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Resumo PI – Processo Penal I

1. Processo Penal:
É um instrumento, não tem realidade concreta. Significa que o direito penal
“flutua”, diferente do processo civil, que se auto-executa nas ações do dia-a-
dia.

 Não há crime sem lei anterior que o defina.


 Não há crime sem processo que o defina.
Assim, processo penal é um caminho necessário para que se chegue à pena.
Não há possibilidade de pena sem processo prévio. Qualquer tentativa de
aplicar a pena sem processo é nula.

 Além de ser à principio da pena, o processo penal é à principio da CF.


A CF é a lei do débil. O réu é o débil no processo, há uma debilidade estrutural.
Dizer que o processo é à principio da CF significa que as regras do jogo devem
seguir o que diz a CF, isso é o “due processo of law” – devido processo legal.

2. Processo: limita a ação do Estado. É uma garantia que o réu tem de que
não será penalizado sem prévio processo.

I. SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS:

1. Sistema acusatório  Século XII. Prevê a separação das funções de acusar


e julgar. Tem de ser oral e público.

2. Sistema Inquisitório  1576. O juiz passa a fazer tudo, inclusive ir atrás


da prova. È escrito. Pode-se dizer que é o “fundo do poço”.

3. Sistema Misto  Século XVII até hoje. Tem origem no código Napoleônico.

 Modelo inquisitório:
- ausência de separação entre as funções de acusar e julgar;
- aglutinação das funções do juiz;
- gestão e iniciativa da prova nas mãos do juiz (juiz ator – atua na investigação);
- o processo é secreto;
- tem que ser escrito;
- a confissão é a rainha das provas;
- prisão cautelar é regra;
- o direito de defesa é nulo ou limitado;
- há o uso de tortura (disposição do corpo do réu).

 Modelo acusatório:
- há a separação das funções;
- a produção de provas compete às partes (o juiz é espectador);
- o processo é público;
- é oral;
- nenhuma prova é absoluta e vigora o livre convencimento motivado.

• Exposição de Motivos CPP VII:


- Abandonou a certeza legal;
- prisão cautelar é uma exceção;
- contraditório e a ampla defesa é um direito amplo.
 Brasil Hoje:
- Sistema Comum Teórico - Misto:
- fase pré- processual inquisitória;
- processo acusatório.

 Crítica a luz da CF:

• Premissas:
- A CF permite um sistema acusatório!
Art. 129,I;
Art. 5º LV;
Art. 95, IX;
Art. 5º, LIX.

- Qual é o núcleo do nosso sistema?


Sistema Inquisitório: Princípio: inquisitivo: gestão da prova nas mãos do
juiz.
Sistema Acusatório: Princípio: dispositivo, as partes é que trazem as
provas.

II. Processo Penal Brasileiro:

1. Pré- processual: inquisitório.


2. Processual: Art. 156; 125; 127; 240; 311; 312; 385 do CPP.
- Fundam um sistema inquisitório mascarado.
- Tais normas são consubstancialmente inconstitucionais.

3. Conclusão: Os artigos do CPP estão em desconformidade com a CF. O juiz


deve adequar o processo à CF, que prevê o sistema acusatório.

III. Ordem do Processo no rito ordinário.

1. Fato aparentemente criminoso;


2. Polícia – boletim de ocorrência ou noticia crime;
3. Inquérito policial: investigação preliminar;
4. Foro  MP:
- arquivamento (juiz determina);
- diligências (a polícia faz);
- denuncia (o MP oferece a acusação ao juiz).
5. Juiz:
- rejeita a denuncia liminarmente – Art. 395 CPP;
- recebe a acusação.
6. Recebida a acusação, o juiz cita o réu para “defesa prévia” – Art. 396 CPP.
7. Após a defesa prévia o juiz:
- absolve o réu sumariamente;
- não absolve.
8. Se não for absolvido sumariamente o juiz marca a audiência de instrução e
julgamento para:
- oitiva de testemunhas de acusação;
- oitiva de testemunhas de defesa;
- acareações (peritos);
- interrogatório do réu;
- debates orais / memoriais;
- e, se for o caso, sentença em audiência.

IV. Princípios do Processo Penal:

1. Principio da Jurisdicionalidade: o réu tem a garantia de que vai ter um juiz


para julgá-lo.

a. Principio do Juiz Natural: é a garantia de ser julgado por um juiz anterior ao


fato, definido por lei. A competência é pré-definida.

b. Principio da Imparcialidade: Não existe juiz neutro. O que se busca é qe o


juiz sea imparcial – “tercieta” – o juiz tem que star alheio ao caso.
Tranqüilidade necessária para julgar.

 O juiz deixa de ser imparcial quando:


- faz pré- questionamento;
- quando é ator (vai trás das provas);

c. Principio do Prazo Razoável – Art. 5º, LXXVII: é o direito de ser julgado no


prazo razoável, celeridade de tramitação.

1) tempo objetivo: é o tempo do relógio.


2) tempo subjetivo: é o o que o tempo que representa para cada um.
 ser processado já é uma pena;
 prisão cautelar aumenta o sobrestamento da pena.

3) tempo do direito:
 no direito;
 na sociedade;
 da sociedade.

• deve haver equilíbrio!


• o processo deve ter razoável duração;
• recusa aos extremos – nem rápido demais, nem muito demorado.

 No Brasil falta definição de prazo razoável em lei, com sanção ao


descumprimento.

4) Critérios para definir a violação do prazo razoável:

 Art. 46 do CPP: 05 dias quando for réu preso;


15 dias quando for réu solto.

• Prescrição pela pena em abstrato.

1º. Critério: Complexidade do caso:


- número de réus;
- complexidade da prova;
- matéria.
2º. Critério: Atuação dos Órgãos do Estado:
- polícia;
- Ministério Público;
- poder judiciário.

3º. Critério: Atuação das partes:


- defesa do réu.

• Esses critérios devem ser analisados à luz da razoabilidade, da lógica e da


ponderação.
• O fato do réu ser condenado, não justifica a demora do processo!

5) Soluções / Paliativos ao Prazo razoável:

1º. Compensatórias:
a. Cível: pedir indenização pelo anormal funcionamento do processo penal.
b. Penal: detração – Art. 42 CP – AP 70007100902 TJRS – primeira vez que se
discutiu prazo razoável a luz da proporcionalidade.
Art. 66 do CP – atenuantes.

c. Processual: não há no Brasil. A jurisprudência alega prova insuficiente.

d. Sancionatória: Art. 93, II, e – Caso o prazo não seja razoável, o juiz não terá
promoção.

2. Princípio do Sistema Acusatório: O réu tem direito a ser julgado sob o


principio do sistema acusatório, visto que é inconstitucional o ativismo do
juiz inquisitor.

3. Direito de defesa e de contraditório – Art. 5º, LV da CF.

a. Direito de defesa:
 auto defesa: feita pelo próprio imputado. É uma defesa disponível.
- defesa positiva: o réu faz a prova para se defender.
- defesa negativa: “Nemo tenetur se deteger” nada a temer por se deter – O réu
tem o direito de não faz prova contra si. Direito de silêncio. Não existe
presunção de veracidade, nem inversão do ônus da prova.

 defesa técnica: feita por advogado. Existe uma presunção de deficiência


técnica de quem não é advogado. É indisponível, pois é interesse do Estado que
nenhum acusado será julgado sem defensor. – Art. 263.
- defensor constituído: advogado contratado, pago.
- defensor nomeado: defensoria pública ou dativo.
- outorga de poderes: procuração específica conforme a matéria; pode ser oral;
ou no interrogatório.
b. Direito de Contraditório: O réu tem o direito de saber oque está acontecendo
e participar no processo. Paridade de armas. Não se aplica oque ocorre no
processo civil “inaudita et altera pars” – atos sem ouvir a outra parte.

 1º momento do contraditório – Informação: o réu tem direito a ter acesso aos


autos para saber o que esta acontecendo.
 2º momento – Participação: o réu tem direito a falar, perguntar, apresentar
provas.

 Contraditório no Inquérito Policial


- Endógeno: o réu tem direito a defesa dentro da delegacia.
- Exógeno: o réu tem direito a Habeas Corpus.

- Dentro do Inquérito não há participação só informação. Esta, desde que não


prejudique o andamento do inquérito.
Se o delegado negar o acesso aos autos pode, o réu, impetrar mandado de
segurança.
Art. 5º, LV – direito de informação.
Art. 7º, XIV, Lei 8.906 – direito do advogado tomar peças e fazer apontamentos
(flagrante ou inquérito).

4. Princípio da Presunção de Inocência: Art. 5º, LVII – ninguém será considerado


culpado até o transito em julgado da sentença condenatório.
É um dever de tratamento, tratar a pessoa acusada como inocente.
Art. 156 do CPP: cabe a acusação provar que o réu não é inocente. Se for caso
de legitima defesa não é necessário provar.

 Dever de Tratamento:
- dimensão interna: dentro do processo, a carga probatória é inteiramente do
acusador. O réu só prova se quiser.
Prisão cautelar: fere a presunção de inocência.

- dimensão externa: a publicidade abusiva constitui uma violação a presunção


de inocência.

5. Motivação das decisões judiciais: Art. 93, IX da CF – Os atos do processo são


públicos. A motivação permite o controle dos argumentos usados para
condenar.
Toda a sentença deve ser fundamentada. Assim como as decisões
interlocutórias.
A falta de fundamentação prejudica o duplo grau de jurisdição.

V. Lei Processual no Tempo e no Espaço

1. Senso Comum teórico:


 As leis dividem-se em:
a. Leis Penais Puras:
- definem tipos penais;
- definem as penas.

• A lei mais benéfica retroage.


• A lei mais gravosa não retroage.

b. Leis processuais Penais Puras – Art. 2º CPP:


- definem o rito e as provas;
- definem os prazos.

• Regem-se sob o Principio da Imediatiedade: a lei processual penal se aplica


logo que entra em vigor, e não retroage.
c. Leis Mistas:
- misturam características penais e processuais penais;
- se aplicam as regras das leis penais.

• A lei mais benéfica retroage.


• A lei mais gravosa não retroage.

 A lei que diz o tipo da ação penal (incondicionada / condicionada), retroage


se a nova for condicionada. Assim, as ações voltam a comarca de origem e a
vítima é intimada para dizer se tem interesse em representar.

• Crítica à luz da CF: A CF assegura, seja qual for a lei, que ela sempre retroaja
se for para beneficiar o réu. Essa é a regra geral.
- Tendência: retroage dependendo a fase processual.
- Novo CPP: se já estiver na fase de instrução, continua e no final só repete o
interrogatório.

2. Princípio da territorialidade – Art. 1º do CPP: A lei processual penal é eficaz


até onde ela pode ser exigida.

3. Investigação Preliminar: O interrogatório policial serve como obstáculo ao


RISCO de não se livrar das cargas para chegar na sentença desejada.

4. Tribunal do Júri: Aplica-se a lei nova e refaz-se o plenário.

VI. Sistemas de Investigação Preliminar (gênero):

 Espécies:
- Inquérito Policial;
- Inquérito policial militar;
- Sindicância;
- CPI.

I. Fundamento da existência da Investigação Preliminar:

1º. Buscar esclarecer o fato oculto: O crime em regra, é praticado de forma


oculta. A investigação serve para nos dar o “fumus commissi delicti”. O objeto
do inquérito é atingir a verossimilhança, para poder acusar.

2º. Função simbólica: O inquérito tem a função simbólica de que o crime está
sendo apurado, que o estado está agindo contra a impunidade.

3º. Evitar acusações infundadas: O inquérito evita acusações infundadas. É um


filtro para evitar punir inocentes.

1. Órgão encarregado pela Investigação preliminar:


a. policial: (modelo do Brasil): investigação e poder de mando da polícia.
 vantagens: é mais barato; existe uma subordinação.
 inconvenientes: fragilidade política e econômica da policia.

b. juiz de instrução: O juiz comanda a polícia e a investigação. Modelo da


Espanha, França e Uruguai.
É um modelo inquisitório, superado. O Juiz que investiga é o mesmo que julga.

c. promotor investigador: Modelo da Alemanha, Itália e Portugal). O MP tem


poder de mando sobre a policia.
 vantagens: melhor sintonia entre investigação e acusação.

 Brasil hoje:
- O MP pode investigar? No inquérito policial o promotor não pode instaurar,
mas pode pedir. (Aury: MP pode fazer seu próprio inquérito) – Art. 129 CF).

1. Objeto: É o campo sobre o qual recaí o conjunto de atos da investigação. A


investigação recai sobre um fato aparentemente criminoso.

2. Qual o grau de cognição (conhecimento) que se pretende nesse objeto?


Quanto de conhecimento se terá com a investigação?

a. Cognição Processual Plenária: quando se busca pleno e ilimitado


conhecimento sobre a matéria. É uma cognição ampla.
b. Cognição Processual Sumária: Há limitação ao conhecimento daquele objeto.
É uma cognição restrita.

II. Procedimento Sumário

1. Técnicas de Sumarização da Cognição:

a. Elementos Fáticos:
- materialidade (provas da existência do fato).

b. Elementos do Crime:
- tipicidade;
- ilicitude;
-culpabilidade.

 Processo de Conhecimento: A Cognição é Plenária (pode-se discutir tudo


sobre a tipicidade do fato).

 Inquérito: A Cognição é Sumária (não se almeja a certeza, mas sim a


verossimilhança. Alcançar o provável).
O Inquérito pára na fase do provável = isso é procedimento sumário – Art. 10 do
CPP

III. Forma dos Atos:

1. Obrigatória / facultativa
2. Oral / Escrita
3. Secreta Pública
4. Direito de Defesa e Contraditório?
5. Valor probatório
6. Prazo:

a. inquérito policial: subsidiário á polícia.


 policia judiciária:
- civil / federal = investigação (atuam após o crime).
 polícia preventiva / ostensiva:
- militar = prevenção (atua antes do crime).

1. Inquérito policial – Art. 5º do CPP

 Ação Penal:
- Privada
- Pública: Condicionada e Incondicionada.

Caput: inquérito policial:


I. começar de ofício;
II. mediante requisição:
- juiz: inconstitucional – fere o sistema acusatório.
- MP.
III. requerimento do ofendido (notícia crime, formalizada por escrito).

• crimes de ação penal privada sujeitos ao JEC: não há inquérito policial,


apenas um termo circunstanciado.

2. Objeto do Inquérito Policial:

 fato aparentemente criminoso.


Art. 10 – falta sanção.
§3º: fato de difícil elucidação;
- indiciado solto;
- requerer ao juiz.

 Forma dos Atos no Inquérito Policial:

 Facultativo – Art. 39, §5º: os atos não são obrigatórios.


 Escrito – Art. 9º.
 Secreto – Art. 20: é a regra.
* interno e externo: parcial ou total.
 Público: Art. 5º, LV da CF: o advogado tem direito a ver o inquérito, caso seja
impedido, o remédio a ser usado é o mandado de segurança.

• Crítica à luz da CF:


Regra: O inquérito policial deve ser:
1. secreto externamente (secreto para quem está de fora, ou seja, evitar a
publicidade abusiva).
2. público internamente (público para os que estão dentro da relação
processual, ou seja, polícia, MP, juiz, imputado)

• No Brasil hoje:
1. publicidade externa;
2. ausência total de informação interna.

 Direito de Defesa e Contraditório:


1. direito de defesa:
- pessoal – Art. 14 CPP
- técnica
2. direito ao contraditório: somente direito à informação.

 Valor Probatório dos Atos do Inquérito Policial:

Art. 155: exclusivamente.

1. Atos Investigatórios (investigação):


- feitos na fase pré-processual;
- feitos pela polícia ou pelo MP;
- tem cognição sumária;
- se destinam à processar / arquivar;
- se destinam ao MP (opinio delicti);
- tem função endoprocedimental (é interno ao procedimento);
- tem função de formar a verossimilhança;
- trabalha sob um sistema inquisitório;
- é secreto e possui defesa e contraditório limitado.

2. Atos de prova (processo):


- são feitos na fase processual;
- são feitos pelas partes e pelo juiz
- tem cognição plenária;
- se destinam para absolver ou condenar;
- se destinam ao juiz;
- se destinam a sentença;
- se destinam a formar certeza / pleno convencimento;
- com eles se pretende o sistema acusatório;
- são públicos;
- há defesa e contraditório amplo;

 O valor probatório no Inquérito Policial é mero ato de investigação, limitado,


para atender à fase pré-processual.

 Não se pode condenar alguém com base APENAS no Inquérito Policial (pode
haver cotejo de informações).

• Exceção: No júri os leigos julgam com base no que eles querem!

 Provas Irrepetíveis:

1. provas técnicas (feitas no inquérito, podem ser usadas no processo, pois são
irrepetíveis. Ex.: local do crime, exame de corpo de delito).

2. provas produzidas no incidente judicial de produção antecipada de provas:


Ex.: as testemunhas que podem não estar aqui no processo).
* Não é uma situação prevista no CPP. Cautelar de Produção de provas.

 O Indiciado;

1. É o sujeito passivo do inquérito policial, é quem sofre os atos da


investigação.
2. Indiciamento: é o feixe de indícios que convergem em direção à alguém.
 Quando é feito:
- Na Policia Federal: durante a investigação, o indiciado é chamado para depor,
após o depoimento, o delegado faz seu juízo de valor e indicia ou não.
- Na Policia Civil: após a investigação, quando o indiciado já foi ouvido, se
decide por indiciar ou não.

 O indiciamento é provisório e não vincula o MP.

• Art. 6º do CPP: reconstituição – o delegado decide se indicia ou não.


• todo o crime é passível de reconhecimento.
• Art. 8º - inquérito começa com a prisão em flagrante.
• Art. 15 – menor de 18 anos não entra no Código Penal, entra no ECA.
- Menor: maior de 18 anos e menor de 21 é menor relativo.
• Art. 17 – não existe arquivamento pela polícia.
• Art. 21 – não existe mais (CF).

3. Arquivamento: quando faltarem as condições da ação penal.


- O juiz pode não aceitar as condições do arquivamento.
* Art. 28 CPP – PGE – denuncia;
- outro órgão – MP;
- insiste no arquivamento (juiz tem que aceitar).

 Arquivamento:

1. Expresso: O MP pede o arquivamento.

2. Implícito: O MP não pede expressamente, apenas não faz a denuncia.

- Nesse caso o juiz pode:


a. silenciar: ocorre o arquivamento implícito. Súmula 524.
b. não concordar com o silêncio – usa o Art. 28. PGE.

 Ação Processual Penal

Ação é:

 dimensão constitucional: é o direito de petição, de invocar a jurisdição.

 dimensão processual: “ius ut procedatur” - é o direito potestativo de


natureza pública, de acusar, autônomo, abstrato, mas conexo
instrumentalmente ao caso penal.
Abstrato porque, no processo penal, o direito de ação está condicionado a uma
fumaça de crime. Deve haver um mínimo de provas da existência de um fato
criminoso.

AÇÃO  JURISDIÇÃO  PROCESSO (é o que se move).

 A Ação Penal Processual pode ser de natureza:

1. Ação Penal Pública:

Princípios:
a. Oficialidade ou Investidura: É exercida por um órgão público (MP) e assinada
por um promotor, devidamente investido.

b. Obrigatoriedade ou Legalidade: É obrigatória ao MP. O MP tem dever de


oferecer a denúncia, quando preenchidos os requisitos da ação (fumus
comissi delicti, punibilidade concreta e justa causa) – Art. 24.
 Relativizado pela Lei 9.099/95: discricionariedade regrada.

c. Insdisponibilidade: É indisponível. O MP não pode desistir da ação, ou dispor


de forma ampla. – Art. 42 e 576.

d. Indivisibilidade: É indivisível. Se há mais de uma parte no pólo passivo, ou a


denuncia é para todos ou não há denuncia. (todos os que tiverem provas). –
Art. 48.

e. Intranscendência: A acusação é pessoal e não DEVIA passar da pessoa do


acusado.

Ação Penal Pública Incondicionada:

É movida por iniciativa exclusiva do MP.


Art 41: a denuncia deverá conter a exposição do fato criminoso.
Art. 395: será rejeitada, a denuncia, se...
Art. 46: pode denunciar após esse prazo até que ocorra a prescrição pela pena
em abstrato (Art. 109).

• A denúncia não pode ser genérica nem alternativa. Ex.: Ele fez isso e estou
pedindo a condenação dele por isso.

Ação Penal Pública Condicionada:

a. À Representação:
- da vítima ou do seu representante legal – Art. 24, §1º c/c Art. 39: pode ser
feita por advogado com procuração.
- maior de 18 anos e menor de 21 – Art. 34: não existe mais legitimidade
concorrente entre 18 e 21, foi revogada pelo CC.

- menor de 18 anos: não pode representar.

- menor de 18 anos não conta o fato à ninguém: o prazo para representar não
corre, porque o representante não sabe. Quando o ofendido fizer 18 anos,
começa a correr o prazo para a representação (6 meses – Súmula 594).

- menor de 18 anos conta o fato ao seu representante: se o representante não


faz nada, decai o direito de representar.
Se o crime foi cometido pelo próprio representante, a ação penal torna-se
incondicionada.

• Se a representação for somente contra um dos suspeitos, o MP pode


proceder contra todos.
b. À Requisição do Ministro da Justiça: casos de crimes contra o presidente da
republica.

 Objeto e Forma da Representação:

A representação é a narrativa de um fato, autorizando a investigação.


A mera notícia crime já é aceita como forma de representação. A forma não é
rígida.
Pode ser feita através:
- da polícia;
- do MP;
- do juiz (não é compatível com nosso sistema acusatório).

 Prazos para a Representação:

- Art. 38_ decadencial: o prazo não suspende e nem prorroga!

 6 meses da data do fato: Ex.:


fato (03/02 – sexta-feira) __________________ representação (02/08 às 23h59min
– vence o prazo para representação – 6 meses depois do fato, tirando o último
dia, se cair no sábado ou no domingo, antecipa-se para a sexta-feira, se não
houver plantão).

 requisição do Ministro da Justiça: não tem prazo!

 a representação é facultativa: não é obrigado a representar.

 a representação pode ser oral ou escrita.

 Retratação – Art. 25
É a faculdade de retirar o que foi dito, desdizer!
A Representação será irretratável depois de oferecida a denúncia. (saiu do MP,
ta oferecida a denúncia, não é mais possível se retratar).
É possível a retratação da retratação (retirar o que foi retirado) = fazer nova
representação: o único detalhe a ser observado é a decadência. Ao retirar a 1º
representação, o prazo volta a correr.

• Não confundir “oferecida a denúncia” com “recebimento da denúncia”!

 Crimes Contra servidores Públicos:


- Súmula 714 STF x Lei 11.705/08 – alterou o Art. Do Cód. De Transito.

Exceção: Art. 225 do CP – crimes sexuais:


I. condicionada;
II. incondicionada.

 Súmula 608 STF:


- violência real grave, gravíssima ou morte = ação penal pública
incondicionada;
- violência leve, presumida (menor de 14 anos) = ação penal pública
condicionada.

2. Ação Penal de Iniciativa Privada


Somente se procede mediante queixa.

Princípios:
a. Oportunidade e Conveniência: ninguém é obrigado a fazer a queixa.

b. Disponibilidade: é disponível, já que a vítima pode desistir, renunciar,


perdoar e dar causa à perempção.

c. Indivisibilidade – Art. 48: O estado permite que a vítima exerça a acusação,


mas não permite que a vítima escolha contra qual dos acusados quer
representar.
O MP vela pela indivisibilidade:
 aditando a queixa para incluir os faltantes. Crítica: O MP é parte ilegítima
para acusar no crime de ação penal de iniciativa privada.
 Art. 49: se o ofendido não prestar queixa contra um dos autores do crime,
essa renuncia se estende a todos os acusados.
 Art. 45: é possível o aditamento impróprio, que não inclui pessoas, apenas
fatos e fundamentos.

d. Intranscendência: A ação penal privada não pode passar da pessoa do autor


do crime.

Sujeitos da Ação Penal Privada:

 Ativo: Querelante – Art. 30: É quem faz a queixa ao juiz.

- menor de 18 anos: Súmula 594 STF.


- maior de 18 e menor de 21 anos – Art. 34 CPP, revogado pelo CC.

 Prazo Decadencial: 6 meses – Art. 38.

 Ação Penal privada tem sucumbência.

Espécies de Ação Penal Privada:

a. Originária ou comum: é a ação penal privada básica, feita no prazo de 6


meses.

b. Personalíssima: Somente a vítima, pessoalmente, pode fazer a queixa.


Ex.: Art. 236 CP – se o enganado tiver 17 anos, tem que esperar fazer 18 anos,
ai começa a correr o prazo decadencial para realizar a queixa. A EMANCIPAÇÃO
NÃO TEM EFEITOS PENAIS!!!

c. Art. 29 – Subsidiária ou substitutiva:


 legitimidade extraordinária: a vítima pode prestar queixa mesmo sendo o
crime de Ação Penal Pública, se a ação não for intentada pelo MP no prazo de
6/16 dias. Nesse caso, o prazo para prestar queixa inicia no dia em que se
constatou a inércia do MP. Art. 46 c/c 38.

 se isso ocorrer, o MP pode retomar a ação:


- se o querelante for negligente;
- a qualquer tempo, porque a ação é do MP.
• A ação não se torna privada só porque foi admitida a queixa!

 Renúncia:
É um ato unilateral, que significa a renúncia ao direito de representação ou
queixa. Só é possível abrir mão daquilo que ainda não se fez.

 Pode ser expressa ou tácita.


• Art. 50 c/c 104 do CP: não implica em renúncia o fato de receber, do autor do
crime, indenização.
• Art. 74 da lei dos JECs: acordo homologado no JECRIM é igual a renuncia.
• Art. 50, § único: A renúncia do representante do menor de 18 anos não prova
este de prestar queixa.

 A renúncia pode ocorrer na:


- ação penal pública condicionada;
- ação penal privada originária;
- ação privada personalíssima;
- ação penal privada subsidiária: há renuncia, porém o MP pode proceder a
denúncia.

 Perdão:
É bilateral, só cabe na ação penal privada, no curso do processo.

 Pode ser expresso ou tácito:


• Art. 106 c/c 51 do CPP: o perdão oferecido para um dos acusados se
estenderá a todos os demais, mas só produz efeitos aos que aceitarem.
• Não é admissível o perdão após o trânsito em julgado. Art. 106, §2º

 Perempção:
É uma punição de natureza processual, ao querelante negligente, que conduz à
extinção da punibilidade.
• Art. 60:
I. querelante 30 dias inerte;
II. morte do querelante;
III. querelante ausente na audiência, ou sem ter pedido a condenação nas
alegações finais da queixa. (se pedir JUSTIÇA! Opera-se a perempção).

 Aditamento – na ação penal pública:


Aditar é incluir, acrescentar.

 O aditamento pode ser:


• Próprio:
- real: acrescentar fatos;
- pessoal: acrescentar pessoas.

• Impróprio: não inclui fatos nem pessoas, apenas corrige erro material da
denúncia.

 Jurisdição:
É a garantia de ter um juiz para julgar.

1. Princípios da Jurisdição Penal.

a. Inércia: o juiz só pode atuar mediante provocação. “Ne procedat índex ex


officio”.

b. Imparcialidade: violado o primeiro princípio, viola-se tbm o segundo. A


imparcialidade só existe se houver inércia.

c. Juiz natural: garantia de ser julgado por um juiz anterior ao fato criminoso.
Sua competência, em relação a matéria, pessoa e lugar, é pré-fixada, em
relação ao crime, por lei.

 Competência:

É a limitação à jurisdição.

a. Competência em razão a matéria: é absoluta. Pode ser decretada de ofício, q


qualquer tempo.

b. Competência em razão à pessoa: Quando há prerrogativa de função, ou seja,


vai depender do cargo que ocupa.

c. Competência em razão do lugar: É relativa. Pode haver prorrogação da


competência.

• Art. 69 – tem que ser interpretado com cuidado, não dá para seguir.

 Três perguntas:

1. Qual é a justiça / órgão que julga? (matéria/pessoa)

 Justiça Especial:
- justiça militar: federal ou estadual.

- justiça eleitoral

 Justiça Comum
- justiça federal
- justiça estadual (é dela tudo o que não for das anteriores).

a. Qual é a competência da justiça militar federal?


Julgar os membros do exército, marinha e aeronáutica, em todo o território
nacional. Art. 124 CF.

 requisitos – Art. 9 CPMilitar


- ser crime militar, previsto no CPM (abuso de autoridade tem lei própria!)
- atender aos requisitos do Art. 9º do CPM
- jurisprudência: ser crime de interesse militar.
 Civil pode ser julgado na Justiça Federal Militar?
- sim, desde que cometa crime militar.

b. Qual a competência da justiça militar Estadual: - Art. 125, §4º da CF.


Compete a JME julgar os militares do estado, salvo for crime doloso contra a
vida, de militar contra civil (competência do JURI).
- brigada;
-bombeiros;
- policial rodoviário estadual.

 Acidente de Transito em viatura da policia militar é competência da justiça


comum estadual.

 Civil pode ser julgado na Justiça Militar estadual?


Não, apenas os militares do estado. Súm. 53 STJ: civil = justiça comum
estadual.

c. Qual a competência da Justiça eleitoral? Art. 121 da CF.


Julgar crimes eleitorais previstos no CE e nas leis conexas.

 Estrutura:
- Juiz Eleitoral – juiz de direito;
- TRE;
- TSE.

 Justiça Militar e Justiça Eleitoral não se misturam, ao contrario, se separam. –


Art. 79 CPP c/c Art. 78, IV. Salvo nos casos em que houver cisão e não
prevalência.

• eleitoral x comum = eleitoral.

d. Qual é a competência da Justiça Comum federal?


Julgar os crimes que prevalecem sobre a Justiça Estadual. – Art. 78, III do CPP
c/c Art. 109, IV da CF.

 Contravenção Penal = Justiça comum estadual (Súm. 38 STJ).


 Empresas Públicas = Justiça Federal.
 Franquias = Justiça Estadual.

 Crimes contra funcionário Público Federal, no exercício das funções = Justiça


Federal. Súm. 147 STJ.

 Art. 109, IX da CF: crimes praticados em navios e aeronaves, de médio ou


grande porte que tenham capacidade para cruzar divisas estaduais = Justiça
Federal.

Art. 109, XI da CF: crimes indígenas = Justiça Comum Estadual.


• tendência a mudar para a Federal!

 Crimes Ambientais = em regra são julgados na Justiça Estadual.


• Exceção: se o crime for praticado em reserva da União, compete a Justiça
Federal.
 Crime praticado por brasileiro, no exterior:

Art. 7º do CP – aplica-se a lei penal brasileira – Principio da extraterritorialidade.

- O brasileiro será julgado na Justiça Estadual, exceto se houver algum


impedimento do Art. 109 da CF.
- Art. 88 do CPP: os crimes praticados por brasileiro, fora do território nacional,
serão julgados na capital do Estado onde o acusado houver resido por último.

 Haverá JURI na Justiça estadual com estiver combinados os requisitos do Art.


109 da CF mais os crimes que ensejam JURI.

 Tribunal do JURI: art 74, §1º do CPP: compete ao TJ...

 Juizados Especiais Cíveis – Art. 61 da Lei 9099/95.

2. Qual é o lugar / foro competente?

Art. 70 c/c 71 do CPP.

 Crimes plurilocais (fato em um local e resultado em outro), considera-se


lugar do crime onde se esgotou o potencial lesivo da infração.

- Art. 71 do CPP: crime permanente ou continuado = critério da prevenção (é


competente o foro do lugar onde o juiz despachou primeiro).

- Art. 72 do CPP: se o lugar do crime é insabido, julga-se no domicílio do réu.

- Art. 73 do CPP: crimes de ação penal privada, é o único caso em que a vítima
pode escolher o foro.

3. Qual é a vara / juízo competente? (prevenção / distinção).

- Art. 83 e 85 do CPP.

 Critério da prevenção: (plantão não gera prevenção). O juiz que tiver o 1º ato
decisório, na fase pré- processual, será o juiz prevento (prevenção) = fica a
competência.

 Variáveis de Competência:

1. Prerrogativa de Função:
Algumas pessoas, em conseqüência do cargo, são julgadas em tribunal.

 Crime antes de assumir o cargo:


- adquiro a prerrogativa e meu processo sobe pro tribunal.

 Crime durante o exercício do cargo:


- já possuo prerrogativa e o processo já inicia no tribunal. (inclusive a
investigação).
 Crime depois de findo o cargo:
- Não possui mais prerrogativa, vai ser julgado na Justiça Comum.

- Termina o cargo, o processo volta para a Justiça Comum.

a. Prerrogativas Importantes:

- STF: Art. 102, I, b, c da CF.


- STJ: Art 105, I, a da CF;
- TJ: Art 96, III (juri federal x tre)
- TRF: Art 108, I, a da CF

 Deputado Estadual: TJ__ TRF __ TRE.

 Prefeito: Art. 29, X


- se for crime normal = TJ
- se for crime eleitoral = TRE
- se for crime federal = TRF

 Vereador: não tem prerrogativa. É julgado na Justiça Comum.

 JURI x Prerrogativa de Função:

 Regra:
- ganha prerrogativa = Júri sobe para o Tribunal;
- perde prerrogativa = Júri cai para 1º grau.

 Crimes Conexos: o conexo sempre acompanha o processo principal.

 Concurso de Pessoas: pessoa com prerrogativa (juiz estadual) comete crime


junto à pessoa sem prerrogativa (pistoleiro) = o juiz estadual será julgado pelo
TJ e o pistoleiro será julgado no JURI.

2. Prerrogativa de função em razão da vítima:

a. Regra: não há prerrogativa de função em razão da vítima.


b. Excepcionalmente: Art. 85
Nos crimes de ação penal de iniciativa privada, for querelante um juiz. Este faz
queixa com “Mané”, que entra com exceção da verdade.
Para julgar a exceção da verdade, os pólos da ação se invertem. Nesse caso,
um outro juiz não poderia julgar o querelante (juiz), então em razão da vítima, o
processo sobe ao TJ. Após julgada a exceção de verdade, o processo volta para
a Justiça comum.

3. Causas modificativas da Competência, em razão da conexão ou da


continência

 Conexão:
A conexão exige, sempre, pluralidade de crimes. Reúne crimes para julgamento
“simultaneus processus”.

 Art. 76 do CPP
I.
a. conexão Intersubjetiva Ocasional / simultaniedade: O crime é cometido ao
mesmo tempo, por várias pessoas reunidas. Essa reunião não é pré-meditada.
Ex.: velhinhas invadem o Zaffari num protesto contra o aumento do Royal. Uma
rouba, outra mata...

b. Conexão Intersubjetiva concursal: o crime é cometido por várias pessoas em


concurso, em tempo e lugar diferentes.
Ex.: quadrilha.

c. Conexão Intersubjetiva Reciprocidade: o crime é cometido por várias


pessoas, uma contra as outras.
Ex.: briga entre torcidas organizadas.

II.
a. Conexão Objetiva ou Teleológica: o crime é cometido por várias pessoas,
cada uma com a função de facilitar ou ocultar as outras.
Ex.: uma mata e a outra oculta o cadáver.

III.
a. Conexão probatória (é a mais ampla): o crime é cometido por várias
pessoas, sendo qeu a prova de um ajuda na prova do outro.
Ex.: lavagem de dinheiro, quando decorre de outro crime (evasão de divisas).

 Continência:
É a reunião de processos para julgamento simultâneo. Não há pluralidade de
crimes.
A Continência pressupõe a existência de um único crime.

 Art. 77
I. duas ou mais pessoas acusadas pelo mesmo crime:
Ex.: duas ou mais pessoas cometem homicídio.

II. infração nas condições dos Art. 70, 73, 74 do CP (concurso formal)
Ex.: unidade delitiva por ficção normativa. Atropelar 3 pessoas de uma só vez.

 Regras do Art. 78

IV. É Justiça Comum Estadual / Federal, Militar ou Eleitoral = Militar / Eleitoral


prevalecem.

III. Qual grau de jurisdição (1º ou 2º)? = maior grau prevalece.

I. É crime de JURI ou de outro órgão de 1º grau? = prevalece o júri.

II.  a. é competente o lugar da infração que tem pena maior;


 b. é competente o lugar onde foram cometidos o maior numero de crimes;
 c. é competente o lugar prevento (juiz despachou primeiro).

Ex.:
• Crime de furto em POA, de roubo em Canoas e de Homicídio em Mostardas =
O JURI prevalece sobre os demais órgãos, e o lugar onde a infração cometida
tem pena maior é em Mostardas;
 JURI em Mostardas.

• Crimes conexos, cometidos por um policial militar e um policial civil.


Crime de Lesão Corporal cometido em POA, de ameaça em canoas e de abuso
de autoridade em Mostardas.
 PM: Será competente a Justiça Militar Estadual, de 1º grau, em POA, para
julgar os crimes de lesão corporal e ameaça, previstos no CPM.
Já o crime de abuso de autoridade, por não ter previsão no CPM, será julgado
junto ao PC, na Justiça Comum estadual, no 1º grau, em Mostardas.

 Cisão – Art. 80

- Art. 82: se surgirem processos em cada cidade, o juiz mais competente avoca
os outros para ele! Salvo se já houver sentença em uma das cidades. Aí só vai
reunir na execução penal.

- Art. 567: tem que ser lido à luz da CF, portanto, se o juiz for completamente
incompetente, não se anulam só os atos decisórios, mas sim todos, desde o
início do processo!

 Condições da Ação
São as condições necessárias para o exercício da pretensão acusatória.

1. Teorias:

a. Teoria Geral do Processo:

 legitimidade:
- ativa: propositor;
- passiva: réu.

 interesse: interesse de punir. O interesse de punir do MP decorre de lei (é


discutível).

 pedido juridicamente possível: Tem de haver prova.

 justa causa.

b. Teoria para o Processo Penal:

 legitimidade:
- ativa: MP, quando for ação penal pública; vítima, quando for ação penal
privada.
- passiva: réu.

 fato aparentemente criminoso: Tem de haver o fumus comissi delicti.


- tipicidade;
- ilicitude;
- culpabilidade;

 punibilidade concreta: não cabe ação se estiver extinta a punibilidade.

 justa causa: causa que justifique a acusação.


- indícios razoáveis de autoria / materialidade.
- instrumento de controle do caráter fragmentário do direito penal: princípio
da bagatela.

c. Representação e Requisição de Ministro da Justiça – Art. 395 c/c 41 do


CPP:
O juiz poderá rejeitar a requisição:

I. se for inepta.
Nesse caso o MP / vítima pode fazer nova acusação.

II. se estiver sem os pressupostos processuais (condições da ação).


- se faltou tipicidade = o juiz rejeita fazendo coisa julgada.
- se estiver prescrito = o juiz rejeita fazendo coisa julgada.
- se a parte for ilegítima = o MP / vítima pode refazer a representação,
corrigindo o problema.
- se faltar justa causa:
Falta de prova = o MP / vítima pode refazer.
O fato se enquadrar no Principio da bagatela = o juiz rejeita fazendo coisa
julgada.

 Da decisão que recebe a denúncia, não cabe recurso. Pode, entretanto,


impetrar HC para trancar o processo.
- Após recebida a denúncia, o juiz cita o réu para apresentar resposta.
- Com a resposta, o processo volta para o juiz, que poderá absolver
sumariamente.
Art. 397: essa absolvição faz coisa julgada.
- Caberá recurso de apelação – Art. 593, I.

 No caso da Lei de Imprensa, caberá recurso da decisão que recebe a


denuncia! (único caso).

 Ação Civil “EX DELICTI”

Art. 387, IV c/c 63 o CPP: A condenação imposta pelo juiz fixará um quantum
indenizatório que o réu deverá pagar à vítima.
Nada impede que a vítima busque mais indenização na área cível.