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Entenda o processo de fusão e

aquisição de empresas
PUBLICADO POR GUILHERME RODEGHERI GONÇALVES EM 30/04/2018
POSTADO EM SOCIETÁRIO

Assim como o desempenho de qualquer atividade regulada pelo poder


público, a atuação empresarial exige um conhecimento mais apurado
sobre as ciências que permeiam a rotina de atividades das organizações,
a fim de cumprir os ditames legais sobre elas impostos. Nesse sentido,
estar a par dos principais conceitos oriundos do Direito Empresarial é
bastante recomendado, já que esse ramo do Direito é responsável por
disciplinar as operações e responsabilidades jurídicas envolvidas na
condução de um negócio, a exemplo da fusão e aquisição de empresas
(F&A).

Os termos fusão, aquisição, transformação e cisão são bastante comuns


no universo empresarial, visto que não são raras as ocasiões em que
sociedades empresárias se relacionam entre si, fundindo-se,
transformando-se, incorporando outras ou transferindo parcela de seu
patrimônio.

De modo geral, a mutabilidade do corpo societário é uma matéria de


suma relevância no cenário empresarial e, por essa razão, preparamos
um post para deixá-lo inteirado sobre o tema. Continue a leitura e
confira as principais informações sobre o processo de fusão e aquisição
de empresas!

Características da F&A
Embora sejam costumeiramente utilizados como sinônimos, na
realidade, os termos “fusões” e “aquisições” se referem a operações
societárias distintas, cujas consequências também o são. Na praxe
jurídica, seguindo a técnica e o rigor nas definições, podemos conceituar
tais operações da seguinte forma:

Fusão
Em conformidade com o art. 228 da Lei das Sociedades Anônimas — Lei
6.404/76 —, “a fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais
sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os
direitos e obrigações”. Seguindo pelo mesmo caminho, dispõe o art.
1.119 do Código Civil que “a fusão determina a extinção das sociedades
que se unem, para formar sociedade nova, que a elas sucederá nos
direitos e obrigações”.
Logo, fica evidente que a principal característica da fusão é o surgimento
de uma nova pessoa jurídica, oriunda não apenas da junção do capital,
mas de toda a estrutura integrante das pessoas jurídicas originárias.

No Brasil, há diversos exemplos desse tipo de operação envolvendo


grandes conglomerados empresariais, como foi o caso do banco Itaú,
que se fundiu com o Unibanco, dando origem ao Itaú Unibanco.

Aquisição
De maneira diversa ao que ocorre na fusão, quando falamos em
aquisição, nos referimos à operação societária em que há a compra, isto
é, uma aquisição do controle acionário de uma empresa por outra. É
importante salientar que, nessa hipótese de operação societária, tanto a
empresa adquirente quanto a empresa adquirida continuam a existir,
ambas com suas personalidades jurídicas distintas. Essa é a principal
característica da aquisição e, inclusive, é o ponto que a distingue da
fusão.
Em síntese, na fusão, há a extinção de pessoas jurídicas para o
surgimento de uma nova. Já na aquisição, as entidades empresárias
envolvidas na operação, em regra, permanecem íntegras em suas
personalidades.

Principais motivações para


ocorrer o processo de F&A
Em um mercado empresarial tão intransigente, a atuação em níveis
competitivos exige uma postura bastante estratégica por parte dos
líderes das organizações. Por vezes, o mercado é cruel e, por isso, tomar
as decisões certas pode determinar o sucesso ou o fracasso de um
negócio. Nesse contexto, muitos podem ser os caminhos escolhidos para
garantir a regularidade e sucesso de um empreendimento, inclusive, a
realização de fusões e aquisições.
Em grande parcela dos casos, a utilização desse tipo de operação
empresarial tem como objetivo expandir a participação da empresa em
determinado mercado e deter a integralidade da cadeia produtiva,
aumentando a receita e reduzindo os custos operacionais. Além disso,
por meio da F&A, abre-se espaço para aumentar a integração dos
negócios e diversificar os nichos de atuação da empresa, tornando-a
muito mais ativa no mercado.

Evidentemente, por se tratar de uma operação que envolve um


complexo estudo de viabilidade e um profundo domínio jurídico, a
presença de profissionais especializados no Direito Empresarial e
matérias correlatas tornam-se imprescindíveis para a sua perfeita
concretização. Nesse quesito, é fundamental contar com o auxílio de
uma assessoria jurídica que coloque à disposição toda sua excelência
para atender às necessidades dos clientes.

Tipos de fusão
O estudo do Direito Societário é bastante amplo, comportando uma
grande variedade de temas concernentes às atividades empresariais. Por
esse motivo, para facilitar o entendimento das nuances doutrinárias,
didaticamente, os estudiosos dessa matéria costumam classificar as
formas de fusão em cinco subcategorias, sendo estas:
 fusão horizontal;
 fusão vertical;
 conglomerado;
 fusão de extensão de mercado;
 fusão de extensão de produto.
Como esse é um dos objetos de estudo do presente artigo, convém
detalharmos um pouco mais sobre cada uma dessas subcategorias.
Acompanhe:

Fusão horizontal
De maneira direta, a fusão horizontal se configura quando duas ou mais
empresas de um mesmo ramo (ou seja, concorrentes) se unem com o
objetivo de criar uma nova sociedade, oferecendo o mesmo bem ou
serviço anteriormente ofertado por ambas.

O objetivo central dessa modalidade de operação é criar uma nova


organização, mais forte e com uma maior participação no mercado — o
que no meio empresarial é conhecido como market share —,
aumentando, assim, a escalabilidade do empreendimento e os seus
rendimentos, na maioria dos casos.
Fusão vertical
Diferenciando-se um pouco da modalidade anterior, a fusão vertical
ocorre quando há a união de uma ou mais empresas cujos negócios se
complementam. Ou seja, promove-se uma integração na cadeia
produtiva, reduzindo custos, permitindo o domínio vertical de mercado,
além de outras vantagens.

Na fusão vertical, as organizações envolvidas podem não competir entre


si, mas operam em diferentes pontos da cadeia produtiva de uma
determinada indústria, o que torna a operação tão vantajosa em termos
de eficiência operacional. Entre os objetivos da fusão vertical podemos
citar:

 maior controle sobre as atividades;


 proteção do investimento principal;
 facilitar a distribuição dos produtos e assegurar o suprimento de
matérias-primas, entre outros.
A título de exemplo, a fusão vertical é bastante comum na indústria
automobilística, em que as grandes montadoras se fundem às
fabricantes de autopeças para tornar a cadeia produtiva mais regular e
fluida.

Conglomerado
Na modalidade em questão, o que acontece é a união de sociedades
cujos objetos sociais são totalmente distintos, inexistindo relação entre
as atividades exercidas por elas.

Nesse tipo de operação, o ponto motivador para a sua realização pode


ser a diversificação do risco da atividade empresarial, bem como o
desejo de expansão. Há quem diga ainda que os conglomerados são
formas de dominação do mercado, na qual as grandes corporações
passam a atuar com certa hegemonia em diversos setores.

Fusão de extensão de mercado


A fusão de extensão de mercado ocorre quando duas ou mais sociedades
com o mesmo objeto, mas de áreas de atuação distintas se unem. Como
o próprio nome indica, o objetivo principal dessa modalidade de fusão é
alcançar uma maior faixa territorial, bem como abranger um número
maior de consumidores.

Fusão de extensão de produto


A última modalidade de fusão listada consiste na fusão de extensão de
produto e ocorre entre duas ou mais sociedades cujos produtos guardam
relação entre si e que atuam no mesmo mercado. O objeto para a
realização dessa modalidade de fusão é abranger um número maior de
consumidores, aumentar a receita, bem como fortalecer-se como marca.

Tipos de aquisição
Assim como acontece com o estudo das fusões, a doutrina do direito
empresarial também se encarregou de segmentar o estudo das
aquisições. Para isso, os estudiosos do tema afirmam que existem duas
modalidades de aquisição: a hostil e a amigável.
Aquisição hostil
O traço característico fundamental da aquisição hostil é a tomada do
controle da Sociedade Anônima sem que o Conselho de Administração
tenha emitido parecer aprovando a venda das ações de controle da
companhia. É importante frisar que a aquisição hostil só poderá
acontecer nas Sociedades Anônimas de capital aberto, ou seja, aquelas
cujas ações estejam disponíveis no mercado de capitais e que haja uma
quantidade ofertada de ações que permita que o controle seja adquirido
pelo comprador.

Não há que se falar em aquisição hostil em outras modalidades de


Sociedades, uma vez que o Capital Social dessas não é dividido em
ações, tampouco seus valores são negociados na Bolsa de Valores e
Mercado de Balcão, permitindo a aquisição do controle acionário por
terceiros interessados.

Aquisição amigável
Em contraponto ao modelo hostil de aquisição, a modalidade amigável é
caracterizada pela transparência e anuência dos líderes e executivos da
empresa adquirida. Ou seja, o processo de aquisição ocorre em comum
acordo entre as partes, havendo, inclusive, o apoio e colaboração da
empresa adquirida no processo de Due Diligence, uma vez que
visualizam a operação como algo benéfico para ambas as partes.
Leis para o processo de F&A no
Brasil
Não obstante a definição das operações societárias de transformação,
fusão, aquisição e cisão estar inserida na Lei de Sociedades Anônimas —
Lei 6.404/76 — não existe nenhum óbice legal quanto à realização
dessas operações por empresas que tenham outros tipos de natureza
jurídica, ou até mesmo por Sociedades que tenham regimes diferentes
entre si.

A possibilidade de tais atos serem realizados em Sociedades cuja


natureza jurídica não necessita ser especificamente os da Sociedade
Anônima não afasta a aplicabilidade das disposições de Lei de Sociedade
Anônima, uma vez que esse diploma legal que estabelece os conceitos e
as formas dessas operações.
Além das disposições da Lei de Sociedade Anônima, tem-se ainda que o
Estatuto Social das Sociedades poderá prever a forma e condições nas
quais a operação de aquisição deverá ser realizada.

A atuação do Conselho
Administrativo de Defesa
Econômica (CADE) nas operações
societárias
Outro ponto essencial a ser destacado quanto à observância das leis nos
processos de fusão e aquisição — assim como as demais operações
dessa natureza — é a possibilidade desse tipo de ação afetar a economia
do país, tanto positiva quanto negativamente.

Isso ocorre porque, dessas operações, podem emanar reflexos relevantes


no mercado concorrencial. Diante de tal fato, a atuação do CADE —
autarquia federal especializada e que tem como foco a defesa da
economia e dos princípios que informam a ordem econômica,
especialmente a livre concorrência — se faz necessária.

De acordo com o art. 88 da Lei 12.529/2011 — lei antitruste —, serão


submetidos ao CADE os atos de concentração econômica em que,
cumulativamente:

I – pelo menos um dos grupos envolvidos na operação tenha registrado,


no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total
no País, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$
400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais);
II – pelo menos um outro grupo envolvido na operação tenha registrado,
no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total
no País, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$
30.000.000,00 (trinta milhões de reais)”.
Os valores mencionados acima foram atualizados para R$
750.000.000,00 (setecentos e cinquenta milhões de reais) e R$
75.000.000,00 (setenta e cinco milhões de reais), respectivamente.
Cuidados ao realizar um
processo de F&A
O cuidado primordial a ser observado para a realização das operações de
fusões e aquisições é a efetivação de um procedimento de Due
Diligence pelos compradores, de modo a verificar as condições as quais
o negócio será realizado, bem como o passivo e ativo da empresa (ou
empresas) que será(ão) objeto da negociação.
Após a realização do procedimento citado, é possível verificar a realidade
da organização e mensurar se é interessante consolidar tais operações.
No entanto, existem outros cuidados que devem ser adotados para se
garantir a total regularidade dessa operação. Vejamos quais são eles:

Estudo de viabilidade jurídica


Não há como efetivar a fusão ou aquisição empresarial sem que antes
haja todo um estudo de viabilidade jurídica para tanto. Essa etapa
envolve a análise pormenorizada da legislação, detalhando ponto a
ponto o que é preciso para que tudo ocorra em conformidade com os
ditames legais.

Análise de impacto no mercado


Tanto a fusão quanto a aquisição implicam mudanças estruturais das
organizações envolvidas e, mais que isso, afetam também a imagem
externa da empresa, sobretudo, quando há a junção de empresas
concorrentes. Em razão disso, é imprescindível avaliar quais serão os
impactos gerados pela operação, buscando identificar quaisquer indícios
de que pode haver a ruptura da marca da empresa com a consequente
perda de clientes.
Planejamento estratégico
Como tudo que envolve o mercado empresarial, a aquisição e fusão de
organizações deve ser um processo totalmente transparente e regular,
no qual todas as variáveis foram exaustivamente debatidas até se
chegar à conclusão ideal.

Nesse sentido, novamente reforça-se a necessidade de apoio


especializado nesse tipo de operação. Somada à análise de diversas
outras variáveis do mercado, a vastidão da legislação empresarial
demanda um estudo aprofundado e expertise no tema.

Para tanto, conte com uma assessoria jurídica especializada, a fim de


auxiliá-lo em todas as etapas do processo, sobretudo, no planejamento
estratégico, fornecendo as melhores soluções jurídicas para a fusão e ou
aquisição de empresas.

Agora que você já está mais inteirado sobre F&A, não pare por aqui.
Confira também nosso artigo sobre a importância da assessoria jurídica
nesse tipo de operação!