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1.

Introdução

O tema central deste trabalho é as teorias da aprendizagem musical e tendo em vista ao tema
central, pretende-se apresentar sintetizadamente as principais teorias da aprendizagem musical
reflectindo profundamente apenas uma teoria relacionando a teoria eleita com os demais,
apresentando os pontos convergentes e divergentes, bem como um posicionamento a respeito
das referidas relações entre as teorias.

Salientar que a música enquanto um fenómeno humano, representa, desde os tempos mais
remotos da existência humana, a possibilidade do encontro com o outro, de uma comunicação e
expressão de emoções dos mais variados tipos. Curiosamente, ela nunca envelhece, e também
não se esgota.

1.1 Objectivos

1.1.2 Geral

 Apresentar sintetizadamente as principais teorias da aprendizagem musical reflectindo


profundamente apenas uma teoria;

1.1.3 Específicos

 Definir os principais conceitos ligados às teorias da aprendizagem musical;


 Descrever justificadamente a teoria escolhida para a reflexão;

 Relacionar as teorias entre si e em relação aos métodos de ensino e aprendizagem de


música conhecidos;

1.2. Metodologia
Para a realização do presente e precioso trabalho fez se um levantamento de referências
bibliográficas.

Teorias da Aprendizagem Musical (Métodos activos)


A partir da segunda metade do século XX, sob a influência das pesquisas em música eletrônica e
concreta feitas por Pierre Schaeffer, Stockhausen e outros compositores, a então chamada música de
vanguarda focaliza o som, matéria-prima da música como centro de interesse, idéia absorvida então
pelos pedagogos musicais.

Passa-se a privilegiar, dentro das novas propostas pedagógicas, a criação, a escuta ativa, a ênfase no
som e suas características, evitando-se a reprodução vocal e instrumental do que se passa a denominar
“música do passado”

Os tipos e estádios da audição estão intimamente ligados à teoria de aprendizagem musical. A educação
musical formal incorpora três teorias de aprendizagem:

 Sequência de aprendizagem de competências,


 Do conteúdo tonal e
 Do conteúdo rítmico.

A sequência de aprendizagem de competências divide-se em duas partes:

 Aprendizagem por discriminação (memorização) e por


 Inferência – envolve fazer juízos e generalizações através de conclusões que se tiram com base
no conhecimento adquirido na aprendizagem por discriminação. A criatividade e a improvisação
estão associadas à aprendizagem por inferência.

Keith Swanwick

Keith Swanwick – professor emérito do Instituto de Educação da Universidade de Londres, foi o


primeiro professor titular de Educação Musical e Diretor de Pesquisa na Europa.

Swanwick propõe sua visão de música como uma forma de discurso impregnada de metáfora: uma
perspectiva sobre a natureza e o valor da música e seu papel na sociedade, focando os aspectos do
discurso que a música compartilha com outras formas e identificando três modos pelos quais a música
funciona metaforicamente – transformar sons em “melodias”, gestos; transformar essas “melodias”,
gestos em estruturas; transformar essas estruturas simbólicas em experiências significativas. Esses
processos metafóricos são internos, invisíveis, mas seus efeitos podem ser observados nas várias
camadas da atividade musical: materiais, expressão, forma e valor.

Outras funções orbitam em torno desses processos musicais centrais: expectativas sociais e transmissão
cultural. Uma educação musical presume que os alunos tenham a possibilidade de acesso aos três
processos metafóricos. Somente dessa maneira, é possível vislumbrar o que Swanwick chama “espaço
intermediário” – uma área de liberdade psicológica potencial.

Princípios

 Considerar a música como discurso – a menor unidade musical significativa é a frase ou o gesto,
não um intervalo, tempo ou compasso.

“O método de ensino não é tão importante quanto nossa percepção do que a música é ou do que ela faz.
Ao lado de qualquer sistema ou forma de trabalho, está sempre uma questão final – isso é, realmente,
musical? Existe um sentimento que demanda caráter expressivo e um senso de estrutura naquilo que é
feito e dito? (...) as técnicas são usadas para fins musicais, o conhecimento de fatos informa a
compreensão musical. A história da música e a sociologia da música são vistas como acessíveis somente
por meio de portas e janelas em encontros musicais específicos. É apenas nesses encontros que as
possibilidades existem para transformar sons em melodias, melodias em formas e formas em eventos
significativos de vida.”

Em uma crítica aos métodos que, para desenvolver a aquisição de conceitos teóricos e da escrita,
utilizam-se da análise, abordando os elementos materiais sonoros, Swanwick afirma que dessa maneira,
esse processo não nos envolve em nenhum dos níveis metafóricos. Apresenta seu raciocínio não
levando em conta que, antes da análise, na aplicação desses métodos tradicionais, há um período de
vivência musical plena da canção utilizada como base para a mesma, envolvendo-a como um todo, em
sua dinâmica, agógica, entoação do texto (com todas as suas possibilidades interpretativas e
expressivas), acompanhada de gestos, coreografias, jogos, etc., passando, necessariamente pela
percepção dos sons a provocar respostas absolutamente intuitivas.

Diz ele: “...qualquer forma de notação musical é uma forma de análise, e que qualquer análise é,
necessariamente, parcial e incompleta. Analisar é tomar uma seção específica da experiência intuitiva
ampla e direcionar nosso foco para esse ângulo escolhido. (...) Temos de ter cuidado com isso, pois
atendendo apenas a uma ou duas dimensões, talvez relações de altura e métrica, necessariamente
colocamos as outras coisas em um plano secundário.”

Swanwick descreve, nesse texto, uma proposta de análise de uma canção de sua autoria para ilustrar
sua crítica. Inicia com a leitura do solfa da canção, posteriormente acrescenta um texto, depois um
acompanhamento com bordão, em seguida modifica a melodia inicial para aperfeiçoá-la, e finalmente
transforma ainda o bordão – o que introduz uma nova harmonia. É bom lembrar, que o caminho a ser
percorrido, segundo Kodály, por exemplo, deveria ser exatamente do final para o começo do descrito
acima – somente após a experiência da “obra de arte”, seria ela então fragmentada com propósitos
cognitivos.

Raymond Murray Schafer

Nasceu em 1933, em Sarnia, Ontário, Canadá. Sua reputação é internacionalmente reconhecida como
compositor, educador, ambientalista e artista visual. Estudou piano, cravo, composição e musicologia na
Universidade de Toronto, a partir de 1952, na qual fez contato com Marshall McLuhan e suas idéias, o
que provavelmente tenha sido uma das influências intelectuais mais duradouras em sua vida. Não
chegou a graduar-se na universidade de Toronto e seu título é do Royal Conservatory of Music de
Toronto. A universidade o desiludiu e preferiu, como autodidata, desenvolver profundos estudos sobre
linguagem, literatura e filosofia.

Estudou na Áustria e Inglaterra, interessando-se pela música alemã e pelos compositores


contemporâneos ingleses. De volta ao Canadá, dirigiu ciclos de concertos e, já fixado na Simon Fraser
University, em Vancouver, com apoio da UNESCO e da Donner Canadian Foundation, organizou o
projecto sobre o ambiente sonoro mundial World Soundscape Project, dedicado ao estudo das relações
entre o ser humano e seu ambiente acústico. Entre suas primeiras composições, o Concerto para Cravo
e Oito instrumentos de sopro e a Sonatina para Flauta e Cravo (ou piano) revelam influências de
Weinzweig, do neoclassicismo de Stravinsky e do “Grupo dos Seis”’. O Minnelieder, em atmosfera
mahleriana, foi, na opinião de Schafer, sua primeira obra importante. No início dos anos 60 Schafer
voltou-se ao serialismo, e também à língua, literatura e filosofia das culturas antigas, levando a uma
exploração da mitologia e simbolismo da vida moderna
Tem sido muito grande a contribuição de Schafer para a arte contemporânea e sua visão sobre ecologia
sonora, expandida em sua atividade educacional, é de grande importância para as gerações atuais e
futuras.

Músico e educador musical canadense, Murray


Schafer
"acredita mais na qualidade da audição. na relação
equilibrada entre homem e ambiente, e no
estímulo `a capacidade criativa do que em teorias
da aprendizagem musical e métodos pedagógicos.
Suas posições a respeito desse tema vem sendo
discutidas há bastante tempo, desde a década de
1960, como resultado da própria prática e de suas
reflexões a respeito de suas (nem sempre bem-
sucedidas) experiências escolares durante a
infância e a adolescência." (FONTERRADA, 2008)

John Paynter

John Paynter – pedagogo inglês, de pensamento concorde com Self, escreveu vários livros sobre a
educação musical. Sua proposta também é a de incluir a música contemporânea nas escolas, pois,
segundo ele, atualmente deve-se valorizar a experiência individual e a estética baseada na experiência
do sujeito, e não na manutenção das tradições. Sua construção de música ou fragmentos musicais
partem da escuta ativa e experimental, na qual, por meio do jogo exploratório, criam-se estruturas
sonoras. Suas idéias podem ser muito bem compreendidas a partir da página introdutória do seu livro
Hear and now:
De que trata esta nova música? Como todas as demais músicas, são maneiras de construir, com sons,
diferentes tipos de sons. Sons isolados, grupos de dois sons ou de três, muitos sons diferentes juntos,
esquemas e direções sonoros, agudos, graves, longos, curtos, texturas e cores de sons, sons ásperos,
suaves, brilhantes e opacos. Na realidade, tudo aquilo que possa ocorrer ou que possa se fazer com os
sons. Antes de tudo, Música trata da sensibilidade – trata-se de ser sensível aos sons, trata-se de dizer
coisas por meio dos sons, trata-se de escutar sons que nunca antes se tinha ouvido. Volte-se para as
origens. Esqueça todas as definições que fazemos da música; do ritmo e da melodia. Em essência, a
música trata de excitar com sons. Não existe uma ruptura tão grande entre a música atual e a do
passado. Na verdade, não existe ruptura alguma. Tudo o que ocorreu foi que se incrementaram os
recursos. Agora há mais sons disponíveis para fazer música e mais maneiras de utilizálos. Procure alguns
sons e trate de fazer música

Contemporâneo de Self, John Paynter também


baseava-se nas práticas alinhadas à música nova
para a educação musical. Paynter valorizava o
experimental e rejeitava os procedimentos de
repetição de valores tradicionais da música.
Segundo ele, o século XX abriu um grande leque
de possibilidades novas e inesgotáveis recursos de
criação. Nas propostas de Paynter e Self, não se
trata apenas de descobrir e registrar novos sons,
mas de organizá-los como música a partir de uma
atitude de escuta ativa e experimental.
Edwin Gordon

Edwin Gordon – pedagogo americano, foi diretor da Research In the Psychology of Music na
Univerisdade de Iowa. Entre outros livros, é autor de: The Psychology of Music Teaching, The Nature,
Description, Measurement and Evaluation of Music Aptitudes, Introduction to Research and the
Psychology of Music e Learning Sequences in Music. Atualmente, é Distinguished Professor in residence
na Universidade de South Carolina, prosseguindo investigações – iniciadas há mais de vinte anos – no
âmbito do desenvolvimento musical de recém-nascidos e crianças em idade pré-escolar

Para Gordon o período mais importante da aprendizagem ocorre desde o nascimento (ou antes) até aos
dezoito meses, quando a criança aprende através da exploração e a partir da orientação não-
estruturada que lhe proporcionam os pais e outras pessoas que dela cuidam. Entre os dezoito meses e
os três anos, recebe o mesmo tipo de instrução, e até os cinco anos passa a receber orientação
estruturada ao mesmo tempo na escola e em casa.

O que a criança aprende durante esses primeiros cinco anos de vida forma os alicerces para todo o
subsequente desenvolvimento educativo. Um grande número de neurologistas, pediatras, biólogos e
psicólogos, associados a universidades e institutos de investigação, chegou à conclusão de que existem
períodos críticos associados ao surgimento de conexões neurológicas e sinapses que ocorrem antes do
nascimento e durante a primeira infância. Se essas conexões não forem feitas nos períodos cruciais, as
células não usadas acabam por se perder e nunca mais podem ser recuperadas. Sendo assim, se uma
criança muito pequena não tiver a oportunidade de desenvolver um vocabulário de audição musical, as
células que teriam sido usadas para estabelecer esse sentido auditivo serão, no melhor dos casos,
direccionadas para outro sentido, talvez o da visão, que ficará fortalecido à custa do sentido da audição.
Nenhuma medida de educação compensatória posterior poderá eliminar na totalidade essa deficiência.

Para Gordon, a música é única para os seres humanos e, como as outras artes, é tão básica como a
linguagem para a existência e o desenvolvimento humanos. Por meio da música, a criança é mais capaz
de desenvolver e sustentar a sua imaginação e criatividade.
Audiação – termo criado por Gordon – audiar enquanto executa-se música é como pensar enquanto
fala-se, e audiar enquanto se escuta música é como pensar naquilo que alguém disse e está dizendo. O
grau com que as crianças conseguem audiar a diferença ou semelhança entre dois padrões tonais ou
rítmicos representa a medida das suas aptidões musicais, tonal e rítmica. Toda criança tem aptidões
musicais inatas, e os estímulos para o desenvolvimento da audiação iniciam-se na fase do balbucio
musical. Essa fase é normalmente associada às crianças pequenas, mas as mais velhas ou até os adultos
podem nunca chegar a sair da fase do balbucio tonal ou rítmico, ou de ambos. Essas fases prolongadas
de balbucio musical ocorrem nos casos em que aqueles não receberam orientação informal musical,
durante a primeira infância – independentemente de quão baixo seja o potencial inato de uma criança,
é possível, com adequada orientação informal estruturada e não estruturada fazê-la sair do balbucio
musical, porém, quanto mais idade tiver, mais difícil isso se tornará.

A audiação ocorre quando se ouve e se compreende música em silêncio, quando o som da música é
ausente, ao contrário da percepção da música, em que o som está fisicamente presente. A maior parte
das pessoas ouve, reconhece e executa música por meio da imitação ou da memorização sem a audiar.
A audiação é a base da aptidão musical. A linguagem e a música têm suas raízes na biologia, enquanto o
pensamento e a audiação na psicologia. Ao contrário da imitação, a audiação é um processo que gera
compreensão musical. A imitação, por si só, não é linear, pois incide sobre as partes do todo, enquanto a
audiação, que é circular, incide sobre o todo.

Principais Conceitos ligados as teorias

Teoria escolhida para a reflexão


Relação entre as teorias e em relação aos métodos de ensino e aprendizagem de música
conhecidos

Relação do conhecimento da estudante sobre as teorias da aprendizagem musical aos


outros conteúdos apreendidos nas Disciplinas de Pedagógicas e Didáctica de Musica I e II,
bem como as demais Disciplinas do curso

Conclusão

Em virtude dos factos mencionados no trabalho viu-se que


Referencias Bibliográficas

FONTERRADA, Marisa T. O. De tramas e fios. Ed.


Unesp, São Paulo 2008, pg. 193.