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DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

Introdução

Direito do Trabalho é o conjunto de regras, princípios e institutos que regulam as relações de


trabalho, quer no campo dos contratos individuais de trabalho, como também dos vínculos
estabelecidos entre os entes coletivos que representam os sujeitos desses contratos.

O Direito do Trabalho engloba, portanto, dois segmentos, um individual e um coletivo, cada


um contando com regras, instituições, teorias, institutos e princípios próprios.

O Direito Individual do Trabalho estabelece regras para os contratos de emprego, bem assim
daquelas outras relações laborais determinadas em lei, estabelecendo os direitos e as
obrigações das partes - empregado e empregador.

O Direito Coletivo do Trabalho regula as relações entre organizações coletivas de empregados


e organizações coletivas de empregadores e ou entre as organizações coletivas de empregados
e os empregadores, diretamente.

Denominação

O Direito Coletivo do Trabalho tem recebido distintas denominações desde o seu surgimento,
no século XIX, sendo conhecido nos dias atuais como Direito Coletivo do Trabalho, Direito
Sindical e ou Direito Social.

Denominações arcaicas

Direito Industrial: ...denominação que surgiu na Europa, berço das lutas desenvolvidas pelos
trabalhadores em prol de melhores condições de trabalho. Mostrou-se inadequada por
abranger as relações individuais de trabalho e as regras afetas ao Direito Econômico / Comercial
/ Empresarial.

Direito Operário ...também de origem europeia, reduzia o fenômeno social recém-nascido às


relações entre o operário e a indústria que o empregava.

Direito corporativo ...denominação caracterizada pelo fascismo italiano, apenas dissimulava a


relação sociojurídica desenvolvia no estabelecimento e na empresa.

Denominações atuais.

Direito Coletivo do Trabalho ...denominação de caráter objetivista que evidencia o conteúdo


do segmento jurídico identificado: relações jurídicas grupais, coletivas, de labor.

Direito sindical ...denominação de caráter subjetivistas, com ênfase em um dos sujeitos do


Direito Coletivo do Trabalho: o sindicato.

Direito Social ... essa expressão é imprecisa, haja vista que engloba em seu seio todo o Direito
do Trabalho (Individual e Coletivo), o Direito da Seguridade social (Saúde, Previdência e
Assistência Social) e o Direito Acidentário do Trabalho.

Antecedentes

As primeiras associações teriam sido as corporações de Roma, criadas por Numa Pompílio ou
Sérvio Túlio, pensadas para distribuir o povo conforme seus ofícios.
Seguiram-se as Corporações de Ofício, representando o Poder Econômico, pois arrecadavam
impostos e pagavam para manter privilégios, recebendo uma carta patente outorgada pelo
imperador. Contavam com apoio da Igreja, e, através do monopólio, exploravam os que
dependiam exclusivamente da força de trabalho. Compunham-se de três categorias:
Aprendizes, Companheiros e Mestres.

As Corporações de Ofício assumiram, na Espanha, a forma de grêmios, em Portugal a forma de


ofícios.

No início do século XVIII as Corporações entram em declínio e foram extintas no ano de 1791,
com a aprovação da Lei Le Chapelier, que proibiu a constituição de organizações profissionais.

Com o advento da Primeira Revolução Industrial - consequência dos baixos salários, das
extensas jornadas e das péssimas condições de trabalho - surgiram os primeiros ¨levantes¨, de
início na forma de reuniões, que foram seguidas por coalizões e pela criação de organizações
duradouras.

Se a força de trabalho era o único bem que os trabalhadores possuíam, negá-la,


comprometendo a atividade e a obtenção do lucro, foi a arma encontrada para obtenção das
reivindicações.

O Estado (Polícia) reprimiu as manifestações dos operários com violência, mas, como prova de
que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, no ano de 1871, com a emissão do Trade
Union Act, a Inglaterra reconheceu as Associações Profissionais;

1875, na Alemanha, o estadista Oto Von Bismarck concede ampla liberdade de associação;

1884, com a Lei Waldeck Rousseau, a França reconheceu as Associações Profissionais;

1895, também na França, foi criada a Confederacion Generale du Travail;

Rússia, os sindicatos enfrentam e vencem as forças do Czar. Em 1848 foi lançado o Manifesto
Comunista de Karl Marx, destacando a revolução operária;

1880, no EUA, já havia sindicatos nacionais, de profissões (horizontais) e de indústrias (verticais),


surgindo para coordená-los, a Federação Americana do Trabalho, AFL, fundada em 1886;

No Brasil, o engajamento dos trabalhadores (escravos) só foi sentido no começo do século XIX,
restando certo que a primeira organização dos trabalhadores se deu com a República dos
Palmares, quando o desejo de ser livre fez nascer a experiência pioneira de rebeldia contra o
capital.

Segundo historiadores, até o ano de 1920 o movimento operário no Brasil é eminentemente


anarquista, eis que dois anos após, precisamente no dia 25 de março de 1922, é fundado o
Partido Comunista Brasileiro, que pouco a pouco deu novo rumo para organização da classe
trabalhadora.

Definição

01.- Cesarino Júnior diz que o Direito Coletivo do Trabalho é o conjunto de leis sociais que
consideram os empregados e empregadores, coletivamente reunidos, principalmente na forma
de entidades sindicais.
02.- Amauri Mascaro Nascimento assevera que o Direito Coletivo do Trabalho é o ramo do
direito do trabalho que tem por objeto o estudo ds normas e das relações jurídicas que dão
forma do modelo sindical.

03.- Mario de La Cueva acredita ser o Direito Coletivo do Trabalho o estatuto que reduz a
atividade da classe social que sofreu injustiça pela inação do Estado e pela própria injustiça da
ordem jurídica individualista e liberal, para buscar um justo equilíbrio na vida social, ou seja,
para conseguir um princípio de justiça social.

04.- Maurício Godinho Delgado define Direito Coletivo do Trabalho como o complexo de
institutos, princípios e regras jurídicas que regulam as relações laborais de empregados e
empregadores e outros grupos jurídicos normativamente especificados, considerada sua
atuação coletiva, realizada autonomamente ou através das respectivas entidades sindicais.

Conteúdo

o Direito Coletivo do Trabalho é, pois, o conjunto de princípios e institutos que regem a criação
e o desenvolvimento das entidades trabalhistas, suas inter-relações, bem assim, as regras
jurídicas que são criadas em decorrência de tais vínculos.

São os princípios regulatórios dos sindicatos, da negociação coletiva, da greve, do dissídio


coletivo, das sentenças normativas e outras ações metaindividuais de interesse trabalhista, da
mediação e arbitragem coletivas.

Função

- Promover a melhoria das condições de pactuação da força de trabalho na ordem


socioeconômica, onde o ser coletivo prepondera sobre o ser individual.

- Função progressista e modernizante sob o ponto de vista econômico e social, nas formações
socioeconômicas centrais, generalizando para o conjunto do mercado as conquistas alcançadas
pelos trabalhadores nos segmentos mais avançados da economia, impondo condições mais
modernas, ágeis e civilizadas na gestão da força de trabalho.

- Função conservadora conferindo legitimidade política e cultural à relação de produção básica


da sociedade contemporânea.

AULA Nº 02

O Sindicato

Verbete. (sin.di.ca.to) sm. Do latim syndicus. 1. Associação de profissionais que defende os


interesses trabalhistas dos seus membros (sindicato dos professores). 2. Associação que tem
como objetivo a defesa dos interesses dos seus integrantes.

Introdução.

O sindicato é a associação criada para defender e coordenar os interesses econômicos e


profissionais dos empregados, empregadores, agentes ou trabalhadores autônomos,
profissionais liberais que exerçam atividades ou profissões idênticas, similares ou conexas.

Orlando Gomes --> é o agrupamento estável de várias pessoas de uma profissão, que
convencionam colocar, por meio de uma organização interna, suas atividades e parte de seus
recursos em comum, para assegurar a defesa e a representação da respectiva profissão, com
vistas a melhorar suas condições de trabalho.
Amauri Mascaro Nascimento --> é uma organização de pessoas físicas ou jurídicas que figuram
como sujeitos nas relações coletivas de trabalho.

Modalidades ou classificação dos Sindicato.

Quanto à organização.

- Sindicatos verticais - organizados conforme o ramo de produção (Sistema adotado no Brasil).

- Sindicatos horizontais - envolvendo as categorias diferenciadas (motoristas, professores).

- Sindicato de indústria - não existe em nosso ordenamento jurídico.

Quanto à extensão territorial.

... de base municipal.

... de base intermunicipal.

... de base estadual.

... de base interestadual.

... de base nacional.

... de base internacional.

Quanto à autonomia.

- Sindicatos livres - autonomia em relação ao Poder Público.

- Sindicatos oficiais - controlados pelo Estado.

- Sindicato de pelegos - ¨amarelos¨, controlados pelos empregadores.

Quanto à estrutura.

Sindicato único - organizado unitariamente para um mesmo grupo na mesma base territorial.

Pluralidade sindical - os interessados podem constituir livremente várias instituições.

Quanto aos objetivos.

... revolucionário - o sindicato serviria para superação do capital e tomada do poder.

... confessional - de cunho ou patrocínio religioso.

... misto - referência histórica. Ligado ao corporativismo facista.

... reformista - reconhecido e autorizado pelo Estado contra o qual não faz oposição.

... oficialista - estimulado, autorizado e às vezes dirigidos pelo Estado.

... pelego - ou sindicato amarelo, controlado pelos empregadores.

... de resultados - qualificação atribuída à Força Sindical.

... de resistência - ou autêntico, dirigido não apenas para defender as reivindicações do grupo,
mas, também, para uni-lo e organiza-lo, abrir caminho para conduzi-lo para
sua inclusão social e desenvolvimento cultural.
Fins

Está definido no artigo 8º, inciso II da CF/88: defesa dos direitos e interesses coletivos ou
individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas.

a) defesa dos direitos individuais dos integrantes da categoria, através da substituição


processual ou prestando assistência judiciária;

b) defesa dos interesses coletivos mediante negociação, materializadas nas formas de ACT´s e
ou CCT`s, podendo valer-se de arbitramento ou dissídio coletivo;

c) assistenciais, desenvolvidas pelo sindicato na prestação de assistência judiciária, ambulatorial,


médico e ou odontológica aos associados e ou aos seus familiares;

d) educativa, representada principalmente por cursos profissionalizantes ou de requalificação;

e) cultural, com escolas de arte, conferências, teatro, etc.;

f) participação nos colegiados dos órgãos públicos de composição tripartite;

g) parceria em projetos governamentais;

h) consultoria técnica.

Princípios do Direito Coletivo do Trabalho

a) Autonomia - para ficar fora da órbita do Estado, de partidos políticos, da Igreja;

b) Liberdade sindical - ninguém é obrigado a se filiar ao sindicato de sua categoria;

c) Democracia interna - o sindicato é dirigido por uma diretoria eleita pelo voto direto dos
associados, que fiscalizam os atos dos diretores através de um Conselho Fiscal;

d) Autonomia coletiva privada - manifestação da autonomia com deliberações tomadas


mediante livre escolha, consagrando a posição majoritária dos associados;

e) Autotutela para a defesa dos interesses e direitos do grupo - se traduz na forma de greve,
piquete, boicote e sabotagem, em contraposição ao lockout, autotutela dos empregadores, que
é proibida por lei;

f) Representação grupal - atua em defesa do grupo que representa independentemente de


filiação.

Fontes do Direito Coletivo do Trabalho

a) Constituição Federal,

b) CLT,

c) Legislação ordinária,

d) ACT`s,

e) CCT`s,

f) Doutrina,

g) Jurisprudência.
Direito Coletivo de Trabalho. Dispositivos Legais

A CF/88 dedica seu artigo 8º. à organização sindical, consagrando-lhe ampla e plena autonomia.

É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:

I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o
registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na
organização sindical;

II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa


de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos
trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;

III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria,
inclusive em questões judiciais ou administrativas;

IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será


descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical
respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei; ...

V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;

VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;

VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;

VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo


de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do
mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de


colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.

No Brasil de hoje não existe uma legislação sindical atualizada, lacuna que deixa aflorar
divergências que estão a exigir a intervenção do poder Judiciário para definir o que a CF/88
recepcionou ou deixou de recepcionar.

Foi o que ocorreu, exemplificativamente, em relação ao número de associados eleitos para


exercer os cargos de direção, pois com o advento das modificações implementadas na CF/88
foram criados inúmeras diretorias, ampliando de forma exagerada o número de beneficiados
pela estabilidade provisória.

Instado a manifestar-se sobre o tema o STF definiu que o número maior de beneficiados pelo
instituto da estabilidade provisória seriam aqueles previstos no artigo 522 da CLT, dispositivo
recepcionado pela nova Carta. 07 (Sete) diretores e 03 (Três) integrantes do Conselho Fiscal.

Foram derrogados parcialmente os seguinte artigos da CLT: 512, 514, 515, 517, 518, 519, 520,
523, 524, 525, 526, 527, 528, 529, 531, 532, 533, 535, 537, 538, 539, 540, 541, 542, 544, 546,
547, 549, 550, 551, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 563, 565, 567, 568, 569, 570 a 577,
606,612, 616, 617, 618, 623, 624, 722, 723, 724, 725, 856, 857, 859, 860, 868, 869, 870, 871,
872, 874 e 875.

Integração do Direito Coletivo de Trabalho

O Direito Coletivo do Trabalho se relaciona com...


a) Direito Constitucional,

b) Direito do Trabalho (para aqueles que o entendem autônomo, desvinculado do Direito do


Trabalho.)

c) Direito Civil,

d) Direito Processual Civil,

e) Direito Penal,

f) Direito Processual Penal,

h) Direito Administrativo,

i) Direito Internacional,

AULA Nº 03

O Direito Sindical na CF/88.

O Decreto nº. 1.637, de 05/06/1907, foi o primeiro diploma legal brasileiro a tratar da
constituição e organização dos sindicatos, facultando aos trabalhadores organizarem-se e
livremente constituírem sindicatos profissionais, sendo exigido que as entidades fossem
registradas em cartório.

No ano de 1931 foi editado o Decreto nº. 19.770 impondo o reconhecimento da entidade
sindical pelo Ministério do Trabalho, Industria e Comércio como pressuposto para aquisição de
personalidade jurídica, porém com autonomia restrita, sendo permitido à entidade sindical
defender os interesses de ordem econômica, jurídica, higiênica e cultural, perante o Governo da
República, com a intermediação do Ministério.

Os sindicatos ficavam completamente subordinados ao Estado, que nomeava representantes do


Ministério do Trabalho para acompanhar as assembleias gerais e, trimestralmente, examinar as
finanças das entidades sindicais.

Com a redemocratização ocorrida em 1934, o Estado emitiu o Decreto 24.694 que permitiu a
pluralidade relativa, mantendo, contudo, a ingerência nas entidades, haja vista que exigia como
pressuposto a abstenção em seu seio de toda e qualquer propaganda de ideologias sectárias e
de caráter político ou religioso.

Com o advento do Estado Novo, fato ocorrido em 1937, o Estado Brasileiro editou o Decreto nº.
1.402, de 05/06/1939, mantendo os sindicatos como órgãos de colaboração do Estado, e como
tais, dependiam do reconhecimento ministerial para que pudessem legitimar-se, lhes sendo
emitida uma carta com a delimitação da base territorial.

Era exigido dos sindicatos, como condição para seu funcionamento...

- a abstenção de qualquer propaganda de doutrina incompatível com as instituições e os


interesses da Nação;

- que dos sindicatos não saíssem candidaturas a cargos estranhas às entidades;

- era proibido a interferência de pessoas estranhas em sua administração ou nos seus serviços,
à exceção dos Delegados nomeados pelo Ministério;
- a gestão financeira da entidade era controlada pelos representantes do Ministério;

- era vedada a sindicalização de servidores públicos e a filiação a organizações internacionais.

Durante o Estado Novo a repressão ficou ainda mais forte, com a imposição de multas,
suspensão e destituição de diretores, fechamento das entidades e eventual cassação das cartas
de reconhecimento.

A CLT foi editada sob os auspícios da legislação vigente no ano de 1943, e, nessa esteira, manteve
os sindicatos como órgãos de colaboração do Estado, o que pode ser aferido mediante simples
leitura dos artigos 513 e seguintes do retro mencionado Consolidação das Leis do Trabalho.

A Constituição promulgado em 1988 restabeleceu a democracia ao consagrar plena e total


autonomia aos sindicatos, que não mais dependem do Estado e, afora o registro no órgão
competente, não necessitam de autorização para existir ou funcionar.

Assim dispõe o artigo 8º. da CF/88: A lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação
de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a
interferência e a intervenção na organização sindical.

Mas, em que pese a abertura que aflora do artigo 8º. da CF/88, o Congresso Nacional não editou
uma lei sindical, deixando ao STF decidir que partes da CLT foram recepcionadas, como o fez em
relação aos artigos 522, que dispõe sobre o número de dirigentes sindicais que fazem jus à
estabilidade provisória, medida que se impôs como forma de evitar os abusos de sindicatos que
aumentaram de forma desmesurada o numero de integrantes da diretoria, passando de 07 para
50, 100 e até 200 diretores, com o único objetivo de esticar o manto da estabilidade provisória.

Com o advento da CF/8 caíram por terra...

● A exigência da criação de associações profissionais como embriões de sindicatos; o estatuo


padrão, a ingerência do Estado...

● O estatuto padrão e o controle exercido por prepostos do Ministério do Trabalho;

● A interferência do MPT;

● As comissões do Enquadramento Sindical;

● O Ministério do Trabalho perde o controle administrativo e financeiro dos sindicatos;

● Já não têm valia as proibições existentes anteriormente, quer em relação às doutrinas, como
também ao concurso de dirigentes a cargos outros que não aqueles da entidade;

● Não mais existem ¨Cartas de Reconhecimento Sindical, as penalidades, suspensão e


destituição de diretores dos sindicatos;

● Os sindicatos podem, nos dias de hoje, filiar-se a organismos internacionais.

Restaram intactos:

● A contribuição sindical;

● A definição das categorias - profissional, econômica e diferenciada;

● As prerrogativas;

● A estrutura unitária (Unicidade sindical);


● O sistema verticalizado - sindicatos, federações e confederações;

● As garantias aos dirigentes sindicais;

● O desconto em folha das contribuições associativas;

● Participação em órgãos oficiais de deliberação coletiva;

● Sindicato como denominação de uso exclusivo;

● Forma de organização conforme o ramo da atividade;

● Convenções Coletivas;

● Dissídios Coletivos.

Formação e Registro do sindicato

No Brasil a organização de sindicatos se faz por categoria(s) profissional(is) ou econômica(s) e


tem como objetivo a coordenação dos interesses profissionais e ou econômicos das pessoas
que, na condição de empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos ou
profissionais liberais, exerçam, respectivamente, a mesma atividade e profissão ou profissões
similares ou conexas.

Para constituir um sindicato, seja da categoria profissional ou econômica, o(s) interessado(s)


devem cumprir o seguinte roteiro:

- Mobilizar e reunir um grupo representativo da categoria para discutir os aspectos estratégicos


da entidade que desejam fundar;

- Constituir uma Comissão Provisória com a função de elaborar minuta do Estatuto Social na
forma prevista no Código Civil para constituição de uma ASSOCIAÇÃO, nele fazendo constar,
necessariamente, de forma clara e objetiva, os elementos identificadores da(s) categoria(s)
representada(s) e a base territorial;

- Angariar recursos e constituir um fundo para o custeio das despesas iniciais de constituição e
registro da entidade;

- Convocar, através de publicação no DOU e no jornal de circulação diária na base territorial,


assembleia geral para fundação do sindicato, leitura e aprovação do Estatuto, eleição da
primeira diretoria. A convocação deve ser feita com antecedência mínima de 10 (Dez) dias se a
base territorial for municipal, intermunicipal ou estadual, ou de 30 (Trinta) dias se a base
territorial for interestadual ou nacional;

- Realizar a assembleia geral de fundação, aprovação do Estatuto, eleição e posse da primeira


diretoria, cujo mandato deverá ser entre 02 e 03 anos;

- Registrar a ata de fundação no Cartório de Títulos e Documentos da Comarca sede;

- Cadastrar a entidade junto à Receita Federal do Brasil para obtenção do CNPJ;

- Solicitar o registro sindical perante o Ministério do Trabalho e Emprego com vistas à obtenção
da Carta Sindical.

Para efetivação do registro do sindicato perante o Ministério do Trabalho e Emprego será


necessário a apresentação dos originais ou cópias autênticas dos seguintes documentos:
01- Requerimento assinado pelo presidente eleito,

02- Edital de convocação dos membros da categoria para a Assembléia Geral de Fundação no
qual deve constar a indicação nominal do(s) município(s) que integra(m) a base territorial,
publicados simultaneamente no DOU e no jornal de circulação local;

03- Ata de fundação, eleição e posse da primeira diretoria, acompanhada da lista de presença
que deverá estar assinada por todos os participantes;

04- Estatuto Social devidamente registrado no Cartório de Títulos, Documentos e Registro das
Pessoas Jurídicas;

05- Comprovante original de pagamento da Guia de Recolhimento da União;

06- Comprovante de endereço em nome da entidade;

07- Certidão de inscrição no CNPJ.

DO REGISTRO.

O pedido de registro será encaminhado à Seção de Relações do Trabalho da SRT para que a
documentação que acompanha o pedido seja conferida, após o que, é encaminhado por meio
de despacho à Coordenação Geral de Registro Sindical - CGRS da Secretaria de Relações do
Trabalho para fins de análise.

• Verificar se os representados constituem categoria, nos termos da lei,

• Se existe outra(s) entidade(s) sindical(is), na mesma base territorial, representando essa


categoria.

DA PUBLICAÇÃO DO PEDIDO.

Uma vez constatada que a documentação apresentada obedece os pressupostos exigidos e não
tendo sido encontrados elementos capazes de impedir o registro, o pedido é publicado no Diário
Oficial da União, abrindo-se a contagem de prazo para apresentação de eventual impugnação.

APRESENTAÇÃO EVENTUAL DE IMPUGNAÇÃO.

Uma vez publicado o pedido de registro sindical, a entidade sindical de mesmo grau, registrada
no CNES, que entenda coincidentes sua representação e do requerente, poderá apresentar
impugnação, no prazo de 30 (Trinta) dias, contados da data da publicação.

ANÁLISE DA (S) IMPUGNAÇÃO (ÕES).

Eventual (is) impugnação (ões) serão analisadas na CGRS, que poderá, inclusive, determinar seu
arquivamento nos seguintes casos:

01- Inobservância do prazo,

02- Ausência de registro sindical do sindicato impugnante,

03- Impugnação apresentada por entidade cujos diretores estejam com os mandatos vencidos,

04- Inexistência de comprovante de pagamento da taxa de publicação,

05- Não coincidência da base territorial,

06- Impugnação apresentada por entidade de grau diverso da entidade impugnada,


07- Desmembramento de base territorial,

08-Dissociação de categorias ecléticas para entidade de categoria específica,

09-Ausência de irregularidade dos documentos,

10- Perda do objeto da impugnação em razão de eventual retificação do pedido.

DA AUTOCOMPOSIÇÃO

As impugnações não arquivadas serão objeto de informação ao Secretário de Relações do


Trabalho que se encarregará de determinar a notificação das partes para que compareçam a
uma audiência que será realizada no âmbito da Superintendência Regional do Trabalho e
Emprego.

O Secretário Regional do Trabalho e Emprego ou o servidor por ele designado iniciará os


trabalhos informando aos presentes sobre o objeto da audiência, e, em continuidade, convidará
as partes a se pronunciarem sobre as bases de uma possível conciliação.

Concluída a audiência será lavrada uma ata circunstanciada da reunião, nela constando a
tentativa de acordo e o resultado obtido, documento que será por todos assinado.

Havendo acordo, ata servirá como sentença homologatória e ensejará a concessão do registro.

Não havendo acordo o pedido ficará sobrestado até que a SRT seja notificada do inteiro de
eventual acordo extrajudicial ou, ainda, por decisão judicial.

Não havendo acordo na audiência promovida pela SRT, a entidade impugnada poderá, se assim
entender, ajuizar ação objetivando o registro, ficando o pedido de registro sobrestado até que
a SRT seja notificada do inteiro teor de eventual acordo extrajudicial, acordo judicial, ou, ainda,
sentença determinando o registro.

Considerar-se-á resolvido o conflito quando a entidade impugnada retirar de seu estatuto o


objeto da controvérsia claramente definido.

Observação:

Se a entidade impugnada não comparecer a audiência promovida pela SRT, o pedido de registro
será arquivado; por outro lado, ausente a entidade impugnante, a impugnação será arquivada
e o Ministério do Trabalho promoverá o registro da nova entidade.

AULA Nº 04

Modelo Sindical Brasileiro

O modelo adotado no Brasil compreende duas espécies distintas, pois cuida de igual forma das
entidades representativas dos trabalhadores (Entidades profissionais) e daquelas formadas por
empregadores (Entidades representativas das categorias ditas econômicas), ainda que a
entidade sindical represente entidades sem fins lucrativo.

De mais a mais, no Brasil é aplicado o princípio da unicidade sindical, sendo proibido que uma
categoria tenha múltiplas entidades de mesmo grau, na mesma base territorial, cuja extensão
não pode ser inferior à extensão de um Município.

Com relação a autonomia, pode-se afirmar que o sindicato brasileiro tem, nos dias atuais,
expressiva e relevante autonomia, pois afora a exigência de obediência ao princípio da unicidade
sindical e o registro no órgão competente, seus dirigentes tem ampla liberdade de ação, só
limitada pelos princípios gerais de direito, disposições do próprio estatuto e as decisões da
assembléia geral.

Natureza Jurídica do Sindicato

Muito se tem discutido acerca da natureza jurídica do sindicato. Podemos afirmar, de início, que
o sindicato é uma pessoa jurídica. As divergências doutrinárias surgem quando se procura situar
essa personalidade jurídica do sindicato dentro dos ramos do Direito. Se pessoa de Direito
Público, Privado ou Social.

Everaldo Gaspar de Andrade afirma que a concepção do sindicato como pessoa jurídica de
direito público nasceu no direito italiano, apontando Ludovico Barassi como um de seus
principais adeptos.

Amauri Mascaro do Nascimento defende a tese de que o sindicato é pessoa jurídica de direito
privado nos seguintes termos: "Indesejável, no entanto, é a publicização do sindicato, porque
equivale à sua absorção pelo Estado, deixando de cumprir as suas funções principais, que exigem
uma certa autonomia. O Estado pode controlar o sindicato, mas não publicizá – lo nem dirigir as
suas atividades e administração. A privatização do sindicato é imperativo da liberdade sindical."

Entendo que o sindicato tem personalidade jurídica de direito privado. Isto porque sendo o
sindicato criado pela livre vontade de pessoas físicas ou jurídicas, que se unem para defesa de
seus interesses, não há que se falar em intervenção de terceiros ou até mesmo do Estado no seu
funcionamento e gestão, por isso e com base, também, no princípio da liberdade sindical.

Organização nos locais de Trabalho.

Não há democracia no local de trabalho no Brasil.

Esta é a opinião unânime dos principais lideres do movimento sindical brasileiro. Para dirigentes
das principais centrais e de diversos sindicatos, a organização dos trabalhadores por local de
trabalho é um elemento essencial ao fortalecimento do movimento, mas encontra obstáculos
importantes à sua implementação, como práticas antissindicais e ausência de instrumentos
legais que poderiam garantir tal organização.

O Brasil não possui legislação que garanta a organização dos trabalhadores em seu local de
trabalho. Embora a figura do representante dos empregados de uma empresa seja prevista pela
Constituição Federal em seu artigo 11, o movimento sindical aguarda até hoje a regulamentação
da lei que garanta estabilidade para este representante – chamado de delegado sindical.

Os dirigentes sindicais buscam, de há muito, implantar um sistema representação sindical


avançado, atuando diretamente nos locais de trabalho, tendo constituído, a partir de 1978, as
comissões de fábrica, que, entretanto, por falta de regulamentação e de proteção (Leia-se
garantia no emprego) não logrou prosperar.

Administração. Enquadramento sindical. Receitas...

Estrutura administrativa

Segundo o modelo vigente, os órgãos da administração das entidades sindicais são: a Diretoria
Executiva, o Conselho Fiscal, os Delegados Junto à Federação e a Assembléia Geral, sendo esta
a instância maior de cada unidade singular.
A Diretoria Executiva terá em sua composição um mínimo de 03 e no máximo 07 membros,
com igual número de suplentes, cabendo-lhes a representação e a defesa dos interesses da
entidade perante os poderes públicos e as empresas.

O Conselho Fiscal será composto por 03 membros e 03 suplentes, restando certo que a
competência dos conselheiros restringe-se à fiscalização da gestão financeira do sindicato.

Os Delegados, em número de 02 por sindicato, com 02 suplentes, representarão a entidade


junto à respectiva federação.

Entidades de grau superior. Centrais Sindicais.

As Federações e Confederações são as associações de segundo e terceiro graus. Um grupo de


sindicatos pode fundar uma federação, assim como um número de federações pode criar uma
confederação. Surgiram, assim, as pirâmides sindicais por categoria sob a forma de uma
hierarquia, tendo suporte nos sindicatos.

As Federações atuam, em regra, no território de um Estado. As Confederações situam-se no


"terceiro degrau" da organização sindical, sendo sua esfera de atuação nacional. Suas funções
básicas são de coordenação das federações e sindicatos do seu setor.

As Federações e as Confederações não têm legitimidade para atuar diretamente na negociação


coletiva, competência originária dos sindicatos. Exercem, todavia, função subsidiária, segundo a
qual, não havendo sindicato da categoria na base territorial, pode a federação, e, à falta desta,
a confederação, figurar na negociação.

A maior unidade representativa na organização sindical é a união de cúpula conhecida por


Central Sindical. Nos modelos de liberdade sindical, tais uniões constituem-se acima das
confederações, federações e sindicatos. As centrais sindicais não são reconhecidas pelo Estado
Brasileiro.

Imunidades sindicais

A imunidade tributária das Entidades Sindicais dos Trabalhadores

Ciente da importância de determinados valores para o desenvolvimento e a manutenção de


uma sociedade “livre, justa e solidária” (consoante objetivo enunciado no art. 3º, I do texto
constitucional), tratou o Legislador Constituinte de proibir a cobrança de tributos sobre
determinadas situações, conforme previsto no artigo 150, VI, “a”, “b” e “c” da Constituição
Federal:

“Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...)

VI - instituir impostos sobre: (...)

a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;

b) templos de qualquer culto;

c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades
sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins
lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...)

Atuação sindical. Defesa de direitos nas esferas...


Os sindicatos de trabalhadores têm como objetivo e razão de existência defender os interesses
econômicos e ou profissionais dos integrantes da categoria, sejam individuais e ou coletivos,
representando-os perante os a Administração Pública e o Poder Judiciário, atuar em juízo na
condição de substituto processual.

Artigo 195, § 2º, da CLT. Trata da ação de cobrança de adicional de insalubridade ou


periculosidade para os trabalhadores membros da entidade.

Artigo 513, “a”, da CLT. Legitimação, em abstrato, do sindicato, que por ele será exercitada nas
situações em que essa representação sindical se fizer necessária para defesa dos interesses
individuais e coletivos da categoria.

Artigo 793, da CLT. Representação processual do sindicato, em juízo, no ajuizamento da


reclamação trabalhista do menor de 18 (dezoito) anos.

Artigo 839, “a”, CLT. Representação processual do sindicato, em juízo, no ajuizamento da


reclamação trabalhista.

Artigo 843, § 2º, CLT. Representação processual do sindicato, em juízo, para evitar que sejam
deflagradas, contra o trabalhador ausente da audiência, as conseqüências processuais previstas
em lei.

Artigo 857, CLT. Legitimidade para propor dissídio coletivo.

Artigo 872, § único, CLT. Ação de cumprimento de sentença normativa, para cobrança de
aumento salarial fixado na norma coletiva, também em favor dos sócios do sindicato.

Substituição processual. Ações coletivas.

O Art. 8º, da Constituição Federal, além de assegurar a liberdade e autonomia sindicais, garante
aos sindicatos, em seu inciso III, a condição de defensor dos direitos e interesses, coletivos ou
individuais, dos integrantes da categoria, em juízo ou fora dele. Essa garantia permite aos
sindicatos ajuizar ações coletivas em nome de alguns ou de todos os integrantes da categoria
que representam.

Essa modalidade de ação traz uma série de vantagens, em relação ao dissídio individual, que é
ação proposta pelo próprio interessado: o trabalhador.

Primeiro: uma única ação coletiva pode englobar dezenas, centenas ou até milhares de
trabalhadores, contribuindo para o desafogamento da Justiça do Trabalho, que anda
assoberbada pela quantidade de processos que nela tramitam.

Segundo, a Justiça do Trabalho, ao ser acionada pelos sindicatos, em nome da respectiva


categoria, deixa de ser a justiça dos desempregados.

Terceiro, fortalecem-se os sindicatos e a organização sindical, pois que os sindicatos passam a


ter a iniciativa da ação. É um instrumento capaz de inibir o descumprimento dos direitos
trabalhistas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já firmou jurisprudência no sentido de que a substituição


processual, ou seja, a ação dos sindicatos, em nome dos trabalhadores, é ampla e irrestrita.

Negociações coletivas
As negociações coletivas surgiram com a organização dos trabalhadores como classe. A união
espontânea daqueles que vendiam a força de trabalho, como o único bem capaz de prover o
sustento próprio e familiar, deveu-se à formação de uma nova consciência, que teve início com
a soma dos valores individuais, da unificação das reivindicações mais sentidas e a coletivização
da luta por salários mais justos e melhores condições de trabalho.

É uma modalidade auto compositiva de conflitos coletivos trabalhistas, em que os legítimos


representantes dos trabalhadores e empregadores buscam superar divergências para concluir
contratos coletivos, convenções coletivas ou acordos coletivos, fixando condições de trabalho
que têm aplicação cogente sobre os contratos individuais, bem como condições que obrigarão
os próprios signatários do instrumento.

Segundo a Convenção nº 154 da OIT Organização Internacional do Trabalho, compreende todas


as negociações entre um empregador, um grupo de empregadores ou uma organização ou
várias organizações de empregadores, e, de outra parte, uma ou várias organizações de
trabalhadores, com o fim de fixar as condições de trabalho e emprego; regular as relações entre
empregadores e trabalhadores; ou regular as relações entre os empregadores ou suas
organizações e uma ou várias organizações de trabalhadores, ou alcançar todos estes objetivos
de uma só vez.

AULA Nº 05

Negociação coletiva. Brasileiro

Data base.

É a data em que os patrões e empregados se reúnem para repactuar os termos dos seus
contratos coletivos de trabalho.

Por serem fruto de acordo entre as partes, as datas-base podem variar conforme a categoria
profissional.

A data-base de uma categoria serve como momento de início da aquisição dos direitos
trabalhistas decorrentes de um acordo ou convenção coletivos. Por exemplo, se a data base é
01 de março e a negociação coletiva entre empregados e patrões só tem início no dia 15 de
março (a lei determina o início da negociação para o dia da data base, prazo que nem sempre é
cumprido), arrastando-se por um número sem fim de reuniões até o dia 10 de maio,
exemplificativamente, quando finalmente são concluídas as negociações, tudo o que ficar
acertado entre as partes será aplicado, retroativamente, produzindo efeitos desde o dia 01 de
março.

Este mecanismo evita que o empregador tente adiar indefinidamente a celebração do acordo,
uma vez que produzirá efeitos retroativamente.

Pauta de reivindicações.

Nos termos do que dispõe o § 3º. do art. 616 da CLT, havendo acordo coletivo, convenção
coletiva ou sentença normativa em vigor, 60 dias antes do término de sua vigência, o sindicato
dos empregados deverá deflagrar o dissídio coletivo apresentando uma pauta de reivindicações
ao sindicato patronal.
Assim, o sindicato profissional deve convocar uma assembléia com o objetivo de elaborar a
pauta de reivindicações, que deverão ser agrupadas segundo sua natureza jurídica.
Exemplificativamente:

- Cláusulas de natureza econômica,

- Jornadas de trabalho,

- Cláusulas de natureza social,

- Cláusulas de natureza sindical,

- Penalidades.

A pauta deverá ser capeada com ofício de encaminhamento no qual deverá constar, repita-se,
uma sugestão de data para início das negociações.

A CF/88, no inciso VI do art. 8º., impõe a participação do sindicato nas negociações coletivas:

...é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho.

No art. 7º. VI, XIII e XIV permite a flexibilização dos salários e das jornadas de trabalho mediante
negociações.

Assim, ao receber a pauta encaminhada pelo sindicato dos trabalhadores, os dirigentes do


sindicato patronal devem convocar uma assembleia geral com os dirigentes das empresas
situadas na base territorial com o seguinte objetivo:

- apresentar, analisar e discutir os pleitos dos trabalhadores,

- acrescentar a negociação cláusulas do interesse dos empregadores,

- escolher e nomear uma equipe de negociadores,

OBSERVAÇÃO: Tudo o que não contrariar as disposições de proteção ao trabalho pode ser
objeto de negociação.

Do protesto judicial.

O protesto judicial é um medida usada pelos advogados para prevenir responsabilidades e evitar
os efeitos da prescrição sobre os direitos de seus clientes.

É uma ação judicial e, portanto, sujeita a recolhimento de custas e só pode ser subscrita por
profissional inscrito nos quadros da OAB. No entanto difere-se das outras ações por, na maioria
das vezes, não precisar de audiência, produção de provas e nem de contestação da contra-parte.

O protesto vem regulamentado no código de processo civil mas tem aplicação também no
direito do trabalho.

E é nesta área que seu uso vem aumentando gradualmente. Lá tem fértil terreno na área do
direito coletivo, que abrange, principalmente, as relações entre os sindicatos das categorias
econômica e profissionais ou entre sindicatos e empresas.

É que na impossibilidade do encerramento da negociação coletiva, iniciada antes do término do


prazo estabelecido no artigo 616, §3º da CLT, ou seja, dentro dos 60 dias finais da vigência do
ACT, CCT ou sentença normativa, poderá a entidade sindical interessada ajuizar petição de
protesto judicial, dirigida ao Presidente do Tribunal, com o objetivo de preservar a data base.
Da negociação. 1ª Rodada.

Quando da primeira rodada de negociações os representantes dos empregados e empregadores


devem, de comum acordo, construir uma agenda de trabalho, observando os seguintes pontos:

a) Datas, horário e local em que se darão as reuniões,

b) Estabelecer o tempo de duração de cada reunião,

c) Limitar o número de negociadores

d) Estabelecer uma ordem para análise e discussão das cláusulas constantes da pauta
apresentada.

Princípios da negociação coletiva.

As negociações deverão obedecer aos seguintes princípios:

I - Seguir o princípio da norma mais favorável. A CLT preconiza em seu artigo 619 que as
condições estabelecidas em CCT, quando mais favoráveis ao trabalhador, prevalecerão sobre
aquelas estabelecidas no ACT, e estas trão preferência em relação àquelas dispostas na lei.

II - Princípio da lealdade e boa-fé. As partes devem negociar de boa-fé.

III - Princípio da informação. Para que as negociações sejam efetivas e sérias, indispensável a
troca de informações.

IV - Princípio da pacificação. AS partes devem celebrar um tratado de paz. Sem demissões e sem
greve

Do impasse.

A negociação desenvolver-se-á de forma continuada. Uma rodada após a outra, devendo chegar
ao término com a celebração de um ACT ou CCT.

A CF/88 (Artº. 114, §§ 1º. e 2º.) cogita da arbitragem e do dissídio coletivo quando frustada ou
recusada a negociação.

§ 1º. Frustrada a negociação coletiva,as partes poderão eleger árbitros.

§ 2º. Recuando-se de qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem é facultado às


mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça
do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais na proteção ao
trabalho, bem como as convencionadas anteriormente.

Assim, uma vez estabelecido o impasse, podem as partes sugerir a presença de um mediador,
cuja escolha poderá recair nas seguintes pessoas:

a) ...preposto indicado pelo Ministério do Trabalho;

b) ...um Procurador do Trabalho;

c) ...terceiro interessado;

d) ...qualquer pessoa que venha a ser indicada, de comum acordo, pelos dirigentes das
entidades.

Da mediação.
A mediação normalmente é um processo voluntário, objetivo, informal e amigável, no qual as
partes dialogam, na presença de um terceiro que auxilia na negociação, tendo como objetivo,
realizar a autocomposição. O mediador será um facilitador para que as partes construam um
acordo. Ao decidirem resolver seus conflitos por meio de um processo de mediação, alimenta-
se uma esperança de solução amigável.

Algumas qualidades inerentes ao mediador de sucesso:

- Habilidade - deve ser capaz de perceber os menores conflitos que o cercam, pacificando-os
com criatividade;

- Pesquisa - deve pesquisar sobre os processos de mediação com o objetivo de compartilhar


experiências, considerando que o mediador deve sempre colocar-se como um formando;

- Compreensão - do ambiente onde se realiza a mediação, conhecendo a cultura local, os


costumes e a tradição, pois estes fatores influenciam na mentalidade das pessoas, podendo
apresentar a necessidade de adaptação em diferentes culturas;

- Comprometimento - com a causa que lhe é apresentada, pois ele é obrigado a fazer um
compromisso de confidencialidade, imparcialidade, buscando ouvir com atenção as partes,
cumprindo prazos e horários que eventualmente venha a assumir e apresentar com clareza
todos os seus atos para as partes.

Da greve.

Vocábulo - (gre.ve) sf. 1. Interrupção coletiva do trabalho ou de atividade para reivindicar algo
ou protestar contra uma determinada situação; PAREDE [F.: Do fr. grève.].

A palavra origina-se do francês grève, com o mesmo sentido, proveniente da Place de Grève, em
Paris, na margem do Sena, outrora lugar de embarque e desembarque de navios e depois, local
das reuniões de desempregados e operários insatisfeitos com as condições de trabalho.

O termo grève significa, originalmente, "terreno plano composto de cascalho ou areia à margem
do mar ou do rio", onde se acumulavam inúmeros gravetos. Daí o nome da praça e o surgimento
etimológico do vocábulo, usado pela primeira vez no final do século XVIII.

Originalmente, as greves não eram regulamentadas, eram resolvidas quando vencia a parte mais
forte. O trabalho ficava paralisado até que ocorresse uma das seguintes situações: ou os
operários retornavam ao trabalho nas mesmas ou em piores condições, por temor ao
desemprego, ou o empresário atendia total ou parcialmente as reivindicações para que
pudessem evitar maiores prejuízos devidos à ociosidade.

O direito de greve está previsto no artigo 9 da CF/88, que assegura esse direito aos trabalhadores
como forma de defesa de seus interesses coletivos, competindo-lhes defini-los, bem assim,
determinar a oportunidade para seu exercício.

Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a


oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

§ 1º - A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das


necessidades inadiáveis da comunidade.

§ 2º - Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.


O exercício do direito de greve está regulamentado na Lei 7.783/89, restando certo que só
poderá ser exercido nas seguintes situações:

a) ocorrendo impasse nas negociações para renovação de ACT ou CCT;

b) quando descumprida cláusula ou condição prevista em ACT, CCT ou decorrente da legislação


vigente;

c) Se motivada por fato novo superveniente ou acontecimento imprevisto que modifique


substancialmente a relação de trabalho.

O DIREITO DE GREVE NÃO É IRRESTRITO, RAZÃO PELA QUAL OS EMPREGADOS OU DIRIGENTES


DO SINDICATO PROFISSIONAL FICAM OBRIGADOS A CUMPRIR CERTOS E DETERMINADOS
REQUISITOS, A SABER:

a) O Sindicato Profissional está obrigado a convocar uma assembleia exclusivamente para


deliberar sobre a deflagração de uma greve;

b) Os dirigentes do Sindicato Profissional estão obrigados a notificar o Sindicato Patronal ou


dirigentes das empresas com antecedência mínima de 48 horas (Nas atividades essenciais o
prazo é de 72 horas);

c) O Sindicato Profissional obriga-se a manter em atividade equipes de empregados com o


propósito de assegurar os serviços cuja paralisação resultem em prejuízo irreparável, pela
deterioração irreversível de bens, máquinas e equipamentos, bem como a manutenção
daqueles essenciais à retomada das atividades da empresa quando da cessação do movimento;

d) Em relação às atividades classificadas como essenciais, os sindicatos, os empregadores e os


trabalhadores ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos
serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.

Dissidio coletivo.

Frustrada a negociação restará às partes, por si ou mediante intervenção do Ministério Público


Federal do Trabalho, nas causas envolvendo atividades classificadas como essenciais, ajuizar
dissídio coletivo transferindo a solução do conflito para o Tribunal Regional do Trabalho, que
detém competência originária para atuar nos dissídios coletivos.

- Pedido liminar,

- Decisão negando o concedendo, no todo ou em parte, a liminar pleiteada,

- Audiência para tentativa de conciliação

- Apresentação de contestação,

- Julgamento (Prolação de sentença normativa).

AULA Nº 06

Contrato Coletivo de Trabalho


O Contrato Coletivo de Trabalho é, no Brasil de hoje, uma figura não institucionalizada
na negociação coletiva trabalhista, ao contrário do que ocorre em relação ao ACT`s e
CCT`s.
A lei não o tipificou e os seres coletivos trabalhistas não tiveram interesses ou força
organizativa para implementá-lo, não tendo, por isso, aplicação prática na dinâmica jus
trabalhista do nosso país.
Diplomas Negociais Coletivos. Efeitos Jurídicos
Os diplomas negociais coletivos produzem efeitos jurídicos em duas esferas de sujeitos
de direito: I - As partes convenentes que sofrem as repercussões diretas das cláusulas
obrigacionais; II - Os integrantes das base profissionais e econômicas, respectivamente
representadas na negociação coletiva, que recebem as repercussões diretas dos
dispositivos normativos elaborados.
Os dispositivos obrigacionais (cláusulas do ACT ou CCT) têm, portanto, meros efeitos
inter partes, em contraponto aos preceitos normativos (regras jurídicas), que têm efeito
erga omnnes, respeitadas as fronteiras da respectiva representação e base territorial.
Hierarquia normativa coletiva.
No Direito Comum os diplomas normativos - Leis em sentido material) classificam-se,
hierarquicamente, segundo sua maior ou menor extensão de eficácia e sua maior ou
menor intensidade criadora de Direito.
A hierarquia fixa-se pela extensão de eficácia e intensidade normativa do diploma,
concentradas essas qualidades mais firmemente na Constituição Federal, e em grau
menor, nos diplomas de caráter inferior.
Não é esse, todavia, o critério hierárquico preponderante no Direito do Trabalho, haja
vista que a construção hierárquica a partir da idéia de diploma legal e não de norma
inviabilizaria o papel dinâmico e inovador do Direito do Trabalho.
A par disso, o respeito ao caráter hegemônico direcionador tem no Direito do Trabalho
um de seus princípios (O princípio da norma mais favorável ao trabalhador), de tal que
a pirâmide normativa se constrói de modo plástico e variável, tendo como vértice
dominante a norma que mais se aproxime do caráter teleológico do ramo justrabalhista,
limitado, contudo, às normas estatais de caráter proibitivo, cuja preponderância se
mantém por se revestirem do imperium específico à entidade estatal.
Regras de ACT e CCT
A CCT tem âmbito mais abrangente do que o simples ACT. A CCT pode abrange a
categoria de todo um Estado da Federação, ao passo que um ACT é celebrado uma ou
várias empresas e produz efeitos exclusivamente em relação às empresas signatárias.
Analisando a CCT e o ACT à luz da Teoria Geral do Direito dir-se-ia que o ACT, por ter um
caráter de norma especial, teria prevalência sobre a CCT, entretanto, por se tratar de
matéria justrabalhista, mister aplicar o princípio da norma mais benéfica ao trabalhador.
Em resumo: A CLT determina a preponderância da CCT sobre o aCT, porém, se o ACT for
mais favorável ao trabalhador, ele prevalecerá.
Interessa ao Direito Coletivo valorizar os diplomas negociais mais amplos (CCT), pelo
suposto de que contêm maiores garantias aos trabalhadores.
OBSERVAÇÃO: Importante anotar que na hipótese da CCT autorizar a celebração de ACT
em separado, esta permissão é tida como válida, autorizando a prevalência do ACT
menos favorável, em situação de conflito de normas autônomas.
Regras negociais coletivas e o CT
I - Aderência irrestrita.
Interpretação adotada a partir da CF/88, que reconheceu a negociação coletiva como
fonte criativa de normas, vertente prestigiada pela jurisprudência, sustentando que os
dispositivos de uma CCT /ACT ingressam para sempre nos Contratos Individuais de
Trabalho, não mais podendo ser suprimidos.
II- Aderência limitada pelo prazo.
Em oposição aos interpretes da aderência irrestrita, estão aqueles que prelecionam que
os diplomas negociados vigoram durante o prazo neles assinalado, não aderindo aos
Contratos Individuais de Trabalho de forma definitiva.
III- Aderência limitada por revogação.
Ente uma e outra interpretação, uma há que defende a aderência limitada por
revogação, segundo a qual os dispositivos negociados vigeriam até que novo diploma
negocial os revogasse.
Segundo ministério de Maurício Godinho Delgado, a aderência limitada por revogação
é tecnicamente a mais correta, considerada, ainda, como a mais sábia, além do que, é
considerada mais sábia, por ser mais harmônica aos objetivos do Direito Coletivo do
Trabalho - Buscar a paz social, aperfeiçoar as condições laborativas e promover
adequação setorial trabalhista.
O legislador infraconstitucional tem insistido nesta vertente interpretativa
intermediária, inclusive como fórmula assecuratória de certas garantias relevantes à
ação coletiva obreira no contexto da negociação coletiva.
Assim é que a Lei 8.542, de 1992, em seu art. 1º., § 1º., dispôs que as ¨cláusulas dos
acordos coletivos, convenções coletivas ou contratos coletivos de trabalho integram os
contratos individuais de trabalho e somente poderão ser reduzidas ou suprimidas por
posterior acordo, convenção ou contrato coletivo de trabalho.¨
Estabeleceu, desse modo, o legislador parlamentar a integração contratual limitada por
revogação, entretanto, por insensibilidade do legislador presidencial, que editou
repetidas medidas provisórias revogatórias em relação aos dispositivos legais acima,
terminado por alcançar o objetivo com a edição da Lei 10.192, de 14.02.2001.
De qualquer sorte, a jurisprudência tem considerado, com razão, que o patamar salarial
resultante de instrumentos coletivos fixadores de reajustes salariais adere, sim,
permanentemente, aos contratos de trabalho.
Negociação coletiva. Limites
Os limites da negociação coletiva remetem o estudo ao Princípio da Adequação Setorial
Negociada, ou seja, aos critérios de harmonização entre as regras jurídicas oriundas da
negociação coletiva e as regras jurídica provenientes da legislação heterônomas estatal.
Em que medida as normas jus coletivas podem se contrapor às normas jus individuais
imperativas estatais?
Segundo o Princípio da Adequação Setorial Negociada as normas autônomas jus
coletivas podem prevalecer sobre as normas heterônomas desde que respeitados os
critérios objetivamente fixadas, quais sejam:
a) quando as normas autônomas jus coletivas implementam um padrão setorial de
direitos superior ao padrão oriundo da legislação heterônoma aplicável;
b) quando as normas autônomas jus coletivas transacionam setorialmente parcelas jus
trabalhistas de indisponibilidade apenas relativa (Modalidade de pagamento da
remuneração, tipo de jornada pactuada, fornecimento ou não de utilidade e sua
repercussão no contrato de trabalho, e, excepcionalmente, o montante salarial.).