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REVISTA

IPT e inovação
Tecnologia
10 Abril/2019

DESEMPENHO ENERGÍA SENSORS


Discussão sobre critérios Análisis del potencial Simulation of the main
de avaliação de esquadrias eólico en terrazas de characteristics of low
com relação ao requisito edificios a partir de cost anemometers for
de estanqueidade à água ensayos en túnel de viento wind tunnel

v. 2, n. 10, abr., 2019


REVISTA IPT | Tecnologia e Inovação
v.2, n.10, abril, 2019
Quadrimestral

Conselho Editorial
Denis Bruno Virissimo
Edwin Sallica Leva
Ivan Mauricio Daza Prada
Jhoan Sebastian Guzman Hernandez
João Antonio Rodrigues Garcia
José Maria Saiz Jabardo
Juliana Lopes Cardoso
Luciana Aparecida Alves

Conselho técnico administrativo


Edna Baptista dos S. Gubitoso
Zehbour Panossian

Comitê científico do CLIV III

Dr. José Cataldo Ottieri, Universidad de la República


Dra. Valéria Durañona, Universidad de la República
Dra. Ana Scarabino, Universidad Nacional de La Plata
Dr. Julio Marañon Di Leo, Universidad Nacional de La Plata
Dra. Marta Rosales, Universidad Nacional del Sur
Dr. Bruno Natalini, Universidad Nacional del Nordeste
Dra. Anésia Barros Frota, FAUUSP
Dra. Alessandra R. Prata Shimomura, FAUUSP
Dra. Ranny Loureiro Xavier N. Michalski, FAUUSP
Dr. Ricardo Tokio Higuti, UNESP - Ilha Solteira
Dra. Luciana Alves de Oliveira, IPT
Dr. Gilder Nader, IPT
Dr. Paulo José Saiz Jabardo, IPT

ISSN 2526-5830

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DIAGRAMAÇÃO E ARTE:
Augusto Max Colin

REVISÃO:
Edna Baptista dos S. Gubitoso
Denise Oliveira de Paula
Zehbour Panossian

Av. Prof. Almeida Prado, 532 - Cidade Universitária - Butantã


05508-901 - São Paulo - SP

ISSN 2526-5830

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#10 Revista IPT: Tecnologia e inovação

Artigos p.06 Esfera microclimática: ventilação, conforto e moradia

técnicos p.15
The influence of the of sheds geometry on the pressure
coefficients of the surface of the closed buildings

Otimização topológica de sistema de contraventamento em


p.28 edificios altos

p.40 Analizando los criterios utilizados en estudios de confort eólico

Verificação experimental da hipótese de Boussinesq para


p.53 escoamento de camada limite turbulenta

Considerações sobre cargas de vento adequadas ao contexto


p.62 brasileiro no ensaio de estanqueidade à água de esquadrias

A mesa d’água como ferramenta de apoio para a caracterização


p.70 de um modelo genérico a ser ensaiado em túnel de vento

p.81 Generación eólica en el entorno urbano

p.93 Ensayo de un aerogenerador savonius helicoidal en túnel de viento

Simulación de grandes vórtices de una capa límite turbulenta


p.100 sobre una superficie rugosa

O uso de barreiras vegetais para controle dos ventos em


p.112 espaços abertos

Estudo do efeito de vizinhança em edificações sujeitas a


p.125 ação do vento

p.137 Impacto acústico de la interacción entre el viento y las edificaciones

Impacto da variação de altura de edificações em modelos


urbanos teóricos para estudos de ventilação natural em
p.150 edificações residenciais

Determinação experimental da variação dos coeficientes de


p.161 arrasto em galhos de eucalípto (Eucalyptus sp)

p.171 Low cost anemometers for wind tunnel and ventilation applications

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Bons ventos na América Latina
Esta é uma edição especial – a décima – da ‘Revista IPT, Tec-
nologia e Inovação’. Reúne 16 artigos selecionados entre os
38 aprovados e apresentados no “III CLIV – Congresso Latino-
-Americano de Engenharia do Vento”, realizado no campus do
IPT em São Paulo, no período de 5 a 8 de novembro de 2018. A
Engenharia do Vento alia métodos numéricos e experimentais
na análise dos efeitos do vento em ambientes naturais e ur-
banos. É um campo amplo e multidisciplinar que utiliza ferra-
mentas como o túnel de vento de camada limite atmosférica do
IPT. Assim o congresso foi dividido em cinco grandes tópicos:
aerodinâmica das construções, fluidos e estruturas, caracteri-
zação do vento e normas, ventilação no ambiente construído e
Jefferson de Oliveira Gomes técnicas experimentais.
Diretor-Presidente do IPT
A escolha dos 16 artigos para publicação levou em conta as-
pectos como clareza, originalidade, metodologia, aplicabilidade e impacto, entre outros. Em linhas
gerais, foram o resultado das melhores avaliações feitas pelo Comitê Científico do evento, que reuniu
pesquisadores da área e representantes de empresas. Foram 95 participantes, na maioria brasileiros
ligados a instituições de pesquisa em diversos estados, construtores e projetistas de edificações,
estudantes de Arquitetura, Engenharia Civil e Mecânica. Além deles,t participaram profissionais ar-
gentinos, uruguaios e portugueses.

Em 2003, representantes do IPT, da Universidad Nacional de la Plata da Argentina, e da Universidad


de la Republica do Uruguai propuseram a criação de uma área de intercâmbio e discussão de temas
relacionados à Engenharia do Vento na América Latina. Estavam lançadas as bases para a criação,
em 2007, da Associação Latino-Americana de Engenharia do Vento. Em 2008, realizou-se a primeira
edição do Congresso Latino-Americano de Engenharia do Vento em Montevidéu e, em 2012, a se-
gunda em La Plata, Argentina.

A realização do III CLIV, que recebeu esta denominação a partir da terceira edição realizada no ano
passado, é fruto da parceria entre o IPT e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAUUSP).
O evento foi coordenado conjuntamente pelo pesquisador Gabriel Borelli
Martins, do Centro de Metrologia Mecânica, Elétrica e de Fluidos do IPT,
e a professora Alessandra Prata Shimomura, da FAUUSP. Igualmente
importante foi o patrocínio do evento pela Mútua – Caixa de Assis-
tência dos Profissionais do CREA e da TQS Informática, junto com o III CONGRES
apoio da Fundação de Apoio ao IPT, VDI – Associação de Engenhei- LATINO AME
ros Brasil-Alemanha, Fapesp e CREA-SP. ENGENHAR

Confira a seguir os artigos e boa leitura!

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Artigos técnicos Esfera microclimática: ventilação,
conforto e moradia
Overall local microclimate: ventilation, comfort and dwellings

Jordana Letícia Löw*, Gilder Nadera

a Instituto de Pesquisas
Resumo
Tecnológicas do Estado de São
Favelas possuem crescimento e organização particulares, acarretando,
Paulo S.A., Laboratório de Vazão.
tipicamente, em condições desfavoráveis ao conforto ambiental. Para
São Paulo-SP, Brasil.
que o espaço urbano funcione de modo a proporcionar qualidade
de vida às pessoas, existem vários aspectos aconsiderar no seu
*E-mail: jordanalow@gmail.com planejamento, como o conforto ambiental, a garantia da mobilidade
e da existência de espaços públicos, bem como um planejamento
sobre ocupação arbórea. Dessa forma, neste trabalho foi analisado
Palavras-chave: a melhora na condição microclimática da favela de Vila Prudente, a
conforto térmico, ENVI- mais antiga de São Paulo – SP, Brasil, caso tivessem sido utilizados
met 3.1, favela, política conceitos de planejamento urbano. Os estudos foram realizados
habitacional, Vila Prudente. por meio de simulação computacional tridimensional, utilizando o
software ENVI-met 3.1, considerando o desempenho térmico e de
Keywords: ventilação, do local, segundo a disposição das moradias e áreas
thermal comfort, externas na configuração atual e também foi formulada uma
ENVI-met, shanty town, proposta urbanística com blocos de edifícios numa configuração
housing policy, Vila em que foram consideradas a direção preferencial dos ventos, a
Prudente. influência de áreas de circulação, o acréscimo de áreas arborizadas
e a densidade demográfica. No modelo planejado, obteve-se uma
melhora nas condições microclimáticas, com aumento da velocidade
do vento, diminuição em até 1 ºC na temperatura do solo entre as
edificações e redução das ilhas de calor.

Abstract
Shanty towns present particular growth and organization patterns
that usually lead to poor environmental comfort. The planning of
urban areas which provides quality of life to the dwellers involve
several aspects such as environmental comfort, mobility and
the availability of public spaces and vegetation. We analyzde the
improvement of the microclimate of the Vila Prudente shanty town,
the oldest one in São Paulo, Brazil, considering whether urban

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planning concepts had been used prior to its development. Three-dimensional computational analysis
using the ENVI-met 3.1 software was applied to estimate local ventilation and thermal performance
according to dwelling disposition and outdoor spaces. The actual configuration and the proposed
urban plan were compared. The proposed plan took into consideration preferential winds, circulation
areas, vegetation and demographic density. In the planned model, microclimatic conditions were
improved, resulting in a better ventilation, a decrease of up to 1 ºC of soil temperature between
buildings and a reduction of heat islands.

1 Introdução
A partir do fortalecimento da industrialização, o urbanismo paulistano formulou-se espelhado na
estética europeia, amparado em um sistema viário como elemento estruturante, promovendo bairros
planejados de alto padrão, de iniciativa privada, bem como loteamentos aleatórios que se dispuseram
nas áreas periféricas (BONDUKI, 2014).

A incongruência entre o desenvolvimento da cidade de São Paulo e um planejamento urbano efetivo


culminou na estratificação de seus espaços. As habitações de interesse social (HIS), com sua construção
em escala industrial, desconsideram, majoritariamente, as particularidades locais necessárias para
que se obtenha uma moradia com conforto ambiental (BONDUKI, 2014). A arquitetura deve assegurar
ao indivíduo condições térmicas de conforto de maneira que, independentemente das condições
climáticas externas, seu organismo funcione apropriadamente (FROTA; SCHIFFER, 2003). Uma vez
garantida a homeotermia, mesmo com as trocas de calor entre o ambiente e o corpo humano, a sua
temperatura interna é mantida na faixa dos 37 °C (FROTA; SCHIFFER, 2003).

Ao se considerar as carências fisiológicas humanas, ter o conhecimento prévio das características


climáticas locais, dos atributos e do comportamento térmico dos materiais a serem empregados na
construção, aumentam-se as possibilidades de se assegurar conforto térmico na elaboração de um
projeto arquitetônico (FROTA; SCHIFFER, 2003).

As favelas, espaços estabelecidos segundo uma lógica organizacional própria, não se assemelham
à configuração da cidade formal, nem mesmo às características das HIS, de forma que nesse
trabalho se analisou o conforto ambiental numa favela, comparando sua situação atual com uma
proposta habitacional modelada. Para esse estudo, foi escolhida a Favela de Vila Prudente da cidade
de São Paulo, que embora esteja consolidada, coopera para a demonstração de que a antecipação
na proposição do modo de ocupação do espaço urbano propenso à formação de favelas, quando,
balizada também pelos aspectos térmicos e suas particularidades, favoreceria a qualidade de vida de
seus habitantes, uma vez que se somariam à conjugação microclimática que o cerca.

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A Favela de Vila Prudente foi a primeira estabelecida na cidade de São Paulo – SP, Brasil, e está
localizada na proximidade das vias Professor Luís Inácio de Anhaia Melo e Avenida do Estado,
condição de contorno que impacta na qualidade do ar no local devido à baixa ventilação natural
(GASPARINI JÚNIOR, 2006). Portanto, reúne atrativos para este estudo, seja por seu valor histórico
ou por sua representatividade ocupacional, uma vez que apresenta alta densidade demográfica, de
0,116 habitantes por metro quadrado (MARQUES; TORRES; SARAIVA, 2003), e marcas evidentes de
seu processo de consolidação.

A ventilação natural coopera com a ergonomia urbana (NAKATA; SOUZA; FARIA, 2010), assim, foi
analisada a maneira como o vento interage com as edificações na Favela de Vila Prudente e como
interagiria caso tivesse sido implantado, no mesmo local, um modelo ocupacional com habitações
de interesse social, de forma a assimilar o mesmo contingente populacional local. A proposta de
ocupação para o espaço possui 50 blocos com 12 m de altura e 16 apartamentos, aos moldes de uma
habitação de interesse social que dispensasse o uso de elevadores.

Os resultados apresentados neste artigo são produto da observação e análises dos gráficos gerados
a partir de simulação numérica computacional. As simulações tridimensionais de microclima urbano
foram realizadas usando o software ENVI-met na versão 3.1 (ALMEIDA JUNIOR, 2005; CASTELO
BRANCO, 2009).

2 Métodos
Foi realizada uma análise comparativa por meio do software Envi-met 3.1, que cria modelos
tridimensionais de microclima urbano. A partir de foto aérea foi modelada uma seção centralizada
da Favela de Vila Prudente com dimensões de 300,14 m x 300,14 m de largura por comprimento. A
imagem, depois de georreferenciada, serviu como substrato para a inserção de dados que geraram
uma malha. A partir dela, foram acrescidas informações sobre a altura dos edifícios, tipo de
vegetação e solo.

Inicialmente, foi modelada a disposição atual da favela, como mostrado na Figura 1(a), contendo as
edificações, as áreas verdes próximas e ruas dessa seção. Para a realização de um modelo habitacional
mais eficiente sob o aspecto térmico foi utilizada a configuração mostrada na Figura 1(b), sendo
necessário dimensionar apropriadamente a seção de maneira que fossem dispostos blocos de
edifícios segundo os dados de área favelada: 81.193 m²; densidade da população: 0,116; densidade
de domicílios: 0,029; população: 9.389 (MARQUES; TORRES; SARAIVA, 2003) de maneira a criar
áreas de circulação arborizadas, gerando áreas de sombreamento e propiciando renovação do ar no
período noturno, por meio da ventilação natural.

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Figura 1 - a) Condição atual da Favela, b) modelo de disposição proposto

a b
Fonte: elaborado pelos autores

Para realizar as simulações de cada caso, foi definido um período de 24 h, para que fosse possível
observar todas as nuances microclimáticas ocorridas durante o dia e a noite, como por exemplo, os
horários de maior aquecimento, de maior ventilação, de maior dispersão de contaminantes e também
como variava a umidade relativa ao longo do dia. O dia 14 de fevereiro de 2017, foi instituído para
início da simulação, por ser um dia no período do verão, o que traz mais desconforto aos habitantes.
Os parâmetros climáticos externos modelados no Envi-met 3.1 marcaram temperatura de 28 °C (301
K), umidade relativa do ar de 79 %, valores médios característicos do mês de fevereiro, com dados
obtidos no site do Instituto Nacional de Meteorologia (2017), transmissão de calor nas paredes igual
a 3,5 W/(m²K) e nas coberturas 2,0 W/(m²K), NBR 15220-3 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMA
TÉCNICAS, 2005) e velocidade do vento de 1,5 m/s com incidência pelo sudeste (SE). A temperatura
média adotada no interior das edificações foi de 25 °C (298 K). Esses parâmetros e mais alguns
estão listados na Tabela 1. As comparações entre a situação atual da Favela de Vila Prudente e o
modelo proposto foram realizados em três horários: 8h00, 15h00 e 21h00, a fim de que o intervalo
assimilasse os horários críticos.

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Tabela 1 - Dados inseridos na aba do Editor de Configuração do Envi-met 3.1

Dados de Entrada Valores


Dia de início da simulação 14.02.2018
Hora de início da simulação 21h00
Tempo total de simulação (h) 24
Salvar o ensaio a cada (min) 60
Direção do vento (0:n..90:L..180:S..270:O..) 135
Velocidade do vento a 10 m do solo (m/s) 1,5
Temperatura atmosférica inicial (K) 301
Umidade relativa a 2 m (%) 79
Umidade específica em 2500 m (g de água / kg de ar) 7
Temperatura interna (K) 298
Transmitância nas paredes (W/(m²K)) 3,5
Transmitância nos telhados (W/(m²K)) 2
Albedo paredes 0,2
Albedo telhados 0,3

Fonte: elaborado pelos autores

3 Resultados
Para as 8h00, comparando-se a condição atual da Favela de Vila Prudente, ver Figura 2(a), com o
modelo proposto mostrado na Figura 2(b), nota-se que no modelo proposto houve uma menor
temperatura ao nível do solo, provavelmente em decorrência de sua maior cobertura vegetal, que se
comporta como uma barreira em relação à incidência solar direta e inibe o rápido aquecimento do ar
próximo a si.

Verificou-se também que no modelo proposto houve uma maior umidade relativa (acréscimo de
5,19 % em U.R.), ver Figura 3, e um aumento na velocidade do vento, passando de uma média de
0,12 m/s para 0,25 m/s no interior da favela à altura de 0,80 m do solo, que é a altura em que se
mede conforto devido à ventilação.

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Figura 2 - Mapa de temperatura do solo e velocidade do vento na favela Vila Prudente às 8h00:
a) condição atual; e b) modelo proposto

86 86
a b Temperatura
76 76
Abaixo de 23,28 ºC
66 66
23,28 ºC a 23,53 ºC
56 56 23,53 ºC a 23,78 ºC

46 46 23,78 ºC a 24,03 ºC
Y (m)

24,03 ºC a 24,28 ºC
36 36
24,28 ºC a 24,53 ºC
26 26 24,53 ºC a 24,78 ºC
24,78 ºC a 25,03 ºC
16 16
25,03 ºC a 25,28 ºC
6 6 Acima de 25,28 ºC

0 10 12 30 40 50 60 70 80 0 10 12 30 40 50 60 70 80
X (m)
Fonte: elaborado pelos autores

Figura 3 - Mapa de umidade relativa e velocidade do vento na favela Vila Prudente às 8h00:
a) condição atual; e b) modelo proposto

86 86
Umidade relativa
76 a 76
b
Abaixo de 67 %
66 66 67 % a 69 %

56 56 69 % a 71 %
71 % a 73 %
Y (m)

46 46
73 % a 74 %
36 36 74 % a 76 %
26 26 76 % a 78 %
78 % a 80 %
16 16
80 % a 81 %
6 6
Acima de 81 %

0 10 12 30 40 50 60 70 80 0 10 12 30 40 50 60 70 80

X (m)

Fonte: elaborado pelos autores

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No entanto, para as 15h00, a variação entre as simulações foi pouco divergente para as médias de
umidade relativa e temperatura. Destaca-se, porém, para esse horário das 15h00, que no modelo
proposto a velocidade do vento foi maior, pois havia maior espaço para a circulação do ar (Figura 4),
ficando em um intervalo de 0,30 m/s a 0,61 m/s. Na situação atual da Favela, a velocidade do vento
ficou em 0,15 m/s devido ao fato de apresentar poucas áreas abertas, construções com alturas
variadas, o que prejudica a ventilação natural, além de, possivelmente, cooperar com o acúmulo de
poluentes em suspensão, advindos das emissões veiculares da malha viária circunvizinha.

Figura 4 - Mapa de velocidade do vento na favela Vila Prudente às 15h00:


a) condição atual; e b) modelo proposto

86 86
a b Velocidade do vento
76 76
Abaixo de 0,15 m/s
66 66
0,15 a 0,30 m/s
56 56 0,30 a 0,45 m/s
0,45 a 0,60 m/s
Y (m)

46 46
0,60 a 0,75 m/s
36 36 0,75 a 0,91 m/s

26 26 0,91 a 1,06 m/s


1,06 a 1,21 m/s
16 16
1,21 a 1,36 m/s
6 6 Acima de 1,36 m/s

0 10 12 30 40 50 60 70 80 0 10 12 30 40 50 60 70 80

X (m)

Fonte: elaborado pelos autores

A análise de concentração de dióxido de carbono (CO2) ocorreu no horário das 21h00 (Figura 5). Neste
caso, as concentrações de CO2 em ambas as simulações se encontraram dentro dos limites aceitos
(COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2004), sendo que no modelo proposto o nível
foi menor devido à arborização que por meio da fotossíntese produziu e aumentou a liberação de
oxigênio e consumiu o CO2 e devido também a maior distância entre as edificações que facilita a
dispersão do CO2.

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Figura 5 - Mapa de concentração de CO2 e de velocidade do vento na favela Vila Prudente às 21h00:
a) condição atual; e b) modelo proposto

86 86
a b CO2
76 76
Abaixo de 344.60 ppm
66 66 344.60 a 345.31 ppm

56 56 345.31 a 346.02 ppm


346.02 a 346.73 ppm
46 46
Y (m)

346.73 a 347.44 ppm


36 36 347.44 a 348.14 ppm
348.14 a 348.85 ppm
26 26
348.85 a 349.56 ppm
16 16 349.56 a 350.27 ppm
Acima de 350.27 ppm
6 6

0 10 12 30 40 50 60 70 80 0 10 12 30 40 50 60 70 80

X (m)

Fonte: elaborado pelos autores

4 Conclusões
Ao comparar o modelo atual da favela Vila Prudente, que teve crescimento e urbanização
desordenados, com o modelo urbanístico proposto, levando em consideração um plano arbóreo e
baixo impacto de vizinhança, obteve-se como resultado uma melhora no conforto ambiental, pois a
velocidade do vento no nível do pedestre aumentou. Além disso, a presença de vegetação ao longo
de toda a área favoreceu a redução da temperatura próxima ao nível do solo e produziu aumento
da umidade relativa. Considerando-se que, em áreas tropicais, a temperatura é inversamente
proporcional à umidade relativa, esses resultados confirmam que a arborização é uma boa medida
para o combate às ilhas de calor.

Pensar em soluções que favoreçam a circulação do ar de forma eficiente no interior das habitações é
algo simples, mas várias vezes essas soluções são ignoradas pelos projetistas. É necessário pensar no
todo, na área interna e também externa à moradia e, tambem, nas formas de se otimizar o conforto
térmico em relação ao habitante. Avaliando os desdobramentos decorrentes da disposição dos blocos
de edifícios, orientados considerando-se o vento sudeste, preferencial da região, e também os efeitos
da inclusão de áreas verdes, nota-se o impacto positivo que medidas pontuais poderiam ter na
qualidade de vida de pessoas em regiões periféricas dos grandes centros urbanos. O estudo mostrou
que a proposição contribuiu com a melhoria da ventilação natural, que auxilia no conforto térmico
e dispersão de contaminantes, caracterizando maior conforto ambiental e aumento da salubridade
na área estudada.

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5 Referências
ALMEIDA JÚNIOR, N. L. Estudo de clima urbano: uma proposta metodológica. 2005. Dissertação
(Mestrado) - Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá, 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMA TÉCNICAS. NBR 15220-3: Desempenho térmico de


edificações Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações
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BONDUKI, N. Os pioneiros da habitação social – v. 1: cem anos de construção de política pública


no Brasil. São Paulo: Unesp / Sesc, 2014. 387 p.

CASTELO BRANCO, L. M. B., Microclimas urbanos no Plano Piloto de Brasília: o caso da


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FROTA, A. B.; SCHIFFER, S. R. Manual do conforto térmico. 8. ed. São Paulo: Editora Nobel, 2003.

GASPARINI JÚNIOR, R. A. Qualidade dos espaços públicos viários: ergonomia em escala urbana.
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INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA. Série Histórica - Dados Diários - Temperatura


Máxima (°C) - São Paulo (Mirante de Santana). Banco de Dados Meteorológicos para Ensino
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MARQUES E.; TORRES, H. G.; SARAIVA, C. Favelas no Município de São Paulo: Estimativas de
População para os Anos de 1991, 1996 e 2000. Revista Brasileira de Estudos e Regionais, v. 5, n.
1., p. 15-30, maio 2003.

NAKATA, C. M.; SOUZA, L. C. L.; FARIA, J. R. G. Simulação do conforto térmico do pedestre no


ambiente urbano. Ação Ergonômica – Revista da Associação Brasileira de Ergonomia, v. 5, n. 2,
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Artigos técnicos The influence of the of sheds geometry
on the pressure coefficients of the
surface of the closed buildings
A influência da geometria de sheds na distribuição de
coeficientes de pressão na superfície de edifícios vedados

Marieli Azoia Lukiantchukia*, Alessandra Prata Shimomurab,


Fernando Marques da Silvac, Rosana Maria Caramd

a Universidade Estadual de Maringá,


Resumo
Departamento de arquitetura e
O conhecimento da distribuição de pressão das superfícies dos
urbanismo. Maringá-PR, Brasil.
edifícios é importante para a avaliação de cargas de vento e da
*E-mail: malukiantchuki2@uem.br ventilação natural. As distribuições de pressão induzidas pelo vento
são influenciadas por um ampla gama de fatores, incluindo as
b Universidade de São Paulo,
condições do entorno urbano e a geometria do edifício. No entanto,
Faculdade de Arquitetura e
a maioria desses estudos é focada em edifícios de geometrias
Urbanismo. São Paulo-SP, Brasil.
simples e não em geometrias mais complexas como edifícios com
sheds na cobertura. A falta de dados para edifícios com formatos
c Laboratório Nacional de Engenharia
mais complexos faz com que os projetistas usem bancos de dados
Civil. Lisboa, Portugal.
existentes para edifícios simplificados, o que não é compatível com a
distribuição de pressão nas superfícies dos edifícios com geometrias
d Universidade de São Paulo, Instituto
compelxas. Neste estudo, investigou-se a influência da geometria dos
de Arquitetura e Urbanismo. São
edifícios na distribuição dos coeficientes de pressão nas superfícies
Carlos-SP, Brasil.
de edifícios vedados. Quatro modelos foram avaliados: o caso de
referência com uma geometria simples (paralelepípedo) e três
modelos de edifícios com sheds na cobertura: o modelo um apresenta
Palavras-chave: sheds com formato ortogonal e os modelos dois e três, com sheds
ventilação natural, coeficiente que apresentam geometrias aerodinâmicas. A metodologia utilizada
de pressão, simulação CFD, foram simulaçoes com base em Dinâmica dos Fluídos Computacional
geometria dos edifícios, sheds. (CFD). Os resultados mostram que edifícios com sheds na cobertura
proporcionam mudanças significativas na distribuição de pressão na
Keywords: superfície dos edifícios, devido às múltiplas áreas de separação do
natural ventilation, pressure fluxo de ar e recirculações de ar ao longo das fachadas. Além disso,
coefficient, CFD simulation, mudanças significativas foram identificadas nos edifícios com sheds
geometry building, shed roof. aerodinâmicos em relação ao sheds ortogonais.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 15


Abstract
Knowledge of the pressure distribution on building walls is important for the evaluation of wind
loads and natural ventilation. Wind induced pressure distributions are influenced by a wide range
of factors including urban surroundings and building geometry. However, the majority of these
studies focused on simple building geometries without volume details such as shed roof. The lack of
data for complex geometries leads designers to use existing databases for simple geometries which
is not compatible with the pressure distribution on the building surfaces with complex geometries.
In this study, the influence of geometry building on pressure coefficient distribution around closed
buildings was investigated. Four models were evaluated. A reference case with simple geometry
and three models with shed roofs are analyzed. Model 1 has orthogonal sheds on the roof; Models 2
and 3 have aerodynamic sheds on the roof. The methodology used is Computational Fluid Dynamic
(CFD) simulation. It is shown that shed roof buildings can lead to very strong changes in the pressure
distribution, because they introduce multiple areas of flow separation and recirculation across
the facade. In addition, significant changes were identified with aerodynamic sheds in relation to
orthogonal sheds.

1 Introduction
The building external pressure distribution assessment is essential for both evaluating wind loads and
the performance of wind induced natural ventilation (CÓSTOLA; BLOCKEN; HENSEN, 2009; MONTAZERI,
AZIZIAN, 2008; MONTAZERI et al., 2010; KARAVA; STATHOPOULOS; ATHIENTIS, 2004), usually expressed
by the pressure coefficient (Cp) and with a natural influence in the thermal performance of a building.
Thus, it is an important input data for several simulation programs of building thermal performance
and airflow calculations, such as Energyplus, Aiolos, Contam and EDSL-TAS (WIT, 2001; ORME, 1999;
CRAWLEY et al., 2008). The Cp is defined as the dimensionless quotient between the dynamic pressure
measured at a point x on the facade of the building (Px) and the dynamic pressure of the undisturbed
airflow (Pd) (Equation 1) (AWBI, 1998; ETHERIDGE; SANDBERG, 1996). The undisturbed flow dynamic
pressure (Pd) is the force per unit area exerted by the wind in an orthogonal plane to the direction of
flow (Equation 2).

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 16


Cp = Px/Pd (1)

Pd = ρVref2 / 2 (2)

Where:

Pd: dynamic fluid pressure (Pa)

Vref : reference velocity measured at the same height as the building roof (m/s)

ρ: air specific mass (kg/m3 )

The pressure distribution on the walls of a building is influenced by a wide range of factors, including
flow conditions of approach (STATHOPOULOS, 1997), urban environment (KIM; YOSHIDA; TAMURA,
2012), building geometry (UEMATSU; ISYUMOV, 1999 ) and wind direction (LEVITAN et al., 1991). In
particular, a construction with complex geometry may affect the surface pressure distributions on the
walls and roofs of buildings (STATHOPOULOS; ZHU, 1988). Naturally, Cp data available for designers
about complex geometries is scarce due to the uniqueness of such cases. The existing data bases
provide a limited number of Cp data for simplified building geometries, such as cubes, cylinders and
parallelepipeds of different proportions, isolated or included into regular urban meshes (CÓSTOLA;
BLOCKEN; HENSEN, 2009, ALLARD, 1998; SANTAMOURIS; WOUTERS, 2006; BITTENCOURT; CÂNDIDO,
2008, ORME; LIDDAMENT; WILSON, 1994; TOKYO POLITECHNIQUE UNIVERSITY, 2018; SANTOS, 2016).
A common practice in the absence of these data is the use of Cp values obtained for other buildings
of similar shapes which causes errors in the airflow analysis. In addition, the use of the mean Cp of
the facade leads to significant errors in the airflow calculation, presenting differences of up to 40 %
(CÓSTOLA et al., 2010).

CFD simulations have been used on many occasions in the past to determine the wind-induced
pressure distributions on the facades of buildings. Cóstola and Alucci (2011) state that the use of CFD
to define Cp is feasible and constitutes an important alternative to wind tunnels. However, different
simulation configurations lead to considerable deviations, both in absolute terms (up to ± 0.5 %) and
in relative terms (up to 50 %). This work aims at evaluating the influence of roof shed geometry on the
pressure coefficients of the surface of the closed buildings through CFD simulations.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 17


2 Methodology
2.1 Description of the evaluated models

Four models with dimensions of 5 m x 75 m x 6 m (L × C × H) were evaluated: i) the reference


case presents a simple geometry (parallelepiped); ii) case 1 has three sheds of orthogonal geometry
(sawtooth) on the roof, with a slope of 22° and spaced from each other by 2.50 m; iii) case 2 sheds
with a double curved aerodynamic geometry, and; iv) case 3 sheds with a simple curved aerodynamic
geometry. The choice of shed geometries was based on the survey conducted by Lukiantchuki (2015)
about the sheds designed by the architect Lelé in the Sarah Network hospitals. The chosen geometries
referred to the Sarah hospitals of Salvador and Fortaleza, respectively. The evaluated models are
totally closed (without openings). Cp values were evaluated on the building surface along vertical
lines: the center line was located 2.50 m from the lateral wall. The edge line was located 1.25 m from
the lateral wall (Figure 1). The sheds can work as air extractors or collectors depending on the opening
orientation to the prevailing winds. This paper shows the data of the air-extractor shed situation. In a
future work, these same data will be compared to a situation with air collector sheds.

Figure 1 - Evaluated models with centre and edge lines on the building surface (dimensions in meters)

Reference case Case 01


5.00 7.50 5.00
7.50 2.50
2.50
1.25 1.25

1.00

6.00 6.00 5.00

5.00
5.00
Prevailing wind Prevailing wind

Case 02 Case 03
5.00
7.50 7.50
2.50 2.50
1.25 2.50
2.50

1.00

6.00 5.00
6.00

7.50
5.00
5.00
Prevailing wind Prevailing wind

Source: the authors

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DOS ARTIGOS SELECIONADOS PARA A
REVISTA
2.2 Computational Fluid Dynamic (CFD) simulation
btidas dos artigos
The CFDoriginais.
simulations Conferir com as using
were performed equações do documento
CFX 12.0 software. The three-dimensional models and
computational domain were built using AutoCAD software. The rectangular domain dimensions
followed the recommendations of Harries (2005), Franke et al. (2007) and Tominaga et al. (2008):
windward and on the sides = 5H (25 m); height = 6H (30 m); and leeward = 15H (75 m). The height of
the simulated model was 5 m (Figure 2a). The area of obstruction of the building in the domain is
in accordance with the suggestion of Cost (2004), which recommends a value below 3 %. For all the
simulations, a tetrahedral structured mesh was used whose global parameters were: (a) maximum
element size 16; (b) natural size 4; and (c) cells in gap 8. The mesh was refined on the building surfaces,
using a value of 0.10 m to improve the visualization of the airflow (Figure 2b). The combination of
these parameters determines the number of mesh elements and the processing time of the simulations.

The domain conditions were: (a) inlet domain as Inlet and outlet domain as Outlet; (b) the domain
sides Px
Cp = P x/Pand
d theou domainCpceiling
= as wall free slip, because it does not impose resistance to the parts
of the domain where no important
Pd analyses are performed; and (c) the domain floor and building
surfaces as wall no slip (with friction). For the computational simulations, the input velocity was
refsurroundings as a suburban environment with a value of α = 0.25,
U 2= 2.5 m / s (Re= 9E5), andρVthe
2
P d = ρV ref /2 by Building
ou PResearch
d=
adopted 2 Establishment (1978), using Equation 3 as follows.

 α
U h (3)
=
Uref href

Where:

U: average wind
N velocity at a certain point h (m/s);
C(x) = uT Ku = (xe )p uT
e K0 ue
e=1
Uref : wind velocity measured at reference height (m/s);
V (x)
h: building height
= fvto be evaluated for wind velocity (m);
VT
href : reference height of the wind velocity (10 m);
Ku = f
α: power law exponent of the atmospheric boundary layer (surrounding)

Re U √A/υ. Reynolds number


0 < xmin ≤ xe ≤ 1
A=LxH (m2).

υ: kinematic viscosity (m2/s)

Vef = V + kσv

1 Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 19


Figure 2 - (a) Dimensions of the computational domain and (b) tetrahedral mesh generated for all cases

6H = 36.0

10H = 60.0

5H = 30.0

5H = 30.0 5H = 30.0

(a) (b)

Source: the authors

A steady state condition was adopted for simulation, in an isothermal condition at 25 ºC (wind
action). The turbulence model used was K-Epsilon which is common and well established in several
studies of fluid dynamics and natural ventilation (CALAUTIT; HUGHES, 2014). The level of convergence
was established when all residual levels reached a maximum value of 10-4. The numbers of minimum
and maximum iterations adopted were 600 and 6,000, respectively. These parameters were based on
several studies using CFX software (BRANDÃO, 2009; CÓSTOLA, 2006; LEITE, 2008; PRATA, 2005).

3 Results
The impact of the buildings geometries on the Cp values of the surface of the models is investigated
by comparing a simple geometry building (parallelepiped) with buildings of complex geometries
which have different types of sheds on the roof. The analyzes were performed for the wind incidence
perpendicular to the facade (0° - air extractor shed situation). Figure 3 shows the Cp distribution on
the surface of the four evaluated cases.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 20


Figure 3 - Cp Distribution on the surfaces of the (a) reference case; (b) case 1; (c) case 2 e (d) case 3

Side facade Side facade

Sheds´s roof
Roof

Windward facade Leeward facade Windward facade Leeward facade

(a) (b)

Side facade Side facade

Sheds´s roof Sheds´s roof

Windward facade Leeward facade Windward facade Leeward facade

(c) (d)

-1.60 -1.43 -1.27 - 1.10 -0.94 -0.77 -0.61 -0.44 -0.28 -0.11 0.06 0.22 0.39 0.55 0.72
Cp

Source: the authors

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The diferences in the Cp distribution due to the addition of sheds in the coverage and the different
geometries of these elements are evident. In the windward facade, the Cp distribution pattern on the
surfaces is similar for all evaluated cases. However, there is a difference in values, especially in the
mid-point of the facade, being higher for the reference case. The great divergence between the models
is on the roof surface, both in the distribution pattern of pressures along the surface and as in the
values, due to the presence of the sheds with different geometries.

In the lateral and leeward facades, differences were also recorded. The reference case and Model
1 have similar behavior, not presenting any significant change due to the change of the building’s
geometry. Models 3 and 4 show differences in the airflow distribution in these surfaces. The airflow
affects perpendicularly on the windward face, contours the building at high velocities, causing
shadows of wind on both sides of the building (separation of the flow) and, therefore, reduces the Cp
values in these regions. As a result, it is noted that the smaller these values, the closer the windward
face. As it approaches the leeward facade, the Cp becomes larger, that is, less negative tending to
positive values. Due to the perpendicular incidence of the winds in the building, the Cp distribution
on these surfaces is symmetrical (Figure 3). The analysis of the results is even more evident with
Figure 4 which compares the CFD simulation results of the Cp values along the vertical measurement
axes (central and edge axes) for all analyzed cases.

Figure 4 - Cp distribution on the building surfaces in the (a) central axes and (b) edge axes

0.8 0.8
0.6 0.6
0.4 0.4
0.2 0.2
0 0
-0.2 -0.2
Cp

-0.4 -0.4
-0.6 -0.6
-0.8 -0.8
-1 -1
-1.2 -1.2
-1.4 -1.4
-1.6 -1.6 L(m)
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22

(a) (b)

Reference case Case 01 Case 02 Case 03

Source: the authors

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 22


Figure 4 confirms the complexity of the Cp distribution along the building with sheds on the roof and
the impact of the building geometry on the Cp distribution on the building surface. In addition, an
increase of this complexity is noticed when the sheds have aerodynamic geometries. At the windward
facade, at half height of the facade, for the central and edge axis, the Cp values converge, presenting
very similar data for the four cases which were analyzed. It is emphasized that, in simulations of
thermal performance, the use of Cp values by the midpoint in the facade is common and, thus, this
change in geometry would not lead to significant differences in these values. However, the use of an
average value may lead to significant deviations in behaviour, especially in border areas. A significant
difference is observed along the axis of the facade due to the different geometries, this difference
being more expressive in case 3. The modification of the shed geometry produces a different profile
of Cp along the facade, mainly in the upper region (near the sheds), recording lower pressure zones,
when sheds are included in the building. This is because of the different curvatures in the separation
between the facade and the roof. In case 3, most evident, the curvature of the shed keeps the flow
adhering to the surface by accelerating it and, consequently, there is a reduction in pressure. The
divergence registered which is significant in the performance of the internal airflow, was not captured
by the average Cp of the facade, as previously recorded, indicating that the use of this value as input
data of the thermal performance software creates false results.

In case 1, it is noted that this difference is due to the inclination of the sheds which allows the direct
impact of the airflow on the roof and, later, a great wind shadow. In the reference case, its simple
geometry forms a single wind shadow on the roof, originating from the airflow that faces the windward
facade and generating Cp negative values along the entire roof surface. The region closest to the
windward facade shows more negative values and, as it moves away from this region, the values are
less negative. In case 1, the wind totally tangents the 1st shed with high velocities, presenting more
negative Cp values. This slope of the shed generates a large zone of strongly depressive separation
near the vertical surfaces, where the shed openings are usually located and, therefore, Cp values are
more negative which favors the extraction of the air by the roof. This effect generates a wind shadow
in the 2nd shed with air recirculation zones and lower Cp values. The same occurs in the 3rd shed, but
with lower velocities and, thus, the Cp are larger (Figures 4 and 5).

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Figure 5 - Velocity vectors on the surfaces of the (a) reference case, (b) case1, (c) case 2 e (d) case 3

separation flow
separation flow
Velocity

3.30

flow up
2.83 restoration of flow flow up
restoration of flow
stagnation point stagnation point
2.36

flow down flow down


1.89
(a) (b)

1.42
separation flow separation flow

0.95

0.48 flow up
flow up restoration of flow
restoration of flow
stagnation point stagnation point
0.01
(ms/1) flow down
flow down

(c) (d)

Source: the authors

Due to the aerodynamic geometry sheds in cases 2 and 3, the way that the airflow contours the
geometries which reduces the frontal separation zone and significantly increases the velocity, causing
a significant decrease in the Cp values. This is noticed at the highest point of the 1st shed: significantly
higher velocities, with a more pronounced shadow zone and, consequently, more accentuated pressure
drops in relation to the other cases, especially case 4 whose values are significantly lower (Cp around
-0.95 and -1.60 for cases 3 and 4, respectively). In the latter sheds this effect continues to occur due
to the airflow passing through the 2nd and 3rd sheds, being more intense in case 4 and non-existent in
case 1. In the second part of the sheds of case 4, the higher Cp values due to the recirculations in this
region at low velocities. It should also be noted that, in case 1, the pressure at the beginning of the
roof shows an oscillation (Figure 4) due to the separation and re-collation areas formed between
the edge and the shed.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 24


4 Conclusions
Through this research, it is clear that the architectural design directly interferes with the Cp distribution
on the building surfaces. The reference case, that is, the model with a simple parallelepiped geometry,
is not representative of any of the typologies with analysed sheds, reinforcing that a change in the
building geometry causes significant deviations in the Cp distribution on the building surfaces. This
implies that accurate Cp values for these complex geometries are crucial for a successful evaluation
of the performance of internal airflow. Using the Cp values available in the current databases for
buildings that have elements in their geometries, which differ in simple geometries can lead to
erroneous results that are incompatible with the reality. Thus, these standard values should not be
used as input data for thermal performance simulation programs, but rather, the Cp values for each
specific case must be evaluated .

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Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 27


Artigos técnicos Otimização topológica de sistema de
contraventamento em edificios altos
Topology optimization of bracing systems for high-rise
buildings

Rayanne Expedita Lopes Pereiraa, Gustavo Bonoa*,


Giuliana Furtado Franca Bonoa

a Universidade Federal de
Resumo
Pernambuco (UFPE), Centro
Atualmente, os centros urbanos das cidades brasileiras apresentam-
Acadêmico do Agreste, Programa
se cada vez mais verticalizados, portanto, os arquitetos e engenheiros
de Pós-Graduação em Engenharia
precisam de ferramentas eficientes para analisar os efeitos do vento
Civil e Ambiental (PPGECAM).
sobre as edificações. Tendo em vista o amadurecimento das ferramentas
Caruaru-PE, Brasil.
de simulação numéricas, bem como o avanço dos computadores,
a Otimização Topológica (OT) apresenta-se como uma eficiente
*E-mail: bonogustavo@gmail.com ferramenta para a determinação de sistemas de contraventamento
para edifícios altos. No presente trabalho, para obter as cargas do
vento que atuam no edifício, adota-se a norma NBR 6123/1988 –
Palavras-chave: Forças devido ao vento em edificações. Foram considerados quatro
Otimização Topológica, carregamentos distintos, cargas em uma ou duas faces do edifício
norma NBR e cargas em todos os pavimentos ou cada três pavimentos. Para a
6123/1988, sistemas resolução do problema bidimensional de OT empregam-se os métodos
de contraventamento, SIMP e BESO. Observou-se, que as estruturas otimizadas com o método
edifícios altos. BESO obtiveram estruturas menos flexíveis, no entanto o método SIMP
demandou maior tempo de processamento em comparação com o
Keywords: método BESO. Quanto ao tipo de carregamento, percebeu-se que as
Topological optimization, estruturas obtidas com carregamentos aplicados em todos os andares
standard NBR 6123, possuem maior rigidez.
bracing system, tall
building. Abstract
The urban center of Brazilian cities is becoming more and more
vertical, therefore architects and engineers need efficient tools
when analyzing the wind action on buildings. The development of
numerical simulation and the increase of computational capacity
have contributed to the development of optimization tools such
as topological optimization (TO), which can be used efficiently in
the design of bracing systems for high-rise buildings. In this paper,
the Brazilian wind standard NBR 6123 was used to find the wind

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 28


loads acting on a tall building. Four load scenarios were considered. For the solution of the bi-
dimensional TO problem, two different methods were applied: the SIMP method and the BESO
method. The optimized structures obtained with the BESO method were less flexible. Also, this
method was more efficient when considering computational cost. Moreover, it was observed
that the structures obtained from the load scenario which considered the loads applied to each
floor level presented the higher stiffness.

1 Introdução
Edificações em geral são expostas às forças dos ventos, sendo essas de caráter dinâmico, possuindo,
portanto, crescente necessidade de ser quantificada, haja vista que os efeitos induzidos pelo vento
sobre os sistemas estruturais se apresentam como fatores de risco à estabilidade das edificações,
podendo provocar acidentes ou danos.

No cenário dos edifícios altos, a necessidade de reduzir custos e materiais torna-se inevitável,
havendo desta forma a necessidade dos arquitetos e engenheiros desenvolverem metodologias para
conceber melhores projetos. Como alternativa, pode-se destacar o uso de técnicas de otimização,
haja vista que o processo de otimização estrutural consiste em obter o projeto do sistema estrutural
de melhor desempenho.

Desse modo, o presente trabalho visa, através do emprego da Otimização Topológica (OT), em
conjunto com a norma brasileira NBR 6123/1988, otimizar o sistema estrutural de contraventamento
do edifício padrão CAARC. No estudo, consideram-se quatro carregamentos produzidos pelo vento
conforme a norma brasileira NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988) nas
direções 0° e 90°. Para a OT bidimensional foram empregados os métodos Solid Isotropic Material
with Penalization (SIMP) e Bi-Directional Evolutionary Structural Optimization (BESO).

2 Fundamentação teórica
De acordo com Xie, Felicetti e Tang (2014), o processo de otimização estrutural consiste em obter
o projeto de melhor desempenho, ou seja, encontrar o ótimo, tornando essa busca única. Desse
modo, o resultado obtido através da otimização estrutural torna-se independente do profissional.

O principal objetivo da OT é a busca pelo leiaute ou topologia de uma quantidade fixa de material que
satisfaça determinados conjuntos de restrições do projeto estrutural, minimizando ou maximizando
a função objetivo, sendo definida a função objetivo a partir do conjunto de variáveis de projeto que
descrevem o sistema estrutural.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 29


REVISTA EQUAÇÕES DOS ARTIGOS SELECION
Artigo 07
uações foram obtidas dos artigos originais. Conferir com as equações do documento
EQUAÇÕES DOS ARTIGOS SELECIONADOS PARA REVISTA
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Nenhuma equação EQUAÇÕES DOS ARTIGOS SELECIONADOS PARA A
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REVISTA final revisado.
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07As equações foram asobtidas
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OT, os métodos SIMPcome BESO,
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as equações
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destacam-se por sua ampla difusão
REVISTA
na artigos
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área acadêmica e industrial.
ConferirOcom método SIMP foi
Conferir com as equações do documen
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final revisado. originais. as equaçõesP xdescrito pela primeira vez por Bendsoe (1989),
do documento
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Cp = originais.
PAs
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x/P dartigos
direta, ou Artigo
ouConferir
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Cp
densidade as07
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obtidasoriginais.
equações Conferir
do originais.
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com Conferir
as equações
P d e o termo SIMP foi introduzido pelos autores
artificial, comdoas
foram obtidas dosRozvany,
artigosZhouoriginais.
e Birker Conferir
AsNesse commétodo,
equações as equações
foram do documento
obtidas oudos
nãoartigos originais.
é tratadaConferir
através docom uso as equaçõe
visado. final revisado. final(1992).
revisado. final revisado. a existência de material
de um modelo de material fictício,
final emNenhuma
revisado. que as regiões 2 possuem valores de densidades, variando entre
equação
Artigo
o 09 07 os limites de 0
Artigo e 1,
P d = ρV07 configurando
2
ref /2
o
ou material Pd = vazio
ρV
e sólido, respectivamente. Deste modo, ao utilizar
ref
2
a técnica denominada SIMP, o comportamento constitutivo do material intermediário (artificial) é
goNenhuma
07Artigo 07 por uma Artigo
definido
equação função paramétrica 07 Artigo Pp,xαassociada07 com a densidade do material. Desta forma, a
ção
Cp =Nenhuma
P x/P d equação
densidade associada a cada Artigo
ou Uponto doh07
Cp
= Artigo
domínio
P d é utilizada 09 para a determinação do tensor constitutivo
=
ma equação
Nenhuma do equação
material, conforme Nenhuma
podeUrefserequação
vistoNenhuma
com maisequação
href detalhes em Bendsoe e Sigmund (1999; 2003).
Px
ão Nenhuma equação Cp = P x/P d ou Cp =
Artigo 09 A definição
P d = Artigo
ρV 2
Pd
ref /2 do 09
2 ref
ρVformal problema
ou P de
d =otimização pode ser apresentada como:
Artigo
go 09Artigo 11 09 Artigo 09 Artigo
2
Cp09
Px 2
Cp =  P x/P  d ou = Px ρVref
Cp = P x/P d C(x) Uou Artigo
Th =
α P xN 09 Cp = P Px/P
d d ou PCp
d == ρV
Pref
2
d
/2 ou Pd =
minimizar == uCp Ku = P d (xe )Pp uxT e K0 ue P x(1) Px Px 2
Cp = PUx/P d Cphref =
ouP x/Pe=1 Cpd = ou Cp Cp== P x/P d Cp = ouP x/PCp d = ou Cp =
ref Px Pd 2 Pd P d P x  Pd
Cp = P x/P d ou Cp
2 = ρVref Cp = P x/P d ou2 Cp = α
P d = ρVref /2 P d2ou Pd = 2 ρV U Phd
ρVref P d = ρVref 2 /2 ou P d = ref =2
Pd = 2
ρVrefa/2
sujeito ou Pd = V (x) (2) 2 Uref ρV href
o 11
2 2 2
2 2 2= fv ρVref ρVref 2 2 ref ρVref
P d = ρVref /2 P d = ouρV VρV
T 2
ref P/2d = ou 2α PPd d== ρVref /2 P d = ouρVref P /2d = ou P2 d =
2 U ref
h 2  2 2 ρVref 2
P d = ρVref /2 ou P d
N = P d = ρV ref /2
α ou P d =
  =
p2 T h
U h 2
uαe KArtigo α11
α
C(x)U= uT Kuh = U(x e) 
ref u
ref
0 e =  α  α
= U U h
Uref  href=αe=1 hKu = Uf
=
h ref
(3) Uref = h U 

h
U h
Uref href Uref href Uref U href Uref hT hrefN
= = (xe )p uT
Artigo 11 Uref
Artigo 11 hVref(x)
= fv
UrefC(x) =href u Ku =
e=1
e K0 ue

VT 0 < xmin ≤ xe ≤ 1
go 11Artigo 11 Artigo 11 Artigo
N
11 (4)
T p T N
C(x) = u Ku = (x ) u K u
T
 N
Artigo
p N T
11 NC(x) = u Ku = (xe)puNTeK0ue V (x)N = fv
e=1
e e 0 eT
C(x) = u Ku = (xe ) uK0 ue   VT
TKu = f e e=1
onde, C(x) = é au KuC(x)= =(xue )TpéKu
flexibilidade, uoTeK vetor
=0 ue de p T
(xdeslocamentos,
e ) uC(x)
e K0 u=
T
e u Kué =a matriz
C(x) =(xue p T
)Tde =0 ue (xe )péuT
urigidez,
Ku eK ea K0 ue
Artigo 12C(x) densidade
= u KuT
do =
e=1
N
elemento, p e=1
(xe ) ue K T V (x)
é 0ouvetor de deslocamento doC(x)
e=1 elemento, T e=1
= u Ku =
N
é a matriz p e=1
(xe ) de T
ue rigidez
K0 ue do
e
= fv V (x)
elemento, V (x)e=1 é o volume, VT é o volume total de domínio, = fv é a fração e=1de volume,Ku = f é o
= fVv(x)Vef = V +V kσ (x)v VT V (x) V (x)
vetor de carga V0T e< xmin ≤é ox=valor
≤ 1de densidades
e f = f relativas mínimas. = fv = fv
v v
V (x) VT VT VT V (x) VT
= fv = fv
VTotimização estrutural Ku = f VT
O método de 1 evolucionária BESO, baseia-se Ku = f em métodos 0heurísticos
< xmin ≤em xeque
≤1
é selecionada Ku = fquantidade de material a ser removido ou adicionado gradualmente
certa (HUANG;
o 12
XIE, 2010). O métodoKu =f
foi desenvolvido Kua = f da metodologia proposta
partir Ku = fpor Xie Ku = f (1996)
e Steven
Ku = f
e conhecida como Evolutionary Ku = f
0 < x Structural ≤ xe ≤ 1Optimization (ESO). No método BESO, a estrutura é
Vef = V + kσv min Artigo
elementos, ou12
0 < xmin ≤ xe ≤ 1
otimizada0 < removendo
xmin ≤ xe e≤adicionando
1 seja, o elemento em si, ao invés de ser associado
a parâmetros físicos,
0 < xémin tratado
≤ xecomo 0≤<1 xamin variável
≤ xede≤projeto.
1 O problema
0 < xmin de≤OTxcom
e 0≤< restrição
1xmin ≤de xevolume
≤1
BESO, ≤1 1 ao apresentado nas Equações (1) até 0 <(3),
Artigo 12 no método
0 < xmin
não assumem Artigo
≤ xéesimilar
valores 12 intermediários dentro do intervalo [0,1]. Para o método BESO, empregam-se
no ≤entanto,
xmin xeV≤ ef 1=asVvariáveis
+ kσv

go 12Artigovariáveis 12 de carácter discreto, admitindo


Artigo Vef 12 = Artigo
V + kσv 12
apenas os valores 0 e 1, configurando o material sólido e
1
vazio, respectivamente. Artigo 12 V ef = V + kσ v
Vef = V + kσv
Vef = V + kσvVef = V + kσv Vef = V + kσvVef = V + kσv
1
Vef = V + kσv 1 Vef = V + kσv
1
1 1 Revista IPT | Tecnologia e Inovação 1 v.2, n.10, abr., 2019 1 30
1 1
O principal objetivo do sistema de contraventamento é aumentar a rigidez das estruturas, permitindo-a
resistir às ações horizontais, sendo os grandes responsáveis pela segurança das estruturas de edifícios
altos. Conforme Franca (2003), o sistema de contraventamento permite que as estruturas possuam
um comportamento mais eficiente em relação às estruturas puramente aporticadas, isso ocorre,
em decorrência da eliminação dos momentos de ligações entre vigas e colunas. Ao inserir barras
diagonais no interior dos quadros aporticados é possível fazer a eliminação desses momentos. Dessa
forma, os esforços devido à carga lateral são absorvidos principalmente pelas diagonais e não mais
pelas vigas. Assim, todos os elementos que formam esse treliçamento praticamente ficam sujeitos
apenas a esforços axiais, o que torna este sistema estrutural muito eficiente. O melhor desempenho
pode ser justificado pelo fato das barras trabalharem predominantemente sob esforços axiais de
tração e compressão, resultando em estruturas mais rígidas às cargas laterais.

As cargas devido ao vento para efeitos de cálculo na edificação podem ser determinadas pela
norma NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988), cujo objetivo é fixar
as condições exigíveis na consideração das cargas provocadas sobre as estruturas devido às ações
estática e dinâmica do vento. Na Figura 1, mostra-se um fluxograma com o procedimento de
cálculo conforme definido na norma NBR 6123/1988.

Figura 1 - Fluxograma para obtenção de cargas com a NBR 6123/1988

1 Definição da 2 Calcular a 3 Calcular 4 Determinar os 5 Calcular


velocidade básica, velocidade a pressão coeficientes de as forças
através do mapa característica dinâmica pressão em função atuantes
das isopletas das características
da geometria da
𝑽𝒌=𝑽 𝑺𝟏𝑺𝟐𝑺𝟑 𝒒 = 0,𝟔𝟏𝟑𝑽𝒌𝟐 𝑭𝒂=𝑪𝒂𝒒𝑨E
estrutura(Utilizar as
tabelas 4 a 8 da norma
𝑺𝟏 = Fator topográfico
𝑺𝟐 = Fator de rugosidade
NBR 6123/1988)
𝑺𝟑 = Fator estático

Fonte: elaborado pelos autores de acordo com a norma NBR 6123 da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (1988)

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 31


3 Metodologia
Para o presente trabalho, foi desenvolvido um código implementado no ambiente MATLAB,
empregando-se o Método dos Elementos Finitos para a discretização do domínio e os métodos de
OT, SIMP e BESO, para problemas em Elasticidade Linear bidimensional. O código foi desenvolvido
tomando-se como base os programas implementados para o critério de otimização OC (Optimality
Criteria) por Andreassen et al. (2011) e Huang e Xie (2010), respectivamente. No código, foram
implementados para o método SIMP os solvers baseados nos métodos de aproximação sequencial
(SAO - Sequential Approximate Optimization) de sub-problemas: (1) o SAO-Dual (Approximate
Sub-problem in Dual form), (2) o SAO-QP (Approximate Sub-problem in Quadratic Program form)
e (3) o Método das Assíntotas Móveis (MMA - Method of Moving Asymptotes). Para os métodos de
interpolação, foram utilizados a aproximação RAMP (Rational Approximation of Material Properties)
e ModSIMP (Modifed Solid Isotropic Material with Penalization).

Com o intuito de melhorar o desempenho computacional do método BESO original (HUANG; XIE,
2010), foram realizadas as mesmas modificações empregadas por Andreassen et al. (2011). Para mais
detalhes com relação às implementações no código desenvolvido, ver Pereira (2018).

Para a otimização bidimensional dos sistemas de contraventamento considerando os efeitos do


vento, adota-se o edifício padrão do Commonwealth Advisory Aeronautical Research - CAARC
(MELBOURNE, 1980), que tem sido uma referência recorrente em diversas pesquisas na área da
Engenharia do Vento. O edifício CAARC é um prisma retangular de 61 pavimentos com as seguintes
características, base de 30,48 m por 45,72 m e altura 183,88 m.

Os carregamentos foram obtidos mediante a norma NBR 6123/1988, considerando a edificação


localizada na cidade de Caruaru (PE). Para o estudo consideram-se os seguintes valores dos
parâmetros: velocidade básica (V0 ) de 30 m/s, o fator topográfico é = 1, o fator estático é = 1 e o
fator de rugosidade define-se como categoria IV e classe C.

No estudo, consideram-se quatro casos de distribuição de cargas, conforme mostrado na Tabela 1. Os


coeficientes de arrasto necessários para o cálculo das forças, determinam-se considerando o caso de
baixa turbulência, e são iguais a 1,25 e 1,45, para os ângulos de incidência 0° e 90°, respectivamente.
Através dos dados fornecidos anteriormente, é possível obter o carregamento devido ao vento
utilizando a norma NBR 6123/1988, conforme visto na Figura 1.

Tabela 1 - Casos utilizados para distribuição de cargas

CASO 1 - Carregamento nas duas faces e em todos CASO 3 - Carregamento em todas as faces, aplicada
os andares, ou seja, a cada 3 m cada 3 andares
CASO 2 - Carregamento em uma única face (frontal), CASO 4 - Carregamento em uma face (frontal) e a
em todos os andares cada 3 andares

Fonte: elaborado pelos autores

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4 Validações
Na Figura 2, apresentam-se as soluções e os principais parâmetros (número de iterações, valor da
função objetivo e tempo adimensional) obtidos com o programa desenvolvido para os métodos SIMP
e BESO considerando o problema clássico da viga biapoiada com carga no centro (viga MBB). Também,
mostram-se na figura os resultados obtidos por outros autores. Devido à simetria do problema,
resolve-se a metade do domínio, ou seja, uma relação comprimento/altura = 3/1. Utilizou-se para o
caso SIMP, os métodos ModSIMP e OC, como métodos de interpolação e atualização das variáveis
respectivamente. Para o método BESO, a atualização das variáveis deu-se em função do método OC.

Figura 2 - Análise comparativa da solução no caso da viga MBB com os métodos SIMP e BESO

Tempo
Parâmetros Método Autor Resultado Iteração F.O
(adimensional)
Nobel - Jorgensen
SIMP e Baerentzen – – –
(2015)

Malha = 120X40
SIMP Autor 100 207,04 2,33
rmin = 3

BESO Autor 46 186,46 1

Van de Vem
SIMP – 208,76 –
(2014)

Malha = 150X50
SIMP Autor 94 208,66 1,77
rmin = 4

BESO Autor 42 188,26 1,41

Andreassen
SIMP – 222,29 –
et al. (2011)

Malha = 300X100
SIMP Autor 95 246,05 7,96
rmin = 16

BESO Autor 42 195,88 5,75

Fonte: elaborado pelos autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 33


Para o exemplo, foram utilizados os seguintes valores nos coeficientes e parâmetros: o coeficiente
Poisson é 0,3, 0 fator de penalização é 3, a fração de volume é 0,5, o módulo de elasticidade é 1, o
filtro de sensibilidades (rmin) adota-se conforme o refinamento da malha, o critério de parada é 0,01
e a tolerância necessária para determinar os limites das variáveis em cada iteração é 0,2.

Deve-se ressaltar que as alterações realizadas no método BESO original (HUANG; XIE, 2010),
melhoraram consideravelmente o tempo de processamento, haja visto que, a utilização do código
original necessitou de aproximadamente 38 vezes mais de tempo de processamento em comparação
com o código implementado para uma viga com uma discretização de 150 x 50.

Analisando os resultados obtidos, pode-se concluir que os mesmos estão em conformidade com
as soluções encontradas na literatura. Observa-se, que o método BESO sempre apresentou-se os
menores valores da função objetivo em comparação com o método SIMP independentemente
da discretização empregada. A diferença entre os valores pode ocorrer em virtude da energia de
tensão superestimada para os elementos com densidades intermediárias na topologia obtida pelo
método SIMP (HUANG; XIE, 2010). Através dos resultados apresentados na Figura 2, percebe-se que
o método BESO obteve convergência com menor número de iterações, consequentemente, menor
tempo de processamento para todo os casos avaliados.

5 Resultados e discussão
Na Figura 3, mostram-se as estruturas de contraventamento obtidas nas duas faces do CAARC
considerando os métodos de OT, SIMP e BESO, para os dois casos com carregamentos em todos os
andares (caso 1 e caso 2) e ângulos de incidências do vento igual a 0º e 90º. Também, apresentam-
se os valores da função objetivo, número de iterações e tempo de processamento adimensional.

As estruturas otimizadas, nos casos de carregamento cada 3 andares (casos 3 e 4) para os dois
ângulos de incidência do vento e ambos métodos de OT, apresentam-se na Figura 4.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 34


Figura 3 - Resultado da OT com cargas em todos os andares para os métodos SIMP e BESO

Carregamento em todos os andares

Direção 0º Direção 90º

BESO SIMP BESO SIMP

Caso 1 Caso 2 Caso 1 Caso 2 Caso 1 Caso 2 Caso 1 Caso 2


F.Obj (106 kNm) 793,86 367,62 835,6 391,01 90,61 42,61 99,78 45,28

Iter. 46 40 260 157 40 45 219 218

Tempo 1,51 1 10,4 3,55 2,65 1,25 12,85 5,9


(adimensional)

Fonte: elaborado pelos autores

Comparando os resultados entre os dois tipos de carregamento, observa-se que as estruturas cujos
carregamentos foram aplicados a cada 3 andares, apresentaram um maior valor de flexibilidade
em comparação aos resultados com carregamento em todos os andares (casos 1 e 2). Isso ocorre,
em virtude dos maiores valores das cargas nos casos 3 e 4.

Analisando os valores da FO com relação aos métodos de OT, verifica-se que sempre o método BESO
apresenta menor valor de flexibilidade em comparação com as estruturas obtidas com o método
SIMP, independentemente do ângulo de incidência do vento. No método SIMP, os elementos com
densidades intermediarias contribui com o aumento da flexibilidade e, portanto, com a redução
da rigidez da estrutura.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 35


Comparando os métodos SIMP e BESO, pode-se concluir que o método BESO, obteve resultados
livres de escala de cinza, uma vez que esse método não possui densidades intermediárias, portanto,
os resultados desse método são facilmente interpretados. Em contrapartida, nas estruturas
otimizadas com o método SIMP existem amplas regiões com escala de cinza, principalmente na
parte superiores das estruturas.

Figura 4. Resultado da OT com cargas a cada 3 andares para os métodos SIMP e BESO

Carregamento a cada 3 andares

Direção 0º Direção 90º

BESO SIMP BESO SIMP

Caso 3 Caso 4 Caso 3 Caso 4 Caso 3 Caso 4 Caso 3 Caso 4


F.Obj (106 kNm) 2638,84 1192,95 2638,6 1257,17 294,84 138,34 322,12 146,91

Iter. 54 33 268 224 40 38 161 281

Tempo 2,71 1 11,42 6,57 5,71 3,57 19,2 18,3


(adimensional)

Fonte: elaborado pelos autores

Na Figura 5, mostram-se as estruturas de contraventamento 3D obtidas a partir das otimizações


topológicas 2D mostradas na Figura 4. No caso do método SIMP, considera-se como material sólidos
os elementos com densidades superiores a 0,50, conforme empregado por Liu e Tovar (2014).

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 36


Figura 5 - Estruturas de contraventamento no CAARC para os métodos SIMP e BESO

Carregamento todos os andares Carregamento a cada 3 andares

BESO SIMP BESO SIMP

Fonte: elaborado pelos autores

6 Conclusões
No presente trabalho, estudou-se a otimização bidimensional de sistemas de contraventamento
de edifícios altos através dos métodos de Otimização Topológica, SIMP e BESO, considerando os
efeitos do vento. Para tal análise, as cargas devido ao vento no edifício padrão CAARC foram
determinadas através da norma brasileira NBR6123/1988.

Observou-se, que as estruturas obtidas com carregamentos aplicados em todos os andares


obtiveram maior rigidez em comparação com os sistemas de contraventamento com cargas a cada
três andares, independentemente do ângulo de incidência do vento. Com relação aos métodos
SIMP e BESO, percebeu-se que o método SIMP empregou maior número de iterações e, portanto,
maior tempo de processamento em comparação com o método BESO, porém, avaliando o valor da
função objetivo, ou seja, a flexibilidade, observou-se que o método BESO sempre obteve estruturas
menos flexíveis.

Trabalhos futuros pretendem estender, a partir do embasamento teórico aqui apresentado, o


estudo de sistemas de contraventamento tridimensionais em edificações reais.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 37


7 Agradecimentos
Os autores gostariam de agradecer à Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de
Pernambuco (FACEPE) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
pelo auxílio financeiro recebido durante a realização deste trabalho.

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Artigos técnicos Analizando los criterios utilizados en
estudios de confort eólico
Analysis of the criteria used in pedestrian level wind
comfort studies

Pablo Paisa, José Cataldoa*

a Universidad de la República Uruguay,


Resumen
Facultad de Ingeniería, Instituto de
Se analizaron diversos criterios de confort eólico. Se ensayó el
Mecánica de los Fluidos e Ingeniería
comportamiento de personas en el túnel de viento. Se identificaron
Ambiental. Montevideo – Uruguay.
similitudes y discrepancias entre la opinión de las personas y los
*E-mail: ppais@fing.edu.uy criterios analizados. Se obtuvieron valores de velocidad umbral y orden
de percepción similares a los establecidos en el criterio propuesto por
Penwarden y Wise, 1975.

Palabras clave: Abstract


confort eólico; ensayo en túnel Many outdoor pedestrian level wind comfort criteria were analyzed.
de viento. Tests were done with people in a wind tunnel. Similarities and
discrepancies were observed in people’s assessments and in comfort
Keywords: criteria. The threshold velocity and the wind perception obtained were
wind comfort, wind tunnel similar to those proposed by Penwarden and Wise in 1975.
testing.

1 Introducción
Los espacios exteriores a las edificaciones, las plazas públicas, los
edificios de instituciones, los espacios de recreación y los espacios
destinados a la realización de espectáculos son utilizados por
personas que desarrollan diferentes actividades. Algunas zonas son
destinadas a ser utilizadas como vías de tránsito de peatones, en otras
las personas se encuentran sentadas o paradas, en otras tomando
alimentos o realizando actividades de recreación. En cada caso, el
cuerpo humano tenderá a producir diferentes niveles de energía que

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 40


llevará a que requiera una mayor o menor intercambio de calor con el medio que la rodea. Además,
tendrá diferentes posturas que lo llevarán a requerir un mayor o menor fuerza para mantenerla. En
ese intercambio de calor y la fuerza que se realiza sobre el cuerpo, el viento tiene una participación
significativa. La fuerza que se establece sobre el cuerpo de una persona como consecuencia de la
interacción con el viento, tendrá una componente media que llevará a que el movimiento sea más
o menos dificultoso, pero además la componente fluctuante hará que se perciban efectos sobre la
vestimenta u objetos circundantes. En la medida que estos efectos se intensifican, el viento se vuelve
un factor molesto induciendo una falta de confort.

El confort resulta algo subjetivo y dependiente del estado físico de las personas, interviniendo
aspectos tales como la complexión, el estado de salud, el desarrollo corporal y la edad, entre otros.

Esta condición inducida por el viento se denomina confort eólico y resulta de la combinación de un
conjunto de efectos , como mencionado anteriormente.

En la medida que el cuerpo de una persona se expone a vientos de velocidades crecientes, estos efectos
se hacen más intensos, llegándose a generarse una situación de riesgo. Esta situación se suele deber
a la fuerza que se genera sobre el cuerpo humano, dando lugar a caídas o desplazamientos, aunque
también se incrementa el intercambio de calor.

Un factor que resulta también significativo en el confort eólico es el nivel de la entalpía del aire
caracterizado por la temperatura y la humedad absoluta. En la medida que estos parámetros se
incrementan se hace menor la pérdida de calor que experimenta el cuerpo expuesto a un viento de
cierta velocidad, motivo por el cual una persona tendería a soportar mayores velocidades de viento
sin percibir molestia.

Estas consideraciones hacen difícil la propuesta de criterios de confort y riesgo eólico debido a la
dispersión en la posible percepción de las diferentes personas, así como debido a la incidencia de otros
factores. El desarrollo de critérios de confort eólico implica la posibilidad de aislar el efecto del viento
de otros aspectos. En tal sentido, para conocer la opinión que una persona en relación al efecto que
le produce el viento, se deberían mantener ciertas condiciones ambientales y, además, esas personas
deben pertenecer a un grupo representativo de la sociedad en que se hace el análisis.

En la bibliografía, tal como se verá en el próximo capítulo, se identifican diversos criterios de confort
y riesgo eólico y que suelen ser los que se aplican cuando se realizan los estudios orientados a su
caracterización. Estos estudios se realizan utilizando modelos físicos o numéricos. Los modelos físicos
se realizan en un túnel de viento, el cual constituye uma herramienta de relevancia en este tipo de
estudios. El túnel de viento permite además aislar el efecto del viento de otros factores. Entonces es
posible utilizarlo como una herramienta que permita verificar algunos aspectos de los criterios de
confort y riesgo eólico haciendo que personas se vean expuestas al efecto del viento.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 41


N

T V (x)
(xe )p u=
T
C(x) = u Ku =
e=1 VT
eKfv0 ue Artigo 11
N
 N

C(x) = uVT(x)
Ku = (xe )p uT
e K0 ue C(x) = uT Ku = (xe )p uT
e K0 ue
= fe=1
vKu = f e=1
VT

V (x) V (x)
2 Criterios
KuV0=<f x de
=f
T ≤ xconfort
v
min≤1 y riesgo eólico
e VT
= fv

Un criterio de confort usualmente se compone de tres componentes como son un parámetro, un valor
umbral yKuun nível
= f de excedencia admisible. Ku = f
2 0 < xmin ≤ xe ≤ 1
Como parámetro se suele utilizar el valor medio de la velocidad del viento ( 𝑉), la denominada velocidad
efectiva ( Vef
≤= )xcomo
V +lakσdefine
v la Ecuación 1 o un parámetro característico de la 0velocidad
< xmin máxima
0 < xmin e ≤ 1 ≤ xe ≤ 1
como puede ser el máximo valor de la media en tres segundos de la velocidad (V3).
1
Vef = V + kσv (1)
Artigo 12
En esta 1= V + kσ es el valor medio cuadrático de la componente fluctuante de la Vvelocidad
Vef ecuación y kσesv
v ef = V +
un coeficiente que podría asignársele valores entre 1 y 3.
1 1
En todos los casos, el parámetro se evalúa a una altura del piso del orden de la altura de una persona,
asumiéndose alturas de entre 1,75 m y 2 m.

2.1 Algunos criterios de confort

En Koss (2006) se presenta una revisión de diferentes criterios de confort eólico, algunos de los cuales
se comentan a continuación. Asimismo, este autor realiza una comparación entre los diversos criterios.

Penwarden y Wise (1975) presentan una descripción detallada de los efectos que los vientos de
diferentes velocidades medias producen sobre peatones, basado en la escala Beaufort. A partir de
observaciones de los efectos del viento sobre las personas y cálculos del nivel del esfuerzo necesario
para caminar en contra del mismo, estos autores establecieron la correspondencia entre varios grados
de falta de confort y la velocidad media, como se muestra en la Tabla 1.

Tabla 1 – Valores umbrales propuestos por Penwarden y Wise (1975)

Valor del parámetro V (m/s) Grado de falta de confort


5 Umbral de falta de confort
10 Definitivamente desagradable
20 Peligroso

Fuente: Penwarden y Wise (1975)

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 42


Px
Cp = P x/P d ou Cp =
Px Px Pd
/P
p =d P x/P
oud Cp
ou = Cp =
Pd Pd Artigo 09
2
2 ρVref
P d = ρVref /2 ou 2 Pd =
ρVref 2
ρVref Px
2 2 Cp = P x/P d ou Cp =
=
/2ρVrefou
/2 Poud = P d = Pd
2 2
 α

U

h
α = α 2
ρVref
U U h Uref h href P d = ρV 2
/2 ou P d =
= = otra parte, Murakami y Deguchi (1981) propusieron un criterio de correspondencia
Por
ref
entre V3 como 2
Uref href
Uref href
parâmetro característico y distintos grados de falta de confort, tomando como base observaciones del
 α
desempeño de peatones realizadas en un gran túnel de viento y en las base de U un edificio
h de elevada
=
Uref en la Tabla
altura. A partir de tal análisis, estos autores proponen los umbrales presentados
N
href 2.

T
C(x) =
N u Ku N=
 (xe )p uT
e K0 ue
T T p T e=1 p T
u(x)
Ku== u Ku(x=e ) ue (x
Ke0)uue e K0 ue
e=1 Tablae=1 Artigo
2 – Valores umbrales propuestos 11 y Deguchi (1981)
por Murakami
V (x)
Valor = fv N
V (x) V (x) VT del parámetro (m/s) Grado de falta de confort
C(x) = uT
Ku = (xe )p uT
e K 0 ue
= fv = fv
VT VT V <5 Desempeño no afectado e=1
3

5 < V3 < 10 Desempeño afectado


Ku = f V (x)
10 < V3 < 15 Desempeño seriamente afectado = fv
Ku = fKu = f VT
15 < V3 Desempeño muy seriamente afectado

0Fuente: ≤ xe ≤ y1Deguchi (1981)


< xminMurakami
≤ xmin Ku = f
< xmin0 < e ≤≤1 xe ≤ 1

Otros experimentos realizados sobre peatones sugieren que el confort peatonal, además de depender
de la velocidad media, depende de las características de las ráfagas. En este 0<caso
xminse puede
≤ xe ≤utilizar
1 la
velocidad efectiva definida en la Ecuación 1. En la bibliografía se sugiere un valor de hasta 3,5 para
elVcoeficiente
ef = V + kσ , según
v publicaciones de Poulton et al. (1975). Otros investigadores usan los valores de
Vef = VV+
ef kσ
= =1,5
V
v o
+ =1,0
kσ v (ISYUMOV; DAVENPORT, 1975; GANDEMER, 1975, respectivamente).
Artigo 12
1
A partir de experimentos realizados en un túnel de viento y observaciones realizadas sobre el desempeño
1 1
de peatones, Hunt, Poulton y Munford (1976) sugieren los valores umbralesVde ef V
=ef V(con =3)
+ kσ v que se
presentan en la Tabla 3.
1
Tabla 3 – Valores umbrales propuestos en Hunt, Poulton y Munford (1976)

Valor del parámetro Vef (m/s) Grado de falta de confort


6 Umbral de falta de confort
9 Desempeño afectado
15 Dificultad para caminar
20 Peligroso

Fuente: Hunt, Poulton y Munford (1976)

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 43


Por otra parte, la capacidad de los peatones para ajustarse a vientos fuertes se ve afectada de manera
adversa si la exposición a dichos vientos se realiza repentinamente como en el caso de zonas con flujos
altamente no uniformes en el espacio. Hunt, Poulton y Munford (1976) advierten que si la velocidad
media varía en un 70 % o más en una distancia de menos de 2 m, el efecto del viento en los peatones
es más severo que el sugerido anteriormente.

Los criterios que utilizan a Vef como parámetro son equivalentes o marginalmente menos severos que
aquéllos que utilizan V3, como se indica en Murakami y Deguchi (1981).

En cuanto a la evaluación de si una situación determinada genera o no falta de confort, existen


diferentes criterios sugeridos por distintos autores. Penwarden y Wise (1975) sugieren 5 m/s como
el umbral de no confortabilidad, al igual que Murakami y Deguchi (1981), con una frecuencia
de excedencia de entre el 10 % y el 20 % del tiempo. Frecuencias de excedencia mayores al 20 %
corresponden a situaciones en las que ha habido que tomar medidas para reducir las velocidades de
viento en centros comerciales. Apperly y Vickery (1974) sugieren el criterio de confort que se presenta
en la Tabla 4, que refleja opiniones individuales de frecuencias aceptables de ocurrencia de diversas
velocidades de viento, atendiendo diferentes lugares de circulación.

Tabla 4 – Criterio propuesto por Apperly y Vickery (1974)

Frecuencia de
Criterio Descripción del área Velocidad limitante (m/s)
ocurrencia admisible
1 Plazas y parques Ráfagas ocasionales hasta 6 10 % del tiempo o 1000 h/año
2 Circulación de peatones Ráfagas ocasionales hasta 12 1 o 2 veces por mes o 50 h/año
Vías de acceso
3 Áreas mencionadas Ráfagas ocasionales hasta 20 5 h/año
4 Áreas mencionadas Ráfagas ocasionales hasta 25 menos de 1 h/año

Fuente: Apperly y Vickery (1974)

Por otra parte, Melbourne (1978) propone como criterio general considerar el sitio inaceptable si existe
la posibilidad de que las ráfagas de viento, en lugares de acceso público, alcancen los 23 m/s una vez
al año, generalmente aceptable para un sitio por donde las personas caminan si la ráfaga máxima
no supera los 16 m/s, para casos de corta exposición recomienda como valor umbral 13 m/s y para
larga exposición 10 m/s. La primera situación considera el riesgo que correrían los peatones de sufrir
accidentes, mientras que las demás se relacionan con el confort.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 44


Williams, Soligo y Côte (1992) definen rangos del valor medio de la velocidad aceptables para realizar
ciertas actividades, tal como se muestra en la Tabla 5, tomando en cuenta la fuerza que ejerce el
viento sobre los peatones:

Tabla 5 – Valores umbrales propuestos por Williams, Soligo y Côte (1992)

Valor del parámetro (m/s) Actividad


0 - 4,2 Sentarse
0 - 6,1 Pararse
0 - 8,3 Caminar

Fuente: Williams, Soligo y Côte (1992)

El criterio de confort considerado en este caso, tomando en cuenta el trabajo de Penwarden y Wise
(1975) se basa en que los peatones encontrarán condiciones de viento aceptables para las actividades
que se desarrollan en el área de estudio si el 80 % del tiempo el valor medio de la velocidad se
encuentra comprendida en los rangos definidos en la Tabla 5. También indican que se deben evaluar
las condiciones de peligrosidad causadas por el viento en el sitio. Tomando en cuenta la fuerza que
el viento ejerce en el área proyectada de un ser humano, concluyen que una velocidad de 26,4 m/s es
suficiente para derribar a un peatón. Un evento de este tipo podría presentar una frecuencia máxima
admisible de ocurrencia del 0,1 % del tiempo, que corresponde a menos de dos ocurrencias por
estación, aproximadamente.

Finalmente, los estudios de confort deben tener en cuenta las horas del día o las estaciones en que se
registrarán las actividades en la zona objeto de estudio (SIMIU; SCANLAN, 1986; WILLIAMS; SOLIGO;
CÔTE, 1992). Esto dependerá de las características de uso del mismo. A modo de ejemplo, el entorno
de una piscina se utilizará principalmente durante las horas del día y en verano, en tanto que la
circulación en una plaza pública puede darse en cualquier momento.

2.2 Aplicación de los criterios de confort

Los diferentes criterios que se describieron en la sección previa establecen diferentes parámetros,
valores umbrales y probabilidades de excedencia admisibles. Siguiendo la propuesta de Melbourne
(1978) de expresar los diferentes critérios en un gráfico Probabilidad de excedencia – Velocidad media
horaria, en Koss (2006) se muestra que dado un clima los criterios resultan similares pues todos se
ubican sobre una misma curva de probabilidad.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 45


El clima de vientos en un sitio de interés dado dependerá de las características del clima en la zona,
debido a los forzantes de macro y meso escala meteorológica, así como a los forzantes de micro
escala meteorológica como puede ser la interacción entre obstáculos (edificaciones, árboles y
topografía) y el viento, o bien cambios en la rugosidad o propiedades termodinámicas del suelo.
Como consecuencia de esta interacción se modificará tanto el valor medio de la velocidad como el
nivel de turbulencia, lo cual suele analizarse en modelos físicos operados en un túnel de viento o
bien con el uso de modelos numéricos.

Conociendo series históricas de viento de larga duración características de la zona y los resultados del
modelamiento es posible inferir en cada sitio de interés una serie histórica de valor medio de velocidad
de viento, así como de velocidad de ráfaga. Luego, es posible construir las curvas de probabilidad que
permiten deducir los niveles de excedencia de los umbrales de cada parámetro. A modo de ejemplo,
en la Figura 1 y Figura 2 se presentan las curvas de igual nivel de excedencia del valor umbral de
confort del valor medio de la velocidad (PENWARDEN; WISE, 1975) y de la velocidad efectiva (HUNT;
POULTON; MUNFORD, 1976) de un caso analizado en la ciudad de Montevideo.

Figura 1 - Curvas de igual frecuencia de excedencia del valor medio de velocidad de 5 m/s, Plaza
Independencia, Montevideo, Uruguay

Fuente: elaborado por los autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 46


Figura 2 - Curvas de igual frecuencia de excedencia de la velocidad efectiva de 6 m/s, Plaza
Independencia, Montevideo, Uruguay

Fuente: elaborado por los autores

Si bien del punto de vista cualitativo ambos resultados serían similares, del punto de vista cuantitativo
no lo son. Esto estaría asociado a los elevados niveles de turbulencia producidos como consecuencia
de la interacción entre el viento y los edificios.

Este tipo de resultado es el que motivó a llevar adelante una actividad experimental que permitiera
entender el comportamiento de las personas en diferentes climas de viento.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 47


3 Análisis experimental
El túnel de viento de la Facultad de Ingeniería, que se muestra en la Figura 3, fue utilizado por parte de
un grupo teatral con el objeto de analizar el efecto que el viento tenía sobre sus cuerpos y a partir
de lo cual elaborar una representación. Este grupo se componía de seis personas de entre 25 años
y 35 años. Se les planteó llevar adelante una verificación de los critérios de confort eólico propuesto
por Penwarden y Wise (1975).

Figura 3 – Túnel de viento de la Facultad de Ingeniería, Universidad de la República, Uruguay

Fuente: elaborado por los autores

El túnel de viento es de tipo atmosférico con una sección de trabajo de 2,25 m de ancho por 2,0 m
de alto y 17 m de longitud. Cada persona involucrada completó un consentimiento informado que
incluyó una descripción y um instructivo del ensayo a realizar. Los ensayos tuvieron una duración
de 40 min y la velocidad del aire no superó los 17,2 m/s, incrementándose desde velocidad nula.
Además, se diseñó un formulario conteniendo los efectos asociados a los criterios de confort
presentados por Penwarden y Wise (1975), más quince campos que permitem identificar el orden
en que se percibe el efecto y un campo para el tiempo. El campo tiempo es para registrar el instante
en que se percibe cada efecto al final del ensayo y así conocer el valor de la velocidad.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 48


En primer lugar, se buscó encontrar la velocidad a la que se percibe cada efecto la primera vez que se
expone, sin tomar en cuenta el tiempo de exposición. Luego se diseñaron dos ensayos.

El Ensayo A tuvo como objeto evaluar el efecto de cada persona en forma individual y consistió, con las
seis personas estando en simultaneo dentro del túnel, cada una con una copia del formulario diseñado,
y un cronómetro. Se encendio el ventilador del túnel en simultáneo con el inicio del cronómetro de
cada persona. Se fue incrementando la velocidad del viento a una tasa de 0,1 m/s cada 6,6 s. Las
personas caminan de forma aleatoria en la zona de trabajo a fin de que el bloqueo y las turbulencias
provocadas por los demás, introduzca un error sistemático. En el momento que una persona registra
un evento de la lista, marca el punto en el cronómetro. Se continuó con el aumento de la velocidade a
la tasa antes mencionada hasta alcanzar los 17,2 m/s haciéndose todos los registros del formulario.
Se apagó el túnel y se procedió a registrar en la planilla los tiempos en los que se produjo cada evento
para cada persona. El procesamiento consistió, con el tiempo registrado y la curva de velocidad-
tiempo del túnel, determinar la velocidad de viento a la que se registró cada efecto.

El Ensayo B tuvo por objeto conocer el efecto del viento sobre un grupo de personas. Para ello se
eligió como efecto de referencia: “Límite de viento agradable en tierra”. Se marcaron y numeraron un
conjunto de posiciones en el piso del túnel. Estas posiciones estaban en formación de tresbolillo con
una separación de dos metros entre líneas. Cada una de las seis personas se posicionó en cada uno de
los puntos. Se generó la rampa ascendente igual que el caso anterior, para detectar la velocidad a la
que se percibe el efecto buscado. Luego, se fueron cambiando las personas de posición, repitiendo el
procedimiento, hasta que todas la personas pasen por todas la posiciones. En la Figura 4 se presenta
los sítios seleccionados, siendo la fila 1 la que se ubicada corriente arriba.

Figura 4 – Sitios ocupados por las personas durante el ensayo B

Posiciones

1 X

2 X X

3 X

4 X X
Fuente: elaborado por los autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 49


En la Tabla 6, se resumen los resultados del ensayo A. Se destaca que el formulario dejó filas adicionales
como para señalar otros efectos percibidos, los cuales también se incluyen en la Tabla 6, además de
los efectos consignados por Penwarden y Wise, (1975). En la columna seis se consigna el orden en que
se percibió el efecto y luego el valor mínimo, medio, máximo y la desviación estándar de la velocidad,
resultante del conjunto de personas, en que se percibió cada efecto.

En la Tabla 7, se presenta los resultados del ensayo B. En este caso, se presenta para cada persona
ubicada en cada sitio, la velocidad a la cual percibió el efecto planteado. Además, se presenta el valor
medio de las velocidades de percepción por persona y por sitio.

Tabla 6 – Resultados del ensayo A

Criterio Penwarden y Wise Velocidad estimada del ensayo


Rango P. y W. Min. Max. Media Desv. Est
Nº Efecto
Nº Rango Efecto del viento (m/s) (m/s) (m/s) (m/s) (m/s) (m/s)
1 - Corriente de aire suave Viento imperceptible 0,4 1,5 1 - - - -
2 - Brisa suave Se siente el viento en la cara 1,6 3,3 2 1,8 2,1 1,9 0,1
3 - Leve brisa El cabello es movido suavemente 3,4 5,4 3 2,3 3,9 2,9 0,8
La ropa es movida suavemente 3,4 5,4 4 2,5 3,2 2,8 0,3
4 - Brisa moderada El cabello es desarreglado 5,5 7,9 5 3,3 5,5 4,6 0,8
5 - Brisa relativamente fuerte Se siente la fuerza producida 8 10,7 6 3,1 7,1 5,4 1,5
por el viento sobre el cuerpo
Límite de viento agradable en tierra 8 10,7 7 5,7 8,2 6,8 1,0
6 - Brisa fuerte Dificultad para caminar derecho 8 10,7 8 4,9 10,5 8,6 2,2
Ruido producido por el viento 8 10,7 9 7,7 16,7 11,7 3,7
en los oídos es desagradable
7 - Viento moderado Inconveniencia para caminar 13,9 17,1 10 4,8 12,4 10,1 3,1
8 - Viento relativamente fuerte Impide avanzar 17,2 20,7 11 11,0 14,3 13,0 1,3

Fuente: elaborado por los autores

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Tabla 7 – Resultados del ensayo B

Velocidad límite de viento agradable (m/s)


Posic. / Pers. 1 2 3 4 5 6 Promedio
1 6,6 6,6 6,9 6,7 8,1 6,7 6,92
2 7,8 7,1 7,2 7,5 8,0 6,3 7,31
3 7,1 6,5 6,1 7,7 7,9 6,1 6,90
4 6,8 6,8 6,3 7,8 8,0 6,9 7,08
Promedio 7,06 6,73 6,64 7,44 7,96 6,49 7,05

Fuente: elaborado por los autores

4 Conclusiones
Las personas detectaron los efectos en el orden que se propone en Penwarden y Wise (1975), siendo
el valor de la velocidad en que se detectó el efecto similar al propuesto por dicho criterio. Las mayores
discrepancias se encuentran en las categorias correspondientes a las mayores velocidades. En esos
casos, la percepción se registró a menores valores de velocidad que lo establecido en el criterio de
referencia. Se señala que la dispersión en la velocidad de percepción fue baja resultando del orden
del 20 %.

Durante el ensayo grupal se registraron valores de velocidad umbral, de detección de falta de confort,
mayor a la establecida en el criterio. En este caso se hubiera esperado que la turbulencia producida
en la interacción con cada persona hubiera dado lugar a un valor de umbral algo inferior, pero una
percepción subjetiva del conjunto de personas dio lugar a un valor mayor.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 51


5 Referencias
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Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 52


Artigos técnicos Verificação experimental da hipótese
de Boussinesq para escoamento de
camada limite turbulenta

Experimental verification of the Boussinesq’s hypothesis for
turbulent boundary layer flow

Gabriel Borelli Martinsa*, Sara Rodriguezb

a Instituto de Pesquisas
Resumo
Tecnológicas do Estado de São
A hipótese de Boussinesq é comumente utilizada no fechamento de
Paulo S.A., Laboratório de Vazão.
vários modelos de turbulência devido à sua robustez e baixo custo
São Paulo-SP, Brasil.
computacional. No entanto, ela possui diversas fragilidades. Este
trabalho sobreleva uma das considerações pressuposta pela hipótese:
b Escola Politécnica da USP.
a de que o tensor taxa de deformação médio e o tensor anisotrópico
São Paulo-SP, Brasil.
das tensões de Reynolds possuem as mesmas direções principais.
Fisicamente nada impõe esta condição e, de fato, como observado
*E-mail: gborelli@ipt.br experimentalmente em um escoamento de camada limite turbulenta,
tal condição não é necessariamente verdadeira. Os experimentos
foram realizados no túnel de vento de camada limite atmosférica do
Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) e foi observado
que, na região logarítmica da camada limite turbulenta, os ângulos
Palavras-chave: entre as direções principais dos dois tensores são maiores quanto
hipótese de Boussinesq, mais se aproxima da parede. Por outro lado, quanto mais distante da
turbulência, tensões de parede mais os ângulos tendem a se igualar.
Reynolds, túnel de vento.
Abstract
Keywords: The Boussinesq’s hypothesis is frequently used for the closure of
Boussinesq’s hypothesis, many turbulence models mainly because of its stiffness and low
turbulence, Reynolds computational cost. However, it does not always represent correctly
stress, wind tunnel. the physical problem. In this paper, one of the considerations behind
Boussinesq’s hypothesis is explored: the idea that the mean strain
tensor and the anisotropic Reynolds stress tensor have the same
principal directions. Actually, nothing is forcing that condition and
it may not be true as will be shown experimentally for the case of
a turbulent boundary layer flow. The experiments were done at the

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 53


Boundary Layer Wind Tunnel of the Institute for Technological Research (IPT), in São Paulo, Brazil.
It was observed that in the region where a log law is respected, the angle between the principal
directions of the two tensors increases with the proximity of the wall. In the region far from the
wall, the principal directions tend to match.

1 Introdução
Aplicando-se a decomposição de Reynolds às equações de Navier-Stokes surgem as tensões de
Reynolds, culminando em um problema de fechamento. São quatro equações para dez incógnitas
(o tensor das tensões de Reynolds é simétrico). A medida adotada por muitos modelos, como o k–�,
é de utilizar a hipótese de Boussinesq. Uma curiosidade a ser salientada é a de que o trabalho de
Boussinesq (1877) é anterior ao de Reynolds (1895), o qual introduziu formalmente o tensor das
tensões, oriundo da parcela advectiva não linear da equação de Navier-Stokes (SCHMITT, 2007).

De fato, conforme salientado por Schmitt (2007), Boussinesq não apresenta o mesmo rigor que
Reynolds na obtenção das equações do escoamento médio e acaba por desconsiderar as correlações
entre as componentes flutuantes da velocidade. Contudo, intuitivamente, prevê algumas situações
para as quais as equações que propõe não são válidas e introduz o que seria o tensor de Reynolds
de forma implícita.

A hipótese de Boussinesq trata de uma aproximação por vezes questionável. Entretanto, é largamente
utilizada em diversos modelos de turbulência devido à sua robustez e baixo custo computacional.
Uma análise deve ser feita para cada situação com o objetivo de avaliar se as simplificações adotadas
são razoáveis e se os erros são adequados ao objeto de estudo. Neste trabalho, serão apresentados
os resultados experimentais de um escoamento de camada limite turbulenta. Será demonstrado
como, neste tipo de escoamento, alguns princípios pressupostos pela hipótese de Boussinesq não
são respeitados. Em especial, será estudado o alinhamento entre as direções principais do tensor
taxa de deformação médio e as direções principais da parcela anisotrópica do tensor das tensões de
Reynolds.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 54


2 A hipótese de Boussinesq
A hipótese de Boussinesq corresponde a uma relação linear entre o tensor das tensões anisotrópico,
R ij , e o tensor médio da taxa de deformação, S ij , para o fechamento das equações médias RANS
(SCHMITT, 2007). Tal relação é dada por:

Rij = −2νT Sij (1)

Rij = −2νT Sij


Sendo 2
Rij = ui uj − kδij
3
2 (2)
Rij =  ui uj − kδij 
1 ∂Ui 3 ∂Uj
Sij = +
Artigo 2  ∂xj 14∂xi 
1 ∂Ui ∂Uj
Sij =  +  (3)
2 ∂xj ∂U∂xi Rij = −2νT Sij
 0 ∂y
0 
Rij = −2ν 1  
T S 
Sij =   ∂U ∂U
ij
0 0 

14 2 
 0

∂y
∂y
0  


1  ∂U 0 0 0 o tensor das tensões 2
NasS equações
=  acima, 0 u u é
i j  limite turbulenta
0 Rijde=Reynolds,
ui uj − kδijé a energia cinética turbulenta,
Artigo R14 ij
hipótese de Boussinesq para escoamento
definida
ij = ui ucomo
2− 
j  kδ=
2 ∂y de camada
1/2
ij Rij u =iu−2ν


3
e T Séijum escalar denominado viscosidade turbulenta. Nota-se que esta
 definição
U (y)é= Artigo
3u0τ 0à relação
análoga ln
y 014 entre
j
Artigo o tensor 14 das tensões  viscosas e  o tensor taxa de deformação
Uj κ y 1 ∂U ∂U
. médiopara fluidos Newtonianos,  0
Rijem =que −2νTéSaijviscosidade
Sij = cinemática
i
+ do fluido. Contudo, existe uma
j (3)
xi 1 ∂U u∂U
τ j y 2
Sij diferença
= U (y)elementar: TéSumaij propriedade do fluido, ao passo Rij j=que −2νTi Snão ij é. ORvalor
ij = de
−2νT Sdepende
2 ∂x ∂x
= R+ij =ln R−2ν
i ij
ui uj é o tensor κ ij =y0 uki uéj a−energia kδij
dodas2 tensões
tensor ∂x j de
das Reynolds,
2∂x
utensões uv
i de0 Reynolds
 3 e, cinética
portanto, turbulenta,
do definida como
escoamento
 em k A=turbulência trata-se de uma
si. 
denominado viscosidade turbulenta. Nota-se que  esta definição é2análoga à relação entre o tensor
propriedade 
 do escoamento 
 e não do
Rij = ui uj emfluido (TENNEKES;
− que LUMLEY,
kδνijé a viscosidade ∂U 1972).
tensor taxa de deformação
ui uj =  médio
uv2 para v 2fluidos
0
2 ∂U Newtonianos,  0 cinemática ∂y
0 
2 2
e uma diferença elementar:
 ∂U
ν ué uma uv 1 0
propriedade

do ∂U
fluido, ao 3
passo que ν 1 
não é. O valor de
 0R ij ∂y
 =Sui0u=j− 2kδ iji
 +
j
S =
T R ij ∂U

= ui uj − ν Tkδij Rij = ui uj −

kδij
ensões de ReynoldsOutro
1 e, aspecto
  0adoser
portanto,  w3 em si.
02considerado,
ijescoamento e que será
A turbulência discutido
trata-se
ij node
 decorrer
uma 0 deste
∂y propriedade
0 3 artigo mediante 3
utilização de
uand
iu
 = ∂U uv v  0 j  2 ∂x ∂x i  2  
Sij =
fluido (Tennekes dados jLumley,  01972).
experimentais, 0 são asimplicações por trás da proposta de Boussinesq. Para que os tensores R

2  discutido
∂y 1 ∂Ui ∂Uj
considerado, e que será    2 Sij
θno decorrer deste
= artigo
 mediante
+principalutilização de0 dados  0 experi-
0    ij
e S
ções por trás da proposta sejam proporcionais,
0
1
0 ΘBoussinesq. ∂U
R 0
0= 0 i Para que w ∂Ua mesma os2 tensores
∂x

direção ∂x deve ser
1 observada.
∂U ∂U Esta hipótese
1 ∂U nem sempre
∂U
ij
Sijde= ij e iSij sejam
Sij =proporcionais, a Sj =
j ∂U  i i j
é valida, θ + 0 é valida, 0 j R +apresentado. + caso a
Estainclusive no exemplo de camada limite turbulenta que será Para este
ij
deve ser observada. hipótese
2  nem sempre
∂x1j  ∂xi
S ∂y inclusive
 no exemplo u
de camada
τ2 ∂xj ylimite ∂xi 2 ∂xj ∂xi
hipótese θ=  ∂U   U (y) = ln
sentado. Para este τpressupõe
caso auhipótese R isotropia
pressupõe das
isotropia tensões
das tensõesnormais,
normais, ou
ou seja,
seja, , o que não ocorre, como será
S 2 = 2k/3, o
Θ = y
ij  0 0  κ u i y 0
U (y) =
rá visto no decorrer ln 2 ∂y  0 ∂U
0     
vistodeste artigo.
noκdecorrer 2 y0 θdeste
S  artigo. 

 ∂y

enta uma discussão ui u detalhada
j = kδ sobre
ij −0aThipótese
 ijkl
∂U 0
SSij 0= 1
0  0
deBoussinesq,
∂U enfatizando suas deficiências
   0
∂U
de 0 
  0
∂U
0 
ij   ∂y 0 
 tensões 0de Reynolds.
∂y ∂y ∂y
deração de aproximações 3 1sofisticadas
mais 
 ∂U do tensor 2 das  Ele  o seguinte
21lista  1 
   detalhada  u
=a hipótese  uv 0
∂U de    
Wilcox
coamentos em que a hipóteseS (1993)
ij
2
= 2 deapresenta

 Boussinesq 0uma
utem 0 discussão

provado
 y ser inadequada: sobre
S 
ij 
 0 Boussinesq,
 S 0
ij =




enfatizando
∂U
0 suas
0 

u u u= uv 2
kδ 0− Tijkl Sijτ 
∂y 0 0 0  2 2 ∂y  2 ∂y
deficiências
 i j
3 de forma a justificar a consideração
ij U (y) = ln u i j de aproximações
u =  uv v 0mais  sofisticadas
 do tensor das

alterações súbitas na taxa de tensão média;
0  0 κ0 y0  
 0 0  0 0 0 0
ui uj tensões  
 uvde Reynolds. Ele lista o seguinte uτ grupo y de situações de escoamentos em que a hipótese de
= v 2 0 
e superfícies curvas;     0 0 w2   
Boussinesq tem provado  ser U
y2 inadequada:
(y) = ln
0 0 wu2 τ κ y0 uτ y uτ y
utos ou, em geral, aquelesUque (y)contêm
= movimentos
ln u uvfluidos0 secundários,
 incluindo
U (y)a = separação
ln da U (y) = ln
κ  y0  θR κ y0 κ y0
    Θ=
θR ui uj =  uv v 2 0  θ
mensionais. Θ=  
   u2   uv 0  S   
θS  2 
2
u uv 0 0 w 2 2
ui u0jPara  ua Wilcox uv 0   u uv 0 
rabalho discutir cada uma das  situações acima. 
maiores 


=
 uv detalhes
v 2 0 deve-se
 2 
recorrer   
  
u i u j =  uv v 2 0  ui2uju=i uj kδ = −uv
ij TijklvS2 ij u0i uj 
=  uv v 2 0


2  θR 0 0 w 3     
u
DE DEFORMAÇÃO u
i j = kδ MÉDIO
ij − T S
ijkl ij Θ =    
3 0 0 wθ2 S 0 0 wv.2,2 n.10, abr., 20190 0 w2 55
Revista IPT | Tecnologia e Inovação
i considerado escoamento de camada limite plenamente desenvolvido, θR sendo U (velocidade média
mponente média da velocidadeArtigo 15
não nula.
Θ=
θR2Além disso, as variações θS da velocidade média ocorrem θR θR
ão y (vide sistema de coordenadas Θ =
utilizado
u u = kδ − T S na figura 1). Deste modo, o tensor taxa de Θ =
deformação Θ =
G. Martins, S. Rodriguez
Verificação experimental da hipótese de Boussinesq para escoamento de camada limite turbulenta

 
1 ∂Ui ∂Uj
Sij = + .
2 ∂xj ∂xi
–– Escoamento com alterações súbitas na taxa de tensão média;
Nas equações acima, ui uj é o tensor das tensões de Reynolds, k é a energia cinética turbulenta
1
e νT é um escalar denominado viscosidade turbulenta. Nota-se que esta definição é análoga à
2 ui ui
–– Escoamentos sobredas superfícies curvas;
tensões viscosas e o tensor taxa de deformação médio para fluidos Newtonianos, em que ν é a vi
do fluido. Contudo, existe uma diferença elementar: ν é uma propriedade do fluido, ao passo que νT
–– Escoamento em dutosdepende
ou,doemtensor dasaqueles
geral, tensões de Reynolds
que contêm e, portanto,
movimentosdo escoamento em si. A turbulência trata-se
fluidos secundários,
do escoamento e não do fluido (Tennekes and Lumley, 1972).
incluindo a separaçãoOutro
da camada
aspectolimite; e
a ser considerado, e que será discutido no decorrer deste artigo mediante utiliza
mentais, são as implicações por trás da proposta de Boussinesq. Para que os tensores Rij e Sij se
–– Escoamentos tridimensionais.
mesma direção principal deve ser observada. Esta hipótese nem sempre é valida, inclusive no exem
turbulenta que será apresentado. Para este caso a hipótese pressupõe isotropia das tensões normais, o
que não ocorre, como será visto no decorrer deste artigo.
Não é escopo deste trabalhoWilcox
discutir cada uma das situações acima. Para maiores detalhes deve-se
(1993) apresenta uma discussão detalhada sobre a hipótese de Boussinesq, enfatizando
recorrer a Wilcox (1993). forma a justificar a consideração de aproximações mais sofisticadas do tensor das tensões de Reynold
grupo de situações de escoamentos em que a hipótese de Boussinesq tem provado ser inadequada:
Escoamento com alterações súbitas na taxa de tensão média;
Rij = −2νT Sij
3 O tensor taxa de deformação médio
Escoamentos sobre superfícies curvas;
Escoamento em dutos ou, em geral, aqueles que contêm movimentos fluidos secundários, incl
2 camada limite;
No caso = u i uj −
Rijestudado, foi considerado
kδij escoamento de camada limite plenamente desenvolvido, sendo U
3 Escoamentos tridimensionais.
(velocidade média na direção x) a única componente média da velocidade não nula. Além disso, as
variações da velocidade média Nãoocorrem
é escopo exclusivamente na direção
deste trabalho discutir (videsituações
y das
cada uma sistemaacima.
de coordenadas
Para maiores detalhes deve
1 ∂U ∂U (1993).
Sij =na Figura +
utilizado 1). Deste modo, o tensor taxa de deformação médio pode ser descrito por:
i j
2 ∂xj ∂x3.i. O TENSOR TAXA DE DEFORMAÇÃO MÉDIO
 
∂U No caso estudado, foi considerado escoamento de camada limite plenamente desenvolvido, sendo
 0 ∂y
0 
na direção x) a única componente média da velocidade não nula. Além disso, as variações da veloc
1


exclusivamente
 na direção y (vide sistema de coordenadas utilizado na figura 1). Deste modo, o tenso
Sij =  ∂U
0 0 
médio
(4)por:
 pode ser descrito
2

∂y

0 0 0  ∂U 
0 ∂y 0
1  ∂U
  Sij = 2 ∂y 0 0 .
uτ y 0 0 0
U (y) = ln
Os autovetoresκdeste ytensor
0 Osdeautovetores
segunda deste
ordem fornecem
tensor as direções
de segunda principais.
ordem fornecem Nota-se
as direções que as Nota-se que a
principais.
direções principais independem do valor
independem específico
do valor assumido
específico assumidopor
por ∂U/∂y seseconsiderado
consideradoqueque S ij tem
Sij tem o formato indicado
  da região em estudo. Os autovetores formam uma nova base ortonormal, rotacionada 45◦ no p
ponto
o formato indicado
2 uv acima para qualquer ponto da região em estudo. Os autovetores formam uma
 u 0basecanônica original.
nova base ortonormal,
 rotacionada
 45° no plano xy em relação à base canônica original.
 
ui uj =  uv v 2 0 
4.. 
METODOLOGIA
 
0 0 w2 Para a determinação do tensor das tensões de Reynolds em um escoamento de camada limite tur
um ensaio no túnel de vento de camada limite atmosférica do IPT. A figura 1 apresenta o túnel de vent
4 Metodologia
θ R principais, bem como o sistema de coordenadas adotado ao longo deste artigo.
Θ= As medições simultâneas das flutuações das três componentes de velocidade foram realizadas com
θS fio quente 3D à taxa
Para a determinação do tensor das tensões dedeReynolds
amostragem de 2000
em um Hz. Para tanto,
escoamento nenhum
de camada elemento
limite rugoso adicional foi fi
turbulenta,
de vento. As medições foram realizadas entre 18 mm e 598 mm do piso do túnel de vento, sendo
foi realizado um ensaio nofoitúnel de vento
definida como ade camada
altura limite atmosférica
de referência A Figura 1 apresenta
do IPT.adimensionalização.
yref para posterior Praticamente todo o
2
o túnel
ui ujde
= vento
kδij com seus
− Tijkl Sijelementos
logarítmica dadaprincipais,
na equaçãobem como
5, como o sistema
mostrado de coordenadas
no gráfico adotado
da figura 2. Nesta ao uτ é a veloc
equação
3
longo deste artigo. constante de von Kármán (que vale 0,4) e y 0 é o comprimento de rugosidade.
 
uτ y
U (y) = ln
κ y0
Em posse das medições das componentes de velocidade nas três direções, foi possível determina
de Reynolds e seus respectivos autovetores para cada altura medida. A partir destas informações as d
ão tensor anisotrópico das tensões
Revista IPTpuderam
| Tecnologiaser comparadas
e Inovação v.2,às direções
n.10, abr., 2019principais do tensor taxa de def
56
2 2 2
Rij = ui uj − kδij Rij = ui uj − kδij Rij = ui uj − kδij
3Rij = −2νT Sij 3 3
     
1 ∂Ui ∂Uj 1 ∂Ui ∂Uj 1 ∂Ui ∂Uj
Sij = + 2 Sij = + Sij = +
2 = iui uj − kδij
∂xj Rij ∂x 2 ∂xj ∂xi 2 ∂xj ∂xi
3
     
 As
0 medições
∂U simultâneasdas flutuações
0 ∂U  das
0 três
∂U componentes de velocidade ∂U
0   0
foram0 realizadas com
∂y 1  i ∂Uj ∂y ∂y 
1
 umS
∂U ij
= 
anemômetro
 de
+ fio quente 3D à1 
taxa
 ∂Ude  de 2000 Hz.
amostragem
 Para

1  ∂U tanto, nenhum

 elemento
Sij =  0 20 ∂x ∂xi S =  0 0  Sij =  
0 0 entre
2

∂y

 j foi fixado
rugoso adicional ao ijpiso do
 2 túnel
∂y de vento.As medições
 2foram
 ∂yrealizadas  18 mm e

598
0 mm 0 do 0 piso do túnel de
  vento, sendo que
0 a altura
0 0 máxima foi definida como
0 0a altura
0 de referência
∂U
yref para
 posterior
 0
 adimensionalização.
∂y
0  Praticamente,
  todo o intervalo segue alei  logarítmica dada
 
una y1  5,
τ equação como mostrado
 no gráfico
u τda Figura
y 2. Nesta equação, u τ é a velocidade
y de atrito,
U (y) = Slnij =  ∂U 0 0  U (y) = ln U (y) = ln

κ é a constante
y20  ∂y 
de von Kármán (que valeκ0,4) e y0 é o comprimento de rugosidade.
 κ y0
0 0 0
     
u2  
 uv 0  uτ y  uv 0  u2  u
2 uv 0 
 U (y) =  ln  (5)   
     
ui uj = 
 uv v 2 0 κ

y 0 u i u j =  uv v 2 0  u i u j =  uv v 2 0 
   
     
0 0 w  2  0 0 w 2 2
0 0 w
Em possedas u2medições
uv 0 das 
componentes de velocidade nas três direções, foi possível determinar o
tensor
θ das
tensões de Reynolds

 e seus respectivos autovetores para cada altura medida. A partir destas
 θR θR
ui uRj = 
Θ =informações, v 2 0 principais
uvas direções  Θtensor
= anisotrópico das tensões Θpuderam
=
θS   do θS θS ser comparadas às
 
direções principais
0 0 dowtensor taxa de deformação médio.
2

2 2 2
ui uj = kδij − Tijkl Sij θR ui uj = kδij − Tijkl Sij ui uj = kδij − Tijkl Sij
3 Θ= 3 3
Figura 1 - Túnelθde
S vento do IPT com indicação do sistema de coordenadas adotado

Artigo u15 2 Artigo 15


i uj = kδij − Tijkl Sij
y
3
Nenhuma equação Nenhuma equação

x
z
Artigo 17 Artigo 17
Nenhuma equação Nenhuma equação

Artigo 19 Artigo 19
Nenhuma equação Nenhuma equação 28 m
y Robô Cartesiano
2 Barreira 2 2 2m
x Vento
Geradores Rugosidade Modelo Sonda
de vórtice

2 40 m

Fonte: elaborado pelos autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 57


Figura 2 - Perfil de velocidade média medido, com linha de ajuste (vermelho) para lei logarítmica

500
500
(mm)
yy[mm]
50 100
50 100

experimental
experimental
lei log
lei log
20
20

Rij = −2νT Sij


99 10
10 11
11 12
12

UU[m/s]
(m/s)
Fonte: elaborado pelos
2 autores
Rij = ui uj − kδij
3

5 Resultados

1 ∂U ∂U

i j
Sij = +
2 ∂xj ∂xi
A partir das séries temporais de velocidade, medidas com o anemômetro de fio quente, as
velocidades
 médias U, V  e W, correspondentes às direções x, y e z, respectivamente, foram
determinadas ∂U
 (gráfico
0 ∂y da 
0 Figura 3). As tensões de Reynolds foram então calculadas. O gráfico que
1
apresenta os ∂U
componentes

 do tensor das tensões de Reynolds (adimensionalizados pelo quadrado
Sij =  0 0 
2 
 de atrito) édado na Figura 4.
da velocidade ∂y

0 0 0
Conforme o esperado,
 as velocidades médias nas direções y e z, bem como as componentes uw
e vwU (y) uτ
aproximam-se y
= ln de zero. Deste modo, o tensor uiuj varia com a altura com a configuração
κ
mostrada abaixo. y0
 
2 uv
 u 0 
 
 
ui uj =  uv v 2
 0 
 (6)
 
0 0 w2

θR
Θ=
θS

2
ui uj = kδij − Tijkl Sij
3

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 58


o
O único modo de R ij ser proporcional a S ij é quando uu, vv e ww são iguais. Pelo gráfico da Figura 4,
observa-se que isso não ocorre, principalmente nas regiões mais próximas da parede.

Figura 3 - Velocidades médias nas direções x, y e z em função da distância normalizada y/yref


0.8500 1.0
100 0.6
ref
yref
yy/y

0.250 0.4

U
u
V
v
W
w
0.0
20

0
0 55 10
10 15
15 20
20

UUi i[m/s]
(m/s)
Fonte: elaborado pelos autores

Figura 4 - Tensões de Reynolds em função da distância normalizada y/yref


1.0
1,0

uu
uu
vv
vv
0.8
0,8

ww
ww
uv
uv
0.6
ref

0,6
yref

uw
uw
yy/y

vw
vw
0.4
0,4
0.2
0,2
0.0
0,0

−2
-2 00 22 uiuj 44 66 8
8

UuiU2τ j

Fonte: elaborado pelos autores


U τ2

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 59


 
  ∂U  
1 01 i ∂U
∂U i 0j 
∂y ∂U ∂Uj
Sij =S1ij
=∂U + + 
Sij = 2 2 j ∂x
∂x 0 ∂x
j 0i ∂xi
2 
∂y 

 0 0 0  
∂U ∂U
 0 0 0
∂y ∂y
0 
  
1  1
u∂U  
τ  ∂U y 0 

SijU=S
(y)2 =
ij =
 0 0 
ln ∂y 0 
 2∂y 
 κ y0  
0 00dos 0autovalores do tensor anisotrópico R para cada altura, pode-se comparar
Com 0o cálculo
  ij
as direções
2  desta base ortonormal com a base ortonormal do tensor taxa de deformação médio
 uuτ uv 0 
uτ ydeterminado.
y
U (y)previamente

U =(y) =
ln ln  Como a base formada pelos autovetores de R ij é uma rotação ao redor
 κ 
y
ui uj = do κ y
 eixo vz na 0base  canônica, à exemplo da base formada pelos autovetores do tensor taxa de
 uv 2 0  0

deformação 
 0  0 médio, w2  pode-se
 fazer a comparação como segue:
2
u uv
 u
2 uv 0 0 
   
=  θRuv 2  
ui uj u=i u
 = v
jΘ uv  2 v
0   
0  (7)
 θS  
0 0 w02 w2
2
ui uj =sendo
kδ θ−R To θângulo
RS formado entre a base canônica e uma das direções principais no plano xy do
Θ =ijΘ = ijkl ij
tensor R
3
θSij e θS o ângulo formado entre a base canônica e uma das direções principais no plano xy
do tensor Sij (45°).
2 2
ui uj u=iAuFigura
=ij − − STijijkl Sij
kδTijijkl
3 3 5 mostra a variação de Θ com a altura. Nota-se que o ângulo entre as direções principais de
j kδ

R ij e S ij diminui conforme altura aumenta, o que condiz com as observações anteriores. Além disso,
nota-se que a variação de Θ, no caso estudado, é aproximadamente linear para y/yref < 0,7.

Figura 5 - Valor de em função da distância normalizada y/yref


1.0
1,0
0.8
0,8
0.6
ref

0,6
yref
yy/y

2
0.4
0,4
0.2
0,2

2 2
0.0
0,0

0.3
0,3 0.4
0,4 0.5
0,5 0.6
0,6 0.7
0,7 0.8
0,8

Θ
Fonte: elaborado pelos autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 60


Rij = −2νT Sij

2
Rij = ui uj − kδij
6 Conclusões e discussão
3

 
Verificou-se
1 ∂U que,
i no
∂Uescoamento
j de camadas limites turbulentas, o tensor taxa de deformação
Sij = +
médio possui
2 ∂xdireções
j ∂xiprincipais distintas às direções principais do tensor das tensões anisotrópico,
oriundo do termo advectivo da equação de Navier-Stokes. Para a região cuja velocidade média
 
na direção do escoamento
∂U pode ser descrita com um modelo logarítmico (vide equação 5), foi
 0 0 
observado
1 que quanto mais
 ∂U
∂y
 próximo da parede maior o ângulo entre as direções principais dos

S = 
dois tensores.
ij 0 0  distantes da parede as direções principais se aproximam, de modo que
∂y Para regiões
2 
entre R ij e S ij torna-se mais razoável.
 
a suposição 0de proporcionalidade
0 0
 
A razão entre
uτos ângulos
y formados entre as direções principais dos dois tensores e a base canônica
U (y) =
(Θ ), partindo ln
κ da parede,
y0 cresce até certa altura de forma aproximadamente linear. Futuramente
pretende-se repetir o experimento variando a rugosidade da parede para verificar se este

comportamento 
se reproduz.
2
 u uv 0 
 
 
uOi umodelo linearv 2de viscosidade
j =  uv
 0 
turbulenta da hipótese de Boussinesq é empregado em diversos
modelos para o cálculo
 de escoamento turbulento devido ao seu baixo custo computacional e
0 0 w2
robustez. Contudo, dependendo da situação estudada, tal aproximação não pode ser aplicada.
Uma dependência geral entre o tensor taxa de deformação médio e o tensor das tensões de
θR
ReynoldsΘé = dado por um tensor de quarta ordem como segue (MONIN; YAGLOM, 1979):
θS

2
ui uj = kδij − Tijkl Sij (8)
3

7 Referências
BOUSSINESQ, L. Essai sur la théorie des eaux courantes. Paris: Imprimerie Nationale, 1877.

MONIN, A. S.; YAGLOM, A. M. Statistical fluid mechanics: Mechanics of turbulence. Cambridge,


USA: MIT Press, 1979. v. 1.

REYNOLDS, O. On the dynamical theory of incompressible viscous fluids and the determination of the
criterion. Philosophical Transactions of the Royal Society of London A, London, v. 186, p. 123-164, 1895.

SCHMITT, F. G. About boussinesq’s turbulent viscosity hypothesis: historical remarks and a direct
evaluation of its validity. Comptes Rendus Mécanique, v. 335, n. 9-10, p. 617-627, Sept./Oct. 2007.

TENNEKES, H.; LUMLEY, J. L. A first course in turbulence. Cambridge, USA: MIT Press, 1972.
2
WILCOX, D. C. Turbulence modeling for CFD. La Canada, CA: DCW Industries, 1993.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 61


Artigos técnicos Considerações sobre cargas de vento
adequadas ao contexto brasileiro no
ensaio de estanqueidade à água de
esquadrias
Considerations relating to wind loads adequate to the Brazilian
context in the facade and window water testing

Thiago Salaberga Barreirosa*, Maria Akutsub

a Instituto de Pesquisas
Resumo
Tecnológicas do Estado de
Este artigo apresenta sugestões para discussão visando mudança
São Paulo S.A., Laboratório
no método de ensaio e nos critérios de avaliação e classificação das
de Componentes e Sistemas
esquadrias de fachadas, portas e janelas no Brasil, com relação ao
Construtivos. São Paulo-SP, Brasil.
requisito de estanqueidade à água, da norma NBR 10821 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS 2017a), adequando-a às reais
b Instituto de Pesquisas
solicitações de uso, considerando como referências as normas
Tecnológicas do Estado de São
NBR 15575 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
Paulo S.A., Laboratório de Conforto
2013a), NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
Ambiental e Sustentabilidade dos
TÉCNICAS, 1988) e UNI EN 12208 (EUROPEAN COMMITTEE FOR
Edifícios. São Paulo-SP, Brasil.
STANDARDIZATION, 2001). Dessa forma, são indicados valores
de pressões de ensaio em média 60 Pa superiores às prescritas
*E-mail: thiagob@ipt.br na norma NBR 10821 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2017a), porém com maior detalhamento, considerando
principalmente a região onde se insere a edificação, a vida útil de
Palavras-chave: projeto (VUP) e a altura de utilização do produto. Da mesma forma,
esquadria; estanqueidade à água; são apresentados valores de pressão de ensaio que ultrapassam
pressão de vento; desempenho e em mais de duas vezes o valor apresentado na norma atual e
vida útil de projeto. outros que ficam abaixo. Propõe-se também mudança no critério
de avaliação do produto e de classificação de desempenho em
Keywords: “Mínimo”, “Intermediário” e “Superior”, correlacionando-a a VUP
façade; window; watertightness; do produto. Isso pode contribuir para uma identificação mais clara
wind pressure; performance and entre os diversos produtos com desempenhos diferentes que são
design life. oferecidos no mercado, pois pelo critério da norma vigente, o
resultado de ensaio de uma esquadria de boa qualidade é igual ao
de uma esquadria de excelente qualidade, colocando um teto de
desempenho que não estimula a realização de produtos melhores
e diferenciados.

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Abstract
This article presents suggestions for a discussion about the change in the test method and the
criterion for the evaluation and classification of facades, doors and windows in Brazil, in relation to
the water tightness requirement of ABNT NBR 10821 (2017) to the actual requests for use, considering
as references the standards ABNT NBR 15575 (2013), ABNT NBR 6123 (1988) and UNI EN 12208
(2001). In this way, test pressure values average 60 Pa, higher than those prescribed in ABNT NBR
10821 (2017), are indicated but with greater detail, considering mainly the region where the building
is inserted, the project lifetime and the height of use of the product. In the same way, test pressure
values are presented which exceed by more than twice and values below the value presented in the
current standard. It is also proposed to change the criterion of product evaluation and performance
classification in “Minimum”, “Intermediate” and “Superior”, correlating it to the project lifetime of the
product. This can contribute to a clearer identification between the different products with different
performances that are offered in the market, because by the criterion of the current standard, the test
result of a good quality window is equal to that of an excellent quality window, placing a performance
threshold that does not stimulate the production of better and differentiated products.

1 Introdução
No Brasil, as esquadrias de fachadas, portas e janelas são submetidas à avaliação de desempenho
de acordo com a norma NBR 10821 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2017a).
Porém, um dos requisitos da avaliação - estanqueidade à água - deve ser avaliado também
com base nas normas brasileiras NBR 15575 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
2013b) e NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988), que abordam
respectivamente, o desempenho da edificação residencial, importante referencia sobre Vida Útil de
Projeto (VUP), e a força que o vento exerce em edificações, considerando a região do país, a altura
de incidência, a rugosidade do terreno, a frequência de ocorrência do vento, entre outros fatores.
Caso essas normas fossem adotadas adequadamente para estabelecer os parâmetros do ensaio de
estanqueidade à água relacionando a VUP e a pressão do vento, as pressões de ensaio utilizadas seriam
diferentes das adotadas atualmente, mais próximas ao uso a que são submetidas. Outras fontes de
referência para a avaliação desse requisito em esquadrias externas podem ser as normas europeias,
como a UNI EN 1027 (EUROPEAN COMMITTEE FOR STANDARDIZATION, 2001) e a UNI EN 12208
(EUROPEAN COMMITTEE FOR STANDARDIZATION, 2001), as quais prescrevem respectivamente, o
método de ensaio e o critério de avaliação de portas e janelas para o ensaio de estanqueidade à
água. Dentro deste contexto, este artigo apresenta sugestões para o dimensionamento das cargas de
vento, correlacionando-o à VUP no método de ensaio, e os critérios de avaliação e classificação de
estanqueidade à água de esquadrias, considerando um cenário mais adequado à realidade brasileira.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 63


2 Análise comparativa das normas brasileiras e europeias
De acordo com a norma NBR 10821 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2017b), a
estanqueidade à água de uma esquadria deve ser avaliada, em resumo, da seguinte forma:

–– realizar cinco ciclos de abertura, fechamento e travamento;

–– aplicar três rajadas de acomodação com metade da pressão de ensaio, para que o perfil
metálico se ajuste à gaxeta;

–– aspergir água por 15 min sem pressão na câmara; e

–– iniciar pressão incremental de 20 Pa em 20 Pa até 120 Pa e depois, de 30 Pa em 30 Pa até


a pressão de 20 % da pressão de projeto, com cada patamar de pressão sendo mantido por
5 min (tolerância de 0 a 1 min).

Esta norma adota como critério de classificação o local por onde a água infiltra. Caso a água infiltre
para o lado interno da esquadria em qualquer parte, o desempenho da esquadria é classificado como
“Mínimo”; se a infiltração de água ocorrer apenas no perfil inferior, é classificado como “Intermediário”;
se não houver infiltração de água em nenhum ponto, é classificado como “Superior”. Em nenhum caso
pode haver presença de água no peitoril ou na face interna da parede.

A norma europeia UNI EN 1027 (EUROPEAN COMMITTEE FOR STANDARDIZATION, 2001), por sua vez,
estabelece o seguinte procedimento de ensaio:

–– abrir e fechar ao menos uma vez cada parte móvel;

–– aplicar três rajadas de acomodação com 500 Pa ou pressão de projeto majorada em 10 %, o


que for maior;

–– aspergir água por 15 min sem pressão na câmara; e

–– incrementos de pressão de 50 Pa em 50 Pa até 300 Pa e depois de 150 Pa em 150 Pa até a


pressão determinada pelo fabricante, com cada patamar de pressão sendo mantido por 5 min.

O critério de classificação estabelecido na norma UNI EN 12208 (EUROPEAN COMMITTEE FOR


STANDARDIZATION, 2001) é o patamar da pressão máxima alcançado pelo período de 5 min que
antecede a infiltração. A infiltração é caracterizada como a entrada de água através da esquadria para
o lado interno, sem a presença de um dreno que possa conduzir esta água para o lado externo. Com
a presença de tal dreno, é caracterizada como infiltração se ocorre de forma repetitiva ou contínua.

Os dois métodos de ensaio são muito parecidos, com diferenças principais em três pontos:

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 64


1) na norma brasileira, as rajadas de acomodação adotadas apresentam valores proporcionais
à pressão de projeto mais baixos, visto que consideram ventos de velocidades mais baixas e,
consequentemente, mais frequentes, mais condizentes à realidade, pois nem sempre antes da
chuva, o vento que incidirá sobre a esquadria será maior do que o vento da pressão de projeto.
Aliás, em raríssimas exceções, pois a pressão de projeto já condiz com ventos que acontecem a
cada 50 anos, e, com isso, a norma brasileira é mais rigorosa, pois essa pressão mais baixa pode
não acomodar o perfil metálico na gaxeta, deixando vazios que permitam a infiltração de água;

2) os incrementos de pressão são menores na norma brasileira, assim, permite ter maior precisão da
máxima pressão alcançada antes da infiltração de água; e

3) o ponto mais crítico e objeto de discussão deste artigo refere-se à pressão adotada no ensaio:
na norma brasileira, é considerada como igual a 20 % da pressão de projeto; na norma europeia,
o ensaio classifica o produto pelas pressões de ensaio limítrofe, pré-estabelecidas, antes da
infiltração de água, independentemente do lugar no qual será inserido o produto. Além disso,
quem deve fazer a avaliação de se aquele produto é adequado ou não para ser utilizado em
determinada edificação é o especificador (projetista).

Essa pressão do ensaio de estanqueidade à água de 20 % da pressão de projeto considera que o


decaimento é proporcionalmente linear em relação à carga de segurança estrutural, que é a média
de uma rajada de 3 s que pode ser excedida, em média, uma vez a cada 50 anos. Porém, o regime de
vento que é utilizado para se determinar o desempenho da esquadria em relação à estanqueidade à
água, não é linearmente proporcional como estabelecido na norma NBR 10821. Por esta razão, foi
elaborada a proposta a seguir.

3 Sugestões para alteração da norma NBR 10821


Tendo em vista que a esquadria externa, de acordo com a norma NBR 15575-1 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013a), deve ter uma VUP “Mínima” de 20 anos e assumindo
para as faixas “Intermediária” e “Superior” os valores de 25 anos e 30 anos, respectivamente, é
razoável considerar que uma janela nova ao ser ensaiada, deva ser estanque à água para chuvas com
vento que acontecem com regime de 20 anos em 20 anos para produtos com desempenho “Mínimo”,
a cada 25 anos para produtos com desempenho “Intermediário” e a cada 30 anos para produtos com
desempenho “Superior”.

Para determinar a pressão do vento incidente que ocorre na edificação durante a VUP, na norma
NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988) são considerados alguns fatores
como: V0 = velocidade básica do vento; S1 = fator topográfico; S2 = combinação dos efeitos de
rugosidade do terreno, da variação de velocidade do vento com a altura acima do terreno e das
dimensões da edificação; S3 = fator estatístico.

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Para a elaboração de uma proposta para alteração da norma NBR 10821, alguns fatores foram considerados
constantes e outros variáveis. Entre os fatores constantes, retirados da norma NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988), estão: o fator topográfico para regiões planas (S1 = 1,0), que
não estão em taludes, morros ou em vales; e o fator combinado para regiões de subúrbios densamente
construídos de grandes cidades e áreas industriais plenas ou parcialmente desenvolvidas (S2 = terreno de
categoria IV). Os fatores variáveis foram considerados conforme as ponderações apresentadas a seguir:

a) Tempo de rajada – Este tempo influencia diretamente o valor de S2, uma vez que o seu valor é
uma combinação entre a velocidade média do vento em um determinado tempo de rajada (quanto
maior o tempo, menor a velocidade média) e a altura. Assim, para esta proposta, foram utilizados
os tempos de rajada de 5 min (300 s), tempo considerado em cada patamar de pressão tanto na
norma brasileira como na norma europeia. Com relação às alturas, foram adotados os valores
estabelecidos na norma brasileira em vigor: 5 m, 15 m, 30 m, 60 m e 90 m;

b) VUP – A Vida Útil de Projeto é o período estimado de tempo para o qual um sistema é projetado, a
fim de atender aos respectivos requisitos de desempenho, neste caso, período pelo qual a esquadria
deve ser estanque à água. Dessa forma, foram utilizados os valores de VUP estabelecidos na norma
ABNT NBR 15575-1 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013a) para compor o
valor de S3: 20 anos, 25 anos e 30 anos; e

c) Probabilidade de ocorrência – O fator S3 é composto também pela probabilidade Pm de que o evento


seja excedido, no local em consideração, pelo menos uma vez em um período de “m” anos (neste
estudo, “m” é igual ao período da VUP). Para o cálculo de carga de vento que incide nas estruturas, é
considerado o fator Pm de 0,63, ou seja, 63 % de probabilidade de ocorrência. Como para se avaliar
a estanqueidade à água deve-se considerar a ocorrência de chuva e de vento simultaneamente, o
estudo utilizou Pm de 0,75 e 0,85, ventos que ocorrem com maior frequência do que o utilizado para
o cálculo da estrutura do edifício e normalmente utilizados em estudos de conforto.

A norma ABNT NBR 6123:1988 estabelece como valor mínimo S3= 0,88 para cálculo visando
segurança nas edificações ou projeto estrutural. Porém, como este cálculo não está sendo utilizado
para este fim, e sim para estabelecer a pressão de ensaio para o requisito de estanqueidade à água,
foram adotados valores abaixo desse limite, ou seja, 0,78 para VUP de 20 anos e Pm de 0,85.

A infiltração de água pela esquadria só ocorrerá quando a esquadria sofrer sobrepressão,


portanto, o coeficiente de forma externo adotado para o cálculo da pressão estática de ensaio
é de 0,7 para edificações de altura igual ou inferior a 15 m e de 0,8 para edificações mais altas,
utilizando como referência os valores apresentados na norma ABNT NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988) para edificações de planta retangular.

Dessa forma, as pressões para o ensaio de estanqueidade à água foram determinadas considerando as
premissas citadas acima. Na Tabela 1, os valores obtidos de acordo com esta proposta são apresentados
juntamente com os valores de pressões de ensaio (Pa) de estanqueidade à água constantes na norma
NBR 10821 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2017a) para esquadrias externas.

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Tabela 1 - Pressões de ensaio (Pa) de estanqueidade à água da norma NBR 10821 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2017a) para esquadrias externas e propostas de pressões com
cenários calculados de acordo com as normas NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 1988) e ABNT NBR 15575 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013a)

Proposta do valor de pressão (Pa)


ABNT NBR
Regiões Altura
10821:2017 VUP 30 anos VUP 30 anos VUP 30 anos
brasileiras (m)
(Pa)
Pm 0,85 Pm 0,85 Pm 0,85 Pm 0,85 Pm 0,85 Pm 0,85
1 6 60 62 62 62 62 62 62
(V0 ≤ 30 m/s) 15 80 99 99 99 99 99 99
Ex: Amapá 30 100 136 136 136 136 136 136
60 130 180 180 180 180 180 180
90 160 215 215 215 215 215 215
6 70 84 84 84 84 84 84
2
15 100 134 134 134 134 134 134
(30 m/s < V0 ≤ 35 m/s)
30 130 186 186 186 186 186 186
Ex: Belo Horizonte
60 160 245 245 245 245 245 245
90 200 292 292 292 292 292 292
6 80 109 109 109 109 109 109
3
15 110 176 176 176 176 176 176
(35 m/s < V0 ≤ 40 m/s)
30 150 243 243 243 243 243 243
Ex: São Paulo
60 190 320 320 320 320 320 320
90 230 381 381 381 381 381 381
4 6 100 139 139 139 139 139 139
(40 m/s < V0 ≤ 45 m/s) 15 140 222 222 222 222 222 222
Ex: Curitiba 30 180 307 307 307 307 307 307
60 220 406 406 406 406 406 406
90 280 483 483 483 483 483 483
6 110 171 171 171 171 171 171
5
15 150 274 274 274 274 274 274
(45 m/s < V0 ≤ 50 m/s)
30 200 379 379 379 379 379 379
Ex: Porto Alegre
60 250 501 501 501 501 501 501
90 300 596 596 596 596 596 596
Média da diferença de pressão (Pa) 98 98 98 98 98 98
entre as propostas e a norma em vigor Valor médio = 97 Pa

Fonte: elaborado pelos autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 67


É notado que para valores menores de VUP, bem como para probabilidade de 85 %, têm-se valores
mais baixos de pressão de ensaio. Observa-se também que a média geral da diferença de pressão
entre as propostas e os valores adotados na norma em vigor é de 97 Pa, ou seja, apresenta valores
próximos aos praticados na norma em vigor. A maior diferença entre os valores propostos e os
utilizados atualmente está nas regiões com V0 de 40 m/s e 50 m/s, regiões IV e V, e para posições
mais altas, como as de 30 m, 60 m e 90 m, tendo casos em que a pressão de ensaio é maior que
o dobro da norma atual. Estes casos, com a pressão de ensaio de 625 Pa ou 655 Pa, por exemplo,
podem, inclusive, ser comparados com as classificações especiais da UNI EN 12208 (EUROPEAN
COMMITTEE FOR STANDARDIZATION, 2001), classe de maior desempenho da norma europeia. Outro
fato interessante é que na região I, em edificações baixas, há resultados encontrados de acordo com a
norma ABNT NBR 6123 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988) abaixo das pressões
utilizadas na norma em vigor. Desta forma, percebe-se que, comparando os valores propostos com
os valores em vigor, há uma expansão da gama de pressões para ensaio, aumentando os valores das
máximas e reduzindo os valores das mínimas.

Deve-se observar que o ensaio de estanqueidade à água é realizado para avaliar se o produto permite
a passagem de água para dentro do ambiente de forma a danificar algo ou criar um ambiente insalubre
para o usuário. Assim, o critério de avaliação deve considerar se os lugares projetados permitem a
drenagem da água com vazão adequada para o lado externo, caso ocorra a passagem de água para
dentro do ambiente. Para o critério de classificação em “Mínimo”, “Intermediário” ou “Superior”, é
importante que o ensaio seja contínuo até a infiltração prejudicial ocorrer compatibilizando com
o critério de classificação da VUP proposto na norma NBR 15575 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2013a), pois quanto maior a VUP, maior a probabilidade de ocorrer um vento
com velocidade maior, elevando o valor da pressão a que a esquadria será solicitada durante o uso. É
importante ressaltar que o ensaio é realizado com incrementos de pressão, portanto, o ensaio poderá
continuar até atingir a classe desejada, não é necessário pré-estabelecer nenhum valor.

4 Conclusão
Os fatos apresentados acima evidenciam a importância de se rever os valores das pressões de
ensaio avaliando o regime de vento nas regiões do território brasileiro, a VUP e a altura de uso do
produto, pois a avaliação de desempenho estará mais condizente com as incidências do vento em
uso. As modificações propostas na metodologia de ensaio poderão colaborar para identificações
mais claras entre os desempenhos dos diversos produtos, pois atualmente, pelo método vigente,
o resultado obtido para uma esquadria com qualidade adequada é igual ao de uma esquadria com
qualidade excelente, colocando um teto de desempenho nivelando os produtos para baixo. Essa falta
de diferenciação não é adequada para o mercado e nem para o setor, pois não estimula a realização
de produtos com melhor desempenho. Outro fato importante para discussão são os critérios de
avaliação e classificação. Assim como na norma europeia EN 12208 (EUROPEAN COMMITTEE FOR
STANDARDIZATION, 2001), é importante avaliar se o produto permite a passagem de água para

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 68


dentro do ambiente de forma a danificar algo ou criar um ambiente insalubre. Assim, é pertinente
adotar o critério da norma europeia de não permitir a entrada de água através da esquadria para
o lado interno, caso não se tenha um dreno que possa conduzir esta água para o lado externo e
que a infiltração ocorra de forma não repetitiva e nem contínua. Para o critério de classificação
em “Mínimo”, “Intermediário” e “Superior”, a norma poderia adotar critérios que considerem, por
exemplo, o tempo da VUP, que quando aumentada, aumenta o período em que o produto vai estar
sujeito a ventos de maior intensidade, e consequentemente, a esquadria deve resistir a uma pressão
de vento maior no ensaio.

5 Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6123: Forças devidas ao vento em edificações.
Rio de Janeiro, 1988. 80 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10821: Esquadrias para edificações - Parte 2:
Esquadrias externas – Requisitos e classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2017a. 27 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10821: Esquadrias para edificações - Parte 3:
Esquadrias externas – Requisitos e classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2017b. 27 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575: Edificações habitacionais -


Desempenho, Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013a. 71 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575: Edificações habitacionais -


Desempenho, Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas. Rio de
Janeiro: ABNT, 2013b. 63 p.

EUROPEAN COMMITTEE FOR STANDARDIZATION. UNI EN 1027: Windows and doors – Watertightness:
Test method. Milano: ECS, 2001. 14 p.

EUROPEAN COMMITTEE FOR STANDARDIZATION. UNI EN 12208: Windows and doors –


Watertightness: Classification. Milano: ECS, 2000. 10 p.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 69


Artigos técnicos A mesa d’água como ferramenta de
apoio para a caracterização de um
modelo genérico a ser ensaiado em
túnel de vento
The water table as a support tool for the characterization of a
generic model to be tested in a wind tunnel

Michele Marta Rossia*, Fernanda Itkes Valea,


Alessandra Rodrigues Prata Shimomurabͨ, Karin Maria Soares Chvatala

a Universidade de São Paulo,


Resumo
Instituto de Arquitetura e
A ventilação natural em edificações é uma importante estratégia para
Urbanismo de São Carlos.
garantir a qualidade interna do ar, o conforto térmico dos usuários e
São Carlos-SP, Brasil.
o resfriamento das estruturas das edificações. Entretanto, entender
sua eficácia na promoção desses aspectos é uma tarefa que exige a
b Universidade de São Paulo,
consideração de fenômenos complexos, relacionados à dinâmica dos
Faculdade de Arquitetura e
fluidos. Existem diferentes métodos para avaliar o desempenho da
Urbanismo. São Paulo-SP, Brasil.
ventilação natural em edificações, como testes em túnel de vento
ou simulações fluidodinâmicas (CFD). No entanto, esses métodos
*E-mail: michele.rossi@usp.br são caros, demandam tempo ou exigem um usuário experiente. A
mesa d’água é uma opção viável para analisar o impacto qualitativo
dos parâmetros de uma edificação na ventilação natural, de modo
Palavras-chave: a orientar a tomada de decisões. Neste estudo, o potencial da mesa
Ventilação natural; dispositivos de d’água foi comprovado para esse fim. As visualizações de ensaio
sombreamento; modelo genérico; conduzidos nesse equipamento ajudaram a definir as dimensões
mesa d’água. de janelas e dos dispositivos de sombreamento que caracterizavam
um modelo genérico. Posteriormente, este mesmo modelo será
Keywords: usado para testes em túnel de vento e simulações computacionais
Natural ventilation; shading fluidodinâmicas para avaliar o impacto dos dispositivos de
device; generic model; sombreamento na ventilação natural.
water table.
Abstract
Natural ventilation in buildings is an important passive strategy to
guarantee and/or to maintain the indoor air quality, the thermal
comfort or the cooling of the buildings’ structures. However, to
understand its efficacy in promoting those aspects is hard due to its

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 70


complexity. There are different methods to evaluate natural ventilation performance in building as
wind tunnel tests or computational fluid dynamics (CFD) simulations. Nevertheless, they are costly,
time-consuming and demand an expert user. Water table is a viable option to analyze the qualitative
impact of parameters’ variation in natural ventilation, so it could guide the decision-making process.
In this study, the potential of water table was proved for this purpose. The visualizations aided to define
the dimensions of windows and shading devices that characterized a generic model. Afterwards, this
same model will be used to wind tunnel tests and CFD simulations to evaluate the impact of shading
devices on natural ventilation.

1 Introdução
A ventilação natural em edificações é uma importante estratégia para garantir ou promover a
qualidade interna do ar, os níveis de conforto térmico adequado aos usuários e o resfriamento
das superfícies da edificação (GIVONI, 1976). No entanto, a complexidade inerente aos processos
físicos a ela atrelados dificulta a compreensão do fenômeno (SANTAMOURIS, 2002). Desse modo,
é necessária a aplicação de métodos de predição para avaliar o seu desempenho, os quais estão
relacionados ao uso de variadas ferramentas, como os programas de simulação computacional
fluidodinâmica Computational Fluid Dynamics (CFD), o túnel de vento, entre outras. A escolha de
um ou mais métodos de predição depende do problema estudado. De acordo com Chen (2009), os
modelos de predição podem ser divididos em: (a) modelos analíticos; (b) modelos empíricos; (c)
modelos experimentais em escala reduzida; (d) modelos experimentais em escala real; (e) modelos
de rede (multi zonas); (f) modelos zonais; e (g) modelos de dinâmica dos fluidos computacional
(CFD). Cada qual apresenta suas vantagens e limitações. Deve-se analisar o que melhor se adequa
ao problema apresentado e fornece com maior eficiência e precisão, dentro das limitações de
tempo, custo e conhecimento, a variável estudada.

As simulações computacionais fluidodinâmicas e os ensaios experimentais em túnel de vento


estão entre as ferramentas mais robustas e confiáveis de análise da ventilação natural, no entanto
apresentam alto custo e demandam um usuário com bom entendimento acerca de mecânica
dos fluídos. Também há um equipamento, denominado mesa d’água, que permite esse tipo de
análise de forma bem mais simplificada, e com custo e tempo de uso muito inferior (RIBEIRO;
BITTENCOURT, 2016).

A mesa d’água consiste em um equipamento que possibilita visualizações do comportamento da


ventilação natural em edificações, a partir da passagem da água misturada com um indicador por
uma base plana em que é disposto o modelo de análise em escala reduzida (TOLEDO; PEREIRA,
2003). De acordo com Toledo e Pereira (2003), as vantagens da mesa d’água consistem em: (a) baixo
custo de aquisição; (b) baixa demanda de espaço físico; (c) facilidade de operação e manutenção
do equipamento; (d) possibilidade de alteração instantânea dos parâmetros relacionados
às aberturas; e (e) registro continuado, a partir de fotografias e filmagens, da visualização do

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 71


escoamento de ar. Em contraponto, as limitações deste equipamento se resumem em: (a) análises
bidimensionais de um fenômeno que é estritamente tridimensional; (b) possibilidade de avaliações
somente isotérmicas e; (c) impedimento de medições quantitativas das grandezas aerodinâmicas
(velocidade, pressão) (TOLEDO; PEREIRA, 2003).

Este trabalho faz parte de um doutorado em andamento, cujo objetivo geral é avaliar o impacto
das características projetuais de diferentes dispositivos de sombreamento externos no desempenho
da ventilação natural em um modelo genérico de ambiente. O método consiste principalmente em
ensaios experimentais em túnel de vento de camada limite atmosférica e simulações computacionais
fluidodinâmicas (CFD). O presente artigo se refere a uma etapa do processo de definição desse
modelo genérico, na qual se analisa qualitativamente na mesa d’água a influência de dois parâmetros
desse modelo no fluxo de ar no seu interior. Com isso, demonstra-se como foi possível definir as
melhores combinações desses parâmetros para posterior ensaio em túnel de vento, e assim reduzir
o tempo de uso deste equipamento. Os parâmetros estudados foram as dimensões das aberturas e
a profundidade dos dispositivos de sombreamento externos. Desta forma, demonstra-se também o
potencial da mesa d’água como ferramenta de suporte à tomada de decisões.

2 Metodologia
O modelo genérico adotado no Doutorado possui as dimensões de 3,0 m x 3,0 m x 2,7 m (largura
x comprimento x pé direito), e duas aberturas de igual dimensão, centralizadas em faces opostas
e com peitoril de 1,10 m. Essas características mantêm-se fixas e foram definidas em função da
literatura e de bancos de dados de projetos. Esse modelo genérico será ensaiado em túnel de
vento, contemplando-se variações nas dimensões dos dispositivos de sombreamento acoplados à
abertura a barlavento. O objetivo do ensaio no túnel é analisar o impacto desses dispositivos nos
coeficientes de pressão externos e internos. Os modelos ensaiados no túnel também serão utilizados
para a calibração de um programa CFD, o que permitirá a investigação de uma quantidade maior
de alterações, além das ensaiadas no procedimento experimental. Devido às limitações de tempo e
custo para uso do túnel, a mesa d’água, equipamento que permite a visualização do fluxo de ar em
modelos reduzidos, foi adotada para auxiliar na redução dos casos a serem ensaiados. A intenção
foi caracterizar o fluxo de ar de forma qualitativa, de modo a identificar semelhanças e diferenças, e
assim selecionar os casos mais relevantes.

Foi utilizada a mesa d’água do Laboratório de Conforto Ambiental (LCA) do Instituto de Arquitetura
e Urbanismo de São Carlos (IAU-USP) (Figura 1). Ela é composta por dois tanques de água com
capacidade de 92,5 l (0,74 m x 0,25 m x 0,50 m) cada, conectados por uma bomba 0,75 cv e 60 Hz.
Um inversor de frequência, modelo CFW08 da WEG, atrelado à bomba é responsável por controlar
a velocidade e a frequência do fluxo de água. A área de ensaio apresenta 1,10 m de comprimento
e 0,74 m de largura. Para a realização dos ensaios, os reservatórios foram cheios e o indicador
(detergente) foi acrescido. A frequência do sistema elétrico foi elevada a 50 Hz a fim de garantir

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 72


o turbilhonamento necessário para a formação da espuma. Após alguns minutos, a frequência foi
ajustada para 20 Hz o que, de acordo com Toledo e Pereira (2003), tem se mostrado adequado para
visualizações de fluxo laminar. Os referidos autores apontam a necessidade do aumento periódico
da frequência do inversor e, consequentemente, do turbilhonamento durante os ensaios, devido à
rápida perda de consistência da espuma, algo também verificado e executado nestes ensaios.

Figura 1 - Mesa d’água do Laboratório de Conforto Ambiental (LCA) do Instituto de Arquitetura e


Urbanismo de São Carlos (IAU-USP)

Fonte: Elaborado pelos autores

Como a visualização na mesa é bidimensional, e o fenômeno estudado é tridimensional, foram


feitas maquetes que representassem o modelo genérico em planta e em corte longitudinal.
Considerou-se nos ensaios que o modelo genérico em escala real tivesse janelas com distintas
larguras (0,6 m; 1,0 m; 1,2 m; 1,6 m; 2,0 m), as quais foram ensaiadas em planta; alturas (0,6 m
e 1,0 m), ensaiadas em corte; e dispositivos de sombreamento externo horizontal ou verticais com
variadas profundidades (0,1 m; 0,5 m e; 1,0 m), ensaiado em corte ou em planta, respectivamente.
As maquetes foram confeccionadas em acrílico transparente de 3 mm por este ser um material
resistente, impermeável e não interferir nas visualizações. Os modelos foram feitos na escala de
1:10 e a altura dos elementos foi de 5 cm. Considerou-se a incidência de vento perpendicular à
face a barlavento. Os dispositivos de sombreamento foram locados nesta mesma face. Nos ensaios

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 73


em planta, a maquete foi disposta no centro geométrico da área de ensaio. Já nos ensaios em corte
longitudinal, a base do modelo foi encostada em uma das paredes da área de ensaio, no ponto
médio do seu comprimento. A captura de imagens, assim como a elaboração de vídeos para posterior
análise de resultados, foi garantida a partir da instalação de uma câmera digital em um sistema de
tripé disposto sobre uma mesa de apoio. Portanto, para a análise dos resultados foram utilizados:
(a) fotografias; (b) vídeos e; (c) desenhos que simplificaram os padrões de fluxo de ar observados a
partir dos meios anteriores.

3 Resultados
3.1 Avaliação do impacto da variação das dimensões da abertura

A partir dos ensaios do modelo em planta foi observada a influência da variação da largura da
abertura (vãos de 0,6 m; 1,0 m; 1,2 m; 1,6 m e 2,0 m). Os resultados dos casos de 1,2 m e 1,6 m foram
omitidos devido às semelhanças encontradas com os casos de 1,0 m e 2,0 m, respectivamente. Os
resultados encontram-se na Figura 2. No caso do vão de 0,6 m, o fluxo de ar incidente apresentou
um movimento ondulatório, originando, por sua vez, recirculações que abrangeram as porções
direita e esquerda do ambiente analisado. Com o incremento da largura da abertura, o fluxo de ar no
interior tornou-se mais linear, bem como as zonas de sombra de vento mais definidas.

Os ensaios com o modelo em corte longitudinal auxiliaram na observação da influência da variação


da altura da abertura. Foram ensaiadas as variações equivalentes aos vãos de: 0,6 m e 1,0 m
(Figura 2). Os mesmos comportamentos observados para as visualizações do modelo em planta
foram verificados. No caso da abertura de menor altura, o movimento ondulatório do fluxo de ar
reapareceu, assim como as recirculações de ar decorrentes dele. Estas recirculações promoveram
uma maior abrangência do fluxo de ar no ambiente interno, o que não garante, por sua vez, uma
ventilação natural efetiva. Ao aumentar a altura do vão para 1,0 m, o fluxo de ar ficou mais linear.
Menores recirculações de ar foram observadas no ambiente interno (apenas baixas recirculações
de ar próximas a face a sotavento), o que promoveu zonas de sombra de vento mais definidas no
interior do ambiente.

A partir desses ensaios, optou-se por ensaiar o modelo genérico no túnel de vento sem considerar
variações no tamanho da abertura. Priorizou-se uma situação na qual o fluxo de ar interno
encontrava-se mais linear, mas que ainda englobasse as recirculações e o movimento ondulatório
observado nas situações equivalentes à menor dimensão. Dessa forma, as aberturas do modelo
genérico terão as dimensões de 1,0 x 1,0 m (largura x altura).

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 74


Figura 2 - Avaliação qualitativa do impacto da variação das dimensões da abertura a partir de ensaios
experimentais em mesa d’água do modelo em planta e em corte longitudinal

Recirculação
Sombra
de ar
de vento

v
0,6 m

Movimento odulatório ocasionando


recirculações de ar
Ensaios do modelo em planta

Sombra Recirculação
de vento de ar
Sombra de vento

Recirculação de ar
v
1,0 m

Recirculação de ar

Sombra de vento

Sombra de vento Baixa recirculação de ar

v
2,0 m

Fluxo de ar mais linearizado

Sombra de vento Baixa recirculação de ar

Sombra de vento
Movimento
v odulatório ocasionando
Ensaios do modelo em

recirculações de ar
0,6 m
Corte longitudinal

Sombra de vento

Sombra de vento Recirculação de ar

Fluxo de ar
v mais linearizado
1,0 m

Baixa recirculação de ar

Sombra de vento

Fonte: elaborado pelos autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 75


3.2 Avaliação do impacto da variação da profundidade dos dispositivos de
sombreamento externos

A avaliação do impacto da variação da profundidade dos dispositivos de sombreamento externos,


verticais e horizontais, foi realizada a partir de visualizações do fluxo de ar interno no modelo em
planta e em corte longitudinal, respectivamente, e com aberturas de dimensões equivalentes a 1,0 m.
Foi ensaiado o modelo sem proteção solar e com protetores dispostos na abertura localizada na
face a barvalento. As dimensões de profundidade dos elementos de sombreamento ensaiados foram
equivalentes à 0,1 m; 0,5 m e 1,0 m (Figura 3).

Nos ensaios do modelo em planta, pouca influência foi observada a partir da inclusão dos elementos
equivalentes a 0,1 m. À medida que os protetores foram aumentados (para 0,5 m e para 1,0 m), o fluxo
se tornou mais linear quando comparado ao primeiro caso. As recirculações de ar foram verificadas
em todos os modelos analisados, no entanto com a inclusão e o aumento da profundidade dos
protetores, as mesmas perderam gradativamente a intensidade.

Nos ensaios do modelo em corte longitudinal, assim como na avaliação anterior, pouca influência no
comportamento do fluxo de ar interno foi observada a partir da inclusão do elemento de sombreamento
com profundidade equivalente a 0,1 m. Os protetores de maiores profundidades (0,5 m e 1,0 m)
resultaram em uma maior linearidade do fluxo de ar ao adentrar pela primeira abertura, no entanto
o encontro deste fluxo com a face a sotavento ocasionou recirculações do ar, sendo estas maiores na
parte superior do ambiente e menores na porção inferior. Em ambos os casos, o fluxo de ar interno
esteve acima da zona do usuário e com formações de zonas de sombra de vento na parte superior,
logo após a face a barlavento e na parte inferior do ambiente.

Optou-se pelos protetores de 0,5 m, uma vez que estes configuram uma dimensão mais realista de ser
encontrada em edificações brasileiras. Além disso, quanto ao impacto na distribuição de fluxo de ar
no interior do ambiente, a opção de 0,5 m continua sendo válida, por permitir maiores recirculações
do ar, diminuindo as zonas de sombra de vento no ambiente analisado.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 76


Figura 3 - Avaliação do impacto dos dispositivos de sombreamento externos verticais (modelo em planta)
e horizontais (modelo em corte longitudinal), com profundidades equivalentes à 0,1 m; 0,5 m e; 1,0 m

Sombra de vento

Recirculação
sem proteção

de ar
v

Recirculação
de ar

Sombra de vento

Sombra de vento Recirculação de ar


Ensaios do modelo em planta
proteção 0.1

Sombra de vento Recirculação de ar

Sombra de vento Recirculação de ar


proteção 0.5

Sombra de vento Recirculação de ar

Sombra de vento

Recirculação de ar
proteção 1.0

Sombra de vento Recirculação de ar

Fonte: elaborado pelos autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 77


Sombra de vento Recirculação de ar

Fluxo de ar
sem proteção

v mais linearizado

Baixa recirculação de ar

Sombra de vento
Ensaios do modelo em corte longitudinal

Sombra de vento

Recirculação de ar
proteção 0.1

Sombra de vento

Sombra de vento Recirculação de ar


proteção 0.5

Baixa recirculação de ar

Sombra de vento

Sombra de vento Recirculação de ar


proteção 1.0

Baixa recirculação de ar

Sombra de vento

Fonte: elaborado pelos autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 78


4 Conclusão
A complexidade inerente ao fenômeno da ventilação natural é uma das principais barreiras para
que esta estratégia de condicionamento passiva seja implementada. Análises quantitativas quando
aplicadas durante o processo de projeto podem ser importantes aliadas à tentativa de mudança
desta realidade. No entanto, muitas vezes essas análises demandam o uso de ferramentas que não
estão no domínio dos projetistas, como ensaios em túnel de vento e simulações CFD.

As análises qualitativas, a partir de visualizações na mesa d’água consistem em um experimento de


baixo custo, relativamente simples e rápido, e pode contribuir significativamente para uma apreensão
instantânea do impacto de variáveis no fenômeno da ventilação natural e assim subsidiar a tomada
de decisões.

Neste trabalho, tal ferramenta foi utilizada para auxiliar a caracterização de parâmetros de um
modelo genérico que será utilizado, posteriormente, para ensaios em túnel de vento e simulações
computacionais fluidodinâmicas, e teve sua potencialidade comprovada para este fim.

As definições das dimensões do vão de abertura e dos dispositivos de sombreamento externos


ocorreram a partir de análises qualitativas do impacto destes parâmetros no fluxo de ar de ar incidente
e do modo como ele se distribuiu no ambiente. Priorizaram-se, nessas definições, valores coerentes
com os adotados para tais elementos arquitetônicos nas habitações residenciais brasileiras, e também
dimensões que proporcionassem padrões de fluxos de ar complexos e, assim, interessantes de serem
avaliados a partir das demais ferramentas metodológicas (túnel de vento e simulação computacional
fluidodinâmica) englobadas pela pesquisa de Doutorado, a qual este estudo está vinculado.

Por fim, a mesa d’água foi adotada devido à excelente resposta que diversas pesquisas científicas têm
encontrado com o uso dessa ferramenta. Blessmann (1990) aponta que a água e o ar apresentam,
sempre que não houver separação da camada limite, um comportamento próximo a um fluido
ideal (fluido incompressível e sem viscosidade), apresentando efeitos visuais semelhantes acerca de
muitos aspectos.

É válido ressaltar que ensaios em mesa d’água demandam cuidado na descrição do regime de
escoamento, e seus resultados não devem ser diretamente extrapolados para a situação real, uma vez
que se tratam de análises bidimensionais de um fenômeno estritamente tridimensional. A validação
destes ensaios pode ser realizada partir de simulações computacionais fluidodinâmicas em que as
condições de similaridade sejam mantidas. Blessmann (1990) enfatiza que se o número de Reynolds
for constante e as similaridades geométricas e de orientação dos objetos analisados em relação ao
escoamento forem asseguradas, a semelhança dinâmica e as forças em pontos correspondentes em
dois escoamentos distintos serão, por sua vez, constantes.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 79


5 Agradecimentos
Os autores agradecem à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e
ao Programa Unificado de Bolsas de Estudos para Estudantes de Graduação (PUB) da USP pelo apoio
financeiro fornecido através de das bolsas de doutorado e iniciação científica, respectivamente.
Aos engenheiros Gilder Nader e Gabriel Borelli Martins, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do
Estado de São Paulo (IPT) pelas contribuições sempre tão pertinentes. Aos técnicos dos laboratórios
do IAU-USP, Pedro Mattia, José Dibo e Paulo Pratavieira pelo auxílio durante a confecção das
maquetes e execução dos ensaios em mesa d’água.

6 Referências
BLESSMANN, J. Aerodinâmica das construções. Porto Alegre: Sagra, 1990.

CHEN, Q. Ventilation performance prediction for buildings: a method overview and recent applications.
Building and Environment, v. 44, n. 4, p. 848–858, 2009.

GIVONI, B. Man, climate and architecture. 2. ed. London: Applied Science Publishers, 1976.

RIBEIRO, P. V. S.; BITTENCOURT, L. S. Contribuição da mesa d’agua na análise da Geometria de sheds


extratores e captadores de ar para ventilação natural. In: ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO
AMBIENTE CONSTRUÍDO, 16., 2016, São Paulo. Anais... Porto Alegre: ANTAC, 2016.

SANTAMOURIS, M. Prediction methods. In: ALLARD, F. (Ed.). Natural Ventilation in Buildings.


London: James and James, 2002. p. 63-156.

TOLEDO, A. M.; PEREIRA, F. O. R. O potencial da Mesa d’ água para a visualização analógica da ventilação
natural em edifícios. In: ENCONTRO NACIONAL DE CONFORTO NO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 7., 2003,
Curitiba. Anais... Porto Alegre: ANTAC, 2003.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 80


Artigos técnicos Generación eólica en el entorno urbano
Wind power generation in the urban environment

Victor Manuel Padilla Seguraa*, Algozino Santiagoa,


Julio Marañón Di Leoa, Juan Sebastián Delnerob, Mantelli Pabloa

a Universidad Nacional de La Plata,


Resumen
Facultad de Ingeniería, Laboratorio
A raíz del continuo desarrollo de la generación eólica, así como también
de Capa Límite y Fluiodinámica.
de la descentralización de esta; el presente trabajo analiza el potencial
La Plata – BA, Argentina.
eólico en terrazas de edificios a partir de ensayos experimentales en
b Consejo Nacional de Investigaciones
túnel de viento. Los ensayos consistieron en visualizaciones mediante
Científicas y Técnicas.
inyección de humo y mediciones con anemometría de hilo caliente
Buenos Aires - BA, Argentina.
del campo de velocidad en la terraza de un edificio típico en la
región latinoamericana, así como la influencia de diferentes edificios
*E-mail: manuelpseg@gmail.com cercanos. Se realizaron mediciones para configuraciones especificas
de dos edificios, donde el primero se considera obstáculo ubicado
únicamente a barlovento, pudiendo modificar su altura respecto al
Palabras clave: edificio en estudio. Con las mediciones realizadas se cuantificaron
energía eólica; entorno urbano; velocidades medias y fluctuaciones en distintas ubicaciones sobre
generación, turbulência. la terraza y se seleccionaron las ubicaciones más favorables para
la colocación de aerogeneradores. Se encontró una gran influencia
Keywords: de la altura del obstáculo en las velocidades medias y turbulencias,
wind energy; urban con lo cual la elección de dichas ubicaciones dependerá del entorno
environment; generation; circundante.
turbulence.
Abstract
In accordance with the continuous developments in wind energy,
and the decentralization in its production, the present work analyzes
the wind energy potential in the building roofs through experimental
tests in a wind tunnel. These tests involve two different methods,
visualizations with smoke injection and hot-wire measurements of the
velocity field, over the roof of a building model with the characteristics
of the most relevant buildings in Latin-America. Additionally, the
influence of a windward obstacle of different heights was studied.
Mean velocities and fluctuation were identified with the tests over
different locations in the roof of the test model and the most favorable
for the wind energy production were identified. An important influence
of the obstacle height in the mean and fluctuations influence was
found, showing a dependency of the most favorable location for the
wind energy production with respect to the closest environment.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 81


1 Introducción
La creciente demanda energética plantea nuevos retos de ingeniería buscando que la tendencia al
crecimiento de los centros de población vaya de la mano con iniciativas sustentables que reduzcan
su impacto. Varias son las fuentes de energía disponible en el planeta, donde la generación de
aquellas renovables comienza a tomar fuerza a medida que el desarrollo tecnológico facilita su
implementación.

Analizando latinoamerica, según los datos publicados por la International Energy Agency (2015
apud AGENCIA INTERNACIONAL DE ENERGÍAS RENOVABLES, 2016), la región mantenía una
producción de energía renovable del orden del 31 % del total de suministro de energía primaria en
América Latina, ver Figura 1. Dentro de esta proporción, la energía eólica, fuente de interés para
este trabajo, representa menos del 1 %; si bien es un número muy pequeno el que representade
los últimos 10 anos, y principalmente en los últimos 5 años las inversiones en esta tecnología
aumentaron considerablemente en la región, según el mismo estudio de IRENA, pasando el 50 % de
las inversiones respecto al total de inversiones en fuentes renovables.

Muchos países, como una forma de mitigación del impacto producido por el crecimiento de los
centros urbanos están optando por la implementación de códigos que obliguen a los nuevos
proyectos habitacionales a contar con una producción propia de energía renovable, aunado a
sistemas de conservación de temperatura y manejo de ambientes de manera eficiente e inteligente
considerando que los edificios son responsables de aproximadamente 40 % del consumo energético
del mundo. Si bien esta tendencia se observa en su mayor medida en Europa y Estados Unidos, la
tendencia mundial apunta a este tipo de concepto para el crecimiento urbanístico.

Es por ello que surgen los llamados edificios inteligentes, que contemplan distintas formas eficientes
de administrar la producción y el consumo de su energía, vale aclarar que estos edificios producen
solo una parte de la energía total que consumen. En este contexto nace la pregunta: ¿Por qué no
generar la energía localmente en cada edificio? Y desde el punto de vista de la energía eólica, ¿Qué
ventajas y desventajas trae la generación eólica en edificios?

Existen distintos diseños de edificios que implementan la generación eólica, integrando los sistemas
generadores a sus estructuras, siendo pioneros en esta rama de estudio entre ellos se pueden
mencionar: el complejo Bahrain World Trade Center, en Bahrain, Asia, donde sus tres generadores
eólicos producen entre el 10 % y 15 % de la energía que consume. Otros edificios recientes son el
Pearl River Tower en Guangzhou, China y el Strata Tower en Londres.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 82


RESUMEN EJECUTIVO

Figura 1 -ES.2 Suministro
Figura Proporciones de producción
total de energía
de energía primaria por primaria
subregiónen
en América
2013 Latina

< 1 % Centroamérica

< 1 % Brasil


43 % 33,9 39 %
Mtep
TPES
28 %
< 1 % México 293,7
2 % 41 %
5 % 1 % 6 % 10 % Mtep
7 % 3 % TPES 6 %
1 %
191,3 11 %
Mtep 11 %
52 % 1 %
TPES 32 % Estados
Andinos 3 %
6 %
2 % 10 %
145,6
54 % Mtep
TPES
27 %

Solar/eólica/otras
Bioenergía y residuos

Petróleo < 1 %


16 %
Carbón Cono
Sur
Total 5 % Geotérmica 13 %
América Latina 1 %
6 %
37 %
46 % 793,2 8 % Hidroeléctrica 128,8
Mtep 8 %
Mtep TPES
TPES
1 % 35 %

1 %
23 % Gas natural

Bioenergía y residuos Gas natural


Nuclear Carbón Nuclear
Importaciones netas de electricidad Petróleo
Geotérmica Solar/eólica/
otras
Hidroeléctrica

Fuente: IEA, 2015


Fuente: International Energy Agency (2015 apud AGENCIA INTERNACIONAL DE ENERGÍAS
RENOVABLES, 2016, p. 7).

7
Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 83
Al colocar un generador eólico cerca a un edificio, es necesario tomar en cuenta la interacción entre
ambos, pudiendo esto resultar en una ganancia de velocidad del flujo que ve el generador, o en caso
de que la ubicación del mismo no sea la más adecuada, puede resultar en un flujo muy turbulento
afectando el rendimento y la durabilidad del equipo (MERTENS, 2006). A su vez, la velocidad del aire
en el entorno urbano es solo una fracción de la velocidad en las zonas rurales, donde la rugosidad del
terreno es mucho menor que en el primer caso (INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA INDUSTRIAL,
2005). En la mayoría de los casos, es sabido el carácter variable en cuanto a magnitud y dirección
de los vientos en el entorno urbano, esto requiere que la turbina pueda adaptarse de manera
rápida a esos cambios, afectando no solo la energía que entrega sino su durabilidad debido a las
cargas dinámicas a las que se encuentra expuesta (MERTENS, 2006; HAU, 2006). Por este motivo,
la colocación de aerogeneradores en edificios de gran altura parece ser una solución viable, sobre
todo porque el edificio causa que la velocidad local de la corriente libre por encima de la terraza
aumente alrededor del 20 % (“efecto concentrador”) dependiendo de su forma y de la dirección del
viento relativo al edificio. Además, en zonas costeras, puede ser de gran interés la aplicación de
generadores eólicos, dado que el efecto de rugosidad del entorno urbano se ve disminuido.

El presente trabajo busca analizar experimentalmente en túnel de viento el potencial eólico en


ciudades, específicamente en la región latinoamericana, considerando tanto ventajas como
desventajas de la generación eólica en el entorno urbano, considerando la generación a partir de
generadores de baja y media potencia colocados en terrazas de edificios.

2 Metodología
Como fue mencionado anteriormente, el presente trabajo busca la caracterización del flujo de aire
sobre la terraza de un edificio que se encuentra aguas abajo de otro edificio que puede modificar
su altura para cuantificar su influencia. Para dicha caracterización se realizaron visualizaciones
mediante inyección de humo, así como también mediciones mediante anemometría de hilo
caliente, a distintas alturas respecto a la terraza. Los ensayos fueron realizados en el túnel de viento
“Dr. Jorge Colman Lerner” de la UIDET-LaCLyFA de la Universidad Nacional de La Plata. Este túnel
de viento de circuito abierto cuenta con una sección de prueba de 1,83 m x 2,4 m y una velocidad
máxima de 20 m/s. (LERNER et al., 2012).

Se construyó una maqueta de dos edificios en madera y escala 1:80 (Figura 2), en función de
las características típicas de las construcciones en Latinoamérica. El edificio (A) cuenta con 5
módulos para modificar su altura; el primer módulo representa una altura de 24 m, y cada módulo
restante suma 8 m de altura alcanzando una altura total de 56 m. El edificio B, es un único módulo
de 70 cm, representando 56 m de altura en su escala real . La separación entre ambos edificios
se mantuvo constante, y la misma representa la anchura media de una avenida con sus veredas
correspondientes; esta distancia considerada fue de 17 m.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 84


Se realizaron mediciones para distintas alturas del edificio A ubicado en la cara a barlovento del
edificio en estudio (edificio B). Las distintas configuraciones fueron modificadas con los módulos
anteriormente descritos. Si bien se analizaron cinco configuraciones distintas, se presentan los
resultados de la configuración 1 que corresponde con la altura básica de 24 m en el edificio A (45 %
de la altura del edificio B); la configuración 3, que se agregan dos módulos, es decir una altura total
de 40 m (85 % de la altura del edificio B), y la configuración 5 que corresponde a una altura total de
56 m, equivalente a la del edificio B.

Figura 2 - Vista de la maqueta y esquema de montaje de ambos edificios

Uo
56 m

Edificio A Edificio B
17 m

17 m 28 m

Fuente: elaborado por los autores

Para la medición de velocidades, se realizó la misma sobre 9 puntos en el plano de la terraza, y en


cada uno de estos puntos, se realizaron mediciones a 5 alturas (eje Z) distintas, con una separación
de 5 cm desde la terraza hasta los 25 cm (representando una diferencia de altura de 4 m entre
cada punto de medición). En la Figura 3 se puede ver el esquema de medición. Las mediciones se
realizaron para una velocidad de corriente libre de 10 m/s correspondiente a la altura de la terraza
del edificio B. Para la configuración de túnel empleada, la intensidad de turbulencia en el punto
de referencia es de 1,8 %. Consistente con un perfil de capa límite correspondiente a una zona
urbana edificada. Si bien la intensidad de turbulencia empleada en las mediciones es de un nivel
bajo para un entorno urbano, se utilizó dicha configuración para realizar un primer análisis sobre
los efectos de un obstáculo ubicado a barlovento en la terraza de un edificio en estudio sucesivos
análisis incrementando la intensidad de turbulencia deberian ser realizados en trabajos futuros
para analizar si modificaciones en el perfil incidente producen modificaciones en el campo de flujo
sobre la terraza del edificio. Las mediciones de anemometría se realizaron a una frecuencia de
adquisición de 2 kHz, con un filtro pasa-bajo de 1 kHz, empleando sensores fiber film probes 55R51
en el anemómetro de temperatura constante CTA Dantec Streamline.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 85


Figura 3 - Grilla de medición de velocidades

Edificio A U0

X3 7 8 9
X2 4 5 6
z x
X1 1 2 3
Y1 Y2 Y3

Y
Edificio B

Fuente: elaborado por los autores

3 Resultados
2.2 Visualizaciones

En las Figura 4, 5 y 6 se pueden ver imágenes de las visualizaciones realizadas con inyección de
humo para distintas alturas del edificio A. En la Figura 4, se observa que el edificio A no afecta, a
priori, el flujo sobre la terraza del edificio B, pero si se puede visualizar la formación de un vórtice
captivo entre ambos edificios. En la Figura 5, se visualiza cuando el edificio A posee una altura que
representa el 85 % de la altura del edificio B. En dicha figura, se puede ver que el flujo que incide
sobre el edificio B no está siendo afectado por el flujo vorticoso que genera el edificio A. Sin embargo,
la influencia de esta sobre el edificio B se puede decir que es favorable en la medida que reduce el
tamaño de la burbuja de separación sobre el edificio B; dicho tamaño no se muestra en las figuras,
dado que se puede visualizar en los videos capturados. Por último, en la Figura 6, se observa la
influencia del edificio A cuando este posee la misma altura que el edificio B. El flujo sobre la terraza
del edificio B es altamente turbulento, debido a la influencia que genera el flujo proveniente del
interior de la burbuja de separación del edificio A. Este resultado también fue encontrado en la
configuración donde el edificio A representa una altura del 93 % del edificio B.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 86


Figura 4 - Visualización para la menor altura del obstáculo A (24 m). Configuración 1

A B A B A B

Fuente: elaborado por los autores

Figura 5 - Visualización para una altura de 48 m del obstáculo. Configuración 3

A B A B A B

Fuente: elaborado por los autores

Figura 6 - Visualización para una altura de 56 m del obstáculo. Configuración 5

A B A B

Fuente: elaborado por los autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 87


3.2 Mediciones de velocidad

Para la representación de las velocidades sobre la terraza del edificio A, son considerados tres planos
de medición. Dichos planos son verticales y paralelos a la velocidad de la corriente libre, para poder
analizar la evolución del flujo a medida que este avanza sobre la terraza. De esta forma, el Plano Y3-Z
contiene a los puntos 1, 4, 7; el plano Y2-Z contiene a los puntos 2, 5, 8; y el plano Y1-Z contiene a los
puntos 3, 6, 9; así como todas las mediciones en altura de cada punto. Ver Figura 3 para la referencia
de la locación de los puntos. Por una simplicidad a la hora de comparación de los resultados para las
distintas configuraciones, se mostrarán los resultados del plano central del edificio, es decir el plano
Y2-Z, dado que en dicho plano se encontraron los mayores valores de velocidad.

En la Figura 7, se puede ver el campo de velocidades medias para las tres configuraciones mostradas
en las visualizaciones. Allí se puede observar un aumento considerable por encima de los 12 m de
escala real (15 cm) debido a los efectos de la separación turbulenta que produce el límite de la
terraza. A su vez, los mayores valores de velocidad se encuentran en el borde frontal (barlovento)
de la terraza. Además, a partir de los 20 cm de separación, los vectores de velocidad se mantienen
prácticamente constantes para los dos primeros casos, observando una leve tendencia descendente
en el último caso. Otro punto por remarcar es en el segundo caso de análisis la velocidad se mantiene
constante prácticamente en todo el plano de estudio, aunque presentando una disminución en la
magnitud respecto al primer caso. Además, en el segundo caso se puede observar que el gradiente
de velocidades se disminuye considerablemente, indicando una disminución en el tamaño de la
burbuja de separación sobre la terraza. Por último, como era esperado a partir de lo observado
en las visualizaciones, en la configuración 5 (altura del edificio A igual a la del edificio B), el flujo
presenta una componente descendente; además se puede observar como las magnitudes de
velocidad disminuyen considerablemente respecto a los casos anteriores producto de la interacción
de la burbuja de separación del edificio A sobre el edificio B.

Figura 7 - Campo de velocidades medias en m/s en el plano central del edificio para tres configuraciones
de obstáculo. Izquierda: Configuración 1; Centro: Configuración 3 Derecha: Configuración 5. Las
posiciones X y Z se muestran en cm, en la escala del modelo

30 30 30
12,9471 13,1581 11,862 11,7655 11,754 11,7315 11,2901 10,178
25 12,471 25 25
13,9561 12,9546 12,0737 11,8684 11,7641 10,4852 9,743 10,178
20 13,0262 20 20
7,5407 6,0283 12,5202 11,6427 11,9781 6,2831 6,6891 7,9521
Z 15 15,5705 15 15
27,452 3,8583 4,5819 13,0609 11,6514 11,3442 4,2445 5,0707 6,6967
10 10 10
26,158 3,624 4,5553 12,9994 11,6938 11,2701 4,3537 5,083 6,8718
5 5 5

0 0 0
5 10 15 20 25 30 35 40 5 10 15 20 25 30 35 40 5 10 15 20 25 30 35 40
X X X

Fuente: elaborado por los autores

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 88


Al cuantificar las velocidades medias en los distintos puntos, se puede destacar el incremento de
velocidad sobre la terraza, respecto a la corriente libre, de un 43 %, un 22 % y 15 % aproximadamente,
en promedio, para las configuraciones 1, 3 y 5, respectivamente. A su vez, estos incrementos se
observan a partir de los 15 cm en la configuración 1, en toda la terraza para la configuración 3 y a
partir de los 20 cm en la configuración 5. Se recuerda que 5 cm representan 8 m en escala real. Otro
punto por destacar es que si analizamos las variaciones entre los tres planos paralelos a la corriente
libre (Y1-Z, Y2-Z, Y3-Z), las diferencias encontradas son menores al 5 %, con lo cual los resultados
hallados en el plano central son extrapolables a los demás planos de la terraza. En la Tabla 1 se
muestran las ubicaciones recomendadas que deberían tener los aerogeneradores en las distintas
ubicaciones de la terraza para poder aprovechar los incrementos de velocidad.

Tabla 1 - Altura recomendada para mayor velocidad media en función de cada configuración y los
puntos analizados. Las alturas están representadas en fracción de la altura total del edificio

Posición 2 Posición 5 Posición 8


Configuración 1 0,36 0,29 0,21
Configuración 3 0,36 0,21 0,14
Configuración 5 0,36 0,36 0,36

Fuente: elaborado por los autores

Otro punto por analizar es la turbulencia sobre la terraza, dado que los generadores eólicos verán
afectado su rendimiento producto de dicha turbulencia, así como también la aparición de cargas
fluctuantes sobre las palas de los generadores. En este estudio, se considera la velocidad de
referencia para los valores de intensidad, tanto en la componente longitudinal “U” y en la vertical
“V”, a la velocidad media en U de cada punto.

Como se puede observar en la Figura 8, para la configuración 1, se puede observar como en las
posiciones 2 y 5, a partir de los 15 cm de altura, la turbulencia disminuye considerablemente,
mientras que para la posición 8, dicha disminución se ve a partir de los 10 cm. Como era esperado,
a medida que nos acercamos al flanco a sotavento la capa turbulenta aumenta su espesor. En
la configuración 3, se observa un comportamiento similar al de la configuración 1, donde hay
una reducción considerable en la turbulencia a partir de los 10 cm de altura. Sin embargo, en
esta configuración, los valores de intensidad son menores comparados con los hallados para las
otras dos configuraciones. En la configuración 5, una vez más, la reducción de la intensidad de
turbulencia se observa a partir de los 15 cm, y retomando valores similares a los de la configuración
1. Sin embargo, entre 20 cm y 25 cm de altura, se encuentran valores mayores de intensidad de
turbulencia respecto a las otras dos configuraciones.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 89


Padilla Segura V. M., Algozino S., Marañón Di Leo J., Delnero J. S., Mantelli P.
Figura 8 - Intensidad de turbulencia para distintas configuraciones y puntos localizados en el plano
Generación Eólica En El Entorno Urbano
Y2-Z en la terraza del edificio. Izquierda corresponde a turbulencia en componente U, Derecha
corresponde componente V. Colores azules para la configuración 1, marrones para la configuración 3,
configuración 5, una vez más, la reducción de la intensidad de turbulencia se observa a partir de los 15 cm, y retoman
y verdes para valores
la configuración 5 de la configuración 1. Sin embargo, entre 20 y 25 cm de altura, se encuentran valores mayores
similares a los
intensidad de turbulencia respecto a las otras dos configuraciones.
30

25
Altura (cm)

20

15
Conf 1 - Punto 2
10
M., Algozino S., Marañón Di Leo J., Delnero J. S., Mantelli P. Conf 1 - Punto 5
5 Conf 1 - Punto 8
a En El Entorno Urbano
0
0 10 20 30 40 50 60
vez más, la reducción de la intensidad de turbulencia se observa a partir de los 15 cm, y retomando Conf 3 - Punto 2
s de la configuración 1. Sin embargo, entre 20 y 25 cmIntensidad deencuentran
de altura, se turbulencia V (%)mayores de
valores Conf 3 - Punto 5
ncia respecto a las otras dos configuraciones. Conf 3 - Punto 8
30
Figura 8. Intensidad de turbulencia para distintas configuraciones y puntos localizados en el plano Y2-Z en la terraza
25
edificio. Izquierda corresponde a turbulencia en componente U, Derecha corresponde componente V. Color
Conf 5 - Punto 2
azules para la configuración 1, marrones para la configuración 3, y verdes para la configuración 5.
Altura (cm)

20 Conf 5 - Punto 5
Conf 5 - Punto 8
Al analizar los niveles de turbulencia en cada zona elegida como ubicación óptima, el nivel de turbulencia tie
15
valores entre 6 y 12%; en la configuración 5 en valores cercanos al 15% mientras que, para la configuración 3, es
10
valores son considerablemente menores, oscilando entre 1,5% y 2%, es decir cercanos al valor de intensidad de
corriente
5 libre (1,8%). Considerando la recomendación realizada en la norma IEC 61400-2, que establece un límite
18 % para el nivel de turbulencia aceptable, estas ubicaciones cumplen con dicho requerimiento.
0
0 5 10 15 20 25 30 35
4. CONCLUSIONES
Intensidad de turbulencia V (%)
Se realizaron visualizaciones y mediciones del campo de velocidad en distintos puntos sobre la terraza de un edifi
en función de distintas configuraciones de obstáculos que puedan estar localizados aguas arriba del mismo. De e
Fuente: elaborado
forma por los autores
se logra cuantificar el efecto del obstáculo para la colocación de generadores eólicos, y poder hallar la ubicac
de turbulencia para distintas configuraciones y puntos
más efectiva localizados
en función en parámetros
de los el plano Y2-Z en la terraza del
intervinientes.
quierda corresponde a turbulencia en componente U, Derecha corresponde componente
Del análisis de las visualizaciones, se puede observar V. Colores como a partir de que el edificio obstáculo alcanza una altura
s para la configuración 1, marrones para85%la configuración
del edificio en3,análisis,
y verdeslaspara la configuración
perturbaciones sobre5.la terraza son considerables, mientras que, si la altura es meno
50%, los efectos son despreciables.
iveles de turbulencia en Al cada
analizar los niveles
zona elegida como de
Respecto a laturbulencia
ubicación
alturaóptima, en cada
el nivel
del edificio dezona
obstáculo elegida
turbulencia
en como con
tiene
comparación ubicación
el edificio óptima, el nivel
en análisis, de
se concluye que lo id
%; en la configuración 5 en valores cercanos al 15% mientras que, para la configuración 3, estos
turbulencia tiene
siemprevalores
es que entre
la altura6 del% yobstáculo
12 %; en sea la configuración
mucho menor, dado 5que enello
valores
generacercanos al 15mayor
un incremento % en la velocid
ablemente menores, oscilando entre media1,5% yy 2%, es decir cercanos al valor de elintensidad de
en la
mientras que,
). Considerando la recomendación para en
realizada lalala estela
norma
de este
configuración IEC
no influye
3, estos
61400-2, que
sobre
valores
establece
edificio
son un
análisis. Sin embargo,
considerablemente
límite del a la velocidad menores,laoscilando
configuración
entre3 también tiene
ventaja, dado que, si bien la velocidad media es un poco menor hallada en la configuración 1, los nive
turbulencia aceptable, 1,5
estas%ubicaciones
de cumplen
y 2 %, es decir
turbulencia conse
cercanos dicho alrequerimiento.
valor de
disminuyen intensidad deylalacorriente
considerablemente componente libre
de (1,8
flujo %). Considerando
es prácticamente la al plano de
paralela
recomendación terraza, lo cual es
realizada enbeneficioso
la normapara IEC colocación
61400-2,de que aerogeneradores
establece undelímite eje horizontal.
del 18 % En para
la tabla
el 1nivel
se pueden observar
ES ubicaciones recomendadas para la colocación de aerogeneradores en la terraza de un edificio en función de la altura
de turbulencia aceptable, estas ubicaciones cumplen con dicho requerimento (INTERNATIONAL
obstáculo que haya presente aguas arriba.
alizaciones y mediciones del campo de
STANDARD, 2006). velocidad en distintos
Como conclusión puntosse
general, sobre
logró la determinar
terraza de un el edificio
campo de flujo sobre la terraza de un edificio con un obstác
as configuraciones de obstáculos queaguas puedanarriba para distintas configuraciones de este.De
estar localizados aguas arriba del mismo. Se esta
hallaron las zonas más beneficiosas para la colocación
ficar el efecto del obstáculo para la colocación de generadores eólicos, y poder hallar la ubicación
aerogeneradores, en función de las velocidades medias y la intensidad de turbulencia. Se continua trabajando p
ón de los parámetros intervinientes. analizar la influencia de distintas escalas turbulentas e intensidades en el perfil incidente, y su influencia sobre el cam
visualizaciones, se puede observar como a partir de que
fluidodinámica el edificio
de ambas obstáculo
estructuras alcanza una altura del
en estudio.
análisis, las perturbaciones sobre la terraza son considerables, mientras que, si la altura es menor al
despreciables. 5. REFERENCIAS
ura del edificio obstáculo en comparación con el edificio en análisis, se concluye que lo ideal
ura del obstáculo sea mucho menor, dado que ello
CIRSOC genera un
102-2005, incremento
2005. Reglamento mayor en la velocidad
Argentino de la acción del viento sobre las construcciones. INTI Argentina
este no influye sobre el edificio en análisis.
AG Dutton, JA Halliday, MJ Blanch, 2005. Thetiene
Sin embargo, la configuración 3 también su
Feasibility of Building-Mounted/Integrated Wind Turbi
bien la velocidad media es un poco menor a la velocidad hallada en la configuración 1, los niveles
(BUWTs): Achieving their potential for carbon emission reductions. Council for the Central Laboratory of the Resea
sminuyen considerablemente y la componente de flujo es prácticamente paralela al plano de la
Councils (CCLRC)
neficioso para colocación de aerogeneradores Colmaneje
de horizontal.
Lerner, En la tabla
J., Marañón Di Leo,1 se pueden
J., Delnero,
Revista observar las
Inovação Saínz,v.2,M.
J. S.,eGarcía
IPT | Tecnologia O.,abr.,
n.10, y Bolder
2019 U., “Sobre 90 el túnel de viento
dadas para la colocación de aerogeneradores en la terraza de un edificio en función de la altura del
capa límite de circuito abierto del laboratorio de capa límite y fluidodinámica ambiental (LACLYFA), Facultad
resente aguas arriba.
general, se logró determinar el campo de flujo sobre la terraza de un edificio con un obstáculo
4 Conclusiones
Se realizaron visualizaciones y mediciones del campo de velocidad en distintos puntos sobre la
terraza de un edificio en función de distintas configuraciones de obstáculos que puedan estar
localizados aguas arriba del mismo. De esta forma, se logra cuantificar el efecto del obstáculo para
la colocación de generadores eólicos, y poder hallar la ubicación más efectiva en función de los
parámetros intervinientes.

Del análisis de las visualizaciones, se puede observar como a partir de que el edificio obstáculo
alcanza una altura del 85 % del edificio en análisis, las perturbaciones sobre la terraza son
considerables, mientras que, si la altura es menor al 50 %, los efectos son despreciables.

Respecto a la altura del edificio obstáculo en comparación con el edificio en análisis, se concluye
que lo ideal siempre es que la altura del obstáculo sea mucho menor, dado que ello genera un
incremento mayor en la velocidad media y la estela de este no influye sobre el edificio en análisis.
Sin embargo, la configuración 3 también tiene su ventaja, dado que, si bien la velocidad media es un
poco menor a la velocidad hallada en la configuración 1, los niveles de turbulencia se disminuyen
considerablemente y la componente de flujo es prácticamente paralela al plano de la terraza, lo
cual es beneficioso para colocación de aerogeneradores de eje horizontal. En la Tabla 1 se pueden
observar las ubicaciones recomendadas para la colocación de aerogeneradores en la terraza de un
edificio en función de la altura del obstáculo que haya presente aguas arriba.

Como conclusión general, se logró determinar el campo de flujo sobre la terraza de un edificio
con un obstáculo aguas arriba para distintas configuraciones de este. Se hallaron las zonas más
beneficiosas para la colocación de aerogeneradores, en función de las velocidades medias y la
intensidad de turbulencia. Se continua trabajando para analizar la influencia de distintas escalas
turbulentas e intensidades en el perfil incidente, y su influencia sobre el campo fluidodinámica de
ambas estructuras en estudio.

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5 Referencias
AGENCIA INTERNACIONAL DE ENERGÍAS RENOVABLES. Análisis del mercado de energías renovables
América Latina: Resumen Ejecutivo. Abu Dabi: IRENA, 2016. 19 p. Dipsonivel em: <https://www.
irena.org/-/media/Files/IRENA/Agency/Publication/2016/IRENA_Market_Analysis_Latin_America_
summary_ES_2016.pdf?la=en&hash=91515195FAA6AAF26969178D5D811456B7C3814D>. Acesso
em: 20 abr. 2019.

HAU, E. Wind turbines: fundamentals, technologies, application, economics. Berlin: Springer 2006.

INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA INDUSTRIAL. CIRSOC 102-2005: Reglamento Argentino de


la acción del viento sobre las construcciones. Buenos Aires: INTI, 2005.

INTERNATIONAL STANDARD. IEC 61400: Wind turbines - Part 2: Design requirements for small wind
turbines. Geneve: IES, 2006

LERNER, J. C.; DI LEO, J. M.; DELNERO, J. S.; SAÍNZ, M. G.; BOLDER U. Sobre el túnel de viento de
capa límite de circuito abierto del laboratorio de capa límite y fluidodinámica ambiental (LACLYFA),
Facultad de Ingeniería, UNLP. In: CONGRESO LATINOAMERICANO DE INGENIERÍA DE VIENTOS, 2.,
2012, La Plata. Memorias... La Plata: Facultad de Ingeniería. Universidad Nacional de La Plata, 2012.

MERTENS, S. Wind energy in the built environment. Brentwood, UK: Multi-Science, 2006.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 92


Artigos técnicos Ensayo de un aerogenerador savonius
helicoidal en túnel de viento
Wind tunnel testing of a Savonius helicoidal wind turbine

Rodrigo Garciaa*, Jean-Baptiste Sanchezb, Ivan Elguea,


Alejandro Gutiérreza

a Universidad de la República
Resumen
Uruguay, Facultad de Ingeniería,
En este trabajo se describe el banco de ensayo en túnel de viento
Instituto de Mecánica de los
diseñado para evaluar el desempeño de aerogeneradores de eje
Fluidos e Ingeniería Ambiental.
vertical. Se presentan las curvas adimensionales de potencia
Montevideo – Uruguay.
obtenidas a partir de los resultados del ensayo de un aerogenerador
b École d’Ingénieurs-e-s.
Savonius helicoidal. Las medidas realizadas corriente abajo del flujo
Montpellier, France. (EPF)
del rotor permiten cuantificar la intensidad de turbulencia producida
por los rotores para diferentes condiciones de operación ensayadas.
*E-mail: rogarcia@fing.edu.uy El banco de ensayo diseñado muestra ser una herramienta para la
fabricación de aerogeneradores de pequeño porte.

Palabras clave: Abstract


Savoinus; banco ensayo In this paper, we describe a wind tunnel test designed to evaluate
túnel de viento. the performance of models of vertical axis wind turbines. The
dimensionless wind power curves obtained from the analysis
Keywords: of a modified Savonius wind turbine testing are presented. The
Savonius wind turbine, measurements made downstream of the rotor flow allow to quantify
wind tunnel test. the intensity of the turbulence produced by the rotors for different
operating conditions. The test designed shows to be a tool for the
design of small wind turbines.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 93


1 Introducción
En el caso de los aerogeneradores de gran porte, luego del diseño aerodinámico que parte de
información de perfiles y en el que se aplica la simulación numérica se pasa directamente a la
construcción de prototipos. En el caso de los aerogeneradores de pequeño porte, la bibliografía
respecto a la caracterización de distintos tipos de geometrías es limitada. Si bien la simulación
numérica puede ser una herramienta para el diseño, la necesidad de la simulación en tres
dimensiones y la complejidad que pueden tener los rotores puede ser una limitante para el desarrollo
de los aerogeneradores de pequeno porte.

La caracterización del funcionamiento de aerogeneradores mediante el ensayo de modelos en


túnel de viento se plantea como una forma de caracterizar distintos rotores con geometrías de
las que no se disponen modelos analíticos. Los ensayos de modelos son ampliamente utilizados
en el área de las turbomáquinas, una de las aplicaciones más emblemáticas es en el caso de las
turbinas hidroeléctricas. A partir de la disponibilidad del túnel de viento, el cual es el componente
más costoso del banco de ensayo, se describen los componentes a incorporar de modo a poder
caracterizar aerogeneradores de eje vertical. En la bibliografía se presentan análisis del desempeño
de aerogeneradores de eje vertical en los que se calcula el coeficiente adimensional de potencia
para distintos parámetros como espaciamiento entre casquillos y numero de casquillos (AKWA;
VIELMO; PETRY, 2012; PARASCHIVOIU, 2002; RICCIA et al., 2016).

En el presente trabajo se reportan resultados de ensayo en túnel de viento de un modelo de


aerogenerador de tipo Savonius (TORRESI, et al., 2014) helicoidal, la metodología implementada
permite generar curvas adimensionales las cuales son um insumo en diseño de prototipos de
aerogeneradores.

2 Banco de ensayo
El túnel de viento del Instituto de Mecánica de los Fluidos e Ingeniería Ambiental de la Facultad
de Ingeniería UdelaR (IMFIA-FING-UdelaR) es del tipo capa límite atmosférica el cual tiene una
zona de 17 m de longitud, 1,8 m de alto y 2,25 m de ancho. El túnel puede alcanzar una velocidad
de viento de trabajo de hasta 30 m/s. En la Figura 1, se presenta un esquema con las principales
dimensiones del túnel de viento IMFIA-FING-UdelaR.

Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 94


Figura 1 - Proporciones de producción de energía primaria en América Latina (dimensions en m)

Velocidad dedeaire
Velocidad aire regulable entre
regulable entre 0 am/s
0 a 30 30 m/s
34,8 m
34,8 m

Contracción
Contracción Ventilador
Ventilador

4,02 m 2,25
2,25 m
m Zona
Zona de trabajo
de trabajo Difusor
Difusor 4,1m m
4,1

17 m
17 m

Fuente: elaborado por los autores

El banco de ensayo rotores de aerogeneradores, se encuentra montado en el túnel de viento IMFIA-


FING-UdelaR y fue diseñado con objetivo de caracterizar el funcionamiento de rotores de eje
vertical. En la Figura 2, se presenta un esquema del banco de ensayo con la disposición de los
instrumentos en la sección de trabajo del túnel de viento.

Figura 2 - Esquema del banco de ensayo de aerogeneradores de eje vertical del túnel de viento
IMFIA-FING-UdelaR

Vref corregido

1040 mm
1234 mm
Vref 130 mm
1790 mm
370 mm
370 mm
Dirección
del viento Vest 1880 mm
w 1030 mm
940 mm ω

u v 495 mm 667 mm

2250 mm

1790 mm

790 mm 6

3 370 mm 5 80 mm
370 mm
535 mm
1125 mm
940 mm 4 w
ω 1
660 mm 667 mm
2 v
495 mm u

Fuente: elaborado por los autores

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Descripción de instrumentos:

(1) torquímetro y tacómetro marca Interface modelo T-25;

(2) freno magnético (regulador de torque) marca IBD modelo B.53;

(3) tubo pitot;

(4) termómetro;

(5) anemómetro ultrasónico;

(6) rotor Savonius helicoidal.

En el diseño del banco de ensayo se buscó caracterizar el funcionamiento del rotor con
independencia al sistema de generación, en este sentido se dispone de un freno magnético con
el cual es posible regular el torque. En una condición de operación estacionaria el torque resistivo
impuesto por el freno magnético es igual al torque entregado por el rotor del aerogenerador
ensayado. Para recorrer todo el rango de operación se seleccionó un freno de polvo magnético,
este componente tiene la capacidad de imponer un torque resistivo mediante la aplicación de
una corriente de excitación. De modo que para cada velocidad de viento en el túnel se aplican
diferentes condiciones de torque controlando la corriente de alimentación del freno magnético.

2.1 Descripción del rotor Savonius helicoidal

El rotor ensayado es del tipo Savonius, este tipo de aerogeneradores fue patentado en 1927 por
Sigurd J Savonius (1927), el rotor está compuesto por dos casquillos en forma de medias cañas
con tapas. Presenta una serie de ventajas como: no es necesario un sistemas de orientación y su
capacidad de arranque para bajas velocidades de viento dado un alto torque. El modelo ensayado
es de tipo helicoidal, en el sentido en que los casquillos se conforman con chapas trapezoidales
cilíndricas, de acuerdo al siguiente plano, una vez cilindradas las chapas se contraponen las bases
mayores de los trapecios de acuerdo a la Figura 3. Dada la disposición de los bordes de las chapas
trapezoidales cilíndricas, el exterior describe um contorno helicoidal.

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Figura 3 - Descripción de conformación de rotor Savonius helicoidal con chapas trapezoidales
cilindradas

Pala 1

Pala 2

Fuente: elaborado por los autores

La altura del rotor ensayado es de 365 mm, el diámetro es de 350 mm y la separación entre casquillos
es de 57 mm.

2.2 Resultados

Se busca caracterizar el desempeño en términos de cuantificar la capacidad de aprovechar la energía


del flujo incidente al área de barrido de palas del aerogenerador. Se plantea el cálculo en términos
adimensionales de modo a utilizar la información en el diseño de prototipos de aerogeneradores, se
calcula el coeficiente adimensional de potencia CP (1) y la velocidad específica λ (2) siendo R = D/2
el radio del rotor y ω la velocidad angular.


CP = 1 3 (1)
2
ρAVref c


λ= (2)
Vref c

h
zDz (z)dz
d = 0 h
0 Dz (z)dz

U = f (ρ, µ, τw , Li , h, Z) Revista IPT | Tecnologia e Inovação v.2, n.10, abr., 2019 97


La velocidad de referencia corregida Vrefc se calcula tomando en cuenta la contracción del flujo, esto
es el bloqueo que produce el modelo de aerogenerador ensayado en el flujo confinado en el túnel de
viento para lo cual se utiliza la corrección propuesta por (POPE; HARPER, 1966).

En la Figura 4, se presenta la curva adimensional del coeficiente de potencia y velocidad específica


para el aerogenerador ensayado.

A partir de la curva adimensional, disponiendo de las curvas características de generadores de


imanes permanentes es posible dimensionar un aerogenerador para las condiciones de clima de
vientos específicas donde se plantee la instalación del aerogenerador.

Figura 4 - Curva adimensional coeficiente de potencia CP (1) y velocidad específica λ

Cp ( λ)
0,14

0,12

0,1

0,08
Cp

0,06

0,04

0,02

0
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4

Fuente: elaborado por los autores

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3 Conclusiones
El banco de ensayo desarrollado muestra ser una herramienta útil para el diseño de pequeños
aerogeneradores de eje vertical, los resultados que se pueden obtener del ensayo son independientes
del generador eléctrico. Los resultados obtenidos de CP en el ensayo del rotor del aerogenerador
savonius helicoidal muestran valores inferiores a los que se podrían obtener con un aerogenerador
savonius recto (CP ≈ 0,2, PARASCHIVOIU, 2002) .

4 Referencias
AGENCIA INTERNACIONAL DE ENERGÍAS RENOVABLES. Análisis del mercado de energías renovables
América Latina: Resumen Ejecutivo. Abu Dabi: IRENA, 2016. 19 p. Dipsonivel em: <https://www.
irena.org/-/media/Files/IRENA/Agency/Publication/2016/IRENA_Market_Analysis_Latin_America_
summary_ES_2016.pdf?la=en&hash=91515195FAA6AAF26969178D5D811456B7C3814D>. Acesso
em: 20 abr. 2019.

AKWA, J. V.; VIELMO, H. A.; PETRY, A. P. A review on the performance of Savonius wind turbines,
Renewable and Sustainable Energy Reviews, v. 16, n. 5, p. 3054-3064, 2012.

PARASCHIVOIU, I. Wind turbine design: with emphasis on Darrieus concept. Quebec: Polytechnic
International Press, 2002.

POPE, A.; HARPER, J. J. Low speed wind tunnel testing. New York: John Wiley Sons, 1966.

RICCIA, R.; ROMAGNOLIA, R.; MONTELPAREB, S.; VITALIA, D. Experimental study on a Savonius wind
rotor for street lighting systems. Applied Energy, v. 161,. p. 143-152, 1 Jan. 2016.

SAVONIUS, Sigurd J. US Patent US1766765A Wind Rotor 1927-12-16. 1927.

TORRESI, M.; DE BENEDITTIS, F. A.; FORTUNATO, B.; CAMPOREALE, S. M. Performance and flow field
evaluation of a Savonius rotor tested in a wind tunnel. Energy Procedia, v. 45, p. 207-216, 2014.

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Artigos técnicos Simulación de grandes vórtices de
una capa límite turbulenta sobre una
superficie rugosa
Large eddy simulation of a turbulent boundary layer developed
on a rough surface

Gabriel Narancioa*, José Cataldoa, Gabriel Useraa

a Universidad de la República
Resumen
Uruguay, Facultad de Ingeniería.
El objetivo de este trabajo es obtener un procedimiento que permita
Montevideo – Uruguay.
generar de forma correcta el flujo de entrada tipo capa límite
atmosférica a ser utilizado en simulaciones de grandes vórtices
*E-mail: gnaranci@fing.edu.uy (LES) en ingeniería del viento. Se simulan mediante LES dos capas
límites con diferente valor del parámetro de blending entre un
esquema upwind y uno centrado. Estas simulaciones se hacen con
Palabras clave: el programa de código abierto para resolución de flujos de fluidos
capa límite turbulenta; viscosos caffa3d.MBRi. Las simulaciones se hacen en un dominio
simulación de grandes prismático de 3,84 m por 3,84 m de base por 2 m de altura. Se imponen
vórtices; superficie rugosa. condiciones de periodicidad en las caras laterales, adherencia en la
inferior y simetría en la superior. En la superficie inferior, mediante
Keywords: el método de condiciones de borde inmersas, se fija un arreglo de
environmental acoustics, cubos que forman una rugosidad aerodinámica. Se utiliza una
noise in structures, malla uniforme en la dirección del flujo y transversal con un paso
aeroacoustics. de 0,01 m y variable en la vertical. En total la simulación utiliza
16515072 celdas. El paso temporal es de 0,01 s. Los resultados se
analizan en base a las tensiones rasantes, el campo de velocidad, la
turbulencia y el balance de energía cinética turbulenta. Se obtienen
concordancias razonables con el flujo esperado. Por otro lado, se
encuentran algunos problemas que se relacionan con la disipación
numérica que agrega el código.

Abstract
The main objective of this work is to develop a procedure that
correctly generates an atmospheric boundary layer to be used as an
input in large eddy simulations (LES) of wind engineering problems.
Two boundary layers were simulated employing different blending
parameters of upwind and centered schemes. These simulations

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were done with the caffa3d.MBRI open source viscous flow code. A prismatic domain 3,84 m long,
3,84 m wide and 2,00 m high was used. Periodic constraints were imposed on the lateral surfaces,
no slip condition on the bottom surface and symmetry for the top surface. At the bottom surface,
applying immersed boundary conditions, a fixed layout of cubes was used to simulate aerodynamic
roughness. A uniform mesh was applied in the directions along wind and cross wind with mesh
width of 0,01 m. In the vertical direction, the mesh width is variable. The simulation used 16 515 072
cells and a 0,01 s time step was applied. The results were analyzed based on shear stress, velocity
field, turbulence and the balance of turbulent kinetic energy. The results obtained generally agree
with expected values. On the other hand, problems related to numerical diffusion were found.

1 Introducción
La construcción de edificios altos o con formas inusuales requiere que se realicen ensayos en
túnel de viento para evaluar diferentes aspectos: presiones sobre las fachadas, el comportamiento
aeroelástico de la estructura, el nivel de confort y riesgo asociado al viento a nivel peatonal, ruido
inducido por la interacción entre el viento y la estructura, entre otros aspectos. Para estos ensayos
se utilizan túneles de viento tipo capa límite atmosférica, que cuentan con una zona aguas arriba
de la ubicación del modelo a escala del complejo edificio en la que se genera el perfil del viento que
incide sobre el modelo. El flujo incidente tiene que reproducir las características de la capa límite
atmosférica desarrollada sobre el terreno circundante en la situación prototipo. Las características
del viento dependen de la rugosidad de la superficie en la que este se desarrolla, cambiando no
solo la forma del perfil de velocidad media, sino también aspectos de la turbulencia. La modelación
numérica tiene el potencial de sustituir o complementar los estudios que se hacen en el túnel de
viento, bajando costos y tiempos de realización. Para ello el método que tiene las características
más adecuadas es la simulación de grandes vórtices, ya que en la mayoría de los casos es necesario
obtener la evolución temporal de las magnitudes relevantes. Además, en la interacción del viento
y edificios, se presentan fenómenos no estacionarios como desprendimientos de vórtices que
convierten a LES en el método apropiado para el estudio de estos problemas. De la misma forma que
en una simulación física se debe generar el perfil de velocidad incidente, también en una simulación
numérica esto debe hacerse.

Los comienzos de la investigación en capa límite sobre superficies rugosas se remontan a los
trabajos de Nikuradse (1933) y Colebrook y White (1937). Estos trabajos se enfocaron en efecto de
la rugosidad sobre el flujo medio y lastensiones rasantes. Posteriormente, se realizaron trabajos
destinados a comprender la estructura turbulenta de estos flujos, por ejemplo Perry y Joubert (1963),
Bandyopadhyay (1987) y Krogstad, Almeida y Browne (1992). Raupach, Antonia y Rajagopalan
(1991) publican la revisión, en la que concluyen que la estructura turbulenta de la capa exterior
es sensiblemente independiente de la rugosidad a suficientemente altos números de Reynolds, a
la cual llaman la hipótesis de similitud de pared. Luego varios trabajos en capas límite rugosa se
concentran en evaluar esta hipótesis, por ejemplo Tachie, Bergstrom Balachandar (2000). Leonardi

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et al. (2003), Bhaganagar, Kim y Coleman (2004) realizaron simulaciones numéricas directas (DNS)
del flujo en un canal rugoso y Coceal et al. (2007) en capa límite. El interés en comprender estos flujos
sigue vigente y eso puede apreciarse en publicaciones recientes (INAGAKI et al., 2017). Este interés
radica en la necesidad de comprender mecanismos de transporte que son vitales en dispersión de
contaminantes en ambientes urbanos, entre otros problemas.

El objetivo de este trabajo es evaluar una metodología para simular mediante LES capas límites
desarrolladas sobre una superficie rugosa que permita generar condiciones de entrada al dominio
principal G.
deNarancio,
la simulación
J. Cataldocon
and las características correctas.
G. Usera
LES de capa límite sobre superficie rugosa

a
ra Para
G. Narancio, ello
J. Cataldo
G. se analiza
G. Narancio,
and G. Usera
Narancio, J. el flujoanddesde
J. Cataldo
Cataldo and G. distintos puntos de vista. Se evalúa el campo de velocidades, la
G. Usera
Usera
Narancio,
arugosa J. Cataldo
rugosa and G. Usera
LES de turbulencia,
capa límite
de capa límite sobre superficie
sobre
LES delas
de
superficie
LES
rugosa características
superficie
capa
G.
capa límite
rugosa
rugosasobre
Narancio,que de and
superficie
permita larugosa
J. superficie
límite sobre Cataldo subcapa
generar rugosa de
condiciones
G. Usera
rugosa y elentrada
balance de energía
al dominio cinética
principal de la turbulenta.
simulación con las característi
LES de capa límite sobre superficie rugosa
G. Narancio, J. Cataldocorrectas.
and G. Usera
Para ellorugosa
LES de capa límite sobre superficie se analiza el flujo desde distintos puntos de vista. Se evalúa el campo de velocidades, la turbulencia,
renerar
nerar
condiciones condiciones
condiciones de entrada
superficie dedeentradaentrada
rugosaal dominio alque
aldominiodominio
superficie principal
permita principal
principal
rugosagenerar deque la de simulación
de lalasimulación
condiciones
permita simulación generar con
de entradalas
con
con características
las
lasalcaracterísticas
condiciones características
dominio de entrada
principal al
erficie rugosa que permita G. Narancio, generar J.características
superficie
G.Cataldo Narancio,
condiciones rugosa
and de
J.G.Cataldo
de que
Usera la subcapa
permita
entrada and G. Usera rugosa
generar
al dominio ycondiciones
el balance
principal and de G.de dela energía
entrada al dominio
de la simulación
cinética
dominio principal
principalcon
turbulenta. de
de la las
la simulación
características
simulación con
con las las característica
característica
correctas. LES de capa correctas.
LES
límite de
sobre superficie
capa límite
superficie rugosa
sobre rugosa
G. Narancio,
que
superficie permita
J. Cataldo
rugosa G. Narancio,
generar
Usera
condiciones J.simulación
Cataldo de and con
entrada G. Useralas
al
características
dominio principal de la simulación con las car
correctas.
2 Antecedentes
rectas. LES de capa límite sobre
LES superficie
de capa límiterugosa sobre superficie rugosa
edesde
desde
distintos distintos
distintos puntos puntos
puntos
Para deello vista.
dedesevista.
vista.
Se
analiza evalúa
Se Se
Para evalúa
el evalúa
el
ello
flujo campo el
se el
desde campo
campo
analizade velocidades,
de
distintos
el de velocidades,
velocidades,
flujo puntos desde la turbulencia,
de lala
distintos turbulencia,
vista.turbulencia,
Se
puntos las
evalúa las
delas el vista.
campo Se de
evalúa velocidades,el campo la de turbulencia,
velocidades,
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G. Narancio, que
J.desde
Cataldo 2..permita
Para ANTECEDENTES
and correctas.
ello generar
G. se
Usera analiza de elvista.
condiciones flujoSe dedesde entrada distintos
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dominio puntos deprincipalde vista.deSe la la evalúa
simulación el campo con las velocidades, la turbulencia, la
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ygosa osa yyello
el balance elelbalance
balancedeanaliza
energía
de
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características
LES energía
de
flujocinética
cinética
capa decinética
la
límite turbulenta.
características
subcapa
sobre
distintos
turbulenta.
turbulenta. rugosa
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puntos
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evalúa
energía
el y el
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desde de turbulenta.
energía
distintos
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puntos de
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turbulenta.
vista. Se evalúa el campo de velocidades, la turbu
correctas.
acterísticas de la subcapa rugosa y elLas características balance de
de energíala subcapa cinética rugosa y
turbulenta. el balance de energía cinética turbulenta.
superficie superficies
características
rugosa que reales de la
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generar derugosa Laentrada
manera
condiciones ySe alusual
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energía
al dominiodecinéticadelade rugosidad
turbulenta.
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la la superficie
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las al va
Para superficie
ello
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rugosas.
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manera
de
vista.
que
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la
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rugosidad
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alturbulencia,
dominio
la
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superficie
de entrada principal es de característi
al dominio la simulaciprinci
2.. ANTECEDENTES 2. . medio ANTECEDENTES de la altura de las protuberancias Del punto de vista de la capa límite, la variable que define si una superfi
do ANTECEDENTES
and and G. G. Usera Usera características correctas. de la2..subcapa ANTECEDENTES
correctas. rugosa y el balance correctas. de energía cinética h.
correctas. turbulenta.
ugosas.
s.gosas.
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superficie
superficie manera
usual
rugosa
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usual
usual
de
mediante
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caracterizar
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una
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la
superficie
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mediante
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respecto
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la
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h <la5δturbulencia,
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Las superficies reales
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son
superficiesrugosas. aerodinámicamenteLa
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son
son rugosas.
rugosas.usual lisa de
La(Raupach
La manera Para
caracterizar
manera ello
usual
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rugosidad
1991).
de caracterizar
Si
caracterizar el de flujo
la la
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rugosidad
la
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y todas
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valo
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.
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Del ANTECEDENTES
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medio
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laLa
M
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capa límite,
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usual
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las
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punto
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balance
energía
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la
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superficie
unauna
características
de
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superficieuna
superficie
punto
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la
límite,
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<
mediante
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h,
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y
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si
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energía
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Cello P = medio definen de la Las
elgeometría
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(Lvista ) dede reales
iprotuberancias la la son
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de
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rugosa es relación
es la la relación
relación dede hh respecto
respecto respecto aρAV h.
aarefla
longitud
3 la longitud
longitud viscosa viscosa
viscosa .lisa
Si δδvh . . SiSi
< h5δ
hde <v<h la5δ
5δ superficie
vv la la superficie
superficie
actúa Las como
2. .
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hdel
rugosidadh respecto de
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lalaδlongitud
la Sicapa
vcoordenada
longitud
superficie hes< viscosa
5δvz. lala
límite,
viscosa
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La ..al
Si
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presencia
Sivalor < que5δ
5δde la
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superfic
etcaracterísticas de la subcapa rugosa y principal
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epermita
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lisa
lisa (Raupach
(Raupach generar
generar
et se al., et
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1991).
al.,
al., 1991).
1991).
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Siaerodinámicamente
vSi
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< entrada
5δ5δ entrada
h,
considera
v v< la
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< al
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h,
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magnitud
magnitud
aerodinámicamente
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como h principal
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(Raupach todas yrespecto
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todas
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1991). otras
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la
h, la δv . Si h < 5δv la superficie
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características
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magnitud
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hh y y
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h longitudes
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la
considera medio de la alturalisa
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se las rugosidad
(Raupach protuberancias etdesplazan
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al., 1991). h. Del elSiflujo 5δvlisa
punto alejándolo
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al., h1991). todasSide
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la magnitud
definepuede
que sihunaconsiderar
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ficie
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uperficie comienzan comienzan
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relevantes.
definen (L ) de
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comienzan
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superficie
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vThom
usual la superficie
Si< una
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La(1971)
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superficie
caracterizar
5δ essuperficie
propuso
la mediante
larugosa
superficieh calcular
rugosidad es mediante
al valor ddedelala al
man
lasuper
va
aliza
oza
otrivial esella
es el geometría
flujo
trivial
trivial
la flujo ladesde
desde
definición
la definición
definición idel
una
medio
de
distintos
Endistintos
la
origen
del
del superficie
puntos
superficie
de puntos
origen
origen
la demedio En
altura

de
la de
rugosade comienzan
vista.
una de
de vista.
coordenada
la
la Se
coordenada
coordenada
superficie
definenno
la
las esSe
altura evalúaz.
latrivial
protuberancias
ser
evalúa
derugosa
geometría
relevantes.
Lailas
z.elz. elcampo
lapresencia
LaLa campo
presencia
definición
no(L
protuberancias ies)de
presencia
Del de dede
trivial
ladel
punto velocidades,
velocidades,
los dede Las
elementos
los
origen
la
superficie
h. de los
Del
superficies
lade
elementos
elementos
definición
vista de la
turbulencia,
la
comienzan
punto coordenada
del
de
la
reales
turbulencia,origen
vista
capa a límite,
ser son
delas de rugosas.
lascapa
la
La
relevantes.
la
z. coordenada
presencia
límite,
variable que
manera
la de los
La
variable
define
z. usual
elementos
presencia
si queuna
de caracterizar
define de
superficie los
si una elemento rugo
superfi
se considera no aerodinámicamente
λ
esdesplazan
trivial= siguiente:
En una
laeldefinición superficie
lisa (Raupach
del rugosa
medio
origen et no
h.
de al.,
de es
la la trivial
1991).
altura
coordenada Si
dela definición
las
5δ protuberancias
< h, la del
magnitud
La presencia origen h. de
Del
h y
de latodas
puntocoordenada
losse las
de otras
vista
elementos de
z. La
longitudes
la presencia
capa
de rugosidad que
límite, de la los elemento
variable que
aEn
oándolo unade
subcapa
ubcapa
alejándolo
alejándolo superficie
rugosa rugosa
lade de yla
superficie,
de
rugosa
ysuperficie,
lael el
balancebalance
superficie,
rugosidad de node
manera
de es
de
de
deenergía trivial
energía
manera
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Vique
rugosidad
la
cinética
seque
que definición
cinética
puede se turbulenta.
turbulenta.
serugosas.
puede
puede
considerardel
considerar origen
considerar que de
oaelqueque la
plano elcoordenada
elmedio
plano
plano
de vde
origen
dede laorigen
z.altura
origen presencia
de las de
protuberanciaslos elementos Del
h.coordenada punto de vista de la capa lími
definen Las
actúa
la superficies
geometría como deuna actúa
(L reales cflujo
como
)superficie
rugosidad
ref de lason Endesplazan
alejándolo
una
desplazan
superficie una
lisa el
osuperficie
superficie rugosaLa
el
comienzan
actúa de flujo la
lisa
manera
flujo essuperficie,
como alejándolo
rugosa
la rugosa
alejándolo usual
relación
ser
una no dede
de
es
relevantes.
superficiede manera
la
trivial
la
caracterizar
de la superficie,
hrelación laque
respecto
superficie,
lisa lase
odefinición
de de puede
arugosidad
rugosa h la
de manera
esdel
respecto
longitud
manera considerar
lael deaque
origen la superficie
viscosa
que
relación se puede
que
dede
longitud la
puede
δhv .el Si considerar
plano
viscosa
es < de
hmediante
considerar
respecto aδvla
5δ origen
v.z.que
Si
la
queLa el<plano
presencia
alsuperficie
hvalor
longitudel v la
5δviscosa
plano de deorige
desuperfi los
orige
v.
δlong
drugosidad
mada llamada
llamada alturaaltura desplazan
altura
deestá desplazamiento
dede
desplazado
medio
eldesplazan
desplazamientoflujo
desplazamiento
de
alejándolo
una
la altura nulo.
está se el nulo.
distancia flujo
nulo.
Thom
desplazado
considera
de las no
de
de Thom
Thom la
(1971)
h superficie,
alejándolo
llamada
rugosidad una (1971)
(1971)
propuso
distancia
aerodinámicamente
protuberancias altura
desplazan de
propusode
propuso manera
la
calcular
de
Del superficie,
calcular
llamadacalcular
desplazamiento
el lisa
punto d
flujo
que dede
se
actúadla
alturad de
alejándolo
(Raupach
puede
de
de como
manera
de
vistadedeSi lalamanera
nulo.
et
considerar
manera una
manera
desplazamiento
al.,de
la5δcapaThom
la superficie
1991). que que
(1971)
superficie,
límite,Si se lisa
puede
nulo.
la
plano
propuso
de oThom
manerala
de
rugosa origen
considerar
calculares
(1971)
que
magnitud
lase relación
que
propuso
de
puede
y la
todas el de
manera plano
h
calcular
considerar
las
respecto
otras de
que laa
el
longitudes
la
maner
plano q
En se
una considera
superficie está aerodinámicamente
desplazado
rugosa d es zDuna
trivial (z) lisa
z distancia
se dz
la (Raupach
h. d
definición
considera d llamada et delal., 1991).
altura
origen
aerodinámicamente desplazamiento
coordenada
<
lisa h, la
(Raupach 5δ v variable
magnitud
nulo.
z. <La
et h,Thom
presencia
al., h yquetodas
(1971)
1991). define
de
Si lasd h
los
5δ si
otras
propuso una
elementos
< h, superficie
longitudes
calcular
la magnitud dd quede hla y maner
todas
áES
NTES desplazado una distancia d llamada altura d = de 0 desplazamiento nulo. Thom sellamada (1971) propuso
considera v
aerodinámicamente calcular d de lisala manera etv al., 1991). Si 5δv < h, la m
(Raupach
siguiente:actúa
de rugosidad de
definen como origenlauna
desplazan siguiente:
geometría está
definen
superficie
siguiente: el flujo desplazado
está
la(Lilisa desplazado
geometría
)alejándolo
deD
h olazrugosa una
(L
superficie una
)
i es
de
definen dedistancia
distancia
la
lalacomienzan superficie
larelación
superficie,geometría d dellamada
comienzan
a ser
de respecto
hmanera
(L relevantes.
i ) la
altura
altura
laque
degeometría a de
ser
a se de
la longitud
superficie puede desplazamiento
desplazamiento
relevantes. viscosaa δser
considerar nulo.
v . Si
que nulo.
Thom
elhplano Thom
(1971)
< 5δvdelaorigen (1971)
propuso
superficie calcular d de
uiente:
siguiente: 0
(z) dz definen (Licomienzan
) de la superficie relevantes.
comienzan a ser relevantes.
reales
ales sonson está
rugosas.
rugosas. seLaconsidera
desplazado
La maneraEn
 h una
propuso
manera una aerodinámicamente
usual superficie
calcular
distancia
usual deEnde una hhsuperficie
rugosa
caracterizar
caracterizard de
llamada la lisa
nomanera
la es rugosa
(Raupach
altura
la trivial
rugosidad
rugosidad En de una no
siguiente:la etes al.,trivial
definición
desplazamiento
de superficie
de la la 1991).
superficie
superficie larugosa
del definición
Si origen

nulo.
es es vno <Thom dedel
h,
es
mediante
mediante trivial
alorigen
lala(1971)
magnitud
coordenada
al
valor la
valor de hlayz.
propuso
definición coordenada
todas
calcular las
Ladelpresencia otras
origen
d z.
de Lala
de presencia
longitudes
demanera
la loscoordenada que
elementos de los z. elemen
Lacoo pre
h zD (z) dz
donde zD es (z)
la mediadz de la fuerza de En unaensuperficie
arrastre la dirección rugosa del no espor
flujo trivial
unidad la de definición
altura del
O origen
sea que de esla laorig
alt
ede laslas siguiente:
protuberancias
protuberancias zD definen
(z) d de
dz =
h. h.Del la
rugosidad
h
0
Del geometría
punto
z
punto de de rugosidad
desplazan
de
d (L
vista
= )
vista
i D
de
0
de
h el
z
dela
zD
ladesplazan
superficie
flujo
z
la (z)
z capa
capa  alejándolo
dz
de
límite, el flujo
comienzan
rugosidad
límite, la lade alejándolo
variable la a
desplazan
variable ser
superficie,
que que de
relevantes.
defineella
define(1)
de superficie,
flujo si (1)
manera
si
una(1)
alejándolo
una de
que manera
superficie
superficie se de puede
la que
superficie, se
considerar puede de queconsiderar
manera el plano
quez. que
de
se
(1) el
origen
puede plano d de
considera (1
d = 0 h
z
donde d= se
0
aplica la
h
fuerza zD de (z) dz
arrastre de rugosidad
media. Se cumple desplazan
que ≤ eldflujo ≤ alejándolo
y si de
(1) la la superficie,
superficie es de manera
lisa. Aunque que exis (1
se
uperficie
erficieperficie lisalisa oz rugosa
oDrugosa En
está
es esla
 una la superficie
desplazado
D 
relación
relación z (z)está dz
de desplazado
una
deh rugosa
distancia h
respecto
respecto
h DDdnoz = una
(z)
a es
(z)d a
la dz
0 distancia
trivial
llamada
laestá
longitud
dz longitud
z la altura
desplazado d llamada
definición
viscosa
viscosa de una
δ .
δ altura
del
desplazamiento
Si origen
distancia
. Sih h<de < 5δdesplazamiento
de
d 5δ la
nulo.
llamada
la la
0
coordenada
Thom
superficie altura
superficie nulo.
(1971)
dehz. Thom
Lad =
desplazamiento 0(1971)
presencia
propuso propuso
de
calcular los
nulo. d calcular
elementos
de
Thom la manera
(1971) d de la
propusoman
(z) dz h0 h
zD
otras (z)dz
z maneras
00 z
de alejándolo
calcular esta está
v v desplazado v vuna distancia d llamada altura de desplazamiento nulo. Thom
inámicamente
0
enlisa deen rugosidad
siguiente:
(Raupach zD et (z) siguiente:
desplazan dz el flujo h
D
siguiente: d,(z)
z.lade dz laes la más usada
superficie, ddde
y tiene elque
manera respaldose que puede de haber considerar sido verificada
que el plano experimentalmente
de origen (Raupa
 hal., 1991). Si la magnitud yd todas las otras longitudes que
ámicamente lisa (Raupach etdel z0
al., 1991).
fuerza
afuerza
de arrastre dedearrastre
arrastre la ddirección
en =lalaD dirección
ddirección
0= flujo
deldel flujo
por deSi
flujo unidad
por
por
5δ vunidad
5δ unidad
vde
< <h, 0la
altura
h,dede magnitud
altura
altura Ofuerza sea
z. z. O hO queyhsea
sea todas
que
(1)que
es la
siguiente: las es otras
altura
es laflujo
la alturalongitudes
altura (1)
z
donde
está desplazado zh es la media
et unadonde
al.,
donde 1991).D
distancia D la zz fuerza
es
es En lala media
vista de
media
llamada arrastre
de dede lo anterior
la
altura en
fuerzadela dirección
de
se de arrastre
define
arrastre
desplazamiento del
la en la
coordenada
en la dirección
por
dirección
nulo. unidad
Thom Z =del
del zdeflujo
(1971)− altura
flujod. por
por
propusoz.unidad
O sea
unidad dequealtura
de
calcular d desde
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z.
z. O
altura
laO sea
sea
manera que
que dd es es la
la altur
altur
donde
ía
(L
rastre
astre (L
i ) de
media. D
)media.
de
la
imedia.Sez la es la
Semedia
superficie
superficie
cumple
Se cumple
cumpleque de la
≤Dfuerza
comienzan
comienzan 0que 0≤ ahD adde
dser ser arrastre
(z)dz relevantes.
relevantes. d = enla
d lasi dirección dellisa. flujo porAunque unidad de altura z. O sea que d es la altura
0que y y y si superficie
si lala superficie
superficie es es es lisa.
Aunque
lisa. Aunque existen existen
existen
donde se aplica 0dla (z)


z0donde fuerza hdz z≤ ≤se d h
de h =
aplica d0
arrastre
dondeh = la 0 0fuerza
media.
D es de la Se arrastre
cumple
media  de media.
que
la fuerza
0 Se
≤ dcumple
de ≤ arrastre
h y qued en
= 0 0la
≤ si la
dirección
d ≤ superficie
h y ddel = es
flujo
0 si
lisa.
la
por superficie
Aunque
unidad deexisten
es lisa.
altura Aunque
z. O sea existe
que d
de siguiente: donde zD Los se elementos
(z)aplica dz la
zD de
fuerza(z)
z rugosidad
dz de arrastre alteran h
media. el flujo Se de
cumple forma queque 0 en ≤ unad ≤región h y dcercana
= 0 si a la
la pared
superficie y los eselementos
lisa. Aunque de rugosid
existe
esse aplica latienefuerza deella arrastre media. Se cumple la que y La 0 si(Raupachlade superficie esdzlisa. Aunque existen
z z zD (z) dz h
aeacie es rugosa
rugosa
más la
lausada
más
más no
nousadayes
usada es yytrivial
trivialtiene
el
tiene la
respaldo el definición
definición
drespaldo
respaldo de0 hhaber
=calcular dedel
ded, del origen
haber
dhaber
sido
= origen 
0 dede
verificada
sido
sido verificadala
coordenada
verificada 0≤
coordenada
experimentalmente d ≤z.0hz.
experimentalmente
experimentalmente La dzpresencia
=(Raupach
presencia (Raupach de los
zD los elementos
elementos
(z) (1)
otras maneras
donde D de
eslaes otras
otras semás
media maneras
tiene
maneras
de esta
donde
un
ladz dees
flujo
fuerzade h calcular
sela más
aplica
altamente
calcular
deelarrastre usadala
d,
d, esta esta
fuerza
d y =es
tiene
dependiente
enes la
de
lalahabermás
el
hmás sido
dirección respaldo
arrastre usada
de
usada ladel y
media. detiene
dgeometría
y= tiene
flujo haber
0 Se
plano el respaldo
sido
cumple
z
de verificada
estosde
elexperimentalmente
por respaldo
unidad quede
de haber
0
elementos.≤ experimentalmente
haber z.
altura d sido

sido h
OAseaverificada
y
esta d
verificada
que = 0
región
d esexperimentalmente
si (Raupach
la superficie
se altura
la conoce como
experimentalmente
la es (Raupac
lisa. Aunq
Subca
(Raupac
as lazan maneras
seel la de
flujo calcular
alejándolo d, Zzestade la la
superficie, usada de y0manera
tiene
D z (z) querespaldo
dz se puede de considerar verificada
que el hplano de (Raupach
zan eandefineel flujo alejándolo de la Z zsuperficie, zorigen
erior
rior se define
define coordenada D (z)de manera que secalcular puede considerar que eld. de origen
etla
donde
laal.,
coordenada
coordenada
1991).
se aplica
=
En la
h−
Zvista
et=
et
=
zD d.
0zzde
al.,
rugosa.
fuerza al.,
−− (z)
zd.
1991).
lod.
1991).
de anterior
otras
Esta
dz arrastre EnEn vista
maneras
subcapa se
vista define
media. dede de
tiene lo
lo Se anterior
la unacoordenada
anterior
cumple alturad,sese
0que
Dz Z
define
estaque
define 0
(z)=
es va
≤ la dz
la coordenada
zmás
desde
d −
coordenada
≤ usada
h 2h y D
hasta
d y
=z tiene
Z
(z)
Z 0 =
5h.
= dz
si el
zla−− respaldo
d.
superficie
d. de es haber
lisa. sido
Aunque verificadaexisten experimentalmente
na l., 1991).
distancia dEn vista
llamada de lodalturaanterior 0de se z define
desplazamiento la coordenada nulo. yThom Z = zlos
(1971) −elementos
d.propusopropuso calcular 0
de la
an distancia
alteran
alteran
el flujo elelflujo
de llamada
flujo
dforma
otras
dede forma
Los forma
que
maneras
altura
= en
Donde
Uelementos que
que
=
donde funa
de
deen
en
(ρ, desplazamiento
región
una
deuna
µ,
calcular
hD z Los τregión
es
Los
región
rugosidad
w
cercana
la
donde
Es la media
,d,elementos
et cercana
cercana
i , al.,
Limportante
media
elementos
esta D ade
h,alteran
zZ)
es
nulo.
lade
1991).
esla
pared
dela
de
aala
más
la
el Thom
la pared
En
media
fuerza
destacar
pared
fuerza
rugosidad
flujo
rugosidad
usada
los
vista de
de
donde
(1971)
yelementos
ylos
que de
forma
laalteran
de
yarrastre
tienese
alteran
Dloelementos
arrastre
fuerza que
esel
anterior
tiene
el en
el
de
deflujo
en en
lamedia
flujo
respaldo
la
calcular
rugosidad,
de
unade
se
arrastredela
de rugosidad,
dirección
misma
rugosidad,
define
de dirección
región
forma
forma
de en dla
lazdel la
estructura
haber
de
que
cercana
que
fuerza
la
ddirección
en
coordenada
flujo
sido en del
unaamanera
manera
por
teórica
una flujo
laregión
verificada
de pared
del
unidad
región
arrastre por
flujo
Zque cercana
en de unidad
ycercana
los
por
la elementos
d.unidad
−altura
=experimentalmente
zen una
dirección laz.de
aacapa
la pared
Ode altura
de
límite
pared del yyrugosidad,
altura
sea los
quesobre
los
(Raupach
flujo z. OO
elementos
esuna
elementos
dpor la(1)
sea
sea
unidad quede
altura
superficie
dede drugosidad
es lalisa,
rugosidad
altura altz
Los
endiente
nte
endiente elementos
de lade degeometría
lala de rugosidad
geometría
geometría de estos
dede alteran
estos
estos D
elementos. z el
(z)
elementos. flujo
elementos. dz A de esta forma
A A región
esta
esta queregión
regiónseen una
la sese
conoce región
lala conoce
zconoce cercana
como comodonde
como
Subcapaa la pared
Subcapa
Subcapa
D es yla los mediaelementos deenla de
fuerza rugosidad,
de arrastre en la dirección del flujo por
se tiene un
donde flujo
Ense altamente
se
aplica tiene
donde la unse dependiente
fuerza flujoLos
aplica dedosaltamente
elementos
la de
fuerza
arrastre la dependiente
de
media.geometría
rugosidad
arrastre Se dede
media.
cumple estos
alteranla
laque geometría
Se elementos.
el flujo
cumple de deque A estos
forma esta elementos.
que región una se
y la
A
región conoce
esta región
cercana
si la como a se
la
superficie Subcapa
la
pared conoce
es y los
lisa. como
elementos
Aunque Subcap de
exis
lay la 0 si la superficie es lisa. hAunque d =0 existen
0 ≤ ≤
iene
altura
ltura
que va un
queque flujo
desde va
et altamente
al., 1991).
varugosa.
desde
desde
2h hasta 2h2h que
hasta d5h.
dependiente
hasta
5h. es
vista
5h. latiene
sedecir, dealtura lode se un tienen
anterior
la donde
flujo
geometría se se
altamente zonas:
define aplica
donde
de estosuna sela
ladependiente
coordenada capa fuerza
aplica
elementos. exterior
lade de
Zfuerza
donde =A yarrastre
una
geometría
zesta−de
se
0d. interior.
≤ d media.
arrastre
región
aplica
≤de
lase5h.
hEn 0
estos
media.
fuerza
dSe
conoce= d
capa cumple
elementos.
deSe
h
externa
cumple
como
arrastre
d que
A =se
que
Subcapa
media.
0
tiene
esta ≤
Se ladcumple
0 región ley≤se de ladefecto
yqueconoce 0≤desicomo
dvelocidad hSubcap
la≤superficie d ig=
y com
Lostiene Esta
dondemaneras
otras
elementos subcapa
Dz de rugosa.
esqueotras
rugosa. tiene
lademedia
rugosidad en Esta
una
calcular se
maneras
una
Esta subcapa
de altura
tiene
capa
subcapa
alteran de un
la fuerza
esta que
límite
el tiene
flujo
calculares
tiene va
flujo de
la
sobre desde
una
altamente
más
d,
una
demanerasaltura
esta
arrastre una usada
2h
altura
forma es hasta
que
dependiente
la
enque
superficie
que más
ylatiene va
en 5h.
vauna desde
usada
dirección el
lisa
desde de
y
respaldodel
2h tiene
(Raupach
región hasta
la geometría
flujo
hasta el
delahaber
cercana respaldo
por
et aunidad
al., lasidode
1991).
paredde estos
dehaber
yyes elementos.
altura
verificadalos sido
elz. verificada
O seade A
experimentalmente esta
que región
experimentalmente
d es lasido se
altura
(Raupach la conoce (Raup
laelementos rugosidad,
d, otras de calcular esta es más usada tiene respaldo
z)
eneosa.
se (z)
se dz Esta
ladz
tiene
tiene misma subcapa
lala misma
misma
estructura
Es sial.,
estructura
estructura
importante la
una
teóricasuperficie
alturateórica
teórica que
destacar
que
Es en
que va
que es
una
importante
que en lisa.
desde
en capa
una
seuna Aunque
2h capa
tiene
hasta
límite
capa
destacar límite
límite
lamedia. existen
5h.
sobre
misma que sobre
sobre
una
se otras
estructura
tienesuperficie
una
una maneras
otras
superficie
superficie maneras
lisa, d, 2h de
lisa,
eslisa, decalcular
esesuna
5h.
calcular esta
esta
d,límite es la
más más usada usada yde tienehaber
ylisa,
tiene
eluna el
respaldo verificada
de haber expe sie
se tienedonde etun se
flujo aplica
1991). altamente etla
En Esal.,
fuerza
Lo vista rugosa.
1991).
que
importante dede
dependiente se lo En Esta
arrastre vista
anterior
modifica
destacar subcapa
de de
et se
laes
al., lo define
quela tiene
anterior
Se
geometría cumple
dependencia
1991). se la
tieneuna