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Índice

APRESENTAÇÃO....................................................................................01

INTRODUÇÃO.......................................................................................04

A NATUREZA DO EMBRIÃO.....................................................................................12

O VALOR MORAL INTRÍNSECO DO HOMEM....................................................34

MEU CORPO, MINHAS REGRAS.............................................................................40

A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO.................................................................................48
SAÚDE PÚBLICA................................................................................................49
A PRÁTICA DIMINUI........................................................................................55
O LUCRO SOBRE A MORTE..........................................................................61

AS TESES QUE DEFENDEM O ABORTO................................................................65


A EUGENIA..........................................................................................................67
CONTROLE POPULACIONAL........................................................................72
A COMERCIALIZAÇÃO DE FETOS...........................................................79

ABORTO POLÊMICO....................................................................................................87
ABORTO SELETIVO...........................................................................................89
ABORTO TERAPÊUCO...................................................................................100
ESTUPRO............................................................................................................106

ESTOU PENSANDO EM COMETER ABORTO....................................................116

COMETI ABORTO, E AGORA?.................................................................................136

BIBLIOGRAFIA..............................................................................................................153
Apresentação
Aborto Explícito | Apresentação

Em nossos dias temos presenciado a grotesca diferença


entre o que significa ser humanista e humano. As ideologias têm
avançado rumo a destruição de toda ordem, ética e moral, ferindo
principalmente todo e qualquer fundamento Bíblico. Porém,
uma vez eliminada a Verdade, onde estaria a nossa finalidade,
segurança e significado? O Homem que busca afirmar-se como
o centro de todas as coisas, na alegação de direitos e liberdade,
acaba destruindo a si mesmo como pessoa e espécie.

Não é novidade para ninguém que os cristãos são


absolutamente contrários a tudo o que possa remeter às
ideologias do século. Mas, infelizmente, apesar do conceito ético
judaico-cristão, a boa parte daqueles que se dizem conservadores
desconhecem o que acontece por detrás das ideologias e o
motivo por sermos contrários a elas. Inclusive, infelizmente
vemos a própria libertinagem entrando em nossos púlpitos
através de pregações que elevam o livre-arbítrio humano, direito
incondicional do Homem, dentre outras doutrinas centradas no
homem. Os ortodoxos, por sua vez, são constantemente tidos
por retrógrados, fascistas, neopuritanos, contra a liberdade de
expressão, dominadores, controladores, homofóbicos, racistas
e cativos. Bastaria, entretanto, o esclarecimento da causa para
identificar o grande problema da doutrinação que cativa e mata
inúmeras de pessoas em todo o mundo todos os anos, das mais
variadas maneiras defendidas pelas ideologias do presente século.
Isso tudo é escravidão e morte do início ao fim!

Na obra, “O Aborto Explícito – O Aborto & Suas Implicações”,


iremos abordar um dos temas mais discutidos e abrangentes da

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Apresentação | Aborto Explícito

atualidade: o aborto. Isso porque este tema não diz respeito a tão
somente o uso de medicamentos ou procedimentos abortivos,
mas a todo um ciclo de degradação humana que começa na
mentalidade do povo e termina no extermínio em massa. Vamos
esclarecer a origem, propósito e fundamento das maiores heresias
propagadas na atualidade que tentam contra a família o tempo
todo. Ainda, não perdendo o alvo principal do tema, trataremos
de maneira pessoal com as pessoas que pensam em cometer ou já
cometeram aborto, além de esclarecermos a questão no contexto
do estupro e das recomendações médicas. Existe diferença
entre aborto e pena de morte? Até onde o aborto poderia ser
considerado homicídio? O que dizer sobre a saúde pública e
legalização do aborto? Quando, após a fecundação, podemos
considerar haver um ser humano ou mesmo uma gravidez? O que
dizer dos anticoncepcionais, eles são abortivos? O que fazer se as
circunstâncias não colaboram com o nascimento de uma criança?

Convidamos você a entrar nessa jornada de descoberta e


libertação através da exposição da verdade utilizando, inclusive, das
falas e explicações de aborteiros e movimentos pró-aborto. Nesta
obra você encontrará citações de diversos autores e vertentes que
não necessariamente seguem a cosmovisão cristã clássica.

Editores,
Ministério Reformai.

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Introdução
Introdução | Aborto Explícito

Aborto induzido, eis um tema que levanta debate em todo


o mundo nos seus diferentes aspectos: morais, éticos, políticos,
biológicos, econômicos, legais e religiosos. Há quem não se importe
com o assunto ou sequer demonstre uma posição a respeito, como
também quem julga ser apenas uma questão de saúde pública. Há
ainda aqueles que são radicalmente contra. Muitos pensamentos
sugerem a abolição do aborto, mas também uma multidão tenta
justificá-lo como sendo plausível. Certamente o aborto envolve
muito mais do que pensamos, o fato é que perdemos a dimensão
do assunto. Chega a ser assustador o número de teses que se
levantam para defender ou até afirmar a necessidade do aborto!

“O fato de que o aborto e o infanticídio resultam na destruição de


seres humanos inocentes não pode, em si, ser razão para encara-
los como sendo errados.” – TOOLEY, Machael - filósofo.

“Matar [bebês no ventre] é a coisa mais importante que eu poderia


fazer em minha vida.” – LINKINS, Emily - médica abortista.

“O crescimento demográfico infinito é impossível num planeta


que é finito, acabaria com a natureza, com tudo. Então, a redução
de crescimento populacional é bem-vinda.” – EUSTÁQUIO, José
Alves - professor da escola nacional de ciências estatísticas.

“O aborto não é um problema maior do que uma mastectomia.


Ambos são soluções para um problema.” – GRAMES, David - ex
aborteiro.

“O aborto deveria ser legalizado, e as vezes até necessário. Há

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Aborto Explícito | Introdução

momentos em que uma mãe deve ser capaz de decidir que o


feto, sendo humano completo, precisa morrer.” – WOLF, Naomi
- jornalista e ativista feminista.

“Ser um membro da espécie homo sapiens não é suficiente para


conferir um direito à vida.” – SINGER, Peter - filósofo secularista,
materialista.

“Os mentalmente defeituosos não têm direito a vida, podendo


ser mortos para servirem de alimento – se viéssemos desenvolver
um gosto pela carne humana – ou para fim de experimentação
cientifica.” – SINGER, Peter - filósofo secularista, materialista.

“É imoral não abortar bebês com Síndrome de Down.” – DAWKINS,


Richard – evolucionista.

“A coisa mais misericordiosa que uma grande família faz por


um dos seus pequeninos é matá-lo.” – SANGER, Margaret -
feminista.

Benjamin Solomon Carson, médico neurocirurgião, psicólogo,


escritor, professor e filantropo estadunidense, compara o aborto
com a escravidão e advoga por sua proibição total. Une-se a ele
grande parte da população em defesa da vida fetal enquanto, ao
mesmo tempo, outra parte da população defende o aborto em
algumas circunstâncias ou mesmo em qualquer circunstância,
apoiando-se no direito de decisão materno. Algumas instituições
investem bilhões de dólares para promover o aborto tendo por
finalidade causas próprias, sendo patrocinadoras mundiais de

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Introdução | Aborto Explícito

movimentos conhecidos por todos. Diante de tantas opiniões e


ações, para que possamos concluir algo sobre o assunto precisamos
refletir sobre e definir alguns pontos que dizem respeito ao aborto.
Não podemos ficar na superfície das opiniões enquanto estamos
abordando um assunto tão sério que é a vida ou, quero dizer, a
banalização da vida.

Sou cristã e, para mim, é impossível tratar do assunto sem


considerar a existência do Criador e Mantenedor da vida. Já Albert
Camus, ateu radical, diz que, em última análise, toda revolta do
homem é uma revolta contra a criação.

“A revolva metafisica é a revolta do homem contra a sua condição


e contra sua criação, ou contra os motivos de sua criação e que
justificariam sua condição”.

Precisamos considerar que um relógio aponta para um


relojoeiro, um prédio aponta para um engenheiro, uma obra de
arte aponta para um artista, assim por diante. Uma vez que toda
criação aponta e revela um criador, toda revolta do homem é uma
revolta contra o criador da criação. O que está por trás do aborto
é nada menos do que a revolta do homem contra Deus e isso fica
nítido em cada tese que defende o aborto, sendo algumas delas:
a negação da existência do Criador (e até da alma) – a crença no
evolucionismo; a tentativa de tomar o controle sobre si mesmo e
sobre o outro - egoísmo; a “agenda de gênero”; o domínio acima
do próprio Deus - antropocentrismo. Porém, ainda há quem queira
fazer um aborto sem mesmo concordar com ele, talvez por uma
questão de praticidade e/ou conveniência. Todos estes casos serão

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Aborto Explícito | Introdução

tratados neste material!

Estar contra a vida é o mesmo que estar contra o Criador e


Mantenedor da vida. Para crer nisto não é preciso ser cristão, como
corrobora o ateu Albert Camus. Você pode crer diferente ou ainda
não estar ciente disso, entretanto, convido você, leitor, que não é
cristão ou sequer acredita na existência de Deus para refletir sobre
o tema através deste material, pois nele abordamos os principais
aspectos que dizem respeito ao aborto, sendo eles também
legais, biológicos, morais e éticos. Não podemos tomar alguma
posição analisando apenas um lado da moeda, por isso, considero
de suma importância citarmos os movimentos que defendem o
aborto e o(s) motivo(s) do aborto ser defendido por eles. Convido
meus leitores a navegarem pela história que, infelizmente, em
muito é obscura. Sejamos claros ao tratar do tema em todas as
mentalidades. Examinando o aborto em tudo o que ele aborda e
acomete, teria ele fundamento plausível em alguma esfera? Ainda,
sobre as mulheres que se encontram na dúvida sobre abortar ou
não, ou até aquelas que já cometeram algum aborto, trataremos
do assunto de forma pessoal.

Apesar de óbvio, considero importante iniciar deixando


claro que o material aqui redigido só diz respeito – em todos os
aspectos - ao aborto induzido, isto é, ao aborto que não acontece
espontaneamente (quando a mulher “perde o bebê”). Conforme
o dicionário Houaiss, “aborto é a interrupção da gravidez com a
remoção ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero
materno, resultando na sua morte ou sendo por esta causada”. Isto
pode ocorrer de forma espontânea ou induzida, provocando o

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Introdução | Aborto Explícito

fim da gestação e, consequentemente, fim da atividade biológica


do embrião ou feto. Isto é importante ser destacado porque
existem mulheres que sofrem o aborto espontâneo e carregam
sobre si um fardo de culpa que não compete a elas, talvez por
fazerem alguma ligação ética, moral e até religiosa entre o aborto
que a acometeu e o aborto cometido (induzido), trazendo para
si alguma responsabilidade inexistente. Não existe comparação –
repito: em qualquer aspecto – entre o aborto induzido e o aborto
espontâneo. O aborto induzido gera a morte do embrião ou feto
por responsabilidade humana assumida (consciente/ proposital),
já o aborto espontâneo é gerado pela morte do embrião ou feto,
ocorrente por qualquer motivo biológico. Mulheres que estiveram
grávidas e perderam seus bebês são consideradas mães tanto
quanto aquelas que os viram nascer, pois delas houve vida, amor
e doação de forma semelhante. Trataremos disso também neste
material!

Mas, voltando ao assunto, seria o homem o dono da própria


vida e também alheia? Seria ele o centro de tudo, podendo decidir
a existência dos demais? Teria ele o controle acima do Criador? E
sobre os estupros e recomendações médicas para abortar? Existe
diferença entre aborto e pena de morte? Até onde o aborto poderia
ser considerado homicídio? O que dizer sobre a saúde pública e
legalização do aborto? Quando, após a fecundação, podemos
considerar haver um ser humano ou mesmo uma gravidez?
Anticoncepcionais são abortivos? O que fazer se a situação não
colabora com a recepção de uma criança? E se já foi cometido
o aborto, como tratar o assunto? Enfim, são muitos os pontos a
serem estudados.

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Aborto Explícito | Introdução

O aborto se tornou algo tão comum em banalização da vida


que podemos ouvir alguém dizendo: “vai um aborto aí?”. Isso é
estarrecedor! É triste saber que o lugar mais perigoso para um
indivíduo estar pode ser o ventre da própria mãe, já que não é a
criança que pode decidir por si mesma.

“O lugar mais perigoso do mundo é um ventre” - Cardeal Sin,


das Filipinas.

Isso me faz questionar até onde o egoísmo do Homem pode


conduzí-lo. Poderia ele pensar em algo além de si mesmo? Esse
tema me leva a refletir sobre a ganância e o profundo abismo
obscuro que é o coração do Homem. Não seria pecado?! Se nem
mesmo o útero materno pode propor segurança a nós, existiria
algum lugar seguro debaixo do sol? O aborto induzido me faz
entender como o ser humano se tornou inimigo de Deus, isso ao
ponto de ser o oposto dEle, pois enquanto Deus dá a própria vida
por Seus filhos pela graça, a humanidade é capaz de matar seus
filhos por egoísmo.

Como em minha parentela, o aborto (ou a possibilidade)


se tornou algo comum na maioria dos lares. Ele está mais perto
de nós do que parece e também por isso é de suma importância
o avaliarmos com critério. Já temos por natureza a tendência
de visarmos a nós mesmos que, hora ou outra, para a nossa
satisfação, de uma forma ou de outra, requerer a morte de
alguém. Se somarmos esta tendência (sem lutarmos contra ela)
a todo desconhecimento sobre o assunto, poderemos facilmente

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Introdução | Aborto Explícito

ser comparados aos piores assassinos já existentes.

“Matar não é tão grave como impedir que alguém nasça, tirar
a sua única oportunidade de ser. O aborto é o mais horrendo e
abjeto dos crimes. Nada mais terrível do que não ter nascido!” –
SABINO, Fernando.

“Eis porque o aborto é um pecado tão grave. Não somente se


mata a vida, mas nos colocamos mais alto do que Deus; os
homens decidem quem deve viver e quem deve morrer.” – Madre
Teresa de Calcutá

“A melhor foto que eu não fiz foi o filho que eu não tive.” –
BRUNET, Luiza - ainda carrega o sofrimento por ter abortado
aos seus 17 anos.

“As que já são mães e vão às ruas em defesa do aborto estão


deixando claro que seus respectivos filhos são apenas abortos
que ou esqueceram de acontecer.” – AZEVEDO, Reinaldo.

Este material é um brado pela vida e por aqueles que não têm
como se defender. Certa feita, alguém disse: “Aborto é condenar um
reuzinho sem crimes”.

“Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são
designados à destruição. Abre a tua boca; julga retamente; e faze
justiça aos pobres e aos necessitados.” - Provérbios 31:8,9 (Bíblia
Sagrada).

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A Natureza
do Embrião
A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

Como você já deve ter percebido pela introdução do nosso


tema, nossa ênfase está na palavra 'vida'. Isso porque um dos
pontos mais importantes a serem tratados, e que em alguns meios
definem os polos do debate, é a definição de quando o feto ou o
embrião se torna humano ou vivo: se na concepção, no nascimento
ou em algum ponto intermediário.

Biologicamente falando, há quem defenda a teoria de que


o feto se torna humano apenas no nascimento, como também
quem acredite que isso ocorra em determinado momento do
seu desenvolvimento (como quando o coração começa a bater
ou quando o cérebro começa a emitir ondas). Há ainda aqueles
que acreditam ser o embrião humano desde o princípio – desde a
concepção, quando ainda é chamado de zigoto. Afinal, o feto em
desenvolvimento já é um ser humano, ele já é vivo? Para algumas
pessoas, um embrião não passa de uma 'bola de sangue' por
considerarem não ter ele ainda consciência.

"Durante séculos e séculos, a ciência discutiu o momento exato do


início da vida humana. E, por muito tempo, muitos acreditavam
na rudimentar teoria do filósofo Aristóteles, que viveu no século IV
a.C., e chegava a afirmar que, durante os três primeiros meses de
vida, o feto apenas teria vida vegetal e animal. Com o passar dos
séculos e o aprimoramento de conhecimentos científicos, novas
teorias acerca do começo da vida humana ganharam dimensão.
E, até nos dias atuais, diante de discussões sobre a utilização
de células embrionárias, por exemplo, este assunto vem à tona,
suscitando as mais diversas justificativas a respeito do momento
em que é formado um ser humano. Na realidade, a partir do

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova


vida, que não é a do pai nem a da mãe, mas sim a de um novo
ser humano que se desenvolve por conta própria, chamado de
ovo ou zigoto, depois de embrião ou feto." - SANTOS, Ivanaldo -
Doutor em estudos da linguagem, professor do departamento
de filosofia e do mestrado em Letras, coordenador da linha
de pesquisa 'Epistemologia e educação'.

Resolver essa questão faz toda a diferença no tema que


estamos abordando, pois aqueles que se baseiam na tese do
embrião não humano, ou não humano até certo ponto do seu
desenvolvimento, acreditam que não seja errado abortar (ou
abortar antes do ponto específico até o embrião se tornar humano),
pois, nesse caso, não estariam matando um ser humano. Isso
descaracterizaria o aborto como sendo um crime de homicídio.
Além de nosso tema, esta questão aborda as pesquisas e uso
de células tronco, o manuseio de embriões em laboratório, o
congelamento de embriões humanos, dentre outros.

"São seres humanos, sem dúvida. Se toda vida começa com o


óvulo fecundado, como poderiam não ser? É só por cinismo ou
arrogância que alguém pode dizer que não sabe onde começa
a vida. O Código Civil de 2002 diz que a personalidade civil da
pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei garante, desde
a concepção, os direitos do nascituro. A Constituição garante a
todas as pessoas a inviolabilidade do direito à vida" - GARCIA,
Maria - advogada e professora de biodireito constitucional.

Sobre ser vivo, a união de duas células vivas é um zigoto,

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

obviamente vivo. Tendo cursado medicina, amando a área da


embriologia, o que sempre me admirou foi a forma criteriosa,
espetacular e rápida como se forma e desenvolve um zigoto,
embrião e feto. Para entendermos um pouco mais o assunto,
vamos expor o que isso significa:

Zigoto é a fase inicial da vida de um novo indivíduo,


consequente da reprodução sexuada. É o nome do óvulo
fecundado, mais conhecido como 'célula diplóide', resultante da
união dos núcleos de duas células mutuamente compatíveis, isto
é, dos gametas masculino e feminino (óvulo e espermatozoide)
da mesma espécie. Os gametas masculino e feminino carregam
consigo as informações genéticas da espécie que, ao se unirem,
dão origem a um novo ser da espécie com suas características
pessoais. Apesar de o DNA, em si mesmo, não se tratar de um
material vivo, as células que o contém, deram origem e são
descendentes são vivas em todo o processo, desde a fecundação.
Em nosso genoma, formado na concepção, existem 30 a 40 mil
genes com instruções para a formação e funcionamento de todo
o processo de desenvolvimento do ser humano, o que diz respeito
a absolutamente todas as suas características físicas e fisiológicas.
Gozar da união celular que constitui, em si mesma, um indivíduo
completo, e ainda assim afirmar ser tão somente um aglomerado
de células, é um tanto leviano. São 3 bilhões de elementos
ordenados sequencialmente, o que seria equivalente a 800 Bíblias
ou 4 mil livros de 500 páginas cada. As características genéticas
da espécie (já) fazem com que esse indivíduo seja da espécie de
seus progenitores e as características pessoais resultantes dessa
união dá ao ser o nome de indivíduo (um ser singular). Se estamos

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

falando da espécie humana, logo estamos falando que um zigoto


já é humano por ser um indivíduo da informação genética humana,
isto é, da natureza humana, vivo e em desenvolvimento.

Embrião é o nome que é dado para a fase seguinte, o início


do desenvolvimento nas primeiras divisões celulares (ou a camada
primária de células). Isso ocorre dentro de 5 dias após a fecundação,
ainda antes de o embrião ser implantado no útero materno.
Em cada célula do nosso organismo, o filamento estendido de
DNA chega a ter cerca de 2 metros, afirmando e confirmando
a concepção a cada divisão celular. Assim, se todo o DNA fosse
emendado em um único filamento, seria tão comprido que se
estenderia da Terra à Lua, ida e volta, várias vezes, possuindo 20
milhões de quilometros. Toda esta origem, porém, está completa na
fecundação. Embrião diz respeito ao processo que dá origem aos
tecidos presentes no corpo humano, o que dá origem aos órgãos,
membros e a absolutamente todo o corpo que é inteiramente
formado pelos tecidos. Isso quer dizer que todo o material para
o desenvolvimento humano já está ali presente e todo o processo
ocorre dentro da bolsa amniótica no ventre materno através das
divisões celulares.

O embrião deixa de assim ser chamado, passando a ser


chamado de feto, na oitava semana após a concepção. Estamos
falando de desenvolvimento e feto é o nome dado à fase quando já
são formados os membros do indivíduo, o qual é nominado feto até
o seu nascimento quando passa a ser chamado de recém-nascido,
perdurando o nome “feto” todo o restante do desenvolvimento e
amadurecimento biológico do indivíduo no período da gravidez.

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

Um indivíduo, em qualquer fase de desenvolvimento


intrauterino – seja zigoto, embrião ou feto - é vivo. Não é este um
ponto questionável. O que causa divergências e que acaba sendo
uma tentativa de justificação para o aborto induzido é: seria um
simples aglomerado de células ou seria um ser humano?

Não é possível crer que, em qualquer fase do desenvolvimento


fetal, alguém que tenha todas as informações de humano seja
algo diferente de humano. Um zigoto ou um embrião não é uma
ameba ou qualquer ser sem classificação. Um indivíduo não é
biologicamente mais humano ou menos humano conforme seu
desenvolvimento e/ou degradação, tampouco conforme sua forma
física, desenvoltura ou acolhimento na comunidade humana. Se
considerássemos fase de desenvolvimento da vida como sendo
fator que define a humanidade dos indivíduos humanos, logo,
posso crer que uma criança é menos humana que um adulto pelo
fato de não estar tão desenvolvida dentro da espécie como um
adulto. Ou então, alguém que possua um membro a menos, ou a
mais, ou alguém com maior peso, ou menor peso, não poderiam
ser considerados humanos, por se destinguirem daquilo o que
consideram ser o 'padrão' da espécie humana.

Até o décimo oitavo dia após a união dos gametas (após a


concepção), o embrião é desenvolvido em total dependência da
mãe até que, a partir de então, se inicia a formação do sistema
cardiovascular – artérias, arteríolas, vênulas, veias e capilares.
O sistema cardiovascular é o primeiro a funcionar no embrião,
principalmente devido à necessidade de um método eficiente

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

de captação de oxigênio e nutrientes, de forma um pouco


mais independente da mãe. Em questão de dias se iniciam os
batimentos cardíacos, isto é, o coração começa a bater entre o
vigésimo segundo e vigésimo quarto dia, enquanto o fluxo de
sangue começa na quarta semana do desenvolvimento, podendo
ser visto através da ultrassonografia.

Você pode estar me perguntando o porquê dessas


informações. Acontece que existem três classificações de aborto:
- O Aborto subclínico: abortamento que acontece antes de
quatro semanas de gestação;
- O aborto precoce: entre quatro e doze semanas;
- O aborto tardio: após doze semanas.

São raros os abortos subclínicos, antes dos vinte e dois dias


após a concepção, até porque antes deste tempo raramente a
mulher consegue detectar uma gravidez e, muito menos, tomar
a decisão de abortar. Isso significa que os abortos induzidos
raramente são feitos antes do coração do feto começar a ser
formado ou a ter batimentos. Ou seja, a grande maioria dos abortos
implica a interrupção dos batimentos de corações humanos. Com
apenas trinta dias após a concepção o embrião já tem cérebro e
com quarenta dias ele já emite ondas.

A questão que gera divergência é mais pedagógica do que


biológica ou mesmo espiritual. Em nenhum momento biológico
ou espiritual o feto muda de natureza, portanto, trata-se do tempo
de desenvolvimento do feto e não da natureza do feto. A pergunta
a ser feita, portanto, não é quando começa a vida humana, mas

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

sim o que é vida humana. É fato que de um ventre humano não


poderá vir uma bactéria, um cachorro, um camelo, uma ameba, um
ovo de dinossauro, um verme ou um elefante. É obvio que de uma
mulher venha um bebê humano, portanto, não estamos falando
de uma natureza que muda conforme o tempo, mas apenas do
tempo de desenvolvimento do feto ou da vida humana. Um feto
não se torna humano apenas no seu nascimento quando apenas
tem o nome da sua fase de desenvolvimento mudado para 'recém-
nascido', assim como uma criança não se torna humana só quando
atinge sua fase adulta.

A lógica de alguns é que um recém-nascido é ser humano


e o feto não é recém-nascido, logo, um feto não é humano e o
aborto é permitido. Mas, se formos seguir essa lógica, poderíamos
afirmar que um adulto é ser humano e uma criança não é adulta,
logo, uma criança não é humana e então o infanticídio é permitido.
A questão é que estamos falando de ser humano e não de estar
humano. A vida humana é composta por vários estágios e um
humano nunca para de mudar até a sua morte, seja física, mental
ou espiritualmente. Seu desenvolvimento dura até a fase adulta
e não são apenas os adultos considerados humanos. Porém a
natureza humana - a substância, a característica genética e a forma
– nunca muda. Se eu lhe mostrasse uma imagem que contenha:
um feto, um recém-nascido, uma criança de cinco anos, uma de
dez, um adolescente, um adulto e um idoso e lhe perguntasse
qual é a representação da espécie humana, haveria um deles em
especial? Uma vez que a vida humana é composta por vários
estágios, nenhum deles a deduz com exclusividade!

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

“Em resumo, o ser humano não é determinado por seu estágio


de desenvolvimento, mas por ser humano. A vida de um humano
normal se transforma através de mudanças contínuas, contudo
nenhuma delas muda sua condição humana. Se infelizmente uma
criança cessa seu desenvolvimento normal, isso faria dela menos
humana por não chegar em outro estágio que denominamos de
adulto?” – KUSTER, Bernardo - palestrante e autor.

“Como podem ver, não existe mudança dramática na forma


ou na substancia desse ser durante o seu desenvolvimento. É
inegavelmente um ser humano. ” – NATHANSON, Bernard -
médico ginecologista, obstetra, ex aborteiro.

"O que define um ser humano é o fato de ser membro da nossa


espécie. Assim, quer seja extremamente jovem (um embrião), quer
seja mais idoso, ele não muda de uma espécie para outra. Ele é
da nossa estripe. Isto é uma definição. Diria, muito precisamente,
que tenho o mesmo respeito a pessoa humana, qualquer que
seja o número de quilos que pese, ou o grau de diferenciação
das células". - LEJEUNE, Jérôme - médico francês, pediatra
e professor de genética, a quem se deve a descoberta da
anomalia cromossômica que dá origem à trissomia.

Quem analisa a forma como é feito um aborto, identifica a


criminalidade e crueldade de tal. Para se tirar um bebê de 80 dias
de sua mãe, a mulher é colocada na posição adequada e nela é
introduzido um tubo de sucção (aspiração à vácuo) que desmembra
a criança brutalmente. Alguns desses membros passam pelo tubo
de sucção, porém outros podem ser grandes demais e ficam,

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

aleatoriamente, soltos no ventre. Uma pinça é inserida na mulher


para esmagar a cabeça do feto, pois a cabeça inteira não pode
passar pelo tubo ou ser retirada. A criança nessa fase, como pode
ser visto, já está completamente formada. Suas mãos e pés são
menores que um quarto de uma moeda, porém, totalmente iguais
às mãos de um adulto. Durante o aborto, ainda quando o tubo
está sendo inserido na mulher, a criança fica agitada, desesperada,
sabendo que está em risco. O ultrassom realizado durante o aborto
pode identificar perfeitamente o desespero e agitação da criança
antes de começar a ser desmembrada e morta.

Mas por que isso é feito? Porque se matarem a criança já


quando está fora da mãe serão tidos por assassinos, porém, se
a morte induzida ocorrer quando o bebê ainda estiver dentro da
mãe, será 'apenas aborto'. Agora, por favor, leitor, pare e reflita a
respeito. Qual é a diferença entre o aborto e o assassinato? O estar
dentro da mulher, por questão de segundos (ou que sejam meses),
é o que tem poder de ausentar do aborto a caracterização de crime?
Ou então, seria a forma como o aborto é feito o 'amenizador' do
crime? Um medicamento, um procedimento, antes ou depois, muda
o fato de que estamos falando de assassinato? E, se assassinato é
crime, por que é tratado como excepcional, exclusivo, com direito
de ser? Considere um bebê prematuro, ele era para estar ainda
no ventre materno se avaliado pela sua maturidade física. Porém,
pode ser retirado de sua mãe e, fora dela, não pode ser morto.
Então por que ele poderia ser morto se estivesse dentro do ventre
materno?

O aborto induzido pode ser feito mediante uso de

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

medicamentos ou através de procedimento cirúrgico, isto é,


existe o aborto químico (tóxico) e o aborto mecânico. No aborto
químico/tóxico geralmente é usado um medicamento que
contém a combinação de antiprogestativo mifepristone com uma
prostaglandina. O medicamento bloqueia o desenvolvimento
fetal, o que pode não ser suficiente e, em alguns casos, se faz
necessário o procedimento cirúrgico para matar ou simplesmente
retirar o feto morto. Entretanto, existem vários meios químicos
de se realizar (ou tentar realizar) um aborto. O aborto químico,
independente se 'eficaz' ou não, como o próprio nome já diz, é
causado em primeira instância pela intoxicação da mulher, o
que pode causar diversos danos ainda piores do que causariam
os abortos mecânicos, inclusive a morte. Já o aborto mecânico
considera os procedimentos realizados em clínicas ou mesmo os
caseiros que não por meio de toxinas. O aborto cirúrgico pode
ser feito em poucos minutos, com anestesia geral ou local, para
remover o embrião ou feto. Caso durante o procedimento o
embrião permaneça vivo, conforme vimos, ele é assassinado de
maneira covarde, entretanto, não mais cruel e covarde do que
através das outras formas.

O feto sente dor? Essa é uma questão ainda abordada em


todo o mundo pelos especialistas na área de neurologia que ainda
gera conflitos. Estudos tentam averiguar o momento em que uma
criança passa a sentir dor. Alguns partem do princípio que um
feto só pode sentir dor após a sétima semana, pois os receptores
da dor são desenvolvidos nesse período. Já outros dizem que os
requisitos neuro-anatómicos necessários para isso estão presentes
apenas no segundo ou terceiro trimestre da gestação. Alguém

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

ainda mais radical afirma que um bebê só passa a sentir dor após
o seu nascimento, pois sugere que a sensação esteja ligada ao
desenvolvimento mental que ocorre após o nascimento. Isso
também interfere na opinião de alguns quanto ao embrião, zigoto
ou feto ser ou não humano. Para alguns, esse fato se torna um
'amenizador de consciência', pois julgar que um feto não sente dor
durante um aborto dá a sensação de alívio, pensando estes que o
feto não passa por sofrimento. Mas que diferença isso realmente
faria, senão nas perversas mentalidades?

Existem pessoas que perderam seus sentidos sensoriais com


problemas neurológicos e isso não faz com que elas deixem de ser
humanas e nem justifica o assassinato delas. E, aliás, muitas pessoas
são mortas através de um disparo de projétil, por exemplo, sem
terem sofrido qualquer dor, e esse homicídio não se torna menos
importante do que qualquer outro onde a vítima tenha agonizado
em dor. Apesar das muitas teorias, existe o uso de anestésicos para
'garantir que o feto não sinta dor', o que não torna o aborto menos
cruel, mais ético ou menos criminoso.

Como reage o feto durante o aborto? Seria possível ver


como isso é feito? Estaria, realmente, a criança imune a dor, a
pressentimentos ou a qualquer coisa que ocorre ao seu redor?
Estaria ela completamente inconsciente? Não é o que demonstra o
ultrassom durante um aborto ou mesmo a piscicologia. É bastante
comum as pessoas encontrarem no período intrauterino as raízes
de seus traumas e fobias, o que pode ser comprovado pela ciência
e testifica o fato de que estamos tratando de um ser humano
completo, ativo e não imune a tudo o que acontece ao seu redor.

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

Bernard N. Nathanson, judeu e ativista pró-aborto, foi um


médico ginecologista de Nova York especializado em aborto,
sendo o diretor da clínica que mais realizava o procedimento.
Era um dos líderes que lutavam pela legalização do aborto
nos Estados Unidos, considerando ser este um direito, isso
é, até rever a sua posição. Após se demitir da clínica onde era
diretor, Bernard Nathanson foi nomeado Diretor do Serviço de
Obstetrícia do Hospital de São Lucas de Nova York, onde criou o
serviço de Fetologia. Nesta função, a par das novas tecnologias
de ultrassonografia com as quais era possível acompanhar o
desenvolvimento do feto, reviu suas convicções sobre o aborto,
assumindo publicamente a sua nova posição. Isso ocorreu após,
através da nova tecnologia disponível, ver pela primeira vez, em
detalhes, o feto antes e durante o aborto. Agora era possível
ver detalhadamente e acompanhar a realidade de um aborto. “A
criança vai sendo torturada, desmembrada, desarticulada, esmagada e
destruída pelos insensíveis instrumentos de aço do aborteiro” – afirma.
Nessa condição reconheceu que há vida humana no feto, como
também que há valor nele sem qualquer distinção entre ele e
um adulto. Antes, ativista pró-aborto e, após ver o que acontece
realmente no aborto, ativista pró-vida, tornando-se um ícone do
movimento. Bernard Nathanson produziu um vídeo, disponível
na internet, chamado de “O Grito Silencioso”, o qual recomendo a
todos assistirem.

"Se, de fato, existe um ser humano presente desde a concepção,


então interferir em seu crescimento ou removê-lo do seu sistema
de apoio humano seria equivalente a matar um ser humano." –

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

MORGENTALER, Henry - médico e militante pró-aborto.

Biologicamente falando, com a confirmação da ciência, nós


estamos falando de um ser humano! É interessante observar
também a fala deste aborteiro – “removê-lo do seu sistema de
apoio humano”. Veremos adiante que existem movimentos que
consideram ser o feto um membro do corpo da mulher, já que
consideram ter a mãe o direito de decidir sobre a vida do feto em
nome do seu próprio corpo. Mas todo e qualquer médico, mesmo
pró-aborto, reconhece que a mãe é o sistema de apoio onde se
desenvolve o feto e não há nela direito de decidir sobre outro
corpo, outra vida, apenas por ser portadora de um útero. Apesar
de estar em seu corpo, a criança não é parte do corpo da mãe.

“Agora podemos dizer, sem medo de errar, que a questão de


quando a vida começa ... é um fato cientificamente estabelecido...
Trata-se de um fato determinado que toda vida, inclusive a vida
humana, começa no momento da concepção. ” – GORDON,
Hymie - chefe do Departamento de Genética Médica da
Clínica Mayo.

“Não tenho mais nenhuma dúvida de que a vida humana


existe dentro do útero desde o início mesmo da gestação” –
NATHANSON, Bernard - ex aborteiro.

“Quando uma pessoa tem início? Tentarei dar a essa pergunta a


resposta mais precisa de que a ciência de fato dispõe. A biologia
moderna nos ensina que os genitores são unidos à sua progênie
por um vínculo material contínuo, uma vez que é a partir da

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

fecundação da célula feminina (o óvulo) pela célula masculina


(o espermatozoide) que surgirá um novo membro da espécie. A
história da vida é muito longa, mas cada indivíduo tem um início
muito simples - o momento da concepção. (...) Cada indivíduo tem
um começo bastante singular: o momento da sua concepção. (...)
Aceitar o fato de que um novo ser humano passa a existir depois
de ocorrida a fecundação não é mais uma questão de gosto ou
opinião. A natureza humana do ser humano, da concepção à
velhice, não é uma discussão metafísica, é pura e simples evidência
experimental”. – LEJUNE, Jerome – Doutor e professor de
genética da Universidade Descartes, Paris, França.

“Em biologia e em medicina, é fato aceito que a vida de


qualquer organismo gerado por reprodução sexuada começa
na concepção (fecundação), no momento em que o óvulo da
fêmea e o espermatozoide do macho se unem para formar uma
única célula nova, o zigoto; esse zigoto é a célula inicial do novo
organismo.(...) É importante a definição porque parece haver
uma tendência em alguns círculos médicos de definir a concepção
como um momento da fixação do embrião em desenvolvimento
na parede do útero, em vez do momento da fecundação do
óvulo pelo espermatozoide. É essencial lembrar, uma vez que a
fixação ocorre por volta de 6 a 10 dias depois da fecundação, que
o processo de desenvolvimento do zigoto já está bem avançado
no momento em que ocorre a fixação.(...) Em resumo, é incorreto,
portanto, dizer que os dados biológicos não possam ser decisivos.
(...) Portanto, é cientificamente correto dizer que uma vida
humana individual tem início na concepção, quando o óvulo e
o espermatozoide se unem para formar o zigoto, e que esse ser

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

humano em desenvolvimento sempre é um mesmo da nossa


espécie, em todas as fases de sua vida. Nossas leis, das quais uma
das funções é ajudar a preservar a vida do nosso povo, devem
se basear em dados científicos precisos! ” – MATTHEWS-ROTH,
Micheline - doutora e principal pesquisadora associada da
faculdade de Medicina da Universidade de Harvard.

“Portanto, a partir do momento da concepção o organismo


encerra muitas moléculas complexas; ele sintetiza novas
estruturas intricadas a partir de matérias-primas simples; e
se multiplica a si mesmo. Por todos os critérios da moderna
biologia molecular, a vida está presente a partir do momento da
concepção” – GORDON, Hymie - chefe do Departamento de
Genética Médica da Clínica Mayo.

“Do ponto de vista médico há enorme quantidade de documentos


que demonstram que o embrião humano é uma pessoa distinta,
biologicamente diferenciada da mãe. Do ponto de vista jurídico
e médico, está fora de dúvida. No meu pensamento e ao que
sinto, como também no pensamento da maioria dos indivíduos
que pensaram seriamente na questão: o momento exato da
existência de um ser como pessoa e do corpo humano é o
momento da concepção. ” – DEMERE, McCarthy - advogado
e médico praticante. Professor de direito da Universidade de
Tennessee.

“Aprendi desde o início da minha formação médica que a vida


humana tem início no momento da concepção. Os livros didáticos
convencionais usados nos cursos que eu fiz e empregados até hoje

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

afirmam isso. (...) Não estou mais preparado para dizer que esses
estágios iniciais representam um ser humano incompleto do que
estaria para dizer que a criança, antes dos drásticos acontecimentos
da puberdade, que descrevi, não é um ser humano. Trata-se da
vida humana em todos os estágios, embora incompletos, até a
fase final da adolescência.” – BONGIOVANNI, Alfred - ex-chefe
de pediatria da Universidade de Ife, atualmente membro do
corpo docente da faculdade de Medicina da Universidade da
Pensilvânia.

“A característica singular da vida humana é o comportamento


mental associado ao desenvolvimento de características corporais
de influência genética. (...) Esse processo começa quando o
espermatozoide fecunda o óvulo. ” – WILLIAMS, Jasper - ex-
presidente da Associação Médica Nacional dos Estados
Unidos, atualmente da Clínica Williams de Chicago.

“Uma coisa é certa. Depois da fecundação há uma série inexorável


de acontecimentos que se desdobra com a divisão, movimentação,
acomodação temporária, diferenciação e agregação das células
com uma precisão e uma determinação desnorteante. Nas
primeiras horas, dias e semanas desse desenvolvimento um
observador hipotético, se pudesse testemunhar esse drama em
nível microscópico, consideraria identificar precisamente quando
ocorreram as principais mudanças qualitativas, exatamente
como os pais que observam diariamente o crescimento e
desenvolvimento de seu filho são incapazes de dizer precisamente
quando ele ou ela deixou de ser criança e se tornou adulto. Assim,
o início de uma vida humana única é, do ponto de vista biológico,

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

uma questão simples e de fácil compreensão. O princípio de uma


vida humana individual é uma questão simples e objetiva – o
princípio é a concepção. Esse simples fato biológico não deveria
ser distorcido para servir a propósitos sociológicos, políticos ou
econômicos. ” – BOWES Jr., Watson - Faculdade de Medicina
da Universidade de Colorado.

Unem-se a estes nomes, médicos especialistas de todo


o mundo com uma única afirmação, sem qualquer vestígio de
dúvidas: Somos humanos desde a concepção, estamos falando de
natureza e não de momentos de desenvolvimento dessa natureza!

Aqui foram citados os maiores geneticistas do mundo. Em


uma comunicação pessoal perante o Congresso dos Estados
Unidos, Harold W. Manner, chefe do departamento de Biologia da
Universidade Loyola de Chicaco, afirma:

“Quando um espermatozoide humano fecunda um óvulo


humano, o resultado é um ser humano – a partir do momento
da concepção. A morte infligida a esse ser humano vivo tem de
ser considerada um homicídio”.

Sabemos, portanto, que logo na fecundação temos um ser


humano. Um ponto, porém, que causa dúvidas na maioria das
mulheres e acaba influenciando outros demais fatores, é sobre
quando realmente se inicia a gravidez. Isso porque o corpo
materno não consegue identificar imediatamente uma gravidez
na ocorrência da fecundação, mas sim no momento da nidação.
A fecundação ocorre ainda no interior das trompas, e o zigoto em

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Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

seguida se encaminha na direção do útero para se fixar nele. Após


a fecundação, o (já) embrião demora cerca de 6 dias até chegar
ao útero materno e se fixar. A nidação é a fixação/ implantação
do embrião no endométrio materno, ou seja, no útero. Nesse
momento, o corpo materno consegue identificar que nele há
um embrião e, por isso, a gravidez pode ser detectada a partir
deste acontecimento, quando os hormônios passam a aumentar
rapidamente ao ponto de serem vistos nos exames de gravidez em
alguns dias. Assim sendo, temos um ser humano se transportando
pelo corpo materno durante cerca de 6 dias, que pode ser
identificado na nidação. Pelo fato de a gravidez ser detectada
neste momento, muitos dizem ser a nidação o marco do início de
uma gestação, isto é, a mulher só estaria grávida caso ocorresse
a nidação. Caso o embrião não consiga se implantar no útero
materno, ele é eliminado sem mesmo o corpo materno identificar
que nele houve uma criança. Devemos, porém, saber discernir
'concepção' (que tem amparo na biologia) de 'nidação' (que tem
amparo no acolhimento na comunidade humana). Antes mesmo
de ser identificado pela mãe e acolhido por ela, o ser humano
já está presente. Isso também desmoraliza o conceito de que o
embrião pertença ao corpo materno, já que ainda antes de se fixar
ao corpo da mãe estávamos falando de um ser humano completo.

Entretanto, apesar de alguns dizerem ser a nidação o marco


inicial da gestação, toda gestação é contada a partir do primeiro
dia do ciclo menstrual da mulher, antes mesmo da fecundação. Isso
porque todo aquele novo o ciclo foi responsável pela gestação,
considerando a fase folicular, a ovulação e a fase luteínica. Isso
tudo gera uma confusão na mente de muitas mulheres, porém não

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

é difícil de ser esclarecido. O problema começa quando tal dúvida


ou desconhecimento interfere em opiniões e atitudes, o que pode
acabar em um aborto.

Gestar significa formar e sustentar um filho em seu


organismo. Antes mesmo da nidação temos um filho formado
e em desenvolvimento no organismo materno, sendo também
sustentado por ele, já que apenas no sistema de apoio
materno encontramos todas as condições necessárias para o
desenvolvimento de um zigoto e embrião até a sua fixação. Ou
seja, como significado do próprio nome, toda gestação se inicia na
fecundação e não na nidação.

A teoria de que a vida humana tenha início na nidação tem


sido alimentada, convenientemente, pela industria farmacêutica
dos anticoncepcionais e veremos isso claramente. Alguns métodos
contraceptivos e anticoncepcionais, como a pílula do dia seguinte,
DIU e várias outras pílulas, interferem diretamente na fixação do
embrião no útero materno. Na prática, somente os anticoncepcionais
que utilizam progestogênio, que agem em longo prazo, não têm
o potencial abortivo pelo fato de atuarem tão somente na inibição
da ovulação. Isto é, nas bulas dos medicamentos encontramos
informações dizendo que não são abortivos, pois não interferem
no desenvolvimento direto do embrião. Porém, estimulam a
descamação do endométrio, que é nada menos do que o lugar
onde o embrião deve se fixar. Qualquer interferência no endométrio
causada por tais medicamentos impede que o embrião se fixe na
mãe e, portanto, são responsáveis por sua morte e eliminação. Por
consequência lógica, são abortivos.

31
Aborto Explícito | A Natureza do Embrião

Intervir no processo de fixação do embrião, ainda que isso


diga respeito ao corpo da mãe, muda completamente o destino
da vida humana que está em desenvolvimento e, portanto, não
diz respeito tão somente ao corpo materno. Como a indústria
farmacêutica admite a teoria da nidação como princípio da vida
humana e da gestação, os medicamentos anticoncepcionais não
são comumente conhecidos como abortivos e sim como uma
precaução de uma gravidez indesejada, porém, fatidicamente são
abortivos ao interferirem no progresso do embrião já formado e
apto para se fixar no útero materno. Estamos tratando de dois
corpos diferentes, isto é, o embrionário e o materno. Ainda que
o materno não tenha reconhecido a gravidez, não elimina o fato
de que nele há outro corpo já em formação, quero dizer, a vida
humana em contínuo desenvolvimento.

Existem, pelo menos, vinte teorias que tentam desqualificar


o feto como sendo humano. Na prática, todos são desmoralizados
em suas graves contradições. A principal teoria debatida é a da
nidação. Embora não tenha fundamento sólido, ela é comumente
aceita pela sociedade, a qual se utiliza de métodos contraceptivos
hormonais, DIUs e pílulas do dia seguinte. Esta teoria é ainda
sustentada pelo comércio da fertilização in-vitro e manipulação
embrionária. O motivo é óbvio, se a indústria farmacêutica
assumisse a concepção como origem da vida, perderia a grande
maioria do seu capital gerado através de seus medicamentos
abortivos.

Ainda falando sobre a natureza humana, temos diversos

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A Natureza do Embrião | Aborto Explícito

métodos artificiais que ajudam as mulheres a engravidar quando


elas ou seus parceiros encontram alguma dificuldade biológica para
tal. A inseminação artificial é um destes métodos, como também
a fertilização in vitro. A fertilização in vitro consiste na coleta dos
gametas masculino e feminino, sua união em laboratório e a
transferência do(s) já embrião(ões) de volta ao corpo materno. Um
problema, porém, é encontrado em sua consequência: os embriões
sobrantes. O que fazer com os embriões que sobram por não
serem transferidos de volta ao corpo materno? São seres humanos
que devem ser congelados, descartados, doados...? Esta é uma
questão ética, jurídica, filosófica e teológica. Seria ético congelar
uma pessoa ou matá-la no descarte? Como estamos falando (já)
de seres humanos, não é algo tão simples falar de congelamento,
descarte ou mesmo de doação em questões jurídicas. No próximo
capítulo trataremos desse assunto, já que todo o assunto aborda a
dignidade de pessoa e, com isso, a defesa e a proteção dos direitos
humanos.

“Para desprazer de certas agendas políticas e ideológicas, os


avanços da ciência não têm colaborado muito. Quanto mais
avança a ciência e suas tecnologias, mais claro tem se tornado o
fato do início da vida ser a fertilização. Não é a toa que foi dado
o nome de contraceptivo ou anticoncepcional às famosas pílulas.
Embora as pílulas tenham sido criadas e introduzidas no mercado
por pessoas que defendiam o aborto de forma bastante ampla, o
termo demonstra a preocupação que se tinha: evitar a concepção
de embriões.“ - DEROSA, Marlon - pesquisador na área de
bioética, saúde pública, direitos humanos e geopolítica.

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O Valor Moral
Intrínseco do
Homem
O Valor Moral Intrínseco do Homem | Aborto Explícito

Biologicamente, vimos que todo indivíduo é um ser singular


por suas características genéticas que o diferem de todo e qualquer
outro ser da mesma espécie. Mas, além de um valor biológico
único, o ser humano tem algum valor moral e, se sim, esse valor é
intrínseco? Ou seja, o ser humano tem um fim em si mesmo ou ele
é apenas um meio para outros fins?

“A gigantesca maioria concorda com o valor moral intrínseco


do ser humano. É isso que enaltece, por exemplo, a Declaração
Universal de Direitos Humanos. O próprio artigo quinto da
nossa Constituição declara a 'inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade'. Aqui caberia
relembrar a ontologia humana segundo o que dizem os preceitos
judaico-cristãos, a saber, a Imago Dei. Negar, portanto, o valor
do ser humano seria abrir as portas para o caos em que tudo
seria permissível, e falar de direitos humanos seria uma piada tão
imbecil quanto falar de direitos das pedras.” – KUSTER, Bernardo.

Afinal, o que é valor moral intrínseco? Para esclarecer,


peguemos como exemplo o dinheiro. O dinheiro não possui, em
si mesmo, valor. Se estivermos no deserto e cheios de dinheiro,
o dinheiro não fará qualquer diferença. Isso porque o valor do
dinheiro não está em si, não é intrínseco, o seu valor é para algum
fim específico. Em um caso como esse, ele teria alguma finalidade
apenas como auxílio se pudéssemos usá-lo para comprar água,
comida ou pegar um taxi, por exemplo. Ou seja, o dinheiro é um
meio que usamos, mas não é, em si, o valor. E o ser humano, seria
um meio com um fim determinado ou teria ele valor em si mesmo?

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Aborto Explícito | O Valor Moral Intrínseco do Homem

A questão é que o ser humano não é um objeto ou um meio


para outros fins, ele tem um valor simplesmente por ser humano.
Ou seja, vale a pena preservar o ser humano simplesmente porque
ele é um ser humano.

Assim como no Brasil, as Nações Unidas reconhecem a


“dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus
direitos iguais e inalienáveis”. Já a fé judaico-cristã reconhece que
o homem foi feito “à Imagem e Semelhança de Deus“, conforme o
livro Bíblico de Gênesis, capítulo 1 e versículo 26.

Toda e qualquer tese que venha defender o aborto ou


desconsidera o valor intrínseco do homem ou viola esse valor.
Porém, negar o valor intrínseco humano nega todo e qualquer
direito humano. Logo, já não mais faria sentido falarmos de família,
democracia, casamento, amor, estado, igreja, etc. Qualquer pessoa
esclarecida tem plena consciência de que um feto é humano e,
para justificar o aborto, alguns afirmam que a humanidade não
tem, em si, valor. Este é o caso de Peter Singer e Machael Tooley:

“Ser um membro da espécie homo sapiens não é suficiente para


conferir um direito à vida. ” – SINGER, Peter - filósofo secularista,
materialista.

“O fato de que o aborto e o infanticídio resultam na destruição de


seres humanos inocentes não pode, em si, ser razão para encara-
los como sendo errados. ” – TOOLEY, Machael - filósofo.

Você seria capaz de negar o valor moral intrínseco do

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O Valor Moral Intrínseco do Homem | Aborto Explícito

homem? Seria possível um ser humano, dotado de consciência,


valores (corrompidos ou não), racionalidade, carência existencial
e sentimentos dizer não ter alma ou valor em si mesmo? Quando
falamos de aborto, em qualquer fase do embrião ou do feto,
estamos falando do ser humano e este possui valor em si mesmo.
Isso desqualifica toda e qualquer tese a favor do aborto, seja como
ele for.

Devo confessar que, convivendo um pouco na área da


medicina, fui acometida por um grande espanto. Havia me lançado
nessa área por amor à vida e estava disposta a enfrentar o que fosse
necessário para salvar uma, dentro do que me fosse permitido por
Deus. Além de ser fascinada por estudos da área, a medicina era (e
é) um encanto para mim. Porém, convivendo neste meio, percebi
uma certa frieza que acaba alcançando alguns dos especialistas.
Por tanto conviverem com o nascimento e com a morte, parece
que a vida perde o seu valor, pois os profissionais precisam
aprender a não se importar tanto quando presenciam a morte,
isso é, se não quiserem desabar quase todos os dias. A morte se
torna menos pessoal, e o nascimento também. De alguma forma
vi a misericórdia se perdendo e, de certa forma, isso acaba fazendo
com que a vida seja banalizada e se torne fácil dizer: “aborte”, ou
“sacrifique”, afinal “é o melhor caminho nesse caso”. Mas, afinal,
como entender isso sem levar para o lado pessoal, se a vida fala
sobre mim, sobre os meus familiares e amigos? Só é possível
falar sobre aborto porque nós tivemos o privilégio de nascer e,
nessa posição, poderíamos nos colocar no direito de selecionar os
demais dizendo os que devem ou não nascer?

37
Aborto Explícito | O Valor Moral Intrínseco do Homem

No meio médico a morte se torna algo cotidiano, como


também o nascimento. Isso faz com que os profissionais se tornem
um tanto indiferentes quanto a vida. Em meio a essa indiferença, o
aborto pode se tornar algo comum e corriqueiro. Não é justo fazer
tal avaliação dizendo que todos os profissionais caem no mesmo
nível de apatia, isso não seria verdadeiro. Conheci enfermeiros e
médicos – e não são poucos - que choravam a cada morte e sofriam
como se fossem o pai ou o filho do paciente, como também se
emocionavam a cada nascimento como se fossem os pais ou os
avós do bebê. Aquele choro de um bebê que acabara de nascer
era como se fosse o primeiro, o único. E aquele paciente que
acabara de morrer também era único, jamais haveria outro como
ele. Mas, para a maioria, é 'só mais um caso'. Sim, estou afirmando
que devemos avaliar a frieza que ronda o meio médico, o que
acaba desconsiderando completamente o valor moral intrínseco
do homem!

Existe, certamente, o fato de a medicina encontrar uma


limitação em si mesma, já que não pode fazer milagres. Chega um
momento, em alguns casos, que ela acredita 'precisar decidir' entre
a vida e a morte. Para alguns especialistas, o sacrifício – a eutanásia
ou o aborto - se torna uma espécie de ato de misericórdia contra o
sofrimento daquele ser. Mas me questiono se a morte é direito de
uma decisão médica – o que veremos na conclusão desse material.

Atualmente presenciamos diversas propostas sobre o direito


à vida dos animais, em sua total defesa e proteção. Tais propostas
não são de tudo errôneas, porém, contraditórias especialmente
quando nem mesmo o ser humano é considerado significante

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O Valor Moral Intrínseco do Homem | Aborto Explícito

para ter direitos de tal nível. A Croácia, na virada do milênio,


lançou uma moeda comemorativa onde nela esteve estampada
a imagem de um nascituro (bebê em gestação) e o seu propósito
era representar a alegria da vida e do futuro, conforme afirma o
site croata Kunalipa:

“O feto é um símbolo universal da vida humana, que é o centro


do milênio e que determina o novo milênio que começa”.

De fato, há demasiado motivo de alegria a cada gestação – a


vida humana!

"A Constituição Federal de 1988 eleva-a a categoria de direito


fundamental, cláusula que, por possuir uma relevância tão
evidente, é tida como pétrea, ou seja, que não pode ser quebrada.
E vai além, estendendo este direito ao nascituro. Assim, a
vida, por sua complexidade, merece ser retratada desde o seu
surgimento, ou seja, desde o momento da concepção, no útero
materno, fornecendo um estudo acerca do próprio direito à vida,
fundamentado na possibilidade de a pessoa humana poder ou
não intervir neste processo natural, com base na ciência, na
religião, no direito, na moral." - SANTOS, Ivanaldo.

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"Meu Corpo,
Minhas Regras"
"Meu Corpo, Minhas Regras" | Aborto Explícito

Vivemos dias nos quais somos constrangidos a pensar que


não há verdade. O relativo surgiu com uma suposta bela proposta
de paz e amor. Quando, porém, perdemos de vista a verdade,
começamos a naufragar em credos gelatinosos onde, sem o
absoluto, nada é seguro. Se a verdade não é, então como o relativista
pode crer que o relativo é verdadeiro? Nada mais faz sentido! Se
a verdade não existe, então mentir nunca seria errado. Uma das
mais graves consequências dessa bagunça irracional é que sem a
verdade não há ordem e sem ordem não há desenvolvimento.

A verdade não pode ser sacrificada no altar da unidade


uma vez que não existe unidade sem verdade, já que qualquer
tipo de relação precisa, necessariamente, estar estruturada em
algo seguro, absoluto, verdadeiro. O raciocínio estimulado em
nossos dias é um tanto ignorante, pois para que haja prática da
tolerância as diferenças e divergências são necessárias. A tentativa
do relativismo é fazer com que a paz esteja na ausência da
verdade e assim percamos a capacidade de definir o que é certo
ou errado. Tendo cada um a sua própria (conveniente) verdade, as
diferenças teoricamente seriam resolvidas, na falta de condições
e de direito de crermos e considerarmos o que é ou não correto.
Já não haveria uma base sólida, um parâmetro. A proposta é que
venhamos tolerar um ao outro pela ausência do absoluto, porém,
a verdadeira tolerância está na existência (factual e interrompível)
e conhecimento das diferenças, em amor.

Qualquer verdade que seja relativa perde completamente


a veracidade. Em uma sociedade inconsistente de programas
egocêntricos e narcisistas, sem qualquer ordem ou estrutura

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Aborto Explícito | "Meu Corpo, Minhas Regras"

segura, tem crescido uma tal de 'agenda de gênero'. Para tal


ideologia, diferente é desigual, e desigual é injusto; dessa forma,
na luta por um suposto “direito igual”, ela tem tratado de vários
temas como o aborto, o lesbianismo, a liberdade sexual, o banco
de espermas para lésbicas e solteiras, a prostituição voluntária, etc.
Mas, de fato, toda diferença é sinônimo de desigualdade?

Para o cristianismo, a ordem está diretamente estabelecida


em Deus, pois nEle está o significado de todas as coisas e fora
dEle nada é. Nele, diferenças são gloriosas e propositais com fins
já estabelecidos. Porém, não é preciso muito para saber que tudo
está estruturado e tem uma ordem, afinal, o mundo gira em ordem
e, se há ordem, estamos falando que nem tudo é movido de forma
e em tempos semelhantes. Se algo progride ou tão somente
existe, é porque surgiu de uma ordem natural e a segue. Eliminar
a ordem ou a sincronia entre as diferenças, iludindo-nos com o
'igual a todos', não poderá mudar a nossa realidade ou nos ajudar
em alguma coisa. Na verdade, na maioria dos casos, é impossível
ou acaba em aberrações. Não podemos simplesmente mudar a
ordem ou dizer que ela não existe só porque ela não nos parece
confortável!

Nesse mesmo raciocínio, há quem diga que devemos libertar


as mulheres do cativeiro biológico da maternidade, pois ela teria
o direito de ser 'livre de sua natureza', como um homem, em
igualdade. A ideia surge com uma imagem quase sacro, anunciando
suposta liberdade. Parece belo, mas é como negar a realidade:
a mulher nasce com útero! Não é possível sermos livres do que
somos, especialmente em questões existenciais. Se nasci mulher,

42
"Meu Corpo, Minhas Regras" | Aborto Explícito

sou mulher e não posso negar minha natureza ou a ordem que


isso implica, ainda que em algum momento algo possa parecer
inconveniente à minha vontade. Um cachorro não tem a liberdade
de ser uma baleia e, ainda que quisesse ou tentasse se adaptar à
vida de uma, ele jamais seria uma baleia e morreria em sua rebelde
e ingrata tentativa.

O assunto se agrava quando vemos que o ponto mais afetado


em tudo isso é a família. Se desestruturarmos a família, qual será a
ordem, o fundamento e a finalidade de nossa sociedade?

“Distraído no dia-a-dia, nem percebi que o aborto veio em forma


de poesia.” – VIANA, Rogério.

Há ainda um detalhe que não pode passar desapercebido


nessa luta por 'direitos iguais' e do 'meu corpo, minha regra': o
embrião já é um indivíduo, ou seja, já é outra vida (humana) que
também tem seus direitos, apesar de estar ainda dentro do corpo
materno. Afirmar o direito materno sobre o feto em nome do seu
próprio corpo é como dar à mulher o direito de matar (um inocente
e indefeso) só pelo fato dela ser portadora de um útero. O embrião
não é parte da vida da mãe, mas um novo ser. A mãe é o lugar onde
o embrião é gerado e está se desenvolvendo, porém, a mãe não é
a vida desse embrião – ele tem vida própria, sendo o resultado não
apenas de um óvulo, mas também de um espermatozoide que
não pertence a mulher. Ou seja, no processo gestacional há, no
mínimo, dois seres, logo, claramente não estamos falando do 'meu
corpo'. O 'meu corpo' não possui duas cabeças, dois corações, oito
membros, dois cérebros e dois DNA’s diferentes. Caso o feto venha

43
Aborto Explícito | "Meu Corpo, Minhas Regras"

sofrer algum problema fatal, isso não implica necessariamente na


morte da mãe, e vice versa. Isso significa que estamos falando de
dois corpos. Uma mulher poderia lutar por seus direitos, porém,
ainda esse pensamento não dá margem ao aborto, já que um
embrião não diz respeito ao direito materno, mas ao direito do
próprio humano que está ali se desenvolvendo.

Deve-se considerar que se alguém teve algum poder de


escolha em algum momento sobre a prenhez, não é este o feto,
mas a mãe e o pai do feto e, portanto, são os responsáveis, não
podendo fazer do feto a sua vítima. Isso é, os pais tiveram o
direito de escolha anterior à concepção, porém o feto em nenhum
momento escolheu ser ou não gerado. Uma vez com vida, ninguém
poderia tocá-la por conta de suas próprias conveniências. (Você
pode estar perguntando: "mas onde a prenhez originada de
estupro se encaixaria nessa conclusão?". Conforme anunciado em
nosso índice, este tema será tratado com maior exclusividade no
capítulo 6).

Se a tal ideologia defende a igualdade, deveria considerar


que o feto, de igual modo, tem os seus direitos - inclusive o direito
de nascer. Afinal, não poderia justamente esses que defendem a
igualdade independendo das diferenças, fazer diferença ou descaso
de outra vida simplesmente pela condição ainda de dependência
na qual ela se encontra. Do contrário, deveriam mudar o que
anunciam, pois enquanto lutam por direitos iguais, passam por
cima dos direitos alheios contradizendo sua própria tese. Toda e
qualquer ideologia que fere a ordem, a decência, a ética, da moral
e a verdade, está fundamentada no egoísmo do homem que só

44
"Meu Corpo, Minhas Regras" | Aborto Explícito

pensa em si mesmo e, apesar de pregar igualdade, só pensa nessa


igualdade quando isso diz respeito a ele mesmo, ainda que, para
ter o que quer, seja necessário dominar e até matar o próximo.
Qualquer homicídio é movido por esse egoísmo!

"Quando você luta por sua vida, deve saber pelo que está lutanto.
Se o que você defende é uma vida, então como você pode
destruir uma vida na esperança de vencer essa luta? Isso é uma
hipocrisia, porque digo lutar tanto pela vida e mato alguém para
conseguir isso." - Dana - Paciente incentivada a cometer aborto
terapêutico (relato em no documentário "Bood Money").

“Que seja garantida a proteção jurídica do embrião e que o


ser humano seja protegido desde o primeiro instante da sua
existência.” – Papa Francisco.

“O útero-seco nada tem a ver com o fato de a mulher haver ou


não se reproduzido, poder ou não se reproduzir. Eu me refiro
àquelas que acreditam que podem defender a morte dos fetos
só porque são dotadas de um útero. Estas, portanto, usam um
órgão exclusivamente feminino como condição para defender a
morte, ainda que sejam mães.
Assim, pode haver mulheres sem filhos, ou que não podem ter
filhos, cujos úteros são férteis. As úteros-secos são almas secas.
Porque são mulheres, sentem-se especialmente qualificadas para
defender a morte. E que se note: as que já são mães e vão às
ruas em defesa do aborto estão deixando claro que seus filhos
são apenas abortos que ou esqueceram de acontecer ou que não
aconteceram porque a relação custo-benefício do nascimento

45
Aborto Explícito | "Meu Corpo, Minhas Regras"

era superior à do feticídio. Um filho vivo de uma militante do


aborto é só uma oportunidade de negócio – ainda que negócio
emocional.” – AZEVEDO, Reinaldo - jornalista.

O que temos visto é uma tentativa de 'desumanizar o feto'


para que assim a mulher seja o foco e possa fazer o que quiser,
não apenas da própria vida, mas também da vida que nela está
sendo gerada. E isso é desumano! O feto é justamente o indefeso
que não pode justificar a si mesmo ou defender a própria vida.
As diferenças existem e não há como negar essa realidade, mas,
mais do que isso, as diferenças são necessárias para que haja real
unidade e, no meio delas, há quem se diga superior, sendo capaz
de matar um indefeso. Enquanto teoricamente defendem a tese
da igualdade, estão se contradizendo pregando desigualdade.
Certa vez, alguém disse: “Abortar é mais cruel e covarde que matar
uma criança enquanto ela dorme.”

Aborto não é ético, mediante o juramento que todo e


qualquer médico faz ao se formar. John Wiliams Whitridge, obstetra
renomado e autor das cinco edições de “Wiliams Obstetrics”, ficou
famoso em todo o mundo por seu livro referencial, usado para
estudos em quase todas as faculdades de medicina do mundo. No
prefácio de seu livro publicado em 1980, diz: “Felizmente entramos
em uma era que o feto pode já ser considerado e tratado como o
nosso segundo cliente. Quem poderia sonhar, mesmo há alguns anos,
que poderíamos atender um feto como médicos?”. Isso porque a
tecnologia proporcionou ao homem a condição de ver e cuidar
da criança já no ventre materno. É para isso que a medicina evolui:
para cuidar de vidas, não para matá-las!

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"Meu Corpo, Minhas Regras" | Aborto Explícito

“As tradicionais éticas médicas e conceitos nos dizem que não


devemos destruir nossos clientes e nós juramos preservar as suas
vidas” – corrobora o ex aborteiro Bernard N. Nathanson.

Uma criança, como ser humano, é um paciente a ser cuidado.


Para os médicos, é um cliente. E esse simples fato, para a medicina,
impede que o aborto seja feito. John Wiliams Whitridge, com a sua
afirmação, automaticamente concorda com o fato de que o zigoto,
ou o embrião, ou o feto é humano como também concorda que
durante a gestação – do início ao fim – não estamos falando de
um só corpo, mas de dois. Duas pessoas, dois seres humanos,
dois pacientes, duas vidas, dois direitos, duas personalidades, dois
indivíduos. A mãe, certamente, é uma paciente que necessita do
acompanhamento e cuidado médico, mas isso não elimina o fato
de que a criança também é paciente e que, portanto, também
necessita do acompanhamento e cuidado médico. Do contrário,
quanto se faz um exame durante a gestação, não seria dito: “você
está bem, mas o bebê não está muito bem” (e vice-versa). Não
haveria distinção entre eles, antes, seria dito “você não vai bem”,
ou, “você vai bem” como incluindo o feto nessa única análise.

"Além disso, a quem pertence à vida senão ao ser que a detém?


E um pequeno ser formado no ventre materno não tem também,
igualmente, direito à preservação de sua vida, como defende a
Constituição Federal?" - SANTOS, Ivanaldo.

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A Legalização
do Aborto
A Legalização do Aborto | Aborto Explícito

"Os obstetras consideram abortamento a interrupção da gestação


antes que o produto conceptual tenha alcançado a viabilidade. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) define abortamento como
a expulsão ou extração do feto antes de 20 semanas ou pesando
menos de 500g. Perante a lei, aborto é a interrupção dolosa da gra-
videz, à qual se segue a morte do concepto, independentemente
da duração da gestação. Enquanto a obstetrícia preocupa-se com
a capacidade de sobrevivência do novo ser fora do útero, a legis-
lação volta-se para a causa jurídica, não importando a época em
que se realize a intervenção. O que preocupa o legislador é o aborto
provocado, o caráter doloso da interrupção, o seu animus necan-
di. Assim o médico legista e o perito se tornam peças fundamen-
tais na caracterização deste crime." - Conteudojuridico.com.br

Saúde Pública
Veremos adiante que há um interesse grande, e desconhecido
pela maioria, na legalização do aborto. Não seria novidade se
descobrindo tal realidade ficássemos estarrecidos, pois são teses
exacerbadamente corruptas. Mas, no corriqueiro, a legalização
do aborto é vinculada a saúde pública. As campanhas políticas
divulgam o aborto em nome da saúde pública, ou seja: “Não
necessariamente defendemos o aborto, porém, no país onde o
aborto é ilegal a mulher recorre ao procedimento clandestino que
oferece riscos a sua saúde, logo, a legalização do aborto propõe
segurança para as mulheres”. Se formos fazer uma análise nessa
proposta, seria o mesmo que dizer “vamos defender o erro delas
com a legalização do aborto. Já que não tem outro jeito, é melhor
que alguém sobreviva”.

49
Aborto Explícito | A Legalização do Aborto

Claramente, o aborto, além de seus riscos normais, quando


feito de forma imprudente proporciona maior risco de óbito ou
sérios e permanentes danos. O aborto legal (que respeita os
procedimentos mínimos de segurança física) é tido como seguro
até determinado momento da gestação, conforme a Ordem
Mundial de Saúde (OMS), apesar de não eliminar os riscos comuns.
Mas esse pensamento é coerente? Quero dizer, será mesmo que é
a saúde pública que visa a legalização do aborto? E em nome da
saúde pública é justificável legalizar o aborto?

A legalização do aborto em nome da saúde pública tem o


teórico intuito de retirar as possíveis consequências das mulheres
que tomam a decisão errada. Devemos, porém, analisar o quanto
isso é verdadeiro, conveniente, bom e justo.

Em primeiro lugar, a proposta do aborto não visa a saúde


pública, uma vez que condena a morte uma pessoa saudável e
em desenvolvimento (ou digna de cuidados especiais em vista de
sua saúde), exterminando-a ao retirá-la do seu sistema de apoio
humano. Logo a princípio, a suposta beleza da proposta cai em
contradição. O aborto é uma ameaça ao futuro da humanidade.
É ainda uma proposta marxista que, em si mesma, tem como
fundamento a deterioração do Homem, a diminuição populacional
e não a sua saúde ou progresso pessoal.

Em segundo lugar, não é uma proposta justa em qualquer


esfera, nem com a sociedade que paga os impostos, nem com a
criança que se abriga no ventre, nem mesmo com a própria mãe.
Ora, devemos estar cientes de que toda ação, justa ou injusta, tem as

50
A Legalização do Aborto | Aborto Explícito

suas consequências e, uma vez tomadas as decisões, nos tornamos


responsáveis por seus efeitos. Não podemos fazer com que toda a
verdade, o que é justo e moral, seja alterado para nos proteger das
possíveis consequências de nossos próprios maus atos. Aliás, não
é possível matar alguém e esperar que a lei seja ao nosso favor.
Como seria se a nossa sociedade estivesse fundamentada em leis
que cedessem e aderissem a todo Homem que a colocasse em
risco, em nome de um suposto ‘bem maior’, colocando o culpado
no lugar de vítima? Nessa condição, já não poderíamos ao menos
andar pelas ruas com o mínimo de segurança. É totalmente injusto
defender a opção errada de alguém em nome de um ‘bem maior’,
até porque não existe ‘bem maior’ que desconsidere a verdade.
Bem maior em nome da mentira não é ‘bem’.

Realmente, a criminalização do aborto não impede de tudo


o procedimento, mas teríamos que baixar a guarda em nome
daquelas que se acham no direito de decidir entre quem vive e
quem morre? Se alguém se acha no direito de decidir pela vida de
outro, deve assumir a responsabilidade e também o risco da própria
morte. Ou então estaríamos dizendo: “ela tem direito de escolher
se o outro morre, mas não pode assumir a responsabilidade sobre
a própria morte”. Há uma contradição antagônica nesta tese, o
que a desqualifica em fundamento.

Em nome da vida e liberdade dos homicidas, ou de qualquer


outro criminoso, deveríamos legalizar os crimes? Será que esse é
um pensamento que deve valer? Se essa é a linha de raciocínio,
poderíamos legalizar todo tipo de crime com a mesma justiça,
menosprezando a vítima e vitimazando o réu. A questão é que

51
Aborto Explícito | A Legalização do Aborto

o aborto não é um crime 'menos grave' do que um homicídio


cometido de outra maneira, afinal, é uma ameça a própria
humanidade.

Há quem diga que o Estado gasta mais na internação de


mulheres com problemas pós aborto clandestino do que gastaria
fazendo o procedimento legalmente. Mas, ainda se isso fosse
verdade, as questões econômicas justificariam a legalização de um
crime? E o que dizer sobre ser injusto a população patrocinar a
morte de crianças? Por que eu, cidadã de bem, teria que bancar,
com o suor do meu rosto, uma chacina? É preferível investir na vida
de uma mulher que tenha problemas, resgatando-a de seu estado
caído, custe o que custar em questões econômicas, do que investir
na morte de inocentes. Isso é justo, moral e misericordioso. Existe
uma grotesca diferença entre investir na morte de um inocente e
investir na saúde de um réu. O primeiro se trata de humanismo
(onde, buscando ser o centro de tudo, na alegação de direitos e
liberdade, o Homem acaba destruindo a si mesmo como pessoa e
espécie) e o segundo se trata de humanidade (ato de compaixão,
piedade).

A questão que está por trás disso não é a saúde pública, já


que é contraditória e ineficaz para tal, não tendo convencido a
grande massa da sociedade até o presente momento. A legalização
do aborto visa algo muito além e, na busca pela legalização,
instituições que prezam pelo aborto adulteram as estatísticas
anuais. Por exemplo, enquanto anunciam que houveram, em
média, um milhão de abortos no Brasil em um ano, na realidade
houveram cem mil abortos no ano. Esses dados são alterados para

52
A Legalização do Aborto | Aborto Explícito

que o aborto tenha maior credibilidade e para que, com alarmante


número, a legalização do aborto se pareça plausível em nome da
saúde pública. Realmente, os números de aborto anuais não são
baixos e veremos isso, porém também estão longe de ser os que
anunciam. Um milhão de abortos anuais é a estatística conveniente
às instituições que propagam o aborto. Não é recomendável
acreditar no que qualquer um diz sem que se averigue a realidade
dos fatos. Movimentos feministas amam se apegar a estes números
sem fundamento. Além de notória e comprovada fraude, quem
reafirma a adulteração são nada menos do que os próprios ex
aborteiros. No capítulo 5 veremos o motivo de o aborto ser tão
visado pela união de forças de interesses.

Recentemente a mídia lançou o número alarmante de 200


mil mulheres no Brasil que morrem anualmente em decorrência
do aborto realizado de maneira ilegal, baseando-se em contas de
abortistas e aborteiros confessos, como Eleonora Menicucci. Esta foi
uma notícia com fim de convencer a sociedade sobre a legalização
do aborto, que propõe abrir às mulheres a oportunidade de fazer
o procedimento de forma aberta. O que incomoda é que não
existe maneira certa de se fazer o que é errado e estes números
sequer foram submetidos à matemática elementar antes de serem
admitidos pelo governo. Inexiste uma base sólida de dados que
permita dizer quantas mulheres morrem em decorrência de
abortos ilegais, apesar de ser possível uma estimativa de abortos
anuais no país.

"Vamos para a matemática básica: Em 2010, o Censo, do IBGE,


passou a investigar a ocorrência de óbitos de pessoas que haviam

53
Aborto Explícito | A Legalização do Aborto

residido como moradoras do domicílio pesquisado. Entre agosto


de 2009 e julho de 2010, foram contabilizadas 1.034.418 mortes,
sendo 591.252 homens (57,2%) e 443.166 mulheres (42,8%).
Houve, pois, 133,4 mortes de homens para cada grupo de 100
óbitos de mulheres. Segundo o Mapa da Violência, dos 49.932
homicídios havidos no país em 2010, 4.273 eram mulheres. Dados
oficiais demonstram que as doenças circulatórias respondem por
27,9% das mortes no Brasil — 123.643 mulheres. Em seguida,
vem o câncer, com 13,7% (no caso das mulheres, 60.713). Adiante.
Em 2009, morreram no trânsito 37.594 brasileiros — 6.496 eram
mulheres. As doenças do aparelho respiratório matam 9,3% dos
brasileiros — 41.214 mulheres. As infecciosas e parasitárias levam
outros 4,7% (20.828). A lista seria extensa.

Agora eu os convido a um exercício aritmético elementar. Peguemos


aquele grupo de 443.166 óbitos de mulheres e subtraiamos as
que morreram assassinadas, de doenças circulatórias, câncer,
acidentes de trânsito, doenças do aparelho respiratório, infecções
(e olhem que não esgotei as causas). Chegamos a este número:
185.999. Já começou a faltar mulher!

Ora, para que pudessem morrer 200 mil mulheres vítimas de


abortos de risco, é forçoso reconhecer, então, que essas mortes
teriam se dado na chamada idade reprodutiva — entre 15 e 49
anos. É mesmo? Ocorre que, segundo o IBGE, 43,9% dos óbitos
são de idosos, e 3,4% de crianças com menos de um ano. Então
vejam que fabuloso: Total de mortes de mulheres – 443.166.
Idosas mortas – 194.549. Meninas mortas com menos de um ano
– 15.067. Sobra – 233.550. Dessas, segundo os delirantes, 200 mil

54
A Legalização do Aborto | Aborto Explícito

teriam morrido em decorrência do aborto — e necessariamente


na faixa dos 15 aos 49 anos!!!

Aquele número estupidamente fantasioso das 200 mil mulheres


mortas a cada ano deriva de outro delírio: chegariam a um milhão
os abortos provocados no país. Que coisa! Nascem, por ano,
no país, mais ou menos 3 milhões de crianças. Acompanhem.
Estima-se que pelo menos 25% das concepções resultem em
abortos espontâneos. Não houvesse, pois, um só provocado,
aqueles 3 milhões de bebês seriam apenas 75% do total original de
concepções — 4 milhões. Segundo os abortistas, pois, o número
de abortos provocados seria igual ao de abortos espontâneos.
Mais: das cinco milhões de mulheres que engravidariam por ano,
nada menos de 20% decidiriam interromper a gravidez. Nem na
Roma pré-cristã ou na China pós-Mao…

Somam à covardia original a covardia intelectual.” – AZEVEDO,


Reinaldo - jornalista. (Todos os dados citados estão disponíveis
em seu blog apontando as páginas originais das pesquisas).

A Prática Diminui
Algumas pessoas afirmam que com a legalização do aborto a
prática dele diminui. A tese se baseia em dois pensamentos:
- Com a legalização aumenta a informação e instrução contra
o aborto;
- Com a legalização o Estado tem maior controle do número
de abortos e onde eles ocorrem para poder combate-lo com maior
eficácia.
55
Aborto Explícito | A Legalização do Aborto

Não é preciso, porém, a legalização para que haja instrução


e combate ao aborto, pois é possível termos uma média de
procedimentos anuais através do índice de internamento das
mulheres no pós-aborto, já que em média metade das que o
praticam precisam de ajuda médica pública para curetagem ou
tratamento de problemas. Ou seja, se 50 mil mulheres precisaram
de ajuda médica após o aborto, significa que em média 100 mil
abortos foram realizados. Dessa forma é possível ter uma estimativa
e identificar onde ele é mais praticado para melhor combatê-lo.

Vale lembrar que uma das principais, senão a principal, função


da lei é promover a educação e a ordem da sociedade, portanto, a
legalização do aborto em nada contribuiria com a liberdade e com
a instrução. É justamente por meio da lei que se instrui e trabalha
sobre o tema.

"O fato de ser o aborto uma prática difundida, mesmo ao arrepio


da lei, não justifica, pura e simplesmente, sua legalização, pois as
leis têm sempre, além de sua ação punitiva, o caráter educativo
e purificador. Seria um risco muito grande excluir da proteção
legal o direito à vida de seres humanos frágeis e indefesos, o
que contraria os princípios aplaudidos e consagrados nos direitos
humanos. A vida é um bem tão intangível que é supérfluo dizer
que está protegida pela Constituição Federal, pois como bem mais
fundamental ela transcende e excede todos os seus dispositivos. É
a partir da vida que emergem todas as necessidades de legislar.
E quando excepcionalmente se admite, em caráter mais que
desesperado, é sempre em defesa irrefutável da própria vida,

56
A Legalização do Aborto | Aborto Explícito

como na legitima defesa, no estado de necessidade e no estrito


cumprimento do dever legal". - Direito Médico, 7ª edição, São
Paulo: Fundo Editorial Byk, 2001.

No Brasil, no ano de 2012, houveram, em média, 100 mil


abortos enquanto, no mesmo período de tempo, houveram 65
mil homicídios. Isso não é razoável! Mas, felizmente, este já é um
número resultante de uma queda do índice de abortos, o que
significa que esse índice vem decaindo. Os números de curetagem
no Brasil, entre os anos de 2008 e 2009, caíram 12%. Isso significa
que o número de abortos cometidos nesses anos caiu e, mesmo
havendo a insistência pela legalização do aborto, o índice de
aprovação do aborto entre a população também caiu. Em 1998,
61% da população considerava o ato do aborto algo muito
grave, no ano de 2003 esse número cresceu para 90% e já em
2005, 97% da população era contrária a prática. Desde o ano de
1991 existe a tentativa de legalizar o aborto no Brasil e até então
ela persiste. Para tal, usa-se de falsos dados como tentativa de
manipulação, sem sucesso até o presente momento. Mas, afinal,
com a legalização do aborto o índice desse homicídio aumenta ou
diminui? Essa é uma das justificativas daqueles que defendem a
legalização do aborto: “a legalização diminui a prática”. Podemos
analisar a questão observando países onde o aborto é legalizado,
com dados concretos.

Nos Estados Unidos, o aborto foi legalizado desde o ano de


1973, quando houve uma briga de litígio jurídico conhecido como
“Caso Roe versus Wade”. O caso era de uma mulher conhecida como
“Jane Roe” que alegava ter sido estuprada e pedia a legalização do

57
Aborto Explícito | A Legalização do Aborto

aborto enquanto o fiscal de distrito, Henry Wade, do Estado do


Condado de Dallas (no Texas), em nome do Estado se opunha ao
direito a aborto. Tendo o tribunal do Distrito decidido a favor de
Jane, abriu-se uma jurisprudência para a legalização do aborto,
o que deu início à “cultura da morte” propagada por grupos pró-
aborto que se instalaram com clínicas por todo o país mediante
a legalização. Essas instituições, grupos e clínicas tem um alto
faturamento, tirando lucro através da morte de seres humanos.
Desde o ano de 1973, na legalização do aborto, até o ano de
2000, foram mortos mais de 50 milhões de crianças. Dá até para
comparar com o número de mortos da segunda guerra mundial
que matou 55 milhões de pessoas em 6 anos. Na Rússia comunista,
Josef Stalin matou em média 60 milhões. Sim, quando falamos de
aborto também estamos falando de extermínio em massa!

“À luz desse conhecimento e da reverência pela vida, lamentamos


a perda de vidas nas guerras. Os dados são alarmantes. Na
Primeira Guerra Mundial, morreram mais de 8 milhões de
militares. Na Segunda Guerra Mundial, mais de 22 milhões
de membros das forças armadas perderam a vida. Essas duas
guerras, que se estenderam por um período de 14 anos, custaram
a vida de pelo menos 30 milhões de soldados em todo o mundo.
Esse número não inclui os milhões de vítimas civis.

Esses dados, porém, parecem irrisórios diante das perdas de outra


guerra que mata anualmente mais do que a Primeira e a Segunda
Guerra Mundial juntas. Relatórios internacionais indicam que são
praticados anualmente mais de 45 milhões de abortos.

58
A Legalização do Aborto | Aborto Explícito

Essa guerra, a guerra do aborto, é travada contra seres indefesos


e sem voz. É uma guerra contra os que ainda não nasceram. É
um conflito que está sendo travado em todo o mundo. Por ironia,
sociedades civilizadas que, em geral, protegiam a vida humana
agora sancionaram leis que autorizam essa prática.“ - RUSSEL,
Elder.

Nos Estados Unidos, antes da legalização do aborto,


eram feitos em média 100 mil abortos ilegais por ano e, após a
legalização, esse número cresceu para 750 mil no ano de 1973.
Já no ano de 1983 o número se tornou alarmante, chegando a 1
milhão e meio de abortos. Na Suécia, entre os anos 1939 e 2010
houve o aumento de 8.587% (sim, oito mil quinhentos e oitenta
e sete por cento!). Na Espanha, 488% de aumento entre 1987 e
2011. Enquanto, na Inglaterra, em um ano (2006-2007), só entre
as adolescentes, houve o aumento de 4%. Parece uma fraude esse
pensamento de que a legalização tem o fim de diminuir o aborto,
não é mesmo?! Estes são dados da OMS (Organização Mundial
de Saúde). Com esses dados fica fácil também identificar a fraude
na tese que defende a legalização do aborto em nome da saúde
pública, já que com a legalização vem também o aumento da taxa
de abortos e, com isso, suas consequências.

“Nos Estados Unidos, o número de nascimentos de crianças vivas


por ano gira em torno de três a quatro milhões. O número de
abortos eletivos durante esse mesmo período excede um milhão.
Assim, nesse país, uma em cada três ou quatro gestações termina
em aborto.“ - CHENG, Maria - médica jornalista.

59
Aborto Explícito | A Legalização do Aborto

Existe uma brecha na lei brasileira que legaliza o aborto em


caso de estupro. O que acontece que é na maioria das vezes as
mulheres dizem terem sido vítimas de violência sexual e não é
necessário qualquer exame que comprove essa afirmação. A
massacrante maioria das mulheres que recorrem ao aborto tiveram
uma relação sexual consensual e a consequência disso é, além da
imoralidade criminal do aborto, a desordem mental e até o suicídio
de muitas mulheres que depois se arrependem do seu feito.

Médicos que convivem na área relatam a série de


consequências relacionadas direta ou indiretamente ao aborto,
sendo elas não apenas físicas, mas também mentais. A síndrome
pós-abortiva é bastante conhecida por suas características
psicopatológicas. A afirmação da síndrome é comprovada por
inúmeros casos reais e foi comparada com a síndrome da desordem
ansiosa pós-traumática (DAPT).

“Há algum tempo, entrou uma moça no meu gabinete pastoral,


que vinha gritando desde a porta do estabelecimento. Ela gritava:
'eu não aguento mais, eu não aguento mais!' Eu a perguntei o
que ela não mais aguentava e ela dizia: 'eu não aguento mais
essas vozes dentro de mim!'. Eu a perguntei que vozes eram
essas e ela contou: e'ssas vozes que gritam: assassina! Assassina!'.
Questionei a procedência dessas vozes e ela disse: 'as três crianças
que eu matei, eu as abortei!'. Respondi a ela: 'bem, isto é crime,
isto é pecado, agora vamos ver com Quem pode resolver isso'.” –
PARANAGUÁ, Glênio Fonseca – pastor e escritor.

Há quem afirme que os motivos religiosos não podem ser

60
A Legalização do Aborto | Aborto Explícito

considerados, mas vale observar que as mulheres que sofrem após


o aborto procuram as instituições religiosas pedindo por socorro
e são essas instituições que respondem às consequências desses
abortos. Da mesma forma, é válido ressaltar que as pessoas que
mais colaboram com doações para orfanatos e abrigos são as
religiosas, as quais não defendem o aborto e optam por ajudar na
adoção.

O Lucro Sobre A Morte


O pensamento em questão diz que, se o aborto é tido como
crime, existem os lugares que o praticam sem legalização, isto é,
clínicas clandestinas, e estas lucram em cima da morte. Com a
legalização, supõem que o comércio de fetos e o lucro que tiram
sobre o aborto (porque o aborto é pago), acabe. Isso porque
os abortos seriam feitos pela própria rede de saúde pública
(patrocinada pelo povo) e, então, não mais existiriam as clínicas
clandestinas. Sim, é realidade a existência desse comércio ilegal e
desse lucro sobre a morte de crianças, porém a mulher que procura
uma clínica clandestina não é vítima, mas conduzida pelas próprias
pernas, seja por conta da pressão, medo, ou qualquer outro fator.
Fato é que um crime não pode justificar outro. Legalizar o aborto
seria justificá-lo em nome de outro crime, a comercialização.

O comércio e o lucro são ilegais e estarrecedores? Sim, sem


dúvidas! Mas o aborto que a mulher comete, dando acesso ao seu
ventre, não é um crime menor, considerando que se essas mulheres
não quisessem abortar não existiriam as clínicas. Se não houvesse
o interesse pelo aborto, as clínicas não seriam sustentadas e não
61
Aborto Explícito | A Legalização do Aborto

haveria o comércio. A mulher que procura uma clínica clandestina


pratica o crime tanto quanto a clínica, sendo a pena, perante a lei,
igual para ambas. O justo seria pesar as investigações e a lei para
tais clínicas e conscientizar as mulheres, como também apoiá-
las em favor à vida fetal – o que não é necessário ser feito pela
legalização. As pessoas tendem a usar justificativas ou amenizar
o problema, sem considerarem que existe uma raiz do problema.

“Um estudo recentemente publicado traz uma série de novas pistas


para se esclarecer os motivos e o perfil das mulheres que realizam
abortos no Brasil. Essa pesquisa, coordenada por Débora Diniz,
antropóloga da Universidade de Brasília (UnB), e por Marilena
Corrêa, médica sanitarista da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (Uerj), avaliou mais de 2 mil estudos sobre o aborto no
país. Os resultados contrariam o senso comum, segundo o qual
esperaríamos uma maior taxa de abortos entre adolescentes e
mulheres com pouco estudo, desempregadas, solteiras e não
católicas. Segundo Diniz e Corrêa, a maioria das mulheres que
abortam tem entre 20 e 29 anos e possui uma união estável
(cerca de 70%). Essas mulheres têm até oito anos de estudo, a
maioria trabalha e é católica (entre 44,9% e 91,6%, dependendo
do estudo analisado). A maior parte delas possui, pelo menos, um
filho (entre 70,8% e 90,5%) e é usuária de métodos contraceptivos
(principalmente a pílula anticoncepcional). Segundo vários
estudos, a realização de abortos seria uma solução utilizada por
muitas mulheres quando os métodos contraceptivos falham. As
análises também indicam que entre 50,4% e 84,6% das mulheres
que interrompem a gravidez utilizam o misoprostol (conhecido
popularmente como Cytotec), um medicamento vendido

62
A Legalização do Aborto | Aborto Explícito

ilegalmente em todo o país. A perda do apoio da família e do pai


da criança, como também a carência de iniciativas educacionais
e assistenciais do poder público para auxiliar gestantes, aliadas
a problemas financeiros associados com a manutenção de uma
criança indesejada e com a exiguidade de perspectivas futuras
são fatores que contribuem para a decisão a favor do aborto.” –
Instituto Ciência Hoje.

É visível que se usa de mulheres de baixa renda e idade jovem


para justificar o índice de aborto, porém condições sociais não são
fatores determinantes, como já visto. O aborto nunca é justificável
por condições qualquer e pode ser anulado quando no verdadeiro
amor em eliminação do egoísmo. Em última análise, a solução do
problema não está na legalização do aborto, mas na solução da
série de motivos que levam a maioria das mulheres a abortar – falta
de opção, falta de apoio, falta de condições econômicas, falta de
creches, falta de ensino e desalinhamento de valores e princípios.
Não convém ao governo 'cortar o mal pela raiz', afinal, é a raiz do
problema que o sustenta e para ele a solução desse montante de
problemas sai muito mais caro do que legalizar o aborto e pagar
por esses procedimentos!

“A constituição Federal garante que todos são iguais perante


a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade
do direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos, já
que se constitui em pré-requisito à existência e exercício de todos
os demais direitos. A constituição Federal proclama, portanto,
o direito a vida, cabendo ao estado assegurá-lo em sua dupla

63
Aborto Explícito | A Legalização do Aborto

acepção, sendo a primeira relacionada ao direito de continuar


vivo e a segunda de ser ter vida digna quanto à subsistência.” -
MORAES, Alexandre - Direito Constitucional.

64
As Teses que
Defendem o
Aborto
Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

“Estimativas de 2005 da Organização Mundial da Saúde (OMS)


indicam que ocorrem a cada ano no planeta cerca de 87 milhões
de casos de gravidez indesejada. Desses resultam entre 46 milhões
e 55 milhões de abortos. Diariamente, são realizadas cerca de
126 mil interrupções voluntárias da gravidez, ou seja, ocorre um
aborto a cada 24 segundos. Comparativamente, é como se 1/4
da população brasileira ou todos os habitantes da Itália, ou da
Espanha ou da Argentina fossem exterminados em um único
ano. A grande maioria desses abortos (78%) ocorre em países em
desenvolvimento.” – Instituto Ciência Hoje.

Conforme Pesquisa Nacional do Aborto (UnB e ONG ANIS),


uma a cada duas mulheres que abortam necessitam de internação
médica e 75% dos abortos são naturais, espontâneos. Mas, afinal,
quais são os pensamentos que defendem o aborto? O aborto não
é um tema tratado apenas em visão dos 'direitos das mulheres' ou
da 'saúde pública', como já vimos, apesar de serem as teses mais
conhecidas e abordadas por serem as mais corriqueiras. Porém, há
muito mais teses que defendem o aborto que, na verdade, são o
que fundamentam e usam os demais meios e teses para proclamar
tal heresia. Teria, porém, alguma delas fundamento moral, ético
e legal? Na religião, pelo menos a cristã, sabemos que o aborto
nunca será justificável, mas, além da religião, algo poderia justificar
tal ato?

Nos meios esclarecidos há total reconhecimento de que um


embrião é um ser humano e, ainda assim, há defesa do aborto.
Por quê? Quais são os motivos que anunciam ser plausível, ou até
necessário, o aborto?

66
As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

A Eugenia
Eugenia ou eugenismo é o estudo que visa o melhoramento
genético da espécie ou da raça, física ou mentalmente, geralmente
adotada por materialistas. Ela não é bem vista, principalmente
por ter ocorrido a 'eugenia nazista' que fez distinção de raças
humanas e colocou entre elas uma hierarquia, executada através
morte de inocentes. Para Hitler, os judeus, ciganos e africanos não
eram humanos, portanto, deveriam ser mortos por não serem
dignos de viver. Da mesma forma, em vista do melhoramento
da raça, a eugenia apoia o aborto. Por exemplo, para o estudo,
crianças com Síndrome de Down não deveriam nascer, pois
empobreceriam as qualidades genéticas das futuras gerações.
Como para Hitler, até hoje para algumas pessoas os africanos
não deveriam nascer ou viver. Para quem defende a tese, deve
haver uma ‘seleção’ de pessoas para que a humanidade melhore
geneticamente, ou seja aperfeiçoada – o que envolve o aborto.
Geralmente, as pessoas que apoiam tal ideia são as que acreditam
na evolução, as evolucionistas, isto é, as que dizem ter o homem
vindo do macaco e que, portanto, a espécie vai se desenvolvendo
e aperfeiçoando. Para quem apoia o eugenismo baseando-se na
evolução, o ser humano seria apenas um ser mais desenvolvido
que em nada se difere dos outros animais. Por exemplo, para os
materialistas, a alma não existe, pois a humanidade nada mais seria
do que um macaco com melhoramento genético que o capacitou
a ser mentalmente mais desenvolvido. Entretanto, tal linha de
pensamento desconsidera todo e qualquer valor moral intrínseco
do homem, ou seja, o homem é apenas mais um animal sem valor
moral pessoal.
67
Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

Diga para uma mãe que deu à luz uma criança com problemas
mentais ou físicos que esse ser humano deveria ser exterminado e
verá qual a reação dela.

“Os mentalmente defeituosos não têm direito a vida, podendo


ser mortos para servirem de alimento – se viéssemos desenvolver
um gosto pela carne humana – ou para fim de experimentação
cientifica. ” – SINGER, Peter - já citado anteriormente.

“É imoral não abortar bebês com Síndrome de Down.” – DAWKINS,


Richard.

John Powell, médico, autor e padre, relata uma experiência


que teve quando decidiu passar suas férias servindo como capelão
na Alemanha. Houve uma irmã em especial que lhe chamou
atenção por parecer carregar um grande fardo.

”Irmã, a senhora guarda alguma dor profunda dentro de si? Quer


falar sobre ela? Sou bom ouvinte em alemão”.
A querida irmã me abriu um coração cheio de mágoas. Explicou-
me que ela e suas irmãs, certa vez, abriram um lar para crianças
retardadas e portadoras de deficiência física. As freiras da ordem
religiosa de irmã Rultilia tinham passado por um treinamento
para cuidar dessas crianças e amavam-nas 'como se fossem seus
próprios filhos'.

“Mas certo dia, ouvimos falar que o governo planejava leva-las


e mata-las, só por serem retardadas, mas, de qualquer maneira,

68
As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

nos pusemos a rezar. Ah, como rezamos por nossas crianças!


Mas um dia as caminhonetes chegaram e os soldados levaram
embora nossos bebezinhos. Jogaram-nos nas caminhonetes
como sacos de batatas e os levaram para os 'centros da morte'.
Eles disseram que as crianças foram mortas porque não tinham
contribuição a dar para o futuro do Terceiro Reich. Eram apenas
um gasto, um peso morto.”

Em seu livro “Abortion: the silente holocaust”, ele continua:

Em 1946 e 1947, o dr. Leo Alexander, um psiquiatra de Boston, era


consultor do Ministério da Guerra dos Estados Unidos servindo
no Gabinete do Presidente do Conselho de Crimes de Guerra
de Nuremberg. Depois de dois anos de criteriosas investigações
sobre o pesadelo nazista, que vê como um efeito aberrante da
aceitação da moralidade hegeliana, o dr. Alexander publicou um
notável artigo no “The New England Journal of Medicine”, em sua
edição de 14 de julho de 1949.

Intitulando seu artigo como “A prática médica sob uma ditadura”,


o doutor confirma, em linguagem técnica, o que a irmã Rutilia me
contara no jardim do convento em Flittard.

Para ele, os germes da destruição humana na Alemanha estavam


na crescente aceitação da moral pragmática hegeliana: se oferece
solução para um problema prático, é moralmente justificável. Os
(desejáveis) fins justificam os (nefastos) meios. A tendência em
direção a essa moral, cada vez mais aceita nos Estados Unidos
nesta nossa época, teve início na Alemanha antes mesmo de

69
Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

Hitler chegar ao poder, em 1933. O dr. Alexander escreve que a


enxurrada de propaganda destinada a justificar racionalmente a
matança com base em sua utilidade começou mesmo antes da
ascensão de Hitler ao poder.

"... voltou-se uma bateria de propaganda contra as atitudes


tradicionais solidárias, do século XIX, para com os portadores de
doenças crônicas, e em favor da adoção de um ponto de vista
utilitário, hegeliano. A esterilização e a eutanásia de pessoas
portadoras de doenças mentais crônicas foi discutida numa
reunião de psiquiatrias bávaros em 1931."

Quando Hitler efetivamente passou a exerver um domínio


incontestável, a moral hegeliana da 'utilidade racional' substituiu
os 'valores morais, éticos e religiosos'. A ciência médica da
Alemanha nazista colaborou de bom grado. Muitos médicos que
tiveram prestado o juramento de Hipócrates pela preservação
da vida se tornaram os algozes sociais do Terceiro Reich. Francis
Schaeffer e o doutor em medicina C. Everett Koop, em seu livro
“Whatever happened to the human race”, informam:

"Os principais a serem mortos foram os idosos, os enfermos, os senis


e retardados mentais, e as crianças portadoras de deficiências. No
final, à medida que se aproximava a Segunda Guerra Mundial,
estavam também entre os indesejáveis condenados os epiléticos,
os mutilados da Primeira Guerra Mundial, as crianças com
orelhas disformes e até as que urinavam na cama. Os médicos
participaram desse planejamento sobre questões de vida ou
morte destinado a economizar o dinheiro da sociedade.

70
As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

No filme “Julgamento em Nuremberg”, o alemão condenado


disse: “Mas não achávamos que chegaria a esse ponto”.

O americano respondeu: “Chegou a esse ponto a partir da


primeira vez em que você condenou um ser humano inocente”.
(...)
Em seu artigo, o dr. Alexander identifica claramente o “primeiro
passo fatal”, a corrosão que tem início em uma escala microscópica.
No final ela se tornou um pesadelo bárbaro, o sangrento corolário
da moral hegeliana do pragmatismo e da utilidade racional.
Começou com a aceitação da atitude básica do movimento da
eutanásia, de que existem vidas que não vale a pena serem
vividas.

Comentando essa afirmação do dr. Alexander, Francis Schaeffer


e o dr. C. Evertt Koop acrescentaram: “É exatamente isso que
está sendo aceito atualmente pelos movimentos em favor do
aborto, do infanticídio e da eutanásia!. É o “primeiro passo fatal”,
o pressuposto mortífero capaz de fazer com que um país migre
de uma ética solidária e humanitária para a ética implacável que
proíbe qualquer ser humano de ser um ônus, sob pena de morrer.

Como podemos ver, a eugenia preza pelo controle, o poder


e os resultados – políticos e econômicos. Trata-se de um jogo de
interesses praticado pelos maiores e aderido pelos leigos em suas
conveniências próprias. Porém, a eugenia não é a única.

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Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

Controle Populacional
Na verdade, a tese do controle populacional é apenas uma
roupagem nova que deram para a eugenia, já que o eugenismo
não ‘pega bem’. Essa tese diz que uma população sem controle
para um planeta finito pode causar problemas futuros como, por
exemplo, a fome, especialmente em países de terceiro mundo. Ou
seja, ela se utiliza de suposta preocupação com o futuro do mundo
e da humanidade para destruir a própria humanidade. Como o
eugenismo, a tese do controle populacional desconsidera todo e
qualquer valor moral intrínseco do homem. Isso é o que afirmam:

“O crescimento demográfico infinito é impossível num planeta


que é finito, acabaria com a natureza, com tudo. Então, a redução
de crescimento populacional é bem-vinda.” – EUSTÁQUIO, José
Alves - professor da escola nacional de ciências estatísticas
do IBGE.

Mas, além disso, é importante destacarmos o que há por trás


da tese que anuncia o controle populacional. Será que ela é, em si,
a motivação daqueles que a propagam? Ou teria algo camuflado
por trás de tudo isso?

“A distância entre o controle da natalidade e a legalização do


aborto é curta. Está amplamente demonstrado que as campanhas
anticoncepcionais terminam infalivelmente pró-aborto." -
DEROSA, Marlon - pesquisador na área de bioética, saúde
pública, direitos humanos e geopolítica.

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As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

John Rockefeller I, investidor, empresário e filantropo


americano, ficou muito rico revolucionando o setor do petróleo.
Sua família é parceira e ficou conhecida como 'família Rockefeller'.
A riqueza de Rockefeller cresceu e ele se tornou o homem mais
rico do mundo e o primeiro americano a ter mais de um bilhão de
dólares. No ano de sua morte, em 1937, sua fortuna foi avaliada
em 1,4 bilhões de dólares, o que significa hoje mais de 340 bilhões
de dólares, tornando-o o homem mais rico da história. Rockefeller
definiu a estrutura moderna da filantropia, dedicando sua fortuna
nos seus 40 anos de aposentado para criar um sistemático estilo
de filantropia, amor à humanidade, com fundações que tiveram
grande efeito na medicina, educação e pesquisas científicas. Além
de ajudar a medicina, fundou universidades e ajudou a igreja,
sendo ele Batista. Porém, sua descendência não foi tão benéfica.
John Rockfeller III, em 1952, se convenceu de que o mundo
tinha muita gente e que era preciso controlar o crescimento da
população com o fim de ter o controle sobre o funcionamento
das nações (da dinâmica populacional, social e econômica) e, por
fim, o sustento de sua riqueza e poder. Sim, novamente estamos
falando de poder e domínio. John Rockefeller III começou a criar
institutos de estudos sociológicos como artimanha para justificar
as suas estatísticas. Dessa forma, este homem se achava no direito
de decidir quem morre e quem nasce, a raça, o lugar e o momento
para não perder o controle que tinha.

Isso porque a segunda guerra havia encerrado em 1945 e em


sua sequência houve um aumento populacional, caracterizando
o 'segundo período de explosão demográfica'. Tal crescimento
era uma ameaça à soberania americana, o que automaticamente

73
Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

ameaçava o seu poder. O aborto se tornou o instrumento para


que ele tivesse o controle demográfico, sendo disfarçadamente
propagado como o que preza pelo bom funcionamento futuro da
humanidade. Tendo implantado diversos institutos pelo mundo
em defesa da tese, conseguiu em questão de 10 anos, ao custo
de 1 bilhão e 700 mil dólares, promover a ideia do controle
populacional. Ao longo dos anos foram se ajuntando a ele várias
instituições e empresas privadas, políticos e fundações gigantes
como: Fundação FORD, Fundação MacArthur, OAK Fundation,
Global Fund for Women (... a lista é longa) – ricas tanto quanto ele
e com a visão do domínio. As ONG’s e movimentos feministas
recém-criados tomaram o mundo sendo patrocinados por essas
fundações. No Brasil há várias instituições que propagam o aborto
com o mesmo fim, sendo disfarçadamente chamadas de ONG’s.
Trata-se de uma tentativa dos países ricos de dominar os países
em desenvolvimento. Por trás de tudo isso há ainda a visão da
lucrativa indústria do aborto.

Em 1989, a Casa Branca rejeitou um documento que advoga


pelo aborto, mais conhecido como “Relatório Kissinger”. Este
documento era do Conselho de Segurança Nacional dos Estados
Unidos, com participação de Rockefeller. Após rejeitado, ficou
conhecido mundialmente. Através dele pode-se observar o que
há por trás da tese do 'controle demográfico', que visa o poder
dos países ricos.

A ideologia não diz respeito tão somente ao aborto, mas


às principais causas combatidas pelos judaico-cristãos, que
visam a ordem divina “Crescei e multiplicai-vos“ (Gênesis 1:28 -

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As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

Bíblia Sagrada), sendo elas também: a esterilização em massa, o


implantamento de doutrinas contrárias a famílias numerosas, o
uso de anticoncepcionais, o emprego de mulheres em funções
que as mantenham distantes da maternidade, o desajuste moral
e estrutural da família (como a homossexualidade que é estéril, a
as doutrinações, etc). O documento foi apresentado à Casa Branca
com o nome “Implicações de crescimento da população mundial
para a segurança e os interesses externos dos Estados Unidos” mas
é chamado de “Relatório Kissinger“ por ter sido assinado pelo
Secretário de Estado, Henry Kissinger. No relatório, encontramos:

“A condição e a utilização das mulheres nas sociedades dos países


subdesenvolvidos são particularmente importantes na redução
do tamanho da família… As pesquisas mostram que a redução
da fertilidade está relacionada com o trabalho fora do lar” (NSSM
200, Pag.151).

“Ter como prioridade educar e ensinar sistematicamente a


próxima geração a desejar famílias menos numerosas” (NSSM
200, pag.111).

“A grande necessidade é convencer a população que é para seu


benefício individual e nacional ter em média, só três ou dois filhos.”
(NSSM 200, pag.158).

“…devemos mostrar nossa ênfase no direito de cada pessoa e


casal determinar livremente e de maneira responsável o número
e o espaçamento de seus filhos e no direito a terem informações,
educação e os meios para realizar isso, e mostrar que nós estamos

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Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

sempre interessados em melhorar o bem-estar de todos. ” (NSSM


200, pag.22, §34).

“Há também o perigo de que alguns líderes dos países menos


desenvolvidos vejam as pressões dos países desenvolvidos na
questão do planejamento familiar como forma de imperialismo
econômico e racial; isso bem poderia gerar um sério protesto”
(NSSM 200, pag.106).

“Prestar serviços de planejamento familiar integrados aos serviços


de saúde de maneira mais ampla ajudaria aos EUA a combater
a acusação ideológica de que os EUA estão mais interessados em
limitar o número de pessoas dos países menos desenvolvidos do
que em seu futuro bem-estar” (NSSM 200, pag.177).

"A assistência para o controle populacional deve ser empregada


principalmente nos países em desenvolvimento de maior e
rápido crescimento nos que os EUA têm mais interesses políticos
e estratégicos especiais. Esses países são Índia, Bangladesh,
Paquistão, Nigéria, México, Indonésia, Brasil, Filipinas, Tailândia,
Egito, Turquia, Etiópia e Colômbia" (NSSM 200, pag.14/15, §30).

Alguns fatos sobre o aborto precisam ser entendidos:


– Nenhum país já reduziu o crescimento de sua população
sem recorrer ao aborto e a ideologias que demoralizam a família;
- As leis de aborto de muitos países não são estritamente
cumpridas e alguns abortos por razões médicas são provavelmente
tolerados na maioria dos lugares. É sabido que em alguns países
com leis bastante restritivas, pode-se abertamente conseguir

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As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

aborto de médicos, sem interferência das autoridades.

"Deve-se dar prioridade ao programa geral de assistência às


políticas seletivas de desenvolvimento nos setores que ofereçam
a maior perspectiva de motivar mais as pessoas a querer famílias
menores.” (NSSM 200, pag.17)

Outra informação alarmante que o documento traz


é que nenhum país conseguiu reduzir o crescimento
populacional sem recorrer ao uso de métodos contraceptivos.

“O aumento da população mundial é uma ameaça para os


interesses externos dos Estados Unidos, o que é preciso controlar
de qualquer maneira com esterilização em massa, anticoncepção
e inclusive o aborto. É um fato que os Estados pouco populosos e
ricos têm medo do crescimento dos países pobres e mais férteis e
que tentam impor políticas de controle demográfico”. - CARLOS,
Luiz - padre e presidente da Associação Pró-vida de Anápolis.

Como podemos ver, ninguém está realmente interessado


nos direitos da mulher e muito menos do ser humano. As
ideologias marxistas e materialistas apoiam o aborto visando os
seus interesses próprios, instigando os interesses individuais de
alguns leigos ou não apegados a qualquer valor, moral ou ética,
se unindo a eles (e se utilizando deles, inclusive monetariamente)
para a legalização do aborto. O leigo em seu desconhecimento
mata tanto quanto o corrupto em sua malícia, a diferença é que
o leigo é o principal instrumento do corrupto, o qual se utiliza de
supostas conveniências para tirar proveito. É por isso que manter

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Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

o povo desinformado é uma grande estratégia marxista, ao passo


que a verdade liberta e carrega consigo o mais justo progresso.

É de grande valor pontuarmos que as grandes religiões, como


o islamismo, adotam o princípio bíblico da multiplicação como
estratégia de divulgação de sua crença. Eles são tidos como o povo
de maior fertilidade, pela taxa de natalidade, do que qualquer outro.
Nisso temos visto tal religião tomar conta do mundo. Infelizmente
muitos cristãos da atualidade adotaram uma visão totalmente
antibíblica, incrédula, egoísta e ignorante a respeito da família,
agindo de maneireia omissa e contrária a ordem divina. Basta
observar uma ordem divina para encontraremos nela o avanço,
no reflexo do caráter de Deus. As leis de Deus não são postas para
fazer mal contra a humanidade, antes são as instruções dAquele
que a criou com o fim de nos trazer significado e liberdade. Não
existe, portanto, método melhor de progresso pessoal e coletivo
do que o crescimento da família. Isso porque de um único casal,
isto é, de duas pessoas, pode-se gerar algumas dezenas de
novos propagadores de determinada doutrina, valor ou mesmo o
enriquecimento de um país. Observe os países desenvolvidos, sua
população precisa estar em contínuo crescimento (ou ser mantido
em considerável número populacional) para que possa garantir o
futuro e, como vimos, para que eles possam dominar os países
inferiores precisam propagar o controle populacional sobre estes
demais. Quando um país tem sua população idosa ou com baixa
taxa de natalidade, considera-se em risco e, portanto, convida
extrangeiros jovens para dar à luz em seu território, gerando então
uma nova população jovem em seu país para que o mesmo possa
crescer ou, no mínimo, ser mantido. Da mesma forma, o futuro da

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As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

igreja depende das crianças que nascem hoje, e o seu progresso


também. Além do mais, não existe meio melhor de discipulado
do que o ninho íntimo do lar, entre pais e filhos. Família é uma
rica linguagem divina e dom de Deus. É, portanto, de extremo
valor priorizarmos a família nos princípios bíblicos, os quais zelam
inclusive pelo número de herdeiros da graça de Deus. Um Deus
que preza pela verdadeira liberdade e crescimento dos Seus é o
mesmo que faz o Seu povo fértil para a procriação. Observe ainda
que as curas mais citadas na Bíblia, ou mesmo na atualidade, são
sobre mulheres que eram estéreis se tornando férteis. Todos os
dias nossos consultórios médicos testificam o milagre da vida.
Isso porque Deus se movimenta em favor do crescimento da
humanidade, na dependência dEle, e jamais no extermínio do Seu
próprio povo e Imagem!

Vale ainda lembrar que, ainda nos países onde o aborto


é legalizado, ele é pago e por isso gira um comércio. Isso já
desqualifica a justificativa de legalização para termino da indústria
aborteira, antes, a incentiva mais e mais.

A Comercialização de Fetos
O horror vai ainda além quando há defesa do aborto para o
comércio. O lucro gerado pela indústria do sexo é acompanhado
pelo lucro dos métodos contraceptivos que, ainda em suas falhas
proporcionam o giro do comércio abortista e, por fim, o lucro
sobre os fetos. A indústria do aborto se aproveita dos fetos para
vários fins:
- O comércio de órgãos e membros fetais;
79
Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

- O comércio de fetos para a 'sopa de feto';


- Venda de fetos ou de partes do feto para a macumbaria;
- Comércio de tecidos fetais para a indústria cosmética;
- Comércio para estudos científicos, dentre outros.

Acontece que, quando uma garota aparece em uma dessas


instituições, geralmente está em estado de choque e medo e, nessa
situação, ao invés de proporcionarem auxílio em favor dela e da
vida que está sendo gerada – ainda que seja para a adoção – eles
influenciam a garota negativamente, até as pressionando, dizendo
a elas sobre uma suposta gravidez de risco ou impondo ainda
maior terror em suas mentes. Sem contar a ideologia doutrinada e
os abusos cometidos. Este é o testemunho de centenas de garotas
que se apresentaram na situação e tiveram a recomendação do
aborto, o qual realizam imediatamente.

”Com sede estrategicamente localizada nas proximidades das


universidades americanas, a 'Planned Parenthood' é definida
como uma organização preocupada com a saúde que fornece
aconselhamento aos jovens. Em 2015, ele teve que responder
a reclamações sobre a venda de órgãos e tecidos fetais de
crianças abortadas em estágios avançados de gestação para
pesquisa. 'Paternidade Planejada' negou. Algumas semanas
atrás, 56 membros do Congresso americano também pediram
para ser investigados em relação ao encobrimento de estupro e
abuso sexual. Ultimamente, alguns estados dos EUA retiraram
a cobertura para o seguro de saúde, o governo dos EUA anulou
os subsídios milionários e hoje a IPPF alerta sobre a falta de
financiamento para seus programas globais pró-aborto.” -

80
As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

DEROSA, Marlon - pesquisador na área de bioética, saúde


pública, direitos humanos e geopolítica.

"O Slogan número 1 dos pró-aborto é a 'pró-escolha'. E a pior


ironia deste slogan é que se perguntarmos as mulheres que
cometeram aborto o motivo de terem o realizado a primeira
resposta é que disseram a elas que não havia outra opção." -
MEANEY, Joseph - Human life International.

Existem duas grandes mentiras proclamadas como meio de


incentivo ao aborto. A primeira é que o feto não se trata de um
ser humano e segunda é que a mulher é beneficiada. A junção
de duas mentiras alimenta o ego que no momento se sente
carente de solução. Alimentar a visão da 'liberdade da mulher' e
seus direitos faz com que ela almeje uma vida no controle de seu
próprio ventre, o que não significa abstinência sexual, mas o uso
de métodos contraceptivos e anticoncepcionais para sua própria
manipulação. Esse raciocínio não para por aí, pois é exatamente o
mesmo que dedica à mulher o direito de decidir sobre a vida ou
morte do próprio filho em seu ventre.

Veja que falácia, nos Estados Unidos onde o aborto é


legalizado, mais de 80% dos abortos induzidos ocorrem por
coação, ao passo que na teoria anunciam o direito de escolha da
mulher. Não se trata, portanto, de uma verdadeira liberdade, mas
de uma ideologia implantada para o lucro de alguns. Enquanto
essas mulheres acreditam tratar-se de liberdade, estão sendo
exploradas.

81
Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

O fim lucrativo em cadeia se inicia na imoralidade sexual e


termina na morte de inocentes. A partir do momento em que é
implantada na sociedade a imoralidade sexual como sendo algo
bom, de direito, saudável e inofensivo, começamos a perceber a
escravidão e extermínio em massa. Com a ideologia da mulher
independente e dona do próprio corpo alimentamos a indústria
do sexo, a mesma que anuncia a prostituição voluntária e, neste
meio, o que não falta é escravidão, exploração, dor, sequestro,
mentira e morte.

O terror não acaba por aí! Cabe e convém ao sistema propor


meios para as mulheres serem mantidas no suposto 'autocontrole',
o que significa a comercialização dos anticoncepcionais. Estes, por
sua vez, são abortivos, mas não são criados e comercializados com
o fim de extinguir totalmente a gravidez indesejada, mas para
alimentar a indústria abortícia. Ou seja, é um sistema mantido pelo
suposto anúncio de "você tudo pode e é capaz, você é o dono de
si mesmo e tem a liberdade de fazer o que quiser sobre sua vida
e sobre a sua família. Controle, seja, o poder é seu", enquanto, na
realidade, não passa de uma falácia para o domínio dos 'grandes'.
Não existe liberdade quando o assunto envolve o extermínio da
própria espécie, o que diz respeito a mim e a você!

Não é novidade para ninguém que os cristãos são


absolutamente contrários a tudo o que possa remeter essa
ideologia. Mas, infelizmente, apesar de famosa a posição dos
judaico-cristãos e conservadores, a grande maioria desconhece
o que acontece por trás da ideologia e o motivo por sermos
contrários a ela. Inclusive, infelizmente temos visto a tal adentrar

82
As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

em nossos púlpitos através de pregações de livre-arbítrio, direto


incondicional do Homem, dentre outros. Os ortodoxos, por sua
vez, são constantemente tidos por retrógrados, fascistas, anti
liberdade, dominadores, controladores, homofóbicos, racistas e
cativos. Bastaria, entretanto, o esclarecimento de causa para se
identificar o grande problema de tal doutrinação que cativa e mata
bilhões de pessoas em todo o mundo, das mais variadas maneiras
anunciadas pela ideologia. É escravidão e morte do início ao fim!

Não existe combate melhor a toda esta baixeza, provinda


diretamente do inferno, do que a Verdade e seus respectivos
valores que proporcionam a liberdade real. Para uma visão mais
aprofundada do tema com exemplificações de casos reais, sugiro
o Filme Documentário “Blood Money”.

"O aborto é um produto comercializado vendido a pessoas muito


fragilizadas, em crise. Elas compram o produto em busca de
solução, mas recebem maiores problemas." - EVERETT, Carol -
ex aborteira, proprietária da clínica de aborto.

"O aborto é um ramo muito lucrativo" - MCCRVEY, Norma -


'Roe', do caso "Roe x Wade", funcionária de clínica abortista.
Antes pró-aborto e atualmente pró-vida.

Recentemente alguns vídeos referentes a esse assunto


vazaram na internet – a comercialização de fetos pela “Planed
Parenthood”-, o que não foi bem visto e dificultou o financiamento
que a instituição recebia. E, ainda recentemente, o Estado do
Texas tentou eliminar a sua defesa pró-aborto, porém foi proibido

83
Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

pelo presidente Barack Obama, mediante ameaça de processo.


Há um interesse da parte de todo governo comunista e ditatorial
em cima do aborto. O custo médio, em 1980, para a realização
de um aborto era de 300 a 400 dólares o procedimento, agora
pegue esse valor e multiplique por um milhão e quinhentos mil
abortos contabilizados na época. É um grande giro na economia,
além de girar uma indústria. A indústria do aborto, atualmente,
só perde para a indústria do sexo, mas para a indústria do aborto
a indústria do sexo é aliada, já que quanto maior o número de
gravidez indesejada, maior o número de abortos lucrativos. Tudo
não passa de uma grande cadeia obscura infernal, um abismo sem
fim. A escuridão do luto de inocentes e de estruturas familiares
passa pelas trevosas ideologias marxistas.

Você acha mesmo que eles não sabem o que estão fazendo?
Pois bem, Mary Calderone, ex diretora médica da Planned
Parenthood, militante pró-aborto, disse em um artigo publicado
no “American Journal of Public Health” (volume 50, número 7
de 1960, página 951): “Abortar é tirar uma vida”. Neville Sander,
fundador do Metropolitan Medical Service, uma clínica de aborto
de Milwaukee, estado de Wisconsin, diz: “Sabemos que é matar,
mas os estados autorizam a morte sob determinadas circunstâncias”.
Alan Guttmacher, ex presidente da Planned Parenthood, disse em
seu livro “Planning your family”: “A fecundação, então, se realizou; foi
gerado um bebê!”. A doutora Magda Denes, que se submeteu a um
aborto, fez durante dois anos uma pesquisa numa clínica de aborto
e reuniu os resultados de suas investigações num livro, “In necessity
and sorrow: Life and deth in a abortion hospital”. Posteriormente,
afirmou em entrevista a um jornal de Chicago: “não houve um

84
As Teses que Defendem o Aborto | Aborto Explícito

médico que não tenha dito, vez por outra, na aplicação do questionário:
Isso é um assassinato!”. Joseph Scheidler, conhecido por diversas
clínicas abortistas, diz: "já conversei com centenas de aborteiros e
todos eles, sem exceção, disseram em determinado momento serem
assassinos. Alguns se dizem pistoleiros, pagos por aqueles que querem
matar seus próprios filhos".

"Pagamos alguns preços elevados pela vitória da tecnologia


sobre a natureza, mas nenhum talvez tão elevado quanto os
custos intelectuais e espirituais de ver a natureza como simples
objeto de nossa manipulação, exploração e transformação. Com
o poder da engenharia biológica atualmente em expansão,
haverá excelentes novas oportunidades para uma degradação
semelhante da nossa visão da humanidade. Na verdade, já
estamos presenciando a corrosão de nosso ideal do homem como
um ser grandioso ou divino, como criatura dotada de liberdade
e dignidade. E, evidentemente, se viermos a nos ver como carne,
tornar-nos-emos carne." – Dr. Leon R. Kass, professor de Artes
Liberais da Biologia Humana da Universidade de Chicago.

“Naturalmente, opiniões e propostas semelhantes às mencionadas


acima podem se multiplicar indefinidamente. O argumento
básico é em favor de uma nova ética, que substituiria a velha
ética. A nova ética pressupõe que existem vidas que não vale a
pena serem vividas e que essas pessoas deveriam ser submetidas
à morte antes ou depois do nascimento; sua morte pouparia as
outras pessoas de ônus financeiros e emocionais. A velha ética
insiste na santidade e no valor de cada vida, e nega que existam
vidas que não valem a pena serem vividas. A nova ética julga

85
Aborto Explícito | As Teses que Defendem o Aborto

cada vida por sua qualidade e significado e submete à morte


aqueles cuja vida não corresponde aos padrões exigidos. As
pessoas devem ser autorizadas a viver apenas se corresponderem
certos parâmetros de utilidade e produtividade. O recado é: não
os queremos e não vamos tolerá-los se vocês forem um ônus
para nós, principalmente um ônus financeiro ou emocional.
Permitiremos que vocês vivam apenas se considerarmos que
vocês podem ter uma vida “significativa, útil e produtiva”. Não
admitimos portadores de deficiências.
A nova ética é, naturalmente, a indisfarçável teoria da utilidade
de Hegel que foi o fundamento racional e a força propulsora da
conduta dos médicos do Terceiro Reich na Alemanha. Atualmente,
a mídia, o Judiciário e a comunidade médica dos Estados Unidos
estão inclinados nessa direção, se não pressionando em seu favor.
Os defensores da nova ética sentem que a vitória final está muito
próxima. Logo, as susceptibilidades da opinião pública estarão
suficientemente amortecidas. As pessoas “se acostumarão” com
ela, e a matança dos indesejáveis, cuja vida não corresponde
aos padrões exigidos, poderá prosseguir sem as incomodas
contestações nos tribunais.” – POWELL, John.

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Aborto
Polêmico
Aborto Explícito | Aborto Polêmico

”Esse é um assunto de grande importância para nós, pois o Se-


nhor declarou repetidas vezes esta ordem divina: “não matarás”.
Posteriormente, acrescentou: “nem farás coisa alguma semelhan-
te”. João Calvino, reformador protestante do século XVI, escreveu:
“se parece mais horrível matar um homem em sua própria casa
do que num campo, (…) deve-se considerar mais atroz destruir
um feto no ventre materno, antes de vir à luz.” - RUSSELL, Élder.

Existem três tipos de aborto:


1. O aborto eletivo. Quando há a decisão de matar o feto por
qualquer motivação que não seja clínica;
2. O aborto seletivo. Diz respeito às crianças que apresentam
problemas físicos ou mentais – problemas congênitos e/ou
enfermidades graves que supõem ser fatais, chamadas de
'incompatíveis com a vida';
3. O aborto terapêutico. É um aborto induzido com o fim de
salvar a vida da mãe, em casos quando a sua vida está em risco
por conta da gravidez, ou para preservar a sua saúde colocada em
risco, sendo ela física ou mental.

O primeiro estivemos trabalhando durante todo o material


até então e os dois últimos estaremos abordando nesse capítulo.
Vamos também tratar da gravidez provinda de estupro com maior
ênfase, pois estes três tópicos são os que chamamos de 'aborto
polêmico'. Diante de tudo o que vimos, haveria algum tipo de
aborto induzido com direito de ser?

A legislação brasileira permite o aborto em casos seletivos e


terapêuticos. E o que dizer a respeito da gravidez resultante de um
estupro? Vale ou não vale o aborto? A legislação brasileira também

88
Aborto Polêmico | Aborto Explícito

permite nesse caso.

Aborto Seletivo
"Qualquer forma de violência contra um ser humano, é uma
violência contra todos os outros homens; contra o homem
comum - o Cristo da sociedade atual. Qualquer forma de
violência contra um ser incapaz e desprotegido não é própria
da consciência médica nem compatível com o destino da
medicina, pois seria uma quebra da tradição que a cristalizou
como um projeto em favor do homem e da humanidade, sem
discriminação ou preconceito de qualquer espécie. Se alguém tem
pensamento contrário e admite que vai contribuir com o bem-
estar da sociedade, agindo opostamente, está enganado. Vai, no
mínimo, incutir o egoísmo, saciar a insensibilidade e promover a
discriminação. Não é pelo fato da existência de uma má-formação
fetal que o aborto deixaria de constituir uma ofensa à vida e à
dignidade humana. De qualquer forma que venha nascer o ser
humano, é homem, é sujeito de direito, tem lugar garantido como
personalidade jurídica" - Direito Médico, 7ª edição, São Paulo:
Fundo Editorial Byk, 2001.

O aborto seletivo é muitas vezes tido como recomendével,


em alguns meios, pois julgam não haver chances do bebê em
gestação nascer vivo, permanecer vivo ou viver em condições
normais. Logo, o feto é condenado à morte por ser examinado
como inapropriado para a vida – seja a vida gestacional ou após
ela.

89
Aborto Explícito | Aborto Polêmico

A proposta do aborto seletivo é constantemente associada


à eugenia, quando vemos que se trata de pessoas dizendo as
condições adequadas e possíveis da vida humana, em outras
palavras seria uma 'seleção' realizada pelos médicos e pais que se
baseiam em alguma suposta má formação. Querendo ou não, o
Homem se coloca no direito de decidir quem deve ou pode viver,
inclusive por quanto tempo.

A medicina tem sido constantemente desafiada pelos casos


vivos de pessoas que nasceram sem problemas, tendo antes sido
diagnosticadas como 'um caso perdido' ou 'um caso sério demais'.
Há também o caso de pessoas que nasceram, realmente, com
distúrbios, mas vivem com eles. Existe ainda pessoas que foram
curadas de seus dilemas, como também crianças que não chegam
a nascer, ou morrem pouco tempo após o nascimento.

Vimos, porém, que o ser humano tem valor moral intrínseco


e também que um embrião é humano desde a sua concepção,
independente de como venha se desenvolver ou por quanto
tempo possa viver. Quando nos deparamos com a possibilidade
do aborto seletivo nos encontramos em questão semelhante ao
aborto eletivo, sobre estarmos decidindo sobre a vida e o tempo
dessa vida do outro ser humano. Falam em misericórdia e liberdade,
mas o que vemos é dominação e assassinato.

Diante disso, alguma má formação poderia justificar um


aborto? A resposta seria sim apenas se não estivéssemos tratando
de um ser humano. Nenhuma anomalia poderia retirar de alguém
o direito ao desenvolvimento e a vida.

90
Aborto Polêmico | Aborto Explícito

Devemos considerar que a medicina tem avançado e esse


progresso deve ser em torno de prezar pela saúde e vida das
pessoas, e não de condená-las ou de decidir sobre o seu tempo
de vida. Isso é o que acontece quando, por exemplo, detectado
algum problema no bebê e tratado este problema nele quando
ainda no ventre ou fora dele.

"... as técnicas de diagnósticos pré-natais, tão sofisticadas e


onerosas hoje em dia, pelo menos deviam estar em favor da vida
do novo ser, e não contra ela. Se o diagnóstico pré-natal tiver
como única proposta a possibilidade da prática abortiva, como
quem faz um exame de qualidade, é um atentado aos princípios
da moralidade, um desrespeito aos valores da pessoa humana
e uma coisa pobre e mesquinha." - Direito Médico, 7ª edição,
São Paulo: Fundo Editorial Byk, 2001.

Se nossos estudos e avanços têm sido direcionados a uma


seleção condenatória de seres humanos, parece que não estamos,
na verdade, progrindo, mas definhando. Outrora, estávamos nós
dando à luz a pessoas com ou sem deficiências físicas e amando-as,
ainda que isso significasse alguns poucos fôlegos de vida para fora
do ventre materno. Hoje, selecionamos aqueles que devem ou não
nascer. Enquanto nossos avanços deveriam servir a humanidade
com o fim de ajudá-la em sua saúde, temos usado dela para matar.

"O argumento que pretende justificar o direito de abortar quando


uma mulher apresenta ou supõe apresentar uma má-formação
de um filho que vai nascer, é o mesmo que poderia garantir

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Aborto Explícito | Aborto Polêmico

a outra gestante que não pôde ou não teve oportunidade de


realizar exames pré-natais, o direito de ser contemplada mais
adiante com uma legislação que permitisse praticar impunemente
o infanticídio ou a eutanásia neo-natal". - Direito Médico, 7ª
edição, São Paulo: Fundo Editorial Byk, 2001.

Caso uma criança recém nascida apresentasse graves


problemas de saúde, teríamos por este motivo o direito de tirar-
lhe a vida? Provavelmente ninguém aceitaria o extermínio de
doentes recém nascidos ou mesmo adultos e idosos, dificilmente
uma pessoa normal aprovaria condenar à morte bebês inocentes.
Entretanto, o aborto seletivo tem esta mesma proposta, matar
crianças no ventre por conta de sua condição.

Usar de nosso atual conhecimento e condição de diagnóstico


intrauterino como utensílio para realizarmos um 'teste de
qualidade de humanos' e para condenar os 'não aprovados', é
algo totalmente desumano. Poderia uma mulher desprovida de
condições de diagnóstico solicitar um aborto por não ter a tal
'aprovação' médica sobre o seu bebê? Outrora, dávamos à luz
a bebês também com problemas graves e isto não nos dava o
direito à eutanásia ou ao infanticídio. Estamos falando do mesmo
contexto quando o assunto é aborto seletivo!

Não raro nos deparamos com pessoas que sofrem com algum
tipo de enfermidade severa e somos capazes de nos compadecer
para ajudar essas pessoas e famílias, seja em oração, doação ou
trabalho voluntário. Entretanto, somos capazes de matar seres
semelhantes silenciosamente, logo no ventre materno. É assim

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Aborto Polêmico | Aborto Explícito

que afirmamos ser hipócritas.

É válido lembrarmos que as diferenças naturais entre os


indivíduos existem, porém, elas não repartem a humanidade
criando entre os Homens uma hierarquia de valor. Por exemplo,
é nítido o fato de a mulher ter funções diferentes das funções
masculinas e características físicas diferentes, entretanto, em
nenhum momento ela é mais ou menos valorosa quanto a ser
humano, em comparação ao homem. Não podemos fingir que
as diferenças não existem ou tentar eliminá-las da existência,
entretanto, não podemos também fazer com que elas sejam um
fator que determine ou crie diferenciação no valor intrínseco
humano. Logo, em toda e qualquer diferenciação natural que
possa conter um indivíduo, seu valor moral é mantido intacto, não
gerando qualquer direito alheio de extinguir ou dominar o ser.

Existe a boa notícia! São conhecidos casos de crianças que


não foram abortadas e que nasceram sem cérebro ou sem parte
dele, chamadas de 'acéfalas', como também o caso de diversos
outros tipos de anomalias e doenças. Algumas morrem logo após
o parto, mas outras sobrevivem por determinado tempo ou até
por muitos anos – o tempo considerado 'normal' da vida humana.
As que duram algumas horas ou semanas cumpriram o propósito
para qual foram criadas e foram fundamentais na vida dos pais,
como eles mesmo anunciam. Uma mãe nunca deixa de se assumir,
posicionar, amar e agir como mãe apenas porque o bebê não
chegou a nascer ou morreu pouco tempo depois do nascimento.

Independente do tempo vivido, os pais dessas crianças

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Aborto Explícito | Aborto Polêmico

alegam jamais terem se arrependido de não ter interrompido a


gravidez, pois acreditam no propósito de Deus para com a criança
e também para com a vida deles.

Você pode estar pensando: “mas espere aí! Agora você já


está entrando no quesito religioso”. Mas precisamos analisar o
aborto no aspecto ‘religioso’! Em primeiro lugar, estamos falando
de uma população 90% religiosa. Algumas pessoas afirmam que
não são válidos os argumentos religiosos, porém, a própria vida é
a maior prova do milagre. Então, na verdade, estamos falando de
milagre o tempo todo.

Ainda agnóstico, dizia Albert Einstein que "só há duas maneiras


de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A
segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre". Para quem acredita na
existência de milagre, a própria existência é um milagre e, portanto,
cada fôlego, cada batida do coração, cada passo, cada piscar de
olhos, cada divisão celular, cada fecundação, cada segundo é
milagre. Nesse caso, não é necessário que algum milagre seja feito
aqui ou ali, a própria vida é milagre e, portanto, independente
de quanto tempo possamos existir, provamos o milagre a cada
instante. Por não entenderem assim, algumas pessoas corroem em
amargura, insatisfeitas, enquanto procuram um milagre aqui e outro
acolá e tentam ditar a existência por si mesmas. É libertador viver
em estado de gratidão em reconhecimento da graça constante de
Deus que nos proporciona a vida e, nisso, o aborto é totalmente
desmoralizado.

A ciência pode avaliar a vida e se basear no que a vida lhe

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Aborto Polêmico | Aborto Explícito

proporciona, mas não pode explicar o fôlego de vida. Não é uma


anomalia, ou mesmo a ausência dela, que tem o poder, em si
mesma, de manter ou tirar o fôlego de alguém. É justo afirmar que
a vontade de Deus se cumpre na vida das pessoas mais saudáveis
tanto quanto na vida das pessoas menos saudáveis. Uma vez que
não são os médicos que têm poder de dar vida, ela não depende
do que eles dizem. Caso for da vontade do Criador que a Sua
criação viva apenas alguns minutos após o parto, ou mesmo antes
do parto, quem é o Homem para que O questione? Certamente,
naqueles poucos instantes, se cumpriu um propósito eterno.

John Lober foi um médico neurologista britânico e escreveu


um documento chamado: “Is your brain really necessary?” [o seu
cérebro é mesmo necessário?]. O documento contesta, com um
fato real, a necessariedade do cérebro para a vida humana. Neste
momento os médicos aborteiros de casos seletivos precisam se
calar. De uma forma ou de outra, o aborto é contrariado como
prova de que o controle da existência e da vida não pertence ao
Homem. Diante desse fato, o que mais poderia justificar o aborto?
Junto a este caso temos inúmeros espalhados por todo o mundo,
os quais a ciência não pode explicar em sua limitação. E se em
alguns desses casos o aborto tivesse sido feito? Logo, nunca
podemos desconsiderar a vontade de Deus ou até de um engano
médico.

“Os médicos sugeriram a uma jovem mulher que ela abortasse


porque o bebê nasceria com alguma deficiência. Ela se recusou. A
mulher é minha mãe e o bebe sou eu.” – Andrea Bocelli, tenor,
compositor e produtor musical italiano.

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Aborto Explícito | Aborto Polêmico

Na crença judaico-cristã, Deus não fica nos conhecendo no


nascimento. Ele nos conhece antes mesmo da concepção, antes
da fundação do mundo, e não tem por filhos os Seus apenas após
o nascimento, mas desde a eternidade, e cuida deles desde o
ventre. O nascimento é o momento em que a mãe pode conhecer
o rostinho do seu filho e o filho começa a descobrir o mundo além
do ventre materno, começa a descobrir as maravilhas que Deus
criou, como as estrelas, o jardim, as flores do campo e o calor dos
braços da sua mãe. O nascimento é um momento marcante, um
marco na vida de todos nós e dos nossos familiares, mas não é o
que difere algo na natureza humana física ou espiritual.

“Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses


da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.” - Jeremias
1:5 (Bíblia Sagrada).

Confiar no Deus onipresente, onipotente e onisciente que


tem caráter e que manifesta este caráter perfeito em todo o seu
domínio e em tudo o que faz é consolador. Essa confiança nos
leva ao deleite na Sua vontade onde podemos nos submeter em
realidade de gratidão e viver em realidade de prazerosa obediência.
É uma dependência que nos faz provar nova realidade de vida.
Para aquele que confia, a vida não é um fardo, já não há motivos
para viver ansioso e nem mesmo para querer tomar o controle da
existência. Logo, para este já não existe a possibilidade do aborto,
pois a suficiente graça de Deus faz com que sejamos satisfeitos em
Sua vontade e, consequentemente, no serviço prestado a outras
vidas humanas - independente de como elas são.

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Aborto Polêmico | Aborto Explícito

A ressurreição de Cristo nos proporciona uma esperança


eterna e, nela, somos satisfeitos para vivermos em bem ânimo
independente das circunstâncias. Isso faz com que amemos
o próximo em suas debilidades, visando o que é eterno e não
temporal. Além do mais, a ressurreição nos abre uma janela de
oportunidades, mostrando que tudo está debaixo do poder de
Deus e que estamos novamente reconciliados com Ele por meio de
Cristo. Logo, qualquer prodígio é possível. A vida venceu a morte e
essa é a Boa Notícia!

Nossas expectativas não podem estar fundamentadas no que


o homem pode ou não fazer ou no que queremos ou achamos,
mas apenas na simples e perfeita vontade de Deus, seja como ela
for. Ele é bom e justo em todos os Seus feitos. O poder de Deus
se aperfeiçoa nas debilidades humanas e é nas impossibilidades,
quando o homem está vazio de si, impotente e fraco, que está no
ambiente pronto para a manifestação da vida. Foi o que ocorreu
na ressurreição, quando um túmulo não pôde detê-Lo!

O que põe em cheque as afirmações e sugestões colocadas


por médicos abortistas é o milagre da ressurreição. Não é normal
para os céticos aceitar que alguém viva sem cérebro, não é normal
aceitar que a vida venceu a morte no terceiro dia. Também não
é normal considerarmos pais que perderam seus filhos serem
totalmente gratos, sujeitos e satisfeitos na vontade de Deus.
Tudo isso é milagre! É totalmente gracioso presenciar a realidade
de famílias que convivem com crianças com problemas e são
santificadas através deles, como também a realidade de famílias

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Aborto Explícito | Aborto Polêmico

que perderam entes queridos e sabem agradecer a Deus pelos


muitos, ou poucos, fôlegos de vida daquela criança que puderam
presenciar e a quem puderam servir em amor. O simples fato de a
ressurreição provar a vida além da morte testifica que vale a pena
investir em fracos, débeis e pecadores, e não no seu extermínio.

Diante disso, quero sim que você, leitor, que está passando
por algo semelhante ou que conhece alguém em situação
semelhante, tenha a sua mente aberta para o leque de realidade
que surge da ressurreição. Há vida, e vida eterna! É quando a
capacidade humana é nula que fica nítido o poder de Deus e, sim,
Ele escolhe esses casos para ser a manifestação do Seu amor, graça
e misericórdia. Abortar com a esperança de eliminar sofrimentos
só pode causar maiores problemas e sofrimentos, mas estar no
impossível do Homem é um privilégio provado por aqueles que
testificam a graça do Deus suficiente. Ainda quando um bebê não
chega a nascer ou vive pouco tempo após nascido, é milagre sua
existência e a obra de Deus na vida de seus pais. O trabalho de
Deus está para além de levantar paralíticos ou limpar leprosos, Ele
trabalha com saciedade, gratidão e paz. Isso se chama salvação e
vida eterna!

“Deus não é servido por mãos de homens, como que necessitando


de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e
a respiração, e todas as coisas; E de um só sangue fez toda a
geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra,
determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da
sua habitação; Para que buscassem ao Senhor, se porventura,
tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada

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Aborto Polêmico | Aborto Explícito

um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos;


como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos
também sua geração.” - Atos 17:25-28 – Bíblia Sagrada

A criança que está dentro do ventre materno foi


estrategicamente colocada ali por Deus, seja como ela for. Só Ele
sabe com que propósito cria cada uma das suas criaturas. Não cabe
ao homem decidir quando alguém deve ou não viver - quando ela
tem ou não valor, capacidade ou qualidade suficiente.

O aborto seletivo considera a capacidade e qualificação


humana, enquanto em Deus provamos a suficiente capacidade e
qualidade divina, que em nenhum momento imputa ao Homem a
necessidade ou direito de avaliar a humanidade como se faz em
um teste de qualidade com objetos. Deus não é servido por mãos
de homens e, portanto, Ele é quem dá e quem tira o fôlego de
vida, estabelecendo até mesmo o lugar da habitação de cada uma
das Suas criaturas.

“O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz


tornar a subir dela.” - 1 Samuel 2:6, Bíblia Sagrada.

“Os dias do homem estão determinados; tu decretaste o número


de seus meses e estabeleceste limites que ele não pode ultrapassar”
- Jó 14:5, Bíblia Sagrada.

Ninguém jamais pode negar o desejo de que todas as


crianças nasçam saudáveis, nem mesmo menosprezar a aflição e as
dificuldades dos pais de crianças malformadas, ainda que estejam

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Aborto Explícito | Aborto Polêmico

em permanente gratidão pelo fruto da graça de Deus. No entanto,


isso por mais pungente que seja, não autoriza ninguém - muito
menos os que não vivem esse sofrimento - retirar desses seres o
direito à vida. O ser humano não pode ser julgado, na avaliação
de sua existência, pela 'plenitude de vida e independência sócio-
econômica', nem muito menos pelo fulgor de uma inteligência
privilegiada ou pela formosura de seus traços físicos, uma vez que
ele não foi proposto para torneios e disputas, mas para realizar o
destino da criatura humana. E, como tal, não pode ser avaliado
por quem quer seja, pois isso não é o resultado de uma simples
convenção, senão um imperativo da própria natureza humana.

"Qualquer que seja o estágio da ciência, qualquer que seja


o avanço da biotecnocracia que tudo quer saber e tudo
explicar, não existe argumento capaz de justificar a disposição
incondicional sobre a vida de um ser humano, propondo
sua destruição baseada em justificativas que se sustentem
na 'relação custo-beneficio', pois essa vida é intangível e
inalienável. Só assim estaremos ajudando a salvar o mundo.
Apesar de todos os horrores, este é o mundo dos homens. Essa
é também a forma dele reencontrar o caminho de volta a
si mesmo, em espírito e em liberdade." - Direito Médico, 7ª
edição, São Paulo: Fundo Editorial Byk, 2001.

Aborto Terapêutico
Precisamos iniciar o tema destacando que esse tipo de aborto
diz respeito a uma condição extretamente rara e, quanto mais se
evolui a ciência, mais raro e menos plausível se torna o aborto

100
Aborto Polêmico | Aborto Explícito

'terapêutico'. Isso porque cada vez se torna mais preciso e possível


o zelo pela vida particular da mãe e do feto, sem que seja 'preciso
escolher' entre uma delas.

"Ainda assim, afirmamos que o ato só seria lícito se a gestante


apresentasse perigo vital, se esse perigo estiver sob dependência
da gravidez, se a interrupção da prenhez fizer cessar aquele
perigo e se esse for o único procedimento capaz de salvar-lhe a
vida." - Direito Médico, 7ª edição, São Paulo: Fundo Editorial
Byk, 2001.

Para que o aborto terapêutico tivesse qualquer razão de ser,


seria preciso afirmar que a mulher grávida está à beira da morte
por motivo único e exclusivo da gravidez e que não existiria
qualquer outro meio de salvar-lhe a vida. Isso, porém, é um caso
extretamente raro e, atualmente, quase que impossível pelo fato
de ser possível, com o avanço da medicina, optar por vários outros
tipos de tratamentos que não findassem no prejuízo ou eliminação
do feto. Como já dito anteriormente, a medicina tem em seus valores
o princípio de prezar pela vida e, quanto mais ela evolui, menos
justificável se torna o aborto. Ora, seria totalmente contraditório
dizermos estar prezando pela vida enquanto matamos uma.
Portanto, nossos exames e tratamentos clínicos têm tornado cada
vez mais preciso o cuidado particular de feto e mãe.

"Os avanços da medicina reduziram enormemente os riscos para


a vida e a saúde da mãe, de tal forma que as condições orgânicas
que complicam a gravidez, ou nas que o estado de gravidez leva
ao agravamento da saúde são cada vez mais controláveis e

101
Aborto Explícito | Aborto Polêmico

susceptíveis de serem compensadas com uma assistência médica


adequada. Não proporcionar estes cuidados médicos poderia
mesmo constituir uma má prática clínica. Nas situações clínicas
em que a gravidez constituísse efectivamente uma circunstância
de agravamento da saúde materna devem providenciar-se todos
os meios terapêuticos disponíveis para tratar a saúde física ou
psíquica da mãe, tentando que mãe e filho se salvem. Entre estes
meios não se contempla o de provocar a morte diretamente,
que não é nem um acto médico nem ético." - JORGE, Paulo -
professor.

Se, porém, precisássemos optar por uma das vidas, teríamos


que admitir diante toda e qualquer ética médica que nenhuma das
duas vidas teriam prioridade em seu valor moral.

"Por conseguinte, enquanto morte direta de um inocente, não


podem existir dúvidas quanto à ilicitude moral do chamado
aborto terapêutico. Nenhum motivo pode ser tão importante ao
ponto de invalidar a norma que declara ilícito causar a morte
direta de um inocente. Isto representaria um empobrecimento tal
que nenhum valor estaria em grau de compensar. O princípio da
'comparação ou contraposição de bens', frequentemente usado
na ética, aqui não é válido ou, em todo o caso, leva sempre a
concluir que o mal de matar não pode ser compensado por
nenhum outro. Por isso a ponderação entre a saúde da mãe e
a vida do feto é desequilibrada e equivocada; em nenhum caso
a vida do 'nasciturus' pode ser instrumentalizada em favor da
saúde (bem secundário com respeito à vida) da mãe" - JORGE,
Paulo - professor.

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Aborto Polêmico | Aborto Explícito

Em seu livro "O aborto: Mitos, verdades e argumentos", o filósofo


Germain Grisez afirma: "subordinar a vida à saúde é algo que em si
mesmo não posso fazer; nunca estarei mais são morto que vivo. Não
se pode preferir razoavelmente a saúde à vida, a parte (a saúde) ao
todo (a vida)".

Existem duas realidades em um aborto terapêutico:


- A primeira é quando a vida materna está em risco e o feto
ainda não teria condições de viver fora do útero materno. Com
isso supõe-se que a morte da mãe significaria necessariamente a
morte do filho. A condição temporária de dependência fetal, como
já vimos, não altera a seriedade moral do assunto e, portanto, seria
justo espreitar um pouco mais a questão, dividindo essa condição
em duas:
I) Quando podemos segurar a gestação um pouco mais
até a criança poder ser retirada da mãe em um parto prematuro
que não ofereça riscos fatais à sua vida e à vida do feto. "Nesta
'espera armada' pôr-se-ão todos os meios técnicos que os médicos
considerem adequados para estabilizar ou controlar a situação clínica
até que se deva induzir o nascimento. Existem casos graves onde
manter a gestação pode oferecer um perigo maior para a vida da mãe.
Pensamos ainda ser justo admiti-lo, posto que há um motivo importante
para correr esse risco: pode nascer uma criança viável" (A. Sánchez de
Lamadrid, Valorização moral das atitudes médico-cirúrgicas nos
embargos ectópicos, Roma 2006, p. 267).
II) Quando de fato a mãe está à beira da morte por único
e exclusivo motivo gestacional e a ausência da gravidez fosse o
único e satisfatório meio para salvar a sua vida, não sendo possível,

103
Aborto Explícito | Aborto Polêmico

entretanto, realizar um parto prematuro com o fim de salvar a vida


do feto.

- A segunda é quando a vida materna está em risco, porém


o feto poderia nascer e viver, ainda que prematuro. A ausência do
parto prematuro, em preferência do aborto ou da gestação que
oferece risco a ambos, seria considerado negligência médica.

Uma vez que existe notória distinção entre 'perigo grave'


e 'situação fatal', é preciso saber discernir cada caso de maneira
bastante precisa. Entretanto, no todo percebe-se o abuso do
termo 'terapêutico', tornando o seu uso totalmente inadequado.
Em nenhum momento um aborto poderia ser considerado uma
terapia ou ato de tratamento médico. Como aponta o Manual de
Bioética Sgreccia, o princípio terapêutico diz respeito a "intervenção
médico-cirúrgica que procure curar ou eliminar diretamente a parte
doente do corpo". No caso em questão, o aborto, não se trata de
intervir sobre uma doença, mas sobre suprimir ou eliminar a vida do
embrião ou do feto para evitar que se agrave a saúde ou o perigo
de vida da mãe. O embrião/feto não é uma doença e, portanto,
não poderia ser um alvo de extermínio em nome da terapia.

"A verdadeira terapia, a única terapia lícita, é a que elimina


directamente a doença sem comprometer a vida do feto" -
Fundamentos e ética biomédica, vol. I, Biblioteca de Autores
Cristianos, Madrid 2009, p. 366.

O termo 'terapêutico' se torna, portanto, totalmente


impróprio uma vez que ao invés de remover a parte doente da

104
Aborto Polêmico | Aborto Explícito

mulher, remove outra vida. De fato, o assunto é polêmico e muito


pensamos quando precisamos salvar a vida de alguém, porém
precisamos considerar estar matando outra pessoa e também
estarmos usando de maneira contraditória um termo como
justificativa para tal.

"O percurso não é desde a ação terapêutica sobre a doença para


alcançar a saúde, mas que realmente se configura uma ação
sobre o que está são (sobre o feto que também pode estar são),
para prevenir uma doença ou o perigo de morte." - Fundamentos
e ética biomédica, vol. I, Biblioteca de Autores Cristianos,
Madrid 2009, p. 564.

Deve-se ainda considerar que o aborto chamado de


'terapêutico' seria tão somente uma tentativa de salvar a vida da
mãe, que não necessariamente teria sucesso. Além disso, em muitos
casos pode provocar agravo em sua saúde física e mental. Além
do mais, o aborto (qualquer que seja) está diretamente vinculado
a um risco acrescido de perturbações psiquiátricas. As patologias
são diversas, incluindo perturbações depressivas e ansiosas,
disfunções sexuais, ideação suicida e comportamentos suicidários,
abuso de álcool e drogas e stresse pós-traumático. A maioria dos
abortos acaba na chamada 'síndrome pós-aborto'. Todos esses
efeitos, como sabemos, causam danos a saúde física da mulher,
além dos que podem ser desencadeados após o procedimento.

Não creio, pessoalmente, portanto, que essa seja uma


'escolha' competente ao Homem, a quem não cabe a existência.
É ainda de importância lembrar que Cristo deu Sua vida em prol

105
Aborto Explícito | Aborto Polêmico

de uma decendência saudável, para a glória de Deus. Seria justo,


diante disso, afirmar que uma mãe daria a sua vida, se necessário
e possível, em função da vida de sua prole. Isso significa que o
aborto chamado de terapêutico seria plausível tão somente se
com o consentimento da mãe e/ou do pai da criança (dependendo
da situação), caso a mãe estivesse à beira da morte por conta
da gestação, se o aborto fosse suficiente para salvar a sua vida
e se não fosse possível realizar um parto prematuro da criança
em gestação. Este caso, entretanto, é extremamente raro e seria o
mesmo que comparar a duas vítimas à beira da morte. No caso de
duas vítimas, portanto, é melhor que uma se salve do que ambas
se percam, apesar de ambas serem dignas de igual cuidado e
tratamento. É preciso, portanto, eliminar todo o qualquer tipo de
negligência para se chegar a essa conclusão.

Estupro
O aborto que diz respeito ao estupro é conhecido como
aborto 'sentimental, moral ou piedoso'. Isso porque em alguns
meios se entende que a gestação se deu pela "violência e pela
coação, trazendo no seu ventre um filho indesejado e marcado para
sempre pelo ultraje recebido". Este é, porém, um caso polêmico uma
vez que o feto não teria culpa do ato de seu progenitor, mas seria
a sua (segunda) vítima.

Nunca poderemos desconsiderar a perversidade de um


estupro. A Bíblia, no Antigo Testamento, traz como pena do
estupro a própria morte do agressor (Deuteronômio 22:25). Ao
mesmo tempo, considera inocência da mulher agredida (vs. 26).

106
Aborto Polêmico | Aborto Explícito

Isso significa que o próprio Deus considera isento de culpa o


agredido e não menospreza a sua causa, antes pune com justiça o
agressor. Devemos considerar, no entanto, que no caso do aborto
o sentenciado a morte não é o agressor, mas o inocente e indefeso.

Apesar de estarmos tratando de um contexto que aborda


bastante sofrimento, não devemos nos esquecer do fato de Deus
ser soberano sobre tudo e todos. Isso diz respeito, inclusive, a nova
vida que está no ventre. Compete a Deus manifestar misericórdia
sobre o agredido, justiça sobre o agressor e graça sobre o filho
do ventre. Ao passo que o fruto do estupro possa nos parecer
miserável e odioso, na verdade ele se trata de um ser humano que
é amado, querido e planejado por Deus. Isso significa que Deus
investe em miseráveis, a graça é a Sua manifestação de caráter,
onde demonstra que não depende da dignidade humana para agir
em amor. Se desconsiderarmos o investimento de Deus em seres
'odiosos', teríamos que desconsiderar em primeiro lugar o Seu
amor sobre nossa própria pessoa, já que somos pecadores e nos
rebelamos constantemente contra a Sua Santidade.

Outro ponto a ser observado é que o filho não traz consigo


a responsabilidade sobre os atos de seus progenitores. Cada
ser responde por seus atos diante de Deus. Isso já desmoraliza
o conceito da criança ter sobre ela um 'ultraje definido' pelo seu
pai agressor ou pela forma como foi concebida. Ainda que possa
parecer desgostoso gerar o filho resultante de um estupro, a criança
não carrega consigo culpa referente ao ato de seu progenitor, não
podendo, portanto, ser punida com a morte. Filho e pai, assim
como filho e mãe, são pessoas totalmente distintas.

107
Aborto Explícito | Aborto Polêmico

"Naqueles dias nunca mais dirão: Os pais comeram uvas verdes,


e os dentes dos filhos se embotaram. Mas cada um morrerá pela
sua iniquidade; de todo o homem que comer as uvas verdes os
dentes se embotarão". - Bíblia Sagrada, Jeremias 31:29,30.

Observamos um desvio significativo em nossas leis que


permitem o aborto em caso de estupro, uma vez que consideram
esta legalização um ato de misericórdia em favor da mulher, mas
desconsideram a misericórdia quando o alvo se volta para o feto
que carrega, em si mesmo, valor moral (e inocência) semelhante
ao da sua mãe. Trata-se, então, de uma teoria contraditória em
essência.

Apesar da (até então) permissão da lei brasileira, devemos


submeter qualquer lei feita por homens à Lei de Deus. A lei dos
homens diz o que é crime e o que tem potencial de ferir a sociedade
(segundo a conclusão de alguns), entretanto, a lei de Deus diz o
que é pecado (o que contraria o Seu caráter) e a maneira como
Ele julgará todas as coisas, inclusive a lei dos homens. Em suma,
tudo o que é crime é pecado, mas nem tudo o que é pecado é
considerado crime como, por exemplo, o adultério, a cobiça,
a mentira, etc. Deve ser, portanto, a Lei de Deus a nos conduzir,
pois ela é completa, e não tão somente a lei humana. A instrução
divina nos mantém em santidade, comunhão e a salvo, porém a
lei humana poderá tão somente nos manter distantes das celas
do cárcere enquanto ela for vigente. Enquanto uma Lei é de valor,
permanencia e extensão eterna, a outra é totalmente temporal e
suscetível a mudanças.

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Aborto Polêmico | Aborto Explícito

Seria justo, diante dos homens e diante de Deus, admitirmos


por lei que o agressor assumisse pena por seu ato e ainda tivesse
que indenizar a mulher a quem agrediu, além de assumir os custos
do filho gerado, durante e após o cumprimento de pena, com o
suor do seu rosto. Isto é, nos casos onde não há a pena de morte
para o agressor.

Todavia, em nenhum momento poderíamos considerar


justa a morte da pessoa em gestação. Poderíamos considerar
a possibilidade de adoção, após o nascimento, caso a mãe não
consiga desligar em suas emoções, lembranças e afeto o ato, em
si, do filho gerado.

Lianna Rebolledo, da Cidade do México, era apenas


uma garotinha quando sofreu todo tipo de agressão de seus
estupradores. Com apenas 12 anos de idade, seus sequestradores
a deixaram desfigurada, quase morta. A situação deixou nela
diversas cicatrizes e, mais: uma filha em seu ventre. Para a maioria,
a criança seria nada mais do que 'outra cicatriz' ou 'um grande
prejuízo a ser eliminado'. Porém, Lianna afirma tê-la visto como "o
despertar de uma nova vida".

Em uma entrevista gravada para o Life Site News, Lianna conta


que o médico quase a obrigou a cometer um aborto, alegando
ser um direito, para que ela não tivesse que conviver com as
consequências do estupro. Em seguida, "Lianna perguntou ao
médico se o aborto a ajudaria a esquecer o estupro e aliviar sua dor e
sofrimento. Quando ele disse que não, ela percebeu que acabar com a

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Aborto Explícito | Aborto Polêmico

vida do bebê, na verdade, não poderia beneficiar alguém".

"Se o aborto não ia curar nada, eu não entendia o porquê de


fazê-lo. Eu sabia que tinha alguém dentro do meu corpo e nunca
pensei sobre quem era o seu pai biológico. Ela era minha criança.
Ela estava dentro de mim. Sabendo apenas que ela precisava
de mim, e eu dela... isso me fez querer trabalhar, arrumar um
emprego, ser uma pessoa melhor para a minha filha".

O estupro tornou a vida de Lianna bastante dolorida e


complexa. Não importava quantas vezes ela lamentasse, não
conseguia livrar-se do sentimento de sujeira. A ideia de suicídio
parecia oferecer à jovem uma libertação instantânea de tanta
miséria. Porém, ali se revelou a importância da vida de sua filha.
Lianna começou a perceber que tinha que pensar não apenas em
si mesma, mas no futuro da pequena vida que florescia em seu
ventre. Hoje, com 35 anos, percebe que sua filha salvou a sua vida
e ajudou a dar-lhe a cura que precisava tão desesperadamente. A
graça foi sua única cura. Na entrevista, Lianna diz:

"Eu salvei a vida da minha filha e ela salvou a minha."

"Foi realmente difícil, mas só de ver aquela pequenina me dizendo


como era feliz por eu ter lhe dado a vida, quando ela disse isso
– e ela tinha apenas quatro anos quando me disse: 'Mamãe,
obrigado por me dar a vida' –, eu entendi que foi ela quem me
deu a vida de volta."

"Ela sempre esteve presente por mim. Ela é a única pessoa que

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Aborto Polêmico | Aborto Explícito

me mostrou um amor verdadeiro. E eu sempre serei grata"

"Embora o estupro tenha sido um momento muito difícil, se eu


tivesse que passar por isso só para conhecer e amar minha filha,
eu passaria de novo."

Lianna agora vive em Los Angeles, Califórnia, onde cuida


do Loving Life, uma organização sem fins lucrativos que ajuda
mulheres que foram violentadas e grávidas. Ela também é uma
palestrante pró-vida internacional e leva a mensagem de que toda
vida é amável, não importa como tenha começado.

"Nenhum crime, por mais assombroso e terrível que tenha sido,


pode justificar o assassinato de um ser humano frágil e inocente
no ventre materno".

Não é possível usarmos do 'direito de escolha materno'


como justificativa para o aborto, nem mesmo o sequente de
estupro, pois o simples fato de afirmarmos liberdade não significa
que tudo o que fazemos seja bom ou moralmente legítimo. Aliás,
não é possível falarmos de liberdade humana enquanto ferimos a
humanidade e ferimos a sua liberdade, incluindo nossos próprios
filhos.

Diferente do que a grande maioria pode pensar, estudos feitos


por especialistas na área, como Sandra Mahkorn, revelam que 75 a
85% das mulheres que sofrem abuso sexual e engravidam de seus
estupradores preferem levar a gestação adiante. Isso significa que
as pessoas que estão de fora não podem usar do nome e situação

111
Aborto Explícito | Aborto Polêmico

daquelas que sofrem para legitimar o aborto, como se tivessem o


direito de dizer o que elas devem ou não sentir ou fazer, enquanto
alegam liberdade.

"Essa evidência, por si só, deveria fazer as pessoas pensarem e


refletirem sobre o pressuposto de que o aborto é querido ou até
mesmo melhor para vítimas de violação sexual" - REARDON,
David C - autor americano e fundador do Elliot Institute.

Como já dissemos no tópico anterior desse capítulo, o aborto


está diretamente vinculado a um risco acrescido de perturbações
psiquiátricas, já que se trata da morte de um inocente. Devemos
considerar que uma mulher que foi violada está ainda muito mais
suscetível aos traumas do aborto do que as demais. Como no
caso de Lianna, muitas mulheres agredidas pensam em algum
momento em suicídio (ou algo semelhante). Também, em números
incontáveis de casos de aborto, as mulheres consideram a mesma
possibilidade como fim de suas dores e culpa. Se somarmos a
tendência de ambos, observamos uma probabilidade de muito
maior sofrimento às mulheres estupradas que cometem aborto.
Portanto, o aborto não pode propor melhoras ao seu emocional,
mas tão somente pioras. Devemos ainda considerar os riscos para
a sua saúde física.

Muitas das mulheres que passaram pela experiência


traumática do aborto a relatam como sendo "uma degradante e
brutal forma de estupro médico". David Reardon explica:

"O aborto envolve um exame doloroso dos órgãos sexuais de

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Aborto Polêmico | Aborto Explícito

uma mulher por um estranho mascarado que está invadindo o


seu corpo. Uma vez na mesa de operação, ela perde o controle
sobre seu corpo. Se protesta e pede ao aborteiro para parar,
será provavelmente ignorada ou dirão a ela: 'É tarde demais
para mudar de ideia. Isso é o que você quis. Temos que terminar
agora.' E enquanto ela está deitada ali, tensa e desamparada,
a vida oculta dentro de si é literalmente sugada de seu ventre.
A diferença? Numa violação sexual, da mulher é roubada a sua
pureza; nesse estupro médico, é roubada a sua maternidade."

Mulheres que foram agredidas sexualmente se descrevem


como constrangidas, invadidas, envergonhadas, violadas e sem
valor. Imagine então esta mesma mulher sendo submetida a outra
violação, chamada aborto, que expõe e toca não apenas o seu
corpo já ferido, mas também a vida de seu filho, que também
carrega parte dela. É desumano!

O testemunho de Lianna é apenas um dentre as 75 a 85% de


vítimas de estupro que ficaram grávidas. Seu caso parece ainda
pior quando vemos a sua idade de 12 anos quando foi agredida
e esse mesmo agravante não foi levado em consideração para a
depreciação da vida nela gerada. Precisamos então pontuar que
um relacionamento indesejável não significa uma vida indesejável.

Muitas são as mulheres que deram à luz a crianças que vieram


de um estupro, e as amam normalmente. Como também vemos
algumas mulheres optarem pela adoção, crendo que outra família
poderia dar maior afeto do que ela. Neste último caso, as demais
famílias que foram galardoadas com o filho adotivo agradecem

113
Aborto Explícito | Aborto Polêmico

diariamente a existência daquela criança, dizendo ser nada menos


do que o fruto de suas orações.

Deus pode usar de qualquer ventre para dar à luz às pessoas


que Ele determinou para a existência antes da fundação do
mundo e, ainda que isso possa ser doloroso quando por meio de
um estupro, não deixa de ser uma dádiva carregar em si mesma
nada menos do que uma outra pessoa que manifesta a Imagem
e Semelhança de Deus. Não poderia a portadora do ventre ter o
direito de decidir se a criança merece ou não nascer.

Podemos não entender absolutamente os propósitos de


Deus, mas podemos em confiança nos render a Ele. Isso significa
admitir, em um caso como esse, que todo ser gerado está ali pelo
plano de Deus e, de uma forma ou de outra, será usado por Ele. A
liberdade de Deus em cumprir com a Sua vontade é o que nos faz
livres. A liberdade humana só é livre se em submissão à vontade
de Deus, caso contrário, não passa de uma escravidão.

Existem alguns exemplos Bíblicos de relacionamentos


perversos de onde vieram pessoas escolhidas de Deus. Bate-Seba,
por exemplo, era casada com Urias e, Davi, além de adulterar
com ela, mandou matar o seu marido. Não me parece que o
relacionamento de Bate-Seba e Davi era o ideal, mas foi justamente
dele de onde veio Salomão. E dessa descendência veio Jesus. Os
propósitos de Deus são insondáveis e Seus planos são eternos,
sendo eles perfeitos. Essa é uma forma justa de Deus agir, já que
demonstra que Ele não age conforme o merecimento do homem,
mas conforme a Sua Graça. Os frutos de Deus não são resultado

114
Aborto Polêmico | Aborto Explícito

da justiça e/ou bondade humana, mas apenas da Sua Graça. Por


isso, o estupro também não é justificativa plausível para o aborto.

Ismael foi o filho de Abraão com uma serva, fruto da


incredulidade dele e de Sara, sua esposa. Foi ainda fruto de um
relacionamento sem amor, pois a serva, Hagar, foi apenas usada,
como um objeto, para dar à luz a um filho de Abraão diante da
suposta impossibilidade de Sara gerar um filho em sua avançada
idade. Mas, ainda assim, Deus abençoou Ismael, sua descendência
é incontável como a areia da praia. Ismael tinha que existir para
o cumprimento dos propósitos de Deus. Independente de como
foi dada a concepção, toda vida humana tem valor intrínseco e é
repleta de propósitos divinos.

Devo dizer claramente que se você, meu leitor, é fruto de


um adultério, estupro ou qualquer imoralidade sexual, você é tão
querido e almejado por Deus quanto qualquer outro ser humano
na face da Terra, carregando consigo valor moral intrínseco, a
Imagem e Semelhança de Deus e propósitos eternos dEle. Você
é, como qualquer outro, uma pessoa criada e formada por Deus.
É constrangedor conhecermos o Deus que se manifesta em Graça
diante de uma humanidade que nada pode lhe oferecer além de
ofensas e perversidades.

Concluímos então que nenhum motivo seria plausível para


a prática do aborto. Seria de se pensar, talvez, quanto ao aborto
terapêutico na eliminação de toda e qualquer negligência, como
citamos no tópico anterior neste capítulo.

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Estou Pensando
em Cometer
Aborto
Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

Talvez o aborto seja tido como uma solução prática para


muitas mulheres e casais, seja por falta de conhecimento,
consciência, ou mesmo por algum tipo de conveniência. Além do
estupro e de algum problema de saúde materno, existem vários
motivos que nos levam a pensar que o aborto seria uma boa
saída. Em geral, pensamos ser o aborto a solução de um problema.
Quando dizemos ou pensamos assim, apontamos para a criança
como sendo ela o nosso problema e, com isso, fazendo dela o alvo
do nosso extermínio.

Por me identificar nisso e conhecer mulheres que já pensaram


em cometer, ou mesmo já cometeram o aborto, gostaria de
pontuar os motivos mais constantes que nos levam a desejá-lo
ou ao menos considerá-lo. É de suma importância ainda que a
sociedade como um todo, e principalmente os cristãos, sejam
aptos e estejam interessados em abraçar as mulheres que se
encontram neste dilema e, para tal, é preciso ao menos identificar
aquilo que as aflige. Considerando que o mundo é rapido, esperto
e ágil para propor a essas mulheres o aborto, conseguindo iludí-las
com a mentirosa proposta de liberdade a curto prazo, precisamos
ainda do conhecimento da causa, amor, mansidão, humildade e
habilidade para expor a Verdade em sua pureza para essas mulheres
e casais. Não nos esqueçamos ainda daquelas mulheres que foram
vítimas de violência sexual, elas carecem de salvação! A grande
maioria têm conciência de que o aborto não é moral e, portanto,
não precisa de mais pessoas que tão somente as aponte, mas que
as acolham e discipulem no Caminho que realmente propõe, e é,
a liberdade.

117
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

O primeiro e mais comum motivo que leva as mulheres a


pensarem no aborto é o medo da reação do cônjuge ou pai do
bebê. "Afinal, será que ele vai aceitar, rejeitar ou mesmo ficar irado
contra mim?", pensam. O pai da criança é a figura mais importante
e querida por nós quando o assunto é ter filhos, mas em muitos
dos casos, a mulher já nem se relaciona com o pai da criança, eles
terminaram o relacionamento e depois ela descobriu a gravidez.
Em muitos outros casos, a mulher sabe que o seu parceiro não
gostaria de ser pai, ou pelo menos até aquele momento. Existe
ainda a situação agravada das mulheres que, após relatarem
a gravidez ao pai da criança, serem abandonadas pelo suposto
parceiro, serem agredidas ou receberem a ordem de abortar a
criança. Ir contra toda essa proposta rodeada de temores é algo
tão divino quanto investir em seres inocentes e carentes de amor.

Apesar de precisarmos reconhecer a dificuldade de tais


situações, ainda elas não podem superar a graça do Deus que
investe em fracos e debilitados, o que diz respeito a mãe da criança
e também a própria criança. Nós, mulheres, temos a carência de
aceitação e amor, porém, temos também o chamado de amarmos
aos nossos filhos que também são carentes de amor. O chamado
da maternidade nos convoca a dispensar misericórdia sobre
pessoas frágeis e dependentes como manifestação de amor, o qual
também nos acolhe e cerca de gratidão. Somos carentes, mas tal
necessidade não pode justificar a morte de outro ser tão carente
quanto nós. Por meio da maternidade conhecemos o amor prático
de Deus e proporcionamos este amor a um ser semelhante a nós.
Podemos e devemos ser saciadas no amor de Deus para partilhá-lo
com os nossos filhos, pois não há outra forma de sermos livres de

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Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

nós mesmos. E quando acolhemos nossos filhos, independendo


das circunstâncias ao redor, passamos a nos parecer com o Deus
de misericórdia.

As mulheres abandonadas precisam ser cercadas de


compreensão, amor e auxílio, já que foram abandonadas por
aqueles que eram tão responsáveis quanto elas pela vida daquele
bebê gerado. O aborto, entretanto, nunca é justificável, uma vez
que o erro de um homem não pode justificar o erro semelhante
de uma mulher. Em casos de casais divorciados após o nascimento
da criança, tal separação ou repúdio não podem justificar o
infanticídio. Crianças ainda dentro do ventre valem o mesmo que
crianças já fora do ventre. A lei nos assegura que, ainda se o pai da
criança rejeitar seu descendente, ele é obrigado a arcar com seus
custos, pois é seu responsável. De uma forma ou de outra, ainda
que não possamos dizer ser uma situação justa, o pai da criança
terá que responder por seus feitos. Muito mais rígida, e suficiente,
é a justiça de Deus. Mulheres podem confiar a Deus suas feridas,
seu sentimento de abandono, sua solidão e até os seus próprios
pecados!

Conheci uma mulher que quase foi assassinada por meio de


um aborto. Quero dizer, seu pai não aceitava ter mais uma menina
depois das duas já nascidas, sendo que o seu sonho era ter um
menino. Por conta disso ele mandou que sua esposa fosse a uma
aborteira, dando a ela o dinheiro para o procedimento ilegal. Eu
não existiria se essa senhora tivesse pego aquele dinheiro para
matar sua filha. Aquele bebê era a minha mãe, aquela senhora
era a minha avó e aquele senhor era o meu avô. Felizmente, ao

119
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

invés disso, minha avó retrocedeu e decidiu investir o dinheiro


comprando roupinhas para a bebê. Qual seria a diferença entre
tal aborto e um feminicídio? Mas, eu tenho o privilégio de ter
como avó uma mulher de coragem, mansião e sabedoria. Isso
é uma mulher livre e, sem dúvidas, o melhor exemplo vivo que
já tive. Apesar de ser casada com um homem machista, isto não
deu a ela o direito, ou mesmo a necessidade, de ser feminista.
Eu tive bisavô e avô machista, uma marca na família paterna
e materna. Vi e vivi bem de perto, mais do que se imagina, os
danos do machismo. Mesmo isto não me fez feminista! Duas
famílias espanholas machistas que se uniram não resultaram em
uma bisneta com desvio semelhante. Aqui está a diferença: Cristo
entrou na história! E onde Ele entra, tudo é feito de novo. O erro
de um não justifica o erro de outro. O feminismo causa tantos
danos quanto o machismo, pois denigre toda e qualquer ordem,
sincronia e beleza entre as diferenças originais, que dizem respeito
ao caráter do Criador. Ambos promovem a morte em essência.
Observe a ideologia atual, quão perversa é. Mulheres podem ser
livres do machismo se tão somente conhecerem o caráter de Deus
que dá discernimento, equilíbrio e sabedoria.

A instabilidade no relacionamento com o pai da criança é


uma situação comum não apenas em nossos dias, mas há muitos
séculos. Os motivos podem ser variados. Para piorar, nossa
sociedade tem sido construída em relacionamentos cada vez
menos seguros, distentes daquilo o que Deus ordena em Sua
Palavra como ambiente santo. Entretanto, não é o único motivo
que pode nos levar a considerar o aborto. O segundo motivo
mais comum é a vergonha e o medo da reação das pessoas ao

120
Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

redor, como dos nossos pais ou mesmo da sociedade em geral.


Vivemos em um século que nos sugere que ter filhos (ou vários
filhos) é algo doloso, prejudicial, pobre e feio. Pressionadas pelo
que o século divulga em sua perversidade, muitas mulheres se
veem carentes do aborto para se adequarem a uma vida 'feliz, livre
e de boa fama'. A boa notícia é que não precisamos nos conformar
com o que o século diz e nem serví-lo, pois a liberdade já está
consumada e declarada na cruz de Cristo. Mulher, não se detenha
ao que o mundo diz! O que mais poderíamos esperar de um meio
que se tornou totalmente o oposto do Pai Celestial que deu Sua
própria vida para adotar e gerar filhos? Nossa sociedade tem sido
fundamentada cada vez mais em uma cosmovisão egocêntrica e
ateísta, incrédula, onde ter dinheiro, desenvolver uma boa carreira
profissional e se divertir ao máximo se tornam prioridades acima de
amar um semelhante, ainda quando este semalhante diz respeito
ao seu próprio filho. E é ai, quando uma criança parece ameaçar
tudo isso, que o aborto é considerado.

Observe as ideologias atuais, o que dizem os influenciadores,


a mídia e muitas vezes até alguns infiltrados na igreja. Sua proposta
é: "seja feliz, porque esse é o seu chamado, na sua felicidade está o
seu significado e se você não se fizer feliz, ninguém vai". Na busca
por essa tal felicidade, nunca se pensa em algo além de si mesmo.
Olha como isso soa: "Adultério? Se for para me fazer feliz, pode!
Divórcio? Se for para me livrar de algo que dói, pode! Mentir? Se
for para me fazer parecer melhor, pode! Matar uma pessoa? Se
for para me satisfazer, pode!". A lista seria enorme e, na busca
da felicidade, nos tornamos assassinos de valores e de vidas. Trair
pode parecer bom, desde que seja em favor do meu ego, pois

121
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

ser traído não é algo legal. É assim, nessa busca sedenta, imoral e
desordenada, que nos tornamos cativos. Já o evangelho anuncia
que o nosso chamado não é ser servido, mas servir. Antes de servir
a outro ser humano, nossa convocação é servir a Deus, visando em
tudo a Sua Glória. Nisso a verdadeira satisfação pode ser obtida,
no apesar das dores. Isso porque em Cristo encontramos o nosso
significado e nEle há paz que excede sentimentos, achismos,
desejos, medos, conveniências, dores, rumores, etc. Isso nos leva
a servir ao próximo, independente do quanto ele pareça ameaçar
a minha fama, reputação, sonhos, vontades e centralidade. O
evangelho nos tira do centro e apenas assim nos livra de nós
mesmos, porque nosso significado não está em nada nesse ou desse
mundo, mas nAquele que venceu o mundo em Sua ressurreição.
Já não vivemos em torno de barganhas, usando pessoas e ferindo
a nós mesmos, mas somos livres. Somos livres para amar, livres
para perdoar, livres para servir, livres para adorar, livres para viver e
livres até mesmo em nossa morte. Não precisamos que façam algo
por nós para ser quem somos, não precisamos que algo aconteça
para que façamos o que é certo, tudo podemos em Cristo, pois é
Ele quem nos fortalece. Nenhum sepulcro detém aquele que está
em Cristo! Ser cativo de Cristo é sinônimo de ser livre de tudo ao
nosso arredor e, principalmente, do nosso 'eu'.

Aqui já adentramos no terceiro motivo que faz com que


consideremos o aborto: a falta de condições financeiras. A grande
massa da população quando pensa em ter um filho considera
aguardar o momento em que possa oferecer conforto e boa
aparência à sua descendência, porém não imaginam que crianças
aguardam mais pelo colo e presença dos pais do que pelas roupas

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Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

de marca. Não existe herança melhor a se dar do que os valores


e princípios da graça de Deus, que não são bens temporais, mas
eternos. Assim como a carência de um homem que nos aulixie na
maternidade e que, com isso, nos ofereça um mínimo de estrutura
familiar onde consigamos criar nossos filhos, muitas vezes também
somos pressionadas pela carência de bens financeiros para que
possamos oferecer o mínimo de estrutura material para criar
nossos filhos. O que não podemos nos esquecer é que, apesar
de importante a estrutura familiar ou o mínimo capital financeiro,
nada disso pode valer mais do que a própria vida. Veja que
contraditório, dizemos aos nossos bebês no ventre: "como eu não
posso te dar muita comida ou uma roupa de muita qualidade, eu
vou te matar!". Filhos podem viver sem o pai ou sem o melhor tipo
e quantidade de alimento, mas não podem viver sem a vida. O
alimento serve para a vida, e não a vida para o alimento.

Devemos ainda estar cientes da soberania e providência de


Deus, a que nos sacia em nossas necessidades e zela pelo que de
fato tem importância, nos fazendo andar na contramão daquilo o
que o mundo tem como sua estrutura e seu prazer. Pode ser que
não possamos oferecer o alimento mais caro ou a maior fartura,
mas temos a garantia de que Deus não deixará faltar o alimento
para aqueles que O temem, sabendo também que confiando nEle
sempre estaremos satisfeitos, ensinando inclusive tal satisfação
aos nossos filhos. Esse valor sobressai todo e qualquer valor
financeiro: se passarmos por momentos mais difíceis, ensinaremos
satisfação plena em Deus e se passarmos por dores, ensinaremos a
cura em Cristo. É assim que filhos desfrutam da graça de Deus, não
tanto na grande fartura, mas muitas vezes na escassez. É assim que

123
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

podemos dizer que a Graça de Deus nos basta, se quando carentes


de algo formos supridos nEle. Assim também, de fato é importante
a presença do pai na vida do filho, porém sua ausência pelo seu
próprio pecado pode ser superada na presença e graça do Pai
Celestial. Deus é Pai perfeito, presente e suficiente. Ele deve ser
tomado como exemplo e, mais do que isso, como nosso próprio
Dono!

Apesar de comum sugerirem o aborto para casos como


este, vimos em capítulos anteriores que raramente pessoas nessas
condições o cometem. Isso porque as condições financeiras
não são o fator priordial quando o assunto é ter filhos. Outro
motivo também comum, mas não primordial, é a insegurança.
Raramente uma mulher se sente segura quando descobre uma
gravidez. Quando sabemos estar grávidas, somos tomadas por
grande espanto, uma espécie de susto, porque sabemos ser
uma mudança radical de vida. Tal mudança diz respeito ao nosso
corpo, relacionamento conjugal, relação com outros filhos (se já
houverem), finanças, moradia, prazeres, hobbies, prioridades, etc.
Ou seja, a presença de um filho, ou mais um filho, muda tudo.
Como seres humanos, queremos sempre ter o controle não só do
hoje, mas também do amanhã, vivendo ansiosos. Quando um filho
nos aparece e ameaça nosso controle, planejamento e sonhos,
somos tomadas por grande espanto e insegurança. Precisamos,
porém, saber que nunca tivemos o controle de nossas próprias
vidas, já que é Deus quem nos guia e sustenta em todas as coisas.
Sua fidelidade tem nos mantido. Não haveria alimento em nossa
mesa se Ele não regasse o campo ou cuidasse dos trabalhadores
que colhem os grãos. Não haveria crescimento se Ele não quisesse

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Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

dá-lo. Portanto, sempre fomos carentes de Deus e saber que


Sua fidelidade continuará nos mantendo é o que elimina toda
insegurança. O arrependimento nos leva submeter a nossa
incredulidade a Deus, em quem podemos confiar mais do que
em nosso suposto autocontrole. Nisso, somos libertos de nossas
aflições.

De fato, filhos mudam completamente nossa rotina e vida.


Adiante veremos que, na verdade, eles são feitos para este fim
também. O trabalhar de Deus em nossas vidas envolve nos retirar
da incredulidade e egocentrismo, nos fazendo servir a outro ser
também carente e dependente. Esse trabalho (o da maternidade/
paternidade) só pode ter sucesso se estivermos saciados nAquele
que nos proporciona novidade de vida e graça. Ou seja, a
maternidade é um chamado de Deus para nos aproximarmos
dEle e reconhecermos a nossa dependência, pois por meio dela
reconhecemos nossas fraquezas e contradições. Entretanto, nEle
podemos ser pais e mães que amam filhos incondicionalmente. A
maternidade nos assusta porque somos fracos, mas é consolador
e eficiente ter um Deus forte e suficiente.

Estes são motivos que nos levam considerar o aborto, mas não
acabou por aí. Existem mulheres que sofreram abortos espontâneos
em gravidezes anteriores, ou que sofreram com crianças com má-
formação, e ficaram traumatizadas. Uma nova prenhez, para elas,
é como reviver o medo. Apesar de difícil alguém abortar por causa
disso, muitas mulheres desistem da maternidade ou a enxergam
como um monstro desafiador. Todas essas situações são referentes
à tão conhecida 'gravidez indesejada'.

125
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

Não parece muito agradável ter um filho de um homem que


nem mesmo nos amou a ponto de permanecer ao nosso lado. Não
parece animador não poder oferecer conforto aos nossos filhos.
Não é consolador sentir-se sozinha, envergonhada e/ou ameaçada.
Tudo isso, porém, é vencido no conhecimento pessoal de Deus e
na confiança nEle. Nada neste mundo pode suprir, curar ou superar
nossos temores, carências, traumas, receios e inseguranças senão
o nosso próprio Pai Celestial, para quem fomos feitos. Ainda se
tivéssemos as melhores condições financeiras, um pai amável
para nossos filhos, o apoio da sociedade e ainda que tivéssemos
planejado cada detalhe de nossa gravidez tendo-a como nossa
realização, ainda assim seríamos insatisfeitas e encontraríamos
motivos em nós mesmas para sermos contrárias à maternidade.
Isso porque a maternidade, em si mesma, trabalha com as nossas
fraquezas e contradições - e isso não é muito agradável se não
estivermos satisfeitas na graça de Deus. É por meio das nossas
negações, portanto, que Deus nos convoca a conhecer a graça
que elimina a mais profunda insatisfação humana. Quanto maior a
fraqueza, maior a graça.

Gostaria agora de me identificar de maneira mais pessoal


para tratarmos deste assunto tão íntimo e sério. Vamos agora falar
de pecado. Não posso falar como quem não tem pecado e, quando
falo de pecado, não estou citando apenas atitudes pecaminosas
mas, principalmente, uma essência corrupta.

Aborto é pecado. Mas o que é pecado? É tudo aquilo o que


não parte de Deus e contraria o Seu caráter e, por consequência,

126
Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

é tudo aquilo o que transgride as Leis de Deus e nos leva a viver


distantes dEle. O pecado não é, necessariamente, uma atitude
errada que tomamos, mas principalmente uma natureza perversa
que temos, a qual nos mantém cativos de nossas próprias vontades
e imoralidades. Chamamos isso de iniquidade, ela é uma essência
corrupta que a todo tempo se revolta contra Deus em nós, o que
nos leva a praticar obras dolosas contra Deus, contra o próximo e
contra nós mesmos.

Todo pecado tem origem na incredulidade do Homem e


no seu egoísmo. A essência do pecado que estamos tratando (o
aborto) não é diferente da essência de outros pecados. O que leva
alguém a pensar em cometer um aborto não é algo diferente do
que leva alguém a adulterar, mentir, matar, reclamar, roubar, dar
falso testemunho, ou mesmo a odiar alguém. A Bíblia diz que odiar
alguém é o mesmo pecado que homicídio (1João 3:15) e, afinal,
quem nunca odiou um terceiro? O motivo disso é claro: pensamos
sempre naquilo que nos é conveniente, vivemos para nós mesmos,
amamos a nós mesmos e, para ter aquilo o que queremos, usamos
e abortamos pessoas. No momento em que alguém for contra a
minha vontade, provavelmente eu serei tentada a odiar essa pessoa
por causa do meu egoísmo. Semelhantemente, se alguém parecer
complicar a minha vida, eu serei tentada em minha incredulidade
a eliminar aquela pessoa, custe o que custar. Mas o amor pode
aniquilar as minhas conveniências, tendo por base a graça e, dessa
forma, o ódio/homicídio pode ser eliminado.

Lembro-me de, quando mais jovem, sempre ter almejado


a maternidade. Desde a minha infância este foi o único sonho

127
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

cultivado em mim. Tudo parecia lindo no meu tempo, no meu


gosto e no meu controle. Antes mesmo de minha conversão,
o meu sonho era ser mãe. Mal sabia eu que a maternidade é
Deus trabalhando exatamente o oposto de tudo isso em nós. A
maternidade e a paternidade não são sobre nós, mas apenas sobre
Ele, Cristo.

Comecei a reparar como este meu desejo não era tão santo
como supunha ser, era vaidoso, centrado em minha própria
pessoa: o que eu achava, o que eu idealizava, o que eu poderia
oferecer, o que eu conseguiria. Em minha mente criei planos, tracei
metas e cultivei expectativas de como seria ser mãe. Aliás, até
mesmo o sexo de meu filho eu queria definir conforme as minhas
conveniências. Em nenhum momento aquilo se tratava de amor,
aquilo era nada mais do que o meu egoísmo tentando definir
todas as coisas tendo a minha vontade e capacidade como centro
e definição de todas as coisas. Às vezes, essa essência se passava
por boa, quando me tentava fazer crer que eu estava pensando
no melhor para o meu filho. Ah, que falácia! Tudo não passava
da minha tentativa de fuga de Deus. Percebi isso no momento
em que, com medo de estar grávida fora do tempo planejado, o
aborto passou por minha mente.

Eu nunca fui a favor do aborto, porém, ele passou por minha


mente no momento em que eu me via frustrada em meus planos
e a minha capacidade se mostrou insuficiente. Quero dizer, eu
queria ser mãe, mas teria que ser no meu tempo, do meu jeito,
exatamente como eu havia sonhado e dentro do meu autocontrole.
Eu não sabia confiar em Deus. Aquilo tudo parecia ameaçar minhas

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Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

expectativas sobre o que eu definia ser vida e felicidade. Não era


sobre a verdadeira maternidade e amor ao filho, mas sobre a
realização do meu próprio sonho e nada mais. Se aquela criança,
ou mesmo suposição, ameaçava a minha tentativa de poder
sobre minha própria vida, eu seria capaz de matá-la. Filho para
mim, mesmo que inconscientemente, não passava de um meio
para a minha realização pessoal. Não era uma pessoa a ser amada
incondicionalmente, mas um objeto para a minha satisfação que,
quando não conveniente, poderia ser descartado. Eu confiava mais
em meus próprios planos do que em Deus e Sua vontade. Não
queria um filho para confiar a Deus, mas para eu mesma usufruir.
Eu nunca pensava em uma criança com mais de dois anos de
idade, com problemas na escola, os problemas da adolescência
ou adultos que precisariam de um bom exemplo. Pensava apenas
em bebês para me autosuprir nas minhas vaidades. Em nenhum
momento me perguntei o que Deus realmente pensava sobre
aquilo. Eu estava pecando!

Felizmente eu não cometi um aborto. Mas, no meu íntimo,


eu pequei tão gravemente quanto se o tivesse praticado. Hoje
eu posso trabalhar com pessoas que já cometeram aborto, ou
com casais que pensam em cometer aborto, sabendo o que isso
realmente significa e requer de nós. Em nenhum momento poderia
me colocar como sendo um ser superior, digno de condenar
alguém, porém em nenhum momento poderia permitir que alguém
cometesse tão grave erro sem ao menos ter alertado e mostrado
a real solução do problema. É assim que quero trabalhar com você
sobre este lado tão sombrio que é quem realmente somos e, por
outro lado, te mostrar como realmente podemos ser livres de tudo

129
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

isso.

Fazem alguns anos que passou por mim uma moça


desconhecida, no meio do dia, em desesperado pranto. Ela
procurava ajuda e estava sem mais esperanças. Não sei explicar o
porquê ela chegou a mim, em meio a tantos. Grávida, abandonada
pelo ex noivo e expulsa de casa pelos próprios pais religiosos,
sem emprego ou qualquer visão de futuro, a moça dizia estar
indo abortar o seu filho naquele momento. Sem ter muito o que
oferecer a ela, dei apenas tudo o que eu tinha: o consolador e
quebrantador conhecimento de Deus. Presenciei uma vida
nascendo em minha frente, quando o semblante daquela jovem
mudou completamente e, com um sorriso no rosto, a certeza
de retroceder sobre sua decisão de abortar aquela criança.
Acompanhei aquela querida mulher durante a sua gestação e foi
o meu maior prazer descobrir com ela que aquele bebê era uma
menina. Foi emocionante ser a primeira pessoa a saber o sexo
da criança, era como se fosse minha própria filha, minha própria
alegria. Aquela mãe transbordava gozo, ainda que com muitos
problemas em sua vida. Seus problemas eram vencidos dia a dia
na dependência de Deus, em oração. Com o tempo tudo foi se
encaixando. Infelizmente, com o passar dos meses perdemos o
contato, ela se mudou e não nos vimos ou falamos mais, ainda
que me lembrasse constantemente dela e de sua filha. Eu não vi a
pequena nascer. Alguns anos se passaram e, ainda a pouco, ela me
encontrou novamente. Junto a ela estava uma linda princesa, de 5
anos de idade. Aquela garotinha me abraçou, enquanto sua mãe
dizia: "obrigada, aquele dia a vida da minha filha foi salva pelo seu
Deus e hoje ela é a maior joia que eu tenho, não imagino a minha

130
Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

vida sem a minha filha e nunca me esquecerei das suas palavras".


Ao meu ver, não foi salva tão somente a vida daquela pequena
menina, mas principalmente a vida daquela jovem mãe.

O mesmo Deus que me deu de provar a Vida, como também


a esta moça, também a dá de provar a todos em Sua Palavra. De
onde veio a ousadia, a mansidão, a confiança e a coragem desta
mãe? Gostaria de deixar uma reflexão aos pais que já abortaram
e também aos pais que estão pensando em abortar. Sim, digo os
pais, porque o homem é tão responsável quanto a mulher.

Pai é tão responsável quanto mãe, ou até mais. O homem,


tendo sido instituído por Deus como cabeça da mulher e líder
da família, traz consigo responsabilidades pertinentes, sendo a
principal delas o zelo por sua esposa e filhos, para a glória de Deus.
Se uma mulher deseja cometer um aborto, ainda que o corpo seja
dela, a criança é também do pai e este tem toda autoridade para
dizer o que acredita ou almeja ser feito. De forma semelhante,
quando uma mulher comete um aborto, a responsabilidade é
também do pai da criança, que responderá diante de Deus pela
autorização, desejo, indiferença ou permissão para tal feito.

A partir da fecundação temos um novo ser em


desenvolvimento, cujas características descendem de pai e mãe,
logo, ambos são responsáveis desde a concepção. Não é a
mulher quem fica grávida, mas o casal. O chamado é mútuo e
carece de ambas partes. Por isso, a partir de agora não trataremos
mais o aborto como um assunto exclusivo à mãe, mas também
(igualmente) ao pai. Caso estejam pensando em cometer um

131
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

aborto, ambos são responsáveis. Caso já tenha sido cometido um


aborto, ambos foram responsáveis. Quando, portanto, tratarmos
do assunto, considere estar sendo dirigida a palavra ao casal.

Como já dito a pouco, o aborto é um erro a condenar um


inocente por nosso próprio egoísmo. Há várias formas de ferirmos
ao outro e o aborto é uma delas, porém, este é definitivo. Para nos
livrarmos desta tripla condenação (do pequeno réu sem crimes à
morte e da dupla de responsáveis pela morte), devemos refletir no
que há por trás do nosso pensamento e desejo que desafia a vida.

A primeira coisa a se pensar é que a criança em


desenvolvimento já é conhecida por Deus e amada por Ele. Esta
pessoa traz consigo os propósitos de Deus para com ela e para
com os seus pais. Ainda mais, ela foi detalhadamente planejada e
criada por Deus e para Ele. Filhos não são propriedade dos pais,
mas de Deus. Se visarmos a glória de Deus neste momento tão
delicado, seremos satisfeitos em saber que esta criança foi por Ele
querida e vive para Ele. Cada célula embrionária que se multiplica
no ventre materno, cada batimento cardíaco, dizem sobre Deus e
são para Ele. É Deus mostrando Suas próprias mãos e o Seu caráter
através de Sua criação. Se pensamos em também viver para Ele,
amaremos este bebê, para a Sua glória. Independente se esta
criança é fruto de adultério, estupro ou prostituição, Deus almeja a
vida que Ele deu a esta criança e tem os Seus propósitos para com
toda a situação.

A existência é, em si mesma, um milagre. O fato de existir


um novo ser humano a se desenvolver é um milagre. O milagre da

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Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

paternidade e da maternidade fala sobre o chamado de sermos


semelhantes ao Deus que é Pai e Mãe. Ao presenciarmos uma
criança sendo gerada, vemos o magnífico chamado de Deus
em nos parecer com Ele em todo ato de amor e graça que nos
santifica. Uma das características da graça é negar a si mesmo
em prol do outro, em conformidade com a vontade de Deus.
Não é um ministério fácil, pelo contrário, ele nos conduz a cruz
continuamente onde somos trabalhados por Deus. Este trabalho
pode começar já quando descobrimos uma gravidez e pensamos
em cometer um aborto, logo ali Deus está nos convocando a
negarmos a nossa vontade que visa nossas conveniências, em
amor a Ele e, consequentemente, aos nossos filhos.

O aborto revela a iniquidade humana. Quero dizer, se não


tivéssemos pecado nunca sequer pensaríamos em aborto. A
iniquidade é real em nós, mas é possível não servi-la. Ao decidirmos
amar a Deus em detrimento de nós mesmos, sabemos que
enfrentaremos problemas, dificuldades, porém temos a garantia
de que não estaremos a sós. Há consolo e suprimento em Cristo! É
mais do que saber estar fazendo o certo e ter a consciência limpa,
é sobre ter Deus ao seu lado quando você visa a glória dEle e não
a sua própria.

Confiar em Deus, vendo e sofrendo todos os trajetos que nos


trouxeram até aqui, tendo ainda a incredulidade habitando em nós,
não é algo fácil. Mas saber que Deus tem caráter é suficientemente
digno da nossa confiança. Confiar em Deus sempre requer que
nos desfaçamos de nós mesmos mas, ao mesmo tempo que tal
renúncia não é tão agradável, gozamos de uma paz que excede

133
Aborto Explícito | Estou Pensando em Cometer Aborto

qualquer entendimento. Eu posso confiar em Deus, você pode


confiar em Deus ao ponto de praticar a vontade dEle, mesmo se
algo não entender pelo percurso!

Olhando tão somente para Deus e em segundo plano para


o filho que está crescendo no ventre é impossível que ainda
sobre algum espaço para amarmos a nós mesmos ao ponto de
cometermos um aborto.

As situações podem parecer dizer "aborte". Nossos pais


podem parecer nos repudiar e dizer "aborte". O pai da criança
pode nos rejeitar e dizer "aborte". A sociedade pode tentar nos
ridicularizar e dizer "aborte". Os médicos podem nos instruir ao
aborto. Nossos medos, inseguranças e traumas podem gritar
dentro de nós "aborte". Entretanto, bastaria um pequeno feixe do
resplendor da glória de Deus para sabermos que a vida é do Seu
prazer, é a Sua criação por onde Ele se revela e trabalha conosco e
que, portanto, tendo nEle nossa alegria, podemos nos regozijar ao
proclamar: não abortarei!

Você precisará de ajuda, como sempre precisou. Mas existe a


garantia quando se teme a Deus:

"... e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação


dos séculos" (Mateus 28:20)

Para o seu auxílio nesse percurso da maternidade onde você


precisa de cura, libertação, saciedade, conhecimento e vivificação,
o próprio Ministério Reformai por meio do projeto despenseiros,

134
Estou Pensando em Cometer Aborto | Aborto Explícito

dispõe gratuitamente de outros materiais sobre a graça de Deus


e a maternidade, como também você pode contar nossa equipe
para melhor acolher e amparar você e sua família. Caso precise,
entre em contato conosco, será um prazer serví-los!

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Cometi Aborto,
e Agora?
Cometi Aborto, e Agora? | Aborto Explícito

Infelizmente, há muitos casos de pessoas que não tiveram


a oportunidade de conhecer a Verdade e ter o Consolo antes de
cometer um aborto. Pode ser que tenham sido enganadas por
alguma proposta de custo benefício ou que consideravam até
aquele momento ser o seu direito decidir sobre a vida de outrem
em nome da sua própria vida. Em muitos casos também, apesar de
saber ser errado abortar, algumas mulheres e casais optaram por
tal prática desconsiderando suas próprias consciências.

É independente, porém, como nos sentimos antes ou depois


do aborto, pois nada disso influencia a maneira como Deus ve
o pecado e o abomina. Pouco importa também se tenhamos
sofrido alguma consequência física ou pscicológica sobre nossas
pecaminosas decisões. Aquela mulher que sofre com distúrbios
psciquiátricos ou físicos após o aborto precisa do arrependimento
tanto quanto aquela que nada sentiu ou sofreu. Não é aquilo o que
sentimos, ou mesmo as consequências dos nossos atos, que devem
determinar a necessidade ou importância do arrependimento, uma
vez que nada disso é o que deduz a seriedade do pecado.

Se você é alguém que sente o peso do seu pecado, permita


que essa experiência te humilhe, para que você esteja disposto a
ouvir o que Deus tem a lhe dizer sobre o seu pecado. Sua experiência
de pecado é simplesmente a confirmação do quão profundo é o
problema e quão desesperadamente você precisa de um Salvador.
Através de sua prática e do seu pesar você pode buscar conhecer
em Deus a gravidade daquilo que foi feito, não apenas pelo
que foi feito, mas pelo que realmente somos. Isso é, este é um
momento oportuno para descobrirmos que somos exatamente o

137
Aborto Explícito | Cometi Aborto, e Agora?

oposto de Deus em nosso íntimo, e que a iniquidade nos afasta


dEle. Não somos parecidos com Deus, não temos relacionamento
com Ele, não queremos cumprir com a Sua vontade, não sabemos
nos submeter a Ele e estamos distantes. Essa é a gravidade: não
podemos agradar a Deus por nós mesmos e, ainda se quiséssemos
agradá-lo, seria tão somente com a intenção de revirar os seus
bolsos! Nosso íntimo se revolta contra Deus a todo momento e
o aborto é apenas uma forma de enxergarmos isso. Destruímos
relações, vidas e pessoas. Somos egoístas, hipócritas e incrédulos.
E o pior é que não sabemos fazer algo diferente disso. Permita que
o seu pecado circunstancial te revele o seu pecado essencial e te
faça almejar por um Salvador suficiente. A morte revela a finitude
do Homem, mas a ressurreição revela a infinitude divina, a qual
venceu a nossa morte. Portanto, o aborto pode te levar a conhecer
a sua falência e finitude, mas a boa notícia é que se você estiver
sedento por um Salvador, Ele já venceu a sua morte! Em vez de
sermos oprimidos por certos pecados, confessamos pela fé que
toda a nossa condição está caída e nossa única esperança é Cristo.
Este, por Sua vez, é suficiente. Nós oferecemos nossos próprios
filhos como oferta ao pecado, matando-os para o nosso próprio
suposto benefício, mas Deus ofereceu O Seu Filho como oferta
suficiente para aniquilar o nosso pecado e nos tornar Seus amigos
novamente.

Mas e se você é alguém que não sente grande tristeza


emocional por causa do seu pecado? E se, para você, o pecado
não é tão 'óbvio'? Da mesma forma, você também precisa ouvir
o que Deus lhe diz sobre o seu pecado, e você precisa acreditar
nisso mais do que em si mesmo. Não devemos ser convencidos

138
Cometi Aborto, e Agora? | Aborto Explícito

por aquilo o que sentimos ou o que nossas perversas mentes nos


dizem, mas nos submeter confiando naquilo o que Deus diz. E o
que Ele diz? Sua Palavra afirma que somos pecadores e, portanto,
Seus inimigos (se não confiarmos em Cristo e vivermos à parte
dEle). Ainda se sua vida parecesse estar direita, ainda que nunca
tivesse matado alguém, a Palavra de Deus nos fala sobre a realidade
mais profunda do nosso pecado. Mesmo quando você faz boas
obras e vive de maneira disciplinada, as Escrituras nos advertem
que nossos atos justos à parte de Cristo são como trapos imundos
(Is 64:6) e que nossos corações são enganosos acima de todas
as coisas (Jr 17:9). Se, portanto, cometemos algo doloso e não
sentimos o peso do pecado, ainda assim devemos saber que aquilo
foi errado porque Deus diz que é errado. Se foi Ele quem criou e
instituiu todas as coisas, as quais também julgará, está com Ele o
poder de dizer o que é certo ou não. Se não nos submetermos
ao que Ele diz, isso não mudará o fato de Ele estar certo e ser
Justo, apenas definirá o nosso destino distante dEle. Isso não quer
dizer que você deva se atolar no pecado e na culpa. Mas, pela fé,
todos devem confessar que a Escritura corretamente revela nossa
condição caída [separada de Cristo] e que nossa justiça própria
apenas nos condena. Devemos admitir que erramos, porque Deus
disse que erramos. Isso também é fé [crer na Palavra de Deus acima
de nossos achismos e vontades]. A partir de então, assumindo
nossa condição, podemos buscar a Deus como nosso Salvador
indispensável e apenas assim encontraremos nEle a salvação.

Nada pode tornar justo o ato injusto. Mas é possível tornar


a pessoa injusta em uma pessoa justa. O aborto é um pecado que
demonstra sermos exatamente o oposto de Deus, pois enquanto

139
Aborto Explícito | Cometi Aborto, e Agora?

matamos filhos a favor de nós mesmos, Deus morre por filhos. E este
Deus morreu por filhos justamente para torna-los justos, porque
eram injustos, praticando apenas injustiças. Em Cristo, podemos
nos parecer com Deus, podemos nos achegar confiantemente no
apesar dos nossos pecados, confiando em Sua graça. Podemos
conhecer a Deus, tê-Lo por Pai e sermos pais justos novamente. É
apenas quando conhecemos a Paternidade divina que podemos
exercer a paternidade/ maternidade terrena com graça e justiça.

Assim como a força de uma enfermidade pode ser vista pelo


que ela requer de um remédio para curá-la, e assim como o valor
da mercadoria pode ser medido pelo preço que ela custa, também
os sofrimentos de Cristo revelam a gravidade do mal do pecado.
Para saciar a Justiça de Deus em Sua Santidade, nada menos do
que a morte de Cristo era o preço do pecado. Isso significa que
nada do que possamos fazer ou sentir poderá fazer qualquer tipo
de efeito positivo em nossa relação para com Deus. Como O Filho
de Deus era maior que o mundo, assim Seus sofrimentos declaram
que o pecado é o maior mal do mundo. Quão mal é esse pecado
que deve fazer Deus sangrar para curá-lo! Ver o Filho de Deus
sendo morto pelo pecado é a maior manifestação da justiça de
Deus, que revela a tão pesarosa injustiça do pecado. O Filho de
Deus foi morto pelo pecado da criatura. Se houvesse outro modo
de expiar um mal tão grande, se houvesse honra em outro meio,
se fosse possível exercer justiça de outra forma e se Deus pudesse
ser inclinado a perdoar sem que o pecado fosse compensado pela
morte, Deus não teria consentido que seu Filho passasse por tão
grande sofrimento. Mas não é possível sanar o pecador senão
aniquilando o pecado.

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Cometi Aborto, e Agora? | Aborto Explícito

Se Deus é Santo e Justo, o pecado deve ser punido na mesma


severidade conforme o Seu caráter é ferido. Toda a santidade da
vida de Cristo, sua inocência e boas obras, não nos redimiu sem
a morte. Quão grandes eram nossos crimes, que não podiam ser
apagados pelas obras de uma criatura pura, ou a santidade da
vida de Cristo, mas requeriam a efusão do sangue do Filho de
Deus para o seu cumprimento! Cristo em Sua morte foi tratado
por Deus como alguém em nosso lugar, digno de ira, por ter
tomado o nosso pecado. Ele foi tratado por Deus da maneira
como nós deveríamos ser tratados e aqui se mostra a gravidade
do pecado. A severidade da justiça de Deus sobre Cristo mostra a
seriedade do pecado que requer juízo, não tendo O Pai poupado
o Seu próprio Filho. Se Cristo não tivesse sido Homem e tomado
o nosso pecado Ele nunca seria sujeito à morte, pois Ele não tinha
pecado próprio e "o salário do pecado é a morte" (Rm 6:23). Cristo,
não tendo nenhum crime próprio, deve então ser um sofredor em
nosso lugar: "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada
um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a
iniquidade de nós todos” (Is 53:6). O pecado foi transferido para Ele e
Ele foi visto como nós éramos vistos. Vemos então como o pecado
é odioso para Deus e, portanto, deve ser abominável para nós.

Sabendo dessa realidade, podemos analisar a humanidade.


Esta encontra-se perdida no (e em) pecado. Isso significa que
estamos mortos (separados da Vida que é Deus), não apenas por
consequência de maus atos, mas principalmente por causa do
pecado que habita em nós. Se falamos de seres que estão mortos,
primeiramente precisamos analisar o que é morte e, depois, qual é

141
Aborto Explícito | Cometi Aborto, e Agora?

a condição de um defunto. A morte, antes de fazer um cadáver, faz


um solitário. Isto é, estamos falando de alguém que foi separado da
existência. A morte espiritual não é diferente: antes de provarmos o
que significa ser um cadáver, primeiramente experimentamos uma
existência separada da comunhão, ausente de vida, vazia. Assim se
encontra a humanidade apartada da comunhão de Deus: com um
vazio existencial, ausente em significado. Ser separado de Deus
significa não ter identidade própria. Afinal, se o Homem é criado à
Imagem e Semelhança de Deus, a partir do momento em que este
se vê separado dEle, perde totalmente a sua identidade. Se fomos
criados para relacionamento com Deus e o partimos, perdemos
o sentido de ser. Então vemos que a humanidade encontra um
vazio em si mesma, um vazio de sentido. Ela não é e procura ser,
sozinha. Repleto de si mesmo, o homem ouve dia e noite o ecoar
da morte em sua alma, cheia de vazio, solidão e insatisfação,
tentando preencher a si mesmo da forma que considera suficiente,
procurando felicidade aqui e acolá, custe o que custar, destruindo
a si mesmo. Isso é morte espiritual. É um conflito ainda maior
quando consideramos que passamos a ter medo daquilo que
antes nos era natural, passamos a conhecer a vergonha e a usar
máscaras, porque desconhecemos e não confiamos no caráter de
Deus.

Essa vida perdida por conta de um relacionamento partido


só pode ser restituída a partir do momento em que temos o
relacionamento reconciliado. Agora, analisemos a condição de um
defunto: será que um defunto tem alguma condição de reconciliar
algo por si mesmo? Um cadáver é algo infrutífero que só pode,
por si mesmo, apodrecer em sua morte. Se você convidar para

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Cometi Aborto, e Agora? | Aborto Explícito

ou mandar um destes fazer algo, nem ouvir ele poderá, quanto


menos corresponder. Cadáver é um corpo onde não há mais
vida e que, por isso, não mais corresponde a qualquer estímulo
físico. Espiritualmente é da mesma forma: um morto espiritual
não pode corresponder aos estímulos espirituais. Esse corpo
existe e respira, mas não vive, não fala a linguagem de Deus e
nem pode compreendê-la, afinal, nem pode reconhecê-la. É ainda
incompatível com o Reino de Deus e não pode desfrutar o lar
eterno, a vida, tudo o que Deus é.

Deus não pode esperar que a humanidade tome alguma


atitude para reconciliar o relacionamento que ela partiu. Seria
irracional acreditar que Deus espera que um defunto se ressuscite,
e a fé não é irracional. Algumas pessoas acreditam que podem
agradar a Deus cumprindo várias tarefas, mas se não for por Cristo,
através da nossa fé nEle, é impossível nós O agradarmos. O homem
natural (ainda morto no pecado/ não nascido do Reino de Deus)
só é capaz de procurar a Deus em busca de seus interesses. Isso
não é amor, muito menos relacionamento!

A questão é que tarefas, penitências e currículos não


reconciliam relacionamento. Na verdade, essa busca por agradar
a Deus por ter algum interesse ou por ter medo de algo é muito
perversa, demonstra apenas tamanha corrupção humana e, por
isso, é reconhecida biblicamente como imunda. É nessa realidade
de defunto que compreendemos a Boa Notícia de Deus, que é
o evangelho - Cristo. Em Cristo tudo se faz novo. Isso acontece
porque em Cristo fomos reconciliados com Deus, que é a Vida.
Somos enxertados na videira e a seiva - o Espírito Santo - passa a

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Aborto Explícito | Cometi Aborto, e Agora?

correr em nós a nos vivificar. A vida eterna passa a habitar em nós


e nos restaura.

Para entendermos como a reconciliação foi concretizada,


primeiramente avaliemos o problema do pecado e o que Deus
requer: Deus é justo. Essa é uma ótima notícia, afinal, como seria
ter um deus injusto/corrupto governando o universo? Porém, este
atributo divino não agradável a pecadores. Quero dizer: o que faria
um Deus Justo com seres totalmente injustos? Se Deus é justo, Ele
precisa executar a justiça e punir o injusto. Mas como executar tal
sentença sobre os filhos a quem amou? Temos então um dilema e
este não pode ser resolvido pelo homem!

Minha injustiça não permite que Deus me aceite, por mais


que me ame. O Caráter Santo requer santidade e eu não sou santa.
Pior ainda que isso é o fato de eu não poder me fazer santa, isso é,
estou perdida em minha própria condição. Se em algum momento
considero ser suficiente em minhas tentativas de justiça, sou o pior
dos pecadores, pois ainda considero determinada independência,
suficiência e dignidade. Acontece que isso é ego e ego é meu
pecado!

Assim sendo, Deus não pode esperar algo vindo da minha


parte. Não podemos nos salvar e não há qualquer vestígio de
esperança em nós mesmos. A reconciliação não pode partir da
humanidade, estamos mortos. A morte escraviza, uma vez que é
uma condição que não podemos mudar. Ou seja, para piorar, somos
escravos do pecado. Diante dessa realidade, o evangelho anuncia
um Deus que desce para reconciliar o que nós não podemos (e

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Cometi Aborto, e Agora? | Aborto Explícito

não queremos), libertando-nos do cativeiro. Isso é feito de uma


maneira humanamente louca, considerando que um Deus Santo e
Todo Poderoso desce em uma realidade fracassada para nos salvar
de nós mesmos. O Deus que tudo é, desce para salvar homens
que acham que são alguma coisa. Não se trata de uma tentativa
humana de subir ao trono, mas sim de um Deus que desce do
Trono, se faz homem e, de homem, toma o nosso lugar de morto
e nos justifica.

Isso acontece porque em Cristo foram imputadas todas as


nossas injustiças e Ele foi tido como maldito de Deus em nosso
lugar. Quando Jesus Cristo recebe sobre Si os meus pecados, Deus
O vê como maldito e me vê como bendita. Então Cristo paga a
minha dívida e me entrega o comprovante de pagamento. Agora
a justiça de Deus já não é contra mim, porque ela foi saciada.
Agora eu tenho o amor de Deus e a Sua justiça ao meu favor. O
relacionamento está pleno.

Por isso, apenas por meio de Cristo temos o nosso


relacionamento reconciliado com Deus, porque apenas Ele sacia
a Justiça do Pai e nos torna compatíveis com o Reino de Deus.
Podemos então nos achegar diretamente ao Trono da Graça,
crendo que por Cristo somos aceitos e temos um Pai de amor
que, por ter nos amado, entregou Seu Filho a fim de ter toda uma
descendência. Isso significa justificação, aqueles a quem Deus amou
foram justificados. Não somos mais vistos por nossos méritos, mas
pelos méritos de Cristo. Ele nos resgatou da nossa morte e nos
deu vida em Sua ressurreição. Agora, vivos pelo Espírito, podemos
simplesmente nos relacionar e temos nossa identidade em Cristo.

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Aborto Explícito | Cometi Aborto, e Agora?

Você crê nesta obra divina? Crês que o seu pecado estava em Cristo
e com Ele você morreu para que agora pudesse viver?

Apesar do aborto ser um terrível pecado, não é imperdoável.


Em Cristo somos livres de nós mesmos, quando passamos a
conhecer a Deus e amá-Lo. Assim, podemos nos arrepender de
nossos maus feitos. Deus exerceu em Cristo toda a justiça que
merecíamos e por isso, em Cristo, somos justificados. Não por
nossos méritos, mas pela graça, por fé. Por isso também os nossos
deméritos não podem nos afastar de Deus. Se você cometeu um
aborto, saiba: a morte de Cristo por você tem maior significado
diante de Deus sobre a sua vida do que a morte do seu bebê.

No momento em que contemplamos a glória de Deus, a


primeira coisa que sabemos é: somos pecadores. E a segunda
coisa que sabemos é: Deus é Santo e justifica pecadores. Um deus
que não revela o pecado do Homem não é um deus santo, pois
um Deus Santo nunca aceitaria qualquer resquício de pecado e,
portanto, Sua Santidade revela o pecado. Apenas o Deus que
revela o pecado pode constranger o Homem em Sua Santidade
para fazê-lo livre do pecado. A boa notícia é que este Deus Santo
operou em manifestação da Sua glória numa cruz, nos alcançando
por Seu imenso amor e a Sua Santidade é suficiente para livrar-
nos do pecado, graciosamente. Ela é a luz para nos levar ao
arrependimento. Quanto mais contemplamos a Santidade de
Deus, melhor enxergamos a gravidade do nosso pecado e mais
somos gratos por Sua graça superabundante.

A fé em Cristo, sabendo que não somos aceitos por Deus

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Cometi Aborto, e Agora? | Aborto Explícito

por nossos méritos, elimina de nós o fardo de tentar conquistá-


Lo. Deixa de ser um comércio. Conhecendo-O como Pai, temos
com Ele um relacionamento íntimo genuíno ausente de medo,
vergonha e barganha. Sendo Deus e, mais do que isso, meu Pai
e melhor Amigo, sei que Ele conhece uma a uma das minhas
fraquezas e, ainda assim, me aceita por causa de Cristo. Isso faz
com que eu não use mais máscaras e não mais viva uma falsidade
tentando ser o que eu não sou, mas confiando nEle e em Seu amor,
prossigo sendo santificada na liberdade de nossa relação. Falamos
de família, falamos de um Pai em quem podemos confiar e que
nos aceita. Dentro dessa realidade, estamos livres para amá-Lo
verdadeiramente, pelo Espírito da Vida que em nós passa a habitar.

A realidade da graça em nós é a Vida. Ela não é um simples


adereço do cristianismo, mas sim o próprio cristianismo! A graça
não é parte dele, ela é tudo, é Cristo vivendo em nós, é a confiança
que liberta. Ela é ressurreição, o deleite e satisfação em Cristo.
Graça é a paz com Deus que gera paz de Deus que não pode ser
abalada por circunstâncias. É uma nova identidade e nova natureza
que anseia por santidade e não se deleita como antes no pecado
ou que, pelo menos, não se contenta com ele porque ama a Deus
e não quer desagradá-Lo. Não é medo da morte, é amor à vida!

Como alvos do amor e da justiça de Deus, todos aqueles que


foram unidos em Cristo pela fé já não são estranhos para o Pai,
mas sim filhos amados, recebidos pela adoção concreta em Cristo.
Aquele que foi unido a Cristo em Sua morte (isto é, reconhece
que morreu em Cristo – estava nEle quando Ele tomou sobre Si os
nossos pecados), também com Ele vive. Somos dependentes da

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Aborto Explícito | Cometi Aborto, e Agora?

Graça e seguros nela ontem, hoje e amanhã.

Assim, o amor de Deus não está anunciando que nós temos


alguma virtude em nós mesmos, mas sim que somos cheios de
falhas e dependentes; apesar disso, Ele é perfeito e fiel em nos
amar. Em outras palavras, Seu amor é constante apesar da nossa
inconstância porque não está baseado em quem nós somos, mas
somente nEle mesmo.

Não estabeleçamos nosso descanso em nada produzido por


nós mesmos, nem em nada abaixo do próprio Cristo; nem mesmo
no arrependimento, fé ou em alguma reforma moralística ou
religiosa. O arrependimento é o resultado do perdão de Deus, não
a origem da Sua satisfação de justiça. O arrependimento revela a
bondade divina para afastar o julgamento e o pecado de nós, mas
não é o pagamento da dívida. A fé é semelhante a um cheque
em branco que assinamos e entregamos a Deus para que Ele
preencha da maneira que bem quiser, na confiança de que todo
o nosso saldo e toda a nossa vida não pertence e não compete
a nós mesmos. Porém, só é possível tal fé se tivermos saldo em
nossa conta e este saldo foi Deus quem pagou. Logo, a fé não é
a origem, não é a justiça em si mesma, mas o meio pela qual nos
relacionamos com Deus e com o próximo. Não é nela que devemos
colocar a confiança, mas nAquele que nos bancou e deu vida. Já
o arrependimento não tem, em si, o poder de nos salvar, portanto
não é ele digno da nossa confiança, mas é tão somente o estado
da alma que foi rendida à graça de Deus por causa dos méritos
de Cristo. Não é o arrependimento que sacia a Justiça de Deus,
mas apenas o próprio Cristo – e isso resulta em arrependimento.

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Cometi Aborto, e Agora? | Aborto Explícito

O arrependimento e a fé são resultado da graça revelada no Cristo


agonizante, e não a origem da justiça. Nossas obras, por sua vez,
são totalmente ineficazes e perversas se feitas por nós mesmos
à parte de Deus e, portanto, não podem nos salvar, mas tão
somente nos condenar. Por isso, não há outro que nos salve de nós
mesmos, nem nossas obras, sentimentos, desejos ou moralidade.
Não há outro que ofereça novidade de vida em ressurreição. Não
há outro que tenha pago nossas dívidas e vencido a nossa morte.
Ele nos chama e a Sua convocação ao arrependimento é para nos
aproximarmos dEle com confiança, e não para corrermos dEle. O
chamado da fé é para nos rendermos a Ele toda uma vida, porque
Ele já pagou por ela. Podemos nos achegar porque cremos que o
acesso ao Trono está aberto por causa de Cristo, nos méritos dEle,
apesar dos nossos deméritos.

Pecador, não há nada mais verdadeiro do que reconhecer-


se fraco e também nada pode propor maior liberdade do que
estar rendido a Cristo. Podemos nos achegar a Deus para confiar
nossos fracassos, em reconhecimento de nossas fraquezas. Afinal,
não existe intimidade maior do que a que aquela partilha a sua
nudez. Para Deus, não é uma novidade as nossas fraquezas, mas
confessa-las faz toda diferença para uma alma enfadada pela
autossuficiência. Confiar fracassos é muito melhor do que entregar
grandes obras repletas de orgulho!

Vivemos o tempo todo querendo mostrar nossas capacidades.


Quando procuramos um emprego, é um currículo que carregamos
em nossas mãos. Quando queremos conquistar uma pessoa,
dedicamos a ela nossas habilidades. Quando postamos algo em

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Aborto Explícito | Cometi Aborto, e Agora?

nossas redes sociais, no íntimo dizemos: “olhe como eu sou bom


nisso”. Quando escolhemos uma foto para colocar em algum perfil
social de nossas redes, nunca é aquela foto realística das olheiras,
cabelos amassados e roupas aleatórias. Queremos sempre ser o
mais feliz, o mais forte, o mais poderoso. Afinal, quem é que gosta
de admitir-se fraco, contraditório, inconsistente e impotente?

Porém toda essa suposta capacidade vem acompanhada de


algo muito perverso: a mentira. Quem é que nunca foi tentado a
mascarar uma simples foto a ser colocada em uma rede social? Ou
então, quem nunca teve dificuldade para confessar um pecado?
Quem pode dizer nunca ter tentado esconder uma debilidade
para parecer-se melhor? Quem é que jamais procurou ou se atraiu
em alguém por conta do seu status ou aparência? Procuramos a
independência e a autossuficiência como se fosse um deus, somos
desesperadamente corrúptos.

Devo, portanto, dizer que a verdadeira confiança não está em


dedicar méritos, mas em confessar fracassos. Só abre a sua nudez
aquele que confia o suficiente para se entregar a outrem. Adão
estava nu e não se envergonhava, sendo exatamente como Deus o
fez, até que o seu orgulho se mostrou presente e, então, justificar-
se era o seu alvo. Ali a vergonha e o medo adentrou e tomamos a
fuga de Deus e da verdade como nosso meio de justificação. Mas
o Deus de Adão foi Aquele que, vendo-o nu, proveu um sacrifício
suficiente para cobrí-lo (não encobrí-lo) do seu pecado. Cristo é
o enviado de Deus para cobrir a nossa vergonha, nos dar livre
acesso ao Pai, curar nossas feridas e dar a segurança que só nEle
há. Cristo nos dá a eternidade como uma nova realidade, e não

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Cometi Aborto, e Agora? | Aborto Explícito

como simples possibilidade e, por isso, encontramos uma nova


esperança impossível de ser frustrada. Um Deus que morre por
pecadores é digno de confiança como nenhum outro. Todos
os deuses exigem força e méritos, mas o Senhor dos Exércitos
requer as fraquezas, a realidade do homem, a sua nudez. Ele não
é um Deus humanista, mas extremamente humano, fazendo-se
homem e Sumo Sacerdote. Este mesmo Deus é o que convida
os sobrecarregados e oprimidos, cansados de si mesmos e de
todo o sistema, para descansarem na Sua cobertura. Confie o seu
pecado a Deus, confie suas feridas de forma semelhante, porque
Ele carregou o seu fardo!

Entregar o fardo é coisa para quem confia. Veja como é


um ato de extrema confiança: eu não mais vivo por aquilo o que
sou capaz, quero, sinto ou vejo, mas apenas por Ele. É sobre os
méritos dEle, a obra dEle, a vontade dEle. É isso o que faz com
que neguemos a nós mesmos, uma vez que já não buscamos
nos auto suprir ou justificar. Se Ele me justificou, eu sou livre de
me auto justificar. Se Ele me sacia, eu sou livre de me saciar. Que
descanso, que liberdade Ele é! Este é o único Deus que anula o ego
do Homem e o livra de si mesmo.

É assim também que Ele trabalha conosco: fazendo-nos amar


debilitados, perdoar aqueles que nos ferem, viver por meio de Sua
graça. É assim que Deus faz do Seu povo pessoas de confiança,
com quem podemos ser íntimos e trabalhar problemas. A Igreja
de Cristo deve estar pronta para acolher as mulheres vítimas de
estupro tanto quanto as vítimas das ideologias seculares ou do
próprio pecado chamado aborto. Deve ainda estar pronta a pregar,

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Aborto Explícito | Cometi Aborto, e Agora?

com a mesma misericórdia e justiça, ao estuprador e/ou pai da


criança que a abortou de suas vidas. O povo de Deus deve ser o
ambiente propício para a confissão de pecadores, principalmente
porque é um povo que se reconhece pecador e está saciado no
Salvador, apto para dispensar a graça que dEle recebeu. Só pode
mostrar o caminho correto aquele que já passou por ele e provou
do seu destino!

O arrependimento não é necessidade exclusiva de quem


já cometeu um aborto, sequer apenas de quem já pensou em
cometê-lo. Arrependimento é necessidade contínua e diária de
seres humanos (todo e qualquer) em confiança a Deus. Todos
nós precisamos retroceder de nosso humanismo crendo na boa,
agradável e perfeita vontade de Deus em amável submissão a ela.
Arrependimento é o chamado cristão de retrocesso contínuo de si
mesmo, rumo a glória de Deus. Esta glória, por sua vez, se manifesta
em nossas fraquezas: negações, debilidades, limitações, medos,
problemas, injustiças e até pecados. Deus ama casos impossíveis e
confusos para manifestar-se em graça. Se você se reconhece nessa
posição de indefeso, incapaz e injusto, é para você este chamado.
A glória de Deus te aguarda!

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos


aliviarei.Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou
manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as
vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
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