Você está na página 1de 50

FREDERICO AMADO

PRÁTICA PREVIDENCIÁRIA
ADMINISTRATIVA
NA AGÊNCIA DO INSS E NO CRSS

2017
220 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

No caso mostrado, como se tratou de uma aposentadoria por tempo de


contribuição, na apuração do salário de benefício ainda foi aplicado o fator pre-
videnciário de 0,5996, que reduziu o salário de benefício em pouco mais de 40%,
pois se tratava de segurada com 51 anos de idade:

Logo, neste caso, o fator previdenciário reduziu a renda mensal inicial da apo-
sentadoria por tempo de contribuição de R$ 3.578,95 para R$ 2.145,87.

5. FASE RECURSAL (CONSELHO DE RECURSOS DO SEGURO SOCIAL)


O Conselho de Recursos do Seguro Social – CRSS, através dos seus inúmeros
órgãos internos, exerce a função de órgão julgador das decisões do INSS no que
concerne aos benefícios previdenciários e ao BPC/LOAS.
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 221

O CRSS é formado por 4 (quatro) Câmaras de Julgamento – CaJ, localizadas


em Brasília – DF, que julgam em segunda e última instância matéria de Benefício,
e por 29 (vinte e nove) Juntas de Recursos – JR nos diversos estados que julgam
matéria de benefício em primeira instância.
Na atualidade, o Regimento Interno do CRSS foi aprovado pela Portaria
MDSA 116, de 20 de março de 2017.

5.1. Recurso Ordinário e Recurso Especial


Da decisão tomada pelo INSS nos processos de interesse dos beneficiários,
caberá recurso ordinário no prazo de 30 dias ao Conselho de Recursos da Pre-
vidência Social – CRPS, órgão colegiado integrante da estrutura do Ministério da
Previdência Social, na forma do artigo 126, da Lei 8.213/91, que o julgará através
de uma das suas 29 Juntas de Recursos, com eficácia suspensiva e devolutiva, se
tempestivo.
Com o advento da Lei 13.341/2016, o Conselho de Recursos da Previdência So-
cial passou a se chamar Conselho de Recursos do Seguro Social, sendo vinculado
ao Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário.
Também competirá às Juntas de Recursos do CRSS apreciar recurso con-
tra decisão do INSS acerca da configuração do Nexo Técnico Epidemiológico
Previdenciário – NTEP. Após a interposição do recurso pelo segurado ou seu
dependente, o INSS apresentará razões de contrariedade, também no prazo de
30 dias.
De acordo com o artigo 29 do Regimento Interno do CRSS, denomina-se Re-
curso Ordinário aquele interposto pelo interessado, segurado ou beneficiário da
Seguridade Social, em face de decisão proferida pelo INSS, dirigido às Juntas de
Recursos do CRSS, observada a competência regimental.
Compete às Juntas de Recursos julgar os Recursos Ordinários interpostos con-
tra as decisões do INSS nos processos de interesse dos beneficiários do Regime
Geral de Previdência Social, nos processos referentes aos benefícios assistenciais
de prestação continuada previstos no art. 20 da Lei nº 8.742, de 07 de dezembro
de 1993 e, nos casos previstos na legislação, nos processos de interesse dos contri-
buintes do Regime Geral de Previdência Social.
Eis as 29 Juntas de Recursos do CRSS:
• 1ª Junta de Recursos – Manaus – AM
• 2ª Junta de Recursos – Fortaleza – CE
– 1ª Composição Adjunta – 2ª JR – Sobral – CE
• 3ª Junta de Recursos – Recife – PE
222 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

• 4ª Junta de Recursos – Salvador – BA


• 5ª Junta de Recursos – Brasília – DF
– 1ª Composição Adjunta – 5ª JR – Taguatinga – DF
– 2ª Composição Adjunta – 5ª JR – Ceilândia – DF
• 6ª Junta de Recursos – Goiânia – GO
• 7ª Junta de Recursos – Belo Horizonte – MG
• 8ª Junta de Recursos – Belo Horizonte – MG
• 9ª Junta de Recursos – Juiz de Fora – MG
• 10ª Junta de Recursos – Rio de Janeiro – RJ
– 1ª Composição Adjunta – 10ª JR – Duque de Caxias – RJ
• 11ª Junta de Recursos – Rio de Janeiro – RJ
– 1ª Composição Adjunta – 11ª JR – Niterói – RJ
• 12ª Junta de Recursos – Rio de Janeiro – RJ
• 13ª Junta de Recursos – São Paulo – SP
– 1ª Composição Adjunta – 13ª JR – São José do Rio Preto – SP
– 2ª Composição Adjunta – 13ª JR – São Bernardo do Campo – SP
• 14ª Junta de Recursos – São Paulo – SP
– 1ª Composição Adjunta – 14ª JR – São José do Rio Preto – SP
– 2ª Composição Adjunta – 14ª JR – Santo André – SP
• 15ª Junta de Recursos – Bauru – SP
• 16ª Junta de Recursos – Curitiba – PR
• 17ª Junta de Recursos – Florianópolis – SC
• 18ª Junta de Recursos – Porto Alegre – RS
• 19ª Junta de Recursos – São Luís – MA
• 20ª Junta de Recursos – Teresina – PI
• 21ª Junta de Recursos – João Pessoa – PB
• 22ª Junta de Recursos – Campo Grande – MS
• 23ª Junta de Recursos – Cuiabá – MT
• 24ª Junta de Recursos – Vitória – ES
• 25ª Junta de Recursos – Aracajú – SE
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 223

• 26ª Junta de Recursos – Maceió – AL


– 2ª Composição Adjunta – 26ª JR – Maceió – AL
• 27ª Junta de Recursos – Natal – RN
– 1ª Composição Adjunta – 27ª JR – Mossoró – RN
– 2ª Composição Adjunta – 27ª JR – Caicó – RN
• 28ª Junta de Recursos – Belém – PA
• 29ª Junta de Recursos – Porto Velho – RO
Contudo, a partir da Lei 11.457/07, note-se que atualmente os processos ligados
à arrecadação das contribuições previdenciárias passaram a tramitar na Secretaria
da Receita Federal do Brasil, com competência recursal do Conselho Administra-
tivo de Recursos Fiscais, órgão da estrutura do Ministério da Fazenda.
Com o advento do Decreto 7.126/2010, que alterou a redação do artigo 303,
do RPS, não mais competirá às Juntas de Recursos do CRSS o julgamento dos
recursos que envolvam a apuração do Fator Acidentário de Prevenção – FAP, que
passou para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, a quem competirá o
julgamento de recurso interposto contra decisão da lavra do Departamento de
Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional.
Por tudo isso, salvo no que concerne à apuração do FAP, nota-se que o INSS
é a 1ª instância administrativa e as Juntas de Recursos do CRSS são a 2ª instância
de julgamento.
Ademais, em determinadas hipóteses, as decisões tomadas pelas Juntas de Re-
cursos poderão ser impugnadas através de recurso especial dirigido a umas das 04
Câmaras de Julgamento do CRSS, que funcionará como órgão de 3ª instância.

1ª instância INSS
2ª instância Juntas de Recursos do CRSS
3ª instância Câmaras de Julgamento do CRSS

Colacionam-se abaixo os formulários-padrão para a interposição de recurso


ordinário e especial no CRSS:
224 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

ANEXO I
ORIENTAÇÃO INTERNA Nº 151 INSS/DIRBEN, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006

FORMULÁRIO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO À JUNTA DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

RECURSO À JUNTA DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL


DO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

SEGURADO: ______________________________________________________________________
(NOME)

RECORRENTE: ____________________________________________________________________
(NOME)

RECORRIDO – INSS: ____________________________________________________________________


(LOCALIDADE)

ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA: ______________________________________________________________

___________________________________________________________________________________________________

(RUA, N.º BAIRRO, CIDADE, MUNICÍPIO, ESTADO, CEP

MOTIVO DO RECURSO:
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________

INDEFERIMENTO DO BENEFÍCIO Nº: ______________________________________________


CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO Nº: ____________________________________________________
DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO Nº: __________________________________________

RAZÕES DO RECURSO:
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________

_______________________________________________
LOCAL e DATA

_______________________________________________
ASSINATURA (do próprio ou do representante legal)
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 225

ANEXO II
ORIENTAÇÃO INTERNA Nº 151 INSS/DIRBEN, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006

FORMULÁRIO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO À CÂMARA


DE JULGAMENTO/CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

RECURSO ÀS CÂMARAS DE JULGAMENTO DO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL-CRPS

SEGURADO: ______________________________________________________________________
(NOME)

RECORRENTE: ____________________________________________________________________
(NOME)

RECORRIDO – INSS E _______.ª JUNTA DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL DO CRPS

ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA: ______________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________

(RUA, N.º BAIRRO, CIDADE, MUNICÍPIO, ESTADO, CEP)

MOTIVO DO RECURSO – Decisão proferida pela _____.ª Junta de Recurso da Previdência Social do CRPS, por meio do
Acórdão nº_________/______, referente ao processo/benefício nº____________.

RAZÕES DO RECURSO:
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________

_______________________________________________
LOCAL e DATA

_______________________________________________
ASSINATURA (do próprio ou do representante legal)
226 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

As Juntas e as Câmaras, presididas por representante do Governo, são com-


postas por quatro membros, denominados conselheiros, nomeados pelo Ministro
da Fazenda, sendo dois representantes do Governo, um das empresas e um dos
trabalhadores, com mandato de 02 anos, permitida a recondução.
Eis as 4 Câmaras de Recursos do CRSS:
– 1ª Câmara de Julgamento
1ª Composição Adjunta – 1ª CAJ – RJ
– 2ª Câmara de Julgamento
1ª Composição Adjunta – 2ª CAJ – SP
2ª Composição Adjunta – 2ª CAJ – RN
– 3ª Câmara de Julgamento
1ª Composição Adjunta – 3ª CAJ – MG
– 4ª Câmara de Julgamento
1ª Composição Adjunta – 4ª CAJ – PR
Entende-se que deveria também existir um representante dos aposentados, em
aplicação ao Princípio da Gestão Quadripartite da Seguridade Social, devendo
futuramente ser modificada a legislação previdenciária para se adaptar a essa im-
portante norma constitucional.
Nos termos do artigo 30 do Regimento Interno 2017 do CRSS, das decisões
proferidas no julgamento do Recurso Ordinário caberá Recurso Especial dirigido
às Câmaras de Julgamento, observado o prazo de 30 dias (corridos, e não úteis).
O INSS recorrerá das decisões das Juntas de Recurso nas seguintes hipóteses:
I – violarem disposição de lei, de decreto ou de portaria ministerial;
II – divergirem de Súmula ou de Parecer do Advogado Geral da União, editado
na forma da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.
III – divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MDSA, dos extintos
MTPS e MPS ou da Procuradoria Federal Especializada – INSS, aprovado pelo
Procurador-Chefe.
IV – divergirem de enunciados editados pelo Conselho Pleno do CRSS e do
antigo CRPS;
V – tiverem sido fundamentadas em laudos ou pareceres médicos divergentes
emitidos pela Assessoria Técnico-Médica no âmbito do CRSS e pelos Médicos
peritos do INSS, ressalvados os benefícios de auxílio-doença e assistenciais nos
termos do inciso I do § 2º deste artigo; e
VI – contiverem vício insanável.
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 227

Desta forma, para o INSS o recurso especial possui causa de pedir tarifada,
embora se reconheça que as hipóteses são deveras abertas.
Por sua vez, constituem alçada exclusiva das Juntas de Recursos, não compor-
tando recurso às Câmaras de Julgamento, as seguintes decisões:
I – fundamentada exclusivamente em matéria médica, e relativa aos benefícios
de auxílio-doença e assistenciais;
II – proferida sobre reajustamento de benefício em manutenção, em consonân-
cia com os índices estabelecidos em lei, exceto quando a diferença na Renda
Mensal Atual – RMA decorrer de alteração da Renda Mensal Inicial – RMI.
Logo, não caberá recurso especial do INSS ou dos beneficiários da Previdên-
cia Social ou da assistência social para devolver às Câmaras estes temas, sendo
novidade do Regimento Interno 2017 do CRSS o impedimento do recurso es-
pecial envolvendo o auxílio-doença e os benefícios assistências (BPC-LOAS e
seguro-defeso) antes não previsto no Regimento de 2011.
A interposição tempestiva do Recurso Especial suspende os efeitos da decisão
de primeira instância e devolve à instância superior o conhecimento integral da
causa.
O prazo para o INSS interpor recurso especial em 30 dias terá início a partir da
data do recebimento do processo na unidade que tiver atribuição para a prática
do ato.
228 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

Veja-se um exemplo de acórdão que julgou o recurso especial:


Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 229
230 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

5.2. Procedimento recursal


Os recursos serão interpostos pelo interessado, preferencialmente, junto ao ór-
gão do INSS que proferiu a decisão sobre o seu benefício, que deverá proceder
a sua regular instrução com a posterior remessa do recurso à Junta ou Câmara,
conforme o caso.
É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso e para o oferecimento
de contrarrazões, contado da data da ciência da decisão e da data da intimação da
interposição do recurso, respectivamente.
Os processos submetidos a julgamento pelo CRSS serão numerados folha a fo-
lha, e as peças neles inseridas, a partir do recurso, devem ser digitadas, datadas e
assinadas, recusadas as expressões injuriosas ou desrespeitosas, que poderão ser
riscadas dos autos pelo Presidente da Câmara ou Junta.
As Carteiras de Trabalho e Previdência Social – CTPS e os Carnês de Con-
tribuição serão extratados pelo servidor do INSS responsável pela instrução do
processo, que fará anexar aos autos simulação autenticada do tempo de contribui-
ção apurado, inclusive dos dados existentes no Cadastro Nacional de Informações
Sociais – CNIS e as seguintes informações:
I – na hipótese de aposentadoria por tempo de contribuição ou de aposentadoria
especial deverá conter o tempo: a. apurado até 15 de dezembro de 1998; e, até 28
de novembro de 1999 até a data do requerimento; assim como o tempo adicio-
nal referente ao pedágio para aposentadoria proporcional sem direito adquirido
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 231

antes da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, seguidos do


número de contribuições válidas para efeito de carência; b. apurado até 18/06/15,
para fins de verificação da aposentadoria por tempo de contribuição sem o fator
previdenciário, e o número de contribuições válidas para efeito de carência; e
II – para os demais casos, conforme as hipóteses, o número de contribuições
válidas para efeito de carência, o tempo de contribuição até a data do requeri-
mento para fins de aposentadoria por idade urbana sem considerar a perda da
qualidade de segurado, e o número de meses de atividade rural correspondente
ao prazo de carência para os benefícios de trabalhadores rurais.
As Juntas de Recursos e as Câmaras de Julgamento priorizarão a análise e
solução dos recursos que tenham como parte beneficiários com idade igual ou
superior a sessenta anos e relativos às prestações de auxílio-doença, de aposenta-
doria por invalidez e do benefício assistencial de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742,
de 7 de dezembro de 1993.
Na hipótese de Recurso Ordinário, serão considerados como contrarrazões do
INSS os motivos do indeferimento. Em se tratando de Recurso Especial, expirado
o prazo para contrarrazões, os autos serão imediatamente encaminhados para
julgamento.
Veja-se um exemplo:
232 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

Os prazos recursais são contínuos e começam a correr a partir da data da


ciência da parte, excluindo-se da contagem o dia do início e incluindo-se o do
vencimento, só iniciando ou vencendo em dia de expediente normal no órgão
em que tramita o recurso ou em que deva ser praticado o ato, considerando-se
prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento ocorrer em
dia em que não houver expediente ou em que este for encerrado antes do horário
normal.
De sua vez, quando o ato for praticado por meio eletrônico para atender a prazo
processual, serão considerados tempestivos os transmitidos integralmente até as
vinte e quatro horas de seu último dia útil.
Considera-se intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos, ter-
mos e decisões do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa. Será
efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por
telegrama, por meio eletrônico, ou por outro meio que assegure a regularidade
da ciência do interessado ou do seu representante, sem sujeição a ordem de pre-
ferência, presumindo-se válidas as intimações dirigidas ao endereço residencial
ou profissional declinado nos autos pela parte, beneficiário ou representante,
cumprindo aos interessados atualizar o respectivo endereço sempre que houver
modificação temporária ou definitiva.
Considera-se feita a intimação:
I – se pessoal, na data da ciência do interessado ou de seu representante legal
ou, caso haja recusa ou impossibilidade de prestar a nota de ciente, a partir da
data em que for dada a ciência, declarada nos autos pelo servidor que realizar a
intimação;
II – se por via postal ou similar, na data do recebimento aposta no comprovante,
ou da nota de ciente do responsável;
III – se por edital, quinze dias após sua publicação ou afixação.
IV – por meio eletrônico, com a confirmação de envio da correspondência ele-
trônica ao destinatário, fazendo-se a juntada da cópia do comprovante de envio.
A cientificação será efetuada por meio de edital somente nos casos de inte-
ressados indeterminados ou desconhecidos, ou cujo domicílio seja indefinido,
entendido este como endereço vago ou incompleto.
Será nula a intimação quando realizada sem observância das prescrições legais,
mas o comparecimento do interessado supre sua falta ou irregularidade, pois não
há nulidade processual se não houver prejuízo.
Saliente-se que a admissão ou não do recurso é prerrogativa do CRSS, sendo
vedado a qualquer órgão do INSS recusar o seu recebimento ou sustar-lhe o anda-
mento, exceto se houver previsão regimental em sentido contrário.
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 233

Todavia, após a análise das razões recursais, caso o INSS se convença de que
assiste razão ao recorrente, deverá exercer o juízo de retratação, revendo o seu ato
administrativo e deixando de encaminhar o recurso a uma das Juntas do CRSS.
Nesse sentido, nos termos do artigo 34 do Regimento Interno do CRSS, o INSS
pode, enquanto não tiver ocorrido a decadência, reconhecer expressamente o di-
reito do interessado e reformar sua decisão, observado o seguinte procedimento:
I – quando o reconhecimento ocorrer na fase de instrução do Recurso Ordiná-
rio o INSS deixará de encaminhar o recurso ao órgão julgador competente;
II – quando o reconhecimento ocorrer após a chegada do recurso no CRSS, mas
antes de qualquer decisão colegiada, o INSS deverá encaminhar os autos ao respec-
tivo órgão julgador, devidamente instruído com a comprovação da reforma de sua
decisão e do reconhecimento do direito do interessado, para julgamento do mérito.
III – quando o reconhecimento ocorrer após o julgamento da Junta de Recurso
ou da Câmara de Julgamento, o INSS deverá encaminhar os autos ao órgão jul-
gador que proferiu a última decisão, devidamente instruído com a comprovação
da reforma de sua decisão e do reconhecimento do direito do interessado, para
que, se for o caso, seja proferida nova decisão.
Frise-se que o não conhecimento do recurso pela intempestividade não im-
pede a revisão de ofício pelo INSS, quando verificada a incorreção da decisão
administrativa.
Apregoado o processo, o Presidente do órgão julgador dará a palavra ao
Conselheiro relator, que apresentará o seu relatório, após o que será facultada
ao recorrente e ao recorrido, sucessivamente, a oportunidade de sustentar suas
razões, pelo tempo de até quinze minutos para cada um, nessa ordem, prosseguin-
do-se o voto.
Quando solicitado pelas partes, o órgão julgador deverá informar o local, data e
horário de julgamento, para fins de sustentação oral das razões do recurso.
O pedido de inscrição para realização de sustentação oral por videoconferên-
cia, quando disponível, deverá ser dirigido à Secretaria do órgão julgador até 72h
antes da sessão de julgamento, podendo ser feito por mensagem eletrônica.
Os órgãos colegiados do CRSS obedecerão à seguinte ordem de trabalho:
I – abertura da sessão;
II – verificação de quórum;
III – leitura, discussão e aprovação da ata da sessão anterior;
IV – julgamento dos recursos; e
V – comunicações diversas.
Nos moldes do artigo 16 do Regimento Interno do CRSS 2017, ao Conselheiro
relator das Câmaras e Juntas incumbirá:
234 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

I – presidir e acompanhar a instrução do processo no âmbito do Colegiado, in-


clusive requisitando diligência preliminar, até sua inclusão em pauta;
II – propor à composição julgadora relevar a intempestividade de recursos, no
corpo do próprio voto, quando fundamentadamente entender que, no mérito, res-
tou demonstrada de forma inequívoca a liquidez e a certeza do direito da parte;
III – verificar se as partes foram regularmente cientificadas de todos os atos
processuais praticados no curso do processo, a fim de que aos litigantes sejam
assegurados o pleno exercício do contraditório e ampla defesa;
IV – solicitar, a qualquer tempo, o pronunciamento técnico da assessoria médi-
ca ou jurídica, visando obter subsídios para formar o seu convencimento;
V – retirar de pauta os autos de processo para reexame da matéria controverti-
da, podendo solicitar instrução complementar;
VI – devolver à Secretaria do respectivo órgão julgador os processos relatados,
com observância dos prazos fixados pelo Presidente do CRSS;
VII – apontar a ocorrência de conexão ou de continência, determinando a reu-
nião de processos, mediante referendo do Órgão Colegiado por ocasião da apre-
ciação da matéria;
VIII – declarar-se impedido de participar do julgamento, na forma regimental;
XIX – executar outras atribuições fixadas no Regimento, ou solicitadas pelo
Presidente do CRSS, ou ainda pelo Presidente da Câmara ou Junta a que estejam
vinculados.
Após o voto do relator, os demais Conselheiros poderão usar a palavra e de-
bater sobre questões pertinentes ao processo, proferindo seus votos na seguinte
ordem de votação: I – representante do governo; II – representante dos traba-
lhadores; III – representante das empresas; e IV – presidente da composição de
julgamento. Frise-se que, em caso de empate, o Presidente proferirá voto de
desempate, após o voto dos outros três membros do colegiado.
As decisões das Juntas de Recursos e das Câmaras de Julgamento poderão ter
o seguinte conteúdo:
I – conversão em diligência51;
II – não conhecimento52;

51. A conversão em diligência não dependerá de lavratura de acórdão e se dará para complementação
da instrução probatória, saneamento de falha processual, cumprimento de normas administrativas
ou legislação pertinente à espécie e adotará preferencialmente a diligência prévia, sem que haja
prejulgamento.
52. Constituem razões de não conhecimento do recurso: I – a intempestividade; II – a ilegitimidade
ativa ou passiva de parte; III – a renúncia à utilização da via administrativa para discussão da pre-
tensão, decorrente da propositura de ação judicial; IV – a desistência voluntária manifestada por
escrito pelo interessado ou seu representante; V – qualquer outro motivo que leve à perda do objeto
do recurso; e VI – a preclusão processual.
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 235

III – conhecimento e não provimento;


IV – conhecimento e provimento parcial;
V – conhecimento e provimento;
VI – anulação; e
Da sessão será lavrada ata sucinta contendo:
I – número e natureza da sessão;
II – data, hora e local de abertura;
III – verificação de quórum e o nome dos ausentes, se houver;
IV – resultado de matéria administrativa;
V – remissão à pauta, indicando-se quantos processos foram julgados e os reti-
rados de pauta, desde que haja motivo;
VI – os fatos ocorridos na sessão de julgamento, inclusive a presença das partes
ou de seus representantes para fins de sustentar suas razões; e
VII – assinatura dos Conselheiros presentes.
A sessão de julgamento será pública, ressalvado à Câmara ou Junta o exame
reservado de matéria protegida por sigilo, a exemplo de processos que envolvam si-
tuações pessoais que devam ser preservadas, admitida a presença das partes e de seus
procuradores, exigindo o quórum mínimo de três membros. Até a proclamação
do resultado final, os Conselheiros, inclusive o Relator, poderão modificar seu voto.
As decisões das composições julgadoras serão lavradas pelo relator do processo,
redigidas na forma de acórdão, deverão ser expressas em linguagem discursiva,
simples, precisa e objetiva, evitando-se o uso de expressões vagas, de códigos, de
siglas e de referências a instruções internas que dificultem a compreensão do jul-
gamento, devendo constar do acórdão:
I – dados identificadores do processo, incluindo nome do interessado ou benefi-
ciário, número do processo ou do recurso, número e espécie do benefício;
II – relatório, que conterá a síntese do pedido, dos principais documentos, dos
motivos do indeferimento, das razões do recurso e das principais ocorrências
havidas no curso do processo;
III – ementa, na qual se exporá de forma resumida o assunto sob exame e o
resultado do julgamento, com indicação da base legal que justifica a decisão;
IV – fundamentação, na qual serão avaliadas e resolvidas as questões de fato e
de direito pertinentes à demanda, expondo-se as razões que formaram o con-
vencimento do julgador, sendo vedada a exposição na forma de “considerandos”;
V – conclusão, que conterá a decisão decorrente da convicção formada na
fundamentação;
236 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

VI – julgamento, no qual constará a decisão final da composição julgadora, com


o resultado da votação de seus membros; e
VII – os nomes dos Conselheiros participantes e a data de julgamento.
Veja-se um exemplo de acórdão que julgou o recurso ordinário:
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 237
238 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

5.3. Enunciados e resoluções do CRSS


Frise-se que o CRSS ainda é composto pelo Conselho Pleno, que tem compe-
tência para uniformizar em tese (abstratamente) a “jurisprudência” previdenciária
mediante enunciados de súmula, tendo efeito vinculante em relação aos demais
órgãos julgadores do CRSS, sendo vedado a estes decidir casos concretos em sen-
tido diverso.
Vale destacar que a emissão de enunciados dependerá da aprovação da maio-
ria absoluta dos membros do Conselho Pleno e vincula, quanto à interpretação
do direito, todos os Conselheiros do CRSS. Entretanto, a interpretação dada pelo
enunciado não se aplica aos casos definitivamente julgados no âmbito administra-
tivo, não servindo como fundamento para a revisão destes.
A uniformização, em tese, da “jurisprudência” administrativa previdenciária
poderá ser suscitada para encerrar divergência jurisprudencial administrativa ou
para consolidar jurisprudência reiterada no âmbito do CRSS, mediante a edição
de enunciados, podendo ser provocada pelo Presidente do CRSS, pela Coordena-
ção de Gestão Técnica, pela Divisão de Assuntos Jurídicos, pelos Presidentes das
Câmaras de Julgamento ou, exclusivamente em matéria de alçada, por solicitação
de Presidente de Juntas de Recursos, ou pela Diretoria de Benefícios do INSS,
mediante a prévia apresentação de estudo fundamentado sobre a matéria a ser
uniformizada, no qual deverá ser demonstrada a existência de relevante divergên-
cia jurisprudencial ou de jurisprudência convergente reiterada.
O enunciado poderá ser revogado ou ter sua redação alterada, por maioria
simples, mediante provocação das citadas autoridades, sempre precedido de es-
tudo fundamentado, nos casos em que esteja desatualizado em relação à legislação
previdenciária; houver equívoca interpretação da norma; ou quando sobrevier pa-
recer normativo ministerial, aprovado pelo Ministro de Estado, nos termos da Lei
Complementar nº 73, de 1993, que lhe prejudique ou retire a validade ou eficácia.
A divergência ou convergência de entendimentos deverá ser demonstrada
mediante a elaboração de estudo fundamentado com a indicação de decisórios
divergentes ou convergentes, conforme o caso, proferidos nos últimos cinco anos,
por outro órgão julgador, composição de julgamento, ou, ainda, por resolução do
Conselho Pleno.
O Pedido de Uniformização de Jurisprudência poderá ser requerido em casos
concretos, pelas partes do processo, dirigido ao Presidente do respectivo órgão
julgador, nas seguintes hipóteses:
I – quando houver divergência na interpretação em matéria de direito entre
acórdãos de Câmaras de Julgamento do CRSS, em sede de Recurso Especial, ou
entre estes e resoluções do Conselho Pleno; ou
Regramento do Processo Administrativo Previdenciário 239

II – quando houver divergência na interpretação em matéria de direito entre


acórdãos de Juntas de Recursos do CRSS, nas hipóteses de alçada exclusiva pre-
vistas no art. 30, § 2º, deste Regimento, ou entre estes e Resoluções do Conselho
Pleno.
A divergência deverá ser demonstrada mediante a indicação do acórdão diver-
gente, proferido nos últimos cinco anos, por outro órgão julgador, composição de
julgamento, ou, ainda, por resolução do Conselho Pleno.
Será de trinta dias o prazo para o requerimento do Pedido de Uniformização
de Jurisprudência e para o oferecimento de contrarrazões, contados da data da
ciência da decisão e da data da intimação do pedido, respectivamente, hipótese em
que suspende o prazo para o seu cumprimento.
Portanto, a uniformização da “jurisprudência” administrativa previdenciária
em última instância é da competência do Conselho Pleno do CRSS, que poderá
expedir os seguintes atos administrativos:
I – edição de Enunciado, com força normativa vinculante, quando houver apro-
vação da maioria absoluta de seus membros;
II – edição de Resolução para o caso concreto, quando houver aprovação da
maioria simples de seus membros.
Nesse sentido, nos termos do artigo 3º do Regimento Interno 2017 do CRSS, ao
Conselho Pleno competirá:
I – uniformizar, em tese, a jurisprudência administrativa previdenciária e assis-
tencial, mediante emissão de Enunciados;
II – uniformizar, no caso concreto, as divergências jurisprudenciais entre as
Juntas de Recursos nas matérias de sua alçada ou entre as Câmaras de julga-
mento em sede de Recurso Especial, mediante a emissão de Resolução; e
III – decidir, no caso concreto, as Reclamações ao Conselho Pleno, mediante a
emissão de Resolução.
Eis os enunciados aprovados pelo CRSS:
JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 38
A revisão dos parâmetros médicos efetuada em sede de benefício por incapa-
cidade não rende ensejo à devolução dos valores recebidos, se presente a boa-fé
objetiva. JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 37
O tempo de serviço laborado como professor pode ser enquadrado como es-
pecial, nos termos do código 2.1.4 do Quadro anexo ao Decreto 53.831/64,
até 08/07/1981, data anterior à vigência da Emenda Constitucional n° 18/1981.
(SUSPENSA PELO PRESIDENTE DO CRPS EM DESPACHO EXARADO EM
21/11/2013).
240 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 36
É permitida a cumulação de auxílio-suplementar ou auxílio-acidente com apo-
sentadoria de qualquer espécie, concedida de 25/07/1991 a 10/11/1997. (SUS-
PENSA PELO PRESIDENTE DO CRPS EM DESPACHO EXARADO EM
21/11/2013).
JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 35
Os pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social apro-
vados pelo Ministro de Estado, bem como as súmulas e pareceres normativos
da Advocacia-Geral da União vinculam o Conselho de Recursos da Previdên-
cia Social em suas atividades, exceto nas de controle jurisdicional. (SUSPENSA
PELO PRESIDENTE DO CRPS EM DESPACHO EXARADO EM 21/11/2013
– CANCELADA PELA RESOLUÇÃO CRPS 17, DE 27/11/2014).
JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 34
O prazo prescricional quinquenal, disposto no parágrafo único do art. 103 da
Lei n° 8.213, de 1991, aplica-se às revisões previstas nos artigos 144 e 145 do
mesmo diploma legal.
JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 33
Para os efeitos de reconhecimento de tempo especial, o enquadramento do tem-
po de atividade do trabalhador rural, segurado empregado, sob o código 2.2.1
do Quadro anexo ao Decreto n° 53.831, de 25/03/1964, é possível quando o re-
gime de vinculação for o da Previdência Social Urbana, e não o da Previdência
Rural (PRORURAL), para os períodos anteriores à unificação de ambos os regi-
mes pela Lei n° 8.213, de 1991, e aplica-se ao tempo de atividade rural exercido
até 28/04/1995.
JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 32
A atividade especial efetivamente desempenhada pelo(a) segurado(a), permi-
te o enquadramento por categoria profissional nos Anexos aos Decretos N°
53.831/64 e N° 83.080/79, ainda que divergente do registro em Carteira de Tra-
balho da Previdência Social – CTPS – e/ou Ficha de Registro de Empregados,
desde que comprovado o exercício nas mesmas condições de insalubridade, pe-
riculosidade ou penosidade.
JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 31
Nos períodos de que trata o artigo 15 da Lei 8.213/91, é devido o salário materni-
dade à segurada desempregada que não tenha recebido indenização por demis-
são sem justa causa durante a estabilidade gestacional, vedando-se, em qualquer
caso, o pagamento em duplicidade
JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 30
Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prer-
rogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja
apuração prévia no prestador de serviços.
CAPÍTULO 4

PROCESSOS ADMINISTRATIVOS SIMULADOS

O objetivo deste Capítulo 4 é fechar a obra com chave de ouro apresentando


processos simulados de benefícios previdenciários no INSS e no CRSS, tanto com
concessões quanto com indeferimentos administrativos para analisarmos ambas
a situações.
Desta forma, após passar pelas regras do processo administrativo previdenciá-
rio de benefícios e pela apresentação dos principais atos processuais oficiais, são
trazidos processos simulados para mostrar o dia a dia administrativo.
Nos processos simulados não existem dados reais dos beneficiários ou de ser-
vidores da Previdência Social, sendo atos idênticos aos utilizados na Agência do
INSS e no CRSS em casos criados pelo autor.
Serão tratados processos administrativos envolvendo os casos mais comum na
prática administrava nos seguintes benefícios:
– Aposentadoria por idade;
– Auxílio-doença;
– Pensão por morte;
– BPC/LOAS;
– Aposentadoria por tempo de contribuição com tempo especial;
– Seguro-defeso;
– Salário-maternidade;
– Auxílio-reclusão.

1. PROCESSO ADMINISTRATIVO CONCESSÓRIO DE APOSENTADORIA


POR IDADE DE SEGURADO ESPECIAL COM FASE RECURSAL
A concessão de aposentadoria por idade ao segurado especial exige o cumpri-
mento dos seguintes requisitos:
442 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

– idade mínima de 60 anos (homens) ou de 55 anos (mulheres);


– período de carência de 180 meses.
Não é necessária a demonstração do recolhimento da contribuição previden-
ciária, bastando a prova do trabalho campesino ou pesqueiro de subsistência.
No entanto, é preciso prova material contemporânea, que poderá ser comple-
mentada pela prova testemunhal.
CASO SIMULADO PELO AUTOR DA OBRA: Trata-se de processo adminis-
trativo com pedido de concessão de aposentadoria por idade em favor de segurado
especial (pescador artesanal). O requerente é o S. Antônio, pescador artesanal.
O benefício foi negado pelo INSS em primeiro grau. No entanto, em sede de
recurso administrativo ordinário, este foi provido em parte pelo CRSS, através da
Junta de Recursos.
O recurso ampliou o reconhecimento administrativo do período de carência
do benefício, mas este não chegou a ser concedido, pois não integralizada a carên-
cia de 180 meses na condição de segurado especial.
Não houve a interposição de recurso especial pelas partes. Por sua vez, em
que pese a existência de períodos urbanos no CNIS, não foi possível a conces-
são de aposentadoria por idade híbrida em favor do segurado (art. 48, §3º, da Lei
8.213/91), pois este não contava com a idade de 65 anos de idade.
Em que pese o benefício não ter sido concedido, foi reconhecido administra-
tivamente um período de carência bem próximo a 180 meses, de modo que em
um período curto (cerca de 1 ano) o Sr. Antônio poderá requerer novamente o
benefício e obtê-lo no INSS, desde que continue a exercer a atividade de pescador
artesanal.
Vejam os comentários que inseri nas laterais das páginas com observações so-
bre pontos importantes do processo administrativo com dicas práticas.
Processos Administrativos Simulados 443

Colaciona-se abaixo o processo administrativo simulado deste caso:


444 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa
Processos Administrativos Simulados 445
446 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

A inscrição na Secretaria
de Pesca é um excelente
início de prova material
da condição de Segurado
Especial Pescador Artesanal,
desde que não seja recente.
Processos Administrativos Simulados 447

Veja que na
certidão de
casamento
consta a
profissão do
segurado como
pescador
448 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

A Declaração Sindical possui equívoco. Reconheceu atividade de


segurado especial desde o ano de 1956, mesmo ano de nascimento
do requerente.
É evidente que um bebê não trabalha. Certamente é erro material.
Processos Administrativos Simulados 449
450 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

O requerente é inscrito como segurado


especial desde 14 de setembro de 2005.
Processos Administrativos Simulados 451

O INSS homologou pouco


mais de 11 anos de carência na
condição de segurado especial.
452 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

A entrevista rural é
obrigatória nos processos dos
segurados especiais.
Processos Administrativos Simulados 453

O INSS indeferiu o benefício em razão de o


segurado não possuir 15 anos de carência rural.
Não concedeu a aposentadoria por idade híbrida
(soma de carência rural com urbana) porque o
segurado não possuía 65 anos de idade.
454 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

Neste processo há fundamentação específica


sobre o indeferimento. Está motivado.
Infelizmente nem sempre isso ocorre.
Processos Administrativos Simulados 455
456 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

O segurado interpôs recurso


ordinário no prazo de 30 dias.
Processos Administrativos Simulados 457
458 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

Trata-se de Consulta Processual Judicial para verificar se o segurado


entrou com ação judicial, pois geraria a desistência do recurso
administrativo, nos termos do artigo 126, § 3º, da Lei 8.213/1991.
Processos Administrativos Simulados 459
460 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

Carta de indeferimento do benefício. Deveria ter


sido juntada antes do recurso inominado.
Processos Administrativos Simulados 461
462 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

O INSS manteve o indeferimento.


Poderia ter se retratado. Mas optou
em apresentar contrarrazões ao
recurso administrativo, que agora
será julgado por junta do CRSS.
Processos Administrativos Simulados 463

Atualmente se chama Conselho de


Recursos do Seguro Social.

Minis tério da P revidência S ocial


C ons elho de R ecurs os da P revidência S ocial
11ª J unta de R ecurs os

Número do P roces s o: 44232.772306/2016-89


U nida de de Origem: AG Ê NC IA DA P R E V IDÊ NC IA S OC IAL NAZAR É
B enefício: 41/172.983.246-3
E s pécie: AP OS E NTADOR IA P OR IDADE
R ecorrente: ANTONIO C AR L OS DIAS
R ecorrido: INS TITU TO NAC IONAL DO S E G U R O S OC IAL - INS S
As s unto: INDE FE R IME NTO
R ela tor: E L ZA C AMP E L L O V IE IR A

R elatório

ANTONIO C AR L OS DIAS recorre contra a decis ã o do INS S que indeferiu s eu pedido de a pos enta doria por ida de,
protocola do em 07-06-2016, a os 60 (s es s enta ) a nos de ida de, na condiçã o de s egura do es pecia l a lega ndo fa lta de
período de ca rência , nã o comprovou efetivo exercício de a tivida de rura l, conforme ca rta de p.44.
P a ra comprova çã o da a tivida de rura l, a pres entou os s eguintes documentos :
-C a rteira de pes ca dor profis s iona l emitida pelo Minis tério da Agricultura – S U DE P nº. 18-507 emitida em 17-06-
78.
-Ficha de Ins criçã o nº. 087 na Federa çã o dos P es ca dores do E s ta do da B a hia da ta do de 1978, nº. de P IS
10709604780, ins criçã o no INS S 1123783034-0.(p.05).
-C a rteira de pes ca dor profis s iona l emitida pela S ecreta ria E s pecia l de Agricultura e P es ca – S E AP da ta da de 14-
09-2005.
-C ertidã o de ca s a mento rea liza do em 18-04-81, cons ta ndo a profis s ã o de pes ca dor (p.06).
- Decla ra çã o do exercício de a tivida de emitida pela C olônia de P es ca dores AQ.Z-10 de C a cha P regos – V era
C ruz – B a hia , informa ndo que o interes s a do exerce a tivida de de pes ca dor em regime de economia fa milia r, filia do
a o s indica to des de 20-06-1978 (p.07/08)..
C a da s tro Na ciona l de Informa ções S ocia is , mos tra ndo contra to de tra ba lho na á rea urba na no período de 24-08-
77 a 06-09-77. A pa rtir de 01-03-89 iniciou como contribuinte a utônomo perma necendo a té 30-04-2002. R einiciou
em 14-09-2005 como s egura do es pecia l. A pa rtir de 01-04-2008 tra ba lhou no Município de V era C ruz a té 31-12-
2008. (p.09).
Foi homologa do pela Auta rquia o período de 14-05-05 a 06-06-2016 como pes ca dor a rtes a na l (p.10).
E ntrevis ta rura l em p. 11, o recorrente decla ra que é pes ca dor a rtes a na l, pes ca com ca noa s ozinho e ta mbém
com outros pes ca dores . Nã o vive da pes ca .
Da pa gina 24 a 39 em bra nco.
Na s contra rra zões em p.48, a AP S – Na za ré ma ntém o indeferimento uma vez que o requerente nã o
completou 180 mes es exclus ivos como s egura do es pecia l.

As s ina tura do documento: T Y vJ DcAwDMNW6Q IB 5E u2M1uHr_ NoUY IvE coUZxcE qY MHrP E id04-
km4J hs G _G n2yea k2jJ Uhs _ L 3V ggX a kleK lu51R 8
As s ina do digita lmente pelo pres idente: 0ba b6fb943ba a f088fb65de946d9c348
As s ina do digita lmente pelo(a ) rela tor(a ): 0ba b6fb943ba a f088fb65de946d9c348
464 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa
Processos Administrativos Simulados 465
466 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa
Processos Administrativos Simulados 467

Não houve a interposição de recurso especial pelo INSS ou pelo segurado, que acataram a decisão
da junta de recursos, embora não conste dos autos prova de notificação da decisão ao segurado.

S E Ç Ã O DE R E C ONHE C IME NTO DE DIR E ITOS (0452512), em 18 de A gos to de 2016

R ec orrente: ANTONIO C AR L OS DIAS


P rotoc olo: 44232.772306/2016-89
NB : 41/172.983.246-3
A s s unto: Apos enta doria por ida de

1. C iente;
2. Tra ta -s e de provimento P A R C IA L exa ra do pela 11ª J unta de R ecurs os a tra vés do Acórdã o nº 3816 /
2016 de 17/08/2016, em fa vor do recorrente, conforme evento 10;
3. C ompuls a ndo-nos a os a utos verifica mos que nã o ca be recurs o do INS S a ins tâ ncia s uperior do
C R P S , cons oa nte a o que determina o R egimento Interno do C R P S , a prova do pela P orta ria MP S nº 548 de 13/09/2011;
4. R ea liza da a ná lis e por es ta S eçã o, nã o s erã o interpos tos E mba rgos Decla ra tórios , vis to nã o ha ver
incidentes proces s ua is como obs curida de, a mbiguida de ou contra diçã o;
5. Dia nte do a cima expos to, enca minha mos o pres ente pa ra que a AP S a tenda a o dis pos to nos
rela tórios do evento 10;
6. A 04025050 pa ra ciência a o recorrente, nos termos do a córdã o epigra fa do, a brindo pra zo de recurs o
à s C â ma ra s de J ulga mento, s e a s s im o des eja r.

DOR AL IC E S ANTANA C OE L HO
T éc nic o do S eguro S oc ial
0882641
468 Frederico Amado • Prática Previdenciária Administrativa

2. PROCESSO ADMINISTRATIVO CONCESSÓRIO DE AUXÍLIO-DOENÇA


A concessão do auxílio-doença requer a qualidade de segurado na data de iní-
cio da incapacidade, bem como a integralização de carência de 12 contribuições
mensais, salvo incapacidade por qualquer acidente, doenças ocupacionais e doen-
ças graves previstas no artigo 151 da Lei 8.213/91.
Ademais, requer a incapacidade para o trabalho habitual por mais de 15 dias
consecutivos.
CASO SIMULADO PELO AUTOR DA OBRA: Cuida-se de requerimento de
concessão de benefício por incapacidade oferecido pelo Sr. Frederico, inscrito
como contribuinte individual da Previdência Social no CNIS.
Na verdade, o requerente já chegou a receber um auxílio-doença que foi ces-
sado em 13/2/2015 por recuperação da capacidade laboral.
O segundo requerimento administrativo foi acolhido, sendo o benefício foi
concedido na via administrativa pelo INSS até 24/7/2016, data prevista para a ces-
sação programada.

Você também pode gostar