Você está na página 1de 37

SÉRIES MAGMÁTICAS

SÉRIES MAGMÁTICAS

Prof. Dra Cláudia do Couto 
Tokashiki
Séries Magmáticas
Séries Magmáticas
 As associações de rochas magmáticas derivadas de magmas 
á
parentais, composicionalmente semelhantes, podem ser 
agrupadas conforme suas características químicas e 
mineralógicas comuns. Isso é válido mesmo que seu processo 
de diferenciação inclua assimilação ou mistura com materiais 
ç ç
externos, ou ainda reação dos magmas básicos com rochas 
metamórficas.

 Os principais grupos assim identificados são denominados de 
O i i i i id ifi d ã d i d d
séries ígneas ou séries magmáticas. Dessa maneira, uma 
associação ígnea pertence à série toleítica se for derivada da 
diferenciação de magmas parentais toleíticos.
Séries Magmáticas (cont )
Séries Magmáticas (cont.)

• A mais clara representação


p ç das séries magmáticas
g foi
proposta por Lameyre & Bowden (1980) sendo
identificadas no diagrama QAP.

• As
A séries
é i ígneas
í apresentam
t padrões
d õ característicos
t í ti
quando plotadas em diagramas químicos como AFM,
TAS CaO/(Na2O + K2O) etc.
TAS, etc

•As Séries
é Magmáticas
á podem ser, primeiramente,
classificadas como Alcalinas ou Sub-
Sub-alcalinas
1 – Série Toleítica de (baixo-K)
2 – Série Cálcio-alcalina de (baixo-K) Lameyre & Bowden (1982)

3 – Séries Subalcalinas (Toleíticas e


Cálcio-alcalinas de médio a alto-K)
4 – Série Shoshonítica
5 – Série Alcalina sódica
6 – Série Ultrapotássica
7 – Associações de granitos
peraluminosos leucocráticos –
(G it Crustais)
(Granitos C t i)
As Séries Magmáticas podem ser classificadas como
Al li
Alcalinas ou Sub-alcalinas
S b l li
Diagrama Na2O+K2O versus SiO2 (Irvine & Baragar 1971)

20
(A)
16
O+K2O

12
Na2O

8 Alcalino

4
Sub-alcalino
0
35 45 55 60 75 85
SiO2
Séries subalcalinas
Séries subalcalinas
As séries subalcalinas são constituídas 
principalmente por rochas que se situam no campo 
das séries supersaturadas em sílica do diagrama 
TAS
Séries subalcalinas (cont.)
Séries subalcalinas (cont )

 As séries subalcalinas dividem‐se em:

1. Série Toleítica

2  Série komatiítica
2. Série komatiítica

3. Série cálcio‐alcalina 
 Sé i   ál i l li   cálcio‐alcalina de baixo‐K, 
ál i l li  d  b i K  
de médio‐K, e de alto‐K
Le Bas et al. 1986
Série Toleítica
Série Toleítica
 As principais rochas da série toleítica, principalmente nos ambientes de 
As principais rochas da série toleítica  principalmente nos ambientes de 
crosta oceânica, são os gabros, quartzo‐gabros, tonalitos e 
trondhjemitos, ou os seus correspondentes extrusivos (QAP e TAS). 

 Wilson (1989) destaca duas fundamentais características dessas rochas: 
o denominado “trend de Fenner” (FMA), e o caráter empobrecido em 
o denominado  trend de Fenner  (FMA), e o caráter empobrecido em 
Al2O3   dos basaltos toleíticos (em torno de 12% em peso) com relação aos 
cálcio‐alcalinos (em torno de 17% em peso). 

 De acordo com a classificação de Peacock (1931), as rochas de afinidade 
toleítica são cálcicas a cálcio‐alcalinas, sendo estas últimas mais comuns 
,
em ambientes continentais.
Série toleítica (continuação)
Série toleítica ( ti ã )

 A presença de dois piroxênios, pigeonita e augita, é 
característica dos basaltos toleíticos. Os fenocristais mais 
comuns são olivina, plagioclásio e óxidos de Fe e Ti, 
i l i  il
inclusive ilmenita. 
it  

 No cálculo de norma enfatiza‐se a presença de 
hi tê i 
hiperstênioquartzo
t como indicativa de afinidade toleítica
 i di ti  d   fi id d  t l íti
em basaltos.

 As séries toleíticas
éi l íi são típicas de assoalhos e cadeias meso‐
ã í i d lh d i
oceânicas, ou de ambientes anorogênicos intraplaca 
continentais.

 As séries toleíticas continentais são ricas em sílica e álcalis, 
podendo evoluir para rochas graníticas semelhantes aos 
granitóides cálcio‐alcalinos alto‐K.
cálcio‐alcalinos alto‐K
As Séries podem ser classificadas como Toleíticas ou
Cálcio alcalinas
Cálcio-alcalinas
Diagrama AFM onde: A=Na2O+K2O, F=FeO+Fe2O3+MnO, M=MgO (Irvine e Baragar 1971)

FeOt

Tholeiitic

Calc-Alkaline

Na2O+K2O MgO
As séries podem ser classificadas como alcalina, 
álcali‐cálcica cálcio‐alcalina ou cálcica
álcali‐cálcica, cálcio‐alcalina ou cálcica
Diagrama Na2O+K2O  e  CaO versus SiO2 (Peacock 1931)
15
(D)
Alcalino A-C C-A Cálcico
12
O) e CaaO

9
O+K2O
(Na 2 O

0
40 50 60 70 80
SiO2
As séries podem ser classificadas como cálcio-
alcalina transicional ou toleítica
alcalina,
Diagrama La versus Yb

n o
60 l i
ca

6
l

b=
- A
cl io

/Y
La
á
C 3
40 al b =
o n /Y
ici a
La

an s L
T r
20
íti co 1
=
To le La /Y b

0
0 4 8 12 16
Yb
As séries podem ser classificadas como 
peraluminosas, metaluminosas ou peralcalinas
peraluminosas, metaluminosas ou peralcalinas
Diagrama A/CNK versus A/NK, onde: A=Al2O3, C=CaO, N=Na2O, K=K2O 
(Maniar & Piccoli)

2.8
Metaluminoso Peraluminoso

2.2
A//NK

1.6

1.0
Peralcalino

0.4
0.5 1.0 1.5 2.0
A/CNK
Série Komatiítica
Série Komatiítica
 Komatiítos são rochas vulcânicas  SiO2 <53%, MgO>18% ,
TiO2<1% (Le Maitre 1989)

 A Série Komatiítica pode evoluir até rochas ricas em sílica


provavelmente dacitos ou seus correspondentes intrusivos
((tonalitos e trondhjemitos),
j ), cujas
j características devem ser
muito próximas de rochas toleíticas.

 As Séries Komatiíticas são em geral vinculadas 
temporalmente ao Arqueano.

 Boninitos são as rochas intermediárias correspondentes aos 
komatiítos.
Série cálcio‐alcalina
 Distribuição típica no QAP e TAS.

 Mineralogicamente, as séries cálcio‐alcalinas baixo‐K apresentam rochas


basálticas com fenocristais de plagioclásio, olivina, augita,  óxido de
Fe‐Ti,, com p
pigeonita
g atingindo
g importância
p quantitativa nos basaltos
q
mais ricos em sílica.

 Nas séries cálcio‐alcalinas mais potássicas aumenta a abundância de


olivina, augita, ortopiroxênio, hornblenda e óxidos de Fe e Ti. Biotita e
sanidina ppodem ocorrer nos termos intermediários.

 Sua composição normativa indica a supersaturação em sílica.

 A presença de ortopiroxênio entre a mineralogia modal levou alguns


autores a denominar esta série de série dos basaltos com hyperstênio.
yp
Série cálcio‐alcalina (cont.)

Em relação ao ambiente geotectônico:

 A série cálcio‐alcalina caracteriza o magmatismo de arco e a evolução do 
mesmo é refletida no aumento do conteúdo de K  
mesmo é refletida no aumento do conteúdo de K. 

 São também descritas, no que se refere aos termos graníticos, em 
ambientes pós‐colisionais (Harris et al. 1986, Liégeois 1998, Bitencourt 
& Nardi 2000).
& Nardi 2000)
As Séries podem ser classificadas como cálcio-
alcalina transicional ou toleítica
alcalina,
Diagrama La versus Yb

o
60 il n
ca

6
l

b=
o-A

/Y
i
álc

La
C 3
40 al b =
n /Y
ic io a
La

ns L
a
Tr
20
íti co 1
=
To le La/Yb

0
0 4 8 12 16
Yb
Séries Alcalinas
Séries Alcalinas
 Série alcalina subsaturada em sílica

 Série alcalina sódica saturada em sílica

 Série shoshonítica ou alcalina potássica 
1. Série alcalina 
1 Série alcalina
subsaturada em sílica
 Ocupa o campo inferior no diagrama QAPF, 
sendo característica a presença modal e 
normativa dos feldspatóides, com a 
consequente ausência de quartzo seja modal 
ou normativo. 

 Podem ser classificadas como potássicas (ou 
ultrapotássicas) ou sódicas de acordo com 
lt tá i )    ódi  d   d    
diferentes critérios (Peccerillo 1992). (TAS, 
QAPF).
QAPF)
1. Série alcalina 
subsaturada em sílica 
 No diagrama TAS posicionam‐se nos campos das 
rochas subsaturadas em SiO2

 Mostra forte enriquecimento em álcalis (Na2O + K2O) e 
reduzida variação dos conteúdos de sílica.
ç

 São  frequentes os tipos peralcalinos ((Na2O + 
K2O)Al
O) Al2O3 em PROPORÇÃO MOLAR). 
 PROPORÇÃO MOLAR)  

 De modo geral, apresentam forte enriquecimento em 
De modo geral  apresentam forte enriquecimento em 
elementos litófilos de elevado potencial iônico como 
Ti, P, Zr, Nb, Terras raras pesadas em relação aos de 
potencial iônico baixo (Ba  Sr  Rb  Pb  )  
potencial iônico baixo (Ba, Sr, Rb, Pb ...). 
2. Série alcalina sódica 
saturada em sílica
 Por diferenciação evolui para termos supersaturados (QAPF, TAS).

 Localiza‐se, modalmente, nos campos de gabros, sienitos, quartzo 
, p g g g
sienitos, álcali‐feldspato granitos  e granitos do diagrama QAPF.

 Minerais máficos típicos desta série Piroxênios e anfibólios sódicos, 
titano‐augita
titano augita, ferro
 ferro‐hedenbergita
hedenbergita.

 Quando apresentam valores de  (Na2O + 2  K2O) é considerada sódica e 
seus termos vulcânicos recebem os nomes de hawaiitos, mugearitos, 
seus termos vulcânicos recebem os nomes de hawaiitos  mugearitos  
benmoreítos e riolitos (Le Maitre 1989). Essas rochas são em geral  
metaluminosas ou peralcalinas. 

 Os granitos desta série são em geral metaluminosos (Nardi 1991) 
ocorrendo com grande abundância principalmente em ambientes pós‐
colisionais, anorogênicos ou em arco continental maturo.
3. Série shoshonítica ou 
alcalina potássica
l li tá i saturada 
t d
em sílica
em sílica
 gabros, dioritos, monzodioritos, monzonitos, quartzomonzonitos e granitos, 
definindo no diagrama QAPF o denominado trend monzonítico no QAPF e latítico
no TAS  
no TAS. 

 Os basaltos mostram fenocristais de olivina, augita‐diopsídio e óxidos de Fe e Ti. 
Plagioclásio é importante nos termos intermediários.
g p

 No TAS são alcalinas saturadas a supersaturadas em sílica e (K2O + 2)   Na2O e 
K2O\Na2O < 2,0. Quando extrusivas são traquibasaltos potássicos,  shoshonitos e 
latitos  além dos traquitos e riolitos.  
latitos, além dos traquitos e riolitos   

 São álcali‐cálcicas (no diagrama de Peacock) e de acordo com Shand são geralmente 
metaluminosas.

 Característica das rochas de afinidade shoshonítica  abundância em Sr, Ba, Rb e 
outros elementos litófilos de baixo potencial iônico, além de Terras Raras Leves (La, 
Ce  Nd ), em relação aos elementos litófilos
Ce, Nd )  em relação aos elementos litófilos de elevado potencial iônico ( Zr, Ti, P, 
de elevado potencial iônico ( Zr  Ti  P  
Nb, Y e Terras Raras Pesadas).
Série shoshonítica ou 
alcalina potássica
l li tá i saturada 
t d
em sílica (continuação)
em sílica 
 Ressalte‐se ainda que a razão K/Na elevada é indicativa de afinidade 
shoshonítica em séries saturadas, apenas para os termos básicos e 
intermediários; os termos mais diferenciados  (SiO2 > 63% em peso) não 
apresentam enriquecimento relativo em K.

 As rochas das séries shoshoníticas ocorrem dominantemente em 
ambientes de arco magmático continental e pós‐colisionais, sendo as da 
série alcalina ultrapotássica saturada em sílica, de ocorrência restrita e 
provavelmente relacionadas com ambientes pós‐colisionais e 
anorogênico continental.
anorogênico continental

 As séries alcalinas saturadas em sílica que possuem razões  K2O/Na2O 
>2 0 para os termos básicos e intermediários foram excluídas das 
>2,0 para os termos básicos e intermediários foram excluídas das 
shoshoníticas por Pla Cid et al. (1999), sendo sugerido o nome série 
alcalina ultrapotássica saturada em sílica.
Série alcalina 
ultrapotássica saturada em 
sílica
 Sienitos e traquitos com K
q 2O/Na2O > 2, frequentemente são 
q
associados a lamprófiros ultrapotássicos. Pla Cid et al. (2000) 
sugerem que as séries alcalinas ultrapotássicas saturadas em 
sílica (Foley et al. 1987) deveriam incluir as rochas intermediárias 
e ácidas com MgO< 3% em peso e K2O/Na2O > 2, que pelo critério 
O > 2  que pelo critério 
atual (Le Maitre 2003) são consideradas shoshoníticas.

 Essas associações vulcano‐plutônicas são frequentemente pós‐
Essas associações vulcano plutônicas são frequentemente pós
colisionais e sua origem é vinculada a fusão do manto hidratado e 
metassomatizado durante subducção litosférica prévia.

 Granitos ultrapotássicos (Pla Cid e Nardi 2005) são produzidos 
pela cristalização fracionada de magmas intermediários.
1 – Série Toleítica de (baixo-K)
2 – Série Cálcio-alcalina de (baixo-K) Lameyre & Bowden (1982)

3 – Séries Subalcalinas (Toleíticas e


Cálcio-alcalinas de médio a alto-K)
4 – Série Shoshonítica
5 – Série Alcalina sódica
6 – Série Ultrapotássica
7 – Associações de granitos
peraluminosos leucocráticos –
(G it Crustais)
(Granitos C t i)
SiO2 X Na2O+K2O
Toleítica
Séries subalcalinas Cálcio-
alcalina Baixo-K, Médio-K ou Alto-K
Komatiítica
Sódicas
Séries
é i alcalinas
i
Potássicas ou shoshoníticas
saturadas em sílica
Ultrapotássicas
Séries alcalinas sub-saturadas em sílica

Associações graníticas leucocráticas peraluminosas

Você também pode gostar