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novembro | 2017

Sustentabilidade
na moda
Apoio:
Coordenador
Mario Monzoni

novembro | 2017 Vice-coordenador


Paulo Durval Branco

Editora
Amália Safatle

Equipe de Pesquisa do GVces


Fernanda Carreira, Luiza
Brunetti Silva Jardim, Isabella
Cruvinel Santiago

Coordenadora de
Comunicação
Amália Safatle

Gestora de Produção
Bel Brunharo

Textos
Amália Safatle, Cíntya Feitosa,
Magali Cabral, Oscar Freitas
Neto

Revisão e Pesquisa de Texto


José Genulino Moura Ribeiro

Produção do Website
Amália Safatle, Oscar Freitas
Neto e Magali Cabral

Design
José Roosevelt Junior

Agradecimentos
À equipe do Programa
Formação Integrada

Conselho Editorial
Annelise Vendramini, Aron
Belinky, Daniela Gomes Pinto,
Fernanda Carreira, Guarany
Ipê do Sol Osório, Livia
Menezes Pagotto, Mariana
Nicolletti, Mario Monzoni,
Mauricio Jerozolimski, Paulo
Durval Branco
Armand Nevada Parks

Capa
Armand Nevada Parks/ Flickr
Creative Commons

P22_ON é um produto da Revista Página22.

nove mb ro 2017
videoscribe Roteiro e produção: Magali Cabral
Locução: Cíntya Feitosa

os bastidores
da moda

A moda é atraente, colorida, e acessórios e a forma voraz Estima-se uma produção E está criada uma fórmula Por falar em calça jeans, para o slow food surgiu para se
bacana… Uma roupa nova tem como tudo isso é consumido. mundial de 80 bilhões de peças com tudo para dar errado do fabricar apenas uma delas são contrapor ao fast food, na
o poder de melhorar o humor, a de vestuário por ano – sem ponto de vista de impactos necessários 11 mil litros de água. moda também já existem
disposição, a autoestima… pelo A moda sempre causou contar o que rola no mercado socioambientais. E essa mesma calça viaja até 75 novas propostas alternativas
menos temporariamente. impactos ambientais e sociais… informal, e no médio e pequeno mil quilômetros para chegar até de consumo: guarda-roupas
O problema é que muitos dos desde a Revolução Industrial varejo. A começar pela situação o seu guarda-roupa. compartilhados, roupatecas,
modelitos expostos pelas – é isso mesmo! a Revolução degradante de condições de oficinas de reparos, eventos de
vitrines podem ter um preço que Industrial começou fortemente Hoje, consomem-se 400% mais trabalho, muitas vezes trabalho Felizmente, os grandes varejistas troca de peças, entre outras.
vai muito além do simples valor pela indústria têxtil! roupas do que no começo deste escravo, como se tem notícia. E internacionais já começaram a
monetário. século. de desrespeito ao meio ambiente fazer os primeiros movimentos Vários desses movimentos,
Mas, de 20 anos para cá, o – a cadeia produtiva do couro, em busca de uma moda mais além de confecções que
Explicaremos. cenário complicou-se bastante. Qual a lógica em todo esse por exemplo, está entre as mais sustentável. adotam práticas éticas, estarão
Antes, as marcas produziam processo? poluidoras de todas. representados no BE Fashion
A indústria da moda é apenas quatro coleções por ano, Alguns estão fabricando Week, em São Paulo, a primeira
responsável por impactos uma para cada estação. Produzir enormes quantidades Mas há também as tinturas de coleções com algodão orgânico, semana de moda sustentável do
profundos e difusos em toda a de roupas e calçados sem parar tecidos, o descarte de peças de outros estão promovendo País, de 21 a 23 de novembro.
sua cadeia de produção, desde a Nas últimas décadas, porém, só faz sentido se na outra ponta poliéster e outros materiais que logística reversa em suas lojas,
extração das diversas matérias- surgiu a chamada fast fashion, as pessoas puderem comprar não degradam com facilidade. ou melhorando o sistema de Saiba mais sobre o que acontece
primas utilizadas na fabricação que abastece as grandes lojas sem parar. rastreamento da situação nos bastidores da indústria da
das peças até o descarte. varejistas internacionais. Não dá para esquecer a trabalhista nas empresas moda nesta edição de P22_ON.
Para isso, o preço tem de ser mineração para obtenção de terceirizadas e até quarteirizadas.
Entre uma ponta e outra estão as São produzidas 52 coleções baixo; o custo de produção, o metais usados em botões, rebites
condições de trabalho com que anuais, uma por semana. Às menor possível; e o ritmo de e zíperes usados fartamente nas E, assim como aconteceu no
são produzidas roupas, calçados vezes até mais. trabalho, incessante. calças jeans. setor de alimentos, em que

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Igor Ovsyannykov/Unsplash
conceito Por amália safatle

S
e alguém perguntasse qual foram extraídos e onde serão Uma das passagens da História
atividade humana causa os descartados? (saiba mais sobre dá conta de que o Ocidente, na
maiores impactos socioam- os impactos ambientais e so- época das Cruzadas, ficou en-
bientais no mundo, as pessoas ciais da cadeia da moda). cantado com aquilo que viu pela
facilmente citariam a petrolífera, primeira vez no Oriente: tecidos
as obras de infraestrutura e a Para entender como essa po- sofisticados, tapetes e tapeça-
construção civil, a agropecuária derosa e rentável lógica econô- rias cobrindo o chão e as pare-
convencional, entre outras. mica se impôs mundo afora a des, perfumes em forma líquida.
espalhar o business as usual (o Os cruzados que sobreviveram
Com uma reputação bem me- modo convencional de se fazer aos combates e voltaram para
nos pesada, a indústria da moda, negócios), vale resgatar a Histó- casa começaram a trazer as no-
no entanto, figura no topo das ria – não só da moda, mas do vidades para a nobreza ociden-
mais desafiadoras para a agen- conceito de consumo e da pró- tal, despertando interesse por
da da sustentabilidade. Embora pria sustentabilidade. essas mercadorias.
seja uma das que mais geram
empregos e renda no mundo Conceito pelo avesso Tinha início, então, o mercanti-
todo, responde por impactos lismo, soprando os primeiros
profundos e difusos em toda a Podemos entender desenvol- ares do sistema capitalista.
sua extensão, desde a extração vimento sustentável como um Surgia a burguesia, composta
de diversas matérias-primas modelo que busca conservar e de comerciantes que enriquece-
até o descarte, incluindo a for- restaurar o ambiente do qual a ram valendo-se dessas transa-
ma como é consumida e utiliza- economia se serve para suprir ções e formavam os burgos em
da, e as condições de trabalho as necessidades das atuais ge- torno dos feudos.
com que é produzida. rações, sem comprometer o fu-
turo das que ainda virão. Quanto Com dinheiro, mas sem sangue
Expor às claras para a socieda- mais durável for um produto e azul, o burguês procurava ser
de tudo o que está por trás da quanto menos energia consumir respeitado na sociedade co-
cadeia produtiva da moda é o para atender uma determinada piando as vestimentas do nobre
primeiro passo para buscar me- necessidade, mais atributos de – especialmente a partir do de-
lhores práticas. Ao mesmo tem- sustentabilidade possui. clínio do sistema medieval, que
po, este é seu primeiro grande impunha leis suntuárias pelas
obstáculo, uma vez que a indús- Sendo assim, a indústria da quais era determinado o modo
tria do vestuário soa como algo moda já apresenta de início uma com que cada classe social de-
soft, atraente, colorido, cool. contradição, na medida em que veria se vestir.
se alimenta da impermanência
Pois quem imaginaria que sua e da efemeridade – como defi- Assim que era copiada, a no-
calça jeans pode ter percorrido ne o historiador e estilista João breza, então, mudava o estilo
75 mil quilômetros até chegar Braga, autor de diversos livros das roupas, em um processo
ao armário? Que hoje se con- sobre o tema. “A moda sempre contínuo de novidade e cópia.
somem 400% mais roupas do nega o que está em vigência “Foi assim que surgiu o prazo
que 20 anos atrás? Que esse para apresentar algo novo. É um de validade na moda. A moda

CULTURA DE CONSUMO:
consumo muito além do neces- bem, por natureza, perecível.” foi, é e será um diferenciador
sário é acelerado por uma lógica social”, afirma Braga, autor de
descartável – na qual uma mar- Embora a sociedade de con- História da Moda – Uma narrati-

O GRANDE NÓ DA
ca como a Zara repõe novas co- sumo tenha acelerado tais va (D’Livros Editora).
leções a cada 36 horas em suas características como nunca, a
lojas no Hemisfério Sul e a cada problemática não vem de hoje. Com a evolução do capitalismo,
24 horas no Hemisfério Norte? Desde que as vestimentas, todo esse processo foi acelera-

SUSTENTABILIDADE NA
além de protegerem o corpo do, dando origem a uma verda-
Que, para serem descartáveis, do frio ou do sol, passaram a deira cultura do consumo – e
os itens são de baixo preço e denotar determinado status não só consumo de moda, ob-

CADEIA DA MODA
qualidade? Que são de baixo social e diferenciação de po- viamente.
preço e qualidade porque, em der, sendo copiadas por quem
muitos casos, essa indústria aspirava os níveis mais altos na A trama das
não valoriza o trabalhador que sociedade, os “lançamentos de revoluções
os produziu nem respeita o am- moda” começaram a se tornar
biente de onde seus recursos frequentes. Para escrever Cultura do Con-

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Imagem do Catalogue
no. 16, spring/summer,
R. H. Macy & Co. (1911)

sumo, Fundamentos e Formas podia copiar à vontade as rou- e sociais que seu sentido co- que um carro. A pessoa adquire presas à responsabilidade e o Embora existam correntes que Como ela relata, a pergunta Assim, o ethos do trabalho aca-
Contemporâneas, a professo- pas da aristocracia. “Coinciden- meçou a ser crescentemente uma simples peça de roupa e se tema do consumo consciente pregam a vida mais simples, que vai a fundo é: “Por que a bou sendo corroído pelo ethos
ra Fundação Getulio Vargas temente ou não, a Revolução questionado a partir da década sente contente por alguns dias.” entrou de vez no radar da opi- minimalista, com menos obje- gente quer tanto consumir? da satisfação imediata. Um slogan
Isleide Fontenelle conta que Industrial começou fortemente de 1990, provocando a reação nião pública. tos – para quem, claro, já teve A gente não nasceu assim. A resume a ideia: “Satisfação
mergulhou na História para pela indústria têxtil”, observa. do movimento slow fashion e Embora as críticas ao consu- acesso ao que precisava –, isso história do desejo pelo consu- garantida ou seu dinheiro de
entender como essa cultura do consumo responsável – da mo desnecessário já existis- Todo esse movimento, entre- não necessariamente signifi- mo tem 150 anos da maneira volta”. Em uma linguagem psi-
se originou: “Ela nasce nas Só que essa mesma indústria mesma forma que, na alimen- sem no início do século XX, tanto, não aplacou a sede de ca menos consumo. Reduzir como é formatado hoje, mas a canalítica, é o que Fontenelle
décadas finais do século XIX, têxtil trouxe a massificação. tação, o slow food se contra- elas partiam de autores mar- consumo da maioria. Suas ver- a posse de bens materiais e história de que o homem é um chama de ethos do gozo, ou
especialmente a partir de dois Então, como se diferenciar pôs ao fast food. ginais, que eram pouco leva- tentes transformaram-se ao comprar serviços e experi- ser de paixões tem a idade do seja, do prazer que não é con-
eventos, a Revolução Indus- socialmente? A resposta veio dos em consideração. “Não longo do tempo – mas não o ências nem sempre reduzem mundo”. Dito isso, a professora tido. Hoje, diante da consciên-
trial e a revolução política, com o lançamento sucessivo Cabe no bolso cabia esse tipo de crítica no ato de consumir em si. Se an- impactos (uma viagem, por procurou investigar como es- cia de um mundo de recursos
liberal, burguesa, que tem na de coleções, em um ritmo tão momento em que a produ- tigamente o consumo era cal- exemplo, pode emitir muito sas paixões foram sendo dirigi- materiais finitos, o consumo
Revolução Francesa o seu tipo frenético quanto o das máqui- Mas, para João Braga, ambas ção capitalista se acelerava e cado basicamente em objetos, carbono). das para o consumo. de experiências imateriais vem
ideal”, diz. nas que as produziam. as correntes – o consumismo a crise ambiental não parecia com o tempo passou a incluir representar a busca de uma
acelerado e o consumo respon- tão evidente. O objetivo era também os serviços e, desde “A principal mensagem do ví- Isleide Fontenelle puxou o fonte de prazer inesgotável. “A
Segundo a professora, que há Hoje, no mundo digital, a faci- sável – provavelmente conti- apenas escoar produtos”, diz os anos 1980, a explorar for- deo Lowsumerism [produzido fio desse novelo pesquisan- experiência tornou-se a mais
12 anos leciona disciplina sobre lidade de copiar é tão grande nuarão coexistindo, atendendo Fontenelle, lembrando que a temente as experiências. Isso pela agência Box 1824] é ‘di- do a formação da sociedade nova mercadoria.”
os fundamentos e as tendên- que nem faz mais sentido lan- a públicos com valores e visões razão de ser do capitalismo é inclui todo tipo imaginável, minua o consumo de objetos’. burguesa. Tal sociedade, que
cias da cultura do consumo, çar coleções que antecipam as de mundo diferentes entre si. gerar excesso de produção e como viajar, ir a restaurantes, A minha bronca é que a gente tinha muito forte o autocon- Com um apelo tão forte do
a Revolução Industrial levou à próximas estações da natureza vendê-lo. beber o leite que você mesmo só fica na ponta do processo, trole das paixões, seguindo inconsciente explorado pela
produção de mercadorias que (outono-inverno, primavera- Para a boa parte do público que tirou da vaca em uma fazenda, não discute a fundo. Aí, o que uma ética do trabalho duro lógica capitalista, como falar
precisavam ser escoadas, en- -verão). O lançamento é feito se deixa embalar nas ondas Como já mencionado, o ques- pular de paraquedas. Mas inclui era alternativo vira modismo voltado para a acumulação de consumo consciente? O
quanto a revolução liberal per- para uso instantâneo. “‘Veja do marketing, a moda atende tionamento à forma de consu- o inimaginável também: hoje se e é empacotado pela indústria de riqueza e postergação do passado já mostrava a dificul-
mitiu uma condição-chave para agora!, compre agora!’ são as ao apelo irrecusável de fazer mir só ganhou alguma força consome até mesmo experiên- e pelo comércio. Já surgiu, por prazer, começou a viver sob dade de romper o business as
o florescimento da indústria palavras de ordem”, diz Braga. o indivíduo, facilmente, consi- no Brasil na década de 1990, cias como as de sentir dor e de exemplo, o mercado de coach a contradição da cultura do usual, mesmo quando a cultu-
da moda: a mobilidade social. derar-se incluído na sociedade. tendo a Eco 92 como um mar- ser sequestrado (leia mais). para ser minimalista, venden- consumo, que instigava a sa- ra ocidental protagonizava sua
Com as leis suntuárias deixa- O ritmo da fast fashion eviden- “A roupa é um bem acessível, co. A crescente pressão da do vídeos, livros etc.”, diz Fon- tisfação imediata, financiada época de maior rebeldia, déca-
das no passado, a burguesia ciou tantas mazelas ambientais muito mais que uma casa, do sociedade civil chamou as em- Puxando o fio tenelle. pelo crédito farto. das atrás.

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CLEM ONOJEGHUO/ UNSPLASH
impactos Por magali cabral

COMO A INDÚSTRIA
GLOBAL DA MODA
AFETA A SOCIEDADE
E O AMBIENTE

A
calça jeans que prova- duz 52, uma por semana, des- sem parar. Para isso, o preço Nordeste que intoxica traba- do prédio de Bangladesh serviu “Quem fez minhas roupas?” É a dos dez locais mais poluídos que investiga casos de abusos
velmente você tem pen- pejando no mercado global 80 tem de ser baixo, o custo de lhadores rurais e polui rios e como marco de um movimento pergunta que o Fashion Revolu- do planeta, o distrito de Hazari- humanos e ambientais em ca-
durada no guarda-roupa bilhões de peças de vestuário produção o menor possível e lençóis freáticos com agrotóxi- de reação global contra o esta- tion incentiva os consumidores bagh, onde operaram até abril deias de suprimento. Presente
pode ter percorrido até 75 mil por ano – isso sem contar o que o ritmo de trabalho incessan- cos contrabandeados e usados do de descalabros no setor. Co- a fazer. É o chamado consumo deste ano 90% dos seus 270 à Conferência Ethos 2017, em
quilômetros pelo mundo antes rola no mercado informal, e no te. E está criada a fórmula do além do limite permitido? meçou com o protesto dos jor- consciente, como explica a pro- curtumes. Esse elo da cadeia da São Paulo, ele comemorou o
de ser sua. Isso sem considerar a médio e pequeno varejo, onde o mal, responsável por situações nalistas que faziam a cobertura fessora de design e sustentabili- moda internacional, que com- resultado do trabalho da Trans-
viagem dos insumos que a com- controle é ainda menor que so- degradantes de condições de O que dizer das peças vendidas da tragédia, que se despiram dade no Instituto Europeu de De- pra couro para a fabricação parentem em Bangladesh:
põe: o algodão que sai do campo bre as grandes marcas. trabalho, muitas vezes trabalho por confecções que exploram das peças de roupa cujas mar- sign (IED) em São Paulo, Eloisa de calçados, bolsas, casacos e “Detectamos fornecedores de
e segue para fiação, lavagem e escravo, e de desrespeito ao mão de obra de imigrantes ile- cas estavam relacionadas às Artuso, responsável pela área acessórios, explorava mais de couro de 11 marcas conheci-
tingimento; os metais que das No Brasil, apenas 20% do mer- meio ambiente. gais, vivendo em situação análo- confecções do Rana Plaza. educacional do movimento. Para 10 mil trabalhadores, entre os das internacionalmente com-
mineradoras vão para a indús- cado nacional é dominado pelo ga à escravidão em porões nos ela, nas últimas décadas nos dei- quais muitas crianças e adoles- prando insumos nos curtumes
tria de botões, rebites e zíper; as grande varejo. A moda nacional Quem se sentiria confortável bairros do Bom Retiro, Brás, Pari Nos dias seguintes, um grupo xamos levar pelo fast fashion e centes. Todos os dias, os curtu- de Hazaribagh. Começamos a
etiquetas que, se forem feitas de é composta majoritariamente dentro de uma camiseta de ou Casa Verde, em São Paulo, ou de líderes da indústria da moda passamos a consumir muito mes despejavam 22 mil litros conversar com as empresas
poliéster, têm origem nos cam- por PME e isso, de acordo com marca que pudesse ter sido no interior do estado? Presume- sustentável fundou a Fashion mais roupas do que realmente cúbicos de resíduos tóxicos em outubro de 2016. Em 25 de
pos de petróleo e passam por a designer de moda e fundadora costurada por uma jovem cos- -se que qualquer pessoa minima- Revolution. O movimento, hoje precisamos. Por isso, sugere: cancerígenos, sem nenhum tra- março, a [agência de notícias]
muitos processos até estampar e editora da plataforma Mode- tureira morta no desabamento mente empática repudiaria pro- presente em 92 países, entre “Além de pensar duas vezes, tamento, em córregos, lagoas e Associated Press fez uma re-
o nome de uma grife e, se forem fica, Marina Colerato, é um dos do Rana Plaza, em Bangladesh dutos oriundos desse processo eles o Brasil, criou a Fashion vamos fazer com que as peças canais da região. portagem sobre esse trabalho
de couro, acrescentem-se mais maiores desafios para a sus- (em péssimas condições de sujo da moda. Mas como saber o Revolution Week. Durante a se- durem mais, vamos consertá- da Transparentem e, no dia 28
alguns milhares de quilômetros, tentabilidade. “Por um lado, é conservação, o prédio abrigava quanto de tragédia carrega uma mana, são promovidas ações -las. Vamos comprar de segun- Segundo levantamento feito do mesmo mês, nos sentamos
além de ‘toneladas’ de outros im- ótimo para a descentralização, confecções de várias marcas peça de roupa que veste um ma- de conscientização dos con- da mão. O que pode não servir pela Organização Mundial da com os investidores de mais de
pactos socioambientais. por outro, é um inferno para globais famosas e ruiu em 24 nequim na vitrine glamorosa da sumidores para o fato de que mais para uma pessoa vira uma Saúde (OMS), 90% dos traba- US$ 2,3 trilhões da indústria e
a formalização.” Todos esses de abril 2013, matando 1.134 loja do shopping center? a compra é o último passo de peça nova para outra. Vamos lhadores desses curtumes não comércio calçadista para expor
Some-se a toda essa quilome- dados juntos dão uma ideia do trabalhadores, a maioria mu- uma longa cadeia de valor que comprar do pequeno, promover vivem mais do que 50 anos. a situação. Em 8 de abril, o go-
tragem muita quantidade. Se tamanho e da complexidade da lheres jovens e adolescentes, e Eis aí um verdadeiro e inadiá- envolve milhares de pessoas o comércio local”. “Essa taxa de longevidade é verno de Bangladesh cancelou
20 anos atrás as marcas pro- cadeia produtiva da moda. deixando mais 2,5 mil feridos)? vel desafio de sustentabilidade que podem estar trabalhando pior do que a dos escravos todos os serviços de concessão
duziam apenas quatro coleções para a indústria da moda: dar em condições muito precárias Couro sujo do Sul dos Estados Unidos no de água, luz e energia desses
por ano, uma para cada estação, Produzir grandes quantidades E se você soubesse que o al- transparência aos processos de de salubridade e de renda. O século XIX”, disse o jornalista curtumes ilegais, que foram
hoje a chamada fast fashion, de roupas e calçados sem parar godão utilizado naquela calça produção, tanto no que diz res- consumidor, quando tem a in- Não bastasse Bangladesh ter Benjamin Skinner, fundador da obrigados a fechar as portas.
que abastece as grandes lojas só faz sentido se na outra ponta jeans pendurada no guarda- peito aos aspectos sociais como formação, pode fazer pressão, sido palco da tragédia do Rana Transparentem, organização É muito bom vencer de vez em
varejistas internacionais, pro- as pessoas puderem comprar -roupa veio de uma lavoura do aos ambientais. O desabamento boicote e pedir transparência. Plaza, o país abriga também um americana sem fins lucrativos quando”, disse Skinner. “Muitos

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impactos

Felix Clay/Duckrabbit
os países começam a efeti- vocam um efeito fogo-de-palha: capacitação de pessoal para Certificação Cradle to Cradle
var direitos, os trabalhadores “Dentro das empresas há depar- rastrear a cadeia. Essa lacuna (c2c), nível gold.
empoderam-se e a sociedade tamentos de responsabilidade na pecuária impede que empre-
passa a exigir padrões mínimos, social e de compliance que vivem sas pequenas e médias atinjam O certificado internacional c2c
a empresa de capital interna- ‘apanhando’ do departamento de o grau de transparência da ca- é feito com base nos critérios
cional volta a migrar. “Se hoje produção porque tentam mudar deia produtiva que almejam. É de desenho de materiais segu-
a bola da vez é a Ásia, daqui a as coisas. Quando surge uma de- o caso, por exemplo, da franco- ros à saúde, desenho de produ-
pouco será a Somália, e outros núncia seguida de um boicote de -brasileira Vert Shoes, que fa- tos para reciclabilidade, uso de
países da África.” um ou dois dias, é a oportunidade brica tênis com borracha nati- energias renováveis, gestão da
desse pessoal das empresas de va produzida por seringueiros qualidade da água e responsa-
Atualmente um grupo de tra- empoderar-se e de agir. acreanos e algodão orgânico bilidade social.
balho ligado ao Conselho de adquirido de cooperativas de
Direitos Humanos nas Nações Escravos de Jó pequenos produtores cearen- Essas camisetas foram feitas
Unidas, está criando, segundo ses, tudo dentro das regras do com algodão “sustentável” (no
o jornalista, princípios vinculan- O Brasil ocupa o quarto lugar fair trade, ou comércio justo site, a empresa informa que as
tes para substituir os princípios entre os produtores mundiais de (mais sobre a Vert nesta repor- pessoas envolvidas nos proces-
voluntários no emprego dos di- roupas e abriga a cadeia produ- tagem de Página22). sos de produção do algodão
reitos humanos. A ideia, diz ele, tiva completa das atividades re- não estão expostas a substân-
é responsabilizar os países pelo lacionadas à indústria da moda. Um dos elos que impedem a cias químicas perigosas) e pre-
mau comportamento de suas Segundo a Associação Brasileira Vert de atingir suas metas em paradas para que possam ser
empresas. Assim, o próprio go- da Indústria Têxtil e de Confecção sustentabilidade é a cadeia do recicladas no futuro, ou levadas
verno terá de obrigar os seus (Abit), o faturamento do setor couro. A empresa consegue para a compostagem. A C&A
empresários a adotar determi- foi de R$ 37 bilhões em 2016. A rastrear o insumo somente a é também signatária do Pacto
nados comportamentos. parte mais agressiva desse con- partir de sua entrada nos cur- Nacional pela Erradicação do
texto é a existência de trabalho tumes. Antes disso, os empre- Trabalho Escravo.
A ONG Repórter Brasil lançou escravo ao longo dos proces- sários garantem aos seus con-
no ano passado o aplicativo sos. Mas a diretora-executiva sumidores apenas que o couro A também internacional H&M já
Moda Livre, onde estão listadas do Instituto Pacto Nacional pela que utilizam não provém de há alguns anos vem lançando
mais de 100 marcas de vestuá- Erradicação do Trabalho Escra- áreas desmatadas da Amazô- uma coleção feita com material
rio com avaliação do que fazem vo (InPacto), Mércia Silva, trouxe nia. Ficam sem transparência têxtil de baixo impacto. Segundo
para combater o trabalho es- pelo menos uma boa notícia à quesitos éticos como bem-estar Eloisa Artuso, a loja de departa-
cravo na cadeia de valor. Gra- Conferência Ethos: “No caso da animal e boas relações traba- mentos iniciou uma campanha
Mulher em Khulna, tuito, o aplicativo já teve mais cadeia da produção do algodão, lhistas nas fazendas de gado. de fomento da economia cir-
Bangladesh de 100 mil downloads. A ideia os resultados positivos já come- cular para a indústria da moda.
é ajudar o consumidor a fazer çaram a prevalecer”. No ano passado, vários seto- Foi montado dentro das lojas
pressão na hora das compras. res representantes da cadeia um sistema de coleta de peças
Ela os atribui às várias ações im- da moda uniram-se para criar descartadas pelos clientes. “A
Para Sakamoto, comprar é um plementadas nas últimas duas o Laboratório da Moda Susten- empresa recicla os tecidos pos-
varejistas sabiam de onde vinha Leonardo Sakamoto, presidente Segundo Sakamoto, essa si- ato político. “Quando uma pes- décadas, sobretudo à lista suja tável, cuja proposta é trabalhar síveis e os reinsere na própria
o sapato, mas não o couro usa- da ONG Repórter Brasil, conse- tuação de precariedade no soa compra, deposita o seu voto do Ministério do Trabalho e Em- com a perspectiva de mudan- produção”, explica ela.
do para fabricá-lo. Agora estão lheiro no Fundo da ONU contra trabalho e de desrespeito ao na forma como aquele produto prego (MTE) e ao Pacto Nacional ças sistêmicas e de longo pra-
mais conscientes do problema.” a escravidão e neto de costu- meio ambiente sempre este- foi feito. Se estou comprando pela Erradicação do Trabalho zo em toda a cadeia. A parceria A Zara, cuja cadeia produtiva
reira, não acha correto respon- ve presente na indústria têxtil. de você, eu quero que você con- Escravo elaborado em 2005 deu-se entre a Organização In- esteve envolvida em trabalho
Um caso de cadeia sabilizar a extensão ou a com- Ela é histórica e remonta ao tinue produzindo.” Por isso, é pelo Ethos, o Instituto Observa- ternacional do Trabalho (OIT), a análogo à escravidão em anos
plexidade da cadeia de valor da seu nascedouro, à Revolução preciso garantir informação ao tório Social (IOS) e a ONG Repór- Associação Brasileira do Varejo anteriores, seguiu a mesma
Esse mesmo tipo de rastrea- moda pelo desconhecimento Industrial. “Na Europa, quando consumidor. “As pessoas preci- ter Brasil. Hoje, segundo Mércia Têxtil (ABVTEX) e a Abit, com estratégia, lançando no verão
mento nas cadeias de supri- do que acontece no setor. “Se os trabalhadores consolidaram sam saber que uma costureira Silva, dificilmente as inspeções apoio do Instituto C&A e admi- passado uma linha feita com
mento nacionais é feito pela organizações de tamanho mé- seus direitos, a indústria têxtil terceirizada ou ‘quarteirizada’ nos campos de algodão vão se nistração do Instituto Reos. material de baixo impacto.
ONG Repórter Brasil, cuja mis- dio como a Repórter Brasil e migrou para países com farta recebe entre R$ 2 e R$ 6 para deparar com trabalhadores em
são desde 2003 é identificar e a Transparentem identificam mão de obra e baixa proteção costurar um vestido inteiro que situação análoga à escravidão. As grandes varejistas também “Os grandes varejistas já têm
tornar públicas situações que os problemas, como grandes trabalhista ambiental”, conta. será vendido em lojas famosas.” começam a apresentar as pri- se movimentado nesse sentido,
ferem direitos trabalhistas e empresas multinacionais, cujos “Primeiro foi o Brasil, depois a No entanto, o mesmo não é meiras iniciativas de susten- mas, pelo próprio tamanho e
causam danos socioambien- proprietários estão entre as China e agora é Camboja, Viet- Na opinião de Sakamoto, mais verdade na pecuária, setor com tabilidade, tanto para reduzir pelo tanto de impacto que cau-
tais no Brasil. pessoas mais ricas do mundo, nã, Bangladesh, entre outros.” efetivo do que o consumo cons- muitas empresas na lista suja impactos ambientais como sam, estão precisando se movi-
não conseguem rastreá-los?”, ciente são os movimentos de do MTE e que, em grande par- sociais. Recentemente a C&A mentar um pouco mais rápido”,
O jornalista e cientista social questiona. A partir do momento em que boicote de curto prazo, que pro- te, ainda trabalha na fase de lançou uma linha camiseta com arremata Artuso.

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Kena Chaves
conceitos Por amália safatle

função, quando é descartado bém social e econômica. Trata- pa que não sirva mais, o tecido mês de novembro, a fundação
ou dá início a outro ciclo de -se da Avaliação de Ciclo de é desfibrado, dando origem a deve lançar um amplo estu-
vida. (Isso acontece, por exem- Vida (ACV), o instrumento do um novo fio que comporá uma do sobre vestuário. O setor,
plo, quando a camiseta perde Pensamento de Ciclo de Vida nova peça (assista ao vídeo e segundo Santiago, é conside-
sua função e passa a ser usa- destinado a fazer as contas na leia entrevista com Michael rado um dos mais “lineares”
da como pano de chão, dando ponta no lápis, e que vem sen- Braungart, um dos criadores que existem, graças à fast
início ao ciclo de vida do pano do adotado por algumas em- do conceito, sobre o papel do fashion, baseada em extração
de chão.) presas para orientar a otimiza- Brasil na Economia Circular). e descarte rápidos. Somente
ção de processos e redução de 1% do material empregado no
Entre as etapas da vida de um impactos. Embora Pensamento de Ciclo setor de vestuário retorna ao
produto, o pesquisador chama de Vida e Economia Circular ciclo de produção na forma
atenção para a do uso, que con- Mas o consumidor, sozinho, vai proponham abordagens di- de insumo.
centra a maior parte do impac- fazer essas contas a cada deci- ferentes para endereçar a
to – no caso da moda, envolve são de compra, uso e descarte questão da sustentabilidade, O primeiro setor objeto de um

CONTRA OS MODISMOS,
a hora de lavar, secar e passar do produto? Certamente, não. Dinato acredita que possam estudo de peso da Ellen MacAr-
a roupa. E isso também varia Por isso, o melhor a fazer, se- ser complementares, na me- thur, também por sua caracte-
muito, conforme os hábitos do gundo Dinato, é ampliar ao má- dida em que a ACV contribui rística bastante linear, foi o de

VAMOS AOS
consumidor e até mesmo a re- ximo a etapa de uso do produ- com uma metodologia para embalagens plásticas, que ori-
gião onde mora. to. Estender a vida útil contribui cálculos. ginou uma iniciativa sistêmica
para “diluir” ao longo do tempo promovida pela fundação.

FUNDAMENTOS Sob o ponto de vista do consu-


mo de energia, a camiseta de al-
godão gera maior impacto que
os impactos gerados na produ-
ção e no descarte.
O senso comum indica que
reciclar é benéfico, mas é
preciso lembrar que todo
Por meio de iniciativas como
esta, a ideia é implementar
a de poliéster para quem tem Além de preferir peças de processo – inclusive o de re- ações entre os CEO das maio-
o costume de passar roupas, grande durabilidade no lugar da ciclagem – causa impactos, e res empresas do setor, influen-
pois amassa bem mais. Na Re- fast fashion, outra dica é bus- é preciso medi-los para se ter ciando a adoção de práticas ino-
gião Sul, em que se usa muito a car aquelas que sujam menos, certeza de que vale a mesmo vadoras da Economia Circular,
secadora devido ao clima frio e secam rápido, não precisam pena. “Dependendo do gasto a exemplo dos processos de

A
expressão “moda sus- os impactos que cada produ- Segundo Dinato, a avaliação úmido, esse impacto aumenta. ser lavadas em água quente e de energia que a circularida- reciclagem que dão origem a
tentável” está na moda to gera, desde a extração da do impacto depende do aspec- Já para quem mora no Nordes- dispensam o ferro de passar. de requer, pode ser que seja produtos de alto valor.
e vem sendo propagada matéria-prima até o descarte, to que será levado em conta. te, tende a ser indiferente, pois Algumas dessas informações menos impactante descartar
a torto e a direito. Dizem, por passando pela produção e pela Estamos falando da gera- tanto a de poliéster quanto a de podem ser facilmente encon- o produto em um aterro”, Como modelos de ecodesign,
exemplo, que uma camiseta de sua utilização pelo consumidor. ção de resíduos do produto algodão secam rapidamente. tradas na etiqueta da roupa. exemplifica. ela cita a linha de camise-
algodão é mais sustentável que descartado? Do consumo de Adotando esses cuidados que tas com certificado cradle to
a de poliéster. Será mesmo? Voltando à questão da camiseta água na obtenção da matéria- Uma roupa branca de algodão o Pensamento de Ciclo de Vida Para Luísa Santiago, que lidera cradle da C&A, desenhadas
– qual das duas é mais susten- -prima? Do gasto de energia tende a impactar mais que uma inspira, é possível poupar re- no Brasil a rede de Economia para serem reutilizadas e
Um olhar mais cuidadoso le- tável? –, o Pensamento de Ciclo na produção da camiseta? Do escura de poliéster, quando se cursos hídricos e energia, re- Circular da Ellen MacArthur recicladas; as Lojas Renner,
vanta uma série de pontos e de Vida nos levaria a responder: uso de agrotóxicos no cultivo pensa no consumo de água nas duzindo também a poluição das Foundation, o “lixo é um erro que tem reintegrado sobras
mostra que não há resposta “Depende…” do algodão convencional? Da lavagens – a roupa clara “suja” águas e a emissão de carbono de design”. Por isso, o desenho têxteis em seus processos
simples para questões com- finitude dos recursos naturais mais – e na consequente polui- (confira mais dicas para um do produto, incluindo a escolha produtivos; e a Eurofios, que
plexas. Quais critérios estamos O fato de o algodão ser uma utilizados? Da emissão de car- ção dos corpos d’água por sa- consumo consciente). dos materiais e suas proprie- tece fios e barbantes com a
levando em conta? Que medi- fibra natural e, portanto, re- bono? Sob o aspecto do con- bão, detergente e amaciante. Já dades de reciclagem e biode- reutilização de resíduos, sem
das devem usadas para aferir novável, enquanto o poliéster sumo de água, a camiseta de no caso de tecidos sintéticos, é Linha versus círculo gradação, é fundamental para precisar de novo tingimento,
o grau de sustentabilidade de provém do petróleo, não é poliéster pode ser mais vanta- preciso considerar as microfi- que a circularidade seja viável entre outros casos. “Já existe
um determinado produto ou suficiente para concluir que a josa. Já considerando a extra- bras de plástico que se soltam Outra vertente importante é o e faça sentido, dando origem a um movimento acontecendo
processo? Como isso pode ser primeira é menos impactante ção de recursos naturais, a de a cada lavagem e vão parar em conceito de Economia Circular, novos produtos ou retornando na direção da Economia Circu-
comprovado? que a segunda. Isso porque algodão ganha. rios e oceanos, gerando uma que trabalha com a ideia de ao ciclo natural da biosfera de lar”, afirma.
muitas outras variáveis en- contaminação crescente, ainda ciclo fechado, valendo-se do forma segura.
Nada como um pouco de fun- tram nessa equação, como ex- Além disso, é preciso analisar que invisível. reúso, da reciclagem e da re- Segundo Dinato, da CiViA, quan-
damentação teórica para lidar plica Ricardo Dinato, pesquisa- esses fatores considerando manufatura. Em vez de “nasci- A indústria da moda entrou do um produto é previamente
com os modismos. Vamos co- dor do Ciclo de Vida Aplicado cada uma das fases de vida do Como se vê, há muitas variá- mento” e “morte”, a Economia na mira da Ellen MacArthur – desenhado para a circularida-
meçar com o Pensamento de (CiViA), uma iniciativa do Cen- produto, desde o “nascimento” veis em jogo. Existe uma ferra- Circular adota o “berço ao ber- até porque a americana Nike de, é provável que haja benefí-
Ciclo de Vida, um conceito que tro de Estudos em Sustentabi- – a extração da matéria-prima menta para medir os diversos ço” (cradle to cradle), sem que e a sueca H&M passaram a cios. Mas, para se ter certeza e
ajuda as pessoas a pensar de lidade da FGV-Eaesp (assista a – até a “morte” – o momento impactos – não somente os de haja descarte de resíduos no integrar o time de parceiros para mensurá-los, só mesmo
forma mais sistêmica sobre videoaula aqui). em que o produto perde sua ordem ambiental, mas tam- processo. No caso de uma rou- globais da organização. Neste calculando.

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HURRICANE HUBERT/ FLICKR CREATIVE COMmmons
iniciativas Por magali cabral

NOVOS MODELOS DE
NEGÓCIOS APONTAM
PARA SOLUÇÕES

P
rimeiro os consumidores sumidores, na moda também Livre, plataforma que faz cone- do tempo –, a designer ressalva As ambições não param por dutiva, dá uma ideia desse al- tion Brasil e coidealizadora do Multidisciplinar, o evento, além
questionaram a qualidade começam a surgir alternativas xões entre vários assuntos da que os formatos alternativos aí. O combate ao consumismo cance: já registrou mais de 100 BEFW, explica que o País já sen- de palestras e workshops,
das linhas fast food dos ali- para quem gosta de um guarda- moda sustentável. no Brasil ainda engatinham em é uma vertente dessas novas mil downloads, segundo infor- te a necessidade de um espaço terá também o Espaço Lab.
mentos industrializados, dando -roupa renovado, mas ao mes- relação aos movimentos in- propostas de negócio (apesar mação do jornalista e cientista em que todas essas marcas e A iniciativa reunirá fornece-
início a um movimento em prol mo tempo se preocupa com a Embora todas essas iniciativas ternacionais. “Quando a gente de parecer uma contradição social Leonardo Sakamoto, pre- movimentos alternativos da dores, protótipos e inova-
de uma nutrição saudável, pre- pegada ecológica e os impactos encham de esperança aqueles olha de perto, vê que ainda falta para quem busca viabilidade sidente da ONG Repórter Brasil, moda se reúnam para fomen- ções da indústria da moda
ferencialmente orgânica e pro- sociais por trás das peças. que esperam testemunhar uma sustentabilidade financeira para financeira) e um desafio adicio- idealizadora da ferramenta. tar negócios. De um lado, exis- para ressaltar a importância
duzida localmente. Essa onda mudança substancial no mun- investir, por exemplo, em logís- nal. Afinal, com tanta desigual- tem várias marcas que trazem da tecnologia e da gestão de
de conscientização alimentar Bibliotecas de roupa, bazares do das coisas, são alternativas tica, o que ajudaria a dar escala dade social no Brasil não dá Com consumidores ávidos por todo um princípio de sustenta- processos ligados à sustenta-
soou como um chamado para de troca, brechós, oficinas de de pequena escala e voltadas aos negócios”, diz. para esperar que uma classe uma moda ética e com todas bilidade e uma cadeia ética, mas bilidade e estará a cargo dos
as novas gerações de designers upcycling e franquias que trans- para um público de nicho, que já que ainda não ascendeu queira as iniciativas que surgem atual- que ficam isoladas em suas ci- estudantes da disciplina For-
que, ao ingressarem no ramo da formam vestuários estão entre teve suas necessidades básicas Diferentemente da indústria de pular a fase do consumo. As mente pelo Brasil, um grupo dades. De outro, há os consumi- mação Integrada para a Sus-
moda, se deparavam com uma os principais modelos de negó- atendidas. Para que o impacto alimentos, a moda é repleta de dificuldades são muitas, mas ligado ao Fashion Revolution dores querendo saber quais são tentabilidade (FIS), oferecida
indústria fast fashion operando cios que aproveitam as peças realmente aconteça no setor elos ao longo da cadeia produti- Marina Colerato crê que, mes- (movimento internacional que as marcas mais legais de serem pelo do Centro de Estudos em
de um modo linear e antiquado, em circulação, quebrando a da moda, é sabido que as inova- va, quase todos com questões mo sem fazer muito dinheiro, denuncia impactos socioam- consumidas. Sustentabilidade da FGV-Eaesp
com poucas iniciativas de inser- lógica que move o fast fashion ções precisam também acon- socioambientais a serem solu- as empreendedoras da moda bientais na indústria da moda e (GVces) em parceria com a
ção de sustentabilidade nas li- – quer dizer, além de promover tecer em grande escala, nas cionadas. Segundo a designer, sustentável deverão seguir em estimula o consumo conscien- O BEFW apresentará 18 desfi- Moda Limpa, uma platafor-
nhas de produção. a ideia do consumo consciente, grandes indústrias. esse modelo industrial preci- frente sempre pela causa. te de roupas) realiza em São les. Metade de marcas foram ma onde os próprios usuários
esses modelos escapam de ter sa mudar, mas ninguém sabe Paulo, de 21 a 23 de novembro, convidadas e a outra metade cadastram fornecedores e
Essa correlação foi feita pela que criar uma nova linha de pro- Como afirma Colerato, a gente ainda o que colocar no lugar. Desfile ético o Brasil Eco Fashion Week selecionada entre mais de 100 marcas que consideram sus-
designer de moda Marina Cole- dução. E há também projetos vive uma crise do modelo indus- “A nossa única certeza, por en- (BEFW), a primeira semana de inscritos – pelo menos cerca tentáveis. “Vamos mostrar as
rato, fundadora e editora do site socioambientais, como o Pa- trial e é o momento mesmo de quanto, é que a moda opera de Moda é um tema com apelo em moda sustentável no País. As de 50 participantes vão expor principais soluções tecnoló-
Modefica, onde escreve sobre nosocial, voltado para a resso- aflorarem outras coisas. Fã das forma linear e a gente precisa todas as faixas etárias e em to- organizadoras esperam atrair suas coleções em um show gicas que estão aparecendo
temas pouco explorados pelas cialização de ex-detentos com bibliotecas de roupa – modelo de um método de produção cir- dos os gêneros. A ética idem. O um público em torno de 10 room para vendas no varejo e que já podem ser adotadas
grandes publicações de moda, a sua reintegração na cadeia de negócio em que, mediante o cular. Esses novos modelos de aplicativo Moda Livre, para ce- mil pessoas nos três dias do e no atacado. A seleção dos por pequenas e grandes em-
como economia circular e sus- produtiva; e prestadores de pagamento de uma mensalida- negócio são experimentos para lulares, que aponta o compor- evento. participantes foi feita por uma presas que queiram diminuir o
tentabilidade. Para ela, assim serviços como o Moda Limpa, de, clientes podem retirar um descobrir como se fazer a tran- tamento de grandes marcas va- curadoria que considerou que- seu impacto social e ambien-
como o setor de alimentação uma agenda de fornecedores certo número de peças de rou- sição”, afirma (mais sobre Eco- rejistas em respeito aos direitos Fernanda Simon, coordenadora sitos socioambientais, de de- tal”, explicou Marina de Luca,
logo reagiu à demanda dos con- de insumos “do bem”, e o Roupa pa e usá-las por um determina- nomia Circular aqui). trabalhistas em sua cadeia pro- nacional do Fashion Revolu- sign e de criatividade. do Moda Limpa.

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SAMANTHA SOPHIA/ UNSPLASH
cartilha Por Oscar Freitas Neto

DICAS PARA UM
CONSUMO MAIS
CONSCIENTE
“O
.k., já entendi quais são com os amigos. Emprestar uma O My Open Closet propõe abrir
os impactos da indús- peça pode ser o suficiente e, na os armários. A empresa atua
tria da moda. Mas o próxima, você é que pode em- como um marketplace onde
que eu devo fazer? Onde posso prestar. Assim, devagarzinho, você pode colocar as roupas
comprar minhas roupas?” Essa vamos substituir o “comprar” para circular enquanto não
é uma dúvida comum a todos pelo “compartilhar”. surge a ocasião de utilizá-las.
nós, consumidores conscientes. Em Belo Horizonte, o Armário
No entanto, em vez de ficar afli- Organizar uma troca de roupa Compartilhado oferece serviço
tos à espera de uma resposta, a também é uma ótima opção de semelhante.
dica é retroceder alguns passos renovar o guarda-roupa sem
e pensar melhor. gastar. Se quiser mais diversi- Mas, afinal, você percebe que é
dade, existem bazares como o hora de ter mais uma peça para
Desejo não está exatamente re- Trocadeira, com edições orga- chamar de sua. Chegou o mo-
lacionado à necessidade. Antes nizadas em locais diferentes na mento de substituir a camiseta
de tudo, reflita: “Será que pre- cidade de São Paulo. Paga-se que não usa mais e a calça que
ciso mesmo desta peça?” As apenas um valor de entrada e ficou apertada. Por que não le-
vitrines atraentes e a palavra você pode levar suas roupas e var essa camiseta e calça para
“promoção” quase “gritam” na trocá-las por outras. um brechó e ganhar um des-
nossa cara. O consumo muitas conto em outras peças? Assim,
vezes é questão de impulso. Em todo caso, você pode alu- você poupa dinheiro e dá utilida-
Respire! gar. E não é só aquele terno de às suas roupas antigas.
para festa, hoje há iniciativas
Comprar nos dá um prazer mo- que disponibilizam todo tipo de Quando não é possível encon-
mentâneo, mas qual a utilida- roupa. Em São Paulo, empresas trar em brechós o que se quer,
de de uma roupa esquecida no como a Roupateca, Entre Nós resta ir às lojas convencio-
fundo da gaveta? Falando em e a Blimo – Biblioteca de Moda, nais. Mas temos mais algumas
fundo da gaveta, é importante oferecem serviço como verda- questões a considerar antes de
olhar lá. É bem provável que deiras Netflix das roupas. Você comprar. O importante é buscar
você já tenha alguma peça que paga um valor mensal e tem informações sobre a marca:
funcione do mesmo jeito que a direito de pegar emprestado de “Que práticas da empresa con-
blusinha da vitrine. um guarda-roupa bem diversi- tribuem para uma sociedade
ficado. De tempos em tempos, melhor? Como se dá o proces-
Talvez você precise de uma a Lucid Bag organiza encontros so produtivo?”
roupa para uma ocasião espe- nas cidades de São Paulo, Rio de
cífica. Casamento, festa ou só Janeiro e Goiânia, promovendo Não sabe como achar essas in-
algo que combine com sua cal- seu Clube de Empréstimos, que formações? Procure comprar
ça para sair com os amigos. A também oferece peças para em produções locais, é muito
resposta pode estar aí mesmo, usar por um fim de semana. mais fácil descobrir esse tipo

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cartilha

de dado do que em grandes à sombra dos nossos produtos, baratas para serem substi-
empresas multinacionais com há muita gente dedicando seu tuídas e sua qualidade deve
a cadeia produtiva dispersa trabalho, sua vida, sua ener- ser baixa para que não durem
pelo mundo. Além disso, você gia para que aquilo seja feito”, muito, o que também pode
incentiva a produção e as boas afirma Marina de Luca, coor- ser chamado de obsolescência
práticas de empresas locais. É denadora de comunicação do programada. De modo a que-
importante ficar atento às con- Fashion Revolution Brasil. brar esse ciclo, evite comprar
dições de trabalho e se todos roupas com valor muito baixo.
são remunerados de forma A cartilha Perguntas para um Lembre-se de que há muitas
justa. Quem sabe você conse- consumo mais consciente é pessoas no processo da con-
gue conhecer quem trabalha uma produção em conjunto fecção da peça e, se o preço
lá ou mesmo o dono? Ligar o com o movimento. “Quando é tão baixo, alguém está “pa-
produto a quem o fez traz mais você compra, está financiando gando” essa conta. Qual o real
significado à roupa. Muito além a forma de trabalho de quem custo dessa roupa, se conside-
do valor monetário, o que você fez aquele produto. Refletir so- rarmos os aspectos sociais e
veste resulta do esforço e da bre o nosso consumo é muito ambientais envolvidos?
criatividade de alguém. importante para usar esse ato
como uma poderosa ferramen- Preferir roupas de boa qualida-
Comprar de marcas locais tam- ta de transformação”, comenta de, que durem muito tempo, é
bém reduz as emissões prove- De Luca. uma forma de combater o fast
nientes do transporte de milha- fashion. Roupas não devem ser
res de quilômetros de distância. Investigue e pressione descartáveis. Outra boa pedida
Embora ainda haja más condi- é levar o tênis no sapateiro ou
ções de trabalho na indústria da Em parceria com a University reforçar uma costura que está
moda no Brasil, os funcionários of Exeter, o Fashion Revolu- soltando, para aumentar sua
têm alguma proteção garantida tion criou um curso que ensina durabilidade.
por leis trabalhistas que podem como descobrir mais informa-
não existir em outros países. ções sobre nossas roupas e Não é fácil pensar em tudo isso,
Além disso, comprando pro- pressionar a indústria da moda leva tempo de pesquisa e refle-
dutos brasileiros, você valoriza por mudanças que reduzam xão, e ainda é preciso domar os
nossos talentos. seus impactos. impulsos da nossa cultura con-
sumista. Contudo, é uma mu-
Com tantas marcas produzidas Cada vez mais as marcas têm dança necessária.
no Brasil e no mundo afora, oferecido informações sobre
você pode perguntar-se: “Quem suas práticas e cadeia de for- Mas, pensando bem, consertar
fez minhas roupas?” Este é o necedores. Dessa forma, o site roupas de que gostamos muito,
mote do Fashion Revolution, da empresa é um primeiro pas- garimpar peças em brechós e
um movimento global que luta so para iniciar a investigação. organizar trocas com os ami-
pela transparência no mundo Outra fonte de informação é o gos podem ser atividades muito
da moda e defende que faça- aplicativo Moda Livre (Android prazerosas. Essas são atitudes
mos toda essa reflexão antes e Apple), criado pelo Repórter que fazem a diferença e, pouco
de sair às compras. Brasil, que mostra as medidas a pouco, vão mudando nossos
tomadas pelas empresas para valores e a forma com que ve-
“O mundo de hoje tem desco- evitar o trabalho escravo. mos o mundo.
nectado as pessoas das pessoas
e valorizado muito a relação Se a lógica do fast fashion é o A “cartilha” ao lado orienta que
das pessoas com objetos. Essa consumo rápido e incessante, perguntas devemos nos fazer.
pergunta ajuda a entender que, as roupas devem ser muito Fique à vontade para divulgar!

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BASSIM SHAFI/ UNSPLASH
tecnologia Por Cíntya Feitosa

MAIS QUE NA
PARAFERNÁLIA
HI TECH, O FUTURO DA
MODA ESTÁ NA REDUÇÃO
DE IMPACTOS Q
uando se fala em tecno-
logia para vestuário, tal-
vez a primeira coisa que
venha à mente seja as roupas
dução de fato mais sustentável
e que atinja mais gente requer
pesquisa e desenvolvimento
que possibilitem também um
dação rápida, lançado em 2014
no desfile do badalado Ronal-
do Fraga na São Paulo Fashion
Week. Ainda um polímero de
“do futuro”: conectadas à inter- olhar sobre o material utiliza- fonte não renovável, mas com
net, biométricas, com monitora- do nas roupas, ou mecanismos um tipo de filamento que per-
mento de atividades corporais, que garantam sua durabilidade mite sua total degradação em
roupas que avaliam e ajudam e menor impacto no descar- menos de três anos em aterros
a melhorar o rendimento em te. Felizmente, isso também já sanitários, feito à base da intro-
corridas e afins. As tecnologias está acontecendo. dução de uma substância que
vestíveis, smart clothing, aos facilita a abertura do filamento
poucos chegam ao mercado e Há um debate menos cool e e atrai os micro-organismos no
algumas já são bem populares atraente que o da Internet das solo. O tempo normal de degra-
– como as roupas com filtro UV Coisas, com as próprias roupas dação, para um fio convencio-
que têm ganhado as praias bra- sendo transformadas em dis- nal, chega a 50 anos.
sileiras no verão. positivos conectados, mas que
deveria chamar mais atenção: A empresa também desenvol-
Por mais que nos coloquem na já existem diversas iniciativas veu um fio de poliamida que já
era Jetsons e atendam algumas de tecnologia em busca de re- vem na cor branca, eliminando a
demandas em geração de dados duzir o impacto da moda, so- etapa de tingimento e, por con-
e conectividade incessante, não bretudo em relação a resíduos. sequência, a de tratamento de
são essas as tecnologias neces- No centro desse debate, três efluentes, reduzindo o uso de
sárias para uma verdadeira re- questões têm sido observadas água. Além disso, promete tam-
volução na cadeia da moda. pela indústria da moda e devem bém proteção contra o amare-
ser ampliadas nos próximos lamento. “O aprimoramento da
Para atender uma cultura de anos: uso de fontes renováveis fibra sintética é muito importan-
consumo crescente e de inclu- na produção, possibilidade de te nesse processo, com uso de
são na sociedade por meio do reciclagem e maior agilidade na substâncias que trazem proprie-
vestuário (mais aqui), o mate- biodegradação. De acordo com dades para o próprio material, o
rial utilizado na confecção de a consultoria McKinsey, uma que se torna difícil em uma fibra
roupas até agora também pre- aposta da indústria da moda natural. Não podemos introduzir
cisou garantir a larga escala e para continuar crescendo é in- nada em algodão, por exemplo”,
o acelerado ritmo de operação. vestir em tecnologia. diz Renato Boaventura, presi-
Ainda que iniciativas que exigem dente da Unidade Global de Ne-
transparência das marcas e Um dos produtos têxteis da gócios Fibras.
promovem a Economia Circu- brasileira Rhodia, empresa do
lar estejam em ascensão entre grupo internacional Solvay, é Ambos os produtos foram lan-
uma parte do público, uma pro- um tipo de poliamida de degra- çados também no mercado

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tecnologia

europeu, em 2016. O otimismo A Lenzing, empresa austríaca, matéria-prima vêm dos EUA, da apontam que 57% da produção de monocultura e resistência a co em contato com a pele faça hacker da moda. Para ele, os ao suar. A cápsula libera uma
esbarra na escala: hoje, a pro- lançou recentemente a Refibra, Índia e da China. O Brasil entra brasileira já está nesse padrão. pragas por meio de produtos mal à saúde (saiba mais aqui). nanonegócios é que farão a roda composição de extratos vege-
dução da poliamida sustentável uma ideia elaborada com base na lista como quinto maior pro- químicos”, diz Moraes. É a lógica do “melhor não arris- da moda girar. “Hoje já existem tais que atacam as bactérias,
representa 20% da produção na celulose dos resíduos de al- dutor e terceiro maior expor- Uma confusão comum é as- car”. “Mesmo que não faça mal centenas de soluções [de mate- inibindo o seu crescimento. O
da Rhodia. Ainda assim, Boa- godão que sobram dos cortes tador global, de acordo com a sociar o adjetivo “melhor” ou Mais da metade da produção pela roupa, o uso desses pro- riais] no mercado: tem a fibra de resultado, de acordo com ele,
ventura aposta no crescimento. de produção e do corte de ma- Empresa Brasileira de Pesquisa “mais sustentável” a “orgânico”. orgânica do País veio da Paraí- dutos faz mal a quem trabalha pesca, [uso de] leite podre, esca- são roupas sempre frescas,
“Na verdade, o mercado con- deira. Segundo informações da Agropecuária (Embrapa). “O BCI é o que podemos chamar ba, onde na década de 1980 as na lavoura e para o ambiente”, ma de peixe e diversas outras ini- que só precisam ser lavadas
sumidor passa por uma trans- própria empresa, “a Lenzing é o de menos ruim, por ter uma lavouras foram dizimadas pela explica o executivo. ciativas. Só que elas não entram novamente quando todas as
formação: novas gerações têm primeiro fabricante a oferecer A indústria da moda tem se mo- certificação de mínimas condi- seca e pelo bicudo – inseto de no mercado, porque [as pessoas nanocápsulas depositadas no
sensibilidade diferente para fibras de celulose com mate- vido para a adoção de práticas ções, como não uso de trabalho maior incidência nesse tipo de A área dedicada ao cultivo or- perguntam]: ‘ah, pera aí, vai dar tecido forem rompidas. O pro-
questões de produtos susten- rial reciclado em uma escala mais sustentáveis na produção. em condições degradantes, as- cultura e de difícil controle, gânico também é pequena, mas escala?’”, critica Serrano. “Se a duto já está em uso no House
táveis. A indústria olha preço, e comercial e é pioneira nessa Como é produzido esse algo- sim como utilização de equipa- que perfura o botão floral e a com bom rendimento: em 2016, gente converge nossa visão para of Bubbles, lavanderia coletiva
produtos sustentáveis têm custo tecnologia”. dão? Segue normas ambien- mentos de proteção, mas ainda polpa dos algodoeiros. Depois a produção orgânica global con- o nanobusiness, não é necessário no bairro de Pinheiros, em São
maior”, diz. No entanto, consi- tais? Quem são os produtores? com práticas de produção de disso, a Embrapa tem realizado tou com 200 mil agricultores, dar escala. Se um cara consegue Paulo, onde também estão dis-
dera positiva a receptividade: Entre grandes marcas globais Com o aumento da transpa- um modelo industrial”, diz Silvio pesquisas no estado e o cultivo numa área certificada de pouco fazer um tecido de leite podre e poníveis roupas para aluguel.
“O consumidor já está dispos- também surgiram materiais rência do processo produtivo, Moraes, representante da or- só voltou, timidamente, nesta mais de 350 mil hectares. No produz 10, 20 camisetas pra se
to. Se a diferença de preço for curiosos, como o caso da Adi- muito incentivado, infelizmente, ganização Textile Exchange na década. É de lá o aclamado al- Brasil, na última safra foram 160 sustentar, não precisa ter uma Porém, ainda está na escala
pequena, ele paga. Mas é um das, cujo tênis é feito de plásti- por episódios trágicos, cresceu América Latina. As sementes godão naturalmente colorido, hectares, com 112 produtores produção grande.” Para isso, no “nano” o mercado consumidor
caminho de via dupla, do consu- co dos oceanos reciclado, e o da também a publicidade dos da- do algodão melhor ainda são que mesmo em pequeníssima certificados. Na agricultura fa- entanto, seria necessária uma desse tipo de negócio. De acor-
midor que ganha consciência e Nike, que produziu tênis a partir dos em relação à cadeia de va- transgênicas, o que a Textile Ex- escala ganhou o mundo. miliar, inclusive para prevenção a mudança de modelo mental, do com a McKinsey, o número
das empresas que vão levando de material reciclado. lor da moda, que vai muito além change e outras organizações pragas, Moraes diz que a prática distanciando-se do conceito tra- de peças de vestuário compra-
consciência para o mercado.” das costureiras. associam à necessidade de A produção orgânica não é gran- mais comum é associar o algo- dicional da própria moda e bus- das anualmente pelo consumi-
Precisamos falar sobre maior uso de substância quími- de porque a demanda é peque- dão a outras culturas, o que, na cando uma expressão individual dor médio aumentou em 60%
Também já existem fibras feitas algodão Para assegurar uma produção ca, entre elas o glifosato, e à na, ou o contrário? “Na verdade, visão dele, proporciona até mais do modo de se vestir. ao ano entre 2000 e 2014. O
de polímeros obtidos de bio- mais justa e ambientalmente necessidade de uma produção o mercado consumidor dá sinais segurança econômica e nutricio- crescimento foi puxado prin-
massa. Em 2017, por exemplo, Menos atraente que toda essa responsável, grandes empre- em larga escala, impossível a de crescimento, o que pode nal aos agricultores familiares. Serrano é dono da marca cipalmente pela fast fashion,
a Fibria, empresa brasileira líder discussão sobre novos mate- sas da moda, incluindo a própria pequenos produtores. também impulsionar a oferta. Trendt, por meio da qual aposta o que também acelerou o im-
global em produção de celulose riais e tecnologias do futuro, o C&A, têm apostado na certifica- Se não tiver para quem vender, No caso do algodão orgânico, em moda sem gênero e na inova- pacto da moda sobre recursos
com o manejo de florestas plan- algodão não pode ficar de fora ção Better Cotton Initiative (BCI) O algodão orgânico represen- quem planta não produz, mas o então, o crescimento viria não ção aberta para melhorar suas naturais. Além dos perigos que
tadas de eucalipto, adquiriu 18% do debate. E não fica, mesmo. – ou, em tradução livre, Inicia- ta hoje menos de 1% de toda que o mercado sinaliza é que, se de uma grande produção que criações. O negócio da Trendt é isso implica para os negócios e
da startup finlandesa Spinnova. Nos últimos anos, essa fibra tiva por Algodão Melhor. Esse a produção global, de acordo houvesse mais produção, tam- optasse em dedicar toda a sua o oposto da fast fashion: ele in- para toda a cadeia envolvida, a
A aquisição saiu por nada me- natural tem ganhado vários projeto global surgiu em 2013, com a Textile. No Brasil, nem bém haveria mais compra.” área a esse cultivo, mas de vá- veste na moda durável, de boa consultoria mapeia outro risco:
nos que 5 milhões de euros. A holofotes, principalmente de- após quase uma década de ro- chega a isso: foram 22 tonela- rios pequenos negócios que, jun- qualidade e de preferência que à medida que o poder de com-
empresa desenvolve tecnologia pois do documentário For the dadas de discussão sobre con- das na última safra, de acordo Moraes dá o exemplo da Euro- tos, dariam escala à produção. se desgaste pouco. pra dos millenials aumente, a
para a produção de matérias- Love of Fashion, produzido pela dições justas para produtores, com a Embrapa – num universo pa, onde o mercado tem cres- pressão por novas formas de
-primas para a indústria têxtil, C&A em parceria com a Natio- para o ambiente e para consu- de produção de mais de 15 mil cido entre mães que optam Nanobusiness Serrano também bolou o Bio- produção, menos impactantes,
utilizando fibras de madeira no nal Geographic. De acordo com midores. O Brasil, de acordo toneladas. “Um produtor local por algodão orgânico para as softness, amaciante desenvol- também cresce. A indústria
fabrico de fios e filamentos ca- o filme, 35% de toda a roupa com o site da BCI, é hoje a maior não tem como competir com a roupas de seus bebês – embora O aumento da produção em pe- vido com o uso de nanocápsu- precisa, então, adaptar-se ago-
pazes de substituir o algodão, a do mundo é produzida com al- fonte do “algodão melhor”. Os produção em larga escala, mui- não haja comprovação científica quena escala é a aposta de Re- las ativadas por estímulos das ra a essa nova tendência. Esse é
viscose e outros insumos. godão, e no total dois terços da dados mais recentes, de 2015, to incentivada por uma prática de que o algodão com agrotóxi- nan Serrano, conhecido como enzimas liberadas pelo corpo um risco bom.

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ERWAN HESRY/ UNSPLASH


DROPS BAÚ Compilação por Amália Safatle

DICIONÁRIO, DICAS DE
VÍDEOS & LEITURAS

> Dicionário: conheça o Compliance – Estar em linha com os impactos positivos e dimi-
significado de expres- normas, controles internos e ex- nuir os negativos causados pelo
sões usadas nesta ternos e demais políticas e diretri- consumo dos cidadãos no meio
edição de P22_ON zes do próprio negócio, e também ambiente, na economia e nas
com as determinações dos ór- relações sociais. Para o Institu-
Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) gãos de regulamentação, incluin- to Akatu, ONG que tem o consu-
– Técnica desenvolvida para do as esferas trabalhista, fiscal, mo consciente como principal
medir possíveis impactos am- contábil, financeira, ambiental, bandeira em suas ações mobi-
bientais resultantes da fabrica- jurídica, previdenciária, ética etc. lizadoras, “consumir de forma
ção e utilização de determinado consciente é levar em conside-
produto ou serviço, segundo o Cradle to Cradle – Uma das es- ração os impactos ambientais
Instituto Brasileiro de Informa- colas de pensamento da Econo- e sociais da produção, do uso e
ção em Ciência e Tecnologia. A mia Circular, desenvolvida pelo do descarte de produtos e ser-
abordagem sistêmica da ACV é químico alemão Michael Braun- viços”. Conheça aqui os 12 prin-
conhecida como “do berço ao gart, em conjunto com o arqui- cípios do consumo consciente,
túmulo”, na qual são levantados teto americano Bill McDonough. segundo o Akatu.
os dados em todas as fases do Esse conceito, que resultou na
ciclo de vida do produto. O ciclo certificação Cradle to Cradle,
de vida compreende desde a elimina o conceito de resíduo
extração das matérias-primas, (“resíduo é igual a alimento”),
passando pela produção, dis- maximiza o uso de energias
tribuição até o consumo e a renováveis, gerencia o uso da
disposição final, contemplando água e segue preceitos da res-
também reciclagem e reúso, ponsabilidade social.
Entenda o que é Pensamento do Ciclo de Vida e para que Existe uma roupa mais “sustentável” que outra? Depende. quando for o caso. A ACV é uma
serve, segundo explanação de Ricardo Mattos e Dinato, Saiba por que nesta explicação de Dinato. ferramenta do Pensamento de Consumo consciente – É uma
pesquisador do GVces. Ciclo de Vida. contribuição voluntária, cotidia-
na e solidária do cidadão para
Business as Usual (BaU) – Cenário garantir a sustentabilidade da
em que os negócios são tocados vida no planeta, segundo defini-
de modo costumeiro, convencio- ção usada no Ministério do Meio
nal, sem inovação nem mudança. Ambiente. Trata-se de ampliar

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BAÚ
Downcycling – Processo pelo compactas, lançadas e retiradas a pessoas que produzem arte- como peças de vestuário ou cerveja, ou seja, usando o pro- ração e uso de trabalho infantil. narrativa (D’Livros Editora)
qual resíduos e materiais des- das lojas velozmente, evitando fatos tecnológicos para o seu acessórios, conectados a ou- cesso biológico da fermenta- Reflexões sobre Moda – volu-
cartados são transformados estoques. O modelo, que é bas- próprio uso, sem a construção tros aparelhos ou à internet. ção para separar das fibras de Mais sobre o assunto neste vídeo. mes I, II, III e IV (Editora Anhembi
em produtos com valor inferior tante lucrativo do ponto de vista de negócios. algodão o poliéster nos tecidos Morumbi)
ao original. Oposto de upcycling. econômico, gera externalidades mistos. O objetivo é facilitar o Um Século de Moda (D’Livros
negativas sociais e ambientais, Pensamento de Ciclo de Vida – desenvolvimento de uma in- Editora)
Economia Circular – Economia pois se baseia em dilapidação Um modo de pensar que consi- > Navegue em blogs e dústria da moda circular onde
regenerativa e restaurativa de recursos naturais, emissão dera implicações do “berço ao sites: os resíduos têxteis possam ser
por princípio, segundo a Ellen de carbono, consumo de água, túmulo”, ou seja, de todo o ciclo reciclados continuamente.
MacArthur Foundation. Trata- poluição e geração de lixo muito de vida do produto. O ciclo de Confira o glossário de “moda
-se de uma alternativa ao mo- além do necessário, além de ex- vida corresponde ao conjunto consciente”, que traz verbetes
delo econômico “extrair, trans- ploração de mão de obra barata de etapas necessárias para que como “cruelty free”, “lavagem
formar, descartar”, que está ou análoga à escravidão em di- um produto cumpra sua função ecológica” e “peças multifun- Edição da revista Galileu mostra
atingindo seus limites físicos. versos casos. – que vão desde a obtenção dos cionais”. os bastidores da indústria da
Consiste em um ciclo de desen- recursos naturais até seu des- moda.
volvimento positivo contínuo tino final, após o cumprimento A Resgate Fashion é uma das
que preserva e aprimora o capi- da função. iniciativas que exemplificam Este vídeo mostra como as mi-
tal natural, otimiza a produção o conceito de upcycling. Ela crofibras sintéticas de nossas
de recursos e minimiza riscos Slow fashion – Expressão criada transforma roupas de segunda – Este desfile desafia os estere- roupas estão contaminando Tenho Dito: Histórias e Refle-
sistêmicos, administrando esto- em 2008 pela inglesa Kate Fle- mão em peças novas, valorizan- ótipos de beleza ditados pela os oceanos. Se ainda precisava xões de Moda (Editora Estação
ques finitos e fluxos renováveis. tcher, professora do Centre for do seus atributos comerciais. indústria da moda, mostrando desenhar para alertar sobre os das Letras e Cores).
Seu objetivo é manter produtos, Sustainable Fashion, inspirada que a passarela é para todos. problemas que a poluição por
componentes e materiais em no movimento Slow Food. Assim A Roupa com História, que tam- Mais sobre inclusão e diversi- nanoplásticos causa, eis aqui Tese de doutorado da profes-
seu mais alto nível de utilidade Lowsumerism – Movimento que como em relação à alimenta- bém trabalha com upcycling, dade no LaboratórioFantas- um infográfico. sora Miqueli Michetti, sobre a
e valor o tempo todo. surgiu em reação ao consumo ção, o movimento slow fashion resgata a costura como forma ma, que tem desfilado nas moda brasileira no contexto de
excessivo e não ético. Convida incentiva que os consumidores de empoderamento e reação à últimas edições da São Paulo globalização.
Externalidades – Reflexos ne- as pessoas a consumir menos estejam cientes de cada etapa fast fashion. Fashion Week.
gativos ou positivos de uma e a pensar sobre as empresas da cadeia produtiva – desde o > Informe-se
atividade que são sentidos por e práticas que estão apoiando design até a produção, o uso e
aqueles que pouco ou nada con- quando vão às compras, com o potencial de reaproveitamen- A Organização Internacional do Engaje-se
tribuíram para gerá-los. o objetivo de reduzir a pegada. to de cada peça. É uma reação > Fique atentx Trabalho (OIT), a Associação
Em vez de seguir cegamente o à fast fashion. Saiba mais aqui. Brasileira da Indústria Têxtil e de Manifesto do movimento Fashion
Fair trade (comércio justo) ciclo desejar> comprar> jogar Por meio do aplicativo Moda Confecção (Abit) e a Associação Revolution: Como Ser um Revo-
– Segundo a International Fe- fora, você se questiona a cada Livre, a ONG Repórter Brasil Brasileira do Varejo Têxtil (AB- lucionário na Moda. Aqui, um ví-
deration of Alternative Trade passo do caminho. Para saber identifica que 4 entre 10 mar- VTEX) lançaram o Laborató- deo da Fashion Revolution Brasil
(Federação Internacional de mais, assista a este vídeo pro- cas da indústria da moda não se rio da Moda Sustentável, com e mais um sobre a questão do
Comércio Alternativo), é uma duzido pela agência Box 1824. A proposta da Ratorói é traba- comprometem com o combate apoio do Instituto C&A e reali- combate ao trabalho infantil.
parceria comercial, baseada lhar “com baixo impacto ambien- ao trabalho escravo. Saiba aqui zação do Instituto Reos. Mais
em diálogo, transparência e res- Movimento Maker – Vertente tal e alto impacto sensorial”, de quais são. sobre o laboratório aqui. Confira aqui a Cartilha para um
peito, que busca maior equidade do do-it-yourself (faça-você- forma colaborativa e gerando Consumo mais Consciente, pro-
no comércio internacional e con- -mesmo) para tecnologias di- renda para artesãos e designers. O Sustainable Cotton Ranking duzida pela Fashion Revolution
tribui para o desenvolvimento gitais. Baseia-se na ideia de que de 2017, que busca aumentar e pela P22_ON.
sustentável. A transação deve pessoas comuns podem, elas  onheça mais iniciativas inova-
C os atributos de sustentabilidade Aprofunde-se
procurar as melhores condições próprias, construir, consertar, Upcycling – Processo pelo qual doras de modelos de negócios no mercado de algodão, permi- Viral que adapta a Pirâmide de
de troca e garantia dos direitos modificar e fabricar os mais di- resíduos e materiais descar- nesta reportagem. te acompanhar a pontuação de Este texto sobre Economia Cir- Maslow, sobre a hierarquia de
para produtores e trabalhado- versos tipos de objetos e tocar tados são transformados em 75 empresas de todos os con- cular na moda convoca as mar- necessidades, ao consumo. De
res que se encontram à mar- seus projetos. Esse movimento novos produtos, com valor  seguir, duas dicas de inova-
A tinentes. São levadas em conta cas de roupas a investir em seus baixo para cima: use o que você
gem do poder econômico. é turbinado pelo avanço tecno- superior ao original. Na moda, ções tecnológicas, baseadas em as políticas da empresa em re- processos de design, melhorar tem, empreste, troque, seja
lógico proporcionado por ad- por exemplo, roupas usadas ou processos e produtos naturais: lação ao tema, à adoção de prá- o conhecimento técnico dentro parcimonioso, faça, compre.
Fast fashion – Moda descartá- ventos como impressoras 3D sobras de tecidos podem dar ticas e à rastreabilidade. de suas cadeias de suprimentos
vel, caracterizada por produção, e FabLabs, promove a descen- origem a produtos “estilosos”, – Este vídeo mostra como as e explorar modelos de negócios
consumo e descarte rápidos. tralização da produção, hackeia com maior valor agregado. cascas de laranja podem dar Reportagem da revista The Eco- verdadeiramente alternativos.
A lógica baseia-se em preços e difunde conhecimento em Oposto de downcycling. origem a fios e tecidos. E veja nomist denuncia os problemas
acessíveis para produtos de rede, banindo intermediários. neste site como pesquisadores da reciclagem de roupas na Ín- Livros do estilista, pesquisador e
baixa qualidade, de forma que Segundo Chris Anderson, autor Wearables – Tecnologias “vestí- de Hong Kong criaram novo dia. As condições de trabalho historiador de moda João Braga:
durem pouco e levem a suces- de Makers – The new industrial veis”. São dispositivos tecnoló- processo para reciclagem de na cidade de Panipat são péssi-
sivas compras. As coleções são revolution, o termo refere-se gicos que podem ser utilizados tecidos semelhante a fazer mas, com baixíssima remune- História da Moda – Uma

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