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RESUMO – TEORIA GERAL DO PROCESSO

Vê-se, desde já, a íntima relação existente entre as formas mais basilares de
direito e o convívio social. Qual seria, portanto, a causa da correlação existente
entre direito e sociedade? Antônio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e
Cândido Rangel Dinamarco (2014, p. 37) doutrinam que “a resposta está na função
que o direito exerce na sociedade: a função ordenadora, isto é, de coordenação
dos interesses que se manifestam na vida social, de modo a organizar a cooperação
entre pessoas e compor os conflitos que se verificarem entre seus membros”.

está o homem está a


sociedade e onde está a sociedade está o Direito.

“a imposição de regras ao indivíduo, pelo grupo social, não é


suficiente para evitar, por completo, os conflitos de interesses.
Nem sempre os bens e os valores estão à disposição em
quantidade tal que satisfaça a todos os indivíduos, o que pode
provocar disputas. Além disso, nem sempre os integrantes do
grupo social obedecem espontaneamente às regras de conduta
por ele impostas”.

Lide - um conflito de interesse qualificado por uma pretensão resistida”

O conceito de lide surge “quando a pretensão de um sujeito que, apoiado


no Direito, entende ter um interesse juridicamente protegido, ao invés de
satisfeita pelo sujeito tido pelo primeiro como obrigado, encontra, por
parte deste uma resistência”

acordo (autocomposição)

o Código Penal brasileiro prevê a


autotutela como conduta criminosa, imputando, em seu artigo 345, a pena de
quinze dias a um mês ou multa àquele que fizer justiça pelas próprias mãos, para
satisfazer pretensão, ainda que legítima, salvo quando a lei o permitir.

Exceções:
Admite-se, por exemplo, o desforço imediato, instituto previsto no artigo 1.210,
parágrafo primeiro, do Código Civil, que preceitua: “O possuidor turbado,
ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força,
contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem
ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse”

AUTOTUTELA - principais características:


• Imposição da vontade de uma das partes em desfavor da outra.
• Inexistência de um terceiro imparcial para solucionar o conflito.

ARBITRAGEM
O primeiro estágio dessa fase foi a arbitragem facultativa, por meio da qual as partes
elegiam um terceiro desinteressado e imparcial.
a arbitragem tornou-se obrigatória, de
modo que os envolvidos no conflito deveriam necessariamente
submeter-se a uma solução criada por terceiro desprovido
de interesse direto no objeto daquele conflito.
Em uma etapa seguinte, a escolha do árbitro (privado) pelas partes passou a
ser feita perante uma autoridade estatal, que controlava essa
escolha e fixava determinados parâmetros de como se daria o
processo perante o árbitro”.

estamos diante do que podemos denominar de justiça privada, ou


seja, não há nessas duas primeiras fases evolutivas uma atribuição da atividade
de pacificação social ao Estado.

À atividade mediante a qual os juízos estatais examinam as pretensões e resolvem os


conflitos dá-se o nome de jurisdição.

1. No que diz respeito aos modos de solução de conflitos, é correto


afirmar que:
a) Como regra, para o exercício da função jurisdicional, é o árbitro quem
profere a decisão sobre o conflito de interesses.
b) No direito moderno, não mais se admite a arbitragem como forma de
solução de conflitos.
c) No Brasil, a autotutela é a regra para que os conflitos sejam
solucionados.
d) Atualmente, vige a regra geral segundo a qual os conflitos devem ser
solucionados por meio da função jurisdicional, não havendo exceções
permitidas.
e) A atividade jurisdicional é exercida preponderantemente pelo Poder
Judiciário, cabendo aos Poderes Legislativo e Executivo criar leis e
executá-las, respectivamente.

2. São características essenciais integrantes no conceito de lide,


estruturado por Carnelutti (apud MONNERAT, 2015, p. 30):
I. Existência de autocomposição.
II. Conflito de interesse.
III. Pretensão resistida.

3. Na fase histórica de resolução de conflitos conhecida como arbitragem, é FALSO


afirmar que:
a) O árbitro trata-se de um terceiro imparcial, a quem era atribuída a
solução do conflito.
b) Primeiramente, a arbitragem era facultativa passando, em etapa
posterior, a ser obrigatória.
c) Dependendo da sociedade em que o conflito se instaurava, o árbitro
poderia ser um ancião ou um sacerdote.
d) Essa fase histórica representou um avanço na solução de conflitos,
retirando-se tal poder da autotutela das partes.
e) A arbitragem era sempre vinculada a um órgão estatal, sendo atribuída
a palavra final do litígio ao juiz.

UNIDADE 2
essa nítida preferência pela solução jurisdicional estatal
dos conflitos de interesses faz com que se afirme, na doutrina,
que a jurisdição é monopólio do poder estatal. É preciso
esclarecer, todavia, que esse caráter monopolizador da
atividade jurisdicional do Estado não impede que, autorizados
por lei, possam os interessados optar por meio não estatal de
exercício da jurisdição.

processo é considerado o “mecanismo de exercício do poder democrático estatal, e é


através dele que são construídos os atos jurisdicionais”.
Deverá uma das partes retirar o Judiciário da inércia, por meio da instauração de um
processo.
O procedimento é a parte formal do processo estipulada por lei. Podemos falar, por
exemplo, em procedimento em primeiro grau e em segundo grau. Por fim, autos são a
materialização física do processo. Assim, o correto é falar que o advogado consultou os autos
do processo e não que ele consultou o processo.

“a única alteração, de ‘apreciação do Poder Judiciário’ (CF) para ‘apreciação


jurisdicional’ (NCPC) tem o sentido de indicar que às ameaças ou lesões a direito deverão ser
dadas soluções de direito, mas não necessariamente pelo Poder Judiciário”.
Nesse sentido que o Novo Código de Processo Civil disciplina, de forma expressa, a
permissão da arbitragem (artigo 3º, § 1º) e, ainda, que a conciliação, a mediação e outros
métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados, inclusive no curso do
processo judicial (artigo 3º, § 3º).
• Meios alternativos de solução de conflitos ou equivalentes
jurisdicionais: arbitragem, mediação e conciliação.

ARBITRAGEM - Lei nº 9.307/1996


Uma vez escolhida a arbitragem como forma de solução de conflitos, o Poder
Judiciário estará, a princípio, proibido de julgar a lide. Somente o árbitro ou os árbitros
indicados pelas partes poderão aplicar o direito ao litígio, solucionando o conflito de interesses
instaurado.

Entende-se que a solução encontrada pelo juízo arbitral não poderá, fora poucas
exceções igualmente previstas em lei, ser revista pelo Poder Judiciário, pois cabe ao
árbitro dar a palavra final à lide em relação a qual se previu como solução a
arbitragem.
• Existência de um terceiro imparcial (árbitro eleito pelas partes) para
solucionar o conflito.
• Podem se valer da arbitragem as pessoas capazes de contratar, dirimindo litígios
relativos a direitos patrimoniais disponíveis.

FORMAS DE AUTOCOMPOSIÇÃO

O Novo Código de Processo Civil prestigia de forma muito enfática a autocomposição,


ou seja, “a forma de solução do conflito pelo consentimento espontâneo de um dos
contendores em sacrificar o interesse próprio, no todo ou em parte, em favor do interesse
alheio” (DIDIER JR., 2015, p. 165).

Enquanto a mediação se dá preferencialmente nos casos em que houver vínculo de


relação continuada anterior entre as partes (casamento), na conciliação, de preferência, tal
vínculo anterior não estará presente – (batida de carro) - artigo 165, parágrafos 2º e 3º, do
Novo Código de Processo Civil.

Na mediação, o terceiro imparcial (o mediador) apenas estimulará o restabelecimento


da comunicação entre as partes, visando que as partes, por elas próprias, cheguem a um
acordo. Não cabe ao mediador propor soluções, as quais devem ser propostas pelas próprias
partes. Ao conciliador, existe a possibilidade de propor alternativas de composição, sendo sua
atuação mais livre. De qualquer forma, é bom que se diga que nem a mediação nem a
conciliação são obrigatórias, não podendo ser impostas decisões às partes.

Não é apenas por meio do exercício da função jurisdicional que o Estado


resolve conflitos de interesses. Ocorre, em paralelo a essa atividade, a
autorização para que terceiros também possam exercer a pacificação
de conflitos.

1. Analise as afirmativas a seguir a respeito do instituto da mediação:


I. É forma de autocomposição de conflitos.
II. É aplicável preferencialmente a conflitos em que as partes envolvidas
na lide já mantinham relação jurídica continuada anteriormente.
III. Ao mediador, é facultada a sugestão de alternativas de acordo para
apreciação das partes.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) I e III.
c) I e II.
d) II e III.
e) I, II e III.

2. No que diz respeito aos modos modernos de solução de conflitos, é


INCORRETO afirmar que:
a) No caso de um juiz tomar conhecimento de um fato ilícito, ele pode
exercer a função jurisdicional que lhe cabe, sem que as partes envolvidas
provoquem sua atuação.
b) Ao mediador não cabe a resolução da lide, mas apenas tentar viabilizar
um melhor entendimento entre as partes no sentido de chegarem a um
consenso quanto à lide.
c) O Poder Judiciário não pode julgar litígio com relação ao qual as
partes ajustaram sua submissão a determinado juízo arbitral.
d) Ainda existem resquícios de autotutela, no direito brasileiro, como
forma válida de resolução de conflitos.
e) No direito moderno, admite-se a arbitragem como forma de solução
de conflitos, dentro dos limites estabelecidos em lei.

3. Assinale a alternativa CORRETA, no que diz respeito ao princípio da


inafastabilidade da apreciação jurisdicional:
a) É proibida qualquer forma alternativa de solução de conflitos, fora
aquela proveniente do Poder Judiciário.
b) Não há vedação das formas alternativas de conflito, desde que seja
o conflito pacificado por um dos meios autorizados pelo Estado, não
necessariamente pelo Poder Judiciário.
c) A função jurisdicional é monopólio do Estado, não mais se permitindo
contemporaneamente a arbitragem.
d) As formas alternativas de solução de conflitos são proibidas no Novo
Código de Processo Civil.
e) A mediação é vedada no curso do processo judicial, somente tendo
validade quando realizada extrajudicialmente.