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O que significa livro da vida?

Seu nome está inscrito no Livro da Vida? Pois é, se não sabia, a Bíblia
sagrada menciona em vários de seus versículos um tal de Livro da Vida.
Esse livro é citado como o livro de Deus, livro em que estão inscritos os
nomes daqueles que herdarão a vida eterna. Livro escrito pelo próprio
Deus segundo a Sua vontade.

Nesse livro foram escritos os nomes dos salvos desde a fundação do


mundo: “…E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram
escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo
a besta que era e não é, mas aparecerá.” (Apocalipse 17.8).

No Novo Testamento os textos que fazem referência aos inscritos no Livro


da Vida o fazem buscando mostrar que os inscritos nesse livro são aqueles
que são salvos e perseveram até o fim, até o dia do julgamento final, pois
haviam sido predestinados por Deus de forma infalível para a salvação. São
os Cidadãos dos céus.

No Antigo Testamento vemos a menção desse “Livro” em alguns textos,


no entanto, os teólogos se dividem quanto ao significado deles. Veja um
exemplo:

“Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro


que escreveste. Então, disse o SENHOR a Moisés: Riscarei do meu livro todo
aquele que pecar contra mim.” (Êxodo 32.32-33).

Aqui o texto parece demonstrar que existe a possibilidade de uma pessoa


ser retirada desse livro, ou seja, perder a sua salvação. Porém essa
interpretação contradiz, por exemplo, o fato de a Bíblia afirmar que não há
como cair da graça (perder a salvação). Assim, alguns teólogos afirmam
que esse texto possa não estar falando do Livro da Vida, mas, talvez, da
Aliança de Deus no Antigo Testamento. E por conseguinte, riscar do livro
signifique morrer ou mesmo receber as maldições da Aliança.

Discussões à parte, quem é verdadeiramente salvo, jamais terá seu nome


apagado desse livro, conforme nos revela o próprio Jesus: “O vencedor
será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o
seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante
de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3. 5)

Paulo também demonstrou certeza de que seus cooperadores estavam


definitivamente inscritos no Livro da Vida: “A ti, fiel companheiro de jugo,
também peço que as auxilies, pois juntas se esforçaram comigo no
evangelho, também com Clemente e com os demais cooperadores meus,
cujos nomes se encontram no Livro da Vida.” (Filipenses 4. 3)

Já aqueles que não têm seus nomes inscritos no Livro, terão como destino
final a morte eterna, ou seja, a separação eterna da presença de Deus, o
inferno: “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi
lançado para dentro do lago de fogo.” (Apocalipse 20.15)

No final dos tempos esse Livro será usado por Deus em Seu grande dia de
julgamento de todas as nações: “Vi também os mortos, os grandes e os
pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda
outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo
as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.” (Apocalipse
20.12)

''Mas agora, eu te rogo, perdoa-lhes o pecado; se não, risca-me do teu


livro que escreveste". Respondeu o Senhor a Moisés: "Riscarei do meu
livro todo aquele que pecar contra mim.'' (Êxodo 32:32-33)
''Sejam eles tirados do livro da vida e não sejam incluídos no rol dos
justos.'' (Salmos 69:28)
''O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu
nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus
anjos.'' (Apocalipse 3:5)

Será que a melhor forma de entender é que todos os nomes de todas as


pessoas foram escritos no livro da vida, mas muitos serão riscados?

Posição Ciro Sanches Zibordi


O QUE É O LIVRO DA VIDA?
Ciro Sanches Zibordi
Segundo a Palavra de Deus, os pecadores perdidos, mortos sem a certeza da vida eterna
(Jo 3.16ss), serão julgados no Juízo Final de acordo com as coisas escritas nos livros, isto
é, segundo as suas obras (Ap 20.12). E aquele cujo nome não constar do Livro da Vida
será lançado no Lago de Fogo (Ap 20.15). Isso significa que o Senhor tem o registro de
tudo o que fazemos (Sl 139.16; Ml 3.16; Sl 56.8; Mc 4.22).
Quando um nome é inserido no Livro da Vida? O que é o Livro da Vida? É o registro de
todos os salvos, de todas as épocas (Dn 12.1; Ap 13.8; 21.27). Alguns teólogos têm
afirmado que Deus inseriu nesse livro apenas os nomes de supostos indivíduos eleitos
antes da fundação do mundo e contestam a oração que alguns pregadores fazem pelos
pecadores arrependidos: “Pai, em nome de Jesus, escreva os seus nomes no livro da
vida”. Mas é importante observar que, em Apocalipse 17.8, está escrito que os nomes têm
sido relacionados no Livro da Vida "desde a", e não "antes da" fundação do mundo.
Há uma enorme diferença entre "antes da" e "desde a". No grego, o termo "apo" significa
"a partir de". Segue-se que a expressão "desde a fundação do mundo" denota que os
nomes dos salvos vêm sendo inseridos no Livro da Vida desde que o homem foi colocado
na Terra fundada ou criada por Deus (Gn 1), e não que haja uma lista previamente pronta
antes que o mundo viesse a existir.
A expressão "desde a fundação do mundo" foi empregada também em Apocalipse 13.8
para denotar que todos os cordeiros mortos desde o princípio apontavam para o sacrifício
expiatório do Cordeiro de Deus (Is 53; Jo 1.29). Isto é, os sacrifícios de animais realizados
antes de Cristo tipificam a sua definitiva obra redentora.
Uma pessoa só pode ter o registro do nome em cartório depois de seu nascimento;
ninguém é registrado antes disso. Da mesma forma, o nome de uma pessoa salva só
passa a constar do Livro da Vida após o seu novo nascimento. Afinal, "aquele que não
nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (Jo 3.3). Não existe listagem prévia de
salvos, como pensam certos teólogos. Na medida em que os indivíduos creem em Cristo e
o confessam como Senhor (Rm 10.9,10), eles vão sendo inscritos no rol de membros da
Igreja dos primogênitos, a Universal Assembléia (At 2.47, ARA; Hb 12.23).
É possível ter o nome riscado do Livro da Vida? De acordo com a Palavra de Deus, existe
a possibilidade de pessoas salvas, que não perseverarem até ao fim, terem os seus
nomes riscados do Livro da Vida do Cordeiro (Ap 3.5). Em Êxodo 32.32,33 vemos essa
verdade na intercessão de Moisés pelo povo: "Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não,
risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. Então, disse o Senhor a Moisés: Aquele
que pecar contra mim, a este riscarei eu do meu livro".
Serão riscados os que permanecerem desviados do Senhor e em uma vida de pecado (cf.
Ap 3.3-5; 21.27). Em Lucas 10.20, Jesus disse aos discípulos da missão dos setenta (v.1),
bem como aos doze (que sempre estavam com Ele) e a toda a sua Igreja, por extensão:
"alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus". Judas, porém, um dos doze
apóstolos do Senhor, desviou-se do Caminho. Por isso, o apóstolo Pedro afirmou: "[Judas,
que] foi contado conosco e alcançou sorte neste ministério... se desviou, para ir para o seu
próprio lugar" (At 1.17,25).
Alguns teólogos, ainda, afirmam que Deus relacionou toda a humanidade no Livro da Vida
e só risca quem não recebe a Cristo como Salvador. Não obstante, a promessa "de
maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida" (Ap 3.5) é dirigida aos salvos que
vencerem, e não aos pecadores que se converterem. Estes, conquanto tenham os seus
nomes arrolados no Céu ao receberem a Cristo, precisam perseverar até ao fim (Mt
24.13).
Em Filipenses 4.3, o apóstolo Paulo mencionou cooperadores "cujos nomes estão no livro
da vida", porém antes ele asseverara: "estai sempre firmes no Senhor, amados" (v.1). Não
foi por acaso que os pastores das sete igrejas da Ásia ouviram do Senhor a mensagem:
"Quem vencer" (Ap 2 e 3). A manutenção do nome de alguém no Llivro da Vida está
condicionada à sua vitória até ao fim (Ap 3.5). Somos filhos de Deus hoje (Jo 1.11,12),
mas devemos atentar para o que diz Apocalipse 21.7: "Quem vencer herdará todas as
coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho".
Em Cristo,
Ciro Sanches Zibordi
Posição Arminiana:

O Povo de Deus

A primeira classe de argumento a ser considerada é se Deus tem um povo


predeterminado esperando ser salvo pela Graça Irresistível. O principal
texto para este ensino menciona o “povo” de Deus:

Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não
temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e
ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade (At 18.9,
10).

Para a interpretação calvinista padrão, citamos outro supralapsariano


reformado protestante, David Engelsma, e um ex-presidente do colégio
bíblico da Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares (GARBC – General
Association of Regular Baptist Churches), David Netleton:

Antes que Paulo e o evangelho alcançassem Corinto, o Senhor tinha muito


povo lá em virtude da eleição de Deus de muitos naquela cidade. A razão
por que Paulo foi lá enviado para pregar e a razão por que ele tinha que
permanecer lá pregando, diante de oposição, era a salvação dos eleitos
naquela cidade. Paulo sabia muito bem que Deus não amava todos os
coríntios e que Deus não desejava salvar todos os habitantes daquela
cidade.[1]

Estava predeterminado que Paulo teria sucesso em Corinto. Deus lhe


assegurou que Ele tinha muito povo lá. Isto enfraqueceu o evangelismo de
Paulo? De forma alguma. O oposto aconteceu. Estando certo que Deus
tinha escolhido muitos para salvação, Paulo põe-se a fazer a colheira.[2]
Que o Senhor tinha “muito povo” em Corinto não resta dúvida – mas
quem eram eles? Os “eleitos”? Os “predestinados”? Se Deus já tinha
“muito povo” em Corinto, então o que Paulo estava fazendo pregando lá
em primeiro lugar? Se o “muito povo” que pertencia a Deus desde toda
eternidade não ouvisse a mensagem de Paulo e se arrependesse, então o
que teria acontecido a eles? Eles deixariam de ser um dos “eleitos”?
Gentios não salvos são alguma vez chamados de povo de Deus? A Bíblia
descreve os não regenerados como “filhos da desobediência” (Ef 2.2) e
“filhos da ira” (Ef 2.3). O “muito povo” é definido no capítulo como
Áquila e Priscila (At 18.2), Silas e Timóteo (At 18.5), Justo (At 18.7), Crispo e
sua família (At 18.8) e “muitos dos coríntios” (At 18.8). Não há nenhuma
criatura como um filho de Deus “eleito e não regenerado”.

Se Deus tem seu “povo”, então segue que o resto da humanidade não
são seu povo devido ao fato que eles não foram eleitos. Isto é precisamente
o que o calvinista vê no Livro de Apocalipse. Deus escreveu num livro os
nomes dos “eleitos”, e os nomes dos que não foram escritos se tornaram
os “não-eleitos”:

E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não
foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a
fundação do mundo (Ap 13.8).

A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para
a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram
escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo
a besta que era e não é, mas aparecerá (Ap 17.8).

Pink afirma que esta é uma “afirmação positiva dizendo que há aqueles
cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida”.[3] Mas isto é
exatamente o que o versículo diz. Custance é mais audacioso: “E assim
também em Apocalipse 17.8 parece que ‘desde a fundação do mundo’
os nomes dos eleitos foram anotados no ‘livro contábil’ de Deus, que
talvez registra os nomes dos participantes na aliança feita pelo Pai com o
Filho”.[4] Mas Custance “parece” que “talvez” não esteja tão seguro
de sua interpretação. Clark não mede as palavras: “O Cordeiro que foi
morto desde a fundação do mundo não pretendia salvar aqueles cujos
nomes não foram escritos no livro da vida desde a fundação do
mundo”.[5] Mas no versículo sobre o qual ele comentou, nada é dito
sobre qualquer nome sendo escrito desde a fundação do mundo. Talbot e
Crampton comenta sobre o último versículo: “Várias coisas devem ser
notadas nesta passagem. Primeiro, alguns nomes já foram escritos no livro
da vida desde a fundação do mundo e alguns não foram. Algum será
acrescentado? Nenhum! Algum será perdido? Nenhum! Os eleitos e os
não-eleitos foram predeterminados desde toda eternidade. O número é
absolutamente fixo”.[6] Achando que os calvinistas têm o melhor dos
argumentos, alguns corrigem a Escritura para evitar conflito.[7]

A falácia das suposições calvinistas é multifacetada. O primeiro problema é


que os calvinistas continuamente lêem antes sempre que vêem um
versículo que menciona a fundação do mundo. Mas “desde a fundação”
significa “desde a fundação”, e nunca significa “antes da fundação”. A
frase em questão ocorre cinco vezes no Novo Testamento além das duas
vezes que ela aparece no Livro de Apocalipse. Note que ela não poderia
possivelmente ser uma referência a antes da fundação do mundo: “Para
que desta geração se peçam contas do sangue dos profetas, derramado
desde a fundação do mundo” (Lc 11.50). O segundo é que nenhuma
menção é feita sobre a salvação de ninguém. O calvinista tenta fazer de
todo versículo na Bíblia uma referência à salvação. Terceiro, não há menção
do propósito para o nome de alguém ser escrito ou não. Quarto, o livro é
chamado o “livro da vida”, não o “livro dos eleitos”. E finalmente, deve
ser notado que alguém pode ter seu nome removido do livro da vida.
O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum
apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu
nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos (Ap 3.5).

E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a


sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas
neste livro (Ap 22.19).

O que é isto senão “a reprovação dos eleitos”? O que está escrito no livro
da vida do Cordeiro não foi feito com a caneta dos decretos soberanos
nem com a tinta da eleição arbitrária.

O próximo texto-prova calvinista que Deus tem um grupo especial de


pessoas – os assim chamados eleitos – que foi escolhido para salvação
antes da fundação do mundo relaciona-se com aqueles versículos que
mencionam as ovelhas de Deus:

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a


mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a
minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a
mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um
rebanho e um pastor (Jo 10.14-16).

Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas (Jo 10.26).

Estes versículos têm sofrido muita má aplicação devido à influência dos


calvinistas. Pink nos informa que “o nome ‘ovelhas’ é sinônimo de
‘eleitos’, pois os tais são ‘ovelhas’ antes de crerem, sim, antes de
terem nascidos”.[8] Não apenas os “eleitos” são ovelhas de Deus, mas
“os eleitos sempre foram chamados de ovelhas. Amados, os santos de
Deus nunca foram chamados bodes, mesmo antes de serem salvos”.[9] A
referência às “outras ovelhas” de outro aprisco é o Senhor “aqui
contemplando seus eleitos entre os gentios”.[10] Ainda que nenhuma
forma da palavra eleição aparece no Evangelho de João, Custance insiste
que “a eleição é inequivocamente mantida por todo o Antigo e Novo
Testamento, e em nenhum lugar mais claramente do que no Evangelho de
João”.[11] E onde ele encontra eleição no Evangelho de João? “Como é
claro de Jo 10.26, nós já devemos ser ovelhas de Cristo para sermos crentes.
O Senhor não disse, ‘Vós não sois minhas ovelhas porque não credes’,
mas ‘vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas’ – o que é uma
coisa muito diferente. A fé não é a causa desta vida mas a prova dela. Não
somos salvos porque cremos, mas cremos porque somos de suas
ovelhas”.[12]

Há dois problemas principais com esta interpretação. Em primeiro lugar, se


os homens são ovelhas antes de crerem, então eles já têm a vida eterna:
“Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da
minha mão” (Jo 10.28). Se as ovelhas nunca foram bodes, então como eles
podem nascer “mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1)? Ninguém
entre os gentios não salvos é alguma vez chamado de ovelha. Tentem
porcos e cães (Mt 7.6; 15.26, 27; 2Pe 2.1, 22). Os gentios “naquele tempo,
estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às
alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo” (Ef
2.12). Uma das ovelhas pode ir para o inferno? Por que então as ovelhas de
Deus crêem em Cristo?

O segundo problema diz respeito à identificação das ovelhas. Quem são as


ovelhas? De acordo com Micaías (1Re 22.17), Asafe (Sl 74.1; 78.52; 79.13), o
salmista (Sl 44.11, 22; 95.7; 100.3), Davi (Sl 119.176), Isaías (Is 53.6), Jeremias
(Jr 23.1; 50.6, 17), Ezequiel (Ez 34.6, 11, 12) e Jesus Cristo (Mt 10.6; 15.24): as
ovelhas são Israel. Note a condição de Israel no Antigo Testamento:
O meu povo tem sido ovelhas perdidas; seus pastores as fizeram errar e as
deixaram desviar para os montes; do monte passaram ao outeiro,
esqueceram-se do seu redil (Jr 50.6).

As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo


elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem
haver quem as procure ou quem as busque (Ez 34.6).

Depois note uma profecia esquecida do Senhor:

Porque assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu mesmo procurarei as minhas
ovelhas e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que
encontra ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; livrá-las-ei
de todos os lugares para onde foram espalhadas no dia de nuvens e de
escuridão. Tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos diversos países, e as
introduzirei na sua terra; apascentá-las-ei nos montes de Israel, junto às
correntes e em todos os lugares habitados da terra. Apascentá-las-ei de
bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem; deitar-se-ão
ali em boa pastagem e terão pastos bons nos montes de Israel. Eu mesmo
apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR Deus. A
perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a
enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com
justiça (Ez 34.11-16).

Note também as contrapartes no Novo Testamento:

Mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt


10.6).

Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa
de Israel (Mt 15.24).
Quando Cristo veio, suas ovelhas – como Simeão (Lc 2.25), Ana (Lc 2.36-38),
Zacarias e Isabel (Lc 1.5, 6), os pastores (Lc 2.8-20) e os discípulos (Jo 1.40-
49) – o conheciam (Jo 10.14), o seguiam (Jo 10.27) e receberam vida eterna
(Jo 10.28). Temos aqui a separação das ovelhas entre os judeus dos bodes e
a atração deles ao Messias. E como é claro a todos exceto a um calvinista,
ovelhas nunca são sinônimos de “eleitos” – pergunte a um zoólogo.

O próximo caso dos assim chamados eleitos não regenerados de Deus


também está no Evangelho de João: “Quem é de Deus ouve as palavras de
Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus” (Jo 8.47).
Pink comenta:

Primeiramente, significa aquele que pertence a Deus pela eleição eterna.


Um paralelo a este é encontrado em Jo 10.26, “Mas vós não credes,
porque não sois das minhas ovelhas”. É isto que, no tempo, distinguia os
eleitos dos não-eleitos. Os primeiros, no devido tempo, ouvem e recebem
as palavras de Deus; os últimos não. Em segundo lugar, “Quem é de
Deus” significa aquele que é nascido de Deus, aquele que está na família
de Deus.[13]

Custance acrescenta: “Tal de fato é também a implicação de Jo 8.47


endereçada àqueles que o Senhor bem sabia que não foram destinados a
tornar suas ovelhas”.[14] O problema com Jo 8.47 é, em relação à Eleição
Incondicional, que ele é inútil. Até mesmo Calvino não admitia que falasse
da eleição eterna.[15] O versículo tinha a ver com ouvir, não com a salvação
de alguém. Nada foi dito sobre como alguém veio a ser “de Deus”.
Nenhuma menção foi feita que os não “de Deus” foram soberanamente
decretados ser assim. Todo calvinista que usou este versículo lê a palavra
eleito nele embora ela nunca ocorre em qualquer lugar no Evangelho de
João. O texto é um princípio geral que os “de Deus” serão aqueles que
ouvirão sua palavra e os não “de Deus” não ouvirão. Algo poderia ser
mais claro?

[1] Engelsma, Hyper-Calvinism, p. 57.


[2] David Nettleton, Chosen to Salvation (Schaumburg: Regular Baptist
Press, 1983), p. 161.
[3] Pink, Sovereignty, p. 100.
[4] Custance, p. 245.
[5] Clark, Predestination, p. 190.
[6] Talbot and Crampton, p. 27.
[7] Ballard, pp. 25-26.
[8] Pink, Satisfaction, pp. 251-252.
[9] Dan Phillips, “The Atonement”, The Baptist Examiner, 15 de setembro
de 1990, p. 3.
[10] Pink, John, p. 536.
[11] Custance, p. 300.
[12] Ibid., p. 183.
[13] Pink, John, p. 460.
[14] Custance, p. 151.
[15] Parker, p. 132; Calvino, Commentaries, vol. 4, p. 229-230.