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BECM / ANOTAÇÕES - DESCARTES

Introdução

Vai analisar as estruturas da subjetividade.


Leitura: estudar as duas primeiras meditações sobre a filosofia primeira.
Livro: Meditações, conhecimento com rigor, com método.

1. Dúvida

O que eu posso conhecer?


Para responder isso, Descartes vai tratar do sujeito do conhecimento. Essa é uma
revolução filosófica. Desse modo, a ideia de sujeito e subjetividade vai ser fundamental.
Na primeira meditação, a dúvida é central, porque ele defini a verdade em relação à
dúvida. Descartes está tentando buscar um conhecimento perfeito, ou seja, um
conhecimento no qual não posso duvidar. Conhecimento só é conhecimento quando é
indubitável.
Dúvida significa que ele vai analisar criticamente todas as suas crenças anteriores.
A dúvida é metódica e radical, porque tudo o que ele acredita vai ser objeto de dúvida.
A dúvida metodológica consiste em não estar ligada ao conhecimento imediata, ou
seja, para duvidar eu preciso de uma fundamentação racional, tem que demonstrar que
existem justificações racionais para fundamentar minha dúvida. Também tem ligação com
todas as crenças do meu sistema de crenças, mas não dá para avaliar todos as minhas
crenças, por isso ele vai avaliar os fundamentos de todas as minhas crenças.
Descartes utiliza a dúvida para chegar ao conhecimento, uma verdade segura, certa,
assim a partir dessa verdade é reconstrói todo conhecimento. Tenho conhecimento quando
assumo uma crença como verdadeira e o sujeito sabe que é verdadeira, ele pode justificar.
Suspender o juízo é só não assumir um compromisso com a crenças, é diferente de
negar uma verdade. Descartes é um fundacionalista, todo conhecimento tem uma base. O
problema do funcionalismo é que parte de um conhecimento acrítico.

Portanto
 O que eu posso conhecer?
 Para responder isso: Descartes vai tratar do sujeito do conhecimento.
 Dúvida é central: porque defini a verdade em relação à dúvida.
 A dúvida é metódica: tudo o que ele acredita vai ser objeto de dúvida.
 Consiste em não estar ligada ao conhecimento imediata
 Quer um conhecimento indubitável, uma base.

2. Para duvidar de tudo Descartes usa três argumentos:

a) Falibilidade dos sentidos


b) Argumento do sonho
c) Deus enganador

a) Falibilidade dos sentidos

b) Argumento do sonho
Quando eu estou sonhando ou doente, eu posso criar coisas que não têm
nenhuma existência objetiva. Para Descartes, não existente critério para distinguir sonho
com estado de vigília.
Aqui, eu posso perceber as coisas de forma errada, mas pelo menos tem que ter
uma mesa que é a causa da minha percepção errada. Assim, ele salva a existência dos
objetos do mundo exterior.
O argumento do sonho entra na questão de que quando eu estou sonhando o
objeto que sonho não é existente, por isso a existência dos objetos concretos não pode
ser uma crença fundacional.

Descartes testa na realidade os universais simples, mas não consegue superar


esse teste. Aos poucos vai tirando todo conhecimento da experiência empírica.
As últimas coisas que vai tentar salvar são: “figura das coisas extensas,
quantidade, ou grandeza, e seu número; como também o lugar em que estão, o tempo
que mede sua duração e outras coisas”.
Em outra obra chama de naturezas matérias simples, essas coisas constituem a
natureza matemática da realidade.

(13) E pela mesma razão, ainda que essas coisas gerais, a saber, olhos, cabeças,
mãos, e outras semelhantes, possam ser imaginárias, è preciso, todavia, confessar
que há coisas ainda mais simples e mais universais, que são verdadeiras e existentes;
de cuja mistura, nem mais nem menos de que da mistura de algumas côres
verdadeiras, são formadas todas essas imagens das coisas que residem em nosso
pensamento, quer verdadeiras e reais, quer fictícias e fantásticas. Desse gênero de
coisas è a natureza corpórea em geral, e a sua extensão; juntamente com a figura das
coisas extensas, quantidade, ou grandeza, e seu número; como também o lugar em
que estão, o tempo que mede sua duração e outras coisas semelhantes.

(14) Eis por que, tal vez, daí nós não concluamos mal se dissemos que a Física, a
Astronomia, a Medicina e todas as outras ciência dependentes da consideração das
coisas compostas são muito duvidosas e incertas; mas que a Aritmética, a Geometria
e as outras ciências desta natureza, que não tratam senão de coisas muito simples e
muito gerais, sem cuidarem muito em se elas existem ou não por natureza, contêm
alguma coisa de certo e indubitável. Pois, quer eu esteja acordado, quer esteja
dormindo, dois mais três formarão sempre o número cinco, e o quadrado nunca terá
mais do que quatro lados; e não parece possível que verdades tão patentes possam
ser suspeitas de alguma falsidade ou incerteza.

Matemática, geometria e lógica pode talvez ficar como crença fundacional, pois
supera o teste do sonho.

c) Deus enganador ou gênio maligno

Esse argumento é problemático por conta do argumento ontológico da existência


de Deus. Esse argumento descarta todas as possibilidades de fundamentos até agora.

Penso (logo) existo – não usa o logo nas meditações por causa da lógica. Já
colocou em dúvidas leis da lógica (logo é implicação). Isso é uma certeza imediata
fundada em si mesma. Isso acontece porque não posso duvidar do meu próprio ato de
pensar, é um postulado.
Ponto 23 – o pensamento pressupõe a minha existência, não a corpórea. Se ele
não existisse como sujeito pensante ele não poderia ser enganado, por isso supera a
ideia do Deus enganador.

Existe alguma coisa que pensa – eu olho essa coisa que pensa (Dúvida: eu
existencial)

NOTAS DE OBSERVAÇÃO

 Transcendental: condições de possibilidade de alguma coisa, determinação de


possibilidade do meu conhecimento.
 Alguns autores observam aí a ideia de que quais as condições primarias para ter a
atividade do pensamento, o ponto de partida.
 Abdução: exemplo do médico.