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ARTIGOS

PROCESSOS COGNITIVOS, METACOGNITIVOS E METALINGUÍSTICOS NA


AQUISIÇÃO DA LEITURA E ESCRITA
COGNITIVE, METACOGNITIVE AND METALINGUISTIC PROCESSES IN READING AND WRITING
ACQUISITION

Luciana Dantas Hodges


Alena Pimentel Nobre

Resumo:
Ler e escrever, mais do que ter domínio e reconhecimento de símbolos e regras de um sistema de escrita,
consiste na capacidade de produzir sentidos dentro de um contexto sociocultural específico, nos usos e
práticas dessas atividades linguísticas e por um sujeito que deve implicar-se intencionalmente nas
mesmas. Isso significa dizer que tornar-se um leitor fluente e um escritor competente envolve não só o
uso dos processos cognitivos, mas também a adoção de uma postura ativa e reflexiva diante do texto. É
necessário, portanto, que além de reconhecer os processos executivos envolvidos na construção das
representações conceituais sobre o sistema alfabético, valorizem-se as atividades deliberadas de controle,
monitoramento e reflexão sobre os objetos linguísticos envolvidos, bem como sobre o próprio ato de ler e
de escrever. O artigo busca esclarecer e evidenciar, brevemente, tais processos, destacando a relevância
de uma prática educativa na qual os professores devem favorecer, mediante atividades pedagógicas
planejadas, o desenvolvimento de estratégias cognitivas, metalinguísticas e metacognitivas na
compreensão da leitura e produção escrita.
Palavras-chave: Cognição. Metacognição. Alfabetização. Leitura. Escrita.

Abstract:
More than learning and recognizing symbols and rules of a writing system, reading and writing consist in
the ability to produce meaning in a specific social-cultural context, in the uses and practices of these
linguistic activities, and by a subject who should become involved in them intentionally. This means that
becoming a fluent reader and a competent writer involves not only the use of cognitive processes, but also
the adoption of an active and reflective attitude towards the text. Therefore, it is necessary that the
executive processes involved in the construction of conceptual representations about the alphabetic
system are recognized, as well as the activities of deliberate control, monitoring and reflection on the
linguistic objects involved, in the very act of reading and writing. The aim of this article is to clarify and
draw attention to such processes and activities, highlighting the importance of an educational practice in
which teachers should promote, through planned educational activities, the development of cognitive,
metacognitive and metalinguistic strategies in reading comprehension and text production.
Keywords: Cognition. Metacognition. Literacy. Reading. Writing.

1. INTRODUÇÃO Entendendo a leitura e a escrita em uma


perspectiva sócio-histórica, é possível afirmar
O processo de aquisição da leitura e escrita que: (1) a escrita se constitui como um objeto
é complexo e multifacetado, decorrendo de fatores sociocultural, que surge e se desenvolve em usos e
de diversas ordens. Ele perpassa, principalmente, práticas historicamente situadas (SOARES, 2010;
os domínios linguístico, social e cognitivo, que, KLEIMAN, 1995; ROJO, 1998); (2) a
por sua vez, encontram-se intrincados e apropriação da escrita confere ao sujeito mais
influenciam-se mutuamente. As reflexões acerca estratégias e ferramentas de acesso à cultura e de
das relações entre essas esferas tornaram-se mais produção de sentidos (SOARES, 2010;
evidentes a partir da década de 1980 e estão BRANDÃO; LEAL, 2007); (3) o conhecimento
fortemente presentes no cenário acadêmico atual, da língua escrita é construído ativamente por meio
sendo um campo fértil de investigações. de seu uso significativo, visto que a compreensão
da natureza simbólica e convencional da língua
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escrita demanda do indivíduo construir sentidos e 2. DIFERENCIANDO OS CONCEITOS:


formular e testar hipóteses a partir de, e em seu COGNIÇÃO, METACOGNIÇÃO E
contato com, práticas da língua escrita (ROAZZI; METALINGUAGEM
LEAL, 1996). Sendo assim, a alfabetização
(domínio da tecnologia da escrita) se completa no Alfabetização, compreensão de textos e
letramento (uso efetivo da leitura e escrita nos produção textual são processos necessariamente
contextos e práticas sociais), conforme apontam perpassados de aspectos cognitivos, como já
Albuquerque (2007) e Soares (2010). exposto.
É justamente sobre o entendimento do O conceito de cognição pode ser concebido
papel ativo do leitor/escritor emergente, que é a partir de diversas abordagens: a psicologia
preciso enfatizar que o processo de tornar-se cognitiva experimental, a neuropsicologia
alfabetizado e letrado é permeado, cognitiva, a ciência cognitiva computacional e a
constantemente, de processos ativos de neurociência cognitiva (EYSENK; KEANE,
representações cognitivas e de reflexões de ordem 2007). Em geral, cognição refere-se aos “[...]
metacognitiva e metalinguística. Maluf (2010) processos internos envolvidos em extrair sentido
ressalta que, na aprendizagem da leitura e da do ambiente e decidir que ação deve ser
escrita, é preciso ir além do conhecimento apropriada. Esses processos incluem atenção,
implícito sobre a linguagem, sendo imprescindível percepção, aprendizagem, memória, linguagem,
alguma reflexão sobre a língua e seus usos. O resolução de problemas, raciocínio e pensamento”
desenvolvimento dessa capacidade de reflexão (EYSENK; KEANE, 2007, p. 11). Considera-se
pode e deve ser estimulada. Sendo assim, formar aqui como cognição tais atos e processos
leitores autônomos e críticos, bem como envolvidos no conhecer.
produtores de textos adequados à situação O reconhecimento da importância dos
comunicativa que os torna necessários, como processos cognitivos básicos para o leitor e
sugere Lerner (2002), implica o conhecimento e escritor iniciante não implica, de forma alguma, a
estímulo desses processos por parte de defesa de uma prática pedagógica pouco
educadores. significativa, baseada em repetições, como
Portanto, o leitor e escritor competente se argumento de estímulo à memória, discriminação
faz na capacidade e no uso não só das habilidades auditiva e atenção. Paralelamente a esses
cognitivas, mas também daquelas de ordem processos, e sem detrimento deles, há que se
metacognitiva e metalinguística, que consistem na voltar a prática pedagógica para as representações
habilidade de refletir sobre os próprios processos conceituais.
cognitivos e na manipulação deliberada e Vygotsky (1991) aponta que o surgimento
consciente dos objetos linguísticos, das funções cognitivas superiores fundamenta-se
respectivamente. nas relações sociais entre o indivíduo e o mundo
Diante do exposto, é importante que se exterior, as quais são sócio-historicamente
estabeleça um breve esclarecimento sobre os situadas. Nessa concepção, não se pode separar o
conceitos (cognição, metacognição e sujeito social do sujeito do conhecimento, estando
metalinguagem), bem como sejam analisadas essas dimensões intimamente relacionadas entre
algumas pesquisas e indicadores sobre o modo si, e estas relacionadas também à dimensão
como esses processos influenciam a alfabetização. linguística, posto que é por meio da linguagem
Espera-se com este artigo contribuir para o que a cultura torna-se interiorizada e que o
reconhecimento desses processos na constituição homem age e interage em sociedade.
do competente leitor/escritor, enfocando, É justamente diante da potencialidade de
particularmente, os anos iniciais da apropriação da internalização, possibilitada pela linguagem, que
leitura e da escrita, sem esperar que se esgote aqui os objetos e ferramentas sociais, como a cultura
essa discussão, dada a extensão e necessidade de escrita, por exemplo, tornam-se acessíveis,
exploração do tema. compreendidos e utilizáveis pelos homens. São os
processos cognitivos que tratam do processamento
e das representações internas desses objetos e das
informações dessas ferramentas culturais. Para
isso, entretanto, há que se considerar os processos
reflexivos que possibilitam e favorecem essa

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aquisição, o que remete ao conceito de linguística, metalinguagem refere-se à capacidade


metacognição. Metacognição é definido por de falar sobre a linguagem (BENVENISTE, 1980;
Flavell (1974) como o conhecimento do próprio GOMBERT, 1992; ROAZZI et al., 2010) e, nesse
conhecimento, controle e autorregulação dos sentido, o foco são as palavras usadas para se
processos cognitivos. Este é um conhecimento referir a outras palavras (por exemplo, caracterizar
consciente acerca dos próprios processos palavras como substantivo ou adjetivo); já para a
cognitivos, de modo que o sujeito é capaz de psicologia, o foco são os processos psicológicos
planejá-los, monitorá-los e controlá-los pelos quais o ser humano reflete sobre a
deliberadamente (GOMBERT, 1992). Brown linguagem. Dessa forma, a metalinguagem
(1978) propõe que esse controle pode ser feito consistiria nas atividades de manipulação
ainda por meio de avaliação, além das ações de consciente e reflexiva da linguagem. Ela é
previsão, planejamento e monitoramento. compreendida a partir de diversos enfoques,
Para Flavell (1974, 1987), a metacognição abrangendo habilidades distintas: consciência
pode ser dividida nos seguintes domínios: fonológica, consciência morfológica, consciência
conhecimento metacognitivo, referente ao sintática, consciência metatextual e consciência
conhecimento de mundo adquirido sobre pessoas, metapragmática (GOMBERT, 1992).
tarefas e estratégias; e experiências As atividades cognitivas, metacognitivas e,
metacognitivas, referentes às percepções afetivas principalmente, as metalinguísticas podem
das vivências cognitivas, que promovem feedback colaborar potencialmente para a formação de
interno e também a ativação de estratégias leitores e produtores de textos autônomos e
cognitivas e metacognitivas (FIGUEIRA, 2003; competentes, conforme será defendido a seguir.
FLAVELL, 1987). Paris, Cross e Lipson (1984)
apontam que o conhecimento metacognitivo pode 3. PROCESSOS COGNITIVOS,
ser declarativo, procedural ou condicional, METACOGNITIVOS E
referindo-se, respectivamente, à consciência da METALINGUÍSTICOS ENVOLVIDOS NA
existência de estratégias metacognitivas, saber ALFABETIZAÇÃO
como utilizá-las e saber quando utilizá-las.
Entende-se, portanto, que não só os Antes que Emília Ferreiro trouxesse suas
processos que permitem ao sujeito interpretar e colaborações acerca das importantes
produzir as representações escritas, mas também representações cognitivas para a aquisição da
os relativos à avaliação, ao controle e à regulação leitura e escrita, as concepções de alfabetização
do seu conhecimento da tarefa e das estratégias anteriores enfatizavam a importância de algumas
para sua realização são importantes para a funções executivas e processos cognitivos e, em
constituição do leitor/escritor. Isso se torna ainda especial, a discriminação visual, auditiva e as
mais relevante quando se consideram os habilidades motoras. É importante lembrar que,
indivíduos em processo de alfabetização, para embora as funções executivas não sejam
quem as convenções da língua escrita não estão suficientes em si nem devam ser consideradas
evidentes e as formas e regras para acessá-la e como foco principal quando se pensa no
produzi-la não estão ainda automatizadas. planejamento pedagógico para a alfabetização, os
Para além do controle e da regulação das processos de caráter cognitivo básico (e.g.
atividades cognitivas, já nomeadas aqui como atenção, percepção e memória e funções
metacognição, é preciso chamar atenção para executivas) são elementos importantes e
outro conceito, chamado metalinguística, que dela favoráveis na aquisição e no domínio da leitura e
é derivado. Nesse contexto, o objeto de análise escrita, não devendo, portanto, ser negligenciados.
não mais se refere aos próprios processos É preciso deixar claro que não há evidentes
cognitivos, ao conhecimento adquirido sobre a relações de causa e efeito entre processos
natureza da tarefa ou das estratégias a serem cognitivos elementares e dificuldades nas
utilizadas. Nas atividades metalinguísticas, são os habilidades de leitura, mas há correlações
elementos linguísticos que se tornam objeto de significativas entre si (CARDOSO-MARTINS;
reflexão. PENNINGTON, 2001; BOWERS; WOLF, 1993;
O termo metalinguagem é derivado da PEREIRA; ALVES, 2002). Obviamente, se os
linguística, porém em uma perspectiva processos cognitivos básicos fossem garantia
psicológica, assume significado diferente. Para a única para a apropriação das competências de

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leitura e escrita, outros seres, além dos humanos, entre a nomeação seriada rápida e as
seriam igualmente capazes de dominá-las. Se várias medidas de habilidade de leitura.
fossem condição sine qua non, cegos e surdos não [...] Contudo, eles também sugerem que,
poderiam aprender a ler ou escrever, devido, por qualquer que seja a natureza desses
mecanismos, eles desempenham um papel
exemplo, à limitação para a discriminação visual
relativamente modesto na aquisição da
ou auditiva. Por outro lado, sabe-se também que leitura e da escrita em um sistema
algumas dificuldades de aprendizagem, como por alfabético de escrita. (CARDOSO-
exemplo, a dislexia, sofre influência relativa à MARTINS; PENNINGTON, 2001, p.
baixa precisão das discriminações visuais 396).
(SAMPAIO, 2003) e fonológicas (CAPOVILLA,
A.; GUSTSHOW; CAPOVILLA, F., 2004). É Portanto, diante de um estímulo de leitura,
nesse sentido, portanto, que se chama atenção há vários processos cognitivos que devem ser
aqui para a valorização das funções cognitivas nos ativados, a fim de que se processe a informação, a
processos de alfabetização, sem que isso depender ainda do tipo de rota utilizada. Em geral,
signifique considerá-las como elementos de de acordo com Pinheiro e Rothe-Neves (2001),
primazia. em uma atividade de leitura de palavras
De acordo com Gonçalves (2008, p. 136), conhecidas em voz alta, usam-se rotas lexicais:
“a leitura põe em jogo duas atividades cognitivas: inicialmente, o sujeito reconhece a palavra no
a identificação dos signos que compõem a léxico visual e só depois a pronúncia é recuperada
linguagem escrita [...] e a compreensão do no léxico fonêmico de saída, seja mediante um
significado da linguagem escrita”. A identificação processamento semântico, ou por meio da
dos signos pressupõe o uso das capacidades conversão grafema-fonema. Já no caso de uma
perceptivas visuais na discriminação de símbolos palavra desconhecida ou inexistente, o sujeito
visuais, e auditivas, no desenvolvimento da tende a usar uma rota fonológica, identificando os
habilidade de decodificar e discriminar fonemas. grafemas por meio da análise visual, convertendo-
Cardoso-Martins e Pennington (2001) realizaram os, sintetizando-os e/ou agrupando-os em
uma pesquisa com sujeitos entre 7 e 18 anos de fonemas, para produzir, assim, a pronúncia.
idade, a fim de investigar a correlação entre a Além dos processos de atenção e percepção,
nomeação seriada rápida, consciência de fonemas a memória é um elemento cognitivo importante
e outras habilidades de leitura e escrita. O nos processos de leitura e compreensão. O estudo
resultado do estudo indicou que a nomeação de Capovilla, A., Capovilla, F. e Suiter (2004)
seriada rápida contribui para a variação de com 90 crianças da primeira série do ensino
habilidades de leitura e escrita, fundamental identificou que, comparando o
independentemente da consciência de fonemas, desempenho de maus e bons leitores, estes últimos
embora ambas contribuam para a alfabetização. foram significativamente superiores em escrita,
Dessa forma, o estudo destaca a importância dos consciência fonológica, vocabulário, memória
processos fonológicos e como a habilidade fonológica e memória visual. Isso demonstra que,
relativa à nomeação seriada rápida contribui para além das capacidades de ordem fonológica, a
o desenvolvimento da habilidade de ler textos, memória correlaciona-se ao desempenho do bom
rápida e corretamente. Ao fim do artigo, as leitor. O armazenamento das unidades visuais e
autoras posicionam-se, afirmando que, embora fonológicas reconhecidas e as informações
seja óbvia a correlação entre consciência fonêmica fornecidas pelo autor do texto fazem com que o
e a aquisição do sistema alfabético, cuja natureza leitor possa reconhecer e retomar as ideias
é de correspondência entre grafemas e fonemas, daquele.
não é assim tão óbvia a correlação entre a A memória também tem importante papel
habilidade de nomear estímulos visuais e a quando se considera que, para compreender um
aquisição da leitura e escrita. Elas defendem que: texto, é necessário ativar conhecimentos prévios
relevantes (tanto os adquiridos nas experiências de
Qualquer uma entre uma longa lista de vida quanto aqueles adquiridos por meio de
habilidades - atenção prolongada, ensino formal) que estão armazenados na
codificação visual, coordenação de memória de longo prazo. O input textual vai ativar
informação visual e fonológica, etc.
conhecimentos relacionados armazenados na
poderia explicar a correlações modestas
memória de longo prazo, trazendo-os para a

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memória de trabalho. A memória de trabalho No processo de alfabetização, são as


permite o armazenamento temporário de representações internas e, portanto, também
informações veiculadas no texto e de informações cognitivas, que devem ser consideradas como
prévias resgatadas da memória de longo prazo primordiais na apropriação da leitura e escrita. As
para que o leitor construa relações entre elas, isto representações internas referem-se ao modo como
é, construa o sentido do texto. Portanto, uma o conhecimento é construído, portanto são,
memória de trabalho ineficiente dificulta a inevitavelmente, parte do seu criador
construção de um modelo mental do texto (KARMILOFF-SMITH, 1996).
(KINTSCH, 1998). Importantes representações internas a serem
No tocante à aprendizagem da escrita, construídas pelas crianças em fase de
destacam-se dois aspectos – o domínio do sistema alfabetização referem-se aos princípios do sistema
notacional e os conhecimentos acerca dos de escrita alfabético. Leal (2004) cita que um dos
diferentes tipos de textos e gêneros textuais. princípios desse sistema é o fato de que as
Portanto, a escrita envolve o registro gráfico, mas propriedades do objeto (por exemplo, tamanho,
não se resume a ele, da mesma forma que o cor e forma) não são consideradas na
entendimento da estrutura e das particularidades representação alfabética. Isso é particularmente
de um determinado tipo de texto ou gênero importante no que se refere aos estudos que
textual, por exemplo, não é suficiente para ratificam a interferência do realismo nominal nos
considerar o indivíduo alfabetizado. Ambos os processos de aquisição da leitura e escrita
aspectos envolvem, necessariamente, processos (CARRAHER; REGO, 1981, 1984; MALUF;
cognitivos. BARRERA, 1997; NOBRE; ROAZZI, 2011).
Os estudos de Emília Ferreiro acerca da Esses estudos demonstram que as crianças que
psicogênese da língua escrita contribuíram para a tendem a ter dificuldade de ver como dissociados
ideia de que a aprendizagem da leitura e da escrita o signo e a coisa significada apresentam-se em
é essencialmente um processo conceitual, que níveis mais elementares de escrita e decodificação
demanda reflexão ativa e intencional e evolui por de leitura.
meio de elaborações de hipóteses, conflitos e Além das mencionadas, as crianças
reelaborações. A autora constata, assim, que a precisam construir representações internas sobre a
alfabetização não é um conteúdo a ser transmitido direção da escrita (horizontalmente, da esquerda
e recebido, mas um conhecimento linguístico a ser para a direita), diferenciando as 26 letras em suas
construído gradualmente a partir de determinadas formas e sons, e compreender as possíveis
representações cognitivas e para o qual as variações e combinações entre consoantes, vogais
experiências linguísticas anteriores ao início da e semivogais. É importante que a criança perceba
escolarização são fundamentais. também outros princípios: a escrita da palavra
Na década de 1990, no Brasil, as discussões obedece a uma correspondência grafofônica, de
acerca da alfabetização, concebida como domínio forma que cada grafema refere-se a um fonema,
do sistema de escrita alfabética, e do letramento, não a uma sílaba. Essa correspondência obedece a
concebido como os usos e as práticas sociais da regras ortográficas, uma vez que: um mesmo
escrita, deram ênfase também aos aspectos fonema pode ser representado por meio de letras
sociais. Embora esses conceitos sejam entendidos diferentes; uma mesma letra pode representar
como processos distintos, é amplamente aceita a fonemas diferentes; e um fonema pode ser
ideia de que alfabetização e letramento devem ser representado por uma ou mais letra (LEAL,
tratados como indissociáveis, pois são 2004).
complementares (ALBUQUERQUE, 2007; Ferreiro e Teberosky (1989) apontam como
SOARES, 2010). A alfabetização potencializa as crianças, evolutivamente, compreendem e
letramento, uma vez que o uso hábil das notações desenvolvem suas representações internas acerca
facilita o acesso a qualquer tipo de prática social da escrita. Cada hipótese de escrita traz consigo
escrita e sua apropriação; o letramento dá sentido descobertas e a construção de esquemas
à alfabetização, já que diante das vivências cognitivos que favorecem a emergência de
letradas, é possível ampliar a atribuição de sentido esquemas mais sofisticados e que, por fim,
às diversas formas de leitura e escrita, bem como culminam na competência da escrita ortográfica.
reconhecer as regras e os princípios que regem os Para as autoras, na evolução da escrita, uma das
sistemas notacionais. primeiras descobertas da criança refere-se à

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diferenciação entre marcas figurativas e não PESTUN, 2005). A dimensão cuja influência se
figurativas, ou seja, ela reconhece a diferença destaca mais fortemente no processo de
entre letras, números, símbolos etc. alfabetização, segundo pesquisas realizadas na
Posteriormente, a criança vai gradualmente área (e.g. CARDOSO-MARTINS, 1995;
percebendo que, para escrever, precisamos MALUF; BARRERA, 1997) é a consciência
representar sons, e a partir daí, constrói hipóteses fonológica. Ela se caracteriza pela capacidade de
mais sofisticadas sobre a escrita. Essas hipóteses refletir sobre a estrutura sonora da fala, bem como
variam de forma qualitativa, quando a letra escrita manipular seus componentes estruturais
representa alguns dos fonemas da palavra em (MALUF; BARRERA, 1997). Assim, a
questão, por exemplo, a criança escreve AO para consciência fonológica é fundamental para o
representar a palavra PATO (observe que os aprendiz compreender que a fala pode ser
fonemas /a/ e /o/ estão originalmente presentes na segmentada e que esses segmentos podem se
palavra pato); ou quantitativa, quando diferencia combinar e se repetir, seja na fala, seja na escrita.
as marcas sonoras da palavra, mas não sabe qual No sentido de promover a consciência fonológica,
letra corresponde ao som, por exemplo, a criança parecem efetivos os trabalhos que estimulam
escreve SR para representar a palavra PATO a reflexão acerca de rimas, sílabas, aliterações,
(observe que os fonemas /s/ e /r/ não se dentre outros (BERNARDINO JUNIOR et al.,
apresentam na palavra pato, entretanto a criança 2006; ETTORE et al., 2008; CARNIO; SANTOS,
representa, em cada uma dessas letras, uma sílaba: 2005; NUNES; FROTA; MOUSINHO, 2009). As
PA [s] – TO [r]). Por fim, a criança consegue pesquisas indicam que a consciência fonológica e
fonetizar a escrita, representando adequadamente a alfabetização contribuem mutuamente entre si
os fonemas contidos na palavra, aproximando-se (GOMBERT, 2003) e que são suporte para o
de uma escrita convencional e já a reconhecendo. desenvolvimento do processo de alfabetização
Todo esse processo evolutivo, por se tanto de crianças sem dificuldades na apropriação
tratar de uma construção, é demarcado por da leitura (PESTUN, 2005), como para aquelas
processos de reflexão. Nesse sentido, chama-se que apresentam algum tipo de limitação (MOTA;
atenção para a importância dos processos de FILHA; LASH, 2007).
ordem “meta” para o processo de alfabetização. Outras dimensões, além da fonológica,
A psicogênese da escrita aponta que a devem ser consideradas como foco de análise e
mudança nas hipóteses se dá por meio de conflitos reflexão na construção do leitor/escritor. A
e reelaborações, por meio dos quais o indivíduo consciência sintática refere-se à capacidade de
reflete sobre o que a escrita representa, como refletir sobre a estrutura sintática da língua, o que
representa e de que forma se organiza. O conflito implica o exercício do controle intencional acerca
ocorre na vivência de situações desafiadoras com da aplicação das regras gramaticais (GOMBERT,
a língua escrita, nas quais o indivíduo percebe que 1992). De acordo com Rego (1997, 1993), esse
sua hipótese corrente não é adequada para aquela tipo de consciência é reconhecido como bom
situação. Portanto, o conflito só existe a partir de preditor da aprendizagem da leitura e escrita,
um monitoramento da compreensão, que permite sendo inclusive facilitador da aquisição de regras
ao indivíduo a tomada de consciência de que há ortográficas que envolvem análises
incoerências entre o que pensa e a situação morfossintáticas (REGO; BUARQUE, 1997).
vivenciada. Sendo o monitoramento uma A competência relativa à reflexão sobre a
capacidade metacognitiva, tem-se que as reflexões estruturação das palavras e dos morfemas, por sua
que levam à compreensão do sistema de escrita vez, é tratada como um domínio específico das
alfabética englobam, necessariamente, um competências metalinguísticas, sendo chamada de
componente metacognitivo. consciência morfológica. Esse tipo de habilidade
A elaboração de hipóteses exige a reflexão contribui para o melhor reconhecimento e
sobre a língua. A consciência metalinguística desempenho ortográfico na escrita de palavras
colabora para a apreensão e o uso adequado da morfologicamente complexas, seja em línguas
língua, e diversos estudos apontam para sua com ortografia transparente (cuja relação entre
importância na aprendizagem da leitura e da fonemas e grafemas é previsível) ou nas opacas
escrita (e.g. REGO; BRYANT, 1993; (cuja relação entre fonemas e grafemas é pouco
CAPOVILLA, A.; CAPOVILLA, F., 2000; previsível), embora isso pareça ser mais
BARRERA; MALUF, 2003; GOMBERT, 2003;

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facilmente observável nas primeiras do que nas Para além da apropriação do sistema de
últimas (MOTA, 2009, 2010). escrita, o domínio competente da língua em sua
Os três tipos de consciência metalinguística forma escrita envolve as habilidades de
citados acima destacam-se como os que compreender e de produzir textos.
colaboram, de forma mais significativa, para o Os domínios da compreensão textual e
processo de alfabetização. Isso se deve ao fato de produção de textos podem e devem ser explorados
que eles estão ligados ao processo de desde antes da apropriação do sistema de escrita
compreensão da relação grafofônica, das regras alfabética. Crianças podem compreender textos
que regem os aspectos ortográficos das palavras e que lhes são apresentados oralmente e também
a sua organização na estrutura frasal. No entanto, produzir oralmente textos que serão grafados com
outros processos metalinguísticos – a consciência o auxílio de alguém que escreva. Nesse sentido, já
metatextual e a consciência metapragmática – são se constituem em atividades de natureza cognitiva
importantes para a construção da maturidade do desde cedo e, com a alfabetização, surge a
sujeito enquanto leitor e produtor de textos. necessidade de reflexões de ordem metacognitiva
Retomando a importância do letramento no e metalinguística.
processo de alfabetização, pode-se argumentar A compreensão não se resume à
que o entendimento acerca dos usos e das funções decodificação, do mesmo modo que a produção
sociais da língua em sua forma escrita passa pela textual não se resume à escrita. Obviamente, há
consciência metapragmática, ou seja, demanda a fatores que precisam necessariamente estar
reflexão sobre os elementos pragmáticos de um presentes para que o indivíduo desenvolva a
discurso e sobre as relações entre contexto e leitura e escrita de forma autônoma, pois a
mensagem. Tal reflexão possibilita o ineficiência ao ler ou escrever impede que se
entendimento das características, dos chegue à produção de sentidos na compreensão e
funcionamentos e das adequações dos diversos na produção de textos, respectivamente. Portanto,
gêneros textuais com os quais (e por meio dos o reconhecimento de palavras e frases, o domínio
quais) se convive em sociedade. da codificação/decodificação, um amplo
Portanto, é possível afirmar que a conhecimento lexical (GRAESSER, 2007), entre
metalinguagem permeia toda a aprendizagem da outros, não devem ser tomados como parâmetros
leitura e da escrita, demandando diferentes para a compreensão e produção de textos, pois há
habilidades metalinguísticas, de acordo com o outros processos, sejam automáticos ou
momento, nesse processo de construção de controlados pelo leitor/escritor, que precisam ser
conhecimentos. acionados para a construção de sentidos.
Uma compreensão de textos é uma
4. PROCESSOS COGNITIVOS, produção de sentidos direcionada pelo texto,
METACOGNITIVOS E porém não extraída dele. Pode ser considerada
METALINGUÍSTICOS NA COMPREENSÃO eficiente quando o leitor é capaz de gerar uma
E PRODUÇÃO DE TEXTOS representação do texto coerente e integrada
(OAKHILL; CAIN, 2004). O grau de coerência
Reflexões em torno da funcionalidade da da representação mental irá diferenciar a
língua (e das adequações nos seus usos e formas) compreensão “rasa” da compreensão “profunda”:
são relevantes para aquele que lê e escreve, não só enquanto, na primeira, o leitor é capaz de
para fins de decodificação, mas também para atuar identificar as informações mais objetivas que
socialmente de forma significativa. As habilidades estão explícitas no texto, na segunda, ele é capaz
de ler e escrever envolvem aspectos lexicais, também de identificar no texto relações causais
sintáticos, semânticos; o entendimento do modo entre eventos, motivações dos personagens e
como se estruturam textos diversos; a ativação de intenções do autor. Para chegar à compreensão
processos cognitivos como memória e profunda, é necessário acionar conhecimentos
estabelecimento de inferências; o monitoramento prévios que sejam relevantes para a compreensão,
desses processos, sempre perpassados dos e integrá-los às informações presentes no texto
propósitos comunicativos daquele que lê e (KING, 2007).
escreve. Portanto, envolvem o que, como e para A compreensão profunda é altamente
que se escreve e se lê. inferencial, visto que, para estabelecer inferências,
o leitor precisa integrar informações textuais entre

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92 Processos cognitivos, metacognitivos e metalinguísticos na aquisição da leitura e escrita

si e também com seus conhecimentos prévios. De conteúdo a ser lido, mediante a análise de pistas,
fato, a ênfase nas inferências é tal que alguns como o tema, título ou gravuras). De fato, a
autores afirmam que compreender é inferir realização de previsões continua durante a leitura,
(MARCUSCHI, 1985; SPINILLO; MAHON, uma vez que, à medida que lê, o leitor testa,
2007; SANTA-CLARA; SPINILLO, 2006). verifica, descarta, reformula hipóteses. As ações
Conforme a necessidade emergente, seus de monitoramento da leitura, bem como as de
propósitos e suas expectativas, o leitor pode fazer remediação, aparecem durante e após a leitura do
uso de diferentes estratégias de leitura. A sua texto.
escolha por determinadas estratégias naquele No tocante à produção textual, as atividades
contexto em particular (em detrimento de outras metacognitivas de planejamento e monitoramento
possíveis) influenciará diretamente sua são aquelas em que o sujeito deve pautar suas
compreensão. O leitor terá que optar por aquela(s) ações na execução do texto (GOES; SMOLKA,
que considera mais adequada(s) no momento; em 1992, ROAZZI ; LEAL, 1996). As tomadas de
outro contexto, poderá escolher estratégias decisão, tanto no planejamento do texto quanto
diferentes. Portanto, não basta apenas ter a seu em seu monitoramento, demandam um certo
dispor uma gama variada de estratégias de leitura, distanciamento do texto, uma avaliação sobre o
mas é preciso ainda tomar decisões quanto à sua que se pretende comunicar, a quem se destina o
aplicabilidade e eficácia em cada nova leitura. texto e as formas mais adequadas de conseguir o
Pesquisas voltadas para o desenvolvimento que se pretende. Portanto, são etapas distintas da
da compreensão de textos (e.g. DIAS; MORAIS; geração do texto em si.
OLIVEIRA, 1995; SPINILLO, 2008; YUILL; A atividade metalinguística se faz
OAKHILL, 1991) apontam que as estratégias e fortemente presente na etapa de revisão textual,
intervenções consideradas eficazes para esse fim quando o sujeito reflete conscientemente sobre
são aquelas em que está implicada a reflexão sua formulação linguística, toma decisões sobre os
intencional do leitor sobre as informações lidas recursos coesivos que irá utilizar e possíveis
e/ou sobre o tratamento que dá a essas substituições a serem realizadas, e atenta para que
informações, ou seja, sobre os próprios processos os aspectos discursivos e pragmáticos estejam em
de pensamento, caracterizando uma atividade consonância com a situação comunicativa para a
metacognitiva. Há estudos (e.g. BROWN; qual o texto produzido se destina (ROAZZI;
ARMBRUSTER; BAKER, 1986; GARNER, LEAL, 1996).
1987; YUILL; OAKHILL, 1991) que apontam Além dos aspectos citados, tanto na
que os leitores considerados habilidosos fazem compreensão quanto na produção de textos, é
mais e melhor uso de capacidades metacognitivas essencial que o leitor/produtor de textos tome
que os leitores considerados pouco habilidosos. decisões acerca de quais informações são
A compreensão de um texto exige que o relevantes (seja no texto lido, seja no texto que
leitor faça uso de ações metacognitivas adequadas produz), dando a elas status de importância
ao tipo de texto, do acesso aos conhecimentos enquanto inibem informações não relevantes. Tão
prévios acerca do mesmo e de estratégias importante quanto identificar as informações
contextuais e pessoais apropriadas. A reflexão relevantes é inibir as irrelevantes, a fim de que se
ativa e intencional do leitor facilita a construção evite uma sobrecarga na memória de trabalho
de inferências mais complexas e, durante a leitura (GERNSBACHER, 1993, 1997).
consequentemente, de uma compreensão profunda Também o produtor de textos deve atentar para o
(KING, 2007). fato de que o excesso de informações irrelevantes
De acordo com Kato (1998), o leitor pode prejudica a clareza de seu texto. Nesse sentido, o
usar autorregulação, ao estabelecer objetivos para controle consciente sobre sua produção requer que
a leitura e ao monitorá-la. Para Carvalho e Joly o sujeito gerencie uma troca de posições entre o
(2008), as estratégias metacognitivas podem ser papel de leitor e o de escritor, posto que deve ler e
utilizadas em três momentos: antes, durante e após reler seu texto com os olhos de seu destinatário,
a leitura. Antes da leitura, podem ser citadas as avaliando se está compreensível e decidindo se
atividades que envolvem planejamento (ver como necessita de alterações que lhe confiram maior
é a organização do texto, organizar um roteiro clareza, de acordo com seus objetivos.
para a leitura, considerar os diferentes propósitos Diante do exposto, percebe-se que a
de leitura) e previsão (levantar hipóteses sobre o metalinguagem está presente, sobretudo, na

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HODGES; NOBRE 93

necessidade de acessar a consciência metatextual, contato significativo com a língua. Para que
que se refere ao conhecimento e controle compreenda que a escrita nota a pauta sonora das
intencional da compreensão e da produção de palavras, o aluno precisa refletir sobre a dimensão
texto (CORREA, 2004) e, ainda, na consciência sonora das palavras e precisa fazê-lo
metapragmática, que, conforme já comentado, diz sistematicamente. Além disso, é necessário pensar
respeito à reflexão sobre os elementos que, embora essas notações ocorram em
pragmáticos de um discurso e consiste no correspondências grafofônicas, obedecem a
conhecimento das relações entre contexto e princípios, muitas vezes, fundamentados nos
mensagem, tanto na compreensão como na argumentos de estruturação morfológica e nas
produção oral e escrita. Tal conhecimento permite regras que organizam os princípios sintáticos. O
que o leitor/escritor compreenda ambiguidades e direcionamento do professor é desejável e
expressões vagas, favorecendo a compreensão de importante, devendo incluir atividades de análise
uma mensagem para além da literalidade linguística como um dos eixos da prática
(GOMBERT, 1992). pedagógica. Alguns autores (e.g. MORAIS;
Dessa forma, as atividades metacognitivas e LEITE, 2005; ROAZZI; LEAL, 1996) já
metalinguísticas estão presentes em todo o reconhecem e defendem que a prática pedagógica
processo – antes, durante e após a escrita e leitura deve voltar-se também para a promoção do
– o que remete a implicações pedagógicas desenvolvimento das habilidades metalinguísticas
importantes, sendo necessário que o sujeito na alfabetização, enfatizando a importância de um
aprendiz seja constantemente estimulado a, ensino planejado e sistemático.
deliberadamente, implicar-se em reflexão e As atividades de ordem metacognitiva e
conhecimento declarativo, especialmente nos anos metalinguística são auxiliares no processo de
iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita. alfabetização, pois sem a reflexão intencional e a
elaboração e reelaboração de hipóteses, não é
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS possível dominar e entender o sistema de escrita
alfabética em sua complexidade. Há evidências
Na aprendizagem da leitura e da escrita, os que apontam que o direcionamento nessa relação
domínios linguístico, cognitivo, metacognitivo e é duplo, ou seja, enquanto as habilidades
social estão intrincados, influenciando-se metacognitivas (e, de forma particular,
mutuamente. Ler e escrever não se resumem à metalinguísticas) são necessárias em algum grau
memorização de regras de uso de um código ou a para que a alfabetização possa ocorrer, também se
aspectos perceptivo-visuais, mas consistem em beneficiam dela, pois o domínio gradual da leitura
produção de sentidos; sentidos estes que não e da escrita auxilia a desenvolver e consolidar as
podem ser dissociados do contexto sociocultural habilidades metalinguísticas (ROAZZI; LEAL,
no qual são produzidos e que são produzidos por 1996). Paula, Correa e Spinillo (2012) assinalam
um sujeito que reflete intencionalmente, processa que, embora o indivíduo desenvolva um
informações e desenvolve estratégias diversas conhecimento implícito sobre a linguagem escrita
para compreender e produzir a língua escrita em em seus contatos informais com ela, é no ensino
variadas situações de uso. formal, com situações de instrução explícita, que é
A atividade metacognitiva é, por natureza, estimulado a refletir deliberadamente sobre ela.
consciente e intencional. Sendo a metalinguagem É amplamente aceito que fatores
parte de uma habilidade metacognitiva, admitir a metacognitivos são importantes para a
relação entre metalinguagem e alfabetização aprendizagem da leitura e da escrita. A literatura
implica reconhecer que o processo de tornar-se da área (e.g. FLAVELL; MILLER, P.; MILLER,
alfabetizado demanda do aluno um esforço de S., 1999; JACOBS; PARIS, 1987) indica que as
reflexão sobre a língua escrita, bem como o habilidades metacognitivas são ainda pouco
monitoramento e controle sobre suas ações desenvolvidas em crianças pequenas, em idade de
cognitivas, ao tentar compreendê-la e produzi-la. alfabetização. Ao mesmo tempo, são muitos os
Essa ideia é consistente com o que diversos estudos voltados para a compreensão de textos e
autores (e.g. LEAL, 2004; ALBUQUERQUE, para a produção textual que apontam que a prática
2007) apontam ser necessário para que o pedagógica pode auxiliar no desenvolvimento
indivíduo entenda os princípios da escrita e dela dessas habilidades (e.g. YUILL; OAKHILL,
se aproprie: a atividade reflexiva pautada no 1991; FERREIRA; DIAS, 2002; SPINILLO,

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94 Processos cognitivos, metacognitivos e metalinguísticos na aquisição da leitura e escrita

2008; LARSEN-FREEMAN, 1991; OXFORD, BARRERA, Syvia Domingos; MALUF, Maria Regina.
1990; RUBIN, 1975; ANDERSON, 2002; Consciência metalinguística e alfabetização: um estudo com
crianças da primeira série do ensino fundamental. Psicologia:
PINTRICH, 2002). De acordo com tais estudos, reflexão e crítica, v. 16, n. 3, p. 491-502, 2003.
há variadas estratégias de natureza cognitiva e
metacognitiva que podem ser desenvolvidas por BENVENISTE, Émile. Problèmes de linguistique
meio de instrução em sala de aula. générale. Paris: Gallimard, 1980.
É importante ressaltar que essas estratégias BERNARDINO JÚNIOR, José et al. Aquisição de Leitura e
podem e devem ser trabalhadas Escrita como Resultado do Ensino de Habilidades de
concomitantemente ao início do processo de Consciência Fonológica. Revista Brasileira de Educação
alfabetização, tendo em vista o posicionamento de Especial, Marília, v. 12, n. 3, p. 423-450, set./dez. 2006.
que o domínio da escrita alfabética não é pré-
BOWERS, Patricia; WOLF, Maryanne. Theoretical links
requisito para a produção e compreensão de among naming speed, precise timing mechanisms and
textos. orthographic skill in dyslexia. Reading and Writing: An
Os métodos tradicionais de alfabetização Interdisciplinary Journal, v. 5, p. 69-85, 1993.
(sintéticos, analíticos e mistos) desconsideravam o
BRANDÃO, Ana Carolina Perrusi; LEAL, Telma Ferraz. É
aspecto conceitual da aprendizagem, equiparando- possível ensinar a produzir textos! Os objetivos didáticos e a
a a treino e memorização (ROAZZI; LEAL; questão da progressão escolar no ensino da escrita.
CARVALHO, 1996). Mais recentemente, In: BRANDÃO, Ana Carolina Perrusi (Org.). Produção de
reconheceu-se a importância de habilidades textos na escola: reflexões e práticas no Ensino
cognitivas mais complexas, que resultam na Fundamental. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. p. 45-64.
produção de sentidos – aspecto essencial para o BROWN, Ann. Knowing when, where, and how to
entendimento do sistema de escrita alfabética, a remember: a problem of metacognition. In: GLASER, R.
compreensão e a produção textuais. O aluno (Org.). Advances in Instructional Psychology. Hillsdale:
formula hipóteses, aciona conhecimentos prévios, Lawrence Earlbaum Associates, v. 1, 1978. p. 77-165.
faz inferências, decide quais informações são BROWN, Ann; ARMBRUSTER, Bonnie; BAKER, Linda.
relevantes (na compreensão e na produção de The Role of metacognition in reading and studying. In:
textos), suprimindo aquelas de pouca relevância, ORASANU, Judith (Org.). Reading Comprehension: from
monitora seu entendimento, avalia sua produção research to practice. Hillsdale, N.J.: Lawrence Erlbaum
do ponto de vista do(s) destinatário(s) e da Associates, 1986. p. 49-75.
adequação à situação sociocomunicativa proposta. CAPOVILLA, Alessandra; CAPOVILLA, Fernando;
Essas habilidades cognitivas não são SUITER, Ingrid. Processamento cognitivo em crianças com e
automáticas no aluno em processo de sem dificuldades de leitura. Psicologia em Estudo, v. 3, n. 9,
alfabetização e se beneficiam das habilidades p. 449-458, 2004.
metacognitivas e metalinguísticas, o que justifica CAPOVILLA, Alessandra; CAPOVILLA, Fernando. Efeitos
a importância do processo de reflexão intencional do treino de consciência fonológica em crianças com baixo
e de autorregulação desde o início da nível sócio-econômico. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto
alfabetização. Alegre, v. 13, n. 1, p. 7-24, 2004.
Portanto, a prática pedagógica deve garantir
CAPOVILLA, Alessandra; GÜTSCHOW, Claudia Regina
ao aluno plenas oportunidades de desenvolver e Danelon; CAPOVILLA, Fernando. Habilidades cognitivas
exercitar diversas estratégias de natureza cognitiva que predizem competência de leitura e escrita. Psicologia:
e metacognitiva e, para esse fim, o educando deve Teoria e Prática, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 13-26, maio/ago.
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