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MANUAL MSD
Versão para Pro ssionais de Saúde
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Avaliação do paciente idoso


Por Richard W. Besdine , MD, Warren Alpert Medical School of Brown
University

A avaliação do idoso normalmente difere da avaliação médica padrão. Para os pacientes idosos, especialmente os
muito idosos ou frágeis, o levantamento do histórico e a avaliação física podem requerer duas sessões, uma vez que
os pacientes podem se fatigar.
Os idosos também apresentam diferentes problemas de saúde e, muitas vezes, necessitam de cuidados mais
complexos em virtude de múltiplos distúrbios que podem requerer o uso de muitos medicamentos (o que se chama,
às vezes, de polifarmácia), o que envolve a maior probabilidade de prescrição de um medicamento de alto risco (
Fármacos potencialmente inapropriados em idosos (com base nos critérios de Beers da American Geriatrics Society
atualizados em 2012)). Os diagnósticos podem ser complicados, tornando-se tardios, negligenciados ou equivocados, e
algumas vezes os medicamentos são usados de modo inapropriado.
A detecção precoce dos problemas resulta em intervenção precoce que pode prevenir a degeneração e melhorar a
qualidade de vida por meio de intervenções pequenas e relativamente de baixo custo (p. ex., mudança no estilo de
vida). Assim, para alguns pacientes idosos, particularmente os frágeis ou os pacientes crônicos, é melhor usar a
avaliação geriátrica multidimensional que inclui a determinação da função e da qualidade de vida, geralmente
efetuada por uma equipe interdisciplinar.

Distúrbios múltiplos
Os pacientes idosos apresentam, em média, seis distúrbios diagnosticáveis, e o médico de cuidados primários
geralmente desconhece alguns deles. Um distúrbio em determinado sistema pode enfraquecer outros sistemas,
agravando a deterioração de ambos e induzindo incapacidade e dependência que podem causar a morte do indivíduo,
sem não for efetuada a intervenção apropriada. Os múltiplos distúrbios di cultam o diagnóstico e o tratamento, e os
efeitos das doenças podem ser agravados por desvantagem social (p. ex., isolamento), pobreza (quando os pacientes
sobrevivem mais que suas reservas de recursos ou os parceiros de suporte), assim como por problemas funcionais e
nanceiros.
Os médicos também devem prestar atenção a certos sintomas geriátricos comuns (p. ex., delirium, tontura, síncope,
quedas, problemas de mobilidade, perda de apetite ou peso e incontinência urinária), visto que podem resultar de
distúrbios de múltiplos sistemas de órgãos.
É necessária a adequada integração nos casos de pacientes submetidos a tratamentos de múltiplos distúrbios (p. ex.,
repouso absoluto, cirurgia, medicamentos); o tratamento de uma determinada doença não deve ocorrer
negligenciando-se outra, uma vez que isso poder acelerar o declínio. Além disso, é necessário o monitoramento do
cuidado para evitar consequências iatrogênicas. Por exemplo, com o repouso absoluto, o paciente idoso pode perder
1 a 3% de massa e força muscular diariamente (causando sarcopenia) e os efeitos isolados do repouso absoluto
podem resultar em morte.

Diagnóstico tardio ou equivocado


Doenças que são comuns em indivíduos idosos são geralmente analisadas de modo inadequado ou o diagnóstico
ocorre tardiamente. Os médicos devem usar o histórico, avaliação física e exames laboratoriais simples para a triagem
de pacientes idosos com doenças que ocorrem apenas, ou geralmente, em idosos ( Distúrbios comuns em idosos);
quando precocemente diagnosticadas, essas doenças podem ser tratadas com mais facilidade. O diagnóstico precoce
normalmente depende da familiaridade dos médicos com o comportamento e histórico do paciente, inclusive do
estado mental. Normalmente, os primeiros sinais de distúrbios físicos são comportamentais, mentais ou emocionais.
Caso o médico ignore essas possibilidades e atribua esses sinais à demência, o diagnóstico e o tratamento podem ser
tardios.
Cookies
Distúrbios comuns em idosos
Frequência Doenças
Hipotermia
acidental
Hidrocefalia de
pressão normal
Quase exclusivo no Incontinência
idoso urinária
Insu ciência
cardíaca diastólica
Doença de
Alzheimer
Fibrilação atrial
Carcinoma
basocelular
Leucemia linfocítica
crônica
Artrose
degenerativa
Demência
Coma hiperosmolar
diabético não
cetótico
Quedas
Mais comum em idosos
Herpes-zóster
que entre os outros
Fratura de quadril
grupos etários
Gamopatia
monoclonal
Osteoporose
Parkinsonismo
Polimialgia
reumática
Úlceras de pressão
Câncer de próstata
AVE
Arterite temporal
(arterite de células
gigantes)
Depressão
Diabetes melito
Distúrbios dos pés
que interferem na
mobilidade
Hemorragia GI
Anormalidades
auditivas e visuais
Comum em idosos e Insu ciência
tratável cardíaca
Hipotireoidismo
Anemia por
de ciência de ferro
Distúrbios orais que
interferem na
alimentação
De ciência de
vitamina B12

Polifarmácia
Cookies
A prescrição e os medicamentos de venda livre devem ser frequentemente revisados, em especial para interações e
uso de medicamentos considerados inapropriados para o idoso ( Categorias de medicamentos de risco). É mais
e ciente utilizar sistemas eletrônicos para o gerenciamento das prescrições, quando muitos medicamentos são
usados com frequência.

Problemas relacionados ao cuidador


Ocasionalmente, os problemas dos pacientes idosos estão relacionados à negligência ou ao abuso do cuidador ( Abuso
ao idoso). Os médicos devem considerar a possibilidade de abuso do paciente, bem como o abuso do uso de
medicamentos pelo cuidador, se houver circunstâncias e achados sugerindo isso. Certos padrões de lesão ou
comportamento do paciente são particularmente sugestivos, como
Hematomas frequentes, especialmente em áreas menos visíveis (p. ex., meio da coluna)

Hematomas por força de preensão no braço

Hematomas nas genitálias

Queimaduras peculiares

Medo inexplicável do cuidador no paciente

História
Muitas vezes, é necessário mais tempo para a entrevista e avaliação dos pacientes idosos, em parte porque podem ter
características que interferem na avaliação. Deve-se ainda considerar:
Dé cits sensoriais: Dentaduras, óculos de grau ou aparelhos auditivos devem ser usados, se for o caso, para
facilitar a comunicação durante a entrevista. Iluminação adequada e eliminação da distração visual ou auditiva
também ajudam.

Relato incompleto de sintomas: Os pacientes idosos podem não relatar alguns sintomas por considerarem
que fazem parte do envelhecimento normal (p. ex., dispneia, dé cits auditivos e visuais, problemas de memória,
incontinência, distúrbios de marcha, constipação intestinal, tontura, quedas). No entanto, nenhum sintoma deve
ser atribuído ao envelhecimento normal, a menos que uma avaliação completa seja realizada e outras causas
possíveis sejam eliminadas.

Manifestações incomuns de determinado distúrbio: No idoso, as manifestações típicas de determinada


doença podem estar ausentes ( Apresentações incomuns de doenças em idosos). Em vez disso, o idoso pode
apresentar sintomas inespecí cos (p. ex., fadiga, confusão, perda de peso).

Declínio funcional como única manifestação: Os distúrbios podem se manifestar unicamente como declínio
funcional. Em tais casos, as perguntas padrão podem não ser adequadas. Por exemplo, ao indagar sobre
sintomas articulares, os pacientes com artrite grave podem não referir dor, edema ou rigidez, mas se forem
questionados sobre mudanças nas atividades diárias podem, por exemplo, informar que não fazem caminhadas
longas ou não são voluntários no hospital. Perguntas sobre a duração do declínio funcional (p. ex., “Há quanto
tempo não consegue fazer suas compras?”) podem extrair informações úteis. A identi cação das pessoas em
início de di culdade em realizar as ABVDou AIVD pode oferecer mais oportunidades às intervenções no sentido
de restaurar a função ou prevenir declínios futuros e dessa forma manter a independência.

Di culdades em recordar: Os pacientes podem não se lembrar com precisão de doenças passadas,
internações, cirurgias e uso de medicamentos; os médicos podem ter que obter esses dados de outras fontes
(p. ex., por meio dos membros da família, enfermeira domiciliar ou prontuários).

Medo: O idoso pode relutar em informar determinados sintomas pelo receio de ser hospitalizado, pois associa
esse fato à morte.

Distúrbios e problemas associados à idade: A depressão (comum em idosos vulneráveis ou em risco), perdas
cumulativas associadas à idade avançada e o desconforto decorrente de uma enfermidade podem tornar o
paciente idoso menos apto a dar informações relacionadas à saúde aos médicos. Os indivíduos com
degeneração da função cognitiva podem ter problemas em descrever as di culdades, impedindo a avaliação
médica.
Cookies
Entrevista
O conhecimento do médico sobre as preocupações cotidianas, circunstâncias sociais, função mental, estado emocional
e sensação de bem-estar do paciente idoso ajudam a orientar e conduzir a entrevista. É preciso solicitar ao paciente
idoso que descreva um dia típico para se obter informações sobre a qualidade de vida, assim como sobre as funções
mentais e físicas. Essa abordagem é especialmente importante na primeira consulta. Deve-se dar um tempo para o
paciente falar sobre coisas de importância pessoal. Os médicos também devem perguntar se os pacientes têm
preocupações especí cas, como medo de cair. O resultado desses dados pode auxiliar o médico a se comunicar
melhor com os pacientes e com os membros da família.
A avaliação do estado mental pode ser necessária antes da entrevista para determinar a con abilidade do paciente;
esse exame deve ser discretamente conduzido para que o indivíduo não se sinta envergonhado, ofendido ou se torne
defensivo. A triagem de rotina a procura de distúrbios físicos e psicológicos ( Recomendações para triagem
selecionada em pacientes idosos) deve ser feita anualmente, começando aos 70 anos.
Geralmente, algumas dicas verbais e não verbais (p. ex., a forma como a história é contada, o ritmo da conversa, o tom
de voz usado na entrevista e o contato ocular com o entrevistador) podem der informações, como a seguir:
Depressão: O paciente idoso pode omitir ou negar sintomas de ansiedade ou depressão, mas traí-los pela voz
baixa, entusiasmo moderado ou mesmo lágrimas.

Saúde mental e física: O que o paciente diz sobre o sono e o apetite pode ser revelador.

Ganho ou perda de peso: O médico deve perceber qualquer alteração no ajuste de roupas ou dentaduras.

A menos que o estado mental esteja prejudicado, o paciente deve ser entrevistado sozinho para ser encorajado a
discutir assuntos pessoais. Os médicos também podem precisar conversar com um parente ou cuidador, o qual
muitas vezes apresenta diferentes perspectivas sobre a função, estado mental e emocional. Essas entrevistas podem
ser feitas com ou sem o paciente presente.
O médico deve solicitar permissão ao paciente antes de um parente ou o cuidador estarem presentes e explicar que
tais entrevistas são rotineiras. Se o cuidador for entrevistado sozinho, o idoso deve ser mantido ocupado de forma útil
(p. ex., preenchendo um questionário de avaliação padrão ou ser entrevistado por outros membros da equipe
interdisciplinar).
Se indicado, o médico deve considerar a possibilidade de abuso de medicamentos, assim como de abuso do paciente
pelo cuidador.

Histórico clínico
O médico deve perguntar sobre as enfermidades mais comuns (p. ex., febre reumática ou poliomielite) e sobre
tratamentos antigos (p. ex., terapia de pneumotórax para tuberculose ou com mercúrio para sí lis) ao interpelar o
idoso sobre o histórico dos medicamentos usados. Um histórico de imunizações (p. ex., tétano, in uenza ou
pneumococo), reações adversas às imunizações e resultados de teste cutâneo para tuberculose é necessário. Caso o
indivíduo recorde alguma cirurgia, mas não se lembre do procedimento ou objetivo, os registros cirúrgicos devem ser
obtidos, se possível.
O médico deve fazer perguntas destinadas a examinar sistematicamente cada área ou sistema do corpo (revisão dos
sistemas), checando assim outros distúrbios e problemas comuns que o paciente tenha esquecido de mencionar (
Dicas para distúrbios em pacientes idosos).

Cookies
Cookies
Dicas para distúrbios em pacientes idosos
Região ou sistema Sintoma Possíveis causas
Reação alérgica, câncer, pele seca, hipertireoidismo, icterícia, piolhos,
Pele Prurido
sarnas, uremia
Ansiedade, artrose cervical, depressão, arterite de células gigantes,
Cabeça Cefaleias
hematoma subdural, tumores
Brilho das luzes à
Olhos Catarata, glaucoma
noite
Perda da visão
Degeneração macular
central
Perda da visão de
Redução da acomodação do cristalino
perto (presbiopia)
Degeneração
Glaucoma, descolamento de retina, AVC
macular
Dor Arterite de células gigantes, glaucoma
Neuroma acústico, cerume, corpo estranho no canal externo,
ototoxicidade devido ao uso de medicamentos (p. ex., aminoglicosídeos,
Orelhas Perda auditiva
aspirina, furosemida), doença de Paget, presbiacusia, trauma devido a
ruídos excessivos, tumor do ângulo cerebelopontino, infecção viral
Perda de
Presbiacusia (geralmente causada por mudanças na cóclea relacionadas à
amplitude de alta
idade)
frequência
Boca Ardência bucal Anemia perniciosa, estomatite
Dor devido a
Dentaduras com encaixe inadequado, câncer oral
dentadura
Doenças autoimunes (p. ex., artrite reumatoide, síndrome de Sjögren,
lúpus eritematoso sistêmico), desidratação, medicamentos (p. ex.,
Boca seca antidepressivos, incluindo antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos,
(xerostomia) anti-hipertensivos, diuréticos e medicamentos psicoativos), lesão da
glândula salivar por infecção ou radioterapia para tumores de cabeça e
pescoço
Movimento
Câncer oral, AVC
limitado da língua
Insu ciência adrenal, medicamentos (p. ex., anti-histamínicos,
Perda de paladar antidepressivos), infecção de boca ou nariz, tumor nasofaríngeo, terapia
de radiação, tabagismo, xerostomia
Ansiedade, câncer, estenose de esôfago, corpo estranho, anel de Schatzki,
Garganta Disfagia
AVC, divertículo de Zenker
Hipotireoidismo, disfunção recorrente do nervo laríngeo, tumor das
Mudanças na voz
cordas vocais
Artrite cervical, dissecção da artéria vertebral ou carótida, polimialgia
Pescoço Dor
reumática
Dispneia no
Peito Câncer, DPOC, declínio funcional, IC, infecção
esforço
Dispneia
paroxística Re uxo gastroesofágico, IC
noturna
Angina pectoris, ansiedade, dissecção aórtica, costocondrite, distúrbios de
motilidade esofágica, re uxo gastroesofágico, herpes-zóster, infarto do
Dor
miocárdio, miocardite, pericardite, derrame pleural, pleurite, pneumonia,
pneumotórax
Câncer colorretal, desidratação, medicamentos (p. ex., antiácidos
contendo alumínio, medicamentos anticolinérgicos, suplementos de ferro,
Constipação sem
GI opioides, antidepressivos tricíclicos), hipercalcemia (p. ex., decorrente de
outros sintomas
hiperparatireoidismo), hipopotassemia, hipotireoidismo, exercício
inadequado, abuso de laxantes, dieta pobre em bras
Cookies
Região ou sistema Sintoma Possíveis causas
Constipação com
dor, vômito e
Impactação fecal, obstrução intestinal
diarreia
intermitente
Incontinência Disfunção cerebral, impactação fecal, câncer retal, lesões da coluna
fecal vertebral
Dor abdominal
inferior (início de Diverticulite, gastroenterite, colite isquêmica, obstrução
cólica súbita)
Dor abdominal
pós-prandial (2 a
3 h após a
Isquemia intestinal crônica
refeição, com
duração de 1 a 3
h)
Sangramento Angiodisplasia de cólon, câncer de cólon, diverticulose, hemorroidas, colite
retal isquêmica
Frequência,
gotejamento, Hiperplasia benigna de próstata, constipação, medicamentos (p. ex., anti-
Geniturinário
hesitação, jato histamínicos, opioides), câncer de próstata, retenção urinária, ITU
fraco
Disúria com ou
Prostatite, ITU
sem febre
Poliuria Diabetes insípido (diminuição da ação do ADH), diabetes melito, diuréticos
Cistite, declínio funcional, hidrocefalia de pressão normal, disfunção da
Incontinência
coluna vertebral, retenção urinária ou uxo excessivo, ITU
Aneurisma da aorta abdominal, fraturas de compressão, infecções, câncer
Musculoesquelético Dor lombar metastático, mieloma múltiplo, osteoartrite, doença de Paget, pielonefrite,
estenose espinhal
Dor muscular
Miopatias, polimialgia reumática, uso de estatinas
proximal
Claudicação intermitente, cãibras noturnas, osteoartrite, radiculopatia (p.
Extremidades Dor nas pernas
ex., hérnia de disco, estenose lombar), síndrome das pernas inquietas
Tornozelos IC (se o edema for bilateral), hipoalbuminemia, insu ciência renal,
inchados insu ciência venosa
Alteração no
Neurológico estado mental Delírio, encefalite, meningite, sepse
com febre
Alteração do
Enfermidade aguda, disfunção cognitiva, impactação fecal, delirium,
estado mental
depressão, drogas, paranoia, retenção urinária
sem febre
Inabilidade em
tarefas que
exigem
Artrite, parkinsonismo, mielopatia cervical espondilótica, tremor
coordenação
intencional
motora na (p.
ex., abotoar a
camisa)
Transpiração
excessiva durante Neuropatia autonômica
as refeições
Queda sem perda Bradicardia, ataque por queda, neuropatia, hipotensão ortostática,
de consciência instabilidade postural, taquicardia, AIT, de ciência visual
Marcha hesitante
com tremor Doença de Parkinson
intencional
Dormência com
Síndrome do túnel do carpo, neuropatia periférica, mielopatia cervical
formigamento
espondilótica
nos dedos
Cookies
Região ou sistema Sintoma Possíveis causas
Ansiedade, distúrbios do ritmo circadiano, depressão, medicamentos, dor,
Distúrbios do
parkinsonismo, distúrbio de movimento periódico dos membros, apneia
sono
do sono, frequência urinária
Estenose aórtica, arritmia cardíaca, hipoglicemia, hipotensão ortostática
Síncope
(especialmente relacionada a drogas), convulsão
Interferência
transitória na
fala, na força
Crise isquêmica transitória
muscular, na
sensibilidade ou
na visão
Abuso de álcool, distúrbio do SNC (p. ex., distúrbios cerebelares, pós-AVC),
Tremor
tremor essencial, hipertireoidismo parkinsonismo

Histórico de medicamentos
O histórico de medicamentos deve ser registrado e uma cópia deve ser fornecida ao paciente e outra ao cuidador. Ele
deve conter
Medicamentos usados

Dose

Horário de dosagem

Prescritor

Motivo para a prescrição do medicamento

Natureza precisa de quaisquer alergias a medicamentos

Todos os medicamentos utilizados devem ser registradas, incluindo


Fármacos de uso tópico (que podem ser absorvidos por via sistêmica)

Medicamentos de venda livre (que podem ter consequências graves se usados em excesso e podem interagir
com os medicamentos prescritos)

Suplementos alimentares

Fitoterápicos (porque muitos podem interagir negativamente com fármacos prescritos e de venda livre)

Deve-se solicitar ao paciente ou aos seus familiares para trazer todos os medicamentos e suplementos na primeira
consulta e, periodicamente, nas demais. Os médicos devem certi car-se de que são medicamentos prescritos, mas a
compra desses medicamentos não garante a adesão ao tratamento. A contagem do número de comprimidos em cada
embalagem na primeira consulta e nas subsequentes pode ser necessária. E se outra pessoa, além do paciente,
administrar o medicamento, essa pessoa também deverá ser entrevistada.
Os pacientes devem demonstrar habilidade na leitura dos rótulos (cuja impressão geralmente é minúscula), na
abertura de recipientes (especialmente aqueles com proteção para crianças não abrirem) e no reconhecimento dos
medicamentos. Além disso, devem ser aconselhados a não colocar os medicamentos em outras embalagens.

Histórico de álcool, tabaco e uso de drogas recreacionais


Os pacientes que fumam devem ser aconselhados a parar de fumar, e, se continuarem, então que o façam na cama,
visto que os idosos são mais propensos à sonolência ao fazerem isso.
Também devem ser veri cados os sinais de enfermidades ocasionadas pelo uso do álcool, que são pouco
diagnosticadas no idoso. Tais sinais incluem confusão, raiva, hostilidade, odor etílico na respiração, diminuição do
equilíbrio e da marcha, tremores, neuropatia periférica e de ciência nutricional. Questionários de triagem (p. ex.,
AUDIT — Recomendações para triagem selecionada em pacientes idosos e Níveis de triagem para problemas com
álcool) e perguntas sobre a quantidade e frequência do consumo de álcool podem ajudar. As quatro perguntas CAGE
são rápidas e simples; o médico pergunta se o paciente já sentiu
Necessidade de parar de beber

Pertubado por críticas sobre beber


Cookies
Sentir-se culpado por beber
Necessidade de uma dose matinal para "acordar"

Duas ou mais respostas positivas às perguntas CAGE sugerem a possibilidade de uso abusivo de álcool. Perguntas
sobre o uso e abuso de outras drogas ou substâncias ilícitas são também apropriadas.

Histórico nutricional
O tipo, a quantidade e a frequência das refeições são determinados. O paciente que se alimenta ≤ 2 vezes ao dia corre
o risco de desnutrição. Os médicos devem fazer perguntas sobre:
Alguma dieta especial (p. ex., restrição do consumo de sal ou de carboidratos) ou dietas da moda

Ingestão de bra alimentar, medicamentos de venda livre ou vitaminas

Perda de peso e mudança de ajustes das roupas

Qual é o seu gasto com alimentação

Acessibilidade a lojas de venda de alimentos e instalações adequadas de cozinha

Variedade e qualidade dos alimentos

A habilidade para se alimentar (p. ex., mastigar e engolir) será avaliada. Isto pode ser prejudicado por xerostomia e/ou
problemas dentais, que são comum em idosos. A redução de paladar ou olfato pode reduzir a vontade de se
alimentar, e portanto o paciente pode se alimentar menos. Os pacientes sem acuidade visual, com artrite, imobilidade
ou tremores podem ter di culdades para preparar as refeições, e podem se ferir ou se queimar enquanto cozinham.
Os pacientes que estão preocupados com a incontinência urinária podem reduzir a ingestão de líquidos;
consequentemente, podem reduzir a ingestão de alimentos.

Histórico de saúde mental


Os problemas de saúde mental não são detectados facilmente em pacientes idosos. Os sintomas que podem indicar
um transtorno de saúde mental em pacientes mais jovens (p. ex., insônia, mudanças nos padrões do sono,
constipação intestinal, disfunção cognitiva, anorexia, perda de peso, fadiga, preocupação com funções corporais e
maior consumo de álcool) podem ter outras causas no idoso. Tristeza, desespero e episódios de choro podem indicar
depressão. A irritabilidade pode ser o sintoma afetivo primário de depressão ou os pacientes podem apresentar
disfunção cognitiva. A ansiedade generalizada é o distúrbio mais comum encontrado no paciente idoso e
frequentemente é acompanhada de depressão.
Os pacientes podem ser questionados sobre delírios e alucinações, cuidados de saúde mental anteriores (incluindo
psicoterapia, institucionalização e terapia eletroconvulsiva), uso de medicamentos psicoativos e mudanças recentes de
circunstâncias. Muitas circunstâncias (p. ex., perda recente de um ente querido, perda de audição ou situação de vida
e perda de independência) podem contribuir para a depressão.
As preferências espirituais e religiosas do paciente, incluindo interpretação pessoal do envelhecimento, declínio da
saúde e a morte devem ser esclarecidos.

Capacidade funcional
A determinação da magnitude em que o paciente pode viver de modo independente, se necessita de algum auxílio nas
AVD básicas ou AIVD, ou de assistência total faz parte da avaliação geriátrica abrangente. Os indivíduos podem ser
interpelados por meio de perguntas abertas sobre a capacidade de realizar as AVD ou ser solicitados a preencher um
instrumento padronizado com perguntas especí cas sobre AVD e AIVD (p. ex., tabelas escala de AVD de Katz e escala
de AIVD de Lawton).

Cookies
Escala de Katz das atividades da vida diária
Atividade Item Escore
Come sem assistência 2
Necessita de assistência apenas para cortar a carne ou passar manteiga no
Comer 1
pão
Necessita de assistência para se alimentar ou recebe alimentação intravenosa 0
Pega as roupas e se veste sem assistência 2
Precisa de assistência apenas para amarrar os sapatos 1
Vestir
Necessita de assistência para pegar as roupas ou vestir ou permanece
0
parcialmente ou completamente despido
Toma banho sem assistência 2
Tomar banho (banho de Necessita de assistência apenas para lavar uma parte do corpo (p. ex., as
1
esponja, banho de costas)
banheira, chuveiro) Necessita de assistência para lavar mais de uma parte do corpo ou não
0
consegue tomar banho
Se movimenta para a cama e cadeira e para fora delas sem assistência (pode
2
utilizar bengala ou andador)
*Transferência Necessita de assistência para se movimentar para dentro e para fora da cama
1
ou cadeira
Não levanta da cama 0
Vai ao banheiro, utiliza o vaso sanitário, se limpa, arruma as roupas e volta
sem assistência (pode utilizar bengala ou andador para suporte e pode utilizar 2
comadre ou urinol à noite)
Ir ao banheiro
Necessita de assistência para ir ao banheiro, usar o vaso sanitário, limpar-se,
1
arrumar as roupas ou retornar
Não vai ao banheiro para aliviar a bexiga ou intestino 0
Controle completo da bexiga e intestino (sem acidentes ocasionais) 2
Ocasionalmente perde controle da bexiga e intestino 1
Continência
Necessita de supervisão para controlar a bexiga e o intestino, requer uso de
0
sonda ou tem incontinência
*Transferência é a única medida de mobilidade na escala AVD de Katz.
Modi cado de Katz S, Downs TD, Cash HR et al.: Progress in the development of index ADL. Gerontologist 10:20-
30, 1970. Copia The Gerontological Society of America.

Cookies
Escala de atividades da vida diária de Lawton
Atividade Descrição Escore*
Utilizar o telefone Usa o telefone, incluindo procurar e discar os números 1
Disca alguns números familiares 1
Atende o telefone, mas não disca 1
Não utiliza o telefone 0
Compras Faz todas as compras sem ajuda 1
Compra pequenos itens sem ajuda 0
Sempre precisa ser acompanhado ao fazer compras 0
Não consegue fazer compras 0
Preparar refeições Planeja, prepara e serve refeições adequadas, sem ajuda 1
Se receber os ingredientes, prepara refeições adequadas 0
Aquece e serve as refeições preparadas ou prepara as refeições, mas aquelas
0
nutricionalmente inadequadas
Precisa de alguém para preparar e servir as refeições 0
Faz as tarefas domésticas sem a ajuda ou ocasionalmente com a ajuda para
Fazer tarefas domésticas 1
tarefas sicamente exigentes (p. ex., lavar janelas)
Faz tarefas domésticas leves (p. ex., lavar louça, tirar pó) 1
Faz trabalhos domésticos leves, mas não mantém a casa adequadamente
1
limpa
Precisa de ajuda em todas as tarefas domésticas 1
Não faz nenhuma tarefa doméstica 0
Lavar roupa Lava roupas sem ajuda 1
Lava pequenos itens (p. ex., meias) 1
Precisa de alguém para lavar todas as roupas 0
Locomoção além de
Usa transporte público, sem ajuda ou dirige um carro 1
caminhar
Chama táxis, mas não usa outros transportes públicos 1
Usa o transporte público se acompanhado de alguém para ajudar 1
Só se locomove de táxi ou carro e apenas se ajudado por alguém 0
Não se locomove 0
Tomo medicamentos Toma doses corretas dos medicamentos prescritos no momento correto sem
1
conforme orientação ajuda
Toma medicamentos prescritos se são preparados com antecedência em
0
doses separadas
Não consegue tomar os medicamentos prescritos 0
Administra as nanças (p. exe., faz um orçamento, escreve cheques, paga
Gerenciando o dinheiro 1
aluguel, mantém o controle de renda) sem ajuda
Compra pequenos itens necessários diariamente, mas precisa de ajuda em
1
transações bancárias e grandes compras
Não consegue administrar o dinheiro 0
*As pessoas são solicitadas a escolher a descrição que mais se aproxima dos seus níveis funcionais mais altos. As
tarefas são classi cadas como 1 (se conseguirem fazer uma tarefa) ou 0 (se não conseguirem).
Os escores totais variam de 0 (incapaz de fazer todas as tarefas e ser dependente de ajuda) a 8 (capaz de fazer
todas as tarefas e funcionar de forma independente).
Adaptado de Lawton MP, Brody EM: Assessment of older people: Self-maintaining and instrumental activities of
daily living. The Gerontologist 9:179—186, 1969.

História social
Os médicos devem obter informações sobre as condições de vida dos pacientes, especialmente onde e com quem eles
vivem (p. ex., sozinho em uma casa isolada ou em um prédio de apartamentos movimentado), acessibilidade da
residência (p. ex., escadas para chegar ao local ou se a casa está localizada em umCookies
morro) e meios de transporte
disponíveis. Tais fatores afetam a habilidade do idoso para a compra de alimentos, assistência médica e outros
importantes recursos. Uma visita domiciliar, embora seja difícil de organizar, pode dar importantes informações. Por
exemplo, os médicos podem obter informações sobre os alimentos contidos na geladeira e sobre as múltiplas AVD nas
condições do banheiro.
São determinados o número de quartos, número e tipos de telefones, presença de fumantes e de detectores de
monóxido de carbono, assim como as condições dos encanamentos e sistema de aquecimento, disponibilidade de
elevadores, escadas e ar condicionado. A avaliação da segurança da residência pode permitir a identi cação de
características desta que podem provocar quedas (p. ex., iluminação fraca, banheira escorregadia, tapetes
derrapantes) e soluções podem ser sugeridas.
A descrição do cotidiano do paciente, incluindo atividades como leitura, assistir televisão, trabalhar, exercitar-se,
passatempos e interações com outras pessoas dão informações valiosas.
Os médicos devem fazer perguntas sobre:
Frequência e natureza dos contatos sociais (p. ex., amigos, grupos de idosos), visitas familiares e participação
religiosa ou espiritual

Condução e disponibilidade de outras formas de transporte

Os cuidadores e sistemas de apoio (p. ex., igreja, grupos de idosos, amigos, vizinhos) que estão disponíveis ao
paciente

A capacidade dos membros da família em auxiliar o paciente (p. ex., situação de trabalho, saúde, tempo de
viagem até a casa do paciente)

A postura do paciente com relação aos membros da família e as atitudes destes em relação ao paciente
(incluindo nível de interesse e vontade de ajudar)

O estado conjugal também deve ser considerado. As questões sobre práticas sexuais e satisfação sexual devem ser
sensíveis e discretas, mas minuciosas. Avaliam-se a frequência das relações sexuais, número de parceiros e o risco de
contrair DSTs. Muitos idosos sexualmente ativos não estão cientes da crescente incidência de doenças sexualmente
transmissíveis em idosos e não seguem nem mesmo conhecem práticas sexuais seguras.
Os pacientes devem ser questionados sobre nível educacional, ocupações exercidas, exposição conhecida à
radioatividade ou amianto e passatempos atuais e passados. As di culdades econômicas devido à aposentadoria,
renda xa ou morte do parceiro ou cônjuge também são discutidas. Os problemas de saúde ou nanceiros podem
resultar em perda da casa, condição social ou da independência. Os pacientes deveriam ser questionados sobre as
relações passadas com médicos; uma relação de longa data com determinado médico pode ser perdida por
aposentadoria ou morte do médico, ou mudança de endereço do paciente.

Diretivas avançadas
O desejo do paciente com relação a medidas para o prolongamento da vida deve ser documentado. Os pacientes são
interrogados sobre a disposição para a tomada de decisão (diretrizes avançadas) no caso de se tornarem
incapacitados, e, se nada foi feito, são encorajados a fazer. É importante fazer com os pacientes e seus representantes
se acostumem a discutir os objetivos dos cuidados; então quando as circunstâncias exigem decisões médicas e
documentação prévia não está disponível ou não é relevante para a circunstância (o que é muito comum), decisões
apropriadas podem ser tomadas.

Pontos-chave
A menos que sejam corrigidos, os dé cits sensoriais, principalmente os auditivos, podem interferir no
levantamento do histórico.

Muitos distúrbios no indivíduo idoso se manifestam apenas como um declínio funcional.

Como parte do histórico medicamentoso, o paciente ou um membro da família, devem trazer na primeira
consulta e em todas as subsequentes, todos os seus medicamentos, inclusive os de venda livre.

Os pro ssionais da área de saúde devem entrevistar com frequência os cuidadores para obter o histórico da
dependência funcional do paciente idoso.

Exame físico
A observação do paciente e dos movimentos (p. ex., andar dentro do consultório, sentar ou levantar da cadeira, subir e
descer da maca, tirar e colocar meias ou calçados) podem dar informações importantes sobre suas funções. A higiene
pessoal (p. ex., estado do vestuário, limpeza e odor) pode dar informações sobre o estado mental e a capacidade de
cuidar de si mesmo. Cookies
A avaliação física pode ser interrompida e continuar em outra ocasião, caso o paciente que fatigado. É ainda possível
que o paciente idoso necessite de um tempo adicional para despir-se e dirigir-se à maca, e não deve ser apressado. A
maca deve ser ajustada a uma altura em que o paciente possa subir e descer facilmente; uma banqueta facilitará a
subida. Os pacientes frágeis não devem ser deixados sozinhos na maca. Algumas partes da avaliação podem ser mais
confortáveis, se o paciente car sentado em uma cadeira.
Os médicos devem descrever a aparência geral do paciente (p. ex., confortabilidade, inquietação, desnutrição,
distração, palidez, dispneia, cianose). Caso o paciente seja avaliado à beira do leito, o uso de estofamento de proteção
ou protetores de colchão, alguns trilhos de cabeceira (parcial ou em todo o leito), restrições, cateter urinário ou fralda
para adultos devem ser considerados.

Sinais vitais
O peso deve ser registrado em cada visita. Durante as mensurações, o paciente com problemas de equilíbrio pode
necessitar de barras aderentes de apoio colocadas próximas ou na balança. A estatura é registrada anualmente para a
análise da perda de estatura em decorrência de osteoporose.
A temperatura é registrada. A hipotermia pode não ser percebida se o termômetro não conseguir medir temperaturas
mais baixas que o normal. A ausência de febre não exclui infecção.
A FC e a PA devem ser checadas em ambos os braços. A FC é aferida por 30 s e qualquer irregularidade deve ser
anotada. A PA deve ser aferida várias vezes depois que o paciente descansou > 5 min, pois muitos fatores a alteram.
A FC pode ser superestimada em pacientes idosos devido ao efeito comum de enrijecimento das artérias com o
processo de envelhecimento. Essa condição rara, denominada pseudo-hipertensão, deve ser suspeitada se ocorrerem
tonturas depois de iniciada a administração de medicação anti-hipertensiva ou de as doses serem aumentadas para o
tratamento de pressão sistólica persistentemente elevada.
Todos os pacientes idosos devem ser examinados quanto a hipotensão ortostática por ser este um fenômeno comum.
A FC é medida com o paciente deitado, e em seguida é preciso que ele que em pé por 3 a 5 min. A hipotensão
ortostática será diagnosticada caso a PA sistólica caia ≥ 20 mmHg ou quaisquer sintomas de hipotensão sejam
detectados. Deve-se ter cuidado ao avaliar pacientes hipovolêmicos.
A frequência respiratória considerada normal em pacientes idosos pode ser de 25 respirações/minuto. A frequência
respiratória > 25 respirações/minuto pode representar o primeiro sinal de infecção das vias respiratórias inferiores ou
outro distúrbio.

Pele
A observação inicial inclui cor (rubor normal, palidez, cianose). A avaliação deve incluir a busca por lesões pré-malignas
e malignas, isquemia tecidual e úlceras de pressão. Em idosos, deve-se ainda considerar:
Equimose pode ocorrer rapidamente quando a pele é traumatizada, em geral no antebraço, visto que a derme
diminui de espessura com o envelhecimento.

O bronzeamento desigual pode ser normal devido à perda progressiva de melanócitos no decorrer do
envelhecimento.

Os sulcos longitudinais nas unhas e a ausência de lúnula em forma crescente são descobertas normais
relacionadas ao envelhecimento.

As fraturas da unha podem ocorrer, pois com o envelhecimento diminui a espessura da unha.

Manchas hemorrágicas ungueais escuras no dedo médio ou no terço distal são mais comuns em decorrência de
trauma do que por bacteremia.

As unhas dos pododáctilos que se tornam espessas e amarelas indicam apenas onicomicose, um fungo que
causa a infecção.

As bordas das unhas do pododáctilo que se curvam para dentro e para baixo são indicativos de unha encravada
(onicocriptose).

As unhas esbranquiçadas que se descamam facilmente, às vezes com uma superfície corroída, indicam psoríase.

Os hematomas inexplicáveis podem indicar abuso.

Cabeça e pescoço
Face
Os achados normais relacionados à idade incluem:
Queda do supercílio abaixo da margem órbita superior Cookies
Queda do queixo

Perda do ângulo entre a linha submandibular e o pescoço

Rugas

Pele ressecada

Espessamento de pelos terminais na orelha, nariz, lábio superior e queixo

As artérias temporais devem palpadas para análise de sensibilidade e espessamento, que podem indicar arterite de
células gigantes, suspeita esta que requer avaliação e tratamento imediatos.

Nariz
A queda progressiva da ponta do nariz é um evento comum relacionado ao avanço da idade. Isto pode causar a
separação das cartilagens superior e inferior lateral, aumento e alargamento do nariz.

Olhos
Os achados comuns relacionados à idade incluem:
Perda de gordura orbital: isto pode causar afundamento progressivo dos olhos e recuo do globo ocular para
dentro da órbita (enoftalmo). O enoftalmo não é necessariamente um sinal de desidratação no idoso. O
enoftalmo é acompanhado pelo aprofundamento da pálpebra superior e inferior e leve obstrução da visão
periférica.

Pseudoptose (diminuição do tamanho de abertura da pálpebra)

Entrópio (inversão da margem inferior da pálpebra)

Ectrópio (eversão da margem inferior da pálpebra)

Arco senil (arco acinzentado que aparece ao redor da córnea)

A presbiopia se desenvolve com o envelhecimento; o cristalino torna-se menos elástico e menos apto a mudar de
forma ao focalizar objetos próximos.
A avaliação dos olhos deve ser focalizada no teste de acuidade visual (p. ex., teste oftalmológico de Snellen). O campo
visual do paciente pode ser testado ao lado do leito por confrontação — i. e., é solicitado ao paciente para manter o
olhar xo no avaliador, de modo que este possa determinar as diferenças no seu campo visual. No entanto, esse teste
é pouco sensível para muitos distúrbios visuais. A tonometria é feita algumas vezes como cuidado primário; no
entanto, é normalmente feita por oftalmologistas ou optometristas como parte da rotina de exames oculares ou por
oftalmologista quando o paciente é encaminhado clinicamente com suspeita de glaucoma.
A oftalmoscopia é efetuada para checar para catarata, degeneração macular ou do nervo óptico, evidência de
glaucoma, hipertensão ou diabetes. Os achados podem não ser notáveis, exceto quando uma doença está presente,
visto que a aparência da retina não se altera muito com o envelhecimento. No paciente idoso, a elevação leve a
moderada da pressão intracraniana pode não resultar em papiledema, uma vez que a atro a cortical ocorre com o
envelhecimento; o papiledema é mais provável quando a pressão está signi cativamente aumentada. As áreas de
pigmentação preta ou hemorragia dentro e ao redor da mácula indicam degeneração macular.
Em todos os pacientes idosos, recomenda-se a realização da avaliação dos olhos a cada 1 ou 2 anos, por
oftalmologista ou optometrista em virtude de essas avaliações serem mais sensíveis para certos distúrbios oculares
comuns (p. ex., glaucoma, catarata ou doenças da retina).

Orelhas
Tofos, um achado comum relacionado à idade, podem ser notados durante a inspeção do pavilhão auricular. O canal
auditivo externo é avaliado para cerume, principalmente se um problema auditivo for percebido durante a consulta. O
aparelho auditivo deverá ser removido e avaliado, caso o paciente o use. O molde do ouvido e o tubo de plástico
podem car tamponados com cera, ou a bateria pode acabar, o que é indicado pela ausência de apito (feedback)
quando o volume do aparelho é aumentado.
Para a avaliação da audição, o avaliador com o rosto encostado ao do paciente, sussurra-lhe de três a seis palavras ou
letras aleatoriamente no ouvido. Caso o paciente repita corretamente pelo menos metade das palavras, a audição é
considerada funcional para conversações com outra pessoa. Os pacientes com presbiacusia (dé cit auditivo gradual,
bilateral, simétrico e predominantemente de elevada frequência) são mais prováveis de relatar di culdades na
compreensão da fala do que em ouvir sons. Avaliação com um audioscópio portátil, se disponível, também é
recomendado porque os sons de teste são padronizados; assim, esta avaliação pode ser útil quando vários
pro ssionais estão atendendo um paciente.
Pergunta-se aos pacientes se a perda auditiva interfere no funcionamento social, pro ssional ou familiar, ou podem
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ser submetidos ao Hearing Handicap Inventory for the Elderly (HHIE), uma ferramenta de auto-avaliação projetada
para determinar os efeitos da perda auditiva no ajuste emocional e social das pessoas idosas. Se a perda de audição
interfere no funcionamento ou se o escore HHIE é positivo, eles são encaminhados para teste audiológico formal.

Boca
A boca é examinada para sangramento ou gengiva inchada, dente instável ou fraturado, infecções por fungos e sinais
de câncer (p. ex., leucoplasia, eritroplaquia, ulceração, massa). Os achados podem incluir
Dentes escurecidos: em decorrência de manchas extrínsecas e translucidez do esmalte que ocorrem com o
envelhecimento

Fissuras na boca e na língua, e língua que adere à mucosa bucal: devido a xerostomia

Gengiva eritematosa, edematosa que sangra facilmente: é geralmente um indicativo de doença na gengiva ou
periodontal

Mau hálito: provavelmente indicando cáries, periodontites, outra doença oral ou em alguns casos distúrbio
pulmonar

As superfícies ventral e dorsal da língua são avaliadas. As alterações comuns relacionadas à idade incluem veias com
varicose na superfície ventral, glossite migratória benigna (língua geográ ca) e atro a das papilas laterais da língua. No
paciente sem dentes, a língua pode alargar-se para facilitar a mastigação; no entanto, o alargamento também pode
indicar amiloidose ou hipotireoidismo. A língua levemente dolorida pode indicar de ciência de vitamina B12.
A dentadura deve ser retirada antes de se avaliar a boca. A dentadura aumenta o risco de candidíase e a reabsorção
da crista alveolar. A in amação da mucosa palatal e úlceras na crista alveolar podem ser provocadas por ajuste
inadequado da dentadura.
O interior da boca é palpado. Edema, solidez e dolorimento na glândula parótida podem indicar parotidite,
principalmente nos pacientes desidratados; o aparecimento de pus ocorrer no ducto de Stensen quando houver
parotidite bacteriana. Os organismos infecciosos geralmente são esta lococos.
Lesões que apresentam dor, ssura e in amação na comissura labial (quilite angular) podem ser notadas em pacientes
sem dentes que não usam dentadura; essas lesões são geralmente acompanhadas de infecção fúngica.

Articulação temporomandibular
Esta articulação deveria ser avaliada para degeneração (osteoartrose) que representa uma alteração comum
relacionada à idade. A articulação pode degenerar-se com a queda dos dentes e as forças compressivas na articulação
tornam-se excessivas. A degeneração pode ser indicativa de crepitação articular percebida na cabeça do côndilo
quando o paciente levanta e abaixa a mandíbula por movimentos mandibulares dolorosos ou por ambas as situações.

Pescoço
A glândula tireoide, em localização baixa no pescoço, geralmente em frente do esterno, é avaliada para alargamento e
presença de nódulos.
Os ruídos carotídeos derivados dos sopros cardíacos podem ser diferenciados daqueles sons decorrentes de estenose
da artéria carótida, movimentando-se o estetoscópio até o pescoço: um sopro cardíaco transmitido se torna mais
suave; e o ruído da artéria carótida estenótica torna-se mais alto. Os ruídos decorrentes de estenose da artéria
carótida sugerem aterosclerose sistêmica. É incerto se o paciente assintomático com ruído carotídeo requer avaliação
ou tratamento para doenças cerebrovasculares.
A exibilidade do pescoço deve ser avaliada. A resistência à exão, extensão e rotação lateral passiva pode indicar
doença da coluna cervical. A resistência à exão e extensão pode também ocorrer em pacientes com meningite, mas
exceto quando a meningite é acompanhada de distúrbio da coluna cervical, o pescoço pode ser girado passivamente
de um lado a outro sem resistência.

Peito e costas
Todas as áreas dos pulmões são avaliadas por percussão e ausculta. O estertor basilar pode ser ouvido nos pulmões
do paciente saudável, mas deve desaparecer depois que o paciente realizar algumas respirações profundas. A
magnitude das excursões respiratórias (movimento do diafragma e capacidade para expandir o tórax) deve ser
notada.
A coluna é avaliada para escoliose e sensibilidade. Dor intensa na coluna lombar, quadril e perna, com signi cativa
sensibilidade à palpação na região sacral, pode indicar fraturas osteoporóticas espontâneas do sacro, que podem
ocorrer em pacientes idosos.

Mamas
As mamas devem ser avaliadas anualmente tanto em homens como em mulheres para irregularidades e nódulos.
para as mulheres, auto-exame são por vezes recomendado. Mamogra a de triagem também é recomendada,
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principalmente para mulheres com histórico familiar de câncer de mama. Se os mamilos estiverem retraídos, deve-se
aplicar a pressão em torno do mamilo; a pressão desloca externamente o mamilo quando a retração ocorre em
função da idade, mas não quando ocorre por lesão subjacente.

Coração
O tamanho do coração em geral pode ser avaliado por palpação do ápice. No entanto, o deslocamento causado por
cifoescoliose pode di cultar a avaliação.
A ausculta deve ser feita sistematicamente (frequência, regularidade, sopros, cliques e crepitações). Uma inexplicável e
assintomática bradicardia sinusal em pessoas aparentemente saudáveis pode não ter importância clinica. Um ritmo
irregular sugere brilação atrial.
Em pacientes idosos, o sopro sistólico geralmente indica
Esclerose valvar aórtica: Tipicamente, este sopro não é hemodinamicamente signi cativo, embora possa haver
maior risco de acidente vascular cerebral. Atinge picos iniciais durante a sístole, sendo raramente ouvido nas
artérias carótidas. Raramente, esclerose da valva da aorta signi cância hemodinâmica e calci cação; embora
pouco frequente, esclerose da da valva da aorta é agora a lesão mais comum que leva a estenose aórtica
sintomática e necessidade de tratamento.

No entanto, o sopro sistólico pode decorrer de outros distúrbios, que devem ser identi cados:
Estenose valvar aórtica: Este sopro, ao contrário da esclerose valvar aórtica usual, tipicamente atinge picos
tardios durante a sístole, sendo transmitido às artérias carótidas, e é alto (acima do grau dois); a B2 é
amortecida, a pressão de pulso é estreita, e o movimento ascendente da carótida é reduzido. No entanto, em
pacientes idosos, o sopro da estenose valvar aórtica di cilmente pode ser identi cado por ser mais brando, a B2
raramente é audível e a estreita pressão de pulso é incomum. Em pacientes idosos com estenose valvar aórtica,
o movimento ascendente da carótida não é reduzido em decorrência de complacência vascular reduzida.

Regurgitação mitral: Este sopro normalmente é mais alto no ápice e se irradia para a axila.

Miocardiopatia hipertró ca obstrutiva: Este sopro se intensi ca quando o paciente realiza a manobra de
Valsalva.

O sopro diastólico é anormal em pessoas de qualquer idade.


A B4 é comum em idosos sem evidência de doença cardiovascular, estando geralmente ausente nos pacientes idosos
com evidência de doença cardiovascular.
Se um novo sintoma neurológico ou cardiovascular se desenvolver em pacientes com marca-passo, uma avaliação
para bulhas, sopros e pulso cardíacos, hipotensão e IC será necessária. Esses sinais e sintomas podem ser decorrentes
de perda de sincronia AV.

Sistema gastrointestinal
O abdome é palpado para veri car possíveis músculos abdominais fracos, comuns em pessoas idosas e que podem
predispor a hérnias. Além disso, a maioria dos aneurismas aórticos abdominais é palpável para detecção de uma
massa pulsátil; no entanto, somente as amplitudes laterais podem ser avaliadas no exame físico. Em alguns pacientes
(particularmente nos magros), a aorta normal é palpável, mas o vaso e a pulsação não se estendem lateralmente.
Recomenda-se ultrassonogra a de triagem da aorta para todos os homens idosos que já fumaram. O fígado e baço
são palpados em busca de alargamento. A frequência e a qualidade do som intestinal são veri cadas e a área
suprapúbica é percutida em busca de dor à palpação, desconforto e evidência de retenção urinária.
A região anorretal é examinada externamente para ssuras, hemorroidas e outras lesões. A sensação e o re exo
anorretal são testados. Um ETR, para detectar massa, estenose, dor à palpação ou endurecimento fecal é efetuado em
ambos os sexos. Um exame para veri car a presença de sangue nas fezes também é realizado.

Sistema geniturinário masculino


A glândula da próstata é palpada para veri car a presença de nódulos, dor à palpação e consistência. Estimar o
tamanho da próstata pelo exame de toque retal é impreciso e não se correlaciona com a obstrução uretral; mas o ETR
fornece uma avaliação qualitativa.

Sistema reprodutivo feminino


Avaliação pélvica regular com o teste de Papanicolaou é recomendada a cada 2 ou 3 anos até os 65 anos. Aos 65 anos,
a avaliação pode ser interrompida caso os resultados dos dois testes anteriores tenham sido normais. Se a mulher ≥
65 anos não foi regularmente avaliada por teste de Papanicolaou, ela deve ter apresentado pelo menos dois testes
com resultado negativo, com 1 ano de diferença para que a avaliação fosse interrompida. Uma vez cessado o teste de
Papanicolaou, ele só é feito novamente se for constatado um novo sintoma ou sinal de um possível distúrbio. Caso a
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mulher tenha realizado histerectomia, será necessário fazer o teste de Papanicolaou apenas se permaneceu o tecido
cervical.
Para o exame pélvico bimanual, as pacientes com falta de mobilidade do quadril podem permanecer deitadas do lado
esquerdo. A redução do estrogênio na pós-menopausa provoca atro a vaginal e da mucosa uretral; a mucosa vaginal
aparenta secura e falta de dobras rugais. Os ovários não devem ser palpáveis até 10 anos após a menopausa; ovários
palpáveis são sugestivos de câncer. As pacientes devem ser examinadas em busca de evidência de prolapso da uretra,
vagina, cérvice e útero. É solicitado que a paciente tussa, para checar o controle urinário e prolapso intermitente.

Sistema musculoesquelético
As articulações são avaliadas para dor à palpação, edema, subluxação, crepitação, calor, rubor e outras alterações que
possam sugerir alguma doença:
Nódulos de Hederden (crescimento ósseo na articulação interfalangiana distal) ou nódulos de Bouchard
(crescimento ósseo na articulação interfalangiana proximal): osteoartrite.

Subluxação das articulações metacarpofalangianas com desvio ulnar dos dedos: artrite reumatoide crônica

Deformidade em pescoço de cisne (hiperextensão da articulação interfalangiana proximal com exão da


articulação interfalangiana distal) e deformidade em botoeira (hiperextensão da articulação interfalangiana
distal com exão da articulação interfalangiana proximal): AR.

Essas deformidades podem interferir no funcionamento e nas atividades habituais.


Deve-se determinar tanto a amplitude de movimento articular passiva como a ativa. A presença de contraturas deve
ser notada. Algumas vezes, ocorre resistência variável à manipulação passiva das extremidades (paratonia) com o
envelhecimento.

Pés
O diagnóstico e tratamento dos problemas dos pés que se tornam comuns com a idade, ajudam a pessoa idosa a
manter a independência. As descobertas comuns relacionadas à idade incluem hálux vago, prominência medial do
primeiro metatarso com desvio lateral e rotação do dedão do pé e desvio lateral da cabeça do quinto metatarso. Dedo
em martelo (hiper exão da articulação interfalangiana proximal) e dedo do pé em garra (hiper exão das articulações
dos dedos proximal e distal) pode interferir no funcionamento e nas AVD. As deformidades podem resultar de anos de
uso de calçados mal ajustados ou de artrite reumatoide, diabetes ou transtornos neurológicos (p. ex., síndrome de
Charcot-Marie-Tooth). Ocasionalmente, os problemas nos pés indicam outros distúrbios sistêmicos ( Manifestações de
distúrbios sistêmicos nos pés).
Os pacientes com problemas nos pés devem ser incentivados a procurar um podólogo para fazer avaliação regular e
tratamento.

Sistema neurológico
A avaliação do sistema neurológico é similar à realizada em adultos. No entanto, os distúrbios não neurológicos e que
são comuns em idosos podem complicar a avaliação. Por exemplo, as de ciências visual e auditiva podem impedir a
avaliação dos nervos cranianos, enquanto a periartrite (in amação dos tecidos em torno de uma articulação) em
certas articulações, principalmente no ombro e quadril, pode interferir na avaliação da função motora.
Os sinais detectados durante a avaliação devem ser considerados à luz da idade do paciente, histórico e outros
achados. Os achados simétricos não acompanhados de perdas funcionais e de outros sinais e sintomas neurológicos
podem ser notados em pessoas idosas. Os médicos devem decidir sobre a magnitude em que esses achados
justi cam uma avaliação detalhada para análise de lesão neurológica. Os pacientes devem ser avaliados
periodicamente em virtude de mudanças funcionais, assimetria e novos sintomas.

Nervos cranianos
A avaliação pode ser complexa.
Os idosos geralmente têm pupilas pequenas; o re exo pupilar à luz pode ser lento e a resposta mitótica pupilar à visão
de perto pode estar diminuída. O olhar para cima e, em menor magnitude, o olhar para baixo podem estar
ligeiramente limitados. O movimento dos olhos durante o rastreamento do dedo do avaliador durante a avaliação do
campo visual pode parecer irregular. O fenômeno de Bell (movimento ocular para cima à tentativa de fechar o olho)
algumas vezes está ausente. Essas mudanças ocorrem normalmente com o envelhecimento.
Em muitos idosos, o sentido do olfato está reduzido devido ao menor número de neurônios olfatórios, numerosas
infecções respiratórias superiores ou rinite crônica. No entanto, a perda assimétrica (perda do olfato em uma das
narinas) é anormal. O paladar pode estar alterado em decorrência de redução do sentido do olfato ou porque o
paciente usa medicamento que reduz a salivação.
As de ciências visuais e auditivas podem resultar em anormalidades nos olhos e ouvidos, mais do que nas vias
nervosas.

Função motora
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Os pacientes podem ser avaliados para tremor durante aperto de mão e outras atividades simples. Se o tremor é
detectado, amplitude, ritmo, distribuição, frequência e tempo de ocorrência (em repouso, com ação ou com intenção)
são notados.

Força muscular
O indivíduo idoso, principalmente aquele que não realiza exercício com pesos regularmente, pode aparentar fraqueza
durante os testes de rotinas. Por exemplo, durante a avaliação física, o médico pode facilmente endireitar o cotovelo
do paciente embora este se esforce para sustentar a contração. Se a fraqueza for simétrica, e não incomodar o
paciente, e as funções ou o nível de atividade do paciente não foram alterados, é provável que seja decorrente de
inatividade, em vez de doença neurológica. Essa fraqueza é tratável com treinamento de resistência; para as pernas,
especialmente, pode melhorar a mobilidade e reduzir o risco de queda. Fortalecimento dos membros superiores
também é bené co para a função geral. O aumento do tônus muscular, medido pela exão e extensão do cotovelo ou
joelho, é um achado normal em pessoas idosas; no entanto, os movimentos irregulares durante a avaliação e a rigidez
em roda dentada são anormais.
A sarcopenia (a diminuição da massa muscular) é um achado comum relacionado à idade. É insigni cante, exceto
quando acompanhada por declínio ou alteração de função (p. ex., o paciente não pode mais se levantar da cadeira
sem usar os braços da cadeira). A sarcopenia afeta os músculos das mãos (p. ex., músculos interósseos e tenar) em
especial. É comum encontrar fraqueza nos músculos extensores do punho, dedos e polegar em pacientes que usam
cadeira de rodas porque a compressão da parte superior do braço contra o apoio do braço lesiona o nervo radial. A
função do braço pode ser testada solicitando ao paciente que pegue um utensílio ou toque a parte dorsal da cabeça
com ambas as mãos.

Coordenação
Testa-se a coordenação motora. A coordenação diminui em decorrência de alterações nos mecanismos centrais e
pode ser medida no exame neurológico; normalmente essa redução é sutil e não prejudica a função.

Marcha e postura
Todos os componentes da marcha devem ser avaliados; eles incluem iniciar a caminhada; extensão da passada, altura,
simetria, continuidade e cadência (ritmo); velocidade (velocidade da marcha); largura da passada e a postura. A
sensação, o controle motor e musculoesquelético bem como a atenção são necessários para a marcha independente e
coordenada, devendo também ser considerados.
Os achados normais relacionados à idade incluem:
Passos mais curtos, provavelmente porque os músculos da panturrilha são fracos ou por um precário equilíbrio

Diminuição da velocidade da marcha em paciente com > 70 anos devido aos passos mais curtos

Aumento do tempo em duplo apoio (quando ambos os pés estão no solo) que pode ser devido ao equilíbrio
comprometido ou medo de cair

Redução do movimento em algumas articulações (p. ex., exão plantar do tornozelo pouco antes do pé de trás
se levantar, movimento pélvico nos planos frontal e transversal)

Pequenas mudanças na postura quando o indivíduo está caminhando (p. ex., maior rotação pélvica para baixo,
provavelmente pela combinação do aumento da gordura abdominal, fraqueza do músculo abdominal e músculo
exor do quadril mais rígido; ligeiro direcionamento dos dedos dos pés em direção mais externa, provavelmente
por perda da rotação interna do quadril ou tentativa de aumentar a estabilidade lateral)

Em pessoas com velocidade de marcha de < 1 m/s, o risco de mortalidade é signi cativamente maior.
O envelhecimento tem pouco efeito sobre a cadência ou postura da marcha; tipicamente, o idoso caminha com a
postura ereta a menos que apresente algum distúrbio ( Algumas causas de disfunção de marcha).

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Algumas causas de disfunção de marcha
Problema Possíveis causas
Claudicação neurológica (dor, fraqueza e dormência que ocorre durante a
Estenose medular lombar
caminhada e diminui quando está sentado)
Distúrbios frontais ou subcorticais
Di culdade para começar a andar Incapacidade para iniciar a marcha
Doença de Parkinson
Artrite nos quadris ou joelhos
Instabilidade do tronco (p. ex., balanço) Disfunção dos gânglios basais,
subcorticais ou cerebelares
Inclinação frontal durante a caminhada Osteoporose com cifose
Dé cit neurológico focal
Passo assimétrico Dor ou fraqueza em uma das pernas
Dé cit musculoesquelético unilateral
Medo de cair
Descontinuidade da cadência ao andar
Distúrbio do lobo frontal
Artrite
Anormalidades na extensão ou altura da passada Problemas nos pés
AVE
Distúrbios cerebelares
Anormalidade na amplitude da passada Distúrbios de quadril
Hidrocefalia com pressão normal

O controle geral da postura é avaliado usando o teste de Romberg (o paciente permanece em pé com os pés juntos e
olhos fechados). A segurança é primordial, e o médico que faz o teste de Romberg deve estar em posição para evitar
que o paciente caia. Com o envelhecimento, o controle postural geralmente está comprometido e a postura oscila
(movimento no plano anteroposterior quando o paciente permanece parado e ereto) podendo aumentar.

Re exos
Os re exos tendinosos profundos devem ser avaliados. O envelhecimento tem pouco efeito sobre estes. No entanto, o
re exo do tendão do calcâneo pode requerer técnicas especiais para ser avaliado (p. ex., testar enquanto o paciente se
ajoelha com os pés sobre a borda de uma cama e com as mãos entrelaçadas). Um re exo ausente ou diminuído,
presente em aproximadamente metade dos pacientes idosos, pode não indicar patologia, especialmente se for
simétrico. Isso ocorre pela redução da elasticidade do tendão e a condução do nervo ao longo do arco re exo do
tendão se torna lenta. Os re exos assimétricos do tendão do calcâneo podem indicar um distúrbio (p. ex., dor ciática).
Os re exos de liberação cortical (conhecidos como re exos patológicos), que incluem faro, sucção e re exos
palmomentonianos, ocasionalmente ocorrem em pacientes idosos que não apresentam distúrbios cerebrais
detectáveis (p. ex., demência). O re exo de Babinski (responsável pela extensão plantar) em pacientes idosos é
anormal; indica lesão do neurônio motor superior e, muitas vezes, espondilose cervical com compressão parcial da
medula.

Sensação
A avaliação da sensação inclui o toque (usando o teste cutâneo), função sensorial cortical, sensação de temperatura,
propriocepção (sentido de posição articular) e teste de sensação vibratória. O envelhecimento tem efeitos limitados na
sensação. Muitos pacientes idosos relatam entorpecimento, principalmente nos pés. Isso pode resultar de diminuição
do tamanho das bras dos nervos periféricos, principalmente das bras grandes. Contudo, o paciente com
entorpecimento deve ser avaliado para neuropatias periféricas. Em alguns pacientes, nenhuma causa de dormência
pode ser identi cada.
Alguns indivíduos idosos perdem a sensação vibratória abaixo dos joelhos. Isto decorre da alteração de pequenos
vasos da coluna posterior à esclerose da coluna. No entanto, a propriocepção, que parece usar uma via semelhante,
não é afetada.

Estado mental
Avaliação do estado mental é importante. O paciente que ca perturbado por tal teste deve ser tranquilizado de que o
procedimento é rotina. O avaliador deve estar certo de que o paciente pode ouvir;Cookies
o dé cit auditivo que impede os
pacientes de ouvir e entender as perguntas podem causar equívocos relativos à disfunção cognitiva. A avaliação do
estado mental do paciente que tem distúrbio de fala ou linguagem (p. ex., mutismo, disartria, apraxia de fala e afasia)
pode ser difícil.
A orientação pode ser normal em muitos pacientes com demência ou outros transtornos cognitivos. Assim, a avaliação
pode requerer questões que identi quem anomalias na consciência, julgamento, cálculos, fala, linguagem, práxis,
função executiva ou memória, assim como orientação. As anormalidades dessa área não são atribuídas unicamente ao
envelhecimento, e se forem percebidas posteriormente à avaliação, será necessário incluir um teste formal do estado
mental.
Com o envelhecimento, o processamento da informação e a recuperação da memória são mais lentos, mas
permanecem essencialmente intactos. Com um tempo adicional e encorajamento, os pacientes realizam essa tarefa de
forma satisfatória (exceto quando uma anormalidade neurológica está presente).

Estado nutricional
O envelhecimento altera a interpretação de muitas medidas que re etem o estado nutricional em pessoas mais
jovens. Por exemplo, com o envelhecimento, o peso pode se alterar. A alteração de peso pode re etir alterações
nutricionais, equilíbrio de líquidos ou ambos. A proporção entre massa magra e massa gorda se altera. Apesar dessas
mudanças relacionadas à idade, o IMC ainda é útil em pacientes idosos, embora ele subestime a obesidade.
Circunferência da cintura e relação cintura-quadril são em vez disso usados. Os riscos decorrentes da obesidade são
maiores se a circunferência da cintura for maior que 102 cm em homens ou maior que 88 cm em mulheres, ou se a
relação cintura-quadril for maior que 0,9 em homens e maior que 0,85 em mulheres.
Medidas laboratoriais devem ser indicadas, caso sejam identi cadas anormalidades no histórico nutricional (p. ex.,
perda de peso, suspeita de de ciência nutricional) ou no IMC.

CALCULADORA CLÍNICA:

Índice de massa corporal


(índice de Quetelet)

Pontos-chave
Informações válidas sobre a função do paciente podem ser adquiridas por observação.

A avaliação física deve incluir todos os sistemas, principalmente o estado mental, podendo ser necessárias duas
sessões.

Avaliação geriátrica abrangente

A avaliação abrangente do idoso é um processo multidimensional desenvolvido para avaliar a


capacidade funcional, saúde (física, cognitiva e mental) e situação socioambiental do idoso.

A avaliação geriátrica abrangente analisa de modo completo e especí co as habilidades funcionais e cognitivas,
suporte social, situação nanceira e fatores ambientais, assim como a saúde física e mental. De preferência, a
avaliação regular do paciente idoso incorpora muitos aspectos da avaliação geriátrica abrangente, tornando as duas
abordagens muito similares. O resultado da avaliação é acompanhado de intervenções adaptadas individualmente e
sustentadas (p. ex., reabilitação, educação, aconselhamento e serviços de apoio).
O custo da avaliação geriátrica limita sua utilização. Portanto, essa avaliação pode ser usada principalmente em
pacientes idosos de elevado risco, tal como os frágeis ou pacientes crônicos (p. ex., identi cados por questionários
sobre saúde enviados pelo correio ou entrevista domiciliar ou em outro local de encontro). Os membros da família
também podem solicitar um encaminhamento para avaliação geriátrica.
A avaliação também pode ter os seguintes benefícios:
Melhora do cuidado e dos resultados clínicos

Diagnóstico mais preciso

Melhora do estado mental e funcional

Redução da mortalidade
Cookies
Menos uso de instituição de longa permanência e cuidados hospitalares agudos
Resultados mais satisfatórios

Se o paciente idoso for relativamente saudável, uma avaliação médica padrão poderá ser mais apropriada.
A avaliação geriátrica abrangente é mais bem-sucedida quando feita por equipe geriátrica interdisciplinar (tipicamente
com geriatra, enfermeira, assistente social e farmacêutico). Geralmente, a avaliação é feita em ambulatório. No
entanto, pacientes com de ciência física ou mental e pacientes crônicos podem requerer avaliação no ambiente de
internação.

Instrumento de avaliação geriátrica


Domínio Item
Grau de di culdade para se alimentar, vestir, tomar banho, transferir-se da cama para a
cadeira, usar o banheiro e controlar a bexiga e o intestino
Capacidade
Grau de di culdade em preparar as refeições, executar tarefas domésticas, tomar
funcional diária
medicamentos, sair para pequenas incumbências (p. ex., compras), administrar as nanças e
usar o telefone
Dispositivos de O uso de dispositivo pessoal (p. ex., bengala, andador, cadeira de rodas, oxigênio)
assistência O uso de dispositivos ambientais (p. ex., barras de apoio, banco de banho, leito hospitalar)
Uso de cuidadores pagos (p. ex., enfermeiras, auxiliares)
Cuidadores
Uso de cuidadores não pagos (p. ex., familiares, amigos, voluntários)
Nome dos medicamentos usados com receita médica
Medicamentos
Nome dos medicamentos de venda livre usados
Estatura, peso
Nutrição Estabilidade do peso (p. ex., o paciente perdeu 4,5 kg nos últimos 6 meses não
intencionalmente?)
Regularidade das medidas de PA, teste de guaiaco para sangue oculto nas fezes,
sigmoidoscopia ou colonoscopia, imunizações (in uenza, pneumococo, tétano), avaliação do
Medidas FSH e cuidados odontológicos
preventivas Ingestão de cálcio e vitamina D
Exercícios regulares
Uso de detectores de fumaça
Capacidade de se lembrar de três objetos após 1 min e de desenhar um ponteiro de relógio
Cognição
(minicog)
Sentimentos de tristeza, depressão ou desespero
Afeto
Falta de interesse ou prazer em fazer coisas
Diretivas Posse de um testamento em vida
avançadas Estabelecimento de um procurador para os cuidados de saúde
Abuso/uso Uso de álcool
impróprio de Uso de cigarros
substâncias O uso excessivo de fármacos prescritas ou não prescritas
Número de quedas nós últimos 6 meses
Marcha e
Tempo necessário para se levantar de uma cadeira, caminhar por 3 m, virar, voltar e sentar
equilíbrio
Estender-se o máximo para frente enquanto está em pé
Habilidade de relatar três números sussurrados a 0,5 m atrás da cabeça.
Capacidade
Habilidade para ler a tabela de Snellen na magnitude de 20/40 ou melhor (com lentes
sensorial
corretivas, se necessário)
Extremidades
Capacidade de entrelaçar as mãos atrás da cabeça e nas costas
superiores

CALCULADORA CLÍNICA:

Escala de depressão geriátrica

Cookies
Domínios da avaliação
Os principais domínios da avaliação são
Capacidade funcional: avaliam-se a capacidade de realizar atividades da vida diária e AVD e AIVD. AVDs incluem
alimentar-se, vestir-se, tomar banho, transferência da cama para uma cadeira, uso do banheiro e controle da
bexiga e intestino. As AIVD permitem que a pessoa viva de forma independente e inclusive prepare suas
próprias refeições, realize trabalhos domésticos, use os medicamentos, controle suas nanças e use o telefone.

Saúde física: O histórico e a avaliação física devem incluir problemas comuns da velhice (p. ex., problemas
visuais, auditivos, continência, marcha e equilíbrio)

Saúde mental e cognitiva: Vários testes de triagem validados para disfunção cognitiva (p. ex., miniexame do
estado mental) e para depressão (p. ex., escala de depressão geriátrica e Escala de depressão de Hamilton)
podem ser usados.

Situação socioambiental: A rede de interação social do paciente, recursos de suporte social disponível e
necessidades especiais, a segurança e conveniência do meio ambiente do paciente são determinadas,
geralmente pela enfermeira ou assistente social. Tais fatores in uenciam o uso da abordagem de tratamento.
Uma lista pode ser usada para avaliar a segurança da casa.

Há instrumentos padronizados que fazem a avaliação desses domínios de forma dedigna e e ciente ( Instrumento de
avaliação geriátrica). Eles também facilitam a comunicação da informação clínica entre os pro ssionais da área de
saúde e o monitoramento das alterações na condição do paciente ao longo do tempo.

Escala de depressão geriátrica (forma curta)


Pergunta Resposta
1. Você está basicamente satisfeito com sua vida? Sim Não
2. Você já diminuiu muitas das suas atividades e interesses? Sim Não
3. Você sente que a vida está vazia? Sim Não
4. Você costuma car entediado? Sim Não
5. Você está de bem com a vida na maioria das vezes? Sim Não
6. Você tem medo de que algo ruim possa acontecer com você? Sim Não
7. Você se sente feliz a maior parte do tempo? Sim Não
8. Você muitas vezes se sente impotente? Sim Não
9. Você prefere car em casa em vez de sair e fazer coisas novas? Sim Não
10. Você sente que tem mais problemas com a memória do que a maioria? Sim Não
11. Você acha que é maravilhoso estar vivo agora? Sim Não
12. Você se sente bastante inútil do jeito que você está agora? Sim Não
13. Você se sente cheio de energia? Sim Não
14. Você sente que sua situação é sem esperança? Sim Não
15. Você acha que a maioria das pessoas está melhor que você? Sim Não
Escore: Um ponto para “não” às perguntas 1, 5, 7, 11, 13.
Um ponto para “sim” em outras perguntas.
Normal = 3 ± 2
Um pouco deprimido = 7 ± 3
Muito deprimido = 12 ± 2

> 5 pontos sugere depressão e merece avaliação de acompanhamento


≥10 pontos quase sempre indica depressão
Adaptado de Sheikh JI, Yesavage JA: Geriatric depression scale (GDS): Recent evidence and development of a
shorter version. Em Clinical Gerontology A Guide to Assessment and Intervention, editado por TL Brink. Binghamton,
NY, Haworth Press, 1986, pp. 165—173. © by The Haworth Press, Inc. Todos os direitos reservados. Reimpresso
com permissão.

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Última revisão/alteração completa setembro 2016 por Richard W. Besdine, MD
© 2018 Merck Sharp & Dohme Corp., subsidiária da Merck & Co., Inc., Kenilworth, NJ, EUA)

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