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BARRAGENS DE TERRA

1 INTRODUÇÃO
Barragens são estruturas construídas com o objetivo de proporcionar
represamento de água. Dentre as várias finalidades da barragem e
conseqüente reservatório de acumulação destacam-se o abastecimento de
água (urbano e rural), controle de enchentes, uso domestico, regularização
de vazão, aproveitamento hidrelétrico, navegação, irrigação e criação de
peixes entre outras.
Quando há necessidade de se usar uma vazão superior à vazão mínima
do curso d’água, que ocorre na ocasião das secas, recorre-se ao
represamento do curso d’água por meio da construção de uma barragem.
No meio rural há um predomínio das barragens de terra, devido à
facilidade de construção e pelo custo.

2 BARRAGENS DE TERRA
As barragens de terra são muros de retenção de água
suficientemente impermeáveis, construídos de terra e materiais rochosos
locais, segundo mistura e proporção adequados. As orientações deste
material são para a construção de barragens de até 10 metros de altura.

Figura. Barragem de terra

A construção da barragem deve obedecer a critérios básicos


fundamentais de segurança. É comum encontrar em várias propriedades
agrícolas, barragens construídas sem qualquer dimensionamento técnico.
3 PRINCIPAIS ELEMENTOS DE UMA BARRAGEM DE TERRA
Conceitos básicos sobre barragens:
 Aterro: parte encarregada de reter a água (estrutura);
 Altura: distância vertical entre a superfície do terreno e a
parte superior do aterro (crista);
 Base do maciço: Consiste na projeção da crista e dos taludes,
de montante e de jusante, sobre a superfície do terreno.
 Borda livre ou Folga: distância vertical entre o nível da água e a
crista do aterro;
 Desarenador: tem a função de eliminar os depósitos do fundo e
esvaziamento do reservatório.
 Taludes: faces laterais, inclinadas em relação ao eixo do aterro;
O talude a montante fica em contato com a água enquanto que o
talude a jusante não tem contato com a água. A inclinação do
talude a montante deve ter maior que a jusante para dar maior
estabilidade ao aterro.
 Crista do aterro: parte superior do aterro;
 Espelho d’água: área da represa; superfície d’água acumulada no
reservatório;
 Base ou saia do aterro: projeção dos taludes sobre a
superfície do terreno;
 Cut-off: trincheira, alicerce ou fundação; construído no eixo da
barragem;
 Maciço: é a estrutura da barragem. Construída
transversalmente ao curso d’água é a parte responsável por
reter a água.
 Núcleo: muitas vezes, para efeito de segurança e com o objetivo
de diminuir a infiltração, usa-se colocar no centro do aterro um
núcleo de terra argilosa, como se fosse um muro (diminuir o
caminhamento da água no corpo do aterro);
 Sangradouro: estrutura construída para dar escoamento ao
excesso de água ou enxurrada durante e após a ocorrência de
chuvas (extravasor, vertedouro e ladrão); tem a função de
proteger a barragem.
 Tomada de água: serve para a captação da água represada.
 Dreno de pé: construído no talude de jusante para drenar a
água do aterro
Figura. Vista superior do maciço, espelho d’água e canal extravasador

Figura. Elementos básicos de uma pequena barragem de terra

Figura. Elementos básicos de uma pequena barragem de terra

Vista do perfil da bacia hidráulica


4 TIPOS DE BARRAGENS
A construção deste tipo de barragem requer grande volume de terra
que deve estar disponível próximo ao local da obra. O tipo de construção
está condicionado, portanto à qualidade e quantidade do material disponível.
Compete ao engenheiro procurar otimizar os recursos locais, que podem
variar entre os permeáveis (pedras soltas e areias) e os impermeáveis
(argilas).

- BARRAGEM SIMPLES:

- BARRAGEM COM NÚCLEO:

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO

Construção da fundação de uma barragem


Na fase de seleção de local de construção da barragem é preciso fazer sondagens
para descrever o perfil transversal da área e assim, indicar a profundidade do
núcleo impermeável. A sondagem pode ser feita com trados, sondas a percussão,
abertura de trincheiras e por ensaios de resistência do solo. Se possível, a
trincheira deve ser feita sobre toda a base do maciço e deve abranger uma
profundidade até a rocha ou estrato impermeável. A trincheira deve ser
preenchida com terra de boa qualidade devidamente compactada

Etapas da construção do maciço da barragem

Recomendação de inclinação de taludes


Término da construção da crista da barragem

A largura da crista pode ter a seguinte relação com a altura da barragem:


C = H/5 + 3, onde C = largura da crista da barragem, em metros; H é a altura da
barragem, em metros. Já a base do maciço pode ser calculado pela seguinte
expressão: B = C + (Zm + Zj).H, sendo: B = base, em metros; C = largura da crista;
Zm = projeção horizontal no talude montante, em metros; Zj = projeção horizontal
no talude de jusante, em metros; e H = altura da barragem, em metros.

Espelho d’água em pequena barragem e em barragem de porte médio

Bordas livres ou folga em duas pequenas barragens


.
Dreno Horizontal conjugado com um dreno de pé

Os drenos são construídos para que a linha de saturação esteja abaixo do pé


de uma barragem de terra. São construídos no terço final do talude jusante. A
estrutura de drenagem deve permitir que as águas de infiltração saiam sem causar
erosão.

Figura. Tipos de extravasador


Figura. Detalhes da construção do dissipador de energia

O projeto de uma barragem requer a análise de dois itens relevantes


relacionados à sua segurança: o estudo hidrológico e o estudo hidráulico. No
estudo hidrológico se estima a vazão máxima de cheia e o volume de
armazenamento necessário a regulação da vazão. O estudo hidráulico faz-se
o dimensionamento do sistema extravasor (eliminar o excesso de água e
dissipar a energia), do desarenador (eliminação dos depósitos do fundo e/ou
esvaziamento do reservatório) e da tomada de água.

CARACTERÍSTICAS HIDROLÓGICAS
Para o correto dimensionamento de uma barragem é importante que o
engenheiro realize o estudo das características hidrológicas do local.
Informações importantes tais como as características da bacia de
contribuição, o regime do curso d’água e a intensidade de precipitação
devem ser lavados em consideração no dimensionamento. As informações
sobre as vazões máximas são relevantes para o dimensionamento do
extravasador e as vazões médias estão relacionadas ao volume de regulação
do reservatório.

- Bacia de contribuição: Toda a área onde as águas de chuva descarregam


ou são drenadas para uma seção do curso d’água. Além da delimitação da
bacia é importante se conheçam as suas características (relevo, solo e
cobertura vegetal).

Figura. Bacias de contribuição


- Regime dos cursos d’água: A preocupação principal no estudo do regime
de um curso d’água é a obtenção das vazões máximas que podem ocorrer.
Esse excesso de água é proveniente do escoamento superficial.

- Conjunto de suas características hidrológicas (vazão em função do tempo):


 EFÊMEROS: ocorre durante e imediatamente após as precipitações
 INTERMITENTES: duração coincidente com a época de chuvas
 PERENES: flui todo o tempo

A) Determinação da vazão máxima: A vazão máxima é importante porque


auxilia no dimensionamento do extravasador. O extravasador
superdimensionado pode inviabilizar a construção de uma barragem pelos
seus custos, já o subdimensionado oferece risco de ruptura da represa.
Existem diversos métodos para a determinação da vazão máxima, dentre
eles destacam-se: o método estatístico (histórico das vazões) e a fórmula
racional.

Fórmula racional: Através da fórmula racional pode-se estimar a vazão em


função de dados de precipitação. É o método mais utilizado, devido à
facilidade de uso e também por falta de dados 1 para o uso de outros
métodos. Esta fórmula considera que a precipitação ocorre com a
intensidade e volume uniforme em toda a área da bacia e durante um
período igual ou superior ao tempo de concentração. Devido a estas
considerações, a fórmula racional só deve ser utilizada em áreas pequena
(menores que 60 ha).
𝐶. 𝐼𝑚á𝑥 . 𝐴
𝑄=
360
Onde;
Q = vazão máxima (m3/s)
C = Coeficiente de escoamento superficial
Imáx = Intensidade máxima de chuva durante o tempo de concentração, capaz de
ocorrer com freqüência do tempo de retorno desejado (5, 10, 25 anos), mm/h.
A = Área de bacia, em ha

- Coeficiente de escoamento superficial (C): Fração da chuva que escorre


até atingir o fim da área, dado em função da topografia, cobertura e tipo de
solo.

1
Uma fonte relevante de informação sobre as vazões mínimas, médias e máximas é
o programa HIDROTEC. Este programa oferece dados detalhados e atualizados sobre as
bacias hidrográficas de Minas Gerais e permite fazer consultas georreferenciada e
informativa via internet.
Tabela. Coeficiente de escoamento superficial

- Tempo de Concentração: tempo necessário para que toda a bacia esteja


contribuindo para o escoamento superficial na seção considerada.

Tabela. Tempos de concentração, baseados na extensão da área, para bacias


que possuam um comprimento aproximadamente o dobro da largura média e
de topografia ondulada (5% de declividade média).

Correção p/ declividade:

Correção p/ a forma da bacia:

- Intensidade máxima de precipitação: O valor da precipitação a ser


utilizado na determinação da vazão máxima, deve ser de acordo com o
tempo de concentração da bacia de contribuição (Tc) e o tempo de retorno
da precipitação (TR). A determinação da intensidade de precipitação é
realizada através do estudo das séries históricas locais, ou quando
disponível, através de equações que relacionam intensidade de precipitação
com Tempo de Concentração e Tempo de Retorno para a localidade em
estudo. As equações dispostas abaixo são fórmulas empíricas para estimar
as intensidades máximas e precipitação nas regiões de Lavras e Belém,
respectivamente.

- Tempo de retorno: É o período, dado em anos, necessário para que uma


precipitação seja igualada ou superada pelo menos uma vez. Na prática, leva-
se em consideração a vida útil da obra, a facilidade de reparos e o perigo
oferecido à vida humana. Normalmente para projetos agrícolas de drenagem
e construção de barragens adota-se um tempo de retorno entre 10 e 25
anos.

B) Estimativa do volume de armazenamento para garantir uma vazão a


ser regularizada:
O regime hídrico apresenta variabilidade espacial e temporal. A
variabilidade especial diz respeito à disponibilidade de água entre as
diferentes regiões enquanto que a temporal considera a disponibilidade no
tempo. Normalmente existem temporadas de maior precipitação onde há
excesso de recursos hídricos e temporadas mais secas, onde pode haver
carência do recurso. Neste caso, a finalidade dos reservatórios é acumular
parte das águas disponíveis nos períodos chuvosos, para compensar as
deficiências nos períodos de estiagens, exercendo um efeito regularizador
das vazões naturais.
O dimensionamento de represa parte dos estudos das ofertas e das
demandas hídricas. A oferta é determinada pelas precipitações e condições
climáticas, por isso requer estudos hidrológicos, e a demanda está em
função do uso da represa. Existem diversos métodos de dimensionamento de
reservatórios. Aqui, apresenta-se o método da curva das diferenças, que
garante uma descarga máxima regularizada. O método considera o principio
de conservação de massas, que pode ser descrito como: o armazenamento
inicial do açude (S0) mais a soma dos deflúvios em N intervalos de tempo (t)
é igual demanda média de água (X) em N intervalos de tempo (t) mais o
armazenamento final de água (Sf).

𝑆0 + ∑ 𝑞𝑡 = 𝑁. 𝑋 + 𝑆𝑓
𝑡=1
6 DIMENSIONAMENTO DA BARRAGEM
O dimensionamento de uma barragem de terra consiste em determinar as
suas dimensões (aterro, vertedouro, tomada d’água e desarenador).

Os passos para o dimensionamento de uma barragem são:


- Levantamento plani-altimétrico
- Volume de água armazenada
- Escolha do local
- Altura da barragem
- Largura da crista
- Comprimento da projeção dos taludes
- Cálculo do volume de terra
- Vertedouro
- Esvaziamento da represa
- Tomada d’água

6.1 Escolha do local


Para a escolha do local para a construção da barragem devem ser analisados
diversos fatores:
- deve ser feito um estudo das camadas do subsolo, ou seja, determinação
do material onde se vai trabalhar, profundidade do solo firme, presença de
pedras, tocos e raízes de árvores;
- se o local da construção possuir uma camada de argila mole, deve ser feita
uma boa drenagem dessa argila, para evitar deslizamentos da fundação;
- barragens não devem ser assentadas sobre rochas, pois solo e rocha não
formam uma boa liga, havendo risco de deslizamento;
- no caso de locais rochosos recomenda-se barragens de alvenaria;
- na presença de solos permeáveis, há a necessidade da construção do
núcleo central impermeável;
- é preciso comprovar a possível presença de minas de água. Locais com
minas de água sem drenagem podem comprometer a estrutura da barragem.
- não se deve localizar a barragem em nascentes, vertentes ou em antigos
desmoronamentos, pois estes lugares indicam condições de solo instável;
- procurar um estreitamento para que a barragem seja a mais curta
possível;
Figura. Escolha do local para a construção da barragem

- escolher um local que possibilite o aproveitamento da carga hidráulica


criada com a elevação da água;
- a construção deve ser localizada próxima de locais onde haja solos de boa
qualidade (textura média). O barro de textura fina tende a rachar quando
seco e a areia de textura grossa não retém água;
- facilidade de acesso ao local da obra;
- a área a ser inundada deve ser espraiada, coma alargamento a montante, o
que permite um maior acúmulo de água;
- o reservatório não deve ser muito raso para evitar o aparecimento de
plantas aquáticas;
- deve-se evitar a localização do reservatório sobre solos que permitam
muita infiltração;
- levando-se em consideração que as árvores e arbustos devem ser
removidos do local do reservatório é necessário ter em conta a densidade
deste tipo de vegetação (custo da derrubada).
- A suscetibilidade da região à erosão deve ser levada em conta. Os locais
onde os solos estão expostos à erosão acabam levando muitos sedimentos às
represas, o que pode comprometer a sua capacidade de armazenamento.
Para isso, é preciso adotar medidas conservacionistas ao longo da bacia
hidrográfica que a represa abrange.

6.2 Levantamento plani-altimétrico


O levantamento tem por objetivo um melhor conhecimento da área onde se
vai construir a barragem. Normalmente utiliza-se o levantamento do eixo da
barragem e de seções intermediárias transversais ao eixo, com
levantamento de curvas de nível (normalmente de metro por metro) em toda
a área a ser inundada pela represa.
O cálculo do volume acumulado pode ser obtido pela equação abaixo:

Em que:
V – volume acumulado (m3);
S0 – área da curva de nível de ordem 0 (m2);
Sn – área da curva de nível de ordem n (m2);
h – diferença de cota entre duas curvas de nível (m).

6.4 Altura da Barragem


A altura da barragem depende do volume total de água a ser acumulado.
Para determinação da altura da barragem leva-se em consideração a altura
normal de água (Hn), a altura de água no ladrão (HL) e a folga total. A folga
total é obtida com a soma do valor da tabela abaixo com a altura das
possíveis ondas que poderão se formar.

H = Hn + HL + Folgatotal

Folgatotal = folga + onda

Tabela. Valores mínimos da folga

Onda = 0,36 (L)1/2 + 0,76 – 0,27 (L)1/4, onde L = maior dimensão da represa
a partir da barragem (km)

6.5 Largura da crista


A largura da crista deve ser sempre maior que 3 m, uma vez que,
normalmente, utiliza-se o aterro como estrada. Na tabela a seguir
apresenta-se uma sugestão de valores da crista em função da altura da
barragem.

6.6 Cálculo do volume de terra


É de grande importância o conhecimento do volume total de aterro da
barragem, pois o custo da obra se baseia, principalmente, em gastos com
horas-máquinas que são utilizadas na escavação, transporte, movimentação e
compactação da terra que será utilizada na construção da barragem. Um
método bastante utilizado é o método expedito.

- Método expedito:
Neste método calcula-se a largura média transversal do aterro e multiplica-
se pela área da seção do local onde será construído o aterro.

O volume total será dado por:


𝐵+𝑐
𝑉𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = .𝐴
2
Em que, B é a largura da projeção da base; c = largura da crista; e A é a
área da seção.

6.8 Extravasor
O extravasor é um dispositivo de segurança, que tem a finalidade de
eliminar o excesso de água quando a vazão assumir valores que tornem
perigosa a estabilidade da barragem ou impedir que o nível de água suba
acima de uma certa cota.
O extravasor deve ter capacidade suficiente para permitir o escoamento
máximo que pode ocorrer na seção considerada. A vazão de imensionamento
deve ser igual à máxima vazão do curso de água, o que ocorre por ocasião
das cheias.
Os passos para o dimensionamento do extravasor são:
- Delimitar a bacia de contribuição;
- Determinar o coeficiente de escoamento superficial;
- Com base no tempo de retorno e no tempo de concentração da bacia,
determinar a intensidade de precipitação;
- Pela fórmula racional, calcular a vazão máxima de escoamento superficial;
- Determinar as dimensões do extravasor para transportar a vazão máxima.
Na determinação das dimensões do extravasor não esquecer dos limites da
velocidade de escoamento.

Tabela. Velocidade limite da água em função do material do canal

Figura. Aterro com canal exterior


6.9 Tomada d’água e desarenador
- Desarenador:
O desarenador tem o objetivo de esvaziar a represa e eliminar o material
decantado. O material do desarenador deve ser impermeável e resistente à
pressão do aterro. É a primeira estrutura construída na implantação do
projeto, pois, após a sua construção, o curso d’água será desviado para o seu
interior, facilitando os trabalhos de elevação da barragem.
A dimensão do desarenador é determinada com base no tempo que se deseja
esvaziar a represa. No dimensionamento, consideramos o desarenador como
um tubo. Através das fórmulas de perda de carga determina-se qual deve
ser o diâmetro. A perda de carga irá corresponder à carga hidráulica sobre
o tubo. No caso do desarenador, como a carga é variável, tira-se a média da
carga hidráulica inicial com a final. A vazão é determinada é dada por:
Q esvaziamento = Volume acumulado / Tempo esvaziamento+ vazão normal do rio

- Tomada d’água:
Tomada d’água é a estrutura utilizada para a captação e aproveitamento da
água represada. Assim como o desarenador, através das fórmulas de perda
de carga determina-se qual deve ser o diâmetro da tomada d’água. A perda
de carga irá corresponder à carga hidráulica sobre o tubo. A vazão é
determinada com base na finalidade da tomada d’água.

Tomada d’água e desarenador


7 EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO
- Dimensionar uma barragem de terra com os dados abaixo:

a) PLANTA TOPOGRÁFICA:

b) BACIA DE CONTRIBUIÇÃO: Área = 56 ha; 46,5% - Pastagem; 30% -


Cultura Perene; e 23,5% - Mata
c) SOLO: Arenoso
d) DECLIVIDADE MÉDIA DO TERRENO: 8%
e) VAZÃO NORMAL DO CURSO D’ÁGUA: 5 L/s
f) TOMADA D’ÁGUA: A tomada d’água deve ser instalada em cota superior
a 103 m, com Vazão de 10 L/s, durante 8 horas por dia. O comprimento da
tomada d’água é de 50 m.
g) CRISTA: No mínimo a largura de um carro
h) NÍVEL DA BARRAGEM: Cota = 106 m
i) RELAÇÃO COMPRIMENTO/LARGURA DA BACIA = 1,5/1/
j) CANAL EXTRAVASOR: h = 1 m; V = 1m/s; i = 0,0015 m/m; n = 0,03;
Talude=2:1; Folga=20%; Folga na borda do canal = 1/4.h
l) DESARENADOR: Tubo de concreto (C=120); Esvaziamento = 3 dias; L =
45 m.
m) DADOS DA BACIA:

1) VOLUME TOTAL ACUMULADO


- Volume total: S0 – S6
- Volume útil: S3 – S6
V total = [(38+8.987)/2 + 167 + 779 + 1.239 + 3.565 + 5.789].1 = 16.051,5 m3
V útil = [(1.239+8.987)/2 + 167 + 779 + 1.239 + 3.565 + 5.789].1 = 14.467 m3
Figura. Volume armazenado

2) ALTURA DA BARRAGEM
- Cota do nível da água: 106 m
- Espelho d’água: 300 m
- Tabela: Folga = 0,75 m
- Onda: H = 0,75 m
- Altura d’água no extravasor = 1,0 m
- Folgatotal = 0,75 + 0,75 = 1,5 m
- Altura da barragem = 6 + 1,0 + 1,5 = 8,5 m

Figura. Aterro com canal extravasador

3) LARGURA DA CRISTA
- Com base na tabela, para uma altura da barragem de 8,5 m, a largura da
crista deve ser de 4,5 m.

4) COMPRIMENTO DA BASE E DIMENSÕES DA SEÇÃO


- Talude recomendado: 2,5:1 – 2,0:1
5) CANAL EXTRAVASOR
5.1) Coeficiente de escoamento superficial
- Com base na tabela do coeficiente de escoamento superficial:
 Mata, i = 8%, arenoso: C = 0,18
 Pastagem, i = 8%, arenoso: C = 0,37
 Cultura perene, i = 8%, arenoso: C = 0,46
- O coeficiente médio é obtido através de uma média ponderada com base
nas porcentagens de ocupação:
C médio = (46,5% . 0,37 + 30% . 0,46 + 23,5% . 0,18)/100 = 0,352

5.2) Tempo de concentração


- Com base na tabela a seguir, Tc = 20 min
Tabela – Tempos de concentração, baseados na extensão da área, para
bacias que possuam um comprimento aproximadamente o dobro da largura
média e de topografia ondulada (5% de declividade média).

- Considerando uma relação comprimento/largura de 1,5/1: Tc = 20 x 0,86


17,2
- Correção p/ declividade: 𝑇𝐶 = √0,08
= 13,38 𝑚𝑖𝑛
0,22
5.3) Determinação da precipitação
- Para um TR = 10 anos e Duração (d) = 13,38 m, considerando a equação de
Pfastetter:
Belém: 𝑃 = 𝑇𝑅 0,122 [0,4 . 𝑑 + 31 . log(1 + 20 . 𝑑)]
= 100,122 [0,4 .0,22 + 31 . log(1 + 20 .0,22)] = 30𝑚
Em que: P = precipitação total (mm); TR = tempo de retorno (anos); e d = duração (h)

Portanto, a intensidade de precipitação (I) = 30 mm/13,38 min = 134,5 mm/h

5.4 Fórmula racional


Q = 0,352 . 134,5 . 56 /360 = 7,26 m3/s
5.5 Dimensões do canal
Fórmula de Manninga: Q = A . 1/n . R2/3 . i1/2 → Q/A = V = (R2/3 . i 1/2
)/n

Em que:
V – velocidade de escoamento (m/s);
R – raio hidráulico do canal (m);
i – declive do canal (m/m);
n – coeficiente de Manning.

1 = (R2/3 . 0,00151/2)/0,03 → R = 0,6817m


ℎ(𝑏+𝑚.ℎ) 1 .(𝑏+2 . 1)
Como 𝑅 = → 0,6817 = → b = 3,3 m
𝑏+2 .ℎ √1+𝑚2 𝑏+2.1 √1+ 22
Considerando uma folga de 20%: b = 4m

Dimensões do canal extravasador

6) DESARENADOR
𝑄 16.051,5
𝑒𝑠𝑣𝑎𝑧𝑖𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜= + 0,005=0,0669 𝑚3 /𝑠
3 .86.400
- Para a obtenção do diâmetro utiliza-se Hazen Willians c/ HF=6/2=3m;
L=45 m, C=120, e Q = 0,0669 m3/s
- D = 164 mm (150 ou 200 mm)

7) TOMADA D’ÁGUA
- Para a obtenção do diâmetro utiliza-se Hazen Willians c/ HF=3m; L=50 m,
C=150, e Q =0,01 m3/s
- D = 74 mm (75 mm)

8) VOLUME DO ATERRO
- Método expedito:

O volume total será dado por


42,7 + 4,5
𝑉𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = .187 = 4.413,2 𝑚3
2