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Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Semeadura

Este curso tem


17 horas
Agricultura de Precisão na Semeadura » 1
Sumário

Módulo 1 » Semeadura a Taxa Variável ...........................................................................................................................................12

Aula 1 » A importância da semeadura a taxa variável .......................................................................................... 13

Tópico 1 » Conceito de Semeadura a Taxa Variável .........................................................................................14

Recapitulando ..........................................................................................................................................................15

Aula 2 » Equipamentos utilizados nas semeaduras a taxa variável..................................................................16

Tópico 1 » Equipamentos da semeadura à taxa variável ............................................................................... 17

Tópico 2 » Demais equipamentos importantes para a semeadora à taxa variável.................................19

Recapitulando ......................................................................................................................................................... 23

Aula 3 » Mapas de variabilidade na semeadura à taxa variável....................................................................... 24

Tópico 1 » Variabilidade e agricultura de precisão .......................................................................................... 25

Tópico 2 » Mapeamento da variabilidade ........................................................................................................ 26

Recapitulando ......................................................................................................................................................... 29

Atividade de aprendizagem ......................................................................................................................................30

Módulo 2 » Barra de luzes......................................................................................................................................................................33

Aula 1 » A importância da barra de luzes ...............................................................................................................34

Tópico 1 » Semeadura e Barra de Luzes............................................................................................................. 35

Recapitulando ......................................................................................................................................................... 37
Aula 2 » Tipos de barras de luzes ............................................................................................................................ 38

Tópico 1 » Barras de luzes com monitor integrado ......................................................................................... 39

Tópico 2 » Barras de luzes com autodirecionamento .....................................................................................41

Recapitulando ......................................................................................................................................................... 42

Aula 3 » Configuração dos componentes das barras de luzes..........................................................................43

Tópico 1 » Componentes da barra de luzes ..................................................................................................... 44

Tópico 2 » Instalação da barra de luzes ........................................................................................................... 44

Tópico 3 » Configuração da barra de luzes ......................................................................................................46

Recapitulando .........................................................................................................................................................50

Atividade de aprendizagem .......................................................................................................................................51

Módulo 3 » Mecanismos distribuidores de sementes e fertilizantes .............................................................................. 54

Aula 1 » Tipos de mecanismos distribuidores de sementes e fertilizantes .................................................... 55

Tópico 1 » Distribuidores de sementes em linha .............................................................................................56

Tópico 2 » Distribuidores de sementes a lanço .............................................................................................. 60

Tópico 3 » Distribuidores de fertilizantes ..........................................................................................................61

Recapitulando ......................................................................................................................................................... 62

Aula 2 » Regulagem dos mecanismos distribuidores de sementes e fertilizantes ...................................... 63

Tópico1 » Regulagem quantidade de semente ................................................................................................64

Tópico 2 » Regulagem da quantidade de adubo............................................................................................. 67

Recapitulando .........................................................................................................................................................70

Atividade de aprendizagem ....................................................................................................................................... 71


Módulo 4 » Tipos de sensores utilizados nas semeadoras-adubadoras ........................................................................73

Aula 1 » A importância dos sensores para o estabelecimento das lavouras ................................................ 74

Tópico 1 » Desafios da semeadura ...................................................................................................................... 77

Recapitulando ......................................................................................................................................................... 79

Aula 2 » Tipos de sensores utilizados nas semeadoras-adubadoras ..............................................................80

Tópico 1 » Tipos de sensores .................................................................................................................................81

Tópico 2 » Operação dos sensores ....................................................................................................................86

Recapitulando ......................................................................................................................................................... 87

Aula 3 » Principais regulagens dos sensores utilizados nas


semeadoras-adubadoras ........................................................................................................................................... 88

Tópico 1 » Checagem do Equipamento ..............................................................................................................89

Tópico 2 » Instalação dos Sensores .................................................................................................................. 90

Recapitulando ......................................................................................................................................................... 92

Atividade de aprendizagem ...................................................................................................................................... 93

Módulo 5 » Monitoramento da deposição de sementes e fertilizantes ........................................................................96

Aula 1 » Fatores que interferem na eficiência da deposição de sementes e fertilizantes ........................... 97

Tópico 1 » Características de uma correta semeadura ...................................................................................98

Tópico 2 » Velocidade de deslocamento da semeadora .............................................................................100

Tópico 3 » Características do solo e qualidade da semente ........................................................................ 101

Tópico 4 » Fatores relacionados à máquina e ao operador........................................................................ 102

Recapitulando ....................................................................................................................................................... 103


Aula 2 » Principais formas de monitoramento da deposição de sementes e fertilizantes....................... 104

Tópico 1 » Dois tipos de monitoramento......................................................................................................... 105

Recapitulando ....................................................................................................................................................... 109

Aula 3 » Configurações do monitor de plantio .................................................................................................... 110

Tópico 1 » Variáveis da Operação de Semeadura ........................................................................................... 111

Tópico 2 » Configurações dos controladores ...................................................................................................112

Recapitulando ........................................................................................................................................................ 115

Atividade de aprendizagem ..................................................................................................................................... 116

Síntese do curso ........................................................................................................................................................................................118

Gabarito ........................................................................................................................................................................................................120

Referências...................................................................................................................................................................................................121
Introdução ao curso

Olá! Seja bem-vindo ao Curso Agricultura de Precisão na Semeadura!

Você sabia que a semeadura é uma das operações mecanizadas mais complexas dentro do
processo agrícola? É a etapa que precisa de monitoramento mais constante e, na maioria das
vezes, é realizada junto com a adubação, sendo de fundamental importância para o sucesso
da lavoura.

Mas antes de entrar no tema da semeadura em si, vale explorar um pouco a correta formação
dos estandes e sua relação com a produtividade.

estandes

Cada cultura tem um número certo de plantas por metro de linha ou por hectare, ou seja, um
estande apropriado que varia para cada tipo de cultivo.

Por um lado, você pode afirmar que uma maior produtividade se dá quando se coloca o maior
número de plantas no mesmo terreno de cultivo. Por outro, sabe-se que a realidade não é bem
assim: o exagero na densidade de plantas gera competição por luz, água e nutrientes, o que
prejudica o desenvolvimento do plantio, e consequentemente a produção.

Portanto, a formação apropriada para um estande prevê calcular o correto


custo-benefício de cada planta no plantio. Nesse sentido, as ferramentas
da Agricultura de Precisão são as melhores alternativas disponíveis atual-
mente para melhorar a densidade e a organização de plantas por hectare,
de acordo com cada espécie cultivada.

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Com estes conceitos bem internalizados, podemos abordar semeadura em si. Esta etapa é nor-
malmente realizada juntamente com a adubação, consistindo, assim, em uma operação conjuga-
da. Espera-se que a máquina semeadora desempenhe as funções descritas a seguir.

Abrir o sulco Dosar a quantidade de Depositar a semente Cobrir o sulco e

semente previamente na profundidade exercer uma leve

determinada adequada compactação sobre ele

Com o surgimento de novos dispositivos para Agricultura de Precisão, as semeadoras têm se


modernizado muito. Uma inovação que merece destaque é semeadura a taxa variável. Mas o
que é isso? Significa que, a partir de um mapa de variabilidade presente no monitor de plantio,
pode-se comandar e alterar a densidade de sementes a serem depositadas de acordo com o
potencial produtivo de cada parte da lavoura.

mapa de variabilidade

Mapas que orientam a semeadura conforme análise do solo e de suas características. Veja
conceito completo no próximo módulo.

Outro dispositivo muito utilizado nas semeadoras-adubadoras modernas é a barra de luzes. Elas
proporcionam diversas vantagens à distribuição de sementes e adubos, orientando o operador
do trator a definir melhor a distância entre passadas e o alinhamento de plantio.

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Mas tanta tecnologia sem capacitação profissional não teria o mesmo efeito, concorda? Por isso,
é muito importante que os operadores das máquinas estejam familiarizados com os diversos
mecanismos das semeadoras-adubadoras. Técnicos e operadores precisam, portanto, conhecer
os procedimentos para realizar a regulagem dos dosadores a fim de que possam configurar ade-
quadamente o monitor de plantio e acompanhar o desempenho da operação.

Pois bem, uma vez que as sementes são depositadas dentro do solo, é um grande risco aguardar
até o fim da colheita para verificar se a operação foi bem-sucedida ou não. Para auxiliar neste
gerenciamento e evitar perdas, pode-se utilizar diversos tipos de sensores, estrategicamente
dispostos na máquina, que permitem a coleta de dados para avaliar, em tempo real, o funciona-
mento dos dosadores e de outros mecanismos.

Fonte: John Deere

Neste curso, portanto, você vai conhecer as ferramentas da agricultura de precisão disponíveis
para uso em semeadoras e, dessa forma, aprimorar ainda mais o seu conhecimento das técnicas
de plantio, estudando os seguintes assuntos:

• semeadura à taxa variável e seus equipamentos;

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• mapas de variabilidade;

• importância e uso da barra de luzes;

• mecanismos distribuidores de sementes e fertilizantes;

• tipos de sensores e principais regulagens; e

• monitoramento da deposição de sementes e fertilizantes.

Preparado? Avance para o Módulo 1 e bom estudo!

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Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Semeadura
» Módulo 1: Semeadura a Taxa Variável

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Módulo 1
» Semeadura a Taxa Variável

Fonte: Agrointel <http://www.agrointel.com.br/exemplos>

Ao longo deste módulo, você vai perceber que a semeadura a taxa variável depende de uma
série de dispositivos e equipamentos que equipam as semeadoras-adubadoras. Para tanto, a
máquina deve ser equipada com um GPS, que vai cruzar informações com os mapas de recomen-
dação e de variabilidade e, assim, reconhecer a localização e a recomendação da densidade de
semeadura em cada área.

Você vai compreender que, por via de regra, nos locais com maior potencial de produtividade
deve-se recomendar uma maior densidade de semeadura, enquanto que nas áreas com baixo
potencial produtivo, deve-se aceitar esta menor produtividade e recomendar uma pequena taxa
de semeadura e de aplicação de fertilizante, de forma a reduzir os gastos com estes insumos.

Atenção! Sempre que finalizar a leitura do conteúdo de um módulo, você


deve retornar ao Ambiente de Estudos para realizar a atividade de apren-
dizagem.

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Fonte: Shutterstock.

Aula 1
A importância da semeadura a taxa variável
Os solos brasileiros, em especial os solos do bioma do cerrado, apresentam grandes variabili-
dades em seus atributos, mesmo em pequenas distâncias horizontais. Isso faz com que o cultivo
responda de formas diferentes ao plantio de sementes, ocasionando muitas vezes pouca produ-
tividade. Dessa forma, realizar a semeadura levando-se em consideração a diversidade do solo
é fundamental para aumentar a eficiência produtiva.

Ao fim desta aula, você deve ser capaz de:

• compreender o conceito de semeadura à taxa variável; e

• reconhecer a importância da semeadura a taxa variável para os processos agrícolas.

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Tópico 1
Conceito de Semeadura a Taxa Variável

Você já estudou que a Agricultura de Precisão é um dos melhores benefícios que a tecnologia
vem trazendo ao campo. A título de comparação, vemos muitas vezes na agricultura convencio-
nal erros de semeadura que poderiam ser evitados, como você verá a seguir.

Estande de plantas diferen-


te do recomendado, devido
à semeadura em densidade
maior ou menor do que o
Erro 1 planejado.

Fonte: ESALQ USP

Plantas duplas ou com es-


paçamento muito reduzido
entre elas.
Erro 2

Fonte: Embrapa

Erro 3 Falha de plantas na linha de semeadura.

Semeadura com densidade uniforme em toda a área, sem levar em


Erro 4
consideração as variações e potencialidades do solo.

Estes fatores, sejam de forma isolada ou em conjunto, limitam o potencial de produtividade da


cultura. É nesse contexto que a semeadura à taxa variável se apresenta como uma importante
tecnologia que contribui para aumentar a produtividade e reduzir custos.

Com a utilização de máquinas equipadas com sensores e equipamentos adequados, a semeadu-


ra à taxa variada proporciona dois importantes avanços.

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Deposição das sementes em uma maior densidade nas áreas que
Precisão na
apresentam maior potencial de produção, ou seja, que possuem os
Deposição das
melhores recursos e condições para o desenvolvimento e produ-
Sementes
ção das plantas.

Economia na Semeadura em uma menor densidade nas áreas com baixo po-
Utilização de tencial produtivo, tais como, solo de menor fertilidade ou com
Sementes limitação na parte física, proporcionando economia na utilização
de sementes e de fertilizante, que são insumos de alto custo ao
produtor.

Além disso, estas semeadoras apresentam recursos que permitem acompanhar e garantir a qua-
lidade da semeadura.

Já as semeadoras-adubadoras de precisão possuem sensores que detectam se a máquina está


ativa, desligando ou ligando automaticamente o sistema de semeadura.

Através das válvulas proporcionais e dos motores hidráulicos, é possível rea-


lizar a alteração na taxa de aplicação dos insumos, possibilitando também o
desligamento automático de seções, reduzindo o consumo de sementes e fer-
tilizantes e de sobreposições de áreas nas cabeceiras dos talhões, por exemplo.

É importante frisar que a relação entre a densidade de semeadura e a produtividade varia con-
forme a cultura, ou seja, os estandes são o resultado da semeadura mais densa ou menos densa,
de acordo com a espécie plantada.

Por exemplo, em culturas de baixo poder compensatório,


Perfilhamento
ou baixo poder de perfilhamento (como é o caso do milho),
a produtividade se torna altamente dependente da densi- Capacidade das plantas de
dade de semeadura. emitir brotação lateral.

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Estas culturas dão respostas mais positivas na operação de semeadura a
taxa variável, especialmente em áreas que apresentam grandes variabili-
dades espaciais nos atributos do solo, e portanto proporcionam maior va-
riação na taxa de semeadura, de acordo com estas características.

Recapitulando
Nesta primeira aula, você estudou que a semeadura a taxa variável é uma ferramenta de grande
importância ao produtor rural, pois visa à otimização do uso dos insumos e ao aumento da pro-
dutividade das lavouras. A distribuição de fertilizantes e sementes de acordo com a variabilida-
de dos atributos tem como objetivo aumentar a densidade de plantio nas áreas que têm maior
potencial produtivo, e reduzir a densidade naquelas com menor potencial, fazendo também o
ajuste na dose do fertilizante de acordo com esta variabilidade.

Desta forma, é possível reduzir a quantidade total de insumos utilizados, além de aumentar a
produtividade devido à utilização de critérios técnicos para determinação da taxa de semeadura
e do estande ideal de plantas na área.

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Fonte: ohn Deere http: blog.machinefinder.com .

Aula 2
Equipamentos utilizados nas semeaduras a taxa variável
Na aula anterior, você pôde conferir como é importante a semeadura ser feita sob a forma de
taxa variada. Para viabilizar esta operação, as semeadoras-adubadoras apresentam uma série de
equipamentos que permitem a inserção de informações, o acompanhamento da semeadura e a
automação da operação de forma variável e com grande precisão.

Ao fim desta aula, você deverá ser capaz de identificar os principais equipamentos utilizados nas
semeadoras para distribuição variável de sementes, e reconhecer o papel de cada um deles.

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Tópico 1
Equipamentos da semeadura à taxa variável

O sucesso do estabelecimento e produção de uma lavoura começa com uma boa semeadura e
um bom estande de plantas na área. Para tanto, alguns critérios técnicos devem ser cuidadosa-
mente determinados e acompanhados durante a semeadura, como os seguintes:

• densidade de semeadura e espaçamento entre linhas;

• profundidade de deposição das sementes;

• velocidade de deslocamento da máquina;

• quantidade e localização de deposição dos insumos, entre outros.

Assim, o conhecimento dos dispositivos responsáveis pelo funcionamento de uma semeadora


torna-se de grande importância para garantir o sucesso da semeadura.

Dentre estes dispositivos, dois deles se destacam.

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A semeadora-adubadora é uma máquina agrícola dotada de
diversos mecanismos responsáveis por proporcionar as con-
dições ideais para a deposição da semente em local, distância
e quantidade corretos. Possui dispositivos responsáveis pela
abertura de sulcos, dosagem e distribuição de sementes e fer-
tilizantes, e mecanismos responsáveis pelo fechamento deste
sulco e leve compactação do solo. As sementes e os fertilizan-
tes são colocados no solo em linhas cujo espaçamento varia
de acordo com as características de cada cultura.
Semeadoras-
adubadoras

Fonte: John Deere

Máquinas que executam apenas a semeadura durante a ope-


ração. Foram desenvolvidas para proporcionar maior capaci-
dade operacional durante a semeadura, sendo máquinas com
maior número de linhas, e que necessitam apenas do reabas-
tecimento de sementes, assim, seu tempo ocioso é menor.

Semeadora

Fonte: Massey Ferguson

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Saiba Mais

Que tal visualizar como as máquinas de agricultura de precisão controlam a deposição de


sementes? É por meio desses equipamentos precisos que se consegue estandes de forma-
ção ideal, com a densidade apropriada para cada tipo de cultivo.
Acompanhe um vídeo da empresa Massey Ferguson <www.massey.com.br> que apresenta
alguns detalhes dos equipamentos utilizados pelas plantadoras na automação da semeadu-
ra. <www.youtube.com/watch?v=7EoGhBsVfPs> ou <goo.gl/6u1OzJ>.

Para garantir a deposição da quantidade correta de sementes, as semeadoras são equipadas


com dosadores de sementes. Os mais utilizados na agricultura de precisão podem ser de disco
perfurado ou distribuidor pneumático.

Disco Perfurado Distribuidor Pneumático

Os dosadores de discos são equipados com Já os dosadores de precisão pneumáticos


discos com perfurações no formato que mais são constituídos de discos perfurados,
se adequa às características das sementes, e nos quais atuam os efeitos de pressuriza-
são dispostos na parte inferior do reservató- ção ou sucção de ar. Desta forma, através
rio, de forma horizontal, vertical ou inclinado. de um diferencial de pressão, as semen-
As sementes se encaixam individualmente tes são captadas e transportadas até a
nos furos do disco e, através de um movi- abertura de saída, em que o diferencial
mento giratório, são transportadas até a de pressão é eliminado e as sementes
abertura de saída, onde são liberadas e, por são liberadas até o solo.
gravidade, direcionadas até o solo.

Saiba Mais

Que tal assistir a um “raio X” de um sistema dosador de disco em funcionamento? A em-


presa sueca Väderstad <www.vaderstad.com/> tem um vídeo esclarecedor desse sistema.
Acompanhe! <www.youtube.com/watch?v=gSIcX3kILic> ou <https://goo.gl/mJ1y39>.

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Atenção: os dosadores de discos devem ser cuidadosamente escolhidos em
relação ao tipo e à dimensão da semente porque, no caso de incompatibili-
dade de tamanhos, pode ocorrer passagem de duas sementes no mesmo furo
do disco. Nesse caso, além da imprecisão na deposição das sementes, podem
ocorrer problemas mecânicos e travamento do sistema.

Além disso, é sempre bom ter em mente que o sistema dosador de sementes nas máquinas deve
ser escolhido de acordo com a realidade e disponibilidade de cada propriedade.

Tópico 2
Demais equipamentos importantes para a semeadora à taxa variável

As semeadoras possuem equipamentos específicos para realizar as demais funções da operação


de semeadura a taxa variável. Estes equipamentos podem sofrer alguma variação de acordo
com as máquinas utilizadas e com os seus fabricantes, mas, de forma geral, as máquinas apre-
sentam os seguintes componentes básicos.

Antena Receptora de
Sinal DGPS

É responsável por reconhecer a localização exata


da máquina durante o deslocamento na área,
possibilitando o reconhecimento da densidade de
semeadura recomendada naquele local.

Fonte: <http://www.tecnoparts.
agr.br/novidades/71-sistema-au-
to-pilot-conheca-as-vantagens>.

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Piloto Automático

Realiza o deslocamento da máquina através do siste-


ma de orientação por satélites, garantindo a precisão
da distância entre as passadas. Este sistema oferece
a opção de configuração de diferentes níveis de preci-
são nas passadas, de acordo com a recomendação e
com o erro tolerável.
Fonte: Arvus <http://arvus.com.
br pages arvus files piloto auto-
matico.pdf>.

Monitor

Centraliza os dados dos sensores e apresenta as infor-


mações sobre a semeadura, tais como: espaçamento
de plantio, área plantada, velocidade de deslocamen-
to, falha na deposição de semente ou adubo em deter-
minada linha, entre várias outras informações sobre o
plantio apresentadas em tempo real.
Monitor do controlador Topper
4500 da Stara.
Fonte: <http://www.plantiagro.
com.br/?menu=produtos&sub=-
novos&id=70>.

Utiliza a localização recebida da antena receptora


e, com base no mapa de aplicação que contém as
Controlador recomendações de densidade de semeadura em cada
localização georreferenciada, envia os comandos
para os atuadores realizarem a aplicação.

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Manômetro e Filtro

Responsáveis pelo acompanhamento da pressão e


pela limpeza dos uidos utilizados no sistema, respec-
tivamente.

Detalhe do man metro e filtro de


uma semeadora.
Fonte: Senar, 2013.

Sistema que recebe os comandos do controlador e


atua no controle da rotação dos motores hidráulicos
Válvula Eletro-Hidráulica
ou elétricos e/ou na abertura dos componentes res-
ponsáveis pela aplicação dos insumos.

Responsáveis pelo acionamento dos eixos da semen-


Motores Hidráulicos ou te e do adubo, permitem que o equipamento mude
Elétricos a taxa de aplicação instantaneamente ao entrar nas
diferentes faixas de aplicação a taxa variável. De-
pendendo do modelo da semeadora, estes motores
podem ser individuais para cada linha de plantio,
proporcionando uma variação na taxa de semeadura
no nível de cada linha. Por exemplo, é possível evitar
eventuais erros proporcionados pelo plantio em uma
curva, em que as linhas mais externas em relação à
Motor hidráulico responsável pelo curva percorrem uma distância maior, necessitando
acionamento dos eixos da semen- de um maior número de sementes. Além disso, permi-
te e do adubo. tem o fechamento de determinadas linhas para evitar
Fonte: Senar, 2013. sobressemeadura, sobretudo nas bordas da lavoura.

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Sensor de Velocidade

Através de um radar ou sensor de roda, determina a


velocidade de deslocamento da máquina. O sensor de
roda pode apresentar um erro proporcionado pela pa-
tinagem, devendo, portanto, ser regulado de acordo
com as características do solo no momento de cada
operação.

Radar sensor de velocidade.


Fonte: Garcia et. al, 2003.

Cabos e conectores

Necessários na conexão de aparelhos e implementos.

Cabos e conectores.
Fonte: Senar, 2013.

Para dar início à operação de semeadura, tão importantes quanto os equipa-


mentos que proporcionam esta tecnologia para as semeadoras são os mapas,
dados e informações corretas para que as operações sejam executadas de for-
ma precisa.

As configurações dos controladores de semeadura variam de acordo com cada marca ou mode-
lo. Portanto, para maior segurança e precisão na semeadura, o operador deve ler e reconhecer
a configuração do controlador utilizado, bem como dos demais equipamentos necessários na
operação. Algumas configurações específicas serão abordadas detalhadamente em uma aula
mais adiante.

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Saiba Mais

Confira o site da fabricante de tratores Valtra muito conhecida pelo setor sucroalcooleiro
para conhecer alguns modelos de plantadoras e adubadoras: <www.valtra.com.br/produ-
tos/implementos/plantadeiras>.
Cheque também o Material Complementar I deste curso, no fim deste m dulo. Trata-se de
um material de divulgação com especificações técnicas da plantadora adubadora Valtra
modelo HiTech BP905M.
Não esqueça que os materiais complementares deste curso também estão disponíveis para
download no Ambiente de Estudos!

Recapitulando
As semeadoras-adubadoras para agricultura de precisão são equipadas com uma série de dispo-
sitivos e equipamentos que permitem a semeadura a taxa variável. A máquina deve ser equipada
com um GPS para que, em conjunto com o controlador, reconheça a localização e a recomenda-
ção da densidade de semeadura em cada área. Através de comandos hidráulicos ou elétricos,
sempre que necessário, ocorre uma variação na rotação dos motores que determinam a distri-
buição de sementes nas linhas de semeadura. Por meio de um monitor, é possível acompanhar
todas as informações sobre a operação, por exemplo, a falta de sementes em determinada linha,
e a velocidade de deslocamento da máquina, determinada por um sensor ou radar.

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Fonte: Farm Works Mapping Software (www.ascommunications.co.uk)

Aula 3
Mapas de variabilidade na semeadura à taxa variável
A operação de semeadura a taxa variável em áreas com grande variabilidade pode reduzir gas-
tos com insumos e aumentar a produtividade da lavoura. Desta forma, os critérios utilizados para
análise e elaboração do mapa de semeadura são de grande importância.

Ao final desta aula, espera-se que você seja capaz de:

• reconhecer a importância dos mapas de variabilidade para realização da semeadura a taxa


variável; e

• enumerar formas de interpretação de mapas de variabilidade com vistas à tomada de deci-


são sobre a semeadura a taxa variável.

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Tópico 1
Variabilidade e agricultura de precisão

Como você estudou no começo do curso, os solos brasileiros apresentam grande variabilidade
espacial em seus atributos, por isso, deve-se conhecer e considerar estas variações para tomar
as decisões mais acertadas de manejo.

A esta altura, você sabe dizer prontamente qual é a diferença entre a agricultura tradicional e a
de precisão?

Agricultura Convencional Na agricultura convencional, a área do talhão é cultiva-


da como se fosse uma área homogênea, realizando-se
apenas uma análise de solo em todo o talhão, e fazen-
do todo o trato cultural com base nos valores médios
expressos pela análise. Isto leva ao desperdício, ou seja,
à aplicação de doses maiores ou menores de insumos
em determinadas subáreas dentro do talhão, quando
aplicadas em locais de baixa e alta exigência, respec-
tivamente. Este procedimento é totalmente oposto ao
utilizado na agricultura de precisão.
Fonte: Shutterstock

A agricultura tornou-se uma prática cada vez mais de-


Agricultura de Precisão licada e competitiva, o que exige grande eficiência téc-
nica, e práticas de gestão de dados por parte do pro-
dutor, para que ele possa se manter em atividade de
forma viável. Portanto, no sistema de agricultura de
precisão, as variações apresentadas na área devem ser
reconhecidas e tratadas de acordo com suas potenciali-
dades. Desta forma, as áreas com maior potencial pro-
dutivo devem receber maior investimento em insumos,
inclusive sementes e fertilizantes. Já naquelas áreas
com menor potencial produtivo, deve-se realizar uma
semeadura de menor densidade, pois sua produção é
Fonte: Shutterstock limitada, e o retorno econômico não acompanha os al-
tos investimentos.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 27


Tópico 2
Mapeamento da variabilidade

Em áreas onde há grande variabilidade nos atributos do solo, o acréscimo no retorno econômico
proporcionado pela prática da semeadura a taxa variável é muito maior do que o valor propor-
cionado pelo cultivo mais homogêneo.

Por isso, é extremamente importante analisar os mapas de variabilidade espacial e temporal da


área cultivada, para que se tenha o mapa de recomendação de semeadura ideal de acordo com
as características da área.

Fonte: Farm Works Mapping Software (www.ascommunications.co.uk)

No entanto, a análise de um mapa de variabilidade de forma isolada não passa a segurança e


não providencia as informações necessárias para garantir a melhor taxa de semeadura. Por esse
motivo, existem vários outros mapas de variabilidade espacial e temporal da área cultivada, que
in uenciam diretamente no potencial produtivo da cultura, e devem ser considerados na tomada
de decisão sobre a semeadura.

A seguir, você pode conhecer alguns dos mapas de variabilidade gerados na propriedade e suas
interpretações para elaboração do mapa de recomendação da semeadura.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 28


Inicialmente, o produtor ou o técnico deve considerar o mapa de va-
riabilidade temporal da colheita na área cultivada. Este mapa (ou
conjunto de mapas) vai mostrar as subáreas que vieram aumentando
gradativamente a produtividade safra a safra, como resposta ao ma-
nejo realizado, sendo, portanto, áreas de interesse para se investir em
incrementos de produtividade.
Apresenta também subáreas problemáticas, com baixa produtivi-
dade nas últimas safras, e que não responderam positivamente ao
manejo realizado. Na localização destas subáreas, pode ser realizado
Variabilidade
um estudo da química e da física do solo, bem como de qualquer ou-
Temporal
tro atributo que possa ser o limitador da produtividade, devendo ser
analisada a possibilidade de se corrigir o problema ou não.
Desta forma, quando se identifica que a subárea possui um limitante
de produtividade, tal como mancha de cascalho, por exemplo, de-
vem-se aceitar as baixas produções futuras e realizar um baixo in-
vestimento nesta área. Assim, a semeadura deve ser realizada com
menor densidade de sementes e com menor dose de fertilizante, fa-
zendo com que os custos com insumos sejam reduzidos, e a produção
compense os gastos.

De forma similar, os mapas de variabilidade espacial da fertilida-


de do solo devem ser analisados para cada atributo químico rele-
vante, fazendo também uma análise de todos em conjunto para que
Variabilidade se tenha uma interpretação da fertilidade geral do solo. As subáreas
Espacial da com maior fertilidade química do solo possuem maior potencial de
Fertilidade produtividade e, desta forma, o mapa pode recomendar uma maior
densidade de semeadura. Por outro lado, as subáreas com limitações
de fertilidade devem receber uma menor densidade de semeadura,
para evitar gastos desnecessários com insumos.

Os mapas de variabilidade espacial da textura do solo também


devem ser interpretados. De forma geral, os solos de textura mais
argilosa e granulometria mais fina possuem maior capacidade de ar-
mazenamento de água e maior potencial produtivo. Neste caso, as
Variabilidade
subáreas com estas características devem receber maior densidade
Espacial da
de semeadura do que aquelas que apresentam baixa capacidade de
Textura do Solo
retenção de água. Subáreas com problemas de física de solo, com-
pactação, cascalho etc., também devem receber menor densidade
de semeadura ou, em casos em que apresentam limitação extrema
quanto à produtividade, podem até deixar de ser cultivadas.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 29


Dentro do mapa de variabilidade espacial de matéria orgânica, as
subáreas mais ricas deste componente também apresentam maior
Variabilidade
potencial produtivo, devendo receber maior densidade de semeadu-
Espacial
ra do que aquelas com baixo teor de matéria orgânica. A dose de
de Matéria
distribuição do fertilizante de plantio também é variável de acordo
Orgânica
com as características do solo, e aumenta nas áreas em que há maior
potencial produtivo e maior densidade de semeadura.

Vale lembrar que existem softwares que auxiliam na interpretação em conjunto destes mapas
de variabilidade, ajudam o profissional a tomar a melhor decisão e a realizar o mapa de reco-
mendação de semeadura de acordo com a in uência de cada característica analisada sobre a
produtividade.

Para fechar esta aula, re ita um pouco sobre a seguinte questão antes de seguir para o final do
módulo: se a semeadura deve ser aplicada apropriadamente apenas nas subáreas de carac-
terísticas adequadas para a lavoura, onde serão aplicados os procedimentos de agricultura de
precisão para a correção do solo?

A taxa de semeadura e adubação é recomendada de acordo com a variabili-


dade e o potencial produtivo de cada área dentro do talhão. As variabilidades
existem, mas devem ser conhecidas e respeitadas, ou seja, trabalhadas da me-
lhor maneira possível para garantir a viabilidade do cultivo.
Inclusive, a semeadura à taxa variável só é possível e viável em áreas que
apresentam variabilidade, caso contrário, a semeadura será feita em taxa
uniforme, não justificando o investimento em tecnologia nas máquinas para
tal variação.
Assim, na operação de semeadura, trabalha-se apenas ajustando as taxas (se-
meadura, adubação) de acordo com as características da área. O tratamento
ou correção de subáreas de menor potencial produtivo por baixa fertilidade,
por exemplo, é feito em outras operações, como na distribuição de corretivos
e fertilizantes, que é o tema de outro curso dentro deste mesmo programa.

Agora, siga para o final da aula e faça as atividades de aprendizagem relacionadas ao m dulo

Agricultura de Precisão na Semeadura » 30


Recapitulando
Os mapas de recomendação da semeadura revestem-se de grande importância para o sucesso
da atividade agrícola, pois determinam as subáreas que devem receber maior ou menor densida-
de de semeadura. Para sua elaboração, todos os mapas de variabilidade espacial da área devem
ser analisados em conjunto, de forma a estabelecer as subáreas com maior ou menor potencial
produtivo. Nos locais com maior potencial de produtividade, deve-se recomendar uma maior
densidade de semeadura, visto a possibilidade de resposta e incremento de produtividade. Já
nas áreas com baixo potencial produtivo, deve-se aceitar esta menor produtividade e recomen-
dar uma pequena taxa de semeadura e de aplicação de fertilizante, de forma a reduzir os gastos
com estes insumos.

Nas pr ximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

Siga em frente e aproveite bem a atividade!

Agricultura de Precisão na Semeadura » 31


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do M dulo do Curso Agricultura de Precisão na Semeadura. A seguir,
você realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado neste módulo. Lembre-se
que as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde você também terá um
feedback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Analise as seguintes afirmativas e assinale a correta.

a) A semeadura à taxa variável deve ser feita indiscriminadamente para qualquer tipo de
solo e cultura semeada.

b) A produtividade das lavouras pode ser aumentada por meio da semeadura a taxa variável.

c) A variação na taxa de semeadura é importante mesmo nas situações em que não se co-
nhece a variabilidade da área.

d) Para maior eficiência técnica e econ mica, é importante realizar a semeadura a taxa variá-
vel, e manter a taxa de aplicação de fertilizante constante.

2. De acordo com o que você estudou nesta aula, analise as afirmativas seguintes e marque a
alternativa correta.

a) As semeadoras tradicionais possuem as mesmas características das semeadoras utiliza-


das para distribuição de sementes a taxa variável.

b) O piloto automático é dispensável, pois o operador pode garantir o mesmo espaçamento


entre as passadas da semeadora.

c) O controlador reconhece a recomendação de semeadura para cada área durante o deslo-


camento da máquina, e envia o comando para os motores ajustarem a aplicação.

d) O acionamento dos eixos de distribuição de sementes e adubo é realizado pelo sensor de


velocidade.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 32


3. Analise as seguintes afirmativas e marque a opção correta.

a) s subáreas com menor potencial produtivo devem receber maior densidade de semeadura
e maior dose de fertilizante para compensar sua produtividade.

b) Os mapas de variabilidade da produtividade da área podem ser desprezados, uma vez que
se referem a safras passadas.

c) Todos os mapas de variabilidade da área devem ser analisados em conjunto, de forma a


identificar os pontos com maior ou menor potencial produtivo.

d) Subáreas com alto teor de matéria orgânica devem, obrigatoriamente, receber maior den-
sidade de semeadura.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 33


Módulo 2
» Barra de luzes

Fonte: John Deere <http://blog.machinefinder.com>

Sabe-se que os sistemas de semeadura convencional utilizam técnicas para marcação e orienta-
ção no campo que apresentam grandes margens de erro. Para minimizá-los e garantir a precisão
do espaçamento entre as passadas, a barra de luzes se apresenta como boa solução. Você co-
nhece esta ferramenta?

Basicamente, trata-se de um sistema de orientação por satélites que determina o deslocamento


exato da semeadora durante a operação e, dessa forma, orienta o operador através de sinais
luminosos no painel, garantindo a precisão nas passadas da semeadora.

Portanto, ao longo deste módulo, serão apresentados os conceitos relativos à barra de luzes,
bem como sua importância para a semeadura, seus tipos e principais ferramentas. Vamos lá?

Atenção! Sempre que finalizar a leitura do conteúdo de um módulo, você


deve retornar ao Ambiente de Estudos para realizar a atividade de apren-
dizagem.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 3


Fonte: John Deere <http://blog.machinefinder.com>

Aula 1
A importância da barra de luzes
Através da ação da barra de luzes, a agricultura de precisão consegue aumentar a eficiência e a
precisão na semeadura. A utilização desse método implica em diminuição de custos, de danos
ambientais e culturais, evitando também sobreposições ou perdas na semeadura e distribuição
de fertilizantes.

Portanto, ao final desta aula, espera-se que você esteja apto a reconhecer as vantagens do uso
da barra de luzes para a semeadura.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 4


Tópico 1
Semeadura e Barra de Luzes

O período de semeadura normalmente segue uma agenda curta, porque é dependente das con-
dições do solo e do clima, além, claro, da disponibilidade de máquinas e funcionários etc. É pre-
ciso conciliar todos estes fatores para que a semeadura ocorra.

Neste cenário, o produtor se empenha ao máximo em ter alto rendimento nesta operação, apro-
veitando as condições climáticas favoráveis, além de esperar o mesmo de seus funcionários.
Assim, o operador pode ficar sobrecarregado com suas atividades, o que pode naturalmente
acarretar certos erros na semeadura.

Até mesmo para os operadores mais experientes e dedicados, é difícil manter um paralelismo
perfeito entre as passadas da semeadora. Portanto, mais um motivo para se utilizar a barra de
luzes.

Observe um exemplo de linhas de plantio se encontrando devido à falta de orientação correta


durante o deslocamento da semeadora-adubadora.

A finalidade princi-
pal da barra de luzes,
ou dos sistemas de
direcionamento du-
rante a semeadura, é
orientar o operador
no direcionamento
da máquina no cam-
po por meio de sinais
de satélite.

Fonte: Elaborada pelo autor.

O sistema de direcionamento via satélite com o auxílio de barra de luzes consiste em um con-
junto de sinais luminosos ligado a um processador que recebe a informação de posicionamento
de um receptor GPS. Eles oferecem a informação visual sobre a rota programada através de um
conjunto de luzes indicativas dispostas à frente do operador, que pode assim manter o equipa-
mento no caminho certo.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 5


É comum também a utilização de um visor que indica ao operador se existe algum erro em
relação ao espaçamento predeterminado. Se a máquina se desloca no sentido errado, um alerta
luminoso se acende. O nível de precisão no deslocamento pode ser então configurado, deixando
a barra de luzes mais ou menos sensível à variação do sentido de deslocamento.

Alguns modelos podem ainda armazenar e fornecer informações.

Informações sobre a operação

• Percentual do trabalho realizado.

• Mapas de semeadura.

• Ocorrência de falhas e
sobreposições.

• Velocidade de trabalho.

• Área semeada.

• Tempo gasto na operação.


Fonte: Arvus <www.arvus.com.br>.

Desta forma, conhecida a largura de trabalho, mantém-se um paralelismo


entre as passadas, evitando falhas ou sobreposições nas operações de se-
meadura.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 6


Além disso, outras vantagens podem ser alcançadas pelo uso da barra.

Vantagens

• Aumenta o rendimento operacional.

• Reduz a fadiga do operador.

• Permite a operação mesmo em condições de baixa visibilidade.

• Dá a possibilidade de se iniciar a operação em qualquer ponto da lavoura.

Recapitulando
Nesta aula, você pôde compreender que os sistemas tradicionais de semeadura utilizam deter-
minadas técnicas de orientação ou marcação que não garantem a precisão do espaçamento
entre as linhas de passadas, o que proporciona gastos maiores com insumos e também perda
de produtividade da lavoura. Desta forma, a barra de luzes, ou sistema de direcionamento, surge
como uma ferramenta importante da agricultura de precisão para orientar o operador no direcio-
namento da máquina no campo, por meio de um sistema de orientação por satélites, emitindo
sinais luminosos num painel a sua frente. O uso da barra de luzes garante uma maior precisão no
paralelismo entre as passadas da semeadora, por isso, ela representa uma importante ferramen-
ta para orientação e para garantir maior eficiência técnica e econômica ao produtor.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 7


Fonte: Trimble <www.trimble.com>

Aula 2
Tipos de barras de luzes
Na aula anterior, você teve a oportunidade de verificar o quanto as barras de luzes são impor-
tantes para a qualidade da distribuição de sementes. Mas você sabia que o produtor pode fazer
uso de vários tipos de barras?

As primeiras barras possuíam apenas uma sequência de luzes que orientava o operador quanto
ao alinhamento correto a ser seguido. Porém, como as operações de semeaduras exigem maior
rigor na qualidade do serviço, é importante empregar barras com monitor integrado ou com
sistema de autodirecionamento.

O conhecimento desses dois tipos deve ser bem assimilado pelo operador para que ele possa
fazer uso adequado dos equipamentos.

Portanto, o objetivo específico dessa aula é de que você possa diferenciar os tipos de barras de
luzes mais utilizados nas semeadoras.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 8


As barras de luzes representam um importante segmento do mercado para as empresas que
fabricam equipamentos para Agricultura de Precisão. Assim, elas apresentaram grandes avanços
desde os primeiros modelos lançados em meados da década de 1990 até os dias atuais.

A semeadura foi uma das operações que mais se beneficiaram desse avanço, uma vez que o pro-
cesso de marcação de linhas de plantio tornou-se mais simples e eficiente.

De modo geral, as barras de luzes são intercambiáveis, ou seja, as mesmas barras utilizadas no
preparo do solo, aplicação de corretivos e fertilizantes e de defensivos podem ser utilizadas na
operação de semeadura.

Assim, dois tipos de barras de luzes são mais empregados nas operações de semeadura: barra
de luzes com monitor integrado e barra de luzes com autodirecionamento.

Tópico 1
Barras de luzes com monitor integrado

A barra de luzes com monitor integrado é formada por uma sequência de 15 a 20 leds de dio-
dos emissores de luzes com cores vermelhas e verdes. Abaixo das luzes está o monitor onde é
possível verificar diversas informações. Elas são colocadas nas cabines dos tratores em locais de
fácil visualização, e normalmente ficam logo em frente ao campo de visão do operador. As telas
dos monitores mais modernos possuem tecnologia touchscreen, o que permite o acesso rápido
e amigável a diversas informações, como mapas de semeadura, erro no alinhamento, área se-
meada, densidade de sementes depositadas etc.

Touchscreen

Tela sensível à pressão, que dispensa a necessidade de outros equipamentos como teclados.

Normalmente, possuem cores de fácil visibilidade e variam de 4 a 10 polegadas.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 9


Fonte: Trimble <www.trimble.com>
Os monitores possuem uma estrutura reforçada de modo a permitir perfeito funcionamento,
mesmo com em condições severas, como a presença de umidade, poeira e elevada temperatura.

Além de orientar o operador quanto ao alinhamento adequado, os moni-


tores mais sofisticados possibilitam realizar ajustes nos mecanismos do-
sadores. Esse tipo de equipamento deve ser utilizado quando se realiza a
semeadura à taxa variável.

As barras de luzes operam mediante sinas de satélites de navegação e, nesse caso, aquelas que
captam sinais das portadoras L1 e L2 possuem melhor desempenho para a semeadura, pois re-
sultam em erros menores. Outra característica importante é a capacidade de se receber sinais
de satélites NAVSTAR e também GLONASS, permitindo assim reduzir os erros no alinhamento.

Sinais de satélites

Os tipos de satélites, sua recepção nos aparelhos de agricultura e demais equipamentos de


localização, como o sistema RTK, por exemplo, são assuntos abordados com profundidade no
segundo curso do Programa Agricultura de Precisão – Sistemas de Orientação por Satélite.

Além disso, as barras devem ser compatíveis com a tecnologia de comunicação digital serial
Controller Area Network (CAN). Essa observação se torna importante, tendo em vista o grande
número de empresas fabricantes desses produtos, e a falta de normas internacionais que as
obriguem a seguir um padrão de tamanho e forma para os dispositivos, com o objetivo de reali-
zar conexões de transferências de dados.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 10


Tópico 2
Barras de luzes com autodirecionamento

As barras de luzes com sistema de autodirecionamento são também conhecidas como piloto
automático. Surgiram do desenvolvimento tecnológico das barras de luzes mais simples, e agre-
garam capacidade de automação do trator. A finalidade básica desse sistema é direcionar auto-
maticamente o trator por meio de um mecanismo orientado pela barra de luzes, acoplado ao
sistema de direção do equipamento.

Fonte: Plantium <http://plantium.com/>

Diferentemente do sistema anterior, nesse caso, o alinhamento é mantido sem a necessidade


de intervenção do operador. Para tanto, a barra de luzes pode estar associada a dois tipos de
sistemas de automação: o piloto automático universal e o piloto automático integrado.

É constituído de um mecanismo de atuação que controla a coluna


Piloto de direção do trator, podendo ser fixado lateralmente à coluna e
Automático acionar o volante por um dispositivo móvel na extremidade de um
Universal motor elétrico (piloto universal elétrico), podendo ainda substituir
o volante através de uma estrutura adaptada (piloto automático
eletromecânico).

Agricultura de Precisão na Semeadura » 11


Um sistema mais avançado de automação é o piloto automático
integrado. Ele consiste em vários componentes que são ligados
Piloto
diretamente à parte elétrica e hidráulica da barra de direção do trator.
Automático
Nesse caso, pode gerar erros menores pelo fato de atuar diretamente
Integrado
na coluna de direção do trator, não sendo afetado pelas eventuais
folgas que podem existir no eixo do volante.

Bem, independentemente do tipo de piloto automático utilizado, todos possuem um monitor


com uma barra de luzes para que o operador possa acompanhar o funcionamento de todo o sis-
tema e intervir na operação, se necessário. Outra semelhança entre os tipos de piloto automático
é que eles operam com o sinal corrigido com tecnologia RTK. Para tanto, é preciso uma base fixa,
cujas coordenadas são conhecidas e utilizadas para corrigir erros existentes no posicionamento
informado pelos satélites. Esses sinais corrigidos são enviados para outra base móvel que é po-
sicionada no trator.

Os pilotos automáticos também trabalham com um sistema de correção das inclinações impos-
tas pelo terreno, que eventualmente poderiam comprometer a distribuição de sementes pela
variação da pressão no interior do depósito.

Saiba Mais

Antes de avançar no curso, que tal conferir a apresentação de um modelo de barra de luzes
da empresa Jacto <www.otmis.com.br>? Uma matéria do programa de TV Marcas e Máqui-
nas, do Canal Rural <www.canalrural.com.br>, sobre este equipamento, pode ser visualiza-
do no seguinte link: <www.youtube.com/watch?v=sP_FRpU4G3g>.

Recapitulando
Nesta aula, você pôde verificar que os tipos de barras de luzes mais adequados para a operação
de semeadura são aqueles que apresentam monitor integrado e sistema de autodirecionamento.
O primeiro tipo consiste em uma sequência de luzes ou setas vermelhas e verdes, que indicam
ao operador para onde direcionar o trator em caso de falta de alinhamento. O segundo sistema
de barra de luzes é comumente conhecido como piloto automático e é mais avançado do que o
primeiro. Este último gera erros menores pois, nesse caso, a direção é monitorada e executada
por mecanismos eletrônicos posicionados diretamente no volante na barra de direção.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 12


Fonte: Shutterstock

Aula 3
Configuração dos componentes das barras de luzes
Os procedimentos de configuração das barras de luzes para a operação de semeadura são se-
melhantes aos procedimentos de configuração das operações de distribuição de corretivos e
fertilizantes e aplicação de defensivos. Este fato indica que é muito importante que o operador
conheça adequadamente as características da semeadora e atente para os detalhes operatórios
que o modelo de barras utilizado possa exigir para a operação de plantio.

Para tanto, o operador deve estar familiarizado com as partes constituintes do equipamento e
realizar sua montagem de forma adequada.

Os objetivos específicos desta aula são:

• reconhecer os componentes da barra de luzes; e

• enumerar e compreender os procedimentos de configuração da barra de luzes.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 13


Tópico 1
Componentes da barra de luzes

As barras de luzes evoluíram de forma sistemática nos últimos anos, e seus componentes estão
cada vez mais sofisticados. Acompanhe na ilustração os componentes típicos de um sistema de
barra de luzes atual.

Barra de luzes

Ventosa

Monitor

Chicote

Conectores

Receptor de sinais GNSS

Fonte: Adaptada de John Deere <https://stellarsupport.deere.com>. (https://stellarsupport.deere.com/pt_BR/Su-


pport/pdf/ompfp10057_Lightbar.pdf)

Agricultura de Precisão na Semeadura » 14


Tópico 2
Instalação da barra de luzes

Ao fixar a barra de luzes dentro da cabine, deve-se atentar para alguns cuidados importantes,
visando manter condições apropriadas de trabalho e boa estrutura operacional. O monitor e
barra, por exemplo, algumas vezes são partes constituintes da mesma peça e devem ficar no
campo de visão e ao alcance das mãos do operador, sem dificultar a visibilidade de outras partes
importantes, como painel, alavancas e parte frontal do trator.

O monitor e a barra são fixados por ventosas que se prendem ao vidro do para-brisas ou à coluna
da capota por pressão. O local de fixação deve ser adequadamente higienizado para facilitar a
fixação, e contribuir com o prolongamento da vida útil da borracha da ventosa.

Cuidados com a ventosa

Atenção ao local de aplicação da ventosa: ele deve ser limpo com pano úmido e preferen-
cialmente com limpadores e condicionadores recomendados pelo fabricante. Nunca com
solventes, gasolina ou outros produtos agressivos à borracha.

A seguir, confira um breve check list de cuidados para uma correta instalação da barra de luzes.

Se possível, deve-se escolher pontos de fixação em que não incidam


raios solares de forma direta. Além de melhorar a visibilidade na tela
Evite a do monitor, isso garantirá maior vida útil do monitor. Deve-se atentar
incidência de também para não cobrir totalmente os avisos dos fabricantes (nor-
sol no monitor malmente indicados por adesivos), pois eles são importantes para
alertar o operador sobre o funcionamento adequado e seguro do sis-
tema.

O receptor deve ser posicionado na parte externa do trator para que


Posicione possa captar o sinal corrigido advindo da base fixa do sistema RTK. A
corretamente o fixação do receptor pode ser feita por um sistema de ventosa ou por
receptor meio de base imantada. Nos dois casos, deve-se limpar adequada-
mente o local de fixação conforme descrito anteriormente.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 15


Deve-se também ter um cuidado especial com a passagem dos chico-
tes (cabos) de transmissão de dados e de alimentação. Identifique os
locais adequados para sua passagem de modo que eles não corram o
risco de ser prensados e de se romperem. Isso pode acontecer quan-
do se posiciona os cabos entre aberturas de portas e janelas, por
exemplo. Lembre-se de que os locais de passagens variam conforme
Atenção à o tipo do trator.
passagem dos Dica: Caso o modelo de trator não esteja preparado para receber
chicotes essa estrutura, pode-se providenciar uma abertura na parte metáli-
ca da cabine de modo que ela permita a passagem dos cabos, mas
que também possa ser adequadamente vedada e não comprometa
a estrutura da cabine com eventual entrada de poeira e umidade. Os
chicotes de alimentação podem ser ligados diretamente à bateria por
conectores ou a pontos de energia disponíveis no interior da cabine
do trator. A primeira opção é a mais indicada pelos fabricantes.

Tópico 3
Configuração da barra de luzes

Uma vez instalada a barra de luzes, é preciso configurar o seu monitor. Para fazer esta configu-
ração, o operador deve realizar treinamento específico para o modelo que tem à sua disposição.
Em geral, os fabricantes providenciam esse treinamento no momento da entrega do produto.
Além disso, deve ser feita uma leitura atenta e constante no manual para tirar qualquer dúvida.
O manual deve ser conservado em local de fácil acesso onde possa ser bem preservado.

É fundamental que o operador conheça o trator e a semeadora que vai operar. Além de
proporcionar melhor qualidade do serviço, esse conhecimento está relacionado com questões
de segurança durante a operação.

A largura de trabalho é uma das primeiras informações que será utilizada durante os procedi-
mentos de configuração do monitor da barra de luzes. Esses procedimentos variam de acordo
com o modelo e fabricante do equipamento.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 16


Para a configuração da barra de luzes, é bastante importante saber
definir a largura nominal de trabalho, que influencia diretamente
na qualidade da distribuição de sementes. Acompanhe a imagem
para compreender a largura nominal de trabalho da semeadora,
também chamada de distância entre passadas.

Largura
nominal de
trabalho

Distância entre passadas


ou largura nominal

Fonte: Adaptada de Jumil <www.jumil.com>

Destacam-se, ainda, os seguintes passos para a correta configuração da barra de luzes.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 17


Registro Após a determinação da largura nominal de trabalho, o valor deve ser
da largura inserido no monitor, considerando a unidade de medida empregada
nominal de pelo equipamento. Lembre-se de que ela deve ser a mesma para to-
trabalho das as outras distâncias a serem referenciadas no monitor.

Depois de devidamente instalada, deve-se indicar a posição horizon-


tal e vertical da antena em relação ao centro da semeadora, pois a
Registro da
referência de todo o monitoramento pelo satélite é a posição da an-
posição da
tena. Para tanto, deve-se informar no monitor a altura da antena e sua
antena
distância na parte da frente ou na de trás, e à esquerda ou à direita da
máquina.

Utiliza-se essa função quando se deseja operar apenas com parte dos
Registro das mecanismos de distribuição de sementes. Esse procedimento se ade-
seções a serem qua às operações nas bordaduras e arremates de plantio. Nesse caso,
utilizadas o equipamento deve ser dotado de válvulas que permitam a abertura
e o fechamento em cada unidade semeadora separadamente.

Registro Essa é uma das partes mais importantes durante a preparação da bar-
das guias de ra de luzes. Trata-se da definição do percurso que o equipamento irá
referências realizar. Acompanhe na sequência mais informações a respeito.

No caso da definição das guias de referência, no geral têm-se três possibilidades de percursos
para se percorrer no plantio.

Permite definir um ponto inicial, chamado ponto A e um ponto final,


chamado ponto B. Entre esses dois pontos o monitor desenha uma
Reta reta de referência. Essa função é utilizada em terrenos planos, com
formatos quadrados ou retangulares.

Ao definir o ponto inicial A, o monitor mostra uma guia em forma


circular como caminho. Os círculos são concêntricos e se iniciarão na
parte de fora do círculo em direção ao centro com incrementos da
Círculo
largura programada. Essa função é mais empregada em plantio sob
pivô central, no qual o trator deve percorrer o mesmo sentido das
linhas de plantio.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 18


Permite definir um ponto inicial A e outro final B. Em seguida, é mos-
Curva trada uma linha de acordo com o percurso feito pelo equipamento
entre os dois pontos. A função em curva é utilizada principalmente
quando o trator deve percorrer um trajeto seguindo curvas de nível.

Para a definição dos trajetos, deve-se posicionar o trator no ponto que representa o início da
operação (ponto A). Em geral, as telas dos monitores indicam para o operador o momento de
pressionar a tecla com a letra correspondente ao ponto que deve ser marcado. Nesse caso, a
tecla irá piscar, indicando a necessidade de definir esse ponto.

A B C D

Ponto de ajuste A/Diminuir Botão modo LEDs (Vermelhos)


brilho dos LEDs/Botão indicadores de rastreamento
diminuir espaçamento LED indicador de de desvio à esquerda/
entrada do operador Diminuir rastreamento
Ponto de ajuste B/Botão
centralizar pista LED indicador de LEDs (Verdes) indicadores de
qualidade de sinal rastreamento centralizado
Ponto de ajuste C/Aumentar do GPS
brilho dos LEDs/Botão LEDs (Vermelhos)
aumentar espaçamento indicadores de rastreamento de
desvio à direita/Aumentar
rastreamento

Fonte: Adaptada de John Deere <https://stellarsupport.deere.com>.


(https://stellarsupport.deere.com/pt_BR/Support/pdf/ompfp10057_Lightbar.pdf)

Agricultura de Precisão na Semeadura » 19


B C Em seguida, o operador deve realizar o percurso desejado e, ao final
X dele, parar o trator e pressionar a tecla B, que deverá estar piscando.
Assim, o trajeto A-B terá sido registrado.

Na sequência, o operador faz a manobra de cabeceira e posiciona o


trator em local que seja igual ao espaçamento entre passadas, definido
anteriormente. Nesse momento, é registrado o ponto C, que será defi-
nido como a distância entre as passadas.

Depois, serão geradas infinitas retas paralelas que servirão de guia


para o operador.
A

Saiba Mais

Para visualizar uma simulação de configuração e operação de barra de luzes, acesse o site
da Plantium AG-Electronica, empresa sediada em Curitiba-PR, no seguinte endereço: <www.
plantium.com.br/Resources/Puntoab.swf>

Recapitulando
Nesta aula, você estudou que para configurar a barra de luzes utilizadas nas semeadoras é muito
importante estudar as características da máquina utilizada, bem como a correta instalação dos
equipamentos no trator. Durante a configuração, deve-se atentar para os detalhes exigidos pelo
modelo da barra, como as unidades de medidas e a própria sequência de execução dos proce-
dimentos.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

Siga em frente e aproveite bem a atividade!

Agricultura de Precisão na Semeadura » 20


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 2 do Curso Agricultura de Precisão na Semeadura. A seguir, você
realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado neste módulo. Lembre-se que
as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde você também terá um fee-
dback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Sobre a importância da barra de luzes na agricultura, analise as seguintes afirmativas e mar-


que a correta.

a) No sistema de semeadura com riscadores de solo, a precisão na semeadura é igual ou


maior do que na agricultura de precisão.

b) O aumento da precisão no deslocamento da semeadora favorece o aumento da eficiência


econômica da atividade agrícola.

c) A utilização da orientação por barra de luzes reduz o tempo de trabalho da máquina du-
rante o dia.

d) O funcionamento da barra de luzes é orientado pela barra de direção do trator.

2. Considerando os tipos de barras de luzes apresentados nesta aula, analise a alternativa


correta.

a) As barras de luzes com monitores integrados são mais eficientes na correção do alinha-
mento das semeadoras em relação àquelas com piloto automático.

b) As barras de luzes com monitores permitem ajustes apenas no alinhamento da semeadora.

c) As barras de luzes com piloto automático universal geram erros elevados devido aos erros
existem nos sinais dos satélites.

d) As barras de luzes com piloto automático integrado são constituídas de dispositivos colo-
cados diretamente no volante ou na barra de direção do trator.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 21


3. Considerando os procedimentos de configuração das barras de luzes utilizadas nas semea-
doras, analise a alternativa correta.

a) A fixação do monitor e do receptor de sinal GNSS deve ser feito por parafuso para permitir
maior robustez durante a operação.

b) Nas cabines fechadas dos tratores, os chicotes de transmissão de dados e de alimentação


devem ser pressionados nas aberturas das portas e janelas.

c) A largura nominal de trabalho é utilizada para configurar o monitor da barra de luzes.

d) As guias de referência traçadas no monitor das barras de luzes utilizadas nas semeadoras
são apenas retas.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 22


Módulo 3
» Mecanismos distribuidores de sementes e fertilizantes

Fonte: Indústria de Implementos Agrícolas Vence Tudo <www.vencetudo.ind.br>.

A esta altura do curso, você já estudou que existe uma grande diversidade de equipamentos e
recursos para se alcançar uma melhor precisão no processo de semeadura. Além de todo o ma-
quinário técnico já estudado, é importante destacar também os distribuidores de sementes e fer-
tilizantes para o adequado estabelecimento dos estandes. Deles dependem a correta dosagem
e a deposição uniforme no solo das sementes e dos adubos. Para fazer uso adequado desses
mecanismos, os operadores devem conhecer as características de cada distribuidor visando à
regulagem correta.

Atenção! Sempre que finalizar a leitura do conteúdo de um módulo, você deve


retornar ao Ambiente de Estudos para realizar a atividade de aprendizagem.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 3


Fonte: Shutterstock

Aula 1
Tipos de mecanismos distribuidores de sementes e fertilizantes
A evolução das semeadoras-adubadoras e de seus mecanismos distribuidores foi muito impor-
tante para o crescimento do potencial produtivo que a maioria das lavouras possui atualmente.

Esses mecanismos distribuidores desempenham um papel fundamental na qualidade do esta-


belecimento do estande final, pois são responsáveis por dosar as quantidades que deverão ser
depositadas de acordo com a regulagem preestabelecida.

Com o advento da agricultura de precisão, eles se tornaram um assunto muito estudado para
que pudessem se tornar cada vez mais automatizados e realizar a distribuição a taxas variadas.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 4


Atualmente, o mercado oferece uma gama elevada de tipos de distribuidores de sementes. Isso
possibilita que as semeadoras possam ser utilizadas para o plantio de diferentes espécies vege-
tais, aumentando, assim, a disponibilidade de alimentos para a humanidade.

Basicamente, os tipos de mecanismos existentes podem ser classificados como em linha e a


lanço, como você vai ver a seguir.

Ao final desta aula, você deve ser capaz de diferenciar os tipos de mecanismos distribuidores de
sementes e fertilizantes que equipam as semeadoras-adubadoras.

Tópico 1
Distribuidores de sementes em linha

Os distribuidores de sementes em linha fazem a colocação das sementes em linha contínua ou


com precisão. O primeiro caso é ideal para as sementes miúdas como arroz, trigo, forrageiras e
hortaliças; já o segundo é destinado para as sementes ditas graúdas como soja, milho e feijão.
Eles podem se apresentar nos seguintes tipos:

• disco perfurado;

• correias perfuradas;

• cilindro canelado; e

• distribuidor pneumático.

O disco perfurado pode ser posicionado na horizontal, na vertical ou inclinado. A depender do


modo de posicionamento, têm-se diferentes formas de furos, giros e posições para encaixe da
semente. Confira um exemplo de cada disco mencionado.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 5


O princípio de dosagem das sementes baseia-se na
sua rotação sob a massa de sementes. O disco pos-
sui aberturas ou células, fica posicionado horizontal-
mente, e gira no fundo do depósito de sementes. As-
Disco Perfurado
sim que o disco gira, as sementes caem nas células
Horizontal
do disco e são impulsionadas para baixo através de
dedos preensores. Os discos são discriminados pelo
tamanho e número dos furos e pela espessura. Os fu-
ros podem ser redondos, ovais ou com aberturas nas
laterais para encaixe das sementes.

A especificação desta ferramenta é feita pela apre-


sentação da sequência de três números:
Fonte: <http://www.baldan.com.br/pro-
duto/smb-semeadora-multipla-baldan. • o primeiro número refere-se ao tamanho do furo
html>. de acordo com o formato da semente;

• o segundo, ao número de furos existentes no disco;

• o terceiro à espessura do disco.

Como os discos apresentam espes-


suras diferentes, deve-se colocar
um calço, também conhecido como
disco base, para evitar eventuais
folgas que possam existir no fundo
do reservatório impedindo danos
às sementes e erros na dosagem.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 6


Disco Perfurado Vertical

Os discos para distribuição em linha posicionados


na vertical ficam alojados no fundo do reservatório e
possuem em sua periferia várias células, cujo tama-
nho é compatível com o tamanho da semente utiliza-
da. O disco gira dentro do depósito em contato com
a massa de sementes. Ao passar pelas sementes, elas
se alojam nas aberturas e são levadas até o duto de
descida para o solo com o movimento de rotação do
disco.
Fonte: Adaptada de José Geraldo da Silva
- Embrapa Arroz e Feijão

Disco Perfurado Inclinado

O disco trabalha em posição inclinada em relação ao


depósito. As sementes são elevadas do fundo do re-
servatório até uma bica localizada no topo do plano
inclinado, sobre o qual o disco gira. A transferência
das sementes para o dispositivo de deposição é fei-
ta sem o auxílio de dispositivos mecânicos, garantido
menores danos às sementes. Elas são presas nos fu-
ros dos discos e elevadas à medida que o disco gira.
Chegando à parte superior, um derrubador de semen-
tes força a sua saída, através da mangueira conduto-
ra. Devido à inclinação, o excesso de sementes é eli-
minado pela gravidade conseguindo-se, assim, uma
maior regularidade na semeadura.
Fonte: Adaptada de José Geraldo da Silva
- Embrapa Arroz e Feijão

Além dos discos perfurados, a distribuição precisa de sementes em linha ainda pode ser feita por
correias perfuradas, cilindro canelado ou distribuidor pneumático. Acompanhe as respectivas
descrições.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 7


Correias perfuradas As correias perfuradas se adequam bem à distri-
buição das sementes miúdas que, em geral, são
sensíveis aos danos mecânicos. As correias são
dotadas de orifícios devidamente projetados para
cada dimensão da semente a ser semeada.
Durante o funcionamento da semeadora, a correia
passa sob a massa de sementes que se aloja nos
orifícios dosadores. Quando a correia passa sobre
o orifício de saída, as sementes são expelidas para
Fonte:<http://slideplayer.com.br/slide/355662/>. o tubo de sementes, que as conduz para o solo.

Cilindro canelado
Os cilindros canelados são dispositivos utilizados
para distribuição de sementes em linha contínua.
Eles apresentam uma série de ranhuras e giram
sob o depósito de sementes. Em geral, são fabrica-
dos em náilon ou em outro material não oxidável.
Fonte: Fonte: Adaptada de Balastreire.

Os distribuidores pneumáticos são modelos mais


avançados em relação aos demais tipos mencio-
nados anteriormente. Nesse caso, a semeadora
Distribuidor pneumático necessita de um ventilador acionado pela toma-
da de potência, que cria uma corrente de ar res-
ponsável por pressionar as sementes nos discos
dosadores. Essa pressão pode ser positiva (sopro)
ou negativa (vácuo). O princípio de funcionamen-
to se baseia no giro do disco impulsionado pelo
movimento da roda que toca o solo. Ao mesmo
tempo, o disco recebe um fluxo de ar proveniente
do ventilador, ao lado do depósito das sementes,
que se alojam em cada orifício do disco pela ação
da pressão exercida pelo ar.
As sementes aderidas aos orifícios são conduzi-
das pelo giro do disco até uma câmara onde não
Fonte: <http://tiagofrancetto.blogspot.com. há a ação do jato de ar. Desta forma, a semente é
br/2014/04/desempenho-de-tubos-condutores-de. colocada no tubo de descida, que a conduz até o
html>. sulco. Apesar de necessitarem de maior manuten-
ção, estas semeadoras proporcionam baixo nível
de danos mecânicos às sementes e boa uniformi-
dade de distribuição.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 8


Saiba Mais

Na indicação de vídeo a seguir você poderá visualizar o funcionamento de um distribuidor


de semente pneumático da marca Tatu Marchesan. Não deixe de assistir! <www.youtube.
com/watch?v=eaBQ1GTBfVQ> ou <http://goo.gl/Vt7iJb>.

Tópico 2
Distribuidores de sementes a lanço

Uma vez conhecidos os distribuidores de semente em linha, é hora de aprender sobre os me-
canismos de distribuição a lanço. Estes mecanismos basicamente espalham as sementes pela
força centrífuga, podendo fazer a distribuição a lanço tanto de fertilizantes granulados como de
sementes em geral.

Eles podem ser dos tipos rotor centrífugo ou canhão pendular.

Os rotores centrífugos possuem um rotor acionado


Rotor centrífugo pela TDP dotado de alertas responsáveis pelo lan-
çamento das sementes na área.

Seus principais componentes são:

1) mecanismo dosador volumétrico de tipo estei-


ra transportadora;

2) chapa raspadora;

3) cardã para acionamento da esteira; e

Fonte: Mialhe. 4) mecanismo distribuidor de tipo rotor duplo.

TDP

Tomada de Potência.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 9


Canhão pendular
Os distribuidores do tipo canhão pendular pos-
suem um tubo oscilatório de lançamento das se-
mentes. Seus principais componentes são:

1) Reservatório;

2) Dosador gravitacional;

3) Agitador mecânico;

4) Alavanca reguladora de vazão; e

Fonte: Fonte: Adaptada de Balastreire & 5) Pêndulo.


Coelho.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 10


Saiba Mais

A Tomada de Força ou Tomada de Potência (TDP) está localizado na parte traseira do trator
e tem a função de conduzir a potência do motor (torque e rotação) para mover as máquinas
e os equipamentos agrícolas acopladas ao trator como roçadeiras, pulverizadores, distribui-
dores, etc.

Fonte: John Deere

Fonte: Wikipedia

Agricultura de Precisão na Semeadura » 11


Tópico 3
Distribuidores de fertilizantes

Alguns distribuidores de fertilizantes possuem as mesmas características dos distribuidores de


sementes. Por exemplo, alguns possuem cilindro canelado e/ou a lanço. Há também tipos mais
específicos para a distribuição de fertilizantes, conforme você verá a seguir.

Disco horizontal rotativo

É constituído por um disco rotativo liso acopla-


do no fundo do depósito de fertilizante, que gira
contra uma lingueta e direciona o adubo para um
orifício de saída.

Fonte: Fonte: Adaptada de Balastreire.

Rotor dentado

Constituído de um rotor, montado no fundo do de-


pósito, que gira sobre uma placa de apoio que con-
tém o orifício de saída do fertilizante.

Fonte: Fonte: Adaptada de Balastreire.

Dosador helicoidal

O dosador helicoidal é constituído por um parafu-


so sem fim colocado sob o depósito de adubo. É o
tipo mais utilizado.

Fonte: Adaptada de Balastreire.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 12


Recapitulando
Nesta aula, você teve a oportunidade de conhecer os tipos de mecanismos distribuidores de
sementes e fertilizantes. Eles são muito diversificados de modo a atender às características dos
diferentes tipos de sementes. Dentre aqueles que distribuem sementes, destacam-se os que fa-
zem a distribuição em linha e a lanço. Os distribuidores em linha mais utilizados são os de disco
dosador horizontal, correias perfuradas, cilindro canelado e pneumático.

Para a distribuição de fertilizantes, há o cilindro canelado, eixo helicoidal, rotor centrífugo e ca-
nhão pendular.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 13


Fonte: Shutterstock

Aula 2
Regulagem dos mecanismos distribuidores de sementes e
fertilizantes
A regulagem dos mecanismos distribuidores de sementes e fertilizantes vai definir todo o suces-
so da operação. As sementes precisam ser depositadas de forma a criar bons estandes, equidis-
tantes e em espaçamentos que favoreçam o crescimento das plantas sem competição entre elas.

Além disso, o fertilizante também deve ser uniformemente distribuído para evitar fitotoxicidade
pelo excesso, ou baixa produção pela pequena quantidade depositada. A definição das quantida-
des de sementes e adubos também é importante para o ajuste da distribuição a taxas variáveis.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 14


Neste contexto, a regulagem dos mecanis-
mos dosadores de sementes e fertilizantes
envolve vários fatores, e deve ser realizada
de forma cuidadosa, sob pena de compro-
meter a quantidade de plantas na área e
prejudicar a produção final. Ela é dividida em
duas etapas: regulagem da semente e a re-
gulagem do fertilizante.

O objetivo desta aula, portanto, é que ao final


você seja capaz de enumerar e compreender
procedimentos de regulagem dos mecanis-
Fitoxicidade: Ação tóxica que uma substância provoca nas
mos distribuidores de sementes e fertilizan- plantas, ou seja, quando uma substância prejudica o de-
tes para a semeadura a taxa variável. senvolvimento da planta (no caso de dosagem errada).

Tópico 1
Regulagem quantidade de semente

Para compreender como se calcula a quantidade de semente a ser depositada, vamos usar um
exemplo apropriado. Considere que o objetivo seja regular uma semeadora de milho com os
parâmetros definidos a seguir.

Obter um estande de 50.000 plantas por hectare, com espaça-


Objetivo
mento entre linhas de 0,5 m.

Características
As sementes possuem poder germinativo de 85% e pureza de
das Sementes e
98%, as plântulas possuem índice de sobrevivência de 90%.
Plântulas

Capacidade de A capacidade de enchimento do disco dosador horizontal é de


Enchimento 90%.

É importante considerar a patinagem ou deslizamento (perda de


contato da roda motriz com o solo), e a consequente falha no
Observações acionamento dos mecanismos dosadores. Nesse caso, considera-
remos uma perda de 10% na eficiência da roda motriz devido ao
deslizamento, supondo que seu diâmetro é de 0,70 m.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 15


Em posse dessas informações, é importante dividir os cálculos em cinco etapas. Cada uma delas
será representada por uma equação.

Empregando-se a equação abaixo, pode-se determinar a quantidade


de sementes que deverá ser distribuída por hectare.
(transformar equações em imagens)
STAND
NS =
GxPxV

Equação 1 NS=número de sementes por hectare, sem. ha-1;


STAND = número de plantas desejado, pl. ha-1;
G = poder germinativo das sementes, %;
P= pureza da semente, %;
V = índice de sobrevivência das plântulas, %.
Logo:
50.000
NS = NS = 66.693 sem ha-1
0,85 x 0,98 x 0,90

Para transformar esse valor em sementes que deverão ser distribuídas


por metro, pode-se proceder da seguinte forma.
Primeiro, determina-se quantos metros a semeadora irá percorrer em
um hectare, de acordo com o espaçamento entre linhas:
10.000 m 2 ha
L=
0,5
Equação 2
Em que:
L = distância percorrida pela semeadora em um ha, m.ha-1;
E = espaçamento entre linhas, m.
Logo:
10.000 m 2 ha
L =L = 20.000m.ha -1
0,5

Agricultura de Precisão na Semeadura » 16


Segundo, pode-se determinar quantas sementes deverão ser deposi-
tadas por metro linear através da fórmula:
NS
NS.m =
Equação 3 L
Em que:
NS.m = número de sementes por metro, sem.m-1.
Logo:
66.693sem.ha-1
NSm (sem.m-1) = NSm = 3,33sem.m-1
20.000

Considerando-se a capacidade de enchimento do disco de apenas


90%, o espaçamento entre as sementes será determinado da seguinte
forma:
1
EES = xC
NS m

Equação 4
Em que:
EES = espaçamento entre sementes, m.sem-1;
NSm = número de sementes por metro;
C = capacidade de enchimento do disco dosador, %.
Logo:
1
EES = x 0,90 EES = 0,27m.sem-1
3,33

Deve-se considerar também o deslizamento. Nesse caso, a semeadora


irá se deslocar a uma distância 10% superior à distância teórica.

Assim, pode-se determinar a quantidade de sementes que deve ser


Equação 5 depositada por volta da roda motriz, ou seja:

P 2,41
Sem.volta -1
= Sem.volta-1 = Sem.volta-1 = 9sem.volta-1
EES 0,27
P = Perímetro da roda motriz, m.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 17


Ao final dos cálculos, concluímos que a semeadora deve ser regulada
da seguinte maneira:
Conclusão
Número de sementes por cada volta da roda motriz: Nove sementes.

O que isso representa? 3,43 sementes de milho por metro percorrido


pela roda dentro na área de plantio.

Atenção! Essa regulagem deve ser fei- Lembre-se de que a quantidade de


ta no local da semeadura, deslocando sementes depositada pode ser alte-
a máquina por alguns metros e verifi- rada pela troca dos discos dosado-
cando a quantidade de semente deixa- res ou pela alteração na velocida-
da em cada metro. de de rotação dos mecanismos de
transmissão que acionam os dosa-
Deve-se fazer essa averiguação em vá-
dores. Os mecanismos de transmis-
rios pontos diferentes, considerando
são são formados por engrenagens
uma área de pelo menos dez metros
motoras e movidas, cuja relação é
depois e dez metros antes do local onde
diretamente proporcional à veloci-
a máquina estiver parada.
dade dos mecanismos dosadores.

Saiba Mais

Normalmente, os fabricantes disponibilizam tabelas que apresentam a configuração aproxi-


mada para o mecanismo de transmissão de diversas quantidades de sementes. Entretanto,
deve-se sempre conferir se a configuração selecionada está proporcionando a distribuição
desejada devido ao deslizamento, que pode variar de acordo com o tipo de solo.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 18


Tópico 2
Regulagem da quantidade de adubo

Depois da regulagem de sementes, é hora de entender como se fazem os cálculos para regula-
gem do adubo no caso da semeadora de milho. O raciocínio é similar, e a seguir serão apresen-
tadas duas etapas por meio de equações.

Primeiramente, deve-se determinar a quantidade de adubo que deve


ser aplicada por metro. Considerando-se os dados apresentados an-
teriormente, e que se deseja aplicar 400 kg ha-1 de fertilizante, pode-se
proceder da seguinte maneira:

q
Q= .1000
L
Equação 1
Em que:
Q = quantidade de adubo, g m-1;
Q = dosagem recomendada, kg ha-1
L = distância percorrida, m ha-1.
Logo:

400 x 1000
Q= Q = 20gm -1
20000

Em seguida, considerando-se o deslizamento da roda motriz igual a


10%, deve-se determinar uma quantidade de adubo 10% superior ao
Equação 2 deslizamento para compensar as perdas pela falha no contato da roda
motriz com o solo.
Logo:

Q = 40gm-1 x110 Q = 44gm-1

Agricultura de Precisão na Semeadura » 19


Ao final dos cálculos, tem-se:

Quantidade média de adubo a ser depositada por metro? 44 g.

Como confirmar se a quantidade está correta? Essa verificação pode ser feita
colocando-se um recipiente na saída do tubo de descida e coletando a quantida-
de depositada no recipiente em dez metros. No caso, deve-se coletar 440 g.

Aferição alternativa:
Conclusão Outra forma de conferir se a quantidade de adubo depositada está correta é atra-
vés da análise do número de voltas na roda motriz suspensa.
Considerando-se que a roda motriz possui um diâmetro de 0,70 m, tem-se que o
seu perímetro (PI x D) é de 2,199 m por volta.

Logo:

Q = 41,6gm-1 x2,199mvolta-1 Q = 91,48gvolta-1

Pode-se suspender a roda e girá-la dez voltas. A quantidade de fertilizante depo-


sitado deverá ser de 914,8 gramas.

Saiba Mais

O ajuste na quantidade de adubo depositado é feito por meio da variação da velocidade e


ou de abertura dos mecanismos dosadores. Para as aplicações a taxas variadas na agricul-
tura de precisão, as quantidades de sementes e fertilizantes podem ser ajustadas automati-
camente, de acordo com mapas de variabilidade. Para tanto, os mecanismos distribuidores
devem ser conectados a válvulas controladas pelo monitor de plantio. Avance para o módu-
lo seguinte e você saberá mais sobre o assunto.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 20


Recapitulando
Nesta aula, você pode verificar que a regulagem dos mecanismos distribuidores requer especial
atenção para a determinação da quantidade de sementes e adubos que serão depositados no
solo. Deve-se atentar para fatores como: características das sementes, capacidade de enchimen-
to do disco dosador e patinagem. Em geral, coloca-se no solo uma quantidade de semente su-
perior ao número de plantas desejado devido às perdas. Os ajustes nas quantidades de semen-
tes são feitos pela troca dos discos dosadores e pela variação de velocidade nos dosadores. A
quantidade de fertilizante é alterada pela abertura e ou pelo aumento de rotação dos dosadores.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

Siga em frente e aproveite bem a atividade!

Agricultura de Precisão na Semeadura » 21


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 4 do Curso Agricultura de Precisão na Semeadura. A seguir, você
realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado neste módulo. Lembre-se que
as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde você também terá um fee-
dback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Considerando os tipos de mecanismos dosadores de sementes e fertilizantes apresentados


nesta aula, marque a alternativa correta.

a) Os orifícios do disco horizontal possuem formato redondo para se adequarem a todas as


sementes.

b) Os mecanismos distribuidores de sementes do tipo correia perfurada são mais utilizados


para as sementes graúdas.

c) Os mecanismos distribuidores de sementes do tipo pneumático proporcionam poucos


danos às sementes pelo fato de operarem com corrente de ar.

d) Os mecanismos distribuidores de fertilizantes tipo rotor centrífugo possuem discos rota-


tivos com furos regulares.

2. Considerando a regulagem dos mecanismos distribuidores de sementes e adubos apresen-


tados nesta aula, marque a alternativa correta.

a) A patinagem da roda motriz representa uma maior velocidade nos eixos dos dispositivos
dosadores de sementes e fertilizantes.

b) A baixa capacidade de enchimento dos discos dosadores reduz o espaçamento entre se-
mentes.

c) A regulagem da quantidade de fertilizante é ajustada automaticamente com o ajuste da


quantidade de semente.

d) O ajuste na quantidade de semente pode ser feito pela troca dos discos dosadores e alte-
ração nas engrenagens motoras e movidas nos mecanismos de transmissão.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 22


Módulo 4
» Tipos de sensores utilizados nas semeadoras-adubadoras

Fonte: John Deere <www.deere.com>.

Nas aulas anteriores, você estudou que as semeadoras são constituídas por diversos tipos de
mecanismos dosadores, e que a maioria deles é acionada pela roda motriz. Além disso, pôde
entender como se faz a regulagem desses mecanismos, e que este é um fator essencial para a
qualidade no estabelecimento das lavouras, sobretudo quando se trabalha com distribuição a
taxa variável na agricultura de precisão.

O próximo assunto é muito importante, e deve ser estudado com atenção: trata-se do monitora-
mento dos mecanismos da semeadora. É o que você conhecerá neste módulo. Vamos lá?

Atenção! Sempre que finalizar a leitura do conteúdo de um módulo, você


deve retornar ao Ambiente de Estudos para realizar a atividade de apren-
dizagem.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 3


Aula 1
A importância dos sensores para o estabelecimento das lavouras
O monitoramento dos mecanismos da semeadora é uma das etapas de controle mais impor-
tantes do processo. Quando feito exclusivamente pelo olho humano, esse monitoramento pode
ser inadequado. Assim, muitos fabricantes estão investindo cada vez mais no sensoriamento na
operação de plantio.

Ao final desta aula, espera-se que você seja capaz de reconhecer a importância dos sensores co-
mumente utilizados nas semeadoras-adubadoras para o correto estabelecimento dos estandes
das lavouras.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 4


As funções principais de uma semeadora-adubadora estão ilustradas a seguir.

Abrir o sulco Dosar a quantidade de Depositar a semente Cobrir o sulco e

semente previamente na profundidade exercer uma leve

determinada adequada compactação sobre ele

Fonte: Elaborada pelo autor.

Cada uma dessas etapas deve ser realizada


com critérios técnicos adequados, sob pena de A obtenção do número de
comprometer seriamente o desenvolvimento plantas desejado por hectare,
das plantas, caso algum deles seja desconside- ou estande, é essencial para
rado. Nesse contexto os sensores podem auxi- o sucesso das lavouras. Lem-
liar diretamente no desempenho das semeado- bre-se de que a formação do
ras, principalmente em relação: estande depende basicamen-
te do potencial produtivo da
• à dosagem das sementes e adubos na se- área e da variedade utilizada.
meadura a taxas variáveis;

• ao monitoramento da descida desses pro-


dutos para o solo;

• à quantidade de sementes no reservatório.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 5


Quanto maior esse potencial, maior poderá ser a quantidade de sementes depositada, desde
que não ultrapasse a densidade ideal. Uma densidade de plantas inadequada pode resultar em
competição por luz, água e nutrientes entre as plantas, fato que contribuiria para seu menor de-
senvolvimento e consequente menor produção. Veja um exemplo de competição entre as raízes
das plantas de milho.

Aumento da capacidade competitiva

Espaçamento 80cm Espaçamento 40cm

Fonte: adaptada de Pioneer Sementes.

Considerando a variabilidade dos solos, a distribuição das sementes pode ser otimizada se for
realizada de acordo com o potencial produtivo de cada parte da área. Para tanto, semeadoras
adaptadas para distribuição a taxas variáveis dispõem de sensores que aumentam ou reduzem
a rotação dos eixos dos mecanismos dosadores, de acordo com o potencial da localização geo-
gráfica da máquina. O tempo de resposta desses dispositivos deve ser o mais curto possível para
que a alteração seja rapidamente processada.

Quando os mecanismos dosadores são monitorados por sensores,


é possível manter a distribuição de sementes na área uniforme.
Vantagens do Em geral, os mecanismos convencionais podem variar a distribui-
Monitoramento ção de sementes em até 50% devido a folgas nas engrenagens e
por Sensores correntes e desgaste de eixos responsáveis por transmitir o mo-
vimento da roda motriz até os dosadores. Quando monitorados
por sensores, válvulas atuam nos dosadores e eliminam boa parte
dessas folgas fazendo com que os ajustes fiquem mais precisos.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 6


Em geral, os sensores podem ser instalados em todos os tipos de semeado-
ras e apresentar bons resultados.

Tópico 1
Desafios da semeadura

Uma operação que precisa ser realizada


constantemente durante a semeadura
é o monitoramento da quantidade de
semente depositada. De nada adianta-
ria deslocar a máquina pela área se ela
não estiver realizando a correta distri-
buição de sementes no sulco, conforme
o previsto inicialmente. Se os depósitos
de sementes estiverem vazios ou par-
cialmente vazios, como na imagem ao
lado, obviamente a distribuição de se-
mentes estará comprometida.

Fonte: <http://campossustentaveis.blogspot.com.br/>.

De modo geral, essa operação é realizada por um operador que abre o sulco de plantio manual-
mente e faz a conferência visual do número de sementes por metro, do espaçamento entre elas
e da profundidade em que se encontram.

Para áreas muito extensas, muitas vezes se torna inviável realizar esta operação com os cui-
dados necessários, o que pode comprometer o estabelecimento dos estandes. Entretanto, é
possível instalar alguns sensores para realizar esse monitoramento com elevada eficiência de
desempenho.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 7


O principal desafio ligado à semeadura
convencional é que este método requer
a presença de um operador, normal-
mente conhecido como “rabicheiro” ou
“badeco”. Este operador se apoia sobre
o chassi da máquina e se desloca sobre
ela a fim de monitorar a quantidade de
sementes e de adubo no interior do de-
pósito.

Fonte: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/Fontes
HTML/Cenoura/Cenoura_Daucus_Carota/plantio.html#fig1>.
Foto: Homero B. S. V. Pessoa

Esse monitoramento é importante, pois evita


que a máquina se esvazie no meio da lavoura,
Um dos principais problemas tendo que retornar vazia ao local de abasteci-
verificados nessa situação é mento, normalmente localizado na cabeceira
a questão da segurança do da área. Esta situação contribui para a redução
trabalho, pois esse operador da eficiência operacional da atividade, pelo
está sujeito, o tempo todo, a fato de aumentar os tempos perdidos.
se ferir caso venha a se dese-
quilibrar e cair da máquina. Em função disso, muitos fabricantes estão in-
Nesse contexto, os sensores vestindo em diversos dispositivos que operam
também podem auxiliar nas mediante o funcionamento de sensores estra-
avaliações constantes do tegicamente espalhados pelas semeadoras.
peso da massa de grãos no De modo geral, essas máquinas proporcionam
interior do depósito, e repas- melhor desempenho nas suas funções em re-
sar essa informação em tem- lação àquelas monitoradas pelo olho huma-
po real ao operador do trator. no. Isso se deve ao fato de os sensores não
apresentarem fadiga e operarem em tempo
integral, independentemente de temperatu-
ras mais altas, baixa visibilidade e excesso de
poeira ou umidade.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 8


Saiba Mais

Você pode entender mais sobre segurança no trabalho acessando o programa de Gestão de
Riscos do Portal EaD Senar Goiás.

Recapitulando
Nesta aula, você pôde verificar que os sensores são muito importantes para realizar o monitora-
mento das diversas funções das semeadoras-adubadoras, melhorando em muito a qualidade ge-
ral da operação. Dentre as melhorias, destacam-se a uniformidade de distribuição de sementes
e adubos, e o monitoramento da quantidade de produtos no reservatório. Na maioria das vezes,
esse monitoramento é feito por operadores que estão sujeitos, além das limitações humanas, a
condições de risco durante a operação. Há uma tendência de que, no futuro, todos os fabricantes
disponibilizem máquinas no mercado já com pelo menos alguns desses sensores instalados.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 9


Fonte: Shutterstock

Aula 2
Tipos de sensores utilizados nas semeadoras-adubadoras
Na aula anterior, você estudou que os sensores são muito importantes para melhorar a quali-
dade da operação com as semeadoras-adubadores. Para tanto, as empresas têm investido em
diversos tipos de sensores, interessadas em um mercado em franca ascensão.

É importante que o operador conheça os tipos e a forma de atuação de cada sensor para que
possa fazer deles um uso adequado.

Ao final desta aula espera-se que você seja capaz de:

• identificar os principais sensores utilizados para controlar mecanismos dosadores de semen-


tes e fertilizantes;

• enumerar a configuração de dispositivos equipados com sensores em semeadoras-adubadoras.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 10


Tópico 1
Tipos de sensores

Um dos principais sensores utilizados nas semeadoras-adubadoras realizam ajustes automáti-


cos nos mecanismos dosadores através da ação de atuadores elétricos ou eletro-hidráulicos.
Estes são controlados por uma central de comando instalada no interior da cabine, através da
qual o operador pode monitorar a descida de sementes para o sulco e a dose de adubo aplicada.

Se necessário, é possível acionar certos comandos e alterar o funcionamento dos atuadores


através dessa central aumentando ou diminuindo as quantidades aplicadas.

Estes sensores são responsáveis por comandar a abertura e o fechamento


dos orifícios de passagens das sementes e adubos, além de ajustar a veloci-
dade de rotação dos eixos acionadores desses mecanismos.

Basicamente, são constituídos por uma estrutura composta por:

• motor elétrico ou hidráulico;

• válvulas e sensores de rotação.

Alias, são essas válvulas e sensores que controlam, com precisão, a distribuição das sementes e
do adubo, e eliminam possíveis variações e falhas que possam ocorrer com os mecanismos de
distribuição convencionais (os quais são acionados pelos rodados da semeadora-adubadora).

Quando se empregam as técnicas de semeadura a taxas variadas, essas centrais ou monitores


são equipados para receberem mapas de recomendação e, assim, transmitir a informação sobre
o fechamento e a abertura dos mecanismos, de acordo com a necessidade de cada mancha de-
marcada pelo mapa, e considerando a localização da máquina.

A seguir, veja as partes constituintes do sistema de sensoriamento responsável pelo monitora-


mento da distribuição de semente e de adubo.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 11


Fonte: <http://www.tecnoparts.agr.br/produtos/taxa-variavel/trimble?page=shop.
product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=55&category_id=14>.

Variações nas quantidades aplicadas podem ocorrer devido às oscilações na velocidade da má-
quina. Acompanhe dois diferentes cenários.

O sistema informará ao mecanismo dosador acerca da redução na


Redução da velocidade, e este impedirá a descida de semente e de adubo de
Velocidade modo a manter a mesma dose aplicada.

Já em caso contrário, o efeito será de abertura no mecanismo dosa-


Aumento da
dor.
Velocidade

Agricultura de Precisão na Semeadura » 12


Para medir a velocidade, as semeadoras podem utilizar sen-
sores magnéticos ou radar. Os sensores magnéticos são ins-
talados próximos às rodas motrizes e medem o número de
giros, que são transformados em pulsos elétricos. Nesta ima-
gem, apresentamos um sensor magnético para medição da
velocidade da roda motriz.
Fonte: <http://www.agral.com.br/
upload/products_manuals/2.1.pdf>.

Os sensores tipo radar doppler ficam posiciona-


dos em direção ao solo e emitem ondas que são
refletidas e retornam ao radar. A diferença entre
as duas ondas permite a identificação da veloci-
dade de trabalho da máquina. As semeadoras-a-
dubadoras equipadas com sistemas de Agricultu-
ra de Precisão mais avançados conseguem fazer
registros da velocidade através da determinação
do seu posicionamento pelo receptor de sinal
GNSS.
Fonte: <http://www.dickey-john.com/product/radar-ii/>.

As semeadoras mais modernas possuem sensores instalados na parte de baixo do reservatório,


e que são responsáveis pela medição da massa de semente presente no interior do depósito,
através de um mecanismo semelhante a uma célula de carga ou sensor de peso.

Monitor de controle e
programação

Unidade eletrônica de
tratamento de informação

Atuadores elétricos
de regulagem de depósito

Sensor de velocidade Sensores de peso


(na roda ou radar)

Fonte: Adaptada de Cemagref, 1997.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 13


Já sensores mais simples podem ser instalados separadamente em cada unidade semeadora
para a medição do fluxo de descida dos produtos. É possível encontrar um kit com os sistemas
de sensoriamento para monitoramento da quantidade de sementes depositada.

Fonte: <http://www.plantium.com.br/images/KIT-PLANTIO.png>.

Basicamente, os sensores utilizados para medição de sementes podem ser de dois tipos.

Sensor óptico
analógico

O sensor de sementes óptico analógico utiliza tecnologia de


radiação infravermelha (IR). Ele gera um pulso elétrico na saí-
da toda vez que uma semente obstrui o feixe de luz contabili-
zando assim a passagem de uma semente.

Fonte: Stara.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 14


Sensor de
Sementes DPS

O Sensor de sementes DPS é do tipo capacitivo, desta forma,


não há feixe de luz para detecção de sementes, isto é feito
através da leitura da massa da semente, o que permite detec-
tar quedas de duas sementes ao mesmo tempo.

Fonte: Stara.

Esses sensores também desempenham importante papel na eventual variação da deposição


que pode acontecer, além de informar sobre possível entupimento ou esvaziamento do reserva-
tório. São os dispositivos de monitoramento mais simples disponíveis no mercado. Basicamente,
são compostos por um monitor de comando, módulos de distribuição de sensores, cabos de
comunicação e sensores.

2
3 4

1 Monitor
2 Cabo de força
1 3 Cabo de comunicação monitor-sensores
4 Cabo extensão da semeadora-adubadora
5 Cabo de conexão do sensor 1

Fonte: Prosolus <www.prosolus.com>.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 15


Tópico 2
Operação dos sensores

Basicamente, todos os sensores podem ser operados apenas por uma central de comando. Em
geral, elas são de fácil operação e possuem interfaces amigáveis, comunicando-se  facilmen-
te com o operador. 

Saiba Mais

No site <http://www.plantium.com.br/resources/monitordeplantio.html> você pode visua-


lizar uma central de comando e navegar pelos principais ícones apresentados na tela do
monitor.

As configurações dos modelos de centrais de comando podem variar de acordo com o modelo
e a marca. Entretanto, alguns procedimentos normalmente são semelhantes entre
elas, por exemplo:

• Ao iniciar o plantio, a luz de “monitorando” é acesa no monitor.

• Em caso de falha por entupimento, ou interrup-


ção do fluxo de semente/adubo, a luz “monito- Nível de sujeira do sensor pode
variar entre:
rando” se apaga e então se ascende a de “aler-
ta”, que é acompanhada de um sinal sonoro.
Limpo
• O visor indica alternadamente a mensagem
“Er” e o(s) número(s) do(s) sensor(es) que es-
Fonte: Stara <www.stara.com.br>.

tá(ão) com problema.

Normalmente, esses sensores são robustos e do- Sujo


tados de um sistema digital de auto-ajuste con-
tra o acúmulo de sujeira. Isso garante uma maior
Atenção!
quantidade de horas de trabalho sem paradas, Aconselha-se a limpá-lo
elevando a capacidade operacional da atividade. a partir do nível:
Outra característica é que o operador é informado,
na tela do monitor, de quando há necessidade de
realizar as limpezas.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 16


Saiba Mais

A seguir, você pode acessar informações complementares para ajudá-lo ainda mais na sua
capacitação. O material está separado por tema, assim você pode escolher aquele que mais
lhe interesse:
1) Vídeos demonstrativos de como instalar sensores:
<http://www.prosolus.com>.

2) Especificações sobre o monitor:


<http://www.auteq.com.br/mpa2500.html>

3) Exemplos de outras aplicações de sensores em semeadoras-adubadores:


<http://www.ozdoken.com.tr/tr-TR/Products-vptt-g-1055-1058.aspx> ou <http://goo.gl/
cvupMf>.

Recapitulando
Nesta aula, você teve a oportunidade de conhecer os sensores mais utilizados nas semeadoras-
-adubadoras, e como eles realizam o monitoramento da descida de sementes e fertilizantes para
o solo. Estudou também que outros sensores são empregados na medição da velocidade de
trabalho e da quantidade de sementes e adubo presentes no interior do reservatório. Em geral,
eles são conectados a uma central de comando, de onde se pode monitorar o funcionamento
de todos os sensores, e realizar ajustes necessários. Essas centrais são de fácil entendimento e
possuem interfaces amigáveis.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 17


Fonte: Massey Ferguson

Aula 3
Principais regulagens dos sensores utilizados nas
semeadoras-adubadoras
Nas aulas anteriores, você estudou sobre a importância dos sensores no monitoramento das
funções das semeadoras. Para que eles desempenhem adequadamente suas funções, é neces-
sário que estejam instalados e ajustados de acordo com as orientações dos fabricantes.

Além disso, a manutenção diária é importante para uma jornada de trabalho sem imprevistos:
deve-se verificar o estado geral de todas as partes do sistema, e realizar limpezas dos conecto-
res, terminais e chicotes.

Portanto, ao final desta aula espera-se que você seja capaz de reconhecer a importância das
regulagens dos sensores para a obtenção de dados confiáveis de distribuição de sementes e
fertilizantes.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 18


Tópico 1
Checagem do Equipamento

Antes de iniciar o trabalho, é preciso que o operador verifique o estado das conexões do chicote
de transmissão de dados e de energia.

Confira um passo a passo a respeito deste assunto.

Passo 1

É fundamental que os chicotes


estejam devidamente fixados por
presilhas aos tubos de descidas
ou outras partes indicadas pelos
fabricantes, atentando para a ne-
cessidade de deixar folgas nos
locais de articulação da máquina.

Fonte: Stara <www.stara.com.br>.

Passo 2
Para adequado fornecimento de
energia, recomenda-se que o chi-
cote de alimentação seja conec-
tado diretamente aos terminais
da bateria, e que a tensão esteja
sempre entre 12 e 24 V. A insta-
lação de um fusível proporciona
maior segurança e durabilidade
ao funcionamento do sistema.

Fonte: Prosolus <www.prosolus.com>.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 19


Passo 3 Especificamente com relação aos
conectores, devem-se tomar al-
guns cuidados, uma vez que eles
ficam expostos a grande concen-
tração de poeira, resíduos, radia-
ção solar e umidade. Para efetuar
a manutenção, deve-se, primeira-
mente, desconectar com cuidado
o sensor e aplicar diretamente so-
bre os terminais de ambas as co-
nexões, um antioxidante, prefe-
Fonte: Stara <www.stara.com.br>. rencialmente na forma de spray.

Saiba Mais

Já no caso do sensor analógico para contagem de sementes, o processo de limpeza funciona


de forma diferente. É necessário efetuá-la com a escova adequada (normalmente fornecida
pelo fabricante) higienizando a parte interna do equipamento, tendo o cuidado de remover
toda a poeira e detritos que possam interferir no feixe de luz do sensor.
Esta limpeza deve também ser feita caso houver variação anormal na contagem de semen-
tes durante o plantio. Para o sensor de sementes DPS, é aconselhado verificar se o tubo
condutor está desobstruído, garantindo assim que o fluxo de sementes esteja livre desde o
depósito até o solo.

Tópico 2
Instalação dos Sensores

De modo geral, os sensores de sementes possuem um procedimento próprio de autocalibração


para a detecção do tipo de semente plantada, que é acionado automaticamente a cada vez que
o sistema é ligado.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 20


Nesse caso, o operador insere na tela do monitor a informação de quantas
sementes ou quilos de adubo por metro deseja que sejam aplicados, e o sis-
tema emite um sinal luminoso e sonoro quando a quantidade depositada
não estiver de acordo com a quantidade prevista. Isso torna o funciona-
mento mais simples e menos passível de erros.

É possível que, nos primeiros metros de deslocamento, o sistema apresente alguma variação na
medição, o que deve se normalizar logo em seguida.

Entretanto, os sensores magnéticos para medição de velocidades necessitam passar por alguns
procedimentos de regulagem durante sua instalação. Esses procedimentos podem variar entre
os modelos e marcas disponíveis no mercado, mas, de maneira geral, é necessário observar os
cuidados descritos a seguir.

Passo 1
Primeiramente, é necessário instalar o sensor
em um eixo da semeadora (preferencialmente
nos primeiros eixos), de modo que ele tenha ve-
locidade inalterada mesmo após a regulagem
da máquina. No eixo, devem-se fixar os imãs
que acompanham o sensor de velocidade, o
qual deve ficar próximo ao sensor (em torno de
2 mm).

Fonte: Stara <www.stara.com.br>.

Para verificar seu funcionamento, deve-se rodar


o eixo da semeadora, e quando o imã passar
Passo 2 próximo ao sensor de velocidade, um led verde
deve dar uma rápida piscada, o que indica o cor-
reto funcionamento.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 21


Caso o led não pisque, deve-se aproximar um pouco mais o sensor
Dica
do imã.

Após a instalação, é necessário que se façam alguns ajustes finais antes do início da operação:

a) com a semeadora parada, posiciona-se o imã na marca circular ao lado do led verde por
aproximadamente três segundos, ao retirar o imã, o led verde deve se acender e perma-
necer aceso;

b) com o led aceso, percorrem-se exatos 100 metros;

c) por fim, posiciona-se o imã próximo à marca por alguns instantes, e quando o led se apa-
gar, o sensor estará regulado e pronto para ser utilizado.

Recapitulando
Nesta aula, você estudou que os sensores utilizados nas semeadoras requerem cuidados espe-
ciais concernentes à instalação, manutenção e regulagens para que possam funcionar adequa-
damente. Os sensores que medem a quantidade de sementes e adubos, em geral, são instalados
e já estão prontos para uso, bastando informar na tela a quantidade desejada.

Já os sensores de velocidade necessitam de regulagens específicas, devendo ser instalados in-


formando a eles um número de voltas correspondente a uma distância percorrida na área a ser
plantada.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

Siga em frente e aproveite bem a atividade!

Agricultura de Precisão na Semeadura » 22


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 4 do Curso Agricultura de Precisão na Semeadura. A seguir, você
realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado neste módulo. Lembre-se que
as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde você também terá um fee-
dback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Considerando a importância dos sensores para as semeadoras-adubadoras apresentadas


nesta aula, marque a alternativa correta.

a) A importância dos sensores para as semeadoras-adubadoras é relativa, tendo em vista


que existem várias pessoas acompanhando a operação.

b) O uso de sensores nas semeadoras-adubadoras está condicionado ao tipo de trator utili-


zado.

c) Os sensores são importantes para o monitoramento das várias funções das semeadoras-
-adubadoras no que diz respeito à qualidade e à segurança da operação.

d) Os sensores podem proporcionar uma variação da distribuição de sementes no solo de


aproximadamente 50%.

2. Considerando os tipos de sensores apresentados nesta aula, marque a alternativa correta.

a) Os sensores responsáveis pelo acionamento dos mecanismos dosadores são do tipo do-
ppler.

b) Os sensores utilizados para monitoramento da quantidade de semente e adubo nos reser-


vatórios podem ser do tipo magnético ou de rotação.

c) Os sensores utilizados para detectar a quantidade de semente depositada podem realizar


esta medição através da emissão de um feixe de luz.

d) Cada sensor instalado na semeadora é controlado por uma central, ou seja, deve existir
uma central para cada sensor.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 23


3. Considerando as regulagens dos sensores utilizados nas semeadoras apresentadas nesta
aula, marque a alternativa correta.

a) A instalação dos chicotes de transmissão de dados deve ser realizada de modo que os
cabos permaneçam esticados ao máximo.

b) Os cabos, conectores e terminais devem ser verificados semanalmente, sob pena de apre-
sentarem mau funcionamento.

c) Os sensores de semente e de adubo normalmente são configurados diretamente no mo-


nitor.

d) Os sensores para medição de velocidades tipo magnético devem ser regulados antes de
sua instalação na máquina.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 24


Módulo 5
» Monitoramento da deposição de sementes e fertilizantes

Fonte: shutterstock

Como você pode perceber, a semeadura é uma das etapas mais importantes do cultivo de uma
lavoura. A partir do sucesso da semeadura é que se garante um bom estande de plantas, com
boas condições de desenvolvimento e produção.

Fatores relacionados a erros na semeadura levam a problemas muitas vezes irreversíveis, resul-
tando em redução do retorno econômico da atividade.

E são estes fatores que você conhecerá no último módulo do curso.

Atenção! Sempre que finalizar a leitura do conteúdo de um módulo, você


deve retornar ao Ambiente de Estudos para realizar a atividade de apren-
dizagem.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 3


Fonte: Shutterstock

Aula 1
Fatores que interferem na eficiência da deposição de sementes e
fertilizantes

Alguns cuidados devem ser observados no momento da operação para garantir que ela seja
realizada com grande eficiência.

Ao final desta aula, espera-se que você esteja apto a:

• identificar quais fatores interferem na eficiência da deposição de sementes e fertilizantes;

• conhecer as condições ideais para a operação de plantio.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 4


Tópico 1
Características de uma correta semeadura

As operações de semeadura podem sofrer pequenas alterações a depender do sistema de pre-


paro do solo: convencional ou plantio direto.

De forma geral, podemos dizer que as operações de semeadura seguem as etapas listadas a
seguir.

As semeadoras devem abrir um sulco para depositar o fertilizante


Etapa 1
na dosagem, posição e profundidade adequadas.

Este sulco deve ser fechado e em seguida aberto novamente para


Etapa 2 a deposição das sementes na dosagem, posição e profundidade
desejada.

Após isso, ele deve ser fechado com solo, retornando também a
Etapa 3 palha anteriormente retirada da linha de semeadura, no sistema
de plantio direto.

Deve se finalizar com uma adequada compactação do solo late-


Etapa 4 ralmente às sementes, para que elas absorvam água durante seu
processo de germinação e emergência.

Atualmente é comum se encontrar lavouras apresentando alguns pontos negativos decorrentes


de baixa eficiência no plantio, tais como:

• espaçamento variável entre linhas;

• plantas duplas ou muito próximas na linha de semeadura;

• falhas em geral.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 5


Fonte: www.rs.gov.br. Foto: Adriane Bertoglio Rodrigues

Todos estes fatores, em conjunto ou isoladamente, interferem negativamente na produtividade


da lavoura. Para ilustrar essa situação, considere o exemplo a seguir e confira a redução da pro-
dutividade causada pelas falhas.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 6


Considere uma lavoura de milho com densidade esperada de
Densidade
70.000 plantas/ha.

Eficiência no Eficiência no plantio de 95% (ou 5% de falhas, que é uma eficiência


Plantio boa na semeadura convencional).

Dados Peso de grãos/espiga = 150 g; e 1 espiga/planta.

5% falhas = 3.500 plantas.


Resposta 10% falhas = 17,5 sacos/ha de redução.

Portanto, as perdas em produtividade causadas simplesmente pelas falhas


durante a semeadura são significativas. Perdas em produtividade, tam-
bém de forma semelhante à apresentada, ocorrerem em caso de plantas
duplas ou próximas por ocasião da semeadura.

Uma semeadura com qualidade é obtida pela combinação de inúmeros fatores, dentre eles:

1. adequado preparo do sulco de semeadura;


O bom desempenho de uma
2. correta localização das sementes no solo semeadora-adubadora está
tanto em profundidade como em posição relacionado com a precisão
na linha de semeadura; de semeadura, sendo que
esta pode ser afetada por fa-
3. boa cobertura das sementes e do contato lhas de dosagem, deposição,
com o solo e a água; profundidade e recobrimen-
to de sementes.
4. espaçamento preciso entre linhas; e

5. alta qualidade das sementes.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 7


A semeadura adequada possui três principais características:

1. mínima diferença entre as quantidades de sementes depositadas no solo e as emergidas;

2. espaçamento uniforme; e

3. o tempo necessário para emergência de todas as plântulas é mínimo e uniforme.

Como se pode perceber, a qualidade de semeadura é obtida pela interação de vários fatores, tais
como, bom desempenho dos componentes de corte, sulcadores, compactadores, dosadores e
distribuidores das semeadoras-adubadoras em condições variadas de velocidade e condições
de solo. Dentre os fatores mencionados, daremos destaque a três deles nos próximos tópicos
desta aula.

Tópico 2
Velocidade de deslocamento da semeadora

A velocidade é um dos fatores que mais interfere na qualidade e eficiência da semeadura. O


aumento da velocidade tem influência significativa sobre a densidade de plantas por hectare,
população final de plantas, profundidade de semeadura e distribuição das plantas ao longo da
linha de plantio. Mas como isso acontece?

Durante o deslocamento da semente dentro do tubo condutor, após sair do disco até chegar ao
chão, as sementes sofrem vibrações provocadas pela movimentação da máquina, o que altera o
tempo de queda até o solo e, consequentemente, a uniformidade do espaçamento no sulco de
semeadura.

Essa vibração é fortemente in-


fluenciada pela velocidade de A velocidade em que a semeadora se des-
operação da semeadora-adu- loca faz com que, por questão de inércia,
badora, ou seja, quanto maior as sementes rolem ou saltem para fora do
a velocidade de deslocamento, local do risco de semeadura, no momento
maior a vibração da máquina. do impacto com o solo. Levando em consi-
deração essas informações, é sempre de-
Desta forma, ao percorrer o ca- sejável que esta situação causada pela ve-
minho dentro do tubo condutor, a locidade seja minimizada ou eliminada,
semente pode bater algumas ou de modo que qualquer salto da semente
várias vezes nas laterais do tubo, seja essencialmente vertical e que ela seja
aumentando o tempo gasto até depositada regularmente no sulco.
chegar ao solo. Por outro lado, há

Agricultura de Precisão na Semeadura » 8


sementes que fazem este caminho de forma mais rápida, podendo chegar ao solo junto com ou
apenas levemente distante da semente anterior, causando a desuniformidade da semeadura.

Agora você pode estar se perguntando: sendo assim, qual será a velocidade ideal de desloca-
mento?

A velocidade ideal de deslocamento na semeadura varia de acor-


do com o nível de tecnologia da semeadora, para minimizar estes
efeitos negativos da velocidade sobre a uniformidade da semea-
Velocidade ideal
dura. De modo geral, para obter alta eficiência na semeadura, a
velocidade da máquina deve ser de 5 km/h em máquinas mais
simples, e de até 8 km/h em semeadoras mais sofisticadas.

Tópico 3
Características do solo e qualidade da semente

A operação de semeadura direta em solos compactados ou com alto teor de argila é bastante
afetada. Nestes solos, a alta resistência à penetração dos componentes rompedores do solo
proporciona semeaduras em pequenas profundidades, ao passo que a variação da textura do
solo dentro da mesma área pode possibilitar a semeadura em profundidade maior e, assim, cau-
sar redução na eficiência do plantio.

Por outro lado, um solo com bom preparo e mobilização pode oferecer condições mais favoráveis
à semeadura do que áreas com determinados tipos de solo e palhada sobre a superfície no sistema
de plantio direto.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 9


A profundidade recomendada para as sementes depende de vários
fatores, dentre os quais se destaca a característica de crescimento
Profundidade da semente. Por exemplo, sementes de dicotiledôneas como o fei-
recomendada jão e soja, ao emergirem levam seus cotilédones para fora do solo,
sendo, assim, sensíveis a semeaduras profundas, principalmente
com a ocorrência de impedimentos sobre elas, como torrões, pe-
dras e crostas superficiais.

No que diz respeito à qualidade da semente, a uniformidade no tamanho e massa das semen-
tes também podem afetar a eficiência da semeadura. Sementes de uma mesma espécie podem
apresentar variações de tamanho e diferenças por conta de possíveis tratamentos que sejam
necessários (tais como uso de inoculantes, inseticidas e fungicidas).

Por conta das variações anteriormente mencionadas, essas sementes têm seu coeficiente de
atrito alterado dificultando que elas se alojem adequadamente nos alvéolos dos dosadores. Por
este motivo é que se recomenda, na maioria das vezes, o uso de grafite como lubrificante seco,
para reduzir o atrito e facilitar o escoamento das sementes.

O grau de umidade das sementes também pode influenciar. Sementes muito secas podem sofrer
injúrias mecânicas durante a semeadura e comprometer sua eficiência e viabilidade.

Tópico 4
Fatores relacionados à máquina e ao operador

A semeadora deverá estar com sua manutenção e calibração em dia. A regulagem também deve
ser feita sempre antes da operação, para garantir que a máquina funcione da forma planejada. A
utilização dos discos corretos para cada situação, bem como a regulagem da profundidade e do
local de deposição das sementes e do fertilizante são fatores que afetam diretamente a eficiên-
cia da semeadura.

A utilização de discos errados pode proporcionar a passagem de mais de uma semente ou até
mesmo impedir a sua passagem. O adubo e a semente devem ser depositados no solo com
uma distância mínima, vertical e horizontal, para garantir que o adubo não reduza a eficiência

Agricultura de Precisão na Semeadura » 10


de germinação da semente, sendo a profundidade de depósito da semente outro fator muito
importante.

As semeadoras-adubadoras atualmente já apresentam várias tecnologias


e dispositivos que visam aumentar a eficiência da semeadura. Portanto,
é necessária mão de obra capacitada para operar esta máquina de acordo
com as recomendações, e fazer com que o equipamento tenha o melhor
desempenho.

Grande parte dos fatores discutidos anteriormente necessita também de um cuidado do opera-
dor, para que os riscos sejam minimizados.

Acompanhe o check list. Cabe ao operador:

• conhecer o tipo de solo que se está semeando;

• realizar a calibração e a regulagem da semeadora;

• ajustar a velocidade correta para a operação;

• ter os cuidados necessários com as sementes;

• estar capacitado, ser responsável e motivado para realizar a operação com qualidade.

Recapitulando
Vários fatores podem interferir negativamente na eficiência da semeadura de uma lavoura. Entre
os principais, destaca-se a velocidade de deslocamento como um dos mais relevantes, uma vez
que reduz a eficiência da semeadura na medida em que se aumenta a velocidade.

Além deste, outros também são importantes e devem ser analisados com atenção, tais como,
textura, compactação e preparo do solo, calibração e regulagem da máquina, profundidade e
distância do fertilizante e da semente, umidade, tamanho, massa e forma das sementes, e capa-
citação do operador para atender a todas as exigências e cuidados da operação.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 11


Fonte: Shutterstock.

Aula 2
Principais formas de monitoramento da deposição de sementes e
fertilizantes
Realizar uma boa regulagem da semeadora ajuda a garantir o sucesso na operação. Também é
muito importante conhecer as ferramentas disponíveis para avaliar e acompanhar o andamento
da operação, visualizando os problemas na semeadura e as formas de corrigi-los.

Ao final desta aula espera-se que você esteja preparado para:

• identificar as principais formas de realizar o monitoramento da deposição de sementes e


fertilizantes;

• visualizar e ajustar a distribuição de sementes e fertilizantes por meio de controles automá-


ticos.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 12


Tópico 1
Dois tipos de monitoramento

Para o monitoramento da qualidade da deposição das sementes e fertilizantes, deve-se avaliar


basicamente dois momentos:

• durante a operação de semeadura, quando ainda é possível identificar qualquer irregularida-


de e corrigi-la;

• depois da emergência das plantas, quando é possível identificar algumas irregularidades


provenientes da semeadura, porém não é mais possível revertê-las para esta safra.

Fonte: Shutterstock.

Normalmente, um modo fácil para determinar a qualidade da semeadura é através do cálculo


do coeficiente de variação das plantas após a emergência. Desta forma, é possível identificar se
a variação do espaçamento entre elas está dentro do tolerável ou não, porém não se pode mais
intervir para modificar esta situação.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 13


De forma simples, o coeficiente de variação é calcula-
do com base na medição dos valores das distâncias Cv = 100. S
X
das plantas da cultura analisada dentro de uma mes-
ma linha de plantio, fazendo uma amostragem, de for- Cv = é o coeficiente de variação;
ma que os dados obtidos são utilizados na seguinte S = é o desvio padrão;
fórmula: X = é a média dos dados.

Existem softwares e sensores que determinam as características da semeadura, e fornecem os


dados de diversas características analisadas em tempo real para acompanhamento a distância
pelo computador ou tablet, ou salva os dados em um cartão de memória para posterior análise
das características da semeadura.

Fonte: Senar-GO.

Entre softwares existentes no mercado, podemos citar o SeedSense da empresa Precision Plan-
ting. Esta é uma ferramenta para acompanhamento da qualidade dos parâmetros referentes à
operação de semeadura. Nesta ferramenta, existe um sensor de massa no interior do tubo que
leva a semente até o solo, o que possibilita a leitura de quantas sementes estão caindo e de qual
é a distância entre elas.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 14


Todos os dados analisados são apresentados em uma tela de monitor no interior da cabine,
podendo também ser acessados a distância em tempo real.

Fonte: <http://www.precisionplanting.com.br/>.

Entre as informações mais importantes apresentadas no monitor estão:

• Population: indica a densidade de plantas em mil plantas/ha.

• Singulation: indica o percentual de sementes que estão sendo liberadas de forma individual.

• Good Spacing: indica o percentual de sementes que estão caindo dentro do espaçamento
determinado.

• Acres/Hectare: indica a área semeada e a área a ser semeada.

• Good Ride: indica o percentual mínimo de sementes que devem cair dentro do espaçamento
determinado, considerado tolerável.

• Seed Spacing: indica o espaçamento médio entre as sementes.

• Mph/Speed: indica a velocidade do deslocamento da máquina durante a semeadura.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 15


Estes não são os únicos parâmetros avaliados e mostrados na tela do monitor. Em qualquer uma
das medidas, é possível configurar e determinar um valor de referência ou valor mínimo/máxi-
mo permitido. Caso a semeadura extrapole estes valores, a célula da característica passará para
amarelo e, dependendo da diferença, passará para vermelho e emitirá um sinal sonoro.

Por exemplo, suponhamos que a configuração da velocidade de deslocamento é de 6,0 km/h.


O produtor ou o técnico pode determinar que variação acima desta velocidade é tolerável, por
exemplo, 6,2 km/h.

Quando o operador estiver se deslocando em até 6,0


km/h, a célula da velocidade no monitor está verde.

Caso ele ultrapasse 6,0 km/h ela ficará amarela.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 16


Caso ele passe de 6,2 km/h, ela ficará vermelha e emitirá
um sinal sonoro.

Este raciocínio é válido para todas as características avaliadas. Neste caso, é recomendado que o
operador analise o motivo do alerta e corrija-o para atingir às condições desejadas.

Caso o produtor queira receber uma mensagem sempre que um alerta for emitido pelo monitor,
também é possível. Desta forma, mesmo à distância, ele pode controlar e saber como está o
andamento do plantio, bem como a forma em que está sendo feito.

Bem, estes softwares são exemplos de ferramenta para monitoramento da qualidade da


semeadura. A tendência é que existam cada vez mais ferramentas como essa. Todas as informa-
ções dos valores desejados em cada característica podem ser editadas no monitor e, sempre que
extrapolarem os valores permitidos, um alerta é gerado para que sejam corrigidas.

Desta forma, há um controle muito grande na semeadura que, associado a um operador qualifi-
cado, garante o sucesso da operação.

Saiba Mais

Para conhecer um exemplo atual de software de monitoramento da lavoura, acesse o site


brasileiro da empresa Precision Planting no endereço <www.precisionplanting.com.br>.
Você pode visualizar também o manual do programa SeedSense, da mesma empresa, dis-
ponível como material complementar 2, no fim deste módulo. Não esqueça que os mate-
riais complementares deste curso também estão disponíveis para download no Ambiente
de Estudos. Atenção! O manual de instruções está em inglês.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 17


Recapitulando
Diante da importância da semeadura para o sucesso da lavoura, existem no mercado algumas
ferramentas para monitoramento da qualidade da semeadura, de forma a permitir a correção de
eventuais problemas. A forma mais eficiente é através de um software com sensor de deposição
de sementes, em que todas as informações necessárias para o plantio são inseridas em um mo-
nitor, e este avisa sempre que uma característica ultrapassa os valores estabelecidos, cabendo
ao operador corrigir o problema.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 18


Fonte: Shutterstock

Aula 3
Configurações do monitor de plantio
Como visto ao longo deste curso, a operação de semeadura a taxa variável é de grande impor-
tância dentro da agricultura de precisão, pois torna o processo mais eficiente e gera maior pro-
dutividade.

O ajuste na taxa de deposição das sementes é conseguido pelo funcionamento de uma série de
aparelhos e equipamentos, e todas as informações sobre a operação podem ser acompanhadas
pelo monitor do controlador. Para garantir o sucesso da operação, qualquer configuração ou in-
serção de informações no monitor devem ser feitas de forma correta e no momento ideal.

Assim, espera-se que ao final desta aula você consiga reconhecer e compreender os procedi-
mentos para configurar os monitores de plantio.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 19


Tópico 1
Variáveis da operação de semeadura

Você já viu neste curso que o monitor de semeadora tem por objetivo apresentar ao operador as
informações referentes ao processo de semeadura, como densidade de sementes depositadas
no solo, área do terreno semeada, velocidade da máquina na operação, certo?

Pois bem, utilizando o monitor é possível também controlar diversas variáveis da operação de
semeadura, tais como:

• espaçamento entre as sementes;

• número de sementes por metro;

• população de sementes por hectare;

• velocidade de plantio (km/h);

• área trabalhada;

• área trabalhada por hora;

• alerta de falta de semente na linha de semeadura, entre outras. 

O equipamento também permite ao usuário informar as configurações do plantio, como a popu-


lação de sementes planejada, a tolerância na variação da população, a velocidade máxima de
deslocamento etc.

Outra função é a emissão de alarmes sonoros e visuais quando forem excedidos os parâmetros
preestabelecidos pelo cliente, evitando, assim, qualquer falha no plantio e excessos de velocida-
de. O sistema é adaptável a qualquer tipo de semeadora, e é de alta confiabilidade. O sensor de
adubos ultrassônico permite detectar a interrupção no fluxo de adubos granulados, aumentando
assim a produtividade do campo.

Por isso, devem-se conhecer as configurações do monitor do controlador, que são necessárias
para realizar a operação de semeadura a taxa variável.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 20


Fonte: Stara <www.stara.com.br>.

Tópico 2
Configurações dos controladores

As configurações dos controladores podem variar de acordo com cada marca e modelo, porém
as finalidades são semelhantes. Todas as etapas da configuração do controlador são encontra-
das no manual da ferramenta, que deve ser sempre consultado de acordo com cada modelo.

A título de exemplo será apresentado um passo a passo com base nas informações apresenta-
das na configuração do controlador Topper 4500. Acompanhe!

Acesse o menu ATUADOR, em que estão disponíveis as opções


SENSOR LEVANTE e CAL. SENSOR. Baixe a semeadora ao solo,
Calibrar o sensor no ponto que achar necessário para dar início/fim à aplicação
de levante e visualizar a alteração de pulsos no botão SENSOR LEVANTE.
Pressione CAL. SENSOR para ajustar o ponto e finalizar a calibra-
ção do sensor.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 21


A calibragem da válvula 1 (semente) da semeadora é feita a par-
tir da leitura de pulsos dos motores hidráulicos da válvula pro-
porcional instalados na máquina. Para calibrar a válvula 1, basta
Calibrar as
pressionar o botão indicativo referente ao nome do produto 1 na
válvulas
tela principal. Após, pressione ATUADOR e INICIAR CALIB. Com
a TDP do trator acionada a 540 RPM e a máquina vazia, aperte o
botão da POD.

Acesse o menu CONFIGURAÇÕES, em seguida MÁQUINA, pres-


Selecionar a sione o botão MEDIDAS e, por último, o botão LARGURA. Insira
largura de trabalho N° DE SEÇÕES, ESPAÇAMENTO e LINHAS 1 e a largura será calcu-
lada automaticamente.

Para selecionar o produto, aperte SELEC. PRODUTO, abrindo uma


Selecionar o
tela com várias opções (por exemplo, milho). Pressione no produ-
produto
to desejado para confirmar.

Na tela PRODUTO, escolha SELEC. PRODUTO (por exemplo, SE-


MENTE), e em seguida pressione CALIB. PRODUTO. Quando a
semeadora parar de girar, coletar o produto, pesar e informar o
Calibrar o produto peso total para o controlador definir o número de pulsos por kg
de sementes. Para a perfeita regulagem, é importante que a aber-
tura da válvula esteja em 10%, e o número de pulsos esteja em
600.

Para a perfeita regulagem você deve contar, pesar e informar o


peso de mil sementes para que o controlador possa fazer o ajuste
Informar o peso de
em sementes por metro. Para se trabalhar em kg/ha o valor deve
mil sementes
estar zerado. O mesmo também deve acontecer para o adubo.

Acesse o MENU, escolha MÁQUINA, depois MEDIDAS e em segui-


Calibrar o sensor
da FATOR DE RODAS. Entre no auto-ajuste e aperte NÃO.
de rodas

Agricultura de Precisão na Semeadura » 22


Insira o pen drive com os mapas na entrada USB do monitor do
controlador, pressione o botão CONFIGURAÇÕES, GERENC. DA-
Importar um mapa DOS e, no botão AÇÃO, selecione EXPORTAR. Ao selecionar MA-
de taxa variável PAS TAXA, serão listados todos os mapas contidos no pen drive.
Selecione o mapa a ser utilizado.

Modo de aplicação Pressione o botão MODO APLICAÇÃO e selecione TAXA VARIÁ-


a taxa variável VEL.

Selecione o MENU PRODUTO. Serão apresentadas as seguintes


opções de alarmes:
• Taxa Baixa: configura a porcentagem limite abaixo do valor
indicado na taxa de aplicação, por exemplo, 10%.

• Taxa Alta: configura a porcentagem limite acima do valor indi-


cado na taxa de aplicação, por exemplo, 10%.

• Atraso Alarme: tempo máximo em segundos para que o con-


Ativar alarmes trolador indique não conformidade e dispare o alerta na tela
principal, por exemplo, 3 s.

• Veloc. Máxima: configura a velocidade máxima de desloca-


mento (km/h), a partir da qual o controlador indica não con-
formidade e dispara o alerta na tela principal, por exemplo, 9
km/h.

• Nível de tanque: configura o valor limite mínimo de tanque


para que o controlador dispare o alerta na tela principal.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 23


Na opção DESLIG. AUTOMÁTICO selecione a opção LIGADO. Para
Desligamento
configurar esta opção, acesse CONFIGURAÇÕES no menu MÁ-
automático de
QUINA, e selecione DESLIG. AUTOMÁTICO.
seção

Na tela inicial, selecione as seguintes informações:


PRODUTO: SEMENTE.
VELOC. TESTE: deve ser informada a velocidade média de deslo-
camento no plantio.
Efetuar o modo MODO APLICAÇÃO: selecionar em TAXA FIXA.
teste TAXA PADRÃO: é o peso determinado por ha.
Com a TDP a 540 RPM, apertar o botão do modo teste. O contro-
lador vai liberar 20% da quantidade determinada por ha. Depois
coletar e pesar as sementes para conferir o valor.

Saiba Mais

Para visualizar o manual completo desse controlador, cheque o Material Complementar 3


deste curso, no fim deste módulo.
E, mais uma vez, não esqueça que os materiais complementares deste curso também estão
disponíveis para download no Ambiente de Estudos!

Agricultura de Precisão na Semeadura » 24


Recapitulando
O monitor do controlador da semeadura apresenta em sua tela todas as informações a respeito
da operação. Através delas, o operador pode acompanhar a qualidade da semeadura sem pre-
cisar descer da máquina. Equipado com um sistema de alarme visual e/ou sonoro, o operador
é informado quando acabaram as sementes de determinada linha, quando a máquina excedeu
a velocidade máxima de deslocamento ou quando a taxa de semeadura não está dentro do in-
tervalo de valores toleráveis, entre outros. A configuração do monitor é realizada seguindo um
passo a passo descrito detalhadamente no manual do controlador.

Nas próximas páginas, você vai encontrar a atividade de aprendizagem para verificar os conhe-
cimentos construídos ao longo deste módulo. Não esqueça que você deve entrar no Ambiente
de Estudos para registrar as respostas no sistema, que também vai liberar o próximo módulo de
conteúdo!

Siga em frente e aproveite bem a atividade!

Agricultura de Precisão na Semeadura » 25


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 5 do Curso Agricultura de Precisão na Semeadura. A seguir, você
realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado neste módulo. Lembre-se que
as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde você também terá um fee-
dback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Com base no que foi apresentado durante esta aula, analise as seguintes afirmativas e mar-
que aquele que for correta.

a) A redução na produtividade causada por falhas de sementes no plantio é desprezível.

b) A velocidade de deslocamento da máquina no plantio é um dos fatores que mais afetam


a eficiência da operação de semeadura.

c) A umidade da semente não tem influência sobre a eficiência da semeadura.

d) A operação de semeadura não demanda qualificação do operador, visto que a máquina já


possui alta tecnologia.

2. Analise as afirmações a seguir e marque a alternativa correta.

a) O cálculo do coeficiente de variação do espaçamento entre plantas de milho permite corri-


gir eventuais falhas na semeadura.

b) O SeedSense é um software para monitorar a deposição do fertilizante no plantio.

c) É possível corrigir o alerta de excesso de velocidade no monitor do SeedSense diminuindo


a velocidade da máquina para valores abaixo dos estabelecidos como limite.

d) O produtor só acompanha os dados da semeadura após o término da operação.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 26


3. Analise as afirmações a seguir e marque a alternativa correta.

a) O monitor de semeadura tem como objetivo passar as informações sobre a semeadura ao


operador da máquina.

b) O tipo de semente é o mesmo, independentemente da espécie e cultivar semeada.

c) A configuração é igual para todas as marcas e modelos de controladores.

d) O alarme não pode ser configurado para a velocidade de deslocamento, pois esta veloci-
dade é variável no decorrer da operação.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 27


Síntese do curso

Parabéns por ter chegado ao fim do curso Agricultura de Precisão na Semeadura! Chegou o mo-
mento de fazer uma retrospectiva dos assuntos estudados no decorrer dos módulos do curso.

Fonte: Shutterstock

Neste curso, você pôde comprovar que a semeadura convencional tem dado espaço para a se-
meadura à taxa variável, através da técnica de Agricultura de Precisão.

Dentre as diferenças básicas entre as duas semeaduras, destacam-se:

• o uso dos monitores de plantio, que permitem trabalhar com as informações de mapas de
variabilidade e sinais de receptores GNSS; e

• o uso de atuadores que controlam a abertura e a rotação dos eixos que acionam os mecanis-
mos dosadores de semente e adubo.

Agricultura de Precisão na Semeadura » 28


De modo geral, esses atuadores reduzem em até 50% a variação normalmente observada nos
mecanismos convencionais. Além disso, eles possibilitam alterar rapidamente as quantidades
de sementes e adubos aplicadas de acordo com a localização informada pelo mapa de variabili-
dade e com a localização dada pelo receptor GNSS.

Os monitores de plantio são um avanço tecnológico originário das barras de luzes. Hoje, a fun-
ção de orientação pelas barras é básica para todos os modelos de monitores disponíveis no
mercado.

Para configurar adequadamente o monitor, o operador necessita conhecer a semeadora, sobre-


tudo a regulagem dos mecanismos dosadores. Essa regulagem é afetada, principalmente por:
tipo de semente, capacidade de enchimento do disco dosador e patinagem da roda motriz, que é
responsável por acionar os mecanismos dosadores. Em geral, coloca-se no solo uma quantidade
de semente superior ao número de plantas desejado devido a perdas. Os ajustes nas quantida-
des de sementes são feitos pela troca dos discos dosadores, e pela variação de velocidade nos
dosadores. A quantidade de fertilizante é alterada pela abertura e/ou aumento de rotação dos
dosadores.

A semeadura é uma etapa em que é fundamental monitorar todas as funções. Para tanto, as
máquinas mais sofisticadas operam com sensores específicos para desempenhar essa tarefa.
Em geral, os sensores mais utilizados realizam o monitoramento da descida de sementes e ferti-
lizantes para o solo. Outros sensores são empregados na medição da velocidade de trabalho, e
da quantidade de sementes e adubo presentes no interior do reservatório.

O mercado da Agricultura de Precisão é extremamente promissor. Fique atento às novidades


do assunto, faça todas as atividades sugeridas e capacite-se ainda mais. Afinal, conhecimento
específico é sempre uma ótima vantagem competitiva! Até a próxima e lembre-se de acessar a
apostila e assistir à videoaula do tema Semeadura! Sucesso nas suas atividades!

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Gabarito

Módulo 1 Módulo 4

1-B 1-C

2-C 2-C

3-C 3-C

Módulo 2 Módulo 5

1-B 1-B

2-D 2-C

3-C 3-A

Módulo 3

1-C

2-D

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Referências

BALASTREIRE, L. A.; COELHO, . L. D. Aplicação mecanizada de fertilizantes e corretivos. São


Paulo: ANDA, 1992. 47 p. (ANDA. Boletim Técnico, 7).

MACHADO, P.L.O.A.; BERNARDI, A.C.C.; SILVA, C.A. Agricultura de Precisão para o Manejo da
Fertilidade do Solo em Sistema de Plantio Direto. Embrapa Solos: Rio de aneiro, 2004. 209 p.

MOLIN, .P. Agricultura de precisão o gerenciamento da variabilidade. Piracicaba: osé Paulo


Molin, 2001. 83p

MONICO, .F.G. Posicionamento pelo GNSS: descrição, fundamentos e aplicações. São Paulo:
Editora UNESP, 2007. 433 p.

SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (RS); STARA. Agricultura de Precisão – Mó-
dulo 1. Porto Alegre: SENAR (RS), 2011. Não paginado.

. Agricultura de Precisão – Módulo 2. Porto Alegre: SENAR (RS), 2011. Não paginado.

SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Máquinas Agrícolas: Tecnologia de Preci-


são. Brasília: SENAR, 2012. 76 p.

STARA S/A IND STRIA DE IMPLEMENTOS AGR COLAS. Monitor de Plantio Stara – MPS. En-
genharia de Produto da Stara S/A - Departamento de tecnologia. Suporte ao produto. Boletim
Técnico N 028/12. 2012.

OHN DEERE - Manual do operador - Barra de Luzes GreenStar . OMPFP10057. EDIÇÃO G0.
2010, 28p. disponível em https://stellarsupport.deere.com/pt BR/Support/pdf/ompfp10057
Lightbar.pdf

UHR , D. Avaliação e critério para a utilização de semeadora com sistema de taxa variável
de sementes na cultura da soja. 2013. 141 f. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola ) - Univer-
sidade Federal de Santa Maria, Santa Maria. 2013.

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