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Capítulo 3

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.

A demonstração
de resultado do
exercício

Toda empresa quer saber se suas atividades geram lucro ou prejuí-


zo, afinal, além de mensurar a eficiência operacional, o lucro representa
uma variável importante para os acionistas e proprietários, pois reflete
a remuneração do seu investimento.

Para apurar esse resultado, elabora-se a demonstração de resul­


tado do exercício (DRE), uma ferramenta que organiza receitas e
gastos, possibilitando verificar a saúde financeira da empresa e emba-
sar seu planejamento financeiro, auxiliando o gestor no processo de
tomada de decisão.

Neste capítulo, será apresentado esse demonstrativo, além de seus


objetivos e sua estrutura, de modo a explorar as principais contas que
o compõem.

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1 Objetivos da demonstração de resultado do

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exercício
Para entendermos os objetivos desse demonstrativo financeiro,
vamos pensar de forma prática: toda empresa ganha dinheiro com a
venda de seus produtos ou serviços, mas para onde vão esses recursos?
Ou, ainda, de que forma o dinheiro das vendas é absorvido pela empresa?

A resposta para essas perguntas pode ser encontrada na DRE, já


que ela sintetiza as variações positivas (receitas e ganhos) e as varia-
ções negativas (custos, despesas, perdas e outros gastos) ocorridas
em determinado período. Desse modo, podemos dizer que a DRE é um
relatório contábil que fornece uma “síntese financeira dos resultados
operacionais da empresa durante certo período” (GITMAN, 2011, p. 36).
O resultado apurado – lucro ou prejuízo – é transferido para as contas
do patrimônio líquido.

Nesse sentido, Silva (2010, p. 75) destaca que enquanto o balanço


patrimonial

[...] representa a posição da empresa em determinado momento,


a demonstração do resultado acumula as receitas, os custos e as
despesas relativas a um período de tempo, mostrando o resultado
e possibilitando conhecermos seus componentes principais.

Geralmente, a elaboração desse demonstrativo considera o horizonte


de um ano, encerrando em 31 de dezembro do ano civil. Porém, muitas
empresas multinacionais, apesar de também utilizarem esse mesmo
ciclo financeiro de 12 meses, o encerram em uma data dife­rente, pois
consideram o exercício fiscal de seu país de origem – mesmo assim,
devem elaborar um relatório considerando o ano civil, visto que o exer-
cício fiscal brasileiro tem encerramento em 31 de dezembro. É comum
também a elaboração de demonstrações mensais de resultados para
serem utilizadas pela administração da empresa ou, ainda, de demons-
trações trimestrais (quarters) para serem disponibilizadas aos acionistas
e investidores (GITMAN, 2011).

40 Gestão financeira e finanças corporativas


Esse demonstrativo é regulamentado pelo artigo 187 da Lei
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n 6.404/1976 e possui uma ordenação específica das contas que o


o

compõem, com o propósito de verificação do lucro ou prejuízo. Braga


(2012, p. 78) reforça que o lucro, que representa o ganho efetivo da em-
presa, tem a “finalidade de remunerar os sócios ou acionistas e manter
e/ou desenvolver o patrimônio da empresa”. Já em caso de prejuízo,
tem-se a representação do “desgaste sofrido pelo patrimônio no perío­
do, significando que as receitas geradas foram insuficientes para co-
brir os custos e despesas incorridos para obtenção de tais receitas”
(BRAGA, 2012, p. 78).

2 Regime de competência
Para efetuar a apuração do resultado, é importante, primeiro, verifi-
car o regime contábil exigido pela legislação, pois é ele que determina
quais despesas e receitas integrarão (ou não) o resultado de um pe-
ríodo. Existem dois regimes contábeis: regime de caixa e regime de
competência.

Figura 1 – Regimes contábeis

REGIMES CONTÁBEIS

CAIXA COMPETÊNCIA

Considera para cada exercício as receitas


Considera receitas e despesas do exercício aquelas
realizadas e as despesas incorridas,
efetivamente recebidas e pagas dentro do período,
independentemente de terem sido recebidas
independentemente do seu período de referência
ou pagas, já que sua referência é a data de
(GRECO; AREND, 2013).
ocorrência do fato gerador (RIBEIRO, 2013).

Fonte: adaptado de Greco e Arend (2013) e Ribeiro (2013).

A demonstração de resultado do exercício 41


Por exemplo, se a empresa paga os salários de fevereiro no início do

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mês de março, pelo regime de caixa essa despesa entrará apenas no
demonstrativo de março, que é a data da efetiva saída dos valores; já
pelo regime de competência, fará parte do demonstrativo de fevereiro,
que é o mês referência de geração da despesa.

Pela legislação vigente, a DRE confronta receitas e os correspon-


dentes custos e despesas observando o regime de competência.
É desse regime que decorre o princípio da competência. Segundo
Ribeiro (2009, p. 287), o princípio da competência é um dos princí-
pios da contabilidade aprovados pela Resolução no 750 do Conselho
Federal de Contabilidade, de 29 de dezembro de 1993, que estabelece
que “receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado
do período em que ocorrerem, sempre quando se correlacionarem, in-
dependentemente de recebimento ou pagamento”.

Em outras palavras, deve-se observar o fato gerador. O fato gerador da


receita é a data da venda dos bens e serviços, e o fato gerador das des-
pesas é o acontecimento que dá origem à respectiva despesa, ou seja, o
consumo de bens e a utilização de serviços contratados pela empresa.

3 Definições das principais contas da DRE


A legislação atual estabelece uma sequência de apresentação para
vários elementos da demonstração de resultado. Uma estrutura básica
adotada pelas empresas está representada no quadro 1.

Quadro 1 – Estrutura da DRE

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO

1. RECEITA BRUTA DE VENDAS E/OU SERVIÇOS

2. DEDUÇÕES E ABATIMENTOS

(-) Descontos concedidos e devoluções

(cont.)

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(-) Impostos sobre as vendas

(=) 3. RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (1-2)

(-) 4. Custo dos produtos vendidos e/ou serviços prestados

(=) 5. RESULTADO BRUTO (3-4)

(-) 6. Despesas operacionais

(-) Despesas com vendas

(-) Despesas gerais e administrativas

(-) Despesas financeiras

(+) Receitas financeiras

(-) Outras despesas/receitas

(=) 7. RESULTADO OPERACIONAL (5-6)

(-) 8. Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro

(=) 9. RESULTADO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES (7-8)

(-) 10. Participações (debêntures, empregados, administradores)

(=) 11. RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO (9-10)

RESULTADO POR AÇÃO

Fonte: adaptado de Ribeiro (2013) e Assaf Neto (2010).

3.1 Receita bruta de vendas e/ou serviços


Também chamada de vendas brutas ou faturamento bruto, a recei-
ta bruta refere-se ao valor nominal total das vendas de bens ou servi-
ços prestados pela empresa no exercício social considerado, antes de
qualquer dedução. Segundo Braga (2012, p. 78), essas receitas “de-
vem ser demonstradas por seu montante bruto, de modo que fique
consistente com o valor faturado a clientes”. As receitas são contas
que aumentam o patrimônio da empresa, visto que os recursos de

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receitas já recebidas são adicionados às disponibilidades e as receitas

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ainda não recebidas são contabilizadas na conta clientes ou nas con-
tas a receber (contas do ativo circulante).

3.2 Deduções e abatimentos


As deduções representam os valores nominais provenientes da de-
volução de mercadorias e produtos (dado importante para o controle de
qualidade da área operacional e para a verificação de vendas cancela-
das, quando a devolução se dá por desistência da compra pelo clien-
te), dos descontos concedidos a clientes (por exemplo, em função de
defeitos apresentados) e dos impostos incidentes sobre a venda, se-
jam estes de natureza federal (como o IPI – Imposto sobre Produtos
Industrializados), estadual (como o ICMS – Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços) ou municipal (como o ISS – Imposto sobre
Serviços). Megliorini e Vallim (2009, p. 42) destacam que as devoluções
e os abatimentos “não incluem descontos financeiros concedidos a
clientes para pagamentos antecipados”, os quais são considerados uma
despesa financeira.

3.3 Receita operacional líquida


Também chamada de vendas líquidas ou faturamento líquido, a
receita operacional líquida é “efetivamente a parte da receita que fica-
rá para a empresa cobrir seus custos e despesas e para gerar lucro”
(SILVA, 2010, p. 129). É o resultado da receita bruta quando subtraídos
os abatimentos e as deduções.

3.4 Custo dos produtos vendidos e/ou serviços prestados


Segundo Assaf Neto (2010, p. 66), esse custo representa “todos os
custos incorridos pela empresa em seu processo de fabricação ou pres-
tação de serviços” e recebe diversas denominações, conforme a nature-
za da atividade da empresa.

44 Gestão financeira e finanças corporativas


•• Empresas industriais: como possuem a função de produzir,
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transformando a matéria-prima em bens, seu custo é denomi-


nado custo do produto vendido (CPV). O cálculo do CPV envolve
técnicas contábeis de custos e considera a matéria-prima e os
componentes absorvidos na produção, além da mão de obra dire-
ta empregada em cada produto e dos custos indiretos de fabrica-
ção. Assaf Neto (2010, p. 67) destaca que “os custos indiretos de
fabricação representam todos os gastos efetuados na produção,
mas que não são diretamente vinculados com o produto”, como
aluguel, depreciação, consumo de energia elétrica e água, salá-
rios da gerência operacional, combustíveis, entre outros. Nesse
caso, é preciso adotar critérios de rateio para contabilizar os
custos indiretos de fabricação de cada produto.

•• Empresas comerciais: como sua função é apenas de intermedia-


ção (visto que apenas revendem uma mercadoria já produzida),
seu custo é denominado custo da mercadoria vendida (CMV).
Silva (2010, p. 131) descreve duas formas básicas para seu cál-
culo: “a primeira refere-se às empresas que não dispõem de um
controle permanente de seus estoques e que, ao final de cada
período, procedem ao levantamento físico das quantidades de
mercadorias existentes” – neste caso, o CMV seria resultado da
contagem do estoque inicial mais as compras efetuadas no perío-
do subtraídas do estoque final de mercadorias. A segunda forma
refere-se às empresas que possuem controles permanentes de
estoque, registrando todas as entradas e saídas de mercadorias
– dessa forma, “a obtenção do CMV ocorre diretamente pelos re-
gistros contábeis, servindo eventual contagem física apenas para
verificação da eficiência dos controles”.

•• Empresas de serviços: como sua função é a prestação de ser-


viços, seu custo é denominado custo do serviço prestado (CSP)
e compreende “todos os custos incorridos para a prestação do
serviço (pessoal, material, etc.)” (BRAGA, 2012, p. 79). Silva (2010)

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destaca que, na prática, muitas empresas prestadoras de servi-

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ços têm dificuldade de distinguir custos de despesas e por isso
tratam seus gastos apenas como despesas.

3.5 Resultado bruto

O resultado bruto é apurado pela diferença entre as receitas líquidas


de vendas e o custo dos produtos vendidos e/ou serviços prestados.
Se esse resultado for positivo, temos um lucro bruto, que será destina-
do a cobrir as despesas operacionais e a remunerar os proprietários da
empresa (ASSAF NETO, 2010). Se for negativo, significa prejuízo bruto,
ou seja, que a receita gerada não foi suficiente para cobrir os custos de
produção, situação que será agravada com a inclusão das despesas
operacionais.

3.6 Despesas operacionais

Essas despesas incluem todos os gastos realizados no período com


as áreas comercial, administrativa e financeira. “Estão associadas à
manutenção da atividade operacional da empresa” (ASSAF NETO, 2010,
p. 68). Dividem-se em:

•• Despesas de vendas: são despesas comerciais da empresa,


como comissões de vendas, salários e encargos da equipe co-
mercial, promoção, propaganda e outras relacionadas à comer-
cialização dos produtos e serviços.

•• Despesas gerais e administrativas: são os “gastos incorridos


com as atribuições da administração geral” (SILVA, 2010, p. 132),
tais como: salários e encargos do pessoal administrativo, mate-
rial de escritório, aluguel do escritório, despesas com telefones,
energia elétrica e água do pessoal administrativo, despesas le-
gais e judiciais, materiais de limpeza do escritório, entre outros.

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•• Despesas financeiras: compreendem as receitas e despesas
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financeiras incorridas pela empresa no período. Segundo Assaf


Neto (2010, p. 69), as receitas financeiras “são os rendimentos
apurados pela empresa em suas operações de ativo” – por exem-
plo, os juros das aplicações financeiras – e as despesas financei-
ras “identificam a remuneração do capital de terceiros (passivos)”
– por exemplo, juros de empréstimos e financiamentos contraí-
dos pela empresa, correção monetária, encargos e mora, multas
por atraso de pagamentos e tarifas bancárias. A DRE geralmente
apresenta a despesa financeira líquida, ou seja, o resultado das
despesas financeiras menos as receitas financeiras.

•• Outras despesas e receitas: são despesas e receitas que não se


enquadram nas categorias anteriores, como receita de vendas de
sucatas e despesas não recorrentes.

3.7 Resultado operacional

É o resultado obtido pela diferença entre o resultado bruto e as des-


pesas operacionais, refletindo o resultado da atividade da empresa.
Silva (2010, p. 133) destaca que, se não considerarmos as despesas
financeiras, o resultado das atividades operacionais da empresa é cha-
mado de EBIT (earnings before interest and taxes), ou LAJIR (lucro antes
dos juros e do Imposto de Renda). Se ainda excluirmos da análise a
depreciação, que é uma despesa operacional contábil, mas não finan-
ceira (ou seja, não há o efetivo pagamento da depreciação), teremos o
EBITDA (earnings before interest, taxes, depreciation and amortization),
ou LAJIDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização),
importante indicador de desempenho operacional utilizado pelas em-
presas em seu planejamento financeiro.

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3.8 Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro

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Representa o Imposto de Renda (IR) apurado sobre o lucro da em-
presa conforme a legislação. É calculado com base no lucro tributável,
denominado lucro real. Segundo Assaf Neto, o lucro real “é igual ao lu-
cro antes do Imposto de Renda, conforme aparece na demonstração
do resultado, acrescido de determinados ajustes, conforme previs-
tos na legislação do Imposto de Renda” (ASSAF NETO, 2010, p. 70). A
Contribuição Social é outra parcela calculada com base no lucro ope-
racional, recolhida ao governo federal, conforme previsto na legislação.

3.9 Participações

De acordo com Braga (2012, p. 83), as participações são

parcelas do lucro destinadas, de acordo com a legislação e os es-


tatutos, a debenturistas, empregados, administradores, mesmo na
forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de
assistência ou previdência de empregados, que não se caracteri-
zam como despesas.

São atribuídas apenas se restar lucro; ou seja, em caso de prejuízo,


não há essa conta.

3.10 Resultado líquido de exercício

O resultado líquido indica o resultado final do exercício; é a parcela


do resultado que sobrou para os acionistas ou sócios. Se positivo, a em-
presa auferiu lucro e, se negativo, prejuízo, o que será obrigatoriamente
compensado com as reservas de lucro e a reserva legal, destacadas no
patrimônio líquido, conta do balanço patrimonial.

Silva (2010, p. 135) aponta que o lucro terá sua destinação orientada:

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a) segundo os estatutos e contrato social; b) segundo a as-
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sembleia de acionistas ou decisão dos sócios; c) segundo a Lei


no 6.404/1976, art. 193, que determina que 5% do lucro líquido do
exercício deve constituir a reserva legal, que não pode exceder 20%
do capital social.

Parte dos lucros pode ser distribuída na forma de dividendos, desde


que o estatuto determine a percentagem do lucro ou outro critério para
distribuição. A mesma legislação, no art. 202, afirma ainda que o divi­
dendo obrigatório não poderá ser inferior a 25% do lucro líquido ajustado.

A apuração do lucro líquido é importante para a análise da rentabi-


lidade da empresa e do retorno para os acionistas ou proprietários da
empresa.

3.11 Resultado por ação

A legislação determina ainda que, para as sociedades por ações,


deve ser identificado o montante do lucro (ou prejuízo) líquido por ação
do capital social. Esse indicador é chamado de lucro por ação (LPA) e
é apurado por meio da divisão do lucro líquido pelo número de ações
emitidas pela empresa. Segundo Assaf Neto (2010, p. 71), este é um
indicador útil para a análise porque “mede o ganho potencial (e não efe-
tivo, entendido como financeiramente realizado) de cada ação, dado
que o lucro do exercício não é totalmente distribuído”.

PARA SABER MAIS

Para conhecer o resultado (lucro ou prejuízo) das empresas de capital


aberto, acesse o site oficial da [B]³ Brasil Bolsa Balcão, escolha a em­
presa e depois clique em “Relatórios financeiros”.
Também é possível acessar esses resultados pela página da Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) ou, ainda, pelo site das empresas, em que
há um ícone “Relação com investidores” ou “Relatórios financeiros”.

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4 Exemplo prático

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Agora que você conheceu a estrutura da demonstração de resul-
tado do exercício, vamos praticar? Considere as seguintes contas de
resultado da empresa Quero Chegar Lá S/A, referentes ao exercício
social findo em 31/12/XX:

Tabela 1 – Contas de resultado da empresa Quero Chegar Lá S/A (valores em R$ mil)

Despesas com vendas 41.000.000 Despesas financeiras 19.573.000

Receitas financeiras 9.700.000 Impostos sobre as vendas 168.000.000

Custo da mercadoria vendida 370.650.000 Despesas administrativas 32.000.000

Imposto de Renda e Contribuição


Devoluções 2.500.000 25.745.650
Social

Participações 12.476.850 Receita bruta de vendas 700.000.000

Número de ações em circulação 125.000.000 Outras despesas/receitas 254.500

a. Organize a DRE e apure o lucro líquido do exercício.

b. Calcule o seu LPA.

Resolução:

a. Organizando as contas conforme a estrutura básica da DRE,


temos:

Tabela 2 – Demonstração de resultado do exercício findo em 31/12/XX da empresa


Quero Chegar Lá S/A (valores em R$ mil)

RECEITA BRUTA DE VENDAS E/OU SERVIÇOS 700.000.000

(-) Descontos concedidos e devoluções -2.500.000

(-) Impostos sobre as vendas -168.000.000

(=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 529.500.000

(cont.)

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(-) Custo dos produtos vendidos e/ou serviços prestados -370.650.000

(=) RESULTADO BRUTO 158.850.000

(-) Despesas operacionais  

Despesas com vendas -41.000.000

Despesas gerais e administrativas -32.000.000

Despesas financeiras -19.573.000

(+) Receitas financeiras 9.700.000

Outras despesas/receitas -254.500

(=) RESULTADO OPERACIONAL 75.722.500

(-) Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro -25.745.650

(=) RESULTADO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES 49.976.850

(-) Participações -12.476.850

(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 37.500.000

Lucro por ação 0,30

b. O LPA é igual a:

lucro líquido 37.500.000


LPA = = = R$ 0,30/ação
número de ações 125.000.000

Considerações finais
Conhecer o resultado de uma empresa é um passo importante para
analisar sua rentabilidade e verificar sua saúde financeira. Esse resulta-
do é apurado por meio da elaboração da demonstração de resultado do
exercício, um relatório contábil que confronta receitas e gastos (custos
e despesas).

No caso de um resultado positivo, a empresa aufere lucro, que repre-


senta o total da remuneração do acionista ou proprietário, e, respeitando

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os aspectos legais, esse lucro poderá ser reinvestido na empresa ou dis-

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tribuído aos acionistas e sócios. Já no caso de um resultado negativo,
a empresa obtém prejuízo, o que mostra que as receitas geradas foram
insuficientes para cobrir a totalidade dos gastos e remunerar os acionis-
tas e proprietários.

A DRE apresenta uma estrutura básica que permite verificar quanto


cada gasto absorve da receita gerada, possibilitando a definição de me-
tas, importante para o planejamento e o controle financeiros. Isso ajuda
os gestores a terem uma visão mais realista dos gastos e possibilida-
des de lucro, o que torna o processo decisório mais seguro e eficiente.

Referências
ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um enfoque
econômico-financeiro. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

BRAGA, Hugo Rocha. Demonstrações contábeis: estrutura, análise e


interpretação. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São


Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

GRECO, Alvísio; AREND, Lauro. Contabilidade: teoria e prática básicas. 4. ed.


São Paulo: Saraiva, 2013.

KERR, Roberto Borges. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson


Prentice Hall, 2011.

MEGLIORINI, Evandir; VALLIM, Marco Aurélio. Administração financeira: uma


abordagem brasileira. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

______. Contabilidade intermediária. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

SILVA, José Pereira da. Análise financeira das empresas. 10. ed. São Paulo:
Atlas, 2010.

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