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STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 823342 SP SÃO PAULO 0161340-

75.2008.8.26.0000 (STF)
Data de publicação: 18/12/2015

Vistos. Trata-se de agravo contra a decisão que não admitiu recurso extraordinário
interposto contra acórdão da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, assim ementado: “SENTENÇA - NULIDADE - JULGAMENTO EXTRA
PETITA - ABORDAGEM DE FATOS DIVERSOS DAQUELES TRATADOS NO PROCESSO DE
EXECUÇÃO - INOCORRÊNCIA - MERA EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DO NÚMERO DA EXECUÇÃO
FISCAL - SENTENÇA QUE ABORDOU OS FATOS LEVANTADOS NA INICIAL - PRELIMINAR
REJEITADA SENTENÇA - NULIDADE - FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO - INOCORRÊNCIA -
SENTENÇA DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA, AINDA QUE SUCINTAMENTE - PRELIMINAR
REJEITADA SENTENÇA - NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - NECESSIDADE DE DILAÇÃO
PROBATÓRIA - INOCORRÊNCIA QUESTÃO UNICAMENTE DE DIREITO - PRELIMINAR REJEITADA
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL POR MULTA AMBIENTAL - ILEGITIMIDADE PASSIVA -
INOCORRÊNCIA - EMPRESA QUE SE BENEFICIA DO RESULTADO DA QUEIMA DA PALHA DE
CANA-DE-AÇÚCAR - RESPONSABILIDADE OBJETIVA - AUTUADA QUE NÃO CONTAVA COM
AUTORIZAÇÃO PRÉVIA DO PODER PÚBLICO, E CONDUZIU-SE CONTRARIAMENTE À
NORMATIVA INCIDENTE - APELO DESPROVIDO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - MULTA
AMBIENTAL. QUEIMADA IRREGULAR ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE DO
DECRETO 8.468/76. DESCABIMENTO. COMPATIBILIDADE PLENA COM A ORDEM FUNDANTE.
AUTO DE INFRAÇÃO QUE GOZA DE PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE. APELO DESPROVIDO .
Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. No recurso extraordinário sustenta-se
violação dos artigos5º, incisos II, XXXV, LIV e LV, 24, § 4º, e 225, §§ 3º e 5º, da Constituição
Federal. Decido. Anote-se, inicialmente, que o recurso extraordinário foi interposto contra
acórdão publicado após 3/5/07, quando já era plenamente exigível a demonstração da
repercussão geral da matéria constitucional objeto do recurso, conforme decidido na
Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 664.567/RS, Tribunal Pleno, Relator o
Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 6/9/07. Todavia, apesar da petição recursal haver trazido
a preliminar sobre o tema, não é de se proceder ao exame de sua existência, uma vez que,
nos termos do artigo 323 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, com a redação
introduzida pela Emenda Regimental nº 21/07, primeira parte, o procedimento acerca da
existência da repercussão geral somente ocorrerá “quando não for o caso de
inadmissibilidade do recurso por outra razão”. No que se refere à alegada ilegitimidade ativa
da Fazenda do Estado de São Paulo para propor a execução e à inobservância do devido
procedimento para lavratura do auto de infração, carecem do necessário
prequestionamento, sendo certo que o Tribunal de origem não conheceu da apelação,
nesses pontos, consignando trata-se de inovação recursal, pois são matérias não ventiladas
na inicial ou na sentença apelada”. Ademais, a jurisprudência desta Corte está consolidada
no sentido de que as alegações de afronta aos princípios da legalidade, do devido processo
legal, da ampla defesa e do contraditório, dos limites da coisa julgada e da prestação
jurisdicional, se dependentes de reexame de normas infraconstitucionais, podem configurar
apenas ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal, o que não enseja reexame em
recurso extraordinário. Nesse sentido: “AGRAVO DE INSTRUMENTO - ALEGAÇÃO DE OFENSA
AO POSTULADO DA MOTIVAÇÃO DOS ATOS DECISÓRIOS - INOCORRÊNCIA - AUSÊNCIA DE
OFENSA DIRETA À CONSTITUIÇÃO - RECURSO IMPROVIDO. O Supremo Tribunal Federal
deixou assentado que, em regra, as alegações de desrespeito aos postulados da legalidade,
do devido processo legal, da motivação dos atos decisórios, do contraditório, dos limites da
coisa julgada e da prestação jurisdicional podem configurar, quando muito, situações de
ofensa meramente reflexa ao texto da Constituição, circunstância essa que impede a
utilização do recurso extraordinário. Precedentes” (AI nº 360.265/RJ-AgR, Segunda Turma,
Relator o Ministro Celso de Mello, DJ de 20/9/02). Por outro lado, a questão relativa à
legitimidade passiva ad causam foi decidida com base na legislação infraconstitucional
pertinente e nas provas dos autos, o que inviabiliza o prosseguimento do recurso
extraordinário, tendo em vista que nessa hipótese a ofensa ao texto constitucional, se
ocorresse, seria indireta ou reflexa, o que se mostra insuficiente para amparar o apelo
extremo. Anote-se: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO.
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM PEDIDO DE
INDENIZAÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM . ALEGADA
CONTRARIEDADE AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL.
NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL: OFENSA CONSTITUCIONAL
INDIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (ARE nº 674.529/MG-
AgR Primeira Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe de 17/5/12) . “AGRAVO
REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DIREITO DO TRABALHO.
EXECUÇÃO TRABALHISTA. LEGITIMIDADE PARA FIGURAR NA CONDIÇÃO DE EXECUTADO.
CONTROVÉRSIA DECIDIDA À LUZ DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS E DA
LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL PERTINENTE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS INCISOS LIV E
LV DO ART. 5º DA MAGNA CARTA. INSUBSISTÊNCIA. 1. Não é possível, em recurso
extraordinário, reexaminar a legislação infraconstitucional aplicada ao caso, bem como
analisar o acervo fático-probatório dos autos. 2. Violação a garantias constitucionais do
processo, se existente, apenas ocorreria de modo reflexo ou indireto. Precedentes. 3. Agravo
regimental desprovido” (AI nº 658.321/SP-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Ayres
Britto, DJ de 30/3/12). “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM
AGRAVO. REAPRECIAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS.
IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I É inadmissível o recurso extraordinário quando
sua análise implica rever a interpretação de normas infraconstitucionais que fundamenta a
decisão a quo. A afronta à Constituição, se ocorrente, seria indireta. II - Agravo regimental
improvido” (ARE nº 642.356/MG-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Ricardo
Lewandowski, DJe de 15/8/11). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
PROCESSUAL CIVIL. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. LEGITIMIDADE
ATIVA AD CAUSAM. CONTROVÉRSIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA CONSTITUCIONAL
INDIRETA. IMPOSSIBILIDADE DO REEXAME DE PROVAS E DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS.
INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 279 E 454 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRECEDENTES.
AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (AI nº 587.112.529/CE-AgR,
Primeira Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJ de 4/6/10). Não procede, igualmente,
a alegação de que o Decreto nº 8.468/76 exorbitou ao regulamentar a Lei estadual nº
997/76, uma vez que, conforme já assentando por esta Corte, essa discussão está restrita ao
âmbito da legalidade. Desse modo, a ofensa a Constituição seria, quando muito, reflexa ou
indireta, o que não dá ensejo à reexame em recurso extraordinário. Sobre o tema: “ AGRAVO
REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO.
DECRETO N. 332/1991. EXCESSO DO PODER REGULAMENTAR. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (AI nº
738.739/SP-AgR-AgR, Segunda Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe de
19/2/13)“AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. LEI
N. 8.200/91, ARTIGO 3º, INCISO I. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO TRIBUNAL
PLENO. DECRETO N. 332/91. NORMA REGULAMENTAR. APLICAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA.
1. Decreto n. 332/91. Norma regulamentar. Inconstitucionalidade de suas disposições por
extrapolarem o comando da Lei n. 8.200/91. Alegação improcedente. Se a norma
regulamentar padece de vícios dessa espécie, a questão se resolve no âmbito da legalidade e
não no âmbito da inconstitucionalidade. 2. Eventual declaração de ilegalidade de preceitos
da norma regulamentar não exime o contribuinte da observância da legislação
regulamentada, tendo em vista que ‘o conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos
das leis em função das quais sejam expedidos’ (CTN, artigo 99). Agravo regimental a que se
nega provimento” (AI nº 519.375/RJ-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Eros Grau, DJ
de 19/8/05) (Grifo nosso). No mais, o acolhimento da pretensão recursal não prescinde da
análise da legislação local pertinente e do conjunto fático-probatório dos autos, o que foge
do campo do recurso extraordinário. A propósito: “DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL
CIVIL. DANO AMBIENTAL. VAZAMENTO DE ÓLEO EM TERMINAL MARÍTIMO. INDENIZAÇÃO
POR DANOS MATERIAIS. ANÁLISE DA OCORRÊNCIA DE EVENTUAL AFRONTA AOS PRECEITOS
CONSTITUCIONAIS INVOCADOS NO APELO EXTREMO DEPENDENTE DA REELABORAÇÃO DA
MOLDURA FÁTICA CONSTANTE NO ACÓRDÃO REGIONAL. ÂMBITO INFRACONSTITUCIONAL
DO DEBATE. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 14.12.2011. Divergir do entendimento
do Tribunal a quo acerca da ocorrência de dano material e de indenização devida à Pousada
LP Blat Ilhabela, ora agravada, pelo cancelamento de reservas em razão de vazamento de
óleo em terminal petrolífero demandaria a reelaboração da moldura fática delineada no
acórdão recorrido, inviável em sede recursal extraordinária. As razões do agravo regimental
não são aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada, mormente no
que se refere ao âmbito infraconstitucional do debate, a inviabilizar o trânsito do recurso
extraordinário. Precedentes. Agravo regimental conhecido e não provido” (ARE nº
798.101/SP-AgR, Primeira Turma, Relatora a Ministra Rosa Weber, DJe de 15/5/14).
“AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO
AMBIENTAL. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO
REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.” (AI nº 783.538/RS-
AgR, Primeira Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe de 28/3/12). “AGRAVO
REGIMENTAL. DIREITO AMBIENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA POR DANOS
AMBIENTAIS. CONTAMINAÇÃO DO SOLO POR SUBSTÂNCIA TÓXICA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO
DO ARTIGO 93, IX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INOCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA
279 DO STF. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. INADMISSIBILIDADE. 1. O artigo 93,IX,
da Constituição Federal não resta violado nas hipóteses em que a decisão mercê de
fundamentada não se apoia na tese da recorrente. 2. A violação indireta ou reflexa das
regras constitucionais não enseja recurso extraordinário. Precedente: AgR-RE nº 579.291,
Rel. Min. Ellen Gracie, Dje de 05.06.09. 3. In casu, o acórdão recorrido decidiu a lide com
aplicação de normas infraconstitucionais a saber: Lei nº 6.938/81, Decretos Federais
nºs3.179/99 e 6.514/08, por isso que eventual violação à Constituição o foi de forma indireta
ou reflexa, o que inviabiliza a admissibilidade do recurso extraordinário. 4. Deveras, o
arresto recorrido versou sobre mandado de segurança no qual alegou o impetrante; a) não
ter dado causa à contaminação do solo da área atingida; b) o prazo para elaboração do laudo
de danos ambientais seria exíguo; c) a responsabilidade dos danos ambientais seria da
administração pública do município de São Paulo, que teria incentivado atos de esbulho
perpetrado por invasores que lá fixaram domicílio; e, por fim, d) os critérios adotados para
fixação da multa ambiental foram incorretos. 5. Sob esse enfoque é cediço que o recurso
extraordinário não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do
contexto fático-probatório encartado nos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 279
do STF, de seguinte teor: “Para reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. 6.
Agravo Regimental desprovido.”(AI 786312/SP-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Luiz
Fux, DJe de 10/6/2011). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO AMBIENTAL. OBRIGAÇÃO DE FAZER E INDENIZAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO REEXAME DE
PROVAS (SÚMULA 279). OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO
QUAL SE NEGA PROVIMENTO. Imposição de multa de 5% do valor corrigido da causa.
Aplicação do art. 557, § 2º, c/c arts. 14, inc. II e III, e 17, inc. VII, doCódigo de Processo
Civil.”(AI 709.291/SP-AgR, Primeira Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe de
06/2/2009). “RESPONSABILIDADE CIVIL. VAZAMENTO DE ÓLEO. DANOS MATERIAIS E
MORAIS. INDENIZAÇÃO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 279 DO STF. O Tribunal a
quo entendeu que o vazamento de óleo ocorrido na Baía de Guanabara ocasionou danos
materiais e morais às pessoas que, conforme prova constante dos autos, viviam da pesca na
região. Para se chegar a conclusão diversa daquela a que chegou o acórdão recorrido, seria
necessário reexaminar os fatos da causa, o que é vedado na esfera do recurso
extraordinário, de acordo com a Súmula 279/STF. Agravo regimental a que se nega
provimento” (AI nº 540.069/RJ-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, DJ
de 26/8/05). Ante o exposto, conheço do agravo para negar seguimento ao recurso
extraordinário. Publique-se. Brasília, 18 de dezembro de 2015. Ministro Dias Toffoli Relator
Documento assinado digitalmente

STF - Inteiro Teor. AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO: AgR RE 663268 SC - SANTA


CATARINA
Data de publicação: 17/12/2015
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL E AMBIENTAL.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DECRETO Nº 112/1.985 DO MUNICÍPIO DE
FLORIANÓPOLIS E LEI Nº 7.771/1965. ANÁLISE DE NORMA INFRACONSTITUCIONAL.
INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS NºS 279 E 280, DO STF. PRECEDENTES. AGRAVO DESPROVIDO.

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 927439 SC SANTA CATARINA (STF)


Data de publicação: 16/12/2015
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. LOTEAMENTO. OBSERVÂNCIA DO PLANO
DIRETOR. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO LOCAL E DE REEXAME DO
CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO: SÚMULAS NS. 279 E 280 DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO
QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no
art. 102, inc. III, al. a, daConstituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal de
Justiça de Santa Catarina: “AMBIENTAL E URBANÍSTICO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ASSOCIAÇÃO
DE PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE DE GOVERNADOR CELSO RAMOS CONTRA O
MUNICÍPIO E A EMPREENDEDORA POR INOBSERVÂNCIA AO PLANO DIRETOR AO IMPLANTAR
O LOTEAMENTO PALMAS DO ARVOREDO. AGRAVO RETIDO. AUSÊNCIA DE INTERESSE
PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. UTILIDADE E NECESSIDADE DE OBSERVAÇÃO DO PLANO
DIRETOR QUE TEM POR ESCOPO ORDENAR O DESENVOLVIMENTO E A FUNÇÃO DO SOCIAL
DA CIDADE E GARANTIR O BEM-ESTAR DE SEUS HABITANTES. INTELIGÊNCIA DO
ART. 182 DACRFB/88. A Constituição da República Federativa de 1988, em seu art. 182, § 1º,
disciplina que "O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades
com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e
de expansão urbana." E complementa o § 2º do mesmo dispositivo, que: "A propriedade
urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação
da. cidade expressas no plano diretor." De modo que inconteste o interesse processual da
autora ao manejar a presente ação civil pública para resguardar o cumprimento do plano
diretor municipal, que tem por objetivo ordenar o desenvolvimento das funções sociais da
cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes (art. 182, caput, do CRFB/88).
ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. PROEMIAL AFASTADA ASSOCIAÇÃO PROTETORA DO
MEIO AMBIENTE. PROTEÇÃO QUE SE ESTENDE À ORDEM URBANA. MEIO AMBIENTE
URBANO. A proteção ao meio ambiente compreende a ordem urbana da localidade,
mormente porque nenhuma cidade é construída sem produzir impactos sobre o meio
ambiente, sejam eles positivos ou negativos, de modo que mesmo que na constituição da
associação não conste expressamente a proteção à ordem urbanística, cabe a ela, também,
defender o cumprimento do plano diretor do Município, a fim de proteger o meio ambiente
urbano. (…) APELAÇÃO DA EMPREENDEDORA (LOTEADORA). IRREGULARIDADES NA
PAVIMENTAÇÃO DO PAVIMENTO. ALVARÁ DE CONSTRUÇÃO CONCEDIDO PELA PREFEITURA
E LICENCIAMENTO PELOS ÓRGÃOS AMBIETAIS. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DO ATOS DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONVALIDAÇÃO EM RAZÃO DO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA
JURÍDICA, ESTABILIDADE DAS RELAÇÕES E BOA-FÉ. SENTENÇA REFORMADA E APELO
PROVIDO, NO TÓPICO. "{ ..} A licença para construir é ato administrativo que goza de
presunção de legitimidade, por isso não se pode exigir do administrado que suponha a
irregularidade do alvará que lhe foi concedido. Assim, tendo a municipalidade concedido
alvará de construção e permitido que a situação se consolidasse com a finalização da obra,
sem tê-la embargado no curso da edificação, torna-se injusta a negativa do" habite-se ",
especialmente se a construção foi feita de acordo com o projeto aprovado pela Prefeitura."
(TJSC, AC em MS n. 2006.034722-9, rei. Des. Sérgio Roberto Baasch Luz, j. 19.4.07). (…)
SENTENÇA REFORMADA. AGRAVO RETIDO, RECURSO DOS TERCEIROS INTERESSADOS E
REMESSA DESPROVIDOS. APELO DA EMPREENDEDORA PROVIDO” (doc. 10). Os embargos de
declaração opostos foram rejeitados. 2. A Recorrente alega contrariedade ao art. 182, §
1º e § 2º, da Constituição da República, sustentando que “houve, portanto, no caso em tela,
manifesta contrariedade ao PLANO DIRETOR MUNICIPAL, o qual é inclusive confirmado pelo
MM. Juízo a quo, que, no entanto, tenta fundamentar sua decisão com base no PRINCÍPIO
DA SEGURANÇA JURÍDICA, asseverando que a construtora ré possuía autorização municipal
para construção e que tal elemento seria dotado de boa-fé” (fl. 9, doc. 16). Examinados os
elementos havidos no processo, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. A
apreciação do pleito recursal demandaria análise da legislação local (Plano Diretor
municipal) e reexame do conjunto fático-probatório do processo, procedimento inviável em
recurso extraordinário. Incidem, na espécie, as Súmulas ns. 279 e 280 do Supremo Tribunal
Federal: “DIREITO URBANÍSTICO. PLANO DIRETOR. LC 17/2008. MUNICÍPIO DE APARECIDA
DE GOIÂNIA. EVENTUAL OFENSA REFLEXA NÃO ENSEJA RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO DE LEGISLAÇÃO LOCAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 280/STF.
ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 19.12.2012. As razões do agravo regimental não são
aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada, mormente no que se
refere ao óbice da Súmula 280 do STF, a inviabilizar o trânsito do recurso extraordinário. A
suposta ofensa aos postulados constitucionais invocados no apelo extremo somente poderia
ser constatada a partir da análise da legislação infraconstitucional, o que torna oblíqua e
reflexa eventual ofensa, insuscetível, portanto, de viabilizar o conhecimento do recurso
extraordinário. Agravo regimental conhecido e não provido” (RE n. 789.816-AgR, Relatora a
Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 20.11.2014). “AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. DEMOLIÇÃO DE IMÓVEL EM
SITUAÇÃO IRREGULAR. PRÉVIA ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E REEXAME
DE PROVAS. SÚMULAS NS. 279 E 280 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AUSÊNCIA DE
OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO”
(ARE n. 868.838-AgR, de minha relatoria, Segunda Turma, DJe 28.4.2015). “EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EFEITOS INFRINGENTES. CONVERSÃO EM
AGRAVO REGIMENTAL. DIREITO ADMINISTRATIVO. TERRENO DE MARINHA. ÁREA DE
PRESERVAÇÃO PERMANENTE. CONSTRUÇÃO. UTILIZAÇÃO. RESIDÊNCIA FAMILIAR. ACÓRDÃO
FUNDAMENTADO NA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E NO CONJUNTO PROBATÓRIO:
SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL
DIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (RE n. 896.856-ED, de
minha relatoria, Segunda Turma, DJe 30.9.2015). Nada há a prover quanto às alegações da
Recorrente. 5. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput,
doCódigo de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal
Federal). Publique-se. Brasília, 7 de dezembro de 2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 804534 RR RORAIMA (STF)


Data de publicação: 14/12/2015

Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal


da 1ª Região, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL.
AÇÃO DEMARCATÓRIA. INCLUSÃO DO IMÓVEL QUE SE QUER DEMARCAR, NO CURSO DA
AÇÃO, EM ÁREA DEMARCADA COMO RESERVA INDÍGENA. SUBSISTÊNCIA DA POSSIBILIDADE
JURÍDICA DO PEDIDO. AUSÊNCIA DE INCERTEZA QUANTO À LINHA DIVISÓRIA. TITULAÇÃO DE
TERRAS TRADICIONALMENTE OCUPADAS POR INDÍGENAS. NULIDADE DO TÍTULO (CF/88,
ART. 231, § 6º). 1. O fato de haver sido o imóvel que se pretende demarcar incluído em área
de reserva indígena constituída após o ajuizamento da ação demarcatória não implica a
impossibilidade jurídica superveniente do pedido, posto que, a par de não ser a providência
vedada em lei, o art. 19, § 2º, da Lei nº 6.001/73 assegura dita ação a quem sofrer prejuízo
em razão da demarcação de terra indígena. 2. Sendo o imóvel do autor, na extrema que
pretende ele ver demarcada, limitado por divisa natural (o Igarapé do Repartimento), não há
que falar em incerteza de limites, a justificar a propositura da ação demarcatória, que, só por
isso, já seria improcedente. 3. Incluído, entretanto, o imóvel, no curso da ação, em área
demarcada como reserva indígena (a Reserva Yanomami), leva-se em conta esse fato novo,
com base no art. 462 do CPC, e em face do disposto no art. 19, § 2º, da Lei nº 6.001/73. 4.
A Constituição Federal de 1988, ao conceituar, no art. 231, as terras tradicionalmente
ocupadas pelos índios, não as limitou àquelas por eles habitadas em caráter permanente,
mas incluiu, também, “as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à
preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua
reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”, declarando, no § 6º,
a nulidade e a ineficácia jurídica de quaisquer atos que tenham por objeto essas terras. 5.
Não afasta essa nulidade, no caso em apreço, o equívoco cometido pela FUNAI, ao declarar,
antes da realização da perícia antropológica, que a terra descrita na inicial estava fora da
área por ela pretendida, pois o erro não gera direito, menos, ainda, em face da disposição
constitucional imperativa. 6. Preliminar de impossibilidade jurídica superveniente do pedido,
suscitada pelo Ministério Público Federal, rejeitada. 7. Apelação do autor improvida.” O
recurso extraordinário busca fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal. A parte
recorrente alega violação aos arts. 5º, XXXVI e LIV; 93, IX; e 231, todos da Constituição.
Sustenta que “adquiriu suas terras diretamente do INCRA e, cercado de absoluta boa-fé,
contou com endosso da FUNAI que atestou não haver indígenas na área, nem mesmo
interesse das comunidades indígenas na localidade.” (Fls. 533) O recurso não deve ser
conhecido. Quanto à alegada violação ao art. 93, IX, da Constituição, o Plenário deste
Tribunal já assentou o entendimento de que as decisões judiciais não precisam ser
necessariamente analíticas, bastando que contenham fundamentos suficientes para
justificar suas conclusões. Nesse sentido, reconhecendo a repercussão geral da matéria,
confira-se: “Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso
extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do
art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX,
da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que
sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das
alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de
ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal,
negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à
repercussão geral.” (AI 791.292-QO-RG, Rel. Min. Gilmar Mendes). Quanto ao mérito, o
Tribunal de origem assentou: “Por fim, destaco que a perícia antropológica realizada na
instrução do feito, a única apta a instrumentar decisão judicial sobre a caracterização de
uma área de terras como ‘tradicionalmente ocupada pelos indígenas’, respondeu
afirmativamente ao quesito nº 8 (oito) da FUNAI, sobre se ‘a parte de terras demarcadas
contidas no interior do perímetro descrito no item 5 estão dentre as imprescindíveis à
preservação dos recursos ambientais necessários ao bem-estar dos indígenas, bem como à
sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições?’ (v. fl. 236),
ressaltando-se, aqui, que o perímetro descrito no item 5 da inicial é, exatamente, a área do
autor, de modo que, como observou a ilustre Representante do Ministério Público Federal,
Dra. DÉBORA MACEDO DUPRAT DE BRITTO PEREIRA, em sua percuciente manifestação de fls.
426-431, não há, nos autos, outra prova da mesma espécie a confrontar as conclusões desse
laudo, posto que o autor-apelante sequer indicou assistente técnico para participar da
perícia.” Desse modo, para divergir do entendimento firmado pelo Tribunal de origem, é
imprescindível o reexame dos fatos e do material probatório constantes dos autos, o que é
vedado neste momento processual, nos termos da Súmula 279/STF. Diante do exposto, com
base no art. 557, caput, do CPC e no art. 21, § 1º, do RI/STF, nego seguimento ao recurso.
Publique-se. Brasília, 14 de dezembro de 2015. Ministro Luís Roberto Barroso Relator

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 753732 PI PIAUÍ (STF)


Data de publicação: 11/12/2015

Vistos. Ministério Público do Estado do Piauí interpõe recurso extraordinário, com


fundamento na alínea “a” do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal Pleno do
Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, assim ementado: “CONSTITUCIONAL. AMBIENTAL.
DIREITO SOCIAL AO LAZER. DIREITO AO MEIO AMBIENTE PRESERVADO. VIA PROCESSUAL
ADEQUADA. PROVAS PRÉ-CONSTITUÍDA COLACIONADA. 1. Direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado é um típico direito de terceira geração que assiste a todo o
gênero humano, circunstância essa que justifica a especial obrigação – que incube ao Estado
e à própria coletividade – de defendê-lo e de preservá-lo em benefício das presentes e das
futuras gerações. 2. Direito ao Lazer assegurado no art. 6º, CF, 3. Contraposição de direitos.
Necessidade de equilíbrios. A proibição que ora se impõe no TAC representa grave afronta
ao direito social ao lazer dos indivíduos que buscam o Açude Caldeirão para a prática de
esportes aquáticos com jet sky e lanchas. E, além disso, a visita de praticantes de esportes
aquáticos fomenta a atividade turística no Açude Caldeirão ensejando maior circulação de
pessoas com o consequente aquecimento dos serviços prestados pelos bares e restaurantes
locais, gerando melhoria de renda. 4. Mais razoável permitir-se a utilização do Açude
Caldeirão com a necessária fiscalização das embarcações de modo preservar o meio
ambiente. 5. Segurança concedida.” Sustenta o recorrente violação dos artigos 5º,
incisos XXXV, LIV e LXIX, e 225, § 1º, inciso VII, da Constituição Federal. Opina o Ministério
Público Federal, em parecer da lavra do ilustrado Subprocurador-Geral da República Dr.
Paulo Gustavo Gonet Branco, pelo desprovimento do agravo. Referido parecer restou assim
ementado: “Recurso extraordinário. Discussão sobre a exigibilidade de cláusula de Termo de
Ajustamento de conduta. Pretensão recursal obstada pelas Súmulas 279 e 454. Questão
relativa ao cabimento e aos pressupostos do mandado de segurança. Falta de repercussão
geral assentada no AI 800.074 RG. Parecer pelo não conhecimento.” Decido. Anote-se,
inicialmente, que o recurso extraordinário foi interposto contra acórdão publicado após
3/5/07, quando já era plenamente exigível a demonstração da repercussão geral da matéria
constitucional objeto do recurso, conforme decidido na Questão de Ordem no Agravo de
Instrumento nº 664.567/RS, Tribunal Pleno, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence , DJ de
6/9/07. Todavia, apesar da petição recursal haver trazido a preliminar sobre o tema, não é
de se proceder ao exame de sua existência, uma vez que, nos termos do artigo 323 do
Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, com a redação introduzida pela Emenda
Regimental nº 21/07, primeira parte, o procedimento acerca da existência da repercussão
geral somente ocorrerá “quando não for o caso de inadmissibilidade do recurso por outra
razão”. No que se refere aos incisosXXXV e LIV do artigo 5º da Constituição, apontados como
violados, carecem do necessário prequestionamento, sendo certo que não foram opostos
embargos de declaração para sanar eventual omissão no acórdão recorrido. Incidem na
espécie as Súmulas nºs 282 e 356 desta Corte. Ademais, a jurisprudência desta Corte está
consolidada no sentido de que as alegações de afronta aos princípios da legalidade, do
devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, dos limites da coisa julgada e da
prestação jurisdicional, se dependentes de reexame de normas infraconstitucionais, podem
configurar apenas ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal, o que não enseja
reexame em recurso extraordinário. Nesse sentido: “AGRAVO DE INSTRUMENTO -
ALEGAÇÃO DE OFENSA AO POSTULADO DA MOTIVAÇÃO DOS ATOS DECISÓRIOS -
INOCORRÊNCIA - AUSÊNCIA DE OFENSA DIRETA À CONSTITUIÇÃO - RECURSO IMPROVIDO. O
Supremo Tribunal Federal deixou assentado que, em regra, as alegações de desrespeito aos
postulados da legalidade, do devido processo legal, da motivação dos atos decisórios, do
contraditório, dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional podem configurar,
quando muito, situações de ofensa meramente reflexa ao texto da Constituição,
circunstância essa que impede a utilização do recurso extraordinário. Precedentes” (AI nº
360.265/RJ-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Celso de Mello, DJ de 20/9/02). Do voto
do relator do acórdão atacado destaca-se a seguinte passagem: “Ora, os laudos técnicos
apresentados nos autos que apontam a necessidade de tratamento de água para o consumo
humano destacam a presença de coliformes fecais e totais, sem, no entanto, mencionar
qualquer contaminação decorrente de combustíveis oriundos de motos aquáticas e lanchas.
De modo que não havendo contaminação dessa natureza, não se justifica a proibição de uso
de tais equipamentos. Ademais, a proibição oriunda do Termo de Ajustamento de Conduta
ora impugnado é excessiva e desproporcional. Afinal, proibir por completo a prática de uma
atividade em razão de haver alguns praticantes com equipamentos desregulados e danosos
ao meio ambiente representa uma punição àqueles que respeitam as normas de proteção e
mantém seus jet sky em bom estado de conservação”. Assim, é certo que ultrapassar o
entendimento do Tribunal de origem demandaria, induvidosamente, o reexame do conjunto
fático probatório dos autos, o que se mostra incabível em sede de recurso extraordinário.
Incidência da Súmula nº 279/STF. “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA. DESCUMPRIMENTO. IMPOSIÇÃO DE MULTA.
IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO REEXAME DE
PROVAS (SÚMULA 279). OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO
QUAL SE NEGA PROVIMENTO.” (AI nº 627.242/RO-AgR, Primeira Turma, Relatora a Ministra
Cármen Lúcia, DJe de 12/12/08). “Agravo regimental no agravo de instrumento.
Prequestionamento. Ausência. Trabalhista. Execução. Termo de Ajuste de Conduta.
Competência. Legislação infraconstitucional. Ofensa reflexa. Reexame de fatos e provas.
Impossibilidade. Precedentes. 1. Não se admite o recurso extraordinário quando os
dispositivos constitucionais que nele se alegam violados não estão devidamente
prequestionados. Incidência das Súmulas nºs 282 e 356/STF. 2. Inadmissível em recurso
extraordinário a análise da legislação infraconstitucional e o reexame de fatos e provas dos
autos. 3. Agravo regimental não provido.” (AI nº 673.602/AC-AgR, Primeira Turma, de minha
relatoria, DJe de 11/10/11). “RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA E LEGAL. O
recurso extraordinário não é meio próprio ao revolvimento da prova, também não servindo
à interpretação de normas estritamente legais.” (AI nº 786.423/RJ-AgR, Primeira Turma,
Relator o Ministro Marco Aurélio, DJe de 15/9/11). Por fim, o Plenário deste Supremo
Tribunal Federal, em sessão realizada por meio eletrônico, no exame do Agravo de
Instrumento nº 800.074/SP, Pleno, Relator o Ministro Gilmar Mendes, concluiu pela ausência
da repercussão geral da matéria relativa aos pressupostos de cabimento de mandado de
segurança, dada a natureza infraconstitucional do tema. Destaco da manifestação do Relator
os seguintes fundamentos: “A questão a ser analisada diz respeito ao preenchimento dos
requisitos do mandado de segurança. Em que pese à ação mandamental ser um remédio
constitucional por excelência, a admissibilidade do writ se relaciona com a Constituição
Federal apenas de forma mediata, porque as normas processuais atinentes ao seu
cabimento são disciplinadas pela Lei n.12.016/2009. Ademais, a análise da demonstração do
direito líquido e certo ou da existência de prova pré-constituída exige o revolvimento de
provas, inviável em sede de recurso extraordinário (DJe de 6/12/10)”. Essa decisão, nos
termos do artigo 543-A, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei
nº 11.418/06, “valerá para todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão indeferidos
liminarmente”. Ante o exposto, nos termos do artigo 557, caput, do Código de Processo Civil,
nego seguimento ao recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 24 de novembro de 2015.
Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente

STF - MANDADO DE SEGURANÇA MS 33818 DF DISTRITO FEDERAL 0006935-


45.2015.1.00.0000 (STF)
Data de publicação: 11/12/2015

DECISÃO: Ementa: DIREITO ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONSELHO


NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR.
PENALIDADE DE REMOÇÃO COMPULSÓRIA APLICADA A PROMOTORA DE JUSTIÇA. 1.
Mandados de segurança impetrados contra acórdão do CNMP que aplicou a penalidade de
remoção compulsória à impetrante, pela celebração de termo de ajustamento de conduta
em ação civil pública, permitindo a construção de imóvel em área de preservação ambiental
e cultural, sem a realização de prévio estudo de impacto ambiental. 2. Como regra geral, o
controle dos atos do CNMP pelo STF somente se justifica nas hipóteses de: (i) inobservância
do devido processo legal; (ii) exorbitância das atribuições do Conselho; ou (iii) injuridicidade
ou manifesta irrazoabilidade do ato impugnado, hipóteses inocorrentes. 3. Decadência da
impetração no que tange à oitiva de testemunha. 4. Afastadas as alegações de prescrição e
de nulidade por intimação editalícia. 5. O indiciado defende-se dos fatos e não de sua
capitulação legal. Precedentes. 6. A homologação judicial do TAC não exime a impetrante de
responsabilidade funcional. 7. Ausência de desproporcionalidade manifesta na aplicação da
pena. O afastamento preferencial da atribuição de defesa do meio ambiente tem caráter
facultativo e serve ao atendimento do interesse público da própria remoção compulsória,
não afastada pelos antecedentes da impetrante. 8. Writs a que se nega seguimento. 1. Trata-
se de mandados de segurança, com pedido liminar, ambos impetrados contra acórdão do
Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP, que julgou procedente pedido
de remoção compulsória por interesse público, formulado nos autos do processo
administrativo disciplinar (PAD) nº 0.00.000.001785/2013-61 em desfavor da impetrante,
Promotora de Justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Eis a ementa do
julgado: “PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. MEMBRO DO MINISTÉRIO
PÚBLICO DO MINAS GERAIS. MEIO AMBIENTE. VIOLAÇÃO DOS DEVERES DE DESEMPENHAR
COM ZELO SUAS FUNÇÕES E DE VELAR PELA REGULARIDADE DE PROCESSO JUDICIAL.
PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. PENA DE REMOÇÃO COMPULSÓRIA, PARA QUE MEMBRO FIQUE
PREFERENCIALMENTE AFASTADO DA ATRIBUIÇÃO DA DEFESA DO MEIO AMBIENTE PELO
PERÍODO DE DOIS ANOS. 1. Procedimento Administrativo Disciplinar instaurado por
determinação do Corregedor Nacional do Ministério Público em face de membro do
Ministério Público do Estado de Minas Gerais que adotou procedimento funcional
incompatível com o desempenho das atribuições do cargo, ao transigir sobre a essência de
direito difuso defendido pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais no âmbito de
demanda judicial. 2. Procedência do pedido para determinar a aplicação da pena de
remoção compulsória ficando o membro do Ministério Público do Estado de Minas Gerais
preferencialmente afastado da atribuição de defesa do meio ambiente pelo período de dois
anos. (...)” 2. O referido PAD foi instaurado para apurar a atuação da impetrante na
celebração de termo de ajustamento de conduta (TAC) nos autos da ação civil pública nº
0032926-92.2010, permitindo a construção do Apart-hotel Promenade na orla da Lagoa
Central do Município de Lagoa Santa/MG, área tombada e de valor natural, cultural,
paisagístico e turístico, sem prévio estudo de impacto ambiental. 3. Em síntese, no MS
33.686, alega-se: (i) prescrição; (ii) nulidade da intimação editalícia; (iii) não correspondência
entre a penalidade aplicada e a portaria inaugural; (iv) imposição de sanção não prevista em
lei; (v) impossibilidade de sobreposição do CNMP à decisão judicial homologatória do TAC; e
(vi) ausência de razoabilidade da pena imposta. No MS 33.818, sustenta-se: (i) nulidade por
ausência de defensor em oitiva de testemunha; (ii) desconsideração dos antecedentes da
impetrante na aplicação da penalidade; e (iii) falta de fundamentação e
desproporcionalidade da decisão do CNMP. 4. Quanto ao MS 33.686, durante o recesso
forense, a Presidência indeferiu a medida liminar e requisitou informações à autoridade
impetrada. A impetrante interpôs agravo regimental contra a decisão liminar. Na sequência,
o CNMP prestou as informações solicitadas; a União pediu o seu ingresso no feito; e a
Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela denegação da segurança, com prejuízo
do agravo regimental interposto. 5. Os autos do MS 33.818 me foram distribuídos por
prevenção ao MS 33.686. 6. É o relatório. Decido. 7. Tendo em vista que os dois mandados
de segurança impugnam o mesmo ato, considero conveniente apreciá-los conjuntamente,
reproduzindo esta decisão em ambos os feitos. 8. De início, em consulta ao sítio eletrônico
do CNMP, verifiquei que já foram julgados os embargos de declaração opostos no PAD nº
0.00.000.001785/2013-61, a que se referem as informações da autoridade impetrada. Assim,
afasto o art. 5º, I, da Lei nº12.016/2009. 9. No mérito, em hipóteses como a dos autos, tenho
reiterado o entendimento de que a intervenção desta Corte só deve ocorrer em caráter
excepcionalíssimo. O CNMP foi criado com a finalidade constitucional expressa de exercer o
controle da atuação administrativa e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos
deveres funcionais de seus membros (CF, art. 130-A, § 2º). Assim, suas decisões devem ser
revistas com a deferência que os órgãos constitucionais de natureza técnica merecem,
evitando-se a interferência desnecessária ou indevida. Nessa linha, o controle por parte
dessa Corte somente se justifica em hipóteses de anomalia grave, dentre as quais: (i)
inobservância do devido processo legal; (ii) exorbitância, pelo Conselho, de suas
competências; ou (iii) injuridicidade ou manifesta falta de razoabilidade do ato. A
propósito, cf. decisão proferida no MS 32.567 MC, de minha relatoria, referente ao Conselho
Nacional de Justiça. 10. No caso, não verifico nenhuma dessas situações. Alegações
formuladas no MS 33.686 11. A análise da inicial e dos documentos juntados aos autos leva-
me a reafirmar, em caráter definitivo, os bem lançados fundamentos da Presidência desta
Corte quando da apreciação da medida liminar: “Numa análise perfunctória da alegação de
ocorrência de prescrição, verifico que a pretensão não merece acolhida, pois, em que pese o
Termo de Ajustamento de Conduta ter sido firmado de fato na data de 16/12/2011, a
Portaria CNMP-CN 179, de 28 de janeiro [leia-se novembro] de 2013, que instaurou o
Processo Administrativo Disciplinar contra a impetrante, foi publicada no Diário Oficial da
União de 13/12/2013, ou seja, antes de completados os dois anos previstos no art. 226, II, da
Lei Complementar 34/1994, do Estado de Minas Gerais, como prazo prescricional para a
infração punível com censura. Diferentemente do que defendido na inicial, a Portaria-CNMP-
CONS/GAB/EDS 1, de 29 de janeiro de 2014, apenas instituiu a comissão processante para
promover a realização de diligências, ante a instauração do PAD pela Portaria CNMP-CN 179,
de 28 de janeiro de 2013. Portanto, não ocorreu a prescrição que fulminaria a pretensão
punitiva da Administração. Ademais, entendo que não procede a alegação de nulidade de
intimação editalícia. O art. 41, §§ 1º e 5º, do Regimento Interno do CNMP prevê esse tipo de
intimação, nos casos em que o requerido não for encontrado. Além disso, constam no PAD
as justificativas, em questão de ordem, para a utilização de tal expediente, nos seguintes
termos: ‘Incluído o feito na pauta da 5ª Sessão Ordinária do Conselho Nacional do Ministério
Público, designada o dia 10 de março de 2015, a processada solicitou o adiamento do
julgamento, manifestando o interesse em realizar sustentação oral e que a proximidade da
data com o período em que gozaria férias (de 16 a 27 de março de 2015), a impediria de
fazê-lo. Deferido o pedido, determinou-se o adiamento do feito na 5ª e na 6ª Sessões
Ordinárias deste Conselho Nacional para tornar possível a presença da Promotora de Justiça
processada. Determinou-se novamente o adiamento do julgamento para a 8ª Sessão
Ordinária do CNMP, realizada em 28 de abril do corrente ano, haja vista que o trancamento
da pauta impediu a inscrição para sustentação oral. Em 23 de abril de 2015, a processada
constituiu advogada, a Dra. Kércia Christianne Brandão Silveira, conferindo-lhe poderes
restritos ao ato de sustentação oral perante o Plenário deste Conselho Nacional, a qual
acosta aos autos alegação de nulidade absoluta do feito. Ante a proximidade da Sessão, que
ocorreria dois dias úteis após a referida manifestação, determinou-se novo sobrestamento.
Ocorre que a acusada se afastou novamente das atividades institucionais por motivo de
férias (de 07 de maio a 05 de junho do corrente ano). O Instrumento de mandado acostado
aos autos (fl. 1012) não indica o endereço profissional da advogada da processada. (...) Em
todas as oportunidades, os adiamentos foram informados à acusada mediante o
cumprimento de mandados de intimação a ela entregues pessoalmente (fls. 1.005),
constando dos referidos instrumentos a seguinte orientação: (...) A procuração acostada nos
autos não informa o endereço profissional da advogada, somente contatos telefônicos e
que, consoante certificado pela servidora do Ministério Público do Estado de Minas Gerais
(fl. 1027), após um primeiro contato com a Dra. Kércia Christianne Brandão Silveira, esta
deixou de atender às chamadas telefônicas, não obstante as 06 (seis) tentativas realizadas
pela servidora. Ante a impossibilidade de localização da acusada e sua advogada, este
Relator, aplicando o disposto no art. 41, § 5º do Regimento Interno do Conselho Nacional do
Ministério Público determinou a publicação de edital para a intimação da interessada para,
acaso queiram apresentem pedido de sustentação oral na 10ª Sessão Ordinária deste
Conselho, ocasião em que o feito será submetido ao Plenário’ (pág. 66-68 do documento
eletrônico 9). Entendo, por isso, com base na bem fundamentada manifestação, que a
alegada nulidade da notificação por edital não justifica a anulação do processo
administrativo, na medida em que a impetrante não demonstrou como a intimação editalícia
poderia ter acarretado efetivo prejuízo à sua defesa. Outrossim, os fatos alegados divergem
da conclusão da Comissão Processante, que se manifestou no sentido de que a notificação
por edital respeitou a legislação de regência, e somente foi realizada dessa forma ante os
artifícios utilizados pela acusada e pela sua advogada para não serem localizadas. Quanto à
alegação de desrespeito à Portaria inaugural do PAD, pela imposição de sanção nela não
prevista, também entendo que não merece ser acolhida. Dispõe o art. 89, §§ 2º e 4º, do
Regimento Interno do CNMP que: ‘Art. 89. § 2º A portaria de instauração, expedida pelo
Corregedor Nacional, no caso do artigo 77, IV, deste Regimento, ou pelo Relator, nos demais
casos, deverá conter a qualificação do acusado, a exposição circunstanciada dos fatos
imputados, a previsão legal sancionadora e o rol de testemunhas, se for o caso. § 4º A
indicação da previsão legal sancionadora, exigida nos termos do § 2º deste artigo, não
vincula as conclusões do processo administrativo disciplinar, observado o disposto no artigo
97 deste Regimento’ (grifos nossos). Observa-se que o ato da Comissão Processante que
aplica penalidade diversa da indicada na portaria de instauração, ainda que mais grave, está
autorizada pelo RI-CNMP, não constituindo ilegalidade alguma apta a anular o
procedimento. Isso porque, segundo o entendimento pacificado no Supremo Tribunal
Federal, o indiciado defende-se dos fatos descritos na peça acusatória, e não de sua
capitulação legal. Vejamos: ‘MANDADO DE SEGURANÇA. DEMISSÃO. PROCESSO
DISCIPLINAR. DEFESA. O INDICIADO EM PROCESSO DISCIPLINAR SE DEFENDE CONTRA OS
FATOS ILÍCITOS QUE LHE SÃO IMPUTADOS, PODENDO A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA
ADOTAR CAPITULAÇÃO LEGAL DIVERSA DA QUE LHES DEU A COMISSAO DE INQUERITO, SEM
QUE IMPLIQUE CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE SEGURANÇA INDEFERIDO’ (MS
20.355-2/DF, Rel. Min. Rafael Mayer). ‘Recurso em Mandado de Segurança. 2. Anulação de
processo administrativo disciplinar e reintegração ao serviço público. Alteração da
capitulação legal. Cerceamento de defesa. 3. Dimensão do direito de defesa. Ampliação com
a Constituição de 1988. 4. Assegurada pelo constituinte nacional, a pretensão à tutela
jurídica envolve não só o direito de manifestação e o direito de informação sobre o objeto
do processo, mas também o direito de ver seus argumentos contemplados pelo órgão
julgador. Direito constitucional comparado. 5. Entendimento pacificado no STF no sentido de
que o indiciado defende-se dos fatos descritos na peça acusatória e não de sua capitulação
legal. Jurisprudência. 6. Princípios do contraditório e da ampla defesa observados na
espécie. Ausência de mácula no processo administrativo disciplinar. 7. Recurso a que se nega
provimento’ (RMS 24.536/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes). ‘ADMINISTRATIVO. RECURSO
ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. AGENTE POLICIAL FEDERAL. PROCESSO
DISCIPLINAR. PROVA EMPRESTADA. DEMISSÃO. CONTRADITÓRIO. LEIS NºS 4.878/65
E 8.112/90. I – Embora a Comissão Processante tenha proposto a suspensão do servidor,
respondeu ele por fatos que induzem, também, à pena de demissão, aplicada
motivadamente pela autoridade julgadora (parágrafo único do art. 168 da Lei nº 8.112/90). II
– Além de peças extraídas de inquérito policial, o processo disciplinar contém provas
produzidas no âmbito da própria Administração, com o exercício do contraditório. III – A Lei
nº4.878/65 (Estatuto dos Policiais Civis da União e do Distrito Federal) prevê a aplicação
subsidiária da legislação relativa ao funcionalismo civil da União (art. 62). IV – Recurso
ordinário a que se nega provimento’ (RMS 25.485/DF, Rel. Min. Ayres Britto).
‘ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. AGENTE POLICIAL
FEDERAL. PROCESSO DISCIPLINAR. PROVA EMPRESTADA. DEMISSÃO. CONTRADITÓRIO. LEIS
NºS 4.878/65 E 8.112/90. I – Embora a Comissão Processante tenha proposto a suspensão do
servidor, respondeu ele por fatos que induzem, também, à pena de demissão, aplicada
motivadamente pela autoridade julgadora (parágrafo único do art. 168 da Lei nº 8.112/90). II
– Além de peças extraídas de inquérito policial, o processo disciplinar contém provas
produzidas no âmbito da própria Administração, com o exercício do contraditório. III – A Lei
nº 4.878/65 (Estatuto dos Policiais Civis da União e do Distrito Federal) prevê a aplicação
subsidiária da legislação relativa ao funcionalismo civil da União (art. 62). IV – Recurso
ordinário a que se nega provimento’ (MS 23.201/RJ, Rel. Min. Ellen Gracie). ‘RECURSO
ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. AGRAVAMENTO DE PENALIDADE. DISCREPÂNCIA ENTRE A
PENALIDADE APLICADA POR MINISTRO DE ESTADO E AS CONCLUSÕES DA COMISSÃO
DISCIPLINAR. Ato de ministro de Estado que aplica penalidade de suspensão por noventa
dias. Agravamento em relação à penalidade de advertência indicada no relatório de
comissão disciplinar. Fundamentação insuficiente. Leitura do art. 168 da Lei8.112/1990. O
art. 168 da Lei 8.112/1990 não obriga a autoridade competente a aplicar a penalidade
sugerida no relatório de comissão disciplinar, mas exige, para o agravamento dessa pena, a
devida fundamentação. Nesse sentido, vencido o ministro relator, que dava parcial
provimento ao recurso para restabelecer pena de advertência. Por maioria, recurso
ordinário conhecido em parte, afastadas as demais alegações de nulidade, e, nessa parte,
provido, para anular o ato impugnado, sem prejuízo de que outro venha a ser praticado com
a devida fundamentação’ (MS 24.561/DF, Rel. p/ o ac. Min. Joaquim Barbosa). No caso dos
autos, não houve a atribuição de definição jurídica diversa, e muito menos a alteração dos
fatos narrados, mas tão-somente a aplicação de pena diferente, justificada pela gravidade
dos fatos apurados. Os fatos e a definição jurídica são os mesmos, valorando-se, de maneira
diversa, a sua gravidade, a exigir uma reprimenda maior. Ademais, a alteração da pena foi
devidamente justificada no voto do Conselheiro Relator: ‘Numa primeira análise, vemos se
cabível à Promotora de Justiça Janaini Keilly Brandão Silveira a pena de censura, prevista no
artigo 226, inciso II da Lei Orgânica do Ministério Público do Estado de Minas Gerais pela
prática da infração disciplinar de procedimento funcional incompatível com o desempenho
das atribuições do cargo, prevista no artigo 212, inciso II da referida Lei. Porém,
vislumbramos também a possibilidade da pena de remoção compulsória, nos termos do art.
215, inciso II da Lei Orgânica do Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Tal
reprimenda nos parece mais adequada, pois a processada demonstrou clara negligência no
momento em que foi entabulado o Termo de Ajustamento de Conduta e viabilizada a
construção de empreendimento, em local de tamanha importância ambiental, cultural e
histórica, sem o Estudo de Impacto Ambiental. Tal ato acarretou repercussão pública
negativa, de descrédito, ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, pois um membro
de uma Instituição responsável pela defesa do meio ambiente possibilitou, de maneira
voluntária, através da celebração de um termo de ajustamento de conduta, que uma área de
enorme importância ambiental, histórica e cultural fosse degradada pelo empreendimento
aqui examinado’ (pág. 110-111 do documento eletrônico 9). Nesse sentido, não seria
necessária a observância do disposto no art. 97 do RI-CNMP, que traz a indicação de que, se
o relator identificar fatos novos, conexos com o objeto de apuração, que possam configurar
indícios ou novas infrações disciplinares, poderá aditar a portaria de instauração ou adotar
outra providência. Além disso, o precedente apontado pela impetrante, a saber, a AP 545-
QO/MT, Rel. Min. Luiz Fux, não a socorre in casu. Seja porque, nesse caso, não se verificou a
hipótese da emendatio libelli, seja porque, mesmo na hipótese de ocorrência desta, seria
dispensada a intimação da defesa para se manifestar sobre ela. A alegação de imposição de
pena não prevista em lei tem forte ligação com a anterior, uma vez que a penalidade de
remoção compulsória deve atender ao interesse público, que, no caso, será obedecido com
o afastamento da impetrante tanto da região em que atuava como da atribuição de defesa
do meio ambiente por determinado período. Assim, a indicação de que a impetrante fique
preferencialmente afastada da atribuição de defesa do meio ambiente, por um período
determinado, não configura novo apenamento. Ao contrário, serve ao atendimento do
interesse público da própria remoção compulsória da Promotora de Justiça. Acrescente-se o
caráter facultativo da indicação, uma vez que o Procurador-Geral de Justiça do Estado de
Minas Gerais poderá ou não (acaso entenda ser inviável ou prejudicial ao interesse público)
afastá-la da atribuição de defesa do meio ambiente, mas deverá levar em consideração tal
indicação na tomada de sua decisão. Deve ser registrado, ainda, que as decisões judiciais
que homologaram o TAC não têm o poder de eximir de responsabilidade a Promotora de
Justiça que atuou na composição do litígio. A atuação judicial homologatória limita-se à
análise dos requisitos extrínsecos do acordo, reconhecendo como legítima a vontade das
partes de compor e resolver imediatamente aquilo que certamente demoraria anos. Por
isso, entendo que a homologação judicial não tornaria menor a falta funcional cometida pela
impetrante, que teria atuado em desobediência a diversos preceitos legais, descumprindo,
assim, as atribuições conferidas ao Ministério Público pelas Constituições Federal e Estadual
e pelas leis de regência.” 12. Acrescento três observações. Quanto à alegada nulidade da
intimação, a impetrante já estava ciente de que o seu PAD seria julgado a qualquer
momento. Isso porque foi intimada pessoalmente da inclusão do feito em pauta e dos
adiamentos subsequentes, em mandados nos quais constou o seguinte aviso: “desde já
informo que, em não ocorrendo o julgamento na referida sessão, o feito integrará a pauta
das sessões subsequentes”. Além disso, após a publicação do edital, o CNMP expediu ainda o
Ofício nº 74/2015/GAB12-EDS/CNMP ao Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público
do Estado de Minas Gerais, e o Ofício nº 75/2015/GAB12-EDS/CNMP à impetrante, este com
o endereço residencial, informando da intimação editalícia e do julgamento próximo. Assim,
também parece ter havido uma comunicação pessoal. 13. Em relação à alegada não
correspondência entre a penalidade aplicada e a portaria inaugural, friso que o aditamento
da portaria, com a abertura de prazo para manifestação da defesa, tem previsão apenas para
o caso de identificação de fatos novos durante o curso da instrução (art. 97 e p. único do
RI/CNMP), o que não é o caso. 14. Por fim, anoto que o fato de ter o TAC sido homologado
judicialmente no âmbito da ação civil pública não impede que seja apurada
administrativamente a conduta da impetrante quanto aos seus deveres funcionais, já que os
processos possuem objetos distintos. Enquanto o processo judicial visa analisar a conduta da
construtora, o administrativo volta-se à responsabilidade da Promotora de Justiça. Alegações
formuladas no MS 33.818 15. Dispenso as informações, por considerar o feito
suficientemente instruído, bem como o parecer ministerial, por se tratar de matéria
conhecida do Plenário desta Corte (RI/STF, art. 52, p. único). 16. Operou-se a decadência do
direito de impetrar mandado de segurança no que tange à oitiva da testemunha Zani
Cajueiro Tobias de Souza, ocorrida em 02.09.2014 (doc. 6, fls. 38-43). Ao tempo da
apresentação dos memoriais finais do PAD nº 0.00.000.001785/2013-61 (doc. 8, fls. 234-
276), em janeiro de 2015, a impetrante certamente já tinha conhecimento do ato. A suposta
nulidade por ausência de defensor na oitiva da referida testemunha também foi alegada, no
bojo do PAD, em peça datada de 23.04.2015 (doc. 9, fls. 11-14). Considerando que o
presente mandado de segurança somente foi impetrado em 30.09.2015, portanto, mais de
120 dias depois da ciência do ato, consumou-se a decadência (art. 23 da Lei nº 12.016/2009).
Nessa linha, confira-se: “Agravo regimental em mandado de segurança. Conselho Nacional
de Justiça. Processo administrativo disciplinar. Oitiva de testemunha negada. Decadência.
Carência de ação. Poderes investigativos do Ministério Público. Elementos de investigação
levados aos autos do PAD. Ampla defesa e contraditório assegurados. Provas emprestadas
de autos judiciais. Legalidade. Agravo regimental não provido. O ato de indeferimento do
pedido de oitiva das testemunhas é ato comissivo praticado pela autoridade coatora, tendo
como termo a quo a ciência, pelo requerido, daquela negativa. Tendo transcorrido mais de 2
(dois) anos desde a data de ciência do ato impugnado, não há dúvida quanto à decadência
do direito de se impetrar mandado de segurança com esse objeto.(...)” (MS 31.772 AgR, Rel.
Min. Dias Toffoli, dest. acresc.) 17. Quanto à penalidade, não vejo manifesta irrazoabilidade
do ato impugnado, o que seria necessário para a revisão judicial das decisões do CNMP. A Lei
Orgânica do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (Lei Complementar nº 34/1994)
autoriza a remoção compulsória no caso de “exposição de membro do Ministério Público a
risco de descrédito quanto a prerrogativas do cargo ou da instituição” (art. 215, II). No caso,
o risco de descrédito foi atribuído à posição da impetrante, responsável pela defesa do meio
ambiente, face à importância ambiental, histórica e cultural da área objeto do termo de
ajustamento de conduta por ela formalizado sem o prévio estudo de impacto ambiental.
Veja-se trecho pertinente do ato impugnado (doc. 9, fls. 110/111): “Porém, vislumbramos
também a possibilidade de pena de remoção compulsória, nos termos do art. 215, inciso II
da Lei Orgânica do Ministério Público do estado de Minas Gerais. Tal reprimenda nos parece
mais adequada, pois a processada demonstrou clara negligência no momento em que foi
entabulado o Termo de Ajustamento de Conduta e viabilizada a construção do
empreendimento, em local de tamanha importância ambiental, cultural e histórica, sem o
Estudo de Impacto Ambiental. Tal ato acarretou repercussão pública negativa, de descrédito,
ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, pois um membro de uma instituição
responsável pela defesa do meio ambiente possibilitou, de maneira voluntária, através da
celebração de um termo de ajustamento de conduta, que uma área de enorme importância
ambiental, histórica e cultural fosse degradada pelo empreendimento aqui examinado”. 18.
Acerca da grande relevância da área envolvida, a autoridade impetrada ainda consigna o
seguinte (doc. 9, fls. 101): “Parece que assim, considerando todos os depoimentos colhidos
no feito, que demonstram, de forma incontestável, que a área onde foi construída o Apart-
hotel Promenade Lagoa Santa, a área da Lagoa Central, no Município de Lagoa Santa-MG é
uma das áreas mais importantes do ponto de vista do Patrimônio Cultural e do Meio
Ambiente do Estado de Minas Gerais, sendo pesquisada por cientistas estrangeiros desde
meados do século XIX, tendo a maior concentração de cavernas e de sítios arqueológicos e
paleontológicos, sendo que os mais antigos registros da presença de seres humanos nas
Américas encontram-se na região. Que em razão desses valores, a área é protegida desde a
década de 1980 como Unidade de Conservação Estadual na modalidade de Área de Proteção
Especial – APRE, protegida também desde a década de 1990, como Unidade de Conservação
Federal, na modalidade Área de Proteção Ambiental – APA. A referida área ainda é inscrita
no cadastro dos sítios geológicos e paleontológicos de relevância para humanidade –
SIGEP/UNESCO, a exigência do estudo prévio de impacto ambiental por parte do Ministério
Público era uma imposição legal, imposição esta não observada pela Processada Janaini
Keilly Brandão Silveira”. 19. Considero que não há, assim, manifesta desproporcionalidade
da pena fundamentadamente aplicada em relação à conduta apurada, mesmo à vista dos
antecedentes da impetrante. 20. Diante do exposto, com base no art. 21, § 1º, do RI/STF,
nego seguimento aos presentes mandados de segurança. Prejudicada a análise do agravo
regimental no MS 33.686 e do pedido liminar no MS 33.818. Admito o ingresso da União no
MS 33.686. Anote-se. Publique-se. Intimem-se. Brasília, 07 de dezembro de 2015 Ministro
LUÍS ROBERTO BARROSO Relator

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 876796 RS RIO GRANDE DO SUL (STF)


Data de publicação: 10/12/2015

Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal


da 4ª Região, assim ementado: “ADMINISTRATIVO. IBAMA. FATMA. AUTO DE INFRAÇÃO.
MULTA. INSCRIÇÃO NO CADIN E NA DÍVIDA ATIVA. PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREA
DEGRADADA. ILEGALIDADE. 1. A Lei de Política Nacional do Meio Ambiental, n.º6.938/81,
estabeleceu a responsabilidade objetiva ao conceituar como 'poluidor a pessoa física ou
jurídica, de direito público ou privado, responsável direta ou indiretamente, por atividade
causadora de degradação ambiental, estando obrigado, independentemente da existência
de culpa, a indenizar ou recuperar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros
afetados por sua atividade. 2. Com a recomposição do ambiente atingido a multa será
reduzida, conforme a disposição do § 3º do art. 60 do Decreto n.º3.179/99, uma vez que
"cumpridas integralmente as obrigações assumidas pelo infrator, a multa será reduzida em
noventa por cento do valor atualizado monetariamente.” O recurso busca fundamento no
art. 102, III, a, daConstituição Federal. A parte recorrente alega violação aos arts. XXXV e
LV;93, IX, e 225, § 3º, da Constituição. Sustenta que a “implementação do Plano de
Reparação de Área Degradada – PRAD é obrigação do autuado e não guarda qualquer
relação com a redução ou extinção das multas, muito menos com sua suspensão.” O recurso
extraordinário não deve ser provido. De início, nota-se que a discussão acerca do art. 225, §
3º, da Constituição carece de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF). Quanto à
alegação de ofensa aos arts. 5º, XXXV, e LV; e 93, IX, da Constituição, o Plenário deste
Tribunal já assentou o entendimento de que as decisões judiciais não precisam ser
necessariamente analíticas, bastando que contenham fundamentos suficientes para
justificar suas conclusões. Nesse sentido, reconhecendo a repercussão geral da matéria,
veja-se a ementa do AI 791.292-QO-RG, Rel. Min. Gilmar Mendes: “Questão de ordem.
Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2.
Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição
Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou
decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame
pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os
fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão
geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a
adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral.” Ademais, a solução da
controvérsia demanda a análise da legislação infraconstitucional aplicada ao caso e a
reapreciação dos fatos e do material probatório constante dos autos (Súmula 279/STF),
procedimentos inviáveis em sede de recurso extraordinário. Diante do exposto, com base no
art. 557, caput, do CPC e no art. 21, § 1º, do RI/STF, nego seguimento ao recurso
extraordinário. Publique-se. Brasília, 07 de dezembro de 2015. Ministro Luís Roberto Barroso
Relator

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 836579 RS RIO GRANDE DO SUL (STF)


Data de publicação: 10/12/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO AMBIENTAL E CONSTITUCIONAL. RESPEITADA A


LEGISLAÇÃO ESTADUAL E NACIONAL, O MUNICÍPIO DISPÕE DE COMPETÊNCIA PARA
LEGISLAR SOBRE ASSUNTOS DE INTERESSE LOCAL: PRECEDENTES. LEI MUNICIPAL: ALEGADA
EXTRAPOLAÇÃO DA LEGISLAÇÃO FEDERAL: SÚMULA N. 280 DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. RECURSO AO QUAL SE NEGA
SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base na al. a do inc. III do
art. 102 da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal de Justiça do Rio
Grande do Sul: “APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PÚBLICO NÃO ESPECIFICADO. MANDADO DE
SEGURANÇA PREVENTIVO. RESTRIÇÃO IMPOSTA POR LEI MUNICIPAL PARA O USO DE
HERBICIDA. LEGALIDADE. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA MUNICIPAL. INTERESSE LOCAL.
ARTIGO 30, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. A Lei Municipal n. 3.480/99 ao impor
determinadas restrições ao uso de agrotóxico de princípio ativo 2.4-D perto de
determinados locais no município não ultrapassou sua competência legislativa, com
fundamento no inciso I, do artigo 30, da Constituição Federal, o qual autoriza o Município,
como ente federativo, a legislar sobre assuntos de interesse local. 2. Dessa forma, a
legislação municipal não negou vigência à legislação federal ou estadual editada sobre a
matéria, uma vez que não houve proibição da aplicação do produto, estando autorizado o
seu uso, mas apenas determinou a observância de certo distanciamento de moradias,
nascentes e pomares, o que se mostra, de todo, plausível, e dentro da competência
legislativa do município” (doc. 14). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. 2.
A Recorrente alega contrariados os arts. 5º, caput e incs. XXXVI e LIV, 23, inc. VI, 24,
inc. VI, 30, incs. I e II, 93, inc. IX, e 170, inc. IV, da Constituição da República, asseverando
que “o fundamento do writ impetrado reside na incompetência do Município para editar tal
norma já que, a teor do disposto nos arts. 23, VI, e 24, VI, da CF, a competência para legislar
sobre matéria ambiental pertence, exclusivamente, à União e aos Estados. Nessa seara, o
Município detém apenas competência para defender o meio ambiente através da adoção de
medidas administrativas (e não legislativas), ligadas ao exercício do poder de polícia. Mas
ainda que assim não fosse, ou seja, que se pudesse, com base nos arts. 30, I e II,
da CF e 11 da Lei Federal 7.802/89, admitir a possibilidade de os Municípios editarem
normas sobre questões ambientais) a Lei Municipal n. 3.480/1999 continuaria sendo
inconstitucional, porque não há interesse local do Município de Três Passos que o legitime a
editar Lei proibindo o 2.4-D, e também porque suas disposições contrariam (e não
suplementam) as Leis federal e estadual que regulam a matéria” (doc. 15). Apreciada a
matéria trazida na espécie, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. A alegação
de nulidade do acórdão por contrariedade ao art. 93, inc. IX, da Constituição da República
não pode prosperar. Embora em sentido contrário à pretensão da Recorrente, o acórdão
recorrido apresentou suficiente fundamentação. Firmou-se na jurisprudência deste Supremo
Tribunal: “O que a Constituição exige, no art.93, IX, é que a decisão judicial seja
fundamentada; não, que a fundamentação seja correta, na solução das questões de fato ou
de direito da lide: declinadas no julgado as premissas, corretamente assentadas ou não, mas
coerentes com o dispositivo do acórdão, está satisfeita a exigência constitucional” (RE n.
140.370, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ 21.5.1993). 5. O
Tribunal de origem decidiu: “Da leitura atenta da Lei Municipal n. 3.480/99 (fls. 58/60),
concluo que, in casu, houve exercício da competência legislativa municipal, inexistindo
violação aos limites de tal competência. Conforme dispõe o artigo 3º da mencionada lei: ‘o
uso de herbicidas derivadas da composição química 2.4D e 2.45-t, só poderá ser autorizado
se o local de sua aplicação não for inferior a mil metros de residências, de pastagens, de
pomares, de hortas ou nascentes’. Não houve, portanto, a proibição da comercialização e
uso de agrotóxicos de princípio ativo 2.4-D, o que, por certo, ultrapassaria os limites da
competência municipal, mas tão somente, restrição do seu uso perto de determinados locais
do município, com fundamento no inciso I, do artigo 30 daConstituição Federal, o qual
autoriza o Município, como ente federativo, a legislar sobre assuntos de interesse local (…).
Dessa forma, a legislação municipal não negou vigência à legislação federal ou estadual
editada sobre a matéria, uma vez que não houve proibição da aplicação do produto, estando
autorizado o seu uso, mas apenas determinou a observância de certo distanciamento de
moradias, nascentes e pomares, o que se mostra, de todo, plausível, e dentro da
competência legislativa do município. (…) Por fim, é de se considerar que a lei municipal
questionada é de 1999, ou seja, há vários anos produz os seus efeitos sem que tenha sido
questionada pela ora apelante, o que somente foi feito quando já passados mais de dez anos
de sua vigência, o que vem ratificar a inexistência de ilegalidade ou abuso das restrições ali
impostas. Diante do exposto, nego provimento à apelação” (doc. 14). O acórdão recorrido
harmoniza-se com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pela qual se reconheceu a
competência dos municípios para legislar sobre assuntos de interesse local e para disciplinar
o ordenamento territorial urbano, respeitada a legislação federal e estadual: “DIREITO
CONSTITUCIONAL E AMBIENTAL. PLANEJAMENTO URBANO. MEIO AMBIENTE E PAISAGEM
URBANA. PUBLICIDADE E PROPAGANDA EXTERNA. POLUIÇÃO VISUAL. INTERPRETAÇÃO DA
LEI MUNICIPAL PAULISTA 14.223/2006. COMPETÊNCIA MUNICIPAL PARA LEGISLAR SOBRE
ASSUNTOS DE INTERESSE LOCAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMNETO. SÚMULAS 282 E
356/STF. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 15.6.2009. A matéria constitucional versada
nos arts. 1º, IV, 5º, XIII, 22, XXIX, 87, IV, e 173, da Constituição Federal, não foi analisada
pelas instâncias ordinárias, tampouco mencionada nos embargos de declaração opostos para
satisfazer o requisito do prequestionamento. O acórdão recorrido assentou que a Lei
Municipal14.223/2006 - denominada Lei Cidade Limpa - trata de assuntos de interesse local,
entre os quais, a ordenação dos elementos que compõem a paisagem urbana, com vistas a
evitar a poluição visual e bem cuidar do meio ambiente e do patrimônio da cidade. Agravo
regimental conhecido e não provido” (AI n. 799.690-AgR, Relatora a Ministra Rosa Weber,
Primeira Turma, DJe 3.2.2014). “A autonomia municipal para promover adequado
ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da
ocupação do solo urbano, deve ser exercida dentro dos limites das competências
concorrentes da União e dos Estados para legislar sobre direito urbanístico, meio ambiente e
patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico. Nesse sentido, em caso
análogo, menciono a ADI 478, rel. min. Carlos Velloso, DJ de 28.02.1997” (RE n. 280.795,
Relator o Ministro Joaquim Barbosa, DJ 27.3.2007). “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. CONSTITUCIONAL. INSTALAÇÃO DE TORRES DE TELEFONIA
CELULAR. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA MUNICIPAL PARA DISCIPLINAR O USO E A OCUPAÇÃO
DO SOLO URBANO. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (RE n. 632.006-
AgR, de minha relatoria, Segunda Turma, DJe 1º.12.2014). “Agravo regimental em recurso
extraordinário. 2. Direito de construir. Limitações administrativas. Adequação ao
ordenamento territorial municipal. Planejamento e controle do uso e ocupação do solo
urbano. Competência municipal. Precedente. 3. Construção. Manifestação do direito de
propriedade que não prescinde de licença para construir. Não observância das regras
aplicáveis. Ausência da faculdade de construir. Precedente. 4. Agravo regimental a que se
nega provimento” (RE n. 746.356-AgR, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma,
DJe 10.6.2013). 6. A verificação, na espécie vertente, de ter ou não a Lei municipal
n. 3.480/1999 extrapolado a Lei federal n. 7.802/1989, restringe-se à questão da legalidade,
não à da constitucionalidade. Assim, a alegada contrariedade à Constituição da República, se
tivesse ocorrido, seria indireta, a inviabilizar o processamento do recurso extraordinário.
Incide a Súmula n. 280 do Supremo Tribunal Federal: “Agravo regimental no recurso
extraordinário. Ausência de explícito prequestionamento. Inadmissibilidade. Competência
legislativa concorrente. Matéria ambiental. Questão a demandar análise de normas
infraconstitucionais. Ofensa meramente reflexa. 1. Está sedimentado nesta Corte o
entendimento de que não se admite o recurso extraordinário quando ausente o
prequestionamento explícito da matéria constitucional em que fundamentado o apelo.
Precedentes. 2. Inviável, em recurso extraordinário, a análise da legislação
infraconstitucional e o reexame de fatos e provas dos autos. Incidência das Súmulas nºs 279
e 280 desta Corte. 3. Agravo regimental não provido” (RE n. 413.815-AgR, Relator o Ministro
Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 13.6.2012). “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. CONSTITUCIONAL. CONSUMIDOR. MEDIDAS DE
SEGURANÇA AOS USUÁRIOS DE SERVIÇOS BANCÁRIOS. LEI MUNICIPAL 2.802/2009 DE
ITAGUAÍ/RJ. INTERESSE LOCAL. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA MUNICIPAL. PRECEDENTES.
ALEGADO VÍCIO DE INICIATIVA. NECESSIDADE DE EXAME DE LEGISLAÇÃO LOCAL.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 280 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA
PROVIMENTO. I – Compete ao município legislar sobre medidas que propiciem segurança,
conforto e rapidez aos usuários de serviços bancários, uma vez que tratam de assuntos de
interesse local. Precedentes. II - Indispensável, na espécie, o exame da legislação municipal
que rege as atribuições de cada um dos órgãos componentes do Poder Executivo do
Município de Itaguaí para se examinar o argumento de que a Lei municipal 2.802/2009 teria
instituído novas atribuições fiscalizatórias para aqueles órgãos, circunstância que torna
inviável o recurso, nos termos da Súmula 280 do STF. III - Agravo regimental a que se nega
provimento” (ARE n. 747.757-AgR, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma,
DJe 13.8.2014). “1. RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Ação direta de
inconstitucionalidade estadual. LC nº 25 do Município de Florianópolis. Ofensa reflexa
à Constituição. Súmula 280. Agravo regimental não provido. Não cabe recurso extraordinário
que tenha por objeto alegação de ofensa que, irradiando-se de má interpretação, aplicação,
ou, até, de inobservância de normas infraconstitucionais, seria apenas indireta
à Constituição da República. 2. RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Ausência de
razões consistentes. Decisão mantida. Agravo regimental não provido. Nega-se provimento a
agravo regimental tendente a impugnar, sem razões consistentes, decisão fundada em
jurisprudência assente na Corte. 3. RECURSO. Agravo. Regimental. Jurisprudência assentada
sobre a matéria. Caráter meramente abusivo. Litigância de má-fé. Imposição de multa.
Aplicação do art. 557, § 2º, c.c. arts. 14, II e III, e 17, VII, do CPC. Quando abusiva a
interposição de agravo, manifestamente inadmissível ou infundado, deve o Tribunal
condenar o agravante a pagar multa ao agravado” (RE n. 477.940-AgR, Relator o Ministro
Cezar Peluso, Segunda Turma, DJe 14.11.2008). Nada há a prover quanto às alegações da
Recorrente. 7. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art.557, caput,
do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal
Federal). Publique-se. Brasília, 3 de dezembro de 2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 931414 RJ RIO DE JANEIRO 0013749-
90.2011.8.19.0003 (STF)
Data de publicação: 03/12/2015
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. CONSTRUÇÃO DE MORADIA
EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA URBANIZADA. DEMOLIÇÃO. LEI Nº
162/1991 DO MUNICÍPIO DE ANGRA DOS REIS-RJ. ANÁLISE DE NORMAS
INFRACONSTITUCIONAIS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 280 DO STF. NECESSIDADE DE
REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
SÚMULA Nº 279 DO STF. REPERCUSSÃO GERAL NÃO EXAMINADA EM FACE DE OUTROS
FUNDAMENTOS QUE OBSTAM A ADMISSÃO DO APELO EXTREMO. AGRAVO DESPROVIDO.
Decisão: Trata-se de agravo nos próprios autos, interposto com fundamento no
artigo 544 do Código de Processo Civil, objetivando a reforma de decisão que inadmitiu
recurso extraordinário, manejado com arrimo na alínea a do permissivo constitucional,
contra acórdão que assentou, verbis: “Apelação cível. Ação civil pública. Direito ambiental.
Construção de moradia em área de proteção permanente área, esta inteiramente
urbanizada pelo próprio município apelante. Prova pericial que refere a ocorrência de danos
ambientais de baixa magnitude. Responsabilidade municipal de coordenação do
desenvolvimento urbano. Omissão do ente público que fomentou a urbanização da área.
Existência na localidade de infraestrutura urbana, com via pública e prestação de serviços de
água, esgoto energia elétrica. Dano de baixo impacto. Princípios da razoabilidade e
proporcionalidade. Choque de princípios. Preservação da moradia e da urbanização local
patrocinada com verba pública. Demolição afastada. Recomposição da mata ciliar da faixa
marginal. Precedente desta Câmara. Manutenção do julgado. Desprovimento do recurso.”
Nas razões do apelo extremo, sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta
violação ao artigo 225, § 3º, da Constituição Federal. O Tribunal a quo negou seguimento ao
recurso extraordinário por entender que encontra óbice na Súmula nº 279 do STF. É o
relatório. DECIDO. Ab initio, a repercussão geral pressupõe recurso admissível sob o crivo
dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade (artigo 323 do RISTF).
Consectariamente, se inexiste questão constitucional, não há como se pretender seja
reconhecida a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso
(artigo 102, § 3º, da CF). No caso concreto, para se constatar a efetiva violação ao meio
ambiente é imprescindível a análise da Lei nº 162/1991 do Município de Angra dos Reis, o
que é inviável em sede de recurso extraordinário, conforme Súmula nº 280 do STF, de
seguinte teor: “Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". A propósito,
menciono as lições do ilustre professor Roberto Rosas sobre a Súmula nº 280 desta Corte: “A
interpretação do direito local ou então a violação de direito local para possibilitar o recurso
extraordinário é impossível, porque o desideratum do legislador e a orientação do STF são
no sentido de instituir o apelo final no âmbito da lei federal, mantendo a sua supremacia. A
Súmula 280, seguindo nessa esteira, afirma que por ofensa a direito local não cabe recurso
extraordinário. Ressalte-se que, quando as leis estaduais conflitam no tempo, a matéria já
está no plano do direito federal, porquanto o Direito Intertemporal é do âmbito da lei
federal (RE 51.680, Rel. Min. Luiz Gallotti, DJU 1.8.1963). Quanto às leis municipais adota-se
o mesmo ponto concernente às leis estaduais. As Leis de Organização Judiciária são locais,
estaduais, portanto não podem ser invocadas para a admissão de recurso extraordinário,
sendo comum os casos onde surgem problemas no concernente ao julgamento da causa
pelo tribunal a quo, discutindo-se a sistemática nos julgamentos: juízes impedidos,
convocação de juízes etc. (RE 66.149, RTJ 49/356).” (Direito Sumular. São Paulo: Malheiros,
2012, 14ª Edição, p. 138). Além disso, para a solução da controvérsia é necessário, ainda, o
exame da Lei nº 12.651/2012, que instituiu o Código Florestal, bem como da Resolução nº
303/2002 do CONAMA, de forma que suposta violação à Constituição Federal ocorreria
apenas de forma indireta. Assevere-se, por fim, que divergir do entendimento do Tribunal a
quo demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos. Não se revela
cognoscível, em sede de recurso extraordinário, a insurgência que tem como escopo o
incursionamento no contexto fático-probatório engendrado nos autos, porquanto referida
pretensão não se amolda à estreita via do apelo extremo, cujo conteúdo se restringe à
discussão eminentemente de direito, face ao óbice erigido pela Súmula nº 279 do STF. Sob
esse enfoque, ressoa inequívoca a vocação para o insucesso do apelo extremo, por força do
óbice intransponível do referido verbete sumular, que veda a esta Suprema Corte, em sede
de recurso extraordinário, sindicar matéria fática. Por oportuno, vale destacar preciosa lição
de Roberto Rosas acerca da Súmula nº 279 do STF: “Chiovenda nos dá os limites da distinção
entre questão de fato e questão de direito. A questão de fato consiste em verificar se
existem as circunstâncias com base nas quais deve o juiz, de acordo com a lei, considerar
existentes determinados fatos concretos. A questão de direito consiste na focalização,
primeiro, se a norma, a que o autor se refere, existe, como norma abstrata (Instituições de
Direito Processual, 2ª ed., v. I/175). Não é estranha a qualificação jurídica dos fatos dados
como provados (RT 275/884 e 226/583). Já se refere a matéria de fato quando a decisão
assenta no processo de livre convencimento do julgador (RE 64.051, Rel. Min. Djaci Falcão,
RTJ 47/276); não cabe o recurso extraordinário quando o acórdão recorrido deu
determinada qualificação jurídica a fatos delituosos e se pretende atribuir aos mesmos fatos
outra configuração, quando essa pretensão exige reexame de provas (ERE 58.714, Relator
para o acórdão o Min. Amaral Santos, RTJ 46/821). No processo penal, a verificação entre a
qualificação de motivo fútil ou estado de embriaguez para a apenação importa matéria de
fato, insuscetível de reexame no recurso extraordinário (RE 63.226, Rel. Min. Eloy da Rocha,
RTJ 46/666). A Súmula 279 é peremptória: ‘Para simples reexame de prova não cabe recurso
extraordinário’. Não se vislumbraria a existência da questão federal motivadora do recurso
extraordinário. O juiz dá a valoração mais conveniente aos elementos probatórios,
atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas
partes. Não se confunda com o critério legal da valorização da prova (RTJ 37/480,
56/65)(Pestana de Aguiar, Comentários ao Código de Processo Civil, 2ª ed., v. VI/40, Ed. RT;
Castro Nunes, Teoria e Prática do Poder Judiciário, 1943, p. 383). V. Súmula STJ-7.“ (Direito
Sumular. São Paulo: Malheiros, 2012, 14ª Edição, p. 137-138). Ex positis, DESPROVEJO o
agravo, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 30 de novembro
de 2015. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente

STF - AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA ACO 2550 RJ RIO DE JANEIRO 9999943-29.2014.1.00.0000


(STF)
Data de publicação: 02/12/2015

AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA. REDUÇÃO DA VAZÃO MÍNIMA AFLUENTE À BARRAGEM DE SANTA


CECÍLIA, NO RIO PARAÍBA DO SUL. RESOLUÇÃO Nº 1.309/2014. DESIGNAÇÃO DE AUDIÊNCIA
DE CONCILIAÇÃO. Despacho: Cuidam os autos de Ação Civil Pública movida pelo Ministério
Público Federal em face da União, da Agência Nacional de Águas - ANA, do Ministério do
Meio Ambiente, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - SABESP, do
Departamento de Águas e Energia Elétrica - DAEE e da Companhia Ambiental do Estado de
São Paulo - CETESB, com pedido de que, dentre outras providências destinadas aos outros
réus, a Agência Nacional de Águas se abstenha de determinar a redução da vazão mínima
afluente à barragem de Santa Cecília, no Rio Paraíba do Sul, redução esta estabelecida pela
Resolução nº 1.309, de 29 de agosto de 2014. Sendo assim, designo audiência de conciliação
a ser realizada com a presença das partes e do Parquet, a ocorrer às 11:00 horas do dia 10
de dezembro de 2015, no 3º andar do Anexo II do Supremo Tribunal Federal - Gabinete do
Ministro Luiz Fux. Intimem-se o Estado do Rio de Janeiro, o Estado de São Paulo, o Estado de
Minas Gerais, o Procurador-Geral da República, a União, por meio da Advocacia-Geral da
União, o Ministério do Meio Ambiente - MMA, a Diretora-Geral do Instituto Mineiro de
Gestão de Águas – IGAM, o Presidente do Instituto Estadual do Ambiente – INEA, o Diretor-
Presidente da Agência Nacional de Águas – ANA, a Diretora-Presidente da Companhia de
Saneamento Básico do Estado de São Paulo - SABESP, o Superintendente do Departamento
de Águas e Energia Elétrica - DAEE, o Diretor-Presidente da Companhia Ambiental do Estado
de São Paulo - CETESB, para que possam comparecer à referida audiência, acompanhadas
por representantes com plenos poderes para transigir nos autos. Publique-se. Brasília, 2 de
dezembro de 2015. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente
STF - HABEAS CORPUS HC 131468 SP SÃO PAULO 0008456-25.2015.1.00.0000 (STF)
Data de publicação: 02/12/2015

Decisão: Trata-se de habeas corpus impetrado contra decisão monocrática, proferida no


âmbito do Superior Tribunal de Justiça, que indeferiu liminarmente o HC nº. 341.580/SP.
Narra o impetrante que: a) o paciente encontra-se preso preventivamente pela suposta
prática dos crimes previstos nos artigos 56 e 60 da Lei de Crimes Ambientais e nos
artigos 180 e 288 doCódigo Penal; b) segundo a imputação, o paciente mantinha em
depósito, de forma clandestina, grande quantidade de óleo diesel fruto de roubo; c) a prisão
preventiva encontra-se desfundamentada, pois imposta sem lastro concreto que justifique a
cautelaridade da custódia; d) o paciente possui condições subjetivas favoráveis e é idoso,
razões que afastariam o risco que a medida cautelar desafia. É o relatório. Decido. 1.
Cabimento do habeas corpus: Inicialmente, destaco que esta Corte tem posição firme pela
impossibilidade de admissão de habeas corpus impetrado contra decisão proferida por
membro de Tribunal Superior, visto que, a teor do artigo 102, I, “i”, da Constituição da
República, sob o prisma da autoridade coatora, a competência originária do Supremo
Tribunal Federal somente se perfectibiliza na hipótese em que Tribunal Superior, por meio
de órgão colegiado, atue em tal condição. Nessa linha, cito o seguinte precedente: “É certo
que a previsão constitucional do habeas corpus no artigo 5º, LXVIII, tem como escopo a
proteção da liberdade. Contudo, não se há de vislumbrar antinomia na Constituição Federal,
que restringiu a competência desta Corte às hipóteses nas quais o ato imputado tenha sido
proferido por Tribunal Superior. Entender de outro modo, para alcançar os atos praticados
por membros de Tribunais Superiores, seria atribuir à Corte competência que não lhe foi
outorgada pela Constituição. Assim, a pretexto de dar efetividade ao que se contém no
inciso LXVIII do artigo 5º da mesma Carta, ter-se-ia, ao fim e ao cabo, o descumprimento do
que previsto no artigo 102, I, “i”, daConstituição como regra de competência, estabelecendo
antinomia entre normas constitucionais. Ademais, com respaldo no disposto no artigo 34,
inciso XVIII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, pode o relator negar
seguimento a pedido improcedente e incabível, fazendo-o como porta-voz do colegiado.
Entretanto, há de ser observado que a competência do Supremo Tribunal Federal apenas
exsurge se coator for o Tribunal Superior (CF, artigo 102, inciso I, alínea “i”), e não a
autoridade que subscreveu o ato impugnado. Assim, impunha-se a interposição de agravo
regimental” (HC 114557 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12/08/2014,
grifei). Não se inaugura a competência deste Supremo nas hipóteses em que não esgotada a
jurisdição antecedente, visto que tal proceder acarretaria indevida supressão de instância,
dado o cabimento de agravo regimental. Precedentes: “Há óbice ao conhecimento de
habeas corpus impetrado contra decisão monocrática do Superior Tribunal de Justiça, cuja
jurisdição, à falta de manejo de agravo regimental ao Colegiado, não se esgotou.”(HC
123926, Relator (a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 14/04/2015, grifei)
“Inexistindo deliberação colegiada do Superior Tribunal de Justiça a respeito da questão de
fundo suscitada pelo impetrante, não compete ao Supremo Tribunal Federal analisá-la
originariamente, sob pena de indevida supressão de instância.” (HC 124561 AgR, Relator (a):
Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 10/02/2015, grifei) No caso concreto,
por contrariar frontalmente a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o habeas corpus
não merece conhecimento por atacar decisão monocrática que indeferiu liminarmente
habeas corpus anterior, sem ter manejado irresignação regimental. 2. Possibilidade de
concessão da ordem de ofício: Ainda que ausentes hipóteses de conhecimento, a Corte tem
admitido, excepcionalmente, a concessão da ordem de ofício. Calha enfatizar que tal
providência tem sido tomada tão somente em casos absolutamente aberrantes e
teratológicos, em que “a) seja premente a necessidade de concessão do provimento cautelar
para evitar flagrante constrangimento ilegal; ou b) a negativa de decisão concessiva de
medida liminar pelo tribunal superior importe na caracterização ou na manutenção de
situação que seja manifestamente contrária à jurisprudência do STF” (HC 95009, Rel. Min.
Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2008, grifei). Devido ao caráter excepcional da
superação do verbete sumular, a ilegalidade deve ser cognoscível de plano, sem a
necessidade de produção de quaisquer provas ou colheita de informações. Nesse sentido,
não pode ser atribuída a pecha de flagrante à ilegalidade cujo reconhecimento demande
dispendioso cotejamento dos autos ou, pior, que desafie a complementação do caderno
processual por meio da coleta de elementos externos. Como reforço, cumpre assinalar que
o Código de Processo Penal, ao permitir que as autoridades judiciárias concedam a ordem de
ofício em habeas corpus, apenas o fez quanto aos processos que já lhes são submetidos à
apreciação: “Art. 654. § 2o Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício
ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre ou está
na iminência de sofrer coação ilegal.” De tal modo, ao meu sentir, não se admite que o
processo tenha como nascedouro, pura e simplesmente, a alegada pretensão de atuação ex
officio de Juiz ou Tribunal, mormente quando tal proceder se encontra em desconformidade
com as regras de competência delineadas na Constituição da República. Em outras palavras:
somente se cogita da expedição da ordem de ofício nas hipóteses em que não se desbordar
da competência do órgão, de modo que essa não pode ser a finalidade precípua da
impetração. 3. Análise da possibilidade de concessão da ordem de ofício no caso concreto:
No caso dos autos, a apontada ilegalidade não pode ser aferida de pronto. “Não bastasse, há
peculiaridades concretas que reforçam a gravidade da prática criminosa. Foi roubada
considerável quantidade de carga (57.834 litros de óleo diesel), o que gera efeitos ao
mercado consumidor, com incremento do preço geral do produto. Ademais, a natureza da
carga coloca em risco terceiros e ao meio ambiente, pois seu inadequado transporte,
armazenamento e distribuição pode gerar explosões, vazamentos e vicios graves nos
veículos. E o sobredito risco se fez ainda mais presente no caso, pois o averiguado
armazenou o produto ao lado de fiação exposta e de cilindros de propano e, ainda, em local
sem ventilação, cautelas de prevenção a incêndio e, por fim, próximo a um rio. A custódia se
faz necessária para garantia da ordem pública, dada a gravidade concreta do crime, e, ainda,
se considerada a possibilidade concreta de, solto, o averiguado voltar a comercializar
produtos roubados. Observo que no galpão haviam outros produtos, tudo a revelar que o
averiguado é empresário, com diversidade de produtos comercializados, de modo que livre
provável que volte a exercer o comercio, inclusive e sobretudo ilegal.” Como se vê, a decisão
encontra-se calcada em elementos concretos que sugerem a periculosidade do agente,
extraída a partir da gravidade concreta da conduta. Ademais, as peculiaridades da execução
sugerem que, mais que mera ofensa patrimonial, a ação tida como criminosa gerou risco
indefinido ao meio ambiente e à coletividade. O risco de reiteração delituosa ainda é
reforçado pela apontada ocupação habitual do paciente, qual seja, empresário, a imprimir
certa plausibilidade à suposta habitualidade delitiva. Todas essas circunstâncias,
perfunctoriamente depreendidas dos autos, sinalizam o acerto da imposição da medida
gravosa. Registro que as apontadas condições favoráveis não conferem direito automático à
liberdade provisória, notadamente na hipótese da presença dos requisitos autorizadores da
custódia ante tempus. Em relação à idade avançada do paciente, da mesma forma, não se
trata de manto legitimador de condutas criminosas ou circunstância que gere qualquer
presunção não perigosidade. Portanto, aparentemente presentes os requisitos da prisão
preventiva. Destarte, como não se trata de decisão manifestamente contrária à
jurisprudência do STF, ou de flagrante hipótese de constrangimento ilegal, não é o caso de
concessão da ordem de ofício. Posto isso, com fulcro no art. 21, § 1º, do RI/STF, nego
seguimento ao habeas corpus. Publique-se. Intime-se. Brasília, 27 de novembro de 2015.
Ministro Edson Fachin Relator Documento assinado digitalmente

STF - HABEAS CORPUS HC 131506 SE SERGIPE 0008507-36.2015.1.00.0000 (STF)


Data de publicação: 25/11/2015

Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado pela Defensoria Pública da
União em favor de Genoaldo Bispo dos Santos, contra acórdão do Superior Tribunal de
Justiça, que negou provimento ao agravo regimental no REsp 1.458.403/SE. O Juízo Federal
da 2ª Vara Criminal da Seção Judiciária de Sergipe/SE condenou o paciente à pena de 03
(três) anos e 04 (quatro) meses de reclusão, em regime inicial aberto, pela prática dos crimes
de extração de areia sem a competente autorização e de exploração de matéria-prima
pertencente à União sem autorização legal, tipificados no art. 55 da Lei9.605/1998, c/c o
art. 2º, parágrafo único, da Lei 8.176/1991. Naquela oportunidade, o magistrado de primeiro
grau substituiu a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos. Em sede de
apelação, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região deu provimento parcial ao recurso
defensivo para reduzir as penas para 1 (um) ano e 6 (seis) meses de reclusão. Irresignada, a
Defesa manejou recurso especial, que, admitido na origem, ensejou sua remessa para o
Superior Tribunal de Justiça. O Ministro Moura Ribeiro, via decisão monocrática, negou
seguimento ao REsp 1.458.403/SE. Interposto agravo regimental, a Corte Superior negou
provimento ao recurso. No presente writ, a Defesa insiste na aplicação do princípio da
insignificância dada a inexpressividade da lesão jurídica provocada. Sustenta que os
processos em curso instaurados contra o paciente não são aptos a configurar reincidência.
Requer, em medida liminar, a suspensão dos efeitos do acórdão objurgado até o julgamento
final da presente impetração. No mérito, pugna pela aplicação do princípio da bagatela. É o
relatório. Decido. Extraio do ato dito coator: “AGRAVO REGIMENTAL. DECISÃO UNIPESSOAL.
OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 557 do Código de
Processo Civil, aplicável subsidiariamente na área penal, autoriza ao relator negar
seguimento ao recurso manifestamente inadmissível ou improcedente, justamente o que se
verificou no presente caso, ante a incidência das Súmulas 7 e 126/STJ ao caso concreto.
RECURSO ESPECIAL. CRIME AMBIENTAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA AFASTADO.
FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
SÚMULA 126/STJ. INCIDÊNCIA. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA A APLICAÇÃO DO
INSTITUTO. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA
SÚMULA 7/STJ. RECURSO IMPROVIDO. 1. Pautado o acórdão recorrido em fundamento
constitucional para afastar a incidência do princípio da insignificância e não tendo a parte
interposto recurso extraordinário, incide o óbice da Súmula 126/STJ, in verbis: "É
inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos
constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a
parte vencida não manifesta recurso extraordinário." 2. Aferir se foram preenchidos os
requisitos necessários para a aplicação do princípio da insignificância, na espécie, enseja o
reexame do conjunto fático-probatório dos autos, inviável na via eleita ante o óbice da
Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.”. Ressalto que, para fins de
apreciação do pedido de liminar, é necessário avaliar se o ato dito coator teve o condão de
caracterizar patente constrangimento ilegal. Ao exame dos autos, verifico que o acórdão
proferido pela Corte Superior se encontra fundamentado, apontando as razões de seu
convencimento para negar provimento ao recurso manejado pela Defesa. Em análise de
cognição sumária, não detecto a presença dos pressupostos autorizadores da concessão da
medida liminar com a imediata suspensão dos efeitos do acórdão recorrido. Ante o exposto,
indefiro o pedido de liminar. Colha-se a manifestação do Ministério Público Federal.
Publique-se. Brasília, 20 de novembro de 2015. Ministra Rosa Weber Relatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 915701 RS RIO GRANDE DO SUL
5003740-50.2011.4.04.7208 (STF)
Data de publicação: 23/11/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. INDENIZAÇÃO POR DANOS
AMBIENTAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO
CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULAS NS. 279 E 280 DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. AGRAVO AO QUAL SE NEGA
SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo nos autos principais contra inadmissão de recurso
extraordinário interposto com base na al. a do inc. III do art. 102 da Constituição da
República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da Quarta Região: “AÇÃO
CIVIL PÚBLICA. TUTELA DO MEIO AMBIENTE. CONSTRUÇÃO DE BENFEITORIAS EM ÁREA DE
PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGAÇÃO PROPTER REM. OBRIGAÇÕES DE FAZER, DE NÃO
FAZER E DE PAGAR QUANTIA. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE PEDIDOS.
DESNECESSIDADE DE CONDENAÇÃO DE INDENIZAÇÃO NO CASO EM APREÇO. 1. A demolição
das benfeitorias realizadas em Área de Preservação Permanente é medida adequada a
cessar a agressão ao meio ambiente. 2. Presentes os elementos caracterizadores da
responsabilidade civil por dano ambiental, impõe-se a condenação do réu à reparação do
dano por meio de apresentação de PRAD, em prazo de 90 dias, a contar da presente decisão.
3. A obrigação de reparação dos danos ambientais é propter rem, não importando se os réus
foram os autores do dano ambiental causado pela edificação. Precedentes do STJ. 4. Ainda
que possível a cumulação da obrigação de fazer, consistente na recuperação do dano
ambiental in natura, com a condenação ao pagamento de indenização, nos termos do
art. 3º da Lei 7.347/85, diante da ausência de demonstração de ocorrência de outros
prejuízos e, em sendo determinada a recuperação da área, a partir de projeto de
recuperação de área degradada (PRAD), descabida a condenação ao pagamento de
indenização” (doc. 1). Os embargos de declaração opostos foram parcialmente acolhidos
para fins de prequestionamento. 2. O Agravante alega contrariado o art. 225, § 1º,
incs.III, IV e VII, e § 3º, da Constituição da República, asseverando que “os danos causados ao
meio ambiente são in natura e jamais a força antrópica poderá recuperar a área degradada
ao que era antes da intervenção humana naquela local. Por outro lado, a recuperação da
área degradada não ocorrerá de forma imediata, pois, para que seja realizada, foi e será
necessário todo um trâmite administrativo e judicial a fim de obter provimento jurisdicional
determinando-a. Enquanto isso, o particular usou e usará da área sem nenhuma sanção,
fazendo jus de todos os benefícios pessoais e econômicos decorrentes da degradação e, em
razão disso, enriquecer-se-á ilicitamente caso não venha a ser condenado a indenizar pelo
dano ambiental perpetrado. (…) Da mesma forma, não se pode olvidar ainda os danos
morais causados a toda coletividade em razão da degradação de local ambientalmente
relevante. Ao serem causados graves danos ao meio ambiente, toda a coletividade é
prejudicada, pois essas lesões prejudicam todo um ecossistema natural subjacente à vida.
São afetadas tanto as presentes gerações como as futuras, que devem herdar um meio
ambiente saudável e ecologicamente equilibrado” (doc. 1). 3. O recurso extraordinário foi
inadmitido sob os fundamentos de ausência de ofensa constitucional direta e de incidência
da Súmula n. 279 deste Supremo Tribunal. Apreciada a matéria trazida na espécie, DECIDO.
4. No art. 544 do Código de Processo Civil, com as alterações da Lei n.12.322/2010,
estabeleceu-se que o agravo contra inadmissão de recurso extraordinário processa-se nos
autos do recurso, ou seja, sem a necessidade da formação de instrumento, sendo este o
caso. Analisam-se, portanto, os argumentos postos no agravo, de cuja decisão se terá, na
sequência, se for o caso, exame do recurso extraordinário. 5. Razão jurídica não assiste ao
Agravante. 6. A apreciação do pleito recursal demandaria análise da legislação
infraconstitucional aplicável à espécie (Lei n. 7.347/1985) e reexame do conjunto fático-
probatório constante dos autos. A alegada contrariedade àConstituição da República, se
tivesse ocorrido, seria indireta, a inviabilizar o processamento do recurso extraordinário.
Incide a Súmula n. 279 deste Supremo Tribunal: “DIREITO AMBIENTAL. RESPONSABILIDADE
CIVIL POR DANOS AMBIENTAIS. ANÁLISE DE EVENTUAL VIOLAÇÃO DACONSTITUIÇÃO
FEDERAL DEPENDENTE DE REELABORAÇÃO DA ESTRUTURA FÁTICA CONSTANTE DO
ACÓRDÃO REGIONAL. EVENTUAL OFENSA REFLEXA NÃO VIABILIZA O MANEJO DO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. ART. 102 DA LEI MAIOR. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM
31.7.2013. A controvérsia, a teor do que já asseverado na decisão guerreada, não alcança
estatura constitucional. A pretensão do agravante encontra óbice na Súmula 279 do
Supremo Tribunal Federal, pois eventual ofensa aos preceitos constitucionais invocados
somente se materializaria, no caso, de forma reflexa, a demandar, em primeiro plano para
sua constatação, a reelaboração do quadro fático delineado. As razões do agravo regimental
não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada,
mormente no que se refere à ausência de ofensa direta e literal a preceito
da Constituição da República. Agravo regimental conhecido e não provido” (ARE n. 869.954-
AgR, Relatora a Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 14.5.2015). “AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. RESPONSABILIDADE CIVIL.
DANO AMBIENTAL. REPARAÇÃO. ACÓRDÃO FUNDAMENTADO NA LEGISLAÇÃO
INFRACONSTITUCIONAL E NO CONJUNTO PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE OFENSA
CONSTITUCIONAL DIRETA. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (ARE n. 888.055-AgR, de minha relatoria,
Segunda Turma, DJe 28.8.2015). “Agravo Regimental em agravo de instrumento. 2.
administrativo. Meio Ambiente. 3. Alegação de ofensa ao princípio da reparação integral do
dano. Necessidade de análise e interpretação de normas infraconstitucionais e de revisão do
conjunto fático-probatório dos autos. Impossibilidade. 4. Incidência do Verbete 279 da
Súmula do STF. 5. Agravo regimental a que se nega provimento” (AI n. 808.549-AgR, Relator
o Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 5.3.2013). “AGRAVO REGIMENTAL NO
AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO AMBIENTAL. IMPOSSIBILIDADE
DA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO REEXAME DE PROVAS.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRECEDENTES. AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (AI n. 783.538-AgR, de minha relatoria,
Primeira Turma, DJe 28.3.2012). “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MEIO AMBIENTE. MINERAÇÃO.
DANOS CAUSADOS. INDENIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DA UNIÃO. NECESSIDADE
DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA
279. PRECEDENTES. FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADO. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA 284 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – A lide foi
decidida com base na aplicação de normas de natureza infraconstitucional, que não são
passíveis de exame na via extraordinária. II – Para se chegar à solução diversa daquela
adotada pelo Tribunal a quo seria necessário o reexame de matéria fática o que não é
possível, conforme o teor da Súmula 279 deste Tribunal. III – Não atacados todos os
fundamentos da decisão agravada, deve incidir o óbice da Súmula 284 do STF. IV – Agravo
regimental a que se nega provimento” (RE n. 612.592-AgR, Relator o Ministro Ricardo
Lewandowski, Segunda Turma, DJe 27.6.2014). Nada há a prover quanto às alegações do
Agravante. 7. Pelo exposto, nego seguimento ao agravo (art. 544, § 4º, inc. II, al. a, do Código
de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal).
Publique-se. Brasília, 6 de novembro de 2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 925289 MG MINAS GERAIS 0030665-
55.2004.8.13.0540 (STF)
Data de publicação: 11/11/2015

Decisão: Trata-se de agravo interposto contra decisão de inadmissibilidade de recurso


extraordinário em face de acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ementado nos
seguintes termos: “APELAÇÃO CÍVEL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. RESÍDUOS SÓLIDOS
URBANOS. COLETA E DEPÓSITO. IRREGULARIDADES. DANOS AMBIENTAIS. ATO DE
IMPROBIDADE. PREFEITO MUNICIPAL. CONFIGURAÇÃO. SANÇÕES. ARTIGO 12 DA LEI
N. 8.429/1992. PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. 1. É de se reconhecer o ato de
improbidade administrativa, com base nos artigos 10 e 11, ambos da Lei n. 8.429, de 1992,
quando evidenciados danos ao ambiente, além de prejuízos ao erário, por irregularidades na
coleta e no depósito de resíduos sólidos urbanos que persistiram face a conduta do Prefeito
Municipal acerca da questão. 2. O agente público, que pratica ato de improbidade
administrativa, deve ser submetido às sanções cominadas no artigo 12 da Lei n. 8.429, de
1992, observadas, na fixação destas, as particularidades do caso, em respeito ao princípio da
proporcionalidade. 3. Sentença mantida”. (eDOC 2, p. 123). No recurso extraordinário,
interposto com fundamento no artigo 102, III, a, da Constituição Federal, sustenta-se, em
preliminar, a repercussão geral da matéria. No mérito, aponta-se, violação ao artigo 37, § 4º,
do texto constitucional. Nas razões recursais, defende-se, em síntese, que não há como
configurar a conduta como ímproba, haja vista existir um Termo de Ajustamento de Conduta
para solucionar o problema do lixão. Ademais, sustenta-se violação aos princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade. Decido. A irresignação não merece prosperar.
Inicialmente, convém reproduzir o assentado pelo Tribunal de origem: “Indiscutível que o
direito ao ambiente ecologicamente equilibrado, amparado no artigo 225 da Constituição da
República de 1998, perpassa pela própria destinação de resíduos sólidos urbanos, a cargo
dos Municípios. Os autos do Inquérito Civil carreado às f. 32/139, evidenciam as
irregularidades que expõem o ambiente e a própria comunidade, mesmo depois de firmado
Termo de Ajustamento de Conduta - TAC, em 25 de novembro de 2004, entre o Ministério
Público Estadual e o Município de Raul Soares (no ato, representado pelo apelante, Homero
Ribeiro, Prefeito Municipal), para fins de ser estabelecido um aterro controlado para
disposição final dos resíduos sólidos e minimização dos impactos ambientais (f. 113/117 -
TAC). Já no ano de 2004, vistoria realizada pela Polícia Militar de Minas Gerais, no local onde
se localizava o "lixão", constatava a permanência da má coleta e da inexistência de depósito
regular dos resíduos sólidos urbanos, face à ausência de sistema de drenagem pluvial no
terreno, bem como de compactação e recobrimento do lixo, fatos esses agravados pela
constatação de presença de animais e de pessoas entre os detritos (f. 126/127 - Relatório de
Vistoria). O então Prefeito Municipal, por sua vez, ao ser notificado para dar cumprimento
ao TAC, apenas informou que estava em andamento, junto à FEAM, processo de
licenciamento do aterro sanitário de Raul Soares à implantação do sistema adequado de
destinação final dos resíduos sólidos, além de esclarecer que já teriam sido adotadas, dentro
das possibilidades, medidas para atender à Deliberação Normativa COPAM n. 52/2001 (f.
129). A FEAM, por meio de representação datada de 16 de janeiro de 2006 (f. 297/307),
comunicava a permanência do "lixão" em Raul Soares e solicitava, ao Ministério Público
Estadual, a instauração de procedimento para apuração da responsabilidade pela
degradação ambiental. Em vistoria técnica realizada em 18 de novembro de 2008, o Sr.
Analista Ambiental apontou irregularidades e concluiu pela necessidade de o Município
finalizar, rapidamente, a construção da Usina de Triagem e Compostagem - UTC, permitindo
a desativação e o isolamento do "lixão", além do início de recomposição da área onde se
encontra (f. 368/372). Foram prestados outros esclarecimentos técnicos, conforme f. 382.
Inegável, pelas próprias manifestações das partes e pelos elementos destacados
anteriormente, que persistiram, ao longo de vários anos, as irregularidades na coleta e na
destinação dos resíduos sólidos urbanos em Raul Soares. Nem o TAC, regularmente firmado,
foi cumprido, culminando na propositura de ação de execução contra o Município de Raul
Soares, envolvendo o valor atinente à multa prevista na Cláusula Quarta do TAC (f. 116).
Assim, a conduta do apelante, em se omitir na solução da questão dos resíduos sólidos
urbanos, a tempo e modo oportunos, é reveladora do ato de improbidade administrativa de
"agir negligentemente no que diz respeito à conservação do patrimônio público" e de
"retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício", respectivamente previstas no
artigo 10, X, e no artigo 11, II, ambos da Lei n.8.429, de 1992. Nota-se que o depósito
irregular causou danos ambientais. Inegável, ainda, que o erário municipal sofreu prejuízo
retratado na multa assumida no TAC (Cláusula Quarta - f. 16) e objeto de ação de execução
contra o Município de Raul Soares. Há justificativa suficiente para a aplicação cumulativa das
sanções previstas no artigo 12 da Lei n. 8.429, de 1992, e definidas no ato sentencial,
notadamente o ressarcimento do valor da multa possivelmente suportada, na prática, pela
Municipalidade. Isso porque a aplicação está respaldada nas particularidades do caso, no
enquadramento da conduta nos artigos 10, X, e 11, II, da referida lei - ainda que inexistente
o proveito econômico do então Prefeito Municipal - e no princípio da proporcionalidade”
(eDOC 2, p. 128-130). Na espécie, verifico que divergir do entendimento adotado pelo
tribunal a quo demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório e da legislação
infraconstitucional aplicável à espécie, o que não enseja a abertura do recurso
extraordinário, uma vez que se aplica o enunciado da Súmula 279 do STF. Confiram-se, a
propósito, os seguintes precedentes de ambas as Turmas desta Corte: “Agravo regimental no
recurso extraordinário. Ação civil pública. Improbidade administrativa. Promoção pessoal.
Caracterização. Fatos e provas. Reexame. Impossibilidade. Precedentes. 1. A discussão sobre
a caracterização de promoção pessoal em publicidade veiculada pela administração local não
prescinde da análise dos fatos e das provas dos autos, a qual é incabível na via
extraordinária, a teor do disposto na Súmula nº 279 da Corte. 2. Agravo regimental não
provido.” (RE 607437 AgR, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, DJe 8.10.2014)“AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL
PÚBLICA. AUSÊNCIA DE CARÁTER INFORMATIVO DA PUBLICIDADE. IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.” (ARE 741379 AgR, Rel.
Min. CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, DJe 30.8.2013) Ante o exposto, conheço do presente
agravo para negar-lhe provimento (art. 544, § 4º, II, a, CPC e art. 21, § 1º, RISTF). Publique-
se. Brasília, 5 de novembro de 2015. Ministro Gilmar Mendes Relator Documento assinado
digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 768304 MG MINAS GERAIS 0357037-
51.2010.8.13.0024 (STF)
Data de publicação: 02/10/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. LEI Nº 14.309/2002. DIREITO


AMBIENTAL. COMPETÊNCIA CONCORRRENTE. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. MULTA. OFENSA
REFLEXA. ANÁLISE DE NORMA INFRACONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL NÃO
EXAMINADA EM FACE DE OUTROS FUNDAMENTOS QUE OBSTAM A ADMISSÃO DO APELO
EXTREMO. AGRAVO DESPROVIDO. Decisão: Trata-se de agravo nos próprios autos,
interposto com fundamento no artigo 544 doCódigo de Processo Civil, objetivando a reforma
de decisão que inadmitiu recurso extraordinário, manejado com arrimo na alínea a do
permissivo constitucional, contra acórdão que assentou, verbis: “CONSTITUCIONAL E
ADMINISTRATIVO. INSTITUTO ESTADUAL DE FLORESTAS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA
CONCORRENTE. LEGALIDADE. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. REDUÇÃO. O IEF Instituto
Estadual de Florestas é Órgão integrante do SISNAMA, e tem competência no âmbito
estadual para fiscalizar e autuar por infração ambiental. Os Estados têm legitimidade para
legislar sobre matéria ambiental, tendo em vista a competência concorrente destes com a
União, prevista no art. 24, VI, daConstituição Federal. Pode o Tribunal rever a verba
honorária sucumbencial quando o valor arbitrado em Primeira Instância estiver equidistante
ao disposto no art. 20, do CPC.” Opostos embargos de declaração, este foram rejeitados. Nas
razões de apelo extremo, sustenta a preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta
violação aos artigos 5º, II e XLVI, e 24 daConstituição Federal. O Tribunal de origem negou
seguimento ao recurso extraordinário por entender que a violação constitucional, se
existente, seria reflexa. É o relatório. DECIDO. Ab initio, a repercussão geral pressupõe
recurso admissível sob o crivo dos demais requisitos constitucionais e processuais de
admissibilidade (art. 323 do RISTF). Consectariamente, se o recurso é inadmissível por outro
motivo, não há como se pretender seja reconhecida “a repercussão geral das questões
constitucionais discutidas no caso” (art. 102, III, § 3º, da CF). Não merece prosperar o
presente agravo. O acórdão recorrido não divergiu do entendimento do Supremo Tribunal
Federal no sentido de que a competência para legislar sobre normas concernentes à
proteção ao meio ambiente é da União, de forma geral, e aos demais entes federados, de
forma suplementar, conforme afirmado pela Corte no julgamento do AI 856.768-AgR, Rel.
Min. Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 16/10/2012, que possui a seguinte ementa:
“AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONSTITUCIONAL E
ADMINISTRATIVO. 1. COMPETÊNCIA CONCORRENTE PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO
AMBIENTAL. PRECEDENTES. 2. ANULAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. OFENSA
CONSTITUCIONAL INDIRETA. 3. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO “.
Ademais, para divergir do acórdão recorrido, no que concerne ao pedido de anulação do
auto de infração, necessário seria a análise da legislação infraconstitucional aplicável à
espécie (Lei nº 14.309/2002), bem como, o reexame do conjunto fático-probatório dos
autos, o que torna inviável o apelo extremo, nos termos da jurisprudência da Corte. Nesse
sentido, RE 413.815-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 13/6/2012, RE 585.932-
AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 9/5/2012, ARE 706.820/MG, Rel. Min.
Cármen Lúcia, DJe de 04/09/2012, a seguir ementado: “DECISÃO AGRAVO EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL: OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO AO QUAL SE NEGA
SEGUIMENTO.” Ex positis, DESPROVEJO o agravo, com fundamento no disposto no artigo 21,
§ 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 29 de setembro de 2015. Ministro LUIZ FUX Relator
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STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 795715 RS RIO GRANDE DO SUL (STF)


Data de publicação: 02/10/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. ILHA COSTEIRA. USUCAPIÃO. ALEGADA ÁREA


DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA
E DO CONTRADITÓRIO. NECESSIDADE DE INCURSIONAMENTO NO CONJUNTO FÁTICO-
PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 279 DO STF.
REPERCUSSÃO GERAL NÃO EXAMINADA EM FACE DE OUTROS FUNDAMENTOS QUE OBSTAM
A ADMISSÃO DO APELO EXTREMO. RECURSO DESPROVIDO. Decisão: Trata-se de recurso
extraordinário, manejado com arrimo na alínea a do permissivo constitucional, contra
acórdão que assentou, verbis: “CONSTITUCIONAL. ILHA COSTEIRA. TERRAS DEVOLUTAS.
INOCORRÊNCIA. PROPRIEDADE PRIVADA. MATRÍCULA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO
PERMANENTE. LIMITAÇÃO LEGAL. Improvimento da apelação e da remessa oficial.” Os
embargos de declaração opostos foram parcialmente providos, sem efeitos infringentes. Nas
razões do apelo extremo, sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta
violação aos artigos 5º, XXXV, LIV e LV, 20, II, 225, § 5º, 183, § 3º, e 191 daConstituição
Federal. O Tribunal a quo admitiu o recurso extraordinário. É o relatório. DECIDO. O recurso
não merece prosperar. Ab initio, a repercussão geral pressupõe recurso admissível sob o
crivo dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade (artigo 323 do
RISTF). Consectariamente, se inexiste questão constitucional, não há como se pretender seja
reconhecida a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso
(artigo 102, § 3º, da CF). Verifica-se que a controvérsia acerca da usucapião de imóvel
situado em área de preservação ambiental, quando aferida pelas instâncias ordinárias,
implica a análise do conjunto fático-probatório dos autos, procedimento inviável em sede de
recurso extraordinário. Além disso, divergir do entendimento do Tribunal a quo demandaria
o reexame do conjunto fático-probatório dos autos. Não se revela cognoscível, em sede de
recurso extraordinário, a insurgência que tem como escopo o incursionamento no contexto
fático-probatório engendrado nos autos, porquanto referida pretensão não se amolda à
estreita via do apelo extremo, cujo conteúdo se restringe à discussão eminentemente de
direito, face ao óbice erigido pela Súmula nº 279 do STF. Sob esse enfoque, ressoa
inequívoca a vocação para o insucesso do apelo extremo, por força do óbice intransponível
do referido verbete sumular, que veda a esta Suprema Corte, em sede de recurso
extraordinário, sindicar matéria fática. Por oportuno, vale destacar preciosa lição de Roberto
Rosas acerca da Súmula nº 279 do STF: “Chiovenda nos dá os limites da distinção entre
questão de fato e questão de direito. A questão de fato consiste em verificar se existem as
circunstâncias com base nas quais deve o juiz, de acordo com a lei, considerar existentes
determinados fatos concretos. A questão de direito consiste na focalização, primeiro, se a
norma, a que o autor se refere, existe, como norma abstrata (Instituições de Direito
Processual, 2ª ed., v. I/175). Não é estranha a qualificação jurídica dos fatos dados como
provados (RT 275/884 e 226/583). Já se refere a matéria de fato quando a decisão assenta
no processo de livre convencimento do julgador (RE 64.051, Rel. Min. Djaci Falcão, RTJ
47/276); não cabe o recurso extraordinário quando o acórdão recorrido deu determinada
qualificação jurídica a fatos delituosos e se pretende atribuir aos mesmos fatos outra
configuração, quando essa pretensão exige reexame de provas (ERE 58.714, Relator para o
acórdão o Min. Amaral Santos, RTJ 46/821). No processo penal, a verificação entre a
qualificação de motivo fútil ou estado de embriaguez para a apenação importa matéria de
fato, insuscetível de reexame no recurso extraordinário (RE 63.226, Rel. Min. Eloy da Rocha,
RTJ 46/666). A Súmula 279 é peremptória: ‘Para simples reexame de prova não cabe recurso
extraordinário’. Não se vislumbraria a existência da questão federal motivadora do recurso
extraordinário. O juiz dá a valoração mais conveniente aos elementos probatórios,
atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas
partes. Não se confunda com o critério legal da valorização da prova (RTJ 37/480,
56/65)(Pestana de Aguiar, Comentários ao Código de Processo Civil, 2ª ed., v. VI/40, Ed. RT;
Castro Nunes, Teoria e Prática do Poder Judiciário, 1943, p. 383). V. Súmula STJ-7.“ (Direito
Sumular. São Paulo: Malheiros, 2012, 14ª Edição, p. 137-138). Quanto à alegação de ofensa
ao artigo 5º, XXXV, melhor sorte não assiste à recorrente, tendo em vista que da análise dos
autos é possível observar que a parte se valeu dos meios recursais cabíveis e teve a
jurisdição devidamente prestada por decisões fundamentadas, embora contrária aos seus
interesses. Assim, não resta caracterizada a negativa de prestação jurisdicional. Nesse
sentido, ARE 740.877-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe de 4/6/2013, o
qual possui a seguinte ementa: “Agravo regimental em recurso extraordinário com agravo. 2.
Administrativo. 3. Alegação de ausência de prestação jurisdicional. Decisão fundamentada,
embora contrária aos interesses da parte, não configura negativa de prestação jurisdicional.
Precedente: AI-QO-RG 791.292 de minha relatoria, DJe 13.8.2010. 4. Afronta aos princípios
do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, se dependente do reexame
prévio de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa à Constituição Federal, o que
inviabiliza o processamento do recurso extraordinário. 5. Alegação de ofensa ao princípio da
legalidade. Enunciado 636 da Súmula desta Corte. 6. Ausência de argumentos suficientes
para infirmar a decisão recorrida. 7. Agravo regimental a que se nega provimento.” Ademais,
os princípios da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e os limites da
coisa julgada, quando debatidos sob a ótica infraconstitucional, não revelam repercussão
geral apta a tornar o apelo extremo admissível, consoante decidido pelo Plenário Virtual do
STF na análise do ARE 748.371, da Relatoria do Ministro Gilmar Mendes, DJe de 1º/8/2013,
conforme se pode destacar do seguinte trecho da manifestação do referido julgado: “Ante o
exposto, manifesto-me pela rejeição da repercussão geral do tema relativo à suposta
violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do
devido processo legal, quando o julgamento da causa depender de prévia análise da
adequada aplicação das normas infraconstitucionais.” Nesse sentido foi a decisão proferida
no RE 605.658, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 22/2/2010, caso semelhante ao presente,
verbis: “RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS. ADMINISTRATIVO. USUCAPIÃO DE ALEGADA ÁREA
DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DA ANÁLISE PRÉVIA DE LEGISLAÇÃO
INFRACONSTITUCIONAL E DO REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO CONSTANTE DOS
AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA
279 DESTE SUPREMO TRIBUNAL. RECURSOS AOS QUAIS SE NEGA SEGUIMENTO.” Ex positis,
DESPROVEJO o recurso extraordinário, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF.
Publique-se. Brasília, 29 de setembro de 2015. Ministro Luiz Fux Relator Documento
assinado digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 892894 SP SÃO PAULO 0016143-
44.2001.4.03.6100 (STF)
Data de publicação: 02/10/2015

Decisão: Trata-se de agravo contra decisão de inadmissibilidade de recurso extraordinário


em face de acórdão da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que
reconheceu a constitucionalidade da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TCFA,
prevista na Lei nº 10.165/2000. No recurso extraordinário, interposto com fundamento no
art. 102, III, “a”, daConstituição Federal, aponta-se violação aos arts. 18; 23, parágrafo
único;145, II e § 2º; 150, II, 154, I; e 167, IV, do texto constitucional. O recorrente aduz, em
síntese, a inconstitucionalidade da lei que instituiu a obrigação tributária concernente à
denominada Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TCFA. Decido. Verifico que a
discussão foi tratada no Plenário do Supremo Tribunal Federal no exame do RE 416.601,
relatoria do Ministro Carlos Velloso, DJe 30.9.2005, no qual considerou-se constitucional a
Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental, instituída pela Lei nº 10.165/2000. O acórdão
restou assim ementado: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IBAMA: TAXA DE FISCALIZAÇÃO.
Lei 6.938/81, com a redação da Lei 10.165/2000, artigos 17-B, 17-C, 17-D, 17-G. C.F.,
art. 145, II. I. - Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental - TCFA - do IBAMA: Lei 6.938, com a
redação da Lei10.165/2000: constitucionalidade. II. - R.E. conhecido, em parte, e não
provido.” Nota-se que o acórdão recorrido não divergiu da orientação firmada por esta
Corte, não assistindo, portanto, razão ao agravante. Ante o exposto, conheço do presente
agravo para negar-lhe provimento (art. 544, § 4º, II, “a”, do CPC). Publique-se. Brasília, 29 de
setembro de 2015. Ministro Gilmar Mendes Relator Documento assinado digitalmente.

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 916789 DF DISTRITO FEDERAL


0003555-90.2001.4.01.3600 (STF)
Data de publicação: 01/10/2015
DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. TAXA DE CONTROLE E
FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. LEI N. 10.165/2000. CONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA DE
CONTRARIEDADE AO ART.93, INC. IX, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. HARMONIA DO
ACÓRDÃO RECORRIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO
AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo nos autos principais contra inadmissão
de recurso extraordinário interposto com base na al. a do inc. III do
art. 102 daConstituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal
da Primeira Região: “CONSTITUCIONAL - TRIBUTÁRIO - PROCESSUAL CIVIL - TAXA DE
FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL - LEI Nº9.960/2000 - INCONSTITUCIONALIDADE - TAXA DE
CONTROLE E FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL - LEI Nº 10.165/2000 - CONSTITUCIONALIDADE”. Os
embargos de declaração opostos foram rejeitados. 2. A Agravante alega contrariedade aos
arts. 93, inc. IX, 145, inc. IIe § 2º, e 150, inc. IV, da Constituição da República, sustentando
que “a base de cálculo da taxa ora impugnada conforme disposta na Lei no 10.165, de 27 de
dezembro de 2000 é manifestamente desproporcional com o critério material da regra-
matriz de incidência tributária, uma vez que o capital social da empresa (base de cálculo
fixada na lei) não confirma se trata-se de uma atividade mais ou menos poluidora. Ou seja,
mais uma vez vislumbra-se a violação do artigo 145, II c/c o artigo 145, parágrafo segundo e
artigo 150, IV - todos da CF”. 3. O recurso extraordinário foi inadmitido ao fundamento de
harmonia do acórdão recorrido com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
Apreciada a matéria trazida na espécie, DECIDO. 4. No art. 544 doCódigo de Processo Civil,
com as alterações da Lei n. 12.322/2010, estabeleceu-se que o agravo contra inadmissão de
recurso extraordinário processa-se nos autos do recurso, ou seja, sem a necessidade da
formação de instrumento. Sendo este o caso, analisam-se, inicialmente, os argumentos
expostos no agravo, de cuja decisão se terá, se for o caso, exame do recurso extraordinário.
5. Razão jurídica não assiste à Agravante. 6. A alegação de nulidade do acórdão por
contrariedade ao art. 93, inc. IX, da Constituição da República não pode prosperar. Embora
em sentido contrário à pretensão da Agravante, o acórdão recorrido apresentou suficiente
fundamentação. Conforme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, “o que
aConstituição exige, no art. 93, IX, é que a decisão judicial seja fundamentada; não, que a
fundamentação seja correta, na solução das questões de fato ou de direito da lide:
declinadas no julgado as premissas, corretamente assentadas ou não, mas coerentes com o
dispositivo do acórdão, está satisfeita a exigência constitucional” (RE 140.370, Relator o
Ministro Sepúlveda Pertence, RTJ 150/269). 7. O acórdão recorrido harmoniza-se com a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: “DIREITO TRIBUTÁRIO. TAXA DE CONTROLE E
FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL – TCFA. INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E RECURSOS
NATURAIS RENOVÁVEIS – IBAMA. LEI Nº10.165/2000. CONSONÂNCIA DA DECISÃO
RECORRIDA COM A JURISPRUDÊNCIA CRISTALIZADA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO MERECE TRÂNSITO. ACÓRDÃO RECORRIDO
PUBLICADO EM 17.4.2009. O entendimento adotado pela Corte de origem, nos moldes do
que assinalado na decisão agravada, não diverge da jurisprudência firmada no âmbito deste
Supremo Tribunal Federal, no sentido de ser constitucional a Taxa de Controle e Fiscalização
Ambiental – TCFA (RE 416.601/DF, Rel. Min. Carlos Velloso, Pleno, DJ 30.9.2005). As razões
do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a
decisão agravada. Agravo regimental conhecido e não provido” (AI 860.067-AgR, Relatora a
Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 5.3.2015). “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. INADMISSÃO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS PRECEDENTES
POSTOS A CONFRONTO. TAXA DE CONTROLE E FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL.
CONSTITUCIONALIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA. ART. 332 DO RISTF. 1. É pacífico na
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal o entendimento de que é constitucional a Taxa
de Controle e Fiscalização Ambiental instituída pela Lei 10.165/00 (RE 416.601/DF, rel. Min.
CARLOS VELLOSO, Pleno, unânime, DJ de 30.9.2005). 2. Agravo regimental a que se nega
provimento” (RE 603.513-AgR-EDv-AgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Segunda Turma,
DJe 30.4.2014). “TAXA DE CONTROLE E FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL – CONSTITUCIONALIDADE.
O Tribunal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 416.601/DF, da relatoria do Ministro
Carlos Velloso, concluiu pela constitucionalidade da Taxa de Controle e Fiscalização
Ambiental. AGRAVO – CARÁTER INFUNDADO – MULTA. Surgindo do exame do agravo a
convicção sobre o caráter manifestamente infundado, impõe-se a aplicação da multa
prevista no § 2º do artigo 557 do Código de Processo Civil” (RE 682.168-AgR, Relator o
Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, DJe 20.9.2013). Nada há a prover quanto às
alegações da Agravante. 8. Pelo exposto, nego seguimento a este agravo (art. 544, § 4º, inc.
II, al. a, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo
Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 28 de setembro de 2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA
Relatora

STF - AG.REG. NA SUSPENSÃO DE LIMINAR AgR SL 368 MT MATO GROSSO 0009889-


74.2009.1.00.0000 (STF)
Data de publicação: 15/09/2015
Trata-se de agravo regimental interposto da seguinte decisão: “Trata-se de pedido de
suspensão de liminar (fls. 02-33), formulado pelo Estado de Mato Grosso, contra decisão
monocrática que negou seguimento ao Agravo de Instrumento n.º 2009.01.00049394-0, em
trâmite no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mantendo decisão liminar proferida pelo
juízo da 3ª Vara Federal de Mato Grosso nos autos da Ação Civil Pública n.º
2009.36.00.009043-1. A decisão impugnada (fls. 54-70) deferiu liminar em ação civil pública,
movida pelo Ministério Público Federal, para suspender os efeitos da Licença Prévia (LP) e da
Licença de Instalação (LI) referentes à Pequena Central Hidrelétrica (PCH) denominada
'Jesuíta', no rio Juruena, bem como determinar ao Estado de Mato Grosso que se abstenha
de prosseguir no respectivo licenciamento ambiental (fls. 55-70). Segundo o relato do
pedido de suspensão, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública, com pedido
liminar, perante a 3ª Vara Federal de Mato Grosso, contra o Estado do Mato Grosso, o
IBAMA e a 'Maggi Energia S/A', apontando irregularidades no licenciamento ambiental
promovido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA/MT) e a alegação de sua
incompetência para o referido licenciamento, que deveria ser atribuição do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Na ação civil
pública (fls. 34-53), o MPF sustenta que a SEMA/MT não seria competente para o
licenciamento ambiental na hipótese, em razão do impacto direto e indireto do
empreendimento sobre terras indígenas, além da influência sobre a bacia do rio Juruena e
do aproveitamento de recursos hídricos, ambos de propriedade da União (arts. 20,
incisos III, VIII e XI, e176, da Constituição Federal). Além disso, a SEMA/MT não estaria
levando em conta diversas irregularidades existentes no processo ao conceder a renovação
das licenças ambientais. Assim, o órgão competente para o licenciamento seria o IBAMA, nos
termos do art. 10, § 4º, da Lei n.º 6.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente) e da
Resolução CONAMA n.º 237/97. O juízo da 3ª Vara Federal de Mato Grosso (fls. 54-70)
deferiu a liminar, entendendo tratar-se de empreendimento de impacto ambiental
significativo, de âmbitos regional - a partir de uma perspectiva holística do denominado
'complexo Juruena' (que compreende a construção de oito pequenas centrais hidrelétricas e
duas usinas hidrelétricas) - e nacional, tendo em vista o impacto direto sobre mais de oitenta
comunidades indígenas. Contra a referida decisão foi interposto agravo de instrumento, que
foi indeferido monocraticamente (fls. 119-122) pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
O relator, ao fundamentar sua decisão, considerou que o rio Juruena integra a Bacia
Amazônica, que constitui patrimônio de interesse nacional (art. 225, § 4º, da CF)– o que
justifica a competência do IBAMA para o licenciamento em questão –, mantendo a decisão
liminar agravada. O pedido de suspensão de liminar é baseado em argumentos de grave
lesão à ordem, à economia e à saúde públicas. Enfatiza o requerente que, com o
licenciamento ambiental, os empreendedores iniciaram investimentos que alcançam o valor
de R$ 102.313.500,36 (cento e dois milhões, trezentos e treze mil quinhentos reais e trinta e
seis centavos) (fl. 1046). Observa também a paralisação das atividades de cerca de 2.000
postos de trabalho. Sustenta, ainda, que o meio ambiente ficará desprotegido pela
paralisação, atingindo o programa de prevenção, mitigação e compensação previsto no EIA.
Decido. A base normativa que fundamenta o instituto da suspensão (Leis
n.os 12.016/09,8.437/92, 9.494/97 e art. 297 do RISTF) permite que a Presidência do
Supremo Tribunal Federal, a fim de evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à
economia públicas, suspenda a execução de decisões concessivas de segurança, de liminar
ou de tutela antecipada, proferidas pelos tribunais locais ou federais em única ou última
instância, quando a discussão travada na origem for de índole constitucional. Assim, é a
natureza constitucional da controvérsia que justifica a competência do Supremo Tribunal
Federal para apreciar o pedido de contracautela, conforme a pacificada jurisprudência desta
Corte, destacando-se os seguintes julgados: Rcl 497-AgR/RS, rel. Min. Carlos Velloso,
Plenário, DJ 06.4.2001; SS 2.187-AgR/SC, rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 21.10.2003; e SS
2.465/SC, rel. Min. Nelson Jobim, DJ 20.10.2004. Na ação civil pública originária, discute-se o
licenciamento ambiental de empreendimento a ser instalado em área que constitui
patrimônio nacional (art. 225, § 4º, da CF), de propriedade da União (arts. 20,
incisos III e VIII, e 176, da CF), e que pode estar afetando terras tradicionalmente ocupadas
por indígenas (arts. 20, inciso XI, e 231, § 3º, daCF). Discute-se, ainda, a competência
executiva para o licenciamento ambiental, nos termos do artigo 23 da Constituição. Não há
dúvida, portanto, de que a matéria discutida na origem reveste-se de índole constitucional.
Feitas essas considerações preliminares, passo à análise do pedido, o que faço apenas e tão
somente com base nas diretrizes normativas que disciplinam as medidas de contracautela.
Ressalte-se, não obstante, que, na análise do pedido de suspensão de decisão judicial, não é
vedado ao Presidente do Supremo Tribunal Federal proferir um juízo mínimo de delibação a
respeito das questões jurídicas presentes na ação principal, conforme tem entendido a
jurisprudência desta Corte, da qual se destacam os seguintes julgados: SS 846-AgR/DF, rel.
Ministro Sepúlveda Pertence, DJ 29.5.96; SS 1.272-AgR/RJ, rel. Ministro Carlos Velloso, DJ
18.5.2001. O art. 15 da Lei n.º 12.016/09 autoriza o deferimento do pedido de suspensão da
liminar concedida nas ações movidas contra o Poder Público ou seus agentes, a
requerimento da pessoa jurídica de direito público interessada, em caso de manifesto
interesse público ou de flagrante ilegitimidade, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à
segurança e à economia públicas. No caso, entendo que está devidamente demonstrado o
fundamento de aplicabilidade do instituto da suspensão, visto que a decisão impugnada - ao
determinar a imediata suspensão de licenças ambientais concedidas pela SEMA/MT para a
construção da PCH 'Jesuíta', no rio Juruena, paralisando com isso as obras até julgamento
final do processo principal - representa risco de grave lesão à ordem, à economia e à saúde
públicas do Estado de Mato Grosso. Para se chegar a essa constatação, basta observar que
as obras de instalação já se iniciaram há mais de um ano (licença de instalação concedida
desde 05.09.2008 / fl. 31), e verificar o seu adiantado estágio (fls. 173-182), com cortes de
terreno já efetivados, procedimentos iniciais de escavação e instalação de linhas de
transmissão, que certamente se perderão pela ação do tempo. Também merecem atenção
os efeitos deletérios ao próprio equilíbrio do meio ambiente pela manutenção de grande
área desmatada e cavada, podendo até mesmo vir a causar danos ambientais decorrentes e
não previstos, caso seja impedida a sua continuidade. Pelo que consta dos autos e das
alegações das partes, tem-se que a PCH ‘Jesuíta’ não será instalada em área indígena, mas
em suas adjacências, situação que, em análise perfunctória, distanciar-se-ia da necessidade
de autorização do Congresso Nacional, exigida pelo art. 231, § 3º, da Constituição Federal. É
preciso enfatizar, neste juízo mínimo acerca do mérito, algumas questões que não são
refutadas mesmo pelas decisões impugnadas. Em primeiro lugar, houve estudo de impacto
ambiental em sua modalidade mais rigorosa (EIA/RIMA), concluso em maio de 2007. Ao
mesmo tempo, o cerne da discussão jurídica não é o de produção de danos ambientais, mas
de competência para o licenciamento ambiental, em que o Ministério Público Federal alega,
e a decisão impugnada acolhe, em sede liminar, o argumento de atribuição do IBAMA para o
licenciamento da PCH Jesuíta (integrante do complexo Juruena), em detrimento do órgão
ambiental estadual. Contudo, o próprio IBAMA já manifestou (fls. 141-161), nos autos da
ação originária, não deter competência para atuação no caso concreto, por não se tratar de
terras indígenas, e por ter constatado que o impacto da obra apresenta influência apenas no
Estado de Mato Grosso. Ao mesmo tempo, a decisão proferida pelo TRF da 1ª Região adota,
como fundamento necessário e suficiente para que o licenciamento seja atribuído ao IBAMA,
o fato de se tratar de área considerada de patrimônio nacional, distanciando-se, portanto,
dos critérios norteados da Lei n.º 6.938/81 e da Resolução CONAMA n.º 237/97 (critério da
amplitude do impacto ambiental direto), a saber: ‘[...] O empreendimento, PCH Jesuíta, está
situado no complexo Juruema, que é a denominação dada ao aproveitamento energético
localizado entre as cabeceiras do rio Juruena e sua confluência com o rio Juina, conforme
documento de fls. 782. O rio Juruena integra a Bacia Amazônica que é considerada como
patrimônio nacional, nos termos do art. 225, § 4º, da Constituição Federal, o que revela o
interesse nacional, capaz de estabelecer, por si só, a competência do IBAMA para o
licenciamento do empreendimento em questão, em atendimento ao art. 10, § 4º, da
Lei 6.938/81 que dispõe: [...] Diante disso, a constatação de interesse nacional, em relação
ao empreendimento em questão, é suficiente para definir a competência do IBAMA para o
seu licenciamento. [...] De tal sorte, o ato judicial que suspendeu as Licenças Prévia e de
Instalação, expedidas pelo órgão estadual, não se revela contraveniente à ordem jurídica,
diante da constatação da competência do IBAMA para sua expedição.’ (fls. 120-122 – grifo
nosso) De toda sorte, a alteração da atribuição do licenciamento ambiental do órgão
ambiental estadual (SEMA/MT) e a suspensão das obras, sem previsão de continuidade, em
sede liminar, com o argumento exclusivo de que a competência seria do órgão federal,
alteram a regular ordem administrativa e causam grave lesão à ordem, à segurança e à
saúde públicas (cfe. STA 286, Min. Cezar Peluso, DJ de 11.02.2009). Ao mesmo tempo, há
grave lesão à ordem econômica do Estado de Mato Grosso, na medida em que a suspensão
por tempo indeterminado (até decisão meritória no processo principal de ação civil pública)
das obras da PCH Jesuíta impacta negativamente a execução financeira do empreendimento,
que está lastreado em recursos obtidos pelo BNDES (fls. 24-25) e é considerado
empreendimento de vultoso investimento, conforme planilha de gastos apresentada às fls.
1045-1081. Ademais, ressalto que a Presidência desta Corte já proferiu decisão em sentido
semelhante em relação a outras Pequenas Centrais Hidrelétricas ao longo do Rio Juruena,
em que se discutia grave lesão à ordem, à economia, à saúde e à segurança públicas do
Estado de Mato Grosso (SL 246, de minha relatoria, DJ de 18.06.2008). Ante o exposto,
defiro o pedido para suspender a execução da decisão monocrática proferida nos autos do
Agravo de Instrumento n.º 2009.01.00049394-0, em trâmite no Tribunal Regional Federal da
1ª Região, que manteve a decisão liminar proferida pelo juízo da 3ª Vara Federal de Mato
Grosso nos autos da Ação Civil Pública n.º 2009.36.00.009043-1. Publique-se. Comunique-se
com urgência. Após o trânsito em julgado, arquivem-se os autos.” (fls. 1085-1092). O
agravante sustenta se tratar de Pequena Central Hidrelétrica – PCH Jesuíta, localizada no Rio
Juruena, cujas licenças ambientais foram expedidas pela Secretaria de Meio Ambiente do
Estado de Mato Grosso do Sul, órgão incompetente ao seu ver, visto que o empreendimento
está localizado em área que constitui patrimônio nacional, de propriedade da União,
cabendo ao IBAMA a expedição das licenças. Aduz, em relação à competência, que “(a) lei
nº 6.938/81 atribui a competência para o licenciamento ambiental, em regra, aos órgãos
ambientais estaduais, sendo que ao IBAMA caberá exercer tal competência em caráter
supletivo. De outro lado, será de atribuição do IBAMA, aqui em caráter originário, a
concessão de licença a toda e qualquer atividade cujos impactos ambientais possam ser
considerados significativos, como é o caso daqueles produzidos sobre rios federais – assim
definidos por banharem mais de um Estado o u terrenos de domínio da União, como é o
caso do Rio Juruena” (fl. 1116). Aponta a inexistência de lesão à ordem, à saúde e à
economia públicas do Estado do Mato Grosso hábeis a autorizar o deferimento da
contracautela. Ademais, destaca que “os atos normativos federais que disciplinam o estudo
de impacto ambiental são normas gerais e não podem ser contrariadas pelos Estados e
Municípios para o fim de reduzir o grau de proteção ao meio ambiente” (fl. 1117). Em
relação ao território indígena, argumenta que esta incluí toda a área da qual o índio ou sua
comunidade utilize para caça ou pesca, não estando restrita apenas ao local onde se situa a
aldeia. Neste ponto, acrescenta que “dentre as garantias que o constituinte reservou aos
povos indígenas está a obrigatoriedade de autorização, por parte do Congresso Nacional, do
aproveitamento de recursos hídricos em terras indígenas” (fl. 1118). Indica que a decisão
proferida no agravo de instrumento pelo Tribunal Regional da 1ª Região determinou a
intervenção da ANEEL e do IBAMA, o que comprova a competência do órgão federal para
expedição das licenças ambientais. Entende, assim, que a “lesão à ordem, à saúde e à
economia públicas ocorrerão, em verdade, com a continuidade da instalação da hidrelétrica
sem a adoção das providências citadas ” (fl. 1120). Ao final requer a reconsideração da
decisão monocrática e, caso não seja este o entendimento seja o recurso submetido à
apreciação do Plenário. É o relatório. Bem examinados os autos, entendo que a pretensão do
agravante merece acolhida. Com efeito, o deferimento do pedido de suspensão exige a
presença de dois requisitos: a matéria em debate ser constitucional e a ocorrência de lesão à
ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas. Da análise dos autos, verifico que a
controvérsia diz respeito à questão constitucional (art. 20, III, VIII e XI, art. 176, 225, § 4º e
art. 231, § 3º, todos da Constituição Federal). Todavia, entendo que o risco de grave lesão à
ordem, à saúde e à economia públicas não restou devidamente demonstrado na petição
inicial do pedido de contracautela, por vislumbrar se tratar apenas de interesse econômico
em detrimento da preservação do ambiente. Esta situação inviabiliza o deferimento do
pedido de suspensão, uma vez que a norma em regência exige a configuração de risco de
grave lesão aos interesses protegidos. Portanto, ao pontuar o cabimento do pedido de
suspensão, entendo estar afastada as hipótese autorizadoras da contracautela, razão pela
qual há de ser revisto o posicionamento firmado na decisão anteriormente proferida, para
que se negue seguimento à contracautela. Isso posto, no exercício do juízo de retratação,
ínsito a todo agravo regimental, reconsidero a decisão ora recorrida, negando seguimento
ao pedido de suspensão. Publique-se. Brasília, 15 de setembro de 2015. Ministro Ricardo
Lewandowski Presidente
STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 900018 PA PARÁ (STF)
Data de publicação: 08/09/2015

Decisão: Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acordão proferido pelo


Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado: “ADMINISTRATIVO. REMESSA
OFICIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. RESTITUIÇÃO DE BEM APREENDIDO POR USO EM
CRIME AMBIENTAL. CAMINHÃO. ART. 25, § 4º, DA LEI 9.605/98. I. Em face da razoabilidade
do contido no dispositivo da sentença e à mingua de elementos que poderiam melhor
caracterizar o veículo (caminhão, destinado apenas a transporte de madeira), conclui-se pelo
não provimento da remessa. II. Remessa oficial não provida.” No recurso extraordinário,
interposto com fundamento no artigo102, III, a, da Constituição Federal, sustenta-se
preliminarmente a repercussão geral da matéria. No mérito, aponta ofensa aos
artigos 5º, XLV, e225, § 1º, VII, § 3º, da Constituição Federal. Sustenta-se, em síntese, que a
decisão recorrida afronta o princípio da precaução, tendo em vista que o meio ambiente,
uma vez agredido, dificilmente será recuperado. Diante disso, a pena de perdimento seria
necessária para dar efetividade à tutela ambiental nos termos permitidos pela Constituição.
Decido. A irresignação recursal não merece prosperar. A decisão recorrida afirma que não há
nos autos provas que demonstrem que o caminhão apreendido se trata de veículo utilizado
apenas para atividade criminosa de transporte irregular de madeira. Além disso, a sentença,
mantida pelo acórdão, entendeu que a apreensão do veículo realizada pelo IBAMA não
respeitou o princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, para divergir da decisão recorrida
seria necessário o reexame das provas contidas dos autos, o que não é possível em sede de
recurso extraordinário, a teor da Súmula 279 do STF. Além disso, seria necessária a a análise
da legislação infraconstitucional aplicada ao caso, Lei n. 9.605/98, de modo que a ofensa
à Constituição, se existente, seria reflexa ou indireta, o que inviabiliza o processamento do
presente recurso. Confira-se nesse sentido o seguinte julgado: "AGRAVO REGIMENTAL EM
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONSILIUM FRAUDIS: ALIENAÇÃO
DE BEM PENHORADO. MATÉRIA AFETA À NORMA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA
INDIRETA À CONSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO EXTRAORDINÁRIO.
Para que o recurso extraordinário possa ser conhecido a vulneração à norma constitucional
há de ser direta e frontal e não a que exige prévio exame da legislação ordinária. Agravo
regimental não provido." (AR em RE n. 184.634-8, Rel. Ministro Maurício Corrêa, DJ
25.09.98)“ADMINISTRATIVO. RECADASTRAMENTO DE CRIADOR AMADORISTA DE
PASSERIFORMES. LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA INDIRETA ÀCONSTITUIÇÃO
FEDERAL. I - O acórdão recorrido decidiu a questão dos autos com apoio na legislação
infraconstitucional aplicável à espécie. A ofensa à Constituição, acaso existente, seria
reflexa. Precedentes. II - Agravo regimental improvido” (RE 573.384-AgR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, Primeira Turma, DJe 5.6.2009 – grifei). Ante o exposto, nego seguimento ao
recurso extraordinário (arts. 21, § 1º, do RISTF, e 557, caput, do CPC). Publique-se. Brasília, 8
de setembro de 2015. Ministro Gilmar Mendes Relator Documento assinado digitalmente

STF - AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA ACO 1965 BA BAHIA 9943166-49.2012.0.01.0000 (STF)


Data de publicação: 25/08/2015

DECISÃO: Ementa: CONSTITUCIONAL E AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL ORIGINÁRIA. CONFLITO DE


ATRIBUIÇÕES ENTRE MPF E MPE. SUPOSTA COBRANÇA INDEVIDA DE TAXA PARA VISITAÇÃO
DE PARQUE MUNICIPAL. ATRIBUIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. 1.
Nos termos da orientação ainda vigente no STF, compete a esta Corte o julgamento dos
conflitos de atribuições entre membros do Ministério Público Federal e dos Estados
(art. 102, I, f, da CF). 2. Supostos desvios em taxa cobrada para visitação de parque municipal
malversa verba do Município, o que justifica a atribuição do parquet estadual. 3. Conflito
que se resolve pela atribuição do Ministério Público do Estado da Bahia, na linha do parecer
da Procuradoria-Geral da República. 1. Trata-se de conflito negativo de atribuições suscitado
pelo Ministério Público Federal em face do Ministério Público do Estado da Bahia, no curso
de procedimento instaurado para apurar a suposta prática de infração penal decorrente da
cobrança indevida e de desvios de taxa para visitação do Parque Marinho da Praia do
Espelho, situado em Porto Seguro/BA. 2. O Ministério Público do Estado da Bahia declinou
de sua atribuição por entender que o Parque Municipal Marinho da Praia do Espelho está
localizado em área de domínio da União, “ostentando a sua criação inquestionável vício de
competência e violação aos preceitos da Lei Federal nº 9.985/2000”. 3. O Ministério Público
Federal insistiu na atribuição do parquet estadual, tendo sustentado que a configuração de
ilícito penal estaria condicionada à ocorrência de desvio dos valores das taxas cobradas dos
visitantes e que a criação da taxa em si não caracterizaria uma ilicitude. Afirmou ainda que o
dever de proteção do meio ambiente cabe aos três entes federativos, sendo possível aos
Municípios a criação e a gestão de parques municipais (art. 11, § 4º, Lei nº 9.985/2000), o
que ocorreria no caso e afastaria a atribuição do parquet federal. 4. Os autos foram
remetidos ao Supremo Tribunal Federal para dirimir o conflito de atribuições entre os órgãos
do Ministério Público, com fundamento no art.102, I, f, da Constituição. 5. A Procuradoria-
Geral da República opina pela atribuição do Ministério Público do Estado da Bahia para a
condução do procedimento investigatório. 6. É o relatório. Decido. 7. A jurisprudência
anterior do Supremo Tribunal Federal apontava ser do Superior Tribunal de Justiça a
competência para dirimir os conflitos de atribuição entre órgãos do Ministério Público
Federal e dos Estados (cf. Pet 1.503, Rel. Min. Maurício Corrêa; CC 7.117, Rel. Min. Sydney
Sanches; Pet 3.005, Rel.ª Min.ª Ellen Gracie; entre outros). Tal orientação foi posteriormente
modificada, concluindo-se pela competência desta Corte para resolver tais conflitos, nos
termos do art. 102, I, f, da Constituição. Nesse linha, vejam-se os seguintes precedentes: Pet
3.258, Rel. Min. Marco Aurélio; Pet 3.631, Rel. Min. Cezar Peluso; ACO 889, Rel.ª Min.ª Ellen
Gracie; ACO 853, Rel. Min. Cezar Peluso. 8. Nada obstante, o Plenário desta Corte voltou a
discutir o tema da competência do STF para apreciar conflitos de atribuições envolvendo
órgãos do Ministério Público (ACO 1.394, Rel. Min. Marco Aurélio). Na oportunidade,
consignei, em síntese, que a competência do Supremo Tribunal Federal, por ser de direito
estrito, não poderia ser ampliada. Menos ainda, em conflito tipicamente administrativo, que
poderia ser resolvido institucionalmente pelo Conselho Nacional do Ministério Público
(art. 130-A,§ 2º, da CF). 9. No entanto, o referido processo ainda se encontra pendente de
decisão definitiva, de modo que, sem embargo de decisões monocráticas em sentido
contrário, adoto a orientação até aqui predominante e conheço do presente conflito de
atribuições. 10. No mérito, tenho por incensurável o parecer do Procurador-Geral da
República, ao pugnar pela atribuição do Ministério Público do Estado da Bahia, nos termos
seguintes: “Os Parques Nacionais compõem o grupo das Unidades de Proteção Integral
(art. 8º, I eIII, da Lei nº 9985/2000), as quais, juntamente com as Unidades de Uso
Sustentável, integram o SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza
(art. 7º da Lei nº 9985/2000). Atente-se que, se o Parque for criado pelo Estado ou
Município, ele será denominado, respectivamente, Parque Estadual ou Parque Natural
Municipal (art. 11, § 4º, da Lei nº 9985/2000. No caso, a Lei Municipal nº 856/2009, que
instituiu o Parque Municipal Marinho da Praia do Espelho em Porto Seguro/BA, dispôs que
cabe à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e à Comissão de Gestão do parque a
administração da citada unidade de conservação (artigos 5º e 7º). A taxa de visitação foi
instituída como ‘contraprestação aos serviços prestados ou mantidos à disposição do
visitante pelo poder público municipal’, e era destinada ao pagamento das despesas de
manutenção do parque; ao Fundo Municipal do Meio Ambiente e ao Fundo Municipal de
Turismo (artigos 8º, 9º e 13). Nesse contexto, a suposta prática de infração penal,
consistente no desvio e recursos públicos arrecadados dos visitantes do Parque Marinho da
Praia do Espelho a título de taxa de visitação, teria atentado contra o patrimônio do
Município de Porto Seguro/BA. Constata-se, por outro lado, que o Instituto Chico Mendes de
Biodiversidade – ICMBIO – ajuizou, na Justiça Federal em Eunápolis/BA, uma ação civil
pública contra o Município de Porto Seguro/BA, referindo-se, entre outros termos, à posição
do Parque Marinho da Praia do Espelho sobre áreas protegidas pela União, as quais
integram, especificamente, a Reserva Extrativista Corumbau e o Refúgio da Vida Silvestre Rio
dos Frades (fls. 143-147). Todavia, a questão a ser discutida no campo criminal refere-se ao
possível desvio de recursos que seriam destinados a fundos municipais ou à preservação e
manutenção das atividades do referido Parque, e não o acerto ou desacerto da instituição da
taxa de visitação ou a própria criação e sobreposição do Parque Municipal em áreas que
integram unidade de conservação federais”. 11. Não vejo como infirmar a opinião do Chefe
do Ministério Público. O Parque Marinho da Praia de Espelho foi criado pelo Município de
Porto Seguro pela Lei Municipal nº 856/2009, com fundamento no art. 11, § 4º, da Lei
nº9.985/2000, cabendo ao referido Município a gestão da unidade de conservação
ambiental, incluindo a prerrogativa para a instituição de taxas. O suposto desvio de verbas
da taxa de visitação criada, portanto, malversa verba do Município, o que justifica a
atribuição do parquet estadual para o ajuizamento de eventual ação de improbidade
administrativa. 12. Diante do exposto, conheço do presente conflito e reconheço a
atribuição do Ministério Público do Estado da Bahia para a apuração dos fatos descritos nos
presentes autos. Publique-se. Intimem-se. Brasília, 25 de agosto de 2015. Ministro Luís
Roberto Barroso Relator

STF - AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA ACO 2475 RS RIO GRANDE DO SUL 9960878-27.2014.1.00.0000
(STF)
Data de publicação: 24/08/2015
DECISÃO: Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL ORIGINÁRIA.
CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES ENTRE MPF E MPE. SUPOSTAS IRREGULARIDADES EM IMÓVEL
FINANCIADO PELA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. ATRIBUIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
ESTADUAL. 1. Nos termos da orientação ainda vigente no STF, compete a esta Corte o
julgamento dos conflitos de atribuições entre membros do Ministério Público Federal e dos
Estados (art. 102, I, f, da CF). 2. A demonstração de que a Caixa Econômica Federal atuou
apenas como agente financeiro em sentido estrito, responsável pela liberação de recursos
financeiros para a aquisição de imóvel já edificado, e não na condição de agente executor de
políticas públicas federais de promoção à moradia afasta a sua responsabilidade por
eventuais danos ambientais causados pela existência de esgoto sanitário irregular na
propriedade. Precedente do Superior Tribunal de Justiça. 3. Conflito que se resolve pela
atribuição do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, na linha da opinião da
Procuradoria-Geral da República. 1. Trata-se de conflito negativo de atribuições suscitado
pelo Ministério Público Federal em face do Ministério Público do Estado do Rio Grande do
Sul no curso de procedimento instaurado para apurar possível ocorrência de dano ambiental
causado pela existência de esgoto sanitário irregular em imóvel localizado no Município de
Santa Rosa/RS. 2. O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul declinou de sua
atribuição, em razão de o imóvel ter sido financiado pela Caixa Econômica Federal, o que,
nos termos do art. 12, parágrafo único da Lei nº 6.938/1981, poderia ensejar a
responsabilidade objetiva da instituição financeira federal pelos eventuais danos ao meio
ambiente. 3. Por outro lado, o Ministério Público Federal insistiu na atribuição do Ministério
Público Estadual, uma vez que foi constatado na instrução do procedimento administrativo
que a Caixa Econômica Federal atuou na qualidade de agente financeiro para a aquisição de
imóvel usado, de modo que não seria possível responsabilizá-la por supostos problemas na
execução de obra de particular. Tal circunstância afastaria a competência da Justiça Federal
e, consequentemente, a atuação do parquet federal. O declínio de atribuição foi
homologado pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. 4. Os
autos foram remetidos pelo Procurador-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal
para dirimir o conflito de atribuições entre os órgãos do Ministério Público, com fundamento
no art. 102, I, f, daConstituição. 5. A Procuradoria-Geral da República opina, em preliminar,
pela competência para dirimir os conflitos entre órgãos do Ministério Público e, no mérito,
pela atribuição do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul para a apuração do
suposto dano ambiental. 6. É o relatório. Decido. 7. A jurisprudência anterior do Supremo
Tribunal Federal apontava ser do Superior Tribunal de Justiça a competência para dirimir os
conflitos de atribuição entre órgãos do Ministério Público Federal e dos Estados (cf. Pet
1.503, Rel. Min. Maurício Corrêa; CC 7.117, Rel. Min. Sydney Sanches; Pet 3.005, Rel.ª Min.ª
Ellen Gracie; entre outros). Tal orientação foi posteriormente modificada, concluindo-se pela
competência desta Corte para resolver tais conflitos, nos termos do art. 102, I, f,
da Constituição. Nesse linha, vejam-se os seguintes precedentes: Pet 3.258, Rel. Min. Marco
Aurélio; Pet 3.631, Rel. Min. Cezar Peluso; ACO 889, Rel.ª Min.ª Ellen Gracie; ACO 853, Rel.
Min. Cezar Peluso. 8. Nada obstante, o Plenário desta Corte voltou a discutir o tema da
competência do STF para apreciar conflitos de atribuições envolvendo órgãos do Ministério
Público (ACO 1.394, Rel. Min. Marco Aurélio). Na oportunidade, consignei, em síntese, que a
competência do Supremo Tribunal Federal, por ser de direito estrito, não poderia ser
ampliada. Menos ainda, em conflito tipicamente administrativo, que poderia ser resolvido
institucionalmente pelo Conselho Nacional do Ministério Público (art. 130-A, § 2º, da CF). 9.
No entanto, o referido processo ainda se encontra pendente de decisão definitiva, de modo
que, sem embargo de decisões monocráticas em sentido contrário, adoto a orientação até
aqui predominante e conheço do presente conflito de atribuições. 10. No mérito, tenho por
incensurável a manifestação do Procurador-Geral da República, ao pugnar pela atribuição do
Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, nos termos seguintes: “Quanto à matéria
objeto do presente conflito, tem-se que razão assiste ao Procurador da República suscitante,
uma vez que inexiste, nos autos, interesse da União capaz de justificar a atuação do
Ministério Público Federal. Consoante entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de
Justiça, a questão da responsabilidade da CEF por vício da construção, na condição de agente
responsável pela concessão de financiamento habitacional, merece distinção, a depender do
tipo de financiamento e das obrigações a seu cargo. Nesse sentido, transcrevo ementa do
acórdão proferido no REsp 897045/RS: ”RECURSOS ESPECIAIS. SISTEMA FINANCEIRO DA
HABITAÇÃO. SFH. VÍCIOS NA CONSTRUÇÃO. AGENTE FINANCEIRO. ILEGITIMIDADE. DISSÍDIO
NÃO DEMONSTRADO. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. VÍCIO NA
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. 1. A questão da legitimidade passiva da CEF, na condição de
agente financeiro, em ação de indenização por vício de construção, merece distinção, a
depender do tipo de financiamento e das obrigações a seu cargo, podendo ser distinguidos,
a grosso modo, dois gêneros de atuação no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação, isso
a par de sua ação como agente financeiro em mútuos concedidos fora do SFH (1) meramente
como agente financeiro em sentido estrito, assim como as demais instituições financeiras
públicas e privadas (2) ou como agente executor de políticas federais para a promoção de
moradia para pessoas de baixa ou baixíssima renda. 2. Nas hipóteses em que atua na
condição de agente financeiro em sentido estrito, não ostenta a CEF legitimidade para
responder por pedido decorrente de vícios de construção na obra financiada. Sua
responsabilidade contratual diz respeito apenas ao cumprimento do contrato de
financiamento, ou seja, à liberação do empréstimo, nas épocas acordadas, e à cobrança dos
encargos estipulados no contrato. A previsão contratual e regulamentar da fiscalização da
obra pelo agente financeiro justifica-se em função de seu interesse em que o empréstimo
seja utilizado para os fins descritos no contrato de mútuo, sendo de se ressaltar que o imóvel
lhe é dado em garantia hipotecária. Precedente da 4ª Turma no REsp. 1.102.539/PE. 3.
Hipótese em que não se afirma, na inicial, tenha a CEF assumido qualquer outra obrigação
contratual, exceto a liberação de recursos para a construção. Não integra a causa de pedir a
alegação de que a CEF tenha atuado como agente promotor da obra, escolhido a
construtora, o terreno a ser edificado ou tido qualquer responsabilidade em relação ao
projeto. 4. O acórdão recorrido, analisando as cláusulas do contrato em questão, destacou
constar de sua cláusula terceira, parágrafo décimo, expressamente que "a CEF designará um
fiscal, a quem caberá vistoriar e proceder a medição das etapas efetivamente executadas,
para fins de liberação de parcelas. Fica entendido que a vistoria será feita exclusivamente
para efeito de aplicação do empréstimo, sem qualquer responsabilidade da CEF pela
construção da obra." Essa previsão contratual descaracteriza o dissídio jurisprudencial
alegado, não havendo possibilidade, ademais, de revisão de interpretação de cláusula
contratual no âmbito do recurso especial (Súmulas 5 e 7). 5. Recurso especial da CAIXA
SEGURADORA S/A não conhecido e recurso especial do CONDOMÍNIO EDIFÍCIO RESIDENCIAL
DA PRAÇA E OUTROS não provido” (REsp 897.045/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI,
QUARTA TURMA, julgado em 09/10/2012, Dje 15/04/2013). Na hipótese sob exame, note-se
que o financiamento concedido pela CEF a Adriana Cavalheiro dizia respeito à aquisição de
imóvel usado, sem qualquer responsabilidade pela escolha do projeto ou pela execução da
obra do imóvel. Ademais, a construção do imóvel não fez parte de programa habitacional a
cargo da referida instituição financeira. Conclui-se, portanto, que a atuação da CEF, no caso,
deu-se na condição de agente financeiro em sentido estrito, assumindo tão somente a
obrigação de liberar os recursos para a aquisição do imóvel já edificado, motivo pelo qual
não ostenta legitimidade para responder por vício decorrente da construção. A situação
delineada nos autos diz respeito a assunto de interesse local, concernente à execução de
Plano Municipal de Saneamento, havendo notícia de que a Prefeitura Municipal de Santa
Rosa já está adotando medidas destinadas a solucionar a questão do esgotamento sanitário
no bairro São Francisco”. 11. Não vejo como infirmar a opinião do Chefe do Ministério
Público. A demonstração de que a Caixa Econômica Federal atuou apenas como agente
financeiro em sentido estrito, responsável pela liberação de recursos financeiros para a
aquisição de imóvel já edificado, e não na condição de agente executor de políticas públicas
federais de promoção à moradia afasta a sua responsabilidade por eventuais danos
ambientais causados pela existência de esgoto sanitário irregular na propriedade. 12. Nessa
linha, confira-se o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça: “RECURSO ESPECIAL.
SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. PEDIDO DE COBERTURA SECURITÁRIA. VÍCIOS NA
CONSTRUÇÃO. AGENTE FINANCEIRO. ILEGITIMIDADE. 1. Ação em que se postula
complementação de cobertura securitária, em decorrência danos físicos ao imóvel (vício de
construção), ajuizada contra a seguradora e a instituição financeira estipulante do seguro.
Comunhão de interesses entre a instituição financeira estipulante (titular da garantia
hipotecária) e o mutuário (segurado), no contrato de seguro, em face da seguradora, esta a
devedora da cobertura securitária. Ilegitimidade passiva da instituição financeira estipulante
para responder pela pretendida complementação de cobertura securitária. 2. A questão da
legitimidade passiva da CEF, na condição de agente financeiro, em ação de indenização por
vício de construção, merece distinção, a depender do tipo de financiamento e das
obrigações a seu cargo, podendo ser distinguidos, a grosso modo, dois gêneros de atuação
no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação, isso a par de sua ação como agente
financeiro em mútuos concedidos fora do SFH (1) meramente como agente financeiro em
sentido estrito, assim como as demais instituições financeiras públicas e privadas (2) ou
como agente executor de políticas federais para a promoção de moradia para pessoas de
baixa ou baixíssima renda. 3. Nas hipóteses em que atua na condição de agente financeiro
em sentido estrito, não ostenta a CEF legitimidade para responder por pedido decorrente de
vícios de construção na obra financiada. Sua responsabilidade contratual diz respeito apenas
ao cumprimento do contrato de financiamento, ou seja, à liberação do empréstimo, nas
épocas acordadas, e à cobrança dos encargos estipulados no contrato. A previsão contratual
e regulamentar da fiscalização da obra pelo agente financeiro justifica-se em função de seu
interesse em que o empréstimo seja utilizado para os fins descritos no contrato de mútuo,
sendo de se ressaltar que o imóvel lhe é dado em garantia hipotecária. 4. Hipótese em que
não se afirma, na inicial, que a CEF tenha assumido qualquer outra obrigação contratual,
exceto a liberação de recursos para a construção. Não integra a causa de pedir a alegação de
que a CEF tenha atuado como agente promotor da obra, escolhido a construtora ou tido
qualquer responsabilidade relativa à elaboração ao projeto. 5. Recurso especial provido para
reconhecer a ilegitimidade passiva ad causam do agente financeiro recorrente”. (REsp
1102539, Quarta Turma, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, j. em 09.08.2011) 13. Afastada a
possibilidade de responsabilidade da instituição financeira federal, não há interesse da
União no presente caso, o que atrai a competência da Justiça Comum para processar e julgar
eventual ação civil pública. 14. Diante do exposto, conheço do presente conflito e reconheço
a atribuição do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul para a apuração dos fatos
descritos nos presentes autos. Publique-se. Intimem-se. Brasília, 24 de agosto de 2015.
Ministro Luís Roberto Barroso Relator
STF - MEDIDA CAUTELAR NO HABEAS CORPUS MC HC 129835 SC SANTA CATARINA 0005579-
15.2015.1.00.0000 (STF)
Data de publicação: 20/08/2015

DECISÃO: Trata-se de “habeas corpus”, com pedido de medida liminar, impetrado contra
decisão que, emanada do E. Superior Tribunal de Justiça, acha-se consubstanciada em
acórdão assim ementado: “PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO
EM RECURSO ESPECIAL. CRIME AMBIENTAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. PLEITO DE
APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – STJ.
AGRAVO DESPROVIDO. – A Corte de origem afastou a aplicação do princípio da
insignificância. Rever esta premissa importa em incursão no conteúdo fático-probatório
carreado aos autos, tarefa inviável em recurso especial, ‘ex vi’ do Verbete n. 7 da Súmula
deste Tribunal. Agravo regimental desprovido.” (AREsp 673.968-AgRg/SC, Rel. Min. ERICSON
MARANHO, Desembargador Convocado do TJ/SP – grifei) Busca-se, em sede cautelar,
suspender os efeitos do v. acórdão condenatório, até a decisão final de mérito deste habeas
corpus’”, em virtude da pretendida aplicação, ao caso, do princípio da insignificância. O
exame dos fundamentos em que se apoia este writ” constitucional parece descaracterizar,
ao menos em juízo de estrita delibação, a plausibilidade jurídica da pretensão deduzida
nesta sede processual. Cumpre assinalar, por relevante, que o deferimento da medida
liminar, resultante do concreto exercício do poder geral de cautela outorgado aos juízes e
Tribunais, somente se justifica em face de situações que se ajustem aos seus específicos
pressupostos: a existência de plausibilidade jurídica (fumus boni juris), de um lado, e a
possibilidade de lesão irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora), de outro. Sem
que concorram esses dois requisitos – que são necessários, essenciais e cumulativos –, não
se legitima a concessão da medida liminar. Sendo assim, e sem prejuízo de ulterior
reapreciação da matéria no julgamento final do presente writ”constitucional, indefiro o
pedido de medida liminar. Publique-se. Brasília, 18 de agosto de 2015. Ministro CELSO DE
MELLO Relator

STF - MANDADO DE SEGURANÇA MS 27636 DF DISTRITO FEDERAL 0005823-


42.2008.0.01.0000 (STF)
Data de publicação: 17/08/2015

Decisão: 1. Trata-se de mandado de segurança contra ato do Presidente da República de


criação da Reserva Extrativista Ituxi, no Município de Lábrea/AM, por meio do Decreto de 5
de junho de 2008, o que teria afrontado os arts. 5º, XXII, XXIII e XXXVI, e 170, II e III,
da Constituição Federal. Alega o impetrante, em síntese, que: (a) não foi notificado para
integrar o Processo 02005.002872/2005-19, que lastreou o ato de criação da reserva, daí a
nulidade deste processo (fls. 13 e 19); (b) esse processo administrativo não cumpriu
formalidades essenciais previstas na Lei9.985/2000, cujo art. 22, § 2º, exige seja a criação da
unidade de conservação precedida de estudos técnicos e de consulta pública; (c) as
propriedades afetadas não se enquadram nas previsões da Lei 4.132/1962, pois “não se
inserem na denominação ‘a proteção do solo e a preservação dos cursos e mananciais de
água e de reservas florestais’” (fl. 33). Ao final, requer a concessão da ordem para que seja
afastada a aplicação do ato coator ao território do Município de Lábrea. Subsidiariamente,
pleiteia a declaração de nulidade do processo administrativo 02005.002872/2005-19. A
Advocacia-Geral da União sustenta, preliminarmente, que (a) não houve violação a direito
líquido e certo do impetrante; (b) a petição inicial é inepta, visto que não foi indicado qual
direito subjetivo pretende o impetrante ver restabelecido ou mantido incólume; (c) é
inadequada a via processual do mandado de segurança, uma vez que o deslinde da
controvérsia demanda a produção de provas. No mais, assevera que (a) não cabe ao Poder
Judiciário analisar o mérito do ato administrativo normativo para deliberar sobre o interesse
social declarado pela Administração; (b) foram cumpridos, no processo administrativo
02005.002872/2005-19, todos os requisitos da Lei9.985/00, realizando-se estudos técnicos e
consultas públicas previamente à criação da RESEX Ituxi; (c) o ato de criação de uma unidade
de conservação possibilita a desapropriação de terras particulares, em face do interesse
social e público, mediante justa e prévia indenização (fls. 210/228). O Instituto Chico Mendes
de Conservação e Biodiversidade, por meio da Petição 61.991/2012, pede a denegação da
segurança, nos termos da decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no MS
27.558/DF. 2. O presente mandado de segurança foi impetrado contra o Decreto de 5 de
junho de 2008, que criou a Reserva Extrativista Ituxi (RESEX Ituxi), categoria de unidade de
conservação prevista nos arts. 14, IV, e 18 da Lei 9.985/00. O art. 22, § 2º, desse diploma
legal determina que: A criação de uma unidade de conservação deve ser precedida de
estudos técnicos e de consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e
os limites mais adequados para a unidade, conforme se dispuser em regulamento. Ao
regular essa disposição, o Decreto 4.340/02 dispôs o seguinte: Art. 4o Compete ao órgão
executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos
preliminares e realizar, quando for o caso, a consulta pública e os demais procedimentos
administrativos necessários à criação da unidade. Art. 5o A consulta pública para a criação
de unidade de conservação tem a finalidade de subsidiar a definição da localização, da
dimensão e dos limites mais adequados para a unidade. § 1o A consulta consiste em
reuniões públicas ou, a critério do órgão ambiental competente, outras formas de oitiva da
população local e de outras partes interessadas. § 2o No processo de consulta pública, o
órgão executor competente deve indicar, de modo claro e em linguagem acessível, as
implicações para a população residente no interior e no entorno da unidade proposta.
Constata-se, assim, que a legislação pertinente impõe dois requisitos à criação de uma
unidade de conservação: a realização de estudos técnicos e de consulta pública. No caso dos
autos, a documentação acostada pela autoridade impetrada (Presidente da República)
demonstra que ambos os requisitos foram cumpridos. Encontram-se nos autos, também,
Relatório Técnico para subsidiar a Criação da Reserva Extrativista do Rio Ituxi (fls. 342/394),
Estudo de campo relativo às propostas de criação de unidades de conservação na região sul
e entorno da área sob limitação administrativa provisória (ALAP) da BR 319: sul do Estado do
Amazonas (fls. 395/418), Estudo (II) de campo relativo às propostas de criação de unidades
de conservação na região sul da área sob limitação administrativa provisória (ALAP) da BR
319: sul do Estado do Amazonas (fls. 419/445), Relatório Técnico elaborado pela Diretoria
Socioambiental do IBAMA (fls. 443/446) e Levantamento Fundiário para Criação da Reserva
Extrativista do Rio Ituxi, Lábrea, AM (fls. 286/311). Evidente, portanto, que a criação da
RESEX Ituxi foi precedida de estudos técnicos. Às fls. 261/269, há Relatório de Visita técnica
para criação da reserva extrativista do Rio Ituxi, Lábrea, Amazonas – elaborado pelo Centro
Nacional para o Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais (CNPT) –, no qual
consta que “foram realizadas reuniões com todas as comunidades do Rio Ituxi localizadas
dentro da área proposta para criação da referida unidade de conservação” (fl. 262). Há nos
autos, ainda, aviso de consultas públicas acerca da criação da RESEX Ituxi, publicado em
jornal de grande circulação (fl. 453) e no Diário Oficial da União (fl. 458), os relatórios das
reuniões realizadas em Lábrea, em 22/7/2006, e em Manaus, em 26/7/2006 (fls. 579/587 e
665/670), os registros fotográficos das mesmas (fls. 176/177, 200/201) e as respectivas listas
de presença (fls. 475/487, 588/594). Sobejamente demonstrada, assim, a realização da
consulta pública. Deve-se salientar, ademais, que, no Relatório de Sistematização das
Reivindicações e Propostas (fls. 711/733), há o registro de ofício enviado pelo Prefeito do
Município de Lábrea em que se manifesta contrariamente à inclusão de áreas da
municipalidade na RESEX Ituxi (fl. 713). Dessa forma, a criação da unidade de conservação
em questão pelo Decreto de 5 de junho de 2008 observou os requisitos da Lei 9.985/00, não
havendo qualquer violação aos princípios do devido processo legal – uma vez que inexiste
previsão legal que exija a presença do Município de Lábrea no processo administrativo de
criação da unidade de conservação – e do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista
que foi dado ao ente municipal a oportunidade de se manifestar acerca da criação da RESEX
Ituxi. No mesmo sentido, são os precedentes do Plenário proferidos em casos análogos:
AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DE PARQUE NACIONAL
MEDIANTE DECRETO. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA
LEI 9.985/2000. CONTROVÉRSIA ACERCA DO DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS E
REAIS MOTIVOS PARA CRIAÇÃO DA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO
PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO A DIREITO LÍQUIDO E CERTO.
AGRAVO DESPROVIDO. I - Demonstrada a realização das consultas públicas e dos estudos
técnicos, bem assim que o procedimento para criação do Parque Nacional de Campos Gerais
observou todos os requisitos da Lei9.985/2000, não há falar em nulidade do decreto ora
atacado. II - O entendimento pacífico desta Corte é no sentido da impossibilidade de
discutir-se em sede de mandado de segurança questões controversas que envolvam fatos e
provas, por demandar dilação probatória. Precedentes. III - Não verificada, no caso, a
existência de qualquer vício no ato impugnado que pudesse caracterizar ofensa a direito
líquido e certo dos impetrantes, não há como prosperar o writ. IV – Agravo regimental a que
se nega provimento. (MS 26.067-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno,
DJe de 24/10/2011) MANDADO DE SEGURANÇA. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DA TERRA DO MEIO.
PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE ATIVA REJEITADA. REALIZAÇÃO DE ESTUDOS TÉCNICOS E
CONSULTA PÚBLICA ÀS POPULAÇÕES INTERESSADAS. FACULTATIVIDADE DE CONSULTA
PÚBLICA PARA A CRIAÇÃO DE ESTAÇÃO ECOLÓGICA (§ 4º DO ART. 22DA LEI 9.985/00).
LEGALIDADE DA CRIAÇÃO DE MAIS DE UMA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA A
PARTIR DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ÚNICO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA PARA
SE PERQUIRIR DE SUPOSTA SUBSERVIÊNCIA A INTERESSES INTERNACIONAIS. 1. Sendo a
impetrante associação legalmente constituída há mais de um ano, sua legitimidade ativa
para impetração de mandado de segurança decorre diretamente do texto
constitucional (inciso LXX do art. 5º). 2. Não há que falar em desrespeito às garantias do
contraditório e da ampla defesa, dado que, à luz das provas dos autos, foram realizados
estudos técnicos e consultas às populações interessadas, antes da criação da estação
ecológica. 3. A consulta pública, que não tem natureza de plebliscito, visa a "subsidiar a
definição da localização, da dimensão e dos limites mais adequados" (art. 5º do
Decreto 4.340/02) para a unidade de conservação, sendo facultativa quando se tratar de
proposta de criação de estação ecológica ou reserva biológica (§ 4º do art. 22da
Lei 9.985/00). 4. Não há ilegalidade na criação de mais de um tipo de unidade de
conservação da natureza a partir de um único procedimento administrativo. 5. Por
constituírem matéria fática, dependente de instrução probatória, as suposições da
impetrante de que o verdadeiro motivo da criação da Estação Ecológica da Terra do Meio
seria a subserviência brasileira a interesses internacionais não podem ser aferidas em sede
de mandado de segurança. 6. Segurança denegada. (MS 25.347, Rel. Min. AYRES BRITTO,
Tribunal Pleno, DJe de 19/3/2010) Cite-se, ainda, o seguinte julgado, proferido em caso
relativo a área localizada no Município de Lábrea e a decreto presidencial editado no mesmo
dia do decreto que ora se impugna: MEIO AMBIENTE. Unidade de conservação ou
preservação permanente. Estação ecológica. Parque Nacional Mapinguari. Criação mediante
decreto. Observância de todos os requisitos previstos na Lei nº 9.985/2000. Ofensa a direito
líquido e certo. Inexistência. Segurança denegada. Agravo prejudicado. Não ofende direito
subjetivo algum de particular, o decreto que, para criar unidade de proteção integral, se
baseia em procedimento onde se observaram todos os requisitos da Lei nº 9.985/2000. (MS
27.622, Rel. Min. CEZAR PELUSO (PRESIDENTE), Tribunal Pleno, DJe de 13/8/2010) Saliente-
se, ademais, que o art. 2º, § 2º, da Lei 8.629/93 diz respeito ao ingresso da União na
propriedade particular, objeto de desapropriação para reforma agrária, não havendo
qualquer relação com a presente demanda, relativa à criação de reserva extrativista, prevista
nos arts. 14, IV, e 18 da Lei 9.985/00. 3. No que toca às demais questões suscitadas pelo
impetrante, relativas ao interesse público na criação da unidade de conservação, são
matérias cuja resolução demanda a dilação probatória, o que não é cabível em sede de
mandado de segurança. Vejam-se, no mesmo sentido, os seguintes julgados, prolatados pelo
Pleno em casos análogos: MS 26.067-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal
Pleno, DJe de 24/10/2011; e MS 25.347, Rel. Min. AYRES BRITTO, Tribunal Pleno, DJe de
19/3/2010. Ante a ausência de qualquer lesão a direito líquido e certo do impetrante, deve
ser denegada a ordem. 4. Diante do exposto, nego seguimento ao pedido (art. 21, § 1º, do
RISTF). Publique-se. Intime-se. Brasília, 17 de agosto de 2015. Ministro Teori Zavascki Relator
Documento assinado digitalmente

STF - AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA ACO 2544 BA BAHIA 9999718-09.2014.1.00.0000 (STF)


Data de publicação: 03/08/2015

Decisão: 1. Trata-se de demanda, aqui autuada como Ação Cível Originária – ACO, proposta
pelo Ministério Público do Estado da Bahia, visando a que o Supremo Tribunal Federal dirima
o que denominou de “Conflito Negativo de Atribuição” estabelecido em face de Ministério
Público Federal, o qual decorre dos seguintes fatos: (a) foi instaurado no MPF procedimento
administrativo, convertido em inquérito civil, voltado à apuração de notícia de extração
irregular de minério (argila) no Município de Camaçari, bem como dos danos ambientais
decorrentes dessa atividade; (b) entendendo não ter atribuição para atuar no caso, o órgão
federal determinou a remessa dos autos ao Ministério Público estadual, o qual suscitou o
presente conflito de atribuição. 2. Na petição do Ministério Público do Estado da Bahia são
apresentados os seguintes argumentos: (i) cuida-se a espécie de inquérito civil instaurado
com base em auto de infração fundado em degradação ambiental no processo de exploração
de argila e descarte de resíduos cerâmicos, bem como no fato de a empresa autuada operar
sem licença ambiental; (ii) a extração ilegal de minerais em áreas do Município de Camaçari
ocorre pela deficiência ou ausência quase que total da efetividade do dever de fiscalização
por parte do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM); (iii) como se trata de
dano ambiental ocorrido em detrimento de bens da União, a atribuição de atuar no presente
caso é do Ministério Público Federal. Instada a se pronunciar, a Procuradoria-Geral da
República, em promoção firmada pelo seu titular (Procurador-Geral da República Rodrigo
Janot Monteiro de Barros), manifestou-se pela restituição dos autos “para baixa do feito no
âmbito do Supremo Tribunal Federal e ulterior devolução, para encaminhamento ao
Ministério Público Federal/Procuradoria da República no Estado da Bahia, uma vez que
reconhecida a atribuição do Ministério Público Federal para atuar no caso” (fl. 121). 3. São
várias as razões que determinam se negue seguimento à presente demanda. Em primeiro
lugar, porque não há, no caso, um conflito federativo com estatura minimamente razoável
para inaugurar a competência do Supremo Tribunal Federal de que trata o art. 102, I, f,
da Constituição. Realmente, conforme a jurisprudência assentada nesta Suprema Corte, não
é qualquer conflito entre entes da Federação que autoriza e justifica a intervenção do STF,
mas apenas aqueles conflitos federativos que (a) ultrapassam os limites subjetivos dos
órgãos envolvidos e que (b) possuam potencialidade suficiente para afetar os demais entes e
até mesmo o pacto federativo. A jurisprudência do STF, como assinalou o Ministro Celso de
Melo em seu voto na ACO 597-3 (DJ de 10.08.2006), deu alcance limitado àquela norma de
competência: “(...) não é qualquer causa que legitima a invocação do preceito constitucional
referido, mas, exclusivamente, aquelas controvérsias de que possam derivar situações
caracterizadoras de conflito federativo (RTJ 132/109 - RTJ 132/120). Esse entendimento
jurisprudencial evidencia que a aplicabilidade da norma inscrita no art. 102, I, “f”, da Carta
Política restringe-se, tão- somente, àqueles litígios cuja potencialidade ofensiva revela-se
apta a vulnerar os valores que informam o princípio fundamental que rege, em nosso
ordenamento jurídico, o pacto da Federação. (…) O alcance da regra de competência
originária em questão (CF, art. 102, I, “f”) foi claramente exposto pelo eminente Ministro
SEPÚLVEDA PERTENCE, que, ao julgar a ACO 417/PA, destacou a “ratio” subjacente à norma
constitucional em questão, assinalando-lhe o caráter de absoluta excepcionalidade: ‘(...) a
jurisprudência da Corte traduz uma audaciosa redução do alcance literal da alínea
questionada da sua competência original: cuida-se, porém, de redução teleológica e
sistematicamente bem fundamentada, tão-manifesta, em causas como esta, se mostra a
ausência dos fatores determinantes da excepcional competência originária do S.T.F. para o
deslinde jurisdicional dos conflitos federativos.’ (RTJ 133/1059-106)”. No mesmo sentido:
ACO 1295-AgR-segundo/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 14/10/2010, DJe de 02/12/2010;
ACO 1048 QO/RS, Pleno, Rel. Min. Celso de Mello, j. 30/08/2007, DJe de 31/10/2007; RE
664206 AgR/DF, 1ª Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 11/12/2012, DJe de 06/02/2013. Ora,
aqui o que há é mera divergência de entendimento a respeito da definição do órgão do
Ministério Público que deve investigar um determinado fato possivelmente ilícito. Trata-se,
portanto, de divergência estabelecida interna corporis, numa instituição que a Carta da
Republicasubordina aos princípios institucionais da unidade e da indivisibilidade (CF,
art. 127, parágrafo 1º). Divergência dessa natureza não se qualifica, portanto, como conflito
federativo apto a atrair a incidência do art. 102, I, f, daConstituição. 4. Ademais, a solução da
divergência interna noticiada na demanda supõe, necessariamente, um juízo de valor sobre
o resultado da própria investigação a ser promovida e uma avaliação e tomada de posição
sobre as providências judiciais ou extrajudiciais cabíveis, juízo esse inserido no âmbito do
típico exercício das funções institucionais do Ministério Público, insuscetível de delegação ao
Judiciário. Considerar essa divergência um conflito federativo significaria, por igual razão,
atribuir essa mesma natureza à divergência, que certamente poderia ocorrer, entre órgãos
das polícias judiciárias federais e estaduais para apuração desse mesmo fato. A exemplo do
que ocorre no âmbito da polícia judiciária, cumpre ao próprio Ministério Público, e não ao
Judiciário, identificar e afirmar ou não, as atribuições investigativas de cada um dos seus
órgãos em face de um fato concreto. 5. Realmente, qualquer investigação sobre ocorrência
de ilícito, promovida pelo Ministério Público ou por autoridade policial, pode, em tese,
conduzir a um de dois resultados: (a) não ficar apurada qualquer irregularidade, ou (b) ficar
demonstrada a existência de conduta irregular, com elementos suficientes de sua autoria e
materialidade. Nessa segunda hipótese, várias alternativas podem ocorrer, em tese: (a) a
autoria pode ser atribuída a pessoa ou entidade particular, ou a servidor público federal, ou
estadual, ou municipal, ou de mais de um, de entes federativos diferentes, e assim por
diante; e (b) quanto à materialidade, a irregularidade pode ter comprometido patrimônio ou
interesse ou serviço de entidade federal, ou de entidade estadual ou municipal, ou de mais
de uma dessas entidades, e assim por diante. A partir do resultado da investigação é que o
Ministério Público, no exercício da sua função institucional de dominus litis, tanto da ação
penal, quanto da ação civil pública para tutela do patrimônio público (CF, art. 129, Ie III), terá
elementos probatórios que lhe permitirão avaliar se promove ou não alguma ação judicial, e
em caso positivo, se ação penal ou ação civil, ou ambas, indicando e identificando, em cada
caso, os termos da sua propositura, os demandados, os fundamentos da demanda e o
pedido correspondente. Somente depois de efetivamente tomadas essas providências –
que, convém enfatizar, se inserem no âmbito exclusivo e indelegável do juízo e da iniciativa
do Ministério Público – é que será possível, se for o caso, identificar o órgão judiciário
competente para processar e julgar eventual demanda, bem como avaliar se o
representante do Ministério Público que a propôs está ou não investido de atribuições
institucionais para oficiar perante esse órgão judiciário. 6. Bem se vê, portanto, que não se
pode confundir (a) a atribuição de determinado órgão do Ministério Público para promover
determinada ação civil ou penal a partir do resultado de um procedimento investigatório já
concluído, com (b) a atribuição para promover a própria investigação, cujo resultado, para
esse efeito, certamente não pode ser antecipado (se pudesse sê-lo, a investigação já estaria
concluída!). Também não se pode confundir a (a) atribuição do Ministério Público para
promover determinada investigação, com (b) a definição do órgão judiciário competente
para uma futura e incerta ação civil ou penal que poderá vir a ser proposta, em face do que
resultar do procedimento investigatório. Essa definição, da competência judiciária para
processar e julgar a causa, dependerá, como afirmado, de uma prévia iniciativa – da alçada
exclusiva e indelegável do Ministério Público, logicamente insuscetível de prévio controle
jurisdicional de promover ou não uma demanda, e, em caso positivo, de definir os seus
termos, as partes, os fundamentos e o pedido. 7. Resulta evidenciado, consequentemente,
não ser apropriada a intervenção do Judiciário em controvérsia estabelecida entre dois
órgãos do âmbito do Ministério Público para definir qual deles tem atribuição para investigar
determinado fato. Não se trata, fique bem claro, de saber qual deles tem atribuição de
promover uma determinada demanda judicial (que, como se disse, não se pode saber se
existirá ou não, e qual será, pois isso depende do resultado do procedimento investigatório).
Não se trata, menos ainda, de resolver conflito de competência entre órgão judiciário
estadual ou federal para julgar essa futura causa, já que isso, além de ser atribuição do STJ
(CF, art. 105, I, d), vai depender da existência de uma causa efetivamente proposta e dos
termos em que foi proposta, o que, também já foi afirmado, depende de um juízo de alçada
exclusiva e indelegável do Ministério Público, insuscetível de prévio controle, muito menos
de determinação ou mesmo de insinuação pelo Poder Judiciário, que, se o fizesse, estaria
pondo em risco a sua própria imparcialidade. O que se tem aqui é mera divergência entre
dois agentes do Ministério Público sobre a condução das investigações a serem promovidas
ante a notícia de ocorrência de um determinado fato potencialmente ilícito. Alçar essa
questão ao exame do Plenário do Supremo Tribunal Federal é menosprezar, não apenas as
funções da Suprema Corte, mas a própria eficiência do Ministério Público. Não se pode
imaginar que uma instituição tão importante e com tão altas funções institucionais como é o
Ministério Público, órgão subordinado aos princípios da unidade e da indivisibilidade, não
esteja habilitada a resolver internamente um mero conflito de entendimento entre dois de
seus integrantes. 8. E há um modo natural, à luz do princípio federativo, de solução dessa
espécie de divergência. É que, como ocorre de um modo geral em Estados de conformação
federativa, a repartição das competências legislativas, administrativas e jurisdicionais se dá,
em regra, mediante indicação do âmbito competencial da União (e, se for o caso, também
dos Municípios), permanecendo com os Estados a matéria residual. Por outro lado, é da
natureza do federalismo a supremacia da União sobre os Estados-membros, supremacia que
se manifesta inclusive pela obrigatoriedade de respeito às competências dos órgãos da
União sobre o dos Estados. Decorre, ainda, do princípio federativo, que aos órgãos da União
cumpre definir e exercitar as atribuições que considerar próprias, as quais, uma vez
afirmadas, não ficam subordinadas a deliberações em sentido contrário partidas de órgão
estadual ou municipal. É por isso, aliás, que, no âmbito da competência jurisdicional, embora
não haja propriamente uma hierarquia entre juiz federal e juiz de direito, compete
exclusivamente àquele decidir a respeito da existência ou não de interesse federal em
determinada causa, decisão essa que não fica sujeita a controle, nem mesmo por via de
instauração de conflito de competência, por parte da Justiça Estadual. Nesse sentido é a
Súmula 150/STJ. Mutatis mutandis, esse entendimento deve orientar as relações entre
Ministério Público da União e dos Estados: embora não haja, entre eles, uma relação de
natureza hierárquica, é certo que o juízo sobre as atribuições do Ministério Público da União
é desse órgão, não cabendo a órgão estadual qualquer controle a respeito. Assim, se o
Ministério Público da União afirmar sua competência para investigar determinado fato, isso,
por si só, o autoriza a tomar as providências correspondentes. Se, ao contrário, entender
que não há interesse federal a justificar a sua intervenção, cumpre ao Ministério Público da
União promover o arquivamento ou, se entender cabível, encaminhar o processo ao
Ministério Público Estadual. Caso também o Ministério Público do Estado entender que não
há razão ou fundamento para investigar ilícito no âmbito de sua competência, nada impede
que também promova o arquivamento. O que não se mostra compatível com o sistema
federativo é supor que a manifestação de um órgão estadual possa ser vinculante para fixar
atribuição ou competência a órgão da União. 9. No caso específico, o Ministério Público
Federal, julgando-se sem atribuição, remeteu o processo ao Ministério Público Estadual, que
suscitou o presente conflito de atribuição. Aqui, a Procuradoria-Geral da República, em
manifestação da sua autoridade maior, reconheceu ser atribuição do Ministério Público
Federal atuar no caso. Ora, essa manifestação é por si só suficiente para, à luz do princípio
federativo, definir como de sua atribuição as medidas investigatórias que o caso reclama.
Portanto, se conflito havia, a essa altura ele já não mais subsiste, muito menos com o quilate
de relevante conflito federativo a ser dirimido pelo Supremo Tribunal Federal. 10. Ante o
exposto, nego seguimento ao pedido, determinando a remessa dos autos à Procuradoria-
Geral da República, para que determine o seu encaminhamento interno ao órgão que,
segundo entendeu, é o competente. Comunique-se. Intime-se. Brasília, 3 de agosto de 2015.
Ministro Teori Zavascki Relator Documento assinado digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 875531 MS MATO GROSSO DO SUL
(STF)
Data de publicação: 21/05/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE


OBJETIVA. MEIO AMBIENTE. DANO AMBIENTAL. INDENIZAÇÃO. REEXAME DO CONJUNTO
FÁTICO-PROBATÓRIO CARREADO AOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA
Nº 279 DO STF. AGRAVO DESPROVIDO. Decisão: Trata-se de agravo nos próprios autos
interposto com objetivo de reformar decisão que inadmitiu recurso extraordinário,
manejado com arrimo na alínea a do permissivo constitucional, contra acórdão assim
ementado: “AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER –
POLUIÇÃO AMBIENTAL – DANOS PROVOCADOS POR ATIVIDADE SIDERÚRGICA –
PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE – AFASTADA – DANO AMBIENTAL
COMPROVADO – RESPONSABILIDADE OBJETIVA – JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS A
INICIAL – ADMISSBILIDADE – NÃO COMPROVAÇÃO DA ADOÇÃO DE MEDIDAS EFICAZES DE
CONTROLE DE EMISSÃO DE POLUENTES – REDUÇÃO DO VALOR INDENIZATÓRIO –
MANUTENÇÃO DO PERCENTUAL DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – IRREGULARIDADE NA
CONCESSÃO DE LICENÇA AMBIENTAL – OMISSÃO DO DEVER INSTITUCIONAL DE
FISCALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES POLUIDORAS – APLICABILIDADE DO ART. 1º-F DA
LEI 9.494/97 E CORREÇÃO MONETÁRIA PELO INPC – POSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO DA
RESPONSABILIDADE PROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO EVENTO DANOSO DOS
RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS APENAS EM AÇÃO AJUIZADA PARA ESTE FIM – RECURSOS
CONHECIDOS E PROVIDOS EM PARTE.“ Os embargos declaratórios opostos foram rejeitados.
Nas razões do apelo extremo, sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, alega
violação aos artigos 1º, IV, 5º, XXII e XXIII, 170, 186 e 225 da Constituição Federal. O Tribunal
a quo negou seguimento ao apelo extremo por entender que se trata de ofensa indireta
à Constituição. É o relatório. DECIDO. Ab initio, a repercussão geral pressupõe recurso
admissível sob o crivo dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade
(art. 323 do RISTF). Consectariamente, se inexiste questão constitucional, não há como se
pretender seja reconhecida a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no
caso (art. 102, § 3º, da CF). O Tribunal a quo firmou seu entendimento com base na prova
produzida nos autos. Divergir do entendimento do acórdão recorrido demandaria análise do
conjunto fático-probatório. Ressalte-se que não se revela cognoscível, em sede de recurso
extraordinário, a insurgência que tem como escopo o incursionamento no contexto fático-
probatório engendrado nos autos, porquanto referida pretensão não se amolda à estreita
via do apelo extremo, cujo conteúdo se restringe à discussão eminentemente de direito, face
ao óbice erigido pela Súmula nº 279 do STF. Nesse sentido: “AGRAVO REGIMENTAL NO
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DANO AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DE
ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO REEXAME DE FATOS E PROVAS.
SÚMULA Nº 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE
NEGA PROVIMENTO.” (AI 856.568-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe de
4/10/2012). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE
CIVIL. DANO AMBIENTAL. OBRIGAÇÃO DE FAZER E INDENIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA
ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO REEXAME DE PROVAS (SÚMULA 279).
OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA
PROVIMENTO. Imposição de multa de 5% do valor corrigido da causa. Aplicação do
art. 557, § 2º, c/c arts. 14, inc. IIe III, e 17, inc. VII, do Código de Processo Civil.” (AI 709.291-
AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe de 6/2/2009). Ademais, a violação
constitucional dependente da análise de malferimento de dispositivo infraconstitucional
encerra violação reflexa e oblíqua, tornando inadmissível o recurso extraordinário. Nesse
sentido: RE 596.682, Rel. Min. Carlos Britto, DJe de 21/10/2010, e AI 808.361, Rel. Min.
Marco Aurélio, DJe de 8/9/2010, entre outros. Ex positis, DESPROVEJO o agravo, com
fundamento no disposto no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 18 de maio de
2015. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente

STF - AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR EM MANDADO DE SEGURANÇA MC-AgR MS 32925 DF


DISTRITO FEDERAL 9958660-26.2014.1.00.0000 (STF)
Data de publicação: 30/04/2015

DECISÃO: Trata-se de mandado de segurança impetrado com o objetivo de questionar a


validade jurídica do ato emanado da Senhora Presidente da República (Decreto de 26 de
dezembro de 2013, publicado no DOU nº 251, de 27/12/2013), que declarou de interesse
social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural denominado “Fazenda Clarinea II”. Esta
impetração mandamental sustenta-se, em síntese, nos seguintes fundamentos: “O
impetrante é proprietário do imóvel rural denominado ‘Fazenda Clarinea II’, situado no
município de Santa Cruz do Rio Pardo/SP, com área registrada 61,2968 ha (sessenta e um
hectares vinte e nove ares e sessenta e oito centiares) e 44,0374 ha (quarenta e quatro
hectares três ares e setenta e quatro centiares), conforme demonstram as certidões das
matrículas imobiliárias e a cadeia dominial constantes do procedimento administrativo de
desapropriação em anexo. …...................................................................................................
Ocorre que em 30 de julho de 2007 a Divisão de Obtenção e Implantação de Projetos de
Assentamento, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, encaminhou à
Divisão de Gestão Administrativa ofício em que solicitou a desapropriação de 03 (três)
imóveis rurais, dentre eles a ‘Fazenda Clarinea II’, de propriedade do Impetrante. Assim,
iniciou-se o procedimento administrativo de desapropriação por interesse social da ’Fazenda
Clarinea II’ e que formalizou o processo SR (08)/SP/n. 54190.002521/2007-15.
…................................................................................................... O decretado emitido pela
Exma. Presidenta da República é precedido do procedimento administrativo de
desapropriação. Este, por sua vez, é finalizado com a formação de novo ‘procedimento’
denominado ‘conjunto decreto’. É com base nas informações compiladas nesse ‘conjunto
decreto’ que a impetrada assinou o decreto de desapropriação da ‘Fazenda Clarinea II’.
Ocorre que o mencionado ‘conjunto decreto’, regulado pela Portaria MDA n. 86/20139, não
trouxe todos os documentos necessários. Segundo o Anexo I da mencionada portaria, o
‘conjunto decreto’ é composto por: I. Cópia da capa do processo administrativo; II. Cópia da
certidão de registro do imóvel; III. Cópia de certidão de registro, comprovando o domínio de
outro imóvel rural, no caso de desapropriação de pequena ou média propriedade rural; IV.
Cópia da comunicação prévia ao proprietário; V. Cópia do ofício de encaminhamento da
Declaração para Cadastro de Imóvel Rural ‘ex-officio’; VI. Cópia do ofício de decisão sobre
impugnação e recurso administrativo, se houver; VII. Cópia do protocolo do requerimento de
manifestação do DNPM, FUNAI, IBAMA, ICMBio, GRPU, órgãos estaduais de terras e do meio
ambiente, Fundação Cultural Palmares e prefeitura municipal; VIII. Cópia da comunicação ao
Programa Nacional de Crédito Fundiário do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA,
informando sobre a abertura do processo administrativo de obtenção do imóvel rural; IX.
Parecer fundamentado da SR (00) PFE/R, que conterá relatório circunstanciado, análise da
regularidade da comunicação, fundamentação legal e conclusão; X. Parecer revisor da SR
(00) T sobre a instrução processual que deverá abordar de forma circunstanciada: a)
histórico; b) aspectos cadastrais; c) peças técnicas; d) resumo das razões de impugnação do
proprietário, bem como o resumo das razões de indeferimento do pleito, se houver; e)
cumprimento da função social da propriedade; f) aspectos agronômicos; g) aspectos
ambientais, mencionando o bioma e a eventual incidência em unidade de conservação faltou
mencionar o bioma e a eventual incidência em unidade de conservação; h) aspectos sociais e
trabalhistas; i) viabilidade de assentamento; j) aspectos jurídicos; e k) conclusão; XI. Cópia da
ata da reunião do CDR em que foi aprovada a indicação do imóvel para fins de
desapropriação; XII. Quadro resumo do processo de desapropriação, conforme Anexo III da
Instrução Normativa/Incra nº 62/2010. Ora, a questão é muito simples e de fácil verificação.
Na formação do ‘conjunto decreto’ não foram colacionados três documentos imprescindíveis
para a assinatura do decreto expropriatório: cópia de certidão de registro, comprovando o
domínio de outro imóvel rural, no caso de desapropriação de pequena ou média
propriedade rural; cópia do ofício de encaminhamento da Declaração para Cadastro de
Imóvel Rural ‘ex-officio’ e; por fim, cópia do protocolo do requerimento de manifestação da
prefeitura municipal. Tais documentos também são exigidos pela Norma de Execução INCRA
n. 95/2010 e pela Instrução Normativa INCRA n. 62/2010 (…):
…................................................................................................... Note que, de acordo com as
normas acima descritas, apenas o ‘conjunto decreto’ é encaminhado para a Exma.
Presidenta da República. Assim, sem tais documentos a impetrada não tinha condições de
saber se o impetrante era ou não proprietário de outro imóvel ou, ainda, se houve ou não o
encaminhamento da Declaração para Cadastro de Imóvel Rural ‘ex officio’. Também não
saberia informar se a prefeitura municipal possuía interesse na área da ‘Fazenda Clarinea II’.
Sem essas informações, o decreto não podia ter sido assinado e publicado. É patente, por
conseguinte, que se a legislação aplicável ao caso exige a apresentação de certos
documentos e tais não foram anexados ao ‘conjunto decreto’, é certo que o decreto não
podia ter sido assinado. Logo, o impetrante teve o seu direito líquido e certo ao devido
processo legal violado. Vício formal que torna nulo o decreto expropriatório.
…................................................................................................... A ‘Fazenda Clarinea II’ está
sendo objeto de desapropriação com uma única finalidade: por interesse social para fins de
reforma agrária. Quanto a isso, não pairam dúvidas. Ocorre que justamente em razão dessa
finalidade desapropriatória é que se conclui que só seria justificável retirar a propriedade de
alguém se fosse possível assentar na área o maior número de famílias ao menor custo. Assim
é que a Portaria MDA n. 05/2013 que dispõe sobre os procedimentos administrativos
voltados à obtenção de imóveis rurais para fins de reforma agrária prevê a quantidade
mínima de famílias a serem assentadas nas áreas desapropriadas, nos seguintes termos: ‘Art.
6º. Efetuadas as notificações previstas no art. 5º, será realizada vistoria no imóvel e
produzidas as seguintes peças técnicas: § 1º. O ECGR terá como parâmetro as atividades e
rentabilidade tradicionais da agricultura familiar e regional e deverá: III – demonstrar o
atendimento dos seguintes critérios de elegibilidade de imóveis para fins de reforma agrária:
[…] b) capacidade de assentamento projetada não inferior a quinze famílias, exceto se
tratar-se de uma ampliação de assentamento já existente, calculada a partir do potencial de
geração de renda produtiva do imóvel.’ Ora, é cristalino que os responsáveis pelo
procedimento administrativo desapropriatório esqueceram-se dessa regra, pois do
Parecer/INCRA/SR (08)/J/n. 159/03 é possível extrair do quadro resumo a informação de que
a capacidade de assentamento da ‘Fazenda Clarinea II’ é de 07 (sete) famílias, número muito
inferior ao determinado pela legislação. Não bastasse isso, a mesma informação (capacidade
de assentamento para 07 famílias) constou do Parecer Revisor da Divisão Técnica. Ocorre
que, de forma repentina, em momento posterior, o Diretor de Obtenção de Terra – DT
assinou proposta de encaminhamento da desapropriação da ‘Fazenda Clarinea II’ trazendo a
informação de que a capacidade de assentamento da área é de 12 (doze) famílias, em razão
da privilegiada localização do imóvel e com base em outros estudos em projetos de
assentamento na região. Como seria possível, no curso de um procedimento administrativo
de desapropriação, baseado em LAF que previu a capacidade de assentamento para 07
(sete) famílias, a mudança inesperada do ‘quantum’ de famílias assentadas para 12 (doze)?
Quais foram os documentos em que o Sr. Diretor de Obtenção de Terra – DT se baseou para
declarar a localização privilegiada do imóvel? Quais são os outros estudos que
fundamentaram a alteração da capacidade de assentamento na ‘Fazenda Clarinea II’? Essas
informações não constaram do procedimento de desapropriação, sendo que tais dados
estão totalmente desprovidos de comprovação.
…................................................................................................... Não bastando a
irregularidade quanto à quantidade de famílias que podem ser assentadas, é de se espantar
o desrespeito dos responsáveis pelo procedimento desapropriatório à legislação aplicável. O
início do procedimento de desapropriação em relação ao expropriado dá-se com a sua
notificação prévia acerca da vistoria da propriedade pelos servidores do INCRA para
verificação de sua produtividade. Essa notificação é necessária e essencial para que o
procedimento transcorra de forma válida. Ocorre que, no presente caso, a notificação do
impetrante não ocorreu da forma prevista na Norma de Execução INCRA n. 95/2010, pois
desrespeitado o prazo de 03 (três) dias úteis entre a notificação e o início da vistoria: ‘Art.
5º, da NE INCRA n. 95/2010. O ingresso no imóvel rural de propriedade particular para o
levantamento de dados e informações visando a elaboração do Laudo Agronômico de
Fiscalização – LAF, de acordo com o previsto nos §§ 2º e 3º do art. 2º da Lei n. 8.629/1993,
far-se-á mediante prévia comunicação ao proprietário, preposto ou seu representante legal:
§ 3º. A comunicação prévia de que trata este artigo deverá ser feita com antecedência
mínima de 03 (três) dias úteis, da qual deverá constar o período estimado para ingresso no
imóvel rural, desde que o período estimado para ingresso não extrapole o prazo de 3 (três)
meses da data do ofício de comunicação prévia.’ Dessa forma, o cálculo é de simples
verificação: o impetrante foi notificado dia 22.08.2007 de que a vistoria poderia ocorrer
entre os dias 20.08.2007 a 20.10.2007. Ora, o impetrante foi notificado de uma vistoria que
poderia já estar ocorrendo há pelo menos 02 (dois) dias. É evidente o prejuízo que o
impetrante teve, foi notificado de algo que já poderia estar ocorrendo à sua revelia.
…................................................................................................... Portanto, além dos vícios
formais já elencados (ausência de cópia de certidão de registro que comprova o domínio de
outra propriedade rural; ausência de cópia do ofício de encaminhamento da Declaração para
Cadastro de Imóvel ‘ex officio’ e ausência de cópia de protocolo do requerimento de
manifestação da prefeitura municipal), as irregularidades materiais também são patentes e
saltam aos olhos. Por consequência, não restam dúvidas de que o procedimento
administrativo de desapropriação da média propriedade rural ‘Fazenda Clarinea II’ é nulo,
assim como o correspondente ‘conjunto decreto’ e, por fim, o decreto expropriatório.”
(grifei) Registro que indeferi o pedido de medida cautelar, motivo pelo qual a parte
impetrante interpôs recurso de agravo. O Ministério Público Federal, em pronunciamento da
lavra do eminente Procurador-Geral da República, ao opinar pela denegação da ordem,
formulou parecer assim ementado: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE
SEGURANÇA. DESAPROPRIAÇÃO PARA REFORMA AGRÁRIA. MEDIDA LIMINAR INDEFERIDA.
AGRAVO REGIMENTAL. MATÉRIA SUSCETÍVEL DE CONHECIMENTO NA PRESENTE VIA
PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA AUTORIDADE COATORA PARA APRESENTAÇÃO
DE INFORMAÇÕES. AFASTAMENTO DAS ILEGALIDADES SUSCITADAS PELO IMPETRANTE.
AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO A SER AMPARADO NA PRESENTE VIA. PARECER
PELO DESPROVIMENTO DO AGRAVO REGIMENTAL E PELA DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. 1.
São suscetíveis de conhecimento na via estreita do mandado de segurança alegações
referentes à ausência de correta instrução do processo de desapropriação, decorrente da
ausência de documentos exigidos pela legislação pertinente, por não demandarem maior
dilação probatória, podendo ser comprovadas de plano. 2. Afastamento das ilegalidades
suscitadas pelo impetrante, evidenciando a ausência de direito líquido e certo a ser
amparado na presente impetração. 3. Parecer pelo desprovimento do agravo regimental e
pela denegação da segurança.” (grifei) A Senhora Presidente da República, ao prestar as
informações que lhe foram solicitadas, sustentou a validade jurídica da declaração
expropriatória veiculada no decreto ora impugnado e, em caráter preliminar, a ocorrência da
decadência do direito de impetrar mandado de segurança, considerada a data da publicação
do ato ora impugnado nesta sede mandamental. Sendo esse o contexto, passo a apreciar a
pretensão ora deduzida na presente sede processual. E, ao fazê-lo, verifico que o ato ora
questionado (Decreto de 26 de dezembro de 2013), emanado da Senhora Presidente da
República, foi publicado no DOU em 27/12/2013. Ocorre, no entanto, que este mandado de
segurança foi protocolado, por meio eletrônico, na Secretaria desta Suprema Corte, apenas
em 26/04/2014, sábado, quando já superado o prazo decadencial a que se refere o art. 23 da
Lei nº 12.016/2009. Forçoso concluir, desse modo, que se operou, na espécie, em virtude da
consumação da decadência, a extinção do direito de impetrar, em tempo oportuno, o
mandado de segurança ora utilizado contra o ato estatal em causa. É que o termo inicial
(“dies a quo”) do prazo decadencial de 120 dias começou a fluir, neste caso, para efeito de
impetração do mandado de segurança, a partir da data em que o ato do Poder Público,
formalmente divulgado no Diário Oficial, revelou-se apto a gerar os efeitos jurídicos que lhe
são inerentes. Impõe-se ressaltar, por oportuno, que o Plenário do Supremo Tribunal Federal
firmou orientação no sentido de que o “dies a quo” do prazo para impetração do “writ”
mandamental tem início com a publicação, no Diário Oficial, do ato impugnado (RTJ 103/965
– RTJ 110/71 – RTJ 126/945, v.g.): “O termo inicial do prazo decadencial de 120 dias começa
a fluir, para efeito de impetração do mandado de segurança, a partir da data em que o ato
do Poder Público, formalmente divulgado no Diário Oficial, revela-se apto a gerar efeitos
lesivos na esfera jurídica do interessado. Nas desapropriações, o ‘dies a quo’ desse prazo
coincide com o da publicação do decreto governamental consubstanciador da declaração
expropriatória (…).” (RTJ 155/773, Rel. Min. CELSO DE MELLO) “– MANDADO DE
SEGURANÇA. DECADÊNCIA. – O prazo decadencial para requerer mandado de segurança
conta-se a partir do dia da publicação, no Diário Oficial, do ato impugnado. A posterior
ciência pessoal do impetrante não reabre aquele prazo, pois é de decadência, e, em
consequência, fatal e improrrogável quanto ao seu início. Mandado de segurança de que se
não conhece.” (MS 20.434/DF, Rel. Min. SOARES MUÑOZ – grifei) Vale destacar, por
oportuno, no sentido ora exposto e ante a inquestionável procedência de suas observações,
bem assim em face da absoluta identidade de situação com a presente causa (notadamente
pelo fato de o decreto expropriatório haver sido publicado na mesma data que o ato ora
impugnado), a decisão proferida pelo eminente Ministro GILMAR MENDES no MS 32.926/DF,
de que foi Relator: “(...) ressalto que é pacífica a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal
no sentido de que o prazo decadencial para impugnação de Decreto Presidencial que declara
imóvel rural como de interesse social para fins de reforma agrária inicia-se na data da
publicação desse ato. (…): …...................................................................................................
Assim, tendo sido o Decreto expropriatório publicado em 27.12.2013 (...), o prazo final para
impetração do mandado de segurança seria em 25.4.2014. A petição inicial foi interposta no
Supremo Tribunal Federal apenas em 28.4.2014, sendo, portanto, o direito de impetração do
‘mandamus’ atingido pelo prazo decadencial.” Ve-se, desse modo, que cabia ao impetrante
ajuizar a ação de mandado de segurança contra o ato ora questionado dentro do prazo
decadencial de 120 dias, contado da publicação, no Diário Oficial da União, do ato emanado
da Senhora Presidente da República. Cumpre advertir, por necessário, que o preceito inscrito
no art. 23 da Lei nº 12.016/2009 – que delimita o âmbito temporal de impetração do
mandado de segurança – não ostenta qualquer eiva de inconstitucionalidade. Foi por essa
razão que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar o art. 18 da revogada Lei nº 1.533/51 (que
foi fielmente reproduzido pelo art. 23 da Lei nº 12.016/2009), veio a proclamar, em
reiteradas decisões, a recepção dessa norma legal pela vigenteConstituição da República
(RTJ 142/161 – RTJ 156/506): “Não ofende aConstituição a norma legal que estipula prazo
para a impetração do mandado de segurança. A circunstância de a Constituição da República
nada dispor sobre a fixação de prazo para efeito de ajuizamento da ação mandamental não
inibe o legislador de definir um lapso de ordem temporal em cujo âmbito o ‘writ’ deve ser
oportunamente impetrado.” (RTJ 145/186, Rel. Min. CELSO DE MELLO) “– Com o decurso, ‘in
albis’, do prazo decadencial de 120 dias, a que se refere o art. 18 da Lei nº 1.533/51 – cuja
constitucionalidade foi reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal (RTJ 142/161 – RTJ
145/186 – RTJ 156/506) –, extingue-se, de pleno direito, a prerrogativa de impetrar
mandado de segurança.” (RTJ 177/774-775, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno) Cabe
registrar, por relevante, que essa orientação jurisprudencial acha-se, presentemente,
consolidada na Súmula 632 desta Suprema Corte, cujo enunciado assim dispõe: “É
constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de mandado de
segurança” (grifei). Ainda que fosse possível superar esse obstáculo processual, mesmo
assim não assistiria razão à parte impetrante, ora agravante. É que a existência de outra
propriedade imobiliária rural, por parte do “dominus”, impede-o de invocar, quanto ao
imóvel rural que sofreu a desapropriação para fins de reforma agrária, a cláusula de
inexpropriabilidade instituída no art. 185, inciso I, daConstituição da República. Com efeito, a
cláusula constitucional de inexpropriabilidade – tal como estabelecida no art. 185, inciso I,
da Carta Política – deixa de prevalecer, se e quando se comprovar que o proprietário é
igualmente titular do domínio sobre outra propriedade rural. Foi por essa razão que o
Plenário do Supremo Tribunal Federal entendeu possível decretar-se a desapropriação-
sanção, mesmo tratando-se de pequena ou de média propriedade rural, se resultar
demonstrado que o proprietário afetado pelo ato presidencial também possui outro imóvel
rural: “(...) Comprovado que os impetrantes possuem mais de uma propriedade, não se lhes
aplica a ressalva disposta no inciso I do artigo 185 da Carta Federal (...).” (MS 23.727/ES, Rel.
Min. MAURÍCIO CORRÊA – grifei) Vale salientar, neste ponto, que a prova da existência da
titularidade dominial sobre outro imóvel rural incumbe ao poder expropriante, de tal modo
que, comprovado, pela União Federal (ou pelo INCRA), que o proprietário possui outra
propriedade rural, tornar-se-á lícito fazer incidir a declaração expropriatória, para fins de
reforma agrária, sobre o imóvel afetado pelo decreto presidencial, ainda que tal bem se
qualifique como pequena ou média propriedade rural. Assentadas tais premissas, verifico
que a Senhora Presidente da República demonstrou, mediante prova documental idônea
(certidão extraída das Matrículas nº 1.562, 3.783, 17.442 e 14.791, referente a uma
propriedade rural denominada “Fazenda Clarinea”, situada na comarca de Santa Cruz do Rio
Pardo/SP), que o impetrante era, à época da edição do decreto presidencial ora
questionado, proprietário de outro imóvel rural, diverso daquele objeto da declaração
expropriatória em causa. Como precedentemente referido, essa particular situação dominial
– condição de proprietário de outro imóvel rural – afasta a cláusula de inexpropriabilidade,
considerado o que dispõem a própriaConstituição da República (art. 185, inciso I, “in fine”),
de um lado, e a Lei nº8.629/93 (art. 4º, parágrafo único), de outro. Cumpre ter presente, de
outro lado, quanto às alegações de que existiram “(...) vícios formais no procedimento
desapropriatório, em especial, na composição do ‘conjunto decreto’”, e, ainda, de que “a
notificação do impetrante não ocorreu na forma prevista na Norma de Execução INCRA nº
95/2010”, a manifestação do Ministério Público Federal, que acolho, nesse ponto, como
razão de decidir, da qual destaco, por sua inteira correção, o seguinte fragmento: “Quanto à
ausência dos documentos necessários à formação do ‘conjunto decreto’, colhe-se dos autos
que o Parecer/INCRA/SR (08)/J/n. 159/2013 certifica a existência de cópia da Declaração
para Cadastro de Imóvel Rural ‘ex officio’. Da mesma forma, verifica-se a existência de ofício
encaminhado ao Prefeito do Município de Santa Cruz do Rio Pardo, informando sobre a
realização do procedimento de desapropriação por interesse social para fins de reforma
agrária, e solicitando informações sobre a existência de projeto de parcelamento, expansão
urbana ou Unidade de Conservação Municipal sobre a área a ser desapropriada. Apesar de
não se verificar a existência de resposta do Poder Público local, esse fato não viola direito
líquido e certo do impetrante, porquanto o interesse a ser tutelado, no caso, é do Município,
que poderá sofrer os eventuais efeitos da desapropriação sobre imóvel de seu interesse. Por
outro lado, não há nos autos, de fato, a certidão de comprovação do domínio de outro
imóvel rural. No entanto, o próprio impetrante indica que vem sofrendo processo de
desapropriação sobre um dos dois imóveis rurais de sua propriedade, o que afasta o óbice
previsto noparágrafo único do art. 4º da Lei 8.629/93, que impede a desapropriação para
fins de reforma agrária da pequena e médica propriedade, desde que o seu proprietário não
possua outra propriedade rural. Ressalte-se que, além de não se mostrarem presentes, os
vícios a que se apega o impetrante em nada interferem com a validade do ato ou, menos
ainda, afetam direito líquido e certo. Toda a gama documental necessária para a instrução
do processo no âmbito do Poder Executivo foi arrecadada, como a própria petição inicial
afirma, sem que haja vício a ser sanado. O objeto da impetração, no entanto, pretende ver
nulidade pelo fato de que uma parte de tais documentos, embora existentes, não teria
integrado o que o impetrante denomina de ‘conjunto decreto’, que, a rigor, não passa de
uma regra procedimental interna, sem qualquer caráter vinculante. Não há, como se
percebe, nenhum prejuízo, quer ao ato em si mesmo, quer diretamente ao impetrante, que
mereça ser sanado. …................................................................................................... Quanto
à alegada não observância do prazo prescrito para a notificação prévia da vistoria, verifica-se
que também consta das Considerações Preliminares do referido Laudo a informação de que
o ofício de comunicação foi recebido pelo impetrante em 22/08/2007. No entanto, há a
indicação de que os trabalhos de vistoria foram realizados no período de 11/09/2007 a
24/09/2007, havendo sido acompanhados pelo inventariante e pelo seu assistente técnico,
Eng.º Agrônomo João Donizete Silvério, o que afasta qualquer alegação de prejuízo a
macular, neste ponto, o procedimento subjacente. Tal fato, aliás, é confirmado pelo
impetrante, em sua petição inicial, não havendo controvérsia quanto ao fato de ter sido
previamente intimado e de ter acompanhado os trabalhos. A alegação, portanto, busca criar
uma nulidade artificial, já que é certo que houve a intimação prévia, com prazo bem superior
àquele mínimo de três dias, o que propiciou ao impetrante acompanhar os trabalhos do
expropriante.” (grifei) Observo, de outro lado, considerada a alegação de “injustificável
aumento de 07 (sete) para 12 (doze) famílias na área a ser utilizada para assentamento”, que
tal discussão introduz, no âmbito desta causa, situação de dúvida objetiva, em tudo
incompatível com a via do mandado de segurança. Como se sabe, a existência de
controvérsia sobre matéria de fato revela-se bastante para descaracterizar a liquidez
necessária à configuração de situação amparável pela ação de mandado de segurança:
“SITUAÇÃO DE CONTROVÉRSIA OBJETIVA E ILIQUIDEZ DOS FATOS. – O exame de situações
de fato controvertidas – como aquelas decorrentes de dúvida fundada sobre a extensão
territorial do imóvel rural ou sobre o grau de produtividade fundiária – refoge ao âmbito da
via sumaríssima do mandado de segurança, que não admite, ante a natureza especial de que
se reveste, a possibilidade de qualquer dilação probatória incidental. Precedentes. Direito
líquido e certo: conceito de ordem processual. Noção inconfundível com a de direito
material vindicado em sede de mandado de segurança. Doutrina. Precedentes.” (MS
24.307/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO) Registre-se que esta Corte, em sucessivas decisões,
deixou assinalado que o direito líquido e certo, apto a autorizar o ajuizamento da ação de
mandado de segurança, é, tão somente, aquele que concerne a fatos incontroversos,
constatáveis, de plano, mediante prova literal inequívoca (RE 269.464/DF, Rel. Min. CELSO
DE MELLO): “(...) direito líquido e certo é o que resulta de fato certo, e fato certo é aquele
capaz de ser comprovado, de plano, por documento inequívoco.” (RTJ 83/130, Rel. Min.
SOARES MUÑOZ – grifei) “O mandado de segurança labora em torno de fatos certos e como
tais se entendem aqueles cuja existência resulta de prova documental inequívoca...” (RTJ
83/855, Rel. Min. SOARES MUÑOZ – grifei) “(...) É da essência do processo de mandado de
segurança a característica de somente admitir prova literal pré-constituída, ressalvadas as
situações excepcionais previstas em lei (Lei nº 1533/51, art. 6º e seu parágrafo único).” (RTJ
137/663, Red. p/ o acórdão Min. CELSO DE MELLO) É por essa razão que a doutrina acentua
a incomportabilidade de qualquer dilação probatória no âmbito desse “writ” constitucional,
que supõe – insista-se – a produção liminar, pela parte impetrante, das provas literais pré-
constituídas, destinadas a evidenciar a incontestabilidade do direito público subjetivo
invocado pelo autor da ação mandamental. A possibilidade dessa análise, na via do mandado
de segurança, quando presente uma situação de controvérsia objetiva, tem sido rejeitada
pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RTJ 158/510-511, Rel. Min. MAURÍCIO
CORRÊA – RTJ 168/163, Rel. Min. CELSO DE MELLO – MS 22.075/MT, Rel. Min. ILMAR
GALVÃO – MS 22.077/RS, Rel. Min. MOREIRA ALVES – MS 22.150/CE, Rel. Min. CARLOS
VELLOSO – MS 22.290/PR, Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA, v.g.). É que refoge aos estreitos
limites da ação mandamental o exame de fatos despojados da necessária liquidez, pois o
“iter” procedimental do mandado de segurança não comporta a possibilidade de instauração
incidental de um momento de dilação probatória, consoante adverte a doutrina (ALFREDO
BUZAID, “Do Mandado de Segurança”, vol. I/208, item n. 127, 1989, Saraiva) e proclama o
magistério jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal: “– A noção de direito líquido e
certo ajusta-se, em seu específico sentido jurídico, ao conceito de situação que deriva de
fato certo, vale dizer, de fato passível de comprovação documental imediata e inequívoca.”
(MS 20.882/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno) “O exame de situações de fato
controvertidas – como aquelas decorrentes de dúvida fundada sobre a extensão territorial
do imóvel rural ou sobre o grau de produtividade fundiária – refoge ao âmbito da via
processual do mandado de segurança, que não admite, ante a natureza especial e
sumaríssima de que se reveste o ‘writ’ constitucional, a possibilidade de qualquer dilação
probatória.” Ve-se, desse modo, que a jurisprudência desta Suprema Corte tem advertido,
em inúmeras decisões (RTJ 124/948, v.g.), que “O mandado de segurança não é meio idôneo
para o exame de questões cujos fatos não sejam certos” (RTJ 142/782, Rel. Min. MOREIRA
ALVES). Insista-se, pois, presente o contexto que emerge desta causa, que a existência de
matéria de fato controvertida – a tornar questionável a própria caracterização do direito
líquido e certo (noção que não se confunde com a de direito material, cuja tutela se busca
obter em sede mandamental) – revelar-se-ia bastante para tornar inviável a utilização do
“writ” constitucional (RTJ 83/130 – RTJ 99/68 – RTJ 99/1149 – RTJ 100/90 – RTJ 100/537).
Sendo assim, em face das razões expostas e com fundamento nos poderes processuais
outorgados ao Relator da causa, não conheço da presente ação de mandado de segurança,
restando prejudicado, em consequência, o exame do recurso de agravo interposto. Publique-
se. Brasília, 27 de abril de 2015. Ministro CELSO DE MELLO Relator

STF - INQUÉRITO Inq 3785 MT MATO GROSSO 9992652-12.2013.1.00.0000 (STF)


Data de publicação: 27/04/2015

Trata-se de Inquérito instaurado contra ELIENE JOSÉ DE LIMA, para apurar a suposta prática
de crimes ambientais. Às fls. 307/308, o Procurador-Geral da República manifesta-se pela
declinação de competência. Em consulta ao sítio do Tribunal Superior Eleitoral na internet,
constato que o investigado não foi eleito para o exercício de mandato de Deputado Federal
no último pleito. Por tal razão, o réu não mais detém prerrogativa de foro perante esta
Corte. Do exposto, afastada a hipótese do art. 102, I, “b”, daConstituição Federal, declino da
competência e determino a remessa dos autos Tribunal de Justiça do Estado do Mato
Grosso, para distribuição do Inquérito ao juízo competente. Publique-se. Intime-se. Cumpra-
se. Brasília, 27 de abril de 2015. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 875986 PE PERNAMBUCO 0000970-


81.2008.4.05.8200 (STF)
Data de publicação: 09/04/2015

DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AMBIENTAL. POSSE DE ANIMAL


SILVESTRE. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA RAZOABILIDADE. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO: SÚMULA N. 282 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO
FUNDAMENTADA NA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E NO CONJUNTO FÁTICO-
PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO AO
QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo nos autos principais contra decisão de
inadmissão de recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. a,
da Constituição da República contra julgado da Segunda Vara do Tribunal Regional Federal
da Quinta Região: “ADMINISTRATIVO. IBAMA. POSSE DE ANIMAL (PAPAGAIO) SEM
PERMISSÃO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. 1. A posse de
animal silvestre sem autorização ou permissão da autoridade competente, constitui infração
ambiental, nos termos do art. 29da Lei 9.605/98, passível, portanto, de apreensão. 2. A
posse de papagaio, por mais de 10 anos, por uma senhora que contava à época da
apreensão com 76 anos de idade, sem que houvesse indicação de qualquer ocorrência de
maus tratos, não pode ser interpretada como facilitadora da caça predatória ou do tráfico
ilícito de animais silvestres. 3. Aplicação do princípio da razoabilidade para determinar a
entrega do animal à impetrante. Precedente deste Regional: AC-473474-PB, 3ª T., rel. Des.
Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, julg. em 23/07/2009 e publ. no DJ de 25/08/2009. 4.
Direito de a impetrante efetivar troca do papagaio entregue erroneamente pelo IBAMA. 5.
Apelação e remessa oficial improvidas”. Os embargos de declaração opostos pelo Agravante
foram rejeitados. 2. O Agravante alega ter o Tribunal a quo contrariado os arts. 2º, 5º,
inc. II, LIV e 93, inc. IX, e 97 da Constituição da República. Aduz que, além da deficiência na
fundamentação do acórdão recorrido, o Tribunal a quo ofendeu o
artigo 97 da Constituição da República. Argumenta que “o lugar dos animais silvestres é na
natureza, onde possuem, todos eles, um papel a cumprir para o equilíbrio do meio
ambiente. Não na residência de particulares, suprindo carências afetivas. O animal objeto
deste processo está impedido de reproduzir-se e de conviver com outros de sua espécie,
bem como de cumprir seu papel na natureza”. Requer “seja dado provimento ao presente
recurso, para o fim de que se reforme em o acórdão ora recorrido, e para que se ordene a
entrega definitiva do animal em questão ao IBAMA. O princípio da separação dos poderes e
da reserva legal exige que os Tribunal apliquem o direito vigente e que não criem nem
inventem regras que não foram postas pelo Congresso nacional”. 3. O recurso extraordinário
foi inadmitido pelo Tribunal de origem ao fundamento de ausência de ofensa direta
à Constituição da República. 4. O art. 544 do Código de Processo Civil, com as alterações da
Lei n. 12.322/2010, estabeleceu que o agravo contra decisão que inadmitiu recurso
extraordinário processa-se nos autos do processo, ou seja, sem a necessidade de formação
de instrumento, sendo este o caso. Analisam-se, portanto, os argumentos postos no agravo,
de cuja decisão se terá, então, na sequência, se for o caso, exame do recurso extraordinário.
5. A alegação de contrariedade ao art. 2º, 5º, incs. II e LIV, daConstituição da República, não
foi objeto de debate e decisão prévios pelo Tribunal de origem, tampouco os embargos de
declaração opostos o foram com a finalidade de se comprovar ter havido, no momento
processual próprio, o prequestionamento. Incidem na espécie vertente as Súmulas n. 282 e
356 do Supremo Tribunal Federal: “A jurisprudência deste Supremo Tribunal firmou-se no
sentido de que os embargos declaratórios só suprem a falta de prequestionamento quando a
decisão embargada tenha sido efetivamente omissa a respeito da questão antes suscitada.
Precedentes” (AI 580.465-AgR, de minha relatoria, Primeira Turma, DJ 19.9.2008). 6. Quanto
a alegação de nulidade do acórdão por contrariedade ao art. 93, inc. IX, daConstituição da
República, tem-se não poder ela prosperar. Embora em sentido contrário à pretensão do
Agravante, o acórdão recorrido apresentou suficiente fundamentação. Conforme a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, “o que a Constituição exige, no art. 93, IX, é que
a decisão judicial seja fundamentada; não, que a fundamentação seja correta, na solução das
questões de fato ou de direito da lide: declinadas no julgado as premissas, corretamente
assentadas ou não, mas coerentes com o dispositivo do acórdão, está satisfeita a exigência
constitucional” (RE 140.370, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, RTJ 150/269). 7. O Tribunal a quo
não declarou inconstitucional a Lei n. 9.605/1998. Com base no conjunto fático probatório e
na interpretação e aplicação da norma aplicável ao caso concluiu que, na específica situação
cuidada, aplicável o princípio da razoabilidade, do que decorreu a determinação de entrega
do animal à impetrante: “RESERVA DE PLENÁRIO. Descabe confundir reserva de Plenário –
artigo 97 da Constituição Federal – com interpretação de normas legais. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA E LEGAL. O recurso extraordinário não é meio próprio
ao revolvimento da prova, também não servindo à interpretação de normas estritamente
legais”. (RE 773577-AgR, Relator o Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, DJe 19.3.2014) A
pretensão do Agravante exigiria a análise do conjunto probatório constante dos autos,
procedimento incabível em recurso extraordinário (Súmula n. 279 do Supremo Tribunal
Federal). A apreciação do pleito recursal exigiria, ainda, a interpretação da legislação
infraconstitucional aplicável à espécie (Lei n. 9.605/1998). A alegada contrariedade
à Constituição da República, se tivesse ocorrido, seria indireta, a inviabilizar o
processamento do recurso extraordinário: “I. RE: DESCABIMENTO: OFENSA REFLEXA
A CONSTITUIÇÃO POR VIOLAÇÃO DA NORMA INTERPOSTA. O RE NÃO E VIA ADEQUADA A
APURAÇÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE REFLEXA: SE A CONSTITUIÇÃO, EXPLÍCITA OU
IMPLICITAMENTE, REMETE O TRATO DE DETERMINADA MATÉRIA A LEI ORDINARIA, NÃO
CABE O RECURSO EXTRAORDINÁRIO POR CONTRARIEDADE A LEI FUNDAMENTAL, SE A
AFERIÇÃO DESTA PRESSUPOE A REVISÃO DA INTELIGENCIA E DA APLICAÇÃO DADAS A
NORMA SUB-CONSTITUCIONAL INTERPOSTA: ANALISE DA JURISPRUDÊNCIA.” (RE 147.684,
Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, Plenário, DJe 2.4.1993). “Responsabilidade civil.
Responsabilidade objetiva do Estado. Art. 37, § 6º. Elementos e exclusão. Aplicação da
súmula 279. Agravo regimental improvido. Não se admite, em recurso extraordinário,
alegação de ofensa que, irradiando-se de má interpretação, aplicação, ou, até, de
inobservância de normas infraconstitucionais, seria apenas indireta àConstituição da
República, nem tampouco de violação que dependeria de reexame prévio de provas. 2.
RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Jurisprudência assentada. Ausência de razões
consistentes. Decisão mantida. Agravo regimental improvido. Nega-se provimento a agravo
regimental tendente a impugnar, sem razões consistentes, decisão fundada em
jurisprudência assente na Corte” (RE 606.250-AgR, Relator o Ministro Cezar Peluso, Segunda
Turma, DJe 5.6.2012). Nada há a prover quanto as alegações do Agravante. 8. Pelo exposto,
nego seguimento ao agravo (art. 544, § 4º, inc.II, alínea a, do Código de Processo Civil e art.
21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 6 de
abril de 2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora

STF - AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA ACO 2558 BA BAHIA 0000057-41.2014.1.00.0000 (STF)


Data de publicação: 06/04/2015

Ementa: Conflito de atribuições entre MPF e MPE. Supostas irregularidades em extração


mineral em área localizada no Município de Camaçari/BA. Atribuição do Ministério Público
Federal. 1. Nos termos da orientação ainda vigente no STF, compete a esta Corte o
julgamento dos conflitos de atribuições entre membros do Ministério Público Federal e dos
Estados (art.102, I, f, da CF). 2. A possibilidade de responsabilização do Departamento
Nacional de Produção Mineral – DNPM pela ausência de fiscalização adequada em localidade
de extração mineral justifica a atribuição do Ministério Público Federal. 3. Conflito que se
resolve pela atribuição do Ministério Público federal, na linha do parecer da PGR. DECISÃO:
1. Trata-se de conflito negativo de atribuições suscitado pelo Ministério Público do Estado da
Bahia em face do Ministério Público Federal, no curso de inquérito civil instaurado para
apurar possível ocorrência de extração mineral ilegal pela empresa Ottomar Mineiração
Ltda., com respectiva degradação ambiental, no Município de Camaçari/BA. 2. O Ministério
Público Federal declinou de sua atribuição por entender inexistentes no caso as hipóteses de
sua atuação na apuração de dano ambiental, uma vez que o imóvel onde ocorreu a extração
mineral irregular não estaria incluído entre os bens imóveis da União, nem estaria inserido
entre os bens de uso especial. 3. Por outro lado, o Ministério Público do Estado da Bahia
insistiu na atribuição do Ministério Público Federal, considerando que estaria configurada no
caso a alínea d do Enunciado nº 28 da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão, que determina
a atuação do MPF quando for possível responsabilizar a União, o DNPM, o IBAMA, o ICMBio,
o IPHAN ou outro ente federal pela omissão no dever de fiscalização da atividade. 4. O
Procurador-Geral da República opinou pelo reconhecimento da atribuição do Ministério
Público Federal. 5. É o relatório. 6. Decido. 7. A jurisprudência anterior do Supremo Tribunal
Federal apontava ser do Superior Tribunal de Justiça a competência para dirimir os conflitos
de atribuição entre órgãos do Ministério Público Federal e dos Estados (cf. Pet 1.503, Rel.
Min. Maurício Corrêa; CC 7.117, Rel. Min. Sydney Sanches; Pet 3.005, Rel.ª Min.ª Ellen
Gracie; entre outros). Tal orientação foi posteriormente modificada, concluindo-se pela
competência desta Corte para resolver tais conflitos, nos termos do art. 102, I, f,
da Constituição. Nesse linha, vejam-se os seguintes precedentes: Pet 3.258, Rel. Min. Marco
Aurélio; Pet 3.631, Rel. Min. Cezar Peluso; ACO 889, Rel.ª Min.ª Ellen Gracie; ACO 853, Rel.
Min. Cezar Peluso. 8. Nada obstante, o Plenário desta Corte voltou a discutir o tema da
competência do STF para apreciar conflitos de atribuições envolvendo órgãos do Ministério
Público (ACO 1.394, Rel. Min. Marco Aurélio). Na oportunidade, consignei, em síntese, que a
competência do Supremo Tribunal Federal, por ser de direito estrito, não poderia ser
ampliada. Menos ainda, em conflito tipicamente administrativo, que poderia ser resolvido
institucionalmente pelo Conselho Nacional do Ministério Público (art. 130-A, § 2º, da CF). 9.
No entanto, o referido processo ainda se encontra pendente de decisão definitiva, de modo
que, sem embargo de decisões monocráticas em sentido contrário, adoto a orientação até
aqui predominante e conheço do presente conflito de atribuições. 10. No mérito, tenho por
incensurável o parecer do Procurador-Geral da República, ao pugnar pela atribuição do
Ministério Público Federal, considerando a revogação do Enunciado nº 28 da 4ª CCR e a
edição do Enunciado nº 30, que ampliou o campo de atuação do Parquet federal na
apuração de danos ambientais decorrentes de atividade minerária. Confira-se: “Na hipótese
sob análise, a despeito da existência de manifestação de membro do Ministério Público
Federal afastando a presença de fatos atinentes a seu espaço de atuação, entende o
Procurador-Geral da República que está configurada a atribuição federal para a condução do
procedimento administrativo subjacente. Discute-se, no caso, quanto ao enquadramento ou
não da situação objeto de apuração no Enunciado 28 da 4ª Câmara de Coordenação e
Revisão do Ministério Público Federal (…) Veja-se, já de início, que o referido enunciado foi
revogado na 426ª sessão da Câmara de Coordenação e Revisão, realizada em 10 de fevereiro
de 2015, dando espaço para a edição do Enunciado 30, que ampliou o entendimento quanto
ao campo de atuação do Ministério Público Federal, na área cível, em matéria de mineração.
Eis o teor do novo enunciado, atualmente em vigor: ‘É atribuição do MPF apurar
irregularidades ambientais decorrentes de atividade minerária, tendo em vista a
participação do DNPM no processo autorizativo, bem como a relação direta entre a
exploração/usurpação do bem da União e o dano ambiental dela decorrente,
independentemente da sua extensão’ O objeto do procedimento é, especificamente, a
extração irregular de areia em imóvel rural no Município de Camaçari, semelhante ao de
outros tantos procedimentos instaurados no âmbito do mesmo município, em que também
colidem, para fins de definição de atribuição, o Ministério Público Federal e o Estadual. Já
quando em vigor o Enunciado 28, entendia-se, tal como o órgão ministerial suscitante, que o
DNPM – órgão governamental federal responsável por controlar e fiscalizar o exercício das
atividades de mineração no território nacional – poderia ser responsabilizado pelos danos
ambientais decorrentes da ausência ou insuficiência na fiscalização da referida atividade,
hipótese específica da alínea ‘d’ então em vigor, a ensejar o reconhecimento da atribuição
do Ministério Público Federal (…) Com a nova regulamentação, extensiva do campo de
atuação do Ministério Público Federal, não há mais dúvida acerca de sua atribuição para a
apuração de que tratam os autos”. 11. Nesse contexto, diante da demonstração de um
concreto interesse da União que possa justificar a imediata atuação do Ministério Público
Federal (arts.37 e 39 da LC 75/1993 e art. 109 da CF/88), qual seja a possível
responsabilização do DNPM pela fiscalização inadequada em área de atividade de extração
mineral, não vejo como infirmar a opinião do Chefe do Ministério Público. 12. Nesse mesmo
sentido, na ACO 2531, a Ministra Cármem Lúcia entendeu pela competência do Ministério
Público Federal, em questão semelhante ao presente caso, na qual também se discutia
conflito de atribuição em matéria de extração mineral irregular. Confira-se a ementa da
decisão monocrática: CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E
ESTADUAL. MINERAÇÃO. APURAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS DECORRENTES DA EXTRAÇÃO
IRREGULAR DE MINÉRIOS. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PARA DIRIMIR O
CONFLITO. ATRIBUIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. 13. Diante do exposto, conheço
do presente conflito e reconheço a atribuição do Ministério Público Federal para a apuração
dos fatos descritos nos presentes autos. Publique-se. Brasília, 06 de abril de 2015. Ministro
Luís Roberto Barroso Relator

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 876108 RJ RIO DE JANEIRO 0006112-
44.2007.8.19.0063 (STF)
Data de publicação: 30/03/2015

Decisão: Trata-se de agravo interposto contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado do


Rio de Janeiro de inadmissibilidade de recurso extraordinário em face de acórdão ementado
nos seguintes termos: “AÇÃO INDENIZATÓRIA CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
“TAXA” DE ESGOTO. TARIFA. SERVIÇO DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO. PARA QUE O SERVIÇO
SEJA EFICIENTEMENTE PRESTADO, O PODER PÚBLICO, OU SEU DELEGATÓRIO, DEVERÁ
DISPONIBILIZAR TODAS AS REFERIDAS ETAPAS. SENTENÇA PROFERIDA COM FULCRO NO
DECRETO 7.217 DE 2010, ENTENDENDO PELA LEGALIDADE DA COBRANÇA. ERROR IN
JUDICANDO. LEI 11.445/07. FLAGRANTE VÍCIO DE ILEGALIDADE NO ALUDIDO DECRETO.
VISÃO SÓCIO-AMBIENTAL. PRINCÍPIO DO MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO.
DIREITO FUNDAMENTAL VISTO SOB A ÓTICA DO ANTROPOCENTRISMO MITIGADO OU
ABRANDADO. A AUSÊNCIA DE UMA DAS ETAPAS DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO, QUAL SEJA
A DE TRATAMENTO SANITÁRIO, NÃO PODE SER TOLERADA PELO PODER PÚBLICO,
NOTADAMENTE QUANDO SUBMETIDA AO EXAME DO JUDICIÁRIO, POIS, CASO CONTRÁRIO,
ESTARIA SENDO LEGITIMADA A DEFEITUOSA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO EM DETRIMENTO DA
MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. COBRANÇA CUJA NATUREZA JURÍDICA
NÃO É DE TAXA, E SIM DE TARIFA OU PREÇO PÚBLICO, TRATANDO-SE DE
CONTRAPRESTAÇÃO DE CARÁTER NÃO TRIBUTÁRIO, IMPONDO A EFETIVA PRESTAÇÃO DE
TODO O SERVIÇO, SEM A QUAL TORNA INDEVIDA TAL COBRANÇA. DEVOLUÇÃO SIMPLES DOS
VALORES DEVIDOS, ANTE A AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ, A SEREM CALCULADOS EM FASE DE
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. INEXISTÊNCIA DE DANOS MORAIS, POR TRATAR-SE DE MERO
ABORRECIMENTO OU TRANSTORNO COM O PAGAMENTO DE VALORES SEM SERVIÇO
PRESTADO. DECISÃO, NA FORMA DO ART. 557, § 1º-A, DO CPC, DANDO PARCIAL
PROVIMENTO AO RECURSO. AGRAVO INTERNO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO”
(eDOC 3, p. 53 e 54) Opostos embargos declaratórios, estes foram rejeitados. No recurso
extraordinário, interposto com fundamento no artigo 102, III, a, da Constituição Federal,
sustenta-se, em preliminar, a repercussão geral da matéria. No mérito, alega-se violação aos
artigos 5º, II; e 37, caput, do texto constitucional. Decido. Observo que o Superior Tribunal
de Justiça, no julgamento do REsp 316.790, Rel. Min. Assusete Magalhães, deu provimento
ao recurso especial no sentido de reformar o acórdão recorrido, porquanto contrário à
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que firmou entendimento no sentido de que
justifica-se a cobrança da tarifa de esgoto quando a concessionária realiza a coleta,
transporte e escoamento dos dejetos, ainda que não promova o respectivo tratamento
sanitário antes do deságue”. Essa decisão transitou em julgado em 2.03.2015, conforme
consta do eDOC 4, p. 93. Ante o exposto, julgo prejudicado o presente recurso, por perda
superveniente do objeto (art. 21, IX, do RISTF). Publique-se. Brasília, 24 de março de 2015.
Ministro Gilmar Mendes Relator Documento assinado digitalmente

STF - AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA ACO 1026 PA PARÁ 0003161-42.2007.0.01.0000 (STF)


Data de publicação: 25/03/2015

AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA. DIREITO CONSTITUCIONAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO


INCONSTITUCIONAL. DEVER DE A UNIÃO E O IBAMA ELABORAREM NORMAS DIRIGIDAS À
TUTELA AMBIENTAL. EXPLORAÇÃO DE LAGOSTAS. EXISTÊNCIA DE ATOS NORMATIVOS. FALTA
DE INTERESSE PROCESSUAL. INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL ELEITA PARA O
SANEAMENTO DE SUPOSTAS OMISSÕES INCONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE CONFLITO
FEDERATIVO DIANTE DA INOCORRÊNCIA DE INTERESSES CONTRAPOSTOS. AÇÃO A QUE SE
NEGA SEGUIMENTO. Decisão: Cuida-se de ação cível originária com pedido de antecipação
dos efeitos da tutela proposta pelo Estado do Pará em face da União e do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, cujo objeto é a obtenção
de provimento jurisdicional que determine “obrigação de fazer” aos promovidos no sentido
de que: (i) “editem atos normativos que proíbam em toda a federação a utilização da
caçoeira para a pesca da lagosta e a utilização de outras técnicas predatórias […] bem como
estabeleça as medidas (comprimento) mínimo das lagostas a serem capturadas de forma a
permitir sua sustentabilidade e tratem de modo uniforme em todo o território nacional a
questão da sustentabilidade do recurso ambiental lagosteiro”; (ii) “exerçam de forma efetiva
a fiscalização nas águas de sua jurisdição”; e (iii) publiquem, “após o trânsito em julgado da
sentença favorável, o conteúdo desta em jornais de grande circulação e na internet” (fls. 26).
O Estado autor traz como causa de pedir a necessidade de se assegurar a sustentabilidade da
pesca da lagosta na costa brasileira, de modo a se evitar problemas de ordem ambiental,
social e econômica, mostrando-se imprescindível normatização uniforme do tema. Aduz ser
a União o ente competente para legislar sobre a matéria, aponta haver um poder-dever
partilhado entre todos os entes federados de fiscalização e tutela do meio ambiente,
sustenta a imprescindibilidade de obediência aos princípios da prevenção, da solidariedade
intergeracional, do poluidor pagador e princípio da vedação ao retrocesso. Citados, os réus
apresentaram contestação. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis – IBAMA sustenta (fls. 161/165) a ausência de interesse processual do Estado
autor ante a existência de disposição normativa anterior ao pleito do promovente, qual seja
a Instrução Normativa 138/2006, a qual dispõe sobre o bem jurídico cuja tutela o Estado do
Pará busca. A União, em sua contestação (fls. 168/169) argui: a) a falta de interesse
processual do autor; b) existência de norma ambiental que atende à pretensão do
demandante; c) efetiva observação dos princípios jurídico-ambientais e da efetiva
fiscalização da pesca da lagosta. Requer, ao final, a extinção do feito sem resolução do
mérito ou a improcedência dos pedidos do autor. É o relatório. Decido. Verifico que a lide
versa sobre matéria estritamente de direito, estando o processo apto a julgamento, nos
termos do art. 330, I, doCPC. O pedido exordial se deu nos seguintes termos (fls. 26), verbis:
“a) A obrigação de fazer da União e IBAMA para que editem atos normativos que proíbam
em toda a federação a utilização da caçoeira para a pesca da lagosta e a utilização de outras
técnicas predatórias, uma vez que a captura da lagosta na costa paraense vem sendo
realizada acima de 40 milhas náuticas, bem como estabeleça as medidas (comprimento
mínimo) das lagostas a serem capturadas de forma a permitir sua sustentabilidade e
tratarem de modo uniforme em todo o território nacional a questão da sustentabilidade do
recurso ambiental lagosteiro; b) Que exerçam de forma efetiva a fiscalização nas águas de
sua jurisdição (art. 23, VI e VII e art. 225 da CF); c) A condenação dos requeridos nos ônus da
sucumbência, bem como honorários advocatícios, que se pede sejam arbitrados em 20%
sobre o valor atualizado da condenação (art. 20 §§ 1º e 3º do CPC). d) A publicação pelos
requeridos, decido ao princípio da informação (art. 5ºXXXIII e art. 225, § 2º, ambos
daConstituição Federal e o art. 14, § 1º da Lei Federal nº 6.938/1981) que norteia o direito
ambiental a publicarem, após o trânsito em julgado da sentença favorável, o conteúdo desta
em jornais de grande circulação e na internet. “ De início, consigno, a partir do que noticiado
nos autos, a existência de ato normativo elaborado pelo IBAMA (Instrução Normativa
138/2006), o qual versa sobre os limites para o exercício da atividade exploratória das
lagostas das espécies Panulirus argus (lagosta vermelha) e Panulirus laevicauda (lagosta cabo
verde). A referida norma estabelece, ainda, vedação à utilização de redes de espera do tipo
caçoeira, regras para a fiscalização a ser realizada pelas autoridades competentes,
comprimentos mínimos para esses animais, dentre outras disposições protetivas dessas
espécies não abrangidas pelo autor na formulação de seu pedido. A publicação de norma
que atende à pretensão autoral, anterior à propositura da presente ação, denota, per se, a
ausência de interesse processual do promovente, pois o pedido principal do autor mostra-se
já previamente atendido, uma vez que a referida instrução normativa reveste-se da
qualidade de “ato normativo” federal o qual versa sobre a vedação da “utilização da caçoeira
para a pesca da lagosta” e “a utilização de outras técnicas predatórias”, bem como
estabelece limites territoriais para a exploração da atividade pesqueira da lagosta e
“medidas (comprimento mínimo) das lagostas a serem capturadas de forma a permitir sua
sustentabilidade”. Outrossim, o Estado do Pará propôs a ação com contornos
eminentemente abstratos, não trazendo uma questão concreta, cuja solução dependa da
atuação do Poder Judiciário. A causa de pedir próxima funda-se em uma suposta omissão
inconstitucional protagonizada pelos réus. Ressalte-se que o instrumento
constitucionalmente previsto para o saneamento de omissões normativas inconstitucionais é
a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, prevista no art. 103, § 2º,
da Constituição Federal e regulada pela Lei nº 9.868/1999, com as alterações promovidas da
Lei nº 12.063/2009. Ressalte-se que o referido instituto, vocacionado à preservação da
autoridade da Constituição, nos termos do mencionado permissivo constitucional, é apto a
suprir tanto a omissão no desempenho da atividade legislativa quanto na adoção de
providência de índole administrativa. Consigne-se, ademais, que os outros pedidos autorais
decorrem necessária e diretamente do reconhecimento da situação omissiva, não se
podendo proceder ao seu exame sem que se ultrapasse esse pressuposto lógico. Igualmente,
não se pode falar em fungibilidade entre as ações, pois, além da incompatibilidade
decorrente da formulação dos pedidos e do rito a ser seguido, a presente ação foi subscrita
por Procuradores de Estado, pessoas não previstas no taxativo rol de legitimados à
propositura da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão, carecendo-lhes
legitimidade ativa ad causam. O caso dos autos versa sobre a suposta omissão
inconstitucional decorrente da falta de elaboração de normas, sendo descabida a discussão
de questão dessa natureza em uma ação cível originária quando há instrumento próprio,
constitucionalmente previsto, para enfrentar essa discussão. De outro lado, consoante o
disposto no artigo 102, I, f, daConstituição Federal, ao Supremo Tribunal Federal compete
conhecer e julgar originariamente “as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a
União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da
administração indireta”. Em interpretação ao dispositivo acima citado, a jurisprudência desta
Suprema Corte se firmou no sentido de que a competência originária prevista no art. 102, I,
f, da Magna Carta se circunscreve aos casos em que se divisa potencialidade de lesão à
harmonia do pacto federativo. A propósito, colaciono os seguintes precedentes: “QUESTÃO
DE ORDEM NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA. TÍTULOS DE PROPRIEDADE. ORIGEM EM OUTORGAS
REALIZADAS PELO ESTADO DO PARANÁ. ÁREA PERTENCENTE À UNIÃO. QUESTÃO DECIDIDA
NA APELAÇÃO CÍVEL N. 9.621/PR. COISA JULGADA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DECLARAÇÃO DE
NULIDADE DESSES TÍTULOS. CONFLITO FEDERATIVO. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE HIPÓTESE
INSTAURADORA DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (ART. 102, INC. I, AL. F,
DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA). 1. A única questão envolvendo a contraposição de
interesses substanciais entre a União e o Estado do Paraná já foi apreciada e definitivamente
resolvida por este Supremo Tribunal no julgamento dos Embargos de Terceiros opostos na
Apelação Cível n. 9.621/PR (RTJ 31/59 e 32/73). Declarada a inexistência de qualquer direito
do Estado do Paraná sobre essas terras em acórdão já transitado em julgado, não há falar
em sua atuação como litisconsorte, seja nas ações civis públicas, seja nas ações de
desapropriação e seus incidentes. 2. A ausência do ente federado alienante como antecessor
imediato na cadeia dominial em relação aos expropriados impede a sua intervenção no feito,
por denunciação à lide. Precedentes. 3. Os limites da discussão que envolve o interesse
jurídico do Estado do Paraná na causa equiparam-no a um assistente simples ad adjuvandum
e não litisconsorcial, o que, segundo entendimento assentado por este Supremo Tribunal,
afasta a incidência do permissivo constitucional da alínea f . Precedentes. 4. O tema
referente à nulidade dos títulos de propriedade outorgados pelo Estado do Paraná na área
discutida na Apelação Cível n. 9.621/PR está sob apreciação deste Supremo Tribunal nas
Reclamações ns. 1.074 (Rel. Min. Sepúlveda Pertence) e 2.788 (Rel. Min. Cezar Peluso),
ambas com julgamento já iniciado, o que torna recomendável o sobrestamento das várias
ações nas quais suscitada essa questão até o trânsito em julgado dessas reclamações.
Questão de ordem que se resolve no sentido de declarar a incompetência do Supremo
Tribunal Federal, determinando o retorno dos autos ao juízo de origem e comunicando a
Procuradoria-Geral da República para que providencie a devolução a este Supremo Tribunal
dos autos de ações nas quais se apresente a mesma questão, sem a necessidade de juntada
de parecer.” (ACO 1480 QO, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 20.08.2010) “EMENTA:
RECLAMAÇÃO. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA. INVALIDAÇÃO DE CONTRATO DE CONFISSÃO,
ASSUNÇÃO, CONSOLIDAÇÃO E REFINANCIAMENTO DE DÍVIDAS FIRMADO ENTRE O ESTADO
DE ALAGOAS E A UNIÃO. INEXISTÊNCIA DE CONFLITO FEDERATIVO. INCOMPETÊNCIA DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECLAMAÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE. AGRAVO
REGIMENTAL PREJUDICADO. 1. A excepcional competência prevista no art.102, inc. I,
alínea f, da Constituição da República restringe-se as hipóteses em que o litígio instaurado
entre os entes federativos possa, efetivamente, vulnerar o pacto federativo . Precedentes. 2.
O ato impugnado pelo autor da Ação Popular foi defendido pela União e pelo Estado de
Alagoas, que figuram no mesmo pólo da ação. Não há, nos autos, provas de que o possível
desfecho das questões postas em debate naquela ação poderia abalar o equilíbrio e a
harmonia da Federação. 3. O Supremo Tribunal Federal é incompetente para processar e
julgar ação popular. 4. Reclamação julgada improcedente.” (Rcl 3152, Rel. Min. Cármen
Lúcia, DJe de 13.03.2009) “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA. CONFLITO ENTRE AUTARQUIA FEDERAL E ESTADO-MEMBRO.
AUSÊNCIA DE RISCO AO PACTO FEDERATIVO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 102, I, F,
DA CB/88. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. 1. O Supremo Tribunal Federal fixou
entendimento no sentido de que a competência originária que lhe é atribuída pelo
artigo 102, I, f, daConstituição do Brasil, tem caráter de absoluta excepcionalidade,
restringindo-se a sua incidência às hipóteses de litígios cuja potencialidade ofensiva revele-
se apta a vulnerar a harmonia do pacto federativo. Precedentes. 2. Incompetência deste
Supremo Tribunal para processar e julgar, originariamente, causas entre Estado-membro e
autarquia federal com sede ou estrutura regional de representação no território estadual
respectivo. Competência da Justiça Federal. Precedentes. Agravo regimental a que se nega
provimento.” (RE 512468 AgR, Rel. Min. Eros Grau, DJe de 06.06.2008)“EMENTA: AÇÃO DE
EXECUÇÃO MOVIDA POR SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA CONTROLADA PELO ESTADO DE
SÃO PAULO CONTRA O ESTADO DO MARANHAO - INCOMPETENCIA DO STF - INTELIGENCIA
DO ART. 102, I, F, DA CONSTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE CONFLITO FEDERATIVO - PEDIDO
NÃO CONHECIDO. - O art. 102, I, f, daConstituição confere ao STF a posição eminente de
Tribunal da Federação, atribuindo-lhe, nessa condição, o poder de dirimir as controvérsias
que, irrompendo no seio do Estado Federal, oponham as unidades federadas umas as outras.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, na definição do alcance dessa regra de
competência originaria da Corte, tem enfatizado o seu caráter de absoluta excepcionalidade,
restringindo a sua incidência as hipóteses de litígios cuja potencialidade ofensiva revele-se
apta a vulnerar os valores que informam o princípio fundamental que rege, em nosso
ordenamento jurídico, o pacto da Federação. Ausente qualquer situação que introduza a
instabilidade no equilíbrio federativo ou que ocasione a ruptura da harmonia que deve
prevalecer nas relações entre as entidades integrantes do Estado Federal, deixa de incidir,
ante a inocorrência dos seus pressupostos de atuação, a norma de competência prevista no
art. 102, I, f, da Constituição. - Causas de conteúdo estritamente patrimonial, fundadas em
títulos executivos extrajudiciais, sem qualquer substrato político, não justificam se instaure a
competência do Supremo Tribunal Federal prevista no art. 102, I, f, da Constituição, ainda
que nelas figurem, como sujeitos da relação litigiosa, uma pessoa estatal e um ente dotado
de paraestatalidade.” (ACO 359 QO, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 11.03.1994) A análise
dos pedidos formulados pelo Estado autor denota a inocorrência de conflito federativo. É
que o Estado do Pará se insurge contra uma suposta conduta omissiva da União e do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. O
mandamento constitucional de proteção do meio ambiente, consagrado no
art. 225 da Constituição Federal, impede o delineamento de potencial conflito federativo,
pois o sistema posto impede que se estabeleça uma presunção de que a eventual ocorrência
de conduta omissiva dos promovidos se dê impreterivelmente em sentido oposto aos
valores estatuídos pelo constituinte originário. O direito a um meio ambiente hígido
pertence a toda a coletividade, não se podendo falar na existência de lide propriamente dita,
pois dentro das atribuições dos promovidos também está a concretização das disposições
insculpidas no art. 225 da Constituição Federal. No que concerne ao Direito ao meio
ambiente concebido como um direito de toda a sociedade, veja-se a ementa da ADI 3.540,
Tribunal Pleno, rel. Min. Celso de Mello, DJ de 03/02/2006, ad litteram (grifos meus): “E M E
N T A: MEIO AMBIENTE - DIREITO À PRESERVAÇÃO DE SUA INTEGRIDADE (CF, ART. 225)-
PRERROGATIVA QUALIFICADA POR SEU CARÁTER DE METAINDIVIDUALIDADE - DIREITO DE
TERCEIRA GERAÇÃO (OU DE NOVÍSSIMA DIMENSÃO) QUE CONSAGRA O POSTULADO DA
SOLIDARIEDADE - NECESSIDADE DE IMPEDIR QUE A TRANSGRESSÃO A ESSE DIREITO FAÇA
IRROMPER, NO SEIO DA COLETIVIDADE, CONFLITOS INTERGENERACIONAIS - ESPAÇOS
TERRITORIAIS ESPECIALMENTE PROTEGIDOS (CF, ART. 225, § 1º, III)- ALTERAÇÃO E
SUPRESSÃO DO REGIME JURÍDICO A ELES PERTINENTE - MEDIDAS SUJEITAS AO PRINCÍPIO
CONSTITUCIONAL DA RESERVA DE LEI - SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO EM ÁREA DE
PRESERVAÇÃO PERMANENTE - POSSIBILIDADE DE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CUMPRIDAS
AS EXIGÊNCIAS LEGAIS, AUTORIZAR, LICENCIAR OU PERMITIR OBRAS E/OU ATIVIDADES NOS
ESPAÇOS TERRITORIAIS PROTEGIDOS, DESDE QUE RESPEITADA, QUANTO A ESTES, A
INTEGRIDADE DOS ATRIBUTOS JUSTIFICADORES DO REGIME DE PROTEÇÃO ESPECIAL -
RELAÇÕES ENTRE ECONOMIA (CF, ART. 3º, II, C/C O ART. 170, VI) E ECOLOGIA (CF, ART. 225)-
COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS - CRITÉRIOS DE SUPERAÇÃO DESSE ESTADO DE
TENSÃO ENTRE VALORES CONSTITUCIONAIS RELEVANTES - OS DIREITOS BÁSICOS DA PESSOA
HUMANA E AS SUCESSIVAS GERAÇÕES (FASES OU DIMENSÕES) DE DIREITOS (RTJ 164/158,
160-161) - A QUESTÃO DA PRECEDÊNCIA DO DIREITO À PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE:
UMA LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL EXPLÍCITA À ATIVIDADE ECONÔMICA (CF, ART. 170, VI)-
DECISÃO NÃO REFERENDADA - CONSEQÜENTE INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE MEDIDA
CAUTELAR. A PRESERVAÇÃO DA INTEGRIDADE DO MEIO AMBIENTE: EXPRESSÃO
CONSTITUCIONAL DE UM DIREITO FUNDAMENTAL QUE ASSISTE À GENERALIDADE DAS
PESSOAS. - Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Trata-se de um
típico direito de terceira geração (ou de novíssima dimensão), que assiste a todo o gênero
humano (RTJ 158/205-206). Incumbe, ao Estado e à própria coletividade, a especial
obrigação de defender e preservar, em benefício das presentes e futuras gerações, esse
direito de titularidade coletiva e de caráter transindividual (RTJ 164/158-161). O
adimplemento desse encargo, que é irrenunciável, representa a garantia de que não se
instaurarão, no seio da coletividade, os graves conflitos intergeneracionais marcados pelo
desrespeito ao dever de solidariedade, que a todos se impõe, na proteção desse bem
essencial de uso comum das pessoas em geral. Doutrina. A ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO
PODE SER EXERCIDA EM DESARMONIA COM OS PRINCÍPIOS DESTINADOS A TORNAR EFETIVA
A PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. - A incolumidade do meio ambiente não pode ser
comprometida por interesses empresariais nem ficar dependente de motivações de índole
meramente econômica, ainda mais se se tiver presente que a atividade econômica,
considerada a disciplina constitucional que a rege, está subordinada, dentre outros
princípios gerais, àquele que privilegia a "defesa do meio ambiente" (CF, art. 170, VI), que
traduz conceito amplo e abrangente das noções de meio ambiente natural, de meio
ambiente cultural, de meio ambiente artificial (espaço urbano) e de meio ambiente laboral.
Doutrina. Os instrumentos jurídicos de caráter legal e de natureza constitucional objetivam
viabilizar a tutela efetiva do meio ambiente, para que não se alterem as propriedades e os
atributos que lhe são inerentes, o que provocaria inaceitável comprometimento da saúde,
segurança, cultura, trabalho e bem-estar da população, além de causar graves danos
ecológicos ao patrimônio ambiental, considerado este em seu aspecto físico ou natural. A
QUESTÃO DO DESENVOLVIMENTO NACIONAL (CF, ART. 3º, II) E A NECESSIDADE DE
PRESERVAÇÃO DA INTEGRIDADE DO MEIO AMBIENTE (CF, ART. 225): O PRINCÍPIO DO
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO FATOR DE OBTENÇÃO DO JUSTO EQUILÍBRIO
ENTRE AS EXIGÊNCIAS DA ECONOMIA E AS DA ECOLOGIA. - O princípio do desenvolvimento
sustentável, além de impregnado de caráter eminentemente constitucional, encontra
suporte legitimador em compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro e
representa fator de obtenção do justo equilíbrio entre as exigências da economia e as da
ecologia, subordinada, no entanto, a invocação desse postulado, quando ocorrente situação
de conflito entre valores constitucionais relevantes, a uma condição inafastável, cuja
observância não comprometa nem esvazie o conteúdo essencial de um dos mais
significativos direitos fundamentais: o direito à preservação do meio ambiente, que traduz
bem de uso comum da generalidade das pessoas, a ser resguardado em favor das presentes
e futuras gerações. O ART. 4º DO CÓDIGO FLORESTAL E A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.166-
67/2001: UM AVANÇO EXPRESSIVO NA TUTELA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
- A Medida Provisória nº 2.166-67, de 24/08/2001, na parte em que introduziu significativas
alterações no art. 4odo Código Florestal, longe de comprometer os valores constitucionais
consagrados no art. 225 da Lei Fundamental, estabeleceu, ao contrário, mecanismos que
permitem um real controle, pelo Estado, das atividades desenvolvidas no âmbito das áreas
de preservação permanente, em ordem a impedir ações predatórias e lesivas ao patrimônio
ambiental, cuja situação de maior vulnerabilidade reclama proteção mais intensa, agora
propiciada, de modo adequado e compatível com o texto constitucional, pelo diploma
normativo em questão. - Somente a alteração e a supressão do regime jurídico pertinente
aos espaços territoriais especialmente protegidos qualificam-se, por efeito da cláusula
inscrita no art. 225, § 1º, III, daConstituição, como matérias sujeitas ao princípio da reserva
legal. - É lícito ao Poder Público - qualquer que seja a dimensão institucional em que se
posicione na estrutura federativa (União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios) -
autorizar, licenciar ou permitir a execução de obras e/ou a realização de serviços no âmbito
dos espaços territoriais especialmente protegidos, desde que, além de observadas as
restrições, limitações e exigências abstratamente estabelecidas em lei, não resulte
comprometida a integridade dos atributos que justificaram, quanto a tais territórios, a
instituição de regime jurídico de proteção especial (CF, art. 225, § 1º, III).” No mesmo
sentido, a respeito da defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado ser atribuição
do poder público e da coletividade. Veja-se, nessa linha, a ementa do MS 26.064, Tribunal
Pleno, rel. Min. Eros Grau, DJe de 06/08/2010: “EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. MEIO
AMBIENTE. DEFESA. ATRIBUIÇÃO CONFERIDA AO PODER PÚBLICO. ARTIGO 225, §
1º, III, CB/88. DELIMITAÇÃO DOS ESPAÇOS TERRITORIAIS PROTEGIDOS. VALIDADE DO
DECRETO. SEGURANÇA DENEGADA. 1. AConstituição do Brasil atribui ao Poder Público e à
coletividade o dever de defender um meio ambiente ecologicamente equilibrado. [CB/88,
art. 225, § 1º, III]. 2. A delimitação dos espaços territoriais protegidos pode ser feita por
decreto ou por lei, sendo esta imprescindível apenas quando se trate de alteração ou
supressão desses espaços. Precedentes. Segurança denegada para manter os efeitos do
decreto do Presidente da República, de 23 de março de 2006. “ Assim, reconhecida a
situação de convergência de interesses, constitucionalmente estabelecida, não há falar
propriamente em pretensão resistida, tampouco em conflito capaz de vulnerar o pacto
federativo. Ex positis, nego seguimento à ação, com base no artigo 21, § 1º, do Regimento
Interno do Supremo Tribunal Federal. Por fim, condeno o autor aos honorários advocatícios
em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa. Publique-se. Int. Brasília, 25 de março de
2015. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 870244 DF DISTRITO FEDERAL (STF)
Data de publicação: 23/03/2015

DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCESSUAL CIVIL. PROVA


DOCUMENTAL. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE AO ART. 93,
INC. IX, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ALEGAÇÃO DE INOBSERVÂNCIA DO ART. 5º,
INC. LIV, DACONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA: AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. PRETENSA
AFRONTA AO ART. 5º, INCS. XXXIV E XXXV, DACONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO: SÚMULAS NS. 282 E 356 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo nos autos principais contra
inadmissão de recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. a,
da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal de Justiça de Distrito
Federal e dos Territórios: “DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ANULAÇÃO DE
ATO ADMINISTRATIVO. CONSTRUÇÃO E PAVIMENTAÇÃO DE VIA DE LIGAÇÃO. NECESSIDADE
DE REALIZAÇÃO DE ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL. NULIDADE DE ATOS
ADMINISTRATIVOS QUE AUTORIZARAM A REALIZAÇÃO DAS OBRAS. INTERDIÇÃO DA VIA”. Os
embargos de declaração opostos foram rejeitados. 2. O Agravante alega contrariados os
arts. 5º, incs. XXXIV, XXXV e LIV, e 93, inc. IX, daConstituição da República, argumentando
que “não foi oportunizado ao recorrente momento para analisar e se manifestar acerca do
referido documento. O recorrente somente teve ciência do citado documento quando houve
a prolação do acórdão. E nem se alegue que não houve prejuízo ao recorrente. A apelação
interposta pelo recorrido foi parcialmente provida, tendo o acórdão determinado a
interdição da via. Caso pudesse ter analisado e apresentado manifestação sobre o referido
documento, o acórdão poderia ter negado provimento à apelação”. 3. O recurso
extraordinário foi inadmitido ao fundamento de ausência de ofensa constitucional direta.
Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO. 4. O art. 544 do Código de Processo
Civil, com as alterações da Lei n. 12.322/2010, estabeleceu que o agravo contra inadmissão
de recurso extraordinário processa-se nos autos do recurso, ou seja, sem a necessidade de
formação de instrumento, sendo este o caso. Analisam-se, portanto, os argumentos postos
no agravo, de cuja decisão se terá, na sequência, se for o caso, exame do recurso
extraordinário. 5. Razão de direito não assiste ao Agravante. 6. A alegação de nulidade do
acórdão por contrariedade ao art. 93, inc. IX, da Constituição da República não pode
prosperar. Embora em sentido contrário à pretensão do Agravante, o acórdão recorrido
apresentou suficiente fundamentação. Conforme a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, “o que a Constituição exige, no art. 93, IX, é que a decisão judicial seja
fundamentada; não, que a fundamentação seja correta, na solução das questões de fato ou
de direito da lide: declinadas no julgado as premissas, corretamente assentadas ou não, mas
coerentes com o dispositivo do acórdão, está satisfeita a exigência constitucional” (RE
140.370, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, RTJ 150/269). 7. Quanto à alegação de
contrariedade ao art. 5º, incs. XXXIV e XXXV, da Constituição da República, verifica-se não ter
sido objeto de debate e decisão prévios pelo Tribunal de origem, tampouco os embargos de
declaração opostos o foram com a finalidade de comprovar ter havido, no momento
processual próprio, o prequestionamento. Incidem na espécie vertente as Súmulas ns. 282 e
356 do Supremo Tribunal Federal: “A jurisprudência deste Supremo Tribunal firmou-se no
sentido de que os embargos declaratórios só suprem a falta de prequestionamento quando a
decisão embargada tenha sido efetivamente omissa a respeito da questão antes suscitada.
Precedentes” (AI 580.465-AgR, de minha relatoria, Primeira Turma, DJ 19.9.2008). 8. No
julgamento do Agravo em Recurso Extraordinário n. 748.371, Relator o Ministro Gilmar
Mendes, este Supremo Tribunal assentou inexistir repercussão geral na alegação de
contrariedade ao princípio do devido processo legal, quando o exame da questão depende
de prévia análise da adequada aplicação de normas infraconstitucionais: “Alegação de
cerceamento do direito de defesa. Tema relativo à suposta violação aos princípios do
contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do devido processo legal.
Julgamento da causa dependente de prévia análise da adequada aplicação das normas
infraconstitucionais. Rejeição da repercussão geral” (DJe 1º.8.2013). Declarada a ausência de
repercussão geral, os recursos extraordinários e agravos nos quais suscitada a mesma
questão constitucional devem ter o seguimento negado pelos respectivos relatores,
conforme o art. 327, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Nada há,
pois, a prover quanto às alegações do Agravante. 9. Pelo exposto, nego seguimento ao
agravo (art. 544, § 4º, inc. II, al. a, do Código de Processo Civil e arts. 21, § 1º, e 327, § 1º, do
Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 17 de março de
2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora
STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 869954 SE SERGIPE 0001632-
86.2011.8.25.0072 (STF)
Data de publicação: 19/03/2015

Vistos etc. Contra o juízo negativo de admissibilidade do recurso extraordinário, exarado


pela Presidência do Tribunal a quo, foi manejado agravo. Na minuta, sustenta-se que o
recurso extraordinário reúne todos os requisitos para sua admissão. Aparelhado o recurso
na afronta aos arts. 37, § 6º e 23, VI, da Constituição Federal. É o relatório. Decido.
Preenchidos os pressupostos extrínsecos. Da detida análise dos fundamentos da decisão
denegatória de seguimento do recurso extraordinário, bem como à luz das razões de decidir
adotadas pelo Tribunal de origem, por ocasião do julgamento do recurso veiculado na
instância ordinária, concluo que nada colhe o agravo. Está no acórdão recorrido: “APELAÇÃO
CÍVEL – AÇÃO CIVIL PÚBLICA – DANO AO MEIO AMBIENTE – ESTREITAMENTO E
ASSOREAMENTO DAS MARGENS DO RIO CAÍPE – RESPONSABILIDADE OBJETIVA –
COMPROVAÇÃO DO DANO AMBIENTAL – OMISSÃO DO MUNICÍPIO – DEVER DE FISCALIZAR E
PROTEGER ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE – RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
DECISÃO UNÂNIME.” O Tribunal de origem, na hipótese em apreço, lastreou-se na prova
produzida para firmar seu convencimento, razão pela qual aferir a ocorrência de eventual
afronta aos preceitos constitucionais invocados no apelo extremo exigiria o revolvimento do
quadro fático delineado, procedimento vedado em sede extraordinária. Aplicação da Súmula
279/STF: “Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário.” Nesse sentir,
não merece processamento o apelo extremo, consoante também se denota dos
fundamentos da decisão que desafiou o recurso, aos quais me reporto e cuja detida análise
conduz à conclusão pela ausência de ofensa direta e literal a preceito da Constituição da
República. Nego seguimento (art. 21, § 1º, do RISTF). Publique-se. Brasília, 12 de março de
2015. Ministra Rosa Weber Relatora

STF - HABEAS CORPUS HC 104860 SP SÃO PAULO 9931707-21.2010.0.01.0000 (STF)


Data de publicação: 18/03/2015

DECISÃO: Ementa: PENAL E PROCESSO PENAL.. SÚMULA 691/STF. HABEAS CORPUS CRIME
AMBIENTAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. DUPLA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA
DE TERATOLOGIA. 1. O Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento no sentido da
inadmissibilidade da impetração de habeas corpus contra decisão denegatória de
provimento cautelar (Súmula 691/STF). 2. Superveniência de acórdão no Superior Tribunal
de Justiça. 3. Habeas corpus prejudicado. 1. Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar,
impetrado em favor de MOISES DE FRANÇA, contra decisão do Ministro JORGE MUSSI da 5ª
Turma do Superior Tribunal de Justiça que, nos autos do HC nº 173.324, indeferiu o pedido
de liminar. 2. O paciente foi condenado à pena de 7 (sete) meses de detenção, no regime
semiaberto, pela prática do delito previsto no art. 48 da Lei nº 9.605/98 (Impedir ou
dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação). 3. Interposto
recurso de apelação perante o Tribunal de Justiça de São Paulo, a 4ª Câmara Criminal, por
unanimidade, o julgou improvido, determinando a expedição de mandado de prisão (fl. 22).
4. A defesa, em 4.6.2010, interpôs Recurso Especial (...), bem como, diante do iminente risco
à liberdade de locomoção do ora paciente, impetrou habeas corpus junto ao Superior
Tribunal de Justiça, cuja liminar foi indeferida (fl. 11). 5. Daí, novo habeas corpus foi
impetrado, agora perante esta Corte. 6. Alega o impetrante que “a referida ação penal não
merece prosperar, tanto que o paciente interpôs recurso especial, uma vez que no caso em
tela o delito previsto no artigo 48 da Lei nº 9.605/98 'data venia' não se consumou, pois seu
tipo penal é impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de
vegetação, o que não ocorreu” (fl. 4). 7. Requer, liminarmente, “seja reconhecida a falta de
justa causa para condenação do impetrante diante dos princípios da proporcionalidade e
razoabilidade, e que permaneça solto enquanto não ocorrer o trânsito em julgado da ação
penal” (fl. 9). No mérito, pleiteia “seja concedido o writ” (fl. 9). 8. É o relatório do Ministro
Cezar Peluso ao deferir a liminar. 9. A Procuradoria-Geral da República opinou pela
denegação da ordem. 10. Inicialmente, observo que, inexistindo pronunciamento colegiado
do Superior Tribunal de Justiça, não compete ao Supremo Tribunal Federal examinar a
questão de direito implicada na impetração. Esse entendimento foi consolidado na Súmula
691/STF e só é excepcionado nas hipóteses de manifesta ilegalidade ou abuso de poder, bem
como nos casos de decisões manifestamente contrárias à jurisprudência desta Corte ou
teratológicas . 11. No caso, a liminar deferida pelo Ministro Cezar Peluso permitia que o
paciente aguardasse o trânsito em julgado da sentença condenatória em liberdade. O exame
excepcional do pedido fundamentou-se no fato de que a decisão do Superior Tribunal de
Justiça, que indeferiu o pedido de liminar e negou ao réu o direito de não ser preso
enquanto não transitada em julgado a sentença condenatória, colidia com a orientação
pacífica do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. 12. O trânsito em julgado da sentença
penal condenatória ocorreu em 01.09.2014, conforme andamento processual disponível no
sítio eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 13. Ademais, o habeas corpus
impetrado no Superior Tribunal de Justiça foi julgado em 04.08.2011 e está assim ementado:
HABEAS CORPUS. IMPEDIR OU DIFICULTAR A REGENERAÇÃO DE FLORESTAS. ART. 48 DA LEI
DE CRIMES AMBIENTAIS. ATIPICIDADE PELA AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA
ESPECIFICADA NO TIPO PENAL. MATÉRIA NÃO APRECIADA PELA CORTE ESTADUAL.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. 1. A questão acerca a questão referente à
atipicidade, pois o local onde se deram os fatos objeto da ação penal não possui a vegetação
a que se refere a figura prevista no art. 48 da Lei de Crimes Ambientais não foi apreciada
pelo Tribunal de origem, circunstância que impede qualquer manifestação deste Sodalício
sobre o tópico, evitando-se, com tal medida, a ocorrência de indevida supressão de instância
(Precedentes STJ). CONDENAÇÃO. INIDONEIDADE DAS PROVAS. NECESSIDADE DE
REVOLVIMENTO APROFUNDADO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE NA
VIA ESTREITA DO WRIT. AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADA POR ELEMENTOS
IDÔNEOS. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CONFIGURADO. 1. A alegada inidoneidade do
acervo probatório é questão que demanda aprofundada análise de provas, o que é vedado
na via estreita do remédio constitucional, que possui rito célere e desprovido de dilação
probatória. 2. No processo penal brasileiro vigora o princípio do livre convencimento, em
que o julgador, desde que de forma fundamentada, pode decidir pela condenação, não
cabendo, então, na angusta via do writ, o exame aprofundado de prova no intuito de
reanalisar as razões e motivos pelos quais as instâncias anteriores formaram convicção pela
prolação de decisão repressiva em desfavor do paciente. 3. No caso, as decisões hostilizadas
afastaram as teses defensivas, fazendo, na sequência, cotejo das provas carreadas aos autos,
concluindo pela condenação do paciente, com fundamento em contexto fático-probatório
válido para demonstrar o crime e sua autoria. ATIPICIDADE POR INSIGNIFICÂNCIA DO
PERÍMETRO DA ÁREA ATINGIDA. ELEMENTOS OBJETIVOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REFORMA.
VIA ELEITA. INADEQUAÇÃO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. 1.
"A Constituição Federal de 1988, consolidando uma tendência mundial de atribuir maior
atenção aos interesses difusos, conferiu especial relevo à questão ambiental, ao elevar o
meio-ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente, destinando um
capítulo inteiro à sua proteção" (HC 192.696/SC, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA,
julgado em 17/03/2011, DJe 04/04/2011). 2. Para a incidência do princípio da insignificância
a culminar na atipicidade da conduta, é imprescindível análise dos aspectos objetivos da
infração praticada, quais sejam: mínima ofensividade da conduta, a ausência de
periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento, bem
como a inexpressividade da lesão jurídica causada. 3. In casu, restou consignado pelo
acórdão impugnado não incidir na espécie as consequências jurídicas advindas do princípio
da insignificância, de forma que o pleito da impetração não comporta acolhimento, por
demandar, como já realçado, dilação fático-probatória, procedimento vedado na via eleita.
REGIME DE CUMPRIMENTO. MODO SEMIABERTO. CIRCUNSTÂNCIAS DESFAVORÁVEIS.
MANUTENÇÃO DA FORMA INTERMEDIÁRIA DE EXECUÇÃO JUSTIFICADA. COAÇÃO ILEGAL
NÃO EVIDENCIADA. 1. Embora a pena do paciente tenha sido fixada em patamar inferior a 4
(quatro) anos de reclusão, justificável a imposição do regime intermediário de cumprimento
de pena, haja vista a existência de circunstâncias desfavoráveis. 2. Ordem parcialmente
conhecida e, nessa extensão, denegada. 14. Inexiste razão para a concessão da ordem de
ofício, pois o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, superveniente à presente impetração
e anterior ao trânsito em julgado, está alinhado com a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, no sentido de que o trancamento de ação penal só é possível quando estiverem
comprovadas, de logo, a atipicidade da conduta, a extinção da punibilidade ou a evidente
ausência de justa causa (v.g HC 103.891, Redator para o acórdão o Min. Ricardo
Lewandowski; HC 86.656, Rel. Min. Ayres Britto; HC 81.648, Rel. Min.Ilmar Galvão; HC
118.066-AgR, Rel.ª Min.ª Rosa Weber, e HC 104.267, Rel. Min. Luiz Fux). 15. Da mesma
forma, a orientação jurisprudencial desta Corte é no sentido de que o habeas corpus não é
via processual adequada para o reexame do conjunto fático do processo de origem (HC
111.412-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; RHC 114.890, Rel. Min. Dias Toffoli; HC 116.827-MC, Rel.
Min. Teori Zavascki; RHC 116.204, Relª. Minª. Cármen Lúcia; RHC 115.983, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski). 16. Por fim, a questão da insignificância não foi debatida pelo Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo, razão pela qual entendo incensurável a conclusão do
Superior Tribunal de Justiça: De início, da leitura do acórdão objurgado, observa-se que a
questão referente à atipicidade, pois o local onde se deram os fatos objeto da ação penal
não possui a vegetação a que se refere a figura prevista no art. 48 da Lei de Crimes
Ambientais não foi alvo de deliberação pelo Tribunal de origem, circunstância que impede
qualquer manifestação deste Sodalício sobre estes tópicos, evitando-se, com tal medida, a
ocorrência de indevida supressão de instância. Ressalte-se que a apelação criminal
interposta pelo paciente não veiculou, em suas razões, qualquer inconformismo
relativamente a esta matéria, cingindo-se a requerer a sua absolvição pela atipicidade em
face da insignificância do perímetro da área desmatada, insuficiência probatória e,
subsidiariamente, redução da pena. (...) Portanto, tendo em vista que o recurso de apelação,
nos termos do art. 515 do CPC, aplicado subsidiariamente ao processo penal (art. 3º doCPP),
devolve para o Órgão ad quem apenas o exame da matéria impugnada, que se restringe aos
limites da impugnação (excetuando-se, naturalmente, as matérias de ordem pública,
examináveis de ofício), o Tribunal impetrado não tratou da questão mencionada, mormente
porque se encontra no âmbito de uma das inúmeras possíveis teses defensivas, que devem,
por óbvio, ser arguidas no momento oportuno e perante o juízo competente, observando-se
o indispensável contraditório. Inviável, pois, o exame da matéria por este Superior Tribunal
de Justiça, sob pena de configuração da indevida prestação jurisdicional em supressão de
instância. 17. Assim, o imediato conhecimento dessa matéria por parte do Supremo Tribunal
Federal acarretaria indevida supressão de instância (v.g HC 116.350-AgR, Relª Minª Rosa
Weber e HC 114.166, Rel. Min. Ricardo Lewandowski). 18. Nesse cenário, com base no art.
38 da Lei nº 8.038/1990, c/c o art. 21, IX, do RI/STF, julgo prejudicado o pedido formulado
neste habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. Brasília, 18 março de 2015. Ministro LUÍS
ROBERTO BARROSO Relator Documento assinado digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 869128 DF DISTRITO FEDERAL


5000714-83.2011.4.04.7001 (STF)
Data de publicação: 18/03/2015

DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO E MEIO AMBIENTE.


NECESSIDADE DE REGISTRO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL DA ÁREA DE RESERVA LEGAL PARA
ISENÇÃO DO IMPOSTO TERRITORIAL RURAL – ITR: MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA
CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo
nos autos principais contra inadmissão de recurso extraordinário interposto com base no art.
102, inc. III, al. a, daConstituição da República contra o seguinte julgado do Superior Tribunal
de Justiça: “TRIBUTÁRIO E AMBIENTAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. AGRAVO
REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. É imprescindível a averbação da área de reserva legal, no
registro de imóveis, para fins de gozo da isenção fiscal prevista no art. 10, II, a, da
Lei 9.393/96. Nesse sentido: REsp 1.027.051/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Rel. p/
Acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 17/05/2011; REsp
1.125.632/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 31/08/2009. 2. Agravo
regimental não provido” (Volume n. 2, fl. 479, e-STJ). Os embargos de declaração opostos
foram rejeitados. 2. O Agravante alega contrariedade ao art. 150, § 6º, da Constituição da
República. Assevera inexistir “norma que indique a imprescindibilidade da averbação de área
de reserva legal para fins de isenção do Imposto Territorial Rural – ITR” (Volume n. 2, fl. 548,
e-STJ). 3. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso extraordinário ao fundamento de ofensa
indireta à Constituição da República. Examinados os elementos havidos nos autos, DECIDO.
4. O art. 544 doCódigo de Processo Civil, com as alterações da Lei n. 12.322/2010,
estabeleceu que o agravo contra inadmissão de recurso extraordinário processa-se nos autos
do recurso, ou seja, sem a necessidade de formação de instrumento, sendo este o caso.
Analisam-se, portanto, os argumentos postos no agravo, de cuja decisão se terá, na
sequência, se for o caso, exame do recurso extraordinário. 5. Razão jurídica não assiste ao
Agravante. 6. A apreciação do pleito recursal demandaria a análise prévia da legislação
infraconstitucional aplicável à espécie (Lei n. 9.393/1996). A alegada contrariedade
à Constituição da República, se tivesse ocorrido, seria indireta, o que inviabiliza o
processamento do recurso extraordinário: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA E
LEGAL. O recurso extraordinário não é meio próprio ao revolvimento da prova, também não
servindo à interpretação de normas estritamente legais” (RE 819.754-AgR, Relator o Ministro
Marco Aurélio, Primeira Turma, DJe 31.10.2014). “Agravo regimental no recurso
extraordinário com agravo. IPVA. Isenção. Portador de necessidades especiais. Norma de
direito local. Súmula 280/STF. Artigo 111,CTN. Afronta reflexa. 1. A matéria atinente à
isenção do IPVA na aquisição de veículo pelo portador de necessidades especiais depende da
reinterpretação da legislação infraconstitucional local e do art. 111 do CTN. Caso de ofensa
reflexa à Constituição. Precedentes de ambas as Turmas. 2. Não cabe recurso extraordinário
contra acórdão em que o órgão julgador se limite a interpretar normas de direito local.
Súmula 280/STF. 3. Agravo regimental não provido” (ARE 712.222-AgR, Relator o Ministro
Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 17.2.2014). “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. ICMS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. ISENÇÃO.
REGULAMENTO E RESTRIÇÃO. LEI ESTADUAL 8.820/1989 E DECRETO ESTADUAL 37.699/1997.
MANUTENÇÃO DOS FUNDAMENTOS INFRACONSTITUCIONAIS DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
SÚMULA 283 DO STF. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL LOCAL.
IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 280 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE
NEGA PROVIMENTO. I – Nas hipóteses em que o acórdão recorrido se assenta em
fundamento infraconstitucional suficiente e este se torna imodificável, caso destes autos,
este Tribunal tem entendido pela inviabilidade do apelo extremo, com base na aplicação da
Súmula 283 do STF. Precedentes. II – É inadmissível o recurso extraordinário quando sua
análise implica rever a interpretação de legislação infraconstitucional local que fundamenta
a decisão a quo. Incidência da Súmula 280 desta Corte. Precedentes. III – Agravo regimental
a que se nega provimento” (RE n. 811.800-AgR, Relator o Ministro Ricardo Lewadowski,
Segunda Turma, DJe 15.8.2014). “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO
TERRITORIAL RURAL - ITR. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 59/1995 DA SECRETARIA DA RECEITA
FEDERAL. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE.
NECESSIDADE DO PRÉVIO EXAME DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA N. 636 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA.
AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (RE 633.438-ED, de minha
relatoria, Primeira Turma, DJe 22.6.2011). Nada há, pois, a prover quanto às alegações do
Agravante. 7. Pelo exposto, nego seguimento ao agravo (art. 544, § 4º, inc. II, al. a, do Código
de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal).
Publique-se. Brasília, 11 de março de 2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 854849 SP SÃO PAULO 0367465-
41.2009.8.26.0000 (STF)
Data de publicação: 17/03/2015
Decisão: 1. Trata-se de agravo contra decisão que inadmitiu recurso extraordinário
interposto com base no art. 102, III, da Constituição Federalem que a parte recorrente
sustenta, preliminarmente, a existência de repercussão geral da matéria e aponta ofensa,
pelo juízo recorrido, a dispositivos constitucionais. 2. O Supremo Tribunal Federal firmou
entendimento no sentido de que é ônus do recorrente a demonstração formal e
fundamentada de repercussão geral da matéria constitucional discutida no recurso
extraordinário, com indicação específica das circunstâncias reais que evidenciem, no caso
concreto, a relevância econômica, política, social ou jurídica. Não bastam, portanto, para
que seja atendido o requisito previsto nos artigos 102, § 3º, da CF e 543-A, § 2º, do CPC,
alegações genéricas a respeito do instituto, como a mera afirmação de que (a) a matéria
controvertida tem repercussão geral; (b) o tema goza de importância econômica, política,
social ou jurídica; (c) a questão ultrapassa os interesses subjetivos da parte ou tem
manifesto potencial de repetitividade; (d) a repercussão geral é consequência inevitável de
suposta violação a dispositivo constitucional; ou, ainda, (e) há jurisprudência pacífica desta
Corte quanto ao tema discutido. Nesse sentido: ARE 691.595 AgR, Rel. Min. RICARDO
LEWANDOWSKI, Segunda Turma, DJe de 25/02/2013; ARE 696.347-AgR-segundo, Rel. Min.
CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, DJe de 14.2.2013; ARE 696.263-AgR/MG, Rel. Min. LUIZ
FUX, Primeira Turma, DJe de 19.02.2013; AI 717.821 AgR, Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA,
Segunda Turma, DJe de 13/08/2012. Ora, no caso, a alegação de repercussão geral não está
acompanhada de fundamentação demonstrativa nos moldes exigidos pela jurisprudência do
STF. 3. Quanto à alegação de afronta ao art. 5º, XXXV eXXXVI, da Carta Magna, é inviável a
apreciação, em recurso extraordinário, de alegada violação ao direito adquirido, ao ato
jurídico perfeito e à coisa julgada ou aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla
defesa e do devido processo legal, uma vez que, se houvesse, seria meramente indireta, já
que é imprescindível o exame de normas infraconstitucionais (ARE 748.371-RG/MT, Min.
GILMAR MENDES, Tema 660). 4. Por fim, o acolhimento do recurso impõe análise da
legislação ordinária de regência e incursão nos fatos da causa, o que não é cabível no âmbito
do recurso extraordinário, conforme estabelece a Súmula 279/STF. Nesse sentido: EMENTA
Agravo regimental no recurso extraordinário. Imóvel construído em área de preservação
permanente. Determinação judicial para sua demolição. Direito de propriedade.
Circunstâncias fáticas e legais que nortearam a decisão da origem em prol do princípio da
proteção ao meio ambiente. Legislação infraconstitucional. Reexame de fatos e provas.
Impossibilidade. Precedentes. 1. A Corte de origem, analisando as Leis nºs
4.771/65, 6.938/81 e 7.347/85, a Resolução nº 4/85 do CONAMA e os fatos e as provas dos
autos, concluiu que o ora agravante, com a construção não autorizada de imóvel em área de
preservação permanente, causou dano ambiental, bem como que a condenação pecuniária
não seria apta a reconstituir o espaço degradado, motivo pelo qual impunha-se a demolição
do imóvel. 2. Para divergir da conclusão a que chegou o Tribunal de origem, seria necessário
analisar a referida legislação, bem como o conjunto fático-probatório da causa, o que é
inviável em recurso extraordinário. Incidência das Súmulas nºs 636 e 279/STF. 3. Agravo
regimental não provido. (RE 605482 AgR/SC, Relator (a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma,
DJe 5/11/2013). 5. Diante do exposto, nego provimento ao agravo (RISTF, art. 21, § 1º).
Publique-se. Intime-se. Brasília, 12 de março de 2015. Ministro Teori Zavascki Relator
Documento assinado digitalmente
STF - AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO AgR ARE 859081 RS RIO
GRANDE DO SUL 0000957-06.2007.4.04.7211 (STF)
Data de publicação: 12/03/2015
Petição/STF nº 5.603/2015 DESPACHO PROCESSO-CRIME – LEI SUPERVENIENTE –
POSSIBILIDADE DE EXAME E CONCESSÃO DE ORDEM DE OFÍCIO – AUDIÇÃO DO MINISTÉRIO
PÚBLICO. 1. O Gabinete prestou as seguintes informações: Dissenha S/A Indústria e Comércio
e José Nelson Luiz Dissenha Neto, em petição eletrônica assinada digitalmente por advogado
regularmente credenciado, pleiteiam a aplicação de legislação superveniente mais benéfica à
espécie – Código Ambiental de Santa Catarina, Lei nº 4.675/2009 – em conjunto com o
Novo Código Florestal – Lei nº12.651/2012. Discorrem sobre o mérito e buscam a extinção da
punibilidade e o consequente trancamento desta ação penal. Apresentam recibo de inscrição
do imóvel rural no Cadastro Ambiental Rural – CAR. Em 18 de dezembro de 2014, Vossa
Excelência não conheceu do agravo, ante a extemporaneidade – cópia da decisão anexa.
Houve a apresentação de agravo regimental por José Nelson Dissenha Neto, pendente de
apreciação. O processo é eletrônico. 2. Pende de apreciação agravo regimental, em cujo
julgamento é possível haver o implemento de ordem de ofício. Daí a necessidade de ouvir o
Ministério Público Federal. 3. Providenciem. 4. Publiquem. Brasília – residência –, 27 de
fevereiro de 2015, às 12h40. Ministro MARCO AURÉLIO Relator

STF - INQUÉRITO Inq 3696 DF (STF)


Data de publicação: 05/03/2015

Decisão: 1. Trata-se de inquérito penal instaurado para apurar suposta prática das condutas
previstas nos arts. 40 e 48 da Lei 9.605/1998 por Augusto Rodrigues Coutinho de Melo,
porquanto teria, em tese, causado dano ambiental ao construir uma residência e dois muros
de arrimo para contenção das marés na Área de Preservação Ambiental Costa dos Corais/PE,
impedindo a regeneração natural da vegetação daquela reserva ambiental. A denúncia foi
oferecida em julho de 2013 pelo Procurador-Geral da República (fls. 2-6). Notificado, o
denunciado apresentou defesa preliminar (fls. 369/412). Instada a manifestar-se nos termos
do art. 5º da Lei 8.038/90, a acusação repudiou as teses da defesa, reiterando a denúncia e o
atendimento aos requisitos de seu recebimento (fls. Fls. 415-421). Em agosto de 2014, a
denúncia foi recebida (fl. 476). Contra a aludida decisão foram opostos embargos de
declaração (fls. 499-513), que foram rejeitados (fl. 523). Com vista dos autos, o Procurador-
Geral da República manifestou-se pela cessação de competência do Supremo Tribunal Federal
já que “o noticiado disputou a eleição para a 55ª Legislatura (2015-2019) e não foi eleito.
Como não se encontra mais investido em mandato parlamentar, não compete ao Supremo
Tribunal Federal conduzir o presente feito” (fl. 526-527). 2. Em consulta ao sítio eletrônico da
Câmara dos Deputados, verifica-se que a investidura do denunciado no mandato de
Deputado Federal cessou em 31.1.2015. A jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal
Federal é no sentido de não mais subsistir a sua competência penal originária se, no curso do
inquérito ou da ação penal, sobrevém a cessação da investidura do investigado ou acusado no
cargo, função ou mandato cuja titularidade justificava a outorga de prerrogativa de foro (Inq
2.429-AgR, Relator (a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, DJe 17-08-2007; Inq 2379-
AgR, Relator (a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJe de 06-06-2007; Inq 1.376-
AgR,Relator (a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, DJ 16/03/2007). 3. Ante o exposto,
determino a remessa dos autos à Seção Judiciária de Pernambuco/PE para as providências
cabíveis. Comunique-se ao Ministério Público, com baixa imediata dos autos. Publique-se.
Brasília, 2 de março de 2015.Ministro Teori ZavasckiRelatorDocumento assinado digitalmente

STF - AG.REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 860067 MG (STF)


Data de publicação: 04/03/2015

EMENTA DIREITO TRIBUTÁRIO. TAXA DE CONTROLE E FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL – TCFA.


INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS – IBAMA.

LEI Nº 10.165/2000. CONSONÂNCIA DA DECISÃO RECORRIDA COM A JURISPRUDÊNCIA


CRISTALIZADA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO
MERECE TRÂNSITO. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 17.4.2009. O entendimento
adotado pela Corte de origem, nos moldes do que assinalado na decisão agravada, não
diverge da jurisprudência firmada no âmbito deste Supremo Tribunal Federal, no sentido de
ser constitucional a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TCFA (RE 416.601/DF, Rel.
Min. Carlos Velloso, Pleno, DJ 30.9.2005). As razões do agravo regimental não se mostram
aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada. Agravo regimental
conhecido e não provido.

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 863239 SC SANTA CATARINA (STF)


Data de publicação: 04/03/2015

DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. MEIO AMBIENTE.


DESCARACTERIZAÇÃO DA ÁREA COMO DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE DE
REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO DOS AUTOS E DA LEGISLAÇÃO
INFRACONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.
Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. d,
da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal de Justiça de Santa
Catarina: “APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.
AMBIENTAL E ADMINISTRATIVO. CONSTRUÇÃO CONDICIONADA AO AFASTAMENTO DE 15
METROS DO CORPO D'ÁGUA, CONFORME DISPÕE O ART. 250 DO PLANO DIRETOR DE
CHAPECÓ. RIACHO CANALIZADO, INSERIDO EM IMÓVEL LOCALIZADO EM ÁREA URBANA
INEQUIVOCADAMENTE CONSOLIDADA. EXIGÊNCIA DISPENSADA, A TEOR DO ART. 301, § 2º,
DO PLANO DIRETOR E DO ART. 119-C, IV, DO CÓDIGO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE.
CANALIZAÇÃO AUTORIZADA PELO PRÓPRIO MUNICÍPIO. INCIDÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. INAPLICABILIDADE DO CÓDIGO
FLORESTALBRASILEIRO E DA LEI DE PARCELAMENTO DO SOLO URBANO. SENTENÇA QUE
CONCEDEU A ORDEM MANTIDA. APELO E REMESSA DESPROVIDOS. Examinando as fotografias
e mapas colacionados aos autos, é possível perceber que o corpo d'água que se pretende
proteger com a imposição do afastamento de 15 metros do art. 250 da Lei Complementar
Municipal n. 202/04 sofreu alteração de seu curso natural, encontra-se inserido em área
urbana inequivocadamente consolidada e está canalizado em diversos trechos, inclusive
dentro do imóvel em que se pretende construir, em procedimento que foi devidamente
autorizado pelo próprio Município. Assim, não é o caso de se adotar o Código
Florestal Brasileiro ou a Lei de Parcelamento do Solo, pois aplicam-se ao caso o art. 301, § 2º,
do Plano Diretor daquela cidade, que dispensa a exigibilidade do afastamento de 15 metros
nos casos em que houver trechos canalizados, aterrados, sob edificações ou em outras
condições irreversíveis; lembrando, por oportuno, que o art. 119-C, IV, a ei Estadual n.
16.342/14 (Código Estadual do Meio bie te) esta eu que não seriam consideradas áreas de
preservação permanente ‘as faixas marginais de cursos d'água não naturais, devido à
realização de atividades de canalização, tubulação ou incorporação de cursos d'água a
sistemas produtivo ou de drenagem urbana ou rural’” (Evento n. 12). 2. O Recorrente alega
contrariedade aos arts. 24, inc. VI, § 2º, e 30, inc. II, daConstituição da República. Assevera ter
o Tribunal de origem “reconhec[ido] a validade do art. 301, § 2º, da Lei Complementar
municipal n. 202/2004 e do art. 119-C, IV, da Lei estadual 16.342/2014, em detrimento do
disposto no art.4º, III, da Lei n. 6.766/1979, legislação disciplinadora da matéria e que traz,
acerca das áreas não edificáveis ao longo de cursos d’água, conteúdo mais protetivo e
consoante com as normas constitucionais relacionadas ao meio ambiente” (Evento n. 15).
Examinados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste ao
Recorrente. 4. O Desembargador Relator do caso no Tribunal de Justiça catarinense manteve
sentença, fixando como premissa a descaracterização da área como de preservação
permanente pelo “forte processo de antropização da localidade”, nos seguintes termos: “Pois
bem, examinando as fotografias e mapas colacionados aos autos, é possível perceber que o
corpo d'água que se pretende proteger com a imposição do afastamento do art. 250 da Lei
Complementar Municipal n. 202/04 sofreu alteração de seu curso natural, pois está
canalizado em diversos trechos, dentre eles, no imóvel dos impetrantes (fls. 92/95). Esta
canalização, a propósito, foi realizada pela própria empresa impetrante, autorizada pelo
Município de Chapecó, que expediu a licença ambiental de operação (LAO) n. 35/2010 (fl. 44).
Nota-se que, para fundamentar a necessidade de fechamento do córrego, a empresa
impetrante apresentou o laudo técnico de fl. 48/88, documento que, apesar de ter sido
elaborado unilateralmente, foi aceito pelo Município de Chapecó quando foi solicitada a LAO.
Este documento transparece a realidade fática do local, esclarecendo que, sob o ponto de
vista ecológico, a propriedade estava tecnicamente impossibilitada de exercer as respectivas
funções ambientais diante de inúmeras intervenções urbanas existentes naquela região. (…) E
é por isso que não é o caso de se adotar a metragem de 15 metros de afastamento
estabelecida pelo art. 4º, III, da Lei n. 6.766/79 (Lei de Parcelamento do Solo), como opinou o
Procurador de Justiça em seu parecer; tampouco o Código FlorestalBrasileiro (Lei
n. 12.651/12), sobremaneira porque as Câmaras de Direito Público desta Corte têm decidido
no sentido de afastar a incidência deste Código em áreas urbanas consolidadas. (…) Diante de
tudo que foi exposto, a sentença que dispensou o afastamento do art. 250 da Lei
Complementar Municipal n. 202 deve ser mantida mas por outros fundamentos, salientando
que a dispensa do recuo de 15 metros não exonera os impetrantes de cumprir as demais
exigências impostas pela legislação urbanística” (Evento n. 12). 5. A apreciação do pleito
recursal demandaria análise do conjunto probatório constante dos autos, inviável de ser
adotado validamente em recurso extraordinário, como se tem na Súmula n. 279 deste
Supremo Tribunal Federal. 6. O reexame do acórdão impugnado imporia, ainda, a
interpretação da legislação infraconstitucional aplicável à espécie (Lei Complementar
Municipal n. 202/2004, Lei estadual n. 16.342/2014 e Código Florestal estadual). A alegada
contrariedade à Constituição da República, se tivesse ocorrido, seria indireta, o que inviabiliza
o processamento do recurso extraordinário: “PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO
GERAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. ÔNUS DO RECORRENTE. ÁREA DE PRESERVAÇÃO
PERMANENTE. INSTITUIÇÃO E RECOMPOSIÇÃO DA RESERVA LEGAL. INTERPRETAÇÃO DA
LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. REAPRECIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO
DOS AUTOS. INVIABILIDADE. SÚMULA 279/STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA
PROVIMENTO” (ARE 839.413-AgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Segunda Turma, DJe
18.12.2014, grifos nossos). “Agravo regimental no recurso extraordinário. Imóvel construído
em área de preservação permanente. Determinação judicial para sua demolição. Direito de
propriedade. Circunstâncias fáticas e legais que nortearam a decisão da origem em prol do
princípio da proteção ao meio ambiente. Legislação infraconstitucional. Reexame de fatos e
provas. Impossibilidade. Precedentes. 1. A Corte de origem, analisando as Leis nºs
4.771/65, 6.938/81 e 7.347/85, a Resolução nº 4/85 do CONAMA e os fatos e as provas dos
autos, concluiu que o ora agravante, com a construção não autorizada de imóvel em área de
preservação permanente, causou dano ambiental, bem como que a condenação pecuniária
não seria apta a reconstituir o espaço degradado, motivo pelo qual impunha-se a demolição
do imóvel. 2. Para divergir da conclusão a que chegou o Tribunal de origem, seria necessário
analisar a referida legislação, bem como o conjunto fático-probatório da causa, o que é
inviável em recurso extraordinário. Incidência das Súmulas nºs 636 e 279/STF. 3. Agravo
regimental não provido” (RE 605.482-AgR, Relator o Ministro Dias Tofolli, Primeira Turma, DJe
5.11.2013, grifos nossos). “Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Direito
Administrativo e Ambiental. Alegação de desapropriação indireta. Área de preservação
permanente. Restrições decorrentes de legislação estadual (Decreto estadual n. 22.717/84 e
da Resolução n. 40/85). Ausência de demonstração de ato ou fato que subsidie qualquer
pretensão indenizatória. 3. Análise de legislação infraconstitucional e local. Ofensa
meramente reflexa ao texto constitucional. 4. Revolvimento do acervo fático-probatório.
Impossibilidade. Incidência do Enunciado 279 da Súmula desta Corte. Precedentes. 5.
Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 6. Agravo regimental a que
se nega provimento” (RE 597.897-AgR, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma,
DJe 26.6.2013, grifos nossos). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
AMBIENTAL. CONSTRUÇÃO EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO
INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO
QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (AI 660.202-AgR, de minha relatoria, Primeira Turma, DJe
30.4.2010, grifos nossos). Nada há, pois, a prover quanto às alegações do Recorrente. 7. Pelo
exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo
Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília,
24 de fevereiro de 2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora
STF - AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA ACO 2531 BA (STF)
Data de publicação: 04/03/2015

CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E ESTADUAL. MINERAÇÃO.


APURAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS DECORRENTES DA EXTRAÇÃO IRREGULAR DE MINÉRIOS.
COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PARA DIRIMIR O CONFLITO. ATRIBUIÇÃO
DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.Relatório 1. Conflito positivo de atribuições apresentado
neste Supremo Tribunal, em 14.10.2014, e autuado como ação cível originária, relativo ao
desempenho de função do Ministério Público da Bahia e do Ministério Público Federal para
apuração de “lavra clandestina e depósito de lixo e entulho em área de preservação
permanente (duna) situada em Juá, nos limites da APA Estadual Joanes/Ipitanga, no
Município de Camaçari/BA” (fl. 2). 2. A Procuradoria da República na Bahia instaurou o
Inquérito Civil n. 1.14.000.000336/2011-92 a partir de notícia de extração mineral irregular no
Município de Camaçari/BA, nos limites da APA Joanes/Ipitanga, veiculada em ofício do
Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM. Concluída a instrução do inquérito, o
órgão ministerial federal declinou das respectivas atribuições em favor do Ministério Público
estadual ao fundamento de a atuação, na apuração de dano ambiental decorrente de
extração mineral irregular, estar adstrita às situações específicas descritas no Enunciado n. 28
da Quarta Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. O órgão estadual,
todavia, declinou das respectivas atribuições em favor do Ministério Público Federal por
entender configurada a hipótese prevista na al. d do mesmo enunciado – possibilidade de
responsabilização da União, por meio do Departamento Nacional de Produção Mineral –
DNPM, pela omissão no dever de fiscalizar atividade irregular de extração mineral.
Sustentando competir ao Supremo Tribunal Federal dirimir conflitos de atribuição instaurados
entre órgãos de diferentes unidades do Ministério Público e, na espécie vertente, ser do
Ministério Público Federal a atribuição para oficiar no procedimento apuratório, o
Procurador-Geral de Justiça da Bahia encaminhou os autos a este Supremo Tribunal. 3. Em
18.2.2015, o Procurador-Geral da República manifestou-se pela “restitui[ção d]os autos para
baixa do feito no âmbito do Supremo Tribunal Federal e ulterior devolução, para
encaminhamento ao Ministério Público Federal/Procuradoria da República no Estado da
Bahia”. Examinados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 4. O objeto da presente ação
cível originária é a definição da atribuição do Ministério Público Federal ou do Ministério
Público da Bahia para apurar “lavra clandestina e depósito de lixo e entulho em área de
preservação permanente (duna) situada em Juá, nos limites da APA Estadual Joanes/Ipitanga,
no Município de Camaçari/BA” (fl. 2). 5. O presente conflito de atribuições deve ser
conhecido. 6. Em 28.9.2005, ao julgar a Petição n. 3.528/BA, Relator o Ministro Marco
Aurélio, este Supremo Tribunal reconheceu-se competente para solucionar conflito de
atribuições entre órgãos no Ministério Público de diferentes entidades da federação, como
previsto no art. 102, inc. I, al. f, daConstituição da República: “COMPETÊNCIA - CONFLITO DE
ATRIBUIÇÕES - MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL VERSUS MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL.
Compete ao Supremo a solução de conflito de atribuições a envolver o Ministério Público
Federal e o Ministério Público Estadual. CONFLITO NEGATIVO DE ATRIBUIÇÕES - MINISTÉRIO
PÚBLICO FEDERAL VERSUS MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - ROUBO E DESCAMINHO. Define-
se o conflito considerado o crime de que cuida o processo. A circunstância de, no roubo,
tratar-se de mercadoria alvo de contrabando não desloca a atribuição, para denunciar, do
Ministério Público Estadual para o Federal” (PET 3.528/BA, Relator o Ministro Marco Aurélio,
Plenário, DJ 3.3.2006). 7. Consta do parecer da Procuradoria-Geral da República: “No
presente caso, razão assiste ao Ministério Público do Estado da Bahia. Os presentes autos
foram instaurados a partir de comunicação do DNPM ao MPF encaminhando relatório de
vistoria realizada para apurar notícia de lavra clandestina de areia no Município de
Camaçari/BA. Durante a vistoria, ocorrida em outubro de 2010, constatou-se a lavra
predatória de areia quartzosa e a sua substituição por lixo e entulho, que eram despejados
nas dunas pelos mesmos caminhoneiros que faziam a retirada clandestina da areia. De acordo
com o DNPM, ‘o avanço contínuo da frente de lavra provocou a formação de taludes
íngremes e desprotegidos de contenção, potencializando o deslizamento de terras e
aumentando as erosões, o que propicia o aumento da degradação ambiental. […]’ Informou,
ainda, a autarquia federal, que os locais vistoriados estavam dentro dos limites dos processos
DNPM 871.431/2010, com título de autorização de pesquisa para areia, em nome de Roberto
Moreno Castillo. Instaurado e instruído o inquérito civil pela Procuradoria da República na
Bahia, foram os autos remetidos ao MPE com fundamento no Enunciado 28 da 4ª Câmara de
Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. Diz o referido enunciado: ‘O MPF tem
atribuição para atuar, na área cível, buscando a prevenção ou reparação de danos ambientais
decorrentes da atividade de mineração quando: a) o dano, efetivo ou potencial, atingir o bem
do domínio federal ou sob a gestão/proteção de ente federal , tais como unidades de
conservação federais e suas respectivas zonas de amortecimento, rios federais, terras
indígenas, terrenos de marinha,bens tombados pelo IPHAN e seu entorno, sítios
arqueológicos e pré-históricos, cavidades naturais e subterrâneas; b) o dano, efetivo ou
potencial, atingir mais de uma unidade da federação ou países limítrofes; c) o licenciamento
ambiental da atividade se der perante o IBAMA; ou d) for possível responsabilizar a União, o
DNPM, o IBAMA, o ICMBIO, o IPHAN ou outro ente federal pela omissão no dever de
fiscalização da atividade’. Afirma o órgão ministerial suscitante, por sua vez, com fundamento
no mesmo enunciado, que o DNPM - órgão governamental federal responsável por controlar
e fiscalizar o exercício das atividades de mineração no território nacional - pode ser
responsabilizado pelos danos ambientais decorrentes da ausência ou insuficiência na
fiscalização da referida atividade, razão pela qual estaria configurada a atribuição do
Ministério Público Federal para apurar os referidos fatos. De fato, como já reconhecido pelos
Tribunais Superiores, o órgão ou entidade pública federal responsável pela fiscalização de
atividade potencialmente lesiva ao meio ambiente poderá ser responsabilizado, ao lado do
poluidor, pelos danos ambientais decorrentes da extração irregular de minérios. Foi o que
ocorreu, por exemplo, no caso das empresas carboníferas do Estado de Santa Catarina.
Abaixo, transcrição parcial da decisão monocrática proferida no Recurso Especial nº 1233682,
da lavra do Ministro Benedito Gonçalves: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO
ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MINERADORAS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. MPF E DNPM. ILEGITIMIDADE. ACÓRDÃO
IMPUGNADO ARRIMADO EM DUPLO FUNDAMENTO. QUESTÃO CONSTITUCIONAL NÃO
IMPUGNADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 126 DO STJ. ARTIGOS INFRACONSTITUCIONAIS
APONTADOS COMO VIOLADOS NÃO PREQUESTIONADOS. SÚMULA 211/STJ. TUTELA
ANTECIPADA DEFERIDA. ANÁLISE DOS REQUISITOS. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-
PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA 7 DO STJ. RECURSO A QUE
SE NEGA SEGUIMENTO. DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Departamento
Nacional de Produção Mineral - DNPM com arrimo na alínea a do permissivo constitucional,
contra acórdão oriundo do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, cuja está consignada nos
seguintes termos, in verbis: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MINERADORAS. PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO
E DA PRECAUÇÃO. MPF. DNPM. LEGITIMIDADE. 1. Reconhecida a legitimidade ativa do MPF
para a causa, tendo em vista que se trata de exploração de bem da União, bem como as
disposições do art. 129, III, da Constituição Federal. 2. Reconhecida a legitimidade passiva do
DNPM, uma vez que compete ao referido órgão as verificações e fiscalizações determinadas
na decisão recorrida. 3. Os elementos dos autos constituem prova suficiente para demonstrar
o risco de prejuízo para o meio ambiente, bem como para-as pessoas que residem próximo às
minas, impondo-se a necessidade de observância dos princípios da prevenção e da
precaução, com a atuação do poder público no sentido de resguardar o direito
constitucionalmente assegurado a um ambiente ecologicamente equilibrado. […] O recurso
não merece prosperar. De início, observa-se que não merece acolhida a alegação da
recorrente no que se refere à violação do artigo 535, II, do CPC. Isso porque, quanto ao
ponto, o recorrente apresentou argumentação de cunho genérico, sem apontar quais seriam
os vícios dos acórdão recorrido, que justificariam sua anulação. Ademais, não define, nem
demonstra no que consistiu a alegada omissão, deixando de explicitar, de forma clara e
precisa, a negativa de vigência à lei federal ou, ainda, a sua correta interpretação. (...) No
mais, o Tribunal a quo, em análise do contexto fático-probatório dos autos, reconheceu a
existência dos requisitos autorizadores para concessão da tutela antecipada no caso
presente, bem como sua manutenção, e, nesse aspecto, análise em sentido contrário que
leve a modificação do julgado revela indispensável reapreciação do conjunto probatório
existente no processo, o que é vedado em sede de recurso especial, em virtude do
preceituado na Súmula n. 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de provas não enseja
recurso especial". É esse o entendimento unificado nesta Corte Superior. […] Ante o exposto,
nego seguimento ao recurso especial, forte no art. 557, caput, do CPC. Publique-se. Intimem-
se. Brasília (DF), 20 de maio de 2014. Ministro BENEDITO GONÇALVES’. No mesmo sentido, a
decisão proferida no bojo da Apelação Cível nº 568946, pela 6ª Turma Especializada do TRF
da 2ª Região: APELAÇÕES CÍVEIS. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. DANO AMBIENTAL.
EXTRAÇÃO DE GRANITO SEM A COMPETENTE AUTORIZAÇÃO POR LONGO PERÍODO.
DEGRADAÇÃO DA ÁREA. CESSÃO DE DIREITOS DE LAVRA.RESPONSABILIDADE DAS
EMPREENDEDORAS. OBRIGAÇÃO PROPTER REM.REPARAÇÃO DO DANO. OMISSÃO DOS
ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO. IMPROVIMENTO DOS RECURSOS. 1. Cuida-se de recursos de
apelação interpostos pelas rés Gramabril Granitos e Mármores Beira Rio Ltda. e o Instituto
Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - IEMA em face de sentença de procedência
parcial proferida nos autos de Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal, que
condenou o IEMA e o Departamento Nacional de Produção Mineral- DNPMa se absterem de
conceder qualquer tipo de licenciamento, portaria de lavra ou guia de utilização às empresas
Mineração Rocha Viva Ltda. e Gramabril Granitos e Mármores Beira Rio Ltda. para exploração
da atividade até que a área seja completamente recuperada. Condenou, ainda, as
empreendedoras a imediata paralisação das atividades extrativas, a apresentar Termo de
Referência a ser elaborado pelo IBAMA, Plano de Recuperação da Área Degradada - PRAD
referente à recuperação da área explorada e a ser elaborado com base no referido Termo de
Referência, e a promover a reparação dos danos causados na forma do PRAD acima referido
e, no que se refere aos eventuais danos ambientais técnica e absolutamente irrecuperáveis
ao pagamento de indenização a ser fixada em sede de liquidação, a ser recolhida ao fundo do
art. 13 da Lei de Ação Civil Pública."2. Através de vistoria realizada pelo IBAMA, em 2000,
constatou-se que a empresa Mineração Rocha Viva Ltda. realizava extração de granito sem a
competente licença ambiental. Posteriormente, em 2001, foi concedida à empresa
autorização para lavra,outorgada pela Portaria de Concessão de Lavra nº 418/2001. Após a
cessão de direitos efetivada entre a Mineração Rocha Viva (cedente) e a Gramabril
(cessionária), e a averbação da referida cessão junto ao DNPM, formalizou-se novo
requerimento para outorga de autorização de lavra à empresa cessionária, que não foi ainda
expedida, tendo em vista o não cumprimento de diversas exigências por parte do DNPM. 3.
Dentre as atribuições do DNPM está a concessão do título minerário que se materializa
através da Portaria de Lavra, a qual autoriza a empresa requerente a iniciar as atividades de
lavra de minério em determinada área. Sem esse título, qualquer mineradora não está apta a
desenvolver sua atividade, e se assim o fizer, estará praticando uma lavra ilegal, visto que não
está legalmente autorizada a operar. Mesmo sem autorização para exploração do granito,
visto que ainda tramitava o processo para a outorga da concessão, a empresa Gramabril
prosseguiu explorando a área livremente de forma ilegal, até a fiscalização do IBAMA
constatar a ilegalidade e determinar a imediata paralisação da atividade no local. 4. De
acordo com o art. 225 da Constituição Federal, todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, cabendo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo
e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. A Lei nº 6.938/81, no art. 14, § 1º, dispõe
acerca da responsabilidade civil objetiva do infrator das normas ambientais, restando
consagrado o princípio do poluidor-reparador. O Decreto nº. 97.632/89 que regulamenta o
art. 2º., inciso VIII, da Lei nº 6.938/81,estabelece que os empreendimentos que se destinam à
exploração de recursos minerais deverão, quando da apresentação do Estudo de Impacto
Ambiental e do Relatório do Impacto Ambiental, submeter à aprovação do órgão ambiental
competente plano de recuperação da área degradada - PRAD (art. 1º). 5. Cabe a aplicação do
princípio da precaução, previsto no art. 4º, incisos I e IV, da Lei nº 6.938/81, incorporado
à Constituição Federal, no art. 225, § 1º, visto que não foram tomaram as medidas
preventivas necessárias quando do início da atividade exploradora de minério. Tal princípio
encontra amparo, ainda, no inciso IV ao se exigir do empreendedor um Estudo prévio de
Impacto Ambiental para instalação de atividade causadora de significativa degradação ao
meio ambiente. 6. É inevitável que a atividade mineradora causa impacto ambiental
alterando substancialmente as características físicas do local explorado, devendo o
empreendedor realizar suas atividades de forma racional para que esse impacto seja reduzido
e,assim, possibilitar que as alterações ocasionadas pela atividade de mineração não
comprometam o meio ambiente para as gerações futuras. 7. Ainda que a empresa Mineração
Rocha Viva tivesse iniciado a exploração ilegal do granito na região, isto não significa que a
empresa Gramabril encontra-se isenta de qualquer responsabilidade pelo fato de ser a
cessionária dos direitos de lavra do granito da área em questão. Ou seja, a obrigação de
conservação e recomposição do meio ambiente é de natureza ambulatorial, a qual
acompanha o proprietário do imóvel independentemente de sua participação na causação ou
agravamento da degradação. 8. Houve omissão dos órgãos públicos (IEMA e DNPM), que não
tomaram as medidas cabíveis para evitar a degradação da área explorada. Se por um lado, o
Estado tem o dever de viabilizar o acesso aos recursos minerais e sua exploração, por outro
lado tem o dever de fiscalizar se a empreendedora está realizando o aproveitamento
adequado desses recursos, tendo em vista os impactos sócio-ambientais ocasionados pela
atividade de extração de minério. 9. Apelações improvidas. Sentença mantida. (Relatora
Desembargadora Federal Carmen Sílvia Lima de Arruda. Data de Publicação: 19/08/2013). No
presente caso, o risco de responsabilização do ente federal está caracterizado pela
insuficiência das fiscalizações levadas a efeito pelo ente federal, que não têm se mostrado
eficazes no sentido de conter o avanço da atividade de lavra clandestina e,
consequentemente, a degradação ambiental, de modo que entende-se configurada, neste
caso, a hipótese prevista na alínea “d” do Enunciado 28, da 4ª CCR/MPF” (grifos nossos). 8.
No caso em exame, o Ministério Público Federal instaurou o Inquérito Civil n.
1.14.000.000336/2011-92, a partir do Ofício n. 10/2010 do Departamento Nacional de
Produção Mineral – DNPM, no qual técnicos lotados na Superintendência no Estado da Bahia,
após vistoria realizada em outubro de 2010, “concluí[ram] que está ocorrendo extração
clandestina de areia das dunas, com agravante de ocorrer em APP e dentro dos limites da
APA Joanes/Ipitanga. É importante salientar que estão depositando lixo e entulho no local de
forma irregular, caminhoneiros vem com lixo e levam areia, dunas estão se transformando
em morros de lixo e entulho. A apuração pelo DNPM de 140 denúncias de 1988 a 2010
estabelece uma média de 1 (uma) apuração por mês nesse período, fato que demonstra a
necessidade de fiscalização periódica, se possível com a cooperação de outros órgãos federais
no combate à exploração ilegal dos recursos minerais na região de Camaçari” (fl. 9, Relatório
de Vistoria n. 973.124/2010). Indícios de decorrerem os danos ambientais constatados nas
dunas localizadas no Município de Camaçari/BA, nos limites da APA Joanes/Ipitanga, da
insuficiência de fiscalizações implementadas pelo ente federal, ineficazes para a contenção do
avanço da atividade de lavra clandestina e, consequentemente, da degradação ambiental,
conduzem ao reconhecimento da atribuição do Ministério Público Federal, nos termos da al.
d do Enunciado n. 28 da Quarta Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público
Federal: “Ementa: Atribuição do Ministério Público Federal. Mineração. Enunciado: O MPF
tem atribuição para atuar, na área cível, buscando a prevenção ou reparação de danos
ambientais decorrentes da atividade de mineração, quando: (…) d) for possível
responsabilizar a União, o DNPM, o IBAMA, o ICMBio, o IPHAN ou outro ente federal pela
omissão no dever de fiscalização da atividade” (fl. 91). 9. A apuração dos fatos denunciados e
as medidas de natureza cível a serem adotadas na apuração de irregularidades devem ser
coordenadas e promovidas pelo Ministério Público Federal, de acordo com o parecer do
Procurador-Geral da República. 10. Pelo exposto, conheço da presente ação cível originária e
declaro ser atribuição do Ministério Público Federal investigar os fatos narrados no Inquérito
Civil Público n. 1.14.000.000336/2011-92 e propor eventuais medidas administrativas ou
judiciais. Remetam-se os autos à Procuradoria da República na Bahia. Publique-se. Brasília, 25
de fevereiro de 2015.Ministra CÁRMEN LÚCIARelatora
STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 863239 SC (STF)
Data de publicação: 03/03/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. MEIO AMBIENTE. DESCARACTERIZAÇÃO DA


ÁREA COMO DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO
PROBATÓRIO DOS AUTOS E DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL
DIRETA. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.Relatório 1. Recurso extraordinário
interposto com base no art. 102, inc. III, al. d, da Constituição da República contra o seguinte
julgado do Tribunal de Justiça de Santa Catarina: “APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO
EM MANDADO DE SEGURANÇA. AMBIENTAL E ADMINISTRATIVO. CONSTRUÇÃO
CONDICIONADA AO AFASTAMENTO DE 15 METROS DO CORPO D'ÁGUA, CONFORME DISPÕE
O ART. 250 DO PLANO DIRETOR DE CHAPECÓ. RIACHO CANALIZADO, INSERIDO EM IMÓVEL
LOCALIZADO EM ÁREA URBANA INEQUIVOCADAMENTE CONSOLIDADA. EXIGÊNCIA
DISPENSADA, A TEOR DO ART. 301, § 2º, DO PLANO DIRETOR E DO ART. 119-C, IV, DO
CÓDIGO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE. CANALIZAÇÃO AUTORIZADA PELO PRÓPRIO
MUNICÍPIO. INCIDÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE.
INAPLICABILIDADE DO CÓDIGO FLORESTALBRASILEIRO E DA LEI DE PARCELAMENTO DO SOLO
URBANO. SENTENÇA QUE CONCEDEU A ORDEM MANTIDA. APELO E REMESSA DESPROVIDOS.
Examinando as fotografias e mapas colacionados aos autos, é possível perceber que o corpo
d'água que se pretende proteger com a imposição do afastamento de 15 metros do art. 250
da Lei Complr Municipal n. 202/04 sofreu alteração de seu curso natural, encontra-se inserido
em área urbana inequivocadamente consolidada e está canalizado em diversos trechos,
inclusive dentro do imóvel em que se pretende construir, em procedimento que foi
devidamente autorizado pelo próprio Município. Assim, não é o caso de se adotar o Código
Florestal Brasileiro ou a Lei de Parcelamento do Solo, pois aplicam-se ao caso o art. 301, § 2º,
do Plano Diretor daquela cidade, que dispensa a exigibilidade do afastamento de 15 metros
nos casos em que houver trechos canalizados, aterrados, sob edificações ou em outras
condições irreversíveis; lembrando, por oportuno, que o art. 119-C, IV, a ei Estadual n.
16.342/14 (Código Estadual do Meio bie te) esta eu que não seriam consideradas áreas de
preservação permanente ‘as faixas marginais de cursos d'água não naturais, devido à
realização de atividades de canalização, tubulação ou incorporação de cursos d'água a
sistemas produtivo ou de drenagem urbana ou rural’” (Evento n. 12). 2. O Recorrente alega
contrariedade aos arts. 24, inc. VI, § 2º, e 30, inc. II, daConstituição da República. Assevera ter
o Tribunal de origem “reconhec[ido] a validade do art. 301, § 2º, da Lei Complementar
municipal n. 202/2004 e do art. 119-C, IV, da Lei estadual 16.342/2014, em detrimento do
disposto no art.4º, III, da Lei n. 6.766/1979, legislação disciplinadora da matéria e que traz,
acerca das áreas não edificáveis ao longo de cursos d’água, conteúdo mais protetivo e
consoante com as normas constitucionais relacionadas ao meio ambiente” (Evento n. 15).
Examinados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste ao
Recorrente. 4. O Desembargador Relator do caso no Tribunal de Justiça catarinense manteve
sentença, fixando como premissa a descaracterização da área como de preservação
permanente pelo “forte processo de antropização da localidade”, nos seguintes termos: “Pois
bem, examinando as fotografias e mapas colacionados aos autos, é possível perceber que o
corpo d'água que se pretende proteger com a imposição do afastamento do art. 250 da Lei
Complementar Municipal n. 202/04 sofreu alteração de seu curso natural, pois está
canalizado em diversos trechos, dentre eles, no imóvel dos impetrantes (fls. 92/95). Esta
canalização, a propósito, foi realizada pela própria empresa impetrante, autorizada pelo
Município de Chapecó, que expediu a licença ambiental de operação (LAO) n. 35/2010 (fl. 44).
Nota-se que, para fundamentar a necessidade de fechamento do córrego, a empresa
impetrante apresentou o laudo técnico de fl. 48/88, documento que, apesar de ter sido
elaborado unilateralmente, foi aceito pelo Município de Chapecó quando foi solicitada a LAO.
Este documento transparece a realidade fática do local, esclarecendo que, sob o ponto de
vista ecológico, a propriedade estava tecnicamente impossibilitada de exercer as respectivas
funções ambientais diante de inúmeras intervenções urbanas existentes naquela região. (…) E
é por isso que não é o caso de se adotar a metragem de 15 metros de afastamento
estabelecida pelo art. 4º, III, da Lei n. 6.766/79 (Lei de Parcelamento do Solo), como opinou o
Procurador de Justiça em seu parecer; tampouco o Código FlorestalBrasileiro (Lei
n. 12.651/12), sobremaneira porque as Câmaras de Direito Público desta Corte têm decidido
no sentido de afastar a incidência deste Código em áreas urbanas consolidadas. (…) Diante de
tudo que foi exposto, a sentença que dispensou o afastamento do art. 250 da Lei
Complementar Municipal n. 202 deve ser mantida mas por outros fundamentos, salientando
que a dispensa do recuo de 15 metros não exonera os impetrantes de cumprir as demais
exigências impostas pela legislação urbanística” (Evento n. 12). 5. A apreciação do pleito
recursal demandaria análise do conjunto probatório constante dos autos, inviável de ser
adotado validamente em recurso extraordinário, como se tem na Súmula n. 279 deste
Supremo Tribunal Federal. 6. O reexame do acórdão impugnado imporia, ainda, a
interpretação da legislação infraconstitucional aplicável à espécie (Lei Complementar
Municipal n. 202/2004, Lei estadual n. 16.342/2014 e Código Florestal estadual). A alegada
contrariedade à Constituição da República, se tivesse ocorrido, seria indireta, o que inviabiliza
o processamento do recurso extraordinário: “PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO
GERAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. ÔNUS DO RECORRENTE. ÁREA DE PRESERVAÇÃO
PERMANENTE. INSTITUIÇÃO E RECOMPOSIÇÃO DA RESERVA LEGAL.INTERPRETAÇÃO DA
LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. REAPRECIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO
DOS AUTOS. INVIABILIDADE. SÚMULA 279/STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA
PROVIMENTO” (ARE 839.413-AgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Segunda Turma, DJe
18.12.2014, grifos nossos). “Agravo regimental no recurso extraordinário. Imóvel construído
em área de preservação permanente. Determinação judicial para sua demolição. Direito de
propriedade. Circunstâncias fáticas e legais que nortearam a decisão da origem em prol do
princípio da proteção ao meio ambiente. Legislação infraconstitucional. Reexame de fatos e
provas. Impossibilidade. Precedentes. 1. A Corte de origem, analisando as Leis nºs
4.771/65, 6.938/81 e 7.347/85, a Resolução nº 4/85 do CONAMA e os fatos e as provas dos
autos, concluiu que o ora agravante, com a construção não autorizada de imóvel em área de
preservação permanente, causou dano ambiental, bem como que a condenação pecuniária
não seria apta a reconstituir o espaço degradado, motivo pelo qual impunha-se a demolição
do imóvel. 2. Para divergir da conclusão a que chegou o Tribunal de origem, seria necessário
analisar a referida legislação, bem como o conjunto fático-probatório da causa, o que é
inviável em recurso extraordinário. Incidência das Súmulas nºs 636 e 279/STF. 3. Agravo
regimental não provido” (RE 605.482-AgR, Relator o Ministro Dias Tofolli, Primeira Turma, DJe
5.11.2013, grifos nossos). “Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Direito
Administrativo e Ambiental. Alegação de desapropriação indireta. Área de preservação
permanente. Restrições decorrentes de legislação estadual (Decreto estadual n. 22.717/84 e
da Resolução n.40/85). Ausência de demonstração de ato ou fato que subsidie qualquer
pretensão indenizatória. 3. Análise de legislação infraconstitucional e local. Ofensa
meramente reflexa ao texto constitucional. 4. Revolvimento do acervo fático-
probatório.Impossibilidade. Incidência do Enunciado 279 da Súmula desta Corte.
Precedentes. 5. Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 6. Agravo
regimental a que se nega provimento” (RE 597.897-AgR, Relator o Ministro Gilmar Mendes,
Segunda Turma, DJe 26.6.2013, grifos nossos). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
INSTRUMENTO. AMBIENTAL. CONSTRUÇÃO EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DAS
SÚMULAS 282 E 356 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA
LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (AI 660.202-AgR, de minha relatoria, Primeira
Turma, DJe 30.4.2010, grifos nossos). Nada há, pois, a prover quanto às alegações do
Recorrente. 7. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput,
do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal
Federal). Publique-se. Brasília, 24 de fevereiro de 2015.Ministra CÁRMEN LÚCIARelatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 776063 SP (STF)


Data de publicação: 03/03/2015

Trata-se de dois agravos cujo objeto é decisão que negou seguimento aos recursos
extraordinários interpostos pelo Estado de São Paulo e pela Rio Branco Mineradora e
Construtora LTDA. contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim do:
“AÇÃO CIVIL PÚBLICA - IRREGULARIDADE EM ATIVIDADE DE MINERAÇÃO - LICENCIAMENTO
AMBIENTAL – OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL E
RELATÓRIO DE IMPACTO SOBRE O MEIO-AMBIENTE - INCOMPETÊNCIA DO IBAMA. 1. A
empresa mineradora não cumpriu devidamente os Termos de Compromisso de Recuperação
Ambiental, visando mitigar os prejuízos causados ao meio-ambiente. 2. Existência de aldeia
indígena próxima à área onde se realizam as atividades de extração de cascalho.
Comprovação de impactos ambientais. 3. Incompetência do IBAMA para proceder ao
licenciamento em questão (artigo10, da Lei nº 6.938/81). 4. Obrigatoriedade de apresentação
de Estudo de Impacto Ambiental - EIA e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente - RIMA,
para as atividades consideradas efetiva ou potencialmente causadoras de significativa
degradação ambiental (artigo 3º da Resolução CONAMA 237/97). 5. Os pedidos de licença
ambiental de empreendimentos minerários devem ser protocolizados na CETESB (artigo 4º,
Resolução SMA nº 4/99). 6. Apelações improvidas.” Passo a analisar os recursos. - Recurso
extraordinário interposto pelo Estado de São Paulo O recurso busca fundamento no
art. 102,III, a, da Constituição Federal. A parte recorrente alega violação aos arts. 2º; 5º, II;
128, § 5º, II, a; e 225, § 1º, IV; todos da Constituição. Sustenta, em síntese, que “o
licenciamento da atividade objeto deste processo foi efetuado em estrito cumprimento de
todas as Leis, Decretos e Resoluções aplicáveis à matéria, motivo pela qual a licença
concedida é absolutamente legal”. A decisão agravada negou seguimento ao recurso por
incidência das Súmulas 282 e 356/STF. O recurso é inadmissível. Observa-se que dissentir do
acórdão recorrido acerca do fato de o recorrente ter emitido licença ambiental sem a
observância dos critérios estabelecidos por leis, decretos e resoluções pertinentes
demandaria a análise das referidas normas infraconstitucionais e o reexame dos fatos e do
material probatório constante dos autos, providências inviáveis neste momento processual
(incidência da Súmula 279/STF). Nessa linha, confiram-se os seguintes julgados das duas
Turmas desta Corte: “Agravo regimental no agravo de instrumento. Área de Proteção
Permanente. Licença ambiental do IBAMA. Ausência. Ofensa reflexa. Reexame de fatos e
provas. Impossibilidade. Precedentes. 1. Inadmissível, em recurso extraordinário, a análise da
legislação infraconstitucional e o reexame dos fatos e das provas dos autos. Incidência das
Súmulas nºs 636 e 279/STF. 2. Agravo regimental não provido.” (AI 776.456-AgR, Rel. Min.
Dias Toffoli, Primeira Turma)“CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. LICENÇA AMBIENTAL.
DEMORA NA CONCESSÃO. RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL. ART. 5º, LIV, LV eLXXVIII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. OFENSA
REFLEXA. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pacífica em não admitir recurso
extraordinário para debater matéria referente a ofensa aos postulados constitucionais da
ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e da prestação jurisdicional, pois, se
existente, seria meramente reflexa ou indireta. 2. Contrariedade aos arts. 5º, LIV, LV,LXXVIII,
da Constituição Federal, que não prescinde da análise de legislação infraconstitucional (Lei
Municipal 8.896/2002) e do corpo probatório dos autos. Incidência da Súmulas STF 279 e 280.
3. Em sede de recurso extraordinário não é permitido inovar com argumentos não abordados
pelo acórdão recorrido, nem pelos embargos de declaração opostos. Ausência do necessário
prequestionamento (Súmula STF 282). 4. Agravo regimental improvido.” (AI 765.586-AgR,
Relª. Minª. Ellen Gracie, Segunda Turma) Por fim, nota-se que o fundamento de que não são
devidos honorários advocatícios em ações promovidas pelo Ministério Público foi acatado
pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial interposto
simultaneamente pelo recorrente (REsp 1.330.841/SP), razão pela qual o recurso
extraordinário, no ponto, encontra-se prejudicado. - Recurso extraordinário interposto Rio
Branco Mineradora e Construtora LTDA. O recurso busca fundamento no art. 102, III, a,
da Constituição Federal. A parte recorrente alega violação aos arts. 2º; 5º, II e XXXVI; 22; 23,
III, VI e VII; 24, I, VI, VII e VIII, §§ 1º e 2º; 25; 30, II; e 225, § 1º, IV, todos
daConstituição.Sustenta “a regularidade de todo o procedimento realizado para a expedição
da sua licença, bem como que as exigências determinadas pela r. sentença de primeira
instância acerca do EIA/RIMA, mantida pelo v. acórdão, são totalmente descabidas, pois não
tem qualquer fundamento legal”. A decisão agravada negou seguimento ao recurso por
ausência preliminar formal e fundamentada de repercussão geral. O recurso extraordinário
não deve ser conhecido, tendo em conta que a parte recorrente não apresentou preliminar
formal e fundamentada de repercussão geral das questões constitucionais discutidas, exigível
quando a intimação do acórdão recorrido tenha ocorrido após 03/05/2007, data da
publicação da Emenda Regimental nº 21 (AI 664.567-QO, Rel. Min. Sepúlveda Pertence).
Falta, portanto, o requisito de admissibilidade previsto no art. 102, § 3º, da CF, c/c art. 543-
A, § 2º, do CPC, atraindo a incidência do art. 327, § 1º, do RI/STF. Nessa linha, veja-se a
ementa do ARE 713.080-AgR, julgado sob a relatoria do Ministro Rel. Min. Luiz Fux: “AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. FAMÍLIA. ALIMENTOS.
EXECUÇÃO. EXCESSO DE EXECUÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE CÁLCULOS JUDICIAIS. AUSÊNCIA DA
PRELIMINAR FUNDAMENTADA DE REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 543-A, § 2º, DO CPC E ART.
327, § 1º, DO RISTF. 1. A repercussão geral é requisito de admissibilidade do apelo extremo,
por isso que o recurso extraordinário é inadmissível quando não apresentar preliminar formal
de transcendência geral ou quando esta não for suficientemente fundamentada.(Questão de
Ordem no AI n. 664.567, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 6.9.07). 2. A
jurisprudência do Supremo fixou entendimento no sentido de ser necessário que o recorrente
demonstre a existência de repercussão geral nos termos previstos em lei, conforme
assentado no julgamento da Questão de Ordem no AI n. 664.567, Relator o Ministro
Sepúlveda Pertence, DJ de 6.9.07: ‘II. Recurso extraordinário: repercussão geral: juízo de
admissibilidade: competência. 1 . Inclui-se no âmbito do juízo de admissibilidade - seja na
origem, seja no Supremo Tribunal - verificar se o recorrente,em preliminar do recurso
extraordinário, desenvolveu fundamentação especificamente voltada para a demonstração,
no caso concreto, da existência de repercussão geral (C.Pr.Civil, art. 543-A, § 2º; RISTF, art.
327). 2. Cuida-se de requisito formal, ônus do recorrente, que, se dele não se desincumbir,
impede a análise da efetiva existência da repercussão geral, esta sim sujeita ‘à apreciação
exclusiva do Supremo Tribunal Federal’ (Art. 543-A, § 2º).’ […] 4. Agravo Regimental
desprovido.” Ainda que assim não fosse, nota-se que, para dissentir acerca das conclusões do
Tribunal de origem, necessárias seriam a análise da legislação infraconstitucional pertinente e
a reapreciação de fatos e provas, o que não é cabível nesse momento processual (incidência
da Súmula 279/STF). Diante do exposto, com base no art. 544, § 4º, II, b, do CPC e no
art. 21, § 1º, do RI/STF, conheço dos agravos e nego seguimento aos recursos extraordinários.
Publique-se. Brasília, 25 de fevereiro de 2015.Ministro Luís Roberto BarrosoRelator

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 796347 RS RIO GRANDE DO SUL (STF)


Data de publicação: 03/03/2015

DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão que, confirmado em


sede de embargos de declaração pelo E. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul,
está assim ementado: “APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PÚBLICO NÃO ESPECIFICADO. EMBARGOS À
EXECUÇÃO. TERMO DE AJUSTE DE CONDUTA FIRMADO ENTRE O MINISTÉRIO PÚBLICO E O
MUNICÍPIO DE PANAMBI. APRESENTAÇÃO DE PROJETO E REALIZAÇÃO DE OBRAS PARA
SANEAMENTO BÁSICO E PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. DESCABIMENTO. É certo que a
moradia digna, com saneamento básico, e o meio ambiente ecologicamente equilibrado, em
observância às políticas fundiárias, bem como à ordem urbanística, são direitos garantidos
pela Constituição Federal, constituindo séria questão a ser considerada. Há, todavia,
inúmeros outros direitos constitucionalmente assegurados, não implementados, incumbindo
exclusivamente à atividade administrativa resolver a questão, sob pena de a conduta do
administrador restar pautada pelo ajuizamento e decisões prolatadas em ações civis públicas,
bem como de execução de termos de ajustamento de conduta, comprometendo a
independência entre os Poderes. Precedentes do TJRGS e STJ. CUSTAS PROCESSUAIS E
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AFASTAMENTO. MÁ-FÉ NÃO CONFIGURADA. Não comprovada
má-fé do Ministério Público na execução ajuizada para o cumprimento de obrigações
assumidas em Termo de Ajustamento de Conduta, ausente qualquer das hipóteses do
art. 17 do CPC, afasta-se a condenação em custas processuais e honorários advocatícios.
Aplicação do art. 18 da Lei nº 7.347/85. Precedentes do TJRGS e STJ. Apelação provida em
parte.” A parte recorrente, ao deduzir este apelo extremo, sustentou que o Tribunal “a quo”
teria transgredido o preceito inscrito no art. 2º, da Constituição da República. O Ministério
Público Federal, em manifestação do ilustre Subprocurador-Geral da República Dr. PAULO
GUSTAVO GONET BRANCO, ao opinar pelo provimento do recurso extraordinário em questão,
formulou parecer assim ementado: “Recurso extraordinário. Discussão sobre a possibilidade
de o Ministério Público firmar Termo de Ajustamento de Conduta com Município, tendo por
objeto a implementação de política pública. Ausência de violação do princípio da separação
dos poderes. Reconhecimento da omissão estatal na implantação de saneamento básico na
região, pelo Prefeito Municipal, ao firmar, voluntariamente, o TAC. Parecer pelo provimento
do recurso.” Entendo assistir razão ao parecer da douta Procuradoria-Geral da República,
cujos termos adoto como fundamento desta decisão, valendo-me, para tanto, da técnica da
motivação “per relationem”, reconhecida como plenamente compatível com o texto
da Constituição (AI 738.982/PR, Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA – AI 809.147/ES, Rel. Min.
CÁRMEN LÚCIA – AI 814.640/RS, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – ARE 662.029/SE, Rel.
Min. CELSO DE MELLO – HC 54.513/DF, Rel. Min. MOREIRA ALVES – MS 28.989-MC/PR, Rel.
Min. CELSO DE MELLO – RE 37.879/MG, Rel. Min. LUIZ GALLOTTI – RE 49.074/MA, Rel. Min.
LUIZ GALLOTTI, v.g.): “Reveste-se de plena legitimidade jurídico-constitucional a utilização,
pelo Poder Judiciário, da técnica da motivação ‘per relationem’, que se mostra compatível
com o que dispõe o art. 93, IX, da Constituição da República. A remissão feita pelo magistrado
– referindo-se, expressamente, aos fundamentos (de fato e/ou de direito) que deram suporte
a anterior decisão (ou, então, a pareceres do Ministério Público ou, ainda, a informações
prestadas por órgão apontado como coator)– constitui meio apto a promover a formal
incorporação, ao ato decisório, da motivação a que o juiz se reportou como razão de decidir.
Precedentes.” (AI 825.520-AgR-ED/SP, Rel. Min. CELSO DE MELLO) Cabe acentuar, desde logo,
que a essencialidade do direito ao meio ambiente fez com que o legislador constituinte
impusesse, ao Poder Público e à coletividade, o dever de defendê-lo e de preservá-lo para as
presentes e futuras gerações (CF, art. 225), em ordem a legitimar a atuação do Ministério
Público e do Poder Judiciário naquelas hipóteses em que os órgãos estatais, anomalamente,
deixassem de respeitar o mandamento constitucional, frustrando-lhe, arbitrariamente, a
eficácia jurídico-social, seja por intolerável omissão, seja por qualquer outra inaceitável
modalidade de comportamento governamental desviante. Isso significa, portanto, que se
legitima a atuação do Ministério Público – mediante a formalização e eventual execução de
termo de ajustamento de conduta, v.g. – visando à defesa do direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado tal como reconhecido pela jurisprudência constitucional desta
Suprema Corte (RE 254.764/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO – RE 577.996-AgR/SP, Rel. Min.
GILMAR MENDES – RE 658.171-AgR/DF, Rel. Min. DIAS TOFFOLI): “Agravo regimental no
recurso extraordinário. Constitucional. Ação civil pública. Defesa do meio ambiente.
Implementação de políticas públicas. Possibilidade. Violação do princípio da separação dos
poderes. Não ocorrência. Precedentes. 1. Esta Corte já firmou a orientação de que é dever do
Poder Público e da sociedade a defesa de um meio ambiente ecologicamente equilibrado
para a presente e as futuras gerações, sendo esse um direito transindividual garantido
pela Constituição Federal, a qual comete ao Ministério Público a sua proteção. 2. O Poder
Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração pública adote
medidas assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais sem
que isso configure violação do princípio da separação de poderes. 3. Agravo regimental não
provido.” (RE 417.408-AgR/RJ, Rel. Min. DIAS TOFFOLI) A atuação do Ministério Público em
defesa de direitos e interesses metaindividuais, viabilizada, instrumentalmente, por meio
adequado (o termo de ajustamento de conduta, no caso), que lhe permite invocar a tutela
jurisdicional do Estado com o objetivo de fazer com que os Poderes Públicos respeitem, em
favor da coletividade, a proteção ao meio ambiente (CF, art. 129, III), legitima-se,
plenamente, em decorrência da condição institucional de “defensor do povo” que é conferida
ao “Parquet” pela própria Constituição da República. Nesse contexto, põe-se em destaque
uma das mais significativas funções institucionais do Ministério Público, consistente no
reconhecimento de que lhe assiste a posição eminente de verdadeiro “defensor do povo”
(HUGO NIGRO MAZZILLI, “Regime Jurídico do Ministério Público”, p. 224/227, item n. 24, “b”,
3ª ed., 1996, Saraiva, v.g.), incumbido de impor, aos poderes públicos, o respeito efetivo aos
direitos que a Constituição da República assegura aos cidadãos em geral (CF, art. 129, II),
podendo, para tanto, promover as medidas necessárias ao adimplemento de tais garantias, o
que lhe permite, por exemplo, valer-se das ações coletivas, como as ações civis públicas, que
representam poderoso instrumento processual concretizador das prerrogativas fundamentais
atribuídas, a qualquer pessoa, pela Carta Política. Tenho para mim, desse modo, que se revela
inquestionável a qualidade do Ministério Público para ajuizar ação civil pública e, igualmente,
para formalizar e executar termo de ajustamento de conduta (Lei nº7.347/85, art. 5º, § 6º),
objetivando, em sede de processo coletivo – hipótese em que estará presente “o interesse
social, que legitima a intervenção e a ação em juízo do Ministério Público (CF 127 ‘caput’
e CF 129 IX)” (NELSON NERY JUNIOR, “O Ministério Público e as Ações Coletivas”, “in” Ação
Civil Pública, p. 366, coord. por Édis Milaré, 1995, RT – grifei) –, a defesa de direitos
impregnados de transindividualidade, porque revestidos de inegável relevância social (RTJ
178/377-378 – RTJ 185/302, v.g.), como sucede com o direito ao meio ambiente, que traduz
prerrogativa jurídica de índole eminentemente constitucional. Reconhecida, assim, a
adequação da via processual eleita, para cuja instauração o Ministério Público dispõe de
plena legitimidade ativa (CF, art. 129, III), impõe-se examinar a questão central da presente
causa e verificar se se revela possível ao Judiciário, sem que incorra em ofensa ao postulado
da separação de poderes, determinar a adoção, pelo Estado, quando injustamente omisso no
adimplemento de políticas públicas constitucionalmente estabelecidas, de medidas ou
providências destinadas a assegurar, concretamente, à coletividade em geral, o acesso e o
gozo de direitos afetados pela inexecução governamental de deveres jurídico-constitucionais.
Observo, quanto a esse tema, que, ao julgar a ADPF 45/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO, proferi
decisão assim ementada (Informativo/STF nº 345/2004): “ARGÜIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO
DE PRECEITO FUNDAMENTAL. A QUESTÃO DA LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DO
CONTROLE E DA INTERVENÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO EM TEMA DE IMPLEMENTAÇÃO DE
POLÍTICAS PÚBLICAS, QUANDO CONFIGURADA HIPÓTESE DE ABUSIVIDADE
GOVERNAMENTAL. DIMENSÃO POLÍTICA DA JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL ATRIBUÍDA AO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INOPONIBILIDADE DO ARBÍTRIO ESTATAL À EFETIVAÇÃO DOS
DIREITOS SOCIAIS, ECONÔMICOS E CULTURAIS. CARÁTER RELATIVO DA LIBERDADE DE
CONFORMAÇÃO DO LEGISLADOR. CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA CLÁUSULA DA ‘RESERVA
DO POSSÍVEL’. NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO, EM FAVOR DOS INDIVÍDUOS, DA
INTEGRIDADE E DA INTANGIBILIDADE DO NÚCLEO CONSUBSTANCIADOR DO ‘MÍNIMO
EXISTENCIAL’. VIABILIDADE INSTRUMENTAL DA ARGÜIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO NO
PROCESSO DE CONCRETIZAÇÃO DAS LIBERDADES POSITIVAS (DIREITOS CONSTITUCIONAIS DE
SEGUNDA GERAÇÃO).” Salientei, então, em referida decisão, que o Supremo Tribunal Federal,
considerada a dimensão política da jurisdição constitucional outorgada a esta Corte, não pode
demitir-se do gravíssimo encargo de tornar efetivos os direitos econômicos, sociais e culturais
que se identificam – enquanto direitos de segunda geração (ou de segunda dimensão) – com
as liberdades positivas, reais ou concretas (RTJ 164/158-161, Rel. Min. CELSO DE MELLO – RTJ
199/1219-1220, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.). É que, se assim não for, restarão
comprometidas a integridade e a eficácia da própriaConstituição, por efeito de violação
negativa do estatuto constitucional, motivada por inaceitável inércia governamental no
adimplemento de prestações positivas impostas ao Poder Público, consoante já advertiu, em
tema de inconstitucionalidade por omissão, por mais de uma vez (RTJ 175/1212-1213, Rel.
Min. CELSO DE MELLO), o Supremo Tribunal Federal: “DESRESPEITO À CONSTITUIÇÃO –
MODALIDADES DE COMPORTAMENTOS INCONSTITUCIONAIS DO PODER PÚBLICO. – O
desrespeito à Constituição tanto pode ocorrer mediante ação estatal quanto mediante inércia
governamental. A situação de inconstitucionalidade pode derivar de um comportamento
ativo do Poder Público, que age ou edita normas em desacordo com o que dispõe
a Constituição, ofendendo-lhe, assim, os preceitos e os princípios que nela se acham
consignados. Essa conduta estatal, que importa em um ‘facere’ (atuação positiva), gera a
inconstitucionalidade por ação. – Se o Estado deixar de adotar as medidas necessárias à
realização concreta dos preceitos da Constituição, em ordem a torná-los efetivos, operantes e
exeqüíveis, abstendo-se, em conseqüência, de cumprir o dever de prestação que
a Constituição lhe impôs, incidirá em violação negativa do texto constitucional. Desse ‘non
facere’ ou ‘non praestare’, resultará a inconstitucionalidade por omissão, que pode ser total,
quando é nenhuma a providência adotada, ou parcial, quando é insuficiente a medida
efetivada pelo Poder Público. …...................................................................................................
– A omissão do Estado – que deixa de cumprir, em maior ou em menor extensão, a imposição
ditada pelo texto constitucional – qualifica-se como comportamento revestido da maior
gravidade político-jurídica, eis que, mediante inércia, o Poder Público também desrespeita
a Constituição, também ofende direitos que nela se fundam e também impede, por ausência
de medidas concretizadoras, a própria aplicabilidade dos postulados e princípios da Lei
Fundamental.” (RTJ 185/794-796, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno) É certo – tal como
observei no exame da ADPF 45/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO (Informativo/STF nº 345/2004)
– que não se inclui, ordinariamente, no âmbito das funções institucionais do Poder Judiciário
– e nas desta Suprema Corte, em especial – a atribuição de formular e de implementar
políticas públicas (JOSÉ CARLOS VIEIRA DE ANDRADE, “Os Direitos Fundamentais
na ConstituiçãoPortuguesa de 1976”, p. 207, item n. 05, 1987, Almedina, Coimbra), pois,
nesse domínio, o encargo reside, primariamente, nos Poderes Legislativo e Executivo.
Impende assinalar, contudo, que a incumbência de fazer implementar políticas públicas
fundadas na Constituição poderá atribuir-se, ainda que excepcionalmente, ao Judiciário, se e
quando os órgãos estatais competentes, por descumprirem os encargos político- -jurídicos
que sobre eles incidem em caráter vinculante, vierem a comprometer, com tal
comportamento, a eficácia e a integridade de direitos individuais e/ou coletivos impregnados
de estatura constitucional, como sucede na espécie ora em exame. Mais do que nunca, é
preciso enfatizar que o dever estatal de atribuir efetividade aos direitos fundamentais, de
índole social, qualifica-se como expressiva limitação à discricionariedade administrativa. Isso
significa que a intervenção jurisdicional, justificada pela ocorrência de arbitrária recusa
governamental em conferir significação real ao direito ao meio ambiente, tornar-se-á
plenamente legítima (sem qualquer ofensa, portanto, ao postulado da separação de
poderes), sempre que se impuser, nesse processo de ponderação de interesses e de valores
em conflito, a necessidade de fazer prevalecer a decisão política fundamental que o legislador
constituinte adotou em tema de respeito e de proteção ao direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado. Cabe referir, neste ponto, ante a extrema pertinência de suas
observações, a advertência de LUIZA CRISTINA FONSECA FRISCHEISEN, ilustre Procuradora
Regional da República, hoje eminente Conselheira do Conselho Nacional de Justiça (“Políticas
Públicas – A Responsabilidade do Administrador e o Ministério Público”, p. 59, 95 e 97, 2000,
Max Limonad), cujo magistério, a propósito da limitada discricionariedade governamental em
tema de concretização das políticas públicas constitucionais, corretamente assinala: “Nesse
contexto constitucional, que implica também na renovação das práticas políticas, o
administrador está vinculado às políticas públicas estabelecidas naConstituição Federal; a sua
omissão é passível de responsabilização e a sua margem de discricionariedade é mínima, não
contemplando o não fazer. .......................................................................................................
Como demonstrado no item anterior, o administrador público está vinculado àConstituição e
às normas infraconstitucionais para a implementação das políticas públicas relativas à ordem
social constitucional, ou seja, própria à finalidade da mesma: o bem-estar e a justiça social.
…................................................................................................... Conclui-se, portanto, que o
administrador não tem discricionariedade para deliberar sobre a oportunidade e
conveniência de implementação de políticas públicas discriminadas na ordem social
constitucional, pois tal restou deliberado pelo Constituinte e pelo legislador que elaborou as
normas de integração. ....................................................................................................... As
dúvidas sobre essa margem de discricionariedade devem ser dirimidas pelo Judiciário,
cabendo ao Juiz dar sentido concreto à norma e controlar a legitimidade do ato
administrativo (omissivo ou comissivo), verificando se o mesmo não contraria sua finalidade
constitucional, no caso, a concretização da ordem social constitucional.” (grifei) Não deixo de
conferir, no entanto, assentadas tais premissas, significativo relevo ao tema pertinente à
“reserva do possível” (LUÍS FERNANDO SGARBOSSA, “Crítica à Teoria dos Custos dos Direitos”,
vol. 1, 2010, Fabris Editor; STEPHEN HOLMES/CASS R. SUNSTEIN, “The Cost of Rights”, 1999,
Norton, New York; ANA PAULA DE BARCELLOS, “A Eficácia Jurídica dos Princípios
Constitucionais”, p. 245/246, 2002, Renovar; FLÁVIO GALDINO, “Introdução à Teoria dos
Custos dos Direitos”, p. 190/198, itens ns. 9.5 e 9.6, e p. 345/347, item n. 15.3, 2005, Lumen
Juris), notadamente em sede de efetivação e implementação (usualmente onerosas) de
determinados direitos cujo adimplemento, pelo Poder Público, impõe e exige, deste,
prestações estatais positivas concretizadoras de tais prerrogativas individuais e/ou coletivas.
Não se ignora que a realização dos direitos econômicos, sociais e culturais – além de
caracterizar-se pela gradualidade de seu processo de concretização – depende, em grande
medida, de um inescapável vínculo financeiro subordinado às possibilidades orçamentárias
do Estado, de tal modo que, comprovada, objetivamente, a alegação de incapacidade
econômico-financeira da pessoa estatal, desta não se poderá razoavelmente exigir, então,
considerada a limitação material referida, a imediata efetivação do comando fundado no
texto da Carta Política. Não se mostrará lícito, contudo, ao Poder Público, em tal hipótese,
criar obstáculo artificial que revele – a partir de indevida manipulação de sua atividade
financeira e/ou político-administrativa – o ilegítimo, arbitrário e censurável propósito de
fraudar, de frustrar e de inviabilizar o estabelecimento e a preservação, em favor da pessoa e
dos cidadãos, de condições materiais mínimas de existência (ADPF 45/DF, Rel. Min. CELSO DE
MELLO, Informativo/STF nº 345/2004). Cumpre advertir, desse modo, que a cláusula da
“reserva do possível” – ressalvada a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível – não
pode ser invocada, pelo Estado, com a finalidade de exonerar-se, dolosamente, do
cumprimento de suas obrigações constitucionais, notadamente quando, dessa conduta
governamental negativa, puder resultar nulificação ou, até mesmo, aniquilação de direitos
constitucionais impregnados de um sentido de essencial fundamentalidade. Tratando-se de
típico direito de prestação positiva, a proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado
– que compreende todas as prerrogativas, individuais ou coletivas, referidas
na Constituição da República (notadamente em seu art. 225) – tem por fundamento regra
constitucional cuja densidade normativa não permite que, em torno da efetiva realização de
tal comando, o Poder Público disponha de um amplo espaço de discricionariedade que lhe
enseje maior grau de liberdade de conformação, e de cujo exercício possa resultar,
paradoxalmente, com base em simples alegação de mera conveniência e/ou oportunidade, a
nulificação mesma dessa prerrogativa essencial. O caso ora em exame põe em evidência o
altíssimo relevo jurídico-social que assume, em nosso ordenamento positivo, o direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado, especialmente em face do mandamento inscrito
no art. 225 da Constituição da República, que assim dispõe: “Art. 225. Todos têm direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá- lo para as presentes e futuras gerações.” Todos sabemos que os preceitos inscritos
no art. 225 da Carta Política traduzem, na concreção de seu alcance, a consagração
constitucional, em nosso sistema de direito positivo, de uma das mais expressivas
prerrogativas asseguradas às formações sociais contemporâneas. Essa prerrogativa, que se
qualifica por seu caráter de metaindividualidade, consiste no reconhecimento de que todos
têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Trata-se – consoante já o
proclamou o Supremo Tribunal Federal (RTJ 158/205-206, Rel. Min. CELSO DE MELLO) com
apoio em douta lição expendida por CELSO LAFER (“A reconstrução dos Direitos Humanos”, p.
131/132, 1988, Companhia das Letras) – de um típico direito de terceira geração (ou de
novíssima dimensão), que assiste, de modo subjetivamente indeterminado, a todo o gênero
humano. Tal circunstância, por isso mesmo, justifica a especial obrigação – que incumbe ao
Estado e à própria coletividade (PAULO AFFONSO LEME MACHADO, “Direito Ambiental
Brasileiro”, p. 121/123, item n. 3.1, 13ª ed., 2005, Malheiros) – de defender e de preservar
essa magna prerrogativa em benefício das presentes e das futuras gerações, evitando-se,
desse modo, que irrompam, no seio da comunhão social, os graves conflitos
intergeneracionais marcados pelo desrespeito ao dever de solidariedade na proteção da
integridade desse bem essencial de uso comum de todos quantos compõem o grupo social.
Vale referir, neste ponto, até mesmo em face da justa preocupação revelada pelos povos e
pela comunidade internacional em tema de direitos humanos, que estes, em seu processo de
afirmação e consolidação, comportam diversos níveis de compreensão e abordagem, que
permitem distingui-los em ordens, dimensões ou fases sucessivas resultantes de sua evolução
histórica (RTJ 164/158-161, v.g.). Nesse sentido, é de assinalar que os direitos de terceira
geração (ou de novíssima dimensão), que materializam poderes de titularidade coletiva
atribuídos, genericamente, e de modo difuso, a todos os integrantes dos agrupamentos
sociais, consagram o princípio da solidariedade e constituem, por isso mesmo, ao lado dos
denominados direitos de quarta geração (como o direito ao desenvolvimento e o direito à
paz), um momento importante no processo de expansão e de reconhecimento dos direitos
humanos, qualificados estes, enquanto valores fundamentais indisponíveis, como
prerrogativas impregnadas de uma natureza essencialmente inexaurível, consoante proclama
autorizado magistério doutrinário (CELSO LAFER, “Desafios: ética e política”, p. 239, 1995,
Siciliano). Cumpre rememorar, bem por isso, na linha do que vem de ser afirmado, a precisa
lição ministrada por PAULO BONAVIDES (“Curso de Direito Constitucional”, p. 481, item n. 5,
4ª ed., 1993, Malheiros), que confere particular ênfase, entre os direitos de terceira geração
(ou de novíssima dimensão), ao direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado:
“Com efeito, um novo pólo jurídico de alforria do homem se acrescenta historicamente aos
da liberdade e da igualdade. Dotados de altíssimo teor de humanismo e universalidade, os
direitos da terceira geração tendem a cristalizar-se neste fim de século enquanto direitos que
não se destinam especificamente à proteção dos interesses de um indivíduo, de um grupo ou
de um determinado Estado. Têm primeiro por destinatário o gênero humano mesmo, num
momento expressivo de sua afirmação como valor supremo em termos de existencialidade
concreta. Os publicistas e juristas já os enumeram com familiaridade, assinalando-lhes o
caráter fascinante de coroamento de uma evolução de trezentos anos na esteira da
concretização dos direitos fundamentais. Emergiram eles da reflexão sobre temas referentes
ao desenvolvimento, à paz, ao meio ambiente, à comunicação e ao patrimônio comum da
humanidade.” (grifei) A preocupação com a preservação do meio ambiente – que hoje
transcende o plano das presentes gerações, para também atuar em favor das gerações
futuras (PAULO AFFONSO LEME MACHADO, “Direito Ambiental Brasileiro”, p. 123/124, item
n. 3.2, 13ª ed., 2005, Malheiros) – tem constituído, por isso mesmo, objeto de regulações
normativas e de proclamações jurídicas que, ultrapassando a província meramente doméstica
do direito nacional de cada Estado soberano, projetam-se no plano das declarações
internacionais, que refletem, em sua expressão concreta, o compromisso das Nações com o
indeclinável respeito a esse direito fundamental que assiste a toda a Humanidade. A questão
do meio ambiente, hoje, especialmente em função da Declaração de Estocolmo sobre o Meio
Ambiente (1972) e das conclusões da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento (Rio/92), passou a compor um dos tópicos mais expressivos da nova agenda
internacional (GERALDO EULÁLIO DO NASCIMENTO E SILVA, “Direito Ambiental
Internacional”, 2ª ed., 2002, Thex Editora), particularmente no ponto em que se reconheceu
ao gênero humano o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao gozo de condições de
vida adequada, em ambiente que lhe permita desenvolver todas as suas potencialidades em
clima de dignidade e de bem-estar. Extremamente valioso, sob o aspecto ora referido, o
douto magistério expendido por JOSÉ AFONSO DA SILVA (“Direito Ambiental Constitucional”,
p. 69/70, item n. 7, 4ª ed./2ª tir., 2003, Malheiros): “A ‘Declaração de Estocolmo’ abriu
caminho para que as Constituições supervenientes reconhecessem o meio ambiente
ecologicamente equilibrado como um ‘direito fundamental’ entre os direitos sociais do
Homem, com sua característica de ‘direitos a serem realizados’ e ‘direitos a não serem
perturbados. ....................................................................................................... O que é
importante (…) é que se tenha a consciência de que o direito à vida, como matriz de todos os
demais direitos fundamentais do Homem, é que há de orientar todas as formas de atuação no
campo da tutela do meio ambiente. Cumpre compreender que ele é um fator preponderante,
que há de estar acima de quaisquer outras considerações como as de desenvolvimento, como
as de respeito ao direito de propriedade, como as da iniciativa privada. Também estes são
garantidos no texto constitucional, mas, a toda evidência, não podem primar sobre o direito
fundamental à vida, que está em jogo quando se discute a tutela da qualidade do meio
ambiente. É que a tutela da qualidade do meio ambiente é instrumental no sentido de que,
através dela, o que se protege é um valor maior: ‘a qualidade da vida’.” (grifei) Dentro desse
contexto, emerge, com nitidez, a ideia de que o meio ambiente constitui patrimônio público a
ser necessariamente assegurado e protegido pelos organismos sociais e pelas instituições
estatais (pelos Municípios, inclusive), qualificando-se como encargo irrenunciável que se
impõe – sempre em benefício das presentes e das futuras gerações – tanto ao Poder Público
quanto à coletividade em si mesma considerada (MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO, “Polícia
do Meio Ambiente”, “in” Revista Forense 317/179, 181; LUÍS ROBERTO BARROSO, “A
proteção do meio ambiente na Constituição brasileira”, “in” Revista Forense 317/161, 167-
168, v.g.). Na realidade, o direito à integridade do meio ambiente constitui prerrogativa
jurídica de titularidade coletiva, refletindo, dentro do processo de afirmação dos direitos
humanos, a expressão significativa de um poder deferido não ao indivíduo identificado em
sua singularidade, mas, em um sentido verdadeiramente mais abrangente, atribuído à própria
coletividade social. O reconhecimento desse direito de titularidade coletiva, tal como se
qualifica o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, constitui, portanto, uma
realidade a que não mais se mostram alheios ou insensíveis, como precedentemente
enfatizado, os ordenamentos positivos consagrados pelos sistemas jurídicos nacionais e as
formulações normativas proclamadas no plano internacional, como enfatizado por autores
eminentes (JOSÉ FRANCISCO REZEK, “Direito Internacional Público”, p. 223/224, item n. 132,
1989, Saraiva; JOSÉ AFONSO DA SILVA, “Direito Ambiental Constitucional”, p. 46/57 e 58/70,
4ª ed./2ª tir., 2003, Malheiros). São todos esses motivos que têm levado o Supremo Tribunal
Federal a consagrar, em seu magistério jurisprudencial, o reconhecimento do direito de todos
à integridade do meio ambiente e a competência de todos os entes políticos que compõem a
estrutura institucional da Federação em nosso País, com particular destaque para os
Municípios, em face do que prescreve, quanto a eles, a própria Constituiçãoda República (art.
30, incisos I, II e VII, c/c o art. 23, incisos II e VI): “A PRESERVAÇÃO DA INTEGRIDADE DO MEIO
AMBIENTE: EXPRESSÃO CONSTITUCIONAL DE UM DIREITO FUNDAMENTAL QUE ASSISTE À
GENERALIDADE DAS PESSOAS. – Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado. Trata-se de um típico direito de terceira geração (ou de novíssima dimensão),
que assiste a todo o gênero humano (RTJ 158/205-206). Incumbe ao Estado e à própria
coletividade a especial obrigação de defender e preservar, em benefício das presentes e das
futuras gerações, esse direito de titularidade coletiva e de caráter transindividual (RTJ
164/158-161). O adimplemento desse encargo, que é irrenunciável, representa a garantia de
que não se instaurarão, no seio da coletividade, os graves conflitos intergeneracionais
marcados pelo desrespeito ao dever de solidariedade, que a todos se impõe, na proteção
desse bem essencial de uso comum das pessoas em geral. Doutrina. A ATIVIDADE
ECONÔMICA NÃO PODE SER EXERCIDA EM DESARMONIA COM OS PRINCÍPIOS DESTINADOS A
TORNAR EFETIVA A PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. – A incolumidade do meio ambiente não
pode ser comprometida por interesses empresariais nem ficar dependente de motivações de
índole meramente econômica, ainda mais se se tiver presente que a atividade econômica,
considerada a disciplina constitucional que a rege, está subordinada, entre outros princípios
gerais, àquele que privilegia a ‘defesa do meio ambiente’ (CF, art. 170, VI), que traduz
conceito amplo e abrangente das noções de meio ambiente natural, de meio ambiente
cultural, de meio ambiente artificial (espaço urbano) e de meio ambiente laboral. Doutrina.
Os instrumentos jurídicos de caráter legal e de natureza constitucional objetivam viabilizar a
tutela efetiva do meio ambiente, para que não se alterem as propriedades e os atributos que
lhe são inerentes, o que provocaria inaceitável comprometimento da saúde, segurança,
cultura, trabalho e bem-estar da população, além de causar graves danos ecológicos ao
patrimônio ambiental, considerado este em seu aspecto físico ou natural. A QUESTÃO DO
DESENVOLVIMENTO NACIONAL (CF, ART. 3º, II) E A NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO DA
INTEGRIDADE DO MEIO AMBIENTE (CF, ART. 225): O PRINCÍPIO DO DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL COMO FATOR DE OBTENÇÃO DO JUSTO EQUILÍBRIO ENTRE AS EXIGÊNCIAS DA
ECONOMIA E AS DA ECOLOGIA. – O princípio do desenvolvimento sustentável, além de
impregnado de caráter eminentemente constitucional, encontra suporte legitimador em
compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro e representa fator de
obtenção do justo equilíbrio entre as exigências da economia e as da ecologia, subordinada,
no entanto, a invocação desse postulado, quando ocorrente situação de conflito entre valores
constitucionais relevantes, a uma condição inafastável, cuja observância não comprometa
nem esvazie o conteúdo essencial de um dos mais significativos direitos fundamentais: o
direito à preservação do meio ambiente, que traduz bem de uso comum da generalidade das
pessoas, a ser resguardado em favor das presentes e futuras gerações.
…................................................................................................... – É lícito ao Poder Público –
qualquer que seja a dimensão institucional em que se posicione na estrutura federativa
(União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios) – autorizar, licenciar ou permitir a
execução de obras e/ou a realização de serviços no âmbito dos espaços territoriais
especialmente protegidos, desde que, além de observadas as restrições, limitações e
exigências abstratamente estabelecidas em lei, não resulte comprometida a integridade dos
atributos que justificaram, quanto a tais territórios, a instituição de regime jurídico de
proteção especial (CF, art. 225, § 1º, III).” (ADI 3.540-MC/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO,
Pleno) O exame da presente causa evidencia que o acórdão impugnado em sede recursal
extraordinária diverge da orientação jurisprudencial que esta Suprema Corte firmou sobre a
matéria ora em exame. Sendo assim, e considerando as razões expostas, conheço do
presente recurso extraordinário, para dar-lhe provimento (CPC, art. 557, § 1º-A), em ordem a,
afastada a nulidade do termo de ajustamento de conduta, determinar ao magistrado de
primeira instância que prossiga na análise dos embargos à execução da parte ora recorrida.
Publique-se. Brasília, 19 de fevereiro de 2015. Ministro CELSO DE MELLO Relator

STF - AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 861978 PA (STF)


Data de publicação: 03/03/2015

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PENAL E PROCESSUAL PENAL. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E


JULGAR CRIMES AMBIENTAIS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO PLENÁRIO VIRTUAL
DESTA CORTE NOS AUTOS DO RE 835.558-RG. TEMA Nº 648. DEVOLUÇÃO DO FEITO AO
TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). Decisão: O Supremo
Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia sub examine, em que se
discute o limite entre a competência das Justiças Federal e Estadual para processar crimes
ambientais previstos pela Lei nº 9.605/98, cuja conduta e resultado tenham ou não
extrapolado os limites territoriais do país, nos autos do ARE 737.977-RG, substituído pelo RE
835.558, Rel. Min. Luiz Fux, Plenário Virtual, Tema nº 648. A decisão recebeu a seguinte
“DIREITO CONSTITUCIONAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. EXPORTAÇÃO ILEGAL DE ANIMAIS
SILVESTRES. CRIME AMBIENTAL. TRANSNACIONALIDADE DO DELITO. DEFINIÇÃO DE
COMPETÊNCIA. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA.” Ex positis, PROVEJO o agravo, para,
desde logo, ADMITIR o recurso extraordinário e, com fundamento no artigo 328, parágrafo
único, do RISTF (na redação da Emenda Regimental nº 21/2007), determino a DEVOLUÇÃO do
feito ao Tribunal de origem, para que seja observado o disposto no artigo 543-B doCódigo de
Processo Civil. Publique-se. Brasília, 27 de fevereiro de 2015.Ministro Luiz
FuxRelatorDocumento assinado digitalmente

STF - INQUÉRITO Inq 3696 DF DISTRITO FEDERAL 9990444-55.2013.1.00.0000 (STF)


Data de publicação: 02/03/2015

Decisão: 1. Trata-se de inquérito penal instaurado para apurar suposta prática das condutas
previstas nos arts. 40 e 48 da Lei 9.605/1998 por Augusto Rodrigues Coutinho de Melo,
porquanto teria, em tese, causado dano ambiental ao construir uma residência e dois muros
de arrimo para contenção das marés na Área de Preservação Ambiental Costa dos Corais/PE,
impedindo a regeneração natural da vegetação daquela reserva ambiental. A denúncia foi
oferecida em julho de 2013 pelo Procurador-Geral da República (fls. 2-6). Notificado, o
denunciado apresentou defesa preliminar (fls. 369/412). Instada a manifestar-se nos termos
do art. 5º da Lei 8.038/90, a acusação repudiou as teses da defesa, reiterando a denúncia e o
atendimento aos requisitos de seu recebimento (fls. Fls. 415-421). Em agosto de 2014, a
denúncia foi recebida (fl. 476). Contra a aludida decisão foram opostos embargos de
declaração (fls. 499-513), que foram rejeitados (fl. 523). Com vista dos autos, o Procurador-
Geral da República manifestou-se pela cessação de competência do Supremo Tribunal Federal
já que “o noticiado disputou a eleição para a 55ª Legislatura (2015-2019) e não foi eleito.
Como não se encontra mais investido em mandato parlamentar, não compete ao Supremo
Tribunal Federal conduzir o presente feito” (fl. 526-527). 2. Em consulta ao sítio eletrônico da
Câmara dos Deputados, verifica-se que a investidura do denunciado no mandato de
Deputado Federal cessou em 31.1.2015. A jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal
Federal é no sentido de não mais subsistir a sua competência penal originária se, no curso do
inquérito ou da ação penal, sobrevém a cessação da investidura do investigado ou acusado no
cargo, função ou mandato cuja titularidade justificava a outorga de prerrogativa de foro (Inq
2.429-AgR, Relator (a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, DJe 17-08-2007; Inq 2379-
AgR, Relator (a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJe de 06-06-2007; Inq 1.376-AgR,
Relator (a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, DJ 16/03/2007). 3. Ante o exposto,
determino a remessa dos autos à Seção Judiciária de Pernambuco/PE para as providências
cabíveis. Comunique-se ao Ministério Público, com baixa imediata dos autos. Publique-se.
Brasília, 2 de março de 2015. Ministro Teori Zavascki Relator Documento assinado
digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 864549 RS RIO GRANDE DO SUL (STF)


Data de publicação: 02/03/2015

Decisão: Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal Regional


Federal da 4ª Região, assim ementado: “DIREITO ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO POR
INTERESSE SOCIAL PARA REFORMA AGRÁRIA. VIOLAÇÃO À ÁREA DE PRESERVAÇÃO.
DESMATAMENTO DE MATA NATIVA. SANÇÃO. PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. 1. "O
acesso à terra, a solução dos conflitos sociais, o aproveitamento racional e adequado do
imóvel rural, a utilização apropriada dos recursos naturais disponíveis e a preservação do
meio ambiente constituem elementos de realização da função social da propriedade. A
desapropriação, nesse contexto - enquanto sanção constitucional imponível ao
descumprimento da função social da propriedade – reflete importante instrumento destinado
a dar conseqüência aos compromissos assumidos pelo Estado na ordem econômica e social.
Incumbe, ao proprietário da terra, o dever jurídico-social de cultivá-la e de explorá-la
adequadamente, sob pena de incidir nas disposições constitucionais e legais que sancionam
os senhores de imóveis ociosos, não cultivados e/ou improdutivos, pois só se tem por
atendida a função social que condiciona o exercício do direito de propriedade, quando o
titular do domínio cumprir a obrigação (1) de favorecer o bem estar dos que na terra
labutam; (2) de manter níveis satisfatórios de produtividade; (3) de assegurar a conservação
dos recursos naturais; e (4) de observar as disposições legais que regulam as justas relações
de trabalho entre os que possuem o domínio e aqueles que cultivam a propriedade". (ADI
2.213-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 4-4-02, DJ de 23-4-04). 2. Verificado o
dano à mata nativa, não há como concluir pelo atendimento da função social da propriedade.
3. O Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que o esbulho possessório que
impede a desapropriação (art. 2º, § 6º, da Lei n. 8.629/93, na redação dada pela Medida
Provisória n. 2.183/01) deve ser significativo e anterior à vistoria do imóvel, a ponto de alterar
os graus de utilização da terra e de eficiência em sua exploração,comprometendo os índices
fixados em lei. 4. O fato de não haver ainda avaliação do imóvel não impede o
prosseguimento do processo administrativo da desapropriação, pois a primeira fase do
procedimento expropriatório destina-se ao levantamento de dados e informações do imóvel
expropriando, no qual os técnicos do órgão fundiário são autorizados a ingressar (Lei
n. 8.629/93, artigo 2º, § 2º), sendo que na segunda, no procedimento judicial, disciplinado
por lei complementar, conforme previsto no § 3º do artigo 184 da Constituição Federal, é
dado à Administração vistoriar novamente a área com a finalidade de avaliar a terra nua e as
benfeitorias. 5. O fato de a propriedade possibilitar o assentamento de apenas 11 (onze)
famílias não inviabiliza, por si só, a desapropriação, pois desse fato pode resultar relação de
custo por família assentada reduzido. 6. Ação declaratória de ilegalidade de ato
administrativo, objetivando provimento que tornasse imóvel insuscetível de desapropriação,
que se julga improcedente. Sentença mantida.” (eDOC 10, p. 20-21) No recurso
extraordinário, interposto com fundamento no artigo 102, III, a, da Constituição Federal,
sustenta-se, em preliminar, a repercussão geral da matéria. No mérito, aponta-se violação
aos artigos 184 e 185, II, do texto constitucional. Argumenta-se, em síntese, que: “(...)
desapropriar imóvel produtivo em face da ocorrência de ilícito ambiental que atingiu a ínfima
parcela deste, que sequer aumentou ou diminuiu a produtividade do mesmo, já estando à
área recuperada, e que não comporta um número razoável de famílias sendo inviável
economicamente, tendo sido invadido por duas vezes no período, torna-se ato ilícito que se
opõe aos ditames constitucionais contidos nos artigos 184 e 185, inc. II da CFe da
Lei 8629/1993 em seus artigos 2º, § 6º e 17.” (eDOC 10, p. 80) Decido. Observo que o
Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.424.013, Rel. Min. OG Fernandes, deu
provimento ao recurso especial a fim de declarar que o imóvel é insuscetível de
desapropriação, nos termos do art.2º, § 6º, da Lei 8.629/93, invertendo o ônus da
sucumbência (eDOC 11, p. 65). Essa decisão transitou em julgado em 5.12.2014, conforme
consta do eDOC 11, p. 66. Ante o exposto, julgo prejudicado o presente recurso, por perda
superveniente do objeto (art. 21, IX, do RISTF). Publique-se. Brasília, 10 de fevereiro de 2015.
Ministro Gilmar Mendes Relator Documento assinado digitalmente

STF - AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 861978 PA PARÁ (STF)


Data de publicação: 27/02/2015

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PENAL E PROCESSUAL PENAL. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E


JULGAR CRIMES AMBIENTAIS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO PLENÁRIO VIRTUAL
DESTA CORTE NOS AUTOS DO RE 835.558-RG. TEMA Nº 648. DEVOLUÇÃO DO FEITO AO
TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). Decisão: O Supremo
Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia sub examine, em que se
discute o limite entre a competência das Justiças Federal e Estadual para processar crimes
ambientais previstos pela Lei nº 9.605/98, cuja conduta e resultado tenham ou não
extrapolado os limites territoriais do país, nos autos do ARE 737.977-RG, substituído pelo RE
835.558, Rel. Min. Luiz Fux, Plenário Virtual, Tema nº 648. A decisão recebeu a seguinte
ementa: “DIREITO CONSTITUCIONAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. EXPORTAÇÃO ILEGAL DE
ANIMAIS SILVESTRES. CRIME AMBIENTAL. TRANSNACIONALIDADE DO DELITO. DEFINIÇÃO DE
COMPETÊNCIA. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA.” Ex positis, PROVEJO o agravo, para,
desde logo, ADMITIR o recurso extraordinário e, com fundamento no artigo 328, parágrafo
único, do RISTF (na redação da Emenda Regimental nº 21/2007), determino a DEVOLUÇÃO do
feito ao Tribunal de origem, para que seja observado o disposto no artigo543-B do Código de
Processo Civil. Publique-se. Brasília, 27 de fevereiro de 2015. Ministro Luiz Fux Relator
Documento assinado digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 861598 RS RIO GRANDE DO SUL
5012902-28.2012.4.04.0000 (STF)
Data de publicação: 26/02/2015

DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL.


DEFERIMENTO DE LIMINAR. DECISÃO PROVISÓRIA: SÚMULA N. 735 DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 5º, INCS. II E LV, DA CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA: NECESSIDADE DE ANÁLISE PRÉVIA DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL.
AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo nos autos principais contra
inadmissão de recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. a,
daConstituição da República contra julgado do Tribunal Regional Federal da Quarta Região:
“AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EDIFICAÇÃO CONSTRUÍDAEM TERRENO
DE MARINHA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA.
AFIXAÇÃO DE PLACA INFORMANDO SER O IMÓVEL OBJETO DE AÇÃO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO
DO FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. POSSIBILIDADE. 1. A afixação de placa referindo a
existência de uma ação civil pública por infração ambiental, tendo por objeto o imóvel
edificado em área de preservação permanente, não constitui dano à imagem do proprietário
do bem, e vai ao encontro do Princípio da Prevenção. 2. Em se tratando de imóvel já
construído, a suspensão do fornecimento de energia elétrica é medida que não encontra
respaldo no Princípio da Prevenção, porquanto apenas dificultará o uso do imóvel. Hipótese
em que a finalidade da ocupação - residencial ou veraneio e lazer - não tem relevância. 3.
Agravo de instrumento parcialmente provido”. Os embargos de declaração opostos foram
rejeitados. 2. O Agravante afirma ter o Tribunal de origem contrariado o art. 5º, incs. II e LV,
da Constituição da República. 3. O recurso extraordinário foi inadmitido ao fundamento de
ausência de ofensa constitucional direta. Examinados os elementos havidos no processo,
DECIDO. 4. O art. 544 do Código de Processo Civil, com as alterações da Lei n. 12.322/2010,
estabeleceu que o agravo contra inadmissão de recurso extraordinário processa-se nos autos
do recurso, ou seja, sem a necessidade de formação de instrumento, sendo este o caso.
Analisam-se, portanto, os argumentos postos no agravo de instrumento, de cuja decisão se
terá, na sequência, se for o caso, exame do recurso extraordinário. 5. Razão jurídica não
assiste ao Agravante. 6. Consta do voto condutor do acórdão recorrido: “Quando do exame
de admissibilidade, e apreciação do pedido de atribuição de efeito suspensivo ao presente
agravo de instrumento, este Relator manifestou-se no seguinte sentido: '(...) A solução da
controvérsia trazida a exame exige verificar a presença dos requisitos autorizadores do
deferimento do pedido de antecipação de tutela, além da possibilidade de ser determinada a
afixação de placa informando tratar-se de um imóvel objeto de ação civil pública por estar
localizado em área de preservação permanente e de interrupção do fornecimento de energia
elétrica. Quanto aos requisitos autorizadores do deferimento do pedido de antecipação de
tutela, estão eles insculpidos no art. 273 do Código de processo Civil, a seguir reproduzido:
(...) No caso em exame, a verossimilhança das alegações do autor está presente, pois há
provas documentais no sentido de estar construído o imóvel em área de preservação
permanente, sobre dunas em terreno de marinha, sem a devida licença ambiental. Muito
embora o agravante afirme ter obtido autorização para reforma da edificação junto à
Prefeitura de Laguna/SC, não logrou comprovar a existência de autorização ambiental
expedida pelos órgãos competentes para tanto, concluindo-se estar localizada irregularmente
a construção na área de Proteção Ambiental Federal - APA da Baleia Franca, ocorrendo a
degradação ambiental da área de dunas e coberta por sambaquis. Desta forma, presente a
verossimilhança das alegações do Ministério Público Federal a permitir o deferimento do
pedido de antecipação de tutela, sendo inegável o periculum in mora ante o risco de
perpetuação do dano ambiental. Com relação à afixação de placa referindo a existência de
uma ação civil pública por infração ambiental, tendo por objeto o imóvel edificado em área
de preservação permanente, cumpre observar que em feito semelhante ao telado (Agravo de
Instrumento nº 5005021- 97.2012.404.0000/SC) este Relator, participando do julgamento
daquele feito, manifestou o entendimento no sentido de que tal providência não constitui
dano à imagem do proprietário do bem, e vai ao encontro do Princípio da Prevenção. No
tocante à suspensão do fornecimento de energia elétrica, tendo em vista não residir no
imóvel em referência o agravante, não há falar suspensão de serviço público indispensável,
pois se trata de casa de veraneio. Além disso, quando da apreciação do Agravo de
Instrumento antes referido, tendo por objeto a mesma região ora discutida, foi citada a Ação
Civil Pública nº 97.0003822-0, na qual foi proferida a seguinte decisão no Juízo a quo: (...)
Portanto, não há reparos a serem feitos na decisão agravada. Assim sendo, indefiro o pedido
de atribuição de efeito suspensivo ao agravo de instrumento.' Compulsando novamente os
autos, para fins de julgamento do agravo de instrumento, entendo que o presente caso
requer solução um tanto diversa no que diz respeito ao desligamento da energia elétrica. Não
obstante ter acompanhado o Desembargador Jorge Antônio Maurique nos autos do AG nº
5005021-97.2012.404.0000, naquela oportunidade se estava tratando de obra em
andamento, de modo que a medida tendente a dificultar a continuidade dos serviços vinha ao
encontro do princípio da proteção inerente às tutelas ambientais. Contudo, quando se trata
de obra acabada desde 1989, não se justificam medidas administrativas ou judiciais que não
guardem relação com a necessidade de proteção ambiental imediata. Ou seja, o simples corte
de energia não traz resultados eficazes, e quanto a isso pouco importa a destinação
edificação, se para fins residenciais ou para veraneio e lazer. O agravante obteve a área
discutida em ação de usucapião, na qual a União Federal registrou desinteresse, tendo em
vista que não se trata de área considerada terreno de marinha. Mais do que isso, o terreno
encontra-se em área urbana, nos termos da Lei Municipal nº 1.041/2004, de modo que a
necessidade de medida preventiva mais eficaz certamente passaria por uma intervenção de
natureza geral junto à autoridade municipal. Fato é que a ação exige perícia judicial para
verificar se a área em litígio pode realmente ser caracterizada como de preservação
permanente, como pedido pelo Ministério Público Federal na inicial e já determinado pelo
juízo a quo, inclusive com a apresentação de quesitos pelas partes. Assim, sem prejuízo da
manutenção da medida acautelatória referente à colocação de placa, dado o seu caráter
pedagógico, merece ser reformada parcialmente a decisão agravada no que diz respeito ao
corte de energia elétrica. Para finalizar, os próprios fundamentos desta decisão, bem como a
análise da legislação pertinente à espécie, já são suficientes para o prequestionamento da
matéria junto às Instâncias Superiores, evitando-se a necessidade de oposição de embargos
de declaração tão-somente para este fim, o que nitidamente evidenciaria a finalidade
procrastinatória do recurso, passível de cominação de multa, nos moldes do contido
no parágrafo único do art. 538 do Código de Processo Civil. Ante o exposto, voto por dar
parcial provimento ao agravo de instrumento, julgando prejudicados os embargos de
declaração”. 7. Por não representarem pronunciamento definitivo, mas provisório, sobre a
controvérsia, as medidas antecipatórias e cautelares devem ser confirmadas (ou, se for o
caso, revogadas) pela decisão de mérito da causa, podendo, ademais, ser modificadas ou
revogadas a qualquer tempo, até mesmo pelo órgão que as deferiu. A natureza precária e
provisória do juízo desenvolvido em liminar ou tutela antecipada não viabiliza o recurso
extraordinário, pois somente com a decisão de mérito haverá o pronunciamento definitivo,
na instância específica, sobre as questões jurídicas postas à apreciação: “EMENTA: AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCESSUAL CIVIL. LIMINAR OU
TUTELA ANTECIPADA: ATO DECISÓRIO NÃO DEFINITIVO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 735 DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (ARE
659.219-AgR/SP, de minha relatoria, Primeira Turma, DJ 25.4.2012). “RECURSO.
Extraordinário. Inadmissibilidade. Acórdão recorrido que deu provimento a agravo de
instrumento para indeferir liminar, reformando decisão que deferira liminar na ação cautelar
originária para autorizar a parte agravante 'a participar com seus animais, de todos os
eventos da raça Mangalarga Marchador'. Aplicação da súmula 735. Agravo improvido. Não
cabe recurso extraordinário contra decisão que defere ou indefere medida cautelar. 3.
RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Jurisprudência assentada. Ausência de razões
consistentes. Decisão mantida. Agravo regimental improvido. Nega-se provimento a agravo
regimental tendente a impugnar, sem razões consistentes, decisão fundada em jurisprudência
assente na Corte” (AI 552.178-AgR, Relator o Ministro Cezar Peluso, Segunda Turma, DJe
28.11.2008). "RECURSO EXTRAORDINÁRIO - ACÓRDÃO QUE CONFIRMA INDEFERIMENTO DE
LIMINAR MANDAMENTAL - ATO DECISÓRIO QUE NÃO SE REVESTE DE DEFINITIVIDADE - MERA
ANÁLISE DOS PRESSUPOSTOS DO 'FUMUS BONI JURIS' E DO 'PERICULUM IN MORA' -
AUSÊNCIA DE QUALQUER PRONUNCIAMENTO SOBRE OS FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS
DA IMPETRAÇÃO FUNDAMENTAL - INVIABILIDADE DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO
INTERPOSTO PELA EMPRESA CONTRIBUINTE - ACOLHIMENTO DA POSTULAÇÃO RECURSAL
DEDUZIDA PELO MUNICÍPIO - AGRAVO PROVIDO. - Não cabe recurso extraordinário contra
decisões que concedem ou que denegam medidas cautelares ou provimentos liminares, pelo
fato de que tais atos decisórios - precisamente porque fundados em mera verificação não
conclusiva da ocorrência do 'periculum in mora' e da relevância jurídica da pretensão
deduzida pela parte interessada - não veiculam qualquer juízo definitivo de
constitucionalidade, deixando de ajustar-se, em consequência, às hipóteses consubstanciadas
no art. 102, III, da Constituição da República. Precedentes" (AI 439.613-AgR, Relator o
Ministro Celso de Mello, Segunda Turma, DJ 17.10.2003). 8. Incide, na espécie vertente, a
Súmula n. 735 do Supremo Tribunal Federal: “Não cabe recurso extraordinário contra
acórdão que defere medida liminar”. 9. Ademais, este Supremo Tribunal assentou que a
alegação de contrariedade ao art. 5º, incs. II e LV, da Constituição da República, se
dependente do exame da legislação infraconstitucional (Código de Processo Civil), não
viabiliza o recurso extraordinário, pois eventual ofensa constitucional seria indireta: “A
jurisprudência do Supremo Tribunal firmou-se no sentido de que as alegações de afronta aos
princípios da legalidade, do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa, dos
limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional, quando dependentes de exame de
legislação infraconstitucional, configurariam ofensa constitucional indireta” (AI 776.282-AgR,
de minha relatoria, Primeira Turma, DJe 12.3.2010). “Alegação de cerceamento do direito de
defesa. Tema relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos
limites da coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa dependente de
prévia análise da adequada aplicação das normas infraconstitucionais. Rejeição da
repercussão geral” (ARE 748.371-RG/MT, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário Virtual,
DJe 1º.8.2013). 10. Pelo exposto, nego seguimento ao agravo (art. 544, § 4º, inc. II, al. a,
do Código de Processo Civil, com as alterações da Lei n.12.322/2010, e art. 21, § 1º, do
Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 22 de fevereiro de
2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora
STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 864486 MG (STF)
Data de publicação: 23/02/2015

Vistos etc. Contra o acórdão prolatado pelo Tribunal de origem, maneja recurso
extraordinário, com base no art. 102, III, da Lei Maior, o Procurador- Geral de Justiça do
Estado de Minas Gerais. Aparelhado o recurso na afronta aos arts. 1º, 29, XII, 37, 170, IV,182,
e 225, § 1º, IV, da Lei Maior. É o relatório. Decido. Preenchidos os pressupostos extrínsecos.
Da detida análise dos fundamentos adotados pelo Tribunal de origem, por ocasião do
julgamento do apelo veiculado na instância ordinária, em confronto com as razões veiculadas
no extraordinário, concluo que nada colhe o recurso. No que diz com a alegada
inconstitucionalidade formal da Lei Municipal 4.428/2011, ante a ausência de realização de
audiência pública, o Tribunal de origem consignou “(...) que a norma impugnada foi objeto de
discussão em audiência pública realizada em 07.11.2011 (…) conforme documentação de ff.
102 e 106/107 – TJ.” Nesse sentir, não se divisa a alegada ofensa aos dispositivos
constitucionais suscitados. Nesse sentido: “MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DO PARQUE
NACIONAL DA SERRA DA BODOQUENA. DECLARAÇÃO DE UTILIDADE PÚBLICA DE IMÓVEIS
LOCALIZADOS NA ÁREA DO PARQUE. EXIGÊNCIA LEGAL DE ESTUDOS TÉCNICOS E DE
CONSULTA PÚBLICA SOBRE A VIABILIDADE DO PROJETO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO
ARTIGO 22, § 2º, DA LEI 9985, DE 18/07/2000: IMPROCEDÊNCIA. 1. Comprovada nos autos a
realização de audiências públicas na Assembleia Legislativa do Estado com vistas a atender a
exigência do § 2º do artigo 22 da Lei 9.985/00. 2. Criação do Parque. Manifestação favorável
de centenas de integrantes das comunidades interessadas, do Conselho Nacional da Reserva
da Biosfera da Mata Atlântica e da Associação Brasileira de Entidades de Meio Ambiente -
ABEMA. 3. Parecer técnico, do Ministério do Meio Ambiente, que concluiu pela viabilidade e
conveniência da destinação ambiental da área, dada a necessidade de se proteger o
ecossistema local, revestido de significativa mata atlântica. Zona de confluência entre o
Pantanal, o Cerrado e o Chaco,onde se encontram espécies vegetais raras, ameaçadas de
extinção. Segurança denegada.” (MS 23800, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ
07.02.2003) Acerca da alegação de inconstitucionalidade material por ausência da realização
do estudo prévio de impacto ambiental, o entendimento adotado no acórdão recorrido não
diverge da jurisprudência firmada no âmbito deste Supremo Tribunal Federal, no sentido da
sua exigibilidade nas hipóteses de atividades potencialmente causadoras de dano ambiental.
Veja-se, a propósito, o RE 396.541 AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, 2ª Turma, DJ 05.8.2005,
assim do: “CONSTITUCIONAL. MEIO AMBIENTE. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL - EIA. C.F.,
art. 225, § 1º, IV. I. - Cabe ao Poder Público exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou
atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo
prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade. C.F., art. 225,§ 1º, IV. II. - RE provido.
Agravo improvido.” No caso em apreço, o Tribunal de origem concluiu que a norma
impugnada não dispensou a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental em situações
potencialmente causadora de danos ambientais (fl. 159), razão pela qual, aferir a ocorrência
da inconstitucionalidade material apontada demandaria o revolvimento do quadro fático
delineado e o reexame da legislação local, procedimentos vedados em sede extraordinária.
Aplicação das Súmula 279 e 280/STF: “Para simples reexame de prova não cabe recurso
extraordinário” e “Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário.” Nesse sentido:
“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO.
ZONEAMENTO URBANO. TOMBAMENTO. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL LOCAL. REEXAME
DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. NECESSIDADE. SÚMULAS 280 E 279 DO STF. AGRAVO
REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I - Para se chegar ao exame das alegadas ofensas
à Constituição, faz-se necessário analisar norma infraconstitucional local, bem como
reexaminar fatos e provas, o que inviabiliza o extraordinário, a teor das Súmulas 280 e 279 do
STF.Precedentes. II - Agravo regimental a que se nega provimento.” (ARE 807468 AgR, Rel.
Min. Ricardo Lewandowski, 2ª Turma, DJe 06.6.2014) “RECURSO EXTRAORDINÁRIO –
MATÉRIA FÁTICA E LEGAL. O recurso extraordinário não é meio próprio ao revolvimento da
prova, também não servindo à interpretação de normas estritamente legais. AGRAVO –
ARTIGO557, § 2º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL –MULTA. Se o agravo é manifestamente
infundado, impõe-se a aplicação da multa prevista no § 2ºdo artigo 557 do Código de
Processo Civil, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância de má-fé.” (ARE 697421
AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, 1ª Turma,DJe 22.4.2013) Nesse sentir, não merece seguimento
o recurso extraordinário, consoante também se denota dos fundamentos da decisão que
desafiou o recurso, aos quais me reporto e cuja detida análise conduz à conclusão pela
ausência de ofensa direta e literal a preceito da Constituiçãoda República. Nego seguimento
ao recurso extraordinário (CPC, art. 557, caput). Publique-se. Brasília, 12 de fevereiro de
2015.Ministra Rosa WeberRelatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 862022 SP (STF)


Data de publicação: 19/02/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO


AMBIENTAL. OBRIGAÇÃO DE FAZER. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-
PROBATÓRIO: SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALEGAÇÃO DE
CONTRARIEDADE AO ART. 5º, INCS.XXXVI E LV, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA:
NECESSIDADE DE ANÁLISE PRÉVIA DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE
OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.Relatório 1.
Agravo nos autos principais contra inadmissão de recurso extraordinário interposto com base
no art. 102, inc. III, al. a, da Constituição da República contra julgado do Tribunal Regional
Federal da Terceira Região: “AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIREITO AMBIENTAL. CONSTRUÇÃO EM
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEMOLIÇÃO QUE SE MOSTRA DESNECESSÁRIA. 1.
A Constituição de 1988 alçou o meio ambiente à categoria de direito de todos, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, prescreveu seus princípios
fundamentais e impôs ao Poder Público e à coletividade, par a par, o dever de defendê-lo e
preservá-lo, para as presentes e as futuras gerações. 2. Autuação procedida em razão da
implantação de um loteamento denominado "Estância Beira Rio" a uma distância de 72
metros contados da cota máxima normal de operação da usina hidrelétrica de Água
Vermelha, quando deveriam estar deslocados cerca de 120 metros, bem como pela
ocorrência de dano em área de preservação permanente, impedindo a regeneração natural
da vegetação local, pela manutenção de edificações nas margens do reservatório de
acumulação de água para geração de energia elétrica da usina hidrelétrica de Água Vermelha.
3. As áreas onde se encontram os "ranchos" ficam nas margens de acumulação de água para
geração de energia elétrica sendo, portanto, área de preservação permanente e que, por isso,
em regra, deveria se localizar no mínimo a 100 metros a partir da cota máxima normal de
operação do reservatório, nos termos do Inciso II, da aliena b, do artigo 3º da Resolução
CONAMA nº 04/85. 4. O Código Florestal estabelece regime de uso rígido para as áreas de
preservação permanente que inclui a proibição de supressão de vegetação existente, salvo as
autorizações da lei, e o florestamento ou reflorestamento pelo particular e, supletivamente,
pelo Poder Público. Permite o acesso humano sem prévia autorização administrativa somente
para obtenção de água, desde que não exija a supressão e não comprometa a regeneração e
a manutenção a longo prazo da vegetação nativa (Lei nº4.771/65, principalmente artigos 1º, §
2º, II, 2º, 3º e 4º). 5. A doutrina ensina que o Direito do Ambiente emerge com força
na Constituição Federal para priorizar as ações de prevenção do ambiente natural, e não para
promover sua reparação por meio da destruição de bens que com ele podem conviver em
harmonia e equilíbrio relativos. Para que a convivência do réu com o ambiente do terreno
marginal onde estão os "ranchos" seja harmônica e equilibrada, seja uso e não abuso, é
necessário estabelecer comportamentos compatíveis com o objetivo da regeneração da mata
ciliar. 6. A área da mata ciliar passível de ser regenerada, sem a medida drástica da demolição
das edificações, deve ser maximizada visando sua ampliação, em área, quantidade e
qualidade e o esgoto sanitário, caso seja vazado para a represa, deverá ter destino adequado,
para evitar contaminação das águas subterrâneas, mesmo procedimento que se deve adotar
em relação ao lixo orgânico e inorgânico produzidos. Estas são medidas mínimas
imprescindíveis para permitir a ocupação desta faixa do terreno marginal da represa, em
caráter excepcional, pois verificando-se a ocorrência de poluição decorrente de degradação
deste local, impor-se-á a demolição das edificações existentes e sua desocupação para
regeneração total. 7. Apelação parcialmente provida. Sentença reformada”. Os embargos de
declaração opostos foram rejeitados. 2. O Agravante afirma ter o Tribunal de origem
contrariado os arts. 5º, incs. II,XXII, XXIII, XXXV e XXXVI, 24, incs. I, VI e VIII, 30,
incs. I e VIII, 170, incs.II e III, e 182, § 2º, da Constituição da República. Alega dever ser a ação
“julgada improcedente (…) uma vez que, nos termos do art. 62 da Lei n.12.651/12, as
edificações no imóvel sub judice não se encontram em área de preservação permanente, e,
mesmo que estivessem em área que recebe proteção legal (restrição ao direito de
propriedade – APP) seriam passíveis de regularização”. 3. O recurso extraordinário foi
inadmitido sob os fundamentos de incidência da Súmula n. 279 do Supremo Tribunal Federal
e de ausência de ofensa constitucional direta. Examinados os elementos havidos no processo,
DECIDO. 4. O art. 544 do Código de Processo Civil, com as alterações da Lei n. 12.322/2010,
estabeleceu que o agravo contra inadmissão de recurso extraordinário processa-se nos autos
do recurso, ou seja, sem a necessidade de formação de instrumento, sendo este o caso.
Analisam-se, portanto, os argumentos postos no agravo de instrumento, de cuja decisão se
terá, na sequência, se for o caso, exame do recurso extraordinário. 5. Razão jurídica não
assiste ao Agravante. 6. A apreciação do pleito recursal demandaria o reexame do conjunto
fático-probatório do processo e da legislação aplicável à espécie (Resolução CONAMA n.
04/1985, Lei n.4.771/1965 e n. 12.651/2012). A alegada contrariedade à Constituição da
República, se tivesse ocorrido, seria indireta, a inviabilizar o processamento do recurso
extraordinário. Incide a Súmula n. 279 do Supremo Tribunal Federal: “ AGRAVO REGIMENTAL
NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AMBIENTAL E ADMINISTRATIVO. LOTEAMENTO URBANO.
CONTROVÉRSIA SOBRE A NATUREZA DA ÁREA OBJETO DO LITÍGIO. ACÓRDÃO
FUNDAMENTADO EM NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS E NO CONJUNTO PROBATÓRIO.
OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. IMPOSSIBILIDADE DO REEXAME DE PROVAS.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO
QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (RE 600.953-AgR/RS, de minha relatoria, Primeira Turma, DJ
1º.8.2011). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. DANO AMBIENTAL. AÇÃO
CIVIL PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO
REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (AI 856.568-AgR, de minha relatoria, Segunda
Turma, DJe 18.9.2012). “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. RESPONSABILIDADE POR DANOS AMBIENTAIS. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL. FATOS E PROVAS. 1. O acórdão recorrido decidiu a lide com base na
legislação infraconstitucional. Inadmissível o recurso extraordinário porquanto a ofensa
à Constituição Federal, se existente, se daria de maneira reflexa. 2. Decidir de maneira
diferente do que deliberado pelo tribunal ‘a quo’ demandaria o reexame de fatos e provas da
causa, ante a incidência da Súmula STF 279. 3. Agravo regimental a que se nega provimento”
(RE 579.291-AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 5.6.2009). “AGRAVO
REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ADMINISTRATIVO. DANO AMBIENTAL.
INFRAÇÃO. LEIS 6.938/1981 E9.605/1998. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. ANÁLISE DO
CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO CARREADO AOS AUTOS. SÚMULA 279 DESTA CORTE. (…) 5.
Agravo regimental a que se nega provimento” (AI 840.376-AgR/RS, Relator o Ministro Luiz
Fux, DJe 1.12.2011). 7. Ademais, este Supremo Tribunal assentou que a alegação de
contrariedade ao art. 5º, incs.XXXVI e LV, da Constituição da República, se dependente do
exame da legislação infraconstitucional (Código de Processo Civil), não viabiliza o recurso
extraordinário, pois eventual ofensa constitucional seria indireta: “A jurisprudência do
Supremo Tribunal firmou-se no sentido de que as alegações de afronta aos princípios da
legalidade, do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa
julgada e da prestação jurisdicional, quando dependentes de exame de legislação
infraconstitucional, configurariam ofensa constitucional indireta” (AI 776.282-AgR, de minha
relatoria, Primeira Turma, DJe 12.3.2010). “Alegação de cerceamento do direito de defesa.
Tema relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos limites
da coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa dependente de prévia
análise da adequada aplicação das normas infraconstitucionais. Rejeição da repercussão
geral” (ARE 748.371-RG/MT, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário Virtual, DJe
1º.8.2013). 8. Pelo exposto, nego seguimento ao agravo (art. 544, § 4º, inc. II, al. a, do Código
de Processo Civil, com as alterações da Lei n.12.322/2010, e art. 21, § 1º, do Regimento
Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 9 de fevereiro de 2015.Ministra
CÁRMEN LÚCIARelatora

STF - AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA ACO 2542 SP (STF)


Data de publicação: 18/02/2015

CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E ESTADUAL. IRREGULARIDADES


EM LOTEAMENTO. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PARA DIRIMIR O
CONFLITO. ATRIBUIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL.Relatório 1. Conflito negativo de
atribuições apresentado neste Supremo Tribunal Federal, em 28.10.2014, e autuado como
ação cível originária, relativo ao desempenho de função do Ministério Público de São Paulo e
do Ministério Público Federal para apuração de loteamento irregular de terra às margens do
reservatório da Usina Hidrelétrica de Estreito, no Município de Pedregulho/SP. 2. O Ministério
Público de São Paulo (Promotoria de Justiça de Pedregulho) encaminhou à Procuradoria da
República no Município de Franca documentos, noticiando o parcelamento irregular de
imóvel rural localizado às margens do reservatório da Usina Hidrelétrica de Estreito, no
Município de Pedregulho/SP. O órgão ministerial estadual declinou de sua atribuição em
favor do Ministério Público Federal, argumentando que o loteamento em zona rural sujeita-se
à fiscalização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra, submetido à
Justiça Federal. O Ministério Público Federal (Procuradoria da República no Município de
Franca) concluiu ser do Município a responsabilidade pela regularização da situação, nos
termos da Lei n. 6.766/1979 - Lei do Parcelamento do Solo Urbano, destacando que a atuação
do Incra não justificaria o deslocamento da competência para a Justiça Federal processar e
julgar eventual ação que viesse a ser proposta. Os autos foram encaminhados à Primeira
Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, que deliberou pelo não
conhecimento do conflito e pela remessa dos autos ao Procurador-Geral da República para
exercer suas atribuições junto ao Supremo Tribunal Federal. O Procurador-Geral da República
dirimiu o conflito de atribuição e determinou a remessa dos autos ao Ministério Público de
São Paulo. Sustentando competir ao Supremo Tribunal Federal dirimir conflitos de atribuição
instaurados entre órgãos de diferentes unidades do Ministério Público, e que, na espécie
vertente, seria do Ministério Público Federal a atribuição para oficiar no procedimento
apuratório, o Procurador-Geral de Justiça de São Paulo encaminhou os autos a este Supremo
Tribunal. 3. Em 5.2.2015, o Procurador-Geral da República manifestou-se pela “restitui[ção
d]os autos para baixa do feito no âmbito do Supremo Tribunal Federal e ulterior devolução,
para encaminhamento ao Ministério Público do Estado de São Paulo/Promotoria de Justiça de
Pedregulho, reafirmando-se a atribuição do Procurador-Geral da República, na condição de
Chefe do Ministério Público da União, de identificar a presença dos elementos que atraem a
atuação de qualquer dos seus ramos”. Examinados os elementos havidos nos autos, DECIDO.
4. O objeto da presente ação cível originária é a definição da atribuição do Ministério Público
Federal ou do Ministério Público de São Paulo para apurar eventuais irregularidades em
“loteamento de terra às margens do reservatório da Usina Hidrelétrica de Estreito, no
Município de Pedregulho/SP”. 5. O presente conflito de atribuições deve ser conhecido. 6. Na
assentada de 28.9.2005, ao julgar a Petição n. 3.528/BA, Relator o Ministro Marco Aurélio,
este Supremo Tribunal Federal reconheceu competência para solucionar conflito de
atribuições entre órgãos no Ministério Público de diferentes entidades da federação, como
previsto no art. 102, inc. I, al. f, da Constituição da República: “COMPETÊNCIA - CONFLITO DE
ATRIBUIÇÕES - MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL VERSUS MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL.
Compete ao Supremo a solução de conflito de atribuições a envolver o Ministério Público
Federal e o Ministério Público Estadual. CONFLITO NEGATIVO DE ATRIBUIÇÕES - MINISTÉRIO
PÚBLICO FEDERAL VERSUS MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - ROUBO E DESCAMINHO. Define-
se o conflito considerado o crime de que cuida o processo. A circunstância de, no roubo,
tratar-se de mercadoria alvo de contrabando não desloca a atribuição, para denunciar, do
Ministério Público Estadual para o Federal” (PET 3.528/BA, Relator o Ministro Marco Aurélio,
Plenário, DJ 3.3.2006). 7. Consta do parecer da Procuradoria-Geral da República: “No
presente caso, consoante razões já expostas, em proferido no bojo do procedimento
apuratório subjacente, a atribuição para conduzir a investigação é do Ministério Público do
Estado de São Paulo. Reproduzo, nesta oportunidade, a fundamentação lançada no referido
despacho: A instauração do procedimento no âmbito do Ministério Público decorreu do
encaminhamento, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, de documentação
produzida nos autos de ação de inventário, em que indicada a existência de loteamento
irregular pelo Cartório de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoas
Jurídicas de Pedregulho. Determinou o Juiz de Direito responsável pelo feito: “Ante o
princípio da inércia da jurisdição, e tendo em vista a titularidade da ação penal, visto que há
sugestão de crime previsto na Lei nº 6.766/79, determino que se dê baixa na Distribuição,
encaminhando o procedimento ao DD Representante do Ministério Público (...)”. O objeto do
procedimento não tem como foco, assim, a regularização administrativa da situação, em que
teria importância a definição do ente ou entidade responsável pelo controle e fiscalização do
cumprimento dos requisitos legais. Trata-se de apuração da prática de crime, possivelmente
um daqueles com previsão nos arts. 50 e 51da Lei 6.766/1979, assim definidos: “Art. 50.
Constitui crime contra a Administração Pública: I – dar início, de qualquer modo, ou efetuar
loteamento ou desmembramento do solo para fins urbanos, sem autorização do órgão
público competente, ou em desacordo com as disposições desta Lei ou das normas
pertinentes do Distrito Federal, Estados e Municípios; II – dar início, de qualquer modo, ou
efetuar loteamento ou desmembramento do solo para fins urbanos sem observância das
determinações constantes do ato administrativo de licença; III – fazer ou veicular em
proposta, contrato, prospecto ou comunicação ao público ou a interessados, afirmação falsa
sobre a legalidade de loteamento ou desmembramento do solo para fins urbanos, ou ocultar
fraudulentamente fato a ele relativo. Pena: Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa de
5 (cinco) a 50 (cinquenta) vezes o maior salário mínimo vigente no País. Parágrafo único – O
crime definido neste artigo é qualificado, se cometido: I - por meio de venda, promessa de
venda, reserva de lote ou quaisquer outros instrumentos que manifestem a intenção de
vender lote em loteamento ou desmembramento não registrado no Registro de Imóveis
competente. II - com inexistência de título legítimo de propriedade do imóvel loteado ou
desmembrado, ressalvado o disposto no art. 18, §§ 4º e 5º, desta Lei, ou com omissão
fraudulenta de fato a ele relativo, se o fato não constituir crime mais grave. Pena: Reclusão,
de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa de 10 (dez) a 100 (cem) vezes o maior salário mínimo
vigente no País. Art. 51. Quem, de qualquer modo, concorra para a prática dos crimes
previstos no artigo anterior desta Lei incide nas penas a estes cominadas, considerados em
especial os atos praticados na qualidade de mandatário de loteador, diretor ou gerente de
sociedade”. Eventual ação penal que decorra do trabalho investigativo do Ministério Público
será ajuizada, ordinariamente, perante a Justiça Estadual, por não se inserir o caso em
qualquer das hipóteses do art. 109 da Constituição da República, definidor da competência da
Justiça Federal. Afasta-se, em consequência, a atribuição do Ministério Público Federal para
conduzir a presente apuração. De outro lado, ainda que se considere a atuação cível, não há
demonstração imediata do interesse federal, não sendo suficiente a menção a interesse
genérico da autarquia federal, sendo necessária a constatação de um interesse direto e
específico e não mera participação no processo de consulta. Diante do exposto, reconheço a
atribuição do Ministério Público do Estado de São Paulo para atuar no feito, para onde
deverão ser os autos encaminhados. Embora o Ministério Público do Estado de São Paulo, por
seu Procurador-Geral de Justiça, afirme a inexistência de conteúdo criminal na investigação, o
Juízo de Direito da Comarca de Pedregulho, ao determinar a remessa de documentos ao
órgão ministerial estadual, expressamente alertou para o possível cometimento de crime
previsto na Lei 6.766/79, como se observa à fl. 11 do procedimento apuratório (numeração
do MPF). A Lei 6.766/79, ao regular o parcelamento do solo urbano, deixou-o a cargo dos
municípios e do Distrito Federal, tendo como objeto jurídico o ordenamento urbanístico
municipal, de modo que o eventual descumprimento aos ditames do referido diploma legal
atenta contra interesse local, da municipalidade da situação do imóvel, devendo a
correspondente ação, portanto, ser ajuizada perante a Justiça Estadual. Nesse sentido,
colaciono precedente do Superior Tribunal de Justiça: HABEAS CORPUS. CRIME DE
PARCELAMENTO DE SOLO. ART.50 DA LEI N.º 6.766/79. COMPETÊNCIA. TERRA DA UNIÃO.
CONTROVÉRSIA EM TORNO DO DESCUMPRIMENTO LEGAL DE REGISTRO. INEXISTÊNCIA DE
QUALQUER INTERESSE DA UNIÃO. CONSUNÇÃO AFASTADA NOS AUTOS. JUSTIÇA LOCAL. O
descumprimento à norma do Registro Público no caso do parcelamento do solo reclama o
interesse local, independentemente da titularidade do domínio, a não ser que demonstrado
nos autos o interesse da União para efeito de firmar a competência federal. In casu, toda a
discussão volveu-se para o interesse do Município quanto à irregularidade do parcelamento,
tendo as decisões condenatórias afastado qualquer outra possibilidade inclusive no tocante a
possível consunção. Ordem denegada para manter a competência da Justiça Local. (HC
39.670/RO, Rel. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em
15/02/2005, DJ 07/03/2005, p. 315) Ainda que se considere a questão somente sob o aspecto
civil, pertinente à regularização do loteamento clandestino, cumpre destacar que a
responsabilidade pela cogitada regularização é da Prefeitura Municipal (art. 40 da
Lei 6.766/79), cabendo ao Incra participação meramente acessória no processo, pois, não
obstante o art. 53 da Lei 6.766/79 exija a prévia audiência da autarquia federal, o mesmo
dispositivo legal atribui à Prefeitura do município (ou do Distrito Federal, quando for o caso) a
aprovação das alterações de uso do solo rural para fins urbanos. Inexiste nos autos, portanto,
demonstração de interesse direto e específico da União, entidade autárquica ou empresa
pública federal, apto a atrair a competência da Justiça Federal e, consequentemente, a
atribuição do Ministério Público Federal. Não modifica essa conclusão a alegação de que o
MPF propôs demandas em matéria ambiental, contra a localização irregular de diversos
imóveis na área de preservação permanente existente no local dos fatos, porquanto o objeto
do procedimento apuratório encartado nestes autos é distinto, dizendo respeito, como visto,
à ordenação urbanística do Município de Pedregulho/SP”. 8. No caso em exame, não há
elemento a permitir inferência de haver interesse legítimo e direto da União ou do Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra porque, como ponderado pelo Juízo de
Direito da Comarca de Pedregulho/SP, a análise dos documentos apresentados pelo Oficial do
Cartório de Registro de Imóveis de Pedregulho/SP “suge[re] crime previsto na Lei nº
6.766/79”. Os fatos narrados no inquérito mencionado apontam indícios de irregularidades
em loteamento em imóveis registrados no Cartório de Registro de Imóveis, Títulos e
Documentos e Civil de Pessoas Jurídicas de Pedregulho, não se cogitando de lesão direta a
bem, serviço ou interesse da União a atrair a competência da Justiça Federal, estabelecida no
art. 109, incs. I e IV, da Constituição da República, e a atuação do Ministério Público Federal.
9. Assim, a apuração dos fatos denunciados e as medidas de natureza cível a serem adotadas
na apuração de irregularidades devem ser coordenadas e promovidas pelo Ministério Público
de São Paulo, na esteira do parecer do Procurador-Geral da República. Tanto não
impossibilita, contudo, eventual manifestação de interesse da União ou de suas autarquias
em ação ajuizada na Justiça Comum estadual a ensejar o deslocamento da competência para
a Justiça Federal. 10. Pelo exposto, conheço da presente Ação Cível Originária e declaro a
atribuição do Ministério Público do Estado de São Paulo para investigar os fatos narrados no
Inquérito Civil Público n. 1.34.005.000020/2013-20 e propor eventuais medidas
administrativas ou judiciais Remetam-se os autos à Promotoria de Justiça responsável pela
Comarca de Pedregulho/SP. Publique-se. Brasília, 11 de fevereiro de 2015.Ministra CÁRMEN
LÚCIARelatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 861209 RS RIO GRANDE DO SUL (STF)


Data de publicação: 18/02/2015

DECISÃO: O Supremo Tribunal Federal, apreciando a ocorrência, ou não, de controvérsia


alegadamente impregnada de transcendência e observando o procedimento a que se refere a
Lei nº 11.418/2006, entendeu destituída de repercussão geral a questão suscitada no RE
716.963-RG/RS, Rel. Min. LUIZ FUX, por tratar-se de litígio referente a matéria
infraconstitucional, fazendo-o em decisão assim ementada: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PESCADOR ARTESANAL. LICENÇA AMBIENTAL. SEGURO
DESEMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ALEGADA INVASÃO DE COMPETÊNCIA
MATERIAL DO IBAMA PELO PODER JUDICIÁRIO. SITUAÇÃO DIVERSA DO PRECEDENTE DO
PLENÁRIO VIRTUAL NO ARE 695.278-RG. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. NORMAS
INFRACONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.” O não atendimento desse
pré-requisito de admissibilidade recursal, considerado o que dispõe o art. 322 do RISTF, na
redação dada pela Emenda Regimental nº 21/2007, inviabiliza o conhecimento do recurso
extraordinário interposto pela parte ora recorrente. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal
recusará o apelo extremo sempre que se registrar hipótese, como sucede na espécie, na qual
a controvérsia jurídica não se qualifique como tema revestido de repercussão geral. A
rejeição, em causa anterior (RE 716.963-RG/RS), do pretendido reconhecimento da existência
de repercussão geral referente ao mesmo litígio ora renovado nesta sede recursal impede
que se conheça do recurso extraordinário em questão, mesmo porque a repercussão geral
supõe, necessariamente, apelo extremo cognoscível, situação de todo inocorrente no caso,
eis que o julgamento da causa em análise depende de prévio exame concernente à aplicação
de diplomas infraconstitucionais, a evidenciar, quando muito, a ocorrência de ofensa
meramente reflexa ao texto daConstituição. Cumpre destacar, ainda, o que dispõe o art. 326
do RISTF, na redação dada pela Emenda Regimental nº 21/2007, que veicula regra no sentido
de que a decisão que proclama inexistente a repercussão geral, como aquela proferida no RE
716.963-RG/RS, a que anteriormente aludi (em tudo aplicável ao presente caso), vale “para
todos os recursos sobre questão idêntica”, tal como tem advertido o Plenário desta Corte
Suprema (RE 659.109-RGED/BA, Rel. Min. LUIZ FUX), motivo pelo qual se mostra evidente a
inadmissibilidade, na espécie, do recurso extraordinário em causa. Sendo assim, e tendo em
consideração as razões expostas, não conheço do presente recurso extraordinário. Publique-
se. Brasília, 09 de fevereiro de 2015. Ministro CELSO DE MELLO Relator
STF - AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 852978 MA (STF)
Data de publicação: 12/02/2015
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. OBRIGAÇÃO DE FAZER. IMPOSSIBILIDADE DE
REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 859975 GO GOIÁS 0037497-


82.2001.8.09.0100 (STF)
Data de publicação: 10/02/2015

Vistos etc. Contra o juízo negativo de admissibilidade do recurso extraordinário, exarado pela
Presidência do Tribunal a quo, foi manejado agravo. Na minuta, sustenta-se que o recurso
extraordinário reúne todos os requisitos para sua admissão. Aparelhado o recurso na afronta
ao art. 22, IV, da Constituição Federal. É o relatório. Decido. Preenchidos os pressupostos
extrínsecos. Da detida análise dos fundamentos da decisão denegatória de seguimento do
recurso extraordinário, bem como à luz das razões de decidir adotadas pelo Tribunal de
origem, por ocasião do julgamento do recurso veiculado na instância ordinária, concluo que
nada colhe o agravo. Não há falar em afronta ao preceito constitucional indicado nas razões
recursais, porquanto, no caso, a suposta ofensa somente poderia ser constatada a partir da
análise da legislação infraconstitucional, o que torna oblíqua e reflexa eventual ofensa,
insuscetível, portanto, de viabilizar o conhecimento do recurso extraordinário. Nesse sentido:
RE 628.340, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 09.6.2014, AI 856.306, Rel. Min. Dias Toffoli,
DJe 21.2.2013 e RE 609.748-AgR, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJe 13.9.2011, com a seguinte
ementa: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO AMBIENTAL.
MANDADO DE SEGURANÇA. AUSÊNCIA DE LICENÇA AMBIENTAL. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INAPLICABILIDADE DA TEORIA DO
FATO CONSUMADO. 1. A competência do IBAMA para fiscalizar eventuais infrações
ambientais está disciplinada em lei infraconstitucional (Lei 9.605/98), eventual violação
à Constituição é indireta, o que não desafia o apelo extremo. Precedentes: AI 662.168, Rel.
Min. Joaquim Barbosa, DJe de 23/11/2010, e o RE 567.681-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, 1ª
Turma, DJe de 08/05/2009. 2. In casu, o Tribunal de origem asseverou não ter a recorrente
trazido prova pré-constituída da desnecessidade de licenciamento ambiental; para dissentir-
se desse entendimento seria necessário o reexame fatos e provas, providência vedada nesta
instância mercê o óbice da Súmula n. 279 do Supremo Tribunal Federal, verbis: “Para simples
reexame de prova não cabe recurso extraordinário.” 3. A teoria do fato consumado não pode
ser invocada para conceder direito inexistente sob a alegação de consolidação da situação
fática pelo decurso do tempo. Esse é o entendimento consolidado por ambas as turmas desta
Suprema Corte. Precedentes: RE 275.159, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJ
11.10.2001; RMS 23.593-DF, Rel. Min. MOREIRA ALVES, Primeira Turma, DJ de 02/02/01; e
RMS 23.544-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJ 21.6.2002. 4 . Agravo
regimental a que se nega provimento.” Nesse sentir, não merece processamento o apelo
extremo, consoante também se denota dos fundamentos da decisão que desafiou o recurso,
aos quais me reporto e cuja detida análise conduz à conclusão pela ausência de ofensa direta
e literal a preceito da Constituição da República. Nego seguimento (art. 21, § 1º, do RISTF).
Publique-se. Brasília, 04 de fevereiro de 2015. Ministra Rosa Weber Relatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 859975 GO (STF)


Data de publicação: 09/02/2015

Vistos etc. Contra o juízo negativo de admissibilidade do recurso extraordinário, exarado pela
Presidência do Tribunal a quo, foi manejado agravo. Na minuta, sustenta-se que o recurso
extraordinário reúne todos os requisitos para sua admissão. Aparelhado o recurso na afronta
ao art. 22, IV, da Constituição Federal. É o relatório. Decido. Preenchidos os pressupostos
extrínsecos. Da detida análise dos fundamentos da decisão denegatória de seguimento do
recurso extraordinário, bem como à luz das razões de decidir adotadas pelo Tribunal de
origem, por ocasião do julgamento do recurso veiculado na instância ordinária, concluo que
nada colhe o agravo. Não há falar em afronta ao preceito constitucional indicado nas razões
recursais, porquanto, no caso, a suposta ofensa somente poderia ser constatada a partir da
análise da legislação infraconstitucional, o que torna oblíqua e reflexa eventual ofensa,
insuscetível, portanto, de viabilizar o conhecimento do recurso extraordinário. Nesse sentido:
RE 628.340, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 09.6.2014, AI 856.306, Rel. Min. Dias Toffoli,
DJe 21.2.2013 e RE 609.748-AgR, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJe 13.9.2011, com a seguinte
“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO AMBIENTAL. MANDADO DE
SEGURANÇA. AUSÊNCIA DE LICENÇA AMBIENTAL. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL.
REEXAME DE FATOS E PROVAS. INAPLICABILIDADE DA TEORIA DO FATO CONSUMADO. 1. A
competência do IBAMA para fiscalizar eventuais infrações ambientais está disciplinada em lei
infraconstitucional (Lei9.605/98), eventual violação à Constituição é indireta, o que não
desafia o apelo extremo. Precedentes: AI 662.168, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJe de
23/11/2010, e o RE 567.681-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, 1ª Turma, DJe de 08/05/2009. 2. In
casu, o Tribunal de origem asseverou não ter a recorrente trazido prova pré-constituída da
desnecessidade de licenciamento ambiental; para dissentir-se desse entendimento seria
necessário o reexame fatos e provas, providência vedada nesta instância mercê o óbice da
Súmula n. 279 do Supremo Tribunal Federal, verbis: “Para simples reexame de prova não cabe
recurso extraordinário.” 3. A teoria do fato consumado não pode ser invocada para conceder
direito inexistente sob a alegação de consolidação da situação fática pelo decurso do tempo.
Esse é o entendimento consolidado por ambas as turmas desta Suprema Corte. Precedentes:
RE 275.159, Rel. Min. Ellen Gracie,Segunda Turma, DJ 11.10.2001; RMS 23.593-DF, Rel. Min.
MOREIRA ALVES, Primeira Turma, DJ de 02/02/01; e RMS 23.544-AgR, Rel. Min. Celso de
Mello, Segunda Turma, DJ 21.6.2002. 4 . Agravo regimental a que se nega provimento.” Nesse
sentir, não merece processamento o apelo extremo, consoante também se denota dos
fundamentos da decisão que desafiou o recurso, aos quais me reporto e cuja detida análise
conduz à conclusão pela ausência de ofensa direta e literal a preceito da Constituiçãoda
República. Nego seguimento (art. 21, § 1º, do RISTF). Publique-se. Brasília, 04 de fevereiro de
2015.Ministra Rosa WeberRelatora

STF - REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO RG RE 827538 MG MINAS


GERAIS 2759938-30.2009.8.13.0701 (STF)
Data de publicação: 09/02/2015

POLÍTICA PÚBLICA – MEIO AMBIENTE – SERVIÇOS E INSTALAÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA –


APROVEITAMENTO ENERGÉTICO DOS CURSOS DE ÁGUA – LEI Nº 12.503, DE 1997, DO ESTADO
DE MINAS GERAIS – COMPETÊNCIA LEGISLATIVA – ARTIGOS 21, INCISO XII, ALÍNEA B, E 22,
INCISO IV E PARÁGRAFO ÚNICO, DA CARTA DA REPUBLICA – RECURSO EXTRAORDINÁRIO –
REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA.
Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade, sob o ângulo da
competência legislativa – se privativa da União, prevista no inciso IVdo artigo 22 da Carta
Federal, ou a concorrente, versado o meio ambiente, estabelecida no artigo 23, inciso VI,
da Constituição –, de norma estadual mediante a qual foi adotada política pública dirigida a
compelir concessionária de geração de energia elétrica a promover investimentos, com
recursos identificados como parcela da receita que aufere, voltados à proteção e à
preservação de mananciais hídricos.

STF - AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 861843 MG (STF)


Data de publicação: 09/02/2015

Vistos etc. Contra o juízo negativo de admissibilidade do recurso extraordinário, exarado pela
Presidência do Tribunal a quo, foi manejado agravo de instrumento. Na minuta, sustenta-se
que o recurso extraordinário reúne todos os requisitos para sua admissão.Aparelhado o
recurso na afronta aos arts. 5º, LIV, LV, 93, IX, 225, § 1º, VII, § 3º, da Constituição Federal. É o
relatório. Decido. Preenchidos os pressupostos extrínsecos. Da detida análise dos
fundamentos da decisão denegatória de seguimento do recurso extraordinário, bem como à
luz das razões de decidir adotadas pelo Tribunal de origem, por ocasião do julgamento do
recurso veiculado na instância ordinária, concluo que nada colhe o agravo de instrumento.
Está no acórdão recorrido: “DIREITO AMBIENTAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. REPARAÇÃO.
OBRIGAÇÃO DE FAZER. INDENIZAÇÃO. O proprietário tem responsabilidade objetiva pelo
dano ambiental ocorrido em sua propriedade, sendo seu dever zelar pela preservação e
recomposição do meio ambiente, observada as disposições legais federais e estaduais que
versam sobre a questão. No que concerne à responsabilidade ambiental a indenização possui
caráter subsidiário em relação à obrigação de reparação do dano causado.” Da leitura dos
fundamentos do acórdão prolatado na origem, constato explicitados os motivos de decidir, a
afastar o vício da nulidade por negativa de prestação jurisdicional arguido. Destaco que, no
âmbito técnico-processual, o grau de correção do juízo de valor emitido na origem não se
confunde com vício ao primado da fundamentação, notadamente consabido que a
disparidade entre o resultado do julgamento e a expectativa da parte não sugestiona lesão à
norma do texto republicano. Precedentes desta Suprema Corte na matéria: “Fundamentação
do acórdão recorrido. Existência. Não há falar em ofensa ao art. 93, IX, da CF, quando o
acórdão impugnado tenha dado razões suficientes, embora contrárias à tese da recorrente.”
(AI 426.981-AgR, Relator Ministro Cezar Peluso, DJ 05.11.04; no mesmo sentido: AI 611.406-
AgR, Relator Ministro Carlos Britto, DJE 20.02.09) “Omissão. Inexistência. O magistrado não
está obrigado a responder todos os fundamentos alegados pelo recorrente. PIS. Lei
n. 9.715/98. Constitucionalidade. A controvérsia foi decidida com respaldo em fundamentos
adequados, inexistindo omissão a ser suprida. Este Tribunal fixou entendimento no sentido de
que o magistrado não está vinculado pelo dever de responder todo s os fundamentos
alegados pela parte recorrente. Precedentes. Esta Corte afastou a suposta
inconstitucionalidade das alterações introduzidas pela Lei n. 9.715/98, admitindo a majoração
da contribuição para o PIS mediante a edição de medida provisória. Precedentes.” (RE
511.581-AgR, Relator Ministro Eros Grau, DJE 15.8.08)“O que aConstituição exige, no
art. 93, IX, é que a decisão judicial seja fundamentada; não, que a fundamentação seja
correta, na solução das questões de fato ou de direito da lide: declinadas no julgado as
premissas, corretamente assentadas ou não, mas coerentes com o dispositivo do acórdão,
está satisfeita a exigência constitucional.” (AI 402.819-AgR, Relator Ministro Sepúlveda
Pertence, DJ 05.9.03) O exame de eventual ofensa aos preceitos constitucionais indicados nas
razões recursais, consagradores dos princípios da legalidade, da proteção ao direito
adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada, bem como ao devido processo legal, ao
contraditório e à ampla defesa (art. 5º da Lei Maior), demanda, em primeiro plano, a
interpretação das normas infraconstitucionais aplicáveis à espécie, de tal modo que, se
afronta ocorresse, seria indireta, o que não atende à exigência do art. 102,III, “a”, da Lei
Maior, nos termos da remansosa jurisprudência deste egrégio Supremo Tribunal Federal,
verbis: "RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Alegação de ofensa ao
art. 5º, XXII, XXIII, XXIV, LIV eLV, da Constituição Federal. Violações dependentes de reexame
prévio de normas inferiores. Ofensa constitucional indireta. Matéria fática. Súmula 279.
Agravo regimental não provido. É pacífica a jurisprudência desta Corte, no sentido de não
tolerar, em recurso extraordinário, alegação de ofensa que, irradiando-se de má
interpretação, aplicação, ou, até, inobservância de normas infraconstitucionais, seria apenas
indireta à Constituição da República, e, muito menos, de reexame de provas"(STF-AI-AgR-
495.880/SP, Relator Ministro Cezar Peluso, 1ª Turma, DJ 05.8.2005)."Recurso extraordinário:
descabimento: acórdão recorrido, do Tribunal Superior do Trabalho, que decidiu a questão à
luz de legislação infraconstitucional: alegada violação ao texto constitucional que, se
ocorresse, seria reflexa ou indireta;ausência de negativa de prestação jurisdicional ou de
defesa aos princípios compreendidos nos arts. 5º, II, XXXV, LIV e LV e 93, IX, daConstituição
Federal."(STF-AI-AgR-436.911/SE, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, 1ª Turma, DJ
17.6.2005)"CONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO: ALEGAÇÃO DE OFENSA À C.F.,
art. 5º, II, XXXV,XXXVI, LIV e LV. I. - Ao Judiciário cabe, no conflito de interesses, fazer valer a
vontade concreta da lei, interpretando-a. Se, em tal operação, interpreta razoavelmente ou
desarrazoadamente a lei, a questão fica no campo da legalidade, inocorrendo o contencioso
constitucional. II. - Decisão contrária ao interesse da parte não configura negativa de
prestação jurisdicional (C.F., art. 5º, XXXV). III. - A verificação, no caso concreto, da existência,
ou não, do direito adquirido, situa-se no campo infraconstitucional. IV. - Alegação de ofensa
ao devido processo legal: C.F., art. 5º, LIV e LV: se ofensa tivesse havido, seria ela indireta,
reflexa, dado que a ofensa direta seria a normas processuais. E a ofensa a preceito
constitucional que autoriza a admissão do recurso extraordinário é a ofensa direta, frontal. V.
- Agravo não provido" (STF-RE-AgR-154.158/SP, Relator Ministro Carlos Velloso, 2ª Turma, DJ
20.9.2002). "TRABALHISTA. ACÓRDÃO QUE NÃO ADMITIU RECURSO DE REVISTA, INTERPOSTO
PARA AFASTAR PENHORA SOBRE BENS ALIENADOS FIDUCIARIAMENTE EM GARANTIA DE
FINANCIAMENTO POR MEIO DE CÉDULA DE CRÉDITO À EXPORTAÇÃO. DECRETO-LEI413/69 E
LEI 4.728/65. ALEGADA AFRONTA AO ART. 5º, II, XXII, XXXV EXXXVI, DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL. Questão insuscetível de ser apreciada senão por via da legislação
infraconstitucional que fundamentou o acórdão, procedimento inviável em sede de recurso
extraordinário, onde não cabe a aferição de ofensa reflexa e indireta à Carta Magna. Recurso
não conhecido" (STF-RE-153.781/DF, Relator Ministro Ilmar Galvão, 1ª Turma, DJ 02.02.2001).
No mesmo sentido: “ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO
AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA SOLIDÁRIA. ANÁLISE
DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.” (RE 679.676, 2ª Turma, Rel. Min. Cármen
Lúcia) Não há, portanto, como assegurar trânsito ao extraordinário, consoante também se
denota dos fundamentos da decisão que desafiou o recurso, aos quais me reporto e cuja
detida análise conduz à conclusão pela ausência de ofensa direta e literal a preceito
da Constituição da República. Nego seguimento ao agravo de instrumento (CPC, art. 557,
caput). Publique-se. Brasília, 28 de janeiro de 2015.Ministra Rosa WeberRelatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 861507 MG (STF)


Data de publicação: 06/02/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCESSUAL CIVIL. INTIMAÇÃO DO ACÓRDÃO


RECORRIDO APÓS 3.5.2007. DEMONSTRAÇÃO INSUFICIENTE DA REPERCUSSÃO GERAL DA
QUESTÃO CONSTITUCIONAL. AGRAVO NO QUAL NÃO SE INFIRMAM OS FUNDAMENTOS DA
DECISÃO AGRAVADA: SÚMULAS NS.283 E 284 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO AO
QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.Relatório 1. Agravo nos autos principais contra inadmissão de
recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, als. a e c, daConstituição da
República contra o seguinte julgado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: “Apelação Cível.
Ação Civil Pública. Preliminares rejeitadas. Dano ambiental. Desapropriação. Pagamento de
indenização em valor superior ao da avaliação. Beneficiamento de pessoa que não era
proprietário do imóvel expropriado. Dano ao erário.Implantação, em Área de Preservação
Permanente, de loteamento clandestino e irregular. Ausência de licenciamento ambiental.
Afronta à Lei n. 6.766/79. Ausência de infra-estrutura. Falta de estudo estratégico. Falta de
pavimentação. Inexistência de rege coletora de esgotamento sanitário e rede pluvial.
Lançamento de dejetos em córrego d'água e em fossas negras. Parcelamento clandestino e
irregular do solo. Dano ambiental configurado. Omissão do Município quanto ao seu dever
constitucional de defender e preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Responsabilidade civil objetiva do ente político. Supedâneo no art. 37, 6º, da CF e no art. 14, §
1º, da Lei n. 6.938/81. Imposição de obrigações de fazer. Possibilidade de interferência do
Poder Judiciário na esfera de discricionariedade da Administração Pública. Art. 225,§ 3º,
da CF. Fixação de prazo razoável para o cumprimento das obrigações fixadas na sentença.
Impossibilidade de celebração de Termo de Ajustamento de Conduta. Imposição de multa
como medida coercitiva para cumprimento de ordem judicial. Preliminares rejeitadas.
Negado provimento ao recurso”. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. 2. O
Agravante afirma ter o Tribunal de origem contrariado os arts. 5º, inc. LXV, e 37, § 6º,
daConstituição da República, argumentando: “o dano à área citada fora acarretado pelos
ocupantes da Vila José Fagundes, cabendo aos mesmos arcarem com os prejuízos ali sofridos,
não competindo ao Município ser responsabilizado pela sua recuperação, com fincas no
art. 5º, XLV, da Carta Magna,e por via de consequência não se pode atropelar os ocupantes
da área de forma abrupta, pessoas humildes, sem sequer, lhes dar ciência da presente ação”.
3. O recurso extraordinário foi inadmitido sob os fundamentos de: a) insuficiência da
preliminar de repercussão geral, b) incidência das Súmulas ns. 279 e 283 do Supremo Tribunal
Federal; c) ausência de ofensa constitucional direta. Examinados os elementos havidos no
processo, DECIDO. 4. O art. 544 do Código de Processo Civil, com as alterações da Lei
n. 12.322/2010, estabeleceu que o agravo contra inadmissão de recurso extraordinário
processa-se nos autos do recurso, ou seja, sem a necessidade de formação de instrumento,
sendo este o caso. Analisam-se, portanto, os argumentos postos no agravo, de cuja decisão se
terá, na sequência, se for o caso, exame do recurso extraordinário. 5. Razão jurídica não
assiste ao Agravante. 6. A intimação do acórdão recorrido deu-se em 30.9.2011 e, nos termos
do que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no Agravo de Instrumento n. 664.567-QO,
Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, Plenário, “a exigência da demonstração formal e
fundamentada, no recurso extraordinário, da repercussão geral das questões constitucionais
discutidas só incide quando a intimação do acórdão recorrido tenha ocorrido a partir de 03 de
maio de 2007”. Entretanto o Agravante limitou-se a afirmar que “a repercussão geral está
evidente, em virtude da teoria do fato consumado, devidamente colocado na contestação, na
apelação e em decisões recentes do Supremo Tribunal Federal foi reconhecida essa
repercussão”. 7. O § 1º do art.543-A do Código de Processo Civil dispõe que, “para efeito da
repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de
vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da
causa”. Não basta, portanto, afirmar que o tema tem repercussão geral, sendo ônus exclusivo
da parte recorrente demonstrar, com argumentos substanciais, haver na espécie relevância
econômica, política, social ou jurídica. A insuficiência de fundamentação expressa, formal e
objetivamente articulada pelo Agravante, para demonstrar, nas razões do recurso
extraordinário, a repercussão geral da matéria constitucionalmente arguida inviabiliza o
exame do recurso. Embora tenha mencionado a repercussão geral, o Agravante não
desenvolveu argumentos suficientes para cumprir o objetivo da exigência constitucional:
“AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO.
REPERCUSSÃO GERAL DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. INTIMAÇÃO DO RECORRENTE APÓS
3.5.2007. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FORMAL. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E
TAXA DE COLETA DE LIXO E LIMPEZA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Repercussão geral da questão
constitucional: demonstração insuficiente. 2. Atribuição de efeitos ex nunc: impossibilidade.
Precedentes. 3. Imposição de multa de 5% do valor corrigido da causa. Aplicação do art. 557,
§ 2º, c/c arts. 14, inc. II e III, e 17, inc. VII, do Código de Processo Civil” (AI 703.803-AgR, de
minha relatoria, Primeira Turma, DJe 20.2.2009). “Embargos de declaração em agravo de
instrumento. 2. Decisão monocrática. Embargos de declaração recebidos como agravo
regimental. 3. Apresentação expressa de preliminar formal e fundamentada sobre
repercussão geral no recurso extraordinário.Necessidade. Art. 543-A, § 2º, do CPC. 4.
Preliminar formal. Hipótese de presunção de existência da repercussão geral prevista no art.
323, § 1º, do RISTF. Necessidade. Precedente. 5. Ausência da preliminar formal. Negativa
liminar pela Presidência no Recurso extraordinário e no agravo de instrumento. Possibilidade.
Art. 13, V, c, e 327, caput e § 1º, do RISTF. 6. Agravo regimental a que se nega provimento”
(AI 718.395-ED, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 14.5.2009). 8. Como também
decidido no julgamento do Agravo em Recurso Especial n. 228.074/MG pela Ministra do
Superior Tribunal de Justiça Marga Tessler, o Agravante deixou de impugnar os fundamentos
da decisão que inadmitiu seu recurso extraordinário. No presente recurso de agravo, limita-se
o Agravante a reiterar os argumentos do recurso extraordinário, deixando, portanto, de
cumprir o requisito formal de admissibilidade recursal de impugnar e comprovar equívoco na
decisão agravada. Este Supremo Tribunal assentou ser incabível o recurso no qual não se
infirma o fundamento da decisão agravada, atraindo-se, na espécie, a incidência das Súmulas
ns. 283 e 284 do Supremo Tribunal Federal: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. 1) RAZÕES DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO
DISSOCIADAS DOS FUNDAMENTOS DO JULGADO RECORRIDO: SÚMULA N. 284 DO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL. 2) CONTRARIEDADE AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA: IMPOSSIBILIDADE DE
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS EM AGRAVO REGIMENTAL. PRECEDENTES. 3) AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (RE 667.051-AgR, de minha relatoria,
Primeira Turma, DJe 16.5.2012). “ PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA A FUNDAMENTO DA DECISÃO
AGRAVADA. SÚMULA 284/STF. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. APELO QUE NÃO INFIRMA OS ARGUMENTOS DO ACÓRDÃO IMPUGNADO.
INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 283 E 284/STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA
PROVIMENTO” (RE 631.523-AgR/PI, Relator o Ministro Teori Zavascki, Segunda Turma, DJ
1º.7.2013). 9. Pelo exposto, nego seguimento ao agravo (art. 544, § 4º, inc. II, al. a, do Código
de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal).
Publique-se. Brasília, 26 de janeiro de 2015.Ministra CÁRMEN LÚCIARelatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 834821 RJ RIO DE JANEIRO 0011734-96.2013.4.02.0000


(STF)
Data de publicação: 04/02/2015

DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PENAL. PROCESSUAL PENAL. DEMONSTRAÇÃO


INSUFICIENTE DA REPERCUSSÃO GERAL DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE
ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.
Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. a,
da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da
Segunda Região: “MANDADO DE SEGURANÇA. CRIME AMBIENTAL RÉU CONSÓRCIO. SEM
PERSONALIDADE JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO. CONCEDIDA A
SEGURANÇA. 1. Hipótese de denúncia oferecida pelo MPF em face de pessoas físicas, jurídicas
e um consórcio de sociedades, na qual lhes é imputada a conduta de terem violado
autorização concedida pela REBIO Tinguá, unidade de conservação de proteção integral, para
passagem de gasoduto em zona de amortecimento, desmaiando vegetação da Mata
Atlântica, sem efetuarem a recomposição da área atingida, nos termos impostos pela
respectiva autorização. 2. Impossibilidade de atribuir responsabilidade penal a consórcio de
empresas pela prática de delito ambiental. Ausência de personalidade jurídica. 3. Concedida a
segurança". Os embargos de declarações opostos foram rejeitados (fl. 293). 2. O Recorrente
alega contrariado o art. 225, § 3º, daConstituição da República. Argumenta ser possível “a
admissão de consórcios de sociedades como sujeitos passivos de ações penais que envolvam
a prática de crimes ambientais, a fim de, em determinadas situações, poder atingir as
próprias pessoas jurídicas formadoras do consórcio respectivo”. Examinados os elementos
havidos no processo, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste ao Recorrente. 4. A intimação do
acórdão recorrido deu-se em 19.12.2013 e, nos termos do que decidido pelo Supremo
Tribunal Federal no Agravo de Instrumento n. 664.567-QO, Relator o Ministro Sepúlveda
Pertence, “a exigência da demonstração formal e fundamentada, no recurso extraordinário,
da repercussão geral das questões constitucionais discutidas só incide quando a intimação do
acórdão recorrido tenha ocorrido a partir de 03 de maio de 2007”. O Recorrente, entretanto,
limitou-se a afirmar: “Na hipótese dos autos, por outro lado, cumpre reconhecer a inequívoca
repercussão geral da matéria constitucional discutida. A julgar pela significativa quantidade
de demandas levadas ao conhecimento de nossos Tribunais, a possibilidade de considerar um
consórcio como responsável penal por dano ambiental é tema que, certamente, desperta
grande inquietação no meio jurídico, por envolver regra afeta ao interesse de toda uma
coletividade atingida pelo desgaste do meio ambiente. Cabe destacar que nos presentes dias
é cada vez mais recorrente essa forma associativa em empreendimentos que, por sua
magnitude, apresentam enorme potencial de causar danos ao meio ambiente, sendo o
exemplo mais eloquente o consórcio formado para a construção da Hidrelétrica de Belo
Monte. Fica claro, assim, que a questão a ser analisada no presente recurso não envolve
qualquer situação de mérito deduzida na inicial do mandamus, nem tampouco se delimita nos
contornos da presente lide, pretendendo-se que o Supremo Tribunal Federal analise a
possibilidade de admitir, excepcionalmente, a responsabilização criminal de entidade
despersonificada, face a garantia constitucional prevista no artigo 225 e § 3º, da atual Carta
Magna, diante na natureza já inusitada da responsabilização penal das pessoas jurídicas, pela
prática de delitos ambientais. Nessa ordem de ideias, exsurge evidente que a questão trazida
à baila enquadra-se na dicção do art. 102, § 3º, daConstituição da República, c/c art. 543-A do
Código de Processo Civil”. O § 1ºdo art. 543-A do Código de Processo Civil dispõe que, “para
efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do
ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses
subjetivos da causa”. Não basta, portanto, afirmar ser o tema de repercussão geral, sendo
ônus exclusivo da parte demonstrar, com argumentos objetivos, haver na espécie relevância
econômica, política, social ou jurídica. A insuficiência de argumentação expressa, formal e
objetivamente articulada pelo Recorrente para demonstrar, nas razões do recurso
extraordinário, a repercussão geral da matéria constitucionalmente arguida inviabiliza o
exame do recurso. Embora tenha mencionado haver, na espécie vertente, repercussão geral,
o Recorrente não desenvolveu argumentos suficientes para cumprir a exigência
constitucional. Confiram-se os seguintes julgados: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DA QUESTÃO
CONSTITUCIONAL. INTIMAÇÃO DO RECORRENTE APÓS 3.5.2007. NECESSIDADE DE
DEMONSTRAÇÃO FORMAL. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E TAXA DE COLETA DE LIXO E
LIMPEZA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE
NEGA PROVIMENTO. 1. Repercussão geral da questão constitucional: demonstração
insuficiente. 2. Atribuição de efeitos ex nunc: impossibilidade. Precedentes. 3. Imposição de
multa de 5% do valor corrigido da causa. Aplicação do art. 557, § 2º, c/c arts. 14, inc. II e III, e
17, inc. VII, do Código de Processo Civil” (AI 703.803-AgR, de minha relatoria, Primeira Turma,
DJe 20.2.2009, grifos nossos). “Embargos de declaração em agravo de instrumento. 2. Decisão
monocrática. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. 3. Apresentação
expressa de preliminar formal e fundamentada sobre repercussão geral no recurso
extraordinário. Necessidade. Art. 543-A, § 2º, do CPC. 4. Preliminar formal. Hipótese de
presunção de existência da repercussão geral prevista no art. 323, § 1º, do RISTF.
Necessidade. Precedente. 5. Ausência da preliminar formal. Negativa liminar pela Presidência
no Recurso extraordinário e no agravo de instrumento. Possibilidade. Art. 13, V, c, e 327,
caput e § 1º, do RISTF. 6. Agravo regimental a que se nega provimento” (AI 718.395-ED,
Relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 14.5.2009, grifos nossos). “1. Embargos de
declaração recebidos como agravo regimental. 2. Inobservância ao que disposto no
artigo 543-A, § 2º, do Código de Processo Civil, que exige a apresentação de preliminar formal
e fundamentada sobre a repercussão geral, significando a demonstração da existência de
questões constitucionais relevantes sob o ponto de vista econômico, político, social ou
jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos das partes, em tópico destacado na petição
de recurso extraordinário. 3. É imprescindível a observância desse requisito formal mesmo
nas hipóteses de presunção de existência da repercussão geral prevista no art. 323, § 1º, do
RISTF. Precedente. 4. A ausência dessa preliminar permite que a Presidência do Supremo
Tribunal Federal negue, liminarmente, o processamento do recurso extraordinário, bem como
do agravo de instrumento interposto contra a decisão que o inadmitiu na origem (13, V, c, e
327, caput e § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). 5. Agravo regimental
desprovido” (AI 692.400-ED, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Plenário, DJe 30.5.2008, grifos
nossos). 5. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 38 da Lei
n.8.038/1990 e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-
se. Brasília, 30 de janeiro de 2015. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 853714 RJ (STF)


Data de publicação: 03/02/2015

Decisão: Vistos. Trata-se de agravo contra a decisão que não admitiu recurso extraordinário
interposto contra acórdão da Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio
de Janeiro, assim do: “DIREITO ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE
NÃO FAZER. DEMOLIÇÃO DE PIER DETERMINADA PELO INEA. PLEITO DE ABSTENÇÃO.
SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. APELO DE AMBAS AS PARTES. RÉU QUE INDEFERIU A
LICENÇA DO PÍER CONSTRUÍDO PELOS AUTORES PELO FATO DESTE NÃO SE ENQUADRAR NAS
NORMAS AMBIENTAIS QUE REGEM A QUESTÃO, EM ESPECIAL NAQUELA QUE PROÍBE A
CONSTRUÇÃO DE ESTRUTURAS DE ATRACAÇÃO A MENOS DE 100 METROS DE DISTÂNCIA DE
OUTRA. REGIÃO QUE CONTÉM OUTRAS CONSTRUÇÕES SEMELHANTES,TODAS
NOTORIAMENTE MAIS PRÓXIMAS UMA DAS OUTRAS DO QUE O LIMITE MÍNIMO IMPOSTO
PELA LEI. RÉU QUE EDITOU ATO ADMINISTRATIVO VOLTADO A DESCONSTITUIR SITUAÇÃO
FÁTICA IMPLEMENTADA POR UM DETERMINADO PARTICULAR, IGNORANDO A ILEGALIDADE
QUE RECAI SOBRE AS DEMAIS ESTRUTURAS DE ATRACAÇÃO EXISTENTES NO ENTORNO.
VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE, QUE CONTAMINA O ATO COM INSANÁVEL
DESVIO DE FINALIDADE, TORNANDO-O ILEGÍTIMO. CONDUTA ADMINISTRATIVA QUE DEVE
SER GERAL E ABSTRATA, JAMAIS FOCALIZADA EM PESSOAS OU GRUPOS. NULIDADE DO ATO
ADMINISTRATIVO DEMOLITÓRIO. PRECEDENTE DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
IMPOSSIBILIDADE DE IMPOR AO RÉU OBRIGAÇÃO DE ABSTENÇÃO DE MULTAR OS AUTORES.
PROVIDÊNCIA QUE INVIABILIZARIA O EXERCÍCIO DO PODER DE POLÍCIA DO RÉU,ASSIM
VIOLANDO O PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DOS PODERES. AUTORES QUE SE FOREM AUTUADOS
PODERÃO DISCUTIR EM VIA PRÓPRIA A LEGITIMIDADE OU NÃO DO ATO ADMINISTRATIVO
SANCIONADOR. APELOS AOS QUAIS SE NEGA PROVIMENTO”. Opostos embargos de
declaração, foram rejeitados. No recurso extraordinário, sustenta-se violação dos artigos 5º,
inciso II, e 37, caput, da Constituição Federal. Decido. Anote-se, inicialmente, que o recurso
extraordinário foi interposto contra acórdão publicado após 3/5/07, quando já era
plenamente exigível a demonstração da repercussão geral da matéria constitucional objeto
do recurso, conforme decidido na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº
664.567/RS, Tribunal Pleno, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 6/9/07. Todavia,
apesar da petição recursal haver trazido a preliminar sobre o tema, não é de se proceder ao
exame de sua existência, uma vez que, nos termos do artigo 323 do Regimento Interno do
Supremo Tribunal Federal, com a redação introduzida pela Emenda Regimental nº 21/07,
primeira parte, o procedimento acerca da existência da repercussão geral somente ocorrerá
“quando não for o caso de inadmissibilidade do recurso por outra razão”. A irresignação não
merece prosperar. A jurisprudência desta Corte está consolidada no sentido de que as
alegações de afronta aos princípios da legalidade, do devido processo legal, da ampla defesa
e do contraditório, dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional, se dependentes
de reexame de normas infraconstitucionais, podem configurar apenas ofensa indireta ou
reflexa à Constituição Federal, o que não enseja reexame em recurso extraordinário. Nesse
sentido: “AGRAVO DE INSTRUMENTO - ALEGAÇÃO DE OFENSA AO POSTULADO DA
MOTIVAÇÃO DOS ATOS DECISÓRIOS - INOCORRÊNCIA - AUSÊNCIA DE OFENSA DIRETA
À CONSTITUIÇÃO - RECURSO IMPROVIDO. O Supremo Tribunal Federal deixou assentado que,
em regra, as alegações de desrespeito aos postulados da legalidade, do devido processo legal,
da motivação dos atos decisórios, do contraditório, dos limites da coisa julgada e da
prestação jurisdicional podem configurar, quando muito, situações de ofensa meramente
reflexa ao texto da Constituição, circunstância essa que impede a utilização do recurso
extraordinário. Precedentes” (AI nº 360.265/RJ-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Celso
de Mello, DJ de 20/9/02). Ademais, a alegada afronta ao princípio constitucional da legalidade
seria, se ocorresse, indireta ou reflexa, o que não enseja reexame em sede de recurso
extraordinário, conforme previsto na Súmula nº 636 desta Corte, que assim dispõe, in verbis:
“Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional da legalidade,
quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas
infraconstitucionais pela decisão recorrida”. Ressalte-se, por fim, que as instâncias de origem
decidiram a lide amparadas na legislação infraconstitucional pertinente. Assim, a afronta aos
dispositivos constitucionais suscitados no recurso extraordinário seria, se ocorresse, indireta
ou reflexa, o que é insuficiente para amparar o apelo extremo. Ademais, o acolhimento da
pretensão recursal demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que se
mostra incabível em sede extraordinária. Incidência da Súmula nº 279/STF.Sobre o tema:
“Recurso extraordinário: descabimento: questão decidida à luz de legislação
infraconstitucional e da análise de fatos e provas, ausente o prequestionamento dos
dispositivos constitucionais tidos por violados (Súmulas 282 e 279); alegada ofensa que,se
ocorresse, seria reflexa ou indireta: incidência, mutatis mutandis, da Súmula 636” (AI nº
518.895/MG-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 15/4/05).
Ante o exposto, conheço do agravo para negar seguimento ao recurso extraordinário.
Publique-se. Brasília, 16 de dezembro de 2014.Ministro Dias ToffoliRelatorDocumento
assinado digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 854815 RJ (STF)


Data de publicação: 02/02/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. CONSTRUÇÃO


EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. DEMOLIÇÃO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO DA
PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 543-A, § 2º, DO CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL C.C. ART. 327, § 1º, DO RISTF. AGRAVO DESPROVIDO. Decisão: Trata-se de agravo nos
próprios autos interposto por Conceição Natalina Barcelos, com fundamento no
art. 544 do Código de Processo Civil, objetivando a reforma da decisão que inadmitiu seu
recurso extraordinário manejado com arrimo na alínea “a” do permissivo Constitucional,
contra acórdão assim do: “APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONSTRUÇÃO ERIGIDA EM
FAIXA MARGINAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. DANO AMBIENTAL
COMPROVADO. 1- Sentença que julga procedente o pedido para condenar a ré/apelante a
demolir o imóvel, reconhecendo a existência de prova quanto ao dano ambiental. 2- Não se
constata qualquer indivisibilidade na relação jurídica capaz de caracterizar o fenômeno do
litisconsórcio necessário, como pretende a apelante. 3- Laudo conclusivo do órgão
responsável para realizar vistoria no local, INEA, no sentido da construção irregular e
ocorrência do dano ambiental. Preponderância do interesse público. 4- A responsabilidade
por dano ambiental é objetiva, mas o dano propriamente dito tem que ser comprovado e, in
casu, o foi. Inexistência de direito adquirido de violar o meio ambiente. 5- Desprovimento do
recurso.” Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Nas razões do apelo extremo,
sustenta a preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta violação aos artigos 1º,
inciso III, e 5º, 6º e 93, IX, da Constituição Federal. O Tribunal a quo negou seguimento ao
recurso extraordinário porque ausente ofensa direta à Constituição, bem como diante do
óbice da Súmula nº 279/STF. É o relatório. DECIDO. Não merece prosperar o recurso. O
agravante não fundamentou adequadamente a preliminar de repercussão geral, não tendo
sido observado o disposto no artigo 543-A, § 2º, do Código de Processo Civil, introduzido pela
Lei n.11.418/06. Não basta a simples afirmação de que o tema tenha repercussão geral, faz-se
necessária a fundamentação adequada que supra as exigências do disposto no artigo 543-A, §
2º, do Código de Processo Civil, introduzido pela Lei n. 11.418/06 e art. 327, § 1º, do RISTF. In
casu, o agravante não se desonerou de demostrar a existência de questões relevantes do
ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses
subjetivos da causa, deixando inócua a preliminar apresentada. O Supremo Tribunal Federal,
quando do julgamento da Questão de Ordem no AI n. 664.567, Relator o Ministro Sepúlveda
Pertence, DJ de 6/9/2007, fixou o seguinte entendimento: “I. Questão de ordem. Recurso
extraordinário, em matéria criminal e a exigência constitucional da repercussão geral. [...] II.
Recurso extraordinário: repercussão geral: juízo de admissibilidade: competência. 1 . Inclui-se
no âmbito do juízo de admissibilidade - seja na origem, seja no Supremo Tribunal - verificar se
o recorrente, em preliminar do recurso extraordinário, desenvolveu fundamentação
especificamente voltada para a demonstração, no caso concreto, da existência de
repercussão geral (C.Pr.Civil, art. 543-A, § 2º; RISTF, art. 327). 2. Cuida-se de requisito formal,
ônus do recorrente, que, se dele não se desincumbir, impede a análise da efetiva existência
da repercussão geral, esta sim sujeita à apreciação exclusiva do Supremo Tribunal Federal
(Art. 543-A, § 2º). III. Recurso extraordinário: exigência de demonstração, na petição do RE,
da repercussão geral da questão constitucional: termo inicial. [...] 4. Assim sendo, a exigência
da demonstração formal e fundamentada, no recurso extraordinário, da repercussão geral
das questões constitucionais discutidas só incide quando a intimação do acórdão recorrido
tenha ocorrido a partir de 03 de maio de 2007, data da publicação da Emenda Regimental n.
21, de 30 de abril de 2007.” Insta ressaltar que a intimação do acórdão impugnado deu-se, no
caso sub examine, em data posterior à fixada no citado julgamento. Ex positis, DESPROVEJO o
agravo, com fundamento no disposto no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 19 de
dezembro de 2014.Ministro Luiz FuxRelatorDocumento assinado digitalmente

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO ARE 854288 MG (STF)


Data de publicação: 02/02/2015

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. LEI Nº 14.309/2002. DIREITO


AMBIENTAL. COMPETÊNCIA CONCORRRENTE. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. MULTA. OFENSA
REFLEXA. ANÁLISE DE NORMA INFRACONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL NÃO
EXAMINADA EM FACE DE OUTROS FUNDAMENTOS QUE OBSTAM A ADMISSÃO DO APELO
EXTREMO. AGRAVO DESPROVIDO. Decisão: Trata-se de agravo nos próprios autos interposto
por FERROESTE INDUSTRIAL LTDA, com fundamento no art. 544 do Código de Processo Civil,
objetivando a reforma da decisão que inadmitiu seu recurso extraordinário manejado com
arrimo na alínea“a” do permissivo Constitucional contra acórdão assim do: “APELAÇÃO CÍVEL.
ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. AUTUAÇÃO. MULTA. COMPETÊNCIA. LEGISLATIVA DOS ENTES
FEDERADOS. CÓDIGO FLORESTAL. LEI ESTADUAL Nº 14.309/02, CONCORRÊNCIA LEGISLATIVA.
SOBREPOSIÇÃO DE PENAS. INOCORRÊNCIA. NULIDADE AFASTADA. I- A competência para
legislar sobre a proteção ao meio ambiente cabe à União quanto à criação de normas gerais,
exercendo os Estados a competência suplementar. II – a Constituição do Estado de Minas
Gerais prevê a aplicação de sanções administrativas à pessoa que tiver conduta ou realizar
atividade nociva ao meio ambiente, as quais não excluem a possibilidade de condenação à
obrigação de reparar o dano e às cominações penais. III – A natureza da sanção prevista pela
legislação estadual é administrativa, decorrente do exercício do poder de polícia do Estado. IV
– Não há sobreposição ou substituição da legislação de competência da União, mas uma
suplementação para fins de organização da Administração e sistematização dos
procedimentos específicos do Estado de Minas Gerais, permitindo um maior controle da
fiscalização.” Opostos embargos de declaração, este foram rejeitados. Nas razões de apelo
extremo, sustenta a preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta violação aos
artigos 5º,II e XLVI, e 24 da Constituição Federal. O Tribunal de origem negou seguimento ao
recurso extraordinário por entender que a violação constitucional, se existente, seria reflexa.
É o relatório. DECIDO. Ab initio, a repercussão geral pressupõe recurso admissível sob o crivo
dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade (art. 323 do RISTF).
Consectariamente, se o recurso é inadmissível por outro motivo, não há como se pretender
seja reconhecida “a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso”
(art. 102, III, § 3º, da CF). Não merece prosperar o presente agravo. O acórdão recorrido não
divergiu do entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que a competência
para legislar sobre normas concernentes à proteção ao meio ambiente é da União, de forma
geral, e aos demais entes federados, de forma suplementar, conforme afirmado pela Corte no
julgamento do AI 856.768-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 16/10/2012,
que possui a seguinte ementa: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. 1. COMPETÊNCIA CONCORRENTE PARA LEGISLAR
SOBRE DIREITO AMBIENTAL. PRECEDENTES. 2. ANULAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. OFENSA
CONSTITUCIONAL INDIRETA. 3. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO “.
Ademais, para divergir do acórdão recorrido, no que concerne ao pedido de anulação do auto
de infração, necessário seria a análise da legislação infraconstitucional aplicável à espécie (Lei
nº 14.309/2002), bem como, o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que torna
inviável o apelo extremo, nos termos da jurisprudência da Corte. Nesse sentido, RE 413.815-
AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 13/6/2012, RE 585.932-AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, Segunda Turma, DJe 9/5/2012, ARE 706.820/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de
04/09/2012, a seguir ementado: “AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL: OFENSA
CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.” Ex positis,
DESPROVEJO o agravo, com fundamento no disposto no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se.
Brasília, 19 de dezembro de 2014.Ministro LUIZ FUXRelatorDocumento assinado digitalmente

STF - MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO CAUTELAR AC 3765 DF (STF)


Data de publicação: 30/01/2015

Vistos etc. Trata-se de ação cautelar preparatória, com pedido de medida liminar, ajuizada
pelo Estado de Roraima e pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos -
FEMARH em face do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES. Os
autores sustentam presente conflito federativo, a ser processado e julgado por este Supremo
Tribunal Federal, nos termos do art. 102, I, “f”, da Magna Carta, ante a atuação administrativa
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -BNDES, empresa pública federal,
consistente na exigência de Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), como requisito
para celebrar contrato de colaboração financeira não reembolsável com a Fundação Estadual
do Meio Ambiente e Recursos Hídricos,para implção do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no
Estado de Roraima. Invocando precedentes desta Suprema Corte, em que assentada a tese da
intranscendência de medidas restritivas de direito, argumentam que a FEMARH, integrante
da administração estadual indireta, dotada de personalidade jurídica e CNPJ próprios, por não
se confundir com o Estado de Roraima, não poderia ser prejudicada por restrições impostas
ao mencionado ente político, notadamente as decorrentes da não-emissão de CRP. Nessa
perspectiva, agregam que a aplicação, à Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos, das medidas restritivas dos arts. 7º da Lei 9.717/98 e 4º da Portaria nº 204/2008 do
Ministério da Previdência Social, como corolário da não-emissão de CRP ao Estado de
Roraima, configura afronta aos princípios da razoabilidade e do devido processo legal.
Articulando com a presença dos requisitos da plausibilidade jurídica do pedido e do perigo da
demora, pugnam pela concessão de medida liminar, para determinar que o BNDES deixe de
exigir “a apresentação do CRP – Certificado de Regularidade Previdenciária como condição
prévia para formalização do contrato de concessão financeira não reembolsável destinado a
apoiar a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Estado de Roraima”. Ao final,
requerem sejam julgados procedentes os pedidos, com condenação do réu ao pagamento de
custas e honorários. É o relatório. Decido. 1. Ao menos à primeira vista, entendo
caracterizado conflito dotado de densidade suficiente para atrair a competência originária
estabelecida no art. 102, I, “f”, da Constituição da República, considerada a situação dos
autos, em que o BNDES,empresa pública federal, exige da FEMARH, fundação pública
integrante da administração indireta do Estado de Roraima, a apresentação de Certificado de
Regularidade Previdenciária (CRP), como requisito para a celebração de contrato de
colaboração financeira. 2. O Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), emitido pelo
Ministério da Previdência Social, atesta a observância, por regime próprio de previdência
estadual, distrital ou municipal, dos critérios e exigências estabelecidos na Lei 9.717/98.
Nessa perspectiva, a não-emissão ou não-renovação de CRP, a evidenciar o descumprimento
dos referidos critérios e exigências, importa na aplicação das sanções previstas no art. 7º da
Lei 9.717/98, cujo teor é o seguinte: “Art. 7º O descumprimento do disposto nesta Lei pelos
Estados, Distrito Federal e Municípios e pelos respectivos fundos, implicará, a partir de 1º de
julho de 1999: I - suspensão das transferências voluntárias de recursos pela União; II -
impedimento para celebrar acordos, contratos, convênios ou ajustes, bem como receber
empréstimos, financiamentos, avais e subvenções em geral de órgãos ou entidades da
Administração direta e indireta da União; III - suspensão de empréstimos e financiamentos
por instituições financeiras federais. IV - suspensão do pagamento dos valores devidos pelo
Regime Geral de Previdência Social em razão da Lei nº 9.796, de 5 de maio de 1999.” No
mesmo sentido, eis o enunciado pelo art. 4º da Portaria 204/2008 do Ministério da
Previdência Social: “Art. 4º O CRP será exigido nos seguintes casos: I - realização de
transferências voluntárias de recursos pela União; II - celebração de acordos, contratos,
convênios ou ajustes, bem como recebimento de empréstimos, financiamentos, avais e
subvenções em geral de órgãos ou entidades da Administração direta e indireta da União; III -
liberação de recursos de empréstimos e financiamentos por instituições financeiras federais;
e IV - pagamento dos valores devidos pelo Regime Geral de o Previdência Social - RGPS, em
razão do disposto na Lei nº 9.796, de 5 de maio de 1999. § 1 º Aplica-se o disposto neste
artigo aos requerimentos para realização de operações de crédito interno e externo dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nos termos do art. 21, inciso VIII, da Resolução
nº 43, de 2001, do Senado Federal. § 2º Para fins de aplicação do inciso I, excetuam-se as
transferências relativas às ações de educação, saúde e assistência social. § 3º O responsável
pela realização de cada ato ou contrato previsto nos incisos do caput deverá juntar ao
processo pertinente, ou atestar nos autos, a verificação da validade do CRP do ente da
federação beneficiário ou contratante, no endereço eletrônico do Ministério da Previdência
Social - MPS na rede mundial de computadores - Internet, mencionando seu número e data
de emissão. § 4º O servidor público que praticar ato com a inobservância responderá civil,
penal e administrativamente, nos do disposto no § 3º termos da lei. § 5º O CRP cancelado nos
termos do art. 2º, § 2 , continuará disponível para consulta com a indicação do motivo de seu
cancelamento.” 3. No caso, em juízo perfunctório, sem avançar considerações acerca da
legalidade do art. 4º da Portaria 204/2008 do Ministério da Previdência Social e/ou da
constitucionalidade das sanções previstas no art.7º da Lei 9.717/98, inclusive porque não
desenvolvida, pelos autores, à guisa de causa de pedir, argumentação a tal respeito, registro
que a análise do extrato externo do regime próprio de previdência do Estado de Roraima,
juntado com a petição inicial (Doc. 03, e-STF), não discrimina os órgãos e pessoas, integrantes
da administração direta e indireta do referido ente político, aos quais teriam sido imputadas
irregularidades, em especial no tocante à ausência de repasse de valores devidos a título de
contribuição previdenciária. Nessa perspectiva, ao menos em primeiro olhar, considero
inviável descartar a existência de responsabilidade da Fundação Estadual do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos – FEMARH por irregularidades indicadas no mencionado extrato, motivo
pelo qual, em sede de cognição sumária, entendo não evidenciada ofensa ao postulado da
intranscendência das sanções de caráter administrativo. Ante o exposto: i) indefiro o pedido
de medida liminar; e ii) determino a emenda da inicial, no prazo de dez dias, para que os
autores supram a falha apontada, juntando documento (s) que discrimine (m) os órgãos e
entes aos quais imputadas as irregularidades apontadas no extrato externo do regime próprio
de previdência dos servidores do Estado de Roraima, sob pena de extinção do processo sem
resolução do mérito (arts. 267, I, e 284, parágrafo único, do CPC). Decorrido o prazo para
emenda da peça inaugural, voltem os autos conclusos. À Secretaria Judiciária. Publique-se.
Brasília, 19 de dezembro de 2014.Ministra Rosa WeberRelatora

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 611291 SE (STF)


Data de publicação: 30/01/2015
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. COMPENSAÇÃO
FINANCEIRA PELA EXPLORAÇÃO DE RECURSOS MINERAIS – CFEM. CONTROVÉRSIA DE ÍNDOLE
INFRACONSTITUCIONAL. INCURSIONAMENTO NO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS
AUTOS. ENUNCIADO Nº 279 DA SÚMULA DO STF. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO
PROCESSO LEGAL, DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO
GERAL REJEITADA PELO PLENÁRIO DO STF NO ARE 748.371-RG. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA.1. O acórdão recorrido fundamentou-se em diplomas
infraconstitucionais. A via extraordinária não comporta a análise de violação meramente
reflexa ao texto constitucional.2. Divergir do entendimento firmado no julgamento do
acórdão referido demanda a análise do conjunto fático-probatório dos autos, o que atrai a
incidência do enunciado nº 279 da Súmula do STF que dispõe: Para simples reexame de prova
não cabe recurso extraordinário .3. Os princípios da ampla defesa, do contraditório, do
devido processo legal e dos limites da coisa julgada, quando debatidos sob a ótica
infraconstitucional, não revelam repercussão geral apta a tornar o apelo extremo admissível,
consoante decidido pelo Plenário Virtual do STF, na análise do ARE 748.371, da Relatoria do
Min. Gilmar Mendes.3. A prestação jurisdicional resta configurada com a prolação de decisão
devidamente fundamentada, embora contrária aos interesses da parte. Nesse sentido, ARE
740.877-AgR/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 4/6/2013.4. In casu, o
acórdão recorrido assentou: “AÇÃO ORDINÁRIA COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA.
CONFLITO DE INTERESSE ENTRE MUICÍPIOS. DENUNCIAÇÃO À LIDE DO DNPM – REJEITADA.
RECONHECIDA A COMPETÊNCIA DO PLENO DO TRINUNAL DE JUSTIÇA. ILEGITIMIDADE
PASSIVA DA CVRD. ACOLHIDA. CFEM: PARTICIPAÇÃO NO RESULTADO DA EXPLORAÇÃO DE
MINÉRIO NO RESPECTIVO TERRITÓRIO DO MUNICÍPIO. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO
INICIAL.”5. Recurso extraordinário DESPROVIDO. Decisão: Trata-se de recurso extraordinário
interposto pelo Município de Rosário do Catete, com fundamento no art. 102,III, “a”,
da Constituição Federal (fls. 555/569), contra acórdão, mantido em sede de embargos de
declaração, assim do: “AÇÃO ORDINÁRIA COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA.
CONFLITO DE INTERESSE ENTRE MUICÍPIOS. DENUNCIAÇÃO À LIDE DO DNPM – REJEITADA.
RECONHECIDA A COMPETÊNCIA DO PLENO DO TRINUNAL DE JUSTIÇA. ILEGITIMIDADE
PASSIVA DA CVRD. ACOLHIDA. CFEM:PARTICIPAÇÃO NO RESULTADO DA EXPLORAÇÃO DE
MINÉRIO NO RESPECTIVO TERRITÓRIO DO MUNICÍPIO. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO
INICIAL.(fl.443). Nas razões de apelo extremo, alega violação aos
artigos 5º, XXXV,LIV e LV, 93, IX, 20, IX e § 1º e 176 da Constituição Federal. A Procuradoria
Geral da República, em parecer (fls. 793/795), defende o não conhecimento do recurso
extraordinário ou, se conhecido, seu improvimento. É o relatório. DECIDO. Não merece
prosperar o recurso. A análise do acórdão recorrido evidencia que a instância a quo
fundamentou seu juízo em diplomas infraconstitucionais. Essa circunstância é evidenciada a
partir da mera leitura de trecho do voto do relator (fl. 448): “ Passo então a examinar a
controvérsia à luz dos diplomas legais que tratam a matéria.”. A decisão alicerça-se na
Lei7.990/89 a qual institui para os Estados, Distrito Federal e Municípios, compensação
financeira pelo resultado da exploração de recursos minerais em seus respectivos territórios,
bem como na Lei 8.001/90. A via recursal extraordinária não comporta análise de matéria
infraconstitucional. Eventual ofensa à Constituição, nesses casos, se ocorresse, seria
meramente reflexa. Demais disso, Não se revela cognoscível, em sede de Recurso
Extraordinário, a insurgência que tem como escopo o incursionamento no contexto fático-
probatório engendrado nos autos, porquanto referida pretensão não se amolda à estreita via
do apelo extremo, cujo conteúdo restringe-se a fundamentação vinculada de discussão
eminentemente de direito, face ao óbice erigido pela Súmula 279/STF. Nesse sentido:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. DIREITO AMBIENTAL.
AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS. COMPENSAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO
EIA/RIMA. REEXAME INCABÍVEL. INTERPRETAÇÃO DA LEI 7.990/1989. ANÁLISE DA
OCORRÊNCIA DE EVENTUAL AFRONTA AOS PRECEITOS CONSTITUCIONAIS INVOCADOS NO
APELO EXTREMO DEPENDENTE DA REELABORAÇÃO DA MOLDURA FÁTICA CONSTANTE NO
ACÓRDÃO REGIONAL. SÚMULA 279/STF. ÂMBITO INFRACONSTITUCIONAL DO DEBATE.
EVENTUAL VIOLAÇÃO REFLEXA DA CONSTITUIÇÃO FEDERALNÃO VIABILIZA O MANEJO DE
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 12.4.2011. As razões do
agravo regimental não são aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão
agravada, mormente no que se refere ao óbice da Súmula 279 do STF, a inviabilizar o trânsito
do recurso extraordinário. Precedentes. Embargos de declaração recebidos com agravo
regimental, ao qual se nega provimento. (ARE 694.353-ED/SP, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira
Turma, DJe 15/05/2013). Por oportuno, vale destacar preciosa lição de Roberto Rosas acerca
da Súmula n. 279/STF, qual seja: “Chiovenda nos dá os limites da distinção entre questão de
fato e questão de direito. A questão de fato consiste em verificar se existem as circunstâncias
com base nas quais deve o juiz, de acordo com a lei, considerar existentes determinados fatos
concretos. A questão de direito consiste na focalização, primeiro, se a norma, a que o autor
se refere, existe, como norma abstrata (Instituições de Direito Processual, 2ª ed., v. I/175).
Não é estranha a qualificação jurídica dos fatos dados como provados (RT 275/884 e
226/583). Já se refere a matéria de fato quando a decisão assenta no processo de livre
convencimento do julgador (RE 64.051, Rel. Min. Djaci Falcão, RTJ 47/276); não cabe o
recurso extraordinário quando o acórdão recorrido deu determinada qualificação jurídica a
fatos delituosos e se pretende atribuir aos mesmos fatos outra configuração, quando essa
pretensão exige reexame de provas (ERE 58.714, Relator para o acórdão o Min. Amaral
Santos, RTJ 46/821). No processo penal, a verificação entre a qualificação de motivo fútil ou
estado de embriaguez para a apenação importa matéria de fato, insuscetível de reexame no
recurso extraordinário (RE 63.226, Rel. Min.Eloy da Rocha, RTJ 46/666). A Súmula 279 é
peremptória: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. Não se
vislumbraria a existência da questão federal motivadora do recurso extraordinário. O juiz dá a
valoração mais conveniente aos elementos probatórios,atendendo aos fatos e circunstâncias
constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Não se confunda com o critério
legal da valorização da prova (RTJ 37/480, 56/65) (Pestana de Aguiar, Comentários ao Código
de Processo Civil, 2a ed., v.VI/40, Ed. RT; Castro Nunes, Teoria e Prática do Poder Judiciário,
1943, p. 383). V. Súmula 7 do STJ (in, Direito Sumular, 14ª ed. São Paulo, Malheiros).” Não se
olvide que os princípios da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e dos
limites da coisa julgada, quando debatidos sob a ótica infraconstitucional, não revelam
repercussão geral apta a tornar o apelo extremo admissível,consoante decidido pelo Plenário
Virtual do STF, na análise do ARE 748.371, rel. Min. Gilmar Mendes, conforme se pode
destacar do seguinte trecho da manifestação do referido julgado: “Ante o exposto, manifesto-
me pela rejeição da repercussão geral do tema relativo à suposta violação aos princípios do
contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do devido processo legal,
quando o julgamento da causa depender de prévia análise da adequada aplicação das normas
infraconstitucionais.” Destaco, ainda, que da análise dos autos, é possível observar que a
parte se valeu dos meios recursais cabíveis e teve a jurisdição devidamente prestada por
decisões fundamentadas, embora contrária aos seus interesses. Assim, não resta
caracterizada a negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido, ARE 740.877-AgR/DF, Rel.
Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe de 4/6/2013, o qual possui a seguinte ementa:
“Agravo regimental em recurso extraordinário com agravo. 2. Administrativo. 3. Alegação de
ausência de prestação jurisdicional. Decisão fundamentada, embora contrária aos interesses
da parte, não configura negativa de prestação jurisdicional.Precedente: AI-QO-RG 791.292 de
minha relatoria, DJe 13.8.2010. 4. Afronta aos princípios do devido processo legal, da ampla
defesa e do contraditório, se dependente do reexame prévio de normas infraconstitucionais,
configura ofensa reflexa à Constituição Federal, o que inviabiliza o processamento do recurso
extraordinário. 5. Alegação de ofensa ao princípio da legalidade. Enunciado 636 da Súmula
desta Corte. 6. Ausência de argumentos suficientes para infirmar a decisão recorrida. 4.
Agravo regimental a que se nega provimento.” Ademais, o Supremo Tribunal Federal firmou
jurisprudência no sentido de que a decisão judicial tem que ser fundamentada (art. 93, IX),
ainda que sucintamente, sendo prescindível que o decisum se funde na tese suscitada pela
parte, nesse sentido,AI-QO-RG 791.292, Rel. Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe de
13/8/2010. Ante a pertinência de suas alegações, cito o parecer da lavra do ilustre
Subprocurador-Geral da República, Paulo de Tarso Braz Lucas, com a seguinte ementa (fl.
793): “RECURSO EXTRAORDINÁRIO – AÇÃO ORDINÁRIA – PRODUÇÃO DE MINÉRIO –
COMPENSAÇÃO FINANCEIRA SOBRE EXPLORAÇÃO MINERAL (CFEM) – ALEGAÇÃO DE
CONTRARIEDADE AOS ARTS. 5º, INCISOS XXXV, LIV, LV, E § 1º, 20, INCIOS ix 93, INCISO IX,
E 176 DA CF/88 – JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE – SUPOSTA NULIDADE do ACÓRDÃO
RECORRIDO – matéria INFRACONSTITUCIONAL – LOCALIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE
EXPLIORAÇÃO MINERAL – REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS – SÚMULA 279-STF –
COMPENSAÇÃO FINANCEIRA OU PARTICIPAÇÃO NO PRODUTO DA EXPLORAÇÃO – NATUREZA
NÃO INDENIZATÓRIA – OPÇÃO ADOTADA PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO – LEGITIMIDADE
CONCORRENTE DOS MUNICÍPIOS EM QUE SE LOCALIZAM OS MINÉRIOS OBJETO DE
EXPLORAÇÃO – PRECEDENTES DO STF – PARECER PELO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO E,
SE CONHECIDO, PELO SEU IMPROVIMENTO. “ Por fim, não bastassem os óbices acima
elencados, nos termos da jurisprudência desta Corte, assentada no julgamento do RE
228.800, rel. Min. Sepúlveda Pertence, a Compensação Financeira pela Exploração de
Recursos Minerais (CFEM), instituída em função da disposição do § 1º do
art. 20 da Constituição da República, é devida aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios
e aos órgãos da administração da União, como contraprestação pela utilização econômica dos
recursos minerais em seus respectivos territórios. Desse modo, a diretriz para a definição do
ente recebedor da parcela discutida se define em função da territorialidade dos minérios
extraídos. Veja-se a ementa do referido julgado: “Bens da União: (recursos minerais e
potenciais hídricos de energia elétrica): participação dos entes federados no produto ou
compensação financeira por sua exploração (CF, art. 20, e § 1º): natureza jurídica:
constitucionalidade da legislação de regência (L. 7.990/89, arts. 1º e 6º e L. 8.001/90). 1. O
tratar-se de prestação pecuniária compulsória instituída por lei não faz necessariamente um
tributo da participação nos resultados ou da compensação financeira previstas no art. 20, §
1º, CF, que configuram receita patrimonial. 2. A obrigação instituída na L. 7.990/89, sob o
título de compensação financeira pela exploração de recursos minerais (CFEM) não
corresponde ao modelo constitucional respectivo, que não comportaria, como tal, a sua
incidência sobre o faturamento da empresa; não obstante, é constitucional, por amoldar-se à
alternativa de participação no produto da exploração dos aludidos recursos minerais,
igualmente prevista no art. 20, § 1º, da Constituição.” Assim, a despeito do nomen iuris da
parcela, entende-se que a CFEM não representa verba indenizatória (tanto que limitada a
uma porcentagem do faturamento líquido, obtido por ocasião da venda do produto mineral),
caracterizando-se como mera participação no resultado da exploração, nos termos do § 1º do
art. 20 da Carta. Dessa forma, entendo que eventual ressarcimento por prejuízos ocasionados
pela boca da mina localizada no Município requerente não se daria por via da parcela
discutida. Ex positis, DESPROVEJO o recurso extraordinário, com fundamento no artigo 21, §
1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 18 de dezembro de 2014.Ministro Luiz
FuxRelatorDocumento assinado digitalmente
STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 857755 SP (STF)
Data de publicação: 30/01/2015

Decisão: Trata-se de agravo contra a decisão que não admitiu recurso extraordinário
interposto contra acórdão da Primeira Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, assim do: “Apelação - Desapropriação - Acolhimento do laudo do perito
judicial - Somente a terra nua e as benfeitorias são passíveis de indenização - O objeto de
indenização há de ser o título de concessão de lavra, enquanto bem jurídico suscetível de
apreciação econômica, e não a jazida em si mesma considerada, pois esta, enquanto tal,
acha-se incorporada ao domínio patrimonial da União Federal – Juros compensatórios e
honorários bem aplicados em 1º Grau — Recursos parcialmente providos”. Nas razões do
recurso extraordinário, sustentam os recorrentes que os artigos 5º, incisos XXII e XXIV,
e 176, § 2º, daConstituição Federal teriam sido violados. Os recorrentes sustentam que a
Corte de origem ao deixar de incluir “na indenização o valor da cobertura vegetal da área
expropriada e os custos para implantação de nova e obrigatória reserva legal na fração
remanescente da fazenda dos Recorrentes,bem assim ao não indenizar a perda ao direito de
exploração direta ou indireta de jazida de argila existente na área e ainda por ter fixado os
juros compensatórios à razão de 6% ao ano” teria malferido o preceito constitucional da justa
indenização. Decido. A irresignação merece prosperar em parte. Com efeito, na sessão de 17
de outubro de 1984, o Plenário deste Supremo Tribunal Federal, editou a Súmula nº 618, que
assim dispõe: “Na desapropriação, direta ou indireta, a taxa de juros compensatórios é de
12% (doze por cento) ao ano” (DJ de 29/10/84). Ve-se, portanto, que o acórdão recorrido, no
ponto relativo ao percentual fixado a título de juros compensatórios, não está em
consonância com a jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal a respeito do tema,
conforme se depreende das ementas dos seguintes acórdãos: “AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DESAPROPRIAÇÃO. JUSTA INDENIZAÇÃO.
REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 279
DO STF. JUROS COMPENSATÓRIOS. TAXA. 12% AO ANO. SÚMULA 618 DO STF E ADI 2.332-
MC/DF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – Impossibilidade de revisão
do acervo fático-probatório para dissentir da conclusão do acórdão recorrido sobre a justa
indenização do imóvel desapropriado. Incidência da Súmula 279 do STF. II –O Supremo
Tribunal Federal possui entendimento firmado no sentido de que na desapropriação, direta
ou indireta, a taxa dos juros compensatórios é de 12% ao ano, nos termos da Súmula 618
desta Corte e da ADI 2.332-MC/DF. III – Agravo regimental a que se nega provimento” (ARE nº
731.980/SP-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, DJe de 25/3/14).
“Desapropriação. Depósito prévio. Imissão na posse. Precedentes da Corte. 1. Já assentou a
Corte que o ‘depósito prévio não importa o pagamento definitivo e justo conforme o artigo
5º, XXIV, da Lei Maior de 1988’, com o que não existe‘incompatibilidade do art. 3º do
Decreto-Lei nº 1075/1970 e do art. 15 e seus parágrafos, Decreto-Lei nº 3365/1941, com os
dispositivos constitucionais aludidos (incisos XXII, XXIII e XXIV do art. 5º e 182, § 3º,
daConstituição)’ (RE nº 184.069/SP,Relator o Ministro Néri da Silveira, DJ de 8/3/02).
Também a Primeira Turma decidiu que a ‘norma do artigo 3º do Decreto-Lei n. 1.075/70, que
permite ao desapropriante o pagamento de metade do valor arbitrado, para imitir-se
provisoriamente na posse de imóvel urbano, já não era incompatível com a Carta precedente
(RE 89.033 - RTJ 88/345 e RE 91.611 - RTJ 101/717) e nem o é com a atual’ (RE nº 141.795/SP,
Relator o Ministro Ilmar Galvão, DJ de 29/9/95). 2. Recurso extraordinário conhecido e
provido”(RE nº 191.078/SP, Primeira Turma, Relator o Ministro Menezes Direito, DJe de
20/6/08). “Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Desapropriação. Justa
indenização. 3. Redução do montante indenizatório. Reexame de fatos e provas. Súmula 279.
4. Juros compensatórios. Pretensão do agravante de que a taxa de juros compensatórios seja
alterada para o percentual de 6% ao ano, nos termos da MP 1577/97. 5. Inaplicabilidade da
MP 1577/97 e reedições. Medida provisória não convertida em lei no trintídio constitucional.
Perda de eficácia. 6. Taxa de juros compensatórios em desapropriações diretas ou indiretas é
de 12% (doze por cento) ao ano. Inafastável a Súmula 618 do STF. 7. Agravo regimental a que
se nega provimento” (RE nº 419.827-AgR/PB, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Segunda
Turma, DJe de 23/11/07). Por outro lado, também é entendimento pacífico nesta Corte de
que a cobertura vegetal, ainda quando objeto de limitação administrativa, deve ser
considerada no valor pago ao expropriado a título de indenização. Nesse sentido, anotem-se
os seguintes julgados: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
DESAPROPRIAÇÃO. ÁREA SUJEITA À PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INDENIZAÇÃO DEVIDA. 1. A
área de cobertura vegetal sujeita à limitação legal e, conseqüentemente à vedação de
atividade extrativista não elimina o valor econômico das matas protegidas. Agravo regimental
a que se nega provimento” (AI nº 677.647/AP-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Eros
Grau, DJ de 6/6/08). “Ação de desapropriação indireta. Reserva Florestal Serra do Mar.
Assente a jurisprudência do Supremo Tribunal de que é devida indenização pela
desapropriação de área pertencente à reserva florestal Serra do Mar, independentemente
das limitações administrativas impostas para proteção ambiental dessa propriedade.
Precedentes” (AI nº 529.698/SP-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence,
DJ de 12/5/06). “RECURSO EXTRAORDINÁRIO - ESTAÇÃO ECOLÓGICA - RESERVA FLORESTAL
NA SERRA DO MAR - PATRIMÔNIO NACIONAL (CF, ART. 225, PAR.4.)- LIMITAÇÃO
ADMINISTRATIVA QUE AFETA O CONTEÚDO ECONÔMICO DO DIREITO DE PROPRIEDADE -
DIREITO DO PROPRIETÁRIO À INDENIZAÇÃO- DEVER ESTATAL DE RESSARCIR OS PREJUÍZOS DE
ORDEM PATRIMONIAL SOFRIDOS PELO PARTICULAR - RE NÃO CONHECIDO. - Incumbe ao
Poder Público o dever constitucional de proteger a flora e de adotar as necessárias medidas
que visem a coibir práticas lesivas ao equilíbrio ambiental. Esse encargo, contudo, não
exonera o Estado da obrigação de indenizar os proprietários cujos imóveis venham a ser
afetados, em sua potencialidade econômica, pelas limitações impostas pela Administração
Pública. - A proteção jurídica dispensada as coberturas vegetais que revestem as
propriedades imobiliárias não impede que o dominus venha a promover, dentro dos limites
autorizados pelo Código Florestal, o adequado e racional aproveitamento econômico das
árvores nelas existentes. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais em
geral, tendo presente a garantia constitucional que protege o direito de propriedade, firmou-
se no sentido de proclamar a plena indenizabilidade das matas e revestimentos florestais que
recobrem áreas dominiais privadas objeto de apossamento estatal ou sujeitas a restrições
administrativas impostas pelo Poder Público. Precedentes. - A circunstância de o Estado
dispor de competência para criar reservas florestais não lhe confere, só por si - considerando-
se os princípios que tutelam, em nosso sistema normativo, o direito de propriedade -, a
prerrogativa de subtrair-se ao pagamento de indenização compensatória ao particular,
quando a atividade pública, decorrente do exercício de atribuições em tema de direito
florestal, impedir ou afetar a válida exploração econômica do imóvel por seu proprietário. - A
norma inscrita no ART. 225, PAR.4., da Constituição deve ser interpretada de modo
harmonioso com o sistema jurídico consagrado pelo ordenamento fundamental,
notadamente com a cláusula que, proclamada pelo art. 5., XXII, da Carta Política, garante e
assegura o direito de propriedade em todas as suas projeções, inclusive aquela concernente a
compensação financeira devida pelo Poder Público ao proprietário atingido por atos
imputáveis a atividade estatal. O preceito consubstanciado no ART. 225, PAR.4., da Carta da
Republica, além de não haver convertido em bens públicos os imóveis particulares abrangidos
pelas florestas e pelas matas nele referidas (Mata Atlântica, Serra do Mar, Floresta Amazônica
brasileira), também não impede a utilização, pelos próprios particulares, dos recursos
naturais existentes naquelas áreas que estejam sujeitas ao domínio privado,desde que
observadas as prescrições legais e respeitadas as condições necessárias a preservação
ambiental. - A ordem constitucional dispensa tutela efetiva ao direito de propriedade (CF/88,
art. 5., XXII). Essa proteção outorgada pela Lei Fundamental da República estende-se, na
abrangência normativa de sua incidência tutelar, ao reconhecimento, em favor do dominus,
da garantia de compensação financeira, sempre que o Estado, mediante atividade que lhe
seja juridicamente imputável, atingir o direito de propriedade em seu conteúdo econômico,
ainda que o imóvel particular afetado pela ação do Poder Público esteja localizado em
qualquer das áreas referidas no art. 225,PAR.4., da Constituição. - Direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado: a consagração constitucional de um típico direito de terceira
geração (CF, art. 225, caput)” (RE nº 134.297/SP, Primeira Turma, Relator o Ministro Celso de
Mello, DJ de 22/9/95). Contudo, para acolher a pretensão dos recorrentes e ultrapassar o
entendimento do Tribunal de origem acerca da indenização e dos critérios que nortearam o
seu arbitramento, seria necessária a análise da legislação infraconstitucional pertinente e o
reexame dos fatos e provas dos autos, o que não enseja reexame em recurso extraordinário.
Incidência da Súmula nº 279 desta Corte. Sobre o tema, anote-se: “Agravo regimental no
recurso extraordinário. Administrativo. Desapropriação. Reforma agrária. Perícia. Valor da
indenização. Cobertura vegetal. Potencial de exploração. Forma de calcular a indenização.
Ofensa reflexa. Reexame de fatos e provas.Impossibilidade. Precedentes. 1. Mostra-se
inadmissível, em recurso extraordinário, o reexame dos fatos e das provas dos autos.
Incidência da Súmula nº 279 desta Corte. 2. Agravo regimental não provido” (RE nº
593.871/GO-AgR, Primeira Turma, minha relatoria, DJe de 7/2/13). “DIREITO
ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. REFORMA AGRÁRIA. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E
JULGAMENTO. JUSTA INDENIZAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS E COMPENSATÓRIOS. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL. REEXAME INCABÍVEL NO ÂMBITO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
INVIABILIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS. Impossibilidade de exame em recurso
extraordinário de alegada violação, acaso existente, situada no âmbito infraconstitucional.
Inviabilidade de reenquadramento fático em sede recursal extraordinária. Aplicação da
Súmula 279/STF: “para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. Agravo
regimental conhecido e não provido” (AI nº 794.288/MT-AgR, Primeira Turma, Relatora a
Ministra Rosa Weber, DJe de 1º/8/12). “AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE
INSTRUMENTO. ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. JUSTA INDENIZAÇÃO.
CONTROVÉRSIA DECIDIDA COM BASE NA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E NO
CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 279/STF. 1.Caso em
que entendimento diverso do adotado pela instância judicante de origem demandaria a
análise da legislação ordinária pertinente e o revolvimento dos fatos e provas constantes dos
autos. Providências vedadas neste momento processual. 2. Agravo regimental desprovido”(AI
nº 763.874/RS-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Ayres Britto, DJe de 13/10/11).
“REGIMENTAL. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. PROVA
PERICIAL. RECONHECIMENTO DE FALSIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 279/STF. Para se
chegar a conclusão diversa daquela a que chegou o acórdão recorrido, quanto à falsidade da
prova pericial em que se baseou o acórdão rescindendo, seria necessário reexaminar os fatos
da causa, o que é vedado na esfera do recurso extraordinário, de acordo com a Súmula
279/STF. Agravo regimental a que se nega provimento” (AI nº 746.866/SP-AgR,Segunda
Turma, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, DJe de 28/2/11). “DIREITO ADMINISTRATIVO.
DESAPROPRIAÇÃO. JUSTA INDENIZAÇÃO. ARTS. 5º, XXIV, 20, § 2º E 184 DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL. REEXAME DE FATOS E PROVAS SÚMULA STF 279 E ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO
INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA. 1. O Supremo Tribunal Federal já assentou
entendimento de que o exame da alegada violação ao princípio da justa indenização está
adstrito ao âmbito infraconstitucional. 2. A verificação da suscitada ofensa aos
artigos 5º, XXIV; 20, § 2º e 184 daCF/88, quanto a ser justo, ou não, o pagamento da
indenização, bem como a respeito da eventual propriedade da área desapropriada requer,
necessariamente, a análise da legislação infraconstitucional e o reexame de fatos e provas,
hipóteses inviáveis em sede extraordinária. Precedentes. 3.Agravo regimental a que se nega
provimento” (RE nº 536.975/SC, Segunda Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJe de
17/5/11). “1. Reserva Florestal Serra do Mar: indenização. É da jurisprudência do Supremo
Tribunal que é devida indenização pela desapropriação de área pertencente à reserva
florestal Serra do Mar, independentemente das limitações administrativas impostas para
proteção ambiental dessa propriedade. Precedentes. 2. Indenização: redução do quantum:
inviabilidade, no recurso extraordinário: Súmula 279. É inviável modificar o quantum
indenizatório fixado pelo Tribunal a quo com base nos laudos periciais apresentados pelas
partes, que demandaria o reexame de fatos e provas, ao que não se presta o recurso
extraordinário (Súmula 279). 3. Juros compensatórios e moratórios: recurso extraordinário:
inadmissibilidade: questão decidida pelo acórdão recorrido com base em jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, fundada em legislação infraconstitucional: incidência da Súmula
636” (RE nº 471.110/SP-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de
7/12/06). “Desapropriação por interesse social: alegação de contrariedade aos princípios da
justa indenização e da preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado (CF,
arts. 5º, XXIV, 184 e 225) que, tal como deduzida, demandaria o reexame não só dos fatos e
da prova, como da legislação infraconstitucional invocada, inviáveis no extraordinário
(Súmula 279)” (RE nº 367.660/RN, Primeira Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ
de 2/5/03). “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO-ESGOTAMENTO DA
INSTÂNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 281 EM RELAÇÃO À PARTE NÃO UNÂNIME DO JULGADO.
DESAPROPRIAÇÃO POR INTERESSE SOCIAL. JUSTO PREÇO. JUROS MORATÓRIOS. O recurso
extraordinário só é cabível quando seus requisitos constitucionais de admissibilidade
ocorrem, e um deles é o de que a decisão recorrida decorra de causa julgada em única ou
última instância (art. 102, III, da Constituição Federal). Incidência da Súmula 281 em relação à
parcela do apelo extraordinário que ataca a matéria constante do voto majoritário. A análise
da alegada ofensa às normas dos arts. 5º, XXIV, e 184 da Constituição Federal demanda
reexame de fatos e provas e exame da legislação infraconstitucional. A fixação dos juros
moratórios - sem a observância do disposto no art. 15-B do Decreto-Lei 3.365/1941 - não
encontra fundamento nos dispositivos constitucionais invocados no recurso extraordinário.
Agravo regimental a que se nega provimento” (RE nº 399.785/BA-AgR,Segunda Turma,
Relator o Ministro Joaquim Barbosa, DJ de 23/9/05). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
INSTRUMENTO. DESAPROPRIAÇÃO. JUSTA INDENIZAÇÃO. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL.
REEXAME DE PROVAS. OFENSA INDIRETA. PRECEDENTES. 1. O Supremo Tribunal Federal fixou
entendimento no sentido de que o exame de contrariedade dos princípios da justa
indenização e da preservação do valor real restringe-se ao âmbito infraconstitucional. 2.
Reexame de fatos e provas. Inviabilidade do recurso extraordinário. Súmula 279 do Supremo
Tribunal Federal. Agravo regimental a que se nega provimento” (AI nº 717.016/SP-AgR,
Segunda Turma, Relator o Ministro Eros Grau, DJE de 19/9/08). Ante o exposto, nos termos
do artigo 557, § 1º-A, do Código de Processo Civil, conheço do recurso extraordinário e lhe
dou parcial provimento para reformar o acórdão recorrido de modo que seja incluído no valor
da indenização a cobertura vegetal da área expropriada e para fixar os juros compensatórios
em 12% ao ano. Publique-se. Brasília, 19 de dezembro de 2014.Ministro Dias
ToffoliRelatorDocumento assinado digitalmente