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Curso Técnico Básico de Rigger – Segurança e Controle no Içamento e Movimentação de Cargas

NOTA DO AUTOR
Devido às mudanças ocorridas no modelo produtivo, o trabalhador não pôde continuar
com uma visão restrita dos postos de trabalho. Hoje o mercado exige, além do domínio do
conteúdo técnico da profissão, competências que lhe permitam decidir com autonomia,
proatividade, capacidade de análise, solução de problemas, avaliação de resultados e propostas
de mudanças no processo do trabalho.

Você deverá estar preparado para o exercício de papéis flexíveis e polivalentes, assim
como para a cooperação e a interação, o trabalho em equipe e o comprometimento com os
resultados.

Soma-se ainda que a produção constante de novos conhecimentos e tecnologias exigirão


a atualização contínua de conhecimentos profissionais, evidenciando a necessidade de uma
formação consistente, que lhe proporcione maior adaptabilidade e instrumentos essenciais à
aprendizagem.

Essa nova dinâmica do mercado de trabalho vem requerendo que os sistemas de


educação se organizem de forma flexível e ágil, motivos esses que nos levaram a criar esta
apostila, com o propósito de atender às novas necessidades da indústria, estabelecendo uma
formação, além de ágil e flexível, modularizada.

Formação que, tornará possível aos alunos deste curso, voltar a dar continuidade à sua
educação, criando seu próprio percurso. Além de toda a infra-estrutura necessária ao seu

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desenvolvimento, você poderá contar com o apoio técnico da equipe formadora deste curso par
orientá-lo em seu trajeto.

Seguindo esta linha de pensamento, organizou-se o Curso Técnico Básico de Rigger,


destinado aos profissionais que desejam realizar suas tarefas de forma mais segura, responsável
e, por conseguinte, com maior competência.

Para realizar o curso, você terá à sua disposição, além dos técnicos especializados em
Içamento e Movimentação de Cargas e Segurança do Trabalho, este material didático, que tem a
função de orientar sua aprendizagem, sendo um guia para seus estudos.

Nele você vai encontrar vários temas como: acidente do trabalho, transporte,
movimentação e içamento, armazenagem e manuseio de materiais, equipamentos de proteção
coletiva e individual, equipamentos de lingar, guindastes, etc. Todos eles são importantes para
sua formação profissional.

Portanto, a leitura atenta desse conteúdo vai ser bastante útil para que se possa participar,
com mais facilidade, das discussões em sala de aula e também organizar os conhecimentos
adquiridos.

Finalmente, manifestamos nosso desejo para que seus estudos sejam realizados com
êxito e se obtenha o sucesso profissional.

Sejam Bem Vindos,

Darcy Viana.

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INTRODUÇÃO

Este projeto inicia-se com a sensibilização do profissional para a importância da


segurança e controle no processo de içamento e movimentação de cargas, e de seu trabalho
como parte integrante desse processo. Assim, cada um dos participantes terá a oportunidade de
“mergulhar” no estudo dos conceitos a serem trabalhados durante o treinamento, consolidando
as mudanças de seu comportamento enquanto profissional.

É difícil ter uma visão única que seja útil para todas as empresas. Cada uma enfrenta
desafios diferentes e pode se beneficiar de sua própria visão de futuro. Ao olhar para o futuro,
nós (o público, as empresas, as cidades e as nações) podemos decidir quais alternativas são
mais desejáveis e trabalhar com elas.

Infelizmente, tanto os indivíduos quanto às instituições só mudarão as suas práticas


quando acreditarem que seu novo comportamento lhes trará benefícios, sejam estes financeiros,
para sua reputação ou sua segurança.

A mudança nos hábitos não é uma coisa que possa ser imposta. Deve ser uma escolha de
pessoas bem-informadas a favor de bens e serviços sustentáveis. A tarefa é criar condições que
melhorem a capacidade de as pessoas escolherem, usarem e disporem de bens e serviços de
forma sustentável.

Este trabalho objetiva e visa ampliar seus conhecimentos de içamento e movimentação de


cargas, e conseqüentemente estimular seu potencial na busca de uma operação eficaz e segura.
Entretanto, nada disso poderá mudar o seu comportamento e faze-lo crescer se não tiver o seu
comprometimento com as mudanças.

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ACIDENTE DO TRABALHO
As instruções que constam neste material didático foram preparadas para servirem de
guia simples e compreensíveis para seu estudo. Leia-as cuidadosamente e certifique-se de tê-las
compreendido muito bem antes de iniciar a operação ou a manutenção da máquina (guindaste).

A maioria dos acidentes, sejam eles no campo, no lar ou na estrada, é causada pelo
simples fato de que alguém não seguiu as regras simples e fundamentais de segurança.

Por essa razão, eles podem ser evitados, determinando-se a causa real e tomando
alguma providência antes que venha a ocorrer. Mas é importante lembrar também que,
independente dos cuidados tomados tanto no projeto, quanto na construção de qualquer tipo de
equipamento, há certas condições que não podem ser previstas. Felizmente, o imprevisto não
acontece todo dia.

Ainda assim, o melhor mesmo é se manter sempre alerta e sempre prevenido, adotando
no dia a dia as medidas de segurança recomendadas para executar cada uma de suas tarefas.

Riscos, situações de perigo, andam sempre por aí, acompanhando nossos passos no
trabalho, em casa ou em qualquer parte. Mas, quando ocorre um acidente, justificá-lo como fruto
do acaso parece ser uma explicação muito simples.

Conforme vimos anteriormente, o motivo real da maioria dos acidentes se encontra nas
próprias vítimas, à medida que deixam de evitar certas situações arriscadas, seja consciente ou
inconscientemente.

Portanto, ter responsabilidade e consciência dos riscos decorrentes de sua atividade


profissional são atitudes que devem estar sempre presentes na rotina do dia a dia. E por esse
motivo, nosso estudo vai se iniciar a partir das seguintes questões: o que se entende por
acidente de trabalho, suas principais causas e conseqüências, segundo a visão dos especialistas
em Higiene e Segurança no Trabalho, e também de acordo com a legislação em vigor no país.

I. CONCEITO LEGAL

Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, ou


ainda pelo exercício do trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou
perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução da capacidade para o trabalho
permanente ou temporária. LEI 8213 – Decreto 611 de 21 de julho de 1992 – Art. 139.

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II. RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL

 CUIDADOS DO EMPREGADOR / PREPOSTO / CHEFE

O empregador, preposto ou chefe, ao determinar a realização de uma atividade, deve


observar três princípios básicos:

a. Viabilidade da execução da tarefa;


b. Habilidades do empregado para executá-la;
c. Condições de segurança para a execução.

 DIREITOS E DEVERES DO TRABALHADOR

O empregado também tem obrigações a cumprir, sob pena de sanções disciplinares


cabíveis, podendo até ser dispensado por justa causa.

Conforme prescreve o Art. 158 da CLT, o empregado deve observar as Normas de


Segurança e Medicina do Trabalho, colaborando com a empresa na aplicação das Ordens
de Serviço quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou
doenças ocupacionais.

 RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DO EMPREGADOR

Por definição, CRIME consiste na ação ou omissão do agente. Não necessariamente o


crime se constitui quando a ordem leva a uma condição insegura. A simples omissão em
permitir que determinada atividade seja realizada, cuja condição insegura esteja presente,
ou seja, presumível, levará o agente (supervisor, chefe, empregado) a responder por ato,
que por dever de ofício, deveria impedir.

 ABRANGÊNCIA DA RESPONSABILIDADE

Em empresas com determinadas características, muitas vezes torna-se difícil identificar o


responsável pela ordem, podendo este ser, desde o chefe imediato, até o supervisor que
assinou a Ordem de Serviço, o técnico que elaborou, etc. Pode haver ainda co-autoria.

Assim, se a gerência, através de uma Ordem de Serviço sob condições inadequadas e


essa posição é ratificada em campo, resultando daí acidente do trabalho com vítima,
todos os culpados estarão sujeitos a responder.

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 EFEITOS DO ACIDENTE DO TRABALHO

No caso de acidente com Vítima Fatal em que se comprove a culpabilidade de quem


ordenou o serviço ou de quem deveria evitá-lo por exercício de função e deixou de fazê-lo,
este poderá responder por crime previsto no Art. 121 do Código Penal.

A culpa recíproca (vítima, chefia, preposto e colega) não exclui a responsabilidade. Assim,
quem tiver contribuído de alguma forma para a morte do colega, mesmo que também
tenha sido vítima, poderá ser responsabilizado pelo evento.

 RESPONSABILIDADE CIVIL

Responsabilidade civil é a obrigação de reparação do dano causado mediante


indenização, pois visa a compensação material da situação anterior (ao dano).

O empregador, preposto ou chefe fica obrigado à indenização do direito comum, se tiver


culpa no acidente de trabalho.

 INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Nos processos de acidente do trabalho há intervenção compulsória do Ministério Público


independente da vontade da vítima. Isto significa que, embora haja inércia do interessado,
compete ao estado através da Promotoria Pública, instaura a demanda judicial cabível.

 DA INSTAURAÇÃO DO PROCESSO PENAL E SUAS IMPLICAÇÕES NO


PROCESSO CÍVEL

O processo penal poderá ser deflagrado após o encerramento do inquérito policial, que
passa a ser iniciado basta existir um fato aparentemente criminoso, sendo varias as
possibilidades de sua instauração, ou seja, exame de corpo de delito, flagrante,
comunicação por indivíduo comum, policial, solicitação do Ministério Público. Concluída a
fase de inquérito policial, este é encaminhado ao Promotor Público que, constatados
indícios da existência do crime, oferecerá denúncia.

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III. CONCEITO PREVENCIONISTA

É todo fato inesperado, não planejado, que possa ou não resultar em lesão, danos
materiais, ou ambos. Exemplo: Queda de empilhamento defeituoso, sem vítimas.

Tudo em qualquer acidente deve ser cuidadosamente analisado, para que suas causas
possam ser reconhecidas e eliminadas. Somente assim é possível evitar que o fato se repita com
ou sem vítima.

IV. CAUSAS DOS ACIDENTES

São os motivos, as situações, os comportamentos e as ações geradoras de acidentes.

As estatísticas levantadas, na maioria das empresas de todo o país, demonstram que os


acidentes ocorrem nessa seqüência de causas: Falha humana, falha ambiente e elementos da
natureza ou situações especiais.

Em segurança do trabalho as causas acima são denominadas tecnicamente:

ACIDENTES
CAUSAS CONSEQUÊNCIAS
Falha humana Ato inseguro Perda de tempo
Falha ambiental Condição insegura Lesão
Elemento da natureza ou situação especial Imprevisto Dano material

Vejamos o que significa cada uma destas técnicas:

 Ato Inseguro

É toda maneira incorreta de se trabalhar ou agir que possa provocar um acidente.

 Condição Insegura

É toda falha encontrada no ambiente de trabalho, ou nas próprias máquinas e


equipamentos, que possa favorecer a ocorrência de um acidente.

 Imprevisto

É a situação inesperada, não programada, que foge ao controle do ser humano.


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Todos esses conceitos criados pelos especialistas são de grande valor para os
trabalhadores, porque visam à sua segurança. Quem deles fizer uso, certamente vai poder se
prevenir melhor contra acidentes e manter sua qualidade de vida, quer no trabalho, quer no grupo
familiar e, até mesmo, nas horas de lazer.

V. CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO

Quem sai perdendo por não adotar atitudes prevencionista? Você já parou para pensar
sobre o assunto? Então reflita sobre os seguintes itens:

 Prejuízos para o Trabalhador


 Sofrimento físico;
 Morte;
 Incapacidade para o trabalho;
 Desamparo da família.

 Prejuízos para as Empresas


 Gastos com os primeiros socorros e transporte do acidentado;
 Tempo perdido por outros empregados que socorrem o acidentado, ou
param de trabalhar para comentar o ocorrido;
 Danificação ou perda de máquinas, ferramentas ou matérias-primas;
 Paralisação da máquina em que trabalhava o acidentado até ser admitido
um substituto;
 Atraso na entrega dos produtos e conseqüente descontentamento da
freguesia;
 Dificuldades com as autoridades e má fama para a empresa.

 Prejuízos para o País

A redução do número de acidentes só será possível à medida que cada um – trabalhador,


patrão e governo – assuma, em todas as situações, atitudes preventivas, capazes de resguardar
a segurança de todos.

“A máquina é obra do homem e a este cabe maneja-la com habilidade e eficácia”.

Entretanto, por própria ignorância do mesmo homem nadamos em estatísticas


desfavoráveis e assustadoras como as que afirmam que só 6% dos desastres ocorrem por
problemas nas máquinas, enquanto 46% resultam diretamente de falhas humanas de

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administração (planejamento, normatização e supervisão) e 48% de deficiências do operador


(desatenção, desobediência aos procedimentos e normas e imperícia).
Para fazer prevalecer este antigo pensamento temos de ter a consciência do seguinte
fato, os fabricantes deste tipo de equipamento estão empenhados em fazer máquinas mais
sofisticadas, mais produtivas e mais seguras. Se o objetivo é utilizar e se beneficiar de nova
tecnologia de uma forma adequada, precisa-se saber como a máquina funciona e ter uma noção
clara de qual é o nível de responsabilidade de quando a mesma é operada.
Apenas fundamentando e solidificando o conceito do que é uma ação segura
(pressupondo a total compreensão da responsabilidade da operação e a completa habilidade
com o equipamento), seja do operador, supervisão e gerência, alcançar-se-á o domínio sobre o
equipamento e se conseguirá fazer com que a quotas de acidentes e sinistros tenda a zero.

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IÇAMENTO E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS


1. Conceitos Básicos

1.1. O que é um Guindaste?

Destinados a operações de movimentação de cargas, os guindastes são equipamentos


que têm seu funcionamento baseado no princípio de alavancas .

Há no mercado uma grande variedade de tipos e formas de guindastes; no tópico em


questão estaremos enfocando o guindaste “AUTO CRANE”, que é um equipamento montado
sobre chassis móvel com condições de deslocamentos rápidos, inclusive por rodovias.

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1.2. Quais os Principais Componentes de um Guindaste?

As principais partes que compõem este tipo de guindaste são: super estrutura (chassis),
lança telescópica , estabilizadores (patolas), e cabine de comando (operação).

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2. Princípio de Funcionamento

2.1. Como Funciona este Tipo de Guindaste?

O guindaste é um equipamento de operação hidráulica, seu sistema hidráulico é composto


por bombas que são acionadas a partir do conversor de torque do motor, ou tomadas de força
acopladas ao motor quando o mesmo esteja em funcionamento.

Todas as funções do guindaste normalmente referentes à operação de elevação de cargas


são hidraulicamente operadas e controladas por alavancas de comando colocadas na cabine do
operador.

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2.2. Estabilizadores (Outrigger)

Ou patolas têm por finalidade proporcionar máxima estabilidade na operação de cargas.


Estão localizados nos cantos externos do equipamento e são hidraulicamente operados por
alavancas de comando.

Cinqüenta porcento (50%) da segurança da operação de içamento e movimentação de


cargas está no patolamento do guindaste, que deve ser em terreno nivelado e compactado.

Em caso da necessidade de patolarmos o guindaste em terreno acidentado, os desníveis


podem ser compensados com pranchões ou dormentes .

A compactação da área onde ficarão apoiadas as patolas pode ser minimizada com a
distribuição em forma de fogueira de pranchões e/ou dormentes que podem variar de acordo
com o peso próprio do guindaste.

Em capítulo apropriado abordaremos de forma mais significativa as maneiras de se


patolar o guindaste, sempre de acordo com as normas de segurança.

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2.3. Lança Telescópica

Por meio da utilização da lança telescópica é que são executadas as operações de


içamento e movimentação de cargas. Este tipo de lança difere da lança treliçada (ligada à
superestrutura através do pé de lança “Inner ou Lower Boom”) por possuir segmentos extensíveis
hidraulicamente que permitem o ganho de altura de içamento tanto quanto o aumento do raio de
operação do guindaste.

A determinação da extensão e da angulação da lança é feita baseada no peso da carga a


ser içada ou movimentada e nos eventuais obstáculos compreendidos entre o guindaste e a
carga, para tanto, cada guindaste possui uma tabela de cargas fornecida pelo fabricante, que
determina os limites máximos de utilização do equipamento com absoluta segurança.

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2.3.1 Tabela de Cargas (ANEXO A)

Indica as máximas capacidades de carga garantidas pelo fabricante para o equipamento


original.

A tabela de cargas serve para orientar o operador na movimentação de cargas com


segurança (dentro das especificações do fabricante) e deve ser exposta em local visível para
consulta a cada operação.

Geralmente as tabelas de carga são baseadas em 75% da resistência do material e 85%


da capacidade de tombamento. Via de regra, os fabricantes de guindastes especificam em suas
tabelas de carga uma tarja ou linha que determinam as capacidades de carga que estão no limite
de resistência do material e no limite de tombamento do equipamento (estabilidade).

A correta leitura e interpretação da tabela de cargas deve ser feita levando-se em


consideração a capacidade de carga do guindaste e sua configuração de içamento, lembrando
sempre que “cada guindaste possui sua própria tabela de cargas” e sob hipótese alguma é
permitido consultar tabela de cargas de qualquer outro guindaste, mesmo que esta seja muito
parecida, a pena de causar um acidente grave e danificar o equipamento, tanto quanto a carga
içada.
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Acompanha ainda a tabela de cargas um gráfico, Altura sobre o Solo x Raios de


Trabalho , que finaliza a composição da mesma.

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Tabelas de Cargas Abordadas:


a) Tabela de Cargas de Guindaste Simples 2/20;
b) Tabela de Cargas de Guindaste Médias 2/50;
c) Tabela de Cargas de Guindaste com Contrapeso 2/70;
d) Tabela de Cargas de Guindaste Complexas com Contrapeso 2/1200.

Configurações das Tabelas:


a) Estabilizadores Totalmente Estendidos;
b) Estabilizador Dianteiro Estendido (360º);
c) Estabilizador Dianteiro não Estendido;
d) Uso do Jib.

2.3.2 JIB

O Jib é uma extensão fixada à ponta da lança com a finalidade de aumentar o raio de
carga da máquina.

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2.4 Limitador Automático de Momento - AML

Os guindastes modernos estão equipados com sistemas computadorizados chamados


AML (limitador automático de momento) que mostram a relação de Momento da Carga Real e o
Momento Nominal Máximo e permitem ao operador fazer as configurações necessárias a cada
operação e obter os resultados mostrados na tela ou visor na cabine de operação.

Contudo, as tabelas de carga devem estar sempre presentes em local visível para
consulta do operador.

Tela do computador do guindaste.

2.5 By - Pass

Permite ao operador prosseguir a operação e fazer movimentos que o sistema


computadorizado normalmente bloquearia por entender que está fora das especificações da
tabela de carga e configurações, para isto o operador desliga o limitador automático de momento
e opera sob sua total responsabilidade.

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2.6 Raio de Operação

Todo guindaste opera basicamente em função do raio de operação, que é a distância


compreendida entre o centro de giro do equipamento ao centro da carga. Todas as outras
configurações são variáveis, de acordo com o comprimento de lança e contrapeso aplicados.

GUINDASTE 2/70

7,8

BASE DO VASO

Ø3,2
0

8,00

7,8

RAIO DE OPERAÇÃO
8,00 M

3. Movimentação de Cargas VASO 17 TON

A operação de movimentação de cargas deve ser executada o mais próximo possível do


solo, com o guindaste posicionado em terreno firme, uniforme e com os seus dois eixos principais
nivelados, de acordo com as recomendações do fabricante, tendo as patolas do guindaste
estendidas e apoiadas.

3.1. Amarrações (ANEXO B)

É muito comum o uso de equipamentos utilizados em amarrações quando se trata de


movimentação de cargas, também chamados de equipamentos de lingar se apresentam em uma
grande variedade, dado que se deve saber primeiramente o tipo de material a ser movimentado
para depois fazer a escolha do acessório adequado.

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Existem vário tipos de acessórios, no entanto enfocaremos os cabos (estropos), cintas,


ganchos, clips e manilhas .

Devido a essa grande variedade encontramos tabelas que nos auxiliam no momento de
escolher o acessório que mais se enquadra em cada operação.

De forma abrangente podemos dizer dos acessórios utilizados em amarrações:


 Estropos - De tamanhos pré-definidos, podem ser trançados a mão, ou prensados
mecanicamente, de baixa flexibilidade e de peso considerável, dependendo da bitola
utilizada para sua confecção.
 Cintas – Mais leves e maleáveis que os cabos estropos, preservam as mesmas
propriedades que estes, além de evitar que o atrito com a carga danifique a mesma.
 Manilhas – Unem os cabos de aço/cintas às peças a serem içadas, possuindo trava
roscável.
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 Ganchos – Assim como as manilhas auxiliam no içamento, porém com o objetivo de dar
mais agilidade à operação.

3.2. Cabos de Aço (ANEXO C)

Assim como os acessórios de movimentação, os cabos de aço utilizados no içamento e


movimentação de cargas são de suma importância no processo. Para sua correta utilização
faremos uso de tabelas e seguiremos normas básicas que garantirão parte da segurança durante
a operação.

USO, INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO DO CABO DE AÇO

A. USO: fig.1, cabo de aço e alma, que pode ser de fibra ou aço.

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Fig. 1

 Medição do Diâmetro : o diâmetro do cabo de aço é aquele da sua circunferência


máxima (fig.2).

Fig. 2 Fig.3

 Manuseio do Cabo de Aço : o cabo de aço deve ser enrolado e desenrolado


corretamente (fig.4), a fim de não ser estragado facilmente por deformações permanentes
e formação de nós fechados (fig.3). Se o cabo for manuseado de forma errada (fig.5), ou
seja, enrolado ou desenrolado sem girar o rolo ou o carretel, o cabo ficará torcido e
formará laço. Com o laço fechado (fig.3, posição 2), o cabo já estará estragado e
precisará ser substituído ou cortado no local.

 Importante : mesmo que um nó esteja aparentemente endireitado, o cabo nunca pode


render serviço máximo, conforme a capacidade garantida. O uso de um cabo com este
defeito torna-se perigoso, podendo causar graves acidentes.

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Fig. 4 e Fig. 5

 Superlaço : os cabos de aço superlaço são fornecidos com, olhal tipo superlaço, de
máxima segurança, inviolável por lacre prensado industrialmente e com sapatilha
protetora A construção deste superlaço é detalhado na fig.6.

 Importante : mesmo sem o lacre e a sapatilha protetora, o olhal já suporta uma carga
superior à carga de trabalho do cabo (fig.6, posição 5).

Fig. 6

B. INSPEÇÃO: Antes de cada uso, o cabo de aço deve ser inteiramente inspecionado
quanto aos seguintes problemas:

1. Formação de nó fechado, em decorrência de manuseio incorreto.

2. Número de arames rompidos:


 Cabo de aço com 4,8 mm de diâmetro: deve ser inspecionado em trechos de 3 cm de
comprimento e substituído se, em um trecho, tiver 6 arames rompidos ou se, em uma
única perna, tiver 3 arames rompidos.
 Cabo de aço com 8 mm de diâmetro: deve ser inspecionado em trechos de 5 cm de
comprimento e substituído se, em um trecho, tiver 6 arames rompidos ou se, em uma
única perna, tiver 3 arames rompidos.

3. Corrosão: quando se verificar a incidência de corrosão na galvanização.


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IMPORTANTE:

a) Havendo problemas em todo o cabo, ele deve ser aposentado. Havendo problemas
localizados, ele pode ser cortado e usado.

b) Ao se observar um cabo de aço, se for encontrado algum outro defeito considerado grave,
o cabo deve ser substituído, mesmo que o número admissível de arames rompidos não tenha
atingido o limite encontrado na tabela, ou até mesmo sem ter nenhum arame rompido.
A inspeção visual de um cabo se sobrepõe a qualquer norma ou método de substituição
dos mesmos.

C. MANUTENÇÃO:

1. Mantê-lo: afastado de produtos químicos nocivos (ácidos), abrasivos e cantos afiados.

2. Armazená-lo: em local seco, por meio de carretel, para fácil manuseio, sem torção
estrutural.

3. Olhal com grampos: os cabos de aço poderão ter olhal confeccionado com grampos de
aço galvanizado (fig.7), conforme tabela abaixo:

 Para cabo de aço com diâmetro de 4,8 mm, usa-se 3 grampos 3/16” com espaçamento
entre si de 29 mm.
 Para cabo de aço com diâmetro de 8 mm, usa-se 3 grampos 5/16” com espaçamento
entre si de 48 mm.
 Importante: os grampos devem ser montados de maneira correta (fig. 7-c) e reapertados
após o início de uso do cabo de aço.

A B C

Fig. 7
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4. Patolamento

É o item mais importante da operação.

Como se abordou anteriormente cinqüenta porcento (50%) da segurança da operação de


içamento e movimentação de cargas está no patolamento do guindaste, que deve ser em terreno
nivelado e compactado.

Fica evidente que essa situação, apesar de ser a ideal para as condições de trabalho,
conforme indica o fabricante do guindaste, em muitos dos casos não corresponde à realidade.
Desta forma, cabe ao profissional responsável pela operação analisar as condições do terreno e
determinar, de acordo com o exame visual e sua experiência profissional como transcorrerá a
operação.

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Podemos encontrar durante a análise do terreno os seguintes casos:

 Terreno acidentado: onde é conveniente o nivelamento do guindaste com pranchões e


dormentes;
 Terreno com talude/muro de contenção: atentar para que a distância mínima do
guindaste ao talude/muro esteja fora de uma possível superfície de ruptura do terreno;
 Terreno com aclive/declive: compensar o desnível de acordo com os padrões de
segurança contra o tombamento do guindaste.

Guindaste rebocado por trator em terreno desfavorável à movimentação

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5. Tabela de Sinais (ANEXO D)

Desde os primórdios da movimentação e içamento de cargas, já se fazia necessário um


Rigger para sinalizar e comandar as operações.

As circunstâncias forçaram a criação de uma linguagem específica que pudesse ser


compreendida em todas as partes do mundo.

Então surgiu a linguagem universal, que é transmitida por sinais manuais específicos pelos
quais é possível a execução de todos os movi mentos de um guindaste, geralmente comandado
por um Rigger (orientador).

Esta linguagem foi normatizada pelo American National Standard Institute:


 ANSI B 30.5 – CRANE, LOCOMOTIVE AND TRUCK CRANES

Em alguns casos também se faz o uso de radiocomunicadores como contribuição ao


processo de sinalização durante a operação de içamento e movimentação de cargas.

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6. Plano de Movimentação de Cargas ou Plano de RIGGER

Antes do inicio de qualquer operação de movimentação e içamento se faz necessário um


“BRIEFING” entre as pessoas envolvidas na operação, ou seja, é necessário que todos os
profissionais envolvidos na operação estejam inteirados das circunstâncias em que a mesma
ocorrerá, seja dentro dos padrões técnicos ou dos padrões de segurança.

O Rigger, o operador do guindaste e o encarregado da montagem devem estar sintonizados


para o desenvolvimento e segurança da operação. Para tanto é necessário que se elabore um
“plano de rigger”, documento no qual estarão contidas informações preciosíssimas sobre a
operação de movimentação e içamento de cargas.

Para a correta elaboração do plano de rigger, sejam definidos:

6.1 Plano de Movimentação de Carga (Plano de Rigger)

É um dos documentos, integrante do procedimento de movimentação de cargas do


executante, constituído de desenhos em escala, com vista de plano e elevações e no mínimo
as seguintes informações:

a. Coordenadas e elevação da base do equipamento, construções e eventuais


obstáculos (atenção especial a redes elétricas e instalações subterrâneas);
b. Dimensões e elevações das extremidades do equipamento de movimentação de
carga (contra-peso, caminhão, lança, mastro e patolas/esteiras);
c. Detalhes de fixação e/ou estaiamento do equipamento de movimentação de carga;
d. Lista indicando quantidades, especificações e capacidades de todos os materiais e
acessórios de movimentação a serem utilizados na operação;
e. Indicação dos pontos de amarração da carga;
f. Indicação do tipo de preparação de terreno na área de operação, indicando
inclusive a necessidade, ou não, do uso dos pranchões;
g. Seqüência de liberação do(s) equipamento(s) de movimentação de carga em
função da seqüência de montagem;
h. Posições iniciais e finais em coordenadas dos centros de giro e dos pés das lanças
dos equipamentos de movimentação de carga, envolvidos nas fases de
movimentação;
i. Indicação em metros dos raios de carga dos equipamentos de movimentação de
carga envolvidos;
j. Indicação do acesso e deslocamentos dos equipamentos de movimentação de
carga na área de operação;
k. Indicar a folga mínima de moitão com as polias da ponta da lança;

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l. Vista(s) indicando a(s) seguinte(s) folga(s) mínima(s): lança x carga, lança x


obstáculo(s); cabo de carga x obstáculo(s), acessórios de movimentação x lança e
acessórios de movimentação x obstáculos;
m. Dimensões e posições da carga em cada fase de operação;
n. Peso da carga;
o. Peso de movimentação;
p. Tabela indicando para cada fase da movimentação e para cada equipamento de
movimentação de carga envolvido, os seguintes dados:
 Modelo e capacidade nominal do equipamento de movimentação de carga;
 Tipo e composição da lança;
 Tipo e composição do mastro;
 Tipo e composição do jib;
 Raios de trabalho e correspondentes capacidades;
 Tipo de contrapeso;
 Tabela de carga utilizada;
 Fatores de segurança utilizados nos cálculos de dimensionamento dos
acessórios de movimentação.

6.2 Procedimento de Movimentação de Carga do Executante

É o documento emitido pela firma executante que define os parâmetros e as condições da


execução dos serviços de movimentação de carga. Este documento deve atender ainda:

a. As folgas entre: lança e carga; lança e obstáculos; cabo de carga e obstáculos;


acessórios de movimentação de lança; acessórios de movimentação e obstáculos
devem ser de, no mínimo 500 mm;
b. O moitão não deve forçar as polias da ponta da lança, em qualquer fase do
levantamento da carga;
c. Deve ser prevista proteção para pontos onde os cabos entram em contato com a
carga;
d. Em nenhum instante da movimentação, a capacidade de máquina deve ser
superada pelo peso de movimentação;
e. O equipamento de movimentação de carga deve operar dentro dos quadrantes
permitidos pelo fabricante;
f. As lingadas não devem introduzir componentes de força inadmissíveis na carga;
g. As capacidades dos acessórios de movimentação a serem utilizados devem ser
compatíveis com as cargas aos quais estão sujeitos.

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6.3 Rigger (Orientador)

É o profissional responsável por fazer um planejamento prévio da movimentação com as


informações colhidas durante vistorias e complementadas com as informações fornecidas pela
contratante. Também coordena a movimentação e içamento da carga, interagindo diretamente
com o operador do guindaste através de sinais padronizados universalmente ou com aparelhos
de comunicação direta.

6.4 Obstáculo

Qualquer acidente topográfico, instalações elétricas e subterrâneas, construção ou unidade


industrial que interfira com a movimentação de carga.

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6.5 Peso da Carga

É aquele obtido através da pesagem da carga ou do desenho cientificado de fabricação da


mesma.

6.6 Peso em Movimentação

É o peso total ou parcial máximo da carga acrescido do peso de todos os acessórios de


levantamento (cabos, moitões, balancins, manilhão) suspensos na ponta da lança de um
guindaste durante uma operação de movimentação de carga.

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7. Inspeção do Equipamento

7.1. O equipamento de movimentação de carga deve ser submetido a uma inspeção


para o trabalho conforme recomendações contidas nos manuais do fabricante.

7.2. Os cabos de aço devem ser inspecionados no recebimento do equipamento


com certificado de fabricação e plaqueta de identificação.

7.3. As cintas devem ser inspecionadas no recebimento do equipamento com


certificado de fabricação e plaqueta de identificação.

7.4. As manilhas, ganchos e clips devem ser inspecionados no recebimento do


equipamento com certificado de fabricação e capacidades estampadas nas peças.

7.5. Balancins e arranjos destinados a içamentos e movimentação de cargas devem ter


estampados em local visível a sua capacidade de carga, de acordo com projeto de fabricação
aprovado.

7.6. Devem ser executados testes operacionais no equipamento conforme


recomendações do fabricante para os seguintes itens:
a) Freios
b) Embreagens
c) Controles
d) Mecanismo de abaixamento e levantamento da carga
e) Mecanismo de abaixamento e levantamento da lança
f) Mecanismo de extensão e recolhimento da lança
g) Mecanismo de giro à esquerda e à direita
h) Mecanismo de deslocamento
i) Dispositivos de segurança
j) Estabilizadores
k) Testes de capacidade de carga

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7.7. Testes de Capacidades devem ser verificados dois pontos da tabela de carga:
um na região limitada pela estabilidade e o outro na região limitada pela resistência do material.

7.8. O certificado de teste de capacidade de carga da máquina deve conter no


mínimo, as seguintes informações:
a) Configuração geométrica da lança
b) Patolamento (quadrante de atuação)
c) Raio de operação de carga
d) Cargas utilizadas (peso e dimensões)
e) Resultados obtidos

7.9. Antes de cada jornada de trabalho ou quando for realizada uma movimentação de
carga de alta periculosidade, devem ser verificados os seguintes itens:

a) O adequado funcionamento do freio e embreagem


b) Níveis de óleo, combustível, lubrificante hidráulico e fluidos refrigerantes
c) Nível de água das baterias
d) Instrumentos de painel de comando
e) O correto nivelamento e estabilização da máquina
f) A correta amarração da carga

7.10. Os cabos de aço utilizados nos serviços de movimentação de carga devem


ser inspecionados e substituídos quando constatados:

a) Seis ou mais fios rompidos em um passo


b) Três ou mais fios rompidos em uma perna em um passo
c) Três ou mais fios quebrados em um passo (cabos estacionários)
d) O desgaste excedendo 1/3 do diâmetro de cada um dos fios externos do cabo
e) Nos casos das seguintes reduções no diâmetro de:
 1,2 mm para cabos de diâmetros de ¾ “
 1,6 mm para cabos de diâmetros menores que 7/8” a 1 1/8”
 2,4 mm para cabos de diâmetros de 1 ¼” a 1 ½”
f) Formação de gaiola de pássaro (bird cage)
g) Soltura de uma ou mais pernas
h) Dobramento
i) Amassamento
j) Corrosão: quando for constatada a descoloração característica dos fios ou, a
existência de “pittings”

7.11. As manilhas e clips devem ser inspecionados quanto ao desgaste e devem ser
substituídos quando o desgaste for superior a 10% do diâmetro do pino ou da região da
curvatura.

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8. Segurança na Operação de Içamento e Movimentação de Cargas

8.1. As operações de movimentação de carga devem ser executadas o mais próximo


possível do solo com o equipamento de movimentação posicionado e terreno firme e nivelado, de
acordo com a recomendação do fabricante. Quando aplicável, as patolas do equipamento devem
estar totalmente estendidas e apoiadas.

8.2. O número de voltas do cabo deve ser compatível com a capacidade do


equipamento e estar de acordo com a tabela de carga do fabricante do equipamento.

8.3. Não é permitida a movimentação simultânea da carga através da lança e do jib.

8.4. Nos casos de movimentação de carga utilizando guindaste montado sobre


caminhão, não devem ser executadas movimentações no quadrante sobre cabine.

8.5. A área deve ser isolada às pessoas estranhas aos serviços de movimentação.

8.6. Os trabalhos de movimentação de carga não devem ser executados em dias de


chuva, ventos fortes ou condições adversas de iluminação.

8.7. O operador do equipamento de movimentação decarga não deve se afastar da


cabine de comando durante a operação de movimentação.

8.8. Durante a execução dos serviços a lança não deve estar apoiada em nenhum
ponto.

8.9. O içamento da carga deve ser feito com a mesa de giro destravada.

8.10. Não deve existir ferramentas ou peças soltas sobre e/ou dentro da carga a ser
movimentada.

8.11. A tabela de carga deve estar à disposição na cabine do operador.


8.12. Durante a execução dos serviços, a carga não deve passar por cima das pessoas.

8.13. O içamento de pessoas, por máquinas de movimentação de cargas, só pode ser


feito com utilização de “gaiolas” com guarda-corpos.

8.14. Durante a execução dos serviços devem ser utilizados sinais padronizados por
norma, conforme anexo desta apostila, a não ser que seja utilizado sistema de comunicação
sonora.

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8.15.Para operações não cobertas pelos sianais padronizados por norma, devem ser
previstas adições aos sinais padronizados. Estas devem ser previamente acordadas entre
operadores, sinaleiro e o responsável pela execução dos serviços.

8.16.Apenas uma pessoa deve SINALIZAR ao operador do guindaste.

8.17.Devem ser utilizados na fabricação de olhais, chapas, chapas de ligação


(Linkplates/Triplates), balanças, estropos e manilhas, materiais que tenham certificado.

8.18.Os olhais devem ser fabricados de modo que a direção da resultante dos esforços que
atuam sobre o olhal seja coincidente com a direção de laminação de chapa principal do olhal.

8.19.No dimensionamento dos acessórios de movimentação devem ser considerados os


valores de eficiência de ligação dos terminais fornecidos pelo fabricante do acessório.

8.20.Na fabricação dos estropos, o torque das porcas e a quantidade de grampos (clips) a
serem utilizados devem estar de acordo com os catálogos dos fabricantes dos grampos.

8.21.No teste de capacidade devem ser verificados dois pontos da tabela de carga: um na
região limitada pela estabilidade e outro na região limitada pela resistência do material.

8.22.Deve ser verificado se a lança, mastro, contra-peso, cabos, ou qualquer componente


do equipamento de movimentação de carga está posicionado em relação aos cabos de alta
tensão, de acordo com o estabelecido na tabela abaixo:

TENSÃO (VOLTAGEM)
DISTÂNCIA EM M (METROS)
EM KV (KILOVOLTS)
Até 6,6 2,50
De 6,6 a 11 2,70
De 11 a 50 3,00
De 50 a 66 3,20
De 66 a 100 4,60
De 100 a 138 5,20

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8.23 Deve ser verificada a tensão no laço quando aplicada com alguma inclinação, podendo
gerar algum acidente, pois em alguns casos a diferença entre tensões é bastante grande. O
quadro abaixo mostra o fenômeno físico que ocorre com a tensão aplicada nas pernas dos laços
quando expostas à inclinação:

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ANEXOS
Esta apostila contém os seguintes anexos:

1. ANEXO A
Tabela de Cargas de Guindaste Simples 2/20
Tabela de Cargas de Guindaste Médias 2/50
Tabela de Cargas de Guindaste com Contrapeso 2/70
Tabela de Cargas de Guindaste Complexas com Contrapeso 2/1200

2. ANEXO B
Tabela de Clips
Tabela de Manilhas
Tabela de Cintas
Tabela de Ganchos
Tabela Estropos

3. ANEXO C
Tabela de Cabos de aço

4. ANEXO D
Tabela de Sinais Manuais conforme a BGV A8 – Alemanha
Tabela de Sinais Manuais conforme a ASME/ANSI B30.5 - EUA

5. ANEXO E
Check List (Procedimento para o Plano de Içamento/Amarração/Movimentação de Carga)

6. ANEXO F
Tabela de Velocidade dos Ventos

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BIBLIOGRAFIA
 ABNT NBR27 – Prova de Carga Direta Sobre Terreno de Fundação.
 ABNT NBR 6327 – Cabo de Aço para Uso Geral.
 ABNT NBR 4309 – Guindastes – Cabo de Aço, Critérios para Inspeção e Descarte.
 ABNT NBR 13541 - Movimentação de Carga – Laço de Cabo de Aço, Especificação.
 ABNT NBR 13543 - Movimentação de Carga – Laço de Cabo de Aço, Utilização e Inspeção.
 NR 11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais.
 ANSI B30.5– Crane, Locomotive and Truck Cranes.

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