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Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais - FIEMG

MECATRÔNICA

Juiz de Fora
2015
Presidente da FIEMG
Olavo Machado Júnior

Diretor Regional do SENAI


Cláudio Marcassa

Gerente de Educação Profissional


Edmar Fernando de Alcântara
Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais - FIEMG
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI
Departamento Regional de Minas Gerais
Centro Integrado de desenvolvimento do trabalhador CIDT-LAS

ELETROTÉCNICA

Juiz de Fora
2015
© 2015. SENAI. Departamento Regional de Minas Gerais

SENAI/MG
Centro Integrado de desenvolvimento do trabalhador CIDT-LAS

Ficha Catalográfica

621.3
S474e

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional MG


Eletrotécnica. Belo Horizonte. SENAI DR – MG 2015

113 p. il

1.Eletroténica I Título. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

SENAI FIEMG
Serviço Nacional de Aprendizagem Av. do Contorno, 4456
Industrial Bairro Funcionários
Departamento Regional de Minas 30110-916 – Belo Horizonte
Gerais Minas Gerais
Sumário

Estrutura da Matéria ---------------------------------------------------------------------- 07


Eletrização de um Corpo------------------------------------------------------------------ 11
Cargas Elétricas----------------------------------------------------------------------------- 12
Circuito Elétrico --------------------------------------------------------------------------16
Diferença Potencial (d.d.p.) --------------------------------------------------------------17
Corrente Elétrica ------------------------------------------------------------------------19
Resistência Elétrica ------------------------------------------------------------------------22
Lei de Ohm --------------------------------------------------------------------------------------23
Condutância ----------------------------------------------------------------------------------23
Resistores -------------------------------------------------------------------------------------24
Associação de Resistores ------------------------------------------------------------------29
Pilha ---------------------------------------------------------------------------------------- 30
Potência Elétrica ------------------------------------------------------------------------37
Leis de Kirchoff -------------------------------------------------------------------------------39
Divisor de Tensão ----------------------------------------------------------------------------- 42
Tensão Alternada ---------------------------------------------------------------------- 47
Forma de Onda ------------------------------------------------------------------------- - 48
Tensão Eficaz ----------------------------------------------------------------------------55
Tensão Elétrica Alternada Senoidal -------------------------------------------------------57
Exercícios ----------------------------------------------------------------------------------------58
Capacitor -----------------------------------------------------------------------------------------61
Carga de um Capacitor -----------------------------------------------------------------------63
Descarga de um capacitor -------------------------------------------------------------------64
Capacitância ------------------------------------------------------------------------------------65
Comportamento do Capacitor em CA ---------------------------------------------------- 75
Reatância Capacitiva ------------------------------------------------------------------------- 76
Associação de Capacitores ----------------------------------------------------------------- 80
Indução ------------------------------------------------------------------------------------------ 87
Auto Indução ----------------------------------------------------------------------------------- 88
Indutância -------------------------------------------------------------------------------------- 92
Indutores em CA -------------------------------------------------------------------------------94
Associação de Indutores ---------------------------------------------------------------------97
Magnetismo --------------------------------------------------------------------------------------99
Inseparabilidade dos Pólos ------------------------------------------------------------102
Orientação das Linhas de Força ---------------------------------------------------------105
Eletromagnetismo ----------------------------------------------------------------------------105
Campo Magnético em condutor ----------------------------------------------------------106
Campo Magnético em Bobina ------------------------------------------------------------108
Magnetismo remanente ---------------------------------------------------------------------111

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Apresentação

“Muda a forma de trabalhar, agir, sentir, pensar na chamada sociedade do


conhecimento. “
Peter Drucker

O ingresso na sociedade da informação exige mudanças profundas em todos os


perfis profissionais, especialmente naqueles diretamente envolvidos na produção,
coleta, disseminação e uso da informação.

O SENAI, maior rede privada de educação profissional do país,sabe disso , e


,consciente do seu papel formativo , educa o trabalhador sob a égide do conceito
da competência:” formar o profissional com responsabilidade no processo
produtivo, com iniciativa na resolução de problemas, com conhecimentos
técnicos aprofundados, flexibilidade e criatividade, empreendedorismo e
consciência da necessidade de educação continuada.”

Vivemos numa sociedade da informação. O conhecimento , na sua área


tecnológica, amplia-se e se multiplica a cada dia. Uma constante atualização se
faz necessária. Para o SENAI, cuidar do seu acervo bibliográfico, da sua infovia,
da conexão de suas escolas à rede mundial de informações – internet- é tão
importante quanto zelar pela produção de material didático.

Isto porque, nos embates diários,instrutores e alunos , nas diversas oficinas e


laboratórios do SENAI, fazem com que as informações, contidas nos materiais
didáticos, tomem sentido e se concretizem em múltiplos conhecimentos.

O SENAI deseja , por meio dos diversos materiais didáticos, aguçar a sua
curiosidade, responder às suas demandas de informações e construir links entre
os diversos conhecimentos, tão importantes para sua formação continuada !

Gerência de Educação e Tecnologia

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Teoria Eletrônica da Matéria
Estrutura da Matéria:
O conhecimento da estrutura da matéria, em muitas ocasiões, é
indispensável para a compreensão do comportamento dos componentes nos
circuitos elétricos.

Molécula:
Por definição, é a menor partícula de uma substância que ainda conserva
as mesmas características físicas e químicas da substância.

Exemplo:
 Molécula de sal: NaCl
 Uma molécula de sal é constituída de dois elementos uma pa r t e de cloro e
uma de sódio ligados químicamente.
 Molécula de água: H 2O
 É composta de duas partes de hidrogênio para uma de oxigênio.

Todos os materiais ou substâncias com os quais o homem tem contato são


constituídos por um número extremamente grande de moléculas.

Átomo:
As moléculas são constituídas por partículas denominadas átomos.
O átomo é a menor partícula de um elemento que conserva todas as
propriedades desse elemento. O átomo é composto de partículas ainda menores
chamadas próton, elétrons e nêutrons.
Os átomos se reúnem entre si, em diferentes arranjos dando origem às
moléculas de todas as substâncias da natureza.
As partículas que constituem as moléculas foram denominadas de átomos
pelos gregos que acreditavam ser esta a menor partícula do universo, e que não podia
ser dividida.
Entretanto, com o desenvolvimento dos métodos de pesquisa científicos se
verificou que os átomos também são constituídos por partículas menores: as
partículas subatômicas.

Estas partículas subatômicas são:


 Próton;
 Elétron;
 Nêutron.

Carga elétrica das partículas subatômicas:

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Próton: possui carga elétrica positiva. Por convenção a carga elétrica do próton
é +1
Elétron: tem carga elétrica negativa, de mesmo valor que o próton. Sua carga
é -1
Néutron: é uma partícula subatômica que não tem carga elétrica.

A estrutura do átomo:

A forma como as partículas subatômicas estão organizadas em um


átomo em que muito se assemelha a configuração do sistema solar do qual a
Terra faz parte.
No átomo, os prótons e néutrons se reúnem na região central do átomo
formando o núcleo.

Os elétrons giram ao redor do núcleo, descrevendo trajetórias denominadas


de órbitas.
A região do espaço ao redor do núcleo onde os elétrons se movimentam é
denominada de eletrosfera.

Exemplo: Átomo de hélio - He


 O átomo de hélio tem 2 elétrons que giram em torno de um núcleo
constituído por dois prótons e dois néutrons.

Os elétrons que orbitam ao redor do núcleo do átomo estão distribuídos em


camadas ou níveis energéticos. De acordo com o número de elétrons a
eletrosfera pode apresentar de 1 a 7 níveis energéticos, denominados de nível K,
L, M, N, O, P e Q, a partir da mais próxima do núcleo.

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A distribuição dos elétrons nos diversos níveis obedece a condições
definidas. A regra mais importante, em termos de estrutura atômica, com
relação à áreas de eletricidade e eletrônica, é a que diz respeito ao nível
energético mais distante do núcleo ou camada externa. Esta regra diz : a
camada externa tem um número máximo de 8 elétrons.
Todas as reações químicas e elétricas (com exceção das reações nucleares)
se processam nesta camada que recebe a denominação de nível ou camada de
valência.
Equilíbrio elétrico de um átomo:

Duas das três partículas subatômicas possuem carga elétrica (próton = +1 e elétron
= -1).
Em condições normais, os átomos tendem a assumir uma condição de
neutralidade ou equilíbrio elétrico, de forma que o número total de cargas
positivas do núcleo (próton s) é igual ao número de cargas negativas da
eletrosfera (elétrons).
Quando a condição de igualdade entre o número de prótons e elétrons
existe diz-se que o átomo está eletricamente neutro ou equilibrado.
 Um átomo está em equilíbrio elétrico quando o número de elétrons na
eletrosfera é igual ao número de prótons do núcleo.
Exemplo de átomos eletricamente equilibrado:

Através de forças externas (magnéticas, térmicas, químicas, etc.) é


possível retirar ou acrescentar elétrons na camada de valência de um átomo,
fazendo com que haja um desequilíbrio elétrico dando origem a um íon.

Elétrons Livres:
Se aplicarmos a um átomo a quantidade apropriada de energia ele
poderá libertar ou capturar partículas elétricas.
Os elétrons não se movem todos na mesma direção em torno do núcleo.
Eles viajam em diferentes órbitas (não há dois elétrons na mesma órbita).
Existem, entretanto, pos de órbitas relativamente próximas, que são chamados
de camadas.

Quando a órbita mais externa não está completamente preenchida o elemento


(átomo) tem a capacidade de libertar elétrons livres quando submetido a uma tensão.

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A prata e o cobre têm apenas um elétron na camada mais externa. A
quantidade de energia necessária para transportar esse elétron para um átomo
vizinho é muito menor do que se a camada estivesse completamente lotada.

Alguns elementos têm todas as camadas completamente cheias. Esses


elementos são chamados inertes, porque são incapazes de ceder um elétron
ou recebê-lo de outros átomos
Exemplo: átomo de Neônio  número atômico = 10
Os elétrons das órbitas mais externas do átomo são atraídos pelo núcleo
com menor força que os elétrons das órbitas mais próximas do núcleo.
Esses elétrons externos são chamados elétrons “livres” e podem ser
facilmente expelidos das suas órbitas, ao passo que os elétrons das órbitas
internas são chamados elétrons "presos" porque não podem ser retirados das
órbitas com facilidade.É o movimento dos elétrons livres que constitui uma
corrente elétrica.

Átomo com carga positiva:

Quando, por um processo qualquer, um ou mais elétrons é retirado da


camada de valência, o átomo passa a estar carregado positivamente. Este
átomo passa a se chamar de íon positivo.

Íon positivo:
 é um átomo que teve um ou mais elétrons retirados da camada de
valência, tornando -se eletricamente positivo.

Átomo com carga negativa:

Quando um ou mais elétrons são colocados na última camada de um átomo,


por um processo qualquer, este átomo passa a estar carregado negativamente,
denominando-se íon negativo.

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Íon negativo:
 é um átomo que recebe um ou mais elétrons na camada de valência,
tornando-se eletricamente negativo.
Qualquer átomo que esteja desequilibrado eletricamente é um íon.
 A transformação de um átomo em um íon é sempre devida a causas externas
ao próprio átomo. Uma vez cessada a causa externa que proporcionou a
criação do íon há uma tendência natural do átomo em atingir o equilíbrio
elétrico cedendo os elétrons que estiverem em excesso ou recuperando os
elétrons que estiverem em falta.

Eletrização de um corpo:
No estado natural qualquer porção de matéria é eletricamente neutra. Isto
significa que se nenhum agente externo atua sobre uma determinada porção de
matéria, o número total de prótons e elétrons dos seus átomos será igual.
Esta condição de equilíbrio elétrico natural da matéria pode ser desfeita, de
forma que um corpo deixe de ser neutro e fique carregado eletricamente.
O processo através do qual se faz com que um corpo eletricamente neutro
fique carregado é denominado de eletrização.
O tipo de carga elétrica (positiva ou negativa) que um corpo assume após sofrer
um processo de eletrização depende do tipo de corpo e do processo utilizado.
Os processos de eletrização atuam sempre nos elétrons que estão na
última camada dos átomos (camada de valência).
Quando um processo de eletrização retira elétrons da camada de valência
dos átomos o material fica com o número de prótons maior que o número de
elétrons. Nestas condições o corpo fica eletricarnente positivo.

Eletrização por retirada de elétrons:


 corpo carregado positivamente.

Quando um processo de eletrização acrescenta elétrons em um material, o


número de elétrons torna-se maior que o número de protóns e o corpo fica
carregado negativamente.

Eletrização por acréscimo de elétrons:


 corpo carregado negativamente.

Eletrização por atrito:


 Existem vários processos de eletrização dentre os quais o mais comum é
o por atrito. A eletrização por atrito é muito comum na natureza.

Exemplo:
 Quando se usa um pente, atrito com os cabelos provoca uma eletrização
positiva do pente (retira-se elétrons do pente).

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 Outro exemplo muito comum de eletrização por atrito na natureza ocorre
nas tempestades. As nuvens são atritadas contra o ar adquirindo uma
carga elétrica muito grande. O relâmpago, que é um fenômeno elétrico,
comprova a existência de grandes cargas elétricas nas nuvens.

Existem ainda outros processos de eletrização tais como: eletrização por


indução, por contato, etc.. Em qualquer processo, contudo, o resultado são
corpos carregados eletricamente.
A carga elétrica de um corpo obtida por eletrização denomina-se eletricidade
estática.

Cargas Elétricas:

Os elétrons circulam ao redor do núcleo de um átomo e são mantidos nas


suas órbitas pela atração da carga positiva do núcleo.
Se pudermos, no entanto, forçar um elétron a sair de sua órbita, ação desse
elétron passará a ser conhecida pelo nome de eletricidade.
Para originar uma carga positiva ou negativa, o elétron terá que se
movimentar, enquanto as carga positivas do núcleo permanecem imóveis.
Qualquer material que apresente uma carga positiva tem o número normal
de cargas positivas do núcleo e falta de elétrons.
Um material carregado negativamente, entretanto, tem excesso de elétrons.

Atração e repulsão entre as cargas elétricas:

Quando dois corpos eletrizados são aproximados um do outro se verifica


que existe uma reação entre eles.
Se um dos corpos está carregado positivamente e o outro negativamente
existe uma tendência dos dois corpos em se atraírem mutuamente.
No entanto, se os dois corpos apresentam cargas de mesmo sinal, os corpos se
repelem.

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O Coulomb:

A quantidade de carga elétrica que um corpo possui é determinada pela


diferença entre o número de prótons e o número de elétrons que o corpo
contém.
Símbolo de carga elétrica: Q
Unidade: Coulomb (C)
A carga de um coulomb negativo -Q significa que o corpo contém uma carga
de 6,28x l018 mais elétrons do que prótons.
Uma carga de um coulomb positivo +Q significa que o corpo contém uma
carga de 6,28 x l0 18 menos elétrons do que prótons.

Exercício:

Um material dielétrico possui uma carga negativa de 12,56 x 10 18 elétrons.


Qual a sua carga em coulomb?

Forças entre objetos carregados:

A distância entre os corpos influi sobre a força entre eles. Quanto maior a
distância, menor a influência de um corpo sobre o outro.

Lei de Coulomb:

A força de atração ou repulsão entre c o r p o s eletrizados é diretamente


proporcional ao produto de suas cargas, e inversamente proporcional ao
quadrado da distância entre eles e depende também do meio em que os
corpos se encontram.

q1 x q2
f  k.
d2
 f é a força exercida entre os dois corpos carregados;
 q1 e q2 são as cargas dos corpos;
 d é a distância entre os dois corpos;
 k é uma constante que depende do meio existente entre as duas
cargas.

N.m 2
para o vácuo: k  9x109
C2
Se:
 q1 e q2 forem dadas em Coulomb (C) e d em metros (m) f será em
Newtons (N).

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Newton:

 é a força necessária para fazer com que uma massa de 1kg percorra
uma distância de 1 metro quando esta força é aplicada durante 1
segundo.

Exercícios:
Resolva os problemas abaixo, usando a fórmula da lei de Coulomb, para
calcular a força. Indique se a força é de atração ou repulsão.
Nota: os corpos estão imersos no vácuo; as cargas são dadas em Coulomb
e as distâncias em metros.

1) q1 = +6 e q2 = -5;d=10
2) q1 =-5 e q2 = +10;d=5
3) q1 = +20 e q2 = +50;d=10

Campo Elétrico ou Eletrostático:

Campo elétrico ou eletrostático é o .espaço em torno de um corpo


eletrizado, no qual se pode observar as ações que o corpo carregado é capaz
de exercer sobre outros corpos carregados ou não.
A característica fundamental de uma carga elétrica é sua capacidade de
exercer uma força. Esta força está presente no campo eletrostático que
envolve cada corpo carregado.

Linhas de Força:

Um pequeno corpo, eletrizado ou não, colocado num campo elétrico, fica


solicitado por uma atração ou repulsão segundo a qualidade de sua carga e da
origem do campo e, em conseqüência desta solicitação, ele se deslocará
descrevendo uma determinada trajetória a qual representa uma linha de força.

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Obs.: O sentido das linhas de força apresentado está baseado no sentido
eletrônico de corrente.

Se um elétron for abandonado no ponto A deste campo, ele será repelido


pela carga negativa e será atraído pela positiva. Assim, as duas cargas
tenderão a deslocar o elétron na direção das linhas de força entre os dois
corpos.

Um corpo carregado manter-se-á carregado temporariamente, se não houver


transferência imediata de elétrons para o outro corpo. Neste caso, diz-se que a
carga está em repouso. A eletricidade em repouso é chamada de eletricidade
estática.

Materiais Condutores e isolantes:

É importante salientar que os elétrons que se libertam dos átomos são


aqueles que giram mais afastados dos respectivos núcleos. Os elétrons órbitais
e os prótons do núcleo exercem atrações mútuas.
Em alguns materiais, porém, os elétrons das últimas órbitas sofrem muito pouco a
ação do núcleo e normalmente se deslocam de átomo para átomo, são os elétrons
livres.

Materiais Condutores:
Os elétrons livres existem em grande quantidade nos materiais chamados bons
condutores. Os melhores condutores são os que apresentam menor resistência
elétrica.
Os materiais condutores se caracterizam por permitir a existência de
corrente elétrica toda vez que se aplica uma d.d.p. entre seus extremos.
Exemplo de materiais bons condutores: ouro, prata, mercúrio, cobre, alumínio,
ferro, etc..

Materiais Isolantes:
Os materiais isolantes têm poucos elétrons livres. Os materiais classificados de
isolantes são os que apresentam grande oposição a circulação de corrente elétrica no
interior de sua estrutura. Exemplo de materiais isolantes: vidro, mica, porcelana,
borracha, papel, etc..

Ruptura Dielétrica:
 é o nome dado ao fenômeno pelo qual uma grande quantidade de
energia transforma um material isolante em condutor.
Observação:
 é importante salientar, que não há condutor ou isolante perfeitto.

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Circuito Elétrico:

Na prática, um circuito elétrico consta pelo menos quatro partes;

a) Fonte de Força Eletromotriz;


b) Condutores;
c) uma carga;
d) instrumentos de controle.

1) Circuito elétrico fechado ou completo:

2) Circuito aberto ou incompleto:

a) Fonte de força eletromotriz – F.e.m


As fontes mais comuns de f.e.m são as baterias e os geradores.

b) Condutores:
 São fios ou cabos que oferecem uma baixa resistência a passagem da
corrente.
 Símbolos:

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c) Carga:

 Representa um dispositivo que utiliza energia elétrica.


 Exemplos:

d) instrumentos de controle

Podem ser chaves, fusíveis, disjuntores, reles, etc.

Observação:
Geralmente utiliza-se o símbolo da terra para indicar que alguns estão
ligados ponto comum no circuito.

Diferença de Potencial - d.d.p.

Em virtude da força do seu campo eletrostático, uma carga elétrica é capaz de


realizar trabalho ao deslocar uma outra carga por atração ou repulsão. A
capacidade de uma carga realizar trabalho é chamada de potencial.
Quando uma carga for diferente da outra, haverá uma diferença de potencial
entre elas.
Qualquer corpo eletrizado tem capacidade para realizar um trabalho, de forma
que se pode afirmar: todo corpo eletrizado apresenta um potencial elétrico.
A palavra "diferença" implica sempre em comparação de um valor com outro.
Assim, pode-se verificar a existência de diferença de potencial entre corpos
eletrizados com cargas diferentes ou com o mesmo tipo de carga.
Dois corpos entre os quais pode se estabelecer um fluxo de elétrons
apresenta uma diferença de potencial.
Esta grandeza (d.d.p.) é conhecida também como: força eletrornotriz (£e.rn.),
tensão, etc..

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Relação entre desequilíbrio elétrico e potencial elétrico:
Através dos processos de eletrização é possível fazer com que os corpos
fiquem intensamente ou fracamente eletrizados.
O potencial elétrico de um corpo é tanto maior quanto maior for o seu
desequilíbrio elétrico. O potencial elétrico de um corpo depende diretamente do
desequilíbrio elétrico existente neste corpo.
 Maior desequilíbrio elétrico = Maior potencial elétrico

Símbolo de Tensão (d.d.p.):


A tensão é designada, geralmente, pela letra "E" e algumas vezes por "V" ou U”.

A unidade de tensão:
A unidade de tensão é o volt (V).

Em algumas situações a unidade de medida padrão se torna inconveniente.


A unidade de medida de tensão (Volt) também tem múltiplos e submúltiplos,
adequados a cada situação.

Observação:
 No campo da eletricidade usam-se normalmente o volt e o quilovolt.
Na área da eletrônica usa-se normalmente o volt, milivolt e o
microvolt.

Exercício:
Faça a conversão dos valores de tensão elétrica para a unidade indicada:

Os dispositivos capazes de fornecer tensão elétrica são denominados de


fontes geradoras.
____________________________________________________________ 19
 Fontes geradoras:
 Polaridade fixa: diz-se que esta fonte fornece tensão contínua. ex.:
baterias, pilhas, fontes de corrente contínua, etc...
 Polaridade alternada: diz-se que esta fonte fornece tensão alternada. ex.:
geradores de corrente alternada.

Medida de Tensão:

A tensão elétrica é medida através de instrumentos chamados voltímetros,


milivoltimetros ou multimetros.
Os voltímetros são indicados pelo símbolo V.
Ao conectar estes instrumentos ao circuito deve-se observar a polaridade
quando se tratar de tensão contínua. Nos instrumentos para tensão alternada
não há necessidade de identificação da polaridade dos terminais de conexão.
Deve-se verificar o limite de tensão que o instrumento pode medir.

Exemplo de conexão de um instrumento em um circuito:

Multímetro:

É um instrumento que pode realizar a medida de diversas grandezas


elétricas, dentre as quais as tensões contínua e alternada

Corrente Elétrica:
O movimento ordenado ou o fluxo de elétrons é chamado corrente elétrica.
Para se produzir a corrente, os elétrons devem se deslocar pelo efeito de uma
diferença de potencial.
Basta unir os corpos em situações elétricas diferentes, para que se
estabeleça, de um para outro, um fluxo de elétrons, isto é uma corrente elétrica.
Este fenômeno pode ocorrer:
a) entre um corpo com carga positiva e outro com carga
negativa;
b) entre corpos com cargas positivas, desde que as
deficiências de elétrons não sejam iguais;
c) entre corpos com cargas negativas, desde que suas
cargas não tenham o mesmo valor;
d) entre um corpo com carga positiva e outro neutro;
e) entre um corpo com carga negativa e outro neutro.

____________________________________________________________ 20
Intensidade de Corrente Elétrica (I)

Necessidade de um padrão para quantificar um maior ou menor número de


elétrons que passa por segundo num determinado ponto de um condutor,
quando se quer dizer que a corrente é mais forte ou mais fraca.

Unidade de carga elétrica Q = Coulomb (C) = 6,28 x 10 18 elétrons. Exemplo


de carga em um corpo:
-3C  excesso de 3 x 6,28 x 10 18 elétrons (carga negativa).
+5,8C  falta de 5,8 x 6,28 x 1018 elétrons (carga positiva).

Ampere (A)

Uma intensidade de corrente de 1 Coulomb por segundo (1C/s) é o


que chamamos de ampere.

Q Q
I  Q  I.t  t  Onde:
t I
I em amperes (A);
Q em coulomb (C);
T em segundos (s)

Exemplos:
1) Pelo filamento de uma lâmpada incandescente passaram 5C.
Sabendo-se que ela esteve ligada durante 10 s, determinar a intensidade da
corrente elétrica.
2) Durante quanto tempo esteve ligado um aparelho elétrico, para que
pudesse ter sido percorrido por 50C? A intensidade da corrente era de 2,5 A.

Ampere-hora:
É a quantidade de eletricidade que passa por um ponto de um condutor em
uma hora, quando a intensidade de corrente é de 1 A.

1C 1C
1A   1A.h 1h  3600s  1A.h  x3600s  1A.h  3600C
1s 1s

Exemplo:
A resitência de um chuveiro elétrico foi percorrida durante 1 hora por uma
corrente de 20 A. Qual a quantidade de eletricidade que circulou por ele? Dar a
resposta em Coulomb e A.h.

____________________________________________________________ 21
Sentido da Corrente Elétrica:

a) Sentido Eletrônico de Corrente:


No sentido eletrônico de corrente, a corrente sai do terminal negativo de uma
fonte e entra pelo terminal positivo.

b) Sentido Convencional de Corrente:


No sentido convencional de corrente, a corrente sai do terminal positivo da
fonte e entra pelo terminal negativo.

Por que não se usa apenas o sentido eletrônico da corrente, já que a


corrente nos condutores é constituída exclusivamente de elétrons?
O sentido convencional foi o primeiro a ser usado. Seu precursor foi
Benjamin Franklin e ele se tornou tradicional.

Unidades e Símbolos de Corrente:

A unidade de medida de corrente é chamada de Ampere (A). Para


representar a corrente elétrica, usamos o símbolo I.

Medidor de Corrente Elétrica:

O amperímetro é o dispositivo elétrico que dispõe de escalas calibradas em


Amperes (ou múltiplos/submúltiplos), e capaz de indicar a intensidade de
corrente em um circuito.

____________________________________________________________ 22
Deve ser ligado de modo a que toda a corrente do circuito passe por ele.
Exceção, quando se deseja apenas a informação de corrente de uma parte do
circuito.

Resistência Elétrica:

É a dificuldade ao deslocamento dos elétrons ou oposição que um material


oferece à passagem de uma corrente elétrica quando submetido a uma d.d.p.
A resistência de uma substância é determinada pela sua estrutura atômica.
A oposição à corrente não é igual em todas as substâncias. O número de elétrons
livres que a substância possui determina sua oposição à corrente elétrica.

Unidade de Resistência

Unidade de resistência é o Ohm (Ω), definido como a resistência que permite a


circulação de 1A de corrente, quando submetida a uma d.d.p. de 1 V.

Medida de Resistência Elétrica:

A resistência elétrica é medida através de um ohmimetro. Ohmimetros


especiais, chamados megômetros, são necessários para a medição de
resistência maiores. A aplicação mais importante dos megômetros é medir e
testar resistência de isolamento.
Os multímetros, além de possibilitarem a medida de tensão e corrente contínua
ou alternada, incorporam ainda um ohmímetro para medidas de resistência elétrica.

____________________________________________________________ 23
Lei de Ohm:

Enunciado:
A intensidade da corrente elétrica num condutor é diretamente
proporcional à força eletromotriz aplicada e inversamente proporcional à
sua resistência elétrica.

Equação da Lei de Ohm:

E
I Onde:
R
I = Intensidade da corrente em amperes (A);
E = Tensão em volts (V);
R = Resistência elétrica em ohms  

Da expressão acima se deduz:

E
E  IxR  R 
I
Exercícios:

1. Que corrente passará pelo filamento de uma lâmpada, se ela for submetida a
uma tensâo de 100 V. Seu filamento tem uma resistência de 20 ohms.

2. Que resistência tem um chuveiro ligado a uma d.d.p. de 127 V e percorrido por
uma corrente de 25 amperes.

3. Qual a tensão aplicada a um aquecedor elétrico de resistência igual a 24


ohms, percorrido por uma corrente de 5 amperes?

Condutância (G):

É o inverso da resistência; refere-se portanto, à facilidade encontrada pelos


elétrons ao se descolarem em um corpo qualquer.

A unidade de condutância é o Siemens (S)

1 E I
G  G Onde:
R I E
G em Siemens (S);
I em amperes (A);
E em volts (V);
R em ohms  

____________________________________________________________ 24
Observações:
 A condutância de um corpo exprime a intensidade de corrente que se
pode produzir num corpo, para cada volt de tensão aplicada ao mesmo.

 A resistência elétrica de um corpo exprime a tensão necessária para


produzir uma corrente de IA no mesmo.

Exercícios:

1. Que condutância apresenta o filamento de uma lâmpada incandescente, cuja


resistência é de 20 ohms?

2. Qual a condutância de um aparelho elétrico que, ao ser ligado a uma fonte de


20 V, permite a passagem de uma corrente de 4A ?

Resistores
Introdução:

A resistência é a oposição ao fluxo de corrente elétrica. Para variar a resistência


de um circuito, são utilizados componentes elétricos chamados resistores.
Um resistor é um dispositivo cuja resistência ao fluxo da corrente tem um
valor conhecido e bem determinado.
Os resistores são elementos comuns na maioria dos dispositivos elétricos e
eletrônicos. Algumas aplicações freqüentes dos resistores são: estabelecer o
valor adequado da tensão do circuito, limitar a corrente e constituir-se numa
carga.

Resistores Fixos:
Um resistor fixo é aquele que possui um único valor de resistência que
permanece constante sob condições normais.
Os dois tipos principais de resistores fixos são os resistores de carbono e o de fio
enrolado.

Resistores de Carbono:
O elemento de resistência é geralmente grafite ou alguma outra forma de
carbono sólido feito cuidadosamente para fornecer a resistência necessária.

Resistores de Fio Enrolado:


O elemento de resistência é basicamente um fio de níquel cromo enrolado
em espiral sobre uma cerâmica. Normalmente, o conjunto todo é recoberto por
um material cerâmico ou por um esmalte especial.

Resistores Variáveis:

____________________________________________________________ 25
Os resistores variáveis são usados para variar a quantidade de resistência
de um circuito. Os resistores variáveis são chamados de potenciômetros ou
reostatos.

Simbologia de Resistor:

Código de Cores para Resistores:

É um código usado para a impressão do valor e tolerância do resistor, em


forma de anéis coloridos. Os anéis são lidos a partir do que estiver mais
próximo da extremidade do corpo do componente.

Tolerância dos Resistores:

A resistência real de um resistor pode ser maior ou menor do que o seu valor
nominal.
As tolerâncias comuns para os resistores de composição carbônica são: +1,
+2, +5, +10 e +20 por cento.

Exemplo:
Um resitor de resistência nominal de 100 ohms e uma tolerância de +10%
pode ter uma resistência de qualquer valor entre 90 e 100 ohms.

Especificação da Potência de um Resistor:

Indica a quantidade de calor que o resistor pode dissipar ou perder sem se


danificar.
Se for gerado mais calor do que pode ser dissipado, o resistor ficará danificado.
As especificações de potência são dadas em watts. Os resitores de
composição carbônica possuem especificações de potência que variam de 1/16
a 2W, enquanto os resistores de fio enrolado possuem especificações de
potência que vão de 3W a centenas de Watts.

____________________________________________________________ 26
A dimensão física de um resistor não é indicador da sua resistência. Um
resistor pequenino pode ter uma resistência muito baixa ou muito alta.
A sua dimensão física, entretanto, pode fornecer uma indicação sobre a sua
especificação de potência.
Para um dado valor de resistência, a dimensão física de um resistor
aumenta à medida que a especificação de potência aumenta.
Por medida de segurança a preservação do componente, deve-se manter a
potência dissipada no componente abaixo de 50% do valor limite. Isto deve
permitir que o mesmo trabalhe morno. Se for necessário que o componente
trabalhe mais frio usa-se no máximo 30% da potência nominal.
Sempre que for necessário solicitar ou comprar um resistor é necessário
fornecer a especificação completa.
Exemplo: Resistor de carbono de 480 Ω, ±10%, Watts.

Resistores Ajustáveis:

São resistores cujo valor de resistência pode ser ajustado, dentro de uma
faixa pré-definida.
Existem dois tipos de resistores ajustáveis:
 resistor ajustável de fio;
 trimpot.

São usados para ajustes definitivos nos circuitos.


O valor, impresso no corpo, indica a resistência entre os dois terminais
extremos.

Simbologia de resistor ajustável:

Nos esquemas, o valor ôhmico que aparece ao lado do símbolo


corresponde a resistência entre os terminais extremos.

Potenciômetros:

São resistores com derivação que permitem a variação do valor resistivo


pelo movimento de um eixo.

Simbologia de Potenciômetro

____________________________________________________________ 27
Tipos de potenciômetros:

 Existem dois tipos de potenciômetros:


 de fio;
 de carbono;

Aplicação dos Potenciômetros:

Os potenciômetros podem ser usados para variar o valor da tensão aplicada a um


circuito.

Neste circuito, a tensão de entrada é aplicada através dos terminais AC da


resistência fixa.
Variando a posição do braço deslizante (terminal B), mudará a tensão
através dos terminais BC.
A medida que o braço deslizante se aproxima do terminal C, a tensão do
circuito de saida diminui. A medida que o braço deslizante se aproxima do
terminal A, a tensão do circuito de saída aumenta.

Aplicação dos Reostatos:


Os reostatos geralmente são usados para controlar correntes elétricas.

Variação da Resistência:

Todos os corpos apresentam resistência elétrica ou seja, oferecem oposição à


passagem de uma corrente elétrica.

____________________________________________________________ 28
A resistência de um corpo é determinada pelas suas dimensões e pelo
material que o constitui, podendo variar conforme a sua temperatura.
 a resistência elétrica é diretamente proporcional ao comprimento do
corpo
 a resistência elétrica é inversamente proporcional à seção do corpo
 o material que constitui o corpo, isto é, a sua estrutura, influi na
resistência que oferece.

L
Rt  t. Onde:
S
Rt = resistência do corpo numa determinada temperatura
(ohm);
L = Comprimento do corpo (m);
S= área de seção transversal do corpo (mm2);
t = resistividade do material de que é feito o corpo na
mesma temperatura
“t” em que se deseja determinar a resistência (ohm.mm2/m)

Resistores Comerciais

Abaixo está a lista dos resistores comerciais disponíveis no mercado:

Resistores de 5%, 10% e 20% de tolerância

10 12 15 18 22 27 33 39 47 56 68 82e seus múltiplos

Resistores de 2% e 5% de tolerância

10 11 12 13 15 16 18 20 22 24 27 30 33 36 39 43 47 51 56 62 68 75 82 91 e
seus múltiplos

____________________________________________________________ 29
Associação de Resistores

Associação em série:
Resulta em um aumento de resistência, pois as resistências dos
diversos resistores se somam.

Associação em paralelo:
A resistência total neste caso é sempre menor do que o menor valor
utilizado na ligação.

Fórmula para se determinar a resistência equivalente:

1 1 1 1 1 1
    ou Rt 
R t R1 R 2 R3 Rn 1 1 1 1
  
R1 R 2 R 3 R n

R1xR 2
Quando se utiliza apenas dois resistores: Rt 
R1  R 2

R
Quando todos os resistores têm valores iguais: Rt 
n
Onde:
R = Valor de um dos resistores
n = Quantidade de elementos usados na associação.
It=I1+I2+I3+In
E t = E1 = E2 = E 3 = E n

____________________________________________________________ 30
Associação mista de resistores

 O circuito misto apresenta as características do circuito série e do circuito


paralelo.

Considerando-se a montagem acima, calculamos primeiramente as


resistências que estão em paralelo, depois este resultado com as resistências
que estão ligadas em série.
R .R 6x3 18
Rp  1 2    Rp  2 R t  Rp  R3  R 4  R t  2  10  5  R t  17
R1 R 2 6  3 9

Pilha
As pilhas são dispositivos que transformam energia em energia elétrica.

Principais elementos constituintes:

a) Eletrodos:
São dois materiais diferentes (por exemplo cobre e zinco) que,ao serem
imersos numa solução química ( o eletrólito ) adquirem cargas elétricas e assim
se estabelece uma força eletromotriz entre eles.

b) Eletrólito:
Solução química capaz de conduzir uma corrente elétrica.
Pode ser:
 líquido→ pilha úmida;
 forma pastosa →pilha seca.
Classificação:
a) Pilhas primárias:

São aquelas que não podem ser recarregadas ou retornarem às condições


originais de funcionamento depois da sua tensão de saída ter diminuido
excessivamente. Um dos eletrodos é consumido gradualmente durante o
funcionamento da pilha, sem haver a possibilidade de recuperação do material,
pois as reações químicas que se processam no interior da pilha são
irreversíveis.

____________________________________________________________ 31
b) Pilhas secundárias:

São aquelas recarregáveis. As reações químicas produzem transformações


nos eletrodos, mas esses fenômenos químicos são reversíveis, e os materiais
podem ser recuperados com a passagem de uma corrente elétrica pela pilha,
em sentido contrário ao da corrente de descarga da mesma.

Características de uma pilha:

a) Força Eletromotriz:

A força eletromotriz de uma pilha é a d.d.p. entre os seus terminais em


circuito aberto. É independente das dimensões da pilha e só depende da
natureza dos materiais empregados para sua construção.

b) Resistência Interna:
Numa pilha química, a resistência do eletrólito entre os eletrodos é
responsável pela maior parte da resistência interna da pilha. Mas a resistência
interna depende ainda da natureza do eletrólito e de sua deterioração com o
envelhecimento da pilha, a resistência interna aumenta com a deterioração do
eletrólito. A resistência interna deve ser a menor possível, pois a d.d.p. entre os
terminais da pilha cai quando ela está fornecendo corrente, devido à sua
resistência interna.

c) Potência:
 A potência total de uma pilha, ou seja, a energia total que produz por
segundo, é o produto de sua f.e.m. pela corrente que fornece. Pt =
Ea . I
 A potência útil, energia fornecida por segundo ao circuito externo,
é o produto da tensão em circuito fechado pela corrente fornecida.
Pu = Ef. I
Pu Ef .I Ef
 rendimento da pilha é a relação:  
Pt Ea.I Ea

d) Regime ou débito normal:

____________________________________________________________ 32
É a corrente máxima que pode fornecer sem possibilidade de polarização (parte
do hidrogênio liberado nas reações químicas deixa a pilha, escapando para a
atmosfera, porém o restante fica em torno do eletrodo positivo, não permitindo que
este faça um bom contato com o eletrólito. Este fenômeno implica não só na
redução da tensão entre os terminais como também no aumento da resistência
interna. Para diminuir o efeito da polarização, são usadas substâncias que se
combinam com o hidrogênio, ou que evitam sua formação, chamadas
despolarizantes).

e) Capacidade:

A capacidade de uma pilha é a quantidade de eletricidade que ela pode


fornecer, depende principalmente da quantidade e do tipo de material ativo,
bem como da densidade do eletrólito. Varia de acordo com o período em que se
processa a descarga da pilha e com a temperatura.

Associação de Pilhas:

Uma pilha tem f.e.m. e capacidade muito pequenas. Contudo, é possível


obter tensões bem mais altas, aliadas a maiores capacidades, agrupando as
pilhas de três modos diferentes.

a) associação em série;
b) associação em paralelo;
c) associação mista.

 Esses conjuntos de pilhas são chamados baterias.

a) Associação em Série:

 A f.e.m. da bateria é igual á soma das f.e.m das diversas pilhas


associadas.
 Se a bateria é formada por "n" elementos idênticos temos E =
n.e.
 A resistência interna da bateria é igual a soma das resistências
internas das pilhas.
____________________________________________________________ 33
 Se a bateria é formada por "n" elementos iguais de resistência
interna “ r ” e se "R" é a resistência externa a resistência total é:
n.e
Rt  n.r  R  I 
n.r  R

 Este tipo de ligação é vantajoso, sobretudo quando as


resistências externas são grandes.

b) Associação em Paralelo:

Supondo que todos os elementos são iguais:

 A f.e.m. da bateria é a mesma que a de uma pilha única .E = e.


 A resistência da bateria é igual à resistência interna de um
elemento dividido pelo número de dispositivos utilizados.
 A Resistência da bateria = r+ n.

 A intensidade da corrente fornecida será:


e
I
r
R
n
c) Associação Mista:

A ligação mista é uma combinação dos tipos série e paralelo.

Pilhas em oposição:

 A f.e.m. total é soma das f.e.m. do grupo maior de pilhas, agindo


num sentido, menos a f.e.m. total do grupo menor em sentido oposto

 Resumindo a f.e.m. total é a soma algébrica das diversas forças


eletromotrizes

Fonte de corrente contínua


É um equipamento que fornece tensão contínua para a alimentação de
circuitos elétricos e eletrônicos.

____________________________________________________________ 34
Este tipo de fonte de alimentação substitui as pilhas e baterias no
fornecimento de energia elétrica aos circuitos com vantagem porque permite
que se obtenha o valor de tensão necessário a cada equipamento.

Características das fontes CC:

As características são dados sobre as fontes de CC que devem ser


conhecidos para que o equipamento possa ser utilizado corretamente.
 as principais características são:
a) tensão de entrada;
b) tensão ajustável na saída;
c) capacidade de corrente.

a) Tensão de Entrada:

Valor de tensão de funcionamento do equipamento. Normalmente as fontes


dispõem de uma chave para a seleção de duas tensões - 127/220 V. Esta chave
permite que a fonte seja utilizada em locais onde a tensão da rede elétrica é de
127 V ou 220 V.

b)Tensão Ajustável na Saída:

Estabelece os limites mínimo e máximo de tensão contínua que se pode obter


na saída. Exemplo: 0 - 30 VCC fornece de 0 até 30 V contínuos na saída.

c) Capacidade de Corrente:

Estabelece o valor máximo de corrente que a fonte pode fornecer.

Escolha da Fonte de CC:


Para escolher uma fonte a fim de alimentar uma carga (componente, circuito
elétrico ou eletrônico) deve-se conhecer:

a) a tensão da rede em que a fonte será ligada;


b) a tensão que a carga necessita;
c) a corrente que a carga solicita.

a) A tensão da rede:
 A tensão da rede deve coincidir com a tensão de entrada da fonte:

____________________________________________________________ 35
b) A tensão que a carga necessita:
 determina para que a tensão da saída a fonte deverá ser ajustada.
 exemplo: para uma carga de 12VCC; 0 – 12 VCC; 0 – 15VCC; 0 –
30VCC.
 nas fontes de tensão de saída ajustável, deve-se no caso do
exemplo, ajustar para 12VCC.

c) A corrente que a carga solicita:

 a fonte deve ter capacidade de corrente maior ou igual à necessária para a


carga.
 exemplo: Para alimentar uma carga que solicita 0,8 A, a fonte deve ter
capacidade de corrente igual ou superior a este valor. 1 A; 1,5 A; 2 A; etc..

Simbologia:

O símbolo utilizado para apresentar uma fonte de CC com tensão de saída fixa é,
na realidade um agrupamento de símbolo de pilhas, indicando ao lado a tensão
fornecida.

As fontes com tensão de saída ajustável são representadas pelo mesmo


símbolo, acrescido de uma seta na diagonal.

A indicação dos limites de tensão fornecidos pela fonte pode ser feita ao lado do
símbolo.

____________________________________________________________ 36
Exercício:

1) Para que servem as fontes de alimentação CC ?

2) Cite três características elétricas importantes de uma fonte de CC ?

3) A seguir está colocada uma lista de fontes de CC coral as características:


tensão de entrada; tensão de saída e corrente máxima de saída.

 fonte 1  1271220 V; 0 - 30 VCC; 1 A


 fonte 2  127 V; 0 - 15 VCC; 0,5 A
 fonte 3  220 V; 0 - 18 VCC; 1,5 A.
 Indique qual ou quais das fontes poderia (m) ser utilizada (s) em cada uma
das situações a seguir:

a) Necessita-se alimentar com uma fonte de CC, a partir da rede de 127 V, um


equipamento de 9 V; 0,5A.

Fontes. ( ); ( ); ( )

b) Necessita-se alimentar um circuito eletrônico que funciona com 10 VCC e


solicita 0,9 A da fonte. A rede disponível é de 220 V .

Fontes: ( );( );( )

Trabalho elétrico
Quando unidos com um condutor dois pontos entre os quais existe uma
d.d.p. e nele se estabelece uma corrente elétrica, estamos realizando um
trabalho que, pela natureza, é denominado trabalho elétrico.

W=ExQ
Onde:
W = trabalho elétrico em Joules (J)
E = tensão (V)
Q = carga elétrica

A unidade de medida de trabalho elétrico é o Joule (J)

____________________________________________________________ 37
Joule:

 Chamamos de um Joule o trabalho realizado para transportar um Coulomb


de um ponto a outro, entre os quais existe uma d.d.p. de um valor volt.

1 Joule = 1 volt x 1 Coulomb


W = E x Q

Vimos que: Q = I.t W = E.I.t (t em segundos)

E
Vimos pela lei de Ohm que: I   E  I.R
R
E E2
Assim: W  E.I.t  Ex xt  W  xt e W  ExIxt  IxRxIxt  W  I2 xRxt
R R

Potência elétrica

Potência é a rapidez com que se gasta energia, ou rapidez com que se


produz trabalho. Podemos dizer também que é a energia gasta na unidade de
tempo.

W
P Onde:
t
W = energia em Joule (J);
t = tempo em segundo;
P = potência em Joules/segundo (J/s)
1J/s = 1 Watt (W)
 é a potência quando está sendo realizado um trabalho de 1 Joule em cada
segundo.
w E 2 xt
P Vimos anteriormente que : W  E.I.t W W  I2 xRxt
t R
A potência elétrica, então, pode ser expressa:
E2
xt
ExIxt E2 I2 xRxt
P  P  ExI P R P  P  P  I2 xR
t t R t

Onde: P em Watt (W); E em Volts (V);


I em Amperes (A); R em ohms (  ).

Exercício:
1. Qual o trabalho efetuado numa lâmpada em 3h, se a corrente que
percorreu seu filamento era de 0,5A d.d.p. entre os terminais da
lâmpada era de 12 V. Determinar também a potência da lâmpada.

____________________________________________________________ 38
Rendimento ou Eficiência: (η)

É a relação entre a energia que o aparelho entrega (energia de saída) e a


energia que ele recebe (energia de entrada).
Ws Ps
  Onde:
We Pe
 = rendimentos;
Ws = energia de saída;
We = energia de entrada;
Ps = potência de saída;
Pe = potência de entrada.

Lei de Joule:

Enunciado:
A quantidade de calor produzido num condutor por uma corrente elétrica é
diretamente proporcional a:
 ao quadrado da intensidade de corrente;
 á resistência elétrica do condutor;
 ao tempo durante o qual os elétrons percorrem o condutor.

Qc = I2 x R x t Onde:
Qc = quantidade de calor em Joule (J);
I = intensidade de corrente elétrica (A);
R = residência do condutor em ohms (  );
T = tempo em segundos (s).

Outras unidades de Trabalho e Potência:


Trabalho:
Watt-hora (Wh) = 3.600 Watts.segundo = 3.600 Joules
QuiloWatt-hora (kWh) = 1000 Wh = 3.600.000 Joules

Potência:
H.P. - Horse power = 746 Watts
C.V. - Cavalo vapor = 736 Watts

____________________________________________________________ 39
Leis de KIRCHHOFF
Primeira Lei de "Kirchhoff:

"A soma das correntes que chegam em um nó é igual a soma das correntes
que dele se afastam" ou "A soma algébrica das correntes que se aproximam e se
afastam de um nó é igual a zero".

Segunda Lei de Kirchhoff

"A soma algébrica das forças eletromotrizes nos diferentes braços de um


circuito fechado é igual a soma algébrica das quedas de tensão nos mesmos"
ou " a soma das quedas de tensão nos componentes de uma associação série
é igual a tensão aplicada nos seus terminais extremos ".

Calculando uma tensão desconhecida:

____________________________________________________________ 40
Exercícios:

1. Dado o circuito abaixo, calcule as correntes desconhecidas.

2. Dado o circuito abaixo, calcule o valor de E2 e E3.

Aplicação da Primeira e Segunda Leis de Kirchhoff:

Na resolução de problemas com auxílio destas leis, temos que


estabelecer sistemas de equações para as diversas correntes e tensões.

Conceitos:

 Junção ou Nó:
E o ponto de concorrência de três ou mais braços.

Malha ou Braço:
 E uma porção do circuito que liga dois nós consecutivos, e onde todos os
elementos estão em série.

____________________________________________________________ 41
Normas para obtenção das equações referentes á segunda lei:

1. Arbitrar um sentido para a corrente em cada braço;


2. Adotar um sentido de percurso para cada circuito- fechado ou de
preferência, um sentido comum para todos os circuitos fechados;
3. Dar sinal negativo a toda f.e.m. que se opuser ao sentido de percurso
adotado;
4. Dar sinal negativo a todo produto "RI" em que o sentido da corrente estiver
em oposição ao sentido de percurso adotado.

Observação: Quando aplicamos as leis de Kirchhoff e encontramos um


resultando negativo para uma corrente, entendemos que o sentido arbitrário
para dar início à resolução do problema não era o verdadeiro. O valor
encontrado porém é real.

Método das malhas:

Para circuitos com mais de uma fonte usa-se o método das malhas, que
consiste no seguinte procedimento:
1. Escolhe-se malhas no circuito, nomeando-se as correntes ao longo destas
malhas, de forma que todos os elementos sejam percorridos pelo menos por
uma das correntes de malha, o sentido das correntes é arbitrário.

2. Escreve-se as equações da lei de Kirchhoff para as tensões de cada malha,


considerando as correntes nomeadas, que serão as incógnitas do sistema de
equações resultantes.

3. A solução do sistema fornecera os valores das correntes de malha, terminada


a resolução total do sistema, se alguma corrente apresentar valor negativo,
devemos ir ao circuito e inverter a direção da corrente que foi anteriormente
escolhida

As correntes dos braços do circuito são obtidas pelas correntes de malha


calculadas

Exercício:

1. Determine a intensidade das correntes em cada ramo do circuito.

____________________________________________________________ 42
Divisor de Tensão

É um circuito formado por resistores que permite obter, a partir da tensão de


alimentação fornecida, qualquer valor de tensão menor, necessário ao funcionamento
dos circuitos.

O divisor de tensão é muito utilizado nos circuitos eletrônicos para a


obtenção da tensão e corrente de funcionamento de cada componente sem que
seja necessário usar diversas fontes de alimentação.

O circuito série como divisor de tensão:

____________________________________________________________ 43
Divisor de tensão com carga:

A divisão de tensão através de um divisor resistivo tem por finalidade


fornecer uma parte da tensão da alimentação para um componente ou circuito.

Influência da carga sobre o divisor:

Qualquer carga que seja conectada a um divisor de tensão, fica sempre


em paralelo com um dos resistores que o compõe.

____________________________________________________________ 44
Ao ser conectada ao divisor a carga altera a resistência total do circuito
divisor, fazendo com que as tensões em cada resistor se modifiquem.
Por esta razão sempre que se calcula um divisor deve-se determinar as
características da carga e considerá-la como sempre ligada ao circuito.

Exercícios:

1. Qual é a tensão aplicada à carga no divisor de tensão a seguir?

2. Dado o circuito abaixo, pede-se:


 Identifique a parte do circuito que corresponde ao divisor de tensão?
 Calcule as correntes I T; IR1; IR2 e IRL. De o valor em A e mA.
 Qual é a tensão aplicada à carga ?
 Qual a tensão aplicada sobre os resistores RI e R2 ?

Circuito de ponte balanceada

A ponte balanceada é um circuito destinado à determinação dos valores


de resistência ôhmica desconhecidos por comparação com valores conhecidos.

O circuito ponte balanceada utilizado com alimentação em corrente


contínua é a base dos equipamentos de precisão para medição de valores de
resistência elétrica.

Configuração do circuito:
____________________________________________________________ 45
O circuito de ponte balanceada se compõe basicamente de quatro
resistores (dos quais um é desconhecido) ligados a uma fonte CC.

Cada dois resistores formam um


ramal que é conectado a uma
fonte de CC.

Entre os pontos centrais de


cada braço é colocado um
instrumento de medida
(normalmente um voltímetro
de zero central).

Princípio de funcionamento:
Baseia-se na divisão da tensão de alimentação nos dois ramais

Supondo que todos os valores


de resistência sejam iguais.

____________________________________________________________ 46
O voltímetro conectado entre os dois ramais, cuja finalidade é medir a
diferença de potencial (d.d.p.) entre dois pontos, indica 0 Volt porque os dois
pontos estão a um mesmo potencial elétrico. No exemplo, em questão, + 5V.

Tendo em vista que a divisão de tensão em cada ramal depende apenas dos
valores de resistência que compõem, a mesma situação (indicação de 0 Volt)
aconteceria nos circuitos abaixo:

Através da seqüência de exemplos mostrados, se conclui que o voltímetro


indica “zero volt” toda vez que os valores de R3 e R4 tiveram a mesma proporção
que os valores de R1 e R2.

Se: O voltímetro
Indicará
Na ponte balanceada
0 Volt

R1 R2
A relação  é uma proporção de forma que se os valores de R1;
R3 R4
R2 e R3 forem conhecidos, o valor de R4 pode ser determinado
matematicamente:

____________________________________________________________ 47
R1 R 2 R xR
  R1xR 4  R 2 xR 3  R 4  2 3
R3 R 4 R1

Se no lugar de R4 colocar-se um resistor desconhecido (Rx) seu valor


pode ser encontrado através da equação:

Exercício:

Dado o circuito abaixo, calcule o valor de Rx.

Através do circuito de ponte balanceada e da escolha correta dos


valores dos resistores conhecidos pode-se determinar o valor resistivo de
qualquer componente que se necessita.

Tensão alternada
A tensão alternada, denominada normalmente de tensão
CA, difere da tensão contínua porque troca de polaridade
constantemente, provocando nos circuitos um fluxo de corrente ora em
um sentido, ora em outro (fig.1).

A tensão elétrica disponível nas residências é do tipo alternada, razão


pela qual a maior parte dos equipamentos elétricos é construido para
funcionar alimentado a partir deste tipo de corrente elétrica.

Características da tensão alternada


____________________________________________________________ 48
A condição fundamental para que uma determinada tensão elétrica
seja considerada como tensão alternada é que sua polaridade não seja
constante.

Assim, podem existir os mais diversos tipos de tensão alternada.


Os diversos tipos de tensão Ca podem ser distinguidos através de 4
características:

- forma de onda
- ciclo
- período
- freqüência

Forma de onda

Existem tensões alternadas com diversas formas de onda. Na figura 2


são apresentados os gráficos de alguns tipos de corrente alternada.

Ciclo

É uma variação completa da forma de onda.

O ciclo é, em resumo, uma parte da forma de onda que se repete


sucessivamente (fig. 3)

____________________________________________________________ 49
A figura 4 mostra dois tipos de forma de onda alternada com um ciclo
completo indicado.

Quando se faz necessário um estudo mais detalhado de cada uma das


regiões do gráfico (acima do eixo ou abaixo do eixo) utiliza-se a expressão
semiciclo para identificar a metade de um ciclo completo (entre ois pontos e
“zero”)

Os semiciclos podem ser identificados como positivo (acima do eixo) e


negativo (abaixo do eixo) (fig. 5).

Período

Período é a designação empregada para definir o tempo necessário


para que se realize um ciclo completo de uma corrente alternada.

____________________________________________________________ 50
Período tempo de realização de 1 ciclo completo

O período é representado pela notação T e sua unidade de medida é


segundo(S).
Como períodos das correntes alternadas é normalmente menor que 1
segundo utiliza-se normalmente os submúltiplos da unidade:

milisegundo → ms → s ou s

microsegundo → µs → s ou s

As figuras 6, 7 e 8 mostram sinais alternados com períodos indicados.

Freqüência
A freqüência é o número de ciclos de uma corrente alternada que
ocorrem em 1 segundo. É indicada pela letra f e sua unidade é o Hertz (Hz)

____________________________________________________________ 51
São muito utilizados os múltiplos da unidade de freqüência:

Quilohertz KHz 1000Hz ou 10 3Hz


Megahertz MHz 1000000Hz ou 10 6Hz

As figuras 9 e 10 mostram
gráficos de correntes alternadas
com as respectivas freqüências.

Relação entre período e freqüência

Existe uma relação matemática entre período e freqüência de uma corrente


alternada. Quanto menor o período (menor o tempo de duração de um ciclo) maior o
número de ciclos realizados em 1s ou seja, freqüência e período são inversamente
proporcionais.
Expressando matematicamente a relação de proporcionalidade inversa têm -
se:

RELAÇÃO
PERÍODO-FREQÜÊNCIA

Onde:
F = Freqüência
T = período de segundos
Esta relação permite determinar a freqüência de uma corrente
alternada se seu período é conhecido e vice – versa.

Tensão alternada senoidal

A tensão alternada senoidal é a mais importante das tensões CA,


tendo em vista que toda a distribuição de energia elétrica para os
consumidores (residências, indústrias, comércio, etc...) é feita através deste
tipo de corrente alternada.
Isto significa que todos os aparelhos ligados a rede elétrica são
alimentados por corrente alternada senoidal (fig. 11).

____________________________________________________________ 52
Valores de pico da tensão alternada senoidal

Analisando-se um ciclo completo


da tensão alternada senoidal verifica-se
que o valor instantâneo da tensão está
em modificação (fig. 12)

O valor máximo de tensão que a


CA atinge em cada semiciclo é
denominado de tensão de pico,
indicada pela notação Vp (fig 13).

O valor de pico negativo é


numericamente igual ao valor
de pico positivo, de forma
que a determinação do valor
pode ser feita em qualquer
um dos semiciclos (fig. 14)

Valor da tensão de pico a pico da CA senoidal


A tensão de pico a pico (Vpp) de um CA senoidal é medida entre os
dois picos máximos (positivo e negativo) de um ciclo (fig. 15).

____________________________________________________________ 53
Considerando-se que os dois semiciclos da
CA são iguais pode-se afirmar
Da mesma forma que as medidas de
pico e de pico a pico se aplicam a tensão alternada senoidal, aplicam -se a
corrente alternada senoidal (fig. 16)

Correspondência entre CA e CC

Quando se aplica uma tenção contínua sobre um resistor verifica-se a


circulação de corrente de valor constante (fig. 17)

Como efeito resultante se estabelece uma dissipação de potência no


resistor (P = E . I). Esta potência é dissipada em regime contínuo, fazendo
com que haja um desprendimento de calor constante no resistor (fig. 18).

Fig 18
____________________________________________________________ 54
Aplicando-se uma tensão alternada, senoidal a um resistor se
estabelece a circulação de uma corrente alternada senoidal (fig. 19)

Como a tensão e a corrente são variáveis, a quantidade de calor


produzida no resistor varia a cada instante (fig. 20)

Nos momentos em que a tensão é “zero” não há corrente e também


não há produção de calor (P = 01 × 0V). Nos momentos em que a tensão
atinge o valor máximo (Vp) a corrente também atinge o valor máximo (Ip) e a
potência dissipada é o produto máximo (Pp = Vp . Ip)
Em conseqüência desta produção variável de “trabalho” em CA
verifica-se:
Um resistor de valor R ligado a uma tensão contínua de 10V produz
mais calor que o mesmo resistor R ligado a uma tensão alternada de 10V de
pico (fig. 21)

Para obter no resistor R em CA a mesma quantidade de calor, no


mesmo tempo, necessita-se uma tensão alternada de 14,14V de pico (fig. 22)

____________________________________________________________ 55
Dão origem ao mesmo trabalho, no mesmo resistor e no mesmo
tempo.

Isto significa que uma tensão alternada de 14,14V de pico é tão


“eficaz” quanto uma tensão contínua de 10V na produção de trabalho.
Por esta razão diz-se que uma tensão CA de 14,14V corresponde a
uma tensão “eficaz” de 10V.

14,14V = 10 → Voltz eficazes

Pode-se então definir

Tensão eficaz (ou corrente eficaz) de uma CA


senoidal é um valor que indica a que tensão contínua
(ou corrente contínua) essa CA corresponde, em
termos de produção de trabalho.

Existe uma relação constante entre o valor eficaz de uma CA senoidal


e seu valor de pico. Esta relação é:

TENSÃO EFICAZ →

CORRENTE EFICAZ →

Aplicando-se a equação da tensão eficaz à tensão alternada senoidal de


14,14 Voltz de pico verifica-se a correção da equação

10V → Tensão eficaz correspondente a uma tensão alternada senoidal de


14,14v de pico

____________________________________________________________ 56
Observação: As equações da corrente eficaz e tensão eficaz podem ser
encontradas através de processos matemáticos empregando cálculo integral.

Medidores de CA

Os instrumentos utilizados para medição em circuitos de corrente


alternada sempre indicam valores eficazes (de corrente e tensão).

INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO EM CA INDICAM


VALORES EFICAZES.

Isto significa que o voltímetro conectado a um circuito de CA indica


uma tenção de 110V esta tenção é eficaz (produz trabalho). Para determinar
o valor de pico da CA que originou 110V eficazes utilizam-se as mesmas
equações.

Valor médio de uma tensão ou corrente senoidal

É a medida aritimética dos valores instantâneos de uma alternação.


Considera-se apenas uma alternação (semiciclo), porque o valor médio da
onda completa é zero, visto que os valores de uma alternação se repetem na
outra.

2xE max
Em  ou Em  0,636 Emáx Onde:
 Em = Valor médio de tensão;
Im = Valor médio da corrente.
2x Im ax
Im  ou Im  0,36 Im áx

Valores de amplitude para uma onda senoidal CA

____________________________________________________________ 57
Observações:
1) Quando, normalmente, nos referimos a um valor de tensão qualquer, como
por exemplo: 127V CA, estamos nos referindo à sua tensão eficaz. Assim é
comum falarmos 127 V em CA que corresponde à tensão eficaz = 127V.

2) Quando se desejar especificar uma tensão CA por seu valores de pico;


pico a pico; ou médio, deve-se especificar da seguinte forma:
Tensão CA senoidal de 180 V de pico;
Tensão senoidal de 180 V pico a pico;
Tensão CA senoidal de 180 V médio.

3) Outro aspecto importante com relação a CA, diz respeito à sua medição:
os amperímetros, voltímetros e multitestes indicam valores de tensão e
corrente eficazes.

Tensão Elétrica Alternada Senoidal

A tensão alternada senoidal tem esta denominação porque sua forma


de onda pode ser representada pela função seno.

Tensão elétrica alternada senoidal: Uma tensão alternada que pode


ser representada por uma senóide.
Senóide: representação gráfica da variação do seno de um ângulo.
Todas as características das tensões CA se aplicam também à tensão
Alternada senoidal: Ciclo, Período, frequência e forma de onda.

Geração da Senóide:

____________________________________________________________ 58
Valor Instântaneo da tensão

E = Emax.sen w.t ou E = Emax senθ

Valor instantâneo máximo de Tensão

Semiciclo positivo:  = 90º sen 90º = 1 E = Emax


Semiciclo negativo:  = 270º sen 270º = -1 E = -Emax

Valor instantâneo da tensão corrente

E = Emax.senw.t ou E = Emax.sen θ ou E = Emax.sen2  f.t


I = Emax. Senw.t ou I = Imax.sen θ ou I = Imax. Sen2  f.t

Exercícios

1 – Indique o pico positivo da CA senoidal abaixo:

2 – Qual valor de tensão de pico a pico de uma CA senoidal cuja tensão de


pico é 140V?

____________________________________________________________ 59
3 – O que é tensão eficaz de uma CA?

4 – Calcule as tensões eficazes da CA.

a) 180 Vp = d) 1,5 Vpp =

b) 30 Vpp = e) 300 Vpp =

c) 700 m Vp = f) 300mVp =

5- Qual é a diferença entre uma tensão CA e uma Tensão CC?

6- Quais são as quatro características que distinguem os diversos tipos de


tensão CA?

7- O que é ciclo de uma tensão CA?

8- Assinale um ciclo em cada uma das CA representadas abaixo:

9- Identifique um semiciclo positivo e um negativo da CA abaixo:

____________________________________________________________ 60
10- O que é período de uma CA?

11- Calcule a freqüência das CA cujos períodos estão indicados a seguir:

a) 16ms b) 0,5s

c) 150µs d) 0,03s

e) 1200µs f) 3s

12- Calcule o período das CA cujas freqüências estão indicadas a seguir:

a) 400 Hz b) 35 Hz

a) 1,8 Hz d) 5 Hz

e) 1200 Hz f) 4300 Hz

13 - Por que a CA senoidal é a forma de CA mais importante?

14 - O que é valor de pico de uma CA senoidal?


15 - Qual o tempo necessário para que uma força eletromotriz senoidal, cuja
frequência é de 50 Hz, passe do valor zero á metade do seu valor máximo?

16 - Uma onda senoidal de f.e.m tem uma frequência de 60 Hz e um valor


máximo de 220 V. Determinar o valor instantâneo da tensão, quando wt é igual a
50°, e a velocidade angular da onda?

17 - O periódo de uma onda senoidal é 0,04 segundo. Determinar:

a) Frequência;
b) O Tempo necessário para que a onda passe de zero a um valor máximo
positivo.

18 - Calcular o valor médio de uma corrente senoidal cujo valor máximo é 10A.

19 - sabendo que o valor médio de uma f.e.m. senoidal é 200V, determinar o seu
valor máximo e o seu valor instantâneo a 10°.

Capacitor – armazenamento de cargas

O capacitor é um componente capaz de armazenar cargas elétricas,


sendo largamente empregado nos circuitos eletrônicos.
Um capacitor se compõe
basicamente de duas placas
de material condutor,
denominadas de armaduras,
isoladas eletricamente entre si
por um material isolante
chamado dielétrico (fig. 1).

O material condutor que compõe as armaduras de um capacitor é


eletricamente neutro no seu estado natural.

Em cada uma das armaduras o


número total de prótons e elétrons
é igual portanto as placas não têm
potencial elétrico (fig. 2).

Não existindo potencial elétrico em


cada uma das armaduras, não há
diferença de potencial ou tensão
entre elas (fig. 3)

Observação:

O fenômeno de armazenamento de cargas pelo capacitor pode ser


compreendido mais facilmente analizando o movimento de elétrons no circuito.
Por esta razão será utilizado o sentido eletrônico da corrente elétrica no
desenvolvimento do assunto.
Conectando-se os terminais do capacitor a uma fonte de CC o capacitor
fica sujeito a diferença de potencial dos pólos da fonte.
O potencial da bateria aplicado a cada uma das armaduras faz surgir
entre elas uma força chamada de CAMPO ELÉTRICO, que nada mais é do que
uma força de atração (cargas de sinal diferente) ou repulsão (cargas de mesmo
sinal) entre cargas elétricas.

O pólo positivo da fonte absorve


elétrons da armadura a qual esta
conectado enquanto o pólo
negativo fornece elétrons à outra
armadura (fig. 4 ) .

A armadura que fornece elétrons à fonte


fica com íons positivos adquirindo um
potencial positivo e a armadura que
recebe elétrons da fonte fica com íons
negativos adquirindo potencial negativo
(fig. 5).

Isto significa que ao conectar o capacitor a uma fonte de CC surge uma


diferença de potencial entre as armaduras.
A tensão presente nas armaduras do capacitor terá um valor tão próximo ao
da tensão da fonte que ,para efeitos práticos ,pode-se considerar iguais (fig. 6).
Quando o capacitor assume a mesma tensão de fonte de alimentação diz-se
que o capacitor está “carregado”.

Se após ter sido


carregado o capacitor
for desconectado da
fonte CC suas
armaduras
permanecem com
potenciais adquiridos
(fig. 7).

Isto significa dizer que, mesmo após ter sido desconectado da fonte de CC,
ainda existe tensão presente entre as placas do capacitor.
Resumindo pode-se dizer que: quando um capacitor é conectado a uma fonte de CC
absorve energia desta fonte,armazenando cargas elétricas (íons positivos e
negativos) nas suas armaduras.
Esta capacidade de absorver e manter a energia em suas armaduras na
forma de cargas elétricas é que define o capacitor sendo como um armazenador de
cargas elétricas.
A energia armazenada no capacitor na forma de desequilíbrio elétrico entre
suas armaduras pode ser reaproveitada.

Descarga do capacitor

Tomando-se um capacitor carregado e conectando seus terminais a uma carga


haverá uma circulação de corrente, pois o capacitor atua como fonte de tensão (fig. 8)
Isto se deve ao fato de que através do circuito fechado inicia-se o
restabelecimento do equilíbrio elétrico entre as armaduras.
Os elétrons em excesso em uma das armaduras, se movimentam para a outra onde
há falta de elétrons, até que se restabeleça o equilíbrio de potencial entre elas (fig. 9).

Durante o tempo em que o capacitor se descarrega a tensão entre suas armaduras


diminui, porque o número de íons restantes em cada armadura é cada vez menor.
Ao fim de algum tempo a tensão entre as armaduras é tão pequena que pode
ser considerada zero.

Capacitância

A capacidade de armazenamento de cargas de um capacitor depende de


alguns fatores:
Da área das armaduras:
Quanto maior a área das armaduras, maior a capacidade de armazenamento de um
capacitor.

Da espessura do dielétrico:
Quanto mais fino o dielétrico mais próximas estão as armaduras. O campo elétrico
formado entre as armaduras é maior e a capacidade de armazenamento também.

Da natureza do dielétrico:
Quanto maior a capacidade de isolação do dielétrico, maior a capacidade de
armazenamento do capacitor.

A capacidade de um capacitor de armazenar cargas é denominada de capacitância.

A unidade é o FARAD representado pela letra “F”, entretanto, a unidade


FARAD é extremamente grande, o que leva ao uso de submúltiplos dessa unidade.
A tabela 01 apresenta os símbolos representativos de cada submúltiplo e o
seu valor com relação a unidade.

A conversão de valores entre as subunidades é feita da mesma forma que as


outras grandezas (fig. 10)
A capacitância é um dos fatores elétricos que identifica um capacitor.

Tensão de trabalho

Além da capacitância os capacitores têm ainda outra característica elétrica


importante: a tensão de trabalho.
A tensão de trabalho é a tensão máxima que o capacitor pode suportar entre
as suas armaduras. A aplicação de uma tensão no capacitor superior a sua tensão
de trabalho máxima, pode provocar o rompimento do dielétrico fazendo com que o
capacitor entre em curto, perdendo as suas características.
Na maioria dos capacitores o rompimento do dielétrico danifica permanentemente
o componente.

Tipos de capacitores

Atualmente encontra-se no mercado um grande número de tipos de


capacitores, empregando os mais diversos materiais.
Estes capacitores podem ser resumidos em quatro tipos básicos:
- Capacitores fixos despolarizados
- Capacitores ajustáveis
- Capacitores variáveis
- Capacitores eletrolíticos

A figura 11 mostra alguns capacitores na


sua forma real
Capacitores fixos despolarizados

Apresentam um valor de capacitância específico, que não


pode ser alterado. A figura 12 mostra o símbolo usado para
representar os capacitores fixos despolarizados.

Existem diversos tipos de capacitores fixos. Entre eles citam-se, por exemplo:
- Capacitor de stiroflex (fig. 13)
- Capacitor de cerâmica (fig. 14)
- Capacitor de poliéster (fig. 15)

Estes capacitores se caracterizam por serem despolarizados, ou seja, qualquer


uma das suas armaduras pode ser ligada tanto a potenciais positivos como negativos.

Alguns capacitores fixos podem apresentar-se em versão com os dois


terminais nas extremidades (axial) ou com dois terminais no mesmo lado do corpo
(radial) (fig. 16 e 17).

De acordo com a necessidade de montagem pode-se utilizar um ao outro tipo.

Capacitores ajustáveis
São utilizados nos pontos de
calibração dos circuitos (fig. 18 e 19).
Apresentam valor de
capacitância ajustável dentro de certos
limites, por exemplo: 10pF a 30pF.

Capacitores variáveis

São utilizados em locais onde a capacitância é constantemente modificada.


As figuras 20 e 21 mostram um capacitor variável e o seu símbolo.

Encontram-se ainda capacitores variáveis múltiplos que se constituem de dois


ou mais capacitores variáveis acionados pelo mesmo eixo. As figuras 22 e 23
mostram um capacitor duplo e o seu símbolo.

A linha pontilhada indica que os dois capacitores têm seus movimentos


controlados pelo mesmo eixo.

Capacitores eletrolíticos

Os capacitores eletrolíticos são os capacitores fixos cujo processo de


fabricação permite a obtenção de altos valores de capacitância em pequeno volume.
A figura 24 permite uma comparação entre as dimensões de um capacitor eletrolítico
e um não eletrolítico de mesmo valor.
O fator que diferencia os capacitores eletrolíticos dos demais capacitores fixos é
o dielétrico. Nos capacitores fixos comuns o dielétrico é de papel, mica ou cerâmica. O
dielétrico dos capacitores eletrolíticos é um preparado químico chamado de eletrólito
que oxida pela aplicação de tensão elétrica, isolando uma armadura da outra.
A utilização do eletrólito permite a redução da distância entre as armaduras a
valores mínimos, o que possibilita a obtenção de maiores valores de capacitância
(desde 1µF até os valores maiores que 20000µF).
O capacitor é selado em um invólucro de alumínio que isola as armaduras e o
eletrólito da ação da umidade.
Desvantagens do capacitor eletrólito: Os capacitores apresentam algumas
desvantagens que são decorrentes do seu processo de fabricação:

a - polaridade
b - alteração de capacitância
c - tolerância

a) Polaridade: A utilização do dielétrico químico (eletrólito) nos capacitores eletrolíticos


apresenta algumas desvantagens. A formação da camada de óxido entre placas
depende da aplicação de tensão nas armaduras, com polaridade correta.

A ligação de polaridades incorretas sobre as armaduras do capacitor provoca a


destruição do eletrólito, permitindo a circulação da corrente entre as armaduras. O
capacitor sofre um processo de aquecimento que faz o eletrólito ferver, podendo inclusive
provocar uma explosão do componente devido a formação de gases no seu interior.

O símbolo dos capacitores


eletrolíticos expressa a polaridade
das armaduras (fig. 25)

No componente a polaridade é expressa de duas formas:


- por um chanfro na carcaça, que indica
o terminal positivo (fig. 26).

- por sinais de + impressos no corpo


(fig. 27).

b) Alteração da capacitância: O capacitor eletrolítico sofre alteração de capacitância quando


não está sendo utilizado. Esta alteração se deve ao fato de que a formação da camada de
óxido entre as armaduras depende da aplicação de tensão no capacitor.
Quando o capacitor eletrolítico permanece durante um período se utilização, o
dielétrico sofre um processo de degeneração que afeta sensivelmente a sua capacitância.

Por esta razão, sempre que for necessário utilizar um capacitor que estava estocado
durante algum tempo, deve-se conectá-lo a uma fonte de tensão contínua durante alguns
minutos para permitir a reconstituição do dielétrico antes de aplicá-lo no circuito.

c) Tolerância: os capacitores eletrolíticos estão sujeitos a uma tolerância elevada no


valor real, com relação ao valor nominal. Esta tolerância pode atingir valores de
20 a 30% ou até 50%, em casos extremos.

Tipos de capacitores eletrolíticos

Existem dois tipos de capacitores eletrolíticos, que estão relacionados com o


tipo de dielétrico empregado:
- Capacitor eletrolítico de óxido de alumínio.
- Capacitor eletrolítico de óxido de tântalo.
As figuras 28 e 29 mostram um capacitor eletrolítico de óxido de alumínio e
outro de tântalo.

Os capacitores eletrolíticos de óxido de tântalo apresentam uma vantagem


sobre os eletrolíticos de óxido de alumínio.
- A capacitância dos capacitores de óxido de tântalo sofre menor variação com o
passar do tempo.

Capacitores de eletrolíticos múltiplos

Existem ainda os capacitores eletrolíticos múltiplos, que consistem em dois,


três, ou até mesmo quatro capacitores no mesmo invólucro ( fig. 30 e 31).

Em geral nestes capacitores o invólucro externo ou carcaça é comum a todos


os capacitores.
Capacitores eletrólitos como os da figura 31 são muito usados em fontes de
alimentação.

Os capacitores eletrolíticos múltiplos


podem ser representados pelo símbolo mostrado
na figura 32.

Especificação técnica dos capacitores

Os capacitores especificados tecnicamente por:

- Tipo
- Capacitância
- Tensão de trabalho
Exemplos:
- Capacitor de poliéster → 0,47µF 600V
- Capacitor de eletrolítico → 2200µF 63V
Apresentação das características nos capacitores

A capacitância e a tensão de trabalho dos capacitores é expressa no corpo


dos componentes de duas formas:

- Diretamente em algarismos
- Através de um código de cores

A figura 33 apresenta alguns capacitores com os valores de capacitância e a


tensão de trabalho expressa diretamente em algarismos.

Os valores são apresentados normalmente em microfarads (µF) ou picofarads (pF).

Observação:
Quando os capacitores são menores que 1µF (Exemplos: 0,1µF; 0,0047µF;
0,012µF) o zero que precede a vírgula não é impresso no corpo do
componente. Aparece diretamente um ponto, que representa a vírgula.

Exemplos: Valor do capacitor Valor impresso no corpo


0,1µF . 1µF
0,047µF . 47µF
0,12µF . 012µF
0,68µF . 68µF

Código de cores para capacitores

A figura 34 mostra o código de cores para capacitores e a ordem de


interpretação dos algarismos.
Observação
O valor de capacitância expresso pelo código de cores é dado em picofarads (pF).

Amarelo – Violeta – Laranja – Branco – Azul


47000 pF  10% 630V 47nF

Laranja – Branco – Amarelo – Branco – vermelho


390000pF  10% 250V 0,39 uF

Teste de isolação do capacitor

Um capacitor em condições normais apresenta entre suas armaduras


resistência infinita (isolação) não permitindo assim circulação de corrente.
Mas quando o dielétrico sofre degeneração a resistência entre armaduras
diminui permitindo a circulação de uma pequena corrente denominada de corrente
de fuga.
Quando se deseja verificar as condições do capacitor quanto a resistência de
isolação entre as armaduras utiliza-se normalmente o ohmímetro.
A escolha da escala do ohmímetro depende do valor da capacitância do
capacitor a ser testado (tabela 02).
TABELA 2

CAPACITÂNCIA ESCALA
Até 1µF x10000
De 1 F a 100µF x1000
Acima de 100µF x10 ou x1

Para valores de capacitância até 1µF a escala recomendada é a ×10000 e


para valores superiores recomenda-se ×100 ou ×10.
Após selecionada a escala conectar as pontas de prova do ohmímetro aos
terminais do capacitor. Neste momento o ponteiro flexiona rapidamente em
direção ao zero e logo em seguida retorna mais lentamente em direção ao infinito
da escala.
Quando o capacitor está com a isolação em condições o ponteiro deve
retornar até o infinito da escala.
Deve-se inverter as pontas de prova e repetir o teste.

Comportamento do capacitor em CA
Os capacitores despolarizados podem funcionar em corrente alternada,
devido ao fato de que uma das suas armaduras pode receber tanto potencial
positivo como negativo.

Os capacitores polarizados não podem ser conectados a CA porque a troca


de polaridade provoca danos ao componente.

Funcionamento do capacitor em CA
Quando um capacitor é conectado a uma fonte de corrente alternada a troca
sucessiva de polaridade da tensão está aplicada às armaduras do capacitor (fig. 1).

A cada semi ciclo, a armadura


que recebe potencial positivo entrega
elétrons a fonte, enquanto a armadura
que está ligada ao potencial negativo
recebe elétrons (fig. 2)

Com a troca sucessiva de polaridade, uma mesma armadura durante um semi


ciclo recebe elétrons da fonte e no outro devolve elétrons para a fonte (fig. 3 e 4).
Existe, portanto, movimento de elétrons ora entrando, ora saindo da armadura.
Isto significa que circula uma corrente alternada no circuito, embora as cargas
elétricas não passem de uma armadura do capacitor para a outra através do dielétrico.

Reatância capacitiva
Os processos de carga e descarga sucessivas de um capacitor ligado em CA
dá origem a uma resistência a passagem da corrente no circuito. Esta “resistência” é
denominada de reatância capacitiva.

A reatância capacitiva é representada pela notação Xc e é expressa em Ohms.

A reatância capacitiva Xc é expressa pela equação:

1
Xc 
2 . f . c

Onde:
Xc = reatância capacitiva em Ω
2π = é constante (6,28)
f = freqüência da corrente alternada em Hz
C = capacitância o capacitor em F
Como a capacitância normalmente não é expressa em FARADS, pode-se
operar a equação de forma a poder usar o valor do capacitor em µF.
10 6
Xc 
2 . f . c
Onde:
Xc = reatância capacitiva em Ω
= constante
f = freqüência em Hz
C = capacidade em µF
2π = constante → 6,28
Por exemplo: A reatância de um capacitor de 100nF aplicado a uma rede de CA de
freqüência 60 Hz é:
10 6
f = 60Hz Xc 
2 . f . c
1000000
c = 100nF ou 1,  F Xc 
6,28 . 60 . 0,1
Xc = 26539 

Fatores que influenciam na reatância capacitiva

Verifica-se através da equação que a reatância capacitiva de um capacitor


depende apenas da sua capacitância e da freqüência da rede CA.

O gráfico da figura 5
mostra o comportamento
da reatância capacitiva
com a variação da
freqüência da CA.

Pelo gráfico se verifica que a reatância capacitiva diminui com o aumento da


freqüência.
No gráfico da figura 6
tem-se o comportamento
da reatância capacitiva
co a variação da
capacitância.

Se observa que:

Na equação da reatância não parece o valor de tensão. Isto significa que a


reatância capacitiva é independente do valor de tensão CA aplicada ao capacitor.

A tensão aplicada ao capacitor irá influenciar apenas na corrente circulante no


circuito.

Relação entre tensão CA, corrente Ca e reatância capacitiva

Quando um capacitor é conectado a uma fonte de CA se estabelece um


circuito elétrico. Neste circuito estão em jogo três valores:

- Tensão aplicada
- Reatância capacitiva
- Corrente circulante
Estes três valores estão relacionados entre si nos circuitos de CA da mesma
forma que nos circuitos de CC: ATRAVÉS DA LEI DE OHM (fig. 7)

Onde:
Vc = tensão no capacitor em V
I = corrente no circuito (eficaz) em A
Xc = reatância capacitiva em Ω

Por exemplo: Um capacitor de 1µF é conectado a uma rede de CA 220V 60Hz. Qual
é a corrente circulante no circuito?

Deve-se lembrar que os valores de V e I são eficazes, ou seja, são valores


que serão indicados por voltímetro e um miliamperímetro de CA conectados ao
circuito.
Toda vez que se refere a tensão ou corrente em CA estes valores são
eficazes, a menos que se especifique de forma diferente (Vp, Vpp, ou Ip, Ipp).

Determinação experimental da capacitância de um capacitor

Quando a capacitância de um capacitor despolarizado é desconhecida, é


possível determiná-la por processo experimental.
Aplica-se o capacitor a uma fonte de CA
com tensão e freqüência conhecidos e
determina-se a corrente com um
amperímetro de CA (fig. 8). O valor de
tensão de pico da CA aplicada deve ser
inferior a tensão de trabalho do capacitor.

Conhecendo-se os valores de tensão e corrente no circuito determina-se a reatância


capacitiva do capacitor:

Vc
Xc  onde Vc = tensão no capacitor
Ic
Figura Ic = corrente no capacitor

Utilizando os valores disponíveis determina-se a capacitância.

Xc = 106 isolando C C(µF) = 106


2µ.f.c 2µ.f.Xc

Este processo também pode ser utilizado para determinação da capacitância


de uma associação de capacitores, desde que sejam despolarizados.

Associação de capacitores

Os capacitores, assim como os resistores podem ser conectados entre si


formando uma associação série, paralela ou mista.
As associações paralela de série são encontradas na prática, as mistas
dificilmente são utilizadas.

Associação paralela de capacitores

A associação paralela de capacitores tem por objetivo obter maiores valores


de capacitância.

As figuras 9 e 10 mostram uma associação paralela de capacitores e sua


representação simbólica.
Esta associação tem características particulares, com relação a capacitância
total e a tensão de trabalho.

Capacitância total da associação paralela

A capacitância total da associação paralela é a soma das capacitâncias individuais.


Matematicamente, a capacitância total de uma associação paralela é dada
pela equação:

Onde:
= capacitância total de associação
= capacitância
= capacitância
Cn = capacitância do capacitor n
Para executar a soma todos os valores devem ser convertidos para a mesma
unidade.
Por exemplo: qual a capacitância total da associação paralela de capacitores
mostradas a seguir.
Tensão de trabalho da associação paralela

Todos capacitores associados em paralelo recebem a mesma tensão aplicada


ao conjunto (fig. 11)

Vc1 = 10V
Vc2 = 10V
Vc3 = 10V

Assim, a máxima tensão que pode ser aplicada a uma associação paralela é
a daquele capacitor que tem menor tensão de trabalho.
Por exemplo: Qual a máxima tensão que pode ser aplicada nas associações
apresentadas nas figuras a seguir?

É importante lembrar ainda dois aspectos


Deve-se evitar aplicar sobre um capacitor a tensão máxima que este suporta.
Em CA, a tensão máxima é a tensão de pico. Um capacitor com tensão de trabalho
de 100V pode ser aplicado a uma tensão eficaz máxima de 70V (70V eficazes
correspondem a uma tensão CA com pico de 100V).
Associação paralela de capacitores polarizados

Ao associar capacitores polarizados em paralelo, os terminais positivos dos


capacitores devem ser ligados em conjunto entre si e os negativos da mesma forma
(fig. 12 e 13)

Resumindo:

Deve-se Lembrar que capacitores polarizados só podem ser utilizados em


CC, porque não há troca de polaridade da tensão.

Associação série de capacitores

A associação série de capacitores tem por objetivo obter capacitâncias


menores ou tensões de trabalho maiores
As figuras 14 e 15 mostram uma associação série de dois capacitores e sua
representação simbólica.
Capacitância da associação em série

Quando se associam capacitores em série a capacitância total é menor que o


valor de menor capacitor associado.
A capacitância total de uma associação série é dada pela equação:

Onde: CT = capacitância total de associação


C1 = capacitância de C1
C2 = capacitância de C2

Cn = capacitância de Cn

Esta equação pode ser desenvolvida (como a equação para como


resistores em paralelo) para duas situações particulares:

Onde: CT = capacitância total de associação


C1 = capacitância de C1
C2 = capacitância de C2

Para utilização das equações todos os valores de capacitância devem ser


convertidos para a mesma unidade.

Onde: CT = capacitância da associação


C = capacitância de um dos capacitores
n = número de capacitores associados
A seguir são apresentados exemplos de aplicação das equações.

Tensão de trabalho da associação série

Quando se aplica tensão a uma associação série de capacitores a tensão


aplicada se divide entre os dois capacitores (fig. 16).
A distribuição da tenção nos capacitores ocorre de forma inversamente
proporcional a capacitância, ou seja:

Maior capacitância = menor tensão


Menor capacitância = maior tensão

A determinação do valor de tensão em cada capacitor de uma associação


série é feita através de equações da eletricidade estática.
Como forma de simplificação pode-se adotar um procedimento simples e que
evita a aplicação de tensões excessivas a uma associação série de capacitores.
Este procedimento consiste: associar em série capacitores de mesma
capacitância e mesma tensão de trabalho.
Desta forma, a tensão aplicada se distribui igualmente sobre todos os capacitores.
As figuras 17 e 18 ilustram o que foi descrito.

Associação série de capacitores polarizados

Ao associar capacitores em série o terminal positivo de um capacitor é


conhecido ao terminal negativo do outro (fig. 19 e 20).

É importante lembrar que capacitores polarizados só podem ser ligados em CC.


Resumindo

Indução

O princípio da geração da energia elétrica baseia-se no fato de que toda vez


que um condutor se movimenta no interior de um campo magnético aparece neste
condutor uma diferença de potencial (fig. 1).

Esta tensão gerada pelo movimento do condutor no interior de um campo


magnético é denominada TENSÃO INDUZIDA.
Foi o cientista inglês Michael Fadaray, ao realizar estudos com o
eletromagnetismo, que determinou as condições necessárias para que uma tensão
seja induzida em um condutor.

As observações de Fadaray podem ser resumidas em duas conclusões:


- quando um condutor elétrico é sujeito a um campo magnético variável tem origem
neste condutor uma tensão induzida.
É importante notar que para ter um campo magnético variável no condutor pode-se:

a) manter o campo magnético estacionário e movimentar o condutor


perpendicularmente ao campo (fig. 2)

b) manter o condutor estacionário e movimentar o campo magnético (fig.3)


- a magnitude da tensão induzida é diretamente proporcional a intensidade do fluxo
magnético e a razão de sua variação.
Isto significa: campo mais intenso → maior tensão induzida
Variação do campo mais rápida → maior tensão induzida

Os geradores elétricos de energia elétrica se baseiam nos princípios


estabelecidos por Faraday.

Auto-indução

O fenômeno de auto-indução faz com que o comportamento das bobinas em


um circuito de CC seja diferente do comportamento dos resistores em circuito CC.
Em um circuito formado por uma fonte de CC, um resistor e uma chave a
corrente atinge o seu valor máximo instantaneamente, no momento em que o
interruptor é ligado (fig. 4)

Se neste mesmo circuito o resistor for substituído por uma bobina o


comportamento será diferente. A corrente atinge o valor máximo algum tempo após
a ligação do interruptor (fig. 5).
Este atraso para atingir a corrente máxima se deve a indução e pode ser
melhor compreendido imaginando o comportamento do circuito passo a passo.

Supondo-se o circuito composto


por uma bobina, uma fonte de
CC e uma chave (fig. 6)

Enquanto a chave está desligada não há campo magnético ao redor das


espiras porque não há corrente circulante.

A figura 7 mostra apenas a bobina


em destaque, com algumas
espiras representadas em corte.

No momento em que a chave é fechada inicia-se a circulação de corrente na bobina.

Com a circulação da corrente


surge o campo magnético ao
redor de suas espiras (fig. 8)
Na medida em que a
corrente cresce em direção
ao valor magnético o
campo magnético nas
espiras se expande (fig. 9)

Ao se expandir o campo
magnético em movimento gerado
em uma espira corta a espira
colocada ao lado (fig. 10)

Conforme Fadaray enunciou induz-se nesta espira cortada pelo campo em


movimento uma determinada tensão.
Cada espira da bobina induz nas espiras vizinhas uma tensão elétrica.
O que significa é que a aplicação de tensão em uma bobina provoca o
aparecimento de um campo magnético em expansão que gera na própria bobina
uma tensão induzida.
Este fenômeno que consiste em uma bobina por auto-induzir sobre si mesma
uma tensão é denominado de AUTO-INDUÇÃO.
A tensão gerada na bobina por auto-indução tem uma característica
importante:
Tem polaridade oposta a tensão que é aplicada aos seus terminais, razão
pela qual é denominada de FORÇA CONTRA ELETRO MOTRIZ ( )
Voltando ao circuito:
Ao ligar a chave aplica-
se tensão, com uma
determinada polaridade
à bobina (fig. 11)

A auto-indução gera, na bobina


uma tensão induzida ( ⬚𝐹𝐶𝐸𝑀)
de polaridade oposta a da
tensão aplicada (fig. 12)

Representa ⬚𝐹𝐶𝐸𝑀 como uma


“bateria” existente no interior da
própria bobina o circuito se
apresenta conforme mostrado
na figura 13.

Como atua contra a tensão da fonte, a tensão aplicada à bobina é, na


realidade:

V resultante = V fonte – Fcem

A corrente no circuito é causada por esta resultante:

I= ← tensão resultante

Como existe apenas durante a variação do campo magnético gerado


na bobina, quando o campo magnético atinge o valor máximo a deixa de
existir e a corrente atinge o seu valor máximo.
O gráfico da figura 14 mostra detalhadamente esta situação.
O mesmo fenômeno ocorre quando a chave é desligada. A contração do
campo induz uma na bobina retardando o decréscimo da corrente (fig. 15).

Em resumo, pode-se dizer que a auto indução faz com que as bobinas
tenham uma características singular:

Esta capacidade de se opor as variações de corrente é denominada de


INDUTÂNCIA e é representada pela letra L.

INDUTÂNCIA
L

A unidade de medida da indutância é o Henry, representado pela letra H.


A unidade de medida da indutância Henry tem submútiplos muito utilizados
em eletrônica. A tabela 1 mostra a relação entre os submúltiplos e a unidade.

SUB UNIDADE VALOR COM RELAÇÃO AO HENRY


miliHenry
10-3H ou 0,001H
(mH)
microHenry
10-6H ou 0,000001H
(mH)

A indutância de uma bobina depende de diversos fatores:

material

 do núcleo  seção
 formato

– do número de espiras
– do espaçamento entre as espiras

 tipo
 do condutor 
seção

Em função de apresentar uma indutância as bobinas são também


denominadas de indutores.
Os indutores podem ter as mais diversas formas, podendo inclusive serem
parecidos com um transformador.
A figura 16 mostra alguns tipos característicos de indutores.
Indutores em CA
Quando se aplica um indutor em um circuito de CC a sua indutância se
manifesta apenas nos momentos em que existe variação de corrente.
Já em CA, como os valores de tensão e corrente estão em constante
modificação o efeito da indutância se manifesta permanentemente.
Esta manifestação permanente da “oposição a circulação de uma corrente
variável” é denominada de REATÂNCIA INDUTIVA, representada pela notação .

Em outras palavras, reatância indutiva é a resistência de um indutor em


corrente alternada.
A reatância indutiva é expressa em ohms e pode ser determinada através da
equação:

Onde: XL = reatância indutiva em 


2  = é constante (6,28)
f = frequência da corrente alternada
L = indutância do indutor em Henrys

Por exemplo: a reatância de um indutor de 600mH aplicado a uma rede de CA


de 60Hz é:

XL = 2  . f . L
XL = 6,28 . 60 . 0,6
XL = 226,08 

É importante observar que a reatância indutiva de um indutor não depende de


tensão aplicada aos seus terminais.
A corrente que circula em um indutor aplicado a CA (IL) pode ser calculada
com base na Lei de Ohm, substituindo-se R por XL.
V
IL  onde: IL = corrente eficaz no indutor em A
XL
V = tensão eficaz em V
XL = reatância indutiva em 

O indutor de 600mH aplicado a uma rede de CA 50Hz, 110V permitiria a


circulação de uma corrente de:

O fator de qualidade (Q)

Todo o indutor apresenta, além da reatância indutiva, uma resistência ôhmica


que se deve ao condutor com o qual é confeccionado.
O fator de qualidade Q é uma relação entre a reatância indutiva e a resistência
ôhmica de um indutor.

XL
Q Onde: Q = é o fator de qualidade
R
XL = reatância indutiva
R = resistência ôhmica da bobina

Um indutor ideal deveria apresentar resistência ôhmica zero. Isto determinaria


um fator de qualidade infinitamente grande. No entanto, na prática, este indutor não
existe. Existe sempre a resistência ohmica do condutor que constitui o indutor.

Por exemplo: o fator de qualidade de um indutor com reatância indutiva de 378Ω


(indutor de 10H em 60Hz) e com resistência ôhmica de 80Ω é:
XL 3768
Q   47,1
R 80

Determinação experimental da indutância de um condutor

Quando se deseja utilizar um indutor e sua indutância é desconhecida, é


possível determiná-la aproximadamente por processo experimental. O valor encontrado
não será exato porque é necessário considerar que o indutor é puro (R = 0).

Aplica-se ao indutor uma corrente


alternada com frequência e
tensão conhecidas (fig. 17).

Determina-se a corrente do
circuito com um amperímetro
de corrente alternada (fig.18)

Conhecidos os valores de tensão e corrente do circuito, determina-se a


reatância indutiva do indutor.

V V  tensão do indutor
XL  onde
IL IL  corrente do indutor

Aplica-se o valor encontrado na equação da reatância indutiva e determina-se


a indutância:
X
XL  2fL  isolando L L  L
2f

A imprecisão do valor encontrado não é significativa na prática, porque os


valores de resistência ôhmica da bobina são pequenos, comparados com a sua
reatância indutiva (alto Q).
Associação de indutores
Os indutores podem ser associados em série, em paralelo e até mesmo de
forma mista, embora esta última não seja muito utilizada.
A associação série é utilizada como forma de obter uma maior indutância.
A indutância de uma associação série é dada pela equação:

LT = L1 + L2 + ... + Ln Onde: LT = indutância total


L1, L2, ... Ln = indutâncias associadas

As figuras 19 e 20 mostram uma associação série de indutores e sua


representação esquemática.

A associação paralela pode ser utilizada como forma de obter indutância


menores ou como forma de dividir uma corrente entre diversos indutores (fig. 21 e 22).

A indutância total de uma associação paralela de indutores é dada pela


equação:
Observa-se que as equações para cálculo da indutância se assemelham as
equações para o cálculo de associação de resistores.

Relação de fase entre corrente e tensão nos indutores

Devido ao fenômeno de auto-indução ocorre um defasamento entre corrente


e tensão nos indutores ligados em CA.
A auto-indução provoca um atraso na corrente em relação a tensão. Este atraso é de
90° (um quarto de ciclo).

A representação senoidal
deste fenômeno está
apresentada na figura 23.
Observa-se que a tensão
atinge o máximo antes da
corrente.

Pode-se representar esta


defasagem por meio de um
gráfico de vetores. O ângulo
entre os vetores representa a
defasagem e o comprimento
dos vetores representa os
valores de VL e IL (fig. 24).
Magnetismo
O magnetismo é uma propriedade que certos materiais possuem que faz com
que estes materiais exerçam uma atração sobre materiais ferrosos (fig. 1).

As propriedades dos corpos magnéticos são grandemente utilizadas em eletricidades


(motores, geradores) e eletrônica (instrumentos de medida, transmissão de sinais, etc...)

Magnetismo Natural – Imãs

Alguns materiais encontrados na natureza apresentam propriedades


magnéticas naturais. Estes materiais são denominados de IMÃS NATURAIS.

A magnética é um minério de ferro que é naturalmente magnético, ou seja, é


um imã natural.

Imãs artificiais

Os imãs artificiais são barras de materiais ferrosos que o homem magnetiza


por processos artificiais.
Os Imãs artificiais são muito empregados porque podem ser fabricados com
os mais diversos formatos, de forma a atender as necessidades práticas (fig.2).
Os Imãs artificiais em geral tem propriedades magnéticas mais intensas que
os naturais.

Pólos magnéticos de um Imã

Externamente as forças de
atração magnéticas de um Imã se
manifestam com maior
intensidade nas suas
extremidades (fig. 3).

Por esta razão as extremidades


são denominadas de PÓLOS
MAGNÉTICOS DO IMÃ (fig.4)

Cada um dos pólos apresenta propriedades


magnéticas específicas, sendo denominados
de PÓLO SUL e PÓLO NORTE (fig. 5).

Uma vez que as forças de atração magnéticas dos imãs são mais
concentradas nos pólos, se conclui que a intensidade destas propriedades decresce
para o centro do imã.
Na região central do imã se estabelece uma linha onde as forças de atração
magnéticas do pólo sul e do pólo norte são iguais e se anulam.
Esta linha é denominada de linha neutra.
A linha neutra é, portanto, a linha divisória
entre os pólos do imã (fig. 6).

Origem do magnetismo

O magnetismo tem a sua origem na organização atômica dos materiais. Cada


molécula de um material é um pequeno imã natural, denominado de imã molecular
ou domínio (fig. 7).

Quando durante a formação de um


material as moléculas se orientam em sentidos
diversos, os efeitos magnéticos dos imãs
moleculares se anulam no todo do material,
resultando em um material sem magnetismo
natural (fig. 8).

Se durante a formação do material as


moléculas assumirem uma orientação única
(ou predominante) os efeitos magnéticos de
cada imã molecular se somam dando origem a
um imã com propriedades magnéticas naturais
(fig. 9).
Observação

Na fabricação de imãs artificiais as moléculas de um material


(desordenadas) sofrem um processo de orientação a partir de forças
externas.

Inseparabilidades dos pólos

Os imãs têm uma propriedade característica: por mais que se divida um imã
em partes menores, as paredes sempre terão um pólo norte e um pólo sul (fig. 10)

Esta propriedade é denominada de inseparabilidade dos pólos.

Interação de imãs

Quando os pólos magnéticos de dois imãs estão próximos as forças


magnéticas dos dois imãs reagem entre si de forma singular.
Se os dois pólos magnéticos próximos forem diferentes (norte de um com sul de
outro) há uma atração entre os dois imãs (fig. 11).
Se os dois pólos próximos forem iguais (norte de um próximo ao norte do
outro ) há uma repulsão entre os dois imãs (fig. 12).

Pode-se resumir a interação entre, dois imãs em duas regras.

Campo magnético – Linhas de força

Os efeitos de atração ou repulsão entre dois imãs ou de atração de um imã


sobre os materiais ferrosos se devem a existência de um campo magnético que
provém do imã.
O espaço ao redor do imã em que existe atuação das forças magnéticas é
denominado de campo magnético.
Como artifício para estudar este campo magnético se admite a existência de
“linhas de força” magnéticas ao redor do imã.
As linhas de força magnéticas de um imã são invisíveis e somente podem ser
visualizadas com auxílio de um “recurso”.
Colocando-se um imã embaixo de uma lâmina de vidro e espalhando
(borrifando) limalha de ferro sobre o vidro, as limalhas se orientam conforme as
linhas de forma magnéticas (fig.13).

O formato característico das limalhas sobre o vidro, denominado de espectro


magnético, é apresentado na figura 14.

Esta experiência mostra também uma maior concentração de limalhas na


região dos pólos do imã devido a maior intensidade de magnetismo nas regiões
polares.
A maior intensidade do
magnetismo nos pólos se deve ao
fato de que a maioria das linhas de
forças magnéticas se concentra
nas extremidades, passando
através da seção transversal nos
pólos (fig. 15).

Orientação das linhas de força

Com o objetivo de padronizar os


estudos relativos ao magnetismo e as
linhas de força se estabeleceu, como
convenção, que as linhas de força de um
campo magnético se dirigem do pólo
norte em direção ao pólo sul (fig.16).

Esta convenção se aplica as linhas de força externas ao ímã.

Eletromagnetismo
A denominação “eletromagnetismo” se aplica a todo o fenômeno magnético
que tenha origem em uma corrente elétrica.
Campo magnético em um condutor
Quando um condutor é percorrido por uma corrente elétrica ocorre uma
orientação no movimento das partículas no seu interior.

Esta orientação do movimento das


partículas tem um efeito semelhante a
orientação dos imãs moleculares.

Como conseqüência desta orientação


se verifica o surgimento de um campo
magnético ao redor do condutor (fig. 17)

As linhas de força deste


campo magnético, criado pela
corrente elétrica que passa por um
condutor, são circunferências num
plano perpendicular ao condutor (fig.
18).

O sentido de deslocamento das linhas de força é dado pela regra da mão


direita, para o sentido convencional da corrente elétrica.

Regra da mão direita

“Envolvendo o condutor com os quatro dedos da mão direita de forma que o


dedo polegar indique o sentido da corrente (convencional) o sentido das linhas de
força será o mesmo dos dedos que envolvem o condutor” (fig. 19).
Pode-se também utilizar a “regra do saca-rolha” como forma de definir o
sentido das linhas de força.

Regra do saca-rolha

O sentido das linhas de força é dado pelo movimento do cabo de um saca-


rolha, cuja ponta avança no condutor no mesmo sentido da corrente (convencional)
(fig.20).

A intensidade do campo magnético ao redor depende da intensidade da


corrente que flui no condutor (fig. 21 e 22).
Campo magnético em uma bobina

Para obter campos magnéticos de maior intensidade a partir da corrente


elétrica, usa-se enrolar o condutor em forma de espiras, constituindo uma bobina.

A figura 23 mostra uma bobina e a


figura 24 mostra o seu símbolo.

As bobinas permitem uma soma dos efeitos magnéticos gerados em cada


uma das “espiras”.

A figura 25 mostra uma bobina construída por várias espiras, ilustrando o


efeito resultante da soma dos efeitos individuais.
Os pólos magnéticos formados pelo campo magnético têm características
semelhantes aos pólos de um imã natural.
A intensidade do campo magnético em uma bobina depende diretamente da
intensidade da corrente e do número de espiras (fig. 26).
Bobinas com núcleo

O núcleo é a parte central das


bobinas. Quando nenhum material é
colocado no interior da bobina, diz-se
que o núcleo é de ar (fig. 27).

Para obter uma maior intensidade de campo magnético a partir de uma


mesma bobina pode-se utilizar o recurso de colocar um material ferroso (ferro,
aço...) no interior da bobina.

Neste caso o conjunto bobina-núcleo de ferro


recebe a denominação de ELETROIMÃ (fig. 28).

A maior intensidade do campo magnético nos eletroímãs se deve ao fato de


que os materiais ferrosos provocam uma concentração das linhas de força (fig. 29).

Quando uma bobina tem um núcleo de material ferroso seu símbolo expressa
esta condição (fig. 30 e 31).
A capacidade de um material de concentrar as linhas de força é denominada
de PERMEABILIDADE MAGNÉTICA.
A permeabilidade magnética é representada pela letra grega µ (mi).
De acordo com a permeabilidade magnética os materiais podem ser
classificados como:

Diamagnéticos = permeabilidade pequena (menor que 1) e negativa.


Os materiais diamagnéticos promovem uma dispersão do campo
magnético (fig. 32).

São exemplos de materiais diamagnéticos: cobre, ouro.

Paramagnéticos = permeabilidade em torno da unidade.


São materiais que praticamente não alteram o campo magnético
(não dispersam nem concentram as linhas de força) (fig. 33).
São exemplos de materiais paramagnéticos: o ar, o alumínio.

Ferromagnéticos = são materiais com alta permeabilidade. Se caracterizam por


promover uma concentração das linhas magnéticas (fig. 34).

Os materiais ferromagnéticos são atraídos pelos campos magnéticos

Magnetismo remanente

Quando se coloca um núcleo de ferro em uma bobina, na qual circula uma


corrente elétrica, o núcleo se torna imantado, porque as suas moléculas se orientam
conforme as linhas de força criadas pela bobina (fig. 35 e 36).
Cessada a passagem da
corrente, alguns ímãs moleculares
permanecem na posição de
orientação anterior, fazendo com que
o núcleo permaneça ligeiramente
imantado (Fig. 37)

Esta pequena imantação é denominada de MAGNETISMO REMANENTE OU


RESIDUAL. O magnetismo residual é importantíssimo, principalmente para os
geradores de energia elétrica. Este tipo de imã é denominado de imã temporário.
Bibliografia

1 – SENAI/DN –Série Eletrônica Básica, Capacitores , Rio de Janeiro, 1985

2 – SENAI/DN -Série Eletrônica Básica, Capacitores em CA , Rio de Janeiro, 1985

3 – SENAI/DN -Série Eletrônica Básica, Indutores, Rio de Janeiro, 1985

4 – SENAI/DN –Série Eletrônica Básica , Introdução ao Magnetismo, Rio de Janeiro,


1985

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