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Capítulo 2

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.

O balanço
patrimonial

Dentre as funções de um gestor financeiro está o planejamento e a


análise financeira de uma empresa. Para tanto, ele precisa se basear em
informações confiáveis apresentadas nos demonstrativos financeiros,
cujos registro e produção, segundo Ribeiro (2013), são de responsabili-
dade da contabilidade. A finalidade desses demonstrativos é o controle
do patrimônio da empresa e de suas variações.

A legislação vigente obriga a publicação de uma série de demons-


trativos, que se complementam e permitem uma visão ampla da situa­
ção econômico-financeira de uma organização em dado período. O
balanço patrimonial é um dos demonstrativos mais analisados, visto
que reflete a situação patrimonial e a relação entre os investimentos e
as fontes de recursos.

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O objetivo deste capítulo é entender a importância do balanço patri­

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monial, descrevendo sua estrutura e as principais contas que o compõem.
O capítulo está dividido em cinco seções: na primeira seção, discutimos
a questão do patrimônio e os conceitos básicos que norteiam o balanço
patrimonial; na segunda seção, apresentamos as contas que compõem
o ativo; na terceira seção, apresentamos os componentes do passivo; na
quarta seção, listamos os elementos do patrimônio líquido; e, na quinta
seção, apresentamos um exemplo prático.

1 Aspectos conceituais do balanço patrimonial


O balanço patrimonial é o ponto de partida para a análise finan-
ceira de uma organização. Ele é o primeiro demonstrativo contábil
apresentado dentro do conjunto de demonstrativos obrigatórios exi-
gidos pela legislação e está diretamente ligado ao objeto central da
contabilidade – o patrimônio.

O patrimônio é formado pelo conjunto de bens, direitos e obrigações


avaliados monetariamente e pertencentes a uma pessoa ou organiza-
ção. Podemos conceituar esses elementos da seguinte forma:

Quadro 1 – Elementos que compõem o patrimônio

Segundo Ribeiro (2013, p. 8), são as “coisas capazes de satisfazer às


necessidades humanas e suscetíveis de avaliação econômica”. Podem ser
BENS materiais (como móveis, ferramentas, equipamentos, veículos, etc.) e
imateriais ou intangíveis (como marcas e patentes).
PATRIMÔNIO

Segundo Viceconti e Neves (2014, p. 5), são “valores a serem recebidos de


terceiros por vendas a prazo ou valores de propriedade da entidade que se
DIREITOS encontram em posse de terceiros”. Exemplos: duplicatas a receber, contas a
receber, aluguéis a receber, etc.

São todos os valores que a empresa tem a pagar a terceiros, como salários
OBRIGAÇÕES a pagar, contas a pagar, empréstimos, impostos a pagar, entre outros
(ÁVILA, 2012, p. 46).

Fonte: adaptado de Ribeiro (2013), Viceconti e Neves (2014) e Ávila (2012).

24 Gestão financeira e finanças corporativas


Para facilitar a organização e o entendimento desses elementos que
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compõem o patrimônio, surgiu o demonstrativo contábil denominado


balanço patrimonial.

IMPORTANTE

O balanço patrimonial é a “demonstração financeira (contábil) destinada


a evidenciar quantitativa e qualitativamente, em uma determinada data,
a posição patrimonial e financeira da entidade” (RIBEIRO, 2009, p. 354).

As informações contidas no balanço são estáticas e sintéticas, ou


seja, são uma “fotografia” do momento analisado e muito provavelmen-
te indicarão resultados diferentes algum tempo depois. Segundo a Lei
no 6.404/1976, as demonstrações devem ser publicadas apresentando-
-se dois períodos – o exercício atual e os valores correspondentes do
exercício anterior; isso facilita a comparação e a possibilidade de análise
de tendências.

O balanço patrimonial é dividido em dois grandes grupos e é apre-


sentado em um gráfico em forma de “T”. O lado esquerdo do gráfico é
chamado de ativo, lista os bens e direitos do patrimônio e revela a apli-
cação dos recursos da empresa, isto é, como a empresa investiu o capi-
tal que tinha à disposição (se deixou no banco, se comprou estoques, se
comprou equipamentos, entre outras aplicações). O lado direito é deno-
minado passivo e é composto pelas obrigações e pelo patrimônio líqui-
do, revelando a origem dos recursos aplicados na empresa. Enquanto
as obrigações evidenciam o capital de terceiros utilizado, o patrimônio
líquido mostra os recursos próprios da empresa (o investimento feito
pelos sócios e os lucros gerados pelas atividades).

O conceito de balanço origina-se do equilíbrio dessas partes, afinal


todo recurso captado pela empresa (seja próprio ou de terceiros) está
aplicado em bens e direitos. Assim, o lado direito do demonstrativo deve
ser igual ao lado esquerdo, indicando a identidade contábil básica do
balanço patrimonial.

O balanço patrimonial 25
Figura 1 – Equação patrimonial

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Balanço:
Equação patrimonial
aplicação dos recursos = fonte dos recursos

Passivo
Ativo
Ativo Passivo Patrimônio
Patrimônio líquido líquido

O patrimônio líquido também é chamado de situação líquida patri-


monial e é calculado pela diferença entre o ativo e o passivo. Se o ativo
for maior que o passivo, teremos uma situação líquida positiva (ou su-
peravitária); se o ativo for menor que o passivo, teremos uma situação
líquida negativa (ou deficitária – ou, ainda, uma situação de passivo a
descoberto); se o ativo for igual ao passivo, dizemos que há uma situa-
ção líquida nula ou inexistente.

As alterações na Lei no 6.404/1976, inseridas pela Lei no 11.638/2007


e posteriormente pela Lei no 11.941/2009, dispuseram a seguinte estru-
tura básica para o balanço patrimonial:

Quadro 2 – Estrutura básica do balanço patrimonial

BALANÇO PATRIMONIAL – ESTRUTURA

ATIVO PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

1.1. Ativo circulante 2.1. Passivo circulante


1.2. Ativo não circulante 2.2. Passivo não circulante
1.2.1. Ativo realizável a longo prazo 2.3. Patrimônio líquido
1.2.2. Investimentos 2.3.1. Capital social
1.2.3. Imobilizado 2.3.2. Reservas de capital
1.2.4. Intangível 2.3.3. Reservas de lucros
2.3.4. Ajustes de avaliação patrimonial
2.3.5. Prejuízos acumulados
2.3.6. Ações em tesouraria

Fonte: adaptado de Braga (2012) e Silva (2010).

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2 Ativo
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Segundo Ribeiro (2009, p. 354), no ativo “as contas representativas


dos bens e direitos são dispostas em ordem decrescente de grau de
liquidez, em dois grandes grupos: ativo circulante e ativo não circulante”.

O grau de liquidez é o maior ou menor prazo em que um bem ou


direito pode ser convertido em dinheiro – por exemplo, a conta caixa
detém os ativos mais líquidos, já que representa o dinheiro imediato
disponível para a empresa; um imóvel apresenta liquidez menor do que
um veículo, visto que vender uma casa é mais burocrático e demorado
do que vender um carro.

2.1 Ativo circulante

O ativo circulante compreende “todas as contas de grande rotação,


ou seja, as contas de liquidez imediata e as que se convertem em dinhei-
ro no curto prazo” (ASSAF NETO, 2010, p. 51). São consideradas contas
de curto prazo aquelas cuja realização ocorre até o término do próximo
exercício social (ou seja, em até 12 meses). O ativo circulante também é
chamado de capital de giro e divide-se nos seguintes subgrupos:

•• Disponibilidades: incluem as contas de maior liquidez da empre-


sa, como o caixa (dinheiro existente em espécie na empresa) e
os bancos (valores disponíveis em conta-corrente nos bancos
comerciais).

•• Aplicações financeiras: correspondem a aplicações em títulos e


valores mobiliários resgatáveis no curto prazo (durante o exercí-
cio social seguinte). Os exemplos mais comuns são as operações
de renda fixa (como o Certificado de Depósito Bancário – CDB e
o Recibo de Depósito Bancário – RDB), as letras de câmbio, os
títulos públicos e os fundos de investimento.

O balanço patrimonial 27
•• Contas a receber ou clientes: compreendem os “valores a rece-

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ber dos clientes decorrentes dos produtos, mercadorias ou servi-
ços vendidos pela empresa e ainda não recebidos” (SILVA, 2010,
p. 98). Representam os valores negociados a prazo e ainda não
recebidos. Uma das estratégias de aumento das vendas é a con-
cessão de prazos maiores para pagamento, assim há uma ten-
dência de que os valores a receber cresçam quando as vendas
aumentarem.

•• Estoques: são “bens destinados à produção (matéria-prima,


materiais secundários, etc.), à prestação de serviços (materiais
diversos), à venda (mercadorias ou produtos) ou ao consumo
(materiais de limpeza, expediente, embalagens, etc.)” (RIBEIRO,
2013, p. 405).

•• Despesas antecipadas: são despesas do exercício seguinte que


já foram pagas; por exemplo, prêmios de seguros (geralmente
pagos no ato do contrato, embora os benefícios só sejam conce-
didos no exercício social seguinte), assinaturas de jornais e revis-
tas, aluguéis pagos antecipadamente, entre outras.

•• Outros valores a receber: dizem respeito a outros direitos que


a empresa tem para receber que não correspondem a vendas a
prazo de mercadorias ou serviços. Como exemplo podemos listar
empréstimos a funcionários e impostos a recuperar (impostos,
taxas e contribuições recolhidos antecipadamente ou indevida-
mente, que, por conta da legislação, podem ser recuperados).

2.2 Ativo não circulante

Compreende os bens e direitos de menor liquidez, ou porque serão


transformados em dinheiro em prazo superior a um exercício social
(acima de 12 meses) ou porque não se destinam à venda. Esse grupo
de contas está dividido em:

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•• Ativo realizável a longo prazo: valores a receber após o térmi-
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no do exercício seguinte, assim como “os derivados de vendas,


adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou con-
troladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da com-
panhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do
objeto da companhia” (BRASIL, 1976 apud SILVA, 2010, p. 103).

•• Investimentos: representam “as participações permanentes em


outras sociedades e os direitos de qualquer natureza não classi-
ficados no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção
da atividade da empresa” (BRASIL, 1976 apud GRECO; AREND,
2013, p. 84). Enquadram-se neste grupo de contas a participação
acionária em empresas coligadas ou controladas, a participação
em outras empresas quando não há coligação nem controle, os
incentivos fiscais aplicados, os terrenos para utilização futura,
obras de arte e outros ativos com finalidade especulativa e não
destinados à operação da empresa.

•• Imobilizado: diz respeito aos bens destinados à manutenção das


atividades da empresa e sofre depreciação ao longo do tempo.
As contas mais comuns que compõem este grupo são: móveis e
utensílios, máquinas e equipamentos, veículos e imóveis. O ativo
imobilizado líquido é o valor contábil desses bens subtraído da
depreciação, amortização e exaustão acumuladas. Segundo o
artigo 183 da Lei no 6.404/1976 (apud SILVA, 2010, p. 111), a de-
preciação é a perda de valor dos ativos físicos sujeitos a desgaste
ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência;
a amortização é a “perda do valor do capital aplicado na aquisi-
ção de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer
outros com existência ou exercício de duração limitada”, sendo
aplicada geralmente em elementos intangíveis, como marcas e
patentes; e a exaustão refere-se à perda do valor corresponden-
te à exploração de “direitos cujo objeto sejam recursos minerais
ou florestais ou bens aplicados nessa exploração” (BRASIL, 1976
apud SILVA, 2010, p. 111).

O balanço patrimonial 29
•• Intangível: segundo Assaf Neto (2010, p. 56), representa “os bens

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de propriedade industrial ou comercial legalmente conferidos à
empresa, originando-se disto seu valor, e não da propriedade fí-
sica dos mesmos”. Alguns exemplos desses bens são marcas e
patentes, softwares, direitos autorais, fundos de comércio, quotas
de importação, licenças e franquias.

3 Passivo
Segundo Ribeiro (2009, p. 357), no passivo “as contas representati-
vas das obrigações devem ser classificadas segundo a ordem decres-
cente do grau de exigibilidade”, ou seja, respeitando-se o prazo em que
devem ser pagas. Assim como as do ativo, as contas do passivo são
divididas em dois grupos: circulante e não circulante.

3.1 Passivo circulante

Compreende as obrigações de menor exigibilidade, ou seja, aquelas


cujo vencimento ocorre no exercício seguinte (até 12 meses); inclui, por-
tanto, as obrigações operacionais da empresa. Também é chamado de
capital de terceiros de curto prazo, e as contas mais representativas que
o compõem são:

•• Fornecedores: representam as compras a prazo efetuadas pela


empresa – de matérias-primas, mercadorias, componentes utili-
zados na produção, materiais de consumo ou serviços a prazo.

•• Salários e encargos sociais a pagar: geralmente, o salário rela-


tivo a um mês é pago no início do mês subsequente e, devido ao
regime contábil, deve ser registrado como uma obrigação junto
aos funcionários. O mesmo ocorre com os encargos trabalhis-
tas decorrentes da folha de pagamento que devem ser pagos aos
órgãos públicos. Existem ainda as obrigações que, mesmo que

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não sejam pagas no mês seguinte, precisam ser provisionadas, a
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exemplo da fração relativa a cada mês trabalhado, que deve ser


provisionada na conta de férias e 13o salário.

•• Impostos a pagar: obrigações tributárias decorrentes das ati-


vidades operacionais da empresa que devem ser recolhidas
junto aos órgãos públicos. São exemplos ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados), ISS (Imposto sobre Serviços), IRRF (Imposto de
Renda Retido na Fonte), PIS (Programa de Integração Social), Cofins
(Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), CSLL
(Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), entre outros encargos.

•• Empréstimos e financiamentos: empréstimos contraídos pela


empresa junto a instituições financeiras. Os recursos classifica-
dos como empréstimos são utilizados para cobrir as necessi­
dades de capital de giro, enquanto os recursos classificados
como financiamentos são utilizados para adquirir ativos imobili-
zados. Esses recursos podem ser em moeda nacional ou estran-
geira e são considerados endividamento bancário de curto prazo.

•• Contas a pagar: outras obrigações de curto prazo que não se


enquadram nos grupos já descritos, como despesas a pagar.

3.2 Passivo não circulante


Compreende as obrigações que possuem vencimento após o pró-
ximo exercício social (superior a 12 meses) e são classificadas como
capital de terceiros de longo prazo. Assaf Neto (2010, p. 59) faz um
apontamento importante: “Quando as obrigações forem se tornando
de curto prazo, ou seja, vencíveis no exercício social seguinte, deverão
ser transferidas para o passivo circulante”.

As obrigações de longo prazo mais frequentes são: financiamen-


tos e empréstimos (especialmente financiamentos, já que aquisições
de ativos imobilizados tendem a ter um prazo mais alongado para

O balanço patrimonial 31
pagamento); debêntures (títulos emitidos por empresas que possuem

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registro na Comissão de Valores Mobiliários para captação de recursos
de longo prazo); e tributos a pagar (geralmente oriundos de refinancia-
mentos ou parcelamentos de tributos de exercícios anteriores que não
foram pagos).

4 Patrimônio líquido
Segundo Braga (2012, p. 64), integram o patrimônio líquido as contas
representativas do capital próprio que “registram os recursos provenien-
tes de sócios ou acionistas, bem como suas variações em decorrência
dos resultados da gestão econômico-financeira da empresa”. É a diferen-
ça entre o ativo e o passivo, e as principais contas que o compõem são:

•• Capital social: inclui os valores investidos pelos sócios ou acio-


nistas e pode ser dividido em capital subscrito, capital realizado
e capital a realizar. Braga (2012, p. 64) afirma que o capital subs-
crito é o “montante do capital social emitido pela empresa, cujos
acionistas assumiram o compromisso de integralizar; é o capital
efetivo da empresa, constante em seus estatutos ou contratos
sociais”. Já o capital a realizar é a parcela de capital que foi subs-
crita e ainda não foi integralizada (ou seja, ainda não ocorreu o
pagamento à empresa do valor que ela havia subscrito, a integrali-
zação pode ocorrer em dinheiro ou em bens); e o capital realizado
é a diferença entre o capital subscrito e o capital a realizar.

Todo aumento de capital ocorre mediante alteração no estatuto


(no caso de sociedades anônimas) ou no contrato social (no caso
de sociedades por quotas de responsabilidade limitada).

•• Reservas de capital: segundo Viceconti e Neves (2014, p. 351),


representam os aportes efetuados pelos sócios da empresa que
não se confundem com o aumento do capital, como a reserva de
ágio na emissão de ações, ou seja, o valor excedente da venda de
ações em relação a seu valor nominal.

32 Gestão financeira e finanças corporativas


•• Reservas de lucro: são constituídas a partir do lucro gerado pela
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empresa e indicam lucros retidos com finalidades específicas.


São divididas em:

◦◦ Reserva legal: tem por finalidade manter a integridade do


capital social da empresa. Do lucro líquido de cada exercício,
5% são aplicados na reserva legal; esta não pode exceder 20%
do capital social. É utilizada para compensação de prejuízo e
para aumento do capital social (SILVA, 2010, p. 120).

◦◦ Reservas estatutárias: a legislação prevê a possibilidade de


que, no estatuto da empresa, seja autorizada a criação de no-
vas reservas para fins específicos, como uma reserva para
garantia de distribuição de dividendos.

◦◦ Reservas para contingências: têm por finalidade compensar,


no futuro, uma provável perda ou um prejuízo previsto pela
direção da empresa (ASSAF NETO, 2010, p. 61).

◦◦ Reservas de lucros a realizar: têm por finalidade evitar a dis­


tribuição de dividendos relativos aos lucros não realizados
financeiramente, como o lucro apurado das vendas a prazo
realizáveis após o término do exercício social seguinte.

◦◦ Reservas para planos de investimento: têm por finalidade a


consecução de seus planos de investimento, com base no or-
çamento previamente aprovado pela assembleia de acionis-
tas; podem ser chamadas de reservas para expansão (BRAGA,
2012, p. 69).

•• Ajustes de avaliação patrimonial: segundo o artigo 182 da Lei


no 6.404/1976 (BRASIL, 1976 apud RIBEIRO, 2009, p. 359), “serão
classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto
não computadas no resultado do exercício em obediência ao re-
gime de competência, as contrapartidas de aumentos e diminui-
ções de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em

O balanço patrimonial 33
decorrência de sua avaliação a valor justo”, ou seja, em razão da

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avaliação a preços de mercado. Exemplo: reavaliação de imóveis.

•• Prejuízos acumulados: segundo Ribeiro (2009, p. 359), com­


preendem os prejuízos apurados pela empresa no exercício atual,
ou em exercícios anteriores, até que sejam compensados ou as-
sumidos pelos sócios. Trata-se, portanto, de uma conta transitó-
ria, já que os prejuízos serão absorvidos pelas reservas de lucro.

•• Ações em tesouraria: representam valores que registram recur-


sos aplicados na aquisição de capital social pela própria empre-
sa. Devem ser destacadas no balanço patrimonial como dedução
da conta do patrimônio líquido (ÁVILA, 2012, p. 68). As empresas
abertas (que possuem ações em bolsa) não podem manter em
tesouraria ações de sua emissão em montante superior a 5% de
cada classe de ações em circulação no mercado, incluídas neste
percentual as ações existentes, mantidas em tesouraria por so-
ciedades coligadas e controladas (BRAGA, 2012, p. 71).

5 Exemplo prático
Depois de conhecer todos os elementos que compõem o balanço
patrimonial, vamos aplicar o que aprendemos sobre a estrutura desse
demonstrativo e a apuração de seu total.

Considere as seguintes contas patrimoniais, referentes ao exercício


social findo em 31/12/XX:

Tabela 1 – Exercício social da empresa Quero Chegar Lá S/A (valores em R$ mil)

Marcas e patentes 12.000 Disponibilidades 13.000

Contas a pagar 7.000 Máquinas e equipamentos 40.000

Estoques 25.000 Impostos a pagar 5.000

Financiamentos de longo prazo 39.000 Capital social 70.000

(cont.)

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Investimentos 20.000 Contas a receber 34.000

Veículos 45.000 Empréstimos de curto prazo 24.000

Fornecedores 22.000 Salários e encargos a pagar 18.000

Reservas de lucro 15.000 Móveis e utensílios 11.000

a. Monte o balanço patrimonial, organizando as contas entre ativo,


passivo e patrimônio líquido. Apure o total do balanço.

b. Calcule a situação patrimonial líquida.

Tabela 2 – Resolução do balanço patrimonial da empresa Quero Chegar Lá S/A (valores em R$ mil)

ATIVO PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Ativo circulante Valores Passivo circulante Valores

Disponibilidades 13.000 Fornecedores 22.000

Contas a receber 34.000 Impostos a pagar 5.000

Estoques 25.000
Salários e encargos a pagar 18.000
Subtotal 72.000

Ativo não circulante Valores Contas a pagar 7.000

Empréstimos e financiamentos 24.000


Investimentos 20.000
Subtotal 76.000

Imobilizado Passivo não circulante Valores

Móveis e utensílios 11.000 Empréstimos e financiamentos 39.000

Máquinas e equipamentos 40.000 Patrimônio líquido Valores

Veículos 45.000 Capital social 70.000

Intangível Reservas de lucro 15.000

Marcas e patentes 12.000


Subtotal 85.000
Subtotal 128.000

Total do ativo 200.000 Total do passivo + PL 200.000

A situação patrimonial líquida é dada pela diferença entre o ativo e o


passivo, ou seja, seu resultado equivale ao patrimônio líquido.

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PARA SABER MAIS

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Para conhecer o balanço patrimonial das empresas listadas na bolsa de
valores, você pode acessar a página oficial da [B]³ Brasil Bolsa Balcão,
antiga BM&F Bovespa, e procurar a empresa de interesse.

Considerações finais
A análise do balanço patrimonial é o ponto de partida para conhe-
cer a situação econômico-financeira de uma empresa. Por meio desse
demonstrativo, é possível traçar a situação patrimonial da organização
e compreender seus investimentos e como eles estão divididos (entre
capital de giro e capital fixo – refletidos no ativo), estabelecendo relações
com a liquidez.

Também é possível identificar as fontes de financiamento da em­


presa, divididas entre capital de terceiros (evidenciado pelo passivo)
e capital próprio (evidenciado pelo patrimônio líquido), o que permite
traçar relações com o nível de endividamento.

Desse modo, o balanço patrimonial figura como um documento es-


sencial ao processo decisório em uma organização, e conhecer a sua
estrutura facilita o planejamento financeiro, a análise de indicadores e a
definição de estratégias.

Referências
ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um enfoque
econômico-financeiro. 9. ed. São Paulo: 2010.

ÁVILA, Carlos Alberto de. Gestão contábil para contadores e não contadores.
Curitiba: InterSaberes, 2012.

36 Gestão financeira e finanças corporativas


BRAGA, Hugo Rocha. Demonstrações contábeis: estrutura, análise e
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interpretação. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

GRECO, Alvísio; AREND, Lauro. Contabilidade: teoria e prática básicas. 4. ed.


São Paulo: Saraiva, 2013.

RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

______. Contabilidade intermediária. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

SILVA, José Pereira da. Análise financeira das empresas. 10. ed. São Paulo:
Atlas, 2010.

VICECONTI, Paulo; NEVES, Silvério das. Contabilidade básica. 16. ed. São
Paulo: Saraiva, 2014.

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