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28/07/2019 Malomil: As cartas de Milada Horáková (1)

Malomil
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

As cartas de Milada Horáková (1)


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Apesar de se ter convertido num símbolo nacional da República


Checa, a figura de Milada Horáková (1901-1950) é ainda pouco conhecida
no Ocidente e, segundo creio, praticamente ignorada em Portugal.

A excelente série televisiva da BBC O Mundo Perdido do


Comunismo, transmitida entre nós pela SIC-Notícias em 2009, faz-lhe
uma extensa referência, entrevistando inclusivamente a sua filha Jana,
sendo de registar que aquela série foi acompanhada da publicação de um
livro com o mesmo nome, da autoria de Peter Molly, editado também em
2009 pela Bertrand. Ainda assim, as cartas que Milada Horáková escreveu
na prisão nunca foram, ao que sei, traduzidas e publicadas entre nós. A
presente tradução dessas cartas foi realizada a partir de uma versão norte-
americana, constante da obra de Wilma A. Iggers, Women of Prague: Ethnic
Diversity and Social Change from the Eighteenth Century to the Present.
Providence: Berghahn Books, 1995, pp. 302ss, que é frequentemente citada
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como fiável no mundo académico, nomeadamente num curso de T. Mills


Kelly da Universidade George Mason, aqui, ou no desenvolvido estudo de
Adam Watkins, The Show Trial of JUDr. Milada Horáková; the catalyst foi
social revolution in Communist Czechoslovaquia, 1950 (2010),
disponível aqui. Trata-se do primeiro passo de um projecto que, num
momento posterior, basear-se-á, naturalmente, no original checo. Na revisão
do texto traduzido tive o apoio de Luísa Costa Gomes e António J.
Ramalho, a quem aqui agradeço, estendendo este agradecimento a Joana
Vasconcelos, pela preciosa ajuda que me deu. Todos os defeitos da tradução
das cartas de Milada Horáková são obviamente da minha inteira
responsabilidade.

***

Milada Králova (Horáková, pelo casamento) nasceu em 25 de


Dezembro de 1901, em Náměsti Jiřího z Poděbrad (Praga), no seio de uma
família de classe média instruída. O seu pai, Čeněk Král, era gerente de uma
fábrica de lápis e um activo membro do Partido do Povo Checo, de Tomáš
Garrigue Masaryk (1850-1937), que defendia a ruptura com a monarquia
austro-húngara. Milada cedo viu a tragédia emergir na sua vida. Os seus
dois irmãos – Marta, mais velha, e Jiři, mais novo – morreram ambos em
1914, vítimas de escarlatina; pouco depois, em 1915, o casal teria outra
filha, Věra. Contudo, a mãe morreria ainda antes do fim da Grande Guerra,
o que obrigou Milada, enquanto filha mais velha, a assumir um papel de
maior responsabilidade no apoio à sua família.

Na trajectória biográfica de Milada Horáková, a tragédia e a


militância cívica e política sempre caminharam a par. Durante a guerra de
1914-1918, ainda a mãe era viva, Milada já tinha participado em diversas
acções pacifistas, como uma manifestação que culminou no gesto
provocatório de lançar rosas sobre os muros de um aquartelamento. Em 1
de Maio de 1918, integrou outra manifestação pacifista, o que lhe valeu ser
expulsa da escola secundária que frequentava e onde se destacava como
aluna. Somente depois do fim da guerra regressaria à escola, noutro
estabelecimento de ensino, concluindo os estudos secundários em 1921. Ao
mesmo tempo, envolveu-se em acções de apoio aos seus compatriotas
afectados pela Grande Guerra e ingressou na Cruz Vermelha.
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Inicia então o curso de Direito na prestigiada Universidade Príncipe


Carlos. Segundo parece, Milada pretendia estudar Medicina, mas o pai,
revoltado contra os médicos após a morte dos outros dois filhos,
convenceu-a de que também poderia fazer trabalho social de apoio aos mais
desfavorecidos através do Direito. No penúltimo ano da licenciatura,
conheceria o estudante de engenharia agrícola Bohuslav Horák, com quem
casaria em 1927, um ano depois de se ter formado. A família Horák era
evangélica e, antes do casamento, Milada e a família converteram-se à
Igreja da Morávia, facto pouco habitual naquele tempo, que pode ser visto
como uma tentativa de não criar atritos no relacionamento entre ambas as
famílias. Nesse mesmo ano de 1927 começou a trabalhar na Autoridade
Central dos Serviços Sociais de Praga, um organismo público que, sob a
direcção de Petr Zenkl (1884-1975), uma figura proeminente da vida
política checa, estava vocacionado para apoiar as mulheres e as crianças que
careciam de habitação e de cuidados de saúde. Pouco depois, envolveu-se
activamente na luta pelos direitos das mulheres, tornando-se uma das
figuras mais destacadas do Conselho Nacional das Mulheres (Ženský Klub
Český) de Praga. Integrava igualmente a Associação de Mulheres Juristas
de Praga, cuja acção se destinava a fornecer protecção e aconselhamento
jurídico aos membros do sexo feminino.

Nesta fase, o intenso activismo de Milada Horáková desenvolvia-se


em dois planos: por um lado, na transição da monarquia para a democracia
na Checoslováquia; por outro, na formação de uma consciência cívica
colectiva em torno dos direitos fundamentais que o Estado checoslovaco se
comprometia a salvaguardar. Esta acção foi desenvolvida em estreita
articulação com a senadora feminista Františka Plamínková (1875-1942),
que Milada conhece na década de vinte e com quem trabalha de perto no
Conselho Nacional das Mulheres. Enquanto membro destacado desse
Conselho, Horáková participa em diversos encontros para defesa da causa
das mulheres, designadamente na Conferência de Haia de 1930, sobre a
codificação do Direito Internacional, e adquire projecção no estrangeiro, em
especial nos países ocidentais. No plano interno, teve um papel
determinante na génese da legislação destinada a concretizar o princípio da
igualdade entre homens e mulheres inscrito na Constituição checoslovaca
de 1920, devendo-se-lhe, por exemplo, a autoria material das leis que
regulavam o estatuto das mulheres solteiras ou dos filhos nascidos fora do

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casamento, bem como os direitos laborais das operárias e das funcionárias


do Estado.

Na década de trinta ocorre a passagem da militância cívica para o


envolvimento na vida política. Em 1930, inscreve-se no Partido Nacional
Socialista Checoslovaco (Česka strana národě sociálni), organização
fundada em 1897 – e presidida por Edvard Beneš, desde 1926 –, que, apesar
do nome, nada tinha em comum com o nacional-socialismo hitleriano, antes
pugnando, numa linha socialista ou social-democrata, pelos direitos
económicos e sociais dos grupos marginalizados e dos trabalhadores de
baixos rendimentos sub-representados no Parlamento. Integra o conselho
municipal da cidade de Praga, onde se dedica em particular às questões da
habitação social, do emprego e do apoio às donas de casa, às mulheres
solteiras ou divorciadas, sendo ainda uma acérrima adversária do trabalho
infantil e da legalização da prostituição. Segundo parece, o seu marido,
Bohuslav Horák, jornalista de profissão, não questionou a projecção pública
que a mulher assumia de forma crescente e as tarefas absorventes que
levava a cabo enquanto militante política e advogada. Em 1933, o casal tem
a sua primeira e única filha, Jana. Na carta que lhe dirige, escrita na prisão,
é patente o arrependimento de Milada por não ter acompanhado mais de
perto o crescimento da sua filha; mas, curiosamente, é também notória a
forma assertiva que usa para aconselhar Jana sobre o seu comportamento e
o seu futuro. Numa entrevista radiofónica concedida em Outubro de 2011,
Jana referiu que teve uma «infância muito feliz» e contrariou a ideia de uma
mãe ausente: «se os seus afazeres o permitissem, [a mãe] estava sempre
presente. Lembro-me em especial dos fins-de-semana, em que a ama estava
de folga, em que havia quase uma regra segundo a qual o pai dela e os meus
avôs paternos iam almoçar a nossa casa. Mais tarde, a minha tia – a irmã
mais nova da minha mãe – aparecia também lá por casa e, depois do
almoço, passeávamos por Praga, comprando gelados, guloseimas, ou coisas
do género. Ela tentou sempre estar presente. Como é óbvio, houve ocasiões
em que não estava fisicamente presente, mas mentalmente esteve ao meu
lado 100%. A sua vida era, como diríamos hoje, muito “stressante”!».
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Bohuslav, Jana, Milada

Com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha e com a anexação da


Checoslováquia em 1938, na sequência dos acordos de Munique, formando-
se o Protectorado da Boémia e Morávia (Rechsprotektorat Bömen und
Mähren), Milada reorientou as suas preocupações cívicas para causas
humanitárias. Em articulação com o Conselho Nacional das Mulheres e
com Františka Plamínková, encontrará lugares de refúgio para os
perseguidos e suas famílias e conceberá rotas de fuga para aqueles que
enfrentavam a deportação para os campos de concentração ou para os que
subitamente viram as suas propriedades confiscadas, apoiando, nesse
esforço, quer os cidadãos checos quer os alemães dos Sudetas. Funda nessa
altura o Comité para Assistência aos Refugiados e passa a integrar a
Resistência checa, sendo co-autora da Carta da Resistência Checa (em
1938, já havia participado na preparação do último grande acto de oposição
ao nazismo, o 10º Congresso do movimento juvenil Sokol). Tendo
resignado às funções que exercia na administração municipal de Praga, liga-
se a um grupo que procurava lançar as bases da acção oposicionista do
Centro Político (Politické ústředí) e, posteriormente, ao Comando Central
da Resistência Interna (Ústředrni vedení odboje domácího). Mais tarde, fará
parte do núcleo que esteve na base do Comité da Petição «Permanecemos
Leais» (Petični výbor Věrni zůstaneme). Em 2 de Agosto de 1940, Milada e
o marido serão presos pela Gestapo. Milada ficará detida 15 meses no
Palácio Petschek, no centro de Praga, que servia de sede à Gestapo e onde
será sujeita a duríssimos interrogatórios, a que resistiu sem denunciar
nenhum dos seus companheiros da Resistência. Será levada para diversas
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cadeias, entre as quais a prisão de Pankrác, em Praga, enquanto aguardava


julgamento. A sua filha, com cerca de dois anos, irá viver com os avós
paternos até ao fim da guerra. Após dois anos de prisão em Pankrác, o casal
será deportado para Terezín (em alemão, Theresienstadt). Na chamada
«Pequena Fortaleza» (Malá Pevnost) do campo de Terezín, Milada passará
a maior parte do tempo de encarceramento numa cela solitária (por sinal, a
mesma onde esteve detido até à morte Gavrilo Princip, pelo homicídio em
1914 do arquiduque Fernando, em Sarajevo), sendo sujeita a espancamentos
e torturada ao longo de 36 interrogatórios. Enquanto esteve presa, nunca
falou com o marido, internado no mesmo campo. Ao que parece, foi nesse
período que Horáková se aproximou mais da fé religiosa. Será levada a
julgamento pela Gestapo, em 1944, e condenada à morte. Graças à sua
formação jurídica, preparou a sua defesa e interpôs recurso, na esperança de
que o fim próximo da guerra e os seus contactos internacionais a pudessem
salvar. O recurso foi deferido e Milada permaneceu nas prisões de Leipzig e
Dresden até conhecer a decisão final, que em Outubro de 1944 a condenou
a oito anos de trabalhos forçados. Cumpriu pena em Aichbach, nos
arredores de Munique, sendo libertada pelas tropas norte-americanas em
1945. Em 25 de Maio desse ano regressou a Praga, onde reencontrou a filha
e a sua irmã, Věra, e, mais tarde, o seu marido. Fez a promessa que, a partir
daí, se dedicaria por inteiro à família, mas os acontecimentos subsequentes
afastá-la-ão desse propósito.

No imediato pós-guerra, a sua participação na Resistência conferiu-


lhe grande capital político, o que, incentivada por Beneš, a fez tornar-se
uma das principais líderes do Partido Nacional Socialista Checoslovaco,
integrando o Parlamento provisório. Mantém, em simultâneo, a sua
actividade cívica, presidindo ao Conselho Nacional das Mulheres (Františka
Plamínková havia sido executada pelos alemães em 1942) e sendo uma das
fundadoras da União dos Presos Políticos, das Vítimas e dos Sobreviventes
do Nazismo (Svaz osvobozených politických vězňů), organização destinada
a evocar a memória das vítimas da guerra e a defender a democracia e os
direitos humanos. Nas eleições de 1946, em que o Partido Nacional
conquista a segunda posição (com 24% dos votos, contra 40% obtidos pelos
comunistas), alcançará um lugar no Parlamento e, nesse ano, será agraciada
com duas medalhas pelo Presidente Beneš – a Ordem de Mérito e a Cruz

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Militar –, em reconhecimento pela sua acção na resistência ao nazismo. Em


1947, assume a vice-presidência da União dos Presos Políticos.

No entanto, cedo emergiram conflitos com o Partido Comunista, o


KsČ (Komunistická strana Československa), tendo Milada Horáková
tomado consciência, sobretudo através das suas inúmeras deslocações pelo
país e em especial pelo seu círculo eleitoral (České Budějovice), que os
«Tribunais do Povo» instituídos pelos comunistas para julgarem os antigos
partidários do nazismo tomavam decisões politicamente orientadas e
condenavam frequentemente os réus sem quaisquer provas ou garantias de
defesa, apoiando-se, inclusivamente, em testemunhos falsos e documentos
forjados. A vitória dos comunistas nas eleições de 1946, que levaria o
Presidente Edvard Beneš (1884-1948) a nomear como Primeiro-Ministro
Klement Gottwald (1896-1953), e o colapso do Governo no «Fevereiro
Vitorioso» de 1948 ditariam o futuro do país – e o de Milada Horáková.
Renuncia ao lugar de deputada logo em 10 de Março, o dia em que é
encontrado morto, em circunstâncias misteriosas, o Ministro dos Negócios
Estrangeiros e seu amigo e confidente, Jan Masaryk (1886-1948), filho do
antigo Presidente Tomáš Masaryk e o único ministro não comunista do
Governo de Klement Gottwald. Com o apoio da União Soviética, o Partido
Comunista e o Executivo liderado por Gottwald, tendo como Vice-
Primeiro-Ministro o padre católico Josef Plojhar, suspenso a divinis,
começaram a dominar por completo a vida política checoslovaca. Nas
eleições de 30 de Maio de 1948, apresentou-se a sufrágio uma única lista, a
da Frente Nacional, dominada pelos comunistas (com 70% dos candidatos),
a qual obteve percentagens esmagadoras na Boémia e Morávia (87,12%) e
na Eslováquia (84,91%). Poucos dias depois, em 7 de Junho, Beneš
renuncia por se recusar a subscrever a Constituição e, uma semana mais
tarde, a 14 de Junho, Gottwald era eleito Presidente, apelidado de
«Presidente-operário». O aumento da repressão levou à fuga de diversos
intelectuais, artistas ou altos funcionários. Uma nota do Ministério dos
Negócios Estrangeiros referia que só em Agosto de 1948 se exilaram 8.000
pessoas, das quais 48 antigos ministros e deputados e 31 diplomatas. Apesar
dos inúmeros apelos para que também se exilasse, à semelhança de outros
membros do seu partido e de amigos como Hubert Ripka, Petr Zenkl ou
Růžena Pelantová, Milada Horáková optou por permanecer no seu país («O
meu lugar é na minha pátria»), procurando, em vão, organizar um

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movimento de resistência semelhante ao que existira no tempo do nazismo.


Numa carta dirigida a uma antiga correligionária do Partido Nacional, que
se encontrava no exílio, escreveu: «Por vezes é difícil viver aqui. O meu
marido esteve sem emprego, mas continuo a aguentar. Sinto que ainda
tenho algo a fazer. Reze para que eu consiga saber a tempo [quando devo
partir]». Acreditou, porventura com alguma ingenuidade, que seria possível
travar de novo o avanço do totalitarismo. Para o efeito, estabeleceu
contactos com antigos membros do seu partido que se haviam exilado na
Grã-Bretanha e na Noruega, bem como com o grupo dos «seis políticos»
(politická šestka), uma organização informal de resistência composta por
líderes do ilegalizado Partido Nacional Socialista.

Entretanto, a polícia política, a StB (Státní Bezpečnost), havia


recebido ordens de Gottwald para prender imediatamente todos os suspeitos
de actividades contra a nova ordem dominada pelo KsČ. Pelo seu prestígio
de oposicionista ao nazismo, pela sua liderança da causa das mulheres e
pela militância no Partido Nacional, pelos corajosos e contundentes artigos
que publicou na imprensa a denunciar a crescente hegemonia do KsČ,
Milada Horáková era um alvo prioritário. De há muito que se encontrava
sujeita a uma apertada vigilância: as transcrições das suas conversas
telefónicas, interceptadas pela StB, eram directamente levadas ao Ministro
da Segurança Nacional, Ladislav Kopřiva, que as transmitia a Gottwald.
Até a sua empregada doméstica era informadora da polícia política. O
marido, Bohuslav Horák, foi confinado em casa, em prisão domiciliária,
sendo informado por um colega que a Stb se encontrava no encalço da sua
mulher. Quando os agentes da StB chegaram à sua residência, em 27 de
Setembro de 1949, Bohuslav fugiu, saltando da janela da casa de banho e
deixando a sua filha Jana sozinha no apartamento. Tentou avisar a mulher
do perigo que corria, mas não conseguiu chegar a tempo. Milada Horáková
seria detida nesse mesmo dia, no seu local de trabalho [existem versões
contraditórias, por exemplo, entre o já citado estudo de Adam Watkins e o
livro Praga Tragica. Milada Horáková 27 giugno 1950, de Sergio Tazzer
(2008), o qual refere que foi presa em casa e algemada na presença da filha,
mas esta, numa entrevista radiofónica de Outubro de 2011, sublinha que a
mãe foi presa no local de trabalho]. Foi imediatamente acusada de
actividades conspirativas e espionagem contra o Estado, mais tarde
concretizadas na acusação de que pretendia derrubar o comunismo e, com o

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auxílio das potências ocidentais, restabelecer o sistema capitalista e iniciar


uma terceira guerra mundial. Seria levada para a prisão de Ruzině, o local
onde os presos políticos aguardavam julgamento, e, mais tarde, conduzida a
Pankráck, o mesmo estabelecimento prisional em que estivera presa durante
a guerra. No registo prisional, é descrita como casada, de nacionalidade
checa e seguidora da confissão evangélica praticada na Boémia (stav vdaná,
národnost česká, náboženství českobratsvo-evangelické). Trazia pouco
dinheiro nos bolsos, 896 coroas, e poucos objectos pessoais: os óculos, uma
escova de cabelo, um pente, a carteira. Altura: 1,64m; peso: 76kg. Foi
fotografada de frente e de perfil.
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A detenção de Horáková seria amplamente noticiada pelas


autoridades como forma de dissuasão de movimentações oposicionistas em
curso, bastando recordar os protestos estudantis nas universidades de Praga
e de Brno, em 1949, de que resultaram várias detenções e mortes. A notícia
da prisão seria dada em mais de 18 jornais controlados pelo Ministério da
Informação. Mas, em simultâneo, essa notícia despertou a opinião pública
internacional, tendo personalidades como Albert Einstein, Eleanor
Roosevelt, Winston Churchill, George Bernard Shaw ou o arcebispo de
Cantuária apelado a que fosse libertada de imediato. Sujeita a torturas, com
interrogatórios que chegaram a prolongar-se ininterruptamente por 56
horas, foi-lhe proposta clemência se confessasse os «crimes» que lhe eram
imputados. Recusou-se a fazê-lo, ao contrário do que sucedeu à esmagadora
maioria dos detidos na prisão de Ruzině. Um deles, František Přeučil, que
seria acusado em conjunto com Milada, confidenciou mais tarde: «Ao fim
de sete meses na prisão de Ruzině, estava disposto a colocar a minha
assinatura em qualquer documento que me pusessem à frente, até num papel
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a confessar que tinha assassinado a minha avó». As prisões do nazismo e do


comunismo pouco diferiam entre si, dizem aqueles que foram encarcerados
em ambas, segundo refere um texto sobre os primeiros «julgamentos-
espectáculo» na Checoslováquia. Milada Horáková, no depoimento que
presta em Ruzině em Novembro de 1949, rejeita qualquer ideia de
inimizade contra o Estado; admite, isso sim, que assumiu uma «perspectiva
crítica» do rumo que a vida política checoslovaca tomava, mas,
acrescentou, fê-lo abertamente, «nunca de uma forma negativa mas com a
energia positiva necessária a formular sugestões e propostas», refutando
assim o seu envolvimento em actividades clandestinas ou marginais.

Na preparação do «julgamento-espectáculo», num processo


sugestivamente intitulado Julgamento de Milada Horáková et al. – o que
prova bem até que ponto era ela a principal visada –, a StB forneceu-lhe
previamente um «guião» que deveria memorizar e pronunciar ipsis verbisna
sala de audiências. Desta forma, segundo se diz, Gottwald e os líderes
comunistas checoslovacos pretendiam exibir a Estaline a sua eficácia no
combate aos adversários políticos e demonstrar a fidelidade das autoridades
checas à linha política definida pela União Soviética. Não por acaso, a
elaboração do «guião» fornecido a Horáková fora acompanhada de perto
pelo próprio Gottwald e as penas já estavam determinadas antes sequer de o
julgamento começar, o mesmo acontecendo com o destino a dar a eventuais
recursos ou pedidos de clemência, como o atestam os documentos
existentes nos Arquivos Nacionais de Praga, um dos quais contendo uma
proposta de condenações e de penas, sendo datado de 28 de Maio, quando o
julgamento só começaria a 31 desse mês. Há quem fale, e sem exagero,
num «assassínio judiciário». As provas eram descaradamente forjadas –
pistolas, bandeiras com cruzes suásticas – mas uma parcela significativa da
população acreditou na sua veracidade, devendo lembrar-se que a
Checoslováquia foi o país da Europa de Leste que mais «julgamentos-
espectáculo» realizou, dos quais resultaram 250.000 condenações, das quais
178 à pena capital; cerca de 600 detidos não sobreviveram às torturas que
lhes foram infligidas no decurso dos interrogatórios, 70.000 pessoas foram
condenadas a trabalhos forçados. Quatrocentos mil cidadãos da
Checoslováquia fugiram para o Ocidente.

Dias antes de se iniciar a audiência de Horáková e dos restantes


acusados, o julgamento foi encenado e gravado, com os acusadores a
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desempenharem o papel de juízes, para o caso de, no decurso da audiência,


saberem como reagir se alguns dos réus se retractassem nas confissões que
haviam feito. A gravação foi mostrada a Gottwald e a uma audiência
restrita, composta por altos dirigentes do Partido. Decidiu-se que realizar
uma emissão em directo do julgamento seria altamente arriscado, tanto mais
que a condenação à morte de uma mulher poderia suscitar sentimentos de
compaixão e repúdio por parte da população. Este foi, aliás, o único caso
oficial de condenação à morte de uma mulher na História da
Checoslováquia e, sintomaticamente, para minorar as eventuais reacções da
opinião pública a esse facto, a equipa da acusação contaria com uma
mulher, Ludmila Brožová-Polednová, que aliás se destacaria pela
severidade das suas intervenções. Também os acusados haviam sido
criteriosamente escolhidos: Milada Horáková, Josef Nestával, Fráňa
Zemínová, Antoine Klinerová, František Přeučil e Jiři Hejda pertenciam à
direcção do Partido Nacional Socialista, Zdeněk Peška e Vojtěch Dundr
eram sociais-democratas, Bedřich Hostička e Jiři Křížek militavam no
Partido do Povo, Záviš Kalandra, escolhido como réu apenas por possuir
simpatias trotskistas, não tendo até essa data conhecido sequer alguma vez
Horáková. Em França, André Breton escreveu a Paul Éluard, pedindo-lhe
que interviesse a favor de Kalandra, amigo de ambos, que com eles
partilhara na década de 30 a aventura do surrealismo. Éluard declina.
Breton interpela-o: «Como podes tu, no teu íntimo, suportar tamanha
degradação do homem numa pessoa que demonstrou ser teu amigo?». A
resposta de Éluard foi cortante: «Tenho demasiado que fazer com os
inocentes para poder ocupar-me ainda dos culpados que proclamam a sua
culpabilidade». Milan Kundera recordará o episódio em O Livro do Riso e
do Esquecimento:
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«Era ainda sabe Deus que aniversário e mais uma vez havia nas ruas de
Praga rodas de jovens que dançavam. Eu errava entre eles, estava muito perto
deles, mas não me era permitido entrar em nenhuma das rodas. Era em Junho de
1950 e Milada Horakova fora enforcada na véspera. Tinha sido deputada do
Partido Socialista e o tribunal comunista tinha-a acusado de acções hostis ao
Estado. Zavis Kalandra, surrealista checo, amigo de André Breton e Paul Éluard,
tinha sido enforcado ao mesmo tempo que ela. E jovens checos dançavam e
sabiam que na véspera, na mesma cidade, uma mulher e um surrealista
baloiçavam pendurados por uma corda, e dançavam ainda com mais frenesim,

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porque a dança era a sua manifestação de inocência que se destacava, brilhante,


na escuridão culpada dos dois enforcados, traidores do povo e da sua esperança.

André Breton não acreditava que Kalandra tivesse traído o povo e a sua
esperança, e, em Paris, tinha chamado Éluard (através de uma carta aberta datada
de 13 de Junho de 1950) para protestarem em conjunto, contra a acusação
insensata e a tentar travar o velho amigo de ambos. Mas Éluard estava a dançar
numa roda gigantesca entre Paris, Moscovo, Praga, Varsóvia, Sófia e a Grécia,
entre todos os países socialistas e todos os partidos comunistas do mundo, e
recitava em toda a parte os seus belos versos sobre a alegria e a fraternidade.
Depois de ler a carta de Breton, fez dois passos no mesmo sítio, depois um passo
em frente, abanou a cabeça e recusou-se a defender um traidor do povo».
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Milada Horáková não foi autorizada a ver os seus familiares ou


colegas e permaneceu em regime de isolamento de Setembro de 1949 até ao
dia marcado para o início do julgamento, 31 de Maio de 1950. O pai de
Milada, Čeněk Král, de 81 anos de idade, com quem a sua neta Jana agora
vivia, solicitou formalmente às autoridades que permitissem que mãe e filha
se correspondessem por escrito. O pedido foi recusado.

Se descontarmos o caso do general Heliodor Pika, executado em


1948, e que não foi propriamente um «julgamento-espectáculo», o processo
de Milada Horáková e dos outros réus foi o primeiro «julgamento-
espectáculo» da História da Checoslováquia, com um claro propósito de
legitimação do regime face à União Soviética, por um lado, e de
intimidação do povo checo, por outro. A investigação e o julgamento
tiveram o apoio de dois especialistas soviéticos, Lichachov e Makarov
(provavelmente, nomes de código), que, a pedido de Gottwald, vieram
directamente da Hungria, onde haviam auxiliado a preparação do
«julgamento-espectáculo» de Laszlo Rak, tendo já estado na Bulgária e na
Albânia com a mesma finalidade. A sala de audiências foi minuciosamente
preparada para o efeito, com símbolos da autoridade do Estado,
esmagadores, e sinais evocativos da prática de traição contra a República.

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28/07/2019 Malomil: As cartas de Milada Horáková (1)

Milada Horáková, na sala do tribunal

O tribunal, presidido por Karel Trudák, era integrado por dois


magistrados de carreira (Otakar Maroušek e Karol Bedrna) e por dois juízes
populares (Miloš Kučera e Jan Polanecký), que alinhavam em frente ao réu,
o qual deveria colocar-se num local próprio e falar para um microfone.
Chefiando uma equipa composta por Juraj Vieska (que se apresentava em
uniforme militar), Jiří Kepák, Antonin Havelka e Ludmila Brožová-
Polednová, o acusador principal, Josef Urválek (1910-1979), procurador do
Estado, era conhecido pela sua dureza, que ficaria patente pouco depois, no
julgamento de Rudolf Slánský (1901-1952), o «renegado traidor» para
quem pediu a pena capital, sob a acusação de «desviacionismo» e de
«titismo». Nas fábricas, nos escritórios e nas escolas foram entregues
cartões de acesso ao tribunal e assegurado um serviço de transportes em
autocarros para que a sala de audiências estivesse sempre repleta. Em
diversas localidades da Checoslováquia, as sessões de julgamento eram
transmitidas em grandes auditórios, com capacidade para centenas de
pessoas. Das actas das sessões foram feitas e distribuídas 140.000 cópias,
bem como traduções para línguas estrangeiras, como o alemão, o inglês, o
francês e, não por acaso, o russo. Nas aulas, os alunos não só tiveram de
escrever sobre o processo, exigindo as mais duras penas, como foram
interrogados acerca do modo como em suas casas os pais reagiam ao
julgamento. A família de Milada ouvia as transmissões do julgamento. A

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filha, na altura com 16 anos, ao depor na série O Mundo Perdido do


Comunismo, recorda esses momentos de angústia: «Lembro-me da situação
de desespero que vivíamos em casa, estávamos impotentes».
.

.
.
Milada Horáková foi a primeira a ser chamada a depor, logo em 31 de Maio
de 1950. Sendo tratada por «Senhora Acusada», seguiu o «guião» que lhe
havia sido fornecido, mas afastou-se dele em momentos cruciais e tentou
chamar a si a culpa pela «subversão» que era atribuída aos outros arguidos.
Ao fim do terceiro dia de trabalhos, soldados entraram na sala de audiência
trazendo consigo diversos sacos contendo cerca de 6.300 exposições
escritas que exigiam a aplicação da pena máxima aos réus, incluindo cartas
de alunos que reclamavam uma punição exemplar: «Ainda que sejamos
jovens, temos seguido as transmissões pela rádio do julgamento dos treze
acusados de traição à nossa República. Soubemos que estavam a preparar
uma nova guerra. Sabemos quão cruel foi a guerra e quantas vidas humanas
custou. Ainda nos lembramos dos bombardeamentos em Pardubice. Não
queremos outra guerra e, como tal, queremos que todos estes traidores
sejam severamente punidos».
.
.

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.
,

Albert Einstein e Eleanor Roosevelt continuaram a pedir clemência às


autoridades checas e a BBC conseguiu captar o sinal da transmissão
radiofónica do julgamento. Ainda assim, o Ocidente teve apenas uma pálida
imagem do que ocorria no interior da sala de sessões. Antes de serem
emitidas, as gravações áudio do julgamento eram escrutinadas com o apoio
de peritos soviéticos, atrás referidos, e a consulta dos arquivos tem
permitido mostrar que os documentos constantes do processo foram
«adaptados» antes de serem entregues à imprensa, como revela Marie
Homeróva num texto sobre o julgamento de Milada. A gravação original da
«confissão» de Horáková foi substancialmente alterada, com diversas
supressões das passagens mais incómodas para o regime. As transmissões
radiofónicas eram feitas diariamente, mas manipuladas e editadas de acordo
com os interesses da acusação. Somente dois jornalistas ocidentais foram
credenciados como correspondentes, sendo as suas peças objecto de censura
prévia. Em 2005, o cineasta checo Martin Vadaš encontrou por acaso, num
prateleira perdida dos Arquivo Nacional, as filmagens originais, e não
censuradas, do julgamento de Milada Horáková e dos seus co-réus. As suas
palavras, na versão integral, só seriam ouvidas pelo povo checo 55 anos
mais tarde, numa transmissão radiofónica efectuada em Novembro de
2005.
.

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Enquanto o julgamento prosseguia, a linguagem usada pela acusação


foi-se tornado cada vez mais rude e severa. Os réus foram classificados
como «traidores da República», «terroristas», «agentes dos imperialistas
americanos, ingleses e franceses», «pequenos Hitlers», «ratazanas que
conspiraram nos esgotos contra a classe operária». Horáková não se deixou
intimidar e, a dado passo, dirigindo-se aos juízes, disse: «Discutimos aqui
longamente o que é “convicção”, pois foi com base nas minhas convicções
que orientei todas as minhas actividades. Tenho a convicção de que os meus
actos eram legítimos (…). E mentiria se dissesse que mudei de ideias, que
estou diferente, que a minha convicção se alterou. Se o dissesse, não estaria
a ser verdadeira, nem honesta». «Oponho-me a esta democracia popular na
Checoslováquia, porque não a considero democrática, e por isso lutei contra
ela. Se porventura ocorresse um milagre e o tribunal me considerasse
inocente e me libertasse, voltaria a lutar como lutei». Um dos outros réus do
processo, František Přeučil, recordou, impressionado, a atitude de Milada:
«Os seus olhos! A sua postura! Que coragem perante os juízes!» [noutra
versão, bastante diferente: «Os seus olhos! O seu olhar já não era o dela. Já
não era ela que estava defronte de mim»].
..
-

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.
Na manhã de 8 de Junho de 1950, após uma inflamada intervenção do
procurador Urválek («Milada Horáková é incorrigível. O seu ódio ao
sistema democrático popular não tem limites»), o presidente do tribunal,
Trudák, leu as sentenças Iménem republiky, em nome da República: quatro
prisões perpétuas, cinco penas de prisão entre 15 e 28 anos e quatro
condenações à morte (para Horáková, para o ex-oficial dos serviços de
segurança Jan Buchal, para o proprietário de minas Oldřich Pecl, para o
jornalista e comediógrafo Záviš Kalandra). Horáková ouviu o veredicto –
morte por enforcamento –, após o que foi obrigada pelo tribunal a afirmar
que se tratava de «uma decisão justa, em nome do povo». Depois de lida a
sentença, a jovem procuradora que colaborava na equipa de acusação
liderada por Urválek, Ludmila Brožová-Polednová, afirmou: «Enquanto a
operária Heráinová, da fábrica de têxteis Kontony, em Beroun, trabalhava
dedicada e afincadamente nas máquinas para alcançar os seus objectivos,
ajudando assim a construir e fortalecer a nossa República, a ré Horáková
manobrava subterraneamente para agrupar bandos inimigos que iriam
destruir esta grande República». Algumas fontes credíveis referem que
Ludmila Polednová, que já antes exigira um tratamento prisional rigoroso
para Milada Horáková, fez questão de estar presente no dia da sua
execução, onde alegadamente terá dito: «Sufoquem esta cadela, e
assegurem-se que o seu pescoço não dará um estalido sequer quando a
largarem no ar».

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Todos os réus recorreram, mas a todos os recursos foi negado


provimento. Nos dias subsequentes à leitura da sentença, Jana Horáková,
dirigindo-se a Gottwald, pediu clemência para a sua mãe. Não teve qualquer
sucesso: Gottwald, que conhecia pessoalmente Horáková há muitos anos,
assinou a ordem de execução em 24 de Junho de 1950.
.

Ordem de execução de M. Horáková, assinada por Gottwald

..
.
Pouco antes de ser executada, Milada Horáková escreveu cartas à sua
família, ao marido, à filha. Na noite anterior à execução, foi autorizado que,
durante quinze minutos, a filha, a irmã e o cunhado a visitassem na prisão
de Pankrác. Nessa visita, Milada soube que o marido conseguira escapar
para a Alemanha ocidental e estava vivo. Tentou abraçar e beijar a filha
Jana pela última vez, mas o guarda de serviço não o permitiu. Segundo
confidenciou Jana na série O Mundo Perdido do Comunismo, «O pior
momento foi a visita na véspera da execução dela. Foi um momento muito,
muito mau. Ela estava absolutamente calma e composta. Nem sequer
tivemos autorização para nos beijarmos. Havia guardas armados à nossa
volta e ela não parou de falar. Subitamente, ela própria pôs fim à visita. Foi
horrendo».

Às 4h e 30m da madrugada de 27 de Junho de 1950, os quatro


condenados foram levados para a praça central da prisão de Pankrác.
Decidiu-se que Milada Horáková seria a última a ser enforcada. Antes
disso, havia sido pesada, para que pudessem ser preparados os aspectos

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técnicos do enforcamento, como o comprimento e o tipo de corda a usar.


Milada pesava agora 63 quilos, contrastando com os 74 quilos registados
quando entrara na prisão. Enquanto os outros réus iam sendo executados,
fixou o olhar em frente. Por fim, o guarda ordenou-lhe que subisse ao
cadafalso. As suas últimas palavras foram: «Estou a cair, a cair. Perdi esta
batalha. Parto com honra. Amo este país, amo este povo, dêem-lhe uma
vida boa. Parto sem vos odiar. Quero que o saibam…, quero…».

Às 5h e 35m da manhã, Milada Horáková foi enforcada. A certidão


de óbito, assinada às 6h e 15m pelo médico legista Josef Hampl, atestou a
sua morte dez minutos após o enforcamento. Tinha 49 anos de
idade.

As cartas que escreveu nunca foram entregues à família. Seriam


divulgadas em 1990, após a queda do regime comunista, e a sua filha Jana,
a única familiar sobrevivente, pôde então saber da sua existência e conhecer
o respectivo conteúdo. Ao reler a carta que lhe era dirigida, na gravação da
série O Mundo Perdido do Comunismo, Jana comoveu-se: «Não consigo ler
esta carta muitas vezes. Ainda me custa, ao fim de meio século,
desculpem…».
.

Jana Horáková-Kansky

O marido de Milada, Bohuslav Horák, conseguira escapar para o


campo de refugiados de Valka, na Alemanha ocidental, em Dezembro de
1949, nunca tendo visitado Milada na prisão. Mais tarde, emigraria para os
Estados Unidos e nunca falou publicamente do julgamento de Horáková.
Tendo-se fixado em Washington, D.C., só voltaria a ver a filha em 1966 e,
depois, em 1968, quando esta foi autorizada a partir para os Estados
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Unidos. Bohuslav Horák morreu em 1976. Recentemente, foram


conhecidos alguns pormenores da sua fuga, graças a um trabalho de
investigação da jornalista Ludek Navara. Tendo-se refugiado na casa do
pastor protestante Jan Kučera, Bohuslav foi depois hospedado pela família
Popísil, tendo o escritor e jornalista Jan Haisman, um dos fundadores da
agência noticiosa ČTK, organizado a sua fuga. Refugiou-se depois no
moinho da família Simák, juntamente com Josef Haimánek, o conde
Lobkovicz e um oficial do Exército. Foi um dos filhos da família Simák, na
altura uma criança, que contou à jornalista Ludek Navara os detalhes da
fuga de Bohuslav Horák, rumo à Alemanha (aqui).

Durante o julgamento e após a morte da mãe, Jana foi colocada sob


vigilância, tendo os colegas de escola sido instados a fornecer informações
sobre as suas actividades quotidianas. Durante muito tempo, foi vigiada
diariamente, ainda que não o notasse pois, segundo afirmou numa entrevista
de 2011, não o queria notar. Em 1968, pôde emigrar para os Estados
Unidos. Em 2006, recebeu a Medalha da Liberdade da cidade de Praga, em
homenagem ao exemplo da sua mãe. Na ocasião, o Presidente Václav Haus
afirmou: «Milada Horáková é o símbolo perene da resistência ao
comunismo (…). Pagou caro a defesa da liberdade e da democracia, apesar
dos protestos que na altura foram feitos no mundo inteiro». Em Novembro
de 2006, Jana Kansky, numa cerimónia realizada na Embaixada da
República Checa em Washington, recebeu a Truman-Reagan Medal of
Freedom Award, instituída pela Victims of Communism Memorial
Foundation. «Obrigado por reconhecerem a sua luta pela liberdade», disse
Jana na ocasião.

O corpo de Milada Horáková nunca foi encontrado. Diz-se que, anos


depois de ser morta, as autoridades depositaram as suas cinzas no campo, ao
longo da estrada que liga Praga a Mělkník. Após a queda do comunismo,
foi erigido um monumento evocativo da sua figura no cemitério de
Vyšerand, em Praga. Junto desse monumento, no dia em que Milada foi
executada, 27 de Junho, é realizada anualmente uma cerimónia religiosa em
sua memória. Em 27 de Junho de 2004 as autoridades checas anunciaram
que, doravante, essa data seria assinalada como «Dia das Vítimas do
Regime Comunista». Milada Horáková transformou-se num ícone para o
povo checo, sendo objecto de inúmeras homenagens, das quais se pode
destacar a ópera de cariz biográfico Zitra se bude… (Amanhã, será…), da
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autoria de Aleš Brežina, estreada com grande êxito na Casa da Ópera de


Praga em 2008. Em 1990, Milada Horáková seria completamente
ilibadapost mortem das acusações de que foi alvo em 1950 (em 1968,
durante a «Primavera de Praga», a sentença condenatória já havia sido
revogada). O Presidente Václav Havel galardoou-a a título póstumo, em
1991, com a Ordem T. G. Masaryk, Primeira Classe. A bibliografia em
língua checa sobre Milada Horáková tornou-se inabarcável e diversas
associações velam pela sua memória, podendo citar-se o Klub Dr. Milady
Horákové. Em 2007, David Mrnka, um jovem produtor de televisão de
ascendência checa, residente em Los Angeles, manifestou a intenção de
fazer um filme sobre a sua vida, mas desconhece-se se este projecto, que
mereceu o apoio de Jana, está a ser concretizado. O nome de Horáková foi
dado à artéria que liga o Castelo de Praga ao bairro de Holesovice e, na
cadeia de Pankrác, o escultor Milan Knobloch erigiu um monumento em
sua memória. Na cerimónia de lançamento da primeira pedra deste
momento, participou Miroslav Ransdorf, eurodeputado do Partido
Comunista checo, o qual afirmou que Horáková fora uma grande cidadã
checa e uma grande patriota. O líder do Partido Comunista (KSČM),
Vojtĕch Filip, contribuiu financeiramente para a edificação do monumento a
Milada na cadeia de Pankrác, o que valeu um violento protesto das
associações de ex-presos políticos. Os comunistas opor-se-iam, no entanto,
à emissão de um documentário televisivo sobre o julgamento de 1950.
Vojtĕch Filip alegou que a transmissão do documentário nas vésperas de um
acto eleitoral tenderia a «encorajar o anticomunismo primário», o que
provavelmente era verdade. Menos consistente foi a declaração do deputado
Václav Exner, também do KSČM, que sustentou que o governo que
mandara executar Horáková não era comunista mas da Frente Nacional.
Segundo se diz, a razão da oposição daquele partido funda-se no facto de
muitos implicados no processo, directa ou indirectamente, se encontrarem
ainda vivos. Não por acaso, os historiadores continuam a detectar inúmeras
lacunas dos arquivos oficiais e, ao mesmo tempo, a descobrir documentos
escondidos durante décadas.

Assim, em Abril de 2006, nos Arquivos de Praga, o historiador Karel


Kaplan, autor de duas obras de referência sobre o processo de Milada
Horáková, fez uma descoberta sensacional: um documento dactilografado
de 43 páginas, da autoria de uma agente da StB que havia sido colocada na

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cela de Milada. O relatório desta falsa prisoneira é um retrato extraordinário


do carácter de Horáková: «dizia-me que estava reconciliada com o seu
destino e que apenas Deus poderia decidir a sua sorte, sendo esta a única
decisão verdadeiramente justa. Acrescentou que a pena de morte era
preferível à prisão perpétua». A informadora entrou na cela de Horáková no
dia 23, aí permanecendo até 8 de Junho, fazendo-se passar por uma
jornalista condenada a 12 anos de prisão, história de que Milada sempre terá
desconfiado. A agente da StB narra o sofrimento que Milada teve ao saber
da fuga do marido: «Recusa-se a acreditar que o marido tenha podido partir
rumo ao exílio, uma possibilidade que este sempre rejeitara. Concluiu, pois,
que estava morto. Depois de receber estar carta, passou a noite em claro.
Pálida e extenuada, de manhã disse-me que reflectira muito sobre ela
própria e sobre a tragédia que se abatera sobre toda a sua família. Havia
pensado sobretudo na sua filha». Tudo indicia que as autoridades
mantinham os presos na ignorância sobre a situação dos seus familiares
justamente para adensar o seu sofrimento e a sua incerteza quanto ao futuro.
Milada fraqueja: «pediu-me que a deixasse em paz (…). Tinha a mão direita
ligeiramente paralisada e não parava de chorar. Naquele dia recebera uma
carta que confirmava aquilo que temera durante os sete meses do seu
cativeiro: o seu pai havia morrido, a sua casa fora despejada, a filha deixada
ao cuidado de familiares. Nesse dia foi novamente submetida a um
interrogatório e à noite disse-me que estava a ser acometida de uma crise
cardíaca. Isto deixou-a muito debilitada e pessimista. O seu estado de saúde
era frágil», dizia o relatório nº 9 da agente da polícia política.

Entretanto, em 2007, a procuradora Ludmila Brožová-Polednová,


com 86 anos de idade, foi presa e formalmente acusada de homicídio pela
morte de Milada Horáková e dos restantes três réus executados em 1950.
Num primeiro julgamento, que viria a ser anulado após recurso, foi
condenada a oito anos de prisão. Realizado novo julgamento, foi condenada
a seis anos de prisão. No final da audiência declarou não sentir
arrependimento pelos seus actos: «não me sinto culpada. Combati pela
república e por uma ordem social sem desemprego», foram as palavras
dirigidas ao diário de Praga Lidové Noviny. Ao escritor Miroslav Ivanov,
autor da obra Assassínio Judiciário. A Morte de Milada Horáková (2008)
confessou que, na juventude, pensara ser professora, actriz ou até jornalista.
Optou pela magistratura e tornou-se uma ardente defensora do regime nos

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tribunais: uma guarda prisional recorda-se dos seus risos enquanto assistia
ao enforcamento de Horáková.
.
.

Ludmila Polednová com o seu advogado

.
.
Ironicamente, Ludmila Polednová seria encarcerada na prisão de Pankrác, o
velho cárcere onde Milada Horáková esteve presa pelos nazis e onde, mais
tarde, seria enforcada. Após interpor recurso, sem êxito, para o Tribunal
Supremo de Praga, Polednová começou a cumprir pena em Março de 2009,
numa ala geriátrica da prisão de Světlá nad Sázavou, na Boémia central. Em
Dezembro desse ano, recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos do
Homem, o qual, por unanimidade, decidiu rejeitar a sua pretensão (aqui).
Em Março de 2010, ser-lhe-ia comutada a pena em três anos, por aplicação
das leis de amnistia de 1953 e 1990. E, em 21 de Dezembro de 2010, o
Presidente Václav Klaus, que em 2008 recusara um pedido de clemência de
Polednová alegando que a sua condenação era um sinal de justiça num país
marcado por uma história tão trágica, indultou a pena remanescente,
atendendo à idade avançada da reclusa, ao seu estado de saúde e, bem
assim, à circunstância de restar pouco tempo para concluir o cumprimento
da pena. Ludmila Polednová seria libertada nesse mesmo dia. Na véspera,
fizera 89 anos de idade, sendo o recluso mais velho da República checa. O
seu encarceramento dividia a opinião pública, que ora considerava que
deveria existir compaixão por uma presa tão idosa, ora entendia que a
gravidade dos seus actos não merecia qualquer perdão. A decisão
presidencial, comunicada por fax para o estabelecimento prisional de Světlá
nad Sázavou, não era esperada, a ponto de Polednová ter de aguardar várias

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horas para que os seus familiares, desprevenidos, a viessem buscar.

Ludmila Polednová, à saída da prisão

.
À saída da prisão, rodeada de jornalistas, não mostrou arrependimento pelos
seus actos, considerando que o perdão presidencial era um gesto de justiça,
uma vez que nunca deveria ter estado presa, que actuara como procuradora
da acusação e, nessa medida, não era responsável pela decisão dos juízes.
Por fim, numa afirmação que causou controvérsia, sustentou que o destino
de Horáková poderia ter sido diferente, se acaso esta não tivesse defendido
até ao fim os seus «actos de traição». Ao tomar conhecimento da libertação
de Polednová, Stanislav Stránský, presidente da Confederação dos Antigos
Prisioneiros Políticos, associação que agrupa 4.000 antigos detidos pelo
regime comunista e seus familiares, afirmou à imprensa que a decisão de
Václav Klaus constituía uma «cuspidela na cara de todos aqueles que foram
presos e torturados nos anos cinquenta».

Contudo, não podemos deixar de pensar que a diferença entre os


destinos de Horáková e de Polednová constitui uma eloquente prova da
distinção que separa a ditadura da democracia. O perdão concedido à
acusadora representou a maior homenagem póstuma que se pôde fazer à
acusada. Mais do que estátuas ou nomes de ruas, esta foi a melhor
celebração da memória de Milada Horáková. Do seu exemplo de vida, dos
ideais que defendeu até na morte.

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António Araújo

(Continua=).

Publicada por Malomil à(s) 5.1.12

Etiquetas: António Araújo, Checoslováquia, Comunismo, História Contemporânea, Julgamentos-espectáculo, K.


Gottwald, Milada Horáková, Nazismo, Pena de morte, Pós-guerra, Praga, Terezín, Totalitarismo

17 comentários:

David Justino 5 de janeiro de 2012 às 12:08

Grande história e grande narrativa, meu caro António.


Responder

Eduardo Saraiva 5 de janeiro de 2012 às 16:20


Nas minhas incursões pelo universo da blogosfera deparei com o v/blog.Gostei e vou voltar
Parabéns pelo trabalho.
Como achei interessante fiz uma referência no blog http://o-andarilho.blogspot.com
Responder

Malomil 8 de janeiro de 2012 às 23:57

Desconhecendo Milada Horáková, fico grata a António Araújo pela tradução das cartas desta
«resistente», que pelo seu acto de coragem e pela vontade de resistir a quem nos quer impedir
de pensar criticamente, tornar-se-á forçosamente um exemplo. De felicitar ainda António Araújo
pelo pormenorizado e sério desenvolvimento histórico do percurso de Horáková. Com efeito, não
nos podemos deixar seduzir por quem faz espectáculo falando do povo e para o povo. São os
mesmos que se «extasiam» perante a sua ignorância porque desse modo mais facilmente o
dominarão.

Maria do Carmo Vieira (colocado a pedido da própria)

Responder

Malomil 9 de janeiro de 2012 às 00:00

Muitos parabéns por (mais) este trabalho. É uma história extraordinária de uma mulher
inspiradora, que eu não conhecia de todo.

Permite ainda uma reflexão para o presente sobre os julgamentos espectáculo, que continuam a
ser correntes no nosso tempo. Mostra que a natureza humana dos poderosos é intemporal, e
resiste a (ou usa) todas as tecnologias.

As nossas sociedades actuais, com todas as suas imperfeições, têm certamente um padrão de
valores bem melhor do que as imediatamente anteriores. Mas foram obtidas com o exemplo, e a
vida claro está, de pessoas extraordinárias que nos antecederam. Convém que nos vamos
lembrando disso.

Com um abraço amigo, deste seu admirador sem perfil,

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28/07/2019 Malomil: As cartas de Milada Horáková (1)

João Borges Assunção (colocado a pedido do próprio)


Responder

AdamDEWatkins 22 de fevereiro de 2012 às 22:23


Este comentário foi removido pelo autor.

Responder

Respostas

Malomil 26 de fevereiro de 2012 às 16:45


Dear Mr. Adam E. Watkins

Thank you very much for your commentary. But, first of all, let me explain you that my
intent was not to make an academic research about M. Horakova, based on primary
sources or interviews like you did in your excellent work (that I've quoted in the
beginning of my text, with a specific link to your study on the trial of Dr. Horakova). My
intent was to present Dr. Horakova to Portuguese readers, since this historical figure is
completely unknown in my country. My purpose was not to produce an academic
research, but an information note in order to introduce the letters of M. Horakova to
Portuguese readers. However, I consider my work original and honest. I've collected a
lot of information on Internet and books about M. Horakova but I didn't want to make a
research like yours. The reason is simple: I don't understand Czech language and my
field of research is not Czech History. Therefore, my aim is completely different of
yours. Please inform me what lines or paragraphs you consider I've «borrowed» from
your work, because I simply cannot accept the idea of «borrowing» other people's
work. The layout and the photographs were not taken for your work: the layout is mine
and the photographs are available on Internet in lots of sites. And as you can see, I
don't follow you even in the factual description of the trial, namely in a point when I
confront your version of the facts with other, presented in the book «Praga tragica», of
S. Tazzer - that you don't quote in your text. All the information about Polednóva is
based in Czech contemporary press, not in your work. You don't even mention Milan
Kundera's book and the translation of Horakoka's letter uses the version published in
«Women of Prague». And can offer you much more examples of substantial
differences between your text and mine.

In the next months, I want to investigate the impact of Dr. Horakova's trial in the
Communist Portuguese press, namely the clandestine journal «Avante!». I will inform
you about the results of this search, if there are any (at the moment, I'm not sure that
the Portuguese Communist Party took an official and formal position about this case).
So, please send me your e-mail, in order to continue this mutual and very enriching
exchange of information and points of view. I want to known more precisely what lines
or passages you consider that are «borrowed» from your work. So, please send me
your e-mail. Or you can use this blog to present all your questions and doubts, off
course. I will publish all your comments, because I'm very pleased about your interest
in my text.

Best regards and thank you very much for your comment

Antonio Araujo

Responder

Filomena Crochet 28 de julho de 2015 às 22:36

Este comentário foi removido pelo autor.


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malomil.blogspot.com/2012/01/apesar-de-se-ter-convertido-num-simbolo.html 26/32
28/07/2019 Malomil: As cartas de Milada Horáková (1)

Filomena Crochet 28 de julho de 2015 às 22:37

Este comentário foi removido pelo autor.

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Filomena Crochet 28 de julho de 2015 às 22:37

não conhecia esta pessoa e nem tampouco a sua história.....Isso só prova que o comunismo é
um mal a ser evitado....

Responder

Anderson Nascimento 17 de janeiro de 2018 às 13:12


Vou tentar encontrar a carta redigida a sua filha ... parece um teco muito importante

Responder

Leliana Thomaz 28 de janeiro de 2018 às 21:27

Estava assistindo MILADA - pelo canal da Netflix. Resolvi fazer uma pesquisa sobre a vida dessa
mulher. A medida que lia o seu relato, pude ampliar com mais rigor o contexto histórico-politico
em que a heroína estava inserida. Gratidão, António Araújo, por sua preciosa colaboração.

Responder

Ana Regina 3 de fevereiro de 2018 às 20:47

Nunca havia ouvido nada sobre esta grande mulher, por um acaso vi o filme e o achei cheio de
lacunas, porém o relato era intrigante e resolvi estudar sobre o assunto, o que me levou a
encontrar este ótimo post. Em uma época em que e crescente em mim a descrença na
humanidade, cada vez mais cruel e indigna, lembrar que a batalha por justiça, respeito, direitos
iguais entre os homens e tudo o mais que nós forneça dignidade, já existia antes de eu nascer e
permanecerá mesmo quando eu não estiver mais aqui, e que sempre houve e se Deus permitir
sempre haverá aquele alguém que não se submete, que não se cala, que não desiste, por ele e
pelos outros, aquele que definitivamente merece ser um ícone de luta e determinação, mesmo
que só sejam reconhecidos como tal quando viram mártires.

Responder

Mariana Lima 7 de fevereiro de 2018 às 12:25


Obrigada pelo conteúdo tão completo, vi o filme no Netflix e me encantei com a história dela. As
cenas que relatam a tortura, mesmo que poucas, me lembram a fase da Ditadura aqui no Brasil.
Por diversas vezes me emocionei, ao menos a história a absolveu... Bjs do Brasil.
Responder

Jeverson 24 de fevereiro de 2018 às 13:53


Este comentário foi removido pelo autor.

Responder

Jeverson 24 de fevereiro de 2018 às 13:56


Bom dia!

Gostaria, por favor, de ter certeza absoluta sobre a tradução das últimas frases em suas últimas
palavras antes de ser enforcada. Pode me ajudar?

malomil.blogspot.com/2012/01/apesar-de-se-ter-convertido-num-simbolo.html 27/32
28/07/2019 Malomil: As cartas de Milada Horáková (1)

Aqui foi traduzido para: "Parto sem vos odiar. Quero que o saibam…, quero…", mas na Wikipedia
está traduzido para: "Parto sem rancor para você. Desejo-lhe, desejo-lhe ...".

Esta tradução da Wikipedia me parece fazer mais sentido para uma pessoa bastante religiosa
(como Milada) dizer antes de morrer (e que muitos tradutores talvez não entendam por não
serem tão religiosos), onde "você" seria "Deus" ou "Jesus", por Quem ela não teve nenhum
rancor a respeito do destino que Deus permitiu acontecer a ela, e para Quem, com a morte
eminente, ela parte desejando-O: "Parto sem rancor para você. Desejo-lhe, desejo-lhe ..."

Por favor, você teria o texto original?


Responder

Unknown 2 de setembro de 2018 às 19:27


No momento ainda com lágrimas nos olhos....

Responder

Unknown 27 de maio de 2019 às 14:31


Somente agora meados de 2019 conheci a história, não só de Milada, como desse país que me
encanta antes mesmo de conhecer. Agradeço-lhe a oportunidade de compreender essa parte da
história, por vezes longe, por vezes tão perto. Parabéns pelo texto.
Responder

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