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1. ÉTICA E MORAL um traidor?

Em situações como esta, os indivíduos


se deparam com a necessidade de organizar o seu
O que é Ética e Moral: No contexto filosófico, ética comportamento por normas que se julgam mais
e moral possuem diferentes significados. A ética apropriadas ou mais dignas de ser cumpridas. Tais
está associada ao estudo fundamentado dos valo- normas são aceitas como obrigatórias, e desta for-
res morais que orientam o comportamento humano ma, as pessoas compreendem que têm o dever de
em sociedade, enquanto a moral são os costumes, agir desta ou daquela maneira. Porém o compor-
regras, tabus e convenções estabelecidas por cada tamento é o resultado de normas já estabelecidas,
sociedade. Os termos possuem origem etimológica não sendo, então, uma decisão natural, pois todo
distinta. A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que comportamento sofrerá um julgamento. E a diferen-
significa “modo de ser” ou “caráter”. Já a palavra ça prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz
“moral” tem origem no termo latino “morales” que das morais, assim Ética é uma espécie de legis-
significa “relativo aos costumes”. Ética é um conjun- lação do comportamento Moral das pessoas. Mas a
to de conhecimentos extraídos da investigação do função fundamental é a mesma de toda teoria:
comportamento humano ao tentar explicar as regras explorar, esclarecer ou investigar uma determinada
morais de forma racional, fundamentada, científica realidade. A Moral, afinal, não é somente um ato
e teórica. É uma reflexão sobre a moral. Moral é o individual, pois as pessoas são, por natureza, seres
conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas sociais, assim percebe-se que a Moral também é
continuamente por cada cidadão. Essas regras um empreendimento social. E esses atos morais,
orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e quando realizados por livre participação da pessoa,
os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, são aceitas, voluntariamente. Pois assim determina
certo ou errado, bom ou mau. No sentido prático, a Vasquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de
finalidade da ética e da moral é muito semelhante. normas, princípios e valores, segundo o qual são
São ambas responsáveis por construir as bases regulamentadas as relações mútuas entre os indi-
que vão guiar a conduta do homem, determinando o víduos ou entre estes e a comunidade, de tal mane-
seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a ira que estas normas, dotadas de um caráter histó-
melhor forma de agir e de se comportar em socie- rico e social, sejam acatadas livres e consciente-
dade. A confusão que acontece entre as palavras mente, por uma convicção íntima, e não de uma
Moral e Ética existem há muitos séculos. A própria maneira mecânica, externa ou impessoal”. Enfim,
etimologia destes termos gera confusão, sendo que Ética e Moral são os maiores valores do homem
Ética vem do grego “ethos” que significa modo de livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida".
ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de O homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu
“mores”, significando costumes. Esta confusão pode meio ambiente ou o destruindo, ou ele apóia a na-
ser resolvida com o esclarecimento dos dois temas, tureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que
sendo que Moral é um conjunto de normas que re- pode dominar, e assim ele mesmo se torna no bem
gulam o comportamento do homem em sociedade, ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Mo-
e estas normas são adquiridas pela educação, pela ral se formam numa mesma realidade.
tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava Moral
como a “ciência dos costumes”, sendo algo anterior
a própria sociedade. A Moral tem caráter obriga- 2. ÉTICA, PRINCÍPIOS E VALORE
tório. Já a palavra Ética, Motta (1984) defini como
um “conjunto de valores que orientam o compor-  Moral
tamento do homem em relação aos outros homens
na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o A palavra moral vem do latim morale, que significa
bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o ho- costume. Podemos compreender como moral o
mem deve se comportar no seu meio social. A conjunto de hábitos, costumes e leis que regem um
Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui determinado povo, classe ou comunidade.
a consciência Moral que o leva a distinguir o bem Teoricamente, a moral seria, então, o
do mal no contexto em que vive. Surgindo realmen- estabelecimento de diretrizes que garantem a
te quando o homem passou a fazer parte de agru- convivência harmoniosa entre um povo que adota
pamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, os mesmos princípios. Veja outras definições:
nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Só-
crates, pois se exigi maior grau de cultura. Ela in- 1. Conjunto de normas e regras destinadas
vestiga e explica as normas morais, pois leva o ho- a regular as relações dos indivíduos numa
mem a agir não só por tradição, educação ou há- comunidade social dada;
bito, mas principalmente por convicção e inteli-
gência. Vásquez (1998) aponta que a Ética é teóri- 2. Considera-se MORAL ou IMORAL, o ato
ca e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente conforme esteja de acordo ou não com a
prática. Uma completa a outra, havendo um inter- norma estabelecida. No caso da dialética da
relacionamento entre ambas, pois na ação humana, moral, o ato só pode ser considerado moral
o conhecer e o agir são indissociáveis. Em nome da ou imoral se o indivíduo introjetou a norma
amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de e a tornou sua, livre e conscientemente.
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de regras de conduta consideradas como válidas,
3. Considera-se AMORAL o ato realizado à quer de modo absoluto para qualquer tempo ou
margem de qualquer consideração a lugar, quer para grupo ou pessoa determinada.
respeito das normas. Pode ser ainda o conjunto das nossas faculdades
morais; brio, vergonha, que tem bons costumes. E
4. A moral é um sistema de normas, de uma outra forma, relativo ao domínio espiritual
princípios e valores, segundo o qual são (em oposição a físico ou material). Ética tem a ver
regulamentadas as relações mútuas entre com obrigação moral, responsabilidade e justiça
os indivíduos ou entre estes e a social. A palavra vem do grego ethikos (ethos
comunidade, de tal maneira que estas significa hábito ou costume). Na acepção
normas, dotadas de um caráter histórico e empregada por Aristóteles, o termo reflete a
social, sejam acatadas livre e natureza ou o caráter do indivíduo. Hoje, também
conscientemente, por uma convicção designa a natureza das empresas, uma vez que
íntima, e não de uma maneira mecânica, estas são formadas por um conjunto de indivíduos.
externa ou impessoal. A ética pode ser definida de várias maneiras.
Afirma-se que ética é justiça. Em outras palavras,
O ato moral supõe a solidariedade, a reciprocidade inclui princípios que todas as pessoas racionais
com aqueles com os quais nos comprometemos escolheriam para reger o comportamento social,
(não é um ato solitário e sim solidário). O termo sabendo que eles podem ser aplicados também a si
Moral, quando é usado como substantivo mesmas. Por meio do estudo da ética, as pessoas
masculino, refere – se ao estado psicológico de um entendem e são dirigidas pelo que for moralmente
grupo. Nesse sentido, se diz, por exemplo, que o certo ou errado. Entretanto, o assunto continua
moral da pessoa é alto,significando que ela se controvertido. Afinal, aquilo que é eticamente
encontra com coragem e sem medo. Através de correto para uma pessoa pode ser errado para
uma experiência milenar, a humanidade veio outra. Por essa razão, a sociedade tende a definir a
acumulando uma série de preceitos que têm se ética em termos de comportamento. Por exemplo,
revelado eficazes para a realização da perfeição uma pessoa é considerada ética quando seu
humana. A formulação desses preceitos de uma comportamento está de acordo com sólidos
forma coerente forma o que chamamos de MORAL. princípios morais baseados em ideais como
Ela define as condições do ato livre, e o pauta em equidade, justiça e confiança. Estes princípios
todas as suas dimensões: tanto no interior do regem o comportamento de indivíduos e
homem, quanto no mundo exterior. Nessas duas organizações e podem se fundamentar em valores,
relações, ela define os deveres que cabem ao cultura, religião e até mesmo legislaçoes, por vezes
homem. mutáveis. A ética é um elemento essencial do
sucesso de indivíduos e organizações. Por
exemplo, nossa sociedade valoriza a liberdade
Afinal existe uma diferença substancial entre pessoal. No entanto, se comprometermos nossa
Ética e Moral? ética no exercício dessa liberdade, a sociedade
será prejudicada. Isso significa que acabaremos por
Uma distinção muito comum usada por diversos limitar nossa liberdade individual e o gozo da
autores contemporâneos é a de que moral é o liberdade por outras pessoas. A ética, portanto,
costume, os valores instituídos e vivenciados, isto é, constitui o alicerce do tipo de pessoa que somos e
o conjunto de normas, preceitos, regras de conduta. do tipo de organização que representamos. A
A simples existência da moral não significa, reputação de uma empresa é um fator primário nas
naturalmente, a existência da ética, no caso relações comerciais, formais ou informais, quer
entendida como a teoria, a reflexão, a interpretação estas digam respeito à publicidade, ao
e fundamentação da moral. Os problemas práticos, desenvolvimento de produtos ou a questões ligadas
as normas de ações concretas são os elementos aos recursos humanos. Nas atuais economias
que identificam a moral. Por sua vez a ética é a nacionais e globais, as práticas empresariais dos
teoria, a ‘ciência’ que fundamenta e justifica os administradores afetam a imagem da empresa para
princípios gerais de caráter teórico, como por a qual trabalham. Assim, se a empresa quiser
exemplo o que é o bem. competir com sucesso nos mercados nacional e
mundial, será importante manter uma sólida
reputação de comportamento ético. Resumindo, um
 Ética bom código de ética é um bom negócio. As boas
práticas empresariais resultam de decisões morais
Segundo o dicionário Aurélio, ÉTICA “é o estudo ou éticas. A ética corporativa reflete não apenas o
dos juízos de apreciação referentes à conduta teor das decisões morais - o que devo fazer? -
humana suscetível de qualificação do ponto de vista como também o processo para a tomada de
do bem e do mal, seja relativamente a determinada decisões, ou o “como devo fazer”. Nesse tipo de
sociedade, seja de modo absoluto”. O Aurélio processo decisório, uma empresa precisa
qualifica Ética diferente de Moral, que é o conjunto comprometer-se a ponto de ética e lucro não serem

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mutuamente excludentes, em princípio e na prática. por todos os empregados. São garantidos a todas
Vejamos, por exemplo, o caso do incidente ocorrido as pessoas racionais pela Constituição da maior
com o Tylenol, fabricado pela Johnson & Johnson. A parte dos países, bem como pela Declaração
empresa retirou imediatamente do mercado esse Universal dos Direitos Humanos. Outros modelos
analgésico, quando foi atingida por alegações de podem ser acrescentados às filosofias básicas que
que o produto havia sido adulterado. Fez, em acabamos de resumir. Entre eles, há o “egoísmo
síntese, o que era correto, embora pudesse perder esclarecido”. Este modelo leva em conta prejuízos,
dinheiro com isso. De outro lado, recusou-se a benefícios e direitos. Assim, uma ação será
atribuir um preço à sua integridade. Embora moralmente correta se aumentar os benefícios para
algumas pessoas acreditassem que a empresa o indivíduo de forma a não prejudicar
jamais recuperaria seu volume de vendas, a intencionalmente outras pessoas, e se esses
Johnson & Johnson acabou por reforçar sua forte benefícios puderem contrabalançar qualquer
liderança no mercado, em parte devido à maneira prejuízo não-intencional resultante. Uma ação é
como enfrentou o incidente. Práticas empresariais considerada ética com base no fato de ela produzir
éticas têm origem em culturas corporativas éticas. A mais resultados bons do que maus para o indivíduo,
abordagem mais sistemática para estimular um a longo prazo. Há ainda os modelos do
comportamento ético é desenvolver uma cultura universalismo e da regra de ouro. O universalismo é
corporativa que crie uma ligação entre os padrões diferente do utilitarismo, ao pressupor que o valor
éticos e as práticas empresariais. Essa moral de uma ação não pode depender de suas
institucionalização dos padrões éticos começa com conseqüências, uma vez que estas são indefinidas
a compreensão da filosofia da ética, e é sustentada no momento em que é tomada a decisão de agir. O
por mecanismos como a estrutura, crenças, valor moral de uma ação, ao contrário, depende das
códigos, programas de treinamento, comissões e intenções da pessoa que toma a decisão de
auditorias sociais da corporação. Quando normas empreendê-la. O universalismo pressupõe que
éticas são aplicadas a uma empresa, há várias determinadas ações podem ser julgadas
opções a fazer, começando pelas filosofias ligadas intrinsecamente certas ou erradas,
à ética. As filosofias básicas são o utilitarismo, os independentemente de suas conseqüências
direitos individuais e a justiça. O conceito central do específicas. O modelo da regra de ouro vem da
utilitarismo é a crença de que a ética será mais bem tradição judaico-cristã, sendo encontrado na maior
aplicada quando o maior beneficio para o maior parte das grandes religiões sob formas variadas. O
número de pessoas for levado em consideração. Os princípio básico é que devemos tratar os outros da
direitos individuais focalizam a proteção de direitos mesma maneira que gostaríamos de ser tratados.
tais como o direito à informação e o direito a um Diante de uma questão ética, cada indivíduo deve
processo legal. Finalmente, a justiça enfatiza a identificar os cursos de ação disponíveis e escolher
justiça social e a oportunidade, oferecida a todos, aquele que permita tratar os outros com a mesma
de procurar significado e felicidade na vida. A dignidade e respeito com que ele (ou ela) esperaria
filosofia utilitária predomina entre os ser tratado. A partir da noção das várias filosofias
administradores de empresas. O utilitarismo é a ligadas à ética, é preciso convertê-las em práticas.
doutrina segundo a qual ações certas ou erradas Elas podem ser materializadas em: estrutura
são determinadas por suas conseqüências boas ou corporativa, credos, códigos de ética, programas de
más. O modelo utilitário exige que o indivíduo aja de treinamento quanto à ética, comissões de ética,
forma a maximizar a felicidade e minimizar a dor ombudsman, linhas diretas e auditorias de ética ou
para o maior número possível de pessoas sociais. Sabemos que práticas empresariais éticas
envolvidas. Já o termo justiça é às vezes resultam de culturas corporativas éticas. Assim, a
empregado no sentido de lei ou legalidade. Mas questão que emerge na sua implantação é: que
justiça significa mais do que isso. Uma definição abordagens estruturais estimulam um processo
simples é “equidade”. A responsabilidade da justiça decisório ético? Se a meta for conseguir fazer uma
é preservar a ordem numa comunidade. Aristóteles empresa se tornar ética, os administradores
foi o primeiro a definir a justiça como um tratamento precisam introduzir componentes estruturais que
igual para pessoas iguais e desigual para pessoas aumentem a sensibilidade ética e dêem
desiguais, mas na proporção de sua diferença. sustentação ao comportamento ético. Um programa
Assim, no contexto da justiça, a ética de uma ação corporativo destinado a institucionalizar a ética
é determinada pela noção de que pessoas iguais poderia muito bem exigir mudanças estruturais
devem ser tratadas de maneira igual, e pessoas internas que, evidentemente, criariam e definiriam o
desiguais devem ser tratadas de maneira desigual, papel ético apropriado e a composição do sistema
dando-se ênfase à equidade. A teoria dos direitos, de governo da corporação. Está claro que nenhum
por sua vez, reza que cada pessoa tem direitos esforço cooperativo para influenciar um
básicos num universo moral. Eles incluem o direito comportamento ético na organização terá sucesso,
de consentir livremente, o direito à privacidade, o a menos que conte com o apoio da estrutura de
direito de liberdade de consciência, o direito de autoridade e da cultura da empresa. Uma forma
liberdade de palavra e o direito a um processo legal. para tornar operacional esse apoio ao
Direitos básicos e universais são compartilhados comportamento ético é criar mecanismos estruturais

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para administrar a ética. Uma série de mecanismos boa-fé de outros. Todos esses sentimentos também
estruturais destinados a aconselhar os manifestam nosso senso moral. Vivemos certas
administradores nessa área, monitorar o situações, ou sabemos que foram vividas por
comportamento ético e comunicar as políticas outros, como situações de extrema aflição e
ligadas à ética é geralmente implantada nas angústia. Assim, por exemplo, uma pessoa querida,
organizações empresariais. Um levantamento feito com uma doença terminal, está viva apenas porque
pelo Centro de Ética Empresarial (dos EUA) seu corpo está ligado a máquinas que a conservam.
esclarece as mudanças estruturais realizadas por Suas dores são intoleráveis. Inconsciente, geme no
algumas empresas. Ele indica que 20% das sofrimento. Não seria melhor que descansasse em
companhias que adotaram medidas em relação à paz? Não seria preferível deixá-la morrer? Podemos
ética alteraram a estrutura corporativa para desligar os aparelhos? Ou não temos o direito de
acomodar os esforços de sua implantação. Desses fazê-lo? Que fazer? Qual a ação correta? Uma
20%, 39% modificaram o papel da diretoria. Além jovem descobre que está grávida. Sente que seu
disso, 24% promoveram uma participação maior corpo e seu espírito ainda não estão preparados
dos trabalhadores no processo de tomada de para a gravidez. Sabe que seu parceiro, mesmo
decisões e 7% promulgaram uma declaração dos que deseje apoiá-la, é tão jovem e despreparado
direitos dos empregados. O levantamento também quanto ela e ambos não terão como
mostrou que os códigos de ética ou de conduta, responsabilizar-se plenamente pela gestação, pelo
treinamento dos empregados e auditorias sociais parto e pela criação de um filho. Ambos estão
revelaram-se as abordagens mais populares para desorientados. Não sabem se poderão contar com
infundir valores éticos na organização. o auxilio de suas famílias (se as tiverem). Se ela for
apenas estudante, terá que deixar a escola para
trabalhar, a fim de pagar o parto e arcar com as
 Senso e Juízo Morais despesas da criança. Sua vida e seu futuro
mudarão para sempre. Se trabalha, sabe que
Muitas vezes, tomamos conhecimento de perderá o emprego, porque vive numa sociedade
movimentos nacionais e internacionais de luta onde os patrões discriminam as mulheres grávidas,
contra a fome. Ficamos sabendo que, em ou outros sobretudo as solteiras. Receia não contar com os
países e no nosso, milhares de pessoas, sobretudo amigos. Ao mesmo tempo, porém, deseja a criança,
crianças e velhos, morrem de penúria e inanição. sonha com ela, mas teme darlhe uma vida de
Sentimos piedade. Sentimos indignação diante de miséria e ser injusta com quem não pediu para
tamanha injustiça (especialmente quando vemos o nascer. Pode fazer um aborto? Deve fazê-lo? Um
desperdício dos que não têm fome e vivem na pai de família desempregado, com vários filhos
abundância). Sentimos responsabilidade. Movidos pequenos e a esposa doente, recebe uma oferta de
pela solidariedade, participarmos de campanhas emprego, mas que exige que seja desonesto e
contra a fome. Nossos sentimentos e nossas ações cometa irregularidades que beneficiem seu patrão.
exprimem nosso senso moral. Quantas vezes, Sabe que o trabalho lhe permitirá sustentar os filhos
levados por algum impulso incontrolável ou por e pagar o tratamento da esposa. Pode aceitar o
alguma emoção forte (medo, orgulho, ambição, emprego, mesmo sabendo o que será exigido dele?
vaidade, covardia), fazemos alguma coisa de que, Ou deve recusá-lo e ver os seus filhos com fome e
depois, sentimos vergonha, remorso, culpa. a mulher morrendo? Um rapaz namora, há tempos,
Gostaríamos de voltar atrás no tempo e agir de uma moça de quem gosta muito e é por ela
modo diferente. Esses sentimentos também correspondido. Conhece uma outra. Apaixona-se
exprimem nosso senso moral. Em muitas ocasiões, perdidamente e é correspondido. Ama duas
ficamos contentes e emocionados diante de uma mulheres e ambas o amam. Pode ter dois amores
pessoa cujas palavras e ações manifestam simultâneos, ou estará traindo a ambos e a si
honestidade, honradez, espírito de justiça, mesmo? Deve magoar uma delas e a si mesmo,
altruísmo, mesmo quando tudo isso lhe custa rompendo com uma para ficar com a outra? O amor
sacrifícios. Sentimos que há grandeza e dignidade exige uma única pessoa amada ou pode ser
nessa pessoa. Temos admiração por ela e múltiplo? Que sentirão as duas mulheres, se ele
desejamos imitá-la. Tais sentimentos e admiração lhes contar o que se passa? Ou deverá mentir para
também exprimem nosso senso moral. Não raras ambas? Que fazer? Se, enquanto está atormentado
vezes somos tomados pelo horror diante da pela indecisão, um conhecido o vê ora com uma
violência: chacina de seres humanos e animais, das mulheres, ora com a outra e, conhecendo uma
linchamentos, assassinatos brutais, estupros, delas, deverá contar a ela o que viu? Em nome da
genocídio, torturas e suplícios. Com frequência, amizade, deve falar ou calar? Uma mulher vê um
ficamos indignados ao saber que um inocente foi roubo. Vê uma criança maltrapilha e esfomeada
injustamente acusado e condenado, enquanto o roubar frutas e pães numa mercearia. Sabe que o
verdadeiro culpado permanece impune. Sentimos dono da mercearia está passando por muitas
cólera diante do cinismo dos mentirosos, dos que dificuldades e que o roubo fará diferença para ele.
usam outras pessoas corno instrumento para seus Mas também vê a miséria e a fome da criança.
interesses para conseguir vantagens às custas da Deve denunciá-la, julgando que com isso a criança

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não se tornará um adulto ladrão e o proprietário da sentimentos, nossos, atos, nossos
mercearia não terá prejuízo? Ou deverá silenciar, comportamentos. São juízos que enunciam
pois a criança corre o risco de receber punição obrigações e avaliam intenções e ações segundo o
excessiva, ser levada para a policia, ser jogada critério do correto e do incorreto. Os juízos éticos de
novamente às ruas e, agora, revoltada, passar do valor nos dizem o que são o bem, o mal, a
furto ao homicídio? Que fazer? Situações como felicidade. Os juízos éticos normativos nos dizem
essas - mais dramáticas ou menos dramáticas - que sentimentos, intenções, atos e comportamentos
surgem sempre em nossas vidas. Nossas dúvidas devemos ter ou fazer para alcançarmos o bem e a
quanto à decisão a tomar não só manifestam nosso felicidade... Enunciam também que atos,
senso moral, mas também põem à prova nossa sentimentos, intenções e comportamentos são
consciência moral, pois exigem que decidamos o condenáveis ou incorretos do ponto de vista moral.
que fazer, que justifiquemos para nós mesmos e Como se pode observar senso moral e consciência
para os outros as razões de nossas decisões e que são inseparáveis da vida cultural, uma vez que esta
assumamos todas as consequências delas, porque define para seus membros os valores positivos e
somos responsáveis por nossas opções. Todos os negativos que devem respeitar ou detestar. Qual a
exemplos mencionados indicam que o senso moral origem da diferença entre os dois tipos de juízos? A
e a consciência moral referem-se a valores (justiça, diferença entre a Natureza e a Cultura. A primeira,
honradez, espírito de sacrifício, integridade, como vimos, é constituída por estruturas e
generosidade), a sentimentos provocados pelos processos necessários, que existem em si e por si
valores (admiração, vergonha, culpa, remorso, mesmos, independentemente de nós: a chuva é um
contentamento, cólera, amor, dúvida, medo) e a fenômeno meteorológico cujas causas e cujos
decisões que conduzem a ações com efeitos necessários podemos constatar e explicar.
consequências para nós e para os outros. Embora Por sua vez, a Cultura nasce da maneira como os
os conteúdos dos valores variem, podemos notar seres humanos interpretam-se a si mesmos e as
que estão referidos a um valor mais profundo, suas relações com a Natureza, acrescentando-lhe
mesmo que apenas subentendido: o bom ou o bem. sentidos novos, intervindo nela, alterando-a através
Os sentimentos e as ações, nascidos de uma opção do trabalho e da técnica, dando lhe valores. Dizer
entre o bom e o mau ou entre o bem e o mal, que a chuva é boa para as plantas pressupõe a
também estão referidos a algo mais profundo e relação cultural dos humanos com a Natureza,
subentendido: nosso desejo de afastar a dor e o através da agricultura. Considerar a chuva bela
sofrimento e de alcançar a felicidade, seja por pressupõe uma relação valorativa dos humanos
ficarmos contentes conosco mesmos, seja por com a Natureza, percebida como objeto de
recebermos a aprovação dos outros. O senso e a contemplação. Frequentemente não notamos a
consciência moral dizem respeito a valores, origem cultural dos valores éticos, do senso moral e
sentimentos, intenções, decisões e ações referidos da consciência moral, porque somos educados
ao bem e ao mal e ao desejo de felicidade. Dizem (cultivados) para eles e neles, como se fossem
respeito às relações que mantemos com os outros naturais ou fáticos, existentes em si e por si
e, portanto, nascem e existem como parte de nossa mesmos. Para garantir a manutenção dos padrões
vida intersubjetiva. morais através do tempo e sua continuidade de
geração a geração, as sociedades tendem a
naturalizá-los. A naturalização da existência moral
 Juízo de Fato e de Valor esconde, portanto, o mais importante da ética: o
fato de ela ser criação histórico-cultural.
Se dissermos: "Está chovendo", estaremos
enunciando um acontecimento constatado por nós e
o juízo proferido é um juízo de fato. Se, porém,  Virtude e Caráter
falarmos: "A chuva é boa para as plantas" ou "A
chuva é bela", estaremos interpretando e avaliando As virtudes humanas são atitudes firmes,
o acontecimento. Nesse caso, proferimos um juízo disposições estáveis, perfeições habituais da
de valor. Juízos de fato são aqueles que dizem o inteligência e da vontade que regulam nossos atos,
que as coisas são, como são e porque são. Em ordenando as nossas paixões e guiando-nos
nossa vida cotidiana, mas também na metafísica e segundo a razão. Propiciam assim facilidade,
nas ciências, os juízos de fato estão presentes. domínio e alegria para levar uma vida moralmente
Diferentemente deles, os juízos de valor, avaliações boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente
sobre COIsas, pessoas e situações são proferidos pratica o bem. As virtudes morais são adquiridas
na moral, nas artes, na política, na religião. Juízos humanamente. São os frutos e os germes de atos
de valor avaliam coisas, pessoas, ações, moralmente bons. A estrutura da personalidade
experiências, acontecimentos, sentimentos, estados compreende, entre outros elementos
de espírito, intenções e decisões corno bons ou psicológicos, um conjunto de virtudes que tornam o
maus, desejáveis ou indesejáveis. Os juízos éticos indivíduo mais elevado, íntegro, humanitário. Uma
de valor são também normativos, isto é enunciam virtude representa retidão moral, probidade,
normas que determinam o dever ser de nossos excelência moral. As pessoas podem ser avaliadas
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pela riqueza de suas virtudes. Virtude é poder, é com perseverança e determinação em face de
excelência, é exigência. As virtudes são nossos todas as situações e circunstâncias.
valores morais, mas encarnados, tanto quanto
pudermos, mas vividos, em ato. Sempre singulares, Desapego: É uma virtude que capacita o indivíduo
como cada um de nós, sempre plurais, como as a ver os fatos e situações com imparcialidade, com
fraquezas que elas combatem ou corrigem. Não há isenção de ânimo. A pessoa que consegue
bem em si: o bem não existe, está por ser feito, é o desapegar-se de suas próprias idéias e opiniões,
que chamamos de virtudes. Foram elas que tomei livre de preconceitos, é capaz de agir com justiça. O
aqui por objeto: da polidez, passando pela desapego em relação a pessoas, bens materiais e
fidelidade, prudência, temperança, coragem, justiça, imateriais, é outra faceta desta valiosa virtude, que
generosidade, compaixão, misericórdia, gratidão, possibilita uma vida mais rica e feliz.
humildade, simplicidade, tolerância, pureza, doçura,
boa-fé, humor, até o amor (haveriam outras, mas Despreocupação: Ser despreocupado denota
foram cortadas para a publicação). Préética, a serenidade, confiança, paz. Significa viver a cada
polidez, pós-ético, o amor. Toda virtude é um ápice, momento, com intensidade e prazer, permitindo ao
entre dois vícios, entre dois abismos. Mas quem amanhã cuidar de seus próprios interesses. No
pode viver sempre no ápice? Pensar as virtudes é entanto, despreocupação não quer dizer descuido,
medir a distância que nos separa delas. Pensar sua imprudência, imprevidência. Muito pelo contrário,
excelência é pensar nossas insuficiências ou nossa pois esta virtude inspira o indivíduo a tornar-se
miséria. Virtude, no sentido geral, é poder; no responsável e cuidadoso com a administração de
sentido particular, poder humano, ou poder de tudo que lhe compete.
humanidade. É o que também chamamos as
virtudes morais, que fazem um homem parecer Determinação: Firmeza e perseverança são duas
mais humano ou mais excelente do que outro, e aliadas desta virtude. Ela permite ao indivíduo
sem as quais, seríamos a justo título qualificados de progredir, a ter sucesso em todos os seus
inumanos, Isto supõe um desejo de humanidade, empreendimentos, pois não tolera preguiça,
desejo evidentemente histórico (não há virtude desalento, falta de ânimo. Não importam as
natural), sem o qual qualquer moral seria circunstâncias ou obstáculos, a presença desta
impossível. Trata-se de não ser indigno do que a virtude capacita o ser humano a concluir sempre
humanidade fez de si, e de nós. Veja, de maneira todas as tarefas a que se programou. Determinação
bem resumida, algumas das virtudes humanas é uma virtude necessária para assimilar as demais
essenciais para o convívio: virtudes e para livrar-se de todas as negatividades.

Autoconfiança: Esta virtude pode ser conquistada Disciplina: É ordem, organização, aceitação de
mediante o desenvolvimento de recursos e preceitos e normas. O próprio Universo é obediente
habilidades que proporcionam a uma ordem implacável, caso contrário não
competência, segurança e tranqüilidade no decurso poderia existir. Para assimilar e manter esta virtude,
da vida. A pessoa autoconfiante é prudente e o indivíduo precisa corrigir, moldar e aperfeiçoar seu
equilibrada, de tal sorte que procura agir sempre caráter. Para tanto, não poderá prescindir do
com cautela. Pelo fato de possuir imensa fé em si, concurso de outras virtudes, como
ela sabe que pode contar consigo mesma, em paciência, tolerância e perseverança. Terá também
situações as mais adversas. que abominar hábitos nocivos, como rebeldia e
inconformidade. Na ausência da disciplina, a vida
Benevolência: É uma qualidade que dispõe o torna-se impossível.
indivíduo a praticar o bem, podendo acrescentar
generosidade, gentileza e simpatia. Para tanto, é Docilidade: Consiste em uma força magnética que
preciso renunciar a sentimentos de hostilidade e atrai a todos. A vida torna-se mais encantadora
egoísmo. quando as pessoas agem com docilidade, bom
humor e gentileza.
Contentamento: É uma virtude que promove
alegria e bem-estar. Proporciona o poder de Empatia: Significa colocar-se no lugar do outro, em
enfrentar adversidades, sem aflição, com sua própria pele. Ver as coisas sob sua perspectiva.
serenidade e jovialidade, porque capacita o ser Compreender seus motivos. E, então, poder
humano a adaptar-se a tais situações, e a mudar aconselhar com acerto e coerência.
suas atitudes diante delas.
Entusiasmo: É a chama que provoca ação. É vida
Coragem: Trata-se de uma habilidade ímpar para em movimento. É motivação. É o fogo interior que
enfrentar, com serenidade e domínio do medo, os proporciona prazer e vitalidade para executar até o
perigos que se apresentam do decurso da vida. Ela fim os planos traçados. Graças ao entusiasmo, o
proporciona ao indivíduo a aptidão de avaliar uma mundo inteiro está em constante progresso.
gama de possibilidades para vencer as
adversidades. A coragem inspira o indivíduo a agir

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Estabilidade: Significa coerência, de bem, mas não sem que isto atinja em algo a
responsabilidade, constância. Esta virtude não estima, inclusive moral, que temos por ele. Um
admite rigidez, mas requer flexibilidade e santo sem humor é um triste santo. E um sábio sem
adaptabilidade. Assim, a confiança é desenvolvida e humor seria mesmo um sábio? O espírito é o que
a convivência humana torna-se harmônica e escarnece de tudo, dizia Alain, e é por isso que o
duradoura. humor faz parte, de pleno direito, do espírito. Isso
não impede a seriedade, no que diz respeito a
Flexibilidade: Esta virtude permite constante outrem, nossas obrigações para com ele, nossos
adaptação às pessoas e circunstâncias. Ela compromissos, nossas responsabilidades, até
promove a harmonia nos relacionamentos e mesmo no que diz respeito à condução de nossa
proporciona condições para a necessária moldagem própria existência. Mas impede de nos iludirmos ou
às permanentes mutações da vida. Tal como o de ficarmos demasiado satisfeitos.
salgueiro, podemos nos curvar, pela força do vento,
e, ao mesmo tempo, permanecer firmemente Vaidade das Vaidades: só faltou ao Eclesiastes um
enraizados. pouco de humor para dizer o essencial. Um pouco
de humor, um pouco de amor: um pouco de alegria.
Generosidade: Significa desprendimento, Mesmo sem razão, mesmo contra a razão. Entre
liberalidade, altruísmo. A pessoa dotada desta desespero e futilidade, às vezes a virtude fica
virtude aprecia verdadeiramente os outros, e presta menos num meio-termo do que na capacidade de
a ajuda necessária sem esperar nada em troca. Ela abraçar, num mesmo olhar, ou num mesmo sorriso,
também promove o fortalecimento das relações, a esses dois extremos entre os quais vivemos, entre
paz no contexto social. os quais evoluímos, e que encontramos no humor.
O que não é desesperador para um olhar lúcido? E
Honestidade: Este dom suscita a necessária o que não é fútil para um olhar desesperado? Isso
confiança entre as pessoas. Em todos os atos da não nos impede de rir do que vemos, e é sem
vida, a citada qualidade deve estar sempre dúvida o que podemos fazer. O que valeria o amor,
presente. Por outro lado, sua carência provoca as sem a alegria? O que valeria a alegria, sem o
mais nefastas conseqüências. humor? Tudo o que não é trágico, é irrisório. Eis o
que a lucidez nos ensina. E o humor acrescenta,
Humildade: Mesmo sendo possuidor de múltiplas num sorriso, que não é trágico...Verdade do humor.
virtudes, o indivíduo pode ainda abarcar mais uma, A situação é desesperadora, mas não é grave. Mas
a húmildade. Significa modéstia, compostura, há rir e rir, e cumpre distinguir aqui o humor da
ausência de vaidade. Simplicidade na maneira de ironia. A ironia não é uma virtude, é uma arma -
se apresentar. Comedimento na forma de referir-se voltada quase sempre contra outrem. É o riso mau,
a si próprio. A pessoa pode conhecer sua força e sarcástico, destruidor, o riso da zombaria, o riso que
poder, e apesar disso, não precisa jactar-se perante fere, que pode matar, é o riso que Espinosa
os outros. renuncia (não zombar, não chorar, não detestar,
mas compreender), é o riso do ódio, é o riso do
Humor: Que ele seja uma virtude poderá combate. Útil? Como não, quando necessário! Que
surpreender. Mas é que toda seriedade é arma não o é? Mas nenhuma arma é paz, nenhuma
condenável, referindo-se a nós mesmos. O humor ironia é o humor. A linguagem pode enganar.
nos preserva dela e, além do prazer que sentimos Nossos humoristas muitas vezes não passam de
com ele, é estimado por isso. “Polidez do ironistas, satiristas e, por certo, são necessários.
desespero”, dizia Vian, e a futilidade pode fazer Mas os melhores misturam os dois gêneros. Que
parte dela. É impolido dar-se ares de importância. É tristeza, se só pudéssemos rir contra! E que
ridículo levar-se a sério. Não ter humor é não ter seriedade, se só soubéssemos rir dos outros! A
humildade, é não ter lucidez, é não ter leveza, é ser ironia é isto mesmo: é um riso que se leva à sério, é
demasiado cheio de si, é estar demasiado um riso que zomba, mas não de si, é um riso que
enganado acerca de si, é ser demasiado severo ou goza da cara dos outros. Como é preciso levar-se a
demasiado agressivo, é quase sempre carecer, com sério para zombar dos outros! A ironia é essa
isto, de generosidade, de doçura, de misericórdia... seriedade, a cujos olhos tudo é ridículo. A ironia é
O excesso de seriedade, mesmo na virtude, tem esta pequenez, a cujos olhos tudo é pequeno.
algo de suspeito e inquietante, deve haver alguma Quando é fiel a si, o humor conduz antes à
ilusão ou fanatismo nisto...É virtude que se acredita humildade. Não há orgulho sem espírito de
e que, por isto, carece de virtude. Não exageremos seriedade, nem espírito de seriedade, no fundo,
porém a importância do humor. Um canalha pode sem orgulho. O humor atinge este quebrando
ter humor, um herói não pode ter. Virtude anexa, se aquele. É nisto que é essencial ao humor ser
quisermos, ou compositória, virtude leve, virtude reflexivo ou, pelo menos, englobarse no riso que ele
inessencial, virtude engraçada, em certo sentido, acarreta ou no sorriso, mesmo amargo, que ele
pois caçoa da moral, pois se contenta com ser suscita. Mas é preciso que este riso acrescente um
engraçada, mas grande qualidade, mas preciosa pouco de alegria, um pouco de doçura ou de leveza
qualidade, que por certo pode faltar a um homem à miséria do mundo, e não mais ódio, sofrimento ou

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desprezo. O riso não é tudo e não desculpa nada. relacionamentos. Proporciona bem-estar e leveza
De resto, tratando-se de males que não podemos de espírito. Irradia simpatia, conquista a amizade,
impedir ou combater, seria evidentemente desenvolve o ânimo.
condenável contentar-se com gracejar. O humor
não substitui a ação, e a insensibilidade, no que Longanimidade: Significa complacência,
concerne ao sofrimento dos outros, é uma falta. indulgência, benignidade, tolerância. Proporciona o
Mas também seria condenável, na ação ou na desenvolvimento de uma natural disposição de
inação, levar demasiado a sério seus próprios bons ânimo para suportar, com serenidade e resignação,
sentimentos, suas próprias angústias, suas próprias insultos, vexames, ofensas e contrariedades.
revoltas, suas próprias virtudes. Lucidez bem
ordenada começa por si mesmo. Daí o humor, que Maturidade: Esta virtude confere a habilidade de
pode fazer de rir de tudo conquanto ria primeiro de agir com coerência e acerto em todas as
si. O humor é uma conduta de luto (trata-se de circunstâncias. Ela proporciona o desenvolvimento
aceitar aquilo que nos faz sofrer), o que o distingue de outra fenomenal vitude, a sabedoria.
de novo da ironia, que seria antes assassina. A
ironia fere; o humor cura. A ironia pode matar; o Misericórdia: É uma qualidade ímpar nos
humor ajuda a viver. A ironia quer dominar; o humor relacionamentos humanos. Esta virtude confere às
liberta. A ironia é implacável; o humor é pessoas o dom de perdoar as faltas dos outros, de
misericordioso. A ironia é humilhante, o humor é compreender suas fraquezas, pois carrega em si a
humilde. Mas o humor não está apenas a serviço da tolerância e a compaixão.
humildade. Também vale por si mesmo: ele
transmuta a tristeza em alegria, a desilusão em Paciência: Ser paciente significa ser
comicidade...Ele desarma a seriedade, mas calmo, sereno e equilibrado. Denota controle sobre
também, por isto mesmo, o ódio, a cólera, o desejos e emoções. Afasta o desespero e a
ressentimento, o fanatismo, o espírito sistemático, a aflição. Possibilita pensamentos e julgamentos
mortificação, até mesmo a ironia. A ironia diz não imparciais e objetivos.
(muitas vezes fingindo dizer sim); o humor diz sim,
sim apesar de tudo, sim apesar dos pesares, A Polidez: A polidez é a primeira virtude e, quem
inclusive a tudo que o humorista, enquanto sabe, a origem de todas. É também a mais pobre, a
indivíduo, é incapaz de aceitar. Humor é amor; mais superficial, a mais discutível. Será apenas
ironia é desprezo. Em todo o caso, não há humor uma virtude? Pequena virtude, em todo o caso. A
sem um mínimo de simpatia. Simpatia na dor, polidez faz pouco caso da moral e a moral da
simpatia no desamparo, simpatia na fragilidade, na polidez. Um nazista polido em que altera o
angústia, na vaidade, na insignificância universal de nazismo? Em que altera o horror? Em nada, é claro,
tudo... O homem de humor, dizia Aristóteles, ri como e a polidez está bem caracterizada por esse nada.
se deve (nem de mais nem de menos), quando se Virtude puramente formal, virtude de etiqueta,
deve e do que se deve...Mas quem decide isto é só virtude de aparato! A aparência, pois, de uma
o humor, que pode rir de tudo, inclusive de virtude, e somente a aparência. Se a polidez é um
Aristóteles, inclusive do meio-termo, inclusive do valor, o que não se pode negar, é um valor
humor... O humor é uma desilusão alegre. É nisto ambíguo, em si insuficiente pode encobrir tanto o
que é duplamente virtuoso, ou pode sê-lo: como melhor, como o pior - e, como tal, quase suspeito.
desilusão, tem a ver com a lucidez (portanto da Esse trabalho sobre a forma deve ocultar alguma
boa-fé); como alegria, tem a ver com o amor e com coisa, mas o quê? É um artifício, e desconfiamos
tudo. O espírito, repitamos com Alain, zomba de dos artifícios. É um enfeite, e desconfiamos dos
tudo. Quando zomba do que detesta ou despreza, é enfeites. Há a polidez insultante dos grandes, e
ironia. Quando zomba do que ama ou estima, é também aquela, obsequiosa e servil, dos pequenos.
humor. O que mais amo, o que estimo mais Há pior. Um canalha polido não é menos ignóbil que
facilmente? “Eu mesmo”, como dizia Desproges. outro, talvez até seja mais. Por causa da hipocrisia?
Isso diz o suficiente sobre a grandeza do humor, e É duvidoso, porque a polidez não tem pretensões
sobre a sua raridade. Como não seria uma virtude? morais. O canalha polido poderia facilmente ser
cínico, aliás, sem por isto faltar com a polidez nem
Introspecção: É a pedra fundamental de todas as com a maldade. Mas, então, por que ele choca?
virtudes. Graças a ela, o ser humano torna-se Pelo contraste? Sem dúvida. O contraste entre a
capaz de avaliar e transformar sua personalidade. aparência de uma virtude e a ausência de todas as
Mergulhar no interior de si mesmo é uma condição outras, entre a aparência de uma virtude e a
necessária para o auto-a-perfeiçoamento. Esta presença de vícios, ou antes, do único real, que é a
virtude desperta os poderes pessoais e harmoniza maldade. A isto se acrescenta o seguinte que,
todo o ser. parece é de ordem ética: a polidez torna o mau
mais odiável porque denota nele uma educação
Jovialidade: O dom de ser alegre, bem-humorado, sem a qual sua maldade, de certa forma, seria
de rir e fazer rir, é uma qualidade indispensável desculpável. O canalha polido é o contrário de uma
para a existência da harmonia nos fera, e ninguém quer mal às feras. É o contrário do

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selvagem, e os selvagens são desculpados. É o virtuoso. Mas como, se já não somos? “As coisas
contrário de um bruto crasso, grosseiro, inculto, que que é preciso ter aprendido para fazelas”, diz
decerto é assustador, mas cuja violência nativa e Aristóteles, “é fazendo que aprendemos”. Como
bitolada pelo menos poderia ser explicada pela faze-las, porém, sem as ter aprendido? “É
incultura. O canalha polido não é uma fera, não é praticando ações justas que nos tornamos justos”.
um selvagem, não é um bruto; ao contrário, é Mas como agir justamente sem ser justo? Pelo
civilizado, educado, bem-criado e, com isto, não hábito, responde Aristóteles, mas a resposta é
tem desculpa. A polidez não é uma virtude e não insuficiente: o hábito supõe a existência anterior
poderia fazer as vezes de nenhuma. Por que então daquilo a que nos habituamos. Kant nos esclarece
dizer que ela é a primeira, e talvez a origem de melhor, ao explicar esses primeiro simulacros da
todas? É menos contraditório do que parece. Por virtude pela disciplina, isto é, pela coerção externa:
que primeira? Falo segundo a ordem do tempo e do o que a criança, por falta de instinto, não pode fazer
indivíduo. O recém-nascido não tem moral, nem por si mesma, “é preciso que outros façam por ela”,
poderia ter. Tampouco o bebê e, por algum tempo, a e é assim que “uma geração educa outra”. Ora, o
criança. O que ela descobre, em compensação, e que é esta disciplina na família, senão, antes de
bem cedo, são as proibições. “Não faça isso: é sujo, tudo, o respeito dos usos e das boas maneiras?
é ruim, é feio, é maldade...” Ou: “É perigoso”, e logo Disciplina normativa mais do que coercitiva, que
a criança saberá diferenciar entre o que é mau (o visa menos à ordem do que a certa sociabilidade
erro) e o que faz mal (o perigo). O fato precede o amável - disciplina não de polícia, mas de polidez.
direito, para a criança, ou antes, o direito é apenas O saber-viver não é a vida; a polidez não é a moral.
um fato como outro qualquer. Há o que é permitido Mas não quer dizer que não seja nada. A polidez é
e o que é proibido, o que se faz e o que não se faz. uma pequena coisa, que prepara grandes coisas. A
Bem? Mal? A regra basta, ela precede o julgamento polidez não é uma virtude, mas uma qualidade, e
e o funda (pura convenção). Regra puramente uma qualidade apenas formal. Que os seres
formal, regra de polidez! Não dizer palavrões, não inteligentes e virtuosos não sejam dispensados
interromper as pessoas, não empurrá-las, não dela, é mais do que claro. Pode ser que tudo não
roubar, não mentir...Todas estas proibições se seja mais que uso e respeito do uso - que tudo não
apresentam identicamente para a criança: “é feio!”. seja mais que polidez. Não creio, porém. O amor
A distinção entre o que é ético e o que é estético só resiste, e a doçura, e a compaixão. A polidez não é
virá mais tarde, e progressivamente. Portanto, a tudo, é quase nada. Mas o homem, também, é
polidez é anterior à moral, ou antes, a moral a quase um animal.
princípio é apenas polidez: submissão ao uso, à
regra instituída, ao jogo normativo das aparências - Precisão: Esta qualidade proporciona clareza e
submissão ao mundo e às maneiras do mundo. O perfeita definição. Na presença de exatidão, os
homem só pode tornar-se homem pela educação, pensamentos, palavras e ações serão apropriados
ele é apenas o que a educação faz dele, e é a a cada circunstância. A virtude em questão
disciplina que transforma a animalidade em possibilita a habilidade de fazer as coisas de forma
humanidade. O uso é anterior ao valor, a obediência correta. Graças ao autocontrole, paciência,
ao respeito, e a imitação ao dever. A polidez, por serenidade, conhecimento de causa, este dom pode
conseguinte (“isto não se faz”) é anterior à moral prosperar, trazendo benefícios incalculáveis ao
(“isto não se deve fazer”), a qual só se constituirá progresso e bem-estar.
pouco a pouco, como uma polidez interiorizada,
livre de aparências e de interesses, toda Pureza: Significa ausência de vícios de toda ordem.
concentrada na intenção (com a qual a polidez nada Presença de uma mente sã, plena de amor e
tem a ver). Mas como esta moral emergiria se a justiça, isenta de máculas, livre de preconceitos e
polidez não fosse dada primeiro? As boas maneiras superstições.
precedem as boas ações e levam a estas. A moral é
como uma polidez da alma, um saber viver de si Sabedoria: A conquista da maturidade
para consigo (ainda que se trate, sobretudo, do proporciona o surgimento da sabedoria. Esta virtude
outro), uma etiqueta de vida interior, um código de confere o poder de controlar impulsos e reações, ter
nossos deveres, um cerimonial do essencial. uma visão de águia, reconhecer a verdadeira
Inversamente, a polidez é como uma moral do intuição, ser previdente. A pessoa que conquistou o
corpo, uma ética do comportamento, um código da poder da sabedoria é capaz de agir de forma
vida social, um cerimonial da superfície. “Moeda de correta, em todas as circunstâncias, com base
papel”, mas é melhor do que nada e que seria tão em conhecimentos vastos, em sua longa
louco suprimir quanto tomar por ouro verdadeiro; experiência, na própria realidade. Pode-se
“uns trocados”, que não passam de aparência de observar o perfeito equilíbrio de todos os poderes e
virtude, mas que a tornam amável. E que criança se talentos quando a sabedoria está presente.
tornaria virtuosa sem esta aparência e amabilidade?
A moral começa, pois, no ponto mais baixo - pela  Autonomia e Responsabilidade
polidez - e de algum modo tem de começar.
Nenhuma virtude é natural; logo é preciso tornar-se

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Os limites estão começando a se a estender-se, mas a capacidade de persuadir e de convencer, a
e, cda vez mais, admitimos novas possibilidades de possibilidade de os homens se ouvirem, de se en-
novas concepções sobre o entendimento da vida, e tenderem, de debaterem, de criticarem, de apresen-
do mundo. Percebemos as imensas probabilidades tarem razões, de chegarem a consensos ou, pelo
de formas e ângulos a enxergamos numa mesma menos, a acordos que possam valer para a comu-
situação, e a aceitação da diversidade nos seres já nidade. O regime democrático imperfeito nas suas
é algo quase que geral na sociedade. Não é a toa raízes helénicas e limitado nos regimes liberais é
as discussões e debates dos educadores a cerca hoje o mais frágil e fraco dos regimes. De tal modo
da diversidade, que mesmo sendo tão natural e que quando perguntaram a Winton Churchill o que
notória nos amedronta. Não é por acaso os diversos pensava da democracia ele terá respondido que
escritos, e produção científica sobre tecnologia e seria “O pior dos regimes com a excepção de to-dos
educação, avanços e novidades nesse âmbito, que os outros. Os mais recentes acontecimentos que
embora estejam obedecendo o caminho normal, lamentavelmente se vêm registando no nosso país:
evolutivo do ser humano, ainda nos defendemos. os escândalos políticos, as fugas ao fisco, os
Mas, por que será que ainda resistimos tanto a nos abusos sexuais sobre menores, as corrupções, os
perceber livres e capazes? Por que é que nós ainda abusos do poder, o clima de suspeições genera-
não nos admitimos, todos, com potencial suficiente lizadas bem como o clima - insuportável - de impu-
para refletir e se auto gerir, se as práticas nidade do qual, aparentemente, as figuras mais
humanas , embora diferentes nos apontam que importantes e mais mediáticas beneficiam, levam os
podemos e devemos responsabilizar-mos por nosso cidadãos menos preparados a questionarem o fun-
processo formador? Porém, o problema está aí. cionamento do nosso regime democrático e a dele
Todos nós já sabemos disso. Mas criamos a descrerem. O último episódio - absolutamente into-
organização social, e usamos nosso poder criativo lerável -, que hoje, Domingo, revejo na televisão, foi
só dentro dos limites desa organização, embora a a agressão vil e cobarde de um grupo por demais
própria organização peça uma atuação diferente, exaltado, ao dirigente da Comissão Política da
por que senão evoluímos de um lado, pra um Distrital do Porto do partido socialista. Esta aber-
aspecto, e regredimos de outro pra um outro ração foi levada a cabo, imagine-se, pelos próprios
aspecto, e assim sucessivamente e por diante... correligionários de partido. Tão chocante como a
Autonomia sem liberdade não existe. E liberdade agressão é a ausência de espírito crítico e mesmo a
com limites, não é liberdade. perspectiva amoral demonstrada por algumas pes-
soas entrevistadas (felizmente uma minoria). O
princípio do livre-exame não é independente de
3. ÉTICA E DEMOCRACIA: uma concepção democrática da sociedade. O livre
EXERCÍCIOS DA CIDADANIA arbítrio e a capacidade de decisão inerente impli-
cam a defesa activa da democracia constitucional. A
A democracia é, neste início do século XXI, um democracia é um regime menos eficaz do que um
imperativo decorrente da contemporaneidade. Os regime autoritário. Donde resulta que é sempre um
ideais de liberdade, igualdade e fraternidade mais regime ameaçado, sempre precário e que é preciso
do que proclamados exigem a vivência democrá- defender. As fragilidades do regime democrático
tica. A democracia não se proclama: pratica-se. Não advêm-lhe de: não sendo impositivo, estar exposto
nos esqueçamos que para os gregos - que a in- ao crivo da análise e da crítica; não visando per-
ventaram - democracia significava: “governo dos e petuar o exercício do poder, possibilitar a instabi-
pelos cidadãos”. Representativa, ela exige - hoje - lidade; apregoando o pluralismo, tornar-se, aparen-
dos cidadãos competências que respeitem os seus temente, mais débil. Mas não esqueçamos que por
princípios, regras e mecanismos - princípio da mai- trás deste frágil, porque flexível, sistema estão
oria, da igualdade formal, da representação de to- pessoas que procuram a liberdade que lhes dá sen-
dos, do parlamentarismo; pluralismo e existência de tido a uma vida em que se persiste a luta pela digni-
oposição, a garantia do respeito das liberdades pú- dade humana, que consiste, na própria capacidade
blicas fundamentais (expressão, reunião, opinião); de resistir a tudo o que seja intolerante ou que se
leis consagradas numa Constituição, Tribunais... A apresente sem ponta de razoabilidade. A democra-
vigilância, o controlo e o respeito pelas instituições cia hodierna não se pode compreender sem a
são palavras de ordem que na era da globalização referência à liberdade. Toda a liberdade implica uma
económica e mediática urge relembrar e praticar. A certa desordem tal como toda a ordem implica um
concepção do homem como sujeito livre fez da de- certo constrangimento. É dentro destes parâme-tros
mocracia um valor: ela corresponde quer à exigên- que temos de saber construir permanente-mente o
cia de reconhecer a liberdade, quer ao meio político nosso regime democrático.
de fazer existir a liberdade. Apesar de algumas dis-
crepâncias o ideal democrática é reinvindicado tan-
to pelo liberalismo como pelo anarquismo ou pelo 4. ÉTICA E FUNÇÃO PÚBLICA
socialismo. Para os gregos o pressuposto da demo-
cracia é o da regulação das relações entre os ho- Ética na Administrtação Pública
mens, não é a violência nem a lei do mais forte,
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Ética, segundo o Dicionário de Língua sentido mais relevante. Como princípios éticos que
Portuguesa de Laudelino Freire, é a ciência da devem nortear a Administração Pública, em
moral, consubstanciando princípios que determinam conexão com o agir dos servidores públicos e
o caráter virtuoso e os hábitos que levam a um autoridades que a integram, podemos destacar:
procedimento honrado e íntegro,limpo e
transparente, irradiando discrição, sobriedade, I - Princípio do Serviço Público: Vincular
altivez, decência de propósitos e inatacável o serviço exclusivamente à comunidade e
credibilidade. Os primeiros filósofos que procuraram dos cidadãos, prevalecendo sempre o
analisar mais profundamente a Ética foram interesse público sobre os interesses
Aristóteles (384-322 a.C), em sua obra Ética a particulares ou de grupo.
Nicômaco, além de Sócrates (470-399 a.C) e Platão
(427-347 a.C), nos tempos áureos da Grécia, em II - Princípio da Legalidade: Atuar
Atenas, centro cultural do mundo grego, no século conforme os princípios insculpidos na Carta
V a.C., ocasião em que resultou intensificado o Magna e o complexo de leis vigentes.
afastamento da compreensão do mundo baseada
em relatos místicos. Posteriormente, outros III - Princípio da Justiça e da
pensadores e filósofos escreveram sobre Ética, Imparcialidade: Tratar justa e
podendo ser citados Descartes (1632-1677), imparcialmente todos os cidadãos, atuando
Spinoza (1632-1677), Nicolau Machiavelli (1469- segundo rigorosos princípios de
1527), Galileu Galilei (1770-1831), Emmanuel Kant neutralidade.
(1724-1804), Fichet (1762-1814), George Wilhelm
Friedrich Hegel (1770-1831) e Jeremias Bentham IV - Princípio da Igualdade: Agir de forma
(1748-1832). Ética, cujo objeto é a moral, é uma a não beneficiar ou prejudicar o cidadão ou
palavra de origem grega, decorrendo do termo um outro servidor público, em função de
“ethos”, duas vertentes estudadas. Na primeira, sua ascendência, sexo, raça, língua,
“ethos”, significa o costume, pautado no conjunto de convicções políticas, ideológicas ou
valores e hábitos consagrados pela tradição cultural religiosas, situação econômica ou condição
de um determinado povo, traduzindo-se, social.
comumente, pela moral. Na segunda, “éthos”, diz
respeito à propriedade do caráter, expressando as V - Princípio da Proporcionalidade: Exigir
atitudes e os esforços do ser humano na prática e a dos cidadãos somente o indispensável à
aplicação dos valores do bem, criando sentido para realização da atividade administrativa.
a sua própria existência, em relação ao mundo e à
convivência com os seus semelhantes. A ética, VI - Princípio da Colaboração e da Boa
também, encontra-se inserida no universo de Fé: Colaborar com os cidadãos, segundo os
determinados Códigos, conjunto de normas, regras, princípios da boa fé, tendo em vista a
princípios, traduzidas nas maneiras de pensar e realização do interesse da coletividade,
agir, vinculadas e aplicadas às ações de um grupo fomentando, inclusive, a sua participação
em particular, congregando, ainda, o estudo na realização da atividade administrativa.
sistemático da argumentação sobre como nós
devemos agir (filosofia moral). O tema é vastíssimo VII - Princípio da Informação e da
em relação à ética, sendo aplicada à esfera Qualidade: Prestar informações e/ou
individual do ser humano e por ocasião do exercício esclarecimentos de forma clara, precisa,
de determinadas ações, cargos, funções, simples, cortês e rápida.
profissões, etc. No momento presente, cumpre-nos,
objetivamente, abordar o tema, no tocante à ética VIII - Princípio da Lealdade: Agir de forma
na seara da Administração Pública, compreendendo leal, solidária e cooperante.
órgãos, pessoas jurídicas, agentes públicos e
servidores incumbidos de exercer as funções IX - Princípio da Integridade: Reger seus
tipificadas na esfera do Poder Público. Com efeito, atos segundo os critérios de honestidade
em sede de Organização Político-Administrativa da pessoal e de integridade de caráter.
República, em nosso País, a Administração Pública
direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, X - Princípio da Competência e
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, Responsabilidade: Agir sempre de forma
reúne um papel fundamental no desenvolvimento responsável e competente, dedicada e
da sociedade atual, regendo-se pela observância mediante o exercício da crítica construtiva,
dos princípios da legalidade, impessoalidade, empenhando-se na valorização profissional.
moralidade, publicidade e eficiência. A finalidade do
Estado, contudo, somente poderá ser atingida em Entretanto, o arcabouço jurídico existente nos
sua plenitude se o exercício da função pública dispositivos constitucionais e infraconstitucionais
revestir suas ações dos valores éticos universais, vigentes e a ação de autoridades e servidores de
na persecução do interesse público geral, em seu bem, não têm sido suficientes para reprimir a

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prática de condutas reprováveis na seara dos O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das
Poderes Institucionais, estando o País continuando atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI,
a vivenciar, lamentavelmente, a nefasta infiltração e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da
de condutas antiéticas na Administração Pública, Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei
contaminando-a e alcançando autoridades públicas n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts.
e servidores em atos de corrupção, desmandos, 10, 11 e 12 da Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992,
licitações fraudulentas, etc., com reflexos por DECRETA:
demais negativos em relação à sociedade
brasileira. Urge, pois, a adoção de medidas Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional
enérgicas na Administração Pública, visando coibir do Servidor Público Civil do Poder Executivo
toda e qualquer ação que se contraponha à ética, Federal, que com este baixa.
deflagrando verdadeira cruzada ao resgate dos
valores éticos universais, em prol do interesse Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração
público alusivo à sociedade e, inclusive, sobre o Pública Federal direta e indireta implementarão, em
engajamento de sua fundamental participação em sessenta dias, as providências necessárias à plena
movimentos sociais para que tal desiderato se torne vigência do Código de Ética, inclusive mediante a
uma realidade. Neste contexto de combatentes se Constituição da respectiva Comissão de Ética,
alinha, induvidosamente, a presença da Advocacia integrada por três servidores ou empregados
Pública, a qual deve ser valorizada, prestigiada e titulares de cargo efetivo ou emprego permanente.
reconhecida em seu fundamental mister Parágrafo único. A constituição da Comissão de
institucional de ensejar melhor orientação jurídica e Ética será comunicada à Secretaria da
ética a ser trilhada no âmbito da Administração Administração Federal da Presidência da
Pública, contribuindo por evitar a malversação do República, com a indicação dos respectivos
dinheiro público, além de assegurar e resguardar a membros titulares e suplentes.
plena observância que se impõe aos princípios
constitucionais, em prol do interesse público. Para Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua
finalizarmos esse breve comentário e reflexão sobre publicação.
ética, permitimo-nos invocar Kant, em seu
imperativo categórico que define a ética, traduzida Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da
na seguinte regra áurea: “Aja tu de tal modo que tu Independência e 106° da República.
trates a humanidade, tanto em tua pessoa, quanto
na pessoa de qualquer outro, sempre, ao mesmo Este texto não substitui o publicado no DOU de
tempo, como um fim e jamais como simples meio”. 23.6.1994.
A título de corolário das razões supracitadas, é
possível que todos nós possamos vivenciar,
diuturnamente, a ética, revestida como sendo o
fator preponderante de equilíbrio e harmonia no ANEXO
Poder Público, o fiel da balança, o prumo
indispensável que informa a necessidade de ser Código de Ética Profissional do
praticado, sempre e sempre, o BOM EXEMPLO. Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal

5. ÉTICA NO SETOR PÚBLICO. 5.1. CAPÍTULO I


CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO
SERVIÇO PÚBLICO - DECRETO Nº Seção I
1.171/1994. 5.2. LEI Nº 8.112/1990 E Das Regras Deontológicas
ALTERAÇÕES: RE-GIME DISCIPLINAR
(DEVERES E PROIBIÇÕES, ACUMULAÇÃO, I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a
consciência dos princípios morais são primados
RESPONSABILIDADES, PENALIDADES).
maiores que devem nortear o servidor público, seja
5.3. LEI Nº 8.429/ 1992: DAS DISPOSIÇÕES no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já
GERAIS, DOS ATOS DE IMPROBIDADE que refletirá o exercício da vocação do próprio
ADMINISTRATIVA poder estatal. Seus atos, comportamentos e
atitudes serão direcionados para a preservação da
 Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994 honra e da tradição dos serviços públicos.
II - O servidor público não poderá jamais desprezar
Aprova o Código de Ética Profissio- o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá
nal do Servidor Público Civil do Po- que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo
der Executivo Federal. e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o
oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o
honesto e o desonesto, consoante as regras

12
contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas
Federal. principalmente grave dano moral aos usuários dos
III - A moralidade da Administração Pública não se serviços públicos.
limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser XI - 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às
acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem ordens legais de seus superiores, velando
comum. O equilíbrio entre a legalidade e a atentamente por seu cum-primento, e, assim,
finalidade, na conduta do servidor público, é que evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o
poderá consolidar a moralidade do ato descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às
administrativo. vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo
IV- A remuneração do servidor público é custeada imprudência no desempenho da função pública.
pelos tributos pagos direta ou indiretamente por XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu
todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como local de trabalho é fator de desmoralização do
contrapartida, que a moralidade administrativa se serviço público, o que quase sempre conduz à
integre no Direito, como elemento indissociável de desordem nas relações humanas.
sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, XIII - 0 servidor que trabalha em harmonia com a
como conseqüência, em fator de legalidade. estrutura organizacional, respeitando seus colegas
V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público e cada concidadão, colabora e de todos pode
perante a comunidade deve ser entendido como receber colaboração, pois sua atividade pública é a
acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como grande oportunidade para o crescimento e o
cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse engrandecimento da Nação.
trabalho pode ser considerado como seu maior
patrimônio.
VI - A função pública deve ser tida como exercício Seção II
profissional e, portanto, se integra na vida particular Dos Principais Deveres do Servidor Público
de cada servidor público. Assim, os fatos e atos
verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida XIV - São deveres fundamentais do servidor
privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom público:
conceito na vida funcional. a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo,
VII - Salvo os casos de segurança nacional, função ou emprego público de que seja titular;
investigações policiais ou interesse superior do b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e
Estado e da Administração Pública, a serem rendimento, pondo fim ou procurando
preservados em processo previamente declarado prioritariamente resolver situações procrastinatórias,
sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de principalmente diante de filas ou de qualquer outra
qualquer ato administrativo constitui requisito de espécie de atraso na prestação dos serviços pelo
eficácia e moralidade, ensejando sua omissão setor em que exerça suas atribuições, com o fim de
comprometimento ético contra o bem comum, evitar dano moral ao usuário;
imputável a quem a negar. c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a
VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor integridade do seu caráter, escolhendo sempre,
não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária quando estiver diante de duas opções, a melhor e a
aos interesses da própria pessoa interessada ou da mais vantajosa para o bem comum;
Administração Pública. Nenhum Estado pode d) jamais retardar qualquer prestação de contas,
crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo condição essencial da gestão dos bens, direitos e
do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que serviços da coletividade a seu cargo;
sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços
quanto mais a de uma Nação. aperfeiçoando o processo de comunicação e
IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo contato com o público;
dedicados ao serviço público caracterizam o esforço f) ter consciência de que seu trabalho é regido por
pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga princípios éticos que se materializam na adequada
seus tributos direta ou indiretamente significa prestação dos serviços públicos;
causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e
dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio atenção, respeitando a capacidade e as limitações
público, deteriorando-o, por descuido ou má individuais de todos os usuários do serviço público,
vontade, não constitui apenas uma ofensa ao sem qualquer espécie de preconceito ou distinção
equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião,
todos os homens de boa vontade que dedicaram cunho político e posição social, abstendo-se, dessa
sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e forma, de causar-lhes dano moral;
seus esforços para construí-los. h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum
X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à temor de representar contra qualquer
espera de solução que compete ao setor em que comprometimento indevido da estrutura em que se
exerça suas funções, permitindo a formação de funda o Poder Estatal;
longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na i) resistir a todas as pressões de superiores
prestação do serviço, não caracteriza apenas hierárquicos, de contratantes, interessados e outros

13
que visem obter quaisquer favores, benesses ou d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o
vantagens indevidas em decorrência de ações exercício regular de direito por qualquer pessoa,
imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las; causando-lhe dano moral ou material;
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas e) deixar de utilizar os avanços técnicos e
exigências específicas da defesa da vida e da científicos ao seu alcance ou do seu conhecimento
segurança coletiva; para atendimento do seu mister;
l) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias,
que sua ausência provoca danos ao trabalho caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal
ordenado, refletindo negativamente em todo o interfiram no trato com o público, com os
sistema; jurisdicionados administrativos ou com colegas
m) comunicar imediatamente a seus superiores hierarquicamente superiores ou inferiores;
todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber
público, exigindo as providências cabíveis; qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação,
n) manter limpo e em perfeita ordem o local de prêmio, comissão, doação ou vantagem de
trabalho, seguindo os métodos mais adequados à qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer
sua organização e distribuição; pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para
o) participar dos movimentos e estudos que se influenciar outro servidor para o mesmo fim;
relacionem com a melhoria do exercício de suas h) alterar ou deturpar o teor de documentos que
funções, tendo por escopo a realização do bem deva encaminhar para providências;
comum; i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que
p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas necessite do atendimento em serviços públicos;
adequadas ao exercício da função; j) desviar servidor público para atendimento a
q) manter-se atualizado com as instruções, as interesse particular;
normas de serviço e a legislação pertinentes ao l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente
órgão onde exerce suas funções; autorizado, qualquer documento, livro ou bem
r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e pertencente ao patrimônio público;
as instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas
função, tanto quanto possível, com critério, no âmbito interno de seu serviço, em benefício
segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros;
boa ordem. n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora
s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços dele habitualmente;
por quem de direito; o) dar o seu concurso a qualquer instituição que
t) exercer com estrita moderação as prerrogativas atente contra a moral, a honestidade ou a dignidade
funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de da pessoa humana;
fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos p) exercer atividade profissional aética ou ligar o
usuários do serviço público e dos jurisdicionados seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso.
administrativos;
u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua
função, poder ou autoridade com finalidade CAPÍTULO II
estranha ao interesse público, mesmo que DAS COMISSÕES DE ÉTICA
observando as formalidades legais e não
cometendo qualquer violação expressa à lei; XVI - Em todos os órgãos e entidades da
v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua Administração Pública Federal direta, indireta
classe sobre a existência deste Código de Ética, autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou
estimulando o seu integral cumprimento. entidade que exerça atribuições delegadas pelo
poder público, deverá ser criada uma Comissão de
Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a
Seção III ética profissional do servidor, no tratamento com as
Das Vedações ao Servidor Público pessoas e com o patrimônio público, competindo-
lhe conhecer concretamente de imputação ou de
XV - E vedado ao servidor público; procedimento susceptível de censura.
a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, XVII -- Cada Comissão de Ética, integrada por três
tempo, posição e influências, para obter qualquer servidores públicos e respectivos suplentes, poderá
favorecimento, para si ou para outrem; instaurar, de ofício, processo sobre ato, fato ou
b) prejudicar deliberadamente a reputação de conduta que considerar passível de infringência a
outros servidores ou de cidadãos que deles princípio ou norma ético-profissional, podendo ainda
dependam; conhecer de consultas, denúncias ou
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, representações formuladas contra o servidor
conivente com erro ou infração a este Código de público, a repartição ou o setor em que haja
Ética ou ao Código de Ética de sua profissão; ocorrido a falta, cuja análise e deliberação forem
recomendáveis para atender ou resguardar o
exercício do cargo ou função pública, desde que

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formuladas por autoridade, servidor, jurisdicionados XXIV - Para fins de apuração do comprometimento
administrativos, qualquer cidadão que se identifique ético, entende-se por servidor público todo aquele
ou quaisquer entidades associativas regularmente que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato
constituídas. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de jurídico, preste serviços de natureza permanente,
2007) temporária ou excepcional, ainda que sem
XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos retribuição financeira, desde que ligado direta ou
organismos encarregados da execução do quadro indiretamente a qualquer órgão do poder estatal,
de carreira dos servidores, os registros sobre sua como as autarquias, as fundações públicas, as
conduta ética, para o efeito de instruir e entidades paraestatais, as empresas públicas e as
fundamentar promoções e para todos os demais sociedades de economia mista, ou em qualquer
procedimentos próprios da carreira do servidor setor onde prevaleça o interesse do Estado.
público. XXV - Em cada órgão do Poder Executivo Federal
XIX - Os procedimentos a serem adotados pela em que qualquer cidadão houver de tomar posse ou
Comissão de Ética, para a apuração de fato ou ato ser investido em função pública, deverá ser
que, em princípio, se apresente contrário à ética, prestado, perante a respectiva Comissão de Ética,
em conformidade com este Código, terão o rito um compromisso solene de acatamento e
sumário, ouvidos apenas o queixoso e o servidor, observância das regras estabelecidas por este
ou apenas este, se a apuração decorrer de Código de Ética e de todos os princípios éticos e
conhecimento de ofício, cabendo sempre recurso morais estabelecidos pela tradição e pelos bons
ao respectivo Ministro de Estado. (Revogado pelo costumes. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de
Decreto nº 6.029, de 2007) 2007)
XX - Dada a eventual gravidade da conduta do
servidor ou sua reincidência, poderá a Comissão de
Ética encaminhar a sua decisão e respectivo  Lei nº 8.112/1990
expediente para a Comissão Permanente de
Processo Disciplinar do respectivo órgão, se Título IV
houver, e, cumulativamente, se for o caso, à Do Regime Disciplinar
entidade em que, por exercício profissional, o
servidor público esteja inscrito, para as providências Capítulo I
disciplinares cabíveis. O retardamento dos Dos Deveres
procedimentos aqui prescritos implicará
comprometimento ético da própria Comissão, Art. 116. São deveres do servidor:
cabendo à Comissão de Ética do órgão I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do
hierarquicamente superior o seu conhecimento e cargo;
providências. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de II - ser leal às instituições a que servir;
2007) III - observar as normas legais e regulamentares;
XXI - As decisões da Comissão de Ética, na análise IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando
de qualquer fato ou ato submetido à sua apreciação manifestamente ilegais;
ou por ela levantado, serão resumidas em ementa V - atender com presteza:
e, com a omissão dos nomes dos interessados, a) ao público em geral, prestando as informações
divulgadas no próprio órgão, bem como remetidas requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo;
às demais Comissões de Ética, criadas com o fito b) à expedição de certidões requeridas para defesa
de formação da consciência ética na prestação de de direito ou esclarecimento de situações de
serviços públicos. Uma cópia completa de todo o interesse pessoal;
expediente deverá ser remetida à Secretaria da c) às requisições para a defesa da Fazenda
Administração Federal da Presidência da Pública.
República. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de VI - levar ao conhecimento da autoridade superior
2007) as irregularidades de que tiver ciência em razão do
XXII - A pena aplicável ao servidor público pela cargo;
Comissão de Ética é a de censura e sua VII - zelar pela economia do material e a
fundamentação constará do respectivo parecer, conservação do patrimônio público;
assinado por todos os seus integrantes, com ciência VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;
do faltoso. IX - manter conduta compatível com a moralidade
XXIII - A Comissão de Ética não poderá se eximir de administrativa;
fundamentar o julgamento da falta de ética do X - ser assíduo e pontual ao serviço;
servidor público ou do prestador de serviços XI - tratar com urbanidade as pessoas;
contratado, alegando a falta de previsão neste XII - representar contra ilegalidade, omissão ou
Código, cabendo-lhe recorrer à analogia, aos abuso de poder.
costumes e aos princípios éticos e morais Parágrafo único. A representação de que trata o
conhecidos em outras profissões; (Revogado pelo inciso XII será encaminhada pela via hierárquica e
Decreto nº 6.029, de 2007) apreciada pela autoridade superior àquela contra a

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qual é formulada, assegurando-se ao X - participar de gerência ou administração de
representando ampla defesa. sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto na
qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
Capítulo II (Redação dada pela Lei nº 11.784, de 2008
Das Proibições XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a
repartições públicas, salvo quando se tratar de
Art. 117. Ao servidor é proibido: (Vide Medida benefícios previdenciários ou assistenciais de
Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, companheiro;
sem prévia autorização do chefe imediato; XII - receber propina, comissão, presente ou
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade vantagem de qualquer espécie, em razão de suas
competente, qualquer documento ou objeto da atribuições;
repartição; XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de
III - recusar fé a documentos públicos; estado estrangeiro;
IV - opor resistência injustificada ao andamento de XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;
documento e processo ou execução de serviço; XV - proceder de forma desidiosa;
V - promover manifestação de apreço ou desapreço XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da
no recinto da repartição; repartição em serviços ou atividades particulares;
VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora XVII - cometer a outro servidor atribuições
dos casos previstos em lei, o desempenho de estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de de emergência e transitórias;
seu subordinado; XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de incompatíveis com o exercício do cargo ou função e
filiaremse a associação profissional ou sindical, ou a com o horário de trabalho;
partido político; XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais
VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou quando solicitado. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
função de confiança, cônjuge, companheiro ou 10.12.97)
parente até o segundo grau civil; Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso X
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal não se aplica nos seguintes casos: (Incluído pela
ou de outrem, em detrimento da dignidade da Medida Provisória nº 431, de 2008).
função pública; I - participação nos conselhos de administração e
X - participar de gerência ou administração de fiscal de empresas ou entidades em que a União
empresa privada, de sociedade civil, ou exercer o detenha, direta ou indiretamente, participação no
comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista capital social ou em sociedade cooperativa
ou comanditário; constituída para prestar serviços a seus membros; e
X - participar de gerência ou administração de (Incluído pela Medida Provisória nº 431, de 2008).
empresa privada, sociedade civil, salvo a II - gozo de licença para o trato de interesses
participação nos conselhos de administração e particulares, na forma do art. 91, observada a
fiscal de empresas ou entidades em que a União legislação sobre conflito de interesses. (Incluído
detenha, direta ou indiretamente, participação do pela Medida Provisória nº 431, de 2008).
capital social, sendo-lhe vedado exercer o Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso X
comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista do caput deste artigo não se aplica nos seguintes
ou comanditário; (Redação dada pela Medida casos: (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008
Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) I - participação nos conselhos de administração e
X - participar de gerência ou administração de fiscal de empresas ou entidades em que a União
sociedade privada, personificada ou não detenha, direta ou indiretamente, participação no
personificada, salvo a participação nos conselhos capital social ou em sociedade cooperativa
de administração e fiscal de empresas ou entidades constituída para prestar serviços a seus membros;
em que a União detenha, direta ou indiretamente, e (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008
participação no capital social ou em sociedade II - gozo de licença para o trato de interesses
cooperativa constituída para prestar serviços a seus particulares, na forma do art. 91 desta Lei,
membros, e exercer o comércio, exceto na observada a legislação sobre conflito de interesses.
qualidade de acionista, cotista ou comanditário; (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008
(Redação dada pela Lei nº 11.094, de 2005)
X - participar de gerência ou administração de
sociedade privada, personificada ou não Capítulo III
personificada, exercer o comércio, exceto na Da Acumulação
qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
(Redação dada pela Medida Provisória nº 431, de Art. 118. Ressalvados os casos previstos na
2008). Constituição, é vedada a acumulação remunerada
de cargos públicos.

16
§ 1o A proibição de acumular estende-se a cargos, Das Responsabilidades
empregos e funções em autarquias, fundações
públicas, empresas públicas, sociedades de Art. 121. O servidor responde civil, penal e
economia mista da União, do Distrito Federal, dos administrativamente pelo exercício irregular de suas
Estados, dos Territórios e dos Municípios. atribuições.
§ 2o A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica
condicionada à comprovação da compatibilidade de Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato
horários. omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que
§ 3o Considera-se acumulação proibida a resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.
percepção de vencimento de cargo ou emprego § 1o A indenização de prejuízo dolosamente
público efetivo com proventos da inatividade, salvo causado ao erário somente será liquidada na forma
quando os cargos de que decorram essas prevista no art. 46, na falta de outros bens que
remunerações forem acumuláveis na atividade. assegurem a execução do débito pela via judicial.
(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) § 2o Tratando-se de dano causado a terceiros,
responderá o servidor perante a Fazenda Pública,
Art. 119. O servidor não poderá exercer mais de um em ação regressiva.
cargo em comissão, nem ser remunerado pela § 3o A obrigação de reparar o dano estende-se aos
participação em órgão de deliberação coletiva. sucessores e contra eles será executada, até o
limite do valor da herança recebida.
Art. 119. O servidor não poderá exercer mais de
um cargo em comissão, exceto no caso previsto no Art. 123. A responsabilidade penal abrange os
parágrafo único do art. 9o, nem ser remunerado pela crimes e contravenções imputadas ao servidor,
participação em órgão de deliberação coletiva. nessa qualidade.
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Art. 124. A responsabilidade civil-administrativa
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no
aplica à remuneração devida pela participação em desempenho do cargo ou função.
conselhos de administração e fiscal das empresas
públicas e sociedades de economia mista, suas Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas
subsidiárias e controladas, bem como quaisquer poderão cumular-se, sendo independentes entre si.
entidades sob controle direto ou indireto da União,
observado o que, a respeito, dispuser legislação Art. 126. A responsabilidade administrativa do
específica. (Incluído pela Lei nº 9.292, de servidor será afastada no caso de absolvição
12.7.1996) criminal que negue a existência do fato ou sua
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se autoria.
aplica à remuneração devida pela participação em
conselhos de administração e fiscal das empresas
públicas e sociedades de economia mista, suas Capítulo V
subsidiárias e controladas, bem como quaisquer Das Penalidades
empresas ou entidades em que a União, direta ou
indiretamente, detenha participação no capital Art. 127. São penalidades disciplinares:
social, observado o que, a respeito, dispuser I - advertência;
legislação específica. (Redação dada pela Medida II - suspensão;
Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) III - demissão;
IV - cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
Art. 120. O servidor vinculado ao regime desta lei, V - destituição de cargo em comissão;
que acumular licitamente 2 (dois) cargos efetivos, VI - destituição de função comissionada.
quando investido em cargo de provimento em
comissão, ficará afastado de ambos os cargos Art. 128. Na aplicação das penalidades serão
efetivos. consideradas a natureza e a gravidade da infração
cometida, os danos que dela provierem para o
Art. 120. O servidor vinculado ao regime desta Lei, serviço público, as circunstâncias agravantes ou
que acumular licitamente dois cargos efetivos, atenuantes e os antecedentes funcionais.
quando investido em cargo de provimento em Parágrafo único. O ato de imposição da penalidade
comissão, ficará afastado de ambos os cargos mencionará sempre o fundamento legal e a causa
efetivos, salvo na hipótese em que houver da sanção disciplinar. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
compatibilidade de horário e local com o exercício 10.12.97)
de um deles, declarada pelas autoridades máximas
dos órgãos ou entidades envolvidos.(Redação dada Art. 129. A advertência será aplicada por escrito,
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) nos casos de violação de proibição constante do
art. 117, incisos I a VIII, e de inobservância de dever
funcional previsto em lei, regulamentação ou norma
Capítulo IV

17
interna, que não justifique imposição de penalidade optará por um dos cargos.
mais grave. § 1° Provada a má-fé, perderá também o cargo que
exercia há mais tempo e restituirá o que tiver
Art. 129. A advertência será aplicada por escrito, percebido indevidamente.
nos casos de violação de proibição constante do § 2° Na hipótese do parágrafo anterior, sendo um
art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dos cargos, emprego ou função exercido em outro
dever funcional previsto em lei, regulamentação ou órgão ou entidade, a demissão lhe será
norma interna, que não justifique imposição de comunicada.
penalidade mais grave. (Redação dada pela Lei nº
9.527, de 10.12.97) Art. 133. Detectada a qualquer tempo a
acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de públicas, a autoridade a que se refere o art. 143
reincidência das faltas punidas com advertência e notificará o servidor, por intermédio de sua chefia
de violação das demais proibições que não imediata, para apresentar opção no prazo
tipifiquem infração sujeita a penalidade de improrrogável de dez dias, contados da data da
demissão, não podendo exceder de 90 ciência e, na hipótese de omissão, adotará
(noventa) dias. procedimento sumário para a sua apuração e
§ 1o Será punido com suspensão de até 15 regularização imediata, cujo processo administrativo
(quinze) dias o servidor que, injustificadamente, disciplinar se desenvolverá nas seguintes fases:
recusar-se a ser submetido a inspeção médica (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
determinada pela autoridade competente, cessando I - instauração, com a publicação do ato que
os efeitos da penalidade uma vez cumprida a constituir a comissão, a ser composta por dois
determinação. servidores estáveis, e simultaneamente indicar a
§ 2o Quando houver conveniência para o serviço, a autoria e a materialidade da transgressão objeto da
penalidade de suspensão poderá ser convertida em apuração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
multa, na base de 50% (cinqüenta por cento) por II - instrução sumária, que compreende indiciação,
dia de vencimento ou remuneração, ficando o defesa e relatório; (Incluído pela Lei nº 9.527, de
servidor obrigado a permanecer em serviço. 10.12.97)
III - julgamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
Art. 131. As penalidades de advertência e de 10.12.97)
suspensão terão seus registros cancelados, após o § 1o A indicação da autoria de que trata o inciso I
decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de efetivo dar-se-á pelo nome e matrícula do servidor, e a
exercício, respectivamente, se o servidor não materialidade pela descrição dos cargos, empregos
houver, nesse período, praticado nova infração ou funções públicas em situação de acumulação
disciplinar. ilegal, dos órgãos ou entidades de vinculação, das
Parágrafo único. O cancelamento da penalidade datas de ingresso, do horário de trabalho e do
não surtirá efeitos retroativos. correspondente regime jurídico. (Redação dada
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes § 2o A comissão lavrará, até três dias após a
casos: publicação do ato que a constituiu, termo de
I - crime contra a administração pública; indiciação em que serão transcritas as informações
II - abandono de cargo; de que trata o parágrafo anterior, bem como
III - inassiduidade habitual; promoverá a citação pessoal do servidor indiciado,
IV - improbidade administrativa; ou por intermédio de sua chefia imediata, para, no
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na prazo de cinco dias, apresentar defesa escrita,
repartição; assegurando-se-lhe vista do processo na
VI - insubordinação grave em serviço; repartição, observado o disposto nos arts. 163 e
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a 164. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
particular, salvo em legítima defesa própria ou de § 3o Apresentada a defesa, a comissão elaborará
outrem; relatório conclusivo quanto à inocência ou à
VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos; responsabilidade do servidor, em que resumirá as
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em peças principais dos autos, opinará sobre a licitude
razão do cargo; da acumulação em exame, indicará o respectivo
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do dispositivo legal e remeterá o processo à autoridade
patrimônio nacional; instauradora, para julgamento. (Incluído pela Lei nº
XI - corrupção; 9.527, de 10.12.97)
XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou § 4o No prazo de cinco dias, contados do
funções públicas; recebimento do processo, a autoridade julgadora
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117. proferirá a sua decisão, aplicando-se, quando for o
caso, o disposto no § 3o do art. 167. (Incluído pela
Art. 133. Verificada em processo disciplinar Lei nº 9.527, de 10.12.97)
acumulação proibida e provada a boa-fé, o servidor

18
§ 5o A opção pelo servidor até o último dia de prazo dias, interpoladamente, durante o período de doze
para defesa configurará sua boa-fé, hipótese em meses.
que se converterá automaticamente em pedido de
exoneração do outro cargo. (Incluído pela Lei nº Art. 140. O ato de imposição da penalidade
9.527, de 10.12.97) mencionará sempre o fundamento legal e a causa
§ 6o Caracterizada a acumulação ilegal e provada a da sanção disciplinar.
máfé, aplicar-se-á a pena de demissão, destituição
ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade Art. 140. Na apuração de abandono de cargo ou
em relação aos cargos, empregos ou funções inassiduidade habitual, também será adotado o
públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese procedimento sumário a que se refere o art. 133,
em que os órgãos ou entidades de vinculação serão observando-se especialmente que: (Redação dada
comunicados. (Incluído pela Lei nº 9.527, de pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
10.12.97) I - a indicação da materialidade dar-se-á: (Incluído
§ 7o O prazo para a conclusão do processo pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
administrativo disciplinar submetido ao rito sumário a) na hipótese de abandono de cargo, pela
não excederá trinta dias, contados da data de indicação precisa do período de ausência
publicação do ato que constituir a comissão, intencional do servidor ao serviço superior a trinta
admitida a sua prorrogação por até quinze dias, dias; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
quando as circunstâncias o exigirem. (Incluído pela b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação
Lei nº 9.527, de 10.12.97) dos dias de falta ao serviço sem causa justificada,
§ 8o O procedimento sumário rege-se pelas por período igual ou superior a sessenta dias
disposições deste artigo, observando-se, no que lhe interpoladamente, durante o período de doze
for aplicável, subsidiariamente, as disposições dos meses; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Títulos IV e V desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.527, II - após a apresentação da defesa a comissão
de 10.12.97) elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou
à responsabilidade do servidor, em que resumirá as
Art. 134. Será cassada a aposentadoria ou a peças principais dos autos, indicará o respectivo
disponibilidade do inativo que houver praticado, na dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono
atividade, falta punível com a demissão. de cargo, sobre a intencionalidade da ausência ao
serviço superior a trinta dias e remeterá o processo
Art. 135. A destituição de cargo em comissão à autoridade instauradora para julgamento. (Incluído
exercido por não ocupante de cargo efetivo será pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
aplicada nos casos de infração sujeita às
penalidades de suspensão e de demissão. Art. 141. As penalidades disciplinares serão
Parágrafo único. Constatada a hipótese de que aplicadas:
trata este artigo, a exoneração efetuada nos termos I - pelo Presidente da República, pelos Presidentes
do art. 35 será convertida em destituição de cargo das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais
em comissão. Federais e pelo Procurador-Geral da República,
quando se tratar de demissão e cassação de
Art. 136. A demissão ou a destituição de cargo em aposentadoria ou disponibilidade de servidor
comissão, nos casos dos incisos IV, VIII, X e XI do vinculado ao respectivo Poder, órgão, ou entidade;
art. 132, implica a indisponibilidade dos bens e o II - pelas autoridades administrativas de hierarquia
ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação imediatamente inferior àquelas mencionadas no
penal cabível. inciso anterior quando se tratar de suspensão
superior a 30 (trinta) dias;
Art. 137. A demissão ou a destituição de cargo em III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na
comissão, por infringência do art. 117, incisos IX e forma dos respectivos regimentos ou regulamentos,
XI, incompatibiliza o ex-servidor para nova nos casos de advertência ou de suspensão de até
investidura em cargo público federal, pelo prazo de 30 (trinta) dias;
5 (cinco) anos. IV - pela autoridade que houver feito a nomeação,
Parágrafo único. Não poderá retornar ao serviço quando se tratar de destituição de cargo em
público federal o servidor que for demitido ou comissão.
destituído do cargo em comissão por infringência do
art. 132, incisos I, IV, VIII, X e XI. Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis
Art. 138. Configura abandono de cargo a ausência com demissão, cassação de aposentadoria ou
intencional do servidor ao serviço por mais de trinta disponibilidade e destituição de cargo em comissão;
dias consecutivos. II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á
Art. 139. Entende-se por inassiduidade habitual a advertência.
falta ao serviço, sem causa justificada, por sessenta § 1o O prazo de prescrição começa a correr da data
em que o fato se tornou conhecido.

19
§ 2o Os prazos de prescrição previstos na lei penal nomeação, designação, contratação ou qualquer
aplicam-se às infrações disciplinares capituladas outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
também como crime. cargo, emprego ou função nas entidades
§ 3o A abertura de sindicância ou a instauração de mencionadas no artigo anterior.
processo disciplinar interrompe a prescrição, até a
decisão final proferida por autoridade competente. Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no
§ 4o Interrompido o curso da prescrição, o prazo que couber, àquele que, mesmo não sendo agente
começará a correr a partir do dia em que cessar a público, induza ou concorra para a prática do ato de
interrupção. improbidade ou dele se beneficie sob qualquer
forma direta ou indireta.

 Lei nº 8.429/1992 Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou


hierarquia são obrigados a velar pela estrita
Numa primeira aproximação, improbidade adminis- observância dos princípios de legalidade,
trativa é o designativo técnico para a chamada cor- impessoalidade, moralidade e publicidade no trato
rupção administrativa, que, sob diversas formas, dos assuntos que lhe são afetos.
promove o desvirtuamento da Administração Públi-
ca e afronta os princípios nucleares da ordem jurí- Art. 5° Ocorrendo lesão ao patrimônio público por
dica (Estado de Direito, Democrático e Repu- ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou
blicano), revelando-se pela obtenção de vantagens de terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do
patrimoniais indevidas às expensas do erário, pelo dano.
exercício nocivo das funções e empregos públicos,
pelo tráfico de influência nas esferas da Adminis- Art. 6° No caso de enriquecimento ilícito, perderá o
tração Pública e pelo favorecimento da poucos em agente público ou terceiro beneficiário os bens ou
detrimento dos interesses da sociedade, mediante a valores acrescidos ao seu patrimônio.
concessão de obséquios e privilégios ilícitos.
Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes Art. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão
públicos nos casos de enriquecimento ilícito no ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento
exercício de mandato, cargo, emprego ou função na ilícito, caberá a autoridade administrativa
administração pública direta, indireta ou fundacional responsável pelo inquérito representar ao Ministério
e dá outras providências. O PRESIDENTE DA RE- Público, para a indisponibilidade dos bens do
PÚBLICA, Faço saber que o Comgresso Nacional indiciado.
decreta e eu sanciono a seguinte lei: Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere
o caput deste artigo recairá sobre bens que
assegurem o integral ressarcimento do dano, ou
CAPÍTULO I sobre o acréscimo patrimonial resultante do
Das Disposições Gerais enriquecimento ilícito.

Art. 1° Os atos de improbidade praticados por Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao
qualquer agente público, servidor ou não, contra a patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente
administração direta, indireta ou fundacional de está sujeito às cominações desta lei até o limite do
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do valor da herança.
Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de
empresa incorporada ao patrimônio público ou de
entidade para cuja criação ou custeio o erário haja CAPÍTULO II
concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por Dos Atos de Improbidade Administrativa
cento do patrimônio ou da receita anual, serão
punidos na forma desta lei. Seção I
Parágrafo único. Estão também sujeitos às Dos Atos de Improbidade Administrativa que
penalidades desta lei os atos de improbidade Importam Enriquecimento Ilícito
praticados contra o patrimônio de entidade que
receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa
creditício, de órgão público bem como daquelas importando enriquecimento ilícito auferir qualquer
para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do
ou concorra com menos de cinqüenta por cento do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou
patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes atividade nas entidades mencionadas no art. 1°
casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito desta lei, e notadamente:
sobre a contribuição dos cofres públicos. I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem
móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem
Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos econômica, direta ou indireta, a título de comissão,
desta lei, todo aquele que exerce, ainda que percentagem, gratificação ou presente de quem
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser

20
atingido ou amparado por ação ou omissão
decorrente das atribuições do agente público; Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa
II - perceber vantagem econômica, direta ou que causa lesão ao erário qualquer ação ou
indireta, para facilitar a aquisição, permuta ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda
locação de bem móvel ou imóvel, ou a contratação patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento
de serviços pelas entidades referidas no art. 1° por ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
preço superior ao valor de mercado; referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
III - perceber vantagem econômica, direta ou I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a
indireta, para facilitar a alienação, permuta ou incorporação ao patrimônio particular, de pessoa
locação de bem público ou o fornecimento de física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou
serviço por ente estatal por preço inferior ao valor valores integrantes do acervo patrimonial das
de mercado; entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou
máquinas, equipamentos ou material de qualquer jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou
natureza, de propriedade ou à disposição de valores integrantes do acervo patrimonial das
qualquer das entidades mencionadas no art. 1° entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a
desta lei, bem como o trabalho de servidores observância das formalidades legais ou
públicos, empregados ou terceiros contratados por regulamentares aplicáveis à espécie;
essas entidades; III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao
V - receber vantagem econômica de qualquer ente despersonalizado, ainda que de fins
natureza, direta ou indireta, para tolerar a educativos ou Assistências, bens, rendas, verbas ou
exploração ou a prática de jogos de azar, de valores do patrimônio de qualquer das entidades
lenocínio, de narcotráfico, de comtrabando, de mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância
usura ou de qualquer outra atividade ilícita, ou das formalidades legais e regulamentares aplicáveis
aceitar promessa de tal vantagem; à espécie;
VI - receber vantagem econômica de qualquer IV - permitir ou facilitar a alienação, permuta ou
natureza, direta ou indireta, para fazer declaração locação de bem integrante do patrimônio de
falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei,
ou qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por
peso, medida, qualidade ou característica de preço inferior ao de mercado;
mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou
entidades mencionadas no art. 1º desta lei; locação de bem ou serviço por preço superior ao de
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício mercado;
de mandato, cargo, emprego ou função pública, VI - realizar operação financeira sem observância
bens de qualquer natureza cujo valor seja das normas legais e regulamentares ou aceitar
desproporcional à evolução do patrimônio ou à garantia insuficiente ou inidônea;
renda do agente público; VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem
VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer a observância das formalidades legais ou
atividade de consultoria ou assessoramento para regulamentares aplicáveis à espécie;
pessoa física ou jurídica que tenha interesse VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou
suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou dispensálo indevidamente;
omissão decorrente das atribuições do agente IX - ordenar ou permitir a realização de despesas
público, durante a atividade; não autorizadas em lei ou regulamento;
IX - perceber vantagem econômica para intermediar X - agir negligentemente na arrecadação de tributo
a liberação ou aplicação de verba pública de ou renda, bem como no que diz respeito à
qualquer natureza; conservação do patrimônio público;
X - receber vantagem econômica de qualquer XI - liberar verba pública sem a estrita observância
natureza, direta ou indiretamente, para omitir ato de das normas pertinentes ou influir de qualquer forma
ofício, providência ou declaração a que esteja para a sua aplicação irregular;
obrigado; XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu se enriqueça ilicitamente;
patrimônio bens, rendas, verbas ou valores XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço
integrantes do acervo patrimonial das entidades particular, veículos, máquinas, equipamentos ou
mencionadas no art. 1° desta lei; material de qualquer natureza, de propriedade ou à
XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas disposição de qualquer das entidades mencionadas
ou valores integrantes do acervo patrimonial das no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor
entidades mencionadas no art. 1° desta lei. público, empregados ou terceiros contratados por
essas entidades.
XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que
Seção II tenha por objeto a prestação de serviços públicos
Dos Atos de Improbidade Administrativa que por meio da gestão associada sem observar as
Causam Prejuízo ao Erário

21
formalidades previstas na lei; (Incluído pela Lei nº a) a virtude como pratica do bem e promotora da
11.107, de 2005) felicidade das pessoas, quer individualmente ou
XV – celebrar contrato de rateio de consórcio coletivamente.
público sem suficiente e prévia dotação b) a prática do bem é a felicidade e como ela deve
orçamentária, ou sem observar as formalidades ser praticada, o ato ideal e consciente.
previstas na lei. (Incluído pela Lei nº 11.107, de c) o conjunto de normas, princípios, preceitos,
2005) costumes, valores que norteiam o comportamento
do indivíduo no seu grupo social.
d) é uma importante forma de regular a conduta
Seção III moral e profissional e inspira o exercício das
Dos Atos de Improbidade Administrativa que atividades profissionais, e que é matéria de alta
Atentam Contra os Princípios da Administração relevância para o exercício profissional.
Pública
4. A Moral e normativa, na ética é:
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa a) filosófica e psicológica.
que atenta contra os princípios da administração b) cientifica e metodológica.
pública qualquer ação ou omissão que viole os c) metodológica e cientifica.
deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, d) filosófica e cientifica.
e lealdade às instituições, e notadamente:
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou 5. O que faz a Ética profissional?
regulamento ou diverso daquele previsto, na regra Estuda e regulamenta o relacionamento do
de competência; profissional com sua clientela, visando a dignidade
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, humana e a construção do bem-estar no contexto
ato de ofício; sócio-cultural onde exerce sua profissão.
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência Busca explicar, compreender, justificar e criticar a
em razão das atribuições e que deva permanecer moral ou as morais de uma sociedade.
em segredo; O novo papel dos profissionais no processo de
IV - negar publicidade aos atos oficiais; desenvolvimento do País e da sociedade onde
V - frustrar a licitude de concurso público; atuamos.
VI - deixar de prestar contas quando esteja A prática do bem é a felicidade e como ela deve ser
obrigado a fazê-lo; praticada, o ato ideal e consciente.
VII - revelar ou permitir que chegue ao
conhecimento de terceiro, antes da respectiva 6. Estão interligados na ética da ação humana:
divulgação oficial, teor de medida política ou a) o querer e o poder.
econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, b) o fazer e o agir.
bem ou serviço. c) o bem e o mal.
d) a vontade e a má vontade.

7. Com relação ao individualismo e ética


TESTES profissional, assinale a alternativa correta:
a) nos serviços realizados com amor, visando ao
1. Quais as seis palavras mais importantes em benefício de terceiros, dentro de vasto raio de ação,
relações públicas? com consciência do bem comum, passa a existir a
a) “Admito que o erro foi meu”. expressão social do mesmo.
b) “Admito que posso fazer isso melhor”. b) Constata-se então o forte conteúdo ético
c) “Admito que errei, mas vou melhorar. presente no exercício profissional e sua importância
d) “Não admito que possa ter errado”. na formação de recursos humanos.
c) A realidade brasileira nos coloca diante de
2. Qual o conceito de Ética? problemas éticos bastante sérios. Contudo, já
a) é a educação social e moral. estamos por demais acostumados com nossas
b) é o estudo da conduta humana disponível ao misérias de toda ordem.
bem sobre o mal, seja a vivência em sociedade seja d) Os gestores muitas vezes enfrentam uma série
na vivência em uma empresa". de situações que os força escolher, em um conflito,
c) indivíduo com suas características e entre o que é certo e o que é errado.
peculiaridades.
d) mobilidade espacial de indivíduos e de grupos, 8. Com relação à diversidade nas atitudes no
multiplicabilidade de aspectos da vida moderna, serviço, assinale a alternativa correta:
número elevado de instituições e de grupos aos a) Pode transformar a vida dos profissionais em
quais pertencemos. reciprocidade de agressão.
b) Parece ser uma tendência do ser humano.
3. Qual a definição de moral?

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c) se refere à conduta do profissional, ao conjunto d) A organização no trabalho
de atitudes que deve assumir no desempenho de
sua profissão. 14. Ao atender a um cliente Você não deve ter
d) engrandece o ambiente, nos faz ir além, buscar em mente:
mais, superarmos a nos mesmos, ela traz a soma a) O bom atendimento deve gerar auto-realização.
de forças. b) Uma reclamação é uma ajuda e não um
transtorno.
9. Deve existir na relação entre empregado e c) “Mais vale um pássaro na mão do que dois
patrão: voando”.
Autoconsciência. d) O atendente é a empresa perante o cliente.
Disputa.
Interesse. 15. Com relação a origem da ética, assinale
Disponibilidade. a correta:
a) A origem da palavra ética vem do grego “ethos”,
10. Por que a relação de humildade entre que quer dizer o modo de ser, o caráter.
empregados e patrões é importante? b) A origem da palavra ética vem do romano
a) Para ultrapassar períodos de estresse e tensão, “ethos”, que quer dizer o modo de ser, o caráter.
de grande volume de trabalho e sobrecarga c) A origem da palavra ética vem do latim “ethos”,
emocional em função de prazos e importância dos que quer dizer o modo de ser, o caráter.
projetos. d) A origem da palavra ética vem do grego “ethos”,
b) Acreditar no que você faz é meio caminho que quer dizer o modo de ser, moral.
andado para o sucesso. e) A origem da palavra ética vem do romano
c) Para saber ouvir, saber pedir ajuda e saber “ethos”, que quer dizer o modo de ser, o moral.
reconhecer seus próprios erros.
d) Para haver transparência é necessário que haja 16. Sobre ética e cidadania, assinale a
a confiança de ambos os lados de que tudo que é incorreta:
discutido no escritório é confidencial. a) O desafio ético para uma nação é o de
universalizar os direitos reais, permitindo a todos a
11. “Um dos problemas mais comuns que cidadania plena, cotidiana e ativa.
sempre afetam a eficiência de uma pessoa”. b) Para a ética não basta que exista um elenco de
Esse trecho faz referencia à: princípios fundamentais e direitos definidos nas
a) Atitudes no serviço. Constituições.
b) Organização do Trabalho. c) As mulheres brasileiras conquistaram o direito de
c) Comportamento profissional. votar apenas há 30 anos e os analfabetos apenas
d) Procrastinação. há 2 anos. Chamamos isso de ampliação da
cidadania.
12. Assinale a alternativa incorreta sobre d) A escravidão era legal no Brasil até 120 anos
procrastinação: atrás.
a) Procrastinação é também fazer atividades de e) A cidadania nem sempre é uma realidade efetiva,
baixa prioridade ao invés de fazer atividades de alta nem para todos.
prioridade.
b) O sucesso deriva de fazer as coisas realmente 17. Sobre Ética e Justiça Social, assinale a
importantes que levam a resultados. Contudo essas incorreta:
coisas importantes é que usualmente são o foco da a) A moral tradicional do liberalismo econômico e
nossa procrastinação. político acostumou-nos a pensar que o campo da
c) Procrastinação é um problema psicológico, e ética é o campo exclusivo das vontades e do livre
uma vitória sobre ela é uma vitória essencialmente arbítrio de cada indivíduo.
psicológica. b) A organização do sistema econômico-político-
d) A procrastinação é um dos maiores poupadores jurídico é uma coisa “neutra”, “natural”, e não uma
de tempo que existe, e a sua solução exige construção consciente e deliberada dos homens em
entendimento das causas, avaliação de suas sociedade.
conseqüências e constante disciplina para enfrentá- c) Acostumamo-nos a julgar que não seja parte de
la. minha responsabilidade ética a situação do
desempregado, do faminto, do que migrou por
13. Como agora as empresas estão cada vez causa da seca, do que não teve êxito na escola
mais equiparadas em termos de qualidade do etc., só porque esses males não foram produzidos
produto, isso deixou de ser um diferencial tão por mim diretamente.
grande quanto há alguns anos atrás. Então o d) Um sistema econômico-político-jurídico que
que faz a diferença atualmente? produz estruturalmente desigualdades, injustiças,
a) É a Qualidade no Atendimento. discriminações, exclusões de direitos, é um sistema
b) A procrastinação. eticamente mau, por mais que seja legalmente
c) O comportamento profissional. (moralmente) constituído.

23
e) O sistema econômico é o fator mais determinante b) Milton Friedman, economista americano, teme
de toda a ordem (e desordem) social. que os impactos que a nova orientação capitalista
traria ao mundo dos negócios gere insegurança no
18. As reflexões proporcionadas por James F. mercado, ao citar que a responsabilidade de uma
Langton ao vincular as funções de Relações organização baseia-se essencialmente na conquista
Públicas a “política social” ou “assuntos e elevação de seus dividendos,
públicos”; a posição de Bernays que associa a c) O chamado capitalismo social ambienta novas
prática de Relações Públicas ao formas de relação entre empresas, funcionários,
estabelecimento de “um terreno comum para a comunidades e clientes. Esses segmentos passam
entidade e sociedade”, bem como, a visão de a compartilhar objetivos e resultados em prol da
Childs sobre a aproximação entre organização e otimização e manutenção dos recursos necessários
o meio ambiente onde esta opera evidenciam a à perenidade dos negócios.
clara orientação para destacar o papel das d) No âmbito da administração das empresas
Relações Públicas como elemento de integração privadas, várias teorias e correntes de estudos em
entre os objetivos de uma instituição e o Administração sucederam-se na medida em que
interesse público. evoluía o ambiente social com suas variáveis.
Em relação ao assunto apresentado, assinale a e) As organizações escolhem seus ambientes,
incorreta: passam a ser condicionadas por eles, necessitando
a) Perceber a contribuição das Relações Públicas adaptar-se aos mesmos para poderem sobreviver e
na dinâmica da responsabilidade social das várias crescer.
organizações, é, antes de qualquer outro fator,
relacionar ao processo a força da comunicação que 20. De acordo com seus conhecimentos sobre
move a opinião pública; força essa que emerge do Construção do Conceito de Responsabilidade
“direito social à informação e à participação” dos Social, julgue as seguintes afirmativas:
indivíduos. a) Trata-se de um processo relacionado a questões
b) Oriundo do acordo do México, temos que: “o específicas de tempo e espaço, de evolução de
exercício profissional das Relações Públicas requer pensamento e de práticas relacionadas a situações
uma ação planejada com apoio da investigação na circunscritas a determinados organismos – sistemas
comunicação sistemática e na participação econômicos e políticos vigentes em determinados
programada, para elevar o nível de entendimento, países e suas organizações.
solidariedade e colaboração entre uma unidade b) Trata-se de um processo dinâmico, posto que
pública ou privada e os grupos sociais a ela reflete o próprio meio social, no qual se
vinculados, em um processo de integração de entrecruzam diversos fatores de ordem econômica,
interesses legítimos, para promover o seu política e cultural.
desenvolvimento recíproco, e o da comunidade a c) Trata-se de um processo que envolve os diversos
qual pertence”. segmentos da sociedade – cidadãos,
c) O conceito formulado para responsabilidade consumidores, organizações públicas ou privadas,
social esclarece que “responsabilidade social comunidades etc.
consiste na somatória de atitudes assumidas pelos d) O conceito: “Responsabilidade Social consiste no
agentes sociais-cidadãos, organizações públicas ou somatório de atitudes assumidas por agentes
privadas, com ou sem finalidades lucrativas – sociais – cidadãos, organizações públicas, privadas
estreitamente vinculadas à ciência do dever com ou sem fins lucrativos –estreitamente
humano (ética) e voltadas para o desenvolvimento vinculadas a ciência do dever humano (ética) e
sustentado da sociedade”. voltadas para o desenvolvimento sustentado da
d) “o desenvolvimento de uma unidade pública ou sociedade.”
privada e o dos grupos sociais a ela vinculados e) Decisões morais ou éticas independem de boas
raramente se relacionam com o desenvolvimento decisões empresariais.
sustentado da sociedade”.
e) “A ação planejada”, com o apoio da pesquisa e
da comunicação através do entendimento e GABARITO
solidariedade mútua promove o “desenvolvimento
comum” e “as atitudes éticas” dos agentes sociais
se voltam para o “desenvolvimento sustentado da 1.A
2.B
sociedade”. 3.C
4.D
19. Apresentadas as afirmativas a seguir, julgue- 5.A
as: 6.B
a) A percepção, por parte de boa parcela do 7.A
empresariado, sobre a necessidade de um 8.D
desenvolvimento sustentado vem gerando uma 9.A
postura que se contrapõe à cultura centrada na 10.C
maximização do lucro dos acionistas. 11.B
12.D
24
13.A
14.C
15. A
16. C
17. B
18. D
19. B
20. E

ANOTAÇÕES

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