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UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA

FACULDADE DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E URBANISMO

ELEMENTOS DE MÁQUINAS

Prof. Flávio Yukio Watanabe


2004

I-1
I - INTRODUÇÃO AO PROJETO DE MÁQUINAS

A essência da engenharia é a utilização dos recursos e leis da natureza em benefício da


humanidade. A engenharia é uma ciência aplicada, no sentido que busca-se através dela o
entendimento de princípios científicos e a aplicação dos mesmos no intuito de se atingir objetivos pré
estabelecidos. Na engenharia, muitas vezes a solução de problemas práticos exige não somente o
conhecimento de ciências básicas como matemática, física, termodinâmica e materiais, mas também o
conhecimento empírico obtido através da experimentação e de projetos que falharam.

Durante a fase de projeto de um produto, há a necessidade de se definir e dimensionar os


elementos que irão compô-lo. As disciplinas Elementos de Máquinas e Sistemas Mecânicos têm como
objetivos principais introduzir a área de Projeto Mecânico, relacionando-a com outras áreas da
engenharia, além de apresentar os elementos básicos que usualmente compõem um sistema mecânico,
bem como as técnicas de dimensionamento ou seleção destes elementos

Neste capítulo, conceitos básicos de algumas áreas relacionadas ao projeto mecânico serão
apresentados de forma sucinta, uma vez que muitos destes são abordados com maior profundidade em
outras disciplinas.

1.1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE PROJETO MECÂNICO

O lançamento de um novo produto no mercado consumidor deve envolver sempre um profundo


estudo para acompanhar o desenvolvimento do produto desde a sua criação até a sua extinção no
mercado. O departamento de Engenharia do Produto é o principal responsável por esta atividade e,
juntamente com outros departamentos, devem avaliar os vários itens preliminares que envolvem o
produto, como por exemplo:

à Análise de aceitação, custos e demanda do produto


à Processos de Fabricação e Montagem do produto
à Ciclo de vida e vida média do produto
à Viabilidade de distribuição e Assistência Técnica do produto

Uma vez decidido o lançamento do produto, seu projeto é detalhado e os elementos que o
compõem são dimensionados ou escolhidos, segundo normas, procedimentos ou critérios pré
estabelecidos. No caso particular do projeto de sistemas mecânicos, a resistência dos materiais é,
normalmente, o fator mais importante na determinação das dimensões e geometria de seus elementos.
Entretanto, outras características, como as listadas a seguir, podem influenciar no projeto dos
elementos ou do sistema como um todo; sendo assim, também devem ser consideradas.

à Resistência à Segurança à Acabamento Superficial


à Rigidez à Vida útil à Forma, Tamanho e Volume
à Propriedades Térmicas à Vibração Mecânica à Confiabilidade
à Corrosão e Desgaste à Ruído Acústico à Lubrificação
à Fabricação e Montagem à Cinemática à Flexibilidade
à Manutenção à Estética à Controle
à Custos à Peso à Poluição e Ecologia

1.2 - PADRONIZAÇÃO, NÚMEROS NORMALIZADOS, TOLERÂNCIAS E AJUSTES

1.2.1 - NORMAS E PADRÕES

Uma norma é um conjunto de especificações que busca uma padronização de elementos,


dimensões, materiais ou processos, visando proporcionar uniformidade, eficiência e qualidade
especificadas.

A padronização possibilita a definição de limites no número de itens nas especificações,


reduzindo assim a quantidade de tipos de produtos utilizados no projeto de uma máquina,
simplificando consideravelmente o serviço de almoxarifado e a obtenção de peças e de equipamentos
de reposição; além disso, proporciona a diminuição dos custos de produção, melhoria da qualidade,
aumento da segurança, melhor controle na comercialização do produto e evita a realização de
retrabalhos.

Diversas organizações e sociedades internacionais tem estabelecido especificações, normas e


padrões aplicados às áreas de projeto, segurança e qualidade. Na área de engenharia mecânica a
padronização é utilizada com freqüência e algumas das organizações de interesse são citadas a seguir.

à American Gear Manufacturers Association (AGMA)


à American Iron and Steel Institute (AISI)
à American Society of Mechanical Engineers (ASME)
à American Society of Testing and Materials (ASTM)
à American Weldind Society (AWS)
à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
à British Standards Institution (BSI)
à Deustsche Industrie Normenausschuss (DIN)
à Ente Nazionale per l'Unificazione nell'Industria (UNI)
à International Bureu of Weights and Measures (BIPM)
à International Standards Organization (ISO)
à National Bureau of Standards (NBS)
à Society of Automotive Engineers (SAE)
à Verein Deutscher Ingenieure (VDI)

As principais normas referentes aos assuntos abordados nesta disciplina serão citadas como
referências, caso sejam necessários maiores detalhes ou estudos mais aprofundados.

1.2.2 - NÚMEROS NORMALIZADOS

Os números normalizados servem para a elaboração de escalonamentos convenientes de


grandezas referentes aos vários tipos de um produto fabricado, ou seja, dimensões, rotações,
capacidade de carga e potências, por exemplo. Utilizam-se para isso, valores arredondados dos termos
de progressões geométricas, como as Séries Renard R5, R10, R20 e R40, ou outras séries de números
padronizados.

Os termos das Séries Renard podem ser multiplicados ou divididos pela potência de 10 e as
normas ABNT NBR 6403 e NBR 6404 fixam séries de números e de dimensões normalizadas,
respectivamente. Estas normas são apresentadas em anexo neste capítulo.

1.2.3 - TOLERÂNCIAS E AJUSTES

Na montagem dos componentes de uma máquinas, há a necessidade de se definir os ajustes


dimensionais das peças em contato, que resultarão em assentos folgados, deslizantes, prensados ou
indeterminados.

Para que uma montagem proceda sem a necessidade de retrabalho ou de ajuste secundário das
peças, deve ser assegurada uma intercambiabilidade entre as mesmas, através da definição das
dimensões correspondentes das peças dentro de uma determinada tolerância. Essa tolerância é
estabelecida através dos afastamentos admissíveis das dimensões ou dos correspondentes símbolos de
tolerância padronizados, apostos às dimensões nominais das peças.

É importante ressaltar que a escolha do tipo de ajuste e das tolerâncias mais adequados a uma
determinada montagem depende basicamente das condições de funcionamento da mesma e dos custos
envolvidos, uma vez que os campos de tolerância estreitos refletem diretamente no custo de produção.

A terminologia e a normalização dos sistemas de tolerâncias e ajustes são desenvolvidas pelas


normas DIN 7182, ABNT NB-86 e ISO R-286, normalmente abordadas nas disciplinas de Metrologia
Mecânica.

1.3 - MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA

A problemática da escolha do tipo de material mais adequado à construção de componentes


mecânicos é bastante complexa devido às diversas características de projeto envolvidas e à grande
diversidade de materiais disponíveis, como os materiais metálicos, madeiras, plásticos, cerâmicas,
compostos e sinterizados.

Geralmente, na escolha do material de uma peça deve-se considerar, inicialmente, as exigências


referentes à sua função, solicitações atuantes e durabilidade; posteriormente, outras características
relevantes devem ser analisados como as propriedades mecânicas, processos de fabricação, peso
resultante e custos de matéria-prima e de fabricação. Resultados conhecidos da experiência de
especialistas em materiais, projetos e fabricação e as exigências dos consumidores devem ser tomados
como base para uma orientação na escolha dos materiais empregados nos projetos mecânicos.

Os materiais de construção mecânica apresentam diversas propriedades que os caracterizam e


que são de interesse geral no projeto e dimensionamento de elementos de máquinas como resistência,
rigidez, dureza superficial, ductilidade ou fragilidade, tenacidade, maleabilidade, fusibilidade,
usinabilidade e possibilidade de serem submetidos a tratamentos térmicos e superficiais.

σ σ
σr σr
σe
σe

0,2% ε 0,2% ε
(a) (b)
Figura 1.1 – Diagramas σxε de ensaios de tração (a) Material dúctil (b) Material frágil
Ensaios padronizados de identificação das características dos materiais possibilitam uma análise
comparativa dos mesmos. Dentre estes, o ensaio de tração é um dos mais usuais e diagramas tensão
normal (σ) x deformação específica (ε), característicos de um material dúctil como um aço de baixo
teor de carbono e de um material frágil como o ferro fundido são ilustrados na Figura 1.1a e 1.1b,
respectivamente.

Os pontos que definem as tensões limites de escoamento ( σ e ) e de resistência ( σ r ) são


ilustrados nos dois diagramas σxε . Nos trechos de regime elástico de deformação vale a relação de
proporcionalidade estabelecida pela “Lei de Hooke”, ou seja, σ = Eε , onde E corresponde ao módulo
de Young ou módulo de elasticidade, característico de cada material.

Na Tabela A1.3 do Apêndice são apresentados os principais tipos de aços com suas respectivas
classificações e composições, segundo a ABNT. São apresentadas também nas Tabelas A1.4 e A1.5 as
características mecânicas de alguns aços para construção mecânica.

1.4 - TIPOS DE SOLICITAÇÃO OU CARREGAMENTO

As solicitações ou carregamentos que atuam nos elementos de máquinas e as tensões normais


(σ) e de cisalhamento (τ) resultantes, representadas genericamente por (S), podem ser classificadas em
três grandes grupos, em função da forma com que variam no tempo (t):

à Solicitações Constantes ou Estáticas


à Solicitações Variáveis ou Dinâmicas
à Choques/Impactos e Transientes

Apesar da denominação empregada, as Solicitações Constantes ou Estáticas, exemplificadas na


Figura 1.2a, podem sofrer variações graduais, mas em um número de ciclos relativamente pequeno,
não acarretando impacto ou fadiga no material.

As Solicitações Variáveis ou Dinâmicas podem ocorrer de forma aleatória ou cíclica, conforme


exemplificado nas Figuras 1.2b e 1.2c, respectivamente.

As solicitações aleatórias, conhecidas também por randômicas, apresentam como


comportamento característico a imprevisibilidade do seu valor instantâneo ao longo do tempo;
entretanto, suas características podem ser descritas por suas propriedades médias e estatísticas. Por
outro lado, as solicitações cíclicas, conhecidas também por determinísticas, podem ter seus valores
determinados para qualquer instante de tempo através de relações matemáticas explícitas; uma vez que
apresentam um comportamento repetitivo e previsível.
Muitas vezes, associadas às Solicitações Estáticas ou Dinâmicas podem haver Choques ou
Impactos, exemplificados na Figura 1.2d, e que caracterizam-se por sua forma de aplicação súbita e de
curta duração. O comportamento de materiais sujeitos a impactos é bastante distinto do usual, devendo
portanto ser cuidadosamente considerados no dimensionamento de Elementos de Máquinas.
Normalmente, o efeito resultante de um impacto é uma solicitação ou resposta do tipo Transiente, que
atua apenas em um intervalo limitado de tempo, conforme exemplificado na Figura 1.2e.

S S S

S máx = S mín

t t t

(a) Constante ou Estática (b) Aleatória (c) Cíclica

S S S
S máx
S méd
S mín
t t t

(d) Choque ou Impacto (e) Transiente (f) Pulsatória Ondulada

S S S
S máx S máx ≠ S mín S máx = S mín
S méd S máx
S máx
S méd
S mín S méd
S mín = 0 t S mín t t
S mín

(g) Pulsatória (h) Alternada (i) Alternada Simétrica

Figura 1.2 - Tipos de Solicitações

A forma de variação da solicitação no tempo tem pouca influência sobre o fenômeno de Fadiga
do Material, pois o que importa essencialmente na fadiga são os valores das Solicitações Máxima
( S máx ) e Mínima ( S mín ). As Solicitações cíclicas particulares ilustradas nas Figuras 1.2f a 1.2i
apresentam formato senoinal e serão analisadas mais detalhadamente a seguir.
Qualquer Solicitação Variável do tipo senoidal pode ser interpretada como a superposição de
uma Solicitação Constante que gera a Solicitação Média ( S méd ) e uma Solicitação Alternada

Simétrica de Amplitude AS , onde:

S máx + S min
S méd = e AS = S máx − S mín (1.1)
2

Portanto, tem-se:

AS AS
S mín = S méd − e S máx = S méd + (1.2)
2 2

Tendo em vista os diferentes tipos de Solicitações, costuma-se definir o Coeficiente de Variação


de Solicitação K S , no intuito de caracterizar estas Solicitações:

S máx
KS = (1.3)
S méd

Na Tabela 1.1 são apresentados os parâmetros que caracterizam as Solicitações Dinâmicas


cíclicas, em função de S máx .

Tipo de solicitação S mín S méd KS

Constante ou Estática S máx S máx 1

Pulsatória Ondulada S mín < S máx S máx 2 < S méd < S máx 1 < KS < 2

Pulsatória 0 S máx / 2 2

Alternada S mín < S máx 0 < S méd < S máx 2 2 < KS < ∞

Alternada Simétrica - S máx 0 ∞

Tabela 1.1 - Parâmetros que caracterizam as Solicitações Dinâmicas cíclicas

Nas Equações 1.1 à 1.3, as Solicitações (S) representam Tensões Normais (σ) causadas por
esforços de tração, compressão ou flexão, ou Tensões de Cisalhamento (τ) causadas por esforços
cortantes ou de torção.
1.5 - TENSÕES ADMISSÍVEIS E COEFICIENTES DE SEGURANÇA

1.5.1 - TENSÕES ADMISSÍVEIS

As Tensões Admissíveis ( σ adm e τ adm ) são as tensões utilizadas no dimensionamento dos


elementos de máquinas. Elas são obtidas dividindo-se a tensão tida como "crítica" por um coeficiente
de segurança (cs):

S crítica
S adm ≡ S = (1.4)
cs

A definição da tensão crítica a ser utilizada no dimensionamento de elementos de máquinas


deve ser feita pelo projetista levando-se em consideração:

à Uma análise meticulosa das condições de serviço


à A resistência do material sob estas condições de serviço
à A margem de segurança adequada

Normalmente, as tensões críticas consideradas são as tensões limite de escoamento, limite de


resistência e limite de resistência à fadiga, podendo ser adotadas conforme indicado na Tabela 1.2.

Tipo de solicitação Tipo de material Tensão crítica

dúctil Se
Constante ou Estática
frágil Sr
dúctil S F e Se
Variável ou Dinâmica
frágil SF e Sr

Tabela 1.2 - Tensões Perigosas

onde:
à S e - tensão limite de escoamento ( σ e , τ e )

à S r - tensão limite de resistência ( σ r , τ r )

à S F - tensão limite de resistência à fadiga ( σ F , τ F , σ Ff )

Obs.: Os valores de τ e e τ r podem ser estimados através das seguintes relações:

τ e ≈ 0,6 σ e e τ r ≈ 0,75σ r (1.5)


No dimensionamento de elementos de máquinas, além das características de resistência do
material, outros parâmetros podem ser significativos no projeto, como a resistência ao desgaste, a
resistência à flambagem e as rigidezes axiais, flexionais e torsionais.

1.5.2 - COEFICIENTE DE SEGURANÇA - CS

As inúmeras incertezas que envolvem um projeto mecânico não nos permitem determinar com
precisão o comportamento de um elemento de máquina do ponto de vista de sua resistência e vida;
sendo assim, o elemento deve ser superdimensionado, fazendo-se com que as tensões máximas que
ocorrem sejam bem menores que a tensão crítica, adotada como causa provável de falha do material.

A adoção de coeficientes de segurança adequados é uma questão bastante difícil por exigir o
conhecimento de inúmeras peculiaridades do projeto e muitas vezes é realizada de forma empírica,
baseado na experiência do projetista e na análise de falhas ocorridas anteriormente.

A falta de experiência em projetos pode levar à adoção de cs(s) inadequados, provocando um


superdimensionamento excessivo ou um dimensionamento crítico dos equipamentos.

Os coeficientes de segurança são fortemente influenciados pelos seguintes fatores:

à Tipo e procedência do material


à Tipo e imprecisão da Solicitação
à Perigo de Vida
à Custos do Equipamento e de sua Manutenção
à Classe de Equipamento

Para realizar-se uma análise mais detalhada, os cs(s) normalmente são subdivididos em diversos
fatores de segurança, como no exemplo apresentado a seguir:

cs = f 1 . f 2 . f 3 . f 4 (1.6)

Valores de referência dos fatores de segurança f1 a f 4 são dados na Tabela 1.3.

A Equação 1.6 não deve ser utilizada na determinação dos valores de cs quando S F for
considerada a tensão crítica, a não ser em cálculos preliminares. Elementos de máquinas sujeitos à
fadiga devem ser verificados através de métodos apropriados e este assunto será abordado mais
detalhatamente em capítulos posteriores nesta disciplina.
Scrítica
f 1 - Relação de Elasticidade f1 =
Se

f 2 - Tipo de Solicitação

à Constante ou Estática f 2 = 1,0

y Pulsatória ou Ondulada f 2 = 1,5 ~ 2 ,0


à Variável ou Dinâmica
y Alternada ou Alternada Simétrica f 2 = 2 ,0 ~ 3 ,0

f 3 - Existência ou não de Choques e Modo de Aplicação da Solicitação

y gradualmente aplicada f 3 = 1,0


à Solicitação sem choques
y subitamente aplicada f 3 = 2 ,0

y choques moderados f 3 = 2 ,0 ~ 3,0


à Solicitação com choques
y choques fortes f 3 = 3 ,0 ~ 5 ,0

f 4 - Fator de Segurança Efetivo

à Materiais dúcteis f 4 = 1,5 ~ 2 ,0

à Materiais frágeis f4 = 2 ,0 ~ 3,0

Tabela 1.3 - Fatores de Segurança

Baseado nos fatores de segurança indicados, os cs(s) podem ser adotados de acordo com os
valores recomendados na Tabela 1.4.

Tipo de solicitação Materiais Materiais


dúcteis frágeis
y gradualmente aplicada 1,5 ~ 2,0 5,0 ~ 4,0
à Constante ou Estática
y subitamente aplicada 3,0 ~ 4,0 6,0 ~ 8,0

à Variável ou Dinâmica, y Pulsatória ou Ondulada 3,0 ~ 5,0 6,0 ~ 10,0


sem choques y Alternada ou Alternada Simétrica 4,0 ~ 8,0 8,0 ~ 16,0

y choques moderados 7,0 ~ 10,0 10,0 ~ 15,0


à Solicitação com choques
y choques fortes 10,0 ~ 15,0 15,0 ~ 20,0

Tabela 1.4 - Coeficientes de Segurança

Alguns grupos de equipamentos como estruturas metálicas, sistemas de elevação de carga e


caldeiras possuem normas padronizadas de dimensionamento onde são os cs(s) são pré-estabelecidos.
1.6 – CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES

A grande maioria dos elementos de máquinas apresentam variações de seções e entalhes


necessários ao posicionamento e à fixação de outros componentes, como ocorre nos eixos,
normalmente escalonados em diferentes diâmetros de modo a acomodar mancais, engrenagens e
polias. Estas mudanças de geometria dos elementos de máquinas acarretam concentrações de tensões
localizadas e que podem atingir valores máximos muito superiores aos médios teóricos.

A Figura 1.3 ilustra a concentração de tensões introduzida por um furo em uma barra plana
submetida ao esforço de tração P. Os efeitos deste entalhe na barra podem ser determinados através da
aplicação da Teoria da Elasticidade, de técnicas computacionais como o Método dos Elementos
Finitos ou ainda empregando-se materiais fotoelásticos.

P σ máx P
w d

Figura 1.3 - Concentração de Tensões

A concentração de tensões para qualquer tipo de geometria é medida definindo-se K t , o fator


geométrico de concentração de tensões ou coeficiente de entalhe para solicitações estáticas:

σ máx τ máx
Kt = ou K t = (1.7)
σ nom τ nom

onde σ nom e τ nom são as tensões nominais médias calculadas para um carregamento particular e
considerando-se uma distribuição uniforme de tensões na seção analisada.

No caso da barra com furo, exemplificada na Figura 1.3, a tensão média nominal σ nom que atua
na seção transversal com furo é calculada como

P
σ nom = (1.8)
( w − d )h

sendo que, a tensão normal máxima σ máx que ocorre na prática, pode atingir níveis cerca de duas a

três vezes este valor nominal σ nom , dependendo da relação entre o diâmetro d do furo e a largura w da

barra; ou seja, neste exemplo K t ≈ 2 ,0 a 3,0 .


Nas Figuras A1 a A14 do Apêndice A1 são apresentados vários gráficos do fator geométrico de
concentração de tensões K t que mostram a influência de diferentes tipos de entalhes sob esforços
distintos. Além disso, são fornecidas equações associadas a estes gráficos o que possibilita,
eventualmente, a elaboração de rotinas de cálculo.

Cabe ressaltar que o fator K t considera apenas o efeito da geometria na concentração de


tensões e não como o material se comporta face a esta concentração. A ductilidade ou fragilidade do
material e o tipo de carregamento, se estático, dinâmico ou com choques, afetam sensivelmente como
o componente responderá às concentração de tensões.
Apêndice A1

PREFIXO SÍMBOLO FATOR


exa E 1018
peta P 1015
tera T 1012
giga G 109
mega M 106
kilo k 103
hecto* h 102
deka* da 101
deci* d 10-1
centi* c 10-2
mili m 10-3
micro µ 10-6
nano n 10-9
pico p 10-12
femto f 10-15
atto a 10-18

Tabela A1.1 - Prefixos padronizados - SI


(* Não recomendados)

Alfa α Α Nu ν Ν
Beta β Β Csi ξ Ξ
Gama γ Γ Ômicron ο Ο
Delta δ, ∂ ∆ Pi π Π
Épsilon ε Ε Ro ρ Ρ
Zeta ζ Ζ Sigma σ Σ
Eta η Η Tau τ Τ
Teta θ Θ Upsilon υ Υ
Iota ι Ι Fi φ,ϕ Φ
Capa κ Κ Chi χ Χ
Lâmbda λ Λ Psi ψ Ψ
Mu µ Μ Ômega ω Ω

Tabela A1.2 – Alfabeto Grego


AÇOS CARBONO
10xx Aço Carbono
11xx Aço Carbono Ressulfurado (boa usinabilidade)
12xx Aço Carbono Ressulfurado e Refosforado (boa usinabilidade)

AÇOS DE BAIXA LIGA (Construção Mecânica)


13xx Mn 1,75%
23xx Ni 3,5%
25xx Ni 5,0%
31xx Ni 1,25% - Cr 0,65%
33xx Ni 3,50% - Cr 1,55%
40xx Mo 0,25%
41xx Cr 0,50 ou 0,95% - Mo 0,12 ou 0,20%
43xx Ni 1,80% - Cr 0,50% ou 0,80 - Mo 0,25%
46xx Ni 1,55 ou 1,80% - Mo 0,20 ou 0,25%
47xx Ni 1,055 - Cr 0,45% - Mo 0,20%
48xx Ni 3,50% - Mo 0,25%
50xx Cr 0,28 ou 0,40%
51xx Cr 0,80 a 1,05
5xxxx Cr 0,50 ou 1,00 ou 1,45% - C 1,00%
61xx Cr 0,80 ou 0,95% - V 0,10 ou 0,15 min.
86xx Ni 0,55% - Cr 0,50% ou 0,65 - Mo 0,20%
87xx Ni 0,55% - Cr 0,50% - Mo 0,25%
92xx Mn 0,85% - Si 2,00%
93xx Ni 3,25% - Cr 1,20% - Mo 0,12%
98xx Ni 1,00% - Cr 0,80% - Mo 0,25%

AÇOS INOXIDÁVEIS (Resistentes ao calor e à corrosão)


2xx Cr, Ni, Mn Austenítico
3xx Cr, Ni Ferrítico
4xx Cr Ferrítico
4xx Cr Martensítico
5xx Cr Baixo Cr

Tabela A1.3 - Classificação e Composição dos Aços, segundo ABNT


(xx - Teor de carbono: 0,xx%)
Classificação Tipo de σr σr σe σe Alongamento Estricção Dureza
ABNT Processo [MPa] [kgf/mm2] [MPa] [kgf/mm2] em 2" [%] [%] Brinell
LQ 300 31 170 17 30 55 86
1006
LF 330 34 280 29 20 45 95
LQ 320 33 180 18 28 50 95
1010
LF 370 38 300 31 20 40 105
LQ 340 35 190 19 28 50 101
1015
LF 390 40 320 33 18 40 111
LQ 400 41 220 22 25 50 116
1018
LF 440 45 370 38 15 40 126
LQ 380 39 210 21 25 50 111
1020
LF 470 48 390 40 15 40 131
LQ 400 41 220 22 25 50 116
1025
LF 440 45 370 38 15 40 126
LQ 470 48 260 27 20 42 137
1030
LF 520 53 440 45 12 35 149
LQ 500 51 270 28 18 40 143
1035
LF 550 56 460 47 12 35 163
LQ 520 53 290 30 18 40 149
1040
LF 590 60 490 50 12 35 170
LQ 570 58 310 32 16 40 163
1045
LF 630 64 530 54 12 35 179
LQ 620 63 340 35 15 35 179
1050
LF 690 70 580 59 10 30 197
1055 LQ 650 66 350 36 12 30 192
1060 LQ 680 69 370 38 12 30 201
1070 LQ 700 71 390 39 12 30 212
1080 LQ 770 78 420 43 10 25 229
1090 LQ 830 85 460 47 10 25 248
1095 LQ 830 85 460 47 10 25 248

Tabela A1.4 - Características Mecânicas de Aços Carbono (valores mínimos),


LQ - Laminado a quente ou LF - Laminado a frio
σ r - tensão limite de resistência e σ e - tensão limite de escoamento
Classificação Tratamento Temperatura σr σr σe σe Alongamento Estricção Dureza
ABNT Térmico °C [MPa] [kgf/mm2] [MPa] [kgf/mm2] em 2" [%] [%] Brinell
T&R* 205 848 86 648 66 17 47 495
T&R* 315 800 82 621 63 19 53 401
T&R* 425 731 75 579 59 23 60 302
1030 T&R* 540 669 68 517 53 28 65 255
T&R* 650 586 60 441 45 32 70 207
Normalizado 925 521 53 345 35 32 61 149
Recozido 870 430 44 317 32 35 64 137
T&R 205 779 80 593 60 19 48 262
T&R 425 758 77 552 56 21 54 241
1040 T&R 650 634 65 434 44 29 65 192
Normalizado 900 590 60 374 38 28 55 170
Recozido 790 519 53 353 36 30 57 149
T&R* 205 1120 114 807 82 9 27 514
T&R* 425 1090 111 793 81 13 36 444
1050 T&R* 650 717 73 538 55 28 65 235
Normalizado 900 748 76 427 44 20 39 217
Recozido 790 636 65 365 37 24 40 187
T&R 425 1080 110 765 78 14 41 311
T&R 540 965 98 669 68 17 45 277
1060 T&R 650 800 82 524 53 23 54 229
Normalizado 900 776 79 421 43 18 37 229
Recozido 790 626 64 372 38 22 38 179
T&R 315 1260 128 813 83 10 30 375
T&R 425 1210 123 772 79 12 32 363
1095 T&R 540 1090 111 676 69 15 37 321
T&R 650 896 91 552 56 21 47 269
Normalizado 900 1010 103 500 51 9 13 293
Recozido 790 658 67 380 39 13 21 192
1141 T&R 315 1460 149 1280 130 9 32 415
T&R 540 896 91 765 78 18 57 262
T&R* 205 1630 166 1460 149 10 41 467
T&R* 315 1500 153 1380 141 11 43 435
T&R* 425 1280 130 1190 121 13 49 380
4130 T&R* 540 1030 105 910 93 17 57 315
T&R* 650 814 83 703 72 22 64 245
Normalizado 870 670 68 436 44 25 59 197
Recozido 865 560 57 361 37 28 56 156
T&R 205 1770 180 1640 167 8 38 510
T&R 315 1550 158 1430 146 9 43 445
T&R 450 1250 127 1140 116 13 49 370
4140 T&R 540 951 97 834 85 18 58 285
T&R 650 758 77 655 67 22 63 230
Normalizado 870 1020 104 655 67 18 47 302
Recozido 815 655 67 417 43 26 57 197
T&R 315 1720 175 1590 162 10 40 486
4340 T&R 425 1470 150 1360 139 10 44 430
T&R 540 1170 119 1080 110 13 51 360
T&R 650 965 98 855 87 19 60 280

Tabela A1.5 - Características Mecânicas de Aços Tratados Termicamente (valores mínimos),


T&R - Temperado em óleo e Revenido, T&R*- Temperado em água e Revenido
σ r - tensão limite de resistência e σ e - tensão limite de escoamento