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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO I - CCJ0030

Título
CASO CONCRETO 1
Descrição
Determinado governador do Estado do Acre está em forte debate com a
Assembleia Legislativa. Apesar de ter sido eleito em primeiro turno com
uma expressiva maioria de votos, sua Assembleia é hoje composta em
maioria considerável pela oposição ressentida por não ter reeleito o
antigo governador, candidato da situação. Diante deste conflito político,
o governador não consegue aprovar a lei orçamentária que se manifesta
compatível com suas propostas. Sendo assim, decide baixar o
orçamento por medida provisória. Deputado da oposição se recusa a
votar a medida provisória e levanta argumentos tecnicamente
adequados. Pergunta-se:

a) Quais seriam estes argumentos?

A Constituição Federal veda expressamente a edição de Medida


Provisória para Leis Orçamentárias, salvo em casos imprevisíveis
ou de catástrofes.

b) Pode o governador editar medida provisória?

Pelo o princípio da simetria, o Governador pode editar Medida


Provisória, não havendo qualquer proibição.

c) Cabe medida provisória em Direito Financeiro.

Em regra não, exceto em casos imprevisíveis ou catástrofes.

Questão objetiva
Identifique qual das opções abaixo traz situação que será objeto de
aplicação das regras do Direito Financeiro:

a) realização de despesa pela Ordem dos Advogados do Brasil


b) processo de seleção de juízes para a carreira da magistratura
estadual
c) projeção de receitas da Companhia Estadual de Água e Esgoto do
Estado do Rio de Janeiro
d) previsão de gastos com pessoal da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte

CASO CONCRETO 2

Em meio a uma crise política e econômica em 2015, o Governo Federal


apresentou ao Congresso Nacional um projeto de lei orçamentária com
um déficit de 30,5 bilhões de reais. À época, questionamentos políticos
e econômicos foram levantados e o cerne da questão gira em torno de
um dos princípios orçamentários mais relevantes, que congrega todos
os elementos da atividade financeira do estado. Indaga-se:

1) A questão que se levantou é se estaria o poder executivo autorizado a


propor um projeto de lei com este desequilíbrio? Identifique o princípio
orçamentário referente e como os elementos do Direito Financeiro se
relacionam no caso.

O princípio que se relaciona com os elementos do direito financeiro


é o princípio do equilíbrio orçamentário, que corresponde ao fato
do gestor público estar preso a estimativa de receitas para realizar
as despesas durante o exercício financeiro, conforme previsão em
lei orçamentária

2) Como ficaria com base na legislação atual?

A partir da promulgação da emenda constitucional 95/2016 foi


implementado um novo regime fiscal com limites individualizados,
no intuito de estabelecer o equilíbrio orçamentário, uma vez que
são limites globais para cada poder.
Questão objetiva

Julgue os seguintes itens relativos à receita pública e marque a opção


correta.

a) Todo tributo advém da Receita Originária.


b) Ingresso e receita constituem sinônimos.
c) Os tributos constituem receita derivada cobrada mediante atividade
administrativa vinculada ou discricionária.
d) Receita originária é aquela em que o Estado atua como particular
e receita derivada é aquela em que o Estado atua através do seu
poder de império.
e) Receita derivada é aquela em que o Estado atua como particular e
receita originária é aquela em que o Estado atua através do seu poder
de império

CASO CONCRETO 3

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, no ano de 2014,


aplicou multas no valor total de R$278.000,00 a 69 prefeituras por
descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Estas prefeituras
deixaram de encaminhar no prazo legal àquele Tribunal o Relatório de
Gestão Fiscal, o Relatório Resumido de Gestão Orçamentária e o
Comparativo das Metas Bimestrais de arrecadação. Neste sentido,
considerando a natureza do Tribunal de Contas e as regras da Lei de
Responsabilidade fiscal, responda:

1) A aplicação de multas do Tribunal de Contas é ato regular?


Sim, pois é órgão de controle externo e possui atribuição para
aplicar sanções pelo descumprimento das regras constitucionais e
da lei de responsabilidade fiscal, em relação aqueles que exercem a
gestão das contas públicas. A aplicação de multas está prevista no
ART 71, VIII da CF/88

2) Estas multas podem ser questionadas perante o Poder Judiciário, ou


já se encontram alcançadas pela coisa julgada?

Sim, as multas podem ser questionadas judicialmente, pois o


tribunal de contas não exerce jurisdição, portanto não tem atributo
de definitividade.

3) Independente da solução aplicada pelo Tribunal de Contas, qual é o


princípio contido na Lei de Responsabilidade Fiscal relacionado com os
relatórios exigidos?

O princípio da transparência, previsto no ART 48 e seguintes da lei


de responsabilidade fiscal.

Questão objetiva
O Tribunal de Contas:

(X) a. auxilia o Legislativo na fiscalização da aplicação de


subvenções e na apreciação de renúncia de receitas.
( ) b. é subordinado ao Poder Legislativo, ao qual auxilia no exercício do
Controle Externo.
( ) c. integra o Poder Legislativo, por força de disposição constitucional.
( ) d. não integra nenhum dos Poderes, condição assegurada por
cláusula pétrea constitucional.
( ) e. Tem a titularidade do exercício do controle externo e suas decisões
de que resultem multa ou imputação de débito tem a natureza de título
executivo

CASO CONCRETO 4

Ao dispor sobre o plano de custeio da Seguridade Social, a União


cuidou de regular a cobrança de várias contribuições cujos fatos
geradores dizem respeito à atividades do contribuinte como a
remuneração paga ou creditada aos segurados que prestem serviço às
empresas, dos empregadores domésticos, dos trabalhadores (incidentes
sobre o seu salário-de-contribuição), incidentes sobre o faturamento e
lucro das empresas e sobre a receita de concursos de prognósticos.
Estas contribuições são, por lei, designadas de contribuições sociais. A
mesma lei que as institui estabelecia um prazo de dez anos para a
apuração e constituição dos créditos da seguridade social. Sabendo que
normas gerais do Direito Tributário são reservadas pela Constituição
para lei complementar, identifique e analise o dispositivo, tendo para
tanto a compreensão da natureza da cobrança realizada e, portanto, o
ordenamento jurídico específico ao qual está submetida.

A natureza da cobrança realizada é de tributo, conforme prevê o


ART 3° do CTN e o ART 149 da Constituição Federal. O STF ao
identificar a contribuição social como uma espécie tributária
entendeu que ela está submetida ao regime jurídico do direito
tributário, razão pela qual suas normas gerais devem ser objeto de
lei complementar na forma do ART 146, III da CF.

Questão objetiva (CETREDE – 2016)


Como se chama o tributo que tem por características ser não vinculado
a uma atividade estatal, admite, por expressa e excepcional previsão
constitucional, destinação específica do produto da arrecadação e não
admite previsão de restituição ao final de determinado período?

A( ) Contribuição de intervenção no domínio econômico.


B ( ) Contribuição social.
C ( ) Empréstimo compulsório.
D (X) Imposto.
E ( ) Taxa.

CASO CONCRETO 5

A União, através de lei ordinária, isenta tributo do Estado sob o


fundamento de que deve fomentar o desenvolvimento das
microempresas e empresas de pequeno porte. Comente a legalidade e a
Constitucionalidade da referida lei.

A união não pode conceder benefício fiscal em relação aos tributos


de competência dos estados e municípios, conforme Art. 151, III da
CF.

Questão objetiva
Relativamente à competência tributária, assinale a alternativa
incorreta.

a) A União Federal tem competência para instituir impostos


extraordinários em caso de guerra.
b) Os Municípios têm competência para instituir impostos sobre a
propriedade predial e territorial urbana.
c) Os Municípios não têm competência para instituir contribuições
previdenciárias, pois esta competência é exclusiva da União
Federal.
d) As taxas e as contribuições de melhoria são consideradas, pela
doutrina, tributos de competência comum.
CASO CONCRETO 6
Servidor estadual ingressa com ação de repetição de indébito contra o
Estado respectivo em função de uma retenção na fonte de imposto de
renda retido na fonte pelo órgão ao qual pertencia a servidora. O Estado
alega ilegitimidade passiva tendo em vista que competência tributária
para legislar sobre o imposto de renda é da União. Comente se procede
a alegação do Estado.

A competência tributária no imposto de renda é de fato da união,


entretanto o Estado é parte legítima para figurar no polo passivo da
ação de repetição de indébito promovida por seus servidores em
relação ao imposto retido na fonte pagadora, esse é o
posicionamento do STJ veiculado na súmula 447. Isso porque, o
ART 157, I, da CF, dispõe que pertence ao Estado 100% do produto
da arrecadação do IR incidente na fonte sobre os rendimentos
pagos por eles aos seus servidores.

Questão objetiva
Na relação abaixo, de transferências intergovernamentais de receitas
tributárias, MARQUE as da União para os Estados/DF (1), as da União
para os Municípios (2), e as dos Estados/DF para os Municípios (3)

(3) 50% do IPVA;


(2) 20% dos impostos de competência residual;
(1) 50% do ITR;
(2) 21,5% do IPI e do IR para Fundo de Participação;
(3) 25% do ICMS;
(1) 22,5% do IPI e do IR para Fundo de Participação;
(1) 70%do IOF sobre o ouro ativo financeiro ou instrumento cambial.

CASO CONCRETO 7

Governador de um Estado da Federação propõe Ação Direta de


Inconstitucionalidade contra emenda constitucional que cria um
imposto sobre toda e qualquer movimentação financeira, inclusive as
realizadas por pessoas jurídicas de direito público e que entraria em
vigor imediatamente. Incialmente, os argumentos da afronta a duas
limitações constitucionais ao poder de tributar, a saber a imunidade
recíproca (vedação à imposição de impostos entre os entes federativos) e
anterioridade (obrigatoriedade de aguardar até o exercício financeiro
para que se possa cobrar o tributo) parecem corretas. Mas há uma
preliminar questionada: a possibilidade de se questionar a
constitucionalidade de dispositivo constitucional. Analise a questão e
indique o posicionamento do Supremo Tribunal Federal.

O posicionamento do STF, conforme ADIN 926, é de que o


Governador pode questionar a constitucionalidade da emenda
constitucional, pois no Direito Tributário, a função da Emenda
Constitucional é apenas delimitar a competência tributária, para
que os entes tributáveis realizem a criação ou majoração desses
tributos. Ou seja, não pode instituir novo imposto. A instituição do
tributo só pode ser feita por meio de lei. Também tem que ser
respeitada a imunidade recíproca e anterioridade

Questão objetiva: (FGV-2015)


O Presidente, representando a República Federativa do Brasil, celebra
tratado internacional com outros dois Estados soberanos, com o
objetivo de incrementar a prestação de serviços de tecnologia para
grandes projetos de infraestrutura. O acordo internacional, após todos
os trâmites legislativos impostos pela ordem jurídica interna e
internacional, passa a produzir seus efeitos, dentre os quais a isenção
de todos os impostos incidentes nessa operação. Considerando que
esses serviços estão incluídos na lista anexa da Lei Complementar nº
116/2003 e a jurisprudência do STF, é correto afirmar que o tratado é:

A ( ) inconstitucional ao estabelecer isenção heterônoma, vedada pelo


artigo 151, III, da Constituição Federal em vigor, o qual veda à União
instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito
Federal ou dos Municípios;
B (X) constitucional, pois a vedação constitucional se volta à União,
nada impedindo que a República Federativa do Brasil, na qualidade
de pessoa jurídica de direito público externo, celebre tratados e
acordos internacionais de Direito Tributário;
C ( ) constitucional, pois, nos termos da Constituição Federal, os
tratados e convenções internacionais sobre tributação, desde que
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por
três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
emendas constitucionais;
D ( ) inconstitucional, pois somente lei complementar federal poderia
estabelecer isenção de tributos estaduais e municipais;
E ( )inconstitucional, pois a União somente pode conceder isenção de
tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios, quando simultaneamente conceder aos tributos de
competência federal.

CASO CONCRETO 8

O Município de Angra dos Reis promulga lei em 30.05.2006,


estabelecendo a incidência do ITBI sobre as embarcações alienadas no
território municipal, já que esses bens são garantidos por hipoteca, o
que demonstraria a natureza imobiliária das embarcações. Ester efetua
alienação de uma embarcação para Moisés (ambos domiciliados naquele
Município, mediante contrato lavrado em cartório no dia 30.05.2007.
Firme na legislação municipal, a Fazenda Pública de Angra dos Reis
efetua o lançamento de ofício do ITBI. Ester apresenta impugnação na
via administrativa, pleiteando o seu direito de não pagar o tributo em
tela. Examine o caso, em suas várias nuances, sob a ótica das normas
do CTN sobre interpretação.

As embarcações não são consideradas como bens imóveis pela


legislação em geral, tão pouco o código civil às classifica
expressamente desta forma, razão pela qual não procede a alegação
do município. Ademais, o código tributário nacional não permite a
utilização de conceitos de outros ramos do direito para ampliar as
competências tributárias, e consequentemente a tributação.

Questão objetiva (FAURGS-2015)


No que se refere à legislação tributária, assinale a alternativa que
contém afirmativa correta.

A (X) Leis expressamente interpretativas não podem ser aplicadas a


atos ou fatos pretéritos se contrariarem orientação favorável aos
contribuintes já firmada pelos Tribunais Superiores.
B ( )Os conceitos utilizados pela Constituição da República para
outorgar competência impositiva podem ser alterados pelo legislador do
ente político que a titularizar, dada a sua autonomia tributária e
financeira.
C ( )O Código Tributário Nacional admite a utilização da analogia para a
aplicação das hipóteses de incidência tributária a fatos juridicamente
semelhantes àqueles por elas previstos, com vistas à promoção da
igualdade.
D ( )O legislador ordinário pode estabelecer que multa tributária menos
gravosa somente se aplique a fatos futuros. Multa ou imputação de
débito tem a natureza de título executivo.

CASO CONCRETO 9

Lei federal, publicada no ano passado, majora alíquotas do Imposto de


Renda incidente em determinadas importações e determina a incidência
sobre o exercício passado cuja declaração será feita neste exercício.
Neste caso, inicia-se forte discussão sobre o tema da segurança jurídica
e dos princípios tributários atinentes. Para verificação da
constitucionalidade do tema, apresente o entendimento do STF e sua
evolução até os dias atuais.

A súmula 584 do STF autoriza a aplicação da legislação tributária


vigente no exercício da declaração ainda que alcance fatos
geradores ocorridos no exercício financeiro anterior. Porém, após a
edição da referida súmula, o STF alterou seu posicionamento ao
julgar o RE 592.396, reconhecendo a inconstitucionalidade a
aplicação retroativa sobre imposto de renda.
Questão objetiva (FUNDATEC-2015)
Quanto aos princípios da legalidade e da anterioridade tributária,
analise as assertivas abaixo:

I. O princípio da legalidade tributária aplica-se a todos os tributos,


mas se admite a alteração da alíquota de certos impostos federais,
de caráter extrafiscal, desde que sejam atendidas as condições e os
limites estabelecidos em lei.
II. Reserva absoluta de lei tributária designa a exigência de que a
Administração Tributária se paute rigorosamente pelos ditames legais,
não adotando condutas contrárias à legislação tributária.
III. A anterioridade de exercício e a nonagesimal são aplicáveis a
todos os tributos, de forma cumulativa, excetuadas hipóteses
previstas taxativamente no texto constitucional.
IV. Majoração de alíquota do ICMS, determinada por lei publicada em 1º
de novembro de um ano, pode ser aplicada em 1º de janeiro do ano
subsequente.
Após a análise, pode-se dizer que:

A ( ) Está correta apenas a assertiva I.


B ( ) Estão corretas apenas as assertivas I e II.
C (X) Estão corretas apenas as assertivas I e III.
D ( ) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
E ( ) Todas as assertivas estão corretas.

CASO CONCRETO 10

O Estado do Rio de Janeiro decide alterar a sua legislação tributária


relativa ao ITCMD para aumentar as alíquotas do imposto e, portanto,
aumentar sua arrecadação. Em função disso, aumenta a alíquota do
imposto para 4,5% (quando se tratar de transferências realizadas em
montante de até 400.000 unidades fiscais de referência) e de 5%
(quando se tratar de transferências em montante superior a 400.000
unidades ficais de referência). Contribuinte questiona a alíquota
progressiva do tributo diante de falta de autorização expressa da
Constituição neste sentido. Assim tratando, analise como se posiciona o
Supremo Tribunal Federal sobre o assunto.

O STF alterou o posicionamento sobre a necessidade de autorização


expressa da Constituição Federal, para a aplicação de alíquota
progressiva aos impostos reais (RE 562045). Hoje a Suprema Corte
entende que todos os impostos devem se submeter, na medida do
possível ao princípio da capacidade contributiva.

Questão objetiva
O Decreto nº 3.000/99, conhecido na prática por RIR/99, estabelece,
em seu art. 1º, que: “O Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer
Natureza será cobrado e fiscalizado de conformidade com o disposto
neste Decreto.” Ao contemplar a cobrança do Imposto Renda sobre toda
e qualquer forma de renda e provento, nos limites da Lei, o artigo está
contemplando o critério da:

A ( ) anterioridade.
B ( ) capacidade contributiva.
C (X) generalidade.
D ( ) legalidade.
E ( ) universalidade.