Você está na página 1de 2

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

Curso de Direito
Direitos da Personalidade
Profª Ana Paula A. B. Barros
Aluno: Victor Lima Caribé

Fichamento do texto “Dar a cada um a vida que lhe é devida” de Angela Vidal

Página 1 – A autora inicia o texto deixando a entender que possui um posicionamento


contra a ADPF 422, que visava descriminalizar o aborto por meio de uma ação no
Supremo Tribunal Federal. Argumenta que “acolher o pedido seria um aborto jurídico
que esquartejaria os membros da completude sistêmica de nosso ordenamento,
acertando o núcleo - a alma - dos valores constitucionais que instituíram no Brasil um
estado democrático de direito”. Traz, também, uma crítica ao posicionamento do
partido político que não tentou discutir a questão no senado e, sim, recorrer
diretamente ao STF.
Outra posição adotada pela autora é a de acreditar no valor supremo da vida humana,
não acreditando na possibilidade de debate em relação ao tema e completando que,
mesmo que fosse discutível, “o judiciário não é o espaço democrático para
determinação de questão de tamanha relevância pública”.

Página 2 – Para sustentar os seus argumentos contra a referida ação, a autora traz o
posicionamento de um membro da Suprema Corte dos EUA em que afirma “que o que
está em pauta não é o que se refere à legalização do aborto, mas se o judiciário pode
criar direitos”. Além disso, concorda que o Supremo deve se manifestar quando for
provocado, mas, no caso citado, apenas deveria se manifestar se houvesse omissão
em matéria legislativa.
Com uma analogia, a autora afirma que a Suprema Corte não poderia modificar os
reais valores que sustentam a nação, pois seu papel é de preservar e resguardá-los.
Ainda sobre esse tema, cita a obra “Legal Fictions” de Lon Fuller dando a entender
que concorda com os posicionamentos do referido autor ao dizer que o direito deve
respeitar o real, não devendo tentar adaptar o real à teoria.

Página 3 – Outro forte posicionamento da autora diz que “[...] ser e existência se dão
juntamente e em contínuo, não cabendo ao direito, estabelecer de forma pragmática
e arbitrária quando começa a vida [...]”. Para completar, a autora ainda usa o
holocausto e a escravidão como exemplos de atrocidades que não eram vistas como
tal, e compara tais situações, analogamente, com a questão do aborto. Dessa forma,
deixa a entender que o aborto seria uma atrocidade vista com bons olhos.
Após apresentar alguns exemplos de países que legalizaram o aborto e a eutanásia,
a autora conclui que: “o embrião não é uma aberração da natureza, nem parte do
corpo da mulher, mas um novo ser, ainda que dependente da mãe, o que é também
uma condição humana: nascemos, vivemos e morremos de forma relacional e
conexa”.

Página 4 – Após criticar o tipo de argumentação usada pelos defensores da


legalização do aborto, a autora entra em concordância com o posicionamento de Eros
Grau sobre o tema e diz: “pelo menos sejamos sinceros em admitir que o que
defendemos não é nem a mulher nem a saúde, mas um utilitarismo econômico
semelhante ao da época da escravidão, e que, no caso, alimenta-se da baixa
moralidade, de fácil manipulação, que vai gerando ações não somente infra-humanas,
como diria o jusfilósofo de Oxford, John Finnis, mas anti-humanos”. Além disso, afirma
que a mulher é livre para relacionar-se (sexualmente), mas que após a concepção, o
feto também é dotado de liberdade constitutiva, o que garantiria o seu direito de
nascer.

Página 5 – A autora apresenta algumas situações em que uma vida futura é posta em
risco por conta do aborto e afirma que ninguém é capaz de predizer o futuro, dando a
entender que abortar não seria o caminho correto. Para a autora, o que realmente
deve ser feito é um investimento em educação e não em aborto. Finaliza afirmando
que o direito deve estreitar e fortalecer as relações humanas e deixa a entender que
legalizar o aborto não traria nenhuma dessas possibilidades.

Página 6 – Ao voltar à questão da ADPF, a autora finaliza citando as palavras do seu


pai: “Que o Supremo continue sendo supremo em fazer valer a Constituição”, e diz
que, ao fazer valer a Constituição, o Supremo cumpriria o seu papel primordial,
garantindo a segurança jurídica e o direito à vida para todos os brasileiros.