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TRIBUNAL DE JUSTIÇA
PODER JUDICIÁRIO
São Paulo

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 2082219-80.2016.8.26.0000 e código 6EBF015.
Registro: 2017.0000783941

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por FERNANDO ANTONIO FERREIRA RODRIGUES, liberado nos autos em 16/10/2017 às 12:13 .
Instrumento nº 2082219-80.2016.8.26.0000, da Comarca de Praia Grande, em que
é agravante TELEFÔNICA BRASIL S/A, é agravado MUNICIPIO DE PRAIA
GRANDE.

ACORDAM, em 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de


Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram provimento em parte
ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este
acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores


RICARDO FEITOSA (Presidente) e OSVALDO MAGALHÃES.

São Paulo, 2 de outubro de 2017.

FERREIRA RODRIGUES
RELATOR
ASSINATURA ELETRÔNICA
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VOTO Nº 32.361

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 2082219-80.2016.8.26.0000 e código 6EBF015.
AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 2082219-80.2016.8.26.0000
AGRAVANTE : TELEFÔNICA BRASIL S/A
AGRAVADA : PREFEITURA MUNICIPAL DE PRAIA GRANDE

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AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO
DE FAZER. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DE AUTORIZAÇÃO.
DECISÃO LIMINAR QUE DETERMINOU A RETIRADA
DO EQUIPAMENTO INSTALADO E RESPECTIVA
INFRAESTRUTURA. ELEMENTOS EXISTENTES
AUTORIZADORES DA MEDIDA. CONSTRUÇÃO
CLANDESTINA DE TORRE RÁDIO-BASE. EMPRESA DE
TELEFÔNIA QUE FOI NOTIFICADA SEGUIDAS VEZES
QUANDO DO LEVANTAMENTO DA RESPECTIVA
TORRE, SEGUINDO-SE AUTO DE EMBARGO QUE
TAMBÉM FOI DESRESPEITADO PELA EMPRESA, DO
QUE RESULTARAM AUTOS DE INFRAÇÃO COM
APLICAÇÃO DE MULTA. OBRIGAÇÃO DE DEMOLIÇÃO
QUE SE ACHA FUNDAMENTADA E QUE DEVE
SUBSISTIR. PRAZO DE DEMOLIÇÃO, ENTRETANTO,
QUE DEVE SER AUMENTADO. AGRAVO DE
INSTRUMENTO PARCIALMENTE PROVIDO.

Trata-se de agravo de instrumento interposto pela


TELEFÔNICA BRASIL S/A contra a r. decisão que, nos autos da ação de
obrigação de fazer ajuizada pela PREFEITURA MUNICIPAL DE PRAIA
GRANDE contra a agravante e outros, deferiu antecipação de tutela para “que
os requeridos respeitem os atos administrativos Municipais e providenciem a retirados
dos equipamentos instalados (antena ERB) e respectiva infraestrutura de suporte, no
prazo de 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 10.000,00 para cada requerido, a serem
revertido ao autor.”

Alega a agravante que: (i) a decisão agravada viola


frontalmente a Lei federal 13.116/2015, que estabelece normas gerais para
implantação e compartilhamento das ERB(s); (ii) a Telefônica já está

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providenciando os documentos considerados indispensáveis pela Prefeitura; e

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(iii) a medida pretendida, ou seja, a desmobilização de uma ERB que atende
milhares de munícipes é absolutamente desproporcional, na contramão da Lei
Federal mencionada e deveria ser sanada administrativamente, na via

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processual oportuna (processo administrativo), a partir dos instrumentos
próprios, não se justificando o encaminhamento da matéria ao Judiciário, daí
porque pugna pela revogação da medida liminarmente concedida ou,
subsidiariamente, um prazo maior pra o cumprimento da medida judicial
concedida.

Processado o recurso sem o efeito suspensivo pretendido


(fls. 371), foi apresentado pedido de reconsideração pela agravante (fls.
373/377), após o que foi reconsiderado o despacho de fls. 371 e suspensa a
decisão agravada (fls. 379). A agravada, intimada, apresentou resposta às fls.
383/393.

É o relatório.

Inicialmente, cumpre destacar a inexistência de antinomia


entre a legislação federal (Lei Federal nº 13.116/15) e a legislação local (Lei
Complementar nº 662/13), porquanto ambas foram editadas pelos entes
(municipal e federal) dentro de suas competências constitucionalmente
estabelecidas. Tais diplomas legais, respeitados seus âmbitos de incidência, são
complementares, bem acomodando as exigências para o regular funcionamento
dos serviços de telecomunicações, respeitados os interesses da União e do
Município, no que se refere aos interesses de cada um desses entes federativos.

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A partir daí, no reexame do caso, à luz de toda a

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documentação juntada aos autos, verifica-se que a questão não se restringe ao
simples cumprimento da Legislação Federal (Lei nº 13.116/2015) que estabelece
normas gerais para implantação e compartilhamento de infraestrutura de

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telecomunicações, até porque ela não afasta a obrigação da agravante em
respeitar os limites impostos pela legislação municipal que, diga-se de
passagem, não se refere, unicamente, a impor limites de exposição aos campos
elétricos e magnéticos, pois prevê, além disso, o atendimento de diversos outros
requisitos inseridos dentro do interesse próprio do munícipio autor da
demanda.

No caso concreto, é incontroverso que a agravante


instalou referida antena sem a devida autorização do ente municipal e sem a
observância às regras municipais pertinentes, sendo, inclusive, notificada e
autuada inúmeras vezes, tudo isso, ignorado pela agravante que, mesmo após
sofrer dois embargos, ainda assim instalou referida antena no imóvel descrito
na inicial.

Dessa forma, a autuação da Municipalidade e medida


liminar deferida, se deu de forma regular, tal como vem decidindo este E.
Tribunal de Justiça:

“AÇÃO DEMOLITÓRIA - ERB instalada em


desconformidade com posturas municipais que tratam da
matéria - Tese da inconstitucionalidade da LC nº 1246/01 que
se revela impertinente quando se observa que, de qualquer
forma, a concessionária de serviço público iniciou a construção
sem alvará - Construção que, como qualquer outra, há de contar

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com licença prévia - Assunto de peculiar interesse do

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Município, no qual não interfere a norma dos arts. 21, XI, e 22,
IV, ambos da Constituição Federal - Sentença confirmada -
Recurso improvido.” (Ap. nº 0003055-23.2005.8.26.0506,

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rel. Des. Luiz Sérgio Fernandes de Souza, j.
11/08/2014).

“MANDADO DE SEGURANÇA DIREITO


ADMINISTRATIVO PRETENSÃO À SUSPENSÃO DE
AUTUAÇÃO E INTERDIÇÃO DE ESTABELECIMENTO -
INADMISSIBILIDADE. 1. Inexistência de alvará de
funcionamento para o regular exercício de atividade. 2.
Requerimento administrativo indeferido. 3. Inteligência do
artigo 1º da Lei Municipal nº 10.205/86. 4. Precedentes deste
Tribunal de Justiça. 5. Sentença denegatória confirmada. 6.
Recurso de apelação desprovido. (Apelação Cível n°
0366827-08.2009.8.26.0000, 5ª Câmara de Direito
Público, Rel. Des. Francisco Bianco, j. 16/05/2011).

APELAÇÃO - MANDADO DE SEGURANÇA


PREVENTIVO - AUSÊNCIA DE ALVARÁ DE
FUNCIONAMENTO -EXISTÊNCIA DE DEMORA DA
ADMINISTRAÇÃO - PENDÊNCIA DE DECISÃO
QUANTO AO PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. O
pedido de reconsideração não tem efeito suspensivo -
Possibilidade de a Administração autuar pela ausência de auto
de regularização do imóvel ou pela falta de licença de
funcionamento - Não se vislumbra direito líquido e certo -
Sentença mantida - Recurso desprovido (Apelação Cível n°

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0006051-48.2012.8.26.0053, 8ª Câmara de Direito

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Público, Rel. Des. João Carlos Garcia, j. 26/03/2014).

MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO

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ADMINISTRATIVO DE REGULARIZAÇÃO DE IMÓVEL
COMERCIAL. Auto de regularização PODER JUDICIÁRIO
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indeferido pela Administração Pública, nos termos da Lei nº
13.558/2003. Solicitação, via judicial, de nulidade de autuação
e sanções administrativas. Inadmissibilidade por ausência de
direito líquido e certo. Pedido de reconsideração que não obsta a
ação fiscalizatória e sanções aplicadas. Decisão reformada.
RECURSO DA MUNICIPALIDADE PROVIDO para
denegar a segurança (Apelação Cível n°
0040397-25.2012.8.26.0053, 12ª Câmara de Direito
Público, Relª. Desª. Isabel Cogan, j. 13/11/2013).

“Ação demolitória movida pela Municipalidade. Antena de


telefonia móvel instalada no topo de edifício em contrariedade
às posturas municipais, sem prévia aprovação do projeto de
construção. Procedência. Recurso de duas das rés buscando a
inversão do julgado. Inviabilidade. Obra executada em
desconformidade com as posturas municipais, além de não
contar com licença prévia. Recursos improvidos” (11ª.
Câmara de Direito Público Apelação Cível n.
9110347-11.2004.8.26.0000 Rel. Des. Aroldo Viotti j.
01.02.2010).

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Acrescenta-se, ainda, que nem mesmo o argumento da

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agravante de que estaria providenciando a documentação necessária para
regularização da respectiva antena à socorre, pois não há notícia, ao menos
nestes autos, de que houve ou não referida regularização junto à agravada, daí

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porque as razões que levaram este relator a suspender os efeitos da medida
liminar aqui agravada, ao menos quanto aos motivos por mim expostos, já não
subsistem mais, não cabendo ao Judiciário substituir o Poder Executivo na
prática dos atos que lhe são próprios.

Registre-se, por oportuno, que não cabe a este relator


ingressar nos motivos da administração local para fixar os critérios de
concessão do respectivo alvará. Esta questão não está em pauta e, além disso, é
evidente o notório interesse público em fixar requisitos mínimos para o uso e
ocupação do solo, com regras específicas sobre a edificação, tudo conforme
legislação urbanística local.

O fato é que, se a empresa agravada manteve-se inerte


diante todo esse tempo, não buscando obter a dita regularização de sua
situação, não há o menor cabimento de manter referida antena em
funcionamento em caráter precário, ou seja, pendurada em uma liminar, até
porque o “controle judicial sobre atos da Administração é exclusivamente de
legalidade. Significa dizer que o Judiciário tem o poder de confrontar qualquer ato
administrativo com a lei ou com a Constituição e verificar se há ou não compatibilidade
normativa. Se o ato for contrário à lei ou à Constituição, o Judiciário declarará a sua
invalidação de modo a não permitir que continue produzindo efeitos ilícitos.
(OMISSIS). O que é vedado ao Judiciário, como corretamente têm decidido os
Tribunais, é apreciar o que se denomina normalmente de mérito administrativo, vale

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dizer, a ele é interditado o poder reavaliar critérios de conveniência e oportunidade dos

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atos, que são privativos do administrador público. Já tivemos a oportunidade de destacar
que, a se admitir essa reavaliação, estar-se-ia possibilitando que o juiz exercesse também
função administrativa, o que não corresponde obviamente à sua competência. Além do

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mais, a invasão de atribuições é vedada na Constituição em face do sistema de tripartição
dos Poderes (art. 2º)”. (CARVALHO FILHO, José dos Santos in “Manual de
Direito Administrativo”, 28ª Edição, Editora Atlas, São Paulo, 2015, p. 1056).
(Negritei).

Observadas todas essas circunstâncias, no reexame do


caso concreto, a manutenção da decisão agravada quanto a retirada da antena
rádio-base é medida que se impõe, daí porque fica mantida nessa parte a r.
decisão.

Entretanto, ante a exiguidade do prazo concedido para


cumprimento da liminar, o recurso deverá ser parcialmente acolhido para
autorizar a sua ampliação, fixando-o em 90 (sessenta) dias, a fim de garantir à
agravante o tempo razoável para o cumprimento da ordem judicial.

Posto isso, pelo meu voto, dá-se parcial provimento ao


agravo de instrumento para autorizar a ampliação do prazo para cumprimento
da obrigação, fixando-o em 90 (noventa) dias a partir desta decisão.

FERREIRA RODRIGUES
RELATOR

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