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Teologia Bíblica

do
Antigo Testamento
BIBLIOGRAFIA

1. BITTENCOURT, Marcos A. M. O dia do Senhor (da literatura


profética do Antigo Testamento ao concílio de Nicéia) -
Monografia, STBNB, Recife, 1995.
2. CRABTREE, Asa R. Teologia do Velho Testamento. Rio de
Janeiro: Juerp, 1980.
3. EICHRODT, W. – Teologia del Antiguo Testamento. Madrid:
Cristandad, 1975.
4. FOHRER, Georg. Estruturas teológicas fundamentais do Antigo
Testamento. São Paulo: Paulinas, 1982.
5. HAZEL, Gerhard. Teologia do Antigo Testamento: questões
fundamentais no debate atual. Rio de Janeiro: Juerp, 1987.
6. MACKENZIE, John. Grandes temas do Antigo Testamento. Porto
Alegre: Vozes, 1971.
7. OEHLER, Gustav F. Old Testament Theology. New York: Funk
and Wagnall, 1983.
BIBLIOGRAFIA

8. ROWLEY, Harold Henry. A fé em Israel: aspectos do pensamento


do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1977.
9. SCHMIDT, Werner H. Introdução ao Antigo Testamento, São
Leopoldo: Sinodal, 1994.
10. SCHULTZ, Samuel J. Habla el Antiguo Testamento. Barcelona:
Portavoz Evangélico, 1976.
11. SICRE, J. Luis. Introdução ao Antigo Testamento. Petrópolis:
Vozes, 1984.
12. __________. Profetismo em Israel. Petrópolis: Vozes, 1996.
13. SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: história,
método e mensagem. São Paulo:Vida Nova, 2001.
14. VON RAD, Gehrard. Teologia do Antigo Testamento. V.I / II. São
Paulo: Aste, 1973.
15. __________. Estúdios sobre el antiguo testamento.
Salamanca: Sigueme, 1976.
BIBLIOGRAFIA

16. WOLFF, Hans W. Antropologia do Antigo Testamento. São


Paulo: Loyola, 1983.
17. __________. Bíblia, Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas,
1978.
18. WESTERMANN, Claus. Teologia do Antigo Testamento. São
Paulo: Paulinas, 1987.
19. XAVIER, Leon-Dufour S.J (Dir). Vocabulário de Teologia
Bíblica. Petrópolis: Vozes, 1977.
20. ZENGER, Erich. O Deus da Bíblia. São Paulo: Paulinas, 1981.
Teologia Bíblica
do
Antigo Testamento

SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: história, método e


mensagem. São Paulo:Vida Nova, 2001.
Teologia Bíblica do Antigo Testamento

Que é teologia do Antigo Testamento?

Como Devemos fazer teologia do Antigo Testamento?

Qual a relação do Antigo Testamento com o Novo e com a fé cristã?

Os cristãos devem continuar a chamar de Antigo Testamento a


primeira divisão da Bíblia, como tem feito através da maior parte da
história, ou devem se unir ao crescente número de estudiosos que o
chamam “A Bíblia Hebraica”?

Quais são os maiores escritores nesse tempo?

Como eles fizeram a teologia do Antigo Testamento?

Qual a situação atual dessa disciplina e qual o seu futuro?

O Antigo Testamento tem uma mensagem para nós hoje?


História, Método e Mensagem

Da

Teologia Bíblica do Antigo Testamento


I. O que se tem dito e feito no campo da Teologia do Antigo
Testamento?
Como os dados teológicos no A.T. podem ser organizados,
interpretados e apropriados?

II. História da Teologia do Antigo Testamento

III. O Método para se faze TBAT

IV. Abordagem Temático Sistemática

1. O conhecimento de Deus
2. Eleição e Aliança
3. Quem é Deus como Javé
4. Que é o Homem?
5. Pecado e Redenção
6. Adoração
7. A Vida reta
8. A morte e o além
9. Naquele dia
Que é teologia do Antigo Testamento?

A TB, partindo de passagens individuais, constitui o


primeiro passo em direção a significação do texto para a
igreja hoje.

A TB reuni e organiza os temas que unem passagens e


que podem ser detectados através de um autor ou de um
livro como um todo.
1. Estuda-se os temas teológicos em termos dos livros da
Bíblia (Foco – Desenvolvimento no Antigo Testamento
– Osvaldo Pinto)
2. Explora-se a teologia de um autor do Livro
3. Traça-se o desenvolvimento da Revelação que
promove a unidade de um Testamento até mesmo a
Bíblia inteira (o desenvolvimento histórico desses
temas ao longo do período bíblico)
Que é teologia do Antigo Testamento?

A TB reúne os dados da exegese e fornece os dados


para o teólogo sistemático, a fim de contextualizar o
desenvolvimento do dogma teológico para a Igreja na
atualidade.
A DISCIPLINA
Início da Teologia
A Teologia foi dominada pelo método Dogmático através do
uso de versículos como textos-provas para apoiar
conclusões dogmáticas pré-concebidas.
JOHANN PHILIPP GLABER, em 1787 tornou a Teologia
Bíblica uma disciplina separada da teologia dogmática.
Gabler era racionalista, Influenciado pelo:
 pietismo que rejeitara a escolástica em favor de uma
“teologia bíblica”,
e do surgimento do método histórico-crítico, que enfatiza a
natureza histórica da verdade bíblica.
Gabler em sua aula inaugural, ao assumir a cátedra da
Universidade de Aldorf, fez a diferenciação entre teologia
bíblica e dogmática.
Nos séculos seguintes houve o predomínio da
postura racionalista.

G. I. BAUE, também racionalista, em 1796 publicou a


obra “Teologia do A.T.”, onde defendia que o A.T
consistia de uma séria de relatos produzidos a partir de
mitos, sem valor para o homem moderno que eram
superstições de uma raça primitiva. Destacou os
elementos mitológicos, lendários ou miraculosos nas
Escrituras hebraicas.

Após Bauer, a crítica literária vai separar os vários estilos


literários: mitos, poéticos, etc.

Bauer e Gabler fugiram do “Dogmatismo Cristão”, mas


caíram no extremo do racionalismo.
A teologia do Antigo Testamento é, portanto, o ensino
acerca de Deus nas escritura de Israel.

Os escritores judeus nunca produziram uma teologia


abrangente do Antigo Testamento ou do Judaísmo.

A TBAT é uma disciplina normativa ou descritiva/


narrativa?

Como a TB começou?

Como tem caminhado como disciplina independente?

Qual a situação atual dos estudos?


2 – LANÇANDO AS SEMENTES DO A. T.

• Zacarias se refere várias vezes aos ensinos dos


“primeiros profetas” – Zc 1.4; 7.7, 12
• Ageu conhecia a profecia de Jeremias que Deus
retiraria seu “anel do selo” da mão de Jeconias. Jr
22.24-25 / Ag 2.23
• Jeremias falou de uma Nova Aliança – Je 31.31-34
• Outros profetas falaram
 de um novo Êxodo – Is 43. 14 – 21; 48.20; 52.12
 De um novo Davi – Je 23.5-6; Ez 34.23 – 24; 37.24 –
27;
 O precursor do Messias seria uma “vinda de Elias.
Ml 4.5-6
Acreditava-se que as profecias do A.T tinha algo de
misterioso. Havia correntes a respeito da vinda do
Messias.
Os Escritores do N.T.

• Os Escritores do N.T. afirmavam que o Messias já


chegara.
• Entendiam que os gentios estavam incluídos na promessa
abraâmica. Rm 9.24-26; I Pe 2.10.
• Jesus falou com autoridade, originalidade, novidade e
liberdade ao lidar com as Escrituras do A.T.
• Ele se colocou acima delas. Aceitava-os como as
primeiras Palavra de Deus. Mt 5.17
• Colocou sua autoridade acima da Lei – Mt 5.21 -22; 27-
28, 33-35, 38-39, 43-45
• Paulo fez uso teológico do A.T. Sustentou a doutrina da
justificação pela fé fazendo referência a Habacuque 2.4;
Rm 3.10-18; Rm 4.3; Gl 3.6 com vários salmos. I Pe 1.10-
12; Hb1.1; 10.1
• Jesus, não o A.T. era o centro da fé da igreja primitiva. At
15.28-29.
Os Pais da Igreja

Muitos Pais da Igreja não mantiveram a perspectiva


neotestamentária do A.T.

Usavam o A.T. para defender sua fé e como uma fonte para


seu ensino, mas ao fazê-lo, recorriam muitas vezes ao USO
EXCESSIVO DE ALEGORIA E TIPOLOGIA.

No ano 130 d.C., o autor da Epístola de Barnabé


considerava o A.T. um livro de parábolas e um depósito de
mistérios que não podiam ser entendidos pelos judeus nos
tempos do A.T. Encarava o bode emissário (Lv. 16.10)
como um tipo de Cristo. (página 34)

A Escola de Antioquia, por curto tempo, se esforçou por


interpretar o A.T. à luz do seu contexto histórico.
O A.T Na Idade Média

O A.T. foi quase completamente ignorado ou esquecido. Os


textos gregos e hebraicos não constituíram mais a base do
estudo bíblico.
Os estudiosos liam apenas a antiga versão latina (Vulgata).
A Idade Média enfatizava a autoridade da igreja e não a
Bíblia.

E se ensinava (os estudiosos) que toda a passagem tinha


quatro significados:
1. Literal ou histórico
2. Alegórico ou teológico (aquilo em que devemos crer)
3. Moral ou tropológico (o que devemos fazer)
4. Espiritual ou analógico (para onde estamos nos dirigindo)
pag 28
Este tipo de hermenêutica não podia produzir uma teologia do
A.T.
O A.T Na Idade Média

O período medieval terminou com o início da


renascença (aprendizado acerca de artes, ciência e
literatura clássica do mundo antigo grego e latino na Itália
em 1300). Espalhou-se entre 1400 e 1600 em outros
países – transição para o moderno.
Características distintivas da Renascença foi a
redescoberta do valor e da individualidade das pessoas.
Fluiu o entusiasmo pela estética, liberdade de pensamento,
sociedade moral, paixão desenfreada, desejo de vingança
sangrenta e ascetismo, alienação da religião tradicional.
O A.T. é redescoberto como um dos “Clássicos”.
Nicolau de Lyia, um judeu convertido defendeu um novo
método de interpretar as Escrituras. Dizia que o significado
literal ou histórico era o único significado verdadeiro das
Escrituras. Parece ter influenciado Lutero.
O A.T Na Idade Média

Wicliff (1328 -1384) formado em Oxford e monge


agostiniano seguia o ensino de Agostinho segundo o qual
a verdadeira igreja era composta por aqueles que Deus
escolheu para salvação e não necessariamente pelos que
estão na Igreja Católica Romana.

Wicliff denuncia o papa como o anticristo e contra os


pecados do clero.

Lutero e Wicliff enfatizaram não tanto o significado


literal das Escrituras, mas a autoridade das Escrituras
acima da autoridade do papa e da igreja.

Continuou a usar a alegoria ao interpretar o A.T.


O A.T Na Idade Média

João Calvino lançou as bases, os alicerces para a


exegese histórica insistindo que toda passagem bíblica
deve ser interpretada de acordo com seu próprio contexto
histórico.
Para Calvino, a diferença entre os Testamentos não
estava em suas doutrinas, mas em sua forma. Calvino
cristianizou o A.T.
Nenhum reformador tentou escrever uma Teologia do
A.T.
Após a Reforma veio um período de escolasticismo
protestante no religioso debate com os católicos
romanos.
Os protestantes desenvolveram um autoritarismo rígido.
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO
DA TEOLOGIA DO A.T.
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO DA TEOLOGIA
DO A.T.
A Teologia do A. T. é basicamente uma disciplina histórica
e descritiva.
A Era da Razão foi uma consequência da Renascença e
da Reforma. Os Cruzados redescobriram os clássicos
gregos na ciência e na filosofia.
As teorias tradicionais acerca do universo foram
desafiadas pelos pioneiros da ciência moderna.

Copérnico, Herberte de Cherbury, deísta e Thomas


Hobbes não negavam a existência de Deus, mas
excluíram da história e da natureza, a revelação, os
milagres e o sobrenatural.
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

O Deísmo inglês não sobreviveu, mas o racionalismo


alemão sim.
J. D. MICHAELIS, J. D. SEMLER, figuras fundamentais na
aplicação dos princípios do racionalismo à Bíblia.
A Era da Razão
 descobriu o princípio histórico gramatical de
interpretação das Escrituras (O método histórico
gramatical tem por objetivo achar o significado de um
texto sobre a base do que suas palavras expressam em
seu sentido simples, à luz do contexto histórico em que
foram escritas)
 Desenvolveu habilidades e instrumentos apropriados
para a pesquisa.
 Libertou da autoridade da igreja e do estado os
estudiosos da Bíblia e os teólogos.
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

JOHANN PHILIPP GABLER, chamado o pai da Teologia


Bíblica entendia que os ministros da igreja não fizeram
distinção entre a teologia dogmática e a religião histórica
simples da Bíblia.

(Palestra: “Da distinção correta entre as teologias


bíblica e dogmática e da determinação adequada
dos alvos de cada uma delas”)

Para Gabler, a teologia dogmática é didática e normativa


em caráter e ensina o que um teólogo em particular decide
acerca de uma matéria de acordo com seu caráter, tempo,
idade, lugar, seita ou escola.

A Teologia Bíblica é histórica e descritiva em caráter,


transmitindo o que os escritores sagrados pensavam acerca
de assuntos sagrados.
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

GABLER estabeleceu os princípios para fazer


teologia bíblica: o teólogo bíblico deve:

1. Estudar cada passagem das Escrituras


separadamente de acordo com os princípios
histórico-gramaticais de interpretação.

2. Comparar as passagens específicas uma com as


outras, observando semelhanças e diferenças

3. Sistematizar ou formular ideias gerais sem distorcer


o material nem obliterar distinções.
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

Três filósofos exerceram um efeito tremendo sobre a teologia


do A.T. durante a primeira parte do século XIX na Europa:

Friederich Schleirmacher (1768 – 1834), pai da Teologia

Moderna. Primeiro influente pastor em Berlim.


Fez do sentimento de dependência a base da fé cristã. Tinha
um baixo conceito do A.T.
Para ele, foi por mero acidente histórico que o cristianismo se
desenvolveu do solo do judaísmo.

A religião reside naquele sentimento de dependência de algo maior.

Eliminou todo o dualismo que há na fé cristã: criador e criatura.

Criador todo bom e criaturas caídas. O ser dependente é atraído por


esta dependência.
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO DA TEOLOGIA DO
A.T.

George Wilhelm Hegel ( 1770 – 1831) Foi colega de


Schleirmacher na Universidde de Berlim.

A Característica mais importante de Hegel é a sua natureza


dialética. Para Hegel, todas as coisas no mundo tem o seu
oposto, toda tese, a sua antítese.

Cada tese e antítese se juntam para formar uma síntese que


se torna uma nova tese para um estágio mais elevado de
pensamento ou ser.

Estágios da consciência e estado absoluto da


consciência. Consciência de você, do mundo e das suas
ações. Dialética (tese – antítese – síntese). Consciência
histórica.
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO DA TEOLOGIA
DO A.T.

Soren Kierkgaard

“Dinamarquês Melancólico” rejeitou a dialética de Hegel


com sua ênfase no racionalismo em favor de uma ênfase
existencial na experiência. Existencialismo – crítico.
Centrado na liberdade de escolha e a busca de propósito.
A Questão central para Kierkgaard: “Que significa ser
cristão na cristandade?

Ele via no cristianismo a verdade que os homens não


conseguem descobrir por si mesmos.

Entre os anos 1880 – 1920, com a relatividade histórica,


o movimento da teologia bíblica estava a ponto de
morrer “peregrinando pelo deserto” (rible, 1991-54),
A GERMINAÇÃO E O CRESCIMENTO DA TEOLOGIA
DO A.T.

Os conservadores

Os conservadores entraram no campo da teologia bíblica


cerca de 50 anos após a palestra de Gabler (1787).

E.W. HENGSTENBERG
H.A.C. HAVERNICK
H.A.C. HAVERNICK
J.C.K VON HOFMAN

A Bíblia é um registro linear da história da salvação em que o Senhor


ativo na história e o Deus Trino, cujo propósito e meta é redimir a
humanidade
A MORTE DA TEOLOGIA DO A.T. E O TRIUNFO DA
RELIGIONSGESCHICHTESCULE
1878 marca o início de fracasso da teologia do A.T.

JULIUS WELLHAUSEN publicou o seu livro


culminação lógica da abordagem genética e
desenvolvimentista da história da literatura e religião de
Israel

Welhausen afirmou que os profetas do A.T. viveram


antes da outorga da Lei. Ele chegou a conclusão que os
livros de Josué, Juízes, Samuel, Reis mostraram pouco
conhecimento das Leis do Pentateuco.

Ele acreditava que a religião do A.T. desenvolveu-se a


partir da religião natural.
A MORTE DA TEOLOGIA DO A.T. E O TRIUNFO DA
RELIGIONSGESCHICHTESCULE
Por trás dos sacrifícios e rituais de Israel estavam as
festas agrícolas de seus vizinhos pagãos. Ele pensava
que o antigo estágio da religião de Israel ainda podia ser
visto nas fontes mais antigas da literatura de Israel.

Para Welhausen, Deuteronômio fez com que essas


festividades agrícolas parecessem históricas e as
amarrou à história da redenção.
A teologia que se encontra agora no Pentateuco é uma
retroprojeção da fé posterior de Israel sobre o período
mais antigo.
Nesse período, vários volumes sobre religião de Israel
foram publicados. JAMES SMART disse que a teologia
do A.T. adoeceu, morreu e foi sepultada
silenciosamente quando começava o século XX.
A MORTE DA TEOLOGIA DO A.T. E O TRIUNFO DA
RELIGIONSGESCHICHTESCULE

As causas são várias:

1. A obra de Wellhausen que dava ênfase à variedade


de teologia no A.T. e negava o destaque da sua
unidade.

2. A reação contra os estudiosos mais antigos que


enxergavam no texto suas pressuposições
teológicas em quantidade excessiva.

3. A falta generalizada de interesse na teologia no


início do século XX. Pois voltaram sua atenção para
o estudo da arqueologia, das línguas semíticas e
das religiões comparadas
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

No começo da Década de 1930 uma nova corrente de


dados começou a aparecer e que se tornou um
verdadeiro dilúvio por volta de 1950.

O que causou a súbita mudança na teologia do A.T.?

Antes de 1917 cria-se o mundo ocidental no progresso


inevitável. Em apenas uma geração ocorreram duas
guerras mundiais com toda sua destruição, devastação,
crueldade, ódio e alienação.

Houve uma busca a uma fonte de força e uma palavra de


orientação fora de si mesmo e alguns encontraram na
Palavra de Deus.
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

KALR BARTH descreveu a mudança da teologia


depois de 1918. Conta ele que no início do mês de
agosto de 1914, noventa e três intelectuais alemães
impressionaram a opinião pública ao proclamar apoio
à política de guerra de GUILHERME II e seus
conselheiros. Para seu espanto entre esses
intelectuais estavam quase todos os seus
professores de teologia dos quais ele tinha grande
veneração.

Rejeitou assim todo o seu entendimento que seus


mestres tinha da Bíblia e da História. KALR BARTH
escreveu seu comentário em 1919.
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

A Teologia Bíblica tem vivido e morrido à sombra da


teologia dogmática.

Em 1921 começou um interesse renovado na teologia


bíblica quando RUDOLH KITTEL falou em Leipzig para
um grupo de estudiosos do A.T. sobre “o futuro da
ciência do Antigo Testamento”, dando ênfase a
incapacidade da investigação literária e histórica.
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

O. EISSFELDT e W. EICHRODT discutiram de modo


acalorado de 1926 a 1929 se a teologia do A.T. Era uma
disciplina histórica.

EISSFELDT argumentava que a história da religião de


Israel e a teologia do A. T. eram duas disciplinas distintas
e devem usar métodos e alvos diferentes.

EICHRODT insistia que os teólogos do A.T. poderiam


chegar na “essência” da religião do A.T. por intermédio
dos mesmos métodos históricos críticos usados pelos
pesquisadores da história da religião.
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

A Causa do interesse renovado no A.T. depois da


Primeira Guerra Mundial foi que muitos teólogos e
políticos na Alemanha começaram a atacar o A.T. como
parte de uma campanha de antissemitismo.

Durante os últimos anos da década de 1920 e


especialmente na década seguinte (1930) a luta na
Alemanha concentrou-se no A.T. e começou a provocar
pensamentos radicais sobre sua natureza e importância.
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

LUDWING KOHLER
acreditava que o tema central ou declaração
fundamental na teologia do A.T. é: Deus é o Senhor que
governa. “Todas as coisas estão ligadas a isso. Todas
as outras coisas se subordinam a isso”.

ARTHUR WEISER
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

GERARD Von RAD (1901 – 1971). Estudou em Erlangen


e Tubingen. Pastor de uma igreja luterana da Baviera em
1925.

Lutou contra o antissemitismo, o que o fez retornar aos


estudos do A.T. em Leipzig. Em 1935 transferiu-se para
Jena onde florescia o nacional socialismo no verão de
1944 a Janeiro de 1945. Foi obrigado a lutar pelo exército
alemão até ser preso pelos vitoriosos.

Após a guerra ele ensinou brevemente em Bethel, Bonn e


Erlangen, para depois mudar-se para Gottingen. Em 1949
transferiu-se para Heidelberg, onde ensinou até sua
aposentadoria em 1967 e continuou a morar até sua morte
em 1971.
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

Estudou a teologia do A.T. de uma perspectiva diferente de


todos os seus predecessores.

Ele viu uma relação muito próxima entre a teologia do A.T. e a


crítica do A.T.

Para entender a obra de Teologia de Von Rad deve estar


familiarizado com suas opiniões quanto a ORIGEM E
TRANSMISSÃO da literatura do A.T.

Von Rad argumentou que o hexateuco (GN – JS) fora edificado


sobre um antigo credo de culto, que agora se encontra em DT
26.5b-9; 6.20-24; Js 24.2-13; ISm 12.7-8.

O Editor Javista tomou diversas tradições diferentes antes


ligadas a vários santuários tribais em Israel e organizou-as na
ordem que constituiu a moldura do Pentateuco.
O REAVIVAMENTO DA TEOLOGIA DO A.T.

Von Rad interpôs um longo período de tempo entre o


“evento original (da promessa patriarcal, do êxodo e da
conquista) e a redação do documento em que o relato
do evento está preservado. Durante este período, as
“histórias” foram transmitidas oralmente,
frequentemente no contexto de culto de um altar tribal.
Para Von Rad, o javista foi um teólogo.

Von Rad pareceu muito cético quanto a autenticidade


de alguns personagens e eventos do A.T.

Alguns estudiosos disseram que sua obra de maior


importância é uma história das tradições de Israel e não
uma teologia do A.T.
O MOVIMENTO DA TEOLOGIA BÍBLICA

Childs acreditava que o movimento da teologia bíblica


tinha atingido um consenso em torno de 5 temas
principais:
1. A redescoberta da dimensão teológica
2. A unidade de toda a Bíblia
3. A ideia de que a revelação é histórica
4. O caráter distinto do pensamento bíblico (hebraico)
5. A singularidade da fé bíblica diante de outras religiões
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO
TESTAMENTO

A. O Interesse continuado na Teologia do A.T. até 1985


e o fluxo de literatura sobre o tema. Desde 1970
surgira novas teologias do A.T.

A.DEISSLER – católico -1972. Via o centro da fé


veterotestamentária como o relacionamento de Deus
com o mundo e com o ser humano.
WALTHER ZIMMERLI – 1972. Considerou o A.T. um
“livro de Pronunciamento”. Fez do primeiro
mandamento seu ponto de partida e centro do seu
estudo.
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

GEORGE FOHRER

1. Trata do problema da interpretação do A.T.


2. Da revelação e o A.T.
3. Diversidades de atitude diante da vida no A.T.
4. Estuda a questão de um centro ou ponto equidistante no
A.T. que cria ser a soberania de Deus e a comunidade de
Deus
5. Trata do poder transformador e do potencial da fé
veterotestamentária
6. Descreve certos elementos básicos no A.T. como o fato de
Deus se manter oculto, e seus atos na história e na
natureza
7. Faz uma aplicação ao lidar com tópicos como a crise do
ser humano, o estado e a politica; pobreza e projetos
sociais o ser humano e a tecnologia e o futuro na profecia
e na literatura apocalíptica
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

JOHN L. MACKENZIE -1974

Ele disse que uma teologia do A.T. ou uma história de


Israel oferece ao autor uma oportunidade de fazer um
resumo de toda obra.
Criticou o método de Von Rad como uma teologia do
desenvolvimento. Ele definiu a teologia como “uma
conversa com Deus”. Seu livro tem 7 capítulos:
1. Culto
2. Revelação
3. História
4. Natureza
5. Sabedoria
6. Instituições políticas e sociais
7. O futuro de Israel, terminando com um epílogo
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

WALTER C. KAISER, Trinity Evangelical Divinity School


– 1978. Kaiser defendia que a teologia do A.T. funciona
melhor “como serva da teologia exegética do que em
seu papel tradicional de fornecer dados para a teologia
sistemática.

O principal ponto de partida de Kaiser é a ideia de que os


próprios escritores do Antigo Testamento “pronunciam
suas mensagens contra o pano de fundo de uma teologia
acumulada que eles, seus ouvintes e agora seus leitores
tem de recordar se quiserem capitar a profundidade
exata da intenção original da mensagem”.
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

WALTER C. KAISER,

Kaiser observou que a disciplina está em estado de


confusão – se não de crise – porque os estudiosos não
tem conseguido “reafirmar e reaplicar” a autoridade da
Bíblia.
Ele identificou o centro da teologia com a promessa. Ele
acreditava como Eichrodt que “a busca de um centro, um
conceito unificador, estava no cerne da preocupação dos
receptores da palavra divina.”

O Conceito de Kaiser de uma teologia do A.T. era que ela


tem de ser “uma teologia em conformidade com toda a
Bíblia e que conscientemente recebe acréscimos de época
em época. O contexto imediatamente antecedente passa
ser a base para a teologia que seguiam em cada época.
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

WALTER C. KAISER,

Seu método era acompanhar a “promessa” por todo A.T. Ao


concentra-se em promessa e bênção, porém, Kaiser ignorou quase
totalmente tópicos como criação, culto e sabedoria.
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

WALTER HARRELSON referiu-se a uma definição


estreita de tradição para falar de passar adiante o que
alguém recebeu ou grupo recebeu. As tradições podem
mudar ou aumentar no curso das transmissões, mas o
processo de transmissão tem de estar ali, reconhecíveis.

Algumas tradições passadas adiante não tinham muito


peso, no sentido de que não eram decisivas para a auto
compreensão do grupo. Outras tradições foram
passadas adiante porque tinham peso genuíno.

O grupo reconheceu nelas algo de importância decisiva


para manutenção da sua vida e fé.
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

Harrelson discerniu uma tradição central composta de


quatro partes que funcionavam oralmente e respondiam
pelas origens de Israel:
1. Javé era o Deus de Israel (isso começa num mistério)
2. Ele os acompanhou em seus movimentos
3. Ele estava particularmente preocupado com os
oprimidos e maltratados entre eles
4. Ele os estava levando para um futuro do qual os
aspectos ainda não se haviam definido.

Harrelson apresentou que essas tradições centrais


pertencem aos primórdios da comunidade e tem o
caráter de revelação fundamental ou descoberta.
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

HARTMUT GESE, professor de A.T. em Tubingen, seguiu


a maneira de Von Rad estudar a história das tradições de
Israel. Ele entendia que os dois Testamentos não devem
se separar. Ele diz que há apenas um Cânon. Gese
argumentou que há uma unidade entre o A.T. e o N.T.

Usou o método da história da tradição. Ele explica seu


método de fazer teologia bíblica e trata de seis temas
bíblicos histórica e teologicamente:
1. Morte
2. Lei
3. A expiação
4. Ceia do Senhor
5. O Messias
6. Prólogo ao Evangelho de João
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

JOHN GOLDINGAY avaliou o novo método da história


das tradições em seu livro. Reconheceu que o Cânon
bíblico é resultado de um processo longo. Ele disse: “O
método histórico-tradicionário é sugestivo, apesar de ser
exclusivista demais. O N.T. é uma atualização seletiva
do A.T. e não o objetivo inevitável o qual o A.T.
manifestamente se dirige”.

A maioria dos teólogos do A.T. fez da “história da


salvação” a ênfase principal da Teologia do A.T.,
mas ultimamente há um enfoque cada vez maior na
sabedoria como um tema importante.
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

H.H. SCHMID argumentou que Israel, como um e todo


Antigo Oriente Próximo, a ordem do mundo é a
categoria do pensamento básico. Ele afirmou que a
Palavra “SEDEQ” equivale a palavra egípcia MAAT e
ao sumério ME.

A ordem do mundo abrange lei, sabedoria, natureza,


guerra, culto e história. Para Schmid, termos hebraico
como “emet”, “shalom” e “chesed” fazem parte do
mesmo campo semântico. Este pensamento está
profundamente arraigado no pensamento de sabedoria.
Por isso não é algo secundário, mas um elemento
central na Bíblia.
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

SIMON J. DE VRIES (1983). No seu livro, Vries procura a


compreensão bíblica de um ponto de vista histórico e
exegetico, destacando temas específicos que distinguem
Israel dos seus vizinhos. Ele afirmou que esses elementos
distintivos respondem pelo fato de o A.T. ter sobrevivido e
ser relevante até hoje.

Os temas específicos que diferenciam Israel são:


1. A transcendência de Deus
2. A imagem divina espelhada na pessoalidade humana
3. A vida de integridade realizada na comunidade da
aliança
4. A história como diálogo responsável com Deus
5. Sentido e propósito na existência futura
A SITUAÇÃO ATUAL DA TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

De Vries concluiu que existe unidade na Bíblia e que “de


Gênesis a Apocalipse dá-se testemunho do mesmo Deus,
avançando de época em época, levando suas obras à
perfeição cada vez maior”.

De Vries cria na razão porque o judaísmo e cristianismo


sobreviveram, cresceram e se espalharam pelo mundo em
face de oposição e perseguição foi que “tinham algo
precioso em que se apegar, algo que lhes tornava a vida
diferente da vida dos vizinhos pagãos , algo pelo que valia
a pena morrer que transcendia a morte”