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LISTA 1 - Prof.

Jason Gallas, IF–UFRGS 30 de Junho de 2004, às 4:17

Exercı́cios Resolvidos de Teoria Eletromagnética


Jason Alfredo Carlson Gallas
Professor Titular de Fı́sica Teórica
Doutor em F´ısica pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique, Alemanha
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto de F´ısica

Matéria para a PRIMEIRA prova. Numeração conforme a quarta edição do livro


“Fundamentos de F´ısica”, Halliday, Resnick e Walker.

Esta e outras listas encontram-se em: http://www.if.ufrgs.br/ jgallas clicando-se em ‘ENSINO’

Conteúdo 23.2.1 Lei de Coulomb . . . . . ... 3


23.2.2 A Carga e´ Quantizada . . ... 8
23 Carga Elétrica 2 23.2.3 A Carga e´ Conservada . . ... 10
23.1 Questões . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 23.2.4 As Constantes da F´ısica: Um
23.2 Problemas e Exerc´ıcios . . . . . . . . . 3 Aparte . . . . . . . . . . . ... 10

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23 Carga Elétrica
Q 23-3
23.1 Questões Uma barra carregada atrai fragmentos de cortiça que, as-
sim que a tocam, são violentamente repelidos. Explique
a causa disto.
Q 23-1
Sendo dadas duas esferas de metal montadas em supor- Como os dois corpos atraem-se inicialmente, deduzi-
te portátil de material isolante, invente um modo de car- mos que eles possuem quantidades de cargas com sinais
regá-las com quantidades de cargas iguais e de sinais diferentes. Ao tocarem-se a quantidade de cargas menor
opostos. Voceˆ pode usar uma barra de vidro ativada com e´equilibrada pelas cargas de sinal oposto. Como a carga
seda, mas ela não pode tocar as esferas. É necessário que sobra reparte-se entre os dois corpos, estes passam a
que as esferas sejam do mesmo tamanho, para o método repelir-se por possuirem, então, cargas de mesmo sinal.
funcionar? Note que afirmar existir repulsão após os corpos
tocarem-se equivale a afirmar ser diferente a quantida-
Um método simples é usar indução elétrostática: ao
de de cargas existente inicialmente em cada corpo.
aproximarmos a barra de vidro de qualquer uma das es-
feras quando ambas estiverem em contato iremos indu-
zir (i) na esfera mais próxima, uma mesma carga igual Q 23-4
e oposta a`carga da barra e, (ii) na esfera mais afastada, As experiências descritas na Secção 23-2 poderiam ser
uma carga igual e de mesmo sinal que a da barra. Se explicadas postulando-se quatro tipos de carga, a saber,
separarmos então as duas esferas, cada uma delas irá fi- a do vidro, a da seda, a do plástico e a da pele do animal.
car com cargas de mesma magnitude porém com sinais Qual e´o argumento contra isto?
opostos. Este processo não depende do raio das esfe-
ras. Note, entretanto, que a densidade de cargas sobre a É fácil verificar experimentalmente que os quatro ti-
superfı́cie de cada esfera após a separação obviamente pos ‘novos’ de carga não poderiam ser diferentes umas
depende do raio das esferas. das outras. Isto porque e´ poss´ıvel separar-se os quatro
tipos de carga em dois pares de duas cargas que são in-
Q 23-2 distingu´ıveis um do outro, experimentalmente.
Na questão anterior, descubra um modo de carregar as
esferas com quantidades de carga iguais e de mesmo si- Q 23-6
nal. Novamente, é necessário que as esferas tenham o
mesmo tamanho para o método a ser usado? Um isolante carregado pode ser descarregado passando-
o logo acima de uma chama. Explique por quê?
O enunciado do problema anterior não permite que
toquemos com o bastão nas esferas. Portanto, repeti- É que a alta temperatura acima da chama ioniza o ar,
mos a indução eletrostática descrita no exercı́cio ante- tornando-o condutor, permitindo o fluxo de cargas.
rior. Porém, mantendo sempre a barra próxima de uma
das esferas, removemos a outra, tratando de neutralizar Q 23-9
a carga sobre ela (por exemplo, aterrando-a). Se afas-
tarmos o bastão da esfera e a colocarmos novamente em Por que as experiências em eletrostática não funcionam
bem em dias úmidos?
contato com a esfera cuja carga foi neutralizada, iremos Em dias úmidos existe um excesso de vapor de
permitir que a carga possa redistribuir-se homogenea- água no ar. Conforme será estudado no Capı́tulo 24, a
mente sobre ambas as esferas. Deste modo garantimos molécula de água, , pertence à classe de moléculas
que o sinal das cargas em ambas esferas e´ o mesmo. Pa- que possui o que se chama de ‘momento de dipolo
ra que a magnitude das cargas seja também idêntica é elétrico’, isto é, nestas moléculas o centro das cargas
necessário que as esferas tenham o mesmo raio. É que a positivas não coincide com o centro das cargas nega-
densidade superficial comum às duas esferas quando em tivas. Este desequilı́brio faz com que tais moléculas
contato irá sofrer alterações diferentes em cada esfera, sejam elétricamente ativas, podendo ser atraidas por
após elas serem separadas, caso os raios sejam diferen- superf´ıcies carregadas, tanto positiva quanto negativa-
tes. mente. Ao colidirem com superf´ıcies carregadas, as

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moléculas agem no sentido de neutralizar parte da car- das duas cargas. Como voceˆ poderia testar este fato no
ga na superf´ıcie, provocando deste modo efeitos inde- laboratório?
sejáveis para os experimentos de eletrostática. Isto por-
que não se tem mais certeza sobre qual a quantidade de Estudando de que modo varia a força necessária para
carga que realmente se encontra sobre a superf´ıcie. levar-se cargas de distintos valores até uma distância ,
constante, de uma outra carga fixa no espaço.
Q 23-13
Q 23-18
Uma pessoa em pe´ sobre um banco isolado toca um con-
dutor também isolado, mas carregado. Haverá descarga Um elétron (carga ) gira ao redor de um núcleo
completa do condutor? (carga ) de um átomo de hélio. Qual das
partı́culas exerce maior força sobre a outra?
Não. Haverá apenas uma redistribuição da carga entre
o condutor e a pessoa. Se realmente você não souber a resposta correta, ou
faz e entende o Exerc´ıcio E 23-2 ou tranca o curso bem
Q 23-14 rápido!
(a) Uma barra de vidro positivamente carregada atrai um
objeto suspenso. Podemos concluir que o objeto esta´ Q 23-15 extra A força elétrica que uma carga exerce
carregado negativamente? (b) A mesma barra carregada sobre outra se altera ao aproximarmos delas outras car-
positivamente repele o objeto suspenso. Podemos con- gas?
cluir que o objeto esta´ positivamente carregado?
A força entre duas cargas quaisquer depende única
(a) Não. Poderı́amos estar lidando com um objeto e exclusivamente das grandezas que aparecem na ex-
neutro porém metálico, sobre o qual seria possı́vel in- pressão matemática da lei de Coulomb. Portanto, é fácil
duzir uma carga, que passaria então a ser atraido pela concluir-se que a força pre-existente entre um par de car-
barra. (b) Sim, pois não se pode induzir carga de mes- gas jamais poderá depender da aproximação de uma ou
mo sinal. mais cargas. Observe, entretanto, que a ‘novidade’ que
resulta da aproximação de cargas extras é que a força
Q 23-16 resultante sobre cada carga pre-existente podera´ alterar-
Teria feito alguma diferenc¸a significativa se Benjamin se, podendo tal resultante ser facilmente determinada
Franklin tivesse chamado os elétrons de positivos e os com o princı́pio de superposição.
prótons de negativos?
Não. Tais nomes são apenas uma questão de
convenção.
Na terceira edição do livro, afirmava-se que Fran- 23.2 Problemas e Exerc´ıcios
klin, além de ‘positivo’ e ‘negativo’, haveria introdu-
zido também as denominações ‘bateria’ e ‘carga’. Na 23.2.1 Lei de Coulomb
quarta edição a coisa já mudou de figura... Eu tenho a
impressão que ‘positivo’ e ‘negativo’ devem ser ante- E 23-1
riores a Franklin mas não consegui localizar referências
Qual seria a força eletrostática entre duas cargas de
adequadas. O quı́mico francês Charles François de Cis-
Coulomb separadas por uma distância de (a) m e (b)
ternay Du Fay (1698-1739), descobriu a existência de
km se tal configuração pudesse ser estabelecida?
dois “tipos de eletricidade”: vitrea (do vidro) e resinosa
(da resina). (a) N.
Porém, a quem será que devemos os nomes de cargas (b) N.
“positivas” e “negativas”? Ofereço uma garrafa de boa
champanha a quem por primeiro me mostrar a solução
deste puzzle! E 23-2
Uma carga puntiforme de C dista cm
Q 23-17 de uma segunda carga puntiforme de C.
A Lei de Coulomb prevê que a força exercida por uma Calcular o módulo da força eletrostática que atua sobre
carga puntiforme sobre outra e´proporcional ao produto cada carga.

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De acordo com a terceira Lei de Newton, a força que kg


uma carga exerce sobre outra carga e´igual em
módulo e de sentido contrário à força que a carga (b) Como temos segue que
exerce sobre a carga . O valor desta força é dado pela
Eq. 23-4. Conforme a convenção do livro, usamos aqui
os módulos das cargas. Portanto

N E 23-7
Duas esferas condutoras idênticas e isoladas, e , pos-
E 23-3 suem quantidades iguais de carga e estão separadas por
Qual deve ser a distância entre duas cargas puntiformes uma distância grande comparada com seus diâmetros
Ce C para que o módulo da força (Fig. 23-13a). A força eletrostática que atua sobre a es-
eletrostática entre elas seja de N? fera devida a esfera e´ . Suponha agora que uma
terceira esfera idêntica , dotada de um suporte isolan-
te e inicialmente descarregada, toque primeiro a esfera
(Fig. 23-13b), depois a esfera (Fig.. 23-13c) e, em
seguida, seja afastada (Fig. 23-13d). Em termos de ,
metros qual e´ a forc¸a que atua agora sobre a esfera ?
Chamemos de a carga inicial sobre as esferas e
E 23-4 . Após ser tocada pela esfera , a esfera retém uma
Na descarga de um relâmpago tı́pico, uma corrente de carga igual a . Após ser tocada pela esfera , a esfera
Ampères flui durante s. Que quantidade ira´ ficar com uma carga igual a .
de carga é transferida pelo relâmpago? [Note: Ampère é Portanto, teremos em módulo
a unidade de corrente no SI; está definida na Secção 28-
2 do livro; mas o cap´ıtulo 23 fornece meios de resolver
o problema proposto.]
onde e´ uma constante (que envolve bem como a
Usamos a Eq. (23-3):
distância fixa entre as esferas e , mas que não vem ao
C caso aqui) e representa o módulo de .

Tal carga e´grande ou pequena? Compare com as car- P 23-8


gas dadas nos Exemplos resolvidos do livro. Três partı́culas carregadas, localizadas sobre uma linha
E 23-5 reta, estão separadas pela distância (como mostra a
Fig. 23-14). As cargas e são mantidas fixas. A
Duas part´ıculas igualmente carregadas, mantidas a uma carga , que esta´ livre para mover-se, encontra-se em
distância m uma da outra, são largadas a equilı́brio (nenhuma força eletrostática lı́quida atua so-
partir do repouso. O módulo da aceleração inicial da bre ela). Determine em termos de .
primeira part´ıcula e´ de m/s e o da segunda e´de
m/s . Sabendo-se que a massa da primeira part´ıcula va- Chame de a força sobre devida a carga . Ob-
le Kg, quais são: (a) a massa da segunda servando a figura, podemos ver que como esta´ em
partı́cula? (b) o módulo da carga comum? equilı́brio devemos ter . As forças e têm
módulos iguais mas sentidos opostos, logo, e tem
(a) Usando a terceira lei de Newton temos sinais opostos. Abreviando-se , temos
, de modo que então

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Substituindo estes valores na equação , obte- N


mos . Como as cargas devem ter sinais
opostos, podemos escrever , que e´a resposta
procurada. P 23-12
Observe que o sinal da carga permanece totalmente
arbitrário. Duas esferas condutoras idênticas, mantidas fixas,
atraem-se com uma força eletrostática de módulo igual
P 23-10 a N quando separadas por uma distância de
cm. As esferas são então ligadas por um fio condutor
Na Fig. 23-15, quais são as componentes horizontal e fino. Quando o fio e´ removido, as esferas se repelem
vertical da força eletrostática resultante que atua sobre com uma força eletrostática de módulo igual a N.
a carga do vértice esquerdo inferior do quadrado, sendo Quais eram as cargas iniciais das esferas?
Ce cm?
Sejam e as cargas originais que desejamos cal- cular,
Primeiro, escolhemos um sistema de coordenadas
separadas duma distância . Escolhamos um sis- tema
com a origem coincidente com a carga no canto esquer-
de coordenadas de modo que a força sobre é
do, com o eixo horizontal e eixo vertical, como de
costume. A força exercida pela carga na carga positiva se ela for repelida por . Neste caso a magni-
tude da força ‘inicial’ sobre é

A força exercida por sobre é onde o sinal negativo indica que as esferas se atraem.
Em outras palavras, o sinal negativo indica que o pro-
duto é negativo, pois a força ,
, é força de atração.
Como as esferas são idênticas, após o fio haver sido co-
nectado ambas terão uma mesma carga sobre elas, de
valor . Neste caso a força de repulsão ‘final’
Finalmente, a força exercida por sobre é e´dada por

Das duas expressões acima tiramos a soma e o produto


de e , ou seja

Portanto, a magnitude da componente horizontal da


força resultante é dada por

N C

enquanto que a magnitude da componente vertical e´da- Conhecendo-se a soma e o produto de dois números,
da por conhecemos na verdade os coeficientes da equação do
segundo grau que define estes números, ou seja,

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Dito de outra forma, se substituirmos carga seja positiva). Por outro lado, a terceira carga deve
ser negativa pois, se ela fosse positiva, as cargas
e não poderiam ficar em equilı́brio, pois as forças
sobre elas seriam somente repulsivas. Vamos designar a
na equação da soma acima temos duas possibilidades:
terceira carga por , sendo maior que zero. Seja
a distância entre e . Para que a carga esteja
em equilı́brio, o módulo da força que exerce sobre
deve ser igual ao módulo da força que exerce
ou sobre . Portanto,

Considerando-se a Eq. , temos


ou seja

de onde tiramos as duas soluções


As soluções da equação do segundo grau são e
, sendo que apenas esta última solução é fisicamente
aceitável.
Para determinar o módulo de , use a condição de
O sinal fornece-nos equil´ıbrio duas cargas do sistema. Por exemplo, para
que a carga esteja em equilı́brio, o módulo da força
C e C
que exerce sobre deve igualar a módulo da força
enquanto que o sinal fornece-nos de sobre :

C e C

onde usamos a Eq. (*) acima para calcular a partir de


Dai tiramos que que, para ,
.
fornece o valor procurado:
Repetindo-se a análise a partir da Eq. percebemos
que existe outro par de soluções possı́vel, uma vez que
revertendo-se os sinais das cargas, as forc¸as permane-
cem as mesmas:
(b) O equilı́brio é instável; esta conclusão pode ser pro-
C e C vada analiticamente ou, de modo mais simples, pode ser
verificada acompanhando-se o seguinte racioc´ınio. Um
ou
pequeno deslocamento da carga de sua posição de
C e C equil´ıbrio (para a esquerda ou para a direita) produz uma
forc¸a resultante orientada para esquerda ou para a direi-
ta.
P 23-15
P 23-16
Duas cargas puntiformes livres e estão a uma
(a) Que cargas positivas iguais teriam de ser colocadas
distância uma da outra. Uma terceira carga é, então,
na Terra e na Lua para neutralizar a atração gravitacio-
colocada de tal modo que todo o sistema fica em
nal entre elas? É necessário conhecer a distância entre a
equilı́brio. (a) Determine a posição, o módulo e o sinal
Terra e a Lua para resolver este problema? Explique. (b)
da terceira carga. (b) Mostre que o equilı́brio é instável.
Quantos quilogramas de hidrogênio seriam necessários
(a) A terceira carga deve estar situada sobre a linha para fornecer a carga positiva calculada no item (a)?
que une a carga com a carga . Somente quan- do a
(a) A igualdade das forças envolvidas fornece a se-
terceira carga estiver situada nesta posição, será
guinte expressão:
poss´ıvel obter uma resultante nula, pois, em qualquer
outra situação, as forças serão de atração (caso a ter-
ceira carga seja negativa) ou de repulsão (caso a terceira

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onde e´ a massa da Terra e a massa da Lua. Por-


tanto, usando-se as constantes fornecidas no Apêndice P 23-19
C, temos
Duas pequenas esferas condutoras de massa estão
C suspensas por um fio de seda de comprimento e pos-
suem a mesma carga , conforme e´mostrado na figura
Como foi poss´ıvel eliminar entre os dois membros da abaixo. Considerando que o ângulo é tão pequeno que
equação inicial, vemos claramente não ser necessário possa ser substituida por sen : (a) mostre que
conhecer-se o valor de . para esta aproximação no equilı́brio teremos:
(b) Um átomo de hidrogênio contribui com uma carga
positiva de C. Portanto, o número de
átomos de hidrogênio necessários para se igualar a car-
ga do item (a) e´dado por onde é a distância entre as esferas. (b) Sendo
cm, ge cm, quanto vale ?
C (a) Chamando de a tensão em cada um dos fios e
de o módulo da força eletrostática que atua sobre cada
Portanto, a massa de hidrogênio necessária é simples- uma das bolas temos, para que haja equil´ıbrio:
mente , onde é a massa de um átomo
de hidrogênio (em kilogramas) [veja o valor da unidade
de massa unificada no Apêndice B, pág. 321] sen

Kg Dividindo membro a membro as duas relações anterio-


res, encontramos:

P 23-18
Uma carga e´ dividida em duas partes e , que
são, a seguir, afastadas por uma certa distância entre si. Como e´ um ângulo pequeno, podemos usar a
Qual deve ser o valor de em termos de , de mo- do que aproximação
a repulsão eletrostática entre as duas cargas seja
máxima? sen
A magnitude da repulsão entre e é
Por outro lado, a força eletrostática de repulsão entre as
cargas e´dada por

A condição para que seja máxima em relação a é que


sejam satisfeitas simultaneamente as equações
Igualando-se as duas expressões para e resolvendo
para , encontramos que
e

A primeira condição produz

(b) As duas cargas possuem o mesmo sinal. Portanto,


da expressão acima para , obtemos
cuja solução é .
Como a segunda derivada e´ sempre menor que zero,
a solução encontrada, , produzirá a força
máxima. C
Observe que a resposta do problema e´ e não nC
.

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P 23-20 sendo, por exemplo, positivo. O peso exerce uma força


para baixo de magnitude , a uma distância
No problema anterior, cujas esferas são condutoras (a)
a partir do mancal. Pela convenção acima, seu torque
O que acontecerá após uma delas ser descarregada? Ex-
também é positivo. A carga à direita exerce uma
plique sua resposta. (b) Calcule a nova separação de
forc¸a para cima de magnitude ,a
equil´ıbrio das bolas.
uma distância do mancal. Seu torque é negativo.
(a) Quando uma das bolas for descarregada não po- Para que não haja rotação, os torque sacima devem
derá mais haver repulsão Coulombiana entre as bolas e, anular-se, ou seja
consequentemente, as bolas cairão sob ação do campo
gravitacional ate´ se tocarem. Ao entrarem em contato, a
carga que estava originalmente numa das bolas ira´ se
repartir igualmente entre ambas bolas que, então, por es- Portanto, resolvendo-se para , obtemos
tarem novamente ambas carregadas, passarão a repelir-
se até atingir uma nova separação de equilı́brio, digamos
.
(b) A nova separação de equilı́brio pode ser calculada
(b) A força lı́quida na barra anula-se. Denotando-se por
usando-se :
a magnitude da forc¸a para cima exercida pelo mancal,
cm então

Quando a barra não exerçe nenhuma força, temos


m
. Neste caso, a expressão acima, fornece-nos facilmen-
m te que
cm

É possı́vel determinar o valor da tensão no fio de se-


da? Observe que e´ essencial usar sempre um valor po-
sitivo para o braço de alavanca, para não se inverter o
P 23-21
sentido do torque. Neste problema, o braço de alavanca
A Fig. 23-17 mostra uma longa barra não condutora, de positivo e´ , e não !
massa desprez´ıvel e comprimento , presa por um pi-
no no seu centro e equilibrada com um peso a uma
distância de sua extremidade esquerda. Nas extremi- 23.2.2 A Carga e´Quantizada
dades esquerda e direita da barra são colocadas peque-
nas esferas condutoras com cargas positivas e , res- E 23-24
pectivamente. A uma distância diretamente abaixo de
cada uma dessas cargas esta´ fixada uma esfera com uma Qual é a carga total em Coulombs de kg de elétrons?
carga positiva . (a) Determine a distância quando a A massa do elétron é kg de ma-
barra esta´ horizontal e equilibrada. (b) Qual valor deve- neira que a quantidade de elétrons em kg é
ria ter para que a barra não exercesse nenhuma força
sobre o mancal na situação horizontal e equilibrada?
elétrons
(a) Como a barra esta em equil´ıbrio, a forc¸a l´ıquida
sobre ela é zero e o torque em relação a qualquer ponto Portanto, a carga total e´
também é zero. Para resolver o problema, vamos escre-
ver a expressão para o torque lı́quido no mancal, iguala-
la a zero e resolver para .
A carga à esquerda exerce uma força para cima C
de magnitude , localizada a uma
distância do mancal. Considere seu torque como

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E 23-26 A carga correspondente a mol de elétrons nada


mais e´ do que , onde e´
O módulo da força eletrostática entre dois ı́ons idênticos o número de Avogadro. Portanto
que estão separados por uma distância de
m vale N. (a) Qual a carga de cada ´ıon? (b)
Quantos elétrons estão “faltando” em cada ı́on (o que dá
ao ı́on sua carga não equilibrada)?
segundos
(a) Da Lei de Coulomb temos:
dias
C

(b) Cada elétron faltante produz uma carga positiva de P 23-34


C. Usando a Eq. 23-10, , encontra- Na estrtura cristalina do composto (cloreto de
mos o seguinte número de elétrons que faltam: césio), os ı́ons Cs formam os vértices de um cubo e
um ´ıon de Cl esta´ no centro do cubo (Fig. 23-18). O
elétrons comprimento das arestas do cubo e´ de nm. Em ca- da
ı́on Cs falta um elétron (e assim cada um tem uma
carga de ), e o ı́on Cl tem um elétron em excesso
(e assim uma carga ). (a) Qual é o módulo da força
E 23-27 eletrostática lı́quida exercida sobre o ı́on Cl pelos oito
ı́ons Cs nos vértices do cubo? (b) Quando está faltan-
Duas pequenas gotas esféricas de água possuem cargas
do um dos ´ıons Cs , dizemos que o cristal apresenta um
idênticas de C, e estão separadas, centro
defeito; neste caso, qual será a força eletrostática lı́quida
a centro, de cm. (a) Qual é o módulo da força ele-
exercida sobre o ´ıon Cl pelos sete ´ıons Cs remanes-
trostática que atua entre elas? (b) Quantos elétrons em
centes?
excesso existem em cada gota, dando a ela a sua carga
não equilibrada? (a) A força lı́quida sobre o ı́on Cl é claramente ze-
ro pois as forças individuais atrativas exercidas por cada
(a) Aplicando diretamente a lei de Coulomb encon- um dos ´ıons de Cs cancelam-se aos pares, por estarem
tramos, em magnitude, dispostas simetricamente (diametralmente opostas) em
relação ao centro do cubo.
(b) Em vez de remover um ı́on de césio, podemos po-
demos superpor uma carga na posição de tal ı́on.
N Isto neutraliza o ı́on local e, para efeitos eletrostáticos,
e´equivalente a remover o ´ıon original. Deste modo ve-
(b)A quantidade de elétrons em excesso em cada gota mos que a única força não balanceada passa a ser a força

exercida pela carga adicionada.
Chamando de a aresta do cubo, temos que a diagonal
do cubo é dada por . Portanto a distância entre os
ı́ons é e a magnitude da força

P 23-31
Pelo filamento de uma lâmpada de W, operando em
um circuito de V, passa uma corrente (suposta cons-
tante) de A. Quanto tempo é necessário para que
N
mol de elétrons passe pela lâmpada?
De acordo com a Eq. 23-3, a corrente constante que P 23-35 Sabemos que, dentro das limitações impos-
passa pela lâmpada é , onde e´a quantida- tas pelas medidas, os módulos da carga negativa do
de de carga que passa através da lâmpada num intervalo elétron e da carga positiva do próton são iguais. Su-
. ponha, entretanto, que estes módulos diferissem entre

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sı́ por . Com que força duas pequenas moedas As reações completas de decaimento beta aqui men-
de cobre, colocadas a m uma da outra, se repeliriam? cionados são, na verdade, as seguintes:
O que podemos concluir? (Sugestão: Veja o Exemplo
23-3.)
Como sugerido no problema, supomos que a moeda e´
a mesma do exemplo 23-3, que possui uma carga tanto onde representa uma part´ıcula elementar chamada
positiva quanto negativa igual dada por neutrino. Interessados, podem ler mais sobre Decai-
C. Se houvesse uma diferenc¸a (desequil´ıbrio) de cargas, mento Beta na Secção 47-5 do livro texto.
uma das cargas seria maior do que a outra, ter´ıamos para
tal carga um valor E 23-38
Usando o Apêndice D, identifique nas seguintes
reações nucleares:
onde . Portanto
a magnitude da força entre as moedas seria igual a

Como nenhuma das reações acima inclui decaimen-


to beta, a quantidade de prótons, de neutrons e de
N elétrons é conservada. Os números atômicos (prótons
e de elétrons) e as massas molares (prótons + nêutrons)
Como tal força seria facilmente observável, concluimos estão no Apêndice D.
que uma eventual diferenc¸a entre a magnitude das car- (a) H tem próton, elétron e nêutrons enquanto que
gas positiva e negativa na moeda somente poderia ocor- o Be tem prótons, elétrons e nêutrons.
rer com um percentual bem menor que . Portanto tem prótons, elétrons e
Note que sabendo-se o valor da menor força possı́vel de nêutrons. Um dos nêutrons é liberado na
se medir no laboratório é possivel estabelecer qual o li- reação. Assim sendo, deve ser o boro, B, com massa
mite percentual máximo de erro que temos hoje em dia molar igual a g/mol.
na determinação das cargas. De qualquer modo, tal limi- (b) C tem prótons, elétrons e nêutrons
te e´MUITO pequeno, ou seja, uma eventual assimetria enquanto que o H tem próton, elétron e nêutrons.
entre o valor das cargas parece não existir na prática, Portanto tem prótons, elétrons
pois teria conseqü ências observáveis, devido ao gran- e nêutrons e, consequentemente, deve ser o
de número de cargas presente nos corpos macroscópicos nitrogênio, N, que tem massa molar g/mol.
(que estão em equilı́brio). (c) N tem prótons, elétrons e nêutrons,
o H tem próton, elétron e nêutrons e o He tem
prótons, elétrons e nêutrons. Portanto
23.2.3 A Carga e´Conservada
tem prótons, elétrons e
nêutrons, devendo ser o carbono, C, com massa molar
E 23-37 de g/mol.
No decaimento beta uma part´ıcula fundamental se trans-
forma em outra partı́cula, emitindo ou um elétron ou
um pósitron. (a) Quando um próton sofre decaimen- 23.2.4 As Constantes da F´ısica: Um Aparte
to beta transformando-se num nêutron, que partı́cula é
emitida? (b) Quando um nêutron sofre decaimento be- E 23-41
ta transformando-se num próton, qual das partı́culas é
emitida? (a) Combine as quantidades , e para formar uma
grandeza com dimensão de comprimento. (Sugestão:
(a) Como existe conservação de carga no decaimento, combine o “tempo de Planck” com a velocidade da luz,
a partı́cula emitida precisa ser um pósitron. conforme Exemplo 23-7.) (b) Calcule este “comprimen-
(b) Analogamente, a partı́cula emitida é um elétron. to de Planck” numéricamente.

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LISTA 1 - Prof. Jason Gallas, IF–UFRGS 30 de Junho de 2004, às 4:17

(a) Usando-se o Apêndice A, fica fácil ver que as três a() Combine as grandezas , e para formar uma
contantes dadas tem as seguintes dimensões: grandeza com dimensão de massa. Não inclua nenhum
fator adimensional. (Sugestão: Considere as unidades
kg e como e´mostrado no Exemplo 23-7.) (b) Calcu-
le esta “massa de Planck” numericamente.
A resposta pode ser encontrada fazendo-se uma
[ ] análise dimensional das constantes dadas e de funções
kg
simples obtidas a partir delas:
[]
Planck
Portanto, o produto não contém kg:

kg
Através de divisão do produto acima por uma potência
apropriada de podemos obter eliminar facilmente ou Pode-se verificar que esta resposta esta´ correta fazendo-
ou do produto, ou seja, se agora o ‘inverso’ da análise dimensional que foi usa-
da para estabelece-la, usando-se o conveniente resumo
dado no Apêndice A:

kg kg
kg
Portanto Planck . kg
(b) O valor numérico pedido é, uma vez que kg kg
,
Portanto, extraindo-se a raiz quadrada deste radicando
m vemos que, realmente, a combinação das constantes aci-
Planck
ma tem dimensão de massa.
E se usassemos em vez de ?... Em outras palavras,
P 23-42 qual das duas constantes devemos tomar?

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