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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE EDUCAÇÃO
EDU02025 - CAMPO PROFISSIONAL DA DOCÊNCIA

Fernando Pereira Silveira

RELATÓRIO DE VISITA - ESPAÇO DE ENSINO


ARQUIVO HISTÓRICO DE PORTO ALEGRE MOYSÉS VELLINHO

Porto Alegre
2009
O local visitado foi o Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho, e foi
escolhido por seu Programa de Educação Patrimonial, que atua no desenvolvimento
da cidadania e da consciência patrimonial de jovens entre 6 e 14 anos. Esse
programa tem como objetivo fomentar a valorização da herança cultural registrada
em seu patrimônio documental e também da herança cultural não documentada - os
saberes populares -, além de estimular a apropriação intelectual e afetiva do espaço
do Arquivo Histórico e de seu acervo.
O Programa de Educação Patrimonial é formado por seis atividades: o Projeto Vivo
Toque, Projeto Papel Antigo & Papel Velho, Projeto Descobrindo a Arquivologia,
Projeto Brincando de Editar e o Projeto Sensibilização para a vida no âmbito
Humano, Cultural e Ambiental, que são oficinas e atividades de vivência lúdica
voltadas ao público infanto-juvenil, além das Visitas Guiadas, abertas ao público em
geral. Cada um desses projetos atua de forma diferente e possui um público-alvo
específico.
O Projeto Vivo Toque, dirigido a estudantes de 5ª a 7ª séries, tem enfoque na
interpretação do documento histórico. Os estudantes conhecem o espaço do
Arquivo Histórico, seus serviços, o acervo e aprendem noções básicas de cuidado e
preservação de documentos. Após a visita, são estimulados a fazerem sua própria
pesquisa no acervo por meio de um personagem, o Detetive Coruja, que recruta os
visitantes para auxiliá-lo a desvendar o mistério do incêndio do Mercado Público
Central de Porto Alegre, ocorrido em 1912.
O Projeto Papel Antigo & Papel Velho é dirigido a crianças entre 6 e 10 anos e tem
enfoque direto na educação patrimonial, falando sobre a origem do papel e seus
diferentes tipos. As crianças são convidadas a viajar no tempo até 1772, ano da
fundação da cidade de Porto Alegre, e conhecem dois personagens: uma senhora
que confecciona papel de trapos e uma broca bebê que de tanto ler as páginas que
devorava acabou se conscientizando sobre a importância dos documentos que
estava comendo.
O Projeto Descobrindo a Arquivologia é uma oficina voltada a alunos em conclusão
do ensino fundamental e tem como objetivo conhecer e valorizar o patrimônio
documental e preservar bens arquivísticos, capacitando os alunos a preparar
pequenos arquivos pessoais.
O Projeto Brincando de Editar, dirigido a alunos de 2ª e 3ª séries, desenvolve a
prática de construção de um livro. As crianças descobrem cada um dos processos
de confecção de um livro e os profissionais por trás desse trabalho. No fim da
atividade, cada aluno terá confeccionado seu próprio livro.
O Projeto Sensibilização para a vida no âmbito Humano, Cultural e Ambiental,
destinado a crianças de 6 a 10 anos, tem como objetivo, como o título sugere,
desenvolver a consciência ambiental, cultural e humana dos alunos. Essa
consciência é desenvolvida ao longo de quatro vivências lúdicas temáticas. A
primeira delas, Seres da Natureza, utiliza personagens do folclore brasileiro como o
Saci Pererê, Curupira e Boitatá para estimular as crianças a imaginar uma Porto
Alegre de 1.500 habitantes e questionar sobre seu funcionamento, incluindo
transporte, luz, água e saneamento. A segunda, Maga das Ervas, apresenta uma
bruxa com extenso conhecimento de plantas medicinais que conta histórias sobre
as plantas e desenvolve a idéias de saberes e fazeres populares e sua importância.
A terceira atividade, Sons da Natureza, introduz as crianças no mundo da ecologia
através do enfoque dos quatro elementos: fogo, terra, água e ar; dessa forma, elas
são estimuladas a prestar atenção nos sons a sua volta, incluindo os sons de seu
próprio corpo. Em seguida, constroem instrumentos primitivos e criam seus próprios
sons e composições. A última vivência, chamada de Cores da Natureza, traz as
crianças até uma caverna com pinturas rupestres e as estimula a pensar sobre a
comunicação. Em seguida, as crianças são levadas a extrair tintas de elementos da
natureza, da mesma maneira que nossos ancestrais faziam, e a usá-las para
expressar-se. As quatro atividades ocorrem no pátio do Arquivo Histórico,
explorando a estrutura e vegetação do espaço.
As crianças que participam das atividades agregam valores de preservação
patrimonial, desde simples cuidados com manejo de livros e outros documentos até
a capacidade de montar seu próprio arquivo pessoal de documentação. Também
agregam valores culturais e sociais, como o aprendizado sobre sua cidade, sobre o
seu funcionamento e gestão, e desenvolvem relações sociais e com o meio. As
atividades também inserem o Arquivo Histórico em seu contexto social e cotidiano,
fazendo com que o visitante aproprie-se de sua estrutura.
O Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho é sediado em dois casarões do
século XIX, ambos restaurados e adaptados para receber o Arquivo Histórico. Um
dos casarões guarda o acervo documental em uma sala climatizada, além de
oferecer outros espaços de pesquisa e duas bibliotecas. Há também um espaço no
andar inferior onde funciona o laboratório de restauração de documentos e outro
espaço utilizado nas atividades do programa de educação patrimonial. O outro
casarão, atualmente cedido, sedia as atividades administrativas e de manutenção.
Cercando os casarões, há um amplo pátio com uma pequena trilha ecológica que
explora a formação geológica do local.