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COLETÂNEA DA LEGISLAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS DO BRASIL

VOLUME 4: REGIÃO NORDESTE

LUCIANA CORDEIRO DE SOUZA FERNANDES


EVERTON DE OLIVEIRA

SÃO PAULO – SP
Editora Instituto Água Sustentável
Julho/2018
COLETÂNEA DA LEGISLAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS DO BRASIL
VOLUME 4: REGIÃO NORDESTE

1ª Edição
COLETÂNEA DA LEGISLAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS DO BRASIL
VOLUME 4: REGIÃO NORDESTE

LUCIANA CORDEIRO DE SOUZA FERNANDES


EVERTON DE OLIVEIRA

Todos os direitos desta edição são


reservados. Vetada a reprodução,
adaptação, modificação, comercialização
ou cessão sem autorização do autor. Este
livro foi publicado no website:
www.aguasustentavel.org.br, para leitura
exclusivamente online pelos usuários, os
leitores poderão imprimir as páginas desta
obra para leitura pessoal.

SÃO PAULO – SP
Editora Instituto Água Sustentável
Julho/2018
Autores: Luciana Cordeiro de Souza Fernandes e Everton de Oliveira

Título: Coletânea da Legislação de Águas Subterrâneas do Brasil – Volume 4: Região


Nordeste

Edição: 1ª edição – 553 p.

Editor: Instituto Água Sustentável

Local: São Paulo/SP

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação


(CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
_________________________________________
SOUZA-FERNANDES, Luciana Cordeiro de. OLIVEIRA,
Everton de. (Organizadores)

Coletânea de Leis de Águas Subterrâneas do Brasil,


volume 4 – 1 ed. - 5 v. – São Paulo: Instituto Água
Sustentável, 2018.

ISBN: 978-85-94189-13-4

1.Legislação Ambiental.
2. Águas subterrâneas

CDD -

Índice para catalogo sistemático:


1. Legislação Ambiental
2. Águas subterrâneas
ORGANIZADORES

Luciana Cordeiro de Souza Fernandes

Doutora e Mestre em Direito – área de Direitos Difusos: Direito Ambiental - pela


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Especialista em Direito Processual
Civil e em Direito Penal e Processual Penal. Professora de Direito da Faculdade de
Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas- FCA/UNICAMP e do
Programa de Pós-Graduação em Ensino e História das Ciências da Terra (PEHCT)
do Instituto de Geociências da UNICAMP. Titular da Comissão Estadual de Logística,
Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável da OABSP. Advogada, Parecerista e
Consultora Ambiental. Sócia Fundadora da Associação dos Professores de Direito
Ambiental do Brasil – APRODAB. Foi Assessora da Diretoria Jurídica da Companhia
de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) na área
de Direito Ambiental e Urbanístico. Foi Diretora de Habitação do Município de Jundiaí
– SP. Representou o Brasil como Especialista Legal junto ao Projeto Sistema Aquífero
Guarani em Montevidéu - Uruguai. Criou e coordenou, de 2007 a 2013, os cursos de
Pós-Graduação Lato Sensu em Direito Ambiental e em Direito Imobiliário no
UNIANCHIETA. Autora das obras: “Águas e sua proteção” e “Águas subterrâneas e a
Legislação Brasileira” pela Editora Juruá; co-organizadora das obras “I Simpósio de
Direito Ambiental da APRODAB”; “Direito ambiental, recursos hídricos e saneamento”;
“Geoparque Corumbataí. Primeiros passos de um projeto de desenvolvimento
regional”; “Programa Aquífero Guarani”; e dos livros infantis de educação ambiental
para água: “Clara: uma gotinha d’água” (traduzido para espanhol, inglês e francês),
“Clara e a reciclagem” e “Clara e as águas invisíveis”; e “Constituição Federal ilustrada
para crianças e adolescentes” (no prelo); além de inúmeros capítulos de livros e
artigos em periódicos nacionais e internacionais. E-mail:
luciana.fernandes@fca.unicamp.br

1
Everton de Oliveira

Geólogo pela Universidade de São Paulo (1984), Mestre em Hidrogeologia (1992) e


Ph.D. em Hidrogeologia de Contaminação - University of Waterloo, Canadá (1997). É
Sócio Fundador da HIDROPLAN - Hidrogeologia e Planejamento Ambiental Ltda.
desde 1992. Foi professor-colaborador de pós-graduação do Instituto de Geociências
e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista - Unesp de 2010 até 2017 e do
Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo de 1998 até 2009, professor
adjunto no Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Waterloo, Canadá
de 2006 até 2013, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Águas
Subterrâneas (ABAS). É diretor do Instituto Água Sustentável (IAS). Editor-gerente da
Revista Águas Subterrâneas e Editor da Revista Água e Meio Ambiente Subterrâneo.
Foi professor de pós-graduação do Instituto de Geociências da USP de 1998 até 2010
e Presidente da ABAS no biênio 2007-2008, onde é o atual Secretário-Executivo. É
Editor-chefe da Revista Águas Subterrâneas e Editor-associado da revista
Groundwater Monitoring and Remediation. É o responsável pela tradução para o
português em mutirão do livro “Groundwater” de Freeze & Cheery e pela distribuição
mundial de outras traduções, fazendo parte do Conselho do Groundwater Project,
coordenado por John Cherry.
E-mail: everton@hidroplan.com.br/everton@aguasustentavel.org.br

2
AGRADECIMENTOS

Todo trabalho para ter êxito precisa de uma equipe e da colaboração de mãos amigas:

Agradecemos ao Bruno Jamelli pela arte e diagramação das capas, à Bruna Soldera,
diretora do Instituto Água Sustentável, pela diagramação, organização e realização da
divulgação deste trabalho; e as bibliotecárias da FCA/UNICAMP Sueli Ferreira Júlio
de Oliveira e Renata Eleutério da Silva, pela elaboração da ficha catalográfica.

Ao Instituto Água Sustentável e sua editora própria por disponibilizar sua estrutura de
pessoal e serviços de internet para hospedar e distribuir este trabalho.

À HIDROPLAN, nas pessoas dos seus sócios, por prover recursos para o patrocínio
dos trabalhos técnicos executados na diagramação e divulgação desta Coletânea.

À FAPESP – Processo n.º 2013-10689-6, que apoiou esta pesquisa, resultando esta
Coletânea como produto final.

À Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e ao Programa de Pós Graduação em


Ensino e História das Ciências da Terra (PEHCT) do Instituto de Geociências (IG),
ambos da UNICAMP que apoiaram este projeto.

À Reitoria da Unicamp que apoiou este projeto chancelando o resultado final com as
inserções da logomarca UNICAMP, do IG e da FCA neste trabalho.

Nosso muito obrigado.

3
PRÓLOGO

“Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (BRASIL,


1942). Assim dispõe o art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro,
Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942, impossibilitando que o
desconhecimento de uma lei seja usado como desculpa por quem a descumpriu.
Há algum tempo, durante uma conversa sobre a finalização do Projeto Fapesp
- Processo n.º 2013-10689-6 que precisaria de um produto final, face a dificuldade de
obtenção de informações do arcabouço legal sobre águas subterrâneas, e ao
debatermos o artigo acima citado, criamos um desafio para nós, uma advogada e um
hidrogeólogo, decidimos compilar todas as leis de águas subterrâneas do país e
oferecermos aos interessados de forma gratuita.
Ora, o Direito brasileiro é composto por incontáveis diplomas legais, mesmo
que nos ativéssemos a uma única área do Direito, seria impossível conhecer todas as
leis que a compõe, por isso a importância de disponibilizar a informação no tocante as
leis existentes sobre águas subterrâneas, posto que dispersas. Desta forma, o
princípio da informação ambiental se destaca, conforme assinala Paulo Affonso Leme
Machado,

Ao se conceituar “informação”, não se aborda a quem ela


pertence, onde ela se encontra e nem qual a finalidade de sua
existência, mas um primeiro aspecto: os informes são
identificados e organizados, isto é, não ficam dispersos ou
de difícil manuseio (MACHADO, 2006, p. 26). (grifo nosso)

Amparados por este princípio, e, principalmente, visando dar maior visibilidade


às águas invisíveis, com o apoio da FAPESP e da UNICAMP, vencemos o desafio
antes imposto e organizamos esta Coletânea de Leis de Águas Subterrâneas do
Brasil, propiciando ao usuário e ao operador do Direito o acesso às leis de todas as
unidades da federação, de modo a se fazer conhecer os instrumentos para proteção
das águas subterrâneas constantes em diplomas legais específicos, bem como nas
políticas estaduais de recursos hídricos.
Assim, de forma didática, apresentamos as leis das 27 UF, em 5 volumes
compreendendo as cinco regiões geográficas brasileiras, e, ao final, pudemos
perceber o quão desprotegidos estão nossos aquíferos em algumas localidades, o

4
quão necessário se faz integrar a gestão da água superficial à subterrânea, e uma
gestão adequada do solo para proteção dos aquíferos, mananciais subterrâneos
presentes em quase todo o território do país.
Desejamos que este material seja útil aos diversos profissionais da área, e que
esta publicização da informação de forma organizada, alcance a finalidade da lei:
oferecer proteção às águas subterrâneas do Brasil.

Luciana e Everton

5
PREFÁCIO

Em tempos em que a informação está disponível, especialmente na internet,


muitos podem se perguntar de por que se editar uma coletânea de legislação sobre
águas subterrâneas. Mas basta a necessidade de conhecer as normas que regem
uma determinada situação concreta, para logo nos apercebermos que localizar a
legislação aplicável não é simples, especialmente porque parecem concorrer diversas
normas, de escalões hierárquicos diferentes, com aparência de contraditórias entre si,
além da frequente sensação de estar faltando alguma coisa, ou seja, de que a nossa
pesquisa talvez não tenha sido completa ou não está adequadamente atualizada.
As normas são, em geral, elaboradas para disciplinar fenômenos específicos,
a partir do conhecimento que se acumulou ou da correlação das forças sociais de um
determinado momento. Evidente que esta complexidade somente pode adquirir
intelegibilidade a partir da noção de sistema, que, na clássica acepção de Kant, é “um
conjunto de conhecimentos ordenados segundo princípios”. 1 A ideia de sistema induz
a que se entenda que todas as normas formam um todo coerente e sem lacunas, de
forma a que não possam coexistir normas incompatíveis entre si.2
Evidentemente estas concepções são típicas dos iluministas dos séculos XVIII
e XIX, de onde desponta Diderot e sua iniciativa do conhecimento enciclopédico.
Destas concepções deriva a noção de código, cuja primeira experiência foi o Código
Civil francês de 1804, elaborado sob o forte apoio de Napoleão Bonaparte. Esse
esforço foi revolucionário, porque a codificação, como forma de organizar o material
jurídico, permite que se alcancem os objetivos de certeza do direito e de simplificação.
E isso não é pouca coisa3
Além disso, apesar de vivermos época em que as informações estão mais
disponíveis, e até são excessivas, causando estresse, não é incomum que a
informação da qual se precisa é aquela que não sabemos que existe ou é a que não

1 Kritik der reinen Vernunf, 1ª ed. (1781), p. 832 – apud Claus-Wilhelm CANARIS, Pensamento
sistemático e conceito de sistema na ciência do Direito, trad. port. de Antonio Menezes Cordeiro, Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian, 1989, p. 10.
2 Noberto BOBBIO, Teoria dell´Ordinamento Giuridico, Turim: G. Giappichelli Editore, 1960, p. 74 e

ss.
3 Fabio Siebeneichler de ANDRADE, Da codificação – crônica de um conceito, Porto Alegre: Livraria

do Advogado Editora, 1997, p. 30. “O vocábulo código especializou-se como nome de uma nova
forma jurídico-organizatória concreta destinada a criar uma equilibrada ordem de convivência
encorajada pela afirmação do pensamento racionalista” (Mário Reis MARQUES, Codificação e
paradigmas da modernidade, Coimbra: Coimbra Editora, 2003, p. 5).

6
se encontra disponível. Há normas que parecem se esconder. Esta situação nos faz
lembrar conhecido texto de Graciliano Ramos.
Este famoso escritor exerceu –- de forma dedicada e íntegra -- o cargo de
Prefeito do Município de Palmeira dos Índios, e, com a maestria de sua pena, cumpriu
a tarefa que, a princípio, seria apenas burocrática: elaborou famosos Relatórios:

Em janeiro do anno passado não achei no Municipio nada que se


parecesse com lei, fora as que havia na tradição oral, anachronicas, do tempo
das candeias de azeite.
Constava a existencia de um codigo municipal, coisa inattingivel e
obscura. Procurei, rebusquei, esquadrinhei, estive quasi a recorrer ao
espiritismo, convenci-me de que o codigo era uma especie de lobishomem.
Afinal, em fevereiro, o secretario descobriu-o entre papeis do Imperio. Era
um delgado volume impresso em 1865, encardido e dilacerado, de folhas
soltas, com apparencia de primeiro livro de leitura do Abilio Borges. Um furo.
Encontrei no folheto algumas leis, aliás bem redigidas, e muito sêbo.
Com ellas e com outras que nos dá a Divina Providencia consegui
aguentar-me, até que o Conselho, em agosto, votou o codigo actual”.4

Dar publicidade às leis e apresentá-las de forma sistemática, para que sua


compreensão seja a mais simples e exata possível, é de fundamental importância. É
uma das formas de se assegurar a indispensável segurança jurídica, promotora do
progresso e da paz social. Só por isso, o presente trabalho possui elevados méritos.

Mas o tema também merece destaque. Não se trata de uma coletânea de


legislação qualquer, mas de coletânea dedicada ao importante e complexo tema das
águas subterrâneas.
As águas subterrâneas eram consideradas integrantes da propriedade
privada. O direito de explorá-las, por parecer tão óbvio, àquela época, como
consequência do direito de propriedade, não era expresso no Código Civil de 1916
que, porém, previa que eram “proibidas construções capazes de poluir, ou inutilizar
para o uso ordinário, a água de poço ou fonte alheia, a elas preexistentes” (art. 584).
O Código de Águas de 1934, que revogou os dispositivos dedicados às águas
do Código Civil, foi mais incisivo: “O dono de qualquer terreno poderá apropriar-se por
meio de poços, galerias, etc, das águas que existam debaixo da superfície de seu
prédio (...)” (art. 96), prevendo também condicionantes, como a para evitar que o

4 Relatórios ao Governador do Estado de Alagoas, 1929, disponíveis em


https://pt.wikisource.org/wiki/Relatorio_ao_Governador_do_Estado_de_Alagoas (acesso em 30 de março de
2018).

7
aproveitamento de águas subterrâneas prejudique ou diminua as águas públicas, ou
inutilize o uso ordinário da água alheia, aos moldes da mencionada previsão do
Código Civil de 1916.
Com a Constituição de 1988, os recursos hídricos foram todos estatizados,
sendo do domínio da União ou dos Estados.5 Importante entender que recurso hídrico
se distingue de água. O recurso hídrico é perene, alimentado por correntes ou fontes
de água, o que não acontece com a água que, muitas vezes, foi dele extraída. Por
isso que se inserem nos conceitos de recursos hídricos os rios, lagos e as águas
subterrâneas, mas não os integra a água que compõe o corpo de uma pessoa ou,
ainda, a água de lagos ou reservatórios “situados e cercados por um só prédio
particular que não sejam alimentados por correntes públicas”.6
Em especial, a Constituição de 1988 atribuiu ao domínio dos Estados-
membros ou do Distrito Federal as águas subterrâneas (art. 26). Evidente que as
águas subterrâneas podem integrar aquíferos que se situam até para além das divisas
de um Estado, ou mesmo das fronteiras do país, mas o legislador constitucional foi
expresso em atribuir o seu domínio aos Estados-membros ou ao Distrito Federal. Por
mais estranho que possa parecer.
Disso deriva que a legislação sobre as águas subterrâneas é complexa,
porque deve atender as normas gerais fixadas pela Lei federal nº 9.433, de 8 de
janeiro de 1997 – Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos e, ainda, a disciplina
específica, estabelecida por lei estadual.7

5 Apesar de ser entendimento pacífico entre todos os que atuam na área ambiental e de recursos hídricos,
importante dizer que a atribuição do domínio dos recursos hídricos, pela Constituição Federal de 1988,
à União ou aos Estados ainda não foi bem compreendida por uma parte da doutrina. Veja-se o caso de
Marçal JUSTEN FILHO, que defende a existência de rios municipais no Parecer que emitiu sobre o Projeto
de Lei nº 5.296, de 2005, o qual deu origem à Lei federal nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007 – Lei Nacional
de Saneamento Básico (LNSB), parecer publicado na Revista Jurídica da Presidência da República, vol. 7, nº
72 (2005), acessível em
https://revistajuridica.presidencia.gov.br/index.php/saj/issue/view/50/showToc (acesso em
30.3.2018), o trecho em que se defende a existência dos rios municipais se encontra na página 24 do
Parecer.
6 Celso Antonio Bandeira de MELLO, Curso de Direito Administrativo, 28ª ed., S. Paulo: Malheiros, 2011,

p. 926.
7
No federalismo norte-americano uma determinada matéria ou é competência da União ou do Estado-
membro. Contudo, o sistema brasileiro é muito diferente, existindo hipóteses de “condomínio
legislativo”, em que uma matéria é disciplinada por lei federal nos aspectos de normas gerais, que podem
ser complementadas por normas suplementares editadas pelo Estado-membro ou pelo Distrito Federal.
No caso dos recursos hídricos, a Lei federal nº 9.433/97 possui dispositivos que são normas gerais, que
incidem sobre todos os recursos hídricos do país, e normas específicas, que incidem apenas sobre os
recursos hídricos de domínio da União – no caso de recursos hídricos dos Estados-membros ou Distrito
Federal, serão leis editadas por eles que irão instituir as normas específicas. É um sistema complexo, de
competência legislativa concorrente, sendo a competência da União limitada às “normas gerais”, com
nítida inspiração no texto original da Grundgesetz alemã de 1949 – sobre o tema, v. Andreas KRELL, Leis

8
Pela importância da matéria, pode ocorrer que também na Constituição
Estadual existam dispositivos sobre as águas subterrâneas, pelo que devem ser lidas
as leis estaduais com muito cuidado, porque as normas constitucionais estaduais
sobre elas prevalecem. Afora isso, há as normas subalternas, como as portarias, as
resoluções e outras, não raro de difícil acesso, e que não são compreendidas quando
fora de seu contexto.
Conhecer a norma subalterna pode fazer toda a diferença, porque é comum
que esta norma seja a de domínio do técnico que irá apreciar o pleito efetuado pelo
cidadão ou pela empresa, sendo que, para tal técnico, muitas vezes são
desconhecidos os graves e pomposos princípios e conceitos constitucionais ou legais
que, teoricamente, seriam superiores e aos quais, em um Estado de Direito, a
Administração deve a mais estreita fidelidade. Por isso, de nenhuma valia é a
Constituição cujas normas e valores não se irradiem nas prosaicas e fundamentais
rotinas administrativas.
Foi necessário escavar profundamente, e nem sempre as profundezas eram
suficientemente iluminadas. Mas eis que brota esta coletânea de legislação das águas
subterrâneas, onde as normas sobre o tema estão reunidas e organizadas. É um
material rico, como as águas das quais fala!

Wladimir Antonio Ribeiro*

___________________________________

Wladimir Antonio Ribeiro, advogado, é graduado em Direito pela Universidade de


São Paulo (1990) e mestre em ciências jurídico-políticas pela Universidade de
Coimbra (2002), foi consultor do Governo Federal na elaboração da Lei Nacional
de Saneamento Básico (LNSB). É autor, dentre outros, de Cooperação Federativa
e a Lei de Consórcios Públicos (2007).

de normas gerais, regulamentação do Poder Executivo e cooperação intergovernamental em tempos de Reforma


Federativa, Belo Horizonte: Editora Fórum, 2008.

9
SUMÁRIO

ORGANIZADORES .................................................................................................... 1

AGRADECIMENTOS .................................................................................................. 3

PRÓLOGO.................................................................................................................. 4

PREFÁCIO ................................................................................................................. 6

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................ 12

2. BAHIA ............................................................................................................. 17
2.1. Lei n. 11.612, de 08 de outubro de 2009 ..................................................... 17
2.2. Lei n. 12.035, de 22 de novembro de 2010 ................................................. 59
2.3. Decreto n. 6.296, de 21 de março de 1997 ................................................. 62

3. SERGIPE ........................................................................................................ 74
3.1. Lei n. 3.870, de 25 de setembro de 1997 .................................................... 74
3.2. Decreto n. 18456, de 03 de dezembro de 1999 .......................................... 93
3.3. Decreto Nº 18. 456, de 03 de dezembro de 1999........................................ 93

4. ALAGOA ....................................................................................................... 110


4.1. Lei nº 5.965, de 10 de novembro de 1997 ................................................. 110
4.2. Lei nº 7.094, de 02 de setembro de 2009 .................................................. 144
4.3. Decreto N° 6, de 23 de janeiro de 2001..................................................... 158
4.4. Decreto n. 49.419, de 18 de julho de 2016 ................................................ 170
4.5. Decreto Nº 49.419, de 18 de julho de 2016 ............................................... 170
4.6. Decreto n. 49.420, de 18 de julho de 2016 ................................................ 177

5. PERNAMBUCO ............................................................................................ 178


5.1. Lei nº. 12984, de 17 de janeiro de 1997 .................................................... 178
5.2. Lei Ordinária n° 11 427, de 18 de janeiro de 1997 .................................... 204
5.3. Decreto n. 20423, de 26 de março de 1998 .............................................. 213

6. PARAÍBA ...................................................................................................... 237


6.1. Lei n.º 6.308, de 02 de julho de 1996 ........................................................ 237
6.2. Decreto n. 19.260, de 31 de outubro de 1997 ........................................... 255

7. RIO GRANDE DO NORTE ........................................................................... 269


7.1. Lei n. 6.908, de 01/07/1996 ....................................................................... 269
7.2. Lei complementar n. 481, de 03 janeiro de 2013 ....................................... 279

10
7.3. Decreto n. 13.283, de 22 de março de 1997 . ........................................... 284

8. CEARÁ ......................................................................................................... 303


8.1. Lei n. 14.844, de 28 de dezembro de 2010 ............................................... 303
8.2. Decreto n. 31.077, de 12 de dezembro de 2012. ...................................... 331
8.3. Decreto n. 31.076, de 12 de dezembro de 2012 ....................................... 345
8.4. Lei n. 16.096, 27 de julho de 2016............................................................. 362

9. PIAUÍ ............................................................................................................ 363


9.1. Lei n. 5.165, de 17 de agosto de 2000 ...................................................... 363
9.2. Decreto n. 11.341, de 22 de março de 2004 ............................................. 391

10. MARANHÃO ................................................................................................. 403


10.1. Lei n. 5.405, de 08 de abril de 1992 ....................................................... 403
10.2. Decreto Estadual n. 13.494, de 12 de novembro de 1993 ..................... 431
10.3. Lei n. 8.149, de 15 de junho de 2004 ..................................................... 477
10.4. Decreto n. 27.845, de 18 de novembro de 2011 .................................... 498
10.5. Decreto n. 28.008, de 30 de janeiro de 2012 ......................................... 532

11
1. INTRODUÇÃO

Reunimos em uma coletânea de 5 volumes, os diversos dispositivos legais a


respeito das águas subterrâneas em vigor nos 26 estados brasileiros e Distrito
Federal, apresentando-os a partir das cinco regiões geográficas, visando fomentar a
gestão integrada das águas superficiais e subterrâneas.
Esta obra objetiva auxiliar profissionais técnicos, jurídicos e pesquisadores na
efetivação da Política Nacional de Recursos Hídricos -PNRH, a qual completou 21
anos de vigência em nosso ordenamento jurídico, e, apesar de não mencionar as
águas subterrâneas, seus instrumentos de gestão as contemplam.
Assim, qualquer que seja a análise legal de um tema, deve-se partir sempre
da Lei Maior, a Constituição Federal8, norteadora de todo regramento nacional.
A Constituição Federal de 1988 disciplina que as águas subterrâneas são
tidas como bens dos estados, para que estes as gerenciem por meio de instrumentos
legais, conforme art. 26, I, in verbis:

Art. 26. Incluem-se entre os bens do s Estados:

I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito,


ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; (grifo
nosso) (BRASIL, 1988).

No entanto, verificamos que nem todos os estados atenderam ao disposto no


artigo supracitado, alguns não legislaram especificamente sobre águas subterrâneas
ou o fizeram parcialmente, disciplinando o tema de forma genérica em suas leis
estaduais de recursos hídricos.
Vale lembrar que de acordo com o Texto Constitucional o legislador
constituinte atribuiu à União competência privativa de legislar as regras gerais sobre
águas:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

(...)

8
Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm, acesso em 24/12/2017.

12
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão (grifo nosso)
(BRASIL,1988)

E a União cumpriu este dever constitucional, ao estabelecer a Política


Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) – Lei federal n. 9.433, de 08 de janeiro de
19979, a qual apresenta uma estrutura bastante didática, com fundamentos10,
objetivos11, diretrizes12 e instrumentos para gestão dos recursos hídricos.
Notadamente, os instrumentos constantes no seu artigo 5º compõem um conjunto de
ações para gestão dos recursos hídricos no território brasileiro, são eles: os Planos
de Recursos Hídricos; o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os
usos preponderantes da água; a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos; a
cobrança pelo uso de recursos hídricos; e, o Sistema de Informações sobre Recursos
Hídricos. E, apesar da PNRH não fazer menção às águas subterrâneas, ocorre uma
interconexão entre águas superficiais e subterrâneas, e tais instrumentos se aplicam
tanto as águas superficiais como as subterrâneas.
Outrossim, em razão da competência constitucional suplementar, verificamos
que as 27 unidades da federação (UF) possuem uma Política Estadual de Recursos
Hídricos (PERH), e que em todas estas Políticas, diversamente da PNRH, constam
artigos voltados às águas subterrâneas ou a aquíferos. Verificamos também que o
instrumento de outorga dos direitos de uso de recursos hídricos foi regulado em todas
UF.
Entretanto, apesar do ditame constitucional previsto no Art. 26, Inciso I,
apenas 12 UF legislaram13 especificamente sobre águas subterrâneas: São Paulo,
Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Pernambuco, Maranhão e Pará. Nas demais
UF foram criadas leis, decretos, regulamentos e portarias voltados para as águas
superficiais, que juntamente com a PERH, são utilizados nesta gestão.
Cabe anotar ainda, que há dispositivos legais de amplitude nacional que
disciplinam sobre o tema, devendo ser observados na gestão da água subterrânea
dos estados e DF, como a Resolução CONAMA 396/200814 que dispõe sobre a
classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas

9
Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9433.htm, acesso em 24/02/2017.
10
Dispostos no artigo 1.º da Lei 9433/1997.
11
Dispostos no artigo 2º da Lei 9433/1997.
12
Dispostas nos artigos 3º e 4º da Lei 9433/1997.
13
Em nossa ultima pesquisa eram somente 10 UF que possuíam regulamentações especificas.
14
Disponível em http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=562, acesso em 24/02/2017.

13
e dá outras providências; e a Portaria 2914, de 12/12/201115 do Ministério da Saúde,
que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água
para consumo humano e seu padrão de potabilidade.

Merece ser destacado a importância do legislar sobre águas subterrâneas,


uma vez que sob o território de oito estados brasileiros encontra-se o Sistema Aquífero
Guarani (SAG), são eles: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,
Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, todos com alta densidade
populacional e com grande demanda por recursos hídricos.
O SAG é um aquífero transfronteiriço e compartilhado com a Argentina,
Paraguai e Uruguai16, motivo pelo qual, em 02/08/2010 foi firmado um Acordo
Internacional17 entre os quatro países, em San Juan, República Argentina, para gestão
compartilhada do Aquífero Guarani. Porém, ainda não efetivado, pois pende de
ratificação por parte do Paraguai. No Brasil, recentemente foi ratificado por meio do
Decreto 52/2017, publicado no Diário do Senado Federal de 23/2/2017, que iniciou
vigência em 03/05/201718.
Convém ainda ressaltar que a Região Norte possui a maior reserva
subterrânea do país, o Aquífero Alter do Chão, considerado atualmente o maior
aquífero do planeta em volume de água e que se encontra sob os estados de
Amazonas, Pará e Amapá.

15
Disponível em http://www.comitepcj.sp.gov.br/download/Portaria_MS_2914-11.pdf , acesso em 24/02/2017.
16
Projeto Sistema Aquífero Guarani – PSAG – para mais informações consulte:
http://www.ana.gov.br/bibliotecavirtual/arquivos/20100223172711_PEA_GUARANI_Port_Esp.pdf
17
Disponível em http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/acordo-sobre-o-aquifero-guarani e/ou
http://www.internationalwaterlaw.org/documents/regionaldocs/Guarani_Aquifer_Agreement-Portuguese.pdf , acesso em
20/02/2017.
18
Disponível em
http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaTextoSigen.action?norma=17688744&id=17688749&idBinario=17688753&mime=
application/rtf, acesso em 20/02/2017.

14
Figura 1: Mapa de localização do Aquífero Guarani
Fonte: Agência Nacional de Águas.

Portanto, ainda há muito a ser feito para proteção dos aquíferos brasileiros. O
que significa dizer, que a regulamentação legal específica sobre o uso das águas
subterrâneas torna-se primordial, principalmente nestes estados que possuem
tamanha riqueza aquífera.
Por fim, informamos que a pesquisa foi cuidadosamente realizada, utilizando-
se como fonte de pesquisa os sites oficiais de cada unidade das 27 unidades da
federação.

Figura 2: Mapa das regiões do Brasil


Fonte: IBGE.

15
Após esta breve introdução, apresentaremos o arcabouço legal existente
sobre águas subterrâneas, a partir das regiões brasileiras, a seguir a região Nordeste.

16
2. BAHIA

2.1. Lei n. 11.612, de 08 de outubro de 2009

“Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos, o Sistema Estadual de


Gerenciamento de Recursos Hídricos, e dá outras providências.”

O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DA BAHIA, no uso


de atribuição prevista no art. 80, § 7º da Constituição do Estado da Bahia, combinando
com o art. 41, XXII, da Resolução n.º 1193/85 (Regimento Interno), faço saber que o
Plenário da Assembleia aprovou e eu promulgo a seguinte Lei:

TÍTULO I -
DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º - A Política Estadual de Recursos Hídricos reger-se-á pelos princípios, objetivos


e diretrizes estabelecidos por esta Lei e demais normas legais pertinentes à matéria.

CAPÍTULO II
DOS PRINCÍPIOS

Art. 2º - A Política Estadual de Recursos Hídricos será conduzida pelos seguintes


princípios:

I - todos têm direito ao acesso à água, bem de uso comum do povo, recurso natural
indispensável à vida, à promoção social e ao desenvolvimento;

II - em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo


humano e a dessedentação de animais;

III - a gestão de recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas;

IV - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;

V - o gerenciamento do uso das águas deve ser descentralizado, com a participação


do Poder Público, dos usuários e das comunidades;

VI - a bacia hidrográfica é a unidade territorial definida para o planejamento e o


gerenciamento dos recursos hídricos, devendo ser articulada com a política de
Territórios de Identidade;

17
VII - do usuário-pagador e do poluidor-pagador19;

VIII - da responsabilidade e da ética ambiental.

CAPÍTULO III
DOS OBJETIVOS

Art. 3º - São objetivos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - assegurar que os recursos hídricos sejam utilizados pelas atuais e futuras gerações,
de forma racional e com padrões satisfatórios de qualidade e de proteção à
biodiversidade;

II - compatibilizar o uso da água com os objetivos estratégicos da promoção social, do


desenvolvimento regional e da sustentabilidade ambiental;

III - assegurar medidas de prevenção e defesa contra danos ambientais e eventos


hidrológicos críticos de origem natural ou decorrente do uso dos recursos naturais;

IV - assegurar a equidade e a justa distribuição de ônus e benefícios pelo uso dos


recursos hídricos.

CAPÍTULO IV
DAS DIRETRIZES

Art. 4º - São diretrizes da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - a articulação com o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos -


SINGREH;

II - a inserção da dimensão ambiental e de recursos hídricos nas políticas, planos,


programas, projetos e atos da Administração Pública20;

III - a integração do gerenciamento dos recursos hídricos com as políticas públicas


federais, estaduais ou municipais de meio ambiente, saúde, saneamento, habitação,

19
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377 , de 28 de dezembro de 2011

20
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377 , de 28 de dezembro de 2011

18
uso do solo e desenvolvimento urbano e regional e outras de relevante interesse social
que tenham inter-relação com a gestão das águas;

IV - a inter-relação da gestão das bacias hidrográficas com a gestão dos domínios


aquíferos, os sistemas deltaicos, estuarinos e a Zona Costeira;

V - a adequação sistemática dos recursos hídricos às diversidades físicas, bióticas,


demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas regiões do Estado21;

VI - a gestão integrada, sem dissociação dos aspectos quantitativo e qualitativo,


considerando as fases do ciclo hidrológico;

VII - a maximização dos benefícios sociais e econômicos resultantes do


aproveitamento múltiplo e integrado dos recursos hídricos;

VIII - a priorização de ações, serviços e obras que visem assegurar disponibilidade de


águas nas regiões com escassez22;

IX - o desenvolvimento permanente de programas de conservação e proteção das


águas contra a poluição e a exploração excessiva ou não controlada;

X - o estímulo e o fomento à mobilização, participação e controle social para a gestão


das águas, com atenção especial à participação dos povos e comunidades
tradicionais e dos segmentos sociais vulneráveis;

XI - a promoção da educação para o uso dos recursos hídricos, com o objetivo de


sensibilizar a coletividade a respeito da necessidade de conservação e de utilização
sustentável deste recurso e de capacitá-la para participação ativa na sua defesa;

XII - a utilização racional das águas superficiais e subterrâneas;

XIII - a promoção das tecnologias eco-sustentáveis, voltadas para o uso racional,


conservação e recondução dos recursos hídricos para o reuso, reciclagem e outras
formas de tratamento da água e de efluentes;

XIV - a utilização de instrumentos econômicos e tributários de estímulo ao uso racional


e à conservação dos recursos hídricos.

TÍTULO II
DOS INSTRUMENTOS

Art. 5º - São instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

21
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
22
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

19
I - o Plano Estadual de Recursos Hídricos - PERH;

II - os Planos de Bacias Hidrográficas;

III - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo seus usos


preponderantes;

IV - a outorga de direito de uso de recursos hídricos;

V - a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

VI - o Sistema Estadual de Informações Ambientais e de Recursos Hídricos - SEIA23;

VII - a qualidade e o monitoramento dos recursos hídricos24;

VIII - a fiscalização do uso de recursos hídricos;

IX - o Fundo Estadual de Recursos Hídricos da Bahia - FERHBA;

X - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

§ 1º - A implementação dos instrumentos de gestão da Política Estadual de Recursos


Hídricos e a atuação do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos
orientar-se-á pela Divisão Hidrográfica Estadual.

§ 2º - A Divisão Hidrográfica Estadual, constituída de Regiões de Planejamento e


Gestão das Águas, será elaborada pelo órgão gestor e executor da Política Estadual
de Recursos Hídricos e submetida à aprovação do Conselho Estadual de Recursos
Hídricos - CONERH.

CAPÍTULO I
DO PLANO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 6º - O Plano Estadual de Recursos Hídricos - PERH é um Plano Diretor, de


natureza estratégica e abrangência estadual, que visa fundamentar e orientar a
implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos
recursos hídricos.

Art. 7º - O PERH será elaborado em consonância com os princípios, os objetivos e as


diretrizes da Política Estadual de Recursos Hídricos e da Política Estadual de Meio

23
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377 , de 28 de dezembro de 2011
24
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377 , de 28 de dezembro de 2011

20
Ambiente, com o Plano Estratégico do Estado, com o Plano Plurianual do Estado da
Bahia e com a Divisão Hidrográfica Estadual.

§ 1º - O plano é um instrumento de planejamento, de integração, de orientação e de


complementação da Política Estadual de Recursos Hídricos e de promoção do
desenvolvimento sustentável25.

§ 2º - O plano deve estabelecer mecanismos de integração com as demais políticas


setoriais26.

Art. 8º - O PERH definirá os mecanismos institucionais necessários à gestão integrada


e sustentável das águas, visando estabelecer pressupostos para garantir:

I - a utilização racional das águas superficiais e subterrâneas;

II - o aproveitamento múltiplo de recursos hídricos, através do reúso, reciclagem e


outras formas de tratamento, e o rateio dos custos das obras de interesse comum,
direta ou indiretamente, indicando subsídios parciais ou totais a serem concedidos;

III - a proteção das águas contra ações que possam comprometer seu uso, atual e
futuro;

IV - a prevenção e mitigação dos efeitos da seca, de enchentes, da poluição e outros


eventos que ofereçam riscos à saúde e à incolumidade pública ou graves prejuízos
econômicos e sociais;

V - o controle dos estudos da qualidade dos corpos d'água e o monitoramento dos


impactos ambientais resultantes do aproveitamento dos recursos hídricos27.

Art. 9º - O PERH tem um horizonte de planejamento de médio e longo prazo,


compatível com o período de implementação de seus programas e projetos, devendo
conter, no mínimo, os seguintes elementos:

I - diagnóstico da situação atual das águas e da gestão da oferta e da demanda dos


recursos hídricos;

II - análise das perspectivas de crescimento demográfico e das alternativas de


evolução de atividades produtivas e de modificações dos padrões de uso, ocupação
do solo e cobertura vegetal;

III - balanço entre disponibilidades e demandas, atuais e futuras, dos recursos


hídricos, em quantidade e qualidade, com identificação de potenciais conflitos;

25
§1º acrescido pelo art. 5º da Lei nº 12.377 , de 28 de dezembro de 2011
26
§ 2º acrescido pelo art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
27
Redação de acordo com a Lei nº 12.035 , de 22 de novembro de 2010

21
IV - metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria da qualidade
dos recursos hídricos disponíveis, através do reuso, reciclagem e outras formas de
tratamento;

V - programas, projetos e ações a serem desenvolvidos e implementados para o


atendimento de metas previstas;

VI - prioridades e critérios gerais de implementação dos instrumentos de gestão dos


recursos hídricos estaduais;

VII - propostas para a criação de áreas sujeitas à restrição de uso, com vistas à
proteção dos recursos hídricos;

VIII - diretrizes gerais para o aperfeiçoamento do sistema de planejamento estadual e


inter-regional de recursos hídricos e a sua integração com os planos setoriais;

IX - medidas de controle de grandes impactos ambientais negativos nos corpos d'água


decorrentes das obras e serviços de infraestrutura hídrica28;

X - ações que atendam às peculiaridades regionais, em especial, a Região semi- árida


ou outras consideradas estratégicas nos Programas de Governo;

XI - projetos para a ampliação e modernização das redes de informações


hidrogeológicas e meteorológicas;

XII - programas visando:

a) ao aproveitamento racional das águas subterrâneas compreendendo planejamento,


pesquisa, controle e monitoramento;

b) ao desenvolvimento tecnológico, capacitação técnica, mobilização e comunicação


social e a educação ambiental para o uso sustentável das águas;

c) à proteção ambiental das bacias hidrográficas, contemplando a recuperação de


áreas degradadas, preservação, conservação e recuperação de matas ciliares e
nascentes e das áreas de recargas;

d) à implementação, gerenciamento executivo, monitoramento e avaliação do PERH.

§ 1º - O PERH é de ordem pública, devendo ser divulgado e contar com a ampla


participação social na sua elaboração, implementação e atualizações periódicas.

28
Redação de acordo com a Lei nº 12.035 , de 22 de novembro de 2010

22
§ 2º - O conteúdo mínimo do PERH deve ser atendido, não havendo prejuízo no caso
de inserção de elementos provenientes de novas situações ou demandas oriundas da
dinâmica social, econômica ou ambiental.

Art. 10 - O PERH e as propostas de sua alteração deverão ser submetidos à


aprovação do Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH, a quem compete
estabelecer os procedimentos de elaboração, implementação e revisão do Plano.

CAPÍTULO II
DOS PLANOS DE BACIA HIDROGRÁFICA

Art. 11 - Os Planos de Bacias Hidrográficas são planos diretores, de natureza


estratégica e operacional, que têm por finalidade fundamentar a implementação da
Política Estadual de Recursos Hídricos, compatibilizando os aspectos quantitativos e
qualitativos do uso das águas, de modo a assegurar as metas e os usos neles
previstos, na área da bacia ou região hidrográfica considerada.

Art. 12 - Os Planos de Bacias Hidrográficas têm um horizonte temporal de curto a


médio prazo, devendo compreender o seguinte conteúdo mínimo:

I - estratégias de implementação das diretrizes do PERH e demais planos


relacionados;

II - estratégias de implementação dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos;

III - programas, projetos e ações a serem desenvolvidos e implementados para o


atendimento das metas previstas, por meio de29:

a) determinação dos valores cobrados pelo uso da água;

b) rateio dos investimentos de interesse comum;

c) previsão de recursos complementares alocados pelos orçamentos públicos e


privados na bacia;

d) aproveitamento racional das águas subterrâneas compreendendo planejamento,


pesquisa, controle e monitoramento;

e) desenvolvimento tecnológico, capacitação técnica, mobilização e comunicação


social e de educação ambiental para o uso sustentável das águas;

29
Redação de acordo com a Lei nº 12.035 , de 22 de novembro de 2010

23
f) proteção ambiental das bacias hidrográficas, contemplando a recuperação de áreas
degradadas, preservação, conservação e recuperação de matas ciliares e nascentes
e das áreas de recargas;

g) implementação, gerenciamento executivo, monitoramento e avaliação dos Planos


de Bacias;

IV - análise das perspectivas de crescimento demográfico e das alternativas de


evolução de atividades produtivas e de modificações dos padrões de uso, ocupação
do solo e cobertura vegetal;

V - balanço entre disponibilidades e demandas, atuais e futuras, dos Recursos


Hídricos, em quantidade e qualidade, com identificação de potenciais conflitos;

VI - metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria da qualidade


dos recursos hídricos disponíveis, através do reuso, reciclagem e outras formas de
tratamento;

VII - diagnóstico da situação atual das águas e da gestão da oferta e da demanda dos
recursos hídricos;

VIII - a definição de prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos;

IX - diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

X - propostas para a criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à


proteção das águas.

§ 1º - Os Planos de Bacias Hidrográficas são de ordem pública, devendo ser divulgado


e contar com a ampla participação social na sua elaboração, implementação e
atualizações periódicas.

§ 2º - O conteúdo mínimo dos Planos de Bacias Hidrográficas deve ser atendido, não
havendo prejuízo no caso de inserção de elementos provenientes de novas situações
ou demandas oriundas da dinâmica social, econômica ou ambiental.

Art. 13 - O Plano de Bacia Hidrográfica e as propostas de sua alteração deverão ser


submetidos à aprovação do respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica, a quem compete
a regulamentação dos procedimentos de elaboração, implementação e revisão do
referido Plano.

24
CAPÍTULO III
DO ENQUADRAMENTO DOS CORPOS DE ÁGUA EM CLASSES, SEGUNDO
SEUS USOS PREPONDERANTES

Art. 14 - O enquadramento dos corpos d'água de domínio estadual em classes,


segundo seus usos preponderantes, será feito de forma a:

I - estabelecer os níveis de qualidade a serem mantidos ou alcançados em


compatibilidade com os usos mais exigentes a que as águas forem destinadas;

II – Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011;

III - reduzir os níveis de poluição das águas por meio de ações preventivas
permanentes.

Art. 15 - O CONERH aprovará o enquadramento dos corpos d'água em classes,


segundo seus usos preponderantes, com base na legislação ambiental pertinente,
mediante proposta dos Comitês de Bacia Hidrográfica, observado o disposto no inciso
VI do art. 75 desta Lei.

Art. 16 - O CONERH deverá estabelecer condições, metas e prazos para que os


lançamentos de esgotos e demais efluentes sólidos, líquidos ou gasosos sejam
reutilizados, reciclados ou tratados antes do seu lançamento.

CAPÍTULO IV
DA OUTORGA DE DIREITO DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 17 - A outorga de direito de uso de recursos hídricos tem por objetivo efetuar o
controle quantitativo e qualitativo do uso das águas e assegurar o direito de acesso à
água, condicionada às prioridades de uso estabelecidas no Plano Estadual de
Recursos Hídricos e nos Planos de Bacias Hidrográficas.

§ 1º - No ato de emissão da outorga de direito de uso de recursos hídricos deverá


constar a finalidade, o prazo de vigência, a vazão máxima outorgada, o seu regime de
variação, o período de bombeamento e, no caso de lançamento de efluentes, seus
parâmetros de qualidade.

§ 2º - As outorgas de direito de uso de recursos hídricos no Estado da Bahia serão


emitidas na modalidade de autorização.

§ 3º - Toda outorga de direitos de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não
excedente a 35 (trinta e cinco) anos, renovável conforme diretrizes estabelecidas pelo
CONERH.

25
§ 4º - Para a outorga de direito de uso de recursos hídricos, o órgão gestor e executor
da Política Estadual de Recursos Hídricos deverá observar as diretrizes e os critérios
gerais estabelecidos pelo CONERH, bem como as prioridades e os critérios
específicos para outorga aprovadas pelo referido Conselho em situações de
escassez.

Art. 18 - Ficam sujeitos à outorga de direito de uso de recursos hídricos ou à


manifestação prévia do órgão executor da Política Estadual de Recursos Hídricos, na
forma do regulamento, as seguintes atividades ou empreendimentos30:

I - as atividades ou empreendimentos que captem ou derivem águas superficiais ou


subterrâneas, para uso próprio ou para terceiros;

II - as atividades, ações ou intervenções que possam alterar a quantidade, a qualidade


ou o regime das águas superficiais ou subterrâneas, ou que alterem canais, álveos,
correntes de águas, nascentes, açudes, aquíferos, lençóis freáticos, lagos e
barragens31;

III - as interferências nos leitos dos rios e demais corpos hídricos para a extração
mineral ou de outros materiais, conforme legislação específica;

IV - o lançamento de esgotos e demais efluentes sólidos, líquidos ou gasosos, tratados


ou não, em corpos d'água, com finalidade de diluição, transporte ou disposição final;

V - a perfuração de poços tubulares.

§ 1º - Os lançamentos, captações, derivações e acumulações de volumes d´água


considerados de pouca expressão pelo CONERH serão dispensados de outorga do
direito de uso, sem prejuízo de seu cadastramento para o monitoramento de uso,
controle e fiscalização, e para fins de defesa da segurança, da saúde pública e da
solução de conflitos.

a) Os usuários de recursos hídricos que se enquadrem no parágrafo acima


deverão fazer seu cadastramento junto ao órgão gestor e executor da Política
Estadual de Recursos Hídricos32.

§ 2º - O lançamento de águas residuais e residuárias será passível de outorga, e o


órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos estimulará o reuso
da água.

30
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
31
Redação de acordo com a Lei nº 12.035, de 22 de novembro de 2010
32
Alínea "a" acrescida pelo art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

26
§ 3º - O outorgado responderá objetivamente, na forma da legislação pertinente, por
qualquer dano ao meio ambiente causado pela execução de obras de captação,
lançamento, contenção ou derivação de águas.

§ 4º - Os emolumentos administrativos para expedição de outorgas de direito de uso


dos recursos hídricos de domínio estadual serão cobrados de acordo com os critérios
estabelecidos em regulamento.

§ 5º - A perfuração de poços tubulares poderá ser dispensada de outorga de direito


de uso de recursos hídricos ou de manifestação prévia conforme disposto em
regulamento33.

§ 6º - Estão dispensadas de outorga de água as barragens para acumulação menores


que 200.000m3 34.

Art. 19 - A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser revisada, podendo
ser suspensa parcial ou totalmente, por prazo determinado, nas seguintes
circunstâncias:

I - modificação dos pressupostos que a determinaram;

II - necessidade premente de água para atender a situações de calamidade pública,


inclusive as decorrentes de condições climáticas adversas;

III - necessidade de prevenir ou reverter grave dano aos recursos hídricos35;

IV - necessidade de atender aos usos prioritários ou de interesse coletivo, para os


quais não se disponha, comprovadamente, de fontes alternativas;

V - necessidade de manter as características de navegabilidade do corpo d'água;

VI - necessidade de redução da vazão outorgada, conforme hipóteses aprovadas pelo


CONERH36;

VII - exploração de águas subterrâneas, em níveis que representem risco para o


aquífero;

VIII - incorrer em infração administrativa sujeita à aplicação da sanção restritiva de


direito prevista no inciso I do art. 80 desta Lei.

Art. 20 - As outorgas de direito de uso de recursos hídricos extinguir-se-ão por:

33
§ 5º acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377 , de 28 de dezembro de 2011
34
§ 6º acrescido ao art. 18 pela Lei nº 13.457, de 03 de dezembro de 2015
35
Redação de acordo com a Lei nº 12.035 , de 22 de novembro de 2010
36
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

27
I - decurso do prazo de vigência da outorga;

II - cassação, em razão de:

a) não cumprimento, pelo outorgado, dos termos da respectiva outorga inclusive dos
prazos estabelecidos para o início e conclusão da derivação;

b) não obtenção ou extinção da licença ambiental ou de outras autorizações


pertinentes;

c) incorrer em infração administrativa sujeita à aplicação da sanção restritiva de direito


prevista no inciso II do art. 80 desta Lei;

d) Revogada pelo art. 3º da Lei nº 12.035, de 22 de novembro de 2010.

III - revogação, em razão da ausência de uso por 3 (três) anos consecutivos e da


ocorrência das hipóteses previstas no art. 19 desta Lei que motivarem a necessidade
de extinção da outorga;

IV - caducidade;

V - desistência do outorgado;

VI - morte do outorgado, na hipótese do usuário ser pessoa física; e

VII - liquidação judicial ou extrajudicial do outorgado, na hipótese do usuário ser


pessoa jurídica.

Parágrafo único - Nas hipóteses previstas nos incisos VI e VII deste art., os herdeiros,
inventariantes e sucessores do usuário outorgado, se interessados em prosseguir com
a utilização da outorga, deverão requerer a retificação do ato administrativo, na forma
definida em regulamento.

Art. 21 - O órgão executor da Política Estadual de Recursos Hídricos poderá emitir


outorgas preventivas de uso de recursos hídricos, com a finalidade de declarar a
disponibilidade de água para os usos requeridos37.

§ 1º - A outorga preventiva não confere direito de uso de recursos hídricos e se destina


apenas a reservar a vazão passível de outorga, possibilitando aos investidores o
planejamento de grandes empreendimentos que necessitem desses recursos.

§ 2º - O prazo de vigência da outorga preventiva será fixado levando-se em conta a


complexidade do planejamento do empreendimento, limitando-se ao máximo de 03
(três) anos, renovável nos termos do regulamento.

37
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

28
CAPÍTULO V
DA COBRANÇA PELO USO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 22 - A cobrança pelo uso de recursos hídricos é instrumento gerencial que tem
por objetivo:

I - conferir racionalidade econômica e ambiental ao uso da água;

II - incentivar a melhoria dos níveis de qualidade dos efluentes lançados nos corpos
de água;

III - contribuir para o desenvolvimento de projetos, programas e ações contempladas


no Plano Estadual e Recursos Hídricos e nos Planos de Bacia Hidrográficas.

Art. 23 - Na fixação dos valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos
observar-se-á, em especial:

I - as características do uso e o porte da utilização, considerando:

a) o volume retirado e seu regime de variação, nas derivações, captações e extrações


de água;

b) o volume lançado e seu regime de variação e as características físico-químicas,


biológicas e de toxicidade do efluente, nos lançamentos de esgotos e demais resíduos
líquidos ou gasosos;

c) a eficiência do uso da água;

d) o regime de variação sazonal dos usos;

e) os impactos socioeconômicos sobre os usuários.

II - as peculiaridades de cada bacia hidrográfica, considerando:

a) a disponibilidades hídrica local;

b) a classe de uso preponderante em que for enquadrado o corpo de água;

c) as prioridades de uso na bacia hidrográfica e o respectivo balanço entre as


demandas e as disponibilidades de recursos hídricos;

d) o grau de regularização assegurado por obras hidráulicas e a necessidade de


preservação.

29
Art. 24 - Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos à outorga de direito de
uso, inclusive pelo lançamento de efluentes, com base nas diretrizes e critérios gerais
estabelecidos pelo CONERH e nos valores aprovados pelo referido Conselho.

§ 1º - Serão aplicados até 7,5% (sete vírgula cinco por cento) do total arrecadado com
a cobrança pelo uso dos recursos hídricos no pagamento de despesas de implantação
e no custeio administrativo dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Estadual
de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

§ 2º - Os recursos da cobrança serão individualizados por unidade de gestão


hidrográfica e serão nela, prioritariamente, aplicados, inclusive no financiamento de
estudos, programas, projetos, pesquisas e obras incluídos no Plano de Bacia
Hidrográfica.

§ 3º - As unidades de gestão hidrográficas serão criadas pelo CONERH após


avaliação de proposta elaborada pelo órgão gestor ou executor da Política Estadual
de Recursos Hídricos, sendo constituída por uma bacia hidrográfica ou por bacias
hidrográficas contíguas38.

§ 4º - O órgão executor da Política Estadual de Recursos Hídricos será o responsável


pela arrecadação dos recursos e manterá registros que permitam identificar as
receitas nas unidades de gestão hidrográfica em que foram geradas, com o objetivo
de cumprir o estabelecido nos parágrafos 2º e 3º deste artigo39.

Art. 25 - A cobrança pelo uso de recursos hídricos para o aproveitamento dos


potenciais hidráulicos para fins de geração de energia reger-se-á pela legislação
federal40.

CAPÍTULO VI
DO SISTEMA ESTADUAL DE INFORMAÇÕES AMBIENTAIS E DE RECURSOS
HÍDRICOS – SEIA

Art. 26 - O Sistema Estadual de Informações Ambientais e de Recursos Hídricos -


SEIA, constituído pelo conjunto integrado de procedimento de coleta, tratamento,
armazenamento, recuperação e disponibilização de informações relacionados com a
gestão de recursos hídricos no Estado, além das finalidades traçadas pela lei da
Política Estadual de Meio Ambiente e de Proteção à Biodiversidade, tem por
objetivos41:

38
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377 , de 28 de dezembro de 2011
39
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
40
Redação de acordo com o art. 12 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
41
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

30
I - reunir, dar consistência e divulgar dados e informações sobre a situação quantitativa
e qualitativa do uso das águas no Estado da Bahia;

II - manter permanentemente atualizada a base de informações;

III - fornecer subsídios para o planejamento e o gerenciamento.

§ 1º - É obrigatório o fornecimento, pelos outorgados, de dados operacionais


referentes à outorga de uso de recursos hídricos.

§ 2º - O acesso aos dados e às informações do SEIA é garantido a toda sociedade42.

Art. 26-A - Fica instituído, no âmbito do SEIA, o Cadastro Estadual de Usuários dos
Recursos Hídricos, de Obras de Infraestrutura Hídrica e Organizações Civis
relacionadas à gestão e conservação de Recursos Hídricos - CERH para fins de
controle e planejamento das ações de gerenciamento dos recursos hídricos43.

§ 1º - São obrigadas a se inscrever no CERH as pessoas físicas ou jurídicas usuárias


de recursos hídricos, responsáveis por obras de infraestrutura hídrica, e organizações
civis relacionadas à gestão e conservação de Recursos Hídricos.

§ 2º - Deverá ser implementado o Cadastro Estadual de Usuários das Águas


Subterrâneas, como parte do CERH.

CAPÍTULO VII
DO MONITORAMENTO DAS ÁGUAS

Art. 27 - O monitoramento da quantidade e qualidade das águas tem como objetivos:

I - acompanhar as pressões antrópicas sobre os recursos hídricos de domínio


estadual;

II - identificar a quantidade e a qualidade das águas e dos ambientes aquáticos;

III - avaliar a efetividade das medidas adotadas pelo sistema de gestão no controle e
proteção dos recursos hídricos; e

IV - gerar informações relativas às áreas prioritárias para a ação pública.

42
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
43
Art. 26-A acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

31
Art. 27-A - O órgão executor da Política Estadual de Recursos Hídricos deverá
monitorar a qualidade e quantidade dos recursos hídricos para subsidiar as ações de
gestão e de controle ambiental, bem como prestar informações à sociedade44.

Art. 27-B - O órgão executor da Política Estadual de Recursos Hídricos estabelecerá


programa de monitoramento de recursos hídricos dentro de uma estratégia de gestão
ambiental integrada de modo compatível com os Planos Estaduais45.

§ 1º - Os dados de monitoramento deverão ser usados prioritariamente para as


seguintes finalidades:

I - orientar a disposição de cargas de efluentes e poluentes nos recursos hídricos;

II - identificar a quantidade e qualidade das águas e dos ambientes aquáticos;

III - avaliar a eficácia dos padrões e o estabelecimento de suas quantidades máximas


totais diárias para lançamento nos recursos hídricos.

§ 2º - Os dados de monitoramento ambiental deverão ser integrados,


georreferenciados e armazenados no SEIA.

CAPÍTULO VIII
DA FISCALIZAÇÃO DO USO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 28 - A fiscalização do uso dos recursos será exercida nas águas superficiais e
subterrâneas de domínio do Estado da Bahia e realizar-se-á com base nos
fundamentos, princípios, objetivos e diretrizes estabelecidos por esta Lei e tendo como
enfoques a orientação aos usuários, a fim de assegurar o cumprimento da legislação
ambiental e a repressão às infrações administrativas de recursos hídricos.

Art. 28-A - Aos agentes do órgão executor da Política Estadual de Recursos Hídricos
ficam asseguradas a entrada e a permanência, pelo tempo que se tornar necessário,
em estabelecimentos e propriedades públicos ou privados, quando do exercício da
ação fiscalizadora46.

Parágrafo único - Os agentes, quanto obstados, poderão requisitar força policial para
garantir o exercício de suas atribuições.

Art. 28-B - São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e
instaurar processo administrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do

44
Art. 27-A acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

45
Art. 27-B acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
46
Art. 28-A acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

32
Sistema Estadual de Meio Ambiente - SISEMA e do Sistema Estadual de
Gerenciamento de Recursos Hídricos - SEGREH, com atribuições legais para as
atividades de fiscalização47.

CAPÍTULO IX
DO FUNDO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 29 - O Fundo Estadual de Recursos Hídricos da Bahia - FERHBA, vinculado à


Secretaria de Meio Ambiente - SEMA, criado pela Lei nº. 8.194, de 21 de janeiro de
2002, tem como objetivo dar suporte financeiro à Política Estadual de Recursos
Hídricos e às Ações previstas no Plano Estadual de Recursos Hídricos e nos Planos
de Bacias Hidrográficas48.

§ 1º - O Fundo de que trata este artigo tem natureza patrimonial e terá plano plurianual
de aplicação de seus recursos e contabilidade próprios.

§ 2º - O sistema de funcionamento do Fundo será regido em regulamento próprio,


aprovado por Decreto.

Art. 30 - O FERHBA será administrado por um Conselho Deliberativo integrado pelo


Secretário do Meio Ambiente, que o presidirá, por representantes das entidades da
Administração Pública Indireta vinculadas a SEMA e por dois representantes do
CONERH, sendo um do setor usuário e uma da sociedade civil, conforme disposto em
regulamento49.

Art. 31 - Os Planos Plurianuais de Aplicação dos Recursos do FERHBA deverão ser


elaborados pela SEMA, em articulação com o órgão executor da Política Estadual de
Recursos Hídricos, com base nos critérios definidos pelo CONERH, para aprovação
do Conselho Deliberativo50.

Art. 32 - A gestão e o controle orçamentário, financeiro e patrimonial do FERHBA


serão exercidas pela SEMA, conforme critérios aprovados pelo Conselho de
Administração do Fundo, observado o disposto na legislação orçamentária pertinente.

Art. 33 - Constituem receitas do FERHBA:

I - os recursos decorrentes da cobrança pelo uso dos recursos hídricos de domínio do


Estado;

47
Art. 28-B acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
48
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
49
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
50
Redação de acordo com o art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

33
II - O valor correspondente até 20% (vinte por cento) dos recursos destinados à gestão
e preservação do meio ambiente e dos recursos hídricos, na forma prevista no inciso
I, do art. 1º, da Lei Estadual nº 9.281, de 07 de outubro de 2004, referente às
compensações financeiras previstas no § 1º do art. 20 da Constituição Federal51.

III - os recursos que lhe forem transferidos em decorrência de dotações orçamentárias;

IV - os rendimentos de qualquer natureza derivados de aplicação de seu patrimônio;

V - os recursos provenientes de acordos, convênios, contratos ou consórcios;

VI - os recursos provenientes de ajuda ou cooperação internacional e de acordos entre


Governos na área de recursos hídricos;

VII - as doações, legados, contribuições em dinheiro, valores, bens móveis e imóveis,


que venha receber de pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras,
observadas as disposições legais pertinentes;

VIII - outras receitas destinadas por lei.

§ 1º - Será destinado ao órgão executor da Politica Estadual de Recursos Hídricos,


através de repasses específicos, o valor correspondente a 7,5% (sete e meio por
cento) do total arrecadado com a cobrança pelo uso dos recursos hídricos no
pagamento de despesas de implantação e no custeio administrativo dos órgãos e
entidades integrantes do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos52.

§ 2º - Fica mantida a destinação dos recursos previstos no §1º do art. 24, nos termos
desta Lei, do total arrecadado, com a cobrança pelo uso dos recursos hídricos no
pagamento de despesas de implantação e no custeio administrativo dos órgãos e
entidades integrantes do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos53.

Art. 34 - Os recursos do FERHBA serão empregados em:

I - estudos, programas, projetos, pesquisas e obras no setor de recursos hídricos,


observada a aplicação prioritária dos recursos da cobrança prevista no § 2º do art. 24
desta Lei;

II - desenvolvimento de tecnologias para o uso racional das águas;

III - operação, recuperação e manutenção de barragens;

IV - projetos e obras de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário;

51
Redação de acordo com o art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
52
§ 1º acrescido pelo art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
53
§ 2º acrescido pelo art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

34
V - melhoria da qualidade e elevação da disponibilidade da água;

VI - comunicação, mobilização, participação e controle social para o uso sustentável


das águas;

VII - educação ambiental para o uso sustentável das águas;

VIII - fortalecimento institucional;

IX - capacitação e treinamento dos integrantes do SEGREH; e

X - custeio do SEGREH, na forma do disposto no § 1º do art. 24 desta Lei.

XI - estudos para definição de regras de operação de reservatórios e segurança de


barragens54;

§ 1º - Às entidades delegatárias a que se refere o art. 64 desta Lei serão destinados


recursos orçamentários necessários ao cumprimento dos contratos de gestão, nos
termos do disposto no caput e § 1º do art. 67 desta Lei.

§ 2º - O sistema de funcionamento do Fundo será definido em Regimento Interno


aprovado pelo seu Conselho de Administração.(Revogado pelo art. 14 da Lei nº
12.377, de 28 de dezembro de 2011).

§ 3º - O Fundo será auditado pelo órgão de controle interno da Administração Pública


e pelo Tribunal de Contas do Estado55.

CAPÍTULO X
CONFERÊNCIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

Art. 35 - A Conferência Estadual do Meio Ambiente é um instrumento de gestão


ambiental e de recursos hídricos, com ampla participação da sociedade, que
contempla todo o território do Estado e promove a transversalidade das questões
relacionadas ao meio ambiente, na forma disposta na lei que dispõe sobre a Política
Estadual de Meio Ambiente.

54
Inciso XI acrescido pelo art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
55
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

35
TÍTULO III
DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

Art. 36 - São consideradas subterrâneas as águas que ocorrem natural ou


artificialmente no subsolo.

Art. 37 - Submetem-se aos fundamentos, às diretrizes gerais e aos instrumentos da


Política Estadual de Recursos Hídricos, os depósitos de águas subterrâneas.

Art. 38 - As águas subterrâneas, em razão de sua importância estratégica, deverão


estar sujeitas a programas permanentes de conservação e proteção, visando ao seu
uso sustentado.

Parágrafo único - Para assegurar a quantidade e a qualidade naturais das águas


subterrâneas, o órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos
deverá:

I - instituir área de proteção dos aquíferos;

II - estabelecer distâncias mínimas entre poços tubulares e entre os poços e os cursos


d'água;

III - restringir as vazões captadas por poços em áreas de aquíferos superexplorados;

IV - apoiar ou executar projetos de recarga dos aquíferos;

V - instituir, implementar e manter atualizado o cadastro de poços tubulares e outras


captações;

VI - instituir, implementar e manter atualizado o cadastro estadual de usuários das


águas subterrâneas, como parte do Cadastro Estadual de Usuários dos Recursos
Hídricos;

VII - promover a sua avaliação quantitativa e qualitativa e o planejamento de seu


aproveitamento racional;

VIII - definir o volume explotável dos domínios aquíferos;

Art. 39 - A exploração de águas subterrâneas, em níveis que representem risco para


o aquífero, demandará do órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos
Hídricos as seguintes medidas:

I - a suspensão da outorga de direito de uso nos termos do inciso VII do art. 19 desta
Lei;

36
II - a restrição do regime de operação outorgado, com respeito à vazão outorgada e/ou
ao tempo de bombeamento.

Parágrafo único - As medidas de que trata este art. vigorarão até que sejam
restabelecidos os níveis de segurança de exploração, não gerando direito de
indenização ao outorgado.

Art. 40 - Os resíduos líquidos, sólidos ou gasosos, provenientes de atividades


urbanas, agropecuárias, industriais, comerciais, minerárias, dentre outras, somente
poderão ser armazenados, transportados ou lançados no solo, de forma a não poluir
ou contaminar as águas subterrâneas.

Art. 41 - As captações de águas subterrâneas serão obrigatoriamente dotadas de


dispositivos adequados de proteção sanitária para evitar a contaminação de aquíferos.

§ 1º - Os poços perfurados que apresentarem surgência deverão ser dotados de


dispositivos adequados de controle da vazão.

§ 2º - Os poços abandonados e as perfurações realizadas para fins diversos da


extração de água deverão ser tecnicamente tamponados de forma a evitar acidentes,
contaminação ou poluição dos aquíferos.

Art. 42 - As águas classificadas como minerais terão a sua utilização regida pela
legislação federal, e no que couber, pelas disposições complementares fixadas pelos
órgãos ou entidades competentes.

TÍTULO IV
DO SISTEMA ESTADUAL DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I
DOS OBJETIVOS

Art. 43 - O Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos - SEGREH tem


o objetivo de:

I - formular e implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos;

II - coordenar a gestão integrada das águas;

III - planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a conservação dos recursos


hídricos e a recuperação da qualidade das águas.

Art. 44 - O SEGREH deverá estar integrado com:

37
I - o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos - SINGREH;

II - o Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA;

III - o Sistema Estadual do Meio Ambiente - SISEMA.

CAPÍTULO II
DA COMPOSIÇÃO

Art. 45 - Integram o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos –


SEGREH:

I - o Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH;

II - a Secretaria Estadual do Meio Ambiente - SEMA;

III - o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - INEMA56;

IV - os Comitês de Bacia Hidrográfica;

V - as Agências de Bacia Hidrográfica;

VI - os órgãos setoriais e/ou sistêmicos, cujas atividades ou competências guardem


relação com a gestão ou uso dos recursos hídricos do Estado da Bahia;

VII - Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos – CERB57.

SEÇÃO I
Do Conselho Estadual de Recursos Hídricos

Art. 46 - O Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH, órgão superior do


SEGREH, com funções de natureza consultiva, normativa, deliberativa, recursal e de
representação, tem por finalidade o planejamento e acompanhamento da política e
das diretrizes governamentais voltadas para a gestão dos recursos hídricos,
competindo-lhe58:

56
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
57
(Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

58
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

38
I - estabelecer diretrizes complementares para implementação da Política Estadual de
Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do SEGREH59;

II - estabelecer os procedimentos de elaboração, implementação e revisão do Plano


Estadual de Recursos Hídricos;

III - aprovar o Plano Estadual de Recursos Hídricos e suas alterações60;

IV - fomentar a articulação do planejamento de recursos hídricos com os


planejamentos nacionais, regionais, estaduais e dos setores usuários;

V - apresentar contribuições para a elaboração do Zoneamento Territorial Ambiental


do Estado e do Plano Estadual de Meio Ambiente;

VI - analisar propostas de alterações de legislação pertinente aos recursos hídricos e


encaminhá-las aos órgãos competentes;

VII - aprovar os valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos, atendendo
ao disposto no art. 54, inciso VI, alínea "b", e observado o disposto no art. 23, ambos
desta Lei;

VIII - estabelecer as medidas para a proteção dos corpos de água, podendo


determinar regime especial, temporário ou definitivo, para a sua utilização;

IX - estabelecer as diretrizes e critérios gerais para a outorga do direito de uso dos


recursos hídricos estaduais e para a cobrança pelo seu uso, inclusive pelo lançamento
de efluentes;

X - aprovar a criação de unidades de gestão de recursos hídricos, constituídas por


uma bacia hidrográfica ou por bacias hidrográficas contíguas61;

XI - aprovar o enquadramento dos corpos de água do domínio estadual, em classes,


segundo seus usos preponderantes62;

XII - estabelecer condições, metas e prazos para que os lançamentos de esgotos e


demais efluentes sólidos, líquidos ou gasosos sejam reutilizados, reciclados ou
tratados antes do seu lançamento;

XIII - aprovar as propostas de instituição dos Comitês de Bacia Hidrográfica, bem


como definir os critérios gerais para a constituição e funcionamento;

59
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
60
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
61
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
62
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

39
XIV - aprovar as propostas de criação de Agências de Bacia Hidrográfica, atendendo
ao disposto no art. 54, inciso VI, alínea "a" desta Lei;

XV - deliberar sobre questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Comitês de
Bacia Hidrográfica;

XVI - definir critérios para aplicação dos recursos do Fundo Estadual de Recursos
Hídricos63;

XVII - aprovar os planos de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo
uso dos recursos hídricos, para aplicação prioritária nas respectivas unidades de
gestão hidrográfica, atendendo ao disposto na alínea "c", do inciso VI, do art. 54 desta
Lei;

XVIII - aprovar os volumes das acumulações, derivações, captações e lançamentos


considerados de pouca expressão, para efeito de dispensa de outorga de direito de
uso dos Recursos Hídricos;64

XIX - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

XX - estabelecer critérios e aprovar rateio de custos de obras de aproveitamento


múltiplo de interesse comum ou coletivo, atendendo ao disposto na alínea "h", do
inciso VI, do art. 54 desta Lei;

XXI - aprovar as prioridades e os critérios específicos para outorga de direito de uso


de recursos hídricos em situações de escassez65;

XXII - autorizar a delegação do exercício de funções de competência de Agência de


Bacia Hidrográfica às organizações civis de recursos hídricos66;

XXIII - aprovar a Divisão Hidrográfica Estadual, atendendo ao disposto no inciso XIX


do art. 52 desta Lei;

XXIV - decidir, em grau de recurso, como última instância administrativa, sobre as


penalidades administrativas impostas pelo órgão executor da Política Estadual de
Recursos Hídricos67;

XXV - arbitrar, em última instância administrativa, os conflitos relacionados com o uso


das águas de domínio estadual;

63
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
64
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

65
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
66
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
67
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

40
XXVI - indicar seus representantes junto ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos,
Conferências de Meio Ambiente ou outros órgãos, instâncias ou colegiados onde
tenha assento;

XXVII - instituir Câmaras Técnicas para subsidiar suas avaliações e decisões;

XXVIII - acompanhar o funcionamento do Sistema Estadual de Informações sobre os


Recursos Hídricos;

XXIX - exercer o controle social sobre o uso dos recursos do Fundo Estadual de
Recursos Hídricos;

XXX - elaborar e aprovar o seu Regimento Interno e respectivas alterações;

XXXI - demais competências definidas em lei específica.

XXXII - articular-se com o Conselho Estadual de Meio Ambiente, a Comissão


Interinstitucional de Educação Ambiental, o Fórum Baiano de Mudanças Climáticas e
os demais Colegiados Ambientais68.

Art. 46-A - O CONERH terá a seguinte estrutura:

I - Presidência;

II - Secretaria Executiva;

III - Plenário;

IV - Câmaras Técnicas.

§ 1º - O CONERH será presidido pelo Secretário do Meio Ambiente.

§ 2º - Caberá à Secretaria do Meio Ambiente prover o suporte administrativo,


financeiro e operacional ao Conselho69.

Art. 47 - O Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH será composto por:

I -09 (nove) representantes do Poder Público Estadual70;

II -06 (seis) representantes dos usuários de recursos hídricos;

III -05 (cinco) representantes de organizações civis de recursos hídricos, definidas na


forma dos arts. 47 e 48 da Lei Federal nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997;

68
Inciso XXXII acrescido na redação dada pelo art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
69
Art. 46-A acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
70
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

41
IV -02 (dois) representantes do Poder Público Municipal, sendo um usuário de
recursos hídricos.

§ 1º - Cada membro do CONERH contará com 02 (dois) suplentes para substituí-lo


em suas ausências e impedimentos, conforme previsto no Regimento Interno.

§ 2º - Os representantes do Poder Público Municipal, dos usuários de recursos


hídricos e das organizações civis de recursos hídricos serão escolhidos entre seus
pares nos termos do edital de convocação, aprovados pelo CONERH, e terão
mandato de 02 (dois) anos, sendo permitida a recondução por igual período71.

§ 3º - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

§ 4º - Aos representantes das organizações civis de recursos hídricos fica assegurada,


para o comparecimento às reuniões ordinárias ou extraordinárias, fora do seu
Município, pagamento de despesas para deslocamento, alimentação e estada,
conforme regulamento.

§ 5º - Os membros do CONERH serão nomeados por ato do Governador do Estado.

§ 6º - A participação dos membros titulares ou suplentes no CONERH será


considerada de relevante interesse público, não ensejando qualquer tipo de
remuneração.

§ 7º - As deliberações do CONERH serão publicadas na imprensa oficial e divulgadas


na rede mundial de computadores - Internet.

§ 8º - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

Art. 48 – Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

SEÇÃO II
Da Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos

Art. 49 - A Secretaria Executiva do CONERH será exercida pela Secretaria Estadual


do Meio Ambiente72.

Art. 50 - À Secretaria Executiva do CONERH compete:

I - prestar apoio administrativo, técnico e financeiro;

71
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
72
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

42
II - instruir as propostas de formação de Comitês de Bacia Hidrográfica e os
expedientes deles provenientes, bem como monitorar as ações relativas à sua
implementação e funcionamento;

III - elaborar a proposta de Regimento Interno do CONERH e suas alterações;

IV - elaborar relatórios anuais de atividades;

V - outras atribuições a ela conferidas pelo Presidente ou pelo Conselho.

SEÇÃO III
Da Secretaria do Meio Ambiente – SEMA

Art. 51 - Revogado pelo art. 149 da Lei nº 12.212, de 04 de maio de 2011.

SEÇÃO IV
Do Instituto de Gestão das Águas E Clima

Art. 52 - Revogado pelo art. 149 da Lei nº 12.212, de 04 de maio de 2011.

SEÇÃO V
Dos Comitês de Bacia Hidrográfica

Art. 53 - Os Comitês de Bacia Hidrográfica são órgãos colegiados de caráter


consultivo, normativo e deliberativo, vinculados ao Conselho Estadual de Recursos
Hídricos - CONERH, com área de atuação na unidade de gestão hidrográfica,
conforme definido no ato de sua criação.

Art. 54 - Compete aos Comitês de Bacia Hidrográfica:

I - promover a participação dos representantes do Poder Público, dos usuários de


recursos hídricos e das organizações civis, na sua área de atuação, na gestão
integrada dos recursos hídricos;

II - estabelecer os procedimentos de elaboração, implementação e revisão do Plano


de Bacia Hidrográfica73;

73
Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

43
III - acompanhar a elaboração e aprovar o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica e
suas alterações;

IV - acompanhar a implementação do Plano de Bacia Hidrográfica, sugerindo as


providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

V - arbitrar, em primeira instância administrativa, conflitos relacionados com o uso da


água;

VI - propor ao CONERH:

a) a criação de Agências de Bacia Hidrográfica;

b) os valores para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, atendendo ao disposto
na alínea "b", do inciso VI do art. 63 desta Lei;

c) o plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso dos
recursos hídricos, atendendo ao disposto na alínea "c", do inciso VI do art. 63 desta
Lei;

d) as vazões das acumulações, derivações, captações e lançamentos considerados


de pouca expressão, para efeito de dispensa de outorga do direito de uso;

e) as prioridades e os critérios específicos para outorga de direito de uso de recursos


hídricos em situações de escassez, atendendo ao princípio disposto no inciso II, do
art. 2º desta Lei;

f) as reduções das vazões outorgadas em casos de necessidade de racionamento,


devidamente motivados, para efeito de revisão de outorgas de direito de uso de
recursos hídricos;

g) o enquadramento dos corpos d'água em classes, segundo seus usos


preponderantes, atendendo ao disposto na alínea "a" do inciso VI, do art. 63 desta
Lei;

h) rateio dos custos das obras de aproveitamento múltiplo dos recursos hídricos, de
interesse comum e coletivo, atendendo ao disposto na alínea "d" do inciso VI, do art.
63 desta Lei.

VII - deliberar sobre questões que lhe tenham sido encaminhadas pela respectiva
Agência de Bacia Hidrográfica.

§ 1º - Das decisões dos Comitês de Bacia Hidrográfica caberá recurso ao CONERH.

§ 2º - Para definição do disposto nas alíneas "d" e "e" do inciso VI deverão ser
considerados os estudos técnicos, dados de monitoramento, informações de outorgas

44
e dispensas existentes no órgão executor da Política Estadual de Recursos Hídricos,
dentre outros74.

Art. 55 - Os Comitês de Bacia Hidrográfica serão compostos por representantes:

I - do órgão executor da política estadual de recursos hídricos75;

II - dos órgãos e entidades integrantes da Administração Pública do Estado, com


atuação na unidade de gestão hidrográfica;

III - dos usuários de recursos hídricos, com atuação na unidade de gestão hidrográfica;

IV - dos municípios situados na área de abrangência da unidade de gestão


hidrográfica;

V - das organizações civis de recursos hídricos, definidas na forma dos arts. 47 e 48


da Lei Federal nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, com atuação comprovada na unidade
de gestão hidrográfica, observado o disposto no § 3º do art. 47 desta Lei.

§ 1º - Poderão integrar os Comitês de Bacia Hidrográfica representantes dos órgãos


e entidades integrantes da Administração Pública da União com atuação na área de
abrangência da unidade de gestão hidrográfica.

§ 2º - O número de representantes de cada setor mencionado neste art., bem como


os critérios para sua indicação, serão estabelecidos nos regimentos dos comitês,
limitada a representação do Poder Público à metade do total de membros.

§ 3º - Nos Comitês de Bacia Hidrográfica cujos territórios abranjam terras indígenas,


devem ser incluídos representantes das comunidades indígenas ali residentes ou com
interesse na bacia e da Fundação Nacional do Índio - FUNAI.

§ 4º - Aos membros dos comitês de bacia representantes das organizações civis de


recursos hídricos fica assegurado, para o comparecimento às reuniões ordinárias ou
extraordinárias, fora do seu município, o pagamento de despesas para deslocamento,
alimentação e estada, conforme regulamento.

§ 5º - A participação dos membros titulares ou suplentes no Comitê de Bacia


Hidrográfica será considerada de relevante interesse público, não ensejando qualquer
tipo de remuneração.

Art. 56 - Os Comitês de Bacia Hidrográfica serão criados por decreto do Governador


do Estado, após aprovação da proposta de sua instituição pelo CONERH.

74
§ 2º acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
75
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

45
Art. 57 - O Regimento Interno dos Comitês de Bacia Hidrográfica disporá sobre a sua
composição, estrutura e forma de funcionamento, conforme critérios gerais definidos
pelo CONERH .

Parágrafo único - Os Comitês de Bacia Hidrográfica serão dirigidos, no mínimo, por


um Presidente, que contará com o auxílio de um Secretário, ambos eleitos entre os
seus membros.

Art. 58 - A formação dos Comitês de Bacia Hidrográfica deve ser precedida de ampla
divulgação, visando garantir a legitimidade da participação dos interessados.

Art. 59 - Ao órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos


compete fomentar a organização e a criação dos Comitês de Bacia Hidrográfica, bem
como garantir seu funcionamento.

SEÇÃO VI
Das Agências de Bacia Hidrográfica

Art. 60 - As Agências de Bacia Hidrográfica são entidades dotadas de personalidade


jurídica, autonomia financeira e administrativa, às quais caberão exercer a Secretaria
Executiva do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica, prestando-lhes
o suporte técnico, administrativo e operacional.

Art. 61 - As Agências de Bacia Hidrográfica terão a mesma área de atuação de um ou


mais Comitês de Bacia Hidrográfica.

Parágrafo único - A criação das Agências de Bacia Hidrográfica será autorizada pelo
Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH mediante solicitação de um ou
mais Comitês de Bacia Hidrográfica, conforme disposto na alínea "a" do inciso VI do
art. 54 desta Lei.

Art. 62 - A criação de uma Agência de Bacia Hidrográfica é condicionada ao


atendimento dos seguintes requisitos:

I - prévia existência do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

II - viabilidade financeira assegurada pela cobrança do uso dos recursos hídricos em


sua área de atuação.

Art. 63 - Compete às Agências de Bacia Hidrográfica:

I - elaborar, atualizar e implementar os Planos de Bacias Hidrográficas, com base nos


procedimentos estabelecidos pelo respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica,
submetendo-os à aprovação do respectivo Comitê;

46
II - manter atualizados os cadastros dos usuários de recursos hídricos, das
organizações civis de recursos hídricos e das obras de infra-estrutura hídrica;

III - manter atualizado o balanço hídrico de disponibilidade de água;

IV - efetuar, mediante delegação do órgão gestor e executor da Política Estadual de


Recursos Hídricos, a arrecadação da cobrança pelo uso de recursos hídricos;

V - analisar e emitir parecer técnico sobre os projetos e obras a serem financiados


com recursos oriundos da cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

VI - propor ao respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica, para encaminhamento e


aprovação do CONERH:

a) o enquadramento dos corpos d'água em classes de uso, segundo seu uso


preponderante, observado o disposto no inciso VI, do art. 75 desta Lei;

b) os valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos, observado o disposto
no art. 23 desta Lei;

c) o plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso dos
recursos hídricos, observados os critérios definidos pelo CONERH;

d) o rateio dos custos das obras de aproveitamento múltiplo dos recursos hídricos, de
interesse comum e coletivo, observados os critérios definidos pelo CONERH.

VII - elaborar estudos e projetos e captar recursos para a execução de atividades no


âmbito de suas competências;

VIII - articular-se com o Sistema Estadual de Informações de Recursos Hídricos no


âmbito de sua área de atuação;

IX - elaborar sua proposta orçamentária e submeter à apreciação do respectivo ou


respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica.

Parágrafo único - Na ausência de Agência de Bacia Hidrográfica, as competências


previstas neste artigo serão exercidas pelo órgão executor da Política Estadual de
Recursos Hídricos, ressalvada a competência da Companhia de Engenharia
Ambiental e Recursos Hídricos - CERB para emitir parecer técnico sobre os projetos
e obras referidos no inciso V do caput deste artigo76.

Art. 64 - O órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos poderá


firmar contratos de gestão, por prazo determinado, com entidades sem fins lucrativos
que se enquadrem no disposto pelo art. 47 da Lei Federal nº 9.433, de 8 de janeiro de

76
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

47
1997, que receberem delegação do CONERH para o exercício de funções de
competência de Agência de Bacia Hidrográfica, previstas nos arts. 60 e 63 desta Lei,
excetuando-se a atribuição estabelecida no inciso IV do art. 63 desta Lei.

§ 1º - Para a delegação a que se refere o caput deste art., o CONERH observará as


mesmas condições estabelecidas pelos art.s 60 e 61 desta Lei.

§ 2º - Instituída uma Agência de Bacia Hidrográfica, esta assumirá as competências


estabelecidas pelos Arts. 60 e 63 desta Lei, encerrando-se, em consequência, o
contrato de gestão referente à sua área de atuação.

Art. 65 - Os contratos de gestão, elaborados de acordo com as regras estabelecidas


nesta Lei, discriminarão as atribuições, direitos, responsabilidades e obrigações das
partes signatárias, com o seguinte conteúdo mínimo:

I -a especificação do programa de trabalho proposto, a estipulação das metas a serem


atingidas e os respectivos prazos de execução, bem como previsão expressa dos
critérios objetivos de avaliação a serem utilizados, mediante indicadores de
desempenho;

II - a estipulação dos limites e critérios para despesa com remuneração e vantagens


de qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das
entidades delegatárias, no exercício de suas funções;

III - a obrigação da entidade delegatária apresentar ao órgão gestor e executor da


Política Estadual de Recursos Hídricos e ao respectivo ou respectivos Comitês de
Bacia Hidrográfica, ao término de cada exercício, relatório sobre a execução do
contrato de gestão, contendo comparativo específico das metas propostas com os
resultados alcançados, acompanhado de prestação de contas dos gastos e receitas
efetivamente realizados, independentemente das previsões mencionadas no inciso II
do caput deste art.;

IV - a publicação, no Diário Oficial do Estado, de extrato do instrumento firmado e de


demonstrativo de sua execução físico-financeira;

V - o prazo de vigência do contrato e as condições para sua suspensão, rescisão em


renovação;

VI - a forma de relacionamento da entidade delegatária com o respectivo ou


respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica.

§ 1º - O órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos


complementará a definição do conteúdo e exigências a serem incluídas nos contratos
de gestão de que seja signatária, observando-se as peculiaridades das respectivas
unidades de gestão hidrográficas.

48
§ 2º - O termo de contrato deve ser submetido, após manifestação do respectivo ou
respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica, à aprovação do Secretário Estadual do
Meio Ambiente.

Art. 66 - O órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos


constituirá comissão de avaliação que analisará, periodicamente, os resultados
alcançados com a execução do contrato de gestão e encaminhará relatório conclusivo
sobre a avaliação procedida, contendo comparativo específico das metas propostas
com os resultados alcançados, acompanhado da prestação de contas correspondente
ao exercício financeiro, à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, ao CONERH e ao
respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica.

§ 1º - A Comissão de que trata o caput deste art. será composta por especialistas,
com qualificação adequada, do órgão gestor e executor da Política Estadual de
Recursos Hídricos, da Secretaria do Meio Ambiente, de 02 (dois) representantes do
CONERH, sendo um do setor usuário e um da sociedade civil, e de outros órgãos e
entidades da Administração Pública Estadual, conforme regulamento.

§ 2º - A periodicidade de que trata o caput deste art. não poderá ser superior a 12
(doze) meses.

Art. 67 - Às entidades delegatárias poderão ser destinados recursos orçamentários e


o uso de bens públicos necessários ao cumprimento dos contratos de gestão.

§ 1º - São asseguradas à entidade delegatária as transferências do FERHBA


provenientes das receitas da cobrança pelos usos de recursos hídricos em rios de
domínio do Estado da Bahia, arrecadadas na respectiva ou respectivas bacias
hidrográficas, excetuando-se as provenientes de águas subterrâneas referidas no art.
18 desta Lei.

§ 2º - Os bens de que trata este art. serão destinados às entidades delegatárias,


dispensada licitação, mediante permissão de uso, consoante cláusula expressa do
contrato de gestão.

§ 3º - Aplica-se às transferências a que se refere o § 1º deste art. o disposto no § 2º


do art. 9º da Lei Federal Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000.

Art. 68 - O órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos poderá


designar servidor do seu quadro de pessoal para auxiliar a implementação das
atividades da entidade delegatária.

§ 1º - A designação terá o prazo máximo de 06 (seis) meses, admitida uma


prorrogação.

49
§ 2º - O servidor designado fará jus, quando couber, a remuneração na origem e ajuda
de custo para deslocamento e auxílio-moradia, em conformidade com a legislação
vigente.

Art. 69 - O órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos, ao


tomar conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de
recursos ou bens de origem pública pela entidade delegatária, dela dará ciência aos
órgãos de controle interno e externo competentes, sob pena de responsabilidade
solidária de seus dirigentes.

Art. 70 - O órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos, na


função de secretaria-executiva do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia
Hidrográfica, poderá ser depositário e gestor de bens e valores da entidade
delegatária, cujos sequestro ou indisponibilidade tenham sido decretados pelo juízo
competente ou administrativamente considerados por ela necessários à continuidade
da implementação das atividades previstas no contrato de gestão, facultando-lhe
disponibilizá-los a outra entidade delegatária ou Agência de Bacia Hidrográfica,
mediante novo contrato de gestão.

Art. 71 - O órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos deverá


promover a rescisão do contrato de gestão, se constatado o descumprimento das suas
disposições.

§ 1º - A rescisão será precedida de processo administrativo, assegurado o direito de


ampla defesa, respondendo os dirigentes da entidade, individual e solidariamente,
pelos danos ou prejuízos decorrentes de sua ação ou omissão.

§ 2º - A rescisão importará reversão imediata dos bens, cujos usos foram permitidos
e dos valores entregues à utilização da entidade delegatária, sem prejuízo de outras
sanções cabíveis.

Art. 72 - Os procedimentos que a entidade delegatária adotará para a seleção e


recrutamento de pessoal, bem como para as compras e contratação de obras e
serviços com emprego de recursos públicos serão estabelecidos em regulamento pelo
órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos, observando os
princípios estabelecidos no art. 37 da Constituição Federal e as normas previstas na
legislação pertinente.

SEÇÃO VII
Dos Órgãos Setoriais e/ou Sistêmicos

Art. 73 - São considerados Órgãos Setoriais e/ou Sistêmicos do Sistema Estadual de


Gerenciamento de Recursos Hídricos - SEGREH os órgãos e entidades da

50
Administração Pública, cujas atividades ou competências guardem relação com a
gestão ou uso dos recursos hídricos do Estado da Bahia.

Art. 74 - Aos Órgãos Setoriais e/ou Sistêmicos compete:

I - contribuir para a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, por


meio dos planos, programas, projetos, atividades, inventários e estudos inerentes à
sua esfera de competências;

II - disponibilizar os dados oriundos de estudos e projetos em sua área de atuação;

III - propor ao CONERH procedimentos e normas necessários à integração das


políticas setoriais e/ou sistêmicas com a Política Estadual de Recursos Hídricos.

TÍTULO V
DA INTEGRAÇÃO ENTRE O SISTEMA ESTADUAL DE GERENCIAMENTO DE
RECURSOS HÍDRICOS E O SISTEMA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

Art. 75 - O Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos SEGREH


articular-se-á com o Sistema Estadual do Meio Ambiente - SISEMA, para assegurar
que77:

I - a utilização dos recursos hídricos não comprometa o patrimônio natural e cultural;

II - o Plano Estadual de Recursos Hídricos - PERH e os Planos de Bacias


Hidrográficas sejam elaborados e atualizados em consonância com os princípios, as
diretrizes e os objetivos da Política e do Plano Estadual de Meio Ambiente e integrados
com outros instrumentos de planejamento e/ou ordenamento territorial do Estado por
órgãos ou entidades das esferas federal, estadual ou municipal;

III - os órgãos do SEGREH participem de processos de Avaliação Ambiental


Estratégica de forma a garantir que a gestão dos recursos hídricos seja incluída nas
políticas, planos e programas de Governo e apropriadamente considerada no estágio
inicial dos processos de tomada de decisão;

IV - os procedimentos de licenciamento ambiental observem os princípios, as


diretrizes, os objetivos e os instrumentos de gestão da Política Estadual de Recursos
Hídricos;

V – Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

77
Redação de acordo com a Lei nº 12.035, de 22 de novembro de 2010

51
VI - o enquadramento dos corpos d'água em classes, segundo seus usos
preponderantes, seja procedido mediante manifestação prévia do Conselho Estadual
de Meio Ambiente - CEPRAM e articulação entre as entidades gestoras de recursos
hídricos e de meio ambiente.

VII - as atividades ou empreendimentos de utilidade pública, interesse social e baixo


impacto ambiental, que resultem em intervenção ou supressão de vegetação em Área
de Preservação Permanente associada a recursos hídricos, sejam submetidas ao
regular procedimento de licenciamento ambiental e de outorga de direito de uso de
recursos hídricos pelos competentes órgãos do SEGREH e SISEMA, na forma
definida em regulamento.

§ 1º - O Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH e o Conselho Estadual


de Meio Ambiente - CEPRAM poderão ser convocados pelo Secretário Estadual do
Meio Ambiente para decidirem, em conjunto, sobre questões estratégicas referentes
à gestão dos recursos ambientais, inclusive por intermédio de deliberações em
conjunto.

§ 2º - Para fins do disposto no inciso VII deste artigo, consideram-se de utilidade


pública as intervenções em zonas úmidas e as obras de barramento ou represamento
de curso d´água objetivando a criação de reservatórios de água para consumo
humano ou a criação de espelho d´água para incremento ao turismo sustentável,
desde que haja autorização do órgão ambiental competente, o qual estabelecerá as
medidas ecológicas de caráter mitigador e, se necessário, compensatório, a serem
adotadas pelo requerente, com anuência prévia, quando couber, de órgão federal ou
municipal78.

Parágrafo único - O Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH e o Conselho


Estadual de Meio Ambiente - CEPRAM poderão ser convocados pelo Secretário
Estadual do Meio Ambiente para decidirem, em conjunto, sobre questões estratégicas
referentes à gestão dos recursos ambientais, inclusive por intermédio de deliberações
em conjunto.

TÍTULO VI -
DAS INFRAÇÕES E SANÇÕES

Art. 76 - Constitui infração a ação ou a omissão que viole as normas de uso dos
recursos hídricos, em especial:

I - captar, derivar ou utilizar recursos hídricos, para qualquer finalidade, sem a


respectiva outorga de direito de uso, quando exigível;

78
Inciso VII e § 1º e 2º acrescidos pela Lei nº 12.035, de 22 de novembro de 2010

52
II - utilizar os recursos hídricos superficiais ou subterrâneos em desacordo com as
condições estabelecidas na outorga do direito de uso;

III - perfurar poços para a extração de água subterrânea sem a manifestação prévia
do órgão gestor e executor da Política Estadual de Recursos Hídricos ou colocá-los
em operação sem a outorga;

IV - exercer atividades ou realizar serviços e obras sem a outorga ou em desacordo


com a mesma, que possam afetar os canais, álveos, correntes de águas, nascentes,
açudes, aquíferos, lençóis freáticos, lagos e barragens, bem como a quantidade, a
qualidade, e o regime das águas superficiais e subterrâneas79;

V - fraudar as medições dos volumes de água utilizados ou declarar valores diferentes


dos medidos;

VI - realizar interferências nos leitos dos rios e demais corpos hídricos para a extração
mineral ou de outros materiais sem a autorização do órgão executor da Política
Estadual de Recursos Hídricos, quando couber80;

VII - exercer atividade que resulte alteração no regime, na quantidade ou na qualidade


das águas, sem a outorga do órgão competente;

VIII - infringir normas estabelecidas nesta Lei e em suas disposições regulamentares,


abrangendo instruções e procedimentos fixados pelos órgãos ou entidades
competentes;

IX - obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes integrantes


do SEGREH, no exercício de suas funções;

X - lançar em corpos hídricos esgotos, despejos e demais resíduos sólidos, líquidos


ou gasosos, tratados ou não, sem a respectiva outorga de direito de uso;

XI - Revogado pelo art. 3º da Lei nº 12.035, de 22 de novembro de 2010.

XII - Revogado pelo art. 3º da Lei nº 12.035, de 22 de novembro de 2010.

XIII - omitir ou prestar informações falsas em processo administrativo que subsidiaram


a emissão de outorga de direito de uso de recursos hídricos.

Art. 76-A - A autoridade competente que tiver conhecimento de infração administrativa


é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante processo administrativo
próprio81.

79
Redação de acordo com a Lei nº 12.035 , de 22 de novembro de 2010
80
Redação de acordo com a Lei nº 12.035, de 22 de novembro de 2010
81
Art. 76-A acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

53
Art. 76-B - Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá, quando constatado
ato ou fato que se caracterize como infração administrativa, dirigir representação às
autoridades competentes82.

Art. 77 - As infrações a esta Lei serão punidas com as seguintes penalidades,


independente da ordem de sua numeração:

I – advertência83;

II - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

III - multa simples ou diária, proporcional à gravidade da infração, classificadas da


seguinte forma84:

a) infrações leves;

b) infrações graves;

c) infrações gravíssimas.

IV - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

V - embargo temporário ou definitivo85;

VI - demolição da obra;

VII - tamponamento do poço;

VIII - apreensão dos instrumentos, apetrechos, equipamentos ou máquinas de


qualquer natureza utilizados na infração.

IX - interdição temporária ou definitiva;

X - suspensão parcial ou total de atividades;

XI - destruição ou inutilização de produto;

XII - perda ou restrição de direitos consistentes em:

a) suspensão de registro, licença ou autorização;

b) cancelamento de registro, licença ou autorização;

82
Art. 76-B acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
83
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
84
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
85
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

54
c) perda ou restrição de benefícios e incentivos fiscais;

d) perda ou suspensão da participação em linhas de financiamento em


estabelecimentos públicos de crédito;

e) proibição de licitar e contratar com a administração pública pelo período de até três
anos;

f) suspensão ou cassação da outorga de direito de uso de recursos hídricos.

- Incisos IX a XII acrescidos pelo Art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

§ 1º - O órgão executor da Política Estadual de Recursos Hídricos é competente para


lavrar auto de infração, instaurar processo administrativo e aplicar penalidades
decorrentes de infrações às normas de utilização de recursos hídricos86.

§ 2º - As infrações serão apuradas em processo administrativo próprio, assegurando


o direito de ampla defesa e o contraditório, com os meios e recursos a ele inerentes,
observadas as disposições legais.

§ 3º - O cometimento simultâneo de infrações ensejará aplicação cumulativa das


sanções a ela cominadas.

§ 4º - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

§ 5º - Todas as despesas decorrentes da aplicação das penalidades correrão por


conta do infrator, sem prejuízo da indenização relativa aos danos a que der causa.

Art. 77-A - A multa poderá ser convertida na prestação de serviços de preservação,


proteção, melhoria e recuperação da qualidade da água, devidamente instruído em
Termo de Compromisso a ser firmado com o órgão executor da política estadual de
recursos hídricos87."

Art. 78 - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

Art. 79 - A advertência é aplicável pela inobservância das disposições desta Lei, de


disposições regulamentares e Resoluções do CONERH, sem prejuízo de outras
sanções legalmente previstas.

Art. 80 - As sanções restritivas de direito são:

I - suspensão da outorga de direito de uso de recursos hídricos;

86
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
87
Art. 77-A acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

55
II - cassação da outorga de uso de recursos hídricos.

Art. 81 - Aplicar-se-á a multa simples quando o infrator:

I - tiver sido advertido por irregularidades que tenham sido praticadas e deixar de saná-
las no prazo estabelecido pelo órgão executor da Política Estadual de Recursos
Hídricos;

II - opuser embaraço à fiscalização do órgão gestor e executor da Política Estadual de


Recursos Hídricos.

§ 1º - O valor das multas está limitado entre o mínimo de R$500,00 (quinhentos reais)
e máximo de R$50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), valores que serão
corrigidos periodicamente, conforme dispuser o regulamento88.

§ 2º - Revogado pelo art. 14 da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011.

Art. 82 - No caso de infração continuada poderá ser aplicada multa diária mínima de
R$50,00 (cinquenta reais) e máxima de R$50.000,00 (cinquenta mil reais), de acordo
com a gradação da infração, na forma do regulamento, e será corrigida
periodicamente pelo Poder Executivo, com base em índices oficiais.

Parágrafo único - A multa diária será devida até que o infrator adote medidas eficazes
para a cessação das irregularidades constatadas ou dos efeitos da ação prejudicial,
podendo ser suspensa, a critério da autoridade competente, nos casos previstos no
regulamento89.

Art. 82-A - O pagamento das multas poderá ser parcelado na forma prevista em
regulamento.

Parágrafo único - O pagamento total ou parcial da multa poderá ser realizada mediante
dação em pagamento de bens móveis e imóveis, cuja aceitação dar-se-á a critério do
órgão competente90.

Art. 83 - A penalidade de embargo ou interdição será imposta nos casos:

I - de perigo à saúde pública ou ao meio ambiente;

II - de não atendimento à determinação de paralisação de operação irregular;

III - definidos em regulamento desta Lei, na segunda reincidência.

88
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
89
Redação de acordo com o art. 5º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011
90
Art. 82-A acrescido pelo art. 4º da Lei nº 12.377, de 28 de dezembro de 2011

56
§ 1º - O embargo ou a interdição temporária cessará quando forem atendidas as
exigências para correção das irregularidades apontadas ou mediante a celebração de
Termo de Compromisso que fixará as condições para o retorno das atividades em
caráter precário.

§ 2º - O embargo ou a interdição definitiva será imposta quando a atividade não


apresentar condições de obter a outorga ou o licenciamento ambiental, conforme
dispuser a legislação específica.

§ 3º - O embargo ou a interdição definitiva acarreta a revogação da outorga e, se


temporária, a sua suspensão, até que sejam cumpridas as exigências estabelecidas.

Art. 84 - A penalidade de demolição será imposta quando a obra, construção ou


instalação:

I - estiver produzindo grave dano ao regime dos recursos hídricos;

II - estiver contrariando as disposições legais previstas na legislação de recursos


hídricos.

Art. 85 - O processo administrativo para apuração das infrações previstas nesta Lei
deverá observar os seguintes prazos máximos:

I -20 (vinte) dias para o infrator apresentar defesa ou impugnação contra o auto de
infração, contados da data da ciência da autuação;

II -20 (vinte) dias para o infrator interpor recurso administrativo ao CONERH, sem
efeito suspensivo, contados do recebimento da notificação da decisão referente à
defesa apresentada;

III -60 (sessenta) dias para a autoridade competente julgar o auto de infração,
contados da data do recebimento da defesa ou recurso, conforme o caso;

IV -30 (trinta) dias para o pagamento de multa, contados da data do recebimento da


notificação.

Parágrafo único - O CONERH, na apreciação do recurso, poderá, mediante ato


devidamente motivado, cancelar a penalidade imposta, reduzir seu valor ou
transformá-la em outro tipo de penalidade, inclusive em prestação de serviços de
preservação, proteção, melhoria e recuperação da qualidade da água, observados os
critérios gerais estabelecidos em regulamento.

57
TÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 86 - O Poder Executivo regulamentará esta Lei, no que for necessário à sua
aplicação, no prazo de 90 (noventa) dias a partir da data da sua publicação.

Art. 87 - Esta Lei entrará em vigor na data da sua publicação.

Art. 88 - Revogam-se as disposições em contrário, em especial a Lei Estadual nº


10.432 , de 20 de dezembro de 2006, o inciso VI do art. 14 e o art. 11 da Lei Estadual
nº 11.050 , de 06 de junho de 200891.

GABINETE DA PRESIDÊNCIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DA


BAHIA, EM 08 DE OUTUBRO DE 2009.

Deputado Marcelo Nilo

Presidente

91
Disponível em: http://www.legislabahia.ba.gov.br/index.php?pag=pesqavanc

58
2.2. Lei n. 12.035, de 22 de novembro de 2010

“Altera dispositivos da Lei n. 11.612, de 08/10/2009, que dispõe sobre a Política


Estadual de Recursos Hídricos, o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos
Hídricos, e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA faço saber que a Assembleia Legislativa


decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º - Os dispositivos da Lei nº 11.612, de 08 de outubro de 2009, abaixo indicados,


passam a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 8º -................................................................................................

.................................................................................................................

V - o controle dos estudos da qualidade dos corpos d'água e o monitoramento dos


impactos ambientais resultantes do aproveitamento dos recursos hídricos.

Art. 9º -..................................................................................................

.................................................................................................................

IX - medidas de controle de grandes impactos ambientais negativos nos corpos d'água


decorrentes das obras e serviços de infra-estrutura hídrica;

.................................................................................................................

Art. 12 -.................................................................................................

.................................................................................................................

III - programas, projetos e ações a serem desenvolvidos e implementados para o


atendimento das metas previstas, por meio de:

.................................................................................................................

Art. 18 -...............................................................................................

.................................................................................................................

II - as atividades, ações ou intervenções que possam alterar a quantidade, a qualidade


ou o regime das águas superficiais ou subterrâneas, ou que alterem canais, álveos,
correntes de águas, nascentes, açudes, aquíferos, lençóis freáticos, lagos e
barragens;

.................................................................................................................

59
Art. 19 -..................................................................................................

.................................................................................................................

III - necessidade de prevenir ou reverter grave dano aos recursos hídricos;

.................................................................................................................

Art. 52 -..................................................................................................

.................................................................................................................

XXVI - promover, amigável ou judicialmente, a desapropriação de bens necessários


ao exercício de suas finalidades previamente declarados pelo Estado como de
utilidade pública;

.................................................................................................................

Art. 75 - O Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos SEGREH


articular-se-á com o Sistema Estadual do Meio Ambiente - SISEMA, para assegurar
que:

.................................................................................................................

VII - as atividades ou empreendimentos de utilidade pública, interesse social e baixo


impacto ambiental, que resultem em intervenção ou supressão de vegetação em Área
de Preservação

Permanente associada a recursos hídricos, sejam submetidas ao regular


procedimento de licenciamento ambiental e de outorga de direito de uso de recursos
hídricos pelos competentes órgãos do SEGREH e SISEMA, na forma definida em
regulamento.

§ 1º- O Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH e o Conselho Estadual


de Meio Ambiente - CEPRAM poderão ser convocados pelo Secretário Estadual do
Meio Ambiente para decidirem, em conjunto, sobre questões estratégicas referentes
à gestão dos recursos ambientais, inclusive por intermédio de deliberações em
conjunto.

§ 2º- Para fins do disposto no inciso VII deste artigo, consideram-se de utilidade
pública as intervenções em zonas úmidas e as obras de barramento ou
represamento de curso d ́água objetivando a criação de reservatórios de água
para consumo humano ou a criação de espelho

d ́água para incremento ao turismo sustentável, desde que haja autorização do


órgão ambiental competente, o qual estabelecerá as medidas ecológicas de

60
caráter mitigador e, se necessário, compensatório, a serem adotadas pelo
requerente, com anuência prévia, quando couber, de órgão federal ou municipal.

Art. 76 - ..................................................................................................
.................................................................................................................

IV - exercer atividades ou realizar serviços e obras sem a outorga ou em desacordo


com a mesma, que possam afetar os canais, álveos, correntes de águas, nascentes,
açudes, aquíferos, lençóis freáticos, lagos e barragens, bem como a quantidade, a
qualidade, e o regime das águas superficiais e subterrâneas;

.................................................................................................................

VI - realizar interferências nos leitos dos rios e demais corpos hídricos para a extração
mineral ou de outros materiais sem a autorização do órgão executor da Política
Estadual de Recursos Hídricos, quando couber;

..............................................................................................................”.

Art. 2º- Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação.

Art. 3º- Ficam revogadas as disposições da alínea “d” do inciso II do art. 20 e os


incisos XI e XII do art. 76, todos da Lei nº 11.612, de 08 de outubro de 200992.

PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 22 de novembro de 2010.

Jaques Wagner

Governador

Eva Maria Cella Dal Chiavon

Secretária Da Casa Civil

Eugênio Spengler

Secretário do Meio Ambiente

92
Disponível em: http://www.seia.ba.gov.br/sites/default/files/legislation/LEI%20N%C2%BA%20
12.035%20DE%2022%20DE%20NOVEMBRO%20DE%202010.pdf

61
2.3. Decreto n. 6.296, de 21 de março de 1997

“Dispõe sobre a outorga de direito de uso de recursos hídricos, infração e penalidades


e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, no uso de suas atribuições,

DECRETA:

TÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º - A outorga de direito de uso de recursos hídricos, assim como a aplicação de


sanções pela infração às normas relativas à disciplina de recursos hídricos do Estado,
de que tratam os arts. 12, 13, 18 e 19, da Lei nº 6.855, de 12 de maio de 1995,
obedecerão às normas deste Regulamento.

Art. 2º - Sujeitam-se às normas deste Regulamento as águas do domínio do Estado,


definidas no art. 7º, inciso IV, da Constituição Estadual, assim como as águas de
domínio federal situadas no território estadual, quando ocorrer delegação do Poder
Executivo Federal ao Estado da Bahia, conforme previsto no § 1º, do art. 13, da Lei
Federal n.º 9.433, de 8 de janeiro de 1997.

Art. 3º - Ficam sujeitos ao controle da Superintendência de Recursos Hídricos - SRH


- os álveos, leitos, margens, terrenos marginais, barrancas e calhas dos corpos de
águas superficiais assim como os aquíferos subterrâneos, confinados ou não, tendo
em vista a proteção dos mesmos contra degradação ou utilização predatória, ou
inconveniente ao interesse público.

Parágrafo único - O controle previsto no caput deste artigo será exercido pela SRH
com o apoio do Centro de Recursos Ambientais - CRA - e outros órgãos e entidades
intervenientes na gestão de recursos naturais.

TÍTULO II

DA OUTORGA DO DIREITO DE USO DA ÁGUA

Art. 4º - O uso das águas de domínio público estadual depende da outorga de direitos
de uso na forma da Lei nº 6.855, de 12 de maio de 1995, do Decreto Federal nº 24.643,
de 10 de julho de 1934 (Código de Águas), do Decreto n.º 4.082, de 27 de março de
1995, e da Lei Federal nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, na seguinte conformidade:

I - concessão, nos casos de utilidade pública;

II - autorização, nos outros casos.

62
Art. 5º - A implantação, ampliação e alteração de qualquer empreendimento que
demande a utilização de recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, bem como a
execução de obras ou serviços que alterem o seu regime, quantidade ou qualidade,
dependerão de prévia outorga.

§ 1º - A extração mineral ou de outros materiais em leitos ou margens de mananciais,


com ou sem derivação de águas, está sujeita à outorga, observada a legislação
aplicável.

§ 2º - O uso dos corpos de água para lançamento de esgotos e efluentes líquidos,


mesmo sem prévia derivação de água para diluição, está sujeito à outorga, segundo
a legislação ambiental.

Art. 6º - As outorgas serão dispensadas quando o uso da água se destinar às primeiras


necessidades da vida ou as derivações de águas forem feitas de pequenos
reservatórios, cisternas, poços rasos, cravados ou tipo "Amazonas", desde que
atendam às seguintes condições:

I - vazões máximas de 0,5 l/s (zero vírgula cinco litros por segundo);

II - volumes máximos acumulados em reservatórios de 200.000 m3 (duzentos mil


metros cúbicos).

Parágrafo único - A dispensa de outorga não implica a inexistência de controle e


fiscalização no interesse público e na conciliação de conflitos sempre que as
derivações insignificantes possam interferir umas nas outras.

Art. 7º - Os prazos máximos a serem estabelecidos para a outorga serão de:

I - concessão: 30 anos

II - autorização: 4 anos, renováveis por mais dois períodos iguais.

§ 1º - No caso do inciso II, vencido o prazo da segunda renovação, poderão ser


outorgadas novas autorizações, se as disponibilidades hídricas locais forem
suficientes, conforme estiver demonstrado nos planos de bacias hidrográficas.

§ 2º - O usuário da água deverá requerer a renovação do prazo de outorga 6 (seis)


meses antes de sua expiração.

Art. 8º - Somente ao proprietário da terra ou a alguém com sua anuência, devidamente


formalizada, será outorgado o direito de uso das águas.

Art. 9º - Quando considerado conveniente, os outorgados deverão instalar e operar


estações e equipamentos hidrométricos, ou arcar com os respectivos custos, ficando
obrigados a encaminhar os dados observados e medidos à SRH, na forma
preconizada no ato de outorga e de conformidade com as normas e procedimentos
estabelecidos.

63
Art. 10 - As outorgas serão expedidas segundo a seguinte ordem de prioridade, que
poderá ser alterada e ajustada às peculiaridades das bacias hidrográficas, a partir do
inciso II:

I - abastecimento humano e animal;

II - irrigação;

III - abastecimento agro-industrial;

IV - abastecimento industrial;

V - aquicultura;

VI - mineração;

VII - lançamento de efluentes;

VIII - outros usos.

Parágrafo único - A prioridade do uso de recursos hídricos para aproveitamento


energético será estabelecida mediante articulação com os órgãos ou entidades
competentes nos termos das Leis Federais nos 9.427, de 26 de dezembro de 1996, e
9.433, de 8 de janeiro de 1997.

Art. 11 - No caso de escassez de recursos hídricos, haverá racionamento de uso de


recursos hídricos, que considerará preferencialmente:

I - o abastecimento humano e animal;

II - os usos que comprovarem menor consumo unitário de água;

III - os usos que propiciem maior benefício social.

Art. 12 - As outorgas do direito de uso da água serão expedidas pela Secretaria de


Recursos Hídricos, Saneamento e Habitação e pela Superintendência de Recursos
Hídricos, conforme o disposto no inciso XVI, do art. 9º, do Decreto nº 4.082, de 27 de
março de 1995, mediante portarias específicas publicadas no Diário Oficial do Estado.

Art. 13 - Será estabelecida, em Manual de Outorga da SRH, orientação ao usuário


para a formalização do seu pleito, contendo as informações necessárias para a
tramitação do processo.

§ 1º - Constarão do Manual de Outorga os formulários-padrão e a discriminação dos


documentos a serem preenchidos e anexados, dentre os quais, necessariamente:

I - comprovante de propriedade da terra ou documento de anuência do proprietário;

II - identificação e qualificação do solicitante;

III - projeto que permita comprovação da necessidade e quantidade de água.

64
§ 2º No caso de barramentos, será exigida Anotação de Responsabilidade Técnica -
ART , expedida pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura - CREA.

§ 3º - Comunicado da aprovação da outorga, o usuário fará o recolhimento dos valores


referentes ao ressarcimento de custos referentes à publicação da portaria de outorga
e dos serviços de análise de sua solicitação, conforme consta no Anexo Único que
integra este Decreto.

Art. 14 - Ficam estabelecidos, para o somatório das vazões a serem outorgadas, os


seguintes limites:

I - 80% (oitenta por cento) da vazão de referência do manancial, estimada com base
na vazão de até 90% (noventa por cento) de permanência a nível diário, quando não
houver barramento;

II - 80% (oitenta por cento) das vazões regularizadas com 90% (noventa por cento) de
garantia, dos lagos naturais ou de barramentos implantados em mananciais perenes;

III - 95% (noventa e cinco por cento) das vazões regularizadas com 90% (noventa por
cento) de garantia, dos lagos naturais ou de barramentos implantados em mananciais
intermitentes.

§ 1º - Nos casos de abastecimento humano, os limites dos incisos I e II poderão atingir


até 95% (noventa e cinco por cento).

§ 2º - No caso do inciso II, a vazão remanescente de 20% (vinte por cento) das vazões
regularizadas deverá escoar para jusante, por descarga de fundo ou por qualquer
outro dispositivo que não inclua bombas de recalque.

§ 3º - Nenhum usuário, individualmente, receberá autorização acima de 20% (vinte


por cento) da vazão de referência de um dado manancial.

Art. 15 - Serão fixados, em portaria do Diretor Geral da SRH, os critérios técnicos a


serem atendidos na análise dos pedidos de outorga, dentre os quais:

I - as vazões dos mananciais superficiais ou os volumes deriváveis dos lagos ou


reservatórios acima dos quais a outorga será concedida sob condições especiais;

II - as limitações dos níveis dinâmicos e as vazões máximas a serem extraídas de


poços tubulares profundos;

III - os critérios de preferência para a outorga ao usuário que demonstrar maior


racionalidade na utilização do recurso hídrico.

§ 1º - Dentre as condições especiais de que trata este artigo, deverão constar:

I - a possibilidade de estabelecer-se regime de racionamento para o uso das águas,


na dependência de situação hidrológica crítica, ou de grau de rebaixamento do nível
de água dos aquíferos;

65
II - a existência de monitoramento da quantidade e qualidade dos recursos hídricos
assim como das captações e derivações de águas, de forma a estabelecer e controlar
o regime de racionamento;

III - a existência de associação de usuários ou de Comitês de Bacias Hidrográficas


para definição de critérios e regimes de racionamento.

§ 2º - Na ocorrência de estiagem prolongada e insuficiência de água para atender os


usuários, os critérios fixados nas portarias de outorga poderão ser alterados,
assegurada a prioridade para as primeiras necessidades da vida.

§ 3º As condições e critérios para outorga de lançamento de efluentes e resíduos


líquidos serão fixados em conformidade com a legislação ambiental.

TÍTULO III
DAS REGIMES ADMINISTRATIVAS DA ÁGUA

Art. 16 - As Regiões Administrativas da Água – RAA’s - terão as seguintes sedes


municipais:

I - RAA 1 - Bacias do Extremo - Sul, em Eunápolis;

II - RAA 2 - Bacias do Rio de Contas e Recôncavo Sul, em Jequié;

III - RAA 3 - Bacias do Paraguaçu, Grande Salvador e Recôncavo Norte, incluindo a


Bacia do Inhambupe, em Itaberaba;

IV - RAA 4 - Bacias do Rio Itapicuru, Vaza-Barris e Rio Leal, em Senhor do Bonfim;

V - RAA 5 - Bacias do Sub - Médio São Francisco e cursos d'água à jusante da


Barragem de Sobradinho e margem direita do São Francisco, em Juazeiro;

VI - RAA 6 - Margem direita do Lago Sobradinho, em Irecê

VII - RAA 7 - Margem esquerda do Lago Sobradinho, em Remanso;

VIII - RAA 8 - Bacias dos Rios Paramirim, Santo Onofre e Carnaíba de Dentro, em
Guanambi;

IX - RAA 9 - Bacia do Rio Grande, em Barreiras;

X - RAA 10 - Bacia do Rio Corrente, em Santa Maria da Vitória.

Parágrafo único - A SRH implantará as RAA's à medida que se avolumem as


demandas dos recursos hídricos nas áreas de influência.

66
Art. 17 - São atribuições dos escritórios das RAA´s:

I - cadastrar os usuários da água na região sob sua jurisdição;

II - fiscalizar os usos da água;

III - exercer a fiscalização das atividades que possam alterar a quantidade, a qualidade
ou o regime das águas, juntamente com outros órgãos ou entidades vinculados ao
meio ambiente e recursos naturais, como nos casos de uso de defensivos agrícolas,
devastação de matas ciliares, atividades inadequadas de produção de cerâmica, entre
outras;

IV - fiscalizar o atendimento das condições e critérios estabelecidos nos atos de


outorga, assim como os procedimentos constantes dos respectivos processos;

V - instruir e preparar processos de outorga, submetendo-os às unidades competentes


da SRH;

VI - estimular a criação de Comitês de Bacias Hidrográficas ou de associações de


usuários a nível regional, participando dos mesmos, na condição de representante da
SRH;

VII - dirimir conflitos eventualmente existentes entre usuários dos recursos hídricos,
quando não resolvidos ao nível dos comitês ou associações;

VIII - outras atribuições que poderão ser conferidas pelo Diretor Geral da SRH.

TÍTULO IV
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

Art. 18 - Em casos de cometimento pelo usuário de qualquer das infrações previstas


nos arts. 18 e 19, da Lei nº 6.855, de 12 de maio de 1995, caberá à SRH a aplicação
da penalidade cabível, observado o devido processo legal.

Parágrafo único - As infrações serão classificadas como leves, graves e gravíssimas,


considerando-se suas consequências, o tipo de atividade, o porte do
empreendimento, sua localização, as circunstâncias atenuantes ou agravantes e os
antecedentes do infrator.

67
CAPÍTULO I
DA ADVERTÊNCIA

Art. 19 - A advertência será aplicada quando se tratar de primeira infração, com prazo
de até 30 (trinta) dias, para que sejam sanadas as irregularidades apontadas na
notificação.

§ 1º - O prazo concedido poderá ser prorrogado, desde que requerido


fundamentadamente pelo infrator, antes de vencido o prazo anterior. Ver tópico

§ 2º - Das decisões que concederem ou negarem prorrogação, será dada ciência ao


infrator.

§ 3º - Quando se tratar de infração de natureza leve e considerando as circunstâncias


atenuantes do caso, poderá, a critério da SRH, ser, novamente, aplicada a
advertência, mesmo que outras penalidades já tenham sido impostas ao infrator.

CAPÍTULO II
DA MULTA

Art. 20 - A aplicação da multa simples dar-se-á na hipótese de não acatamento da


advertência no prazo nela estipulado, em função da gravidade da infração. Ver tópico

Art. 21 - Na aplicação da multa, será observada a seguinte classificação:

I - empreendimento de pequeno porte:

a) infrações leves, de 100 a 110 UPF;

b) infrações graves, de 111 a 150 UPF;

c) infrações gravíssimas, de 151 a 200 UPF;

II - empreendimento de médio porte:

a) infrações leves, de 111 a 150 UPF;

b) infrações graves, de 151 a 200 UPF;

c) infrações gravíssimas, de 201 a 300 UPF;

III - empreendimento de grande porte:

a) infrações leves, de 151 a 200 UPF;

68
b) infrações graves, de 201 a 500 UPF;

c) infrações gravíssimas, de 501 a 1.000 UPF;

Parágrafo único - Haverá reincidência se entre a infração cometida e a anterior não


houver decorrido o prazo máximo de 3 (três) anos.

Art. 22 - Aplicada a multa simples, ficará o infrator sujeito à aplicação de multa diária
correspondente a 5% (cinco por cento) do valor da multa anteriormente aplicada,
enquanto permanecer incorrendo na mesma falta.

Art. 23 - A critério da SRH, no caso de aplicação de multa diária, poderá ser concedido
novo prazo para correção das irregularidades apontadas, desde que haja
requerimento fundamentado pelo infrator, sustando-se, se concedido, a incidência da
multa.

Art. 24 - A aplicação de multa diária não ultrapassará o período contínuo de infração


de 30 (trinta) dias.

§ 1º - Persistindo ou recomeçada a infração, após o período referido no caput deste


artigo, poderá haver nova aplicação de multa diária pelo mesmo período, sem prejuízo
de outras penalidades.

§ 2º - Sanada a irregularidade, o infrator comunicará o fato por escrito à SRH e


constatada a veracidade das informações o termo final do curso diário da multa
retroagirá à data da comunicação.

CAPÍTULO III

DOS EMBARGOS ADMINISTRATIVOS

Art. 25 - Os embargos administrativos, provisório ou definitivo, serão aplicados nos


casos previstos nos incisos III e IV, do art. 19, da Lei n.º 6.855, de 12 de maio de 1995,
a partir da terceira reincidência, ou após o decurso dos períodos de multa diária
aplicada.

Art. 26 - No caso de resistência do infrator, a execução das penalidades previstas


neste Decreto será efetuada mediante requisição de força policial.

Art. 27 - O usuário infrator será o único responsável pelas consequências da aplicação


das penalidades, não cabendo à SRH pagamento ou indenização.

Parágrafo único - Todas as despesas decorrentes da aplicação das penalidades


correrão por conta do infrator.

69
Art. 28 - Além das penalidades previstas neste Decreto, o infrator responderá ainda,
quando cabível, civil e criminalmente, por ações ou omissões envolvendo recursos
hídricos do Estado da Bahia.

CAPÍTULO IV

DA REVOGAÇÃO

Art. 29 - Ficará tacitamente revogada a outorga se o outorgado não iniciar ou concluir


a derivação dentro do prazo estabelecido na portaria.

Parágrafo único - A revogação de que trata o caput deste artigo poderá ser total ou
parcial no caso do outorgado utilizar parte da derivação outorgada.

Art. 30 - A outorga será revogada total ou parcialmente se o outorgado suspender o


uso da derivação durante 2 (dois) anos consecutivos.

Art. 31 - A autoridade outorgante poderá revogar a outorga se o outorgado prestar


informações incorretas no ato da elaboração do processo administrativo do pedido de
outorga ou não cumprir as condições estabelecidas no referido processo.

CAPÍTULO V

DO RECOLHIMENTO DAS MULTAS

Art. 32 - As multas simples incidentes sobre as infrações previstas no artigo 20 terão


redução de:

a) 90% (noventa por cento) se o infrator efetivar o pagamento dentro do prazo de 30


dias, contados da data de sua aplicação;

b) 60% (sessenta por cento) se o infrator efetivar o pagamento entre o 31º e o 60o dia,
contados da data de sua aplicação;

c) 30% (trinta por cento) se o infrator efetivar o pagamento entre o 61º e 90º dia,
contados da data de sua aplicação;

Art. 33 - As multas serão recolhidas ao Banco do Estado da Bahia S.A. - BANEB - ou


a outra entidade financeira, a critério da Secretaria da Fazenda, devendo os recursos
ser destinados, exclusivamente, a custear a execução da Política Estadual de
Recursos Hídricos.

70
Art. 34 - O não recolhimento da multa simples no prazo de 90 dias de sua aplicação
acarretará acréscimo de 0,03% (três centésimos por cento) do valor original da multa,
por dia de atraso.

CAPÍTULO VI

DA FORMALIZAÇÃO DO PROCESSO

Art. 35 - A aplicação de multa, embargo administrativo provisório ou definitivo será


precedido do devido processo legal.

Art. 36 - A notificação ou auto de infração será expedido e assinado por técnico


credenciado, toda vez que se constatar qualquer irregularidade tipificada na Lei n.
6.855, de 12 de maio de 1995.

Art. 37 - Constatada a permanência da irregularidade, será lavrado auto de infração


em 2 (duas) vias, sendo uma entregue ao infrator, pessoa a ele vinculada ou por aviso
de recebimento, destinando-se a outra à instrução do processo administrativo.

Art. 38 - O auto de infração é o documento hábil para aplicação das penalidades de


que trata o art. 20, deste Decreto.

Art. 39 - O auto de infração conterá:

I - denominação da entidade ou pessoa física autuada e seu endereço;

II - ato ou fato que constitui a infração, o local e data respectiva;

III - disposição normativa infringida;

IV - prazo para correção da irregularidade;

V - penalidade aplicável e seu fundamento legal;

VI - assinatura da autoridade que a expediu.

71
CAPÍTULO VII
DO RECURSO

Art. 40 - Da aplicação das penalidades previstas neste Decreto, caberá recurso


fundamentado no prazo de 20 dias, contados de sua ciência pelo infrator.

Art. 41 - Da decisão da SRH no julgamento do recurso, caberá recurso hierárquico,


sem efeito suspensivo, ao Secretário de Recursos Hídricos, Saneamento e Habitação,
no prazo de 30 dias, da data de recebimento da notificação.

Art. 42 - Não serão conhecidos os recursos desacompanhados de comprovante de


recolhimento da multa.

§ 1º - Nos casos em que o valor a ser recolhido for superior a 500 UPF/BA, admitir-
se-á a fiança bancária, ou títulos da dívida pública Estadual e Federal.

§ 2º - No caso de aplicação de multa diária, o recolhimento referido neste artigo deverá


ser efetuado pela importância pecuniária correspondente ao período compreendido
entre o auto de infração e a interposição do recurso.

Art. 43 - Quaisquer recursos poderão ser protocolados ou encaminhados por via postal
e deverão ser registrados com aviso de recebimento e dentro dos prazos fixados nos
arts. 39 e 40, deste Decreto.

TÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 44 - Caberá à SRH, diretamente ou através de terceiros, por ela expressamente


autorizados, a fiscalização do cumprimento das normas e outros atos decorrentes
deste Decreto.

Parágrafo único - A fiscalização terá livre e irrestrito acesso ao local da derivação e


da utilização de recursos hídricos, objeto da outorga.

Art. 45 - As instituições de crédito oficiais e privadas deverão solicitar dos mutuários


cópia da portaria de outorga da água, para efeito de financiamento de
empreendimentos que utilizem recursos hídricos.

Art. 46 - Todo uso de água sujeito à outorga, preexistente a este Decreto, deverá ser
regularizado perante a SRH, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da publicação do
mesmo.

Parágrafo único - O não cumprimento do previsto no caput deste artigo sujeita o


usuário da água às disposições e penalidades previstas neste Decreto.

72
Art. 47 - Ficam a SRH e o CRA responsáveis pelas ações que envolvam o meio
ambiente e suas interações com os recursos hídricos, formalizados através de
procedimentos, que possibilitem o cumprimento do art. 22, da Lei n. 6.855, de 12 de
maio de 1995, e neste Decreto, no que couber.

Art. 48 - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. 49 - Revogam-se as disposições em contrário93 94.

PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 21 de março de 1997.

Paulo Souto

Governador

Roberto Moussallem de Andrade

Secretário de Recursos Hídricos, Saneamento e Habitação

93
Disponível em: https://governo-ba.jusbrasil.com.br/legislacao/79106/decreto-6296-97

94
Outorga: http://www.seia.ba.gov.br/regularizacao-ambiental/outorga

73
3. SERGIPE

3.1. Lei n. 3.870, de 25 de setembro de 1997

“Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos, cria o Fundo Estadual de


Recursos Hídricos e o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos e
dá outras providências”.

Alterado pelas Lei(s): Lei Ordinária nº 4600/2002

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SERGIPE:

Faço saber que a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe decretou e eu


sanciono a seguinte Lei:

TÍTULO I
DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I
DOS FUNDAMENTOS

Art. 1º. A Política Estadual de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes


fundamentos:

I - a água é um bem de domínio público;

II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;

III - em situação de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo


humano e a dessedentação de animais;

IV - a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das
águas;

V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos
Hídricos;

VI - a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a


participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.

74
CAPÍTULO II
DOS OBJETIVOS

Art. 2º. São objetivos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - o asseguramento, à atual e às futuras gerações, da necessária disponibilidade de


água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos;

II - a utilização racional e integrada de recursos hídricos, com vistas ao


desenvolvimento sustentável;

III - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou


decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.

CAPÍTULO III
DAS DIRETRIZES GERAIS DE AÇÃO

Art. 3º. Constituem diretrizes gerais de ação para implementação da Política Estadual
de Recursos Hídricos:

I - a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos aspectos de


quantidade e qualidade;

II - a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

III - a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos e
zonas costeiras;

IV - a articulação do planejamento de recursos hídricos com o dos setores usuários e


com os planejamentos regional , estadual e nacional;

V - a articulação da gestão dos recursos hídricos com a do uso do solo.

Art. 4º. O Estado articular-se-á com os Municípios tendo em vista o gerenciamento


dos recursos hídricos de interesse comum.

CAPÍTULO IV
DOS INSTRUMENTOS

Art. 5º. São instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - o Plano Estadual de Recursos Hídricos;

75
II - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos
preponderantes da água;

III - o Fundo Estadual de Recursos Hídricos;

IV - a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos ;

V - a cobrança pelo uso de recursos hídricos; e

VI - o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos.

SEÇÃO I
Do Plano Estadual de Recursos Hídricos

Art. 6º. O Estado elaborará e manterá atualizado o Plano Estadual de Recursos


Hídricos, com base nos planos de suas bacias hidrográficas, em consonância com os
fundamentos, objetivos e diretrizes da Política Estadual de Recursos Hídricos,
observadas as normas relativas à proteção do meio ambiente e às diretrizes do Plano
Plurianual do Estado, e terá o seguinte conteúdo mínimo:

I - diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos;

II - análise de alternativas de crescimento demográfico, de evolução de atividades


produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo;

III - balanço entre disponibilidades e demandas futuras dos recursos hídricos, em


quantidade e qualidade, com identificação de conflitos potenciais;

IV - metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria da qualidade


dos recursos hídricos disponíveis;

V - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem


implantados, para o atendimento das metas previstas;

VI - prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos;

VII - diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

VIII - propostas para criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à
proteção dos recursos hídricos.

Art. 7º. O Plano Estadual de Recursos Hídricos será aprovado por Lei e
regulamentado por Decreto.

76
SEÇÃO II
Do Enquadramento dos Corpos de Água em Classes, segundo os Usos
preponderantes da Água

Art. 8º. O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos


preponderantes da água, visa a:

I - assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem
destinadas;

II - diminuir os custos de combate à poluição das águas, mediante ações preventivas


permanentes.

Art. 9º. As classes de corpos de água serão estabelecidas pela legislação ambiental.

SEÇÃO III
Do Fundo Estadual de Recursos Hídricos

Art. 10. Fica criado o Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH, com
vinculação institucional à Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e
Tecnologia - SEPLANTEC, a qual se responsabilizará pela sua gestão administrativa,
orçamentária, financeira e patrimonial.

Art. 11. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH, tem por objetivo
assegurar os meios necessários a execução das ações programadas do Plano
Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 12. Constituirão recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos:

I - recursos do Estado e dos Municípios a ele destinados por disposições legais;

II - recursos da União, de Estados e de Municípios, destinados à execução de planos


e programas de recursos hídricos de interesse comum;

III - compensação financeira que o Estado receber em decorrência dos


aproveitamentos hidroenergéticos em seu território;

IV - parte da compensação financeira que o Estado receber pela exploração de


petróleo, gás natural e outros recursos minerais, em seu território, a ser definida pelo
Governo do Estado, para aplicação exclusiva em estudos e programas de interesse
para a gestão dos recursos hídricos subterrâneos;

V - receita obtida da cobrança pela utilização de recursos hídricos;

77
VI - empréstimos, nacionais e internacionais, e recursos provenientes da ajuda e
cooperação internacional e de acordos intergovernamentais;

VII - rendas provenientes das aplicações financeiras dos recursos do fundo;

VIII - tarifas e taxas cobradas de beneficiados por serviços de aproveitamento,


controle e fiscalização dos recursos hídricos;

IX - receitas de outras fontes, que legalmente se destinem ao Fundo ou se constituam


em receita do mesmo.

Art. 13. Os recursos do FUNERH terão as seguintes aplicações:

I - financiamento a instituições públicas e privadas para a realização de serviços e


obras com vistas ao desenvolvimento, conservação, uso racional, controle e proteção
dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos;

II - programas de estudos e pesquisas, desenvolvimento tecnológico e capacitação de


recursos humanos de interesse da gestão dos recursos hídricos.

Art. 14. Os recursos financeiros do FUNERH deverão ser depositados e


movimentados no Banco do Estado de Sergipe S.A. - BANESE, ressalvados os casos
de exigência legal ou regulamentar, ou de norma operacional regular de alguma fonte
repassadora, para manutenção e movimentação dos respectivos recursos em
estabelecimento financeiro oficial vinculado ao Governo Federal, sempre, porém, em
conta específica do mesmo Fundo.

Parágrafo único. A conta específica referida no "caput" deste artigo será movimentada
pelo órgão responsável pela gestão do FUNERH.

Art. 15. A programação do FUNERH obedecerá às disposições contidas nesta Lei e


aos critérios técnicos-legais vigentes e pertinentes a orçamentação, e administração
financeira e contábil, bem como às normas de controle interno e externo.

Art. 16. A regulamentação do FUNERH será estabelecida através de Decreto do


Poder Executivo, que fixará normas e instruções necessárias à sua implantação e ao
seu funcionamento administrativo e operacional.

SEÇÃO IV
Da Outorga de Direitos de Uso de Recursos Hídricos

Art. 17. O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como
objetivos assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo
exercício dos direitos de acesso à água.

78
Art. 18. Estão sujeitos a outorga pelo Poder Público os direitos dos seguintes usos de
recursos hídricos:

I - derivação ou captação de parcela de água existente em um corpo de água, para


consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo;

II - extração de água de aquífero subterrâneo, para consumo final ou insumo de


processo produtivo;

III - lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos,


tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou deposição final;

IV - aproveitamento dos potenciais hidrelétricos;

V - outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade de água existente


em um corpo de água.

§ 1º - Independem de outorga pelo Poder Público, conforme definido em


regulamentação:

I - o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos


núcleos populacionais distribuídos no meio rural;

II - as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes;

III - as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes.

§ 2º - A outorga e a utilização de recursos hídricos, para fins de geração de energia


elétrica, reger-se-ão pela legislação federal pertinente.

Art. 19. Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos
Planos de Recursos Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de água
estiver enquadrado e a manutenção de condições adequadas ao transporte
aquaviário, quando for o caso.

Parágrafo Único. A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso
múltiplo destes.

Art. 20. A outorga efetivar-se-á por ato da autoridade competente do Poder Executivo
Estadual.

Art. 21. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa, parcial
ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, nas seguintes circunstâncias:

I - não cumprimento, pelo outorgado, dos termos de outorga;

II - ausência de uso por três anos consecutivos;


79
III - necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, inclusive
as decorrentes de condições climáticas adversas;

IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

V - necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo, para os quais


não se disponha de fontes alternativas;

VI - necessidade de serem mantidas as características de navegabilidade do corpo de


água.

Art. 22. Toda outorga de direitos de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não
excedente a 35 (trinta e cinco) anos, renovável.

Art. 23. A outorga não implica a alienação parcial das águas, que são inalienáveis,
mas o simples direito de seu uso.

SEÇÃO V
Da Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos

Art. 24. A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva:

I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu
real valor;

II - incentivar a racionalização do uso da água;

III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções


contemplados nos planos de recursos hídricos.

Art. 25. Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, nos termos
do Art. 18 desta Lei.

Art. 26. Na fixação dos valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos
devem ser observados, dentre outros:

I - nas derivações, captações e extrações de água, o volume retirado e seu regime de


variação;

II - nos lançamentos de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, o volume


lançado e seu regime de variação e as características físico-químicas, biológicas e de
toxidade do afluente.

80
Art. 27. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão
aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados, e serão
utilizados:

I - no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídos nos Planos de


Recursos Hídricos;

II - no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e


entidades integrantes do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

§ 1º - A aplicação nas despesas previstas no inciso II do "caput" deste artigo é limitada


a 7,5% (sete e meio por cento) do total arrecadado.

§ 2º - Os valores previstos no "caput" deste artigo poderão ser aplicados a fundo


perdido em projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à
coletividade, a qualidade, a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água.

SEÇÃO VI
Do Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos

Art. 28. O Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos é formado pela
coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre recursos
hídricos e fatores intervenientes em sua gestão.

Parágrafo único. Os dados gerados pelos órgãos integrantes do Sistema Estadual de


Gerenciamento de Recursos Hídricos serão incorporados ao Sistema Estadual de
Informações.

Art. 29. São princípios básicos para o funcionamento do Sistema Estadual de


Informações sobre Recursos Hídricos:

I - descentralização da obtenção e produção de dados e informações;

II - coordenação unificada do sistema; e

III - acesso aos dados e informações garantido a toda a sociedade.

Art. 30. São objetivos do Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos:

I - reunir, dar consistência, divulgar e atualizar permanentemente os dados e


informações sobre a disponibilidade e situação qualitativa e quantitativa dos recursos
hídricos no Estado;

81
II - atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de
recursos hídricos no Estado; e

III - fornecer subsídios para elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos.

CAPÍTULO V
DA AÇÃO DO PODER PÚBLICO

Art. 31. Na implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, compete ao


Poder Executivo:

I - tomar as providências necessárias à implementação e ao funcionamento do


Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

II - outorgar os direitos de uso de recursos hídricos, e regulamentar e fiscalizar os


usos, na sua esfera de competência;

III - realizar o controle técnico das obras de oferta hídrica;

IV - implantar e gerir o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos, em


âmbito estadual;

V - promover a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental.

Parágrafo Único - O Poder Executivo Estadual indicará, por Decreto, a autoridade


responsável pela efetivação de outorgas de direito de uso dos recursos hídricos sob
domínio do Estado.

Art. 32. Na implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, os Poderes


Executivos do Estado e dos Municípios promoverão a integração das políticas locais
de saneamento básico, de uso, ocupação e conservação do solo e de meio ambiental
com a Política Nacional de Recursos Hídricos.

TÍTULO II
DO SISTEMA ESTADUAL DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I
DOS OBJETIVOS E DA COMPOSIÇÃO

Art. 33. Fica criado o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, com
os seguintes objetivos:

I - coordenar a gestão integrada das águas;


82
II - arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos;

III - implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos;

IV - planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos


hídricos;

V - promover a cobrança pelo uso de recursos hídricos.

Art. 34. Integram o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos:

I - o Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH;

II - os Comitês de Bacia Hidrográfica - CBHs;

III - a Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia - SEPLANTEC,


Órgão Gestor;

IV - os Órgãos dos poderes públicos federal, estadual e municipal, cujas competências


se relacionem com a gestão de recursos hídricos;

V - as Agências de Água.

CAPÍTULO II
DO CONSELHO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 35. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos, órgão de coordenação,


fiscalização e deliberação coletiva e de caráter normativo do Sistema Estadual de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, vinculado à Secretaria de Estado do
Planejamento e da Ciência e Tecnologia - SEPLANTEC terá por finalidade o exercício
das seguintes competências:

I - promover a articulação do planejamento de recursos hídricos com os planejamentos


nacional, regional, estadual e dos setores usuários;

II - aprovar o Plano Estadual de Recursos Hídricos e determinar as providências


necessárias ao cumprimento de suas metas;

III - arbitrar, em última instância administrativa, os conflitos existentes entre bacias


hidrográficas e usuários de água;

IV - deliberar sobre os projetos de aproveitamento de recursos hídricos cujas


repercussões extrapolem o âmbito da bacia hidrográfica em que serão implantados;

83
V - deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Comitês de
Bacia Hidrográfica;

VI - aprovar propostas de instituição dos Comitês de Bacia Hidrográfica e estabelecer


critérios gerais para elaboração de seus regimentos;

VII - analisar propostas de alteração da legislação pertinente a recursos hídricos e à


Política Estadual de Recursos Hídricos;

VIII - estabelecer critérios gerais para a outorga de direitos de uso de recursos hídricos
e para cobrança por seu uso;

IX - estabelecer diretrizes complementares para implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema Estadual
de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

X - apreciar o relatório anual sobre a situação dos Recursos Hídricos do Estado de


Sergipe;

XI - manifestar-se sobre outros assuntos relativos a recursos hídricos, que sejam


submetidos ou estejam sujeitos à sua apreciação.

Art. 36. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos será composto por:

I - representantes das Secretarias de Estado e Entidades ou Instituições públicas com


atuação no gerenciamento ou uso dos recursos hídricos, na proteção ao meio
ambiente e planejamento estratégico;

II - representantes dos Municípios contidos nas bacias hidrográficas;

III - representantes dos usuários dos recursos hídricos, legalmente constituídos;

IV - representantes dos Comitês de Bacias Hidrográficas;

V - representante do Ministério Público do Estado;

VI - representante do Poder Legislativo Estadual; e

VII - representantes das organizações civis de recursos hídricos.

Art. 37. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos será gerido por:

I - um Presidente, que será o Secretário de Estado do Planejamento e da Ciência e


Tecnologia;

II - um Secretário Executivo, que será o dirigente do órgão operacional da gestão dos


recursos hídricos da Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia.
84
Parágrafo único. As normas e instruções para implantação e funcionamento do
Conselho Estadual de Recursos Hídricos serão estabelecidas na regulamentação
desta Lei.

CAPÍTULO III
DOS COMITÊS DE BACIA HIDROGRÁFICA

Art. 38. Os Comitês de Bacia Hidrográfica terão como área de atuação:

I - a totalidade de uma bacia hidrográfica;

II - sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da bacia, ou de


tributário desse tributário; ou

III - grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas.

Parágrafo Único. A instituição de Comitês de Bacia Hidrográfica em rios de domínio


estadual será efetivada por ato do Governador do Estado.

Art. 39. Aos Comitê de Bacias Hidrográficas, órgãos consultivos e deliberativos, a nível
de bacias hidrográficas, compete as seguintes atribuições:

I - promover o debate das questões relacionadas a recursos hídricos e articular a


atuação das entidades intervenientes;

II - arbitrar, em primeira instância administrativa, os conflitos relacionados aos


recursos hídricos;

III - aprovar o Plano de Recursos Hídricos da bacia;

IV - acompanhar a execução do Plano de Recursos Hídricos da bacia e sugerir as


providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

V - estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de Recursos Hídricos e sugerir


os valores a serem cobrados;

VI - apreciar e aprovar o relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos da


bacia hidrográfica;

VII - propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos as acumulações, derivações,


captações e lançamentos de pouca expressão, para efeito de isenção da
obrigatoriedade de outorga de direitos de uso de Recursos Hídricos;

VIII - estabelecer critérios e promover o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de
interesse comum ou coletivo.
85
Art. 40. Os Comitês de Bacia Hidrográfica serão compostos por representantes de
órgãos e entidades públicas com interesses na gestão, oferta, controle, proteção e
uso dos recursos hídricos, bem como representantes dos Municípios contidos na
Bacia Hidrográfica correspondente e dos usuários das águas, através das entidades
associativas.

§1º- Das decisões dos Comitês da Bacia Hidrográfica caberá recurso ao Conselho
Estadual de Recursos Hídricos.

§2º- A organização, o detalhamento de competências e as normas de funcionamento


dos Comitês de Bacia Hidrógrafica serão estabelecidos em regulamentação desta Lei.

Art. 41. Os Comitês de Bacia Hidrográfica serão dirigidos por um Presidente e um


Secretário, eleitos dentre seus membros.

CAPÍTULO IV
DAS AGÊNCIAS DE ÁGUA

Art. 42. As Agências de Água exercerão a função de secretaria executiva do respectivo


ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica.

Art. 43. As Agências de Água terão a mesma área de atuação de um ou mais Comitês
de Bacia Hidrográfica.

Parágrafo Único. A criação das Agências de Água será autorizada pelo Conselho
Estadual de Recursos Hídricos mediante solicitação de um ou mais Comitês de Bacia
Hidrográfica.

Art. 44. A criação de uma Agência de Água é condicionada ao atendimento dos


seguintes requisitos:

I - prévia existência do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

II - viabilidade financeira assegurada pela cobrança do uso dos recursos hídricos em


sua área de atuação.

Art. 45. Compete às Agências de Água, no âmbito de sua área de atuação:

I - manter balanço ou demonstrativo atualizado da disponibilidade de recursos hídricos


em sua área de atuação;

II - manter o cadastro de usuários de recursos hídricos;

86
III - efetuar, mediante delegação do outorgante, a cobrança pelo uso de recursos
hídricos;

IV - analisar e emitir pareceres sobre os projetos e obras a serem financiados com


recursos gerados pela cobrança pelo uso de recursos hídricos e encaminhá-los à
instituição financeira responsável pela administração desses recursos;

V - acompanhar a administração financeira dos recursos arrecadados com a cobrança


pelo uso de recursos hídricos em sua área de atuação;

VI - gerir o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos em sua área


de atuação;

VII - elaborar a sua proposta orçamentária e submetê-la à apreciação do respectivo


ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

VIII - promover os estudos necessários para a gestão dos recursos hídricos em sua
área de atuação;

IX - elaborar o Plano de Recursos Hídricos para apreciação do respectivo Comitê de


Bacia Hidrográfica;

X - propor ao respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica:

a) enquadramento dos corpos de água nas classes de uso, para encaminhamento ao


Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

b) valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos;

c) plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos
hídricos;

d) rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo.

CAPÍTULO V
DO ÓRGÃO GESTOR DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 46. O órgão gestor da Política Estadual de Recursos Hídricos será a Secretaria
de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia - SEPLANTEC.

Art. 47. Ao órgão gestor compete:

I - promover o uso racional da água e o desenvolvimento sustentável;

87
II - formular políticas e diretrizes para o gerenciamento dos recursos hídricos do
Estado;

III - coordenar, supervisionar e planejar as atividades concernentes aos recursos


hídricos do Estado;

IV - funcionar como Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos,


prestando-lhe, inclusive, o necessário apoio administrativo e técnico;

V - promover estudos de engenharia e economia dos recursos hídricos do Estado;

VI - implantar e manter o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos


do Estado;

VII - coordenar a elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos e encaminhá-lo


à aprovação do Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

VIII - acompanhar a execução de obras previstas nos planos de utilização múltipla dos
recursos hídricos;

IX - instruir os expedientes provenientes do Conselho Estadual de Recursos Hídricos


e dos Comitês de Bacia Hidrográfica;

X - analisar as solicitações e expedir outorga de direito de uso dos recursos hídricos,


efetuando sua fiscalização e aplicando sanções de acordo com a regulamentação
desta lei;

XI - analisar projetos e conceder licença técnica para construção de obras hídricas,


sem prejuízo da licença ambiental obrigatória;

XII - manter intercâmbio e integração com órgãos de operação e monitoramento da


rede hidrométrica e de dados hidrometeorológicos;

XIII - elaborar relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos do Estado;

XIV - elaborar estudos visando a fixação de critérios e normas quanto a outorga de


direito e uso, cobrança e outras providências relacionadas à utilização racional dos
recursos hídricos, efetuando a cobrança das tarifas fixadas;

XV - incentivar os usuários dos recursos hídricos a se organizarem sob a forma de


Comitês de Bacia Hidrográfica.

Art. 48. Fica criada, na estrutura organizacional da SEPLANTEC, como órgão


operacional da gestão de recursos hídricos, a Superintendência de Recursos Hídricos,
cujo objetivo é promover a organização, coordenação, execução, acompanhamento e
controle das atividades da Secretaria relativas a recursos hídricos, sendo integrada

88
pelo Departamento de Planejamento e Coordenação de Recursos Hídricos e pelo
Departamento de Administração e Controle de Recursos Hídricos.

Art. 49. O Departamento de Planejamento e Coordenação de Recursos Hídricos é


responsável pela elaboração, acompanhamento e avaliação técnica de políticas,
diretrizes e normas de gerenciamento para os Recursos Hídricos do Estado, sendo
integrado pela Coordenadoria de Planos e Programas e pela Coordenadoria de
Avaliação e Acompanhamento.

Art. 50. O Departamento de Administração e Controle de Recursos Hídricos é


responsável pelo gerenciamento da produção, oferta e demanda dos Recursos
Hídricos do Estado, usando os instrumentos e meios legais existentes, e pela
implantação e gerenciamento do Sistema Estadual de Informações sobre Recursos
Hídricos, sendo integrado pela Coordenadoria de Outorga e Vistoria e pela
Coordenadoria de Informações.

Art. 51. Ficam criados, no âmbito da SEPLANTEC, 1 (um) cargo em comissão especial
de Superintendente de Recursos Hídricos, Símbolo CCE-08; 1 (um) cargo em
comissão simples de Diretor do Departamento de Planejamento e Coordenação de
Recursos Hídricos, Símbolo CCS-12; 1 (um) cargo em comissão simples de Diretor
do Departamento de Administração e Controle de Recursos Hídricos, Símbolo CCS-
12; e 4 (quatro) cargos em comissão simples de Diretor de Coordenadoria, Símbolo
CCS-11.

CAPÍTULO VI
DAS ORGANIZAÇÕES CIVIS DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 52. São consideradas, para os efeitos desta Lei, organizações civis de recursos
hídricos:

I - consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas;

II - associações regionais, locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos;

III - organizações técnicas e de ensino e pesquisa com interesse na área de recursos


hídricos;

IV - organizações não-governamentais com objetivos de defesa de interesses difusos


e coletivos da sociedade;

V - outras organizações reconhecidas pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 53. Para integrar o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, as


organizações civis de recursos hídricos devem estar legalmente constituídas.

89
TÍTULO III
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

Art. 54. Constitui infração das normas de utilização dos recursos hídricos superficiais
ou subterrâneos:

I - derivar ou utilizar recursos hídricos, qualquer que seja a finalidade, sem a respectiva
outorga de direito de uso;

II - iniciar ou implantar empreendimento relacionado com a derivação ou a utilização


de recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, que implique alterações no regime,
quantidade ou qualidade dos mesmos, sem autorização dos órgãos ou entidades
competentes;

III - utilizar-se dos recursos hídricos ou executar obras ou serviços relacionados com
os mesmos em desacordo com as condições estabelecidas na outorga;

IV - perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los, sem a devida


autorização;

V - fraudar as medições dos volumes de água utilizados ou declarar valores diferentes


dos medidos;

VI - infringir normas estabelecidas na regulamentação desta Lei e nas normas


regulamentares administrativas, compreendendo instruções e procedimentos fixados
pelos órgãos ou entidades competentes;

VII - obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes no exercício


de suas funções.

Art. 55. Por infração de qualquer disposição legal ou regulamentar referente a


execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou utilização de recursos hídricos
de domínio ou administração do Estado, ou pelo não atendimento das solicitações
feitas, o infrator, a critério da autoridade competente, ficará sujeito às seguintes
penalidades, independentemente de sua ordem de enumeração:

I - advertência, por escrito, na qual serão estabelecidos prazos para correção das
irregularidades;

II - multa, simples ou diária, proporcional à gravidade da infração, de 10 (dez) a 1.000


(mil) vezes o valor da Unidade Fiscal Padrão do Estado de Sergipe - UFP/SE, ou
qualquer outro índice público que a substituir, mediante conservação de valores;

90
III - embargo provisório, por prazo determinado, para execução de serviços e obras
necessárias ao efetivo cumprimento das condições de outorga ou para o cumprimento
de normas referentes ao uso, controle, conservação e proteção dos recursos hídricos;

IV - embargo definitivo, com revogação da outorga, se for o caso, para repor


incontinente, no seu antigo estado, os recursos hídricos, leitos e margens, nos termos
dos arts. 58 e 59 do Código de Águas, ou tamponar os poços de extração de água
subterrânea.

§1° - Sempre que da infração cometida resultar prejuízo a serviço público de


abastecimento de água, riscos à saúde ou à vida, perecimento de bens ou animais,
ou prejuízos de qualquer natureza a terceiros, a multa a ser aplicada nunca será
inferior à metade do valor máximo cominado em abstrato.

§ 2° - No caso dos incisos III e IV do "caput" deste artigo, independentemente da pena


de multa, serão cobradas do infrator as despesas em que incorrer a administração
para tornar efetivas as medidas previstas nos citados incisos, na forma dos artigos 36,
53, 56 e 58 do Código de Águas, sem prejuízo de responder pela indenização dos
danos a que der causa.

§ 3° - Da aplicação das sanções previstas neste artigo caberá recurso à autoridade


administrativa competente, nos termos da regulamentação desta Lei.

§ 4° - Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro.

§ 5° - Os recursos provenientes da arrecadação das multas a que se refere o "caput"


deste artigo serão recolhidos à conta do Fundo Estadual de Recursos Hídricos
FUNERH.

TÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E FINAIS

Art. 56. O Poder Executivo Estadual promoverá a regulamentação desta Lei no prazo
de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da respectiva publicação.

Art. 57. Para atender às despesas decorrentes da aplicação ou execução desta Lei,
fica o Poder Executivo autorizado a abrir créditos adicionais no corrente exercício, até
o limite de R$ 100.000,00 (cem mil reais), que poderão ser reabertos, no limite dos
seus saldos, no exercício seguinte, de acordo com as normas legais pertinentes,
observado o disposto nos artigos 43 a 46 da Lei Federal nº 4.320, de 17 de março de
1964.

91
Art. 58. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. 59. Revogam-se as disposições em contrário, especialmente a Lei nº 3.595, de


19 de janeiro de 199595.

Albano Franco
Governador do Estado

95
Fonte: http://www.al.se.gov.br/leis-ordinarias/leis-ordinarias-ler/?Numerolei=1459

92
3.2. Decreto n. 18456, de 03 de dezembro de 1999

“Regulamenta a outorga de direito de uso de recursos hídricos, de domínio do Estado,


de que trata a Lei n. 3.870, de 25 de setembro de 1997, e dá providências correlatas”.

3.3. Decreto Nº 18. 456, de 03 de dezembro de 1999

“Regulamenta a outorga de direito de uso de recursos hídricos, de domínio do Estado,


de que trata a Lei nº 3.870, de 25 de setembro de 1997, e dá providências correlatas”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SERGIPE, no uso das atribuições que lhe são


conferidas nos termos do Art. 84, incisos V, VII e XXI, da Constituição Estadual; de
acordo com o disposto na Lei n.º 3.591, de 09 de janeiro de 1995, combinado com
disposições das Leis nº. 2.608, de 27 de fevereiro de 1987, e nº 2.960, de 09 de abril
de 1991; tendo em vista o que dispõe a Lei Federal n.º 9.433, de 8 de janeiro de 1997;
e de conformidade com o que consta da Lei nº 3.870, principalmente o seu art. 56, de
25 de setembro de 1997,

DECRETA:

CAPÍTULO ÚNICO
DA OUTORGA DE DIREITO DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS

SEÇÃO I
Da Outorga e dos seus Objetivos

Art. 1º. O uso de recursos hídricos, de domínio do Estado, deve ocorrer mediante a
respectiva outorga de direito, de acordo com a Lei nº 3.870, especialmente os seus
artigos 17, 18, 19, 20, 21, 22 e 23, de 25 de setembro de 1997, e na conformidade
deste Decreto.

Art.2º. A outorga de direito de uso de recursos hídricos de domínio do Estado é ato


administrativo mediante o qual o poder público outorgante faculta ao outorgado o uso
de recursos hídricos, por prazo determinado, nos termos e nas condições expressas
no respectivo ato.

§ 1º - A outorga não implica alienação total ou parcial das águas, que são inalienáveis.

§ 2º - A outorga confere o direito de uso de recurso hídrico condicionado à


disponibilidade hídrica e ao regime de racionamento, sujeitando o outorgado à
suspensão da outorga e as demais disposições estabelecidas neste Decreto.

93
§ 3º - O outorgado é obrigado a respeitar direitos de terceiros.

§ 4º - A outorga pode ser transferida, parcial ou totalmente, desde que haja anuência
do poder outorgante.

Art. 3º. A outorga de direito de uso de recursos hídricos tem por objetivo assegurar:

I - o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água; e

II - o efetivo exercício dos direitos de acesso à água.

SEÇÃO II
Das Definições

Art. 4º. Para efeito deste Decreto, são adotadas as seguintes definições:

I – aquífero subterrâneo: formação geológica que contém água e permite que


quantidades significativas dessa água se movimentem no seu interior, em condições
naturais;

II – concentração limite: elemento de planejamento e controle de bacia hidrográfica


configurada pela concentração de agente poluente especificada no correspondente
plano de recursos hídricos, para cada ano do horizonte de planejamento, podendo
apresentar variação anual, partindo das condições atuais para atingir, ao final do
horizonte previsto, a concentração meta definida na Resolução CONAMA N.º 20/86
para a classe em que tenha sido enquadrado o corpo hídrico;

III – corpo hídrico: trecho de rio, reservatório, artificial ou natural, ou aquífero


subterrâneo;

IV – disponibilidade hídrica: diferença entre o volume outorgável e o volume


outorgado;

V – disponibilidade real de poço: volume de água efetivamente disponível no momento


considerado, a partir das captações existentes, que pode ser retirado de um poço no
caso de ser bombeado em sua capacidade máxima e em regime de 24/24 horas todos
os dias;

VI – disponibilidade usual de poço: volume realmente utilizado com vazão de


abstração e regime de bombeamento diário e semanal adotados;

VII – indicador de poluente: medida de poluente que possa ser expressa em termos
de concentração;

94
VIII - nível de garantia: probabilidade, em termos percentuais, de que num
determinado período de tempo seja atendida uma demanda outorgada;

IX – reserva explotável do aquífero: é o volume real que pode ser retirado sem prejuízo
para o meio ambiente como um todo, inclusive as restituições para os cursos d’água
superficiais, a preservação das culturas implantadas, as obras de captação já
instaladas e outras demandas dependentes desse potencial;

X – reserva renovável do aquífero: é o volume que se pode abstrair do aquífero, sem


que ocorra prejuízo ou risco de esgotamento de um aquífero;

XI – volume aleatório: volume disponível sazonalmente em um corpo hídrico, sob a


forma de variável aleatória que assume valor diferente a cada período de tempo, em
função da natural variabilidade hidrológica e do manejo dos corpos hídricos;

XII – volume outorgado: volume indisponível para novas outorgas em função de


outorgas já efetuadas no próprio corpo hídrico, ou em outros localizados à montante,
devendo ser sempre igual ou inferior ao volume outorgável;

XIII – volume outorgável: máximo volume que pode ser outorgado em um corpo hídrico
e cujo montante é composto pela soma do volume já outorgado com o volume ainda
disponível para outorga.

SEÇÃO III
Dos Usos Sujeitos a Outorga e suas Modalidades

Art. 5º. Estão sujeitos à outorga pelo poder público, os seguintes usos ou
interferências em recursos hídricos:

I - a implantação de qualquer empreendimento que possa demandar a utilização de


recursos hídricos e que implique alteração do regime, da quantidade ou da qualidade
da água existente em um corpo hídrico superficial ou subterrâneo;

II - a execução de obras ou serviços que configurem interferência e impliquem


alteração do regime, da quantidade ou da qualidade da água existente em um corpo
hídrico superficial ou subterrâneo;

III - a derivação ou captação de parcela de água existente em um corpo hídrico, para


consumo final, inclusive abastecimento público ou insumo de processo produtivo;

IV – lançamento, em corpo hídrico, de esgotos e demais resíduos líqüidos ou gasosos,


tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou deposição final;

V - o uso para fins de aproveitamento de potenciais hidrelétricos.

95
§ 1º - A outorga pode abranger direito de uso múltiplo de recurso hídrico, ficando o
outorgado responsável pela observância concomitante de todos os usos outorgados.

§ 2º - A outorga deve ser emitida na modalidade de autorização.

§ 3º - No caso dos incisos I e II do “caput” deste artigo a outorga autoriza a implantação


do empreendimento mas não confere ao seu titular o direito de uso dos recursos
hídricos.

Art. 6º. A expedição de outorga de direito de uso de recursos hídricos para


aproveitamento de potenciais hidrelétricos, de que trata o art. 5º, “caput” e inciso V,
deste Decreto, deve ser feita pela Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência
e Tecnologia - SEPLANTEC, em articulação com a Agência Nacional de Energia
Elétrica – ANEEL.

Parágrafo Único. Cabe à SEPLANTEC decidir sobre a viabilidade da outorga


solicitada, avaliando o impacto da inserção do aproveitamento hidrelétrico na bacia
hidrográfica, tendo em vista a disponibilidade hídrica e a eventual mudança de regime
fluvial e seus possíveis efeitos nos demais usuários e usos da bacia hidrográfica.

Art. 7º. Aos pretensos usuários de recursos hídricos pode ser dada outorga prévia com
a finalidade exclusiva de declarar a existência de disponibilidade hídrica para o uso
requerido, observadas as exigências constantes deste Decreto.

§ 1º - A outorga prévia visa a garantir a existência de volume outorgável quando


comparado ao volume outorgado, possibilitando ao investidor efetuar o planejamento,
projeto e implantação de empreendimentos de utilização de recursos hídricos.

§ 2º - No caso de perfuração de poços para extração de água subterrânea, a outorga


prévia deve conter cláusula que explicite a condicionalidade da outorga definitiva, se
for expedida, aos resultados dos ensaios de bombeamento que comprovem a
disponibilidade e sustentabilidade de água subterrânea.

§ 3º - Os usuários interessados em assegurar reserva de direito de uso de


determinada quantidade de água, em manancial específico, podem requerer outorga
prévia, mediante a devida justificativa, para empreendimentos a serem implantados
ou ampliados, mas não confere direito de uso a seu titular.

SEÇÃO IV
Dos Usos Independentes de Outorga

Art. 8º. Independem de outorga pelo poder público:

96
I - o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos
núcleos populacionais, distribuídos no meio rural;

II - as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes, tanto do


ponto de vista de volume quanto de carga poluente;

III - as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes.

§ 1º - Critérios específicos de vazões ou acumulações de volumes de água


considerados insignificantes devem ser estabelecidos nos planos diretores de bacias
hidrográficas ou, na inexistência destes, pelo Conselho Estadual de Recursos
Hídricos.

§ 2º - As derivações, captações, lançamentos e acumulações de volume de água


considerados insignificantes, apesar de não necessitarem de outorga, devem ser
comunicados e cadastrados junto ao poder outorgante.

SEÇÃO V
Dos Critérios da Outorga

Art. 9º. A outorga deve observar os planos estaduais de recursos hídricos e os planos
diretores das bacias, e em especial:

I - as prioridades de uso estabelecidas na Lei Federal n.º 9.433/97;

II - a classe em que o corpo hídrico estiver enquadrado, em consonância com a


legislação ambiental;

III - a preservação dos usos múltiplos previstos;

IV - a manutenção das condições adequadas ao transporte aquaviário, quando


couber.

§ 1º - Enquanto não for aprovado o plano diretor de recursos hídricos de uma bacia
hidrográfica, a outorga deve obedecer aos critérios gerais estabelecidos pelo
Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

§ 2º - Em igualdade de condições, devem ter prioridade os projetos que atenderem


melhor ao interesse público.

§ 3º - Ao se emitir uma outorga de recursos hídricos superficiais, o volume outorgado


fica indisponível para outros usos no corpo hídrico em que é feita a captação ou
diluição e nos corpos hídricos situados a jusante, considerada, no caso de diluição, a

97
capacidade de autodepuração dos respectivos corpos hídricos, para cada tipo de
poluente.

§ 4º - O volume de água outorgado pode variar sazonalmente, em função das


características hidrológicas do corpo hídrico e da necessidade de uso da água.

§ 5º – O volume de água subterrânea a ser abstraída de um poço deve depender do


planejamento do uso do aquífero, observando-se a reserva explotável do aquífero e a
disponibilidade real do poço.

Art. 10. Quando a outorga for emitida sem que haja um plano diretor de bacia
hidrográfica, os outorgados ficam obrigados a adaptar suas atividades e obras ao
plano superveniente.

Art. 11. A outorga de lançamento de efluentes deve ser dada em quantidade de água
necessária para a diluição da carga poluente, podendo variar ao longo do prazo de
validade da outorga, em função da concentração limite de cada indicador de poluição,
ou em função de parâmetros definidos pela legislação correlata.

Parágrafo Único. No caso previsto no “caput” deste artigo, implementar-se-á o


disposto nos § 3º e 4º do art. 9º deste Decreto, separadamente para o uso consuntivo
e para cada indicador de poluente.

Art. 12. O nível de garantia do volume de águas superficiais outorgado para cada
usuário deve ser de, no mínimo, 85% (oitenta e cinco por cento), e, no máximo, 95%
(noventa e cinco por cento), exceto quando o plano diretor da bacia hidrográfica adotar
outros valores para o corpo hídrico, ou quando o poder público outorgante,
motivadamente, assim o decidir.

§ 1º – O poder público outorgante deve calcular o volume outorgável sazonalmente


em cada corpo hídrico em função do nível de garantia.

§ 2º - O outorgado deve implantar e manter em funcionamento equipamento de


medição para monitoramento contínuo da vazão captada ou lançada.

Art. 13. Deve ser rejeitado o pedido de outorga de que possa resultar volume
outorgado superior ao outorgável, seja para o corpo hídrico para o qual tenha sido
feito o pedido, ou para qualquer outro corpo hídrico localizado a jusante ou a montante.

SEÇÃO VI
Dos Procedimentos Administrativos da Outorga

Art. 14. O pedido de outorga de direito de uso de recursos hídricos deve ser requerido
à Superintendência de Recursos Hídricos da Secretaria de Estado do Planejamento e

98
da Ciência e Tecnologia – SEPLANTEC, e instruído com as seguintes informações
mínimas:

I - em todos os casos:

a) identificação do requerente;

b) localização geográfica do ponto de captação, lançamento ou interferência, incluindo


a identificação do corpo hídrico;

c) especificação dos tipos de usos previstos para a água;

d) certidão da Prefeitura Municipal declarando que o local e o tipo do empreendimento


estão em conformidade com a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo;

e) quando requerida pela legislação ambiental em vigor, a respectiva licença


ambiental;

f) comprovação do recolhimento dos emolumentos fixados para outorga neste decreto;

II - quando se tratar de derivação de água oriunda de corpo hídrico superficial ou


subterrâneo, o volume mensal que se pretenda derivar ou captar e seu regime de
variação;

III - quando se tratar de lançamento de esgotos e demais resíduos líquidos ou


gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final:

a) volume mensal a ser lançado no corpo d’água receptor e regime de variação do


lançamento;

b) concentrações e cargas de poluentes físicos, químicos e biológicos.

IV – quando se tratar de construção de obras hídricas que configurem interferência e


implique em alteração do regime, da quantidade ou da qualidade da água existente
em um corpo hídrico, a ficha técnica da obra hidráulica.

Parágrafo Único. A critério da SEPLANTEC podem ser exigidos documentos e


informações complementares

Art. 15. Fica facultado a Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e


Tecnologia, órgão responsável pela outorga, a adoção de sistema eletrônico para
requerimento e expedição das outorgas, podendo dispensar a apresentação dos
originais da documentação exigível, desde que seja assegurada sua disponibilidade a
qualquer tempo, para fins de verificação e fiscalização.

Art. 16. - Deve constar do ato de outorga:

99
I - localização geográfica e hidrográfica, quantidade, qualidade, nível de garantia e
finalidade a que se destinem as águas, e tipo de obra;

II - prazo não superior a 30 (trinta) anos;

III - obrigação de recolher os valores da cobrança pelo uso dos recursos hídricos,
quando exigível;

IV – os volumes outorgados para captação, derivação e ou lançamentos de efluentes;

V – condição de que a outorga cessará seus efeitos jurídicos se certidões, alvarás ou


licenças de qualquer natureza, exigidas pela legislação federal, estadual ou municipal
forem indeferidas definitivamente; e

VI – situação ou circunstância em que ocorrerá a suspensão ou extinção da outorga.

Parágrafo único. O ato de outorga deve ser publicado no Diário Oficial do Estado, sob
forma de extrato.

Art. 17. A Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia, deve


manter registro das outorgas emitidas, contendo, para cada bacia hidrográfica, no
mínimo:

I - cadastro dos usuários e de obras de recursos hídricos;

II - volume outorgado a cada usuário; e

III – volume alocado, referente a usos insignificantes, à prevenção da degradação


ambiental, à manutenção dos ecossistemas aquáticos e para garantir a
navegabilidade, quando couber.

Parágrafo único. As informações sobre o registro das outorgas mencionado no “caput”


deste artigo devem integrar o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos
Hídricos.

Art. 18. A outorga de direito de uso de recursos hídricos pode ser feito por prazo
renovável, não superior a 30 (trinta) anos.

§ 1º - Na outorga de direito de uso de recursos hídricos para concessionárias de


serviços públicos de saneamento e abastecimento de água, o prazo não pode ser
superior ao constante do contrato de concessão.

§ 2º - A outorga prévia deve ser feita por prazo suficiente para obtenção da licença
ambiental, elaboração do projeto, execução das obras, não excedendo a 5 (cinco)
anos, renovável uma única vez, por igual período.

100
Art. 19. O outorgado interessado em renovar a outorga deve apresentar requerimento
ao poder público outorgante com antecedência mínima de 180 (cento e oitenta) dias
do final da validade da outorga.

Parágrafo único. O pedido de renovação somente deve ser atendido se forem


observadas as normas, critérios e prioridades vigentes na época da renovação.

SEÇÃO VII
Da Suspensão e da Extinção da Outorga

Art. 20. A outorga do direito de uso de recursos hídricos pode ser suspensa pelo poder
outorgante, parcial ou totalmente, sem qualquer direito de indenização ao usuário, nas
seguintes circunstâncias:

I – o não cumprimento, pelo outorgado, dos termos da outorga;

II - necessidade de água para atender a situações de calamidade, inclusive as


decorrentes de condições climáticas adversas;

III - necessidade de prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

IV - necessidade de serem atendidos os usos prioritários, de interesse coletivo, para


os quais não se disponha de fontes alternativas;

V - necessidade de serem mantidas as características de navegabilidade do corpo


hídrico;

VI – não pagamento dos valores fixados para cobrança pelo uso de recursos hídricos,
segundo prazos e critérios estabelecidos pelo Comitê de Bacia Hidrográfica
correspondente ou, em sua ausência, pelo poder outorgante;

VII – no caso de ser instituído regime de racionamento de recursos hídricos;

VIII – quando os planos diretores ou o Plano Estadual de Recursos Hídricos assim o


determinar.

§ 1º - A competência para suspensão da outorga de direito de uso de recursos hídricos


por infringência do inciso VI do “caput” deste artigo pode ser delegada à Agência de
Água.

§ 2º - A suspensão da outorga do direito de uso de recursos hídricos, prevista neste


artigo, implica, automaticamente, o corte ou a redução dos usos outorgados.

101
Art. 21. A outorga de direito de uso de recursos hídricos extingue-se, sem qualquer
direito de indenização ao usuário, nas seguintes circunstâncias:

I - ausência de uso por três anos consecutivos;

II - morte do usuário - pessoa física;

III – liquidação judicial ou extrajudicial do usuário – pessoa jurídica;

IV - término do prazo de validade de outorga sem que tenha havido tempestivo pedido
de renovação; e

V – indeferimento ou cassação da licença ambiental.

Parágrafo único. No caso do inciso II do “caput” deste artigo, na forma da lei, os


interessados em prosseguir na utilização da outorga podem apresentar sua solicitação
ao poder outorgante e este poderá estender aos legítimos interessados o direito de
utilização de recursos hídricos até o final do prazo originário da mesma.

SEÇÃO VIII
Do Regime de Racionamento do Uso dos Recursos Hídricos

Art. 22. Quando não houver disponibilidade de água em um corpo hídrico, o Comitê
de Bacia Hidrográfica ou, na falta deste, o poder público outorgante, pode instituir
regime de racionamento de água pelo período que se fizer necessário.

§ 1º - Quando o Comitê de Bacia Hidrográfica decidir pelo não racionamento, qualquer


usuário que não tiver possibilidade de fazer uso do volume outorgado pode solicitar,
ao poder público outorgante, o estabelecimento de regime de racionamento.

§ 2º - Devem ser prioritariamente assegurados os volumes mínimos necessários para


consumo humano, e dessedentação animal, nesta ordem.

§ 3º - O racionamento deve ser implementado de acordo com o seguinte


procedimento:

I - a prioridade para usos e usuários não contemplados no § 2º, deste artigo, deve ser
definida pelo Comitê de Bacia Hidrográfica ou, na falta deste, pelo poder público
outorgante; e

II - a restrição de acesso ao corpo hídrico deve ser feita progressivamente, em ordem


inversa da prioridade definida no inciso I deste parágrafo.

102
SEÇÃO IX
Da Ação de Outorga pelo Poder Público Estadual e da Delegação às Agências
de Água com Participação dos Comitês de Bacias Hidrográficas

Art. 23 – A Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia -


SEPLANTEC, por intermédio da Superintendência de Recursos Hídricos, é a
autoridade responsável pela emissão das outorgas de direito de uso de recursos
hídricos de domínio do Estado.

Parágrafo único. Cabe à SEPLANTEC, como Secretaria Executiva do Conselho


Estadual de Recursos Hídricos, encaminhar, ao mesmo Conselho, propostas de
critérios ou normas gerais sobre outorga de direito de uso de recursos hídricos.

Art. 24. O poder público estadual outorgante não pode emitir outorga de direito de uso
de recursos hídricos em corpo hídrico localizado a montante ou a jusante de outro
corpo hídrico de domínio da União, sem a prévia articulação com a Secretaria de
Recursos Hídricos/Ministério do Meio Ambiente.

Art. 25. As Agências de Água, após sua instituição e quando em pleno funcionamento,
podem receber delegação para o exercício de atividades relacionadas à outorga de
direito de uso dos recursos hídricos situados em suas respectivas áreas de atuação.

Parágrafo único. A delegação de que trata o “caput” deste artigo depende de prévia
anuência dos Comitês de Bacias Hidrográficas.

SEÇÃO X
Das Infrações e Penalidades

Art. 26. - Constitui infração às normas de utilização de recursos hídricos, superficiais


ou subterrâneos:

I - derivar, captar, extrair ou utilizar recursos hídricos para qualquer finalidade, sem
outorga de direito de uso, excetuados os usos que independam de outorga;

II - não cumprimento dos termos da outorga;

III – implantar ou iniciar a implantação de empreendimento relativo à derivação,


extração ou utilização de recursos hídricos, superficiais e subterrâneos, que
impliquem alterações no regime, na quantidade ou na qualidade dos mesmos, sem a
outorga dos órgãos ou entidades competentes;

IV - utilizar-se dos recursos hídricos ou executar obras ou serviços relacionados com


os mesmos, em desacordo com as condições estabelecidas na outorga;

103
V – perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los sem a devida
outorga;

VI - fraudar as medições dos volumes de água utilizados, declarar valores diferentes


dos medidos, danificar aparelhos de medição ou deixar de utilizá-los ou repará-los;

VII - infringir normas estabelecidas neste Decreto e nas demais normas


complementares, tais como instruções e procedimentos fixados pelos órgãos ou
entidades competentes, pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos ou pelo
Conselho Nacional de Recursos Hídricos, conforme o domínio do corpo hídrico;

VIII - obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes, no


exercício de suas funções.

Art. 27. Por infração de qualquer disposição legal ou regulamentar referentes à


execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou utilização de recursos hídricos
de domínio do Estado, ou pelo não cumprimento das exigências impostas, o infrator
fica sujeito às seguintes penalidades, independentemente de sua ordem de
enumeração:

I - advertência por escrito, na qual devem ser estabelecidos prazos para correção das
irregularidades;

II - multa, simples ou diária, proporcional à gravidade da infração, de 10 (dez) a 1.000


(hum mil) vezes a Unidade Fiscal Padrão do Estado de Sergipe – UFP/SE, ou qualquer
índice público que a substituir mediante conservação de valores;

III - embargo provisório, por prazo determinado, para execução de serviços e obras
necessários ao efetivo cumprimento das condições de outorga ou para o cumprimento
de normas referentes ao uso, controle, conservação e proteção dos recursos hídricos;

IV - embargo definitivo, com revogação da outorga, se for o caso, podendo o poder


público competente obrigar o infrator a repor “incontinenti”, ao seu antigo estado, os
recursos hídricos, leitos e margens, nos termos dos artigos 58 e 59 do Código de
Águas, ou tamponar os poços de extração de água subterrânea.

§ 1º - Sempre que da infração cometida resultar prejuízo a serviço público de


abastecimento de água, riscos à saúde ou à vida, perecimento de bens ou animais,
ou prejuízos de qualquer natureza a terceiros, a multa a ser aplicada nunca deve ser
inferior à metade do valor máximo cominado em abstrato.

§ 2º - Nos casos previstos nos incisos III e IV do “caput” deste artigo,


independentemente da pena de multa devem ser cobradas do infrator as despesas
em que incorrer a Administração para tornar efetivas as medidas previstas nos citados
incisos, na forma dos artigos 36, 53, 56 e 58 do Código de Águas, sem prejuízo de
responder pela indenização dos danos a que der causa.

104
§ 3º - São competentes para aplicação das sanções previstas neste artigo os
funcionários, devidamente designados, do órgão integrante da estrutura da
SEPLANTEC responsável pela gestão de recursos hídricos.

§ 4º - Nas normas a que se refere o art. 23 deste Decreto, devem ser estabelecidas
as competências, em suas diferentes gradações, para aplicação das sanções a que
se refere o “caput” deste artigo.

§ 5º - Da aplicação das sanções previstas neste artigo deve caber recurso à


autoridade competente e, em última instância, ao Conselho Estadual de Recursos
Hídricos.

§ 7º - Em caso de reincidência, a multa deve ser aplicada em dobro.

Art. 28. O poder público outorgante, por intermédio da autoridade competente, é


obrigado a apurar as denúncias, qualquer que seja sua origem, em relação ao
cometimento das infrações mencionadas neste Decreto.

SEÇÃO XI
Dos Custos e Emolumentos Relativos à Outorga

Art. 29. Compete ao requerente o pagamento dos emolumentos necessários à


cobertura dos custos operacionais inerentes ao processo de outorga.

§ 1º - O andamento do processo de outorga requerida depende do recolhimento prévio


dos emolumentos.

§ 2º - Os custos operacionais inerentes ao processo de outorga são os fixados no


Anexo Único deste Decreto.

§ 3º - Quando se fizer necessário, o poder outorgante pode contratar serviço de


consultoria para análise de solicitação de outorga de direito de uso de Recursos
Hídricos, e, nesse caso, os custos relativos a essa contratação devem ocorrer por
conta do solicitante da outorga.

§ 4º - Os custos referentes à vistoria devem ser definidos em razão da localização e


complexidade do empreendimento, com base em critérios técnicos a serem
estabelecidos, através de Portaria, pela Secretaria de Estado do Planejamento e da
Ciência e Tecnologia.

105
SEÇÃO XII
Das Disposições Gerais, Transitórias e Finais

Art. 30. A solicitação de outorga do direito de uso de recursos hídricos pode ser
precedida, se do interesse do solicitante, de consulta prévia para implantação de
empreendimentos que possa demandar a utilização de recursos hídricos.

§ 1º - A modalidade de solicitação referida no “caput” deste artigo deve ser feita à


SEPLANTEC, em formulário apropriado fornecido pela mesma Secretaria de Estado.

§ 2º - A Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia -


SEPLANTEC, através de sua Superintendência de Recursos Hídricos – SRH, deve
emitir parecer quanto à solicitação da outorga, inclusive no que diz respeito à demanda
dos recursos hídricos requerida.

§ 3º - O parecer citado no parágrafo anterior deste artigo não tem força legal e nem
representa qualquer comprometimento do órgão gestor de recursos hídricos com
relação à outorga a ser demandada pelo empreendimento.

Art. 31. Enquanto não forem aprovados os Planos Diretores de Bacias Hidrográficas,
a outorga de direito de usos de recursos hídricos deve ser decidida pelo poder público
outorgante, de acordo com este Decreto e com os critérios gerais estabelecidos pelo
Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Parágrafo único. Enquanto não for instalado o Conselho Estadual de Recursos


Hídricos, o poder público outorgante obedecerá às diretrizes fixadas neste Decreto e
normas complementares.

Art. 32. Quando a análise do pedido de outorga do direito de uso de recursos hídricos
apontar a necessidade de monitoramento no ponto de captação, a SEPLANTEC pode
exigir do outorgado, às suas expensas, instalação e operação de estações e
equipamentos hidrometeorológicos e de qualidade da água, ou arcar com os
respectivos custos quando essas exigências forem implementadas por terceiros.

Parágrafo único. Quando da instalação e operação das estações e equipamentos


referidos no “caput” deste artigo, o outorgado deve se obrigar a fornecer
periodicamente, ao poder público outorgante, todas as informações coletadas.

Art. 33. As Taxas, Multas e Emolumentos previstos neste Decreto devem ser
recolhidos à conta do Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FUNERH, e, enquanto
o mesmo Fundo não for regulamentado, o recolhimento deve ser feito à conta do
Tesouro do Estado.

Art. 34. A Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia deve


expedir as instruções complementares necessárias ao cumprimento ou execução
deste Decreto.

106
Art. 35. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 36. Revogam-se as disposições em contrário.

Albano Franco
Governador do Estado

Marcos Antônio de Melo


Secretário de Estado do Planejamento, da Ciência e Tecnologia

Fernando Soares da Mota


Secretário de Estado da Fazenda

Roberto Eugênio da Fonseca Porto


Procurador-Geral do Estado

Jorge Araújo
Secretário-Chefe da Casa Civil

107
ANEXO ÚNICO

CUSTOS OPERACIONAIS INERENTES AO PROCESSO DE OUTORGA DE


DIREITO DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS96 97

Fixados em Unidade Fiscal Padrão, do Estado de Sergipe (UFP/SE).

Tipos de Área do Tipo de Custos/Pagamentos


Destinação do imóvel manancial
Uso beneficiada
1. Irrigação Até 3,0 ha Manancial 8,00 UFP/SE
superficial ou
subterrâneo
2. Irrigação Acima de 3,0 ha Manancial 8,0 UFP/SE + 0,10
superficial ou UFP/SE p/ha
subterrâneo
3. Execução de Construção de Manancial 90,00 UFP/SE
obras em barramento com superficial ou
mananciais regularização de subterrâneo
vazão
4. Execução de Construção de Manancial 30,00 UFP/SE
obras em canais com ou superficial ou
mananciais sem desvio do subterrâneo
curso do
manancial
5. Execução de Obras que Manancial 30,00 UFP/SE
obras em possam interferir superficial ou
mananciais no curso, vazão subterrâneo
ou regime do
manancial
6. Lançamento - Manancial 180,00 UFP/SE
de efluentes superficial
líquidos

96
Disponível em: http://www.semarh.se.gov.br/srh/modules/tinyd0/index.php?id=16

97
Nota: Outorga - http://www.semarh.se.gov.br

108
7. - Manancial 180,00 UFP/SE
Abastecimento superficial ou
Humano subterrâneo
8.Abastecimento - Manancial 180,00 UFP/SE
industrial superficial ou
subterrâneo
Publicação de Qualquer uso Manancial 20,00 UFP/SE
Portarias no com exclusão superficial ou
Diário Oficial do dos irrigantes subterrâneo
Estado com áreas
beneficiadas em
até 20 ha

109
4. ALAGOA

4.1. Lei nº 5.965, de 10 de novembro de 1997

“Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos. Institui o Sistema Estadual


de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO

Faço saber que a Assembleia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

TÍTULO I
DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I
DOS FUNDAMENTOS

Art. 1º A Política Estadual de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes


fundamentos:

I - a água é um bem de domínio público;

II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;

III-em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo


humano e a dessedentação de animais;

IV - a gestão de recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas;

V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para a implementação da Política

Estadual de Recursos Hídricos, atuação do Sistema Estadual de Gerenciamento


Integrado de Recursos Hídricos e o disciplinamento do uso da água;

VI - a gestão dos recursos hídricos é descentralizada, participativa e integrada, com o


concurso do Poder Público, dos usuários e das comunidades.

VII - o reconhecimento dos recursos hídricos como instrumento indutor do

desenvolvimento socioeconômico do Estado;

VIII - compatibilização entre o Plano Estadual de Recursos Hídricos e os planos de


desenvolvimento econômico do Estado, da União e dos Municípios;

110
IX - adequação dos recursos hídricos das regiões áridas e semi-áridas ao processo
de desenvolvimento econômico e social local;

X - estabelecimento de sistemas de irrigação harmonizados com a conservação do


solo e da água.

§ 1º - Para efeito desta Lei, entende-se por:

I - Bacia Hidrográfica: o território drenado por um curso de água e seus tributários e


afluentes;

II- Corpo D'água: a massa de água que se encontra em um determinado lugar,


podendo ser subterrânea ou de superfície e sua quantidade varia ao longo do tempo,
compreendendo cursos d'água, aquíferos, reservatórios naturais ou artificiais;

III-Usuário: a pessoa física ou jurídica cuja ação ou omissão altere o regime, a


quantidade ou a qualidade dos recursos hídricos ou o equilíbrio de seus ecossistemas.

§ 2º - A Política Estadual de Recursos Hídricos visa a assegurar o controle do uso da


água e de sua utilização, em quantidade, qualidade e regime satisfatórios, por seus
usuários atuais e futuros.

Art. 2º A execução da Política Estadual de Recursos Hídricos, disciplinada pela


presente Lei e condicionada aos princípios constitucionais deverá observar:

I - o direito a todos de acesso aos recursos hídricos. com prioridade para o


abastecimento público e a manutenção dos ecossistemas, obedecidos critérios
sociais, ambientais e econômicos;

II - a cobrança pela utilização dos recursos hídricos em função das disponibilidades e


peculiaridades das respectivas bacias hidrográficas;

III - a prevenção de efeitos adversos da poluição, das inundações e da erosão do solo;

IV - a compensação ao município afetado por inundação causada por implantação de


reservatório ou por restrição decorrente de lei ou Outorga relacionada com os recursos
hídricos;

V - a compatibilização do gerenciamento dos recursos hídricos com o


desenvolvimento regional e com a proteção do meio ambiente;

VI - o reconhecimento da unicidade do cicio Hidrológico em suas três fases: superficial,


subterrânea e meteórica, com vistas ao aproveitamento adequado;

111
VII - a gestão do uso e da ocupação do solo urbano e a de coleta e disposição de
resíduos sólidos e líquidos, em caso de bacias hidrográficas de alto grau de ocupação
urbana;

VIII - o exercício e o planejamento tendo como unidade a bacia ou o conjunto de bacias


hidrográficas, segundo suas peculiaridades;

IX - o rateio do custo de obras de aproveitamento múltiplo de interesse comum ou


coletivo entre as pessoas jurídicas beneficiadas.

CAPÍTULO II
DAS FUNÇÕES DA ÁGUA

Art. 3º Para os efeitos dessa Lei a água exerce as seguintes funções:

I - função natural quando desempenhar os seguintes papéis:

a) manutenção do fluxo nas nascentes e nos cursos d'água;

b) manutenção das características ambientais em Unidades de Conservação da

Natureza;

c) manutenção de estoques da fauna e da flora dos ecossistemas dependentes do


meio hídrico;

d) manutenção do fluxo e da integridade das acumulações das águas subterrâneas;

e) Outros papéis naturais exercidos no ambiente da bacia hidrográfica onde não se


faça sentir a ação antrópica.

II - função social quando seu uso objetiva garantir as condições mínimas de


subsistência dentro dos padrões de qualidade de vida assegurados pelos princípios
constitucionais tais como:

a) abastecimento humano sem fins lucrativos;

b) desenvolvimento de atividades produtivas com fins de subsistência.

III) função econômica que se refere aos demais usos permissíveis não explicitados
nos incisos I e II supra.

Parágrafo único: o Poder Executivo, ouvido o Conselho Estadual de Recursos

112
Hídricos, explicitará em regulamento as atividades produtivas consideradas de
subsistência em cada região e bacia hidrográfica do Estado, levando em conta suas
peculiaridades climatológicas, fisiográficas e sócio-econômicas.

CAPÍTULO III
DOS OBJETIVOS DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HIDRICOS

Art. 4º São objetivos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água. Em


padrões de qualidade adequados aos respectivos usos;

II - utilizar de forma racional e integrada os recursos hídricos, incluindo o transporte


aquaviário, com vistas ao desenvolvimento sustentável;

III - buscar a prevenção e a defesa contra eventos hidrólogos críticos de origem natural
ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.

CAPÍTULO IV
DAS DIRETRIZES GERAIS DE AÇÃO

Art. 5º Constituem diretrizes gerais de ação para implementação da Política

Estadual de Recursos Hídricos:

I - a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos aspectos de


quantidade e qualidade;

II- a adequação da gestão de recursos hídricos às diversidades físicas, bióticas,


demográficas, sociais e culturais das diversas regiões do Estado;

III - a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

IV - a articulação do planejamento de recursos hídricos com o dos setores usuários e


com os regional, estadual e nacional;

V - a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo;

VI - a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos e


zonas costeiras;

VII - estabelecimento da parcela dos recursos hídricos passível de utilização para fins
econômicos, assegurando os padrões mínimos de preservação ambiental;
113
VIII - prevenção e proteção das populações quanto aos efeitos adversos das secas.
inundações, poluição e erosões;

IX - priorização de ações programáticas visando a promoção do adequado


conhecimento das disponibilidades e demandas de água no Estado, o planejamento
setorial e a intervenção em áreas onde houver conflitos de uso iminentes ou já
instalados;

X - o Estado promoverá programas em conjunto com os municípios, através dos


comitês de bacia hidrográfica, objetivando:

a) a instituição de áreas de proteção e conservação das águas utilizáveis para o


abastecimento das populações;

b) a conservação, a recuperação e implantação de matas ciliares;

c) O zoneamento do uso do solo em áreas de recarga de mananciais superficiais e


subterrâneos;

d) o zoneamento de áreas inundáveis, restringindo os usos incompatíveis naquelas


sujeitas a inundações frequentes, visando a manutenção da capacidade de infiltração
no solo;

e) a implantação de sistemas de alerta e defesa civil para garantir a segurança e a


saúde públicas quando ocorrerem eventos hidrológicos e/ou meteorológicos
indesejáveis;

f) o combate e a prevenção das inundações, das secas e das erosões,

g) o tratamento das águas residuárias, em especial dos esgotos urbanos e industriais.

Art. 6º O Estado articular-se-á com a União e Estados vizinhos tendo em vista o


gerenciamento dos recursos hídricos de interesse comum.

CAPÍTULO V
DA AÇÃO DO PODER PÚBLICO PARA IMPLEMENTAR A POLÍTICA ESTADUAL
DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 7º Na implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, compete ao

Poder Executivo Estadual:

I - tomar as providências necessárias à implantação e ao funcionamento do Sistema

Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos;


114
II - outorgar os direitos de uso de recursos hídricos, regulamentar e fiscalizar os usos
no âmbito de sua competência;

III implantar e gerir o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos;

IV - promover a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

V - realizar o controle técnico das obras de oferta hídrica;

VI - observar e por em prática a legislação ambiental federal e estadual de modo


compatível e integrado com a política e o gerenciamento de recursos hídricos de
domínio do Estado.

Parágrafo único - o Órgão Gestor do Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado


de Recursos Hídricos será a autoridade responsável pela efetivação das outorgas de
direito de uso dos recursos hídricos sob o seu domínio ou responsabilidade, ouvido
previamente o Órgão Estadual de Meio Ambiente.

Art. 8º O Poder Executivo articular-se-á com os Municípios através dos Comitês de


Bacia Hidrográfica com a finalidade de promover a integração das políticas locais de
saneamento básico, de uso, ocupação e conservação do solo e de meio ambiente
com as políticas federal e estadual de recursos hídricos.

TÍTULO II
DOS INSTRUMENTOS DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I
DA ESPECIFICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS

Art. 9º São instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos

I - o Plano Estadual de Recursos Hídricos e os Planos Diretores de Bacias

Hidrográficas;

II - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos


preponderantes da água;

III- a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;

IV - a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

V - o rateio dos custos das obras de recursos hídricos;

VI - a compensação aos Municípios;


115
VII - o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos;

VIII- o Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

CAPÍTULO II
DO PLANO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS E DOS PLANOS DIRETORES
DE BACIAS HIDROGRÁFICAS

Art. 10. O Plano Estadual de Recursos Hídricos é o documento programático do

Governo do Estado. definidor das ações oficiais no campo do planejamento e


gerenciamento desses recursos, observando-se a divisão hidrográfica do Estado que
definirá unidades hidrográficas, com dimensões e características que permitam e
justifiquem o gerenciamento descentralizado dos recursos hídricos;

Art. 11. O planejamento de recursos hídricos consubstanciar-se-á em Planos

Diretores elaborados por bacias hidrográficas do Estado, que visam a fundamentar e


orientar a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, e integrarão o
Plano Estadual de Recursos Hídricos e o seu gerenciamento.

Art. 12. Os Planos de Recursos Hídricos são de longo prazo, com horizonte de
planejamento compatível com o período de implantação de seus programas e projetos
e terão o seguinte conteúdo mínimo:

I - objetivos e diretrizes gerais, visando o aperfeiçoamento do sistema de


planejamento estadual e inter-regional de recursos hídricos;

II - diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos, considerando os aspectos


físicos (do solo, da água e do ar), biológicos (da fauna e da flora), do homem
(históricos e culturais) e da sociedade (políticos, sociais, econômicos e tecnológicos);

III- análise de alternativas de crescimento demográfico, de evolução de atividades

produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo;

IV - estudos de balanço hídrico, desenvolvimento tecnológico e sistematização de


informações relacionadas com os recursos hídricos, visando a orientar os usuários e
a sociedade no que concerne ao manejo adequado e conservacionista das bacias
hidrográficas e das acumulações subterrâneas;

V - balanço entre disponibilidades e demandas futuras dos recursos hídricos, em


quantidade e qualidade, com identificações de conflitos potenciais;

116
VI - avaliação da rede de coleta de dados hidrometeorológicos estadual, municipal e
particulares;

VII - análise dos dados meteorológicos, hidrológicos, sedimentológicos e de qualidade


da água;

VIII - análise dos usos consuntivos e não consuntivos de recursos hídricos;

IX - análise das regiões de conflitos no uso de recursos hídricos e origem dos conflitos;

X - análise das atividades antrópicas e fenômenos naturais, com ênfase nos


meteorológicos com reflexos sobre a quantidade e qualidade dos recursos hídricos,
em especial nas áreas degradadas;

XI - análise das questões legais e institucionais que envolvam o gerenciamento dos


recursos hídricos;

XII - metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria da qualidade


dos recursos hídricos disponíveis;

XIII - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem


implantados, para o atendimento de metas previstas;

XIV - propostas para a criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à
proteção dos recursos hídricos.

XV - programas anuais e plurianuais de recuperação, conservação, proteção e


utilização dos recursos hídricos, definidos mediante articulação técnica, financeira e
institucional com os municípios, Estados limítrofes, União e entidades nacionais,
estrangeiras e internacionais de cooperação e fomento;

XVI - mecanismos que orientem a modernização das redes de observação


hidrometeorológicas, considerando os aspectos relacionados com sua implantação,
operação e manutenção para a formação da base de dados dos recursos hídricos;

XVII - prioridades, diretrizes, critérios e instrumentos de gestão para a regulamentação


da outorga, cobrança pelo uso da água e rateio do custo das obras e aproveitamento
de recursos hídricos de interesse comum e ou coletivo;

XVIII - programas de gestão de águas subterrâneas, compreendendo a pesquisa, o


planejamento e o monitoramento, visando sua utilização eficaz;

XIX - programas destinados à capacitação profissional, comunicação social e


educação ambiental para o planejamento e gerenciamento dos recursos hídricos e
campanhas educativas visando conscientizar a sociedade para a utilização racional
desses recursos,

117
XX - planos emergenciais concernentes a monitoramento climático, zoneamento das
disponibilidades hídricas efetivas, usos prioritários e avaliação de impactos ambientais
causados por obras hídricas;

Art. 13 O Poder Executivo, até dezembro de 1998, encaminhará á Assembleia


Legislativa Estadual Projeto de Lei instituindo o Plano Estadual de Recursos Hídricos.

§ 1º - O Poder Executivo, sempre que considere conveniente e oportuno e levando


em conta a evolução das questões relativas ao uso dos recursos hídricos, ouvido o
Conselho Estadual de Recursos Hídricos, poderá promover a atualização parcial Ou
total do Plano Estadual de Recursos Hídricos.

§ 2º - A partir da edição da Lei a que se refere o caput deste artigo, o Governo do


Estado fará incluir na Lei de Diretrizes Orçamentárias e consignará no orçamento
anual, recursos destinados à elaboração e implantação do Plano Estadual de
Recursos Hídricos e dos Planos Diretores de Bacias Hidrográficas.

CAPÍTULO III
DO ENQUADRAMENTO DOS CORPOS DE ÁGUA EM CLASSES, SEGUNDO OS
USOS PREPONDERANTES DA ÁGUA

Art. 14- O enquadramento dos corpos de água em classes segundo os usos


preponderantes da água visa a:

I - assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem
destinadas;

II- diminuir os custos de combate à poluição da água, mediante ações preventivas


permanentes.

Art. 15 As classes de corpos de água serão estabelecidas pela legislação ambiental.

CAPÍTULO IV
DA OUTORGA DE DIREITOS DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 16 O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como objetivos
assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e efetivo exercício
dos direitos de acesso à água.

Art. 17 Estão sujeitos à outorga pelo Poder Público os direitos dos seguintes usos de
recursos hídricos:

118
I - derivações ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para
consumo final, inclusive abastecimento público ou insumo de processo produtivo;

II- extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final ou insumo de


processo produtivo;

III - lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos,


tratados ou não, com o fim de sua diluição. transporte ou disposição final,

IV - aproveitamento de potenciais hidrelétricos;

V - outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente


em corpo de água.

§ 1º - Independem de outorga pelo Poder Público, conforme definido em regulamento:

I - o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos


núcleos populacionais, distribuídos no meio rural;

II - as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes.

III - as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes.

§ 2º - As outorgas e a utilização de recursos hídricos para fins de gerações de energia


elétrica estarão subordinadas ao Plano Nacional de Recursos Hídricos, aprovado na
forma do disposto na Lei Federal n 9.433, de 08 de janeiro de 1997 e obedecida a
disciplina da legislação setorial específica.

Art. 18. Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos

Planos Diretores de Recursos Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de


água estiver enquadrado e a manutenção de condições adequadas ao transporte
aquaviário, quando for o caso.

Parágrafo único - A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso
múltiplo destes.

Art. 19 A outorga efetivar-se-á por ato da autoridade competente do Poder Executivo

Estadual.

Art. 20. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa parcial
ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado. nas seguintes circunstâncias:

I - não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;

II - a ausência de uso por três anos consecutivos;


119
III - necessidade premente de água para atender as situações de calamidade,
inclusive as decorrente de condições climáticas adversas;

IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

V - necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo, para os quais


não se disponha de fontes alternativas;

VI - necessidade de serem mantidas as características de navegabilidade do corpo de


água.

Art. 21. Toda outorga de direitos de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não
excedente a trinta e cinco anos, renovável.

Art. 22. A outorga não implica a alienação parcial das águas que são inalienáveis, mas
o simples direito de uso.

Art. 23. Não será concedida outorga para :

I - será concedida outorga para:

- lançamento na água de resíduos sólidos, radiativos, metais pesados e outros


resíduos tóxicos perigosos;

II - lançamento de poluentes nas águas subterrâneas.

Art. 24. A outorga de direito de uso será deferida na seguinte ordem:

I - aos serviços públicos de abastecimento coletivo de água, inclusive a hospitais,


quartéis, presídios, colégios e outros a serem regulamentados;

II - para outros abastecimentos coletivos não residenciais, compreendendo entidades


públicas da indústria, do comércio e de serviços;

III - ao abastecimento para fins agropecuários.

IV - para outros usos permitidos.

Art. 25. A outorga será efetivada através de:

I - cessão de uso, a título gratuito ou oneroso, sempre que o usuário seja órgão ou
entidade pública;

II - autorização de uso, consistindo na outorga deferida em caráter unilateral e precário


a pessoa física ou jurídica, dando-lhes consentimento para utilizar determinada
quantidade de água, sob condições especificadas;

120
III - concessão de uso, consistindo na outorga de caráter contratual, permanente e
privativa. de uma parcela de recursos hídricos para que o particular ou pessoa jurídica,
dela faça uso ou explore segundo sua destinação e condições especificadas.

Parágrafo único - Enquanto não forem conhecidas e dimensionadas as


disponibilidades hídricas, serão outorgadas apenas autorizações de uso.

Art. 26. O direito de uso poderá ser temporariamente limitado ou suspenso, a critério
exclusivo do Órgão Coordenador do Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado
dos Recursos Hídricos, pelo tempo julgado necessário, nas seguintes hipóteses:

I - superveniência de caso fortuito ou de força maior,

II - ocorrência de fenômenos climáticos que impossibilitem ou dificultem


extraordinariamente as condições de oferta hídrica, independentemente de
decretação de estado de calamidade pública.

CAPÍTULO V
DA COBRANÇA PELO USO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 27. A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva:

I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário indicação de seu real
valor;

II - incentivar a racionalização do uso da água;

III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções


contemplados nos planos diretores de recursos hídricos.

IV - disciplinar a localização dos usuários, buscando a conservação dos recursos


hídricos de acordo com a sua classe de uso preponderante;

V - incentivar a melhoria dos níveis de qualidade dos efluentes lançados nos corpos

d'água;

VI - promover o gerenciamento das bacias hidrográficas onde foram arrecadados os


recursos financeiros.

Art 28. Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, nos termos
do art. 17 desta Lei.

Art. 29. Na fixação dos valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos
devem ser observados, dentre outros, os seguintes aspectos;
121
I - nas derivações, captações e extrações de água, o volume retirado e seu regime de
variação;

II- nos lançamentos de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, o volume


lançado, seu regime de variação e as características físico-químicas, biológicas e de
toxidade do efluente.

Art. 30. O regulamento estabelecerá os procedimentos relativos à cobrança pelo uso


da água no prazo estabelecido na presente Lei.

Art. 31. O cálculo do custo da água para efeito de cobrança pelo seu uso observará:

I - a classe de uso preponderante em que for enquadrado o corpo d'água objeto do


uso;

II - as características e o ponto de utilização;

III - as prioridades regionais e das bacias hidrográficas;

IV - as funções: natural, social e econômica;

V - a época da retirada;

VI - o uso consuntivo;

VII - o valor relativo da vazão comprometida e da vazão retirada em relação as vazões


de referência para o licenciamento;

VIlI - o nível de quantidade e da qualidade de devolução da água. desde que limitado


pela legislação em vigor;

IX - a disponibilidade hídrica local;

X - a necessidade de reservarão;

XI - o grau de regularização assegurado por obras hidráulicas;

XII - as condições sócio-econômicas do usuário;

XIII- o princípio da tarifa progressiva com o consumo.

§ 1° - No caso de utilização dos corpos d'água para diluição, transporte e assimilação


de efluentes, os responsáveis pelo lançamento ficam obrigados ao cumprimento das
normas e padrões legalmente estabelecidos, relativos ao controle da poluição das
águas.

122
§ 2° - A utilização dos recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica reger-
se-á pela legislação federal pertinente.

Art 32. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão
aplicados, prioritariamente, na bacia hidrográfica em que foram gerados e serão
utilizados:

I- no financiamento de estudos, programas, acertos e obras incluídas em Plano Diretor


de Recursos Hídricos;

II- no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo de órgão e


entidades do Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos.

§ 1° - A aplicação nas despesas previstas no inciso II deste artigo é limitado a 7,5%

(sete e meio por cento) do total arrecadado.

§ 2° - Os valores previstos no caput deste artigo poderão ser aplicados a fundo perdido
em projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à coletividade, a
qualidade, a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água.

CAPÍTULO VI
DO RATEIO DE CUSTOS DAS OBRAS DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 33. As obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo de recursos hídricos
terão seus custos rateados, direta ou indiretamente, podendo ser financiadas ou
receber subsídios, segundo critérios e normas a serem estabelecidos em regulamento
baixado pelo Poder Executivo após aprovação pelo Conselho Estadual de Recursos
Hídricos, atendidos os seguintes procedimentos:

I- a concessão ou a autorização de vazão com potencial de aproveitamento múltiplo.


deverá ser precedida de negociação sobre o rateio dos custos entre os beneficiados,
inclusive as de aproveitamento hidrelétrico, mediante articulação com a união;

II - a construção de obras de interesse comum ou coletivo dependerá de estudo de


viabilidade técnica, econômica, social e ambiental, com previsão de formas de retorno
dos investimentos públicos ou justificativas circunstanciadas da destinação dos
recursos.

§1° - O Poder Executivo, mediante Decreto, regulamentará a matéria contida no caput


deste artigo no sentido de estabelecer diretrizes e critérios para financiamento ou
concessão de subsídios destinados à realização das obras nele enumeradas e
conforme estudo aprovado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

123
§ 2°- Os subsídios a que se refere o parágrafo anterior somente serão concedidos no
caso de interesse público relevante e na impossibilidade prática de identificação dos
beneficiados, para o consequente rateio dos custos.

CAPÍTULO VII
DA COMPENSAÇÃO A MUNICÍPIO

Art. 34. A compensação a Município afetado por inundação causada por implantação
de reservatório ou por restrição decorrente de Lei ou outorga relacionada com
recursos hídricos será disciplinada pelo Poder Executivo, mediante decreto, a partir
de estudo próprio aprovado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

CAPITULO VIII
DO SISTEMA ESTADUAL DE INFORMAÇÕES SOBRE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 35. A coleta, o tratamento, o armazenamento, a recuperação e a disseminação.


de informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão no
Estado serão organizados sob a forma de Sistema e compatibilizados com o Sistema
Nacional de informações sobre Recursos Hídricos, ao qual será incorporado, na forma
da Lei Federal n0 9.433, de 08 de janeiro de 1997.

Art. 36. São princípios básicos para o funcionamento do Sistema Estadual de

Informações sobre Recursos Hídricos:

I- descentralização da obtenção e produção de dados e informações;

II- coordenação unificada do sistema;

III - acesso aos dados e informações garantido à toda sociedade.

Art. 37. São objetivos do Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos:

I - reunir, dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situação


qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos do Estado de Alagoas;

II - atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de


recursos hídricos em todo o território do Estado;

III - fornecer subsídios para a elaboração de planos diretores de recursos hídricos.

124
CAPÍTULO lX
DO FUNDO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 38. Fica instituído o Fundo Estadual de Recursos Hídricos, destinado a financiar
a implantação e o desenvolvimento da Política Estadual de Recursos Hídricos e o
Plano Estadual de Recursos Hídricos.

SEÇÃO I
Da Origem dos Recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos

Art. 39. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos será constituído por recursos:

I - consignados a seu favor nos orçamentos do Estado e dos Municípios;

II - das transferência da União ou de Estados vizinhos, destinados à execução de


planos e programas de recursos hídricos de interesse comum;

III- da compensação financeira que o Estado recebe em decorrência do


aproveitamento do potencial hidro-energético localizado em seu território, na forma da
Lei;

IV - de parte da compensação financeira que o Estado recebe pela exploração de


petróleo, gás natural e recursos minerais, destinada a aplicação exclusiva em
programas pertinentes ao estudo, pesquisa, exploração e conservação dos recursos
hídricos;

V - do resultado da cobrança pelo uso da água;

VI - de empréstimos internos, externos ou internacionais, de recursos provenientes da


ajuda e cooperação internacionais além dos oriundos de acordos intra
governamentais;

VII - do resultado de operações de crédito contratadas com órgãos e entidades


estaduais, municipais e privadas;

VIII- do produto das operações de crédito e das rendas procedentes das aplicações
de seus recursos;

IX - do resultado da cobrança de multas resultantes de infrações à legislação de águas


e do controle da poluição;

X - de contribuições de melhoria e taxas cobradas de beneficiados por obras de


aproveitamento e controle de recursos hídricos, ou pela prestação de serviços;

125
XI - por doações de pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado,
nacionais, estrangeiras ou internacionais.

SEÇÃO II
Das Aplicações dos Recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos

Art. 40. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos será administrado pelo Órgão

Coordenador e compatibilizado com o orçamento anual do Estado.

Art. 41. O produto da cobrança pela utilização de recursos hídricos será aplicado em
serviço e obras hidráulicas previstas no Plano Estadual de Recursos Hídricos, nas
bacias hidrográficas em que forem efetivamente arrecadados.

Parágrafo único - Até 30% (trinta por cento) do valor arrecadado a título de cobrança
pelo uso da água podem ser aplicados em bacia hidrográfica diversa daquela em que
se deu sua efetiva arrecadação.

Art 42. Os planos e programas homologados pelo Conselho Estadual de Recursos

Hídricos a serem executados com recursos oriundos da cobrança pelo uso da água
nas respectivas bacias, terão caráter vinculante a aplicação desses recursos.

Art. 43. As aplicações do Fundo Estadual de Recursos Hídricos previstas no parágrafo


único do art. 41, serão preferencialmente efetivadas sob a modalidade de empréstimo.

TÍTULO III
DO SISTEMA ESTADUAL DE GERENCIAMENTO INTEGRADO DE RECURSOS
HIDRICOS

CAPITULO I
DOS OBJETIVOS E DA COMPOSIÇÃO DO SISTEMA

Art. 44. Fica criado o Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos


Hídricos do Estado de Alagoas, com os seguintes objetivos:

I- coordenar a gestão integrada das águas;

II- arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos no

Estado de Alagoas;
126
III - implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos;

IV- planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos


hídricos;

V - promover a cobrança pelo uso dos recursos hídricos.

Art. 45. Compõem o Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos

Hídricos:

I- órgão deliberativo e normativo central do Sistema: o Conselho Estadual de

Recursos Hídricos;

II- órgão coordenador do Sistema: a Secretaria de Planejamento do Estado de

Alagoas;

III - órgão gestor. vinculado à estrutura da Secretaria de Planejamento do Estado de

Alagoas, a Unidade Executora do Sistema Estadual de Recursos Hídricos,


estabelecida por Decreto do Poder Executivo;

IV - órgãos setoriais deliberativos e normativos da bacia hidrográfica: os Comitês de

Bacia Hidrográfica;

V- órgãos executivos e de apoio aos Comitês de Bacia Hidrográfica: as Agências de

Água.

Parágrafo único - O Poder Executivo Estadual disciplinará. mediante Decreto, o


enquadramento dos demais órgãos da Administração Pública e entidades que
também integrarão o Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos
Hídricos.

SEÇÃO I
Do Conselho Estadual de Recursos Hídricos

Art. 46 O Conselho Estadual de Recursos Hídricos é o órgão de deliberação coletiva


e normativa encarregado da formulação e acompanhamento da execução da política
de conservação, preservação, utilização e aproveitamento dos recursos hídricos no
Estado de Alagoas. sendo integrado por:

127
I - representantes das Secretarias de Estado e órgãos vinculados, com atuação na
área de recursos hídricos;

II - representantes dos Municípios;

III - representantes dos usuários dos recursos hídricos;

IV - representantes das organizações civis legalmente constituídas, com efetiva


atuação na área de recursos hídricos.

Parágrafo único - O número de representantes do Poder Executivo Estadual não


poderá exceder à metade mais um do total de membros do Conselho Estadual de
Recursos Hídricos.

Art. 47 O Conselho Estadual de Recursos Hídricos será gerido por:

I - um Presidente, que será o titular da Secretaria de Planejamento do Estado de


Alagoas.

II - um Secretário Executivo, que será o titular do órgão da estrutura da Secretaria de


Planejamento do Estado de Alagoas responsável pela gestão dos recursos hídricos
do Estado de Alagoas.

Art. 48 A Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos será


exercida pelo órgão da estrutura da Secretaria de Planejamento do Estado de Alagoas
responsável pela gestão dos seus recursos hídricos e terá a sua composição e
competências definidas em decreto do Poder Executivo.

SEÇÃO II
Dos Comitês de Bacias Hidrográficas

Art. 49 A instituição de Comitês de Bacia Hidrográfica em rios de domínio do

Estado será efetivada por ato do Governador, mediante proposição do Conselho


Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 50 Os Comitês de Bacia Hidrográfica são integrados por representantes:

I- da União;

II- do Estado de Alagoas;

III - dos Municípios;


128
IV - dos usuários das águas de sua área de atuação;

V - das entidades civis de recursos hídricos com atuação comprovada na bacia;

VI - das comunidades.

§ 1°. - Os Comitês de Bacias Hidrográficas serão presididos e secretariados por


membros eleitos por seus pares, e organizar-se-ão de acordo com as peculiaridades
e a realidade de suas respectivas bacias, na forma de Regimento Interno próprio.

§ 2° - Os Comitês de Bacias Hidrográficas poderão criar Câmaras Técnicas, de caráter


consultivo, para o tratamento de questões específicas de interesse para o
gerenciamento integrado dos recursos hídricos.

§ 3° - Os representantes, titulares e suplentes, inscritos nos incisos I, II e III deste


artigo, deverão ser portadores de reconhecido currículo e de trajetória profissional e
funcional, que, de forma inequívoca, os qualifiquem, em nome de suas respectivas
instituições, para integrarem os Comitês de Bacia Hidrográficas.

§ 4°- As representações previstas nos incisos IV, V e VI deste artigo, deverão ser
constituídas por representantes de associações e entidades da sociedade civil,
legalmente constituídas, com sede na bacia hidrográfica, e terão direito á
representação paritária com o Poder Público.

§ 5° - Nos Comitês de Bacia Hidrográfica cujo território da bacia abranja terras


indígenas devem ser incluídos representantes:

I - da Fundação Nacional do Índio - FUNAI, como parte da representação da união;

II - das comunidades indígenas ali residentes ou com interesses na bacia, observada


a paridade entre a representação da sociedade civil e do Poder Público.

§ 6° - A participação da união nos Comitês de Bacia Hidrográfica com área de atuação


restrita a bacias de rios sob domínio estadual dar-se-á na forma estabelecida nos
respetivos regimentos internos;

§7° - A participação do Estado de Alagoas nos Comitês de Bacia Hidrográfica será


obrigatoriamente de um representante do órgão Gestor dos Recursos Hídricos e de
um representante do Órgão Estadual de Meio Ambiente, ambos com direito, apenas,
a voz.

Art. 51 Os Comitês de Bacia Hidrográfica serão dirigidos por um Presidente e um

Secretário, eleitos dentre seus membros.

129
SEÇÃO III
Das Agências de Água

Art. 52 As Agências de Água exercerão a função de secretaria executiva do respectivo


ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica, e responderão pelo suporte
administrativo, técnico e financeiro, inclusive de cobrança pelo uso da água mediante
delegação do outorgante, na sua área de atuação;

Art. 53 A criação de Agências de Água será autorizada pelo Conselho Estadual de

Recursos Hídricos mediante solicitação de um ou mais Comitês de Bacia Hidrográfica,


que ficará condicionada ao atendimento dos seguintes requisitos:

I - prévia existência do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

II - viabilidade financeira assegurada pela cobrança do uso de recursos hídricos em


sua área de atuação.

Art 54 A Agência de Água, na condição de unidade executiva dos Comitês de Bacia


Hidrográfica, terá personalidade jurídica própria, autonomia administrativa e
financeira, devendo seus integrantes e corpo técnico serem portadores de
reconhecido currículo e trajetória profissional que os qualifiquem para o exercício de
suas funções específicas.

CAPITULO II
DAS COMPETÊNCIAS DOS ÕRGÁOS INTEGRANTES DO SISTEMA
SEÇÃO I
Do Conselho Estadual de Recursos Hídricos

Art. 55 Ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos compete:

I - exercer funções normativas e deliberativas pertinentes à formulação, implantação


e acompanhamento da filosofia e da política de recursos hídricos do Estado;

II - manifestar-se sobre questões relativas aos recursos hídricos, que devam ser
submetidas aos Poderes Estaduais e as esferas Federal e Municipal;

III - aprovar os critérios de fixação; de prioridades dos investimentos de recursos


financeiros relacionados com recursos hídricos. e acompanhar sua aplicação;

IV - propor o Plano Estadual de Recursos Hídricos, na forma estabelecida por esta

Lei;

130
V - arbitrar e decidir os conflitos entre usuários de Bacia Hidrográfica;

VI - atuar corno instância de recurso nas decisões dos Comitês de Bacia

Hidrográfica;

VII- deliberar sobre projetos de aproveitamento de recursos hídricos que extrapolem


o âmbito de um Comitê de Bacia Hidrográfica;

VIII- estabelecer os critérios gerais e as normas para a outorga de direitos de uso dos
recursos hídricos, para a cobrança pelo seu uso e pelo rateio das obras de
aproveitamento múltiplo ou interesse comum;

IX - aprovar propostas de instituição e promover a integração de Comitês de

Bacia Hidrográfica, a partir de solicitação de usuários e da comunidade, estas


caracterizadas por associações e entidades da sociedade civil, legalmente
constituídas, com sede na bacia hidrográfica;

X - aprovar o Plano de Trabalho a ser adotado pela Secretaria Executiva e


supervisionar o seu andamento;

XI - constituir câmaras técnicas que poderão consultar técnicos ou especialistas para


assessorá-los em seus trabalhos;

XII- Aprovar a criação de Agência de Água, a partir de propostas dos respectivos

Comitês de Bacias Hidrográficas.

XIII - aprovar propostas de Projeto de Lei referentes aos instrumentos da Política

Estadual de Recursos Hídricos, bem como suas diretrizes orçamentarias e


complementares;

XIV - deliberar sobre a celebração de convênios e acordos com entidades públicas ou


privadas, nacionais, estrangeiras ou internacionais, para o desenvolvimento dos
recursos hídricos, sempre que implicarem endividamento para o Estado, diretamente
ou através do oferecimento de garantia;

XV - exercer outras ações, atividades e funções estabelecidas em Lei ou Regulamento


compatíveis com a gestão integrada de recursos hídricos;

XVI - elaborar e aprovar o seu Regimento Interno.

Parágrafo único - As decisões do Conselho Estadual de Recursos Hídricos serão


baixadas mediante Resolução Normativa.

131
SEÇÃO II
Do Órgão Coordenador do Sistema

Art. 56 Á Secretaria de planejamento do Estado de Alagoas, na condição de órgão


coordenador do Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos
compete:

I - encaminhar à deliberação do Conselho Estadual de Recursos Hídricos a proposta


do Plano Estadual de Recursos Hídricos e suas modificações, elaborados pelo Órgão
Gestor;

II - encaminhar o programa de trabalho e respectiva proposta orçamentaria elaborados


pelo Órgão Gestor, para aprovação; do Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

III- analisar propostas de convênios, acordos, ajustes, contratos, parcerias e


consórcios com órgãos e entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais,
para o desenvolvimento do setor de recursos hídricos, que envolvam contrapartida e
compromissos financeiros do Estado, diretamente ou mediante aval;

IV - fomentar a captação; de recursos para financiar ações e atividades do Plano


Estadual de Recursos Hídricos, supervisionando e coordenando a sua aplicação;

V - prestar orientação; técnica aos Municípios por intermédio do Órgão Gestor;

VI - estabelecer critérios de prioridades para investimentos na área de recursos


hídricos no Estado, ouvidos Órgão Gestor e os Comitês de Bacia Hidrográfica;

VII - acompanhar e avaliar o desempenho do Sistema de Gerenciamento

Integrado de Recursos Hídricos no Estado;

VIII - zelar pela manutenção de política de remuneração pelo uso da água, observando
as disposições constitucionais e legais aplicáveis;

IX - outorgar direito do uso de água, mediante procedimentos próprios, a partir dos


estudos do Órgão Gestor;

X - aprovar o rateio de custos de obras de uso múltiplo a partir dos estudos do órgão

Gestor;

Xl - controlar, proteger e recuperar os recursos hídricos nas bacias hidrográficas,


zelando pelo cumprimento da legislação; pertinente;

132
XII - promover articulações com entidades federais, estaduais e municipais, visando a
proposição e elaboração planos para as diversas bacias hidrográficas do Estado;

XIII- exercer outras ações, atividades e funções estabelecidas em lei, regulamento ou


decisão do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, compatíveis com a gestão
integrada de recursos hídricos.

SEÇÃO III
Do Órgão Gestor do Sistema

Art. 57 À Unidade Executora do Sistema Estadual de Recursos Hídricos. Na condição


de órgão vinculado à Secretaria de Planejamento do Estado de Alagoas e gestor do
Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos compete:

I - empreender diretamente estudos recomendados pelo Plano Estadual de Recursos


Hídricos, ou confiá-los a organismos especializados;

II - implantar e manter atualizado o Sistema Estadual de Informações Sobre Recursos


Hídricos;

III - desenvolver estudos envolvendo o uso e a preservação da água, considerando os


aspectos físicos, sócio-econômico, ambiental e jurídico, para aprimorar o
conhecimento do setor no âmbito do Estado;

IV- receber, analisar e decidir pedidos de outorga de direito de uso da água,


encaminhando os pareceres finais ao Órgão coordenador;

V - implementar sistema de cobrança pelo uso da água;

VI - acompanhar e orientar os Comitês na elaboração dos planos diretores de bacias


hidrográficas. Dando-lhes publicidade;

VII- elaborar a proposta do Plano Estadual de Recursos Hídricos, submetendo-o ao


Órgão coordenador.

VIII - implantar, operar e manter estações medidoras de dados hidrometeorológicos


em pontos estrategicamente definidos;

IX - obter, mediante cooperação técnica com outros organismos, dados de estações


hidrometeorológicas por eles mantidas ou operadas;

X - acompanhar e cadastrar a execução de obras previstas nos planos de uso múltiplo


de águas, levadas a efeito no território Estadual;

133
XI - propor o embargo às intervenções levadas a efeito nas bacias hidrográficas,
julgadas incompatíveis com a Política Estadual de Recursos Hídricos ou com o uso
racional da água;

XII - fazer-se representar nos comitês de bacias hidrográficas de rios federais,


objetivando compatibilizar os interesses das bacias ou rios tributários do domínio
estadual com os da bacia hidrográfica de que se trate;

XIII - controlar, proteger e recuperar os recursos hídricos das bacias hidrográficas,


zelando pelo cumprimento da legislação; pertinente;

XIV - articular-se com os Órgãos de fomento ao desenvolvimento, bem assim com


bancos e entidades de crédito, objetivando esclarecê-los sobre as normas legais de
uso da água;

XV - assessorar os Comitês de Bacia Hidrográfica, na busca de soluções para seus


problemas específicos;

XVI - receber e analisar sugestões oriundas dos comitês de bacias hidrográficas. De


outros organismos e de particulares. Considerando-as, se for o caso, na elaboração
do plano anual de metas a ser submetido ao órgão Coordenador.

Parágrafo Único - o gerenciamento dos recursos hídricos - Órgão Gestor poderá ser
desenvolvido através de representações regionais a ele vinculadas.

SEÇÃO IV
Dos Comitês de Bacia Hidrográfica

Art. 58. Os Comitês de Bacia Hidrográfica. terão como área de atuação :

I - a totalidade de uma bacia hidrográfica;

II- sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da bacia, ou de


tributário desse tributário;

III - grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas.

Art. 59 Compete aos Comitês de bacia Hidrográfica:

I - promover o debate de questões relacionadas a recursos hídricos e articular a


atuação das entidades intervenientes;

II - arbitrar. em primeira instância administrativa, os conflitos relacionados aos


recursos hídricos;

134
III - aprovar o Plano Diretor de Recursos Hídricos da bacia;

IV - administrar problemas concernentes à escassez de água, ao balanço hídrico, ou


á poluição das águas na bacia hidrográfica;

V - manifestar-se em qualquer demanda suscitada junto ao Conselho Estadual de

Recursos Hídricos, por parte de usuário da água na bacia hidrográfica;

VI - relacionar-se com o Órgão Gestor objetivando a condução das soluções de


eventuais problemas ocorrentes na bacia hidrográfica;

VII - articular-se com Comitês de bacias vizinhas ou próximas, para solução de


problemas relativos às águas subterrâneas provenientes de formações
hidrogeológicas comuns;

VIII - contribuir com sugestões e alternativas visando a aplicação da parcela de


recursos arrecadados na cobrança pelo uso da água e outras aplicações do Fundo
Estadual de Recursos Hídricos na bacia hidrográfica, em serviços e obras de interesse
para o gerenciamento dos recursos hídricos;

lX - sugerir critérios para utilização; da água na bacia;

X - acompanhar a execução do Plano Diretor de Recursos Hídricos da bacia e sugerir


as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

XI - propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos as acumulações, derivações,


captações e lançamentos de pouca expressão, para efeito de isenção de
obrigatoriedade de outorga de direitos de uso de recursos hídricos, de acordo com os
domínios destes;

XII - estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir


os valores a serem cobrados;

XIII - estabelecer critérios e promover o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de
interesse comum ou coletivo.

XIV - aprovar Planos e Projetos Específicos de utilização, Conservação, Proteção e

Recuperação dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica, manifestando-se sobre as


medidas a serem implementadas, as fontes de recursos financeiros a serem utilizados
bem corno a definição de prioridades a serem por eles estabelecidas;

XV - propor a implementação de Plano Emergencial de Controle de Quantidade e

135
Qualidade dos Recursos Hídricos de sua área de atuação geográfica. bem corno a
sua efetiva consecução em prol dos usuários;

XVI - aprovar propostas de programas anuais e plurianuais de aplicação de recursos


financeiros previstos para a gestão de Agências de Água de sua área de atuação,
originários da cobrança pelo uso da água ou de outras origens, observadas as
disposições e recomendações do Plano Diretor da Bacia Hidrográfica;

XVII - apreciar e manifestar-se, junto ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos


sobre a aplicação, na Bacia Hidrográfica de sua área de atuação, de recursos
financeiros oriundos de outras bacias;

XVIII - deliberar sobre financiamentos e investimentos a serem viabilizados pela


Agência de Águas;

XIX - deliberar sobre proposta para o enquadramento dos corpos de água em classes
de usos preponderantes, com o apoio de audiências públicas, assegurando o uso
prioritário para o abastecimento público;

XX - deliberar sobre contratações de obras e serviços em prol da Bacia Hidrográfica


a serem celebrados diretamente por sua respectiva Agência de Água, observada a
legislação licitatória aplicável e em vigor;

XXI - apreciar pareceres técnicos sobre outorgas e licenciamentos específicos de


recursos hídricos da Bacia;

XXII- deliberar sobre projeto de aproveitamento de recursos hídricos;

XXIII - acompanhar a execução da Política Estadual de Recursos Hídricos na área de


sua atuação, formulando sugestões e oferecendo subsídios aos órgãos e entidades
integrantes do Sistema Estadual de Gerenciamento integrado de Recursos Hídricos;

XXIV - propor valores para a cobrança pelo uso de recursos hídricos da Bacia;

XXV - aprovar o Orçamento Anual da Agência de Água, na área de sua atuação e com
observância da legislação e normas aplicáveis e em vigor;

XXVI - aprovar o regime contábil da Agência de Água e seu respectivo Plano de


Contas, observadas a legislação e as normas aplicáveis;

XXVII - aprovar a criação de Subcomitês de Bacia Hidrográfica de sua área de


atuação, a partir de proposta de usuários e de entidades da sociedade civil, podendo
ainda, quando julgado conveniente e indispensável, constituir unidades
especializadas de trabalho ou de serviços, bem como câmaras técnicas, cuja
atribuições, composição e funcionamento serão definidas em ato de sua criação;

136
XXVIII- aprovar o seu Regimento Interno e respectivas modificações;

XXIX - promover entendimentos, ação cooperada e eventual conciliação de conflitos


entre usuários de recursos hídricos da Bacia;

XXX - sugerir a celebração de convênios entre órgãos e entidades integrantes do

Comitê da bacia Hidrográfica com órgãos, entidades e instituições públicas ou


privadas nacionais, estrangeiras e internacionais, de interesse da Bacia;

XXXI - aprovar programas de capacitação de recursos humanos, que atuam no


planejamento e no gerenciamento da Bacia Hidrográfica de sua área de atuação.

Parágrafo único - Das decisões dos Comitês de Bacia Hidrográfica caberá recurso ao
Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

SEÇÃO V
Das Agências de Água

Art.60 Ás Agências de Água compete:

I- manter balanço atualizado da disponibilidade de recursos hídricos em sua área de


atuação;

II - manter o cadastro de usuários de recursos hídricos;

III- efetuar, mediante delegação do outorgante, a cobrança pelo uso de recursos


hídricos;

IV- analisar e emitir pareceres sobre os projetos e obras a serem financiados com
recursos gerados pela cobrança pelo uso dos recursos hídricos e encaminhá-los á
instituição financeira responsável pela administração desses recursos;

V - acompanhar a administração financeira dos recursos arrecadados com a cobrança


pelo uso dos recursos hídricos em sua área de atuação;

VI- gerir o Sistema Estadual de informações sobre Recursos Hídricos em sua área de
atuação;

VII- celebrar convênios e contratar financiamentos e serviços para a execução de suas


competências;

VIII- elaborar a sua proposta orçamentária e submetê-la à apreciação do respectivo


ou respectivos Comitês de Bacias Hidrográficas;

137
IX- promover os estudos necessários para a gestão dos recursos hídricos em sua área
de atuação;

X- elaborar o Plano Diretor de Recursos Hídricos para apreciação dos respectivos

Comitês de Bacia Hidrográfica;

XI- propor aos respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica:

a) o enquadramento dos corpos de água nas classes de uso, para encaminhamento


ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

b) os valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos;

c) O plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso de


recursos hídricos;

d) o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo;

XII- exercer outras ações, atividades e funções previstas em Lei, regulamento ou


decisão do Conselho Estadual de Recursos Hídricos compatíveis com a gestão
integrada de recursos hídricos.

XIII- prestar apoio administrativo, técnico e financeiro necessário ao bom


funcionamento do Comitê de Bacia Hidrográfica da área de sua atuação;

XIV- acompanhar os empreendimentos públicos e privados realizados no interesse da


Bacia;

XV - manter e operar instrumentos técnicos e de apoio, de modo especial os


relacionados com o provimento de dados para o Sistema Estadual Integrado de
Informações sobre Recursos Hídricos;

XVI - elaborar, para apreciação e aprovação, os Planos e Projetos Especiais de


Controle da Quantidade e da Qualidade dos recursos hídricos da Bacia, com a
finalidade de garantir a sua proteção;

XVII - elaborar, para conhecimento, apreciação e aprovação do Comitê de sua área


de atuação, relatórios anuais sobre a situação dos recursos hídricos da Bacia;

XVIII - elaborar pareceres sobre a compatibilidade de obras, serviços, ações ou


atividades específicas relacionadas com o Plano Diretor da Bacia Hidrográfica;

XIX - calcular valores a serem cobrados dos usuários de recursos hídricos da Bacia
com base em critérios estabelecidos na legislação;

138
XX - solicitar de usuários ou de órgão ou entidade pública de controle ambiental, por
instrumento próprio e quando for o caso, dados gerais relacionados a natureza e as
características de atividades, de sistema de tratamento de efluentes e outros líquidos,
de regime de variações e de características físico-químico de lançamento efetuados
na Bacia;

XXI - analisar técnica e financeiramente pedidos de financiamento, segundo critérios


e prioridades estabelecidas pelo Comitê, perante organismos e instituições financeiras
do País e internacionais, recomendando, inclusive, a aplicação desses recursos;

XXII - efetuar estudos técnicos relacionados com o enquadramento de corpos de água


da Bacia, em classes de uso preponderantes. assegurando o uso prioritário para o
abastecimento público de água;

XXIII- celebrar convênios, contratos. acordos, ajustes, protocolos, parcerias e


consórcios com pessoas físicas e jurídicas, de direito privado ou público, nacionais e
internacionais, notadamente para viabilizar aplicações de recursos financeiros em
obras e serviços a cargo da

Agência, em conformidade com o Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia e


outros aprovados pelo Comitê;

XXIV - proporcionar apoio financeiro a planos, programas, projetos, ações e atividades


para obras e serviços de interesse da Agência, devidamente aprovados pelo Comitê;

XXV - efetuar a cobrança pela utilização dos recursos hídricos da Bacia por usuários
e diligenciar sobre a execução de seus respectivos débitos, pelos meios próprios e
segundo a legislação aplicável, mantendo, para tanto, sistema de faturamento,
controle de arrecadação, fiscalização do consumo e capitulação de infrações.

XXVI - manter sistema de fiscalização de usos da água da Bacia com a finalidade de


capitular infrações e identificar infratores;

XXVII - efetuar estudos sobre recursos hídricos da Bacia em articulação com órgãos
e entidades similares de outros Estados e com os Municípios integrantes da área de
atuação da Bacia;

XXVIII - conceber e incentivar programas, projetos, ações e atividades ligadas à


educação ambiental e ao desenvolvimento de tecnologias que possibilitem o uso
racional, econômico e preservado de recursos hídricos;

XXIX - promover a capacitação de recursos humanos para o planejamento e o


gerenciamento de recursos hídricos da agência, de acordo com programas e projetos
aprovados pelo Comitê;

139
XXX - praticar, na sua área de atuação, ações e atividades que lhe sejam delegadas
ou atribuídas pelo Comitê de Bacia.

SEÇÃO VI
Das Organizações Civis de Recursos Hídricos

Art. 61 São consideradas, para os efeitos desta Lei, organizações civis de recursos
hídricos:

I - consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas;

II - associações regionais, locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos;

III - organizações técnicas e de ensino e pesquisa com interesse na área de recursos


hídricos;

IV - organizações não governamentais com objetivos de defesa de interesses difusos


e coletivos da sociedade;

V - outras organizações reconhecidas pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 62 Para integrar o Sistema Estadual de Gerenciamento integrado de Recursos

Hídricos, as organizações civis de recursos hídricos devem ser legalmente


constituídas.

TÍTULO IV
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

Art. 63 Constitui infração das normas de utilização de recursos hídricos superficiais ou


subterrâneos:

I - derivar ou utilizar recursos hídricos sem a respectiva outorga de direito de uso;

II - iniciar a implantação ou implantar empreendimento relacionado com a derivação


ou a utilização de recursos hídricos superficiais ou subterrâneos, que implique
alterações no regime, quantidade ou qualidade dos mesmos, sem a autorização dos
órgãos ou entidades competentes;

III - utilizar-se dos recursos hídricos ou executar obras ou serviços relacionados com
os mesmos em desacordo com as condições estabelecidas na outorga;

140
IV - perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los sem a devida
outorga;

V - fraudar as medições dos volumes de água utilizados ou declarar valores diferentes


dos medidos;

VI - infringir normas estabelecidas no regulamento desta Lei e nos regulamentos


administrativos, compreendendo instruções e procedimentos fixados pelos órgãos ou
entidades competentes.

VII- obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes, no exercício


de suas funções;

Art. 64 Por infração de qualquer disposição legal ou regulamentar referentes á


execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou utilização de recursos hídricos
de domínio ou administração do Estado, ou pelo não atendimento das solicitações
feitas, o infrator, a critério da autoridade competente ficará sujeita às seguintes
penalidades, independentemente de sua ordem de enumeração:

I - advertência por escrito, na qual serão estabelecidos prazos para correção das
irregularidades;

II - muita simples ou diária, proporcional à gravidade da infração, no valor de R$ 100

(cem reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais);

III - embargo provisório, por prazo determinado, para execução de serviços e obras
necessárias ao efetivo cumprimento das condições de outorga ou para o cumprimento
de normas referentes ao uso, controle, conservação e proteção dos recursos hídricos;

IV - embargo definitivo, com revogação da outorga, se for o caso, para repor


incontinenti, no seu antigo estado, os recursos hídricos, leitos e margens, nos termos
dos artigos 58 e 59 do Código de Águas ou tamponar os poços de extração de água
subterrânea.

§ 1° - Sempre que da infração cometida resultar prejuízo a serviço público de


abastecimento de água. riscos à saúde ou à vida, perecimento de bens ou animais,
ou prejuízo de qualquer natureza a terceiros, a multa a ser aplicada nunca será inferior
à metade do valor máximo cominado em abstrato.

§ 2°- No caso dos incisos III e IV. independentemente da pena de multa, serão
cobrados do infrator as despesas em que incorrer a Administração para tornar efetivas
as medidas previstas nos citados incisos, na forma dos artigos 36,53,56 e 58 do
Código de Águas, sem prejuízo de responder pela indenização dos danos a que der
causa.

141
§ 3° - Da aplicação das sanções previstas neste artigo caberá recurso à autoridade
administrativa competente, nos termos do regulamento.

§ 4° - Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro.

TITULO V
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÔRIAS

Art. 65 - o fornecimento de licença de localização de empreendimento que demande


a utilização de recursos hídricos, dependerá da prévia obtenção da outorga do direito
de uso.

Art. 66 - o regulamento estabelecerá mecanismos visando a articular os


procedimentos e ações entre o órgão Gestor de Recursos Hídricos e o órgão Estadual
de Meio Ambiente, na proteção e combate á poluição dos recursos hídricos do Estado.

Art. 67 - Entende-se que a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema


Estadual de Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos estão inseridos no
contexto de Planejamento Estratégico do Poder Público Estadual, e portanto, a sua
Gestão e Coordenação em todas circunstâncias e ocasiões deverá estar inserido na
unidade administrativa estadual que tenha como objetivo as atividades de
Planejamento e Desenvolvimento;

Art. 68 - A implantação da cobrança pelo uso da água será feita atendendo-se ás


seguintes fases, ações e atividades, segundo as competências do Sistema Estadual
de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos:

I - desenvolvimento, a partir do ano de 1998, de programa de comunicação social


sobre a importância econômica, social e ambiental da utilização racional e proteção
de águas;

II - implantação, no ano de 1998 do sistema integrado de outorga de direito de uso


dos recursos hídricos, devidamente compatibilizados com sistemas correlacionados
de licenciamento ambiental;

III - cadastramento, a partir do ano de 1998, dos usuários das águas e regularização
do direito de uso durante a implantação do primeiro Plano Estadual de Recursos
Hídricos, previsto para o período de 1998 a 2000;

IV - articulações do Estado com a União e com Estados vizinhos, tendo em vista a


implantação da cobrança pelo uso dos recursos hídricos nas bacias hidrográficas de
rios de domínio federal, durante o período de 1998 a 2000;

142
V - proposições de critérios e normas para fixação de preços públicos (e/ou tarifas),
definição de instrumentos técnicos e jurídicos indispensáveis á implantação de
cobrança pelo uso da água a ser aprovado em 1998;

VI - implantação de cobrança pelo uso das águas, a partir de 1998, tendo em vista,
prioritariamente, promover a utilização racional dos recursos hídricos.

Art. 69 - O Poder Executivo regulamentará esta Lei, no prazo de 180 (cento e oitenta)
dias contados de sua publicação.

Parágrafo único - Serão objeto de regulamentação especifica, para efeito de

Operacionalização de gerenciamento, mediante Decreto do Poder Executivo, as


matérias instrumentais previstas nesta Lei relativas:

I - ao enquadramento dos corpos de água em classes, segundo o uso preponderantes


da água;

II - à outorga dos direitos de uso dos recursos hídricos;

III - á cobrança pelo uso de recursos hídricos;

IV- procedimentos relativos a aplicação das sanções, defesa e recursos cabíveis;

V - à tipificação específica para o enquadramento da infração, segundo o grau


cometido para a aplicação da respectiva penalidade nos termos dos artigos 63 e 64
desta Lei.

Art.70 O Poder Executivo, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da


publicação desta Lei, encaminhará á Assembleia Legislativa projeto de lei dispondo
sobre águas subterrâneas de domínio do Estado, orientado segundo a Política
Nacional de Recursos Hídricos, objetos da Lei Federal No. 9.433, de 08 de janeiro de
1997, e nos termos da presente Lei.

Art. 71 - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 72 - Revogam-se as disposições em contrário98.

98
Disponível em: http://www.semarh.al.gov.br/institucional/legislacao-documentos/Lei_5965.pdf

143
4.2. Lei nº 7.094, de 02 de setembro de 2009

“Dispõe sobre a conservação e proteção das águas subterrâneas de domínio no


estado de alagoas e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE ALAGOAS

Faço saber que o Poder Legislativo Estadual decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º As águas subterrâneas do domínio do Estado de Alagoas, reger-se-ão pelas


disposições desta Lei, bem como das normas dela decorrentes, e, no que couber, pela
legislação pertinente aos recursos hídricos.

Parágrafo único. Se, por razões de qualidade físico-química e propriedades


oligominerais as águas subterrâneas prestarem à exploração para fins terapêuticos
ou comerciais, e puderem ser classificadas como água mineral, sua utilização será
regida pelas legislações federal e estadual pertinentes, e pelas disposições desta Lei,
no que lhe couber.

Art. 2º Será sempre considerada a interconexão entre as águas subterrâneas e as


superficiais e as interações presentes no ciclo hidrológico, na aplicação desta Lei e
das normas que dela decorrerem.

Art. 3º Na falta de regulamentação específica serão seguidas as determinações


estabelecidas nas resoluções dos órgãos competentes (Conselho Nacional de
Recursos Hídricos - CNRH, Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA,
Conselho Estadual de Meio Ambiente, e Conselho Estadual de Recursos Hídricos –
CERH, e outras legislações pertinentes).

CAPÍTULO II
DA GESTÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

Art. 4º A gestão e o gerenciamento devem considerar e garantir os usos múltiplos das


águas subterrâneas, as peculiaridades de função do aquífero, os aspectos de
qualidade e quantidade para a promoção do desenvolvimento social e ambientalmente
sustentável, as medidas de conservação e proteção, outorgas e a fiscalização.

Art. 5º O gerenciamento das águas subterrâneas dar-se-á através da aplicação dos


instrumentos de gestão.

144
Art. 6º O Poder Executivo, através do órgão gestor de recursos hídricos, desenvolverá
ações visando promover o gerenciamento eficaz das águas subterrâneas, mediante:

I – instituição e manutenção atualizada de cadastro de captações e de sistema de


informações de águas subterrâneas, que deverão ser contextualizados dentro do
Sistema Estadual de Informações de Recursos Hídricos e de acesso gratuito;

II – implantação de rede de monitoramento da qualidade e quantidade dos aquíferos;

III – proposições e implantação de programas permanentes de proteção, conservação


e recuperação dos aquíferos, visando o seu uso sustentável;

IV – implantação dos instrumentos de gestão e de consultas permanentes, de forma


a atender aos usuários na obtenção de produtos e serviços; e

V – proposição de regulamentos e normas complementares a esta Lei.

Art. 7º Os aquíferos podem estar subjacentes a dois ou mais Estados, assim como a
duas ou mais bacias hidrográficas estaduais ou federais. Para possibilitar a efetiva
gestão destes, o órgão gestor de recursos hídricos estadual deverá promover a
articulação entre os demais Estados envolvidos para propor a uniformização de
diretrizes e critérios para gestão e gerenciamento integrado.

§ 1º É facultativo ao Poder Executivo, através do órgão gestor de recursos hídricos, e


ouvido o Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH, celebrar convênio ou
estabelecer qualquer outro tipo de instrumento com outros Estados, relativamente aos
aquíferos também a eles subjacentes, objetivando estabelecer normas e critérios que
permitam o uso harmônico e sustentável das águas.

§ 2º É facultativo ao Poder Executivo, através do órgão gestor de recursos hídricos e


ouvido o Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH, celebrar Termos de
Cooperação Técnica e Convênios com a União para o estabelecimento de parceria
com a finalidade de promover a gestão efetiva das águas subterrâneas, e todas as
atividades a ela inerentes, do Estado de Alagoas, sem perda ou diminuição de sua
dominialidade.

Art. 8º O órgão gestor de recursos hídricos deverá orientar e articular com os

Municípios medidas para promoção da gestão integrada das águas subterrâneas em


seus territórios, em consonância com os planos de recursos hídricos ou com as
diretrizes estabelecidas pelo órgão gestor estadual.

Parágrafo único. Nestas medidas deverão estar (mecanismos de estímulo) aos

145
Municípios para a proteção das áreas de recarga (direta e indireta) dos aquíferos e a
adoção de práticas de reuso e recarga artificial, com vistas ao aumento das
disponibilidades hídricas e a proteção da qualidade das águas subterrâneas.

CAPÍTULO III
DOS INSTRUMENTOS DE GESTÃO

Art. 9º Na implementação dos instrumentos da PERH deverão ser incorporadas


medidas que assegurem a promoção da gestão integrada das águas superficiais,
subterrâneas e meteóricas, observadas as seguintes diretrizes:

I – nos planos de recursos hídricos deverão constar, no mínimo, os dados e


informações necessários ao gerenciamento integrado das águas, em atendimento à
legislação pertinente;

II – o enquadramento dos corpos de água subterrânea em classes dar-se-á segundo


as características hidrogeológicas dos aquíferos e os seus respectivos usos
preponderantes, a serem especificamente definidos, observada a legislação
pertinente;

III – nas outorgas de direito de uso de águas subterrâneas deverão ser considerados
critérios que assegurem a gestão integrada das águas, visando evitar o
comprometimento qualitativo e quantitativo dos aquíferos e dos corpos de água
superficiais a eles interligados;

IV – a cobrança pelo uso dos recursos hídricos subterrâneos deverá obedecer a


critérios estabelecidos em legislação específica; e

V – os sistemas de informações de recursos hídricos deverão reunir, dar consistência


e divulgar os dados qualitativos e quantitativos das águas subterrâneas do Estado de
Alagoas.

CAPÍTULO IV
DA CONSERVAÇÃO E PROTEÇÃO

Art. 10. A conservação e a proteção das águas subterrâneas implicam no seu uso
racional, na aplicação de medidas de controle da poluição e da manutenção de seu
equilíbrio físico-químico e biológico em relação aos demais recursos naturais.

Art. 11. Deverão ser estabelecidas e adotadas medidas para proteção e conservação
da qualidade e quantidade das águas subterrâneas para preservar os mananciais
existentes no Estado de Alagoas.

146
§ 1° Os resíduos de qualquer natureza, somente poderão ser transportados,
armazenados ou lançados de forma a não poluírem as águas subterrâneas.

§ 2º A descarga de poluentes que possam degradar a qualidade das águas


subterrâneas será punida na forma prevista nesta Lei e em normas dela decorrentes
e outras legislações pertinentes, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.

Art. 12. Os Municípios deverão ser orientados da importância do uso e ocupação do


solo, em especial relativo às áreas de recarga (direta e indireta) e descarga de
aquíferos.

Art. 13. Deverá ser articulado junto aos Municípios mobilização social para a proteção
e conservação das águas subterrâneas, assim como a manutenção e preservação
das captações existentes, prioritariamente nas regiões abrangidas pelo semiárido ou
por escassez de água.

Art. 14. Para efetiva conservação e proteção das águas subterrâneas deverá ser
realizado monitoramento permanente da quantidade e qualidade.

SEÇÃO I
Da Qualidade

Art. 15. A implantação ou ampliação de empreendimentos industriais, agropecuários,


agroindustriais, aterros sanitários, cemitérios, obras civis subterrâneas ou qualquer
outra fonte potencialmente impactantes nas águas subterrâneas, que tragam
periculosidade e risco à saúde pública e às características de quantidade e qualidade
dos aquíferos deverão conter caracterização da hidrogeologia local e regional, assim
como medidas de proteção emergenciais e de recuperação a serem adotados pelo
órgão ambiental e pelo órgão gestor de recursos hídricos.

Art. 16. As captações de água subterrânea deverão ser dotadas de medidas


adequadas de proteção, com a finalidade de evitar a infiltração de poluentes.

§ 1º Nas áreas de proteção dessas captações, serão instituídos perímetros de


proteção sanitária e de alerta contra a poluição.

§ 2º Os poços abandonados, ou em funcionamento, que acarretem ou possam


acarretar poluição, ou representem riscos aos aquíferos, e às construções de poços
realizadas para outros fins que não os outorgados, deverão ser adequadamente
tamponados (cimentado), de forma a evitar acidentes, contaminação ou poluição dos
aquíferos.

§ 3º Os responsáveis pelos poços tubulares ficam obrigados a comunicar ao órgão


gestor a desativação destes, temporária ou definitivamente.

147
Art. 17. As áreas com depósitos de resíduos e/ou efluentes perigosos construídos no
solo devem ser dotadas de monitoramento das águas subterrâneas, sob a
responsabilidade e ônus do proprietário do empreendimento, com plano aprovado
pelos órgãos gestores e deverá conter:

I – a caracterização do resíduo a ser depositado;

II – a localização e projetos dos poços de monitoramento, de acordo com a norma da


Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT;

III – a forma e frequência de coleta de amostras, os parâmetros a serem analisados


os métodos analíticos adotados, levando-se em consideração a caracterização do
resíduo depositado; e

IV – o sentido de fluxo, espessura da zona saturada do aquífero livre e das possíveis


interconexões, com os outros sistemas aquíferos.

§ 1º O responsável pelo empreendimento deverá elaborar e fornecer relatórios


periódicos aos órgãos competentes.

§ 2º Em caso de comprovada alteração dos parâmetros naturais da qualidade da água


subterrânea, o responsável pelo empreendimento deverá executar os trabalhos
necessários à sua recuperação, ficando sujeito às sanções cabíveis previstas nesta
Lei e outras correlatas, sem prejuízo de outras sanções legais.

SEÇÃO II
Da Quantidade

Art. 18. Os poços jorrantes deverão ser dotados de dispositivos que impeçam
desperdícios da água, ou eventuais desequilíbrios ambientais.

Art. 19. O usuário de obras de captação de águas subterrâneas deve operá-las de


acordo com as condições estipuladas pelo órgão gestor em função da disponibilidade
do aquífero e a evitar desperdícios, podendo o órgão gestor exigir a reparação dos
danos que forem causados. No caso de isentos de outorga, o uso deverá ser de
acordo com o cadastro efetuado pelo órgão gestor.

Art. 20. As captações de águas subterrâneas deverão ser dotadas de equipamentos


hidrométricos, definidos pelo órgão gestor, cujas informações serão a este
apresentadas periodicamente.

Art. 21. A implantação ou ampliação de Distritos Industriais e projetos de irrigação,


colonização, urbanização e abastecimento comunitário, usuários de águas
subterrâneas, bem como outras captações de volumes elevados dessas águas, assim

148
definidas pelo órgão gestor de recursos hídricos responsável, deverão ser precedidas
de estudo hidrogeológico para avaliação da disponibilidade hídrica bem como do não
comprometimento da qualidade do aquífero a ser explorado.

§ 1° Os estudos hidrogeológicos e projetos de captação de águas subterrâneas


deverão ser executados por profissionais, empresas ou instituições legalmente
habilitados perante o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do
Estado de Alagoas – CREA/AL, e submetidos à aprovação do órgão gestor.

§ 2º As obras de captações de águas subterrâneas deverão ser construídas de acordo


com as normas técnicas da ABNT e as adotadas pelo órgão gestor de recursos
hídricos.

SEÇÃO III
Das Áreas De Proteção

Art. 22. Quando, no interesse da conservação, proteção ou manutenção do equilíbrio


natural das águas subterrâneas, dos serviços públicos de abastecimento de águas,
ou por motivos hidrogeológicos e geotécnicos, se fizer necessário restringir a captação
dessas águas, o órgão outorgante do direito de uso poderá delimitar áreas destinadas
à sua proteção e controle, restringir as vazões captadas por poços, estabelecer as
distâncias mínimas entre poços e tomar quaisquer outras medidas que o caso
requeira.

Art. 23. Caberá aos organismos estaduais de controle ambiental estabelecer os


critérios para proteção das áreas de captação e recarga visando à manutenção de
padrões de qualidade e quantidade de água dos aquíferos.

CAPÍTULO V
DO LICENCIAMENTO, DA OUTORGA DE DIREITO DE USO DA ÁGUA E
DO CADASTRAMENTO

SEÇÃO I
Da Licença de Execução

Art. 24. A execução das obras destinadas à captação de águas subterrâneas


dependerá de Licença de Execução, expedida em conformidade com normas e
critérios estabelecidos pelo órgão gestor de recursos hídricos, obedecidas as
seguintes condições:

I – requerimento ao órgão gestor de recursos hídricos, solicitando a Licença de

149
Execução;

II – regularização, junto ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e


Agronomia - CREA/AL, incluindo comprovante da Anotação de Responsabilidade
Técnica -ART; e

III – elaboração de projeto e execução da obra em conformidade com as


especificações técnicas, com a apresentação, inclusive, de relatórios técnicos
detalhados, cujo modelo será fornecido pelo órgão gestor de recursos hídricos.

Art. 25. Aprovados os estudos e projetos da obra de captação, o órgão gestor de


recursos hídricos expedirá uma portaria autorizando a execução do credenciando de
seus agentes para quando necessário, acompanharem a obra e realizarem os testes
e as análises recomendáveis.

SEÇÃO II
Da Outorga de Uso de Recursos Hídricos

Art. 26. A utilização das águas subterrâneas do Estado de Alagoas dependerá da


cessão, concessão ou autorização de uso, outorgada pelo órgão gestor de recursos
hídricos, nos casos seguintes:

I – Cessão de uso a título gratuito ou oneroso, sempre que o usuário seja órgão ou
entidade pública;

II – Concessão de uso, consistindo na outorga de caráter contratual, permanente e


privativa, de uma parcela de recursos hídricos para que o particular ou pessoa jurídica,
dela faça uso ou explore, segundo sua destinação e condições especificadas;

III – Autorização de uso, consistindo na outorga deferida em caráter unilateral e


precário a pessoa física ou jurídica, dando-lhes consentimento para utilizar
determinada quantidade de água, sob condições especificadas.

Art. 27. A outorga será condicionada à existência de condições naturais que não
venham a comprometer o aquífero, quantitativa ou qualitativamente, pela exploração
pretendida.

§ 1º A outorga de direito de uso da água subterrânea ficará condicionada aos objetivos


do Plano Estadual de Recursos Hídricos e considerará os fatores ambientais,
econômicos e sociais envolvidos, e o caput deste artigo;

§ 2º Quando não houver definição clara no Plano Estadual de Recursos Hídricos ou


quando não houver o referido plano, ficará a cargo do órgão gestor condicionar a
outorga aos fatores de disponibilidade qualitativa e quantitativamente.

150
Art. 28. As captações de águas subterrâneas destinadas exclusivamente ao usuário
doméstico (urbano ou rural) e aquelas feitas em áreas, de profundidades e vazões
insignificantes, estarão dispensadas da Licença de Execução e da Outorga de Direito
de Uso da Água, ficando, todavia, sujeitas à fiscalização nos aspectos relativos à
defesa da saúde pública e à proteção dos aquíferos.

§ 1º Os critérios para a caracterização de profundidades e vazões insignificantes,


deverão ser determinados pela autoridade gestora.

§ 2º Os proprietários dessas captações ficam obrigados a cadastrá-las, na forma do


art. 13 desta Lei e de sua posterior regulamentação.

Art. 29. As outorgas para obras ou ações de interferência nos aquíferos, rebaixamento
para mineração, obras civis, captação de recursos hídricos e outros, deverão contar
com normatização específica.

Art. 30. Os titulares das Outorgas serão obrigados a:

I – cumprir as exigências da autoridade outorgante;

II – atender à fiscalização, permitindo o livre acesso aos planos, projetos, relatórios,


contratos, registros e quaisquer documentos referentes à Outorga;

III – construir e manter, quando e onde for determinada pela autoridade outorgante, a
instalação necessária às observações hidrométricas das águas extraídas;

IV – manter em perfeito estado de conservação e funcionamento os bens e as


instalações vinculadas à Outorga;

V – não ceder a água captada a terceiros, com ou sem ônus, sem a previa anuência
da autoridade outorgante; e

VI – permitir a realização de testes e análises do interesse hidrogeológico, por técnicos


credenciados pela autoridade outorgante.

Art. 31 As Cessões, Concessões e Autorizações serão outorgadas por prazo


compatível com a natureza do serviço a que se destine o aproveitamento, observando
o disposto da legislação vigente, podendo ser renovadas por igual período, e será
sempre condicionada à disponibilidade existente, para o exercício do direito de uso
das águas subterrâneas.

Parágrafo único. Se, durante 3 (três) anos consecutivos, o outorgado deixar de fazer
uso das águas, nos termos da outorga, esta será declarada caduca.

Art. 32. No caso de ampliação de empreendimento com a construção de novos poços


ou aumento da vazão explorada de poços já outorgados, deverá ser solicitada nova

151
outorga ou outorga aditiva aos poços com os quais se pretende aumentar a
exploração.

Art. 33. No caso de haver risco de escassez das águas subterrâneas, ou no caso em
que o interesse público prevalecer, não assiste ao outorgado qualquer direito à
indenização, a nenhum título, e a autoridade administrativa poderá:

I – determinar a suspensão da outorga de uso, até que o aquífero se recupere, e seja


superada a situação determinante da carência de água;

II – determinar a restrição ao regime de operação do outorgado; e

III – revogar a Outorga para uso de água subterrânea.

Art. 34. Os atos da Outorga farão referência à cobrança pela utilização da água nos
termos da legislação específica, sem prejuízo ao direito de terceiros.

SEÇÃO III
Do Cadastramento

Art. 35. Toda captação de água subterrânea no Estado de Alagoas, isenta ou não de
Outorga, deve ser cadastrada, na forma prevista nesta Lei, seu regulamento e normas
decorrentes, apresentando as informações técnicas exigidas e permitir o acesso da
fiscalização no local.

§ 1º O órgão gestor de recursos hídricos cadastrará as captações, formando o “Banco


de Dados de Águas Subterrâneas do Estado de Alagoas”, abrangendo inclusive, os
poços em operação e aqueles abandonados e incorporará este banco ao Sistema
Estadual de Informações de Águas Subterrâneas.

§ 2º As novas captações que não se enquadrarem em usos insignificantes estarão


sujeitas às sanções previstas nesta Lei e na regulamentação decorrente sem prejuízo
das sanções penais.

Art. 36. As informações que constarem no Sistema Estadual de Informações de

Águas Subterrâneas, serão de utilidade pública, podendo qualquer interessado a elas


ter acesso, nos termos da norma a ser estabelecida pelo órgão gestor de recursos
hídricos.

Art. 37. Compete ao órgão gestor de recursos hídricos fiscalizar o cumprimento das
disposições previstas nesta Lei, seu regulamento e normas decorrentes.

152
Art. 38. Fica assegurado aos agentes públicos credenciados, no exercício da ação
fiscalizadora, o livre acesso aos pontos de captação, às obras ou aos serviços que
possam afetar a quantidade e a qualidade das águas subterrâneas.

Parágrafo único. Aos agentes públicos credenciados, entre outras atribuições


previstas em lei ou regulamentos, cabe o exercício das seguintes funções, podendo,
se necessário, requisitar a força policial para garantir a sua execução:

I – efetuar vistorias, levantamentos, avaliações, colher amostras, efetuar medições, e


examinar a documentação técnica pertinente;

II – verificar a ocorrência de infrações e emitir os respectivos autos;

III – intimar, por escrito, o infrator a prestar esclarecimentos em local, dia, e hora
previamente fixados; e

IV – aplicar sanções previstas em lei.

Art. 39. A utilização da água subterrânea ficará sujeita à fiscalização quanto à


qualidade, para o fim a que se destina, nos termos da legislação pertinente.

Parágrafo único. A captação de água subterrânea para fins de distribuição de água


potável por intermédio de veículos transportadores e com natureza comercial,
somente poderá ser feita em poços previamente autorizados pelo órgão gestor de
recursos hídricos mediante outorga, sujeitando-se a atividade aos termos da Portaria
518/200499 do Ministério da Saúde ou legislação que a venha substituir, devendo as
análises que comprovem sua potabilidade serem realizadas em laboratórios
habilitados e registrados no Conselho Regional de Química – 17ª Região.

CAPÍTULO VII
DAS INFRAÇÕES

Art. 40. São consideradas infrações às disposições desta Lei e das normas dela
decorrentes:

I – implantar ou iniciar a implantação de empreendimento relacionado com a extração


de águas subterrâneas sem obter a Licença de Execução;

II – utilizar águas subterrâneas, para qualquer finalidade, sem a respectiva outorga de


direito de uso, nos casos previstos nesta Lei;

99
Revogada pela Portaria 2914/11 do Ministério da Saúde

153
III – fraudar as medições dos volumes de água utilizada ou declarar valores diferentes
dos constantes dos medidores;

IV – obstar ou dificultar a ação da fiscalização, no exercício de suas funções;

V – deixar de cadastrar obra de captação;

VI – provocar salinização ou poluição dos aquíferos;

VII – deixar de vedar poço, ou outra obra de captação, abandonado ou inutilizado;

VIII – deixar de colocar dispositivo de controle em poços jorrantes;

IX – remover cobertura vegetal em área de recarga de aquífero instituída pelo Poder

Público;

X – alterar o local da obra para o qual foi licenciada;

XI – descumprir as medidas preconizadas para as áreas de proteção ou de restrição


e controle; e

XII – infringir outras disposições desta Lei e das normas dela decorrentes.

Art. 41. As infrações previstas no art. 39 desta Lei, a critério da autoridade outorgante,
serão classificadas em leves, graves e gravíssimas, levando-se em conta:

I – a maior ou menor gravidade;

II – as circunstâncias atenuantes ou agravantes; e

III – os antecedentes do infrator.

Paragrafo único. Responderá pela infração quem, por qualquer modo a cometer,
concorrer para a sua prática ou dela beneficiar-se.

Art. 42. O descumprimento das disposições desta Lei e das normas dela decorrentes
sujeitará ao infrator às seguintes sanções, aplicáveis pela autoridade outorgante,
independentemente de sua ordem de enumeração:

I – advertência por escrito, na qual constará prazo para correção das irregularidades;

II – multa, simples ou diária, proporcional à gravidade da infração;

III – intervenção administrativa temporária;

IV – interdição/embargo provisório ou definitivo de acordo com legislação pertinente;

154
V – demolição;

VI – revogação da outorga; e

VII – obstrução do poço.

§ 1° As sanções previstas nos incisos III a VII deste artigo poderão ser aplicadas sem
prejuízo daquelas constantes nos incisos I e II deste artigo.

§ 2º Serão cobradas do infrator as despesas em que incorrer a Administração para


tornar efetivas as medidas previstas neste artigo, e ainda responder pela indenização
dos danos a que der causa.

Art. 43. As multas terão os seus valores estabelecidos nas seguintes bases:

I – de 25 a 2345 UPFALs, para as infrações leves;

II – de 2365 a 4690 UPFALs, para as infrações graves; e

III – de 4715 a 23445 UPFALs, para as infrações gravíssimas.

§ 1° Sempre que da infração resultar prejuízo a serviço público de abastecimento de


água, riscos à saúde ou à vida, destruição de bens, ou prejuízos a terceiros, a multa
nunca será inferior à metade do valor máximo cominado em abstrato.

§ 2º Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro.

§ 3º A critério do outorgante, poderá haver cobrança de multa diária, nos limites


estabelecidos neste artigo, até que o infrator faça cessar a irregularidade.

§ 4º Os valores das multas deverão ser revistos sempre que houver desvalorização
ou perda do custo/benefício da sanção.

Art. 44. A intervenção administrativa temporária ou a interdição poderão ser efetuadas


quando houver perigo iminente à saúde pública e, a critério da autoridade aplicadora,
na ocorrência de infração continuada, devendo cessar quando removidas as causas
que as determinaram.

Art. 45. O embargo e a demolição poderão ser efetuados no caso de obras e


construções efetivadas sem a necessária Licença de Execução, ou em desacordo
com a outorga expedida, quando sua permanência ou manutenção contrariar as
disposições desta Lei ou normas dela decorrentes.

Art. 46. As sanções administrativas previstas nesta Lei não eximirão os infratores das
penalidades estabelecidas na legislação comum ou especial aplicável.

155
Art. 47. As multas constantes nesta Lei deverão ser recolhidas conforme instrução
normativa do órgão gestor, sujeitando-se o infrator às medidas judiciais cabíveis, em
caso de descumprimento.

Parágrafo único. As multas constantes desta Lei constituem recursos do FERH, não
podendo ter outra destinação.

Art. 48. Da imposição das penalidades caberá recurso ao órgão gestor, formulado por
escrito, em modelo padronizado, conforme estabelecido em regulamento.

CAPÍTULO IX
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 49. Os programas permanentes de preservação e conservação das águas


subterrâneas contarão com recursos do FERH, sem prejuízo de outras dotações
orçamentárias do Poder Executivo.

Art. 50. Deverão ser desenvolvidos estudos hidrogeológicos através dos órgãos
competentes, para o conhecimento de sua potencialidade, vulnerabilidade e demais
dados necessários a uma efetiva gestão dos aquíferos de domínio do Estado.

Art. 51. Nas instalações de captação de águas subterrâneas destinadas a


abastecimento público, os concessionários desses serviços realizarão periodicamente
análises físicas, químicas e bacteriológicas da água, nos termos da legislação
pertinente.

Art. 52. As escavações, sondagens ou obras para pesquisa relativa a lavra mineral,
ou para outros fins, que atingirem águas subterrâneas, deverão ter tratamento idêntico
a poço abandonado, de forma a preservar e conservar os aquíferos.

Art. 53. A recarga artificial de aquíferos dependerá de autorização do órgão gestor e


estará condicionada à realização de estudos que comprovem sua conveniência
técnica, econômica e sanitária e a preservação e/ou recuperação da qualidade das
águas subterrâneas.

Art. 54. Para que esta Lei possa alcançar efetividade deve ser realizada campanha
informativa e educativa, tanto em nível estadual como municipal, sobre as novas
determinações.

Art. 55. Esta Lei será regulamentada pelo Poder Executivo no prazo máximo de 180
(cento e oitenta) dias contados da data de sua publicação, sobre águas subterrâneas
de domínio do Estado, orientado segundo as legislações Federal e Estadual
pertinentes e nos termos da presente Lei.

156
Art. 56. Esta Lei entra em vigor na data vigor na data de sua publicação.

Art. 57. Revogam-se as disposições em contrário.

PALÁCIO REPÚBLICA DOS PALMARES, em Maceió, 2 de setembro de 2009,

193º da Emancipação Política e 121º da República100 101.

Teotonio Vilela Filho


Governador

100
Este texto não substitui o publicado no DOE do dia 3.09.2009

101
Disponível em: http://www.semarh.al.gov.br/institucional/legislacao-documentos/Lei_7094-
09_aguas Subterraneas.pdf

157
4.3. Decreto N° 6, de 23 de janeiro de 2001

“Regulamenta a outorga de direito de uso de recursos hídricos prevista na Lei n. 5.965


de 10 de novembro de 1997, que’ dispõe sobre a política estadual de recursos
hídricos, institui o sistema estadual de gerenciamento integrado de recursos hídricos
e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE ALAGOAS, usando das atribuições que lhe


confere o art. 107, inciso IV da Constituição Estadual e tendo em vista o disposto na
Lei n° 5.965, de 10 de Novembro de 1997.

DECRETA:

CAPÍTULO I
DO CONCEITO E DOS OBJETIVOS

Art. 1º - A outorga de direito de uso de recursos hídricos é o ato administrativo,


mediante o qual o poder outorgante faculta ao outorgado o direto de uso de recurso
hídrico, por prazo determinado, nos termos e nas condições expressas no respectivo
ato.

Parágrafo único. As análises dos pleitos de outorga deverão sempre levar em conta a
interconexão das águas superficiais e subterrâneas e as interações observadas no
ciclo hidrológico.

Art. 2º - A outorga confere o direito de usos de recursos hídricos, condicionado à


disponibilidade hídrica e ao regime de relacionamento, sujeitando o outorgado à
suspensão e às demais disposições estabelecidas neste decreto.

Art. 3º - A outorga de direito de uso de recursos hídricos tem por objetivo assegurar:

I - o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água;

II - o efetivo exercício dos direitos de acesso à água.

CAPÍTULO II
DAS DEFINIÇÕES

Art.4º - Para efeito deste Decreto são adotadas as seguintes definições:

I - açudes ou barramentos: obras em que o eixo maciço intercepta o talvegue de um


curso d'água, objetivando a formação de um reservatório a montante, tendo como

158
principal finalidade a regularização das vazões liberadas a jusante, por meio de
estruturas controladoras de descargas;

II - aquífero subterrâneo: formação geológica que contém água e permite que


quantidades significativas dessa água se movimentem no seu interior em condições
naturais;

III - concentração limite: elemento de planejamento e controle de bacia hidrográfica


configurada pela concentração de agente poluente especificada no correspondente
plano de recursos hídricos, para cada ano do horizonte de planejamento, podendo
apresentar variação anual partindo das condições atuais para atingir, ao final do
horizonte previsto, a concentração meta definida na Resolução CONAMA N°- 20/86
para a classe em que tenha sido enquadrado o corpo hídrico;

IV - corpo hídrico: cursos d'água, trecho de rio, reservatório artificial ou natural, ou


aquífero subterrâneo;

V - disponibilidade hídrica: diferença entre o volume outorgável e o volume outorgado;

VI - disponibilidade real de poço: volume de água efetivamente disponível no momento


considerado, a partir das captações existentes, que pode ser retirado de um poço no
caso de ser bombeado em sua capacidade máxima e em regime de bombeamento
diário e semanal adotados;

VII - disponibilidade usual de poço: volume realmente utilizado com vazão de


abstração e regime de bombeamento diário e semanal adotados;

VIII - indicador de poluente: medida de poluente que possa ser expressa em temos de
concentração;

IX – interferência: toda e qualquer atividade ou empreendimento que altere as


condições de escoamento de recursos hídricos, criando o obstáculos ou modificando
o fluxo das águas;

X - geração de energia elétrica: uso dos recursos hídricos para fins de aproveitamento
de potenciais hidroelétricos;

XI - lançamento em corpo hídrico: lançamento de esgotos e demais resíduos líquidos


ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final;

XII - nível de garantia: probabilidade, em termos percentuais, de que num determinado


período de tempo seja atendida uma demanda outorgada;

XIII - obra hidráulica: qualquer obra capaz de alterar o regimento natural das águas
ou as suas condições qualitativas ou quantitativas;

159
XIV - outros usos: usos de recursos hídricos que alterem o regime, a qualidade ou a
quantidade de um corpo d'água, inclusive a execução de obras ou serviços que
configurem interferência e impliquem na alteração do regime, da quantidade ou da
qualidade de um corpo d'água superficial ou subterrâneo;

XV - reserva explorável do aquífero: é o volume real que pode ser retirado sem
prejuízo para o meio ambiente como um todo, inclusive as restituições para os cursos
d'água superficiais, a preservação das culturas implantadas, as obras de captação já
instaladas e outras demandas dependentes desse potencial;

XVI - reserva renovável do aquífero: é o volume que se pode retirar do aquífero sem
que ocorra prejuízo ou risco de esgotamento de um aquífero;

XVII - reservatório: todo o volume disponível para a reserva de água, a partir da seção
imediatamente a montante de um barramento, constituído de área superficial com
respectivas alturas, podendo ser caracterizado por curvas cota-volume e cota- área;

XVIII - volume alcatório: volume disponível em um corpo hídrico, sob a forma de


variável alcatória que assume valor diferente a cada período de tempo, em função da
natural variabilidade hidrológica e do manejo dos corpos hídricos;

XIX - volume outorgado: volume não disponível para novas outorgas em função de
outorgas já efetuadas no próprio corpo hídrico, ou em outros localizados à montante,
devendo ser sempre igual ou inferior ao volume outorgável;

XX - volume outorgável: máximo volume que pode ser outorgado em um corpo hídrico
e cujo montante é composto pela soma do volume já outorgado com o volume ainda
disponível para outorga;

XXI - usuário: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que faça o uso
dos recursos hídricos e responda legalmente por todas as obrigações decorrentes do
ato de outorga, bem como a pessoa que faça uso dos recursos hídricos
independentemente de outorga;

XXII - valor de referência: descarga regularizada anual com garantia de 90%

(noventa por cento) da curva de permanência.

160
CAPÍTULO III
DOS USOS QUE DEPENDEM DE OUTORGA

Art. 5º - Estão sujeitos à outorga os direitos ao uso ou interferências em recursos


hídricos a seguir relacionados:

I - a derivação ou captação de parcela de água existente em um corpo hídrico, para


consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo;

II - extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final ou insumo de


processo produtivo;

III - lançamento em corpo hídrico de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos,


tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final;

IV - o aproveitamento dos potenciais hidrelétricos;

V - outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente


em um corpo de água, inclusive a execução de obras ou serviços que configurarem
interferência e impliquem alteração do regime, da quantidade ou da qualidade da água
existente em um corpo hídrico superficial ou subterrâneo.

§ 1º. Serão objetos de cadastramento todos os usos que dependam de outorga de


direito de usos de recursos hídricos.

§ 2º. A outorga poderá abranger direito de uso múltiplo de recursos hídrico, ficando o
outorgado responsável pela observância concomitante de todos os usos outorgados.

Art. 6º - A expedição de outorga de direito de uso de recursos hídricos para


aproveitamento de potenciais hidrelétricos, de que trata o inciso IV, art. 5º deste
decreto, será feito pela secretaria de Estado de Recursos Hídricos e Irrigação - SERHI,
em articulação com a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL.

Parágrafo único. Caberá à SERHI decidir sobre a viabilidade de outorga solicitada,


avaliando o impacto do aproveitamento hidrelétrico na bacia hidrográfica, tendo em
vista a disponibilidade hídrica e a eventual mudança de regime fluvial e seus possíveis
efeitos nos demais usuários e usos da bacia hidrográfica.

Art. 7º - A outorga de direito de uso de recursos hídricos para concessionárias,


permissionárias e autorizatárias de serviços públicos vigorará por prazos coincidentes
ou inferiores aos correspondentes contratos de concessão ou atos administrativos de
autorização.

161
CAPÍTULO IV
DOS USOS QUE INDEPENDEM DE OUTORGA

Art. 8º - Independem de outorga:

I - o uso de recursos hídricos para satisfação das necessidades de pequenos núcleos


populacionais, distribuídos no meio rural, respeitado o item IV, deste artigo;

II - as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes, tanto do


ponto de vista de volume quanto de carga poluente, a critério do órgão competente;

III - as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes, a critério do


órgão competente;

IV - captação de água cuja vazão de exploração recomendada não exceda mil litros
por hora.

§ 1º. Critérios específicos de vazão ou acumulação de volumes de água considerados


insignificantes serão estabelecidos nos planos de recursos hídricos, devidamente
aprovados pelos correspondentes comitês de bacia hidrográfica, ou na existência
destes, pela autoridade outorgante.

§ 2º. É considerado insignificante o uso de recursos hídricos para o atendimento das


necessidades básicas, tais como higiene, alimentação e produção de subsistência,
em unidade residencial unifamiliar, em local onde não haja sistema de abastecimento
público.

§ 3º. A inexigibilidade de outorga prevista neste artigo não se aplica aos casos de
captação de água subterrânea em zona de formação sedimentar que venham a ser
consideradas como aquíferos estratégicos.

Art. 9º - Para efeito de cadastramento, mesmo quando se tratar de uso que independe
de outorga, os usuários deverão, obrigatoriamente, apresentar seus dados cadastrais
junto ao órgão responsável pela emissão de outorga.

Art. 10º - Será considerado uso insignificante a exploração de água subterrânea


abaixo do valor indicado no art. 13 deste decreto, exceto se localizada em zona de
formação sedimentar que venha a ser considerada como aquífero estratégico.

162
CAPÍTULO V
DOS CRITÉRIOS PARA CONCESSÃO DA OUTORGA

Art. 11 - A outorga deverá observar os planos de recursos hídricos e, em especial:

I - As prioridades de uso estabelecidas;

II - a classe em que o corpo hídrico estiver enquadrado, em consonância com a


legislação ambiental;

III - a preservação dos usos múltiplos previstos;

IV - a manutenção das condições adequadas ao transporte aquaviário, quando


couber;

§ 1º. Enquanto não forem aprovados os planos de recursos hídricos de bacias


hidrográficas, a outorga obedecerá aos critérios gerais estabelecidos pela legislação
federal e pela legislação estadual.

§ 2º. Na emissão das outorgas, será considerada a data de protocolo do pedido para
efeito de preferência na análise dos processos.

§ 3º. Ao se emitir uma outorga, o volume outorgado fica indisponível, total ou


parcialmente, para outros usos no corpo hídrico em que é feita a captação ou diluição
e nos corpos hídricos situados a jusante, considerada a capacidade de
autodepuração.

§ 4º. O volume de água outorgado poderá variar em função da sazonabilidade, da


disponibilidade efetiva e da necessidade de uso da água.

Art. 12 - A soma dos volumes d'água outorgados numa determinada bacia não poderá
exceder a nove décimos da vazão regularizada anual, com noventa por cento de
garantia.

Parágrafo único. Quando se tratar de lagos ou lagoas territoriais, a disponibilidade do


corpo hídrico deverá ser considerada de forma conjunta com o aquífero associado.

Art. 13 - A base quantitativa para outorga de direito de uso de água sobre águas
subterrâneas será considerada para aqueles poços cuja vazão de exploração
recomendada seja superior a mil litros por hora.

Art. 14 - A outorga especificará a vazão máxima outorgada, a obrigatoriedade do


outorgado implantar e manter infra-estrutura de medição de água, o prazo de vigência
e demais elementos técnicos-econômicos relevantes, para caracterizar claramente os
direitos e as obrigações do beneficiário.

163
Art. 15 - A disponibilidade hídrica será avaliada em função das características
hidrológicas ou hidrogeológicas da bacia superficial ou subterrânea onde incida a
outorga, observando-se, ainda, o seguinte:

I - quando se tratar de água superficial:

a) vazão mínima natural será inexistente ou estabelecida em portaria específica do


Secretário de Estado de Recursos Hídricos e Irrigação, fundamentada em estudo
hidrológico; e

b) o valor de referência será a descarga regularizada anual com garantia de noventa


por cento da curva de permanência.

II - quando se tratar de água subterrânea, o referencial quantitativo deverá levar em


conta:

a) capacidade de recarga do aquífero, prevista em portaria pelo secretário de Estado


de Recursos Hídricos e Irrigação, fundamentada em estudo hidrogeológico específico;

b) interferência provocada pelo poço ou poços circunvizinhos.

Art. 16 - A outorga somente poderá ser emitida se o consumo for compatível com
multiplicidade dos usos possíveis.

Art. 17 - A outorga prevista neste regulamento não dispensa nem substitui outras
formas de controle e licenciamento específicos, inclusive os que digam respeito ao
saneamento básico e ao controle ambiental, previsto em lei.

Art. 18 - Para cada lançamento de efluente hídrico, a outorga para captação, derivação
ou extração de água será efetuada simultaneamente com a outorga para lançamento
de afluentes, sem prejuízo da exigência da licença ambiental.

§ 1º. A outorga para lançamento de afluentes será dada em quantidade de água


necessária para a diluição da carga poluente, podendo variar ao longo do prazo de
sua validade em função da concentração limite de cada indicador de poluição, ou em
função de parâmetros definido no correspondente plano de recursos hídricos.

§ 2º. No caso previsto no caput deste artigo, implementar-se á o disposto nos §§ 3º e


4º do art. 11, deste decreto, separadamente para o uso consultivo e para cada
indicador de poluente.

Art. 19 - O nível de garantia do volume outorgado para cada usuário será de no mínimo
oitenta por cento, quando o plano de recursos hídricos da bacia hidrográfica não
adotar outro valor para o corpo hídrico considerado.

164
Parágrafo único. A SERHI estabelecerá o volume outorgável, sazonalmente, em cada
corpo hídrico, em função do nível de garantia.

Art. 20 - Será indeferido o pedido de outorga que possa resultar volume outorgado
superior ao outorgável, seja para o corpo hídrico para qual tenha sido feito o pedido,
ou para qualquer outro corpo hídrico localizado a jusante ou a montante deles.

CAPÍTULO VI
DOS PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS DA OUTORGA

Art. 21 - A outorga de direito de uso de recursos hídricos efetivar-se á por resolução


do Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 22 - O requerimento de outorga de direito de uso de recursos hídricos far-se-á ao


Conselho Estadual de Recursos Hídricos e será instituído com as seguintes
informações:

I - identificação do requerente;

II - localização geográfica do ponto de captação, lançamento ou estrutura hidráulica.

Incluído o nome do corpo hídrico;

III - especificação dos tipos de usos previstos para a água;

IV - comprovação do recolhimento dos emolumentos de registro da outorga.

§ 1º. Nos casos de derivação de água superficial ou subterrânea deve ser instruído
ainda com:

I - volume diário e vazão máxima instantânea que se pretenda derivar;

II - regime de variação em número de dias de captação, em cada mês, e de horas de


captação, em cada dia.

§ 2º. Nos casos de lançamento de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos,


tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final, deve ser
instruído ainda com:

I - volume mensal, vazão máxima instantânea e volume diário a ser lançado no corpo
hídrico receptor, bem como o regime de variação do lançamento;

II - concentrações e cargas de poluentes físicos, químicos e biológicos;

165
§ 3º. A critério da SERHI poderão ser exigidos documentos ou esclarecimentos
complementares àqueles estabelecidos por este decreto.

§ 4º. O requerimento só será apreciado após o recolhimento dos emolumentos do


registro ou outorga.

Art. 23 - Deverá constar no ato de outorga:

I - identificação do outorgado;

II - localização geográfica e hidrográfica, quantidade, qualidade, nível de garantia e


finalidade a que se destinem as águas;

III - prazo de concessão não superior a trinta e cinco anos;

IV - obrigação de recolher os valores da cobrança pelo uso do recurso hídrico, quando


exigível:

V - condição de que a outorga cessará seus efeitos jurídicos se o licenciamento


ambiental for indeferido definitivamente;

VI - situação ou circunstância em que ocorrerá a suspensão da outorga nos casos


previstos no art. 29 deste decreto

VII - condição de que o outorgado deverá implantar e manter em funcionamento


equipamentos de medição para monitoramento contínuo da vazão captada e lançada.

Parágrafo único. A outorga será publicada no Diário Oficial do Estado.

Art. 24. A SERHI manterá registros das outorgas emitidas, contendo, para corpo
hídrico, no mínimo:

I - cadastros dos usuários de recursos hídricos;

II - vazão máxima instantânea e volume diário outorgado a cada usuário do corpo


hídrico e de todos os corpos hídricos localizados a montante e a jusante;

III - vazão máxima instantânea e volume diário em um corpo hídrico e nos corpos
hídricos a montante, concernente a usos insignificantes, à prevenção da degradação
ambiental e manutenção dos ecossistemas aquáticos, e para garantir a
navegabilidade, quando couber.

Art. 25. A outorga de direito de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não
superior a trinta e cinco anos, a critério do Conselho Estadual de Recursos Hídricos,
ouvido o Comitê da Bacia Hidrográfica, podendo ser renovada por prazo igual ou
inferior.

166
CAPÍTULO VII
DA RENOVAÇÃO DA OUTORGA

Art. 26 - O outorgado interessado em renovar a outorga deverá apresentar


requerimento a SERHI no prazo de cento e oitenta dias anteriores ao termo final da
outorga.

Parágrafo único. O pedido de renovação somente será atendido se forem observados


as normas, critérios e prioridades vigentes à época da renovação, nos termos deste
decreto e legislação aplicável.

Art. 27 - O usuário que pretende transferir a outorga de direito de usos de recursos


hídricos deverá comunicar previamente à SERHI para que obtenha sua anuência.

Parágrafo único. O pedido de transferência somente será atendido se forem


observados as normas, critérios e prioridades vigentes à época da transferência, bem
como as mesmas condições da outorga original, nos termos deste decreto e legislação
aplicável.

CAPÍTULO VIII
DO REGIME DE RACIONAMENTO DO USO DOS RECURSOS HÍDRICOS

Art. 28 - Quando não houver disponibilidade num corpo hídrico, o Comitê de Bacia
Hidrográfica ou, na falta deste, a SERHI poderá instituir regime de racionamento de
água pelo período que se fizer necessário.

§ 1º. Serão racionadas, indistintamente, as captações de água ou as diluições de


efluentes, sendo que, neste último caso, o racionamento implicará suspensão do
lançamento de efluentes.

§ 2º. Caberá ao usuário que se sentir prejudicado pelo racionamento, recurso


administrativo ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

CAPÍTULO IX
DA SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DA OUTORGA

Art. 29 - A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa pelo
poder outorgante, parcial ou totalmente, sem qualquer direito de indenização ao
usuário, nas seguintes circunstâncias:

167
I - necessidade de água para atender a situações de calamidade, inclusive as
decorrentes de condições climáticas adversas;

II - necessidade de prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

III - necessidade de serem atendidos os usos prioritários, de interesse público, para


os quais não se disponha de fontes alternativas;

IV - necessidade de serem mantidas as características de navegabilidade do corpo


hídrico;

V - no caso de ser instituído regime de racionamento de recursos hídricos.

Parágrafo único. A suspensão da outorga de direito de uso de recursos hídricos


prevista neste artigo, implica, automaticamente, o corte ou redução dos usos
outorgados.

Art. 30 - A outorga do direito de uso de água de recursos hídricos extingue-se, sem


qualquer direito de indenização ao usuário, nas seguintes circunstâncias:

I - ausência de uso por três anos consecutivos;

II - morte do usuário;

III - liquidação judicial ou extrajudicial do usuário no caso de pessoa jurídica;

IV - término do prazo de validade de outorga sem que tenha havido tempestivo pedido
de renovação;

V - indeferimento ou cassação da licença ambiental, ou, nos casos previsto na


legislação, depois de emitida a outorga, não tiver sido dada entrada no processo de
licenciamento ambiental.

Parágrafo único. No caso dos incisos II e III deste artigo e na forma da lei, os
interessados em prosseguir na utilização da outorga poderão apresentar sua
solicitação ao poder outorgante e este poderá transferir aos legítimos interessados o
direito de utilização de recursos hídricos até o prazo originário da mesma.

CAPÍTULO X
DA AÇÃO FISCALIZADORA

Art. 31 - A fiscalização de cumprimento deste decreto e das normas dele decorrentes


será exercida pela SERHI, por meio de seus agentes ou de entidades a que delegar
o gerenciamento dos recursos hídricos estaduais.

168
Art. 32 - No exercício da ação fiscalizadora ficam asseguradas aos servidores ou
agentes credenciados o aceso a todos os documentos referentes à outorga e a
entrada e permanência, pelo tempo que se fizer necessário, em estabelecimentos
públicos ou privados.

CAPÍTULO XI
DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 33 - Quando a outorga for emitida sem que haja plano de recursos hídricos para
a bacia hidrográfica, os outorgados ficam obrigados a adaptar suas atividades e obras
ao plano superveniente.

Parágrafo único. Caberá ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos estabelecer as


regras de transição, inclusive prazos e condições para cumprimento do disposto no
caput deste artigo.

Art. 34 - Enquanto não forem aprovados os Planos de Recursos Hídricos, a outorga


de direito de uso de recursos hídricos será decidida pela SERHI, de acordo com este
decreto e com os critérios gerais estabelecidos pelo Conselho Estadual de Recursos
Hídricos.

Art. 35 - A Presidência do Conselho Estadual de Recursos Hídricos será exercida pelo


Secretário de Estado de Recursos Hídricos e Irrigação.

Art. 36 - Terão prioridade na elaboração do registro dos direitos outorgados de usos


de recursos hídricos, de que trata este decreto, os corpos hídricos com conflitos
manifestos de uso.

Art. 37 - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as


disposições em contrário102.

Ronaldo Lessa

Governador

(D.O. 24.01.01)

102
Disponível em: http://www.semarh.al.gov.br/institucional/legislacao-documentos/Decreto_06-
01_outorga.pdf

169
4.4. Decreto n. 49.419, de 18 de julho de 2016

“Altera o Decreto n. 06, de 23/01/2001, que regulamenta a outorga de direito de uso


de recursos hídricos prevista na Lei estadual n. 5.965, de 10/11/1997, que dispõe
sobre a política estadual de recursos hídricos, institui o sistema estadual de
gerenciamento integrado de recursos hídricos, e dá outras providências”.

4.5. Decreto Nº 49.419, de 18 de julho de 2016

“Altera o Decreto Nº 06, de 23 de janeiro de 2001, que regulamenta a outorga de


direito de uso de recursos hídricos prevista na lei estadual nº 5.965, de 10 de
novembro de 1997, que dispõe sobre a política estadual de recursos hídricos, institui
o sistema estadual de gerenciamento integrado de recursos hídricos, e dá outras
providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE ALAGOAS, no uso das atribuições que lhe


confere o inciso IV do art. 107 da Constituição Estadual, tendo em vista o disposto nas
Leis Estaduais nº ́s 5.965, de 1997, e 6.126, de 16 de dezembro de 1999, e o que
mais consta do Processo Administrativo nº 23010-130/2016,

DECRETA:

Art. 1º Os dispositivos adiante indicados do Decreto Estadual nº 06, de 2001, passam


a vigorar com as seguintes redações:

I - os incisos II, III, IX e XXII do art. 4º:

“Art. 4º Para efeito deste decreto são adotadas as seguintes definições:

(...)

II - aquífero: formação geológica que contém água e permite que quantidades


significativas dessa água se movimentem no seu interior em condições naturais;

III - concentração limite: elemento de planejamento e controle da bacia hidrográfica


configurada pela concentração do agente poluente especificada no correspondente
plano de recursos hídricos, para cada ano do horizonte de planejamento, podendo
apresentar variação anual partindo das condições atuais para atingir, ao final do
horizonte previsto, a concentração meta definida na Resolução CONAMA nº 357, de
17 de março de 2005, para a classe em que tenha sido enquadrado o corpo hídrico;

(...)

170
IX - interferência: toda e qualquer atividade ou empreendimento que altere as
condições de escoamento de recursos hídricos, criando os obstáculos ou modificando
o fluxo das águas;

(...)

XXII - vazão de referência: aquela que representa a disponibilidade hídrica do curso


de água, associada a uma probabilidade de ocorrência; e

(...)” (NR)

II - o art. 6º:

“Art. 6º A expedição de outorga de direito de uso de recursos hídricos para


aproveitamento de potenciais hidrelétricos, de que trata o inciso IV do art. 5º deste
Decreto, será feita pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos
Hídricos - SEMARH, em articulação com a Agência Nacional de Energia Elétrica
ANEEL.

Parágrafo único. Caberá à SEMARH decidir sobre a viabilidade da outorga solicitada,


avaliando o impacto da inserção do aproveitamento hidrelétrico na bacia hidrográfica,
tendo em vista a disponibilidade hídrica e a eventual mudança de regime fluvial e seus
possíveis efeitos nos demais usuários e usos da bacia hidrográfica.” (NR)

III - os incisos I, II e III do caput do art. 8º:

“Art. 8º Independem de outorga:

I - as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes, tanto do


ponto de vista de volume quanto de carga poluente, a critério do órgão competente;

II - as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes, a critério do


órgão competente; e

III - captação de água subterrânea cujo volume máximo de exploração diário seja de
5 m3(cinco metros cúbicos).” (NR)

IV - o caput do art. 12:

“Art. 12. A soma das vazões outorgadas numa determinada bacia hidrográfica não
poderá exceder a 9/10 (nove décimos) da vazão de referência.

(...)” (NR)

V - o art. 13:

171
“Art. 13. A base quantitativa para outorga de direito de uso sobre águas subterrâneas
será considerada para aqueles poços cujo volume máximo de exploração diário seja
de 5 m3(cinco metros cúbicos).” (NR)

VI - as alíneas a e b do inciso I, as alíneas a e b do inciso II e o caput, todos do art.15:

Art. 15. A disponibilidade hídrica será avaliada em função das características


hidrológicas da bacia hidrográfica ou hidrogeológicas do aquífero ou sistema aquífero
onde incida a outorga, observando-se, ainda, o seguinte:

I - quando se tratar de água superficial:

a) a vazão mínima natural será inexistente ou estabelecida em portaria específica do


Secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, fundamentada em
estudo hidrológico;

b) a vazão de referência será a vazão do corpo hídrico com frequência de 90%


(noventa por cento) na curva de permanência a nível diário, no caso da inexistência
de barramento;

(...)

II - quando se trata de água subterrânea, o referencial quantitativo deverá levar em


conta:

a) a vazão explorável do aquífero ou sistema aquífero;

b) a capacidade de recarga do aquífero, prevista em portaria do Secretário de Estado


do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, fundamentada em estudo hidrogeológico
específico; e

(...)” (NR)

VII - o art. 17:

Art. 17. A outorga prevista neste Decreto não dispensa nem substitui outras formas
de controle e licenciamento específicos, inclusive os que digam respeito ao
saneamento básico, uso do solo e ao controle ambiental, previstos em lei. (NR)

VIII - o caput do art. 18:

Art. 18. Para cada lançamento de efluente hídrico, a outorga para captação,
derivação ou extração de água será efetuada simultaneamente com a outorga para
lançamento de efluentes, sem prejuízo da exigência da licença ambiental.

(...)” (NR)

172
IX - o parágrafo único do art. 19:

Art. 19. O nível de garantia do volume outorgado para cada usuário será de no mínimo
oitenta por cento, quando o plano de recursos hídricos da bacia hidrográfica não
adotar outro valor para o corpo hídrico considerado.

Parágrafo único. A SEMARH estabelecerá o volume outorgável, sazonalmente, em


cada corpo hídrico, em função do nível de garantia.

(NR)

X - o caput do art. 21:

Art. 21. A outorga de direito de uso de recursos hídricos efetivar-se-á por ato do
Secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos.

(...)” (NR)

XI - o Art. 22:

Art. 22. O requerimento de outorga de direito de uso de recursos hídricos será feito,
por escrito, e dirigido à autoridade outorgante e instruído, no mínimo, com as seguintes
informações:

I - identificação do requerente mediante apresentação dos documentos de carteira de


identidade (RG) e Cadastro de Pessoa Física - CPF, se pessoa física; ou dados do
Contrato Social ou Ato Constitutivo e Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ,
se pessoa jurídica;

II - localização geográfica do ponto de captação, de lançamento ou de estrutura


hidráulica, com indicação do manancial que está sendo captado e o
georreferenciamento, por meio de suas coordenadas em sistema a ser definido por
ato da SEMARH;

III - especificação dos tipos de usos e finalidades previstos para a água; e

IV - comprovação do recolhimento dos emolumentos de registro da outorga


(correspondentes ao ressarcimento dos custos dos serviços de publicação no Diário
Oficial do Estado, tramitação e análise do requerimento, de acordo com os
procedimentos e valores fixados pelo Poder Público Outorgante).

Parágrafo único. A critério da SEMARH poderão ser exigidos documentos ou


esclarecimentos complementares àqueles estabelecidos por este Decreto.” (NR)

XII - o caput do art. 24:

173
Art. 24. A SEMARH manterá registro das outorgas emitidas, contendo, para cada
corpo hídrico ou aquífero/sistema aquífero, no mínimo:(...) (NR)

XIII - o caput do art. 26:

Art. 26. O outorgado interessado em renovar a outorga deverá apresentar


requerimento à SEMARH.

(...) (NR)

XIV - o caput do art. 27:

Art. 27. O usuário que pretender transferir a outorga de direito de uso de recursos
hídricos deverá comunicar previamente à SEMARH para que obtenha sua anuência.
(...)(NR)

XV - o caput do art. 28:

Art. 28. Quando não houver disponibilidade num corpo hídrico, o Comitê de Bacia
Hidrográfica ou, na falta deste, a SEMARH poderá instituir regime de racionamento
de água pelo período que se fizer necessário. (...) (NR)

XVI - o art. 31:

Art. 31. A fiscalização do cumprimento deste Decreto e das normas dele decorrentes
será exercida pela SEMARH, por meio de seus agentes ou de entidades a que delegar
o gerenciamento dos recursos hídricos estaduais.

(NR)

XVII - o art. 34:

Art. 34. Enquanto não forem aprovados os Planos de Recursos Hídricos, a outorga
de direito de uso de recursos hídricos será decidida pela SEMARH, de acordo com
este Decreto e com os critérios gerais estabelecidos pelo Conselho Estadual de
Recursos Hídricos. (NR)

Art. 2º O Decreto Estadual nº 06, de 2001, passa a vigorar acrescido dos dispositivos
adiante indicados com a seguinte redação:

I - o inciso XXIII ao art. 4º:

Art. 4º Para efeito deste decreto são adotadas as seguintes definições:

(...)

174
XXIII - vazão regularizada: quantidade média anual de água que pode ser fornecida
por um reservatório/açude com uma determinada segurança de tempo de utilização.
(AC)

II - o art. 7º-A ao Capítulo III:

Art. 7º-A A SEMARH poderá emitir outorgas preventivas de uso de recursos


hídricos com a finalidade de declarar a disponibilidade de água para os usos
requeridos, observado o disposto no art. 18 da Lei Estadual no 5.965, de 1997.

§ 1º A outorga preventiva não confere direito de uso de recursos hídricos e se destina


a reservar a vazão passível de outorga, possibilitando, aos investidores, o
planejamento de empreendimentos que necessitem desses recursos.

§ 2º O prazo de validade da outorga preventiva será fixado levando-se em conta a


complexidade do planejamento do empreendimento, limitando-se ao máximo de 03
(três) anos. (AC)

III - as alíneas c e d ao inciso I e a alínea c ao inciso II, ambos do caput, e os §§ 1º, 2º


e 3º ao art. 15:

Art. 15. A disponibilidade hídrica será avaliada em função das características


hidrológicas da bacia hidrográfica ou hidrogeológicas do aquífero ou sistema aquífero
onde incida a outorga, observando-se, ainda, o seguinte:

I - quando se tratar de água superficial: (...)

c) a vazão de referência será 90% (noventa por cento) da vazão regularizada, no caso
da existência de barramentos implantados em mananciais perenes; e

d) a vazão de referência será 95% (noventa por cento) da vazão regularizada, no caso
da existência de barramentos implantados em mananciais intermitentes.

II - quando se trata de água subterrânea, o referencial quantitativo deverá levar em


conta: (...)

c) a interferência provocada pelo poço em regime de bombeamento com outros poços


circunvizinhos.

§ 1º Nos casos de abastecimento humano, os limites descritos nas alíneas

b e c do inciso I do caput deste artigo poderão atingir até 95% (noventa e cinco por
cento).

§ 2º Nenhum usuário individualmente receberá autorização acima de 35% (trinta e


cinco por cento) da vazão de referência de determinado manancial.

175
§ 3º No caso do inciso I do caput deste artigo, a vazão remanescente de 10% (dez por
cento) das vazões regularizadas deverá escoar para jusante, por descarga de fundo
ou por qualquer outro dispositivo que não inclua bombas de recalque.” (AC)

IV - o parágrafo único ao art. 21:

Art. 21. A outorga de direito de uso de recursos hídricos efetivar-se-á por ato do
Secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos.

Parágrafo único. O outorgado poderá disponibilizar ao Poder Público Outorgante, por


prazo igual ou superior a 01 (um) ano, vazão parcial ou total de seu direito de uso de
recursos hídricos, devendo o Poder Público Outorgante emitir novo ato administrativo
relativo a este fim. (AC)

V - o § 2º ao art. 26, renumerando-se o parágrafo único para § 1º:

Art. 26. O outorgado interessado em renovar a outorga deverá apresentar


requerimento à SEMARH. (...)

§ 2º A renovação da Outorga de Uso de Recursos Hídricos requerida com


antecedência mínima de 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de
validade, fixado na respectiva outorga, tornar-se-á automaticamente prorrogada até a
manifestação definitiva da SEMARH.” (AC)

Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO REPÚBLICA DOS PALMARES, em Maceió, 18 de julho de 2016, 200º da


Emancipação Política e 128º da República.

José Renan Vasconcelos Calheiros Filho


Governador

176
4.6. Decreto n. 49.420, de 18 de julho de 2016

“Regulamenta a fiscalização da outorga de direito de uso de recursos hídricos,


prevista na lei estadual nº 5.965, de 10 de novembro de 1997, que dispõe sobre a
política estadual de recursos hídricos, institui o sistema estadual de gerenciamento
integrado de recursos hídricos, e dá outras providências” 103 104 .

103
Disponível em: http://www.semarh.al.gov.br/institucional/legislacaodocumentos/Decreto49419.pdf

104
Nota: Outorga Alagoas - http://www.semarh.al.gov.br/recursos-hidricos/outorga

177
5. PERNAMBUCO

5.1. Lei nº. 12984, de 17 de janeiro de 1997

“Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema Integrado de


Gerenciamento de Recursos Hídricos, e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO:

Faço saber que a Assembleia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema
Integrado de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, previstos no artigo 220 da
Constituição Estadual.

TÍTULO I
DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I
DOS FUNDAMENTOS

Art. 2º A Política Estadual de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes


fundamentos:

I - a água é um bem de domínio público;

II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico, social e


ambiental;

III - em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo


humano e a dessedentação de animais;

IV - a gestão dos recursos hídricos deve proporcionar o uso múltiplo das águas;

V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos e para atuação do Sistema Estadual de Gerenciamento de
Recursos Hídricos;

VI - a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a


participação do Poder Público, dos usuários e das organizações da sociedade civil,
considerando os aspectos quantitativo e qualitativo das fases meteórica, superficial e
subterrânea do ciclo hidrológico;

VII - o acesso aos recursos hídricos é um direito de todos;

178
VIII - a compatibilização do gerenciamento dos recursos hídricos com o
desenvolvimento regional e local, bem como com a proteção ambiental;

IX - a prevenção e a defesa em face dos eventos hidrológicos críticos de origem


natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais; e

X - a integração das ações estaduais, bem como a articulação com os municípios e a


União, com vistas à associação de suas iniciativas no planejamento dos usos das
águas.

Parágrafo único. As situações de escassez previstas no inciso III, deste artigo,


deverão ser reconhecidas por ato do Governador do Estado.

CAPÍTULO II
DOS OBJETIVOS

Art. 3º São objetivos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade dos recursos


hídricos;

II - assegurar que a água seja protegida, utilizada e conservada, em níveis e padrões


adequados de quantidade e qualidade, por seus usuários atuais e futuros, em todo o
território do Estado de Pernambuco, garantindo as condições para o desenvolvimento
econômico e social, bem como para melhoria da qualidade de vida e o equilíbrio do
meio ambiente; e

III - utilizar racionalmente e de forma integrada os recursos hídricos, com vistas ao


desenvolvimento sustentável.

CAPÍTULO III
DAS DIRETRIZES

Art. 4º Constituem diretrizes gerais de ação para implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos:

I - a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos aspectos de


quantidade e qualidade, bem como sua adequação às diversidades físicas, bióticas,
demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas regiões do Estado;

II - a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

179
III - a articulação da gestão dos recursos hídricos com a dos setores usuários e com
os planejamentos regional, municipal, estadual e nacional;

IV - a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso e ocupação do solo;

V - a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos,


costeiros e de áreas legalmente protegidas;

VI - a atuação preventiva e de mitigação de eventos críticos, como secas e cheias; e

VII - a maximização dos benefícios econômicos e sociais resultantes do


aproveitamento múltiplo dos recursos hídricos e minimização dos impactos
ambientais.

CAPÍTULO IV
DOS INSTRUMENTOS

Art. 5º São instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - os planos diretores de recursos hídricos;

II - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos


preponderantes da água;

III - a outorga do direito de uso de recursos hídricos;

IV - a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

V - o sistema de informações de recursos hídricos;

VI - a fiscalização do uso de recursos hídricos; e

VII - o monitoramento dos recursos hídricos.

SEÇÃO I
Dos Planos Diretores de Recursos Hídricos

Art. 6º Os Planos Diretores de Recursos Hídricos são de médio e longo prazos, com
horizonte de planejamento compatível com o período de implantação de seus
programas e projetos, e terão o seguinte conteúdo mínimo:

I - diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos;

180
II - análise das dinâmicas demográficas, de evolução de atividades produtivas e de
modificações dos padrões de ocupação do solo;

III - balanço entre disponibilidades e demandas atuais e futuras dos recursos hídricos,
em quantidade e qualidade, com identificação de conflitos potenciais;

IV - metas de conservação e recuperação de mananciais, racionalização de uso da


água, aumento da quantidade e melhoria da qualidade dos recursos hídricos;

V - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem


implantados, para o atendimento das metas previstas, com respectivo cronograma de
execução e programação orçamentária;

VI - prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos;

VII - diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso de recursos hídricos; e

VIII - propostas para a criação de áreas sujeitas à restrição de uso, com vistas à
proteção dos recursos hídricos.

Art 7º Os Planos Diretores de Recursos Hídricos serão elaborados por bacia


hidrográfica, por grupos de bacias e para todo o Estado, com envolvimento e
aprovação dos respectivos COBHs, bem como assegurada a efetiva participação dos
municípios e da sociedade civil organizada.

Art 8º Os Planos Diretores de Recursos Hídricos deverão ser compatibilizados com


as diretrizes e parâmetros estabelecidos no Plano Estadual de Recursos Hídricos -
PERH e nas Políticas Estaduais de Recursos Hídricos e Meio Ambiente.

SUBSEÇÃO ÚNICA
Do Plano Estadual de Recursos Hídricos

Art. 9º O Plano Estadual de Recursos Hídricos - PERH, devidamente compatibilizado


com os planos de desenvolvimento econômico, social e ambiental da União, do
Estado de Pernambuco e dos Municípios, estabelecerá as diretrizes e critérios gerais
para o gerenciamento dos recursos hídricos no Estado levando em conta, os
seguintes elementos:

I - objetivos e diretrizes de ações conjugadas do Estado e dos municípios com relação


ao aproveitamento múltiplo, controle, conservação, proteção e recuperação dos
recursos hídricos;

II - o processo de planejamento interativo das ações e intervenções, resultante de


discussão dos planos regionais, municipais e setoriais do uso da água;

181
III - o monitoramento hidroclimático, zoneamento das disponibilidades hídricas
efetivas, os usos prioritários e a previsão dos impactos ambientais advindos do
conjunto de programas e projetos propostos;

IV - os programas de desenvolvimento institucional, tecnológico e gerencial, de


valorização profissional e de comunicação social no campo dos recursos hídricos;

V - compatibilização das questões de interbacias e consolidação dos programas


anuais e plurianuais das bacias hidrográficas;

VI - o desenvolvimento de tecnologia e legislação específica para as peculiaridades


do semi-árido;

VII - as normas relativas à proteção do meio ambiente; e

VIII - as diretrizes e critérios para a participação financeira do Estado no fomento de


programas, definidos mediante articulação institucional, técnica e financeira com a
União, os estados vizinhos, os municípios e entidades internacionais de cooperação.

Art. 10. O PERH terá caráter de plurianualidade, devendo ser atualizado, no mínimo,
a cada quatro anos.

§ 1º O PERH será aprovado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CRH até
o final do segundo ano de mandato do Governador.

§ 2º O PERH deverá estar contido no Plano Plurianual de Desenvolvimento do Estado


de forma a assegurar a integração setorial e geográfica dos diferentes setores da
economia e das regiões.

§ 3º Os dispêndios financeiros para elaboração e implantação do PERH deverão


constar das leis sobre o Plano Plurianual de Desenvolvimento do Estado, Diretrizes
Orçamentárias e Orçamento Anual do Estado.

Art. 11. Constarão do PERH as unidades de bacias hidrográficas, com dimensões e


características que permitam e justifiquem o gerenciamento descentralizado dos
recursos hídricos na forma de comitê.

SEÇÃO II
Do Enquadramento dos Corpos de Água em Classes

Art. 12. O enquadramento dos corpos de água em classes estabelece os padrões de


qualidade das águas compatíveis com os usos a que forem destinadas, subsidiando
os processos de licenciamento ambiental e de outorga de direito de uso de recursos
hídricos.

182
Art. 13. O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos
preponderantes, deverá ser compatível com os objetivos e metas de qualidade
ambiental definidos pelos respectivos Planos Diretores de Recursos Hídricos.

Art. 14. As classes de corpos de água serão estabelecidas nos termos da legislação
ambiental.

Art. 15. As Agências de Bacia, no âmbito de sua área de atuação, proporão aos
respectivos COBHs o enquadramento de corpos de água em classes segundo os usos
preponderantes, com base nas respectivas legislações de recursos hídricos e
ambiental, para posterior aprovação pelo CRH.

Parágrafo único. Na ausência de Agência de Bacia, as propostas serão elaboradas


pelo órgão gestor de recursos hídricos em conjunto com o órgão de meio ambiente.

SEÇÃO III
Da Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos

Art. 16. Estão sujeitos à outorga pelo Poder Público os seguintes direitos de uso de
recursos hídricos, independentemente da natureza pública ou privada dos usuários:

I - derivação ou captação de parcela de água existente em manancial de águas,


superficiais ou subterrâneas, inclusive abastecimento público ou insumo de processo
produtivo;

II - lançamento, em corpo de água, de esgotos domésticos e industriais e demais


resíduos líquidos ou gasosos com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final;

III - aproveitamento de potenciais hidrelétricos; e

IV - outros usos, obras e ações que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da


água, o leito e margens de corpos de água, mesmo que temporariamente.

Art. 17. Independem de outorga pelo Poder Público as derivações, captações,


acumulações, obras e lançamentos considerados insignificantes quanto aos seus
impactos.

§ 1º Caberá ao CRH definir os critérios e quantitativos referidos neste artigo, devendo


ser ouvidos os COBHs respectivos.

§ 2º Os usos que se enquadrarem neste artigo deverão, obrigatoriamente, ser


cadastrados junto ao órgão gestor, que emitirá documento próprio para a
regularização dos respectivos usos.

183
Art. 18. São modalidades de outorga:

I - concessão administrativa, quando a água destinar-se a uso de utilidade pública; e

II - autorização administrativa, quando a água destinar-se a outras finalidades.

Parágrafo único. A outorga será concedida mediante a aprovação do projeto de


utilização de recursos hídricos, apresentado pelo requerente, compatibilizado com o
licenciamento ambiental e com as prioridades estabelecidas nos Planos Diretores de
Recursos Hídricos e em outros dispositivos regulamentares federais e estaduais
incidentes.

Art. 19. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser cancelada, revista,
suspensa parcial ou totalmente, nas seguintes circunstâncias:

I - não cumprimento pelo outorgado dos termos e condições expressos no ato da


outorga;

II - ausência de uso por três anos consecutivos;

III - necessidade premente de água para atender a situações de escassez, consoante


disposto no parágrafo único do artigo 2º; ou

IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental.

Art. 20. Toda outorga de direito de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não
excedente a 30 (trinta) anos, podendo ser renovada.

Art. 21. O processo de licenciamento ambiental e outorga de direito de uso dos


recursos hídricos far-se-á de forma unificada.

SEÇÃO IV
Da Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos

Art. 22. O uso de recursos hídricos sujeito à outorga será objeto de cobrança, que visa
a:

I - conferir racionalidade econômica ao uso dos recursos hídricos;

II - disciplinar a localização dos usuários, buscando a conservação dos recursos


hídricos de acordo com sua classe preponderante de uso;

III - incentivar a melhoria do gerenciamento das bacias hidrográficas onde forem


arrecadados;

184
IV - obter recursos financeiros para implementação de programas e intervenções
contemplados em Plano Diretor de Recursos Hídricos;

V - proporcionar incentivos à recuperação e a preservação de áreas legalmente


protegidas; e

VI - dispor meios para as ações dos componentes do SIGRH/PE.

Art. 23. Compete ao órgão gestor de recursos hídricos implantar a cobrança pelo uso
da água, ou delegar essa atribuição às Agências de Bacia, cabendo aos COBHs
propor os valores a serem cobrados e ao CRH sua homologação.

Parágrafo único. Na ausência de COBHs, caberá ao órgão gestor de recursos


hídricos propor os valores a serem cobrados.

Art. 24. A cobrança pela utilização dos recursos hídricos será instituída por lei e
regulamentada por decreto, obedecendo aos seguintes critérios: (Redação alterada
pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de 2010.)

I - a cobrança pelo uso ou derivação considerará:

a) a classe de uso preponderante em que esteja enquadrado o corpo de água onde


se localiza o uso ou derivação;

b) a disponibilidade hídrica da totalidade ou do trecho de Bacia Hidrográfica;

c) o grau de regularização assegurado por obras hidráulicas;

d) a vazão captada e seu regime de variação;

e) o consumo efetivo e a finalidade a que se destina; e

f) a vazão outorgada;

II - a cobrança pela diluição, transporte e assimilação de efluentes de sistemas de


esgotos e de outros líquidos de qualquer natureza, considerará:

a) a classe de uso em que esteja enquadrado o corpo de água receptor;

b) o grau de regularização assegurado por obras hidráulicas; e

c) a carga lançada e seu regime de variação, ponderando-se, dentre outros, os


parâmetros biológicos e físico-químicos dos efluentes e a natureza da atividade
responsável pelos mesmos.

185
§ 1º De acordo com o previsto no inciso II deste artigo, os responsáveis pelos
lançamentos ficam ainda obrigados ao cumprimento das normas e padrões
estabelecidos, relativos ao controle da poluição das águas.

§ 2º A Lei prevista no caput deste artigo poderá estabelecer formas de bonificação,


incentivos e isenções para investimentos já realizados.

Art. 25. A utilização dos recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica
reger-se-á pela legislação federal pertinente.

Art. 26. As aplicações dos recursos arrecadados atenderão às seguintes condições:


(Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de 2010.)

I - os valores resultantes da cobrança dos recursos hídricos serão aplicados,


prioritariamente, na bacia hidrográfica em que forem arrecadados, com aprovação do
respectivo COBH, observado o seguinte: (Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº
14.028, de 26 de março de 2010.)

a) até 30% (trinta por cento) da arrecadação poderá ser aplicada em outras bacias
hidrográficas a critério do CRH; (Acrescida pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de
março de 2010.)

b) até 7,5% (sete e meio por cento) da arrecadação poderá ser aplicado para
implantação e custeio da APAC; (Acrescida pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de
março de 2010.)

c) até 5% (cinco por cento) da arrecadação poderá ser aplicado para cobrir despesas
de custeio dos COBH’s. (Acrescida pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de
2010.)

II - Até 30% (trinta por cento) da arrecadação a que se refere o inciso I poderão ser
aplicados em outras Bacias hidrográficas a critério do CRH, consultado os respectivos
COBHs.

SEÇÃO V
Do Sistema de Informações de Recursos Hídricos - SIRH

Art. 27. O Sistema de Informações de Recursos Hídricos - SIRH é um sistema Público


de coleta, tratamento, armazenamento, recuperação e difusão de informações sobre
recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão.

Art. 28. São princípios básicos para o funcionamento do SIRH:

I - descentralização da obtenção e produção de dados e informações;

186
II - coordenação pelo órgão gestor dos recursos hídricos do Estado;

III - acesso aos dados e informações garantido à toda a sociedade;

IV - integração com o Sistema Estadual de Informações de Meio Ambiente; e

V - integração com os Sistemas Nacionais de Informações sobre Recursos Hídricos e


de Meio Ambiente.

Art. 29. São objetivos do SIRH:

I - reunir, dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situação


qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no Estado de Pernambuco e outras
informações relevantes para o seu gerenciamento;

II - atualizar, permanentemente, as informações sobre disponibilidade e demanda de


recursos hídricos em todo o território do Estado;

III - fornecer subsídios para a elaboração dos Planos Diretores de Recursos Hídricos;

IV - apoiar as ações e atividades de gerenciamento de recursos hídricos no Estado de


Pernambuco e as atuações dos componentes do SIGRH/PE;

V - subsidiar a gestão ambiental no Estado de Pernambuco; e

VI - estabelecer diretrizes e padronizações necessárias à integração das bases de


dados dos diversos órgãos federais, estaduais e municipais que lidem com águas
meteóricas, superficiais e subterrâneas com obras de recursos hídricos no âmbito do
Estado de Pernambuco.

Art. 30. Os dados gerados pelos órgãos do Sistema Integrado de Gerenciamento de


Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco - SIGRH/PE serão incorporados ao
SIRH.

SEÇÃO VI
Da Fiscalização do Uso de Recursos Hídricos

Art. 31. O órgão gestor de recursos hídricos e o de meio ambiente, no âmbito das
respectivas atribuições, fiscalizarão o uso e aproveitamento das águas superficiais e
subterrâneas.

Art. 32. Às autoridades competentes cabe:

I - supervisionar, controlar e avaliar as atividades decorrentes do cumprimento da


legislação pertinente;
187
II - fiscalizar, com poder de polícia, os usos dos recursos hídricos nos corpos de água
de domínio do Estado, lavrando os competentes instrumentos; e

III - fiscalizar as condições de operação de reservatórios por agentes públicos e


privados, visando a garantir o uso múltiplo dos recursos hídricos, conforme
estabelecido nos Planos Diretores de Recursos Hídricos das respectivas bacias
hidrográficas e nos aproveitamentos hidrelétricos, em articulação com os
componentes do SIGRH/PE e o Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS.

Art. 33. O titular da outorga de direito de uso de recursos hídricos é obrigado a instalar
e manter em perfeito funcionamento os equipamentos de medição, bem como efetuar
e disponibilizar os registros de vazões captadas e de vazões e características dos
lançamentos de despejos efluentes líquidos, conforme estabelecido no ato de outorga.

Art. 34. Fica assegurado aos fiscais, o livre acesso aos locais em que estiverem
situadas as captações ou onde forem executados serviços ou obras.

SEÇÃO VII
Do Monitoramento dos Recursos Hídricos

Art. 35. O órgão gestor de recursos hídricos e o de meio ambiente, no âmbito das suas
atribuições, monitorarão os recursos hídricos meteóricos, superficiais e subterrâneos
devendo o Estado, para tanto, modernizar, expandir e manter a rede
hidrometeorológica.

Art. 36. Fica assegurado aos técnicos das entidades monitoradoras, o livre acesso às
informações e aos locais onde forem instaladas estações de observação.

TÍTULO II
DO SISTEMA INTEGRADO DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS
DO ESTADO DE PERNAMBUCO - SIGRH/PE

CAPÍTULO I
DA FINALIDADE, OBJETIVOS E ATRIBUIÇÕES

Art. 37. O Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado de


Pernambuco - SIGRH/PE tem por finalidade formular, atualizar, aplicar, coordenar e
executar a Política Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 38. São objetivos do SIGRH/PE:

188
I - coordenar a gestão integrada dos recursos hídricos;

II - arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos;

III - implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos;

IV - planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos


hídricos; e

V - fornecer dados atualizados ao SIRH.

Art. 39. O SIGRH/PE tem como atribuições:

I - atuar em estreita articulação e cooperação técnico-operacional com o Sistema


Estadual de Meio Ambiente e com os órgãos dele integrantes, de modo a
compatibilizar e articular suas ações tendo em vista o cumprimento das diretrizes,
metas e prioridades estabelecidas para as ações governamentais;

II - promover o desenvolvimento organizacional privilegiando a articulação operacional


e o aprimoramento dos recursos humanos dos componentes do Sistema;

III - promover a adequação e criação de novos instrumentos de gestão de recursos


hídricos;

IV - viabilizar o desenvolvimento e disseminação de práticas de uso adequado dos


recursos hídricos; e

V - tornar públicos os dados processados.

CAPÍTULO II
DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

SEÇÃO I
Da Composição Básica

Art. 40. O SIGRH/PE tem a seguinte composição:

I - Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CRH;

II - Comitês de Bacia Hidrográfica - COBHs;

III - Órgão gestor de recursos hídricos do Estado;

IV - Órgãos executores do SIGRH/PE;


189
V - Organizações civis de recursos hídricos; e

VI - Agências de Bacia.

Parágrafo único. A composição, organização e competência do SIGRH/PE


encontram-se definidas na presente Lei e em seus regulamentos próprios.

SUBSEÇÃO I
Do Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CRH

Art. 41. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CRH, órgão superior deliberativo
e consultivo do Sistema, é composto por:

I - representantes do Poder Executivo Federal, Estadual e Municipal;

II - representante da Assembleia Legislativa Estadual;

III - representantes de entidades da sociedade civil relacionadas com recursos


hídricos;

IV - representantes de organizações de usuários de recursos hídricos; e

V - representante dos Comitês de Bacia Hidrográfica.

§ 1º A representação de instituições do Poder Público, de que trata este artigo, será


paritária em relação à totalidade dos representantes dos demais segmentos.

§ 2º A indicação dos representantes, titulares e suplentes, referidos nos incisos do


caput deste artigo, será efetuada pelos respectivos segmentos.

Art. 42. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos-CRH será gerido pela: (Redação
alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de 2010.)

I - Presidência, cujo Presidente será o titular da Secretaria de Recursos Hídricos e


Energéticos; (Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de
2010.)

II - Secretaria Executiva, cujo titular será o Secretário Executivo de Recursos Hídricos


da SRHE. (Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de 2010.)

Art. 43. Poderão participar do CRH, na qualidade de membros especiais, sem direito
a voto, representantes do Poder Público e da sociedade civil, na forma a ser definida
em regulamento.

190
Art. 44. Ao CRH compete o desempenho das seguintes funções e atribuições, dentre
outras que vierem a ser definidas no regulamento:

I - discutir e aprovar o PERH;

II - opinar sobre as propostas dos projetos de leis referentes ao Plano Plurianual de


Investimentos, às Diretrizes Orçamentárias e ao Orçamento Anual do Estado, no que
concerne aos recursos hídricos;

III - exercer funções normativas e deliberativas relativas à formulação, implantação,


execução, controle, monitoramento e avaliação da Política Estadual de Recursos
Hídricos;

IV - aprovar o planejamento dos programas e projetos anuais e plurianuais de


aplicação de recursos públicos nas atividades de que trata a presente Lei;

V - estabelecer os critérios e procedimentos de rateio, entre os beneficiados, dos


custos das obras e investimentos públicos referentes ao uso múltiplo dos recursos
hídricos ou de seu aproveitamento para fins econômicos;

VI - dirimir quaisquer conflitos de competência entre os órgãos componentes do


SIGRH/PE e entre usuários, em última instância;

VII - julgar os recursos administrativos interpostos das decisões dos órgãos


competentes do SIGRH/PE;

VIII - aprovar o Plano de Aplicação dos recursos do Fundo Estadual de Recursos


Hídricos - FEHIDRO e suas prestações de contas;

IX - homologar a criação dos COBHs;

X - habilitar, para participação na gestão de recursos hídricos do Estado, as


organizações civis previstas nesta Lei;

XI - definir as derivações, captações, acumulações, obras e lançamentos


considerados usos insignificantes, quanto aos seus impactos;

XII - deliberar por meio de resolução, proposição, recomendação e moção;

XIII - deliberar, através de resolução conjunta com outro Conselho, em assuntos de


interesse mútuo;

XIV - criar Câmaras Técnicas e Grupos de Trabalho, visando a discutir e a encaminhar


ações sobre temas de interesse do CRH;

191
XV - acompanhar a elaboração e execução do PERH e determinar as providências
necessárias ao cumprimento de suas metas;

XVI - homologar o enquadramento dos corpos de água aprovados pelos COBHs ou


pelo órgão de recursos hídricos e de meio ambiente, quando couber;

XVII - aprovar os valores a serem cobrados pelo uso da água;

XVIII - opinar sobre toda e qualquer proposta legislativa relacionada com a água;

XIX - delegar competências e atribuições aos COBHs, sempre que julgar conveniente;
e

XX - dispor sobre seu regimento interno.

SUBSEÇÃO II
Dos Comitês de Bacia Hidrográfica - COBHS

Art. 45. Os Comitês de Bacia Hidrográfica - COBHs terão como área de atuação:

I - a totalidade de uma bacia hidrográfica;

II - a totalidade de uma sub-bacia hidrográfica tributária do curso de água principal da


bacia; e

III - grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas.

Art. 46. Os COBHs serão compostos por: (Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº
14.028, de 26 de março de 2010.)

I - representantes dos Poderes Executivos da União, do Estado e dos Municípios,


inseridos na área da bacia hidrográfica respectiva, correspondendo a, no mínimo 20%
(vinte por cento) e, no máximo, a 40% (quarenta por cento) do total de membros;
(Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de 2010.)

II - representantes de entidades civis, correspondendo a, no mínimo, 20% (vinte por


cento), e a, no máximo 40% (quarenta por cento) do total de membros, cabendo a sua
escolha e indicação por: (Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de
março de 2010.)

a) universidades, institutos de ensino superior e entidades de pesquisa e


desenvolvimento tecnológico; e (Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de
26 de março de 2010.)

192
b) organizações sociais e não governamentais com atuação em recursos hídricos,
previstas nesta Lei; (Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março
de 2010.)

III – usuários de recursos hídricos, correspondendo a 40% (quarenta por cento) dos
membros. (Redação alterada pelo art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de 2010.)

§ 1º Nos COBHs de bacias cujos territórios abranjam terras indígenas e de


remanescentes de quilombos devem ser incluídos representantes:

I - dos órgãos gestores nacionais das comunidades indígenas e de quilombolas, como


parte da representação da União;

II - das comunidades indígenas ali residentes; e

III - das comunidades de remanescentes de quilombos ali residentes.

§ 2º Os estatutos e regimentos dos COBHs fixarão o número de representantes


mencionados neste artigo, bem como os critérios para sua indicação, de modo a
garantir a mais ampla representação dos interesses relacionados com os recursos
hídricos da bacia.

§ 3º Os COBHs serão dirigidos por 01 (um) Presidente, 01(um) Vice Presidente e 01


(um) Secretário Executivo, eleitos por maioria absoluta de seus membros, para um
mandato de 03 (três) anos, renovável por mais um mandato. (Redação alterada pelo
art. 30 da Lei nº 14.028, de 26 de março de 2010.)

§ 4º A cada representante nominado neste artigo corresponderá um suplente,


igualmente indicado pelo segmento representado.

§ 5º As reuniões dos COBHs serão abertas ao público com direito a voz.

Art. 47. Os COBHs, colegiados consultivos e de deliberação, deverão exercer as


atribuições seguintes:

I - aprovar o estatuto social e o regimento interno do respectivo Comitê;

II - participar da elaboração e acompanhar a execução do Plano Diretor de Recursos


Hídricos respectivo, assim como programas de ações para atendimento de situações
críticas;

III - aprovar o Plano Diretor de Recursos Hídricos respectivo, submetendo ao CRH


para homologação;

IV - apreciar as propostas dos programas anuais e plurianuais de aplicação de


recursos financeiros em serviços e obras de interesse para o gerenciamento dos

193
recursos hídricos na bacia, que sejam compatíveis com o Plano Diretor de Bacia
Hidrográfica respectivo;

V - aprovar as propostas para o plano de utilização, conservação, proteção e


recuperação dos recursos hídricos da bacia hidrográfica, promovendo a divulgação e
debates;

VI - aprovar o enquadramento dos corpos de água em classe de uso preponderante e


encaminhar ao CRH para homologação;

VII - promover o entendimento e relações de cooperação entre os usuários de


recursos hídricos, exercendo, quando necessário, funções de arbitramento e
conciliação nos casos de conflito de interesses, em primeira instância de decisão;

VIII - promover a divulgação e debates na região dos programas, serviços e obras a


serem realizadas de interesse da comunidade, apresentando metas, benefícios,
custos e riscos sociais, ambientais e financeiros;

IX - efetuar mediante delegação da autoridade outorgante, por intermédio das


Agências de Bacia dos COBHs, a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

X - propor ao CRH critérios e quantitativos para isenção de outorgas;

XI - propor ao CRH valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos na bacia,
na ausência de Agência de Bacias;

XII - criar Câmaras Técnicas e Grupos de Trabalho; e

XIII - exercer outras ações, atividades e funções estabelecidas em lei, regulamento ou


decisão do CRH, compatíveis com a gestão de recursos hídricos.

SUBSEÇÃO III

Do Órgão Gestor de Recursos Hídricos do Estado

Art. 48. O órgão gestor dos recursos hídricos do Estado é o órgão gestor do
SIGRH/PE, a quem compete exercer diretamente e/ou através de suas entidades
vinculadas, entre outras atividades, as seguintes atribuições:

I - cumprir e fazer cumprir toda a legislação que disciplina a proteção e uso dos
recursos hídricos no Estado de Pernambuco;

II - efetuar a revisão periódica do PERH;

194
III - coordenar o processo de elaboração, revisão periódica e implementação dos
Planos Diretores de Recursos Hídricos inseridos no âmbito de competência das
respectivas Agências de Bacia, na ausência das mesmas;

IV - gerir o SIRH, coordenando a produção e divulgação das informações;

V - coordenar, acompanhar e monitorar planos, programas, projetos e ações


governamentais no âmbito dos recursos hídricos;

VI - promover a integração e atuação coordenada dos órgãos e entidades


componentes do SIGRH/PE, bem como a articulação destes com os demais sistemas
governamentais, com o setor privado e com a sociedade civil;

VII - proceder aos estudos técnicos necessários e elaborar as propostas


orçamentárias de custeio e financiamento das atividades do SIGRH/PE para inclusão
nos projetos das leis do Plano Plurianual, das Diretrizes Orçamentárias e do
Orçamento Anual do Estado e da União;

VIII - representar o SIGRH/PE no âmbito das suas relações frente a órgãos, entidades
e instituições, públicas ou privadas, nacionais, estrangeiras e internacionais, inclusive
para fins de celebração de instrumentos legais;

IX - outorgar, em nome do Estado, o direito de uso das águas superficiais e


subterrâneas;

X - fiscalizar o uso dos recursos hídricos e aplicar as sanções administrativas cabíveis,


previstas nesta Lei e em regulamentos próprios;

XI - definir a operação de obras de aproveitamento múltiplo dos recursos hídricos e


de interesse comum, com rateio de custos entre os setores beneficiados, mediante
instrumento legal com instituições componentes do SIGRH/PE;

XII - promover a integração dos aspectos quantitativo e qualitativo do gerenciamento


dos recursos hídricos;

XIII - elaborar em conjunto com o órgão ambiental proposições para o enquadramento


dos corpos de água em classes de uso preponderante para aprovação no COBH
respectivo, na ausência de Agência de Bacia;

XIV - assegurar a operação e manutenção da rede estadual hidrometeorológica e da


qualidade da água, em articulação com as instituições componentes do SIGRH/PE;

XV - promover treinamento e capacitação de recursos humanos necessários ao


gerenciamento de recursos hídricos;

195
XVI - administrar o Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FEHIDRO, submetendo o
Plano de Aplicação dos recursos e as prestações de contas ao CRH;

XVII - implantar a cobrança pelo uso da água;

XVIII - presidir o CRH;

XIX - gerir o SIGRH/PE; e

XX - prestar apoio de natureza técnica-administrativa ao CRH e aos demais


componentes do SIGRH/PE, quando necessário.

SUBSEÇÃO IV
Dos Órgãos Executores do SIGRH/PE

Art. 49. São Órgãos executores do SIGRH/PE as instituições do Poder Público


Federal, Estadual e Municipal, cujas competências se relacionem com recursos
hídricos.

Art. 50. Compete aos Órgãos Executores do SIGRH/PE:

I - implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos, no âmbito das respectivas


competências; e

II - participar dos processos de planejamento, monitoramento e implementação das


ações competentes no âmbito do SIGRH/PE.

SUBSEÇÃO V
Das Organizações Civis de Recursos Hídricos

Art. 51. Para os efeitos desta Lei, são consideradas organizações civis de recursos
hídricos:

I - consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas;

II - associações locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos;

III - organizações técnicas e de ensino e pesquisa com atuação na área de recursos


hídricos; e

IV - organizações afins reconhecidas pelo CRH;

196
V - organizações não governamentais com atuação na área de meio ambiente e
recursos hídricos.

Parágrafo único. Para integrar o SIGRH/PE as entidades mencionadas neste artigo


deverão ser legalmente constituídas e reconhecidas pelo CRH, observada a
legislação em vigor.

Art. 52. Compete às Organizações Civis de Recursos Hídricos, enquanto


componentes do SIGRH/PE, participar dos processos de planejamento,
monitoramento e acompanhamento de ações competentes no âmbito do referido
Sistema.

SUBSEÇÃO VI
Das Agências de Bacia Hidrográficas

Art. 53. As Agências de Bacia terão como área de atuação uma ou mais Bacias
Hidrográficas e exercerão a função de órgão executivo do respectivo ou respectivos
COBHs.

Art. 54. A criação das Agências de Bacia será autorizada pelo CRH, mediante
solicitação fundamentada de um ou mais COBHs, comprovada a sustentabilidade
financeira para o funcionamento da mesma, conforme estabelecido em
regulamentação própria.

Art. 55. Compete às Agências de Bacia, no âmbito de sua área de atuação:

I - elaborar e atualizar o Plano Diretor de Recursos Hídricos para apreciação do


respectivo ou respectivos COBHs;

II - manter balanço atualizado da disponibilidade de recursos hídricos em sua área de


atuação;

III - elaborar e manter atualizado o cadastro de usuários de recursos hídricos;

IV - efetuar, mediante delegação do outorgante, a cobrança pelo uso de recursos


hídricos e a administração dos recursos financeiros, de acordo com a programação
estabelecida pelo respectivo ou respectivos COBHs;

V - analisar e emitir pareceres sobre os projetos e obras a serem executados na sua


área de atuação;

VI - manter atualizado o SIRH em sua área de atuação;

197
VII - celebrar instrumentos legais, no âmbito de sua competência e contratar serviços
para a execução de seus objetivos;

VIII - elaborar a sua proposta orçamentária e submetê-la à apreciação do respectivo


ou respectivos COBHs;

IX - submeter, às autoridades competentes, as prestações de contas da administração


financeira dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos
em sua área de atuação;

X - promover os estudos necessários para a gestão dos recursos hídricos em sua área
de atuação; e

XI - propor ao respectivo ou respectivos COBHs:

a) o enquadramento dos corpos de água nas classes de uso, para homologação pelo
CRH;

b) os valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos;

c) o plano de aplicação dos recursos disponíveis; e

d) o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo.

TÍTULO III
DO FUNDO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS – FEHIDRO

CAPÍTULO I
DA GESTÃO DO FEHIDRO

Art. 56. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FEHIDRO é o instrumento de


suporte financeiro da Política Estadual de Recursos Hídricos e das ações dos
componentes do SIGRH/PE e obedecerá às seguintes condições:

I - o FEHIDRO será administrado pelo órgão gestor de recursos hídricos estadual; e

II - o Plano de Aplicação dos recursos do FEHIDRO e sua prestação de contas


deverão ser aprovados pelo CRH.

Art. 57. O órgão gestor do FEHIDRO poderá firmar instrumentos legais com:

I - órgãos e entidades da administração direta e indireta da União, dos Estados, do


Distrito Federal e dos Municípios do Estado;

II - organizações civis e não-governamentais, previstas nesta Lei;


198
III - fundações privadas sem fins lucrativos que atuem na área de recursos hídricos;
ou

IV - empresas privadas; e

V - componentes do SIGRH/PE.

Art. 58. O FEHIDRO reger-se-á pelas normas estabelecidas nesta Lei e em


regulamento próprio, e terá como agente financeiro instituição responsável pela
gestão da conta única do Estado.

Art. 59. Os recursos financeiros do FEHIDRO serão movimentados na conta única do


Estado, pelos ordenadores de despesa indicados pelo titular do órgão gestor de
recursos hídricos, em observância à legislação pertinente e às normas do referido
Fundo.

CAPÍTULO II
DOS RECURSOS DO FEHIDRO

Art. 60. Constituirão recursos do FEHIDRO:

I - os repasses do Estado e as transferências dos municípios, e aquelas destinadas


por disposição legal ou orçamentária;

II - as transferências da União e de outros Estados destinadas à execução de planos


e programas de recursos hídricos de interesse comum;

III - as receitas decorrentes da compensação financeira que o Estado ou municípios


transferir, com relação aos aproveitamentos hidroenergéticos em seus territórios;

IV - o produto da cobrança pela utilização de recursos hídricos;

V - as contribuições financeiras de entidades nacionais e internacionais;

VI - os recursos provenientes de ajuda e cooperação nacional e internacional e de


acordos entre governos;

VII - o produto de aplicações de multas cobradas dos infratores da legislação relativa


aos recursos hídricos;

VIII - os recursos decorrentes do rateio de custos referentes a obras de usos múltiplos


dos recursos hídricos ou de interesse comum ou coletivo;

IX - as doações de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, nacionais,


estrangeiras ou internacionais;
199
X - os recursos financeiros para financiamento e intervenções contemplados no Plano
Diretor de Recursos Hídricos da Bacia hidrográfica; e

XI - outros recursos.

Art. 61. Os créditos do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos de


que trata esta Lei, inclusive os decorrentes da cobrança pelo uso de recursos hídricos,
não pagos pelos respectivos responsáveis, serão inscritos, cobrados e executados,
com a observância da legislação em vigor, inerente à dívida ativa.

CAPÍTULO III
DAS APLICAÇÕES DO FEHIDRO

Art. 62. A aplicação de recursos financeiros do FEHIDRO seguirá as diretrizes da


Política Estadual de Recursos Hídricos.

Parágrafo único. Os recursos de que trata o art. 60 podem ser aplicados diretamente
por meio da programação anual de trabalho do órgão gestor do Sistema Integrado de
Gerenciamento de Recursos Hídricos. (Acrescido pelo art. 1º da Lei nº 15.332, de 25
de junho de 2014.)

Art. 63. Os recursos financeiros do FEHIDRO destinar-se-ão às seguintes aplicações:

I - financiamento às Instituições públicas e privadas, para a realização de projetos,


serviços, aquisição de equipamentos, contratação de serviços, inclusive de
infraestrutura, necessários à fiscalização, monitoramento, conservação, uso racional,
controle e proteção dos recursos hídricos, superficiais e subterrâneos, destinados ao
interesse público e manutenção dos Órgãos Executores e Gestores de Recursos
Hídricos do Estado105.

II - realização de programas conjuntos entre o Estado, a União e os Municípios,


relativos ao aproveitamento múltiplo, controle, conservação e proteção dos recursos
hídricos e defesa contra eventos críticos que ofereçam perigo à saúde pública,
prejuízos econômicos ou sociais;

III - programas de estudos e pesquisas, desenvolvimento tecnológico e capacitação


de recursos humanos de interesse do gerenciamento dos recursos hídricos;

IV - custos de administração do FEHIDRO; e

105
Redação alterada pelo art. 1° da Lei n° 15.790, de 26 de abril de 2016

200
V - gestão integrada e participativa dos recursos hídricos.

Art. 64. O saldo financeiro do FEHIDRO, apurado em balanço ao final de cada


exercício, será transferido para o exercício seguinte, a crédito do mesmo Fundo.

TÍTULO IV
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

Art. 65. Constitui infração às normas de utilização dos recursos hídricos superficiais
ou subterrâneos:

I - derivar ou utilizar recursos hídricos para qualquer finalidade, sem a respectiva


licença ambiental, outorga do direito de uso ou cadastramento, junto aos órgãos
competentes;

II - iniciar a implantação, implantar ou operar empreendimento relacionado com a


derivação ou a utilização de recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, que
implique alterações no regime, quantidade ou qualidade dos mesmos, sem
autorização dos órgãos ou entidades competentes;

III - utilizar-se dos recursos hídricos ou executar obras ou serviços relacionados com
os mesmos em desacordo com as condições estabelecidas no ato de outorga;

IV - fraudar as medições dos volumes de água utilizados ou declarar valores diferentes


dos medidos;

V - lançar resíduos sólidos e efluentes líquidos proibidos nos corpos d’água


superficiais e subterrâneos;

VI - infringir normas estabelecidas nos regulamentos administrativos complementares,


compreendendo instruções e procedimentos fixados pelos órgãos ou entidades
competentes; e

VII - obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes no exercício


de suas funções.

Art. 66. A prática de qualquer das infrações definidas no artigo 65 sujeitará o infrator
às seguintes penalidades, independentemente de sua ordem de enumeração e de
outras sanções civis e penais, podendo ser aplicadas cumulativamente, a critério do
órgão responsável por sua aplicação e observada a legislação pertinente:

I - advertência por escrito, na qual serão estabelecidos prazos para a correção das
irregularidades;

201
II - multa, simples ou diária, proporcional à gravidade da infração, de R$ 100,00 (cem
reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais);

III - apreensão dos instrumentos e produtos utilizados na prática da infração;

IV - suspensão de vendas e/ou fabricação do produto;

V - embargo ou demolição de obra;

VI - suspensão parcial ou total de atividades;

VII - suspensão ou cancelamento da outorga;

VIII - perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Governo;

IX - perda ou suspensão da participação em linhas de financiamento em


estabelecimentos oficiais de crédito;

X - reparação do dano ambiental; e

XI - proibição de contratar com a administração pública estadual.

§ 1º Sempre que da infração cometida resultar prejuízo ao serviço público de


abastecimento de água, riscos à saúde ou à vida, perecimento de bens ou animais ou
prejuízos de qualquer natureza a terceiros, a multa a ser aplicada nunca será inferior
à metade do valor máximo previsto.

§ 2º Independentemente da pena de multa, serão cobradas do infrator as despesas


em que incorrer a Administração para tornar efetivas as medidas previstas nos incisos
deste artigo e na legislação incidente, sem prejuízo de responder pela indenização
dos danos a que der causa.

§ 3º A tipificação de infrações e respectivas penalidades, segundo os critérios


estabelecidos na presente Lei, terá regulamentação própria.

§ 4º Para aplicação das penalidades previstas nesta Lei, a autoridade competente


considerará:

I - as circunstâncias atenuantes e agravantes;

II - os antecedentes do infrator;

III - a gravidade do dano; e

IV - o grau de desacordo da execução, utilização ou exploração com as normas legais,


regulamentares e medidas diretivas.

202
§ 5º Da aplicação das sanções previstas neste Título caberá recurso à autoridade
administrativa competente, nos termos da regulamentação própria.

§ 6º A aplicação das penalidades obedecerá ao princípio do devido processo legal.

Art. 67. A autoridade administrativa procederá à cobrança amigável de débitos


decorrentes da aplicação desta Lei, após o término do prazo para o seu recolhimento,
acrescido de multa de 2% (dois por cento) e de juros legais, a título de mora, enquanto
não inscritos para execução judicial.

Parágrafo único. Esgotados os prazos concedidos para a cobrança amigável, a


autoridade administrativa encaminhará o débito para a inscrição em dívida ativa, na
forma da legislação em vigor.

TÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 68. Para o cumprimento do disposto nesta Lei o órgão gestor de recursos hídricos
do Estado poderá requisitar força policial.

Art. 69. Esta Lei será regulamentada no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias
contados da data de sua publicação.

Art. 70. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 71. Revogam-se as disposições em contrário, especialmente a Lei Estadual nº


11.426, de 17 de janeiro de 1997106 107.

Palácio do Campo das Princesas, em 30 de dezembro de 2005.

Jarbas de Andrade Vasconcelos


Governador do Estado

José Gerson Aguiar de Souza

106
Este texto não substitui o publicado no Diário Oficial do Estado

107
Disponível em: http://legis.alepe.pe.gov.br/arquivoTexto.aspx?tiponorma=1&numero=129
84&complemento=0&ano=2005&tipo=TEXTOATUALIZADO

203
5.2. Lei Ordinária n° 11 427, de 18 de janeiro de 1997

“Dispõe sobre a conservação e a proteção das águas subterrâneas no Estado de


Pernambuco e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO:

Faço saber que a Assembleia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I
DA CONSERVAÇÃO E PROTEÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

Art. 1º As águas subterrâneas terão programa permanente de conservação e


proteção, visando seu melhor aproveitamento.

Parágrafo único. A conservação e proteção das águas subterrâneas implicam no seu


uso racional, na aplicação de medidas de controle à poluição e na manutenção do seu
equilíbrio físico-químico e biológico em relação aos demais recursos naturais.

Art. 2º Quando necessário à conservação ou manutenção do equilíbrio natural das


águas subterrâneas, dos serviços públicos de abastecimento d'água ou por motivos
geológicos ou ambientais, o Poder Executivo poderá instituir áreas de proteção,
restringir as vazões captadas por poços, estabelecer distâncias mínimas entre poços
e outras medidas que o caso requerer.

Art. 3º É proibido poluir as águas subterrâneas, assim entendida a alteração das suas
propriedades físicas, químicas ou biológicas, de forma a acarretar prejuízos à saúde,
à segurança e ao bem-estar das populações, comprometer o seu uso para fins
agropecuários, industriais, comerciais e recreativos ou causar danos à flora e à fauna.

§ 1º Os resíduos líquidos, sólidos ou gasosos provenientes de atividades


agropecuárias, industriais, comerciais, minerais ou de qualquer natureza, somente
poderão ser armazenados, transportados ou lançados, de forma a não poluírem as
águas subterrâneas.

§ 2º A descarga de poluentes que possam degradar a qualidade das águas


subterrâneas será punida na forma prevista nesta Lei e em normas dela decorrentes,
sem prejuízo das sanções penais cabíveis.

Art. 4º As captações de águas subterrâneas deverão ser dotadas de dispositivos


adequados de proteção sanitária, no propósito de evitar a penetração de poluentes.

§ 1º Os poços abandonados ou em funcionamento que estejam acarretando poluição


ou representem riscos ao aquífero, e as perfurações realizadas para outros fins que

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não a extração de água, deverão ser adequadamente cimentados de forma a evitar
acidentes, contaminação ou poluição dos aquíferos.

§ 2º Os poços jorrastes deverão ser dotados de dispositivos adequados para evitar


desperdícios.

Art. 5º Visando à preservação e à administração dos aquíferos comuns a mais de uma


unidade federativa, o Poder Executivo do Estado de Pernambuco poderá celebrar
convênios com os respectivos estados vizinhos.

CAPÍTULO II
DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

SEÇÃO I
Da Outorga Administrativa

Art. 6º A utilização das águas subterrâneas no Estado dependerá da concessão ou


autorização administrativa, outorgada pelo órgão gestor de Recursos Hídricos de
Pernambuco nos seguintes casos:

I - concessão administrativa, quando a água destinar-se a usos de utilidade pública;

II - autorização administrativa, quando a água captada destinar-se a outras


finalidades.

Art. 7º A outorga administrativa do uso das águas subterrâneas será concedida


concomitantemente com a licença de execução e levará em conta as condições de
explotabilidade dos diversos aquíferos no Estado Pernambuco.

Art. 8º O proprietário de qualquer terreno poderá, nos termos desta Lei, explorar as
águas subterrâneas subjacentes, desde que não venha a acarretar prejuízos as
captações pré-existentes na área.

Art. 9º As captações de águas subterrâneas destinadas exclusivamente ao usuário


doméstico residencial ou rural, com profundidades reduzidas ou vazões
insignificantes, estarão dispensadas de outorga e das licenças de execução e
explotação.

§ 1º Os critérios para caracterização de "profundidades reduzidas" e de "vazão


insignificante" serão determinados pela autoridade gestora.

§ 2º Essas captações ficarão sujeitas, todavia, à fiscalização da administração, na


defesa da saúde pública.

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§ 3º Os proprietários dessas captações ficam obrigados a cadastrá-las, na forma do
art. 23 desta Lei e de sua posterior regulamentação.

Art. 10. Os titulares das concessões e autorizações são obrigados a:

I - cumprir as exigências formuladas pela autoridade outorgante;

II - atender à fiscalização, permitindo o livre acesso aos planos, projetos, contratos,


relatórios, registros e quaisquer documentos referentes à concessão ou à autorização;

III - construir e manter, quando e onde determinado pela autoridade outorgante, as


instalações necessárias às observações hidrométricas das águas extraídas;

IV - manter em perfeito estado de conservação e funcionamento os bens e as


instalações vinculadas à concessão ou à autorização;

V - não ceder a água captada a terceiros, com ou sem ônus, sem a previa anuência
da autoridade outorgante;

VI - permitir realização de testes e análises do interesse hidrogeológico, por técnicos


credenciados pela autoridade outorgante.

Art. 11. As concessões e autorizações serão outorgadas por prazo compatível com a
natureza do serviço a que se destine o aproveitamento, não excedente a vinte anos,
podendo ser renovadas.

Parágrafo único. O exercício do direito de uso das águas subterrâneas será sempre
condicionado à disponibilidade existente.

Art. 12. Em caso de risco de escassez das águas subterrâneas, ou sempre que o
interesse público assim o exigir, e sem que assista ao outorgado qualquer direito à
indenização, a nenhum título, a autoridade administrativa poderá:

I - determinar a suspensão da outorga de uso, até que o aquífero se recupere ou seja


superada a situação que determinou a carência de água;

II - determinar restrição ao regime de operação ou outorgado;

III - revogar a concessão ou autorização para uso de água subterrânea.

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SEÇÃO II
Da Licença de Execução

Art. 13. A execução das obras destinadas a captação de água subterrânea dependerá
da Licença de Execução, concedida a título oneroso pela CPRH, de conformidade
com critérios a serem definidos em regulamento.

Art. 14. Para obtenção da "Licença de Execução" da obra de captação no Estado de


Pernambuco, o interessado deverá protocolar na sede da CPRH expediente constante
de:

I - requerimento solicitando aprovação e licenciamento para execução da obra,


conforme modelo padronizado a ser fornecido pela CPRH;

II - planta de localização das instalações do requerente, situando vias de acesso, fonte


poluentes (esgoto, fossa, etc.), com indicação precisa do local pretendido para a obra
e de outras porventura existentes na área, em escala a ser definida em regulamento,
e acompanhada de croqui ilustrativo;

III - relatório técnico detalhado, conforme modelo a ser fornecido pela CPRH, inclusive
com o projeto de obra de captação;

IV - comprovante do recolhimento da correspondente Anotação de Responsabilidade


Técnica - ART, junto ao CREA - PE.

Art. 15. Aprovados os estudos e projetos da obra de captação de água subterrânea, a


CPRH expedirá a "licença de execução" e credenciará os seus agentes para
acompanharem a obra, realizarem ou exigirem os testes de bombeamento e as
análises recomendáveis.

Art. 16. A captação de água subterrânea através de poços tubulares deverá ser
efetuada de acordo com as normas técnicas específicas adotadas pelo órgão gestor
e pela CPRH e será subordinada a existência de condições naturais que não venham
a ser comprometidas quantitativa ou qualitativamente pela explotação pretendida,
cabendo a esses órgãos no que lhes couberem, definir essas condições em cada local
solicitado.

Art. 17. Para a perfuração de poço tubular destinado à captação de água subterrânea,
deverá ser exigida a inscrição da empresa no Conselho Regional de Engenharia,
Arquitetura e Agronomia de Pernambuco - CREA/PE.

Art. 18. A implantação ou ampliação de distritos industriais e projetos de irrigação,


colonização, urbanização e abastecimento comunitário, bem como outras captações
de elevados volumes de águas subterrâneas, assim definidas pela CPRH e pelo órgão
gestor, deverão ser precedidas de estudo hidrogeológico para avaliação das

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disponibilidade hídricas e do não comprometimento da qualidade da água do aquífero
a ser explotado.

Parágrafo único. Os estudos hidrogeológicos e projetos de captação de água


subterrânea deverão ser executados por profissionais, empresas ou instituições
legalmente habilitados perante o CREA/PE, e submetidos à aprovação do órgão
gestor dos recursos hídricos e da CPRH.

SEÇÃO III
Da Licença de Explotação

Art. 19. Concluída a obra de captação de água subterrânea, o responsável técnico


deverá apresentar relatório pormenorizado, contendo os elementos necessários à
explotação da água subterrânea, conforme modelo específico a ser fornecido pelo
órgão gestor, de forma a possibilitar a expedição da competente "licença de
explotação".

Art. 20. As condições de explotação de água subterrânea em cada captação serão


estabelecidas pelo órgão gestor.

Parágrafo único. Para que o órgão gestor possa fiscalizar a explotação, obriga-se o
interessado a instalar e manter um hidrômetro na tubulação de saída do poço.

CAPÍTULO III
DA GESTÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

SEÇÃO I
Do Órgão Gestor

Art. 21. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, através da Diretoria de


Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco, deverá desempenhar, como órgão
gestor, dentre outras as seguintes atividades fundamentais;

I - avaliar as potencialidades e disponibilidades de águas subterrâneas, bem como


planejar o seu aproveitamento racional;

II - implantar uma "base de dados" com cadastramento de todas as obras de captação


de águas subterrâneas no Estado de Pernambuco, mantendo-o permanentemente
atualizado;

III - conceder outorga para uso das águas subterrâneas;

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IV - fiscalizar as obras de captação;

V - monitorar a exploração e controle dos recursos hídricos subterrâneos.

SEÇÃO II
Do Cadastramento dos Poços

Art. 22. O órgão gestor cadastrará as captações, formando a "Base de Dados de


Águas Subterrâneas", abrangendo os poços em operação e aqueles abandonados.

Art. 23. Todo aquele que perfurar poço no Estado de Pernambuco, deverá cadastrá-
lo na forma prevista em regulamento, apresentar as informações técnicas exigidas e
permitir o acesso da fiscalização ao local do mesmo.

Art. 24. As captações de águas subterrâneas já existentes deverão ser cadastradas


no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da publicação desta lei, e as novas
captações em até 30 (trinta) dias após à conclusão das obras.

Art. 25. Os dados hidrogeológicos tais como relatório, fichas de poços, análises
químicas e outras, constantes da "Base de Dados de Águas Subterrâneas", serão de
utilidade pública, podendo qualquer interessado ter acesso aos mesmos, através de
cessão onerosa a ser normalizada pelo órgão gestor.

SEÇÃO III
Da Fiscalização

Art. 26. Fica assegurados aos agentes credenciados, encarregados de fiscalizar


extração das águas subterrâneas, o livre acesso aos locais em que estiverem situadas
as captações e onde forrem executados serviços ou obras que, de alguma forma,
possam afetar os aquíferos.

Parágrafo único. No exercício das suas funções, os agentes credenciados, através de


direção do órgão gestor e da CPRH poderão requisitar forca policial, para garantir a
fiscalização dessas obras ou serviços.

Art. 27. Aos agentes credenciados, além de outras funções que lhes forem designadas
pelo órgão gestor e pela CPRH, cabem:

I - efetuar vistorias, levantamentos, avaliações e verificar a documentação pertinente;

II - colher amostras e efetuar medições;

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III - verificar a ocorrência de infrações e expedir os respectivos autos;

IV - intimar, por escrito, os responsáveis pelas fontes poluidoras, ou potencialmente


poluidoras, ou por ações indesejáveis sobre as águas subterrâneas, a prestarem
esclarecimento em local oficial e em data previamente estabelecidos;

V - aplicar as sanções previstas em Lei.

Art. 28. A utilização da água subterrânea deverá ficar sujeita a fiscalização quanto à
qualidade, para o fim a que se destina.

Parágrafo único. A captação de água para fins de distribuição através de caminhões


ou carros-pipa, e com natureza comercial, somente poderá ser feita em poços
previamente autorizados pelo órgão gestor mediante outorga específica e após teste
de portabilidade realizado por instituição credenciada.

SEÇÃO IV
Das Sanções

Art. 29. O descumprimento das disposições contidas nesta Lei e nos regulamentos ou
normas dela decorrentes, sujeitará o infrator às seguintes penalidades, aplicáveis pela
CPRH e/ou órgão gestor, no que lhe competem, sem prejuízo das ações penais
cabíveis:

I - advertência por escrito;

II - multa;

III - intervenção administrativa temporária;

IV - interdição;

V - revogação da outorga do direito de uso;

VI - declaração da caducidade dessa outorga;

VII - embargo ou demolição;

VIII - obstrução do poço.

Parágrafo único. As sanções previstas nos incisos III e IV poderão ser aplicadas sem
prejuízo daquela constante no inciso II.

Art. 30. As infrações serão classificadas, a critério da autoridade aplicadora, em leves,


graves e gravíssimas, levando-se em conta:
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I - a maior ou menor gravidade;

II - as circunstâncias atenuantes e agravantes;

III - os antecedentes do infrator.

Art. 31. As multas terão os seus valores estabelecidos em regulamento ou decreto,


variáveis conforme o grau de infração.

§ 1º Em caso de reincidência, a multa poderá ser aplicada pelo valor correspondente


ao dobro da anteriormente imposta.

§ 2º Nos casos de irregularidade não sanados nos prazos estabelecidos para sua
correção, poderá ser aplicada multa diária, que será devida até que o infrator faça
cessar a irregularidade.

Art. 32. A intervenção administrativa temporária e a interdição, poderão ser efetuadas


quando houver perigo iminente à saúde pública e na ocorrência de infração
continuada, implicando, quando for o caso, na revogação ou na suspensão das
licenças de execução e de explotação.

Parágrafo único. A intervenção e a interdição previstas nestes artigo deverão cessar


quando removidas as causas determinantes das mesmas.

Art. 33. A caducidade da outorga poderá ser declarada pelo poder concedente na
ocorrência de qualquer das seguintes infrações;

I - alteração não autorizada dos projetos aprovados para as obras e instalações;

II - não aproveitamento das águas, acarretando prejuízo a terceiros;

III - utilização das águas para fins diversos aos da outorga;

IV - reincidência na extração da água em volume superior ou outorgado;

V - descumprimento das disposições do ato de outorga ou das cláusulas legais


aplicáveis;

VI - descumprimento das normas de proteção ao meio ambiente.

Art. 34. O embargo e a demolição poderão ser efetuados no caso de obras e


construções executadas sem a necessitaria outorga, ou em desacordo com a outorga
expedida, quando sua permanência ou manutenção contrariar as disposições desta
Lei ou das normas dela decorrentes.

Art. 35. A obstrução do poço através de cimentação será obrigatória sempre que haja
risco de contaminação, por poluição ou por salinização, do aquífero explotável.
211
CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 36. Os programas permanentes de preservação e conservação das águas


subterrâneas contarão com recursos financeiros do Fundo Estadual de Recursos
Hídricos, sem prejuízo de outras dotações orçamentárias do Poder Executivo.

Art. 37. Deverão ser desenvolvidos estudos hidrogeológicos através dos órgãos
competentes, no sentido de definir a disponibilidade explotável dos aquíferos no
Estado de Pernambuco, bem como as condições de sua explotação.

Parágrafo único. A concessão de outorga do uso da água pelo órgão gestor ficará
condicionada à existência de estudos hidrogeológicos, sem prejuízo, todavia, da
concessão das licenças de execução e explotação.

Art. 38. Excluem-se da disciplina desta Lei as águas minerais, que são regidas por
legislação própria.

Art. 39. Esta Lei será regulamentada pelo Poder Executivo no prazo máximo de 180
(cento e oitenta) dias contados da data de sua publicação.

Art. 40. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art.41. Revogam-se as disposições em contrário108 109.

Palácio do Campo das Princesas, em 17 de janeiro de 1997.

Miguel Arraes De Alencar


Governador do Estado

Marcelo Augusto Albuquerque Aires da Costa


Eduardo Henrique Accioly Campos

Mauro Magalhães Vieira Filho


Dilton Da Conti Oliveira

108
Este texto não substitui o publicado no Diário Oficial do Estado

109
Disponível em: http://legis.alepe.pe.gov.br/arquivoTexto.aspx?tiponorma=1&numero=11427&com
plemento =0&ano=1997&tipo=

212
5.3. Decreto n. 20423, de 26 de março de 1998

“Regulamenta a Lei n. 11.427 de 17/01/97, que "dispõe sobre a conservação e a


proteção das águas subterrâneas no Estado de Pernambuco e dá outras
providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO no uso das suas atribuições que


lhe são conferidas pelo inciso IV do artigo 37 da Constituição Estadual e tendo em
vista as Lei nº 11.426 e 11.427, de 17 de janeiro de 1997 DECRETA:

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

SEÇÃO I
Da Finalidade e Amplitude

Art. 1º. Este decreto regulamenta a Lei nº 11.427 de 17/01/97, que "dispõe sobre a
conservação e a proteção das águas subterrâneas no Estado de Pernambuco e dá
outras providências":

Art. 2º. A conservação e proteção dos depósitos naturais de águas subterrâneas no


Estado de Pernambuco reger-se-ão pelas disposições das Leis 11.426 e 11.427 de
17/01/97, deste Decreto e dos regulamentos decorrentes.

Art. 3º. As águas subterrâneas em questão podem estar localizadas no sub-solo ou


dele se originarem em forma de exutórios naturais (fontes).

Parágrafo único. Perdem a condição de águas subterrâneas aquelas que, mesmo se


originando de exutórios naturais, escoam na superfície constituindo a drenagem
superficial como rios, riachos, córregos, ou se acumulam em forma de lagoas, lagos
e formas similares.

SEÇÃO II
Das Definições

Art. 4º. Para efeitos deste Decreto, entende-se por:

I - Águas subterrâneas: águas que se localizam no sub-solo preenchendo os poros


das rochas granulares, cavernas de rochas solúveis ou fraturas das rochas cristalinas,
ou emergem na superfície em forma de fontes, podendo ser suscetíveis de extração
pelo homem ;

213
II - Aquífero: meio sedimentar poroso ou rocha fraturada, dotado de permeabilidade,
capaz de liberar água naturalmente ou por captação artificial; no meio sedimentar
denomina-se de aquífero intersticial e no meio cristalino, aquífero fissural; quando o
aquífero se acha submetido apenas à pressão atmosférica é designado de aquífero
livre, enquanto na condição de estar submetido a pressão superior a uma atmosfera
exercida por camadas impermeáveis é considerado como aquífero confinado;

III - Captação e explotação do aquífero: ato de retirar e usar, respectivamente, a água


contida no aquífero através de poços tubulares ou amazonas ou outro tipo de obra,
bem como de águas de origem subterrânea que ressurjam na superfície na forma de
fontes, sendo extraída manualmente ou por bombeamento;

IV - Poço tubular: perfuração na rocha sedimentar ou cristalina, de diâmetro até 36


(trinta e seis) polegadas, a partir de equipamento motorizado ou manual, total ou
parcialmente revestido com tubos de metal ou PVC, destinado a captar água
subterrânea. Se a água se eleva espontaneamente acima da superfície do solo o poço
é denominado de poço artesiano surgente ou poço jorrante;

V - Poço amazonas: escavação no solo ou rocha sedimentar, com grande diâmetro,


na escala de metros, revestido com tijolos ou tubos de concreto, destinado a captar
água subterrânea;

VI - Recarga: condição de alimentação do aquífero a partir da superfície, podendo se


dar através da infiltração da água da chuva ou de rios e lagos - recarga natural; ou
através da infiltração por barramento superficial ou introdução através de poços -
recarga artificial;

VII - Usuário: o proprietário do poço para o qual é emitida uma outorga e licença para
uso da água subterrânea;

VIII - Conservação: utilização racional de um recurso natural, de modo a otimizar o


seu rendimento garantindo a sua renovação ou auto-sustentação;

IX - Proteção: ação destinada a resguardar o recurso natural;

X - Preservação: ação de prevenção contra destruição e qualquer forma de dano ou


degradação de um recurso natural;

XI - Administração ou Gestão: conjunto de ações destinadas ao controle do uso das


águas subterrâneas, relacionadas a:

a) a avaliação dos recursos hídricos subterrâneos e o planejamento do seu


aproveitamento racional;

b) a outorga, o licenciamento, o monitoramento e a fiscalização do uso dessas águas;

214
c) a aplicação de medidas relativas à conservação, proteção e a preservação
quantitativa e qualitativa das águas subterrâneas;

XII - Outorga: documento emitido pelo órgão gestor concedendo direito ao usuário de
captação e uso da água subterrânea; a outorga para uso em abastecimento público é
denominada de concessão enquanto para uso particular é chamada de autorização;

XIII - Licença de Execução: documento emitido pelo órgão licenciador, pelo qual o
interessado se habilita a obter a outorga e a executar a obra de captação; corresponde
à Licença de Instalação - LI, regulamentada pelo CONAMA;

XIV - Licença de Explotação: documento emitido pelo órgão licenciador, após


constatação do cumprimento das normas legais de construção da obra e da
verificação da qualidade da água para o fim a que se destina e da vazão fornecida;
corresponde à Licença de Operação - LO, regulamentada pelo CONAMA;

XV - Potencialidade: volume de água subterrânea armazenada no aquífero,


susceptível de ser utilizado anualmente, podendo incluir uma parcela das reservas
permanentes;

XVI - Disponibilidade: parcela da potencialidade de água subterrânea que pode ser


explotada anualmente, sem prejuízos ao aquífero nem ao meio ambiente; o volume
que pode ser extraído a partir de captações já existentes corresponde a
disponibilidade instalada;

XVII - Vazão explotável: é o volume de água extraída por tempo determinado, sendo
expressa em m3/h(metros cúbicos por hora), em l/h(litros por hora) ou ainda em
I/s(litros por segundo).

CAPÍTULO II
DA GESTÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

SEÇÃO I
Do Órgão Normalizador e Deliberativo

Art. 5º. Ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos de que trata a Lei 11.426/97
caberá as ações de normatização e deliberação relativas à formulação, implantação,
execução, controle e avaliação da Política Estadual de Recursos Hídricos.

215
SEÇÃO II
Do Órgão Gestor

Art. 6º. Caberá à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente - SECTMA,


através da Diretoria de Recursos Hídricos - DRHI, do Estado de Pernambuco,
desempenhar as funções de órgão gestor, cabendo-lhe exercer as ações nos campos
de pesquisas, estudos, avaliações, cadastramento das obras de captação, outorga do
uso da água, controle da explotação, fiscalização e acompanhamento da sua
interação com as águas superficiais e meteóricas.

Art. 7º. Deverá a SECTMA/DRHI executar, complementar ou atualizar os estudos para


avaliação das potencialidades e disponibilidades de águas subterrâneas nos aquífero
intersticial e fissural de todo o Estado de Pernambuco, direta ou indiretamente.

Art. 8º. Os estudos a que se refere o artigo anterior deverão integrar, juntamente com
aqueles referentes aos demais componentes do ciclo hidrológico, o Plano Estadual de
Recursos Hídricos, assim como os Planos Diretores das Bacias Hidrográficas.

Parágrafo único. O Plano Estadual de Recursos Hídricos e os Planos Diretores de


Bacias Hidrográficas se configuram como documentos primordiais do planejamento,
visando o aproveitamento racional dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.

SEÇÃO III
Do Órgão Licenciador

Art. 9º. Caberá à Companhia Pernambucana do Meio Ambiente - CPRH, a emissão


das licenças de execução/instalação e de explotação/operação para execução de
obras de captação de águas subterrâneas, como também o monitoramento qualitativo
e a fiscalização.

SEÇÃO IV
Das Demais Entidades Relacionadas às Águas Subterrâneas

Art. 10. Caberá à Secretaria de Saúde a fiscalização das águas subterrâneas


destinadas ao consumo humano, quanto ao atendimento dos padrões de potabilidade.

Art. 11. Deverá a Secretaria de Infra-Estrutura, através da empresa concessionária


dos serviços de abastecimento público de água, a Companhia Pernambucana de
Saneamento - COMPESA, colaborar com SECTMA, no planejamento da utilização da
água subterrânea visando o abastecimento humano.

216
Art. 12. Deverá a Secretaria de Agricultura colaborar intimamente com a SECTMA no
planejamento da utilização da água subterrânea visando o abastecimento no meio
rural e ao aproveitamento hidroagrícola.

Art. 13. Deverá a Secretaria de Planejamento colaborar com a SECTMA, para o


planejamento do aproveitamento racional das águas subterrâneas, visando a
compatibilização com o orçamento anual do Estado.

CAPÍTULO III
DO CONTROLE SOBRE A CAPTAÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

SEÇÃO I
Da Outorga Administrativa

Art. 14. A implantação ou ampliação de distritos industriais, projetos de irrigação, de


colonização, abastecimentos de núcleos residenciais e outros, que dependam total ou
parcialmente de águas subterrâneas, ou ponham em risco sua qualidade natural,
ficará sujeita aos licenciamentos a que se referem as Seções II e III deste capítulo,
assim como a outorga administrativa, por concessão ou por autorização, exarada pela
SECTMA/DRHI do Estado de Pernambuco.

Parágrafo único. A outorga não implica na alienação da água, mas o simples direito
do seu uso.

Art. 15. A Concessão Administrativa no Estado de Pernambuco é outorgada à


Companhia Pernambucana de Saneamento - COMPESA, aos municípios ou a
iniciativa privada devidamente habilitada, enquanto a Autorização Administrativa é
outorgada a particulares, pessoas físicas ou jurídicas, devendo tanto os
concessionários como os autorizados obedecer o que determina o artigo 10, da Lei
11.427, a saber:

I - cumprir as exigências formuladas pela autoridade outorgante;

II - atender à fiscalização, permitindo o livre acesso aos planos, projetos, contratos,


relatórios, registros e quaisquer documentos referentes à concessão ou à autorização;

III - construir e manter, quando e onde determinado pela autoridade outorgante, as


instalações necessárias às observações hidrométricas das águas extraídas;

IV - manter em perfeito estado de conservação e funcionamento os bens e as


instalações vinculadas à concessão ou à autorização;

V - não ceder a água captada a terceiros, com ou sem ônus, sem a prévia anuência
da autoridade outorgante;

217
VI - permitir a realização de testes e análises de interesse hidrogeológico, por técnicos
credenciados pela autoridade outorgante.

Art. 16. A Autorização ou a Concessão Administrativa será solicitada pelo interessado


pessoa física ou jurídica à SECTMA/DRHI, através de formulário padrão por ela
fornecido, devidamente acompanhado de cópia da Licença de Explotação/Operação
- LO.

Art. 17. No instrumento da outorga, a SECTMA/DRHI definirá os volumes máximos


diários a serem extraídos na captação ou sistema de captações a ser(em)
implantado(s), com base nos estudos hidrogeológicos existentes e no parecer técnico
da LO.

§ 1º. Inexistindo estudos detalhados da localidade a abastecer, nos casos de extração


de elevados volumes diários de água subterrânea na implantação ou ampliação de
distritos industriais, projetos de irrigação, de colonização ou abastecimento de núcleos
urbanos, deverão os mesmos ser executados, por conta do interessado, antes da
aprovação das licenças e outorga, de modo a avaliar o potencial disponível e o correto
dimensionamento do sistema de abastecimento.

§ 2º. Na inexistência de estudos hidrogeológicos, nos casos de extração de água


subterrânea para atendimentos de unidades de consumo industrial ou predial a
outorga não será emitida sem prejuízo, entretanto, do uso da obra pelo interessado,
desde que lhe seja concedida a Licença de Explotação/Operação.

Art. 18. As concessões e autorizações administrativas serão outorgadas mediante as


seguintes condições:

I - que já tenha sido emitida a Licença de Explotação/Operação - LO;

II - que exista disponibilidade hídrica subterrânea;

III - que o uso da água não venha causar poluição ao aquífero;

IV - que o uso da água não acarrete desperdícios dos recursos hídricos;

V - que a captação não venha acarretar prejuízos a terceiros ou a obras já existentes;

VI - que a captação não venha causar processo de salinização ao aquífero;

Art. 19. A outorga será sempre condicionada aos objetivos do Plano Estadual de
Recursos Hídricos, levando-se em conta os aspectos hidrogeológicos e considerando-
se os fatores econômicos e sociais.

§ 1º. Se, durante três anos, o outorgado deixar de fazer uso das águas, sua concessão
ou autorização será declarada caduca;

218
§ 2º. A outorga será concedida em caráter pessoal e intransferível, vedada a mudança
da finalidade de uso assim como do local da captação.

Art. 20. A solicitação de outorga pelo interessado à SECTMA deverá ser efetuada
juntamente com o requerimentos da licença de explotação/operação pela CPRH.

Parágrafo único. O interessado poderá receber o termo de Outorga juntamente com


a Licença de ExpIotação/Operação na CPRH.

Art. 21. Estão isentos de outorga as captações de águas subterrâneas destinadas


exclusivamente ao usuário doméstico ou rural, que se enquadrem em um dos
seguintes casos:

I - poço tubular ou amazonas com profundidade inferior a 20 metros;

II - poço tubular ou amazonas com vazão de até 5 m3/dia;

III - os poços incluídos em pesquisa, com caráter exclusivo de estudo.

Parágrafo único. Essas captações ficarão sujeitas, todavia, à fiscalização da


administração, na defesa da saúde pública.

Art. 22. Os atos de outorga para o uso de água subterrânea deverão proibir mudanças
físicas ou químicas que possam prejudicar as condições naturais do aquífero, assim
como os direitos de terceiros.

Art. 23. A SECTMA/DRHI, deverá expedir a outorga no prazo de 5 cinco dias úteis
contados a partir da data de emissão da Licença de Explotação/Operação pela CPRH.

Art. 24. A outorga por qualquer de suas modalidades, extingue-se sem qualquer
direito de indenização ao usuário, nos seguintes casos:

I - abandono e renúncia, de forma expressa ou tácita;

II - inadimplemento de condições legais, regulamentares ou contratuais;

III - caducidade, sem renovação no devido tempo;

IV - uso prejudicial da água inclusive por poluição e salinização;

V - dissolução, insolvência ou encampação do usuário, pessoa jurídica;

VI- falecimento do usuário, pessoa física;

219
VII - pela inobservância das obrigações estabelecidas no Art. 10 da Lei 11.427, citados
no Art. 15 deste decreto;

VIII - a critério da SECTMA, quando considerar o uso da água inadequado para


atender aos compromissos com as finalidades sociais e econômicas;

Parágrafo único. Na hipótese do inciso VI, será concedido o prazo de seis meses para
que o espólio ou seu legítimo sucessor se habilite à transferência do direito de outorga.

SEÇÃO II
Da Licença de Execução ou Instalação – LI

Art. 25. A Licença de Execução ou instalação - LI, constitui um instrumento


indispensável para a execução da obra, devendo ser emitida pela CPRH uma vez
aprovada a solicitação do interessado na obra de captação.

Parágrafo único. A aprovação do requerimento do interessado inclui a análise e


aprovação dos estudos e projetos para a perfuração do(s) poço(s) ou outra obra de
captação.

Art. 26. A petição do interessado deverá ser instruída com a documentação descrita a
seguir, conforme determina o Art. 14 da Lei 11.427:

I - requerimento solicitando aprovação e licenciamento para execução da obra,


conforme modelo padronizado a ser fornecido pela CPRH;

II - planta de localização das instalações do requerente, situando vias de acesso,


fontes poluentes (esgoto, fossa, etc), com indicação precisa do local pretendido para
a obra e de outras obras porventura existentes na área, em escala a ser definida em
instruções normativas e acompanhada de croqui ilustrativo;

III - relatório técnico detalhado, conforme modelo a ser fornecido pela CPRH, com o
projeto da obra de captação, inclusive da instalação hidrométrica para aferição das
vazões a serem explotadas;

IV - comprovante do recolhimento da correspondente Anotação de Responsabilidade


Técnica - ART, junto ao CREA-PE.

Art. 27. A CPRH cobrará pela emissão da LI, taxas; de acordo com a Lei nº 11.516,
de 30 de dezembro de 1997.

Art. 28. Estão dispensados de LI os poços ou captações de águas subterrâneas


enquadradas no Art. 21 deste regulamento, porém deverão ser devidamente
cadastrados na CPRH.

220
Art. 29. A CPRH deverá aprovar ou negar a solicitação de LI dentro do prazo de 15
(quinze) dias, contados da data de protocolo da entrega da solicitação.

Parágrafo único. A contagem do citado prazo será suspensa sempre que o processo
seja revertido em diligência a cargo do interessado e retomado no primeiro dia útil
após o cumprimento das exigências.

SEÇÃO III
Da Licença de Explotação ou Operação – LO

Art. 30. A Licença de Explotação ou Operação - LO, representa o documento


imprescindível para usar a água captada no poço ou, obra de captação executada,
assim como, receber a outorga de uso, devendo ser emitida pela CPRH mediante
apresentação do relatório conclusivo da obra, incluindo entre outras informações, as
análises físico-química e bacteriológica da água e teste de produção do poço,
conforme modelo padronizado por portaria da CPRH.

Art. 31. Na Licença de Explotação/0peração a CPRH deverá informar ao usuário:

I - o(s) uso(s) a que se destina a água, com as restrições que forem necessárias
estabelecer;

II - os cuidados que deverão ser dispensados ao sistema poço/bomba e à própria


água;

III - o esquema de operação e manutenção que deverá ser seguido;

IV - as anotações que o usuário deverá fazer sistematicamente para apresentação


quando da renovação da LO:

V - outras instruções que julgar pertinentes em cada caso.

Art. 32. A CPRH cobrará pala emissão da LO, taxas, de acordo com a Lei de nº
11.516, de 30 de dezembro de 1997.

Art. 33. Estão isentos de LO os poços ou captações a que se refere o Art. 21 deste
decreto.

Parágrafo único. Na eventualidade em que poços utilizados na pesquisa venham a


ser instalados para explotação, a outorga assim como a LO passarão a ser exigidas,
sendo todas as licenças cobradas na forma do artigo anterior.

Art. 34. A CPRH deverá aprovar ou negar a solicitação de LO dentro do prazo de


5(cinco) dias úteis, contados a partir da entrega do requerimento pelo interessado.

221
Parágrafo único. A contagem do citado prazo será suspensa sempre que o processo
seja revertido em diligência a cargo do interessado e retomado no primeiro dia útil
após o cumprimento das exigências.

Art. 35. A Licença de Explotação/Operação - LO, deverá ser concedida por prazo
determinado pela CPRH, com renovação mediante vistoria nas instalações.

§ 1º. A renovação da LO deverá ser requerida pelo interessado mediante documento


acompanhado de formulário da CPRH contendo as informações necessárias.

§ 2º. A CPRH terá o prazo de 10 (dez) dias úteis para analisar o requerimento, efetuar
a vistoria necessária nas instalações de captação e emitir a nova LO.

Art. 36. Da decisão denegatória de qualquer tipo de licença pela CPRH, caberá
recurso do interessado à SECTMA em primeira instância e ao Conselho Estadual de
Recursos Hídricos em segunda e última instância.

SEÇÃO IV
Da Cobrança pelo Uso da Água Subterrânea

Art. 37. A água por ser um recurso natural escasso e que deve ser preservada contra
a exaustão e degradação da sua qualidade, deve ser cobrada pelo Estado, detentor
da sua posse - art. 26, item I, da Constituição Federal -, e ainda em conformidade com
o Art. 13 da Lei Estadual nº 11.426 de 17/01/97.

Art. 38. Os procedimentos, o valor e o agente da cobrança pelo uso da água


subterrânea serão definidos posteriormente pelo Conselho Estadual de Recursos
Hídricos.

Parágrafo único. Estão isentos de cobrança os usuários da água para consumo


residencial, seja ele urbano ou rural.

Art. 39. Os recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água subterrânea serão
destinados ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos para investimento no Programa
Permanente de Conservação e Preservação das Águas Subterrâneas no Estado de
Pernambuco.

222
CAPÍTULO IV
DA DEFESA DA QUALIDADE E DA QUANTIDADE

SEÇÃO I
Do Programa Permanente de Conservação e Preservação das Águas
Subterrâneas

Art. 40. O Programa Permanente de Conservação e Preservação das Águas


Subterrâneas - PPPAS a ser executado conjuntamente pela SECTMA/DRHI e CPRH,
terá as seguintes finalidades:

I - avaliar continuamente as disponibilidades hídricas subterrâneas, coibindo a super-


explotação localizada ou regional do aquífero que incorra em risco de exaustão ou
comprometimento na continuidade de sua explotação;

II - analisar continuamente a qualidade química e bacteriológica das águas


subterrâneas, identificando e procurando sanar ou minimizar os efeitos produzidos
pelos focos de poluição, evitando que processos de degradação venham a se alastrar
em todo o aquífero;

III - nos aquíferos intersticiais costeiros, como na Região Metropolitana do Recife,


acompanhar continuamente a evolução da interface água doce/água salgada, face ao
aumento da exploração por novos poços perfurados;

IV - no aquífero fissural realizar estudos e pesquisas visando melhor aproveitamento


desse manancial;

V - acompanhar a execução das ações programadas no Plano Estadual de Recursos


Hídricos e nos Planos Diretores de Bacias Hidrográficas, no que se refere às águas
subterrâneas.

Art. 41. O PPPAS será desenvolvido através das seguintes ações:

I - estudos hidrogeológicos de caráter regional ou local, executados direta ou


indiretamente pela SECTMA/DRHI;

II - perfuração de poços e piezômetros para pesquisa hidrogeológica;

III - monitoramento dos níveis e das vazões, nos poços e piezômetros;

IV - monitoramento da qualidade das águas subterrâneas;

V - avaliações anuais do desenvolvimento dos programas em execução na área de


recursos hídricos subterrâneos.

223
Art. 42. O PPPAS deverá ser conduzido por uma Comissão constituída por
representantes da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente/DRHI e CPRH,
Secretaria de Agricultura, Secretaria de Infra-Estrutura, e Secretaria de Saúde, sendo
o Coordenador designado pelo Secretário da SECTMA.

Art. 43. O PPPAS contará para o seu desenvolvimento, com verbas oriundas do Fundo
Estadual de Recursos Hídricos e de outras origens.

SEÇÃO II
Da Proteção Sanitária

Art. 44. Os poços tubulares profundos - mais de 20m de profundidade - no aquífero


intersticial deverão ter o espaço anelar entre a parede do poço e o revestimento,
cimentados até pelo menos os 10m de profundidade e, na superfície, uma área circular
em torno do poço com diâmetro de pelo menos um metro deve ser concretada, com
selo de segurança contra a entrada no poço de águas superficiais ou sub-superficiais
rasas poluídas.

Art. 45. Os poços tubulares rasos - até 20m de profundidade - ou os poços amazonas,
construídos em área urbana, ou em aluviões de rios, só poderão ser utilizados para
consumo humano após tratamento simplificado a fim de evitar risco de contaminação
orgânica.

SEÇÃO III
Das Áreas de Proteção, Restrição e Controle

Art. 46. Sempre que, no interesse da conservação, proteção e manutenção do


equilíbrio natural das águas subterrâneas, dos serviços de abastecimento público de
águas, ou por motivos geotécnicos ou geológicos, se fizer necessário restringir a
captação e uso das águas subterrâneas, a SECTMA proporá ao Conselho Estadual
de Recursos Hídricos a delimitação de áreas destinadas ao seu controle.

§ 1º. Nas áreas a que se refere este artigo, a extração de águas subterrâneas poderá
ser condicionada à recarga natural ou artificial dos aquíferos;

§ 2º. As áreas de proteção serão estabelecidas com base em estudos hidrogeológicos,


ouvidos os municípios e demais organismos interessados;

§ 3º. O estabelecimento de áreas de controle não implica desapropriação da terra,


mas somente restrição ao uso da água a fim de evitar a redução ou exaustão da
capacidade do aquífero.

224
§ 4º. O Decreto que estabelecer áreas de controle deverá conter os elementos
necessários à sua perfeita delimitação e a discriminação das concessões e
autorizações a serem abrangidas.

Art. 47. Para fins deste decreto, as áreas de proteção classificam-se em:

I - Área de Proteção Máxima: compreendendo, no todo ou em parte, zonas de recarga


de aquíferos altamente vulneráveis à poluição e que se constituam em depósitos de
águas essenciais para o abastecimento público;

II - Área de Restrição e Controle: caracterizada pela necessidade de disciplina das


extrações no que se refere a volumes máximos diários extraídos, controle máximo das
fontes poluidoras já implantadas e restrição a novas atividades potencialmente
poluidoras ou ao controle de vazões bombeadas;

III - Área de Proteção de Poços e outras Captações: incluindo a distância mínima entre
poços e outras captações e o respectivo perímetro de proteção.

Art. 48. Nas Áreas de Proteção Máxima não serão permitidos:

I - a implantação de industrias de alto risco ambiental, pólos petroquímicos,


carboquímicos e cloroquímicos, usinas nucleares e quaisquer outras de grande
impacto ambiental ou extrema periculosidade;

II - as atividades agrícolas que utilizem produtos tóxicos de grande mobilidade e que


possam colocar em risco as águas subterrâneas, conforme relação divulgada pela
SECTMA;

III - o parcelamento do solo urbano sem sistema adequado de tratamento de efluente


ou de disposição de resíduos sólidos;

IV - o desmatamento da cobertura vegetal.

Art. 49. Se houver escassez de água subterrânea ou prejuízo sensível aos


aproveitamentos existentes nas Áreas de Proteção Máxima, a SECTMA e a CPRH,
de acordo com as suas respectivas atribuições poderão:

I - proibir novas captações até que o aquífero se recupere ou seja superado o fato que
determinou a carência de água;

II - restringir e regular a captação de água subterrânea, estabelecendo o volume


máximo a ser extraído e o regime de operação;

III - controlar as fontes de poluição existentes, mediante programa específico de


monitoramento; e

225
IV - restringir novas atividades potencialmente poluidoras.

Parágrafo único. Quando houver restrição à extração de águas subterrâneas, serão


prioritariamente atendidas as captações destinadas ao abastecimento público de
água, cabendo à concessionária do abastecimento d'água estabelecer a escala de
prioridades, segundo as condições locais.

Art. 50. Nas Áreas de Restrição e Controle, quando houver escassez de água
subterrânea ou prejuízo sensível aos aproveitamentos existentes, poderão ser
adotadas as medidas previstas no artigo 49 deste decreto.

Art. 51. Nas áreas de Proteção de Poços e Outras Captações, será instituído o
Perímetro Imediato de Proteção Sanitária, abrangendo raio de dez metros ou uma
distância adequada às condições locais, a partir do ponto de captação, cercado e
protegido, devendo o seu interior ficar resguardado da entrada ou penetração de
poluentes.

§ 1º. Nas áreas a que se refere este artigo, os poços e as captações deverão ser
dotados de laje de proteção sanitária, para evitar a penetração de poluentes.

§ 2º. As lajes de proteção, de concreto armado, preparadas no local, deverão envolver


o tubo de revestimento, ter declividade do centro para as bordas, espessura mínima
de dez centímetros e área não inferior a dois metros quadrados.

Art. 52. Serão estabelecidos, em cada caso, além do Perímetro Imediato de Proteção
Sanitária, Perímetros de Alerta contra poluição, tomando-se por base uma distância
coaxial ao sentido do fluxo, a partir do ponto de captação, equivalente ao tempo de
trânsito de cinquenta dias de águas no aquífero, no caso de poluentes não
conservativos.

Parágrafo único. No interior do Perímetro de Alerta, deverá haver disciplina das


extrações, controle máximo das fontes poluidoras já implantadas e restrições a novas
atividades potencialmente poluidoras.

CAPÍTULO V
DO MONITORAMENTO DO AQUÍFERO

SEÇÃO I
Do Cadastramento de Poços e Outras Captações

Art. 53. A Base de Dados de Águas Subterrâneas será parte integrante do Sistema de
Informações sobre Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco - SIRH/PE, instalado
e operado pela SECTMA/DRHI, incluindo dados de poços ou outras captações, em

226
operação ou desativados, além de estudos e projetos de água subterrânea em todo o
Estado de Pernambuco.

Art. 54. O cadastramento do poço ou outra obra de captação deverá ser efetuado na
sede da SECTMA pelo usuário que o executou através de empresas de perfuração
ou pessoas físicas, em fichas apropriadas padronizadas pela SECTMA, no prazo
máximo de 30 dias da sua conclusão.

§ 1º. No caso dos poços sujeitos à outorga, o cadastramento estará automaticamente


realizado quando da apresentação do relatório conclusivo da obra visando obter a LO
e a posterior outorga;

§ 2º. Os poços a que se refere o Art. 21 deverão ser cadastrados pelo interessado
diretamente na SECTMA/DRHI;

§ 3º. Os poços perfurados no interior do Estado de Pernambuco poderão ser


cadastrados nos escritórios municipais das Secretarias de Agricultura ou da Saúde.

Art. 55. Para os poços e outras captações já existentes, o prazo de 6 (seis) meses
estabelecido pela Lei 11.427 para cadastramento será contado a partir da data de
publicação deste Decreto, devendo até esta data terem os mesmos sido cadastrados
sob pena das sanções previstas neste Decreto.

Art. 56. Qualquer dado ou Informação sobre captações ou estudos e projetos poderá
ser cedido pela SECTMA em caráter oneroso, mediante a tabela de valores a ser
fixada.

Art. 57. Para a aquisição de qualquer tipo de material do SIRH/PE, deverá o


interessado dirigir-se à SECTMA, receber um bloquete com as anotações específicas,
pagar a taxa no BANDEPE e retornar à SECTMA para receber o material solicitado.

SEÇÃO II
Da Operação e Manutenção de Poços

Art. 58. O usuário de obras de captação de água subterrânea deve operá-la em


condições adequadas, de modo a assegurar a capacidade do aquífero, a qualidade
da água, a durabilidade do poço e do sistema de bombeio assim como, evitar o
desperdício de água.

Parágrafo único. A SECTMA e/ou a CPRH poderá exigir a reparação de obras e das
instalações e a introdução de melhorias, para salvaguardar as condições quantitativas
e qualitativas da água do aquífero e proteger as demais captações da área em
questão.

227
Art. 59. As obras de captação deverão receber uma manutenção preventiva periódica
a fim de serem detectados problemas que venham a prejudicar o aquífero, ou o próprio
poço tais como:

I - infiltração de substâncias contaminantes a partir da superfície;

II - salinização de aquíferos a partir da infiltração de águas salinizadas de outros


horizontes ou camadas não explotáveis;

III - rompimento de filtros;

IV - rebaixamentos excessivos do nível hidrostático local.

Parágrafo único. Uma vez detectada qualquer anormalidade, deverá o interessado


comunicar à CPRH e tomar imediatamente as medidas cabíveis na captação para sua
correção, obedecendo a orientação dos técnicos da CPRH.

Art. 60. Os usuários deverão efetuar anotações mensais de dados sobre o uso da
água conforme instruções e formulários padronizados pela CPRH, para apresentar
àquela entidade quando da solicitação da renovação anual da LO.

Art. 61. Nas instalações de captação de água subterrânea destinadas ao consumo


humano, deverão ser efetuadas análises físico-químicas e bacteriológicas da água,
nos termos da legislação sanitária vigente.

SEÇÃO III
Dos Poços Abandonados e dos Poços Jorrantes

Art. 62. Os poços abandonados, temporária ou definitivamente, e as perfurações


realizadas para outros fins que não a extração de água deverão ser adequadamente
obstruídos para evitar a contaminação ou salinização dos aquífero ou ainda,
acidentes.

§ 1º. Os poços abandonados, perfurados em aquífero intersticiais livres, deverão ser


obstruídos com material impermeável e não poluente, como argila, argamassa ou
pasta de cimento, para evitar a contaminação superficial ou a salinização das águas;

§ 2º. Os poços abandonados, perfurados em aquífero fissurais, deverão ser obstruídos


com pasta ou argamassa de cimento, colocada a partir da primeira entrada de água,
até a superfície, com extensão nunca inferior a 20 (vinte) metros.

§ 3º. Os poços abandonados, que captem água de aquífero confinado, deverão ser
obstruídos com selos de pasta de cimento, injetado sob pressão, a partir do topo do
aquífero.

228
§ 4º. As operações referidas neste artigo e respectivos parágrafos, deverão ser
padronizadas pela CPRH.

Art. 63. As escavações, sondagens ou obras para pesquisa, lavra mineral ou outros
fins, que atingirem águas subterrâneas, deverão ter tratamento idêntico ao concedido
ao poço abandonado, de forma a preservar e conservar os aquífero.

Art. 64. Os poços jorrantes ou artesianos surgentes, devem ser dotados de


fechamento hermético, para evitar o desperdício de água.

SEÇÃO IV
Do Controle da Quantidade Explotável

Art. 65. Sendo consumo humano e a dessedentação de animais prioritários em


situação de escassez - nos termos do inciso III do Art. 2º, Lei 11.426 de 17 de janeiro
de 1997, deverá a SECTMA/DRHI tomar uma ou mais das seguintes providências,
visando a preservação ou manutenção do equilíbrio natural das águas subterrâneas,
ou dos serviços de abastecimento público:

I- determinar a suspensão da outorga de uso, até que o aquífero se recupere ou seja


superada a situação que determinou a carência de água;

II - determinar a restrição ao regime de operação outorgado;

III - revogar a concessão ou a autorização para uso da água subterrânea;

IV - restringir as vazões captadas por poços em toda a região ou em áreas localizadas;

V - estabelecer distâncias mínimas entre as captações a serem executadas;

VI - estabelecer áreas de proteção, restrição e controle;

VII - estabelecer perímetro de proteção sanitária e perímetro de alerta.

§ 1º. Não assistirá ao outorgado qualquer direito à indenização, a nenhum título,


quando se tornarem necessárias a adoção das medidas constantes deste artigo;

§ 2º. Em qualquer caso, caberá recurso ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos


do Estado de Pernambuco.

Art. 66. Caberá à CPRH o exercício de fiscalização sobre as vazões máximas


permitidas ao usuário através da outorga concedida pela SECTMA, podendo inclusive
ser utilizado o auxílio de força policial para coibir a desobediência ao que fora instituído

229
no referido documento, além da perda da outorga, conforme estabelece o item II do
Art. 24 deste Decreto.

Art. 67. Os poços e outras obras de captação de águas subterrâneas deverão ser
dotadas de equipamentos de medição de volume extraído e de dispositivo para
medição do nível da água dentro do poço.

SEÇÃO V
Do Controle da Qualidade

Art. 68. Os projetos de Disposição de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos deverão


conter descrição detalhada da caracterização hidrogeológica de sua área de
localização, que permita a perfeita avaliação de vulnerabilidade das águas
subterrâneas, assim como a descrição detalhada das medidas de proteção a serem
adotadas.

Art. 69. As áreas onde existirem depósitos de resíduos no solo devem ser dotadas de
monitoramento das águas subterrâneas, efetuado pelo responsável do
empreendimento, a ser executado conforme plano aprovado pela CPRH, e que deverá
conter:

I - a localização e os detalhes construtivos do poço de monitoramento;

II - a forma de coleta das amostras, frequência, parâmetros a serem observados e


métodos de interpretação adotados;

III - a direção, espessura e o fluxo do aquífero freático e possíveis interconexões com


outras unidades aquíferas.

§ 1º. O responsável pelo empreendimento deverá apresentar relatórios anuais à


CPRH, até 31 de janeiro do ano subsequente, informando os dados obtidos no
monitoramento;

§ 2º. Se houver alteração estatisticamente comprovada, em relação aos parâmetros


naturais de qualidade da água nos poços a jusante, por ele causada, o responsável
pelo empreendimento deverá executar as obras necessárias para recuperação das
águas subterrâneas.

Art. 70. Deverá a CPRH mapear e monitorar continuamente os focos potenciais de


contaminação de águas subterrâneas, promovendo contínuas campanhas de
esclarecimento ao público, coibindo as irregularidades cometidas pelos usuários que
impliquem em comprometimento ou degradação da qualidade da água e aplicando as
sanções previstas na Lei 11.427, neste Decreto e demais legislações de proteção
ambiental.

230
Art. 71. Aplicam-se como dispositivos de controle da qualidade, as mesmas ações
descritas no Art. 65 deste Decreto.

SEÇÃO VI
Da Recarga Artificial

Art. 72. A recarga artificial de aquífero dependerá de autorização da SECTMA/DRHI,


condicionada à realização de estudos que comprovem a sua conveniência técnica,
econômica e sanitária , bem como a necessidade de preservação da qualidade das
águas subterrâneas.

§ 1º. A recarga artificial torna a água infiltrada, subterrânea, sujeitando-a às


disposições da Lei 11.427 e deste Decreto;

§ 2º. A recarga artificial poderá ser exigida pela SECTMA/DRHI dos concessionários
ou autorizados sempre que necessária;

§ 3º. O Estado incentivará a realização de recarga artificial por entidades privadas,


pessoas físicas ou jurídicas, através da redução de taxas de serviço público de
saneamento, a ser regulamentada.

SEÇÃO VII
Dos Convênios com Estados Vizinhos

Art. 73. Os aquífero intersticiais de bacias sedimentares que se estendem para outros
Estados, sobremaneira, o aquífero Beberibe na região costeira e os aquífero
superpostos da Bacia Sedimentar do Araripe, e do Jatobá deverão ser objeto de
convênios bilaterais ou plurilaterais, entre os Estados vizinhos, nos quais sejam
contempladas, dentre outras, as seguintes preocupações:

I - condições de outorga do usa da água;

II - medidas acauteladoras para evitar a super-explotação e exaustão das reservas


hídricas;

III - medidas preservadoras da qualidade da água;

IV - eliminação ou minimização de efeitos poluidores das águas subterrâneas;

V - interação entre os recursos hídricos subterrâneos e superficiais, tendo em vista


sobretudo os problemas relativos à recarga do aquífero;

231
VI - planejamento adequado para gestão conjunta dos recursos hídricos subterrâneos.

CAPÍTULO VI
DA FISCALIZAÇÃO E SANÇÕES

SEÇÃO I
Da Fiscalização

Art. 74. A SECTMA/DRHI, a CPRH e a Secretaria de Saúde, no âmbito das


respectivas atribuições, fiscalizarão a utilização das águas subterrâneas, para
protegê-las contra a contaminação, uso indevido, super-explotação e evitar efeitos
indesejáveis aos aquífero e à saúde pública.

Art. 75. Aos agentes credenciados das entidades citadas no artigo anterior, além das
funções que lhe florem cometidas pelos respectivos órgãos, cabe:

I - efetuar vistorias, levantamento, avaliações e verificar a documentação técnica


pertinente;

II - acompanhar a execução de obras de captação verificando o fiel cumprimento das


normas técnicas;

III - acompanhar os ensaios de bombeamento a fim de comprovar a real capacidade


do poço;

IV - colher amostras e efetuar medições, a fim de averiguar o cumprimento das


disposições da Lei 11.427 e deste Decreto;

V - verificar a ocorrência de infrações e expedir os respectivos autos;

VI - intimar, por escrito, os responsáveis pelas fontes poluidoras, ou potencialmente


poluidoras, ou por ações indesejáveis sobre as águas a prestarem esclarecimentos
em local oficial e data previamente estabelecidos;

VII - aplicar as sanções previstas na Lei 11.427 e neste Decreto.

SEÇÃO II
Das Sanções

Art. 76. O descumprimento das disposições contidas na Lei 11.427 e neste Decreto,
assim como em normas dela decorrentes sujeitará o infrator às seguintes penalidades,

232
devidamente caracterizadas no texto da Lei 11.427, a serem aplicadas pelos
respectivos órgãos:

I - Pela CPRH:

a) advertência por escrito

b) multa

c) intervenção administrativa temporária

d) interdição

II - Pela SECTMA/DRHI:

a) revogação de outorga do direito de uso

b) declaração de caducidade da outorga

c) embargo ou demolição

III - Pela SECTMA/DRHI ou CPRH:

- obstrução do poço ou outra obra de captação

Art. 77. As infrações classificadas no Art. 30 da Lei 11.427 em leves, graves e


gravíssimas, as disposições do Art. 11 da Lei 11.426, de 17 de janeiro de 1997, são a
seguir especificadas:

I - Infrações leves:

a) não cadastramento do poço ou outra obra de captação;

b) não pagamento pelo consumo da água, quando devido;

c) inobservância da distância mínima estabeIecida para outra captação já


existente;

d) prejuízos causados a terceiros;

e) não colocação de dispositivo de controle em poços jorrantes;

f) não manter em estado de conservação e funcionamento os bens e as instalações


vinculadas à outorga ou ao licenciamento;

II - Infrações graves:

233
a) construção da obra de captação sem licenciamento LI;

b) operação da obra sem licenciamento LO;

c) uso da água sem outorga;

d) uso da água para fins diferentes daqueles outorgados ou licenciados;

e) extração de volumes de água superiores ao outorgado ou licenciados;

f) inobservância das especificações técnicas recomendadas na construção da obra;

g) inobservância de qualquer outra exigência, especificação ou recomendação contida


nas licenças LI e LO, ou no documento de outorga;

h) cessão gratuita ou onerosa de água a terceiros;

i) não instalação de equipamentos de aferição da vazão e de medição de nível da


água;

j) mudança do local da obra para o qual foi licenciada;

k) impedimento à ação fiscalizadora;

l) não vedar o poço ou outra obra de captação abandonada ou inutilizada;

III - Infrações gravíssimas

a) venda de água sem a outorga respectiva;

b) poluição do aquífero;

c) salinização do aquífero;

d) desmatamento de cobertura vegetal na área de recarga do aquífero;

e) efetuar super-explotação do aquífero pondo-o em risco de exaustão;

f) fraude nas medições dos volumes de água utilizados ou declaração de valores


diferentes dos medidos;

g) não cumprimento das medidas impostas às áreas de proteção máxima, às áreas


de restrição e controle e às áreas de proteção do poço e outras captações;

h) beneficiar, favorecer, discriminar ou prejudicar pessoas ou comunidades urbanas


ou rurais, na captação de água, em virtude de critérios de ordem social, político-
partidária ou eleitoral.

234
§ 1º. Outras infrações poderão vir a ser caracterizadas pelo Conselho Estadual de
Recursos Hídricos, as quais passarão a integrar, na devida classificação, o elenco
acima exposto;

§ 2º. Ficarão sujeitos às sanções pela infração especificada em II.a, tanto o


interessado como a empresa responsável pela obra de captação.

Art. 78. As multas para as infrações especificadas no artigo anterior, irão variar dentro
de faixas de limites, em função da gravidade da infração cometida, das circunstâncias
atenuantes ou agravantes e dos antecedentes do infrator, de acordo com inciso II, do
Art. 12 da Lei nº 11.426, de 17 de janeiro de 1997, da seguinte forma:

I - Infrações leves: de 100 a 1.000 UFIR's

II - Infrações graves: de 1.001 a 5.000 UFIR's

III - Infrações gravíssimas: de 5.001 a 10.000 UFIR's

§ 1º As multas a que se refere este artigo poderão ser aplicadas concomitantemente


com as penalidades classificadas no Art. 76 deste Decreto, nas alíneas I.c, I.d, II.a,
II.b, II.c, e III;

§ 2º. Incorrerá em autuação de multa em dobro os infratores reincidentes na mesma


categoria de infração;

§ 3º. Enquanto não for sanada a irregularidade, após ultrapassado o prazo concedido
para a sua correção pelo órgão autuante, poderá ser cobrada multa diária de 100
UFIR'S.

CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 79. Considerando o que dispõe a Lei 11.427 no seu Art. 37 e respectivo Parágrafo
único, deverão ser desenvolvidos com a máxima urgência os estudos visando definir
a disponibilidade explotável dos diversos aquífero do Estado de Pernambuco, a fim
de que se possa expedir os competentes termos de outorga.

Art. 80. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação.

235
Art. 81. Revogam-se as disposições em contrário110 111.

110
Disponível em: http://www.apac.pe.gov.br/legislacao/decreto_n_20423_de_26_de_marco_de_
1998.pdf

111
Nota: outorga PE: http://www.apac.pe.gov.br/outorga/

236
6. PARAÍBA

6.1. Lei n.º 6.308, de 02 de julho de 1996

“Institui a Política Estadual de Recursos Hídricos, suas diretrizes e dá outras


providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DA PARAÍBA:

Faço saber que o Poder Legislativo decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPITULO I
DA GESTÃO DA POLÍTICA DOS RECURSOS HÍDRICOS

SEÇÃO I
Das Disposições Preliminares

Art. 1º - Fica instituída a Política de Recursos Hídricos do Estado da Paraíba, que será
desenvolvida de acordo com os critérios e princípios estabelecidos nesta lei,
observadas as disposições das Constituições Federal e Estadual, bem como a Política
Nacional do Meio Ambiente e de Recursos Hídricos.

SEÇÃO II
Dos Objetivos e Princípios Básicos

Art. 2º A Política Estadual de Recursos Hídricos visa assegurar o uso integrado e


racional desses recursos, para a promoção do desenvolvimento e do bem estar da
população do Estado da Paraíba, baseada nos seguintes princípios:

I - O acesso aos Recursos Hídricos é direito de todos e objetiva atender às


necessidades essenciais da sobrevivência humana.

II - Os recursos hídricos são um bem público, de valor econômico, cuja utilização deve
ser tarifada.

III - A bacia hidrográfica é uma unidade básica físico-territorial de planejamento e


gerenciamento dos Recursos Hídricos.

IV - O gerenciamento dos Recursos Hídricos far-se-á de forma participativa e


integrada, considerando os aspectos quantitativos e qualitativos desses Recursos e
as diferentes fases do ciclo hidrológico.

237
V - O aproveitamento dos Recursos Hídricos deverá ser feito racionalmente de forma
a garantir o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente.

VI - O aproveitamento e o gerenciamento dos Recursos Hídricos serão utilizados


como instrumento de combate aos efeitos adversos da poluição, da seca, de
inundações, do desmatamento indiscriminado, de queimadas, da erosão e do
assoreamento.

SEÇÃO III
Das Diretrizes Gerais

Art. 3º A Política Estadual de Recursos Hídricos será desenvolvida de acordo com as


seguintes diretrizes:

I - Otimização da oferta de água para as diversas demandas e, em qualquer


circunstância, priorizando o abastecimento da população humana;

II - Proteção dos Recursos Hídricos contra ações comprometedoras da sua qualidade,


quantidade e usos;

III - Estabelecimento em conjunto com os municípios de um sistema de alerta e defesa


civil, quando da ocorrência de eventos extremos tais como, secas e cheias.

IV - Compatibilização dos Programas de uso e preservação dos Recursos Hídricos


com os da União, dos estados vizinhos e dos municípios, através da articulação

intergovernamental;

V - Maximização dos benefícios sócio-econômicos nos aproveitamentos múltiplos dos


Recursos Hídricos;

VI - Racionalização do uso dos Recursos Hídricos superficiais e subterrâneos,


evitando exploração inadequada;

VII - Estabelecimento de prioridades no planejamento e na utilização dos Recursos

Hídricos de modo a ser evitar ou minimizar os conflitos de uso;

VIII - Distribuição dos custos das obras públicas de aproveitamento múltiplo, ou de


interesse coletivo, através do princípio do rateio entre as diversas esferas de governo
e os beneficiários.

IX - Fixação das tarifas, considerando os aspectos e condições sócio-econômicas das


populações usuárias.

238
X - Estabelecimento de áreas de proteção aos mananciais, reservatórios, cursos de
água e demais Recursos Hídricos no Estado sujeitas à restrição de uso.

SEÇÃO IV
Da Execução da Política de Recursos Hídricos

Art. 4º São instrumentos da execução da Política de Recursos Hídricos:

I - Sistema Integrado de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos;

II - Plano Estadual de Recursos Hídricos;

III - Planos e Programas Intergovernamentais.

CAPÍTULO II
DO SISTEMA INTEGRADO DE PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DE
RECURSOS HÍDRICOS

SEÇÃO I
Dos Objetivos

Art. 5º O Sistema Integrado de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos


tem como finalidade a execução da Política Estadual de Recursos Hídricos e a
formulação, atualização e aplicação do Plano Estadual de Recursos Hídricos, em
consonância com os órgãos e entidades estaduais e municipais, com a participação
da sociedade civil organizada.

SEÇÃO II
Da Estrutura do Sistema De Gerenciamento

Art6º O Sistema Integrado de Planejamento e Gerenciamento dos Recursos Hídricos


será composto pelos seguintes órgãos:

I – Órgão de Coordenação: Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia e do Meio

Ambiente – SECTMA;

II – Órgão Deliberativo e Normativo: Conselho Estadual de Recursos Hídricos –

CERH;

239
III – Órgão Gestor: Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da

Paraíba – AESA;

IV – Órgãos de Gestão Participativa e Descentralizada: Comitês de Bacia

Hidrográfica112;

Art. 7º Fica criado o Conselho Estadual de Recursos Hídricos, com atuação em todo
o Estado da Paraíba, tendo a seguinte composição:

I – o Secretário de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Ciência e

Tecnologia – SEMARH, que o presidirá113;

II – os Secretários de Estado ou seus substitutos legais:

a) do Planejamento e Gestão;

b) do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca;

c) da Infra-Estrutura;

d) da Saúde;

III – um representante de cada um dos seguintes órgãos e entidades:

a) Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba – AESA;

b) Superintendência da Administração do Meio Ambiente – SUDEMA;

c) Agência Estadual de Vigilância Sanitária da Paraíba – AGEVISA;

d) Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba – EMATER;

e) Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba – CDRM;

f) Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS;

g) Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis –

IBAMA;

112
Redação determinada pelo Art. 1º da Lei n° 8.446/2007

113
Redação dada pela Lei nº. 8.871, de 14 de agosto de 2009

240
IV – um representante do Poder Público municipal e respectivo suplente, indicados
pela Federação das Associações de Municípios da Paraíba – FAMUP;

V – um representante de cada um dos seguintes usuários e entidades representativas


de usuários de recursos hídricos:

a) Companhia de Água e Esgotos da Paraíba – CAGEPA;

b) Federação das Indústrias do Estado da Paraíba – FIEP;

c) Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba – FAEPA;

d) Associação de Plantadores de Cana da Paraíba – ASPLAN;

e) SINDALCOOL – Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool no Estado da

Paraíba;

VI – um representante de cada uma das seguintes organizações civis de recursos


hídricos:

a) Universidade Federal da Paraíba – UFPB;

b) Universidade Federal de Campina Grande – UFCG;

c) Universidade Estadual da Paraíba – UEPB;

d) Associação Brasileira de Recursos Hídricos – ABRH;

e) Associação Brasileira de Engenharia Sanitária – ABES;

VII – um representante de cada um dos Comitês de Bacia Hidrográfica de rios de


domínio estadual;

VIII – um representante das organizações não-governamentais com objetivos,


interesses e atuação comprovada na área de recursos hídricos, com mais de um ano
de existência legal, e seu suplente, escolhido em processo seletivo a ser coordenado
pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH.

§ 1º Os representantes de que tratam os incisos III, V e VI do caput deste artigo e seus


suplentes serão indicados pelos titulares dos respectivos órgãos e entidades.

§ 2º Ocorrendo a extinção de quaisquer dos órgãos ou entidades previstos no caput


deste artigo ou a recusa à ocupação da vaga, caberá ao CERH promover o ajuste na
sua composição, respeitado o respectivo setor.

241
§ 3º Para os efeitos do § 2º deste artigo, equipara-se à recusa à ocupação da vaga a
falta injustificada do representante do órgão ou entidade a mais de quatro reuniões
consecutivas.

§ 4º O Diretor Presidente da AESA comporá o Conselho Estadual de Recursos

Hídricos – CERH, na condição de Secretário Executivo e, nos impedimentos do


presidente, será seu substituto legal114”.

Art. 8° - Revogado pelo Art. 11 da Lei n° 6.544/1997.

Art. 9° Revogado pelo Art. 11 da Lei n° 6.544/1997.

SEÇÃO III
Da Competência

SUBSEÇÃO I
Do Conselho Estadual de Recursos Hídricos

Art. 10-A. Compete ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos:

I – analisar e aprovar a Política Estadual de Recursos Hídricos e acompanhar a sua

execução;

II – analisar propostas de alteração da legislação pertinente a recursos hídricos e à

Política Estadual de Recursos Hídricos;

III – aprovar o Plano Estadual de Recursos Hídricos, acompanhar a sua execução e


determinar as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

IV – definir as prioridades de investimento de recursos financeiros relacionados

com o Plano Estadual de Recursos Hídricos;

V – aprovar o relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos do Estado da

Paraíba;

114
Redação determinada pelo Art. 1º da Lei n° 8.446/2007

242
VI – aprovar o enquadramento de corpos de água em classes de uso preponderante,
com base nas propostas dos órgãos e entidades que compõem o Sistema Integrado
de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos;

VII – formular programas anuais e plurianuais de aplicação de recursos do Fundo

Estadual dos Recursos Hídricos – FERH;

VIII – estabelecer diretrizes complementares para implementação da Política

Estadual de Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema


Integrado de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos;

IX – estabelecer os critérios gerais para a outorga de direitos de uso de recursos

hídricos e para a cobrança por seu uso e definir os valores a serem cobrados;

X – deliberar sobre as acumulações, derivações, captações e lançamentos de pouca


expressão, para efeito de isenção da obrigatoriedade de outorga de direitos de uso de
recursos hídricos, com base nas propostas apresentadas pelos Comitês de Bacia

Hidrográfica;

XI – estabelecer critérios e promover o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de


interesse comum ou coletivo;

XII – aprovar propostas de instituição dos Comitês de Bacia Hidrográfica e estabelecer


critérios gerais para a elaboração de seus regimentos;

XIII – arbitrar, em segunda instância administrativa, os conflitos relacionados aos


recursos hídricos;

XIV – deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Comitês
de Bacia Hidrográfica;

XV – arbitrar os conflitos existentes entre Comitês de Bacia Hidrográfica;

XVI – instituir Câmaras Técnicas;

XVII – elaborar e submeter à aprovação do Governador do Estado o seu regimento


interno;

XVIII – colaborar com o Governo do Estado na celebração de convênios e acordos


com entidades nacionais e internacionais para o desenvolvimento do setor de
recursos hídricos;

243
XIX – exercer as competências de comitê de bacia hidrográfica, nas bacias de rios
estaduais enquanto estes não forem instituídos;

XX – estabelecer os mecanismos e regulamentos de ré-uso de águas servidas e de


dessalinização de água salobra no âmbito do Estado da Paraíba;

XXI – incentivar e subsidiar todas as formas de acumulação de recursos hídricos


destinado à produção de alimentos e à produção agroindustrial de bioenergia,
respeitando as necessidades e as limitações dos setores produtivos e da
agroindústria, de forma a garantir a sustentabilidade econômica115.

SUBSEÇÃO II
Dos Comitês de Bacia Hidrográfica

Art. 10-B. Compete aos Comitês de Bacia Hidrográfica, no âmbito de sua área de
atuação:

I – promover o debate das questões relacionadas a recursos hídricos e articular a


atuação das entidades intervenientes;

II – arbitrar, em primeira instância administrativa, os conflitos relacionados aos


recursos hídricos;

III – aprovar o Plano de Recursos Hídricos da bacia, acompanhar a sua execução e


sugerir as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

IV – propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos as acumulações, derivações,


captações e lançamentos de pouca expressão, para efeito de isenção da
obrigatoriedade de outorga de direitos de uso de recursos hídricos, de acordo com os
domínios destes;

V – propor os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos, sempre com o


propósito de responsabilizar e ampliar o universo de usuários sobre a importância dos
mesmos, e sugerir os valores a serem cobrados com base em estudos de viabilidade
econômico-financeira sobre o impacto de qualquer cobrança sobre as atividades e a
competitividade do agronegócio e da agricultura familiar, assim como sobre a geração
de empregos na região116”.

115
Subseção criada pelo Art. 2º da Lei n° 8.446/2007

116
Subseção criada pelo Art. 2º da Lei n° 8.446/2007

244
CAPÍTULO III
DO PLANO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art 11. O Plano Estadual de Recursos Hídricos será instituído por Lei, obedecidos

os princípios e diretrizes da Política Estadual de Recursos Hídricos e terá como base


os Planos das Bacias Hidrográficas.

§ 1º O Plano Estadual de Recursos Hídricos será avaliado anualmente pelo

Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

§ 2º A avaliação do Plano será feita a partir da elaboração de um Relatório Anual


sobre a situação dos Recursos Hídricos no Estado da Paraíba, tomando-se por base
a situação das Bacias Hidrográficas, objetivando propor a atualização do orçamento
plurianual de investimentos.

§ 3º O Relatório de que trata o parágrafo anterior deverá conter, no mínimo:

I - a avaliação da qualidade das águas ;

II - balanço entre a disponibilidade e a demanda;

III - uma avaliação do cumprimento dos programas previstos nos vários Planos das

Bacias Hidrográficas117.

Art. 12. O Plano Estadual de Recursos Hídricos terá objetivos geral e específico,
diretrizes e metas definidas a partir de um processo de planejamento integrado e
participativo, perfeitamente compatibilizado com outros planos gerais, regionais e
setoriais.

§ 1º Na elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos deverão ser


compatibilizadas as questões interbacias e consolidados os programas anuais e
plurianuais de cada Bacia Hidrográfica.

§ 2º O Plano Estadual de Recursos Hídricos será composto de programas de


desenvolvimento institucional, tecnológico, gerencial e de formação de Recursos
Humanos, especializados no campo dos Recursos Hídricos.

117
Artigo com redação determinada pelo Art. 9° da Lei N° 6.544/1997

245
§ 3º O Plano apoiará a realização de estudos e pesquisas desenvolvidas por
instituições de ensino e pesquisa.

§ 4º Integrará o Plano, um quadro de dispêndios financeiros com a definição de usos


e fontes, cujos valores e critérios deverão constar da Lei de Diretrizes Orçamentarias,
do Orçamento Plurianual de Investimento e do Orçamento Programa Anual.

Art. 13. Os Planos das Bacias Hidrográficas, serão elaborados através do Sistema

Integrado de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos e conterão, entre


outros, os seguintes elementos:

I - Diretrizes gerais a nível regional capazes de orientar Planos Diretores Municipais,


notadamente nos setores de crescimento urbano, localização industrial, proteção dos
mananciais, exploração mineral, irrigação, saneamento, pesca e piscicultura, segundo
as necessidades de recuperação, proteção e conservação dos Recursos Hídricos das
bacias ou regiões, bem como do Meio-Ambiente.

II - Metas de curto, médio e longo prazos para se atingir índices progressivos,


traduzidos, entre outros em:

a) planos de utilização prioritária e propostas de enquadramento dos corpos de água


em classes de uso preponderante;

b) programas anuais e plurianuais de utilização, recuperação, proteção e conservação


dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica correspondente, inclusive com
especificações dos recursos financeiros necessários.

CAPÍTULO IV
DOS PLANOS E PROGRAMAS INTERGOVERNAMENTAIS

Art. 14 O Estado promoverá programas conjuntos com outros níveis de Governo,

federal e municipal mediante convênios, com vistas a:

I - Identificação de áreas de proteção e conservação de águas de possível utilização

para abastecimento das populações.

II - Implantação, conservação e recuperação das áreas de proteção permanente e


obrigatória, nas Bacias Hidrográficas.

III - Tratamento de águas residuárias, efluentes e esgotos urbanos, industriais e


outros, antes do lançamento nos corpos de água.

246
IV - Construção de barragens, transposição e reversão de águas interbacias.

V - Combate e prevenção das inundações, da erosão e o zoneamento das áreas


inundáveis.

VI - Promoção de campanhas educativas visando o disciplinamento do uso dos


Recursos Hídricos.

CAPÍTULO V
DOS INSTRUMENTOS DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS

SEÇÃO I
Da Outorga de Direitos de Uso dos Recursos Hídricos

Art. 15 No âmbito da competência do Estado, qualquer intervenção nos cursos de


água ou aquífero que implique na utilização dos Recursos Hídricos, a execução de
obras ou serviços que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade dos mesmos,
depende da autorização do Órgão Gestor, do Sistema de Planejamento e
Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Estado da Paraíba.

§ 1º A Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba – AESA cobrará


uma taxa administrativa para fazer face às despesas de análise processual e de
vistoria técnica, para fins de outorga de direito de uso de recursos hídricos e de licença
de obra hídrica, cujos critérios e valores serão estabelecidos por Decreto do Poder
Executivo.

§ 2º Dependerá de prévia licença da Agência Executiva de Gestão das Águas do

Estado da Paraíba – AESA a execução de qualquer obra ou serviço de oferta hídrica,


nas águas de domínio do Estado da Paraíba suscetíveis de alterar o regime, a
quantidade ou a qualidade dos recursos hídricos118”.

Art. 16 Depende de cadastramento e da outorga do direito de uso pelo Órgão

Gestor, a derivação de água de seu curso ou depósito superficial ou subterrâneo, para


fins de utilização no abastecimento urbano, industrial, agrícola e outros, bem como, o
lançamento de efluentes nos corpos de água, obedecida a legislação federal e
estadual pertinente.

Parágrafo Único. A outorga não implica na alienação parcial das águas, que são
inalienáveis, mas o simples direito do seu uso.

118
Artigo com redação determinada pelo Art. 3º da Lei n° 8.446/2007

247
Art. 17 Constitui infração às normas de utilização dos Recursos Hídricos e sujeito,
portanto as penalidades específicas:

I - Derivar ou utilizar os Recursos Hídricos superficiais e subterrâneos para qualquer


finalidade sem a respectiva outorga de direito de uso, salvo o disposto no parágrafo
único do Artigo 16 desta Lei.

II - Iniciar, sem autorização do Órgão Gestor, a implantação ou implantar qualquer


empreendimento relacionado com a derivação ou a utilização de Recursos Hídricos
que implique em alterações em regime, na quantidade e qualidade dos mesmos.

III - Utilizar os Recursos Hídricos fora do prazo estabelecido na outorga, sem solicitar
a devida prorrogação ou renovação, em tempo hábil.

IV - Executar obras ou serviços para a utilização dos Recursos Hídricos, em desacordo


com as condições estabelecidas na outorga.

V - Fraudar ou informar valores incorretos das medições dos volumes de água,


utilizados ou captados conforme a outorga.

VI - Infringir as normas estabelecidas nesta Lei, ou outras de natureza administrativa,


compreendendo instruções e procedimentos fixados pelo Órgão Gestor.

VII - Não atender as solicitações, contrárias a proteção e a conservação dos Recursos


Hídricos e do Meio Ambiente, na forma fixada em lei.

Art.18 A infringência às disposições do artigo anterior serão punidas através de


penalidades indicadas em Regulamento aprovado por ato governamental, que deverá
estabelecer o procedimento para sua aplicação, assegurada ampla defesa ao infrator.

§ 1º Qualquer prejuízo ao serviço público de abastecimento de água, riscos à saúde


ou à vida, perecimento de bens ou animais, ou prejuízos de qualquer natureza à
terceiros, implicará além das multas, o encaminhamento do fato delituoso à justiça
para as providências legais, respondendo a autoridade omissa por crime de
responsabilidade.

§ 2º No caso de reincidência, as multas deverão ser cobradas em dobro.

§ 3º Das sanções previstas, caberá recurso ao Conselho Estadual de Recursos


Hídricos.

248
SEÇÃO II
Da Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos

Art. 19 A cobrança do uso da água bruta de domínio do Estado da Paraíba é um

instrumento gerencial da Política Estadual de Recursos Hídricos que obedecerá aos


seguintes critérios:

I – Considerar as peculiaridades das Bacias Hidrográficas do Estado da Paraíba,

inclusive a frequente ocorrência de déficit no atendimento das demandas hídricas.

II – Considerar o fato de que, sendo os cursos d´água localizados no Estado da


Paraíba na imensa maioria de natureza intermitente, isto exige a construção de obras
de regularização de vazões para o seu efetivo aproveitamento.

III – Considerar a classe de uso preponderante, em que se enquadra o corpo d´água


onde se localiza ou a derivação, o consumo efetivo e a finalidade a que se destina.

IV – Estabelecer a cobrança pela diluição, transporte e assimilação de efluentes de


sistemas de esgotos ou outros contaminantes de qualquer natureza, considerando a
classe de uso em que se enquadra o corpo de água receptor, a proporção da carga
lançada em relação à vazão natural ou regularizada, ponderando-se dentre outros os
parâmetros orgânicos físico-químicos e bacteriológicos dos efluentes.

§ 1º A cobrança será efetuada pela Agência Executiva de Gestão das Águas do

Estado da Paraíba – AESA e deverá estar compatibilizada e integrada com os demais


instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos, sendo vinculada aos
programas de investimentos definidos nos Planos de Recursos Hídricos.

§ 2º Os critérios, mecanismos e valores a serem cobrados serão estabelecidos


mediante Decreto do Poder Executivo, após aprovação pelo Conselho Estadual de
Recursos Hídricos, com base em proposta de cobrança encaminhada pelo respectivo
Comitê de Bacia Hidrográfica, fundamentada em estudos técnicos elaborados pela
Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba – AESA.

§ 3º Os Comitês de Bacia Hidrográfica poderão propor ao Conselho Estadual de

Recursos Hídricos mecanismos de incentivo e redução do valor a ser cobrado pelo


uso de recursos hídricos, em razão de investimentos voluntários para ações de
melhoria da qualidade e da quantidade da água e do regime fluvial, as quais resultem
em sustentabilidade ambiental da bacia e tenham sido aprovados pelo respectivo
Comitê.

249
§ 4º Os valores da cobrança pelo uso de recursos hídricos originários de bacias
hidrográficas localizadas em outros Estados, transferidos através de obras
implantadas pela União, serão estabelecidos pela Agência Executiva de Gestão das
Águas do Estado da Paraíba – AESA, em articulação com o órgão federal competente,
assegurada a participação do Conselho Estadual de Recursos Hídricos e dos Comitês
das Bacias Hidrográficas beneficiárias na discussão da proposta de cobrança119.

Art. 20 A periodicidade de revisão dos valores a serem cobrados, bem como da


isenção da obrigatoriedade de outorga de direitos de uso de recursos hídricos, será
estabelecida pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos, em articulação com os
Comitês de Bacia Hidrográfica, com base em estudos técnicos elaborados pela
Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba – AESA120.

SEÇÃO III

Do Rateio dos Custos das Obras de Uso Múltiplo

Art. 21 O princípio do rateio dos custos, se aplicará direta ou indiretamente às obras


públicas de uso múltiplo ou de interesse coletivo segundo critérios e normas a serem
estabelecidos em regulamento pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos
atendidos os seguintes procedimentos:

I - A negociação do rateio dos custos entre as entidades beneficiadas, deverá ser


precedida de concessão ou autorização de obras de aproveitamento múltiplo, e
quando envolver a geração de energia hidroelétrica, a União fará parte da negociação.

II - No caso de obras de uso múltiplo ou de interesse coletivo, com dotações a fundo


perdido, sua execução dependerá além dos estudos de viabilidade técnica,
econômica, social e ambiental, de uma previsão de retorno dos investimentos públicos
na forma de benefícios ou de uma justificativa circunstanciada.

Parágrafo Único. Os recursos provenientes do rateio dos custos serão destinados ao


Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

119
Artigo com redação determinada pelo Art. 4º da Lei n° 8.446/2007
120
Redação dada pelo Art. 4º da Lei n°8.446/2007

250
CAPÍTULO VI
DO FUNDO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

SEÇÃO I
Dos Objetivos

Art. 22 Fica criado o Fundo Estadual de Recursos Hídricos, mediante esta Lei, com a
finalidade de oferecer suporte financeiro à execução da Política Estadual de Recursos
Hídricos.

SEÇÃO II
Da Gestão Do Fundo

Art. 23 O Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FERH será administrado pela

Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba – AESA e


supervisionado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

§ 1º A Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba – AESA


submeterá, semestralmente, a prestação de contas referente à movimentação
financeira do FERH para aprovação do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, que
terá o prazo de até trinta dias para apreciá-la.

§ 2º O regulamento do FERH será aprovado por Decreto do Poder Executivo121.

SEÇÃO III
Dos Recursos do Fundo

Art. 24 O Fundo Estadual de recursos Hídricos será suprido pelas seguintes fontes:

I - Recursos Orçamentários do Estado;

II - Transferência da União ou de Estados vizinhos destinados à execução de planos


e programas de Recursos Hídricos de interesse comum.

III - Compensação financeira que o Estado receber em decorrência dos


aproveitamentos hidroenergéticos;

121
Artigo com redação determinada pelo Art. 4º da Lei n° 8.446/2007

251
IV - Parte da arrecadação relativa a compensação financeira que o Estado receber
pela exploração de recursos minerais para a aplicação exclusiva em levantamentos,
estudos e programas de interesse para o gerenciamento dos Recursos Hídricos
subterrâneos.

V - Recursos financeiros resultantes da cobrança pela utilização dos Recursos

Hídricos.

VI - Empréstimos de entidades nacionais e internacionais.

VII - Recursos provenientes de ajuda e cooperação internacional e de acordos


intergovernamentais.

VIII - Produto de operação de crédito e os rendimentos provenientes da aplicação dos


recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

IX - Resultado da aplicação de multas cobradas dos infratores, previstas na presente


Lei.

X - Recursos decorrentes do rateio de custos conforme o estabelecido na presente

Lei.

XI - Das contribuições pelo melhoramento e taxas cobradas dos beneficiados pelas


obras de aproveitamento ou serviços prestados.

XII - Doações de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, nacionais ou


estrangeiras e quaisquer outros recursos concedidos ao Fundo.

SEÇÃO IV
Das Aplicações do Fundo

Art. 25 A aplicação de recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos deverá ser


orientada pela Política Estadual de Recursos Hídricos, baseada no Plano Estadual de
Recursos Hídricos, devidamente compatibilizada com o Orçamento plurianual de

Investimento e os recursos orçamentários do Estado destinados ao referido Fundo.

§ 1º As prioridades na aplicação dos recursos do FERH serão definidas pelo Conselho


Estadual de Recursos Hídricos, em articulação com os Comitês de Bacia Hidrográfica,
com base em estudos técnicos elaborados pela Agência Executiva de Gestão das
Águas do Estado da Paraíba – AESA.

252
§ 2º Os recursos do FERH serão depositados obrigatoriamente em conta específica a
ser aberta e mantida em instituição financeira oficial.

§ 3º Fica autorizada a aplicação financeira das disponibilidades do FERH em


operações ativas, de modo a preservá-las contra eventual perda do poder aquisitivo
da moeda.

§ 4º Os saldos verificados no final de cada exercício financeiro serão automaticamente


transferidos para o exercício seguinte122.

Art. 26. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão
obrigatoriamente depositados no Fundo Estadual de Recursos Hídricos e aplicados
prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados, devendo ser utilizados:

I – no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídos nos Planos de


Recursos Hídricos;

II – no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e


entidades integrantes do Sistema Integrado de Planejamento e Gerenciamento de
Recursos Hídricos.

§ 1º A aplicação nas despesas previstas no inciso II deste artigo é limitada a 7,5%

(sete e meio por cento) do total arrecadado.

§ 2º Os valores previstos no caput deste artigo poderão ser aplicados a fundo perdido
em projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à coletividade, a
qualidade, a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água.

§ 3º Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão


consignados em fontes de recursos próprias, por bacia hidrográfica, para as
aplicações previstas neste artigo.

§ 4º A Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba – AESA manterá


registros contábeis que correlacionem as receitas e as despesas com as bacias
hidrográficas em que foram geradas.

§ 5º A prioridade na aplicação dos recursos da cobrança pelo uso de recursos hídricos


provenientes de obras de transposição de bacias realizadas pela União será a
restituição, no que couber, das despesas com operação e manutenção da infra
estrutura hídrica.

122
Artigo com redação determinada pelo Art. 4º da Lei n° 8.446/2007

253
§ 6º Aplica-se aos recursos a que se refere o caput o disposto no § 2º do art. 9º da Lei
Complementar Federal nº 101, de 04 de maio de 2000123.

Art. 27 Parte dos Recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos será destinado
especificamente para realização de estudos e pesquisas, visando o desenvolvimento
tecnológico e a capacitação de Recursos Humano do setor.

Parágrafo Único124.

CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS

Art. 28 Para ocorrer com as despesas decorrentes da implantação desta Lei fica o
Poder Executivo autorizado a abrir no orçamento do corrente exercício um crédito
especial de R$ 50.000,00(cinquenta mil reais), para o Fundo Estadual de Recursos
Hídricos.

CAPÍTULO VIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 29 A Estrutura Organizacional Básica do Poder Executivo, de que trata a Lei n.º
3.936, de 22 de novembro de 1977, com as alterações da lei n.º 5.404, de 06 de maio
de 1991 e 5.583, de 19 de maio de 1992 passa a vigorar com as seguintes
modificações:

I - A Secretaria da Justiça, Cidadania e Meio Ambiente volta a denominar-se


SECRETARIA DA CIDADANIA E JUSTIÇA.

II - Para os efeitos do inciso anterior fica denominado de SECRETÁRIO DA

CIDADANIA E JUSTIÇA o Secretário da Justiça, Cidadania e Meio Ambiente;

III – (Revogado pelo Art. 11 da Lei N° 6.544/1997)

Art. 30 A Coordenadoria de Irrigação e Recursos Hídricos da Secretaria de

Agricultura, Irrigação e Abastecimento, passará a denominar-se: COORDENADORIA


DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM.

123
Artigo com redação determinada pelo Art. 4º da Lei n° 8.446/2007
124
Revogado pelo Art. 22 da Lei N° 7.033/2001

254
Art. 31 Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições
em contrário.

Palácio do Governo do Estado da Paraíba, em João Pessoa, em 02 de julho de 1996,


107º da Proclamação da República125.

José Targino Maranhão


Governador

Solon Henriques de Sá e Benevides


Secretário Chefe do Gabinete Civil do Governador

Publicada no D.O.E. de 3/07/1996

6.2. Decreto n. 19.260, de 31 de outubro de 1997

“Regulamenta a Outorga do Direito de Uso dos Recursos Hídricos”.

DECRETO Nº 19.260, DE 31 DE OUTUBRO DE 1997 – Regulamenta a Outorga do


Direito de Uso dos Recursos Hídricos. Regulamenta a outorga do direito de uso dos
recursos hídricos e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DA PARAÍBA, no uso das atribuições que lhe confere


o art. 86, Inciso IV da Constituição do Estado e tendo em vista o disposto na Lei n.º
6.544, de 20 de outubro de 1997,

DECRETA:

CAPÍTULO I
DO OBJETIVO

Art. 1º O presente Decreto tem por objetivo a regulamentação da outorga do direito do


uso dos recursos hídricos dominiais do Estado da Paraíba, prevista na Lei n.º 6.544,
de 20 de outubro de 1997

125
Disponível em: http://www.aesa.pb.gov.br/legislacao/leis/estadual/Lei_n_6.308_96_Politica_
Estadual_Atualizada.pdf

255
CAPÍTULO II
DOS PRINCÍPIOS

Art. 2º Sem prejuízo de outros princípios básicos, a outorga do direito de uso dos
recursos hídricos será composta por princípios gerais e por princípios programáticos.

SEÇÃO I
Dos Princípios Gerais

Art. 3º O procedimento da outorga atenderá aos seguintes princípios gerais:

I - a água constitui direito de todos para as primeiras necessidades da vida;

II - o uso da água tem função social preeminente, com prioridade para o abastecimento
humano;

III - é dever de toda pessoa, física ou jurídica, zelar pela preservação dos recursos
hídricos nos seus aspectos de qualidade e de quantidade;

IV - será dada prioridade para o aproveitamento social e econômico da água, inclusive,


como instrumento de combate à disparidade regional e à pobreza nas regiões sujeitas
a secas periódicas;

V - o uso da água será compatibilizado com as políticas de desenvolvimento urbano


e agrícola.

SEÇÃO II
Dos Princípios Programáticos

Art. 4º A concessão, fiscalização e controle da outorga serão estabelecidos por


princípios programáticos estabelecidos pela Secretaria Extraordinária do Meio
Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais, com a necessidade de:

I - compatibilizar a ação humana com a dinâmica do ciclo hidrológico do Estado, de


forma a assegurar as condições para o desenvolvimento social e econômico, com
melhoria da qualidade de vida e em equilíbrio com o meio ambiente;

II - assegurar que a água, recurso natural essencial

l à vida, ao bem-estar social e ao desenvolvimento econômico, seja controlada e


utilizada em padrões de qualidade e quantidade satisfatórios, por seus usuários atuais
e pelas gerações futuras, em todo o território do Estado da Paraíba;

256
III - planejar e gerenciar, de forma integrada, descentralizada e participativa, o uso
múltiplo, o controle, a conservação, a proteção e a preservação dos recursos
hídricos, cuidando para que não haja dissociação dos aspectos qualitativos
e quantitativos, considerando as fases aérea, superficial e subterrânea do ciclo
hidrológico;

IV - adotar como unidade básica para gerenciamento dos recursos hídricos a bacia
hidrográfica;

V - considerar que, sendo os recursos hídricos bens de uso múltiplo e competitivo, a


outorga de direitos de seu uso é considerada instrumento essencial para seu
gerenciamento.

CAPÍTULO III
DOS CONCEITOS TÉCNICOS

Art. 5º Para os fins deste Regulamento, considera-se:

I - Corpo de Água - a massa de água que se encontra em um determinado lugar,


podendo ser subterrânea ou de superfície e sua quantidade variar ao longo do tempo,
compreendendo cursos d'água, aquífero e reservatórios naturais ou artificiais;

II - Bacia Hidráulica - o espaço ocupado pela massa de água de um açude, até o limite
de seu sangradouro;

III - Vazão Nominal de Teste de Poço - a descarga regularizada pelo poço no período
de 24 (vinte e quatro) horas;

IV - Capacidade de Recarga de Aquífero - a reposição sazonal da água retirada ou


evadida de reserva subterrânea;

V - Vazão Regularizada - a quantidade média anual de água que pode ser fornecida
por um açude com uma determinada segurança de tempo de utilização;

VI - Usuário - pessoa física ou jurídica, cuja ação ou omissão altere o regime, a


quantidade ou a qualidade da água ou o equilíbrio de seus ecossistemas.

257
CAPÍTULO IV
DA OUTORGA

SEÇÃO I
Da Exigibilidade da Outorga

Art. 6º Dependerá de prévia outorga da Secretaria Extraordinária do Meio


Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais, o uso de águas dominiais do
Estado da Paraíba, que envolva:

I - derivação ou captação de parcela de recursos hídricos existentes em um corpo

d'água, para consumo final ou para insumo de processo produtivo;

II - lançamento em um corpo d'água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos


com o fim de sua diluição, transporte e assimilação de esgotos urbanos e industriais;

III - qualquer outro tipo de uso que altere o regime, a quantidade e a qualidade da
água.

SEÇÃO II
Da Exigibilidade e da Negativa da Outorga

Art. 7º Não se exigirá outorga de direito de uso de água na hipótese de captação direta
na fonte, superficial ou subterrânea, cujo consumo não exceda de 2.000 l/h (dois mil
litros por hora).

Art. 8º Não se concederá outorga para:

I - lançamento na água de resíduos sólidos, radioativos, metais pesados e outros


resíduos tóxicos perigosos;

II - lançamento de poluentes nas águas subterrâneas.

SEÇÃO II
Do Processo de Habilitação da Outorga

Art. 9º O pedido de outorga do direito de uso de águas será processado perante a


Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais,
através de formulário padrão por ela fornecido e instruído com:

258
I - localização e superfície do imóvel rural ou urbano onde se utilizará a água;

II - título de propriedade ou de direito real, cessão de direitos, compromisso de compra


e venda do imóvel, ou prova da posse regular ou autorização de uso da área de terra
onde se dará a captação da água;

III - destinação da água;

IV - fonte onde se pretende obter a água, bem como a vazão máxima pretendida;

V - tipos de captação de água, equipamentos e obras complementares;

VI - quaisquer outras informações adicionais, consideradas imprescindíveis para


aprovação dos pedidos.

Art. 10 A Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e


Minerais terá prazo de 60 (sessenta) dias para decidir sobre a outorga, sendo-lhe
facultado ouvir previamente o Comitê de Bacia Hidrográfica respectivo.

Parágrafo Primeiro. A contagem do citado prazo será suspensa sempre que o


processo seja convertido em diligência a cargo do interessado e retomado no primeiro
dia útil após o cumprimento das exigências.

Parágrafo Segundo. Na hipótese de deferimento, a Secretaria Extraordinária do Meio


Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais formalizará o título da outorga, que será
passado em caráter pessoal e intransferível.

Art. 11 De decisão denegatória da outorga caberá recurso administrativo em última


instância para o Conselho Estadual de Recursos Hídricos, no prazo de 05 (cinco) dias
úteis, contados da efetiva ciência.

SEÇÃO IV
Da Prioridade para a Outorga

Art. 12 A outorga do direito de uso da água é deferida na seguinte ordem:

I - abastecimento doméstico, assim entendido o resultante de um serviço específico


de fornecimento da água, excluídas, portanto as hipóteses do Art. 8º;

II - abastecimento coletivo especial, compreendendo hospitais, quartéis, presídios,


colégios, etc.;

259
III - outros abastecimentos coletivos de cidades, distritos, povoados e demais núcleos
habitacionais, de caráter não residencial, compreendendo abastecimento de
entidades públicas, do comércio e da indústria, ligados à rede urbana;

IV - o uso da água, mediante captação direta para fins industriais, comerciais e


de prestação de serviços;

V - o uso da água, mediante captação direta ou por infra-estrutura de


abastecimento para fins agrícolas, compreendendo irrigação, pecuária, piscicultura,
etc.;

VI - outros usos permitidos pela legislação em vigor.

SEÇÃO V
Das Modalidades de Outorga

Art. 13. Para os fins deste Regulamento a outorga pode se constituir de:

I - cessão de uso, a título gratuito ou oneroso, sempre que o usuário seja


órgão ou entidade pública;

II - autorização de uso, consiste na outorga passada em caráter unilateral


precário, conferindo ao particular, pessoa física ou jurídica , o direito de uso de
determinada quantidade e qualidade de água, sob condições explicitadas;

III - concessão de uso, consiste na outorga de caráter contratual, permanente


e privativo, de uma parcela de recursos hídricos, por pessoa física ou jurídica, que
dela faça uso ou explore segundo sua destinação e condições específicas.

Parágrafo único - Enquanto não forem conhecidas e seguramente


dimensionadas as disponibilidades hídricas, serão outorgadas apenas autorizações
de uso ao particular.

Art. 14 Independentemente de transcrição no ato concessivo da outorga, por qualquer


das modalidades previstas no artigo precedente, as cessões, autorizações e
concessões estão sujeitas às seguintes condições concorrentes:

- disponibilidade hídrica;

II - observância das prioridades de uso asseguradas no Art. 12;

III - comprovação de que o uso de água não cause poluição ou desperdício


dos recursos hídricos;

260
IV - apresentação da licença prévia, quando se tratar de uso referente a obras
ou serviços de oferta hídrica estabelecida no Decreto n.º 19.258, de 31/10/97,
de , quando se tratar de uso referente à obras ou serviços de oferta hídrica.

Art. 15. A disponibilidade hídrica será entendida em função das características

hidrogeológicas do local ou da bacia sobre que incide a outorga, observado ainda o


seguinte:

I - quando se tratar de água superficial:

a) a vazão mínima natural será nula;

b) o valor de referência será a descarga regulariza da anual com garantia de 90%.

II - quando se tratar de água subterrânea, o referencial quantitativo poderá consistir:

a) na vazão nominal de teste do poço, ou

b) na capacidade de recarga do aquífero.

SEÇÃO VI
Da Limitação ou Suspensão da Outorga

Art. 16. O direito de uso poderá ser temporariamente limitado ou suspenso, a critério
exclusivo da Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e
Minerais e pelo tempo julgado necessário, na superveniência de casos fortuitos ou de
força maior, inclusive de fenômenos climáticos críticos que impossibilitem ou
dificultem extraordinariamente as condições de oferta hídrica, independentemente de
decretação de estado de calamidade pública.

SEÇÃO VII
Das Possibilidades de Extinção da Outorga

Art. 17. A outorga se extingue, sem qualquer direito de indenização ao usuário, nas
seguintes hipóteses:

I - abandono e renúncia, de forma expressa ou tácita;

II - inadimplemento de condições legais, regulamentares ou contratuais;

III - caducidade;

261
IV - uso prejudicial da água, inclusive poluição e salinização;

V - dissolução, insolvência ou encampação do usuário, pessoa jurídica;

VI - morte do usuário, pessoa física;

VII - a critério da Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos


e Minerais, ou de entidade por ela expressamente delegada, quando considerar o uso
da água inadequado para atender aos compromissos com as finalidades sociais e
econômicas.

Parágrafo único. Na hipótese do inciso VI, será concedido prazo de 06(seis) meses, a
contar do falecimento do usuário, para que o espólio ou seu legítimo sucessor se
habilite à transferência do direito de outorga.

SEÇÃO VIII
Do Prazo de Vigência da Outorga

Art. 18. Será de 10(dez) anos o prazo máximo de vigência da outorga de direito de
uso da água, podendo ser renovado a critério da Secretaria Extraordinária do Meio
Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais.

SEÇÃO IX
Dos Atuais Usuários

Art. 19. Os atuais usuários, que não disponham da outorga de que trata este
Regulamento, deverão obtê-la na forma aqui estabelecida.

SEÇÃO X
Da Tarifa

Art. 20. Excetuadas as hipóteses de cessão a título gratuito e de inexigibilidade,


a outorga do direito de uso das águas dominiais do Estado dependerá de tarifa a ser
fixada ano-a-ano pelo Governador do Estado, mediante proposta do Conselho
Estadual de Recursos Hídricos, e paga com base na vazão máxima outorgada,
ou na quantidade estabelecida em título pelo usuário, conforme critérios e
periodicidades a serem estabelecidos pela Secretaria Extraordinária do Meio
Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais, em função dos usos específicos.

262
SEÇÃO XI
Do Caráter Intransferível da Outorga

Art. 21. Considerando que a outorga somente incide sobre o uso de águas especiais,
tem ela caráter de uso singular, personalíssimo e intransferível, vedada de resto à
mudança da finalidade do uso assim como dos lugares especificados nos respectivos
atos de outorga para a captação.

Art. 22. A outorga não implica a alienação das águas, mas o simples direito de seu
uso.

CAPÍTULO V
DOS CRITÉRIOS DE QUANTIFICAÇÃO PARA OUTORGA

SEÇÃO I
Do Conceito de Vazão Disponível de Açude para cada Km de Leito de Rio
(m3/s)

Art. 23. As características físicas dos cursos de água do semi-árido paraibano


permitem estimar uma base de vazão regularizada normal para cada trecho de
01 km (um quilômetro) de leito natural dos rios.

Art. 24. O conceito de vazão disponível para efeito de cálculo da disponibilidade por
quilômetro de leito regularizável de cursos d'água, será em função do porte do açude
e nos seguintes valores: Açude Vazão Disponível por km em m3/s Médio 0,015
Grande 0,030 Macro 0,045

Art. 25. Tratando-se de pequeno açude com capacidade de regularização, será


considerada uma vazão disponível à base de 10 l/s (dez litros por segundo) por
quilômetro de leito regularizável.

SEÇÃO II
Da Limitação de Garantia

Art. 26. A soma dos volumes de água outorgados numa determinada bacia não poderá
exceder 9/10 (nove décimos) da vazão regularizada anual com 90% (noventa por
cento) de garantia.

Parágrafo único. Tratando-se de lagos territoriais ou de lagoas, o limite previsto no


"caput" deste artigo será reduzido em 1/3 (um terço).

263
SEÇÃO III
Em Águas Subterrâneas

Art. 27. A base quantitativa para outorga do direito de uso sobre águas subterrâneas
será considerada a partir de 2.000 l/h (dois mil litros por hora).

Parágrafo único - Será considerado como uso insignificante qualquer consumo abaixo
do valor indicado no "caput" deste artigo.

CAPÍTULO VI
DA FISCALIZAÇÃO

Art. 28. A fiscalização do cumprimento deste Regulamento e das normas dele


decorrentes será exercida pela Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos
Recursos Hídricos e Minerais ou por agentes, pessoas físicas ou jurídicas, por
ela expressamente credenciados.

Art. 29. No exercício da ação fiscalizadora ficam asseguradas aos servidores ou


agentes credenciados a entrada e a permanência pelo tempo que se tornar
necessário em estabelecimentos públicos ou privados.

CAPÍTULO VII
DAS INFRAÇÕES

Art. 30. Sem prejuízo de outros ilícitos, por ação ou omissão que importem
inobservância da Lei n.º 6.544, de 20 de outubro de 1997, ou desobediência a
determinações de caráter normativo da Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente,
dos Recursos Hídricos e Minerais, ou de quem atua por sua delegação expressa,
constitui infração:

I - usar por qualquer forma águas dominiais sem prévia outorga do direito de uso, ou
estando em mora com o pagamento da respectiva tarifa, ressalvadas as hipóteses do
Art. 8º;

II - efetuar os lançamentos citados no Art. 9º, incisos I e II;

264
III - dificultar, por qualquer modo, seja por ação ou omissão, a ação fiscalizadora,
opondo obstáculo ao local da captação e uso das águas, prestando informações falsas
ou distorcidas ou criando qualquer tipo de embaraço ao exercício da fiscalização;

IV - prosseguir com a captação ou uso de água interditados temporariamente, a


despeito de formalmente advertido para abster-se;

V - não proceder à remoção das obras ou à extinção dos serviços de captação e uso
definitivamente interditados.

CAPÍTULO VIII
DAS PENALIDADES

Art. 31. Conforme a gradação, as pessoas físicas ou jurídicas infratoras ficarão


sujeitas às seguintes penalidades:

I - advertência escrita, com prazo de até 30 (trinta) dias, para correção de


irregularidades e desde que se trate de primeira infração e não tenha causado danos
aos recursos hídricos nem à coletividade;

II - multa, com base na Unidade Fiscal Referencial do Estado da Paraíba - UFRPB,


ou outra que a venha substituir, na seguinte gradação:

a) 01 a 05 (uma a cinco) UFRPB's, na hipótese de não acatamento da advertência no


prazo nela estipulado;

b) 05 a 10 (cinco a dez) UFRPB's, na hipótese dos incisos II e III do artigo anterior;

c) 10 a 20 (dez a vinte) UFRPB's diárias, pelo período que durar a não paralisação,
na hipótese do inciso IV do artigo anterior;

d) 20 a 40 (vinte a quarenta) UFRPB's diárias, pelo período que durar a não remoção,
na hipótese do inciso V do artigo anterior;

III - interdição temporária da captação ou uso da água, pelo tempo necessário à


implementação das exigências da outorga;

IV - interdição definitiva, inclusive com revogação da outorga que tenha sido


concedida, na hipótese de inadequação insanável da captação ou uso da água
às exigências para concessão da citada outorga.

Parágrafo único. Na hipótese de interdição definitiva, além da revogação da outorga,


se tiver sido concedida, será o infrator obrigado a executar a remoção das obras ou a
extinguir os serviços de captação e uso da água. Na sua falta, a remoção ou extinção

265
será feita à custa do mesmo pela Administração Pública sem prejuízo da multa
prevista na alínea d do inciso II deste artigo.

Art. 32. São condições atenuantes da pena a ausência de dolo ou má-fé na captação
e uso da água e a pronta reparação de todos os prejuízos decorrentes de sua ação
ou omissão.

Art. 33. São condições agravantes da pena a comissão ou omissão dolosa, ou de má-
fé, a reincidência ou mera repetição da infração, assim como as consequências de
prejuízo ao serviço público de abastecimento de água, riscos à vida ou à saúde,
perecimento de bens, inclusive animais e prejuízo de qualquer natureza a terceiros
sem pronta reparação.

Artigo 34 - Além das penalidades previstas neste Regulamento, o infrator responderá


ainda, quando cabível, penal e civilmente, por ações ou omissões envolvendo
recursos hídricos do Estado.

CAPÍTULO IX
DA FORMAÇÃO DAS PENALIDADES

Art. 35. Dependerá do devido processo legal a aplicação das penas de multa,
interdição temporária e interdição definitiva.

Art. 36. Constatada qualquer irregularidade prevista no artigo anterior, será lavrado
auto de infração em 02 (duas) vias, sendo uma entregue ao imputado,
pessoalmente ou por aviso de recepção, destinando-se a outra à formação do
processo administrativo.

Art. 37. Com o auto de infração, o imputado será convidado a apresentar, querendo,
defesa escrita no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir da data do efetivo
recebimento do citado auto de infração.

Art. 38. Decorrido o prazo do artigo anterior, com ou sem defesa, a Secretaria

Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais confirmará ou não


o auto de infração, dando ciência ao imputado, pessoalmente ou por aviso de
recepção.

Art. 39. Dentro de 10 (dez) dias, contados da efetivação da ciência referida no artigo
anterior, o imputado efetuará o recolhimento da multa, em formulário próprio, junto a
qualquer agência do Banco do Estado da Paraíba S/A-PARAIBAN, ou em outro banco
autorizado pela Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e
Minerais.

266
CAPÍTULO X
DOS RECURSOS

Art. 40. Da aplicação de qualquer das penalidades previstas no Art. 33, incisos II a IV,
caberá recurso, sem efeito suspensivo, à Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente,
dos Recursos Hídricos e Minerais, no prazo de 15 (quinze) dias, contados da ciência.

Art. 41. Os recursos interpostos contra aplicação de penalidade de interdição


temporária ou definitiva, não serão conhecidos, ou serão prejudicados, se na
pendência dos mesmos ficar constatado que o recorrente não fez suspender a
captação ou uso da água.

Art. 42. Os recursos remetidos por via postal deverão ser registrados com "Aviso de
Recebimento" e encaminhados à Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos
Recursos Hídricos e Minerais dentro do prazo, valendo para este efeito o comprovante
do "AR".

CAPÍTULO XI
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 43. O Banco do Estado da Paraíba S/A-PARAIBAN não concederá qualquer


financiamento que tenha como suporte pressuposto a captação ou uso de águas
dominiais do Estado sem a apresentação da prévia outorga prevista neste
Regulamento, e a Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos
e Minerais desenvolverá articulação junto aos demais bancos oficiais e particulares,
para que procedam de igual modo.

Art. 44. A Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e


Minerais e a Superintendência de Administração do Meio Ambiente - SUDEMA,
articular-se-ão visando integrar suas respectivas licenças e a outorga do direito de uso
da água, de sorte a se evitar repetição de exigências, aproveitando-se, sempre
que possível, os elementos e dados para uma e outra licença e outorga.

Art. 45. As captações e usos de águas dominiais já existentes serão fiscalizados com
vistas a se enquadrarem nas exigências deste Regulamento, sob as penalidades nele
previstas.

Art. 46. Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação.

267
Art. 47. Revogam-se as disposições em contrário126 127.

Palácio do Governo do Estado da Paraíba, em João Pessoa, 31 de outubro de 1997;


108º da Proclamação da República.

José Targino Maranhão


Governador

Mário Silveira
Secretário do Planejamento

(Publicado no Diário Oficial de 01/11/1997)

126
Disponível em: http://www.aesa.pb.gov.br/legislacao/decretos/estadual/19260_97_o
utorga_agua.pdf

127
Nota: outorga Paraíba: http://www.aesa.pb.gov.br/outorga/

268
7. RIO GRANDE DO NORTE

7.1. Lei n. 6.908, de 01/07/1996

“Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos, institui o Sistema Integrado


de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH e dá outras providências”.

Política Estadual de Recursos Hídricos. O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO


GRANDE DO NORTE: FAÇO SABER que o Poder Legislativo decreta e eu sanciono
a seguinte Lei:

CAPÍTULO I
DOS OBJETIVOS, PRINCÍPIOS E DIRETRIZES

Art. 1º. A Política Estadual de Recursos Hídricos tem como objetivos:

I - planejar, desenvolver e gerenciar, de forma integrada, descentralizada e


participativa, o uso múltiplo, controle, conservação, proteção e preservação dos
recursos hídricos;

II - assegurar que a água possa ser controlada e utilizada em padrões de quantidade


e qualidade satisfatórios por seus usuários atuais e pelas gerações futuras.

Art. 2º. A Política Estadual de Recursos Hídricos atenderá aos seguintes princípios:

I - o aproveitamento dos recursos hídricos tem como prioridade o abastecimento


humano;

II - a unidade básica de planejamento para a gestão dos recursos hídricos é a bacia


hidrográfica;

III - a distribuição da água no território do Rio Grande do Norte obedecerá sempre a


critérios sociais, econômicos e ambientais;

IV - o planejamento, o desenvolvimento e a gestão da utilização dos recursos hídricos


do Estado do Rio Grande do Norte serão sempre concordantes com o
desenvolvimento sustentável;

V - a água é um bem econômico e deve ser valorada em todos os seus usos


concorrentes;

269
VI - a outorga do direito de uso da água é um instrumento essencial para o
gerenciamento dos recursos hídricos.

Art. 3º. São diretrizes gerais da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - a maximização dos benefícios econômicos e sociais, resultantes do


aproveitamento múltiplo e/ou integrado dos recursos hídricos do seu território;

II - a proteção de suas bacias hidrográficas contra ações que possam comprometer o


seu uso atual e futuro;

III - o desenvolvimento de programas permanentes de conservação e proteção das


águas subterrâneas, contra a poluição e a exploração excessiva ou não controlada;

IV - a articulação inter-governamental com o Governo Federal, Estados vizinhos e os


Municípios, para a compatibilização de planos de uso e preservação dos recursos
hídricos.

CAPÍTULO II
DOS INSTRUMENTOS DE POLÍTICA E GERENCIAMENTO DOS RECURSOS
HÍDRICOS

Art. 4º. São instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - o Plano Estadual de Recursos Hídricos;

II - o Fundo Estadual de Recursos Hídricos;

III - a outorga do direito de uso dos recursos hídricos e o licenciamento de obras


hídricas;

IV - a cobrança pelo uso da água.

Art. 5º. O Estado elaborará e manterá atualizado o Plano Estadual de Recursos


Hídricos em consonância como os princípios e diretrizes da Política Estadual de
Recursos Hídricos e assegurará recursos financeiros e mecanismos institucionais
para garantir:

I - a utilização racional das águas superficiais e subterrâneas;

II - o aproveitamento múltiplo dos recursos hídricos e o rateio dos custos das


respectivas obras entre os usuários;

III - a proteção das águas contra ações que possam comprometer seu uso atual e
futuro;
270
IV - a defesa contra secas, inundações e outros eventos críticos que possam oferecer
riscos à saúde e à segurança públicas e prejuízos econômicos e sociais;

V - programas destinados à capacitação profissional no âmbito dos recursos hídricos;

VI - campanhas educativas visando conscientizar a sociedade para a utilização


racional dos recursos hídricos do Estado.

Art. 6º. O Plano Estadual de Recursos Hídricos será aprovado por Lei, e será
revisto e atualizado a cada quatro anos.

Art. 7º. O Plano Estadual de Recursos Hídricos será inserido no Plano Plurianual de
Desenvolvimento do Estado, de forma a assegurar a integração setorial em seus
aspectos sociais, econômicos e ambientais.

Art. 8º. Fica criado o Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH, vinculado
institucionalmente à Secretaria de Recursos Hídricos e Projetos Especiais, que se
responsabilizará pela sua gestão administrativa, orçamentária, financeira e
patrimonial.

Art. 9º. O FUNERH tem por objetivo assegurar os meios necessários à execução das
ações programadas no Plano Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 10. Os recursos financeiros do FUNERH deverão ser depositados em conta


específica aberta em Banco Oficial e movimentada através do seu gestor;

Art. 11. A programação do FUNERH obedecer á às disposições contidas nesta Lei,


aos critérios técnico-legais vigentes pertinentes a orçamentação, administração
financeira e contábil, bem como, às normas de controle interno e externo.

Art. 12. O regulamento do FUNERH, será estabelecido através de Decreto Executivo,


no prazo de até 30 (trinta) dias a contar da data da publicação da presente Lei, fixando-
lhes competência necessária à sua implantação e funcionamento administrativo e
operacional.

Art. 13. Constituirão recursos do FUNERH:

I - recursos do Tesouro do Estado e dos Municípios, a ele destinados por Lei;

II - as transferências da União destinadas à execução de planos e programas de


recursos hídricos;

III - a compensação financeira que o Estado receber com relação ao aproveitamento


hidrenergético em seu território;

271
IV - 2% (dois por cento) da compensação financeira que o Estado receber com relação
ao aproveitamento de outros recursos minerais, como petróleo e gás natural;

V - o resultado da cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

VI - empréstimos, doações e outras contribuições financeiras de entidades nacionais


e internacionais;

VII - o retorno das operações de crédito contratadas com os recursos do Fundo;

VIII - as rendas provenientes da aplicação dos seus recursos;

IX - contribuições de melhoria, tarifas e taxas cobradas de beneficiários de obras e


serviços de aproveitamento e controle dos recursos hídricos.

Art. 14. Os recursos do FUNERH serão aplicados mediante convênio, acordos ou


ajustes a serem celebrados com órgãos e entidades da administração direta e indireta
do Estado e dos Municípios, bem como com entidades privadas cujos objetivos
estejam associados aos do FUNERH, desde que não possuam fins lucrativos, com a
finalidade de financiamento e custeio à:

I - realização de planos, programas, projetos e pesquisas com vistas ao


desenvolvimento, conservação, uso racional e sustentável, controle e proteção dos
recursos hídricos superficiais e subterrâneos;

II - execução de obras e serviços com vistas ao desenvolvimento, conservação, uso


racional e sustentável, controle e proteção dos recursos hídricos superficiais e
subterrâneos;

III - programas e estudos com vistas à capacitação de recursos humanos, pesquisas


e desenvolvimento tecnológico de interesse da gestão dos recursos hídricos;

IV - implementação das atividades de gestão dos recursos hídricos dos órgãos


integrantes do Sistema Integrado de Gestão dos Recursos Hídricos - SIGERH.

Art. 15. A implantação, ampliação e alteração de projeto de qualquer empreendimento


que demande a utilização de recursos hídricos, superficiais e/ou subterrâneos, bem
como a execução de obras ou serviços que alterem o seu regime, em quantidade e/ou
qualidade, dependerão de prévio licenciamento das obras e da outorga do direito de
uso da água pelo órgão competente.

Parágrafo único - Sem prejuízo da aplicação de outras penalidades cabíveis, a


inobservância ao disposto neste artigo sujeitará o infrator às sanções previstas no
regulamento desta Lei.

272
Art. 16. A cobrança pelo direito de uso da água, superficial ou subterrânea, é um
instrumento gerencial e de planejamento da Política Estadual de Recursos Hídricos e
que visa:

I - conferir racionalidade ao uso e a valoração econômica dos recursos hídricos;

II - disciplinar o uso dos recursos hídricos, buscando o seu enquadramento de


acordo com a sua classe de uso preponderante.

§ 1º - O regulamento estabelecerá os procedimentos relativos à cobrança pelo direito


de uso da água, a ser implementada, de forma gradual, de acordo com condicionantes
econômicos e sociais dos usuários dos recursos hídricos.

§ 2º - O cálculo do custo da água, para efeito de cobrança, considerará:

I - a classe de uso preponderante em quefor enquadrado o corpo de água objeto do


uso;

II - a função social e econômica da água;

III - a disponibilidade hídrica local;

IV - as condições sócio-econômicas dos usuários;

V - o grau de regularização assegurado por obras hidráulicas;

VI - a operação e manutenção da infra-estrutura hídrica e amortização do investimento


realizado.

§ 3º - No caso de utilização de corpos de água para diluição, transporte e assimilação


de efluentes, os responsáveis pelos lançamentos ficam obrigados ao cumprimento
das normas e padrões relativos ao controle de poluição das águas.

§ 4º - A utilização dos recursos hídricos para fins de geração de energia reger-


se-á pela legislação federal pertinente.

Art. 17. As obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo, terão seus custos
rateados por todos os seus beneficiários diretos.

Art. 18. O rateio a que se refere o artigo anterior será realizado mediante negociação
entre as partes interessadas.

273
CAPÍTULO III
DOS ÓRGÃOS CONDUTORES DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS
HÍDRICOS

Art. 19. Para a condução da Política Estadual de Recursos Hídricos fica instituído o
Sistema Integrado de Gestão dos Recursos Hídricos - SIGERH, cuja estrutura
organizacional compreende:

I - Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH;

II - Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e Projetos Especiais - SERHID;

III - Comitês de Bacias Hidrográficas.

Art. 20. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH, órgão colegiado de


deliberação coletiva e caráter normativo do Sistema Integrado de Gestão dos
Recursos Hídricos, compõe-se de:

I - representantes das Secretarias de Estado com interesse no gerenciamento, oferta,


controle, proteção e uso dos recursos hídricos;

II - representantes das entidades governamentais federais e estaduais com atuação


no gerenciamento, oferta, controle, proteção e uso dos recursos hídricos;

III - representantes indicados pelos Comitês de Bacias Hidrográficas;

V - representantes de entidades representativas da sociedade civil.

Art. 21. Ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH compete:

I - aprovar o Plano Estadual de Recursos Hídricos e encaminhar ao chefe do Poder


Executivo para envio à Assembleia Legislativa;

II - estabelecer os critérios e diretrizes que orientam a Política Estadual de Recursos


Hídricos;

III - estabelecer diretrizes complementares para a implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema
Integrado de Gestão dos Recursos Hídricos - SIGERH;

IV - acompanhar a execução do Plano Estadual de Recursos Hídricos e determinar as


providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

V - analisar proposta de alteração do Plano Estadual de Recursos Hídricos e da


Política Estadual de Recursos Hídricos;

274
VI - promover a articulação entre os órgãos estaduais, federais e municipais e a
sociedade civil no encaminhamento da Política Estadual de Recursos Hídricos;

VII - deliberar sobre a criação de Comitês de Bacias Hidrográficas;

VIII - arbitrar, em grau de recurso, os conflitos existentes entre bacias hidrográficas,


ou entre usuários de água;

IX - estabelecer critérios e normas relativas ao rateio entre os beneficiários dos custos


das obras de uso múltiplo dos recursos hídricos, de interesse comum ou coletivo;

X - estabelecer critérios gerais para cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

XI - deliberar sobre a criação e funcionamento das Agências de Bacias Hidrográficas;

XII - deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Comitês
de Bacias Hidrográficas.

Art. 22. O CONERH será gerido por:

I - um Presidente, que será o Secretário de Recursos Hídricos e Projetos Especiais;

II - um Secretário Executivo.

§ 1º - O Conselho Estadual de Recursos Hídricos poderá criar Câmaras Técnicas,


para o tratamento de questões específicas de interesse da gestão dos recursos
hídricos.

§ 2º - As normas de funcionamento do Conselho Estadual de Recursos Hídricos serão


objeto de seu regimento interno.

Art. 23. À Secretaria de Recursos Hídricos e Projetos Especiais - SERHID, órgão


central do Sistema Integrado de Gestão dos Recursos Hídricos - SIGERH, compete:

I - formular políticas e diretrizes para o gerenciamento dos recursos hídricos do


Estado;

II - coordenar, supervisionar, planejar e executar as atividades concernentes aos


recursos hídricos do Estado;

III - funcionar como Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos


- CONERH;

IV - promover estudos de engenharia e econômicos dos recursos hídricos do Estado;

V - implantar e manter Banco de Dados sobre os recursos hídricos do Estado;

275
VI - controlar, proteger e recuperar os recursos hídricos nas bacias hidrográficas do
Estado;

VII - elaborar e manter atualizado o Plano Estadual de Recursos Hídricos;

VIII - executar e acompanhar as obras previstas nos planos de utilização múltipla dos
recursos hídricos;

IX - analisar as solicitações e expediras outorgas do direito de uso dos recursos


hídricos, efetuando a sua fiscalização;

X - exercer o poder de polícia relativo aos usos dos recursos hídricos e aplicar as
sanções aos infratores;

XI - analisar projetos e conceder licença técnica para construção de obras hídricas,


sem prejuízo da licença ambiental obrigatória;

XII - implantar, operar e manter redes de estações medidoras de dados hidrológicos


e pluviométricos;

XIII - elaborar o relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos do Estado;

XIV - elaborar estudos visando a fixação de critérios e normas quanto a permissão e


uso racional dos recursos hídricos;

XV - estabelecer os mecanismos de cobranças pelo uso dos recursos hídricos, fixar


os valores a serem cobrados e as respectivas multas por inadimplência;

XVI - efetuar a cobrança pelo uso da água e aplicar as multas por inadimplência;

XVII - estabelecer e implementar as regras de operação da infra-estrutura hídrica


existente;

XVIII - arbitrar o rateio das obras de uso múltiplo de interesse comum ou coletivo.

Art. 24. Os Comitês de Bacias Hidrográficas, órgãos colegiados de atuação


descentralizada, a nível de bacias hidrográficas, compõem-se de:

I - representantes das associações de usuários de água;

II - representantes dos Municípios que estejam inseridos dentro da Bacia Hidrográfica;

III - representantes de entidades governamentais federais e estaduais;

IV - representantes de entidades representativas da sociedade civil.

Art. 25. Aos Comitês de Bacias Hidrográficas compete:

276
I - aprovar o Plano Estadual de Recursos Hídricos e suas atualizações, referente a
respectiva Bacia Hidrográfica;

II - aprovar o Plano Diretor da Bacia Hidrográfica;

III - aprovar a proposta de programas anuais e plurianuais e aplicação de recursos


financeiros em serviços e obras de interesse para a gestão de recursos hídricos da
Bacia Hidrográfica;

IV - acompanhar a execução do Plano Estadual de Recursos Hídricos e sugerir as


providências necessárias ao cumprimento de suas metas, no âmbito da respectiva
Bacia Hidrográfica;

V - aprovar o plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso
da água, destinados a respectiva Bacia Hidrográfica;

VI - promover entendimentos, cooperação e conciliação entre os usuários dos


recursos hídricos na bacia hidrográfica;

VII - avaliar e aprovar o relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos da bacia
hidrográfica.

Art. 26. Nas Bacias Hidrográficas poderá ser criada uma Agência de Bacia, que
exercerá as funções de Secretaria Executiva do Comitê da Bacia Hidrográfica
respectiva.

Parágrafo único - As Agências de Bacias somente serão criadas a partir do início da


cobrança pelo uso dos recursos hídricos.

CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS

Art. 27. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir crédito especial no valor de R$
5.000,00 (cinco mil reais) para o Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH.

Parágrafo único - Os recursos referidos neste artigo serão aplicados, prioritariamente,


na implantação do SIGERH - Sistema Integrado de Gestão dos Recursos Hídricos.

Art. 28. O Governo do Estado, através da Secretaria de Recursos Hídricos e Projetos


Especiais - SERHID, buscará entendimentos para a celebração de convênios com o
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS e o órgão sucessor do
Departamento Nacional de Obras e Saneamento - DNOS, visando transferir para o
Estado a gestão, operação e manutenção dos estoques de água acumulados em
obras federais construídas por aquele Departamento no Rio Grande do Norte.

277
Art. 29. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de cento e oitenta dias,
contado da data de sua publicação.

Art. 30. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições
em contrário128.

Palácio de Despachos de Lagoa Nova, em Natal, 01 de julho de 1996, 108º da


República.

Garibaldi Alves Filho


Rômulo de Macedo Vieira

128
Disponível em: http://adcon.rn.gov.br/ACERVO/IGARN/DOC/DOC0000000000 23379.PDF

278
7.2. Lei complementar n. 481, de 03 janeiro de 2013

“Altera a Lei Estadual n. 6.908, de 01/07/1996, que “Dispõe sobre a Política Estadual
de Recursos Hídricos, institui o Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos –
SIGERH e dá outras providências”.

A GOVERNADORA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE: faço saber que o


Poder Legislativo decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:

Art. 1º. O art. 4º da Lei Estadual n.º 6.908, de 1.º de julho de 1996, passa a vigorar
acrescido dos seguintes incisos V e VI:

“Art. 4º ............................................................................................

......................................................................................................................

V – o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos


preponderantes da água; e

VI – o sistema de informações sobre recursos hídricos”. (NR)

Art. 2º. O art. 5º da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar acrescido do
seguinte inciso VII:

“Art. 5º ............................................................................................................

..........................................................................................................................

VII – a realização de estudos e alternativas para a utilização de águas de reuso e seus


efeitos sobre a disponibilidade hídrica.” (NR)

Art. 3º. O art. 8º da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar com a seguinte
redação:

“Art. 8º. Fica criado o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FUNERH), vinculado
institucionalmente à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos
(SEMARH), que se responsabilizará por sua gestão administrativa, orçamentária,
financeira e patrimonial”. (NR)

Art. 4º. O art. 15 da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar com a seguinte
redação:

“Art. 15. A implantação, ampliação e alteração de projeto de qualquer


empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos superficiais e/ou
subterrâneos, bem como a execução de obras ou serviços que alterem seu regime
em quantidade e/ou qualidade, dependerão de outorga do direito de uso e da licença

279
de obra hidráulica pelo Órgão competente, ressalvadas as hipóteses contidas no art.
12, § 1º, da Lei Federal n.º 9.433, de 8 de janeiro de 1997.

§ 1º. A obrigatoriedade estabelecida no caput deste artigo se aplica também aos


usuários de água integrantes do SIGERH, bem como a todos os Órgãos Colegiados
que o compõe. § 2º. Sem prejuízo da aplicação de outras penalidades cabíveis, a
inobservância ao disposto neste artigo sujeitará o infrator às sanções previstas em lei
específica.

§ 3º. A SEMARH incentivará o reuso de água, devendo estabelecer os instrumentos


regulatórios e de incentivo às diversas modalidades de reuso, bem como os estudos
necessários à garantia de padrões mínimos de qualidade da água”. (NR)

Art. 5º. O art. 16, § 2º, da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar acrescido
do seguinte inciso VII:

“Art. 16. ...........................................................................................

.....................................................................................................................

§ 2º ..................................................................................................................

......................................................................................................

VII - a utilização de águas de reuso e seus efeitos sobre a disponibilidade hídrica.

..............................................................................................................”. (NR)

Art. 6º. O art. 19, II, da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar com a seguinte
redação:

“Art.19.............................................................................................................................
....................................................................................

II - Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos – SEMARH;

..............................................................................................................”. (NR)

Art. 7º. O art. 19 da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar acrescido do
seguinte inciso IV:

“Art. 19...........................................................................................................

......................................................................................................

IV - Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte – IGARN”. (NR)

280
Art. 8º. O art. 20 da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar acrescido do
seguinte inciso V:

“Art.20.............................................................................................................................
.....................................................................

V - representantes de usuários de recursos hídricos”. (NR)

Art. 9º. O art. 21 da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passará a vigorar com a seguinte
redação:

“Art. 21. Compete ao CONERH:

I – aprovar e acompanhar a execução do Plano Estadual de Recursos Hídricos e


determinar as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

II – estabelecer diretrizes complementares para a implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos, a aplicação de seus instrumentos e a atuação do Sistema
Integrado de Gestão dos Recursos Hídricos (SIGERH);

III – aprovar os programas anuais e plurianuais de aplicação de recursos do FUNERH;

IV – aprovar o enquadramento dos cursos de água em classes de uso preponderante,


de acordo com a classificação estabelecida pela legislação ambiental, ouvidos os
Comitês de Bacia Hidrográfica;

V – promover a articulação entre os Órgãos estaduais, federais e municipais e a


sociedade civil no desenvolvimento da Política Estadual de Recursos Hídricos;

VI – deliberar sobre a criação de Comitês de Bacias

Hidrográficas;

VII – deliberar sobre a criação e funcionamento das Agências de Bacias

Hidrográficas;

VIII – atuar como última instância administrativa sobre penalidades impostas pelo
IGARN;

IX – deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Comitês
de Bacias Hidrográficas;

X – arbitrar, como instância superior, os conflitos existentes entre bacias hidrográficas


ou entre usuários de água quanto ao uso de recursos hídricos;

281
XI – estabelecer critérios e normas relativas ao rateio entre os beneficiários dos custos
das obras de uso múltiplo dos recursos hídricos, de interesse comum ou coletivo;

XII – estabelecer critérios gerais para cobrança e outorga do direito de uso de recursos
hídricos, observados os critérios gerais emanados do Conselho Nacional de Recursos
Hídricos; e

XIII – aprovar o relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos do Estado do
Rio Grande do Norte”. (NR)

Art. 10. O art. 22, I, da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar com a seguinte
redação:

“Art. 22 ...........................................................................................................

I – um Presidente, que será o Secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos


Hídricos;

..............................................................................................................”. (NR)

Art. 11. O art. 24, I, da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar com a seguinte
redação:

“Art. 24...........................................................................................................

I – representantes de usuários de recursos hídricos ou de suas associações;

................................................................................................”. (NR)

Art. 12. O art. 25 da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar com a seguinte
redação:

“Art. 25. Compete aos Comitês de Bacias Hidrográficas, no âmbito de sua respectiva
área de atuação:

I – aprovar e acompanhar a implementação do Plano de Recursos Hídricos da bacia


hidrográfica correspondente e sugerir providências necessárias ao cumprimento de
suas metas;

II – aprovar a proposta de programas anuais e plurianuais e a aplicação de recursos


financeiros em serviços e obras de interesse para a gestão de recursos hídricos;

III – promover o debate e a cooperação entre os usuários dos recursos hídricos;

IV – analisar as propostas de enquadramento dos corpos hídricos e encaminhar para


análise e decisão do CONERH;

282
V – arbitrar, como primeira instância administrativa, os conflitos relacionados aos
recursos hídricos;

VI – propor ao CONERH as acumulações, derivações, captações e lançamentos de


pouca expressão para efeito de isenção da obrigatoriedade de outorga do direito de
uso de água e licença de obra hidráulica; e

VII – estabelecer os mecanismos de cobrança e sugerir os valores a ser cobrados


pelo uso dos recursos hídricos”. (NR)

Art. 13. O art. 28 da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996, passa a vigorar com a seguinte
redação:

“Art. 28. O Estado do Rio Grande do Norte, por intermédio da Secretaria de Estado do
Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH), articular-se-á com a Agência
Nacional de Águas (ANA) e com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas
(DNOCS) na gestão das águas de domínio federal localizadas no seu território”. (NR)

Art. 14. Esta Lei Complementar entra em vigor na data da sua publicação.

Art. 15. Fica revogado o art. 23 da Lei Estadual n.º 6.908, de 1996129.

Palácio de Despachos de Lagoa Nova, em Natal, 03 de janeiro de 2013, 192º


da Independência e 125º da República.

Rosalba Ciarlini
Antônio Gilberto de Oliveira Jales

129
Disponível em: http://adcon.rn.gov.br/ACERVO/IGARN/DOC/DOC000000000023368.PDF

283
7.3. Decreto n. 13.283, de 22 de março de 1997130 131.

“Regulamenta os incisos III do art. 4º da Lei n. 6.908, de 01/07/1996, que dispõe sobre
a Política Estadual de Recursos Hídricos, e dá outras providências”.

Regulamenta os incisos III do art. 4º da Lei nº 6.908, de 01 de julho de 1996, que


dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos, e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, usando das


atribuições que lhe confere o art. 64, inciso V, última parte, da Constituição Estadual,
e CONSIDERANDO que a água é um recurso limitado, e desempenha importante
papel no processo de desenvolvimento social e econômico, impondo custos
crescentes para sua obtenção,

CONSIDERANDO, ainda, a necessidade de estabelecer normas que disciplinem a


concessão da outorga do direito de uso dos recursos hídrico dominiais do Estado e o
licenciamento de obras de oferta hídrica,

DECRETA:

CAPÍTULO I
DO OBJETO, DOS PRINCÍPIOS E DAS DEFINIÇÕES

Art. 1º. O presente Decreto tem por objeto a regulamentação da outorga do direito de
uso dos recursos hídricos e do licenciamento de obras de oferta hídrica, previstos no
inciso III do art. 4º da Lei nº 6.908, de 01 de julho de 1996.

Art. 2º. A outorga do direito de uso dos recursos hídricos e o licenciamento de obras
hídricas serão informados pelos seguintes princípios gerais;

I. o aproveitamento dos recursos hídricos tem como prioridade o abastecimento


humano;

II. o acesso a água constitui direito de todos para as primeiras necessidades da vida;

III. a unidade básica de planejamento para gestão dos recursos hídricos é a bacia
hidrográfica;

130
Disponível em: http://adcon.rn.gov.br/ACERVO/IGARN/DOC/DOC000000000023304.PDF
131
Portal para Solicitação de outorga , Renovação de outorga do direito de uso dos Recursos Hídricos do Estado:
http://www.igarn.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=23618&ACT=&PAGE=0&PARM=&LBL=ACERVO
+DE+MAT%C9RIAS

284
IV. é dever de todos zelar pela conservação e preservação dos recursos hídricos em
seus aspectos qualitativos e quantitativos;

V. a distribuição da água no território do Rio Grande do Norte obedecerá a critérios


sociais, econômicos e ambientais;

VI. o uso da água será compatibilizado com as políticas federal e estadual de


desenvolvimento urbano e rural.

Art. 3º. A concessão, fiscalização e controle da outorga e o licenciamento de obras de


oferta hídrica serão informados, ainda, por princípios programáticos estabelecidos
pela Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID, respeitados os objetivos, princípios
e diretrizes estabelecidos na Lei nº 6.908, de 01 de julho de 1996, e no Plano Estadual
de Recursos Hídricos - PERH, objetivando:

I. compatibilizar a ação humana, em qualquer de suas manifestações, com a dinâmica


do ciclo hidrológico no Estado, de forma a assegurar as condições para o
desenvolvimento social e econômico, com melhoria da qualidade de vida, em
equilíbrio com o meio ambiente;

II. assegurar que a água, recurso natural essencial à vida, ao equilíbrio ambiental, ao
bem estar social e ao desenvolvimento econômico, seja controlada e utilizada em
padrões de qualidade e quantidade satisfatórios, por seus usuários atuais e pelas
gerações futuras, em todo território do Estado;

III. planejar e gerenciar, de forma integrada, descentralizada e participativa, o uso


múltiplo, o controle, a conservação, a proteção e a preservação dos recursos hídricos;

Art. 4º. Para efeito deste Regulamento, considera-se:

I. bacia hidrográfica - o território drenado por um curso d'água e seus efluentes;

II. bacia hidráulica - o espaço ocupado pela massa de água do açude, até o limite de
seu sangradouro;

III. corpo d'água - a massa de água superficial ou subterrânea que se encontra em um


determinado lugar, podendo variar em sua quantidade ao longo do tempo,
compreendendo cursos d'água, aquífero, reservatórios naturais ou artificiais;

IV. vazão regularizada - a quantidade média anual de água que pode ser fornecida
pelo açude, com uma determinada garantia, medida esta em tempo de utilização;

V. açude - a estrutura hidráulica composta da barragem de um curso d'água e o lago


por ele formado;

285
VI. barragem - a estrutura hidráulica, disposta no leito dos rios, interceptando a
corrente líquida;

VII. transposição - a estrutura hidráulica compreendendo canal ou tubulação,


destinada a transferir água entre duas unidades hidrográficas distintas;

VIII. poço - a estrutura hidráulica construída no subsolo para captação de água


subterrânea;

IX. capacidade de recarga do aquífero - a reposição sazonal da água retirada ou


evadida da reserva subterrânea;

X. vazão de exploração recomendada - a vazão máxima de exploração do poço,


compatível com os parâmetros hidrodinâmicos e hidroquímicos do aquífero e com as
sua características construtivas;

XI. obras ou serviços de oferta hídrica - a implantação, ampliação ou alteração de


projeto de qualquer empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos,
superficiais ou subterrâneos, bem como a execução de obras ou serviços que alterem
o seu regime em quantidade e/ou qualidade;

XII. associação de usuários de água - associação civil de direito privado, sem fins
lucrativos, com personalidade jurídica, patrimônio e administração próprios, com prazo
de duração indeterminado, que congrega e representa os interesses dos usuários de
determinada fonte de água.

XIII. usuário - pessoa física ou jurídica que faz uso de recursos hídricos.

Art. 5º. Para fins deste regulamento, os recursos hídricos são considerados na
unidade do ciclo hidrológico, sem dissociação das fases meteorológica, de superfície
e subterrânea.

CAPÍTULO II
DA OUTORGA

Art. 6º. Sem prejuízo da licença prevista no artigo 23 deste regulamento e de outras
licenças exigíveis, dependerá de prévia outorga da Secretaria dos Recursos Hídricos,
o uso de águas dominiais do Estado, que envolva:

I. derivação ou captação de parcela de água existentes em um corpo d'água, para


consumo final ou para insumo de processo produtivo;

II. lançamento em um corpo d'água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos


com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final;

286
III. qualquer outro tipo de uso que altere o regime, a quantidade e/ou a qualidade da
água.

Art. 7º. É dispensável a outorga para captação de água subterrânea, cuja vazão de
exploração recomendada não exceda de 1.000 l/h (mil litros por hora).

Parágrafo único - A inexigibilidade de outorga prevista no caput deste artigo não se


aplica aos casos de captações de água subterrânea em zonas de formação
sedimentar que venha a ser considerada como aquífero estratégico, assim definidos
em portaria da Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID.

Art. 8º. Não se concederá outorga para o uso de água que se destine à:

I. lançamento na água de resíduos sólidos, radioativos, metais pesados e outros


resíduos tóxicos perigosos, assim definidos pela legislação pertinente;

II. lançamento de contaminantes nas águas subterrâneas.

SEÇÃO I
Da Ordem de Prioridade para concessão da Outorga

Art. 9º. A outorga do direito de uso de água se defere respeitada a seguinte ordem de
prioridade:

I. abastecimento de água para consumo humano em residências, hospitais,


estabelecimentos de ensino, quartéis, presídios, e outros estabelecimentos coletivos
semelhantes;

II. abastecimento de água para consumo humano em entidades públicas ou privadas;

III. abastecimento de água para fins de dessendentação animal;

IV. abastecimento de água para fins de produção rural, compreendendo irrigação,


pecuária, piscicultura, e outros;

V. abastecimento de água para fins de produção industrial, comercial e de prestação


de serviços;

VI. outros usos definidos pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH.

Art. 10. Na hipótese de concorrerem vários pedidos de outorga do direito de uso de


água de um mesmo corpo d'água, e sendo a disponibilidade hídrica insuficiente para
atender à demanda total, a Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID procederá ao

287
rateio segundo seu exclusivo critério, respeitada a ordem de prioridades estabelecida
no artigo anterior.

Parágrafo único - Em igualdade de ordem, decidir-se-á em favor daquele que detenha


a licença prévia disciplinada neste regulamento, e, na ausência desta ou persistindo
o empate, terá preferência o que melhor atender aos interesses sociais.

SEÇÃO II
Das Modalidades e Condições da Outorga

Art. 11. Para fins deste regulamento a outorga pode constituir-se de:

I. Autorização de Uso, concedida em caráter unilateral, a título precário, privativo,


gratuito ou oneroso, a pessoa física ou jurídica, outorgando-lhe o direito de uso de
determinada quantidade e qualidade de água, sob determinadas condições e com
destinação específica;

II. Concessão de Uso, outorgada em caráter contratual, a título permanente, privativo


e oneroso, a pessoa física ou jurídica, concedendo-lhe o direito de uso de determinada
quantidade e qualidade de água, sob determinadas condições e com destinação
específica.

III. Concessão Especial de Uso Coletivo, outorgada em caráter contratual, a título


permanente, privativo e oneroso, a Associação de Usuários de Água, concedendo-lhe
o direito de uso de uma parcela de recursos hídricos, sob determinadas condições e
com destinação específica.

§ 1º - O instrumento de outorga especificará a vazão máxima outorgada, a


obrigatoriedade do outorgado implantar e manter infra-estrutura de medição de água,
prazo de vigência e demais elementos técnico-econômicos relevantes, para
caracterizar claramente os direitos e obrigações do beneficiário.

§ 2º - Enquanto não forem conhecidas e seguramente dimensionadas as


disponibilidades hídricas, à particulares, pessoas físicas ou jurídicas, serão
outorgadas apenas Autorização de Uso.

Art. 12. Independentemente de transcrição no instrumento concessivo da outorga, por


qualquer das modalidades previstas no artigo anterior, as autorizações e concessões
estão sujeitas às seguintes condições concorrentes:

I. disponibilidade hídrica;

II. observância das prioridades de uso previstas no artigo 9º;

288
III. comprovação de que o uso da água não cause poluição ou desperdício
significativos dos recursos hídricos; e

IV. apresentação da licença prévia, estabelecida no artigo 23 deste regulamento,


quando se tratar de uso que dependa de obras ou serviços de oferta hídrica.

Art. 13. A disponibilidade hídrica será avaliada em função das características


hidrológicas ou hidrogeológicas da bacia superficial ou subterrânea onde incide a
outorga, observando-se, ainda, o seguinte:

I. quando se tratar de água superficial;

a) a vazão mínima natural será nula ou estabelecida em portaria específica,


fundamentada em estudo hidrológico;

b) o valor de referência será a descarga regularizada anual com garantia de 90%


(noventa por cento).

II. quando se trata de água subterrânea, o referencial quantitativo deverá levar em


conta:

a) a capacidade de recarga do aquífero, prevista em portaria, fundamentada em


estudo hidrogeológico específico;

b) a interferência provocada pelo poço em poços circunvizinhos.

Art. 14. A outorga não implica na alienação da água, mas o simples direito de seu uso,
nem confere delegação de poder público ao seu titular, vedada a mudança da sua
finalidade assim como do lugar especificado no respectivo título de outorga para
captação ou derivação.

Art. 15. Sempre que os recursos hídricos se prestem a múltiplos usos, a outorga
somente poderá ser concedida se o consumo for compatível com a multiplicidade dos
usos possíveis.

Art. 16. A outorga prevista neste regulamento não dispensará nem prejudicará outras
formas de controle e licenciamento específicos, inclusive os que digam respeito ao
saneamento básico e ao controle ambiental, previstos em lei.

289
SEÇÃO III
Dos Critérios de Quantificação para Outorga

Art. 17. A soma dos volumes d'água outorgados numa determinada bacia, não poderá
exceder 9/10 (nove décimos) da vazão regularizada anual com 90% (noventa por
cento) de garantia.

Parágrafo único - Tratando-se de lagos ou lagoas territoriais, a disponibilidade do


corpo d'água deverá ser tratada de forma conjunta com o aquífero associado.

Art. 18. A base quantitativa para outorga do direito de uso sobre águas subterrâneas
será considerada para aqueles poços cuja vazão de exploração recomendada seja
superior a 1.000 l/h (mil litros por hora).

Parágrafo único - Será considerado como uso insignificante a exploração de água


subterrânea abaixo do valor indicado no caput deste artigo, exceto se localizada em
zona de formação sedimentar que venha a ser considerada como aqüifero estratégico.

SEÇÃO IV
Da Suspensão, Limitação ou Extinção da Outorga

Art. 19. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa parcial
ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, a critério exclusivo da
Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID, mediante indenização dos investimentos
realizados, nas seguintes hipóteses:

I. necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, inclusive


as decorrentes de condições climáticas consideradas críticas independentemente da
decretação de estado de calamidade pública;

II. necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

III. necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo, para os quais


não se disponha de outras alternativas.

Art. 20. A outorga, por qualquer de suas modalidades, extingue-se, sem qualquer
direito de indenização ao usuário, nas seguintes hipóteses:

I. ausência de uso por três anos consecutivos;

II. renúncia, de forma expressa ou tácita;

III. inadimplemento de condições legais, regulamentares ou contratuais;

290
IV. caducidade

V. uso prejudicial da água inclusive poluição e salinização;

VI. dissolução, insolvência ou encampação do usuário, pessoa jurídica;

VII. morte do usuário, pessoa física.

SEÇÃO V
Do Prazo de Vigência da Outorga

Art. 21. Será de 35 (trinta e cinco) anos o prazo máximo de vigência da outorga de
direito de uso de água, podendo ser renovado a critério da Secretaria de Recursos
Hídricos - SERHID ou de entidades por ela delegada para gerenciamento dos recurso
hídricos estaduais.

Parágrafo único - Em igualdade de ordem de prioridade, a outorga de direito de uso


de água da mesma fonte será concedida por igual prazo.

Art. 22. Os atuais usuários, que não disponham de outorga de que trata este
regulamento, têm o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para requerê-la, na forma
estabelecida neste regulamento.

CAPÍTULO III
DO LICENCIAMENTO DE OBRAS HÍDRICAS

Art. 23. Sem prejuízo de outras licenças exigíveis, dependerá de licença prévia da
Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID a implantação, ampliação e alteração de
projeto de qualquer empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos,
superficiais e/ou subterrâneos, bem como a execução de obras ou serviços que
alterem o seu regime em quantidade e/ou qualidade, notadamente as estruturas
hidráulicas consistentes em açude, transposição de água bruta, barragem de
regularização e poço.

Art. 24. A Licença prévia será expedida, mediante parecer técnico, após exame dos
documentos de que trata o artigo 28 deste regulamento, autorizando a implantação
de obra ou serviço de oferta hídrica, de acordo com as especificações do projeto
aprovado.

Parágrafo único - não será concedida licença em desacordo com o Plano Estadual de
Recursos Hídricos.

291
CAPÍTULO IV
DOS PROCEDIMENTOS

Art. 25. Os pedidos de outorga do direito de uso de água e de licença prévia serão
processados perante a Secretaria dos Recursos Hídricos - SERHID, através da
Coordenadoria de Gestão de Recursos Hídricos - COGERH, em formulário padrão,
instruídos com:

I. nome e qualificação da pessoa física ou jurídica;

II. localização e superfície do imóvel rural ou urbano onde se utilizará a água ou se


implantará a obra ou serviço de oferta hídrica;

III. título de propriedade, prova de posse regular, cessão ou autorização de uso da


área de terra onde se dará a captação ou derivação da água ou que se implantará a
obra ou serviço a ser licenciado;

IV. destinação da água;

V. fonte onde se pretende obter a água, tipos de captação ou derivação, equipamentos


e obras complementares;

VI. projeto da obra ou serviço de oferta hídrica;

VII. licença ambiental e do CREA/RN, quando couber;

VIII. guia de recolhimento da taxa de licenciamento;

IX. quaisquer outras informações adicionais, julgadas necessárias à aprovação dos


pedidos.

§ 1º - Na hipótese de concessão de outorga que envolva obras ou serviços de oferta


hídrica sujeitos ao prévio licenciamento, é obrigatória a apresentação da respectiva
licença, aproveitando-se, sempre que possível, os dados e informações fornecidas
para o licenciamento.

§ 2º - A Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID, segundo a classificação da obra


ou serviço de oferta hídrica, definirá o nível de detalhamento dos estudos e projetos.

Art. 26. Os projetos públicos federais e municipais para construção de açude,


barragem de derivação ou de regularização de nível, e transposição de águas
estaduais, além das exigências do artigo anterior, deverão conter:

292
I. a locação em base cartográfica universal - Sistema de Coordenadas Cartográfica
ou U.T.M e referências de nível da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística - IBGE;

II. decreto declaratório de desapropriação, por utilidade pública ou interesse social, e


levantamento cadastral, na hipótese de o órgão não se achar já titulado no domínio
da área;

III. projeto de estrada pública de acesso à obra, interligada à malha viária existente,
devidamente aprovado;

IV. tomada d'água ou sifão, apto a liberar água no leito do rio.

Art. 27. O pedido de licença para perfuração de poço de iniciativa do poder público,
federal e municipal, deverá ser instruído com as exigências do artigo 29, além dos
estudos hidrogeológicos, quando se situe em zonas de formação sedimentar ou
naquelas consideradas como aquífero estratégicos.

Art. 28. A Secretaria dos Recursos Hídricos, no prazo de 30 (trinta) dias, mediante
parecer técnico, decidirá sobre os pedidos de outorga do direito de uso de água e de
licença prévia, sendo-lhe facultado ouvir previamente o Conselho Estadual de
Recursos Hídricos - CONERH.

Parágrafo único - O prazo de que trata este artigo suspende-se sempre que o
processo for convertido em diligência a cargo do usuário interessado, voltando a fluir
no primeiro dia útil após o cumprimento das exigências.

Art. 29. Deferido o pedido, a Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID formalizará o


título da outorga, que será passado em caráter pessoal e intransferível, ou expedirá a
respectiva licença prévia.

Art. 30. Da decisão denegatória da outorga ou da licença prévia caberá recurso


administrativo ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CONERH, em última
instância administrativa, no prazo de 15 (quinze) dias, contados da data de efetiva
ciência do interessado.

SEÇÃO I
Da Carta Consulta

Art. 31. A qualquer interessado é facultado, antes de formalizar o processo de


obtenção de licença prévia, endereçar Carta Consulta à Secretaria de Recursos
Hídricos - SERHID, com vistas a um exame preliminar de possíveis impedimentos ou
limitações à implantação da obra ou serviço de oferta hídrica.

293
Parágrafo único - A Carta Consulta conterá os elementos indicados nos incisos I a V
do artigo 25.

Art. 32. A Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID responderá ao interessado no


prazo de 30 (trinta) dias, sendo-lhe facultado ouvir previamente a Conselho Estadual
de Recursos Hídricos - CONERH.

Parágrafo único - O prazo de que trata este artigo suspende-se sempre que o
processo for convertido em diligência a cargo do usuário/interessado, voltando a fluir
no primeiro dia útil após o cumprimento das exigências.

Art. 33. Considerado viável a implantação da obra ou serviço de oferta hídrica, a


Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID, julgado conveniente, expedirá Termo de
Referência para orientação na elaboração do projeto.

CAPÍTULO V
DA FISCALIZAÇÃO

Art. 34. A fiscalização do cumprimento deste regulamento e das normas dele


decorrentes será exercida pela Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID, através
dos seus agentes, ou entidades por ela delegada para gerenciamento dos recursos
hídricos estaduais.

Art. 35. No exercício da ação fiscalizadora, ficam asseguradas aos servidores ou


agentes credenciados a entrada e permanência, pelo tempo que se fizer necessário,
em estabelecimentos públicos ou privados.

CAPÍTULO VI
DAS INFRAÇÕES

Art. 36. Sem prejuízos de outros ilícitos previstos em legislação específica, constitui
infração:

I. usar, por qualquer forma, águas dominiais sem prévia outorga do direito de uso, ou
estando em mora com o pagamento da respectiva tarifa, ressalvadas as hipóteses de
inexigibilidade;

II. efetuar os lançamentos vedados pelo artigo 8º;

III. iniciar a implantação, ampliação e alteração de projeto de qualquer


empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos, superficiais e/ou
subterrâneos, bem como a execução de obras ou serviços que alterem o seu regime

294
em quantidade e/ou qualidade, sem o prévio licenciamento ou em desconformidade
com as exigências e especificações técnicas deste regulamento;

IV. dificultar, por qualquer modo, a ação fiscalizadora, opondo obstáculo ao local de
captação e uso das águas ou ao acesso às obras ou serviços de oferta hídrica,
prestando informações falsas ou distorcidas, ou criando qualquer tipo de embaraço
ao exercício da fiscalização;

V. prosseguir com a captação ou uso da água temporariamente suspenso ou limitado,


quando formalmente advertido para abster-se ou reduzir o seu uso;

VI. prosseguir com a implantação, ampliação e alteração de projeto de qualquer


empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos, ou com a execução
de obras ou serviços de oferta hídrica, quando regulamente intimado para a interdição
temporária;

VII. não proceder à remoção das obras ou à extinção dos serviços de captação e uso
de água ou de oferta hídrica, definitivamente interditados.

CAPÍTULO VII
DAS PENALIDADES

Art. 37. Conforme a gradação, e sem prejuízo de outras sanções previstas na


legislação federal, estadual e municipal, as pessoas físicas ou jurídicas infratoras
estão sujeitas às seguintes penalidades;

I. advertência escrita, quando a infração não tenha resultado em dano aos recursos
hídricos nem à coletividade, e desde que não se trate de reincidência;

II. multa simples ou diária, em valor correspondente a no mínimo 100 (cem) e no


máximo 100.000 (cem mil) vezes o valor da Unidades Fiscais de Referência do Estado
do Rio Grande do Norte - UFIRN's, ou outra que venha substituir, agravada na
reincidência específica;

III. interdição temporária:

a) da captação ou uso da água, com suspensão da outorga, pelo tempo necessário à


implementação das exigências da outorga;

b) das obras ou serviços de oferta hídrica, pelo tempo necessário à implementação


das exigências do licenciamento.

IV. interdição definitiva:

295
a) com revogação da outorga, na hipótese de inadequação insanável da captação ou
do uso da água às exigências para concessão da outorga;

b) com revogação da licença que tenha sido concedida, na hipótese de inadequação


insanável das obras ou serviços de oferta hídrica às exigências da licença.

§ 1º - Aplicada a pena de advertência, será concedido prazo para correção de


irregularidade, nunca superior a 30 (trinta) dias;

§ 2º - A pena de multa será aplicada isolada ou conjuntamente com as penas de


interdição temporária ou definitiva.

§ 3º - Na hipótese de interdição definitiva, além da revogação da outorga e da licença


concedida, está o infrator obrigado a, no prazo fixado pela autoridade competente para
aplicação da pena, extinguir os serviços da captação e uso da água e/ou executar a
remoção das obras já realizadas, sem prejuízo da multa prevista no inciso II deste
artigo.

§ 4º - Caso o infrator não adote as providências no prazo determinado, serão


apreendidos as máquinas, equipamentos e veículos utilizados na captação e uso de
água ou nas obras e serviços de oferta hídrica, procedendo a Administração Pública
a extinção e remoção dos mesmos, à custa do infrator

Art. 38. São condições atenuantes da pena a ausência de dolo ou má fé e a pronta


reparação de todos os prejuízos decorrentes direta ou indiretamente da ação ou
omissão do infrator.

Art. 39. São condições agravantes da pena a ação ou omissão dolosa ou de má fé, a
reincidência ou mera repetição da infração, assim como a sucessão de prejuízos ao
serviço público de abastecimento de água, a exposição de riscos à vida ou à saúde,
perecimento de bens, inclusive animais, e prejuízo de qualquer natureza a terceiros,
sem pronta reparação.

Art. 40. Além das penalidades previstas neste Regulamento, o infrator responderá
ainda civil e penalmente por ações ou omissões que resultem em danos aos recursos
hídricos do Estado, promovendo o Ministério Público a competente ação de
responsabilidade.

CAPÍTULO VIII
DA FORMALIZAÇÃO DAS PENALIDADES

Art. 41. Constatada qualquer infração ao disposto na Lei nº 6.908, de 01 de julho de


1996, e neste regulamento, será lavrado auto de infração em 02 (duas) vias, sendo

296
uma entregue ao autuado, pessoalmente ou por aviso de recepção, destinando-se a
outra à formação do processo administrativo, contendo:

I. nome e endereço da pessoa física ou jurídica autuada;

II. discrição circunstanciada do ato ou fato constitutivo da infração, dia, hora e local de
sua ocorrência e demais particularidades úteis à sua caracterização;

III. norma legal ou regulamentar infringida;

IV. assinatura do agente credenciado e do autuado ou seu representante autorizado.

Parágrafo único - Recusando-se o autuado ou seu representante a assinar o auto, o


fato é nele registrado, com a assinatura de duas testemunhas, se houver, fazendo-se
a remessa da primeira via ao responsável, sob protocolo ou pelo correio, com aviso
de recepção.

Art. 42. O auto de infração será instruído pela Coordenadoria de Gestão de Recursos
Hídricos - COGERH, e julgado pelo titular da Secretaria de Recursos Hídricos -
SERHID, de cuja decisão caberá recurso, sem efeito suspensivo, no prazo de 15
(quinze) dias, contados da data de ciência da decisão, para o Conselho Estadual de
Recursos Hídricos - CONERH.

Art. 43. É facultado ao titular da Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID, ao receber


o auto de infração, determinar desde logo a adoção de medidas necessárias a
correção das irregularidades, no prazo que fixar, com vistas a evitar a consumação de
dano aos recursos hídricos.

Parágrafo único - Julgada satisfatória a correção da irregularidade, a juízo exclusivo


do titular da Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID, o processo é arquivado.

Art. 44. Não se verificando a hipótese do artigo anterior, o autuado será notificado
para, no prazo de 15 (quinze) dias, contados da data da notificação, apresentar defesa
por escrito.

Art. 45. A instrução do processo deve ser concluída no prazo máximo de 30 (trinta)
dias, salvo prorrogação autorizada pelo Secretário de Recursos Hídricos.

§ 1º - A autoridade instrutora pode determinar ou admitir quaisquer meios de prova,


tais como perícia, exames de laboratório, pareceres técnicos, informações cadastrais,
testes ou demonstração de caráter científico ou técnico, testemunhas e outros meios
disponíveis e aplicáveis ao caso.

§ 2º - Cabe à autoridade de que trata o parágrafo anterior fazer a designação de


especialistas, pessoas físicas ou jurídicas, para realização de provas técnicas, sendo
facultado ao autuado indicar assistentes.

297
Art. 46. Concluída a instrução, com ou sem apresentação da defesa, o titular da
Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID, no prazo de 10 (dez) dias, por despacho
motivado, mediante parecer técnico, julgará o auto de infração, dando ciência ao
infrator, pessoalmente ou por aviso de recepção, para efeito de fluência do prazo de
recurso.

Art. 47. Interposto recurso para o Conselho Estadual de Recursos Hídricos -


CONERH, deve o titular da Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID manifestar-se
sobre o mesmo, no prazo de 10 (dez) dias, antes de sua remessa a instância recursal.

Art. 48. Tornada definitiva a decisão condenatória, na esfera administrativa, deve a


multa ser recolhida, em formulário próprio, junto ao Banco do Brasil, a conta do Fundo
Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH, no prazo de 10 (dez) dias, contados da
data da intimação do infrator.

Art. 49. O não recolhimento no prazo fixado implicará na inscrição do débito na dívida
ativa, para efeito de cobrança judicial, ficando sujeita aos acréscimos previstos na
legislação tributária do Estado.

CAPÍTULO IX
DOS RECURSOS

Art. 50. Da aplicação de qualquer das penalidades previstas neste regulamento,


caberá recurso, sem efeito suspensivo, no prazo de 15 (quinze) dias, contados da
data de ciência da decisão, ao Conselho dos Recursos Hídricos do Rio Grande do
Norte - CONERH, em última instância administrativa.

Art. 51. Tratando-se de multa, o recurso será obrigatoriamente instruído com cópia
autenticada da guia de recolhimento de 50% (cinquenta por cento) do respectivo valor.

Art. 52. Os recursos interpostos contra aplicação de penalidade de interdição,


temporária ou definitiva, não serão conhecidos, ou serão prejudicados, se na
pendência dos mesmos ficar constatado que o recorrente não fez suspender a
captação ou uso da água.

Art. 53. Caberá, ainda, recurso administrativo ao Conselho Estadual de Recursos


Hídricos - CONERH, em última instância administrativa, no prazo de 15 (quinze) dias,
contados da data de efetiva ciência do interessado, contra decisão que negar pedido
de concessão de outorga ou de licença prévia.

Art. 54. Os recursos remetidos por via postal deverão ser registrados com aviso de
recebimento e encaminhados à Secretaria dos Recursos Hídricos dentro do prazo
recursal.

298
CAPÍTULO X
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 55. O Estado do Rio Grande do Norte não concederá nem intervirá qualquer pleito
de financiamento, que tenha como suporte ou pressuposto a captação ou uso de água
dominiais, a implantação, ampliação e alteração de projeto de qualquer
empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos, bem como a
execução de obras ou serviços de oferta hídrica, sem a apresentação da outorga e/ou
da licença prévia prevista nesse regulamento, competindo a Secretaria dos Recursos
Hídricos - SERHID articular-se junto aos demais organismos oficiais ou particulares
para que procedam de igual modo.

Art. 56. A Secretaria dos Recursos Hídricos SERHID e o Instituto de Desenvolvimento


Econômico e Meio Ambiente - IDEC, articular-se-ão visando a integrar suas
respectivas licenças, de maneira a evitar-se repetição de exigências, aproveitando-
se, sempre que possível, os elementos e fornecidos para uma e outra licença.

Art. 57. A companhia estadual de energia elétrica não prestará seus serviços para
captação ou uso de águas dominiais, implantação, ampliação e alteração de projeto
de qualquer empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos, bem
como a execução de obras ou serviços de oferta hídrica, não detentoras da outorga
e/ou da licença prévia de que trata este regulamento.

Art. 58. As captações e usos de águas dominiais já existentes, bem assim a


implantação, ampliação e alteração de projeto de qualquer empreendimento que
demande a utilização de recursos hídricos, as obras e serviços de oferta hídrica, já
em operação na data da expedição deste regulamento, não detentoras da outorga e
licença prévia, respectivamente, serão fiscalizadas com vistas a se enquadrarem nas
exigências deste regulamento, sob as penalidades nele previstas.

Art. 59. As captações e usos de água e as obras e serviços de oferta hídrica de que
trata o artigo anterior, poderão ser interditados definitivamente, mediante
desapropriação quando formalmente julgados inadequados ou prejudiciais à gestão
dos recursos hídricos estaduais.

Parágrafo único - A interdição definitiva não se dará se forem encontradas alternativa


que compatibilize a captação e uso de água e/ou as obras e serviços de oferta hídrica,
com os interesses e exigências da gestão dos recursos hídricos, a critério da
Secretaria de Recursos Hídricos - SERHID.

Art. 60. Para garantir a execução das decisões dos órgãos responsáveis pela
fiscalização e cumprimento deste regulamento, é facultado à Secretaria de Recursos
Hídricos - SERHID, através do seu titular, requisitar o auxílio da força policial.

299
Art. 61. Aplicam-se subsidiariamente ao procedimento de que trata este Decreto as
normas sobre a apuração e o julgamento das infrações tributárias.

Art. 62. Este Decreto entrara em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário132.

Palácio de Despachos de Lagoa Nova, em Natal, 22 de março de 1997, 108º da


República.

Garibaldi Alves Filho


Rômulo de Macedo Vieira

RESOLUÇÃO n. 01, de 15 de dezembro de 2003. Cria a Câmara Técnica


Permanente de Águas Subterrâneas.

RESOLUÇÃO Nº 01, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2003.

Cria a Câmara Técnica Permanente de Águas Subterrâneas.

O CONSELHO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS–CONERH, no uso das


competências que lhe são conferidas pela Lei 6.908, de 01 de julho de 1996,
especialmente pelo § 1º do art. 22, e ao abrigo do disposto no Decreto nº 13.284, de
22 de março de 1997, e,

Considerando a realização de vários debates e seminários, por parte das entidades


governamentais e sociedade civil, focados para “Os Problemas de Contaminação das
Águas Subterrâneas na Região da Grande Natal”;

Considerando que o último seminário técnico realizado pela Agência Reguladora de

Saneamento Básico do Município de Natal –ARSBAN, que reuniu 63 especialistas e


estudiosos de 34 órgãos públicos, incluindo instituições de ensino e pesquisa,
organizações governamentais, não governamentais e entidades de classe, teve como
um dos pontos consensuais a necessidade de elaborar um Plano de Gestão do
Aquífero Barreiras na Região da Grande Natal;

132
Disponível em: http://adcon.rn.gov.br/ACERVO/IGARN/DOC/DOC000000000023304.PDF

300
Considerando o incremento da demanda de águas subterrâneas para diversos usos;

Considerando que o sistema Aquífero Dunas Barreiras dispõe de uma água de


excelente qualidade para o consumo humano;

Considerando a deficiência dos serviços de esgotamento sanitário na região da

Grande Natal, e que esta situação compromete a qualidade das águas subterrâneas,
caso não exista um adequado gerenciamento da problemática; e

Considerando que as características hidrogeológicas do Estado favorecem aos


diversos usos das águas subterrâneas;

RESOLVE:

Art. 1º.Instituir a Câmara Técnica Permanente de Águas Subterrâneas, de acordo com


os critérios estabelecidos no Regimento Interno do Conselho Estadual de Recursos
Hídricos.

Art. 2º.São competências da Câmara Técnica:

I – elaborar e encaminhar ao Plenário do Conselho Estadual de Recursos Hídricos -

CONERH propostas de normas sobre recursos hídricos, observada a legislação


pertinente;

II – emitir parecer sobre consulta que lhe for encaminhada;

III – relatar e submeter à aprovação do Plenário, assuntos a ela pertinentes;

IV – examinar os recursos administrativos interpostos em matérias afetas a sua área


de competências, apresentando relatório e proposta de decisão ao Plenário;

V - discutir e propor políticas e diretrizes da gestão de águas subterrâneas;

VI - compatibilizar as legislações relativas à exploração e a utilização das águas


subterrâneas;

VII - propor mecanismos institucionais de integração da gestão das águas superficiais


e subterrâneas;

VIII - analisar, estudar e emitir pareceres sobre assuntos afins;

IX - propor mecanismos de proteção e gerenciamento das águas subterrâneas, bem


como, propor ações mitigadoras e compensatórias pela exploração destes recursos;

301
X - analisar e propor ações visando minimizar ou solucionar os eventuais conflitos e
as competências constantes do Regimento Interno do CONERH e outras que vierem
a ser delegadas pelo seu Plenário.

XI – elaborar o seu regimento interno;

Parágrafo único -A Câmara Técnica Permanente de Águas Subterrâneas poderá


convocar especialistas para assessorá-la em assuntos de sua competência, sem ônus
para o Conselho;

Art. 3º. A Câmara Técnica de que trata esta Resolução será integrada por sete
membros, indicados pelas entidades que compõem o CONERH, para um mandato de
dois anos, renovável por igual período, mediante eleição pelo Plenário do Conselho.

Art. 4º. A Câmara Técnica terá prazo de dois meses, a partir da publicação desta
Resolução, para sua instalação133 134.

Art. 5º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Josemá de Azevedo
Presidente

Vera Lúcia Lopes De Castro


Secretária Executiva

133
Disponível em: http://adcon.rn.gov.br/ACERVO/IGARN/DOC/DOC000000000023387.PDF

134
Nota: Outorga RN: http://www.igarn.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=PASTAC&TARG=1182&ACT
=&PAGE=0&PARM=&LBL=Servi%E7os

302
8. CEARÁ

8.1. Lei n. 14.844, de 28 de dezembro de 2010

“Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos, institui o Sistema Integrado


de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH, e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ.

FAÇO SABER QUE A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DECRETOU E EU SANCIONO


A SEGUINTE LEI:

CAPÍTULO I
DOS ASPECTOS GERAIS

Art. 1º A Política Estadual de Recursos Hídricos, prevista no art. 326 da Constituição


do Estado do Ceará, será disciplinada por esta Lei.

CAPÍTULO II
DOS OBJETIVOS

Art. 2º São objetivos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - compatibilizar a ação humana, em qualquer de suas manifestações, com a dinâmica


do ciclo hidrológico, de forma a assegurar as condições para o desenvolvimento social
e econômico, com melhoria da qualidade de vida e em equilíbrio com o meio ambiente;

II - assegurar que a água, recurso natural essencial à vida e ao desenvolvimento


sustentável, possa ser ofertada, controlada e utilizada, em padrões de qualidade e de
quantidade satisfatórios, por seus usuários atuais e pelas gerações futuras, em todo
o território do Estado do Ceará;

III - planejar e gerenciar a oferta de água, os usos múltiplos, o controle, a conservação,


a proteção e a preservação dos recursos hídricos de forma integrada, descentralizada
e participativa.

303
CAPÍTULO III
DOS PRINCÍPIOS

Art. 3º A Política Estadual de Recursos Hídricos atenderá aos seguintes princípios:

I - o acesso à água deve ser um direito de todos, por tratar-se de um bem de uso
comum do povo, recurso natural indispensável à vida, à promoção social e ao
desenvolvimento sustentável;

II - o gerenciamento dos recursos hídricos deve ser integrado, descentralizado e


participativo, sem a dissociação dos aspectos qualitativos e quantitativos,
considerando-se as fases aérea, superficial e subterrânea do ciclo hidrológico;

III - o planejamento e a gestão dos recursos hídricos tomarão como base a Bacia

Hidrográfica e deve sempre proporcionar o seu uso múltiplo;

IV - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico e de importância


vital no processo de desenvolvimento sustentável;

V - a cobrança pelo uso dos recursos hídricos é fundamental para a racionalização de


seu uso e sua conservação;

VI - a água, por tratar-se de um bem de uso múltiplo e competitivo, terá na outorga de


direito de seu uso e de execução de obras e/ou serviços de interferência hídrica um
dos instrumentos essenciais para o seu gerenciamento;

VII - a gestão dos recursos hídricos deve ser estabelecida e aperfeiçoada de forma
organizada, mediante a institucionalização de um Sistema Integrado de Gestão de
Recursos Hídricos;

VIII - o uso prioritário dos recursos hídricos, em situações de escassez, é o consumo


humano e a dessedentação de animais;

IX - os recursos hídricos devem ser preservados contra a poluição e a degradação;

X - a educação ambiental é fundamental para racionalização, utilização e conservação


dos recursos hídricos.

CAPÍTULO IV
DAS DIRETRIZES

Art. 4º A Política Estadual de Recursos Hídricos desenvolver-se-á de acordo com as


seguintes diretrizes:

304
I - a prioridade do uso da água será o consumo humano e a dessedentação animal,
ficando a ordem dos demais usos a ser definida pelo órgão gestor, ouvido o respectivo
Comitê da Bacia Hidrográfica;

II - o estabelecimento, em conjunto com os municípios, de um sistema de alerta e


defesa civil, quando da ocorrência de eventos hidrológicos extremos, tais como secas
e inundações;

III - a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

IV - a compatibilização do planejamento e da gestão dos recursos hídricos com os


objetivos estratégicos e com o Plano Plurianual - PPA do Estado do Ceará;

V - a integração do gerenciamento dos recursos hídricos com as políticas públicas


federais, estaduais e municipais de meio ambiente, saúde, saneamento, habitação,
uso do solo e desenvolvimento urbano e regional e outras de relevante interesse social
que tenham inter-relação com a gestão das águas;

VI - a promoção da educação ambiental para o uso dos recursos hídricos, com o


objetivo de sensibilizar a coletividade para a conservação e utilização sustentável
deste recurso, capacitando-a para participação ativa na sua defesa;

VII - o desenvolvimento permanente de programas de conservação e proteção das


águas contra a poluição, exploração excessiva ou não controlada.

CAPÍTULO V
DOS INSTRUMENTOS

Art. 5º São instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - a outorga de direito de uso de recursos hídricos e de execução de obras e/ou


serviços de interferência hídrica;

II - a cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

III - os planos de recursos hídricos;

IV - o Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH;

V - o Sistema de Informações de Recursos Hídricos;

VI - o enquadramento dos corpos de água em classes de usos preponderantes;

VII - a fiscalização de recursos hídricos.

305
SEÇÃO I
Da Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos e de Execução de Obras
e/ou Serviços de Interferência Hídrica

SUBSEÇÃO I
Da Outorga De Direito de Uso de Recursos Hídricos

Art. 6º A outorga de direito de uso de recursos hídricos é um ato administrativo de


competência do Secretário dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará, no qual será
outorgado o uso de determinado recurso hídrico nos termos e condições expressas
no ato respectivo, sem prejuízo das demais formas de licenciamento ambiental a
cargo de instituições competentes.

§ 1º A outorga de direito de uso de recursos hídricos tem por objetivo efetuar o controle
do uso e assegurar o direito de acesso à água, condicionada às prioridades
estabelecidas no Plano Estadual de Recursos Hídricos e nos Planos de Bacias
Hidrográficas.

§ 2º A outorga de direito de uso de recursos hídricos não implica a alienação total ou


parcial desses recursos que são inalienáveis, mas o simples direito de seu uso.

§ 3º A outorga estará condicionada às exigências desta Lei e das demais normas


regulamentares, como também, dos critérios fixados pelo Conselho de Recursos
Hídricos do Ceará - CONERH e pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, no que
couber.

Art. 7º Estão sujeitos à outorga de direito de uso de recursos hídricos:

I - derivação ou captação de parcela de água existente em um corpo hídrico para


consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo;

II - extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final ou insumo de


processo produtivo;

III - lançamento em corpo hídrico de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos,

tratados, com o fim de disposição final, dentro dos padrões de tratamento


estabelecidos na legislação pertinente;

IV - outros usos ou interferências que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade


da água existente em um corpo hídrico.

Art. 8º A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser transferida a


terceiro, em casos específicos a serem definidos pela Secretaria de Recursos Hídricos

306
- SRH, mediante fundamentação e justificativas, devendo, contudo, conservar as
mesmas características e condições da outorga original e poderá ser feita total ou
parcialmente quando aprovada pela autoridade outorgante, vindo a ser objeto de novo
ato administrativo indicando o(s) novo(s) titular (es).

Art. 9º A Secretaria dos Recursos Hídricos poderá emitir outorgas preventivas de uso
de recursos hídricos, com a finalidade de declarar a disponibilidade de água para os
usos solicitados no futuro.

§ 1º A outorga preventiva não confere direito de uso de recursos hídricos e se destina


a reservar o volume passível de outorga, possibilitando, aos investidores, o
planejamento e a execução de empreendimentos que necessitem desses recursos.

§ 2º O prazo de validade da outorga preventiva será fixado levando-se em conta a


complexidade do empreendimento, limitando-se ao máximo de um ano, podendo ser
renovado por igual período a critério do órgão gestor.

Art. 10. A Secretaria dos Recursos Hídricos dará publicidade aos pedidos de outorga
de direito de uso de recursos hídricos, de seu domínio ou da União, por delegação,
bem como aos atos administrativos que deles resultarem, de acordo com
regulamentação.

Art. 11. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa pela

Secretaria dos Recursos Hídricos, de forma total ou parcial, em definitivo ou por prazo
determinado, sem qualquer direito de indenização ao usuário, nas seguintes
circunstâncias:

I - descumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;

II - não utilização da outorga por 3 (três) anos consecutivos;

III - necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, inclusive


as decorrentes de condições climáticas adversas;

IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

V - necessidade de atendimento a usos prioritários, de interesse coletivo, para os


quais não se disponha de fontes alternativas;

VI - superexplotação de aquíferos;

VII - indeferimento ou cassação da licença ambiental;

VIII - não pagamento da tarifa estabelecida na Seção III deste Capítulo.

307
SUBSEÇÃO II
Da Outorga de Execução de Obras e/ou Serviços de Interferência Hídrica

Art. 12. A outorga de execução de obras ou serviços de interferência hídrica é um ato


administrativo de competência do Secretário dos Recursos Hídricos do Estado do
Ceará, no qual será outorgada a execução de obras ou serviços que alterem o regime,
a quantidade ou a qualidade dos recursos hídricos, nos termos e condições expressas
no ato respectivo, sem prejuízo das demais formas de licenciamento ambiental a
cargo de instituições competentes.

Art. 13. Estão sujeitos à outorga de execução de obras ou serviços de interferência


hídrica:

I - as obras e/ou serviços de interferência hídrica caracterizadas por barramentos,


travessias de corpos hídricos, aduções, diques de proteção ou recondução de leito,
construção de poços e desassoreamento de corpos hídricos;

II - outras interferências que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água


existente em um sistema hídrico.

SEÇÃO II
Da Fiscalização de Recursos Hídricos

Art. 14. A fiscalização do uso dos recursos hídricos será exercida nas águas
superficiais e subterrâneas de domínio do Estado do Ceará e realizar-se-á com base
nos objetivos, princípios e diretrizes estabelecidos por esta Lei e tendo como enfoques
a orientação aos usuários, a fim de assegurar o cumprimento da legislação de
recursos hídricos e ambientais.

SEÇÃO III
Da Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos

Art. 15. A cobrança pelo uso dos recursos hídricos objetiva:

I - reconhecer a água como um bem de valor econômico e dar ao usuário uma


indicação de sua real importância;

II - incentivar a racionalização do uso da água;

308
III - obter recursos financeiros para apoiar estudos, programas e projetos incluídos
nos Planos de Recursos Hídricos;

IV - obter recursos para o gerenciamento dos recursos hídricos.

Art. 16. Será cobrado o uso dos recursos hídricos superficiais ou subterrâneos,
segundo as peculiaridades das Bacias Hidrográficas, na forma como vier a ser
estabelecido pelo CONERH, por meio de Resolução, a qual será enviada ao
Governador do Estado do Ceará, que fixará o valor das tarifas por Decreto,
obedecidos os seguintes critérios:

I - a cobrança pela utilização considerará a classe de uso preponderante em que for


enquadrado o corpo de água onde se localiza o uso, a disponibilidade hídrica local, o
grau de regularização assegurado por obras hidráulicas, a vazão captada e seu
regime de variação, o consumo efetivo e a finalidade a que se destina;

II - a cobrança pelo transporte e a assimilação de efluentes do sistema de esgotos e


outros líquidos de qualquer natureza considerará o grau de regularização assegurado
por obras hidráulicas, a carga lançada e seu regime de variação, ponderando-se,
dentre outros, os parâmetros orgânicos e físico-químicos dos efluentes, atendendo à
legislação pertinente e à natureza da atividade responsável pelos mesmos.

§ 1º O pagamento decorrente de qualquer cobrança estabelecida no inciso II, citado


anteriormente, não desobriga os responsáveis pelos lançamentos, ali previstos, do
cumprimento das normas e padrões legais, relativos ao controle de poluição das
águas.

§ 2º Obedecida a quantificação estabelecida em regulamento, não serão cobrados os


usos de vazões insignificantes de água, relativos:

I - aos recursos hídricos para satisfação das necessidades de pequenos núcleos


populacionais, distribuídos no meio rural;

II - às derivações, às acumulações e às captações consideradas insignificantes e/ou


em estado de calamidade pública.

§ 3º O cálculo da tarifa será elaborado pela Instituição de Gerenciamento de Recursos


Hídricos do Estado do Ceará e submetido à análise e à aprovação do CONERH.

309
SEÇÃO IV
Dos Planos de Recursos Hídricos

SUBSEÇÃO I
Do Plano Estadual de Recursos Hídricos

Art. 17. O plano estadual de recursos hídricos encerra diretrizes que visam
fundamentar e orientar a implementação da política de recursos hídricos no Estado
considerando as bacias e sub-bacias hidrográficas, mediante gestão equitativa e
razoável desses recursos, com o seguinte conteúdo mínimo:

I - diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos, em quantidade e qualidade,


com identificação de problemas e conflitos;

II - balanço entre a disponibilidade e a demanda futura dos recursos hídricos, em


quantidade e qualidade, com identificação dos conflitos potenciais e efetivos;

III - análise de alternativas de crescimento demográfico, de evolução das atividades


produtivas e de modificações dos padrões de uso e ocupação do solo;

IV - metas de racionalização e de adequação do uso, aumento de quantidade e


melhoria da qualidade dos recursos hídricos disponíveis;

V - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem


implantados, para o atendimento das metas previstas, especialmente, sobre a
utilização, recuperação, conservação e proteção dos recursos hídricos;

VI - prioridades para outorga de direito de uso dos recursos hídricos, levando-se em


conta os critérios emitidos pelo Conselho de Recursos Hídricos do Ceará - CONERH;

VII - diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

VIII - propostas para a criação de áreas sujeitas à restrição de uso, com vistas à
proteção dos recursos hídricos;

IX - medidas de controle de enchentes, monitoramento de prevenção visando à


segurança das estruturas hídricas.

Art. 18. O Estado atualizará a cada quatro anos o Plano Estadual de Recursos
Hídricos - PLANERH, assegurando recursos financeiros e mecanismos institucionais,
para sua implementação.

Parágrafo único Os recursos financeiros para elaboração e implantação do Plano

Estadual de Recursos Hídricos deverão constar das leis estaduais que disponham
sobre o Plano Plurianual, Diretrizes Orçamentárias e Orçamento Anual do Estado.

310
Art. 19. O Plano Estadual de Recursos Hídricos deverá constar do Plano Plurianual
de Desenvolvimento do Estado de forma a assegurar a integração setorial e
geográfica dos diferentes segmentos da economia e das regiões como um todo.

SUBSEÇÃO II
Dos Planos de Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas

Art. 20. Os planos de recursos hídricos de bacias e sub-bacias hidrográficas englobam


ações a serem executadas em suas áreas de abrangência e serão discutidos e
aprovados pelos respectivos Comitês de Bacias Hidrográficas ou Comitês de Sub-
Bacias Hidrográficas, realizando-se, antes da aprovação, audiências públicas nas
localidades abrangidas pela área de atuação dos comitês, com amplo acesso à
população.

§ 1º Excepcionalmente, enquanto os Comitês de Bacias Hidrográficas ou Comitês de


Sub-Bacias Hidrográficas não estiverem em funcionamento, os Planos de Bacias

Hidrográficas serão discutidos e aprovados pelo CONERH.

§ 2º Os planos de recursos hídricos das bacias hidrográficas terão conteúdo


compatível com o do Plano Estadual de Recursos Hídricos.

SEÇÃO V
Do Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FUNERH

Art. 21. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH, vinculado à Secretaria


dos Recursos Hídricos, tem a finalidade de dar suporte financeiro à Política Estadual
de Recursos Hídricos e será regido pelas normas estabelecidas nesta Lei e em seu
regulamento.

Art. 22. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH, tem como objetivos:

I - disponibilizar recursos financeiros para aplicação em projetos voltados para a


Política Estadual de Recursos Hídricos, para que sejam asseguradas as condições de
desenvolvimento dos recursos hídricos e a melhoria da qualidade de vida da
população do Estado em equilíbrio com o meio ambiente e em consonância com o
Plano Estadual de Recursos Hídricos e os Planos de Bacias Hidrográficas;

311
II - liberar, para aplicação em programas, projetos ou estudos definidos pela Secretaria
dos Recursos Hídricos e pelos Comitês de Bacias Hidrográficas, os recursos obtidos
em conformidade com o art. 23.

Art. 23. Constituem fontes de recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos -

FUNERH, os provenientes:

I - de parte da compensação financeira que o Estado receber pela exploração de


petróleo, gás natural, recursos minerais ou quaisquer outras fontes de energia que
venham a interferir, direta ou indiretamente, nos recursos hídricos;

II - da transferência da União ou Estados vizinhos, destinados a execução de planos


e programas de recursos hídricos de interesse comum;

III - das operações de crédito contratados com entidades nacionais e internacionais;

IV - do retorno do financiamento sob a forma de amortização do principal, atualização


monetária, juros, comissões, mora ou sob qualquer outra forma;

V - das aplicações de sanções e multas cobradas dos infratores da legislação de


recursos hídricos;

VI - da União, do Estado, dos Municípios e entidades nacionais e internacionais;

VII - de doações de entidades públicas, privadas, ONGs, entre outros;

VIII - de emolumentos cobrados pela expedição de outorgas.

§ 1º Os recursos que comporão o Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH,


serão aportados na forma prevista nesta Lei e em seus regulamentos, e nos casos
definidos nos incisos I, II, III, VI e VII do caput deste artigo, na forma prevista em cada
instrumento.

§ 2º Os recursos do FUNERH terão aplicações definidas para cada programa ou


projeto pela Secretaria dos Recursos Hídricos - SRH, em consonância com a Política
Estadual de Recursos Hídricos, o Plano Estadual de Recursos Hídricos e os Planos
de Bacias Hidrográficas, aprovadas pelo CONERH.

Art. 24. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH, será administrado por um
Conselho Diretor constituído da seguinte forma:

I - Secretário de Estado dos Recursos Hídricos;

II - Secretário de Estado da Fazenda;

III - Secretário de Estado do Planejamento e Gestão.


312
§ 1º O Conselho Diretor será presidido pelo Secretário dos Recursos Hídricos.

§ 2º Ao Conselho Diretor caberá deliberar e definir o agente financeiro, as estratégias


de programação dos investimentos, as condições de alocação e a aplicação dos
recursos do Fundo, bem como as condições de aplicação de programas relacionados
com o desenvolvimento hídrico do Estado, obedecidas as regras que vierem a ser
estabelecidas para o seu funcionamento, sem prejuízo das competências do Tribunal
de Contas do Estado e do órgão de controle interno do Poder Executivo Estadual.

§ 3º Serão remetidos relatórios anuais da movimentação do Fundo ao Conselho de

Recursos Hídricos do Ceará - CONERH.

§ 4º Aplica-se à administração financeira do FUNERH o disposto no Código de

Contabilidade Pública e nas legislações federal e estadual pertinente às licitações e


aos contratos.

SEÇÃO VI
Do Sistema de Informações de Recursos Hídricos

Art. 25. O Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos é constituído pela coleta,
tratamento, armazenamento, recuperação e disponibilização de informações sobre
recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão.

Art. 26. São princípios básicos para o funcionamento do Sistema de Informações dos
Recursos Hídricos:

I - preservação e inclusão de cada subsistema existente, possibilitando uma visão


referencial, integrada e atualizada dos processos e das informações;

II - atualização efetuada diretamente por quem gera a informação;

III - descentralização, sempre que possível, do armazenamento dos dados junto às


respectivas fontes;

IV - coordenação unificada do sistema;

V - acesso público aos dados e informações, garantido a toda a sociedade.

Art. 27. São objetivos do Sistema de Informações dos Recursos Hídricos:

I - reunir, dar consistência e divulgar, de forma permanentemente atualizada, os dados


e as informações sobre a situação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no
Estado do Ceará;
313
II - fornecer subsídios para a elaboração e atualização do Plano Estadual de Recursos
Hídricos e dos Planos de Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas;

III - ser efetiva e útil ferramenta gerencial para os níveis decisório, administrativo e
operativo dos setores de recursos hídricos do Ceará;

IV - ser compatível com o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos


–SNIRH.

SEÇÃO VII
Do Enquadramento dos Corpos d’água em classes de Usos Preponderantes

Art. 28. O enquadramento dos corpos d’água em classes segundo os usos


preponderantes visa:

I - assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem
destinados;

II - diminuir os custos de combate à poluição das águas, mediante ações preventivas


permanentes.

Art. 29. As classes de corpos d’água serão estabelecidas pela legislação ambiental.

Art. 30. Os procedimentos e mecanismos para enquadramento serão definidos em


regulamento e considerarão as normas do Conselho Nacional de Recursos Hídricos,
no que couber.

CAPÍTULO VI
DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

Art. 31. Para os efeitos desta Lei, águas subterrâneas são aquelas que ocorrem
natural ou artificialmente no subsolo, estando submetidas aos princípios, às diretrizes
e aos instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 32. As águas subterrâneas deverão ser gerenciadas de forma integrada com as
águas superficiais e estarão sujeitas, permanentemente, às ações de conservação e
proteção, visando ao seu uso sustentável, cabendo ao órgão gestor, dentre outras
ações:

I - restringir as vazões explotadas por poços e por outras formas de captação, com
base nos dados da outorga;

314
II - estabelecer distâncias mínimas entre poços;

III - apoiar ou executar projetos de recarga dos aquíferos;

IV - propor ao órgão ambiental competente a criação de áreas de proteção de


aquíferos.

Art. 33. Nas outorgas de direito de uso de águas subterrâneas deverão ser
considerados critérios que assegurem a gestão integrada das águas e que evitem o
comprometimento qualitativo e quantitativo dos aquíferos, cabendo ao órgão gestor:

I - autorizar a execução de obras de captação e armazenamento de águas


subterrâneas;

II - realizar e manter atualizado o cadastro de poços tubulares e outras captações;

III - realizar e manter atualizado o cadastro de empresas de construção de poços;

IV - promover estudos para o conhecimento e o planejamento de seu aproveitamento


racional;

V - promover o monitoramento e a avaliação qualitativo-quantitativos das águas


subterrâneas;

VI - definir as reservas explotáveis dos domínios aquíferos;

VII - garantir a fiscalização das obras de captação de águas subterrâneas.

Art. 34. O enquadramento dos corpos d’águas subterrâneas em classes dar-se-á


segundo as características hidrogeológicas dos aquíferos e os respectivos usos
preponderantes, já definidos, conforme legislação específica.

Art. 35. A exploração de águas subterrâneas, que represente riscos para o aquífero,
demandará do órgão gestor, dentre outras providências:

I - a suspensão da outorga de direito de uso nos termos do art. 11, inciso VI desta Lei;

II - a restrição do regime de operação outorgado, com respeito à vazão e/ou ao tempo


de bombeamento;

III - a determinação para o lacramento e/ou obturação de poços.

Parágrafo único. As medidas de que trata o caput vigorarão até que sejam
restabelecidos os níveis de segurança de exploração, não gerando direito de
indenização ao outorgado.

315
Art. 36. As captações de águas subterrâneas serão obrigatoriamente dotadas de
proteção sanitária, medidores de vazão, tubos guia e/ou outros dispositivos para
monitoramento de níveis d'água.

Parágrafo único. Os poços temporariamente paralisados e outras obras de captação


de águas subterrâneas, realizadas para diversos usos, deverão ser lacrados de forma
a evitar acidentes, contaminação ou poluição dos aquíferos.

CAPÍTULO VII
DO REUSO DAS ÁGUAS

Art. 37. O reuso de água é parte de uma atividade mais abrangente de gestão
integrada, onde o uso racional ou eficiente da água compreende também o controle
de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo
de água.

Art. 38. O Poder Executivo deve institucionalizar e estimular a prática do reuso de


água e integrá-la aos planos de bacias hidrográficas.

§ 1º Para orientar as atividades de reuso praticadas no Estado, o órgão gestor disporá


do ordenamento institucional-legal para o setor.

§ 2º O órgão gestor fará articulação dos setores interessados no reuso de água para
estabelecerem o marco regulatório para esta atividade no Estado do Ceará.

CAPÍTULO VIII
DO SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO DE RECURSOS HIDRÍCOS - SIGERH

SEÇÃO I
Dos Objetivos

Art. 39. O Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH, visa


implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos, bem como planejar, regular e
controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos hídricos.

SEÇÃO II
Da Organização

Art. 40. Comporão o Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH:

316
I - o Conselho de Recursos Hídricos do Ceará;

II - o Órgão Gestor da Política Estadual de Recursos Hídricos;

III - os Comitês de Bacias Hidrográficas;

IV - a Instituição de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

V - a Instituição de Execução de Obras Hidráulicas;

VI - as Instituições Setoriais cujas atividades sejam correlatas com recursos hídricos


e estejam envolvidas com a gestão do clima e dos recursos naturais.

Parágrafo único. As prefeituras municipais, as instituições federais, estaduais e as


organizações civis envolvidas com recursos hídricos, inclusive associações de
usuários, participarão do SIGERH nos Comitês de Bacias Hidrográficas ou no
Conselho de Recursos Hídricos do Ceará em função de atribuições relevantes perante
o sistema.

SEÇÃO III
Dos Colegiados

SUBSEÇÃO I
Do Conselho de Recursos Hídricos do Ceará – CONERH

Art. 41. O Conselho de Recursos Hídricos do Ceará - CONERH, órgão de


coordenação, fiscalização, deliberação coletiva e de caráter normativo do Sistema
Integrado de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH, vinculado à Secretaria dos
Recursos Hídricos - SRH, terá por finalidade o exercício das seguintes competências:

I - promover a articulação do planejamento de recursos hídricos com os planejamentos


nacional, regional, estadual e dos setores usuários;

II - aprovar o Plano Estadual de Recursos Hídricos e determinar as providências


necessárias ao cumprimento de suas metas;

III - arbitrar em última instância administrativa, os conflitos existentes entre as bacias


hidrográficas e usuários de águas;

IV - deliberar sobre os projetos de recursos hídricos cujas repercussões extrapolem o


âmbito da bacia hidrográfica em que serão implantados;

V - deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Comitês de
Bacias Hidrográficas;

317
VI - aprovar propostas de instituição dos Comitês de Bacia Hidrográfica e estabelecer
critérios gerais para elaboração de seus regimentos;

VII - analisar propostas de alteração da legislação pertinente a recursos hídricos e à

Política Estadual de Recursos Hídricos;

VIII - estabelecer critérios para a outorga de direito de uso de recursos hídricos, para
execução de obras de interferência hídrica e para cobrança pelo uso dos recursos
hídricos, e fixar o valor da respectiva tarifa ou preço público;

IX - estabelecer diretrizes complementares para implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema
Integrado de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH;

X - apreciar o relatório anual sobre a situação dos Recursos Hídricos do Estado;

XI - estabelecer diretrizes para a formulação de programas e projetos de aplicação de


recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNERH;

XII - manifestar-se sobre outros assuntos relativos a recursos hídricos, que sejam
submetidos ou estejam sujeitos à sua apreciação;

XIII - criar, mediante resolução, câmaras técnicas e grupos de trabalho para realização
de tarefas especiais coordenadas pela Secretaria Executiva, na forma do inciso VI do
art. 43, sendo que os recursos necessários ao desempenho das atribuições destas
câmaras e grupos serão alocados pela Secretaria dos Recursos Hídricos, na
qualidade de órgão gestor da Política Estadual de Recursos Hídricos;

XIV - aprovar o enquadramento dos corpos d'água do domínio estadual em classes


de uso preponderante de acordo com o inciso XI do art. 46.

Art. 42. O Conselho de Recursos Hídricos do Ceará será composto por representantes
de:

I - secretarias e demais instituições estaduais com atuação na gestão ou no uso dos


recursos hídricos;

II - comitês de bacias hidrográficas;

III - instituições públicas federais com atuação em recursos hídricos;

IV - organizações civis de recursos hídricos;

V - entidade que congrega os municípios;

VI - instituições de ensino superior com atuação em recursos hídricos;


318
VII - entidades dos usuários de recursos hídricos.

§ 1º O número de representantes do Poder Executivo Estadual corresponderá a 50%

(cinquenta por cento) do total de membros do Conselho de Recursos Hídricos do


Ceará.

§ 2º O CONERH será presidido pelo Secretário dos Recursos Hídricos do Estado do

Ceará.

SUBSEÇÃO II
Da Secretaria Executiva do CONERH

Art. 43. Vinculada ao Gabinete da SRH funcionará a Secretaria Executiva do


CONERH, que terá as seguintes atribuições:

I - viabilizar a articulação dos colegiados de recursos hídricos, principalmente entre os


Comitês de Bacias Hidrográficas – CBH, e o Conselho de Recursos Hídricos do Ceará
- CONERH, bem como entre estes e os demais integrantes do Sistema Integrado de
Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH;

II - analisar a Política Estadual de Recursos Hídricos, consolidando o relatório de


desempenho do Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH, para
conhecimento e apreciação do Conselho;

III - analisar normas e critérios para a gestão dos recursos hídricos, bem como demais
questões relevantes de interesse do Conselho;

IV - dar assessoria técnica e funcional ao Conselho;

V - analisar, quando solicitado, pareceres de natureza técnica, sobre pedidos de


outorga de uso de recursos hídricos e de execução de obras e/ou de serviços de
interferência hídrica em grau de recurso ao CONERH;

VI - coordenar câmaras técnicas do Conselho;

VII - exercer outras atribuições determinadas pelo Conselho.

Parágrafo único. A Secretaria Executiva do CONERH terá uma estrutura operacional


adequada e contará com apoio técnico da SRH e de suas vinculadas para
desempenhar as funções perante o Conselho.

319
SUBSEÇÃO III
Dos Comitês de Bacias Hidrográficas

Art. 44. Os Comitês de Bacias Hidrográficas – CBH são entes regionais de gestão de
recursos hídrios com funções consultivas e deliberativas, atuação em bacias, sub-
bacias ou regiões hidrográficas, vinculados ao CONERH, cuja formação e
funcionamento serão objeto de regulamentação.

Art. 45. Os Comitês de Bacias Hidrográficas – CBH terão como área de atuação:

I - a totalidade de uma bacia hidrográfica;

II - a sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da bacia ou de


tributário desse tributário;

III - o grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas.

Parágrafo único. A instituição e a estrutura dos Comitês de Bacias Hidrográficas serão


efetivadas por decreto do Governador do Estado, após a aprovação do Conselho de
Recursos Hídricos do Ceará - CONERH.

Art. 46. Compete aos Comitês de Bacias Hidrográficas:

I - promover o debate de questões relacionadas a recursos hídricos e articular a


atuação com entidades interessadas;

II - propor a elaboração e aprovar o Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica;

III - arbitrar, em primeira instância administrativa, os conflitos relacionados aos


recursos hídricos;

IV - fornecer subsídios para a elaboração do relatório anual sobre a situação dos


recursos hídricos da bacia hidrográfica;

V - acompanhar a implementação do plano de recursos hídricos da bacia hidrográfica


e sugerir as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

VI - propor ao Conselho de Recursos Hídricos do Ceará - CONERH, critérios e


mecanismos a serem utilizados na cobrança pelo uso de recursos hídricos, e sugerir
os valores a serem cobrados;

VII - estabelecer os critérios para o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de
interesse comum ou coletivo;

VIII - propor ao CONERH programas e projetos a serem executados com recursos


oriundos do FUNERH;

320
IX - constituir comissões específicas e câmaras técnicas definindo, no ato de criação,
sua composição, atribuições e duração;

X - acompanhar a aplicação dos recursos advindos da cobrança pelo uso dos recursos
hídricos;

XI - aprovar a proposta de enquadramento de corpos d'água em classes de uso


preponderante das Bacias Hidrográficas.

§ 1º Aplicam-se aos Comitês de Sub-Bacias Hidrográficas todas as regras pertinentes


aos Comitês de Bacias Hidrográficas constantes desta Lei.

§ 2º Às decisões dos Comitês de Bacias Hidrográficas caberão recursos ao Conselho


de Recursos Hídricos do Ceará - CONERH.

Art. 47. Na fixação da composição dos Comitês de Bacias Hidrográficas serão


observados os seguintes percentuais de participação:

I - representação de entidades dos usuários de águas da bacia, em percentual que


não exceda 30% (trinta por cento);

II - representação das organizações civis de recursos hídricos, em percentual que não


exceda 30% (trinta por cento);

III - representação de órgãos estaduais e federais, em percentual que não exceda


20% (vinte por cento);

IV - representação dos Poderes Públicos Municipais localizados na bacia respectiva,


em percentual que não exceda 20% (vinte por cento).

§ 1º Os CBH serão presididos por um de seus integrantes, pertencentes às categorias


estabelecidas nos incisos I, II e IV do caput deste artigo, eleito pela plenária, para um
mandato de 2(dois) anos, permitida uma recondução.

§ 2º O dirigente que perder a representatividade institucional será substituído pelo que


estiver em cargo imediatamente abaixo, ficando vago o último cargo, que será
preenchido por eleição de seus pares em até 30(trinta) dias da declaração da
vacância.

§ 3º Nos Comitês de Bacias Hidrográficas cujos territórios abranjam terras indígenas


e de quilombolas deve ser incluído um representante de cada um desses segmentos.

321
SEÇÃO IV
Do Órgão Gestor da Política Estadual de Recursos Hídricos, das Instituições
de Gerenciamento de Recursos Hídricos e de Execução de Obras Hidráulicas

SUBSEÇÃO I
Do Órgão Gestor da Política Estadual de Recursos Hídricos

Art. 48. A Secretaria dos Recursos Hídricos – SRH, é o órgão gestor da Política
Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 49. Na implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, compete à

Secretaria dos Recursos Hídricos - SRH:

I - tomar as providências necessárias à implementação e ao funcionamento do


Sistema

Integrado de Gestão de Recursos Hídricos;

II - implantar e gerir o Sistema de Informações de Recursos Hídricos do Estado;

III - promover a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

IV - formular políticas e diretrizes para a gestão e o gerenciamento dos recursos


hídricos;

V - coordenar, supervisionar e planejar as atividades concernentes aos recursos


hídricos;

VI - funcionar como Secretaria Executiva do Conselho de Recursos Hídricos do Ceará


-

CONERH, para prestar-lhe apoios administrativo, técnico e financeiro necessários ao


seu funcionamento;

VII - coordenar a elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos e encaminhá-lo


à aprovação do Conselho de Recursos Hídricos do Ceará - CONERH;

VIII - inserir o Plano Estadual de Recursos Hídricos na agenda política do Estado;

IX - expedir outorga de direito de uso de recursos hídricos, efetuando sua fiscalização


e aplicando sanções de acordo com esta Lei e seu regulamento;

X - expedir outorga para execução de obras e/ou serviços de interferência hídrica,


sem prejuízo da licença ambiental obrigatória;

322
XI - realizar programas de estudos, pesquisas, desenvolvimento de tecnologia e
capacitação do pessoal integrante do SIGERH;

XII - criar câmaras técnicas que serão constituídas por técnicos de instituições
estaduais que compõem o SIGERH;

XIII - celebrar convênios com a União e com as demais unidades da Federação a fim
de disciplinar a utilização de recursos hídricos compartilhados.

SUBSEÇÃO II
Da Instituição de Gerenciamento de Recursos Hídricos

Art. 50. A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos - COGERH, criada pela Lei
nº 12.217, de 18 de novembro de 1993, vinculada à SRH, é a instituição de
gerenciamento de recursos hídricos de domínio do Estado ou da União, por
delegação.

Art. 51. Na implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, compete à

Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos:

I - realizar obras e serviços de operação e manutenção dos sistemas hídricos e o


monitoramento dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, conforme a Política
Estadual de Recursos Hídricos;

II - realizar estudos técnicos para implementação, efetivação e alteração das tarifas


pelo uso dos recursos hídricos, de acordo com o estabelecido no art. 16, desta Lei;

III - receber recursos financeiros oriundos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos -

FUNERH, e aplicá-los nas atividades de gerenciamento dos recursos hídricos;

IV - receber e aplicar outros recursos financeiros não previstos no inciso anterior;

V - manter atualizado o balanço da disponibilidade e demandas de recursos hídricos


em sua área de atuação, comunicando os dados à SRH;

VI - manter atualizado o cadastro de usuários de recursos hídricos;

VII - elaborar os Planos de Gerenciamento de Recursos Hídricos das Bacias


Hidrográficas, de acordo com os respectivos Comitês de Bacias Hidrográficas para
apreciação dos órgãos competentes mencionados nesta Lei;

VIII - apresentar aos Comitês de Bacias Hidrográficas para deliberação:

323
a) estudos para o enquadramento dos corpos d’água nas classes de usos
preponderantes;

b) valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos;

c) planos de aplicação dos recursos financeiros arrecadados com a cobrança pelo uso
dos recursos hídricos;

IX - apoiar a organização de usuários com vistas à formação de Comitês de Bacias

Hidrográficas e Comissões Gestoras de Sistemas Hídricos, prestando apoios técnico,


administrativo e financeiro necessários ao funcionamento dos mesmos, através das
Gerências de Bacias;

X - exercer a Secretaria Executiva dos Comitês de Bacias Hidrográficas;

XI - elaborar o relatório de situação anual dos recursos hídricos para aprovação do

CONERH e divulgação;

XII - emitir parecer prévio, de natureza técnica, sobre pedidos de outorga de uso de
recursos hídricos e de execução de obras e/ou serviços de interferência hídrica,
quando solicitado pela SRH;

XIII - efetivar a cobrança pelo uso dos recursos hídricos e aplicá-la conforme suas
atribuições.

SUBSEÇÃO III
Da Instituição de Execução de Obras Hidráulicas

Art. 52. A Superintendência de Obras Hidráulicas - SOHIDRA, autarquia vinculada à

Secretaria dos Recursos Hídricos, criada pela Lei nº 11.380, de 15 de dezembro de


1987, tem como finalidade planejar, executar e acompanhar a fiscalização de obras e
serviços de interferência hídrica, no âmbito da Política Estadual de Recursos Hídricos.

§ 1º As ações da SOHIDRA serão executadas em consonância com o Plano Estadual


de Recursos Hídricos e os Planos de Bacias Hidrográficas.

§ 2º Todas as interferências hídricas deverão estar outorgadas de acordo com esta


Lei, com seus regulamentos e com a legislação federal no que couber.

§ 3º Em situações emergenciais, as ações serão executadas com anuência da SRH


e, posteriormente, inseridas e compatibilizadas com os próprios Planos de Recursos
Hídricos.
324
SEÇÃO V
Das Organizações Civis de Recursos Hídricos

Art. 53. Para os efeitos desta Lei, poderão ser habilitados para participar da gestão de
recursos hídricos como membros do Conselho de Recursos Hídricos do Ceará -

CONERH, e dos Comitês de Bacias Hidrográficas:

I - os consórcios e as associações intermunicipais de bacias hidrográficas;

II - as organizações técnicas e de ensino e pesquisa com interesse na área de


recursos hídricos;

III - as entidades da sociedade civil que desenvolvam atividades relacionadas com


recursos hídricos;

IV - as associações regionais, locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos;

V - as organizações afins, reconhecidas pelo Conselho de Recursos Hídricos do


Ceará - CONERH.

§ 1º Para participar do Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH,


através dos Comitês de Bacias Hidrográficas - CBH, os consórcios, as associações,
as entidades e as organizações mencionadas neste artigo deverão ser legalmente
constituídas, no mínimo há um ano, observada a legislação aplicável.

§ 2º Em regiões ou bacias hidrográficas de grande intensidade de uso ou poluição das


águas e em áreas em que se realizem obras e serviços de infraestrutura hídrica, o
Estado apoiará a organização de associações de usuários, de comissões gestoras de
corpos hídricos como entidades auxiliares na gestão dos recursos hídricos, com
atribuições a serem estabelecidas em regulamento.

CAPÍTULO IX
DA PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS

Art. 54. O Estado celebrará convênios de cooperação mútua e de assistência técnica


e econômico-financeira com os municípios, para a implantação de programas que
tenham como objetivo:

I - a manutenção do uso sustentável dos recursos hídricos;

II - a racionalização do uso múltiplo dos recursos hídricos;

325
III - o controle e a prevenção de inundações e de erosão, especialmente em áreas
urbanas;

IV - a implantação, a conservação e a recuperação da cobertura vegetal, em especial


das matas ciliares;

V - o zoneamento e a definição de restrições de uso de área inundáveis;

VI - o tratamento de águas residuárias, em especial dos esgotos urbanos domésticos;

VII - a implantação de sistemas de alerta e de defesa civil para garantir a segurança


e a saúde públicas em eventos hidrológicos adversos;

VIII - a instituição de áreas de proteção e de conservação dos recursos hídricos.

Art. 55. O Estado articular-se-á com a União, com outros Estados e com os Municípios,
respeitadas as disposições constitucionais e legais, com vistas ao aproveitamento,
controle, fiscalização, manutenção e monitoramento dos recursos hídricos em seu
território. Para o cumprimento dos objetivos previstos neste artigo, serão
consideradas:

I - a utilização múltipla e sustentável dos recursos hídricos, em especial para fins de


abastecimento público, indústria, irrigação, pesca, piscicultura, turismo, recreação,
esporte e lazer;

II - a proteção dos ecossistemas, da paisagem, da flora e da fauna aquáticas;

III - as medidas relacionadas com o controle de cheias, prevenção de inundações,


drenagem e correta utilização de várzeas e outras áreas sujeitas à inundação;

IV - a proteção e o controle das áreas de recarga de mananciais, descarga e captação


dos recursos hídricos subterrâneos;

V - proteção, recuperação e manutenção da mata ciliar.

CAPÍTULO X
DOS EMOLUMENTOS ADMINISTRATIVOS

Art. 56. Sem prejuízo da cobrança de outros licenciamentos ambientais estabelecidos


pela legislação pertinente, a outorga de direito de uso de recursos hídricos e de
execução de obras e/ou serviços de interferência hídrica, a fiscalização e todos os
atos inerentes à sua obtenção serão objetos de cobrança por meio de emolumentos
administrativos, de acordo com as normas e as tabelas estabelecidas por Instrução
Normativa do órgão gestor de recursos hídricos.

326
CAPÍTULO XI
DA GESTÃO COMPARTILHADA DOS RECURSOS HÍDRICOS

Art. 57. O Poder Executivo, por meio da Secretaria dos Recursos Hídricos, promoverá
entendimentos com a Agência Nacional de Águas – ANA, e com o Departamento
Nacional de Obras Contra as Secas com vistas à gestão compartilhada dos recursos
hídricos.

§ 1º Com a ANA serão estabelecidos convênios que viabilizem a gestão compartilhada


dos recursos hídricos da União, bem como a delegação para o Estado outorgar o uso
desses recursos em seu território.

§ 2º Com o DNOCS serão estabelecidos convênios de cooperação técnica que


viabilizem a gestão compartilhada dos recursos hídricos da União, bem como a
operação conjunta dos reservatórios de sua responsabilidade no Estado do Ceará.

Art. 58. O Poder Executivo estabelecerá convênios de cooperação técnica com os


estados vizinhos para efetivação da gestão compartilhada dos recursos hídricos
superficiais e subterrâneos de interesses comuns, com interveniência da ANA.

Art. 59. O Poder Executivo, através da Secretaria dos Recursos Hídricos, poderá
estabelecer parcerias com outras entidades públicas e privadas no interesse da
gestão dos recursos hídricos do Ceará.

CAPÍTULO XII
DAS INFRAÇÕES E SANÇÕES

Art. 60. Constituem infrações às normas de uso dos recursos hídricos e de execução
de obras e/ou serviços de interferência hídrica:

I - utilizar recursos hídricos de domínio, ou sob a administração do Estado do Ceará,


sem a respectiva outorga de direito de uso de recursos hídricos, ressalvados os usos
isentos de outorga;

II - iniciar a implantação, ou implantar qualquer empreendimento, sem a competente


outorga de execução de obra ou serviço de interferência hídrica;

III - utilizar-se de recursos hídricos ou executar obras e/ou serviços com os mesmos
relacionados, em desacordo com as condições estabelecidas na outorga;

IV - perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los sem as devidas


outorgas;

327
V - declarar valores diferentes das medidas ou fraudar as medições dos volumes de
água captados;

VI - infringir as normas estabelecidas nesta Lei ou em seus regulamentos, inclusive


normas administrativas, nestas compreendidas portarias, instruções normativas,
resoluções do Conselho de Recursos Hídricos do Ceará - CONERH, e procedimentos
fixados pelo órgão gestor;

VII - realizar interferências nos leitos dos rios e demais corpos hídricos para a extração
de mineral ou de outros materiais sem as autorizações dos órgãos competentes;

VIII - obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes,


integrantes do SIGERH, no exercício de suas funções;

IX - lançar em corpos hídricos, efluentes líquidos ou gasosos, tratados, com finalidade


de disposição final sem a respectiva outorga de direito de uso.

Art. 61. Compete à Secretaria dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará a aplicação
das penalidades a seguir enumeradas, que podem ser cominadas sem a observância
da ordem em que se encontram discriminadas, resultando a aplicação de qualquer
uma delas na impossibilidade de requerer outorga e/ou renovação da outorga
existente, enquanto a penalidade não for integralmente cumprida, mediante
regulamentação:

I - advertência por escrito, na qual serão estabelecidos prazos para a correção da


irregularidade, nos termos do relatório de vistoria;

II - multa simples e/ou multa diária, em valores a serem definidos;

III - embargo administrativo, por prazo determinado, objetivando a execução de


serviços e de obras para o cumprimento das condições da outorga ou do
licenciamento ambiental;

IV - embargo definitivo, com revogação da outorga, importando na demolição da obra,


se necessário, ou na reparação de leitos e margens e/ou tamponamento dos poços
abertos ou em implantação.

§ 1º Na hipótese de qualquer prejuízo ao serviço público de abastecimento de água,


riscos à saúde ou à vida, perecimento de animais, destruição de bens ou prejuízo de
qualquer natureza causado a terceiros, em razão da infração cometida, a multa a ser
aplicada deverá ser compatível aos danos causados.

§ 2º Nos casos da aplicação das penalidades indicadas nos incisos III e IV deste artigo,
o respectivo infrator responderá, cumulativamente, pela multa que lhe tenha sido
aplicada, bem como pelas despesas que a Administração tiver sido obrigada a realizar

328
para tornar efetivas as medidas previstas nos citados incisos, sem prejuízo de
responder, ainda, pela indenização dos danos a que der causa.

§ 3º Para os efeitos desta Lei, considera-se reincidente todo aquele que cometer mais
de uma infração da mesma tipicidade.

§ 4º O regulamento desta Lei disporá sobre as hipóteses de incidência das


penalidades de advertência e de multa, sobre os critérios de gradação dos valores a
serem cobrados, a título dessa última espécie, bem como sobre o processo
administrativo de apuração das mesmas.

§ 5º Às penalidades citadas caberá recurso à autoridade administrativa competente,


nos termos do regulamento desta Lei.

§ 6º Caberá à Secretaria dos Recursos Hídricos a instituição de equipes compostas


por profissionais capacitados para exercer a fiscalização dos recursos hídricos,
identificar as infrações, autuar e enquadrar nas penalidades cabíveis elencadas nesta
Lei.

Art. 62. A Secretaria dos Recursos Hídricos e suas vinculadas poderão realizar

fiscalizações conjuntas ou compartilhadas com os órgãos de meio ambiente na busca


da integração da gestão dos recursos hídricos com a gestão ambiental.

§ 1º A fiscalização conjunta compreende o desenvolvimento das ações por equipes


das instituições parceiras.

§ 2º A fiscalização compartilhada compreende a ação fiscalizatória de recursos


hídricos em ambientais de cada técnico que exerça essa função e que forneça
relatórios de vistoria para ambas as instituições parceiras.

§ 3º Para viabilização dessas ações serão estabelecidos convênios entre as partes


em que serão definidas as funções, os recursos financeiros e os apoios técnico-
operacionais.

CAPÍTULO XIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 63. A instituição de premiações e medalhas, a serem conferidas pela SRH, às


personalidades físicas ou jurídicas que tenham se destacado pelo conjunto de suas
ações e contribuições no âmbito dos recursos hídricos, será objeto de resolução do
CONERH.

Art. 64. Os órgãos e entidades integrantes do SIGERH criarão mecanismos


compatíveis com as suas respectivas áreas de competência, que visem ao
desenvolvimento integrado de programas de educação ambiental, bem como de

329
informações técnicas, relativas à proteção dos recursos hídricos, com observância dos
princípios estabelecidos na legislação implementadora das Políticas Nacional e
Estadual de Educação Ambiental.

Parágrafo único. Ao SIGERH, nos termos de regulamentação própria, cabe divulgar


os princípios, as diretrizes e o conteúdo desta Lei nas escolas de níveis fundamental,
médio e superior, da rede de ensino, em colônias e associações que possuam
interesses com os recursos hídricos, em instituições ambientais, bibliotecas públicas
e Prefeituras Municipais.

Art. 65. A SRH, na condição de empreendedora, outorgante e fiscalizadora da


implementação de reservatórios de múltiplos usos, deverá atender, no que couber, o
disposto na Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, que estabelece a Política
Nacional de Segurança de Barragens.

Art. 66. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, devendo o Estado
promover sua regulamentação no que for necessário.

Art. 67. Revogam-se as disposições em contrário, em especial a Lei Estadual nº


11.996,de 24 de julho de 1992135.

PALÁCIO IRACEMA DO GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ, em Fortaleza, 28 de


dezembro de 2010.

Cid Ferreira Gomes


Governador do Estado do Ceará.

* Publicado no Diário Oficial do Estado de 30/12/2010.

135
Disponível em: http://www.srh.ce.gov.br/index.php/legislacao-do-estado/category/162-leis#

330
8.2. Decreto n. 31.077, de 12 de dezembro de 2012.

Regulamenta a Lei 14.844, de 28/12/2010.

“Dispõe sobre a política estadual de recursos hídricos, no que diz respeito a


conservação e a proteção das águas subterrâneas no estado do Ceará e dá outras
providencias.”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ no uso das atribuições que lhe são


conferidas pelo art.88, IV, da Constituição Estadual e, CONSIDERANDO a
necessidade de regulamentação da Lei n°14.844, de 28 de dezembro de 2010;
CONSIDERANDO que a água é um recurso natural limitado, adotado de valor
econômico, social , ambiental e, sobretudo, um bem de domínio público que deve ser
protegido e defendido;

CONSIDERANDO a necessidade de promover a utilização racional das águas


subterrâneas e sua gestão integrada com as águas superficiais, de forma sustentável;
CONSIDERANDO a necessidade de controle da qualidade e da quantidade da água
subterrânea, bem como a proteção e a manutenção dos ecossistemas terrestres, das
zonas úmidas e do fluxo de base dos recursos hídricos superficiais, segundo os
fundamentos, objetivos e diretrizes da Lei Federal n°9.433 de 08 de janeiro de I997;

CONSIDERANDO que a gestão dos recursos hídricos deve estar em conformidade


com as diretrizes estabelecidas nos planos de recursos hídricos; CONSIDERANDO
as diretrizes contidas nas seguintes Resoluções CNRH: n°15, de 11 de janeiro de
2001, que estabelece diretrizes gerais para a gestão de águas subterrâneas; n°16, de
08 de maio de 200I, que estabelece critérios gerais para a outorga de direito de uso
de recursos hídricos; n°17, de 29 de maio de 2001, que estabelece diretrizes para
elaboração dos Planos de Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas; e n°22, de 24
de maio de 2002, que estabelece diretrizes para inserção das águas subterrâneas no
instrumento Planos de Recursos Hídricos;

331
DECRETA:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

SEÇÃO I
Da Finalidade e Amplitude

Art.1 ° O presente Decreto tem por objeto promover a conservação e a proteção dos
depósitos naturais das águas subterrâneas no âmbito do Estado do Ceará, previstos
na Lei n°14.844, de 21 de dezembro de 2010.

Art. 2° As águas subterrâneas, objeto deste Decreto, são aquelas localizadas no


subsolo ou que dele emergem em forma de exutórios naturais (fontes).

Parágrafo único. Perdem a condição de águas subterrâneas aquelas que, mesmo se


originando de exutórios naturais, escoam na superfície constituindo a drenagem
superficial, como nos, riachos, córregos, ou se acumulam em forma de lagoas, lagos
e formas similares.

SEÇÃO II
Das Definições

Art.3° Para efeitos deste Decreto, entende-se por:

I Água: substância química líquida, incolor, inodora, composta por duas partes de
hidrogênio e uma de oxigênio (H20), que forma os rios, lagos, o mar e também grande
parte dos organismos;

II - Águas subterrâneas: águas que se localizam no subsolo preenchendo os poros


das rochas granulares, cavernas das rochas solúveis ou fraturas das rochas
cristalinas, ou emergem na Superfície em forma de fontes, podendo ser suscetíveis
de explotação pelo homem;

III - Aquífero: meio sedimentar poroso ou rocha cristalina fraturada, dotado de


permeabilidade, capaz de armazenar e liberar água naturalmente ou por captação
artificial;

IV - Aquífero intersticial: aquífero em meio sedimentar;

V - Aquífero fissural: aquífero em meio cristalino;

332
VI. Aquífero livre: aquífero cujas águas estejam submetidas apenas à pressão
atmosférica;

VII- Aquífero confinado: aquífero cujas águas estejam submetidas à pressão superior
à atmosférica;

VIII - Captação e explotação do aquífero: ato de retirar e usar, Respectivamente, a


água contida no aquífero através de poços tubulares ou amazonas ou outro tipo de
obra, bem como de águas de origem subterrânea que aflorem na superfície na forma
de fontes, sendo extraída por bombeamento;

IX - Poço tubular: perfuração na rocha sedimentar ou cristalina, de diâmetro até 36


(trinta e sei s) polegadas, a partir de equipamento motorizado ou manual, total ou
parcialmente revestido com tubos de metal ou PVC, destinado a captar água
subterrânea;

X - Poço artesiano surgente ou poço jorrante: poço cuja água se eleva


espontaneamente acima da superfície do solo;

XI - Poço tubular raso: poço tubular com até 20 (vinte) metros de profundidade;

XII - Poço tubular profundo: poço tubular com profundidade acima de 20 (vinte) metros;

XIII - Poço amazonas: escavação no solo ou rocha sedimentar, com grande diâmetro,
na escala de metros revestido com tijolos ou tubos de concreto, destinado a captar
água subterrânea;

XIV - Poço obturado: poço cujo orifício foi restaurado, muito próximo ao seu estado
natural, de forma a não haver reversibilidade no processo de captação de água;

XV - Poço tamponado: poço com operação impedida temporariamente;

XVI - Recarga: condição de alimentação do aquífero a partir da superfície;

XVII - Recarga natural: recarga originada através da infiltração da água da chuva ou


de rios e lagos;

XVIII - Recarga artificial: recarga originada através da infiltração por barramento


superficial ou injeção através de poços;

XIX - Usuário: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, cuja ação ou
omissão altere o regime, a quantidade ou a qualidade da água ou o equilíbrio de seus
ecossistemas:

XX - Conservação: utilização racional de um recurso natural, de modo a otimizar o seu


rendimento, garantindo a sua renovação, ou autossustentação;

333
XXI - Proteção: ação destinada a resguardar o recurso natural;

XXII - Preservação: ação de prevenção contra destruição ou qualquer forma de dano


ou degradação de um recurso natural;

XXIII - Administração ou gestão: conjunto de ações destinadas ao controle do uso das


águas subterrâneas e relacionadas:

a) à avaliação dos recursos hídricos subterrâneos e ao planejamento do seu


aproveitamento racional;

b) à outorga, ao monitoramento e à fiscalização do uso dessas águas;

c) à aplicação de medidas relativas à conservação, à proteção e·à preservação


quantitativa e qualitativa das águas subterrâneas;

XXIV - Outorga de execução de obra: é o ato administrativo necessário à implantação,


ampliação ou alteração de projeto de qualquer empreendimento que demande a
utilização de recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, bem como a execução
de obras e serviços que alterem o seu, regime em quantidade ou qualidade;

XXV - Outorga de direito de uso: é o ato administrativo, na modalidade de autorização,


mediante o qual o órgão outorgante faculta ao outorgado o uso dos recursos hídricos
por prazo máximo de até 35 (trinta e cinco) anos, nos termos e nas condições
expressas no respectivo ato;

XXVI - Potencialidade: volume de água subterrânea armazenada no aquífero,


susceptível de ser utilizado anualmente, podendo incluir uma parcela das reservas
permanentes;

XXVII - Disponibilidade: parcela da potencialidade de água subterrânea que pode ser


explotada anualmente, sem prejuízos ao aquífero nem ao meio ambiente;

XXVIII - Disponibilidade instalada: o volume que pode ser extraído a partir da sorna
das vazões máximas dos poços, em regime de 24 (vinte e quatro) em 24 (vinte e
quatro) horas de determinado aquífero;

XXIX - Vazão de poço: é o volume de água extraído por tempo determinado, sendo
expresso em m³/h (metros cúbicos por hora), em l/h (litros por hora) ou ainda em 1/s
(litros por segundo);

XXX - Vazão explotável: vazão determinada através de teste de produtividade.

334
CAPÍTULO II
DO SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS - SIGERH

Art.4° Deverão os órgãos que compõem o Sistema Integrado de Gestão de Recursos


Hídricos - SIGERH executar, complementar ou atualizar os estudos, direta ou
indiretamente, para avaliação das potencialidades e disponibilidades de águas
subterrâneas nos aquíferos intersticial, cárstico e fissural) de todo o Estado do Ceará.

Art.5° Os estudos a que se refere o artigo anterior deverão integrar, juntamente com
aqueles referentes aos demais componentes do ciclo hidrológico, o Plano Estadual de
Recursos Hídricos, assim como os Planos Diretores das Bacias Hidrográficas.

Parágrafo único. O Plano Estadual de Recursos Hídricos e os Planos Diretores de


Bacias Hidrográficas se configuram como documentos primordiais de planejamento,
visando ao aproveitamento racional dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.

CAPÍTULO III
DA PROTEÇÃO E PRESERVAÇÃO

SEÇÃO I
Do Controle sobre a Captação das Águas Subterrâneas

Art.6° Os atos de outorga para o uso de água subterrânea deverão proibir mudanças
qualitativas (físicas, químicas e bacteriológicas) e quantitativas, que possam
prejudicar as condições naturais do aquífero e os direitos de terceiros.

Art.7° A outorga, por qualquer' de suas modalidades, poderá ser suspensa ou extinta
pela Secretaria dos Recursos Hídricos, sem qualquer direito de indenização ao
usuário, nos casos definidos na legislação específica.

Art.8° As águas subterrâneas, bens de domínio do Estado, conforme previsão do


art.26, inciso I, da Constituição, deverão ser preservadas da exaustão e degradação
da sua qualidade e seu uso será cobrado na forma da lei.

SEÇÃO II
Da Defesa da Qualidade e da Quantidade das Águas Subterrâneas

Art.9° Os órgãos do Sistema Estadual dos Recursos Hídricos, no que se refere à


conservação e à preservação das águas subterrâneas, exercerão as seguintes
atividades:

335
I - avaliar continuamente as disponibilidades hídricas subterrâneas, coibindo a
superexplotação localizada ou regional do aquífero que incorra em risco de exaustão
ou comprometimento na continuidade de sua explotação;

II - analisar continuamente a qualidade física, química e bacteriológica das águas


subterrâneas, identificando e procurando sanar ou minimizar os efeitos produzidos
pelos focos de poluição, evitando que processos de degradação venham a se alastrar
em todo aquífero;

III - nos aquíferos intersticiais costeiros, acompanhar continuamente a evolução da


interface entre a água doce e a água salgada, em virtude do aumento da explotação
por novos poços perfurados;

IV - no aquífero fissural, realizar estudos e pesquisas visando a um melhor


aproveitamento desse manancial;

V - acompanhar a execução das ações programadas no Plano Estadual de Recursos


Hídricos e nos Planos Diretores de Bacias Hidrográficas, no que se refere às águas
subterrâneas.

Art. 10. . Caberá aos órgãos integrantes do Sistema Estadual de Recursos Hídricos
implementar as seguintes ações:

I - estudos hidrogeológicos de caráter regional ou local

Il - construção de poços e piezômetros para pesquisa hidrogeológica;

III - monitoramento dos níveis e das vazões, nos poços e piezômetros;

IV - monitoramento da qualidade das águas subterrâneas;

V - avaliações anuais do desenvolvimento dos programas em execução na área de


recursos hídricos subterrâneos.

SEÇÃO III
Da Proteção Sanitária

Art 11. A construção da proteção sanitária dos poços deve obedecer aos seguintes
critérios, visando a não contaminação do aquífero:

I - os poços tubulares construídos em aquíferos intersticiais deverão ter o espaço


anelar, entre a parede do poço e o revestimento, cimentado até uma profundidade de,
pelo menos, 10 (dez) metros;

336
lI - os poços tubulares rasos, com profundidade total menor que 20 (vinte) metros,
poderão ter uma profundidade cimentada menor, mas nunca inferior a 5 (cinco)
metros;

III - em poços construídos em terrenos cristalinos (rochas ígneas e/ou metamórficas),


a região cimentada deverá corresponder a toda a extensão revestida por tubos lisos
ou, quanto houver, até o topo da primeira seção de filtros;

IV - na superfície, em torno do poço, deverá ser construída uma laje de concreto, de


forma circular ou quadrada, de área não inferior a 2 (dois) metros quadrados, com
espessura mínima de 15 centímetros, e declividade do centro para a periferia.

Art. 12. Os poços tubulares rasos ou os poços amazonas construídos em área urbana
ou em aluviões de rios, só poderão ser utilizados para consumo humano após
tratamento, atendendo à portaria do Ministério da Saúde de controle e de vigilância
da qualidade da água e seu padrão de potabilidade.

CAPÍTULO IV
DAS ÁREAS DE PROTEÇÃO, RESTRIÇÃO E CONTROLE

Art.13. Sempre que, no interesse da conservação, proteção e manutenção do


equilíbrio natural das águas subterrâneas, dos serviços de abastecimento público de
águas, ou por motivos geotécnicos ou geológicos, se fizer necessário restringir a
captação e uso das águas subterrâneas, o órgão gestor deve propor ao Conselho
Estadual de Recursos Hídricos a delimitação de áreas destinadas ao seu controle.

§ 1° Nas áreas a que se refere este artigo, a explotação de águas subterrâneas poderá
ser condicionada à recarga natural ou artificial dos aquíferos.

§ 2° As áreas de proteção serão estabelecidas com base em estudos hidrogeológicos,


ouvidos os municípios e demais organismos interessados.

§ 3° O e estabelecimento de áreas de controle não implica desapropriação da terra,


mas somente restrição de uso da água a fim de evitar a redução ou exaustão da
capacidade do aquífero.

§4° O documento que estabelecer áreas de controle deverá conter os elementos


necessários à sua perfeita delimitação e à discriminação das concessões e
autorizações a ser abrangidas.

Art.14. Para fins deste Decreto, as áreas de proteção classificam-se em:

337
I - Área de Proteção Máxima: compreendendo, no todo ou em parte, zonas de recarga
de aquíferos altamente vulneráveis à poluição e que se constituam em depósitos de
águas essenciais para o abastecimento público;

II - Área de Restrição e Controle: caracterizada pela necessidade de disciplina das


extrações no que se refere a volumes máximos diários extraídos, controle máximo das
fontes poluidoras já implantadas e restrição a novas atividades potencialmente
poluidoras ou ao controle de vazões bombeadas;

lll - Área de Proteção de Poços e Outras Captações: incluindo a distância mínima entre
poços e outras captações e o respectivo perímetro de proteção.

Art.15. Nas Áreas de Proteção Máxima não serão permitidos:

I - a implantação de indústrias de alto risco ambiental, polos petroquímicos,


carboquímicos e cloroquímicos, usinas nucleares e quaisquer outras de grande
impacto ambiental ou extrema periculosidade;

ll - as atividades agrícolas que utilizem produtos tóxicos de grande mobilidade e que


possam colocar em risco as águas subterrâneas;

lll- o parcelamento do solo urbano sem sistema adequado de tratamento de efluente


ou de disposição de resíduos sólidos ;

IV - o desmatamento da cobertura vegetal.

Art.16. Se houver escassez de água subterrânea ou prejuízo sensível aos


aproveitamentos existentes nas Áreas de Proteção Máxima, o órgão gestor, de acordo
com as suas respectivas atribuições, poderá:

I - proibir novas captações até que o aquífero se recupere ou seja superado o fato que
determinou a carência de água;

ll - restringir e regular a captação de água subterrânea, estabelecendo o volume


máximo a ser extraído e o regime de operação;

lll - controlar as fontes de poluição existentes, mediante programa específico de


monitoramento, a ser executado pelo órgão gerenciador;

IV - restringir novas atividades potencialmente poluidoras.

Parágrafo único. Quando houver restrição à explotação de águas subterrâneas, serão


prioritariamente atendidas as captações destinadas ao abastecimento humano e à
dessedentação de animais.

338
Art.17 Nas Áreas de Restrição e Controle, quando houver escassez de água
subterrânea ou prejuízo sensível aos aproveitamentos existentes, poderão ser
adotadas as medidas previstas no art.16 deste Decreto.

Art.18. Nas áreas de Proteção de Poços e Outras Captações, será instituído o


Perímetro Imediato de Proteção Sanitária, abrangendo raio de dez metros, quando
possível, ou uma distância adequada às condições locais, a partir do ponto de
captação, cercado e protegido, devendo o seu interior ficar resguardado da entrada
ou penetração de poluentes.

Parágrafo único. Nas áreas a que se refere este artigo, os poços e as captações
deverão ser dotados de laje de proteção sanitária, para evitar a penetração de
poluentes.

Art.19. Serão, estabelecidos, em cada caso, além do Perímetro Imediato de Proteção


Sanitária, Perímetros de Alerta contra poluição, tomando-se por base uma distância
coaxial ao sentido do fluxo, a partir do ponto de captação, equivalente ao tempo de
trânsito de cinquenta dias de águas no aquífero, no caso de poluentes não
conservativos.

Parágrafo único. No interior do Perímetro de Alerta, deverá haver disciplina das


extrações, controle máximo das fontes poluidoras já implantadas e restrições a novas
atividades potencialmente poluidoras.

CAPÍTULO V
DA CONSERVAÇÃO E DO MONITORAMENTO DO AQUÍPERO

SEÇÃO I
Do Cadastramento de Poços e outras Captações

Art.20. A Base de Dados de Águas Subterrâneas será parte integrante do Sistema de


Outorga e Licença - SOL, instalado e operado pela Secretaria dos Recursos Hídricos
- SRH e pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos - COGERH, em integração
com o Sistema de Informação de Águas Subterrâneas - SIAGAS, incluindo dados de
poços ou outras captações, em operação ou desativados.

Art.21. O cadastramento do poço ou outra obra de captação deverá ser efetuado pela
Secretaria dos Recursos Hídricos e COGERH ou pelo usuário no ato da outorga de
execução de obra ou interferência hídrica, como também no ato da outorga de direito
de uso em formulários padronizados pelo órgão gestor.

339
Art.22. Qualquer dado ou informação sobre captações, estudos ou projetos poderá
ser cedido pela Secretaria dos Recursos Hídricos ou COGERH, sem caráter oneroso.

SEÇÃO ll
Da Operação e da Manutenção de Poços

Art.23 O usuário de obras de captação de água subterrânea deverá operá-las em


condições adequadas, de modo a assegurar a capacidade do aquífero, a qualidade
da água, a durabilidade do poço e do sistema de bombeamento, sem o
comprometimento da vazão de explotação das obras de captação circunvizinhas.

Parágrafo único. O órgão gestor, diretamente ou por delegação de competência,


poderá exigir do usuário a reparação de obras e das instalações e a introdução de
melhorias para salvaguardar as condições quantitativas e qualitativas da água do
aquífero e proteger as demais captações da área em questão.

Art.24. As obras de captação deverão receber uma manutenção preventiva periódica


a fim de serem detectados problemas que venham a prejudicar o aquífero, ou o próprio
poço, tais como:

I - infiltração de substâncias contaminantes a partir da superfície;

ll - salinização de aquíferos a partir da infiltração de águas salinizadas de outros


horizontes ou camadas não explotáveis;

III - rompimento de filtros;

IV - rebaixamentos excessivos do nível hidrostático local.

Parágrafo único. Uma vez detectada qualquer anormalidade, deverá o interessado


comunicar à Secretaria dos Recursos Hídricos ou à COGERH, tomando
imediatamente as medidas cabíveis para sua correção, obedecendo à orientação dos
técnicos responsáveis.

Art.25. Nas instalações de captação de água subterrânea destinadas ao consumo


humano, deverão ser efetuadas análises físico-químicas e bacteriológicas da água,
através dos laboratórios credenciados pelo Estado.

340
SEÇÃO Ill
Dos Poços Abandonados e dos Poços Jorrantes

Art.26. Os poços abandonados, temporária ou definitivamente, e as perfurações


realizadas para outros fins que não a extração de água deverão ser adequadamente
tamponados ou obturados, para evitar a contaminação ou salinização dos aquíferos
ou, ainda, acidentes.

§. 1° Os poços abandonados, perfurados em aquíferos intersticiais livres, deverão ser


obstruídos com material impermeável e não poluente, como argila, argamassa ou
pasta de cimento, para evitar a contaminação superficial ou a salinização das águas;

§2° Os poços abandonados, perfurados em aquíferos fissurais, deverão ser


obstruídos com pasta ou argamassa de cimento, colocada a partir da primeira entrada
de água, até a superfície, com extensão nunca inferior a 20 (vinte) metros.

§3° Os poços abandonados, que captem água de aquífero confinado, deverão ser
obstruídos com selos de pasta de cimento, injetado sob pressão, a partir do topo do
aquífero.

§4° As operações referidas neste artigo deverão ser padronizadas de acordo com a
resolução n°1, de 16 de dezembro de 2009. do Conselho Estadual de Recursos
Hídricos, que dispõe sobre lacramento e obturação de poços.

Art.27. As escavações, sondagens ou obras para pesquisa, lavra mineral ou outros


fins, que atingirem águas subterrâneas, deverão ter tratamento idêntico ao concedido
ao poço abandonado, de forma a preservar e conservar os aquíferos.

Art.28. Os poços jorrantes ou artesianos surgentes devem ser dotados de fechamento


hermético para evitar o desperdício de água.

SEÇÃO IV
Do Controle da Quantidade Explotável

Art.29. Sendo o consumo humano e a dessedentação de animais prioritários em


situação de escassez, nos termos do inciso VIII do art.3° da Lei n°14.844 de 28 de
dezembro de 2010, deverá o órgão gestor tomar uma ou mais das seguintes
providências, visando à preservação ou à manutenção do equilíbrio natural das águas
subterrâneas ou dos serviços de abastecimento público:

I - determinar a suspensão da outorga de uso, até que o aquífero se recupere ou seja


superada a situação que determinou a carência de água;

lI - determinar a restrição ao regime de operação outorgado;

341
III - revogar a outorga pata uso da água subterrânea;

IV - restringir as vazões captadas por poços em toda a região ou em áreas localizadas;

V - estabelecer distâncias mínimas entre as captações a serem executadas;

VI - estabelecer áreas de proteção, restrição e controle;

VII - estabelecer perímetro de proteção sanitária e perímetro de alerta.

§ 1°- Não assistirá ao outorgado direito à indenização, a nenhum título, quando se


tornar necessária a adoção das medidas constantes deste artigo.

§2° Em qualquer caso, caberá recurso ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos


do Estado do Ceará - CONERH.

Art.30 Caberá ao órgão gestor o exercício de fiscalização sobre as vazões máximas


permitidas ao' usuário através da outorga de uso, podendo inclusive ser utilizado o
auxílio de força policial para coibir a desobediência ao que fora instituído no referido
documento, além da extinção da outorga.

Art.31 Os poços e outras obras de captação de águas subterrâneas deverão ser


dotados de equipamentos de medição de volume extraído e de dispositivo para
medição do nível da água dentro do poço.

SEÇÃO V
Do Controle da Qualidade

Art.32. os projetos de disposição de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos deverão


conter descrição detalhada da caracterização hidrogeológica de sua área de
localização, que permita a perfeita avaliação de vulnerabilidade das águas
subterrâneas, assim como a descrição detalhada das medidas de proteção a serem
adotadas.

Art.33. As áreas onde existirem depósitos de resíduos no solo devem ser dotadas de
dispositivos de controle de qualidade, mediante o monitoramento das águas
subterrâneas, efetuado pelo responsável pelo empreendimento, a ser executado
conforme plano aprovado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos e que deverá
conter:

I - a localização e os detalhes construtivos dos piezômetros;

II - a forma de coleta das amostras, frequência, parâmetros a serem observados e


métodos de interpretação adotados;

342
III- a direção, espessura e o fluxo do aquífero freático e possíveis interconexões com
outras unidades aquíferas.

§ 1° O responsável pelo empreendimento, deverá apresentar relatórios anuais ao


órgão gestor, até 31 (trinta e um) de janeiro do ano subsequente, informando os dados
obtidos no monitoramento.

§2° Se houver alteração estatisticamente comprovada em relação aos parâmetros


naturais de qualidade da água nos poços a jusante causada pelo responsável pelo
empreendimento, este deverá executar as obras necessárias para recuperação das
águas subterrâneas.

Art.34 Deverá o órgão gestor mapear e monitorar continuamente os focos potenciais


de contaminação de águas subterrâneas, promovendo contínuas campanhas de
esclarecimento ao público, coibindo as irregularidades cometidas pelos usuários que
impliquem em comprometimento ou degradação da qualidade da água e aplicando as
sanções previstas na Lei n°14.844, de 28 de dezembro de 2010, neste Decreto e nas
demais legislações de proteção ambiental.

SEÇÃO VI
Da Recarga Artificial

Art.35. A recarga artificial de aquíferos dependerá de autorização do órgão gestor,


condicionada à realização de estudos que comprovem a sua conveniência técnica,
econômica e sanitária, bem como a necessidade de preservação da qualidade das
águas subterrâneas.

§ 1º A recarga artificial torna subterrânea a água infiltrada, sujeitando-a às disposições


da Lei n°14.844, de 28 de dezembro de 2010, e deste Decreto.

§2° A recarga artificial poderá ser exigida pelo órgão gestor, aos concessionários ou
autorizados, sempre que necessária.

§3° O Estado incentivará a realização de recarga artificial por pessoas físicas ou


jurídicas, inclusive entidades privadas, através da redução de taxas de serviço público
de saneamento, a ser regulamentada.

CAPÍTULO VI
Dos Convênios com Estados Vizinhos

Art.36. Os aquíferos intersticiais de bacias sedimentares que se estendem para outros


Estados deverão ser objeto de convênios bilaterais ou plurilaterais, com interveniência

343
da Agência Nacional de Aguas - ANA, entre os Estados vizinhos, nos quais sejam
contempladas, dentre outras, as seguintes preocupações:

I - condições de outorga do uso da água;

li - medidas acauteladoras para evitar a superexplotação e exaustão das reservas


hídricas;

III - medidas preservadoras da qualidade da água;

IV - eliminação ou minimização de efeitos poluidores das águas subterrâneas;

V - interação entre os recursos hídricos subterrâneos e superficiais, tendo em vista


sobretudo os problemas relativos à recarga do aquífero;

VI - planejamento adequado para gestão conjunta dos recursos hídricos subterrâneos.

CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 37. Considerando o que dispõe o art.35 e respectivo parágrafo único da Lei
n°14.844, de 28 de dezembro de 2010, deverão ser desenvolvidos, com a máxima
urgência, os estudos visando a definir a disponibilidade explotável dos diversos aqui
feros do Estado do Ceará.

Art.38. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação.

Art.39. Revogam-se as disposições em contrário136

Palácio da Abolição, do Governo do Estado do Ceará, Em Fortaleza, ao 12 de


dezembro de 2012.

Cid Ferreira Gomes


Governador do Estado do Ceará

César Augusto Pinheiro


Secretário dos Recursos Hídricos

136
Disponível em: http://www.srh.ce.gov.br/index.php/legislacao-do-estado/category/159-decretos

344
8.3. Decreto n. 31.076, de 12 de dezembro de 2012

“Regulamenta os artigos 6° a 13 da Lei n°. 14.844, de 28/12/2010, referente à outorga


do direito de uso dos recursos hídricos e de execução de obras e serviços de
interferência hídrica, cria o Sistema de Outorga para Uso da Água e de execução de
obras e dá outras providências”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ, no uso de suas atribuições, tendo em


vista o disposto no Art. 88, IV e VI, da Constituição Estadual e de acordo com o
disposto nos artigos 6º a 13 da Lei nº 14.844, de 28 de dezembro de 2010,
CONSIDERANDO a necessidade de regulamentar os procedimentos de outorga de
acordo com a Lei nº 14.844, de 28 de dezembro de 2010; CONSIDERANDO que a
outorga está condicionada às exigências da Lei nº 14.844, de 28 de dezembro de 2010
e das demais normas regulamentares editadas pelo Conselho de Recursos Hídricos
do Ceará— CONERH e Conselho Nacional de Recursos Hídricos - CNRH, no que
couber; CONSIDERANDO que o acesso à água deve ser um direito de todos, por
tratar-se de um bem de uso comum do povo, recurso natural indispensável à vida, à
promoção social e ao desenvolvimento sustentável; CONSIDERANDO que à água é
um recurso natural limitado, dotado de valor econômico e de importância vital no
processo de desenvolvimento sustentável; CONSIDERANDO que a água, por tratar-
se de um bem de uso múltiplo e competitivo, tem na outorga de direito de uso e de
execução de obras ou serviços de interferência hídrica um dos instrumentos
essenciais para o seu gerenciamento,

DECRETA:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º Este Decreto regulamenta a Lei nº 14.844, de 28 de dezembro de 2010, para


dispor sobre a outorga de direito de uso de recursos hídricos ou de execução de obras
ou serviços de interferência hídrica.

Art. 2º Sem prejuízo de outros conceitos legais, a outorga atenderá aos princípios e
diretrizes estabelecidos na Lei nº 14.844, de 28 de dezembro de 2010.

Art. 3º Para efeito deste Decreto, considera-se:

I - Bacia hidrográfica: é uma área fisiográfica drenada por um curso ou cursos de água,
conectados, que convergem direta ou indiretamente para um leito ou espelho de água;

II - Açude: a estrutura hidráulica composta da barragem de um curso de água e o lago


por ele formado;

345
III - Barragem: estrutura construída transversalmente em um curso de água, dotada
ou não de mecanismos de controle, com a finalidade de obter a elevação do seu nível
de água ou de criar um reservatório de acumulação de água ou de regularização de
vazões;

IV - Aquífero: corpo hidrogeológico com capacidade de acumular e transmitir água


através de seus poros, fissuras ou espaços resultantes da dissolução e carreamento
de materiais rochosos;

V - Recarga do aquífero: condição de alimentação do aquífero a partir da superfície,


podendo se dar através da infiltração da água da chuva ou de rios e lagos, de forma
natural ou artificial;

VI - Vazão regularizada: a quantidade anual de água que pode ser fornecida pelo
açude, com uma determinada garantia;

VII - Vazão nominal de teste do poço: a descarga regularizada pelo poço num período
de tempo preestabelecido;

VIII - Vazão de referência: vazão do corpo hídrico utilizada como base para o processo
de gestão, tendo em vista o uso múltiplo das águas;

IX - Usuário: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, cuja ação ou


omissão altere o regime, a quantidade ou a qualidade d’água ou o equilíbrio de seus
ecossistemas;

X - Reúso de água: utilização de água residuária;

XI - Água de reúso: água residuária, que se encontra dentro dos padrões exigidos
para sua utilização nas modalidades, pretendidas;

XII - Outros usos: usos de recursos hídricos que alterem o regime, a qualidade ou a
quantidade de um corpo de água, inclusive a execução de obras ou serviços que
configurem interferência e impliquem a alteração do regime, da quantidade ou da
qualidade de um corpo de água superficial ou subterrâneo.

Art. 4º Para fins deste Decreto, o açude é classificado quanto ao volume hidráulico
acumulável e quanto à superfície hidrográfica, cujos valores serão estabelecidos no
Manual de Outorga a ser publicado pelo órgão gestor.

Art. 5º O poço é classificado quanto à profundidade e quanto à vazão nominalmente


de teste, cujos valores serão estabelecidos no Manual de Outorga a ser publicado
pelo órgão gestor.

346
CAPÍTULOII
DA OUTORGA DE DIREITO DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 6º A outorga de direito de uso de recursos hídricos do domínio do Estado é ato


administrativo, na modalidade de autorização, de competência do Secretário dos
Recursos Hídricos, mediante o qual será facultado ao outorgado o uso de recursos
hídricos por prazo máximo de até 35 (trinta e cinco) anos, nos termos e nas condições
expressas no respectivo ato.

§ 1º A outorga de direito de uso de recursos hídricos tem por objetivo efetuar o controle
do uso e assegurar o direito de acesso à água, condicionada às prioridades
estabelecidas no Plano Estadual de Recursos Hídricos e nos Planos de Bacias
Hidrográficas.

§ 2º A outorga não implica alienação total ou parcial das águas, que são inalienáveis,
mas o simples direito de seu uso.

§ 3º As outorgas preventiva e de direito de uso dos recursos hídricos serão expedidas


por meio de portaria emitida pelo Secretário dos Recursos Hídricos.

Art. 7º A Secretaria dos Recursos Hídricos poderá emitir outorgas preventivas de uso
de recursos hídricos, com a finalidade de declarar a disponibilidade de água para os
usos solicitados no futuro.

§ 1º A outorga preventiva não confere direito de uso de recursos hídricos e se destina


a reservar a disponibilidade hídrica passível de outorga, possibilitando, aos
investidores, o planejamento de empreendimentos que necessitem desses recursos.

§ 2º O prazo de validade da outorga preventiva será fixado levando-se em conta a


complexidade do empreendimento, limitando-se ao máximo de 1 (um) ano, podendo
ser renovado por igual período, a critério do órgão gestor.

§ 3º Os detentores de outorgas preventivas que obtiverem sua renovação e não


ingressarem com pedido de outorga de uso estarão sujeitos a novo pleito,
submetendo-se, contudo, às condições de deferimento existentes na ocasião.

Art. 8º Os pedidos de outorga preventiva serão instruídos com a fotocópia autenticada


dos seguintes documentos:

I - Pessoas físicas:

a) Cédula de identidade;

b) Cadastro de Pessoa Física - CPF;

c) Comprovante de residência;

347
II - Pessoas jurídicas:

a) Contrato ou estatuto social;

b) Último aditivo ou ata da última assembleia;

c) Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas - CNPJ;

d) Cédula de identidade ou documento equivalente do representante legal da


empresa;

e) Documento atributivo de poderes ao representante legal da empresa para requerer


a outorga e para assinar contratos e outros instrumentos junto à Secretaria dos
Recursos Hídricos e à Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos - COGERH.

Parágrafo único. Nos casos de solicitação de outorga preventiva fora da rede de


monitoramento do sistema, deverá ser apresentado pelo solicitante estudo de
capacidade hídrica do manancial.

Art. 9º O Estado do Ceará, através do órgão outorgante, poderá exercer o poder de


outorga de direito de uso de recursos hídricos de domínio da União, cuja competência
a ele tenha sido delegada nos termos do art. 14, § 1º, da Lei Federal nº 9.433, de 8
de janeiro de 1997.

Parágrafo único. Nas outorgas de direito de uso de recursos hídricos de domínio da


União e do Estado do Ceará, de uma mesma bacia hidrográfica, as respectivas
entidades outorgantes deverão realizar acordos, com a interveniência da unidade
federativa vizinha, quando for o caso.

Art. 10. Estão sujeitos à outorga de direito de uso de recursos hídricos:

I - derivação ou captação de parcela de água existente em um corpo hídrico para


consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo;

II - extração de água de aquífero para consumo final ou insumo de processo produtivo;

III - lançamento em corpo hídrico de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos,


tratados, com o fim de disposição final, dentro dos padrões de tratamento
estabelecidos na legislação pertinente;

IV - interferências nos leitos dos rios e demais corpos hídricos para a extração de
mineral ou de outros materiais;

V - reúso das águas para fins diversos do uso original;

348
VI - outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente
em um corpo hídrico.

§ 1º As ações de gestão referentes ao uso dos recursos hídricos, tais como a outorga
e cobrança pelo uso da água, ou referentes à gestão ambiental, como o licenciamento,
termos de ajustamento de conduta e o controle da poluição, deverão basear-se nas
metas progressivas obrigatórias, intermediária e final, de qualidade da água
constantes dos planos de bacias e aprovadas pelo órgão competente para a
respectiva bacia hidrográfica ou corpo hídrico específico.

§ 2º As metas progressivas obrigatórias, intermediária e final, deverão ser atingidas


em regime de vazão de referência, excetuados os casos de baías de águas salinas
ou salobras, ou outros corpos hídricos onde não seja aplicável a vazão de referência,
para os quais deverão ser elaborados estudos específicos sobre a dispersão e
assimilação de poluentes no meio hídrico.

§ 3º Em corpos de água intermitentes ou com regime de vazão que apresente


diferença sazonal significativa, as metas progressivas obrigatórias poderão variar ao
longo do ano.

§ 4º Em corpos de água utilizados por populações para seu abastecimento, o


enquadramento e o licenciamento ambiental de atividades a montante preservarão,
obrigatoriamente, as condições de consumo.

Art. 11. Nos termos do art. 8º da Lei 14.844, de 28 de dezembro de 2010, a


transferência da outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser autorizada
nos seguintes casos:

I - alienação de empreendimento titular da outorga vigente e em pleno uso, mediante


a apresentação de documento comprobatório da transação;

II - fusão, cisão ou incorporação de sociedades, realizada nos termos do art. 229 da


Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976;

III - morte do titular da outorga, requerida pelo espólio, através de seu representante
ou pela universalidade dos herdeiros, no prazo de até 12 (doze) meses.

§ 1º Ficará condicionado o deferimento do pedido à manutenção das mesmas


características e prazo da outorga vigente.

§ 2º Nos casos de pedido de transferência de outorga que tenha sido precedida de


outorga preventiva, será expedida portaria com outorga precária, por um prazo
máximo de 1 (um) ano, período em que tratará o interessado de providenciar a
documentação necessária ao processamento da outorga definitiva.

Art. 12. Independem de outorga os seguintes usos:

349
I - os usos de caráter individual para a satisfação das necessidades básicas da vida;

II - a extração de água subterrânea destinada exclusivamente ao consumo familiar e


de pequenos núcleos populacionais dispersos no meio rural;

III - as acumulações, captações e derivações consideradas insignificantes do ponto


de vista do volume, estabelecidos nos Planos de Bacias Hidrográficas, ou mediante
proposição dos Comitês de Bacias Hidrográficas - CBH e parecer do órgão
outorgante, aprovados pelo Conselho de Recursos Hídricos do Ceará - CONERH;

IV - o reúso das águas, pelo usuário, para o mesmo fim originalmente outorgado.

§ 1º As acumulações, captações, derivações e outros usos, não sujeitos à outorga,


serão cadastrados, segundo procedimento estabelecido pelo órgão outorgante e
constarão no Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos.

§ 2º Sempre que o somatório de vazões ou volumes de água não sujeitos a outorga


atingir 10% (dez por cento) da disponibilidade hídrica do sistema, é facultado ao órgão
outorgante exigir a solicitação de outorga considerando o conjunto destes usuários.

Art. 13. Não se concederá outorga para:

I - lançamento na água de resíduos radiativos, metais pesados, lodo de Estação de


Tratamento de Água e outros resíduos tóxicos perigosos;

II - lançamento de poluentes nas águas subterrâneas.

Art. 14. A outorga deve observar o Plano Estadual de Recursos Hídricos, os Planos
de Bacias Hidrográficas e, em especial:

I - a disponibilidade hídrica;

II - a prioridade ao abastecimento da população, a dessedentação animal e a vazão


ecológica;

III - a classe em que o corpo hídrico estiver enquadrado e as respectivas metas


progressivas obrigatórias, intermediária e final, de qualidade da água, em consonância
com a legislação ambiental;

IV - a promoção e a utilização racional e a preservação dos usos múltiplos de recursos


hídricos, com vistas ao desenvolvimento sustentável;

V - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou


decorrente do uso inadequado dos recursos naturais;

350
VI - a necessidade de assegurar à atual e às futuras gerações a necessária
disponibilidade de águas em padrões de qualidade adequada aos respectivos usos.

Art. 15. A outorga do direito de uso da água se defere na seguinte ordem:.

I - abastecimento doméstico e dessedentação animal, assim entendido o resultante


de um serviço específico de fornecimento da água;

II - abastecimento coletivo especial, compreendendo hospitais, quartéis, presídios,


colégios;

III - outros abastecimentos coletivos de cidades, distritos, povoados e demais núcleos


habitacionais, de caráter não residencial, compreendendo abastecimento de
entidades públicas, do comércio e da indústria;

IV - uso da água, mediante captação direta para fins industriais, comerciais e de


prestação de serviços;

V - uso da água, mediante captação direta ou por infraestrutura de abastecimento para


fins agropecuários;

VI - a data de protocolo do requerimento, ressalvada a complexidade de análise do


uso ou interferência pleiteada e a necessidade de complementação de informações.

Art. 16. A outorga do direito de uso de recursos hídricos está sujeita às seguintes
condições:

I - disponibilidade hídrica;

II - observância das prioridades de uso asseguradas no art. 15; III - comprovação de


que o uso de água não cause poluição ou desperdício dos recursos hídricos.

Art. 17. A disponibilidade hídrica será função das características hidrológicas e


hidrogeológicas dos mananciais sobre os quais incidem a outorga, observado ainda o
seguinte:

I - quando se tratar de água superficial:

a) a vazão mínima natural será nula;

b) o valor de referência será a descarga regularizada anual com garantia de 90%


(noventa por cento);

II - quando se tratar de água subterrânea, o referencial quantitativo poderá consistir:

a) na vazão nominal de teste do poço; ou

351
b) na capacidade de recarga do aquífero.

Art. 18. Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados,
direta ou indiretamente, nos corpos de água, após o devido tratamento e desde que
obedeçam às condições, padrões e exigências das normas ambientais.

§ 1º O órgão gestor de recursos hídricos, em articulação com o órgão ambiental


competente, deverá elaborar e encaminhar a cada 2 (dois) anos relatório técnico ao
respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica e ao Conselho Estadual de Recursos
Hídricos, identificando os corpos de água que não atingiram as metas estabelecidas
de qualidade da água e as respectivas causas pelas quais não foram alcançadas, ao
qual se dará publicidade.

§ 2º No ato da outorga será estabelecida a carga poluidora máxima para o lançamento


de substâncias passíveis de estarem presentes ou serem formadas nos processos
produtivos, bem como poderá ser determinado o lançamento a montante do ponto de
captação, de modo a não comprometer as metas progressivas obrigatórias,
intermediária e final, de qualidade da água, estabelecidas pelo enquadramento para
o corpo de água.

§ 3º É vedado, nos efluentes, o lançamento dos Poluentes Orgânicos Persistentes -


POPs, mencionados na Convenção de Estocolmo, ratificada pelo Decreto Legislativo
nº 204, de 7 de maio de 2004.

§ 4º No controle das condições de lançamento, é vedada, para fins de diluição antes


do seu lançamento, a mistura de efluentes com águas de melhor qualidade, tais como
as águas de abastecimento, do mar e de sistemas abertos de refrigeração sem
recirculação.

Art. 19. A soma dos volumes de água outorgados numa determinada bacia
hidrográfica não poderá exceder 9/10 (nove décimos) da vazão regularizada anual
com 90% (noventa por cento) de garantia.

§ 1º Não serão computados no volume total outorgado os valores referentes à outorga


especial de reúso das águas.

§ 2º Tratando-se de lagos territoriais ou de lagoas, o limite previsto no caput será


reduzido a 1/3 (um terço) do seu volume máximo.

Art. 20. Os valores indicados no caput e no § 2º do art. 19 são valores de referência


que os Comitês de Bacias Hidrográficas poderão confirmar de acordo com suas
respectivas características e diante do que ficar estabelecido na alocação negociada.

Art. 21. O aumento de demanda ou a insuficiência de oferta hídrica para atendimento


aos usuários permitirá a suspensão temporária da outorga, sua readequação, ou sua
extinção.

352
§ 1º O direito de uso poderá ser temporariamente limitado ou suspenso, a critério
exclusivo da Secretaria dos Recursos Hídricos e pelo tempo julgado necessário, na
superveniência de casos fortuitos ou de força maior, inclusive de fenômenos
climáticos críticos que impossibilitem ou dificultem extraordinariamente as condições
de oferta hídrica independentemente de decretação de estado de calamidade pública.

§ 2º No caso de readequação, a Secretaria dos Recursos Hídricos deverá fixar as


novas condições da outorga, observando os critérios e normas estabelecidas nos
Planos de Bacias e nas deliberações dos Comitês de Bacias Hidrográficas através da
alocação negociada das águas.

§ 3º Em nenhuma hipótese de demanda ou de insuficiência de água para atendimento


aos usuários caberá indenização do Estado.

Art. 22. A outorga, por qualquer de suas modalidades, extingue-se, sem qualquer
direito de indenização ao usuário, nas seguintes hipóteses:

I - abandono;

II - renúncia;

III - deixar de fazer uso das águas durante 3 (três) anos consecutivos;

IV - necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, inclusive


as decorrentes de condições climáticas adversas;

V - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

VI - necessidade de atendimento a usos prioritários, de interesse coletivo, para os


quais não se disponha de fontes alternativas;

VII - superexplotação de aquíferos;

VIII - indeferimento ou cassação da licença ambiental;

IX - caducidade;

X - uso prejudicial da água, inclusive poluição e salinização;

XI - dissolução ou insolvência do usuário pessoa jurídica;

XII - morte do usuário pessoa física;

XIII - a critério da SRH, ou de entidade por ela expressamente delegada, quando


considerar o uso da água inadequado para atender aos compromissos com as
finalidades sociais e econômicas;

353
XIV - descumprimento de quaisquer outras obrigações legais, regulamentares ou,
contratuais.

Parágrafo único. Na hipótese do inciso XII, será concedido prazo de 12 (doze) meses
a contar do falecimento do usuário para que o espólio ou seu legítimo sucessor se
habilite à transferência do direito de outorga.

Art. 23 Quando estudos de planejamento regional de recursos hídricos ou a defesa do


bem público tornarem necessária a revisão da outorga, poderá a Secretaria dos
Recursos Hídricos:

I - prorrogar o prazo estabelecido no ato de outorga;

II - alterar as condições e exigências da outorga;

III - revogar o ato de outorga.

Parágrafo único. Em caso de uso médio inferior à vazão outorgada durante o período
de 3 (três) anos, e o estudo comprovar a incapacidade do usuário em implementar
todo o seu projeto, a outorga será alterada para a média da vazão utilizada no mesmo
período.

Art. 24. Da decisão denegatória da outorga caberá recurso administrativo em última


instância para o Conselho de Recursos Hídricos do Ceará - CONERH, no prazo de 5
(cinco) dias úteis, contados da efetiva ciência.

Art. 25. A outorga poderá ser renovada, desde que obedecidas as condicionantes
deste Decreto e demais normas regulamentares, devendo o interessado apresentar
requerimento nesse sentido, até 3 (três) meses antes do respectivo vencimento.

§ 1º A outorga somente será renovável se todos os débitos relacionados à cobrança


pelo uso dos recursos hídricos estiverem devidamente quitados.

§ 2º A renovação da outorga será procedida mediante o requerimento e apresentação


do Cadastro de Pessoa Física do interessado, cujo novo processo será acostado ao
processo original.

Art. 26. Os estudos, projetos e obras necessárias ao uso dos recursos hídricos
deverão ser executados sob a responsabilidade de profissional devidamente
habilitado no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA,
exigindo-se o comprovante de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART ,
devendo qualquer, alteração ser previamente comunicada à Secretaria dos Recursos
Hídricos - SRH.

Art. 27. A outorga somente poderá ser concedida se o consumo for compatível com a
multiplicidade dos usos da água.

354
Art. 28. As captações de água que apresentem indícios de superexplotação, poluição
ou contaminação dás águas subterrâneas deverão ser monitoradas com vistas a
detectar alterações de quantidade e qualidade da água.

§ 1º O monitoramento deverá obedecer a critérios técnicos e metodologias aceitas


pelo órgão gestor de recursos hídricos competente.

§ 2º Caso sejam constatadas alterações de qualidade da água que prejudiquem seus


múltiplos usos, o usuário deverá adotar medidas mitigadoras indicadas pelo órgão
gestor de recursos hídricos competente.

CAPÍTULO III
DO REÚSO DAS ÁGUAS

Art. 29. O reúso de água se constitui em prática de racionalização e de conservação


de recursos hídricos, como medida de controle de perdas e desperdícios, e a
minimização da produção de efluentes e do consumo de água.

Art. 30. É outorgável o reúso na medida em que a água for utilizada pelo mesmo
usuário para o fim diverso do original.

Art. 31. O reuso direto não potável de água, para efeito deste Decreto, abrange as
seguintes modalidades:

I - reuso para fins urbanos: utilização de água de reúso para fins de irrigação
paisagística, lavagem de logradouros públicos e veículos, desobstrução de
tubulações, construção civil, edificações, combate a incêndio, dentro da área urbana;

II - reúso para fins agrícolas e florestais: aplicação de água de reúso para produção
agrícola e cultivo de florestas plantadas;

III - reúso para fins ambientais: utilização de água de reúso para implantação de
projetos de recuperação do meio ambiente;

IV - reúso para fins industriais: utilização de água de reúso em processos, atividades


e operações industriais; e,

V - reúso na aquicultura: utilização de água de reúso para a criação de animais ou


cultivo de vegetais aquáticos.

§ 1º As modalidades de reúso não são mutuamente excludentes, podendo mais de


uma delas ser empregada simultaneamente em uma mesma área.

355
§ 2º As diretrizes, critérios e parâmetros específicos para as modalidades de reúso
definidas nos incisos deste artigo serão estabelecidos pelos órgãos competentes.

Art. 32. Os órgãos do Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos - SIGERH,


no âmbito de suas respectivas competências, avaliarão os efeitos sobre os corpos
hídricos decorrentes da prática do reúso, devendo estabelecer instrumentos
regulatórios e de incentivo para as diversas modalidades de reúso.

Art. 33. Caso a atividade de reúso implique alteração das condições das outorgas
vigentes, o outorgado deverá solicitar à autoridade competente retificação da outorga
de direito de uso de recursos hídricos de modo a compatibilizá-la com estas
alterações.

Art. 34. Os Planos de Recursos Hídricos, observado o disposto no art. 17, inciso IV,
da Lei nº 14.844, de 28 de dezembro de 2010, deverão contemplar, entre os estudos
e alternativas, a utilização de águas de reúso e seus efeitos sobre a disponibilidade
hídrica.

Art. 35. O Sistema de Informações de Recursos Hídricos deverá incorporar, organizar


e tornar disponíveis as informações sobre as práticas de reúso necessárias para o
gerenciamento dos recursos hídricos.

Art. 36. Os Comitês de Bacias Hidrográficas deverão:

I - considerar, na proposição dos mecanismos de cobrança e aplicação dos seus


recursos, a criação de incentivos para a prática de reúso;

II - integrar, no âmbito do Plano de Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas, a


prática de reúso com as ações de saneamento ambiental e de uso e ocupação do solo
na bacia hidrográfica.

Parágrafo único. Nos casos onde não houver Comitê de Bacia Hidrográfica instalado,
a responsabilidade caberá ao respectivo órgão gestor de recursos hídricos, em
conformidade com o previsto na legislação pertinente.

Art. 37 O disposto neste Decreto não exime o produtor, o distribuidor e o usuário da


água de reúso direto não potável da respectiva licença ambiental, quando couber,
assim como do cumprimento das demais obrigações legais pertinentes.

356
CAPÍTULO IV
DA OUTORGA DE EXECUÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS DE INTERFERÊNCIA
HÍDRICA

Art. 38 A outorga de execução de obras e serviços de interferência hídrica é ato


administrativo necessário à implantação, ampliação ou alteração de projeto de
qualquer empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos, superficiais
ou subterrâneos, bem como a execução de obras ou serviços que alterem o seu
regime em quantidade e qualidade.

Art. 39 Os projetos públicos de oferta hídrica deverão conter, além das exigências
constantes no Art. 45 deste Decreto:

a) locação em base cartográfica universal - Sistema de Coordenadas Cartográficas


ou U.T.M. e referência de nível do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE;

b) decreto declaratório de utilidade pública ou interesse social para fim de


desapropriação e levantamento cadastral, no caso de o órgão ainda não se achar
titulado no domínio da área;

c) projeto de estrada pública de acesso à obra, interligada à malha viária existente;

d) tomada de água ou sifão, apto a liberar água no leito do rio. Art. 40. Sempre que a
implantação ou operação de obras ou serviços públicos de oferta hídrica acarrete
deslocamento involuntário da população será obrigatório figurar do projeto global
dados específicos de subprojeto de reassentamento dessa população com rigorosa
asseguração de todos os recursos financeiros e humanos necessários a efetivação
do referido reassentamento.

Art. 41. Os proprietários ou responsáveis legais de barragens de cursos de água são


obrigados a manter disponíveis para a fiscalização do órgão gestor de recursos
hídricos:

I - registros diários dos níveis mínimo e máximo de água;

II - relatório técnico anual atestando a segurança da barragem, firmado por profissional


habilitado e registrado junto ao respectivo conselho regional.

Art. 42. Os proprietários ou responsáveis legais de barragens de cursos de água já


implantados terão o prazo de 2 (dois) anos, contados da data de publicação deste
Decreto, para apresentar aos respectivos órgãos gestores de recursos hídricos
relatório técnico, comprovando a segurança de suas obras, nos seguintes termos:

I - a previsão da vazão máxima de enchente, considerando período de recorrência


mínimo de 30 (trinta) anos;

357
II - o estudo geotécnico da área em que está implantada a barragem;

III - a previsão de vertedor de fuga ou outro sistema de extravazão capaz de escoar a


vazão máxima de enchente sem comprometer a estabilidade da barragem;

IV - a verificação da estabilidade da barragem quando submetida, às condições


provocadas pela vazão máxima de enchente;

V - o detalhamento das fundações, aterros e estruturas que compõem a obra.

Art. 43. As captações de águas subterrâneas deverão ser projetadas, construídas e


operadas de acordo com as normas técnicas vigentes, de modo a assegurar a
conservação dos aquíferos.

Parágrafo único. As captações de águas subterrâneas deverão ser dotadas de


dispositivos que permitam a coleta de água, medições de nível, vazão e volume
captado visando o monitoramento quantitativo e qualitativo.

Art. 44. Poços abandonados, improdutivos ou cuja operação cause alterações


prejudiciais à qualidade das águas subterrâneas deverão ser objeto de providências,
de acordo com procedimento aprovado pelo órgão gestor de recursos hídricos
competente.

Art. 45. A Secretaria dos Recursos Hídricos editará Manual de Outorga contendo a
documentação e as especificações necessárias para a formalização e os
procedimentos do processo de outorga.

§ 1º Constarão do Manual de Outorga os formulários-padrão e a discriminação dos


documentos a serem preenchidos e anexados, dentre os quais, necessariamente:

I - comprovação formal de relação com a terra;

II - identificação e qualificação do solicitante;

III - comprovação da necessidade de realização de obras de oferta hídrica;

IV - indicação do local onde se pretende realizar as obras e serviços de oferta hídrica.

§ 2º Em campanhas de regularização dos usuários para obtenção de outorga de uso,


de acordo com resolução específica a ser editada pelo Conselho Estadual de
Recursos Hídricos, pode-se incluir a flexibilização nos procedimentos para obtenção
da outorga.

Art. 46. A Secretaria dos Recursos Hídricos terá prazo de 60 (sessenta) dias para
decidir sobre a outorga, sendo-lhe facultado ouvir previamente os Comitês de Bacias
Hidrográficas.

358
Art. 47. A contagem do citado prazo será suspensa sempre que o processo seja
convertido em diligência, a cargo do interessado, e retomado no primeiro dia útil após
o cumprimento das exigências;

Parágrafo único No caso de o interessado injustificadamente não resolver as


pendências solicitadas pelo órgão outorgante no prazo máximo de 60 (sessenta) dias,
o processo será arquivado definitivamente:

CAPÍTULO V
DO PROCESSO DE OUTORGA

Art. 48. A Secretaria dos Recursos Hídricos dará publicidade aos pedidos de outorga,
bem como aos atos administrativos que deles resultarem.

CAPÍTULO VI
DOS CUSTOS E EMOLUMENTOS ADMINISTRATIVOS

Art. 49. Compete ao requerente o pagamento dos emolumentos necessários à


cobertura dos custos operacionais inerentes ao processo de outorga.

§ 1º O andamento do processo de outorga requerida depende do recolhimento prévio


dos emolumentos.

§ 2º Os custos operacionais inerentes ao processo de outorga serão fixados através


de resolução do Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

§ 3º A cobrança dos emolumentos administrativos será efetivada de acordo com as


normas estabelecidas por meio de Instrução Normativa do órgão gestor de recursos
hídricos.

§ 4º Quando se fizer necessário, o poder outorgante pode contratar serviço de


consultoria para análise de solicitação de outorga e, nesse caso, os custos relativos a
essa contratação devem ocorrer por conta do solicitante da outorga.

CAPÍTULO VII
DOS DIREITOS, OBRIGAÇÕES E RESTRIÇÕES

Art. 50. Os atos de outorga não eximem o usuário da responsabilidade pelo


cumprimento de demais exigências do órgão ambiental e da Secretaria dos Recursos

359
Hídricos, no campo de suas atribuições, bem como das que venham a ser feitas por
outros órgãos e entidades aos quais esteja afeta a matéria.

Parágrafo único. A outorga prevista neste Decreto não dispensará, nem prejudicará
outras formas de controle e licenciamento específicos, inclusive os afetos a
saneamento básico e controle ambiental, previstos em Lei.

Art. 51.- São obrigações do outorgado, nos termos da legislação específica:

I - operar as obras hidráulicas segundo as condições determinadas pela Secretaria


dos Recursos Hídricos;

II - conservar em perfeitas condições de estabilidade e segurança as obras e os


serviços;

III - responder, em nome próprio, pelos danos, causados ao meio ambiente e a


terceiros em decorrência da manutenção, operação ou funcionamento de tais obras
ou serviços, bem como pelos que advenham do uso inadequado da outorga;

IV - manter a operação das estruturas hidráulicas de modo a garantir a continuidade


do fluxo de água mínimo, fixado no ato de outorga, a fim de que possam ser atendidos
os usuários a jusante da obra ou serviço;

V - preservar as características físicas e químicas das águas subterrâneas, abstendo-


se de alterações que possam prejudicar as condições naturais dos aquíferos ou a
gestão dessas águas;

VI - custear, instalar e operar estações e equipamentos hidrométricos, encaminhando


à Instituição de Gerenciamento de Recursos Hídricos os dados observados e
medidos, na forma estabelecida no ato de outorga e nas normas de procedimentos
estabelecidos pelo órgão outorgante;

VII - cumprir, sob pena de revogação da outorga, os prazos fixados pela Secretaria
dos Recursos Hídricos para o início e a conclusão das obras pretendidas.

CAPÍTULO VIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 52. A Secretaria dos Recursos Hídricos fica obrigada a dar, trimestralmente,
publicidade das sanções administrativas aplicadas com fundamento neste Decreto.

Parágrafo único. Quando da publicação das listas, nos termos do caput, a Secretária
dos Recursos Hídricos deverá, obrigatoriamente, informar se os processos estão
julgados em definitivo ou encontram-se pendentes de julgamento ou recurso.

360
Art. 53. Os órgãos e entidades ambientais estaduais competentes estabelecerão, por
meio de instrução normativa, os procedimentos administrativos complementares
relativos à execução deste Decreto.

Art. 54. Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 55. Revogam-
se as disposições em contrário137 138.

Palácio da Abolição, do Governo do Estado do Ceará, em Fortaleza, aos 12 de


dezembro de 2012.

Cid Ferreira Gomes


Governador do Estado Do Ceará

César Augusto Pinheiro


Secretário dos Recursos Hídricos

Lei Nº 16.096, 27 de Julho de 2016

137
Disponível em : http://www.srh.ce.gov.br/index.php/legislacao-do-estado/category/159-decretos

138
Nota: Outorga CE http://www.srh.ce.gov.br/index.php/outorgas-formularios

361
8.4. Lei n. 16.096, 27 de julho de 2016139

“Dispõe sobre Publicidade das Outorgas de Uso de Recursos Hídricos”.


O GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ. Faço saber que a Assembleia
Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º As informações sobre outorgas de uso de recursos hídricos, concedidas


conforme dispõe a Lei Estadual 14.844, de 28 de dezembro de 2010, estarão
disponíveis conforme o disposto nesta Lei.

Art. 2º O Estado deverá disponibilizar, por meio de sítio eletrônico, informações sobre
as outorgas de recursos hídricos, contendo:

I – dados sobre a situação atual da outorga, seu estado de vigência

e prazo de validade;

II – informações precisas sobre o volume de água outorgado;

III – informações sobre o tipo de uso para o qual a outorga foi concedida;

IV – informações básicas que permita a identificação do outorgado.

Art. 3º O sítio eletrônico incluirá́ , no seu sistema de busca de outorgas:

I – a opção de busca a partir do número da outorga concedida;

II – a opção de busca da outorga a partir do nome do empreendimento ou projeto


beneficiado;

III – a opção de busca das outorgas concedidas por cada Bacia Hidrográfica;

IV – ferramenta de busca que discrimine as informações dentre: outorgas solicitadas,


outorgas concedidas e outorgas vigentes em todo o Estado do Ceará.
Parágrafo único. A partir das ferramentas de busca elencadas nos incisos anteriores
serão emitidas as informações detalhadas da outorga, conforme os incisos do art.2o
desta Lei.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor após 90 (noventa) dias de sua publicação.

PALÁCIO DA ABOLIÇÃO DO GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ, em Fortaleza,


27 de julho de 2016.
Camilo Sobreira de Santana
GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ

139
Disponível em: http://www.mpce.mp.br/wp-content/uploads/2015/12/Lei-Estadual-nº16.096-2016-Publicidade-
das-Outorgas-de-Uso-de-Recursos-Hidricos-1.pdf

362
9. PIAUÍ

9.1. Lei n. 5.165, de 17 de agosto de 2000

“Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos, institui o sistema estadual de


gerenciamento de recursos hídricos e dá outras providências”.

O Governador do Estado do Piauí

Faço saber que o Poder Legislativo decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

TÍTULO I
DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS
CAPÍTULO I - DOS FUNDAMENTOS

Art. 1º A Política Estadual de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes princípios:

I - a água é um bem de domínio público;

II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico, podendo seu


uso ser passivo de cobrança;

III - em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo


humano e a dessedentação de animais;

IV - a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das
águas;

V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos
Hídricos;

VI - a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a


participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.

363
CAPÍTULO II
DOS OBJETIVOS E DAS DIRETRIZES GERAIS

Art. 2º São objetivos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em


padrões de qualidade adequados aos respectivos usos;

II - propiciar a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, com vistas ao


desenvolvimento sustentável;

III - buscar a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem


natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.

Art. 3º Constituem diretrizes gerais de ação para implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos:

I - a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos aspectos de


quantidade e qualidade;

II - a adequação da gestão de recursos hídricos às diversidades físicas, bióticas,


demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas regiões do Estado;

III - a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

IV - a articulação do planejamento de recursos hídricos com o dos setores usuários e


com os planejamentos municipal, estadual, regional e nacional;

V - a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo;

VI - a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos e


zonas costeiras;

VII - o desenvolvimento de programas destinados à capacitação profissional, no


âmbito dos recursos hídricos;

VIII - a execução e manutenção de campanhas educativas visando a conscientização


da sociedade para a utilização racional dos recursos hídricos;

Parágrafo único. O Estado articular-se-á com a União, estados vizinhos e municípios,


tendo em vista o gerenciamento dos recursos hídricos de interesse comum.

364
CAPÍTULO III
DOS INSTRUMENTOS DA POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 4º São instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos:

I - os Planos de Recursos Hídricos;

II - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos


preponderantes da água;

III - a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;

IV - a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

V - a compensação a Municípios;

VI - o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos;

VII - o Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

SEÇÃO I
Dos Planos de Recursos Hídricos

Art. 5º Os Planos de Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas têm por objetivo


fundamentar e orientar a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos,
contemplando os seguintes aspectos:

I - observância das diretrizes da Política Estadual dos Recursos Hídricos;

II - diagnóstico da situação dos recursos hídricos da bacia respectiva;

Ill - avaliação de alternativas de crescimento demográfico, de evolução das atividades


produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo;

IV - balanço entre disponibilidades e demandas futuras dos recursos hídricos, em


quantidade e qualidade, com identificação de conflitos potenciais;

V - metas de racionalização de uso, aumento de quantidade e melhoria da qualidade


dos recursos hídricos;

VI - proposta de enquadramento dos corpos de águas em classes de uso


preponderante, com as metas respectivas;

VI - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem


implantados, para o atendimento das metas previstas;

365
VII - prioridades para outorga de direitos de uso dos recursos hídricos;

VIII - diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

IX - propostas para a criação de áreas sujeitas à restrição de uso, com vistas à


proteção dos recursos hídricos;

X - programas de gestão de águas subterrâneas, compreendendo a pesquisa, o


planejamento, o mapeamento da vulnerabilidade à poluição, a delimitação de áreas
destinadas à sua proteção e controle e monitoramento;

XI - programação de investimentos em pesquisas, projetos e obras relativas à


utilização, recuperação, conservação e proteção dos recursos hídricos, inclusive
dessalinização das águas;

XII - programas de monitoramento climático, zoneamento das disponibilidades


hídricas, usos prioritários e avaliação de impactos ambientais causados por obras
hídricas;

XIII - programas de desenvolvimento institucional, tecnológico e gerencial de


valorização profissional e de comunicação social no campo dos recursos hídricos;

XIV - programas anuais e plurianuais de recuperação, conservação, proteção e


utilização dos recursos hídricos definidos mediante articulação técnica e financeira
com a União e Estados fronteiriços;

XV - programas de desenvolvimento regional integrado, com base na utilização


múltipla e sustentável dos recursos hídricos.

Art. 6º O Plano Estadual de Recursos Hídricos será elaborado pela Secretaria de


Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, com base nos Planos de Recursos
Hídricos das Bacias Hidrográficas e será apresentado ao Conselho Estadual de
Recursos Hídricos para sua manifestação.

§ 1º As diretrizes e a previsão dos recursos financeiros para a elaboração e a


implantação do Plano Estadual de Recursos Hídricos constarão nas leis relativas ao
plano plurianual, de diretrizes orçamentárias e orçamento do Estado.

§ 2º O Plano Estadual de Recursos Hídricos estabelecerá as bases para captação de


recursos financeiros nacionais e internacionais para aplicação em recursos hídricos e
a operação do Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

§ 3º As atualizações do Plano Estadual de Recursos Hídricos ocorrerão sempre que


a evolução das questões relativas ao uso dos recursos hídricos assim o recomendar.

366
SEÇÃO II
Do Enquadramento dos Corpos de Água em Classes, Segundo os Usos
Preponderantes da Água

Art. 7º O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos


preponderantes da água, a ser proposto em conformidade com os planos de recursos
hídricos das bacias hidrográficas, visa a:

I - assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem
destinadas;

II - diminuir os custos de combate à poluição da água, mediante ações preventivas


permanentes.

Art. 8º As classes de corpos de água serão estabelecidas pela legislação ambiental.

SEÇÃO III

Da Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos

Art. 9º O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como objetivos
assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício
dos direitos de acesso à água.

Art. 10. Estão sujeitos à outorga pelo Poder Público os direitos dos seguintes usos de
recursos hídricos:

I - derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para


consumo final, inclusive abastecimento público ou insumo de processo produtivo;

II - extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final ou insumo de


processo produtivo;

III - lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos,


tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final;

IV - aproveitamento de potenciais hidrelétricos;

V - outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente


em um corpo de água.

§ 1º Independem de outorga pelo Poder Público, conforme definido em regulamento:

I - o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos


núcleos populacionais;
367
II - as derivações, captações e lançamentos considerados de pouca expressão;

III - as acumulações de volumes de água considerados de pouca expressão.

§ 2º A outorga e a utilização de recursos hídricos para fins de geração de energia


elétrica estarão subordinadas ao Plano Nacional de Recursos Hídricos, aprovado na
forma do disposto na Lei Federal nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997 e obedecida a
disciplina da legislação setorial específica.

Art. 11. Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos
Planos de Recursos Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de água
estiver enquadrado.

Parágrafo único. A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso
múltiplo destes.

Art. 12. A outorga será dada sob a forma de concessão, autorização ou permissão por
ato do titular do Órgão Gestor dos Recursos Hídricos do Estado ou autoridade
competente por ele indicada.

§ 1º Será exigida do outorgado, quando do uso dos recursos hídricos, a


obrigatoriedade da manutenção das condições ambientais, segundo critérios
definidos na regulamentação desta lei.

§ 2º O Órgão Gestor dos Recursos Hídricos deverá se articular com o Poder Executivo
Federal para firmar convênio de delegação de competência ao Estado para conceder
outorga de direito de uso dos recursos hídricos de domínio da União, quando houver
conveniência entre as partes.

Art. 13. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa, parcial
ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, nas seguintes circunstâncias:

I - não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;

II - a ausência de uso por três anos consecutivos;

III - necessidade premente de água para atender às situações de calamidade,


inclusive as decorrente de condições climáticas adversas;

IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

V - necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo, para os quais


não se disponha de fontes alternativas.

Art. 14. Toda outorga de direitos de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não
excedente a trinta e cinco anos, renovável.

368
Art. 15. A outorga não implica a alienação parcial das águas, que são inalienáveis,
mas o simples direito de seu uso.

Art. 16. A implantação, ampliação e alteração de projeto de qualquer empreendimento


que demande a utilização de recursos hídricos, bem como a execução de obras ou
serviços que alterem o seu regime, em quantidade e/ou qualidade, dependerão de
prévio licenciamento, sem prejuízo da licença ambiental.

SEÇÃO IV
Da Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos

Art. 17. A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva:

I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário indicação de seu real
valor;

II - incentivar a racionalização do uso da água;

III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções


contemplados nos planos de recursos hídricos.

Art. 18. Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, nos termos
do art. 10, desta lei.

Art. 19. Na fixação dos valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos
devem ser observados, dentre outros:

I - nas derivações, captações e extrações de água, o volume retirado e seu regime de


variação, considerando-se a classe de uso preponderante em que for enquadrado o
corpo de água, a disponibilidade hídrica local, o grau de regularização assegurado por
obras hidráulicas, o consumo efetivo e a finalidade a que se destina, atribuindo-se
preços diferenciados a diferentes classes de usuários;

II - nos lançamentos de esgotos e demais resíduos, o volume lançado e seu regime


de variação e as características físico-químicas, biológicas e de toxidade do
lançamento, não ficando os responsáveis pelos lançamentos desobrigados do
cumprimento das normas e padrões legalmente estabelecidos, relativos ao controle
de poluição das águas;

III - no caso do uso de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica,
aplicar-se-á a legislação federal específica.

369
Art. 20. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão
aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados e serão
utilizados:

I - no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídas nos Planos de


Recursos Hídricos;

II - no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e


entidades integrantes do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

§ 1º A aplicação nas despesas previstas no inciso II deste artigo é limitada a 7,5%


(sete e meio por cento) do total arrecadado;

§ 2º Os valores previstos no caput deste artigo poderão ser aplicados a fundo perdido
em projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à coletividade, a
qualidade, a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água.

SEÇÃO V
Da Compensação a Municípios

Art. 21. A compensação financeira, com recursos arrecadados na bacia, a Municípios


com áreas afetadas pela implantação de obras hídricas ou seus impactos será
disciplinada, pelo Poder Executivo, mediante decreto, a partir de estudos aprovados
pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

SEÇÃO VI
Do Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos

Art. 22. A coleta, o tratamento, o armazenamento, a recuperação e a divulgação de


informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão no Estado
serão organizados sob a forma de Sistema e compatibilizados com o Sistema
Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos, ao qual será incorporado, na forma
da Lei Federal nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997.

Parágrafo único. O Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos terá


recursos provenientes da arrecadação prevista no § 1º, inciso II, do art. 25.

Art. 23. São princípios básicos para o funcionamento do Sistema Estadual de


Informações sobre Recursos Hídricos:

I - descentralização da obtenção e produção de dados e informações;

370
II - coordenação unificada do sistema;

III - acesso aos dados e informações garantido a toda a sociedade.

Art. 24. São objetivos do Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos:

I - reunir, dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situação


qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos do Estado do Piauí;

II - atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de


recursos hídricos em todo o território do Estado;

III - fornecer subsídios para a elaboração e atualização de Planos de Recursos


Hídricos.

SEÇÃO VII
Do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FERH)

SUBSEÇÃO I
Da Gestão do Fundo Estadual de Recursos Hídricos

Art. 25. Fica criado o Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FERH, como instrumento
de suporte financeiro da Política Estadual de Recursos Hídricos e das ações dos
componentes do Sistema Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 26. O FERH reger-se-á pelas normas estabelecidas nesta lei e será administrado
pela Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, cuja remuneração será
estabelecida pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Parágrafo único. A gestão financeira do FERH será contratada pela Secretaria do


Meio Ambiente e Recursos Hídricos com instituição integrante do sistema financeiro
nacional, que será supervisionada pela Secretaria da Fazenda do Estado.

SUBSEÇÃO II
Da Constituição do Fundo Estadual de Recursos Hídricos

Art. 27. Constituirão recursos do FERH.

I - as transferências do Estado e dos Municípios a ele destinado por disposição legal


ou orçamentária;

II - as transferências da União destinadas à execução de planos, programas e projetos


de interesse comum;
371
III - compensação financeira que o Estado receber com relação aos aproveitamentos
hidroenergéticos em seu território;

IV - compensação financeira que o Estado receber com relação ao aproveitamento da


água subterrânea como recurso mineral, para aplicação exclusiva em levantamento,
estudos, programas e projetos de interesse do gerenciamento dos recursos hídricos
subterrâneos;

V - o produto da cobrança pela utilização de recursos hídricos;

VI - os empréstimos e outras contribuições financeiras de entidades nacionais e


internacionais;

VII - recursos provenientes de ajuda, cooperação internacional e de acordo bilaterais


entre governos;

VIII - o retorno de operações de créditos contratadas com instituições públicas da


administração direta e indireta do Estado e dos Municípios, consórcios
intermunicipais, associações de usuários de água, concessionárias de serviços
públicos e empresas privadas e organizações não governamentais sem fins lucrativos;

IX - o produto de operações de crédito e as rendas provenientes da aplicação de seus


recursos financeiros;

X - o produto de aplicações de multas cobradas dos infratores da legislação relativa


aos recursos hídricos;

XI - o produto de cobrança de taxas pela expedição de outorgas de direitos de uso de


recursos hídricos e licenciamento de execução e operação de obras hídricas e pela
fiscalização respectiva;

XII - doações de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, nacionais,


estrangeiras ou multinacionais.

SEÇÃO III
Das Aplicações dos Recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos

Art. 28. A aplicação de recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FERH


reger-se-á pelos critérios estabelecidos nesta lei, seguirá as diretrizes da Política
Estadual de Recursos Hídricos e atenderá aos objetivos e metas do Plano Estadual
de Recursos Hídricos e dos Planos de Bacias Hidrográficas, compatibilizados com os
Planos Plurianuais, as Leis de Diretrizes Orçamentárias e com os Orçamentos Anuais
do Estado.

372
§ 1º Salvo situações especiais, as aplicações serão feitas por modalidades de
empréstimos, objetivando garantir eficiência na utilização de recursos públicos e
expansão do número de beneficiários em decorrência da rotatividade das
disponibilidades financeiras.

§ 2º As aplicações do Fundo Estadual de Recursos Hídricos em situações especiais,


sem retorno total ou parcial dos valores empregados, serão feitas preferencialmente
nos casos de relevante interesse social, em especial quando há benefícios à
população de baixa renda, com aprovação do Conselho Estadual de Recursos
Hídricos.

Art. 29. Os recursos financeiros do FERH destinar-se-ão para as seguintes aplicações:

I - financiamento às instituições públicas e privadas para a realização de serviços e


obras relacionadas aos recursos hídricos;

II - compensação aos Municípios com áreas afetadas pela implantação de obras


hídricas ou seus impactos, construídas pelo Estado;

III - realização de programas conjuntos entre o Estado e os Municípios, relativos ao


aproveitamento múltiplo, controle, conservação e proteção dos recursos hídricos e
defesa contra eventos críticos que ofereçam perigo à saúde pública e prejuízos
econômicos e sociais;

IV - programas de estudos e pesquisas, desenvolvimento tecnológico e capacitação


de recursos humanos de interesse do gerenciamento dos recursos hídricos;

V - manutenção permanente de campanha de divulgação para a conscientização do


uso racional dos recursos hídricos.

Art. 30. A aprovação dos planos de bacias hidrográficas pelos respectivos Comitês de
Bacias terá caráter vinculante para aplicação de recursos do FERH.

CAPÍTULO V
AÇÃO DO PODER PÚBLICO PARA IMPLEMENTAR A POLÍTICA ESTADUAL DE
RECURSOS HÍDRICOS

Art. 31. Na implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, compete ao


Poder Executivo:

I - tomar as providências necessárias à implantação e ao funcionamento do Sistema


Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

373
II - outorgar os direitos de uso de recursos hídricos, regulamentar e fiscalizar os usos
no âmbito de sua competência;

III - implantar e gerir o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos;

IV - promover a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

V - realizar o controle técnico de obras hídricas;

VI - observar e por em prática a legislação ambiental federal e estadual de modo


compatível e integrado com a política e o gerenciamento de recursos hídricos de
domínio do Estado.

Parágrafo único. Cabe ao órgão Gestor Estadual a efetivação de outorgas de direito


e cobrança de uso dos recursos hídricos sob domínio do Estado.

Art. 32. O Poder Executivo articular-se-á com os Municípios com a finalidade de


promover a integração das políticas locais de saneamento básico, de uso, ocupação
e conservação do solo e de meio ambiente com as políticas federal e estadual de
recursos hídricos.

TÍTULO II
DO SISTEMA ESTADUAL DE GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I
DOS OBJETIVOS, DA ESTRUTURA E DAS COMPETÊNCIAS

SEÇÃO I
Dos Objetivos

Art. 33. Fica instituído o Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos,
com os seguintes objetivos:

I - coordenar a gestão integrada dos recursos hídricos;

II - arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos;

III - implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos;

IV - planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos


hídricos;

V - promover a outorga e a cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

VI - formular, atualizar e executar os Planos de Recursos Hídricos;


374
VII - coordenar o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos;

VIII - gerir o Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

SEÇÃO II
Da Estrutura Organizacional

Art. 34. Compõem o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos:

I - órgão consultivo, deliberativo e normativo central do Sistema: o Conselho Estadual


de Recursos Hídricos;

II - órgão executivo central, gestor e coordenador do Sistema: Secretaria do Meio


Ambiente e dos Recursos Hídricos;

III - órgãos setoriais deliberativos e normativos da bacia hidrográfica: os Comitês de


Bacia Hidrográfica;

IV - órgãos dos poderes públicos estadual e municipais cujas competências se


relacionam com a gestão de recursos hídricos;

V - órgãos executivos e de apoio aos Comitês de Bacia Hidrográfica: as Agências de


Água.

Parágrafo único. O Poder Executivo disciplinará, mediante decreto, a reestruturação


do Órgão Gestor Estadual dos Recursos Hídricos e entidades subordinadas ou
vinculadas a esse órgão, para adequá-los a esta lei.

SEÇÃO III
Das Composições dos Órgãos Integrantes do Sistema

SUBSEÇÃO I
Do Conselho Estadual de Recursos Hídricos

Art. 35. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos será composto por:

I - titulares de Secretarias de Estado, ou seus representantes, cujas atividades se


relacionem com o gerenciamento ou uso dos recursos hídricos, a proteção ao meio
ambiente, o planejamento estratégico e a gestão financeira do Estado;

II - representantes dos Municípios;

III - representantes dos usuários dos recursos hídricos;


375
IV - representantes da sociedade através de organizações civis de recursos hídricos.

§ 1º O número de representantes dos Poder Executivo Estadual não poderá exceder


a metade mais um do total dos membros do Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

§ 2º Os representantes dos Municípios serão Prefeitos Municipais, ou seus


representantes, eleitos por seus pares.

§ 3º Os representantes dos usuários de recursos hídricos e das entidades civis de


recursos hídricos serão escolhidos por entidades representativas de cada segmento,
na forma do regulamento desta Lei.

§ 4º Participarão das reuniões do Conselho representantes dos Comitês de Bacias


Hidrográficas, com direito a voz.

§ 5º Serão convidados a participar das reuniões do Conselho Estadual de Recursos


Hídricos, representantes do Ministério Público, sem direito a voto.

SUBSEÇÃO II
Dos Comitês de Bacia Hidrográfica

Art. 36. Os Comitês de Bacia Hidrográfica terão como área de atuação:

I - a totalidade de uma bacia hidrográfica;

II - sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da bacia, ou de


tributário desse tributário; ou

III - grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas.

Parágrafo único. A instituição de Comitê de Bacia Hidrográfica em rios de domínio do


Estado será efetivada por ato do Governador.

Art. 37. Os Comitês de Bacia Hidrográfica são integrados por representantes:

I - dos Poderes Públicos Executivos do Estado e dos Municípios situados, no todo ou


em parte, em sua área de atuação, assegurada a paridade entre os representantes
do Estado e dos Municípios;

II - representantes dos usuários e das comunidades, estas caracterizadas por


organizações civis de recursos hídricos, com atuação comprovada na bacia
hidrográfica, de forma paritária com o Poder Público.

Parágrafo único. Os Comitês de Bacias Hidrográficas serão presididos e secretariados


por membros eleitos por seus pares e organizar-se-ão de acordo com as
376
peculiaridades e a realidade de suas respectivas bacias, na forma de Regimento
Interno próprio.

SUBSEÇÃO III
Das Agências de Água

Art. 38. As Agências de Água, com personalidade jurídica própria e autonomia


administrativa, exercerão a função de Secretaria Executiva do respectivo ou
respectivos Comitês de Bacia Hidrográficas e responderão pelo seu suporte
administrativo, técnico e financeiro.

Art. 39. A criação de Agências de Água será autorizada pelo Conselho Estadual de
Recursos Hídricos mediante solicitação de um ou mais Comitês de Bacia Hidrográfica,
que ficará condicionada ao atendimento dos seguintes requisitos:

I - prévia existência do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

II - viabilidade financeira assegurada pela cobrança do uso de recursos hídricos em


sua área de atuação.

SEÇÃO IV
Das Competências dos Órgãos Integrantes do Sistema

SUBSEÇÃO I
Conselho Estadual de Recursos Hídricos

Art. 40. Ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos compete:

I - estabelecer diretrizes complementares para a implementação da Política Estadual


de Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema Estadual
de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

II - analisar as propostas de elaboração ou atualização do Plano Estadual de Recursos


Hídricos e dos Planos de Bacia Hidrográfica das grandes bacias e interbacias do
Estado, acompanhar suas execuções e determinar as providências necessárias ao
cumprimento de suas metas;

III - manifestar-se sobre a proposta do Plano Estadual de Recursos Hídricos e suas


atualizações;

IV - analisar propostas de alteração da legislação pertinente à Política Estadual de


Recursos Hídricos e ao Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

377
V - coordenar o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos;

VI - arbitrar e decidir, do ponto de vista administrativo, os conflitos entre Comitês de


Bacia Hidrográfica;

VII - atuar, como instância administrativa, nas decisões dos órgãos componentes do
Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos;

VIII - deliberar sobre projetos de aproveitamento de recursos hídricos que extrapolem


o âmbito de um Comitê de Bacia Hidrográfica;

IX - aprovar a criação de Comitês de Bacia Hidrográfica, a partir de solicitação de


usuários e da comunidade, esta representada por organizações civis de recursos
hídricos, com atuação comprovada na bacia hidrográfica;

X - elaborar o seu regimento interno e estabelecer critérios gerais para elaboração


dos regimentos dos Comitês de Bacia Hidrográfica;

XI - aprovar o programa de trabalho a ser adotado pela Secretaria Executiva e


supervisionar o seu andamento;

XII - aprovar a criação de Agências de Água, a partir de propostas do respectivo ou


dos respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

XIII - aprovar o enquadramento dos corpos d'água em classes de uso preponderantes,


observados os interesses da comunidade;

XIV - aprovar os valores de acumulações, derivações, captações e lançamentos de


pouca expressão para efeito de isenção de obrigatoriedade de outorga de direitos de
uso e de cobrança pelo uso de recursos hídricos;

XV - aprovar os procedimentos sobre outorga e cobrança e os valores a serem


cobrados pelo uso de recursos hídricos;

XVI - aprovar critérios de aplicação de recursos financeiros do FERH;

XVII - exercer outras ações, atividades e funções estabelecidas em lei ou regulamento


compatíveis com a gestão integrada de recursos hídricos.

Art. 41. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos será gerido por:

I - um Presidente, que será o titular da Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos


Hídricos;

II - um Secretário Executivo, que será o titular do setor da Secretaria do Meio Ambiente


e dos Recursos Hídricos, responsável pela gestão dos recursos hídricos.

378
SUBSEÇÃO II
Do Órgão Gestor Estadual dos Recursos Hídricos

Art. 42. À Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, na condição de órgão
executivo central, gestor e coordenador do Sistema Estadual de Gerenciamento de
Recursos Hídricos, compete:

I - encaminhar para análise do Conselho Estadual de Recursos Hídricos as propostas


de elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos e de suas modificações, bem
como dos Planos de Bacia Hidrográfica das grandes bacias e interbacias do Estado;

II - aprovar a programação sobre recursos hídricos, elaborada pelos órgãos e


entidades sob sua supervisão e coordenação;

III - analisar propostas de convênios, acordos, ajustes, contratos, parcerias e


consórcios com órgãos e entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais,
para o desenvolvimento do setor de recursos hídricos, que envolvam contrapartida e
compromissos financeiros do Estado, diretamente ou mediante aval;

IV - fomentar a captação de recursos para financiar ações e atividades dos Planos de


Recursos Hídricos, supervisionando e coordenando a sua aplicação;

V - adotar critérios de prioridades para investimentos na área de recursos hídricos no


Estado, conforme estabelecidos nos Planos de Recursos Hídricos;

VI - acompanhar e avaliar o desempenho do Sistema de Gerenciamento de Recursos


Hídricos no Estado;

VII - administrar o Fundo Estadual de Recursos Hídricos;

VIII - zelar pela manutenção da política de remuneração pelo uso dos recursos
hídricos, bem como gerir os recursos financeiros arrecadados pela cobrança do uso
dos recursos hídricos e de outras fontes;

IX - outorgar o direito de uso e cobrar pelo uso de recursos hídricos, mediante


procedimentos próprios;

X - aplicar, no território do Estado, o Código de Águas (Decreto Federal nº 24.643, de


10.07.1934) e a Lei Federal nº 9.433, de 08.01.1997, com relação às águas de
domínio estadual e, se lhe for delegado, com relação às águas de domínio da União;

XI - incentivar e dar suporte à articulação de entidades federais, estaduais e


municipais, visando a proposição e elaboração de planos de aproveitamento de
recursos hídricos para as diversas regiões hidrográficas do Estado;

379
XII - emitir o licenciamento para a execução e realizar o controle técnico de obras
hídricas;

XIII - exercer outras ações, atividades e funções estabelecidas em lei, regulamento ou


decisão do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, compatíveis com a gestão
integrada de recursos hídricos.

SUBSEÇÃO III
Dos Comitês de Bacia Hidrográfica

Art. 43. Os Comitês de Bacia Hidrográfica, órgãos deliberativos e normativos, a nível


de bacia hidrográfica, terão as seguintes competências:

I - propor, acompanhar e aprovar a elaboração de planos, programas e projetos para


utilização dos recursos hídricos da respectiva bacia hidrográfica e sugerir as
providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

II - decidir, administrativamente, conflitos entre usuários, atuando como primeira


instância de decisão;

III - propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos as acumulações, derivações,


captações e lançamentos de pouca expressão, para efeito e isenção da
obrigatoriedade de outorga de direitos de uso e cobrança pelo uso dos recursos
hídricos, na bacia hidrográfica;

IV - propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos os procedimentos para a


cobrança e os valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos, na sua área
de atuação;

V - propor a implementação de planos emergenciais de controle de quantidade e


qualidade das águas em sua área de atuação geográfica, bem como a sua efetiva
consecução em prol dos usuários;

VI - aprovar propostas de programas anuais e plurianuais de aplicação de recursos


financeiros previstos para a gestão da Agência de Água, originários da cobrança pelo
uso dos recursos hídricos e de outras fontes, observadas as disposições e
recomendações dos Planos de Bacia Hidrográfica;

VII - apreciar e manifestar-se, junto ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos, sobre


a aplicação, na sua área de atuação, de recursos financeiros e investimentos a fundo
perdido provenientes de instituições financeiras e de outras fontes;

IX - deliberar sobre as propostas para o enquadramento dos corpos de água em


classes de usos preponderantes, com o apoio de audiências públicas;

380
X - aprovar o Orçamento Anual da Agência de Água, na área de sua atuação;

XI - aprovar a criação de sub comitês de Bacia Hidrográfica de sua área de atuação,


a partir de proposta de usuários e de organizações civis de recursos hídricos;

XII - aprovar o seu Regimento Interno e respectivas modificações;

XIII - incentivar a formação de consórcios intermunicipais e de associações de


usuários na sua área de atuação, bem como prestigiar ações e atividades de
instituições de ensino e pesquisas e de organizações não-governamentais, que atuem
em defesa do meio ambiente e dos recursos hídricos na bacia hidrográfica.

XIV - exercer outras ações, atividades e funções estabelecidas em lei, regulamento


ou decisão do Conselho Estadual de Recursos Hídricos compatíveis com a gestão
integrada de recursos hídricos.

Parágrafo único. Das decisões dos Comitês de Bacia Hidrográfica caberá recurso ao
Conselho Estadual ou ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos, de acordo com
sua esfera de competência.

SUBSEÇÃO IV
Das Agências de Água

Art. 44. As Agências de Água exercerão a função de Secretaria Executiva do


respectivo ou respectivos comitês de bacia hidrográfica.

Art. 45. Às Agências de Água compete:

I - manter balanço atualizado da disponibilidade de recursos hídricos em sua área de


atuação;

II - manter o cadastro de usuários de recursos hídricos;

III - efetuar, mediante delegação do outorgante, a cobrança pelo uso de recursos


hídricos;

IV - analisar e emitir pareceres sobre os projetos e obras, de sua responsabilidade, a


serem financiados com recursos gerados pela cobrança pelo uso dos recursos
hídricos e encaminhá-los à instituição responsável pela administração desses
recursos;

V - acompanhar a administração dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso


dos recursos hídricos em sua área de atuação e provenientes de outras fontes;

381
VI - gerir o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos em sua área de atuação;

VII - celebrar convênios e contratar financiamentos e serviços para a execução de


suas competências, informando detalhadamente ao órgão gestor estadual dos
recursos hídricos sobre as providências tomadas e resultados alcançados;

VIII - elaborar a sua proposta orçamentária e submetê-la à apreciação do respectivo


ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

IX - promover os estudos necessários para a gestão dos recursos hídricos em sua


área de atuação;

X - elaborar Planos de Recursos Hídricos e encaminhar para aprovação do respectivo


ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

XI - propor ao respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica:

a) o enquadramento dos corpos de água nas classes de uso;

b) os valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos;

c) o plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso dos
recursos hídricos;

XII - manter e operar instrumentos técnicos e de apoio da bacia hidrográfica, de modo


especial os relacionados com o provimento de dados para o Sistema Estadual de
Informações sobre Recursos Hídricos;

XIII - elaborar, para conhecimento, apreciação e aprovação do Comitê de sua área de


atuação, relatórios anuais sobre a situação dos recursos hídricos da bacia
hidrográfica;

XIV - manter sistema de fiscalização de uso de recursos hídricos da bacia hidrográfica


com a finalidade de identificar infratores e aplicar penalidades legais cabíveis;

XV - elaborar e implementar programas, projetos, ações e atividades ligadas à


educação ambiental e ao desenvolvimento de tecnologias que possibilitem o uso
racional dos recursos hídricos, além de estimular a participação de outras entidades
neste processo;

XVI - promover a capacitação de recursos humanos para gestão dos recursos hídricos
na área de atuação da Agência;

XVII - exercer outras ações, atividades e funções previstas em lei, regulamento ou


decisão do Conselho Estadual de Recursos Hídricos compatíveis com a gestão
integrada de recursos hídricos.

382
SUBSEÇÃO V
Da Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos

Art. 46. Compete à Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos:

I - prestar apoio administrativo, técnico e financeiro ao Conselho Estadual de Recursos


Hídricos;

II - instruir os expedientes provenientes do Conselho Estadual dos Recursos Hídricos


e dos Comitês de Bacia Hidrográfica.

CAPÍTULO II
DAS ORGANIZAÇÕES CIVIS DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 47. São considerados, para efeito desta lei, organizações civis de recursos
hídricos:

I - consórcios e associações intermunicipais de bacia hidrográfica;

II - associações regionais, locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos;

III - organizações técnicas de ensino e pesquisa com interesse na área de recursos


hídricos;

IV - organizações não governamentais com objetivos de defesa de interesses difusos


e coletivos da sociedade;

V - outras organizações reconhecidas pelo Conselho Nacional ou pelo Conselho


Estadual de Recursos Hídricos.

§ 1º Para integrar o Sistema Estadual de Recursos Hídricos, as organizações civis de


recursos hídricos devem ser legalmente constituídas e terem sido criadas há pelo
menos 2 (dois) anos.

§ 2º O Estado incentivará a organização e o funcionamento de associações civis na


condição de pessoas jurídicas de direito privado com finalidades precipuamente
executivas, livremente constituídas, mediante participação majoritária de usuários de
recursos hídricos, como entidades auxiliares no gerenciamento de recursos hídricos,
na implantação, operação e manutenção de obras e serviços, com direitos e
obrigações a serem definidas em regulamento próprio.

§ 3º As organizações técnicas de ensino e pesquisa com interesse na área de


recursos hídricos poderão prestar apoio e cooperação ao Sistema Estadual de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, mediante convênio, contrato, acordo, parceria

383
ou consórcio de acordo com credenciamento emitido pelo Órgão Gestor Estadual dos
Recursos Hídricos, segundo critérios aprovados pelo Conselho Estadual dos
Recursos Hídricos.

§ 4º A participação de organizações não-governamentais com objetivos de defesa de


interesses difusos e coletivos da sociedade no Sistema Estadual de Gerenciamento
de Recursos Hídricos dependerá de credenciamento emitido pelo órgão Gestor
Estadual dos recursos Hídricos, segundo critérios aprovados pelo Conselho Estadual
dos Recursos Hídricos.

CAPÍTULO III
DA PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS NA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 48. O Estado incentivará a formação de consórcios e associações intermunicipais


de bacias hidrográficas, de modo especial nas que apresentarem quadro crítico
relativamente aos recursos hídricos, nas quais o gerenciamento deve ser feito
segundo diretrizes e objetivos especiais, e estabelecerá com eles convênios de mútua
cooperação e assistência.

Art. 49. O Estado poderá delegar ao Município que se organizar técnica e


administrativamente o gerenciamento de recursos hídricos de interesse
exclusivamente local, compreendendo, dentre outros, os de bacias hidrográficas que
se situem exclusivamente no território do Município e os aquíferos subterrâneos
situados em sua área de domínio.

Parágrafo único. Os critérios, normas e condições gerais a serem observados pelos


Convênios entre o Estado e o Município, tendo como objeto a delegação a que se
refere este artigo, serão estipulados em regulamento próprio proposto pelo Órgão
Gestor Estadual dos Recursos Hídricos e aprovado pelo Conselho Estadual de
Recursos Hídricos.

TÍTULO III
DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

Art. 50. Para efeito desta lei, são consideradas águas subterrâneas as que ocorrem
natural ou artificialmente no subsolo, de forma suscetível de extração e utilização.

Parágrafo único. Considera-se poluição qualquer alteração das propriedades qualquer


alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas das águas subterrâneas que
possam ocasionar prejuízo a saúde, à segurança e ao bem estar das populações,
comprometer o seu uso para fins agropecuários, industriais, comerciais e recreativos
e causar danos à fauna e à flora.

384
Art. 51. Quando, no interesse da conservação, proteção ou manutenção do equilíbrio
natural das águas subterrâneas, dos serviços públicos de abastecimento de água, ou
por motivos geológicos, geotécnicos ou ecológicos, se fizer necessário restringir a
captação e o uso dessas águas, poderão ser delimitadas áreas destinadas à sua
proteção e controle.

Art. 52. Para fins desta lei, as áreas de proteção e controle dos aquíferos classificam-
se em:

I - Área de Proteção Máxima - compreendendo, no todo ou em parte, zonas de recarga


de aquíferos altamente vulneráveis á poluição e que se constituam em depósitos de
águas essenciais para o abastecimento público;

II - Área de Restrição e Controle - caracterizada pela necessidade de disciplina das


extrações, controle máximo das fontes poluidoras já implantadas e restrição a novas
atividades potencialmente poluidoras; e

III - Área de Proteção de Poços e Outras Captações - incluindo a distância mínima


entre poços e outras captações e o respectivo perímetro de proteção.

Art. 53. Nas Áreas de Proteção Máxima, não serão permitidos:

I - implantação de indústria de alto risco ambiental, pólos petroquímicos,


carboquímicos e cloro químicos, usinas nucleares e quaisquer outras fontes de grande
impacto ambiental ou extrema periculosidade;

II - atividades agrícolas que utilizem produtos tóxicos de grande mobilidade e que


possam colocar em risco as águas subterrâneas, conforme relação divulgada pelo
órgão gestor dos recursos hídricos do Estado; e

III - parcelamento do solo urbano, sem sistema adequado de tratamento de efluentes


ou de disposição de resíduos sólidos.

Art. 54. Nos casos de escassez de água subterrânea ou de prejuízo sensível aos
aproveitamentos existentes nas Áreas de Proteção Máxima, o órgão gestor dos
recursos hídricos do Estado poderá:

I - proibir novas captações até que o aquífero se recupere ou seja superado o fato que
determinou a carência de água;

II - restringir e regular a captação de água subterrânea estabelecendo o volume


máximo a ser extraído e o regime de operação;

III - controlar as fontes de poluição existentes mediante procedimento específico de


monitoramento;

385
IV - restringir novas atividades potencialmente poluidoras.

Art. 55. Nas Áreas de Restrição e Controle, quando houver escassez de água
subterrânea ou prejuízo sensível aos aproveitamentos existentes, poderão ser
adotadas as medidas previstas no artigo anterior.

Art. 56. Nas Áreas de Proteção de Poços e Outras Captações será instituído um
perímetro imediato de proteção sanitária abrangendo raio de 10 (dez) metros, a partir
do ponto de captação, cercado e protegido, devendo seu interior estar resguardado
da entrada ou infiltração de poluentes.

Art. 57. Os poços abandonados ou em funcionamento que acarretem ou possam


acarretar poluição ou representem riscos aos aquíferos e as perfurações realizadas
para outros fins, que não a extração de água, deverão ser adequadamente
tamponados de forma a evitar acidentes, contaminação ou poluição dos aquíferos.

Parágrafo único. Os responsáveis pelos poços ficam obrigados a comunicar ao órgão


gestor dos recursos hídricos do Estado a desativação destes, temporária ou definitiva;

Art. 58. Os poços jorrantes deverão ser dotados de dispositivos que impeçam o
desperdício da água ou eventuais desequilíbrios ambientais;

Art. 59. As escavações, sondagens ou obras para pesquisa relativa a lavra mineral ou
para outros fins, que atingirem águas subterrâneas, deverão ter tratamento idêntico a
poço abandonado, de forma a preservar e conservar os aquífero;

Art. 60. A recarga artificial de aquífero dependerá de autorização do órgão gestor dos
recursos hídricos do Estado e estará condicionado à realização de estudos que
comprovem sua conveniência técnica, econômica e sanitária, e a preservação da
qualidade das águas subterrâneas;

Art. 61. Fica o Poder Executivo autorizado a celebrar convênios com outros Estados,
relativamente aos aquífero também a eles subjacentes, objetivando estabelecer
normas e critérios que permitam o uso harmônico e sustentável das águas
subterrâneas;

Art. 62. Quando as águas subterrâneas, por razões de qualidade físico-química e


propriedades oligominerais, prestarem-se à exploração para fins comerciais ou
terapêuticos, puderem ser classificadas como água mineral, sua utilização será regida
pela legislação federal pertinente, pela relativa à saúde pública e pelas disposições
desta lei, no que couber.

Art. 63. As captações de águas subterrâneas já existentes deverão ser regularizadas,


com pedido de outorga, no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias, contados
da publicação desta lei.

386
TÍTULO IV
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

Art. 64. Constitui infração das normas de utilização de recursos hídricos superficiais
ou subterrâneos:

I - derivar ou utilizar recursos hídricos sem a respectiva outorga de direito de uso;

II - iniciar a implantação ou implantar empreendimento relacionado com a derivação


ou a utilização de recursos hídricos superficiais ou subterrâneos, que implique
alterações no regime, quantidade ou qualidade dos mesmos, sem a autorização dos
órgãos ou entidades competentes;

III - utilizar-se dos recursos hídricos ou executar obras ou serviços relacionados com
os mesmos em desacordo com as condições estabelecidas na outorga;

IV - perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los sem a devida


autorização;

V - fraudar as medições dos volumes de água utilizados ou declarar valores diferentes


dos medidos;

VI - infringir normas estabelecidas no regulamento desta lei e nos regulamentos


administrativos, compreendendo instruções e procedimentos fixados pelos órgãos ou
entidades competentes;

VII - obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes, no


exercício de suas funções.

VIII - deixar de controlar os poços jorrantes, com dispositivos adequados;

Parágrafo único. A descarga de poluentes tais como águas ou refugos industriais que
possam degradar a qualidade da água subterrânea, e o descumprimento das demais
determinações desta Lei e regulamentos decorrentes sujeitarão o infrator às
penalidades nela previstas e na legislação ambiental, sem prejuízo das sanções
penais cabíveis.

Art. 65. Por infração de qualquer disposição legal ou regulamentar referentes à


execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou utilização de recursos hídricos
de domínio ou administração do Estado, ou pelo não atendimento das solicitações
feitas, o infrator, a critério da autoridade competente, ficará sujeita às seguintes
penalidades, independentemente de sua ordem de enumeração:

387
I - advertência por escrito, na qual serão estabelecidos prazos para correção das
irregularidades,

II - multa, simples ou diária, proporcional à gravidade da infração de 100 (cem) a


10.000 (dez mil) vezes a Unidade Fiscal do Estado do Piauí ou outra que venha
substituí-Ia,

III - embargo provisório, por prazo determinado, para execução de serviços e obras
necessárias ao efetivo cumprimento das condições de outorga ou para o cumprimento
de normas referentes ao uso, controle, conservação e proteção dos recursos hídricos;

IV - embargo definitivo, com revogação da outorga, se for o caso, para repor


incontinenti, no seu antigo estado, os recursos hídricos, leitos e margens, nos termos
dos arts. 58 e 59 do Código de Águas ou tamponar os poços de extração de água
subterrânea.

§ 1º Sempre que da infração cometida resultar prejuízo a serviço público de


abastecimento de água, riscos à saúde ou à vida, perecimento de bens ou animais,
ou prejuízo de qualquer natureza a terceiros, a multa a ser aplicada nunca será inferior
à metade do valor máximo assinado em abstrato.

§ 2º No caso dos incisos III e IV, independentemente da pena de multa, serão


cobrados do infrator as despesas em que incorrer a Administração para tornar efetivas
as medidas previstas nos citados incisos, na forma dos arts. 36, 53, 56 e 58 do Código
de Águas, sem prejuízo de responder pela indenização dos danos a que der causa.

§ 3º Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro.

Art. 66. Das decisões relativas à aplicação de penalidades caberá recurso à


autoridade administrativa competente, nos termos do regulamento desta lei.

TÍTULO V

CAPÍTULO ÚNICO
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS, TRANSITÓRIAS E FINAIS

Art. 67. A fim de se ajustar ao cumprimento da presente lei e às diretrizes da Lei


Federal nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997, o Poder Executivo, mediante ato próprio,
procederá à reorganização do Órgão Gestor Estadual dos Recursos Hídricos para
incluir entre as suas competências e atribuições, estrutura e organização, as unidades
administrativas e técnicas de serviços necessários ao exercício de suas ações e
atividades.

388
Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir, na Secretaria da Fazenda,
crédito especial no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para o Fundo Estadual de
Recursos Hídricos, para fins de estruturação do Sistema Estadual de Gerenciamento
dos Recursos Hídricos.

Art. 68. Os consórcios intermunicipais e associações de usuários de recursos hídricos


de bacias hidrográficas mencionados nesta lei, poderão receber delegação do
Conselho Estadual de Recursos Hídricos, por prazo determinado, para o exercício de
funções de competência das Agências de Água enquanto esses organismos não
estiverem, efetivamente, constituídos.

Art. 69. O Poder Executivo deverá regulamentar esta lei, no prazo de 120 (cento e
vinte) dias, contados de sua publicação.

§ 1º Serão objetos de regulamentação própria, para efeito de operacionalização de


gerenciamento, mediante Decreto do Poder Executivo, após estudos aprovados pelo
Conselho Estadual de Recursos Hídricos, as matérias instrumentais previstas nesta
Lei relativas:

I - ao enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos


preponderantes da água;

II - à outorga dos direitos de uso dos recursos hídricos e o licenciamento de execução


de obras hídricas;

III - à cobrança pelo uso de recursos hídricos;

IV - à tipificação específica para o enquadramento da infração, segundo o grau


cometido para a aplicação da respectiva penalidade nos termos desta lei;

V - o Fundo Estadual de Recursos Hídricos;

VI - o uso das águas subterrâneas de domínio do Estado;

VII - os Comitês de Bacia Hidrográfica e as Agências de Água.

§ 2º As matérias regulamentares sobre Conselho Estadual dos Recursos Hídricos


serão encaminhadas pelo Órgão Gestor Estadual dos Recursos Hídricos ao Poder
Executivo.

§ 3º O regulamento desta Lei instituíra o cadastro estadual de poços tubulares


profundos e de outras obras de captação de águas subterrâneas.

Art. 70. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos criado por esta Lei, no seu primeiro
mandato, com duração de 2 (dois) anos, terá a seguinte composição:

389
I - Titulares, ou seus representantes, dos órgãos estaduais seguintes:

a) Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, que o Presidirá;

b) Secretaria de Obras e Serviços Públicos

c) Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Irrigação;

d) Secretaria de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia;

e) Secretaria de Planejamento;

f) Companhia de Desenvolvimento do Piauí - COMDEPI; e,

g) Fundação de Amparo a Pesquisa - FAPEPI.

II - Titulares, ou representantes, municipais dos seguintes municípios:

a) da Capital;

b) o mais populosos da região semi árida;

c) o litorâneo mais populoso;

d) o mais populoso do cerrado;

e) dois (02) da Associação Piauiense dos Prefeitos Municipais - APPM;

f) da Associação do Vereadores Piauienses - AVEP.

III - Presidente, ou seus representante, dos seguintes usuários:

a) Federação das Associações de Moradores do Piauí - FAMEPI;

b) Federação da Agricultura do Estado do Piauí;

c) Águas e Esgotos do Piauí S/A - AGEPISA.

IV - Representante, das seguintes entidades civis:

a) Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura - CREA;

b) Universidade Federal do Piauí - UFPI;

c) Associação Brasileira de Águas Subterrâneas - ABAS;

d) Fundação Rio Parnaíba - FURPA.

390
Art. 71. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 72. Revogam-se as disposições em contrário140.

Palácio de Karnak, em Teresina (PI), 17 de agosto 2000.

Governador do Estado

Secretário do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos

Secretário de Obras e Serviços Públicos

Secretário da Agricultura, Abastecimento e Irrigação

Secretário da Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia

Secretário do Planejamento

(*) Lei (Substitutivo) de autoria do Dep. Prado Júnior (informação determinada pela
Lei nº 5.138, de 07.06.2000).

9.2. Decreto n. 11.341, de 22 de março de 2004

“Regulamenta a outorga preventiva de uso e a outorga de direito de uso de recursos


hídricos do Estado do Piauí, nos termos da Lei nº 5.165, de 17/08/2000”.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO PIAUÍ, no uso das atribuições que lhe confere


os incisos XIII, do artigo 102 da Constituição Estadual,

DECRETA:

140
Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=151141

391
DA OUTORGA PREVENTIVA E DA OUTORGA DE DIREITO DE USO DOS
RECURSOS HÍDRICOS

Art. 1º - À Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos _ SEMAR/PI, na


qualidade de Órgão Gestor de Recursos Hídricos do Piauí, compete emitir a outorga
preventiva de uso e a outorga de direito de uso de recursos hídricos de domínio do
Estado.

Art. 2