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3ª CÂMARA DE COORDENAÇÃO E REVISÃO – CONSUMIDOR E ORDEM ECONÔMICA agenda setorial

SAFS Q. 4 Cj. C Bl. B S/301; Brasília/DF, CEP 70050-900, (61)3105-6028, Nº de folhas: 11


http://3ccr.pgr.mpf.gov.br/, 3camara@pgr.mpf.gov.br Nº de anexos:

REFERÊNCIAS ENERGIA AGENDA- 2012: GERENTE:


ELÉTRICA Acompanhamento/monitoramento da Roberto Teixeira Alves
política pública de energia elétrica - 2012 Analista em economia/Perito

I. Introdução

A regulação do setor de energia no Brasil enfrenta atualmente um duplo desafio: (a)


promover o aumento sustentado da oferta de energia —por meio da identificação e
exploração de novas reservas e fontes energéticas— em quantidade suficiente para
viabilizar o desenvolvimento social e econômico do país e (b) disponibilizar energia, de
modo abrangente, a preços competitivos e em condições ambientalmente sustentáveis,
aos consumidores finais.

II. Características do Setor

Os órgãos responsáveis pela proposição e implementação da política pública de energia


elétrica são o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o Ministério de Minas e
Energia (MME) e a agência reguladora federal, que é a Agência Nacional da Energia
Elétrica (ANEEL).

O setor elétrico é constituído por três segmentos principais: geração, distribuição e


transmissão. O segmento de geração é o único potencialmente competitivo. Novos
empreendimentos de geração são submetidos à processo de licitação para oferta de
energia ao mercado (distribuidoras e grandes consumidores) a preços competitivos. Por
meio do sistema interligado, a energia gerada por meio das diferentes fontes (hidrelétrica,
termelétrica, eólica, solar, biomassa e nuclear) pode ser comercializada em todas as
regiões do país, viabilizando o processo competitivo.

O segmento de transmissão é composto pelas linhas de transmissão que compõem o


sistema interligado. A tarifa de uso das linhas de transmissão é regulada pela ANEEL, já
que o segmento opera sob condições de monopólio natural.

O segmento de distribuição opera a rede capilarizada que permite a entrega da energia


elétrica aos consumidores finais, residenciais, comerciais e industriais. Destacam-se,
dentre os consumidores finais, os consumidores cativos que não podem optar pela origem
da energia consumida e são aqueles mais vulneráveis a regulamentação e fiscalização
inadequadas ou condutas abusivas praticadas pelas operadoras.

Dentre os principais marcos legais do setor elétrico destaca-se a Lei nº 9.427/96, que
disciplinou o regime de concessões de serviços públicos de energia elétrica e instituiu a
ANEEL. À autoridade reguladora foram conferidas as atribuições de regular e fiscalizar a
produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica. A Lei nº
9.648/98 autorizou a reestruturação do setor elétrico e introduziu a livre negociação da

Ao citar este documento, favor indicar as referências em epígrafe e a fonte.


© 3ª CCR/MPF 2011

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compra e venda de energia elétrica entre concessionários, permissionários e autorizados,


e atribuiu à ANEEL a tarefa de zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da
concorrência.

Já as Leis nº 10.847 e nº 10.848/2004 estabeleceram um novo modelo para o setor, após a


crise de oferta de energia elétrica ocorrida em 2001, com destaque para:
(a) a criação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) vinculada ao Ministério das
Minas e Energia (MME), com finalidade realizar estudos e pesquisas destinadas a
subsidiar o planejamento do setor energético (Lei nº 10.847/04);
(b) criação da Câmara de Comercialização da Energia Elétrica (CCEE), com
finalidade de viabilizar a comercialização de energia elétrica no Sistema Interligado
Nacional (SIN);
(c) criação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), responsável pelo
monitoramento do balanço entre oferta e demanda de energia no curto, médio e
longo prazos;
(d) exigência de licença ambiental prévia como pressuposto para participação em
processo licitatório;
(e) substituição do critério para definição do lance vencedor dos leilões de novos
empreendimentos, de maior ágio para menor tarifa de energia; e
(f) retirada da Eletrobrás e suas controladas do Programa Nacional de
Desestatização (PND).

III. O papel da Procuradoria Geral da República e a 3ª Câmara (3ª CCR)

A 3ª Câmara deverá conhecer a política energética definida pela CNPE e MME e


acompanhar sua implementação pela agência reguladora setorial, ANEEL, buscando
avaliar a regulação aplicada, verificando sua adequação e eficácia em relação aos objetivos
propostos e a observância de boas práticas regulatórias pela autoridade reguladora.

Cabe ao MPF a tarefa de induzir e estimular a adoção de boas práticas pelas autoridades
regulatórias. Para isto é necessário apoiar o processo de aprendizagem e aperfeiçoamento
institucional das Agências na direção de uma atuação mais: (a) transparente, quanto ao
processo decisório; (b) crível, quanto à capacidade de garantir o cumprimento dos
regulamentos pelos agentes regulados (enforcement); e (c) amigável, quanto à clareza e
objetividade dos seus regulamentos e ao uso de linguagem acessível no relacionamento
com a sociedade, inclusive por meio do website.

Em consonância com os objetivos do planejamento estratégico do Ministério Público


Federal, a 3ª CCR propõe o desenvolvimento de atividades de acompanhamento e
monitoramento (A&M) das agências reguladoras, cujo ponto de partida são as agendas
setoriais. Na definição das agendas setoriais se destacam dois principais vetores de
atuação: atividades relacionadas ao bom funcionamento da agência reguladora (âmbito
institucional) e atividades relacionadas ao bom funcionamento do setor regulado (eficácia
da regulação)

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IV. Apoio à adoção de boas práticas voltadas ao bom funcionamento da agência

Na experiência recente da 3ª Câmara, quanto aos aspectos associados à adoção de boas


práticas pelas Agências, foram solicitados, nos encontros realizados, informações e
esclarecimentos acerca dos seguintes procedimentos:

i. Processo de decisão (devido processo regulatório)


ii. Consulta e Audiência Pública (Participação Pública na Agenda Regulatória do Setor
Elétrico)
iii. Interação entre ANEEL e órgãos de defesa do consumidor e autoridade da
concorrência e ANP
iv. Papel da internet na comunicação da agência com o público externo
v. Sistemas de informação (gerenciais, SIG e disponibilização de dados à sociedade)
vi. Qualidade das informações contidas no Relatório anual
vii. Atuação da Procuradoria
viii. Código de ética (política de transparência)
ix. Diretoria (composição e relação com grupos de interesses)
x. Processo de elaboração do Planejamento estratégico e sua divulgação
xi. Desempenho da Ouvidoria
xii. Programa de capacitação de servidores

Dentro do escopo do monitoramento proposto, deve-se destacar a importância da


ferramenta denominada Análise do Impacto Regulatório (AIR), amplamente utilizada por
órgãos reguladores da Europa e dos Estados Unidos. No Brasil, a AIR é ainda pouco
aplicada em razão da reduzida experiência acumulada pelas agências reguladoras
brasileiras e da precariedade dos dados e informações setoriais disponíveis.

Com apoio do PRO-REG — Programa de Fortalecimento da Capacidade Institucional para


Gestão, desenvolvido no âmbito do Gabinete Civil da Presidência da República, as
agências reguladoras federais começam a capacitar-se para o aperfeiçoamento dos seus
instrumentos regulatórios, em especial, desenvolvendo expertise para uso da AIR quando
da proposição de novas regras regulatórias.

V. Apoio à adoção de boas práticas relacionadas à eficácia da regulação

Dois critérios gerais devem ser observados na verificação da adequação da regulação


aplicada em face dos objetivos definidos: (a) se os consumidores finais (residenciais,
industriais e comerciais) estão adequadamente atendidos e (b) se o setor regulado move-
se, tendencialmente, para um ambiente competitivo (condições de entrada para novos
operadores e papel da concorrência na formação dos preços).

Estes critérios —qualidade do atendimento aos consumidores finais e vigor concorrencial


— buscam verificar a eficácia dos instrumentos regulatórios, principalmente quanto aos
seguintes itens:

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1) condições de acesso aos serviços de distribuição de energia elétrica


(universalização)
2) razoabilidade dos preços e tarifas (modicidade tarifária); e
3)qualidade dos produtos e serviços prestados

Enquanto a AIR é aplicada para a avaliação, a priori, dos impactos futuros das regulações
propostas, em termos de custos e benefícios acarretados, outros instrumentos devem ser
desenvolvidos para a avaliação a posteriori dos resultados alcançados pela regulação
setorial, tendo em vista objetivos e metas pré-definidas.

A avaliação dos resultados da regulação pode ser realizada por meio de fontes diretas ou
indiretas como:
1. acompanhamento das auditorias operacionais e análise dos relatórios e acórdãos
do Tribunal de Contas da União, em especial, dos trabalhos desenvolvidos pela
Secretaria de Fiscalização da Desestatização — SEFID;
2. pesquisas de reclamações dos consumidores nos Procon's, compiladas e
divulgadas pelo Departamento de Defesa do Consumidor — DPDC;
3. estudos e relatórios de pesquisas sobre o setor de energia realizadas por
universidades, entidades de defesa dos consumidores, instituições de pesquisa e
consultorias privadas;
4. demandas dos procuradores naturais;
5. agenda de atividade do grupo de trabalho de energia;
6. assuntos que são objetos da atividade de revisão realizada na 3ª Câmara;
5. análise da implementação do planejamento estratégico das agências reguladoras,
com enfoque no grau de atingimento dos objetivos e metas propostos;
6. visita técnica de integrantes da 3ª Câmara às agências visando a esclarecimentos
gerais sobre as políticas implementadas;
7. reuniões para tratar de assuntos pontuais constantes da agenda regulatória
definida pela 3ª Câmara;
8. Participação em seminários, oficinas e encontros que tratam de temas
relacionados a políticas públicas na área de energia.

VI. Temas de referência para as atividades de A&M

Serão apresentados, neste item, os tópicos indicativos que compõem devem agenda
regulatória a ser acompanhada pela 3ª Câmara, por meio dos integrantes da Equipe
Técnica de Energia Elétrica, Petróleo e Gás Natural (Etec 2), composta de 10 analistas
periciais do MPF, coordenados por analista pericial da 3ª Câmara. São dois tópicos
relacionados à estruturação interna da Agência e seis tópicos atinentes à eficácia da
regulação aplicada. Os tópicos, relacionados a seguir, devem validados pelo Grupo de
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Trabalho de Energia (Elétrica, Petróleo, Gás Natural e Combustíveis) da 3ª Câmara:

VI.1 Tópicos relacionados ao bom funcionamento da Agência

1. Sistema de informação

A ANEEL deve manter atualizados sistemas de informações sobre o setor elétrico,


disponibilizados ao público e, também, sistemas de informações mais complexos
destinados à utilização pelos operadores do sistema elétrico e por órgãos de controle
como o MPF. Destaca-se na agenda regulatória indicativa divulgada pela ANEEL (Item 44)
a revisão do Sistema de Informação Geográfica Regulatório (Módulos 2 e 6 dos
Procedimentos de Distribuição – PRODIST), importante instrumento para a aferição do
funcionamento do setor da observância das regras instituídas pelos agentes regulados. A
componente espacial das informações de energia elétrica deve ser considerada nas
atividades de regulação técnica e econômica. Informações georreferenciadas de geração,
distribuição e transmissão devem ser apresentadas à sociedade, para promover a
transparência, a prestação de contas e a responsabilização das atividades regulatórias. Os
sistemas de informações geográficas, considerados ferramentas de suporte à decisão,
devem ser utilizados pela agência reguladora como uma das ferramentas para
aperfeiçoamento da eficiência gerencial.

A ANEEL está modernizando seu sistema de informação gerencial por meio da


implantação de um novo sistema, com recursos de documentos digitais em toda a
instituição, maior flexibilidade de acesso a dados e informações, e interface mais
amigável. Essa mudança tem reflexos nos processos administrativos podendo alterar
cultura de tratamento da informação gerencial e provocar resistências às mudanças. Por
serem consideradas inovações com reflexos em mudanças culturais, devem ser tratadas
com relevância pela instituição, podendo requerer o acompanhamento de órgãos de
controle para apoiar o sucesso da aplicação de novas práticas gerenciais. O MPF tem
interesse em dar apoio e estimular a implantação de sistemas de gestão da informação
mais eficazes.

2. Fiscalização
O dimensionamento adequado dos recursos dedicados à fiscalização é central para o êxito
da atividade regulatória. A Agência deve informar quaisquer entraves, sob aspecto de
recursos humanos ou financeiros, ao desenvolvimento da fiscalização, de modo a garantir
o cumprimento das obrigações e compromissos assumidos pelos agentes regulados, em
especial quanto à manutenção da infraestrutura e a efetiva realização dos investimentos
previstos.

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VI.2 Tópicos relacionados ao bom funcionamento do setor elétrico

1. Segurança energética
A segurança energética do país depende do planejamento da oferta de energia.
Concomitantemente, é preciso criar condições para que novas fontes de energia, limpas e
renováveis, participem com maior proporção da matriz energética brasileira. As recentes
descobertas de gigantescas reservas de petróleo e gás natural poderão gerar menos
incentivos para a descoberta e exploração de fontes renováveis e limpas.
O monitoramento da política de segurança energética poderá ser realizada pelo
acompanhamento da implementação do Plano Decenal de Energia, elaborado e atualizado
anualmente pela Empresa de Planejamento Energético — EPE. Cabe ao MME definir o
cronograma das licitações para a oferta de energia e à ANEEL realizar os leilões de
energia nova para os próximos anos (A3 e A5), prevendo inclusive leilões específicos de
oferta de energia alternativa, como eólica, solar e de biomassa.

2. Metodologia de revisão e reajuste tarifário da distribuição (3º ciclo: 2011/2014)

Nos dias 08 e 09 de novembro de 2011, a ANEEL aprovou a nova metodologia para a


revisão e reajuste tarifário da distribuição1. Foram introduzidas modificações em relação
à metodologia do 2º ciclo (2007/2010), com destaque para a redução da taxa de retorno
de 9,95% para 7,5% e a substituição da empresa de referência, para efeito do cálculo dos
custos operacionais, por uma análise comparativa dos níveis de eficiência das
distribuidoras. Somente o acompanhamento da aplicação da nova metodologia poderá
indicar se as tarifas da distribuição observarão trajetória compatível com a modicidade
tarifária.

Este subprojeto corresponde aos itens 5 e 6 da Agenda Regulatória indicativa 2012/2013,


aprovada pela Conselho Diretor da ANEEL dia 31/02/2012: (05) Propor metodologia
para o 4º ciclo de revisão tarifária da distribuição; e (6) Avaliar os efeitos da aplicação da
nova estrutura tarifária da distribuição e propor aprimoramentos para o 4º ciclo.

3. Avaliação do impacto sobre os usuários e proposição de aperfeiçoamentos da


Resolução Normativa ANEEL nº 414/2010

O acompanhamento da aplicação da REN nº 414/2010 e seu aperfeiçoamento interessam


diretamente aos consumidores finais, já que esta Resolução trata de temas relevantes
como condições para indenização por danos elétricos, critérios para desligamentos e
religamentos, regras para atendimento aos consumidores finais, etc.

1 Exceto quanto ao item “outras receitas” decorrentes do compartilhamento de infraestrutura.


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Cinco itens da “Agenda Regulatória Indicativa para 2012/2013”, proposta pela ANEEL,
referem-se diretamente a aprimoramentos da Resolução Normativa 414/2010, que
regulamenta as condições gerais de fornecimento de energia elétrica. São eles:
1. Aprimorar a regulamentação que trata do atendimento telefônico (Cap. XV
– Seção II – REN nº 414/2010)(item 49)
2. Regulamentar os procedimentos de aprovação de projetos particulares e
de estabelecimento de cronograma de obras por parte da distribuidora.
(Aprimoramento da REN nº 414/2010). (item 51)
3. Aprimorar a REN nº 414/2010 em relação à regulamentação da
Estrutura Tarifária.(item 52)
4. Aprimorar a REN nº 414/2010 em relação à regulamentação dos
contratos firmados entre distribuidoras e consumidores. (item 53)
5. Aprimorar a REN nº 414/2010 em relação à regulamentação que trata do
cadastro de consumidores que a distribuidora deve organizar e manter
atualizado e às informações que devem ser encaminhadas à SRC. (item 54)
6. Avaliar e propor melhoria no fluxo decisório dos processos relacionados a
reclamações de consumidores referentes às condições gerais de fornecimento
de energia elétrica. (item 64)

Outros temas constam da agenda indicativa da ANEEL e devem ser acompanhados pela
3ª CCR, tendo em vista estreita relação com a qualidade do atendimento aos
consumidores. São eles:

1. Regulamentar as modalidades de faturamento pré-pagamento e pós-pagamento


eletrônico (item 46);
2. Regulamentar a cobrança de “outros serviços” na fatura de energia elétrica
(item 47);
3. Regulamentar a universalização do acesso e uso dos serviços de energia elétrica
para o período de 2011 a 2014.

4. Regulamentação das perdas elétricas (técnicas e não técnicas) e eficiência


energética

A metodologia do 3ª ciclo estabeleceu metas de redução de perdas não técnicas com base
em indicadores sociais das áreas de concessão. A aplicação deste novo critério deve ser
acompanhado para verificar se efetivamente haverá redução das perdas não técnicas.
Quanto às perdas técnicas a ANEEL deverá ainda desenvolver metodologia para a
implementação de investimentos pelas concessionárias.

Dois itens da “Agenda Regulatória Indicativa para 2012/2013”, proposta pela ANEEL,
referem-se à regulamentação das perdas técnicas e à eficiência energética:
1. Aprimorar a regulamentação de análise de investimentos das distribuidoras.
(item 42)
2. Aprimorar a regulamentação sobre o Programa de Eficiência Energética (EE).
(item 58)

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3. Avaliar a implantação de medidores inteligentes em unidades inteligentes de


baixa tensão. (item 37)
4. Aprimorar a regulamentação de análise dos investimentos das distribuidoras
(item (42)

5. Regulamentação da qualidade dos serviços prestados (DEC, FEC e outros)

Quatro itens da agenda regulatória indicativa da ANEEL dizem respeito diretamente à


questão da qualidade dos serviços prestados. São eles:

1. Regular os indicadores de qualidade do produto (item 38);


2. Avaliar ações de regulação para melhoria da apuração dos indicadores de
qualidade (item 39);
3. Elaborar estudo para avaliação dos custos relacionados à confiabilidade (item 40);
4. Avaliar melhorias na regulamentação de expurgos associados aos indicadores de
continuidade (item 41);
5. Regulamentar a metodologia e a metas para os indicadores de qualidade comercial
da Duração Equivalente de Reclamação – DER e de Frequência Equivalente de
Reclamação – FER ( item 50)

É importante acompanhar as propostas de aperfeiçoamento dos indicadores de


qualidade, de modo a garantir melhoria efetiva nas condições de fornecimento, reduzindo
a frequência das interrupções localizadas no fornecimento de energia elétrica, e
estabelecendo compensações aos consumidores atingidos.

6. Fim das concessões do setor elétrico

A legislação do setor elétrico exige que ao final das atuais concessões do setor os bens
reversíveis sejam devolvidos ao poder concedente para nova outorga mediante processo
licitatório. O Tribunal de Contas da União — TCU, por meio do Acórdão nº 3012/2011–
TCU–Plenário, de 16/11/2011, que tratou do vencimento das concessões, fixando prazo
de sessenta dias para que o Ministério de Minas e Energia (MME) e ANEEL relativamente
às concessões cujos contratos vencem a partir de 2015, encaminhe plano de ação,
definição do modelo a ser adotado, metodologia para a fixação de tarifas e preços, estudos
acerca das implicações econômicas do modelo a ser adotado, dentre outros.

Pretende-se apoiar a proposição do TCU de modo a reunir informações necessárias à


tomada de decisão quanto à realização das licitações, que devem ser conduzidas com
transparência garantindo plenamente os ganhos em termos de modicidade tarifária, já
que boa parte dos ativos das geradoras de energia já estão amortizados. Caso se opte por
outro modelo, por meio de mudanças legais que viabilizem prorrogações de concessões, é
necessário que tal opção seja realizada também com transparência e fundamento técnico,
de modo que preserve o interesse público.

7. Integração Energética da América do Sul

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A proposta de Integração Energética da América do Sul é tema recorrente nos debates


sobre energia. Especialistas têm destacado que a região está passando por momento de
intenso crescimento econômico e democratização do serviço elétrico. A integração
energética poderia favorecer o desenvolvimento de maior eficiência na exploração do
imenso potencial energético das nações sul-americanas. Para tanto, é preciso superar
algumas barreiras, tais como as restrições de capacidade de transmissão, as dificuldades
derivadas das assimetrias institucionais e regulatórias, além dos problemas políticos e de
financiamento.

V. Projetos Propostos

Diante dos tópicos listados acima, é importante definir quais serão os principais projetos
que serão desenvolvidos na 3ª CCR no âmbito do setor de elétrico. Todos os tópicos serão
acompanhados e monitorados pela Equipe Técnica de Energia. Isso implica basicamente
em acompanhar e divulgar aos Membros do Ministério Publico tanto a atuação da Aneel
em relação a esses assuntos (consultas públicas, audiências públicas, reuniões do
Conselho Diretor, etc.) quanto à atuação de outras entidades do setor, como o Ministério
das Minas e Energia e o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). É nossa
expectativa que esse acompanhamento permanente, junto com a constante divulgação
aos Membros interessados, permitirá uma atuação mais eficiente e preventiva do MPF em
relação a questões do setor elétrico. Além disso, é importante ressaltar que esse
acompanhamento vai permitir identificar oportunidades de atuação do MPF mais
rapidamente. Para isso, é fundamental que aconteça um diálogo constante entre a 3ª CCR
e os Procuradores Naturais.

Além dessa ação contínua de acompanhamento, serão realizados alguns projetos


específicos, que se enquadram na Portaria PGR/MPF nº 734, de 28 de dezembro de 2011,
que dispõe sobre a gestão de projetos no âmbito do MPF. Segundo o art. 2º, inciso I, desta
Portaria, um projeto é um “empreendimento temporário, planejado, com começo e término
previamente definidos, realizado de maneira coordenada, que visa alcançar objetivos
específicos com característica singular”. Assim, com isso em mente se buscará desenvolver,
pelo menos, três projetos longo do ano de 2012.

V.1 Projeto “Mapeamento dos Atos Regulatórios – Setor de Energia Elétrica”

Este projeto, comum a todas as Equipes Técnicas, buscará organizar tematicamente todos
os atos regulatórios do setor. A inspiração para este projeto é o Code of Federal Regulation,
dos Estados Unidos, no qual são compilados, por assunto, os atos regulatórios das
diversas agências reguladoras federais. A 3ª CCR acredita que este é um exemplo a ser
seguido no Brasil e que deveria ser incentivado a ser realizado pelas própria agências.

Este projetos possuem três principais objetivos. O primeiro é gerar estímulos a que as
próprias agências reguladoras (no caso, a Aneel) façam a compilação oficial de seus
regulamentos, o que facilitará enormemente a compreensão dos legislação setorial por
todos os agentes e entidades do setor: governo, empresas e consumidores. O segundo é
contribuir para facilitar a identificação de ambiguidades e omissões regulatórias. Isso
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servirá para fortalecer e facilitar o papel fiscalizador do MPF.. Por último, o mapeamento
temático facilitará a análise e o estudo do setor, em termos técnicos e acadêmicos.

O objetivo é realizar este mapeamento ao longo do ano de 2012 oferecendo, como


produto, a compilação temática da regulação do setor de Energia Elétrica, a ser divulgada
aos membros interessados como fonte de consulta.

Após a conclusão deste projeto, ele passará a ser uma atividade contínua de manter a
compilação temática atualizada, até a própria compilação oficial da Aneel.

V.2 Projeto “Worshop sobre metodologia do 3ª Ciclo de Revisões Tarifárias”

Pretende-se realizar um workshop nos dia 09 e 10 do mês de abril de 2012, com a


presença de membros interessados e analistas da 3ª CCR e da Equipe Técnica de Energia
(Etec2), visando esclarecer pontos obscuros e duvidosos encontrados na metodologia de
revisão tarifária do 3º Ciclo. O objetivo é o de capacitar o corpo técnico do MPF e
procuradores com interesse na regulação do setor elétrico, buscando obter respostas
mais céleres às questões atinentes ao setor. Além disso, este workshop poderá promover
uma maior aproximação entre os peritos do MPF e especialistas em regulação da ANEEL,
facilitando contatos posteriores para esclarecimento de temas incidentes que venham a
surgir e exigir a atuação dos procuradores naturais.

VI. Conclusão

O acompanhamento e monitoramento dos tópicos será realizado pela Equipe Técnica de


Energia (Etec 2), que inclui tanto Analistas da 3ª Câmara quanto de outros órgãos do MPF.
É imprescindível ao monitoramento (atuação preventiva) a participação do Grupo de
Trabalho de Energia, não somente para estudo e avaliação dos aspectos estritamente
legais, mas para dar mais consistência às metas do apoio técnico.

O objetivo é conseguir realizar o monitoramento ativo das políticas públicas que estão
sendo desenvolvidas no setor elétrico. Com isso, em caso de averiguação de
irregularidade, será possível fornecer aos ofícios (procuradores da República) apoio e
material em relação ao assunto específico. Assim, a 3ª CCR/MPF busca contribuir
ativamente nos debates mais prioritários desse setor, tanto na fase da elaboração quanto
na fase de implementação das políticas públicas.

Equipe responsável:
Antonio Fonseca
Walmir C. Moreira Júnior
Christiane Nardelli
Roberto T. Alves
Mauro Melo

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(Texto sujeito à alteração)

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