Você está na página 1de 16

DO Suplemento

Editorial
A República
Nós,doRN...
Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte Ano II - Nº 19 - Junho de 2006

Magnólia
Lenilson
Oscar

Campeões
de todas
as épocas
Dequinha

Marinho
Virna

Clodoaldo
2 - Nós do RN Natal, junho 2006

APRESENTAÇÃO

Ao Garotinho da Copa, com saudade Estado do Rio Grande do Norte


Assessoria de Comunicação Social
WILMA MARIA DE FARIA
Governadora do Estado
RUBENS LEMOS FILHO ALUÍSIO LACERDA
Gabinete Civil do Governo do Estado
oportunista pauta do “nós, do gos da Seleção Brasileira no céu, conforme evo- RUBENS MANOEL LEMOS FILHO
RN”, pegando carona no alvo- cou um banner exibido pelos admiradores no seu Assessoria de Comunicação Social
roço da Copa do Mundo, para sepultamento, Marco Antonio deixou-nos às vés-
falar do esporte potiguar, ofere- peras do sexto campeonato mundial que cobriria
ce-nos a conveniência de pres- profissionalmente.
tar uma nova e autêntica home- Em nome dos jornalistas e gráficos do Depar-
RUBENS MANOEL LEMOS FILHO
nagem ao nosso companheiro tamento Estadual de Imprensa, temos a satisfa- Diretor Geral em exercício
Marco Antonio Antunes – o Ga- ção e o orgulho de dedicar ao Garotinho da
Henrique Miranda Sá Neto
rotinho da Copa, dedicando-lhe Copa, com saudade, este suplemento do Diário Coordenador deAdministração
esta edição. Oficial que registra personagens e feitos esporti- e Editoração
Convocado para narrar os jo- vos do Rio Grande do Norte. JURACIR BATISTA DE OLIVEIRA
Subcoordenador de Finanças

EDUARDO DE SOUZA PINTO FREIRE


Subcoordenador de Informática
EDITORIAL Nós, do RN
editor-geral
MIRANDA SÁ

Os atletas e o atletismo potiguar chefe de redação


MOURA NETO

Secretário de Redação

P
EDSON BENIGNO
MIRANDA SÁ
Secretário Gráfico
VALMIR ARAÚJO
erfilando com os santos de junho, podia ser feito no tempo exíguo que tivemos na
Antônio, João e Pedro, os brasi- contagem regressiva para os primeiros jogos e o equipe redacional
PAULO DUMARESQ - REPORTAGEM
leiros reverenciam, de quatro em expediente excepcional estabelecido para o funci- ANCHIETA FERNANDES - PESQUISA
quatro anos, Santa Copa. Com os onalismo público estadual CLÓVIS SANTOS/JOÃO MARIA ALVES - FOTOGRAFIA
três “f” juninos, fantasias, fogos e Eis aqui, portanto o fruto da consideração e, diagramação e arte final
fogueiras, festejamos o ícone mun- porque não EDENILDO SIMÕES
PAULINHO CAVALCANTI JR
dial do futebol, desta vez na Ale- dizer, da atra-
Capa
manha, acompanhando a seleção ente simpatia EMANOEL AMARAL
pentacampeã na busca de mais que o esporte Colaboradores
uma vitória. e seus heróis CARLOS MORAIS
CARLA XAVIER
Foi a inspiração de momento que provocam. CARLOS DE SOUZA
nos levou a cascavinhar o atletis- Esta edição – ROSA LÚCIA ANDRADE
SÉRGIO TRINDADE
mo e os atletas potiguares através quase especial Nossa capa Coordenação Gráfica
dos tempos. Não fomos, como fez – do “nós, do WILLAMS LAURENTINO
o respeitado jornalista esportivo RN” nos orgu-
Everaldo Lopes, “da bola ao api- lha sobremanei-
to final”. A pesquisa histórica nun- ra pelo teste de
ca é definitiva. competência e Departamento Estadual de Imprensa
De qualquer maneira, fizemos em habilidade dos Av. Câmara Cascudo,
355 - Ribeira - Natal - RN
ritmo de Copa do Mundo o que que o fazem. CEP.: 59.025 - 280 -
Tel.: (84) 3232 6793
Site: www.dei.rn.gov.br - e-mail: dei@rn.gov.br
Natal, junho 2006 Nós do RN -3

CARLOS DE SOUZA mas aí era um pouco diferente porque


o meu era mais sério. Ele inovou mais
O leitor habitual de jornal em Natal e ainda, não sei se pra melhor ou pra
no interior do Estado já conhece bem pior. O fato é que o povo gostava. Ele
Everaldo Lopes Cardoso, este senhor botava apelido em dirigente, nos
de 69 anos que já acumula 45 de cartolas...Era um cara assim todo

FOTO :JOÃO MARIA ALVES


jornalismo. Seja através de sua coluna brincalhão. Então pegou e hoje não
diária de esportes, seja através do existe mais programa escrito no rádio”.
espaço de humor intitulado Cartão Como seu trabalho de repórter
Amarelo. Mas poucos sabem que este estava sendo bem reconhecido,
pernambucano de uma família de Everaldo Lopes passou a ser comenta-
jornalistas (o pai, Pedro Lopes Júnior, rista. Mas ele não gostava de fazer
foi fundador de jornais em Natal e a isso, porque gostava de assistir as
filha, Cínthia Lopes, é editora de partidas de futebol como torcedor e
cultura da Tribuna do Norte) começou nunca como analista das táticas dos
sua carreira escrevendo cartas. técnicos. “Eu tinha que estar olhando e
Seu pai foi obrigado a sair de Natal, anotando, na hora do gol eu tinha que
por motivos políticos, e foi trabalhar no explicar para os ouvintes. E eu não
Diário da Noite, que era da cadeia do gostei de ser comentarista. Eu nunca
Jornal do Commércio. Com o passar fui muito bom de comentar”.
do tempo, o serviço pesado das reda- Diante disso, ele se afastou do rádio
ções que costumava entrar pela ma- e assumiu a editoria de Esportes do
drugada e os hábitos boêmios fizeram Diário de Natal. “Aí as coisas realmen-
com que seu pai contraísse a tubercu- te melhoraram. Eu estava numa
lose, vindo a falecer em seguida. Com editoria de um jornal de prestígio.
isso a família de Everaldo Lopes voltou Naquele tempo eu acho que o Diário
para Natal, a viúva com três filhos tinha uma tiragem maior que a da
pequenos. Tribuna, hoje acho que está mais
equilibrado. Passei muito tempo no

ao apito final
“A família era unida e cada um ficou
em uma casa de um parente e eu fiquei Diário, trabalhei 25 anos no Diário, foi
com minha mãe. Aí iniciei minha vida. quase uma existência. Peguei o período
Aos 19 anos peguei o primeiro empre- de Edílson Varela, mas logo em seguida
go como escriturário da Base Naval de chegou Luiz Maria Alves e eu peguei
Natal e por esse tempo já gostava de todo o período em que ele esteve por
escrever alguma coisa. Tinha muita era locutor A e locutor B, cada um lia va e aí começamos a fazer o programa lá. Se fosse possível eu escreveria até
correspondência, naquele tempo se uma notícia, aí eu dei um estalo: por conversado. A turma ainda meio sem um livro sobre ele. Tinha muito contato
usava muito você se corresponder com que a gente não faz um programa muito jeito, mas de qualquer maneira com ele, conversava muito com ele, eu
uma pessoa. Saía na revista aquele conversado, rapaz? Evitaria esse foi um passo que a emissora deu e o achava uma figura diferente. Um
endereço e eu aprendi a escrever trabalho todo e seria sempre uma depois os outros foram seguindo. Mais homem de uma cultura muito grande.
cartas e daí para escrever matérias foi notícia quentinha, atual. Eles gostaram tarde chegou na Rádio Cabugi, Celso Mas eu gostava de conversar com ele.
um passo. Depois fui trabalhar, como da idéia e aí surgiu o programa Instan- Martineli e o programa dele também Apesar de a gente ter se desentendido
colaborador, em um suplemento que a tâneos Esportivos, que eu lancei. “ era conversado, no mesmo estilo, mas algumas vezes, porque ele não gostava
Tribuna do Norte tinha que era TN Era todo dia, às seis e meia, na Rádio muito parecido com programa de do estilo de minha coluna, quando eu
Esportiva. Era eu, Roberval Pinheiro, Poti. “Tinha o programa de Jerônimo, o humor. Era a maior gozação, brincadei- soltava algumas brincadeiras. Ele não
Amauri Dantas... Pronto. Aí iniciei a Herói do Sertão, depois a gente entra- ras... Num estilo parecido com o meu, gostava”.
carreira de jornalista”.
Com o sucesso de suas matérias,
Everaldo Lopes foi convidado por
Alexandre Garcia e Rosaldo Aguiar
Cartão Amarelo aí foi demitido. No dia seguinte, Everaldo no Diário e me aprofundei mais ainda com a
para trabalhar nos Diário Associados. Lopes também foi demitido. Pode ter sido este facilidade do arquivo da Tribuna. Então en-
E, em seguida, passou a ser repórter Depois de 25 anos dessa convivência, o motivo. contrei facilidade para preparar alguma coisa
esportivo da Rádio Poti. “Eu até inovei, Everaldo Lopes foi surpreendido em casa O fato é que depois disso Everaldo Lopes para o futuro. Depois fiz uma pesquisa no
com uma carta de demissão. Até hoje ele não e Edmar Vianna foram convidados para fazer Instituto Histórico e aí surgiu a idéia de fazer
não quero me gabar, mas fui eu que
sabe direito porquê. Sabe apenas que, na o Cartão Amarelo na Tribuna do Norte, onde um livro. Mas a pesquisa é uma coisa inte-
introduzi a conversa nos programas
época, já era parceiro do cartunista Edmar estão até hoje. Everaldo Lopes, porém, vive ressante, você vai acumulando dados e logo
esportivos. Quando eu cheguei na Vianna em sua coluna de esportes. Edmar um momento todo especial. Lançou o livro vão surgindo outros. Aí consegui fazer o li-
Rádio Poti, eu me lembro que meu Vianna havia sido convidado por ele, a partir Da Bola de Pito ao Apito Final, contando a vro. Eu consegui o patrocínio da Petrobrás e
companheiro Nivaldo Souza passava a de 1974, para ilustrar a coluna. Com o tempo história do futebol potiguar, um grande su- aí está o livro. Eu fiz um livro, modéstia à
manhã redigindo o noticiário esportivo, foi se desenvolvendo e um dia resolveu pe- cesso de vendas em bancas de jornais. “Eu parte, muito bom, as vendas estão ótimas.
folhas e mais folhas, naquele tempo, dir um salário adequado com sua condição e já gostava de fazer pesquisa quando estava Eu já reabasteci várias bancas. E é isso”.
4 - Nós do RN Natal, junho 2006

ALGUNS NOMES DO ESPORTE DO RIO GRANDE DO NORTE SE DESTACARAM EM


COMPETIÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS. EM VÁRIAS MODALIDADES,
BRILHARAM COMO CAMPEÕES OU SIMPLESMENTE COMO ATLETAS QUE,
MERECIDAMENTE, GANHARAM O RECONHECIMENTO DA MÍDIA. LEMBREMOS
ALGUNS GRANDES FEITOS.

ANCHIETA FERNANDES

FOTOS:ARQUIVO

TÊNIS DE MESA
Há 40 anos o esporte universitário potiguar obteve sua primeira conquista interes-
tadual. Foi durante os XVIII Jogos Universitários, realizados em Curitiba, Paraná,
em 1966. Pela primeira vez, o Rio Grande do Norte mandava uma representação. A
mesatenista Inês de Medeiros Rocha, a Inezinha, bem preparada pelo treinador
Carlos Gurgel, ganhou de todos os adversários (Alagoas, Minas Gerais, Pará, Paraná,
Rio de Janeiro e São Paulo) e conquistou o primeiro lugar para o RN. Estudante de
Odontologia da UFRN, Inezinha se formou em 1967, montando, em Natal, consultó-
rio de Odontopediatria.

CORRIDA BASQUETEBOL

Clodoaldo Silva le sabia tão bem usar suas

NATAÇÃO
A natalense Maria Magnólia Souza
Figueiredo, nascida em 1963, desde
1979 marca presença no atletismo
E mãos para fazer cesta que
ganhou o apelido de “Mão
norte-rio-grandense nos cenários Santa”. É o conhecido
Aquele garotinho nascido em cestinha Oscar, ídolo do
Natal, em 1981, que teve paralisia nacional e internacional. Naquele
referido ano, defendeu o Brasil em basquete brasileiro até Virna Cristine
cerebral por falta de oxigênio após pouco tempo. Nascido em
competição em Lille, na França.
VÔLEI
o parto, o que o deixou sem o mo- Natal, em 1958, Oscar
vimento das pernas e com proble- Sempre treinou muito, principalmente
com o técnico José Figueiredo, seu Daniel Bezerra Schmidt é o
mas de coordenação motora, tor- A natalense Virna Cristine Dantas
marido, professor de atletismo e seu nome completo. Foi
nou-se campeão. Mas ele, Dias, nascida em 1971, 1,85 de altura,
fisiologia da UFRN. Ela é recordista considerado “o maior
Clodoaldo Francisco da Silva, su- realizou através do esporte o seu de-
mundial dos 400 metros rasos com o jogador de basquete brasi-
perou as deficiências e, 25 anos sejo de criança: sair do anonimato.
tempo 50s62, título conquistado na leiro de todos os tempos”.
depois, como nadador, obteve seis Quando se tornou a titular da Seleção
Itália, em 1990. Participou de quatro Em 1977, disputou dois
medalhas de ouro, uma de prata e Brasileira de Vôlei, há alguns anos
olimpíadas. Ganhou treze vezes o campeonatos sul-america-
quatro recordes mundiais nos Jo- atrás, seu rosto e suas sacadas ga-
Troféu Brasil de Atletismo. nos pela Seleção Brasileira
gos Paraolímpicos de Atenas, em nharam a mídia, invadindo pela TV
e conquistou os dois títulos
2004. O sucesso de Clodoaldo, os lares de milhões de brasileiros. Foi
em categorias diferentes.
porém, já vinha de antes. Em tetracampeã do Grand Prix em 1994,
Em 1978, ganhou a medalha
Sidney, nas Olimpíadas de 2000, 1996, 1998 e 2004. Ganhou medalha
de bronze pela Seleção
ganhou três medalhas de prata e de bronze nas Olimpíadas de Atlanta,
Brasileira no mundial das
uma de bronze. É sempre notícia. em 1996, e nas de Sidney, em 2000.
Filipinas. Integrou o Clube
Na 2ª Copa do Mundo Paraolímpi- Jogou pelo Palavollo Chieri e pelo
Caserta, da Itália, e foi o
ca, em Manchester, na Inglaterra, Nausicaa, da Itália. Participou tam-
primeiro jogador de basque-
em maio passado, ganhou mais bém das Olimpíadas de Atenas, em
tebol a marcar 10.000
duas medalhas de ouro. Na China, 2004. Assim, a antiga estudante do
pontos no campeonato
recentemente, foi escolhido “o Instituto Maria Auxiliadora, conheci-
italiano. Participou de cinco
melhor atleta paraolímpico do mun- da pelo apelido Olívia Palito, demons-
olimpíadas.
do.” trou a raça da mulher natalense em
Maria Magnólia Souza Figueiredo vitórias esportivas.
Natal, junho 2006 Nós do RN -5

FOTO :DIVULGAÇÃO

O potiguar Oscar Schmidt (acima), o maior astro da


modalidade, começou a carreira jogando em Natal; Raul
Rodrigues (ao lado), presidente da FNB, prioriza o tra-
balho com as categorias de bases

Sempre revelando atletas


EDSON BENIGNO

O basquete é uma das modalidades depois foi fundada, na sede do Centro Títulos nacionais e regionais
esportivas de maior destaque no Rio Estudantil Potiguar, a Liga Natalense de
Grande do Norte. É o que se pode con- Basquete e Voleibol, que depois seria A seleção juvenil masculina do Natal, acontecerá o Campeonato
cluir pelos títulos conquistados em com- transformada em Federação Norte-Rio- RN sagrou-se campeã invicta do Brasileiro de Veteranos.
XXXVIII Campeonato Brasileiro Projeto - A implantação do
petições nacionais e também por ter re- Grandense de Basquetebol. O primeiro Zonal Nordeste, em junho de 1985, Projeto do Centro de Basquete
velado atletas para a Seleção Brasileira. presidente da entidade foi Djalma ao derrotar a Seleção de Integrado, em fase de execução, é
Nesse caso, temos que destacar o maior Maranhão, que anos depois seria o pre- Pernambuco por 69 a 60, em jogo direcionado a atletas até 15 anos,
astro da modalidade, que é o potiguar feito de Natal. realizado no Palácio dos Esportes. que não tenham renda suficiente
Oscar Schmidt. Outros atletas também O basquete, principalmente na catego- A seleção de veteranos do RN foi para frequentar clubes e colégios
campeã nacional em 2003, na pagos, e pode amenizar as dificul-
fizeram bonito, como Paulo Cunha e ria juvenil feminino, sempre se destaca cidade de Curitiba, destacando dades da Federação Potiguar. O
Carlos Azevedo “Carlão”, que foram nas competições fora do Estado. A sele- atletas como Paulo Cunha, Nilo projeto conta com a parceria da
convocados para defender a Seleção ção potiguar, em maio deste ano, foi vice- Machado, Bulhões e outros que já Confederação Brasileira de Bas-
Brasileira de Basquete há alguns anos. campeã do Campeonato do Nordeste, dis- entraram para a história do basque- quetebol (CBB), que vai repassar
Começou a se tornar popular no RN putado em Campina Grande, perdendo te potiguar. materiais esportivos, enquanto que a
Na atualidade, a atleta de maior FNB fica com a responsabilidade
na segunda década do século passado, para Pernambuco com a diferença ape- destaque nas quadras do Rio de conseguir apoio oficial para
quando alunas da Escola Doméstica de nas de três pontos. Segundo o presiden- Grande do Norte é Rafaela implementar o projeto que
Natal iniciaram a prática desta modali- te da Federação Norte-Rio-Grandense Mafalda, que no ano passado foi revitalizará o esporte.
dade, improvisando quadras e colocan- de Basquete (FNB), Raul Rodrigues convocada para compor a lista das Em julho de 1983, a Seleção
do a cesta em troncos de árvores. No Ferrer, esta modalidade vem crescendo 21 jogadoras da Seleção Brasileira Brasileira Feminina de Basquete,
Juvenil. Apresentou-se à comissão comandada pela atleta Hortência,
dia 25 de agosto de 1931 é que se reali- devido ao trabalho que é feito nas cate- técnica em São Paulo, mas foi considerada umas das melhores
zou, em Natal, a primeira partida entre gorias de base. “Precisamos começar cortada no período de preparação. jogadoras do mundo, jogou em
equipes masculinas, em quadra improvi- realizando um bom trabalho nas catego- Em setembro deste ano, vai ser Natal, no Palácio dos Esportes,
sada, no Estádio Juvenal Lamartine. rias de base para podermos alcançar realizada em São Paulo a Olimpíada contra a seleção dos Estados
Em 1937 começaram os campeonatos uma posição de destaque no cenário es- de Basquete, na categoria feminina, Unidos.
e nos dias 11 a 18 de novembro, em Foi um recorde de público.
desta modalidade no Estado. Um ano portivo nacional”, diz.
6 - Nós do RN Natal, junho 2006
FOTO : CEDIDA

Um estilo de vida FOTO :EDSON


BENIGNO
O karatê foi introduzido no Rio Grande As competições são feitas iso-
do Norte em 1971 pelo professor Juarez ladamente, de acordo com as categorias,
Alves, que fundou a Shotokan, primeira mas mesmo assim o RN consegue se
academia de ensino e prática desta arte destacar no karatê a nível nacional. Em
marcial. Antes de tudo, o karatê é um 2004, a FNK mandou para São Paulo
estilo de vida e que teve origem na ilha uma delegação com 28 atletas,
japonesa Okinawa, no século XVII, representando três categorias: infantil,
quando os nativos derrotaram invasores infanto - juvenil e juvenil. Enfrentando
Professor vindos do continente utilizando uni- delegações de outros Estados com 90 a
Juarez Alves camente as mãos - daí a etimologia do 100 atletas, mesmo assim o RN ficou
introduziu o nome Ka-ra-tê – mãos vazias. em 3º lugar. Em 2005 uma delegação
karatê no RN Essa arte marcial se baseia prin- com sete atletas foi para Cuiabá, Mato
na década cipalmente na defesa, por isso os que a Grosso, representar o Estado e com todas
de 70 praticam jamais devem ser agressivos e as dificuldades encontradas conseguiu o
só usará seus conhecimentos quando não 2º lugar.
houver alternativas para evitar a luta. Na Segundo Alexandre César Cavalcanti,
década de 70, o cinema difundiu muito o o que falta para a FNK enviar uma
karatê, principalmente com filmes delegação com muitos mais atletas para
protagonizados pelo ator Bruce Lee. competições fora do Estado é o apoio
Com o crescimento desta modalidade financeiro para custeios de passagens e
em Natal, em 1975 um grupo de hospedagens. “Mesmo enfrentando
praticantes fundou a Federação Norte- dificuldades de patrocínios, o Karatê
Rio-Grandense de Karatê (FNK), que potiguar consegue sempre boas
hoje é presidida por Alexandre César colocações em diversas categorias”,
Cavalcanti. Com o passar dos anos, conta.
houve a unificação desta arte marcial Destaque - Na atualidade, o atleta de
como esporte, sendo praticado nas maior destaque no Estado é Emanuel anos. Diante do surgimento de mais Alexandre
escolas e fazendo parte da disciplina de Ubirajara, que já foi campeão Pan- adeptos para esta modalidade, Cavalcanti,
Educação Física. americano, Sul-americano e também aumentaram o número de academias em presidente da
Na estrutura oficial do desporto, a campeão Brasileiro vária vezes. A Natal. FNK: mesmo
exemplo de outras modalidades Confederação Brasileira de Karatê O desenvolvimento desta modalidade enfrentando
esportivas, o Karatê tem uma entidade promoveu seletiva nacional de atletas no Brasil se deve aos imigrantes dificuldades,
internacional reconhecida pelo Comitê para o PAN 2007 no Rio de Janeiro e japoneses que, a partir da década de 60, o karatê
Olímpico, que é a Federação Mundial, quatro foram selecionados, sendo ao se depararem com a falsa imagem do potiguar
enquanto que no Brasil as entidades são Ubirajara o único atleta do Norte/ karatê, tido como uma luta cruel e sempre
filiadas a Confederação Brasileira de Nordeste a ser escolhido. assassina, começaram a treinar e ensinar consegue
Karatê. “Somos uma entidade orga- O karatê possui várias faixas, sendo aos desportistas a filosofia desta arte boas
nizada, promovemos torneios oficiais e que o iniciante começa na faixa branca marcial. colocações
contamos atualmente com 12 atletas e vai mudando de cor a partir do seu E hoje o que vemos são crianças,
servindo a Seleção Brasileira, re- nível de aprendizado. Existem as faixas: adolescentes e adultos praticando o
presentando categorias como juvenil, amarela, vermelha, laranja, verde, roxa, esporte e conseguindo êxito em
infanto-juvenil”, conta o presidente da marrom e preta. Para alcançar o mais competições promovidas pelas entidades
FNK. alto grau, o aluno pratica no mínimo cinco oficias. (E.B)
Natal, junho 2006 Nós do RN -7

FOTO :DEMMIS ROUSSOS


Panorama
do interior
Em 1974, quando o campeonato nor-
te-rio-grandense de futebol foi esta-
dualizado, o primeiro time do interior a
disputar com os da capital foi o Potiguar
de Mossoró. Nestes 32 anos, conseguiu
apenas um glorioso título estadual, em
2004, repetindo uma performance só
alcançada por outro time interiorano, o
Corinthians de Caicó, que foi campeão
ABC e
estadual em 2002.
América, no
“Jogamos a final contra o América,
Machadão, o
contra quem vencemos a primeira parti-
maior
da em Mossoró por 4 a 0 e perdemos a
clássico do
segunda, em Natal, por 1 a 0, o que nos
futebol
deu o título por saldo de gols”, lembra
potiguar
José Marques da Costa, representante
do time mossoroense na capital. Em
1999, outro grande momento: a Copa RN/
Ceará ficou com o time mossoroense.
Fruto da fusão entre Esporte Clube
Potiguar e a Sociedade Desportiva de
MOURA NETO de dez títulos consecutivos sob o coman- norte-rio-grandense o seu mais importan- Mossoró, o Potiguar foi fundado em 11
do de Vicente Farache Neto, uma espé- te título regional, a Copa do Nordeste, de fevereiro de 1945 com o nome inicial
cie de “faz-tudo” do clube, atuando como em 1998. A final do torneio foi contra o de Associação Desportiva Potiguar
O primeiro clube de futebol fundado técnico, roupeiro, massagista e tesourei- Vitória da Bahia, que jogava pelo empa- (ADP). Ganhou 22 títulos no campeo-
no Rio Grande do Norte, em 29 de junho ro, concedendo ajuda financeira do seu te. O Machadão estava lotado para ale- nato mossoroense, onde rivaliza com o
de 1915, foi o do ABC. Seu principal ad- próprio bolso aos jogadores numa época gria do torcedor potiguar, que viu o time Baraúnas, time que, aliás, obteve o me-
versário de todos os tempos, o América, em que ainda não existia folha de paga- local vencer com três gols marcados por lhor resultado de uma agremiação nor-
nasceu alguns dias depois, em 14 de ju- mento. Além do decampeonato (1932/ Biro-Biro, Paulinho Kobayashi e Cario- te-rio-grandense na Copa do Brasil, che-
lho do mesmo ano, mas foi quem arre- 1941), Farache ainda seria campeão pelo ca. O América também fez bonito no gando às quartas-de-final em 2005.
batou, quatro anos depois, em 1919, o ABC em 1944, 1945 e 1947. “O ABC Campeonato Brasileiro, entre 1997 e “Pelo Potiguar passaram jogadores
primeiro título do campeonato oficial que passa por um de seus melhores momen- 1998, quando saltou da segunda divisão, espetaculares como Dequinha (tri-cam-
começou a ser disputado na cidade. De tos, vencendo o campeonato do ano pas- como vice-campeão de 1996, para apa- peão pelo Flamengo e que vestiu a ca-
lá para cá, ambos protagonizaram, junto sado e inaugurando o seu próprio está- recer na elite do futebol brasileiro. misa da Seleção Brasileira), Zé Leão,
às respectivas torcidas, os principais lan- dio, o Frasqueirão, na Rota do Sol”, ava- Considerado durante muito tempo Saruê, Julinho, China, René, Nivaldo,
ces dos 91 anos de história do futebol lia o jornalista esportivo Augusto César como a terceira força do futebol potiguar, Altervir, Cícero Ramalho, Batista,
profissional norte-rio-grandense. Gomes. o Alecrim conquistou cinco títulos esta- Maranhão e Odilon, além de uma plêiade
Fundado por um grupo de rapazes que Entre 1919 e 2005, o América conquis- duais (1925,1963,1964,1968 e 1986), dois de grandes nomes do futebol regional”,
se reunia no bairro da Ribeira e que acla- tou 32 títulos estaduais. Durante sete deles invicto - o primeiro e o penúltimo. lembra Lupércio Luiz Azevedo, membro
mou João Emílio Freire, filho do então anos, entre 1959 e 1966, o time alvirrubro Também fundado em 1915, teve uma de da diretoria do clube.
presidente da Associação Comercial, esteve licenciado da Federação Norte- suas melhores fases nos anos 60 do sé- Depois que o Potiguar estreou no cam-
Avelino Freire, para a presidência do clu- Rio-Grandende de Futebol para concen- culo passado, quando ficou conhecido peonato estadual, outros times seguiram
be cujo nome prestava homenagem a um trar esforços na construção da sua sede como o “vingador” do futebol do Rio seus passos. Neste torneio, hoje, há re-
tratado firmado, pouco tempo antes, pela na rua Rodrigues Alves, Tirol. Era no seu Grande do Norte, segundo lembra o pes- presentantes não só de Mossoró, mas de
Argentina, Brasil e Chile, o ABC con- clube social que a sociedade natalense quisador Carlos Alberto N. de Andrade, Caicó, Currais Novos, Assu, Santa Cruz,
quistou, ao longo de nove décadas, o se reunia, nas décadas 70 e 80, em even- por vencer times de outros Estados que Macau, São Gonçalo, Parnamirim, entre
maior número de títulos nos campeona- tos como o carnaval. Para a maioria dos batiam ABC e América. Outra façanha: outros. Por outro lado, ao longo de qua-
tos estaduais, 48 até agora, o que o le- atuais e ex-dirigentes, no entanto, uma pelo esquadrão esmeraldino jogou se um século em que o futebol norte-rio-
vou a figurar no Livro dos Recordes. das melhores fases do time foi entre 1987 Garrincha, em fevereiro de 1968, num grandense faz a alegria, e também a tris-
Além disso, é o único time do país, ao e 1992, quando só não se consagrou cam- amistoso contra o Sport (PE), que ven- teza dos torcedores, alguns clubes, mes-
lado do América Mineiro, a ter conquis- peão em 1990. “Foram cinco títulos bas- ceu por um a zero, no Juvenal Lamartine. mo nanicos, deixaram saudades. É o
tado um decacampeonato. tante festejados”, recorda o conselheiro Garrincha só voltaria a jogar no JL no caso do Riachuelo, Ferroviário e Força
A proeza do alvinegro potiguar come- Jussier Santos. ano seguinte, enfrentando o ABC pelo e Luz, que hoje não passam de registros
çou em 1932, quando iniciou uma série O América conquistou para o futebol Flamengo. na crônica esportiva.
8 - Nós do RN Natal, junho 2006

O refinado escritor Henry James encarava

FOTO: DIVULGAÇÃO
o sucesso, no fundo, na pele de “uma deusa
cadela, de notória infidelidade”. O ingênuo e
resfolegante lateral-esquerdo natalense Ma-
rinho Chagas foi embalado e paparicadamente
assediado pelo sucesso, antes ainda de ser es-
colhido, na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, aos 22 anos,
o melhor jogador do mundo – na sua posição. Reconhecimento
justo e redobrado por uma adicional circunstância de relevo: a
Seleção brasileira, furiosa ao ser descartada da disputa do título
ainda ter de enfrentar o lobby do esquadrão anfitrião e cam-
peão do Mundial, por alinhar entre seus ídolos o lateral-esquer-
do Breitner (deslocado de sua posição para Marinho não ficar
fora da seleção dos melhores do mundo), um jogador de linha-
gem assemelhada ao brasileiro. E a ainda a preterição de joga-
dores do fabuloso carrossel holandês, alucinante em seu fu-
tebol revolucionário - a entontecer e despachar o Brasil na tra-
jetória frustrada ao tetracampeonato CARLOS MORAIS

Marinho, a partir de então, virou um onde Jairzinho, a fera da Copa de 70, num perigoso atacante do que um nem Marinho Chagas
semideus, idolatrado no mundo inteiro, rugia soberano. Mas Marinho ia comportado defensor. Sua vistosa de especulações explicativas para as
passando a cavalgar o sucesso com mostrar que o leão era manso. Aí, habilidade, em que, raramente errava possíveis causas do desregramento e
mais deslumbramento e com uma bastou entrar no templo do futebol para um passe e ainda possuía uma grande do vazio existencial em que se atolou
atração pela frivolidade. Oito Copas domar a platéia – torcedor e imprensa visão de campo e de jogo, poderiam ser (fama, fortuna e mulheres, numa visão
do Mundo depois, muitos acreditam – com a exibição da magia de sua arte, demonstradas. E mais ainda o seu chauvinista, todos em fuga) o nosso
que Marinho, 32 anos mais velho, foi recheada até mesmo de condimentos chute potente, com o pé direito, chama- desventurado ídolo. O garoto branquelo
atropelado no seu empavonamento pelo chaplinianos: a qualidade especial do de “a bomba do Nordeste”. Era, e magricela, nascido quase às margens
sucesso, punido, portanto, por aquela excepcional do controle de bola único, sem dúvida, um dos maiores do lendário Potengi, ficou sarado. Mas
volúvel infidelidade descrita pelo capaz de, numa tarde de domingo, num chutadores do futebol mundial, numa seria atropelado, na seqüência existen-
novelista. Já outra maioria da opinião Maracanã entupido de flamenguistas e época em que chegou mesmo a jogar cial, pela cauda do cometa do sucesso,
pública apedreja o jogador, por julgar botafoguenses, criar uma cena no Fluminense, ao lado de outro que quase o hospedou no hospital da
que ele desfechou um pontapé na bem- antológica no futebol, chapliniana: fenômeno da explosão, Rivelino, o indigência e da desventura.
aventurança e recebeu, em represália, aplicou três “banhos de cuia”, (jogada dotado de uma “patada atômica” - na Mas as retinas dos aficcionados do
a excomunhão da glória e o achaque hoje chamada de “chapéu”: um “drible perna esquerda. futebol imortalizarão os lances de
público em vida. aéreo”, em que o jogador suspende a Essa irreverência nos gramados e magia estético-visual que o ex-lateral
Filosofices, fofoquismos paroquiais e bola por cima do seu adversário e, sem fora dele, chegou a ser comparada a dos grandes clubes do futebol brasileiro
porraloquíce do estabanado Marinho à deixá-la cair no gramado, amortece no outro fenômeno, Garrincha, outro ídolo e da mitológica seleção nos legou.
parte, a verdade é que não se pode pé), uma jogada rara (três, é com quem aparentava uma incrível Instantâneos geniais e sempiternos,
menosprezar e descartar a sacanagem!) de ser vista. Única na semelhança profissional e retinizados na moldura de um cenário
fenomenalidade do talento e do que história do Maracanã. A grandiosidade comportamental. O Chaplin dos grama- de revivescência imorredoura. Porque
Marinho Chagas incorporou, em sua da façanha dobra o encanto, porque dos, filmado em uma música, Balada videoteipizadas em suas artimanhas
fase de glória, para o desrepresentativo executada diante de um ídolo da número 7, que também poderia ter sido cerebrais, através de jogadas maquina-
futebol do Rio Grande do Norte, torcida do Flamengo, o ponta-direita dedicada a Marinho, um ex-craque que das com o talento único de suas pernas
subdesenvolvido e desnutrido em Rogério, a quem cabia dar show em se recusa a aceitar a “traição” da endiabradas, em seu balé de sonhos e
espetáculos futebolísticos e entalado Marinho, que desmoralizava a lógica do deusa-sucesso, com uma incurável dor- delírios, na imponderabilidade de seus
por uma fome de ídolos. O craque receituário do futebol. Merecia uma de-cotovelo pelo “campeonato da dribles e por suas jogadas estonteantes,
natalense, apenas com a magia de seu escultura de bronze. E ninguém mais recordação” e desatento à realidade de nos palcos de futebol, em particular, no
refinamento artístico, elevou o nosso do que a imprensa carioca esculpiu, em que no “vídeo-tape do sonho a história Maracanã. As tardes de domingo
Estado a uma vitrine midiática mundial todas as dimensões, a imagem de acabou”. ficaram, há tempos, para os torcedores
- no mesmo padrão representativo que Marinho, antevendo até seu final torto, A escritora francesa Marguerite cariocas, como na música de Moraes
Pelé catalisou para o Brasil. em réplica, como o de Garrincha. Yourcenar, neófita em futebol, mas Moreira, feita para Zico, ficaram
A bairrista e preconceituosa crônica Uma pena que Marinho tivesse craque no ofício de escrever, marcou insossas, desgraciosas, sem ritmo,
do Rio de Janeiro, inicialmente, ensaiou jogado apenas 33 partidas pela Seleção um de seus gols de placa, no gramado “sem Marinho, no Maracanã”. Para
uma imagem nordestina, de pau-de- brasileira. Um curto período para literário, com uma frase lapidar: “O esses torcedores, Marinho não é
arara, para recepcionar o craque que desfilar ainda mais com sua cota de Tempo, esse grande escultor”. Uma apenas um retrato na parede das
chegava para um ninho de cobras, qualidades em que se transforma mais metáfora de vida que se amolda ao baú marquises dos estádios. Mas ainda dói.
Natal, junho 2006 Nós do RN -9

Criou-se no repertório do futebolês, a seu talento, de


figura do “carregador de piano”, aquele 1950 a 1959.
tipo de jogador que se destaca mais Jogaria, no final de
pela garra, pelo muito fôlego, a provo- sua carreira, no
car nos torcedores a sensação de Campo Grande e,
desfrutar do dom da onipresença. em seguida, pendu-
Permitia, com seu altruísmo, a desen- rava as chuteiras
voltura narcísica do “maestro” para a para seguir no
execução de um repertório mais futebol com a
sublime: servir aos companheiros carreira de treina-
contrapontos de harmonias e dor, conseguindo
virtuosismos, capazes de facilitar a conquistar títulos
chegada ao êxtase do espetáculo, o no Espírito Santo e
supremo afrodisíaco do futebol: o gol. em Aracaju.
Quando chegou ao Flamengo, Ao chegar ao
Dequinha já exibia um fôlego privilegia- Rio de Janeiro, o
do, virtude que, aliada a um apurado recatado Dequinha
preciosismo técnico, quase congênito, vivenciou uma
transformaram-se no combustível época em que o
exigível para o aprimoramento de uma futebol tinha, entre Dequinha, (destaque)
máquina de futebol humanizada: o outros astros, uma primeiro potiguar a
carregador de piano que, durante o grande diva dos vestir a camisa da
espetáculo, conseguia também empu- gramados, o Seleção brasileira em
nhar a batuta de maestro. Daí porque temperamental e 54 na Suíça
se tornou o primeiro norte-rio- genial atacante
grandense a vestir a camisa da Seleção botafoguense Heleno de Freitas,
brasileira, aos 26 anos, com apenas oito craque que entrava no Maracanã clássico, limpo, mas misturado com Flamengo.
jogos, no banco de reserva, na Copa do debaixo do uivante coro de “Gilda, uma fibra espontânea, que o privilegi- Dequinha, além de um
Mundo de 1954, na Suíça; e numa Gilda, Gilda”, estrondeado pela torcida ava cada vez mais entre os fanáticos substancioso patrimônio imobiliário,
temporada do Brasil pela Europa, adversária. Uma referência ao filme rubro-negros. investido em seus ganhos no
ocasião em que participou dos prepara- homônimo, estrelado pela deslumbrante Dequinha foi o único jogador a Flamengo, ainda herdou preciosas
tivos para o bendito Mundial de 1958, Rita Haywoorth (“Nunca houve uma disputar todas as partidas de uma das lições do paraguaio “Don” Fleitas
na Suécia. mulher como Gilda”, propagandeavam maiores glórias exibidas pelo Solich, treinador do tricampeonato,
O mossoroense José Mendonça dos os letreiros hollywoodianos). Uma Flamengo: o lendário tricampeonato conhecido como o “Feiticeiro” e que
Santos, ganharia imortalidade na época em que, um companheiro seu, de 1953-1954-1955, em que seu repassou algumas de suas alquimias
galeria da fama do Flamengo como um crioulão desletrado, enfileirava ataque de sonhos formou, na decisão, futebolísticas, aprendidas por
Dequinha, apelido de infância, em autógrafos com o jamegão de “Doutor com Joel, Dida, Evaristo e Zagalo. E Dequinha, como seu auxiliar-técnico,
Mossoró, e que o acompanharia até o Rubens” (batismo referendado pela o alagoano Dida transformou-se em e usadas na sua carreira de treina-
fim da vida. torcida do Flamengo). O genial carrasco do América e herói do dor.
Iniciou-se no futebol no Atlético de Rubens, afinal, bacharelou-se na vida Flamengo, ao marcar todos os quatro Dequinha, um homem regrado,
Mossoró, na ponta-esquerda. Mas logo por seu peagadeísmo no trato com a gols naquela decisão, de 4 a l. além de não usufruir (ganhou algum
foi deslocado a centro-médio, no meio- “pelota” – excrescência mastigada por Dequinha, já endeusado entre os dinheiro, aplicou em imóveis, mas,
campo (hoje volante), posição que o alguns cronistas esportivos em seu torcedores, entre outras virtudes, desafortunadamente perdeu quase
consagraria na história do futebol destrato com a dama do futebol. especialmente por sua inesquecível tudo), no final da vida, com os
brasileiro. E conquistaria seu primeiro Sem estrelismo, Dequinha se impôs e parceria com o “Doutor Rubens”, ganhos do futebol. Deixou para a sua
título, já em Natal, em 1947, no ABC. conquistou a condição de ídolo da registrada nos anais do futebol como viúva sua aposentaria de funcionário
Levado para o América, do Recife, exigente torcida flamenguista, que o uma das mais impagáveis duplas de público municipal, em Aracaju. Sua
conseguiu carimbar seu passaporte acolheu com a exigível e natural estilistas. Dupla sacramentada ainda morte, quase uma ironia para o
para a fama ao ser embarcado para o deferência. O craque, paralelamente, pelo virtuosismo de uma infinidade de abstêmio craque: cirrose hepática,
Rio de Janeiro, contratado pelo seu também conquistou seus companheiros, jogadas tramadas e que se converti- que o enterrou na capital sergipana,
time de coração, o Flamengo, vitrine do em função de seu futebol objetivo, am, invariavelmente, em gols do em 1997, aos 69 anos.(CM)
10 - Nós do RN Natal, junho 2006
FOTOS:ARQUIVO
feminino. Nos bairros, nas empresas,
Rompendo nas faculdades. Um dos primeiros a
serem fundados foi o Vênus, da Cidade
da Esperança, que sagrou-se campeão
barreiras do Torneio Início do Campeonato
Oficial de Futebol Feminino em 1984,

A
ntes da inauguração do segundo lembra o ex-diretor do time
Machadão não era permitido Juracir Batista de Oliveira. Entre seus
às mulheres freqüentar o Es- adversários estavam o Sociedade
tádio Juvenal Lamartine. Tinha quem não Esportiva Pinheiros, do bairro Nazaré;
se conformasse com esse tipo de discri- União, de Mãe Luíza; Mon Ami, das
minação. É o caso de Maria das Graças Rocas.
de Araújo Bezerra, apelidada Gracinha, A empresa de viação Cidade do Sol
que tornou-se a primeira mulher a fazer colocou seu time em campo e a Droga-
um curso de árbitro pela Federação Nor- rias Guararapes também. Ainda nessa
te-Rio-Grandense de Futebol em 1979. época a Grelern (entidade de classe de
Recebeu o diploma em dezembro daque- funcionários da Telern) promoveu um
le ano, tornando-se a primeira juíza de jogo de futebol de estrelas, reunindo as
futebol no Estado e a terceira no Brasil. moças da SOAT (Setor de Operadoras
À época em que Gracinha foi Anônimas de Telefonia) e as da sede
diplomada, a CBF (Confederação Bra- Cidade do Sol: uma das primeiras equipes do futebol de mulher da empresa. A Faculdade de Farmácia
sileira de Futebol) não autorizava a também teve time de futebol feminino.
escalação, pelas Federações, de mulhe-
res como árbitros. Rompendo parcial-
mente este preconceito machista,
Gracinha foi convidada e apitou jogos.
O brilho do futebol Em 1998, portanto, já existiam 30
times de futebol de campo, oito deles
filiados à Federação Norte-Rio-
Grandense de Futebol. Mais de 660
No interior (em Canguaretama, em jogadoras participaram dos torneios
Goianinha) e em amistosos (já que, en- disputados desde então. Algumas se
tão, não era permitida a atuação de mu- destacaram nacionalmente, e até
lheres em partidas oficiais). internacionalmente, como Suzana, que
Hoje há quatro juízas na Federação saiu de um time local e foi jogar no São
Norte-Rio-Grandense de Futebol. Uma Paulo. Hoje, integra um time na
delas, a patuense Aldeílma Luzia da Sil- Rússia. Outra craque, a centroavante
va, que recebeu seu diploma de árbitra Adriana da Silva Santos, despontou
em 1995, já apitou jogos em outros Esta- como artilheira no campeonato de 1997
dos e foi reconhecida no quadro de árbi- ANCHIETA FERNANDES jogando pelo Morro Branco, fazendo
tros da CBF, tendo tirado nota 10 em 20 gols.
todos os requisitos, quando apitou em Nesta modalidade de esporte femini-
Recife. Se ainda existe algum tipo de precon- no, porém, um nome merece ser
Futsal - Em 1997, foi realizado o pri- ceito contra mulheres jogando futebol, realçado pelo pioneirismo e dedicação
meiro Campeonato Feminino de Futsal saibam que nos primeiros anos do ao que faz: o de Lenira Santiago da
(futebol de salão) do Rio Grande do século passado o comandante Antônio Silva, que começou a jogar com apenas
Norte, no qual se destacaram os times Monteiro Chaves, da Marinha, ex- 9 anos e, hoje, aos 50 anos, mãe de
Albatroz e Amarante. No mesmo ano, dirigente da Escola de Aprendizes uma filha e avó de três netos, ainda
uma equipe universitária de futebol de Marinheiros e capitão dos Portos do joga futebol. Foi ela que lançou o
salão feminino representou o Rio Gran- Estado do Rio Grande do Norte, futebol feminino em sua terra natal,
de do Norte nos Jogos Universitários do chegou a promover competições de Mossoró, nos anos 60. Jogou futebol de
Nordeste em João Pessoa. futebol feminino na praça Pio X. Suas campo e de salão em vários times,
Na capital ou no interior, seja como próprias filhas jogavam nos dois antes de se tornar treinadora de vete-
juíza, jogadora ou treinadora, as mulhe- clubes daquela época, o Centro ranos e menores carentes do Jardim
res do Rio Grande do Norte demonstra- Sportivo Natalense e o ABC, confor- Progresso, que integram o projeto
ram assim sua competência no esporte me anotou Luiz G. M. Bezerra. idealizado por ela mesma, “Futuro de
até então tido como exclusividade dos Na década de 80, em Natal, Natal”. Também é treinadora do ABC
homens. E trouxeram o futebol para os despontaram vários times de futebol da Zona Norte (Sub-17).
novos tempos, onde as equipes femini-
nas mundo afora têm marcado presen- Lenira Santiago: pioneirismo e dedicação ao esporte
ça, inclusive nas Olimpíadas de Atlanta,
em 1996, quando a Seleção Brasileira
feminino, pelo qual começou jogando aos 9 anos e
ficou em 4º lugar. hoje é treinadora
Natal, junho 2006 Nós do RN -11

O
maior colecionador de títulos
de Salão do Estado, Artur
Ferreira de Melo Junior –
Artuzinho – passou a atuar no esporte
em 1957, jogando pelo time do América
de Natal. De lá para cá, foram 20 anos
dedicados ao clube como jogador e 27 FOTO:DEMMIS ROUSSOS

como treinador, com mais de 40 títulos.


Artuzinho ressalta dois nomes impor-
tantes do esporte no RN. “Destaco a
figura de José Cesimar, que trouxe o
esporte para o RN. Eu o considero o
maior jogador de salão de todos os
tempos. Dos anos 80 para cá, o maior
jogador foi o Sílvio”, diz.
O ano de 2005 coroou o Futebol de
Salão como esporte de destaque para
os potiguares. Em conseqüência disso,
alguns jogos, como ABC x América,
chegaram a ter mais público que os
disputados nos gramados. Esse ano
ressaltou a força de diversos times,
além dos já consagrados ABC e Améri-
ca.
Em todas as cidades do Estado hoje
se pratica Futebol de Salão, mas
algumas delas revelam grandes talentos
e seleções. Macau, AABB, Assu, Ceará
Mirim, São Gonçalo do Amarante,
Campestre, são alguns times de desta-
que. O time de São Gonçalo talvez seja
um dos que mais cresceu nos últimos
anos. O apoio ao esporte é uma das
paixões do povo sãogonçalense e uma
das prioridades de administração A torcidade potiguar, em especial a do ABC, lotou o Machadinho, este ano, para vibrar pela equipe alvinegra
municipal, que promove o campeonato futebol de salão chegou ao Rio Grande do Norte pelos pés do primeiro primeiro Campeonato Brasileiro,
municipal com cerca de 28 equipes. grande jogador que o Estado teve. José Cesimar Borges trouxe o esporte realizado de dois em dois anos. Os
Boa fase - O Futsal do ABC voltou a
do Ceará, onde jogou o campeonato estadual e conseguiu fazer 54 gols, times eram divididos por regiões e,
ser destaque em 2005, após 14 anos sem
uma marca até hoje não superada. Cesimar trouxe o time cearense Vargas desde então, o RN tem se destacado
levantar um troféu. O trabalho de
resgate do esporte no clube começou a
Filho para disputar duas partidas em Mossoró, nos dias 31 de março e 1º de por seu futebol de ponta, conquistando
ser executado pelo jornalista Rubens abril de 1956. O time cearense venceu o primeiro jogo contra o Potiguar os primeiros campeonatos do Nordeste
Lemos Filho, no final de 2004, com o por 6 x 4. No dia da segunda partida, uma forte chuva inundou a cidade e, em 1961, 1963 e 1965.
propósito de retomar a hegemonia assim, o jogo só ocorreu um mês depois, com nova vitória do Vargas Filho, Nesses anos o Estado conquistou a
alvinegra. Até então, a modalidade era dessa vez por 7 x 5, contra o Olímpico. terceira colocação no Campeonato
dominada pelo principal rival, o Améri- Brasileiro. Em 1968, a Taça Brasil de
ca. Valeu o trabalho. O ABC ganhou a Futebol de Salão também passou a ser
Copa TV Cabugi e o Campeonato Em 1956, o Estado possuía alguns Esporte Clube de Natal, entre outros, disputada.
Norte-Rio-Grandense de Futsal no ano times de salão, mas o esporte era se filiaram à Federação e, a partir daí, O Campeonato Brasileiro de Sele-
passado. Foi ainda vice-campeão da praticado de forma tímida e desorgani- se organizou o campeonato estadual. ções e a Taça Brasil de Futebol de
Liga Nordeste, em 2005, e vice-campeão zada. Nesse período, aconteceu a Taça Hoje, a Federação funciona no Salão são disputadas até hoje pelos
da Taça Brasil em 2006.
Cidade Natal, com o campeonato Machadinho, com a presidência de times do país. O primeiro é disputado a
Esse ano, como o time do América
conquistado pelo time Bola Preta. Clóvis Gomes. cada dois anos pelas seleções de cada
não está participando do campeonato,
por falta de patrocínio, a disputa do Então, no dia 31 de outubro de 1957, De 1957 para cá foram realizados 49 Estado. Já a segunda competição, que
Futsal pode não ser acirrada como os foi fundada a Federação Norte-Rio- campeonatos. Nesses quase 50 anos, o ocorre anualmente, é disputada pelos
anos anteriores. A diretoria da Facex Grandense de Futebol de Salão, com Futebol de Salão viveu momentos de clubes campeões de cada Estado. As
achou que não tinha condições de sede no Ginásio Sílvio Pedrosa. Clubes glória e de dificuldades. Dois anos após disputas estaduais ocorrem através do
concorrer com o patrocínio que o time como América, ABC, Alecrim, Assem, a fundação da Federação de Futebol Campeonato Estadual, Copa Multi TV
do ABC recebe. (CX) Centro Náutico Potengi, Bola Preta, de Salão do Estado, aconteceu o e Campeonato Norte-Rio-Grandense.
12 - Nós do RN Natal, junho 2006
FOTOS: ARQUIVO
ROSA LÚCIA ANDRADE parque aquático, jardins e estacionamento.
Djalma Maranhão assumiu a Prefeitura
de Natal, cercou a área, construiu um
barracão de alvenaria, mas foi cassado
O torcedor potiguar sempre aprovou
pelo regime militar. Agnelo Alves e Ernani
as campanhas em favor da construção
da Silveira assumiram como prefeito e
de praças esportivas. Desde a primeira
vice. Quando a obra estava com um terço
grande obra dentro deste segmento em
do total pronta, o prefeito também foi
Natal, o antigo Estádio Juvenal
cassado. “Estava num estágio que não se
Lamartine, no final dos anos 20, até a
podia mais recuar”, afirma Moacyr
construção do atual Estádio João
Gomes, acrescentando que o terceiro
Cláudio Machado, o Machadão, inicia-
prefeito envolvido na obra, Ubiratan
da em 1967 e concluída em 1972,
Galvão, entregaria o cargo mais tarde e, Machadinho: construído na gestão de Wilma de Faria
período em que dois prefeitos foram
assim, a obra seria paralisada novamente.
cassados (Djalma Maranhão e Agnelo
Governo do Estado e Prefeitura se
Alves) e um terceiro renunciou o
uniram, nas figuras de Cortez Pereira e
mandato (Ubiratan Galvão).
Jorge Ivan Cascudo, para concluir a obra
Nos anos 20 do século passado,
em 10 meses, garantindo a realização, em
Natal possuía 30 mil habitantes e tinha
Natal, de uma das etapas da Mini-Copa do
a necessidade de um estádio para
Mundo em 1972. Em 04 de junho daquele
abolir os jogos em campos de areia,
ano, ao abrir os portões às 13h30, o
sem arquibancada. Havia apenas
Estádio “Castelão” lotou. O jogo principal
quatro clubes filiados à antiga Liga de
foi da Seleção Olímpica Brasileira e o
Desportos Terrestres: ABC, América,
Vasco da Gama, terminando empatado,
Alecrim e Paysandu. Com o terreno do
sem gols. Em 1989, passado o regime
Tirol comprado pelo Governo do
militar, o estádio recebe o nome de João
Estado, o governador Juvenal
Cláudio Machado, homenageando um
Lamartine trouxe do Rio de Janeiro o
entusiasta do projeto.
arquiteto potiguar Clodoaldo Caldas
Frasqueirão – O primeiro time potiguar
para fazer o projeto. Em seis meses o
a construir seu próprio estádio foi o ABC,
estádio, que levou seu nome, foi con-
que inaugurou em janeiro deste ano o
cluído.
Maria Lamas Farache, mais popularmente Juvenal Lamartine: primeiro estádio do Estádo
Tinha capacidade para 600 pessoas
chamado de Frasqueirão, com capacidade
sentadas e mais 3.000 em pé na geral.
inicial para receber 14 mil espectadores,
No jogo inaugural, em 28 de outubro de
1928, o ABC venceu por 5 a 2 o Cabo
Branco (PB). Com o passar dos anos,
o estádio do Tirol ficou pequeno para
mas que pode chegar a 24 mil. O estádio
ocupa uma área de 25 mil metros quadra-
dos, de um total de 110 mil metros quadra-
Do Palácio dos Esportes
dos destinados à Vila Olímpica do clube, na Rota do
abrigar os torcedores. Um grupo de
esportistas, formado por Moacyr
Gomes, arquiteto recém-chegado do
Sol. O projeto do arquiteto Gley Karlys prevê ainda
uma área comercial, alojamento de atletas e campo
para treinamento. Tudo isso para euforia da torcida
ao Machadinho
Rio de Janeiro, João Machado,
alvinegra.
Humberto Nesi, Ernani da Silveira e As praças de esporte amador da cidade também mar-
Luís G. M. Bezerra, procurou o gover- caram época. O Ginásio Djalma Maranhão (Palácio dos
nador Dinarte Mariz para pedir a
doação de um terreno destinado à Curiosidades Esportes), inaugurado em 1963, pelo prefeito Djalma
Maranhão, foi o primeiro ginásio público e fechado da
construção de um estádio maior. oje o Rio Grande do Norte conta com 11 estádios cidade. Suas linhas modernas chamaram a atenção da
“A localização era a mesma onde
está o estádio hoje”, conta o arquiteto
Moacyr Gomes da Costa, 78, autor do
H aprovados pela Federação Norte-Rio-Grandense
de Futebol para a realização do campeonato esta-
população. Os desportistas chegam a afirmar que a his-
tória do esporte amador, em Natal, está dividida em dois
pontos: antes e depois do Palácio dos Esportes.
dual em nove municípios: João Cláudio Machado,
projeto do então Estádio Humberto de “Machadão”, em Natal; Maria Lamas Farache, Reconhecida como uma das praças mais avançadas
Alencar Castelo Branco, o Castelão. O “Frasqueirão”, em Natal; Professor Leonardo No- do Nordeste, foi palco de jogos importantes, como os do
terreno foi doado em novembro de gueira, em Mossoró; Deputado Iberê Ferreira de Campeonato Brasileiro de Futebol de Salão, em 1965.
1960 à Federação Norte-Rio- Souza, em Santa Cruz; Senador Dinarte Mariz, em Ocorre que com o crescimento da cidade, o maior giná-
Grandense de Desportos: uma área Caicó; Tenente Luiz Gonzaga, em Parnamirim; Mu- sio da cidade passou a não comportar mais as torcidas.
total de 170.759 metros quadrados. nicipal em Senador Elói de Souza; Edgar A então prefeita Wilma de Faria inaugurou, em 30 de
Começou então a luta gigantesca pela Montenegro, em Assu; Coronel José Bezerra, em dezembro de 1992, o ginásio Humberto Nesi, conhecido
construção do estádio, deixando de Currais Novos; Municipal em Guamaré; Walter como Machadinho, por fazer parte do antigo projeto de
lado o projeto inicial de um complexo Bichão, em Macau. complexo esportivo no largo do Machadão. Tem capaci-
esportivo, composto ainda por ginásio, dade para 10 mil pessoas.
Natal, junho 2006 Nós do RN -13

FOTOS: DIVULGAÇÃO
CARLA XAVIER

Até pouco tempo, no Rio Grande do


Norte, se contava nos dedos o número
de adeptos, mas a Corrida de Aventura
tem atraído cada vez mais praticantes,
sejam curiosos, iniciantes, amantes de
uma boa caminhada ou corredores ex-
perientes. Esse esporte reúne pessoas de
todas as idades e sexo, dispostas em gru-
pos, com o objetivo de cumprir as tare-
fas determinadas no menor tempo pos-
sível.
A Corrida de Aventura não proporcio-
na apenas os benefícios provenientes de
uma caminhada, como também faz com Atletas experientes e
que seus participantes vivam momentos novatos participam das
de emoção, onde a superação de limites,
a determinação, o senso de orientação,
provas: muitas emoções
Um esporte
o preparo físico, o espírito de equipe e a vaga para grande final em São Paulo. A rido em janeiro de 2006, na praia de Santa para todos
diversão são alguns dos sentimentos que competição, com 76 Km de percurso, Rita. “Essa foi uma prova simples e di-
comandam o momento. É um esporte que levou para Serra Negra a imprensa na- vertida, voltada para todo tipo de atleta, Simples praticantes de caminhada, cu-
reúne profissionalismo, incentivo à qua- cional – TV Globo, ESPN Brasil, além que contou com a participação de mais riosos ou atletas profissionais. Não im-
lidade de vida e integração entre os cor- de revistas especializadas. de 40 duplas, que percorreram cerca de porta, a Corrida de Aventura é um es-
redores, sejam amigos, parentes ou com- Organização – Comandada pelo em- 4 Km pelas dunas de Genipabu”, diz. porte que pode ser praticado por todos.
panheiros de trabalho. presário e praticante do esporte Ronaldo Outra prova importante, o III Desafio A realização de pequenas provas, com-
As provas realizadas no Estado vari- Bueno, a empresa Adventuremania hoje Visconde de Taunay, realizado em par- postas por caminhada e brincadeiras; ou
am desde grandes corridas, voltadas para é responsável pela organização da mai- ceria com o Exército, no final de abril, grandes provas, voltadas para atletas
atletas experientes – que envolvem, além oria das provas realizadas no RN, inclu- envolveu a participação de atletas profissionais, têm sido uma prática inten-
da prática do trekking (caminhada), indo o Circuito Tryon. O empresário afir- inexperientes e profissionais em três ca- sa no RN.
mountain bike (bicicleta), travessias a ma que 2006 será de total consolidação tegorias. Dessas provas destacam-se vários ta-
nado, rapel e canoagem – divididos em deste esporte no Estado, para o qual é A consolidação da Corrida de Aventu- lentos. Tanto nas competições de menor
quartetos que geralmente são mistos; até preciso manter a qualidade das provas. ra no RN tem gerado também o desen- porte, quando atletas com mais de 70 anos
pequenas provas de trekking, que con- A Adventuremania, com sede no volvimento do turismo ecológico, voltan- ou crianças com 7 concluem o percurso;
tam também com a participação de cor- Midway Mall, tem realizado periodica- do os olhos da mídia e de empresas para ou nas competições profissionais, que
redores inexperientes, divididos em du- mente eventos relacionados a esse es- algumas regiões do Estado, uma vez que têm levado atletas norte-rio-grandenses
plas, com idades variando entre os 8 e porte, como foi o Desafio Ápice Acade- os competidores são levados a desbra- para competições nacionais.
80 anos, o que demonstra que esta práti- mia, que trabalhou o sentimento de su- var locais remotos, muitas vezes desco- O atleta Cid Barbosa, que fez parte da
ca esportiva é para todos. peração de seus participantes. Os ins- nhecidos da maioria das pessoas, com equipe 4 x 4, vencedora da última etapa
Sejam pequenas ou grandes competi- critos no desafio, durante uma hora, fi- belezas naturais deslumbrantes. O es- do Circuito Tryon Adventure Meeting,
ções, as corridas realizadas no RN têm zeram exercícios na esteira e bicicleta porte e o turismo de aventura explodem em Serra Negra do Norte, credita sua
atraído competidores de todo país, uma ergométrica na tentativa de estabelecer em todo país, e em nosso estado. Só vitória a dedicação que tem pelo espor-
vez que o Estado hoje compõe uma das recordes. quem participa desse tipo de esporte é te. “Estou treinando forte para disputar
etapas do Circuito Nacional Tryon Ronaldo explica que a prova do cres- capaz de entender os momentos mági- várias competições nacionais e interna-
Adventure Meeting. Em novembro de cimento desse esporte no Estado é a cos de integração com a natureza, práti- cionais e estou buscando patrocinadores
2005, Serra Negra do Norte, no Seridó quantidade de participantes nas provas ca esportiva, profissionalismo e seguran- e investidores para que possa ter condi-
norte-rio-grandense, foi cenário da eta- que a empresa tem realizado, com des- ça que compõem uma Corrida de Aven- ções de competir em todas essas pro-
pa decisiva desse circuito. A prova valia taque para o Globo Cell Adventure, ocor- tura. vas”, ressalta.
14 - Nós do RN Natal, junho 2006

Revelar talentos para o mundo do


esporte também faz parte da natureza
dos Jern’s. Nestes 36 anos de jogos
escolares não foram poucos os atletas
que suaram a camisa de sua escola na
FOTO :DIVULGAÇÃO competição, superando os próprios
PAULO JORGE DUMARESQ limites físicos e alcançando tempos
depois fama e prestígio mundiais.
A atacante de voleibol, Virna Dantas,
é dos grandes destaques dos Jern’s em
Educação, cultura e saúde. Não há todos os tempos. Seus 1,85m, o talento
como dissociar essa tríade dos Jogos e a garra dentro de quadra capacitaram-
na a disputar três Olimpíadas. Com o
Escolares do Rio Grande do Norte apoio entusiasmado de Ana Dalva
(Jern’s). O paradigma grego de com- Barreto, Virna debuta nos Jern’s em
petição esportiva voltada para desen- 1982, com 13 anos, pela equipe de
voleibol do Instituto Maria Auxiliadora.
volver as habilidades físicas e a auto- Depois joga pelo Colégio Marista,
afirmação de uma civilização notável antes de se transferir para o Bradesco,
do mundo ocidental cabe como luvas do Rio de Janeiro, referência do vôlei
nas mãos dos estudantes atletas da nacional na época. Hoje, aos 34 anos,
exercita sua capacidade técnica no
nação potiguar. Renovados pelo tempo, vôlei de areia, preparando-se para
os Jern’s chegam ao ano de 2006 tentar vaga nos Jogos Pan-americanos
trazendo conquistas, recordações e de 2007, no Rio, e nas Olimpíadas de
Pequim, em 2008.
muitos desafios. O maior deles é o de A atleta referência dos Jogos
congregar 30 mil esportistas, com idade Escolares do Rio Grande do Norte é
máxima de 18 anos, num ambiente de das pistas e conta hoje com 42 anos.
paz, harmonia e respeito mútuo. Vicente Lenilson de Trata-se de Maria Magnólia
Lima: cria dos Jern’s, Figueiredo. A “senhora Jern’s” con-
A paternidade dos Jern’s é do profes- conquistou medalha de quistou 19 medalhas e estabeleceu
sor de Educação Física da antiga prata em Sydney recordes nos 100m, 200m e 400m rasos,
Secretaria Estadual de Educação, Coordenadoria de Desportos (Codesp), participando da competição entre 1975
e 1981. Tanto sucesso não surpreende.
Sebastião Cunha. Foi dele a iniciativa da Secretaria Estadual de Educação, Na era Magnólia Figueiredo poucos
de criar novo departamento dentro da da Cultura e dos Desportos (SECD), cerca de dez mil visitantes têm a conseguiram fazer frente à filha do
secretaria e de enviar ofício para basta se ater à implantação dos Fóruns garantia de alojamento no Caic de vento. A caminhada da medalhista nos
Jern´s começou pelo Complexo Escolar
aprovação na Assembléia Legislativa. de Educação Física, visando aprimorar Lagoa Nova e nas escolas estaduais. Sebastião Fernandes de Oliveira, em
Desse modo, surge o Departamento de o conhecimento específico dos profissi- Há também a possibilidade do Exército 1975 e 1976. De 1977 a 1980, defendeu
Educação Física e Desportos, o DED, onais tanto da capital como do interior Brasileiro alojar parte das delegações. o Colégio Estadual Winston Churchill.
que propicia em 1970 a transformação em função de um melhor desempenho No ano seguinte, em 1981, vestiu a
“A Codesp vai dar ajuda para o trans- camisa do Colégio e Curso Hipócrates.
dos remotos Jogos Ginasiais em Jogos na sua prática escolar. Só neste ano já porte e a alimentação”, informa a ex- Vicente Lenilson de Lima é outra cria
Estudantis, os atuais Jern’s. são seis fóruns e mais cinco ainda por treinadora de voleibol. dos Jern’s e orgulho do Rio Grande do
Dribladas algumas dificuldades, a realizar. “A idéia é capacitar e incenti- Se só Deus é perfeição, exigir Norte. Não obstante ter conquistado a
medalha de prata nos Jogos de Sydney
primeira edição dos jogos conta com 18 var os professores de educação física, excelência nos Jern’s chega a ser (2000), o ouro nos Jogos Pan-america-
escolas participantes, 2.000 atletas e como também os gestores das escolas. pecado. A maior preocupação da nos de Santo Domingo (2003) e a prata
nove modalidades em disputa: atletis- Com esse trabalho, o nível técnico dos Codesp relativa à realização dos 36º no Campeonato Mundial de Paris
mo, basquetebol, handebol, voleibol, (2003), o currais-novense não esquece
jogos e dos atletas tem subido”, come- Jern’s é com a briga de torcidas. Para as várias medalhas de ouro que
futebol de campo, futebol de salão, mora Ana Dalva Barreto, atual coorde- tentar limpar essa mácula dos jogos, a colecionou nos Jern’s, em 1994 e 1995,
natação, tênis de mesa e xadrez. O nadora dos Jern’s. coordenadoria está agindo para evitar correndo pela Escola Estadual Tristão
desfile de abertura percorre as ruas de Conta que antes da realização dos de Barros. Hoje, o sonho do velocista
conflito entre torcedores. Nunca se da Brasil Telecom é disputar os Jogos
Natal até o Estádio Juvenal Lamartine. jogos propriamente estão previstas sabe quando a corda arrebenta. Acau- Olímpicos de Pequim, em 2008.
A realização acontece no período de 12 para acontecer oito etapas regionais telando-se, a Codesp realizou no último Completam o quadro de celebridades
a 13 de setembro. De 1970 para cá, os classificatórias no interior do Estado, dia 14 de junho, no auditório Angélica dos Jern’s, o jogador de futebol
Matuzalém, atleta do Shakhtar
Jern’s têm dado salto qualitativo habilitando-se para a disputa em Natal Moura, da SECD, reunião com a Donetsk, time de futebol da Ucrânia; o
sempre batendo os próprios recordes. os primeiros colocados de cada modali- Promotoria da Infância e da Juventude, surfista Danilo Costa, integrante do
Em 2006, a 36a edição dos jogos está dade. As regionais começam agora em Polícia Militar e gestores de escolas, SuperSurf, e as atletas de vôlei Juliana
prevista para ocorrer entre 13 e 24 de Felisberta, campeã do Circuito Mundial
junho, em Apodi e Umarizal. João para discutir medidas preventivas, de Vôlei de Praia de 2005, e Amanda
outubro, reunindo 45 escolas (estadu- Câmara, Nova Cruz e Pau dos Ferros objetivando coibir possíveis futuras Juliana, campeã mundial infanto-juvenil
ais, municipais e particulares) e 32 disputam as classificatórias em julho. brigas entre torcidas. “Nós estamos com a seleção brasileira, em Macau, na
modalidades. No mês de agosto, é a vez de Currais tentando melhorar a abertura dos jogos China. No momento, Amanda atua pelo
Rexona-Ades, do Rio de Janeiro.
Século XXI - Para se ter idéia de Novos e Caicó. Quando entrar setem- no Machadão e, para isso, a torcida
como os Jern’s são levados a sério pela bro, Mossoró abraça as regionais. Os tem papel fundamental”, argumenta.
Natal, junho 2006 Nós do RN -15

Em que pese a falta de divulgação, os Jurn’s


continuam firmes e fortes. Disputaram a 50a
FOTO :DIVULGAÇÃO edição dos Jogos Universitários do Rio Gran-
Se o planeta terra é redondo a prin- de do Norte, no presente ano, as Institui-
cipal estrela do esporte coletivo – a bola ções de Ensino Superior UFRN, UERN, UnP,
Cenec, Facex, Farn, FAl, Faculdade Câmara
- não podia fugir à regra. Trabalhar com Cascudo, Faculdade Católica Neves, Facul-
a bola foi o ofício de Carlos Eduardo dade Mater Christi e a Universidade do Vale
Câmara Nunes do Nascimento, o do Acaraú. Também solicitaram ingresso nos
Dadau, levantador do voleibol norte-rio- Jurn’s, o Cefet e a Academia de Polícia Mili-
tar.
grandense. Atualmente, com 50 anos Em 2006, os jogos transcorreram num cli-
de idade e corpo de 20, Dadau lembra ma de absoluta tranqüilidade, mas não hou-
com regozijo dos Jogos Universitários ve repercussão na imprensa. Foram disputa-
do Rio Grande do Norte (Jurn’s) e de das oito modalidades, com a participação de
480 atletas, 76 árbitros, 8 coordenadores de
seu correspondente nacional, os Jub’s. modalidades e 11 pessoas no apoio técnico.
Ele guarda na memória as oito par- As modalidades individuais restringiram-se
ticipações nos Jurn’s – a primeira foi a atletismo, natação, judô e xadrez, enquanto
em 1976 - e as sete nos Jub’s. Do alto que as coletivas limitaram-se a basquetebol,
futsal, handebol e voleibol. O grande desta-
de sua experiência, Dadau relata que que da competição foi a nadadora Gisele
nos anos 70 e 80 havia mais empenho Morais, também medalhista nacional. Outro
dos atletas em participar dos jogos uni- atleta que fez bonito foi o judoca Fernando
versitários. Hoje, segundo o levantador Antônio, o Macaibinha. A Universidade
aposentado, a falta de compromisso dos Potiguar sagrou-se campeã geral dos Jurn’s
2006.
atletas depõe contra os jogos, porque Ainda neste ano, a FNDU vai abrir os cam-
não há incentivo nem estímulo. Os es- peonatos estaduais regulares das modalida-
tudantes pagam para participar das des coletivas e individuais, estabelecendo
As competições entre parceria com as federações especializadas,
competições. “Eu vejo falta de interes- universitários já que são órgãos gestores esportivos. A meta
se e de participação efetiva dos atle- para 2007 é a criação da subsede na cidade
reveleram grandes
tas”, lamenta. Federal do Rio Grande do Norte subsi- de Mossoró. O processo encontra-se em fase
Em contrapartida, assinala que os jo- talentos do esporte diou a federação. “Foi uma parceria eter- adiantada. É idéia de Roberto Cabral
gadores hoje são mais altos e mais for- amador e profissional na”, assinala o atual presidente da incrementar a parte cultural dos Jurn’s, reali-
zando feira de livros e espetáculos de dança
tes fisicamente. Realidade distinta de FNDU, Roberto Cabral. e teatro. A efetivação do Fórum do Desporto
sua época de atleta. Nas três oportuni- Há 12 anos no cargo, observa que até Universitário do RN está igualmente nos pla-
dades em que Natal sediou os Jub’s, dade e da boa imagem de Natal não cum- 1999 os Jub’s eram disputados pelas se- nos da FNDU.
Dadau marcou presença em duas: 1977 priu a promessa. leções de cada Estado. A partir do ano Participações - A história de sucesso do
Rio Grande do Norte nos Jub’s começa a ser
e 1984. A outra foi em 1999. Em 1977, Ainda em 1977, Dadau foi seleciona- 2000, os jogos deixaram de ser Jub’s de
contada em 1966, com o primeiro lugar de
o voleibol masculino do Rio Grande do do, com mais 27 atletas, para a seleção seleções passando a Jub’s de instituições. Inês Rocha, no tênis de mesa feminino. Em
Norte ficou em quarto lugar. brasileira de voleibol universitária, mas Ou seja, hoje a disputa é entre as univer- 1971, em Porto Alegre, novamente a equipe
Em 1984, o time começou vencendo não chegou a ser convocado. Irmão de sidades. Na visão de Cabral, a mudança de tênis de mesa feminino brilha, conquis-
os seus adversários, mas esbarrou na Alexandre Frederico, o Dida, e de Paulo foi excelente, uma vez que tirou a obri- tando a terceira colocação. No ano seguinte,
a disputa ocorre em Fortaleza e a presença
forte seleção de São Paulo numa quar- César, dois outros jogadores que troca- gação da FNDU de garantir deslocamen- dos universitários do Estado é marcada pela
ta-de-final. Desse jogo ele se recorda ram o basquete pelo voleibol, Dadau sen- tos e uniformes, afora a responsabilida- conquista de outro terceiro lugar. Dessa vez,
de dois episódios pitorescos. O primei- te falta hoje de uma maior integração de disciplinar e organizacional. Por ou- quem luta pelo título é a equipe de futebol de
ro diz respeito ao técnico Jorge Moura entre os atletas tanto nos Jurn’s como tro lado, ele ressalva que a mudança efe- salão.
O mesmo futebol de salão, em 1974, agora
que reuniu o time e disse que a equipe nos Jub’s. “Eu mantenho relação de tuada pela Confederação Brasileira do em Belém do Pará, praticamente repete o re-
do Sudeste não era alta nem forte tec- amizade até hoje com os meus antigos Desporto Universitário (CBDU) acabou sultado. Volta em quarto lugar. Em 1975,
nicamente. Pelo delírio de Moura, o Rio amigos atletas”, revela o atual coorde- com a rivalidade entre os Estados e o Maceió sedia os Jub’s. Entre as equipes do
Grande do Norte tomou um “chocola- nador do Departamento de Desporto da nível técnico caiu. Na atual conjuntura, Rio Grande do Norte revela-se a de xadrez,
com destaque para o atleta Máximo Valério
te” amargo de São Paulo. O segundo Secretaria de Esporte e Lazer (SEL). os jogos passaram a se chamar Olimpía- Macedo, que conquista o vice-campeonato,
caso refere-se ao atacante Fred que Mudanças - Perto de completar 50 das Universitárias - Jub’s. “A grande posição que mantém no ano seguinte, em
levou dois ovos e uma tesoura para o anos, a Federação Norte-Rio-Grandense mudança nos Jub’s foi passar de Centro Belo Horizonte. A equipe de atletismo ainda
jogo, ameaçando cortar a rede de vôlei do Desporto Universitário (FNDU) – Acadêmico para Instituição de Ensino consegue um quarto lugar no salto triplo. Isto
com a tesoura e jogar os ovos na qua- fundada em outubro de 1956 – passa por Superior. A própria FNDU está passan- sem contar as destacadas conquistas de
Maria Magnólia Figueiredo, que honra e leva
dra, caso o Rio Grande do Norte esti- mudanças para se adaptar aos novos tem- do por uma reestruturação para se ade- às últimas conseqüências a condição de atleta
vesse perdendo. Para o bem da civili- pos. Durante 40 anos, a Universidade quar aos novos tempos”, declara. olímpica norte-rio-grandense. (PJD)
Epopéia do remo

E ra uma manhã de sol de um


distante dia de 1936. Um
grupo de amigos con-
versava na praia da Redinha,
olhando os raios de sol sobre o
espera, temia-se que os nossos
remadores estivessem desmo-
tivados, e não mais acalentassem o
desejo que havia animado a todos.
Eis que ressurgiram novos contatos
deixando a barra. Uma ligeira
parada, braços se ergueram e as
mãos saudosas acenaram. De agora
em diante, tudo era mistério,
aventura, céu e mar e o vigor dos
do Norte II saiu de Atalaia
rumo a Salvador. Enfrentando
temporais e todos o perigos
possíveis os remadores fizeram o
percurso até Salvador, onde
encontro das águas do rio Potengi e tudo cresceu, tomou vulto de tal braços para vencer a imensidão das receberam medalhas de ouro da
com o Oceano Atlântico. Alguém forma que os primeiro águas”. Câmara Municipal.
de repente soltou a idéia: por que companheiros de Ricardo da Cruz Remaram até Pirangi, Baia da Depois seguiram para Vitória,
não fazer uma viagem de remo de chegaram a Natal”. Eram eles: Traição, na Paraíba (onde um avião Espírito Santo, aonde chegaram no
Natal ao Rio de Janeiro. Natal Antonio de Souza, de Areia Branca; da Cruzeiro do Sul, com o deputado início da noite do dia 5 de abril de
contava então com alguns dos Luiz Enéas, de Natal; Walter Dix-Huit Rosado a bordo, lhes 1953. Foram recebidos com festa.
melhores e mais valentes Fernandes, de Natal, Oscar Simões, atirou jornais e cigarros e uma Partiram de Vitória no dia 11 de
remadores do Brasil. O sonho do Amazonas; Clodoaldo Bakker, mensagem de saudação), Cabedelo, abril. “Rumando em direção à
passou a ocupar a mente daqueles de Natal e Francisco Madureira, de Recife (onde avistaram tubarões no entrada da Barra lá estavam à
homens até esbarrar na burocracia Natal. cabo de Santo Agostinho), São José espera os navios de guerra Graúna
do Ministério da Marinha. Mas Primeiro é preciso entrar no da Coroa Grande (AL), Maragogi e Guajará, entrando no canal o
depois de alguns anos, o sonho clima da partida. “Na manhã do dia (AL), até chegar em Aracaju, onde o acompanhamento tornou-se
voltou a crescer. No dia 30 de 30 de março de 1952, a cidade pior estava por vir. grande com a presença dos barcos
março de 1952, um grupo de amanheceu em festa, no cais do Depois de saírem de Aracaju os de regatas do Vasco da Gama,
quatro remadores, chefiados por porto, na Tavares de Lira, pedra do remadores enfrentaram uma série de internacional de regatas”. Os
Ricardo da Cruz, colocou a iole Rosário, canto do mangue e Rampa, ondas fortes que provocou o remadores foram recebidos com
Rio Grande do Norte nas águas e bandeiras tremulavam, lenços naufrágio da iole. Com muito pompas e circunstância no Rio de
seguiu rumo ao Rio de Janeiro. acenavam, foguetões pipocavam, a esforço nadaram até a praia e Janeiro, receberam prêmios e
Essa história pode ser encontrada margem do rio era uma só festa”. O ficaram esperando socorro. Os homenagens. A BBC de Londres
em detalhes no livro Heróis do que se segue é um relato de plena remadores voltaram para Natal e considerou a aventura como “o
Remo, História do Raid Natal-Rio aventura. “Eram 8:40 da manhã, a foram recebidos com festa. Mas o maior feito náutico do mundo”,
de Janeiro, de João Alfredo, edição chuva deu lugar a um sol brilhante, raid não terminara. Uma nova iole segundo João Alfredo. Este relato
Clima, 1987. dourando a crista das ondas. O mar foi construída e no dia 19 de bem que merecia virar um
“Tendo em vista a longa estava calmo, a iole virou a proa fevereiro de 1953 a iole Rio Grande romance potiguar. (CS)