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O surgimento de uma psicologia científica, exige, no seu fundamento, a possibilidade de

construir um objeto da psicologia. Algo importante nessa concepção é o que chamamos de


momento cartesiano, o que aparece é de um lado a realidade física, o mundo dos objetos,
medível e de outro lado a realidade psíquica. Que é um mundo que, de fato, eu experimento, o
surgimento da física e o momento cartesiano, tira a possibilidade de experimentar o mundo,
onde nossas experiências são internas e subjetivas, não experimentamos um mundo físico. A
primeira tentativa de se fazer uma ciência disso é a psicofísica de (Fechner), que queria
produzir uma equação que desse o ajustamento entre a realidade psíquica e física, a
correlação entre estímulo (realidade física, que posso controlar através de um instrumento de
medida) e a sensação (algo que ocorre na realidade subjetiva). Wundt olha essa equação e diz
que não é que tem dois mundos, é que há dois meios de realidade distinta, assim, o objeto da
psicologia teórica experimental, será sempre a experiência imediata, a experiência consciente.
Sendo que a experiência consciente, por definição é distinta da dada pelos instrumentos de
medida, logo o método de mensuração não pode ser método da psicologia experimental.
Então muda-se o método e introduz o método da introspecção, que é uma inspeção interna da
consciência.

Como uma ruptura desse pensamento, funda-se uma outra ideia do que seja a consciência,
eles fundam a escola funcionalista que dá ênfase ao comportamento, propõe-se uma nova
forma de fazer a psicologia, por que se estou estudando que se dá na superfície do corpo e na
regularidade dos fatos eu não preciso estudar a consciência, posso estudar o comportamento,
e não preciso saber nada que ele sente, somente observando seu comportamento. Então não
estudo mais o conteúdo profundo da consciência mas a reguralidade corporal, trazendo o
estudo da psicologia à questões do corpo. Aqui a correlação da realidade física e psíquica, a
partir da observação dos hábitos não faz mais sentido ele introduz a correlação da realidade
física (o estímulo) e a resposta.

Do ponto de vista do método, que é introspecção e do objeto que é a consciencia, podemos


dizer que todas elas se aproximam, pois todas tomam como objeto da psicologia a experiência
imediata, a consciência, e se debruçam sobre o estudo da natureza, que seria esses elementos
da consciência, as representações, e vão se utilizar para isso o método introspectivo. Elas se
distanciam nas definições, no objetivo de estudo delas que é posto pelo problema que
desenvolvem. A psicologia de Wundt se utiliza da introspecção para interrogar a experiência
imediata (a consciência) de que modo as representações se constituem, a partir de seus
elementos, que são: imagético, afetivo, volitivo. A vontade tem um caráter estratégico por que
tem um primado sobre os outros elementos, então, para Wundt, a introspecção vai revelar
que, na composição das representações, têm-se imagens e sentimentos, e vontade que as
unem naquilo que ele concebe como síntese criadora. A síntese criadora é uma ação da
vontade sobre os demais elementos que formam uma representação. O problema de Wundt
então, é construir uma síntese, o pensamento é efeito de uma síntese criadora. No caso de
Titner, que é o representante do estruturalismo, diz que não é o elemento subjetivo, não é a
vontade que constitui a síntese, pra ele a vontade está descartada e a síntese também. por
que ele é um associacionista e ele pensa que as sínteses das representações se dão no mundo.
O sujeito é uma tábula rasa onde se imprime imagens e sentimentos e a forma como essas
imagens se imprimem nessa tábula rasa, é que vão produzir a síntese, logo não interessa como
a síntese é feita, logo a tarefa da ciência introspectiva é a análise desses elementos pra
descobrir em cada representação que formas elementares estão ali se constituindo. O
funcionalismo estava preocupado com a seleção, queria saber como as representações
apareciam para a consciência, ele continua aplicando a introspecção num outro sentido. O
funcionalista tenta capturar a consciência dentro de uma experiência vivida, então ele aplica a
introspecção como Titner, mas, o que ele descobre aplicando a introspecção é que, ao invés de
conseguir capturar os elementos que constituem a representação, o que eu consegue-se fazer
é que a representação fuja, escape. Ele propõe então que a consciência tem como
característica ser um fluxo, assim que as representações operam, o que faz que o fluxo corra
na consciência é por que ela está associada a um eu que é uma posição num espaço temporal,
logo as representações que aparecem a consciência também se modificam por causa das
representações das circunstancias de um presente aqui agora, e o agora muda, é um fluxo
constante da experiência, o que constitui uma regularidade e que possibilita a criação de uma
ciência é que esse fluxo e essa variação espaço temporal, produzem um efeito de habituação,
produzem uma aprendizagem, e uma memória, que juntos fornecem capacidade seletiva de
prioridades, que tende a favorecer fatos interessantes e a desvalorizar, atos desinteressantes.
Concluindo, as aproximações se dão por meio do método (introspecção) e do objeto
(consciência). Os distanciamentos correspondem ao problema; o problema para Wundt é a
síntese, problema para Titner era análise e o problema para funcionalismo é a seleção A forma
como o funcionalismo trata a questão do problema traz a possibilidade de um novo método,
de um novo objeto para a psicologia, por que ao observar os hábitos e os processos de
habituação não é preciso mais interrogar o sujeito especializado do Titner. Se o problema é
como a consciência seleciona seus objetos é possível observar isso interrogando e observando
o comportamento dos sujeitos, quando os hábitos demonstram uma regularidade elas se
revelam no nível do comportamento. Então a relação entre Wundt e Titner é uma relação de
variação quase simétrica, um pensa de um lado outro pensa por outro, aqui é o deslocamento
do problema que abre a possibilidade de uma nova porta de investigação para a psicologia não
pautada mais na introspecção mas pautada no comportamento.

Dentro do processo de desdobramento das ideias psicológicas temos esse movimento, de uma
psicologia da alma para uma psicologia do corpo, como um movimento funcionalista. Os
funcionalistas se estabelecem na Universidade de Chicago, são ex alunos de Titner, do
estruturalismo, que estudaram com Wundt e são influenciados pelas ideias do James, para
estudar a ciência do homem, eles começam a observar a regularidade e a dar atenção aos
fenômenos de comportamento. De outra parte, dentro dos EUA e Alemanha, ganha força uma
teoria que vai funcionar como uma espécie de crivo, ou critério crítico para as ciências
humanas, essa teoria é de Augusto Comte, que forja sua filosofia a nomeando filosofia
positivista, essa filosofia positivista, como pressuposto a ideia de Amor, ordem e progresso,
tendo como fundamento a possibilidade de previsão, e para que seja previsível é necessário
ter um controle desse mundo. Se ele não pode prever o mundo ele não pode amar, nem
ordenar, nem progredir, surge como filosofia moral e ética e influencia a proclamação da
república, se torna uma ciência da no ponto de vista da ciência o que interessa é a ciência só é
ciência se ela for capaz de prever e controlar os fatos, então toda ciência lida com fatos, o
representante do positivismo nas ciências sociais é Durkheim, que estuda os fatos sociais.
Todas as instituições são fatos sociais. Por que fatos são constituídos de variáveis que posso
prever e controlar. E vão vendo que a realidade psíquica não se apresentava como um fato e
não se prestava aquilo que era essencial segundo o positivismo, para uma ciência. Chegamos
ao ano de 1911, quando Watson, escreve um texto intitulado “A psicologia como o
behaviorista a vê” sendo o primeiro manifesto behaviorista. Se formos fazer uma ciência
positivista, ela tem que se limitar aos fatos, havendo variáveis passíveis de controlar. O
problema da psicofísica era que o estímulo era medido e a senação não, logo ela é parte dessa
realidade psíquica da qual a ciência não dá conta.

O funcionalismo é o primeiro passo em direção ao behaviorismo, em 1911 watson escreve o


manifesto e diz quea psicologia deve se ocupar de fatos objetivos, pode estudar os estímulos
(ambiente) em relação com as respostas (comportamento). Então um adas variáveis
behavioristas é o ambiente que ele controla e a outra é a resposta previsível, a hipótese é que
controlar o ambiente permite prever o comportamento, sendo o ambiente causa do
comportamento. O objetivo do behaviorista é CONTROLAR E PREVER O COMPORTAMENTO.
Então aí está a herança do positivismo nas teorias behavioristas.

O que interessa é que há um movimento na história da psicologia de deslocamento da


realidade interior e um novo pressuposto, que agora é uma ciência dos fatos positivos, no
cruzamento desse movimento que surge o behaviorismo, do ponto histório é uma ida em
dieção a CORPO, no ponto de vista espistemológico é a saída do modelo cartesiano e a ida ao
posisitismo