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FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA – UNIPAMPA

CAMPUS URUGUAIANA
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS: QUÍMICA
DA VIDA E SAÚDE
HISTÓRIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA

AS EPISTEMOLOGIA DO FALSIFICACIONISMO DE KARL POPPER

KARL POPPER (1992 – 1994)

Nascido em Viena, é considerado uns do principais epistemologias de século XX.

Doutorou-se em Filosofia. Construiu uma crítica ao Círculo de Viena. Sua principal


contribuição à epistemologia moderna foi a teoria da FALSIFICABILIDADE.

• Dedicou-se a pensar no que denominava RACIONALISMO CRÍTICO;

• Perguntando: “o que era Ciência?” e “o que era a história da Ciência?”;

• Teorias surgiram em determinados momentos e condições;

• Não a verdade absoluta; há uma ampliação do olhar;

• Crítica ao método indutivo: Se criavam verdades a partir de conjunturas


particulares, através da repetição. O método é válido, mas não pode-se afirmar
que através dele se chegaria a verdades absolutas.

EXEMPLO CLÁSSICO DA FALHA DO MÉTODO INDUTIVO:

"todos os cisnes que temos visto são brancos e, portanto, todos os cisnes são brancos"

Premissa: Um cisne, que não era branco, foi observado no local x e momento n.

Conclusão: Nem todos os cisnes são brancos.


CHALMERS USA O EXEMPLO DO CORVO NEGRO

Antes de Popper:

Platão:​ buscou encontrar na ciência uma verdade correspondesse a realidade.

“Quando eu penso em alguma coisa e meu pensamento é idêntico a essa realidade,


significa que o conhecimento é válido, científico e seguro”

Descartes:​ evidência lógica

“Minha intuição permite que o conhecimento seja tão claro que eu não consiga duvidar
da verdade dele – estaria mais perto da ciência”

“Penso logo existo”

Francis Bacon: com o método indutivo tentou buscar na observação dos fenômenos
empíricos a prova para determinados conhecimentos e assim afirmar a ciência.

A LÓGICA DA PESQUISA CIENTÍFICA

No prefácio:

Popper declara que “[...] o problema central da Epistemologia sempre foi e continua a
ser o problema do aumento do saber. O aumento do saber pode ser mais bem analisado
se analisarmos o aumento do conhecimento científico”

A filosofia não tem estrutura organizada e o filósofo raramente encontra problemas


genuínos. ​Popper tem a preocupação na distinção entre o trabalho do cientista e o do
filósofo.

Desenvolvimento da pesquisa – por parte do pesquisador, diga-se CIENTISTA –


desenvolve-se através de uma “estrutura organizada”: a partir da existência de uma
estrutura de doutrinas científicas já existentes e com uma situação-problema que é
reconhecida como problema nessa estrutura já estabelecida.
O cientista deve levar em conta todo um contexto no qual se apresentam as teorias já
propostas por outros cientistas e os problemas, reputados como relevantes neste
contexto.

Prática da ciência – história e desenvolvimento

Não pode ignorar os avanços e os fracassos da ciência

A Ciência é coletiva, pois são seus pares que irão avaliar sua contribuição de modo a
determinar se irá compor o cabedal do conhecimento científico.

SOBRE A PRIMEIRA PARTE DO LIVRO “LOGICA DA PESQUISA


CIENTÍFICA​”

CAPÍTULO I – Colocação de alguns problemas fundamentais

Problema da indução

São enunciados particulares que são generalizados por um contexto particular, verdade
conhecida através da experiência – observada ou experimentada

Para Kant, a indução é válida ​a priori​. Para Popper é um desculpa, uma justificativa
para um método que não tem o poder da verdade Científica.

A indução seria um poder de decisão – uma probabilidade refutável.

Regride-se ao ​apriorismo.​

DEVE-SE PENSAR/USAR NO MÉTODO DEDUTIVO POR PROVA - cientista


de provar suas teorias

TUDO DEVE SER SUBMETIDO A PROVA – hipótese deve ser submetida e


conclusões devem ser comparadas. A partir daí pode-se afirmar se é empírica ou
científica, ou ainda, tautológica. Deve-se pensar se a teoria posta à prova é um avanço
para a Ciência. Só assim pode-se aplicá-la.
O falsificacionismo segue uma progressão hierárquica - como a ciência começa com
problemas, depois temos as hipóteses e conjecturas, logo após essas hipóteses são
testadas, sendo que algumas podem ser eliminadas imediatamente, outras perduram, e
devem ser submetidas a críticas e testes ainda mais rigorosos.

Depois da hipótese ter sido altamente falsificada, surge então como resultado, um novo
problema. Este será tratado com críticas e testes de novo aspecto, e assim o processo
continua. Só abrindo o parêntese que nenhuma teoria pode-se afirmar como
absolutamente verdadeira, mesmo ela tendo passado por esse processo incontáveis
vezes

Mesmo que o resultado seja positivo, a teoria ainda é provisória.

TAUTOLÓGICA - ​que já existe, só que com nome diferente.

O que diria o que é científico ou não? Como definir/demarcar?

Indução não proporciona um critério adequado de demarcação entre a ciência empírica e


os sistemas metafísicos. Pois interpretam os problemas com visão naturalista
(positivista, verificacionista). Usando os mesmos procedimentos de análise.
Revela-se aqui a impossibilidade de verificação de todas as teorias já existentes, e as
verdades que em cima delas foram cunhadas;

Uma teoria é científica se for confirmável. O que significa dizer que uma teoria é
confirmável? Significa dizer que pode ser parcialmente verificada pela experiência, pelo
confronto com os fatos;

Desconfiar de tudo que for anuncio universal

Nada é irrefutável

Falsear uma teoria não quer dizer que ela seja falsa.

Uma teoria é científica se for falsificável. Não podemos, a partir da indução, mostrar
que as nossas hipóteses são verdadeiras
Fazer um acordo entre empiria e metafísica, levando-se em consideração
particularidades, modos de fazer individuais dos cientistas.

Ciência empírica: mundo real ou de nossa experiência.

Sistema teórico que deverá sistematizar um mundo possível, da experiência possível


através do critério da demarcação.

A experiência deve ser submetida a provas e resistir às mesmas

Pela experiência se distingue um modelo teórico do outro.

A FALSEABILIDADE É UM CRITÉRIO DE DEMARCAÇÃO

Deve-se entender que nem todas afirmações são falseáveis, pois não possuem caráter
científico

“Choverá, ou não choverá, aqui amanhã”

Existe enunciados singulares, denominados leis da natureza: quanto mais proíbem mais
dizem. Eles devem ser a base do critério de falsear.

Como submetê-los a prova? premissa falseação empírica, justificação através das


experiências perceptivas. Separar o objetivo do subjetivo, ou seja, ter objetividade
científica e clareza subjetiva.

Conhecimento deve ter sentido objetivo, o subjetivo poderia servir de base a um


conhecimento objetivo. Exercício de objetivar a subjetividade.

Enunciado da FALSEABILIDADE É ASSIMÉTRICO.

Um boa lei ou teoria é falsificável porque faz afirmações decisivas sobre o mundo.
Quando mais falsificável a teoria, melhor ela será. Uma boa teoria afirma coisas
bastante amplas a respeito do mundo, assim, ela é altamente falsificáveis, e resiste a
falsificação toda vez que é testada.

A ciência irá progredir a partir de tentativas e erros.

CAPITULO II – O problema da teoria do método científico

A metodologia científica - preocupação a escolha de métodos.


A decisão pelo método deve levar em consideração os critérios de demarcação do
Falseacionismo.

Para os positivistas lógicos os enunciados devem apenas satisfazer certos critérios


lógicos de significabilidade e verificabilidade. Entretanto, para Popper, os enunciados
devem sofrer revisões – deve-se criticá-los e se for possível substituí-los por outros
melhores, a fim de modificá-los e corrigi-los.

SIGNIFICABILIDADE E VERIFICABILIDADE – eram


problemas/questões/teorizações FILOSÓFICAS

CRÍTICA DE POPPER:

● Ideia de significatividade: ausente de seu significado.


● Noção de verificabilidade: ausente da experiência.

As Limitações do Falsificacionismo – Crítica à Popper em Chalmers

Para Popper, as teorias poderiam ser falsificadas e rejeitadas. Porém, segundo Chalmers
(1993, p. 91) “Se são dadas proposições de observação verdadeiras, então é possível
deduzir logicamente a falsidade de certas proposições de observação, enquanto não é
possível deduzir a verdade de qualquer proposição de observação”.

O falsificacionismo também é falível.

EXEMPLOS:

● Newton e a lei da gravidade quase refutada pelo mau comportamento da órbita


do planeta Urano;
● Maxwell e a teoria cinética dos gases;
● Nicolau Copérnico e sua conjectura sobre a órbita do Sol
Esboçam que nem falsificacionista nem os indutivistas dão um relato compatível com o
que a ciência realmente é. Essas teorias, principalmente a de Copérnico, foram
mantidas, preservadas e desenvolvidas apesar de aparentes falsificações, só com os
séculos e o trabalho intelectual de muitos cientistas, para obter resultados satisfatórios
de observação e experimentos. Nenhuma explicação da ciência pode ser admitida como
satisfatória

REFERÊNCIAS

POPPER, K. R. A lógica da pesquisa científica. Primeira Parte. São Paulo: Cultrix,


2001.

CHALMERS, Alan F. O que é Ciência afinal? Tradução: Raul Filker. Editora


Brasiliense. 1993.

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