor, e estava deitado nas costas de Cynna, pressionando-a
contra a mesa dura.
Empurrou-se em uma das mãos e olhou para ela. Sua bochecha descansava contra a
superfície da mesa, cabelo úmido preso à têmpora, e seus olhos estavam fechados. Mas o sorriso de
gato Cheshire erguendo-se nos cantos de sua boca lhe disse alto e claro que ela gostou. De cada
momento.
Gentilmente, ele recuou, se soltou de seu corpo, e puxou as calças. Ela encolheu-se
quando sua pele pegajosa separou-se da dela.
— Oh meus deuses, não posso me mover. Acho que você me quebrou.
Ele riu. Não se lembrava da última vez que teve vontade de rir. Andando de costas, ele
puxou os braços flácidos, até que ela se sentou. Seus olhos se abriram. Ela franziu a testa enquanto
se concentrava nele. Antes que pudesse pensar em outra desculpa sobre porque precisava sair, ele
abriu caminho entre as pernas, os braços ao redor da cintura fina, e então a levantou da mesa e a
levou para o sofá.
As palmas das mãos quentes pousaram em seus ombros. — Nick...
— Não lute comigo agora. — Ele se sentou no sofá e recostou-se nas almofadas, e então
ela estava sobre ele. Em seguida, ele estendeu a mão, encostou o rosto no oco entre o ombro e o
pescoço, apertou o outro braço ao redor de suas costas. — Deixe-me te segurar por alguns minutos.
— Skata, — ela sussurrou contra sua garganta. — Não faça isso
— Não fazer o que?
— Não seja todo... doce.
Ele supôs que ninguém jamais fora doce com ela. Talvez seus pais, mas eles partiram há
tanto tempo, que provavelmente ela mal se lembrava de como era ser cuidada por alguém.
Ele passou a mão pelo seu cabelo escuro, amando a textura macia, amando o jeito que ela
se afundava nele e parecia tão certo. Fechando os olhos, ele aspirou seu aroma intoxicante de
jasmim misturado com o aroma inebriante de seu sexo, e relaxou ainda mais.
Precisava disso. Dela, mantendo-o centrado, dando-lhe algo real para se concentrar.
Quando estava com ela, poderia empurrar tudo para o fundo de sua mente, o que seu pai queria

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dele, o que estava errado com a sua alma gêmea, o que tinha acontecido ao seu povo. Quando
estava com ela, sentia-se ancorado. De uma maneira que nunca sentiu antes.
Ele arrastou os dedos para baixo, pelo comprimento suave, delicado de sua coluna, em
seguida, subiu novamente. E quando o fez, se lembrou das marcas em sua pele caramelo, o que
trouxe de volta uma onda das memórias que ele capturara na mente dela apenas momentos antes.
— Não me importo com o que fez com Zagreus.
Sua respiração se acalmou contra seu pescoço.
— Quero dizer, — ele continuou, — Odeio as coisas que ele a obrigou a fazer e das quais
você não gosta, mas não odeio que as tenha feito. Eu não posso. Porque não quero nenhuma
princesinha virginal.
Lentamente, ela se afastou e olhou para ele, a confusão arrastou as sobrancelhas juntas
para formar uma pequena ruga sexy entre os olhos. — Não quer?
— Nunca quis. Não posso impedir a atração da alma gêmea, mas isso não significa que eu
goste. Ou que esteja excitado por isso. Não estou. O que me excita é isso. — Ele acenou com a
cabeça em direção à mesa onde acabaram de foder um ao outro cegamente. — O que me deixa
quente é isso. — Ele deslizou a mão pelas costas dela e apertou sua bunda firme. — E agora que eu
vi essas visões em sua cabeça, tudo o que posso pensar é em amarra-la e fazê-las eu mesmo a
você... do meu jeito.
— Oh deuses. — Seus olhos se fecharam, e ela pressionou a testa contra seu ombro. —
Você viu isso? Skata. Não gosto desses novos dons que você está recebendo.
Ele não estava inclinado a concordar. Alguns deles, como a capacidade de fazer suas
roupas desaparecem apenas imaginando-a nua, eram muito, muito legais.
— Não estava tentando bisbilhotar. Mas você estava projetando com bastante força. Eu
não conseguia parar de olhar.
Ela gemeu e apertou a testa com mais força contra seu ombro.
Ele passou a mão pelo seu cabelo. — Não se preocupe. Eu já empurrei seu ex-chefe para
fora dessas visões um pouco atrevidas. Mas não consigo parar de pensar em totalmente envolta em
cordas, amarrada com as pernas afastadas, a sua pele corada e coberta por uma fina camada de suor
enquanto espera para ver o que vai acontecer.
Ela gemeu de novo, e ele sorriu, porque ainda que ouvisse a mortificação em sua voz, o
corpo dela estava ficando mais quente contra ele, dizendo-lhe que ela realmente amava os mesmos
joguinhos sujos que ele.

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Sua mão deslizou abaixo de seu cabelo para massagear sua nuca. — Garanto que comigo,
Cynna, você vai desfrutar de cada coisa que eu fizer. Amo fazer você gozar mais duro do que já
gozou antes. Mas acima de tudo eu amo que meus apetites despertem você, porque eles já eram
parte de mim muito antes que Hades e Zagreus colocassem suas mãos em mim.
— Isto é tão fodido. Você e eu. Não faz sentido.
Ele fechou os olhos e respirou-a, sentindo-se mais calmo a cada segundo. — Sim, talvez.
Mas também parece certo. E no momento, eu preciso de tantas coisas certas na minha vida, quanto
eu possa conseguir.
Ela virou o rosto em seu pescoço e exalou um longo suspiro. E enquanto ele a abraçava e
os segundos passavam num relógio em algum lugar da casa, ele sabia que não podia deixá-la ir. Não
só porque ela o acalmava, mas porque ele não queria que nada acontecesse a ela. Ela arriscou sua
vida para salvá-lo de Zagreus. Ele precisava ter certeza de que ninguém mais, incluindo o Príncipe
das Trevas, jamais a machucaria novamente. A chave era fazê-la confiar nele o suficiente para que
não fugisse. E ele só conseguia pensar em uma maneira de levá-la a fazer isso.
— As cicatrizes nas minhas costas, — disse ele em voz baixa. — Você me perguntou
como as consegui. Eu as consegui aqui.
Sua mão parou sua suave fricção sobre a clavícula. — Aqui?
Isso não era algo que já tivesse dito a alguém antes, e não gostava de revisitar o passado,
mas se fosse convencê-la de que ele era confiável, então achava que valia a pena, despindo-se
totalmente.
— Minha mãe era uma semideusa. Uma guerreira tão resistente quanto os Argonautas.
— Atalanta?
— Sim. — Ela, obviamente, ouviu histórias sobre sua lendária mãe. — Ela ficou irritada
quando não foi escolhida para servir com os Argonautas. Fez um pacto de imortalidade e vingança
com Hades. Mas foi tola e não considerou o fato de o deus a trairia. Ela tornou-se imortal, como
queria, mas viu-se confinada ao Inframundo servindo ao próprio Hades.
— Conheço essa história. Delia e os outros costumavam contá-la aos jovens da nossa
aldeia para alertar contra as loucuras de se fazer negócios com os deuses. — Ela bufou e se mexeu
em seu colo. — Claramente não as ouvi.
Um pouco de sua ansiedade diminuiu. Se ela não tivesse feito esse acordo com Zagreus,
ele não estaria aqui com ela agora. De um jeito doentio, ele estava grato que ela fizesse o pacto. Não
que estivesse pensando em agradecer ao o filho da puta agora, no entanto.

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— Sim, — ele continuou, empurrando os pensamentos de Zagreus para o fundo de sua


mente. — Ela construiu seu exército de daemons no Inframundo, desencadeou-os no reino humano,
visando os Misos e quaisquer Argoleans, e tramou sua vingança contra os Argonautas. Mas não
demorou muito a se cansar de sua prisão. Só havia uma maneira para ela escapar. A brecha que
Hades colocou no contrato. Uma profecia que dizia que quando dois indivíduos marcados, um
humano e um Argolean, se juntassem, criariam o ser perfeito, e ela seria libertada. Seus daemons
procuraram os dois durante anos em sua tentativa de juntá-los, mas continuou a falhar. Então, em
uma tentativa desesperada para completar a profecia, ela procurou a Krónos no Tártaro e fez ainda
outra coisa. Ela prometeu-lhe que, quando fosse finalmente libertada, iria em seguida, voltar e
libertá-lo de suas correntes. Tudo o que ele tinha a fazer era ajudá-la a criar suas próprias duas
metades perfeitas.
— Conheço isso também. Foi assim que você e seu irmão nasceram. Krónos tornou-se
mortal, por tempo suficiente para engravidá-la, então enganou um Argonauta para que se
aventurasse nas maiores profundezas do Inframundo, onde ela, de volta em sua forma imortal,
estava esperando para seduzi-lo. Ela mais uma vez concebeu, criando, assim, gêmeos com pais
diferentes. Superfecundação.
Ele olhou para seu rosto descansando em seu ombro. — Essa é uma das histórias que as
bruxas compartilharam com os jovens de sua aldeia.
Ela ergueu os olhos, e suas bochechas ficaram um tom suave de rosa quando ela passou a
mão sobre o peito. — Essa parte Zagreus explicou-me.
Claro. Zagreus. Ele olhou para a mesa do café e se forçou a ir em frente. — Imagine a
indignação de Atalanta, quando Demetrius e eu nascemos e ainda não éramos suficientes para
completar a profecia.
— Eu imagino que ela estava muito zangada.
— Zangada é eufemismo. Mas ela rapidamente se adaptou. — Ele levantou seu braço para
que ela pudesse ver o texto grego antigo que descia pelos braços para se entrelaçar nos dedos. —
Uma vez que nós dois carregávamos as marcas de Argonautas, ela decidiu nos usar para
infiltrarmos entre os guardiões, sabendo que sua ligação sombria conosco seria o suficiente para
influenciar as nossas almas. Só que ela não tinha planejado que o Conselho Argolean ficasse no
caminho.
Cynna empurrado para trás e olhou para ele. — O que o Conselho tem a ver com você?
— Os Argonautas têm sido pais de crianças com fêmeas que não eram suas almas gêmeas
por milhares de anos. Raramente algum deles exibe as marcas, mas todo Argonauta tem o dever de

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criar qualquer descendente marcado pelos deuses. Atalanta sabia disso, então depois que nascemos,
ela nos enviou a Argolea. As marcas de Demetrius eram exclusivas da ascendência de seu pai. As
minhas eram menos conclusivas. Como gêmeos, o pai dele foi obrigado a cuidar de nós dois, mas
ele sabia desde o início que eu era diferente. E me desprezava por isso. Ele era um filho da puta.
Tinha um temperamento perverso. Se você já se perguntou por Demetrius é tão taciturno uma
grande parte do tempo, eu posso dizer-lhe que não é porque Atalanta era sua mãe. É por causa
daquele desgraçado.
— O que aconteceu? — Perguntou Cynna, sua sobrancelha arqueada, o olhar segurando
Nick enquanto ela subia em seu colo.
— Nada, realmente. Ele basicamente me evitava. Jogou suas frustrações em Demetrius
sempre que sentia vontade. Isso causou muita tensão entre meu irmão e eu em uma idade muito
precoce. Demetrius pensava que eu era o filho predileto. Quanto mais velhos ficávamos, mais seu
humor se tornava sombrio. Foi um erro observar e não fazer nada para ajudá-lo, mas eu era apenas
um garoto, e na época, eu estava grato que seu pai batia em mim do jeito que batia nele.
— Ninguém pode culpá-lo por isso, — ela disse suavemente.
Nick bufou, pensando no irmão no qual nunca vira com esses olhos. — Demetrius me
culpou. De muitas maneiras, essa animosidade é a raiz de nossas diferenças. De qualquer forma, o
que ele não conseguiu ver era que toda a vez que o pai dele tinha aquele brilho nos olhos, ele
começava a vir atrás de mim, para então mudar de ideia e rapidamente afastar-se. Eu não entendi do
que se tratava aquilo por um longo tempo. Sinceramente, não acho que eu realmente entendi até que
eu descobri que Krónos era o meu verdadeiro pai. Mas ele sabia. O pai de Demetrius era meio
bruxo. Ele sentiu o poder dentro de mim, assim como Delia sentiu, e isso o assustava demais. É por
isso que, quando eu tinha uns dez anos, ele finalmente me entregou ao Conselho para ser purificado.
— Skata, — Cynna sussurrou, seu olhar passando rapidamente sobre seus ombros nus. —
O ritual de limpeza.
— Sim. — Sendo Argolean, ela sabia claramente o que isso implicava. Uma surra
ritualística para banir o pecado do corpo. O maior presente que o Conselho Argolean dava ao seu
povo. — Normalmente reservado para as mulheres infiéis, mas neste caso infligido a um menino de
dez anos que não tinha ideia do que fizera de errado. — Ele apontou para a cicatriz irregular no lado
de sua face. — Eu me mexi quando não devia.
— Oh, Nick. — Pesar encheu seus olhos. Um pesar que ele não precisava ou queria.
Sua mandíbula se endureceu. — Não estou dizendo isso para que sinta pena de mim.
Estou dizendo a você, assim vai entender por que eu odeio esse lugar tanto quanto você. Quando o

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ritual de limpeza não funcionou, o Conselho ficou com medo. Alguém com dons adormecidos como
os meus, que vivesse nesta terra? Isso seria para sempre um desafio ao seu poder. Eles queriam me
matar, mas não conheciam a minha verdadeira linhagem e estavam com medo de que fazendo isso,
poderiam causar algum tipo de retaliação por parte dos deuses. Então, eles me baniram. Puseram
para fora um menino de dez anos de idade para cuidar de si mesmo nos confins do mundo humano.
Se eu morresse por minha conta, bem, então, não seria problema deles, não é? Mas não morri.
Aprendi como sobreviver, como caçar, como me proteger. E quando me deparei com outros
refugiados, outros Argoleans que foram banidos ou que escolheram deixar este pseudo-utopia por
conta própria, eu os ensinei e a seus filhos como sobreviver também.
— Deuses. — Ela relaxou de volta para ele, colocando a cabeça no ombro dele,
descansando a mão no peito, bem em cima de seu coração. — Isso é terrível. Eles são monstros. Até
o último deles.
Ele passou a mão por suas costas nuas, sentindo-se praticamente da mesma forma em
relação ao Conselho, odiando que ela soubesse e entendesse. — Me foi dado o nome de Nikomedes.
Sei que já ouviu outras pessoas me chamarem de Niko. Não costumo responder a esse nome, porque
tudo que ele faz é lembrar-me de o Conselho e os meus dias aqui.
— Nikomedes, — ela sussurrou. — “Vitória do povo”. — Ela levantou-se e olhou
novamente em seus olhos. — Você tem um grande nome, Nick. Um com significado profundo. O
Conselho sabia disso mesmo quando você era um menino. Olhe para você agora. Você está aqui.
Olhe para o seu povo. Eles vivem.
Ainda não estava certo de como acontecera, mas sabia que eles não estavam vivos por
causa dele. Ficara chocado quando viu tantos rostos familiares no povoado, quando fora atrás de
Cynna, em seguida totalmente grato que tivessem estado ali. Mas sua necessidade de chegar a
Cynna fora tão forte, que ele mal lhes dedicara um olhar. E essa necessidade agora de mantê-la com
ele era ainda mais forte, afastando todos os outros pensamentos, mesmo aqueles para as pessoas que
ela tolamente pensou que ele salvara.
Ele se inclinou para frente e emoldurou seu rosto com as mãos. — Preciso de você, Cynna
Suas mãos descansaram em seus antebraços marcados, e seus olhos se suavizaram, tanto
que ele sentiu seu olhar perfurando profundamente em sua alma. — Eu estou bem aqui.
Urgência o pressionou. Só que esta urgência de repente não estava ligada a alguma dívida
maluca de protegê-la. Estava centrada unicamente no fato de que ela era a primeira pessoa com
quem se importara em um longo tempo. — Não. Não só para isso. Preciso que fique em Argolea. E
que volte ao castelo comigo, hoje à noite.

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A suavidade abandonou seu olhar. Seu corpo ficou tenso, e ela tentou se afastar, mas ele a
segurou com firmeza, não a deixando ir.
— Eu ouvi tudo o que você disse sobre Isadora, — ele continuou. — E eu sei que você
não quer estar perto dela. Mas eu tenho que voltar. E você... você me mantem centrado. De uma
forma que nada mais o faz. Preciso de você comigo para que eu não enlouqueça, como quase
enlouqueci na colônia. Não quero voltar. Só esse pensamento embrulha meu estômago. Não quero
estar perto de nenhum um deles. Só quero estar com você. Mas eu prometi ao meu irmão que eu
daria a ele e os outros poucos dias para tentar descobrir o que está acontecendo com toda essa
estúpida maldição de alma gêmea, e, bem...
As palavras morreram em seus lábios, e dúvida pressionava enquanto ele olhava para
baixo, no sofá ao lado deles, fazendo as mãos suarem e o pulso acelerar. Merda, como ele poderia
explicar isso? Por que ela sequer concordaria depois de tudo que ela viveu?
— E porque você não pode partir, — ela terminou por ele.
Surpresa o tomou. Ele olhou de volta em seus profundos olhos castanhos, em busca de
algo para dizer. Por algum tipo de resposta que fizesse sentido. Mas só havia o vazio.
Gentilmente, ela tirou as mãos dele de seu rosto abaixando-as em suas coxas. — Responda
uma pergunta para mim. Você está apaixonado por ela?
— Não
— Nem um pouco?
Ele hesitou. Tentou decidir como responder. — Eu sinto o vínculo que me mantém ligado
a ela, mas não acho que seja amor. É... dever. — Algo que ele sempre odiou porra. Agora mais do
que nunca.
Ela não respondeu, mas seus olhos procuraram os dele, e sabia que ela estava procurando
a verdade. Ele só esperava que ela não pudesse ver o que ele omitira. Que, embora não amasse
Isadora agora, a maldição alma gêmea mantinha a possibilidade em aberto. Tudo o que precisaria
seria um simples ato.
— Ok, — ela finalmente disse com uma voz suave. — Vou voltar com você.
Ar encheu seus pulmões, e ele estendeu a mão para ela, deslizando os braços ao redor de
suas costas magras, arrastando-a perto do calor de seu corpo. — Você irá?
Ela apoiou as mãos em seus ombros. — Isso me deixa mentalmente doente, mas sim. Eu
vou. — Quando ele se inclinou para beijá-la, ela o deteve, empurrando seu dedo indicador contra os
lábios dele. — Com uma condição.
— Qualquer coisa.

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—Você a mantém longe de mim. Eu vou voltar por você. Pelo tempo que eu puder lidar
com isso. Mas não por ela. Nunca por ela. E se em algum momento for demais para mim, eu estou
fora de lá. Sem perguntas.
— Feito.
— Feito?
Ela, obviamente, não esperava que ele a capitulasse tão rapidamente. Mas ele não se
importava. Porque, enquanto ela estivesse com ele, ele sentia que poderia lidar com qualquer coisa.
Ele pressionou a boca na dela, em seguida, moveu-se e a colocou no sofá debaixo dele. —
Quase lá. — Ele beijou o seu caminho através de sua mandíbula até a orelha, pegou suas mãos, e
prendeu-os nas almofadas acima de sua cabeça, amando o jeito que ela estremecia em antecipação.
— Primeiro, eu preciso fazer você gozar novamente.
Um sorriso lento, sexy espalhou por de seu lindo rosto, e suas pernas se abriram, dando-
lhe acesso total a toda e qualquer parte dela. — Como você vai fazer isso?
Ele segurou-lhe os pulsos ainda com uma mão e deslizou a outra entre as pernas dela para
encontrá-la já molhada e inchada. Em seguida, ele gemeu e, com um sorriso perverso, baixou a boca
para a dela. — De todo e qualquer jeito que eu quiser, fêmea...

Capítulo 18
18

Cynna chutou as cobertas de cima sua perna nua e respirou fundo enquanto olhava para o
teto de painéis escuros.
Ela estava quente, agitada, e não conseguia dormir. Não aqui. Não neste lugar. Deuses
onipotentes, nunca deveria ter concordado com essa insanidade.
Nick estava deitado de lado próximo a ela, roncando suavemente, o cheiro inebriante de
sua pele e o calor do seu corpo sedutor flutuando no colchão monstruoso e deslizando ao longo de
sua carne superaquecida. Ela olhou para ele na suíte espaçosa. Luar brilhava através das janelas
arqueadas, destacando sua mandíbula quadrada coberta por uma fina camada de barba e para a
cicatriz irregular em sua bochecha que conseguira durante aquele horrível ritual de limpeza.
Seus olhos estavam fechados, seu cabelo loiro-escuro despenteado no travesseiro, seu
peito musculoso nu sob a luz fraca e calça jeans pendurada em seus quadris magros. Ele era a

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imagem do sexo, do pecado e da salvação, e ela não queria nada mais do que rolá-lo de costas, subir
em cima dele, e fazer com ele o que ele fez com ela no sofá na casa da Delia, ela não poderia. Não
apenas porque sabia que ele merecia um momento de descanso, mas porque a cada segundo que se
hospedavam no castelo, sua ansiedade aumentava e o desejo de arrancar a pele ficava ainda mais
forte.
Suspirando, ela olhou para trás, para o teto. Depois de instalá-la nesse quarto – nessa
enorme, dispendiosa e fantástica suíte, ele providenciou o jantar que compartilharam, em seguida,
desapareceu para fazer sabe-se lá o que. Ela assumiu que ele foi falar com a rainha, ou talvez com
os Argonautas, mas ela não queria perguntar. Não apenas porque não era da sua conta, mas porque
aquele curativo com o qual ele voltara, um que estava sobre curva de seu braço direito, indicava que
fora aplicada algum tipo injeção nele ou fizera coleta de sangue. E saber que as pessoas aqui
estavam brincando com ele fisicamente era como um lembrete do que Zagreus fizera com ele. Era
também uma bandeira vermelha em sua cara de que essa coisa toda alma gêmea era muito mais
envolvente do que Cynna assumira inicialmente.
Skata. Ela pressionou os dedos contra suas pálpebras fechadas e respirou fundo. Estava
envolvida demais na porra da situação. Muito além do ponto de razão. Permitiu que o bom sexo,
não, realmente quente e entorpecente, sexo turbasse seu pensamento e atrapalhasse seu bom senso.
Fez com que esquecesse o fato de que não podia tolerar estar perto de Isadora. Cada segundo que
ficava com Nick a empurrava muito mais perto de se apaixonar perdidamente pelo macho. E
embora ele dissesse que precisava só dela, sabia, no fundo de seu coração que o tipo de necessidade
da qual ele falava não era amor. Nunca seria. Não quando uma parte dele sempre pertenceria à sua
alma gêmea.
Foda-se. Ela jogou as cobertas para trás e cuidadosamente saiu da cama. Encontrou a
calça jeans, e a colocou, em seguida, viu suas botas e a jaqueta leve que jogou sobre uma cadeira
mais cedo. Quando ele voltou, do que só os deuses sabiam o que estivera fazendo, Cynna já estava
sob as cobertas, fingindo dormir. Se ele usou seus poderes de deus e percebeu que ela estava
fingindo, não disse nada. Ele simplesmente foi tomar um banho, voltou, e deitou-se ao seu lado. Em
seguida, adormeceu enquanto ela estava lá, continuando a sofrer.
Bem, estava farta de sofrer. Não poderia ajudá-lo mais. Fora estúpida em pensar que
alguma vez pudesse. Cruzando o quarto tão silenciosamente quanto podia, disse a si mesma para
não olhar para trás. Mas seu peito ficou apertado quando ela fechou a porta suavemente atrás de si,
e um caroço ela não conseguia engolir tomou um espaço em sua garganta enquanto se dirigia pelo
corredor procurando a escadaria ornamentada pela qual caminhou mais cedo.

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Colunas ladeavam o corredor. Um tapete caro e grosso cobria toda a largura do corredor, e
próximo às portas duplas que levavam a outros quartos... provavelmente outras suítes. Embora
soubesse que estavam na mesma que estiveram antes, estavam vários andares acima, e não pode
deixar de perguntar quem estava dormindo no outro lado dessas portas, passando estas paredes. O
quarto da rainha estava em algum lugar perto? Ou será que ela tinha um andar inteiro só para si?
Skata. Pare de se preocupar com ela e apenas dê o fora daqui.
Ela passou por três arcos que se abriam para uma espécie de sala de estar comum. Assim
como ela passou a última coluna, um som chamou a seus pés a uma parada. Uma espécie de voz.
Olhou para dentro do quarto mal iluminado. Vários sofás estavam dispostos em frente a
uma lareira escura, e uma lâmpada perto das janelas pretas estava acesa, mas ela não podia ver
ninguém. O quarto parecia vazio e silencioso. Apenas quando teve certeza que tinha imaginado o
som e estava prestes a sair, um gorgolejo chegou seus ouvidos. Quase... um murmúrio.
Com as sobrancelhas unidas, ela deu um passo mais para dentro do quarto e parou quando
viu o bebê vestindo pijama de pezinhos rosa, deitada com o rosto voltado para cima em um cobertor
espalhado no meio do tapete.
O bebê encarou Cynna e murmurou novamente, em seguida, chutou as pernas no ar várias
vezes, como se estivesse animado, estendeu a mão para seus pés, e os pegou com suas mãozinhas
rechonchudas.
Apreensão deslizou através Cynna. Ela olhou para a direita e para a esquerda, procurando
o dono ou o pai ou como quer se chamasse a pessoa que cuidava de um bebê como este, mas o
quarto estava completamente vazio.
O bebê continuou a olhar para Cynna, balbuciou mais alto e bateu os braços e as pernas no
ar mais rápido. Então ela abriu a boca colocou a língua entre os lábios e soprou, um som que ecoou
por todo o quarto.
Cynna se aproximou até que estava de pé sobre o cobertor. Não gostava de crianças. Não
gostava especialmente de bebês. Eles eram barulhentos e desarrumados e tão exigentes.
— O que está fazendo aqui sozinha? — Disse em voz alta. O bebê não respondeu, é claro
que não poderia responder, mas por alguma estranha razão, isso não impediu que Cynna de
perguntar.
O bebê chutou as chacoalhou as pernas e colocou a língua entre os lábios soprando mais
uma vez. Em seguida, esticou os braços para cima como se estendendo a mão para Cynna.
Lentamente, Cynna abaixou de joelhos. — Quem deixa um bebê sozinho, de qualquer
maneira? — Estendendo a mão, ela tocou as costas da mão do bebê. Sua pele era aveludada. A

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coisa mais suave Cynna tinha certeza que já sentiu. Um choque de consciência correu através dela.
— Alguém se esqueceu de você?
O bebê envolveu a mãozinha no dedo de Cynna e apertou forte. Para uma coisa pequena,
ela tinha um aperto incrivelmente potente. E pela forma como o fez, Cynna achou que ela não
queria ser deixada sozinha novamente.
— Ah, coitadinha. Aposto que você está com medo. — Ela puxou o dedo da mão do bebê,
se inclinou para frente, em seguida, deslizou uma mão sob o pescoço do bebê e a outra sob suas
costas. Erguendo-a do chão, sentou-se sobre os calcanhares e olhou para o pequeno pacote em seus
braços.
Ela não poderia ser mais do que seis ou sete meses de idade. Seu cabelo era negro como o
azeviche, grosso e já enrolando passado suas orelhas, e sua pele era como alabastro, alguns tons
mais claros do que a de Cynna. Mas o que diminuiu a pulsação de Cynna foram os olhos do bebê. A
íris como chocolate quente com manchas de preto e dourado. Olhos que eram assustadoramente
semelhantes aos que Cynna via no espelho todos os dias.
Passos soaram em algum lugar perto, mas Cynna estava tão extasiada, que não teve a
chance de colocar o bebê de volta para baixo antes de uma voz dissesse: — Oh. Eu não sabia que
alguém estava acordado.
Lentamente, ela olhou para a direita. Para onde Isadora estava com uma mão contra uma
porta aberta que parecia levar a uma pequena cozinha, segurando uma mamadeira na outra.
O batimento cardíaco de Cynna acelerou, e seu rosto ficou quente. Rapidamente, ela olhou
para o lado, colocou o bebê sobre o cobertor, mas não se levantou e correu. O que era estranho,
porque... ela não queria estar em qualquer lugar perto esta fêmea.
O bebê chutou para fora suas perninhas e esticou a língua entre os lábios e soprou
ruidosamente. Em seguida, pegou a mão de Cynna novamente. Não sabia por que, mas Cynna deu
ao bebê seu dedo indicador e deixou a criança fechar o punho ao redor.
— Deixe-me adivinhar, — disse Isadora, os pés descalços cruzando o chão para parar ao
lado de Cynna perto do cobertor. — Não conseguiu impedir-se de pegá-la.
— Hum. — Cynna passou a mão livre para baixo da coxa da calça jeans, não tenho
certeza de como responder, porque ... sim, isso era exatamente como ela se sentia. E por que diabos
não estava caindo fora naquele exato momento?
— Não se preocupe você não é a primeira. — Isadora suspirou. — As pessoas gravitam ao
redor de Elysia, mesmo aquelas que não gostam de bebês. Eu já suspeitava há algum tempo que ela
tem o dom da psicocinese, mas não tive coragem de dizer a seu pai que ela não é apenas bonita, mas

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uma mestra manipuladora. Ele acha que ela não pode fazer nada errado. — Ela ajoelhou-se no chão
ao lado Cynna e estendeu a mamadeira. — Aqui. Algo me diz que ela quer que você faça isso, não
eu.
O bebê apertou a mão de Cynna mais forte, e antes Cynna pudesse dizer não, seus
próprios dedos estavam chegando para mamadeira. Elysia borbulhava um som feliz, animado.
Isadora se inclinou para frente, pegou Elysia em seus braços, em seguida, entregou-a a
Cynna. — Incline um pouco.
Cynna se sentira tão estranha quanto jamais estivera em sua vida, mas ela se sentou de
pernas cruzadas, embalou Elysia na dobra do seu braço, depois levou a mamadeira aos lábios dela.
Sem perder o ritmo, Elysia pegou a mamadeira com as duas mãos e começou a chupar
ruidosamente o leite como se uma estranha alimentando-a não fosse grande coisa.
— Ela gosta de você. — Isadora descansou as mãos sobre as coxas. — Ela só permite que
alguns a alimentem. Espero que isso seja um bom sinal.
Em algum lugar no fundo de sua mente, Cynna sabia que protagonizavam uma cena
bizarra e que ela precisava se levantar e ir embora, mas não conseguia fazer seu corpo obedecer aos
impulsos de sua mente. Observando como o bebê drenava um quarto da mamadeira, ela se viu
espantada pela forma como pequenos lábios de Elysia se moviam e seus pequenos dedos agarravam
a mamadeira tão ferozmente.
— Nick disse que o ajudou a escapar do covil de Zagreus.
O som da voz de Isadora pareceu arrancar Cynna de uma espécie de transe em que o bebê
a estava colocando, e ela olhou para a rainha. O cabelo loiro claríssimo de Isadora estava
desarrumado, olheiras manchavam a pele abaixo dos cílios inferiores, e seu pijama azul-claro
parecia ser de um tamanho grande muito grande. Mas foram nos olhos que Cyna se concentrou. Os
mesmos olhos que Elysia partilhada. Os mesmos Cynna conhecia tão bem.
O fascínio e a calma que sentiu antes, quando pegou o bebê, esvaíram-se, trazendo de
volta que a agitação que a empurrara para fora da cama de Nick. — Sim, ajudei. Você tem algum
problema com isso?
— Não. Nenhum problema. Na verdade, quero agradecer a você. Por trazê-lo de volta para
nós.
Cynna olhou de volta para o bebê, odiando a pequena cunha de ciúme empurrando o seu
caminho entre as costelas. — Pelo que sei, aqui não é um lugar que ele goste especialmente de
estar.

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— Não. — O olhar de Isadora derivou para Elysia bem. — Não, não é. Eu quis dizer aqui
a sua família.
— Achei que seu povo fosse sua família.
— Eles são. Mas nós também somos. Mais sua família do que qualquer outra pessoa. E
nós protegemos aqueles que amamos. Ferozmente.
Havia um aviso atado a essa declaração. Um que arrepiou os cabelos na nuca de Cynna.
— Tenho certeza de que Nick é capaz de cuidar de si mesmo
— Tenho certeza que é. Mas, depois de tudo o que ele passou, acho que é seguro dizer que
seu julgamento... pode estar um pouco distorcido. Só não gostaria de vê-lo colocar a sua confiança
na pessoa errada, especialmente agora que ele está lidando com tantas mudanças.
A raiva e descrença empurraram o seu caminho para o peito de Cynna, misturando-se com
que o ciúme que agora era um furacão tempestuoso dentro dela. Esta fêmea não sabia nem uma
coisa sobre ela. Não sabia por que ela estava aqui, ou o que tinha feito em seu passado. Tudo que
ela sabia era que Cynna tinha ajudado Nick a fugir de Zagreus. E, no entanto, ela estava sentada
aqui, fazendo julgamentos sobre Cynna ser ruim para Nick, quando ela, com seu pequeno problema
de doença e alma gêmea, estava continuamente atormentando-o.
— Talvez você seja a única cujo julgamento está distorcido, — disse ela antes que
pudesse se conter. — Afinal de contas, eu ouço que você não está se sentindo tão bem.
— Não, não tenho. Mas isso não muda o fato de que eu me importo com Nick e não quero
vê-lo machucado.
Cynna olhou atentamente para cima. — Está preocupada com ele, ou quer usá-lo?
Surpresa espalhou sobre o rosto já pálido de Isadora, fazendo sua pele parecer ainda mais
branca. — É claro que eu me preocupo com ele. Ele é tio da minha filha.
Cynna estreitou os olhos e usou seu dom para procurar a verdade nas palavras de Isadora.
Sim, a rainha estava sendo honesta. Ela se importava com Nick porque ele era irmão de seu marido
e tio de sua filha, mas havia outra razão. Uma que o dom de Cynna gritou que estava enraizada na
maldição alma gêmea. Um que essa fêmea poderia manipular para usar em vantagem própria e
conseguir o que quisesse, ainda que isso finalmente destruísse Nick.
O coração de Cynna bateu mais rápido, e ela olhou de volta para o bebê em seus braços,
não mais vendo o bebê adorável, mas o futuro de Nick se ela o deixasse. Ele disse que ela o
mantinha centrado. Que quando ela estava perto, ele podia concentrar-se nela, esquecer todos os
outros, esquecer o que queriam dele, e lutar contra a escuridão de Krónos e então poderia
permanecer no controle. Se saísse agora, ele não seria capaz de fazê-lo. Ele seria puxado em mil

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direções diferentes por uma centena de pessoas diferentes, e essa mulher estaria à frente, atacando
sua fraqueza por ela por causa dessa maldição de alma gêmea, atormentando-o lentamente, de uma
forma que nem mesmo Zagreu fora capaz de fazer.
Com os braços tremendo, Cynna rapidamente entregou o bebê para a rainha e levantou-se.
— Para onde está indo? — perguntou Isadora, olhando para cima.
— De volta para a cama. De repente, estou cansada. — E ansiosa para ver Nick. Para
mantê-lo equilibrado. Para afastá-lo de você.
Linhas de expressão formaram-se entre os olhos de Isadora quando ela empurrou Elysia e
endireitou a mamadeira. — Não quero me intrometer, mas você não parece estar confortável aqui
no castelo. Nick mencionou que você tem parentes no povoado. Talvez...
Oh, não. Esta garota não a estava chutando para fora do castelo. Não agora. Não quando
Cynna finalmente decidira ficar. — Vou ficar bem.
Não que alguma vez tenha se preocupado comigo. Não que alguma vez tenha se
preocupado com qualquer um além de si mesma.
Cynna lutou contra a raiva e ressentimento, e então, virou-se antes que dissesse mais e se
dirigiu para o corredor. Esforçando-se para se acalmar quando sentia tudo menos calma, ela
murmurou, — Boa noite.
— Boa noite Cynna, — Isadora disse suavemente em suas costas. — Estou certa que
vamos nos ver novamente.
De repente, Cynna também estava certa que a veria. E odiava o fato.
Com o coração acelerado, moveu-se rapidamente de volta para a suíte de Nick, fechou a
porta atrás dela, e esquadrinhou a escuridão. Ele ainda estava dormindo na cama gigantesca, só que
estava de costas e agora uma mão repousava no peito nu cinzelado, a outra descansando com a
palma para cima no travesseiro perto de sua cabeça.
Sua pele aqueceu. Seu pulso transformou-se em um rugido aos seus ouvidos. Não o
deixaria para aquela... fêmea. Não estava disposta a deixar que a rainha atacasse suas emoções, suas
vulnerabilidades, sua bondade. Ela sabia no fundo de suas entranhas que ele nunca diria não a sua
alma gêmea, mas ela poderia ajudá-lo a permanecer equilibrado. Poderia ser sua distração. E desta
vez, seu desejo de ajudá-lo não tinha nada a ver com culpa pelo que fizera enquanto estava no covil
de Zagreus. Apenas tinha a ver com esses sentimentos por ele que já estavam profundamente
enraizados dentro dela.
Ela tirou os sapatos e, lentamente, subiu em cima dele na cama. Seus joelhos roçaram as
laterais de seus quadris, e apoiou as mãos no colchão de cada lado da cabeça. Seus cílios castanhos

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suaves roçavam a pele sob os olhos, os lábios masculinos finos estavam ligeiramente entreabertos e,
ela sabia, sussurravam suavemente. Deixou seu olhar dançar sobre ele, sobre cada sarda, cada
cicatriz, cada conjunto de ossos e cada ângulo de seu rosto. E à medida que o fazia, seu coração
lentamente caiu em seu peito.
Ele estava certo. Estar juntos poderia ser errado em todos os sentidos lógicos, mas parecia
incrivelmente certo. E, por agora, isso seria suficiente.
Cuidadosamente, ela se inclinou e tocou os lábios contra os dele. Ele não se moveu. Não
respondeu, então ela fez isso de novo. Inclinando a cabeça para o outro lado, ela o beijou mais uma
vez. Suavemente. Suavemente. Apenas uma carícia de carne contra carne, amando a doçura de seus
lábios, o calor de seu corpo, aquela intoxicante vertigem que sempre sentia quando ele estava perto.
Mas ainda assim ele não acordou, e desapontamento lentamente esgueirou-se dentro dela.
Suspirando, ela levantou a cabeça e estava prestes se afastar quando ele gemeu, deslizou a
mão em seu cabelo, em seguida, abriu-se ao seu beijo e puxou sua boca de volta para a dele.
Êxtase. Perigo. Perfeição. Essas palavras pulavam em sua mente enquanto sua língua
acariciava a dela e sua outra mão vagava para seu quadril, deslizando em seguida pela parte inferior
de sua coluna. Ela se afundou nele enquanto ele a beijava, deixando-o explorar cada centímetro de
sua boca, beijando-o de volta com tudo o que havia dentro dela. Seus músculos flexionaram quando
o beijo se intensificou, exigente, quando ele a provou mais fundo, e ela gemeu quando ele rolou e
empurrou todo o seu calor delicioso contra ela, deixando-a de costas no colchão.
Suas pernas se abriram. Suas mãos cravaram ao redor de seus ombros e até em seu cabelo.
Ela agarrou os fios macios de seda entre os dedos e beijou-o de novo e de novo, não sendo capaz de
obter o suficiente, precisando banir Isadora e sua conversa de sua mente com a boca inebriante.
Quando ela estava ofegante, quando estava pronta para arrancar suas roupas para que
pudesse ter mais, ele recuou e olhou para ela com aqueles olhos sensuais de cor âmbar. Olhos que
sempre a extasiaram. Mesmo quando ele fora nada além de seu prisioneiro. — Oi.
Calor correu para suas bochechas. Era uma coisa tão normal de dizer. Mas nunca tivera
nenhum tipo de normalidade. E não estava certa sobre como responder. — O-oi.
— Está usando mais roupas do que estava há algumas horas.
Droga. Ela tinha se esquecido de tirar suas calças e jaqueta. — Estou.
Seus olhos se estreitaram. Apenas um toque. Apenas o suficiente para lhe dizer que ele
sabia. — Devo perguntar?
Perguntar sobre Isadora e o que elas haviam discutido? Hum. Claro que não. — Estou
surpresa que você simplesmente não tenha olhado em minha mente e descoberto.

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Um canto de seus lábios curvou-se para cima. — Não é assim que funciona. Não posso ler
sua mente. Só posso ver as suas memórias... se você projetá-las. — Seus olhos se estreitaram ainda
mais. — O que você não está fazendo no momento.
Obrigada Destinos. Ela apoiou as mãos contra seus ombros sensuais e musculosos. — Vai
ter que me ensinar como evitar fazê-lo a todo o momento.
— Algo me diz que você será uma aprendiz muito rápida.
Seus lábios se curvaram quando ela se concentrou em uma pequena cicatriz perto de sua
clavícula. Mas em vez de beijá-la novamente, como ela queria, ele olhou para ela. E no silêncio, seu
rosto ficou ainda mais quente.
— O que? — perguntou ela finalmente.
— Nada. — Seus olhos se suavizaram. — Só... Obrigado. Mais uma vez.
— Por que?
— Por voltar.
Seu peito apertou tão forte que jogou o ar diretamente para fora de seus pulmões. E nesse
momento, quando olhou para ele, soube que estava apaixonada por ele. Louca e irremediavelmente
apaixonada por um homem que nunca seria verdadeiramente dela.
Não pense sobre isso agora. Não, merda... Apenas se concentre no momento.
Ela engoliu em seco. Droga. Conseguiria ter seu coração partido aqui. Não havia nenhuma
maneira de contornar isso. — Não deixe que eu me arrependa.
Ele estendeu a mão para a bainha de sua camisa e empurrou-o até seus seios, seus dedos
ásperos passeando pela pele perto de seu umbigo, enviando arrepios de excitação diretamente para
seu sexo. — Confie em mim, fêmea. Você não vai se arrepender. Eu prometo.
Ela fechou os olhos e lutou contra a picada de lágrimas quando ele pressionou os lábios
demasiadamente talentosos em sua barriga. E embora rezasse com toda a alma para que ele
estivesse certo, seu dom gritava que ele estava contando a maior de todas as mentiras.

Capítulo 19
19

Nick se sentia melhor do que havia sentido em dias. Não, semanas. Não... meses.

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Estava descansado. Equilibrado. Revigorado. E sabia que era tudo por causa de Cynna e o
fato de que ela voltara para ele na noite passada, quando ela poderia tão facilmente ter fugido e o
deixado para sempre.
Ele queria perguntar o que a fizera mudar de ideia, mas não perguntou. Sim, era uma
loucura. Sim, não fazia sentido. Mas confiava nela. E estava tão absurdamente grato que ela
voltasse para ele, que não queria fazer nada para assustá-la.
Os quartos estavam quietos quando foi ao andar térreo e se dirigiu para a cozinha principal
na parte de trás do castelo. Ele deixou Cynna dormindo. Depois de ter lhe agradecido com as mãos
a boca e o corpo, ela se enrolou nele e adormeceu. Ele a segurou a maior parte da noite, amando o
jeito que ela enroscou a perna entre as dele, amando o peso de sua mão contra o peito, amando seu
calor escorrendo dela para aquecer os lugares frios que existiam em seu interior. Não era como se
ele quisesse se aconchegar, mas com ela, ele descobriu que não conseguia ter o suficiente. Porque
ela não queria nada dele. Ela não estava esperando, como Zagreus, que ele quebrasse. Não o estava
pressionando, como Isadora, com essa conexão de alma gêmea. Não estava esperando ele
consertasse as coisas e tornasse o mundo melhor como o seu povo estava.
Pensamentos sobre seu povo, os Misos, deslizaram em sua mente enquanto ele andava,
amortecendo seu bom humor. Antes que pudesse se perder pela culpa de um dever que ele não
queria continuar, vozes flutuaram do outro lado da porta, interrompendo seus passos.
— Não, — uma voz masculina disse. — Nem sequer. Não faça isso.
Nick reconheceu Phineus, o Argonauta de cabelos escuros que tinha passado um bom
tempo na colônia antes que ela fosse demolida. Ele ouviu mais de perto, a necessidade de saber
quem mais estava lá antes de entrar. Havia várias pessoas neste castelo com quem não estava
disposto a lidar nesse momento, Isadora estava no topo de sua lista.
— Pode crescer, por favor? — Cerek, outro Argonauta, respondeu. — Um mirtilo não vai
matar você, garoto bonito.
— Ótimo. Você fez isso. Eu não posso comer essa merda agora. Não, a menos que você
queira que eu vomite em toda essa cozinha.
— Você é tão dramático. Faça sua própria refeição, se não consegue lidar com algo
saudável.
— Eu sou alérgico idiota. Não tem nada a ver com a saúde.
— Isso é porque o seu antepassado, Belerofonte, era um fracote e transmitiu genes
inferiores.
— Seu merdinha. Eu deveria torrar você por isso.

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Cerek riu.
Nick abriu a porta e olhou para dentro. Cerek estava atrás de um balcão, derramando
massa em uma frigideira, enquanto Phineus olhou para ele do outro lado, com os braços cruzados
sobre o peito, uma carranca em seu rosto bonito de modelo. Além dos dois Argonautas briguentos, a
cozinha estava vazia.
— Ei, — Cerek disse, olhando na direção de Nick. — Bom dia. Estou fazendo panquecas
de mirtilo. Você quer? O senhor-estômago-sensível aqui não vai comê-las.
— Está certíssimo, eu não vou. — Phineus marchou em direção à gigante geladeira de aço
e abriu-a. — Estúpido e horríveis mirtilos. O otário sabe que eu não gosto de cozinhar.
Cerek riu novamente.
O estômago de Nick retumbou como o perfume da massa escaldante que se levantava no
ar. — Sim, eu poderia comer. — Ele deu um passo mais para dentro da cozinha, deixando a porta se
fechar às suas costas. — Mas por que está cozinhando? Onde está o cozinheiro?
Cerek virou as panquecas com uma espátula. — No povoado. A rainha enviou a maioria
do pessoal castelo para lá. Você pode não ter notado ontem, mas o local está operando com o
mínimo. Mesmo segurança tem sido severamente desfalcada.
Nick pensou nos poucos guardas que guarneciam as entradas, e um arrepio de apreensão
deslizou por ele com o pensamento de Isadora não sendo protegida na forma como ela devia ser. —
Por que?
— Porque ela está preocupada, o Conselho vai se mover sobre o teu povo, — uma voz
respondeu as costas de Nick.
Nick virou-se para encontrar Orpheus de pé atrás dele.
— Estive procurando por você. — Orpheus passou a mão pelo cabelo castanho-claro, as
marcas Argonautas em seu antebraço brilhando nas luzes fluorescentes de cima enquanto ele se
movia, uma carranca em seu rosto normalmente sarcástico. — O quanto Isadora contou sobre os
Misos ontem?
Um peso invisível parecia pressionar para baixo sobre os ombros de Nick, um marcado
por com uma responsabilidade da qual não sentira falta — Não muito.
Orpheus se moveu para uma longa mesa de madeira à sua esquerda e puxou uma cadeira.
— Isa trouxe todos para cá depois que Hades e Zagreus atacaram a colônia. Ela tentou mantê-los
em Tiyrns, mas o Conselho ficou absolutamente furioso.
A energia escura veio correndo de volta, fervendo lentamente por baixo da pele de Nick
enquanto ele puxou uma cadeira na frente de Orpheus e se sentou. Não gostava da ideia de seu povo

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em qualquer lugar perto do Conselho, mas estava grato que Isadora tivesse conseguido levá-los para
a segurança. Algo que ele deveria ter feito.
Mais culpa o atingiu. — Não é uma surpresa.
— Sim bem. — Orpheus suspirou. — Eles não facilitaram as coisas para os Misos. Eles
têm influência dentro da capital e utilizam essa influência para ameaçar e manipular. Lojistas se
recusaram a vender para eles. Empregos não estavam disponíveis. O Conselho ainda impôs um
mandato que os Misos jovens não poderiam ser ensinados nas mesmas escolas que os jovens de
Argolean. Em resposta, Isa tentou criar uma mini cidade aqui dentro das muralhas do castelo de
modo que os Misos poderiam ter acesso a tudo o que precisassem, mas este lugar não é tão grande
quanto as suas antigas escavações. Eles estavam saindo pelas bordar. O povoado de Kyrenia nas
montanhas Aegis parecia ser a resposta perfeita.
A mente de Nick recuou por cima dos muros que cercam o povoado, as casas e edifícios
reconstruídos.
— Essa é uma história sombria, — Orpheus continuou. — Não tenho certeza se você está
familiarizado com ela, mas as bruxas costumavam morar em Kyrenia. Elas criaram a sua própria
pequena cidade sob a influência do Conselho. Com o tempo, ele se transformou em um povoado de
refugiados para todos os que foram banidos ou escolheram viver à margem da sociedade, e não
apenas bruxas Argolean. Eu costumava negociar com eles naqueles tempos. Eram
autossustentáveis, e o número de seus habitantes crescia continuamente. Até que o Conselho
decidiu que eles estavam ganhando muito poder e acabou com eles.
— A força dos números, — Phineus murmurou a partir do final da mesa onde ele estava
comendo uma tigela de cereais.
— Otários, — Cerek murmurou do outro lado da cozinha enquanto ele virava as
panquecas num prato e servia mais massa na frigideira.
— Nenhum argumento aqui. — Orpheus olhou para Nick. — Cerca de 20 anos atrás, o
Conselho enviou o seu exército participar e queimaram o local até o chão.
Nick se inclinou para trás e cruzou os braços sobre o peito. — E os Argonautas não
fizeram nada para impedi-lo?
— Não sabíamos disso — disse Phineus. — A maioria de nós estava em turnos no reino
humano quando isso aconteceu. Zander era o único aqui, e no momento me que soube o que estava
acontecendo e chamou todos de volta, isso foi muito bem articulado.
Nick olhou de volta na direção de Orpheus, pensando no que Cynna dissera a ele a
respeito de sua família. — O rei tinha que saber

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— Filho da puta, — murmurou Cerek do balcão, sem olhar para o que estava fazendo.
— Ele sabia, — disse Orpheus, atraindo o olhar de Nick mais uma vez. — E deu seu aval.
Segundo o Conselho, as bruxas estavam espalhando propaganda anti-Argolean e, portanto,
precisavam ser tratadas com rapidez.
— O rei afirmou que não sabia que havia outras pessoas no povoado além de bruxas, —
disse Phineus, — mas isso é uma mentira. Ele sabia. Todo mundo sabia.
Ela sabia que seu pai aprovou o ataque do Conselho sobre este povoado. Ela sentou-se
enquanto centenas, não, milhares de pessoas, foram abatidos porque serem diferentes.
As palavras de Cynna flutuavam na cabeça de Nick, enviando um arrepio em sua espinha.
Se Isadora soubesse o que acontecera em Kyrenia, ele acreditava em suas entranhas, que ela não
teria sido capaz de mudar o resultado, especialmente se Theron e os Argonautas tivessem sido
afastados com o propósito de impedi-los de parar o massacre. Mas isso não mudava o fato de que
Cynna estava certa. E um lugar no seu coração a compreendia, entendia seu ódio, vendo a
necessidade de vingança sob uma nova luz.
Os olhos de Nick se estreitaram quando ele olhou para Orpheus novamente. — Então,
Isadora está aumentando a segurança no povoado, porque ela tem medo do Conselho ataque
novamente?
— Sim, — disse Orpheus. — Não houve nenhuma ameaça evidente, mas ela está sendo
cautelosa. Depois que Kyrenia foi destruída, as bruxas restantes mudaram-se mais para o interior
das montanhas, residindo em acampamentos que poderiam facilmente ser movidos se o Conselho
descobrisse suas localizações. Delia, a líder do clã, é a guardião dos portais móveis, um que Isa
usou algumas vezes para chegar ao reino humano sem que o Conselho ou os Argonautas
soubessem. Quando Isa decidiu reconstruir o povoado, ela pediu a ajuda de Delia. As bruxas
estavam mais do que ansiosas para se envolver. Reconstruir Kyrenia é um foda-se na cara do
Conselho. Mas ainda assim, elas não estão lá em números expressivos. Apenas o Misos.
— Que o Conselho claramente não quer em Argolea, — Nick adivinhou.
— Certo. As coisas estão tensas por aqui, — disse Orpheus. — Isa colocou os Argonautas
procurando por você e procurando pelo elemento água para fornecer mais proteção para Kyrenia.
Foda. A realidade escavou um buraco no centro do peito de Nick. Seu povo não poderia
ficar nesta terra, não se o Conselho estava procurando um motivo para exterminá-los. Ele precisava
encontrar uma nova colônia para eles no reino humano. Algum lugar que Hades e Zagreus não
conhecessem. Em algum lugar onde eles pudessem estar seguros.

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O simples pensamento de começar de novo, de ser o líder que estava tão cansado de ser,
aumentou ainda mais peso em seus ombros e peito. Sentia-se encurralado, desesperado por ar, e
aquela energia escura estava cantarolando ainda mais alto. Sussurrando... se a liberasse, se deixasse
que isso o consumisse, não se preocuparia mais com algo que nunca fizera nada por ele além de
puxá-los em tantas direções diferentes que ele queria gritar.
— Você deveria ir lá fora. — Orpheus recostou-se na cadeira. — Dar uma olhada nos
arredores. Daria um reforço moral real para o seu povo ver o seu rosto. Tem sido duro para eles
desde que você partiu.
Mais do que aquele peso, uma culpa de esmagar a alma se insurgia, eliminando de vez o
resto do bom humor de Nick. Essa era a vida com a qual concordara. Estar ali para os outros e
nunca ter nada para si mesmo. E, ainda que uma vez achasse que seria o suficiente, que liderar o
Misos era sua maneira de dar o troco ao Conselho por tudo o que tinha feito com ele, ele já sabia
que não era. Queria mais da vida do que isso. Precisava de alguém para mantê-lo motivado, forte...
feliz.
Cynna.
Sua pele aqueceu só por pensar nela. A única pessoa em sua vida que não tomava, só
dava.
Ele se empurrou para trás da mesa e acenou para a grelha, onde Cerek estava tirando a
última leva de panquecas. — Vou levar um prato desses comigo.
A cadeira de Orpheus deslizou pelo chão de ladrilhos como ele. — Isso quer dizer que
você vai ao povoado?
— Sim, — Nick disse, odiando que estivesse concordando, sabendo que não tinha outra
escolha. — Mas primeiro vou levar o café da manhã de Cynna.
Cerek preparou um prato de panquecas, xarope, manteiga e talheres em uma bandeja e
entregou a Nick. — Você quer café?
— Os deuses gostam de vinho? Sim. Coloque essa merda aqui também.
Cerek riu e pegou dois copos do armário.
— Sobre a fêmea, — Orpheus começou.
— Não. — Nick não se preocupou nem mesmo em olhar na direção de Orpheus. — Ela
não é da sua conta.
Orpheus respirou. — Eu só ia dizer... Não sabia que você estava em toda a coisa chicotes-
e-correntes. Considerando com quem ela costumava trabalhar, no entanto, suponho que agora você
esteja.

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Merda. Orpheus sabia sobre o relacionamento de Cynna com Zagreus. Mas então, Nick
não deve ser surpreendido. Antes de se juntar os Argonautas, Orpheus havia passado muito tempo
no reino humano, ele mesmo imerso em escuridão e depravação.
Nick lutou para não ativar aquela energia escura. — Ela não é uma ameaça para você ou
qualquer outra pessoa
— Certo como um inferno, espero que não, — Orpheus murmurou enquanto Cerek passou
por eles e colocou duas xícaras fumegantes de café na bandeja de Nick. — Porque, se ela for, isso
vai foder tudo majestosamente. Não só para você, mas para todos neste maldito lugar. Faça um
favor, Niko. Pergunte a ela sobre seus pais. Pode descobrir algo de interesse.
Orpheus saiu antes que Nick pudesse perguntar o que diabos ele quis dizer. Mas a mente
de Nick já estava rodando com a realidade de que ele não sabia muita coisa sobre Cynna a não ser
que disse a ele sobre seus pais terem sido mortos. Na verdade, ele sabia muito pouco sobre ela. E de
repente seu relacionamento com Delia, a bruxa, parecia de grande importância.
Ele carregou a bandeja de volta até seu quarto e fechou a porta às suas costas. Cynna
estava saindo do banheiro quando ele entrou, vestindo uma saia longa preta que caia todo o
caminho até seus pés descalços, uma camisa branca que acentuava seus seios e fez sua pele parecer
ainda mais escura, e uma jaqueta jeans ajustada que ele coçava a retirar de seus ombros tonificados
e sensuais.
Aquela escuridão lentamente recuou quando ele absorvia cada centímetro dela, seus
quadris curvilíneos, os seios inchados, o cabelo escuro afastado de seu rosto e preso num rabo de
cavalo baixo, e as pequenas gotas de prata que pendiam de suas orelhas, captando a luz enquanto
ela se movia. E só a visão dela criava espaço suficiente em seu peito para que ele pudesse respirar
novamente.
Ela olhou para si mesma. — Aquela garota Siren me trouxe mais roupas enquanto você
estava fora. Ela deve pensar que eu tenho aquele ar de garotinha sobre mim, porque tudo o que ela
deixou foi esta saia.
Nick se lembrou de Cynna desfilando nos túneis de Zagreus naquela minissaia de couro
minúscula e naquelas sensuais botas de saltos altos. E ainda que ele gostasse muito daquele visual,
tinha que admitir, também gostava desse de garota da casa ao lado. — Funciona para mim.
Ela franziu a testa. — Estaria mais do feliz com o jeans que usei ontem, mas alguma
camareira veio e os levou para a lavanderia antes que eu percebesse que ficaria com isso. — Ela
olhou para a bandeja na mão. — O que é isso?

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— Café da manhã. — Já se sentindo melhor, ele colocou a bandeja sobre a mesa perto da
janela e acenou-a. — Panquecas.
Seus olhos escuros se encheram de cautela enquanto atravessava o quarto, lentamente,
abaixou-se para a cadeira em frente a ele. — Você cozinhou?
Ele bufou uma risada, meio grunhida enquanto colocava um prato vazio na frente dela e
transferia as panquecas, em seguida, fez o mesmo para ele. — Não. Cozinhar não é minha
especialidade. Eu peguei na cozinha.
— Bem. — Suas feições relaxaram quando ela levantou o garfo e esperou enquanto ele
derramou xarope sobre as panquecas. — Então tenho receio de até aonde isso vai, porque eu
também não cozinho. Você claramente precisa estar com alguém que garanta que você não vai
morrer de fome.
Não. Ele a olhou por cima da mesa, enquanto ela tomava o café da manhã. Ele precisava
estar com alguém que se preocupava com o que acontecesse a ele. Alguém que sabia como
confortá-lo quando ele estava estressado. Cujo toque o fazia esquecer tudo, a não ser dela. Alguém
que o desejasse tanto quanto ele a desejava. Precisava estar com alguém... exatamente como ela.
— Então, — disse ele, sacudindo o guardanapo, esforçando-se para parecer casual, pois
sabia que ele nunca poderia admitir tudo aquilo para ela sem que ela surtasse. — Não tive a chance
de perguntar como você conheceu a bruxa.
Ela congelou, depois engoliu a mordida em sua boca e rapidamente chegou para o café. —
Você quer dizer Delia?
— Era ela na casa? — Ele cortou em sua panqueca.
— Sim. Ela era uma amiga de minha mãe. Ela me ajudou a escapar quando Kyrenia foi
atacada. Eu lhe disse isso antes.
— Então ela não é um parente?
— Não. Eu não sou uma bruxa, se é isso que você está perguntando.
Não era isso. Mas foi bom saber que ela não estava se escondendo qualquer truque de
magia para uso posterior. Ele ergueu o café. — Como seus pais acabaram em Kyrenia?
Ela mastigou o pedaço em sua boca, mas apreensão deslizou em suas feições por apenas
uma fração de segundo antes de engolir. — Meu pai costumava se envolver na política Argolean.
Depois de um tempo, ele não concordava com o que o Conselho estava fazendo para os refugiados
em Kyrenia, e como uma demonstração de rebeldia, ele escolheu se mudar com eles.
Nick tomou um gole de café. — Ele era um político? Que tipo?

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Cynna hesitou, mas não o encarou. E vários segundos se passaram antes que ela dissesse:
— Ele era um membro do Conselho.
Uau. Sim, isso tiraria o Conselho do sério. E fez Nick se perguntar se grande parte da
razão pela qual o Conselho atacou Kyrenia foi em retaliação contra o cara. Não se espantaria se eles
acabassem com uma cidade inteira apenar para atingir uma pessoa que virou as costas para eles.
— Eles vinham tentando chutá-lo por anos, — Cynna disse, finalmente olhando para
cima. — Ele só foi selecionado para o Conselho para apaziguar a porção de pele escura da
população, o que tem diminuído ao longo dos anos. A maioria foi lentamente forçada à margem da
sociedade à medida que os trabalhos lentamente tornaram-se indisponíveis, e muitos acabaram em
Kyrenia. As bruxas não discriminaram. — Ela olhou de volta para seu prato e cortou sua panqueca
novamente, só que agora havia uma ponta de raiva em seus olhos e palavras. — Ao contrário do
Conselho, elas não olham para os tons de cor, apenas para a qualidade da alma.
Ele entendia a raiva dela. O Conselho não gostava de ninguém que fosse diferente.
— De qualquer forma, — ela continuou. — Ele ficou no Conselho, na esperança de
inspirar a mudança. Quando ficou claro que não ia acontecer, ele decidiu se mudar para Kyrenia e
ajudar a estabelecer um novo governo. Minha mãe era uma refugiada lá.
— E ela não era uma bruxa?
— Não. — Ela engoliu outro pedaço, cuidadosa, ele notou, em manter os olhos em seu
prato. — Só alguém que tinha vivido uma vez em Tiyrns.
Havia mais que ela não estava dizendo, a respeito de quem sua mãe fora e o envolvimento
de seu pai com o Conselho e como isso tinha afetado o ataque a Kyrenia. Mas algo em seu íntimo,
dizia a Nick que agora não era o momento de empurrá-la sobre isso.
Ele afastou o prato e cruzou os braços sobre a mesa à sua frente, odiando o que precisava
pedir em seguida, mas sabendo que não havia qualquer maneira de contorná-lo.
— Preciso ir para lá hoje. Para Kyrenia. Para ver o meu povo. Eles sabem que eu estou
aqui. Ontem, quando eu a segui, vários me viram. Não posso ficar por aqui e não falar com eles,
mas eu sei que eles estarão curiosos. Se eu não for, eles virão aqui para me encontrar.
Ela ergueu o café da mesa. — A propósito, como me encontrou?
Ele deu de ombros. — Não sei. Eu só me concentrei em você e soube onde estava.
— Você sempre foi capaz de rastrear as pessoas dessa maneira?
— Não.
— Hm. Outro dom novo.

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Sim, era. E não tinha certeza de como se sentia sobre isso. Muitos desses novos poderes
eram muito legais, mas não sabia se isso significava que estava ficando mais perto de quebrar como
Hades e Zagreus queriam, ou se ele estava ficando mais forte e de alguma forma poderia ser capaz
de resistir a essa ruptura final.
A energia sombria voltou furiosa, mas não se concentrou naquilo. Em vez disso, ele se
concentrou nela. — Preciso te pedir um favor.
Ela colocou sua caneca para baixo novamente. — Parece que estou fazendo um monte de
favores recentemente.
Ela estava, mas sentiu que ela não se importava. E isso o relaxava. Pelo menos o suficiente
para que ele pudesse derrotar a escuridão. — Eu preciso que você... — Não, não era assim que
queria que a frase saísse. — Será que você... por favor... iria para Kyrenia comigo hoje?
Ela levantou os cílios escuros e olhou para ele do outro lado da mesa. E à medida que seus
olhos se encontravam, ele pegou um flash de memória, que ela estava projetando, embora tivesse
certeza que não sabia que o fazia. A memória de vê-lo de pé no meio do pátio em chamas na
colônia, olhando para o chão enegrecido ao redor dele, os ombros curvados, a cabeça caída, e o
tremor que passou por ele.
Dor, culpa e raiva rolaram por seu peito. Todas as emoções que sentiu naquele dia olhando
para os restos de uma batalha que deveria ter impedido de acontecer, mas agora nunca poderia
mudar. Mas antes que esses sentimentos pudessem consumi-lo, teve outro flash de memória. Este
seu. Dela cuidando dele, cortando seu cabelo, confortando-o depois que ele quase enlouqueceu,
fazendo-o sentir-se humano novamente, quando ela não tinha nenhuma razão para sequer tentar.
Uma nova força surgiu dentro dele. Uma que o fez se sentir como se pudesse fazer
qualquer coisa, contanto que ela estivesse ao seu lado. — Por favor, Cynna.
Ela apertou os lábios e olhou para seu prato. — Você pediria a outra pessoa para ir com
você?
— Só você. Você é a única que eu quero.
Alguns segundos se passaram, e seu pulso batendo duro esperando por sua resposta.
Finalmente, seus olhos se encontraram. — Ok. Eu vou.
Ele estendeu a mão sobre a mesa e fechou sua mão sobre a dela, sentindo-se como se ele
pudesse respirar de novo e sabendo que era tudo por causa dela. — Fico te devendo.
— Não. — Ela puxou a mão de seu aperto e voltou a comer. Mas, quando o fez, algo
sombrio passou sobre seu rosto. — Você não me deve nada.

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Mas ele devia. Mais do que ela jamais iria perceber. E planejava fazer as pazes com ela
assim que conseguiu passar por isso.

Nick já estava agitado. Cynna podia vê-lo em seus ombros tensos, pela forma como a
mandíbula flexionou, no suor juntando no ponto em que suas mãos se uniam, onde ele a segurava
enquanto caminhavam na direção dos portões externos do povoado de Kyrenia.
Piscaram para cá do Castelo em Tiyrns, mas como ela ainda não era capaz de piscar
através de paredes, mesmo com ele, tiveram que passar pelo portão da frente.
Ele deu seus nomes aos guardas, e eles esperaram. Alguns flocos de neve caíam das
nuvens cinzentas acima, e Cynna tremeu na jaqueta jeans leve. Ela deveria ter agarrado algo quente
para vestir, mas não queria tomar o tempo para encontrar um casaco. Nick estava ansioso para
chegar aqui para que pudesse fazer fosse o que fosse que tinha que fazer e sair, e ela estava ansiosa
para ajudá-lo no que fosse possível.
Ela estremeceu novamente, e ele olhou para ela. — Você está com frio?
— Não. Eu estou bem, — ela mentiu. Honestamente, estar frio era meio que legal. Esteve
presa nos túneis de Zagreus por tanto tempo, que qualquer tipo de ar fresco era bem-vindo, gelado
ou não.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas as portas gigantescas gemeram antes que ele pudesse
conseguir as palavras, e depois a sua atenção se voltou para os rolamentos atrás das portas e para o
pátio que aparecia diante deles. Ele inalou uma respiração estabilizante e murmurou, — Não vá
longe demais. Posso precisar de você.
Cynna apertou a mão dele em segurança. —Não vou.
Ele não parecia ouvi-la. Ele já soltara sua mão e foi andando para o pátio. Várias pessoas
que circulavam por ali o viram. Vozes excitadas se elevaram. Um casal de crianças guinchou. Antes
que Cynna pudesse se dar conta, um aglomerado de pessoas se formou em torno de Nick, falando
ao mesmo tempo, as pessoas o abraçavam à direita e à esquerda, a multidão empurrou-a para trás
até que ela estava à margem, em pé na ponta dos pés para tentando ver sobre eles.
A voz de Nick soava no meio da multidão, mas Cynna só pegava pedaços do que ele
estava dizendo. —Sim, eu estou bem, — e —Não, nada disso, — e — Sim, eu vim para cá, logo
que pude. — Mas, com cada resposta, sua voz ficou mais apertada e mais grave e, apesar de seu

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povo, provavelmente, não perceber, ela podia dizer que a cada pergunta desgastava sua paciência e
controle.
Ela abriu caminho através da multidão para tentar chegar mais perto dele, ignorando os
olhares estranhos e sussurros enquanto ela passava. Alguns murmuravam: — É ela. A de ontem, —
mas Cynna ignorou os demais. Ela viu Nick no centro da multidão, e estava apenas cerca de quatro
metros de distância dele quando uma loira magra, de constituição atlética chamou — Nick! — Do
outro lado do pátio.
Sua cabeça se ergueu. Seus olhos se estreitaram na fêmea. Antes Cynna pudesse alcançá-
lo, ele desculpou-se com as pessoas à sua volta e abriu caminho para fora do círculo, indo direto
para a loira.
Cynna tentou seguir, mas ficou presa no meio da multidão. O cabelo da loira estava
puxado para trás em um rabo de cavalo. Ela usava calça jeans, botas, uma camiseta de mangas
compridas e uma jaqueta leve. E seus olhos azuis absolutamente se iluminaram quando eles se
fixaram aos de Nick.
Nick falou com ela, e a loira jogou um braço em volta dele, abraçando-o com força. E
embora Cynna soubesse que não tinha o direito, uma explosão de ciúme chicoteou por ela, fazendo-
a imaginar quem era essa nova fêmea e que ela significava para Nick.
— Oh meus deuses. Nick, — exclamou a loira, diminuindo a seus passos. — Estou tão
feliz em vê-lo. Você não tem ideia.
— É bom ver você também, Helene. Onde está Kellan?
Os olhos de Helene escureceram quando seu olhar pulou sobre o rosto de Nick, e seus
lábios voltaram para baixo em uma expressão triste. — Ele... não sobreviveu.
Cynna abriu caminho para a borda da multidão e observava a troca. A loira segurava seu
braço esquerdo em um ângulo estranho contra o seu corpo, a manga de seu casaco faltando, e olhou
para Nick tanto com remorso quanto arrependimento.
— Quando? — Ele perguntou em voz baixa.
— Durante a invasão. Perdemos cinquenta e oito antes de sermos evacuados. Teria sido
mais se não fosse a rainha.
Nick baixou a cabeça, esfregou as têmporas com o polegar e o dedo indicador de uma
mão, e olhou para suas botas. E o movimento de seus ombros, o aperto de sua mandíbula indicavam
a Cynna que ele estava lutando contra as trevas novamente. Assim como estivera na colônia.
Cynna cruzou rapidamente para ficar ao seu lado. A loira, Helene, olhou para ela com
surpresa e uma pitada de desconfiança. — Oi. Sou Helene.

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— Cynna
— Você é...
— Uma amiga, — Cynna respondeu.
Nick não olhava na direção de Cynna. — Helene me ajudava a dirigir a colônia.
Então ela trabalhava com ele. Isso explicava a excitação do fêmea ao ver Nick novamente.
Mas Cynna poderia dizer que Helene estava feliz em vê-lo por outras razões, mais pessoais.
— E Mark? — perguntou Nick.
Os olhos azuis de Helene escureceram mais uma vez, e ela balançou a cabeça novamente.
Nick respirou fundo, tirou a mão, então notou a maneira Helene estava se segurando. — O
que há de errado com seu braço?
— Não é nada
— Diga-me o que aconteceu, Helene.
Ela suspirou. — Foi um caos. Havia jovens no playground quando o ataque aconteceu. Eu
saí para trazê-los. Um daemon...
Sua voz foi sumindo, e os ombros de Nick ficaram rígidos, seus olhos tão duros como
Cynna jamais vira.
— Todos nós viemos embora, — disse Helene rapidamente. — Nenhum dos jovens foram
mortos, mas alguns de nós ficaram feridos.
Olhos de fogo de Nick atiraram em seu braço, segurou perto de seu corpo. — Seu braço
não...
— Não, não, — Helene cortou. — Não é como se minha perna. Não se preocupe, ele
ainda está ai. Ele só não consertou direito, e Callia, a curandeira pessoal da rainha, teve que operar
para reparar o dano. — Ela puxou o casaco de volta com o braço bom para que ele pudesse ver a
tipoia por baixo e a manga que dobrara para dentro para que não ficasse balançando quando ela se
movia. — Está vendo? Em poucas semanas, estarei de volta ao normal. É apenas temporário.
Esse pequeno pedaço de boas novas não pareceu aliviar qualquer ansiedade de Nick. —
Quem está conduzindo as coisas aqui?
—Eu estou. Bem, tanto quanto eu posso. Delia está ajudando muito, mas poderíamos
realmente usá-lo. Os Argonautas estão aqui agora e, a própria rainha também. Mas esta terra, Nick...
Não é nada do que eu esperava. Seu Conselho de Anciões...
— Nick!

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A voz de uma criança ressoou, e Nick virou-se para a esquerda. Uma menina, com não
mais do que sete anos, com cachos escuros e saltitantes, vestindo um casaco grosso e botas e
carregando uma boneca em uma das mãos, correu em direção a ele.
Nick caiu de joelhos quando ela chegou até ele, abriu os braços e a pegou em um abraço.
Ela jogou os braços ao redor de seu pescoço, a boneca pendurada em seus dedos enquanto ela o
apertava com força. —Nick, Nick, oh, Nick. Eu sabia que você ia voltar. — Ela olhou para Helene.
— Eu e Minnie não dissemos que ele voltaria?
Helene riu para a criança pequena. — Você disse Marissa. Prometo que nunca mais vou
duvidar de você e sua boneca de novo.
Marissa recuou e olhou nos olhos de Nick, mas não soltou de seu pescoço. E, quando ela o
fez, Cynna notou que todo um lado de seu rosto estava enrugado e com cicatrizes, como se tivesse
passado por algum tipo de fogo, fazendo o cabelo no lado direito de sua cabeça esparso, fazendo
seu olho desse lado inclinar-se apenas um pouco. — Eu vi você. Eu disse a todos eles que você
estava bem, mas ninguém quis ouvir. — Seu olhar correu por Nick e se estabeleceu em Cynna, e ela
sorriu. — Eu vi você também. Oi, moça bonita.
Quem quer que fosse essa menina, ela já passara pelo inferno e voltara, mas não parecia,
de forma alguma, perturbada por suas cicatrizes, e uma vez que Nick não estava olhando para elas
como se fossem novas, Cynna deu um suspiro de alívio e sorriu. — Oi, você.
Marissa voltou-se para Nick. — Eu os vi. Minnie me mostrou. Eles virão por você. — Ela
se inclinou perto do ouvido de Nick como se sussurrasse um segredo. — Não os deixe.
Nick se esticou e empurrou Marissa para trás, concentrando-se em seu pequeno rosto. —
O que mais Minnie viu Marissa?
Cynna não tinha ideia do que estava acontecendo, e ela olhou para Helene para obter
ajuda.
— Marissa é uma adivinha, — Helene sussurrou. — A vidente. A boneca é sua médium.
— A carranca puxou seus lábios. — Ela não deveria estar falando sobre essas coisas agora, no
entanto.
Um arrepio se espalhou pela espinha de Cynna.
— Marissa, — disse Helene mais alto. — Nick acabou de chegar aqui. Por que não dá a
ele uma chance de se acostumar antes de começar a lhe dizer que ele vai ter para o jantar.
Marissa sorriu e o deixou ir. — Ok. Mas quero mostrar o meu novo quarto. — Excitação
encheu seus olhos escuros novamente quando ela olhou para Nick. — Você quer vê-lo?

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— Sim. Claro. — Ele colocou a mão em seu pequeno ombro e levantou-se, e quando o
fez, Cynna pegou o movimento sutil. A forma como o dedo enganchou na gola do casaco da garota
e puxou o tecido de volta apenas uma polegada, revelando, cicatrizes vermelhas, como longas
garras longas que corriam pelo pescoço e desapareciam sob a roupa.
Seus ombros enrijeceram. Ele soltou a menina e forçou um sorriso para ela, antes que
deixasse cair o braço para o lado e dissesse: — Vou te encontrar daqui a pouco.
A criança saiu correndo para se juntar a um grupo de crianças chutando uma bola na rua.
Mas Nick voltou seu olhar ardente sobre Helene. — O que aconteceu com ela?
— Ela está bem
— Não foi isso que eu perguntei. Eu quero saber o que aconteceu.
Helene suspirou. — Ela estava dentro de casa quando o ataque aconteceu. Ela teve uma
visão de daemons e sátiros na escola. Ela veio me dizer. Eu fui correndo lá fora. Eu... eu não achei
que ela fosse me seguir.
Os olhos de Nick ficaram mais sombrios. E a maneira como seus músculos agruparam, a
maneira como suas mãos fechadas em punhos na lateral do seu corpo... Atirou preocupação
diretamente na espinha de Cynna.
Ela pegou a mão dele, na esperança de acalmá-lo, de mantê-lo equilibrado, mas ele se
afastou do seu toque.
— Onde está a mãe dela? — Ele olhou ao redor do pátio. As pessoas ainda estavam se
misturando, esperando para falar com ele. — Não a vi. Ela nunca deixa Marissa fora de sua vista.
Não, desde o incêndio.
—Nick, — Helene disse suavemente.
—Onde ela está?
O rosto de Helene caiu, tal como antes, quando ela lhe contou sobre os seus homens. —
Ela foi uma dos cinquenta e oito.
Nick deu um passo para trás. Seu peito subia e descia com sua respiração rápida. Cada
músculo em seu corpo ficou tenso. Sua mandíbula se virou para uma fatia de aço debaixo de sua
pele. E seus olhos... Eram frios agora, hostis, mortos. Um olhar que Cynna reconheceu
instantaneamente. Porque era o mesmo olhar que vira em seu próprio rosto quando finalmente
decidira voltar-se a Zagreus por vingança.
— Nick. — Cynna estendeu a mão para ele.
Ele virou-se antes que ela pudesse tocá-lo, afastou-se e desapareceu entre dois edifícios.

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O medo e a preocupação se fundiram dentro Cynna. Ela deu um passo para segui-lo, mas a
mão se Helene sobre o seu braço a deteve bruscamente. — Espere. O que há de errado com ele?
Cynna se virou para a loira. — Quem era a fêmea?
— Uma amiga. Uma das colonas.
— Nada Mais?
Helene soltou o braço dela. — Nick resgatou a mãe e Marissa de um ataque daemon anos
atrás. Elas estavam vivendo em estado selvagem com seu marido humano. Ele não sobreviveu. Nick
as levou para a colônia e prometeu protegê-las.
E ele não o fez. O coração de Cynna afundou. — Eu tenho que encontrá-lo.
— Mas...
— Se ele voltar por aqui antes de eu chegar até ele, não deixá-lo sair.
Uma expressão perplexa atravessou o rosto de Helene quando Cynna se afastou. — Eu
vou fazer o que puder. Mas...
—Sem mas Helene. — Pânico se espalhou por cada centímetro do corpo de Cynna. — Se
eu não encontrá-lo antes que seja tarde demais, todo o inferno pode se soltar. E não estou falando no
sentido figurado.

Capítulo 20

Uma rajada de vento levantou rabo de cavalo de Cynna, e um calafrio correu por sua
espinha. Cruzando os braços sobre o peito, ela correu para a rua, olhando na janela de cada loja por
onde passava, em busca de Nick.
Ele não conhecia os arredores de Kyrenia. Não saberia para onde ir para ficar longe das
multidões. A essa hora do dia, meio da tarde, ainda havia uma boa quantidade de pessoas na rua que
faziam negócios, mas o tempo foi se tornando mais frio, o céu mais escuro, e algo em suas
entranhas disse que uma tempestade estava se aproximando. Uma que provavelmente não poderia
comparar à tempestade surgindo dentro Nick agora.
Ela virou à direita e passou por cima de uma pilha de neve empurrada contra um edifício
recentemente reformado. Para onde ele iria? Se ela pudesse rastreá-lo do jeito que ele a rastreou,

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isso seria um inferno de muito mais fácil. Mordendo o lábio, ela olhou ao redor, em seguida,
lembrou-se da casa de Delia.
Era um tiro no escuro, mas era o único lugar que ele conhecia. Virou à esquerda e correu
pela calçada, não querendo piscar com a esperança que ela poderia correr para ele ao longo do
caminho, o tempo todo esperando, não, rezando, para encontrá-lo lá.
A três quarteirões da casa de Delia, o movimento entre dois grandes edifícios vazios com
janelas quebradas chamou sua atenção. Ela hesitou, virou-se para trás. Uma figura sombria estava
na metade do beco escuro, as mãos pressionadas contra a parede de tijolos, ombros curvados,
cabeça baixa.
O pânico se espalhou sob as costelas. Pânico, medo e esperança. Cautelosamente, moveu-
se para o beco. — Nick?
Nenhuma resposta. Não podia dizer se era ele. A pessoa era grande o suficiente, mas ela
respiraria mais fácil se tivesse levantando a cabeça para que ela pudesse ter certeza. Ela deu mais
um passo à frente. — Nick, é você?
— Saia... Cynna.
Alívio se propagou por cada veia e célula. Seu pulso abrandou quando ela se moveu em
direção a ele, tão agradecida por tê-lo encontrado a tempo. — Aí está você.
— Vá, — ele murmurou.
— Não, eu...
Seus passos diminuíram, e as palavras morreram em seus lábios quando ela deu uma boa
olhada para ele. A jaqueta leve que ele jogara por cima da Henley cinza estava rasgada nas costuras,
como se ele tivesse flexionado e a roupa se esfarrapou como papel de seda. Os músculos de seus
braços estavam tensos. As veias das costas das mãos inchadas. Seu olhar deslizou mais alto, para o
pescoço, vermelho e coberto de uma fina camada de suor, em seguida, para o seu perfil, que ela mal
podia ver, com a cabeça inclinada para baixo, a mandíbula, dura e rígida, seus olhos bem fechados,
sua têmpora pulsando com seu batimento cardíaco acelerado.
Outro arrepio espalhou-se por sua espinha, mas este não tinha nada a ver com a
temperatura. Estendeu a mão trêmula para ele. —Nick, deixe-me...
— Não. — Ele se desviou-se para longe do seu toque. — Basta ir. Não estou em um bom
lugar. E eu não quero... te machucar... quando isso acontecer.
Seu coração batia forte no peito. Não, não o entregaria a Zagreus sem luta. E Nick não se
livraria dela tão facilmente. Não depois de tudo o que tinham passado.

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Ela agarrou o braço dele antes que ele pudesse chegar a dois passos. — Não vou deixar
você desistir assim
Ele se virou para ela tão rápido, que ela mal o viu. Suas mãos se fecharam ao redor de seus
bíceps até que dor subiu por seus braços. Mas foi rapidamente ofuscada quando ele bateu suas
costas contra a lateral do prédio, sua espinha e crânio chocando-se contra os tijolos desgastados.
— Você acha que isso é desistir? — Ele pairava sobre ela, malícia, fúria e escuridão
rodando dentro dele para retorcer a sua feição, até o ponto em que não mais se parecia com o seu
Nick, mas alguém que estava... possuído. — Não tenho a porra de uma escolha aqui. Nunca tive. —
Ele apertou seus braços com tanta força, que trouxe lágrimas aos seus olhos e sua boca abriu-se
num grito silencioso. Então ele a soltou e se afastou. — Vá para bem longe de mim enquanto ainda
tem uma chance.
Cynna engasgou quando a dor diminuiu lentamente, e esfregou os braços para aliviar a
dor. Olhando para cima, ela viu Nick mover em direção a parte de trás do beco, seus ombros
tremendo, seu corpo mal o segurando junto como ele colocou espaço entre eles. Estava
acontecendo. Ele estava prestes a quebrar. E tão logo isso acontecesse, Zagreus, sem dúvida,
apareceria para reclamar seu prêmio. Ele estava certo, ela precisava correr antes que fosse tarde
demais.
Mas não podia. Porque soubesse ele ou não, ele a trouxe de volta da beira da
autodestruição. E não estava prestes a deixá-lo viajar por esse mesmo caminho.
Ela o alcançou e deu um passo para a direita em seu caminho. Ele parou abruptamente e
olhou para ela, seus olhos âmbar, que uma vez foram hipnotizantes agora era nada além de duras e
geladas piscinas negras. Assim como os olhos de Zagreus. Engolindo o medo se curvando em um
nó quente em sua garganta, ela ergueu o queixo. — Concentre-se em mim.
Ele rosnou e virou na outra direção, mas ela correu em volta dele e deu um passo em seu
caminho novamente.
— Olhe para mim. Fique comigo.
Seus olhos se fecharam. Ele balançou a cabeça como se estivesse tentando sacudir algo
solto. Pressionado as palmas das mãos contra suas pálpebras fechadas.
— Ouça o som da minha voz, Nick.
Ele cambaleou para trás. Seu corpo tremia. Suas mãos deslizaram sobre a testa, até que
seus dedos se envolveram em torno das extremidades de seu cabelo, puxando apertado. O suor
deslizou por sua têmpora. — Saia. Daqui. Agora. Porra.

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— Não, — ela disse suavemente, se aproximando, sabendo que precisava ficar calma se
tinha alguma esperança de arrancá-lo para fora disso. — Não vou a lugar nenhum. Disse que ficaria
com você, e vou. Concentre-se em mim. Apenas em mim. Ninguém mais.
As costas dele colidiram contra o prédio. Suas pernas cederam. Seu corpo sacudiu com
mais força.
Precisava alcançá-lo em um nível físico. Sabia que precisava de contexto, como fizera
antes.
Ela se colocou entre suas pernas e emoldurou o rosto com as mãos. Sua pele estava fria e
úmida, mas desta vez, não a afastou. E ela se concentrou nisso ao invés da maneira como ele tremeu
sob seu toque. — Não vou deixar você cair. Estou bem aqui. Eles não podem tê-lo. Está me
ouvindo? Não o deixarei ir.
Sua cabeça caiu para frente até que sua testa descansou contra a dela. Contra a parede seus
ombros sacudiram, e seu peito subia e descia com sua respiração superficial quanto ele lutou contra
as trevas perversas dentro, lutando a cada respiração ofegante.
— Deixe-me, — ele murmurou.
Ela apertou os dedos contra sua mandíbula. — Sem chance. Você é meu.
Um grunhido retumbando em seu peito, e em um movimento repentino, ele levantou a
cabeça e fechou a boca sobre a dela.
Ela respirou surpresa, então gemeu quando ele se afastou da parede, puxou o corpo dela
contra o dele e devorou sua boca. Calor espalhou-se por suas veias, acendeu uma queimadura
profunda em seu núcleo. Ela deslizou as mãos por seus ombros e em torno de seus braços,
precisando dele, querendo cada parte dele.
Seus dedos cravaram nos quadris, enviando um choque na lateral de seu corpo, mas ela
ignorou. Ao invés se concentrou na demanda contundente de sua boca, na forma como a língua
corria ao longo dela, no calor de seu corpo pecaminoso. Mas antes que o tivesse provado por
completo, ele se afastou de sua boca, chicoteou em torno dela, e então a empurrou com o rosto
contra a parede.
Suas mãos bateram no tijolo frio. O ar correu para fora de seus pulmões. Ele chutou entre
suas pernas abrindo-as, pressionou seu corpo duro contra suas costas, e cravou os dentes sobre o
lóbulo da orelha até que ela se encolheu. — Te de a chance de ir embora. Agora vai desejar ter ido.
Seu coração batia contra as costelas. Seu corpo tremia tanto com antecipação quanto com
um toque de apreensão. Mas sabia que ele não a machucaria. Não realmente. E se era disso que ele

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precisava para se manter equilibrado, para impedir que as trevas o reclamassem, então ela deixaria
que ele fizesse o que quisesse com ela. Daria qualquer coisa que ele pedisse.
Ela estendeu os dedos contra os tijolos e empurrou de volta para ele. — Não vou. Não
tenho medo de você.
Sua mão correu em torno de sua barriga, então sob sua camiseta. Seus dedos quentes
traçaram seu abdômen, agarrou o bojo do sutiã, e empurrou-o para baixo. A alça cortava seu ombro,
e ela apertou os lábios contra a dor, então seus dedos encontraram seu mamilo e apertaram com
força, fazendo-a gritar do choque súbito.
—Você deveria ter. Você deve ter muito medo. O que há dentro de mim é mil vezes pior
do que o que está nele.
Ele estava falando sobre Zagreus. Mas estava errado. Ele era força, honra e compaixão.
Ele havia mostrado para ela mais vezes do que podia contar. Zagreus não era nenhuma dessas
coisas. E até que a energia escura de Krónos tomasse Nick para sempre, ela faria o que pudesse para
provar esse fato para ele.
Ela mordeu o lábio com força para não gemer enquanto ele rolava o mamilo entre o
polegar e o indicador, quando ele empurrou o outro lado de seu sutiã para baixo e atormentou a
outra mama. Sim, doeu. Mas o choque da pressão inicial foi mais doído do que o ato em si. Quanto
mais tempo ele rolou, mexeu e torceu, mais rápido seu pulso disparou. E o formigamento foi
ficando cada vez mais forte, tanto que subitamente se refletia de seus seios diretamente para o meio
de suas pernas.
Seu sexo ficou quente e dolorido, seu corpo apertado e ansioso. Ela empurrou de volta
para ele, sentindo suas coxas fortes contra as costas de suas pernas e sua dura ereção pressionando
em sua espinha. Afastando a testa da parede, ela se esforçou para encontrar sua voz. — Eu estou...
Não vou lutar com você, Nick.
— Oh, você vai. — Ele liberou seu mamilo, fechou toda a sua mão ao redor de seu peito, e
apertou até que a dor se iluminou toda a massa. Sua outra mão se soltou de seu sutiã. Ele segurou a
saia em sua coxa, puxando-a até que o ar frio tomou conta de suas pernas. Então ele enfiou a mão
entre as coxas dela, segurou a calcinha, e a rasgou.
Ela chacoalhou surpresa, mas, em seguida, seus dedos estavam deslizando ao longo de
suas dobras, enviando arrepios através de cada célula de seu corpo, e ela não conseguiu conter o
gemido que retumbou de sua garganta.
— Gosta disso? — Ele rosnou perto de seu ouvido.
Ela fechou os olhos e balançou para trás contra ele, querendo mais. — Sim.

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Ele a acariciou para cima e para baixo, seus dedos criando uma fricção deliciosa que fez
todo o seu corpo arrepiar. — Assim?
Oh deuses... — S-sim.
Enfiou-se dentro dela com dois dedos, e ela engasgou. — Você gosta de ser usada? — Sua
voz era dura. Fria. Cruel. Nada que ela reconhecesse. Seus dedos deslizaram para fora, em seguida,
dirigiu de volta, e seu polegar circulou seu clitóris. — Era isso que fazia para Zagreus? Deixava que
te fodesse como uma prostituta?
Suas palavras feias esmaeceram seu prazer, e seus olhos se abriram, sua reação instintiva a
revoltou, queria lhe dizer para ir para o inferno. Mas não o fez. Porque sabia que ele tivera muitas
oportunidades para dizer justamente isso, só que não o fizera. O que significava que não era ele. Era
aquele pedaço vil de Krónos dentro dele empurrando-o para machucá-la, para fazê-la lutar de volta,
para forçá-la a correr para que pudesse finalmente reivindicá-lo.
Engoliu em seco e balançou para trás contra a mão dele. Ainda não estando disposta,
nunca estando disposta a deixar que os deuses o tivessem. — Ele não, só você. Só quero você.
Ele empurrou os dedos mais fundos, mais duros. E a sua voz tornou-se ainda mais
ameaçadora quando ele rosnou, — Você quer ser fodida? É isso que você quer?
Sabia que na manhã seguinte provavelmente estaria dolorida, provavelmente machucada,
mas não se importava. Porque isso era muito importante. — Sim, — ela gemeu, recostando-se
contra ele. — Sim. Por você.
Ele soltou seu peito, agarrou a saia na parte de trás, e empurrou-a. O ar frio varreu as
costas de suas pernas, em seguida, o denim roçou seu traseiro quando ele moeu o comprimento
rígido de seu pênis contra ela. — Você é uma putinha má, não é?
Para você. Só para você
Seus dedos se curvaram contra a parede enquanto ele continuava a fodê-la com a mão.
Prazer zumbiu por suas terminações nervosas. Ele estava acariciando aquele lugar perfeito no
fundo, deixando-a mais excitada. Seu polegar sacudiu seu clitóris novamente e novamente. Seus
quadris pressionados contra seu traseiro, seu pênis esfregando entre as bochechas. Era errado...
muito errado... estar gostando disso, mas não podia evitar. Porque com ele, ela gostava de tudo,
duro, áspero, suave, doce, não importava como. Não importava quando. A única coisa que
importava era que estava com ele.
Ela deixou cair a cabeça para trás contra o ombro dele, não conseguindo segurá-la, não
podia fazer nada a não ser deixar que a tomasse onde quer que ele quisesse. — Nick... Oh deuses.
Nick...

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Ele mordeu o lóbulo de sua orelha, e a mistura de prazer e dor a empurrou-a além do
limite. Seu corpo inteiro foi capturado em um turbilhão de luz e êxtase tão intenso, que roubou seu
fôlego, sacudiu seu corpo, e arrastou-a direto em um túnel de escuridão total.
Quando voltou a si, o seu rosto estava pressionado contra o edifício, seu peito subindo e
descendo com suas respirações rasas. Sua mente estava nebulosa, seu corpo flácido. Mas ela
reconheceu Nick ainda pressionado contra suas costas, sua testa descansando contra sua têmpora,
sua respiração quente correndo pelo seu pescoço. No entanto, mais do que tudo, ela conhecia sua
voz. A voz dele, não essa coisa feia raivosa que estivera roncando em seu ouvido apenas momentos
antes. Era a voz suave, familiar sussurrando seu nome mais e mais enquanto ela arranhou-se para
trás de um clímax tão forte que desmaiou.
Estava destruída, atordoada, queria apenas descansar. Mas não sabia quanto tempo duraria
sua lucidez, e mais do que tudo, precisava arrastá-lo de volta para ela para sempre.
Empurrando para longe da parede, ela se virou de modo que ela estava de frente para ele,
em seguida, levantou os dedos no queixo desalinhado. A saia caiu a seus pés. Sua jaqueta estava
rasgada na altura do ombro, mas não se importava. Ela focado apenas nele. Em suas mãos apoiadas
em cada lado dela, em sua testa descansando no ombro dela. Seu corpo tremia como se estivesse
atordoado demais, mas a força surgia sob seus músculos rígidos, apenas esperando para ser
liberada. E ela temia que este fosse apenas o olho da tempestade. Que se não fizesse algo rápido, o
perderia para sempre.
— Nick. — Ela levantou o rosto de seu ombro, apertou a boca contra a cicatriz em sua
bochecha, arrastou os lábios em sua têmpora, em seguida, seu nariz, então o canto de sua boca. —
Fique comigo. Tenho você. Não o deixarei. Não importa o que aconteça. Concentre-se apenas em
mim.
Ela beijou sua outra face, a mandíbula, trabalhou seu caminho de volta para sua boca.
Ele endureceu contra ela. — Merda. Cynna.
— Sim. — Gentilmente, ela beijou os lábios. — Diga meu nome. Tantas vezes quanto for
preciso. Não deixarei que o peguem. — Ela inclinou a cabeça para o outro lado, beijou-o
novamente. — Não o deixarei cair. Nunca o deixarei cair.
Um rosnado baixo construiu-se em sua garganta, e cada músculo de seu corpo ficou tenso.
E quando ele abriu a boca sobre a dela, empurrando sua língua com força entre seus lábios e
empurrando-a de volta para a parede novamente, ela se preparou para uma nova onda de raiva, de
maldade, de energia sombria e viscosa.
Não vá longe demais. Eu posso precisar de você...

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Ele precisava dela. Não porque ela fosse especial, não porque fosse sua alma gêmea. Mas
porque eram iguais. Eles se entendiam. Os dois dançaram com o diabo, e ela estava determinada a
se certificar de que sobrevivessem.
Abriu-se ao seu beijo agressivo, arrastou sua língua contra a dele, mesmo que ela soubesse
que ele estava tentando machucá-la novamente, e beijou-o de volta. Arrastando os dedos para cima
em seu cabelo, ela puxou os fios macios entre as pontas dos dedos e retribuiu o beijo com a mesma
ferocidade, a mesma energia, a mesma força que ele estava derramando sobre ela. E no momento
em que fez, algo dentro dele mudou.
Sentiu acontecer, como a explosão de um balão. Parecia que ondulava por todos seus
membros. Seus músculos relaxaram instantaneamente. Seu beijo ficou mais gentil. Contra sua
barriga, ele ainda estava duro e excitado, mas a raiva que o tomara, a selvageria, se dissipou como a
água evaporada no ar. E foi substituída por uma onda de calor e fome e necessidade que sentia por
todo o corpo até os dedos dos pés.
— Cynna... — Sua mão deslizou em torno de sua nuca, as pontas dos dedos suavemente
esfregaram sua pele enquanto a beijava, uma e outra vez. Sua voz tornou-se fraca, tensa, mas estava
cheia de uma urgência em pânico, como se estivesse com receio de que fosse perdê-la. — Cynna...
Seu coração inchou. Passou as mãos ao redor de sua cintura e correu os dedos por sua
coluna, Suavizando seu próprio beijo, mostrando-lhe com a boca e o corpo que se sentia da mesma
maneira, que não o deixaria. — Estou bem aqui. Não vou a lugar nenhum. Não pare de me beijar.
Uma mão se fechou em torno de seu peito para apertar, e a sua língua se enroscou com a
dela em uma dança erótica. Mas não era o encontro agressivo e duro de antes. Este foi mais suave,
mais eletrizante, e o formigamento que incendiou todo o seu corpo e disparou direto para seu sexo,
reacendeu cada grama de sua excitação. Segurando a saia na altura da coxa, ele a puxou novamente,
em seguida, cuidadosamente levantou sua perna enganchando-a ao redor de seu quadril.
— Cynna... — Ele balançou contra ela e deixou cair sua testa na dela, lutando para
encontrar sua respiração enquanto seu comprimento duro esfregou sobre seu clitóris. — Ah deuses,
Cynna... eu preciso estar dentro de você.
Ele estava pedindo, não mandando. Seu polegar roçou seu mamilo, enviando cacos de
desejo ao seu núcleo. Dar, não tomar. Seu coração inchou ainda mais porque ele estava de volta.
Não o perdera. Ele ainda era dela.
— Sim. — Ela ergueu a boca para a dele e beijou-o lenta e profundamente, em seguida,
estendeu a mão para o botão na cintura de sua calça e o deixou livre. — Sim, eu preciso disso
também. Mas, principalmente, eu só preciso de você.

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Ela deslizou a mão dentro de suas calças. Ele gemeu e afundou em seu beijo. Quando as
pontas dos dedos roçaram seu comprimento pulsante, tão duro e inchado, ela empurrou contra o
tecido em seus quadris, desesperada para libertá-lo de modo que pudesse senti-lo se movendo
dentro dela.
Ele levantou a boca da dela abruptamente. O temor ressurgiu, e ela interpretou mal as
coisas, achando que ele ainda estava no limite. Mas ele não a agarrou ou empurrou ou mesmo
tentou alcançá-la. Em vez disso, ele virou o rosto para a entrada do beco e ficou completamente
imóvel.
— O que...
— Shh
Seus dedos congelaram dentro de suas calças, o outro lado contra seu quadril, e ela se
virou para ver o que ele estava olhando. Só que não podia ver nada a não ser a luz da tarde
desaparecendo. E ela não ouviu nada além do seu pulso rugindo e suas respirações rasas.
— Nick?
Ele deu um passo para longe rapidamente, desalojando as mãos de seu corpo, em seguida,
baixou a perna e reposicionou a sua saia. Abotoando o seu jeans, e disse: — Alguém está vindo.
Cynna não se importava se alguém estava se aproximando ou não. — Eu não ouvi nada.
— Ela estendeu a mão para ele. — Venha aqui.
— Shh. — Gentilmente, ele empurrou as mãos dela. — Arrume sua camisa. Eles estão
quase aqui.
Frustrada, Cynna afastou-se para longe da parede e puxou a camisa para baixo, odiando o
frio que se espalhou sobre a pele depois de todo o seu calor delicioso. Ele não estava olhando para
ela. Precisava que ele olhasse para ela. — Nick...
— Tenho certeza que ele veio por aqui, — gritou uma voz em algum lugar perto.
Skata. Seu olhar disparou para a direita. Ele estava certo. As pessoas estavam chegando.
Com o estômago apertado, Cynna se afastou da parede e tentou desamassar a saia. Mas a mão de
Nick em torno de seu braço a deteve.
Ela respirou fundo e olhou para cima. Seus olhos eram piscinas quentes de âmbar líquido
quando ele se aproximou, segurou o rosto dela entre as mãos, em seguida, baixou a boca para a dela
no mais doce, e suave beijo. E cada bocado de medo, de frustração, de preocupação deslizou para
fora dela com aquele simples toque de seus lábios nos dela.

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— Obrigado, — ele sussurrou. — Sei o que você fez. — Ele descansou sua testa contra a
dela e respirou estremecendo. — Me desculpe, não posso controlar isso. Desculpe fazer isso com
você. Eu...
— Shh. — Ela levantou os dedos para o queixo e passou-as sobre o rosto desalinhado. —
Sem desculpas. Não estou machucada. Nem perto disso. Falei sério. Não vou partir. Farei o que for
preciso, quantas vezes for preciso, para trazê-lo de volta.
Ele gemeu, tomou seus lábios em um rápido e delicioso beijo, em seguida, soltou. — Eu
vou fazer isso por você. Eu prometo.
Ele deu um passo para longe antes que ela estava pronta para deixá-lo ir, e quando o ar
fresco da tarde substituiu todo o seu calor abafado, seu coração deu um salto duro, irrecuperável.
Porque nesse momento ela soube que o que sentia por ele era mais forte do que o amor. Era o tipo
de emoção pela qual uma pessoa estaria disposta a sacrificar tudo.
— Nick? — Uma voz masculina soou do final do beco. — Porra, cara. Estivemos
procurando por toda parte.
Cynna engoliu em seco e se virou. Dois machos caminhavam para eles a partir do final do
beco. O primeiro era alto e loiro, o segundo mais musculoso, com os olhos mais intensos. Um
sussurro de preocupação lhe correu a espinha, porque ela reconheceu os dois do dia em que ela e
Nick foram trazidos para o castelo. Em especial o segundo, porque ele era o líder dos Argonautas.
— Zander, — Nick disse, olhando para o loiro, em seguida, deslocando o olhar para o
outro macho. — Theron. O que está errado?
— Você precisa voltar para o castelo o mais rápido possível, — disse Theron.
O rosto de Nick foi tomado pela apreensão, e embora Cynna soubesse que ele não podia
evitá-lo por causa de toda essa coisa de alma gêmea, uma sensação de mal estar agitou-se no fundo
de seu estômago. — Por que? Está todo mundo bem?
— Todo mundo está bem, — disse Theron. — Ou estarão em breve. Callia descobriu o
que você precisa fazer para ajudar a Isadora.
É claro que era sobre Isadora. Tudo era sempre sobre Isadora. Cynna tentou lutar contra o
ressentimento e ciúme, mas não conseguiu esmagá-los completamente.
Nick olhou entre os dois novamente. — Então, a extração de sangue funcionou?
Theron e Zander trocaram olhares apreensivos. — Algo parecido com isso, — murmurou
Theron.
O pulso de Cynna acelerou, e uma vozinha na parte de trás de sua cabeça sussurrou que
ela não ia gostar de onde estava indo.

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— Algo assim, — Nick murmurou, olhando para cada um deles com cautela. — O que é
que não estão me dizendo?
Os Argonautas entreolharam mais uma vez. Zander levantou as sobrancelhas como se
fazendo uma pergunta. Theron balançou a cabeça.
Zander se virou para Nick. — Provavelmente é melhor que Callia e Natasa digam.
— Natasa está envolvida agora? — perguntou Nick. — A filha de Prometheus? Por que
de repente eu tenho um mau pressentimento sobre isso?
— Porque você é inteligente, — Zander murmurou baixinho.
O estômago de Cynna virou. E, embora tentasse não ouvir, aquela voz ficou mais e mais
alta, até que era grito um estridente em seus ouvidos.
Theron lançou um olhar duro a Zander, então acenou para Nick. — Venha. Quanto mais
cedo você acabar com isso, melhor. Pelo bem de todos.

Capítulo 21

— Eu vou esperar em seu quarto. — Cynna continuou a subir os degraus da grande


escadaria no castelo quando Theron e Zander chegaram ao terceiro andar.
Nick capturou sua mão antes que ela pudesse dar mais do que um passo e a puxou para o
seu lado, um sussurro de pânico correndo por sua espinha ao pensar nela ficando muito longe. —
Não, preciso que fique comigo.
Seu pulso já estava acelerando, e a energia escura que ele dominara graças a ela estava
subitamente ressurgindo. Não estava certo do que aconteceria se ela o deixasse agora.
Especialmente desde que as cicatrizes em suas costas estavam formigando com um mal-estar que
indicava que o que quer que os Argonautas e rainha quisessem dele não poderia ser bom.
Ela exalou um longo suspiro, mas não tentou se afastar novamente. E quando ele a puxou
com ele e seguiram os Argonautas pelo longo corredor que levava ao gabinete particular de Isadora,
alívio e calma encheram sua alma.
— Isso não me diz respeito, — ela sussurrou. — Você não precisou de mim antes, quando
eles o estavam cutucando com agulhas.
— Isso foi diferente. Eles não haviam chegado a quaisquer teorias ainda.

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Ela não respondeu, apenas seguiu em frente, enquanto caminhavam. Mas ele sabia que ela
estava se estressando. Ela não queria ver Isadora mais do que ele queria, especialmente depois do
que aconteceu entre eles. Tudo o que ele queria era terminar o que começaram e agradecê-la por
arrancá-lo da beira do abismo, mas uma vez, da forma certa. Mas não poderia fazê-lo até que tirasse
os Argonautas do seu pé e lidasse com qualquer emergência que tivesse aparecido neste momento.
— Sei que estou pedindo muito. — Ele olhou de soslaio para ela. Sua mandíbula estava
apertada, seus ombros tensos. Apertando a mão dela, ele acrescentou em voz baixa: — Vou te
recompensar. Um agradecimento duplo. Prometo que vai valer a pena.
— Pare de me fazer promessas. — Eles chegaram ao limite para o escritório, e Theron e
Zander entraram. Enquanto as vozes se ouviam lá dentro, Cynna puxou a mão de Nick e franziu a
testa, mas o encarou. — Especialmente aquelas que você pode não ser capaz de cumprir.
Ela se moveu para o escritório, e enquanto ele a olhava ir, um estranho pressentimento
tomou conta dele. Um que deu início a uma onda ao longo das cicatrizes em suas costas.
Ela estava chateada, e tinha todo o direito de estar. Especialmente porque Isadora parecia
manter-se entre eles. Mas não estava mentindo. Cumpriria essa promessa. Não apenas porque ele
devia Cynna por salvá-lo, mas porque precisava agradecê-la da única maneira que sabia. Mostrar o
que ela significava para ele. Dizer a ela...
Seu coração deu uma guinada.
Dizer a ela que a amava.
Sua pele ficou quente. Os capilares em seus dedos formigavam, e o ar ficou preso em seus
pulmões. Nunca se apaixonara antes, não sabia o que esperar, mas imediatamente soube que isso era
diferente da empatia da alma gêmea. Era mais forte. Mais profundo. Mais imediato. E era uma
escolha. Não um futuro predestinado ordenado pelos deuses. Era... libertador... no mais básico dos
níveis. Um desejo incontrolável de arrastá-la para fora da sala, beijá-la, dizer-lhe como se sentia.
Seu pulso disparou, o estômago virou quando ele deu um passo à frente, depois outro, com
a intenção de fazer isso. Cabeças viraram em sua direção, e ele registrou mais do que apenas
Isadora e Callia na sala, mas não se importava. Ele viu Casey sentada em um sofá, Theron em pé
atrás dela, Natasa outro lado da sala ao lado de Titus, Callia e Zander falando em voz baixa com a
rainha perto de sua mesa, seu irmão Demetrius passeando ao longo da parede distante. Mas ele não
podia ver Cynna.
Preocupação ondulava sob suas costelas quando procurou por ela. E quando finalmente a
viu, no canto perto da janela agora, um braço cruzado sobre seu peito enquanto roía a unha do
polegar e olhava para fora para o céu escurecendo progressivamente, o aperto em seu peito aliviou.

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Guardiões Eternos - 7

Inalou uma respiração profunda, alivio se espalhou através de cada célula de seu corpo. Um que
parecia como se fosse o primeiro do resto de sua vida.
— Nick, — disse Callia. — Estou feliz que você chegou aqui tão rápido.
Nick não estava. Ele olhava para além da curandeira, na direção de Cynna. Não devia ter
desistido de tudo com ela para vir correndo para cá. Deveria ter dito os Argonautas que lidaria com
a mais recente crise de Isadora mais tarde. Não podia mudar nada disso agora, de qualquer maneira.
Mas poderia fazer alguma coisa para fazer as coisas direito para Cynna.
Moveu-se para as janelas. — Seja o que for, isso pode esperar. Eu preciso...
— Não, isso não pode esperar. — Callia pisou em seu caminho, impedindo-o de chegar à
fêmea que precisava alcançar. — À medida que seus poderes de deus aumentam e sua imortalidade
se fortalece, você está drenando a sua alma gêmea de sua força vital.
— Diz a sua teoria.
— Diz a história, — Callia retrucou.
Nick franziu a testa e tentou dar um passo ao seu redor, mas Theron moveu-se em seu
caminho. — Ouça-a, Nick
Nick parou e olhou para o líder dos Argonautas. Ele não tinha tempo para isso, não queria
arranjar tempo, mas o senso comum dizia-lhe que se ele agarrasse Cynna e fugisse, nunca seriam
deixados em paz.
— Tudo bem. — Nick cruzou os braços sobre o peito, querendo acabar com isso o mais
rápido possível. — Você está falando sobre os três mortais que mencionou ontem. Os três que
morreram e se tornaram juízes do Inframundo. Eu já ouvi essa história.
— Tenho certeza que você não ouviu essa parte, — Natasa murmurou do outro lado da
sala. Quando ele olhou para a ruiva, ela se afastou de Titus e disse: — Callia me pediu para fazer
alguma pesquisa. Titus e eu fomos até meu pai para confirmá-la.
Seu pai, Prometheus, era um Titan, e uma vez que os Argonautas o haviam resgatado de
sua tortura perpétua nas mãos do bom e velho Zeus, o deus mais velho estava se escondendo nas
montanhas Aegis em Argolea, fazendo algo que os deuses sabiam que um Deus Ancião fizesse nos
dias de hoje.
Nick conteve a irritação. — Ilumine-me então. Mas faça-o rapidamente. Porque não estou
vendo a forma como três deuses do inframundo, dos quais nunca ouvi falar tenham alguma coisa a
ver comigo.
— Zeus deu a cada um dos três mortais, Aiakos, Minos, e Rhadamanthys, uma escolha, —
Natasa continuou. — Eles poderiam tanto viajar para as Ilhas do Santíssimo após a sua morte, ou

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tornarem-se imortais no inframundo. A imortalidade é uma isca sedutora. Cada um acabou por optar
por ela, deixando para trás uma companheira, uma alma-gêmea, no reino humano. A alma gêmea,
que acabou por morrer.
Ela estava certa. Toda essa parte de alma gêmea era nova, e tinha a sensação de que ele
sabia onde isso estava indo. Mas ainda não estava vendo a solução que Zander e Theron insinuaram.
— Os mortais não têm almas gêmeas.
— Não, mas Argonautas tem, — disse Casey do sofá. — Os três eram da linhagem de
Zeus. Os três serviram com os Argonautas em momentos diferentes.
Nick olhou para Casey. Sua mão repousava em sua barriga, seus olhos violeta como
sombra como ele já tinha visto. E havia uma tristeza sobre ela, uma que entendia. O aumento de
intensidade das vibrações em suas cicatrizes indicava que tinha a ver com ele. — Então me deixe
ver se entendi. Zeus teve que escolher três mortais para serem os juízes dos mortos no inframundo.
E ele escolheu Argonautas. E Hades não teve um problema com isso?
— Não era problema dele. — Theron descansou a mão no ombro de Casey. — Zeus é o
rei dos deuses, mesmo sobre Hades. E por que não escolheria Argonautas, só para foder com seu
irmão?
— Isso bem coisa de Zeus, — Zander murmurou.
— Eu verifiquei tudo com o meu pai, — disse Natasa. — É tudo verdade. Exceto que
havia um quarto mortal a quem foi dada a mesma escolha. Também um Argonauta. Ele escolheu a
imortalidade também, mas depois de saber a sua alma gêmea estava morrendo, ele escapou do
inframundo e correu de volta para encontrar uma maneira de salvá-la. De acordo com meu pai, a
reunião entre eles fez exatamente isso. Restaurou a energia de vida e a alma gêmea se equilibrou
entre eles.
Essa palavra... reunião... flutuava na cabeça de Nick, mas sua mente estava girando com
perguntas. Nunca ouvira falar de alguém que tivesse escapado do inframundo sobrevivesse para
contar a história, com exceção de Orpheus e Gryphon. — Você está dizendo que esse Argonauta
superou os deuses
— Não, — respondeu Natasa. — Em última análise, ele não o fez. Zeus o encontrou, e,
como punição por ter abandonado seus deveres imortais, ele o transformou em um daemon. Mas
sua alma gêmea sobreviveu.
A testa de Nick baixou. — Quem era o Argonauta?
Do outro lado da sala, Demetrius desacelerou seu ritmo frenético.
— Meleager, — disse Titus atrás de Natasa. — O Argonauta era Meleager.

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O nome dava voltas ao redor do cérebro de Nick, piscando como minúsculos pinballs
colidindo com o outro em um vasto espaço vazio. Meleager. Meleager...
E então, finalmente, registrou o nome, seus olhos arregalaram e dispararam a seu irmão.
— O amante de Atalanta. Você está me dizendo que ela, nossa mãe, era a alma gêmea desse
Argonauta?
Natasa acenou, chamando a sua atenção. — Ela não sabia que Zeus transformou Meleager
em um daemon. Ela pensou que ele tivesse voltado para os Argonautas, e quando ele desapareceu e
ninguém podia encontrá-lo, ela culpou a ordem por não procurá-lo. Anos se passaram sem notícias
dele, e, eventualmente, ela aceitou sua morte e sucumbiu à sua dor. Mas ela nunca deixou de culpar
os Argonautas. E, finalmente, a dor empurrou-a para fazer o pacto com Hades de imortalidade e
vingança.
Suor formou-se na testa de Nick. Não tinha certeza do que dizer. O que pensar, na
verdade. Isso tudo era muito mais do que ele esperava quando Theron o arrastou de volta para cá. A
vingança de sua mãe contra os Argonautas não fora porque a ignoraram sua iniciação na ordem com
base no seu sexo, como todos pensavam, mas porque ela culpava os Argonautas pela morte de seu
companheiro.
Reunião.
A palavra escorreu de volta em seus pensamentos confusos, como uma engrenagem presa
em uma roda, tentando se libertar.
Reunião...
Re...
As vibrações ondulavam ao longo de toda sua espinha enquanto seu olhar deslocou-se
para Callia. —O que Atalanta e Meleager têm a ver com Isadora?
Callia lançou um olhar preocupado para Zander. Seu companheiro balançou a cabeça, em
seguida, ela se virou seus olhos violeta em Nick mais uma vez. — Isso prova que o que quase
matou Atalanta é o mesmo o que está acontecendo com Isadora. É tudo sobre a energia vital e o
equilíbrio da alma gêmea. Queiram você e Isadora aceitar ou não, ela é sua alma gêmea e, como
qualquer dos Argonautas irá atestar, o vínculo alma gêmea é o laço mais forte que existe.
Nick olhou para seu irmão, mas Demetrius não estava mais olhando para ele. Ele estava
andando novamente, desta vez arrastando a mão pelo cabelo, como se apenas o pensamento de
ainda estará de pé pudesse matá-lo.
— Tentamos de tudo, — Callia continuou, chamando a atenção de Nick de volta para ela.
— Fizemos Isadora segurar o Orbe de Krónos, esperando que os poderes contidos no disco

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ajudassem, mas não funcionou. Confirmamos que sua energia aumenta quando você está na mesma
sala. Tocar você amplifica esse aumento. Tentamos ainda infundir seu sangue nela, o que funcionou
por uma hora ou mais para trazer seus sinais vitais de volta ao normal, mas os efeitos lentamente se
esgotaram. Sabemos que você é a chave para ela estar saudável novamente, mas nada que fizemos
até agora funcionou. Isso, porém... — Ela olhou para Natasa, então olhou para Nick. —Isso prova
que há realmente apenas uma maneira de resolver este problema.
Nick esperou a curandeira para lhe dizer que maneira era essa, mas Callia não foi em
frente. Ela apenas olhou para ele com uma expressão triste. Todos olharam, na verdade. Todos,
menos Isadora, que ainda estava sentada atrás de sua mesa, tão silenciosa quanto estivera durante
toda a conversa, olhando várias vezes para seu companheiro do outro lado da sala, e Demetrius,
que, Nick tinha certeza, ia criar caminho no piso de mármore, se não desacelerou seus passos em
breve.
A testa de Nick caiu. — Acho que não estou entendendo.
Reunião...
A palavra. O significado. Esse intenso powwow. Tudo de repente fez sentido.
O olhar de Nick dirigiu-se a Isadora, e depois a Demetrius de novo, nenhum deles o
encarava, então, finalmente, de volta para Callia. — Alguém me diga que isso é uma brincadeira.
Um silêncio sepulcral tomou conta da sala.
— Sério, — disse Nick, olhando de cara a cara. — Isso não é engraçado.
— Você vê Orpheus em algum lugar por aqui? — Zander murmurou. — Se isso fosse uma
piada, aquele lunático estaria aqui rolando de rir, amando cada minuto disso. Isso não é brincadeira,
cara.
De jeito nenhum. O peito de Nick esticou como um tambor. De jeito nenhum eles estavam
dando a entender que a única maneira de salvar a vida de Isadora era que ele...
Ele deu um grande passo para trás e descansou as mãos subitamente suadas em seus
quadris, incapaz de sequer pensar as palavras. Sim, pode ter havido um momento em que ele tinha
considerado, e até mesmo fantasiava sobre isso, porque a maldição da alma gêmea o atormentava e
ver Isadora tão feliz com seu irmão foi como uma faca no peito, mas de nenhuma maneira no
inferno teria feito algo sobre isso.
Sua atenção virou-se para Demetrius. — Você, de todas as pessoas, não pode estar
ouvindo essa insanidade. Por favor, Demetrius, pelo amor de tudo que é mais sagrado, me diga que
isso é a porra de uma brincadeira.

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Os pés de Demetrius pararam. Estava de costas para Nick, e ele não se virou para encará-
lo. Mas todos os músculos do seu corpo estavam apertados e rígidos, e a maneira como ele se
empertigou, a maneira como ele pegou um punhado de seu cabelo escuro e puxou com força, como
se ele estivesse tentando não pensar na realidade sofrida, reacendeu essas vibrações ao longo das
cicatrizes de Nick.
— Não é uma piada, — disse Theron em uma voz dura à esquerda de Nick. — Cada
Argonauta conhece o poder do sexo.
Nick se encolheu. Puta merda, alguém realmente o dissera. Apenas o uso da palavra fez
seu estômago virar e tudo isso parecer muito mais real. E fodidamente demente.
— Sexo solidifica o vínculo alma gêmea, — Theron continuou. — É como cada um de
nós soubemos quem era sua alma gêmea, sem dúvida. Callia está certa. O vínculo de alma gêmea é
a força mais forte lá fora. E os seus recem-descobertos poderes de deus estão fodendo com esse
vínculo de um jeito negativo. Ninguém está dizendo que isso tem de ser um evento contínuo. Uma
vez foi o suficiente para salvar a vida de Atalanta, e desde que ela era sua mãe, uma vez deve ser
tudo que precisamos aqui.
O líder dos Argonautas fazia soar como se estivessem falando sobre a troca de receitas,
não sobre Nick foder a mulher do seu irmão.
Essa energia escura dentro dele rugiu para a vida com uma explosão de emoção, mas Nick
lutou contra ela. Passando uma mão pela cabeça, ele agarrou seus próprios malditos cabelos,
querendo um pouco de dor para aliviar o latejar em seu crânio.
— Se este é uma... — deuses todo-poderosos, não podia acreditar que estava dizendo
isso... — uma questão de esperma...
— Não é uma questão de esperma, — disse Callia. — Não tem nada a ver com a
fertilidade ou até mesmo biologia. É por isso que a transfusão de sangue não funcionou. Trata-se de
solidificar uma ligação. Uma conexão. Uma que equilibra a energia.
Puta merda. Eles realmente não esperavam que ele tivesse relações sexuais com Isadora.
Todos na sala estavam esperando que ele dissesse sim, como se não fosse grande coisa. Ele olhou
para Isadora. Ela ainda não olhava em seus olhos, só ficava lançando olhares preocupados em
direção a Demetrius. Mas só o fato de que ela não estava pirando indicava que ela, ou já aceitara
essa insanidade, ou não estava disposta a fazer uma cena na frente de sua família e amigos.
Descrença correu através dele. Como diabos ela poderia aceitá-lo? Ele lançou um olhar
para Demetrius, que ainda estava fodidamente caminhando. Como diabos ele podia? Eles estavam

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apaixonados. Loucamente apaixonados. Ele vira aquilo muito de perto. Isso não era algo que duas
pessoas apaixonadas jamais concordariam.
Ele não estava fazendo isso. Não podia. Agora que ele sabia como era o amor, ele não
podia, não faria, nada que comprometesse o deles.
O olhar de Nick deslocou-se para as janelas em busca de Cynna. Só que ela não estava lá.
Ele olhou ao redor da sala, mas não conseguiu encontrá-la. Ela saíra. Em algum momento, quando
ele estava envolvido em toda essa bobagem, ela esgueirou-se, e ele ainda não tinha notado.
Pânico empurrou em seu peito. Ela saíra antes ou depois deles decidirem que ele precisava
dormir com Isadora, a única pessoa que Cynna odiava mais do que qualquer outra coisa no mundo?
— Eu... não vou fazer. — Nick virou-se para a porta. — Isso é loucura. Vocês estão
loucos, porra.
Passos arrastaram às suas costas. Theron o chamou: — Espere. — Mas Nick ignorou. Ele
precisava sair dessa casa de loucos antes que ficasse ele mesmo completamente louco.
Zander parou a sua frente e colocou seu grande corpo entre Nick e a porta, bloqueando a
saída de Nick.
— Mova-se, — Nick disse pronto para acabar com ele.
— Não, você vai fazer. — Os olhos de Zander mudaram para um escuro tempestuoso
cinza, que indicava que sua lendária raiva estava apenas esperando para ser libertada.
Como se Nick realmente se importasse. Ele tinha sua própria escuridão com a qual lidar.
— Não, eu não vou. E nenhum de vocês pode me obrigar.
Moveu-se para contornar Zander, mas o guardião bateu com a mão no peito de Nick e
empurrou-o de volta. — Isto não é apenas sobre você. As pessoas vão morrer se você não fizer a
coisa certa.
— Zander, — Callia disse suavemente a partir do lado oposto da sala.
— Não, Thea. Ele precisa saber a verdade do caralho.
— E que verdade é essa? — Nick reprimiu, aquela a energia sombria agora um trovão
rugindo em suas veias. —Vocês todos estão com a cabeça fodida, porque querem que eu foda a
esposa do meu irmão? Desculpe-me, mas eu não estou em seus jogos doentes e retorcidos.
— Não. — Zander bloqueou o caminho de Nick, ainda não o deixando passar. — Esta é a
verdade. Se Isadora morre, então, Callia e Casey morrerão, porque elas estão ligadas através da
Horae. E eu vou embora também, já que a minha companheira é a minha fraqueza. Mas se esqueça
de mim. Esqueça o que isso fará aos meus filhos ou à filha de Isadora, ou até mesmo ao bebê de

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Casey, se ele sobreviver. Você já viu o que acontece com um Argonauta quando ele perde sua
companheira?
A insanidade de Ari brilhou na mente de Nick. O olhar enlouquecido em seus olhos. Sua
sede de vingança. Sua imprevisibilidade e imprudência irracional.
— Theron e Demetrius não terão nenhuma serventia se perderem Casey e Isadora. Isso
deixa o que? Orpheus, Gryphon, e um punhado de outros caras para proteger o reino humano?
Orpheus é imprevisível na melhor das hipóteses. Gryphon ainda está muito bem fodido na cabeça
por ter sido um joguete dos seus pais no Tártaro. E os outros caras são duros pra caralho, mas como
eles podem ser eficazes sem o resto de nós para apoiá-los? E o que acontece se Argolea perde a sua
rainha? Você parou por um minuto para pensar sobre isso? O Conselho irá correr e abolir a
monarquia. A filha de Isadora nunca terá permissão para governar. E o seu povo... O que diabos
acha que o Conselho fará com os Misos quando Isadora não estiver aqui para protegê-los? Quando
você não estiver por perto para ajudá-la?
Um calafrio duro se assentou no centro do peito de Nick. Ele sabia exatamente o que o
Conselho faria. A mesma coisa maldita que eles tentaram fazer com ele. A diferença é que seu povo
não era nem a metade forte do que ele fora até mesmo quando criança. Nunca sobreviveriam.
Um zumbido soou através de seus ouvidos. Um que enviou o seu turbilhão ao estômago.
— Isto não é apenas sobre você. — Zander deixou cair a mão do peito de Nick. — Isto
não é nem mesmo sobre sexo. Isso é maior do que todos nós. Se você fosse a metade do líder que
seu povo pensa que é, você seria homem e faria a coisa certa dessa vez e os salvaria como você
deveria ter feito antes.
O olhar de Nick disparou, e toda aquela escuridão rolando avançou. — Por que, seu filho
da pu...
— Tudo bem, o suficiente, — Isadora ergueu-se. — Zander, você disse o que pensava,
agora recue. Isso não é problema de Nick, é nosso. E isso não é culpa dele, então pare amontoar
culpa onde ela não pertence. Quer culpar alguém, culpe os deuses. Nick. — Sua voz suavizou,
apenas um toque. Mas ainda estava tensa, dizendo-lhe que ela estava tão ansiosa sobre todo este
pesadelo quanto ele estava. — Ninguém vai lhe dizer o que tem que fazer, muito menos eu. No que
me diz respeito, esta é uma bagunça gigantesca, sem solução certa ou errada.
Ela deu um passo para trás da mesa, parecendo ainda mais magra do que parecera ontem
quando Nick chegou a Argolea. — Vou lá pra cima verificar a minha filha. — Ela olhou para
Demetrius, e Nick não podia deixar de ver a dor e o medo persistente em seus olhos. — Se alguém
precisar de mim sabe onde me encontrar.

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Ela caminhou passou por Nick, em seguida, desapareceu no corredor. Quando o silêncio
caiu sobre a sala, Zander moveu-se de volta, mas não desviou o olhar de Nick. E Nick sabia que
todo mundo estava olhando para ele, esperando que ele dissesse alguma coisa, fizesse alguma coisa,
que fizesse a coisa certa. Mas não sabia o que diabos fazer. E tudo o que podia pensar era em
alcançar Cynna, onde as coisas faziam sentido.
Moveu-se para o corredor, e se dirigiu para as escadas. Desta vez, felizmente, ninguém
tentou impedi-lo.
— Niko, espere
Foda.
Nick acalmou ao ouvir o som da voz de Demetrius. Com uma mão no corrimão, ele
lentamente se virou para seu irmão.
Sombras cobriam o rosto de Demetrius, mas quando ele se aproximava, Nick viu o que ele
tinha perdido no escritório de Isadora porque o guardião estivera olhando para longe o tempo todo.
Agonia. Pura, agonia desenfreada. Do tipo que poderia destroçar uma pessoa. Do tipo que Nick vira
nos rostos de tantos dos presos no covil de Zagreus.
— Você tem que fazer isso.
Nick soltou o corrimão. — Não. Apenas... não.
— Ela vai morrer. Não posso salvá-la. Só você pode. Tem que fazê-lo.
Nick apertou a testa com o polegar e o indicador. — Puta merda. Você percebe que você
está me pedindo para fazer?
— Sei exatamente o que estou pedindo, — disse Demetrius em voz baixa. — Eu odeio
isso? Pode fodidamente apostar que sim. Mas ela está correndo contra o tempo, e não posso parar
isso. Tentamos de tudo. Preciso dela para viver, Niko. Elysia precisa dela para viver. Este país
precisa dela para viver. E se isso significa que eu tenho que compartilhá-la com você, — ele engoliu
em seco, como se apenas o pensamento enojasse, o que Nick estava certo que sim. — então eu o
farei. Vou fazer de tudo para salvá-la.
Nick deixou cair sua mão, ainda incapaz de acreditar, disposto a aceitar, que Demetrius
estava pedindo a ele... não, implorando... para...
Merda.
Ele nivelou um olhar sobre seu irmão. — Ninguém naquele maldito escritório mencionou
o elefante na sala. Se a conexão de alma gêmea a está afetando de um jeito negativo, você sabe o
que poderia acontecer. Você sabe o que pode resultar.

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Olhar escuro de Demetrius nunca vacilou de Nick. — O vínculo alma gêmea amplifica os
envolvimentos emocionais. Sim. Eu sei.
— O que significa que ela poderia se apaixonar por mim.
A mandíbula de Demetrius enrijeceu.
— E você está bem com isso? — perguntou Nick, de olhos arregalados.
— Não, não estou nem um pouco bem com isso, — Demetrius estalou. — Mas não tenho
uma maldita escolha aqui. É isso ou a morte. E eu não posso, eu não vou perdê-la. Você tem que
fazer isso. Ela estará na ala vermelha, no quinto andar, às nove horas. Vou me certificar de que ela
esteja lá.
— Hoje à noite? — Nick recuou. — Puta merda. Isso não é apressar as coisas só um
pouco?
— Quer que ela sofra? Porque isso é tudo o que consegue, fazendo-a esperar.
— E se todo mundo naquela sala estiver errado?
— Não estão. Você e eu sabemos que no fundo isso é sobre a maldição da alma gêmea.
Posso senti-lo. Sei que você também pode. Ela fica mais fraca a cada hora. Não há como dizer
quanto tempo resta. Se o estresse em seu corpo chegar a ser muito grande, poderia empurrá-la para
uma parada cardíaca. Callia me deu cada detalhe horrível, e eu não posso... eu não... — Ele respirou
trêmulo. — Encontre-a hoje à noite e termine com isso, Niko.
Houve um tempo, não faz muito, quando Nick teria saboreado essas palavras de seu
irmão, mas não agora. Este não era qualquer tipo de vitória. E sabia que se concordasse com isso,
nenhum deles sairia disso ileso.
Nick fechou os olhos. Ficaria feliz em negociar um tempo nas câmaras de tortura de
Zagreus por essa bagunça fodida. — Não quero isso. Não... quero te machucar.
— Então, não a deixe morrer. Faça a coisa certa.
Santo inferno. Nick não sabia mais o que era a coisa certa. Não queria que ninguém
morresse, não seu povo, não Casey e Callia, e especialmente não Isadora. Mas isso... O que estavam
todos pedindo que fizesse...
A pressão construiu-se em seu peito, o fez se sentir como se estivesse sendo sugado sob
um furacão, uma onda brutal. Precisava Cynna. Precisava vê-la e tocá-la. Precisava dela para
equilibrá-lo, como ela sempre fora capaz de fazer. Precisava dela para lhe dizer o que diabos ele
deveria fazer a seguir.
— Eu vou... — Foda. Não podia acreditar que estava realmente prestes a dizê-lo. — Vou
pensar sobre isso

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— Não pense muito tempo, — disse Demetrius quando Nick virou-se para as escadas. —
A nossa alma gêmea não tem muito tempo.

Cynna observava a paisagem escurecer do assento de janela no quarto que compartilhou


com Nick a noite passada. A ampla praia estendia-se para além das muralhas do castelo e
desaparecia nas ondas que banhava a costa. Mas seu olhar estava fixo no horizonte, onde as nuvens
se abriam apenas o suficiente para deixar alguns tímidos raios de sol atravessar enquanto o sol se
punha à distância, empurrando tudo para a escuridão.
Ela fechou os olhos e respirou fundo. Fora tola ao pensar que poderia ter um pouco
daquela luz do sol em sua vida. A escuridão era tudo o que conhecia. Desde que seus pais
morreram, era a única coisa que era consistente.
A porta atrás dela abriu e fechou, mas não se virou para olhar. Não podia. Não pelo
tumulto que estava sentindo nesse momento.
— Achei que talvez você tivesse partido, — disse Nick em uma voz calma.
Cynna piscou afastando a picada inútil de lágrimas e disse a si mesma nem tudo estava
perdido... ainda. Ele poderia muito bem estar aqui para anunciar que havia dito a rainha e a todos os
outros naquela sala para se foderem. — A última vez que fiz isso, não fui muito longe...
O som de seus passos percorreu o chão acarpetado, então ele afundou a seu lado no banco
da janela, onde ela estava sentada de costas para a parede e os joelhos puxados até o peito. Mas não
a tocou. E uma pequena voz na parte de trás de sua cabeça sussurrou que esse não era exatamente
um bom sinal.
Ele se inclinou para frente e apoiou os antebraços contra as coxas. — O quanto de toda
aquela loucura você ouviu?
Skata. Ele não dissera a eles para se foderem. Se tivesse dito, seus ombros não estariam
agrupados e aquele olhar culpado não estaria brilhando nos cantos dos olhos.
Aquela pequena esperança a qual se agarrara também caiu como uma pedra na boca do
estômago, a vozinha escarneceu, Que diabos você esperava? Ela é sua alma gêmea. — O
suficiente.
Ele olhou para o chão e apertou as mãos. — É maluquice, certo? Quero dizer...
realmente... ultrajante.
Não, não era apenas ultrajante. Aquilo era completamente doente e retorcido, mas não era
Cynna quem deveria dizê-lo. Não tinha nenhum poder sobre ele. Ela não era sua alma gêmea. E ela

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sabia daquilo desde o momento em que se envolvera emocionalmente com ele. Acabara por
estupidamente fantasiar que isso não importava.
— Então, entendo que ela realmente vai morrer.
Ele ainda não levantou a cabeça. Apenas continuou a olhar para o chão, com aquela
expressão ilegível no rosto. — Parece que sim.
Preparando-se para uma conversa que ela não queria ter, ela baixou os pés no chão,
tomando cuidado para não tocá-lo, em seguida, levantou-se. — Bem, parece que você está
conseguindo tudo o que sempre quis então. Até mesmo com a bênção de seu irmão.
— Não quero isso, — disse Nick quando ela cruzou para a cama. — Eu realmente nunca
quis.
Ela olhou para o casaco leve que Skyla lhe dera no primeiro dia, posicionado sobre o
colchão. Já jogara longe a jaqueta jeans que usava mais cedo. Estava rasgada no ombro por causa
dos acontecimentos no beco, e não conseguia mais olhar para a jaqueta. Não conseguiria lidar com
as lembranças da maneira como Nick finalmente a beijara depois que ela o arrancou da beira do
abismo, da ternura em sua voz, da forma doce como a tocou, e sua necessidade urgente de estar
perto dela. Não de sua alma gêmea, mas dela. — Acho que realmente não importa o que qualquer
um de nós quer agora, não é?
Ele se levantou. — Cynna...
— Não, você sabe, está... tudo bem. — Ela fechou os olhos e apertou os dedos contra sua
têmpora pulsando. Estava mentindo. Nada estava bem. Nunca estaria bem, mas o que diabos ela
poderia fazer sobre isso? — Ela é sua alma gêmea, e ainda que eu possa não entender toda essa
coisa da atração da alma gêmea..., eu definitivamente notei que você não pode dizer não para ela.
Então tudo bem. Faça o que tem que fazer. — Ela baixou a mão e pegou o casaco. — Você não me
deve nenhuma explicação.
— Não é o que você pensa. — Ele deu um passo em direção a ela.
Ela tentou não encará-lo, mas não conseguia deixar de olhar para cima. Seus olhos
estavam sombrios, com a testa franzida. Ele era provavelmente o homem mais forte que ela já
conheceu, ainda mais forte do que Zagreus por causa de tudo o que tinha vivido, mas, no momento,
ele não parecia forte. Ele parecia destruído. E seu coração insensato sofreu por ele.
— Não é apenas sobre ela, — ele continuou. — É sobre o que acontece com suas irmãs se
ela morrer, e às pessoas de Argolea se não houver monarquia dominante, e sobre o que o Conselho
vai fazer para o meu povo no povoado se a rainha não estiver por perto para impedi-los.

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Ele estava justificando a sua decisão. Uma decisão que ele claramente já tomara. Seus
olhos se fecharam, e seu coração, ou o que restava dele, parecia que explodiria em chamas no centro
de seu peito.
Respirando fundo, ela se recompôs como pôde, abriu os olhos, e pegou a jaqueta. — Então
acho que é tudo o que há para dizer.
Ela se virou para a porta, mas ele se moveu rapidamente, dando um passo em seu
caminho. — Espere.
Irritada agora, que isso estivesse acontecendo, que não pudesse mudá-lo, que ela não era o
suficiente para que ele quisesse encontrar uma maneira de mudar a situação, ela olhou para ele. —
Para que?
— Só... Eu ainda preciso de você.
Frustração, dor e traição tudo girava dentro dela. — Você nunca precisou de mim. Não
realmente. Fui apenas uma distração da realidade. No covil de Zagreus, quando chegamos à
colônia... aqui. Nunca tive qualquer poder mágico sobre você, Nick, não como sua alma gêmea, e
você sabe disso. Então, eu tenho certeza que se alguém como eu pode distraí-lo para qualquer coisa
que precise, então sua alma gêmea fará um trabalho ainda melhor.
Ela deu a volta ao redor dele, mas ele agarrou seu braço, o calor de seus dedos queimando
em sua pele debaixo de sua jaqueta quando ele se virou para encará-la.
Deuses malditos... Ela estava além-compreensão. Queria atacar, dizer-lhe para deixá-la em
paz, diabos, poder fugir. Mas quando olhou para ele, a angústia que viu em seu rosto cheio de
cicatrizes quase a matou.
— Não... quero que você parta, — disse ele em uma voz triste.
Oh deuses. Tudo doía, seu estômago, seu peito, seus braços e pernas, a cabeça. E ela se
viu querendo afundar e confortá-lo do jeito que ela precisava ser confortada neste exato segundo.
Mas não podia. Porque algo lhe dizia que quando ele eventualmente a deixasse para estar com
Isadora, aquela força de vontade à qual se segurara com tanta força por todos aqueles meses com
Zagreus, finalmente quebraria. Ela serpentearia ainda mais fundo nas profundezas do desespero que
a empurraram em direção à vingança em primeiro lugar. Para um lugar do qual ela nunca se
libertaria.
— Nem eu, — ela conseguiu. — Mas nunca tive o que queria da vida. E desta vez, eu não
estou disposta a fazer concessões.

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Gentilmente, ela puxou o braço do dele e endireitou a coluna. —É egoísta da minha parte.
Eu sei que é. Mas não vou te dividir com outra pessoa, especialmente ela. Eu simplesmente... não
posso. Se você fizer isso, então terá que fazê-lo sem mim.

Capítulo 22

Zagreus marchou para fora da caverna onde Lykos estava atormentando uma ninfa
particularmente impertinente acorrentada à parede. Nada o agradava recentemente. Nem os sons de
agonia em seu covil, nem assistir Lykos, agora que estava curado de suas feridas, trabalhar seus
talentos especiais em uma ninfa que tentou fugir. Nem mesmo brincar com o trio de ninfas Maenads
que ele levara para seu quarto na noite passada.
Ele dirigiu-se para seu escritório, abriu a porta e caiu na cadeira atrás de sua enorme mesa.
A janela subaquática lançava tons de azul e verde sobre o quarto escuro, e ele olhou para o peixe
nadando perto, imaginando se rasgá-lo em pedaços faria qualquer coisa para melhorar seu estado de
espírito.
Provavelmente não. A única pessoa que poderia levantar seu ânimo estava a um mundo
inteiro de distância, provavelmente fodendo seu tio neste exato minuto.
Seu humor deslizou mais fundo na escuridão. Ele apertou a mandíbula e bateu os dedos ao
longo da superfície de pedra de sua mesa. O dispositivo de rastreamento no braço de Cynna fora
uma distração, assim ela e Nick pensariam que era daquela forma que ele os estava rastreando. Mas
ele não precisava daquilo para saber onde ela estava ou o que estava sentindo. Graças ao seu
sangue, que agora circulava em suas veias, ele estava a par de suas emoções. E essas emoções, essas
nojentas e abomináveis emoções, atualmente fodiam com seus planos.
Sua doce Cynna tinha fortes sentimentos por Nick. No entanto, em vez de estar muito feliz
por esse sentimento, ela atualmente estava cheia de raiva, algo que enfurecia Zagreus além da razão.
Até que ele sentiu a explosão de alegria e emoção que ele sabia que só vinha a partir dessa emoção
inútil que os Argoleans e humanos chamavam de amor, e não poderia dizer se seu tio se apaixonara
por ela ainda.
Odiava o fato de que ele precisava que isso acontecesse, mas quebrar o filho de uma
cadela emocionalmente era a única maneira que ele tiraria proveito dos poderes de Nick uma vez

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por todas. Ainda assim... o pensamento de Cynna fodendo o bastardo, dela gostando, de saber que
ela estava se apaixonando pelo babaca, fez Zagreus ver nada além de ira ofuscante.
— Acha que poderia me trair e eu não descobriria?
Assustado, para além de sua raiva, pelo som da voz ameaçadora, Zagreus sacudiu e olhou
para a esquerda, onde Hades estava sentado em uma cadeira no canto escuro da sala, seus olhos
negros como pecado, como punhais perfurando seu filho.
Fooooda. Fique calmo.
Zagreus olhou de volta para o velho e querido pai. — Você não tem nada melhor para
fazer do que se preocupar em me pegar? As coisas devem estar lento no Inframundo.
— Não banque o modesto comigo, filho. Onde está a sua mulher? Aquela que você gosta
tanto de foder nesse covil deplorável que você chama de casa?
O sangue de Zagreus aqueceu, mas ele se forçou a não reagir. — Por aí.
Hades se empurrou para fora da cadeira, seu olhar jamais desviando do rosto de Zagreus.
— Sua mulher está em Argolea com meu prêmio.
Uma gota de apreensão deslizou pela espinha de Zagreus. — Por que você sequer pensaria
nisso?
— Porque eu tenho espiões no Conselho Argolean que me mantem a par do que está
acontecendo em seu reino, e os dois foram recentemente vistos juntos lá. — Ele bateu as mãos na
mesa de Zagreus, obrigando Zagreus a recuar uma polegada contra avanço da ira incandescente de
seu pai. — Não há nenhuma maneira de que pudessem ter escapado de seu controle, a menos que os
deixasse ir. Os poderes do semideus podem continuar a crescer, mas ele não é tão forte quanto você.
Ainda não. Não, a menos que ele quebre. E algo me diz se você soltou sua cadela com ele, isso
significa que você está a ponto de reivindicar algo que não pertence a você.
O pulso de Zagreus bateu forte, enquanto olhava para o rosto enfurecido de Hades. Como
um deus, Zagreus era imortal. Seu pai não poderia matá-lo, mesmo se quisesse. Não podia nem tirar
seus poderes. Mas podia destruir tudo o que construíra, e sabia onde Cynna estava. Em retaliação
para o que ele considerava traição, Hades não hesitaria em tomar a única coisa que realmente
importava a ele.
— Não estou esperando reivindicar qualquer coisa, — Zagreus mentiu. — Isso tudo é
parte do meu plano. Ele se preocupa com a fêmea. A dor física não o quebrará. Dor sexual não
pareceu perturbá-lo. A dor emocional é a única coisa que vai funcionar. A fêmea está do nosso lado.
Na verdade, — ele continuou, estendendo a mentira, — tudo isso foi ideia dela. Assim que o

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semideus se apaixonar por ela, ela vai me alertar. A minha presença irá sinalizar a traição final. E
isso será o suficiente para finalmente quebrá-lo do jeito que queremos
Hades recuou, com os olhos cheios de desconfiança. Mas Zagreus sabia que o deus queria
Nick mais do que qualquer coisa. E essa explicação, ainda que não completamente verdadeira, fazia
todo o sentido. Respirou um pouco mais fácil. Sim, ele poderia ter simplesmente perdido os poderes
de Nick para si mesmo, mas se jogasse direito suas cartas, poderia manter seu covil e Cynna
também.
Raiva cobriu o rosto de Hades, e ele bateu com o pé no chão. Um forte terremoto sacudiu
os túneis, atingindo a mesa de pedra, derrubando as fotos das paredes, fazendo desmoronar rochas
do teto e estatelando-se contra o chão.
Zagreus pulou para trás para evitar ser atingido pelas pedras caindo. Quando o tremor
finalmente diminuiu, o vozeirão de Hades rugiu através da caverna.
— Não serei fodido com isso. Avisei o que aconteceria se você me traísse.
— Não vou enganá-lo, — Zagreus mentiu, levantando-se. — Ele vai quebrar.
Hades caminhou à frente, forçando Zagreus a cambalear para trás até que sua coluna bateu
na parede. O rei-deus do inframundo olhou nos olhos de seu filho.
— Você está certo, ele vai. Mas você, meu filho lascivo, nunca o reclamará. E quando ele
finalmente quebrar, os poderes de Krónos serão transferidos para mim. Eu o quero de volta. Agora.
Se quiser ver sua preciosa cadela de novo, você vai fazer exatamente o que eu digo. Reúna seu
exército de sátiros e esteja pronto para marchar à meia-noite.

As mãos de Nick estavam suando.


Em pé do lado de fora do quarto em um corredor vazio no quinto andar do castelo, ele
esfregou as palmas úmidas das mãos contra as coxas de sua calça jeans, levantou a mão para bater,
depois baixou rapidamente e deu um passo para trás.
Puta merda. Que diabos estava fazendo? Seu peito ficou tão apertado que não conseguia
respirar. Apoiando as mãos nos quadris, ele caminhou para longe, concentrando-se em empurrar e
arrancar o ar de seus pulmões até que ele pudesse pensar novamente.
Estivera nisso por 15 minutos, andando para lá e para cá neste corredor, tentando
convencer a si mesmo de simplesmente ir lá e acabar com aquilo. Mas cada vez que tentava, ele
lembrava se de como Cynna parecera pouco antes que se afastasse dele, com os olhos já não mortos

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e inexpressivos quanto estiveram no covil de Zagreus, mas cheios de tanta dor e desgosto, que ele
não sabia o que fazer ou dizer para tornar aquilo melhor para ela.
Ele parou. Passou a mão pelo seu cabelo curto. Agarrou as mechas e puxou com tanta
força, que dor espiralou por todo o crânio. Ele a amava. Amava. Não com doces e flores, mas com
todo o seu coração e mente. E ele estava prestes a entrar nesta sala e transar com outra mulher, tudo
porque os deuses se divertiam em foderem com sua vida.
Não poderia fazê-lo. Não queria fazê-lo. Não se importava se sua alma estava ligada a
outra pessoa. Aquilo não estava certo. Não era justo. Não esta...
— Vamos para o quarto Nick. — Surpreso, Nick ergueu os olhos para ver Isadora, vestido
de jeans soltos e um suéter espesso de cor creme, de pé na porta aberta para a suíte. — Não suporto
mais ouvi-lo ficar andando aqui fora.
O vínculo de alma gêmea que sempre sentia por ela tocou algo dentro dele, e antes mesmo
que percebesse, seus pés estavam se movendo, levando-o do hall na entrada da suíte, em seguida,
em uma sala com paredes totalmente impregnadas de vermelho.
Seu pulso disparou. Olhou ao redor da sala, esperando ver nada além de uma cama, mas
para seu alívio, descobriu que estava em uma sala de estar. O mobiliário branco e luxuoso estava
posicionado à frente de uma lareira caiada, as chamas já trêmulas na lareira, e fotografias
emolduradas em preto-e-branco de flores e encostas decoravam as paredes.
Errado. Tão, tão errado. Essa coisa toda é simplesmente...
Isadora se sentou no sofá e colocou o pé descalço sob ele, parecendo ainda menor contra a
enorme peça de mobiliário, e afastou o cabelo loiro de seu rosto. — Por que nós não só... nos
sentamos um pouquinho.
Antes que a foda começasse? As pernas de Nick pareciam repentinamente instáveis.
Esfregou as mãos úmidas sobre as coxas mais uma vez e se sentou em uma cadeira lateral em frente
a ela. — Ok
Silêncio caiu sobre a sala. Em algum lugar próximo, um relógio badalou, mas a mente de
Nick estava vagando. Pensou em seu irmão, imaginando onde Demetrius estava neste exato
momento e que diabos ele estava pensando. Em Cynna, e se ela alguma vez falaria ou não com ele
depois dessa noite.
— Ouvi dizer que você foi ao povoado, — disse Isadora suavemente.
Conversa fiada. Merda. Parte dele era grata por isso. Parte dele só queria acabar com esta
maldita coisa para que pudesse dar o fora daqui.
Ele limpou a garganta, mexeu-se na cadeira. — Sim. Eu fui.

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— Aposto que foi difícil.


Um nó se formou em sua garganta. Ver o seu povo, o que havia acontecido com eles,
descobrir sobre seus amigos que morreram... Foi mais difícil do que qualquer coisa que já fizera.
Sua memória deslizou para ao beco, para o momento em que quase enlouquecera para sempre. E a
maneira como Cynna puxara de volta, o confortara, sem se preocupar com o que poderia lhe
acontecer, deu tudo a ele.
Ele fechou os olhos. E a umidade quente queimou em suas pálpebras fechadas. Uma que
nunca sentira antes.
— Você não quer fazer isso, não é? — perguntou Isadora em uma voz calma.
Nick não respondeu. Não sabia o que dizer. Sentia-se dividido entre seu coração e sua
alma. Duas coisas que sempre achou que estavam ligadas.
Ele abriu os olhos e olhou para sua alma gêmea. Para a fêmea para quem sempre estaria
atraído. E apesar de que aquela atração ainda estivesse ali, puxando-a para ela, para ajudá-la, salvá-
la, o que sentia em seu coração era mais forte. — Se me perguntasse há seis meses, se eu queria
isso, eu teria dito que sim. Absolutamente. Mas agora... Tudo agora é diferente. Eu sou diferente. E
eu não...
Merda. Como foi que ele disse isso?
— Também não quero isso, — desabafou Isadora.
— Não quer?
Ela balançou a cabeça e piscou de volta o brilho de lágrimas em seus olhos. — Demetrius
e eu discutimos sobre isso. Sei que é a coisa certa a fazer, mas eu só...
— Não pode fazê-lo, — ele terminou por ela.
— Não, — ela sussurrou. — Não quero que ninguém morra por minha causa. Casey,
Callia, Zander... — Ela fechou os olhos com força, e os abriu novamente. — Não quero que se
machuquem. E não quero que nada de ruim aconteça ao povo deste reino ou com os Misos, mas
estou cansada de fazer a coisa certa por todos os outros. Sei que é egoísta, mas tudo o que posso
pensar no que isso causará à minha família. Para Elysia. Demetrius. Se seguirmos com isso, Nick,
Demetrius morrerá. Talvez não no início, mas isso o devorará até que o homem por quem me
apaixonei desapareça. Ele já se odeia porque não pôde me salvar do contrato de Hades por minha
vida. E tomará a culpa por não poder consertar essa situação também.
— Nada disso é culpa de Demetrius.
— Nem sua também.
Não, não era. Era dos deuses. E todos eram nada mais do que peões em seu jogo de merda.

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Ele se levantou da cadeira, foi até o sofá e sentou-se ao lado dela. Inclinando-se para
frente, pegou a mão dela, sentindo o frio sua pele era e a maneira como seu pulso pulou contra seus
dedos.
Sim, ela estava enfraquecendo por causa dele. Sabia disso em sua alma. E sim, ele poderia
dizer que seu toque tinha um efeito positivo sobre ela. Mas não estava convencido de que sexo fosse
à solução. Tinha que haver outra maneira. Algo que todos deixaram passar.
Ele embalou a palma da mão contra a dele e alisou os dedos sobre as costas de sua mão,
sentindo que a pele se aquecia quanto mais a segurava. E quando ele olhou nos seus olhos de
chocolate para perguntar se ela sentiu isso também, um choque de familiaridade o atingiu. A mesma
familiaridade que sentiu quando ele esteve em túneis de Zagreus olhando... nos olhos de Cynna.
— O que houve? — Testa de Isadora franziu. — Você está bem?
Ele sacudiu rapidamente a cabeça concordando, mas as cicatrizes em suas costas estavam
formigando novamente, e peças do quebra-cabeça estavam movendo em sua mente, tentando
encontrar uma forma. — Sim. Eu estou... Estou bem.
Ela lhe lançou um olhar indicava que ela não estava certa se acreditava nele, então
suspirou e olhou para suas mãos unidas. — Então, o que vamos fazer?
Ele realmente não tinha ideia do que deveriam fazer, mas sabia exatamente o que ele não
podia fazer. — Você sabe, algo em que ninguém pensou é no fato de que para aqueles quatro
Argonautas, em que todos estão baseando suas teorias, foi dada a imortalidade. Eu nasci com a
minha, mesmo que tenha levado muito tempo para despertá-la. Isso pode não parecer uma grande
diferença, mas aos olhos dos deuses, pode ser o suficiente. Ninguém sabe realmente se a mesma
coisa que aconteceu com aquelas almas gêmea dos Argonautas acontecerá com você.
— Eu sei. Theron, Zander, Demetrius... Eles estão todos desesperados, ávidos por uma
solução.
Ele sabia disso. E entendia. Mas não queria acidentalmente tornar as coisas piores
baseando tudo isso num palpite. Ele acenou com a cabeça em direção a suas mãos unidas. — Isso
ajuda, não é mesmo? Meu toque?
— Sim.
— Então vamos continuar a fazer isso.
Ela o olhou com cautela. — Vai se sentar aqui e segurar minha mão durante todo o dia?
— Durante várias horas por dia, se for preciso. Tudo o que eu puder fazer para retardar
esta coisa até que possamos chegar a uma solução diferente. Porque tem que haver uma. Não posso

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ficar entre você e Demetrius, Isadora. Posso ter tentado uma vez, mas foi errado da minha parte. Sei
disso agora.
Isadora o encarou por vários segundos, então disse calmamente: — Você está apaixonado
por ela, não é? Pela fêmea com quem você fugiu. Cynna.
O coração de Nick acelerou. E memórias de Cynna bombardearam-no por todos os lados.
O jeito que ela cuidou dos seus ferimentos no covil de Zagreus, o momento em que ela o libertou de
sua cela, a força que fora necessária para que ela se colocasse entre ele e sua escuridão na colônia,
e, em última análise, a dor em seus olhos quando ela o deixou hoje à noite.
Ele respirou profundamente, o que não fez nada para aliviar a crescente dor em seu peito.
— Sim, estou. O que é assustadoramente estranho, porque nunca estive apaixonado antes.
— Isso muda a maneira de ver o mundo, não é?
Ele olhou em seus olhos, pela primeira vez, compreendendo-a. — Isso muda tudo.
— Então vá ficar com ela.
Sua testa caiu. — O que?
Gentilmente, ela puxou a mão da dele. — Também não ficarei entre você e ela. Poderia
estar disposta a considerá-lo quando achei que seu coração não estava em jogo, mas agora que sei a
verdade... — Ela balançou a cabeça. — Não vou destruir os dois homens que mais me importam
nessa vida, tudo porque os deuses querem que isso seja feito.
Algo em sua alma se tranquilizou. Toda a frustração reprimida que ele sentiu ao longo dos
anos, porque ele não poderia tê-la diluiu-se. Ele estendeu a mão para ela, sem pensar, passou os
braços ao seu redor e puxou-a contra o peito. Seus braços envolveram-se em torno de suas costas,
seu rosto pressionou contra seu ombro. E à medida que o calor do seu corpo se infiltrava no dela,
diminuindo o frio de sua pele, ele percebeu que esta era a primeira vez que a abraçava. A única
outra vez que estivera tão perto dela foi quando a beijou loucamente, pensando que poderia forçá-la
a se importar com ele.
Que idiota ele fora. Ela já se importava com ele. Ele acabara por ser estúpido demais para
perceber que o seu coração sempre pertenceria a seu irmão. O que era exatamente onde ele estava
destinado a estar.
— Vamos encontrar uma maneira de corrigir isso, — disse ele sobre sua cabeça.
— Talvez. — Ela se afastou de seus braços e levantou-se. — Talvez não. Mas não é de
sua responsabilidade. E não quero que você se preocupe mais comigo hoje à noite. — Sua
expressão se suavizou. — Vá atrás dela Nick. E diga-lhe... Diga a ela que eu sinto muito. Por tudo
isso.

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Ele se levantou. — E você?


Ela sorriu, mas este não chegou a seus olhos. — Vou ficar bem. Como você disse, ainda
temos tempo. Vá. Antes que Cynna saia e você não consiga encontrá-la.
Calor, necessidade e esperança pulsavam no peito de Nick. Suas mãos ficaram suadas
novamente, mas desta vez não com apreensão. Com antecipação. E ao primeiro pensamento em
Cynna, ele soube exatamente onde ela fora. Soube que sempre seria capaz de encontrá-la, porque
ela dominava seu coração.
— Eu vou voltar, — disse ele. — Nós vamos dar um jeito nisso.
— Sim, — Isadora disse suavemente enquanto ele brilhou a partir do quarto. — Algum dia
talvez o façamos. Mas não esta noite.

Cynna se ajoelhou na frente das lápides de pedras no campo atrás do que restava da casa
que fora de seus pais, nos arredores de Kyrenia e sacudiu o pó e as folhas dos nomes deles.
O luar brilhava suficiente para iluminar o rosa pálido, cinza e branco das flores que
brotaram ao redor das pedras ao longo dos anos.
Asfódelo6. A fantasmagórica flor selvagem crescia em torno de todas as lápides em
Argolea. Alimento para a alma do falecido, sua mãe lhe dissera uma vez. Sempre achou mórbido
que a vida devesse brotar da morte. Mas esta noite esse pensamento aliviava a dor que estava
sentindo. Ainda que apenas de leve.
O som de pés se arrastando soou atrás dela, e, sem olhar, soube que Nick a encontrara.
Sabia porque ninguém mais sequer pensaria em vir aqui procurá-la. Nem mesmo Delia.
Ela limpou os olhos e lentamente se levantou. Cuidadosamente escondeu a verdade de
Nick assim que percebeu sua conexão com os Argonautas, mas esta noite aquele segredo já não
importava. E talvez se ele soubesse quem ela realmente era, ele pararia de segui-la. Porque, os
deuses sabiam, ela não podia lidar com sua proximidade depois do que ele acabara de fazer.
— O nome da minha mãe era Andrômeda, — disse ela sem se virar. — Ela morou em
Argolea a maior parte de sua vida. Ela conheceu meu pai lá quando ele atuava no Conselho de

6
De acordo com Homero (Livro 11 de “A Odisséia”) os prados da vida após a morte são cobertos por
“Asphodel” ou “asfódelo”. A mitologia também retrata o “campo de asfódelo” o local que fica no Inframundo, reino
pertencente a Hades, rei dos mortos. Neste lugar ficam vagando todas as almas que, depois de seu julgamento, não
foram consideradas nem más, nem boas, mas simplesmente 'irrelevantes'.

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Anciãos. Ela estava destinada a um poderoso andras àquela época, um que claramente não a amava
também. Ela me disse uma vez que ela tentou fazê-lo feliz, tentou lhe dar filhos, mas as Destinos
nunca estiveram do seu lado, e ele a culpava por isso. Pois considerava que era responsabilidade
dela. Ela ficou com ele durante centenas de anos, mesmo quando era muito infeliz. Divorciar-se de
alguém tão poderoso quanto ele, não era apenas desaprovado, não era permitido.
Nick não disse nada, mas Cynna disse a si mesma que assim era melhor. Quanto mais
cedo passasse por isso, mais cedo terminariam tudo. No silêncio, ela olhou para a lápide com o
nome de sua mãe, a gravura desgastara-se pelos anos. Sua mãe se fora a tanto tempo, que era difícil
para Cynna convocar sua imagem, algo que fazia seu coração doer ainda mais.
Ela engoliu a dor e se forçou a ir em frente. — Ele tinha muitas amantes, mas, quando ela
percebeu que ele estava dormindo com sua confidente mais próxima, e que a mulher estava grávida,
ela não aguentou mais. Ela o deixou. Meu pai era seu amigo, e ele a ajudou a escapar. Mas o marido
não ficou feliz quando soube o que aconteceu. Enviou seus soldados para trazê-la de volta, só que
eles não conseguiam encontrá-la. Para não passar vergonha, ele anunciou publicamente que ela
atravessou para o reino humano em uma farra de compras e foi morta por um bando de daemons.
— Cynna, — Nick finalmente disse depois de alguns segundos, — Você está dizendo...
— Sim. — Ela se virou para encará-lo. Ele estava vestindo uma Henley cinza, grossa,
jeans, botas e uma jaqueta escura. E de pé diante dela sob o luar com seu cabelo loiro despenteado e
a sombra sexy de uma barba em sua mandíbula, seu coração deu um pequeno salto. Em seguida, o
estômago embrulhou novamente, porque, por mais que o quisesse, não poderia tê-lo. Nunca mais.
Empurrou a mágoa de lado. Sua expressão confusa dizia que, obviamente, ouvira as
histórias. Mas sabendo que Demetrius era seu irmão, é claro que ele teria ouvido de todas elas.
— Minha mãe era Andrômeda, a rainha de Argolea. Ela deixou o rei, veio para cá, e
começou tudo de novo. Com a ajuda do meu pai. Nunca se casaram, não legalmente, pelo menos,
mas as bruxas não se importavam. Deixavam-nos por sua própria conta, deram-lhes um lugar para
viver, e, em troca, os meus pais ajudaram centenas de outros refugiados que foram perseguidos ou
banidos pela monarquia e pelo Conselho por razões diferentes.
Ela cruzou os braços sobre o peito, esfregou o frio em seus braços e olhou para todo o
asfódelo ao redor de seus pés. A vida vinda da morte. Esperava que fosse verdade, porque a sua
vida parecia ser preenchida com nada além de miséria.
— Eu nasci alguns anos mais tarde. Cresci com dois pais que se amavam mais do que a
própria vida. Não tinham muito, mas tinham um ao outro. E isso era tudo que importava. Até que os
espiões do Conselho descobriram que a rainha estava morando em Kyrenia e com quem ela estava.

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Eles alegaram que estavam tentando erradicar as bruxas, mas não era. Era por causa dela e por
causa do ex-membro do Conselho com quem ela partira. Um que os desafiara. E o rei sabia. Ele deu
a sua permissão. Sentou-se e não fez nada enquanto sua esposa era assassinada.
— Deuses. — Nick esfregou a mão no rosto. — Isadora é sua irmã. Eu sabia que seus
olhos eram familiares. Até reparei nisso hoje à noite.
Uma onda de traição e mágoa percorreu Cynna. Não queria pensar nele com Isadora esta
noite. Não queria a imagem do que fizeram juntos em qualquer lugar em sua mente. Ela se virou e
saiu do outro lado do campo, de volta às ruínas da casa de seus pais. — Meio-irmã. E agora você
sabe por que eu odeio tanto.
— Porque o pai dela tirou tudo de você.
Seus pés congelaram. Ele estava atrás dela. Perto, mas não muito perto. E seu coração
batia forte com o desejo de tocá-lo e a necessidade de afastá-lo. — Sim, — ela sussurrou. — E tal
pai, tal filha, ela está fazendo isso de novo. É por isso que eu preciso que você vá e nunca me siga
novamente. — Sua garganta ficou mais apertada. — Sei que vingança não é mais a resposta, mas eu
não posso... estar perto de você. Não depois de tudo isso. É demais.
Ela deu um passo para frente, desesperada para ficar longe dele.
— Eu não dormi com ela
Ela parou, certa de que imaginou essas palavras.
— Não consegui, — disse ele em voz baixa. — Porque meu coração pertence a você.
O pulso de Cynna acelerou tanto que era um zumbido nos ouvidos, e de olhos arregalados,
ela se virou para encará-lo.
— Eu te amo, Cynna. — Ele se moveu em direção a ela. — Não porque os deuses dizem
que eu deveria. Não porque alguma maldição manda que eu faça. Eu te amo porque eu escolhi te
amar.
Ele parou a centímetros de distância, e seu estômago apertou, a cabeça estava zonza. Ela
estava com muito medo de falar, com muito medo de qualquer tipo de som a acordaria e provaria
que isto era um sonho e não realidade.
Os dedos dele afastaram o cabelo de sua testa. — E porque você é a única pessoa na
minha vida que nunca quis nada de mim a não ser eu.
— Eu...— Ela engoliu em seco. Isso não era um sonho. Ele estava de pé aqui. Olhando
para ela ao luar como se ela fosse... tudo. Sua pele ficou quente. — E quanto a Isadora?

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Guardiões Eternos - 7

Tristeza penetrou em seus olhos âmbar, e ele deslizou o dedo por seu rosto até que ela
tremeu. — Não sei. Não posso mudar a atração da alma gêmea. Sempre vou sentir a necessidade de
ajudá-la, se eu puder. Mas estar com ela assim não é a resposta.
Ele levantou a outra mão para o rosto dela, embalando sua mandíbula em suas grandes
mãos. E seus olhos ficaram muito suaves e sonhadores quando olhou para ela, seu coração explodiu
para a vida em seu peito. — Você é a minha resposta, no entanto. Para cada luta, cada sofrimento,
cada pergunta que eu tinha receio de fazer. Você me arrastou de volta da beira do abismo tantas
vezes, não porque tenha alguma qualidade mágica, mas porque você me entende. Ninguém, nem em
200 anos, jamais gostou de mim do jeito que você gosta. Por sua causa, sei que posso lutar contra a
escuridão dentro de mim e vencê-la. Tudo o que tenho que fazer é pensar em você, e estou livre.
Ele se aproximou mais até que seu corpo roçou a dela, e seu calor infiltrou-se em sua pele,
fazendo-a doer, não pela perda dessa vez, mas pela... esperança. — Quero ser essa mesma resposta
para você. Sei que sua vida foi cheia de dor e escuridão, mas posso ser o seu equilíbrio do mesmo
jeito que você foi o meu. Se levar toda a minha vida, Cynna, por toda a eternidade, eu prometo ser
isso e muito mais para você.
Lágrimas queimaram. Lágrimas que não conseguia segurar. Ela fechou os olhos quanto à
primeira gota deslizou por sua bochecha. — Seu grande idiota. Você já é.
Ele abaixou sua boca para a dela, e ela prendeu a respiração. Então suspirou quando seus
lábios roçaram os dela e ela o puxou em sua boca.
Ela não merecia isso. Não o merecia depois de toda merda ruim que fizera em sua vida,
mas ela o queria. Ele podia pensar que ela o salvou de uma amarga escuridão, mas a verdade era
que ele a salvara. Porque sem ele, ela teria se tornado um escudo duro, vazio de uma pessoa. Ela
teria se tornado alguém como Zagreus.
— Nick...
Ele inclinou a cabeça, aprofundou o beijo, passou os braços em volta dela e puxou-a para
o calor e proteção de seu corpo. E à medida que devolvia o beijo com toda a paixão dentro dela, ela
abriu o último pedaço de seu coração para ele.
Sua cabeça ficou leve. Sua pele se arrepiou. Parecia que seus beijos faziam o chão tremer.
E então seus joelhos vacilaram, e ela se afastou de sua boca e percebeu que não estavam no campo
atrás das ruínas da antiga casa de seus pais. Estavam em um quarto. Um com paredes azuis claras,
uma cama queen-size coberta com uma colcha xadrez cinza-e-branco, e uma pequena janela que
dava para uma rua escura.

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— Onde? — Ela olhou ao redor e reconheceu o símbolo que pairava sobre a cama. A lua
crescente inclinado para um lado, com três gotas caindo por baixo. Símbolo da bruxa para a bênção.
Seu olhar disparou de volta para seu rosto. — Estamos na casa de Delia. Você me piscou através
das paredes.
Um sorriso sexy e poderoso curvou seus lábios, puxando a cicatriz em seu rosto. — Eu
estou dizendo a você, esses dons chegando podem vir ser úteis.
Ele se inclinou, roçou sua boca tentadora sobre a dela novamente, e tirou a jaqueta leve de
seus ombros, em seguida, deixou-a cair no chão. — Mas agora não quero usá-los. Quero
desembrulhar como o presente que você é.
Ela respirou fundo quando ele recuou, enquanto seus dedos encontraram a bainha de sua
camiseta e levantou-o acima de sua cabeça. Seus olhos correram sobre a elevação de seus seios e os
mamilos se apertaram quando ela viu o desejo em seu rosto. Ele lambeu os lábios e se inclinou para
beijá-la novamente.
Ela empurrou a jaqueta de seu ombro enquanto a levava para trás em direção à cama, cada
parte dela dolorida por seu toque. Ele passou a língua sobre a dela e apertou o fecho de seu sutiã
abrindo-o, em seguida, puxou-o de seu braço e o atirou para trás.
As costas de suas pernas bateram no colchão, mas ele a pegou pela cintura antes que ela
caísse, depois a colocou na cama, nem uma vez quebrando o beijo, jamais a deixando ir.
Ela nunca quis ninguém para protegê-la. Nunca achou que precisasse. Mas com Nick, ela
se sentia segura. Acarinhada. E mesmo em sua hora mais escura, ela sabia, no fundo de seu coração,
que ele nunca a machucaria.
Ela estendeu a mãos para sua camisa enquanto ele ficava sobre ela. Ele recuou o suficiente
para que ela tirasse o algodão macio de seu corpo. Então sua boca na dela mais uma vez, os
músculos das costas ondulando sob seus dedos enquanto a beijava uma e outra vez, quando ela
abriu as pernas e ele apertou-a sobre o colchão.
— Mm, Cynna. — Sua mão deslizou pela lateral de seu corpo, até o seio e roçou o polegar
sobre o mamilo. — Fico perdido sem você.
Seus dedos encontraram sua cintura, e ela alcançou entre eles, desabotoando sua calça
jeans. — Então não nunca fique sem mim.
Ele gemeu em sua boca quando ela enfiou a mão dentro de suas calças e fechou os dedos
em torno de seu comprimento. Ele estava duro, quente, já pulsando em seu aperto. E enquanto
lambia em sua boca e pressionava em sua mão, e o acariciava, amando o jeito que ele tremia contra
ela, amando que ela provocasse isso nele, que fosse a única que poderia enfraquecê-lo.

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Ele se afastou antes que ela estivesse pronta para deixá-lo ir, rastejou de volta para fora da
cama, e ela despojou-a de suas calças. Com o coração batendo forte, ela apoiou-se nos cotovelos e
observou quando seu olhar saltou pela carne nua, seus traços escurecendo, enquanto lambia os
lábios de novo, então abaixou de joelhos e puxou seus quadris para a beira da cama.
— É isso o que eu quero, — ele sussurrou.
Antecipação e calor rodaram dentro dela quando ele empurrou suas pernas, quando ele se
aproximou. E então lambeu a carne inchada entre suas pernas, e ela se perdeu.
Prazer correu por sua espinha. Ela baixou a cabeça para trás enquanto o prazer escorria
por seu corpo, gemeu quando ele fez isso de novo e de novo, levando em espiral a um orgasmo que
só ele poderia fazê-la alcançar. Ele sabia exatamente onde tocá-la com a língua, com os dedos, sabia
exatamente quando chupá-la para fazê-la gritar e quando recuar para aumentar a sua excitação. Suor
salpicava sua pele. Ela agarrou a colcha em seus lados. Ergueu-se para encontrar sua língua
perversa enquanto ele a empurrava mais próxima do esquecimento. E quando finalmente a soltou, o
êxtase foi como nada que ela já conhecera, completamente de romper a alma, e ela não via nada, a
não ser ele.
Ele beijou seu caminho por seu corpo e capturou sua boca antes que ela tivesse chance de
recuperar o fôlego. Mas não se importava, porque sua língua dançando frenética por ela reacendeu
sua necessidade, sua luxúria, seu desejo. Gemendo, ela subiu para libertá-lo de sua calça jeans. Ele
a chutou fora e posicionou-se entre suas pernas.
— Eu não vou fazer amor com você, — ele sussurrou. — Eu não vou transar com você. —
A cabeça de seu pênis deslizou em seu calor escorregadio, enviando prazer por sua espinha. — Eu
vou possuir você, Cynna. Mente, corpo e alma. Do mesmo jeito que você me possui.
Seu corpo tremia. Zagreus quis aquilo, possuí-la. Mas nada era como isso. Aquilo fora
escuro, controlador e unilateral. Aqui havia luz, amor e uma necessidade mútua de pertencer. Um
ao outro.
Cada centímetro de sua pele se arrepiou. Desejo vibrou em suas veias ao ouvir o som de
suas palavras roucas, pela expressão intensa e calorosa em seu lindo rosto concentrado. Era tudo o
que podia fazer para se segurar. — Nick...
Ele abaixou sua boca para a dela e empurrou para frente até que a ponta do seu pênis
pressionou a fração de uma polegada dentro dela. — Você é minha, — ele sussurrou contra seus
lábios. — A única que eu quero. A única mulher que eu já amei.
Ele a penetrou profundamente, recuou em seguida, empurrou de novo, movendo-se mais
rápido com cada impulso. Ela gemeu com a deliciosa fricção, enganchou uma perna ao redor de seu

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quadril, e ergueu-se para encontrá-lo a cada mergulho, cada impulso, cada toque e retirada. Deuses,
precisava dele. Precisava disso. Estava desesperada por mais. Desesperada por ele. Desesperada por
ser o seu tudo. Ele estava certo. Sua vida fora nada além de escuridão e desespero, até este ponto,
mas não mais.
— Sou sua, — ela sussurrou.
Seus impulsos ficaram mais duros. Mais rápidos. Mais longos. Como se as palavras dela o
excitassem ainda mais. E sua excitação inflamava a dela, empurrando-a de volta para o pico. Ela o
segurou mais forte. Apertando a mão em torno dele, levantou a sua boca para a dele, e sussurrou: —
Só sua.
Ele gemeu, seu corpo inteiro contraindo com a sua libertação, o no segundo em que o
orgasmo bateu nele, atingiu-a também, torcendo-os juntos até que ele fosse tudo o que importava.
Até que soubesse que ele era a luz brilhante solitária arrastando-a de volta para a pessoa que estava
destinada a ser.
Ele caiu contra ela, e ela colocou os braços ao redor dele, beijou sua bochecha, seu rosto,
passou os dedos por seu cabelo e o segurou ficando próximos pelo tempo que pudesse. Seu coração
batia forte enquanto o êxtase se assentava, e uma felicidade calorosa rodeou seu coração no
silêncio. Uma que trouxe um sorriso aos lábios. Uma que nunca tinha experimentado antes. Porque
isso, ele, era tudo o que ela jamais fora forte o suficiente para esperar.
Mas ainda que essa felicidade se espalhasse por suas veias, uma vozinha sussurrava que
isso era bom demais para ser verdade. Que o amor, para alguém como ela, nunca duraria. E embora
lutasse contra isso, algo no centro de seu peito ficou morrendo de medo de que a voz pudesse ter
razão.
Ele empurrou-se sobre o cotovelo e olhou para ela, suas sobrancelhas reunidas em
preocupação. — O que está errado?
— Nada. — Grata que ele não poderia ler sua mente, engoliu o medo e disse a si mesma
que hoje não se preocuparia com o futuro. Hoje à noite tudo o que importava era isso. Ele. Eles.
Este momento. Tudo o resto poderia esperar.
Ela levantou seus lábios em direção dele. —Apenas me beije de novo.
Um sorriso lento, sexy curvou sua boca enquanto ele rolou para suas costas, puxando-a
para cima de todo o seu calor muscular. — Mm, baby. — Ele emaranhou a mão no cabelo dela e a
puxou-a para baixo em direção a boca tentadora. — Isso é algo que nunca terá que pedir duas vezes.
Prendeu a respiração e o beijou. E pela primeira vez desde que conseguia se lembrar, ela
rezou. Rezou para que ele estivesse certo.

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Capítulo 23
23

Isadora estava em pé no cômodo escuro do apartamento degradado na periferia de Tiyrns


e baixou o capuz de sua capa. Olhando para cima os degraus de metal longo da escada em direção
ao alçapão acima, ela tomou uma respiração tranquilizadora. Não tinha certeza se teria forças para
subir, mas não voltaria para o castelo. Ainda não, pelo menos.
Sabia exatamente para onde Demetrius iria. Conhecia seus pensamentos e como ele estava
se sentindo. Quando se esforçou até a escada, ela se perguntava como ele foi capaz de conseguir
que seu grande corpo passasse por esse pequeno espaço. Como fizera isso por tantos anos, quando
escolheu viver neste pequeno lugar, em vez do luxo que todo Argonauta merecia.
Não o deixaria voltar a isso. A pensar que ele não importava. Porque ele importava. Mais
do que ninguém, neste mundo ou no próximo.
Ofegante, ela chegou ao topo e apertou a mão contra a porta. As dobradiças de metal
rangeram. Os músculos de seus braços queimaram. Mas antes mesmo que empurrasse a porta por
poucos centímetros, ela abriu e fortes mãos masculinas agarraram-na, puxando-a até o deck de
madeira da sala octogonal, em seguida, envolveram-na num mar de força e calor.
— Kardia. — Demetrius arrastou-a tão perto, que ele era tudo o que ela sentia. — Que
diabos está fazendo aqui? Você está louca?
— Sim, — disse ela contra ele, abraçando-o não o deixando ir. — Louca por você.
Ele soltou um longo suspiro acima de sua cabeça, mas não parecia querer soltá-la também,
pelo que ela estava feliz. Muito, muito feliz. — Como, em nome dos deuses você saiu do castelo
despercebida?
— A capa de invisibilidade de Orpheus.
— Daemon maldito, — ele murmurou. — Vou queimar essa coisa.
— Não, você não vai. Não deixarei que a queime. — Ela o abraçou com mais força,
cravando as pontas dos dedos nos músculos de suas costas. — Procurei por você em todos os
lugares.
Ele engoliu em seco. — Não podia ficar. Eu ia voltar. Eu só...
— Eu não fiz.
Ele gelou contra ela. — Não fez?

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Ela balançou a cabeça e reprimiu as lágrimas que queriam cair. — Não consegui. Não
quero ninguém além de você.
Seus braços apertaram ao redor dela com a força de um torno, tirando seus pés do chão,
aconchegando o rosto em seu pescoço enquanto a abraçava. — Fêmea tola, — ele sussurrou contra
ela. — Tão, tão tola...
Aquelas lágrimas transbordaram. Não podia detê-las. Passou os dedos pelos cabelos dele.
— Vamos ter que encontrar outra maneira, porque não posso ficar com mais ninguém. Preferiria
morrer a fazer isso conosco. Eu te amo. Só você. Sempre.
Sua boca encontrou a dela. E ela se agarrou a ele enquanto a beijava, sabendo que isso,
seu amor, era mais forte do que qualquer vínculo de alma gêmea. Essa força a manteria viva. Tinha
que manter.
— Me ame, Demetrius, — disse ela contra sua boca. — Me ame agora.
Ele a puxou por uma pilha de cobertores do outro lado da pequena sala e os baixou para o
chão, colocando-a sobre todo aquele calor e força, deliciosos. Depois tirando a capa de seus
ombros, ele deslizou os dedos por baixo de seu suéter, ergueu a boca de volta para a dela, e
sussurrou: — Ah, kardia. Eu te amo. Vou te amar para sempre. Não importa o que aconteça.

Cynna estava deitada na cama, olhando para o teto escuro, sem conseguir dormir. Mais
uma vez.
Olhou para Nick cochilando suavemente contra ela, com a cabeça apoiada em seu peito, as
pernas entrelaçadas com as dela nos lençóis, seus braços ao seu redor, segurando-a perto. O amor
floresceu por todo seu coração, quando ela passou os dedos pelo cabelo sedoso, mas não aliviou sua
preocupação ou impediu aquela vozinha na parte de trás de sua cabeça.
Suspirando, ela olhou de volta para o teto. A voz estava certa. Mesmo que Nick não
notasse a realidade e decidisse deixa-la por iniciativa própria, ainda havia uma centena de razões
pelas quais eles simplesmente não funcionariam em longo prazo. O maior delas, aquela voz que
sussurrava era Zagreus.
Um arrepio a percorreu quando sua mente derivou para o Príncipe das Trevas. Ele ainda
estava lá fora. Provavelmente zangado por que o deixou. E embora ela quisesse acreditar que tinha
escapado de sua prisão por conta própria, ela sabia se ele não os quisesse fora, eles ainda estariam
trancados naquele inferno. O que significava que ele estava deixando o tempo passar, à espera de...
Alguma coisa.

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Lembranças desconexas nadaram por sua cabeça. Tentou avivá-las. Não conseguia dar-
lhes sentido. Lembrou-se de estar em seu quarto nas cavernas. Lembrou-se de alguém a contendo.
Lembrou-se da voz ameaçadora de Zagreus ecoando em seus ouvidos.
— Você o fará apaixonar-se por você. E quando ele finalmente virar as costas para essa
inútil honra heroica e escolher você, então vamos ter o que queremos. Em seguida, reclamarei a
ambos.
Aquele arrepio se transformou em dedos gelados correndo por sua coluna. Este tão
concentrada em Isadora e no que estava acontecendo com Nick e sua alma gêmea nos últimos dias,
que tinha ignorado a maior ameaça de todas.
Ela olhou para Nick, novamente, com o coração acelerado. E se lembrou das palavras de
Zander mais cedo no escritório da rainha.
— Você já viu o que acontece com um Argonauta quando sua alma gêmea morre?
Sim, ela tinha visto. Tinha visto Ari. O ex-Argonauta ficou completamente quebrado.
Nick era forte o suficiente para lutar contra a escuridão, mas não com a alma despedaçada. O que
aconteceria a ele se Isadora morresse? O que ele faria?
Em uma tempestade de compreensão, o plano de Zagreus fez sentido. A razão pela qual
deixou que eles fossem. A razão pela qual não viera atrás deles ainda. A razão pela qual ele a fez
beber seu sangue naquela noite no quarto dela.
Uma nova, urgente e crucia urgência a empurrava a todas as direções. Lentamente, assim
não acordaria Nick, saiu de debaixo dele, foi para o chão, e encontrou suas roupas. Indo nas pontas
dos pés para o corredor, colocou-as enquanto seus dedos tremiam de tanto medo e pavor.
Ela não se incomodou com a jaqueta, apenas correu para as escadas e saiu para varanda de
Delia antes que fosse tarde demais. Imaginando o castelo, ela fechou os olhos e piscou para as
portas dianteiras.
Os guardas deixaram-na passar com um mero olhar, algo pelo qual estava grata por agora.
Correu para dentro do castelo, mas parou no enorme hall de entrada. Era meia-noite. Todo mundo
estava provavelmente dormindo. Mas isso não podia esperar até de manhã. Agarrando o corrimão,
ela pulou para as escadas e correu para os andares superiores.
Ela correu pelo corredor em direção a suíte da rainha, em seguida, freou abruptamente e
saltou para trás quando ouviu vozes na mesma área de estar onde ela encontrou Isadora e sua filha.
Seu peito subia e descia à medida que passava pelo arco e entrava. Demetrius estava
sentado no canto de um sofá macio com uma perna de cada lado da Isadora. Ela estava deitada
contra seu peito embalando Elysia e alimentando-a com uma mamadeira. O bebê balbuciou e tentou

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pegar a mamadeira. Isadora riu. Demetrius fechou os olhos e apertou os lábios contra a têmpora da
rainha, segurando-a perto e respirando profundamente.
Felizes. Eles estavam felizes. Uma família unida. Do jeito que os pais de Cynna foram
com ela. E ela estava prestes a destruí-los por toda a eternidade.
— Cynna? — Isadora olhou para cima. — Está tudo bem?
Cynna engoliu o nó na garganta. Culpa varrendo-a. Por uma irmã que ela sempre odiou. E
por um momento, ela considerou virar, voltar para Nick. Mas ela não podia. Porque isso era muito
importante.
Ela entrou no quarto. — Tem que fazê-lo. Não pode deixar que Nick te convença a não
fazer.
Demetrius endureceu, mas Isadora apenas franziu a testa. — Nick e eu decidimos que não
é algo que estejamos dispostos a fazer. Essa solução está fora da mesa, de forma permanente.
Pânico empurrou Cynna à frente. — Você não entende o que está acontecendo aqui.
Zagreus não poderia quebrar Nick física ou sexualmente para ganhar seus poderes de deus, por isso
nos deixou sair. Ele sabia que Nick já estava interessado em mim. Ele está esperando que Nick se
apaixone por mim, então ele pode se precipitar e dizer a Nick como eu o traí, pensando que será o
suficiente para quebrá-lo emocionalmente. Mas ele está errado. Nick é muito forte para quebrar
apenas com isso. Mas se você morrer vai empurrá-lo além do limite. O vínculo alma gêmea é mais
forte do que qualquer coisa. Todos vocês já disseram isso. Eu vi como um Argonauta quebrado
parece. Se Nick perder você, vai ser demais. Isso o...
— Cynna, pare.
Ela estremeceu e girou ao redor, ao som da voz de Nick. Ele estava em pé no arco para a
sala, vestindo jeans e a mesma camisa de manga comprida que ela tirou do seu peito esculpido
apenas algumas horas atrás, olhando para ela com intensos olhos cor de âmbar, que pareciam ver
através dela.
Aquele pânico aumentou, fazendo sua garganta apertar-se e seus dedos formigarem.
— Eu não sabia o que ele tinha planejado. — Transpiração pontilhava a testa com cada
passo que dava em direção a ela. — Só agora percebi isso quando me lembrei do que ele me disse
no meu quarto antes que eu apagasse. Não estava com ele nesse plano estúpido, eu juro. Eu...
Nick parou em sua frente e levantou a mão para seu rosto. — Já sei disso.
Seu olhar procurou em seu rosto. Seu rosto muito calmo, sem nem um pequeno traço
raiva. — Você sabe?
— Eu descobri o plano dele há muito tempo. Sei que você não era parte nisso.

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Alívio, dor e mágoa rodaram dentro dela, e suas pálpebras se fecharam. Deuses, ela amava
esse homem. Amava pra caramba estava disposta a sacrificar tudo o que já quis mantê-lo seguro.
Obrigando-se a se virar, ela olhou para Isadora, que levantara e estava observando a
conversa com interesse. Demetrius estava atrás dela, segurando o bebê.
— Você tem que fazer tudo o que for preciso para não morrer e ele não quebrar, — disse
Cynna à rainha. — Não me importo com as consequências. Nenhum de vocês deveria.
— Cynna. — Compaixão encheu os olhos de Isadora. — Sei que você está chateada, mas
Nick e eu ficarmos juntos, não é a resposta. Já falamos sobre isso. Talvez se já não houvesse uma
família. Talvez se não estivesse tudo interligado, fosse diferente, mas...
— Oh, foda-se a família. — Cynna jogou o braço para o lado. — O que a família tem a
ver com alguma coisa? Trata-se de Krónos e que o fará com Nick uma vez que ele o quebre e...
— Ela não te contou, não é? — Disse Nick às costas de Cynna.
O olhar de Isadora desviou de Cynna, com foco em Nick. — Contou o quê?
— Sobre a sua mãe.
Um zumbido explodiu nos ouvidos de Cynna. Ela se virou, mas Nick mal lhe dirigiu um
olhar.
— Minha mãe? — A voz de Isadora levantou as costas de Cynna. — O que sobre minha
mãe?
Os olhos de Cynna se arregalaram quando ela olhou para Nick. — Que diabos está
fazendo?
— Tomando conta dos seus interesses. — Seu olhar se deslocou para se concentrar nela.
— Ela nunca me escolheria por causa de Demetrius. Mas, mesmo que ele fosse embora, ela ainda
não concordaria com algo que acabaria por ferir sua irmã.
— Minha irmã...? — perguntou Isadora em voz atordoada.
Puta merda, ele contou. Os olhos de Cynna se fecharam.
— Sua mãe não foi assassinada por daemons, — disse Nick. — Ela escapou. Ela começou
uma nova vida, se apaixonou, teve outro filho. Uma menina. Uma menina, que no final das contas,
teve que deixar quando o rei aprovou a guerra do Conselho contra as bruxas e destruiu Kyrenia.
Os olhos de Cynna abriram, e ela olhou para Nick, enquanto uma centena de emoções
diferentes arrepiavam sua pele. — Seu filho da puta
Ele sorriu. O desgraçado sorriu. Em seguida, ele se inclinou e beijou-a. — É filho-da-
puta-amor-da-sua-vida. E enfie isso na sua cabeça teimosa, fêmea. Eu te amo. Não foi apenas uma
declaração, foi verdadeiro. E isso significa que vou fazer o que for melhor para você, mesmo

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quando você não pode. Isadora e eu... Isso não está acontecendo. Nunca. Mas isso, você e eu, isso
está acontecendo. E enquanto tiver você ao meu lado, sei que poderemos encontrar a resposta para
essa bagunça.
Lágrimas queimaram por trás de pálpebras de Cynna. Ela estava tentando fazer a coisa
certa. Tentando salvá-lo do jeito que ele a salvou, ele estava tornando isso tão difícil.
Antes que pudesse se mover para a força de seus braços e dizer-lhe o idiota que ele era,
Isadora agarrou seu braço e virou-a. — Tenho outra irmã?
Os olhos da rainha ficaram úmidos, e ela jogou os braços ao redor Cynna, abraçando-a tão
apertado, que Cynna engasgou. — Eu não sabia. Se eu soubesse...
Ela recuou e olhou para Cynna, com o rosto repleto de uma mistura de alegria e tristeza
que tocou o coração de Cynna de uma maneira para qual não estava preparada. — Ela foi feliz?
Nossa mãe realmente foi feliz? — Uma lágrima escorreu sobre seus cílios e deslizou por sua
bochecha. — Nunca a vi feliz. Nem uma vez. Meu pai a fez tão miserável. Fez nós duas miseráveis.
Nem sequer procurou por ela depois que ela desapareceu. E não deixou que eu a procurasse. Eu
costumava sonhar que ela me deixou para começar de novo, mas nunca imaginei que realmente o
tivesse feito. Eu queria tão desesperadamente que ela encontrasse o amor, para ser livre de sua
prisão, para...
Horror brilhou em seu rosto. — Ela estava em Kyrenia? Oh meus deuses. Você estava em
Kyrenia?
Ela abraçou Cynna novamente. — Sinto muito. Oh deuses. Eu sinto muito.
Todo o ressentimento se esvaiu de Cynna em uma onda. Porque, naquele momento, ela
percebeu que seu ciúme e raiva se esgotaram. A vida de Isadora não fora perfeita. Ela sofreu e se
magoou tanto quanto Cynna. Talvez mais, porque nunca conheceu o amor de uma família real. Não
até que criou sua própria família com Demetrius.
Isadora recuou e apertou as mãos no rosto de Cynna, afagando as lágrimas que Cynna nem
percebera que estavam deslizando por suas bochechas. — Nick está certo. Isso muda tudo. E eu
estou muito feliz pelo que ele me disse. Eu tenho outra irmã. — Um sorriso iluminou os olhos
úmidos. Olhos que eram da mesma cor e formosos como os de Cynna. — Vamos descobrir o que
fazer. Juntos, todos nós vamos descobrir.
A rainha finalmente a soltou, e quando o fez, as pernas de Cynna pareciam gelatina pela
onda de emoções. Mas Nick estava lá para pegá-la antes que caísse. Do jeito que ela precisava.
Ele envolveu um braço grosso ao seu redor, puxou-a contra ele, e inclinou seu queixo para
cima com o dedo. — Pare de fugir de mim, ok? Estou ficando cansado de correr atrás de você.

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Quase apareci com a bunda de fora, porque não sabia que você tinha planejado. Confie em mim, eu
tenho certeza que isso não é algo que os guardas do castelo queiram ver.
— Não. — Ela se inclinou para ele, lutando contra o sorriso em seus lábios. — Tenho
certeza que não. — Seu coração estava leve. Como se tivesse sido tirado um peso gigante. O que
era apenas ridículo, porque ainda havia muitas coisas que ficaram por resolver. — Mas eu
definitivamente não me importaria de ver essa bunda nua novamente. Em breve.
Seus olhos âmbar escureceram, e desejo deslizou por seu rosto. Um desejo que ela sabia
que estava destinado somente a ela. Ele se inclinou em direção a sua boca. — Há uma abundância
de quartos neste castelo onde eu posso te dar uma exibição particular.
Ela se ergueu nas pontas dos pés e o beijou, desesperada para tê-lo sozinho novamente.
Para mostrar a ele o quanto o amava. Mas passos soaram no chão, cada vez mais altos a cada
segundo. Ela afastou-se sua boca.
Nick virou. Cynna olhou por seus ombros, na direção do Argonauta moreno, alto e bonito
do qual não se lembrava da reunião.
O macho derrapou até parar na porta, engoliu em um sopro de ar, e disse: — Estou feliz
que eu os encontrei. Todos vocês.
— Phin? — Demetrius se adiantou, ainda embalando Elysia em seus braços. — O que está
errado?
O rosto da Argonauta estava corado, seu peito subindo e descendo como se ele tivesse
corrido. Ele respirou fundo, então disse, — Daemons. E sátiros. Em Tiyrns. Os exércitos de Hades e
de Zagreus estão atacando.

Nick agarrou a mão de Cynna firmemente enquanto eles se apressavam descendo as


escadas em direção ao nível mais baixo do castelo, com receio de deixá-la por um segundo sequer.
O pandemônio já havia estourado. As pessoas corriam para a direita e para a esquerda. Eles
ziguezaguearam entre os corpos até pararem subitamente do final da varanda.
Agarrando o corrimão, Nick olhou para o grande salão abaixo. As armas foram
transportadas para o foyer. A guarda do castelo estava organizando soldados e voluntários e
distribuindo espadas. Nick procurou entre os rostos, buscando por Theron, mas o único Argonauta
que podia ver era Gryphon, já armado e pronto para a batalha, de pé no meio do grande selo Alpha,
abraçando Maelea, sua companheira.

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O Argonauta recuou, seus olhos azuis claros endurecidos, o rosto tenso e rígido, e sua voz
flutuou até os ouvidos sensíveis de Nick quando ele disse, — Fique com Natasa.
A multidão se afastou, e Nick observou como Gryphon acenou para uma ruiva ao lado de
Maelea. Uma que sussurrava algo para seu companheiro, Titus.
— Hades estará te procurando, — acrescentou o Grifo.
— Posso ficar e lutar, — Maelea protestou.
— Não. — Os olhos de Gryphon se arregalaram, com um pânico Nick compreendia e
contra o qual ele mesmo lutava, mas o Argonauta se recompôs, segurou o rosto dela, e disse
suavemente: — Não, sotiria. Ficarei inútil se estiver aqui. Por favor. Faça isso por mim. Vá até
Prometheus. Ele saberá como mantê-la escondida. Preciso saber que está segura.
Lágrimas encheram os olhos escuros de Maelea, e o casal se abraçou. Ao lado deles, Titus
segurava Natasa fortemente, sussurrando palavras tão baixinho no ouvido dela, que Nick não
conseguiu ouvi-las.
Cynna enrijeceu ao lado de Nick. — Há mais, certo? Mais que podem lutar?
— Não sei. — Mas a preocupação o corroía por dentro. Um exército, talvez pudesse
segurar, mas não dois. Hades e Zagreus unir forças nesta terra claramente não era uma contingência
que qualquer um deles já tivesse planejado.
À direita, Orpheus marchava no hall de entrada com Skyla ao seu lado, ambos armados até
os dentes, Orpheus com uma lâmina amarrada às costas e Skyla com um arco pendurado no ombro.
Ele desviou de um garoto que parecia não mais do que quinze anos aguardando na fila para ser
armado, balançou a cabeça, em seguida, continuou se movendo em direção os Argonautas.
Nick puxou a mão de Cynna. — Venha.
No momento em que chegaram ao centro da sala, Gryphon, Titus e suas companheiras
tinham ido embora. Levaram as fêmeas para a segurança, os Argonautas já na batalha. Ele e Cynna
reuniram-se com Orpheus e Skyla.
— Onde está Theron? — perguntou Nick.
— Ameaçando acabar com a vida de Phineus, — Orpheus murmurou, olhando ao redor do
foyer. — Vê esses voluntários? Jovens demais, caralho.
— Theron está deixando a vida da rainha, de suas irmãs e das crianças sob os cuidados de
Phineus, — Skyla esclareceu. — Ele as está levando para Delia, que as esconderá nas montanhas
até que isso acabe.
Um bom plano. Um no qual Nick subitamente queria ter pensado. — Onde?
— Nos túneis abaixo do castelo, — respondeu Orpheus. — Eles conduzem às montanhas.

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Nick olhou para Cynna. —Você deveria ir com eles.


— O que? — Os olhos de Cynna se arregalaram. — Não. Eu vou ficar bem aqui.
— Cynna, seja inteligente. Ela é sua ir...
— E eu posso lutar, ela não pode. Olhe ao seu redor, Nick. Vocês estão armando bebês.
Vocês precisam de todas as mãos que conseguir. — Ela virou-se para a Siren. — Preciso de uma
lâmina.
— Adaga ou a espada? — perguntou Skyla.
— Ambos.
Skyla recuou e acenou para Cynna segui-la. — Venha. Não temos muito tempo.
Enquanto as duas pegavam armas, Nick passou a mão pelo cabelo. Ela estava certa, mas
caramba, não a queria em qualquer lugar perto dessa batalha. — Filho da puta.
Orpheus assobiou para um guarda correndo por ali e disse quais armas gostaria que o
andras trouxesse para Nick. Quando o guarda assustado saiu correndo, a expressão de Orpheus
endureceu. — Eles vieram pelo oeste. Os portões da cidade os estão segurando, mas não durarão
muito. Zander e Cerek já estão na parede.
— E quanto a Kyrenia?
— Delia está levando os Misos para as Cavernas Temerus. Elas percorrem quilômetros
nas montanhas Aegis. É para aí que Isa, Casey, Callia, e as crianças estão indo. As bruxas têm se
escondido lá por eras. Todos estarão seguros.
Nick esperava como o inferno que Orpheus estivesse certo. Pressão se construiu em seu
peito. Dever atado à sua alma. E aquela energia escura apareceu e chiou, apenas esperando para ser
liberada.
Precisava estar com o seu povo, ajudando-os a ficar em segurança, mas sabia que Zagreus
e Hades estavam aqui por ele. Se fosse para o povoado, seus exércitos provavelmente o seguiriam.
Ele poderia sair, ficar fora de Argolea, tentar arrastar os deuses para longe desse reino,
mas nem ao menos sabia se Hades e Zagreus estavam perto ou se isso era os deuses esperavam que
ele fizesse. E mesmo que ele saísse, não havia como dizer quando, ou se, os deuses retirariam seus
exércitos. Ele podia correr e esperar o melhor, mas sua honra não o iria, não permitiria, que
deixasse seus amigos morrerem sozinhos. Não desta vez.
Cynna e Skyla voltaram. Cynna tinha amarrado seus cabelos escuros num rabo de cavalo
apertado e colocou uma jaqueta leve. Uma espada estava amarrada às suas costas e dois punhais
encaixados em seus quadris, lembrando-o da guerreira mortal que ela era naqueles túneis quando
escaparam do covil de Zagreus.

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Orpheus olhou para a Siren. — Pronta?


Os olhos verdes de Skyla faiscaram. — Pode apostar que estou pronta.
Ela passou por seu companheiro em direção à porta da frente. E juntando seu passo ao
lado dela, Orpheus bateu a mão no traseiro da Siren, e em seguida sussurrou, — Mantenha essa
bunda inteira, Siren. Estou mais do um pouco ligado a ela. E em você.
— Não se preocupe Daemon. — Ela se inclinou para ele. — Não estou pensando em ir a
lugar nenhum sem você.
Os dois desapareceram pela porta, e Cynna deu um passo para segui-los, mas Nick a
puxou de volta. — Espere.
Irritação brilhou em seus olhos escuros. — Não venha me dizer para eu me esconder
novamente.
— Não vou. Eu só... Caramba. — Ele fechou os braços em torno dela em um abraço forte,
puxando-a contra seu peito, desejando que pudesse trazê-la para dentro dele, onde ele sabia que ela
sempre estaria segura. Mas ele não podia. Tudo o que podia fazer era esperar e rezar e confiar.
— Fique perto de mim, — disse ele em seu cabelo. — Se Zagreus estiver aqui, ele estará
procurando você.
Seus braços enrolados em torno de suas costas, os dedos fincados em seus músculos para
apertá-lo tão firmemente quanto ele a estava segurando. — Vou ficar.
— Não estou brincando Cynna. — Lágrimas queimaram seus olhos quando ele a apertou
ainda mais. — Isso não será o mesmo de quando ele nos deixou sair.
— Eu sei. E não estou pronta para morrer hoje, confie em mim. Não quando eu finalmente
tenho algo pelo que viver. Mas não posso sentar e não fazer nada. Nós os trouxemos a este mundo,
Nick. Nós temos que fazer algo para detê-los.
Ele fechou os olhos e se agarrou a ela, precisando cada pedacinho de sua força, sua
coragem e seu amor para fazê-lo passar por isso. Porque ela estava errada. Fora apenas ele quem
trouxera inferno aos seus povos. E algo em suas entranhas lhe disse que somente ele seria capaz de
acabar com aquilo.
Só não sabia como ainda.

Capítulo 24

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Nick puxou a espada do peito do daemon que ele acabara de derrubar, revirar, e decapitar,
então se virou para olhar para Cynna enquanto o corpo batia no chão duro.
Droga, disse a ela para ficar próxima. Tirou o suor dos olhos e examinou o campo de
batalha, procurando por ela. Pânico agrupou-se sob suas costelas quando não conseguiu encontrá-la.
Argonautas, soldados e todo voluntário saudável do castelo que conseguiram arrebanhar entraram
em confronto com sátiros e daemons à luz do luar fora dos muros da cidade, mas eles estavam
perdendo a batalha. Era apenas uma questão de tempo antes que os monstros rompessem os portões.
E esta foi apenas a primeira onda. Hades e Zagreus, onde quer os filhos da puta estivessem, não
haviam sequer desencadeado o peso de seus exércitos ainda.
Seu olhar encontrou Zander, enfiando a espada no fundo da barriga de um sátiro;
Demetrius estava lutando dois daemons, tão grandes quanto ele; Theron rolou pelo chão, em
seguida, balançou-se de pé atrás de um sátiro, agarrando-o pelo pescoço, e usando sua espada para
abrir a garganta do animal. Mas ele ainda não conseguiu encontrar Cynna. Ela estava ao seu lado
poucos minutos atrás. Quando o sátiro que o atacara por trás e o jogara no chão.
Algo zumbiu no ar próximo à sua cabeça. Seus instintos se aguçaram. Ele se abaixou,
escapando de ser decapitado, em seguida, virou e afundou sua espada nas costas de outro daemon.
O daemon ficou de joelhos. Nick sacudiu a espada de volta e estava prestes a cortar a cabeça do
filho da puta, quando sua audição sensível pegou um grito agudo, seguido de um rosnado em algum
lugar à sua direita.
— Cynna...
Ele saiu em disparada sobre a pequena elevação e a viu, quarenta metros de distância,
balançando sua espada com ambas as mãos enquanto um sátiro se abaixou e rolou, e na sequência
chutou a perna de debaixo dela.
Ela atingiu o chão com um grunhido.
O sátiro circulou em volta dela e rosnou. — Agora, quem sabe mais sobre as pessoas deste
mundo, Senhora? — Ele acenou com a cabeça para ela, seus lábios convertendo-se num
desagradável sorriso de escárnio. — Olhe para você. Não passa de uma puta contratada de Zagreus.
Fúria entrou em erupção no rosto de Cynna. Ela agarrou sua espada e ficou de pé. Mechas
de cabelo caíam sobre seus olhos. Sua testa estava coberta por uma camada de suor. Suas calças e
botas cobertas de lama. Mas ela não parecia notar ou se importar. Segurando a espada à sua frente,
ela deu um passo para o lado, movendo-se com o sátiro. — É melhor ser uma puta contratada do
que uma cadela que não consegue seguir uma simples ordem. Diga-me, Lykos. Como está a ferida

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em sua barriga? Já curou? Aposto que Zagreus ficou emocionado quando você apareceu parecendo
um porco no espeto graças à fêmea a quem claramente lhe foi dito para deixar fugir.
— Por que, sua putinha. — Os olhos do sátiro brilharam, e ele ergueu a arma. — Já
passou da hora de alguém te ensinar uma lição.
O sátiro atacou, e o coração de Nick cambaleou em sua garganta quando Cynna recuou e
sua espada ressoou contra a do sátiro.
Nunca a alcançaria a tempo. A não ser que ele piscasse.
Ele não pensou; apenas reagiu. O poder emergiu por seus membros. Ele sentiu seu corpo
voando. Quando seus pés tocaram terra firme por trás do sátiro, ele abriu os olhos para encontrar o
animal de joelhos, e Cynna de pé sobre ele, sua espada afundando-a em seu peito.
Sangue espirrou em sua bochecha. Ela empurrou a espada mais funda fazendo o monstro
uivar. — Eu já aprendi minha lição. E eu não sou sua Senhora. Não mais.
O sátiro caiu de costas no chão e cuspiu sangue. Nick chutou a arma para longe do animal
e caminhou em direção a Cynna. Agarrando-a pela cintura enquanto a batalha se desenrolava do
outro lado da pequena colina, ele a puxou para perto e beijou-a com força. — Não conseguia vê-la.
Não me assuste assim de novo.
Ela caiu quando ele a soltou. — Eu não tinha exatamente uma escolha. Este filho da puta
estava prestes a estripar uma criança que não tinha que estar aqui.
Nick sabia exatamente o que ela estava falando. Um garoto, com não mais do que doze
anos, que fora atirado à batalha por algum idiota que Nick desejava que pudesse encontrar e
estrangular.
— Você não vai vencer esta, — o sátiro raspou a partir do solo.
Nick olhou para baixo. O sangue escorria das feridas do sátiro, agrupava-se nos cantos de
sua boca, e manchava seu corpo grotesco.
— E eles ainda nem sequer começaram. — A besta tossiu, e ainda mais sangue foi
cuspido de sua boca. Em seguida, o filho da puta olhou para Nick e sorriu. — Você nunca será tão
forte quanto Zagreus. Ele vai te quebrara. E a cada alma neste reino. Ele e Hades não ficarão felizes
apenas com você. Eles vão ganhar. Espere para ver.
A energia escura subiu para a superfície, tingindo de vermelho a visão de Nick, e ele deu
uma guinada em direção ao sátiro, mas Cynna agarrou seu braço e puxou-o para trás.
— Não. Ele não vale a pena. Olhe. — Ela assentiu com a cabeça em direção ao sátiro, que
cuspiu mais uma vez, em seguida, ficou imóvel, seus olhos sem vida encarando as estrelas.

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Mas Nick não se importava que o animal estivesse morto. Tudo o que podia focar era o
fato de que o sátiro estava certo. Eles estavam em menor número, encurralados, e logo que as portas
da cidade cedessem, não seriam capazes de parar os exércitos de Hades e Zagreus de destruir a
terra.
Cynna agarrou os braços de Nick e virou seu rosto para ela. — Ele não está errado. Está
me ouvindo? Você é mais forte do que Zagreus; você sempre foi. Eu sei isso. Hades sabe disso. Até
Zagreus sabe disso. É por isso que ele o odeia tanto. Porque você conquistou a escuridão, que é algo
que ele nunca conseguiu fazer. — Suas mãos se apertaram em torno de seus braços. — Isso ainda
não acabou. Nós não vamos deixar que acabe assim.
As nuvens acima deles se abriram, derramando o luar sobre seu rosto. E quando Nick
olhou para ela, admiração e amor o tomaram. Ela sempre sabia exatamente do que ele precisava, às
vezes antes mesmo que ele soubesse, e sempre arrancaria coragem dali. Mas dessa vez, ela estava
errada. Do jeito que estava indo, essa batalha acabaria em questão de minutos.
Ela pegou sua espada e fez-lhe sinal para segui-la até o morro. Relutantemente, ele foi,
mas à medida que subiram ao topo do pequeno cume, parte dele desejou que ele pudesse apenas
ceder a todas as trevas, assim seu povo poderia usá-la em sua vantagem.
Eles pararam no topo, e seu olhar varreu o campo de batalha. Corpos estavam espalhados
pelo chão. Sangue e sujeira manchavam as mãos, braços, pernas e roupas. O choque de arma contra
arma ecoava pela escuridão. Assim como os grunhidos, rosnados e gritos de agonia. De dor. De
morte.
— Olha. — Cynna apontou para Orpheus, balançando com sua espada, derrubando um
daemon, então um sátiro, e, finalmente, outro daemon como se fossem nada além de bonecas de
papel. — Está vendo? Isso não está terminado.
Não, mas quando Nick considerou, ele subitamente soube como isso poderia ser.
Uma onda de energia, de esperança correu por ele. — Eu posso parar isso.
Cynna olhou. — Como?
—Preciso encontrar Skyla. — Ele examinou a batalha mais uma vez, seus pés já o
arrastando para baixo do morro.
— Nick. Espere.
Ele avistou a Siren, quinze metros de Orpheus, levantando seu arco e soltando uma flecha
mortal no peito de um sátiro. Um daemon arreganhou os dentes e se lançou para ela. Skyla baixou o
arco com a mão esquerda, pegou o punhal de seu quadril, e girou, seu cabelo loiro voando enquanto
ela cortava a jugular do monstro de um lado ao outro.

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— Skyla! — Nick empurrou um sátiro para o chão, esfaqueou seu coração com sua
espada, passou por cima dele e o cortou novamente, derrubando outro que o atacava pela direita.
Era como nadar através de um mar de corpos. Toda vez que derrubasse um, outro apareceria.
Quando ele finalmente a alcançou, Skyla estava tão ofegante quanto ele. Ela chutou um sátiro morto
no chão e passou o antebraço todo sujo de sangue por sua testa.
— Preciso que me leve ao Olimpo, — Nick disse.
— Por que?
— Porque Zeus saberá como liberar meus poderes. Não posso fazer isso sozinho.
— O que? — A voz de Cynna elevou-se às costas de Nick. Nick virou-se para ela. Os
cabelos úmidos grudados nas têmporas, as gotas de suor deslizava por seu pescoço, e sua jaqueta
estava rasgada na altura do ombro e desfiada ao longo de um lado. Mas seus olhos estavam
arregalados e assustados. Mais medo do já vira neles. — Não
— Tenho que ir, Cynna. É a única forma de termos uma chance. Não temos pessoal
suficiente. Você mesmo disse isso.
— E quanto a Krónos? — perguntou Skyla. — Se liberar seus poderes, isso não o
libertará?
Em teoria, sim. Mas, no fundo, Nick sabia que isso não aconteceria. Não desta vez. Porque
esta era sua escolha. Nada estava sendo imposto a ele. Não estava quebrando, ele estava aceitando.
— Eu posso controlar isso.
Skyla olhou para ele alguns segundos, seus olhos verdes vasculhando seu rosto como se
estivesse procurando a verdade. De repente, ela virou de distância. — Orpheus!
Orpheus chutou o último de um grupo de daemons com o qual estava lutando. O animal
rosnou e avançou. Esquivando-se do braço do monstro, Orpheus virou e esfaqueou as costas do
daemon. O animal caiu no chão. Orpheus olhou para baixo no corpo flácido. — Eu disse para você
ficar para baixo, filho da puta.
— Orpheus! — Skyla abriu caminho em direção a seu companheiro. Nick e Cynna
seguiram. Orpheus procurou pelo som da voz de Skyla, sua expressão se transformando
instantaneamente em preocupação.
Ele a encontrou no meio do caminho, em uma seção do chão coberto de corpos. A batalha
se desenrolava atrás deles, mas eles derrotaram a maioria dos monstros nesta pequena área, e
naquele momento podiam respirar.
Orpheus pegou Skyla pelo antebraço, logo que chegou a ela. — O que está errado? O que
aconteceu? Você está bem?

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— Eu estou bem. — Seus dedos deslizaram ao longo de seu braço. — Estou levando Nick
ao Olimpo
— O que? — Os olhos de Orpheus se arregalaram, imitando a reação de Cynna. — Não.
— Ele está certo, — disse Skyla seu companheiro. — É o único caminho. Nick tem o
poder de acabar com isso. Só tem que conseguir liberá-lo.
O olhar de Orpheus passou num tiro por Skyla e fixando-se em Nick. — Eu te levo.
— Não, — disse Skyla.
— Conheço o caminho tão bem quanto você, Siren. Zeus e Athena ainda estão irritados
por você ter deixado a ordem Siren. Você não está a salvo no Olimpo.
— Foda-se Zeus, — Skyla estalou. — Não há nem mesmo garantia que ele ajude Nick, e
se ele não o fizer, ainda precisaremos de mais guerreiros. Athena odeia Zagreus mais do que ela me
odeia agora. Seus sátiros estiveram enganando as Sirens por anos. Eu posso unir minhas irmãs, você
não pode. Athena vai concordar com isso. Ela não será capaz de deixar passar a oportunidade de
destruir o exército de Zagreus, mas apenas se eu convencê-la.
Indecisão atravessou o rosto de Orpheus. Segundos se passaram em silêncio agonizante.
Então seus olhos se escureceram, e ele agarrou Skyla duramente, puxando-a contra seu peito. — É
melhor você voltar, caralho. Está me ouvindo? Não vou perdê-la para os deuses novamente.
— Vou voltar. — Ela colocou os braços ao redor de seus ombros. — Eu prometo. Eu
prometo, — disse ela mais forte.
— Este é um plano estúpido, — disse Cynna ao lado de Nick. — Zeus vai tentar pegar
seus poderes para si mesmo.
— Bem, ele não pode tê-los. — Ele se virou para ela. — Você estava certa. Eu posso
controlá-lo. Eu posso controlá-lo, porque você me mostrou como.
Os olhos dela se suavizaram. — Não deixarei que ele o quebre.
— Não, você não deixará. — Ele embainhou a espada em suas costas. — Porque não irá
comigo.
— O que? Por que não? Você precisará de mim lá mais do que nun...
— Você estava certa sobre outra coisa, Cynna. — Nick estendeu a mão para os seus
braços. — Eu sou um líder, querendo eu ou não. É quem eu sou. Eu deveria ter estado com meu
povo essa noite, em vez de aqui, mas não podia ir porque eu trouxe esse pesadelo para eles. E por
causa disso, eu tenho que ser o único a pará-lo. Mas não posso estar em dois lugares ao mesmo
tempo. Eles ainda precisam de alguém forte para guiá-los. Alguém que entenda a estratégia e como

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os deuses pensam. E preciso que seja alguém que não desista deles. Não importa o que aconteça. Eu
preciso que esse alguém seja você.
— Eu... — Seu olhar correu ao redor, em seguida, atirou de volta para seu rosto. — Não
sou mestiça.
— A raça não importa. Você sabe disso. A medida de força de uma pessoa não é como ela
nasceu, mas o que ela se torna. E você, Cynna. Você é a pessoa mais forte que eu conheço. Entende
o que significa ser um refugiado. Estar sozinha. Essa é a definição do meu povo. Somos nós.
Ela olhou para ele à luz do luar. E lentamente, lágrimas encheram seus olhos. Lágrimas
que ele sentiu em seus próprios olhos. — Você não vai voltar, não é?
— Eu não sei. — Seu coração se apertou com tanta força, que a dor ecoou por toda parte.
— Não sei o que Zeus vai fazer. Mas tenho que tentar. Não posso ficar para trás e ver todo mundo
morrer por minha causa.
Ela se ergueu nas pontas dos pés e colocou os braços ao redor de seus ombros, enterrando
o rosto em seu pescoço. E quando ele a abraçou soube, no fundo de sua alma, que não importa o
quanto seu tempo na prisão de Zagreus tivesse sido horrível, ele era grato por todos aqueles meses.
Porque se ele não estivesse lá, se não tivesse sofrido, não teria percebido o que ele poderia se tornar.
E nunca a teria encontrado.
— Eu te amo, — ela sussurrou contra ele. — Eu vou te amar através das eras. Não importa
aonde você vá ou o que você faça, eu vou te amar sempre.
Seu coração inchou. Ele inclinou o queixo para cima, capturou os lábios e beijou-a com
tudo o que havia nele. — Só você, Cynna. Eu amei somente você. Eu só vou amar você.
— Nick, — Skyla disse às suas costas. — Nós precisamos ir.
Lentamente, Cynna o deixou ir. Mas seus olhos estavam vermelhos e cheios de lágrimas
quando ela abaixou a seus pés. E quando Nick deu um passo atrás, ele gravou a imagem de seu
rosto e a guardou-a em sua mente. Porque ele sabia que não importava o que acontecesse, se ele já
se sentiu fora de controle ou à beira da loucura, tudo o que precisava fazer era se concentrar em
todo o amor girando nos olhos dela naquele momento, e ele seria salvo.
Do jeito que ela sempre conseguira salvá-lo.

Cynna enxugou as lágrimas do rosto depois de Nick e Skyla riscaram para o Olimpo. Ela
tinha apenas o tempo suficiente para tomar uma respiração trêmula antes que Orpheus gritasse o
nome dela.

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Ela agarrou sua espada e olhou para cima para ver três daemons vindo direto para atacá-
los, seus chifres brilhando à luz do luar, algo vil pingando de suas presas.
Orpheus deu um passo para o lado, sua arma na mão, a urgência em seu rosto. — Dê o fora
daqui. Vá para o assentamento como Nick queria.
A mente de Cynna era um mar de pensamentos confusos quando Orpheus gritou para os
monstros e decolou em uma corrida, atraindo-os para longe dela. Sim, ela precisava salvar o povo
de Nick. Precisava fazer por ele o que ele fez para ela. Mas, quando seu olhar percorreu o campo de
batalha, mais de sátiro após sátiro e daemon após daemon agitando suas armas e colidindo contra
Argonautas, Argoleans, e qualquer um que estivesse disposto a se levantar e lutar, a derrota
tomando-a.
Ela era só uma pessoa. O que uma pessoa poderia fazer no meio de tanta maldade?
E então, em um momento, ela soube.
Seu olhar se ergueu para as colinas, procurando. Ele tinha que estar perto. Ele sempre
gostou de assistir. E isso, toda essa miséria e morte, isso era tudo o que ele desejava.
Ela viu Hades em um morro no alto da cidade, assistindo a batalha a partir de um grupo de
árvores, seus olhos escuros fixados na sangria abaixo, seus enormes braços cruzados sobre o peito.
Seu coração acelerou, e ela procurou ao redor dele por algum sinal de Zagreus, mas não conseguia
encontrá-lo.
Pânico corroía sua espinha quando seu olhar saltou para o lado esquerdo do campo de
batalha, em direção às colinas e árvores no lado oposto do pequeno vale. Ele não estava lá. Mas ela
sabia que ele tinha que estar perto. Ele tinha que estar...
Seus olhos se fixaram nele. Em pé atrás de uma árvore, metade de seu rosto encoberto
pela escuridão. Olhando diretamente para ela.
— O que diabos você está procurando? — Orpheus gritou, sua espada cortando a garganta
de um sátiro. — Dá o fora daqui!
Cynna engoliu em seco. Não se mexeu. Terror a dominava, mas lutou contra ele. Porque
Nick valeu a pena o sacrifício.
Orpheus girou ao redor para ver o que ela estava olhando, em seguida, murmurou: —
Foda-me. — Ele se virou para encará-la. — N