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O PAGADOR DE PROMESSAS de diversão, mas sim um poderoso meio de contestação

da sociedade. Como prova disso, temos O pagador de


DIAS GOMES promessas, que foi inclusive transposta para as telas,
“É a história de um homem que não quis conceder ganhando inúmeros prêmios internacionais.
e foi destruído”
A OBRA: Trata-se de um texto escrito para teatro, ou
AUTOR: (1922-1999): Alfredo de Freitas Dias Gomes seja, para ser levado ao palco, ser encenado. A peça é
(Salvador BA 1922 - São Paulo SP 1999). Sua obra tem dividida em três atos, sendo que os dois primeiros
uma abordagem humanista de esquerda, com temática ainda são subdivididos em dois quadros cada um. Após a
voltada para o homem brasileiro e sua luta contra a apresentação dos personagens, o primeiro ato mostra a
engrenagem social. Entre elas, O Pagador de Promessas, chegada do protagonista Zé do Burro e sua mulher Rosa,
um clássico da moderna dramaturgia brasileira. Muda-se vindos do interior, a uma igreja de Salvador e termina
para o Rio de Janeiro e escreve, aos 15 anos, a sua com a negativa do padre em permitir o cumprimento da
primeira peça, A Comédia dos Moralistas, premiada promessa feita. O segundo ato traz o aparecimento de
pelo Serviço Nacional de Teatro - SNT, em 1939. Pé de diversos novos personagens, todos envolvidos na
Cabra é encenada em 1942, pela companhia Procópio questão do cumprimento ou não da promessa e vai até
Ferreira, com êxito de público e crítica. Seguem-se as uma nova negativa do padre, o que ocasiona, desta vez,
montagens de João Cambão, 1942; Amanhã Será Outro explosão colérica em Zé do Burro. O terceiro ato é onde
Dia, 1943; Doutor Ninguém, 1943; Zeca Diabo, 1943; as ações recrudescem, as incompreensões vão ao limite
quase todas produzidas pelo conjunto de Procópio. A e se verifica o dramático desfecho. Encenada pela
partir de 1944 passa a concentrar suas atividades no primeira vez a 29 de julho de 1960, no Teatro
rádio. Escreve e dirige programas, exerce cargos de Brasileiro de Comédia (São Paulo), essa peça marca
chefia artística em várias emissoras e produz radioteatro, o início da segunda fase do teatro de Dias Gomes e sua
inclusive com adaptações de alguns textos de sua autoria consagração como um dos mais destacados dramaturgos
originalmente escritos para palco. Volta ao teatro em contemporâneos do Brasil. Considerada por alguns
1954 com Os Cinco Fugitivos do Juízo Final, produzida críticos como uma tragédia, no sentido clássico do
por Jaime Costa, com direção de Bibi Ferreira. Sua termo, O Pagador de Promessas, segundo o próprio Dias
consagração vem em 1960 com a montagem de O Gomes, “é a história de um homem que não quis
Pagador de Promessas pelo Teatro Brasileiro de Comédia conceder e foi destruído”.
- TBC, dirigida por Flávio Rangel e seguida, em 1962, por
uma montagem carioca, do Teatro Nacional de Comédia - - Intencionalidade: A peça tem nítidos propósitos de
TNC, com direção de José Renato. Para a popularidade evidenciar certas questões sócio-culturais da vida
de O Pagador de Promessas contribui a sua versão brasileira, em detrimento do aprofundamento psicológico
cinematográfica dirigida por Anselmo Duarte, vencedora de seus personagens. Assim, ganha força no drama a
da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962, e uma visão crítica quanto:
adaptação para a televisão que, produzida 28 anos I - à intolerância da Igreja católica, personificada no
depois da criação da obra, comprova a sua vitalidade. autoritarismo do Padre Olavo, e na insensibilidade do
Monsenhor convocado a resolver o problema;
GÊNERO DRAMÁTICO: O gênero dramático, desde a II - à incapacidade das autoridades que representam o
antigüidade clássica, teve grande importância, pois, Estado - no episódio, a polícia - de lidar com questões
tanto em suas origens gregas e latinas como medievais, multiculturais, transformando um caso de diferença
esteve sempre associado à problemática religiosa, cultural em um caso policial;
transformando-se, não raras vezes, em verdadeiro ritual. III -à voracidade inescrupulosa da imprensa,
Atualmente, o gênero envolve dois aspectos: de um simbolizada no Repórter, um perfeito mau-caráter,
lado, como fenômeno literário, temos o texto, a completamente desinteressado no drama do
linguagem; de outro, as técnicas de representação, o protagonista, mas muito interessado na repercussão que
espetáculo. Ater-nos-emos, aqui, unicamente ao estudo a história pode ter;
do primeiro aspecto. No drama, as personagens IV - ao grande fosso que separa, ainda, o Brasil urbano
aparecem dotadas de características marcantes, do Brasil rural: Zé do Burro não consegue compreender
representando realidades humanas concretas. Contudo, a por que lhe tentam impedir de cumprir sua promessa; os
caracterização será indireta, uma vez que se deve padres, a polícia, a imprensa não conseguem
sugerir ao público os traços peculiares das compreender quem é Zé do Burro, sua origem ingênua,
personalidades representadas, sendo que o autor não com outros códigos culturais, outras posturas. Além
pode imiscuir-se na ação. Assim, o teatro exige um disso, a peça mostra as variadas facetas populares: o
esmerado juízo seletivo, pois cada um dos fatos gigolô esperto, a vendedora de quitutes, o poeta
ocorrentes deve, pela concisão o e pela síntese, ser improvisador, os capoeiristas. O final simbólico
capaz de despertar emoção. A obra dramática não aponta em duas direções. Em primeiro lugar a morte do
apresenta descrições nem dissertações, mas busca Zé do Burro mostra-se com fim inevitável para o choque
acentuar a ação. O texto é, então, representativo, onde cultural violento que se opera na peça: ninguém, entre
o diálogo é fundamental, em contraposição ao as autoridades da cidade grande, é capaz de assimilar o
romance, à novela, ao conto, cujos textos visam a sincretismo religioso tão característico de grandes
apresentar, e onde o diálogo, se houver, é bastante camadas sociais no Brasil, especialmente no interior
acessório. É importante observar ainda que, no teatro, o nordestino. Em segundo lugar, a entrada dos capoeiristas
autor faz uma tentativa de representar mais a língua na igreja, carregando a cruz com o corpo, sinaliza para
falada do que a escrita. Daí os recursos próprios para rechaçar a inutilidade daquela morte: os populares
enfatizar a entonação, a voz, a mímica, os gestos etc. Na compreenderam o gesto de Zé do Burro. O homem, no
Idade Média, o teatro tinha as modalidades de auto sistema capitalista, é um ser que luta contra uma
(milagre ou mistério) e farsa. No Classicismo, engrenagem social que promove a sua
predominaram a tragédia e a comédia, de cuja fusão desintegração, ao mesmo tempo que aparenta e
surge, no Romantismo, o drama. Hoje, o teatro assumiu declara agir em defesa de sua liberdade individual.
uma posição crítica com relação aos problemas político- Para adaptar-se a essa engrenagem, o indivíduo concede
sociais, o que mostra que ele não é apenas uma forma levianamente, ou abdica por completo de si mesmo. O
Pagador de Promessas é a história de um homem que igreja lhe confere, demonizando a crença popular, Zé um
não quis conceder e foi destruído. Seu tema central é o homem simples, do campo, expressa em sua
mito da liberdade capitalista, baseado no princípio simplicidade a perplexidade diante das verdades que o
de liberdade de escolha, a sociedade burguesa não padre pronuncia. Mas seus argumentos, embora simples,
fornece ao indivíduo os meios necessários ao são comprovados pelos fatos da vida. Ao Padre só resta a
exercício dessa liberdade, tornando-a ilusória. O demonização e a afirmação de que o homem caiu em
enfoque principal do autor não é a questão religiosa. As tentação. - Zé parece não se abalar com o discurso
personagens, diálogos e contextos sócio-político, condenatório da autoridade eclesial. Continuando o
também permitem a reflexão nesta perspectiva. O relato, conta que as rezas surtiram efeito para o burro
próprio autor admite que “há também a intolerância, o Nicolau.
dogmatismo que fazem com que vejamos inimigos
naqueles que de fato estão do nosso lado. Sua Segundo ato: Duas horas mais tarde, já a
preocupação não se restringe à intolerância religiosa, movimentação no lugar é intensa. O Galego, dono do
como podemos deduzir a partir do conforto entre o Padre bar, abriu seu estabelecimento. Surgem Minha Tia,
Olavo e Zé-do Burro, mas abarca a intolerância vendedora de acarajés, carurus e outras comidas típicas,
universal. Interessante retrato da miscigenação religiosa Dedé Cospe-Rima, poeta popular, ao estilo repentista e o
brasileira, "O Pagador de Promessas" tem em sua maior Guarda. Zé do burro quer cumprir a promessa. O Guarda
preocupação destacar a sincera ingenuidade e devoção tenta intervir. Rosa reaparece com "ar culpado". Chega o
do povo, em oposição a burocratização imposta pelo Repórter. Seguindo a linha do oportunismo
próprio sistema católico em sua organização interior. "Zé sensacionalista, o repórter quer tirar vantagens da
do burro", um homem simples do campo trata de história de Zé do Burro. Quer torná-lo um mártir, para
cumprir sua promessa (ou tentar) após ter tido Nicolau, virar notícia. Enquanto isso descobre-se que Rosa
seu burro, curado devido a promessa feita a Santa transou com Bonitão. Marli faz um pequeno escândalo,
Bárbara. O que de deveria ser um simples ato de fé toma denunciando a história Rosa-Bonitão. Segundo quadro:
proporções gigantescas quando Zé é barrado pelo vigário Três da tarde, Dedé oferece poemas para Zé, a fim de
local, que o impede de entrar na igreja carregando a cruz derrotar o Padre. Aparecem, em momentos
que havia prometido. subseqüentes, o capoeirista Mestre Coca e o policial, o
Secreta, chamado por Bonitão, ficando ambos, por
ENREDO: Uma tempestade derruba uma árvore e enquanto, nas cercanias. Zé começa a perder a paciência
Nicolau, o burro, é atingido na cabeça por um por um e arma uma gritaria. O padre reage. Chega o Monsenhor,
dos galhos. Ele adoece e piora. Seu dono, desesperado autoridade da igreja, propondo a Zé uma solução: ele,
faz uma promessa a Santa Bárbara. Nicolau se recupera Monsenhor, na qualidade de representante da Igreja,
e Zé, carregando uma pesada cruz de madeira por sete pode liberar Zé da promessa, dando-a por cumprida. Zé
léguas, se dirige à cidade para pagar a promessa. Antes não aceita, dizendo que promessa foi feita à Santa e só
de o sol raiar, lá está ele e Rosa, sua esposa, defronte a ela poderia liberá-lo. Segue o impasse. Zé explode
igreja de Santa Bárbara. novamente e avança com a cruz sobre a Igreja. O padre
fecha a porta. Zé, já desesperado, bate com a cruz na
Primeiro ato: A ação da peça tem início nas primeiras porta. O drama é total. - Padre Olavo permanece
horas da manhã (4 e meia), numa praça, em frente a intransigente, Zé também. A inflexibilidade do primeiro
uma igreja, em Salvador. O personagem denominado Zé se vincula à concepção sobre a proeminente da religião
do Burro carrega uma cruz e se aloja na frente da igreja. católica e a denominação da religião afro-brasileira. Ele
A seu lado Rosa, sua mulher, apresentada como tendo está convicto de que defende valores cristãos, a igreja
"sangue quente" e insatisfação sexual. Zé espera a igreja católica e a divindade que acredita. A convicção em si
abrir para cumprir sua promessa, feita a Santa Bárbara. não é boa ou má, mas pode causar efeitos
Aparecem no lugar, algum tempo depois, Marli e traumatizantes em relação ao outro, isto é àquele que
Bonitão: ela prostituta; ele, gigolô. Há uma clara relação não partilha de tal convicção com a mesma intensidade.
de exploração e dependência entre eles. Encontrando Zé, - Zé também acredita em Deus, se declara católico e
Bonitão dirige-se a ele e percebe ser alguém ingênuo. respeita a igreja. Mas não pode recusar, pois seria
Rosa, por sua vez, conversando com o gigolô, queixa-se descumprir a promessa. - Zé não pode aceitar o discurso
de Zé, contando que ele, na sua promessa, dividiu suas demonizador do Padre e nem compreender a relutância
terras com lavradores pobres. Percebendo a ingenuidade, deste em negar seu direito de pagar a promessa feita.
Bonitão propõe-se a providenciar um local para Rosa Sobretudo seus valores morais, próprio do homem do
descansar. Zé não só aceita, como incentiva. Saem os campo naquele contexto sócio-histórico, não permitem-
dois, Bonitão e Rosa, de cena. Segundo quadro: Aos no aceitar outra alternativa que o impeça de cumprir a
poucos, começa o movimento ao redor da praça. palavra dada à santa.
Aparecem a Beata, o sacristão e o Padre Olavo, titular da
igreja. Zé explica a promessa: Nicolau foi ferido com a Terceiro ato: Entardecer. Muita gente na praça e nos
queda de uma árvore; estando para morrer, Zé fez a arredores da Igreja. Há uma roda de capoeira. O Galego,
promessa. O burro - Nicolau é um burro! - salva-se. oportunista, oferece comida grátis a Zé, pois a história
Ingenuamente, Zé revela ter usado as rezas de Preto está trazendo movimento ao seu bar. O Secreta, no bar,
Zeferino e feito a promessa num terreiro de candomblé, avisa que a polícia prenderá Zé, ameaçando os
a Iansã, equivalente afro de Santa Bárbara. O padre fica capoeiristas, caso eles interfiram. Marli volta. Ofende
escandalizado. Estabelece-se o conflito. O sincretismo Rosa, ofende Zé. O protagonista parece mudar de
Iansã - Santa Bárbara, natural para Zé do burro, é um atitude. Resolve ir embora "à noite". Rosa quer ir embora
grandioso pecado para o padre. A situação agrava-se já. Conta que Bonitão avisou a polícia. Retorna o
com a revelação da divisão de terras. Impasse. O padre repórter, que tenta montar um verdadeiro circo em torno
manda fechar a igreja e proíbe o cumprimento da do Zé, com o objetivo de vender o jornal. Chega Bonitão
promessa. Zé do burro fica atônico. e convida Rosa para ir com ele. Zé pede a ela para ficar.
- No diálogo entre o Padre Olavo e Zé-do-burro, fica Rosa hesita, a princípio, mas, em seguida, vai com
explícito a intolerância do representante da igreja Bonitão. Mestre Coca avisa Zé sobre a chegada da
Católica em relação às crendices populares e à religião polícia. Zé está perplexo: "Santa Bárbara me
de origem africana. O Padre fala com a autoridade que a abandonou". Da igreja saem o Sacristão, o Guarda, o
Padre e o Delegado. Tensão da cena acentua-se. Zé segue o mesmo caminho, da inocência à perdição.
ainda tenta, ingênua e inutilmente, explicar alguma
III) Zé-do-Burro, trinta anos presumíveis, acaba morto
coisa. Ao ser cercado, puxa uma faca. As autoridades
reagem. Os capoeiristas também. Briga e confusão. De na “rua da perdição” de sua mulher, que o traiu.
repente, um tiro espalha gente para todos os lados. Zé é Está(ão) correta(s) somente:
mortalmente ferido. Mestre Coca olha para os a) I. b) I e II. c) III. d) II e III. e) III
companheiros, que entendem a mensagem. Os
capoeiristas tomam o corpo do Zé colocam-no sobre a
cruz e, ignorando padre e polícia entram na igreja, 3. (UTFPR) Em O Pagador de Promessas, de Dias
carregando a cruz. - Diante do impasse, se torna Gomes, o personagem central, Zé-do-Burro, é casado
necessário a interferência da autoridade superior. Entra com uma mulher que, segundo a rubrica da peça,
em cena o Monsenhor, sua intervenção pretende “parece pouco ter de comum com ele. (...) Ao contrário
demonstrar o quanto a igreja é tolerante. Diante do do marido, tem “sangue quente”. “Demonstração do
público que acompanha a contenda entre o padre e o
“sangue quente” da esposa se dá quando ela:
pagador de promessas, ele afirma que foi designado pelo
a) delata o marido para a Secreta a fim de vingar-se da
superior hierárquico para cuidar do caso e dar uma prova
de tolerância da igreja para com aqueles que se desviam traição de Zé-do-burro com Iansan.
dos cânones sagrados. - Zé-do-Burro termina por b) bate na prostituta, até matá-la, pela traição em
angariar a simpatia. Ele representa os valores morais roubar-lhe o amante, Bonitão.
íntegros, ainda que ingênuos, é o Davi contra Golias, ou c) cansada do descaso de Zé-do-Burro, quebra a cruz,
seja, um indivíduo que em sua simplicidade e sem outros impossibilitando-o de cumprir sua promessa.
recursos senão o próprio argumento e a sua
d) sem resistir, seduzida por Bonitão, entrega-se ao
determinação em pagar a promessa, enfrenta uma
poderosa organização religiosa, munida de todos os sensual cafetão traindo o marido.
argumentos e de toda a lucidez racional. - A peça é uma e) enfrenta a vendedora de Biju devido aos ciúmes que
contribuição fundamental para que possamos pensar as sente do relacionamento desta com o marido
relações entre as diversas religiões e as necessidade de
desenvolvermos meios e comportamentos que favoreçam 4. (UTFPR) Leia atentamente os excertos de rubricas
a intolerância religiosa, pois mesmo hoje, os novos retirados da peça O Pagador de Promessas, de Dias
cruzados semeiam os ventos da intolerância. Os tempos
Gomes.
são outros, mas o acirramento da competição no
mercado de salvação das almas termina por reproduzir I) “É uma bela mulher, embora seus traços sejam um
as pequenas e grandes inquisições que opõem o bem ao tanto grosseiros, tal como suas maneiras. (...) É
mal. A demonização da religião considerada como agressiva em seu “sexy”, revelando, logo à primeira
concorrente ainda é um recurso muito utilizado. vista, uma insatisfação sexual e uma ânsia recalcada de
TESTES: romper com o ambiente em que se sente sufocar. Veste-
se como uma provinciana que vem à cidade, mas
1- (UTFPR) Leia atentamente as afirmações abaixo também como uma mulher que não deseja ocultar os
sobre O Pagador de Promessas e assinale a verdadeira: encantos que possui”.
II) “Ela tem, na realidade, vinte e oito anos, mas
a) Zé-do-Burro e sua esposa, Rosa, mantêm um
aparenta mais dez. Pinta-se com exagero, mas mesmo
relacionamento amoroso conflituoso devido a ele ser um
assim não consegue esconder a tez amarelo-esverdeada.
revolucionário do campo e ela, uma beata devota.
Possui alguns traços de uma beleza doentia, uma beleza
b) O Secreta, o Delegado e o Guarda demonstram a nova triste e suicida. Usa um vestido muito curto e decotado,
face da polícia, após a ditadura de Vargas, preocupada já um tanto gasto e fora de moda, mas ainda de bom
com os direitos humanos. efeito visual. Seus gestos e atitudes refletem o conflito
c) Minha Tia e Mestre Coca são representantes do povo, da mulher que quer libertar-se de uma tirania que, no
católicos ardorosos, que se revoltam com as heresias entanto, é necessária ao seu equilíbrio psíquico...”.
cometidas por Marli e Zé-do-Burro. Em relação às assertivas I e II é correto afirmar que:
a) em I e II tem-se a descrição da mesma mulher, Rosa,
d) Bonitão e Marli são o exemplo de um relacionamento
amante de Bonitão, o malandro cafetão.
moderno, em que homem e mulher usufruem dos
b) em I tem-se a descrição de Rosa, mulher do
mesmos direitos. personagem principal de O pagador de promessas.
e) O Monsenhor e Padre Olavo representam a rigidez de c) em II tem-se a descrição de Rosa, amante de Bonitão,
princípios teóricos da doutrina católica diante de o malandro cafetão.
situações práticas inusitadas. d) em II tem-se a descrição de Marli, mulher do
personagem principal de O pagador de promessas.
2. (UTFPR) Em O Pagador de Promessas, de Dias e) em I e II tem-se a descrição da mesma mulher, Marli,
Gomes, “ABC da Mulata Esmeralda” de Dedé Cospe-Rima mulher do personagem principal, Zé-do-Burro.

que conta a história dessa mulher, “desde o nascimento,


GABARITO: 1- E 2- 3 3- A 4- C
no Beco das Inocências, até a morte, por trinta facadas,
na Rua da Perdição”, é de certa forma um prenúncio da
própria história narrada na peça, pois: FONTE:
I) a mulher de Zé-do-Burro é morta com trinta facadas
Curso Desafio: Av. sete de setembro, 3927 – Centro
quando se aproxima da roda de capoeiristas. Curitiba – Fone: 3077 8837 – 3077-8367
II) a trajetória dos personagens Zé-do-Burro e Rosa