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UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul


DACEC – Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da
Comunicação
Curso de Administração

TATIANA CORREA DA SILVA

ABSENTEÍSMO NO SERVIÇO PÚBLICO:


O Caso do Município de Esperança do Sul

Trabalho de Conclusão de Curso

Prof.ª. Orientadora: Ms. Maira Fátima Pizolotto

Três Passos/RS, 1º semestre de 2015.


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TATIANA CORREA DA SILVA

ABSENTEÍSMO NO SERVIÇO PÚBLICO:


O Caso do Município de Esperança do Sul

Trabalho de Conclusão de Curso

Trabalho de Conclusão do Curso de Administração


da Universidade Regional do Noroeste do Rio
Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito parcial à
elaboração do Trabalho de Conclusão do Curso.

Três Passos/RS, 1º semestre de 2015.


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"Numa sociedade com base no conhecimento, por


definição é necessário que você seja estudante a
vida toda".

(Tom Peters)
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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente à Deus, pela vida, por estar iluminando meus passos em
direção ao caminho correto, pela perseverança na superação das inúmeras dificuldades,
previstas e imprevistas no decorrer desta jornada.
Agradeço especialmente à minha família pelo amor, pelo carinho e por sempre acreditar
que eu seria capaz de conquistar essa vitória, principalmente à minha mãe pelo apoio nos
momentos difíceis com força, confiança, amor, ensinando-me a persistir nos meus objetivos e
ajudando a alcançá-los.
Agradeço a professora Mestre Maira Fátima Pizolotto, pessoa importante na minha
formação acadêmica, pelo incentivo, carinho e amizade durante toda a graduação e em especial
na orientação deste trabalho, pelas observações notáveis e discussões enriquecedoras, com a
finalidade de desenvolver este trabalho e aumentar os meus conhecimentos.
Agradeço ao Prefeito Municipal de Esperança do Sul por permitir a realização desta
pesquisa que irá contribuir para a melhoria de vida dos que laboram, residem ali e necessitam
de uma forma ou de outra dos serviços prestados pela Prefeitura.
Agradeço à Unijuí Campus Três Passos por me proporcionar momentos incríveis, aos
colegas, professores e demais funcionários agradeço por tudo o que com eles aprendi e por
partilharem a construção do meu estudo.
Agradeço aos amigos com os quais dividi momentos de alegrias e conquistas, que
sempre me apoiaram e incentivaram pela busca dos meus objetivos, nunca me deixando
desanimar perante os obstáculos encontrados.
Agradeço à todos que de uma forma ou de outra contribuíram para a realização de deste
sonho.
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RESUMO EXPANDIDO

Absenteísmo no Serviço Público: O Caso do Município de Esperançado Sul-RS¹

Tatiana Correa da Silva², Maira Fátima Pizolotto³.

¹Trabalho de Conclusão do Curso de Administração


²Acadêmica do Curso de Administração da Unijuí
³Professora Orientadora, Mestre em Administração de Recursos Humanos e Organizações,
Coordenadora do Curso de Administração da Unijuí – Campus Três Passos.

Introdução
As organizações tanto públicas como privadas têm enfrentado um problema crítico que são os
altos índices de absenteísmo. Para Chiavenato (2008, p. 88) ´´absenteísmo ou absentismo é a
frequência e/ou duração do tempo de trabalho perdido quando os colaboradores não
comparecem ao trabalho. O absenteísmo constitui a soma dos períodos em que os
colaboradores se encontram ausentes do trabalho, seja por falta, por atraso ou algum motivo
interveniente``. Os motivos mais frequentes do absenteísmo, segundo França (2011), consistem
em: doenças, problemas de relacionamento interpressoal, desmotivação e insatisfação com o
trabalho, problemas familiares, entre outros. Tais ausências afetam não somente o quantitativo
de pessoas, mas também a qualidade dos produtos e serviços prestados. Sob essa perspectiva o
presente estudo teve como temática o absenteísmo no serviço público e seu objetivo consistiu
em identificar os motivos do alto absenteísmo por parte dos servidores públicos do Município
de Esperança do Sul/RS no período de 2010 a 2014 propondo recomendações à Divisão de
Recursos Humanos a fim de minimizar essa problemática e suas consequências.

Metodologia
Esta pesquisa caracteriza-se quanto à natureza como pesquisa aplicada, quanto à abordagem
pesquisa quanti qualitativa, quanto aos objetivos como pesquisa exploratória e descritiva,
quanto aos procedimentos técnicos como pesquisa bibliográfica, documental e participante
(ZAMBERLAN et al., 2014). O universo amostral foi a Prefeitura Municipal de Esperança do
Sul, tendo como sujeito de pesquisa a própria pesquisadora, uma vez que exerce o cargo de
escriturária responsável pela Divisão de Recursos Humanos. Os dados bibliográficos foram
coletados em livros, periódicos, sites, monografias, teses e dissertações. Os dados documentais
nos arquivos disponíveis na Divisão de Recursos Humanos da Prefeitura Municipal de
Esperança do Sul e a pesquisa participante desenvolvida a partir do conhecimento e da
observação da pesquisadora e servidora. Os dados foram tratados de forma quanti qualitativa.
Num primeiro momento utilizou-se o programa Microsoft Excel para tabulá-los e demonstrá-
los por meio de tabelas e gráfico. Para calcular os índices de absenteísmo optou-se pela fórmula
apresentada por Marques e Neto (2006) que considera apenas os afastamentos de dias inteiros.
Após analisou-se os dados com base no referencial teórico construído.

Resultados
Visando a conhecer o perfil de todos os servidores do Município de Esperança do Sul no
período de 2010 a 2014 chegou-se aos seguintes resultados: a média anual foi de 190 servidores
em sua maioria mulheres (53,8%). Quanto a geração predominante destaca-se a geração Y
(41%). A maioria dos servidores são residentes no próprio Município (79,3%). Quanto ao
estado civil 81,2% são casados ou encontram-se em união estável, possuem de um a dois filhos
(66,8%) e foram admitidos no sexênio 2009-2014 (46%). Por fim, 66,3% são ocupantes de
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cargos efetivos e lotados na Secretaria de Educação, Cultura e Desporto (39,4%). Ao identificar


os índices de absenteísmo destes servidores encontrou-se 21.798 dias de ausências ao trabalho,
levando a um índice de 9,3% de absenteísmo no quinquênio 2010-2014. O ano eleitoral de
2012 apresentou o maior índice de afastamentos (11,2%). Tratando-se especificamente do
perfil dos servidores absenteístas, média anual de 89 servidores, percebe-se uma semelhança
nas características quando comparados com o perfil geral dos servidores. A maioria dos
servidores absenteístas eram mulheres (57%); a geração predominante nestes servidores foi a
geração Y (43%); a maioria dos servidores são residentes no próprio Município (83%); quanto
ao estado civil 56% são casados ou encontram-se em união estável; possuem de um a dois
filhos (69%) e foram admitidos no sexênio 2009-2014 (40%). Por fim, 78% são ocupantes de
cargos efetivos, mais especificamente ocupantes dos cargos de professor, motorista, serventes
de escola e operador de máquinas rodoviárias, e 42% dos absenteístas estão lotados na
Secretaria de Educação, Cultura e Desporto. Os três principais motivos das ausências ao
trabalho foram, as licenças concedidas para tratamento de saúde (75,4%), as licenças
maternidade (8,5%) e as licenças para tratar de interesses particulares (6%). Tem-se percebido
que as faltas justificadas por atestado médico nem sempre são representativas de doenças
propriamente ditas, muitas vezes funcionam como um pretexto que pode estar relacionado a
divergências na organização ou problemas pessoais, como pode ser observado no biênio 2012-
2013, que abrangeu o último ano de uma gestão e o primeiro de outra, apresentando o maior
índice de licenças para tratamento de saúde (33,8%). Reis (et al., 2003) em seu estudo realizado
com profissionais de enfermagem, relativo ao absenteísmo por doença, afirma que existe
relação entre afastamento e vínculo empregatício. Neste estudo, a estabilidade no cargo é um
agravante, pois os servidores estáveis sentem-se mais propensos a faltar ao trabalho do que os
servidores contratados, os quais temem pela perda do emprego. O Município de Esperança do
Sul ciente do aumento no número de servidores absenteístas tomou algumas medidas junto a
Divisão de Recursos Humanos, tais como: o controle de frequência de todos os servidores por
meio de registro no relógio ponto biométrico e a criação das Leis Nº. 1.240 e 1.241/2014 para
incentivar e valorizar a assiduidade destes servidores. Por fim, com base nos resultados
encontrados nesta pesquisa foram propostas à Divisão de Recursos Humano as recomendações
a seguir: realizar um trabalho de conscientização acerca da importância do trabalho do servidor
público para o bem comum, fazendo-se necessário ser realizado com comprometimento,
eficiência, eficácia e efetividade; também, a realização de pesquisas semestrais de clima
organizacional, visando a identificar as secretárias e cargos com maiores níveis de satisfação e
insatisfação para com as políticas de gestão de pessoas. Outra forma de estimular a assiduidade
e consequentemente diminuir os índices de absenteísmo é realizar uma alteração no Inciso II,
artigo 17 da Lei 178/2001 tornando mais rígida a promoção por tempo de serviço, reduzindo o
limite de 90 para 60 dias de atestado médico sem interrupção na contagem de dias para fins de
promoção.

Conclusão
Dentro do contexto organizacional muitos gestores têm consciência da presença do
absenteísmo por parte dos trabalhadores, porém, não monitoram seus índices e também não
avaliam suas consequências. Este problema agrava-se ainda mais na esfera pública, visto que,
os recursos são oriundos dos impostos pagos pela população e ao faltar ao trabalho o
absenteísta está prejudicando a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos e
consequentemente a si próprio, pois para além de ser um servidor é também um cidadão.
Recomenda-se em um novo estudo buscar a identificação do absenteísmo-saúde, mais
precisamente no que refere-se aos atestados médicos visando a verificar quais os CID´S
(Código Internacional de Doenças) são mais presentes e analisar as causas destas patologias
para averiguar se são decorrentes do trabalho ou não, de modo a evitar o adoecimento coletivo
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dos servidores. Por fim, o presente trabalho oportunizou uma realização pessoal da
pesquisadora e foi uma oportunidade ímpar para adquirir novos conhecimentos teórico-práticos
sobre o tema. Também, trouxe importante contribuição para a organização no sentido de gerar
informações para a tomada de decisão, possibilitando manter informados gestores e servidores
a respeito de índices, motivos e variáveis relacionadas ao tema, tendo em vista sua importância
para a gestão de pessoas e a gestão organizacional.

Palavras-chave: absenteísmo; gestão de pessoas; gestão pública.

Referências Bibliográficas
CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: e o Novo Papel dos Recursos Humanos nas
Organizações. 3. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
FRANÇA, A. C. L. Práticas de Recursos Humanos – PRH: Conceitos, Ferramentas e
Procedimentos. São Paulo: Atlas, 2011.
MARQUES NETO, A. D. Absenteísmo nas Organizações. Monografia. Centro Universitário
de Brasília-DF, 2006.
REIS, R. J.; et. Al. Fatores Relacionados ao Absenteísmo por Doença em Profissionais de
Enfermagem. Revista Brasileira de Saúde Pública, São Paulo, v. 37, n. 5, 2003.
ZAMBERLAN, L. et al. Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas. Ijuí: Ed. Unijuí, 2014.
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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Fórmula do Cálculo do Absenteísmo em Horas ......................................................37


Figura 2 - Fórmula do Cálculo do Absenteísmo em Dias .........................................................37
Figura 3 - Fachada da Prefeitura Municipal de Esperança do Sul ............................................43
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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Cargos das Áreas da Administração e Finanças, Agricultura e Aposentados ........50


Gráfico 2 - Cargos da Área Função Chefia ...............................................................................51
Gráfico 3 - Cargos da Área Função Educação ..........................................................................52
Gráfico 4 - Cargos da Área Função Limpeza e Obras ..............................................................53
Gráfico 5 - Cargos da Área Função Saúde................................................................................54
Gráfico 6 - Evolução dos Índices de Absenteísmo no Quinquênio 2010-2014 ........................74
Gráfico 7 - Evolução do Absenteísmo-Doença ........................................................................75
Gráfico 8 - Evolução da Quantidade de Absenteístas ...............................................................76
Gráfico 9 - Gênero dos Absenteístas ........................................................................................77
Gráfico 10 - Faixa Etária dos Absenteístas ...............................................................................78
Gráfico 11 - Residência dos Absenteístas .................................................................................79
Gráfico 12 - Estado Civil dos Absenteístas ..............................................................................80
Gráfico 13 - Número de Filhos dos Absenteístas .....................................................................81
Gráfico 14 - Ano de Admissão dos Absenteístas......................................................................82
Gráfico 15 - Vínculo Empregatício dos Absenteístas ...............................................................83
Gráfico 16 - Secretaria de Lotação dos Absenteístas................................................................84
Gráfico 17 - Área Função dos Cargos dos Absenteístas ...........................................................85
Gráfico 18 - Ranking de Cargos Absenteístas ..........................................................................86
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LISTA DE QUADROS E TABELAS

Quadro 1 - Consequências do Absenteísmo .............................................................................36


Quadro 2 - Procedimentos Técnicos ou Estratégias de Pesquisa ..............................................40
Tabela 1 - Gênero, Faixa Etária e Residência dos Servidores ..................................................45
Tabela 2 - Estado Civil e Número de Filhos dos Servidores ....................................................46
Tabela 3 - Ano de Admissão, Vínculo Empregatício e Secretaria ...........................................47
Tabela 4 - Áreas Funções Específicas de Cada Cargo ..............................................................48
Tabela 5 - Ausências Mensais em 2010 ....................................................................................58
Tabela 6 - Motivos das Ausências em 2010 .............................................................................59
Tabela 7 - Ausências Mensais em 2011 ....................................................................................61
Tabela 8 - Motivos das Ausências em 2011 .............................................................................62
Tabela 9 - Ausências Mensais em 2012 ....................................................................................64
Tabela 10 - Motivos das Ausências em 2012 ...........................................................................65
Tabela 11 - Ausências Mensais em 2013 ..................................................................................67
Tabela 12 - Motivos das Ausências em 2013 ...........................................................................68
Tabela 13 - Ausências Mensais em 2014 ..................................................................................70
Tabela 14 - Motivos das Ausências em 2014 ...........................................................................71
Tabela 15 - Motivos das Ausências no Quinquênio 2010-2014 ...............................................72
Tabela 16 - Principais Cargos por Absenteísmo-Doença .........................................................87
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SUMÁRIO

RESUMO EXPANDIDO............................................................................................................5
LISTA DE FIGURAS .................................................................................................................8
LISTA DE GRÁFICOS ..............................................................................................................9
LISTA DE QUADROS E TABELAS ......................................................................................10
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................13
1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ...........................................................................14
1.1 Apresentação do Tema ...................................................................................................14
1.2 Problema .........................................................................................................................16
1.3 Objetivos .........................................................................................................................16
1.3.1 Objetivo Geral .......................................................................................................16
1.3.2 Objetivos Específicos .............................................................................................16
1.4 Justificativa .....................................................................................................................17
2 REFERENCIAL TEÓRICO ...............................................................................................21
2.1 Gestão Pública: Abordagem Conceitual ........................................................................21
2.1.1 Os Princípios da Administração Pública ..............................................................22
2.1.2 O Gestor Público do Executivo Municpal .............................................................23
2.2 Gestão de Pessoas: Aborgadem Conceitual ...................................................................26
2.2.1 Os Processos de Gestão de Pessoas ......................................................................26
2.2.2 A Gestão de Pessoas no Serviço Público ...............................................................29
2.3 Absenteísmo: Abordagem Conceitual ............................................................................31
2.3.1 Causas ....................................................................................................................32
2.3.2 Classificação ..........................................................................................................34
2.3.3 Consequências .......................................................................................................35
2.3.4 Medidas ..................................................................................................................37
3 METODOLOGIA ...............................................................................................................38
3.1 Classificação da Pesquisa ..............................................................................................38
3.1.1 Quanto à Natureza .................................................................................................38
3.1.2 Quanto à Abordagem .............................................................................................38
3.1.3 Quanto aos Objetivos .............................................................................................39
3.1.4 Quanto aos Procedimentos Técnicos .....................................................................39
3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral......................................................................40
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3.3 Coleta dos Dados ...........................................................................................................40


3.4 Análise e Interpretação dos Dados .................................................................................41
4 RESULTADOS...................................................................................................................42
4.1 Caracterização da Prefeitura Municipal de Esperança do Sul .......................................42
4.2 O Perfil dos Servidores da Prefeitura Municipal de Esperança do Sul ..........................44
4.3 Os Índices de Absenteísmo no Quinquênio de 2010 à 2014 .........................................55
4.3.1 Os Índices de Abstenteísmo em 2010 .....................................................................57
4.3.2 Os Índices de Abstenteísmo em 2011 .....................................................................60
4.3.3 Os Índices de Abstenteísmo em 2012 .....................................................................63
4.3.4 Os Índices de Abstenteísmo em 2013 .....................................................................66
4.3.5 Os Índices de Abstenteísmo em 2014 .....................................................................69
4.3.6 As Ausênsias no Trabalho no Quinquênio de 2010-2014 ......................................72
4.4 O Perfil dos Absenteístas de Esperança do Sul .............................................................75
4.5 Os Motivos que Causam a Ausência no Trabalho .........................................................89
4.6 As Recomendações para Redução do Nível de Absenteísmo .........................................94
CONCLUSÃO ..........................................................................................................................99
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................101
ANEXO A - Lei Municipal Nº. 1240/2014, Institui a Folga no Dia do Aniversário aos
Servidores do Poder Executivo e dá outras Providências .......................................................105
ANEXO B - Lei Municipal Nº. 1241/2014, Institui a Gratificação Assiduidade aos
Servidores de Cargo Efetivo do Poder Executivo e dá outras Providências..........................106
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INTRODUÇÃO

O presente estudo trata de um tema que está entre as principais preocupações da área de
Gestão de Pessoas: o absenteísmo no trabalho. O absenteísmo é uma expressão utilizada para
designar as faltas justificadas ou injustificadas das pessoas ao trabalho.
Grande parte dos gestores não monitora ou avalia a presença do absenteísmo dentro das
organizações, estes dados são extremamente úteis para a administração gerir seus gastos com
despesa de pessoal e aumentar a satisfação dos seus clientes, seja na empresa privada e
principalmente na pública, onde os recursos são oriundos dos impostos pagos pela população.
Sendo assim, o Trabalho de Conclusão de Curso foi realizado em uma Prefeitura
Municipal que não possuía o controle dos dados do seu alto absenteísmo com o propósito de
diagnosticar os motivos que ocasionam este grave problema de caráter público e propor
recomendações visando à redução deste índice.
Para atingir estes objetivos, este estudo apresenta, em um primeiro momento, a
contextualização da pesquisa, apresentando o tema contemplado, a problematização, os
objetivos e a justificativa.
Em um segundo momento, apresenta-se a revisão bibliográfica, a qual traz a
fundamentação teórica baseada em autores, artigos e demais estudos já realizados nestas áreas
abordando os temas de Gestão Pública, Gestão de Pessoas e Absenteísmo.
O terceiro capítulo corresponde a definição dos procedimentos metodológicos que
foram observados na realização da pesquisa. Caracteriza-se o tipo de pesquisa através da
classificação da pesquisa que foi realizada, o universo amostral, o plano de coleta de dados e a
análise e interpretação dos dados.
O quarto capítulo constitui-se da apresentação das características da organização
estudada, do perfil dos seus servidores, os níveis de absenteísmo, o perfil dos absenteístas, bem
como seus motivos e as recomendações para a redução deste nível.
Por fim, apresenta-se a conclusão, onde se descreve o resultado da pesquisa realizada,
permitindo que o Município de Esperança do Sul analise e utilize-se destas informações, em
seguida as referências bibliográficas que serviram de fundamentação teórica para o referido
estudo, bem como os anexos.
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1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO

1.1 Apresentação do Tema

No atual cenário das organizações tanto público como privada o absenteísmo tem-se
tornado um problema crítico, em que seus administradores percebem a repercussão no
quantitativo de pessoas e consequentemente o reflexo na qualidade dos produtos e serviços
prestados. Sob essa perspectiva o presente estudo tem como tema o absenteísmo no Município
de Esperança do Sul.
O servidor público quando assume sua função tem um compromisso com o Brasil
devendo introduzir em seu pensamento à busca de uma sociedade justa e igualitária, seja qual
for à função exercida no Município. É de extrema relevância que tenha a consciência da
importância do seu trabalho assíduo, permanente e comprometido para garantir um serviço
público de qualidade, acessível para atender as demandas sociais do país.
A palavra absenteísmo era aplicada aos proprietários rurais que abandonavam o campo
e tendiam a viver nas cidades, sendo que, com o advento da Revolução Industrial, o termo
passou a ser aplicado aos trabalhadores com tendência a faltar ao serviço (ROCHA, 1981).
Fereira (1986) reportando-se a definição da palavra absenteísmo define como a
ausência habitual do emprego. O absenteísmo é um assunto de interesse crescente devido ao
atual contexto econômico de competitividade, faz com que as empresas procurem meios para
diminuir sua ocorrência, aumentando a rentabilidade e com isso crescendo de forma sustentada.
Para Chiavenato (2008, p. 88) ´´Absenteísmo ou absentismo é a frequência e/ou duração
do tempo de trabalho perdido quando os colaboradores não comparecem ao trabalho. O
absenteísmo constitui a soma dos períodos em que os colaboradores se encontram ausentes do
trabalho, seja por falta, por atraso ou algum motivo interveniente``.
O absenteísmo pode ocorrer por períodos prolongados de tempo, tais como férias,
licença maternidade, auxílio doença, acidente de trabalho, como também períodos menores,
como doação de sangue, licença nojo, licença gala, licença paternidade, participação em júri e
eleições, cursos ou ausências justificadas. Nesses casos, mesmo havendo justificativa legal para
a falta essa ausência também é considerada absenteísmo, pois implica em perdas produtivas.
Independentemente do tempo da ausência do colaborador o absenteísmo ocasiona não
só custos diretos em pessoal, mas também indiretos representados pela diminuição da
produtividade uma vez que haverá sobrecarga de responsabilidades dos colegas de trabalho,
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com redução da qualidade do serviço ou produto, transtorno de remanejamento de


colaboradores, diminuição da produtividade e insatisfação dos clientes.
Há doenças ocupacionais que causam alterações na saúde do trabalhador, provocadas
por fatores relacionados com o ambiente de trabalho, dos recursos utilizados, do
relacionamento com as pessoas entre outras variáveis. Em relação às doenças, a dor é algo
subjetivo, o comportamento pode variar entre as pessoas, pois uma mesma patologia e com a
mesma gravidade, pode motivar ou não um trabalhador a não comparecer ao trabalho. Algumas
vezes a sua ausência independe da sua decisão, como ocorre nas doenças e acidentes graves.
Por outro lado, o absenteísmo pode, também, demonstrar uma rejeição ao trabalho,
insatisfação com o salário, com as políticas da empresa ou com as condições de trabalho. É o
que acontece principalmente nas faltas de pequena duração, e quase sempre próximas de
feriados ou finais de semana (NOGUEIRA, 1980, apud MARQUES NETO, 2006, p. 6).
Tem-se percebido que as faltas justificadas por atestado médico nem sempre são
representativas de doenças propriamente ditas, muitas vezes funcionam como um pretexto que
pode estar relacionado a divergências na organização ou problemas pessoais.
Dentro do contexto das organizações houve uma mudança radical do significado do
trabalho para as pessoas, há duas décadas era simplesmente uma fonte de renda e ultimamente
tornou um sentido à vida, estando ao mesmo tempo remunerado, mas também conectado aos
seus interesses, as pessoas estão mais exigentes e assim o nível de satisfação com o trabalho
vem decaindo.
No serviço privado quando o empregado apresenta uma falta injustificada, aquela onde
deixa de comparecer ao trabalho e não justifica a ausência ao empregador por meio de
atestados, declarações ou certidões terá descontado um dia de trabalho no salário. De acordo
com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) o empregador pode dar uma advertência,
seguida de suspensão e por fim demitir o empregado por justa causa.
Ainda têm-se a opção de demitir o empregado sem justa causa simplesmente se for do
interesse do empregador. Já no serviço público, onde o Regime de Trabalho é o Estatutário, o
absenteísmo se torna um vício devido à segurança e estabilidade adquirida no cargo e a
dificuldade em penalizar o servidor faltoso, principalmente se as faltas são justificadas. Nesse
caso o impacto econômico é muito preocupante uma vez que gera gastos públicos afetando toda
a população.
Na administração pública, entre outras variáveis, a mudança frequente das lideranças,
pode afetar, consideravelmente, o desempenho dos servidores. Nesse processo, as pessoas são
consideradas agentes de mudança, exigindo uma gestão que leve em conta a existência, na
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instituição, de um acervo intelectual constituído pelas experiências acumuladas ao longo dos


anos pelos servidores.

1.2 Problema

As organizações precisam criar dados estatísticos sólidos em relação ao absenteísmo


para poder criar estratégias específicas de redução, deve quantificar o quanto dele se origina
pela ocorrência de doença e determinar às causas de outra natureza.
Quanto às causas decorrentes de doença deve-se identificar se são decorrentes do
trabalho ou não. As que forem atribuídas à atividade profissional devem ser minuciosamente
investigadas para evitar o adoecimento coletivo dos empregados que trabalham nas mesmas
condições.
O absenteísmo tem sido um problema crítico tanto para as empresas quanto seus
administradores, é um tema complexo e pode ter como causas e consequências diversos fatores.
Neste estudo, com base na temática apresentada, tem-se como questão central: Quais os
motivos do alto absenteísmo por parte dos servidores na organização Prefeitura
Municipal de Esperança do Sul?

1.3 Objetivos

1.3.1 Objetivo Geral


Identificar os motivos do alto absenteísmo por parte dos servidores públicos do
Município de Esperança do Sul/RS no período de 2010 a 2014 propondo recomendações à
Divisão de Recursos Humanos a fim de minimizar esse problema.

1.3.2 Objetivos Específicos


a) Conhecer o perfil de todos os servidores da organização no período de 2010 a 2014.
b) Identificar os índices de absenteísmo dos servidores públicos do Município de
Esperança do Sul neste mesmo período.
c) Demonstrar o perfil dos servidores absenteístas.
d) Diagnosticar os motivos do absenteísmo.
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e) Propor recomendações à Divisão de Recursos Humanos visando à redução do nível de


absenteísmo.

1.4 Justificativa

A justificativa para a realização deste trabalho deu-se diante da atividade laboral da


pesquisadora uma vez que exerce a função de escriturária, sendo servidora pública do
Município de Esperança do Sul, lotada na Divisão de Recursos Humanos, onde a mesma
percebeu como são frequentes os afastamentos dos servidores municipais, sendo que
semanalmente são protocoladas licenças para tratamento de saúde. Diante dos estudos em sala
de aula surgiu a necessidade de construir conhecimentos que poderiam levar a uma maior
compreensão acerca do problema absenteísmo observado na atividade profissional.
Um dos principais problemas do absenteísmo é o seu reflexo no aumento das despesas
de pessoal, pois para cobrir o servidor absenteísta os colegas realizarão horas extras ou ainda se
os cargos possuírem apenas uma vaga no município, como por exemplo, contador, tesoureiro,
engenheiro civil, médico veterinário, nutricionista, será obrigado a realizar a contratação
temporária de outro profissional para substitui-lo.
Os gastos com folha de pagamento representam o principal item de despesa de todo o
setor público brasileiro, assim, seus índices são monitorados semestral e anualmente, pois as
três esferas do Governo: Federal, Estadual e Municipal devem respeitar a Lei de
Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar Nº. 101, de 04 de maio de 2000), que determina o
limite máximo com despesa de pessoal buscando reforçar a atividade de planejamento e
execução do gasto público.
Se uma prefeitura utilizar mais da metade dos seus recursos, os quais são entregues na
forma de impostos, para pagar os salários dos seus servidores iria sobrar apenas outra metade
para realizar os serviços básicos de atendimento à população, tais como educação, saúde,
cultura, lazer, segurança, manutenção de estradas e vias urbanas e preservação do patrimônio
público.
O Tribunal de Contas do Estado do RS fiscaliza esse índice estabelecendo três níveis.
No primeiro, se a prefeitura apresentar despesas com pessoal correspondente a 48,60% a
51,30% da Receita Corrente Líquida, receberá advertência. No segundo nível, chamado de
limite prudencial, de 51,30% a 54%, fica sujeito às vedações que bloqueiam a concessão de
vantagens, aumentos, reajustes, criação ou provimento de cargo, emprego ou função, entre
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outras. No terceiro nível, despesa acima do limite legal de 54%, a prefeitura ficará obrigada a
adotar medidas para a eliminação do percentual excedente. Se a redução não ocorrer no prazo
determinado pela Lei, o município poderá ser penalizado, sendo impedido de receber
transferências voluntárias, proibido de contratar operações de crédito e obter garantias para a
sua contratação, pagar multa com recursos próprios do agente que lhe der causa, inabilitação
para o exercício da função pública por um período de até cinco anos, perda do cargo público;
cassação de mandato e prisão, detenção ou reclusão.
Além do prejuízo econômico há também o caráter social, na ausência recorrente dos
colaboradores os colegas assíduos ficam sobrecarregados, pois além de desempenhar as
funções do seu cargo tem de cobrir as atribuições do absenteísta, esse acúmulo de tarefas
resulta num atendimento de qualidade inferior ao munícipe que procura a prefeitura e não se
sente bem acolhido. Comumente ouve-se apelidos pejorativos dados de modo geral aos
servidores públicos.
Pensando na dimensão do problema absenteísmo no serviço público, em um município
de pequeno porte, o caso de Esperança do Sul, onde todos se conhecem, pois a maioria dos
servidores possuem laços familiares, um simples afastamento de licença nojo pode prejudicar o
funcionamento do serviço público, por exemplo, uma pessoa que venha a óbito, irá gerar oito
dias de ausência no trabalho para os servidores que forem seus filhos, irmãos ou seu cônjuge e
ainda dois dias de afastamento para cada sobrinho, tio ou neto.
Nos serviços da educação, quando um professor de determinada área, por exemplo,
matemática, se ausenta do trabalho um docente de outra formação o substitui assumindo uma
matéria que não é de seu domínio, prejudicando assim o seguimento dos conteúdos e o
aprendizado em sala de aula. No caso de um monitor de creche que necessita afastar-se do
serviço irá sobrecarregar o professor responsável pela turma do maternal podendo vir a ocorrer
um acidente com os bebês ou com as crianças da educação infantil que por natureza são
agitadas e curiosas exigindo atenção redobrada.
Na Unidade Básica de Saúde os profissionais de enfermagem possuem múltiplas tarefas
ficando cada um responsável por um setor, como curativos, vacinas, farmácia e verificação dos
sinais vitais, a falta de um desses é suficiente para gerar um transtorno enorme, pois irá atrasar
os atendimentos, além de abalar o estado físico do servidor pontual, também abala seu estado
emocional uma vez que os pacientes por estarem doentes são mais sensíveis, queixosos e
tendem a reclamar do tempo de espera.
Na Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, por exemplo, na ausência do médico
veterinário o agricultor que precisar do seu serviço para atender um animal doente ou em
19

trabalho de parto complicado ficará desassistido ou ainda o abatedouro da cidade ficará parado,
pois só pode trabalhar mediante fiscalização sanitária e com a presença do profissional
registrado no Conselho Regional de Medicina Veterinária.
Na Secretaria de Obras, Trânsito e Viação um operador de máquinas rodoviárias
ausente representa uma retroescavadeira ou uma patrola parada e de outro lado munícipes de
uma localidade que estão ansiosos pela melhoria de suas estradas não somente pelo transporte
próprio, como também para escoar sua produção fonte de renda familiar.
Quanto a Secretaria de Administração, Planejamento e Turismo e a Secretaria de
Fazenda e Finanças, os cargos administrativos são altamente especializados em funções
distintas tais como, recursos humanos, tesouraria, tributação, compras, convênios, licitações,
blocos de produtor rural, empenhos ou assistentes das demais secretarias, onde cada qual possui
rotinas e responsabilidades específicas da divisão em que estão lotados. Assim na ausência de
um desses servidores, um munícipe que vai até a prefeitura seja para buscar uma informação ou
documento, pode perder o tempo de descolamento e ter que retornar num próximo dia, isso se
agrava ainda mais uma vez que a maioria da população reside na área rural e enfrentam
dificuldade de locomoção do interior à sede do Município, pois são poucas as linhas de ônibus.
A escolha do objeto de estudo, o Município de Esperança do Sul, deve-se pelo fato de
fazer parte da história de vida da pesquisadora, pela viabilidade de fácil acesso do local e
disponibilidade de horários onde o processo de coleta de dados se dá no próprio ambiente
natural de vida dos observados.
Segundo consulta a Biblioteca Digital da Unijuí percebe-se que as pesquisas
relacionadas ao tema absenteísmo no serviço público ainda são escassas, a maioria dos
resultados do acervo eletrônico trata da ausência no trabalho dos profissionais de enfermagem
na área da saúde hospitalar.
Até o momento não existia nenhuma pesquisa no Município voltada para o absenteísmo.
Como o tema é de extrema relevância para a organização optou-se por essa pesquisa, a fim de
dar à organização a possibilidade de análise dos resultados do estudo para melhorar as suas
ações podendo vir a por em prática medidas para reduzir o índice de absenteísmo, bem como
previni-lo, a partir da adoção de práticas voltadas para promover o bem-estar de seus
funiconários.
O presente trabalho além de uma realização pessoal de grande importância para a
pesquisadora, também foi uma oportunidade ímpar para adquirir novos conhecimentos teórico-
prático sobre este tema que certamente irá mudar a realidade onde ela vive uma vez que um
terço do tempo do seu dia é dedicado à Esperança do Sul e será uma alegria imensa poder
20

contribuir para a melhoria de vida dos que laboram, residem ali e necessitam de uma forma ou
de outra dos serviços prestados pela Prefeitura.
Também, trouxe importante contribuição para a organização no sentido de gerar
informações que servirão de base para a tomada de decisão, possibilitando manter informados
gestores e servidores a respeito de índices, motivos e variáveis relacionadas ao tema
absenteísmo, tendo em vista sua importância para a gestão de pessoas e a gestão
organizacional.
21

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Gestão Pública: Abordagem Conceitual

A Gestão Pública, constitui um importante segmento da ciência da Administração, é o


planejamento, organização, direção e controle dos serviços públicos, seguindo normas do
direito e da moral, visando ao bem comum.
Para Santos (2006), Gestão Pública refere-se às funções de gerência pública nos
negócios do governo. Meirelles (1985) define Administração Pública como todo o
aparelhamento do Estado, preordenado à realização de seus serviços, visando à satisfação das
necessidades coletivas.
Moreira Neto (2005, p. 88), entende a Administração Pública como ´´o conjunto de
atividades preponderantemente executórias de pessoas jurídicas de Direito Público ou delas
delegatárias, gerindo interesses coletivos, na prossecução dos fins desejados pelo Estado``.
Para Cotrim (2009) a Administração Pública é o conjunto de atividades desempenhadas
ou dirigidas pelas autoridades e pelos órgãos do Estado, com o objetivo formal de promover o
bem comum da coletividade.
Existem várias definições para o termo Administração Pública, com uma diversidade de
sentido muito ampla, porém em todas há a menção do Estado, da coletividade e da gestão. As
organizações públicas no Brasil estão presentes nas três esferas governamentais: municipal,
estadual e federal, representados pelos poderes legislativo, responsável pela criação das leis,
executivo, responsável por executá-las e judiciário, que deve verificar se as leis estão sendo
cumpridas.
O Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, dispõe sobre a organização da
Administração Federal, a qual é dividida em Administração Direta e Administração Indireta. A
Administração Direta se constitui dos serviços integrados na estrutura da Presidência da
República e dos Ministérios. A Administração Indireta compreende as categorias de entidades
dotadas de personalidade jurídica própria, são elas as autarquias, as empresas públicas, as
sociedades de economia mista e as fundações públicas.
O poder legislativo brasileiro na esfera federal é exercido pelo Congresso Nacional,
localizado em Brasília, que, por sua vez, é composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado
Federal. A nível estadual é representado pelas Assembleias Legislativas ou Câmara Legislativa,
caso do Distrito Federal, onde o poder é exercido pelos deputados estaduais. Já na esfera
22

municipal o poder legislativo compreende as Câmaras de Vereadores. Todos os cargos do


poder legislativo são eleitos por voto direto.
O poder executivo no Brasil é composto pelo Presidente da República no âmbito
federal, pelos governadores no âmbito estadual e pelos prefeitos no âmbito municipal. Esses
representantes são eleitos por voto direto majoritário, ou seja, mais de 50% da população.
No âmbito federal o poder judiciário está representado pelas Justiça Federal Comum
(Tribunais Superiores, Regionais e Juízes Federais) e a Justiça Federal Especializada (Justiças
Eleitoral, Militar e do Trabalho). Na esfera estadual o poder judiciário é exercido pelo Tribunal
de Justiça e Juízes Estaduais.

2.1.1 Os Princípios da Administração Pública

O gestor público tem como função gerir, administrar de forma ética, técnica e
transparente a coisa pública, sejam estes órgãos, departamentos ou políticas públicas visando o
bem comum da comunidade a que se destina e em consonância com as normas legais e
administrativas vigentes.
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, aborda a Administração Pública:
´´Art. 37. A Administração Pública Direta e Indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...]`` (BRASIL,
1988).
O princípio da legalidade está fundamentado na Constituição Federal de 1988, art. 5º.
inciso II, e reza ´´ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei``. Na iniciativa privada tudo o que não está proibido é permitido, na gestão
pública tudo o que não está permitido é proibido, sendo assim o gestor está rigidamente preso à
lei e sua atuação deve ser confrontada com a lei.
O princípio da impessoalidade estabelece que a gestão pública não deve conter a marca
pessoal do gestor, ou seja, os atos públicos não são praticados pelo servidor e sim pela
Administração a que ele pertence.
A Impessoalidade determina que o agente público deve ter sua conduta
orientada para o interesse público, em detrimento de interesses particulares,
próprios ou de terceiros, sob pena do ato ser caracterizado pelo desvio de
finalidade, e, portanto, nulo. Assim aqueles que estiverem em situações
idênticas devem receber o mesmo tratamento (CHIAVENATO, 2006, p. 544).
23

Quanto ao princípio da moralidade, a Administração Pública deve agir de acordo com a


moral, isto é, de acordo com a lei. A noção de moral administrativa não está vinculada as
convicções intímas do servidor público, mas sim a noção adequada e ética que existe no grupo
social. Para Chiavenato (2006) ´´A moralidade é percebida no comportamento do bom
administrador. Diante de alternativas possíveis, escolhe aquela que resultará em maior ganho
para a coletividade``.
O princípio da publicidade é requisito da eficácia e moralidade uma vez que é através da
divulgação dos atos da Administração Pública que ficam assegurados o seu cumprimento,
observância e controle. No que trata o art. 5º. inciso XXXIII da Constituição Federal de 1988
´´todos têm direito a receber dos órgão públicos informações de seu interesse particular, ou de
interesse coletivo ou geral, que serão prestados no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado``.
O princípio da eficiência visa aperfeiçoar os serviços prestados pela Administração
Pública buscando otimizar os resultados e atender o interesse público com maiores índices de
adequação, eficácia e satisfação. Este princípio é de suma importância nas mais diversas
atuações da Administração Pública.
Os princípios constitucionais servem de interpretação das demais normas jurídicas
apontando os caminhos que devem ser seguidos pelos aplicadores da lei, eles devem guiar a
busca de soluções práticas para as exigências e anseios da coletividade, exige que a atividade
administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional, em outras
palavras é o alicerce para as ações públicas.

2.1.2 O Gestor Público do Executivo Municipal

A Gestão Pública na esfera municipal ganhou novos contornos a partir da Constiuição


Federal de 1988 uma vez que o poder passou a ser descentralizado deixando de ficar fortemente
concentrado apenas na Capital Federal. A Lei Maior brasileira determinou que os municípios
são entes federativos com autonomia política, normativa, administrativa e financeira, com
competência para resolver problemas de interesse local.
Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 dispõe das competências,
responsabilidades, direitos e obrigações em cada esfera do governo, o que permite uma melhor
repartição dos recursos para o atendimento às demandas da população e efetivação dos direito
da cidadania.
24

No sistema atual de governo, o presidencialismo, o chefe do poder executivo é eleito


para cumprir um mandato e acumula as de chefe de Estado e chefe de governo, estando
representado na menor unidade política-administrativa existente no cargo do Prefeito
Municipal.
O art. 29º da Constituição Federal de 1988 versa sobre a organização dos municípios,
sendo que a eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores será para um mandato de
quatro anos, mediante pleito direto e simultâneo realizado em todo o País. Essa eleição será
realizada no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que
devam suceder. A posse do Prefeito e do Vice-Prefeito se dará no dia 1º de janeiro do ano
subsequente ao da eleição.
Ao tomar posse no cargo o Prefeito e o Vice-Prefeito prestam o compromisso de cumprir
e fazer cumprir a Lei Orgânica Municipal, as Leis da União, do Estado e do Município,
promovendo o bem coletivo e exercendo o mandato sob a inspiração do patriotismo, da
lealdade e da honra.
A gestão dos recursos públicos interfere direta e indiretamente na vida dos cidadãos, de
um lado o município possui competências que dizem respeito ao interesse local e por outro
possui competências comuns ou compartilhadas que são ao mesmo tempo de sua
responsabilidade juntamente com a União e os Estados. O município possui enorme
responsabilidade, a Constituição Federal determina em seu art. 30:
Art. 30. Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas
rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes
nos prazos fixados em lei;
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,
os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que
tem caráter essencial;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,
programas de educação infantil e de ensino fundamental;
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,
serviços de atendimento à saúde da população;
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante
planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo
urbano;
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a
legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.

As principais leis do município a serem observadas pelo seu gestor são a Lei Orgânica
Municipal elaborada pela Câmara de Vereadores, Lei de Estrutura Administrativa da Prefeitura
Municipal, Lei do Plano de Cargos e Carreiras da Prefeitura, Leis de fixação dos subsídios dos
agentes políticos, Código Tributário Municipal, Plano Diretor, Plano Plurianual, Lei de
25

Diretrizes Orçamentárias, Lei Orçamentária Anual, Regime Jurídico dos Servidores Públicos
Municipais e regulamentos.
A Lei Federal nº 4.320, de 17 de março de 1964, estatui as normas gerais de direito
financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços dos municípios e das demais
esferas de governo, trata da lei do orçamento, das receitas e despesas, da proposta orçamentária,
da elaboração da lei de orçamento, do exercício financeiro, dos créditos adicionais, da execução
do orçamento, dos fundos especiais, do controle da execução orçamentária, da contabilidade,
das autarquias e outras entidades e das disposições finais.
A lei citada acima criou as expressões controle interno e controle externo. O controle
interno municipal é aquele exercido pelos poderes Executivo e Legislativo, em razão dos
mandamentos contidos nos arts. 31, 70, 71 e 74 da Lei Maior brasileira. O controle externo é
representado pela Câmara de Vereadores com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado ou
outros órgão afins.
Considerada um divisor de águas na Administração Pública brasileira, a Lei de
Responsabilidade Fiscal, Lei Federal n° 101, de 04 de maio de 2000, alterada pela Lei nº 131,
de 27 de maio de 2009, Lei Capiberibe, constituindo-se no arcabouço jurídico de normas da
administração pública e dispondo sobre transparência, controle e fiscalização no seu capítulo
IX (BRASIL, 2009).
A Lei de Responsabilidade Fiscal, além de tudo, veio consagrar a transparência
da gestão, como um mecanismo de controle social, seja através de publicações
de relatórios, seja por meio de demonstrativos de execução orçamentária
apresentando ao contribuinte a utilização dos recursos que são colocados à
disposição do administrador público (SILVA, 2002, p. 19).

A Lei de Responsabilidade Fiscal trata de normas de finanças públicas voltadas para a


responsabilidade na gestão fiscal, como as relativas ao orçamento, ao gasto público, à prestação
de contas, à receita pública, à renúncia fiscal e ao endividademnto público. É nessa lei que o
gestor do executivo municipal encontra as regras sobre gastos de pessoal e relatórios de gestão.
Outra ferramenta de controle dos gastos públicos é o Portal da Transparência
(www.transparencia.rs.gov.br) criado com a finalidade de atender a crescente demanda da
sociedade por informação sobre Gestão Pública, assim qualquer cidadão pode consultar os
gastos, tranferências de recursos, receitas de todos os municípios do país.
26

2.2 Gestão de Pessoas: Abordagem Conceitual

A gestão de pessoas está intrinsicamente relacionada à área de gestão e busca nos seus
estudos, através de métodos e procedimentos, melhorias para a organização, visando à
conquista dos objetivos.
Para Gil (2001), a gestão de pessoas passa a assumir um papel de liderança para ajudar a
alcançar a excelência profissional necessária para enfrentar desafios competitivos, tais como a
globalização, a utilização das novas tecnologias e a gestão do capital intelectual.
Também deve preocupar-se com a qualidade de vida no trabalho, agregar valor aos
empregados, à empresa e aos clientes, atuar como agente de mudança, reconhecer as pessoas
como parceiras da organização, proporcionar competitividade à organização e manter um
comportamento ético e socialmente responsável.
Na perspectiva de Dutra (2002), gestão de pessoas é um conjunto de políticas e práticas
que permitem a conciliação das expectativas entre as organizações e as pessoas para que ambas
possam realizá-las ao longo do tempo.
Chiavenato (2010) define que gestão de pessoas é a área que constrói talentos por meio
de um conjunto integrado de processos e cuida do capital humano das organizações, o elemento
fundamental do seu capital intelectual e a base do sucesso.

2.2.1 Os Processos de Gestão de Pessoas

Segundo Chiavenato (2008), os seis processos básicos de Gestão de Pessoas são


agregar, aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar pessoas. Todos os processos
estão bastante relacionados entre si, de tal maneira que se interpenetram e se influenciam
reciprocamente.

 Agregar Pessoas
O processo de agregar pessoas é definido por Chiavenato (2008) como o meio utilizado
para incluir novas pessoas na empresa com o objetivo de servir às necessidades
organizacionais. Este processo envolve as atividades de recrutamento e seleção.
No serviço público o preenchimento de vagas de cargos efetivos se dá por meio de
concurso público, onde o edital é publicado na página oficial do munícipio, jornal local e diário
27

oficial do Estado. O concurso de acordo com o art. 37 da Constituição Federal tem validade de
dois anos podendo ser prorrogado por uma vez por igual período.
Os contratos por prazo determinado no Executivo Municipal dependem de projeto de
Lei aprovado pela Câmara de Vereadores, onde consta a justificativa por excepcional interesse
público e a descrição do cargo. A publicidade das vagas ocorre simplesmente pela fixação do
edital no mural da Prefeitura. A seleção se dá por provas objetivas, apresentação de títulos,
entrevista psicológica e prova prática, a critério da Administração Municipal.
Os cargos de comissão que são aqueles criados para atender os encargos de direção,
chefia e assessoramento são de livre nomeação e exoneração a critério do Prefeito Municipal.
Os requisitos básicos para o ingresso no serviço público municipal são ser brasileiro, ter idade
mínima de dezoito anos, estar quite com as obrigações militares e eleitorais e gozar de boa
saúde física e mental.

 Aplicar Pessoas
Chiavenato (2008) define o processo de aplicar pessoas como o meio utilizado para
desenhar as atividades, as quais as pessoas irão realizar na empresa, orientar e acompanhar o
desempenho do profissional. Também envolve o posicionamento das pessoas em seus
respectivos cargos, sua descrição define o que o ocupante faz, quando, como, onde e por que
faz. Sua análise determina as qualidades requeridas.
No serviço público municipal os cargos são criados por lei aprovada pela Câmara de
Vereadores, onde a descrição do cargo traz a denominação própria do cargo, o conjunto de
atribuições e responsabilidades cometidas aos servidores, a carga horária, a retribuição
pecuniária padronizada, o número de vagas criadas e os pré-requisitos.
Após o ato de nomeação o servidor tem prazo para tomar a posse no cargo, ou seja,
assinar um termo aceitando as atribuições, deveres e responsabilidades inerentes ao cargo
público, com o compromisso de bem servir, este documento também é assinado pelo gestor
municipal. Após isso conta o prazo para entrar em exercício, desempenhar efetivamente as
atribuições do cargo. Conforme o Regime Jurídico de Esperança do Sul o prazo para tomar
posse é de dez dias e o prazo para entrar em exercício é de cinco dias.
O servidor nomeado para cargo de provimento efetivo poderá adquirir estabilidade após
três anos de efetivo exercício. O estágio probatório compreende o período de 36 meses, durante
o qual serão avaliados a aptidão, a capacidade e o desempenho do servidor observando quesitos
tais como, assiduidade, pontualidade, disciplina, eficiência, responsabilidade e relacionamento.
28

 Recompensar Pessoas
Em relação aos processos de recompensar pessoas, Chiavenato (2008) define como as
formas utilizadas para incentivar as pessoas e satisfazer suas necessidades individuais, que
incluem recompensas, remuneração e benefícios.
Os critérios para gratificações por tempo de serviço e nível de escolaridade variam de
acordo com o Regime Jurídico de cada município. As principais vantagens e adicionais dos
servidores públicos municipais são o décimo terceiro, o adicional por tempo de serviço, o
adicional pelo exercício de atividades em condições penosas, insalubres ou perigosas, o
adicional noturno e o adicional por formação.

 Desenvolver Pessoas
Os processos de desenvolvimento envolvem o treinamento e o desenvolvimento das
pessoas, programas de mudanças e desenvolvimento de carreiras e programas de comunicações
e consonância.
O capital humano deve ser bem aplicado e desenvolvido. O treinamento é uma
fonte de lucratividade, porque aumenta esse capital. Ele enriquece o patrimônio
humano da organização. Treinamento é um processo sistemático de melhoria
do comportamento das pessoas no alcance dos objetivos organizacionais. O
treinamento e desenvolvimento constituem processos de aprendizagem, isto é,
de alteração comportamental das pessoas por meio de quatro tipos de
mudanças: transmissão de informações, desenvolvimento de habilidades, de
atitudes e conceitos (CHIAVENATO, 2008, p. 357).

Os cursos de qualificação profissional dependem da autorização da Administração


Municipal, em sua maioria as grandes empresas de capacitação e assessoria aos servidores
públicos concentram-se na Capital do Estado, Porto Alegre.
A capacitação faz-se necessária para estar atento as alterações legais a nível estadual e
federal que interferem nos serviços prestados pelo município, estar atualizado sobre as
novidades nas atividades do cargo e assim atender cada vez melhor a população.

 Manter Pessoas
Esse processo visa manter os colaboradores satisfeitos e motivados precisa trabalhar um
conjunto de cuidados especiais como, estilos de gerencia, programas de higiene e segurança do
trabalho que assegurem a qualidade de vida na organização. (CHIAVENATO, 2008).
As organizações devem tratar seus empregados com respeito e oferecer meios de
atender às suas necessidades pessoais e familiares. O desenho de um programa de relações com
empregados deve atender aos objetivos da Administração de Recursos Humanos, dos gerentes
29

de linha e funcionários. As organizações, tanto privadas como públicas devem possuir e


atualizar o Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT), o Perfil
Profissiográfico Previdenciário (PPP) dos seus servidores, bem como controle de recebimento
de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

 Monitorar Pessoas
O processo de monitorar pessoas é definido por Chiavenato (2008) como uma forma
para acompanhar e controlar as atividades das pessoas e verificar resultados, a partir de banco
de dados e sistemas de informações gerenciais.
No serviço público municipal a avaliação dos resultados de cada servidor depende da
organização de cada Administração Municipal, pode haver um sistema instituído ou não. Em
geral as Secretarias Municipais são avaliadas pelo Plano de Ações Anual que é realizado a
partir do Plano Plurianual de Investimentos do Município que abrange o período de quatro
anos. Os servidores são subordinados dos Secretários Municipais e estes prestam conta das
atividades, gastos e fatos ocorridos nas suas secretarias ao Prefeito e Vice-Prefeito.

2.2.2 A Gestão de Pessoas no Serviço Público

A Gestão Pública constitui-se em um conceito jurídico que, somente pode agir e


porduzir efeitos concretos na vida da população, através de pessoas físicas, que agirão em nome
do Estado. O desempenho de uma organização depende das pessoas que a compõe, da forma
como elas estão organizadas, estimuladas e capacitadas, além do ambiente em que trabalham.
A gestão de pessoas no serviço público é o esforço orientado para seleção,
manutenção e desenvolvimento de pessoas, em conformidade com os ditames
constitucionais e legais, observadas as necessidades e condições do ambiente
em que estão inseridas (BERGUE, 2007, p. 18).

Para Di Pietro (2006) são servidores públicos todas as pessoas físicas que prestam
serviços ao Estado e às entidades da Administração Indireta, com vínculo empregatício e
mediante remuneração paga pelos cofres públicos. São classificados em estatutários,
empregados públicos e servidores temporários.
A Constituição Federal de 1988 em seu art. 37, inciso II determina ´´a investidura em
cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de
provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma
30

prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração``.
Os servidores efetivos, aqueles nomeados em concurso público, e os cargos em
comissão, aqueles com atribuições de direção, chefia e assessoramento, se enquadram na
categoria de servidores estatutários que podem tanto estar vinculados ao Regime Geral da
Previdência Social ou ao Regime Próprio de Previdência Privada, dependendo do regime
adotado pelo Município.
Os empregados públicos são aqueles servidores submetidos às regras das Consolidações
das Leis do Trabalho, geralmente compreende os cargos dos agentes comunitários de saúde e
agentes de endemias.
A Constituição Federal em seu art. 37, inciso IX, admite a contração por prazo
determinado para atender as situações temporárias e excepcionais, mas não admite o uso do
servidor temporário para atividades de caráter permanente.
Os agentes políticos são os componentes do governo nos seus primeiros
escalões, investidos em cargos, funções, mandatos ou comissões por
nomeação, eleição, designação ou delegação, para o exercício de atribuições
constitucionais. Nesta categoria encontram-se, na órbita municipal, o chefe do
Executivo (prefeito) e seus auxiliares imediatos (secretários municipais), os
membros do Poder Legislativo (vereadores), os membros dos Tribunais de
Contas (nos municípios onde houver) e demais autoridades que atuem com
independência funcional no desempenho de atribuições constitucionais
(MEIRELLES, 2006, p. 582).
O gestor público ao assumir o cargo deve buscar conhecer o quantitativo, a distribuição
entre os diversos setores, o perfil de competências e o padrão de remuneração dos servidores. O
prefeito tem o poder de nomear livremente os seus secretarios municipais bem como os cargos
em comisssão, quando um destes já exerce um cargo efetivo ele passa a assumir uma função
gratificada de confiança.
Embora os cargos em comisssão sejam de livre nomeação e exoneração o gestor deve
estar atento a Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal de agosto de 2008:
A nomeação do cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou
por afinidade ,até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia o
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou,
ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em
qualquer dos Poderes da União, dos Estados do Distrito Federal e dos
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a
Constituição Federal.
O nepotismo é interpretado como prática de favorecimento a parentes em nomeação de
cargos em comissão e designação para funções de confiança. Segundo os critérios da súmula
vinculante, cônjuges, irmãos, filhos, e tios de gestores públicos são proibidos de assumirem
cargos públicos nas repartições ligadas a eles.
31

2.3 Absenteísmo: Abordagem Conceitual

Na literatura há várias abordagens e definições para a expressão absenteísmo, que


designa as faltas justificadas ou injustificadas das pessoas ao trabalho. A palavra absenteísmo
era aplicada aos proprietários rurais que abandonavam o campo e tendiam a viver nas cidades,
sendo que, com o advento da Revolução Industrial, o termo passou a ser aplicado aos
trabalhadores com tendência a faltar ao serviço (ROCHA, 1981).
De acordo com os diversos autores que tratam do tema absenteísmo, há dois conceitos
distintos. O primeiro tem uma abordagem mais ampla considerando todo tipo de afastamento,
seja justificado por motivo legal ou não, de duração de horas de atraso, saídas intermediárias ou
dias de ausência. O segundo posicionamento considera absenteísmo apenas as licenças e os
afastamentos por motivo de saúde ou acidente de trabalho.
De acordo com Marques Neto (2006), há muito tempo no Antigo Egito os escravos
eram extremamente explorados e não era permitido de maneira alguma faltar ao trabalho e
aqueles que faltavam eram castigados e punidos até a morte.
No contexto atual das organizações em nosso País, após 70 anos da publicação da
Consolidação das Leis do Trabalho, muitos foram os direitos conquistados pelos trabalhadores,
tais como repouso semanal remunerado, férias de 30 dias com acréscimo de 1/3 do salário,
licença maternidade, licença paternidade, faltas ao trabalho nos casos de casamento, doação de
sangue, alistamento eleitoral, morte de parente próximo, doença comprovada por atestado
médico, entre outros.
Ferreira (1986) reportando-se a definição da palavra absenteísmo define com a ausência
habitual do emprego. O absenteísmo é um assunto de interesse crescente devido ao atual
contexto econômico de competitividade, que faz com que as empresas procurem meios para
diminuir sua ocorrência, aumentando a rentabilidade e com isso crescendo de forma sustentada.
Para Chiavenato (1997) o absenteísmo refere-se às ausências nos momentos em que os
empregados deveriam estra trabalhando normalmente. O autor amplia o conceito, considerando
o absenteísmo como o somatório dos períodos em que os empregados ausentam-se do trabalho,
incluindo os atrasos.
Há doenças ocupacionais que causam alterações na saúde do trabalhador, provocadas
por fatores relacionados com o ambiente de trabalho, dos recursos utilizados, do
relacionamento com as pessoas entre outras variáveis. Em relação às doenças, a dor é algo
subjetivo, o comportamento pode variar entre as pessoas, pois uma mesma patologia e com a
32

mesma gravidade, pode motivar ou não um trabalhador a não comparecer ao trabalho. Algumas
vezes a sua ausência independe da sua decisão, como ocorre nas doenças e acidentes graves.
Por outro lado, o absenteísmo pode, também, demonstrar uma rejeição ao trabalho,
insatisfação com o salário, com as políticas da empresa ou com as condições de trabalho. É o
que acontece principalmente nas faltas de pequena duração, e quase sempre próximas de
feriados ou finais de semana (NOGUEIRA, 1980, apud MARQUES NETO, 2006, p. 6).
De acordo com Martins (2005) as organizações públicas apresentam maior quantidade
de dias perdidos por absentismo-doença, bem como um período de afastamento maior do que
as empresas privadas. Isso está intimamente ligado a estabilidade no cargo no serviço público.
O asbsenteísmo torna-se um problema à medida que a sua frequência afeta o
quantitativo de pessoas e consequentemente o reflexo na qualidade do serviço prestado,
refletindo diretamente no aumento da despesa de pessoal. O absenteísmo é considerado como
um grande prejuízo econômico tanto para o trabalhador como para a organização.
Em 2005, no Brasil, mais de um milhão de reais foram aplicados em benefício auxílio-
doença previdenciário, que cobrem os afastamentos do trabalho devido a uma morbidade
declarada. No serviço público federal, as aposentadorias precoces e os afastamentos, naquele
ano, custaram 300 milhões de reais para a União (CUNHA et al., 2009).

2.3.1 Causas

A bibliografia já tornanda pública sobre o tema apresenta duas causas principais para o
problema absenteísmo, a primeira se deve as condições do trabalho, principalmente descritas
em artigos na área de saúde ocupacional, e a segunda causa encontrada é a insatisfação do
trabalho. Estudos revelam que funcionários satisfeitos e comprometidos apresentam índices
mais baixos de absenteísmo.
Para Souto (1980) as causas do absenteísmo podem ser intraorganizações (insatisfação
no trabalho, falta de liderança ou supervisão, quebra de coesão do grupo, tratamento injusto,
doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, entre outros) ou extraorganizações (problemas de
transporte, domésticos, sexo, alcoolismo, doenças contagiosas e por acidentes pessoais em casa
ou lugares públicos).
Souto (1980) destaca ainda, que fatores pessoais podem afetar as ausências não
frequentes do trabalhador através de doença, casamento, nascimento, óbitos familiares, entre
outros de caráter legal descrito na Consolidação das Leis do Trabalho, porém, ausências
33

frequentes de curta duração sugerem grande insatisfação com o trabalho ou problemas pessoais,
os quais o trabalhador não está conseguindo resolver ou se adaptar.
Os motivos mais frequentes do absenteísmo são: doença, que impossibilita a atividade
laboral; problemas de realcionamento com o gestor ou com colega de trabalho; desmotivação
por falta de reconhecimento do valor do trabalho ou de oportunidade de ascenção profissional;
problemas familiares; e outras situações de ordem pessoal (FRANÇA, 2011).
De acordo com Jucius (1979), entre as diversas causas do absenteísmo, as mais
frequentes são:
 As enfermidades, que em alguns casos, chegam a ocupar até 50% nas listas das
causas;
 As doenças ocupacionais que minimizam a produção nas organizações;
 Ás horas de trabalho também contribuem para elevar o índice de absenteísmo, pois,
os funcionários que trabalham além da sua carga horária em atividades repetitivas,
são mais propensos a adquirirem as doenças ocupacionais;
 As más condições de trabalho juntamente com a falta de interesse pelo serviço;
 Os assuntos pessoais, o mau tempo e a falta de transporte;
 A atitude mental do indivíduo que pode ser influenciada por fatores sociais,
econômicos e por diversas opiniões de outras pessoas.
As faltas ao trabalho justificadas por atestado médico nem sempre são representativos
de doenças propriamente ditas, às vezes eles funcionam como álibi para camuflar a causa real
em questão que pode estar relacionada a divergências na empresa ou problemas pessoais.
A falta de reconhecimento do trabalho aparece como uma das principais queixas dos
servidores públicos, sentimento captado por Tavares (2003) na sua pesquisa feita com
servidores do poder judiciário:
A partir da análise das entrevistas, identifica-se que o não-reconhecimento pelo
trabalho compõe-se da ideia segundo a qual o desempenho profissional do
servidor não é considerado institucionalmente de forma suficiente, seja por não
haver a prática cotidiana do retorno da avaliação da qualidade do trabalho, seja
pelo fato de a qualidade do trabalho desenvolvido não ser sistematicamente
levada em conta para promoções ou acréscimos salariais, em um plano de
carreira. Tal aspecto é visto como algo que repercute no bem-estar das pessoas
na medida em que frusta, em variados graus, o desenvolvimento de
potencialidades profissionais individuais e as expectativas em longo prazo e
que não proporciona à pessoa a vivência de ser valorizado por aquilo que faz
(TAVARES, 2003, p. 87).

Reis (et al., 2003) em seu estudo realizado com profissionais de enfermagem, relativo
ao absenteísmo por doença, afirma que existe relação entre afastamento e vínculo empregatício.
Neste estudo, a estabilidade do cargo é um agravante, pois os servidores estáveis sentem-se
34

mais propensos a faltar ao trabalho do que os servidores contrados, os quais temem pela perda
do trabalho.
Há divergências quanto a influência da variável idade uma vez que alguns estudos
trazem o predomínio de afastamentos entre servidores jovens enquanto outros relacionam
índices maiores de ausência devido ao envelhecimento dos servidores.
O fato de as causas do absenteísmo estarem ligadas a múltiplos fatores, faz com que este
problema se torne crucial, complexo e de difícil gerenciamento tanto para as organizações
públicas como privadas.
Quanto às causas decorrentes de doença deve-se identificar se são decorrentes do
trabalho ou não. As que forem atribuídas à atividade profissional devem ser minuciosamente
investigadas para evitar o adoecimento coletivo dos empregados que trabalham nas mesmas
condições.

2.3.2 Classificação

Segundo Otero (1993), a etiologia do absenteísmo é multifatorial , dependendo de sua


origem. Podem ser classificados em fatores dependentes da atividade laboral, perilaborais, do
meio extralaboral, patologias sofridas pelo trabalhador, fatores individuais e fatores
dependentes do sistema administrativo.
Quick e Lapertosa (1982) classificam o absenteísmo em voluntário, compulsório, legal,
por patologia profissional e por doença, que são descritos a seguir:
 Absenteísmo voluntário: refere-se à ausênsia do funcionário por motivos
particulares não justificados por doença e sem amparo legal.
 Absenteísmo compulsório: corresponde à ausência ao trabalho mesmo que o
trabalhador não deseje (por suspensão, por prisão ou por outro motivo que o impeça
de chegar ao trabalho).
 Absenteísmo legal: envolve as faltas ao serviço amparadas por lei ou também
chamadas faltas justificadas como: licença maternidade e paternidade, morte,
doação de sangue, serviço militar, entre outras.
 Absenteísmo por patologia profissional: diz respeito às faltas por doenças
profissionais ou ausências por acidente de trabalho.
35

 Absenteísmo por doença: são consideradas aqui todas as ausências por doença ou
procedimento médico.
Midorikawa (2000) traz outra classificação abordando os aspectos da ausência de
trabalho e o asbsenteísmo de corpo presente:
 Absenteísmo pela falta ao trabalho – tipo I – é representado pela ausência do
servidor ao trabalho, podendo ser medido e ter seu custo calculado. Este tipo leva à
perda de produção das horas não trabalhadas;
 Absenteísmo de corpo presente – tipo II – apesar de não faltar ao trabalho, o
servidor não desenvolve seu melhor desempenho, levando à diminuição na sua
produtividade. Isso ocorre devido ao fato do trabalhador apresentar algum problema
de saúde e não pode ser medido uma vez que o servidor não consegue exercer suas
funções devido a dor.

2.3.3 Consequências

Uma das principais consequências do absenteísmo é o aumento de despesa de pessoal


que reflete nos resultados da organização. Se pensarmos na empresa pública onde os recursos
são oriundos dos impostos pagos pela população isso se agrava ainda mais uma vez que as
licenças remuneradas são pagas pelo cofre público do Município e se encaminhados para
auxílio doença ou acidente de trabalho ficará ao encargo da Previdência Social.
Outra importante consequência do absenteísmo é a diminuição da produtividade
aumentando o custo da produção refletindo no custo final ao consumidor, também diminui o
rendimento do trabalhador e a perda da agilidade do trabalhador com o afastamento.
A orgnização e a sociedade, segundo relatório de absenteísmo da Empresa de Correios e
Telégrafos de 2005, sofrem impactos no seu desenvolvimento e bem estar como mostra o
Quadro 1 - Consequências do Absenteísmo.
36

Quadro 1 - Consequências do Absenteísmo


Quem sofre a consequência Tipo
Sobrecarga de trabalho
Equipe de trabalho Insatisfação (individual e do grupo)
Perda da noção de trabalho em equipe
Menor produtividade
Perda de mercado
Empresa
Maior custo de produção
Prejuízo na imagem institucional
Redução do perído de fruição de férias
devido às faltas injustificadas
Prejuízo na sua imagem pessoal
Empregado Impacto na avaliação de desempenho
Perda de oportunidades e desenvolvimento
Impacto na PLR (participação nos lucros
ou resultados)
Insatisfação
Aumento de reclamações
Clientes
Perda da confiança na empresa
Procura pela concorrência
Redução na renda familiar
Exemplo negativo perante à família
Família Insegurança na possibilidade de perder o
emprego
Doenças de origem psicológicas
Fonte: ECT – Relatório do Absenteísmo (2005).
O absenteísmo pode gerar diversas consequências, não somente na gestão de pessoas,
departamento responsável por gerir e manter os funcionários da melhor maneira possível dentro
do ambiente de trabalho, como nos resultados da organização, relacionamento com os clientes e
familiares dos servidores.
37

2.3.4 Medidas

Visando a redução do nível do absenteísmo e a identificação dos motivos, tem-se


procurado formas alternativas, tais como, aconselhamentos, melhoria das condições do
trabalho, programas de aperfeiçoamentos e política de promoção.
Para Marras (2000), a fórmula utilizada para calcular o índice de absenteísmo é a
seguinte:

Figura 1 - Fórmula do Cálculo do Absenteísmo em Horas

I
Fonte: Marras (2000).
Onde:
Ia = Índice de absenteísmo;
Nhp = número de horas perdidas;
NhP = número de horas planejadas.

Também há outra fórmula apresentada por Marques e Neto (2006) que considera apenas
os afastamentos de dias inteiros:

Figura 2 - Fórmula do Cálculo do Absenteísmo em Dias

Fonte: Marques Neto (2006).

A maioria dos gestores não monitora ou avalia a presença do absenteísmo dentro das
organizações, esses dados são extremamente úteis para a administração gerir seus gastos com
despesa de pessoal e aumentar a satisfação dos seus clientes, seja na empresa privada e
principalmente na pública, onde os recursos são oriundos dos impostos pagos pela população.
38

3. METODOLOGIA

3.1 Classificação da Pesquisa

Sabe-se que há inúmeras tipologias na literatura que trata de pesquisa, contudo para fins
da elaboração deste projeto de pesquisa adota-se classificar o estudo pela sua natureza,
abordagem, objetivos e procedimentos técnicos. Segue-se a base teórica trazida em Teixeira,
Zamberlan e Rasia (2009), sendo todas as citações aqui feitas dessa obra originárias.

3.1.1 Quanto à Natureza

Classificou-se como pesquisa aplicada ao se olhar para a conceituação a seguir,


considerando que vários destes aspectos estão presentes neste estudo.
Visa gerar conhecimentos para aplicação prática voltados à solução de
problemas específicos da realidade. Envolve verdades e interesses locais. A
fonte das questões de pesquisa é centrada em problemas e preocupações das
pessoas e o propósito é oferecer soluções potenciais para os problemas
humanos. A pesquisa aplicada refere-se à discussão de problemas, empregando
um referencial teórico de determinada área de saber, e à apresentação de
soluções alternativas (TEIXEIRA, ZAMBERLAN E RASIA, 2009, p.
112).

A natureza desta pesquisa classificou-se em Aplicada uma vez que teve o objetivo de
gerar conhecimento para aplicação prática, dirigida a solução do problema absenteísmo no
Município de Esperança do Sul.

3.1.2 Quanto à Abordagem

Os autores classificam uma pesquisa quanto à abordagem em quantitativa e qualitativa.


A pesquisa quantitativa considera que tudo pode ser quantificável, o que significa trazer
em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las (TEIXEIRA,
ZAMBERLAN E RASIA, 2009, p. 113). Nesse sentido, foram empregados recursos e técnicas
estatísticas para alcançar os objetivos específicos de conhecer o perfil de todos os servidores da
organização, demonstrar o perfil dos servidores absenteístas e identificar os índices de
39

absenteísmo dos servidores públicos do Município de Esperança do Sul no período de 2010 a


2014.
A pesquisa também foi qualitativa, pois houve uma relação dinâmica entre o mundo real
e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito
que não pode ser trazido em números (TEIXEIRA, ZAMBERLAN E RASIA, 2009, p. 113).
Sendo assim preocupou-se com aspectos da realidade que não podem ser quantificados,
centrando-se na compreensão e explicação do problema absenteísmo para atingir os objetivos
de diagnosticar suas causas, relacionar os índices de absenteísmo com as características
relacionadas ao trabalho e propor recomendações a gestão de pessoas visando à redução do
nível de absenteísmo.

3.1.3 Quanto aos Objetivos

De acordo com as características do presente estudo, este classificou-se como


exploratória e descritiva. De acordo com Teixeira, Zamberlan e Rasia (2009, p. 114) ´´o
objetivo da pesquisa exploratória é investigar uma situação para propiciar aproximação e
familiaridade com o assunto, fato ou fenômeno e com isto gerar maior compreensão a respeito
do mesmo``. A característica desta pesquisa classificou-se em exploratória, pois permitiu
buscar maior familiaridade com o problema absenteísmo no serviço público para torná-lo mais
explícito e melhor conhecê-lo.
Segundo Teixeira, Zamberlan e Rasia (2009, p. 116) ´´a pesquisa descritiva visa a
identificar, expor e descrever os fatos ou fenômenos de determinada realidade em estudo,
características de um grupo, comunidade, população ou contexto social``. Nesse sentido o
presente estudo visou descrever o fenômeno do absenteísmo no serviço público em Esperança
do Sul.

3.1.4 Quanto aos Procedimentos Técnicos

Classificaram-se como pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa


participante. O quadro a seguir (Quadro 2 - Procedimentos Técnicos ou Estratégias de
Pesquisa) mostra a definição dos procedimentos técnicos que foram adotados na pesquisa.
40

Quadro 2 - Procedimentos Técnicos ou Estratégias de Pesquisa


PROCEDIMENTOS TÉCNICOS OU ESTRATÉGIAS DE PESQUISA
Pesquisa Bibliográfica Abrange todo o referencial já tornado público em relação ao tema
de estudo, como publicações avulsas, boletins, jornais, revistas,
livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico, meios
de comunicação orais (rádio e gravações em fita magnética) e
audiovisuais (filmes e televisão) (Lakatos; Marconi, 2002).
Pesquisa Documental De modo geral, são documentos e/ou materiais que ainda não
foram analisados, mas que, de acordo com a questão e objetivos da
pesquisa, podem ter valor científico (Gil, 2002).
Pesquisa Participante Quando se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e
membros das situações investigadas (Gil, 2002, p. 55).
Fonte: Teixeira, Zamberlan e Rasia (2009, p. 118)

Os procedimentos técnicos desta pesquisa classificam-se como bibliográfico por


abranger o referencial teórico já tornado público em relação ao tema de estudo. Documental
porque buscou documentos dentro da empresa, mais precisamente na Divisão de Recursos
Humanos, onde coletou relatórios do sistema de folha de pagamento e dados funcionais que
ainda não foram analisados, porém poderiam ter valor científico. Participante por ser
desenvolvida a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas.

3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral

O universo amostral foi a Prefeitura Municipal de Esperança do Sul, tendo como sujeito
de pesquisa a própria pesquisadora, uma vez que exerce o cargo de escriturária responsável
pela Divisão de Recursos Humanos. O quinquênio de 2010 a 2014 foi escolhido previamente
de forma intencional em função de contemplar dois anos anteriores e posteriores a 2012, onde
houve eleições municipais considerando os três últimos anos de um governo e os dois primeiros
de outro com orientações políticas diferentes.

3.3 Coleta dos Dados

Os dados foram coletados por meio de:


a. Pesquisa bibliográfica em livros, periódicos, sites, monografias, teses e dissertações
com dados pertinentes ao assunto;
41

b. Pesquisa documental nos arquivos disponíveis na Divisão de Recursos Humanos da


Prefeitura Municipal de Esperança do Sul, onde foram encontrados a legislação
básica do município, o quadro de servidores, as pastas funcionais, relatórios do
sistema da folha de pagamento, relatórios de cartão ponto eletrônico, efetividade de
servidores das Escolas Municipais e trabalhadores cedidos para outros órgãos, as
portarias que concedem as licenças e também determinam o desconto em folha de
pagamento dos dias afastados sem a devida autorização do Prefeito Municipal. Na
contagem de dias de ausências não foram considerados os afastamentos de até um
dia uma vez que não geram portarias e seriam de difícil classificação;
c. Pesquisa participante desenvolvida a partir do conhecimento e da observação da
pesquisadora e servidora, já engajada na vida do grupo a ser estudado.

3.4 Análise e Interpretação dos Dados

Após a coleta de dados deu-se a análise e interpretação dos mesmos, que posteriormente
foram transcritos a partir dos resultados encontrados. Os dados foram tratados de forma quanti
qualitativa. Num primeiro momento utilizou-se o programa Microsoft Excel para tabular os
dados coletados relacionados ao perfil dos servidores (idade, gênero, estado civil, filhos,
residência, data de admissão, vínculo empregatício, cargo, secretaria) e os afastamentos (tipo e
duração da ausência mensal e anual de cada servidor) no período que compreende os anos de
2010 a 2014.
Na sequência realizou-se o cálculo do índice de absenteísmo, optou-se pela fórmula
apresentada por Marques e Neto (2006) que considera apenas os afastamentos de dias inteiros,
desconsiderando as ausências de horas e minutos. Neste cálculo também foram
desconsiderados os períodos de férias regulamentares dos servidores públicos do Município de
Esperança do Sul.
Posteriormente os dados foram demonstrados por meio de tabelas e gráficos
relacionando os resultados com os conceitos abordados no referencial teórico, confrontando
com a teoria já estudada, objetivando a compreensão dos principais fatores que interferem nos
níveis de absenteísmo no serviço público em Esperança do Sul.
42

4. RESULTADOS

4.1 Caracterização da Prefeitura Municipal de Esperança do Sul

Esperança do Sul é um município de pequeno porte, situado na região Noroeste do


Estado do Rio Grande do Sul, criado pela Lei Estadual n°. 10.638 de 28 de dezembro de 1995,
possui uma área de 148,379 km² conforme censo apurado pelo IBGE 2010 e conta com uma
população de 3.272 habitantes sendo que destes 844 residem na área urbana e 2428 na área
rural.
Distante a 401 km da Capital, faz divisa ao Norte pelo Rio Turvo com o Município de
Derrubadas, ao Sul com Tiradentes do Sul, ao Leste com seu município-mãe Três Passos e ao
Oeste pelo Rio Uruguai com a República da Argentina.
A origem do nome Esperança possui duas versões, a primeira segundo o depoimento de
descendentes, seria pelo motivo dos colonizadores terem esperança de uma vida melhor, com
grande futuro neste local.
A outra seria porque em 1925, no início da colonização, a Coluna Prestes cruzou essa
localidade e correu a notícia de um possível combate entre os revolucionários e as forças do
governo. A ´´esperança`` era, de que isto não acontecesse e de fato, não aconteceu. Desta
´´esperança`` surge o nome do município. No início chamava-se ´´Vila de Esperança`` e por ser
no Sul, na emancipação passou a Esperança do Sul.
O movimento emancipacionista para ser elevado à categoria de município deu-se em
1993 onde foi formada uma comissão responsável por coletar assinaturas dos eleitores para
assim se credenciar junto à Assembleia Legislativa do Estado. Em 22 de outubro de 1995 foi
realizado o plebiscito de consulta popular da proposta de emancipação sendo a maioria
favorável. Em 28 de dezembro de 1995 ocorreu sua emancipação política administrativa
ficando a 1ª Eleição Municipal marcada para 03 de outubro de 1996.
A prefeitura iniciou suas atividades em 1º de janeiro de 1997, sob inscrição CNPJ
01.613.464/0001-36, com menos de duas décadas de história teve somente três prefeitos:
Romildo Heimburg gestão 1997-2000 e reeleito 2001-2004, Jair Carmo Schmitt gestão 2005-
2008 e reeleito para 2009-2012 e o atual prefeito é Roberto Paulo Albring Prediger gestão
2013-2016.
O prédio da Administração Municipal está localizado na Avenida Rio Branco, 1626,
Centro, conforme pode ser observado na Figura 3 - Fachada da Prefeitura Municipal de
Esperança do Sul. O Município possui hoje 167 servidores públicos, sendo 124 efetivos, 23
43

contratos por prazo determinado e 20 cargos comissionados distribuídos em sua estrutura


administrativa que compreende o Gabinete do Prefeito e as seguintes secretarias:
Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Turismo;
Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente;
Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto;
Secretaria Municipal de Fazenda e Finanças;
Secretaria Municipal de Obras, Trânsito e Viação;
Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social.

Figura 3 - Fachada da Prefeitura Municipal de Esperança do Sul

Fonte: Cedido pela Empresa.

A economia do Município é essencialmente agrícola onde prevalece a agricultura


familiar, baseada em primeiro lugar na suinocultura atendendo a demanda do frigorífico de
Três Passos, seguido da pecuária leiteira que abastece principalmente a Laticínios Santa
Mônica instalado no próprio município e a Cooper Yucumã de Derrubadas, em terceiro lugar
vem à cultura da soja que em sua maioria se destina a Camera Agroalimentos Unidade de Santo
Augusto e ao silo graneleiro Cotricampo Unidade de Três Passos.
Conforme a Lei Orgânica do Município de Esperança do Sul, no que trata o artigo 3º,
seus símbolos são o Hino e o Brasão, representativos de sua cultura e história. A organização
estudada não possui indicadores organizacionais. O Município como todos os outros é regido
44

pela sua Lei Orgânica elaborada pela Câmara de Vereadores respeitando os princípios da
Constituição Federal e da Constituição do respectivo Estado. A Lei supracitada trata da
organização do município e suas competências, do poder legislativo, da administração
financeira, do executivo, da administração municipal, dos conselhos municipais e da ordem
econômica e social.
A receita municipal é constituída dos tributos de competência do Município, da
participação deste em tributos da União e do Estado, das tarifas, ou apreços públicos
municipais, bem como de outros ingressos legalmente permissíveis. No que trata o orçamento
do Município, é realizado o Orçamento Anual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Plano
Plurianual de investimentos do Município que abrange o período de quatro anos.
Com base no planejamento do Plano Plurianual é realizado o Plano de Ações do
Exercício onde cada Secretário Municipal juntamente com os seus subordinados estabelece as
ações a serem executadas para solucionar os problemas, para cada ação é definido quem
executará, quando, os indicadores pelos quais serão avaliados, as metas mensais e o custo.
Os servidores trabalham sob o Regime Estatutário respeitando o Regime Jurídico do
Município que dispõe do provimento e da vacância dos cargos, das mutações funcionais, do
regime de trabalho, dos direitos e das vantagens, do regime disciplinar, da seguridade social, da
contratação temporária por excepcional interesse público e das disposições gerais, transitórias e
finais. Para os professores tem se ainda a Lei do Plano de Carreira do Magistério.

4.2 O Perfil dos Servidores da Prefeitura Municipal de Esperança do Sul

Visando a conhecer o perfil de todos os servidores do Poder Executivo do Município de


Esperança do Sul no período de 2010 a 2014, para fins de levantamento e análise dos dados,
foram considerados os números de vínculos empregatícios e não a quantidade de cadastro de
pessoas físicas empregadas.
Um mesmo servidor pode apresentar mais de um vínculo por ano, como por exemplo,
os professores municipais com duas matrículas, carga horária de 20 horas semanais cada,
representando assim um múltiplo vínculo ou também ocorre de um servidor contratado por
prazo determinado ou cargo comissionado trocar de vínculo passando a efetivo mediante
aprovação em concurso público.
No período de 2010 a 2014 a Prefeitura Municipal apresentou uma média anual de 190
vínculos empregatícios, conforme Tabela 1 - Gênero, Faixa Etária e Residência dos Servidores.
45

Em 2011 apresentou o menor número de vínculos com 186 servidores e em 2013, quando da
troca de gestão política partidária, foi o ano com maior número de servidores com 198 vínculos
empregatícios.

Tabela 1 - Gênero, Faixa Etária e Residência dos Servidores


2010 2011 2012 2013 2014 Média
Ano
N % N % N % N % N % N %
Total 190 100 186 100 187 100 198 100 191 100 190 100
Gênero
Feminino 100 52,6 102 54,8 96 51,3 107 54,0 107 56,0 102 53,8
Masculino 90 47,4 84 45,2 91 48,7 91 46,0 84 44,0 88 46,2
Faixa Etária
Baby Boomers (1948-1963) 47 24,7 41 22,0 37 19,8 36 18,2 30 15,7 38 20,0
Geração X (1964-1977) 76 40,0 72 38,7 78 41,7 73 36,9 72 37,7 74 39,0
Geração Y (1978-1994) 67 35,3 73 39,2 72 38,5 89 44,9 89 46,6 78 41,0
Residência
Bom Progresso 0 0 0 0 1 0,5 1 0,5 1 0,5 1 0,5
Crissiumal 1 0,5 2 1,1 2 1,1 2 1,0 2 1,0 2 1,1
Esperança do Sul 153 80,5 147 79,0 147 78,6 162 81,8 150 78,5 151 79,3
Humaitá 3 1,6 3 1,6 2 1,1 2 1,0 2 1,0 2 1,1
Santo Augusto 2 1,1 1 0,5 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 0,5
Três Passos 31 16,3 33 17,7 35 18,7 31 15,7 36 18,8 33 17,5
Fonte: Pesquisa, 2015.

O gênero predominante nos cinco anos analisados foi o feminino, sendo a média do
quinquênio de 54% dos colaboradores mulheres e 46% homens. Esse resultado está relacionado
principalmente aos cargos da área da educação como professores, serventes de escola e
monitores de creche que tradicionalmente são preenchidos por mulheres e com pouca
representatividade masculina.
Partindo dos dados demográficos no que compreende a variável faixa etária no período
de 2010 a 2014 a geração predominante foi a Geração Y (41%) embora muito próximo do
tamanho do grupo pertencente a Geração X (39%). Os Baby Boomers representam a minoria
(20%) nos cinco anos avaliados. Considerando apenas o último ano analisado percebe-se que a
Geração Y (46,6%) superou a Geração X (37,7%) em aproximadamente 10% o que representa
uma diferença de 17 servidores a mais no primeiro grupo.
De outro lado, a representatividade dos Baby Boomers vem decaindo ano a ano,
possivelmente pelo fato de que a medida que envelhecem aumentam o tempo de contribuição
previdenciária e conquistam suas aposentadorias.
46

Da população pesquisada a maioria residia em Esperançado do Sul (79,3%), seguidos


dos residentes em Três Passos (17,5%) e menor participação de residentes em cidades vizinhas
(3,2%), tais como, Crissiumal, Humaitá, Bom Progresso e Santo Augusto.
A minoria da força de trabalho vinda de municípios vizinhos era representada
principalmente por cargos que exigem formação em nível superior para o exercício do cargo,
como assistente social, enfermeiro, professor de educação física e nutricionista. O mesmo
ocorre com os cargos de fisioterapeuta, médico ginecologista, médico clínico geral, médico
veterinário, odontólogo e psicólogo que exigem ensino superior e estavam preenchidos por
profissionais residentes em Três Passos.
Na sequência da pesquisa, conforme Tabela 2 - Estado Civil e Número de Filhos dos
Servidores; foi identificado o estado civil dos colaboradores, sendo que em todos os anos
analisados a maioria dos servidores eram casados apresentando uma média de 55,5%, seguidos
pelos colaboradores em união estável com 25,7% e solteiros apenas 14,4%, esses dados são
próximos da realidade do último ano analisado.

Tabela 2 - Estado Civil e Número de Filhos dos Servidores


2010 2011 2012 2013 2014 Média
Ano
N % N % N % N % N % N %
Total 190 100 186 100 187 100 198 100 191 100 190 100
Estado Civil
Casado 114 60,0 105 56,5 102 54,5 106 53,5 101 52,9 106 55,5
Divorciado 6 3,2 7 3,8 9 4,8 9 4,5 9 4,7 8 4,2
Solteiro 26 13,7 26 14,0 31 16,6 26 13,1 28 14,7 27 14,4
União Estável 44 23,2 48 25,8 45 24,1 56 28,3 52 27,2 49 25,7
Viúvo 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 0,5 1 0,5 0 0,2
Filhos
Nenhum 46 24,2 41 22,0 41 21,9 45 22,7 51 26,7 45 23,5
De 1 a 2 124 65,3 127 68,3 128 68,4 135 68,2 122 63,9 127 66,8
De 3 a 4 19 10,0 17 9,1 17 9,1 16 8,1 16 8,4 17 8,9
De 5 ou mais 1 0,5 1 0,5 1 0,5 2 1,0 2 1,0 1 0,8
Fonte: Pesquisa, 2015.

A variável seguinte refere-se aos colaboradores possuírem filhos sendo que a maioria
dos servidores possuía de 1 a 2 filhos (66,8%), seguidos daqueles que não tinham filhos
(23,5%) e servidores que possuíam de 3 filhos ou mais (9,7%).
Quanto ao ano de admissão, conforme pode ser observado na Tabela 3 - Ano de
Admissão, Vínculo Empregatício e Secretaria, há uma particularidade uma vez que a Prefeitura
47

de Esperança do Sul iniciou suas atividades em 1997, e alguns professores que lecionavam e
principalmente residiam na até então Vila de Esperança do Sul com vínculo no Município-Mãe,
ou seja, eram concursados em Três Passos, tiveram a opção de ser transferidos como efetivos
para o novo munícipio em virtude da sua emancipação.

Tabela 3 - Ano de Admissão, Vínculo Empregatício e Secretaria


2010 2011 2012 2013 2014 Média
Ano
N % N % N % N % N % N %
Total 190 100 186 100 187 100 198 100 191 100 190 100
Ano de Admissão
Antes de 1997 – emancipação 24 12,6 23 12,4 23 12,3 23 11,6 22 11,5 23 12,1
1997-1999 28 14,7 28 15,1 28 15,0 28 14,1 25 13,1 27 14,4
2000-2002 3 1,6 2 1,1 2 1,1 1 0,5 1 0,5 2 0,9
2003-2005 42 22,1 40 21,5 37 19,8 29 14,6 27 14,1 35 18,4
2006-2008 20 10,5 17 9,1 17 9,1 12 6,1 12 6,3 16 8,2
2009-2011 73 38,4 76 40,9 51 27,3 31 15,7 28 14,7 52 27,2
2012-2014 0 0,0 0 0,0 29 15,5 74 37,4 76 39,8 36 18,8
Vínculo Empregatício
Agente Político 7 3,7 8 4,3 7 3,7 4 2,0 4 2,1 6 3,1
Cargo Comissionado 18 9,5 18 9,7 23 12,3 23 11,6 20 10,5 20 10,7
Efetivo 119 62,6 124 66,7 128 68,4 133 67,2 127 66,5 126 66,3
Contrato Prazo Determinado 46 24,2 36 19,4 29 15,5 38 19,2 40 20,9 38 19,9
Secretaria
Adm., Planejamento e Turismo 13 6,8 16 8,6 18 9,6 15 7,6 13 6,8 15 7,9
Agricultura e Meio Ambiente 10 5,3 10 5,4 9 4,8 16 8,1 15 7,9 12 6,3
Educação, Cultura e Desporto 67 35,3 76 40,9 74 39,6 80 40,4 78 40,8 75 39,4
Fazenda e Finanças 8 4,2 9 4,8 9 4,8 8 4,0 8 4,2 8 4,4
Gabinete do Prefeito 4 2,1 4 2,2 4 2,1 4 2,0 3 1,6 4 2,0
Obras, Trânsito e Viação 29 15,3 29 15,6 32 17,1 30 15,2 25 13,1 29 15,2
Saúde e Assistência Social 59 31,1 42 22,6 41 21,9 45 22,7 49 25,7 47 24,8
Fonte: Pesquisa, 2015.

Os professores transferidos de Três Passos, admitidos antes da emancipação,


representam 12,1% da população estudada; os admitidos entre 1997 e 1999, período no qual
houve o primeiro concurso público, representam 14,4% dos vínculos empregatícios; o triênio
de 2000 à 2002 representa o menor percentual de admitidos com 0,9%; o período de 2003 à
2005 apresentou 18,4% dos admitidos, esse número significativo deve-se ao segundo concurso
público onde foram criados novos cargos efetivos e aumentado o número de vagas dos já
existentes; no triênio de 2006 a 2008 houve o terceiro concurso público, porém os admitidos
nessa época representam apenas 8,2%; o triênio de 2009 à 2011 apresentou o maior número de
48

admissões com 27,2%, nesse período houveram mais dois concursos públicos com abertura de
vagas; e o último período de admissões representa 18,8% dos servidores admitidos.
Na sequência da pesquisa foi identificado o tipo de vínculo empregatício, sendo a
maioria representada por servidores efetivos (66,3%), seguidos dos admitidos por contrato por
prazo determinado (19,9%), em quarto lugar encontra-se os cargos comissionados (10,7%) e
por último os agentes políticos representam o menor grupo (3,1%). Cabe destacar que para fins
de análise dos dados os servidores efetivos com percepção de função gratificada para exercer o
cargo de Secretário Municipal não foram contabilizados como agente político, dando maior
representatividade ao cargo de origem, ou seja, o cargo efetivo.
A secretaria com maior número de servidores lotados foi a Secretaria Municipal de
Educação, Cultura e Desporto com uma média de 39,4% dos vínculos analisados, estes
servidores estão distribuídos entre duas escolas de ensino fundamental, uma creche, um tele
centro e a sede da Secretaria localizada no Centro Administrativo.
A segunda maior secretaria em relação ao número de servidores é a Secretaria de Saúde
e Assistência Social com 24,8% dos vínculos, sendo que esses servidores desempenham suas
atividades junto a unidade Estratégia de Saúde da Família. A terceira maior estrutura
administrativa é a Secretaria Municipal de Obras, Transito e Viação que abrange 15,2% dos
vínculos e possui sede no Parque de Máquinas. As demais Secretarias Municipais abrangem
menor percentual de colaboradores e estão situadas junto ao Centro Administrativo.
Da população pesquisada, foram encontrados mais de 50 cargos distribuído em seis
grandes áreas funções, ou seja, as atividades específicas do cargo se encaixam nas ações dessas
áreas apresentadas na tabela a seguir.

Tabela 4 - Áreas Funções Específicas de Cada Cargo


2010 2011 2012 2013 2014 Média
Ano
N % N % N % N % N % N %
Administração e Finanças 13 6,8 13 7,0 14 7,5 14 7,1 14 7,3 13 6,8
Agricultura 4 2,1 4 2,2 4 2,1 5 2,5 5 2,6 4 2,1
Aposentados 3 1,6 3 1,6 3 1,6 3 1,5 3 1,6 3 1,6
Chefia 25 13,0 26 14,0 30 16,0 27 13,6 24 12,6 27 14,2
Educação 54 28,4 64 34,4 60 32,1 70 35,4 67 35,1 63 33,2
Limpeza 12 6,3 11 5,9 11 5,9 10 5,1 9 4,7 11 5,8
Obras 34 18,0 36 19,0 36 19,0 37 18,7 33 17,3 35 18,4
Saúde 45 23,7 29 15,6 29 15,5 32 16,2 36 18,8 34 17,9
Total 190 100 186 100 187 100 198 100 191 100 190 100
Fonte: Pesquisa, 2015.
49

As atividades de um cargo de servente de escola, por exemplo, são específicas para


atribuições de limpeza e manutenção desempenhadas nas escolas seja de educação de ensino
infantil ou fundamental. Por sua vez, o recurso FUNDEB (Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) que
paga a despesa de pessoal dessa atividade é empenhado exclusivamente dentro da área da
educação.
No mínimo 60% do FUNDEB é destinado para remuneração dos profissionais do
magistério em efetivo exercício na Educação Básica e no máximo 40% para outras ações de
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE).
Há exceções, por exemplo, atualmente uma professora, duas matrículas, 20 horas
semanais cada, recebe uma função gratificada em apenas uma das matrículas para exercer
cumulativamente duas secretarias municipais, sendo responsável pela Secretaria de
Administração, Planejamento e Turismo e também pela Secretaria de Fazenda e Finanças.
Os vencimentos dos professores, a princípio, são pagos com recursos do FUNDEB, mas
no caso citado anteriormente a despesa de pessoal da servidora é transferida para a área onde
ela desempenha suas atividades, no caso a Secretaria de Administração, Planejamento e
Turismo.
De todos os cargos estudados no quinquênio de 2010 a 2014, em média 33,2%
encontravam-se na área da educação. Os estados e municípios devem investir 25% dos
impostos na área da educação, desse modo exige um maior número de pessoas para atender a
essa demanda e garantir uma educação de qualidade.
Seguido da área da educação estão a área das obras e a área da saúde onde cada uma
abrangia aproximadamente 18% dos cargos no período analisado, também possuem outra
característica em comum, atuam diretamente em contato com os munícipes, seja em visita
domiciliar das Equipes de Saúde da Família, retirada de medicamentos na farmácia do
município, deslocamento para consultas de média e alta complexidade ou manutenção de vias
públicas e rurais.
Em quarto lugar está a área dos cargos de chefia presentes em toda estrutura
administrativa do município representando em média 14,2% dos cargos analisados no período
de 2010 a 2014, na sequência estão os cargos específicos da área de administração e finanças
com 6,8%, seguidos da agricultura com 2,1% e os cargos de servidores inativos com 1,6%.
Conforme pode ser observado no Gráfico 1 - Cargos das Áreas da Administração e
Finanças, Agricultura e Aposentados, o município de Esperança do Sul possui quatro cargos
50

específicos da área administrativa e financeira, são eles os cargos de contador, escriturários,


fiscais municipais e tesoureira.

Gráfico 1 - Cargos das Áreas da Administração e Finanças, Agricultura e Aposentados

Fonte: Pesquisa, 2015.

O município de Esperança do Sul possui somente uma contadora, quando da


necessidade de afastamento da pessoa ocupante deste cargo é realizado a nomeação de um
escriturário que também possui formação e registro no conselho de classe para responder
temporariamente pelas atribuições da titular do cargo até o seu retorno. Deste modo dispensa a
necessidade de contratar outra pessoa, o que causaria enormes transtornos devido aos critérios
do processo seletivo onde cada vez poderia ser substituída por um candidatado diferente,
aumentaria as despesas do município e prejudicaria a rotina de trabalho até se adaptar ao cargo.
A Prefeitura de Esperança do Sul possui em média dez escriturários, cada um
responsável por um setor específico, são eles o sistema de controle interno, assessoria de
planejamento, compras e licitações, recursos humanos, empenhos, blocos de produtor rural,
inspetoria veterinária e bolsa família. Uma escriturária está cedida para o escritório da
Emater/RS-ASCAR localizado no centro administrativo e outra para a 2ª Vara Judicial da
Comarca de Três Passos.
O munícipio possui dois fiscais municipais que desempenham suas funções no setor de
tributos e fiscalização. No setor da contabilidade encontram-se a contadora, o escriturário dos
empenhos e a tesoureira, na ausência desta última, o escriturário responsável pelos empenhos é
designado para responder cumulativamente os dois cargos com percepção do auxílio para
diferença de caixa.
51

Quanto a área específica da agricultura há apenas um médico veterinário 20 horas


semanais para atender a demanda de serviços aos agricultores e ao abatedouro municipal, na
sua ausência os munícipes ficam totalmente desassistidos. Esta área função conta ainda com
três técnicos agrícolas, dois lotados na Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e um para
desenvolver atividades agrícolas em conjunto com as escolas da rede municipal de ensino.
O município não possui regime privado de previdência, mas devido a decisão judicial
paga proventos de aposentadoria a três servidoras inativas, sendo elas duas professoras
municipais inativas e uma doméstica inativa.
Na sequência da pesquisa foram estudados os cargos de chefia, de acordo com Gráfico 2
- Cargos da Área Função Chefia, que representavam em média 14,2% dos cargos com
aproximadamente 27 servidores. A maior autoridade da prefeitura está no cargo Prefeito
Municipal que junto com seu vice são os agentes políticos eleitos por voto majoritário para
administrar o município visando o bem comum a toda população.

Gráfico 2 - Cargos da Área Função Chefia

Fonte: Pesquisa, 2015.

Os agentes políticos ocupantes de cargos não eletivos são os secretários municipais


nomeados pelo Prefeito, sendo que Esperança do Sul possui em média 4 secretários no
quinquênio de 2010 a 2014, desconsiderando nesta tabela os servidores efetivos com percepção
de função gratificada para exercer este cargo de secretário.
Até o ano eleitoral de 2012 o município possuía cerca de cinco secretários municipais,
percebe-se que com a troca de gestão houve uma redução nas secretarias respondidas por
pessoas que não pertenciam ao quadro geral de servidores, o que representa uma redução nos
52

pagamentos destes subsídios, uma vez que duas gratificações para servidores efetivos
exercerem o cargo de secretário corresponde a um subsídio de um novo agente político.
Nos cinco anos analisados a Prefeitura teve apenas um assessor jurídico, sendo cargo
comissionado de livre nomeação e exoneração do Prefeito. Os demais cargos comissionados
estão distribuídos em toda a estrutura administrativa num total de 20 servidores em média no
quinquênio de 2010 a 2014, sendo 03 servidores ocupantes do cargo de chefes de setor, 09
coordenadores, 03 diretores e 05 supervisores. Juntos representam aproximadamente 10% de
todos os cargos ocupados no Município de Esperança do Sul.
Curiosamente o ano eleitoral de 2012 apresentou a maior participação de cargos
ocupados nas áreas de chefia abrangendo 16% do quadro geral do Município de Esperança do
Sul com 30 servidores responsáveis pelos cargos de agentes políticos, chefia, direção e
assessoramento.
A grande área da educação é composta pelos monitores de creche, professores e
serventes de escola, conforme mostra o Gráfico 3 - Cargos da Área Função Educação, tendo em
média 63 servidores. A categoria com maior média de colaboradores dentre todas as áreas
específicas dos cargos foram os professores.

Gráfico 3 - Cargos da Área Função Educação

Fonte: Pesquisa, 2015.

O cargo de Professor Nível 1, com formação de magistério possui uma média de 10,4
servidores por ano (5,5%); Professor Nível 2, com ensino superior completo, abrange em média
17,2 professores (9,1%); e Professor Nível 3, com pós-graduação, possui uma média anual de
53

23,2 servidores (12,2%) totalizando uma média de 50,8 professores municipais (26,8%),
aproximadamente um terço dos vínculos analisados no período.
Os monitores de creche, como descrito no próprio nome do cargo, desempenham suas
funções somente na creche municipal, tendo como pré-requisito do cargo a formação em
magistério ou pedagogia. É um cargo recente, criado em 2011, mesmo ano que foi realizado
concurso público para seu provimento, tendo somente servidores nomeados no ano seguinte.
Inicialmente foram criadas duas vagas passando para três após a conclusão da obra da nova
creche municipal.
Os serventes de escola atuam somente na rede municipal de ensino, representam em
média 5,6% da força de trabalho da prefeitura, estão divididos pela carga horária sendo a média
do período de 03 servente para 20 horas semanais e 08 para desempenhar 40 horas semanais.
Segundo o Gráfico 4 - Cargos da Área Função Limpeza e Obras, a área da limpeza
representa em média 5,5% dos cargos ocupados no período de 2010 a 2014. Primeiramente era
preenchida pelos cargos de doméstica e serviços gerais, sendo que o primeiro está vago desde
2010 quando da aposentadoria do ocupante do cargo.

Gráfico 4 - Cargos da Área Função Limpeza e Obras

Fonte: Pesquisa, 2015.

Para suprir a necessidade deste servidor foram criados mais vagas para o cargo de
serviços gerais que desempenham suas funções junto ao centro administrativo, parque de
máquinas e ESF. A Prefeitura Municipal teve em média 02 serviços gerais 20 horas semanais e
09 serviços gerais quarenta horas semanais.
A área função seguinte é as obras com uma média de 35 servidores (18,4%) por ano,
sendo que a maioria estão lotados na Secretaria Municipal de Obras, Trânsito e Viação. Os
54

cargos de motorista e operadores de máquinas juntos representam 12,6% da força de trabalho


do município equivalente a 24 servidores. A maioria dos motoristas prestam serviços de
transporte de pacientes, seguido do transporte escolar e por última direção dos veículos do
parque de máquinas.
Os operadores de máquinas rodoviárias estão distribuídos entre a Secretaria de Obras,
Trânsito e Viação e a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. Os guardas municipais
representam uma média anual de 5 cargos ocupados representando 2,8% de todos os cargos
ocupados no período analisado. Percebe-se um número maior até 2012 uma vez que além de
vigiar o parque de máquinas e o centro administrativo, também eram responsáveis pela
segurança das escolas. Os cargos de provimento efetivo de eletricista, engenheiro civil e
mecânico possuem apenas uma vaga e o cargo de pedreiro duas.
Na sequência da pesquisa, conforme Gráfico 5 - Cargos da Área Função Saúde, foram
identificados os cargos que são específicos da área da saúde que abrange uma grande equipe
multidisciplinar distribuída em 15 cargos distintos, destaca-se que a maioria dos cargos exigem
formação em nível superior e formação em nível técnico.

Gráfico 5 - Cargos da Área Função Saúde

Fonte: Pesquisa, 2015.

A área da saúde possui em média 34 servidores, equivalente a 17,9% do quadro geral do


município, sendo que há maior participação dos agentes comunitários de saúde tendo em média
12 cargos ocupados por ano, e 2010 teve um número maior devido ao término de contrato e
55

nova seleção resultando em duas matrículas para cada vaga. Os demais cargos estão presente
em menor número de vagas sendo uma média de até três servidores por cargo.
Os cargos de assistente social, enfermeiro, fisioterapeuta, médico, médico ginecologista,
médico pediatra, nutricionista, psicólogo e odontólogo que tem como pré-requisito curso de
ensino superior juntos tiveram uma média de 13 servidores por ano. Os cargos de auxiliar de
enfermagem, auxiliar odontológico e técnico de enfermagem exigem formação específica,
juntos representam uma média de 4 servidores por ano.
Os visitadores do programa Primeira Infância Melhor que exigem formação no
magistério tiveram em média 2 servidores por ano, já os agentes da dengue, que do mesmo
modo dos agentes comunitários de saúde exigem formação no ensino médio, também tiveram
em média 2 servidores por ano.
A área da saúde atua diretamente com os munícipes e como seus cargos são altamente
especializados e em pequeno número de vagas cada, a ausência de um deles pode causar
enormes transtorno na rotina do ESF. Já os cargos de agentes comunitários de saúde, agentes da
dengue e visitadores do PIM com menor nível de escolaridade tem suas funções distribuídas
por regiões do município, na ausência de um deles a sua área fica desassistida.

4.3 Os Índices de Absenteísmo no Quinquênio de 2010 a 2014

Em Esperança do Sul a ausência no trabalho está principalmente fundamentada na Lei


Municipal nº. 294 de 02 de setembro de 2002 que dispõe sobre o Regime Jurídico do
Município e dá outras providências, mais precisamente no Título V – Dos Direitos e das
Vantagens, capítulos IV e VI que tratam das licenças e concessões.
De acordo com o artigo 102 da referida Lei, poderá ser concedida licença de até 15 dias,
ao servidor ocupante de cargo efetivo, por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, do
pai ou da mãe, do filho (a) ou enteado (a) e de irmã (o), mediante comprovação médica, cuja
licença não acarretará prejuízo aos vencimentos do servidor.
O artigo seguinte dispõe da licença para o serviço militar, aquela não remunerada
concedida ao servidor ocupante de cargo efetivo que for convocado para o serviço militar ou
outros encargos de segurança nacional.
O servidor ocupante de cargo efetivo tem direito a licença remunerada para concorrer a
mandato eletivo, sendo concedida a partir do registro de sua candidatura perante a Justiça
Eleitoral, até o dia seguinte ao do pleito. O servidor ocupante de cargo comissionado ou
56

contrato por prazo determinado, nesse caso deve desvincular-se do órgão público requerendo
sua exoneração.
Conforme disposto no artigo 105, a critério da administração, poderá ser concedida ao
servidor estável licença sem remuneração para tratar de assuntos particulares pelo prazo de até
dois anos consecutivos, podendo ser interrompida a qualquer tempo, a pedido do servidor ou no
interesse do serviço. Porém não será concedida nova licença interesse antes de completar um
ano de exercício no retorno ao cargo.
O artigo 106 trata da licença não remunerada para desempenho de mandato classista
para desempenho em confederação, federação ou sindicato representativo da categoria.
Somente poderão ser licenciados servidores eleitos para cargos de direção ou representação nas
referidas entidades, até o máximo de três, por entidade.
A licença para servir a outro órgão ou entidades dos Poderes da União, dos Estados e
Municípios poderá ser concedida ao servidor ocupante de cargo efetivo e estável na hipótese de
exercício de função de confiança, nesse caso sem ônus para o munícipio, e também nas
hipóteses de casos previstos em leis específicas e de cumprimento de convênio com ou sem
remuneração, conforme dispuser a lei ou o convênio.
Conforme artigo 108, o servidor poderá sem qualquer prejuízo ausentar-se do serviço
por um dia em cada doze meses de trabalho para doação de sangue e também até um dia para se
alistar como eleitor; até dois dias consecutivos para licença nojo por motivo de falecimento de
avós, sogros, genros e noras, cunhados e tios; e até oito dias consecutivos para licença gala e
licença nojo em virtude de falecimento de cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto,
filhos ou enteados e irmãos.
O artigo seguinte trata da licença para o servidor estudante, que poderá ser concedida
desde que seja exigida a compensação de horários na repartição, respeitando a duração da
jornada semanal do trabalho. Poderá ser concedido horário especial ao servidor estudante
quando comprovada a incompatibilidade entre o horário escolar e o da repartição, desde que
não haja prejuízo ao exercício do cargo e às atividades da administração.
As licenças para tratamento de saúde de até quinze dias ficam ao encargo da Prefeitura,
sendo que os afastamentos superiores a esse período são encaminhados por auxílio-doença a
Previdência Social, que paga o servidor a partir do 16º dia de afastamento do trabalho. O
servidor possui um prazo de cinco dias para requerer a licença mediante atestado médico.
O pagamento do salário-maternidade é feito pelo Município e posteriormente deduzido
na Guia da Previdência Social quando da quitação das contribuições previdenciárias. A Lei
Municipal nº. 294 de 02 de setembro de 200, Título VII -Seguridade Social do Servidor, em sua
57

Sessão III e IV, tratam respectivamente das licenças para tratamento de saúde e licenças à
gestante, adotante e paternidade.
Conforme disposto no artigo 203, a licença à servidora gestante será de 120 dias
consecutivos sem prejuízo da remuneração. A licença deverá ter início entre o primeiro dia do
nono mês de gestação e a data do parto, salvo antecipação por prescrição médica; no caso de
nascimento prematuro, a licença terá início a partir do parto; no caso de natimorto, decorridos
trinta dias do evento, a servidora será submetida a exame médico e, se julgada apta, reassumirá
o exercício; no caso de aborto não criminoso, atestado por médico oficial, a servidora terá
direito a trinta dias de repouso remunerado.
Também terá direito a licença de uma hora por dia para amamentar o próprio filho até
que este complete seis meses de idade e no caso de jornada de dois turnos a referida licença
poderá ser fracionada em duas de meia hora. Se a saúde do filho o exigir, o período de seis
meses poderá ser dilatado, por prescrição médica, em até mais três meses.
A servidora que adotar criança de até um ano de idade serão concedidos noventa dias de
licença remunerada para ajustamento do adotado ao novo lar. No caso de adoção de criança
com mais de um ano até sete anos de idade, o prazo passa a ser de trinta dias. Já a licença
paternidade será de cinco dias consecutivos a contar da data do nascimento do filho, sem
prejuízo da remuneração.
Conforme artigo 98 da Lei Federal 9.504 de 30 de setembro de 1998, os servidores
nomeados para compor as Mesas Receptoras ou Juntas Eleitorais e os requisitados para auxiliar
seus trabalhos são dispensados do serviço, mediante declaração expedida pela Justiça Eleitoral,
sem prejuízo do salário, vencimento ou qualquer outra vantagem, pelo dobro dos dias de
convocação.

4.3.1. Os índices de Absenteísmo em 2010

Em 2010 o Município de Esperança do Sul apresentou 3.626 dias de afastamento do


trabalho que resulta em um índice de absenteísmo de 5,2% considerando 365 dias trabalhados.
Isso representa uma média de 19 dias de ausências no ano para cada um de seus 190 servidores
ou ainda que aproximadamente 10 pessoas não compareceram em nenhum dia ao serviço em
2010, mesmo número de servidores lotados na Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente
nesse período.
58

Considerando os finais de semana, feriados e pontos facultativos decretados no


município reduz-se para 247 dias trabalhados em 2010, sendo assim o índice de absenteísmo
eleva-se para 7,7%. Deste modo, aproximadamente 15 pessoas estiveram ausentes do trabalho
no ano de 2010, essa quantidade de servidores é maior que a soma dos trabalhadores da
Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente junto com o Gabinete que representavam na época
14 servidores ou ainda maior que os 13 servidores lotados na Secretaria de Administração,
Planejamento e Turismo.
Considerando os dados da Tabela 5 - Ausências Mensais em 2010, março é o mês com
maior número de afastamentos, mesmo mês onde se inicia o ano letivo escolar municipal, por
outro lado, o mês com menor número de ausências do trabalho foi janeiro, onde comumente os
servidores estão em gozo de férias, registra-se neste mês apenas licenças de tratamento de
saúde dos servidores.

Tabela 5 - Ausências Mensais em 2010


CE DF FI LM LN LP LTS RCV Total
Mês
N % N % N % N % N % N % N % N % N %
Janeiro 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 200 100 0 0,0 200 100
Fevereiro 0 0,0 10 4,3 0 0,0 20 8,5 2 0,9 5 2,1 198 84,3 0 0,0 235 100
Março 0 0,0 25 6,2 1 0,2 31 7,7 8 2,0 5 1,2 323 80,5 8 2,0 401 100
Abril 0 0,0 2 0,6 0 0,0 30 8,3 24 6,6 0 0,0 307 84,6 0 0,0 363 100
Maio 0 0,0 4 1,1 0 0,0 31 8,8 8 2,3 0 0,0 307 87,0 3 0,8 353 100
Junho 0 0,0 5 1,7 0 0,0 8 2,6 10 3,3 0 0,0 274 90,4 6 2,0 303 100
Julho 1 0,4 0 0,0 0 0,0 0 0,0 2 0,7 0 0,0 265 97,4 4 1,5 272 100
Agosto 5 1,7 9 3,1 0 0,0 0 0,0 16 5,5 0 0,0 256 88,0 5 1,7 291 100
Setembro 4 1,7 8 3,4 0 0,0 0 0,0 2 0,8 0 0,0 215 90,7 8 3,4 237 100
Outubro 5 1,8 10 3,6 0 0,0 10 3,6 4 1,4 0 0,0 250 89,3 1 0,4 280 100
Novembro 14 3,7 15 3,9 0 0,0 30 7,8 18 4,7 5 1,3 295 77,0 6 1,6 383 100
Dezembro 5 1,6 17 5,5 0 0,0 31 10,1 0 0,0 0 0,0 249 80,8 6 1,9 308 100
Total 34 0,9 105 2,9 1 0,0 191 5,3 94 2,6 15 0,4 3139 86,6 47 1,3 3626 100
Legenda: CE, Compensação Folga das Eleições; DF, Doença por Motivo de Pessoa da Família; FI, Falta Injustificada;
LM, Licença Maternidade; LN, Licença Nojo; LP, Licença Paternidade; LTS, Licença para Tratamento de Saúde; RCV,
Representação Câmara de Vereadores.
Fonte: Pesquisa, 2015.

A maioria dos servidores não apresentou nenhum tipo de licença em 2010, sendo 112
(58,9) assíduos e 78 (41,1%) absenteístas. A licença para tratamento de saúde foi a principal
ausência dos servidores públicos de Esperança do Sul representando 86,6% de todos os dias
afastados, totalizando 3.139 dias.
59

Dos servidores enfermos dezesseis, 8,4% da força de trabalho do período, foram


encaminhados para o benefício de auxílio-doença pelo INSS somando 2.897 dias (92,3%) e
40, 21,1% dos servidores, tiveram licença para tratamento de saúde de curta duração, ou seja,
de até 15 dias, representando 242 dias (7,7%) sendo remuneradas pelo município.
Em alguns casos ocorre dos servidores enfermos encaminhados para o benefício de
auxílio doença também apresentar afastamento médico de curta duração, seja anterior ou
posterior a data do benefício, podendo ser tanto da mesma especialidade médica, como não.
Sendo assim, das 53 matrículas que se ausentaram do trabalho para licença de
tratamento de saúde, 03 matrículas apresentaram tanto atestados médicos de curta duração,
como benefício de auxílio doença.
O mês de fevereiro apresentou o menor número de dias (198) de licenças para
tratamento de saúde, mês de menor duração do ano com 28 dias, exceto em anos bissextos,
onde é adicionado um dia a este mês. Todavia, o mês seguinte, março, apresentou o maior
número de dias de licença médica (323).
De acordo com a tabela 6 - Motivos das Ausências em 2010, o segundo maior motivo
de ausência no período analisado também é um auxílio previdenciário, a licença maternidade
sendo concedida a 02 servidoras gestantes, uma a partir do mês de fevereiro e a outra de
outubro, representando 5,3 % dos dias afastados, totalizando 191 dias não trabalhados.

Tabela 6 - Motivos das Ausências em 2010


Dias Ausentes Matrículas
Motivo da Ausência
N % N %
Licença Tratamento de saúde 3.139 86,6 53 27,9
Licença Maternidade 191 5,3 2 1,1
Doença Por Motivo Pessoa da Família 105 2,9 21 11,1
Licença Nojo 94 2,6 15 7,9
Representação Câmara de Vereadores 47 1,3 2 1,1
Compensação Folga das Eleições 34 0,9 11 5,8
Licença Paternidade 15 0,4 3 1,6
Fala Injustificada 1 0,0 1 0,5
Total 3.626 100,0 190 100,0
Fonte: Pesquisa, 2015.

As demais licenças representam apenas 8,1% das ausências abrangendo 296 dias não
trabalhados, estando em terceiro lugar com 105 dias (2,9%) a licença por motivo de
acompanhamento de pessoa da família concedida a 21 servidores, o que resulta numa média de
05 dias de licença para cada um destes servidores. Percebe-se que nos meses de janeiro e julho
60

de 2010 não houve a presença deste tipo de afastamento, meses de férias e recesso escolar,
entretanto, o maior índice de absenteísmo por tratamento de saúde de pessoa da família ocorreu
em março, mesmo mês que inicia o ano letivo escolar e são realizadas capacitações aos
profissionais da área da educação.
A licença nojo compreende 94 dias representando apenas 2,6% dos dias de absenteísmo,
porém ocorre de um óbito gerar esse tipo de licença a mais de um servidor, como por exemplo
no mês de agosto o falecimento de um pai de dois servidores gerou oito dias de licença para
cada um deles, ficando os dois ausentes no mesmo período.
Em 2010 dois servidores efetivos desempenhavam mandato de vereador em Esperança
do Sul, seus afastamentos para representar a Câmara de Vereadores totalizaram 47 dias, 1,3%
do absenteísmo do período, determinando uma média anual de 23,5 dias e média mensal de
1,96 dias ausentes para cada um deles. Na maioria dos casos estes servidores se afastavam dos
cargos no mesmo período.
Quanto a folga para compensar o trabalho nas eleições foi concedida a onze servidores
totalizando 34 dias equivalente a 0,9% do absenteísmo do ano de 2010. Percebe-se que no
primeiro semestre não ocorreu nenhum dia de ausência no trabalho por este motivo e de outro
lado o mês de novembro apresentou o maior número de dias de folga por compensação do
trabalho nas eleições.
Apenas três servidores apresentaram licença paternidade com duração de cinco dias
para cada um, representando 0,4% do absenteísmo, os afastamentos ocorreram em meses
distintos, fevereiro, março e novembro. Em 2010, do total de 3.626 dias de ausência, somente
uma deve-se a falta injustificada ao trabalho, registrada no mês de março, onde um servidor
faltou ao serviço público sem a autorização do Prefeito.

4.3.2 Os índices de Absenteísmo em 2011

Em 2011, o Município de Esperança do Sul apresentou 3.447 dias de afastamento do


trabalho que resulta em um índice de absenteísmo de 5,1% considerando 365 dias trabalhados,
praticamente igual ao nível do ano anterior. Isso representa uma média de 18,5 dias de
ausências no ano para cada um de seus 186 servidores ou ainda que aproximadamente 9
pessoas não compareceram em nenhum dia ao serviço em 2011, mesmo número de servidores
lotados na Secretaria de Fazenda e Finanças.
61

Considerando os finais de semana, feriados e pontos facultativos decretados no


município reduz-se para 245 dias trabalhados em 2011, sendo assim o índice de absenteísmo
eleva-se para 7,6%. Deste modo, aproximadamente 14 pessoas estiveram ausentes do trabalho
no ano, essa quantidade de servidores é igual à soma dos trabalhadores da Secretaria de
Agricultura e Meio Ambiente junto com o Gabinete.
Considerando os dados da Tabela 7 - Ausências Mensais em 2011, março é o mês com
maior número de afastamentos, mesmo mês que se inicia o ano letivo escolar municipal, de
outro lado está o mês de julho com menor número de ausências no trabalho, mês onde também
ocorre o período de recesso escolar na rede municipal de ensino.

Tabela 7 - Ausências Mensais em 2011


CE DF LG LI LM LN LP LTS RCV Total
Mês
N % N % N % N % N % N % N % N % N % N %
Janeiro 5 0,1 2 0,1 3 0,1 0 0,0 31 0,9 8 0,2 0 0,0 256 7,43 0 0,0 305 8,8
Fevereiro 2 0,1 8 0,2 5 0,1 22 0,6 37 1,1 0 0,0 0 0,0 227 6,59 0 0,0 301 8,7
Março 3 0,1 17 0,5 0 0,0 20 0,6 31 0,9 2 0,1 0 0,0 274 7,95 3 0,1 350 10,2
Abril 5 0,1 2 0,1 0 0,0 0 0,0 30 0,9 8 0,2 0 0,0 248 7,19 3 0,1 296 8,6
Maio 8 0,2 2 0,1 0 0,0 0 0,0 31 0,9 0 0,0 0 0,0 210 6,09 0 0,0 251 7,3
Junho 2 0,1 4 0,1 0 0,0 0 0,0 33 1,0 14 0,4 5 0,1 159 4,61 7 0,2 224 6,5
Julho 6 0,2 2 0,1 0 0,0 0 0,0 31 0,9 0 0,0 5 0,1 168 4,87 0 0,0 212 6,2
Agosto 1 0,0 13 0,4 0 0,0 0 0,0 31 0,9 8 0,2 5 0,1 219 6,35 4 0,1 281 8,2
Setembro 4 0,1 24 0,7 0 0,0 0 0,0 31 0,9 0 0,0 5 0,1 245 7,11 0 0,0 309 9,0
Outubro 2 0,1 13 0,4 0 0,0 0 0,0 3 0,1 3 0,1 0 0,0 304 8,82 6 0,2 331 9,6
Novembro 2 0,1 15 0,4 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 0,0 0 0,0 244 7,08 2 0,1 264 7,7
Dezembro 2 0,1 8 0,2 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 313 9,08 0 0,0 323 9,4
Total 42 1,2 110 3,2 8 0,2 42 1,2 289 8,4 44 1,3 20 0,6 2867 83,2 25 0,7 3447 100
Legenda: CE, Compensação Folga das Eleições; DF, Doença por Motivo de Pessoa da Família; LG, Licença Gala; LI,
Licença Interesse; LM, Licença Maternidade; LN, Licença Nojo; LP, Licença Paternidade; LTS, Licença para Tratamento
de Saúde; RCV, Representação Câmara de Vereadores.
Fonte: Pesquisa, 2015.

A maioria dos servidores não apresentaram nenhum tipo de licença em 2011, sendo 110
(59,1%) assíduos e 76 (40,9%) absenteístas. A licença para tratamento de saúde também foi a
principal ausência dos servidores públicos de Esperança do Sul representando 83,2% de todos
os dias afastados, totalizando 2.867 dias. Percebe-se que houve uma redução dos totais de dias
afastados quando comparado ao ano anterior.
Dos servidores enfermos 15, 8,1% da força de trabalho de 2010, foram encaminhados
para o benefício de auxílio-doença pelo INSS somando 2.547 dias (88,8%) e 42 servidores,
22,6% dos funcionários, apresentaram licença para tratamento de saúde de curta duração, ou
62

seja, de até 15 dias, representando 320 dias (11,2%) sendo remuneradas pelo município. O mês
de junho apresentou o menor número de dias de licenças para tratamento de saúde (159) e o
mês de dezembro apresentou o maior número de dias de licença médica (313).
De acordo com a Tabela 8 - Motivos das Ausências em 2011, o segundo maior motivo
de ausência no período analisado também é um auxílio previdenciário, a licença maternidade
que foi concedida a três servidoras gestantes representando 8,4% dos dias afastados, totalizando
289 dias não trabalhados. Uma licença maternidade teve início em outubro de 2010 e as demais
foram concedidas em 2011.

Tabela 8 - Motivos das Ausências em 2011


Dias Ausentes Matrículas
Motivo da Ausência
N % N %
Licença Tratamento de saúde 2.867 83,2 52 28,0
Licença Maternidade 289 8,4 3 1,6
Doença Por Motivo Pessoa da Família 110 3,2 19 10,2
Licença Nojo 44 1,3 12 6,5
Licença Interesse 42 1,2 1 0,5
Compensação Folga das Eleições 42 1,2 8 4,3
Representação Câmara de Vereadores 25 0,7 2 1,1
Licença Paternidade 20 0,6 4 2,2
Licença Gala 8 0,2 1 0,5
Total 3.447 100,0 186 100,0
Fonte: Pesquisa, 2015.

As demais licenças representam apenas 8,4% das ausências abrangendo 291 dias não
trabalhados, estando em terceiro lugar com 110 dias a licença por motivo de acompanhamento
de pessoa da família concedida a 19 servidores, equivalente a 10,2% da força de trabalho da
Prefeitura Municipal de Esperança do Sul, o que resulta numa média de seis dias de licença
para cada um deles. Percebe-se que no primeiro semestre de 2011 ocorreu o menor número de
afastamentos por motivo de tratamento de pessoa da família (31,8%) quando comparado com o
segundo semestre (68,2%).
A licença nojo compreende 44 dias representando apenas 1,3% dos dias de absenteísmo,
foi concedida a 12 servidores, 6,5% da força de trabalho do ano. O índice de absenteísmo por
licença nojo reduziu pela metade se comprado ao ano de 2010, revelando que houve menor
número de óbitos de familiares dos servidores.
Em quinto lugar está a licença para tratar de interesses particulares que foi concedida a
um servidor no mês fevereiro sendo interrompida no mês seguinte, num total de 42 dias,
63

representando 1,2% do absenteísmo do período analisado. Quanto a folga para compensar o


trabalho nas eleições foi concedida a oito servidores, 4,3% da força de trabalho do período,
totalizando 42 dias de ausências, aproximadamente 05 dias de folga para cada um.
Os dois servidores vereadores se afastaram 25 dias para representar a Câmara de
Vereadores, período equivalente a 0,7% do absenteísmo de 2011, tendo em média 12,5 dias
para cada, aproximadamente a metade das ausências do ano anterior.
Quatro servidores apresentaram licença paternidade, sendo de cinco dias para cada um
deles representando 0,6% do absenteísmo do período. Apenas um servidor teve licença gala de
08 dias sendo concedida no final do mês de janeiro e término em início de fevereiro,
equivalente a 0,2% de todos os dias ausentes em 2011.

4.3.3 Os índices de Absenteísmo em 2012

No terceiro ano analisado, o Município de Esperança do Sul apresentou 5.115 dias de


afastamento do trabalho que resulta em um índice de absenteísmo de 7,5% considerando 365
dias trabalhados. Isso representa uma média de 27,4 dias de ausências no ano para cada um de
seus 187 servidores ou ainda que 14 pessoas não compareceram em nenhum dia ao serviço em
2012, número superior à soma dos 9 servidores lotados na Secretaria de Fazenda e Finanças e
dos 4 servidores do Gabinete do Prefeito.
No ano eleitoral de 2012, onde foram eleitos os prefeitos e vereadores de todas as
cidades do Brasil, os servidores públicos do Município de Esperança do Sul além de gozar as
férias regulamentares, tiveram em média 27,4 dias ausentes, ou seja, ficaram afastados do
trabalho em aproximadamente dois meses de trabalho durante o ano todo.
Considerando os finais de semana, feriados e pontos facultativos decretados no
município reduz-se para 245 dias trabalhados em 2012, sendo assim o índice de absenteísmo
eleva-se para 11,2%. Deste modo, 21 pessoas estiveram ausentes do trabalho no ano, esse
número é superior aos 18 servidores da Secretaria de Administração, Planejamento e Turismo.
Considerando os dados da Tabela 9 - Ausências Mensais em 2012, agosto é o mês com
maior número de afastamentos, devido ao grande número de licenças para tratamento de saúde
e licença para concorrer a cargo eletivo e o mês com menor número de ausências do trabalho
foi janeiro onde comumente os servidores estão em gozo de férias.
64

Tabela 9 - Ausências Mensais em 2012


CE DF HE LCE LG LM LN LP LTS RCV Total
Mês
N % N % N % N % N % N % N % N % N % N % N %
Janeiro 0 0,0 5 0,1 0 0,0 0 0,0 8 0,2 0 0,0 2 0,0 0 0,0 285 5,6 0 0,0 300 5,9
Fevereiro 0 0,0 17 0,3 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 6 0,1 0 0,0 291 5,7 3 0,1 317 6,2
Março 5 0,1 8 0,2 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 12 0,2 0 0,0 305 6,0 0 0,0 330 6,5
Abril 2 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 27 0,5 0 0,0 306 6,0 6 0,1 341 6,7
Maio 0 0,0 6 0,1 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 9 0,2 5 0,1 314 6,1 0 0,0 334 6,5
Junho 2 0,0 15 0,3 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 312 6,1 0 0,0 329 6,4
Julho 0 0,0 2 0,0 0 0,0 234 4,6 0 0,0 0 0,0 10 0,2 0 0,0 336 6,6 0 0,0 582 11,4
Agosto 4 0,1 13 0,3 0 0,0 279 5,5 0 0,0 0 0,0 2 0,0 5 0,1 364 7,1 0 0,0 667 13,0
Setembro 1 0,0 40 0,8 5 0,1 270 5,3 0 0,0 0 0,0 12 0,2 0 0,0 323 6,3 0 0,0 651 12,7
Outubro 19 0,4 16 0,3 0 0,0 63 1,2 0 0,0 6 0,1 0 0,0 0 0,0 409 8,0 0 0,0 513 10,0
Novembro 2 0,0 7 0,1 3 0,1 0 0,0 0 0,0 30 0,6 8 0,2 0 0,0 336 6,6 0 0,0 386 7,5
Dezembro 6 0,1 11 0,2 0 0,0 0 0,0 0 0,0 31 0,6 0 0,0 0 0,0 317 6,2 0 0,0 365 7,1
Total 41 0,8 140 2,7 8 0,2 846 16,5 8 0,2 67 1,3 88 1,7 10 0,2 3898 76,2 9 0,2 5115 100
Legenda: CE, Compensação Folga das Eleições; DF, Doença por Motivo de Pessoa da Família; HE, Horas Afastadas para
Estudo; LCE, Licença Para Concorrer a Cargo Eletivo; LG, Licença Gala; LM, Licença Maternidade; LN, Licença Nojo; LP,
Licença Paternidade; LTS, Licença para Tratamento de Saúde; RCV, Representação Câmara de Vereadores.
Fonte: Pesquisa, 2015.

A maioria dos servidores apresentou algum tipo de licença em 2012, sendo 94 (50,3%)
absenteístas e 93 (49,7%) assíduos. A licença para tratamento de saúde também foi a principal
causa da ausência dos servidores públicos de Esperança do Sul representando 76,2% de todos
os dias afastados, totalizando 3.898 dias.
Dos servidores enfermos 18, 9,6% da força de trabalho, foram encaminhados para o
benefício de auxílio-doença pelo INSS somando 3.439 dias (88,2%) e 48 servidores, 25,7% dos
funcionários, tiveram licença para tratamento de saúde de curta duração, ou seja, de até 15 dias,
representando 459 dias (11,8%) sendo remuneradas pelo município.
No mês de outubro foi registrado o maior número de atestados médicos com 409 dias de
ausência de servidores doentes, representando 8% de todos os afastamentos do ano. Já o mês de
janeiro apresentou o menor número de licenças para tratamento de saúde com 285 dias. Em
média ocorreram aproximadamente 325 dias mensais de ausências por atestados médicos, ou
seja, mais de 10 servidores não comparecem a nenhum dia de trabalho por estarem enfermos.
De acordo com a Tabela 10 - Motivos das Ausências em 2012, o segundo maior motivo
de ausência foi a licença para concorrer a mandato eletivo que foi concedida a 09 servidores,
4,8% da força de trabalho da Prefeitura Municipal, ficando ausente do trabalho por um período
de 94 dias cada, tendo início no registro da candidatura no mês de julho e término no dia
seguinte ao das eleições no mês de outubro.
65

Tabela 10 - Motivos das Ausências em 2012


Dias Ausentes Matrículas
Motivo da Ausência
N % N %
Licença Tratamento de saúde 3.898 76,2 64 34,2
Licença Para Concorrer a Cargo Eletivo 846 16,5 9 4,8
Doença Por Motivo Pessoa da Família 140 2,7 20 10,7
Licença Nojo 88 1,7 23 12,3
Licença Maternidade 67 1,3 1 0,5
Compensação Folga das Eleições 41 0,8 10 5,3
Licença Paternidade 10 0,2 2 1,1
Representação Câmara de Vereadores 9 0,2 2 1,1
Horas Afastadas Para Estudo 8 0,2 1 0,5
Licença Gala 8 0,2 1 0,5
Total 5.115 100,0 187 100
Fonte: Pesquisa, 2015.

A licença para acompanhar pessoa da família por motivo de doenças foi a terceira maior
causa das ausências totalizando 140 dias, 2,7% do absenteísmo do período, sendo concedida a
20 servidores, equivalente a 10,7% da força de trabalho, resultando numa média de sete dias de
afastamento por doença de pessoa da família para cada um.
Percebe-se que no primeiro semestre de 2012 ocorreu o menor número de afastamentos
por motivo de tratamento de pessoa da família compreendendo 51 dias (36,4%) quando
comparado com o segundo semestre que apresentou 89 dias (63,6%).
A licença nojo abrange 88 dias de ausência representando apenas 1,7% dos dias de
absenteísmo. Observa-se que no mês de abril houve um maior número de registro dessa licença
que é concedida de 2 e 8 dias, isso explica-se pelo óbito um munícipe que era pai de uma
professora duas matrículas, sogro de um motorista e tio de outra professora e um escriturário. A
licença nojo foi concedida a 23 servidores, 12,3% da força do trabalho da Prefeitura Municipal
de Esperança do Sul.
A licença maternidade foi concedida a uma servidora com início no mês de outubro
representando 1,3 % dos dias afastados, totalizando 67 dias não trabalhados. Na sequência está
a folga para compensar o trabalho nas eleições que foi concedida a 10 servidores totalizando 41
dias representando 0,8% dos dias não trabalhados, sendo aproximadamente 04 dias de folga
para cada um.
Percebe-se que no primeiro semestre de 2012 ocorreu o menor número de afastamentos
por motivo de folga por compensação de trabalho nas eleições com apenas 09 dias (22%)
66

quando comparado com o segundo semestre que apresentou 32 dias de folga (78%). Somente
no mês de outubro foram registrados 19 dias de folga (46,3%).
A licença paternidade foi concedida a dois servidores, uma no mês de maio e a outra em
agosto, sendo 05 dias de licença para cada um deles representando apenas 0,2% do absenteísmo
do ano eleitoral de 2012.
Os dois servidores vereadores se afastaram por um período de nove dias para
representar a Câmara de Vereadores, equivalente a 0,2% de todas as ausências do ano.
Observa-se que houveram afastamentos deste tipo apenas nos meses anteriores ao registro de
candidatura a mandato eletivo uma vez que os dois também se afastaram para novamente
concorrer a um novo mandato eleitoral.
Um servidor se afastou oito dias para fins de estudo e outro servidor se ausentou por
igual período para licença gala, cada um destes motivo representam 0,2% do absenteísmo de
2012 que totalizou em 5.115 dias de ausências no trabalho.

4.3.4 Os índices de Absenteísmo em 2013

Em 2013, o Município de Esperança do Sul apresentou 4.784 dias de afastamento do


trabalho que resulta em um índice de absenteísmo de 6,6% considerando 365 dias trabalhados.
Isso representa uma média de 24,2 dias de ausências no ano para cada um de seus 198
servidores ou ainda que 13 pessoas não compareceram em nenhum dia ao serviço em 2013,
número superior à soma dos 8 servidores lotados na Secretaria de Fazenda e Finanças e dos 4
servidores do Gabinete do Prefeito.
No ano de 2013, onde houve troca de gestores, primeiro ano de mandato do novo
prefeito, os servidores públicos do Município de Esperança do Sul além de gozar as férias
regulamentares, tiveram em média 54,2 dias ausentes, ou seja, ficaram afastados do trabalho
em aproximadamente dois meses de trabalho durante o ano todo.
Considerando os finais de semana, feriados e pontos facultativos decretados no
município reduz-se para 247 dias trabalhados em 2013, sendo assim o índice de absenteísmo
eleva-se para 9,8%. Deste modo, aproximadamente 19,4 pessoas estiveram ausentes do
trabalho no ano, esse número é equivalente a soma dos 15 servidores da Secretaria Municipal
de Administração, Planejamento e Turismo com os 04 servidores lotados no Gabinete do
Prefeito
67

Considerando os dados da Tabela 11 - Ausências Mensais em 2013, setembro é o mês


com maior número de afastamentos, 500 dias, e janeiro o mês com menor número de ausências
do trabalho, 254 dias, mesmo mês onde comumente os servidores estão em gozo de férias.

Tabela 11 - Ausências Mensais em 2013


CE DF FI LI LM LN LP LTS RCV Total
Ano
N % N % N % N % N % N % N % N % N % N %
Janeiro 1 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 31 0,6 0 0,0 0 0,0 222 4,6 0 0,0 254 5,3
Fevereiro 2 0,0 10 0,2 0 0,0 0 0,0 22 0,5 8 0,2 1 0,0 219 4,6 0 0,0 262 5,5
Março 0 0,0 10 0,2 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 299 6,3 3 0,1 312 6,5
Abril 1 0,0 5 0,1 0 0,0 14 0,3 42 0,9 12 0,3 0 0,0 323 6,8 0 0,0 397 8,3
Maio 0 0,0 16 0,3 0 0,0 31 0,6 62 1,3 12 0,3 5 0,1 283 5,9 0 0,0 409 8,5
Junho 0 0,0 10 0,2 0 0,0 30 0,6 60 1,3 8 0,2 0 0,0 302 6,3 0 0,0 410 8,6
Julho 2 0,0 14 0,3 0 0,0 31 0,6 62 1,3 3 0,1 0 0,0 314 6,6 0 0,0 426 8,9
Agosto 0 0,0 12 0,3 0 0,0 31 0,6 39 0,8 13 0,3 0 0,0 345 7,2 0 0,0 440 9,2
Setembro 0 0,0 16 0,3 0 0,0 30 0,6 73 1,5 0 0,0 5 0,1 373 7,8 3 0,1 500 10,5
Outubro 0 0,0 4 0,1 0 0,0 31 0,6 93 1,9 0 0,0 0 0,0 353 7,4 0 0,0 481 10,1
Novembro 0 0,0 5 0,1 0 0,0 60 1,3 90 1,9 0 0,0 0 0,0 295 6,2 0 0,0 450 9,4
Dezembro 0 0,0 19 0,4 5 0,1 62 1,3 85 1,8 8 0,2 0 0,0 264 5,5 0 0,0 443 9,3
Total 6 0,1 121 2,5 5 0,1 320 6,7 659 13,8 64 1,3 11 0,2 3592 75,1 6 0,1 4784 100
Legenda: CE, Compensação Folga das Eleições; DF, Doença por Motivo de Pessoa da Família; FI, Falta Injustificada; LI,
Licença Interesse; LM, Licença Maternidade; LN, Licença Nojo; LP, Licença Paternidade; LTS, Licença para Tratamento de
Saúde; RCV, Representação Câmara de Vereadores.
Fonte: Pesquisa, 2015.

A maioria dos servidores não apresentaram ausências no trabalho em 2013, sendo 106
(53,5) assíduos e 92 (46,5%) absenteístas. A licença para tratamento de saúde também foi a
principal ausência dos servidores públicos de Esperança do Sul representando 75,1% de todos
os dias afastados, totalizando 3.592 dias.
Dos servidores enfermos 17, 8,6% da força de trabalho, foram encaminhados para o
benefício de auxílio-doença pelo INSS somando 3.172 dias (88,3%) e 59 servidores, 29,8%
dos funcionários, tiveram licença para tratamento de saúde de curta duração, ou seja, de até 15
dias, representando 420 dias (11,7%) sendo remuneradas pelo município.
No mês de setembro foi registrado o maior número de atestados médicos com 373 dias
de ausência de servidores doentes, representando 7,8% de todos os afastamentos do ano. Já o
mês de fevereiro apresentou o menor número de licenças para tratamento de saúde com 219
dias, 4,6% dos dias ausentes.
68

Em média ocorreram aproximadamente 299 dias mensais de ausências por atestados


médicos, ou seja, aproximadamente 10 servidores não comparecem a nenhum dia de trabalho
em cada mês por estarem enfermos.
De acordo com a Tabela 12 - Motivos das Ausências em 2013, o segundo maior motivo
de ausência foi a licença maternidade, sendo concedida a 07 servidoras, equivalente a 3,5% da
força de trabalho, totalizando 659 dias de afastamento, o que corresponde a 13,8% do
absenteísmo em 2013 na Prefeitura Municipal de Esperança do Sul.

Tabela 12 - Motivos das Ausências em 2013


Dias Ausentes Matrículas
Motivo da Ausência
N % N %
Licença Tratamento de saúde 3.592 75,1 76 38,4
Licença Maternidade 659 13,8 7 3,5
Licença Interesse 320 6,7 2 1,0
Doença Por Motivo Pessoa da Família 121 2,5 15 7,6
Licença Nojo 64 1,3 14 7,1
Licença Paternidade 11 0,2 3 1,5
Compensação Folga das Eleições 6 0,1 4 2,0
Representação Câmara de Vereadores 6 0,1 1 0,5
Falta Injustificada 5 0,1 1 0,5
Total 4.784 100,0 198 100
Fonte: Pesquisa, 2015.

Na sequência está a licença interesse concedida a 02 servidores efetivos equivalente a


1% da força de trabalho do Município, sendo uma com início em abril e a outra em novembro,
totalizando 320 dias de ausências, representando 6,7% do absenteísmo no ano de 2013.
A licença para acompanhar pessoa da família foi responsável por 121 dias de ausências,
2,5% do absenteísmo, sendo concedida a 15 servidores, 7,6% da força de trabalho com
aproximadamente 8 dias de ausências para cada um.
Percebe-se que no primeiro semestre de 2013 ocorreu o menor número de afastamentos
por motivo de doença de pessoa da família com 51 dias (42,1%) quando comparado com o
segundo semestre que apresentou 70 dias de acompanhamento de familiar enfermo (57,9%).
A licença nojo gerou 64 dias de ausências, 1,3% do absenteísmo do período, tendo 14
servidores afastados, 7,1% da força de trabalho o Município de Esperança do Sul. Na sequência
está a licença paternidade, concedia a 03 servidores, 1,5% da força de trabalho, totalizando 11
dias de ausências, 0,2% do absenteísmo do período. Um servidor teve somente um dia de
69

licença paternidade uma vez que quando ocorreu o nascimento do seu filho ainda estava em
gozo de férias regulamentares.
Na sequência está a folga para compensar o trabalho nas eleições que foi concedida a 04
servidores, 02% da força de trabalho da Prefeitura Municipal, totalizando 06 dias de ausências,
representando apenas 0,1% dos dias não trabalhados.
Nas eleições de 2012 somente um servidor efetivo foi eleito vereador, sendo que o
mesmo se ausentou do Munícipio de Esperança do Sul por um período de 06 dias, equivalente a
0,1% do absenteísmo do Poder Executivo em 2013.
De todos os servidores absenteístas do ano analisado, somente um servidor apresentou
falta injustificada ao trabalho, registrada no mês de dezembro, totalizando 05 dias de ausências,
equivalente a 0,1% do absenteísmo, onde um servidor faltou ao serviço público sem a
autorização do Prefeito Municipal.

4.3.5 Os índices de Absenteísmo em 2014

Em 2014, o Município de Esperança do Sul apresentou 5.157 dias de afastamento do


trabalho que resulta em um índice de absenteísmo de 7,4% considerando 365 dias trabalhados.
Isso representa uma média de 27 dias de ausências no ano para cada um de seus 191 servidores
ou ainda que aproximadamente 14 pessoas não compareceram em nenhum dia ao serviço em
2014, número superior aos 13 servidores lotados na Secretaria Municipal de Administração,
Planejamento e Turismo.
Considerando os finais de semana, feriados e pontos facultativos decretados no
município reduz-se para 247 dias trabalhados em 2014, sendo assim o índice de absenteísmo
eleva-se para 10,9%. Deste modo, aproximadamente 21 pessoas (20,9) estiveram ausentes do
trabalho no ano, essa quantidade de servidores é igual à soma dos 13 trabalhadores da
Secretaria de Secretaria de Administração, Planejamento e Turismo junto com os 08 servidores
da Secretaria Municipal de Fazenda e Finanças.
Considerando os dados da Tabela 13 - Ausências Mensais em 2014, março é o mês com
maior número de afastamentos, 531 dias de ausências, mesmo mês que se inicia o ano letivo
escolar municipal. O mês com menor número de ausências do trabalho foi dezembro, 346 dias.
70

Tabela 13 - Ausências Mensais em 2014


CE DF FA FI LI LM LN LP LTS RCV Total
Mês
N % N % N % N % N % N % N % N % N % N % N %
Janeiro 2 0,0 5 0,1 0 0,0 0 0,0 62 1,2 71 1,4 8 0,2 0 0,0 221 4,3 4 0,1 373 7,2
Fevereiro 0 0,0 10 0,2 0 0,0 0 0,0 91 1,8 94 1,8 10 0,2 0 0,0 171 3,3 0 0,0 376 7,3
Março 0 0,0 2 0,0 0 0,0 0 0,0 124 2,4 124 2,4 18 0,3 0 0,0 259 5,0 4 0,1 531 10,3
Abril 0 0,0 19 0,4 0 0,0 0 0,0 120 2,3 101 2,0 0 0,0 5 0,1 222 4,3 0 0,0 467 9,1
Maio 0 0,0 18 0,3 0 0,0 0 0,0 118 2,3 66 1,3 2 0,0 0 0,0 270 5,2 0 0,0 474 9,2
Junho 0 0,0 5 0,1 0 0,0 0 0,0 90 1,7 18 0,3 6 0,1 5 0,1 260 5,0 4 0,1 388 7,5
Julho 1 0,0 7 0,1 0 0,0 0 0,0 62 1,2 0 0,0 0 0,0 0 0,0 370 7,2 0 0,0 440 8,5
Agosto 0 0,0 65 1,3 0 0,0 12 0,2 62 1,2 0 0,0 10 0,2 5 0,1 255 4,9 4 0,1 413 8,0
Setembro 3 0,1 0 0,0 0 0,0 1 0,0 60 1,2 7 0,1 4 0,1 0 0,0 387 7,5 0 0,0 462 9,0
Outubro 15 0,3 4 0,1 0 0,0 0 0,0 62 1,2 62 1,2 8 0,2 0 0,0 289 5,6 0 0,0 440 8,5
Novembro 17 0,3 12 0,2 0 0,0 0 0,0 60 1,2 60 1,2 8 0,2 0 0,0 289 5,6 1 0,0 447 8,7
Dezembro 18 0,3 0 0,0 3 0,1 0 0,0 62 1,2 62 1,2 0 0,0 0 0,0 201 3,9 0 0,0 346 6,7
Total 56 1,1 147 2,9 3 0,1 13 0,3 973 18,9 665 12,9 74 1,4 15 0,3 3194 61,9 17 0,3 5157 100
Legenda: CE, Compensação Folga das Eleições; DF, Doença por Motivo de Pessoa da Família; FA, Folga de Aniversário; FI, Falta
Injustificada; LI, Licença Interesse; LM, Licença Maternidade; LN, Licença Nojo; LP, Licença Paternidade; LTS, Licença para
Tratamento de Saúde; RCV, Representação Câmara de Vereadores.
Fonte: Pesquisa, 2015.

A maioria dos servidores apresentou algum tipo de licença em 2014, sendo 110 (57,6%)
absenteístas e 81 (42,4%) assíduos. A licença para tratamento de saúde também foi a principal
ausência dos servidores públicos de Esperança do Sul representando 61,9% de todos os dias
afastados, totalizando 3.194 dias.
Dos enfermos 13 servidores, 6,8% da força de trabalho, foram encaminhados para o
benefício de auxílio-doença pelo INSS somando 2.548 dias (80%) e 74 servidores, 38,7% dos
funcionários, tiveram licença para tratamento de saúde de curta duração, ou seja, de até 15 dias,
representando 646 dias (20%) sendo remuneradas pelo município.
No mês de setembro foi registrado o maior número de atestados médicos com 387 dias
de ausência de servidores doentes, representando 7,5% de todos os afastamentos do ano. Já o
mês de fevereiro apresentou o menor número de licenças para tratamento de saúde com 171
dias, 3,3% dos dias ausentes. Em média ocorreram aproximadamente 266 dias mensais de
ausências por atestados médicos, ou seja, cerca de 09 servidores (8,9) não compareceram a
nenhum dia de trabalho em cada mês por estarem enfermos.
De acordo com a Tabela 14 - Motivos das Ausências em 2014, o segundo maior motivo
de ausência no período analisado foi a licença para tratar de interesses particulares concedida a
04 servidores, 2,1% da força de trabalho, totalizando 973 dias, o que representa 18,9% de todos
os dias de ausências no ano.
71

Tabela 14 - Motivos das Ausências em 2014


Dias Ausentes Matrículas
Motivo da Ausência
N % N %
Licença Tratamento de saúde 3.194 61,9 83 43,5
Licença Interesse 973 18,9 4 2,1
Licença Maternidade 665 12,9 7 3,7
Doença Por Motivo Pessoa da Família 147 2,9 20 10,5
Licença Nojo 74 1,4 19 9,9
Compensação Folga das Eleições 56 1,1 14 7,3
Representação Câmara de Vereadores 17 0,3 1 0,5
Licença Paternidade 15 0,3 3 1,6
Falta Injustificada 13 0,3 4 2,1
Folga de Aniversário 3 0,1 3 1,6
Total 5.157 100,0 191 100,0
Fonte: Pesquisa, 2015.

Em terceiro lugar está a licença maternidade que foi concedida a 07 servidoras, 3,7% da
força de trabalho do Munícipio de Esperança do Sul, totalizando 665 dias não trabalhados,
representando 12,9 % dos dias afastados.
As demais licenças representam apenas 6,3% das ausências abrangendo 325 dias não
trabalhados, deste foram concedidos 147 dias para a licença por motivo de acompanhamento de
pessoa da família, 2,9% do absenteísmo do período, para 20 servidores, 10,5% dos
funcionários, o que resulta aproximadamente 07 dias de licença para cada um destes servidores.
Percebe-se que no primeiro semestre de 2014 ocorreu o menor número de afastamentos
por motivo de doença de pessoa da família com 59 dias (40,1%) quando comparado com o
segundo semestre que apresentou 88 dias de acompanhamento de familiar enfermo (59,9%).
Somente no mês de agosto ocorreram 65 dias (44,2%) de licença de tratamento de saúde em
pessoa da família.
A licença nojo compreende 74 dias representando apenas 1,4% dos dias de
absenteísmo, foi concedida 19 servidores, 9,9% da força de trabalho do período. Na sequência
está a folga para compensar o trabalho nas eleições que foi concedida a 14 servidores
totalizando 56 dias, 1,1% do absenteísmo do período.
Percebe-se que no primeiro semestre de 2014 ocorreu o menor número de afastamentos
por motivo de folga por compensação de trabalho nas eleições com apenas 02 dias (3,6%)
quando comparado com o segundo semestre que apresentou 54 dias de folga (96,4%).
72

O servidor vereador se afastou 17 dias para representar o Poder Legislativo Municipal


em Congressos, período equivalente a 0,3% do absenteísmo no ano analisado. Três servidores
apresentaram licença paternidade, sendo de cinco dias para cada um deles.
Em 2014 ocorreu o maior número de registros de faltas injustificadas, sendo atribuídas a
04 servidores, 2,1% da força de trabalho, totalizando 13 dias de faltas sem a devida autorização
do Prefeito, o que equivale a 0,3% do absenteísmo do período.
Em 02 de dezembro de 2014 foi criada a Lei Municipal nº 1240 que institui a folga no
dia do aniversário aos servidores do poder executivo, devendo ser solicitada com três dias de
antecedência e válida para aqueles servidores que não tenham mais de 07 dias de atestados
médicos nos 12 meses anteriores ao seu aniversário, como forma de incentivar a assiduidade.
Sendo assim, no primeiro mês de vigência desta lei 03 servidores puderam usufrui-la.

4.3.6 As Ausências no Trabalho no Quinquênio 2010-2014

De acordo com a Tabela 15 - Motivos das Ausências no Quinquênio 2010-2014, o


Município de Esperança do Sul apresentou 22.129 dias de ausência no trabalho o que
corresponde a um período de 60 anos, 07 meses e 19 dias. Isso representa que no período
analisado que abrange 1.825 dias, 365 por ano, mais de 12 servidores (12,1) não compareceram
a nenhum dia de trabalho de 2010 a 2014.
Tabela 15 - Motivos das Ausências no Quinquênio 2010-2014
2010 2011 2012 2013 2014 Total
Motivos das Ausências
N % N % N % N % N % N %
Compensação das Eleições 34 0,2 42 0,2 41 0,2 6 0,0 56 0,3 179 0,8
Doença Pessoa da Família 105 0,5 110 0,5 140 0,6 121 0,5 147 0,7 623 2,8
Falta Injustificada 1 0,0 0 0,0 0 0,0 5 0,0 13 0,1 19 0,1
Folga de Aniversário 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 3 0,0 3 0,0
Horas Afastadas para Estudo 0 0,0 0 0,0 8 0,0 0 0,0 0 0,0 8 0,0
Licença Candidatura Eleições 0 0,0 0 0,0 846 3,8 0 0,0 0 0,0 846 3,8
Licença Gala 0 0,0 8 0,0 8 0,0 0 0,0 0 0,0 16 0,1
Licença Interesse 0 0,0 42 0,2 0 0,0 320 1,4 973 4,4 1.335 6,0
Licença Maternidade 191 0,9 289 1,3 67 0,3 659 3,0 665 3,0 1.871 8,5
Licença Nojo 94 0,4 44 0,2 88 0,4 64 0,3 74 0,3 364 1,6
Licença Paternidade 15 0,1 20 0,1 10 0,0 11 0,0 15 0,1 71 0,3
Licença Trat. de saúde 3.139 14,2 2.867 13,0 3.898 17,6 3.592 16,2 3.194 14,4 16.690 75,4
Rep. Câm. de Vereadores 47 0,2 25 0,1 9 0,0 6 0,0 17 0,1 104 0,5
Total 3.626 16,4 3447 15,6 5.115 23,1 4.784 21,6 5.157 23,3 22.129 100,0
Fonte: Pesquisa, 2015.
73

Considerando apenas os 1.231 dias úteis deste quinquênio, podemos dizer que 18
servidores públicos deixaram de comparecer ao trabalho, cerca de 9,5% da força de trabalho da
Prefeitura Municipal de Esperança do Sul.
A licença para tratamento de saúde foi responsável por 75,4% dos dias afastados,
totalizando 16.690 dias de atestados médicos o que resulta na média anual de 3.338 dias. O ano
eleitoral de 2012 apresentou o maior número de afastamentos por doença com 3.898 dias,
equivalente a 17,6% do absenteísmo apurado no quinquênio. De outro lado, em 2011 ocorreu o
menor registro de licenças para tratamento de saúde, com 2.867 dias, 13% do absenteísmo do
Município de Esperança do Sul.
O segundo maior motivo foi a licença maternidade com 8,5%, totalizando 1.871 dias de
ausências. Percebe-se que nos dois últimos anos do quinquênio houve um expressivo aumento
nas concessões de licença maternidade resultando em 1.324 dias.
Em terceiro lugar está a licença para tratar de interesses particulares com 6,0%, com
1.335 dias de ausências. Não apresentou nenhum registro em 2010 e chegou ao topo em 2014
com 973 dias de licença somente neste ano. Os três primeiros tipos de afastamentos totalizam
89,9% das ausências no trabalho no período de 2010 a 2014.
A licença para concorrer a cargo eletivo que foi concedida somente em 2012 totalizou
846 dias, representa 3,8% dos dias de ausência nos cinco anos estudados. Na sequência está a
licença para acompanhar tratamento de saúde de pessoa da família com 2,8%, totalizando 623
dias de ausências no quinquênio, sendo o maior número de afastamentos, 147 dias, em 2014 e o
menor, 105 dias em 2010.
A licença nojo totalizou 364 dias de afastamentos, 1,6% do absenteísmo do quinquênio.
Os demais motivos de ausência correspondem apenas a 1,9% dos afastamentos, sendo 179 dias
(0,8%) para folga de compensação do trabalho nas eleições, 104 dias (0,5%) para representação
da Câmara de Vereadores, 71 dias (0,3%) de licença paternidade, 19 dias (0,1%) de faltas
injustificadas, 16 dias (0,1%) de licença gala e o restante em menor representatividade com 08
dias de horas afastadas para estudo e 03 dias para folga no dia do aniversário.
Se os índices de absenteísmo permanecessem estáveis apresentariam valores próximos a
20% em cada um dos cinco anos, porém há variações de índices de 15,6% a 23,3%. Em 2011,
houve a menor quantidade de dias afastados com 3.447 correspondente a 15,6% das ausências,
já no ano mais recente, 2014, ocorreram 5.157 dias de ausências no trabalho, o que corresponde
a 23,3% do absenteísmo dos cinco anos estudados, resultando numa diferença de 1.710 dias
equivalentes a 7,7% dos dias não trabalhados.
74

Esta variação também pode ser observada no Gráfico 6 - Evolução dos Índices de
Absenteísmo no Quinquênio 2010-2014, em 2010 a ausência no trabalho considerando os 365
dias do ano era de 5,2%, com um leve declínio em 2011 para 5,1% e aumentando em
aproximadamente 50% no ano de 2012 com 7,5% dos dias ausentes, diminuindo para 6,6% em
2013 e aumentando para 7,4% em 2014, apresentando comportamento instável, com declínios e
acréscimos alternadamente. A média do absenteísmo no quinquênio foi de 6,4%.

Gráfico 6 - Evolução dos Índices de Absenteísmo no Quinquênio 2010-2014

Fonte: Pesquisa, 2015.

Levando em consideração apenas os dias úteis, os índices de absenteísmo se elevam


consideravelmente uma vez que no serviço público além dos feriados nacionais e municipais
comumente há decretos de ponto facultativos nas repartições públicas. A maior oscilação do
índice foi de 7,6% em 2011 e 11,2% no ano seguinte, sendo a média de absenteísmo do
quinquênio considerando apenas os dias úteis de 9,4%, ou seja, a cada 100 dias trabalhados
mais de 09 servidores estiveram ausentes do trabalho.
Comparando os níveis de absenteísmo totais de Esperança do Sul com os índices da
Prefeitura Municipal de Curitiba-PR, conforme Marghraf et al. (2012), onde o munícipio
apresentou 5,24% de absenteísmo doença em 2010 e diminuindo para 5,15% em 2011
percebemos uma equivalência aos índices de 5,2% e 5,1% nos mesmo períodos em relação ao
índice de absenteísmo considerando os 365 dias do ano.
75

De acordo com o Gráfico 7 - Evolução do Absenteísmo-Doença, podemos observar que


o índice de absenteísmo doença considerando o ano completo apresentou uma média de 4,8%
de ausências, tendo seu pico no ano de 2012 com 5,7% e reduzindo nos anos seguintes, tendo
comportamento instável.

Gráfico 7 - Evolução do Absenteísmo-Doença

Fonte: Pesquisa, 2015.

No trabalho de Santos et al. (2010), a Prefeitura Municipal de Porto Alegre - RS


demonstrou índices de absenteísmo-doença de 3,9% em 2004 e 3,7% em 2005, valores
inferiores aos encontrados nesta pesquisa, pode-se afirmar que os servidores de Esperança do
Sul são mais suscetíveis às doenças comparados aos servidores da Capital do Estado.

4.4 O Perfil dos Absenteístas de Esperança do Sul

Após quantificar os servidores públicos absenteístas no Poder Executivo de Esperança


do Sul, a pesquisa buscou identificar quem são essas pessoas de acordo com as variáveis
gênero, faixa etária, residência, estado civil, filhos, data de admissão, tipo de vínculo
empregatício, área função especifica do cargo e secretaria de lotação.
76

A Prefeitura Municipal de Esperança do Sul apresentou a média de 190 servidores por


ano no quinquênio de 2010 a 2014, destes, 90 servidores (47%) eram absenteístas e 100
servidores (53%) assíduos.
Conforme Gráfico 8 - Evolução da Quantidade de Absenteístas, os anos de 2010 e 2011
tiveram a menor representação dos servidores que se ausentaram por algum motivo do local de
trabalho sendo 41% dos servidores absenteístas, já no ano eleitoral de 2012 metade do
funcionalismo público em Esperança do Sul foi assíduo e metade absenteísta.

Gráfico 8 - Evolução da Quantidade de Absenteístas

70
60 59 59 58
54 53
50 50
46 47
40 41 41 42
Assíduos
30
Absenteístas
20
10
0
2010 2011 2012 2013 2014 Média

Fonte: Pesquisa, 2015.

Em 2013 a participação de servidores absenteístas reduziu para 46%, porém no ano


seguinte aumentou significativamente para 58%, onde foi o auge da quantidade de servidores
que tiveram pelo menos um dia de ausência no trabalho, desconsiderando o período de férias
regulamentares.
Partindo dos dados demográficos, conforme o Gráfico 9 - Gênero dos Absenteístas,
podemos observar que nos cinco anos analisados houve o predomínio maciço das mulheres em
relação aos homens, sendo a média do quinquênio 2010-2014 para cada 100 servidores que se
ausentam do serviço público em Esperança do Sul 57 eram mulheres.
Observa-se que o ano mais recente do estudo, 2014, apresentou 63% de predominância
das servidoras absenteístas e o ano com menor representatividade feminina foi 2012, com 53%
da força de trabalho composta por mulheres.
77

Gráfico 9 - Gênero dos Absenteístas

Fonte: Pesquisa, 2015.

Este resultado vai de encontro com vários estudos que evidenciam a influência do
gênero nos índices de absenteísmo, uma vez que as mulheres são mais vulneráveis as
circunstâncias familiares que interferem no trabalho, em certa medida, apresentando maior
prevalência de absenteísmo-doença quando comparadas aos homens.
No caso de Esperança do Sul, além da maioria das licenças para tratamento de saúde ser
concedidas a mulheres, também há a licença para tratamento de saúde, onde comumente as
mães se afastam para cuidar dos seus filhos enfermos e em menores casos até dos próprios pais.
Outro fator que interfere no grande número de ausências de trabalho concedidas as
mulheres é a licença maternidade, onde cada servidora tem o direito de se ausentar por 120 dias
do trabalho, sendo concedida 16 licenças maternidade no quinquênio de 2010 a 2014, sendo 07
de profissionais da área da saúde, 07 da área da educação e 02 cargos da área de chefia.
Quanto a variável idade, como pode ser observado na Gráfico 10 - Faixa Etária dos
Absenteístas, os Baby Boomers (1948-1963) da Prefeitura Municipal de Esperança do Sul
tiveram a menor participação nos registros de ausências no trabalho no quinquênio de 2010 a
2014, compreendendo a média de 15% dos servidores absenteístas, contrariando a teoria de que
a medida que envelhecemos mais necessitamos se ausentar do trabalho devido a ocorrência de
78

doenças. Na sequência está a geração X (1964-1977), com uma média de 42% dos servidores
absenteístas e a geração predominante no período foi a geração Y (1978-1994) com 43%.

Gráfico 10 - Faixa Etária dos Absenteístas

Fonte: Pesquisa, 2015.

Os absenteístas da geração X (1964-1977) no triênio de 2010-2012 foram a maioria


perdendo considerável espaço para a geração Y (1978-1994) nos anos seguintes, demonstrando
em 2014 que os servidores jovens são a maioria dos absenteístas da Prefeitura Municipal de
Esperança do Sul.
Na literatura há divergências quanto a influência da variável idade uma vez que alguns
estudos trazem o predomínio de afastamentos entre servidores jovens enquanto outros
relacionam índices maiores de ausência devido ao envelhecimento dos servidores.
A idade é um fator considerado por muitos fatores como determinante do
absenteísmo-doença. Ao contrário do que se espera, por se imaginar que os
jovens são mais sadios que idosos, diversas pesquisas mostram o contrário, que
o absenteísmo entre os mais jovens é maior quando comparados ao
absenteísmo entre os mais velhos (MARQUES NETO, 2006, p. 15)

No Município de Esperança do Sul a geração predominante de absenteístas compreende


os jovens da Geração Y, que são aqueles fascinados por poder, com perfil-multitarefa, odeiam a
burocracia o controle e atividades rotineiras, acabam não se identificando com o serviço
público, pois a possibilidade de promoção de cargo se dá mediante novo concurso e as
atividades são altamente burocrativas e rotineiras.
79

Podemos perceber esse perfil inovador, analisando a concessão de licença para tratar de
interesses particulares, que foi concedida cinco vezes a quatro servidores. O primeiro em 2011
a um técnico agrícola, que quando convocado retornou ao cargo, posteriormente em 2013 foi-
lhe concedida nova licença e o mesmo quando da convocação antecipada solicitou sua
exoneração
A terceira licença interesse foi concedida em 2013 a um pedreiro sendo que no término
dos dois anos também solicitou exoneração do cargo. Duas licenças foram concedidas em 2014
a um operador de máquinas que a pedido interrompeu a mesma e a outra para uma servente de
escola que ainda está em gozo da licença que terá término em 2016. Destes quatro servidores,
com exceção do pedreiro da geração X os demais servidores eram da geração Y.
Da população de absenteístas, conforme Gráfico 11 - Residência dos Absenteístas, a
maioria em todos os anos avaliados residem no mesmo município onde trabalham (83%),
seguidos dos que habitam em Três Passos (14%) e em menor participação demais cidades
vizinhas de Crissiumal (2%), Bom Progresso (1%) e Humaitá (1%).

Gráfico 11 - Residência dos Absenteístas

90 85 84 83 83
81 80
80

70
Bom Progresso
60
Crissiumal
50
Esperança do Sul
40
Humaitá
30 São Martinho
20 14 14 16 15 14 Três Passos
12
10 3
0 1 0 0 0 1 0 1 2 0 0 1 1 1 0 1 2 1 1 1 2 1 0
0
2010 2011 2012 2013 2014 Média

Fonte: Pesquisa, 2015.

De acordo com Jucius (1979), entre as diversas causas do absenteísmo está os assuntos
pessoais, o mau tempo e a falta de transporte, o que não se encontra em Esperança do Sul uma
vez que a maioria de absenteistas residem no próprio municipio tendo menores problemas de
acessibilidade e deslocamento.
Na sequência da pesquisa, conforme o Gráfico 12 - Estado Civil dos Absenteístas, foi
identificado o estado civil dos servidores absenteístas, sendo nos cinco anos estudados mais da
80

metade casados e aproximadamente um terço em união estável, os absenteístas solteiros e


divorciados totalizam apenas 15% da população.

Gráfico 12 - Estado Civil dos Absenteístas

Casado Divorciado solteiro União Estável

63
58 57 56
50 52

33 32
30 29
24 26

14 15 14 12
8 9
5 3 3 3
2 2

2010 2011 2012 2013 2014 Média

Fonte: Pesquisa, 2015.

Através dos dados apresentados percebemos que os servidores absenteístas que dividem
o lar no domicílio conjugal se ausentam mais facilmente dos seus trabalhos, porém
culturalmente pensamos que a situação de ser casado supõe que há maiores responsabilidades
devido aos encargos da família. Mas se tratando do serviço público, onde há estabilidade no
cargo, sabendo que não poderá ser exonerado pelo número de ausências justificadas, os
provedores dos lares são a maioria absoluta dos absenteístas.
No quinquênio de 2010 a 2014 foram encontrados 23 casais de servidores entre os
vínculos de cargo em comissão, contrato por prazo determinado e efetivos. Ocorre do cônjuge
servidor se ausentar do serviço para tratamento de saúde e o companheiro apresentar atestado
para acompanhar o tratamento do cônjuge enfermo, de acordo com o Regime Jurídico está
licença não pode ser superior a 15 dias, porém os vencimentos do casal absenteísta ficam ao
encargo do cofre público do município e o servidor não tendo alteração na remuneração não
hesita em se beneficiar de tal vantagem.
Isso gera prejuízo na despesa de pessoal do município uma vez que está gerando uma
despesa dupla de ausências e os colegas de trabalho do casal que terão que trabalhar além do
normal para substitui-lo, além de causar desmotivação aos assíduos principalmente prejudica o
atendimento aos munícipes que solicitam serviços a prefeitura e sentem-se insatisfeitos.
81

A variável seguinte refere-se aos servidores absenteístas possuírem filhos, conforme o


Gráfico 13 - Número de Filhos dos Absenteístas, sendo constante nos cinco anos estudados a
maioria dos absenteístas com um a dois filhos. Em média de cada dez servidores que se
ausentam do trabalho aproximadamente dois não possuem filhos e oito já são pais.

Gráfico 13 - Número de Filhos dos Absenteístas

Fonte: Pesquisa, 2015.

A variável filhos também está relacionada ao estado civil dos absenteístas, devido as
responsabilidades do lar e o cuidado com os filhos os servidores tendem a se ausentar mais do
trabalho em comparação aos absenteístas solteiros, há relatos de servidoras que requerem
licença para tratamento de saúde, porém o motivo oculto é a babá do filho ter faltado ao
serviço, mas por estar amparada com atestado médico não há como indeferir a licença.
A licença para acompanhar pessoa da família também em sua maioria é concedida aos
servidores que estão com os filhos enfermos. Quando ambos os pais são servidores públicos do
Município de Esperança de Sul, de acordo com seu Regime Jurídico, somente um poderá
requerer a licença para acompanhar o filho em tratamento de saúde, deste modo o outro não
terá direito a ausentar-se do trabalho.
Quanto ao ano de admissão dos absenteístas, conforme pode ser observado no Gráfico
14 - Ano de Admissão dos Absenteístas, a maioria dos absenteístas são os novos admitidos pela
Prefeitura de Esperança do Sul, sendo 40% dos servidores absenteístas admitidos no sexênio de
82

2009-2014, 28% admitidos no período de 2003-2008, 17% dos servidores absenteístas


admitidos no período de 1997-2002 e 14% dos servidores ausentes admitidos antes da
emancipação do Município de Esperança do Sul.

Gráfico 14 - Ano de Admissão dos Absenteístas

Fonte: Pesquisa, 2015.

No ano de 2010 somando os professores admitidos antes de 1997 com o triênio 1997-
1999 temos 33% dos absenteístas daquele período, já os admitidos entre 2000-2005 totalizam
32% e entre 2006-2011 perfazem 35% da população de absenteístas.
No ano seguinte 31% dos absenteístas foram admitidos até 1999, 27% entre 2000-2005
e a maioria dos servidores que se ausentaram do serviço público em Esperança do Sul foram
admitidos no sexênio 2006-2011 com 42% de representatividade.
Em 2012, ano em que ocorreu as eleições municipais, 13% dos servidores absenteístas
tinham sido admitidos neste mesmo ano, somando com o sexênio anterior de 2006-2011
totalizam 45% dos servidores que se ausentaram do trabalho naquele ano.
Em 2013 somando ou dois últimos triênios de ano de admissão temos 54% dos
servidores absenteístas e em 2014 representam exatamente a metade dos absenteístas. Diante
disso, percebemos que quanto menor o tempo no cargo mais as pessoas se ausentam, revelando
menor comprometimento com as atribuições que lhe foram concedidas.
No que compreende o tipo de vínculo com o Município de Esperança do Sul, conforme
o Gráfico 15 - Vínculo Empregatício dos Absenteístas, a maioria dos servidores que se
ausentam do trabalho são os concursados, porém a ausência de servidores ocupantes de cargo
em comissão dobrou a partir de 2013 quando comparado aos anos anterior, já os absenteístas
83

em vigência de contrato por prazo determinado de caráter emergencial se mantiveram


constantes no quinquênio estudado e os agentes políticos são os que menos se ausentam do
trabalho.

Gráfico 15 - Vínculo Empregatício dos Absenteístas

Fonte: Pesquisa, 2015.

Considerando o quinquênio de 2010 a 2014, dos servidores que se ausentaram do


trabalho na Prefeitura Municipal de Esperançado Sul 78% eram servidores efetivos, 13%
possuíam contrato de trabalho emergencial, 9% exerciam cargos comissionados e apenas 1% de
agentes políticos.
Reis (et al., 2003) em seu estudo realizado com profissionais de enfermagem, relativo
ao absenteísmo por doença, afirma que existe relação entre afastamento e vínculo empregatício.
Neste estudo, a estabilidade do cargo é um agravante, pois os servidores estáveis sentem-se
mais propensos a faltar ao trabalho do que os servidores contrados, os quais temem pela perda
do trabalho.
A estabilidade no emprego público justifica-se apenas como meio de impedir que os
servidores do Estado venham a ser perseguidos por razões políticas e ideológicas, porém, a
maioria das pessoas visam na estabilidade apenas a segurança da permanência no cargo. Têm
direito à estabilidade os servidores concursados, após 3 anos de efetivo exercício, desde que
aprovados em avaliação especial de desempenho.
No que compreende a Secretaria Municipal em que os absenteístas estão lotados, de
acordo com o Gráfico 16 - Secretaria de Lotação dos Absenteístas, observamos que em todos
84

os anos analisados a maioria dos servidores absenteístas exercem suas funções na Secretaria de
Educação, Cultura e Desporto, sendo que de 2011 a 2014 passou de 37% para 47%,
apresentando um crescimento contínuo nesses quatro anos.

Gráfico 16 - Secretaria de Lotação dos Absenteístas

Fonte: Pesquisa, 2015.

Na sequência estão os absenteístas vinculados a Secretaria Municipal de Saúde e


Assistência Social com uma média de 22% dos servidores ausentes, só estando em terceiro
lugar em 2012 onde a segunda repartição com mais absenteístas foi a Secretaria de Obras,
Trânsito e Viação que apresentou uma média de 17% de servidores ausentes no quinquênio de
2010 a 2014.
As estruturas administrativas com menor representatividade dos absenteístas são a
Secretaria de Administração, Planejamento e Turismo com índice de 8% no quinquênio
estudado, seguido das Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e Secretaria de Fazenda e
Finanças com 6% cada dos servidores absenteístas.
Quanto a área função específica de cada cargo, conforme o Gráfico 17 - Área Função
dos Cargos dos Absenteístas, foi desconsiderada a classe dos aposentados em virtude de conter
somente servidores inativos, que deste modo não há necessidade de requerimento de licenças.
85

Gráfico 17 - Área Função dos Cargos dos Absenteístas

Fonte: Pesquisa, 2015.

Assim como a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto contém o maior


número de número de servidores absenteístas, a área função específica de cargos relacionados
as atividades de educação representa a maioria dos absenteístas apresentando um crescimento
de 32% em 2011 para 42% em 2014. Está área engloba somente três cargos que são eles os
monitores de creche, os professores municipais e os serventes de escola.
Os servidores ausentes do Município de Esperança do Sul em segundo lugar nos cincos
anos analisados concentram-se nas atividades relacionadas a área função obras e na sequencia
estão os servidores absenteístas que exercem funções específicas da área da saúde. Estas três
áreas totalizam 75% dos servidores ausentes no período de 2010 a 2014.
Em quarto lugar estão os cargos de chefia que englobam os agentes políticos e cargos
comissionados com 10% de servidores absenteístas na média do quinquênio. Na sequência
estão os absenteístas ocupantes de cargos específicos da administração e finanças com uma
média anual de 9%, os servidores ausentes da área função limpeza com 5% e por último os
absenteístas da área função agricultura com 2%.
Quanto aos principais cargos dos servidores absenteístas, de acordo com a Gráfico 18 -
Ranking de Cargos Absenteístas, está liderado pelos professores municipais sendo que em 2010
da população absenteísta 27 eram educadores, reduzindo para 20 no ano seguinte e crescendo
continuamente atingindo 35 professores que se ausentaram do trabalho em 2014.
86

Gráfico 18 - Ranking de Cargos Absenteístas

Fonte: Pesquisa, 2015.

No quinquênio de 2010 a 2014, em média 54% dos professores municipais se


ausentaram do trabalho, com menor participação em 2011, onde apenas 20% dos educadores
por algum motivo deixaram de comparecer ao trabalho e alcançando a margem máxima de 65%
de professores absenteístas em 2014.
Os motoristas estão em segundo lugar no ranking de ausências no trabalho por cargo,
com uma média de 08 motoristas absenteístas. No primeiro ano analisado eram 07 pessoas,
passando para 08 em 2011, permanecendo estável em 2012, aumentando para 09 em 2013 e
reduzindo um terço em 2014 chegando a 06 motoristas absenteístas.
Em média 59% dos motoristas se ausentaram do serviço público municipal em
Esperança do Sul, tendo seu ápice em 2013 com 69% e menor número de motoristas
absenteístas no ano seguinte com 46%.
Ocupando o terceiro lugar no ranking de servidores absenteístas está o cargo de
servente de escola com uma média de 06 servidores ausentes por ano que representa 57% dos
serventes de escola, sendo que em 2011 aproximadamente 33% dos ocupantes deste cargo se
ausentaram do trabalho chegando em 2014 com 90% dos serventes de escola sendo
absenteístas.
Na quarta posição está o cargo de operadores de máquinas rodoviárias apresentando a
mesma média de 06 servidores ausentes por ano assim como os serventes de escola, porém
representam em média 55% dos servidores ocupantes deste cargo. O menor número de
operadores de máquinas absenteístass ocorreu em 2011 com 40% e teve seu ápice no ano
seguinte com 82% dos servidores.
87

Tratando-se especificamente do absenteísmo-doença no Município de Esperança do Sul


no período de 2010 a 2014, são 09 o número de cargos com maior representatividade, conforme
Tabela 16. Principais Cargos do Absenteísmo-Doença.

Tabela 16. Principais Cargos por Absenteísmo-Doença


2010 2011 2012 2013 2014 Total
Cargo
N % N % N % N % N % N %
ACS 326 10,4 534 18,6 594 15,2 495 13,8 776 24,3 2.725 16,3
Escriturário 5 0,2 26 0,9 374 9,6 55 1,5 34 1,1 494 3,0
Guarda Municipal 47 1,5 181 6,3 86 2,2 0,0 0,0 314 1,9
Motorista 379 12,1 485 16,9 410 10,5 663 18,5 50 1,6 1.987 11,9
Op. de Máq. Rod. 583 18,6 383 13,4 563 14,4 369 10,3 379 11,9 2.277 13,6
Pedreiro 210 6,7 0 0,0 23 0,6 0,0 9 0,3 242 1,4
Professor 755 24,1 899 31,4 1.482 38,0 1.751 48,7 1.570 49,2 6.457 38,7
Servente de Escola 333 10,6 7 0,2 44 1,1 26 0,7 108 3,4 518 3,1
Serviços Gerais 440 14,0 261 9,1 158 4,1 15 0,4 31 1,0 905 5,4
Outros 61 1,9 91 3,2 164 4,2 218 6 237 7,4 771 4,6
Total 3.139 100 2.867 100 3.898 100 3.592 100 3.194 100 16690 100
Fonte: Pesquisa, 2015.

Do total de 16.690 dias de licenças para tratamento de saúde no quinquênio de 2010 a


2014 a maioria (38,7%) foi para os cargos de professores com 6.457 dias de ausências. Em
segundo lugar está o cargo de agente comunitário de saúde (16,3%) com 2.725 dias de
ausências. Na sequência está o cargo de operador de máquinas rodoviárias (13,6%) com 2.277
de atestados médico. Juntos representam 68,6% das licenças para tratamento de saúde
concedidas aos servidores no período analisado.
Na quarta posição está o cargo de serviços gerais (5,4%) responsável por 905 dias de
licenças para tratamento de saúde. Na sequência está o cargo de serventes de escolas (3,1%)
com 518 dias de afastamentos, muito próximo dos valores encontrados para o cargo de
escriturário (3,0%) com 494 dias de licenças para tratamento de saúde.
Os guardas municipais (1,9%) apresentaram 314 dias, sem nenhum registro de atestado
no biênio 2013-2014. Ocupando a nona posição está o cargo de pedreiro (1,4%) com 242 dias
de licenças para tratamento de saúde. Os demais cargos (4,6%) representam 771 dias de
absenteísmo-doença.
Em todos os anos analisados o absenteísmo-doença esteve mais presente no cargo dos
professores municipais, porém, em 2010 representava apenas 24,1% das licenças do ano,
crescendo continuamente, mais que duplicou no final no quinquênio, chegando a 49,2%.
88

O cargo de agente comunitário de saúde mostrou comportamento semelhante, em 2010


apresentava 10,4% das licenças para tratamento de saúde, chegando em 2014 a 24,3% do
absenteísmo-doença, superando o dobro do início do quinquênio.
No quinquênio de 2010 a 2014, ocorreu 10 casos de servidores que estiveram ausentes
do trabalho para licença de tratamento de saúde superior a um ano. Há o caso curioso de um
operador de máquinas ter se afastado para tratamento de saúde desde julho de 2009, ou seja,
não trabalhou em nenhum dia do quinquênio em estudo e permanece em benefício de auxílio
doença com limite até dezembro de 2016.
Uma professora, duas matrículas, 20 horas semanais cada, ficou afastada para
tratamento de saúde de março de 2010 a dezembro de 2014 quando da comunicação ao órgão
empregador da concessão de aposentadoria por invalidez, totalizando um período de 04 anos e
10 meses para cada matrícula.
Uma agente comunitária de saúde está de atestado médico desde outubro de 2010 até
2015, totalizando no quinquênio estudados 04 anos e 03 meses de afastamento. Um motorista
esteve ausente no quinquênio até o mês de janeiro de 2014, quando da comunicação do
benefício de aposentadoria por invalidez, totalizando 04 anos de ausências.
Um serviços gerais esteve em licença para tratamento de saúde no quinquênio pelo
período de 1 ano e 5 meses que findou em de junho de 2011, quando do seu falecimento. Outra
agente comunitária de saúde esteve de licença para tratamento de saúde pelo período de 03
meses em 2011, apresentando nova licença em dezembro de 2012, a qual está em vigência até
2015 totalizando no quinquênio 01 ano e 03 meses de ausências por atestado médico.
Também ocorreu o caso de outra professora, duas matrículas, 20 horas semanais cada,
ficou afastada para tratamento de saúde sendo 10 meses em 2013 e outra licença de 05 meses
em 2014, totalizando um período de 01 ano e 03 meses de ausências para cada matrícula. Uma
escriturária teve licença para tratamento de saúde pelo período de um ano concedida em 2012.
Somando os dias de ausências das 10 matrículas citadas anteriormente chegamos ao
período de 349 meses equivalente a 29 anos e 01mês de ausências para tratamento de saúde,
destes 42% foram pelas licenças duas professoras com múltiplos vínculos, 19% para as duas
agentes comunitárias de saúde, 17% para o operador de máquinas rodoviárias, 14% para o
motorista, 5% para o cargo de serviços gerais e 3% para a escrituraria
89

4.5 Os Motivos que Causam a Ausência no Trabalho

Segundo Quick e Lapertosa (1982) o absenteísmo pode ser classificado em voluntário,


compulsório, legal, por patologia profissional e por doença. Nesta pesquisa encontramos as
seguintes classificações:
 O absenteísmo voluntário: refere-se à ausênsia do funcionário por motivos
particulares não justificados por doença e sem amparo legal, neste estudo estão
representados pelas faltas injustificadas que compreenderam apenas 0,1% de todos
os dias ausentes do trabalho no quinquênio de 2010 a 2014;
 Absenteísmo legal: envolve as faltas ao serviço amparadas por lei ou também
chamadas faltas justificadas que foram a folga por compensação de trabalho nas
eleições, atestado para acompanhar pessoa da famíla, folga de aniversário, horas
afastadas para estudo, licença para concorrer a cargo eletivo, licença gala, interesse,
maternidade, paternidade, nojo e representação câmara de vereadores. O
absenteísmo legal corresponde a 24,5% do absenteísmo de Esperança do Sul;
 Absenteísmo por doença: são consideradas todas as ausências por doença ou
procedimento médico, que totalizaram 75,4% das ausências no Poder Executivo
Municpal de Esperança do Sul no período de 2010 a 2014.
O Município de Esperança do Sul até 2014 somente encaminhou benefícios de auxílio
doença junto a Previdência Social, não registrando nenhum caso de absenteísmo por patologia
profissional, ou seja, caracaterizado como acidente de trabalho.
Mas ocorre de alguns casos o INSS receber um servidor com pedido de auxílio doença e
reclassifica-lo como acidente de trabalho na espécie B91 (registro de auxílio doença por
acidente de trabalho), isso reflete nas alíquotas do FAP (Fator de Acidente Previdênciário),
índice anual que reflete a aferição da acidentalidade nas empresas relativa aos dois anos
imediatamente anteriores ao processamento resultando num aumento ou diminuição da
contribuição patronal das empresas.
Sendo assim um operador de máquinas rodoviárias, um motorista e uma auxiliar de
enfermagem que foram encaminhados para benefício previdenciário de auxílio doença foram
caracterizados na espécie B91, ou seja, auxílio doença por acidente de trabalho.
Em 2010 a alíquota FAP do município era de 0,8386 sem nenhum registro de acidente
de trabalho na base de cálculo, em 2011 elevou-se para 1,1242 devido a um registro da espécie
B91, em 2012 aumentou para 1,4324 em função de dois registros da espécie B91 na base de
cálculo, reduzindo em 2013 para 1,1554 com um registro de auxílio doença na espécie B91 e
90

reduzindo significativamente em 2014 para uma alíquota FAP de 0,5 sem nenhum registro de
acidente de trabalho.
Desta forma a alíquota FAP oscila de acordo com o histórico de doenças e acidentes de
trabalho por empresa e incentiva aqueles que investem na prevenção aos agravos da saúde do
trabalhador, ou seja as empresas que previnem mais terão menos despesas previdenciárias.
Recentemente esteve em evidência na mídia a Medida Provisória nº. 664, de 30 de
dezembro de 2014, que passou a vigorar a partir de 1º de março de 2015, entre as regras estão o
tempo mínimo de contribuição para obtenção da pensão por morte e a ampliação do prazo para
o trabalhador receber o pagamento diretamente da empresa em caso de afastamento.
De acordo com a nova redação do parágrafo 3º, do artigo 60, da Lei nº 8213/91, dada
pela Medida Provisória nº 664/2014, durante os primeiros trinta dias consecutivos por motivo
de doença ou de acidente de trabalho ou de qualquer natureza, caberá à empresa pagar ao
segurado empregado o seu salário integral. Antes disso, o empregador era responsável pelos
primeiros quinze dias de afastamento, ficando ao encargo da Previdência a partir do 16º dia.
As mudanças propostas pela Medida Provisória nº 664/2014 dificultam o acesso aos
benefícios previdenciários com a finalidade de coibir possíveis abusos na concessão dos
mesmos. O mesmo serviria na alteração da legislação municipal de Esperança do Sul, onde
supõe-se que há certa falta de comprometimento com o trabalho por parte de alguns servidores.
A pesquisadora responsável pela Divisão de Recursos Humanos, presenciou casos raros
de servidores que quando do óbito de seu irmão, onde tinham direito a oito dias de licença nojo,
solicitaram a antecipação do retorno ao trabalho, afirmando que dois ou três dias seriam
suficientes para auxiliar a família nos trâmites legais e que a volta ao trabalho os ajudaria a
superar e aceitar a perda.
A morte de alguém que nos é querido traz uma dor profunda e cada um reage e vive esta
dor de um modo e num tempo específico, mas quanto servidores enlutados que chegaram a
mesma conclusão dos outros servidores permaneceram afastados até o oitavo dia.
Também ocorre de servidores usufruírem da licença nojo para parentes de segundo grau
com direito a dois dias de ausência do serviço, mediante apresentação do atestado de óbito. No
caso de ocorrer o óbito de um parente com o qual você não tenha contato, não estava
afetivamente ligada ao falecido, fica a indagação se realmente seria necessário dois dias de
ausência do trabalho para aceitar a perda e reorganizar-se emocionalmente, essa resposta cabe a
cada um dos servidores julgar por si próprios e não ao Prefeito Municipal.
Assim como ocorre de uma avó ou uma tia ser mais importante para uma pessoa do que
seus própios pais, onde dois dias signifcam pouco tempo para voltar a rotina normal, há
91

possibilidade do sentimento de luto, de aceitar a perda, durar meses ou anos, ou o servidor


desenvolver uma depressão e nessecitar de licença para tratar de sua saúde.
A licença nojo corresponde a 364 dias (1,6% ) das ausências do quinquênio equivalente
ao período de um ano, não há como estimar seu comportamento nos próximos anos uma vez
que é impossível prever a morte de um familiar de cada servidor.
A folga para compensar o trabalho das eleições mostra um perfil de cidadão consciente,
as eleições são de interessse de toda a comunidade e o trabalho dos mesários garantem que a
vontade do eleitor seja respeitada e a democracia fortalecida, outra vantagem é a dispensa do
trabalho pelo dobro dos dias de convocação, sem prejuízo do salário.
Esses servidores dificilmente tentaram burlar as leis do Munícipio, por exemplo,
coagindo um médico para lhe fornecer atestado, uma vez que tem consciência que dedicou o
seu tempo livre trabalhando para contribuição do exercício da cidadania e merece ser
compensado com folga. Ao mesário universitário poderá ser concedido um certificado de até 30
horas de atividade extracurricular. A folga para compensar o traballho nas eleições representou
apenas 179 dias (0,8%) das ausências do quinquênio 2010-2014.
Observa-se que o número de servidores públicos mesários vem aumentando em
Esperança do Sul passando de 08 servidores em 2010 para 14 servidores em 2014. A folga
destes pouco interfere na rotina das repartições públicas uma vez que são planejadas e
antecipadamente autorizadas pelo Prefeito Municipal, assim a Secretaria em que o servidor
estiver lotado estará preparada para trabalhar na sua ausência.
Neste estudo foi possível perceber o pequeno número de registros de casamentos tendo
apenas dois casos durante o quinquênio de 2010 a 2014, totalizando 16 dias (0,1%) de
ausências em todo o período analisado. A licença paternidade também apresentou pouca
representatividade com apenas 71 dias (0,3%) de dias afastados. Das faltas injustificadas 18
dias foram registrados no biênio 2013-2014, período que engloba a nova gestão municipal, e
apenas um dia em 2011, juntos totalizam 19 dias (0,1%) do absenteísmo do quinquênio.
O afastamento por motivo de tratamento de pessoa da família totalizou 623 dias (2,8%)
de afastamentos totais do quinquênio de 2010 a 2014. Conforme abordado na variável gênero
do item 4.3 O Perfil dos Absenteístas de Esperança do Sul, a maioria (63%) das licenças para
acompanhar pessoa da família em tratamento de saúde são concedidas as mulheres que
tradicionalmente são as cuidadoras do lar, seja para cuidar dos filhos ou pais enfermos.
Geralmente a filha mulher e não o filho homem é escolhido pelos pais para acompanhá-
los no tratamento médico, embora percebe-se que nos últimos anos alguns homens também
estão solicitando licenças para acompanhar seus filhos.
92

No ano eleitoral de 2012 foram concedidas 09 licenças para concorrer a mandato eletivo
totalizando 846 dias (3,8%) do absenteísmo do período analisado. Para substituir a ausência de
alguns cargos foram contratados de caráter emergencial uma técnica de enfermagem e um
professor de matemática.
O município de Esperança do Sul, por ser uma cidade pequena onde o seu maior órgão
empregador é a própria prefeitura, a população acaba por criar muitas expectativas sobre o
funcionalismo municipal. O servidor público é quem recebe os munícipes, conhece seus
problemas e quando não consegue solucioná-los, os encaminha a quem possa, sendo um elo de
ligação entre o Estado e a sociedade.
Deste modo explica-se o grande número de servidores públicos municipais concorrendo
a cargos eletivos, pois estão diretamente envolvidos nos problemas que afetam a população. Na
gestão 2009-2012, dois servidores efetivos exerciam mandato de vereador, sendo um motorista
e um professor de matemática, na gestão 2013-2016 esse número reduziu para um servidor
efetivo eleito ocupante do cargo de motorista.
Quando do exercício do cargo eletivo de vereador, os servidores com mandato eletivo
necessitam ausentar-se da Prefeitura para participação em congressos e cursos representando a
Câmara Municipal de Vereadores, sendo que na maioria dos casos estes eventos ocorrem na
Capital Porto Alegre, sendo incompatíveis com as atribuições do cargo efetivo.
Esta licença é concedida mediante requerimento anterior à data da ausência, porém com
interrupção da contagem de tempo de serviço e sem remuneração. A representação de cargo
eletivo na Câmara de Vereadores totalizou 104 dias (0,5%) de ausências de todo o absenteísmo
no quinquênio de 2010 a 2014.
Conforme abordado na variável idade do item 4.3 O Perfil dos Absenteístas de
Esperança do Sul, foram concedidas 05 licenças para tratar de interesses particulares
totalizando 1.335 dias (6%) do absenteísmo do quinquênio de 2010 a 2014, foram concedidos
somente a cargos que possuem mais de uma vaga no quadro efetivo de servidores.
Na maioria dos casos estes servidores tentam se fixar na iniciativa privada onde há
maior possibilidades de ascensão profissional e poucos retornam ao cargo no término da
licença. O trabalho não representa apenas uma fonte de renda, mas sim um sentido à vida,
conectado aos seus interesses, as pessoas estão mais exigentes e assim o nível de satisfação
com o trabalho vem decaindo.
Os dias ausentes decorrentes de licença maternidade representaram 1.871 dias (8,5%)
do absenteísmo de Esperança do Sul, das 16 licenças concedidas duas eram de cargos efetivos
93

que possuíam somente uma vaga, o caso da nutricionista e da psicóloga, sendo necessário a
contratação por prazo determinado de duas profissionais para substitui-las nas suas ausências.
No triênio 2010-2012 foram concedidas apenas 05 licenças maternidade e no biênio
2013-2014 foram 11 concessões de licenças gestantes. O crescente número de licenças
maternidades concedidas no quinquênio estão ligadas a inauguração das novas instalações da
Escola Municipal de Educação Infantil Esperança, onde no antigo endereço atendia em média
20 crianças passando a ter capacidade de atender até 100 crianças nos dois horários, vespertino
e matutino.
Não somente as servidoras residentes em Esperança do Sul, como as servidoras que
vem de outras cidades sentem-se tranquilas em deixar seus filhos sendo cuidados na creche do
Município que atende crianças desde o berçário até os 03 anos e 11 meses de idade.
O biênio 2012-2013, que abrange o último ano de gestão e o primeiro de outra,
apresentou o maior período de licenças para tratamento de saúde com 3.898 dias em 2012 e
3.592 em 2013, juntos representam 33,8% de todos os dias ausentes no quinquênio 2010-2014.
As faltas ao trabalho justificadas por atestado médico nem sempre são representativos
de doenças propriamente ditas, às vezes eles funcionam como pretexto para camuflar a causa
real em questão que pode estar relacionada a divergências na empresa ou problemas pessoais.
O que se explica pela rivalidade política fortemente presente neste biênio, onde os
servidores se sentem pressionados a escolher uma ideologia partidária como também ocorre
convites para trocar de lado. Os contrários a gestão governante podem ver nos afastamentos um
álibi para se afastar do estresse do ambiente de trabalho e uma maneira de aumentar a
insatisfação dos munícipes com a Administração Municipal, pois enfraquece a força de
trabalho do Município, gerandos atrasos, diminuindo a qualidade do atendimento prejudicando
a imagem do ógão público.
Os demais colegas observando este tipo de comportamento sentem-se desmotivados
para executar suas tarefas e incentivados a usufruir de uma licença para tratamento de saúde
forçada. Também ocorre de haver divergências e desentendimentos, tanto com os chefes, como
os colegas de Prefeitura e no dia seguinte o servidor requerer licença para tratamento médico.
Souto (1980) destaca ainda, que fatores pessoais podem afetar as ausências não
frequentes do trabalhador através de doença, casamento, nascimento, óbitos familiares, entre
outros de caráter legal descrito na Consolidação das Leis do Trabalho, porém, ausências
frequentes de curta duração sugerem grande insatisfação com o trabalho ou problemas pessoais,
os quais o trabalhador não está conseguindo resolver ou se adaptar.
94

Identificamos que a principal causa do absenteísmo no Município de Esperança do Sul


está nas licenças para tratamento de saúde, tendo índice de 7,1% se considerarmos somente os
dias utéis que comumente são mais reduzidos no serviço público, totalizando 16.690 dias de
ausência no quinquênio, o que representa. 75,4% do absenteísmo da Prefeitura Municipal.
Os afastamentos encaminhados para auxílio doença previdenciário abrangeram 14.603
dias de ausências no serviço público, equivalente a 66% de todas as faltas ao trabalho. Os
atestados médicos de curta duração de no máximo de 15 dias que ficam exclusivamente ao
encargo do município geraram 2.087 dias, aproximadamente 9,4% do absenteísmo total.
Os altos índices de atestados médicos por parte dos servidores públicos do Município de
Esperança do Sul merecem ser investigados em outro estudo de modo a identificar as doenças
que dão origem aos afastamentos, classificar as que estão relacionadas ao exercício da função
com o objetivo de adotar medidas para preveni-las e atenua-las, visando o bem estar e a saúde
dos servidores e redução dos níveis de absenteísmo doença.
Os cargos que mais se ausentam do trabalho na Prefeitura Municipal de Esperança do
Sul são os professores municipais, serventes de escola, motoristas e operadores de máquinas
rodoviárias, em comum abrangem duas áreas específicas da empresa, são elas a Educação e
Obras, merecem ser investigadas para analisar se as faltas são decorrentes do trabalho ou não.
As que forem atribuídas à atividade profissional devem ser minuciosamente investigadas para
evitar o adoecimento coletivo dos servidores que trabalham nas mesmas condições.

4.6 As Recomendações para Redução do Nível de Absenteísmo

A área de Gestão de Pessoas do Município de Esperança do Sul estava ciente da


presença do grande índice de absenteísmo na empresa devido ao grande número de atestados
médicos apresentados pelos servidores públicos, sendo que semanalmente eram protocoladas
licenças para tratamento de saúde de curta duração.
Porém não haviam dados estatísticos sólidos em relação as ausências no trabalho uma
vez que nem todos servidores eram submetidos ao controle do ponto eletrônico, tendo somente
uma máquina no Centro Administrativo e outra no ESF, deixando a rede municipal de ensino
sem o controle biométrico, realizando a efetividade destes manualmente através de livro ponto,
não sendo tão precisas quanto aos demais.
A Administração Municipal ciente da necessidade de ter a totalidade dos seus servidores
cadastrados nos relógios de ponto biométrico, adquiriu no final do ano de 2014 três novos
95

equipamentos destinados as duas escolas de ensino fundamental e a creche, permitindo uma


maior facilidade e agilidade na aferição da jornada de trabalho de todos os seus servidores.
Nesse mesmo período foram criadas duas Leis Municipais com a intenção de estimular
os servidores a serem assíduos ao trabalho. A primeira delas, a Lei 1.240/2014, cria a folga
remunerada para o dia do aniversário, sendo a data intransferível e de direito aos servidores que
tiverem no máximo sete atestados médicos nos doze meses anteriores ao seu aniversário.
Sendo assim os servidores mais assíduos terão um dia de folga por ocasião do seu
aniversário para se dedicar a esta data marcante e festiva, sentindo-se valorizados pela empresa.
Já os servidores absenteístas diante deste benefício iram rever as necessidades de ausentar-se
do trabalho, por exemplo, suas consultas médicas e odontológicas marcadas em horário de
expedientes podem passar a ser agendadas de modo a não atrapalhar seu trabalho, aumento as
possibilidades de direito a folga do aniversário.
A Lei Municipal Nº. 1.241/2014, trata da gratificação por assiduidade aos servidores
efetivos do Município de Esperança do Sul, equivalente a 10% do padrão de vencimentos da
Prefeitura, que hoje corresponde a 514,96, sendo a gratificação no valor de R$ 51,50 para cada
servidor assíduo no mês de apuração. Assim para ter direito a esta bonificação basta apenas os
servidores cumprirem a sua jornada normal de trabalho, e na necessidade de faltar ao serviço
estarão cientes que estão abdicando desta gratificação.
Ambas as leis terão a validade de um ano, período no qual será analisado a sua
efetividade, podendo ser prorrogada e alterada mediante nova Lei se a Administração
Municipal julgar pertinente e a Câmara de Vereadores se mostrar favorável.
Antes o Município de Esperança do Sul não dispunha de dados estatísticos sólidos para
avaliar os seus índices de absenteísmo, porém com o controle de relógio ponto biométrico
digital que abrange toda a sua estrutura administrativa poderá emitir relatórios frequentes para
acompanhar sua evolução e criar estratégias específicas de redução.
Outro passo importante para alcançar a redução deste alto nível de absenteísmo é
conscientizar os servidores através de eventos e palestras sobre a importância do seu trabalho
assíduo, permanente e comprometido para garantir um serviço público de qualidade e acessível
para atender as demandas da população. Cada servidor ao tomar posse no serviço público
prestou o compromisso de fielmente cumprir com os deveres e atribuições do cargo.
Se o servidor sente-se insatisfeito com o cargo, não identificou-se na função pública
deve rever seus objetivos e buscar um novo trabalho que lhe dê sentido à vida, pois a população
merece atendimento de qualidade, independente se o munícipe for um afeto ou desafeto do
servidor, não permite-se haver privilégios e distinções, todos devem ser tratados iguais
96

atendendo o princípio administrativo da isonomia. Da mesma forma deve-se tratar com igual
respeito os superiores, independente da ideologia partidária uma vez que vive-se num país
democrático, direito conquistado a apenas três décadas.
O servidor público atua em uma organização cujo objetivo final é a sociedade, ao tentar
burlar as leis, ausentando-se do serviço sem necessidade está ferindo a si mesmo, pois também
integra esta sociedade e necessita dos serviços públicos prestados pelos órgãos públicos.
Os resultados encontrados neste trabalho serão levados primeiramente a Administração
Municipal, a qual já mostrou interesse em apresentar este estudo ao funcionalismo público
visando a exposição dos dados como forma de conscientizar os servidores e oportunizar um
momento de diálogo entre os mesmos. Neste momento também será fundamental a presença da
classe médica do ESF, da onde se originam a maioria dos atestados médicos que resultam em
licenças para tratamento de saúde
Pretende-se em um novo estudo buscar a identificação dos atestados médicos para
verificar quais os CID´S mais presentes e analisar as causas destas patologias para averiguar se
são decorrentes do trabalho ou não, de modo evitar o adoecimento coletivo dos empregados
que trabalham nas mesmas condições.
A área de Gestão de Pessoas do Município também poderá realizar a cada trimestre ou
semestre pesquisa de clima organizacional junto aos seus servidores disponibilizando o
formulário de questões junto com a cópia do seu contra cheque, não havendo a necessidade do
servidor se identificar para responde-lo, devolvendo o formulário preenchido em urnas
dispostas próximo aos relógios ponto.
Segundo Silva (2008), clima organizacional é a atmosfera psicológica, resultante dos
comportamentos, dos modelos de gestão e dos políticos empresariais, refletida nos
relacionamentos interpessoais. O clima organizacional é uma função muito abrangente, uma
vez que envolve o comportamento de todos os colaboradores, tanto do nível operacional quanto
o tático e estratégico, além de outros fatores internos e externos à organização
Para Chiavenato, (1997, p. 246), “os trabalhadores são criaturas sociais complexas, com
sentimentos, desejos e temores, o comportamento no trabalho como o comportamento em
qualquer lugar, é uma consequência de muitos fatores motivacionais”.
Identificar o clima organizacional é importante uma vez que está diretamente
relacionado a produtividade, a capacidade de inovação e, consequentemente, a qualidade dos
serviços, isso envolve uma perspectiva altamente complexa e subjetiva, onde as pessoas com
suas crenças, valores, comportamentos e relacionamentos passam a ser determinantes para o
sucesso ou o fracasso da organização.
97

A pesquisa de clima organizacional é uma ferramenta que abrange questões


relacionadas ao apoio da chefia e da organização; a recompensa, que envolve as formas da
empresa premiar a qualidade, a produtividade, o esforço e o desempenho dos servidores; o
conforto físico, analisa o ambiente de trabalho, bem como a segurança proporcionada pela
empresa; o controle e a pressão exercidos pela organização e pelos responsáveis imediatos
sobre o comportamento e desempenho dos servidores; e a coesão entre colegas que faz menção
quanto a união do grupo bem como os vínculos e a colaboração entre eles. O resultado da
pesquisa de clima organizacional servirá de apoio a tomada de decisão quanto às medidas a
serem adotadas para reduzir o absenteísmo, bem como posteriormente monitor suas variáveis.
Atualmente o plano de carreira dos servidores públicos do município de Esperança do
Sul abrange as gratificações por tempo de serviço no cargo e por formação educacional. A
gratificação por formação garante um adicional de 20% sobre o salário base para os cursos de
graduação, exceto aos cargos que o exigem como pré-requisito, e mais 20% para a formação a
título de pós-graduação. Atualmente acima de 30 servidores possuem o adicional por formação
em grau superior e aproximadamente 50 cargos ocupados exigem curso superior, demonstrando
a mão-de-obra especializada.
A Lei Municipal 178/2001 dispõe sobre os quadros de cargos, remuneração, funções
públicas do Município, estabelece o Plano de Carreira dos Servidores e dá outras providências.
Quanto à promoção existem quatro categorias funcionais designadas pelas letras A, B, C e D,
todo servidor efetivo inicia na classe A, após cinco anos de exercício no cargo ingressa na
classe B, transcorridos mais cinco anos passa para a classe C e decorrido mais dez anos atinge
a classe D, sendo está última a de final de carreira. Cada classe funcional representa um
adicional de 10% sobre o salário base do servidores.
O artigo 17 da referida Lei determina a suspensão da contagem do tempo para fins de
promoção nos seguintes casos: as licenças e afastamentos sem direito a remuneração; as
licenças para tratamento de saúde no que excederem de noventa dias, mesmo quando em
prorrogação, exceto as decorrentes de acidente em serviço; e as licenças para tratamento de
saúde em pessoa da família.
De acordo com o plano de carreira do Município de Esperança do Sul, o servidor pode
ter em média 18 dias de atestado médico por ano sem prejudicar a concessão da promoção de
classe. Deste modo, recomenda-se a redução de um terço dos 90 dias de licença para tratamento
de saúde passando a lei a interromper a contagem na ocasião do servidor apresentar mais de 60
dias de atestado médico no quinquênio, resultando na média de um dia de atestado médico para
cada mês do quinquênio.
98

Esse benefício é muito esperado por todos os servidores que conhecem minuciosamente
a lei e se esforçam ao máximo para adquirir a promoção o mais cedo possível, a redução no
limite de dias de atestados para a concessão da gratificação de tempo de serviço irá valorizar
ainda mais os servidores assíduos que naturalmente ganharão o benefício.
Recomendamos ao Município de Esperança do Sul manter as práticas de gratificação
folga no dia do aniversário considerando os números de atestados médicos, assim como a
gratificação por assiduidade aos servidores que cumprem de forma correta a jornada de
trabalho e não faltam durante o mês.
Primeiramente é necessário conhecer a realidade dos servidores públicos da Prefeitura
Municipal para intervir com ações estratégicas, possibilitando a promoção e a prevenção da
insatisfação no trabalho e das doenças ocupacionais, as grandes vilãs do problema absenteísmo
no Município de Esperança do Sul.
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CONCLUSÃO

Dentro do contexto organizacional, muito gestores têm consciência da presença do


absenteísmo por parte dos servidores, porém não monitoram ou avaliam seus índices. Diante
deste cenário buscou-se identificar as causas do alto absenteísmo por parte dos servidores
públicos do Município de Esperança do Sul/RS no período de 2010 a2014 propondo
recomendações nos processos de gestão de pessoas da organização a fim de minimizar esse
problema.
Buscando atingir os objetivos propostos, com base na interpretação e análise dos dados
analisou-se o perfil da força de trabalho sendo composta em sua maioria por mulheres (53,8%),
da geração Y (41,0%), residentes em Esperança do Sul (79,3%), casadas e em união estável
(81,2%), com um a dois filhos (66,8%), admitidas no sexênio 2009-2014 (46,0%), ocupantes de
cargo efetivo (66,3%) e lotados na Secretaria de Educação, Cultura e Desporto (39,4%).
No período de 2010 a 2014 ocorreram 22.129 dias de ausências no trabalho, levando a
um índice 9,4% de absenteísmo considerando apenas os dias úteis do quinquênio. O ano de
2012, onde ocorreram eleições municipais, apresentou o maior índice de faltas com 11,2%.
Os três principais motivos das ausências no trabalho em Esperança do Sul foram as
licenças concedidas para tratamento de saúde (75,4%), as licenças maternidade (8,5%) e as
licenças para tratar de interesses particulares (6,0%).
Percebemos que as faltas ao trabalho justificadas por atestado médico nem sempre são
representativos de doenças propriamente ditas, às vezes eles funcionam como um pretexto que
pode estar relacionado a divergências na organização ou problemas pessoais, como pode ser
observado no biênio 2012-2013, que abrange o último ano de gestão e o primeiro de outra,
apresentando o maior número de licenças para tratamento de saúde com 3.898 dias em 2012 e
3.592 em 2013, juntos representam 33,8% de todos os dias ausentes no quinquênio 2010-2014.
Quanto ao perfil dos absenteístas a maioria eram mulheres (57%), pertencentes a
geração Y (43%), residentes em Esperança do Sul (83%), casadas (56%), possuíam de um a
dois filhos (69%), admitidas no sexênio 2009-2014 (40%), nomeadas por concurso público
(78%) e lotadas na Secretaria de Educação, Cultura e Desporto (42%).
O cargo de professor apresenta o maior número de servidores absenteístas, com uma
média de 27 educadores afastados por ano, na sequência estão os motoristas com média de 08
100

servidores afastados, em seguida estão os serventes de escola e operadores de máquinas


rodoviárias com uma média de 06 servidores ausentes por ano.
Em relação ao absenteísmo-doença os cargos que apresentaram o maior número de
afastamentos foram os professores (38,7%), os agentes comunitários de saúde (16,3%), os
operadores de máquinas rodoviárias (13,6%) e os motoristas (11,9%).
O Município de Esperança do Sul ciente do aumento no número de absenteístas, porém
sem saber a dimensão dos níveis tomou algumas iniciativas junto a Divisão de Recurso
Humanos, tais como, controlar a frequência de todos os colaboradores por meio do registro no
relógio ponto biométrico, criou as Leis Municipais 1.240 e 1.241/2014 para incentivar e
valorizar a assiduidade do funcionalismo público.
Com base nos resultados encontrados nesta pesquisa foram propostas à Divisão de
Recursos Humano as recomendações a seguir: realizar um trabalho de conscientização acerca
da importância do trabalho do servidor público para o bem comum, fazendo-se necessário ser
realizado com comprometimento, eficiência, eficácia e efetividade; também, a realização de
pesquisas semestrais de clima organizacional, visando a identificar as secretárias e cargos com
maiores níveis de satisfação e insatisfação para com as políticas de gestão de pessoas.
Outra forma de estimular a assiduidade e consequentemente diminuir os índices de
absenteísmo é realizar uma alteração no Inciso II, artigo 17 da Lei 178/2001 tornando mais
rígida a promoção por tempo de serviço, reduzindo o limite de 90 para 60 dias de atestado
médico sem interrupção na contagem de dias para fins de promoção.
Recomenda-se em um novo estudo buscar a identificação do absenteísmo-saúde, mais
precisamente no que refere-se aos atestados médicos visando a verificar quais os CID´S
(Código Internacional de Doenças) são mais presentes e analisar as causas destas patologias
para averiguar se são decorrentes do trabalho ou não, de modo a evitar o adoecimento coletivo
dos servidores.
Por fim, o presente trabalho oportunizou uma realização pessoal da pesquisadora e foi
uma oportunidade ímpar para adquirir novos conhecimentos teórico-práticos sobre o tema.
Também, trouxe importante contribuição para a organização no sentido de gerar informações
para a tomada de decisão, possibilitando manter informados gestores e servidores a respeito de
índices, motivos e variáveis relacionadas ao tema, tendo em vista sua importância para a gestão
de pessoas e a gestão organizacional.
101

REFERÊNCIAS

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ANEXO A – Lei Municipal 1240/2014, Institui a Folga no Dia do Aniversário aos


Servidores do Poder Executivo e Dá Outras Providências

LEI Nº 1240 DE 02 DE DEZEMBRO DE 2014

INSTITUI A FOLGA NO DIA DO ANIVERSÁRIO AOS


SERVIDORES DO PODER EXECUTIVO E DÁ OUTRAS
PROVIDÊNCIAS.

O PREFEITO MUNICIPAL DE ESPERANÇA DO SUL, Estado do Rio Grande do Sul, no


uso de suas atribuições legais, e em cumprimento ao disposto no Artigo 81, Inciso VI, Da Lei Orgânica
do Município, FAÇO SABER que a Câmara Municipal de Vereadores aprovou e eu sanciono e
promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º - Fica instituída a folga remunerada no dia do aniversário ao servidor do Poder Executivo
Municipal, que não tiver se ausentado ao serviço, mediante atestado médico, por mais de 7
(sete) dias nos últimos doze meses anteriores ao mês de seu aniversário.

Art. 2º - A folga remunerada coincidirá com a data do seu aniversário, não podendo ser transferida
sob nenhuma hipótese.

§ ÚNICO - Se o servidor estiver afastado do serviço por qualquer motivo, ou em viagem a serviço, na
data de seu aniversário, perderá o direito ao gozo.

Art. 3º - Para usufruir o direito à folga no dia do aniversário o servidor deverá, com antecedência de
no mínimo 3 (três) dias úteis, protocolar pedido ao Prefeito Municipal para que seja
realizada a análise das condições previstas no art. 1º desta lei.

Art. 4º - O setor de Recursos Humanos avisará ao secretário da pasta de lotação do servidor


referente sua ausência no dia do aniversário para que não haja prejuízo na organização dos
trabalhos.

Art. 5º - O servidor ocupante de Cargo em Comissão, não sujeito ao controle de ponto, terá o direito
à folga no dia do seu aniversário, independente de análise de assiduidade, obedecendo as
demais regras para o gozo.

Art. 6º - Revogadas as disposições em contrário, esta Lei entrará em vigor na data de sua
publicação.
GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE ESPERANÇA DO SUL,
Aos 02 dias do mês de Dezembro de 2014.

ROBERTO PAULO ALBRING PREDIGER


Prefeito Municipal

Bel. MARCELO CARDOSO TRINDADE


Assessor Jurídico

REGISTRE-SE E PUBLIQUE-SE:

NAIR CRISTINA VIVIAN


Secretária de Administração, Planejamento e Turismo
106

ANEXO B – Lei Municipal 1241/2014, Institui a Gratificação Assiduidade aos Servidores


do Poder Executivo e Dá Outras Providências

LEI Nº 1241 DE 02 DE DEZEMBRO DE 2014

INSTITUI A GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE AOS


SERVIDORES DE CARGO EFETIVO DO PODER EXECUTIVO
E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

O PREFEITO MUNICIPAL DE ESPERANÇA DO SUL, Estado do Rio Grande do Sul, no


uso de suas atribuições legais, e em cumprimento ao disposto no Artigo 81, Inciso VI, Da Lei Orgânica
do Município, FAÇO SABER que a Câmara Municipal de Vereadores aprovou e eu sanciono e
promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º - Fica instituída no âmbito da Prefeitura Municipal de Esperança do Sul a Gratificação


Assiduidade, de natureza indenizatória, aos servidores efetivos do Poder Executivo
Municipal, que estão sujeitos ao controle de efetividade, com assiduidade de 100% (cem
por cento) no mês.

Art. 2º - O valor da Gratificação Assiduidade será o equivalente a 10% do padrão de referência, que
será pago ao servidor junto à folha de pagamento do mês subsequente conforme controle de
efetividade.

Art. 3º – A assiduidade será controlada pelo setor competente, mediante controle da efetividade.

Art. 4º – O servidor perderá o direito a Gratificação Assiduidade quando apresentar qualquer


ausência ao trabalho no período analisado, inclusive atestado médico.

§ ÚNICO - Após registrar o ponto, o servidor deverá cumprir prontamente as ordens de seu superior,
para o exercício de suas tarefas. O descumprimento das ordens descaracterizará a
assiduidade, podendo acarretar em perda do direito à Gratificação Assiduidade do referido
mês, mediante informação formal do Secretário da Pasta ao Setor de Recursos Humanos.

Art. 5º – Não serão consideradas faltas, os abonos que o servidor necessitar em virtude de problemas
na leitura biométrica, até o limite de 5 abonos, correspondendo 1 abono para cada leitura
biométrica.

Art. 6º – A Gratificação Assiduidade, não será incorporada para fins de pagamento de 1/3 de férias,
gratificação natalina, aposentadoria, horas extras e outras vantagens ou gratificações
previstas em lei.

Art. 7º - Revogadas as disposições em contrário, esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação
e terá validade de um ano.
GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE ESPERANÇA DO SUL,
Aos 02 dias do mês de Dezembro de 2014.

ROBERTO PAULO ALBRING PREDIGER


Prefeito Municipal
Bel. MARCELO CARDOSO TRINDADE
Assessor Jurídico

REGISTRE-SE E PUBLIQUE-SE:

NAIR CRISTINA VIVIAN - Secretária de Administração, Planejamento e Turismo