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1ª - Questão:

Determinado Partido Político propõe Reclamação (CRFB, art. 102, I) com o objetivo de fazer
preservar a competência do STF por entender que um magistrado, em 1ª instância, a teria
usurpado ao julgar procedente ação civil pública promovida pelo Ministério Público estadual,
na qual declarou incidentemente a inconstitucionalidade de norma contida em Lei Orgânica
de determinado Município. Como consequência desse ato, o número de Vereadores da
Câmara Municipal diminuiria de 21 para 14. O reclamante entende que, desta forma, o limite
subjetivo da coisa julgada estender-se-ia além das partes litigantes, já que teria efeito erga
omnes, representando disfarçada utilização de ADIN pelo MP em sede de ação civil pública.
Procede o pedido?
O pedido em questão deve ser julgado improcedente, já que o STF reconhece
a possibilidade de controle de constitucionalidade incidental nas ações coletivas.
Reconhece a Suprema Corte a legitimidade da ação civil pública como
instrumento idôneo para fiscalização incidental de constitucionalidade de leis e atos do Poder
Público pela via difusa.
Cumpre ressaltar que a controvérsia constitucional deve ser questão prejudicial
da ação e não seu objeto principal.
Assinala-se que questão do controle de constitucionalidade coletivo é objeto de
controvérsia na doutrina.
Gilmar Ferreira Mendes, José dos Santos Carvalho Filho, José Manoel Arruda
Alvim, Arnoldo Wald e Antonio Cezar Lima da Fonseca salientam a impossibilidade de a ação
civil pública ser utilizada como instrumento de controle de constitucionalidade difuso, tendo
em vista que o processo instaurado em decorrência do exercício da ação coletiva, sob o
aspecto prático, seria assemelhado ao processo deflagrado pela ação direta de
inconstitucionalidade.
Luís Roberto Barroso, Clèmerson Merlin Clève, Oswaldo Luiz Palu, Hugo Nigro
Mazzilli e Alexandre Freitas Câmara sustentam a possibilidade do controle de
constitucionalidade coletivo, uma vez que a arguição de inconstitucionalidade, em sede de
ação civil pública, não importa na usurpação da competência constitucionalmente reservada
ao Supremo Tribunal Federal ou aos Tribunais de Justiça.
Considerando o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, que admite a
utilização da ação coletiva como instrumento de controle de constitucionalidade pela via de
exceção, conclui-se que, no caso concreto, a ação civil pública foi meio hábil para deflagração
de controle de constitucionalidade coletivo.
Nesse diapasão a RCL 1733/SP:
INFORMATIVO Nº 212
Ação Civil Pública e Controle Difuso (Transcrições)
Ação Civil Pública e Controle Difuso (Transcrições) RCL 1.733-SP (medida
liminar)* RELATOR: MIN. CELSO DE MELLO EMENTA: AÇÃO CIVIL
PÚBLICA. CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE.
QUESTÃO PREJUDICIAL. POSSIBILIDADE. INOCORRÊNCIA DE
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USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. -
O Supremo Tribunal Federal tem reconhecido a legitimidade da utilização da
ação civil pública como instrumento idôneo de fiscalização incidental de
constitucionalidade, pela via difusa, de quaisquer leis ou atos do Poder
Público, mesmo quando contestados em face da Constituição da República,
desde que, nesse processo coletivo, a controvérsia constitucional, longe de
identificar-se como objeto único da demanda, qualifique-se como simples
questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal.

2ª - Questão:
JOÃO CARLOS, condenado por crime hediondo no Estado do Acre, ajuíza uma reclamação
em maio de 2006, junto ao STF, pretendendo a progressão de seu regime. Alega que o STF,
ao julgar o HC 82959/SP, declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 2º § 1º da
Lei 8072/90, motivo pelo qual o benefício dever-lhe-ia ser deferido.
Ao se manifestar sobre o tema, o Ministério Público alega que o benefício não deve ser
deferido ao reclamante, já que a decisão apontada como paradigma declarou a
inconstitucionalidade apenas incidentalmente.
Responda fundamentadamente, sem levar em consideração a superveniência da lei
11464/07, se o pedido deve ser deferido.

Deve o pedido ser deferido, uma vez que a decisão do STF se deu em sede de
controle difuso de constitucionalidade, produzindo, pois, apenas efeitos inter partes e não erga
omnes.
Para que se atingisse o efeito erga omnes seria necessário que a lei,
incidentalmente declarada inconstitucional pelo STF, foss suspensa do ordenamento pelo
Senado, cuja decisão terá efeitos ex nunc e erga omnes, atingindo, a partir de então, todos
que se encontrem na mesma situação, a despeito de não terem entrado com as ações
específicas perante o Judiciário.
A decisão do Senado Federal modifica os efeitos do controle difuso,
aumentando a sua abrangência. Seus efeitos deixam de ser inter partes e ex tunc para se
tornarem erga omnes e ex nunc. Portanto, mesmo aqueles cidadãos que não pleitearam seus
direitos pelo controle difuso serão atingidos pela decisão do Senado, com efeitos erga omnes
e ex nunc.
3ª - Questão:
Em autos de representação de inconstitucionalidade em que o Procurador-Geral de Justiça
interpôs recurso extraordinário que, por ora, encontra-se sobrestado no Tribunal de origem
em face do reconhecimento da existência de repercussão geral da matéria constitucional
tratada, o recorrente ajuíza ação cautelar no Supremo Tribunal Federal, a fim de que a Corte
conceda efeito suspensivo ao recurso, para evitar lesão irreparável à ordem econômica do
Estado.
Responda, fundamentadamente, se, no caso, o PGJ acertou no direcionamento da demanda
cautelar.

Não. A competência para o julgamento de ações cautelares como a em exame,


ainda que o Recurso Extraordinário já tenha tido juízo de admissibilidade é do Tribunal de
Origem.
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Os processos, portanto, devem ficar suspensos aguardando a decisão do STF.
Não obstante, caso se verifique questão emergencial, ação cautelar pode ser ajuizada perante
o Tribunal de Origem, tendo este competência e autonomia para apreciar se presentes
periculum in mora e fummus boni iuris.
Nesse sentido a AC 2177 MC-QO:

QUESTÃO DE ORDEM. AÇÃO CAUTELAR. RECURSO


EXTRAORDINÁRIO. PEDIDO DE CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO
E O SOBRESTAMENTO, NA ORIGEM, EM FACE DO RECONHECIMENTO
DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
ARTIGOS 543-B, § 1º, DO CPC, E 328-A, DO RISTF. SÚMULAS STF 634 E
635. JURISDIÇÃO CAUTELAR QUE DEVE SER PRESTADA PELOS
TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS A QUO, INCLUSIVE QUANTO AOS
RECURSOS ADMITIDOS, PORÉM SOBRESTADOS NA ORIGEM. 1. Para a
concessão do excepcional efeito suspensivo a recurso extraordinário é
necessário o juízo positivo de sua admissibilidade no tribunal de origem, a
sua viabilidade processual pela presença dos pressupostos extrínsecos e
intrínsecos, a plausibilidade jurídica da pretensão de direito material nele
deduzida e a comprovação da urgência da pretensão cautelar. Precedentes.
2. Para os recursos anteriores à aplicação do regime da repercussão geral
ou para aqueles que tratem de matéria cuja repercussão geral ainda não foi
examinada, a jurisdição cautelar deste Supremo Tribunal somente estará
firmada com a admissão do recurso extraordinário ou, em caso de juízo
negativo de admissibilidade, com o provimento do agravo de instrumento, não
sendo suficiente a sua simples interposição. Precedentes. 3. Compete ao
tribunal de origem apreciar ações cautelares, ainda que o recurso
extraordinário já tenha obtido o primeiro juízo positivo de admissibilidade,
quando o apelo extremo estiver sobrestado em face do reconhecimento da
existência de repercussão geral da matéria constitucional nele tratada. 4.
Questão de ordem resolvida com a declaração da incompetência desta
Suprema Corte para a apreciação da ação cautelar que busca a concessão
de efeito suspensivo a recurso extraordinário sobrestado na origem, em face
do reconhecimento da existência da repercussão geral da questão
constitucional nele discutida. (AC 2177 MC-QO, Relator(a): Min. ELLEN
GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 12/11/2008, DJe-035 DIVULG 19-02-
2009 PUBLIC 20-02-2009 EMENT VOL-02349-05 PP-00945 RTJ VOL-
00209-03 PP-01021)

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