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UNIVERSIDADE DE BRASILIA - UnB

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL - UAB/UnB


INSTITUTO DE ARTES
DEPARTAMENTO DE ARTES VISUAIS

O DESENHO COMO PRÁTICA DE ENSINO EM ARTES VISUAIS

Girleide Gomes de Souza

Buritis – MG
2014
Girleide Gomes de Souza

O DESENHO COMO PRÁTICA DE ENSINO EM ARTES VISUAIS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao curso de Licenciatura em
Artes Visuais do Departamento de Artes
Visuais do Instituto de Artes, pela
modalidade Universidade Aberta do Brasil,
da Universidade de Brasília como requisito
parcial para a obtenção do título de
Licenciado em Artes Visuais.

Orientadora: Profa. Ms. Marisa Araujo Cordeiro


Profª. Ms. Júlia Milward

Buritis – MG
2014

ii
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
ARTES VISUAIS

Girleide Gomes de Souza

O DESENHO COMO PRÁTICA DE ENSINO EM ARTES VISUAIS

Trabalho de conclusão de curso aprovado em ___ de __________ de ____ para


obtenção da graduação em Artes Visuais.

Banca Examinadora:

________________________________________________
Prof. (Orientador)

________________________________________________
Prof. (Professor convidado)

________________________________________________
Prof. (Professor convidado)

Buritis – MG
2014

iii
SUMÁRIO

RESUMO..................................................................................................................... v

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1

2. DESENVOLVIMENTO ............................................................................................4

2.1. A ARTE E O DESENHO.......................................................................................4

3. RESULTADOS ........................................................................................................ 6

4.. CONCLUSÃO ....................................................................................................... 16

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 18

iv
RESUMO

Com o tema “O desenho como prática em Artes Visuais” objetiva-se identificar se o


desenho, como prática pedagógica da Escola Estadual José Gomes Pimentel, nas
aulas de Artes Visuais, explora todas as suas potencialidades, para isso foi necessário
descriminar as estratégias utilizadas pelo professor de Artes Visuais em suas aulas e
questionando se os alunos tem conhecimento do uso do desenho em outras
disciplinas. Com metodologia qualitativa, com revisão de literatura e pesquisa de
campo, compreende-se que a prática do desenho sofreu alterações significativas ao
longo da Educação escolar, alcançando novas perspectivas na área. Constatou-se
que o desenho como prática pedagógica da escola quanto a sua exploração e
potencialidades necessita ser aprimorada, repensada e atendida em sua
essencialidade, cuja prática é restrita a atividades livres, que conduz o aluno a não
conscientização do desenho como prática interdisciplinar. Desta forma, os professores
de Artes necessitam de maior capacitação, interesse e fundamentação para fazer do
desenho uma prática elucidativa.

Palavras-chave: Artes; Desenhos; Práticas.

v
1. INTRODUÇÃO

Um mundo de arte. Um mundo feito de arte. Um mundo feito com arte. Este é
o panorama e o desafio da escola, ajudar cada ser com sua amplitude de ideias,
sentimentos e saberes dialogarem com a imensidão desta enquanto expressão do
próprio homem e de tudo que se vivencia.

Nesse sentido o ensino da arte possibilita o acesso a contextos cada vez mais
amplos que refazem e revelam discursos e estéticas extremamente ricos e, refletindo
sobre estas perguntas, pode-se encontrar muitas respostas e outras tantas
indagações, à dinamização de um espaço que possibilite o domínio dos códigos
culturais necessários aos diálogos contemporâneos, aliado à uma metodologia fértil,
que contemple as possibilidades de contradições como provocações, os problemas
como desafio da criação. Esta construção, certamente, também é um artífice para
todos os educadores, especialmente no tocante ao desenho e sua prática em sala de
aula nas Artes Visuais.

A linguagem do desenho permite aos alunos a invenção e experimentação de


ideias, ações, desejos e sentimentos expressos de formas variadas, transparecendo
emoções e criações que ao ato de desenhar está interligado os métodos que usa para
retratar o meio, podendo adentrar e desenvolver a apreciação dos vários complexos
modos como ele cresce e se desenvolve (PILLOTTO, 2007), além de proporcionar
prazer e trazer novas formas de expressão artística. Pois, o desenho em sua
perspectiva traz múltiplas possibilidades de apreensão artística que outras técnicas
muitas vezes não trazem, porque ao desenhar o indivíduo pode esboçar traços, fazer
recurso de linhas e pontos numa praticidade maior quanto a perspectiva e linearidade
da imagem, com uso de materiais baratos e de fácil acesso, com maior praticidade na
execução e possibilidades. Outras técnicas necessitam maior domínio no uso de
materiais, maior de noções de perspectiva e linearidade, com traços que exigem longo
tempo para serem completados ou preenchidos.

Além de todos esses aspectos, o desenho traz a espontaneidade natural do ser


humano, sem exigir muita preocupação na execução, onde a criatividade aflora com
maior fluidez e tranquilidade.

1
Contudo, muitas vezes, tal importante prática tem sido esquecida na
contemporaneidade de Artes, merecendo um especial lugar nos espaços escolares e
na vida de cada aluno, de modo a garantir acesso a saberes diferentes.

Por isso, a presente pesquisa tem como tema “O desenho como prática de
ensino em Artes Visuais”, com desenvolvimento feito a partir de revisão de literatura
e pesquisa de campo, tendo como questão-problema: Como os professores utilizam
a prática do desenho nas aulas de Artes Visuais na Escola Estadual José Gomes
Pimentel?

O objetivo geral da pesquisa é identificar se o desenho, como prática


pedagógica da referida escola, em suas aulas de Artes Visuais explora todas as suas
potencialidades. Com os objetivos específicos de discriminar a estratégia utilizada
pelo professor de Artes em suas aulas e questionar se os alunos tem conhecimento
do uso do desenho em outras disciplinas.

Desta forma, se evidencia a importância da pesquisa, que além de refletir e


identificar os aspectos pedagógicos e artísticos do desenho, analisando estratégias
utilizadas em sala de aula e compreende contextos que trazem a possibilidade de
reflexão do aluno em prol de um conhecimento de referência acerca do desenho.

As Artes Visuais enquanto parte do currículo obrigatório do Ensino


Fundamental traz desafios e superações mediante os instrumentos e procedimentos
que utiliza. Entre estes está o uso do desenho e sua efetivação em sala de aula, tendo
como centralidade o papel do professor e as práticas que verte a esse.

Sabe-se que durante muito tempo o desenho ficou relegado às regras e às


intenções que passavam longe do verdadeiro significado da Arte. Ana Mae Barbosa
relata que durante muito tempo nas escolas do Brasil, a prática de colocar arte
enquanto desenho no final de uma experiência era uma constante e estava baseada
na ideia de que esta poderia ajudar a compreensão dos conceitos onde a cognição
era por si só mobilizada (BARBOSA, 2003).

Contudo, este tratamento dado ao desenho descaracterizava a importância


deste recurso e prática, trazendo a necessidade de se trabalhar com o aluno em toda
a sua totalidade, e, ao aprender, colocam em ação as mesmas dimensões da
constituição das outras técnicas: a biológica, a cognitiva, a afetiva e a social.

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A dimensão biológica destaca o aparato necessário para manter a atenção, a
concentração e a memória, a motricidade, a integridade dos órgãos dos sentidos; o
funcionamento dos sistemas que habitam o corpo humano.

A dimensão cognitiva ressalta o conjunto destes elementos que, ao


funcionarem, promovem relações e levam o aluno a buscar conhecimento de si próprio
e do meio do qual faz parte.

A dimensão afetiva caracteriza-se por um conjunto de emoções que podem


aproximar ou afastar um aluno do objeto de aprendizagem.

A dimensão social revela o sujeito capaz de se comunicar, de criar convenções


e normas, de compartilhar e de viver em comunidade.

Ao analisar o papel do aluno é necessário considerar também a complexidade


do ambiente do qual ele faz parte e onde realiza suas aprendizagens, dada a
justificativa de que práticas como desenho pode contribuir positivamente para tais
dimensões.

A pesquisa de campo centra-se na Escola Estadual José Gomes Pimentel,


localizada no município de Buritis – MG, Rua Tiradentes, 140, Bairro Centro. Com 25
anos de fundação, esta atende alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio, com
um total aproximado de 760 alunos, de 06 a 17 anos.

O corpo docente composto de 60 profissionais, com 70% destes com formação


específica na área.

Os alunos atendidos são provenientes da área urbana e rural, com situação


socioeconômica de baixa e alta renda, com variações das classes B e C.

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2. DESENVOLVIMENTO

2.1. A ARTE E O DESENHO

Entre as linguagens da cultura contemporânea nos deparamos com estéticas


que lançam no hoje, faces do medieval, do gótico, do antigo, do moderno. Estas
também se apresentam em imagens da música, do teatro, da dança e permite traçar
um tempo presente cheio de história e uma história cheia de imagens. Uma
humanidade multicultural que permite integrar na sua identidade contemporânea o
realista, o romântico, o abstrato, o clássico, o surreal. Retratos que se constroem por
meio da Arte na vida e na escola.

Conforme Brasil, 1997, p. 17:

Desde o início da história da humanidade a arte sempre esteve presente em


praticamente todas as formações culturais. O homem que desenhou um bisão
numa caverna pré-histórica teve que aprender, de algum modo, seu ofício. E,
da mesma maneira, ensinou para alguém o que aprendeu. Assim, o ensino e
a aprendizagem da arte fazem parte, de acordo com normas e valores
estabelecidos em cada ambiente cultural, do conhecimento que envolve a
produção artística em todos os tempos. No entanto, a área que trata da
educação escolar em artes tem um percurso relativamente recente e coincide
com as transformações educacionais que caracterizaram o século XX em
várias partes do mundo.

Sabe-se que, para se chegar a Arte em sala de aula na contemporaneidade, foi


preciso que esta avançasse em procedimentos, currículos e organização de
instrumentos essenciais, tais como o desenho.

Pois, até pouco tempo a Arte era usada para ajudar a criança a aprender e fixar
noções em outras áreas de estudo, cuja expressão através do desenho e dos
trabalhos manuais era a última etapa de uma experiência para aprofundar o assunto.
A ideia fundamental era usar o desenho para ensinar temáticas em Ciências,
Matemática e até aulas de jardinagem, trabalho muito explorada nos modelos da
escola nova (BARBOSA, 2003)

Em meados do século XX, a disciplina Desenho adotava nas escolas a forma


de Desenho Geométrico, Desenho do Natural e Desenho Pedagógico, sendo seu
aspecto mais funcional do que uma experiência em arte; onde todas as orientações e

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conhecimentos visavam uma aplicação imediata e a qualificação para o trabalho
(BRASIL, 1997).

Assim, partindo da análise da figura humana e da identidade histórica presente


na arte em diferentes linguagens, inicia-se esta reflexão sobre o desenho enquanto
procedimento da sala de aula, abordando os conceitos fundamentais da Arte,
explorando o processo criativo e aprofundando os saberes propostos para a docência
do professor.

O movimento desta investigação deve estar sistematizado e dinamizado no


encontro pela proposta de foco de imagens e traços que encadeia e entrecruza
diferentes leituras do mundo e da realidade mediante a experimentação e construção
nas linguagens em Artes Visuais.

As aulas de Desenho recentemente assumem concepções de caráter mais


expressivo, buscando a espontaneidade e valorizando o crescimento ativo e
progressivo do aluno. As atividades vivenciam um espaço de invenção, autonomia e
descobertas, com base na auto expressão dos alunos, trazendo o rompimento com a
rigidez estética da escola tradicional (BRASIL, 1997).

A multidimensionalidade do ser humano e, consequentemente, do aprendiz e


as múltiplas facetas do contexto requer uma compreensão mais dinâmica, onde o
aluno utiliza o desenho para se comunicar, transmitindo a sua experiência subjetiva e
o que está ativo, vivo em sua mente, registrando aquilo que é significativo e, muitas
vezes, externalizando seus conflitos, suas emoções e tantos outros sentimentos,
sendo alguns destes percebidos através da compreensão das relações e suas
produções com a força da Arte e do artista, materializando dados reais e subjetivos
(PILLOTTO, 2007).

Assim, professor deve dirigir sua ação no sentido de transformar a sala de aula
no lugar em que a produção de conhecimentos em desenho seja uma atividade
constante. Esse ambiente educativo precisa primeiramente dar espaço para o
desenvolvimento da curiosidade e da capacidade de observação, considerar as
hipóteses como exercício do pensar, favorecer a circulação de ideias e diálogos.

A variação do potencial criador dependerá das oportunidades que o professor


pode ter e oferecer em sala de aula, onde todo aluno em desenho é capaz de criar
mediante as oportunidades ofertadas. Aqui, a liberdade de ação, no que concerne à

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busca da expressão através do desenho, promove os processos de criação
(PILLOTTO, 2007).

Considerando estes contextos de aprendizagem, faz-se essencial a prática de


desenho em sala de aula no Ensino Fundamental.

3. RESULTADOS

Por metodologia, entende-se que, “é o conjunto de métodos ou caminhos que


são percorridos na busca do conhecimento”. (ANDRADE, 2003, p.129). O objetivo
fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego
de procedimentos científicos. Sendo o problema da pesquisa apresentado: o desenho
como prática de ensino em Artes Visuais, destaca-se a importância de uma
metodologia que alcance resposta à investigação.

Nos procedimentos metodológicos, delineia-se aquilo é importante em uma


pesquisa científica, no sentido de planejar e estruturar respostas a partir do problema
de estudo. O delineamento da pesquisa implica na escolha de um plano que conduza
a investigação (RAUPP, BEUREN, 2003).

O levantamento dos dados da pesquisa foi feito por meio da coleta de dados
qualitativos mediante a análise e observação de trabalhos/desenhos realizados pelo
aluno por meio do trabalho do professor de Artes nas aulas de Artes e foi realizado no
mês de setembro, onde se construiu tabelas e gráficos conforme resultados
encontrados, com discussão descritiva.

A análise persiste em recolher material para observação, por meio da


contribuição efetiva da professora em Artes, que utilizou 5 aulas práticas de desenho.

Desta forma, foi feita coleta de materiais (desenhos) dos alunos por meio da
professora docente do Ensino Fundamental II, o qual se apresenta o Gráfico 01,
referente aos gêneros e estilos destes trabalhos:

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Gráfico 01 - Gêneros e estilos dos
desenhos dos alunos
Desenho criativo
11% 25%
26% Desenho natureza morta

Desenho figurativo
38%

Desenho releituras de
técnicas artísticas

Destaca-se que 38% dos desenhos analisados pertencem à linha de


representação da natureza morta, 26% são desenhos figurativos, 25% são desenhos
criativos e apenas 11% figuram linhas técnicas artísticas.

Figura 1: Desenho representativo de natureza morta.

Fonte: Alunos da Escola Estadual do Ensino Fundamental II.

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Analisam-se assim, especificamente os desenhos pertencentes à natureza
morta, quanto a utilização e exploração de linhas, pontos:

Commented [DA1]:

Gráfico 02 - Linhas e pontos dos


desenhos de natureza morta

32%
Predomínio de pontos

68% Predomínio de linhas


curvas

Aqui, a maioria dos desenhos de natureza morta tem predomínio de uso


abrangente de linhas curvas, compondo as cenas e imagens.

Figura 2: Desenho representativo de natureza morta. Linhas curvas e pontos.

Fonte: Alunos da Escola Estadual do Ensino Fundamental II.

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No Gráfico 03, tem-se a análise do desenho quanto ao uso de cores:

Gráfico 03 - Linhas e pontos dos


desenhos de natureza morta

32%
Uso de cores primárias e
secundárias
68% Uso de cores neutras

Detecta-se que neste uso de cores, predominam os desenhos que utilizam


cores primárias e secundárias (68%).

Quanto à percepção de espacialidade, uso concreto das formas e


expressividades das imagens de natureza morta ali representadas destaca-se a
presença da espacialidade do desenho.

Quando ao recurso utilizado para a produção do desenho, foi utilizado:

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Gráfico 04 - Materiais utilizados para
a produção do desenho

32%

lápis e papel
68% lápis de cor e papel

Detecta-se que os materiais usados para o desenho foi em sua maioria (68%)
os lápis de cor e o papel sulfite.

Analisa-se posteriormente, os desenhos correspondentes ao critério livre,


intitulado aqui por criativo. Esses podem ser subdivididos em:

Gráfico 05 - Estilos dos desenhos


criativos dos alunos

10%
25% Ícones

65% ilustrações
Mensagens

10
Dos desenhos criativos analisados, 65% são ícones, 25% são ilustrações e
10% são mensagens visuais.

Figura 3: Desenho criativo.

Fonte: Alunos da Escola Estadual do Ensino Fundamental II.

Diante dos dados colhidos no gráfico anterior, destaca-se uma análise


específica voltada para a influência das TICs (Tecnologias de Informação e
Comunicação), mídias e meios sociais nestas criações, a qual apresenta-se o Gráfico
06:

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Gráfico 06- Aspectos que influencia
na produção criativa

20%
40%
Influência da Internet
Influência da moda
40%
Influência pessoal

Percebe-se que neste ponto, a influência da internet tem a mesma proporção


da influência da moda (40% cada), com menor intenção da influência pessoal de cada,
sendo esta muito ligada a convívios familiares e religiosos

Figura 4: Desenho criativo influenciado por ícones de internet.

Fonte: Alunos da Escola Estadual do Ensino Fundamental II.

Ressalta-se também que nos desenhos criativos, o uso das linhas curvas e
pontos são predominantes, com o uso dos materiais lápis de cor e papel sulfite.

Analisa-se agora os desenhos figurativos:

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Gráfico 07 - Desenhos figurativos

11%
17% Representações infantis
Iustrações de revistas
61% 11%
Caricaturas
Mangás

Desta forma, os desenhos figurativos feitos pelos alunos podem ser


classificados em representações infantis (11%), caricaturas (11%), ilustrações de
revistas (17%) e a grande maioria, influenciada por mangás (61%).

Figura 5: Desenho criativo figurativo.

Fonte: Alunos da Escola Estadual do Ensino Fundamental II.

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Apresenta-se também em sua totalidade o uso de lápis de cor e papel para a
confecção dos desenhos, dos quais quanto à inspiração da imagem representada,
destaca-se:

Gráfico 08 - Fonte de inspiração do


desenho figurativo

11%

Figura humana
Figura animal
89%

Nota-se que o intuito de copiar e produzir formas reais se dá nestes desenhos


sob a forte inspiração da figura humana (89%) e figura animal (11%).

Figura 6: Desenho figurativo com estilo mangá.

Fonte: Alunos da Escola Estadual do Ensino Fundamental II.

Observa-se os desenhos cujas fontes são de técnicas e influências artísticas


ao longo da história da Arte, através de releituras de obras.

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Figura 7: Desenho releitura.

Fonte: Alunos da Escola Estadual do Ensino Fundamental II.

Gráfico 09 - Desenhos com


inspiração de técnicas artísticas

40%

técnicas modernistas
60%
vanguardas artisticas

As técnicas de arte moderna são percebidas em 40% dos desenhos feitos e


as novas vanguardas tem destaque em 60% das obras.

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4.. CONCLUSÃO

Diante do desafio de se desenvolver em Arte práticas elucidativas que


proporcionem o conhecimento efetivo das teorias e propostas artísticas existentes
neste eixo, destaca-se a prática especifica do desenho, que conforme estudado e
analisado nesta pesquisa, traz propostas enriquecedoras.

Identifica-se, desta forma, o desenho como prática pedagógica da Escola


Estadual José Gomes Pimentel nas aulas de Artes Visuais, que quanto a exploração
de suas potencialidades necessita ser aprimorada, repensada e atendida em sua
essencialidade, criatividade e possibilidades múltiplas.

Ao descriminar a estratégia utilizada para a prática do desenho pelo professor


de Artes em suas aulas, detecta-se que esta é restrita, pautando-se muitas vezes em
aulas que se resumem a desenhos livres, sem objetivos e propostas inovadas.

Cabe ao professor identificar o quanto o desenho pode e deve ser explorado


em sala de aula, de acordo com o conteúdo que está sendo apresentado naquele
momento, vertendo esta técnica para o alcance de objetivos propostos.

A exemplo disso pode-se citar o uso da técnica do desenho para compreensão


do uso da linha e do ponto nas obras ao longo da história da Arte. Ou ainda utilizar o
desenho para conhecer as cores primárias, secundárias; bem como o uso da luz e
sombra. Outro ponto importante é o uso da perspectiva e da linearidade, ambas sendo
abordadas em desenhos dos alunos.

Contudo, o mais importante é usar o desenho para se conhecer o campo vasto


das teorias artísticas, técnicas e história em Arte, com seus artistas, obras e processos
de criação, tornando os conteúdos mais práticos e de interesse dos alunos.

Sabe-se que nem sempre o desenho em sala de aula tem essa intenção, tendo
em vista que ele pode simplesmente ser utilizado como um fim em si mesmo,
desmerecendo seu papel em sala de aula e comprometendo o ensino de Artes, bem
como o papel e função do professor neste processo.

Nota-se que os alunos têm gosto em utilizar a técnica do desenho em sala e


que, ao seu modo, podem avançar melhor quanto ao conhecimento da Arte enquanto
expressão e história, cabendo ao professor ser o facilitador deste processo, mediante
a exploração correta do desenho.

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Contudo, os alunos não tem conhecimento consciente acerca do desenho em
outras disciplinas, compreendendo apenas que o desenho é um momento de
distração livre e expressão criativa, apesar de imprimir em suas criações uma
linguagem interdisciplinar e de conhecimento de mundo.

Tal fato pode ser confirmado mediante a análise dos desenhos dos alunos do
ensino fundamental II de uma escola estadual de Buritis – MG, com destaque para
propostas que vão desde o desenho criativo até a releitura de obras e produções
artísticas de renome na história da Arte, tão bem compreendidas nesta linguagem.

O destaque maior se deu pela necessidade maior destes alunos em reproduzir


elementos da natureza morta, com riqueza de detalhes e estilos, cores e formas;
seguida de escolhas de forte influência da contemporaneidade – a internet – e
aspectos voltados a imagens presentes nas literaturas, como os mangás.

O professor poderia explorar exercícios que consistam em revelar as


influências dos desenhos contemporâneos e criativos, apresentando uma linha do
tempo com nomes de autores, obras e técnicas, para que o aluno faça a inferência e
exercite sua capacidade de impressão e expressão sobre o mundo artístico.

Nota-se nesta perspectiva que os desenhos se fazem por meio de várias linhas
e estruturas influenciadoras, que compreendem o mundo e o contexto social em que
os alunos estão inseridos, fornecendo caminhos para se desenvolver projetos que
viabilizem os conteúdos e eixos de Artes.

Os projetos em Artes podem partir da realidade do aluno, o conhecimento


prévio que tem a partir do jeito e do modo que desenha, para gerar novo saberes que
se completam no contexto da produção artística de todos os tempos, enriquecendo
mais ainda as possibilidades de criação.

Assim, o desenho como prática da sala de aula e sua importância é mediada


pelo papel do professor, que com critérios e planejamento específico pode atender
todas as necessidades e exigências curriculares do ensino e aprendizagem de Artes,
de forma criativa e agradável.

O professor, desta forma, identificaria o desenho como importante instrumento


de trabalho, sendo de grande valia para incentivar e motivar os alunos, que a partir do
que desenham podem adentrar o campo do conhecimento e da aprendizagem de
forma significativa.

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Maria Margarida. Introdução à metodologia do trabalho científico:


elaboração de trabalhos na graduação. São Paulo: Atlas, 2003.

18
BARBOSA, A. M. Arte Educação no Brasil: do modernismo ao pós-modernismo.
Revista Digital Art& - Número 0 - Outubro de 2003.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:


arte/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1997.

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1991.

PILLOTTO, S. S. D. Grafismo infantil: linguagem do desenho. Linhas, v. 5, n. 2, 2007.

RAUPP, F. M.; BEUREN, I. M. Metodologia da Pesquisa Aplicável às Ciências


Sociais. In Contabilidade: teoria e prática. São Paulo:Atlas, 2003.

19