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UNIVERSIDADE SANTO AMARO

EVERIDIENE KINVERLLY VIEIRA BORGES DA SILVA

A TOXOPLASMOSE NO BRASIL

SÃO PAULO
2019
1. Introdução
Os diversos organismos existentes na natureza em algum momento
necessitarão de outros organismos para manter sua sobrevivência, seja para
proteção, locomoção, alimentação, reprodução etc.
Na ecologia, existem conceitos que definem as relações que podem ser
intraespecíficas e interespecíficas, sendo a primeira correspondente à indivíduos
da mesma espécie e a segunda trata-se de indivíduos de espécies distintas.
Relações intraespecíficas podem ser harmônicas ou desarmônicas, podemos
usar colônias como exemplo, esta se trata de indivíduos anatomicamente iguais
cuja única forma de sobrevivência é vida juntos, pois um representante da
espécie não consegue viver sozinho. Por outro lado, temos relações
desarmônicas, como canibalismo, que consiste em indivíduos se alimentando de
outros da mesma espécie.
Relações interespecíficas também podem ser classificadas como harmônicas ou
desarmônicas, mas também pode haver uma neutralidade, onde ambas as
partes não são afetadas nem positivamente e nem negativamente. Neste caso,
as relações são mais complexas, pois tratam-se de diversas maneiras de
organismos se manterem vivo em uma comunidade. As relações podem ser
classificadas como: foresia, comensalismo, parasitismo, mutualismo e simbiose.
Cada uma destas relações possuem uma especificidade, boas ou ruins, elas
estão presentes, sejam em grandes flores ou num terreno baldio onde tenha uma
comunidade crescendo.
2. Objetivo

Este trabalho tem como objetivo falar sobre parasitismo e sobre a doença
causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, a toxoplasmose.
3. Parasitismo

Os parasitos podem ser classificados como ectoparasitos ou endoparasitos. Os


ectoparasitos são aqueles que são encontrados fora do organismo do
hospedeiro ou que conseguem obter oxigênio do ambiente externo, mesmo
sendo parasitos cutâneos.
Já os endoparasitos são aqueles que estão localizados nas cavidades ou tecidos
de seus hospedeiros, sem contato com o ambiente externo, desta maneira obtêm
oxigênio e nutrientes exclusivamente de seus hospedeiros.
O parasito se instala no interior dos tecidos de seu hospedeiro e dele retira os
nutrientes essenciais para sua sobrevivência, além do abrigo, o que o possibilita
ter uma vida longa e uma possibilidade de haver a reprodução, dando espaço
para que estes possam repassar seus genes para gerações futuras.
Os parasitos podem ser encontrados nas formas de protozoários, helmintos e
artrópodes, podendo trazer problemas tanto para os seres humanos, quanto
para os animais, em muitos casos os parasitos podem ter humanos e animais
como hospedeiro.
O homem atingido pelos parasitos pode sofrer graves consequências, algumas
podendo levá-lo à morte devido às diversas ações que estes têm sobre o
organismo humano, estas ações podem ser:

OBSTRUTIVA:
- Obstrução de ductos glandulares, órgãos etc.
COMPRESSIVA:
- Compressão de órgãos e tecidos conforme o crescimento do parasito.
DESTRUTIVA:
- Comum nas parasitoses. Vermes ancilostomídeos podem arrancar pedaços da
mucosa intestinal com suas peças bucais, por exemplo.
ALERGIZANTE:
- Capacidade de causar fenômenos alérgicos.
TÓXICA:
- Inoculação de secreção do parasito no organismo.
ESPOLIADORA:
- Ingestão dos alimentos que o hospedeiro consome, isso ocorro principalmente
com parasitos localizados no tubo digestivo.
4. Toxoplasma gondii
O Toxoplasma gondii é o agente etiológico da toxoplasmose, este é um
protozoário intestinal de felinos, mas pode ser encontrado em aves e em diversos
mamíferos, inclusive o homem.
A primeira forma descrita do T. gondii foi o taquizoíto, é de proliferação rápida e
mais fácil de ser encontrada em líquidos biológicos, com todas as suas
estruturas, este é o responsável pelo formato da célula.
O nome dá-se devido ao ser formato: toxon = arco plasma = forma. Estes
apresentam três linhagens, sendo a de tipo II a mais comum e a mais relacionada
a lesões oculares e por deixar mais aguda a toxoplasmose em pacientes HIV
positivos. A linhagem I é a menos comum, porém é a que mais causa danos
patogênicos. Já a III linhagem é a mais comum em animais, mas, nestes, não se
pode afastar as linhagens I e II pois também ocorrem.
Durante muito tempo sua natureza foi incerta, mas a partir de microscopia
eletrônica foi revelada sua semelhança com coccídeos e com esporozoítas da
malária, pois estes apresentam, assim como o T. gondii um complexo apical.
Medindo entre 4 e 8 μm de comprimento e 2 a 4 μm de largura, possui alta
capacidade de se mover quando o exame é realizado a fresco, ainda no
exsudato peritoneal de animais infectados, além de ser corado com certa
dificuldade.
Apresenta-se em forma esférica, oval ou alongada. Seu núcleo é corado em
vermelho e o citoplasma fica em azul.

https://www.researchgate.net/profile/Andres_Galisteo_Jr/publication/34734400/figure/fig2/AS:341464736387073@1458
422945060/Figura-2-Morfologia-esquematica-do-taquizoito-de-Tgondii_Q320.jpg
O complexo apical, acima do conóide corresponde à uma estrutura responsável
pela penetração na célula do hospedeiro.
T. gondii apresenta uma forma de resistência chamada bradizoíto, uma forma
lenta de reprodução, que cria um aglomerado de parasitos pois agirá
independentemente da resposta imune do hospedeiro, sendo assim, criando
resistência a ela, este processo resultará na formação de aglomerados císticos,
que medem entre 10 e 100 μm, podendo conter centenas de ou milhares de
bradizoítos, geralmente localizados em células dos sistemas nervoso, muscular
e cardíaco.
Acredita-se que a longevidade do cisto chegue a décadas até que haja a
liberação dos bradizoítos, mas não existe um consenso sobre a real “expectativa
de vida” destes cistos.
Cisto contendo bradizoítos

http://www.ufrgs.br/para-site/siteantigo/Imagensatlas/Protozoa/Imagens/bradi3.jpg
CICLO BIOLÓGICO
O ciclo inicia-se nas fezes dos felinos, que são considerados hospedeiros
definitivos porque são os únicos capazes de completar o ciclo de reprodução
sexuada em seu organismo, mas aves e outros mamíferos podem agir como
hospedeiros intermediários.
Nas fezes dos gatos encontram-se oocistos de grande resistência ambiental,
esta forma é a única que permite o ciclo completo da infecção. A infecção pode
ocorrer através de taquizoítos de células infectadas durante o processo de
infecção aguda, badizoítos também podem infectar quando presentes em
tecidos latentes e por esporozoítos liberados de oocistos, estas formas seguem
para a mucosa intestinal e as invadem para assim dar seguimento aos processos
reprodutivos.
O primeiro processo é a reprodução assexuada que produz novas células
infectantes, por um processo de endogenia onde os parasitos passarão a ter
formato arredondado e estas infectarão outras células epiteliais adjacentes. Na
endogenia uma célula-mãe produz dois núcleos-filhos, de uma forma
semelhante ao brotamento interno, onde forma-se primeiro duas estruturas
membranosas que se desenvolvem nas proximidades do polo anterior do núcleo,
que será responsável pelo desenvolvimento de dois conoides-filhos. Em
seguida, observa-se um núcleo em forma de uma ferradura, apontado em
direção aos conoides-filho. Enquanto dois núcleos-filhos independentes estão
em seu processo de formação, as estruturas membranosas crescem
paralelamente para trás, envolvendo cada um dos núcleos e englobando outras
organelas celulares. Após a formação completa dos núcleos-filhos, a célula-mãe
se degenera, deixando seus filhos livres.

Fonte: REY, 2010, p. 118

O próximo processo ocorre após a reprodução assexuada quando algumas


células se diferenciam, se tornando gametas. O gameta feminino
(macrogametócito) permanecerá na célula epitelial, enquanto o gameta
masculino (microgametócito) sofrerá divisões celulares e gerará entre 10 a 20
novos microgametas biflagelados, estes sairão e fecundarão macrogametócitos
encontrados nas células epiteliais, este encontro resultará na formação de
oócitos que desenvolverão uma capsula cística e então serão liberados oocistos
imaturos nas fezes dos gatos.
Este processo dura cerca de 15 dias quando a infecção é por via oral por cistos
ou pseudocistos e pode variar entre 3 e 7 semanas se a infecção for através da
ingestão de outros oocistos. Ao final do processo, o oocisto em meio externo
sofre esporulação, gerando dois esporocistos com quatro esporozoítos cada. Em
ambientes com umidade e temperatura propicias podem resistir durante meses
e até mesmo anos.
O terceiro e último processo ocorre quando há a invasão de esporozoítos,
taquizoítos e bradizoítos nos macrófagos e outros tipos de células tanto de
felinos, quanto de seus hospedeiros intermediários.

https://sites.google.com/site/parasitovet/ciclotoxoplasma.jpg
5. Toxoplasmose
Em linhagens virulentas, rapidamente há o avanço para um quadro agudo,
onde será possível observar centenas de parasitos nas células de quase
todos os tecidos. Esta invasão em massa formará pseudocistos que ao se
romperem infectarão novas células, podendo levar o hospedeiro à morte em
pouco dias.
Em linhagens não-virulentas, os pseudocistos são formados lentamente, e
por volta do sexto dia pode-se observar cerca de 20 parasitos por célula que
estão prestes a ser rompidas. Porém, a partir do quarto dia já pode-se
observar algumas células cerebrais infectadas e a partir do oitavo dia uma
membrana cística envolve estas células. Estes cistos também podem ser
observados nos pulmões, na musculatura esquelética, rins, fígado, baço e
musculatura cardíaca.
A toxoplasmose pode variar no homem devido a idade que há a
contaminação, por isso a toxoplasmose é descrita de duas maneiras: forma
congênita ou neonatal e a forma dos adultos e crianças com mais idade.
TOXOPLASMOSE CONGÊNITA OU NEONATAL:
Quando a mãe apresenta um caso de toxoplasmose crônica, o feto não será
contaminado durante o período intrauterino, e não existem confirmações de
casos onde a doença tenha causado abortamentos, no entanto, a mãe que
contrair a toxoplasmose durante a gestação poderá estar sujeita a graves
consequências, isto dependerá da idade gestacional e da capacidade da mãe
transmitir anticorpos para seu feto.
Entre o momento de concepção e o sexto mês de gestação, a contaminação
pode haver casos agudos e subagudos, onde os parasitos podem invadir
todos os órgãos fetais, prevalecendo lesões no sistema nervoso e na retina.
No último trimestre, as consequências são mais leves, apresentando quadros
brandos ou assintomáticos. Entretanto, boa parte dos bebês provindos de
mães contaminadas nascem sem a doença.
Apesar de pouco frequente, em casos agudos, pode haver hepatomegalia,
esplenomegalia, icterícia, exantema, ainda havendo a possiblidade da
ocorrência de linfadenopatia generalizada, pneumonite, hepatite, derrames
cavitários, anemia e meningoencefalite. A raridade destes casos ocorre por
se trata da vida intrauterina, que geralmente leva à morte fetal ou ao
abortamento. As crianças que sobrevivem, em geral, nascem anomalias e
grande retardo no desenvolvimento intelectual e físico.
Muitas vezes a regressão da doença pode ocorrer, levando à forma subaguda
ou crônica que reduzirá as alterações viscerais apesar de manter as neuro-
oculares.
Os sintomas da doença manifestar-se em ocorrência do nascimento,
podendo variar entre dias e meses, podendo apresentar sinais como:
retinocoroidite, calcificações cerebrais, perturbações neurológicas,
hidrocefalia interna e microcefalia.
As alterações oculares pode ser:
 Edema de retina
 Alterações vasculares, hemorragias e edema na coroide
 Neurite ótica
 Microftalmo
 Nistagmo
 Catarata
 Estrabismo
 Irite
Entre as alterações neurológicas estão:
 Perturbações psicomotoras
 Convulsões generalizadas
 espasticidade
 Opistótono ou retração da cabeça
 Rigidez da nuca
 Paralisias
A toxoplasmose crônica nestes casos é uma doença de alta letalidade e as
crianças que sobrevivem convivem com deficiências intelectuais, podendo
sofrer com novas infecções no futuro.
TOXOPLASMOSE PÓS-NATAL:
A maioria dos casos de crianças ou adultos contaminados é assintomática,
mas quando com sintomas, estes podem ser:
 formas subclínicas, sem febre ou outros sintomas, que são
diagnosticadas somente através de exames de rotina;
 formas com adenopatia e sem febre;
 formas febris com adenopatia.
O tempo de duração pode variar, assim como os sintomas, que podem ou
não deixar o paciente debilitado, sendo predominante a sensação de fadiga.
As adenopatias são os sintomas mais comuns em adultos, podendo estar
acompanhadas de mal-estar, mialgias, cefaleia e anorexia, além de
linfocitose. A retinocoroidite é a única manifestação de uma toxoplasmose e
através de um exame oftalmológico constata-se a presença de lesões de
retinite focal necrotizante que causam a perda da visão.
Entre os sintomas graves em adultos estão:
 Exantema macropapular;
 Febre;
 Mal-estar;
 Dores nas articulações e musculares;
 Prostração;
 Hepatite;
 Esplenite;
 Miocardite;
 Meningite;
 Encefalomelite.
Estes podem causar a morte, mas há a possibilidade de melhora com o
tratamento devido.
TOXOPLASMOSE EM PACIENTES IMUNODEFICIENTES:
A toxoplasmose é uma doença extremamente fatal em pacientes com
imunodeficiência, nestes casos, infecções crônicas ou assintomáticas
podem subitamente assumir caráter agudo.
O avanço da AIDS fez com que o número de pessoas contaminadas pela
toxoplasmose aumentasse, começando por uma encefalite e levando à
morte em poucos dias.
Nestes pacientes os primeiros sintomas são encefalites e febre, mas podem
ser acompanhados de:
 Confusão;
 Letargia;
 Alucinações ou psicose;
 Perda de conhecimento ou memória;
 Coma.
Entre os sintomas neurológicos estão:
 Convulsões;
 Hemiparesia;
 Ataxia;
 Afasia;
 Escotoma;
 Paralisia de nervos cranianos.
6. Diagnóstico
O diagnóstico em adultos é praticamente impossível por serem
assintomáticos, mas o ponto inicial de suspeitas pode ser através da
retinocoroidite.
Em casos de toxoplasmose congênita ou neonatal, a suspeita é mais eficaz
por seus sintomas específicos, mas ainda assim há a necessidade de
exames laboratoriais para a confirmação.
O resultado pode ser obtido através de diagnósticos parasitológicos,
imunológicos ou neurológicos, sendo os imunológicos os mais eficazes por
apresentar mais formas de detecção dos parasitos no organismo.
7. Tratamento
Apesar de ainda ser incerto o tratamento, apesar de haver uma de drogas
para o controle, são poucas as existentes e estas são tóxicas.
Uma opção é a quimioterapia, mas a sua eficácia não é das maiores, pois é
capaz de eliminar apenas taquizoítos, incapaz de atingir o bradizoítos que
estão protegidos dentro do cisto.
As drogas mais utilizadas são combinações de sulfonamidas com
pimetamina.
8. Epidemiologia

 A toxoplasmose é uma doença universal, mas a prevalência não é


conhecida
 Taxas mundiais indicam entre 25 e 50%
 No Brasil entre 50 e 80%
 Taxas mais elevadas nas áreas rurais do que nas urbanas
9. Transmissão

 Fezes de animais domésticos infectados;


 Ingestão de carne crua ou mal-cozida;
 Transmissão congênita de mulheres que se infectam durante a
gestação;
10. Profilaxia

 Cozimento de carnes a 65ºC durante pelo menos 5 minutos;


 Manter boa higiene;
 Lavar as mãos após manipular alimentos crus;
 Não ter contato direto com areia utilizada por gatos;
 Trocar areia dos gatos duas vezes por semana;
 Lavar caixas de areia com água quente (não estar gestante);
11. Conclusão
Após pesquisas realizadas em livros, conclui-se que a toxoplasmose é uma
doença comum e silenciosa, e apesar da frequência em que ocorre ao redor
do mundo, pode ser fatal, tendo em vista que seu parasito pode ser altamente
resistente a medicamentos.
Os estudos sobre essa doença não param, pois há muitas informações
incertas ou questões que ainda estão sem respostas, para que possa ter um
diagnóstico mais preciso, para que o paciente possa obter seu tratamento de
maneira rápida e sair sem sequelas.
No Brasil, as taxas pessoas infectadas são altas, sendo que boa parte destas
não apresentam sinais ou sintomas de contaminação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CIMERMAN, Benjamin; CIMERMAN, Sérgio. PARASITOLOGIA HUMANA:
e seus fundamentos gerais. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2008
REY, Luís. PARASITOLOGIA: parasitos e doenças parasitárias do homem
nos trópicos. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008
REY, Luiś . BASES DA PARASITOLOGIA MÉ DICA. 3.ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2010
SAVADA, David (et al.). A CIÊNCIA DA BIOLOGIA. 8. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2009