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Proletários de todo o mundo, uni-vos!

MAO TSÉ-TUNG NA
REVOLUÇÃO CHINESA
Chen Po-ta
Chen Po-ta

MAO TSÉ-TUNG NA
REVOLUÇÃO CHINESA

São Paulo. 1ª edição. 2016.


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EDIÇÕES NOVA CULTURA – www.novacultura.info

PO-TA, CHEN. Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa. 1ª Edição. 2016.

ISBN: 978-85-69401-12-4

Tradução: Lucas Medina


Traduzido da edição em espanhol
(CHEN PO TA, Mao Tse-Tung em la Revolución China. Lima: Ediciones Yawarwaqa, 1974.)

RAÍZES DA AMÉRICA
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São Paulo – SP – Brasil CEP 02308-110
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Editores: Cleide Regina Scarmeloto - Editora, escritora, professora (Pedagogia, Metodista).


Gabriel Gonçalves Martinez (Filosofia, USJT). Klaus Scarmeloto (Direito, USJT). Lucas
Medina (Jornalismo, USJT).

Conselho de Redação: Cleide Regina Scarmeloto, Gabriel Gonçalves Martinez, Klaus


Scarmeloto, Lucas Medina

Conselho Editorial: União Reconstrução Comunista

Direitos exclusivos para Língua Portuguesa cedidas à Editora Raízes da América.


陈伯达
Índice

Prefácio ..................................................................................................................................... 15

Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa .................................................................................


Mao Tsé-tung é o maior expoente do marxismo-leninismo na China ............................ 21
China Moderna: centro de numerosas contradições no Oriente ...................................... 24
A Revolução Chinesa é parte da Revolução Mundial ........................................................... 31
Revolução das grandes massas populares sob a direção do Proletariado ....................... 37
Das bases revolucionárias no campo à vitória completa da Revolução .......................... 43
Uma ampla Frente Única, tanto de unidade quanto de luta ............................................... 53
O contínuo desenvolvimento da Revolução Democrática na Revolução Socialista.... 64
A Construção do Partido ............................................................................................................... 70
Conclusão .......................................................................................................................................... 80

ANEXO
Stalin e a Revolução Chinesa .................................................................................................
I - A ajuda teórica e prática de Stalin .................................................................................... 89
II - Confirmadas todas as previsões de Stalin ................................................................... 91
III - O Caráter e a Tática da Revolução Chinesa .............................................................. 95
IV - Aplaudir, apoiar e aprender com Stalin .................................................................... 103
[...] “Lenin disse que os chineses teriam em breve o seu 1905. Alguns camaradas
compreenderam isto de tal modo que, entre os chineses, deveria repetir-se, ponto por
ponto, a mesma coisa que se verificou em nosso país, na Rússia, em 1905, errôneo,
camaradas. Lenin não disse, de modo algum, que a revolução chinesa seria uma cópia
da revolução do 1905 na Rússia. Lenin disse apenas que os chineses teriam o seu
1905. Isto significa que, além dos traços gerais daquela revolução, terá, ainda
particularidades específicas, que devem dar um cunho especial à revolução na China”.

J. V. STALIN no discurso
“Sobre as Perspectivas da Revolução na China”,
pronunciado em 30 de novembro de 1926.
Prefácio

O selo Edições Nova Cultura, idealizado e desenvolvido pela


União Reconstrução Comunista em parceria realizada com a editora
Raízes da América, oferece para o público brasileiro mais uma obra so-
bre o imenso e heroico processo revolucionário chinês que culminou na
fundação da República Popular da China em 1º de outubro de 1949 e na
construção socialista.
A exemplo do livro Trinta Anos do Partido Comunista da China, es-
crito por Hu Qiaomu, já lançado por nosso selo editorial, o livro Mao Tsé-
tung na Revolução Chinesa foi também publicado em 1951 por ocasião das
comemorações do 30º aniversário do Partido Comunista da China, e es-
crito por Chen Po-ta, então vice-presidente da Academia Sínica.
O camarada Chen Po-ta nasceu como Chen Shangyu em 1904,
em Hui’an, província de Shangai, local no qual se incorporou ao Partido
Comunista da China em 1927 e participou da Expedição ao Norte durante
a primeira frente única entre o Partido e o Kuomintang. Após o fracasso
da expedição, Chen Po-ta se mudou para Nanjing, onde foi preso. Após
um mês, conseguiu sua libertação e o Partido o enviou para fazer estudos
em Moscou. Voltou à China em 1931 e dedicou-se ao ensino de história
em Pequim e a escrever. Nesses anos, adotou o pseudônimo com o qual
ficou conhecido na história do movimento comunista mundial. Em 1937,
se mudou para Yenan onde deu aulas na escola de quadros do Partido e
exerceu a função de secretário político de Mao Tsé-tung até 1941. A partir

15
deste ano, foi um dos principais impulsionadores do Movimento de
Retificação e trabalhou como jornalista, chegando a ser diretor do Hongqi.
Em 1951, escreveu uma série de artigos e um livro sobre o pensamento
de Mao Tsé-tung, convertendo-se assim em uma espécie de porta-voz e
interprete oficial. Foi ele quem recompilou as citações que compõe o
volume intitulado Livro Vermelho.
Portanto, de credibilidade comprovada por sua rica trajetória re-
volucionária, Chen Po-ta nos deixou nessa obra concisa e objetiva, uma
importante contribuição para um estudo introdutório sobre a Revolução
Chinesa e o papel exercido pelo camarada Mao Tsé-tung.
Neste impecável texto, o autor demonstra o porquê de Mao Tsé-
tung ser o grande expoente do marxismo-leninismo na China, por como
aplicou de forma criadora os princípios formulados por Marx, Engels, Le-
nin e Stalin à realidade concreta chinesa. Como já apontara o camarada
Stalin, a Revolução Chinesa se revestia de peculiaridades e, portanto, a te-
oria deveria dar conta dessas características específicas e dar um sentido
especial ao processo revolucionário. E a partir dos ensinamentos da Re-
volução de Outubro na Rússia, Mao pode desenvolver e aplicar o mar-
xismo-leninismo para guiar o povo chinês, sob a direção do Partido, para
sua libertação nacional e para o socialismo.
O livro aborda o contexto chinês, que então era palco de inúme-
ras contradições entre os imperialistas no Oriente, o que fez com que a
China se tornasse um país fundamental na luta anti-imperialista mundial.
A compreensão disto é primordial para entender o papel da China como
um bastião da luta pela libertação nacional dos países coloniais e semico-
loniais no mundo, apontando o caminho para todos os países dominados
da Ásia, da África e da América Latina.
Chen Po-ta destaca a liderança de Mao Tsé-tung na encarniçada
luta contra os desvios dentro do Partido Comunista da China, tanto contra
o oportunismo de direita quanto contra o oportunismo de “esquerda”.
Ambos, em muitas ocasiões se tornaram extremamente danosos a linha
política e sua aplicação no decorrer das lutas gerou graves equívocos e sé-
rios prejuízos ao Partido e ao povo.

16
Ao dar uma correta solução a problemas de inúmeras ordens, in-
ternas e externas, Mao Tsé-tung pode assentar as bases que possibilitaram
ao Partido Comunista da China guiar as massas populares até a vitória fi-
nal. A centralidade da direção do proletariado na revolução, o papel das
bases revolucionárias no campo até o cerco das cidades, a ampla frente
única de unidade e de luta, o contínuo desenvolvimento da revolução de-
mocrática na Revolução Socialista: todos estes pontos foram elucidados e
desenvolvidos brilhantemente pelo camarada Mao, de acordo com as ne-
cessidades concretas que se impunham, e assim garantiram a justeza da
direção revolucionária do Partido no processo da Revolução Chinesa.
Outro ponto fundamental foi a construção do Partido Comunista
da China. Graças a luta travada em seu seio contra as posições estranhas
aos interesses do proletariado e a justa e correta direção do camarada Mao
Tsé-tung, o Partido conseguiu superar todos os equívocos cometidos du-
rante suas primeiras décadas de existência, eliminar tantos os erros direi-
tistas quanto os desvios esquerdistas, e tanto pelo método da crítica e au-
tocrítica, impulsionado pelo movimento de retificação, pôde consolidar-
se como um partido marxista-leninista e garantir sua bolchevização.
Nesta edição também publicamos como anexo, outro importante
artigo de Chen Po-ta, Stalin e a Revolução Chinesa, escrito em celebração ao
70º aniversário do camarada J. V. Stalin, em 1949, e publicado pela pri-
meira vez no Brasil no mesmo ano, na edição nº. 23 da Revista Problemas.
Acreditamos ambos os textos se complementam perfeitamente, para uma
explanação do debate teórico e prático acerca do caráter da Revolução
Chinesa e sobre a luta de libertação nos países coloniais e semicoloniais.
Dado o exposto, publicamos esta edição para que mais um mate-
rial de relevante conteúdo esteja disponível para o estudo sistemático e
rigoroso do grandioso processo da Revolução Chinesa, tarefa ainda a ser
cumprida satisfatoriamente pelos comunistas e progressistas brasileiros.
Este livro se soma ao nosso grande esforço de trazer ao público brasileiro
uma bibliografia sobre a aplicação do marxismo-leninismo no Oriente.

UNIÃO RECONSTRUÇÃO COMUNISTA

17
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

1
Mao Tsé-tung é o maior expoente do
marxismo-leninismo na China

Em seu artigo Sobre a Ditadura da Democracia Popular, Mao afirma:


As salvas da Revolução de Outubro nos trouxeram o mar-
xismo-leninismo. A Revolução de Outubro ajudou os ele-
mentos progressistas do mundo e da China a aplicar a dou-
trina proletária para determinar os destinos do país e fazer a
revisão de seus próprios problemas. Seguir o caminho dos
russos; esta foi a conclusão.1

Como é amplamente conhecido, Mao Tsé-tung é o expoente mais


representativo das forças na China. Sua maior contribuição à Revolução
Chinesa é a de ter integrado a verdade universal do marxismo-leninismo
com a prática revolucionária concreta e a de ter resolvido de uma maneira
correta e brilhante os numerosos problemas que surgiram no transcurso da
revolução. Desenvolveu criativamente a ciência do marxismo-leninismo,
aplicando-a às condições chinesas e as do Oriente, e levou desta maneira o
povo chinês à vitória.
Mao Tsé-tung ensina: “a teoria de Marx, Engels, Lenin e Stalin é

1. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, edição inglesa, Edições em línguas estrangeiras, Pequim,
1961, vol. IV, página 413.

21
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

uma teoria universalmente aplicável”2. Contudo, para aplicar corretamente


esta teoria à China e transformá-la em uma força invencível das massas, é
essencial liquidar constantemente todas as tendências ideológicas estranhas
à causa do proletariado e travar batalhas ideológicas, algumas vezes de forma
feroz. Durante 30 anos, Mao lutou inflexivelmente contra várias tendências
reacionárias alheias ao Partido e contra diferentes formas de oportunismo
no seio do Partido. Estão incluídas as lutas contra os nacionalistas3, contra a
ala de direita e aos conciliadores dentro do Kuomintang; contra o Chen Tu-
hsiu-ismo4, o trotskismo e as diversas ilusões reformistas sobre o governo
contrarrevolucionário do Kuomintang amparadas pelos setores direitistas
da burguesa e da pequena burguesia; contra o aventureirismo de “esquerda”
que predominou no Partido em várias ocasiões, e contra a repetição dos
erros de Chen Tu-hsiu. No desenvolvimento desta série de lutas, Mao Tsé-
tung comprovou ser um grande mestre na difusão e na aplicação da teoria
revolucionária de Marx, Engels, Lenin e Stalin. As lutas conduzidas por ele,
fortaleceram e consolidaram o Partido Comunista da China.
A unidade da teoria e da prática é uma característica exclusiva do
marxismo-leninismo. Na China revolucionária, seguindo os passos dos
grandes mestres: Marx, Engels, Lenin e Stalin, Mao Tsé-tung dedicou a
maior atenção ao grande poder criador das massas revolucionárias. Nunca
divorciou seu rico e fecundo estudo do marxismo-leninismo do movimento
revolucionário das massas. Sob todas as circunstâncias e em todas as épocas,

2. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Lawrence y Wishart, Londres, 1954, vol. II, página 259.
3. Um grupo de políticos inescrupulosos inclinados ao fascismo que formaram a Liga da Juventude
Nacionalista China, mais tarde chamada de Partido da Juventude Chinesa. Subsidiados pelos im-
perialistas e pelas camarilhas reacionárias no poder, estes contrarrevolucionários fizeram uma cam-
panha de oposição ao Partido Comunista e à URSS.
4. No último período da Guerra Civil Revolucionária (1924-1927) o desvio de direita no Partido
Comunista da China, representado por Chen Tu-hsiu, se desenvolveu dentro de uma linha de ca-
pitulação. Em cooperação com o Kuomintang, os capitulacionistas abandonaram a direção do
Partido entre os camponeses, a pequena burguesia urbana, a média burguesia e, especialmente, nas
forças armadas, causando assim o fracasso da revolução. Em uma conferência de emergência do
Comitê Central do Partido, em agosto de 1927, Chen Tu-hsiu foi removido da posição de Secre-
tário Geral. Mais tarde, por assumir uma posição contrarrevolucionária e colaborar com trotskistas,
foi finalmente expulso.

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Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

conjugou a teoria marxista-leninista com a prática da Revolução Chinesa e


“utilizou o ponto de vista fundamental do marxismo, o método de análise
de classe”, para estudar, analisar e sintetizar as experiências revolucionárias
na China. Ao trabalhar desta maneira, comprovou de forma cabal a exatidão
do marxismo-leninismo e demonstrou assim, sua grandeza, sua dinâmica,
sua força revolucionária.
Baseando-se na força criadora das massas revolucionárias da China
e nos diversos aspectos das complexas experiências da Revolução Chinesa,
Mao Tsé-tung desenvolveu o marxismo-leninismo e expôs ante as massas
todo tipo de desvio dirigido a falsificar e corromper o marxismo-leninismo.
Em seu famoso artigo, Sobre o Significado do Materialismo Militante,
publicado em 1922, Lenin disse:
[...] a dialética que Marx aplicou com tão bom resultado e que,
na atualidade, com o despertar à vida e à luta de novas classes
no Oriente (Japão, Índia e China) – ou seja, das centenas de
milhões de seres humanos que constituem a maioria da po-
pulação mundial e cuja passividade e letargia histórica haviam
sido, até agora, a causa responsável pelo estancamento e a
putrefação de muitos estados europeus avançados, a cada dia,
com o surgimento de novos povos e novas classes, confir-
mam cada vez mais o marxismo.5

Sem dúvidas, o levantamento do povo chinês à luta sob a direção


da classe operária e a recente vitória conquistada, são uma confirmação, em
larga escala, de mais uma vitória do marxismo-leninismo no Oriente. Isto
constitui uma confirmação do fato de que os ensinamentos de Marx, Engels,
Lenin e Stalin, compõe uma ciência poderosa, aplicável em toda parte, e uma
ratificação de que Mao Tsé-tung – líder máximo do Partido Comunista da
China – aplicou ciência do materialismo histórico às condições particulares
de seu país e a desenvolveu com brilhante êxito.

5. V. I. Lenin, “Marx, Engels, Marxismo”, edição inglesa, Edições em Línguas Estrangeiras, Mos-
cou, 1951, páginas 559-560.

23
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

2
China Moderna: centro de numerosas
contradições no Oriente

Durante 100 anos e, especialmente, no fim do século XIX, a Chi-


na foi o centro de numerosas contradições no Oriente. Em primeiro lugar,
a China era uma semicolônia das potências imperialistas do mundo que a
saqueavam, considerada por estes como a maior e mais suculenta maçã da
discórdia entre elas.
Em 1916, no Imperialismo, fase superior do Capitalismo, Lenin anotava:
É natural que a luta por estes países semidependentes te-
nha chegado a ser particularmente feroz durante o perí-
odo do capital financeiro, quando a partilha do mundo já
estava concluída.6
A partilha da China é somente o começo, e a luta entre
Japão, Estados Unidos, etc, devido a isto, irá se agudizar
continuamente.7

6. V. I. Lenin, “Obras Completas”, edição inglesa, Edições Internacionais, Nova York, 1942, vol.
XIX, página 153.
7. Ibid., página 167.

24
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Stalin escreveu em 1927:


A China é uma nacionalidade compacta com uma popula-
ção de várias centenas de milhões de habitantes que cons-
tituem um dos mercados de venda e exportação de capi-
tais mais importantes do mundo... o imperialismo tem que
golpear o corpo vivo da China nacional, despedaçá-lo e
despojá-lo de províncias inteiras, para preservar suas ve-
lhas posições, ou ao menos reter algumas delas.8

Devido ao fato das potências imperialistas considerem então a


China como seu campo de exploração, em muitas ocasiões formaram uma
aliança para enfrentar a Revolução Chinesa. Por exemplo, em 1900, as forças
aliadas de oito potências imperialistas invadiram Pequim e massacraram as
forças patrióticas do movimento Yi Ho Tuan. Já no ano de 1927, os países
imperialistas se opuseram em conjunto a grande Revolução Chinesa9. Em
outras oportunidades atuaram em conluio para repartir a China entre eles.
Contudo, a ambição destas potências imperialistas para apoderar-se desta
valiosa pilhagem, ou conquistar o controle exclusivo da China, conduziu a
profundas contradições entre elas. Concluindo, tal como Mao Tsé-tung
havia demonstrado, em “conflitos inter-imperialistas na China”.

8. J. V. Stalin, “Obras”, edição inglesa, Edições em Línguas Estrangeiras, Moscou, 1954, vol. IX, pá-
gina 262.
9. A luta revolucionária anti-imperialista e antifeudal sustentada pelo povo chinês sob a direção do
Partido Comunista da China, pode ser dividida principalmente em quatro períodos: primeiro, o perí-
odo da Grande Revolução ou o período da Guerra Expedicionária do Norte. Durante este, o Partido
Comunista da China e o Kuomintang trabalhavam em cooperação e travaram uma luta revolucionária
anti-imperialista e antifeudal que tomou a forma de uma Guerra Expedicionária ao norte do país con-
tra os senhores da guerra da região. Mais tarde, a camarilha contrarrevolucionária do Kuomintang
encabeçada por Chiang Kai-shek, que representava os interesses dos grandes senhores feudais e da
grande burguesia, traiu a revolução; o segundo, o período da Segunda Guerra Civil Revolucionária
(1927-1937), comumente chamada de Guerra Civil dos Dez Anos, ou o período da reforma agrária.
As principais lutas durante este período foram estabelecer e expandir o poder político vermelho, rea-
lizar a reforma agrária e oferecer uma resistência armada ao governo reacionário do Kuomintang; o
terceiro, o período da Guerra de Resistência Antijaponesa (1937-1945); o quarto, da Terceira Guerra
Civil Revolucionária (desde o final da Guerra de Resistência em 1945 até a fundação da República
Popular da China em 1949), também chamado de Guerra de Libertação do Povo Chinês.

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Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Isto significou que, como resultado das contradições existentes


entre os vários países imperialistas e seu desejo comum de repartir a China,
suas forças presentes no país permaneciam mais divididas do que unidas.
Em segundo lugar, as contradições e as lutas entre os imperialistas tiveram
o efeito de agravar e agudizar as contradições e as lutas entre as velhas classes
dominantes na China – os senhores feudais, a burguesia compradora –
levando a contínuos e intermináveis conflitos entre os senhores da guerra.
Mao Tsé-tung disse em 1928:
Uma característica essencial da China semicolonial era a
existência prolongada e ininterrupta –desde o primeiro
ano da República, em 1912 – de contínuas guerras em-
penhadas pelas diferentes camarilhas dos velhos e novos
senhores da guerra apoiados pelos imperialistas a partir do
estrangeiro e pela burguesia compradora e os grandes la-
tifundiários residentes no país... Este fenômeno se devia a
duas razões: primeira, a fragmentação do país em regiões
isoladas com sua própria economia agrícola [A China não
possuía uma economia capitalista unificada]; segunda, a
política imperialista de divisão e exploração da China, para
que fosse partilhada em zonas de influência.10

Ou seja, uma vez que as classes feudais e a burguesia compradora


chinesas serviam as diferentes potências imperialistas e representavam os
interesses de diferentes forças feudais locais, as hierarquias destas castas
dominantes permaneciam também mais divididas que unidas.
Em terceiro lugar, a opressão exercida em conjunto pelo imperia-
lismo e pelo feudalismo causaram ao povo chinês terríveis sofrimentos. Po-
rém, desde a Guerra do Ópio em 1840, o povo chinês sempre desencadeou
inflexíveis e repetidas lutas contra o imperialismo e o feudalismo. Se houve
intervalos nestas lutas, foram de curta duração. Por outra parte, conside-
rando a China como uma grande país com uma enorme população, o nú-
mero de pessoas mobilizadas, em cada um daqueles combates, era colossal.

10. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, vol. I, página 65.

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Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

O povo chinês lutou contra todas e cada uma das potências imperi-
alistas que invadiram a China, e se recusou a ser submetido a qualquer um
dos regimes contrarrevolucionários impostos pelos imperialistas.
A China estava comprometida em uma prolongada revolução.
Isto é, as contradições existentes entre o povo chinês, por um lado,
e o imperialismo e o feudalismo, por outro, eram totalmente irreconciliáveis.
No curso de sua luta contra os imperialistas e os senhores feudais,
o povo chinês chegou a converter-se, gradualmente, em uma força unificada,
extremamente poderosa.
De tudo dito acima, pode-se deduzir que quando dizemos que a
China moderna foi o ponto central das contradições no Oriente, queremos
demonstrar brevemente que a China foi antes de tudo, o centro da agressiva
luta entre os países imperialistas e, em segundo lugar, o centro da feroz luta
entre a revolução e a contrarrevolução.
Obviamente, somente a vitória da revolução do povo chinês pode-
ria resolver estas contradições, e a partir da China, romper as cadeiras do
imperialismo no Oriente – o povo chinês teve a força para fazê-lo. Mas, foi
somente sob a direção do proletariado que pode se organizar em uma pode-
rosa força capaz de realizar a vitória.
A notável militância desenvolvida pela classe operária chinesa se
deu principalmente por três razões. Em primeiro lugar: a classe operária es-
tava submetida à opressão das três forças dominantes: o imperialismo es-
trangeiro, o feudalismo doméstico e o capitalismo. Em segundo lugar: se
encontrava altamente concentrada. Ainda que a indústria chinesa fosse sub-
desenvolvida, concentrava uma grande parte de trabalhadores industriais
que se ocupavam em modernas empresas, cada uma das quais empregava
mais de 500 operários. Em terceiro lugar: ainda que os trabalhadores indus-
triais fossem minoria em relação ao total da população, o número de prole-
tários e semiproletários de diferentes camadas era gigantesco. Se incluirmos
os semiproletários do campo – os trabalhadores pobres – com os prole-
tários e semiproletários, em conjunto, constituíam mais da metade da popu-
lação. A opressão tirânica do qual estavam submetidos era extremamente
desumana. Por tais razões, a classe operária revolucionária desenvolveu uma

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Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

poderosa força combativa, formou seu próprio partido político – o Partido


Comunista – e liderou todas as classes revolucionárias chinesas.
A China, um extenso país empenhado em uma longa guerra revo-
lucionária, exerceu a determinação que levou a um final feliz sua poderosa
classe operária revolucionária, convertendo-se na liderança das amplas mas-
sas de camponeses bastante combativos e, por conseguinte, no líder real de
todas as forças revolucionárias. Também porque no contexto internacional
foi época da revolução proletária, a época na qual o socialismo triunfou pela
primeira vez na Rússia, recebendo assim a Revolução Chinesa um excelente
apoio internacionalista. Estas coisas explicam porque era inevitável a vitória
da revolução do povo chinês e o fracasso do imperialismo e seus lacaios – a
classe feudal e a burguesia compradora. Stalin pontuou em 1927:
[...] na China a luta contra o imperialismo deve assumir um
conteúdo popular e um caráter claramente nacional, e irá
se aprofundar passo a passo, desenvolver-se dentro de en-
carniçados combates contra o imperialismo até sacudir
suas pilastras no mundo.11

Este é o curso que os acontecimentos tomaram.


Naturalmente, não se deve supor que a vitória da revolução seria
conquistada facilmente em um país tão vasto que anteriormente fora a maçã
da discórdia entre os países imperialistas, e onde o feudalismo permanecera
vivo durante séculos. Não, não foi fácil o caminho percorrido. Em um artigo
escrito em agosto de 1949, Mao Tsé-tung descreveu o processo do triunfo:
Eles lutaram, fracassaram, lutaram de novo, fracassaram
de novo, voltaram a lutar, acumularam uma experiência de
109 anos, de centenas de lutas, grandes e pequenas, milita-
res e políticas, econômicas e culturais, com ou sem derra-
mamento de sangue e somente então obtiveram a vitória
fundamental atual.12

11. J. V. Stalin, Obra citada, página 262-263.


12. Mao Tse-tung, “Obras Escolhidas”, Pequim, vol. IV, página 442.

28
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

O processo da Revolução Chinesa foi extremamente tortuoso, in-


tricado e cruel. Foi esta situação que levou a classe operária e ao povo chinês
adquirir um temperamento heroico, e igualmente permitiu ao partido da
classe operária chinesa – o Partido Comunista da China – fortalecer-se com-
pletamente. Além disso, as grandes experiências revolucionárias, que consti-
tuíram, precisamente, o tesouro da classe operária chinesa, enriqueceram
inevitavelmente a teoria marxista-leninista.
As ricas experiências revolucionárias da China, foram cristalizadas
no pensamento e nas obras de Mao Tsé-tung.
Em novembro de 1919, Lenin dizia aos comunistas no Oriente:
Vocês têm diante de si uma tarefa que até agora os comu-
nistas ainda não haviam enfrentado em nenhuma parte do
mundo: se apoiando na teoria e na prática do comunismo,
vocês tiveram que adaptá-las a condições particulares ine-
xistentes nos países europeus e tornar-se capazes de apli-
car teoria e prática às condições específicas, nas quais a
maioria da população é formada por camponeses, e nas
quais a tarefa é a luta não apenas contra o capitalismo, mas
também contra os resquícios da Idade Média.13

E novamente:
Vocês têm que encontrar formas específicas para esta
aliança dos primeiros proletários do mundo com as mas-
sas trabalhadoras e exploradas do Oriente, cujas condições
de vida são, em muitos casos, medievais.14

Lenin também anotou:


A tarefa é despertar as massas trabalhadoras para a ação
revolucionária, para a ação independente e para a organi-
zação, no nível que se encontram; traduzir a verdade da

13. V. I. Lenin, “Diretiva ao Segundo Congresso de Toda Rússia, das Organizações Comunistas
dos Povos do Oriente”, Edições em Línguas Estrangeiras, Moscou, 1954, página 24.
14. Ibid., página 25.

29
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

doutrina do comunismo para a linguagem de cada povo,


tal como o fizeram os comunistas dos países mais avança-
dos; cumprir tarefas práticas que devem realizar-se de i-
mediato e se unir na luta dos proletários de todos os países.
Este é um problema cuja solução vocês não encontrarão
em nenhum manual comunista, mas que encontrarão na
luta comum que a Rússia iniciou. Terão que abordar este
problema e resolvê-lo por vossa própria experiência.15

Como é amplamente conhecido, por meio dos seus escritos, Lenin


e Stalin resolveram os princípios básicos dos problemas anteriormente ex-
postos por Lenin. Stalin também nos ofereceu importantes contribuições
teóricas sobre a questão chinesa. A tarefa de Mao Tsé-tung, líder do Partido
Comunista da China, foi a de continuar a obra de Lenin e Stalin, estudar de
forma incessante a experiência chinesa e integrar a teoria geral e a prática do
comunismo com a prática concreta da Revolução Chinesa. A tradução da
verdade da doutrina comunista, como foi realizada pelos comunistas dos
países mais avançados, à linguagem do povo chinês, completou essa
doutrina à luz das condições da China e a transformou na teoria e na prática
da Revolução Chinesa. Assim, inspirou a centenas de milhares de seres
humanos a unir-se à luta mundial contra o imperialismo, aliar-se com a
URSS, com a classe operária e as camadas progressistas de outros países,
com as nações oprimidas em todo o mundo. Com o cumprimento desta
tarefa, o poder do imperialismo e seus lacaios foi demolido nas grandes
terras da China.

15. Ibid., página 26.

30
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

3
A Revolução Chinesa é
parte da Revolução Mundial

Lenin e Stalin consideravam todos os movimentos de libertação


das nações oprimidas, como parte da Revolução Proletária Socialista Mun-
dial. Subscrevendo esta tese de Lenin e Stalin, Mao Tsé-tung nunca consi-
derou a Revolução Chinesa como um problema isolado, mas a examinou à
luz da Revolução Proletária e da luta contra o imperialismo em seu conjunto.
Isto se deve ao fato de que vivemos na época do imperialismo e da
Revolução Proletária, a época na qual o socialismo triunfou pela primeira
vez na URSS, a época do marxismo, a época do leninismo. Esta é a causa de
que a Revolução Chinesa seja, sobretudo, uma revolução anti-imperialista.
Ao denunciar o Tai Chi-tao-ismo do Kuomintang, em março de
1926, no artigo Análise de Classes da Sociedade Chinesa, Mao Tsé-tung, estudou
a situação baseando-se na divisão do mundo em dois grandes campos:
[...] a atual situação internacional se caracteriza pelo com-
bate decisivo em escala mundial de duas forças gigantescas:
a revolução e a contrarrevolução. Essas duas forças gigan-
tescas levantaram dois grandes estandartes: um lado, o es-
tandarte da revolução, a bandeira vermelha, foi levantado
pela Internacional Comunista, conclamando a todas as
classes oprimidas do mundo a unirem-se à sua volta; o

31
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

outro, o estandarte da contrarrevolução, a bandeira branca,


foi levantado pela Sociedade das Nações, a qual convoca
todas as forças contrarrevolucionárias do mundo para se
unir sob essa bandeira. Muito em breve, no seio das classes
intermediárias produzir-se-á, inevitavelmente, uma cisão:
umas irão à esquerda, ao encontro à revolução; e outras, à
direita, de encontro à contrarrevolução! Para estas classes,
não haverá qualquer possibilidade de ocuparem uma posi-
ção “independente”.16

Este conceito de Mao Tsé-tung é muito claro. Desde a Revolução


Socialista de Outubro, o mundo se dividiu em dois grandes campos opostos,
a saber: o campo anti-imperialista dirigido pelo movimento revolucionário
mundial do proletário socialista, e o campo imperialista com todas as forças
da contrarrevolução unificadas. A camarilha de Tai Chi-Tao no Kuomintang
representava a ala direita da burguesia nessa época, servindo de porta-voz
de Chiang Kai-shek, preparou o caminho para sua traição à Revolução. Esta
camarilha se opôs a teoria da luta de classes, desaprovou a aliança do Ku-
omintang com a Rússia e o Partido Comunista, e de forma vã esperou que
poderia permanecer “independente” dos dois grandes campos e estabelecer
um estado sob exclusivo domínio da burguesia. Mao Tsé-tung escreveu que
esta intenção estava fadada ao total fracasso, uma vez que as classes inter-
mediárias estavam destinadas a desaparecer enquanto tal. A burguesia naci-
onal deveria: ou guinar à esquerda e se aliar com a URSS e o Partido Comu-
nista, acatar a direção do proletariado e unir-se na luta mundial contra o im-
perialismo; ou guinar à direita, opor-se a URSS e ao Partido, ser inimiga das
revoluções proletárias em outros países e assim tornar-se definitivamente
um lacaio do imperialismo.
A burguesia nacional precisava escolher uma das duas alternativas,
pois não tinha a oportunidade de assumir uma posição “independente”. Na
prática, a ala direita da burguesia nacional logo seguiu a Chiang Kai-shek em
sua traição à revolução e se colocou ao lado do imperialismo.

16. Mao Tsé-tung, “Análise de Classes na Sociedade Chinesa”, Edições em Línguas Estrangeiras,
Pequim, 1962, páginas 2-3.

32
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Durante a Guerra de Resistência Antijaponesa (1937-1945), sob a


iniciativa do nosso Partido, uma Frente Única Nacional foi estabelecida. Po-
rém, os reacionários do Kuomintang retomaram mais uma vez sua posição
de ditadura da burguesia, que na realidade pretendia camuflar e preservar a
ditadura dos grandes senhores feudais e dos capitalistas burocráticos repre-
sentados por Chiang Kai-Shek, a “ditadura do partido único” do Ku-
omintang, ou como Mao Tsé-tung a descreveu, a ditadura semicolonial e
semifeudal. Nesta mesma época, dentro de nosso Partido reapareceu uma
forma de oportunismo de direita que tentava colocar o proletariado como
um apêndice da grande burguesia. Com o objetivo de desvelar os falaciosos
pontos de vistas dos reacionários do Kuomintang, esmagar o oportunismo
de direita no Partido e desta maneira garantir que o proletariado chinês, as
grandes massas do povo chinês e nosso Partido, não se desorientassem ante
a complexa situação da nova Frente Única Nacional, Mao escreveu sua im-
portante obra, Sobre a Nova Democracia. Nesta combativa obra, desenvolveu
de forma mais concreta e mais aprofundada a teoria de Lenin e Stalin, anteri-
ormente mencionada, sobre a revolução nos países coloniais e semicoloniais.
Citando os escritos de Stalin, e sobre a base das grandes experiências acu-
muladas na Revolução Chinesa, uma vez mais abordou minuciosamente a
questão da direção fundamental, ou da linha primordial da revolução.
Ele expos:
[...] a primeira revolução socialista vitoriosa, a Revolução
de Outubro, modificou o destino histórico do mundo e
marcou uma nova era na história da humanidade.17

Acrescentou mais adiante:


Na época em que o capitalismo mundial entra em colapso
em uma sexta parte do globo, enquanto em outras partes
tem revelado claramente sintomas de decadência; quando
a parte restante do mundo capitalista não pode continuar

17. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Volume III, página 111.

33
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

sem depender, mais do que nunca, das colônias e semi-


colônias; quando o Estado Socialista se consolida e pro-
clama sua decisão de ajudar a luta dos movimentos de
libertação nacional de todas as colônias e semicolônias; e
quando o proletariado dos países capitalistas está se livran-
do, cada dia mais, da influência dos partidos social-demo-
cratas imperialistas e, também, se declara desejoso de a-
judar esse movimento de libertação; em uma tal época,
qualquer revolução levada a cabo pelas colônias e semi-
colônias contra o imperialismo ou o capitalismo interna-
cional, não pode mais pertencer à categoria da velha revo-
lução mundial democrático-burguesa, mas a uma nova
categoria. Não é mais parte da velha revolução mundial
burguesa ou capitalista, mas da nova revolução mundial, a
Revolução Socialista Proletária. Estes tipos de colônias e
semicolônias revolucionárias não devem mais ser consi-
deradas aliadas da frente contrarrevolucionária do capita-
lismo mundial, mas sim aliadas da frente da Revolução
Socialista Proletária Mundial.18

Esta é uma avaliação fundamentalmente marxista-leninista e uma


análise da revolução nos países coloniais e semicoloniais. Desta análise pode-
se obviamente deduzir uma conclusão claramente definida no que concerne
a direção fundamental da Revolução Chinesa. A consolidação é: a Revolu-
ção Chinesa é parte integrante da Revolução Mundial Socialista. Avançando
nesta conclusão, os seguintes pontos se esclarecem:
Primeiro: “Tais revoluções são radicalmente anti-imperi-
alistas e por isto não são toleradas pelo imperialismo, que
as combate, mas encontram a aprovação do socialismo e
são apoiadas e defendidas pelo Estado socialista e a Inter-
nacional Comunista”19. Todas as potências imperialistas
no mundo são hostis a nós; se a China quer a indepen-
dência, jamais poderá consegui-la sem a ajuda do Estado
socialista e do proletariado internacional, ou seja, a China

18. Ibid.
19. Ibid., página 112.

34
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

não poderá ser independente sem a ajuda da URSS e a


ajuda dada pelas contínuas lutas anticapitalistas sustenta-
das pelo proletariado no Japão, Grã-Bretanha, Estados U-
nidos, França, Alemanha, Itália e demais estados”.20
Segundo: [...] todo “chefe” de uma colônia ou semicolônia,
ou bem se coloca ao lado da frente imperialista para fazer
parte da força mundial da contrarrevolução, ou se coloca do
lado da frente anti-imperialista para fazer parte das forças da
Revolução Mundial; deverá necessariamente escolher um dos
dois caminhos, posto que para eles não há terceira posição.21
“Como o conflito entre a URSS socialista e as potências impe-
rialistas chegou a se intensificar ainda mais, é inevitável que a
China deva colocar-se de um ou de outro lado. É possível não
se inclinar a nenhum dos dois lados? Não, isto é uma ilusão”.22
Terceiro: “O mundo de hoje entrou em uma nova era de re-
voluções e guerras, uma nova era na qual o capitalismo está
morrendo de forma definitiva e o socialismo triunfa. Sob tais
condições não é completamente fantasioso desejar estabe-
lecer na China uma sociedade capitalista sob a ditadura bur-
guesa, após a vitória do povo em violentas batalhas contra o
imperialismo e o feudalismo?”23
“É definitivo, justo e verdadeiro, que a menos que os reaci-
onários entre a burguesia chinesa despertem, os fatos não
marcharão facilmente com eles e então sua única perspectiva
será a de provocar sua própria ruína”.24
Quarto: “O sistema ideológico e social do comunismo ar-
rastou o mundo com o ímpeto de uma avalanche e a força de
um raio, e goza de uma juventude perpétua. Desde a chegada
do comunismo científico a China, as perspectivas do povo se
tornaram mais amplas e a Revolução Chinesa mudou de fisio-
nomia. Sem a direção do comunismo, a revolução demo-
crática na China não teria êxito jamais, sem falar das pérfidas
consequências da revolução. Hoje em dia, o mundo inteiro
necessita do comunismo para sua salvação e a China não é

20. Ibid., página 124.


21. Ibid., página 125.
22. Ibid., página 135.
23. Ibid., página 124.
24. Ibid., página 127.

35
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

uma exceção a isto.25


[...] “quem quer que seja que deseja enfrentar ao comunismo,
deve preparar-se para ser destruído”.26

Todos estes princípios foram formulados por Mao Tsé-tung há dez


anos em sua obra Sobre a Nova Democracia. Desde então, explicou-os em seus
muitos escritos. Os acontecimentos em todo o mundo e na China durante
a última década testemunham sua verdade. Naturalmente, a aceleração
destas questões esmagou o mesquinho nacionalismo reacionário da burgue-
sia. Também liquidou os prejuízos nacionalistas da pequena burguesia que
estava satisfeita com seu pequeno, retrogrado e isolado “mundinho”.
Aplicar os ensinamentos de Marx, Engels, Lenin e Stalin, em espe-
cial dos dois últimos, estudar e analisar a Revolução Chinesa a partir do
ponto de vista fundamental e guiar a Revolução Chinesa na correta direção,
este é o caminho que levou ao triunfo o pensamento de Mao Tsé-tung.

25. Ibid., página 131.


26. Ibid., página 137.

36
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

4
Revolução das grandes massas populares
sob a direção do Proletariado

Considerando as mudanças fundamentais trazidas para a história


do mundo pela Revolução Socialista de Outubro e as modificações na histó-
ria chinesa geradas pelo surgimento na arena política do proletariado na
China Moderna, Mao Tsé-tung escreveu que antes destes fatos surgirem, a
Revolução Chinesa era uma revolução democrática de velho tipo; ou seja,
dirigida pela burguesia e que, após os acontecimentos, a Revolução Chinesa
passou a ser uma revolução de Nova Democracia, isto é, uma revolução
dirigida pelo proletariado.
Desde sua oposição ao oportunismo de direita de Chen Tu-hsiu no
primeiro período revolucionário27 e seguindo os princípios do Partido, Mao
Tsé-tung aderiu firmemente – sob todas as circunstancias – a teoria de Lenin
e Stalin sobre a direção do proletariado e a desenvolveu de acordo com as
condições existentes na China. Durante o primeiro período da Guerra de
Resistência Antijaponesa, Mao Tsé-tung empenhou uma luta irreconciliável
contra o oportunismo de direita que acabava de surgir, e constantemente
enfatizou a necessidade de recordar as lições aprendidas a partir do fracasso
da revolução de 1927, as consequências criminosas do oportunismo de

27. Ver nota 9, na página 25 da presente edição.

37
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Chen Tu-hsiu em prejuízo da direção do proletariado.


Constantemente aconselhava aos membros do Partido Comunista
da China, ler cuidadosamente a grande obra ideológica de Lenin, Duas Táti-
cas da Social-Democracia na Revolução Democrática, dado que a considerava como
uma poderosa arma para enfrentar o oportunismo de direita.
O problema da direção do proletariado na Revolução Chinesa se
relacionava estreitamente com a debilidade da burguesia nacional chinesa.
Em 1926, ante a fragilidade da burguesia nacional na China, Stalin escreveu
em seu artigo, As Perspectivas da Revolução na China:
[...] se conclui disto, que o papel de iniciar e continuar a
Revolução Chinesa, o papel de direção do campesinato
chinês, deve inevitavelmente corresponder ao proletariado
chinês e a seu Partido.28

Mao Tsé-tung disse:


No que concerne à China, a situação é muito clara. Aque-
les que podem conduzir o povo a derrotar as forças impe-
rialistas e feudais, ganharam a confiança do povo, uma vez
que seus inimigos mortais são o feudalismo e sobretudo o
imperialismo... A história provou que a burguesia chinesa
é totalmente incapaz de assumir esta responsabilidade, que
não pode senão recair sobre as costas do proletariado.29

Mao Tsé-tung assinalou: “o curso histórico da Revolução Chinesa


se divide em duas etapas: a revolução democrática e a revolução socialista”30.
Ainda que em seu caráter social a primeira etapa que dá início a Revolução
Chinesa seja fundamentalmente democrático-burguesa, esta “já não perten-
ce a revolução de velho tipo dirigida exclusivamente pela burguesia com o
objetivo de estabelecer uma sociedade capitalista e um estado sob a ditadura
burguesa, mas agora pertence a uma revolução de novo tipo que, dirigida

28. J. V. Stalin, obra citada, vol. VIII, página 375.


29. Mao Tsé-tung, "Obras escolhidas", Londres, vol. III, pág. 118.
30. Ibid., página 109.

38
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

inteiramente, ou em parte pelo proletariado, aspira ao estabelecimento de


uma sociedade de nova democracia e um estado sob a ditadura conjunta de
todas as classes revolucionárias”.31
Mao Tsé-tung definiu esta revolução na seguinte fórmula, clara e
simples: “Uma revolução de Nova Democracia é uma revolução das gran-
des massas do povo, dirigida pelo proletariado contra o imperialismo e o
feudalismo”32. Em algumas circunstâncias também se referiu a esta como
“uma revolução democrático-popular contra as forças do imperialismo e do
feudalismo”. Devido ao fato de que durante os largos anos de dominação
contrarrevolucionária – as Quatro Grandes Famílias 33 encabeçadas por
Chiang Kai-shek tornaram-se em uma camarilha monopolizadora do ca-
pital burocrático – um novo elemento se somou ao caráter da revolução.
Este elemento foi a oposição ao capitalismo burocrático. Mao acrescentou
este novo elemento a sua formulação: “a revolução contra o imperialismo,
o feudalismo e o capitalismo burocrático, apoiada pelas grandes massas do
povo sob a direção do proletariado”34. Considerou esta formulação como a
linha geral e a política geral na primeira etapa da Revolução Chinesa.
O termo “as amplas massas do povo” se refere principalmente aos
camponeses. A revolução estava baseada na aliança entre operários e cam-
poneses e abarcava o povo que se opunha ao imperialismo, ao feudalismo e
ao capitalismo burocrático. Segundo Mao Tsé-tung, o proletariado, os cam-
poneses, os intelectuais e alguns setores da pequena burguesia na China e-
ram as forças fundamentais que, com o proletariado como força dirigente,
poderiam decidir seu destino.
A ditadura democrática revolucionária implantada pela revolução
permitiu a manutenção das mesmas classes fundamentais. Mao Tsé-tung a
chamou de “ditadura conjunta de todas as classes revolucionárias sob a di-
reção do proletariado”, ou “ditadura democrática popular sob a direção da

31. Ibid., páginas 111-112.


32. Ibid., página 97.
33. Refere-se as quatro grandes camarilhas de capitalistas representadas por Chiang Kai-shek, T.
V. Soong, H. H. Kung, Chen Li-fu e seu irmão, Chen Kuo-fu.
34. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Pequim, vol. IV, página 238.

39
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

classe operária, baseada na aliança operário-camponesa”.35


Segundo Mao Tsé-tung, a questão da direção do proletariado foi a
chave que permitiu resolver uma série de problemas da Revolução Chinesa.
Foi também o ponto chave para decidir o êxito ou o fracasso da mesma
revolução. Em maio de 1937, ao discorrer sobre a questão da Frente Única
Antijaponesa, Mao disse:
É o proletariado quem deve seguir a burguesia, ou é a bur-
guesia quem deve segue o proletariado? Esta questão da
responsabilidade da direção da Revolução Chinesa é o
ponto fundamental da qual depende seu êxito.36

Em sua obra, Sobre a Ditadura da Democracia Popular, publicada em


1949, assinalou novamente:
A história da revolução prova que, sem a direção da classe
operária, a revolução fracassa e que, com esta direção, a
revolução triunfa. Na época do imperialismo, em nenhum
país, nenhuma outra classe – que não a classe operária –
pode conduzir uma verdadeira revolução à vitória. Com-
prova o fato das revoluções dirigidas pela pequena bur-
guesia e pela burguesia nacional da China, ter fracassado.37

Ao mesmo tempo, Mao Tsé-tung considerava a questão do cam-


pesinato como o centro do problema acerca da direção do proletariado.
Em seu informe sobre os problemas nacionais e coloniais escrito
para o Segundo Congresso da Internacional Comunista, Lenin expos:
Seria utópico pensar que os partidos proletários, nos paí-
ses atrasados, poderiam adotar táticas e políticas comu-
nistas sem considerar as relações com o movimento cam-
ponês e sem apoiá-los efetivamente.38

35. Ibid., página 422.


36. Mao Tsé-tung, "Obras Escolhidas", Londres, Vol. I, página 269.
37. Mao Tsé-tung, "Obras Escolhidas", Pequim, vol. IV, página 421.
38. V. I. Lenin, “Obras Escolhidas”, Lawrence y Wishart, Londres, 1938, vol. X, páginas 240-241.

40
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Stalin destacou em várias ocasiões, “em essência, a questão nacional


é a questão camponesa”.39 A visão do camarada Mao Tsé-tung sobre a Re-
volução Chinesa estava de completo acordo com os pontos de vista de Le-
nin e Stalin e foi, precisamente, um desenvolvimento destes conceitos.
Nas revoluções democrático-burguesas, a principal controvérsia
entre o proletariado e a burguesia, e entre o proletariado e todos os demais
partidos políticos, foi o problema do campesinato.
Em sua obra Sobre o Governo de Coalizão, Mao assinalou:
Reunindo todas as forças e seus mandos, a camarilha do
Kuomintang lançou contra o Partido Comunista da China
toda sorte de dardos venenosos, tanto ataques públicos
como secretos, políticos como militares. Do ponto de
vista das suas implicações sociais, o centro da controvérsia
entre as duas partes gira em torno do princípio das
relações agrárias.40

O signo da boa qualidade na direção da revolução camponesa vai


na direção do proletariado. A burguesia não pode chegar a converter-se na
liderança de uma revolução democrático-burguesa, devido principalmente a
sua incapacidade de dirigir uma revolução agrária e porque teme tal revo-
lução e se opõe a esta. Não há dúvida de que somente sob a direção do
proletariado é possível organizar a enorme e desunida população campo-
nesa como uma inesgotável força combativa, formar uma sólida aliança en-
tre operários e camponeses e sobre as bases desta, conquistar todo o poten-
cial revolucionário e forjar uma unidade entre as forças revolucionárias da
China com as de outras partes do mundo.
Durante o primeiro período revolucionário, Chen Tu-hsiu defendia
que “se a revolução democrático-burguesa perder o apoio da burguesia, dei-
xará de ter um conteúdo de classe e perderá toda base social na causa revolu-
cionária”. Em outras palavras, Chen Tu-hsiu considerava que o “significado
de classe e os fundamentos sociais” da revolução democrático-burguesa

39. J. V. Stalin, obra citada, vol. III, página 72.


40. Mao Tsé-tung, "Obras Escolhidas", Londres, Vol. IV, página 294.

41
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

eram exclusivos à burguesia. Não levava em consideração a questão campo-


nesa [ver o artigo de Chen Tu-hsiu, A Revolução Burguesa e a Burguesia Revo-
lucionária, publicado em 1923]. Foi em relação ao problema dos camponeses
que os oportunistas de toda laia, começando por Chen Tu-hsiu, se opu-
seram ao papel de direção do proletariado e tergiversaram. Alguns deles
negaram diretamente a direção do proletariado e admitiram a da burguesia,
rechaçando desta maneira a revolução camponesa, como o fizeram Chen
Tu-hsiu e seus seguidores no primeiro período revolucionário e os oportu-
nistas de direita na etapa inicial da Guerra de Resistência Antijaponesa. Ou-
tros ainda mantiveram uma aparência ultra esquerdista, mas na prática ne-
gavam a necessidade de unidade com os camponeses médios e a pequena
burguesia urbana, de tal forma que negavam o princípio de direção do prole-
tariado, tal qual fizeram os oportunistas de “esquerda” no período da
Guerra Civil dos Dez Anos, entre 1927 e 1937.
Não há dúvida de que foi precisamente a direção do proletariado e
a consequente aliança dos operários e camponeses, que possibilitou, por
uma parte, a vitória da revolução contra o imperialismo, o feudalismo e o
capitalismo burocrático, tal como Mao Tsé-tung expressa: “são estas duas
classes a principal força para derrubar o imperialismo e os reacionários do
Kuomintang”41. Por outro lado, tornaram possível a transição da revolução
de Nova Democracia em uma revolução socialista; como disse Mao, “a tran-
sição da Nova Democracia ao socialismo depende de sua aliança”42.
Se nós seguíssemos o caminho dos oportunistas que renegavam a
direção do proletariado então, como demonstraram os fatos históricos, a
revolução teria sofrido sérios reveses e fracassos, assim a Revolução Chinesa
não chegaria a ser o que é hoje e não teria futuro.

41. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Pequim, vol. IV, página 421.
42. Ibid.

42
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

5
Das bases revolucionárias no campo
à vitória completa da Revolução

Como é geralmente conhecido, a Revolução Chinesa triunfou após


uma larga e cruenta luta, depois de capturar um a um todos os bastiões ini-
migos. Após 1927, a captura desses bastiões não começava nas grandes
cidades, mas no campo. Nesta época, o Partido Comunista da China, repre-
sentado por Mao Tsé-tung, transferiu o centro de gravidade do seu trabalho
para as aldeias, fortaleceu as posições ali e as utilizou para cercar as cidades
e, posteriormente, tomá-las. Esta foi a linha de trabalho na qual Mao insistiu.
Há muito tempo, os fatos provaram que esta linha trouxe a vitória completa,
posto que era a linha correta e a única possível então. Estava baseada em
uma sólida análise científica marxista-leninista das condições da China.
Os inimigos da Revolução Chinesa eram numerosos e poderosos.
Já em 1927, Stalin havia dito:
[...] os inimigos da Revolução Chinesa – tanto os internos
(Chang Tso-lin, Chiang Kai-shek, a grande burguesia, os
senhores feudais, etc.), como os externos (os imperialistas)
– são muito numerosos e demasiado fortes.43

43. J. V. Stalin, obra citada, vol. IX, página 258.

43
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Ao analisar os inimigos da Revolução Chinesa que incluíam não


somente os poderosos países imperialistas, mas também as poderosas forças
feudais e a grande burguesia que estava em conluio com os imperialistas e
as forças feudais, e que eram hostis ao povo, Mao Tsé-tung considerou uma
série de questões:
Ao enfrentar tais inimigos, a Revolução Chinesa chegou a
ter um caráter cruento e uma natureza prolongada. Sendo
os inimigos tão poderosos, não foi senão após um longo
período de tempo que as forças revolucionárias puderam
ser aglutinadas e fortalecidas ao ponto de ser invencíveis e
obter a vitória final. Dado que nossos inimigos se esfor-
çaram ferozmente para aniquilar a revolução, as forças re-
volucionárias não poderiam manter suas próprias posi-
ções e enfrentá-los, a menos que se fortalecessem e se de-
senvolvessem com tenacidade. A concepção de que as for-
ças da Revolução Chinesa podem ser construídas em um
piscar de olhos e que a luta pode triunfar da noite para o
dia, é uma falsidade.
Enfrentando tais inimigos, a Revolução Chinesa deve ser
– no que diz respeito ao seu caráter fundamental – uma
revolução armada ao invés de uma revolução pacífica. Isto
se deve ao fato de que nossos inimigos impossibilitam ao
povo – privado de todos os direitos e de todas as liberda-
des políticas – a realização de ação política pacífica. Stalin
disse: “na China, a revolução armada está lutando contra
a contrarrevolução armada. Esta é uma das particularida-
des e uma das vantagens da Revolução Chinesa”.
Esta é uma formulação perfeitamente correta. As concep-
ções que dão escassa importância à luta armada, à guerra
revolucionária, à guerra de guerrilhas e ao trabalho militar
são, por conseguinte, falsas. Enfrentando tais inimigos, a
Revolução Chinesa tem também que abordar a questão
das áreas das bases revolucionárias. As grandes potências
imperialistas e os exércitos dos seus aliados, as forças revo-
lucionárias na China ocuparam sempre e indefinidamente
as principais cidades. Se as forças revolucionárias não que-
riam se comprometer com elas, mas que desejavam firme-
mente seguir na luta, se tinham como objetivo crescer,

44
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

acumular forças, fortalecer-se e evitar batalhas decisivas


com seu poderoso inimigo antes de ter sido possível
concentrar e consolidar as forças, então, devem transfor-
mar as regiões rurais mais atrasadas em bastiões revolu-
cionários tanto no plano militar como no político, econô-
mico e cultural. Então, a partir destes bastiões populares,
as forças revolucionárias podem lançar ataques para liqui-
dar o inimigo entrincheirado nas grandes cidades, mas cer-
cado por nossas aldeias e, em uma prolongada luta levada
até o final, gradualmente ganhar uma vitória absoluta para
a Revolução Chinesa.44

O estabelecimento de bases revolucionárias com forças armadas,


foi o ponto de partida do caminho seguido por Mao Tsé-tung para levar a
Revolução Chinesa a uma vitória absoluta. Ele indicou que era necessário
estabelecer bases revolucionárias, ainda que no começo fora somente em
pequenas partes do território, demonstrando a seguir com este caminho que
“uma só faísca pode incendiar toda uma padraria”. Mao Tsé-tung disse:
Somente então poderemos ganhar a confiança das massas
revolucionárias em todo o país, justamente como a URSS
conquistou em todo o mundo. Somente então poderemos
oferecer tremendas dificuldades às reacionárias classes do-
minantes, fazê-las tremer e precipitar sua desintegração in-
terna. E, somente então, poderemos criar um verdadeiro
Exército Vermelho que seja nossa arma principal no ad-
vento da grande Revolução. Em suma, somente então po-
deremos acelerar o futuro revolucionário.45

Por que houve a possibilidade de estabelecer bases que puderam


existir durante um largo tempo e porque poderia estas transformar-se em
realidade? Mao indicou as seguintes condições existentes na velha China:

44. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Vol. III, páginas 84-85.
45. Ibid. Vol. I, página 117.

45
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

A China se desenvolve desigualmente sobre os planos po-


lítico e econômico; coexistem uma frágil economia capi-
talista e uma economia semifeudal profundamente enrai-
zada; coexistem umas poucas industrias modernas e umas
quantas cidades comerciais e um ilimitado número de dis-
tritos rurais atrasados; coexistem, por uma parte, vários
milhões de trabalhadores industriais e, por outra, centenas
de milhares de camponeses e artesãos sob o jugo de uma
ordem arcaica; coexistem os grandes senhores de guerra
que controlam o Governo Central, e os pequenos senho-
res da guerra que controlam as províncias; coexistem duas
categorias de exércitos reacionários, ou seja, o chamado
Exército Central sob o comando de Chiang Kai-shek e as
tropas de diversos tipos sob o comando dos senhores da
guerra nas províncias, e coexistem umas poucas linhas
ferroviárias, linhas de vapor e rodovias por uma parte, e
um vasto número de trilhas e caminhos nos quais só se
pode circular a pé e em outros é difícil transitar.
A China é um país semicolonial – os conflitos entre os
países imperialistas causam também os conflitos entre as
diferentes camarilhas políticas dominantes. Um Estado
semicolonial controlado por vários países, é diferente de
uma colônia controlada por um só país. A China é um
vasto país. “Quando o Leste se encontra ainda escuro, o
Oeste se ilumina; quando a noite cai no Sul, o dia nasceu
no Norte”; em consequência, ali não há razão para se pre-
ocupar com falta de espaço.
A China levou até o final uma grande revolução que pre-
parou o terreno para a criação do Exército Vermelho,
construído por seu elemento dirigente: o Partido Comunista,
que organizou as massas populares, as quais tomaram par-
te na Revolução.46

Com especial ênfase, Mao Tsé-tung demonstrou as divisões e as


guerras dentro do campo da burguesia compradora e dos senhores feudais
governantes manipulados pelo imperialismo. Ele estabeleceu:

46. Ibid., página 194. (Mao Tse-tung, “Obras Escolhidas”, Tomo I. Editions Soc., Paris, 1955,
página 235).

46
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

As prolongadas lutas e divisões no seio do campo branco,


criaram tais condições que foi possível a uma ou várias pe-
quenas regiões vermelhas dirigidas pelo Partido Comu-
nista, constituir-se e subsistir no meio do cerco da força
política inimiga... somente comprovando que as lutas in-
testinas e as guerras no interior do campo branco reves-
tem-se na China de um caráter crônico, pode-se explicar a
possibilidade do surgimento, existência e crescimento diá-
rio do poder político vermelho.47

Pode-se deduzir do exposto anteriormente que, aplicando à China


semicolonial a lei que rege o desenvolvimento desigual político e econômico
em vários países capitalistas, como expuseram Lenin e Stalin, e fazendo uma
análise séria das condições concretas, Mao Tsé-tung extraiu uma série de
amplas conclusões. Tais foram as seguintes: o desenvolvimento político e
econômico da China foi extremamente desequilibrado; que este desenvolvi-
mento desigual deu origem a extremas desigualdades no desenrolar da re-
volução: que era possível tomar vantagem da debilidade do inimigo para
ganhar a primeira vitória nas áreas rurais, e que foi possível a longo prazo, o
estabelecimento de bases revolucionárias ali. Obviamente, após o fracasso
da revolução de 1927, estas conclusões do camarada Mao foram de enorme
significado para a causa revolucionária na China. Mao Tsé-tung recordou
em 1936:
Nós destacamos isto (na Primeira Conferência do Partido
da Área Fronteiriça Hunan-Kiangsi), no final de 1927 e
começo de 1928, pouco depois da guerra de guerrilhas ter
começado na China, quando alguns camaradas na área
fronteiriça de Hunan-Kiangsi, as montanhas Chingkang,
colocaram a pergunta: “quanto tempo conseguiremos
manter no alto a bandeira vermelha?” Esta era uma ques-
tão fundamental. Sem dar resposta ao questionamento so-
bre a possibilidade da existência e do desenvolvimento de

47. Ibid., página 65.

47
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

áreas de bases revolucionárias na China e do Exército Ver-


melho chinês, nós não teríamos dado um só passo.48

A marcha das forças revolucionárias dirigidas pelo camarada Mao


Tsé-tung às montanhas Chingkang, constituiu um heroico e grande ataque
a contrarrevolução de Chiang Kai-shek e Wang Ching-wei49. Este ataque
gerou a primeira base revolucionária. O estabelecimento desta base quando
o povo sofria espantosas privações, encheu de esperança a nação inteira e
muitas outras bases revolucionárias foram criadas a partir de então.
Após o fracasso da revolução de 1927, a camarilha capitulacionista
de Chen Tu-hsiu perdeu imediatamente a confiança no futuro da revolução
e se tornou liquidacionista. Se opuseram a linha de Mao e a heroica marcha
que dirigiu para atacar a contrarrevolução. Sua permanente negação da revo-
lução camponesa já constituía a base de sua integração ao bando trotskista
com o qual logo colaboraram, terminando expulsos do Partido. Os mem-
bros da camarilha trotskista/Chen Tu-hsiu se esforçaram no que foi possível
para popularizar o governo reacionário do Kuomintang de Chiang Kai-shek
e o poder dos contrarrevolucionários. Inclusive, chegaram a ser a tal ponto
desenvergonhados que louvaram a guerra contrarrevolucionária de Chiang
Kai-shek como uma “guerra de unificação” e declararam de forma pública
estar “de acordo com a reação”. Denegriram Mao Tsé-tung e a revolução
com grande maldade. Este punhado de elementos se degenerou no mais
desprezível e vil lixo contrarrevolucionário, e cumpriu o mais sujo trabalho
para o imperialismo e para a contrarrevolução.
Por outro lado, alguns camaradas do Partido cometeram o erro de
ser impetuosos, um defeito peculiar de revolucionários pequeno-burgueses.
Odiavam a cruel política de massacre do Kuomintang e se enfureciam com
a capitulação de Chen Tu-hsiu. Porém, careciam de paciência para continuar

48. Ibid., páginas 193-194.


49. Wang Ching-wei foi um notável líder do Kuomintang e um traidor pró-japonês. Abertamente
se entregou aos invasores Japoneses em dezembro de 1938 (durante a Guerra de Resistência An-
tijaponesa), quando era vice-presidente do Kuomintang e presidente de seu Conselho Político Po-
pular. En março de 1940 chegou a ser presidente do títere governo central então formado em
Nanquim. Morreu no Japão em novembro de 1944.

48
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

em uma lenta, árdua e delicada luta revolucionária e se impacientaram ante


a necessidade de persistir no trabalho das bases revolucionárias no campo
por um longo período de tempo. Estabeleceram a teoria de que a revolução
poderia conquistar uma rápida vitória. Estes camaradas realmente negaram
o desigual desenvolvimento político e econômico da China: negaram
também o desigual desenvolvimento da revolução e sonharam que pode-
riam alcançar uma vitória da noite para o dia, que se poderia vencer rapi-
damente capturando várias cidades ao mesmo tempo. Este aventureirismo
de “esquerda” alcançou temporária ascensão no Partido em três ocasiões50,
rechaçando a linha correta de Mao Tsé-tung e causando à revolução sérias
perdas. A terceira linha aventureira, representada por Wang Ming (Chen
Shao-yu) e Po Ku (Ching Pang-hsien) particularmente, que prevaleceu no
Partido após a linha aventureira de Li Li-san, causou os danos mais graves.
Novamente graças a direção de Mao Tsé-tung, a revolução foi salva da
crítica situação criada por tais aventureiros.

50. Após o fracasso da Revolução em 1927, em três ocasiões os erros de oportunismo de “es-
querda” surgiram no corpo de direção do Partido Comunista da China. A primeira linha oportu-
nista de “esquerda” existiu entre o inverno de 1927 e a primavera de 1928. Estimava erroneamente
que a corrente revolucionária estava, todavia, em ascensão; seus defensores recusaram a reconhecer
o fracasso, se opuseram a qualquer retirada e demandavam contínuos ataques. Seu erro causou
danos e perdas as forças revolucionárias que haviam sido preservadas após o fracasso da revolução
em 1927. A segunda linha oportunista de “esquerda”, geralmente chamada de linha Li Li-san, foi
dominante por cerca de quatro meses, a partir de junho de 1930, quando seu representante, Li Li-
san, encabeçou a direção central do Partido. Os defensores desta linha negaram a necessidade de
empenhar as forças de massas na revolução e se recusaram a reconhecer o desenvolvimento desi-
gual da Revolução Chinesa. Chamaram levantamentos por todo o país e a tomada das grandes
cidades, enfrentando a ideia de Mao Tsé-tung de que por um longo período de tempo o principal
esforço deveria ser dedicado ao estabelecimento de áreas de bases rurais, a fim de utilizá-las para
cercar as cidades e conquistar uma vitória em toda a nação. A terceira linha oportunista de “es-
querda” governou de janeiro de 1931 até janeiro de 1935; foi defendida por um grupo de camaradas
da direção do Comitê Central do Partido que não tinha experiência na atual luta revolucionária.
Colocando-se contra a linha de Mao Tsé-tung — a linha correta — propuseram um novo pro-
grama político que reestabelecia e desenvolvia a linha de Li Li-san em forma nova, assim como
outras ideias e políticas “esquerdistas”. A terceira linha oportunista de “esquerda” conduziu a perda
de 90% das organizações do Partido, do Exército Vermelho chinês e suas áreas de base, expos
milhões de pessoas nas bases revolucionárias ao governo tirânico do Kuomintang e retardou o
processo da Revolução Chinesa. Contudo, graças aos longos anos de experiência prática, a maioria
dos camaradas que cometeram este erro “esquerdista”, o compreenderam e retificaram suas falhas.

49
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Como as bases revolucionárias foram estabelecidas e preservadas


até o final da luta armada, a questão sobre estas estava relacionada com os
problemas estratégicos da guerra revolucionária. De fato, tal controvérsia era
um problema estratégico da guerra revolucionária.
Uma das maiores contribuições militares feitas por Mao Tsé-tung
no longo processo da Revolução Chinesa, foi de ter colocado a guerra de
guerrilhas em uma posição estratégica extremamente importante. Dizia:
[...] a prolongada luta revolucionária apoiada em tais áreas
de bases revolucionárias, é principalmente uma guerra de
guerrilhas camponesas dirigida pelo Partido Comunista da
China. Depreciar a criação de bases revolucionárias nos
distritos rurais, descuidar da execução de um trabalho la-
borioso entre os camponeses e abandonar a guerra de
guerrilhas são, em consequência, concepções incorretas.51

Dado que durante o período da Guerra Civil dos Dez Anos, os


oportunistas de “esquerda” ignoraram a importância de possuir e manter
bases rurais por um longo tempo, inevitavelmente não consideraram a
guerra de guerrilhas e a linha de conquistar grandes vitórias por uma acu-
mulação de pequenas vitórias. Não reconheceram que a guerra de guerrilhas
e a guerra móvel de caráter guerrilheiro eram as principais formas de luta e
sonharam lutar batalhas decisivas em guerra de posições, sob condições nas
quais o poder bélico do inimigo era muito maior do que o nosso. Os resul-
tados desastrosos ocasionados por esta estratégia equivocada, conduziram à
perda das bases. Dessa forma, quando sua teoria de conquistar uma rápida
vitória não conduziu ao êxito, mas, pelo contrário, a perda de muitas bases,
estes oportunistas de “esquerda” tornaram-se pessimistas e guinaram à di-
reita. No período da Guerra de Resistência Antijaponesa, novamente pro-
puseram a estratégia de uma vitória rápida. Não demonstraram interesse na
política de persistir no estabelecimento de bases antijaponesas no campo,
em uma guerra de guerrilhas antijaponesa e na extensão em grande escala
de bases vigorosas. Assim na política de operações das forças armadas do

51. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Vol. III, páginas 85-86.

50
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

povo chinês, foram intolerantes com qualquer coisa que não fosse perten-
cente a “guerra regular”, desconhecendo o fato de que o poder do inimigo
era muito maior do que o nosso nas etapas iniciais da guerra. Tudo isto era
similar à política que haviam defendido durante o período da Guerra Civil
dos Dez Anos. A diferença estava em que no período da Guerra de Re-
sistência demonstraram que haviam perdido completamente a confiança no
poder do povo. Pondo suas esperanças de vitória durante a Guerra de Resis-
tência na “guerra regular”, sustentada pelo Exército do Kuomintang, não
compreenderam o grande papel e o futuro das forças armadas do povo.
O método da condução da guerra de guerrilhas conforme expôs
Mao, era em alguns casos, “dividir o todo em partes” e “dividir as forças em
ordem a mobilizar as massas”; enquanto que em outros era “unir as partes
em um todo” e “concentrar as forças para assentar golpes ao inimigo”. A
principal estratégia da guerra revolucionária, como foi exposta por Mao Tsé-
tung, era o desenvolvimento extensivo da guerra de guerrilhas ao máximo
possível e logo, sob certas condições, com o crescimento do nosso poder,
convertê-la em uma guerra regular, como ocorreu no período posterior da
Guerra Civil dos Dez Anos. Durante este período, a guerra regular, contudo,
adquiriu a forma de uma guerra de movimentos de caráter guerrilheiro. Sob
outras circunstancias, de acordo com as mudanças na situação do inimigo, a
guerra regular foi convertida em guerra de guerrilhas, como no primeiro pe-
ríodo da Guerra de Resistência Antijaponesa. Durante aquele período, a
principal forma de luta era a guerra de guerrilhas; porém, a possibilidade de
sustentar uma guerra de movimentos sob condições favoráveis não foi a-
bandonada. Devido às novas condições, ao amplo crescimento da força
revolucionária e às mudanças na situação do inimigo, a guerra de guerrilhas
foi novamente convertida em guerra regular, como no último período da
Guerra de Resistência Antijaponesa e durante a Guerra de Libertação con-
tra o imperialismo estadunidense e contra Chiang Kai-shek. No período
posterior à Guerra de Libertação, a guerra regular se desenvolveu de tal ma-
neira e de forma completa que incluiu operações de grandes formações e
lançamento de ataques sobre pontos poderosamente fortificados. Ao mes-
mo tempo em que ocorriam todas essas modificações estratégicas, outras

51
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

mudanças ocorreram nas bases revolucionárias, pequenas bases se con-


vertem em grandes e estas, por sua vez, se estenderam às áreas que incluíam
cidades, até que a vitória foi alcançada na metade do território da China e
logo depois, em todo o país.
Depois da revolução ter alcançado a vitória em toda a nação, Mao
Tsé-tung assinalou a necessidade da construção de um exército moderno
capaz de defender nossa pátria. Em seu grande discurso na Conferência
Consultiva Política do Povo Chinês, em setembro de 1949, disse:
Nossa defesa nacional deve ser consolidada e não iremos
permitir aos imperialistas invadir novamente nosso ter-
ritório. Nossas forças armadas populares devem se pre-
servar e se fortalecer, tendo como pilar fundamental
nosso heroico e provado Exército de Libertação Popular.
Não devemos ter somente um poderoso exército, mas
também possuir uma poderosa força aérea assim como
uma poderosa marinha de guerra.

A tomada de nosso território de Taiwan pelo imperialismo esta-


dunidense e a agressão contra a República Popular Democrática da Coreia,
demonstrou plenamente – como Mao Tsé-tung havia indicado dois anos
antes – o quão é necessário construir modernas forças para a defesa nacional.
Enquanto se enviavam voluntários para lutar triunfalmente ombro a ombro
com o Exército Popular Coreano contra a agressão dos Estados Unidos, o
povo chinês fez todo o possível para construir um exército completamente
moderno, uma poderosa força área e uma grande força naval.
Mao Tsé-tung aplicou a dialética marxista-leninista aos problemas
estratégicos da guerra revolucionária com excepcional brilho e passo a passo
provou que esta análise era correta. Porém, os oportunistas e os dogmáticos
sempre ignoraram a correlação de forças entre nós e o inimigo, e insistiram
unilateralmente na “guerra regular”. Eles ignoraram a dialética na vida e, co-
mo consequência, a vida lhes trouxe somente sofrimentos.

52
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

6
Uma ampla Frente Única,
tanto de unidade quanto de luta

Durante séculos, a China foi um país agrário que sofreu, em épocas


recentes e constantemente, ações agressivas de várias potências imperialistas,
convertendo-se em um país semicolonial extremamente agitado e, como
dizemos antes, o ponto central das contradições do Oriente.
Em consequência disto, foi possível para a revolução de Nova
Democracia na China, contra o imperialismo, o feudalismo e o capitalismo
burocrático, aproveitar todas as vantagens destas contradições e concentrar
todas suas forças para derrotar um por um aos inimigos do povo.
Relacionado a isto, dois tipos de erros foram cometidos na história
do Partido Comunista da China. Um foi o oportunismo de direita: por e-
xemplo, o de Chen Tu-hsiu durante o período da revolução, compreendido
entre 1924 e 1927 e os erros direitistas cometidos por alguns camaradas no
período inicial da Guerra de Resistência Antijaponesa. Os oportunistas de
direita defendiam uma frente única sem princípios, pretendendo converter
o proletariado em um apêndice da burguesia. Mao Tsé-tung definiu este erro
oportunista de direita como “somente alianças e nenhuma luta”. Outro erro
surgido foi o de oportunismo de “esquerda”, cometido em três ocasiões
durante o período da Guerra Civil dos Dez Anos. Aqueles que cometeram
tal erro, rechaçaram uma frente única de qualquer classe, isolando-se do

53
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

proletariado, dos trabalhadores agrícolas e dos camponeses pobres. Mao


Tsé-tung definiu este erro de oportunismo de “esquerda” como “somente
lutas e nenhuma aliança”.
Evidentemente, foi um grande erro negar a possibilidade de uma
ampla frente única durante a Revolução Chinesa e sua necessidade sob de-
terminadas condições. Em agosto de 1927, refutando a posição dos trots-
kistas em relação a China, Stalin escreveu que a premissa básica do leninismo
acerca dos problemas dos movimentos revolucionários nos países coloniais
e dependentes, consistia em uma estrita distinção entre a revolução nos
países imperialistas e a revolução nos países que estão sob a opressão impe-
rialista de outros estados. A burguesia naqueles países é diferente da bur-
guesia nacional destes últimos. A diferença é que a burguesia nos países
imperialistas cumpre o papel de opressor perante outras nações, sendo
“contrarrevolucionária em todas as etapas da revolução”, enquanto que a
burguesia nacional nos países oprimidos pelo imperialismo “até certo grau
e por certo período pode apoiar o movimento revolucionário de seu país,
contra o imperialismo”52.
Em outras palavras, nos países coloniais e semicoloniais é possível
para o proletariado estabelecer, sob determinadas condições históricas, uma
frente única revolucionária com a burguesia nacional. É evidente que nesta
frente única, o proletariado não deve ocultar sua posição independente e
deve manter firmemente a independência do movimento operário. O prole-
tariado deve esforçar-se para garantir sua posição de direção na frente única
nacional. Este princípio também foi formulado e ratificado pelos camaradas
Lenin e Stalin.
De acordo com a experiência da Revolução Chinesa, especialmente
a experiência do Partido Comunista da China na formação da frente única
com o Kuomintang, Mao Tsé-tung desenvolveu estes pontos de vista de
Lenin e Stalin e assim pode formular um conjunto de políticas corretas rela-
tivas ao papel da frente única na Revolução Chinesa.
Mao Tsé-tung chamou a política do Partido Comunista de China

52. J. V. Stalin, obra citada, vol. X, página 11.

54
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

de frente única com a burguesia – em especial sua política diante da grande


burguesia representada pelo Kuomintang durante a Guerra de Resistência
Antijaponesa – como uma política tanto de unidade quanto de luta. A razão
pela qual se exigiu ambos, unidade e luta, foi o caráter dual que apresentava
a burguesia chinesa. Os sectários de “esquerda” não compreendiam este
duplo caráter da burguesia chinesa e, em consequência disso, negaram a
possibilidade e a necessidade da unidade; já os oportunistas de direita tam-
bém não compreendiam este caráter dual e, em consequência desta incom-
preensão, também, negaram a necessidade de luta. A política correta diante
deste cenário, formulada por Mao Tsé-tung, era levar a cabo uma resoluta e
séria luta em duas frentes, tanto conta o oportunismo de “esquerda” como
contra o oportunismo de direita.
Estas duas formas de oportunismo não são sempre igualmente pe-
rigosas para a revolução. A história da Revolução Chinesa comprova que
antes da frente única com a burguesia ser constituída, o sectarismo de
“esquerda” foi o principal perigo para o Partido; mas após ter se formado a
frente única, o capitulacionismo de direita se tornou então o principal perigo.
Por exemplo, durante a Segunda Guerra Civil Revolucionária, os opor-
tunistas de “esquerda” também negaram a possibilidade e a necessidade de
uma frente única com a pequena burguesia em geral. Consideravam algu-
mas camadas minoritárias da pequena burguesia e alguns setores da bur-
guesia nacional que não estavam no poder, como os inimigos mais peri-
gosos da revolução. Em 1931, como resultado da ocupação do nordeste da
China pelos imperialistas japoneses, determinadas modificações se efetua-
ram nas relações políticas das classes na China, mas não houve, apesar deste
fato, nenhuma mudança na posição dos oportunistas de “esquerda”. Este
erro do “esquerdismo” constituía o principal perigo naquele momento,
dado que impediu a vinculação do Partido com as amplas massas e impos-
sibilitou o máximo aproveitamento das vantagens proporcionadas pelas nu-
merosas contradições, para assim facilitar a revolução. Contudo, após a
Frente Única Nacional Antijaponesa ter sido constituída em 1937, alguns
camaradas representados por Chen Shao-yu, que antes haviam apresentado
desvios “esquerdistas”, cometeram erros direitistas. O erro do direitismo

55
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

passou a ser então o principal perigo, uma vez que impediu ao Partido Co-
munista da China lutar contra os reacionários e contra as tendências reacio-
nárias presentes na frente única e expôs a classe operária ao grave perigo de
perder sua independência.
No decorrer da Guerra de Resistência Antijaponesa, a frente única
incluía também a camarilha do Kuomintang representada por Chiang Kai-
shek. Esta camarilha estava integrada pelos grandes latifundiários pró-anglo-
americanos e a grande burguesia, que durante dez anos havia travado uma
cruel guerra contra o Partido Comunista da China. Era necessário incluir
estes na frente única porque naquele momento possuía um grande exército
e haviam contradições entre o imperialismo estadunidense e o imperialismo
japonês em sua luta pela supremacia no extremo Oriente. Depois de for-
mada esta ampla Frente Única Nacional Antijaponesa – aplicando o mé-
todo de análise de classe – Mao Tsé-tung constatou que dentro desta frente
haviam três grupos diferentes: a ala esquerda, as forças intermediárias e a ala
direita. Ele propôs a política de estender e consolidar a ala esquerda, es-
timular as forças intermediárias a progredir e se modificar, e isolar a ala
direita; ou em outras palavras, uma política de “desenvolver as forças pro-
gressistas, ganhar as forças intermediárias e isolar as forças reacionárias”.
Mas, estes camaradas que cometeram erros direitistas se opuseram
a esta política de Mao Tsé-tung; ignorando as diferenças de classe na frente
única, propuseram “não fazer distinção entre a ala de esquerda, as forças
intermediárias e a ala direita”, e negaram a existência do fascismo na China.
Também ignoraram a distinção de classe entre o Partido Comunista e o
Kuomintang, considerando ambos partidos como “a confluência do que há
de maior destaque da progressista juventude chinesa” [ver A Chave para a
Salvação da Situação Presente, por Chen Shao-yu, publicado em dezembro de
1937]. Tais pontos de vista direitistas, na prática concreta, contribuíram,
evidentemente para proteger as forças reacionárias chinesas, representadas
pelo Kuomintang de Chiang Kai-shek respectivamente.
Os camaradas que cometeram erros de direita negaram o princípio
de “independência na frente única” como propôs Mao durante a Guerra de
Resistência Antijaponesa e, com efeito, defenderam que tudo deveria ser

56
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

realizado exclusivamente por Chiang Kai-shek e o governo do Kuomintang.


No aspecto militar, advogaram pela “unificação de comandos, forças arma-
das, organização, disciplina, planos operacionais e ação”. Isto era equivalente
a fusão do exército popular dirigido pelo Partido Comunista com o exército
do Kuomintang, permitindo a Chiang Kai-shek absorvê-lo como bem de-
sejasse. Isto coincidiu plenamente com a contrarrevolucionária exigência
que Chiang Kai-shek fez mais tarde para a chamada “unificação dos co-
mandos militares e a administração do governo”. Como Mao Tsé-tung ha-
via dito, estes camaradas foram “fazendo concessões a política antipopular
do Kuomintang, tendo mais confiança neste do que nas massas, não se
atrevendo a ampliar as regiões libertadas e os exércitos populares nas regiões
ocupadas pelos japoneses e entregando a direção da Guerra de Resistência
ao Kuomintang”53.
Ao explicar o princípio de “independência na frente única”, Mao
Tsé-tung disse:
Qual é então nosso propósito ao sustentar tal princípio?
Em um aspecto, o de manter a firme posição que já con-
quistamos. Esta firme posição é o ponto de partida de
nossa estratégia e sua perda poderia significar o fim de tu-
do. Mas o principal propósito está precisamente em outro
aspecto, a saber: ampliar essa posição, compreender corre-
tamente o positivo propósito de “mobilizar centenas de
milhões das massas para unir-se na Frente Única Nacional
e, por meio desta, derrotar o imperialismo japonês.54

Os princípios formulados pelo camarada Mao Tsé-tung a respeito


dos problemas políticos e estratégicos da guerra, e a série de políticas formu-
ladas acerca destes princípios, conduziram ao propósito geral de converter
o resultado da Guerra de Resistência em uma vitória para o povo. Tais prin-
cípios e políticas foram certamente decisivas na realização de tal vitória.
Contudo, como os pontos de vista direitistas, haviam conduzido ao

53. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Pequim, vol. IV, página 171.
54. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Vol. II, página 113.

57
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

abandono das posições que haviam sido conquistadas, e sua ampliação es-
tava, portanto, fora de questão. Em decorrência disto, os camaradas que
apresentaram desvios direitistas chegaram a uma conclusão contrária à de
Mao Tsé-tung. Em seu artigo, A Chave para a Salvação da Situação Presente,
Chen Shao-yu fez prognóstico da perspectiva da Guerra de Resistência:
A atual situação na China é a seguinte: se o Kuomintang e
o Partido Comunista da China, devido a sua cooperação
podem expulsar os invasores japoneses e lograr a vitória,
então o Kuomintang terá provado de fato ser o maior
partido político que lutou pela existência nacional do povo
chinês e o líder do Kuomintang, o senhor Chiang Kai-
shek e outras pessoas que firmemente dirigiram a Guerra
de Resistência, serão eternamente honrados como heróis
nacionais da China. Quanto isto ocorrer, quem poderá
desconhecer o desejo do povo chinês e seguir uma luta
para derrotar o Kuomintang?

E concluía Chen Shao-yu:


Como consequência, pode-se ver que aqueles que creem
que “após a Guerra de Resistência, a China irá pertencer
ao Comunismo Soviético”, não apenas ignoram a atual si-
tuação chinesa, como tampouco tem confiança no grande
poder combativo e das brilhantes perspectivas do Kuo-
mintang. Obviamente, esta posição é algo prejudicial.

De acordo com esta opinião, após conquistada a vitória na guerra


contra o Japão, a China desejaria permanecer sob o governo de Chiang Kai-
shek e dos reacionários do Kuomintang, e não queria ser uma Democracia
Popular dirigida pelo Partido Comunista. Esta era então a lógica e inevitável
conclusão derivada de uma série de diretivas e concepções incorretas dos
oportunistas de direita nesta época. Esta ignominiosa conclusão foi muito
danosa para o poder combativo e para as brilhantes perspectivas do povo
chinês. Não obstante, ao longo de toda sua vida militante, o povo chinês
descartou há muito tempo essa ignominia. Totalmente ao contrário da

58
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

expectativa de Chen Shao-yu, Chiang Kai-shek havia se tornado nada mais


nada menos que um traidor “de quem todos os cidadãos consideravam
merecer ser castigado com a morte”, enquanto que os verdadeiros heróis
nacionais, que sempre iluminaram o caminho para o futuro do povo chinês
e quem serão eternamente honrados pelo povo, são os inumeráveis mem-
bros do Partido Comunista e os combatentes populares, quem com heroico
esforço executaram façanhas para a revolução. Fica claro diante disso, que
ninguém desconhecia mais a situação daquela época na China do que os
oportunistas de direita.
Os camaradas que cometeram erros direitistas esperavam manter a
unidade com o Kuomintang de Chiang Kai-shek de forma unilateral e com
concessões passivas. Isto foi totalmente equivocado. Contrariamente a estes
camaradas, Mao Tsé-tung adotou uma política de luta ativa como um meio
para unir todas as forças antijaponesas. Mao Tsé-tung disse:
No período da Frente Única Antijaponesa, as lutas são os
meios para a solidariedade e a solidariedade é a alma das
lutas... a solidariedade é realizar do início ao fim as lutas e
destruir do início ao fim as concessões.55

Os acontecimentos que tiveram lugar no país ao longo de todo o


período da Guerra de Resistência, confirmaram plenamente esta verdade
posta por Mao Tsé-tung. Na frente única, nosso Partido, aderindo a política
de Mao, adotou resolutamente uma política revolucionária dual de unidade
e de luta para fazer frente a vil política da grande burguesia no Kuomintang,
que consistia em resistir ao Japão enquanto que, ao mesmo tempo, prepa-
rava a capitulação, e de unir-se ao Partido Comunista enquanto que, ao
mesmo tempo, intentava destruí-lo. Como resultado disto, nosso Partido foi
capaz de mobilizar completamente o povo, unir toda as forças possíveis que
estavam contra o Japão, estabilizar os elementos vacilantes, isolar os reacio-
nários, rechaçar várias campanhas anticomunistas de Chiang Kai-shek e per-
sistir, de forma consequente, na Guerra de Resistência e manter a Frente

55. Ibid., Vol. III, página 194.

59
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Única Antijaponesa até o final.


Por uma parte, os oportunistas de direta se negaram a entender que
a frente única com o Kuomintang de Chiang Kai-shek durante o período
da Guerra de Resistência, foi construída sobre a base das forças armadas
populares. Chiang Kai-shek estava obrigado a aderir à frente única. Se não
existissem as forças armadas populares, Chiang Kai-shek não estabeleceria
nenhum tipo de frente única conosco. Por outra parte, os oportunistas de
direita resistiram ao entendimento de que, após ter sido obrigado a formar
uma frente única conosco, o Kuomintang apoiado em suas forças armadas
contrarrevolucionárias, constantemente utilizava qualquer meio e qualquer
oportunidade para nos atacar e eliminar o Partido Comunista e as forças
armadas populares. Por conseguinte, nós teríamos que nos apoiar nas forças
armadas populares com o objetivo de travar lutas justas, úteis e limitadas
contra tais ataques contrarrevolucionários lançados pelo Kuomintang. Mao
Tsé-tung criticou os erros dos oportunistas de direita nestes dois pontos
básicos, destacando que essa aliança contra o Japão era principalmente uma
aliança de forças armadas que estavam obrigadas a adiantar a luta dentro da
Frente Única Nacional Antijaponesa. Quando Chiang Kai-shek, em conluio
com os agressores japoneses, fez ataques armados contra as forças armadas
populares e as bases antijaponesas, Mao Tsé-tung declarou que não devía-
mos permitir-lhes retornar a épocas passadas, mas que devíamos continuar
nas lutas necessárias de autodefesa, tanto quanto fossem justas, úteis e limi-
tadas. Quando coordenado com os agressores japoneses, Chiang Kai-shek
lançou três campanhas anticomunistas em forma de ataques armados, o
Partido Comunista não se intimidou com ataques contrarrevolucionários,
mas pelo contrário, os rechaçou resolutamente e, desta forma, salvaguardou
as forças armadas populares e as bases antijaponesas e, assim, conquistou a
vitória na Guerra de Resistência.
Sobre a questão da luta contra os reacionários do Kuomintang na
Frente Única Antijaponesa, ao lado das concepções de direita segundo as
quais “as lutas poderiam dividir a frente única”, estavam os pontos de vista
“esquerdistas” de que as lutas deveriam ser adiantadas sem limites e adotar
táticas incorretas com os vacilantes. Mao Tsé-tung criticou tanto os pontos

60
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

de vistas direitistas, como também os pontos de vista esquerdistas. Foi preci-


samente então, com o propósito de prevenir qualquer possível desvio ultra
esquerdista, que formulou seus três famosos princípios na luta contra os re-
acionários do Kuomintang: o princípio de “justiça”, o princípio de “utilidade”
e o princípio de “limitação” (segundo a qual uma luta deve deter-se no mo-
mento oportuno). Mao Tsé-tung escreveu:
Persistindo em tais lutas justas, úteis e limitadas, podemos
desenvolver as forças progressistas, ganharmos as forças
intermediárias, isolar as forças reacionárias e nos colocar
em guarda diante dos reacionários que nos atacam de
forma desavergonhada, se comprometem com o inimigo,
colocam em marcha uma guerra civil em grande escala, de
maneira vil.56

Uma política tal de unidade com a burguesia reacionária, assim com


a luta contra esta na frente única, é a expressão da “correspondência da luta
nacional com a luta de classes”57, princípio exposto por Mao Tsé-tung. Esta
é a arte da revolução – a arte marxista-leninista da revolução que Mao apli-
cou tão exitosamente. Durante a Guerra de Resistência, esta política teve
grande êxito e atingiu o maior grau possível, isolando as forças reacionárias,
ganhando as forças intermediárias e desenvolvendo as forças progressistas.
Tudo isto preparou o Partido Comunista e o povo, ideológica, polí-
tica, organizativa e militarmente, de tal maneira que após a rendição do Japão,
no espaço de dois ou três anos, o Partido Comunista da China foi capaz
assim de dirigir o povo sistematicamente para esmagar a guerra contrar-
revolucionária lançada pelos imperialistas dos Estados Unidos e seu lacaio
Chiang Kai-shek contra o povo chinês, derrotar a última dinastia contrarre-
volucionária na China encabeçada por Chiang Kai-shek, e conquistar a
vitória pela qual o povo chinês lutara durante mais de um século.
Durante a Guerra de Resistência, a burguesia nacional ou a média
burguesia, constituíram a ala vacilante entre os operários, os camponeses e

56. Ibid., página 199.


57. Ibid., Vol. II, página 264.

61
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

outros setores da pequena burguesia por uma parte, e os grandes senhores


feudais e a grande burguesia representada por Chiang Kai-shek, por outra.
O Partido Comunista da China adotou uma política de conquistar estas
forças vacilantes. Mao Tsé-tung explicou a situação da seguinte maneira:
Ainda que como classe esteja em contradição com os ope-
rários e não aprove a independência da classe operária, con-
tudo, oprimida pelo imperialismo japonês nas áreas
ocupadas pelo inimigo, e limitada pelos grandes senhores
feudais e a grande burguesia nas áreas sob o governo de
Kuomintang, quer por isto resistir ao Japão e conquistar
força política para si mesma. Sobre a questão da resistência
ao Japão, a burguesia nacional apoia a solidariedade na
resistência; e em sua ânsia de conquistar uma posição de
força política maior, contribui para o movimento pelo
constitucionalismo e trata de conquistar seu objetivo
explorando as contradições existentes entre as forças
progressistas e as reacionárias. Este é um extrato social que
nós devemos conquistar para a nossa causa.58

Uma política de unidade com a burguesia nacional foi adotada pe-


rante sua vacilação a fim de obrigá-la a comprometer-se. Esta política de
crítica foi uma outra forma de luta, diferente da que se aplicou contra os
reacionários do Kuomintang, posto que a burguesia nacional não estava no
poder. Também foi uma política de unidade de luta aplicada à burguesia
nacional e que a fez permanecer firme na luta contra o imperialismo.
Após concluída a Guerra de Resistência, a burguesia nacional seguia
limitada e oprimida pelos grandes senhores feudais e a burguesia burocrática
[a grande burguesia] representada por Chiang Kai-shek. Ao mesmo tempo,
assim que a opressão imperialista japonesa terminou, foi substituída pela o-
pressão imperialista estadunidense, que também usurpava os interesses da
burguesia nacional. Isto possibilitou ao proletariado manter uma frente
única com a burguesia nacional. A questão se colocava da mesma maneira:
adotar uma política de unidade com a burguesia nacional no que diz respeito

58. Ibid., Vol. III, páginas 195-196.

62
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

a seu apoio à revolução, e adotar uma política de crítica e de luta contra ela
no que diz respeito a sua vacilação, para obrigá-la a comprometer-se. Mao
Tsé-tung também notou que após a vitória da revolução, poderia ainda ser
necessário manter uma frente única com a burguesia nacional no campo
econômico devido ao atraso da economia da China.
Naturalmente, como ele explicou, a política dual de unidade e de
luta devia ser também levada ao campo econômico na frente única. Uma
política de unidade com a burguesia devia ser adotada até onde fosse pos-
sível e operar com perspicácia para desenvolver a produção industrial; en-
quanto que uma política de luta contra esta devia ser adotada, sempre e
quando se recorresse a especulação e ao monopólio, assim violando as leis
governamentais e os planos econômicos.
Os acontecimentos dos últimos anos comprovaram novamente a
exatidão da política de Mao Tsé-tung que “para fazer frente à opressão im-
perialista e elevar sua economia atrasada a um nível mais alto, a China deve
utilizar todos os elementos do capitalismo rural e urbano que sejam bené-
ficos e não prejudiciais para a economia nacional e a vida do povo, e deve-
mos unir-nos com a burguesia nacional em uma luta comum”59. Sua exati-
dão pode se comprovar nas realizações econômicas e financeiras da Repú-
blica Popular da China. Isto se torna ainda mais evidente nas massivas mobi-
lizações populares, como por exemplo, o movimento de resistência a agres-
são dos Estados Unidos e de ajuda a Coreia, a supressão dos elementos
contrarrevolucionários, e a reforma agrária.
Os acontecimentos dos últimos anos demonstraram a falsidade das
posições do oportunismo de direita, que intentava sacrificar a independência
de direção do proletariado na frente única e que, em consequência, teria sa-
crificado inevitavelmente a vitória do povo caso fossem aplicadas. A falsi-
dade das posições do oportunismo de “esquerda” também ficou compro-
vada, as quais, no momento em que era necessário e possível isolar os inimi-
gos da revolução, tratava de isolar o Partido, beneficiando assim o inimigo
contrarrevolucionário.

59. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Pequim, vol. IV, página 421.

63
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

7
O contínuo desenvolvimento da Revolução
Democrática na Revolução Socialista

Mao Tsé-tung escreveu em sua obra Sobre o Governo de Coalizão:

Nós, comunistas, nunca ocultamos nossa posição política.


É definitivo e está fora de toda dúvida que nosso futuro,
nosso programa máximo é levar a China ao socialismo e
ao comunismo. Tanto o nome de nosso Partido, como
nossa inequívoca concepção marxista de mundo, assinala
nosso ideal fundamental do futuro, futuro pleno de in-
comparável esplendor e beleza. Em união ao Partido, cada
comunista deve ter em seu pensamento o espírito de luta
para a conquista dos objetivos claramente definidos: a re-
volução de Nova Democracia no presente e o socialismo e
o comunismo no futuro. E ao mesmo tempo, devemos
estar resolutos para combater a animosidade, a calúnia, a
antipatia e a ridicularização, que em sua ignorância e baixeza,
os inimigos do comunismo levantam contra nós. Quanto
aos céticos honrados, não devemos atacá-los sem explicar-
lhes as coisas com boa vontade e paciência. Tudo isto é
muito claro, definido e inequívoco.60

Este excerto oferece um quadro bastante claro do futuro da China,

60. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Vol. IV, página 274.

64
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

absolutamente inevitável segundo as leis que governam a história do mundo,


assim como a história chinesa.
Os oportunistas de direita não somente não podiam vislumbrar tal
futuro, como também o considerava completamente incerto e muito dis-
tante. Por julgar a burguesia como a direção única da revolução democrá-
tico-burguesa, consideravam que o futuro da revolução devia ser decidido
apenas pela burguesia. Por exemplo, em seu artigo A Revolução Burguesa e a
Burguesia Revolucionária, publicado em 1923, Chen Tu-hsiu escreveu que “a
vitória em tal revolução democrática, certamente significa a vitória da bur-
guesia”. A partir deste ponto de vista direitista, negou categoricamente o
futuro da revolução. Do lado inverso, os oportunistas de “esquerda” igno-
raram a diferença entre a revolução democrático-burguesa e a revolução
socialista, e consideraram que a vitória da revolução em uma ou várias pro-
víncias poderiam marcar o início da revolução socialista. Consideravam que
no momento em que a vitória revolucionária se estendesse à “parte essencial
da China”, a tarefa fundamental deveria ser realizar a revolução socialista, e
que o domínio do imperialismo e dos reacionários do Kuomintang, só po-
deria ser derrotado com a realização do socialismo. Devido aos pontos de
vista “esquerdistas”, que estavam imbuídos de ultra-revolucionarismo, nega-
ram categoricamente a possibilidade da vitória da revolução democrática e
deste modo negaram, em essência, a possibilidade da vitória do socialismo.
O oportunismo de “esquerda” e o oportunismo de direita nesta
questão são recíprocos, assim como em muitas outras. Como fora falado
anteriormente, na etapa inicial da Guerra de Resistência Antijaponesa, nosso
Partido, dirigido por Mao Tsé-tung, se esforçava a cada passo em sua tarefa
de converter o êxito da Guerra de Resistência em uma vitória para o povo.
Aqueles camaradas que haviam cometido erros “esquerdistas” durante o
período da Segunda Guerra Civil Revolucionária, tiraram uma conclusão
inteiramente contrária. Consideraram que o “futuro” vitorioso da Guerra
de Resistência pertencia ao Kuomintang de Chiang Kai-shek e não ao povo.
Esta conclusão, evidentemente, negava tanto o futuro vitorioso da revolu-
ção democrática, como o futuro do socialismo.
Após 1927, Mao Tsé-tung refutou repetidas vezes as equivocadas

65
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

tendências ideológicas “esquerdistas” em relação ao problema do caráter da


revolução. Considerou que a revolução democrática na China deveria ser
levada a cabo até o final. Mao disse:
Somente nesta forma se pode fomentar o futuro socialista
da Revolução Chinesa. Concepções errôneas tais como
negar este período da revolução democrática e considerar
que o momento oportuno para uma revolução socialista
na China já havia chegado, são extremamente prejudiciais
à Revolução Chinesa.61

Mao Tsé-tung considerava a posição então sustentada pela Inter-


nacional Comunista de que o caráter da Revolução Chinesa ainda perma-
necia democrático-burguês, como completamente correta. Ele disse: “as lu-
tas pelas quais nós passamos, comprovam a justeza da posição da Inter-
nacional Comunista”.62 À luz das condições concretas da China, o camarada
Mao Tsé-tung desenvolveu os ensinamentos de Lenin e Stalin, levando em
conta o contínuo processo de desenvolvimento da revolução democrático-
burguesa na revolução socialista. Ele disse:

Nós defendemos a teoria do contínuo desenvolvimento


da revolução, mas não pela teoria trotskista de uma revo-
lução permanente. Nós estamos dispostos, para lograr o
triunfo do socialismo, atravessar todas as etapas neces-
sárias da república democrática. Nos opomos ao segui-
dismo, porém nos opomos igualmente ao aventureirismo
e ao ultra-revolucionarismo.63

Também disse:
Todo comunista necessita saber que todo o movimento
revolucionário chinês, dirigido pelo Partido Comunista da

61. "Resolução do Sexto Congresso do Quarto Exército do Exército Vermelho", emitido por Mao
Tsé-tung, dezembro de 1928.
62. Ibid.
63. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Vol. I, página 279.

66
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

China, é um movimento completamente revolucionário


que compreende as duas etapas revolucionárias, a democrática
e a socialista, que são dois processos diferentes em caráter,
e que a etapa socialista pode ser alcançada somente após
etapa democrática ser completada.
A revolução democrática é a necessária preparação para a
revolução socialista, e a revolução socialista é o rumo ine-
vitável da revolução democrática. E o último objetivo dos
comunistas, é esforçar-se e fazer todo o possível para a fi-
nal construção da sociedade socialista e da sociedade co-
munista. Nós podemos dar uma correta direção à Revo-
lução Chinesa, somente sobre a base de uma clara com-
preensão tanto das diferenças entre as revoluções demo-
cráticas e as revoluções socialistas, como acerca das suas
relações internas.64

Portanto, considerando o desenvolvimento integral do movimento


revolucionário, o período da revolução de Nova Democracia “é uma etapa
transitória necessária entre a derrubada da sociedade colonial, semicolonial
e semifeudal, e o estabelecimento da nova sociedade socialista”65.
Por que foram possíveis o desenvolvimento contínuo e a transição?
Em termos de classe, foi devido a direção do proletariado; e em termos de
partido, foi devido a direção do Partido Comunista da China. Mao Tsé-tung
estava completamente certo ao afirmar:
A exceção do Partido Comunista, nenhum dos partidos
políticos burgueses ou pequeno-burgueses pode executar
a tarefa de dirigir a duas grandes revoluções na China, a
democrática e a socialista, até sua completa realização. E o
Partido Comunista da China, desde o dia da sua fundação,
tomou esta dupla tarefa como sua responsabilidade.66

Como já foi destacado, é completamente errado confundir a etapa


da revolução democrática com a da revolução socialista. Por outro lado, de

64. Ibid., vol. III, página 101.


65. Ibid., página 97.
66. Ibid., página 101.

67
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

nenhum modo isso quer dizer que a etapa da revolução democrática não
possa incluir tarefas socialistas. Acreditar nisto é igualmente errôneo. Em
1939, ao analisar o resultado da vitória da revolução de Nova Democracia,
Mao Tsé-tung escreveu:
É um resultado inevitável da vitória da revolução demo-
crática na China atrasada economicamente, que o capi-
talismo se desenvolva até certo grau. Mas isto será apenas
o resultado da Revolução Chinesa em um aspecto, não seu
sucesso total. O completo êxito da Revolução Chinesa se-
rá o desenvolvimento dos fatores capitalistas por um lado,
e dos fatores socialistas, por outro.67

Mao Tsé-tung chegou a esta conclusão, precisamente se baseando


no princípio fundamental da direção do proletariado. Os desenvolvimentos,
político e econômico, que ocorreram desde a vitória de nossa revolução de
Nova Democracia, comprovam tal conclusão marxista-leninista.
Qual o principal fator socialista na esfera política, oriundo da vitória
da revolução de Nova Democracia? É a posição dirigente da classe operária
nos órgãos do poder estatal e nas forças armadas populares, como posto no
Programa Comum da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.
Qual o principal fator socialista na esfera econômica, oriundo da
vitória da revolução de Nova Democracia? É a confiscação das empresas
dos imperialistas e capitalistas burocráticos e a transferência da proprie-
dade à república popular dirigida pela classe operária. Nas palavras de Mao
Tsé-tung, isto “permitirá a república popular controlar os aspectos vitais
da economia do país e capacitará a economia de propriedade do estado
para se converter no setor de direção da economia nacional em seu con-
junto. Este setor da economia tem um caráter socialista e não capitalista”68.
O Programa Comum, de acordo com os pontos de vista de Mao Tsé-tung,
também esclarece tal ponto. O Programa estabelece: “a economia estatal
é de natureza socialista. Todas as empresas vinculadas a vida econômica

67. Ibid., página 100.


68. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Pequim, vol. IV, página 367.

68
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

do país e que exercem uma influência dominante sobre a subsistência do


povo, estarão sob o controle unificado do estado. Os recursos estatais e as
empresas são a propriedade social do povo em seu conjunto, são as princi-
pais bases materiais sobre as quais se desenvolverá a produção, para lograr
a prosperidade, e são a força dirigente da economia social íntegra”.
As organizações de ajuda mútua, as cooperativas de produtores
agrícolas e as cooperativas de víveres e consumo das massas camponesas,
que se estabeleceram no curso da revolução de Nova Democracia, também
contém fatores socialistas e servem como formas transitórias dirigindo o
campesinato até o socialismo. É certo que necessitamos de um longo espaço
de tempo para realizar a transformação socialista em todo o país. Mas este
caminho foi aberto. Nosso progresso está completamente assegurado, ainda
que muitos preparativos e lutas sejam necessários. Como Mao assinalou:
Nosso país progredirá constantemente por meio de lutas
e reformas de Nova Democracia, e no futuro, quando a
prosperidade econômica e cultural do país tenha sido rea-
lizada, quando múltiplas condições estejam preparadas, e
quando se tenha conquistado o consentimento popular
após maduras deliberações, devemos abordar a nova era
do socialismo livre e autônoma.69

Os oportunistas de direita tentaram transformar em peça de museu


o grande ideal do comunismo, enquanto que os oportunistas de “esquerda”
tentaram despojá-lo de sua rica potência vital. Tendo em conta todas as
etapas atravessadas pela história da China, Mao combinou os princípios
comunistas com a flexibilidade em matéria de política, para a conquista do
socialismo. Em consequência, o comunismo na China não é uma utopia ou
algo inalcançável; o comunismo é realizável, irresistível e cheio de vida.

69. Mao Tsé-tung, “Discurso de Encerramento da Segunda Sessão do Primeiro Comitê Nacional
da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês”.

69
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

8
A construção do Partido

O processo pelo qual Mao Tsé-tung integrou cabalmente o mar-


xismo-leninismo com a prática concreta da Revolução Chinesa, é também
o processo pelo qual o Partido Comunista da China tornou-se, cada vez
mais, um partido bolchevique.
Como podem todas as linhas corretas do Partido ser realizadas de
forma consequente e converter-se em guias das ações das massas? Como
podem todas as possibilidades que o Partido formula e pelas quais luta, ser
convertidas em realidade? Em última análise, estas questões concernem ao
próprio Partido. Mao costumava dizer que sem um partido bolchevizado,
de tipo leninista, a vitória da Revolução Chinesa teria sido impossível. Disse:
Para realizar a revolução, é necessário um partido revolu-
cionário. Sem um partido de novo tipo, sem um partido
criado sob a teoria marxista-leninista e no estilo revoluci-
onário, é impossível conduzir a classe operária e as amplas
massas populares à vitória na luta contra o imperialismo e
seus lacaios. Em mais de cem anos desde o nascimento do
marxismo, graças ao exemplo que deram os bolcheviques
russos ao dirigir a Revolução de Outubro, na construção
do socialismo e, ao vencer a agressão do fascismo, foram
criados e desenvolvidos em todo o mundo partidos revo-
lucionários de novo tipo. Com o nascimento destes se mo-
dificou a fisionomia da revolução mundial. A mudança foi

70
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

tão grandiosa, que produziu, em meio ao fogo e aos tro-


vões, transformações até inconcebíveis para as pessoas da
velha geração. O Partido Comunista da China é preci-
samente um partido criado e desenvolvido a exemplo do
Partido Comunista da URSS. Com o surgimento do Par-
tido Comunista, a fisionomia da Revolução Chinesa tomou
uma aparência totalmente nova.70

Sem uma sólida teoria marxista-leninista teria sido impossível ter tal
partido revolucionário. Como estabelece a máxima de Lenin, “o papel de
vanguarda combativa pode ser cumprido somente por um partido que é
guiado pela teoria mais avançada”71. Stalin estabeleceu na conclusão da obra
História do Partido (Bolchevique) da União Soviética que, “somente um partido que
domina a teoria marxista-leninista pode avançar a passos firmes e conduzir
para frente a classe operária”72. Mao Tsé-tung crê firmemente que para ser
competente para assumir uma série de grandes tarefas históricas e conduzir
o povo chinês de uma vitória a outra, nosso Partido deve antes de tudo al-
cançar a unidade ideológica marxista-leninista em suas próprias fileiras,
elevar ao máximo o nível ideológico em todo o Partido e consolidar sua
correta direção marxista-leninista. Mao disse: “nós queremos levar o povo
chinês a derrotar ao inimigo e para tanto, devemos guardar nossas fileiras
em boa ordem; devemos marchar; nossas tropas devem ser seletas e nossas
armas, boas”73 Sobre que bases pode ser dito que nossas fileiras estão em
ordem e que marchamos corretamente? Na opinião de Mao, somente por
meio da unidade marxista-leninista. Como podem nossas tropas chegar a
ser tropas seletas? Como pode nossas armas chegar a ser boas armas? Ele-
vando o nível ideológico do marxismo-leninismo em todo o Partido, eis a
resposta. Mao Tsé-tung disse:

70. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Pequim, vol. IV, página 294.
71. V. I. Lenin, “Obras Completas”, edição inglesa, Edições em Línguas Estrangeiras, Moscou,
1961, Vol. V, página 370.
72. “História do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS, Edição Pequena”, Edições em Lín-
guas Estrangeiras, Moscou, 1950, página 437.
73. Mao Tsé-tung, “Retifiquemos o estilo de trabalho do Partido”, edição inglesa, Edições em
Línguas Estrangeiras, Pequim, 1962, página 1.

71
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Mas sempre que dominemos a ciência do marxismo-leni-


nismo, tenhamos completa confiança nas massas, perma-
neçamos estreitamente ligados a estas para conduzi-las adi-
ante, seremos plenamente capazes de vencer qualquer obstá-
culo ou dificuldade. Nossa força será invencível.74

Com o objetivo de construir e consolidar ideologicamente nosso


Partido, Mao Tsé-tung necessitou dedicar muito tempo e esforço na luta
contra várias tendências ideológicas errôneas.
Ele vinculou explicitamente a atitude do marxismo-leninismo com
o espírito de Partido, e considerou os dois como idênticos. Em sua obra,
Reformemos Nosso Estudo, Mao disse: “a ausência de uma atitude científica, isto
é, a não integração marxista-leninista da teoria com a prática, significa que o
espírito de Partido está ausente, ou é deficiente”75.
Mao Tsé-tung assinalou de uma maneira mais concisa as duas ten-
dências subjetivistas, isto é, o dogmatismo e o empirismo que sugiram no
Partido e as quais o Partido teve que se opor vigorosamente. Ele disse: “dog-
matismo e empirismo são igualmente subjetivismos, cada um gerado em
polos opostos”76. Originados em dois extremos opostos, as duas tendências
se encontram no mesmo ponto fundamental, sua parcialidade. “Cada um
vê só uma parte e não o todo”77. Sob a base dessa parcialidade que lhes é
comum, ambas tendências, frente a certos problemas práticos em um deter-
minado momento, se vinculam entre si e alcançam uma posição idêntica.
Estas duas tendências subjetivistas constituíram o fundamento ide-
ológico dos que cometeram erros tanto de oportunismo de direita como de
oportunismo de “esquerda” no Partido. Se desviaram completamente do
marxismo-leninismo na teoria do conhecimento e, como consequência, cri-
aram difíceis problemas na luta interna do Partido entre as ideologias cor-

74. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Pequim, vol. IV, página 177.
75. Mao Tsé-tung, "Reformemos Nosso Estudo", Edições em Línguas Estrangeiras, Pequim,
1962, página 7.
76. Mao Tsé-tung, "Retifiquemos o estilo de trabalho do Partido" Pequim, página 10.
77. Ibid., página 11.

72
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

retas e as incorretas. Por esta razão, Mao Tsé-tung demonstrou que era ne-
cessário derrotar o oportunismo no plano ideológico, com o objetivo de
combater efetivamente várias de suas formas.
A pequena burguesia é a base social destas formas de subjetivismo.
Estas errôneas tendências reacionárias foram um sério problema para nós,
posto que um grande número de membros de nosso Partido era de extrato
pequeno-burguês. Como Mao havia dito:
[...] a China é um país com uma numerosa pequena bur-
guesia e nosso Partido se encontra rodeado por esta e-
norme classe; muitos membros de nosso Partido provêm
desta classe e quando eles se unem ao Partido, inevitavel-
mente arrastam consigo parte da mentalidade e hábitos
pequeno-burgueses.78

Portanto, durante todo o tempo, Mao Tsé-tung nunca cedeu em


sua constante luta contra as tendências subjetivistas. Em 1929, indicou con-
cretamente que era preciso:
Primeiro: educar aos membros do Partido para que apren-
dam a analisar a situação política e apreciar as forças das
classes em luta segundo o método marxista-leninista e re-
nunciem às análises e as apreciações subjetivistas.
Segundo: chamar a atenção dos membros do Partido so-
bre a necessidade de investigar as condições sociais e eco-
nômicas, para determinar assim as táticas de luta e os mé-
todos de trabalho, e fazer os camaradas compreender que
se recusam a estudar a realidade, cairão inevitavelmente no
marasmo das vãs imaginações e das aventuras.79

Em 1937, generalizando suas largas experiências, Mao Tsé-tung es-


creveu suas notáveis obras filosóficas, Sobre a Prática e Sobre a Contradição, que
estavam dirigidas contra estes dois tipos de subjetivismos. Foi sobre a base

78. Mao Tsé-tung, “Contra o estilo clichê do Partido”, Edições em Línguas Estrangeiras, Pequim,
1962, página 5.
79. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Vol. I, página 112.

73
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

destes pontos de vista que iniciou mais tarde, o movimento de retificação,


processo de grande significado história na vida do nosso Partido.
Uma das mais destacadas contribuições feitas por Mao Tsé-tung
acerca da questão do Partido foi sua exposição sobre estes dois tipos de sub-
jetivismos – o dogmatismo e o empirismo – os quais, emanados de dois
polos opostos, poderiam, não obstante, fundir-se em um só, e sua indicação
da forma correta para vencer estas formas de subjetivismo. Mao disse:
[...] para combater o subjetivismo, devemos ajudar a quem
apresenta estes dois tipos de desvios a desenvolver-se na
direção em que tem deficiências. Aqueles que possuem
conhecimentos teóricos devem avançar no caminho da
prática, somente assim não se limitarão aos livros e so-
mente assim não cometerão erros de dogmatismo. Os ex-
perimentados no trabalho, devem atender ao estudo da te-
oria e ler seriamente; somente então serão capazes de sis-
tematizar e sintetizar sua experiência e assim a elevarão ao
nível da teoria; somente então não confundirão sua expe-
riência parcial com a verdade universal e somente assim
não cometerão erros de empirismo.80

Se seguido o caminho indicado por Mao Tsé-tung, a unidade entre


a teoria e a prática será realizada.
Na exposição destes pontos de vista, Mao utilizou frequentemente
estes brilhantes pensamentos de Stalin:
[...] a teoria, se não está conectada com a prática revolu-
cionária, será algo totalmente vago, sem qualquer propó-
sito, nem fim determinado; da mesma forma, a prática an-
dará na escuridão, se seu caminho não se ilumina pela te-
oria revolucionária.81

Os erros de dogmatismo pertencem a primeira categoria, os erros


de empirismo pertencem a segunda. Corrigir estas duas formas de erros,

80. Mao Tsé-tung, “Retifiquemos o estilo de trabalho do Partido”, Pequim, página 10.
81. J. V. Stalin, “Obras”, Moscou, vol. VI, página 92.

74
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

significa realizar a unidade entre a teoria e a prática.


A combinação do estudo rigoroso das teorias de Marx, Engels,
Lenin e Stalin, com o estudo contínuo das experiências das massas, é carac-
terístico da direção de Mao Tsé-tung. Isto também é o que se quer demons-
trar ao dizer “a integração da verdade universal do marxismo-leninismo com
a prática concreta da Revolução Chinesa”.
Baseado na experiência do nosso Partido e seu trabalho de direção,
Mao Tsé-tung destacou:
Em todos os trabalhos práticos do nosso Partido, toda a
correta direção deve ser tomada “das massas e para as
massas”. Isto significa: tomar as ideias das massas (ideias
dispersas e não sistematizadas) e torná-las concretas (por
meio do estudo, convertê-las em ideias sistematizadas); em
seguida ir as massas, propagar e difundir estas ideias até
que as massas as acolham como suas, afirmar-se nelas e
aplicá-las na ação, provando a correção destas na atuação
das massas. Reunir novamente as ideias das massas e nova-
mente ir a elas para que estas ideias sejam preservadas e
realizadas. E dessa forma, repetindo tal processo em uma
espiral infinita, as ideias chegam a ser cada vez mais cor-
retas, mais vitais e mais ricas. Tal é a teoria marxista-leni-
nista do conhecimento.82

Como podemos continuamente recolher as ideias e as experiências


das massas e logo retornar a elas? O correto é se unir ao princípio retor do
marxismo-leninismo. Os empiristas, abandonando os princípios de direção
geral do marxismo-leninismo, apenas persistem em ideias dispersas e sem
sistematização. Os dogmáticos, abandonando as ideias e as novas experi-
ências das massas, são incapazes de estudá-las e convertê-las em ideias coe-
rentes e sistemáticas. Devido a isto, os empiristas e os dogmáticos estão con-
denados a uma direção incorreta e seu trabalho prático, por sua vez, está
fadado ao fracasso.

82. Mao Tsé-tung, “Algumas questões sobre os métodos de Direção”, Edições em Línguas Es-
trangeiras, Pequim, 1962, pág. 4.

75
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Os trinta anos de história do Partido Comunista da China são a


história da luta entre a correta direção marxista-leninista e a incorreta direção
contrária ao marxismo-leninismo. É também a história de como a correta
direção de Mao Tsé-tung derrotou as posições incorretas, superando assim
os reveses e as dificuldades encontradas no curso da revolução e tornando
possível sua grande vitória final.
A luta travada por esta correta direção, oposta ideologicamente ao
subjetivismo e oposta politicamente ao oportunismo, estava vinculada a luta
contra o sectarismo em matéria organizativa. A estreita visão pequeno-bur-
guesa, toma a forma de sectarismo na vida política e na organização, somado
a sua unilateralidade ideológica. O subjetivismo significa isolamento ideoló-
gico das massas, tanto dentro do Partido, como fora dele, enquanto que o
sectarismo significa isolamento político e organizativo das massas, tanto
dentro, como fora do Partido Comunista. São duas faces da mesma moeda.
Semelhante sectarismo teve consequências desastrosas por um longo tempo.
Em 1929, Mao Tsé-tung criticou severamente tal espírito de cama-
rilha, que “tem um efeito extremamente corrosivo e centrífugo”83.
Aqui, o espírito de camarilha significa sectarismo. Em 1942, disse:
Forjado através de 20 anos de luta, em nosso partido não
prevaleceu o sectarismo. Contudo, resquícios sectários são
encontrados ainda, tanto nas relações internas do Partido,
como em suas relações externas. As tendências sectárias
nas relações internas, conduzem ao exclusivismo com os
camaradas dentro do Partido e impede sua unidade e sua
solidariedade interna; enquanto que as tendências sectárias
nas relações externas, conduzem ao exclusivismo com
pessoas alheias ao Partido e freiam o Partido em sua tarefa
de buscar a unidade de todo o povo. Somente eliminando
este mal em ambos aspectos, o Partido pode avançar em
sua tarefa de realizar a unidade entre todos os camaradas
e entre todo o povo de nosso país.84

83. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Vol. I, página 113.


84. Mao Tsé-tung, “Retifiquemos o estilo de trabalho do Partido”, Pequim, 1962, página 13.

76
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Outra importante contribuição feita por Mao Tsé-tung no tocante


a questão do Partido, foi a de elevar a bandeira contra o sectarismo, ao aglu-
tinar todas as fileiras do Partido e desenvolver corretas relações entre o Par-
tido e as massas. Evidentemente, apenas quando nos corrigimos ideológica
e politicamente, e somente quando tivermos retificado os erros nas relações
internas do Partido, nossa vitória estará assegurada.
Como podemos superar o sectarismo e o subjetivismo em nosso
Partido, de maneira mais efetiva e ampla? Como já foi mencionado, devido
as condições históricas, um grande número de membros do nosso Partido,
provinha da pequena burguesia. Se quiséssemos corrigir seus múltiplos er-
ros e consolidar a unidade do Partido, deveríamos adotar uma atitude séria
e prudente, no lugar de uma atitude liberal e imprudente.
A terceira importante contribuição por Mao Tsé-tung na questão
do Partido, foi a de incentivar uma forma de movimento conveniente a nos-
sa luta interna, isto é, o movimento de retificação – o movimento do estudo
– sob a direção unificada do Partido, este movimento se organiza entre os
quadros e os militantes, por meio do estudo e da discussão dos problemas
na história do nosso Partido, os erros cometidos e destacando a literatura
marxista-leninista e os documentos do Partido. Logo, por meio da crítica da
autocrítica os quadros e os militantes do Partido são capacitados gradual-
mente para obter conhecimentos políticos e ideológicos, e com a ajuda do
Partido, voluntariamente, a “perseverar na verdade e corrigir os erros”. A
finalidade do movimento está assim descrita por Mao:
[...] primeiro, “tomar consciência dos erros passados para
evitar outros futuros”, e segundo, “curar a enfermidade
para salvar o paciente”. Os erros do passado devem ser
expostos visceralmente e sem considerar melindres de
nenhuma ordem; é necessário analisar e criticar o que foi
mal no passado com uma atitude científica, a fim de que
o trabalho no futuro seja executado de maneira melhor e
mais cuidadosa. Isto é o que se quer dizer com a frase “tomar
consciência dos erros passados para evitar outros futuros”.
Porém, nossa finalidade é expor os erros e criticar as falhas,
como faz o médico quando cura o enfermo; seu fim é

77
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

somente salvar o paciente, já que este sem o médico, pere-


ce. Uma pessoa com apendicite é salvada quando o cirur-
gião retira seu apêndice. Na medida em que uma pessoa
que tenha cometido erros não oculta sua doença por re-
ceio do tratamento, não persiste em seus erros até se en-
contrar fora das possibilidades de cura, que honesta e sin-
ceramente deseja ser curado e consertar seus passos, nós
devemos dar-lhe boas vindas e curar sua enfermidade de
tal forma que possa chegar a ser um bom camarada.85

Em síntese, a finalidade do movimento de retificação é, como Mao


Tsé-tung estabeleceu em diversas ocasiões, realizar o “duplo objetivo de
esclarecer nossas ideias e de unir a nossos camaradas”86. Em outras palavras,
em relação às ideias incorretas dentro do Partido, devemos ser sérios e refra-
tários a uma atitude liberal, ao mesmo tempo, devemos ser prudentes e con-
trários a uma atitude intransigente. Esta maneira de proceder com as ideias
incorretas beneficiou profundamente nosso Partido e alcançou muito êxito.
Isto foi comprovado pela história completa de nosso Partido, desde o pri-
meiro movimento de retificação que foi lançado em 1942.
Todos podem ver que o movimento de retificação forjou amplas e
profundas modificações no seio do nosso Partido. Primeiro: o movimento
de nivelação ideológica marxista-leninista, fez com que todo o Partido se
elevasse grandemente. Em segundo lugar, toda a militância do Partido se
aglutinou estreitamente em torno do Comitê Central e de Mao Tsé-tung.
Estas duas realizações garantiram e estão garantindo que a linha política de
Mao se mantenha em todos os campos, nos capacitando para derrotar um
inimigo após o outro.
Em abril de 1945, o Partido celebrou seu VII Congresso Nacional.
Este sintetizou as realizações do Partido, alcançadas devido a correta política
de Mao Tsé-tung durante a Guerra de Resistência Antijaponesa, que pre-
parou a vitória popular em todo o país. No informe político dirigido ao
Congresso, Mao expos a política e o programa para unificar a todo o Partido

85. Ibid., página 22-23.


86. Mao Tsé-tung, “Obras Escolhidas”, Londres, Vol. IV, página 158.

78
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

e ao povo inteiro, na luta pela total vitória da revolução em toda a nação. A


marcha dos acontecimentos durante os passados seis anos testemunharam
a justeza da linha política adotada pelo Congresso como se evidencia pela
vitória total na grande revolução. O Congresso foi celebrado sob as bases
do amplo movimento de retificação do Partido. O conjunto dos quadros
que haviam chegado por meio deste movimento, foi capaz de realizar exi-
tosamente a tarefa histórica que foi apontada por este Congresso.
Somente perderam com o movimento de retificação, o sectarismo
e o subjetivismo, junto com o estilo clichê nos escritos do Partido87, uma
expressão dos dois primeiros. Mas, o que nosso Partido ganhou com este
movimento, foi preparar-se ideologicamente e capacitar-se para dar uma di-
reção política correta e conquistar a vitória em uma grande revolução popu-
lar contra o imperialismo. Sob a direção de Mao Tsé-tung, nosso Partido
chegou a ser um partido marxista-leninista revolucionário capaz de assumir
qualquer grande tarefa histórica.
Dirigido por Mao Tsé-tung e guiando-se pelo exemplo do Partido
Comunista da URSS, nosso partido chegou a ser um partido revolucionário
ao estilo bolchevique. Esta é a principal razão do nosso avanço contínuo e
o que garante o sucesso de nossa causa.

87. Escritos estereotipados, ou o “ensaio de oito patas”, uma fórmula especial de ensaio prescrita
pelo sistema de exames imperiais sob as dinastias feudais da China desde o século XV até o século
XIX, era um jogo de palavras totalmente sem conteúdo e relacionado somente com a forma. Cada
parágrafo estava escrito com uma norma rígida e até o número de palavras era pré-definido; o
escritor para manter as aparências esticava o ensaio com ressonantes mudanças das palavras do
tema. O “estilo clichê do Partido” se referem aos artigos escritos por algumas pessoas em nossas
fileiras revolucionárias, nos quais as frases e os termos revolucionários se acumulavam sem ordem
nem composição, substituindo a análise da realidade. Como os “ensaios de oito patas”, estes artigos
não foram mais do que pura fraseologia.

79
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

9
Conclusão

A vitória da Revolução Chinesa é a vitória do marxismo-leninismo


em um vasto país de cerca de 500 milhões de habitantes. É outra grande
revolução continuadora da grande Revolução Socialista de Outubro. É uma
revolução de novo tipo que irrompeu em um país oprimido pelo imperi-
alismo, depois da Revolução Russa.
As obras de Mao Tsé-tung têm servido para focar tanto ideológica
como teoricamente este tipo de revolução na China. Suas obras expressam
concretamente a força dinâmica do marxismo-leninismo nesta revolução.
Lenin escreveu em outro tempo:
Nós não consideramos a teoria de Marx como uma coisa
acabada e inviolável; pelo contrário, estamos convencidos
de que ela somente colocou a pedra fundamental da ciên-
cia que os socialistas devem desenvolver em todas as dire-
ções se desejam estar em paz com a vida. Pensamos que
uma elaboração independente da teoria de Marx, é espe-
cialmente cara aos socialistas russos. Esta teoria fornece
somente princípios gerais de direção, os quais em parti-
cular, são aplicados na Inglaterra de forma distinta do que
na França, na França diferentemente do que na Alemanha,
e na Alemanha distingue-se da aplicada na Rússia.88

88. V. I. Lenin. Obra citada, Volume IV, páginas 211-212.

80
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

Na conclusão do livro História do Partido Comunista (Bolchevique) da


URSS, assinala:
A força da teoria marxista-leninista consiste no fato de que
fornece ao Partido a possibilidade de orientar-se dentro de
qualquer situação, de compreender o nexo interno que
une os acontecimentos que o rodeiam, de prever a marcha
destes e discernir não apenas como e até onde se desen-
volvem os acontecimentos no presente, mas também
como e até onde hão de se desenvolver no futuro.89

Igualmente observa:
Dominar a teoria marxista-leninista significa ter a capaci-
dade de ampliar esta teoria com a nova experiência do mo-
vimento revolucionário, saber enriquecê-la com novas te-
ses e conclusões, desenvolvê-la e impulsioná-la sem vacilar
ante a necessidade de substituir, partindo do espírito da
teoria, algumas de suas teses e conclusões, que já tenham
envelhecido, por obras novas de acordo com a nova situ-
ação histórica.90

É, precisamente, este espírito de Lenin e Stalin que Mao Tsé-tung


aplicou ao marxismo. Obviamente, isto requisitou um grande valor teórico
e uma grande capacidade criadora por parte do camarada Mao, ao aplicar os
princípios gerais de direção do marxismo-leninismo a um país oriental, dado
que as condições na China eram muito diferentes das dos países capitalistas
europeus. Por este motivo, Mao Tsé-tung encontrou oposição, mas pela
mesma razão, seu pensamento triunfou.
A conclusão de empreender uma prolongada guerra revolucionária
nas aldeias, utilizando-as para cercar as cidades e logo tomá-las; a conclusão
para estabelecer e manter o poder revolucionário em muitas pequenas bases

89. “História do Partido Comunista (Bolchevique) da União Soviética, Edição Pequena”, Edições
em Línguas Estrangeiras, Moscou, 1950, página 437.
90. Ibid., página 438.

81
Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa Chen Po-ta

e gradualmente desenvolver e estender estas bases por meio de prolongadas


lutas para tomar o poder em todo o país. Estas coerentes conclusões, foram
obtidas por Mao Tsé-tung há 20 anos mediante a aplicação do marxismo-
leninismo a seu estudo dos problemas da Revolução Chinesa. Estas são no-
vas conclusões marxistas em um país colonial e semicolonial. Tais conclu-
sões são corretas dado que foram comprovadas pela prática concreta da
Revolução Chinesa e porque também foram comprovadas pela realidade
dos países do Sudeste Asiático. Isto comprova o irresistível poder da teoria
do marxismo-leninismo, o irresistível poder da dialética.
Em seu discurso inaugural na Conferência de Sindicatos Operários
dos Países Asiáticos e Australianos em 1949, Liu Shaoqi destacou:
O caminho tomado pelo povo chinês para derrotar o im-
perialismo e seus lacaios e fundar a República Popular da
China, é o caminho que deve ser tomado pelos povos de
muitos países coloniais e semicoloniais em sua luta pela
independência nacional e pela democracia popular.
Este é o caminho de Mao Tsé-tung.
É o pensamento de Mao Tsé-tung, é o desenvolvimento
do marxismo-leninismo no Oriente. Este resumo da ex-
periência da revolução no Oriente é de profunda signi-
ficação para o marxismo-leninismo. Para as lutas em todo
o mundo é de um significado universal.

82
ANEXO
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Stalin e a Revolução Chinesa

I - A ajuda teórica e prática de Stalin


Quando das solenidades em Yenan realizadas em comemoração
ao 60° aniversário de Stalin, o camarada Mao Tsé-tung declarou:
Stalin é o líder da revolução mundial. Trata-se de uma
questão de importância. É um grande acontecimento o
fato de a humanidade possuir Stalin. Uma vez que o temos,
as coisas podem marchar bem. Como vocês todos sabem,
Marx já morreu e também Engels e Lenin. Se Stalin não
existisse, quem haveria para nos orientar? Mas, desde que
o temos, se trata efetivamente de um acontecimento feliz.
Atualmente, existe no mundo uma URSS, um Partido Co-
munista e um Stalin. Assim, as questões mundiais podem
marchar bem.

O camarada Mao fez ver aos camaradas do nosso Partido: “é


nosso dever aplaudi-lo, apoiá-lo e aprender com ele. Devemos aprender
com ele em dois sentidos: a sua teoria e a sua obra”.
Mao nos explicou os méritos de Stalin no desenvolvimento do
marxismo-leninismo. Esclareceu que a direção de Stalin na ultimação da
construção socialista na URSS constituía um “material de monumental
significação”. Mostrou que Stalin tem auxiliado a causa do povo chinês
tanto com a teoria, quanto com a ajuda material. Declarou: “no passado,
o marxismo-leninismo deu uma direção teórica à revolução mundial.

89
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Agora, alguma coisa mais foi acrescentada, isto é, uma ajuda material pode
ser dada à revolução mundial. Este é um grande mérito de Stalin”.
Passaram-se mais dez anos desde então e agora comemoramos o
70° aniversário do camarada Stalin. Esta efeméride tem lugar depois que a
humanidade passou pelas lutas da Segunda Guerra Mundial e os povos do
mundo, liderados pela URSS, derrotaram os três Estados imperialistas e
fascistas, a Alemanha, a Itália e o Japão. Ocorre o aparecimento no mundo
de muitas novas Democracias Populares. Ocorre após isto, o povo chinês
derrotar o imperialismo japonês, prosseguindo na luta para desbaratar o
governo contrarrevolucionário do Kuomintang e expulsar as forças
invasoras do imperialismo americano, do que resultou o estabelecimento
da República Popular da China. Ocorre na ocasião em que a URSS se
tornou incomparavelmente forte no mundo, enquanto que o sistema
imperialista mundial, liderado pelo imperialismo estadunidense, está cam-
baleante. A série de grandes acontecimentos históricos dos últimos dez
anos não pode ser separada do nome de Stalin. Com maior razão, esses
acontecimentos não podem ser separados da obra de Stalin ou da ajuda
de Stalin aos povos de todos os países. Os fatos históricos mundiais dos
últimos dez anos provaram, mais uma vez, que Stalin não é somente a
bandeira de vitória do povo soviético, mas da humanidade progressista de
todo o mundo. Provaram também o que o Mao assinalou há dez anos:
Stalin é o líder da revolução mundial. Trata-se de uma
questão de suma importância. É na realidade um grande
acontecimento o fato de a humanidade possuir Stalin.
Uma vez que o temos, as cousas podem marchar bem. O
fato de a humanidade possuir um Stalin “é realmente um
acontecimento feliz”.

O aniversário de Stalin é uma “data da humanidade” para todos


os países. Constitui uma grande felicidade para o povo da China a própria
possibilidade de celebrar, ao lado do povo soviético e toda a humanidade
progressista, o 70° natalício da maior figura que a história, contemporânea
nos apresenta, desse mestre de gênio, cujos conhecimentos são os mais

90
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

universais e cujas realizações têm sido as mais vastas para a causa da


libertação da humanidade, desde Marx, Engels e Lenin. Esta celebração é
um brinde à libertação dos povos e a esperança e futuro da humanidade.
Entretanto, nós, o povo chinês, temos razões especiais para saudar
Stalin. Essas razões são: a estreita afinidade de Stalin com a Revolução
Chinesa; a sua preocupação pelo destino do povo chinês; e as suas grandes
contribuições teóricas às questões da Revolução Chinesa.

II - Confirmadas todas as previsões de Stalin


Na base de uma análise concreta das condições reais da China,
Stalin, este grande cientista do materialismo dialético, mestre da revolução
mundial, elabora, na época da primeira Grande Revolução da China, uma
série de questões concernentes à Revolução Chinesa, as quais ofereceu
soluções verdadeiramente brilhantes. Com sua grande contribuição, Stalin
liquidou a absurda possibilidade de uma China dominada pelos trotskistas
contrarrevolucionários e ajudou o Partido Comunista da China a tomar o
caminho do bolchevismo. As muitas contribuições de Stalin sobre a China,
durante esse período, são exemplos da integração da teoria revolucionária
com a prática revolucionária; constituem uma parte importante do tesouro
da teoria marxista-leninista que diz respeito ao destino da humanidade.
Essas contribuições de Stalin eram corretas não somente naquela época,
mas, também, demonstraram-se justas pela prática da Revolução Chinesa
durante estes tumultuosos vinte anos. Quando o espírito revolucionário do
povo chinês pela primeira vez se revelava, Stalin já percebera que a revolução
chinesa continha uma força ilimitada. Recentemente, por ocasião das
solenidades comemorativas da Revolução de Outubro, Malenkov teve
oportunidade de mencionar uma previsão de Stalin, feita em 1925:
As forças revolucionárias na China são ilimitadas. Ainda
não se manifestaram devidamente, mas se manifestarão
no futuro. Os governantes do Oriente e Ocidente que não

91
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

os enxergar e não contar com elas, sofrerão. 91

Esta previsão de Stalin se baseava em uma análise, entre outras,


das condições políticas e econômicas da China e na posição das forças
componentes da sociedade chinesa. Estava baseada também na análise,
entre outras, das condições políticas e econômicas do mundo e na posição
das várias forças mundiais. Com relação à China, Stalin desenvolveu uma
importante análise, em novembro de 1926, quando escreveu a respeito das
perspectivas da revolução na China: “O papel de iniciador e de dirigente
da Revolução Chinesa, o papel de dirigente do campesinato, caberá
inevitavelmente ao proletariado chinês e ao seu partido”.
Esta análise de Stalin foi feita em relação à fraqueza da burguesia
nacional da China. Trata-se de uma análise da maior importância. Porque
se o proletariado chinês estava em condições de assumir a liderança da
Revolução Chinesa, então os camponeses chineses e as demais camadas
populares poderiam desenvolver ao máximo a sua força revolucionária
sob a direção do proletariado. E uma vez que isto seja realizado pelo povo
deste país, que compreende quase um quarto da população do globo, a
face do mundo estará necessariamente mudada.
No âmbito mundial, é evidente que Stalin se baseou na famosa lei
descoberta por Lenin a respeito do desenvolvimento econômico e político
desigual dos países capitalistas e do aguçamento excepcional de suas
contradições na era do imperialismo. Partindo dessa lei, Stalin predisse que
a Revolução Chinesa tinha a possibilidade, em seguida à Revolução de
Outubro na Rússia, de continuar a ruptura da frente imperialista no
Oriente. Stalin baseou as suas conclusões também na existência da URSS
e no seu poder. Como assinalou em Sobre as Perspectivas da Revolução Chinesa:
Ao lado da China existe e se desenvolve a URSS, cuja
experiência revolucionária e colaboração não podem dei-
xar de facilitar as lutas do proletariado chinês contra o im-
perialismo e contra os resquícios feudais e medievais.

91. Malenkov. “O 32° Aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro”. Revista Problemas,
n.° 22, pág. 22.

92
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Originando-se a sua previsão de uma base científica sólida, Stalin


viu o caráter extraordinariamente profundo da luta do povo chinês. Por
isso, em todas as etapas da Revolução Chinesa e por maiores que fossem
os obstáculos opostos à sua marcha, estava convencido de que a revolução
finalmente avançaria e obteria a vitória.
Depois que Chiang Kai-Shek traiu a revolução em 1927, Stalin
refutou a absurda confusão que a camarilha trotskista fazia da Revolução
Chinesa com a “forma kemalista da revolução” da Turquia. Stalin analisou
a diferença entre a China e a Turquia e sustentou que a possibilidade de
uma “forma kemalista de revolução” não existia na China. Disse Stalin:
Na China o imperialismo tem que derrotar o corpo vivo
da China nacional, dilacerando-o em pequenos pedaços e
desmembrando, pela força, províncias inteiras afim de
manter as suas velhas posições, ou pelo menos uma parte
delas. Daí se conclui que, embora na Turquia a luta contra
o imperialismo possa terminar com a inacabada revolução
anti-imperialista dos kemalistas, na China ela deve adotar
um caráter claramente nacional e popular e deve avançar
por etapas assim até que atinja a condição de uma luta
desesperada contra o imperialismo, abalando os próprios
alicerces do imperialismo através de todo o mundo.92

Stalin assinalou ainda:


Na China, ou um Mussolini chinês da categoria de um
Chang Tso-Lin e de um Chang Tsung-Chang vencerá e
será depois derrotado pela da revolução agrária, ou Wu-
han logrará a vitória [Stalin refere-se ao Wuhan do tempo
em que era revolucionário]. Chiang Kai-Shek e sua cama-
rilha, ao tentar encontrar uma terceira posição entre esses
dois campos, morderá o pó da derrota, participando da
sorte de Chang Tso-Lin e Chang Tsung-Chang. 93

92. J. V. Stalin – “Palestra com os Estudantes da Universidade Sun Yat-Sen”.


93. J. V. Stalin – “Palestra com os Estudantes da Universidade Sun Yat-Sen”.

93
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Quando Wang Ching-Wei, seguindo as pegadas de Chiang Kai-


Shek, também traiu a revolução, Stalin continuou a refutar a camarilha
trotskista que via nisso a derrota da Revolução Chinesa. Afirmou então
que não havia qualquer possibilidade para a existência do reformismo na
China. Disse Stalin:
Entre os próprios militaristas, velhos e novos, a guerra está
acesa e este fato não pode deixar de enfraquecer o poder
da contrarrevolução, arruinar o campesinato e aumentar o
seu descontentamento. Na China não há ainda nenhum
grupo ou governo capaz de executar reformas análogas às
que Stolypin pôs em prática e que sirvam como para-raios
à classe dominante. Não é tarefa fácil conter e suprimir os
milhões de camponeses que tomaram posse das terras dos
latifundiários. O prestígio do proletariado entre as massas
trabalhadoras aumenta a cada dia mais e a sua força está
longe de ser destruída.94 O desenvolvimento dos fatos é a
pedra de toque das previsões.

A partir de 1927, uma série de acontecimentos ocorreu na China:


Chiang Kai-Shek se tornou o Mussolini da China em substituição a Chang
Tso-Lin e Chang Tsung-Chang; guerras de rapina tiveram lugar entre os
novos e velhos senhores da guerra do Kuomintang; a revolução agrária
chinesa adquiriu um caráter de franca luta armada; todas as tentativas de
“reformismo” por parte do regime contrarrevolucionário do Kuomintang
fracassaram redondamente; a China foi saqueada por completo, em
primeiro lugar pelos imperialistas japoneses e depois pelos imperialistas
americanos; o povo chinês empreendeu uma luta de vida ou de morte
contra os imperialismos japonês e americano; estas batalhas abalaram os
alicerces do imperialismo em todo o mundo; Chiang Kai-Shek teve a
mesma sorte de Chang Tso-Lin e Chang Tsung-Chang, expulso da cena
política contrarrevolucionária. Esta série de acontecimentos confirmou
plenamente as previsões feitas por Stalin há mais de 20 anos.

94. J. V. Stalin – “Comentários Sobre Questões do Momento: O Problema da China”.

94
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

As previsões de Stalin deram coragem ao povo chinês durante a


sua luta nestes vinte anos tumultuosos. Demonstraram claramente que a
ciência revolucionária é uma forca irresistível. Revelaram, ao mesmo
tempo, a maneira vergonhosa pela qual os trotskistas e todos os lacaios
contrarrevolucionários apoiavam Chiang Kai-Shek e Wang Ching-Wei.

III - O Caráter e a Tática da Revolução Chinesa


Em maio de 1927 Stalin fez a seguinte generalização a respeito do
problema do caráter da revolução chinesa:
A atual Revolução Chinesa é uma confluência de duas
correntes de dois movimentos revolucionários: o contra
as sobrevivências feudais e o contra o imperialismo. A
revolução chinesa democrático-burguesa é a confluência
da luta contra os resquícios feudais existentes e da luta
contra o imperialismo.95

Stalin chegou a esta conclusão através de uma aguda análise da


sociedade chinesa. Tratava-se de uma conclusão de grande significação
histórica em relação às questões da revolução chinesa. Como Stalin assinalou:
“tal é o ponto de partida de toda a política do Komintern sobre as questões
da revolução chinesa” naquela época. Os trotskistas justamente nessa
ocasião se opunham a esta linha. Pensavam que a questão da China com
relação aos países estrangeiros era apenas uma questão alfandegária,
negando dessa maneira a natureza anti-imperialista da Revolução Chinesa.
Negavam a influência preponderante dos restos feudais chineses, daí não
reconhecendo a natureza antifeudal da Revolução Chinesa.
Stalin fez notar que o ponto de vista mantido por Trotsky e seus
sequazes era o ponto de vista contrarrevolucionário de Chang Tso-Lin e
Chiang Kai-Shek. Como todos sabem, foi precisamente porque os
trotskistas chineses se baseavam em toda a teoria contrarrevolucionária de
Trotsky e, ao mesmo tempo, nos pontos de vista contrarrevolucionários

95. J. V. Stalin – “Sobre a Revolução Chinesa e as Tarefas da Internacional Comunista”.

95
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

de Trotsky em relação à China, que tomaram o caminho da contrarrevolução


junto com os trotskistas de outros países. Disse então Stalin: “a revolução
democrático-burguesa na China é dirigida não somente contra os restos
feudais. É ao mesmo tempo dirigida contra o imperialismo”.96
Somente quando a natureza da revolução tiver sido determinada
na base das condições sociais da China poderá o nosso Partido avaliar
corretamente as mudanças concretas nas relações de classe em qualquer
situação histórica concreta, de maneira a determinar as tarefas específicas
da revolução, organizar a frente revolucionária, conduzir a revolução para
diante e criar a possibilidade da Revolução Chinesa se transformar, sob a
hegemonia do proletariado chinês, de revolução democrático-burguesa
em revolução socialista. O oportunismo de Chen Tu-hsiu em 1927 se
opôs precisamente a essa análise dialética de Stalin. O oportunismo de
Chen Tu-hsiu se aliou posteriormente ao trotskismo contrarrevolucionário;
este ponto é conhecido de todos e não mais trataremos dele.
Deve ser assinalado aqui que durante os vinte anos tumultuosos
que nos separam de 1927, os erros surgidos tanto pelo oportunismo de
direita como pelo de “esquerda” dentro do nosso Partido constituíam, em
primeiro lugar, violações desta análise dialética de Stalin a respeito da
natureza da revolução, tanto pela subestimação do seu aspecto antifeudal
quanto de seu caráter anti-imperialista.
Por exemplo, durante o período da Guerra Civil de Dez Anos, os
camaradas que cometeram erros pelo oportunismo de “esquerda” de há
muito haviam subestimado o aspecto anti-imperialista. Desprezaram o
que Stalin assinalara: “a revolução democrático-burguesa chinesa é
caracterizada pelo aguçamento da luta contra o imperialismo”.97
Portanto, não foram capazes de utilizar a situação para organizar
uma frente anti-imperialista, com o objetivo de coordená-la com as lutas
da revolução agrária e vencer o isolamento em que se encontravam. Du-
rante este período também prematuramente advogaram as aventuras de

96. J. V. Stalin – “Sobre a Revolução Chinesa e as Tarefas da Internacional Comunista”.


97. J. V. Stalin – “A Revolução Chinesa e as Tarefas da Internacional Comunista”.

96
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

levar à prática "a transformação em uma revolução socialista".


Citemos outro exemplo. No curso da Guerra Antijaponesa os
camaradas que haviam antes cometido erros causados pelo oportunismo
de "esquerda" se lançaram ao extremo oposto, aos erros provenientes do
oportunismo de direita. Os seus pontos de vista eram exatamente iguais
aos mantidos em 1927 pelo oportunismo de Chen Tu-Hsiu, no sentido de
que desprezaram o aspecto da oposição ao feudalismo. “Enxergavam
somente a burguesia” e “não conseguiram ver a significação decisiva do
movimento camponês revolucionário. Não concordaram em apoiar a
revolução no campo, temendo que, pelo fato do campesinato participar
da revolução se dividiria a frente única anti-imperialista”.
Tais pontos de vista errados estavam em contradição direta com
os de Stalin, porque, segundo Stalin: “A frente única anti-imperialista na
China será tanto mais forte e mais poderosa quanto mais cedo e mais
amplamente o campesinato chinês for arrastado à revolução”.98
Dado que esta espécie de oportunistas de direita nesse período
negavam o aspecto antifeudal, naturalmente também advogavam, justa-
mente como o oportunismo de Chen Tu-hsiu em 1927, o desprezo da
hegemonia do proletariado. Percebiam somente um futuro para a burgue-
sia e deixavam de vê-lo na vitória revolucionária do povo e do socialismo.
Torna-se bastante claro que a questão da natureza da revolução
chinesa se acha ligada à questão das táticas concretas em cada fase desta
revolução. Qualquer de nós que cometa erros com relação à natureza da
revolução cometerá erros no que concerne à tática revolucionária.
Ao refutar a fraseologia dos trotskistas sobre a questão chinesa,
Stalin deixou claros os princípios táticos principais do leninismo.
1. O princípio da necessidade de se levar em consideração
as peculiaridades nacionais e as características nacionais de
cada país ao se elaborar as diretivas do Komintern para o
movimento operário daquela nação.
2. O princípio da necessidade em que se encontra o

98. J. V. Stalin - “Sobre as Perspectivas da Revolução Chinesa”.

97
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Partido Comunista de cada país de utilizar as menores


possibilidades de conquistar aliados de massa para o
proletariado, mesmo que sejam temporários, vacilantes,
hesitantes ou não merecedores de confiança.
3. O princípio da necessidade de se levar em conta a
verdade de que somente a propaganda e a agitação não
são suficientes para a educação política das massas de
milhões de homens, mas que esta educação política exige
a experiência política das próprias massas.99

Stalin continua a acentuar a combinação dos princípios gerais


marxista-leninistas com as características nacionais. Escreveu ele: “não
obstante o progresso ideológico de nosso Partido, infelizmente ainda
mantém em seu meio certos tipos de “dirigentes” que acreditam piamente
ser possível dirigir a revolução na China, por assim dizer, por telegramas
redigidos na base dos princípios gerais bem conhecidos e universalmente
aceitos oriundos do Komintern, e que não dão a mínima importância às
peculiaridades nacionais da economia, da política, da cultura, dos costumes
e tradições chineses. Estes dirigentes se distinguem dos verdadeiros di-
rigentes pelo fato de que sempre tem em seus bolsos duas ou três fórmulas
prontas e adequadas para todos os países e “obrigatórias” em todas as
condições. Não se dão ao trabalho de levar em consideração o caráter naci-
onal e as peculiaridades nacionais de cada país. Para eles, não existe ligar os
princípios gerais do Komintern às peculiaridades nacionais do movimento
revolucionário de cada país e o problema de adaptar os princípios gerais
do Komintern às peculiaridades nacionais de cada país.
Não compreendem que a tarefa principal de direção no
momento atual, quando Partidos Comunistas já atingiram
a maturidade e se tornaram partidos de massa, consiste em
descobrir, dominar e assim combinar de forma hábil as
peculiaridades nacionais do movimento em cada país com
os princípios gerais do Komintern, afim de impulsionar e
executar na prática os objetivos básicos do movimento

99. J. V. Stalin – “Comentários Sobre Questões do Momento: O Problema da China”.

98
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

comunista. Daí resulta a tentativa de estereotipar as tarefas


de direção para todos os países. Daí resulta a tendência a
aplicar de forma mecânica certas fórmulas gerais sem
considerar todas as condições concretas do movimento
revolucionário de cada país. Disso resulta o infindável
conflito entre as fórmulas e o movimento revolucionário
em cada país, resultado essencial da liderança desses
infelizes dirigentes.100

Stalin levantou a questão da natureza da Revolução Chinesa para


explicar o problema da tática em tal revolução, e assim procedendo refutou
o palavreado trotskista destituído de sentido acerca da natureza e da tática
da revolução. Stalin ligou o problema da natureza da Revolução Chinesa
ao de sua tática, assinalando e generalizando as peculiaridades nacionais
desta revolução. O ponto de vista de Stalin exposto aqui é, para usar as
palavras do camarada Mao Tsé-tung, o da união da verdade universal do
marxismo-leninismo com a prática concreta da Revolução Chinesa.
Desde o ano 1927 que os erros dos dogmáticos em nosso Partido,
que são também os oportunistas de “esquerda” ou de direita, consistiam
precisamente no esquecimento das lições contidas na refutação de Stalin
aos trotskistas. Pensavam que, para dirigir a Revolução Chinesa, era su-
ficiente ter nos bolsos duas ou três fórmulas prontas, “adequadas” a qual-
quer país e “obrigatórias” sob quaisquer que sejam as condições. Para eles
não importava a consideração das peculiaridades nacionais da China, e
nem existiam as características nacionais. Em vista dessa posição falsa mui-
tos conflitos surgiram entre as suas numerosas fórmulas mecanicamente
aplicadas e a prática da revolução na China.
Nossos dogmáticos se restringiam a fórmulas abstratas e simples
analogias históricas, e não partiam da situação concreta da China. Daí,
sobre a questão da natureza da Revolução Chinesa, de vez em quando
inevitavelmente cometiam um erro ou outro. Também por esta razão, não
sabiam combinar os princípios com a flexibilidade exigida pelas mudanças

100. J. V. Stalin – “Comentários Sobre Questões do Momento: O Problema da China”.

99
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

da situação concreta. Para derrotar um inimigo poderoso não podiam le-


var à prática o que Stalin afirmara: “é necessário possuir-se uma política do
proletariado flexível e ponderada, e ser-se hábil na utilização de qualquer
brecha nas fileiras do inimigo e na conquista de aliados para a causa”.101
No curso da Guerra Civil de Dez Anos, nossos dogmáticos advo-
garam a derrota de todos, ou como o camarada Mao Tsé-tung os ridicu-
larizou: “não podeis derrotar os que estão no poder, e por isso sentis a
necessidade de derrotar os que não estão no poder. Ainda não se acham
no poder e, não obstante, ainda quereis derrotá-los”.
Mas, em outra situação histórica, por exemplo, durante a Guerra
Antijaponesa, puseram-se a advogar a união com todos, negando a
existência de três grupos – esquerda, centro e direita – nas fileiras da Frente
Única Antijaponesa e negando que deva haver uma diferença na tática do
nosso Partido em relação a estes três grupos. Também pela mesma razão
não puderam estabelecer ligações reais com as massas de acordo com as
questões concretas, mas ao invés disso exigiam sucessivamente a execução
compulsória de ordens por parte das massas. Stalin afirmou: “é necessário
que as massas reconheçam, através de suas próprias experiências, que a
direção do Kuomintang não merece confiança e que sua natureza é
reacionária e contrarrevolucionária”.
Mas, nossos dogmáticos se esqueceram dos ensinamentos de
Stalin e julgaram que bastava a compreensão do complexo problema por
alguns dirigentes para que imediatamente as massas executassem as suas
palavras de ordem. Stalin afirmou:
A Revolução é feita não somente por um grupo avançado,
não somente pelo Partido, não somente por indivíduos,
mesmo que sejam "grandes homens", mas acima de tudo
e fundamentalmente pela massa de milhões do povo.

101. J. V. Stalin – “Comentários Sobre Questões do Momento: Sobre o Problema da China”.

100
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Mas, nossos dogmáticos se esqueceram dos ensinamentos de Sta-


lin e acreditaram que a revolução poderia, acima de qualquer coisa, e fun-
damentalmente ser conduzida pelo seu grupo de dogmáticos, que se a-
presentavam a si mesmos como “figuras proeminentes”.
Os acontecimentos desenrolados na China durante os últimos 30
anos demonstraram o caráter extremamente tortuoso e complicado da
Revolução Chinesa. Também revelaram que foi a intrincada e complexa
interpenetração das lutas anti-imperialistas e antifeudais, em particular, que
deu origem a estas características. Estes fatores colocaram na ordem do
dia uma série de problemas relativos à tática da revolução, à frente única e
à relação existente entre a revolução nas áreas rurais e urbanas. Ao mesmo
tempo deram origem à questão da estratégia fundamental na luta militar.
Como havia dito Stalin: “na China, a revolução armada combaterá a
contrarrevolução armada”.
Que áreas deveriam então constituir os pontos chave de ataque
nas lutas armadas em diferentes épocas? Durante a ofensiva podem se dar
ainda ações defensivas ou retiradas? Como deveriam se ligar entre si a
ofensiva, a defensiva ou retirada? Como a defensiva ou a retirada deveriam
se transformar na ofensiva? Cada um de nós sabe que esta série de
problemas constituíam a maior parte da longa luta do camarada Mao Tsé-
tung contra o oportunismo que às vezes se manifestava na forma de
aventureirismo e em outras ocasiões na forma de derrotismo. Todos os
oponentes do camarada Mao foram também oponentes de Stalin.
Em 1927, depois que Chiang Kai-Shek cometera o seu ato de
traição em Xangai, os problemas estratégicos da luta revolucionária se co-
locaram na ordem do dia. Os trotskistas nessa época pregavam a ofensiva
contra Xangai. Stalin se opôs a tal aventureirismo. Declarou Stalin naquela
ocasião: “Xangai é o centro mundial da interpenetração de importantes
interesses de grupos imperialistas”. Stalin defendeu:
A constituição de uma força militar suficiente, o pleno de-
senvolvimento da revolução agrária, a intensificação do
trabalho de sapa na retaguarda e vanguarda das forças de
Chiang Kai-Shek e, em seguida, o levantamento de todo

101
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

o problema de Xangai".102

Isso porque: “o fato de não se evitar uma batalha decisiva sob


condições desfavoráveis (quando esta pode ser evitada) significa facilitar a
causa dos inimigos da revolução”103.
Entretanto, durante o transcurso da guerra civil de dez anos os
oportunistas de “esquerda” advogaram o lançamento de semelhante
ofensiva, simples, aventureira e cega, contra as grandes cidades chinesas,
em situação desigual. Sob condições assim desfavoráveis, eles eram por
uma luta decisiva contra o inimigo. Stalin afirmou:
Alguns camaradas pensam que uma ofensiva em todas as
frentes constitui no momento presente o sintoma básico
de se ser revolucionário. Não, camaradas, isto não é
verdade. Uma ofensiva em todas as frentes no momento
presente após a traição de Chiang Kai-Shek. É uma
estupidez, não é ser revolucionário. Nunca confundam
estupidez com a condição de revolucionário.104

Entretanto, no período de dez anos da guerra civil, os nossos


oportunistas de “esquerda” advogaram o lançamento da “ofensiva em
todas as frentes”, não levando em conta nenhuma de suas condições, des-
sa maneira confundindo a estupidez com a condição de revolucionário.
Disse Stalin:
O movimento revolucionário não pode ser considerado
como um movimento que surja em constante ascensão.
Trata-se de uma concepção livresca e irreal da revolução.
Está sempre marcha em ziguezague. Em alguns lugares
lança ofensivas e destrói o sistema antigo, enquanto em
outros, sofre derrotas parciais e é obrigada a retroceder.105

102. J. V. Stalin – “Palestra com os Estudantes da Universidade Sun Yat-Sen”.


103. J. V. Stalin – “Problemas da Revolução Chinesa”.
104. J. V. Stalin - “Palestra com os Estudantes da Universidade Sun Yat-Sen”.
105. J. V. Stalin –“Palestra com os Estudantes da Universidade Sun Yat-Sen”.

102
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Mas, durante o período da guerra civil, nossos oportunistas de


“esquerda” julgavam que o movimento revolucionário não pode ter outra
forma senão a de um movimento em constante ascensão, e que não podia
marchar em ziguezague. Partindo dessa premissa, chegaram à conclusão
de que, uma vez que a ofensiva era necessária, só poderia tomar o caráter
de uma ofensiva em todas as frentes; ou, como a denominavam, “um
ataque em grande escala”. Se alguém se manifestava pela necessidade de
um ataque em determinado lugar, enquanto em outro era aconselhável
uma retirada, então afirmavam que era “oportunismo”.
Stalin declarou: “não podemos empreender a realização de todas
as tarefas de uma só vez, pois tal esforço nos esgotaria”.106
Mas, durante os dez anos da guerra civil, quando nossa força
revolucionária ainda era bastante insuficiente, oportunistas de “esquerda”
advogavam justamente tal ação – que deveríamos levar a cabo a execução
de todas as tarefas de “aniquilar todos” e “atacar em todas as frentes” e de
uma só vez todas as tarefas da revolução democrático-burguesa e da revo-
lução socialista. Se alguém criticasse tal ação, alegando que nos “arris-
caríamos a esgotar as nossas forças”, então os nossos dogmáticos não
deixavam de rotular tal pessoa como oportunista.
É claro que desde 1927 os camaradas do nosso Partido que, um
após o outro, cometeram várias espécies de erros oportunistas contra a
linha correta do camarada Mao Tsé-tung assim procederam porque todos
eles haviam relegado ao esquecimento todas as lições contidas na refuta-
ção de Stalin aos trotskistas, em 1927. Assim agiam sem levar em conta se
a questão envolvia a natureza da tática da revolução, se era política ou
militar. Todos esses erros ocasionaram à nossa revolução, no curso do seu
desenvolvimento, uma série de amargos revezes.

IV - Aplaudir, apoiar e aprender com Stalin


O camarada Mao Tsé-tung está certo. Sob a sua direção, o nosso

106. J. V. Stalin –“Palestra com os Estudantes da Universidade Sun Yat-Sen”.

103
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Partido, percorrendo caminhos tortuosos, finalmente venceu tanto as di-


ficuldades objetivas como os erros subjetivos, e conduziu a revolução à
vitória. Isto aconteceu porque as opiniões do camarada Mao Tsé-tung a
respeito da natureza e da tática da revolução chinesa eram idênticas às de
Stalin. Além disso, ele desenvolveu a teoria de Stalin sobre a Revolução
Chinesa no curso da prática concreta de tal revolução.
Durante a primeira Grande Revolução (1925-1927) o camarada
Mao Tsé-tung sustentou com firmeza que o proletariado deve dirigir o
movimento camponês revolucionário contra o feudalismo para apoiar a
luta contra o imperialismo, colocando-se assim totalmente em oposição
ao oportunismo de direita de Chen Tu-hsiu.
Durante a guerra civil de dez anos, embora colocado no meio do
movimento revolucionário agrário daquela época o camarada Mao Tsé-
tung, nem por um instante, se esqueceu deste fator político importante, o
anti-imperialismo, travando luta contra o oportunismo de “esquerda”.
Ao formular planos estratégicos para o estabelecimento de bases
revolucionárias, assim como ao determinar as maneiras de proceder com
relação às diversas classes, tal como a conquista das classes médias, etc.,
Mao sempre considerou o fator representado pelo imperialismo.
Durante a guerra de resistência contra o Japão, o camarada Mao
Tsé-tung acreditava que o proletariado e sua vanguarda deviam mobilizar
as massas camponesas, de modo que a Guerra Antijaponesa pudesse
contar com uma base de massa suficientemente ampla e assim ter a pos-
sibilidade de terminar com uma vitória do povo. Nesse sentido conduziu
uma luta bastante tenaz contra o oportunismo de direita.
A História pôs à prova o seguinte: Foram acertadas as lutas
dirigidas em todos os períodos revolucionários pelo camarada Mao Tsé-
tung, cujos pontos de vista concordavam com os pontos de vista de Stalin.
Particularmente as lutas relativas à linha do Partido que tiveram lugar no
começo e no meio da Guerra Antijaponesa tiveram efeito decisivo sobre
toda a situação da atual vitória da revolução chinesa.
Devemos, entretanto, tornar bastante claro um fato. Por um
período bastante prolongado, tanto antes de 1927 quando Chen Tu-hsiu

104
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

estava no poder, como depois, os oportunistas, intencionalmente ou não,


criavam toda uma série de obstáculos à circulação, dentro do Partido
Chinês, dos inúmeros trabalhos de Stalin sobre a questão chinesa. Jun-
tavam-se a isso as dificuldades apresentadas pelo idioma e o bloqueio
contrarrevolucionário. Por estas razões, havia muitos camaradas em nosso
Partido que eram de fato os dirigentes da Revolução Chinesa, mas que não
tinham oportunidade de fazer um estudo sistemático das muitas obras de
Stalin sobre China. O camarada Mao Tsé-tung era também um deles.
Foi somente após o movimento de renovação ideológica de 1942
que numerosas obras de Stalin sobre a China foram sistematicamente
editadas pelo nosso Partido. Recentemente, em seguida a uma decisão do
camarada Mao, o livro Lenin e Stalin sobre o Problema da China foi editado,
tornando-se uma das 12 obras que os nossos quadros devem estudar.
Um grande mal foi causado ao nosso Partido pelos oportunistas
que, no interesse da difusão dos seus próprios conceitos e propostas er-
radas, intencionalmente ou não, impediam a divulgação das obras de Stalin
sobre a China.
Entretanto, a despeito de tal situação, o camarada Mao Tsé-tung
teve a capacidade de chegar às mesmas conclusões de Stalin sobre muitos
problemas fundamentais, através de sua própria elaboração independente,
baseado nos fundamentos da ciência revolucionária de Marx, Engels,
Lenin e Stalin, mantendo, assim, a correção de sua análise e a das contri-
buições dos seus companheiros de luta.
Foi durante a Guerra Antijaponesa que o camarada Mao Tsé-tung
teve ensejo de estudar com mais vagar as obras de Stalin. Leu e analisou
com o maior entusiasmo todas as obras de Stalin que puderam lhe chegar
às mãos. Como todos nós o sabemos, o camarada Mao Tsé-tung, em
artigo publicado na Nova Democracia, tornou claro que as obras de Stalin
lhe tinham sido um importante fator de esclarecimento. O camarada Mao
Tsé-tung explicou que a tese correta, enunciada pelos comunistas chineses,
ao declarar que a revolução chinesa é parte da revolução socialista mundial,
foi calcada sobre a teoria de Stalin. Foi na base desta teoria de Stalin que o
camarada Mao Tsé-tung desenvolveu a ideia da hegemonia do proletariado.

105
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Em sua bastante conhecida obra militante, desferiu golpes contra o sonho


reacionário do estabelecimento de uma ditadura burguesa na China, ao
mesmo tempo em que vibrava ataques fatais nos oportunistas infiltrados
nas fileiras do Partido e que tentavam fazer o proletariado marchar a re-
boque da burguesia.
Desde o início da Guerra Antijaponesa, o camarada Mao Tsé-
tung gastava sobremodo de ponderar, em seus escritos, sobre as famosas
palavras de Stalin no sentido de que “a característica da Revolução Chinesa
está no fato de que se trata de um povo armado combatendo uma contrar-
revolução armada” e que a “questão colonial e semicolonial é em essência
a questão camponesa”.
Na base das condições chinesas, o camarada Mao examinou a
correlação existente entre estas duas famosas afirmativas de Stalin e desen-
volveu-as. Condenou severamente os oportunistas infiltrados em nosso
Partido durante a Guerra Antijaponesa que tinham desprezado este prin-
cípio fundamental e a política de que deve caber ao proletariado a direção
da guerra camponesa.
Afim de nos capacitar e evoluir para a conquista de nossa vitória
revolucionária chinesa, o camarada Mao Tsé-tung lançou um movimento
de renovação ideológica dentro do nosso Partido em 1941-1942. Ao
mesmo tempo não se cansava de citar, repetidas vezes, as afirmações de
Stalin sobre a relação existente entre a teoria e a prática, e que se encontram
em seu trabalho, Sobre os Fundamentos do Leninismo a obra-prima que armou
ideologicamente os bolcheviques no mundo inteiro.
O camarada Mao Tsé-tung declarou:
Mais uma vez é Stalin quem tem razão ao dizer: “a teoria
se torna totalmente sem sentido se não estiver ligada à prá-
tica revolucionária”.
Naturalmente também estava certo ao afirmar: “A prática
tateia no escuro se o seu caminho não for iluminado pela
teoria revolucionária”.

106
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

O camarada Mao se utilizou da primeira afirmação de Stalin para


combater os dogmáticos existentes em nosso Partido, assim como lançou
mão da segunda para combater os praticistas em nosso Partido.
Mao Tsé-tung selecionou as obras de Stalin que tratam dos doze
pré-requisitos necessários à bolchevização e os seis pontos que figuram
nas conclusões da História do Partido Comunista (bolchevique) da URSS por
considerá-los os documentos básicos para o movimento de renovação i-
deológica de nosso Partido. Afim de permitir aos nossos camaradas uma
análise mais profunda desses dois documentos de autoria de Stalin, o ca-
marada Mao Tsé-tung discutiu-os amplamente em prolongada interven-
ção, em que fez a afirmativa de que esses dois documentos são idênticos:
representavam ambos uma exposição sucinta da experiência marxista-
leninista sobre os problemas de direção revolucionária durante o período
de um século. Forneceu uma explanação minuciosa desses dois documen-
tos, baseado na experiência de nosso Partido durante vinte anos tumultuo-
sos, estabelecendo uma diferença clara entre o verdadeiro marxismo-
leninismo e o falso marxismo-leninismo. Durante o movimento de reno-
vação ideológica, estes dois documentos vibraram golpes certeiros no
dogmatismo e no praticismo.
Em seu artigo sob o título Reformemos Nosso Estudo o camarada
Mao Tsé-tung assinalou a necessidade urgente de se usar a grande obra de
Stalin História do Partido Comunista (bolchevique) da URSS como texto princi-
pal para um estudo do marxismo-leninismo em nosso Partido. Escreveu
Mao Tsé-tung:
A História do Partido Comunista (bolchevique) da URSS, constitui
a mais perfeita síntese e súmula do movimento comunista
mundial durante o último século. É um modelo da união
da teoria com a prática e é o único modelo perfeito no
mundo. Examinando a maneira utilizada por Lenin e Sta-
lin na combinação da verdade universal do marxismo-
leninismo com a prática concreta da revolução soviética,
desenvolvendo assim o marxismo, podemos saber como
deve ser desenvolvido o trabalho na China.

107
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

O camarada Mao Tsé-tung é discípulo e companheiro de armas


de Stalin. Foi capaz de se tornar um discípulo eminente de Stalin e o líder
da revolução vitoriosa da China porque o seu método de trabalho e sua
ideologia são os mesmos de Stalin. Aplicou os métodos de Stalin ao estudo
de Stalin, os métodos dos marxistas criadores a quem Stalin se referiu em
seu famoso artigo escrito para comemorar o 50° aniversário de Lenin:
Este grupo não elabora as suas diretivas e ensinamentos
na 'base de analogias e paralelos históricos, mas de um
estudo das condições do meio. Não baseia suas atividades
sobre citações e máximas, mas sobre experiências práticas,
submetendo cada passo à uma prova da experiência,
aprendendo com os seus próprios erros e ensinando ou-
tros a construir uma vida nova. Isto, de fato, explica por-
que não há discrepância entre a teoria e a prática nas ati-
vidades deste grupo, e porque os ensinamentos de Marx
conservam inteiramente a sua força viva e revolucionária.

É este precisamente o motivo por que os pensamentos e ensina-


mentos do camarada Stalin “conservam inteiramente a sua força viva e
revolucionária” quando chegam às mãos do camarada Mao. Há algumas
pessoas em nosso Partido que, a exemplo dos dogmáticos mencionados
anteriormente, talvez subjetivamente desejem estudar Stalin, mas usam
um método antistalinista ao fazê-lo. Justamente como afirmou o camarada
Mao Tsé-tung:
O seu método de estudar Marx, Engels, Lenin e Stalin
opõe-se diretamente a Marx, Engels, Lenin e Stalin. O seu
método é igual ao dos dogmáticos mencionados no artigo
de Stalin sobre o 50° aniversário natalício de Lenin.
Tal método não baseia as suas atividades na experiência,
no que o trabalho prático ensina, mas em citações das o-
bras de Marx. Não tira os seus ensinamentos e diretivas da
análise da realidade concreta, mas de analogias e paralelos
históricos. A contradição entre a teoria e a prática é a
principal doença deste grupo. Daí a desilusão e perpétua
maldição ao destino que o tempo a cada passo revela.

108
Stalin e a Revolução Chinesa Chen Po-ta

Os ensinamentos, teorias e métodos do camarada Stalin, depois


de apresentados e aplicados por Mao Tsé-tung, ampliaram imensamente
a visão política e ideológica dos comunistas chineses. Elevaram a consciên-
cia marxista-leninista dos comunistas chineses e auxiliaram o nosso Par-
tido a adquirir força ideológica capaz de derrotar todos os contrarre-
volucionários e outros inimigos, obstáculos à marcha revolucionária.
Já conquistamos uma vitória revolucionária. Temos que continuar
a ser vitoriosos. Mas como podemos assegurar as nossas contínuas vitórias?
Como Mao Tsé-tung nos tem explicado frequentemente: Devemos ser
capazes de aprender. Devemos ser capazes de aprender com Stalin – a
bandeira da grande vitória da humanidade, o nosso mestre. Devemos ser
capazes de aprender com o grande Partido Comunista da União Soviética.
Além disso, a exemplo do camarada Mao Tsé-tung, devemos aplicar em
nossos estudos o método de Marx, Engels, Lenin e Stalin. Em suma, deve-
mos utilizar o método de combinar a teoria com a prática.
Repitamos uma vez mais o que o camarada Mao Tsé-tung a-
firmou há 10 anos, por ocasião das solenidades comemorativas do 60°
aniversário de Stalin: “devemos aplaudi-lo, apoiá-lo e aprender com ele”.
Aprender com Stalin – esta é ainda a nossa conclusão principal ao
celebrarmos o 70° aniversário de Stalin. Para a felicidade e futuro da huma-
nidade, viva o supremo, glorioso e grande Stalin!

109

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