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Universidade Federal de São Carlos

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde CCBS


Departamento de​ ​Terapia Ocupacional​ - DTO
Identidades, Sujeitos e Sociedade

Concepções de Sujeito

Docente: Prof.ªDr.ª Isabela Ap. de Oliveira Lussi

Discente:​ ​Caroline Cristina Bruno RA:636657

São Carlos
2018
Concepções de Sujeito

● Para a Filosofia: ​O primeiro significado de sujeito que aparece na filosofia antiga


foi dado por Aristóteles e diz que sujeito é o objeto real ao qual atribuímos predicados
(como quantidade e qualidade). A concepção aristotélica é utilizada, ainda hoje, na
gramática.
Já para Kant, sujeito é entendido como o ​eu​, na medida em que os
pensamentos do ​eu ​lhe são inerentes como predicados. Na tradição pós-Kantiana, o ​eu
é entendido como o sujeito absoluto, que não tem nada de comum com os seres da
natureza.
Hegel define o sujeito como a atividade da satisfação dos impulsos, que traduz a
subjetividade do conteúdo, é a racionalidade formal. Enquanto Schopenhauer insistia
na impossibilidade de se representar o sujeito, visto que ele é aquilo que tudo conhece,
mas que não é conhecido.
Ainda no campo filosófico, Heidegger entende o sujeito a partir de sua relação
com o mundo, o que ele chama de transcendência, ou seja, ser sujeito é ser existente
na transcendência e enquanto transcendência.
Podemos dizer, de forma geral, que o sujeito é entendido como o próprio
homem, enquanto fundamento de seus pensamentos e atos.

​ sujeito é visto como o sujeito histórico e há duas


● Para as Ciências Sociais: o
teses fundamentais acerca deste termo. A tese tradicional entende o indivíduo como o
sujeito, enquanto que a história é uma soma de vontades livres e individuais.
A segunda tese entende o grupo como o sujeito. Foi a partir de uma versão do
Marxismo que as classes sociais obtiveram a condição de sujeito histórico.
Podemos dizer que as concepções de sujeito como indivíduo ou como grupo se
revezaram através do tempo e também convergiram em determinados momentos, de
acordo com os períodos históricos.
● Para a Psicologia: ​segundo a Psicanálise, sujeito pode ser utilizado para indicar
ora um indivíduo (alguém que observa os outros e é observado por eles), ora uma
instância com a qual se relaciona um predicado ou um atributo.
Lacan conceitua o termo, transformando o sujeito da consciência no sujeito do
inconsciente, da ciência e do desejo. O autor ainda relaciona sujeito com o termo
significante, dizendo que significante será aquele que representar o sujeito para outro
significante, sendo que o sujeito está submetido ao processo de clivagem (divisão) do
eu.

● Para a Neurociência: ​o sujeito é entendido a partir da noção da ausência de


substância, ou seja, não há uma ideia de unidade. O sujeito é na realidade, uma
composição de identidades, que se dá na linguagem e na descrição de si mesmo,
dessa forma, o sujeito está sempre se reconstruindo, de forma que é causa de si
mesmo, ao passo que transforma sua produção.

Referências:
ABBAGNANO, Nicola. Dicionario de filosofia. 4. ed. Sao Paulo: Martins Fontes, 2000.
1014 p. ISBN 85-336-1322-9.
DICIONARIO de ciencias sociais. Rio de Janeiro: s.n, 1986. 1421 p.
MORA, José Ferrater. Dicionário de filosofia. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. 786 p.
ISBN 85-15-01869-1.
ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michael. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar, 1998. 874 p. ISBN 85-7110-444-1.
Russo, J. A., & Ponciano, E. L. (2002). O sujeito da neurociência: da naturalização do
homem ao re-encantamento da natureza. Physis: revista de saúde coletiva, 12(2),
345-373.