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Universidade Sul de Santa Catarina

TCC: Curso de
Matemática –
Bacharelado

UnisulVirtual
Palhoça, 2017
Copyright © UnisulVirtual 2017
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul Campus Universitário UnisulVirtual


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Ana Paula Reusing Pacheco

Livro Didático
Professor conteudista Diagramação
Diva Marília Flemming Noemia Mesquita
Designer instrucional Revisão Ortográfica
Rafael da Cunha Lara Contextuar
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual

F62
Flemming, Diva Marília
TCC: curso de matemática - bacharelado: livro didático/Diva Marília
Flemming; design instrucional Rafael da Cunha Lara. – Palhoça: UnisulVirtual,
2017.
95 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.
e-ISBN

1. Matemática - Pesquisa. 2. Ciência - Pesquisa. 3. Monografias. I. Lara,


Rafael da Cunha. II. Título.

CDD (21. ed.) 510.72

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul


Diva Marília Flemming

TCC: Curso de
Matemática –
Bacharelado

Livro didático

Designer instrucional
Rafael da Cunha Lara

UnisulVirtual
Palhoça, 2017
Sumário

Introdução  | 7

Capítulo 1
Pesquisa e monografia: Curso de Matemática –
Bacharelado | 9

Capítulo 2
Projeto de pesquisa: elementos iniciais | 21

Capítulo 3
Referencial teórico: Por quê? Para quê? | 41

Capítulo 4
Projeto de pesquisa: redação e formatação | 49

Capítulo 5
Projeto de pesquisa: desenvolvimento das
ações | 67

Capítulo 6
Monografia: organização e formatação | 75

Considerações Finais | 91

Referências | 93

Sobre o Professor Conteudista | 95


Introdução

Prezados estudantes

No decorrer da Unidade de Aprendizagem Pesquisa e Monografia em Matemática


- Bacharelado, você terá a oportunidade de refletir e discutir com o(a) professor(a)
orientador(a) sobre o desenvolvimento da pesquisa, cujos resultados formarão a
monografia do seu Trabalho de Conclusão do Curso (TCC).

A proposta do presente livro didático busca atender a formação de competências


e habilidades previstas, previstas no Projeto Pedagógico do Curso de Matemática
– Bacharelado, relacionadas com a formação de um professor de matemática
pesquisador ou de um matemático para atuar em mercados de trabalho que
requisitam os conhecimentos interdisciplinares de matemática.

É importante que o estudante fique atento para o fato de que lidar com uma
pesquisa interdisciplinar exige diálogos sistemáticos com os pares. Assim, para
este momento, você poderá dialogar com o(a) professor(a), que vai orientar a sua
pesquisa, podendo inclusive considerá-lo como um parceiro.

Na reta final da sua formação inicial em um Curso de Bacharelado em


Matemática, procure observar um pouco mais a matemática interdisciplinar e,
em especial, nos focos que foram trabalhados no decorrer do curso: ambiental,
Física, engenharias e contexto econômico-financeiro. Faça a sua escolha e siga
em frente rumo ao sucesso.

Lembre-se de que no decorrer do desenvolvimento do TCC vem à tona toda


a sua formação relacionada com aspectos da História da Matemática, com os
conteúdos das principais subáreas de matemática pura ou aplicada e com os
recursos tecnológicos que deverão ser bem aplicados nos momentos em que
as técnicas e os longos algebrismos nos levam a uma rotina que se sobrepõe ao
raciocínio e à lógica.

No primeiro capítulo, vamos apresentar um amplo panorama do TCC, visando a


mostrar claramente que você tem grandes desafios para em um tempo limitado:
elaborar um projeto de pesquisa, desenvolver a pesquisa e apresentar os
resultados na forma de uma monografia. Isso será possível, considerando-se que
no decorrer do seu curso, várias Unidades de Aprendizagem já levaram você para
os caminhos da formação do pesquisador. De certa forma, é a continuação de
uma caminhada que já foi iniciada.
No segundo capítulo, vamos olhar para os detalhes do projeto de pesquisa,
discutindo sobre os elementos básicos para as escolhas e formatação do
documento. Nos capítulos 3 e 4, têm-se as orientações para a finalização do
projeto, que deverá, de forma imediata, ter as suas ações desenvolvidas. Essas
ações são discutidas de forma genérica no capítulo 5. Sua pesquisa é única e,
portanto, as especificidades serão discutidas no decorrer da sua caminhada.

No capítulo final, vamos discutir os aspectos fundamentais para a finalização do


TCC com a apresentação escrita e oral da monografia, que relata os resultados
da sua pesquisa.

No decorrer do desenvolvimento do seu TCC, você vai poder dialogar muito com
o(a) professor(a) orientador(a), sendo desejável a efetiva parceria que deverá
culminar com a proposta de uma produção científica conjunta.

Desejamos sucesso para você e para o(a) seu professor(a) orientador(a)!

Profa. Dra. Diva Marília Flemming


Capítulo 1

Pesquisa e monografia: Curso de


Matemática – Bacharelado

Para refletir
“A Matemática – diz Einstein – goza, perante todas as outras ciências, de um
prestígio especial, e isto por uma razão única: é que suas teses são absolutamente
certas e irrefutáveis, ao passo que as outras ciências são controvertidas até certo
ponto e sempre em perigo de serem derrubadas por fatos recém-descobertos. A
Matemática goza deste prestígio porque é ela que dá às outras ciências certa medida
de segurança, que elas não poderiam alcançar sem a Matemática.

E aqui é que surge o enigma: como é possível que a Matemática, que é um produto da
mente humana, independente de qualquer experiência, se adapte tão perfeitamente a
todos os objetos da realidade? Será que a razão humana pode descobrir atributos das
coisas reais sem nenhuma experiência, só pelo poder da mente?

A esta pergunta, responde Einstein:

‘As teses da Matemática não são certas quando relacionadas com a realidade, e,
enquanto certas, não se relacionam com a realidade’ ”.

Rohden, 2005, p. 133.

Estamos iniciando com esta citação, pois ela é bem significativa para este
texto, que será o ponto de partida de uma caminhada a ser percorrida por você,
estudante do Curso de Matemática da Unisul Virtual. Você terá a oportunidade de
usar a Matemática com sabedoria para dar respostas a muitas perguntas.

Você escolheu fazer uma graduação, trilhando um caminho com muitos encontros
com a Matemática, que, segundo Einstein, goza de um prestígio especial.

Você também é especial, pois está concretizando um ciclo de estudos que


envolveu a Matemática sob diferentes olhares.

9
Capítulo 1

Chegou o momento de finalizar com “chave de ouro”. Como?

Vai ser preciso fazer perguntas cujas respostas não são óbvias ou até mesmo
nunca respondidas. Você vai assumir o desafio de investigar as soluções. O
importante não é chegar ao final com respostas “prontas e acabadas”. Você deve
chegar ao final com a realização pessoal de ter pesquisado, refletido, coletado
dados, buscado informações, analisado resultados, enfim, você vai realizar uma
pesquisa científica para compor a monografia do seu TCC.

Vamos caminhar juntos!

Seção 1
Aspectos legais do Trabalho de Conclusão de
Curso
O Trabalho de Conclusão de Curso, denotado como TCC, é de fundamental
importância no decorrer da sua última etapa de estudos, da sua formação inicial
como professor de Matemática ou como pesquisador. O TCC representa uma
oportunidade de você demonstrar todas as competências para o mercado de
trabalho, além de prepará-lo para a sua formação continuada.

Os resultados, que serão expressos por meio de uma monografia e um artigo,


devem mostrar uma pesquisa científica no contexto da Matemática discutida
no ensino superior ou no contexto da Matemática pura ou aplicada. Como
estamos em um curso de bacharelado, o que se espera é um trabalho científico
de interesse da academia e de interesse para a sua caminhada futura como
pesquisador em um contexto interdisciplinar, haja vista que a sua formação foi
integralmente focada em ambientes interdisciplinares. A partir das bases de
conteúdos formalizadas nas diversas disciplinas/unidades de aprendizagem
do curso e do seu interesse e esforço pessoal, é possível desenvolver uma
monografia tendo como tema geral a Matemática pura ou aplicada.

Independentemente da sua escolha, o desenvolvimento da pesquisa deverá


oferecer, para a sua formação, possibilidades novas; e exigirá de sua parte muita
organização de trabalho.

Nesse capítulo inicial, vamos discutir os aspectos legais do seu TCC no contexto
do curso, dos documentos legais e da sua formação inicial como futuro docente do
ensino superior ou como um pesquisador interdisciplinar no mercado de trabalho.

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TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

1.1 Analisando os documentos legais


Não é novidade que todos os documentos legais já apresentam, há bastante
tempo, a discussão sobre a pesquisa científica na formação do professor
de Matemática. As palavras tornam-se conhecidas, como, por exemplo, a
“indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão”; e a cada novo documento
legal, as ideias são reforçadas.

No Parecer CNE/CES n. 1.302, de 6 de novembro de 2001, e na Resolução


CNE/CES n. 3, de 18 de fevereiro de 2003, tem-se as Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN) que destacam um conjunto de competências e habilidades para
a formação do bacharel em Matemática enquanto profissionais para a carreira
do ensino superior e para a pesquisa. Dessa forma, o Projeto Pedagógico do
Curso (PPC) de Matemática da Unisul Virtual propicia a vivência da pesquisa e da
produção científica sob diversas formas, sendo que o TCC é o momento final, em
que o estudante exercita tanto a formalização de um projeto de pesquisa quanto
o desenvolvimento do projeto e a publicação dos resultados, na forma de uma
monografia e na forma de um artigo.

Assim, tem-se o entendimento de que a pesquisa se constitui em princípio


cognitivo e formativo, que, dessa forma, deve fazer parte da formação do futuro
bacharel em Matemática. No Curso de Matemática da Unisul Virtual, a articulação
entre ensino, pesquisa e extensão busca garantir um efetivo padrão de qualidade
acadêmica na formação profissional. Além disso, o PPC de Matemática
busca o alinhamento com os documentos legais da Universidade, o Plano de
Desenvolvimento Institucional (PDI) e o Projeto Pedagógico Institucional (PPI).

Ao vivenciar, ao final do curso, o desenvolvimento de uma pesquisa científica,


entende-se que as competências necessárias na formação do egresso do Curso
de Matemática – Bacharelado da Unisul estão praticamente consolidadas, na
medida em que o acesso às fontes nacionais e internacionais de pesquisa
dão suporte para as escolhas pedagógicas futuras e também podem delinear
aspectos para a formação continuada do professor de Matemática do ensino
superior. É preciso saber aplicar resultados de pesquisas na sua área de interesse.

Dessa forma, no desenvolvimento do TCC, o futuro professor ou futuro pesquisador


tem a oportunidade de vivenciar formalmente uma pesquisa científica.

Na seção seguinte, temos os dados do PPC, que informa toda a proposta da


Pesquisa e Monografia de Conclusão de Curso.

11
Capítulo 1

1.2 Analisando o TCC no Projeto Pedagógico do Curso de


Matemática
A certificação “Trabalho de Conclusão de Curso em Matemática” tem uma
única Unidade de Aprendizagem, denotada como “Pesquisa e Monografia em
Matemática – Bacharelado”. É uma certificação obrigatória, com 90 horas,
estruturada para que o estudante tenha um espaço específico para refletir e
elaborar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Considerando que, no decorrer
de todo o curso, o estudante é incentivado a compartilhar com discentes e
docentes os seus trabalhos, optou-se pela continuidade dessa concepção.
Assim, o estudante desenvolverá seu trabalho, individualmente, sob a orientação
de um professor do curso, mas terá momentos de trocas com os demais
estudantes em fase de conclusão do curso. O TCC deverá ser relevante para
o conhecimento científico, para a sociedade e para a formação do estudante.
Trata-se de uma pesquisa científica qualitativa ou quantitativa no contexto da
Matemática pura ou aplicada, cujos resultados devem ser apresentados na forma
de uma monografia e de um artigo publicável.

O desenvolvimento do TCC deverá acontecer conforme os propósitos de


pesquisa adotados pelo curso e em consonância com suas linhas de pesquisa,
que estão em conformidade com as linhas de pesquisa da Unidade Acadêmica
Produção, Construção e Agroindústria.

O PPC de Matemática, no decorrer do desenvolvimento da Certificação


Modelagem Matemática e Resolução de Problemas, propicia a discussão de
temas interdisciplinares que podem facilitar a escolha dos temas das pesquisas.
Na medida em que as Unidades de Aprendizagem dessa certificação são
desenvolvidas, tem-se produções acadêmicas que indicam as preferências
individuais para problemas de pesquisas, e também as tendências para a
identificação de um foco interdisciplinar (Física, engenharias, contexto ambiental
e contexto econômico-financeiro). Dessa forma, as linhas de pesquisa a serem
utilizadas como ponto de partida das pesquisas são as linhas do Grupo de
Pesquisa da Matemática, dos grupos de pesquisa dos mestrados institucionais e
de outros grupos de áreas afins.

O egresso do Curso de Matemática – Bacharelado da Unisul Virtual deverá


estar apto a realizar pesquisas que proporcionem conhecimento sobre o
desenvolvimento e a produção científica na academia, assim como em
ambientes interdisciplinares.

Tem-se também as possibilidades de pesquisas que contemplem estudos


específicos de conteúdos avançados de Matemática, seus fundamentos e
metodologias de ensino e de pesquisa, de modo que os alicerces conceituais da
formação continuada em nível de pós-graduação fiquem concretizados.

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TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Poderão também ser realizadas pesquisas envolvendo o uso de novas


tecnologias e/ou softwares livres, visando à aplicação no contexto da
modelagem matemática.

Haverá o incentivo para a realização de pesquisas em temas atuais, como,


por exemplo, pesquisas que envolvam as relações entre educação, trabalho e
sociedade, e, em especial, à sustentabilidade ambiental ou outras problemáticas
sociais que possam ser investigadas a partir da contribuição da modelagem
matemática ou de outros referenciais teóricos interdisciplinares.

Seguem as competências e habilidades que serão desenvolvidas no decorrer da


Unidade de Aprendizagem “Pesquisa e Monografia em Matemática”.

1.3 Competências e habilidades


Tem-se as seguintes competências expressas no PPC:

•• Conhecer os diferentes aspectos da produção do conhecimento.


•• Desenvolver atividades de pesquisa, destacando sua importância,
amplitude e complexidade no desenvolvimento da prática profissional.
•• Visualizar a pesquisa como ferramenta científica e como base
educativa.
•• Desenvolver a prática da pesquisa na sua área de formação.
•• Aplicar procedimentos científicos na análise de um problema
específico.
Em decorrência, seguem as habilidades:

•• Assumir uma postura crítica de professor pesquisador.


•• Identificar temas emergentes de pesquisa.
•• Estabelecer delimitações para um tema de pesquisa e desenvolve
um projeto de pesquisa em todas as suas etapas formais da
pesquisa científica.
•• Redigir uma monografia com os resultados da pesquisa em acordo
com as normas da ABNT.

1.4 Organização e funcionamento


Para a realização do trabalho de conclusão de curso, os estudantes contarão com
a orientação de um professor do quadro de docentes do Curso de Matemática –
Bacharelado ou de um pesquisador de um Grupo de Pesquisa da Unisul, parceiro
do Grupo de Pesquisa em Matemática e Educação Matemática (GPEMEM).

13
Capítulo 1

A unidade de aprendizagem terá uma turma no EVA e os orientadores estarão na


mesma turma, interagindo individualmente com cada orientando.

Há relatórios parciais que norteiam o acompanhamento das ações dos


estudantes, em acordo com prazos previamente estabelecidos no Plano de
Ensino da Unidade de Aprendizagem.

Cada professor-orientador terá, preferencialmente, dois orientandos por semestre,


sendo que, em situação especial, esse número poderá ser ampliado até o máximo
de cinco orientações por semestre.

1.4.1 Atribuições do professor-orientador


Dentre todas as atribuições inerentes ao professor que atua nas Unidades de
Aprendizagem da Unisul Virtual, salienta-se, de forma mais específica:

•• programar estratégias de orientação de forma síncrona e assíncrona


com os seus orientandos;
•• comunicar aos estudantes os horários dos encontros síncronos,
usando os instrumentos disponíveis no EVA ou outras mídias
adequadas para o processo de comunicação;
•• auxiliar os estudantes na definição do tema do trabalho e na
elaboração dos respectivos projetos;
•• orientar o estudante sobre os preceitos éticos da pesquisa científica,
assim como sobre a obrigatoriedade de submeter a pesquisa ao
Comitê de Ética quando esta envolver seres humanos;
•• acompanhar o desenvolvimento do trabalho, sugerindo e definindo
atividades a serem realizadas e atendendo a todas as normatizações
da Unisul Virtual relativas ao plano de ensino das unidades de
aprendizagem;
•• decidir sobre a adequação do trabalho no contexto do curso e sobre
o documento final a ser submetido à banca;
•• solicitar reformulações do trabalho, se necessário, antes da
apresentação à banca examinadora;
•• dar parecer, por escrito, para a qualificação do documento;
•• definir, em conjunto com a coordenação do curso, a banca
examinadora que deverá ser formada por dois professores do curso
ou professores dos grupos de pesquisa parceiros do Curso de
Matemática – Bacharelado, sob a coordenação do(a) orientador(a);

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TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

•• providenciar, com o coordenador do curso, a tramitação


necessária para a formação das bancas e as necessidades para o
acompanhamento do processo;
•• encaminhar ao coordenador do curso um resumo contendo
os pareceres da banca e dando providências para os devidos
encaminhamentos.

1.4.2 Atribuições dos estudantes


São atribuições dos estudantes:

•• responsabilizar-se pela qualidade e relevância do trabalho, seguindo


as normas atualizadas da Associação Brasileira de Normas Técnicas;
•• solicitar auxílio do orientador na definição do tema do TCC e na
elaboração do projeto da pesquisa, além das orientações sobre
os preceitos éticos da pesquisa científica, assim como sobre a
obrigatoriedade de submeter a pesquisa ao Comitê de Ética, quando
esta envolver seres humanos;
•• apresentar relatórios parciais em acordo com o Plano de Ensino da
Unidade de Aprendizagem;
•• comprometer-se com o desenvolvimento das atividades e
reformulações acordadas com o orientador;
•• organizar, com a supervisão do orientador, a apresentação do
documento final para a banca;
•• respeitar as datas definidas no calendário do curso;
•• fazer as adequações no trabalho solicitadas pelo professor
orientador antes de ser encaminhado à banca examinadora;
•• responsabilizar-se pela revisão ortográfica do trabalho,
encaminhando a um profissional habilitado se necessário;
•• revisar ou refazer o documento a partir das possíveis indicações
dos membros da banca examinadora e encaminhar para o
professor orientador;
•• elaborar um artigo da monografia, conjuntamente com o(a)
orientador(a), para submeter à publicação no âmbito de uma
revista científica, a ser definida conjuntamente com o orientador,
ou no Laboratório Virtual de Matemática (LAVIM) e/ou em eventos
científicos institucionais.

15
Capítulo 1

1.4.3 Sistema de avaliação


O trabalho final do curso será avaliado por meio de:

1. Participação e comprometimento individual no decorrer de todo as


etapas da pesquisa.
2. Apresentação escrita, no formato de uma monografia, dos
resultados da pesquisa científica realizada.
3. Apresentação de um artigo para publicação em parceria com o(a)
orientador(a).

Para as estratégias (1) e (3), os professores-orientadores deverão estabelecer


critérios de avaliação no plano de ensino da Unidade de Aprendizagem,
emitindo notas de zero a dez e considerando que o peso das atividades
avaliativas é de 40%.

Para a estratégia (2), estabelece-se a média das notas de zero a dez emitidas
por cada membro da banca (dois professores e o professor-orientador). Para a
emissão da nota, a banca deve alicerçar a sua análise nas seguintes variáveis:
autenticidade, correção de conteúdos matemáticos e outros. Na análise global, a
banca deverá considerar a introdução e relevância do trabalho, a fundamentação
teórica, os aspectos metodológicos da pesquisa, a coleta e organização dos
dados e os resultados e conclusões da pesquisa.

A nota final, de zero a dez, deverá refletir: originalidade, alicerces conceituais e


teóricos consistentes e cumprimento das normas técnicas e metodológicas da
pesquisa científica.

As avaliações serão expressas em notas, cabendo ao professor-orientador


fazer os registros e encaminhar o resultado final no diário de classe para o
coordenador do curso. Ficará aprovado o estudante que obtiver média igual ou
superior a 7,0 (sete).

Caso o estudante não consiga a média igual ou superior a sete, poderá rever
ou refazer seu trabalho a partir da indicação da banca examinadora, ficando o
fechamento da avaliação sob a responsabilidade do orientador, a partir de ações
de recuperação que devem ser realizadas pelo estudante. Observa-se que as
recuperações deverão atender ao prazo final do encerramento da disciplina/
unidade de aprendizagem.

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TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Em acordo com dispositivos legais, a apresentação do TCC será realizada por


meio de webconferências, usando-se os recursos existentes na Unisul Virtual em
seus ambientes de aprendizagem (EVA e polos).

Seção 2
Etapas gerais do TCC
O estudante terá de passar por três grandes etapas:

1. planejar a sua pesquisa;


2. executar a sua pesquisa;
3. relatar os resultados da pesquisa na forma de uma monografia e
pelo menos um protótipo de artigo para publicação conjunta com
o(a) professor(a)-orientador(a).
Essas etapas serão aqui apresentadas de forma resumida. No decorrer dos
textos seguintes, você terá as orientações detalhadas para cada etapa do
desenvolvimento do seu TCC.

2.1 Redação do projeto de pesquisa


Para a primeira etapa, o estudante, sob a orientação do professor-orientador,
deverá efetivar vários passos para compor os itens citados no Quadro 1.1.
Observe que o sumário já mostra a formatação que deve ser dada em cada título.

Cada item citado terá as especificidades relativas aos conteúdos textuais e à


formatação. Os detalhes serão discutidos nos textos indicados no EVA (Tópicos
de Estudos 1 e 2).

Observe que, até ao término da etapa 1, você deverá ter um projeto de pesquisa
pronto e formatado para dar início à etapa de desenvolvimento da pesquisa.
Procure não confundir esse documento com a monografia do seu TCC.

17
Capítulo 1

Quadro 1 – Exemplo do sumário do projeto de pesquisa

1.CONSIDERAÇÕES INICIAIS
1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO DO TEMA
1.2 PROBLEMATIZAÇÃO
1.3 JUSTIFICATIVAS
1.4 OBJETIVOS
1.5 VARIÁVEIS E HIPÓTESES

2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.DELIMITAÇÃO METODOLÓGICA
3.1 TIPO DA PESQUISA
3.2 POPULAÇÃO E PROCESSO DE AMOSTRAGEM
3.3 COLETA DE DADOS
3.4 ETAPAS METODOLÓGICAS E CRONOGRAMA

REFERÊNCIAS

Fonte: Flemming, 2009.

2.2 Desenvolvimento da pesquisa


Após a conclusão e aprovação do seu projeto de pesquisa, você deverá
desenvolver todas as ações previstas nas etapas metodológicas e no
cronograma da sua pesquisa. É fundamental uma revisão, para que você tenha o
detalhamento de todas as ações que deverão ser realizadas. Os textos indicados
no Tópico de Estudos 3 serão importantes para ajudar em pequenos detalhes
que podem facilitar o desenvolvimento da sua pesquisa. Lembre-se das suas
atribuições como estudante-pesquisador e do seu professor como um orientador
e parceiro da sua pesquisa.

18
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

2.1 Relatando os resultados da pesquisa


Os resultados da pesquisa serão apresentados sob as seguintes formas:

1. u
ma monografia escrita em acordo com as orientações do template
apresentado aos estudantes no ambiente virtual de aprendizagem;
2. uma apresentação oral para uma banca examinadora;
3. uma proposta inicial de um artigo científico para uma publicação
posterior conjuntamente com o(a) professor(a)-orientador(a).

O aprimoramento do artigo será realizado em parceria com o professor-orientador


e poderá ocorrer em momento posterior ao encerramento das atividades da
Unidade de Aprendizagem. Considerando-se a importância da documentação da
produção científica no curso, professor e estudante assumem formalmente uma
parceria. As publicações podem seguir os trâmites dos locais de publicação e,
no caso de publicação no LAVIM, deverá ter a licença Creative Commons (https://
br.creativecommons.org) e seguir a padronização do ambiente.

19
Capítulo 2

Projeto de pesquisa: elementos iniciais

“O mundo real é o mundo percebido. Mas não é um mundo subjetivo, nem relativo
ao sujeito. É uma realidade concreta, porque estruturada na rede de significados
construídos histórica e socialmente. Rede que se expande, que se transforma
conforme a perspectiva pela qual é olhada. Olhada, porém, sempre de dentro da
própria rede que, em última análise, é o mundo real vivido, dado como um círculo
existencial hermenêutico onde tudo o que se quer é que ele faça sentido. Essa é a
investigação primeira: o sentido que o mundo faz para cada um de nós e para todos
ao mesmo tempo, pois são inseparáveis e totalizantes”.

Bicudo, 2004, p. 111.

A citação acima leva à reflexão sobre a realidade concreta estruturada em uma


rede de significados. No momento da escolha do tema para a sua pesquisa do
TCC, você deve refletir sobre a sua realidade profissional, sobre o campo de
trabalho para o qual você está se preparando – a Educação, como professor
do ensino superior e/ou pesquisador em um mercado de trabalho que requer a
presença do matemático.

Além disso, você tem seus sonhos, suas facilidades e suas dificuldades, que
podem ainda ser superadas nessa reta final. É o momento de fazer uma escolha.

O que você vai pesquisar seguindo uma rotina científica?

Este texto vai ajudar você, a partir de exemplos e a partir das orientações do PPC
do Curso de Matemática – Bacharelado, a dar uma resposta para essa questão.

No presente capítulo, vamos orientar para a redação da parte inicial do seu


projeto de pesquisa, referente aos itens: tema e delimitação do tema; problema ou
questões norteadoras da pesquisa; justificativas; objetivos; variáveis e hipóteses.

21
Capítulo 2

Seção 1
Tema e delimitação de tema
Sua caminhada inicia com a escolha do tema, ou seja, com a escolha do assunto
sobre o qual você vai pesquisar. Ao escolher um assunto, você deve estar em
sintonia com as suas próprias inclinações e possibilidades. Além disso, deve ter a
certeza de que está diante de um problema ou uma questão relevante, tanto para a
sua formação quanto para a comunidade científica (professores ou pesquisadores
do contexto da educação matemática ou Matemática pura e aplicada).
Você sabe o que é um tema?
Qual a diferença entre tema e o título de uma pesquisa ou TCC?
Veja, a seguir, algumas definições para você ter clareza no momento da sua
escolha sob a orientação do seu professor-orientador.

1.1 Conceitos importantes


Vamos, inicialmente, colocar o significado de alguns conceitos que permeiam
um ambiente de pesquisa científica. Vamos apresentar os conceitos de área de
conhecimento e as suas interpretações utilizadas nas pesquisas.

Não vamos, neste texto, fazer toda a discussão sobre o que é conhecimento e as
suas diversas concepções, pois, sobre esse tema, você já vivenciou no decorrer
do seu curso. Agora, vamos discutir o que significa área de conhecimento.

Os conhecimentos construídos no decorrer dos séculos são atualmente


categorizados, podendo ou não ser uma ciência. Por exemplo, Física,
Matemática, Biologia, Artes, estruturas metálicas, conjuntos, análise complexa,
equações diferenciais etc. A categorização é uma definição institucional.

No contexto da pesquisa científica no Brasil, tem-se a categorização adotada


pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)
– http://www.capes.gov.br –, uma fundação do Ministério da Educação (MEC)
que desempenha um papel fundamental na expansão e consolidação do
mestrado e doutorado no Brasil. Em 2007, passou também a atuar na formação
de professores da educação básica, ampliando o alcance de suas ações na
formação de pessoal qualificado no Brasil e no exterior.

Há também a categorização do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico


e Tecnológico (CNPq) – www.cnpq.br –, uma agência do Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação (MCTI), que tem como principais atribuições fomentar a
pesquisa científica e tecnológica e incentivar a formação de pesquisadores brasileiros.

22
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Tanto a Capes quanto o CNPq têm a finalidade prática de proporcionar, às


instituições de ensino, pesquisa e inovação, uma maneira ágil e funcional para
sistematizar as informações relativas a projetos de pesquisa, recursos humanos etc.

As áreas de conhecimento são apresentadas em uma grande tabela,


disponibilizada nos sites. Por exemplo, na tabela do CNPq é possível visualizar os
níveis da hierarquia, considerando-se:

•• Nível 1 – Grande área


•• Nível 2 – Área de conhecimento
•• Nível 3 – Subárea de conhecimento
•• Nível 4 – Especialidade

A grande área apresenta a aglomeração de diversas áreas do conhecimento,


em virtude da afinidade de seus objetos, métodos cognitivos e recursos
instrumentais, refletindo contextos sociopolíticos específicos.

A área do conhecimento (área básica) é formada por um conjunto de


conhecimentos inter-relacionados, coletivamente construído, reunido segundo
a natureza do objeto de investigação, com finalidades de ensino, pesquisa e
aplicações práticas.

Na subárea, tem-se a segmentação da área do conhecimento (ou área básica)


estabelecida em função do objeto de estudo e de procedimentos metodológicos
reconhecidos e amplamente utilizados.

No último nível, tem-se as especialidades, com a caracterização temática da


atividade de pesquisa e ensino. Uma mesma especialidade pode ser enquadrada
em diferentes grandes áreas, áreas básicas e subáreas.

Veja um exemplo:

Quando 1.2 – Exemplo de hierarquização de área de conhecimento

Grande área: 1.00.00.00-3 Ciências Exatas e da Terra

Área de conhecimento: 1.01.00.00-8 Matemática

Subárea de conhecimento: 1.01.01.00-4 Álgebra

Especialidade: 1.01.01.01-2 Conjuntos

Fonte: CNPq, 2017.

Em que momento vamos usar essa tabela?

23
Capítulo 2

Ao fazer a escolha do seu tema de pesquisa, será necessário identificar onde


seu tema vai ficar melhor enquadrado. Como, em nosso curso, temos, no ensino
superior, os contextos da Matemática, da Física, ambiental, engenharias e
econômico-financeiro, é usual as pesquisas estarem enquadradas em diferentes
grande áreas.

1.2 Linhas de pesquisa


Atualmente, o CNPq tem uma plataforma para documentar as pesquisas
realizadas no Brasil, envolvendo as instituições de ensino e pesquisa, seus
pesquisadores, suas pesquisas e seus orientandos, agrupadas em Grupos de
Pesquisa.

Assim, um grupo de pesquisa reúne pesquisadores, estudantes e pessoal de


apoio técnicos que estão organizados em torno de linhas de pesquisa, segundo
uma regra hierárquica alicerçada na experiência e competência científica.

A Figura 1.1 mostra uma parte da página inicial do Grupo de Pesquisa em


Matemática e Educação Matemática, que abriga as pesquisas realizadas pelos
professores e estudantes do Curso de Matemática da Unisul.

Figura 1 – Tela inicial do Grupo de Pesquisa

Fonte: Diretório do Grupo de Pesquisas do CNPq, 2016.

Uma linha de pesquisa representa temas aglutinadores de estudos científicos,


que se fundamentam em tradição investigativa, de onde se originam projetos de
pesquisa, cujos resultados guardam afinidades entre si.

24
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Na Unisul, as linhas de pesquisa dos grupos de pesquisas certificados pela


Unisul são sinalizadas nos cursos de graduação e pós-graduação que abrigam os
pesquisadores como docentes.

O PPC de Matemática – Bacharelado prevê a definição de linhas de pesquisa


alinhadas no Grupo de Pesquisa em Matemática e Educação Matemática,
observando-se que, no momento do desenvolvimento de pesquisas com os
pesquisadores dos grupos parceiros, novas linhas de pesquisa poderão ser
mencionadas e alinhadas interdisciplinarmente com as aqui citadas:

1. Modelagem matemática, tratamento e análise de dados.


2. Tecnologia aplicada à educação presencial e a distância.
3. Matemática com aplicações interdisciplinares.
4. Recursos Educacionais Abertos (REAs).
5. Tendências em Educação Matemática.
Essas linhas, em conjunto com linhas de cursos parceiros, com afinidades nas
subáreas de conhecimento, podem dar suportes a um conjunto grande de
temas interdisciplinares ou temas mais específicos, que, por sua vez, darão
suporte às pesquisas interdisciplinares realizadas por docentes e discentes do
Curso de Matemática.

A linha Modelagem Matemática, Tratamento e Análise de Dados visa


ao estudo e aplicação de modelos matemáticos e estatísticos de sistemas
complexos em domínios diversos. Para a educação matemática, destacam-se
especialmente as possibilidades de temas que abordem a educação matemática
ou estatística em diferentes contextos: ambiental, econômico-financeiro etc.

A linha Tecnologia Aplicada à Educação Presencial e a Distância está voltada


ao estudo das novas tecnologias aplicadas ao processo ensino-aprendizagem,
tanto na modalidade presencial quanto na modalidade a distância. Atualmente,
tem-se um excelente campo experimental que deve ser explorado na Unisul
Virtual para ampliar as potencialidades das metodologias adequadas ao processo
ensino-aprendizagem da Matemática na modalidade a distância.

A linha Matemática com Aplicações Interdisciplinares agrega pesquisas


interdisciplinares com estudantes do Curso de Matemática – Bacharelado e
pesquisadores de grupos de pesquisas parceiros do GPMEM. Especificamente,
tem-se pesquisas aplicadas na resolução de problemas no contexto da Física,
das engenharias, da sustentabilidade e do meio ambiente e econômico-financeiro.

25
Capítulo 2

A linha Recursos Educacionais Abertos (REAs) agrega os projetos de pesquisa


que envolvem a discussão dos REAs, considerando-se os aspectos formais de
direitos autorais, a formação de redes sociais e redes de conhecimento, recursos
tecnológicos para a produção, adaptação, disseminação e compartilhamento de
conhecimentos que visem à promoção e à aprendizagem aberta e colaborativa
da Matemática em ambientes sociais, formais e educacionais, em diferentes
níveis de ensino.

A linha Tendências em Educação Matemática tem o foco, como o nome indica,


nas tendências atuais em educação matemática, e também poderá abrigar
projetos interdisciplinares, principalmente quando a tendência que será utilizada
como referencial teórico é a modelagem matemática ou Informática e novas
tecnologias educacionais.

De um modo geral, pode-se dizer que todas as linhas podem abrigar projetos
interdisciplinares e, portanto, tem-se muitas possibilidades para a escolha de
temas das pesquisas.

1.3 Escolha do tema


No decorrer do desenvolvimento das diversas Unidades de Aprendizagem
do Curso, em especial no desenvolvimento da Certificação Modelagem de
Matemática e Resolução de Problemas, o estudante do curso de Matemática –
Bacharelado tem contato com escolhas de temas e problemas interdisciplinares.
Dessa forma, no momento do desenvolvimento de projetos de pesquisas para a
iniciação científica e para o TCC, o estudante faz escolhas e tem a oportunidade
de identificar professores para a troca de ideias.

No momento de formalizar a pesquisa obrigatória para o Trabalho de Conclusão


do Curso (TCC), o estudante busca alinhar um tema em torno das linhas de
pesquisa, visando também à parceria com um professor-orientador.

A literatura especializada aponta alguns parâmetros importantes desse momento


da pesquisa. Por exemplo:

O bom senso e a atitude crítica do pesquisador devem levar à


escolha de tema exequível para a pesquisa, tanto no que diz
respeito ao acesso aos dados que permitam realizá-la quanto ao
real interesse de seus resultados para a comunidade científica
ou acadêmica.

26
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

[...] Isso significa que neste momento o pesquisador, após


escolher seu tema de pesquisa, deverá delimitá-lo, a
partir da situação problemática, no sentido de encaminhar
operacionalmente o desenvolvimento de sua pesquisa, de acordo
com o tema escolhido; geralmente o tema tem uma amplitude
que comporta vários estudos e interpretações, cabendo ao
pesquisador a tarefa de “decompô-lo” e selecionar com precisão
seu campo de atuação. [...]
A identificação e a formulação do problema não são processos
fáceis, que se deem ao acaso; ao contrário, exigem uma reflexão
crítica do pesquisador, pois disso depende a originalidade
da pesquisa e a contribuição que trará para o conhecimento
científico e para a sua própria formação. (PÁDUA, 2002, p. 38-39).

Pádua (2002), ao discutir o tema de uma pesquisa, salienta os seguintes aspectos


que podem nortear a escolha desse tema:

•• Superar alguma lacuna na formação profissional.


•• Relevância do estudo.
•• Reelaboração de aspectos teóricos práticos.
•• Aplicabilidade.

1.3.1 Critérios para nortear a escolha do tema


Um estudante pode escolher um tema a partir da ideia do desafio de superar
uma lacuna em um determinado assunto da Matemática ou até mesmo um
assunto que não foi discutido de forma mais aprofundada na sua formação
profissional. Por exemplo: funções complexas; Geometria não euclidiana;
Matemática discreta etc.

A relevância do estudo pode atrair a atenção do estudante para um tema. Por


exemplo, temas no contexto econômico-financeiro podem ser atraentes para o
estudante que tem a pretensão de atuar no mercado financeiro. Outro exemplo
é o resgate do uso de softwares ou tecnologias em diferentes aplicações que
envolvem a Matemática. A análise didática do uso de softwares pode ser um tema
atraente para quem gosta de usar as tecnologias e são temas bem relevantes, pois
sabemos que, atualmente, tanto na educação quanto em diferentes mercados de
trabalho, saber usar os recursos tecnológicos é uma qualificação exigida.

A reelaboração de aspectos teóricos ou práticos de uma determinada área


de conhecimento pode ser o ponto de partida para a escolha de um tema. Por
exemplo, métodos numéricos podem ser investigados sob a ótica de situações
práticas envolvendo o uso de softwares livres.

A aplicabilidade da Matemática em uma determinada área de conhecimento

27
Capítulo 2

ou em uma determinada situação prática pode resgatar muitos temas


interdisciplinares. Já temos várias pesquisas de TCC no Curso de Matemática –
Licenciatura que seguiram esse critério. Por exemplo, uma pesquisa que discute
a Matemática utilizada no controle de tráfego aéreo.

Muitos outros critérios podem ser o ponto de partida. Apenas cabe aqui a
observação de que o estudante não “caia na tentação” de fazer escolhas
com temas que circulam na internet, pois podem ser temas que já são
considerados esgotados. Além disso, uma boa escolha de tema poderá apontar
sequencialmente a formação continuada, visando efetivar a formação para o
professor do ensino superior ou a formação do pesquisador que vai atuar em
contextos interdisciplinares.

Observe que, ao darmos exemplos, não estamos querendo induzi-lo para essas
escolhas: siga suas próprias ideias, discutindo-as com o seu professor-orientador.
Lembre-se, ainda, que um tema pode gerar diferentes subtemas. A priori, não
associe o seu tema escolhido com o título da sua pesquisa. O título da sua
pesquisa deve ficar aderente com os objetivos da pesquisa, que vamos discutir
mais adiante.

1.3.2 Delimitação do tema


Em geral, o tema escolhido é amplo e, portanto, recomenda-se a sua delimitação.
A delimitação do tema é fundamental para que você possa focar bem a sua
pesquisa, considerando também o tempo disponível para a sua realização.

Rauen (2002) afirma que a delimitação do tema vai propiciar a construção do


título da sua pesquisa. Recomendamos que o título seja fixado somente após a
definição dos objetivos gerais e específicos.

Veja alguns exemplos de delimitação do tema, a partir de temas já utilizados em


pesquisas científicas publicadas e outros exemplos propostos para ilustrar o
presente texto.

Exemplo 1
TEMA: Modelagem matemática no controle biológico de pragas em plantações.

DELIMITAÇÃO DO TEMA: O tema pode ser delimitado considerando o tipo de


plantação, a região em que se localiza a plantação etc.

TÍTULO: Modelagem matemática do controle biológico de pragas da cana-de-açúcar.

(RAFIKOV; LIMEIRA, 2012).

28
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Exemplo 2
TEMA: Análise econômica da implantação de biodigestores.

DELIMITAÇÃO DO TEMA: O tema pode ser delimitado considerando-se o


local ou região em que o biodigestor vai ser implantado, o tipo de dejetos que
será usado etc.

TÍTULO: Viabilidade econômica da implantação de biodigestores e


aproveitamento de créditos de carbono em propriedades rurais.

(WALKER; LEANDRO, 2012).

Exemplo 3
TEMA: Café.

DELIMITAÇÃO DO TEMA: A delimitação do tema pode ser muito grande e a


análise prévia dos objetivos vai ajudar na delimitação do tema. O café pode ser
analisado desde a sua etapa de produção, no consumo, nas suas propriedades
nutricionais, na sustentabilidade financeira; a exportação; o café no Brasil; os
lançamento de novos produtos baseados no café etc.

TÍTULO: Desenvolvimento de barra alimentícia adicionada de café: estudos de


marketing.

(SOUSA, 2016).

Exemplo 4
TEMA: Estudos e pesquisa no contexto das equações diferenciais.

DELIMITAÇÃO DO TEMA: Como as aplicações interdisciplinares das equações


diferenciais são muito grandes, é preciso delimitar a aplicação do contexto
interdisciplinar, a aplicação da modelagem matemática e de métodos etc. Há
também a possibilidade de estudos e pesquisas no contexto mais específico
da Matemática pura e, nesse caso, a delimitação também é requerida, como,
por exemplo, analisar os métodos sob a ótica do uso de recursos tecnológicos,
métodos numéricos etc.

TÍTULOS: (1) Equações diferenciais parciais clássicas e suas aplicações na


Engenharia.

(2) Análise das equações diferenciais no contexto da sustentabilidade ambiental.

(3) Aplicações das equações diferenciais parciais: uso da série de Fourier.

29
Capítulo 2

É importante destacar que o estudante, ao escolher um tema, deverá se


alinhar com a nossa equipe de professores, que atua nos diferentes focos de
pesquisa propostos no Projeto Pedagógico do Curso. Para garantir a ampliação,
é possível que, a partir da motivação de uma escolha de tema, tenhamos
pesquisas que possam ser consideradas inovadoras e outras que poderíamos
dizer “tradicionais”. É preciso esclarecer que o contexto de nossas pesquisas é
em nível de graduação e, portanto, o aprofundamento requerido é diferente das
pesquisas realizadas em nível dos cursos de mestrado ou doutorado. Temos uma
variável delimitadora para todas as pesquisas realizadas para o TCC – o tempo.

É uma tendência colocar o tema e a sua delimitação no título do projeto de


pesquisa e, consequentemente, no título da monografia do TCC. Não é uma boa
regra fazer isto, pois o tema e a sua delimitação sempre abrem novas escolhas:
no momento de definir a problemática da pesquisa ou as questões de pesquisa,
na definição dos objetivos da pesquisa, na escola da fundamentação teórica, na
escolha metodológica da pesquisa etc.

Portanto, procure escrever o título da sua pesquisa somente ao término do seu


projeto de pesquisa, pois, dessa forma, você pode refiná-lo, deixando-o mais
aderente com o trabalho a ser realizado, assim como com um número de caracteres
mais reduzido. Veja que um título ideal não deve ultrapassar uma linha e meia.

Seção 2
Problemas ou questões norteadoras da pesquisa
Antes de fazermos as colocações relativas ao PROBLEMA DA PESQUISA e/
ou QUESTÕES DA PESQUISA, é importante refletir sobre o que queremos fazer
frente ao tema escolhido. Cabe lembrar que não se trata de um problema do tipo
dos diversos problemas que surgem no dia a dia de uma aula de Matemática.
Não se trata de fazer uma lista de perguntas que deverão ser respondidas. Você
não deve “cair na tentação” de reproduzir ou escolher um problema ou questões
como se estivesse preparando uma aula ou um instrumento de avaliação de
Matemática.

Veja que agora vamos escolher uma problemática cuja resposta não sabemos dar
de imediato: vamos precisar investigar para ter respostas. Se já sabemos qual a
resposta da lista de questões de uma pesquisa, essa lista não é válida, pois essas
questões não são adequadas para uma pesquisa científica.

Pense nesse pequeno detalhe, para que você possa apresentar efetivamente uma
problemática de pesquisa sintonizada com o tema escolhido.

30
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Vamos agora dar este grande passo!

Partindo do tema escolhido, você vai agora definir o problema para a sua
pesquisa ou apresentar questões que deverão nortear a pesquisa.

Lembre-se que a problemática da pesquisa deve, também, ficar aderente às


linhas de pesquisa do Curso de Matemática – Bacharelado.

Muitas vezes, ao escolher um tema, já temos em mente qual é o nosso problema


de pesquisa. A palavra PROBLEMA é, por suposição, clara para todos que estão
envolvidos com a Matemática. Entretanto, em uma pesquisa, temos que ter certo
cuidado, pois o problema de uma pesquisa é estabelecido a partir de diferentes
variáveis, tais como: relevância social, oportunidades de construção de novos
conhecimentos, interesse intelectual, interesses governamentais etc.

Você, ao definir o problema de pesquisa, poderá estar preocupado apenas com o


seu interesse pessoal em concluir a sua formação como Bacharel em Matemática.
Entretanto, se você alinhar a relevância social e outras variáveis, com toda a
certeza sua pesquisa terá créditos de qualidade. Dessa forma, responda às
seguintes questões:

O que eu quero pesquisar? Que problema merece a minha dedicação ao final


do meu curso?

Veja que agora é a sua vez de responder às questões!

Já que usamos aqui a palavra questão, é pertinente lembrar que a


problematização de uma pesquisa pode ser feita de duas diferentes maneiras:

•• por meio do enunciado de uma situação-problema;


•• por meio de um conjunto de questões instigadoras.

Veja exemplos de problemas de pesquisa.

(1) Problemática para uma pesquisa – Recentemente, o nosso planeta Terra


sofre vários problemas sociais relacionados com o acesso à água potável. Já há
várias pesquisas que apontam que “mais de meio bilhão de pessoas não têm
acesso à água portável” e estudos apontam que “a falta de água limpa afeta
principalmente áreas rurais dos países mais pobres, mas também economias
emergentes”. (WELLE, 2017).

As razões são muitas e a Matemática pode ajudar na compreensão desse


problema, a partir do diagnóstico e análise de algumas variáveis, considerando-se
como público-alvo a cidade de São Paulo.

31
Capítulo 2

(2) Questões para uma pesquisa – Considerando-se a crise da falta de água,


as questões da pesquisa a ser realizada têm as seguintes questões norteadoras
iniciais: Quais as regiões do Estado de São Paulo estão com problemas
sistemáticos no fornecimento da água potável? Como funciona o fornecimento da
água potável? Quais as variáveis são consideradas como controláveis? Quais os
impactos sociais nas regiões afetadas?

Observe que há diferença na forma com que colocamos as problematizações


(1) e (2), entretanto, podemos dizer que em ambos os exemplos estamos
praticamente buscando respostas para problemas similares no contexto de um
mesmo tema. Observe que, ao apresentar a problematização, não é necessário
apresentar as duas formas, basta escolher a melhor maneira de apresenta o
problema que vai ser investigado.

Cabe aqui lembrar as orientações de Gil (1999), quando afirma que não existem
regras rígidas para formular a problematização de uma pesquisa. Podemos
sempre lembrar que o problema da pesquisa deve:

•• ser formulado como uma pergunta;


•• ser delimitado a uma dimensão viável;
•• ter clareza;
•• ser preciso e apresentar referências empíricas.

Pádua (2002, p. 39) afirma que é importante destacar que: “A situação


problemática se encontra em determinado contexto, tanto no âmbito da
ciência quanto no que se refere ao contexto histórico-social mais amplo, do
qual destacamos um aspecto para ser investigado; portanto, este aspecto ou
problema faz parte de uma totalidade e isso não pode ser deixado de lado no
decorrer do processo”.

Seção 3
Justificativas da pesquisa
A justificativa da pesquisa é um item que visa mostrar a relevância do trabalho.
Quando um pesquisador faz um projeto para órgãos financiadores, é de
fundamental importância salientar a relevância social e prática da pesquisa, ou seja,
é necessário apresentar os benefícios decorrentes dos resultados da pesquisa.

32
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Para facilitar a redação, indica-se dar respostas para perguntas, tais como:

Por que você pretende realizar a pesquisa com o tema escolhido? Qual é a
sua motivação? Quem será beneficiado com os resultados da sua pesquisa?

Ao desenvolver uma pesquisa, tem-se todos os aspectos metodológicos gerais,


mas também se tem os aspectos mais específicos que caracterizam a tendência
das pesquisas na área do conhecimento. No caso da Matemática, no Curso
de Matemática – Bacharelado, deve-se levar em consideração pelo menos um
dos focos interdisciplinares explicitados no PPC: engenharias, Física, contexto
econômico-financeiro e ambiental.

Seria muito bom para a sociedade se os pesquisadores pudessem justificar


as suas pesquisas a partir de um olhar mais focado no ser humano, e não ter
dúvidas de que a Matemática é essencial para o nosso dia a dia, para a evolução
tecnológica, para as inovações requeridas pelo mundo moderno. Portanto,
nossas pesquisas no contexto da Matemática pura, aplicada ou na educação
matemática, sempre devem ter a sua contribuição para um mundo mais justo,
mais saudável e mais humano.

Seção 4
Objetivos da pesquisa
A motivação para a pesquisa vem de você, portanto, é preciso estabelecer
os objetivos da pesquisa, de modo que você tenha uma realização enquanto
estudante, na sua atual e futura carreira profissional, enquanto docente no ensino
superior ou como pesquisador em mercados de trabalho.

Queremos que você seja criativo e capaz de desenvolver uma pesquisa que nos
mostre “coisas novas”, e não as mesmas ideias enraizadas numa construção
alicerçada nas dificuldades e desmotivações observadas nas aulas de
Matemática e também no contexto social.

É preciso romper com esses mitos, pois hoje temos grandes oportunidades para
sermos mais criativos e mais aptos para fazer críticas construtivas, e não ficar na
“vala comum” em que todos dizem a mesma coisa, mas nada fazem para mudar.

Portanto, estamos juntos com você para ajudar nesta caminhada. Mesmo que
você tenha escolhido um tema que aparece em muitas páginas da internet, não
siga o caminho da repetição de ideias, da cópia de críticas sem fundamentos.

33
Capítulo 2

Faça uma autoavaliação sobre as suas expectativas em relação ao tema


escolhido, discuta suas dúvidas com seu professor-orientador. Antes de
coletar qualquer ideia da internet, perceba que há uma cadeia de cópias, sem
assinaturas e sem identidades.

Você precisa fazer diferente!

Rauen (2002, p. 52, grifos do original) afirma que “Os objetivos consistem na
elaboração de alvos a serem alcançados com o final da pesquisa. O iniciante não
pode confundi-los com alvos que só serão atingidos após o encerramento do
trabalho, ou seja, as intenções e as finalidades”.

Refletir sobre esse conceito nos leva a concluir que: se temos as respostas
para o problema ou questões da pesquisa antes da realização da pesquisa,
significa que não estamos efetivamente diante de um problema de pesquisa,
pois já temos a solução e a pesquisa está concluída antes de iniciar.

Esse é um equívoco de iniciantes de pesquisa. Portanto, antes de formular os


seus objetivos, revise o seu problema e reflita sobra a seguinte pergunta:

O que eu pretendo alcançar com a minha pesquisa?

Você vai precisar redigir o objetivo geral e os objetivos específicos da sua


pesquisa. Veja que todos os objetivos devem ser formulados a partir de um verbo
no infinitivo, que indicam ação e devem responder às perguntas:

O que se quer?

Para que se quer?

4.1 Objetivo geral


Ao ler um objetivo geral, devemos ter a indicação dos resultados que queremos
alcançar. Dessa forma, o objetivo geral define o que se pretende com a pesquisa.
Por ser único e geral, temos a necessidade de escrever os objetivos específicos –
que devem ser, no mínimo, dois.

Observe, ainda, que o seu objetivo está alinhado com o seu problema de
pesquisa, e sofre também a influência do tipo de pesquisa. Ao fazer inicialmente
a sua pesquisa bibliográfica, você vai poder pensar em propósitos mais
acadêmicos, como: mapear, identificar, levantar, diagnosticar ou historiar
determinado assunto ou tema. Posteriormente, a partir da sua escolha
metodológica, outros objetivos são estabelecidos, em acordo com as ações
metodológicas que deverão ser desenvolvidas.

34
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Dessa forma, você vai organizar um único objetivo geral e, em seguida, escrever seus
objetivos específicos, que podem ficar alinhados com cada ação a ser desenvolvida
no decorrer da pesquisa e, em conjunto, devem compor o objetivo geral.

4.2 Objetivos específicos


Os objetivos específicos podem aprofundar as intenções expressas nos objetivos
gerais. É preciso enunciar os objetivos específicos de modo que estes sejam a
base de sustentação do objetivo geral.

Lembre-se ainda, ao escrever os seus objetivos, das seguintes observações técnicas:

1. Procure utilizar verbos que descrevam efetivamente uma ação


observável. Por exemplo: listar, identificar, selecionar, construir,
definir, organizar, analisar, determinar etc. Evite o uso das palavras
com sentido vago ou ambíguo, por exemplo: saber, conhecer,
compreender, reconhecer, apreciar etc.
2. Inicie a redação sempre com um verbo no infinitivo.
3. Cada objetivo deve ter apenas um verbo relacionado com a ação
a ser desenvolvida. Se tiver dois verbos, temos de separar em dois
objetivos.
4. Ao final da redação do seu projeto, procure fazer uma análise de
coerência e congruência entre os objetivos e as etapas do projeto.
Verifique o alinhamento com o tema e a problemática, e verifique
também se as ações metodológicas da pesquisa estão sintonizadas
com os objetivos.
5. Os objetivos devem ser medidos, alcançados e, em algumas
pesquisas, podemos até dizer “ambiciosos”.

Observe o exemplo e siga em frente. Formalize seus objetivos e discuta com o


seu orientador a pertinência deles para as suas escolhas iniciais da pesquisa.

4.3 Exemplo
Observe um exemplo do enunciado dos objetivos de uma pesquisa, cujo tema
escolhido foi “Cursos de Matemática no Brasil”, tendo como delimitação “Análise
das pesquisas de iniciação científica”.

Essa pesquisa seria quantitativa e, como tal, deveria seguir todos os trâmites
formais para uma pesquisa quantitativa: definição de uma população, escolha de
uma amostra aleatória etc.

35
Capítulo 2

Objetivo geral:

Analisar as pesquisas em nível de iniciação científica realizadas por estudantes de


Cursos de Matemática (licenciatura e bacharelado) no Brasil.

Objetivos específicos:

1. Pesquisar as instituições de ensino superior que ofertam cursos de


Matemática no Brasil.
2. Identificar variáveis que permitam identificar dados relacionados
com as pesquisas em nível de iniciação científica das instituições no
curso foco da pesquisa.
3. Identificar modelos matemáticos que permitam a análise de
crescimento ou decrescimento da produção científica no contexto
da Matemática pura, aplicada e educação matemática.
4. Aplicar a modelagem matemática e outras técnicas de pesquisa
para mostrar as diferenças de produção entre cursos presenciais e
cursos na modalidade EAD.
5. Discutir o uso da modelagem matemática como uma metodologia
adequada para a pesquisa no contexto de cursos de Matemática
(licenciatura e bacharelado).

Observe que os objetivos específicos geram ações que, em conjunto, propiciam a


análise requerida no objetivo geral.

Observe, também, que os objetivos específicos estão indicando ações de coleta


de dados e aspectos para a escolha de métodos que permitirão a análise dos
dados. Ao fazer um projeto de pesquisa, com os objetivos exemplificados, é
preciso fazer levantamentos prévios para verificar se vai ser necessário fazer um
processo de amostragem ou se será possível trabalhar com toda a população.
Vamos ampliar essa discussão nos capítulos seguintes.

Seção 5
Variáveis e hipóteses no contexto da pesquisa
Vamos, incialmente, fazer uma contextualização do recorte que será utilizado
para a reflexão inicial sobre a ferramenta da Matemática aplicável no momento
de estabelecer as variáveis e hipóteses. Vamos analisar um recorte da vida do
grande matemático Pitágoras.

36
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

5.1 Aspectos da lógica matemática envolvidos em uma pesquisa


Em acordo com arquivos históricos, sabemos que a Irmandade Pitagórica
revigorou a Matemática com sua busca zelosa pela verdade através da
demonstração. Muitos queriam fazer parte da Irmandade, mas poucos eram
os escolhidos. Um dos rejeitados foi Cilon, que 20 anos depois mostrou a sua
vingança. Síbaris e Crotona eram cidades rivais situadas ao sul da Itália, em
uma região denotada como Magna Grécia, em função da sua colonização ter a
origem grega. Ambas foram o palco de lutas que marcaram a história da vida da
Irmandade Pitagórica.

Ao final, a guerra, supostamente iniciada no decorrer da sexagésima sétima


Olimpíada (510 a.C.), culmina com a destruição de Síbaris, por um ato do líder Milo,
que levou a vitória para Crotona. Atualmente, os estudos arqueológicos mostram a
cada dia novas conjecturas sobre o que era a região desde a devastadora guerra:

Apesar do fim da guerra, a cidade de Crotona ainda estava


tomada pela agitação devido às discussões sobre o que
deveria ser feito com os espólios da guerra. Temendo que as
terras seriam dadas para a elite pitagórica, o provo de Crotona
começou a protestar. Já havia um certo ressentimento entre
as massas porque a Irmandade continuava a ocultar suas
descobertas, mas nada aconteceu até que Cilon surgiu como o
porta-voz do povo. [...] o incêndio começou. [...] Pitágoras morreu
com muitos dos seus discípulos.
A matemática tinha perdido o seu primeiro grande herói, mas o
espírito pitagórico permaneceu. Os números e suas verdades
eram imortais. Pitágoras tinha demonstrado que, mais do
que qualquer outra disciplina, a matemática não é subjetiva.
Seus discípulos não precisavam de seu mestre para decidirem
quanto à validade de uma determinada teoria. A verdade era
independente de opiniões. E a construção da lógica matemática
se tornara o árbitro da verdade. Esta foi a maior contribuição
de Pitágoras para a civilização – um meio de conquistar uma
verdade que está além das fraquezas do julgamento humano.
(SINGH, 1998, p. 47).

Por que trazer uma parte da história da Irmandade Pitagórica para este texto?

Por uma razão muito simples: uma escolha da autora deste texto. Em 1969, visitei
o Instituto Neo-Pitagórico, denotado como o Templo das Musas, na cidade de
Curitiba, no Brasil – um primeiro contato com a Matemática para além de um
curso de graduação. Por “ironia do destino” ou por uma “profecia”, o maravilhoso
templo – uma réplica grega – que visitei e que me motivou para a pesquisa,
sofreu um grande incêndio. Hoje restaurado, segue em frente, ainda com muitos
mistérios guardados pelos seus antigos associados.

37
Capítulo 2

Releia a citação do Singh (1998, p. 47) sobre o legado de Pitágoras no contexto


dos números e suas verdades imortais. Veja a constatação que a lógica
matemática se torna o árbitro da verdade, apesar de não ter a força para validar
uma profecia. Entretanto, no decorrer da pesquisa, você vai precisar da lógica
matemática para validar suas escolhas. Isso ocorrerá com toda a certeza se a sua
pesquisa tiver o formalismo de processo quantitativo com a escolha de variáveis e
com o enunciado de hipóteses.

Lembre-se: seguir por esse caminho é optativo, ou seja, formalizar as


hipóteses na sua pesquisa é optativo. Mas vivenciar a lógica matemática no dia
a dia vai torná-lo um pesquisador ético e atento a todas as afirmações que são
feitas a partir das análises dos resultados obtidos.

Sequencialmente, vamos posicionar a necessidade da escolha do tipo da


pesquisa para a sua formalização metodológica. Um exercício inicial importante
é olhar para os objetivos propostos e refletir sobre a natureza dos dados que
serão coletados e a forma como estes serão analisados. Se vamos optar pelo
uso do formalismo da estatística, com toda a certeza vamos nos deparar com
a necessidade de variáveis e hipóteses no momento das análises dos dados.
Entretanto, se o uso da estatística for usado para auxiliar um olhar mais qualitativo
da situação analisada, o uso das hipóteses pode ser opcional.

5.2 Variáveis e hipóteses sob a lógica da Matemática


Ambos os conceitos (variáveis e hipóteses) já são do seu conhecimento, pois
eles são integrantes diários do estudante e do pesquisador no contexto da
Matemática. Vamos agora contextualizá-los em uma pesquisa científica.

5.2.1 Variáveis
Variáveis são aspectos, propriedades ou fatores reais ou potencialmente
mensuráveis pelos valores que assumem, discerníveis em um objeto de estudo.
Exemplos de variáveis são o salário, a idade, o sexo, a profissão, a cor, a taxa de
natalidade etc., desde que se destaquem os valores que contêm.

Variável é, portanto, um valor que pode ser dado a uma quantidade, qualidade,
característica, magnitude, traço etc., que pode oscilar em cada caso particular.

No contexto da pesquisa, vamos encontrar três tipos de variáveis:

•• variável independente;
•• variável dependente;
•• variável interveniente.

38
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Variável independente (X): é o fator, causa ou antecedente que determina a


ocorrência do outro fenômeno, efeito ou consequência.

Variável dependente (Y): é a que modifica a variável dependente sem que tenha
havido modificação na variável independente.

Variável interveniente (W): é a que modifica a variável dependente sem que


tenha havido modificação na variável independente.

Exemplo: alunos de escola pública e de escola particular (X) obtém notas


diferentes no concurso vestibular (Y) pelo nervosismo de uns ou de outros (W).

Observe que as variáveis independente e dependente são interpretadas


completamente em acordo com as definições da Matemática.

Temos outras classificações, por exemplo, as variáveis de controle que “[...]


estabelecem um pano de fundo, no qual a relação ‘variável independente/variável
dependente’ se estabelece” (RAUEN, 2002, p. 153).

Dessa forma, as variáveis de controle delimitam a pesquisa, estabelecendo um


quadro, sob o qual as análises serão feitas. Outros tipos de variáveis podem ainda
fazer parte dessa tipologia típica de uma pesquisa quantitativa.

5.2.2 Hipóteses
Para Lakatos e Marconi (1991), na hipótese tem-se um enunciado geral que
indica relações entre as variáveis. A formulação se apresenta como uma solução
provisória para o problema de pesquisa e tem um caráter preditivo ou explicativo.
A hipótese deve ser compatível com o conhecimento científico e a sua
formalização deve ter consistência lógica, sendo passível de verificação empírica
em suas consequências.

A lógica que vamos utilizar para o enunciado de uma hipótese de pesquisa é a


lógica do tipo “se x então y” ou, em linguagem simbólica, x � y , sendo que x e
y são variáveis definidas a partir do problema de pesquisa, podendo ser reescrita
de forma assertiva.

A hipótese consiste em supor conhecida a verdade ou a explicação que


queremos para uma questão de pesquisa. No contexto de uma pesquisa
científica, hipótese equivale, habitualmente, à suposição de uma verdade.
Essa suposição é colocada no projeto de pesquisa e deverá ser analisada
cientificamente para comprovarmos os fatos ou negar os fatos, resultando sobre
a verdade ou falsidade da hipótese enunciada.

A hipótese pode ser a suposição de uma causa ou de uma lei destinada a explicar
provisoriamente um fenômeno até que os fatos venham a contradizê-la ou ratificá-la.

39
Capítulo 2

5.2.3 Exemplos
Hipótese 1 (se x então y): se o professor de Matemática não tem formação para
usar equipamento computacional, então a sua opção é não trabalhar ou não
desenvolver aulas no laboratório computacional.

Variável independente: “o professor de matemática não tem formação para usar


equipamento computacional”.

Variável dependente: “a sua opção é não trabalhar ou não desenvolver aulas no


laboratório computacional”.

Hipótese 2 (se x então y, nas condições a, b e c): se o professor de Matemática


não tem formação para usar equipamento computacional, então a sua opção
é não trabalhar ou não desenvolver aulas no laboratório computacional, nas
condições exigidas pela escola, que estabelecem o controle do espaço físico, o
controle dos sites visitados e o controle dos softwares a serem utilizados.

Variável independente: “o professor de Matemática não tem formação para usar


equipamento computacional”.

Variável dependente: “sua opção é não trabalhar ou não desenvolver aulas no


laboratório computacional”.

Variáveis de controle: “controle do espaço físico”, “controle dos sites visitados”


e “controle dos softwares a serem utilizados”.

Apresentados os principais elementos de um projeto de pesquisa, no capítulo


seguinte o foco será outro elemento, fundamental para um texto científico: o
referencial teórico.

40
Capítulo 3

Referencial teórico: Por quê? Para quê?

Para refletir
“A análise de erros, como abordagem de pesquisa, tem pontos de contato com
temas da Educação, da Educação Matemática e da própria Matemática. Ao apontar
alguns autores que foram, de certa forma, precursores das pesquisas atuais sob essa
abordagem, estou, evidentemente, trazendo minha opinião, que reflete, de alguma
forma, minhas concepções sobre Educação e Educação Matemática. Outros colegas
poderão basear-se em diferentes pressupostos teóricos e indicar novos nomes; de
qualquer forma, apresento uma rápida revisão das obras que escolho, sugerindo-as,
também, como leituras introdutórias para outras fundamentações”.

Cury, 2008, p. 17.

Observem, no recorte, que Cury (2008) faz referência às suas escolhas relativas
ao referencial teórico da sua pesquisa relacionada com a “Análise de erros”. É
interessante salientar que, em uma pesquisa, é importante fazer escolhas que
de algum modo sejam coerentes com o que pensamos ou acreditamos, pois
isso vai facilitar a reflexão e as conclusões. Por outro lado, não podemos negar
a existência de diferentes opiniões e, nesse caso, temos de ser criteriosos nas
análises para não cometer erros ao fazer afirmações que não tenahm alicerces
teóricos comprovados em outras pesquisas.

Quando estamos escrevendo um texto de forma mais livre, podemos colocar mais
fluentemente as nossas ideias, mesmo que não estejam alicerçadas no formalismo
de uma pesquisa, mas alicerçadas em uma prática profissional. Entretanto, quando
nos propomos a realizar uma pesquisa científica, é preciso ficar atento para que as
nossas conclusões estejam alicerçadas no referencial teórico escolhido.

Neste texto, vamos mostrar que precisamos ter uma rede de significados
implicitamente formalizada para garantir a cientificidade dos resultados da pesquisa.

Veja como podemos fazer isto!

41
Capítulo 3

Seção 1
Referencial teórico da pesquisa
Observe que você tem dois momentos para pensar no título deste capítulo.
Inicialmente, quando você está fazendo escolhas e escrevendo o seu projeto
de pesquisa; em um segundo momento, quando você está já em plena fase
de desenvolvimento da pesquisa. Uma das etapas obrigatórias é a “revisão
bibliográfica”, também conhecida como “revisão da literatura”, “fundamentação
teórica” ou “marco teórico”.

A proposta apresentada para o desenvolvimento do seu TCC prevê que, no


decorrer da etapa do projeto, você já faça uma seleção de livros e artigos que
tenham aderência com o seu tema de pesquisa, visando à composição da
fundamentação teórica da pesquisa.

Em alguns momentos, esses termos são utilizados por alguns autores de um


modo praticamente igual, mas há autores que fazem questão absoluta de
destacar as diferenças. Há algo em comum, ou seja, todos esses termos surgem
em uma pesquisa e estão sempre relacionados às fontes bibliográficas, tais como:
livros, artigos de revistas ou periódicos indexados; documentos acadêmicos,
tais como dissertações de mestrado, teses de doutorado, documentos legais
de uma instituição pública ou privada, leis e outros dispositivos legais de órgãos
governamentais, entre outros.

Essas fontes citadas podem ser encontradas na forma impressa ou digital. É preciso
ter o cuidado com o local em que você vai buscar as fontes digitais, pois sites, blogs,
mídias de comunicação, ou seja, todos os espaços livres e não científicos podem
estar divulgando plágios ou algo não científico. Para que você não corra riscos,
suas buscas devem ficar centradas em locais reconhecidos pela academia, como,
por exemplo, repositórios das instituições de ensino superior, portais reconhecidos
cientificamente, bancos de dados e repositórios de revistas indexadas.

Para que serve o referencial teórico ou a fundamentação teórica?


Diante de um conjunto de referências bibliográficas alinhadas com o tema, com
o problema da pesquisa e com os objetivos da sua pesquisa, você está diante de
um referencial teórico que se tornará a fundamentação teórica da sua pesquisa, a
partir do momento em que, embasado nesse referencial, você vai poder analisar
os resultados da sua pesquisa e escrever os resultados do seu trabalho. Portanto,
se isso não for feito, a pesquisa não tem sentido científico e, consequentemente,
não é adequada ao seu TCC.

42
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

O que é uma revisão da literatura?


O termo revisão da literatura tem afinidade com o referencial teórico, pois, ao
selecionar o conjunto de referências bibliográficas aderentes à sua proposta
da pesquisa, você estará obviamente revisando o que há na literatura sobre o
seu tema, sobre o seu problema de pesquisa. Entretanto, o termo revisão da
literatura preconiza uma certa amplitude que perpassa um olhar mais abrangente,
para além das fronteiras de uma região ou de um país. Evidentemente, em uma
monografia de TCC, essa abrangência não é exigida, pois o termo “literatura”
cobre todo o material relevante que é escrito sobre um tema.

Dessa forma, em acordo com os textos anteriores, você agora está reunindo
documentos com leituras prévias para apresentar como ponto de partida da
sua pesquisa – o seu projeto de pesquisa. Esse projeto tem de apresentar,
obrigatoriamente, um número significativo de citações e referências que são
consideradas como fundamentação teórica para a pesquisa. Portanto, agora é o
momento de organizar a fundamentação teórica, que será detalhada e ampliada
no momento do desenvolvimento da pesquisa.

Seção 2
Fundamentação teórica da pesquisa
Segundo Demo (2013, p. 140), é preciso:

[...] estudar FUNDAMENTOS TEÓRICOS DISPONÍVEIS, para


podermos atingir nível explicativo, para além de meras descrições,
acúmulo de autores e dados, arrolamento de ideias vindas de fora.
Começamos estudando a bibliografia considerada pertinente,
de modo sistemático e reconstrutivo. Não basta apenas
repassar autores, para dizer o que foi visto em cada qual, mas é
fundamental construir base teórica de caráter explicativo. A teoria
é necessária para oferecer condições explicativas ao fenômeno,
trabalhando as razões de ser assim e não de outra maneira.

Lembrando a citação do Demo (2013), podemos afirmar que não basta descrever
que a Matemática é a disciplina que tem o menor índice de preferência entre os
estudantes. É preciso verificar, na literatura, as variáveis já discutidas por autores
e, a partir dessas leituras, elencar variáveis para serem analisadas. É usual que
os estudantes, em fase da realização de um TCC, façam diversas citações de
autores com temas que não estão coerentes com os objetivos da pesquisa.
Outros erros no contexto da organização metodológica também podem ocorrer,
influenciados por escolhas equivocadas da fundamentação teórica da pesquisa.

43
Capítulo 3

Em geral, os equívocos se acumulam, pois não há a definição clara do público-


alvo nem da amostra. E em relação ao contexto foco desse texto, destacamos
uma questão usual nos questionários:

Não basta descrever os dados coletados, é essencial que a fundamentação


teórica seja utilizada desde a etapa da escolha do questionário até o momento
fundamental da análise dos resultados. É preciso que a fundamentação teórica
seja utilizada para organizar o processo de uma análise da relação entre os dados
coletados, o referencial teórico e as variáveis envolvidas.

Para que você faça uma boa fundamentação teórica, é preciso fazer uma boa leitura.

O que significa uma boa leitura no contexto do seu TCC?


Sabemos que uma boa leitura e uma boa escrita abrem as portas da
comunicação. Portanto, você precisa mostrar competência e habilidade para
fazer uma boa leitura e uma boa escrita no seu TCC.

Lembre-se que a sistematização de dados atualizados propicia a divulgação do


conhecimento de todo o acervo cultural da humanidade. Temos acessos por
diferentes mídias, mas, para o uso dessas mídias, é preciso ler e escrever.

Ao fazer a redação da sua fundamentação teórica, é preciso que você lembre


das considerações ditadas por Severino (2012), quando sinaliza que um texto
deve sempre ser abordado no seu contexto, para que possamos dar a ele o
devido sentido.

Quanto à leitura, Severino (2012) afirma que temos duas modalidades de leitura:

1. Leitura sistemática – de natureza analítica, de modo que


possamos apreender a mensagem repassada.
2. Leitura de pesquisa – de documentação, que é realizada mais
pontualmente, para a ação de buscar informações.

Você vai precisar considerar os dois tipos de leitura, mas, fundamentalmente,


durante a sua leitura de pesquisa, é o momento de levantar e de destacar
pontos específicos, relacionados a tópicos de conhecimento, necessários para
realização da sua pesquisa.
São os resultados dessa modalidade de leitura que fornecem os elementos
concretos que constituem a documentação da sua pesquisa.
Em geral, cada indivíduo tem o seu modo de organizar a sua leitura. Entre outros,
tem-se: a opção de usar marca texto ou usar as observações escritas em blocos
“post-it”. Independentemente da sua escolha, é importante que, ao fazer um
recorte de um autor, você faça uso das normas da ABNT (Associação Brasileira
de Normas Técnicas) para a citação.

44
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Portanto, deixe sempre o registro da autoria, título e número de página, pois


essas informações são necessárias tanto na citação quanto na leitura de revisão
para consolidar suas ideias.

Severino (2012, p. 78) afirma, ainda, que “qualquer que seja a modalidade de leitura,
é preciso sempre tomar cautela em relação às interferências de toda natureza,
pessoais e culturais, que cercam a subjetividade tanto do autor quanto do leitor. É
por isso que a leitura precisa ser crítica, vigilante, cuidadosamente preparada”.

Além disso, o texto da sua fundamentação teórica deverá estar no contexto da sua
pesquisa, para garantir uma boa interpretação e construir as devidas significações.

Seção 3
Redação da fundamentação teórica
No momento da sua leitura, para documentar no seu texto a fundamentação
teórica, é preciso fazer citações dos autores consultados e utilizados. Lembre-se
que você não deve fazer recortes dos autores sem a devida citação em acordo
com as normas, pois isso caracteriza plágio.

O que é uma citação?


As citações são transcrições de documentos bibliográficos, utilizadas para
fortalecer e apoiar as afirmações do pesquisador ou para documentar a sua
interpretação. Devemos citar componentes relevantes para uma descrição,
explicação ou exposição temática. Não use textos nos quais você inicia como:
“Eu acho”. Você só deve expor a sua opinião se for alicerçada por um referencial
teórico e, nesses casos, a citação de autores é de grande relevância. É possível
que dados obtidos, ao serem descritos e analisados, resultem em achados
diferentes dos de outras pesquisas. Nesses casos, não devemos atropelar o
processo, pois a comparação só pode ser feita se a pesquisa foi aplicada de
forma exatamente igual, algo quase impossível de acontecer.

As citações podem ser dos seguintes tipos:

Citações diretas curtas – são as transcrições de até três linhas inseridas no seu
texto. O texto deve ser exatamente o mesmo do autor e devemos colocá-lo entre
“aspas”. Nesse caso, na citação deverá constar o sobrenome do autor, o ano da
obra e a página da retirada do texto transcrito.

45
Capítulo 3

Citações diretas longas – são as transcrições com mais de três linhas. Nesse
caso, são apresentadas no texto em parágrafo diferente e podem ser precedidas
de dois pontos, com recuo de 4 cm da margem esquerda e escritas com letra
com tamanho 10 pontos. É possível fazer supressão de uma parte do texto e,
para isso, devemos usar colchetes, como segue, [...], para indicar o local da
supressão textual. Fique atento que, nesse tipo de citação, não usamos aspas.

Citações indiretas – nesse caso, as ideias do autor são utilizadas, mas o texto
que vamos apresentar deverá ser um texto diferente do texto original, ou seja,
deverá ser um texto parafraseado. A citação do autor fica restrita ao sobrenome
e ao ano da obra. O texto fica inserido no contexto do seu texto, observando-se
sua coerência e integração.

Observe que todos os autores citados em um texto devem ser referenciados


na seção do seu trabalho denotada por REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ou,
simplesmente, REFERÊNCIAS.

Há várias normas que devem ser observadas, tanto para a redação quanto
para formatação textual. Você deve observar que, na redação do seu projeto
de pesquisa e no desenvolvimento do seu projeto de pesquisa, seu professor-
orientador estará sempre pronto para ajudar, tanto na organização das ideias
quanto na formatação dos documentos.

Quanto à pesquisa de fontes que estão disponíveis na internet, como, por exemplo,
e-books da Biblioteca Virtual da Unisul, artigos, dentre outros, há um certo cuidado
que deve ser observado. Vários autores de livros de metodologia científica e de
pesquisa discutem a busca de referencial teórico na internet, por exemplo, Diehl
(2004), que discute tanto o uso das ferramentas de busca quanto também a relação
de endereços de bibliotecas virtuais do Brasil e de outros países.

Para finalizar, é importante destacar que seu professor-orientador estará


dimensionando as escolhas de documentos que ampliam e qualificam o seu
referencial teórico.

É nesse passo que você vai se demorar mais, pois, no decorrer dessa etapa, você
precisa fazer leituras de livros e artigos.

As dificuldades podem surgir e, para ajudar, vamos de forma antecipada citar


algumas delas, compiladas por Mello et al. (2004, p. 87):

[...]
1. muitos expressam ora certa despreocupação, ora
desconhecimento a respeito do que deva ser a seção da revisão
da literatura;
2. ausência de um método de estudo, de raciocínio lógico e de
redação;

46
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

3. falha na formação do pesquisador, que às vezes não é


estimulado a pesquisar por si só, ler criticamente, ou escrever;
4. incluir textos que não têm ligação direta com o tema;
5. faltam citações bibliográficas, o que torna impossível distinguir
o que é redação do autor do projeto daquilo que é parafraseado
ou mesmo copiado de outros autores;
6. as normas para citações e referências bibliográficas são
ignoradas;
7. o texto não pode ser uma cópia de trechos selecionados de
um ou mais autores;
8. pesquisas baseiam o capítulo em apenas um ou dois
autores e sua contribuição limita-se a recortar trechos diversos,
apresentando-os em certa ordem lógica que não há por que
parafrasear o que os outros disseram.

Leia atentamente a citação acima, pois é a partir dela que o seu professor-
orientador fará a avaliação da sua fundamentação teórica. Considerando-se a
quantidade de itens que devem ser observados, em geral, um bom orientador é
aquele que faz o papel de “advogado do diabo”.

Após algumas leituras de livros e artigos científicos sincronizadas com o seu


tema da pesquisa, você pode ter um levantamento bibliográfico inicial. Você deve
efetuar leituras organizadas, podendo fazer alguns recortes para reunir ideias,
mas lembre-se que, sempre que fizer um recorte, deve indicar autor, ano e página
da obra de onde o recorte foi extraído.

Procure, desde já, criar um arquivo com as referências bibliográficas, em acordo


com as normas da ABNT.

Lembre-se que, na maioria das vezes, os documentos deverão ter novas leituras,
para que você possa alcançar a essência de saber lidar com as ideias de autores,
teorias etc. É preciso que, para o projeto da pesquisa, você tenha uma visão
global do assunto, tema ou conteúdo da sua pesquisa. Além disso, é preciso
ampliar os horizontes, para buscar pesquisas já realizadas com o tema igual ou
idêntico ao seu.

A fundamentação teórica não são as suas ideias cristalizadas sobre o tema: a


fundamentação teórica deve estar alicerçada em teorias formais e publicações de
autores que, de algum modo, apresentam detalhes e aprofundamentos.

O texto a ser apresentado no projeto de pesquisa é um texto que tem caráter


provisório e resumido, e deverá ser revisto e ampliado no momento do
desenvolvimento da pesquisa, que é a sua segunda etapa do TCC.

47
Capítulo 3

Pádua (2002, p. 45) sugere a elaboração de um guia bibliográfico a partir dos


livros e artigos selecionados previamente e faz as seguintes considerações:

•• evitar pesquisas com a mesma abordagem (a não ser nos casos de


verificação ou confirmação);
•• pesquisar se existem outras abordagens do problema levantado
e verificar como foi pesquisado, quais os instrumentos (técnicas)
utilizados e se há possibilidade de se aperfeiçoar técnicas já
existentes;
•• estabelecer uma visão global e crítica a respeito do problema e das
hipóteses levantadas para sua solução;
•• iniciar (pré-seleção) o guia bibliográfico, indicando a possível
bibliografia básica e a bibliografia complementar para o estudo da
temática proposta.

Para encerrar, as orientações para a redação final do seu projeto de pesquisa,


temos a seguir o último item – Delimitação Metodológica do Projeto de Pesquisa
– que será um dos objetos de apresentação do capítulo a seguir.

48
Capítulo 4

Projeto de pesquisa: redação e


formatação

Para refletir
“Não existe uma fórmula mágica e única para realizar uma pesquisa ideal; talvez não
exista nem existirá uma pesquisa perfeita. A investigação é um produto humano, e
seus produtores são seres falíveis. Isto é algo importante que o principiante deve
ter ‘em mente’: fazer pesquisa não é privilégio de alguns poucos gênios. Precisa-se
ter conhecimento da realidade, algumas noções básicas da metodologia e técnica
de pesquisa, seriedade e, sobretudo, trabalho em equipe e consciência social.
Evidentemente, é muito desejável chegar a um produto acabado, mas não é motivo
de frustação obter um produto imperfeito. É melhor ter um trabalho de pesquisa
imperfeito a não ter nenhum. Os diversos problemas que surgem no processo de
pesquisa não devem desencorajar o principiante, a experiência lhe permitirá enfrentar
as dificuldades e obter produtos adequados”.

Richardson, 1999, p. 15.

Estamos iniciando com essa citação, pois ela é bem significativa para o momento
em que você está vivenciando a conclusão do Curso de Matemática. Leia
novamente o texto acima e procure sublinhar as palavras que mais provocam
impacto. Perceba a importância dos aspectos metodológicos de uma pesquisa
que, para um pesquisador iniciante, geram impactos ou dúvidas.

Não vamos, neste texto, resgatar toda a construção epistemológica do “fazer uma
pesquisa”, pois sabemos que existe um processo evolutivo e polêmico em relação
à aplicabilidade de métodos de pesquisa ou, até mesmo, de tipos de pesquisa.

Para facilitar, vamos apresentar um caminho e você. Em momentos posteriores da


caminhada continuada na sua formação, poderá gradativamente compreender as
exigências metodológicas de diferentes tipos de pesquisa.

49
Capítulo 4

Seção 1
Conceitos importantes
Neste capítulo, vamos apresentar conceitos que são importantes para a
realização de uma pesquisa científica. Há muitos autores que fazem essa
conceituação, tanto no contexto de metodologia de pesquisa quanto na
metodologia científica.

Vamos apresentar aqui os conceitos, de forma parafraseada e em acordo com


as ideias de Lakatos e Marconi (2011), que no capítulo 1 discutem “Ciência e
conhecimento científico” e, no capítulo 2, “Métodos científicos”. Essas autoras
têm seu trabalho no contexto da metodologia científica bastante reconhecido.
A versão ePub dessa obra está disponível na Biblioteca Virtual da Unisul, com
acesso logado.

Seção 2
Conhecimento científico
O conhecimento científico é factual, ou seja, é real, pois estamos lidando com
fatos do dia a dia de nosso interesse. Constitui um conhecimento contingente,
já que suas proposições ou hipóteses têm a sua veracidade e falsidade
conhecidas por meio da experiência, e não apenas pela razão, como ocorre com
o conhecimento filosófico.

É sistemático, pois estamos diante de um saber ordenado logicamente,


formando uma teoria (sistema de ideias).

Possui verificabilidade, a tal ponto que as hipóteses (afirmações que não podem
ou não foram comprovadas) não pertencem ainda ao âmbito da cientificidade.

Constitui-se em conhecimento falível, em virtude de não ser definitivo, absoluto


ou final; podemos até dizer que é aproximadamente exato.

Observe que as palavras-chave grifadas devem ser sistematicamente lembradas,


pois é usual um pesquisador, em sua fase inicial de pesquisa (iniciação científica
ou atividade similar), cometer equívocos quando usa outros conhecimentos que
não são científicos, às vezes algo oriundo de uma verdade cristalizada em sua
vida pessoal ou profissional.

50
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Seção 3
Método científico
A seguir, vamos discutir um pouco, mesmo que de forma mais superficial, alguns
métodos que podem ser utilizados no desenvolvimento da pesquisa.

3.1 Conceitos
Método é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários
para atingir um certo fim ou um resultado desejado. Nas ciências, entende-
se por método o conjunto de processos empregados na investigação e na
demonstração da verdade.

Um método é dito “científico” quando segue o caminho da dúvida sistemática,


metódica, que não se confunde com a dúvida universal dos céticos, cuja
solução é impossível.

O método científico aproveita a observação, a descrição, a comparação, a análise


e a síntese, além dos processos mentais da dedução e da indução, comuns a
todo tipo de investigação do tipo experimental ou racional.

Observe que você vai fazer no seu TCC uma pesquisa científica, pois vai aplicar
um método científico. Assim, você deve seguir o caminho da dúvida sistemática,
metódica, buscando sempre a verdade, por meio de uma investigação. Essa
verdade nunca deve ser “a nossa certeza”, pois, se isso acontecer, você não
vivenciou uma pesquisa científica.

Lakatos e Marconi (2011) caracterizam diferentes tipos de métodos, sendo que


muitos deles são familiares para um estudante de Matemática, pois utilizam a
lógica para caracterizá-los.

Temos o método indutivo e o método dedutivo, que se fundamentam


em premissas – um conceito utilizado na lógica matemática – e que são
exemplificados nas demonstrações de proposições e teoremas.

No método indutivo, seguimos três grandes etapas:

1. Temos as premissas, que encerram as informações pertinentes para


o contexto em que vamos aplicar o método.
2. Usamos o raciocínio, e a partir dos indícios percebidos, vamos
chegar a uma realidade desconhecida.
3. O caminho segue um rumo que vai do “especial ao mais geral”.

51
Capítulo 4

O método dedutivo, proposto por René Descartes (1596-1650) e o matemático


Leibniz (1646-1716), também é identificado quando fazemos referências históricas
a esse método. Temos duas características básicas, que fazem a distinção entre o
método dedutivo e o método indutivo:

1. No método dedutivo temos que, se todas as premissas são


verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira. Entretanto, no
método indutivo, se todas as premissas são verdadeiras, a
conclusão é provavelmente verdadeira.
2. Ao emitir uma conclusão por um método dedutivo, estamos
considerando que toda informação ou conteúdo da conclusão já
está explicitamente ou implicitamente nas premissas. E, no caso do
método indutivo, vamos encontrar informações que não constam
nas premissas.

3.2 Exemplos tradicionais


1. Método dedutivo
Premissas: O corvo 1 é negro; o corvo 2 é negro; o corvo 3 é negro;
o corvo n é negro.
Raciocínio e conclusão: vamos concluir que “todo corvo é negro”.

2. Método indutivo
Premissas: Antônio é mortal; Luiz é mortal; Carlos é mortal; [...];
Zacarias é mortal.
Raciocínio e conclusão: Como Antônio, Luiz, Carlos, [...] e Zacarias são
homens, logo podemos concluir que “todos os homens são mortais”.

3.2 Outros métodos que podemos considerar


Outros métodos são citados por Lakatos e Marconi (2011) e também por Gil (1999).

O método hipotético dedutivo foi proposto por Popper (1902-1994), filósofo


austríaco, considerado o pai da falseabilidade e do racionalismo crítico. Esse
método fica caracterizado quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado
assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surgindo, assim,
uma situação-problema. Para explicar o problema, as conjecturas ou hipóteses são
formalizadas. A partir das hipóteses formuladas, as consequências são deduzidas
para serem analisadas e testadas. A ideia não é validar as conjecturas, mas
encontrar elementos que comprovem o que não é válido.

52
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

O método dialético tem como base as ideias propostas por Hegel (1770-1831)
no contexto da dialética. É um método em que as interpretações são dinâmicas e
buscam ser totalizantes da realidade analisada. Assim, os fatos são considerados
obrigatoriamente no contexto social, político e econômico, entre outros. Esse
método é muito utilizado em pesquisas qualitativas.

O método fenomenológico foi proposto por Edmund Gustav Albrecht Husserl


(1859-1938), um matemático e filósofo alemão que estabeleceu a escola da
fenomenologia. Ele também rompeu com a orientação positivista da ciência e
da filosofia de sua época. Esse método não tem as características dos métodos
citados anteriormente, pois a realidade é construída socialmente, valendo-se
do que é entendido, compreendido, interpretado e comunicado. Também é
empregado em pesquisa qualitativas. Em Bicudo (2000), tem-se o relato de
uma pesquisa no contexto da Geometria, considerada como uma pesquisa
qualitativa fenomenológica.

Um pesquisador, ao investigar um fenômeno partindo das experiências vividas


pelos sujeitos da pesquisa, obtém as descrições das experiências vividas e tem
em mãos discursos significativos que devem ser compreendidos e desvelados
na sua essência. A visão da essência do fenômeno torna-se possível, pois a
consciência deverá ser compreendida como consciência de alguma coisa, ou
seja, a consciência só é consciência quando está dirigida para um objeto.

3.4 Métodos quanto aos meios técnicos


Matias-Pereira (2012) e Gil (1999) discutem uma classificação dos métodos
quanto aos meios técnicos. Tem-se os métodos:

•• experimental;
•• observacional;
•• comparativo;
•• estatístico;
•• monográfico;
•• clínico.

O método experimental consiste em submetermos os objetos de estudo à influência


de certas variáveis, em condições controladas e conhecidas pelo pesquisador, para
observar os resultados que a variável produz no objeto de estudo. Esse método é
considerado um dos melhores métodos para as ciências naturais.

O método observacional é considerado um método primitivo e impreciso,


entretanto, tem se mostrado um bom método para as ciências sociais. Nesse
método, o pesquisador provoca algo, para observar o que ocorrerá sequencialmente.

53
Capítulo 4

O método comparativo é interessante quando queremos investigar indivíduos,


classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades
entre eles. Os estudos de Piaget, no campo do desenvolvimento intelectual da
criança, são um exemplo da utilização desse método com sucesso.

O método estatístico está alicerçado na estatística e na probabilidade e é


também muito utilizado nas ciências sociais e outras. Esse método é válido
quando estamos trabalhando com pesquisa quantitativa e, portanto, é preciso
alicerçar bem a população, a amostra, as variáveis envolvidas e outros detalhes
mais matemáticos, para que a validação dos resultados seja confiável.

O método monográfico pode ser considerado como um estudo de caso, em


que a profundidade do estudo pode torná-lo representativo para outros casos
similares. Não há indicação específica de áreas de aplicação. Atualmente, vem
sendo utilizado de forma mais simples, como uma metodologia de ensino-
aprendizagem.

O método clínico é utilizado na área da saúde, principalmente no contexto da


Psicologia, pois há uma ligação “forte” entre pesquisador e pesquisado. Deve-se
ter cuidado para não fazer generalizações.

Seção 4
Metodologia da pesquisa
Máttar Neto (2002), ao considerar que o projeto da pesquisa tem de incluir
também a descrição dos métodos ou procedimentos que serão utilizados na
pesquisa, apresenta a observação dos equívocos que surgem, pois muitas vezes
o estudante não visualiza com clareza a metodologia que pretende utilizar em sua
pesquisa e acaba propondo um método não adequado.

Veja que, neste texto, estamos discutindo um pouco dos aspectos teóricos e, a
partir do próximo texto, você vai organizar o seu projeto de pesquisa, que deverá
ser desenvolvido, e cujos resultados serão relatados em sua monografia até o
final do desenvolvimento dessa disciplina (Unidade de Aprendizagem do TCC).

Observe que muitas serão as escolhas. Você já fez a sua escolha inicial, que foi o
tema da pesquisa, assim como a sua delimitação.

Vamos, agora, acrescentar informações que podem dar respostas a algumas das
suas dúvidas e, como tal, ajudarão as suas escolhas prévias. Por exemplo, o tipo
da sua pesquisa, que será alicerçada em um método científico.

54
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Inicialmente, vamos relembrar que um trabalho científico é reconhecido em termos


da abordagem dada ao objeto de estudo. Dessa forma, podemos dizer que:

TCC – pode ser considerado um trabalho de iniciação


científica, pois partimos do princípio que o estudante ainda
não tem a experiência de um pesquisador em nível de pós-
graduação. No entanto, o TCC pode não ter a conotação de
uma iniciação científica para os estudantes mais experientes.
Independentemente do estágio de preparação dos estudantes,
todos devem ter a seriedade de considerar o seu TCC como um
trabalho teórico-conceitual, que, em sua etapa inicial, gerou uma
pesquisa bibliográfica, em livros, revistas e artigos, possibilitando
a definição de um tema alinhado com as linhas de pesquisa
do curso de Matemática – Bacharelado da UnisulVirtual. É um
trabalho que deverá ter um projeto em acordo com a metodologia
de pesquisa e em acordo com as normas da ABNT, e será
obrigatório para a sua integralização curricular.
Monografia – é a apresentação completa dos resultados da
pesquisa científica do TCC. Deve ter a profundidade requerida e
deve ser formatada em acordo com as normas da ABNT.

Bicudo (1999) organizou um livro muito interessante para ser utilizado quando
estamos discutindo a pesquisa na educação matemática. Segundo essa autora,
as pesquisas em educação matemática estão em sistemáticos debates, em
função das agências que financiam as pesquisas e em função de termos a
educação matemática como uma área de investigação em construção. Ainda de
acordo com a autora, dois sérios problemas são discutidos:

Primeiro, há que se enfrentar a ideologia dominante nos meios


acadêmicos, que vem se instalando desde o início da época
moderna até nossos dias, de que o rigor é dado apenas pela lógica
do método científico, tal como é entendido na visão positivista.
[...] Por outro lado, há o risco de, em nome de procurarem-se por
alternativas outras que não aquelas do procedimento positivas,
muitos “investigadores” em Educação chamarem de qualitativas as
pesquisas que não apresentam rigor algum. (BICUDO, 1999, p. 10).

Têm-se, na literatura, muitos quadros teóricos que podem ser escolhidos


para fazer uma pesquisa. Rauen (2002) apresenta os mais discutidos, como:
o positivismo (referenciado pela autora citada anteriormente), estruturalismo,
sistemismo, dialética e fenomenologia.

55
Capítulo 4

Não temos a pretensão de, neste texto, trabalhar a metodologia da pesquisa em


sua forma completa e ampla, pois não há tempo para discutir as especificidades e
todos os quadros teóricos. Dessa forma, as referências bibliográficas deste texto
são recomendadas para ampliar e aprofundar aspectos metodológicos de uma
pesquisa, em acordo com os interesses do estudante. Precisamos considerar
que é um “aprender praticando”, ou seja, ao fazer a escolha de uma concepção
teórica ou de um método, é preciso fazer leituras adicionais sobre as escolhas,
pois as ações da pesquisa precisam ficar alinhadas com as escolhas iniciais que
são colocadas no projeto de pesquisa.

Na educação matemática, defendemos muito a não utilização do positivismo, pois


no contexto da educação em geral, as experiências não podem ser analisadas em
acordo com um método cujas etapas são modeladas dentro de “caixinhas”, nas
quais não cabem muito bem as especificidades do ser humano, assim como toda
a complexidade social e cultural dos ambientes educacionais.

O positivismo é um movimento que enfatiza a ciência e o método científico como


única fonte de conhecimento, estabelecendo forte distinção entre fatos e valores
e grande hostilidade com a religião e a metafísica. A realidade não pode ser
conhecida na totalidade, portanto, os estudos focam somente dados individuais
(RICHARDSON, 1999).

Vamos apenas exigir a identificação do design, ou seja, o desenho metodológico


da pesquisa. Nesse caso, optamos pela classificação dada por Rauen (2002), que
apresenta as pesquisas qualitativas e as pesquisas quantitativas, podendo
ambas serem descritivas ou de intervenção.

Neste momento, você deve ter a clareza da diferença entre uma pesquisa
qualitativa e uma pesquisa quantitativa.

Dentro do compromisso de usar este texto para esclarecimentos básicos, vamos


apresentar as diferenças no Quadro 3.1, destacando que este quadro não esgota
as relações entre esses dois desenhos metodológicos.

Quadro 3.1 – Diferenças entre uma pesquisa quantitativa e uma pesquisa qualitativa

Pesquisa quantitativa Pesquisa qualitativa


Os dados são levantados em um grupo Os dados podem ser obtidos por consulta
considerado estatisticamente significativo. aos dados bibliográficos ou quando a coleta
A amostra da população deve ser aleatória. é feita in loco, por meio de entrevistas. Não
Seguem-se rigidamente as regras da há necessidade de se trabalhar com uma
estatística descritiva. amostra aleatória e, neste caso, a estatística
é utilizada sem os formalismos oriundos da
validação da amostra.

56
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

As etapas de pesquisa delineadas no As etapas de pesquisa delineadas no projeto


projeto, na maioria das vezes, são seguidas podem sofrer alterações em função do
rigorosamente. andamento da pesquisa.
Em geral, os dados são coletados por Em geral, os dados são coletados por meio
meio de um questionário estruturado com de roteiros, com entrevistas gravadas e
perguntas que garantam a uniformidade de dialogadas. As interpretações são feitas
interpretações (questões claras e objetivas). posteriormente. Os questionários podem
ser aplicados, mas, em geral, contemplam
também questões abertas.
Os resultados são alicerçados nos dados Os resultados contêm dados estatísticos
estatísticos e, como tal, são generalizados, apenas para auxiliar o cruzamento das ideias
desde que a pesquisa não tenha sofrido o com o referencial teórico. As generalizações
viés na amostragem. não devem ser feitas.
As variáveis e as hipóteses são As variáveis podem ser definidas, mas não
estabelecidas, e a validação das hipóteses necessariamente no momento do projeto. As
é feita por métodos estatísticos. hipóteses podem ser norteadoras, porém, não
há validação estatística.

Fonte: Adaptado de Flemming, 2009.

No momento atual, muitas pesquisas são realizadas com o desenho qualitativo.


Em geral, os pesquisadores experientes têm-se manifestado com muita
frequência no sentido de justificar as suas escolhas metodológicas. Há uma
coerência maior quando realizamos uma pesquisa qualitativa no contexto da
formação do professor de matemática para os diferentes níveis de ensino, pois,
dessa forma, podemos usar como alicerces conceituais os objetos de estudo da
didática da matemática e das tendências em educação matemática.

Se a sua opção for trabalhar em uma pesquisa quantitativa, fique atento para
ter a definição da população de estudo ou corpus da pesquisa. Caso pretenda
trabalhar com uma amostra, esta deverá ser aleatória.

4.1 Pesquisa descritiva e pesquisa intervenção


Em uma pesquisa descritiva, temos de observar, registrar, analisar e
correlacionar fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los. A pesquisa
descritiva pode assumir diversas formas:

•• Estudos descritivos – trata-se do estudo e da descrição das


características, propriedades ou relações existentes no público-alvo
da pesquisa ou no corpus da pesquisa.
•• Pesquisa de opinião – procura saber atitudes, pontos de vista e
preferências das pessoas a respeito de algum assunto, com o objetivo
de tomar decisões. É mais utilizada nos meios de comunicação.

57
Capítulo 4

•• Pesquisa de motivação – busca saber as razões inconscientes e


ocultas que levam, por exemplo, o consumidor a utilizar determinado
produto ou que determinam certos comportamentos ou atitudes.
•• Estudo de caso – é a pesquisa sobre determinado indivíduo, família,
grupo ou comunidade, representativos de seu universo, para
examinar aspectos variados de sua vida.
•• Pesquisa documental – são investigados documentos com o
propósito de descrever e comparar usos e costumes, tendências,
diferenças e outras características. As bases documentais permitem
estudar tanto a realidade presente quanto a passada, com a
pesquisa histórica.
Ao usar o termo “pesquisa de intervenção”, precisamos ter alguns cuidados,
pois, formalmente, essas pesquisas são usadas na área da saúde e,
eventualmente, em administração. Nessa perspectiva, um dos grandes desafios
é considerar que a pesquisa deve gerar transformação e, ao mesmo tempo, gerar
dados subjacentes a ela. Mais recentemente, esse tipo de pesquisa vem sendo
adotado na área da formação de professores em diferentes níveis de ensino e
não é bem aceita, devido ao formalismo da pesquisa. A razão dessa situação se
deve pelo fato de que a pesquisa acaba ficando restrita ao desenvolvimento de
propostas didáticas ou de uma atividade de extensão.

Damiani et al. (2013, p. 58) fazem uma reflexão muito interessante sobre essa
questão e informam que:

[...] denominam-se intervenções as interferências (mudanças,


inovações), propositadamente realizadas, por professores/
pesquisadores, em suas práticas pedagógicas. Tais interferências
são planejadas e implementadas com base em um determinado
referencial teórico e objetivam promover avanços, melhorias,
nessas práticas, além de pôr à prova tal referencial, contribuindo
para o avanço do conhecimento sobre os processos de ensino/
aprendizagem neles envolvidos. Para que a produção de
conhecimento ocorra, no entanto, é necessário que se efetivem
avaliações rigorosas e sistemáticas dessas interferências.

Os autores desse artigo mostram a fragilidade do conceito e, ao mesmo tempo,


fazem um alerta para pesquisadores iniciantes, pois podemos efetivamente ficar
na rotina educacional e não no desenvolvimento de uma pesquisa.

58
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

4.2 Tipos de pesquisa, de acordo com os procedimentos


A pesquisa bibliográfica deve estar presente no seu TCC. Temos aqui dois focos
para analisar:

1. A pesquisa bibliográfica para compor o referencial teórico ou


fundamentação básica da pesquisa do seu TCC.
2. A pesquisa bibliográfica como o tipo de pesquisa a ser realizada ou,
em outras palavras, como a base do delineamento da pesquisa.
De um modo geral, a pesquisa bibliográfica tem o foco na coleta de material
em livros e documentos físicos e/ou virtuais. As fontes devem ser confiáveis,
principalmente quando se trata de artigos na internet. A pesquisa bibliográfica é
integrante de todas as pesquisas, como uma etapa inicial obrigatória para compor
o referencial teórico da pesquisa.

Gil (1999, p. 65-66) informa que:

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material


já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos
científicos. [...] há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a
partir de fontes bibliográficas. Parte dos estudos exploratórios
podem ser definidos como pesquisas bibliográficas, assim como
certo número de pesquisas desenvolvidas a partir da técnica de
análise de conteúdo.

A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao


investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que
aquela que poderia pesquisar diretamente. Há, contudo, uma contrapartida que
pode comprometer em muito a qualidade da pesquisa. Muitas vezes, as fontes
secundárias apresentam dados coletados ou processados de forma equivocada.
Assim, um trabalho fundamentado nessas fontes tenderá a reproduzir ou mesmo
ampliar os erros.

Ainda em acordo com os procedimentos, podemos ter a pesquisa de campo e a


pesquisa em laboratórios:

•• Pesquisa de campo – é a coleta de material in loco, com


ou sem o envolvimento dos sujeitos da pesquisa. Pode ser
observacional, participante ou não participante, experimental ou
não. Considerando-se que a validade da pesquisa está diretamente
relacionada com a coleta de dados, é preciso ter o cuidado para não
enviesar a pesquisa.

59
Capítulo 4

•• Pesquisa em laboratórios – a pesquisa pode ser realizada em


um laboratório, desde que o pesquisador seja experiente e possa
provocar, produzir e reproduzir fenômenos com condições de
controle. Em função do tema, é importante que o laboratório seja
adequado e equipado para tal situação.

Quando usamos o termo “experimental”, podemos dizer que estamos diante


de um teste simulado e controlado em ambiente fechado ou aberto, artificial
ou natural, com os sujeitos ou objetos da pesquisa submetidos à influência
de estímulos selecionados. Nesses casos, é possível ter dois grupos para a
experiência: de teste e de controle.

Ainda podemos citar a pesquisa exploratória, que é em geral considerada


uma pesquisa “quase científica”, pois pode ser o passo inicial no processo de
uma pesquisa. Tem como objetivo a familiarização com o fenômeno, obtenção
de uma nova percepção sobre ele e descoberta de novas ideias. Realiza-se
descrição precisa da situação e objetiva-se descobrir as relações existentes
entre seus elementos componentes. Requer um planejamento bastante flexível. É
recomendada quando há pouco conhecimento sobre o problema a ser estudado.

Seção 5
Delimitação metodológica do seu projeto de
pesquisa
É preciso apresentar o projeto de pesquisa, e este deve estar alinhado com
as escolhas da pesquisa, realizadas no decorrer das leituras e atividades já
executadas. Verifique que, até o momento, já apresentamos as orientações para as
CONSIDERAÇÕES INICIAIS e a FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA para o seu projeto
de pesquisa, que deverá, na sua versão final, contemplar os seguintes itens:

1.CONSIDERAÇÕES INICIAIS
1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO DO TEMA
1.2 PROBLEMATIZAÇÃO
1.3 JUSTIFICATIVAS
1.4 OBJETIVOS
1.5 VARIÁVEIS E HIPÓTESES

2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

60
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

3.DELIMITAÇÃO METODOLÓGICA
3.1 TIPO DA PESQUISA
3.2 POPULAÇÃO E PROCESSO DE AMOSTRAGEM
3.3 COLETA DE DADOS
3.4 ETAPAS METODOLÓGICAS E CRONOGRAMA
REFERÊNCIAS

Vamos, agora, alinhar as orientações para a organização do item 3 –


DELIMITAÇÃO METODOLÓGICA.

Consideremos a conceituação e as escolhas para: tipo de pesquisa; população e


amostra; instrumentos utilizados para a coleta de dados; procedimentos utilizados
na coleta de dados; procedimentos para análise e interpretação de dados. Além
disso, tem-se as etapas metodológicas (ações) e o cronograma da pesquisa.

Novamente alertamos para o diálogo com o seu professor-orientador, para que


você já apresente um bom delineamento da sua pesquisa.

5.1 Tipo da pesquisa


Vai ser necessário definir o desenho metodológico da pesquisa. Para tal, escolha
entre a pesquisa quantitativa ou qualitativa e, para ajudar nessa escolha, revise o
que foi apresentado no item 4 anterior. Você poderá rever os diferentes tipos de
uma pesquisa para fazer a escolha e também o recorte do autor citado, pois é
sempre ideal, ao sinalizar a escolha do tipo de pesquisa, justificar a escolha pela
definição dada por um dos muitos autores e obras que temos no contexto da
metodologia da pesquisa.

A identificação do tipo de pesquisa já dá indicativos de ações que devem ser


realizadas no decorrer do desenvolvimento da pesquisa. A partir do conceito
adotado, você já tem um caminho delineado para seguir em frente nas escolhas
relativas às ações que serão desenvolvidas para a coleta dos dados e para as
análises dos resultados obtidos.

Por exemplo, na pesquisa descritiva, você vai seguir todos os trâmites relativos
à coleta dos dados e, ao analisá-los, usará a estratégia da descrição. No tipo
de intervenção, há ações que interferem diretamente na realidade. Em geral, as
pesquisas que envolvem fases experimentais ficam enquadradas no contexto
da intervenção.

Temos, ainda, outras classificações, entre as quais destacamos: estudo de caso,


pesquisa fenomenológica, pesquisa ação e pesquisa participante.

61
Capítulo 4

Considerando-se os focos de pesquisa do Curso de Matemática – Bacharelado,


é possível que a sua pesquisa possa ter uma etapa experimental ou uma
observação em campo, mas também sua escolha poderá recair em ações mais
descritivas e bibliográficas.

Sempre que a ação envolver aspectos experimentais diretos, é preciso que se tenha
o projeto encaminhado para o Comitê de Ética em Pesquisa da Unisul (CEP-
Unisul). Conforme os métodos aplicados, é necessário que o projeto de pesquisa
tenha uma acréscimo de documentação e seja submetido a esse órgão colegiado.

O CEP-Unisul é um comitê previsto na legislação federal brasileira e nos acordos


internacionais assinados pelo Brasil, cuja função é consultiva, deliberativa e
educativa, no que se refere a todas as pesquisas científicas da Unisul. Trata-se
de colegiado interdisciplinar e independente, criado para defender os interesses
dos sujeitos da pesquisa (participante pesquisado, individual ou coletivamente, de
caráter voluntário, vedada qualquer forma de remuneração).

Sobre a ética em pesquisa, sugerimos a leitura no site da Unisul em: <http://www.


unisul.br/wps/portal/home/pesquisa-e-inovacao/etica-em-pesquisa>.

Veja o que é CEP-Unisul (Comitê de Ética em Pesquisa da Unisul) e CEUA


(Comitê de Ética no Uso de Animais).

5.2 População e processo de amostragem


Se a sua pesquisa é do tipo quantitativa, você vai precisar definir a população-
alvo e indicar como será definida a amostra aleatória (podendo também trabalhar
com toda a população).

Para a pesquisa qualitativa, o rigor da amostra poderá ser relaxado.

Quando a população não são pessoas, mas, sim, objetos de estudos, usamos o
termo corpus da pesquisa, ao invés de população ou público-alvo da pesquisa.

É necessário detalhar e justificar os procedimentos da sua escolha, informando


todos os dados da população.

Por exemplo, para uma pesquisa que visa à produção de café no Brasil, temos
que o corpus da pesquisa são todos os estados brasileiros. Podemos estabelecer
um conjunto de estados para compor uma amostra.

O projeto de pesquisa deverá descrever o processo de amostragem que deverá


seguir as técnicas e métodos da Estatística, e deverá ser uma amostra aleatória.

No caso de uma pesquisa qualitativa, a amostra pode não ser aleatória, mas a
sua definição deve ser clara e em sintonia com os objetivos propostos.

62
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Se for um estudo de caso, no contexto qualitativo, podemos escolher apenas um


número limitado de estados para ser o público-alvo da pesquisa.

Em todas as ações listadas anteriormente, deve haver uma descrição detalhada


da população e da amostra. Lembre-se que uma amostra deve ser representativa
e ter significância. No exemplo de uma amostra que visa à produção de café
no Brasil, uma amostra representativa deverá ter estados de todas as regiões
brasileiras e, além disso, há a escolha de municípios, de modo que tenhamos
um conjunto que seja significativo para no contexto do tema. Por exemplo, se
escolhemos para a amostra todos os municípios que não têm produção de café,
vamos ter os dados zerados e a pesquisa não terá significância.

Se for necessário aprofundar mais o estudo sobre a população e amostra de


uma pesquisa, é possível usar a Estatística, pois é dessa área que vem todo o
formalismo matemático a ser utilizado.

5.3 Coleta de dados


Será necessário fazer uma descrição detalhada sobre quais dados serão
coletados e como serão coletados. Os instrumentos de coleta (questionários,
entrevistas ou outros tipos) deverão ser todos detalhados, e a forma de realização
da coleta deverá ser planejada. Além disso, deverá também ficar detalhada a
forma como os dados serão guardados e organizados para as análises.

Você vai precisar fazer leituras adicionais, direcionadas pelo seu professor-
orientador, relativas aos instrumentos de coleta e sobre as questões éticas da
pesquisa. Não siga em frente sem ter o detalhamento da sua coleta de dados,
pois você corre o risco de realizar uma pesquisa não reconhecida cientificamente.

A partir das suas escolhas, vai ficar relativamente simples estabelecer um


cronograma alinhado com as etapas metodológicas (ações de pesquisa).

5.4 Etapas metodológicas (ações) e cronograma


De forma bastante prática, podemos organizar uma listagem de etapas,
caracterizadas por ações que deverão ser efetivadas no momento do
desenvolvimento da pesquisa. Trata-se de um roteiro que gera compromissos
pessoais com a pesquisa. Dessa forma, vamos considerar a confecção
desse roteiro como obrigatória. Veja um exemplo simulado, constando ações
metodológicas que são obrigatórias para a grande maioria dos tipos de pesquisa.

63
Capítulo 4

Ações metodológicas da pesquisa:

1. Organizar o referencial teórico – literatura da pesquisa –, usando


livros, artigos, e documentos legais oriundos de fontes qualificadas
e atualizadas.
2. Organizar textos e citações que deverão gerar o referencial teórico
da pesquisa.
3. Revisar a redação de todos os dados gerais do público-alvo ou
corpus da pesquisa.
4. Confeccionar e organizar os instrumentos para a coleta dos dados,
em acordo com o tipo da pesquisa.
5. Coletar e organizar formalmente os dados coletados.
6. Preparar os materiais que serão utilizados nas ações em campo, em
acordo com o tipo de pesquisa escolhido.
7. Preparar relatórios parciais da pesquisa.
8. Atuar no campo (caso em que seja requerida essa ação) com
registros em “diários de campo”.
9. Analisar os dados coletados, considerando o referencial teórico
adotado.
10. Analisar as hipóteses (no caso em que estas forem enunciadas).
11. Confrontar os resultados obtidos com os objetivos da pesquisa a
partir do referencial teórico adotado.
12. Refletir sobre as possibilidades futuras da aplicação dos resultados
da pesquisa.
13. Redigir o relatório final de pesquisa (monografia).
14. Organizar o protótipo de um artigo para publicação.

Observe que as etapas acima são totalmente genéricas e podem ter subetapas.
O importante é lembrar que uma boa relação das ações de pesquisa qualifica
o projeto e já nos dá uma visão das possibilidades de sucesso da pesquisa no
tempo estabelecido.

As etapas da pesquisa devem ser colocadas na linha do tempo, na forma de um


cronograma, considerando-se o início e o fim do desenvolvimento do projeto.

Observe que, ao apresentar o projeto de pesquisa, já temos a definição do início


e do término da pesquisa, principalmente quando estamos no contexto de uma
pesquisa para o TCC ou de uma pesquisa vinculada a órgãos de fomento.

64
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Todo projeto de pesquisa deve ter um cronograma. Se o pesquisador detalha


as etapas da pesquisa, o cronograma de seu desenvolvimento também fica
detalhado. Veja o exemplo no Quadro 1.

Quadro 1 – Cronograma simulado para uma pesquisa

ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO Semana


DA PESQUISA 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª

Organizar o referencial teórico (literatura da


pesquisa), usando livros, artigos e documentos X X
legais oriundos de fontes qualificadas e atualizadas.

Organizar textos e citações que deverão gerar o


X X
referencial teórico da pesquisa.

Revisar a redação de todos os dados gerais do


X
público-alvo ou corpus da pesquisa.

Confeccionar e organizar os instrumentos para


a coleta dos dados em acordo com o tipo da X
pesquisa.

Coletar e organizar formalmente os dados


X X
coletados.

Preparar os materiais que serão usados nas ações


em campo, em acordo com o tipo de pesquisa X
escolhido.

Preparar relatórios parciais da pesquisa. X X

Atuar no campo (caso em que seja requerida essa


X
ação) com registros em “diários de campo”.

Analisar os dados coletados, considerando o


X X X
referencial teórico adotado.

Analisar as hipóteses (caso em que estas forem


X X
enunciadas).

Confrontar os resultados obtidos com os objetivos


X X
da pesquisa a partir do referencial teórico adotado.

Refletir sobre as possibilidades futuras da aplicação


X
dos resultados da pesquisa.

Redigir o relatório final de pesquisa, a monografia. X X X

Organizar o protótipo de um artigo para publicação


X X

Fonte: Elaboração da autora, 2017.

65
Capítulo 4

Observe que uma pesquisa deve ter a variável tempo bem dimensionada. Dessa
forma, as suas escolhas metodológicas deverão levar em conta o tempo que
você tem para as ações de desenvolvimento da pesquisa. Nesse momento, a
mediação do seu professor-orientador é fundamental.

Veja também o tempo que você tem previsto no Plano de Ensino da sua disciplina
Unidade de Aprendizagem do TCC.

Todos os instrumentos que serão aplicados devem estar delineados no projeto da


pesquisa e totalmente detalhados, caso seja um projeto a ser submetido à análise
do Comitê de Ética em Pesquisa. Esses instrumentos devem ser revisados pelo
seu professor-orientador e anexados como apêndices no projeto da pesquisa e
também nos relatórios da sua pesquisa (monografia do TCC).

Para finalizar seu projeto de pesquisa, vamos agora para o passo final, na
discussão das referências bibliográficas.

5.5 Referências bibliográficas no projeto de pesquisa


As referências bibliográficas estão relacionadas com as citações que foram
surgindo no decorrer do projeto. Em geral, elas aparecem de forma mais
expressiva no item do referencial teórico.

Você deverá seguir rigorosamente as normas para a citação e para as referências.


Portanto, sua primeira ação neste passo deverá ser uma leitura atenciosa do texto
escrito do seu projeto de pesquisa, a fim de analisar todas as citações feitas.

Veja no Roteiro de Estudos do EVA as diversas orientações sobre as citações e o


atendimento às normas da ABNT.

Você pode sempre contar com o apoio da Biblioteca Virtual da Unisul e também
com a orientação do seu professor-orientador.

66
Capítulo 5

Projeto de pesquisa: desenvolvimento


das ações

Para refletir
“A pesquisa apresenta diferentes fases. A fase inicial, que pode ser chamada de
exploratória, lembra uma ‘paquera’ de dois adolescentes. É o momento em que se
tenta descobrir algo sobre o objeto de desejo, quem mais escreveu (ou se interessou)
sobre ele, como poderia haver uma aproximação, qual a melhor abordagem dentre
todas as possíveis para conquistar esse objeto. Em seguida, vem a fase que
equivale ao ‘namoro’, uma fase de maior compromisso, que exige um conhecimento
mais profundo, uma dedicação quase exclusiva ao objeto de paixão. É a fase de
elaboração do projeto de pesquisa em que o estudioso mergulha profundamente no
tema estudado. A terceira fase é o ‘casamento’, em que a pesquisa exige fidelidade,
dedicação, atenção ao seu cotidiano, que é feito de altos e baixos. O pesquisador
deve resolver todos os problemas que vão aparecendo, desde os mais simples [...]
até os mais cruciais [...]. Por último, a fase de ‘separação’, na qual o pesquisador
precisa se distanciar do seu objeto para escrever o relatório final da pesquisa. É o
momento em que é necessário olhar o mais criticamente possível o objeto estudado,
fazer rupturas, sugerir novas pesquisas. É o momento de ver os defeitos e qualidades
do objeto amado”.

Goldenberg, 1998, p. 73.

Leia e reflita sobre a metáfora de Goldenberg (1998), uma reconhecida


pesquisadora que discute propostas para pesquisas qualitativas. Talvez os termos
da metáfora não estejam tão atuais, em função do desenvolvimento da sociedade
frente às tecnologias e aos avanços sociais. Entretanto, refletir sobre essa
metáfora é uma forma de ficar sintonizado com um processo que é aprimorado
sistematicamente, ou como uma caminhada, que no caso do desenvolvimento da
sua pesquisa do TCC, deverá ser curta, pois temos um calendário para cumprir,
com um espaço de tempo bastante curto.

67
Capítulo 5

Temos claro que muitos dos estudantes estarão vivenciando a pesquisa do TCC
como um processo de iniciação científica. Portanto, apesar de vivenciar todos os
passos, o domínio dos altos e baixos relacionados com a busca para a resolução
do problema de pesquisa pode ser atingido mais superficialmente. Muitos pontos
poderão ficar para uma pesquisa posterior, de maior profundidade.

Dessa forma, esperamos que a “separação” não ocorra, pois você poderá dar
continuidade mais adiante em seus estudos, na sua formação continuada.

É preciso que você, ao concluir o TCC, possa sempre refletir sobre a metodologia
da pesquisa realizada, pois essa reflexão servirá para alicerçar a sua formação
como um professor pesquisador.

Seção 1
Desenvolvimento das ações de pesquisa
Agora, no momento do desenvolvimento da sua pesquisa, será necessário que
você siga o seu projeto como um norteador. Todas as escolhas iniciais já estão
estabelecidas, agora você já pode dedicar-se à formalização do referencial
teórico da sua pesquisa, tomando como ponto de partida o item 2 do seu
projeto de pesquisa.

1.1 Revisão e ampliação do referencial teórico da pesquisa


Releia o seu projeto de pesquisa e verifique a necessidade de ampliar as leituras
de novos textos e artigos. Organize todo o seu referencial teórico em um texto
inicial, que já poderá compor um importante capítulo da sua monografia. Validar
esse documento previamente com o seu professor-orientador é importante, pois
você já está qualificando resultados.

Caso a sua pesquisa seja apenas do tipo bibliográfica, essa revisão inicial assume
outros objetivos e isso deverá ser observado atentamente, pois, nesse momento,
não se trata mais de uma revisão do que está no seu projeto, mas, sim, de uma
ampliação, em acordo com os objetivos propostos na pesquisa.

O ponto de partida é a revisão da literatura qualificada, com citações,


documentada em textos, em acordo com as normas da ABNT. Além disso, seu
texto tem de estar sincronizado com as suas escolhas do projeto de pesquisa:
tema, problema da pesquisa e objetivos, de modo que você possa compor a base
teórica que dará suporte às análises da sua pesquisa.

68
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

O referencial teórico também está relacionado com as demais ações da pesquisa.


Em especial, vamos aqui destacar a coleta e organização dos dados.

1.2 Coleta e organização dos dados da pesquisa


Não sabemos, no momento da redação deste texto, qual o seu tema e qual a
natureza dos dados que serão coletados para a sua pesquisa do TCC. Entretanto,
temos a certeza de que, como o seu curso é o de Matemática, você vai lidar com
números, mesmo que a sua pesquisa seja do tipo qualitativa. Dessa forma, é
interessante relembrar Pitágoras, na citação de Bentley:

Os pitagóricos alimentavam com fervor religioso sua crença de


que os números residiam no coração do Universo. [...] Mas Euler,
o criador da mais moderna notação matemática e aquele que
deu sua vista pelos números, fornece a combinação final e mais
elegante de números [...] Ela foi chamada de “a mais profunda
afirmação matemática jamais escrita”, “estranha e sublime”,
“cheia de beleza cósmica” e “assombrosa”. [...] Sua aparência é
esta: . Esta simples e pequena identidade matemática
é como uma luz brilhando no coração da matemática. [...] A
pequenina e elegante equação de Euler nos proporciona um
indício sutil sobre os números que estão entrelaçados no tecido
da realidade. Eles são todos os aspectos da mesma coisa. Talvez
um dia descubramos que todos os fios na tapeçaria de nosso
Universo estão ligados. [...] Você é feito de números. Eu também.
Gosto desta sensação. (BENTLEY, 2009, p. 250-251).

Essa referência nos mostra aspectos históricos da construção dos números com
os quais atualmente lidamos em nosso dia a dia como professores ou como
pesquisadores matemáticos. Precisamos dar mais atenção ao uso dos números,
pois é usual no nosso cotidiano, nas diferentes mídias, a divulgação de dados
coletados com números. E as análises descontextualizadas não mostram a força
dos números na formação da sociedade, nas novas descobertas em todas as
pesquisas científicas realizadas ao redor do mundo. É preciso que você, “feito de
números”, como coloca Bentley (2009), possa afirmar: “gosto desta sensação”.

Faça, portanto, um trabalho sério, correto no momento de coletar os dados


da sua pesquisa, nas análises dos números que serão manuseados e,
fundamentalmente, seja criterioso ao colocar os resultados, pois cada um dos
resultados numéricos apresentados representa vidas, de forma direta ou indireta.

Você já está com o seu referencial pronto, agora vai coletar os dados da
sua pesquisa. Observe que esses dados podem ser de diferentes tipos, de
características ou de natureza, pois eles dependem dos objetivos da sua
pesquisa, da metodologia proposta e do público-alvo ou corpus da envolvido.

69
Capítulo 5

Exemplos:
1. Se a pesquisa tem como objetivo investigar os aspectos tecnológicos
contemplados nos livros de Cálculo Diferencial e Integral, utilizados
nos cursos de Matemática e engenharias, não se tem público-alvo
envolvido, mas tem-se um corpus da pesquisa, que poderá ser cinco
coleções escolhidas aleatoriamente. Nesse caso, os dados que serão
coletados podem ser recortes textuais, anotações pessoais etc.
2. Se a pesquisa tem como objetivo investigar o uso de um software
no processo ensino-aprendizagem em sala de aula, o público-alvo
será o escolhido para a etapa experimental e, nesse caso, os dados
a serem coletados podem ser sondagens aplicadas antes e depois
do experimento, depoimentos pessoais dos envolvidos na etapa
experimental, questionários, entrevistas ou até mesmo a observação
do pesquisador, caso este seja participante ativo do processo.

A coleta de dados deve ser inicialmente projetada, e todos os instrumentos


devem estar prontos antes da sua aplicação. Não siga em frente nessa etapa sem
ter um diálogo com o seu orientador, pois o compartilhamento de ideias auxilia
muito no sucesso dessa etapa de coleta dos dados.

Quando se tem etapas experimentais, sugere-se o uso de um diário de campo


para o registro de tudo que é observável.

É provável que você precise fazer algumas leituras no decorrer desse processo de
coleta de dados, pois, em função das suas escolhas no projeto, a sua pesquisa
poderá ter especificidades que exigem olhares mais detalhados e profundos no
contexto da coleta de dados. Nesse caso, seu orientador deverá auxiliar, fazendo
indicações de leituras complementares.

É preciso que se realize a coleta de dados prevista para a sua pesquisa com o
máximo de rigor e empenho, para que seus dados sejam significativos para a
pesquisa. Lembre-se do contexto do seu projeto de pesquisa e, se for necessário,
faça as melhorias necessárias. Verifique se você está usando as variáveis
adequadas no momento da coleta. Por exemplo, antes de aplicar um questionário
ou uma entrevista, avalie o documento respondendo para si mesmo: esses dados
podem trazer informação para atender aos objetivos da minha pesquisa?

Se você vai usar dados que já estão em fontes disponíveis, como, por exemplo,
dados populacionais ou outros, é obrigatória a citação da fonte.

Alguns cuidados relacionados com a metodologia prevista no projeto de


pesquisa devem ser observados. Por exemplo, se você vai aplicar uma pesquisa
experimental, deve observar o que Pádua (2002, p. 58) indica:

70
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

A pesquisa experimental busca relações entre fatos sociais ou


fenômenos físicos através da identificação e manipulação das
variáveis que determinam a relação causa-efeito (estímulo-
resposta) proposta na hipótese de trabalho. A verificabilidade,
bem como a quantificação dos resultados, são elementos
essenciais a este tipo de pesquisa; os termos pesquisa de
laboratório e pesquisa de campo servem para designar o local
onde elas se desenvolvem, a partir de sua característica básica,
que é o controle de variáveis com base no referencial teórico de
cada área do conhecimento.

Após a coleta dos dados, eles precisam ser organizados. É importante lembrar
que a organização dos dados facilita a retirada de informações. Sempre que
possível, os dados podem ser organizados com técnicas oriundas da Estatística
ou da Teoria das Probabilidades.

Observe que, ao usar dados numéricos, eles provavelmente estarão relacionados


e em acordo com o que usamos no conceito de funções: vamos ter uma ou
mais variáveis independentes e uma variável dependente. Uma variável é
independente quando caracteriza, por exemplo, um fator causal; é aquela que
o pesquisador considera como básica e quer verificar o seu efeito. Essa é uma
variável que, em tese, não é manipulável pelo pesquisador. Dessa forma, devemos
sempre ter muito cuidado ao escolher essa variável, para não comprometer o
desenvolvimento da pesquisa.

A variável dependente deve ser controlada, exige um controle na sua coleta para
qualificar a pesquisa.

Seção 2
Organização dos dados
Na organização dos dados, muitas ferramentas podem ser utilizadas, sendo que
as planilhas eletrônicas são altamente recomendadas.

Um grupo de alunos, sob a minha orientação, realizou uma pesquisa em livros


didáticos, fazendo recortes de textos, imagens e gráficos para analisar o uso de
elementos da história da Matemática no texto. Isso foi feito com cinco coleções,
sendo que cada coleção continha quatro livros. O número de recortes foi muito
grande, e o grupo de alunos estava encontrando dificuldades para organizar os
dados coletados. Como os recortes foram realizados a partir de objetivos bem
delimitados, foi possível organizá-los em uma planilha de Excel. Cada recorte
recebeu uma análise qualitativa a partir dos objetivos propostos.

71
Capítulo 5

Por exemplo: o dado histórico foi utilizado para “introduzir”, ou “fixar” os objetos
de estudos. Qual o conteúdo envolvido?

O uso da planilha propiciou a organização dos dados, e seus recursos


tecnológicos facilitaram as análises na etapa seguinte, pois, ao aplicar filtros
na planilha, surgiram várias informações, por exemplo, quais conteúdos foram
preferidos para usar a história como recurso no processo ensino-aprendizagem.

É importante destacar que o pesquisador não deve organizar os dados de forma


que estes mostrem apenas os aspectos que consideramos positivos para validar
as nossas concepções ou conjecturas. Todos os dados coletados devem ser
considerados pertinentes e significativos e devem ser organizados para a análise.
Se os resultados não forem conclusivos, ainda assim devemos registrá-los.

Quando precisamos verificar as hipóteses de uma pesquisa ou a relação entre as


variáveis representadas pelos dados coletados, é fundamental o uso das medidas
estatísticas, como, por exemplo: as medidas de tendência central, as medidas
de variabilidade e a correlação. Em algumas situações, o uso de modelagem
matemática é fundamental para a etapa de análise dos dados coletados.

É preciso ter uma atenção especial quando os dados coletados por meio de uma
entrevista, pois, em geral, são limitados, e os entrevistados podem não apresentar
as informações necessárias para a pesquisa. Um aspecto importante da
entrevista está na possibilidade da análise dos dados sob a ótica mais qualitativa.

Atenção: não confunda entrevista com questionário aplicado.

Lembre-se que todos os dados devem ser organizados e apresentados no seu


TCC. Em geral, as ferramentas da Estatística Descritiva são facilitadoras para a
apresentação de dados coletados, tanto na forma de tabelas quanto na forma gráfica.

Seção 3
Análise dos dados
Chegou o momento de analisar os dados coletados e você vai precisar dispor de
tempo, muita atenção e dedicação para tirar o máximo de informação dos dados
coletados. Essa etapa vai exigir de você várias competências e habilidades,
supostamente já construídas no decorrer do seu curso. É o momento de
demonstrar muita criatividade para analisar cada dado com bom senso, tendo
como alicerce a fundamentação teórica estabelecida para a sua pesquisa.

72
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Uma dica que vale a pena ser lembrada é estar sempre em sintonia com os
objetivos da pesquisa. Procure responder a perguntas tais como:

•• O que eu esperava encontrar? O que encontrei?


•• Qual referencial teórico está se mostrando mais aderente para as
análises?

Pádua (2002, p. 78) afirma que a análise de dados:

“[...] não se realiza automaticamente. Exige criatividade, caso


contrário o trabalho não ultrapassa o nível da simples compilação
de dados ou opiniões sobre um determinado tema. A análise dos
dados é importante, justamente porque através desta atividade
há condições de evidenciar a criatividade do pesquisador. Outra
forma, não haveria sentido na atividade da pesquisa”.

Ao analisar um conjunto de dados coletados, é interessante estabelecer


relações entre eles. Para quem tem a formação na área da Matemática, como
é o seu caso, pode pensar em “relações” exatamente como são definidas
em Matemática, observando que podemos ter diferentes tipos de relações e
diferentes tipos de dados. Ao manipular relações, é possível estabelecer:

•• os pontos de divergência e convergência;


•• as tendências e as regularidades;
•• as causas e os efeitos;
•• as possíveis generalizações.

A Matemática, como objeto de estudos, pode auxiliá-lo bastante nessa etapa da


pesquisa. Nesse momento, não estamos falando simplesmente da estatística, da
proporcionalidade ou de percentuais, pois estes já são conceitos muito socializados
nas pesquisas. Estamos nos referindo à Teoria dos Conjuntos, das relações entre
conjuntos e das funções de uma ou várias variáveis, da modelagem matemática.

Exemplo:
Você pode agrupar dados por suas características comuns e, nesse caso, fica
caracterizada a formação de conjuntos de dados. A partir da identificação desses
conjuntos, fica válido o uso do conceito de pertinência, que relaciona elemento
com conjunto; e o conceito de inclusão, que relaciona conjunto com conjunto.
Esses conceitos auxiliam na identificação de dados estranhos ao contexto da
análise e, como tal, deverão ser tratados em separado.

73
Capítulo 6

Monografia: organização e formatação

Para refletir
“Na vida cotidiana e em muitos sistemas filosóficos, falamos como se a razão
e a lógica do raciocinar tivessem um fundamento transcendente, e como se
esse fundamento atribuísse validade universal a nossos argumentos racionais.
Compreendendo nosso operar como seres vivos na linguagem, podemos ver,
entretanto, que não é isso o que acontece.

O que na vida cotidiana distinguimos como raciocinar é a proposição de argumentos


que construímos ao concatenar as palavras e noções que os compõem segundo
seus significados, como nos operacionais do domínio particular de coordenações
consensuais de conduta a que pertencem. Por isso, o que um observador faz ao
falar da lógica do raciocinar como um fenômeno universal é, de fato, distinguir as
regularidades operacionais constitutivas do operar na linguagem (ou linguajar).
[...] o que na vida cotidiana distinguimos como conduta racional é nosso operar
em discursos, explicações ou condutas, que podemos justificar com discursos,
explicações ou argumentos, que construímos respeitando a lógica do raciocinar”.

Maturana, 1999, p. 171.

Talvez eu tenha trazido para a finalização das nossas orientações um texto


que no “linguajar” de um estudante seria muito “cabeça”, pois dificilmente em
uma primeira leitura seria compreendido plenamente. O autor do trecho citado
discute o ser humano a partir de alguns conceitos, tais como: o que é ver, o que é
perceber; o que são a linguagem, a racionalidade, as emoções, a consciência; e o
que é a realidade.

O autor está discutindo a “ontologia do conversar” e, em especial, nesse recorte,


tem-se o destaque do raciocinar e o racional. Na vida cotidiana, o raciocinar é
efetivamente uma proposição de argumentos que cada indivíduo constrói ao
sincronizar palavras com noções e significados, ou seja, algo que é mostrado
matematicamente por meio da lógica matemática.

75
Capítulo 6

Resulta daí um dito popular, presente em diversos documentos educacionais,


que a matemática é responsabilizada por desenvolver o raciocínio. Entretanto,
há de se ter um certo cuidado nessa afirmação, pois a conduta racional deve
também estar presente. Não basta dominar a lógica simbólica, é preciso envolver
as diferentes linguagens matemáticas, a racionalidade, a consciência de um ser
inserido em um ambiente rico de estímulos para a realidade.

Assim, nessa etapa final da redação da monografia, é preciso que você mostre,
por meio de um documento textual, o quanto desenvolveu o seu raciocínio para
olhar a realidade.

Curta a emoção de uma finalização, pratique a conduta racional, seja de fato


racional, assuma as responsabilidades e a liberdade para o exercício profissional
para o qual você se preparou e dê a sua contribuição para a formação de uma
sociedade melhor!

Seção 1
Introdução
No decorrer do roteiro de estudos da Unidade de Aprendizagem do TCC,
apresentamos as orientações básicas para a elaboração do projeto de pesquisa
e, em seguida, os detalhes a serem observados no decorrer do desenvolvimento
da pesquisa. Se você seguiu o roteiro estabelecido, agora chegou o momento da
montagem da sua monografia do TCC, em acordo com o template indicado.

Vamos discutir elementos básicos para a qualificação da sua monografia, que


deverá refletir os resultados da pesquisa desenvolvida. Observe que as lacunas
que tiveram origem nas etapas anteriores surgem agora mais formalmente e
podem interferir na qualificação da sua monografia. Portanto, antes de iniciar
a organização da sua monografia, retome as etapas anteriores e verifique
se realmente você passou por todas as etapas e se fez todos os registros
solicitados.

Observe que não vamos ficar discutindo longamente os aspectos formais de


formatação e apresentação da monografia. Para esses aspectos, você deverá
utilizar o documento “Trabalhos Acadêmicos na Unisul”. Vamos estabelecer
alguns elementos que consideramos essenciais para que a sua monografia fique
alinhada com a sua formação e com os referenciais do Curso de Matemática.

Vamos então para o trajeto final da nossa caminhada!

76
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Seção 2
Organização da monografia
Antes de comentarmos sobre a organização da sua monografia, vamos colocar
formalmente esse objeto de estudo que, de certa forma, vai fazer parte da sua
futura vida profissional.

O que é uma monografia?


Rauen (2002, p. 238) coloca que “Monografia é um produto textual dissertativo
que trata de um assunto particular de forma sistemática e completa”.

Lakatos e Marconi (1991, p. 235) afirmam que se trata de “estudo sobre um tema
específico ou particular, com suficiente valor representativo e que obedece a
rigorosa metodologia. Investiga determinado assunto não só em profundidade,
mas também em todos os seus ângulos e aspectos, dependendo dos fins a que
se destina”.

Diante das citações apresentadas, você pode constatar que ambos salientam as
características básicas de uma monografia. Veja:

•• Documento textual que, no caso do nosso contexto, poderá ter


diferentes linguagens contempladas em função da natureza da
matemática (textual, gráfica, tabular, algébrica etc.).
•• Apresentação científica em acordo com as normas da ABNT.
Lembrando que a apresentação científica é reconhecida tanto nos
conteúdos quanto na formatação do texto.
•• Trata de um tema específico, que foi amplamente estudado,
analisado e pesquisado a partir de problemas ou questões de
pesquisa.
•• Os objetos investigados foram analisados em profundidade e
também de forma lateral, para que a sua aplicabilidade possa ser
realçada.
•• Mostra os resultados de uma pesquisa científica, sua aplicabilidade,
suas consequências mais imediatas e, sempre que possível, as
possibilidades para o futuro.

77
Capítulo 6

Qual é o objetivo de uma monografia?


A monografia deve atender ao objetivo de apresentar um relato de pesquisa, em
acordo com o que Goldenberg (1998, p. 96) nos coloca:

O objetivo do relatório de pesquisa é permitir a comunicação da


pesquisa para um público mais amplo, que pode ser a agência
que financiou o projeto, a universidade, os colegas de profissão.
É um momento difícil da pesquisa: como construir um todo desta
multiplicidade de materiais? Como evitar que as conclusões não
sejam meros reflexos da predisposição do pesquisador e sim
resultados da análise do objeto de estudo? Como impedir que se
apresente um excesso de dados com uma escassez de análise?
A quem se destina o relatório? O que esse público deseja ou
precisa saber a respeito do estudo? Qual a melhor forma de
apresentar essa informação? Qual a dificuldade e complexidade
do assunto? Por que e para quem fazemos nossas pesquisas?

As questões levantadas por Goldenberg (1998) devem ser observadas


sistematicamente, para que a monografia tenha a qualidade necessária e possa
garantir um espaço no meio acadêmico e científico.

Essa mesma autora amplia as reflexões e, alicerçados nessa discussão, vamos


apresentar, no Quadro 6.1, o modelo de checklist, para que você possa fazer a
autoavaliação da sua monografia.

Observe que neste quadro vamos discutir conteúdos da sua monografia, e não a
formatação. Ainda estamos considerando que a sua monografia é o resultado de
uma pesquisa científica em nível de graduação no contexto da Matemática.

Observe que a última coluna está em aberto, pois é nesta coluna que você estará
colocando as suas observações pessoais para qualificar a monografia.

78
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Quadro 6.1 – Revisando antes da formatação

ITEM CRITÉRIOS DE QUALIDADE OBSERVAÇÃO

Formalização clara do tema, em acordo com o projeto


Tema e delimitação apresentado. Indicar também a motivação pessoal para a
do tema escolha do tema. Formalizar a importância do tema na sua
futura profissão e para a comunidade público-alvo.

Problema ou Esclarecer as razões da escolha do problema, apresentando


questões da a descrição da caminhada para a escolha do problema ou
pesquisa para a formulação das questões da pesquisa.

Hipóteses e variáveis As variáveis e as hipóteses devem estar enunciadas


(quando pertinente) claramente e os objetos envolvidos devidamente definidos.

Objetivos da Colocar claramente o objetivo geral e os objetivos


pesquisa específicos da pesquisa.

Apresentar de forma resumida o roteiro seguido para o


Planejamento da
desenvolvimento da pesquisa. Aqui será cruzado o que foi
pesquisa
projetado e o que foi realizado.

Público-alvo,
Descrever o público-alvo ou corpus da pesquisa fazendo
população ou corpus
a descrição da amostra, indicando a forma como esta foi
da pesquisa. Plano
estabelecida.
de amostragem

Estabelecer um texto com itens e subitens, contendo


todo a fundamentação teórica da pesquisa. Devem estar
Referencial teórico contemplados a citação de livros e artigos envolvendo
referenciais da didática da Matemática, das tendências em
educação matemática e outros.

Apresentar formalmente os dados coletados, organizados


com diferentes representações semióticas, lembrando
de fazer referências aos instrumentos utilizados. Os
Coleta de dados
instrumentos devem ser colocados no apêndice ou
anexo da monografia. Apresentar, também, as possíveis
dificuldades encontradas.

A partir da análise dos dados, os resultados da pesquisa


Análise dos dados
devem ser apontados claramente. Observando-se que
e resultados da
todos os aspectos devem ser apontados, tanto os
pesquisa
positivos quanto os negativos.

A partir dos resultados da pesquisa, as conclusões


são apresentadas, e você deve se posicionar frente às
Conclusões questões de pesquisa formuladas inicialmente, frente à
sua própria formação e frente à sua futura vida profissional
como professor de Matemática.

É muito interessante se você se posicionar, mostrando que


Considerações finais o seu olhar para o futuro indica que o seu trabalho pode ter
continuidade, pois está gerando novas questões de pesquisa.
Fonte: Elaboração da autora, 2017.

79
Capítulo 6

Observe que, após a sua autoavaliação usando o Quadro 6.1, você poderá
também revisar todas as sugestões do seu orientador, estabelecidas no decorrer
do processo da pesquisa.

Todas as melhorias e sugestões indicadas pelo seu orientador foram atendidas?


Veja que você deve responder positivamente a essa questão. Se não, retome o
que foi feito, revise, e só siga para a formatação final da sua monografia caso
você tenha a certeza da qualificação do seu trabalho.

Vamos revisar o sumário geral da monografia?


É interessante ter uma visão global da organização da monografia. Isso é
apresentado no documento “Trabalhos Acadêmicos na Unisul”, mas segue um
roteiro básico que deverá ser adaptado à sua pesquisa realizada.

Observe que:

•• O título (SUMÁRIO) deve ter a fonte tamanho 12, com letras


maiúsculas em negrito e centralizado, distante do texto dois
espaços 1,5.
•• O texto do sumário (lista dos tópicos da monografia) tem fonte
de tamanho 12, alinhamento justificado, espacejamento 1,5. A
numeração das páginas alinhada à direita. Observar as normas
relativas ao uso dos negritos e de letras maiúsculas ou minúsculas.

Qual a organização final da monografia?


Na literatura, tem-se que toda a monografia deve ter:

•• elementos pré-textuais;
•• elementos textuais;
•• elementos pós-textuais.

80
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Nas subseções seguintes, tem-se elementos sobre essa organização.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................... xx

1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO DO TEMA...................................... xx

1.2 PROBLEMATIZAÇÃO......................................................... xx

1.3 JUSTIFICATIVAS................................................................. xx

1.4 OBJETIVOS........................................................................ xx

1.4.1 Objetivo geral...................................................................... xx

1.4.2 Objetivos específicos........................................................... xx

1.5 Variáveis e hipóteses (opcional)........................................... xx

1.6 Tipo da pesquisa................................................................. xx

1.7 ESTRUTURA DO TRABALHO............................................. xx

2 TÍTULO EM ACORDO COM O REFERENCIAL TEÓRICO.... xx

2.1 SEÇÃO SECUNDÁRIA DO REFERENCIAL TEÓRICO......... xx

2.1.1 Seção terciária do referencial teórico................................... xx

3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS........ xx

3.1 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS...................................... xx

3.2 RESULTADOS OBTIDOS..................................................... xx

4 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS...................... xx

REFERÊNCIAS ........................................................................................... xx

ANEXOS ........................................................................................... xx

ANEXO A – Título ........................................................................................... xx

ANEXO B – Título ........................................................................................... xx

2.1 Elementos pré-textuais


Você poderá usar o template disponibilizado no EVA, na forma de uma Avaliação a
Distância, mas observe atentamente as regras para utilizá-lo, pois, caso contrário,
você altera a formatação e, para retornar o processo, tem-se um trabalho adicional.
O uso adequado do template tem a vantagem de disponibilizar a formatação em
acordo com as normas e também a confecção do sumário de forma automática.

81
Capítulo 6

São elementos pre-textuais:


Capa – ver conteúdo e formatação no template ou no texto “Trabalhos
Acadêmicos na Unisul”, não vamos ter a necessidade de fazer a lombada.

Folha de rosto – ver template, observando-se que não vamos, neste momento,
acrescentar o verso da folha de rosto relativo à ficha catalográfica. Caso o
documento seja publicado, haverá a necessidade dessa catalogação.

Folha de aprovação – ver template e, se já existe a indicação dos membros da


banca, estes já poderão ter os nomes formalizados.

Dedicatória – trata-se de um documento opcional. Observe a formatação no


template.

Agradecimentos – trata-se de um documento opcional. Observe a formatação no


template.

Epígrafe – trata-se de um documento opcional. Observe a formatação no template.

Resumo em língua vernácula – o texto do resumo deve ter de 150 a 500 palavras,
sendo que não recebe indicativo numérico. Texto justificado, sem recuo na primeira
linha do parágrafo e espacejamento 1,5.

Resumo em língua estrangeira – tradução do item anterior com a mesma formatação.

Lista de ilustrações – trata-se de um documento opcional. Observe a


formatação no template.

Lista de tabelas – trata-se de um documento opcional. Observe a formatação


no template.

Listas de abreviaturas e siglas – trata-se de um documento opcional.


Observe a formatação no template.

Lista de símbolos – trata-se de um documento opcional. Observe a formatação


no template.

Sumário – Observar as considerações já amplamente discutidas nas disciplinas


de estágios e também já pontuadas nesta seção.

2.2 Elementos textuais


Os elementos textuais são categorizados na literatura em três grandes itens:

•• introdução;
•• desenvolvimento;
•• conclusão.

82
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

2.2.1 Introdução
Você poderá organizar esses três grandes itens da forma mais conveniente, em
acordo com a sua pesquisa. Nesse passo, vamos sugerir um roteiro, mas você
terá a liberdade de fazer as devidas adequações.

Na introdução, você poderá fazer a escolha de escrever todo o conteúdo


necessário para a qualificação da sua monografia, sem a identificação de
subitens. No entanto, se você achar melhor colocar subitens, poderá fazê-lo.

Lembre-se sempre da necessidade de fazer “textos-ganchos” entre um item e


subitens, ou seja, os subitens devem ser inicialmente contextualizados para a sua
posterior apresentação.

O que deve conter a introdução?


A introdução deve familiarizar o leitor com as ideias iniciais da pesquisa, ou seja,
qual a sua motivação, quais as suas ideias iniciais, o que você esperava da sua
pesquisa. Deve-se também colocar formalmente o tema da pesquisa e suas
delimitações, o problema, o público-alvo (amostra) ou corpus da pesquisa, os
objetivos da pesquisa e o tipo de pesquisa.

Além disso, deverá também justificar a pesquisa, formalizando a sua importância


para a sua formação e para o contexto educacional em geral.

O texto da introdução deve ser claro, bem redigido, atendendo às questões éticas
da pesquisa. O texto deve ser altamente motivador, ou seja, o leitor deve ter uma
visão global do seu trabalho e deve ser motivado a fazer toda a leitura para ver
detalhes dos resultados.

A introdução é o primeiro capítulo da sua monografia, portanto, deve ser


precedida pelo indicativo numérico 1, alinhada à esquerda, com letras maiúsculas
e em negrito. O texto tem alinhamento justificado e espacejamento de 1,5.

Veja, a seguir, detalhes sobre os elementos textuais considerados integrantes do


desenvolvimento da sua monografia

2.2.2 Desenvolvimento
O desenvolvimento da monografia é considerado como uma das partes principais,
pois é nele que você vai apresentar tudo que foi feito no decorrer da pesquisa.
Considerando-se que essa parte é mais ampla, recomenda-se dividir em dois, três
ou mais capítulos da sua monografia, sendo que cada capítulo pode conter seções
de ordem secundária, terciária ou mais. Recomenda-se usar, no máximo, até a
seção terciária, para não se correr o risco de fragmentar as ideias ou o próprio texto.

83
Capítulo 6

Qual o conteúdo dos capítulos do desenvolvimento?


Você deve iniciar com a fundamentação teórica, que poderá ser apresentada em
um ou mais capítulos. Observe que os títulos dos capítulos do desenvolvimento
devem ser significativos, em acordo com os temas trabalhados.

Outro conteúdo importante do desenvolvimento é a apresentação e a discussão


dos resultados. Nesse caso, a formatação depende muito do tipo da sua pesquisa,
mas deve levar em conta a sequência dela. Seu texto deve ser enriquecido com
recursos ilustrativos, de tal forma que o leitor possa imergir em seu conteúdo. Outro
ponto importante é o cruzamento com os referenciais teóricos.

Exemplos:
(1) Caso você tenha realizado uma pesquisa experimental com ações em campo,
poderá apresentar a sequência sugerida no Quadro 6.2.

Quadro 6.2 – Sugestão de sumário e organização de um capítulo da monografia

3. DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1 PREPARAÇÃO DA ETAPA EXPERIMENTAL

3.1.1 Descrição do público envolvido

3.1.2 Conteúdos

3.1.3 Material didático

3.1.4 Metodologias e avaliação

3.2 ETAPA EXPERIMENTAL

3.2.1 Descrição das aulas experimentais

3.2.2 Relatos da experiência

3.2.3 Organização e apresentação dos dados coletados

3.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS

3.3.1 Análise relativa aos processos de ensino-aprendizagem

3.3.2 Análise relativa à adequação do material didático

3.3.3 Análise relativa às escolhas metodológicas

3.3.4 Análise relativa ao processo de avaliação

Fonte: Elaboração da autora, 2017.

84
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

(2) Caso você tenha feito uma pesquisa que envolveu a aplicação de questionários,
poderá apresentar como o modelo abaixo:

Quadro 6.3 – Exemplo dos itens da monografia (com aplicações de questionários)

3. DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1 COLETA DOS DADOS

3.1.1 Descrição do público envolvido

3.1.2 Descrição e objetivos do instrumento usado (questionário)

3.1.3 Metodologia da aplicação

3.2 APRESENTAÇÃO DOS DADOS COLETADOS

3.2.1 DADO 1: ?????

3.2.2 DADO 2: ?????

3.2.3 Organização e apresentação dos dados coletados

3.3 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

3.3.1 Análise relativa ao contexto 1: ??????

3.3.2 Análise relativa ao contexto 2: ??????

3.4 RESULTADOS DA PESQUISA

Observe que, nos exemplos citados, os resultados da sua pesquisa já foram


apresentados e discutidos no item final do capítulo ou até mesmo no decorrer do
capítulo. É de fundamental importância que os resultados da sua pesquisa estejam
bem colocados em uma seção final do capítulo final (na parte do desenvolvimento
da pesquisa), podendo estar apresentados da forma como mostra o exemplo (3).

(3) Para qualquer tipo de pesquisa, podemos sempre imaginar que haverá um
capítulo no desenvolvimento que tenha as seguintes seções:

3. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS

3.2 RESULTADOS OBTIDOS

Vamos, agora, caminhar para o passo seguinte, momento efetivamente final dos
elementos textuais da sua monografia.

85
Capítulo 6

2.2.3 Conclusão
O texto da conclusão deve retomar os resultados da pesquisa e da discussão
dos capítulos anteriores, para apresentar ao leitor as conclusões relativas aos
objetivos que foram enunciados lá no início da pesquisa.

Ao confrontar os objetivos propostos, você poderá concluir se estes foram


atingidos, quais as contribuições da pesquisa, quais as limitações encontradas e
quais as possibilidades de generalizações.

Ainda como consideração final, é importante que sejam apontados os


desdobramentos da pesquisa que possam estar gerando novas pesquisas ou
novos questionamentos a serem investigados.

Uma pesquisa de qualidade sempre gera novos problemas para serem


investigados ou novas questões de pesquisa.

Você está já na reta final da sua monografia! Veja agora como fica a formatação
dos elementos pós-textuais.

2.3 Elementos pós-textuais


Não deixe que o cansaço vença!

Siga com muita atenção as orientações a seguir, para deixar a formatação da sua
monografia bem alinhada com as normas exigidas.

Os itens considerados pós-textuais são:

•• referências;
•• glossário;
•• apêndice ;
•• anexos;
•• índices.

Veja que, desses itens, somente as referências são obrigatórias. Os apêndices


e anexos são obrigatórios se a sua pesquisa tiver efetivamente documentos para
apêndices e anexos.

As referências devem contemplar todas as citações do texto, em acordo com as


normas da ABNT. Faça uma revisão criteriosa, pois é um grande erro quando uma
citação não está referenciada.

86
TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

O apêndice é utilizado para apresentar documentos que você elaborou, por


exemplo: questionários, roteiros de entrevistas, planos de aulas, textos didáticos,
roteiros didáticos, instrumentos de avaliação da aprendizagem etc. Em alguns
casos, quando os dados oriundos da pesquisa estão com muitas tabelas e muitos
gráficos, e estes não foram integralmente apresentados na parte textual da
monografia, você pode colocá-los no apêndice.

O anexo deve ser inserido para mostrar documentos, imagens, fotos etc.,
utilizados no decorrer da pesquisa, mas que não são de sua autoria.

Lembre-se: todos os apêndices e anexos devem ser citados no decorrer do texto.

Para finalizar,

Que tal você agora ser professor-orientador de você mesmo?

Leia e corrija a sua monografia! Qualifique a sua monografia antes de enviar a


finalização para a banca examinadora. Esteja muito atento com a revisão das
sugestões do seu professor-orientador. Na seção que segue, você vai preparar a
sua apresentação para a banca examinadora.

Seção 3
Apresentação oral da monografia
Agora você vai preparar a apresentação do seu TCC para a banca examinadora.
Essa atividade é considerada como uma atividade presencial, portanto, ela será
apresentada a partir dos polos e avaliada por uma banca examinadora composta
pelo orientador e por dois outros membros, nomeados pela coordenação em
acordo com o PPC do curso.

Ao preparar a sua apresentação, que será transmitida via webconferência, você


deverá ficar atento aos critérios da avaliação da sua monografia, cuja qualificação
está alicerçada nos itens a seguir.

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Capítulo 6

1. Relativos aos conteúdos:


· títulos, dados pessoais e nome do professor-orientador;
· projeto de pesquisa:
· tema;
· problema ou questões da pesquisa;
· objetivos (geral e específico);
· tipo de pesquisa;
· etapas da pesquisa;
· referencial teórico (resumos pequenos).
2. Relativos ao desenvolvimento da pesquisa:
· coleta de dados;
· organização dos dados;
· apresentação dos dados;
· análise dos dados;
· resultados da pesquisa.
3. Relativos à formatação final da monografia:
· formato final da monografia;
· dificuldades e facilidades para a organização final;
· resultados relevantes;
· conclusões;
· considerações finais;
· referências.

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TCC: Curso de Matemática – Bacharelado

Seção 4
Observação final
Temos a certeza de que todas as ações desenvolvidas são importantes para a sua
formação profissional, pois é exatamente no momento do desenvolvimento de
uma monografia que o aluno vivencia mais formalmente a pesquisa.

Espero que você, ao concluir seu curso, esteja pronto para seguir em frente na
caminhada para ser um professor de Matemática no Ensino Superior ou um
pesquisador em mercados de trabalho que exigem a presença do matemático.
Fique atento, enquanto professor de Matemática, para vivenciar novas pesquisas,
pois essa será a única maneira de você lutar contra a inércia observável em
muitos ambientes universitários ou em empresas.

Você vai poder mostrar e divulgar o seu trabalho e, dessa forma, terá a
oportunidade de, em conjunto com o seu orientador, produzir um artigo para
publicação. Veja na finalização da sua disciplina (Unidade de Aprendizagem), as
orientações nas atividades finais.

Seja feliz! Veja o trabalho de professor não apenas como uma forma para
sobreviver, mas como um trabalho que tem a característica da diversidade.
Ser professor é enfrentar desafios, ter alegrias e tristezas, mas, acima de tudo,
ter a possibilidade de aprender sempre a cada dia, a cada momento, a cada
leitura ou em cada pesquisa. Seja um pesquisador, pois atualmente o mundo
requer cada vez mais a participação do matemático para ajudar na solução
de problemas ambientais, físicos, de engenharia e também no contexto
econômico-financeiro. Veja que, de algum modo, você se preparou para dar a
sua contribuição para a sociedade.

Siga em frente e seja um vencedor!

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Considerações Finais

Estamos finalizando este texto, e é importante relembrar as competências


que constam na proposta pedagógica do seu curso. Essas competências
estão relacionadas com a sua futura formação nas áreas que lidam com
conhecimentos matemáticos interdisciplinares, um pouco além do que se
trabalha na Matemática pura.

Na sua caminhada, foi preciso desenvolver habilidades para resolver situações-


problema que surgem no contexto ambiental, da física, das engenharias e no
contexto econômico-financeiro. Foi preciso uma escolha para o TCC e você
venceu, conseguindo superar todas as dúvidas e dificuldades inerentes a uma
pesquisa científica.

Com toda a certeza, você teve de fazer uma dedicação especial, e, com toda
a certeza, no seu processo de aprendizagem, muitas horas de estudos foram
dedicadas à Matemática.

Para concretizar a sua monografia do TCC, foi necessário também o


estabelecimento de uma série de relações que o conduziram aos conteúdos
e aos objetos matemáticos relacionados com o seu tema escolhido e com os
objetivos propostos na sua pesquisa realizada. Foi necessária uma aproximação
com diferentes definições, propriedades, métodos específicos da Matemática e
modelos matemáticos interdisciplinares, os quais lhe permitiram a construção
de interpretações pessoais e, em alguns momentos, subjetivas. Apesar de você
ter a oportunidade de compartilhar ideias com os seus colegas e com o seu
professor, isso não modificou o fato de que as suas ideias foram autênticas,
importantes e inovadoras.

Nossa visão atual para uma efetiva formação por competências nos permite
colocar olhares para as especificidades de cada estudante, assim como as suas
potencialidades e seus interesses para as áreas interdisciplinares. Dessa forma,
tomamos a liberdade de comemorar junto com você o término do seu TCC.
Esperamos que você siga em frente, buscando a continuação da formação, tanto
como professor do ensino superior quanto como pesquisador interdisciplinar.

Para os que chegaram em nosso curso com uma bagagem adicional de


formação, esperamos que tenhamos atendido às suas expectativas da chegada.
Obrigado por nos escolher e por trazer a sua experiência para o nosso curso!

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Você deve ter se dedicado à compreensão da modelagem matemática na
resolução de problemas de diferentes contextos. Esperamos que essa experiência
seja resgatada sempre e que novos métodos e modelos possam ser construídos,
buscando soluções necessárias para um mundo melhor.

Como autora, agradeço as sugestões de melhoria desse texto, que possam


ser repassadas diretamente para o meu e-mail, visando à qualificação textual e
processual.

Você é um vencedor! Sucesso em sua caminhada!

Um grande abraço, da autora.

Diva.Flemming@unisul.br
Referências

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Sobre o Professor Conteudista

Diva Marília Flemming

É doutora em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa


Catarina (UFSC). É mestre em Matemática Aplicada e graduada em Matemática,
ambos pela UFSC. Iniciou sua atuação profissional como docente de escolas
públicas da educação básica. Já atuou no ensino de disciplinas em curso
de administração na Universidade para o Desenvolvimento do Estado de SC
(Udesc), como professora convidada. Aposentada como professora pela UFSC,
atualmente é professora e pesquisadora na Universidade do Sul de Santa
Catarina (Unisul). No contexto do ensino de Matemática, tem desenvolvido suas
atividades na Unisul com alunos dos cursos de Engenharia e de Matemática. É
autora de livros de Cálculo Diferencial e Integral, adotados em vários estados do
Brasil. Como pesquisadora, no Grupo de Pesquisa em Matemática e Educação
Matemática (GPMEM – Unisul), dedica-se à Matemática e Educação Matemática
com ênfase nos recursos tecnológicos e modelagem matemática. Sua atual
paixão profissional está nos desafios da educação a distância, e na divulgação
de produtos científicos e didáticos na forma de recursos educacionais abertos.
Coordena, na Unisul Virtual, o Curso de Matemática – Bacharelado. É autora de
vários livros didáticos para a educação a distância, os quais são utilizados na
Unisul Virtual e em outras instituições de ensino superior.

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w w w. u n i s u l . b r

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