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DIREITO CIVIL: AULA 08 - Imputação do

Pagamento
IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO

1) CONCEITO
É a indicação da dívida a ser paga quando um devedor se encontra obrigado por dois
ou mais débitos da mesma natureza, líquidos e vencidos, a um só credor e o
pagamento não é suficiente para pagar todas as dívidas. A imputação também é um
meio indireto de pagamento, de adimplemento da obrigação. Imputar é indicar,
direcionar, dirigir o pagamento.

Art. 352 – A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só
credor, tem o direito de indicar (imputar, direcionar) a qual deles oferece pagamento,
se todos forem líquidos e vencidos.

2) REQUISITOS
a) Pluralidade de débitos da mesma natureza fungíveis entre si (com fungibilidade
recíproca)
b) Identidade de partes
c) Possibilidade do pagamento quitar mais de uma dívida integralmente e não bastar
para todas (regra)

3) ESPÉCIES

a) Imputação do devedor (art. 352)


O devedor é o primeiro que pode definir/dizer/ imputar o que está sendo pago.
Partimos do pressuposto de que houve um pagamento que irá solver uma ou mais
dívidas, mas não quitará a dívida toda. A primeira regra, de acordo com o código, é
que quem paga faz a imputação. Portanto, a primeira possibilidade de imputar é do
devedor. E este imputa dizendo o que pagará primeiro.

b) Pelo credor (art. 353)


Pode acontecer de o devedor não imputar, não declarar o que está pagando. Neste
caso, abre-se a possibilidade de o credor direcionar aquilo que está sendo recebido.
Se o devedor não exerce seu direito de imputar, esse direito passa ao credor, mesmo
havendo recusa do devedor.

Art. 353 – não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas
quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a
reclamar contra a imputação feita pelo credor.

c) Legal (art. 355)


Se não houver imputação pelo devedor e nem pelo credor, haverá imputação legal em
que a lei dará direcionamento para os pagamentos. O primeiro critério usado pela lei
é que a imputação se fará nas dívidas líquidas e vencidas (quais venceram primeiro),
portanto o primeiro critério é cronológico. Se as dívidas forem todas líquidas e
vencidas ao mesmo tempo, a imputação será feita na dívida mais onerosa. A dívida
mais onerosa é aquela que traz maiores consequências para o devedor, tanto
financeiras como outras consequências desfavoráveis. É evidente que o valor é um
indicativo de onerosidade, mas é preciso pensar nas consequências mais
desfavoráveis. Importante: o requisito da onerosidade só será analisado se todas as
dívidas forem vencidas ao mesmo tempo, mas em um primeiro momento se analisará
a liquidação e vencimento. Portanto: liquidação/vencimento em primeiro lugar +
onerosa.

d) Capital x juros (art. 354)


É a imputação em que se considera primeiro os juros vencidos e depois o capital,
salvo estipulação em contrário, ou renuncia do credor, ou seja, quitar primeiro o
capital. É uma imputação em beneficio do credor. É evidente que é mais interessante
para o credor que o pagamento seja para os juros, a não ser que o este renuncie a esse
direito. É direito do credor que o pagamento seja imputado primeiro aos juros. Os
juros são frutos, aqueles bens que nascem do bem inicial. Os juros nascem do capital.
Concluímos que se houver a imputação do capital, este não dará mais frutos (juros).