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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE GEOLOGIA
DISCIPLINA DE SEDIMENTOLOGIA

SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO


RASO (plataforma terrigena)

Prof. Dr. Rogerio Roque Rubert


SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO

AMBIENTES MARINHOS
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO

AMBIENTES MARINHOS
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO
PLATAFORMAS
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO

Classificação quanto a morfologia da plataforma:

a) Plataformas continentais: segmentos da margem continental que


mergulham suavemente desde o nível da ação das ondas até a
borda da plataforma, onde a declividade aumenta
consideravelmente. Ex: plataforma do Atlântico sul no Brasil.

b) Mares epicontinentais ou “eipiricos”: mares rasos que cobrem


parte de blocos continentais, onde as plataforma tem morfologia em
rampa. Ex: Mar Báltico e Bacia de Paraná em grande parte do
Paleozóico.
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO

Quanto a natureza da sedimentação:

a)Com sedimentação clástica: clásticos (areias, conglomerados e


argilas. Ex: Formações Rio Bonito e Palermo na Bacia do Paraná,
porções mediano basais das bacias da plataforma continental
brasileira.

b)Com sedimentação carbonática: precipitação química e biogênica


(controle climático e tectônico). Formação Araras ou Irati

Problemas de modelamentos dos ambientes antigos baseados nos


atuais: morfologia deferenciada da rampa e a sedimentação
continental que foi recoberta pela transgressão do Pleistoceno.
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SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO

PLATAFORMAS
Processos sedimentares ligados as plataformas continentais
Principal variável: velocidade e tipo de corrente atuante

• Plataformas com correntes fortes e regulares: formas de leito de


grande porte com megaripples e sandwaves (ondulações em
pacotes de areia).
• Plataformas sem correntes de fluxo: deposição por suspensão ou
química.
• Plataformas com fortes correntes ocasionais: sandwaves e
estratificações cruzadas do tipo hummocky nos episódios de
tempestades(predomínio de areia/silte no registro).
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Tipos de sedimentação plataformal

• Detríticos terrígenos: sedimentação continental que é transportada e depositada


na plataforma (retrabalhamento, etc..)

• Biogênicos: atividade orgânica, controle climático, carbonatos..

• Vulcanogênicos: derivados de atividade vulcânica(cinza, lapilis, etc...).

• Autigênicos:precipitados que dependem da atividade/concentração dos elementos


para que ocorra determinadas reações químicas, como certos carbonatos, fosfatos,
sulfatos e argilominerais.

• Residuais: erosão de rochas submersas na plataforma.

• Sedimentos modernos(geralmente detríticos, biogênicos e vulcânicos),


Sedimentos reliquiais(depositados em épocas anteriores na plataforma – Ex.
Pleistocêno no Atlântico sul) e Sedimentos palimpséticos (sedimentos modernos e
reliquiais misturados).
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Tipos de correntes responsáveis pela ocorrências dos processos


sedimentares/hidrodinâmicos:

a)Correntes meteorológicas: periódicas ou episódicas geradas


por ventos e tempestade, alta energia, remobilização e transporte de
sedimento.

b)Correntes de Marés: Ciclos de marés em regiões de


macromarés, formação de barras arenosas, cruzadas de baixo ângulo,
sandwaves, com intercalação de finos bioturbados.
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c)Correntes de Densidade: geradas por diferenças de densidade


que varia em função da temperatura/salinidade/material em suspensão
(águas estratificadas).

d)Correntes de Circulação Oceânica: diferenças de salinidade e


temperatura que geram o deslocamento a longas distâncias. Baixa
competência para transporte, somente suspensão. Excessão a algumas
plataformas externas onde ocorre transporte e deposição de carga
arenosa com formação de estruturas do tipo sandwaves.
Ex: correntes das Malvinas e corrente do Brasil.

Deposição de clásticos na plataforma: correntes de marés, ondas de


tempestades e correntes geradas por vento.
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO
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SISTEMAS COSTEIROS: ONDAS e MARÉS
Barras de Marés (estuarine shoals massif): bancos arenosos,
plataformas nos tratos transgressivos, formas de leito variadas,
velocidade da corrente e disponibilidade de sedimentos.
Laminação tipo cruzada e swales: ondas
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Ondas X correntes:

• As correntes de marés transportam sedimentos da plataforma


para a praia, depositando barras arenosas em baixa profundidade
que podem ser retrabalhadas por ondas do dia-a-dia, com
sedimentação de areia/finos a profundidades maiores.

• Nas plataformas dominadas por ondas do dia-a-dia: não afetam


profundidades maiores que geralmente 15-20 m(near shore zone),
não ocorrendo mobilização de sedimentos, porém ondas de
tempestade remobilizam sedimentos no fundo (hummocky e
sandwaves).
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO
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CORRENTES
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Então,

• Ondas normais: baixa profundidade, transporte de sedimento


em direção da praia;

• Ondas de tempestade: episódicas, mas, energia maior, atinge


até 200 metros, retira sedimentos da costa e deposita na
plataforma.

• Ressacas(marés de tempestade): elevam o nível do mar,


retrabalham a sedimentação costeira e depositam na
plataforma (washower e inlets), na forma semelhante a
sequências turbidíticas e na forma de HCS(hummockys).
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ONDAS
NORMAIS
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ONDAS DE TEMPESTADE
... Hummockys: (Ondas de tempestades) - Formação de pequenas
depressões....deposição de areia e finos em baixo
ângulo/horizontais.....nuvens de suspensão/capeamento.....finos e
bioturbação (período longo de calmaria)......novo episódio......
• Tamanho mínimo de 1m de espaçamento entre as cristas, até
20m;
• Abaixo da zona de ondas normais;
• Confusão com outras estruturas tipo swaley e wavy e linsen
(estas de tamanho menor);
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Evidências de tempestitos:
• Feições incomuns em praia: matacões em praias;

• Agitação incomum no fundo do mar: concheiros, coquinas,


retrabalhamento de material bioclástico;

• Desenvolvimento de hardgrounds;

• Camadas de arenito com base abrupta com estratificação


cruzada hummocky.
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ONDAS DE TEMPESPESTADE
Tempestades: Por terem uma grande área podem afetar toda a
bacia em um evento síncrono: bons marcadores estratigráficos.
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Sequência tempestítica normal:(no max. 1,5 m de espessura)

• Intervalo erosivo basal: sup. erosiva com forma ondulada, com


intraclastos e bioclastos;

• Intervalo principal: areia e silte com laminação plano-paralela e


HCS, com baixo ângulo;

• Intervalo de amortecimento: camadas arenosas com wave ripples,


retorno do fluxo oscilatório;

• Intervalo lamítico: lama bioturbada depositada após o término do


evento de tempestade em condições normais.
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO
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Estruturas sedimentares de uma


plataforma tempestitica:

• Estratificação cruzada hummocky


• Laminação cruzada por ripples
• Laminação tipo swales
• Estratificação do tipo wavy e linsen
• Marcas de sola
• Coquinas e aglomerações
bioclasticas
• Estruturas biogenicas
• Estruturas de escape de agua
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TRUNCAMENTOS DE BAIXO
ÂNGULO CONFUNDIDOS
COM HUMMOCKYS
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Faciologia de antigas plataformas


Predomínio de depósitos gerados por marés e ondas de
tempestade(registro de eventos episódicos de maior energia).

• Plataformas dominadas por marés: Corpos de areia emersos em


lamas bioturbadas (barras de maré), formadas por areias maturas e
bem selecionadas, granocrescência ascendente e cruzadas
bidirecionais.

• Plataformas dominadas por tempestades: “offshore bars”


perpendiculares a linha de costa, em meio a lamas bioturbadas.
Este empilhamento denomina-se de “tempestito”.
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Sequência verticais de fácies plataforma

• Plat. Marés dominada por marés: lama bioturbada e areia com


estratificação cruzada bem marcada, bidirecional, sup. erosivas.

• Plat. Marés dominada por ondas de tempestade: lamas com areia


com estratificação cruzada hummocky predominando.

Diagnose de Depósitos de plataforma: vários critérios


• Critérios Biológicos(fósseis de invertebrados “corais, cefalopodes,
braquiópodes equinodernas, foraminiferos” e bioturbações;
• Critérios Mineralógicos(chamosita, glauconita, fosforitas e certos
tipos de carbonatos);
• Estratificação cruzada hummocky(tempestades) e abudante
cruzada bipolar (marés);
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SISTEMAS COSTEIROS DOMINADOS POR ONDAS NORMAIS


versus TEMPESTADES.
SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO

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SISTEMA DEPOSICIONAL MARINHO RASO

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SISTEMAS DEPOSICIONAL GLACIAL

Referencia Bibliográfica.

DELLA FÁVERA, J. C. 2001. Fundamentos de Estratigrafia moderna. UERJ.

Silva, A. J. P.; Aragão, M. A. F.; Magalhães, A. J. C. (2008) Ambientes de Sedimentação


Siliciclástica do Brasil Beca-BALL Edições 343 p.(Cap. 4 pg. 104 – 128)
Walker, R.G. & James, N.P.1992. Fácies Models: Response to Level Sea Change. St. John’s,
New Foundland: Geology Association of Canadá. 410 p.