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C omentários do A ntigo T estamento

D edico esse com entário aos m eus pais

G eorge e M aria Rata,

que m e encorajam continuamente

me amam incondicionalmente.
Sumário
Agradecimentos.................................................................................. 10

Introdução - O mundo de Esdras e Neemias................................ 11


1. A queda do Império Babilônico e a ascensão do Império
P e rs a .............................................................................................. 11
2. A religião dos persas.................................................................... 12
3. A Teologia de Esdras.................................................................... 14
A. O que o livro de Esdras nos ensina a respeito de D eu s?.... 14
B. O que o livro de Esdras nos ensina a respeito do povo de
Deus e dos incrédulos?........................................................... 16
4. A Teologia de N eem ias................................................................ 19
A. O que o livro de Neemias nos ensina a respeito de Deus? .. 19
B. O que o livro de Neemias nos ensina a respeito do povo
de Deus e dos incrédulos?........................................................ 24
5. Data e autoria................................................................................ 33

E sdras
Esdras 1
I. Deus desperta o coração de Ciro (1.1-4).......................... 37
II. Deus desperta o coração de seu povo (1.5-11)................ 39

Esdras 2
I. Os líderes da restauração (2.1-2a)...................................... 43
II. Repatriados identificados pelo nome ou pela localização
geográfica (2.2b-35)............................................................. 44
III. Os sacerdotes (2.36-39)....................................................... 45
IV. Os levitas (2.40-42)............................................................. 46
V. Os servidores do templo e os descendentes dos servos de
Salomão (2.43-58)................................................................ 47
VI. Repatriados sem registro de família (2.59-63)................... 48
VII. Estatísticas e estabelecimento (2.64-70) ............................ 49
Esdras 3
I. Sacrifícios a Deus: o fundamento da adoração (3.1-6) 55
II. Trazendo o melhor: os materiais para o templo (3.7)......... 57
III. Começando a construir (3.8-9)............................................ 58
IV. Louvando e dando graças ao S enhor (3.10-13)................. 59

Esdras 4
I. A fonte de oposição (4.1-3)................................................. 61
II. A persistência da oposição (4.4-5)..................................... 62
III. As muitas faces da oposição (4.6-22)................................ 62
IV. As consequências da oposição (4.23-24)........................... 65

Esdras 5
I. A reconstrução do templo é retomada (5.1-2)... 67
II. A reconstrução do templo é desafiada novamente (5.3-5) 68
III. A reconstrução do templo é relatada a Dario (5.6-17). 68

Esdras 6
I. Deus move o coração do rei (6.1-12)................................. 71
II. A Casa de Deus é concluída (6.13-15)............................... 73
III. A Casa de Deus é dedicada (6.16-18)............................... 74
IV. O povo de Deus celebra a Páscoa (6.19-22).................... 75

Esdras 7
I. Deus envia o seu homem (7.1-6)........................................ 77
II. O homem de Deus tem um coração para Deus (7.7-10).. 78
III. Deus dirige o coração do rei (7.11-26)............................... 79
IV. “Bendito seja o S enhor !” (7.27-28).................................... 83

Esdras 8
I. A lista dos cabeças de famílias que retomaram (8.1-14) .. 85
II. “Os ministros para a casa do nosso Deus” (8.15-20)....... 86
III. O povo de Deus se humilha (8.21-23)................................ 87
IV. Os guardiões da prata e do ouro de Deus (8.24-30).......... 89
V. O povo de Deus chega a Jerusalém (8.31-36)................. 90
Esdras 9
I. O pecado do povo (9.1-4)................................................... 93
II. A oração dos justos (9.5-15)............................................... 95

E sdras 10
I. A exortação dos líderes: santidade (10.1-4)..................... 99
II. A resposta do povo: arrependimento (10.5-17)...................100
III. A lista de transgressores (10.18-44)....................................103

N eem ias
N eem ias 1
I. O homem de Deus ouve as más notícias (1.1-3)................109
II. O homem de Deus sente as más notícias (1 .4 )............... 111
III. O homem de Deus compartilha as más notícias (1.5-11) . 113

N eem ias 2
I. O homem de Deus tem um coração sensível (2.1-3)....... 115
II. “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei” (2.4-8) 116
III. O homem de Deus desafia a outros (2.9-20).................... 118

N eem ias 3
I. A reconstrução do muro é realizada por meio do trabalho
em equipe (3.1-32).................................................................122

N eem ias 4
I. Oração e planejamento em meio à oposição (4.1-11).......128
II. Palavras e trabalho apesar da oposição (4.12-23)............ 131

N eem ias 5
I. Uma injustiça revelada (5.1-5) ........................................... 133
II. Uma injustiça tratada (5.6-13)............................................ 134
III. Um líder lidera pelo exemplo (5.14-19)............................. 136

N eem ias 6
I. O homem de Deus tem discernimento (6.1-4) ..................138
II. O homem de Deus luta contra mentiras e calúnias (6.5-9) 139
III. O homem de Deus luta contra ameaças e falsos profetas
(6.10-14)..............................................................................140
IV. O homem de Deus é bem-sucedido: o muro é terminado
(6.15-19)...............................................................................141

N eem ias 7
I. O humilde homem de Deus delega trabalho(7.1-5)........... 143
II. A lista dos repatriados (7.6-73)............................................ 144

N eem ias 8
I. O fiel lê a Palavra (8.1-6).....................................................151
II. O fiel explica a Palavra (8.7-8)........................................... 152
III. O fiel se regozija na Palavra (8.9-12)..................................153
IV. O fiel obedece à Palavra (8.13-18)..................................... 154

N eem ias 9
I. Deus é grande e digno de ser louvado (9.1-6)...................156
II. Deus escolheu e cuidou de Israel (9.7-17)......................... 157
III. Deus conduziu Israel (9.18-22)............................................ 159
IV. Deus repreendeu Israel (9.23-30)...................................... 159
V. Deus concedeu graça a Israel (9.31-38)........................... 161

N eem ias 10
I. Os signatários da aliança (10.1-27)..................................... 163
II. As promessas da aliança (10.28-29) ................................. 164
III. As estipulações da aliança (10.30-39).............................. 165

N eem ias 11
I. O repovoamento de Jerusalém (11.1 -24)........................... 168
II. As aldeias de Judá e de Benjamim (11.25-36)................. 171

N eem ias 12
I. Os sacerdotes e os levitas que retornaram do exílio
(12.1-26)................................................................................ 172
II. O muro da cidade é dedicado (12.27-43).......................... 173
III. Ofertas para o serviço do templo (12.44-47).................... 175
N eem ias 13
I. Reforma por meio de exclusão (13.1-3)............................. 177
II. Reforma por meio de expulsão (13.4-9)..............................178
III. Reforma por meio de organização (13.10-14)....................179
IV. Reforma por meio da observação do sábado (13.15-22).. 180
V. Reforma por meio da separação do pecado (13.23-31) ... 182

Apêndice A - Problemas de autoria em Esdras-Neemias


I. Esdras como oautor de Esdras-Neemias........................... 185
II. Um historiador/cronista anônimo como o autor de Esdras-
Neemias..................................................................................186
III. Levitas pós-exílicoscomo autores de Esdras-Neemias.... 192
IV. Esdras e Neemias como autores de seus respectivos livros 197

N otas.....................................................................................................199
Bibliografia...........................................................................................221
Agradecimentos
Meu sincero “obrigado” aos meus assistentes e alunos Josh Topei,
Kevin Becker, Kurt Kenyon, Darren Kloepper, Pat Park, Faith Olson e
Jeremy Maurer, por sua ajuda com a pesquisa para esse projeto.
Gostaria também de expressar a minha profunda gratidão a
Diane Jasper, Jan Prewitt e Sue Rowland da Calvary Bible Church,
em Kalamazoo, Michigan, por sua ajuda na revisão das provas desse
documento, e por sua inestimável contribuição em relação à lingua-
gem e ao estilo.
Introdução

O mundo de Esdras
e Neemias

1. A queda do Im pério Babilônico


e a ascensão do Im pério Persa
Por causa de sua persistente idolatria e apostasia, Deus permitiu
que Israel fosse levado para o exílio pelos babilônios, sob o comando do
déspota Nabucodonosor (604-562 a.C.)· O exército babilônico levou
judeus cativos em três deportações, em 605, 597 e 587 a.C. Durante a
invasão final, em 587 a.C., os babilônios não apenas destruíram as por-
tas da cidade e o muro de Jerusalém, mas também o centro religioso de
Israel, o templo de Salomão; portanto, a perda que os judeus experi-
mentaram foi, simultaneamente, emocional, nacional e espiritual. Além
de afirmar seu poder sobre os judeus, Nabucodonosor também dirigiu
grandes projetos de construção durante o seu reinado: pontes, zigura-
tes e um templo para o deus da cidade, Marduque. As realizações de
seus sucessores não se igualaram às de seu predecessor, que reinou
por 42 anos.
A segunda figura chave nesse período histórico foi Ciro, o Gran-
de, fundador do Império Persa, que se tornou rei de Elão por volta de
559 a.C. Após Ciro ter derrotado o rei do Império Lídio em 546 a.C.,
ele voltou sua atenção para a Babilônia. Ciro tomou a cidade capital
da Babilônia em 12 de outubro de 539 a.C., após uma sangrenta bata-
lha em Opis. Apenas nove anos depois (530 a.C.), ele morreu no
campo de batalha, enquanto buscava mais terras para seu já gigan-
tesco império.
12 E sdras e N eemias

Im p erad or P erío d o d o R ein ad o


Ciro Π (0 Grande) c. 559-530
C am bises Π 5 30-523
Esmérdis ou Bardiya 522
Dario I 52 2 -4 8 6
X erxes I 486-465
Artaxerxes I 4 6 5 -424/3
X erxes Π 424/3
Dario Π 4 2 3 -4 0 5 /4
Artaxerxes Π 4 0 5 /4 -3 5 9
Artaxerxes ΙΠ 359-338
Artaxerxes IV (A rses) 33 8 -3 3 6
D ario HI 336-331
Artaxerxes V 331

Tabela 1: Dinastia Aquemênida (559-330 a.C.)1


2. A religião dos persas
A Pérsia era uma terra de tolerância religiosa. Embora os próprios
reis da Pérsia adorassem muitos deuses pagãos, eles permitiam e até
mesmo auxiliavam a instituição do sacerdócio de vários outros grupos
religiosos.2 Dario I (522-486) foi grandemente influenciado pelo
zoroastrismo, os ensinos de Zaratustra. É possível que, por volta de 480
a.C., o zoroastrismo tenha se tomado a religião persa oficial.3
Zaratustra nasceu no leste do Irã por volta de 628 a.C., embora
alguns estudiosos datem sua vida entre 1700 e 1500 a.C.4 Ele foi treina-
do para servir como sacerdote em um culto pagão e, com a idade de 30
anos, desceu até um rio para pegar água para uma festa pagã e teria,
supostamente, recebido uma visão celestial.5 O visitante celestial, cha-
mado Ahura Mazda (que significa “Sábio Senhor”),6revelou a “verdade”
para Zaratustra e o encarregou de ensiná-la a outros; no entanto, as
pessoas de sua época normalmente não consideravam Zaratustra divino,
I ntrodução 13

vindo a ser venerado somente muito tempo depois de sua morte.7 Ele
pregou o monoteísmo, o que pode ser a razão pela qual muitos se
recusaram a ouvir, pois seus ensinos eram uma ruptura radical com o
pensamento politeísta de seu tempo. As instruções do profeta tam-
bém incluíam um rigoroso código de leis de pureza,8e a conduta correta
envolvia uma vida estritamente ética, que honrava a humanidade e os
deveres do homem de cuidar do mundo e dos animais dentro dele.9
Dizer a verdade era o esperado, a água era reverenciada e a purifica-
ção incentivada. As lavagens rituais incluíam passar por nove covas
contendo urina bovina, areia e água.10 Os sacerdotes eram responsá-
veis por sacrifícios diários que normalmente envolviam a queima de
um touro.
Os zoroastristas não apenas se recusavam a construir templos,
como também não erguiam estátuas ou altares: Heródoto relatou que
os persas não esculpiam imagens de seus deuses, pois visualizá-los em
forma humana era considerado insensatez.11 Os persas reverenciavam
o fogo e eram incentivados a orar cinco vezes ao dia em sua presença.
Os ensinos de Zaratustra foram registrados em um livro sagrado cha-
mado Avesta, que era dividido em três partes. A primeira seção, cha-
mada de Yasna, incluía a liturgia principal e os Gathas. A segunda
parte, chamada de Yashts, apresentava hinos dirigidos a várias divin-
dades; e, finalmente, o Vendidad ou Videvdat, continha o código da
lei moral.12Os Gathas envolviam 17 hinos poéticos dirigidos a Ahura
M azda13 e eram considerados os ensinos originais de Zaratustra.
O restante do Avesta surgiu muito mais tarde, à medida que sacer-
dotes e escribas interpretavam e escreviam comentários sobre os
Gathas. Embora sacerdotes contemporâneos tenham experimentado
pouca dificuldade na interpretação, alguns estudiosos acreditam que
os Gathas sejam “as composições mais obscuras e ambíguas de toda
a literatura religiosa oriental.” 14
Segundo a tradição, Zaratustra foi esfaqueado até a morte por um
sacerdote pagão aos 77 anos de idade.15 Não há evidência alguma de
que os cidadãos comuns tenham adotado em larga escala os ensinos do
profeta, portanto, é justo concluir que a maior parte da cultura persa
permaneceu essencialmente pluralista.
14 E sdras e N eemias

Copyright 1999 ΜΑΝΝΑ Todos os Direitos Reservados. Usado com permissão.

3. A Teologia de Esdras
Após permanecerem no exílio babilônico por 70 anos, os israelitas
receberam autorização para retomar à sua terra natal por m eio do de-
ereto de Ciro, o Grande, fundador do Império Persa. Seu decreto não
apenas permitiu que os israelitas retomassem à sua terra, mas também
que reconstruíssem seu templo em Jerusalém, o centro de sua vida
religiosa. Neem ias foi um dos líderes sob cuja liderança alguns israeli-
tas retomaram para sua pátria. O livro de Esdras é dividido em duas
seções principais; capítulos 1 -6 , que dizem respeito à restauração rea-
lizada por Deus de seu povo à terra, e os capítulos 7 -1 3 , que registram
a reforma realizada por Deus de seu povo restaurado,

A. O que o livro de Esdras nos ensina a respeito de Deus?


E sdras, ipresenta Deus com o sendo fiel à sua palavra e um cum-
pridor de suas promessas. Ele é o Deus soberano que controla a histó-
ria, incluindo as conquistas e o decreto de Ciro. Os judeus podem retor-
nar à sua terra natal, e reconstruir Jerusalém e seu centro religioso, não
I ntrodução 15

por causa da bondade do coração de Ciro, mas sim por causa da iniciati-
va de Deus de despertar o espírito de Ciro (1.1). A designação “Deus
dos céus” é o reconhecimento de Ciro de Deus como o Deus Criador,
o qual ordenou que o rei iniciasse o trabalho de reconstrução em Jeru-
salém (1.2). Ciro reconhece que Deus está com o seu povo escolhido,
os israelitas, que ele tem uma casa (“A Casa do S enhor”) em Jerusa-
lém (1.3^1), e que ele conhece os corações das pessoas e os despertará
para fazer o trabalho de reconstrução (1.5).
A fidelidade de Deus é claramente demonstrada quando ele per-
mite que o seu povo estabeleça os fundamentos do templo no capítulo
3, e o povo compreende que a sua realização é o resultado da bênção
de Deus e sua obra por meio daqueles que se colocam à disposição
para o serviço. Yahweh, que revela a si mesmo e sua vontade por meio
de seus profetas (5.1), faz a sua presença (lit. “olho”) ser sentida por
seu povo, o que os encoraja a continuar o trabalho, apesar da violenta
oposição (5.5). Quando Deus dirige o coração do rei Dario para permi-
tir que a reconstrução continue e também seja financiada com os re-
cursos e tesouros reais (6.1 -11), os israelitas têm a certeza de que Deus
está ao seu lado. Eles também reconhecem que o decreto de Yahweh
precedia o decreto de Ciro (6.14,22). Esdras revela Yahweh como aquele
que protege e provê para o seu povo, não importa quem esteja no trono
em Susã (7.6). Até mesmo Artaxerxes dá indícios de consciência de
que tudo o que Deus decreta do céu é realizado no mundo (7.23). Con-
forme o trabalho progride, a soberania de Deus é revelada nas grandes
e pequenas coisas à medida que ele direciona os corações e as mãos
dos trabalhadores (8.18), e sua bondade é demonstrada mediante seu
ouvir e atender às orações e jejum dos fiéis (8.23). Deus protege os
israelitas do inimigo diabólico, bem como dos perigos do dia a dia ao
longo do caminho (8.31).
Após o povo ser achado culpado de quebrar a Lei de Deus, várias
características chaves de Deus são reveladas: ele é o Deus justo que
pune o pecado; o Deus compassivo, que mostra graça e amor pactuai
para com o remanescente; e o Deus Pai misericordioso, que não aban-
dona o seu povo (9.5-9). Embora Esdras reconheça o direito de Deus
de fazer justiça, ele implora para que o amor e a misericórdia divinos
poupem a vida do povo (9.13-15).
16 E sdras e N eemias

B. O que o livro de Esdras nos ensina a respeito do


povo de Deus e dos incrédulos?
Liderados pelos sacerdotes e levitas, o povo de Deus responde à
incitação de Deus e se levanta para fazer o trabalho de reconstrução
do templo (1.3-5). Ele é auxiliado financeira e materialmente por seus
vizinhos persas, um óbvio paralelo com a ajuda dos egípcios ao povo de
Deus quando este fiigiu do Egito (Êx 11-12). Parece que Ciro é um
homem temente a Deus, que obedece à voz de Yahweh, desejando até
mesmo devolver o que Nabucodonosor roubou em 587 a.C. durante a
destruição de Jerusalém e de seu templo (1 .7 8 ‫)־‬. Os líderes judeus são
espiritualmente sensíveis ao discernir que o altar dos sacrifícios deveria
ser erguido primeiro. Juntos, eles realizam o trabalho, reconhecendo
que a unidade é imperativa no reino de Deus (3.2-3). O povo de Deus
obedece à Lei dada por meio de M oisés, mediante a observância da Festa
dos Tabemáculos e das outras festas enumeradas na Torá (3.4-5).16
Os israelitas veem a necessidade de reconstrução e atendem-na, me-
diante a provisão financeira e a contratação de trabalhadores para a
realização da obra (3.7-9). Eles se alegram com a conclusão dos ali-
cerces do tem plo seguindo as determinações de Davi estabelecidas
nos Salmos: eles louvam e rendem graças a Deus responsivamente
com cânticos e clamores (3.10-11),17 embora alguns membros da ge-
ração mais antiga sejam levados às lágrimas de decepção por verem
uma versão menor do templo de Salomão no processo de reconstru-
ção (3.12-13).
O livro de Esdras também nos ensina que o povo de Deus é fie-
quentemente chamado para fazer sua obra em face à forte oposição,
muitas vezes por parte de falsos religiosos infiéis. Esdras apresenta o
incrédulo como uma pessoa enganadora que alega adorar Yahweh, mas
o povo de Deus percebe a mentira deles (4.1-3). Os ímpios, então,
tentam desencorajar o povo de Deus recorrendo a subornos e mentiras,
e, em uma carta ao rei Artaxerxes, os incrédulos acusam os judeus de
rebelião declarada (4.4-16). Como resultado, o trabalho é temperaria-
mente interrompido até que Dario assume o trono (4.17-24). Encorajado
pelos profetas de Yahweh, o povo se levanta para retomar o trabalho de
reconstrução (5.1-2) e continua trabalhando em meio à oposição severa
Introduçào 17

(5.3-4). Eles se reconhecem como servos de Deus (5.11) e aceitam as


consequências de sua história pecaminosa (5.12). O rei Dario parece
ter alguma fé em Yahweh, ao menos o reconhece como o Deus Cria-
dor, aquele que responde às orações e aquele que derrota seus inim igos
(6.11-12). A adoração é a resposta natural dos israelitas à provisão de
Deus quando o trabalho é concluído com êxito (6.16-17,21). A ob e-
diência à Lei de M oisés acompanha a alegre celebração e adoração,
porque a adoração sem a obediência é sem valor (6.19-21). Em respos-
ta à realização da parte de Deus de grandes coisas em seu favor, os
israelitas são gratos e bendizem àquele que estendeu seu amor pactuai
ao seu povo.
O próprio Esdras encarna o homem de Deus que se destaca no
conhecimento da Lei de Deus (7.6), porque ele está totalmente com-
prometido a estudá-la e a ensiná-la (7.10-11). Ele compreende que deve
saber “O que diz o S enhor ” antes de se levantar para declarar, “Assim
diz o S enhor ” . Ele também tem o cuidado de manter um bom testemu-
nho. O rei persa Artaxerxes reconhece que Esdras é um servo do Deus
Criador, e que possui sabedoria dada por Deus (7.12,25). No entanto,
apesar de Artaxerxes demonstrar reverência para com Yahweh, ele
provavelmente não era um seguidor do Deus verdadeiro, visto que ele
se refere ao Deus de Esdras como “seu Deus” (7.17) em oposição a
“meu Deus”. Esdras é retratado como um líder que inspira e reúne
outros a se unirem a ele na boa obra que Deus colocou em seu coração
(7.28). Seu foco no jejum, na humildade e na busca pela orientação de
Deus aponta para a sua profundidade e sensibilidade espiritual (8.21-
23). Esdras ensina aos israelitas que eles são santos ao S enhor , uma
qualidade que inclui tanto a santidade comportamental - como eles de-
vem agir - , como também a santidade posicionai - separação para
Deus, a fim de fazer a sua vontade e cumprir os seus propósitos (8.28).
M ais uma vez o povo responde à Lei, bondade, provisão e proteção de
Deus adorando-o, demonstrado aqui por meio de sacrifícios (8.35).
Os magistrados judeus têm bastante conhecim ento da Torá e
sensibilidade a ela para compreender que ocorreu a quebra da Lei
entre os judeus: o santificado (o povo hebreu) está misturado com o
profano (os pagãos locais) na prática dos casamentos mistos (9.1-2).
Esses casamentos mistos não foram evangelísticos quanto à intenção ou
18 E sdras e N eemias

realização - o povo consagrado não tomou o profano santo, mas o


profano corrompeu o santo. O que entristece a Deus também entriste-
ce o homem de Deus, e a reação externa de Esdras (vestes rasgadas e
cabelos arrancados) é uma janela para o coração que está cheio de
tristeza e luto devido à morte da consciência entre o povo de Deus
(9.3). O fato de que “se ajuntaram a mim todos os que tremiam das
palavras do Deus de Israel” mostra que muitos estavam dispostos a ser
obedientes a Deus. Esdras inspira o povo a sentar-se em silêncio, como
expressão de tristeza e luto (9.4; 10.6), enquanto ele ora a Deus. Em
sua oração ele se identifica com o povo que pecou e confessa o pecado
coletivo (9.5-8), exibindo desse modo sua humildade, que é um traço de
caráter essencial para um homem de Deus. Reconhecendo a soberania
e a santidade de Deus, ele não isenta o povo do pecado, antes confessa
a desobediência coletiva (9.9-12). Esdras realiza a única coisa sensata
a se fazer neste caso: ele busca a graça divina, lançando a si mesmo
sobre a misericórdia do juiz divino (9.13-15).
Os fiéis têm a esperança de restauração baseada na correção de
seu erro. Em primeiro lugar, eles reconhecem o seu pecado, admitindo:
“N ós temos transgredido contra o nosso Deus, casando com mulheres
estrangeiras, dos povos de outras terras” (10.2). Em segundo lugar,
eles estão dispostos a corrigir o erro que cometeram ao fazer aliança
com Deus “de que despediremos todas as mulheres e os seus filhos,
segundo o conselho do Senhor e o dos que tremem ao mandado do
nosso Deus”. O povo está disposto a fazer “segundo a Lei” (10.3,12).
Como um líder moralmente correto, Esdras é direto ao pronunciar o
julgamento contra a infidelidade do povo (10.10); e porque o arrependi-
mento genuíno é sempre seguido pela obediência, o povo recebe e obe-
dece à ordem aparentemente dura, “separai-vos dos povos de outras
terras e das mulheres estrangeiras” (10.11). A correção do pecado cole-
tivo deve com eçar com os líderes, e, assim , a primeira fam ília men-
cionada na longa lista de pessoas que quebraram a Lei é a fam ília de
Jesua, um dos líderes que trabalharam com Zorobabel, no tempo de
Zacarias (10.18). Ao todo, 17 sacerdotes, 10 levitas e 84 israelitas lei-
gos foram culpados. A maioria da assembléia concordou em se arre-
pender e mudar, mas Esdras ainda teve a oposição de uma pequena
m inoria(10.15).
I ntrodução 19

4. A Teologia de Neemias
Embora o livro de Neemias revele principalmente Deus como
aquele que restaura seu povo a si mesmo e à sua terra, esse livro retra-
ta também a complexidade da natureza e das obras de Deus. Neemias
também justapõe as lutas e a obediência do povo de Deus com as ações
e intenções más daqueles que se rebelam contra Deus e tentam sabo-
tar os planos do seu povo.

A. O que 0 livro de Neemias nos ensina a respeito de Deus?


No livro de Neemias, a primeira revelação de Deus sobre si
mesmo é como Criador (1.5). Em sua oração inicial, Neemias ora ao
“Deus dos céus”,18 uma expressão que aparece nove vezes no Antigo
Testamento, todas se referindo a Yahweh. Breneman sugere que “a
expressão ‘Deus dos céus’ era comumente usada no Império Persa,
até mesmo pelos persas ao falarem de seu deus”.19 A expressão, da
forma usada por Neemias, aponta para o poder criador de Deus, bem
como para o seu caráter magnificente. Ele também é o Deus da Ali-
ança, que faz e preserva alianças com o seu povo. Deus ouve as
orações do seu povo (1.6,11; 2.4), perdoa os seus pecados (1.7),20 dá
leis e fornece instruções (1.7-8). Embora Deus seja amoroso e mi-
sericordioso, ele também é santo, justo e reto; portanto, ele deve
julgar e punir aqueles que não guardam suas leis e mandamentos
(1.8b).21 Neemias tem confiança de que Deus redimirá e restaurará
seu povo (1.9-10).22 Ele está totalmente comprometido com a re-
construção de Jerusalém; subsequentemente, ele conclui sua ora-
ção apelando para a misericórdia e compaixão de Deus, à medida
que se prepara para uma audiência arriscada com o rei Artaxerxes.
De acordo com Esdras 4.21, Artaxerxes ordenou a interrupção do
trabalho em Jerusalém; assim, humanamente falando, Neemias sabe
que suas chances de sucesso são mínimas. Ao apelar para a miseri-
córdia e compaixão de Deus, ele relembra, corretamente, a compai-
xão de Yahweh pelos patriarcas (2Rs 13.23) e por seu povo ao li-
bertá-10 do Egito (Êx 33.19).
No capítulo 2, a frase “a boa mão do meu Deus era comigo”
aponta para um Deus que abençoa, protege e provê (2.8,18).23 Se essa
20 E sdras e N eemias

expressão for derivada da esfera secular, no sentido de generosidade


real (lR s 10.13; Et 1.7; 2.18), então seu uso aqui será de particular
importância: o que parece, em um nível, ser a concessão generosa do
rei persa, mostra ser, na verdade, apenas um canal por m eio do qual a
generosidade do Rei dos reis alcança o seu povo.24
Visto que Deus é quem separa os homens para o m inistério,
Neem ias está confiante de que Yahweh o chamou para liderar seu
povo (2.12). “A necessidade espiritual de Neem ias era da direção de
Deus. Até mesmo os poucos homens de valor que ele tinha com o
colegas não foram informados de tudo: ele não tagarelava de forma
irresponsável, nem mesmo com as pessoas que compartilhavam seus
ideais.”25 Neem ias sabe que Deus fará seu povo ser bem -sucedido
(2.20); portanto, ele não revida ao se deparar com a oposição, mas
expressa confiança na capacidade de Yahweh de fazê-los prosperar.
A oposição não paralisa Neem ias, ao contrário, faz com que ele se
organize. “N ós, seus servos, nos disporemos e reedificarem os” é a
resolução de Neem ias (2.20). “A menção da autoridade do rei seria
m uito mais im pressionante para Sambalate do que a m enção de
Deus”,26 mas Neem ias apela para a soberania de Deus em vez de ao
cetro do rei.
Depois de o capítulo 3 descrever a inspirada abordagem do traba-
lho em equipe, sob a liderança de Neem ias, o início do capítulo 4 con-
centra-se na oposição contínua comandada por Sambalate e Tobias -
criando o cenário perfeito em que Deus é apresentado como aquele
que ouve as orações dos seus fiéis que são escarnecidos e desprezados
pelos homens (4.4). “Toda a oração é uma reminiscência de Salmos
como 4 4 ,7 4 e 79, e, em particular, da situação que Ezequias enfrentou
quando ameaçado por Senaqueribe.”27 Neemias encoraja o povo ao
exaltar o caráter de Deus e seus atos passados na história (2.14), asse-
gurando-lhe que essa perseguição não é a primeira vez em que a honra
de Deus é colocada em jogo, e ele sempre saiu vitorioso. “A linguagem
de Neemias ( ‘Não os tem ais’) é uma reminiscência das palavras de
confiança e vitória de outros líderes na Escritura (cf. Êx 14.13; Nm
14.9; Dt 20.3; 31.6; Js 10.25).1,28 O Deus soberano faz com que o plano
do inimigo fracasse, um fato reconhecido tanto pelo povo de Deus quanto
por seus inim igos (4.15). “Neemias atribui o crédito ‘a Deus, que frus­
I ntrodução 21

trou o desígnio deles’ - um paralelo à confusão e desespero em que


Deus muitas vezes lançou os inimigos de seu povo do passado (Êx
15.14-16; 23.27-28; Dt 2.25; 11.25; etc.).”29
Ao longo dos contínuos esforços dos inimigos para desencorajar
os fiéis de fazer o trabalho de reconstrução, Neemias lembra que Deus
é aquele que chama/envia para fazer a sua obra (6.12). Se Neemias
fugisse, teria mostrado falta de confiança no Deus que o chamou. Se ele
tivesse entrado no templo para salvar sua vida, teria quebrado a Lei
Mosaica.30 Ele não faz nenhuma dessas coisas, mostrando sua força de
caráter e pureza de coração. Neemias apela para a fidelidade de Deus e
lhe pede para “lembrar-se” dos seus inimigos e de seus feitos (6.14).
Sabendo que Deus recompensa tanto ao justo quanto ao ímpio, ele deixa
a vingança nas mãos de Deus.31 Neemias 6.15 não se limita a dar uma
nota de vitória; também nos dá uma informação histórica. A reconstrução
do muro foi feita em apenas 52 dias, sendo concluída no 25° dia de Elul.32
Os versículos subsequentes são rápidos em indicar que o trabalho foi
feito “por intervenção de nosso Deus”, e que os inimigos de Deus e as
nações vizinhas reconheceram esse fato (6.16). Blenkinsopp sugere que
talvez “o escritor tenha se aproveitado do tema (familiar em hinos e ser-
mões proféticos) de nações sendo forçadas a reconhecer a mão de Deus
na prosperidade de Israel (e.g. SI 118.23; 126.2)”.33
Embora os capítulos 7-13 se concentrem na reforma do povo,
Deus ainda desempenha o papel principal, sendo a Fonte tanto da res-
tauração quanto da reforma. Nos capítulos 7-13, a reforma espiritual
do povo é examinada, com Neemias reconhecendo mais uma vez (como
em 2.12) que Deus o inspirou (“Meu Deus me pusera no coração”) a
liderar o povo tanto em uma reconstrução física quanto em uma refor-
ma espiritual (7.5). “Sem dúvida, ele havia seriamente ponderado sobre
o grave problema desse grande espaço vazio fechado com muros; en-
tão a solução vem a ele, como a muitas almas zelosas nos tempos anti-
gos e modernos, por inspiração.”34 Esse censo, ao contrário daquele
em lCrônicas 21, é iniciado e aprovado por Deus.
A Lei de Deus é central na reforma do povo de Deus, e sua reação
à leitura da Lei é adoração.35 Quando Esdras conclui a leitura da Lei, ele
bendiz ao Senhor, “o grande Deus” (8.6). Esse título dado a Deus é inco-
mum e não aparece em nenhum outro lugar no Antigo Testamento.36
22 E sdras e N eemias

Esse grande Deus deve ser adorado, e seguindo a revelação de Deus


por meio de sua Lei, as pessoas “adoraram o S enhor , com o rosto em
terra”. Após a leitura da Lei e a adoração, os levitas ajudaram o povo a
entender a Lei (8.8), e os israelitas lamentaram e choraram quando
perceberam seu fracasso ao guardá-la. O povo conhecia a Lei como a
Lei de Moisés, mas Neemias agora deixa claro que Deus é o autor da
Lei (8.14). Moisés foi apenas um humilde instrumento de Deus por
meio do qual ele se revelou.37
A compreensão do povo a respeito de Deus à medida que ele se
revela e sua consequente adoração a esse grande Deus, são apenas
uma parte do processo de reforma. A confissão do pecado é um dos
elementos mais importantes na reforma do povo (9.1-3). Depois que o
povo confessa seus pecados, ele é exortado pelos levitas: “Levantai-vos,
bendizei ao S enhor ” (9.5).38 O versículo 5 inicia uma oração rica em
teologia, que é organizada da seguinte forma: (1) 9.6, Deus como Cria-
dor, (2) 9.7-8, Deus como Tutor da Aliança, (3) 9.9-11, Deus como
Libertador, (4) 9.12-21, Deus como Sustentador, e (5) 9.22-31, Deus
como Doador da terra. Em contraste com os falsos ídolos que estão
limitados ao tempo, Deus é “de eternidade em eternidade” (9.5).39
Enquanto os nomes dos ídolos são insignificantes, o nome de Deus é
glorioso e exaltado (9.5b). Deus é aquele que criou os céus e a terra,
com o “céus e a terra” de Gênesis 1 presente aqui para indicar sua
criação de todas as coisas.40 Deus não deu início a um processo evolu-
tivo teísta e, agora, se tomou um espectador impotente. Ele criou e
ainda está ativamente envolvido no sustento de sua criação (9.6).
O verbo empregado aqui e traduzido por “preservar” é o verbo hebraico
hãyãh, que significa viver, sustentar a vida, preservar a vida. O versículo 6
conclui afirmando que a resposta adequada da criação ao seu Criador
e Mantenedor é a adoração.41
Neemias declara a grandeza de Deus ao escolher e guiar Abraão,
mas Abraão não é o principal personagem no palco cósmico e redenti-
vo da história. Deus é o único que é grande: ele escolheu a Abraão,
trouxe-o para a Terra Prometida e mudou não apenas o nome de
Abraão, mas também sua vida (9.7). Esse Deus da aliança estabele-
ceu os termos e as condições da aliança feita com Abraão. O final do
versículo 8 salienta mais uma vez a fidelidade de Deus. Ele é o Tutor e o
I ntrodução 23

Mantenedor da Aliança. Por quê? Porque esse é seu caráter e natureza;


ele é totalmente justo.
Neemias revisita o evento do êxodo à medida que continua a sua
exaltação do Deus que vê a aflição dos oprimidos (9.9) e não se afasta.
Ele permanece perto de seu povo, vê a sua condição e ouve seu cia-
mor. A fim de libertar seu povo da escravidão, Deus “realiza sinais e
milagres”,42 e, como resultado, o nome de Deus é exaltado e sua repu-
tação magnificada (9.10).43 Os milagres de Deus não terminaram nas
margens do Mar Vermelho (9.11), mas continuaram durante o período
no deserto. Após libertar seu povo do Egito, ele o guiou através do
deserto, fornecendo colunas de nuvem e de fogo para guiá-lo (9.12).
No entanto, a orientação de Deus é mais bem vista na Lei que ele deu
por meio de seu servo Moisés, não nas colunas de nuvem e de fogo
(9.13). As colunas desaparecerão, mas a Palavra de Deus permanece-
rá para sempre como nossos pilares na vida e no ministério. Deus tam-
bém chamou seu povo para o descanso e à santificação por meio da
observância do “santo sábado” de Deus (9.14). Neemias mostra Deus
como aquele que proveu pão e água para o seu povo durante sua pere-
grinação pelo deserto (9.15). A expressão “pão dos céus” aparece duas
vezes no Antigo Testamento, a primeira em Êxodo 16.4, onde Deus
promete ao povo que o alimentará no deserto. Neemias 9.15 é o único
outro lugar onde essa expressão aparece, agora no contexto de um
olhar histórico para o cumprimento por Deus de sua promessa.
Embora os israelitas, muitas vezes, tenham respondido à orienta-
ção e à providência de Deus com rebeldia contra ele e seus servos
(9.16), Deus os perdoou (9.17). Neemias contrasta a benevolência e a
compaixão de Deus com a infidelidade do povo. Além disso, ele apre-
senta Deus como sendo tardio em irar-se e abundante em amor pactu-
al.44Deus não apenas não abandonou seu povo (9.17), como continuou
fornecendo orientação a ele por meio das colunas de nuvem e de fogo
(9.19)45 por causa de sua grande misericórdia (9.19).46Além do supri-
mento físico de pão e água, Deus também fez provisão espiritual para
seu povo (9.20) ao receber e compreender a instrução de Deus por
meio de seu Espírito.47 Deus é aquele que lhe deu a vitória na batalha
(9.22), prosperidade em números e a herança da Terra Prometida (9.23-
24). A expressão “multiplicaste os seus filhos como as estrelas do céu”
24 E sdras e N eemias

é uma referência direta à aliança com Abraão (Gn 12.2; 15.5). “Toda
essa cena tem a forma e a aparência de uma cerimônia de renovação
da aliança (Êx 34).’’48
Embora Deus seja amoroso e misericordioso, ele também é san-
to, reto e justo, e deve punir o pecado. Ele é o Deus que julga (9.27).
Como inquilinos inadimplentes, os israelitas foram despejados de sua ter-
ra por Deus, seu justo proprietário. Ainda assim, por ser um Deus de
grande misericórdia (9.27-28,31), ele os resgatou das mãos de seus
opressores (9.28), instruindo-os e orientando-os pacientemente (9.29).
A expressão “agora, pois”, em 9.32, apresenta uma transição na
oração de Neemias. Até este ponto, a oração de Neemias foi um lem-
brete histórico da bondade de Deus demonstrada na aliança feita com
Abraão até o período do exílio. Neste ponto, Neemias inclui a si mesmo
na oração ao usar o advérbio “agora”, apontando, assim, para o período
atual de restauração ao qual ele pertence. O Deus a quem Neemias
dirige sua oração é o mesmo “grande, poderoso e temível” Deus, que é
fiel à aliança e que ama o seu povo com amor pactuai. O fato de que
Neemias pode chamar Deus de “nosso Deus” aponta para a intimidade
que Deus compartilha com aqueles que o amam e o obedecem (9.32).
Neemias reconhece a equidade de Deus e confessa que Deus agiu
com justiça em seu julgamento de um povo rebelde (9.33).49Depois de
Neemias instituir reformas radicais entre o povo (12-13), o livro termi-
na com Neemias orando para que Deus se lembre da corrupção do
incrédulo e do bom trabalho que ele fez no processo de restauração
(13.14,22,29,31). Brenemen afirma que “o livro de Neemias começa e
termina com oração. Para resultados duradouros, o ministério não pode
ser separado da oração.”50

B. O que o livro de Neemias nos ensina a respeito


do povo de Deus e dos incrédulos?
Embora o livro de Neemias seja principalmente e sobretudo a
respeito de Deus, o livro também nos dá uma visão sobre o povo de
Deus e seus inimigos.51 O primeiro versículo do livro nos fala do papel
crucial que Neemias desempenha.52 Na primeira pessoa, ele fala de
sua tristeza e de seu lamento ao ouvir sobre a situação em Jerusalém.
Enquanto trabalhava para o rei persa Artaxerxes, Neemias tomou
I ntrodução 25

conhecimento da grave situação dos exilados em Jerusalém (1.2-3), e, em


profunda tristeza, ele combina suas lágrimas com oração e jejum,
mostrando desde o início do livro que é um homem de oração e
jejum .53 O homem de Deus não apenas vê a necessidade de recons-
trução; ele sente sua importância espiritual, porque ele é sensível e
perspicaz espiritualmente (1.4). Essa primeira oração registrada no
livro de Neemias começa com uma confissão de pecado (1.4-7).
Neemias sabe quem Deus é, dirigindo-se a ele adequadamente como o
Deus Criador (1.5). Ele também sabe que o julgamento de Deus foi
provocado pela desobediência do povo à aliança que Deus fez com
Moisés. Neemias exibe a marca de um verdadeiro líder ao incluir a si
mesmo e a casa de seu pai entre aqueles que pecaram e provocaram o
exílio babilônico (1.6-7). Depois de confessar o pecado pessoal e cole-
tivo, ele implora pela ajuda de Deus (1.8-11). O versículo 8 mostra que
Neemias sabe “o que diz o S enhor ”54 por meio da Lei dada ao seu
servo Moisés. Seu conhecimento não faz com que Neemias ensober-
beça, em vez disso, seu espírito de humildade reconhece que ele e seus
compatriotas são apenas servos do S enhor (1 .1 0 ). Aprendemos no ca-
pítulo 1 que a posição de Neemias na corte persa era de “copeiro do
rei” (1.11). Williamson afirma que “os copeiros reais na antiguidade,
além de sua habilidade em escolher e servir o vinho, e seu dever de
prová-lo como testemunho contra o veneno, também se esperava que
fossem companheiros festivos e discretos para o rei”.55Assim, o capí-
tulo 1 nos mostra que Neemias deixa uma posição lucrativa e altamente
respeitada, a fim de seguir o chamado de Deus para reconstruir Jerusa-
lém e reformar seu povo.
A vida de Neemias é imersa em oração (2.4). Brown afirma que
a oração de Neemias enfatiza a necessidade da oração, descreve a
urgência da oração, revela a intimidade da oração, demonstra a con-
fiança da oração e comprova a eficácia da oração.56Neemias demonstra
respeito por seus antepassados ao se referir a Jerusalém como “a cida-
de dos sepulcros de meus pais” (2.5). Sua oração revela que ele é um
homem de visão, enxergando Jerusalém não como ela está agora, mas
como o que ela pode vir a ser (2.6). E mesmo que Neemias respeite a
autoridade e generosidade do rei, ele entende que a provisão e proteção
de Deus é que lhe concederão sucesso (2.8).
26 E sdras e N eemias

A oposição persiste ainda que Deus esteja com Neemias, mas,


em meio a ela, a motivação de Neemias vem à tona. Ele começa o
trabalho de reconstrução porque está aspirando a “o bem dos filhos de
Israel” (2.10). Sambalate, 0 horonita, e Tobias, o amonita, são coloca-
dos em inflexível contraste com Neemias: eles estão descontentes que
alguém se preocupe com 0 povo de Deus (2.10).57 Como um bom líder,
Neemias avalia o estrago (2.1 l-17a), inicia a reconstrução do muro de
Jerusalém e encoraja seus irmãos judeus a se unirem a ele no projeto
de reconstrução (2.17b-18a). As pessoas são persuadidas pelo teste-
munho de Neemias e se unem ao trabalho (2.18b). Ainda que os inimigos
de Deus escarneçam e desprezem o povo de Deus (2.19), Neemias tem
confiança na providência de Deus, e está seguro de que o Deus que o
chamou também lhe fará ser bem-sucedido. Além disso, Neemias se
recusa a comprometer-se, negando a seus adversários uma parte e
herança na terra (2.20). Blenkinsopp esclarece que “a negação de uma
‘parte’ corresponde a uma fórmula tradicional que indica dissociação
política (cf. 2Sm 20.1; lRs 12.16), enquanto que ‘direito’ significa o
direito legal de exercer jurisdição”.58
O capítulo 3 é um exemplo do engenhoso trabalho em equipe por
meio do qual o povo de Deus prossegue a reconstrução do muro.
“A lista das pessoas envolvidas na reconstrução dos muros de Jerusa-
lém se move parte por parte do muro no sentido anti-horário, fazendo
um circuito completo a partir da Porta das Ovelhas e de volta a ela
(3.1-32).”59 Esse capítulo também mostra as notáveis habilidades de
liderança de Neemias, que organiza a reconstrução de 45 partes do
muro de Jerusalém.60 O sumo sacerdote, Eliasibe, lidera por seu exem-
pio e é mencionado em primeiro lugar (3.1).61 Fensham sugere que
“Neemias queria mostrar que recebeu a colaboração do sumo sacerdo-
te e, consequentemente, a dos outros sacerdotes também”.62 A Porta
das Ovelhas recebe prioridade provavelmente porque as “ovelhas des-
tinadas para o sacrifício geralmente eram trazidas por ali para o merca-
do”.63 O fato de que os homens de Jerico se uniram ao trabalho de
reconstrução (3.2), indica que esses homens não viram a distância como
um empecilho para viajar e fazer parte desse trabalho. Além de Jerico,
Tecoa (3.5,27), Gibeão, Mispa (3.7), Zanoa (3.13), Bete-Haquerém
(3.14), Bete-Zur (3.16) e Queila (3.17) também são mencionados.
Introdução 27

As pessoas diferiam não apenas quanto à sua origem geográfica, mas


também quanto às suas profissões e ramos comerciais. Assim , ourives
(3.8,31), perfumistas (3.8), altos oficiais (3.9,12,14-17), levitas (3.17),
sacerdotes (3.22), servos do templo (3.26) e mercadores (3.32) se sub-
meteram à liderança de Neemias para fazer o trabalho manual, a fim
de que a reconstrução fosse realizada. Em contraste com todos esses
que exemplificam humildade e trabalho em equipe estão os “nobres de
Tecoa”, que “não se sujeitaram ao serviço do seu senhor”.64Williamson
afirma que a falta de disposição dos líderes dos tecoítas em servir não
deveria causar surpresa. “O retomo dos exilados da Babilônia, em qual-
quer momento, está fadado a causar tensões com os que haviam per-
manecido na terra.”65
A reconstrução continuou a ter a oposição de Sambalate, Tobias e
seus apoiadores (4.1ss.). Pela segunda vez no livro somos informados
de que Neemias e os fiéis são objetos de escám ios da parte de seus
inim igos. Sambalate é apontado como alguém que fica muito irado ao
ouvir a boa notícia do progresso da reconstrução. O princípio de que
um bom progresso sempre levará alguém a ficar descontente é bom
para ser lembrado ao se fazer a obra de Deus. A ira do coração de
Sambalate é expressa em palavras de escárnio que questionam a força
do povo (“Que fazem estes fracos judeus?”),66 a sua determinação em
reconstruir o muro (“Darão cabo da obra num só dia?”), e seu zelo
religioso (“Sacrificarão?”) (4.2). Enquanto Tobias se une ao longo dis-
curso de escárnio e de palavras desencorajadoras, Neemias pede por
retribuição ao Deus que o chamou para fazer o trabalho (4.4-5). Sua
oração não é prescritiva, mas descritiva (4.4-5), e os cristãos neotesta-
mentários não deveríam ter essa oração como um modelo para orar
contra quem lhes fizer oposição. Em vez disso, os princípios de Jesus
estabelecidos em Mateus 5.38-48 devem ser usados como nossas dire-
trizes para lidar com nossos inim igos.
Apesar da oposição ostensiva e dos insultos, o trabalho dos fiéis
continua e é recompensado porque “o povo tinha ânimo para trabalhar”
(4.6). A ira dos incrédulos (4.7) os leva a conspirar/tramar contra Jerusa-
lém e a causar perturbação (suscitar confusão) ali (4.8).67 E porque a
piedade não substitui o trabalho duro, os fiéis reagem tanto orando quanto
planejando (4.9). No entanto, mesmo sua fé, orações e planejamento não
28 E sdras e N eemias

podem evitar o desgaste e o desânimo (4.10).68 “Podemos imaginar as


pessoas cantando esse lamento enquanto trabalhavam no muro.”69
M cConville acredita que o lamento em 4.10 era “uma espécie de refrão
cantado durante o trabalho. Apesar de seu tom um tanto negativo, ele
pode realmente ter tido a função de manter os homens trabalhando -
não muito diferente dos cânticos chamados ‘espirituais’ que encoraja-
ram os trabalhadores escravizados em tempos mais recentes”.70 Pala-
vras desencoraj adoras levam a palavras ameaçadoras por parte dos
inim igos (4.11); mas, em vez de ficar paralisado, o fiel se toma ainda
mais organizado (4.12-13). As habilidades de liderança de Neemias
vêm à tona novamente à medida que ele encoraja o povo, apontando
não para a sua autoestima, a resposta pós-modema, mas lembrando-o
da grandeza e majestade de Yahweh (4.14).71 Enquanto os trabalhado-
res retomam à tarefa, os incrédulos percebem que Deus está contra
eles (4.15-19). Os fiéis entendem que a causa pela qual estão lutando é
a causa de Deus, e reconhecem o seu papel principal na guerra de
palavras ou de espadas.72 Neemias lidera pelo exem plo em todos os
sentidos. A reconstrução continua (4.21) à medida que Neemias perse-
vera em encorajar o povo, planejando e trabalhando lado a lado com
seus irmãos (4.22-23).
O capítulo 5 aponta para os problemas internos provenientes da
injustiça, da opressão e da miséria econôm ica.73 Enquanto seus inimi-
gos estavam irados em face das coisas boas, Neemias fica irado em
face da injustiça (5.6). Neemias confronta o pecado dos nobres e dos
magistrados que estão vitimando seus irmãos (5.7-8) e descreve os
passos para a correção (5.9-11). Os malfeitores obedecem a Neemias
e passam a fazer a restituição adequada (5.12-13a). Somente após a
obediência e a restituição ocorrerem, o povo louva ao S enhor (5.13b).
Ao contrário de seus antecessores, Neemias continua a liderar pelo exem-
pio e, mesmo que tenha sido nomeado governador, ele não age com a
mentalidade “isso não está na descrição do meu trabalho”. Em vez disso,
com humildade, o próprio Neemias trabalha no muro (5.14-16). Yamau-
chi observa que “o comportamento de Neemias como governador foi
guiado pelos princípios de serviço em vez de pelos de oportunismo”.74
Após enfrentar os problemas internos da injustiça e da opres-
são, no capítulo 5, Neem ias enfrenta perigos externos, no capítulo 6.
I ntrodução 29

Aqueles que se opõem à obra de reconstrução continuam sua resistên-


cia mediante a conspiração para prejudicar Neemias, mas a mão de
Deus ainda está sobre ele, fazendo-o perceber que a chamada do inimi-
go para uma reunião é uma armadilha (6.1-2). Fensham observa
que “N eem ias suspeita de jogo sujo, de traição. É possível que ele
tenha recebido algumas informações que revelaram a conspiração; tal-
vez ambos os lados tenham feito uso de informantes”.75 E embora o
inimigo envie quatro pedidos para uma reunião, Neemias recusa seus
convites um a um, porque suas prioridades estão na ordem certa (6.3-4),
e sua principal prioridade é a reconstrução do muro. Nesse episódio,
Neemias exibe sabedoria para discernir e responder, bem como a per-
sistência em fazer o trabalho. Seus inim igos recorrem à mentira (6.5),
porém, embora Neemias seja acusado de tentar derrubar a monarquia
persa (6.6-7), ele novamente percebe as mentiras do inim igo (6.8).
Sabendo que ele pode tomar-se enfraquecido devido a todas as amea-
ças externas, Neemias ora para que Deus o fortaleça (6.9). O plano do
inimigo para derrotar Neemias continua com Tobias e Sambalate su-
bomando um sacerdote chamado Sem aías, filho de D elaías,76 mas
Neemias percebe que Semaías foi contratado para atemorizá-lo e levá-lo
a pecar entrando no templo (6.12-13). “A estratégia de desacreditar o
líder é uma estratégia sutil e comum hoje em dia.”77 Neemias faz uma
breve oração imprecatória que deixa a vingança com Deus (6.14).
Até agora Neem ias é um líder que vê a necessidade, sente a
necessidade, ora a Deus acerca da necessidade e organiza as pessoas
para suprir a necessidade. Agora, a tarefa está concluída. Neemias
6.15 diz que o muro foi concluído em 52 dias. A velocidade com que o
muro foi reconstruído aponta para a orientação e a graça de Deus, e
para as habilidades de liderança de Neemias. Até mesmo os incrédulos
veem que a mão de Deus esteve em ação (6.16), embora eles não se
arrependam de sua rebelião, ao contrário, continuem seu trabalho de
intimidação (6.17-19).
O capítulo 7 inicia a segunda parte do livro, que se concentra na
reforma do povo de D eus.78 As sábias habilidades de liderança de
Neem ias vêm à tona novamente quando ele nomeia pessoas para faze-
rem diferentes tarefas ao redor de Jerusalém (7.1). Hanani (1.2) é apon-
tado como um homem fiel e temente a Deus (7.2).79 Neemias mostra,
30 E sdras e N eemias

mais uma vez, ser um excelente organizador, delegando o trabalho no


templo (7.1), nas portas da cidade (7 .2 3 ‫ )־‬e planejando o repovoamento
de Jerusalém (7.4). Nenhuma tarefa é demasiadamente humilde para
Neemias se Deus for quem o inspira. Para realizar a tarefa de repovo-
amento da cidade, Deus orienta Neemias a reunir a liderança da cidade
e fazer um censo (7 .5 7 2 ‫)־‬. W illiamson afirma que “o propósito da as-
sembleia era realizar um censo da população, com base no qual uma
decisão imparcial a respeito de quem deveria se mudar para a cidade
seria tomada.”80
No capítulo 8, os fiéis se reúnem “como um só homem” e pedem
a Esdras, o grande sacerdote e mestre da Lei, para ler a Lei de Deus
dada ao povo por meio de seu servo M oisés. Embora a leitura leve
cerca de seis horas, o povo está atento porque a sua reforma só pode
ser alcançada quando responderem com obediência à revelação de Deus
(8.1-5). Após Esdras bendizer ao S enhor , o povo responde adorando a
Deus (8.6).81 Treze levitas interpretam a Lei, uma das muitas tarefas
dos levitas descritas na Lei mosaica e praticada no templo (Dt 33.10;
2Cr 1 7 .7 3 5 .3 ;9 ‫ ;־‬Ne 8 .7 8 ‫)־‬. O povo responde, ao ouvir e compreender
a palavra de Deus, com pranto. “A leitura da lei e sua explicação ao
povo teve seu efeito. Ele se tomou consciente de seus pecados e pran-
teou.”*2 Tanto Neemias quanto Esdras encorajam o povo a alegrar-se e
a lembrar-se daqueles que são pobres demais para festejar (8.9-10).
A compreensão da Lei leva o povo, primeiro, ao arrependimento, e, de-
pois, à celebração: as lágrimas se transformam em alegria à medida que
celebra o pleno entendimento das palavras de Deus dadas a ele (8.1112‫)־‬.
A reforma do povo continua com um período de oração e jejum
(9.1). O pano de saco e a terra representam os sinais comuns de la-
mento, e os versículos seguintes indicam que a oração do povo foi de
confissão de pecado e arrependimento. A comunidade entra em uma
renovação da aliança com Yahweh ressaltando a pureza, a qual os se-
para dos que estão fora da comunidade da fé.83 Essa renovação da
aliança ocorre apenas depois que os israelitas confessam e se arrepen-
dem de seus pecados (9.2). As cerimônias de renovação pactuai conti-
nuam por dias, envolvendo a leitura da Lei, a confissão de pecado e a
adoração a Yahweh (9.3). A oração que se segue (9.6-37) é introduzida
pela exortação: “Levantai-vos, bendizei ao S enhor, vosso Deus, de eter­
I ntrodução 31

nidade em eternidade” (9.5b), e continua exaltando a Deus por seus


atos redentivos passados na história.84A oração também expressa a fé
do povo no Deus que fez uma aliança com seu pai Abraão, aquele que
os redimiu da escravidão do Egito e também aquele que os puniu corre-
tamente por sua rebelião (9.6-21). Neemias 9.38 descreve uma reno-
vação da aliança entre os israelitas e Yahweh. “A força do acordo é
atestada pelo fato de ele ser colocado por escrito e selado como garantia
de sua autenticidade, e para preservar contra adulteração posterior.”85
O povo continuou em sua resolução de ser fiel à Lei de Deus e de
acabar com a prática do casamento misto com os gentios (10.28-39).86
Os fiéis se reúnem para uma cerimônia especial, a dedicação do
templo (12.27-30), que envolve o ritual de purificação. Williamson su-
gere que esse ritual “pode ter envolvido a lavagem de si mesmo e das
vestes, aspersão ritual, o sacrifício de oferta pelo pecado, jejum e abs-
tinência de relações sexuais; cf. Êxodo 19.10,14-15; Levítico 16.28;
Números 8.5-8,19”.87 Como um líder notável, Neemias lidera na orga-
nização do serviço de procissões e de dedicação, e na delegação de
responsabilidades no templo (12.31 -47).
A leitura da Lei de Deus continua a produzir mudança na vida das
pessoas, e elas continuam a separar-se das pessoas de fora da comuni-
dade de fé israelita (13.1-3). Após estar ausente de Jerusalém para
retomar à corte persa por um período, Neemias retoma a Jerusalém e
imediatamente toma uma posição firme contra Tobias, que contaminou
o templo com a sua presença ali. Neemias ordena que as câmaras
sejam purificadas (13.4-9). Fensham concorda que foi “um ato de pro-
fanação trazer para uma câmara sagrada alguém tão profano como
Tobias.”88 Neemias reorganiza os levitas e reinstitui os dízimos que
parecem ter sido esquecidos durante a sua ausência (13.10-14).
O livro de Neemias termina enfatizando as piedosas habilida-
des de liderança de Neemias. Um líder piedoso confronta o pecado.
Neemias confronta aqueles que abandonaram o quarto mandamento, o
qual separa o sábado para descanso e adoração, e ordena que os levitas
se purifiquem e “santifiquem o dia de sábado” (13.15-22). Por fim, Nee-
mias confronta aqueles que se casaram com mulheres pagãs (13.23-31),
lembrando-os de que a queda de Salomão foi provocada por mulheres
estrangeiras que afastaram seu coração do S enhor ( IR s 11.1 -9).89
32 E sdras e N eemias

C onclusão
O livro de Neemias nos mostra a beleza e a grandeza do Deus
que cria, sustenta aquilo que cria, faz alianças com os seres humanos e
restaura o seu povo a um relacionamento genuíno com ele. Na econo-
mia de Deus, há servos-líderes como Neemias, que aceitam o chamado
de Deus e trabalham em sua “vinha”, e há aqueles que se opõem ao
trabalho. Assim como no tempo de Neemias, Deus ainda chama pessoas
para fazerem a obra do ministério em meio à oposição e zombaria.

Mapa 2: Jerusalém durante o período de Neemias.


Copyright 1999 ΜΑΝΝΑ Todos os direitos reservados. Usado com permissão.
I ntrodução 33

5. Data e Autoria
Ainda que a tradição rabínica tenha considerado os livros de Esdras
e Neemias como uma unidade escrita por Esdras, a evidência interna
sugere que o livro de Esdras foi escrito originalmente pelo próprio Esdras,
enquanto que o livro de Neemias foi escrito originalmente por Neemias.90
Os livros apareceram como duas obras separadas durante a época de
Orígenes (185-253 d.C). Young sugere que os livros foram tratados como
um só em função do “desejo de fazer o número total de livros canônicos
concordar com o número de letras no alfabeto hebraico”. Concordo com
Harrison no sentido de que é melhor ver Esdras e Neemias como sendo
“os principais responsáveis pelos escritos atribuídos a eles; que eles fo-
ram contemporâneos, com Esdras chegando a Jerusalém inicialmente
vários anos antes de Neemias; que os seus escritos estavam substancial-
mente em sua forma atual por volta de 440 e 430 a.C., respectivamente;

A u to re s Im p lic a ç õ e s c ro n o ló g ic a s E stu d io s o s q u e
p ro m o v e m o
c o n c e ito

E s d ra s e O s n o m e s e as d a ta s no R . K . H a rr is o n ;
N e e m ia s 1 te x to b íb lic o s ã o G le a s o n A rc h e r
p r e c is o s

E s d ra s 2 E s d ra s c o m e ç o u s u a
W . F. A lb rig h t
o b r a e m 4 2 8 a .C ., n o 3 7 °
a n o d e A r ta x e r x e s I (n ã o
n o 7 o a n o , c o m o 0 T e x to
M a s s o r é t ic o a fir m a )

0 C r o n is t a 3 2 C r ô n ic a s 3 6 . 2 2 - 2 3
Η . H . G r o s h e id e ,
p re s s u p õ e E s d ra s 1
J. M . M y e r s ,
C . C . T o r re y

Tabela 2: Conceitos sobre a autoria de Esdras-Neemias

1) É suposta alguma edição final, feita por um editor/cronista desconhecido.


2) Esse conceito também sugere que Esdras foi o autor de 1-2 Crônicas.
3) Os proponentes desse conceito não concordam com a extensão das altera-
ções feitas pelo Cronista, ou quão ético o cronista foi em sua escrita.
34 E sdras e N eemias

e que o cronista compilou seu trabalho de forma independente por volta


de 400 a.C., ou um pouco mais tarde.”91
O fato de que Esdras e Neemias foram escritos por autores dis-
tintos pode ser apoiado pelas seguintes evidências internas:92

• Diferenças estilísticas. Embora as memórias de Esdras este-


jam na primeira pessoa, o livro das memórias de Neemias é
narrado na terceira pessoa.
• Linguagem. Enquanto Esdras usa tanto o hebraico quanto o
aramaico, Neemias usa apenas o hebraico.
• Listas. As listas em Esdras 2 e Neemias 7 seriam redundantes
se fossem parte de um único livro e obra de um único autor.
E sdras
Esdras 1

E sboço
1.1-4 - Deus desperta o coração de Ciro
1.5-11 - Deus desperta o coração de seu povo

I. Deus desperta o coração de Ciro (1.1-4)

1.1 - No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se


cumprisse a palavra do S enhor, por boca de Jeremias, despertou o
S enhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão
por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo:93

Ciro, o Grande, foi o rei mais poderoso da dinastia aquemênida e


é reconhecido como sendo o fundador do Império Persa. Ele reinou
de 559 a 530 a.C., e, sob o seu governo, a Pérsia desfrutou de grande
expansão militar por meio do domínio da Média, da Lídia, da Jônia e
até mesmo da Babilônia.94 Nesse contexto, primeiro ano refere-se
“ao primeiro ano da conquista da Babilônia, quando ele se tomou rei
da Mesopotâmia”.95 Por meio do profeta Isaías, do 8o século, Deus
chama Ciro de “meu pastor” (Is 44.28), e de “o ungido do S enhor ”
(Is 45.1), apontando para o controle soberano de Deus tanto da histó-
ria quanto do coração de Ciro. Williamson aponta corretamente que
“o autor bíblico, no entanto, não está preocupado apenas com os fatos
externos da história, os quais ele pode ter obtido a partir do cabeçalho
ou de outra nota de identificação na cópia do próprio decreto (...); ao
contrário, ele está preocupado com a ordenação e propósito divinos
desses fatos”.96
Por meio do profeta Jeremias, Deus revelou que o exílio duraria
70 anos. Jeremias 25.11 diz: “Toda esta terra virá a ser um deserto e
um espanto; estas nações servirão ao rei da Babilônia setenta anos”.
38 E sdras e N eemias

Os setenta anos podem se referir ao período entre a destruição do


templo (586 a.C.) e o período em que foi reconstruído (516 a.C.)97, ou
pode descrever o tempo decorrido desde a destruição da Assíria (609
a.C.) até o edito de Ciro (539 a.C.)·98 O texto hebraico é claro ao dizer
que a proclamação foi colocada “por escrito”, uma expressão que “ocorre
somente sete vezes no Antigo Testamento, e é um termo técnico que
significa ‘inscrição’ ou ‘documento oficial’”.99

1.2 - Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus dos céus,
me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar
uma casa em Jerusalém de Judá.

O fato de Ciro reconhecer Deus como Yahweh é consistente com


a política aquemênida de usar “o título do deus ou deuses reconhecidos
pela população local, sem, no entanto, implicar que eles próprios fos-
sem ‘convertidos’ a essas religiões de sua própria adoração a Ahura
Mazda”.100 A expressão “Deus dos céus” aparece nove vezes no
Antigo Testamento, e todas as referências dizem respeito a Yahweh.
Breneman sugere que “a expressão ‘Deus dos céus’ era comumente
usada no Império Persa até mesmo pelos persas ao falar de seu deus”.101
No entanto, esse Deus não é apenas o Deus Criador, mas também o
Deus que direciona Ciro a reconstruir o templo em Jerusalém. Por meio
do profeta Isaías, Deus diz: “(‫ ״‬.) que digo de Ciro: Ele é meu pastor e
cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será
edificada; e do templo: Será fundado” (Is 44.28).
O Cilindro de Ciro, inscrito em cuneiforme babilônico, contém um
relato feito por Ciro de sua conquista da Babilônia, em 539 a.C., e da
captura de Nabonido, o último rei babilônico.

1.3—Quem dentre vós é, de todo o seu povo, seja seu Deus


com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do Senhor,
Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém.
A palavra “todo”, usada aqui, aponta para uma repatriação total,
na qual todos os judeus, tanto do exílio assírio quanto do babilônico, são
convidados a retomar à sua terra natal. A permissiva “suba a Jerusalém”
indica que Ciro não ordena que os judeus retomem, mas permite o retor-
no. Enquanto os babilônios governaram com mão de ferro, forçando seus
E sd r a s 1 39

súditos a adorar seus deuses, Ciro permitiu àqueles que conquistou que
adorassem seus próprios deuses. A expressão “o Deus que habita em
Jerusalém” aparece outras dez vezes em Esdras,102 e aponta para a
prática de Ciro de enxergar as divindades em relação a um lugar. Ciro
era “um politeísta iraniano”,103cujo conceito sobre Yahweh é limitado,
ainda que ele o conheça pelo nome divino (1.1).

1 .4 - Todo aquele que restar em alguns lugares em que habita,


os homens desse lugar o ajudarão com prata, ouro, bens e gado,
afora as dádivas voluntárias para a Casa de Deus, a qual está em
Jerusalém.

Embora nem todos os que estavam livres para retomar quisessem


fazê-lo, eles deveríam ajudar aqueles que desejassem fazê-lo. Também
é bastante plausível que, assim como os egípcios deram aos judeus
bens materiais quando deixaram o Egito, na época de Moisés,104 assim
também fizeram os persas durante esse retomo. Os paralelos entre
Ciro e Moisés como libertadores foram feitos para encorajar o povo de
Deus. Ofertas voluntárias também foram levadas pelos israelitas du-
rante a construção do tabernáculo no deserto.105 Desta vez, as ofertas
voluntárias foram feitas para financiar a reconstrução do templo de
Jerusalém, o qual fora destruído pelo exército de Nabucodonosor, em
587/6 a.C. Esse “segundo êxodo” representa o renascimento da nação
de Israel após o exílio. As ofertas voluntárias identificam a comunidade
judaica como uma comunidade de adoradores que está destinada a ter
Jerusalém e o templo106 como sua sede.

II. Deus desperta o coração de seu povo (1.5-11)

1.5- 6 - Então, se levantaram os cabeças de famílias de Judá


e de Benjamim, e os sacerdotes, e os levitas, com todos aqueles
cujo espírito Deus despertou, para subirem a edifícar a Casa do
S enhor, a qual está em Jerusalém.6 Todos os que habitavam nos
arredores os ajudaram com objetos de prata, com ouro, bens, gado
e coisas preciosas, afora tudo o que, voluntariamente, se deu.

O autor é claro ao dizer que Deus está no controle tanto da histó-


ria quanto dos corações das pessoas. E ele quem desperta o espírito do
40 E sdras e N eemias

povo para agir. Judá e Benjamim são destacados porque o Reino do Sul
era composto principalmente por essas duas tribos, juntamente com a
tribo de Simeão, que fora assimilada pela tribo de Judá.107 O termo
“Judá e Benjamim” aparece com frequência em Crônicas, bem como
em Esdras e Neemias, e não implica em uma negação dos descenden-
tes das outras dez tribos.108 O remanescente que retoma é dividido em
três classes: sacerdotes, levitas e leigos. O versículo 6 sugere uma in-
versão das riquezas para os judeus que estavam no exílio. Agora, o
povo de Deus que está retomando à sua pátria o faz engrandecido não
apenas por vasos de ouro e de prata, mas também por animais para
ajudar no transporte.

1 .7 - Também o rei Ciro tirou os utensílios da Casa do Senhor,


os quais Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém e que tinha
posto na casa de seus deuses.

O cronista descreve Nabucodonosor109 como aquele que destruiu


Jerusalém, queimou o templo e roubou seus bens (2Cr 36.18). Yamauchi
explica que, “costumeiramente, os conquistadores levavam as estátuas
dos deuses das cidades conquistadas. Os hititas levaram a estátua de
Marduque quando conquistaram a cidade da Babilônia. Os filisteus to-
maram a arca dos judeus e colocaram-na no templo de Dagom (ISm
5.2). Como os judeus não possuíam uma estátua do S enhor , Nabucodo-
nosor levou os bens do templo em seu lugar.”110

1.8 - Tirou-os Ciro, rei da Pérsia, sob a direção do tesoureiro


Mitredate, que os entregou contados a Sesbazar, príncipe
de Judá.

O nome “Sesbazar” aparece quatro vezes em Esdras,111 reve-


lando mais tarde que ele foi feito governador por Ciro (5.14), e que
lançou as fundações do templo (5.16). Embora alguns tentem iden-
tificar Sesbazar com Zorobabel, esta “é uma hipótese improvável”. 112
Alguns rabinos sugeriram que “Sesbazar é idêntico a D aniel (...)
porque ele suportou seis problemas”.113 O título de “príncipe” é
a palavra hebraica hannasi, que pode ser traduzida como “prín-
cipe” ou “chefe”. Aqui provavelmente é apenas um sinônimo para
“governador”.
E sd r a s 1 41

1.911 ‫ ־‬- Eis o número deles: trinta bacias de ouro, mil bacias
de prata, vinte e nove facas, trinta taças de ouro, quatrocentas e
dez taças de prata de outra espécie e mil outros objetos. Todos os
utensílios de ouro e de prata foram cinco mil e quatrocentos; todos
estes levou Sesbazar, quando os do exílio subiram da Babilônia
para Jerusalém.

Os números não batem: 30 + 1000 + 29 + 30 + 410 + 1000 é igual


a 2499, e o versículo 11 menciona 5400. Fensham sugere que “a trans-
missão do aramaico para o hebraico pode ter causado muitos dos pro-
blemas nesses versículos”.114 O Rabino Rashi propõe que apenas os
vasos importantes foram contados,115enquanto que Segai sugere que a
lista foi compilada por meio de símbolos, o que foi responsável pela
discrepância nos números. Segai cita Allrik, que propôs que os números
encontrados em Esdras “foram compostos usando símbolos para re-
presentar os números, e não palavras. (...) Tal sistema ajuda a explicar
as discrepâncias entre essas duas listas.”

D atas E ventos C a p ítu lo s de


R e fe rê n c ia

538 O p rim e ir o re to rn o s o b C iro 1 -2

5 3 8 -5 3 6 A r e c o n s tr u ç ã o d o a lta r e 3
d o s fu n d a m e n t o s d o te m p lo

Após 538 A o fe r ta d e a ju d a r e c u s a d a 4 .1 -5
e a c o n s e q u e n t e o p o s iç ã o

5 2 0 -5 1 5 A re c o n s tr u ç ã o d o t e m p lo im p e d id a
a t é 0 s e g u n d o a n o d e D a r io , a o b r a
r e s t a b e le c id a s o b A g e u e Z a c a r ia s ,
a in v e s tig a ç ã o d e T a te n a i, 0 a p o io d e
D a r io e a r e c o n s tr u ç ã o d o t e m p lo 4 .2 4 -6 .2 2

486 O p o s iç ã o d u r a n t e 0 r e in a d o d e X e r x e s 4 .6

465 O p o s iç ã o d u r a n t e 0 r e in a d o d e A r ta x e r x e s 4 .7

458 R e to r n o d e E s d r a s c o m c o n c e s s ã o im p e ria l 7 -8

458 P r o b le m a d o s c a s a m e n t o s m is to s e x p o s to
e re s o lv id o 9 -1 0
42 E sd r a s e N eem ia s

Após 458 O p o s iç ã o b e m -s u c e d id a à r e c o n s tr u ç ã o
d e J e r u s a lé m e d e s e u s m u ro s d u r a n te
0 r e in a d o d e A r ta x e r x e s 4 .8 -2 3

Tabela 3: A Cronologia de Esdras116

O líder cristão de hoje pode descansar seguro no pensamento de


que o mesmo Deus que dirigiu a história durante o tempo de Esdras é o
mesmo Deus que dirige nossa história. Apesar das incertezas econômi-
cas ou da liderança governamental corrupta em um nível local, nacional
ou global, Deus é quem está no comando da história. Deus pode supe-
rar todos os obstáculos humanos para realizar sua vontade e seu plano,
mas, assim como na época de Esdras, ele usa homens e mulheres pie-
dosos e comprometidos, que estão dispostos a submeter-se à sua Pala-
vra e vontade.
Esdras 2
E sboço
2.1-2a - Os líderes da restauração
2.2b-35 - Repatriados identificados pelo nome ou pela loca-
lização geográfica
2.36-39 - Os sacerdotes
2.40-42 - Os levitas
2.43-58 - Os servidores do templo e os descendentes dos
servos de Salomão
2.59-63 - Repatriados sem registro de família
2.64-70 - Estatísticas e estabelecimento

I. Os líderes da restauração (2.1-2a)

2.1 - São estes os filhos da província que subiram do


cativeiro, dentre os exilados que Nabucodonosor, rei da Babilônia,
tinha levado para lá, e voltaram para Jerusalém e para Judá, cada
um para a sua cidade.

A lista dos repatriados é muito bem ordenada: cabeçalho (v.1-2),


lista de pessoas (v. 3-35), lista de sacerdotes (v. 3 6 3 9 ‫)־‬, lista de levitas
(v. 40), lista de cantores (v. 41), lista de porteiros (v. 42), lista de vários
servidores do templo (v. 43-58), lista de pessoas com genealogia desco-
nhecida (v. 59-63), lista de totais (v. 64-67), lista de dádivas para o
templo (v. 68-69) e conclusão (v. 70).
O versículo 1 sugere que alguns judeus nunca retomaram à sua
terra natal, e suas motivações não nos são apresentadas. As referências
a Nabucodonosor, Babilônia, Jerusalém e Judá poderíam enfatizar a
ausência de repatriados do Reino do Norte. A geografia de seu retomo
vai de específica (Jerusalém) para geral (Judá) e volta novamente para
específica (cada um para a sua cidade).
44 E sd r a s e N eem ias

2.2a —Os quais vieram com Zorobabel, Jesua, Neemias,


Seraías, Reelaías, Mordecai, Bilsã, Mispar, Bigvai, Reum e Baaná.

As listas dos nomes presentes em Esdras e Neemias não são


acidentais e nem mesmo uma coincidência, antes elas dão “o sentimen-
to de unidade nacional em resposta ao decreto de Ciro, atribuem impor-
tância a cada indivíduo” e “dão ao povo um papel mais central do que a
seus líderes ou ao Templo”.117 Zorobabel é mencionado primeiro por-
que ele foi o governador de Judá depois de Sesbazar (Ag 1.1), e Deus
o chama de “meu servo” (Ag 2.23). Ele encontra-se listado entre os
descendentes de Davi ( lCr 3.19), e, de modo mais importante, ele apa-
rece na genealogia de Jesus (Mt 1.12-13; Lc 3.27). Embora não lhe
seja dado o título de governador em Esdras ou Neemias, ele pode ser
identificado com qualquer um dos governadores anônimos menciona-
dos em Esdras 2.63 ou 6.7.
Jesua, filho de Jozadaque “era neto do último sumo sacerdote
oficiante antes do exílio”.118 Ele é o Josué de Ageu e Zacarias, a quem
foi dado o sumo sacerdócio após o retomo (Zc 3.1-10). Seraías é pai de
Esdras (7.1), e ele aparece na lista de sacerdotes de Neemias (Ne 12.1).
Reelaías aparece como Raamias em Neemias 7.7, e como Resaías no
livro apócrifo de Esdras (lE d 5.8). Mordecai é um nome associado ao
deus babilônico Marduque, mas ele não é o Mordecai associado ao
livro de Ester. Nada se sabe sobre Bilsã, Mispar (Misperete na lista de
Neemias), Bigvai, Reum (Neum na lista de Neemias), e Baaná. Zoro-
babel, Bilsã e Mordecai são nomes babilônicos, enquanto que Bigvai é
de proveniência persa.119

II. Repatriados identificados pelo nome ou pela localização


geográfica (2.2b-35)

2.2b-35 - Eis o número dos homens do povo de Israel: os


filhos de Parós120, dois mil cento e setenta e dois. Os filhos de
Sefatias, trezentos e setenta e dois. Os filhos de Ará, setecentos
e setenta e cinco. Os filhos de Paate-Moabe, dos filhos de Jesua-
Joabe, dois mil oitocentos e doze. Os filhos de Elão, mil duzentos
e cinquenta e quatro. Os filhos de Zatu, novecentos e quarenta e
cinco. Os filhos de Zacai121, setecentos e sessenta. Os filhos de
E sd r a s 2 45

Bani, seiscentos e quarenta e dois. Os filhos de Bebai, seiscentos


e vinte e três. Os filhos de Azgade, mil duzentos e vinte e dois.
Os filhos de Adonicão122, seiscentos e sessenta e seis. Os filhos
de Bigvai, dois mil e cinquenta e seis. Os filhos de Adim,
quatrocentos e cinquenta e quatro. Os filhos de Ater123, da família
de Ezequias, noventa e oito. Os filhos de Bezai, trezentos e vinte
e três. Os filhos de Jora, cento e doze. Os filhos de Hasum,
duzentos e vinte e três. Os filhos de Gibar, noventa e cinco. Os
filhos de Belém, cento e vinte e três. Os homens de Netofa,
cinquenta e seis. Os homens de Anatote, cento e vinte e oito. Os
filhos de Azmavete, quarenta e dois. Os filhos de Quiriate-Arim124,
Cefira e Beerote, setecentos e quarenta e três. Os filhos de Ramá e
de Geba, seiscentos e vinte e um. Os homens de Micmás, cento e
vinte e dois. Os homens de Betei e Ai, duzentos e vinte e três. Os
filhos de Nebo, cinquenta e dois. Os filhos de Magbis, cento e
cinquenta e seis. Os filhos do outro Elão, mil duzentos e cinquenta
e quatro. Os filhos de Harim, trezentos e vinte. Os filhos de Lode,
Hadide e Ono, setecentos e vinte e cinco. Os filhos de Jerico,
trezentos e quarenta e cinco. Os filhos de Senaá125, três mil
seiscentos e trinta.

As pessoas listadas aqui parecem com as fórmulas “filhos de


X” e “homens de Y”. Nestes versículos, os filhos de X são clara-
mente identificados pelo nome de sua família. Alguns estudiosos
realmente traduzem benê como “a família de” 126. Paate-Moabe
(v. 6) significa o governador de Moabe e reflete uma situação de-
senvolvida durante a monarquia unida, quando Moabe esteve sob o
controle judeu. Não está claro por que algumas pessoas são identifi-
cadas por seu nome pessoal, enquanto que outras são identificadas
por sua localização geográfica. E possível que as identificadas por
sua localização geográfica sejam os pobres, que não possuíam terras
ou propriedades.127

III. Os sacerdotes (2.36-39)


2.36-39 - Os sacerdotes: os filhos de Jedaías, da casa de
Jesua, novecentos e setenta e três. Os filhos de Imer, mil e cinquenta
e dois. Os filhos de Pasur, mil duzentos e quarenta e sete. Os filhos
de Harim, mil e dezessete.
46 E sdras e N eemias

Mais famílias sacerdotais retomaram do exílio do que as quatro


mencionadas aqui; no entanto, seu número é significativo, porque elas
compõem cerca de 10% do número total de repatriados. Williamson
sugere que “no período pós-exílico, há um desenvolvimento estável da
hierarquia sacerdotal, um desenvolvimento atestado em várias listas no
AT, o que culminou no surgimento do sistema de vinte e quatro turnos
sacerdotais”.128 Jedaías, Pasur e Imer aparecem também em lCrôni-
cas 9.10-13 e Neemias 11.1014‫־‬.

IV. Os levitas (2 .4 0 4 2 ‫)־‬

2.40 - Os levitas: os filhos de Jesua e Cadmiel, dos filhos de


Hodavias, setenta e quatro.

A lista mais curta pertence aos levitas. Sem o templo, os levitas


tomaram-se um grupo negligenciado, forçado a fazer outros trabalhos.
“Sua falta de compromisso é o motivo de ter sido necessário fazer um
apelo especial a eles, mais tarde, para que participassem da tarefa de
reconstruir Jerusalém e as instituições do templo (Ed 8.15ss).”129
É notável que os levitas e os sacerdotes sejam reconhecidos como par-
tes de classes distintas.

2.41 - Os cantores: os filhos de Asafe, cento e vinte e oito.

Visto que os cantores não haviam ainda atingido o status levítico,


eles também são tratados separadamente dos levitas. Pode ser que
“eles fossem nomeados pelo rei para o serviço no templo”, e eles,
“tocassem com acompanhamento próprio (lC r 15.16)”.130 Asafe foi
contemporâneo de Davi, e a autoria dos Salmos 50 e 73-83 é atribuída
a ele. Embora outros músicos tenham retomado com Esdras mais tarde
(7.7), apenas os asafitas são mencionados aqui.

2.42 - Os filhos dos porteiros: os filhos de Salum, os filhos


de Ater, os filhos de Talmom, os filhos de Acube, os filhos de
Hatita, os filhos de Sobai; ao todo, cento e trinta e nove.
O grupo inicial de porteiros é dividido em seis partes, embora mais
tenham vindo com Esdras (7.7). Blenkinsopp explica que “uma de suas
E sd r a s 2 47

principais funções era proteger a pureza ritual dos recintos do templo


(2Cr 23.19), e alguns deles estavam encarregados dos armazéns do
templo (lC r 9.6-27)”.131 Eles desempenham um papel importante em
Neemias, visto que são frequentemente mencionados no mesmo con-
texto dos sacerdotes e levitas (Ne 10.28; 12.47; 13.5).

V. Os servidores do tem plo e os descendentes dos servos de


Salomão (2.43-58)

2.43-58 Os servidores do templo: os filhos de Zia, os


filhos de Hasufa, os filhos de Tabaote, os filhos de Queros, os
filhos de Sia, os filhos de Padom, os filhos de Lebana, os filhos
de Hagaba,132 os filhos de Acube, os filhos de Hagabe, os filhos
de Sanlai, os filhos de Hanã, os filhos de Gidel,133 os filhos de
Gaar, os filhos de Reaías, os filhos de Rezim, os filhos de Necoda,
os filhos de Gazão, os filhos de Uzá, os filhos de Paseia, os filhos
de Besai, os filhos de Asná, os filhos dos meunitas, os filhos dos
nefuseus, os filhos de Baquebuque,134 os filhos de Hacufa, os
filhos de Harur, os filhos de Baslute, os filhos de Meída, os filhos
de Harsa, os filhos de Barcos, os filhos de Sísera, os filhos de
Temá, os filhos de Nesias, os filhos de Hatifa. Os filhos dos
servos de Salomão: os filhos de Sotai, os filhos de Soferete, os
filhos de Peruda, os filhos de Jaala, os filhos de Darcom, os
filhos de Gidel, os filhos de Sefatias, os filhos de Hatil, os filhos
de Poquerete-Hazebaim e os filhos de Ami. Todos os servidores
do templo e os filhos dos servos de Salomão, trezentos e noventa
e dois.

Embora os servidores do templo não fossem escravos, muitos


deles eram de origem não israelita. Blenkinsopp propõe que alguns
dos nomes sejam de descendência egípcia, árabe, babilônica, edomita
e ugarítica.135 Batten sugere que esses servos “eram oficiais subor-
dinados do templo, desempenhando as funções mais humildes no
santuário”.136Pode ser que muitos deles “tenham vindo a Israel como
prisioneiros de guerra inicialmente, uma vez que estes são os nomes
de tribos que sabemos terem sido derrotadas durante o período da
monarquia”.137 No entanto, a sua inclusão junto com os filhos dos
48 E sdras e N eemias

servos de Salomão revela ainda que eles não eram escravos, mas
sim servos.

VI. Repatriados sem registro de família (2.59-63)

2.59-63 - Também estes subiram de Tel-Melá, Tel-Harsa,


Querube, Adã e Imer, porém não puderam provar que as suas
famílias e a sua linhagem eram de Israel: os filhos de Delaías, os
filhos de Tobias, os filhos de Necoda, seiscentos e cinquenta e
dois. Também dos filhos dos sacerdotes: os filhos de Habaías,
os filhos de Coz,138os filhos de Barzilai,139que se casara com uma
das filhas de Barzilai, o gileadita, e que foi chamado do nome
dele. Estes procuraram o seu registro nos livros genealógicos,
porém o não acharam; pelo que foram tidos por imundos para o
sacerdócio. O governador lhes disse que não comessem das
coisas sagradas, até que se levantasse um sacerdote com Urim
eTumim.

Embora a maioria dos judeus tenha mantido seus registros fami-


liares intactos, outros não o fizeram. Alguns destes eram prosélitos,
uma vez que não puderam nem mesmo provar que “pertenciam a
Israel” (2.59b). Esses são identificados apenas com as cidades babi-
lônicas de onde vieram, embora a localização dessas cidades seja
desconhecida. A preocupação com a pureza era dominante, razão
pela qual o versículo 62 explica por que estes “imundos” foram exclu-
idos do sacerdócio. Olyan afirma que “a contaminação da linhagem é
passada de geração em geração, aparentemente desqualificando to-
dos os homens na linhagem poluída para o serviço sacerdotal”. 140
O título “governador” é uma tradução da palavra persa hattirSãtã
usada para Neemias (Ne 7.65,70; 8.9; 10.2). Aqui, o governador não
é mencionado pelo nome, embora alguns assumam que possa ser Ses-
bazar ou Zorobabel.141 Williamson explica que, Urim e Tumim eram
sortes sagradas pelas quais respostas a perguntas diretas poderíam
ser recebidas. Eles podem ter sido dois pequenos objetos, como pe-
dras ou galhos, marcados de alguma forma e retirados do éfode para
dar, de acordo com as combinações, uma resposta de “sim”, “não” ou
“sem resposta”.142
E sd r a s 2 49

VII. Estatísticas e estabelecim ento (2.64-70)

2.64-67 - Toda esta congregação junta foi de quarenta e


dois mil trezentos e sessenta, afora os seus servos e as suas servas,
que foram sete mil trezentos e trinta e sete; e tinham duzentos
cantores e cantoras. Os seus cavalos, setecentos e trinta e seis;
os seus mulos, duzentos e quarenta e cinco; os seus camelos,
quatrocentos e trinta e cinco; os jumentos, seis mil setecentos
e vinte.

O total apresentado no versículo 64 é de cerca de 11.000 a mais


do que a soma dos números anteriores. A discrepância pode ser expli-
cada pelo fato de que suas esposas foram incluídas no número total.
Embora pareça um número pequeno em comparação com o total, é
possível que a maioria dos repatriados fosse de jovens solteiros do sexo
masculino. Os animais listados aqui foram utilizados tanto para a via-
gem quanto para o transporte da carga.

2.68-70 - Alguns dos cabeças de famílias, vindo à Casa do


S enhor, a qual está em Jerusalém, deram voluntárias ofertas para a
Casa de Deus, para a restaurarem no seu lugar. Segundo os seus
recursos, deram para o tesouro da obra, em ouro, sessenta e um mil
dáricos, e, em prata, cinco mil arráteis, e cem vestes sacerdotais.
Os sacerdotes, os levitas e alguns do povo, tanto os cantores
como os porteiros e os servidores do templo habitaram nas suas
cidades, como também todo o Israel.

O versículo 68 revela que o templo ainda não havia sido recons-


truído, por isso, a necessidade das ofertas voluntárias. Sua doação “se-
gundo os seus recursos” lembra-nos das palavras de Jesus para a mu-
lher que derramou o bálsamo de nardo puro sobre sua cabeça: “Ela fez
o que pôde” (Mc 14.8). Deus nunca nos pede para fazer mais do que
podemos, mas aquilo que podemos fazer, deveriamos fazer. Ainda que
a comunidade repatriada fosse pobre, a quantidade de dinheiro que foi
levantada é estimada em cerca de US$ 238,000.143
Comparação entre as listas de repatriados em Esdras 2 e
Neemias 7.
50 E sdras e N eemias

Nome Esdras 2 Neemias 7


Zorobabel X X

Jesua X X

Neemias X X

Seraías1 X -

Reelaías2 X -

Mordecai X X

Bilsã X X

Mispar X X

Bigvai X X

Reuní X -

Baaná X X

Parós X X

Sefatias X X

Ará X X

Paate-Moabe X X

Jesua X X

Joabe X X

Elão X X

Zatu X X

Zacai X X

Bani X X

Bebai X X
Azgade X X

Adonicão X X

Bigvai X X

Adim X X

Ater X X

Bezai X X

Jora X -

Hasum X X

Gibar4 X -

Azmavete5 X -

Quiriate-Arim X -

Cefira X X
E sdras 2 51

Beerote X X

Ramá X X

Geba X X

Micmás X X

Nebo X X

Magbis X -
(o outro) Elão X X

Harim X X

Lode X X

Hadide X X

Ono X X

Jericó X X

Senaá X X

Sacerdotes
Jedaías X X

Jesua X X

Imer X X

Pasur X X

Harim X X

Levitas l IJ -1
Jesua X X

Cadmiel X X

Hodavias6 X -

Cantores
Asafe X X

Salum X X

Ater X X

Talmon X X

Acube X X

Hatita X X

Sobai X X

Servidores dõ templo
Zia X X

Hasufa X X

Tabaote X X
52 E sdras e N eemias

Queros X X

Zia7 X X

Padom X X

Lebana X -
Hagaba X -
Acube X X

Hagabe X -

Sanlai8 X -
Hanã X X

Gidel X X

Gaar X X

Reaías X X

Rezim X X

Necoda X X

Gazão X X

Uzá X X

Paseia X X

Bezai X X

Asná X -
Meunitas X X

Nefuseus9 X -

Baquebuque X X

Hacufa X X

Harur X X

Baslute10 X -

Meída X X

Harsa X X

Barcos X X

Sísera X X

Temá X X

Nesias X X

Hatifa X X
E sdras 2 53

Filhos dos
servos de Salomão
Sotai X X

Soferete X -

Peruda11 X -

Jaala X -

Darcom X X

Gidel X X

Sefatias X X

Hatíl X X

Poquerete-Hazebaim X X

Ami15 X -
Aqueles sem
registro de família
Delaías X X

Tobias X X

Necoda X X

Tabela 4: Comparação entre as listas de repatriados


em Esdras 2 e Neemias 7.
Notas da tabela
1) Mencionado em Neemias 10.2 como um dos que selaram a aliança.
2) Neemias 7.7 traz Raamias.
3) Mencionado em Neemias 10.25 como um dos que selaram a aliança.
4) Neemias 7.25 traz o nome da localidade geográfica de Gibeão. O texto de
Esdras é preferível porque contém a fórmula “filhos de”.
5) Neemias 12.29 traz Azmavete como uma localidade geográfica.
6) Listado entre os descendentes de Davi e Salomão em 1Crônicas 3.24 e entre
os repatriados do exílio em 1Crônicas 9.7.
7) Neemias 7.47 traz Sia.
8) Neemias 7.48 traz Salmai.
9) Neemias 7.52 traz Nefusesim.
10) Neemias 7.54 traz Bazlite.
11) Neemias 7.57 traz Perida.
12) Neemias 7.59 trazAmom.
54 E sdras e N eemias

As listas dos repatriados nos lembram da fidelidade de Deus em


manter suas promessas. Por meio de Jeremias, Deus anunciou que o
exílio duraria 70 anos. O retomo do exílio babilônico não é um conceito
abstrato, mas pode ser visto na face daqueles que retomam. Assim
como há um Deus por trás da promessa de retomo, há pessoas men-
cionadas pelo nome e vistas como a face do cumprimento do retorno.
O líder cristão de hoje deve sempre estar consciente da fidelidade de
Deus, mas também de que as pessoas a quem servimos têm nomes e
rostos. Nós não somos chamados para servir números, mas pessoas
necessitadas. Nós não somos chamados para ministrar a estatísticas,
mas a santos.
Esdras 3
Esboço
3.1-6 - Sacrifícios a Deus: o fundamento da adoração
3.7 - Trazendo o melhor: os materiais para o templo
3.8-9 - Começando a construir
3.10-13 - Louvando e dando graças ao S e n h o r
I. Sacrifícios a Deus: o fundamento da adoração (3.1-6)
3 .1 - Em chegando o sétimo mês, e estando os filhos de
Israel já nas cidades, ajuntou-se o povo, como um só homem, em
Jerusalém.

O sétimo m ês do calendário judaico é o mês de Tisri (setembro/


outubro). Esta referência, provavelmente, diz respeito ao sétimo mês
desde que os judeus haviam retomado do exílio. A maioria dos estúdio-
sos concorda que o ano é de 537 a.C.144 foram necessários cerca de
sete m eses para que os judeus se acomodassem novamente na terra, e
agora eles estão prontos para reinstituir o sistema sacrificial. O fato de
que eles se reúnem “com o um sò homem” aponta para a ^ua unidade
de coração e propósito.
mos
undaes! ■a

Semanas (Pente ostel

O calendário judeu
Copyright 1999 ΜΑΝΝΑ.
56 E sdras e N eemias

3.2 - Levantou-se Jesua, filho de Jozadaque, e seus irmãos,


sacerdotes, e Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus irmãos e edificaram
o altar do Deus de Israel, para sobre ele oferecerem holocaustos,
como está escrito na Lei de Moisés, homem de Deus.
Jesua, filho de Jozadaque145é mencionado juntamente com Zoro-
babel pelo profeta Ageu (1.1), mas, nesse período, ele já havia se toma-
do o sumo sacerdote.146 Jesua e Zorobabel aparecem juntos ao longo
de Esdras e Neemias (Ed 2.2; 3.2,8; 4.3; 5.2; Ne 7.7; 12.1) e no livro de
Ageu (1.1,12,14; 2.2,4).147
Os repatriados entendem a importância da adoração por meio de
sacrifícios, e isso os leva a ter como sua primeira prioridade a constru-
ção do altar. Na verdade, Deus falou por intermédio de Moisés sobre a
importância de trazer holocaustos.148 Bernhard W. Anderson observa
que “um dos itens mais importantes na bagagem que Esdras trouxe da
Babilônia foi uma cópia do livro da Lei de Moisés”.149 O fato de que
existia uma Lei de Moisés escrita nesse período contradiz a hipótese
documentária de Wellhausen (JEDP), a qual sugere que um redator
combinou todas as fontes no final do 5o século.150Foi o afastamento do
povo da Lei de Moisés que resultou em seu exílio. Agora, seu desejo de
obedecer à Lei em seu menor detalhe indica a sua compreensão da
correlação entre desobediência e julgamento, obediência e bênção.

3.3 - Firmaram o altar sobre as suas bases; e, ainda que


estavam sob o terror dos povos de outras terras, ofereceram sobre
ele holocaustos ao Senhor, de manhã e à tarde.

Durante o período de exílio, não judeus se instalaram na terra, e


sua presença agora instila medo no povo de Deus. Mais tarde, em
Esdras e Neemias, vemos que esses temores eram justificados porque
os judeus enfrentaram muita oposição por parte dos estrangeiros.
Esses poderíam incluir pessoas de nações vizinhas, como Amon,
Moabe, Edom, Samaria e Egito. Ibn Ezra sugere que o povo construiu o
altar para que Deus “os ajudasse contra os seus adversários”.151 O altar
é necessário para que o povo traga ofertas queimadas (holocaustos),
tanto de manhã quanto à tarde. Esse sacrifício diário de manhã e à
tarde consistia de um cordeiro preparado em farinha e azeite, com o
vinho como libação (Êx 29.38-42; Nm 28.3-8).
E sd r a s 3 57

3.4-6 - Celebraram a Festa dos Tabemáculos, como está


escrito, e ofereceram holocaustos diários, segundo o número
ordenado para cada dia; e, depois disto, o holocausto contínuo e
os sacrifícios das Festas da Lua Nova e de todas as festas fixas do
S enhor, como também os dos que traziam ofertas voluntárias ao
S enhor. Desde o primeiro dia do sétimo mês, começaram a oferecer
holocaustos ao S enhor ; porém ainda não estavam postos os
fundamentos do templo do S enhor.

Juntamente com a Páscoa e o Dia da Expiação (Yom Kippur), a


Festa das Tendas ou Tabemáculos era uma das três celebrações religio-
sas mais importantes para os judeus. A Festa dos Tabemáculos come-
çava no dia 15 de Tisri (setembro/outubro), e era principalmente uma
festa de ação de graças, mostrando gratidão pela provisão de Deus (Êx
34.22). Ela também recordava a peregrinação no deserto, as tendas
(Sucote) eram um lembrete de que os israelitas viveram em tendas
durante o trajeto de 40 anos do Egito à Terra Prometida (23.42-43).
Sucote foi o local do primeiro acampamento dos israelitas após deixar
Ramsés (Êx 12.37). A Festa dos Tabemáculos foi observada durante o
período pós-exílico (2Cr 8.13; Ed 3.4; Zc 14.16,18-19), e durante o
período da igreja primitiva. Essa é a única festa para a qual os israelitas
receberam a ordem de se alegrar diante do Senhor (Lv 23.40).
Ross explica que a oferta voluntária “era uma oferta que podería ser
feita a qualquer momento. A alma do adorador podería simplesmente estar
transbordando de alegria por causa de Deus e seus benefícios. Essas ofer-
tas voluntárias eram (e são) a essência de uma fé viva”.152 É fácil ver
como os sentimentos de gratidão dos que retomaram se traduziram em
ofertas voluntárias ao S enhor. N o entanto, visto que os fundamentos do
templo ainda não haviam sido postos, muito trabalho havia a ser feito.
Afinal de contas, o templo teve um papel central na adoração de Israel e na
sua compreensão de Deus desde que Salomão 0 construíra em 967 a.C.

II. Trazendo o melhor: os materiais para o templo (3.7)

3.7 - Deram, pois, o dinheiro aos pedreiros e aos carpinteiros,


como também comida, bebida e azeite aos sidônios e tírios, para
trazerem do Líbano madeira de cedro ao mar, para Jope, segundo a
permissão que lhes tinha dado Ciro, rei da Pérsia.
58 E sdras e N eemias

A preparação para a reconstrução do templo é paralela à constru-


ção do templo original durante a era salomônica. Maçons ou pedreiros
são empregados (lC r 22.2) juntamente com carpinteiros (lC r 22.15), e
o pagamento é feito em quantias de comida, bebida e azeite (2Cr 2.10).
Myers corretamente aponta que “nenhuma permissão de Sidom e Tiro
era necessária, uma vez que pertenciam ao rei da Pérsia”.153 A madei-
ra do Líbano tem um significado especial, sendo sempre usada em pro-
jetos especiais de construção e retratada como superior quanto ao va-
lor.154 É dado crédito a Ciro de ter não apenas proclamado o decreto
que permitiu o retomo dos judeus, mas também de ter pagado parte das
despesas necessárias para a reconstrução do templo.

III. Começando a construir (3.8-9)


3.8-9 - No segundo ano da sua vinda à Casa de Deus, em
Jerusalém, no segundo mês, Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua,
filho de Jozadaque, e os outros seus irmãos, sacerdotes e levitas, e
todos os que vieram do cativeiro a Jerusalém começaram a obra da
Casa do Senhor e constituíram levitas da idade de vinte anos para
cima, para a superintenderem. Então, se apresentaram Jesua com seus
filhos e seus irmãos, Cadmiel e seus filhos, os filhos de Judá, para
juntamente vigiarem os que faziam a obra na Casa de Deus, bem como
os filhos de Henadade, seus filhos e seus irmãos, os levitas.

A reconstrução do templo é iniciada no segundo mês, assim como


fora a construção do templo de Salomão (1 Rs 6.1; 2Cr 3.2).155Os líderes
do projeto são mencionados pelo nome aqui, como Zorobabel e Jesua.
Sesbazar também desempenhou a função (5.16), mas ele teve um papel
menor porque estava velho ou porque morreu antes da “segunda tentati-
va bem-sucedida para a construção do templo”.156 Os levitas são desig-
nados para supervisionar o trabalho, e a idade mínima para qualificação é
fixada em vinte anos. No Pentateuco, a idade mínima de qualificação
é fixada em trinta (Nm 4.3,23,30), mas parece que a idade foi reduzida
aqui devido ao menor número de levitas que retomaram. Também pode
ser que o “conjunto de funções associado ao ofício levítico tinha aumen-
tado”.157O fato de tanto Yahweh quanto Elohim serem utilizados como o
nome divino pode ser visto no fato de que os termos “Casa de Deus
(Elohim)” e “casa do S enhor (Yahweh)” são usados altemadamente.
E sd r a s 3 59

IV. Louvando e dando graças ao S enhor (3 .1 0 -1 3 )


3.10-11 - Quando os edificadores lançaram os alicerces do
templo do S enhor, apresentaram-se os sacerdotes, paramentados e
com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, para
louvarem o S enhor, segundo as determinações de Davi, rei de Israel.
Cantavam altemadamente, louvando e rendendo graças ao S enhor,
com estas palavras: Ele é bom, porque a sua misericórdia dura para
sempre sobre Israel. E todo o povo jubilou com altas vozes, louvando
ao S enhor por se terem lançado os alicerces da sua casa.
O foco aqui não está nos detalhes físicos do lançamento dos alicer-
ces, mas sim na cerimônia alegre que o acompanhou. Os detalhes têm
semelhança com a dedicação do templo de Salomão (2Cr 7.6). As trom-
betas utilizadas não eram os chifres de carneiro, mas sim os instrumentos
de metal longos e retos usados para a chamada da congregação (Nm
10.2), para o sinal de alerta (2Cr 13.12-14) e para celebrações (1 Cr 16.6).
O refrão “porque a sua misericórdia dura para sempre” aponta para o
caráter e natureza de Deus, e ocorre várias vezes nos Salmos, bem como
nos Livros das Crônicas (lC r 16.34,41; 2Cr 5.13; 7.3,6; 20.21) e em
Jeremias (33.11). O amor de Deus (Hésed) é um lembrete do amor pac-
tual de Deus, e agora eles o celebram com gritos e cânticos. O amor
pactuai de Deus se manifesta não apenas no retomo do povo à terra, mas
agora também no restabelecimento do templo de adoração.
2 C r ô n ic a s 7 .6 E s d r a s 3 .1 0 - 1 1
O s sa cerd o tes estavam nos seus Quando os edificadores lançaram os alicerces
devidos lugares, como também do templo do S e n h o r , apresentaram-se o s
o s le v ita s com os in s tr u m e n to s s a c e r d o t e s , paramentados e com tr o m b e ta s ,
músicos do S e n h o r , que 0 rei e o s le v ita s , filhos de Asafe, com c ím b a lo s ,
D a v i tinha feito para deles se para louvarem 0 S e n h o r , segundo as
utilizar nas ações de graças ao determinações de D a v i, r e i d e I s r a e l.
S e n h o r , p o r q u e a su a Cantavam altemadamente, louvando e
m is e r ic ó r d ia d u r a p a r a rendendo graças ao S e n h o r , com estas
se m p r e . O s s a c e r d o t e s que palavras: Ele é bom, p o r q u e a su a
tocavam as tr o m b e ta s estavam m is e r ic ó r d ia d u r a p a r a s e m p r e sobre
defronte deles, e todo 0 Israel se Israel. E todo 0 povo jubilou com altas vozes,
mantinha em pé. louvando ao S e n h o r por se terem lançado os
alicerces da sua casa.

Tabela 3: Paralelos entre 2Crônicas 7 e Esdras 3


60 E sdras e N eemias

3.12-13- Porém muitos dos sacerdotes, e levitas, e cabeças


de famílias, já idosos, que viram a primeira casa, choraram em alta
voz quando à sua vista foram lançados os alicerces desta casa;
muitos, no entanto, levantaram as vozes com gritos de alegria. De
maneira que não se podiam discernir as vozes de alegria das vozes
do choro do povo; pois o povo jubilava com tão grandes gritos,
que as vozes se ouviam de mui longe.

O profeta Ageu nos dá uma percepção sobre por que algumas


pessoas estavam chorando diante do que parecia ser uma boa notícia.
Em Ageu 2.3 Deus apresenta uma série de perguntas: “Quem dentre
vós, que tenha sobrevivido, contemplou esta casa na sua primeira gló-
ria? E como a vedes agora? Não é ela como nada aos vossos olhos?”
Parece que as pessoas mais velhas que viram a glória do templo de
Salomão estavam amargamente desapontadas, embora o templo ainda
não houvesse sido reconstruído. Somente a fundação já lhes dizia que
o templo reconstruído não se igualaria ao nível do original. Pode ser
que as pedras menores usadas aqui não se comparassem aos enor-
mes blocos utilizados no templo de Salomão.158 O choro das pessoas
mais velhas entrou em conflito com os gritos de alegria de quem via o
lançamento do fundamento não como uma decepção, mas como uma
grande conquista.
As lições de Esdras 3 são muito importantes para o líder cristão
de hoje. A adoração como resposta à graça e misericórdia de Deus
para conosco precisa ser expressa mediante o trazer o nosso melhor.
Enquanto a comunidade dos repatriados durante o tempo de Esdras
trouxe sacrifícios mortos (como a Lei exigia), somos convidados a tra-
zer a nós mesmos como sacrifícios vivos. De acordo com o apóstolo
Paulo, esse será o nosso culto espiritual, o qual será agradável a Deus
(Rm 12.1-2). Além de trazer a nós mesmos como sacrifícios vivos,
cantar louvores a Deus também faz parte de nossa resposta a Deus em
adoração. A música, portanto, não é sobre nós, não se trata de estilo,
mas deve sempre ser sobre ele, o Deus a quem adoramos. Com esse
objetivo, compositores e escritores contemporâneos identificam corre-
tamente a Deus como “nosso público de um só”.
Esdras 4
E sboço
4.1-3 - A fonte de oposição
4.4-5 - A persistência da oposição
4.6-22 —As muitas faces da oposição
4.23-24 - As consequências da oposição

I. A fonte de oposição159 (4.1-3)


4 .1 -2 - Ouvindo os adversários de Judá e Benjamim que os
que voltaram do cativeiro edificavam o templo ao S enhor, Deus de
Israel, chegaram-se a Zorobabel e aos cabeças de famílias e lhes
disseram: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós,
buscaremos a vosso Deus; como também já lhe sacrificamos desde
os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir para aqui.
Os adversários se identificam como aqueles que foram trazidos
para Israel por Esar-Hadom, rei da Assíria, 0 filho mais novo de Sena-
queribe.160 Esar-Hadom governou a Assíria em 681-669 a.C. e repo-
voou a terra depois que muitos foram levados para o exílio. Estes repo-
voamentos não eram tão incomuns, visto que outros reis assírios, como
Sargão Π (722-705 a.C.) e Assurbanípal (669-633 a.C.) o fizeram du-
rante seus respectivos reinados. O pedido dos adversários parece ino-
cente, “Deixai-nos edificar convosco”, e parece ter a motivação certa,
“porque, como vós, buscaremos a vosso Deus”. Os adversários insinuam
que eles são convertidos ao judaísmo, visto que adoram Yahweh desde
a sua chegada à terra. No entanto, o cronista esclarece que esses ad-
versários não eram monoteístas, mas sim sincretistas em sua adoração,
“De maneira que temiam o S enhor e, ao mesmo tempo, serviam aos
seus próprios deuses, segundo o costume das nações dentre as quais
tinham sido transportados” (2Rs 17.33). Batten sugere que os adver-
sários eram samaritanos,161 embora muitos estudiosos rejeitem essa
hipótese, chamando-a de anacrônica.162
62 E sdras e N eemias

4.3 - Porém Zorobabel, Jesua e os outros cabeças de famílias


lhes responderam: Nada tendes conosco na edificação da casa a
nosso Deus; nós mesmos, sozinhos, a edificaremos ao Senhor,
Deus de Israel, como nos ordenou Ciro, rei da Pérsia.

No mundo atual, os líderes certamente seriam chamados de exclu-


sivistas e, provavelmente, de culturalmente insensíveis também. No en-
tanto, é importante notar que eles estavam preocupados com a pureza do
povo, não com o seu índice de popularidade. Era esperado dos líderes que
eles “mantivessem a integridade da comunidade judaica” e, assim, conti-
nuassem o “plano de redenção” de Deus.163 Eles também fazem refe-
rência ao decreto de Ciro (1.2-4), dando assim aos seus adversários uma
razão espiritual e uma política para não aceitarem sua ajuda.

II. A persistência da oposição (4.4-5)

4.4-5 - Então, as gentes da terra desanimaram o povo de


Judá, inquietando-o no edificar; alugaram contra eles conselheiros
para frustrarem o seu plano, todos os dias de Ciro, rei da Pérsia, até
ao reinado de Dario, rei da Pérsia.

A primeira arma da oposição é o desânimo, o que então leva ao


medo. Foi presumido que esse medo paralisaria o povo de Deus, e, em
alguns aspectos, alcançou seu objetivo, mas apenas por algum tempo
(4.24). Havia corrupção naquela época e era bastante popular, e a opo-
sição encontrou conselheiros corruptos para levar a cabo seu plano.
Blenkinsopp sugere que esses conselheiros eram “oficiais da burocracia
imperial”.164 O povo de Deus tinha um propósito divinamente ordenado
que a oposição tentou frustrar. Somos lembrados de que a oposição não
é necessariamente um sinal de que estamos fazendo algo de errado, mas
pode ser um sinal de que estamos fazendo algo certo. O cronista mostra
a oposição como sendo constante e contínua ao longo do reinado de Ciro
(559-530 a.C.), até ao reinado de Dario (522^486 a.C.).
III. As muitas faces da oposição (4 .6 2 2 ‫)־‬

4.6 —No princípio do reinado de Assuero, escreveram uma


acusação contra os habitantes de Judá e de Jerusalém.
E sd r a s 4 63

Enquanto os versículos 5 e 24 dizem respeito às informações do


reinado de Dario, os versículos 6-23 são de tempos posteriores, a saber,
dos reinados de Xerxes (486-465 a.C.) e Artaxerxes I (465-424 a.C.).
Está claro que a principal preocupação do autor não é nos dar uma
linha cronológica dos acontecimentos, mas sim enfatizar o tema da oposi-
ção persistente que se estendeu por mais de um século. Os adversá-
rios tomam o caminho político de levar sua reclamação ao próprio rei.
Assuero é identificado com Xerxes, embora não sejamos informados do
conteúdo da carta dirigida ao rei. A tradição rabínica afirma que os ad-
versários pediram ao rei para parar a obra de reconstrução do templo.165

4.7 - E, nos dias de Artaxerxes, rei da Pérsia, Bislão, Mitredate,


Tabeel e os outros seus companheiros lhe escreveram; a carta
estava escrita em caracteres aramaicos e na língua siríaca.

Esdras 4.8-6.18 é escrito em aramaico, a “língua diplomática co-


mum do Império Persa, e traduzido para o persa”.166A palavra hebrai-
ca empregada sugere que Bislão “era o líder do grupo - o grupo de
arquivistas cujo relatório é a fonte das cartas aramaicas em Esdras
4.8-6.12”.167
4.8-16- Reum, o comandante, e Sinsai, o escrivão, escreveram
contra Jerusalém uma carta ao rei Artaxerxes. Escreveu Reum, o
comandante, e Sinsai, o escrivão, os outros seus companheiros:
dinaítas, afarsaquitas, tarpelitas, afarsitas, arquevitas, babilônios,
susanquitas, deavitas, elamitas e outros povos, que o grande e
afamado Osnapar transportou e que fez habitar na cidade de Samaria,
e os outros aquém do Eufrates. Eis o teor da carta endereçada ao rei
Artaxerxes: Teus servos, os homens daquém do Eufrates e em tal
tempo. Seja do conhecimento do rei que os judeus que subiram de
ti vieram a nós a Jerusalém. Eles estão reedificando aquela rebelde
e malvada cidade e vão restaurando os seus muros e reparando os
seus fundamentos. Saiba ainda o rei que, se aquela cidade se
reedificar, e os muros se restaurarem, eles não pagarão os direitos,
os impostos e os pedágios e assim causarão prejuízos ao rei. Agora,
pois, como somos assalariados do rei e não nos convém ver a
desonra dele, por isso, mandamos dar-lhe aviso, a fim de que se
busque no Livro das Crônicas de seus pais. e nele achará o rei e
saberá que aquela cidade foi rebelde e danosa aos reis e às províncias
64 E sdras e N eemias

e que nela tem havido rebeliões, desde tempos antigos; pelo que
foi a cidade destruída. Nós, pois, fazemos notório ao rei que, se
aquela cidade se reediticar, e os seus muros se restaurarem,
sucederá que não terá a posse das terras deste lado do Eufrates,

Aqueles que se dirigem a Artaxerxes não são identificados como


cidadãos de classe baixa, mas sim com o escribas, comandantes, juizes,
governadores e oficiais que foram estrangeiros deport ados para Judá
por Osnapar, que é provavelmente Assurbanípal (668-627 a.C.). O ódio
da oposição é evidente em sua referência a Jerusalém como “aquela
rebelde e malvada cidade”. Os adversários insinuam que o futuro será
sombrio para a corte persa se Jerusalém for reconstruída. Eles insinu-
am que os judeus, então, deixarão de pagar seus impostos e o banco
real da Pérsia ficará, assim, desprovido de fundos. Yamauchi mostra
que “foi estimado que entre U S$ 20 m ilhões e U S$ 35 m ilhões em
impostos eram recolhidos anualmente pelo rei persa”. 168

E s a r -H a d o m A r ta x e r x e s I, R ei d a A s s íria
( 6 8 1 - 6 6 9 a .C .) ( 4 6 5 - 4 2 4 a .C .)

4.17-22 —Então, respondeu o rei: A Reum, o comandante, a


Sinsai, o escrivão, e a seus companheiros que habitam em Samaria,
como aos restantes que estão além do Eufrates: Paz! Acartaque nos
enviastes foi distintamente lida na minha presença. Ordenando-o
eu, buscaram e acharam que, de tempos antigos, aquela cidade se
levantou contra os reis, e nela se têm feito rebeliões e motins.
Também houve reis poderosos sobre Jerusalém, que dalém do
Eufrates dominaram em todo lugar, e se lhes pagaram direitos,
E sd r a s 4 65

impostos e pedágios. Agora, pois, dai ordem a fim de que aqueles


homens parem o trabalho e não se edifique aquela cidade, a não
ser com autorização minha. Guardai-vos, não sejais remissos nestas
coisas. Por que há de crescer o dano em prejuízo dos reis?

A pesquisa do rei revelou que os reis de Judá tinham realmente


um histórico de revolta. Pode ser que a revolta de Ezequias contra o
rei assírio Senaqueribe tivesse sido registrada (2Rs 18.7). No entan-
to, houve também outros reis que se rebelaram contra seus opresso-
res. Tanto Jeoaquim quanto Zedequias se rebelaram contra Nabuco-
donosor (2Rs 24.1,20), e ambos sofreram as consequências. A carta
dos adversários foi considerada digna de crédito, e o decreto do rei -
motivado por razões pessoais - era claro; a obra deveria ser inter-
rompida, e isto imediatamente.

IV. As consequências da oposição (4.23-24)

4.23-24 - Depois de lida a cópia da carta do rei Artaxerxes


perante Reum, Sinsai, o escrivão, e seus companheiros, foram eles
apressadamente a Jerusalém, aos judeus, e, de mão armada, os
forçaram a parar com a obra. Cessou, pois, a obra da Casa de Deus,
a qual estava em Jerusalém; e isso até ao segundo ano do reinado
de Dario, rei da Pérsia.

A narrativa muda do tempo de Artaxerxes (465-424/3) e volta ao


tempo de Dario (522-486). Essa é “a primeira anomalia cronológica que
ocorre no livro de Esdras. (...) Até esse ponto, a narrativa seguia uma
linha estritamente cronológica, apesar das inúmeras lacunas deixadas na
história”.169Esdras conta a história a fim de lembrar ao leitor que, apesar
da oposição, o rei Dario apoiou o trabalho de reconstrução. De fato, sob
Dario, “o Império Persa atingiu seu maior poder e esplendor”.170
Os inimigos de Israel cumpriram a decisão do rei Artaxerxes
“apressadamente” e usaram a força para levar a uma paralisação de
seu trabalho de reconstrução. O versículo 24 dá continuidade ao versí-
culo 5, como se os versículos 6-23 estivessem entre parênteses. Fensham
concorda que o capítulo 4 “não tem a intenção de estar em sequência
cronológica; em vez disso, ele nos fornece um padrão de pensamento
lógico, no qual as ações mais importantes dos samaritanos contra os
66 E sdras e N eemias

judeus são enumeradas”. Dario I governou a Pérsia de 522 até 486


a.C., e sob o seu governo “o Império Persa alcançou o seu maior poder
e esplendor”. A condição dos muros da cidade nesta fase é a condição
sobre a qual Neem ias ouve (Ne 1.3). Ainda que os adversários tenham
ganhado essa batalha, eles eventualmente perderão a guerra, visto que
o muro será reconstruído apesar da persistente oposição malévola.
A oposição à obra de Deus não se originou, nem cessou com
Esdras e Neem ias. Ainda que essa oposição tenha sido acompanhada
de mentiras, pressões e perseguições, a obra de Deus foi bem-sucedida
porque era de Deus e não do homem. Essa verdade deveria ser um
grande conforto e encorajamento aos cristãos de todos os tempos e de
todos os lugares, quando confrontados com a oposição à obra de Deus.
Todavia, os líderes cristãos atuais deveríam sempre estar de guarda,
prontos para lidar com a oposição, tendo a consciência de que o cristão
não passa sua vida em um parquinho de diversões, mas sim em um
campo de batalha.

O túmulo de Dario em Persépolis


Esdras 5
E sboço
5.1-2 - A reconstrução do templo é retomada
5.3-5 - A reconstrução do templo é desafiada novamente
5.6-17 - A reconstrução do templo é relatada a Dario

I. A reconstrução do templo é retomada (5 .1 2 ‫)־‬

5.1-2 - Ora, os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido,


profetizaram aos judeus que estavam em Judá e em Jerusalém, em
nome do Deus de Israel, cujo Espírito estava com eles. Então, se
dispuseram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque,
e começaram a edificar a Casa de Deus, a qual está em Jerusalém;
e, com eles, os referidos profetas de Deus, que os ajudavam.

Após 16 anos de paralisação na obra de reconstrução, é a Pala-


vra do Senhor que dá partida ao processo novamente. O ofício proféti-
co não morreu durante o exílio babilônico, e os profetas de Deus não se
tomaram extintos. O profeta era um intermediário que comunicava a
mensagem de Deus ao seu povo, e, durante esse tempo de crise, Deus
usa Ageu e Zacarias para revigorar o seu povo. O livro de Ageu con-
centra-se na necessidade de reconstruir o templo, enquanto que o de
Zacarias, na soberania de Deus e na responsabilidade humana. Tanto
Ageu quanto Zacarias falam “em nome do Deus de Israel” que estava
“com eles”. Deus estava tanto com os profetas quanto com o povo, e
crer que ele está soberanamente no controle dá aos líderes o incentivo
para recomeçar a obra de reconstrução. Zorobabel é identificado como
“governador de Judá” por Ageu, e desempenha um papel importante
tanto em Esdras quanto em Neemias. Jesua (Josué) é identificado
por Ageu como sumo sacerdote, assim, Zorobabel e Jesua serviram
tanto como líderes civis quanto espirituais.171 Os profetas continuam
a oferecer apoio aos líderes e ao povo à medida que a reconstrução
68 E sdras e N eemias

continua - tanto apoio espiritual quanto material ilustrando o conceito


de trabalho em equipe característico da realização da obra de Deus.

II. A reconstrução do templo é desafiada novamente (5.3-5)


5.3-5 - Nesse tempo, veio a eles Tatenai, governador daquém
do Eufrates, e Setar-Bozenai, e seus companheiros e assim lhes
perguntaram: Quem vos deu ordem para reedificardes esta casa e
restaurardes este muro? Perguntaram-lhes mais: E quais são os
nomes dos homens que constroem este edifício? Porém os olhos
de Deus estavam sobre os anciãos dos judeus, de maneira que
não foram obrigados a parar, até que o assunto chegasse a Dario,
e viesse resposta por carta sobre isso.
Tatenai aparece como “governador de além do rio” em um docu-
mento babilônico datado de 5 de junho de 502 a.C.172 Como represen-
tante do Império Persa, ele quer ter certeza de que os judeus não estão
se revoltando contra a instituição. Além disso, ele faz a pergunta mais
lógica: “Quem é o responsável aqui?” Ao contrário de épocas anterio-
res, o trabalho não fora interrompido, e a razão clara é que “os olhos de
Deus estavam sobre os anciãos dos judeus”. Quando algo está “sob os
olhos de Deus” no Antigo Testamento, está debaixo de sua supervi-
são.173Portanto, o que dá êxito ao povo de Deus não é a sua habilidade,
mas a proteção e a providência de Deus.

III. A reconstrução do templo é relatada a Dario (5.6-17)


5.610‫ ־‬- Eis a cópia da carta que Tatenai, o governador
daquém do Eufrates, com Setar-Bozenai e os seus companheiros,
os afarsaquitas, que estavam deste lado do rio, enviaram ao rei
Dario, na qual lhe deram uma relação escrita do modo seguinte:
Ao rei Dario, toda a paz! Seja notório ao rei que nós fomos à província
de Judá, à casa do grande Deus, a qual se edifíca com grandes
pedras; a madeira se está pondo nas paredes, e a obra se vai fazendo
com diligência e se adianta nas suas mãos. Perguntamos aos anciãos
e assim lhes dissemos: Quem vos deu ordem para reedificardes
esta casa e restaurardes este muro? Demais disto, lhes perguntamos
também pelo seu nome, para tos declararmos, para que te
pudéssemos escrever os nomes dos homens que são entre eles
os chefes.
E sd r a s 5 69

Tatenai e outros oficiais eram “solucionadores de problemas im-


periais, armados com poderes de punição”.174 Eles eram considerados
os olhos e ouvidos do rei, e eram parte do elaborado sistema de espio-
nagem do rei. A região “daquém do Eufrates” é a região do Transeu-
frates, a oeste do rio Eufrates, que incluía Israel.175 O relatório inclui
(1) uma avaliação da construção, (2) uma conversa com os líderes
judeus acerca da construção e (3) um pedido de investigação nos arqui-
vos históricos em relação ao decreto de Ciro, o Grande. É fascinante
que esses oficiais se refiram ao templo de Jerusalém como “a casa do
grande Deus”.176 Será que eles concluíram que Yahweh é de fato um
grande Deus, ou estão apenas oferecendo “um sinal de reverência para
o Deus desse território?” 177 No entanto, é certo que esses oficiais re-
conhecem que os judeus são diligentes em seu trabalho e, além disso,
que o trabalho está prosperando. Ainda assim, Tatenai e os outros ofici-
ais querem saber se os judeus têm a conhecida autorização de trabalho,
e também os nomes de seus líderes. Pode ser que Tatenai tenha ficado
impressionado com a estrutura grandiosa e achado que parecia “mais
com uma fortaleza do que com um santuário!” 178
5.11-12 - Esta foi a resposta que nos deram: Nós somos
servos do Deus dos céus e da terra e reedificamos a casa que há
muitos anos fora construída, a qual um grande rei de Israel edificou
e a terminou. Mas, depois que nossos pais provocaram à ira o
Deus dos céus, ele os entregou nas mãos de Nabucodonosor, rei
da Babilônia, o caldeu, o qual destruiu esta casa e transportou o
povo para a Babilônia.
Os judeus se apresentam como “servos do Deus dos céus e da
terra”, exaltando, assim, Deus como o Deus Criador, uma noção que
era novidade para os persas que adoravam Zaratustra. Os judeus dão a
Tatenai uma aula resumida de história que remonta a Salomão, referi-
do como “um grande rei de Israel”. Seu relato histórico é completo no
sentido de que não omite os pecados do povo que causaram a perda da
terra e do templo. Breneman corretamente aponta que “os judeus,
compreendendo as razões teológicas para sua calamidade, não hesita-
ram em dizer a seus vizinhos por que haviam sofrido aquele exílio”.179
5.13-17- Porém Ciro, rei da Babilônia, no seu primeiro ano,
deu ordem para que esta Casa de Deus se edificasse. Também os
70 E sdras e N eemias

utensílios de ouro e de prata, da Casa de Deus, que Nabucodonosor


levara do templo que estava em Jerusalém e os meteu no templo de
Babilônia, o rei Ciro os tirou de lá, e foram dados a um homem cujo
nome era Sesbazar, a quem nomeara governador e lhe disse: Toma
estes utensílios, e vai, e leva-os ao templo de Jerusalém, e faze
reedificar a Casa de Deus, no seu lugar. Então, veio o dito Sesbazar
e lançou os fundamentos da Casa de Deus, a qual está em Jerusalém;
e, daí para cá, se está edificando e ainda não está acabada. Agora,
pois, se parece bem ao rei, que se busque nos arquivos reais, na
Babilônia, se é verdade haver uma ordem do rei Ciro para edificar
esta Casa de Deus, em Jerusalém; e sobre isto nos faça o rei saber a
sua vontade.
Por dez vezes, no Antigo Testamento, Ciro é chamado de “rei da
Pérsia”, porém aqui ele é apresentado como “rei da Babilônia”. De fato,
no cilindro de Ciro estão as seguintes palavras: “Eu sou Ciro, rei do mun-
do, grande rei, rei legítimo, rei da Babilônia, rei da Suméria e da Acá-
dia”.180Uma vez que os persas derrotaram os babilônios, Ciro tomou-se
também o rei da Babilônia quando ela se tomou parte do Império Persa.
A carta de Tatenai a Dario menciona o relato dos judeus sobre o
decreto de Ciro (1.1-4), o retomo dos vasos retirados do templo, e a
nomeação de Sesbazar como governador (1.8,11) (uma nomeação que
afirma que durante esse tempo “a autoridade governamental era separa-
da da autoridade religiosa”).181 No entanto, mesmo que Sesbazar tenha
começado a obra da fundação do templo, foi Zorobabel quem a concluiu
(3.10). Um período de 16 anos se passou entre a tentativa original de
reconstrução em 536 a.C. e a retomada do trabalho sob Dario em
520 a.C. Visto que ocorreu uma mudança de regime, Tatenai aconse-
lha Dario a conferir os registros históricos e verificar a autenticidade do
decreto de Ciro. Williamson sugere que “a fórmula ‘se parece bem a X ’
é outra característica padrão em epistolografia aramaica oficial”.182
Visto que o templo era o símbolo da presença de Deus com seu
povo, ele desempenhava um papel crucial na vida dos israelitas. Ain-
da que o edifício da igreja não tenha substituído o templo, o princípio
da importância da presença de Deus permanece. Enquanto obstácu-
los humanos estão sempre presentes, os seguidores de Cristo preci-
sam sempre buscar e confiar na presença de Deus, que é a fonte de
força e consolo.
Esdras 6
E sboço
6.1-12 - Deus move o coração do rei
6.13-15 - A Casa de Deus é concluída
6.16-18 - A Casa de Deus é dedicada
6.19-22 - O povo de Deus celebra a Páscoa

I. Deus move o coração do rei (6.1-12)

6.1-12- Então, o rei Dario deu ordem, e uma busca se fez nos
arquivos reais da Babilônia, onde se guardavam os documentos.
Em Acmetá, na fortaleza que está na província da Média, se achou
um rolo, e nele estava escrito um memorial que dizia assim: O rei
Ciro, no seu primeiro ano, baixou o seguinte decreto: Com respeito
à Casa de Deus, em Jerusalém, deve ela edificar-se para ser um
lugar em que se ofereçam sacrifícios; seus fundamentos serão
firmes, a sua altura, de sessenta côvados, e a sua largura, de
sessenta côvados, com três carreiras de grandes pedras e uma de
madeira nova. A despesa se fará da casa do rei. Demais disto, os
utensílios de ouro e de prata, da Casa de Deus, que Nabucodonosor
tirara do templo que estava em Jerusalém, levando-os para a
Babilônia, serão devolvidos para o templo que está em Jerusalém,
cada utensílio para o seu lugar; serão recolocados na Casa de Deus.
Agora, pois, Tatenai, governador dalém do Eufrates, Setar-Bozenai
e seus companheiros, os afarsaquitas, que estais para além do rio,
retirai-vos para longe dali. Não interrompais a obra desta Casa de
Deus, para que o governador dos judeus e os seus anciãos
reedifiquem a Casa de Deus no seu lugar. Também por mim se
decreta o que haveis de fazer a estes anciãos dos judeus, para que
reedifiquem esta Casa de Deus, a saber, que da tesouraria real, isto
é, dos tributos dalém do rio, se pague, pontualmente, a despesa a
estes homens, para que não se interrompa a obra. Também se lhes
dê, dia após dia, sem falta, aquilo de que houverem mister: novilhos,
72 E sdras e N eemias

carneiros e cordeiros, para holocausto ao Deus dos céus; trigo,


sal, vinho e azeite, segundo a determinação dos sacerdotes que
estão em Jerusalém; para que ofereçam sacrifícios de aroma
agradável ao Deus dos céus e orem pela vida do rei e de seus
filhos. Também por mim se decreta que todo homem que alterar
este decreto, uma viga se arrancará da sua casa, e que seja ele
levantado e pendurado nela; e que da sua casa se faça um monturo.
O Deus, pois, que fez habitar ali o seu nome derribe a todos os reis
e povos que estenderem a mão para alterar o decreto e para destruir
esta Casa de Deus, a qual está em Jerusalém. Eu, Dario, baixei o
decreto; que se execute com toda a pontualidade.

Erguendo-se a 1.800 metros, Acmetá (Ecbátana) era uma cidade


importante durante a dinastia aquemênida e servia como residência de
verão para a corte persa.183 Os reis persas normalmente residiam na
Babilônia durante o inverno, em Susã durante a primavera, e em Acme-
tá durante o verão. O fato de o decreto de Ciro ter sido encontrado em
um rolo sugere que os registros persas eram mantidos em pergaminhos
reais.184 Na realidade, o clima menos opressivo de Acmetá seria mais
favorável à preservação dos pergaminhos. O registro escrito concorda
com o decreto de Ciro encontrado em Esdras 1, e apresenta também os
detalhes em relação ao tamanho do templo. Se esse templo tivesse sido
construído de acordo com esse decreto (60x60), ele teria sido maior do
que o templo de Salomão (60x20x30),185 mas sabemos que, na rea-
lidade, o templo reconstruído era menor que o templo de Salomão.186
A destinação de fundos da parte de Ciro para a reconstrução certa-
mente aponta para a providência de Deus em cuidar de seu povo.
Afinal, “Ao S enhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o
mundo e os que nele habitam”.187
As instruções de Dario são dirigidas a Tatenai, o próprio governa-
dor que iniciou a correspondência com o rei. “Retirai-vos para longe
dali” é curto, claro e direto, mas é muito mais do que isso. Rundgren
sugere que é um termo técnico legal, que basicamente significa “acusa-
ção rejeitada”.188 Tatenai deve permitir não apenas a reconstrução do
templo, mas ela deve ser feita “no seu lugar”. Fensham esclarece que
isso não era incomum, visto que as civilizações antigas do Oriente Próxi-
mo tinham a prática de reconstruir seus santuários precisamente no
E sd r a s 6 73

local onde as construções anteriores ficavam.189O reconhecimento dos


persas de Zorobabel como governador mostra que foi permitido aos
judeus algum grau de governo autônomo.
A resposta de Dario inclui mais dois decretos que facilitam o pro-
cesso de reconstrução. O primeiro decreto retrata Dario como um rei
generoso, que está preocupado com o bem-estar da liderança judaica.
Dario também quer garantir a prática correta do culto, assim, ele orde-
na que seja fornecido aos judeus os animais e alimentos necessários
para “sacrifícios de aroma agradável”.190Novilhos, carneiros e cordei-
ros eram necessários para os holocaustos, enquanto que trigo, sal, vi-
nho e azeite eram necessários para diferentes tipos de ofertas de man-
jares. Embora Dario provavelmente não estivesse adorando a Yahweh,
ele esperava que esses decretos levassem os judeus a orar a Yahweh
em seu favor e de sua família.
A determinação de Dario em fazer com que seu decreto fosse
levado a sério e cumprido totalmente é vista na severidade da punição
para aqueles que alterassem minimamente seu decreto. A punição afe-
tará tanto a pessoa quanto sua família, visto que “da sua casa se faça
um monturo”. A punição de empalação pode parecer muito dura ou até
mesmo fictícia; no entanto, muitos pactos antigos continham maldições
ou punições que tinham o objetivo de ser um meio de intimidação.
Blenkinsopp afirma que a “empalação era uma prática persa herdada
dos assírios, geralmente reservada para os crimes mais graves, especi-
almente a sedição e a violação de juramentos do tratado”.191 A maldi-
ção no versículo 12, invocada contra qualquer rei ou pessoas que alte-
rassem esse edital ou destruíssem o templo, é o selo literário com o qual
Dario conclui seus decretos. A expressão deuteronômica, “O Deus que
fez habitar ali o seu nome” (Dt 12.5) é uma boa indicação de que um
escriba judeu influenciou a redação de Dario em seu decreto.192

II. A Casa de Deus é concluída (6.13-15)

6.13-15- Então, Tatenai, o governador daquém do Eufrates,


S etar-B ozenai e os seus com panheiros assim o fizeram
pontualmente, segundo decretara o rei Dario. Os anciãos dos judeus
iam edifícando e prosperando em virtude do que profetizaram os
profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido. Edificaram a casa e a
74 E sd r a s e N eem ia s

terminaram segundo o mandado do Deus de Israel e segundo o


decreto de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, rei da Pérsia. Acabou-se
esta casa no dia terceiro do mês de Adar, no sexto ano do reinado
do rei Dario.

A soberania e a providência de Deus são claramente manifestas


quando seu plano é cumprido com a ajuda de pessoas pagãs sincretis-
tas. Os esforços do homem são bem-sucedidos por causa da interven-
ção divina de Deus e da comunicação de sua mensagem por meio de
seus profetas Ageu e Zacarias. A ausência de qualquer menção a Zo-
robabel leva alguns a acreditar que ele morreu antes da conclusão do
templo.193Ainda que Artaxerxes tenha reinado muito mais tarde (465-
424/3 a.C.), ele é mencionado para reforçar o argumento de que a
reconstrução foi realizada devido à providência divina, a qual vai além
do reinado de um único rei. Ciro, Dario e Artaxerxes desempenharam
um papel na reconstrução do templo e de Jerusalém. Ciro baixou o
decreto que iniciou a reconstrução, o templo foi concluído durante o
reinado de Dario, e as muralhas da cidade foram concluídas durante o
reinado de Artaxerxes.
A reconstrução do templo foi concluída no terceiro dia do mês de
Adar, que é o décimo segundo mês do calendário babilônico e corres-
ponde aos nossos meses de fevereiro/março. O sexto ano do reinado
de Dario é 516/515 a.C.

III. A Casa de Deus é dedicada (6.16-18)

6.16-18 - Os filhos de Israel, os sacerdotes, os levitas e o


restante dos exilados celebraram com regozijo a dedicação desta
Casa de Deus. Para a dedicação desta Casa de Deus ofereceram
cem novilhos, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros e doze
cabritos, para oferta pelo pecado de todo o Israel, segundo o
número das tribos de Israel. Estabeleceram os sacerdotes nos seus
turnos e os levitas nas suas divisões, para o serviço de Deus em
Jerusalém, segundo está escrito no Livro de Moisés.

A expressão “os filhos de Israel” transmite a ideia de que o


templo pertence a todos os israelitas, não somente às tribos de Judá e
Benjamim. A palavra aramaica para dedicação é h â n u k k a h , “o nome
E sd r a s 6 75

da festa judaica que celebra uma rededicação do templo semelhante


após sua profanação pelo rei selêucida Antíoco IV”.194 A cerimônia
de dedicação é muito semelhante à do templo de Salomão, mas o
número dos sacrifícios é pequeno em comparação. Isso é compreen-
sível quando se considera que os repatriados pertenciam a uma co-
munidade empobrecida que não pode ser comparada à da época de
ouro de Salomão.195 Os doze cabritos trazidos como oferta pelo peca-
do de todo o Israel, e não apenas de Judá e Benjamim, simbolizam a
compreensão da comunidade pós-exílica de que o estágio abençoado
em que se encontram é uma restauração completa, não parcial.
Passaram-se décadas desde que os sacerdotes e os levitas realiza-
ram seus deveres e, agora, eles estão prontos novamente para o
“serviço de Deus em Jerusalém”. Os rabinos estabeleceram que “os
sacerdotes foram divididos em 24 turnos, representando os 24 clãs
sacerdotais”, com cada turno servindo por uma semana.196 O fato de
eles estarem seguindo as instruções encontradas no livro de M oisés197
aponta novamente para o desejo do povo de retornar a Deus e aos
seus mandamentos entregues por meio de seu servo M oisés.198 Na
verdade, o Pentateuco menciona o uso de cabritos para a oferta pelo
pecado durante o Dia da Expiação (Lv 16.5), bem como na festa da
Páscoa (Êx 12.5).

IV. O povo de Deus celebra a Páscoa (6.19-22)

6.19-22 - Os que vieram do cativeiro celebraram a Páscoa


no dia catorze do primeiro mês; porque os sacerdotes e os levitas
se tinham purificado como se fossem um só homem, e todos
estavam limpos; mataram o cordeiro da Páscoa para todos os
que vieram do cativeiro, para os sacerdotes, seus irmãos, e para
si mesmos. Assim, comeram a Páscoa os filhos de Israel que
tinham voltado do exílio e todos os que, unindo-se a eles, se
haviam separado da im undícia dos gentios da terra, para
buscarem o S enhor , Deus de Israel. Celebraram a Festa dos
Pães Asmos por sete dias, com regozijo, porque o S enhor os
tinha alegrado, mudando o coração do rei da Assíria a favor
deles, para lhes fortalecer as mãos na obra da Casa de Deus, o
Deus de Israel.
76 E sd r a s e N eem ia s

É mais adequado que eles celebrem a Páscoa, uma vez que a


celebração os faz relembrar da sua maior libertação, a do jugo egípcio.
Moisés instruiu o povo que entraria na Terra Prometida a celebrar a
Páscoa (Nm 9.4). Após entrar na Terra Prometida, os israelitas, sob a
liderança de Josué, celebraram a Páscoa em Gilgal (Js 5.10). Durante
o período da monarquia, a Páscoa parece ter sido negligenciada, por-
que o povo a celebrou após a reforma de Josias por volta do ano 627
a.C. (2Rs 23.21). A comunidade dos judeus que retomou do exílio ceie-
bra a Páscoa como Deus havia ordenado por meio de Moisés, no 14°
dia do primeiro mês, o mês de Nissã (Lv 23.5). O compromisso dos
israelitas em obedecer à Lei de Moisés é evidente em seu convite aos
não judeus para sua celebração e adoração. Esses estrangeiros se-
guiram os ritos de purificação como instruídos na Lei (Nm 9.14).199
Alguns rabinos afirmam que esses “são prosélitos que foram separados
da contaminação das nações para unirem-se a Israel”.200 A Festa dos
Pães Asmos foi celebrada em conjunto com a Páscoa (Êx 12.15-17),
como no tempo de Moisés e Ezequias (2Cr 30.21).
Assim como Deus dirigiu o coração de Ciro, Deus também mu-
dou o coração de Dario, que é chamado aqui de o rei da Assíria. Fensham
explica que “porque Dario também era o soberano sobre a Assíria, ele
podería facilmente ter sido chamado de rei da Assíria” .201 De qualquer
forma, Deus está no controle; é a sua vontade que é realizada indepen-
dente de quem esteja no trono terreno. Williamson observa astutamen-
te que o autor “nos convida a interpretar o seu relato histórico em ter-
mos teológicos, o que implica em que, a partir dele, seus leitores tam-
bém podem aprender lições e tirar conclusões de natureza menos sujei-
ta ao tempo”.202A celebração do povo de Deus é coroada com alegria,
porque Deus os trouxe de volta, Deus lhes permitiu reconstruir o
templo, e Deus lhes permitiu adorá-lo em sua casa. Os israelitas e os
gentios são personagens secundários nesse grande drama, cujo Ator
principal é também o Diretor.
Esdras 7
E sboço
7.1-6 - Deus envia o seu homem
7.7-10 - O homem de Deus tem um coração para Deus
7.11-26 - Deus dirige o coração do rei
7.27-28 - “Bendito seja o S enhor! ”

I. Deus envia o seu homem (7.1-6)

7.1-6- Passadas estas coisas, no reinado de Artaxerxes, rei da


Pérsia, Esdras, filho de Seraías, filho de Azarias, filho de Hilquias,
filho de Salum, filho de Zadoque, filho de Aitube,201filho de Amarias,
filho de Azarias, filho de Meraiote, filho de Zeraías, filho de Uzi, filho
de Buqui, filho de Abisua, filho de Fineias, filho de Eleazar, filho de
Arão, o sumo sacerdote, este Esdras subiu da Babilônia. Ele era
escriba versado na Lei de Moisés, dada pelo S enhor, Deus de Israel;
e, segundo a boa mão do S enhor, seu Deus, que estava sobre ele, o
rei lhe concedeu tudo quanto lhe pedira.

No início do capítulo 7, aparece outra anomalia cronológica.


Brown observa que “os capítulos 1-6 começam com o primeiro ano
de Ciro e terminam com o sétimo ano de Dario, um período de 20 anos.
O intervalo de tempo total coberto nos seis primeiros capítulos, no en-
tanto, estende-se por 80 anos - de Ciro até um período indeterminado
durante o reinado de Artaxerxes (4.6-23)”.204A expressão introdutória
do capítulo 7 “Passadas estas coisas” se refere à narrativa anterior
detalhada nos capítulos 5 e 6, ou seja, à investigação de Tatenai, o apoio
do rei Dario e a reconstrução bem-sucedida do templo.
Esta é também a primeira vez que o nome de Esdras aparece no
livro. Esdras é a forma aramaica do hebraico Azarias, e significa
“Yahweh ajuda/ajudou”. Sua linhagem remonta a Arão, irmão de
Moisés, que é introduzido aqui como “o sumo sacerdote”. Esdras não é
78 E sdras e N eemlas

apresentado na Bíblia como um sumo sacerdote, embora haja alguns


que sugiram que Esdras “chegou a Jerusalém como o sumo sacerdote
real da família de Arão”.205 Seu antepassado, Seraías, foi morto por
Nabucodonosor cerca de 130 anos antes (2Rs 25.18-21), assim, a ge-
nealogia apresentada aqui pula algumas gerações.206 Esdras é apre-
sentado como um “escriba versado na Lei de Moisés”, mas, de acordo
com a genealogia dada, é certo que ele era ao mesmo tempo sacerdote
e escriba. Schaeder pressupõe que “Esdras era secretário para assun-
tos judaicos no governo persa”.207 Não podemos contestar o fato de
que ele ocupou uma posição importante no Império Persa, visto que o
rei lhe confiou uma missão importante. A posição de Esdras ao vir da
Babilônia sugere que os judeus prosperaram mesmo no exílio babilôni-
co, e que Deus até mesmo lhes permitiu serem instruídos.208 Mais uma
vez é enfatizado que o sucesso de Esdras não foi devido à sua própria
força, inteligência ou amizades, mas sim porque “a boa mão do S enhor ,
seu Deus, estava sobre ele”.

II. O homem de Deus tem um coração para Deus (7.7-10)

7.7-10 - Também subiram a Jerusalém alguns dos filhos de


Israel, dos sacerdotes, dos levitas, dos cantores, dos porteiros e
dos servidores do templo, no sétimo ano do rei Artaxerxes. Esdras
chegou a Jerusalém no quinto mês, no sétimo ano deste rei; pois,
no primeiro dia do primeiro mês, partiu da Babilônia e, no primeiro
dia do quinto mês, chegou a Jerusalém, segundo a boa mão do seu
Deus sobre ele. Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar
a Lei do S enhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus
estatutos e os seus juízos.

Esdras chegou a Jerusalém no primeiro dia de Ab (agosto) de


458 a.C., no sétimo ano do reinado de Artaxerxes I. Sendo um líder,
Esdras tinha uma comitiva; assim, líderes religiosos, bem como pessoas
comuns, seguiram a liderança de Esdras e voltaram com ele para sua
terra natal. Sua viagem foi bem-sucedida porque a boa mão de Deus
estava sobre ele.209
O que diferencia Esdras é seu coração. Seu coração estava dispôs-
to a estudar a Lei do S enhor. Seu coração estava disposto a obedecer à
E sd r a s 7 79

Lei do S enhor . Seu coração estava disposto a ensinar a Lei do S enhor .


Esdras amava a Deus, a Palavra de Deus e o povo de Deus. Esdras
serve como um exemplo para os líderes piedosos em todo lugar, visto
que antes de alguém se levantar para dizer “Assim diz o S enhor ” , é
preciso saber o que o S enhor diz. Para Esdras saber o que Deus diz,
ele deve estudar a Palavra de Deus. A Lei do S enhor se refere à Lei
dada por Deus por meio de Moisés no Sinai, e tomou-se sinônimo dos
primeiros cinco livros da Bíblia, os quais hoje conhecemos como Penta-
teuco, e os judeus, como Torá. Porém, como somente saber a Lei do
S enhor não torna ninguém um líder piedoso, Esdras dispõe o seu cora-
ção para colocar em prática o que a Lei ensina.
Nos evangelhos, Jesus é constantemente provocado e combatido
pelos fariseus, saduceus e escribas, a quem ele chama de “hipócritas”.
A hipocrisia era um dos principais obstáculos para aqueles que seguiam
Jesus; no entanto, a hipocrisia não nasceu nos tempos do Novo Testa-
mento. Em vez disso, ela foi definida e refinada durante os tempos do
Antigo Testamento, e praticada com diligência ímpia por muitos lide-
res civis e religiosos de Israel. Esdras está no outro extremo como
alguém que não apenas conhece a Lei, mas também como alguém
que faz o que diz a lei. Porém, porque Esdras ama o povo de Deus,
ele também dispõe o seu coração para ensinar essa Lei ao povo de
Israel. Kidner afirma que Esdras “era um reformador modelo nisto,
que o que ele ensinava ele havia vivido antes, e o que ele vivia ele
havia antes verificado nas Escrituras. Tendo colocado o estudo, a
conduta e o ensino deliberadamente nessa ordem certa, cada um era
capaz de funcionar corretamente e no seu melhor. O estudo foi pre-
servado da fantasia; a conduta, da incerteza; e o ensino, da insinceridade
e da superficialidade”.210

III. Deus dirige o coração do rei (7.11-26)


7.11 -16 - Esta é a cópia da carta que o rei Artaxerxes deu ao
sacerdote Esdras, o escriba das palavras, dos mandamentos e dos
estatutos do S enhor sobre Israel: Artaxerxes, rei dos reis, ao
sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus do céu: Paz perfeita! Por
mim se decreta que, no meu reino, todo aquele do povo de Israel e
dos seus sacerdotes e levitas que quiser ir contigo a Jerusalém, vá.
80 E sdras e N eemias

Porquanto és mandado da parte do rei e dos seus sete conselheiros


para fazeres inquirição a respeito de Judá e de Jerusalém, segundo
a Lei do teu Deus, a qual está na tua mão; e para levares a prata e
o ouro que o rei e os seus conselheiros, espontaneamente,
ofereceram ao Deus de Israel, cuja habitação está em Jerusalém,
bem assim a prata e o ouro que achares em toda a província da
Babilônia, com as ofertas voluntárias do povo e dos sacerdotes,
oferecidas, espontaneamente, para a casa de seu Deus, a qual está
em Jerusalém.

O versículo introdutório, 11, está escrito em hebraico, tendo o res-


tante da carta sido escrita em aramaico (7.12-26). Fica claro que essa
não é uma carta comum, mas sim uma comunicação diplomática que
apresenta Esdras como sendo “o escriba das palavras, dos mandamen-
tos e dos estatutos do S enhor ” . Fensham sugere que “o autor desse
versículo combinou o ofício persa de secretário com o de um judeu
estudioso da lei de Deus”.2" A carta segue o formato básico de uma
carta: destinatário, saudação, transição, várias cláusulas e aviso final.212
Artaxerxes chama a si mesmo de “rei dos reis”, um título comumente
encontrado em documentos oficiais persas.213

Fragmento da inscrição cuneiforme Behistun214


E sd r a s 7 81

Na carta, Artaxerxes reconhece Esdras como sacerdote e escri-


ba, e ele também reconhece Deus como o Deus Criador ao referir-se a
ele como “o Deus do céu”.215 No mesmo espírito do decreto de Ciro,
Artaxerxes permite que os judeus retomem à sua terra natal. A presen-
ça dos sete conselheiros não é sem precedentes, visto que Ciro tam-
bém se cercou de sete conselheiros.216 O livro de Ester também men-
ciona “sete príncipes dos persas e dos medos” que tiveram acesso es-
pecial ao rei (Et. 1.14). A carta indica que os israelitas já possuíam a
Lei de Moisés escrita, de modo que a Lei de Moisés não pode ter sido
escrita no período pós-exílico, como alguns estudiosos sugerem. A carta
de Artaxerxes estabelece paralelos com o evento do êxodo. Assim como
no êxodo do Egito, os israelitas vão para a sua terra com prata e ouro
(Ex. 11.2; 12.35). A imagem não apenas aponta de volta para o êxodo
do Egito, mas também tem nuanças da peregrinação visto que esse
“segundo êxodo” termina em sacrifício. Essa comunidade israelita é
uma comunidade de adoradores, que está pronta para retornar não por
causa do decreto do rei, mas por causa da graça de Deus.217

7.17-20 - Portanto, diligentemente comprarás com este


dinheiro novilhos, e carneiros, e cordeiros, e as suas ofertas de
manjares, e as suas libações e as oferecerás sobre o altar da casa
de teu Deus, a qual está em Jerusalém. Também o que a ti e a teus
irmãos bem parecer fazerdes do resto da prata e do ouro, fazei-o,
segundo a vontade do vosso Deus. E os utensílios que te foram
dados para o serviço da casa de teu Deus, restitui-os perante o
Deus de Jerusalém. E tudo mais que for necessário para a casa de
teu Deus, que te convenha dar, dá-lo-ás da casa dos tesouros do rei.

Não podemos saber ao certo como Artaxerxes sabia das exigên-


cias dos sacrifícios a Yahweh, mas pode ser que o próprio Esdras e
outros judeus estivessem se mantendo fiéis à Lei mesmo em terra es-
trangeira. O pedido do rei não era sem precedentes, visto que o Papiro
de Páscoa, descoberto em Elefantina, indica que o próprio Dario II
autorizou a celebração da Festa dos Pães Asmos.218 Os utensílios que
são mencionados no versículo 19 podem ser os mesmos mencionados
em 8.25-27, mas a generosidade do rei se estende para “tudo mais que
for necessário para a casa de teu Deus”. A carta branca de Artaxerxes
82 E sdras e N eemias

para Esdras é a prova de um Deus soberano que está no comando, não


importa quem esteja no trono em Susã.

Fragmento do Papiro de Páscoa encontrado em Elefantina219

7.21-24 - Eu mesmo, o rei Artaxerxes, decreto a todos os


tesoureiros que estão dalém do Eufrates: tudo quanto vos pedir o
sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus do céu, pontualmente se
lhe faça; até cem talentos de prata, até cem coros de trigo, até
cem batos de vinho, até cem batos de azeite e sal à vontade.
Tudo quanto se ordenar, segundo o mandado do Deus do céu,
exatamente se faça para a casa do Deus do céu; pois para que
havería grande ira sobre o reino do rei e de seus filhos? Também
vos fazemos saber, acerca de todos os sacerdotes e levitas,
cantores, porteiros, de todos os que servem nesta Casa de
Deus, que não será lícito impor-lhes nem direitos, nem impostos,
nem pedágios.
A generosidade da oferta do rei é mais bem compreendida à luz
do fato de que o tributo anual para toda a província daquém do Eufrates
era de 350 talentos de prata.220Artaxerxes quer que a vontade de Deus
seja feita, a fim de impedir que Deus oerrame sua ira sobre ele e seus
filhos. Seu pedido não é sem precedentes, visto que Dario fez um apelo
semelhante (6.10). A ordem de Artaxerxes também proibiu a tributação
daqueles diretamente associados ao trabalho no templo.
E sd r a s 7 83

Apesar de muitos estudiosos rejeitarem a autenticidade dessa carta


devido à sua natureza favorável em relação aos judeus, Fensham cor-
retamente aponta que “é muito pouco provável que a carta de Arta-
xerxes possa ser considerada fictícia, porque o autor possuía um co-
nhecimento íntimo dos trabalhadores do templo”.221 De fato, evidências
arqueológicas apontam para o fato de que os persas concederam o
status de isenção fiscal para o clero.222
7.25-26 - Tu, Esdras, segundo a sabedoria do teu Deus, que
possuis, nomeia magistrados e juizes que julguem a todo o povo
que está dalém do Eufrates, a todos os que sabem as leis de teu
Deus, e ao que não as sabe, que lhas façam saber. Todo aquele que
não observar a lei do teu Deus e a lei do rei, seja condenado ou à
morte, ou ao desterro, ou à confiscação de bens, ou à prisão.
O rei agora se dirige a Esdras diretamente, reconhecendo que o
homem de Deus possui a sabedoria divina que o ajudará a nomear
magistrados e juizes. As duas posições jurídicas apontam para o fato
de que existiam dois tipos de tribunais: um para lidar com a lei consu-
etudinária/religiosa, e outro para a lei do estado/civil.223 Esdras não
deve apenas nomear juizes, mas também ensinar aqueles que não
conhecem a lei. O decreto de Artaxerxes termina com o rei estabele-
cendo punições, que vão desde o pagamento de uma multa (confisco
de bens) até a pena de morte. A palavra traduzida como “desterro”
ocorre também no Papiro de Elefantina e “vem da palavra persa
srauSyã, que pode ser traduzida como ‘castigo’ ou ‘banimento’”.224
A presença da pena de morte não é incomum aqui, uma vez que este
tipo de pena era amplamente utilizada em todos os impérios do Antigo
Oriente Próximo.

IV. “Bendito seja o S en h o r !” (7.27-28)


7.27-28 - Bendito seja o S enhor, Deus de nossos pais, que
deste modo moveu o coração do rei para ornar a Casa do S enhor,
a qual está em Jerusalém ; e que estendeu para mim a sua
misericórdia perante o rei, os seus conselheiros e todos os seus
príncipes poderosos. Assim, me animei, segundo a boa mão do
S enhor, meu Deus, sobre mim, e ajuntei de Israel alguns chefes
para subirem comigo.
84 E sd r a s e N eem ias

O crédito do que está sendo realizado não é dado a Esdras ou ao


rei persa. Em vez disso, o crédito é dado ao Senhor, o Deus dos exila-
dos, o Deus daqueles que viveram durante a monarquia, o Deus daque-
les que viveram no tempo dos juizes, o Deus daqueles que conquista-
ram Jerico e se estabeleceram na Terra Prometida, o Deus daqueles
que vagaram pelo deserto, e o Deus dos patriarcas. É o Senhor quem
dirigiu o coração do rei para governar em favor do seu povo. A expressão
“Bendito seja o Senhor, Deus de nossos pais” aparece somente aqui no
Antigo Testamento, embora a expressão “Bendito seja o Senhor”
apareça 27 vezes. “Bendito seja o Senhor” introduz uma oração ou
doxologia, que enfatiza a soberania de Deus, juntamente com a sua
misericórdia (hesed). “Me animei” é mais bem traduzido com o passi-
vo hebraico “Eu fui animado”, visto que a força de Esdras veio de
Deus, não de dentro de si mesmo. A força que ele recebeu do Senhor o
levou a encorajar e motivar outros a irem com ele, provando, assim, ser
um verdadeiro líder. O versículo 27 retoma a parte hebraica do livro, e
aqui Esdras fala na primeira pessoa, levando alguns a sugerir que esse
é o início do chamado livro de memórias de Esdras.
Esse capítulo apresenta Esdras como um exemplo de liderança pi-
edosa. Como Esdras, 0 líder cristão atual precisa ser “habilidoso” em
lidar com a Palavra de Deus. Essa habilidade não é herdada, portanto, o
líder precisa “dispor o seu coração para estudar” a Palavra de Deus.
Somente então ele será capaz de ensiná-la aos outros. Não há nada mais
desanimador do que um professor de Bíblia preguiçoso, e não há nada
mais animador do que um professor da Bíblia aplicado e cheio do Espírito,
que segue o exemplo de Esdras ao estudar diligentemente a Palavra de
Deus antes de se levantar para dizer “Assim diz o S enhor”. Assim como
Esdras, o líder cristão de nossos dias precisa da sabedoria de Deus para
ensinar e delegar. Essa sabedoria divina procede de Deus e está em
contraste gritante com a sabedoria terrena e ímpia (Tg 3.13-18).
Esdras 8
E sboço
8.1-14 - A lista dos cabeças de famílias que retornaram
8.15-20 - “Os ministros para a casa do nosso D eus’’
8.21-23 - O povo de Deus se humilha
8.24-30 - Os guardiões da prata e do ouro de Deus
8.31-36 - O povo de Deus chega a Jerusalém

I. A lista dos cabeças de famílias que retornaram (8.1-14)

8.1-14 - São estes os cabeças de famílias, com as suas


genealogias, os que subiram comigo da Babilônia, no reinado do
rei Artaxerxes: dos filhos de Fineias, Gérson; dos filhos de Itamar,
Daniel; dos filhos de Davi, Hatus; dos filhos de Secanias, dos
filhos de Parós, Zacarias, e, com ele, foram registrados cento e
cinquenta homens. Dos filhos de Paate-Moabe, Elioenai,225 filho
de Zeraías, e, com ele, duzentos homens. Dos filhos de Secanias, o
filho de Jaaziel, e, com ele, trezentos homens. Dos filhos de Adim,
Ebede, filho de Jônatas, e, com ele, cinquenta homens. Dos filhos de
Elão, Jesaías, filho de Atalias, e, com ele, setenta homens. Dos filhos
de Sefatias, Zebadias, filho de Micael,226 e, com ele, oitenta
homens. Dos filhos de Joabe, Obadias, filho de Jeiel, e, com ele,
duzentos e dezoito homens. Dos filhos de Bani, Selomite, filho
de Josifias, e, com ele, cento e sessenta homens. Dos filhos de
Bebai, Zacarias, o filho de Bebai, e, com ele, vinte e oito homens.
Dos filhos de Azgade, Joanã, o filho de Hacatã,227 e, com ele,
cento e dez homens. Dos filhos de Adonicão. últimos a chegar,
seus nomes eram estes: Elifelete, Jeiel e Semaías, e, com eles,
sessenta homens. Dos filhos de Bigvai, Utai e Zabude, e, com
eles, setenta homens.

O versículo 1 é escrito na primeira pessoa e dá continuidade


as assim chamadas memórias de Esdras, que começaram em 7.28.
86 E sdras e N eemias

Artaxerxes já foi mencionado e confere credibilidade aos eventos


( 4 . 7 - 8 , 11; 6 .14; 7 . 1, 7 , 11-1 2,2 1).228A autenticidade da lista pode ser ve-
rificada pelo fato de que a maior parte dos nomes aparece em outros
lugares em Crônicas, Esdras e Neemias. Uma característica interes-
sante dessa lista é que a casa de Davi é destacada.

II. “Os ministros para a casa do nosso Deus” (8.15-20)

8.15-20 Ajuntei-os perto do rio que corre para Aava, onde


ficamos acampados três dias. Passando revista ao povo e aos
sacerdotes e não tendo achado nenhum dos filhos de Levi, enviei
Eliézer,229Ariel, Semaías, Elnatã, Jaribe, Elnatã,230Natã, Zacarias e
Mesulão, os chefes, como também a Joiaribe e a Elnatã, que eram
sábios. Enviei-os a Ido, chefe em Casifia, e lhes dei expressamente
as palavras que deveríam dizer a Ido e aos servidores do templo,231
seus irmãos, em Casifia, para nos trazerem ministros para a casa do
nosso Deus. Trouxeram-nos, segundo a boa mão de Deus sobre
nós, um homem sábio, dos filhos de Mali, filho de Levi, filho de
Israel, a saber, Serebias, com os seus filhos e irmãos, dezoito; e a
Hasabias e, com ele, Jesaías, dos filhos de Merari, com seus irmãos
e os filhos deles, vinte; e dos servidores do templo, que Davi e os
príncipes deram para o ministério dos levitas, duzentos e vinte,
todos eles mencionados nominalmente.

Enquanto Esdras inspeciona os repatriados perto de Aava - um


lugar que pode ser associado a um dos canais do rio Eufrates, mas cuja
localização exata é incerta ele percebe que os levitas estão ausentes.
Pode ser que os levitas não fossem nem numerosos nem úteis em um
cativeiro babilônico sem templo, mas eles serão muito necessários em
Jerusalém, para ajudar com os deveres sacerdotais no templo que será
reconstruído em breve. Os nomes de Ariel e Elnatã232 não aparecem
em outros lugares em Esdras, Neemias ou Crônicas, mas os nomes de
Eliézer, Semaías, Jaribe, Natã, Zacarias, Mesulão e Joiaribe aparecem.233
Ido era o líder em Casifia - outro local desconhecido que pode ter
servido como centro de culto ou santuário - e não deve ser confundido
com o ancestral de Zacarias.234 A palavra “irmãos” significa “paren-
tes” e não deve ser tomada literalmente. Esdras está pedindo que Ido e
seus parentes se desloquem de sua atual posição ministerial, em um
E sdras 8 87

lugar desconhecido, para ministrar em Jerusalém, o centro do culto is-


raelita ordenado por Deus. Tanto Esdras quanto Neemias se referem
ao templo como “a casa do nosso Deus” (Ed 8.17,25,30,33; 9.9; Ne
10.32-34,36-39; 13.4).235 A expressão “a boa mão de Deus” aparece
três vezes em Esdras-Neemias (Ed 7.9; 8.18; Ne 2.8), e aponta para a
bondade de Deus em proteger e prover para o seu povo.
O pedido de Esdras por ministros para a Casa de Deus é atendi-
do por um levita chamado Serebias, cujo nome aparece oito vezes em
Esdras-Neemias.236 Ele é descrito como líder entre os sacerdotes
(Ed 8.24), alguém que ajudou o povo a entender a Lei (Ne 8.7), que o
conduziu na confissão coletiva de pecado durante o período de Neemias
(Ne 9.4-5), que selou a aliança (Ne 10.12), e como alguém que estava
encarregado dos cânticos de ação de graças (Ne 12.8). Serebias é des-
crito como um homem sábio; a palavra hebraica aqui é sekel, que signi-
fica “discernimento” ou “entendimento”. A palavra é, em outro lugar,
empregada para descrever uma mulher sensata (ISm 25.3), o sábio Rei
Salomão (2Cr 2.11), aqueles que temem ao S enhor (SI 111.10) e pessoas
de bom senso (Pv 13.15; 16.22; 19.11). O termo também pode ser tradu-
zido como “habilidade” (lC r 26.14; 2Cr 30.22). Os outros dois líderes
citados entre os 220 levitas que atenderam ao apelo de Esdras são Hasa-
bias e Jesaías.237 A lista de todos os 220 levitas não é fornecida.

III. O povo de Deus se humilha (8.21-23)

8.21 -23 - Então, apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para
nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada
feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso.
Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos
defenderem do inimigo no caminho, porquanto já lhe havíamos
dito: A boa mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam,
para o bem deles; mas a sua força e a sua ira, contra todos os que
o abandonam. Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus,
e ele nos atendeu.

O chamado de Esdras ao jejum está correlacionado com orações


específicas por proteção, que fazem parte dos serviços de despedida.
Aqui também está correlacionado com uma atitude de humildade, que,
88 E sdras e N eemias

na verdade, é um dos propósitos do jejum.238A expressão “para lhe pe-


dirmos” é sinônimo de oração.239 É solicitada a proteção de Deus, visto
que a estrada para Jerusalém é longa e provavelmente perigosa.
O jejum é quase inexistente na vida cristã, hoje, apesar de todos
os grandes homens e mulheres da Bíblia e ao longo de toda a história
da Igreja terem sido homens e mulheres de oração e jejum. No entan-
to, parece ridículo falar sobre jejum em uma época em que há uma
lanchonete fast foo d em cada esquina. Entre 1861 e 1954 nenhum
livro foi escrito, na língua inglesa, sobre jejum. Alguns veem o jejum
como algo que as pessoas faziam no passado e que não é relevante
na atualidade. João Wesley, fundador do metodismo, disse: “Alguns
elevaram o jejum acima da Bíblia e da razão, enquanto que outros o
ignoraram completamente.” João Crisóstomo, um dos maiores prega-
dores do 5o século disse: “O jejum é, tanto quanto reside em nós, uma
imitação dos anjos, uma condenação das coisas presentes, uma esco-
la de oração, um alimento da alma, uma rédea da boca. (...) ele apa-
zigua a ira, aplaca a raiva, acalma as tempestades da natureza, incita
a razão, limpa a mente, incomoda a carne, afugenta as poluições da
noite, liberta da dor de cabeça. Ao jejuar, um homem adquire compor-
tamento sereno, livre expressão de sua língua e corretas percepções
de sua mente.”210‫־‬
O jejum ganhou uma má reputação durante a Idade Média, quan-
do muitos abusaram dele e o praticaram apenas para serem vistos por
outros. Algumas pessoas enxergavam o jejum como algo pertencente
somente à religião judaica e não viam nenhuma correlação com o
cristianismo.241
O versículo 22 mostra a tensão de Esdras entre a sua compreen-
são da providência de Deus e a responsabilidade dos homens dentro da
providência de Deus. Esdras está dizendo para si mesmo: “Visto que
disse ao rei que a boa mão de Deus nos protegeu até agora, como
posso agora pedir um destacamento de segurança?” Então Esdras faz
o que está embutido em seu caráter - ele ora e jejua. Alguns estudiosos
sugerem que a decisão de Esdras contra uma escolta militar real tinha
a ver com evitar “atrair a atenção de seus futuros vizinhos, cuja inimi-
zade podería ser ainda mais provocada”.242
E sd r a s 8 89

Outras pessoas de Deus, além de Esdras, que combinaram jejum


com oração foram Neemias (Ne 1.4), Daniel (Dn 9.3), Ana (Lc 2.36-
37) e muitos na igreja primitiva (At 13.3; 14.23). Parece que Jesus
apresenta o jejum como uma expectativa cristã quando ele responde a
uma pergunta feita pelos discípulos de João, dizendo: “Podem, acaso,
estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está
com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nes-
ses dias hão de jejuar” (Mt 9.15; Mc 2.20; Lc 5.35).
A expressão “E [Deus] nos atendeu” é um dos maiores encoraja-
mentos e confortos do cristão. Nosso Deus não é surdo, um Deus es-
culpido em granito que não se importa com seus filhos. Pelo contrário,
nosso Deus é o único Deus verdadeiro, e o Único que ouve nossa ora-
ção (Gn 30.17,22; Êx 2.24; Jz. 13.9; ISm 1.19; lC r 4.10; 2Cr 1.11).
Quando Esdras e seus compatriotas oraram e jejuaram, eles experi-
mentaram o poder do jejum e da oração manifestos nas respostas de
Deus às suas súplicas.

IV. Os guardiões da prata e do ouro de Deus (8.24-30)

8.24-30 - Então, separei doze dos principais, isto é, Serebias,


Hasabias e dez dos seus irmãos. Pesei-lhes a prata, e o ouro, e os
utensílios que eram a contribuição para a casa de nosso Deus, a
qual ofereceram o rei, os seus conselheiros, os seus príncipes e
todo o Israel que se achou ali. Entreguei-lhes nas mãos seiscentos
e cinquenta talentos de prata e, em objetos de prata, cem talentos,
além de cem talentos de ouro; e vinte taças de ouro de mil daricos
e dois objetos de lustroso e fino bronze, tão precioso como ouro.
Disse-lhes: Vós sois santos ao S enhor, e santos são estes objetos,
como também esta prata e este ouro, oferta voluntária ao S enhor,
Deus de vossos pais. Vigiai-os e guardai-os até que os peseis na
presença dos principais sacerdotes, e dos levitas, e dos cabeças
de famílias de Israel, em Jerusalém, nas câmaras da Casa do
S enhor . Então, receberam os sacerdotes e os levitas o peso da
prata, do ouro e dos objetos, para trazerem a Jerusalém, à casa de
nosso Deus.

A grande quantidade de ouro e de prata em sua posse leva Esdras


a nomear os principais sacerdotes como guardiões desse grande tesouro.
90 E sd r a s e N eem ia s

Isso está de acordo com os ensinos da Torá, de que os levitas deveríam


guardar os objetos sagrados associados ao tabemáculo, enquanto que
os sacerdotes tinham autoridade sobre os levitas (Lv 3.8,31; 4.7-15).
Visto que a quantidade de ouro e de prata descrita aqui soma cerca de
3% toneladas de ouro e 24V2 toneladas de prata, muitos estudiosos rejei-
tam a autenticidade da lista. Williamson sugere que a lista original foi
“transmitida de forma imprecisa, talvez por um desejo de magnificar a
glória do templo, exagerando o valor das ofertas”, ou “por um erro de
má interpretação de figuras ou pesos”.243 No entanto, visto que as pes-
soas que contribuíram estavam ligadas à generosa corte persa, e visto
que o número de judeus não pode ser subestimado, tal resultado gene-
roso não pode ser rejeitado.
Esdras reafirma ao povo que eles são “santos ao S enhor ” , e esse
S enhor é o mesmo que “Deus de vossos pais”. A expressão “santos
ao S enhor ” tem origem no Pentateuco, e aparece pela primeira vez em
associação com a separação do sacerdócio, feita por Deus, para o ser-
viço no tabernáculo (Êx 28.36).244 A expressão aparece apenas uma
outra vez em Esdras-Neemias, e refere-se ao dia sagrado quando
Esdras leu a Lei do S enhor para o povo (Ne 8.9). Pode ser que os
israelitas precisassem ser lembrados de sua condição especial diante
do S enhor , visto que haviam peregrinado muito tempo em meio a um
povo profano que adorava outros deuses. A ausência do templo e, pos-
teriormente, a ausência da provisão de expiação eram propícias para
que o povo caísse na complacência. Por meio de Esdras, Deus lembrou
ao povo que este era separado para Deus e para seus propósitos.
Assim como no Pentateuco, não apenas as pessoas são santas, mas as
ofertas e os vasos do templo também são separados para serem usados
para fins sagrados. Parece que algumas instalações temporárias foram
designadas para guardar esses vasos e ofertas sagrados. Williamson
afirma que “as câmaras do templo eram os cômodos ao redor das bor-
das de partes da área do templo, utilizadas tanto para a administração e
armazenamento quanto para a conveniência pessoal do sacerdote”.245

V. O povo de Deus chega a Jerusalém (8.31-36)


8.31-36 - Partimos do rio Aava, no dia doze do primeiro mês,
a fim de irmos para Jerusalém; e a boa mão do nosso Deus estava
E sd r a s 8 91

sobre nós e livrou-nos das mãos dos inimigos e dos que nos
armavam ciladas pelo caminho. Chegamos a Jerusalém e
repousamos ali três dias. No quarto dia, pesamos, na casa do nosso
Deus, a prata, o ouro, os objetos e os entregamos a Meremote,
filho do sacerdote Urias;246com ele estava Eleazar, filho de Fineias,
e, com eles, Jozabade, filho de Jesua, e Noadias, filho de Binui,
levitas; tudo foi contado e pesado, e o peso total, imediatamente
registrado. Os exilados que vieram do cativeiro ofereceram
holocaustos ao Deus de Israel, doze novilhos por todo o Israel,
noventa e seis carneiros, setenta e sete cordeiros e, como oferta
pelo pecado, doze bodes; tudo em holocausto ao S enhor. Então,
deram as ordens do rei aos seus sátrapas e aos governadores
deste lado do Eufrates; e estes ajudaram o povo na reconstrução
da Casa de Deus.

Depois de 12 dias passados em tomo da região do rio Aava,


Esdras e sua comitiva partem para Jerusalém. A mão protetora de Deus
estava sobre eles, e foi Deus quem os livrou do inimigo anônimo que
armou emboscadas pelo caminho. A mão de Deus estava sobre Esdras
desde o início (7.6,9), e era também evidente à medida que Esdras
planejava a viagem a Jerusalém (7.28). Esdras reconheceu que a mão
de Deus também lhe trouxe Mali, um sábio líder levita (8.18). Apalavra
traduzida como “livrou” no versículo 31 também pode ser traduzida
como “protegeu”, assim, não fica claro se os bandidos realmente ata-
caram a caravana ou não, mas fica claro que foi Deus quem protegeu
ou livrou Esdras e seus companheiros. A distância entre Aava e Jerusa-
lém é estimada em cerca de 1500 km, e estima-se que uma grande
caravana podería viajar a uma velocidade de 15 km por dia. Assim,
“a viagem durou cerca de quatro meses”.247 Os três dias de aparente
inatividade podem ser explicados pela necessidade de encontrar abrigo
para “cerca de cinco mil imigrantes”.248
O nome de Meremote é mencionado pela primeira vez aqui, mas
será mencionado novamente, juntamente com Eleazar e Jozabade,
entre os que se separaram das esposas estrangeiras (10.36). No livro
de Neemias, Meremote tem um papel ativo na reconstrução de Jeru-
salém (Ne 3.4,21), e também aparece entre os que selaram a aliança
(Ne 10.6). A presença de ouro e prata é essencial por causa de “uma
92 E sd r a s e N eem ias

fundição em que os metais preciosos usados para os dízimos eram co-


letados, derretidos e remoldados em medidas padronizadas, a fim de
serem utilizados como meio de pagamento. Esses metais eram então
armazenados no tesouro do templo”.249 Jozabade também aparece en-
tre os levitas que explicam a Lei ao povo após Esdras lê-la para os
repatriados (Ne 8.7).
A adoração foi restaurada em Jerusalém após o altar ter sido re-
construído sob a liderança de Jesua e Zorobabel (Ed 3.2). Os repatriados
fínalmente têm a oportunidade de trazer sacrifícios, algo que era impos-
sível em um exílio sem templo. O fato de que eles sacrificaram “doze
novilhos por todo o Israel” indica que, para os presentes, o conceito de
“tribos perdidas de Israel” era inexistente. Assim, eles trouxeram doze
touros para as doze tribos de Israel. Os noventa e seis carneiros são
divisíveis por doze também, então, o único número não divisível por
doze é setenta e sete.250 O número setenta e sete pode ser usado aqui
como um “dispositivo literário para indicar um número bastante gran-
de”.251 Todas as ofertas foram “em holocausto ao S enhor” , indicando
que mesmo a oferta pelo pecado, que era geralmente apenas parcial-
mente queimada, sendo o restante oferecido aos sacerdotes, foi quei-
mada completamente ao S enhor .
A palavra traduzida como “sátrapa” é um empréstimo da língua
persa que se refere a um alto oficial. A palavra aparece apenas uma
vez em Esdras-Neemias e outras doze vezes em textos pós-exílicos.252
Os sátrapas, juntamente com os governadores, seguiram as instruções
do rei e ajudaram o povo de Deus em seu trabalho de reconstrução.
O capítulo 8 ensina dois importantes princípios de liderança que
precisam ser praticados pelos líderes cristãos de hoje: humildade
(v. 21 -23) e integridade (v. 24-30). No caso de Esdras, essa humildade foi
vista em sua dependência do Deus soberano, que sozinho pode fome-
cer segurança para o seu povo. A integridade de Esdras pode ser vista
em sua delegação do cuidado da oferta para a casa de Deus, compre-
endendo que tanto a oferta quanto aqueles que lidam com ela devem
ser santos ao S enhor . A história tem mostrado que, quando pessoas
ímpias lidam com o que é santo ao S enhor , a corrupção é gerada e a
opressão reina.
Esdras 9
E sboço
9.1-4 - O pecado do povo
9.5-15 - A oração dos justos

I. O pecado do povo (9.1-4)

9.1-4 - Acabadas, pois, estas coisas, vieram ter comigo os


príncipes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas
não se separaram dos povos de outras terras com as suas
abominações, isto é, dos cananeus, dos heteus, dos ferezeus, dos
jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos
amorreus, pois tomaram das suas filhas para si e para seus filhos,
e, assim, se misturou a linhagem santa com os povos dessas terras,
e até os príncipes e magistrados foram os prim eiros nesta
transgressão. Ouvindo eu tal coisa, rasguei as minhas vestes e o
meu manto, e arranquei os cabelos da cabeça e da barba, e me
assentei atônito. Então, se ajuntaram a mim todos os que tremiam
das palavras do Deus de Israel, por causa da transgressão dos do
cativeiro; porém eu permanecí assentado atônito até ao sacrifício
da tarde.

Alguns líderes (lit. “cabeças”) reportam a Esdras sobre o pecado


do casamento misto com as nações pagãs. A Lei de Deus, dada por
meio de Moisés, era muito clara a respeito dessa tão importante ques-
tão, proibindo claramente o casamento entre israelitas e estrangeiros.
Após Deus ter feito aliança com os israelitas no Sinai, após terem se
contaminado mediante a adoração do bezerro de ouro feito por Arão, e
após Moisés ter intercedido em favor do povo, Deus renovou a aliança
com eles:

Guarda o que eu te ordeno hoje: eis que lançarei fora da sua


presença os amorreus, os cananeus, os heteus, os ferezeus, os
94 E sd r a s e N eem ia s

heveus e os jebuseus. Abstém-te de fazer aliança com os moradores


da terra para onde vais, para que te não sejam por cilada. Mas
derribareis os seus altares, quebrareis as suas colunas e cortareis
os seus postes-ídolos (porque não adorarás outro deus; pois o
nome do S enhor é Zeloso; sim, Deus zeloso é ele); para que não
faças aliança com os moradores da terra; não suceda que, em se
prostituindo eles com os deuses e lhes sacrificando, alguém te
convide, e comas dos seus sacrifícios e tomes mulheres das suas
filhas para os teus filhos, e suas filhas, prostituindo-se com seus
deuses, façam que também os teus filhos se prostituam com seus
deuses (Êx 34.11 -16).

Uma lista semelhante foi apresentada também em Deuteronômio.

Quando o S enhor, teu Deus, te introduzir na terra a qual


passas a possuir, e tiver lançado muitas nações de diante de ti, os
heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus,
e os heveus, e os jebuseus, sete nações mais numerosas e mais
poderosas do que tu; e o S enhor, teu Deus, as tiver dado diante de
ti, para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas aliança,
nem terás piedade delas; nem contrairás matrimônio com os filhos
dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás
suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de
mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do S enhor se
acendería contra vós outros e depressa vos destruiría (Dt 7.1-4).

O problema com essas outras nações não era sua afiliação étnica,
mas suas práticas de culto.253 Fensham aponta corretamente que a
razão para essa atitude não tinha nada a ver com racismo, mas com
uma preocupação com a pureza da religião do S enhor ... A influência de
uma mãe estrangeira, com a sua ligação a outra religião, sobre seus
filhos arruinaria a religião pura do Senhor, e criaria uma religião sincre-
tista contrária a tudo na fé judaica. No fim, era uma questão de preser-
vação de sua identidade, sua identidade religiosa.254
Era especialmente desolador que até mesmo os sacerdotes e os
levitas tenham se comprometido, desobedecendo à própria Lei que
deveríam observar e ensinar. Os líderes não estavam apenas compro-
metidos, mas o texto sugere que alguns assumiram o papel principal
nessa grave desobediência. O final do versículo 2 afirma claramente
E sd r a s 9 95

que “até os príncipes e magistrados foram os primeiros nesta trans-


gressão” (Ed 9.2).
A notícia da desobediência do povo entristece Esdras tão profun-
damente que ele exterioriza sua angústia rasgando suas vestes e arran-
cado seus cabelos. Era o costume de muitos povos do Antigo Oriente
Próximo rasgar suas vestes e desarranjar seus cabelos como sinal de
luto(2Sm 13.19; 2Rs 22.1; Jó 1.20; Is 22.12); o rasgar das vestes sendo
“uma forma modificada de nudez ritual”, e o arrancar dos cabelos, uma
forma modificada da raspagem dos cabelos.255 As ações de Esdras
revelam o que está em seu coração, enquanto chama a atenção para o
seu protesto. A palavra “atônito” aparece nessa forma apenas três ve-
zes, duas em Esdras e uma em Daniel (Ed 9.3-4; Dn 11.31), e traduz
“atônito, estupefato ou tomado de tremor”.256 Outros homens e mulhe-
res tementes a Deus se unem a Esdras, ministrando-lhe com sua pre-
sença até a hora do sacrifício da tarde. A comunidade fiel pós-exílica é
muitas vezes descrita como aquela que tremia diante da Palavra de
Deus (Ed 10.3; Is 66.2,5). A gravidade da situação e a angústia em seu
coração levam Esdras a cair de joelhos em oração.
Essa passagem pode servir como um exemplo para os líderes
cristãos da atualidade que precisam se identificar com o seu povo, pran-
tear tanto pelos pecados pessoais quanto pelos coletivos. Como Esdras,
os líderes de hoje precisam gastar uma quantidade considerável de tempo
em oração, não como o último recurso, mas como o primeiro impulso.

II. A oração dos justos257 (9.5-15)

9.5-15 - Na hora do sacrifício da tarde, levantei-me da minha


humilhação, com as vestes e o manto já rasgados, me pus de
joelhos, estendí as mãos para o S enhor, meu Deus, e disse: Meu
Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face,
meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a
nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até aos céus. Desde os dias
de nossos pais até hoje, estamos em grande culpa e, por causa das
nossas iniquidades, fomos entregues, nós, os nossos reis e os
nossos sacerdotes, nas mãos dos reis de outras terras e sujeitos à
espada, ao cativeiro, ao roubo e à ignomínia, como hoje se vê.
Agora, por breve momento, se nos manifestou a graça da parte do
96 E sdras e N eemias

S enhor, nosso Deus, para nos deixar alguns que escapem e para
dar-nos estabilidade no seu santo lugar; para nos alumiar os olhos,
ó Deus nosso, e para nos dar um pouco de vida na nossa servidão;
porque somos servos, porém, na nossa servidão, não nos
desamparou o nosso Deus; antes, estendeu sobre nós a sua
misericórdia, e achamos favor perante os reis da Pérsia, para nos
reviver, para levantar a casa do nosso Deus, para restaurar as suas
ruínas e para que nos desse um muro de segurança em Judá e em
Jerusalém. Agora, ó nosso Deus, que diremos depois disto? Pois
deixamos os teus mandamentos, que ordenaste por intermédio
dos teus servos, os profetas, dizendo: A terra em que entrais para
a possuir é terra imunda pela imundícia dos seus povos, pelas
abominações com que, na sua corrupção, a encheram de uma
extremidade à outra. Por isso, não dareis as vossas filhas a seus
filhos, e suas filhas não tomareis para os vossos filhos, e jamais
procurareis a paz e o bem desses povos; para que sejais fortes, e
comais o melhor da terra, e a deixeis por herança a vossos filhos,
para sempre. Depois de tudo o que nos tem sucedido por causa
das nossas más obras e da nossa grande culpa, e vendo ainda que
tu, ó nosso Deus, nos tens castigado menos do que merecem as
nossas iniquidades e ainda nos deste este restante que escapou,
tomaremos a violar os teus mandamentos e a aparentar-nos com
os povos destas abominações? Não te indignarias tu, assim, contra
nós, até de todo nos consumires, até não haver restante nem alguém
que escapasse? Ah! S enhor, Deus de Israel, justo és, pois somos
os restantes que escaparam, como hoje se vê. Eis que estamos
diante de ti na nossa culpa, porque ninguém há que possa estar na
tua presença por causa disto.

Após passar um dia em um silêncio atordoado, as primeiras pala-


vras de Esdras são dirigidas àquele que ouve as orações. Sua posição
de joelhos com os braços estendidos para o céu era convencional para
aquela época; no entanto, a posição de Esdras é descritiva, não norma-
tiva. Não se pode legislar sobre a posição de Esdras como sendo a
única posição correta para a oração cristã, hoje.258 Isso é ainda mais
esclarecido quando vemos que o manto e as vestes de Esdras estão
rasgados, um claro sinal de angústia e luto. Suas ações atrairíam a
atenção para a seriedade da ofensa e a gravidade da situação.
E sd r a s 9 97

Na oração, Esdras confessa o pecado, identificando-se com o


povo confessando o pecado coletivo.259 Embora ele se refira a Deus
como “meu Deus”, ele confessa as “nossas iniquidades”. O pecado
que ele confessa é o da desobediência aos mandamentos de Deus.
Esdras reconhece que o exílio foi o resultado direto do pecado do povo,
mas que o retomo do exílio foi o resultado direto do amor imutável de
Deus para com seu povo (v. 9). “As citações nos versículos 11-12 são
um conglomerado de expressões emprestadas de várias partes das
Escrituras.”260 De fato, os ecos de Levítico 18 e Ezequiel 37 classifi-
cam o pecado do casamento misto como uma abominação e indicam
o culpado como moralmente impuro.261 Na oração, Esdras confessa o
pecado do casamento misto com pagãos. Ele não pode acreditar que
o povo agiu mais uma vez contra a Lei de Deus, especialmente após ter
experimentado a graça de Deus que lhe permitiu retornar do exílio.262
O versículo 14 contém duas perguntas retóricas. A primeira, “Tomare-
mos a violar os teus mandamentos e a aparentar-nos com os povos
destas abominações?”, exige um “não” como resposta. A segunda per-
gunta, “Não te indignarias tu, assim, contra nós, até de todo nos consu-
mires?”, exige uma resposta positiva. Na oração, Esdras exalta a Deus
e afirma a justiça e a retidão de Deus.263 Somente confessando seu
pecado e invocando a graça de Deus o povo pode ter esperança de
escapar da penalidade que trouxe sobre si mesmo por desobedecer
a Palavra de Deus.
Ainda que as coisas estejam melhorando, o texto deixa claro que
o leitor deve esperar por mais. O povo não retomou toda sua terra, o
templo é menos glorioso que o de Salomão, e ainda não há um rei daví-
dico no trono. Essas grandes expectativas serão cumpridas apenas por
meio da primeira e segunda vindas de Cristo.
A oração de Esdras é um monumento à importância da oração
para o líder cristão atual. Programas, não importa quão elaborados ou
extravagantes, nunca poderão substituir uma profunda vida de oração.
Como Esdras, precisamos aprender a confessar o pecado pessoal e o
coletivo. Como Esdras, precisamos aprender a nos identificar com as
pessoas a quem ministramos. O líder com uma atitude de “mais santo
do que vós” (santarrão) não irá longe, enquanto que o líder que se
98 E sdras e N eemias

humilha, a fim de identificar-se com aquele que errou, terá sucesso em


ser como nosso Senhor Jesus “que a si mesmo se esvaziou”, assumiu a
forma de servo e humilhou-se por amor a nós (Fp 2.7-8).
Esdras ΙΟ264
E sboço
10.1-4 - A exortação dos líderes: santidade
10.5-17 - A resposta do povo: arrependimento
10.18-44 - A lista de transgressores

I. A exortação dos líderes: santidade (10.1-4)

10.1-4- Enquanto Esdras orava e fazia confissão, chorando


prostrado diante da Casa de Deus, ajuntou-se a ele de Israel mui
grande congregação de homens, de mulheres e de crianças; pois o
povo chorava com grande choro. Então, Sccanias, filho de Jeiel,
um dos filhos de Elão, tomou a palavra e disse a Esdras: Nós temos
transgredido contra o nosso Deus, casando com mulheres
estrangeiras, dos povos de outras terras, mas, no tocante a isto,
ainda há esperança para Israel. Agora, pois, façamos aliança com o
nosso Deus, de que despediremos todas as mulheres e os seus
filhos, segundo o conselho do Senhor e o dos que tremem ao
mandado do nosso Deus; e faça-se segundo a Lei. Levanta-te,
pois esta coisa é de tua incumbência, e nós seremos contigo; sê
forte e age.

Esdras liderava pelo exemplo. Ele orou e chorou pelos pecados


do povo, e porque era um verdadeiro líder as pessoas seguiram seu
exemplo. Líder e seguidores choraram juntos pelo pecado dos casa-
mentos com mulheres estrangeiras. Porém, visto que arrependimento
significa mais do que chorar pelos pecados, Secanias265 encoraja
Esdras a agir. Ainda que ele não esteja listado entre os culpados, Seca-
nias é um líder leigo que se identifica com o povo. Ele admite culpa:
“Nós temos transgredido contra o nosso Deus, casando com mulheres
estrangeiras”. A expressão “mulheres estrangeiras” aparece dez vezes
no Antigo Testamento.266 Ela aparece pela primeira vez em conexão
100 E sd r a s e N eem ia s

com o rei Salomão, que se casou com mulheres estrangeiras identifica-


das como moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hititas. Tanto o con-
texto de Reis quanto o de Esdras-Neemias sugere que essas mulheres
eram “idólatras e não judias”. Assim, “não foi o casamento com estran-
geiros que causou tal consternação em Esdras, mas com estrangeiros
que, quer sincretistas quer pagãos, eram idólatras”.267
Secanias tinha conhecimento da lei que proibia o casamento mis-
to, e admite a culpa. Ele não minimiza isso, dizendo que “todo mundo
está fazendo o mesmo”. Mais importante, ele não perde a esperança
de que as coisas podem ser corrigidas. “No tocante a isto, ainda há
esperança para Israel”, são suas relevantes palavras de confiança.
Secanias também conhece a história. Ele sabe que Deus deseja ter um
relacionamento com o seu povo, e que ele faz isso por meio de alianças.
Secanias certamente não estava alheio aos pactos que Deus fez com
Abraão, Moisés e Davi. As estipulações da aliança são extremas.
Os culpados pelo pecado de casamentos com mulheres estrangeiras
devem se comprometer a “despedir” não apenas as mulheres, mas tam-
bém os filhos. Embora a proposta pareça dura à vista da compreensão
cristã contemporânea, a proposta visava a resguardar os filhos de Deus
de profanar a sagrada instituição do casamento. “Despedir” é a ex-
pressão usada em conexão com o divórcio em Deuteronômio 24.3.268
Visto que os homens judeus se casaram com mulheres estrangeiras em
desacordo com a Lei de Deus, esses casamentos eram considerados
ilegais desde o início. Secanias encoraja Esdras a agir e lhe garante o
apoio do povo. A exortação “sê forte” podería ter lembrado Esdras das
palavras encorajadoras de Moisés a Josué (Dt 31.7), e das palavras de
Deus a Josué (Js 1.6,9).

II. A resposta do povo: arrependimento (10.5-17)

10.5-6 - Então, Esdras se levantou e ajuramentou os


principais sacerdotes, os levitas e todo o Israel, de que fariam
segundo esta palavra. E eles juraram. Esdras se retirou de diante
da Casa de Deus, e entrou na câmara de Joanã, filho de Eliasibe,269
e lá não comeu pão, nem bebeu água, porque pranteava por causa
da transgressão dos que tinham voltado do exílio.
E sd r a s 10 101

Os israelitas seguem a liderança piedosa e mostram que obede-


cerão às determinações da aliança, selando-a com um juramento. Jurar
era muito comum no Antigo Oriente Próximo. Na ausência de docu-
mentação, uma transação contratual dependia da palavra dada como
meio de sanção legal. “O juramento mantinha a obrigação de falar ho-
nestamente.”270 O versículo 6 continua a nos proporcionar uma visão
sobre o coração de Esdras. Sua dor e angústia o constrangem a conti-
nuar seu jejum absoluto.271
10.7-8 - Fez-se passar pregão por Judá e Jerusalém a todos
os que vieram do exílio, que deviam ajuntar-se em Jerusalém;
e que, se alguém, em três dias, não viesse, segundo o conselho
dos príncipes e dos anciãos, todos os seus bens seriam totalmente
destruídos, e ele mesmo separado da congregação dos que voltaram
do exílio.

A punição por não fazer o juramento incluía penalidades terrí-


veis. Ser banido da comunidade dos fiéis era ser colocado no mesmo
nível dos leprosos imundos. Nesse caso, no entanto, a lepra seria de
natureza espiritual. Aqueles que continuassem em desobediência à
Lei também se tomariam desabrigados. Assim, por meio de sua deso-
bediência, essas pessoas perderíam as bênçãos prometidas de res-
tauração. Deus é fiel em prover para eles, mas, por falta de arrepen-
dimento, eles não se beneficiariam das promessas de Deus. O infiel
vivería em exílio autoimposto devido à sua desobediência e recusa de
viver em santidade.

10.9-11 - Então, todos os homens de Judá e Benjamim, em


três dias, se ajuntaram em Jerusalém; no dia vinte do mês nono,
todo o povo se assentou na praça da Casa de Deus, tremendo por
causa desta coisa e por causa das grandes chuvas. Então, se
levantou Esdras, o sacerdote, e lhes disse: Vós transgredistes
casando-vos com mulheres estrangeiras, aumentando a culpa de
Israel. Agora, pois, fazei confissão ao S enhor, Deus de vossos
pais, e fazei o que é do seu agrado; separai-vos dos povos de
outras terras e das mulheres estrangeiras.

O nono mês do calendário judaico é o mês do solstício do inverno


de Quisleu, que traz a Israel as primeiras chuvas de inverno. O tremor
102 E sd r a s e N eem ias

do povo tinha causas internas e externas. A chuva gelada e forte de


inverno os fez miseráveis de uma perspectiva física, mas o seu pecado
os fez miseráveis de uma perspectiva espiritual. Tem sido dito que a
verdade te libertará, mas, antes disso, ela te fará miserável.272 Esdras
não refreia e não compromete a verdade. Em vez disso, ele confronta o
povo de modo direto, dizendo: “Vós transgredistes casando-vos com
mulheres estrangeiras”. A expressão “fazei confissão ao S enhor ” tam-
bém pode ser traduzida como “Dai graças ao S enhor ” . Portanto, fazer
confissão significa exaltar a Deus. Williamson aponta corretamente que
“o penitente que renunciou seu pecado e se lançou sobre as misericór-
dias de Deus proferiu esse verdadeiro louvor de confiança e amor, de
onde brota a confissão”.273
A confissão dos pecados deve ser seguida pelo fazer a vontade
de Deus, não a própria. “Separai-vos” aponta para o coração da santi-
dade de Deus. Ser santo significa ser separado do mundo e separado
para os propósitos de Deus. As exortações de Esdras “fazei o que é do
seu agrado” e “separai-vos” apontam para o duplo aspecto da santida-
de. Ser santo significa ser separado do mundo, mas também significa
ser separado para Deus - para fazer sua vontade e sua obra. Não se
pode fazer um sem o outro. E preciso se apartar daquilo que faz a
pessoa ser profana ao invés de santa. No caso dos repatriados, isso
significava separação de suas esposas estrangeiras e da população lo-
cal que adorava deuses mortos e estrangeiros. Santidade, portanto, não
é somente mais importante que o relacionamento humano mais íntimo,
mas é o mais importante, uma vez que se concentra na relação da
pessoa com um Deus santo.
10.12-14 - Respondeu toda a congregação e disse em altas
vozes: Assim seja; segundo as tuas palavras, assim nos convém
fazer. Porém o povo é muito, e, sendo tempo de grandes chuvas,
não podemos estar aqui de fora; e não é isto obra de um dia ou
dois, pois somos muitos os que transgredimos nesta coisa. Ora,
que os nossos príncipes decidam por toda a congregação, e que
venham a eles em tempos determinados todos os que em nossas
cidades casaram com mulheres estrangeiras, e com estes os anciãos
de cada cidade, e os seus juizes, até que desviemos de nós o
brasume da ira do nosso Deus, por esta coisa.
E sdras 10 103

A admissão da culpa é uma parte muito necessária e importante


do processo de arrependimento. O povo concorda com a acusação de
Esdras e responde: “A ssim seja; segundo as tuas palavras, assim nos
convém fazer”. O mau tempo, bem como a gravidade da situação,
impede o povo de se reunir por mais tempo, por isso, ele sugere uma
alternativa sensata, que consistia em delegar líderes para supervisio-
nar o processo de reunião com os indivíduos que quebraram a Lei de
Deus. O povo tem uma boa compreensão da teologia da retribuição,
mas ele também entende que o arrependimento traz a graça e a m ise-
ricórdia de Deus.

10.15-17 - No entanto, Jônatas, filho de Asael, e Jazeías,


filho de Ticvá, se opuseram a esta coisa; e Mesulão e Sabetai,
levita, os apoiaram. Assim o fizeram os que voltaram do exílio;
então, Esdras, o sacerdote, elegeu nominalmente os homens
cabeças de famílias, segundo a casa de seus pais, que se
assentaram no dia primeiro do décimo mês, para inquirir nesta
coisa; e o concluíram no dia primeiro do primeiro mês, a respeito de
todos os homens que casaram com mulheres estrangeiras.

O fato de que alguns se opõem à obra de Deus e a boas iniciativas


do seu povo é um tema recorrente em Esdras-Neemias. E notável que
até mesmo M esulão, que é um líder (8.6), e Sabetai, que é um levita,
façam parte desse pequeno movimento de oposição. Eles não apare-
cem na lista de transgressores (10.18-33), e não nos é dito especifica-
mente ao que eles estavam se opondo. Pode ser que eles tenham se
oposto ao chamado de Esdras à separação das esposas estrangeiras e
do povo pagão, ou pode ser que eles “tenham pressionado por uma
ação mais imediata”.274 Apesar da oposição, Esdras leva em conta a
recomendação do povo (10.14), e uma com issão de líderes é estabele-
cida para ouvir o assunto em questão. A sua tarefa é “inquirir nesta
coisa” de 110 casos, e seu trabalho dura três meses.

III. A lista de transgressores (10.18-44)

10.18-19 - Acharam-se dentre os filhos dos sacerdotes estes,


que casaram com mulheres estrangeiras: dos filhos de Jesua, filho
de Jozadaque, e de seus irmãos: Maaseias, Eliézer, Jaribe e Gedalias.
104 E sdras e N eemias

Com um aperto de mão, prometeram despedir suas mulheres e, por


serem culpados, ofereceram um carneiro do rebanho pela sua culpa.

A lista não tem título e inclui 17 sacerdotes, seis levitas, três por-
teiros, um cantor e 84 leigos. Assim como nos dias de Eli (ISm 1-3),
até mesmo alguns filhos dos sacerdotes cometeram o pecado do casa-
mento misto. O fato de a lista começar com os sacerdotes realça o fato
de que os líderes religiosos e suas famílias não estão isentos de pecar.
No entanto, eles obedeceram à ordem de Esdras e “prometeram des-
pedir suas mulheres”. A oferta pela culpa é descrita em Levítico 5.14-
26 e geralmente sugere um comportamento não intencional. Fensham
sugere que isso não seria impossível neste caso, porque, embora os
exilados conhecessem a Lei, “as distinções mais sutis e a interpretação
de determinadas estipulações poderia ter lhes escapado”.275
10.2024‫ ־‬- Dos filhos de Imer: Hanani e Zebadias. Dos filhos
de Harim: Maaseias, Elias, Semaías, Jeiel e Uzias. Dos filhos de Pasur:
Elioenai, Maaseias, Ismael, Natanael, Jozabade e Elasa. Dos levitas:
Jozabade e Simei, Quelaías (este é Quelita), Petaías, Judá e Eliézer.
Dos cantores: Eliasibe; dos porteiros: Salum, Telém e Uri.

Os demais oficiais do culto incluem os levitas, os cantores e os


porteiros. As classes sociais mais baixas, como os servidores do tem-
pio, não são mencionadas na lista, indicando que a lista possivelmente
não é completa. Rudolph sugere que uma lista completa seria muito
constrangedora para o cronista.2™
10.25-44 - E de Israel: dos filhos de Parós: Ramias, Jezias,
Malquias,277 Miamim, Eleazar, Malquias e Benaia.278Dos filhos de
Elão: Matanias, Zacarias, Jeiel, Abdi, Jerimote e Elias. Dos filhos
de Zatu: Elioenai, Eliasibe, Matanias, Jerimote, Zabade e Aziza.
Dos filhos de Bebai: Joanã, Hananias, Zabai e Atlai. Dos filhos de
Bani: Mesulão, Maluque, Adaías, Jasube, Seal e Jerimote. Dos
filhos de Paate-Moabe: Adna, Quelal, Benaia, Maaseias, Matanias,
Bezalel, Binui e Manassés. Dos filhos de Harim: Eliézer, Issias,
Malquias, Semaías,279Simeão, Benjamim, Maluque e Semarias. Dos
filhos de Hasum: Matenai, Matatá, Zabade, Elifelete, Jeremai,
Manassés e Simei. Dos filhos de Bani: Maadai, Anrão, Uel, Benaia,
Bedias, Queluí, Vanias, Meremote, Eliasibe, Matanias, Matenai,
E sd r a s 10 105

Jaasai, Bani, Binui, Simei, Selemias, Natã, Adaías, Macnadbai, Sasai,


Sarai, Azarei, Selemias, Semarias, Salum, Amarias e José. Dos filhos
de Nebo: Jeiel, Matitias, Zabade, Zebina, Jadai, Joel e Benaia. Todos
estes haviam tomado mulheres estrangeiras, alguns dos quais
tinham filhos destas mulheres.

A lista que inclui os leigos é definida sob o título de “Israel” (7.7;


9.1; Ne 11.3) e termina abruptamente, indicando que “alguns dos quais
tinham filhos destas mulheres”. De uma perspectiva da crítica textual,
0 texto hebraico está corrompido além do reparo. O livro apócrifo de
1Esdras diz “e eles despediram as mulheres e os filhos”. A Septuaginta
segue o Texto Massorético. O livro de Esdras em geral, e o capítulo 10
em particular, enfatiza a gravidade de pecar contra o S enhor , quebran-
do a sua Lei.
O livro termina com uma nota muito prática para o líder cristão
atual. Após momentos de oração e jejum, chega a hora da ação.
Precisa chegar a hora em que nos levantamos de nossos joelhos e
respondemos à(s) necessidade(s) que estão ao redor. A oração e o
jejum de Esdras são seguidos pela confissão, pelo arrependimento e
pela separação do pecado. Foi exatamente assim que o ministério de
Jesus começou, “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
A mensagem de Jesus não era: “Trabalhe mais”, “Obtenha um diplo-
ma” ou “Pense mais positivamente”. A mensagem de arrependimento
e de separação do pecado foi a mensagem de Esdras, foi a mensagem
de Jesus, e precisa ser a nossa mensagem. Piedade não substitui a
ação, e a ação sem oração é perigosa. Porém, quando as duas recebem
a mesma importância, muito é feito para o Reino de Deus.
Neemias
Neemias 1
Esboço
1.1-3 - O homem de Deus ouve as más notícias
1.4 - O homem de Deus sente as más notícias
1.5-11 - O homem de Deus compartilha as más notícias

I. O homem de Deus ouve as más notícias (1.1-3)

1.1 -3 - As palavras de Neemias, filho de Hacalias. No mês de


quisleu, no ano vigésimo, estando eu na cidadela de Susã, veio
Hanani, um de meus irmãos, com alguns de Judá; então, lhes
perguntei pelos judeus que escaparam e que não foram levados
para o exílio e acerca de Jerusalém. Disseram-me: Os restantes, que
não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em
grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados,
e as suas portas, queimadas.

O fato de que boa parte do livro é contada mediante uma narrati-


va na primeira pessoa, sugere que Neemias é responsável pela maior
parte do material presente no livro. Seu nome significa “Yahweh con-
forta”, e era um nome comum em Israel.280 O nome de seu pai, Haca-
lias, é de significado e origem desconhecidos.
Neemias recebeu as más notícias sobre Jerusalém enquanto
estava em Susã, durante o vigésimo ano do reinado de Artaxerxes
(Ne 2.1).281 Dario fez de Susã a capital do Império Persa em 521 a.C.282
Localizada a 241 km ao norte do Golfo Pérsico, era a residência de
inverno dos reis persas, e foi aqui que Artaxerxes fixou residência
em 461 a.C.283
110 E sdras e N eemias

Copyright 1999 ΜΑΝΝΑ Todos os direitos reservados. Usado com permissão.

Embora o exílio tenha durado 70 anos, com o o profeta Jeremias


profetizou (Jr 25.11-12), alguns dos judeus que haviam escapado e so-
brevivido ao exílio ainda viviam em Judá. Hanani, que trouxe a notícia
de sua terrível condição, aparece novamente no capítulo 7.2 quando
Neem ias o nomeia para uma posição de liderança. Neem ias o chama
de “meu irmão” duas vezes, o que sugere que Hanani era de fato
irmão de Neem ias e não apenas um compatriota.284 A investigação de
Neem ias sobre aqueles que sobreviveram ao exílio mostrou sua preo-
cupação para com seu povo, ainda que ele tivesse um trabalho agra-
dável e muito respeitado na corte real de Artaxerxes. Cuidar de pes-
soas é uma das características mais cativantes e necessárias para os
líderes cristãos da atualidade. A seguinte observação é atribuída a
John M axwell: “As pessoas não se importam com o quanto você sabe
até que saibam com o quanto você se importa”.285
Os judeus que sobreviveram ao cativeiro de 70 anos estavam
enfrentando m iséria e desprezo em Judá. A palavra “m iséria” não se
refere somente ao estado físico de Jerusalém, mas tambcm ao compor-
tamento das pessoas. Jerusalém é descrita com o estando explorada
N eemias 1 I ll

economicamente e deteriorada culturalmente. No entanto, a palavra


“desprezo” aponta diretamente para a condição do povo, que estava
sofrendo desprezo286 por causa da perseguição das nações vizinhas.
Os muros de uma cidade representam a sua primeira linha de
defesa, e os muros de Jerusalém não foram reconstruídos desde sua
destruição em 587 a.C., indicando que a cidade ficou sem liderança
judaica eficaz ou cuidadosa por cerca de 50 anos. Os babilônios não
tinham nenhuma razão para reconstruir Jerusalém, e até agora, os ju-
deus não tiveram líderes autorizados ou recursos para reconstruir a
cidade. Durante a liderança de Esdras, a reconstrução do muro foi
iniciada (Ed 4.12), mas ainda não fora alcançada a reconstrução comple-
ta. Esse estado deplorável não impediu Hanani de dizer a verdade a al-
guém que estava em uma posição de ajudar. Ele não escondeu nenhum
detalhe nem fingiu que a situação não existia. Nossas igrejas precisam de
pessoas como Hanani, que não ignoram o problema, não negam nem
minimizam o problema. Precisamos de pessoas que identificarão os proble-
mas, não para criticar ou acusar, mas para edificar e ajudar a recons-
truir. Hanani se importava o suficiente para relatar o problema, e Nee-
mias se importava o suficiente para levar o relatório de Hanani a sério.
O tipo de líder que Neemias era é visto pelo que ele fez em seguida.

II. O homem de Deus sente as más notícias (1.4)


1.4- Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei,
e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o
Deus dos céus.
Vivemos em um mundo que considera o choro como um sinal de
fraqueza. A Bíblia, no entanto, mostra que choro pode indicar cuidado
e preocupação. Jeremias (Jr 9.1), Jesus (Lc 19.41) e Paulo (At 20.19)
choraram porque tinham interesse e amavam as pessoas, e estavam
profundamente preocupados com a sua condição caída. Vemos a alma
de Neem ias, como por m eio de uma janela, quando o vem os chorar
depois de ouvir as más notícias. Um líder piedoso é forte o suficiente
para chorar.
Neemias combinou seu pranto com oração porque um líder piedoso
é também um homem de oração. O livro de Neemias registra apenas 12
112 E sdras e N eemias

de suas orações, mas sentimos que a sua vida estava imersa em ora-
ção.287 Muitos dos líderes atuais confiam em metodologias humanísti-
cas, orientadas para os negócios, em vez de voltarem-se para o grande
poder da oração. R. A. Torrey escreveu,

Foi um golpe de mestre do diabo fazer a igreja e o ministério


deixarem de lado a poderosa arma da oração. Ele não se importa nem
um pouco se a igreja expandir suas organizações e seus mecanismos
habilmente planejados para a conquista do mundo para Cristo, se
ela simplesmente deixar de orar. Ele ri baixinho enquanto olha para a
igreja de nossos dias, e diz sussurrando: “vocês podem ter suas
escolas dominicais, suas organizações sociais, seus grandes corais
e até mesmo seus esforços por reavivamento, contanto que vocês
não tragam o poder do Deus Todo-Poderoso para dentro deles por
meio da oração confiante, fervorosa e persistente”.288

Neemias também combinou seu choro com o jejum. O jejum é


quase inexistente na vida cristã atual, apesar de todos os grandes ho-
mens e mulheres da Bíblia, e ao longo de toda a história da Igreja, terem
sido homens e mulheres de oração e jejum. No entanto, parece ridículo
falar sobre jejum em uma época em que há uma lanchonete fast food
em cada esquina. Entre 1 8 6 1 e l9 5 4 nenhum livro foi escrito na língua
inglesa sobre o jejum. Alguns veem o jejum como algo que as pessoas
fizeram no passado e que não é relevante na atualidade. João Wesley,
fundador do m etodismo, disse: “Alguns elevaram o jejum acima da
Bíblia e da razão, enquanto que outros o ignoraram completamente”.
João Crisóstomo, um dos maiores pregadores do 5o século, disse:

O jejum é, tanto quanto reside em nós, uma imitação dos


anjos, uma condenação das coisas presentes, uma escola de oração,
um alimento da alma, uma rédea da boca. (...) ele apazigua a ira,
aplaca a raiva, acalma as tempestades da natureza, incita a razão,
limpa a mente, incomoda a came, afugenta as poluições da noite,
liberta da dor de cabeça. Ao jejuar, um homem adquire
comportamento sereno, livre expressão de sua língua e corretas
percepções de sua mente.289
O jejum ganhou uma má reputação durante a Idade Média, quan-
do muitos fizeram mau uso dele e o praticaram apenas para serem
N eemias 1 113

vistos pelos outros. Outras pessoas concebiam o jejum como algo per-
tencente somente à religião judaica e não viam nenhuma correlação
com o cristianismo.290 No entanto, o próprio Jesus se coloca como um
exem plo para nós, seus seguidores. N o início do seu m inistério ter-
reno, os Evangelhos falam do jejum de Jesus por 40 dias e 40 noites
(M t 4.1-11.). Em seus ensinos aos discípulos, Jesus afirmou que o je-
jum seria parte de suas vidas após o êxodo de Jesus (Lc 5.35).

III. O homem de Deus compartilha as más notícias (1.5-11)


1.5-11 - E disse: ah! S enhor , Deus dos céus, Deus grande e
temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles
que te amam e guardam os teus mandamentos! Estejam, pois, atentos
os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do
teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de
Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos
de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu
pai temos pecado. Temos procedido de todo corruptamente contra
ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os
juízos que ordenaste a Moisés, teu servo. Lembra-te da palavra que
ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos
espalharei por entre os povos; mas, se vos converterdes a mim, e
guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então, ainda
que os vossos rejeitados estejam pelas extremidades do céu, de lá
os ajuntaiei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer
habitar o meu nome. Estes ainda são teus servos e o teu povo que
resgataste com teu grande poder e com tua mão poderosa.
Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu
servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome;
concede que seja bem-sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê
perante este homem. Nesse tempo eu era copeiro do rei.

Neemias era um homem de oração e, quando confrontado com


um problema, ele primeiramente o compartilhava com Deus. Neemias
não disse, “Há uma emergência, vamos agir”. Neem ias não disse, “Há
uma emergência, vamos reunir os presbíteros da igreja”. Não, ele sabia
que seu trabalho tinha que começar de joelhos em oração. Ele compar-
rilhou a emergência com Deus em uma oração que revelou, em parte, o
seu relacionamento com Deus. Na oração, ele exaltou Deus (1.5) e o
114 E sdras e N eemias

fato de que a grandeza de Deus foi estabelecida desde os tempos de


M oisés (Dt 7.21). Na oração, ele confessou o pecado, tanto pessoal
quanto coletivo (1 .6 7 ‫)־‬, e afirmou que Deus ouve a oração do seu povo
(1.6,11; 2.4) e perdoa os seus pecados (1.7). Isso aponta para a humilda-
de de Neemias. Ele reconheceu que Deus estabelece leis e dá instruções
(1.7-8). Embora seja amoroso e misericordioso, Deus é santo, reto e
justo; portanto, ele deve julgar e punir aqueles que não guardam suas leis
e mandamentos (1.8b). Neemias afirmou que Deus restaura e redime
seu povo (1.9-10).291 Desta vez, Neemias colocou toda a sua atenção na
obra de reconstrução de Jerusalém, então ele concluiu sua oração ape-
lando à misericórdia e compaixão de Deus, à medida que se prepara para
uma audiência com o rei. De acordo com Esdras 4.21, Artaxerxes havia
ordenado que o trabalho em Jerusalém cessasse, então Neemias sabia
que, humanamente falando, suas chances eram pequenas. Ao apelar para
a misericórdia e compaixão de Deus, Neemias relembrou a compaixão
de Yahweh para com os patriarcas (2Rs 13.23), e para com seu povo
após o ter libertado do Egito (Êx. 33.19). Neemias demonstrou que, se
você quer ser grande e realizar grandes coisas na obra do reino de
Deus, você deve ser um homem/uma mulher de oração. A humildade
de Neemias também é evidenciada na linguagem de “servo”. Ele não se
apresenta como copeiro do rei, mas como servo de Deus (1.6,11).
O versículo 11 revela que Neemias tinha um trabalho com um
bom salário e bem respeitado, como copeiro do rei na corte real persa.
“Neemias deve ter sido um homem de grande influência como alguém
que tinha acesso direto ao rei, e como aquele que bem podería determi-
nar quem veria o rei. Acima de tudo, Neemias gozava da confiança
sem reservas do rei.” E, no entanto, Neemias estava disposto a desistir
de seus privilégios, a fim de fazer a obra de reconstrução, porque Deus
o havia chamado para o trabalho (2.12).
A atitude e a ação de Neem ias nos fazem lembrar de Jesus
Cristo, que viu a nossa necessidade de um Salvador, deixou a glória
do céu e veio ao encontro de nossa mais profunda necessidade, mor-
rendo em uma cruz romana para nos dar o perdão dos pecados e a
vida eterna. Neem ias pode, então, servir como uma prefiguração de
Jesus, um dedo apontando para a obra de salvação realizada por Cristo
em favor da humanidade.
Neemias 2
E sboço
2.1-3 - O homem de Deus tem um coração sensível
2.4-8 - “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei ”
2.9-20 - O homem de Deus desafia a outros

I. O hom em de Deus tem um coração sensível (2.1-3)

2.1 -3 - No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes,


uma vez posto o vinho diante dele, eu o tomei para oferecer e lho
dei; ora, eu nunca antes estivera triste diante dele. O rei me disse:
Por que está triste o teu rosto, se não estás doente? Tem de ser
tristeza do coração. Então, temi sobremaneira e lhe respondí: viva
o rei para sempre! Como não me estaria triste o rosto se a cidade,
onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as
portas consumidas pelo fogo?

É provável que Neemias não fosse o único copeiro do rei,292 as-


sim, embora Neemias estivesse abatido ao contemplar o estado trágico
do centro religioso de Israel durante quatro longos meses, o rei não viu
o rosto triste de Neemias todos os dias. Visto que a etiqueta da corte
ditava que os servos do rei tivessem um comportamento agradável,
Neemias provavelmente tentava esconder a dor que residia em seu
coração. Eventualmente, no entanto, o seu rosto triste permitiu que o
rei obtivesse um vislumbre da alma de Neemias, e Artaxerxes reconhe-
ceu que Neemias estava lidando com “tristeza do coração”. Neemias
foi tomado de temor, porque os servos do rei eram obrigados a manter
sempre um semblante alegre diante de sua alteza real, especialmente
porque parece que Neemias estava servindo ao rei durante alguma
festa. Fensham aponta corretamente que “os reis persas eram famosos
por suas festas de bebedeiras (cf. Ester 1.3ss.), que eram um costume
no Antigo Oriente Próximo”.293
116 E sdras e N eemias

A saudação de N eem ias, “Viva 0 rei para sempre!”, era uma


forma comum de se dirigir aos reis (lR s 1.31; Dn 2.4; 3.9; 6.6).
Supõe-se que o rei sabia da ascendência judaica de Neem ias; portan-
to, Neem ias apelou para a simpatia do rei ao não mencionar Jerusa-
lém ou 0 tem plo, mas mencionando 0 “sepulcro de seus pais”, e pin-
tando um retrato trágico de Jerusalém em ruínas, com suas portas
destruídas pelo fogo. Alguns anos antes, Jerusalém fora descrita como
uma cidade rebelde que causava agitação no mar dos impérios anti-
gos (Ed 4.19), mas não há nada disso na descrição de Neem ias da
cidade que outrora ostentou o grande tem plo construído pelo grande
Salomão. W illiamson afirma que “o respeito pelos túmulos ancestrais
era universal no Antigo Oriente Próximo, especialm ente entre a no-
breza e a realeza”.294 No entanto, costum es e tradições persas do
Antigo Oriente Próximo à parte, o coração do rei foi movido por Deus.
Como o sábio Rei Salomão escreveu: “Como ribeiros de águas assim
é o coração do rei n a mão do S enhor ; este, segundo o seu querer,
o inclina” (Pv 21.1).

II. “Como ribeiros de águas assim é 0 coração do rei” (2.4-8)

2.4-6 - Disse-me o rei: Que me pedes agora? Então, orei ao


Deus dos céus e disse ao rei: se é do agrado do rei, e se o teu servo
acha mercê em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à
cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique. Então,
o rei, estando a rainha assentadajunto dele, me disse: Quanto durará
a tua ausência? Quando voltarás? Aprouve ao rei enviar-me, e
marquei certo prazo.

Deus fez com que o rei discernisse que, por trás do coração triste
de Neemias estava um anseio não realizado. Antes de responder à
pergunta direta do rei, “Que me pedes agora?”, Neemias orou. De fato,
Neemias fica como um exemplo para todos os líderes piedosos que
querem fazer grandes coisas para Deus. Neemias só respondeu depois
de ter imergido seu coração e vida na oração. O pedido de Neemias foi
simples e com propósito: “Peço-te que me envies (‫״‬.) para que eu a
reedifique”. Aprendemos, a partir do exemplo de Neem ias, que a pie-
dade não substitui a preparação, mas nem a preparação é um substituto
N eemias 2 117

para a piedade. Parece que nós, como Neem ias, precisamos tanto de
oração quanto de planejamento.
A pergunta do rei em relação à duração da ausência de Neemias
foi provavelmente baseada em sua predileção por esse copeiro, e ele
ficou satisfeito ao saber que a ausência pretendida por Neemias era de
natureza temporária. Não está claro por que Dam aspia,295 esposa
de Artaxerxes, foi trazida para a narrativa, mas isso pode indicar que a
conversa de Neemias com o rei e a rainha foi feita em particular, não
durante uma ocasião mais pública.
2.78‫ ־‬- E ainda disse ao rei: Se ao rei parece bem, deem-se-me
cartas para os governadores dalém do Eufrates, para que me
permitam passar e entrar em Judá, como também carta para Asafe,
guarda das matas do rei, para que me dê madeira para as vigas das
portas da cidadela do templo, para os muros da cidade e para a
casa em que deverei alojar-me. E o rei mas deu, porque a boa mão
do meu Deus era comigo.
Neem ias aproveitou a generosidade do rei, solicitando cartas
oficiais que abrissem tanto as fronteiras quanto as margens de rios.
A expressão “dalém do Eufrates” ocorre 22 vezes no Antigo Testa-
mento,296 18 dessas estão em Esdras-Neemias, e se refere à área entre
o Eufrates e o Mar Mediterrâneo.297 Asafe é um nome judeu, o que
sugere que, como Neem ias, outras pessoas que foram empregadas no
serviço do rei haviam alcançado algum status apesar de sua ascendência
judaica. A madeira seria usada especificamente para as portas da cida-
dela, o muro da cidade e a própria residência de Neemias.298 O fato de
que madeira foi usada para o muro da cidade pode parecer estranho
para um público atual, mas “madeira era amplamente utilizada em mu-
ros no Antigo Oriente Próximo, como é demonstrado pelo estudo feito
pelo arquiteto R udolf Naumann relativo às construções hititas”.299
Neem ias reconheceu que Artaxerxes atendeu ao seu pedido não por-
que suas palavras fossem eloquentes ou porque seu desejo era nobre,
mas porque, em suas palavras, “a boa mão do meu Deus era com igo”.
Artaxerxes foi apenas o canal por meio do qual Deus derramou a sua
bênção sobre Neemias e sobre o povo de Deus. O coração do rei foi
como ribeiros de água na mão do Deus Criador, que é soberano tanto
sobre a criação quanto sobre a história.
118 E sdras e N eemias

III. O hom em de Deus desafia a outros (2.9-20)

2.9-10 - Então, fui aos governadores dalém do Eufrates e


lhes entreguei as cartas do rei; ora, o rei tinha enviado comigo
oficiais do exército e cavaleiros. Disto ficaram sabendo Sambalate,
o horonita, e Tobias, o servo amonita; e muito lhes desagradou
que alguém viesse a procurar o bem dos filhos de Israel.

O texto não menciona quanto tempo decorreu entre o consenti-


mento do rei e a saída de Neemias, embora o historiador judeu, Flávio
Josefo, sugira cinco anos.300A jornada de Neemias foi segura, por cau-
sa da proteção de Deus por meio das cartas do rei e da escolta real
composta de soldados da cavalaria e oficiais do exército. O versículo
10 nos apresenta a Sambalate e Tobias, dois dos principais oponentes
de Neemias e de seus esforços. De acordo com os papiros de Elefan-
tina, Sambalate, o horonita, era o governador de Samaria.301 O termo
horonita refere-se à cidade de origem de Sambalate, Horonaim de Moabe
(Is 15.5; Jr 48.3). Assim , Sambalate era moabita. Tobias, o amonita, é
provavelmente um magistrado em Samaria. A menção dos ancestrais
de Sambalate e Tobias foi feita para lembrar ao leitor que as relações
judeus-moabitas e judeus-amonitas se tomaram menos que amigáveis
ao longo dos anos.302Tanto os moabitas quanto os amonitas foram proi-
bidos de entrar na assem bléia do S enhor (Dt 23.3). Sambalate e Tobias
não ficaram satisfeitos em ver que “alguém viesse a procurar o bem
dos filhos de Israel” (v. 10). Esses inim igos não tinham conhecimento
do que estava acontecendo na corte real em Susã. Enquanto o próprio
rei Artaxerxes favoreceu a reconstrução de Israel, Sambalate e Tobias,
não o fizeram. Somos lembrados de que a obra de Deus, às vezes, é
feita em meio à oposição. N esse caso, a oposição veio de fora.

2.11 -16 —Cheguei a Jerusalém, onde estive três dias. Então,


à noite me levantei, e uns poucos homens, comigo; não declarei a
ninguém o que o meu Deus me pusera no coração para eu fazer em
Jerusalém. Não havia comigo animal algum, senão o que eu
montava. De noite, saí pela Porta do Vale, para o lado da Fonte do
Dragão e para a Porta do Monturo e contemplei os muros de
Jerusalém, que estavam assolados, cujas portas tinham sido
consumidas pelo fogo. Passei à Porta da Fonte e ao açude do rei;
N eemias 2 119

mas não havia lugar por onde passasse o animal que eu montava.
Subi à noite pelo ribeiro e contemplei ainda os muros; voltei, entrei
pela Porta do Vale e tomei para casa. Não sabiam os magistrados
aonde eu fora nem o que fazia, pois até aqui não havia eu declarado
coisa alguma, nem aos judeus, nem aos sacerdotes, nem aos nobres,
nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra.

Neemias inspecionou a situação de Jerusalém à noite, acompa-


nhado por apenas alguns homens anônimos. Essa missão foi secreta
por razões óbvias de segurança, especialmente à luz da vigorosa oposi-
ção de Sambalate e Tobias ao plano de Neemias. Porém Neemias tam-
bém tinha um segredo que Deus lhe havia posto no coração. Assim , o
plano de Neemias não era seu, mas de Deus; e Neemias estava seguin-
do cuidadosamente o Deus que lhe havia chamado para fazer a obra.
O que Neemias viu foi exatamente o que Hanani lhe disse, ou seja, que
o muro de Jerusalém estava derribado e os portões queimados (Ne 1.3).
A excursão de Neemias começou pela parte sudoeste de Jerusalém, na
Porta do Vale. Ele continuou em direção ao leste para a Porta da Fonte,
e foi em direção ao açude do Rei (tanque de Siloé) antes de entrar
novamente pela Porta do Vale.303 Neemias tinha um plano, mas ele
ainda não havia compartilhado esse plano com as autoridades persas
nem com os líderes judeus. Seu plano obviamente tinha a ver com a
reconstrução, porque o versículo 16 diz que Neemias ainda não havia
compartilhado o plano com aqueles “que faziam a obra”.

2.17-20 - Então, lhes disse: Estais vendo a miséria em que


estamos, Jerusalém assolada, e as suas portas, queimadas; vinde,
pois, reedifíquemos os muros de Jerusalém e deixemos de ser
opróbrio. E lhes declarei como a boa mão do meu Deus estivera
comigo e também as palavras que o rei me falara. Então, disseram:
Disponhamo-nos e edifiquemos. E fortaleceram as mãos para a
boa obra. Porém Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita,
e Gesém, o arábio, quando o souberam, zombaram de nós, e nos
desprezaram, e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis rebelar-
vos contra o rei? Então, lhes respondí: o Deus dos céus é quem
nos dará bom êxito; nós, seus servos, nos disporemos e
reedificaremos; vós, todavia, não tendes parte, nem direito, nem
memorial em Jerusalém.
120 E sdras e N eemias

O homem de Deus fez a avaliação correta: o povo estava em


miséria, e a cidade de Jerusalém não era uma cidade a ser invejada,
mas uma visão a ser escarnecida. A avaliação de Neemias foi consis-
tente com o relatório de Hanani (1.3). Porém Neemias não apenas
chorou por causa do estado de Jerusalém (1.4), ele passou para a ação,
desafiando aqueles ao seu redor a reconstruir Jerusalém. Seu imperati-
vo: “vinde, pois, reedifiquemos” mostrou que Neemias lideraria pelo
exemplo. Ele teve a visão para a reconstrução de Jerusalém, e foi um
participante voluntário na reconstrução. A motivação de Neemias era
clara: “Deixem os de ser opróbrio”. O opróbrio a que Neemias se refe-
riu não era apenas a deterioração física de Jerusalém, mas também o
desprezo espiritual que a acompanhava.304 O chamado de Neemias ao
trabalho era apoiado por seu testemunho. O fato de que a mão de Deus
estava sobre ele para o bem pôde ser visto no apoio do rei a Neemias.
Como todos os bons líderes, Neemias inspirou confiança. Seu chamado
e testemunho foram tão eficazes que o povo respondeu positivamente,
“Disponhamo-nos e edifiquemos”.
Às vezes, a oposição é um sinal de que você está fazendo algo
errado, mas, nesse caso, a oposição era um sinal de que Neemias esta-
va fazendo a coisa certa. Sambalate e Tobias foram introduzidos no
versículo 10 e, já no versículo 19, havia uma terceira pessoa que se
opôs a obra de Neem ias. Unindo-se à oposição estava Gesém, o ará-
bio.305Aprendemos que, enquanto pessoas boas podem encorajar umas
às outras para fazer um bom trabalho, pessoas más também podem
envenenar umas às outras para se opor a um bom trabalho. A oposição
se tomou mais intensa à medida que os números aumentaram. No ver-
sículo 10 nos foi dito apenas que aqueles que se opunham ao trabalho
estavam muito descontentes com o fato de que alguém veio buscar o
bem do povo de Israel. O versículo 19 nos mostra que o ódio não podia
mais ficar confinado ao coração, mas procurava expressar-se por meio
de palavras de zombaria. Os inim igos questionaram os m otivos dos ju-
deus; “Quereis rebelar-vos contra o rei?” A pergunta pretendia ser uma
acusação. Uma coisa era trabalhar para reconstruir um templo, mas
outra coisa era construir um edifício que podería apontar para uma
postura antigovemista. Apesar de não ser verdade, a acusação tinha o
potencial de prejudicar o moral das pessoas.
N e e m ia s 2 121

Neemias, o homem de Deus, mostrou suas qualidades superiores


de liderança ao não responder às acusações diretamente. Enquanto os
inimigos expressavam o ódio de seus corações, Neemias expressava
sua fé em Deus. Neemias humildemente declarou que ele era apenas
um servo, e humildemente proclamou que o resultado seria obra de
Deus, não realização de homens. Apesar da oposição humana, o traba-
lho teria sucesso porque era obra de Deus, e foi Deus quem chamou
Neemias e o inspirou a fazer o trabalho de reconstrução. Sua declara-
ção de que o inimigo não teria “parte, nem direito, nem memorial em
Jerusalém”, foi a declaração de um fato. A linguagem de Neemias era
de natureza legal. A palavra traduzida como “parte” é o termo legal
hêleq, que pode ser traduzido como “participação legal”, e que “se
refere a uma participação na constelação da nação judaica. Se alguém
dissesse que eles não tinham nenhuma participação em uma determinada
nação, isto era uma declaração de rebelião (cf. 2Sm 20.1; 1Rs 12.16)”.306
Raymond Brown afirma que “o testemunho de Neemias capturou dois
elementos vitais em qualquer rica doutrina de Deus: transcendência e
imanência. Ele reconhece a transcendência de Deus quando adora
‘o Deus dos céus’ (4.20), mas o seu Deus não é remoto e distante”.307
O s versículos 17-20 são especialm ente práticos para quem está
no m inistério. A ssim com o N eem ias, os líderes devem identificar a
necessidade e desenvolver a visão para o futuro, mas também devem
inspirar seus colaboradores a perm anecerem firm es e a trabalharem
fielm ente em m eio à oposição.
Neemias 3
Esboço
3.1-32 - A reconstrução do muro é realizada por meio do
trabalho em equipe
I. A reconstrução do muro é realizada por meio do trabalho em
equipe (3.1-32)
3.1-2- Então, se dispôs Eliasibe, o sumo sacerdote, com os
sacerdotes, seus irmãos, e reedificaram a Porta das Ovelhas;
consagraram-na, assentaram-lhe as portas e continuaram a
reconstrução até à Torre dos Cem e à Torre de Hananel. Junto a ele
edificaram os homens de Jericó; também, ao seu lado, edificou
Zacur,308filho de Inri.

O capítulo 3 é o plano detalhado de como o trabalho foi realizado


por meio do trabalho em equipe.309 Como sumo sacerdote, Eliasibe li-
derava pelo exemplo. Ele não veio com a atitude de “eu não faço constiu-
ção; eu só faço sacrifícios no templo”. Eliasibe demonstrou humildade,
uma característica que é essencial em um homem de Deus. A História
conta a história de Carlos Magno, rei dos francos e o único rei que foi
capaz de unir a Europa Ocidental pela primeira vez desde os romanos.
Diz-se que, quando o cortejo fúnebre de Carlos Magno chegou à cate-
dral, eles ficaram surpresos ao encontrar o portão barrado pelo bispo.
“Quem vem?”, gritou o bispo.
Os arautos responderam: “Carlos Magno, Senhor e Rei do Sacro
Império Romano!”
Respondendo em nome de Deus, o bispo replicou: “Ele eu não
conheço! Quem vem?”
Os arautos, um pouco abalados, responderam: “Carlos, o Grande,
um bom e honesto homem da terra!” Mais uma vez o bispo respondeu:
“Ele eu não conheço. Quem vem?”
N eemias 3 123

Agora completamente vencidos, os arautos disseram: “Carlos, um


pecador humilde que implora o dom de Cristo”. “Ele eu conheço”,
respondeu 0 bispo. “Entre”!
Visto que Eliasibe se humilhou a fazer a obra, seus irmãos, os
sacerdotes, prontamente seguiram seu exemplo. Juntos, eles trabalha-
ram para reconstruir a Porta das Ovelhas, que ficava no lado nordeste
do muro. Essa porta parece ter sofrido grandes danos, uma vez que os
trabalhadores tiveram que construí-la, não apenas repará-la. Sua proxi-
midade com o templo era estratégica, visto que os animais destinados
ao sacrifício eram trazidos por essa porta. Não foi por acaso que a
reconstrução começou pela Porta das Ovelhas. Pelo contrário, “a Porta
das Ovelhas serve tanto como um ponto de partida, sendo análoga à
‘porta da frente’ de Jerusalém (em contraste com a Porta do Monturo,
sua ‘porta dos fundos’, na extremidade oposta), como 0 ponto de re-
ferência central ou, mais exatamente, a extensão do Templo como o
ponto de referência central”.310

Jerusalém durante o tempo de Neemias


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3.3-5 —Os filhos de Hassenaá edificaram a Porta do Peixe;


colocaram-lhe as vigas e lhe assentaram as portas com seus
ferrolhos e trancas. Ao seu lado, reparou Meremote, filho de Urias,
filho de Coz; junto deste reparou Mesulão, filho de Berequias,
filho de Mesezabel,311a cujo lado reparou Zadoque, filho de Baaná.
Ao lado destes, repararam os tecoítas; os seus nobres, porém, não
se sujeitaram ao serviço do seu senhor.
124 E sdras e N eemias

A Porta do Peixe provavelmente estava ligada a um mercado de


peixes localizado nas proximidades. As pessoas que trabalharam na
Porta das Ovelhas e do Peixe foram as únicas a quem foi dito para
construir ou reconstruir, o que sugere que o muro norte provavelmente
foi completamente demolido. Daquele ponto em diante, os construtores
apenas repararam ou reforçaram os muros ou as portas. Em contraste
com aqueles que construíram, somos informados de que os nobres te-
coitas “não se sujeitaram ao serviço do seu senhor”. Blenkinsopp suge-
re que “a recusa dos nobres tecoítas em aceitar a liderança de N ee-
mias pode ser explicada, dada a localização de Tecoa, pela proximi-
dade com Gesém, o quedarita, cuja esfera de influência se estendia a
essas partes”.312 A Bíblia ensina claramente que o orgulho é sempre
um obstáculo ao se fazer a obra de Deus. “Eu tenho um grau de
escolaridade muito alto para fazer um trabalho tão servil”, é o pregão
lamentável que ressoa nas igrejas até nossos dias. Embora esses dis-
sidentes dos tempos de Neem ias tenham sido descritos com o nobres,
eles são, de fato, cidadãos de classe baixa quando se trata do Reino
de Deus e de sua obra. Eles não podiam se humilhar, e então não
serviam. Eles definitivam ente não eram guiados pelo Espírito que fa-
lou por m eio de Jesus, dizendo: “(...) o próprio Filho do Homem não
veio para ser servido, mas para servir” (M c 10.45).

3.67‫ ־‬- Joiada, filho de Paseia, e Mesulão, filho de Besodias,313


repararam a Porta Velha; colocaram-lhe as vigas e lhe assentaram as
portas com seus ferrolhos e trancas. Junto deles, trabalharam Melatias,
gibeonita, e Jadom, meronotita, homens de Gibeão e de Mispa, que
pertenciam ao domínio do governador de além do Eufrates.

A Porta Velha também era chamada de Porta de Jesaná, pois


apontava para a cidade de Jesaná.314 Assim , a localização da porta
ficava do lado oeste da cidade.

3.8-10 - Ao seu lado, reparou Uziel, filho de Haraías, um dos


ourives; junto dele, Hananias, um dos perfumistas; e restauraram
Jerusalém até ao Muro Largo. Junto a estes, trabalhou Refaías,
filho de Hur, maioral da metade de Jerusalém. Ao seu lado, reparou
Jedaías, filho de Harumafe,315defronte da sua casa; e, ao seu lado,
reparou Hatus, filho de Hasabneias.
N eemias 3 125

Esses versículos nos apresentam os trabalhadores que não foram


identificados por sua localização, mas por sua profissão. Ourives e per-
fumistas não seriam a primeira escolha de alguém para a (re)construção,
mas, novamente, vemos como Deus realizou seu trabalho em equipes.
Esses homens poderíam ter dito que eram muito qualificados para tal
tarefa, mas não o fizeram. Outro exemplo de humildade foi o de Refa-
ias, filho de Hur, que era governador de metade do distrito de Jerusa-
lém. Líderes bons e eficientes de fato lideram pelo exemplo.
3.11 -14 - A outra parte reparou Malquias, filho de Harim, e
Hassube, filho de Paate-Moabe, como também a Torre dos Fomos.
Ao lado dele, reparou Salum, filho de Haloés, maioral da outra meia
parte de Jerusalém, ele e suas filhas. A Porta do Vale, reparou-a
Hanum e os moradores de Zanoa; edificaram-na e lhe assentaram
as portas com seus ferrolhos e trancas e ainda mil côvados da
muralha, até à Porta do Monturo. A Porta do Monturo, reparou-a
Malquias, filho de Recabe, maioral do distrito de Bete-Haquerém;
ele a edificou e lhe assentou as portas com seus ferrolhos e trancas.
A Torre dos Fom os316 aparece apenas uma outra vez, no capítulo
12.38, e ficava próxima à Porta do Vale. Os fom os eram provavelmen-
te usados para o cozimento. A menção de filhas pela primeira e única
vez nesse capítulo sugere a possibilidade de que Salum não teve ne-
nhum filho, então, era natural que suas filhas ajudassem com a repara-
ção, uma vez que herdariam tanto o seu nome quanto sua propriedade.
A distância entre a Porta do Vale e a Porta do Monturo era de aproxi-
madamente 460 metros, e provavelmente é mencionada porque essa
parte do muro era excepcionalmente longa.

3.15-21 - A Porta da Fonte, reparou-a Salum, filho de


Col-Hozé, maioral do distrito de Mispa; ele a edificou, e a cobriu,
e lhe assentou as portas com seus ferrolhos e trancas, e ainda o
muro do açude de Selá, junto ao jardim do rei, até aos degraus que
descem da Cidade de Davi. Depois dele, reparou Neemias, filho de
Azbuque, maioral da metade do distrito de Bete-Zur, até defronte
dos sepulcros de Davi, até ao açude artificial e até à casa dos
heróis. Depois dele, repararam os levitas, Reum, filho de Bani, e,
ao seu lado, Hasabias, maioral da metade do distrito de Queila.
Depois dele, repararam seus irmãos: Bavai, filho de Henadade,
126 E sdras e N eemias

maioral da metade do distrito de Queila; ao seu lado, reparou Ezer,


filho de Jesua, maioral de Mispa, outra parte defronte da subida
para a casa das armas, no ângulo do muro. Depois dele, reparou
com grande ardor Baruque, filho de Zabai, outra porção, desde o
ângulo do muro até à porta da casa de Eliasibe, o sumo sacerdote.
Depois dele, reparou Meremote, filho de Urias, filho de Coz, outra
porção, desde a porta da casa de Eliasibe até à extremidade da casa
de Eliasibe.

A Porta da Fonte provavelmente levava a uma fonte de água,


possivelmente o Tanque de Siloé no final do túnel de Ezequias. Os se-
pulcros de Davi estavam localizados na parte sudeste da Cidade de
D avi, e foram descobertos pelo arqueólogo judeu francês Raymond
W eill, em uma escavação em 1913-1914.317 Os “heróis”, no versí-
culo 16, é uma referência aos tem pos de Davi (2Sm 23.8-39), e
sugere que esses heróis provavelm ente formaram uma classe m ili-
tar sem igual nos reinados subsequentes. O versículo 20 com eça a
descrição de uma parte do muro que foi traçada mediante a refe-
rência a casas particulares.
3.22-27 —Depois dele, repararam os sacerdotes que
habitavam na campina. Depois, repararam Benjamim e Hassube,
defronte da sua casa; depois deles, reparou Azarias, filho de
Maaseias, filho de Ananias, junto à sua casa. Depois dele, reparou
Binui, filho de Henadade, outra porção, desde a casa de Azarias
até ao ângulo e até à esquina. Palal, filho de Uzai, reparou defronte
do ângulo e da torre que sai da casa real superior, que está junto ao
pátio do cárcere; depois dele, reparou Pedaías, filho de Parós, e os
servos do templo que habitavam em Ofel, até defronte da Porta
das Águas, para o oriente, e até à torre alta. Depois, repararam os
tecoítas outra porção, defronte da torre grande e alta, e até ao
Muro de Ofel.
Essa é a primeira menção aos servos do templo unindo-se à obra
de reconstrução. Alguns trabalharam no palácio do rei, enquanto que
outros trabalharam “defronte da Porta das Águas”. Essa porta “deve
se referir a um portão no muro pré-exílico, imediatamente acima da
fonte de Giom, e usado para acessá-la. Esta, certamente, não foi re-
construída por Neem ias”.318 Ellison explica que “a Porta das Águas
N eem ia s 3 127

não era uma das portas da cidade, mas ligava (teria ligado) recintos
reais à área do Templo na Jerusalém pré-exílica”.
3.28-32 - Para cima da Porta dos Cavalos, repararam os
sacerdotes, cada um defronte da sua casa. Depois deles, reparou
Zadoque, filho de Imer, defronte de sua casa; e, depois dele, Semaías,
filho de Secanias, guarda da Porta Oriental. Depois dele, reparou
Hananias, filho de Selemias, e Hanum, o sexto filho de Zalafe, outra
porção; depois deles, reparou Mesulão, filho de Berequias, defronte
da sua morada. Depois dele, reparou Malquias, filho de um ourives,
até à casa dos servos do templo e dos mercadores, defronte da
Porta da Guarda, até ao eirado da esquina. Entre o eirado da esquina
e a Porta das Ovelhas, repararam os ourives e os mercadores.

A localização da Porta dos Cavalos é incerta. Durante o período


da monarquia, era dito que a porta estava em algum lugar entre o palá-
cio e o templo (2Rs 11.16; 2Cr 13.15), enquanto que Jeremias se refere
a ela como uma porta da cidade (Jr 31.40). Em nosso contexto, parece
que a Porta dos Cavalos é uma verdadeira porta da cidade, localizada
no lado oriental do muro e muito próxima ao templo. A localização da
Porta da Guarda é incerta, assim como o significado da palavra tradu-
zida por “guarda”. A palavra é derivada da raiz hebraica pqd, que pode
ser traduzida como “designar, atender, visitar, guardar”. A localização
da Porta das Ovelhas é amplamente aceita como sendo na parte nor-
deste do muro e em estreita proximidade com o templo. A localização
era estratégica, visto que as ovelhas designadas para o sacrifício no
templo eram levadas por essa porta. A menção à Porta das Ovelhas
nos versículos 1 e 32 formam uma inclusio indireta, apontando para a
conclusão do projeto que começou e terminou na importante Porta das
Ovelhas. Isso mostra as prioridades corretas dos trabalhadores, co-
meçando e terminando com a porta mais intimamente associada à ado-
ração no templo. “Deus é nossa prioridade número um”, dizem os tra-
balhadores sem usar palavras.
O capítulo 3 mostra e enfatiza a unidade na diversidade. Ainda
que os trabalhadores venham de diferentes localidades, de diferentes
níveis de educação e de diferentes profissões, eles estavam unidos sob
a liderança de Neemias a fim de realizar o trabalho de reconstrução.
Neemias 4
Esboço
4.1-11 — Oração e planejamento em meio à oposição
4.12-23 - Palavras e trabalho apesar da oposição
I. Oração e planejamento em meio à oposição (4.1-11)

4.1-3 - Tendo Sambalate ouvido que edificávamos o muro,


ardeu em ira, e se indignou muito, e escarneceu dos judeus. Então,
falou na presença de seus irmãos e do exército de Samaria e disse:
Que fazem estes fracos judeus? Permitir-se-lhes-á isso? Sacrificarão?
Darão cabo da obra num só dia? Renascerão, acaso, dos montões
de pó as pedras que foram queimadas? Estava com ele Tobias, o
amonita, e disse: Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derribará
o seu muro de pedra.

O capítulo 4 é um capítulo de contrastes. O incrédulo ridiculariza,


enquanto o fiel ora. O incrédulo humilha ao próximo, enquanto o fiel
planeja. O incrédulo ameaça, enquanto o fiel é encorajado por seus
líderes piedosos. Assim como os fariseus ficaram furiosos quando Jesus
realizou uma boa ação, do mesmo modo Sambalate e Tobias zombaram
do povo de Deus por reconstruir Jerusalém. A raiva do coração de
Sambalate foi exteriorizada em palavras de zombaria, composta de qua-
tro perguntas retóricas: “Permitir-se-lhes-á isso? Sacrificarão? Darão
cabo da obra num só dia? Renascerão, acaso, dos montões de pó as
pedras que foram queimadas?” Essas perguntas foram feitas com o
propósito de provocar um “nada” ou um “não” como resposta. A pers-
pectiva de os judeus restaurarem o muro mediante o sacrificarem ao
Senhor era incompreensível para Sambalate. Seu coração incrédulo e
sua mente corrupta viam apenas montes de entulho queimado, enquan-
to que o coração fiel e a mente visionária de Neemias viam uma cidade
reconstruída muito antes de ser um fato. Mesmo quando grande parte
N eem ia s 4 129

da reconstrução já estava concluída, Tobias ridicularizou o produto


final e sugeriu que uma raposa solitária podería derrubar seu muro de
pedra. Poderiamos ser tentados a retaliar por meio de palavras e ações
duras, mas Neemias apelou para o seu Deus, aquele que ouve e res-
ponde às orações.
4.4-6 - Ouve, ó nosso Deus, pois estamos sendo desprezados;
caia o seu opróbrio sobre a cabeça deles, e faze que sejam despojo
numa terra de cativeiro. Não lhes encubras a iniquidade, e não se
risque de diante de ti o seu pecado, pois te provocaram à ira, na
presença dos que edificavam. Assim, edificamos o muro, e todo o
muro se fechou até a metade de sua altura; porque o povo tinha
ânimo para trabalhar.

Na oração, Neemias pediu a Deus para lutar a batalha por ele.


Ele não negou seus sentimentos, antes admitiu que se sentia despreza-
do. A oração de Neemias foi de natureza imprecatória e se assemelha
a muitos dos Salmos imprecatórios.319 Neemias julgou corretamente
que o pecado do inimigo não era contra ele, mas contra Deus; por isso,
ele fez o pedido, visto que eles provocaram Deus à ira, de que Deus
não deveria prover expiação e perdão para os seus pecados. É impor-
tante lembrar que a oração de Neemias foi descritiva, não prescritiva.
Como seguidores de Cristo, não estamos autorizados a fazer esses tipos
de orações por causa dos ensinos de Jesus, que nos instruem a amar
nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem (Mt 5.44-45).
De acordo com a oração de Neemias, o trabalho avançou devido à
renovada calma e unidade dos trabalhadores. A oração é fundamental
para fazer a obra de Deus, bem como o planejamento, mas chega um
momento em que temos que nos levantar de nossos joelhos e começar
a trabalhar. Sob a liderança de Neemias, o povo se uniu para fazer a
obra de Deus e completou metade da altura do muro, apesar da zomba-
ria e das provocações do inimigo.
4.7-8 - Mas, ouvindo Sambalate e Tobias, os arábios, os
amonitas e os asdoditas que a reparação dos muros de Jerusalém
ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas, ficaram
sobremodo irados. Ajuntaram-se todos de comum acordo para
virem atacar Jerusalém e suscitar confusão ali.
130 E sdras e N eemias

Enquanto os fiéis se uniam para o bem, os incrédulos se uniam


para o mal. No capítulo 2.10, a oposição consistiu de Sambalate e Tobias;
em seguida, no capítulo 2.19, Gesém, o arábio, se juntou a eles. Agora,
no capítulo 4.7, a oposição cresceu, e passa a incluir arábios, amonitas
e asdoditas. Esse versículo enfatiza o fato de que a oposição veio de
todos os lados. Sambalate era do norte, os árabes eram do sul, os amo-
nitas, do leste, e os asdoditas, do oeste. A ira em seus corações era
diretamente proporcional ao que seus olhos viam, a saber, a reparação
dos muros e o fechamento das brechas. Essa não foi a primeira nem a
última vez na história que os incrédulos ficaram irados por causa de
alguma coisa boa. Os líderes religiosos da época de Jesus ficaram inú-
meras vezes irados quando ele curou pessoas doentes ou quando elas
cantaram seus louvores (Mc 3.2-6; Lc 19.37-39). Enquanto os fiéis,
sob a liderança de Neemias, planejavam, trabalhavam e oravam, os
incrédulos conspiravam para “virem atacar Jerusalém e suscitar confu-
são ali”. O incrédulo sempre faz o trabalho de Satanás, que odeia o
povo de Deus e quer sua destruição (lC r 21; Jó 1-2; Zc 3; At 5; 2Co
11; Ap 12).

4.9-11 - Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção,


pusemos guarda contra eles, de dia e de noite. Então, disse Judá: Já
desfaleceram as forças dos carregadores, e os escombros são muitos;
de maneira que não podemos edificar o muro. Disseram, porém, os
nossos inimigos: Nada saberão disto, nem verão, até que entremos
no meio deles e os matemos; assim, faremos cessar a obra.

Visto que a piedade não substitui a preparação, Neemias combi-


nou o celestial com o terreno. Colocar um guarda após a oração é um
bom princípio pelo qual viver e liderar. Ao enfrentar oposição, Neemias
não ficou paralisado; em vez disso, ele se organizou. Porém, agora,
outro inimigo veio à tona: o desânimo interno. A zombaria e as ameaças
externas foram combatidas com oração e planejamento, mas como eles
poderíam lutar contra o inim igo interno? Às vezes, esse inim igo é mais
difícil de combater porque é mais difícil de ser identificado, mas, nesse
caso, as palavras de desânimo eram claras: “desfaleceram as forças”,
“os escombros são muitos”, “não podemos edificar o muro”. Para pio-
rar, adicionando insulto à injúria, o inim igo continuou com seu longo
N e e m ia s 4 131

discurso de ameaças. O que havia começado como ira no coração do


inimigo, se tomou uma ameaça de morte, que tinha o objetivo de inter-
romper o trabalho que restaurava o adorador ao seu local de adoração.

II. Palavras e trabalho apesar da oposição (4.12-23)

4.12-14 - Quando os judeus que habitavam na vizinhança


deles, dez vezes, nos disseram: De todos os lugares onde moram,
subirão contra nós, então, pus o povo, por famílias, nos lugares
baixos e abertos, por detrás do muro, com as suas espadas, e as
suas lanças, e os seus arcos; inspecionei, dispus-me e disse aos
nobres, aos magistrados e ao resto do povo: não os temais; lembrai-
vos do S enhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos,
vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa.

Neemias lutou contra o inimigo externo delegando tarefas, e lutou


contra o inimigo interno incentivando seus seguidores. Espadas, lanças
e arcos foram empregados para manter o inimigo externo à distância e
para proteger o trabalho já realizado. Neemias não era adepto da filo-
sofia “Será que não podemos simplesmente nos dar bem?” Visto que ele
compreendeu que a ameaça externa representava um perigo real e pre-
sente, ele posicionou guardas armados. Isso foi seguido por um discurso
encorajador, no qual Neemias sabiamente não apelou para o elemento
humano, mas apontou para o caráter e grandeza de Deus. O imperativo
“Não os temais” foi seguido pelo motivo para uma atitude destemida:
“lembrai-vos do S enhor , grande e temível”. O refrão “lembrai-vos do
S enhor ” foi usado por Moisés para encorajar a geração que entraria
na Terra Prometida (Dt 8.18). O mesmo refrão encorajou a comuni-
dade exílica durante o tempo de Jeremias (Jr 51.50). “Lembrai-vos
do S enhor ” agora tomava conta dos corações e mentes dos fiéis que
precisavam de uma atitude destemida e confiança em Deus para con-
tinuar sua luta.
4.15-18 - E sucedeu que, ouvindo os nossos inimigos que já
o sabíamos e que Deus tinha frustrado o desígnio deles, voltamos
todos nós ao muro, cada um à sua obra. Daquele dia em diante,
metade dos meus moços trabalhava na obra, e a outra metade
empunhava lanças, escudos, arcos e couraças; e os chefes estavam
132 E sd r a s e N eem ia s

por detrás de toda a casa de Judá; os carregadores, que por si


mesmos tomavam as cargas, cada um com uma das mãos fazia a
obra e com a outra segurava a arma. Os edificadores, cada um
trazia a sua espada à cinta, e assim edificavam; o que tocava a
trombeta estava junto de mim.

O inimigo suspeitou que estava lutando contra Deus, não contra


homem, mas isso não o impediu. Isso pode ser visto a partir da estraté-
gia de Neemias de “Trabalhar e Defender”. Os fiéis continuaram a
trabalhar com um tijolo em uma mão e uma arma na outra. O trombe-
tista estava perto de Neemias, visto que a trombeta soava o alarme ou
um chamado para se reunir.320
4.19-23 - Disse eu aos nobres, aos magistrados e ao resto do
povo: Grande e extensa é a obra, e nós estamos no muro mui
separados, longe uns dos outros. No lugar em que ouvirdes o som
da trombeta, para ali acorrei a ter conosco; o nosso Deus pelejará
por nós. Assim trabalhávamos na obra; e metade empunhava as
lanças desde o raiar do dia até ao sair das estrelas. Também nesse
mesmo tempo disse eu ao povo: Cada um com o seu moço fique em
Jerusalém, para que de noite nos sirvam de guarda e de dia
trabalhem. Nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os
homens da guarda que me seguiam largávamos as nossas vestes;
cada um se deitava com as armas à sua direita.

O fato de que Deus pelejava pelos judeus não significava que os


judeus não deviam lutar. Esse não era um chamado ao pacifismo, mas
sim à unidade e a uma sábia estratégia de trabalhar-e-defender. Outra
medida de emergência prática tomada por Neemias foi levar as pessoas
das aldeias a passar a noite em Jerusalém. Havia um perigo adicional
para aqueles que viajavam para casa à noite; assim, permanecer em
Jerusalém os protegia e os colocava em posição para ajudar seus ir-
mãos no caso de o inimigo empreender um ataque noturno.
Neemias 5
E sboço
5.1-5 - Uma injustiça revelada
5.6-13 - Uma injustiça tratada
5.14-19 - Um líder lidera pelo exemplo

I. Uma injustiça revelada (5.1-5)

5.1-5 - Foi grande, porém, o clamor do povo e de suas


mulheres contra os judeus, seus irmãos. Porque havia os que diziam:
Somos muitos, nós, nossos filhos e nossas filhas; que se nos dê
trigo, para que comamos e vivamos. Também houve os que diziam:
As nossas terras, as nossas vinhas e as nossas casas hipotecamos
para tomarmos trigo nesta fome. Houve ainda os que diziam:
Tomamos dinheiro emprestado até para o tributo do rei, sobre as
nossas terras e as nossas vinhas. No entanto, nós somos da mesma
carne como eles, e nossos filhos são tão bons como os deles; e eis
que sujeitamos nossos filhos e nossas filhas para serem escravos,
algumas de nossas filhas já estão reduzidas à escravidão. Não
está em nosso poder evitá-lo; pois os nossos campos e as nossas
vinhas já são de outros.

Enquanto Neemias esteve preocupado com a oposição externa,


parece que um problema interno se desenvolveu, um problema de natu-
reza socioeconômica e que também revelava transações erradas e in-
justiças. Quatro diferentes grupos de pessoas compunham essa situa-
ção. Primeiro, havia aqueles que não possuíam terras e, no entanto,
necessitavam de alimento. O segundo grupo, de pessoas que tinham
dificuldade em alimentar suas famílias, embora possuíssem proprieda-
des. A necessidade era tão avassaladora que elas haviam hipotecado
suas casas e campos para comprar comida. O terceiro grupo havia
tomado dinheiro emprestado para pagar o imposto real,321 e não era
134 E sd r a s e N eem ia s

capaz de pagar o em préstimo por causa dos juros exorbitantes.


O quarto grupo era formado por judeus ricos, que exploravam seus
irmãos e irmãs judeus “tomando suas terras e filhos como garantia
(Lv 25.39-40). Pais judeus foram forçados a escolher entre a fome ou
a servidão para os seus filhos!”322 Os judeus haviam desobedecido ao
espírito da Lei de Deus, que sempre fez provisão para os pobres
(Lv 25), e agora o pecado da injustiça fora revelado e trazido diante de
Neemias. Como ele reagiría?

II. Uma injustiça tratada (5.6-13)

5.6-10 - Ouvindo eu, pois, o seu clamor e estas palavras,


muito me aborrecí. Depois de ter considerado comigo mesmo,
repreendí os nobres e magistrados e lhes disse: Sois usurários,
cada um para com seu irmão; e convoquei contra eles um grande
ajuntamento. Disse-lhes: nós resgatamos os judeus, nossos irmãos,
que foram vendidos às gentes, segundo nossas posses; e vós
outra vez negociarieis vossos irmãos, para que sejam vendidos a
nós? Então, se calaram e não acharam o que responder. Disse
mais: não é bom o que fazeis; porventura não devíeis andar no
temor do nosso Deus, por causa do opróbrio dos gentios, os nossos
inimigos? Também eu, meus irmãos e meus moços lhes demos
dinheiro emprestado e trigo. Demos de mão a esse empréstimo.

Por duas vezes, no livro de Neemias, nos é dito que Neemias


ficou muito aborrecido. A primeira vez está aqui, diante da injustiça
cometida contra seus irmãos e irmãs. (A segunda ocorre no capítulo
13.6-7, quando Eliasibe permitiu que Tobias vivesse em uma das câma-
ras do templo). Isso é relevante para o cristão da atualidade? O cristão
pode ficar irado? A resposta pode ser encontrada ao olharmos para a
vida de Jesus. Ele expressou indignação e ira justas quando lidou com
os fariseus santarrões que oprimiam os pobres e impotentes, e ele tam-
bém se irou quando as pessoas transformaram o templo em algo para o
que ele nunca foi destinado a ser (Mt 21.12-13; Mc 3.1-7). Em sua ira,
Neemias acusou os nobres e os magistrados de abusarem de seus ir-
mãos e de fazerem o oposto do que Neemias tentava fazer. Os nobres
não agiram como irmãos, mas como senhores de escravos. Enquanto
Neemias estava ajudando seus irmãos judeus a ficarem seguros em
N e e m ia s 5 135

suas terras, esses nobres e magistrados os estavam vendendo. A venda


de escravos judeus para os gentios, sob qualquer circunstância, era
contra a Lei de Deus (Êx 21.8). O silêncio dos nobres e dos magistra-
dos foi uma admissão de culpa. Neemias aproveitou seu silêncio para
enfatizar que sua falta de temor a Deus deu às nações gentílicas a
permissão para escarnecer dos judeus. A solução dada por Neemias foi
clara: “Demos de mão a esse empréstimo”. Para Neemias não era
suficiente identificar o mal e repreender duramente seus efeitos nega-
tivos. O líder piedoso tomou as medidas necessárias para erradicar o
mal cometido. De fato, antes de fazer a coisa certa, é preciso se certi-
ficar de que o mal foi removido para que o bem prospere. A expressão
“demos de mão a esse empréstimo” não sugere necessariamente que
Neemias fosse culpado desse delito. Em vez disso, Neemias identifi-
cou-se com o povo, como ele sempre fazia (Ne 1.6).323
5.11-13 - Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as
suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, como também o
centésimo do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite, que exigistes
deles. Então, responderam: Restituir-lhes-emos e nada lhes
pediremos; faremos assim como dizes. Então, chamei os sacerdotes
e os fiz jurar que fariam segundo prometeram. Também sacudi o
meu regaço e disse: Assim o faça Deus, sacuda de sua casa e de
seu trabalho a todo homem que não cumprir esta promessa; seja
sacudido e despojado. E toda a congregação respondeu: Amém!
E louvaram o S enhor; e o povo fez segundo a sua promessa.

Agora que o erro foi identificado e tratado, o errado devia ser


corrigido. A proposta de Neemias foi simples: devolver o que foi levado,
até mesmo o juro exigido. Os credores aceitaram os termos de Neemias
e concordaram em corrigir o erro. Eles restaurariam o que fora tomado
e fariam o que Neemias pediu. A exigência de Neemias do juramento
por parte dos sacerdotes pode ter sido parte de uma cerimônia de
renovação pactuai ou apenas uma parte do protocolo social.324 O sa-
cudir do regaço era um ato de natureza simbólica, um método comum
utilizado naqueles dias para reforçar um conceito ou uma ideia. O ato
de Neemias de sacudir o regaço teve o propósito de ser uma lição para
aqueles que voltassem atrás em sua promessa. “Assim o faça Deus,
sacuda de sua casa e de seu trabalho a todo homem que não cumprir
136 E sd r a s e N eem ia s

esta prom essa”, era a mensagem do ato simbólico de Neemias.


O “Amém” em coro foi mais do que concordância hipócrita que, por
vezes, se ouve em cultos contemporâneos. O “Amém” foi “muito usa-
do como uma forma de assentimento congregacional solene no período
pós-exílico”.325 O “Amém” foi seguido pelo honrar sua promessa, “e 0
povo fez segundo a sua promessa”. O erro foi identificado, tratado e,
subsequentemente, corrigido.

III. Um líder lidera pelo exem plo (5.14-19)

5.1 4-19- Também desde o dia em que fui nomeado seu


governador na terra de Judá, desde o vigésimo ano até ao trigésimo
segundo ano do rei Artaxerxes, doze anos, nem eu nem meus irmãos
comemos o pão devido ao governador. Mas os prim eiros
governadores, que foram antes de mim, oprimiram o povo e lhe
tomaram pão e vinho, além de quarenta siclos de prata; até os seus
moços dominavam sobre o povo, porém eu assim não fiz, por causa
do temor de Deus. Antes, também na obra deste muro fiz reparação,
e terra nenhuma compramos; e todos os meus moços se ajuntaram
ali para a obra. Também cento e cinquenta homens dos judeus e dos
magistrados e os que vinham a nós, dentre as gentes que estavam
ao nosso redor, eram meus hóspedes. O que se preparava para cada
dia era um boi e seis ovelhas escolhidas; também à minha custa
eram preparadas aves e, de dez em dez dias, muito vinho de todas as
espécies; nem por isso exigí o pão devido ao governador, porquanto
a servidão deste povo era grande. Lembra-te de mim para meu bem,
ó meu Deus, e de tudo quanto fiz a este povo.

Neemias serviu por dois mandatos como governador:326a primei-


ra vez por um período de 12 anos, e a segunda por um período indeter-
minado de tempo (Ne 13.6).327 A primeira vez ele serviu de 433 a.C. a
421 a.C., durante o reinado de Artaxerxes I. Como líder com um cora-
ção sensível e que se identificava com o povo que servia, ele não tirou
vantagem da cota de alimentos legalmente permitida ao governador.
O versículo 15 contrasta Neemias com os governadores anteriores a
ele, que lideraram com mão de ferro e coração duro. Esse versículo
também afirma que Neemias não foi o primeiro governador nomeado
pela corte persa, como alguns sugerem.328 Com base nas evidências
N eem ia s 5 137

bíblica e arqueológica, o arqueólogo israelense Nahman Avigad recons-


truiu a seguinte lista de governadores de Judá:129

Nome Fonte Data


Sesbazar Esdras 1.8; 5.14 538 a.C.
Zorobabel Ageu 1.1,14 515 a.C.
Elnatã Lacres e selos Final do 6o século a.C.
Yeho’ezer Impressão em vasos Início do 5o século a.C.
Ahzai Impressão em vasos Início do 5° século a.C.
Neemias Neemias 5.14; 12.26 445-432 a.C.
Bagoses (Bagoas) Papiros de Elefantina 407 a.C.
Yehezqiyah Moedas 330 a.C.

Os governadores que precederam Neemias foram opressivos, e


seus servidores seguiram seu mau exemplo de exploração do povo.
A diferença entre Neemias e os governadores anteriores era sua atitu-
de para com Deus. Enquanto que Neemias temia a Deus, seus ante-
cessores exibiam total falta de temor a Deus, o que, então, levou a uma
falta de amor e consideração para com seus compatriotas. Neemias
liderou pelo exemplo, e seu povo seguiu seu exemplo, perseverando e
se unindo para fazer o trabalho de reconstrução. O número de ani-
mais preparados para Neemias e para aqueles que ele hospedava
diariamente era minúsculo comparado ao abate do Rei Salomão de
22.000 bois e 120.000 ovelhas para uma festa de sete dias (lR s 8.63-65).
“Lembra-te de mim para meu bem, ó meu Deus”, era o desejo do
homem que pediu a Deus para abençoar sua liderança altruísta e seu
serviço ao povo. Kidner afirma que Neemias, “exemplificou os dois
grandes mandamentos e antecipou o alegre desprendimento daquilo a
que alguém tem direito, que Paulo expôs em ICoríntios 9”.330
Neemias 6
E sboço
6.1-4 - O homem de Deus tem discernimento
6.5-9 - O homem de Deus luta contra mentiras e calúnias
6.10-14 - O homem de Deus luta contra ameaças e falsos
profetas
6.15-19 - O homem de Deus é bem-sucedido: o muro é termi-
nado

I. O hom em de Deus tem discernim ento (6.1-4)

6 .1 -4 - Tendo ouvido Sambalate, Tobias, Gesém, o arábio, e


o resto dos nossos inimigos que eu tinha edificado o muro e que
nele já não havia brecha nenhuma, ainda que até este tempo não
tinha posto as portas nos portais, Sambalate e Gesém mandaram
dizer-me: Vem, encontremo-nos, nas aldeias, no vale de Ono. Porém
intentavam fazer-me mal. Enviei-lhes mensageiros a dizer: Estou
fazendo grande obra, de modo que não poderei descer; por que
cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?
Quatro vezes me enviaram o mesmo pedido; eu, porém, lhes dei
sempre a mesma resposta.

Deus deu a Neemias discernimento para saber que o inimigo preten-


dia causar-lhe dano. Embora os inimigos tenham se multiplicado desde o
início do projeto de reconstrução, Deus superou sua oposição de forma
constante, e o povo de Deus estava quase concluindo o trabalho.
As táticas dos inimigos evoluíram ao longo do tempo, da raiva para a
zombaria, e agora eles desejavam causar dano físico a Neemias. Eles
propuseram uma reunião no vale de Ono. “Este pode ter sido propos-
to como uma espécie de território neutro, mas Neemias reconheceu o
convite como uma armadilha.”331 A resposta de Neemias não abor-
dou a decepção deles, mas declarou que sua grande obra não seria
N eemias 6 139

interrompida por uma reunião de com itê. Talvez Neemias acreditasse


no princípio de que uma reunião é o lugar onde as boas idéias são es-
tranguladas. De qualquer forma, o inim igo persistiu em seu convite en-
ganoso, e Neemias persistiu em sua resposta verdadeira. Neemias nos
ensina que um líder piedoso não deve deixar-se distrair com assuntos
menores ao fazer o importante trabalho do Reino. M uitos pastores e
líderes perdem um tempo precioso em reuniões frívolas enquanto deve-
riam estar fazendo a obra de Deus - entre outras coisas - preparando
sermões sadios, cuidando do rebanho ou fazendo discípulos.

II. O homem de Deus luta contra mentiras e calúnias (6.5-9)


6.5-9 - Então, Sambalate me enviou pela quinta vez o seu
moço, o qual trazia na mão uma carta aberta, do teor seguinte:
Entre as gentes se ouviu, e Gesém diz que tu e os judeus intentais
revoltar-vos; por isso, reedificas o muro, e, segundo se diz, queres
ser o rei deles, e puseste profetas para falarem a teu respeito em
Jerusalém, dizendo: Este é rei em Judá. Ora, o rei ouvirá isso, segundo
essas palavras. Vem, pois, agora, e consultemos juntamente.
Mandei dizer-lhe: De tudo o que dizes coisa nenhuma sucedeu; tu,
do teu coração, é que o inventas. Porque todos eles procuravam
atemorizar-nos, dizendo: As suas mãos largarão a obra, e não se
efetuará. Agora, pois, ó Deus, fortalece as minhas mãos.

O fracasso do inimigo em distrair Neemias fez com que Sambala-


te mudasse de tática, recorrendo agora a mentiras e calúnias. A acusa-
ção contra Neemias era grave. Em uma carta aberta, ele foi acusado
de se rebelar contra a própria ordem que lhe deu permissão para voltar
e reconstruir. Sambalate sugeriu que Neemias estava se preparando
não apenas para morder a mão que o alimentava, mas também para
cortar fora a mão que lhe permitiu voltar à sua terra natal. De acordo
com a acusação, os muros reconstruídos tinham o objetivo de isolar e
proteger um movimento quase que m essiânico. Além disso, Neem ias
foi acusado de escrever os sermões dos profetas, a fim de acentuar
sua própria imagem. À luz do plano de Deus para o mundo, esse peca-
do teria sido muito mais grave do que se rebelar contra o rei da Pérsia,
uma vez que isso teria colocado Neem ias contra o Deus do céu.
Gesém criou o rumor ou ajudou a espalhá-lo. A resolução de Sambalate
140 E sdras e N eemias

para o problema propunha um encontro com Neem ias, o qual o ho-


mem de Deus prontamente e com razão rejeitou, pois discerniu o mal
da mente e do coração de Sambalate. O inim igo tentou enfraquecer
os fiéis mediante a impregnação de seus corações com medo, mas o
homem de Deus orou por força. “Fortalece as minhas mãos” é o
clamor de todos os fiéis que sabem que a vitória é obtida somente
quando Deus provê a força. O clamor de Neem ias ecoa o do salmista
que almeja por força de Deus quando sua alma está enfraquecida
pela tristeza (SI 119.28).

III. O homem de Deus luta contra ameaças e falsos profetas


(6.10 ‫ ־‬14)
6.10-14 - Tendo eu ido à casa de Semaías, filho de Delaías,
filho de Meetabel (que estava encerrado), disse ele: Vamos
juntamente à Casa de Deus, ao meio do templo, e fechemos as
portas do templo; porque virão matar-te; aliás, de noite virão matar-te.
Porém eu disse: homem como eu fiigiria? E quem há, como eu, que
entre no templo para que viva? De maneira nenhuma entrarei. Então,
percebi que não era Deus quem o enviara; tal profecia falou ele
contra mim, porque Tobias e Sambalate o subornaram. Para isto o
subornaram, para me atemorizar, e para que eu, assim, viesse a
proceder e a pecar, para que tivessem motivo de me infamar e me
vituperassem. Lembra-te, meu Deus, de Tobias e de Sambalate, no
tocante a estas suas obras, e também da profetisa Noadia e dos
mais profetas que procuraram atemorizar-me.

Semaías, filho de Delaías, é um profeta sobre o qual não temos


mais informações. Neemias parece ter confiado nele o bastante para ir
a sua casa, embora não nos seja dito o motivo da visita, e especular
seria impróprio. Uma vez dentro da casa, foi dito a Neem ias, por
Semaías, que existia um plano de assassinato contra ele. Curiosa-
mente, Semaías sabia não apenas sobre a trama, mas também o mo-
mento em que o ato desavergonhado seria realizado. A solução de
Semaías era fazer Neemias se esconder no templo, apesar de Neemias
não ser sacerdote e sua presença no templo ser contra a Lei de Deus.
Como um líder piedoso, Neemias temia a Deus mais do que ao homem.
Sua pergunta “Homem com o eu fugiría?” revelou o seu caráter.
N eemias 6 141

Ele não era de fugir em face do perigo, nem de desobedecer à Lei de


Deus. Na verdade, a Lei dava aos israelitas a capacidade de avaliar a
autenticidade de um profeta, e também a autoridade para desobedecer
aos falsos profetas. “(...) quando esse profeta falar em nome do S e -
nhor , e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou,
esta é palavra que o S enhor não disse; com soberba, a falou o tal pro-
feta; não tenhas temor dele” (Dt 18.22). Além disso, a pergunta de
Neemias “E quem há, como eu, que entre no templo para que viva?”
apontou para seu respeito para com Deus, sua Lei e seu templo. Nee-
mias percebeu que Semaías não era nada além de um profeta corrupto,
que foi pago por Tobias e Sambalate. Como Judas no passado, e como
muitos profetas da atualidade, Semaías se vendeu por um preço. Em
vez de comunicar a Palavra de Deus, Semaías transmitiu a palavra do
homem, a qual tinha a intenção de assustar Neemias e arruinar sua
reputação piedosa. Neemias manteve-se firme como um homem justo
de Deus, que não foi levado por ameaças a quebrar a Lei de Deus. Ele
conhecia o destino do rei Uzias quando se atreveu a entrar no templo, e
Neemias provavelmente compreendeu que seu próprio destino podería
ser ainda pior do que ser atingido com lepra. Kidner aponta correta-
mente que, se Neemias tivesse tentado “salvar-se desta maneira, [ele]
teria perdido, possivelm ente, a sua vida, certamente, a sua honra; teria
colocado em risco a própria causa que ele tinha no coração”.332
Além de Semaías, outros falsos profetas faziam parte desse plano
maligno. Noadia, a profetisa, é o único outro mencionado pelo nome, mas
a abundância desses profetas corruptos indica que esse episódio não foi
único, mas apenas um dos muitos casos em que o inimigo tentou atrapa-
lhar o trabalho dos fiéis e manchar a reputação de Deus. Tal como no
passado, Neemias respondeu ao ataque do inim igo por meio da oração
àquele que reina sobre todos e que frustra o plano do inimigo.

IV. O hom em de Deus é bem -sucedido: o m uro é term inado


(6.15-19)

6.15-19 - Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco dias do


mês de elul, em cinquenta e dois dias. Sucedeu que, ouvindo-o
todos os nossos inimigos, temeram todos os gentios nossos
circunvizinhos e decaíram muito no seu próprio conceito; porque
142 E sdras e N eemias

reconheceram que por intervenção de nosso Deus é que fizemos


esta obra. Também naqueles dias alguns nobres de Judá escreveram
muitas cartas, que iam para Tobias, e cartas de Tobias vinham para
eles. Pois muitos em Judá lhe eram ajuramentados porque era genro
de Secanias, filho de Ará; e seu filho Joanã se casara com a filha de
Mesulão, filho de Berequias. Também das suas boas ações falavam
na minha presença, e as minhas palavras lhe levavam a ele; Tobias
escrevia cartas para me atemorizar.

Apesar das ameaças, dos obstáculos e da feroz oposição do ini-


migo, os judeus trabalharam desde o terceiro dia de Av até o vigésim o
quinto dia de Elul,333 e eles terminaram o muro em apenas 52 dias.
Assim, o trabalho que começou nos dias quentes de verão foi concluído
nos dias mais frios do outono. Podemos presumir com segurança que
os judeus se alegraram muito com esse grande feito de reconstrução.
Em contraste com eles, o medo tomou conta dos inim igos, porque eles
perceberam final e plenamente a mão de Deus nessa significativa rea-
lização. Esse temor de Deus deveria ter levado os inim igos a se volta-
rem para Deus em arrependimento, todavia, os inim igos continuaram a
endurecer seus corações e a aprimorar suas medidas ameaçadoras.
O versículo 18 aponta para uma triste realidade que está presente
nas igrejas atuais também. Em vez de viverem suas vidas de acordo
com os princípios bíblicos, alguns vivem suas vidas sendo conduzidos
por laços familiares. Nos dias de Neemias, os laços familiares levaram
alguns a lutar contra os fiéis. Quantas igrejas, hoje, são prejudicadas e
até destruídas porque a liderança da igreja tem medo de seus familiares
em vez de temer a Deus e confiar em sua Palavra?
Ainda que Neemias tenha recebido alguns elogios, Tobias foi im-
placável em sua oposição. Embora os tijolos e a argamassa forneces-
sem alguma defesa contra as intempéries e os inim igos, Neemias e os
fiéis necessitavam da proteção da mão onipotente e poderosa de Deus.
Os últimos versículos do capítulo 6 apontam para a realidade contínua
de que a obra de Deus é sempre realizada em meio a obstáculos e
oposição. A obra de Deus sempre será realizada com a ajuda dele,
ainda que ele use fiéis para realizar seus planos.
Neemias 7
Esboço
7.1-5 - O humilde homem de Deus delega trabalho
7.6-73 - A lista dos repatriados

I. O humilde homem de Deus delega trabalho (7.1-5)

7.1-5 - Ora, uma vez reedificado o muro e assentadas as


portas, estabelecidos os porteiros, os cantores e os levitas, eu
nomeei Hanani, meu irmão, e Hananias, maioral do castelo, sobre
Jerusalém. Hananias era homem fiel e temente a Deus, mais do que
muitos outros. E lhes disse: não se abram as portas de Jerusalém
até que o sol aqueça e, enquanto os guardas ainda estão ali, que
se fechem as portas e se tranquem; ponham-se guardas dos
moradores de Jerusalém, cada um no seu posto diante de sua casa.
A cidade era espaçosa e grande, mas havia pouca gente nela, e as
casas não estavam edificadas ainda. Então, o meu Deus me pôs no
coração que ajuntasse os nobres, os magistrados e o povo, para
registrar as genealogias. Achei o livro da genealogia dos que
subiram primeiro, e nele estava escrito:

Ainda que o muro estivesse concluído, Neemias teve o cuidado de


designar porteiros como guardas de segurança da antiguidade. Os can-
tores e os levitas provavelmente ajudaram nesse papel, embora guar-
dar os portões não fosse sua principal responsabilidade. Williamson aponta
corretamente que “essas foram apenas medidas de emergência”.334
Como um bom líder, Neemias sabia que não podia, e não devia, fazer o
trabalho sozinho; portanto, ele delegou responsabilidade para Hanani e
Hananias. Hanani era “irmão” de Neemias, quem primeiro o informou
sobre o estado trágico do exílio de Jerusalém (Ne 1.2).335 O fato de
Neemias chamá-lo de “meu irmão” duas vezes sugere que Hanani era,
de fato, realmente irmão de Neemias, não apenas um compatriota.336
144 E sdras e N eemias

Hananias serviu como governador do castelo, assim, ele era mais do


que qualificado para supervisionar a guarda da cidade. Porém o que
diferenciava Hananias não era o seu trabalho, mas seu caráter. Seus
níveis de fidelidade e de temor a Deus estavam muito acima. Como um
líder piedoso e visionário, Neemias acreditava que o temor a Deus e a
fidelidade eram duas características importantes para um líder. De fato,
o temor do S enhor não é apenas o princípio da sabedoria, mas um
elemento necessário na liderança piedosa.337 Neemias deu instruções
ao povo para abrir as portas mais tarde no dia, não na alvorada, que
seria a prática normal. Essa estratégia reduzia o tempo que os guardas
teriam que ficar a postos nos portões.338
Ainda que as coisas tivessem começado a melhorar, a cidade
ainda precisava ser repovoada e as residências necessitavam ser re-
construídas - mais uma crise que Neem ias enfrentou. Como ele lida-
ria com isso? Como nos dilemas anteriores, Neem ias esperou por
Deus. N esse caso, Deus o orientou a realizar um censo da população,
e ao fazê-lo, Neem ias encontrou “o livro da genealogia”, que era a
lista dos repatriados do exílio.

II. A lista dos repatriados (7.6-73)


7.6-73 —São estes os filhos da província que subiram do
cativeiro, dentre os exilados, que Nabucodonosor, rei da
Babilônia, levara para o exílio e que voltaram para Jerusalém e
para Judá, cada um para a sua cidade, os quais vieram com
Zorobabel, Jesua, Neemias, Azarias, Raamias, Naamani, Mordecai,
Bilsã, Misperete, Bigvai, Neum e Baaná. Este é o número dos
homens do povo de Israel: foram os filhos de Parós, dois mil
cento e setenta e dois. Os filhos de Sefatias, trezentos e setenta
e dois. Os filhos de Ará, seiscentos e cinquenta e dois. Os filhos
de Paate-Moabe, dos filhos de Jesua e de Joabe, dois mil
oitocentos e dezoito. Os filhos de Elão, mil duzentos e cinquenta
e quatro. Os filhos de Zatu, oitocentos e quarenta e cinco. Os
filhos de Zacai, setecentos e sessenta. Os filhos de Binui,
seiscentos e quarenta e oito. Os filhos de Bebai, seiscentos e
vinte e oito. Os filhos de Azgade, dois mil trezentos e vinte e
dois. Os filhos de Adonicão, seiscentos e sessenta e sete. Os
filhos de Bigvai, dois mil e sessenta e sete. Os filhos de Adim,
N e e m ia s 7 145

seiscentos e cinquenta e cinco. Os filhos de Ater, da família de


Ezequias, noventa e oito. Os filhos de Hasum, trezentos e vinte e
oito. Os filhos de Besai, trezentos e vinte e quatro. Os filhos de
Harife, cento e doze. Os filhos de Gibeão, noventa e cinco. Os
homens de Belém e de Netofa, cento e oitenta e oito. Os homens
de Anatote, cento e vinte e oito. Os homens de Bete-Azmavete,
quarenta e dois. Os homens de Quiriate-Jearim, Cefira e Beerote,
setecentos e quarenta e três. Os homens de Ramá e Geba,
seiscentos e vinte e um. Os homens de Micmás, cento e vinte e
dois. Os homens de Betei e Ai, cento e vinte e três. Os homens do
outro Nebo, cinquenta e dois. Os filhos do outro Elão, mil
duzentos e cinquenta e quatro. Os filhos de Harim, trezentos e
vinte. Os filhos de Jerico, trezentos e quarenta e cinco. Os filhos
de Lode, Hadide e Ono, setecentos e vinte e um. Os filhos de
Senaá, três mil novecentos e trinta. Os sacerdotes: os filhos de
Jedaías, da casa de Jesua, novecentos e setenta e três. Os filhos
de Imer, mil e cinquenta e dois. Os filhos de Pasur, mil duzentos e
quarenta e sete. Os filhos de Harim, mil e dezessete. Os levitas:
os filhos de Jesua, de Cadmiel, dos filhos de Hodeva, setenta e
quatro. Os cantores: os filhos de Asafe, cento e quarenta e oito.
Os porteiros: os filhos de Salum, os filhos de Ater, os filhos de
Talmom, os filhos de Acube, os filhos de Hatita, os filhos de
Sobai, cento e trinta e oito. Os servidores do templo: os filhos de
Zia, os filhos de Hasufa, os filhos de Tabaote, os filhos de Queros,
os filhos de Sia, os filhos de Padom, os filhos de Lebana, os
filhos de Hagaba, os filhos de Salmai, os filhos de Hanã, os filhos
de Gidel, os filhos de Gaar, os filhos de Reaías, os filhos de Rezim,
os filhos de Necoda, os filhos de Gazão, os filhos de Uzá, os
filhos de Paseia, os filhos de Besai, os filhos de Meunim, os
filhos de Nefusesim, os filhos de Baquebuque, os filhos de
Hacufa, os filhos de Harur, os filhos de Bazlite, os filhos de Meída,
os filhos de Harsa, os filhos de Barcos, os filhos de Sísera, os
filhos de Tama, os filhos de Nesias e os filhos de Hatifa. Os filhos
dos servos de Salomão: os filhos de Sotai, os filhos de Soferete,
os filhos de Perida, os filhos de Jaala, os filhos de Darcom, os
filhos de Gidel, os filhos de Sefatias, os filhos de Hatil, os filhos
de Poquerete-Hazebaim e os filhos de Amom. Todos os servidores
do templo e os filhos dos servos de Salomão, trezentos e noventa
e dois. Os seguintes subiram de Tel-Melá, Tel-Harsa, Querube,
146 E sdras e N eemias

Adom e Imer, porém não puderam provar que as suas famílias e a


sua linhagem eram de Israel: os filhos de Delaías, os filhos de
Tobias, os filhos de Necoda, seiscentos e quarenta e dois. Dos
sacerdotes: os filhos de Habaías, os filhos de Coz, os filhos de
Barzilai, o qual se casou com uma das filhas de Barzilai, o gileadita,
e que foi chamado pelo nome dele. Estes procuraram o seu registro
nos livros genealógicos, porém o não acharam; pelo que foram
tidos por imundos para o sacerdócio. O governador lhes disse que
não comessem das coisas sagradas, até que se levantasse um
sacerdote com Urim e Tumim. Toda esta congregação junta foi de
quarenta e dois mil trezentos e sessenta, afora os seus servos e as
suas servas, que foram sete mil trezentos e trinta e sete; e tinham
duzentos e quarenta e cinco cantores e cantoras. Os seus cavalos,
setecentos e trinta e seis; os seus mulos, duzentos e quarenta e
cinco. Camelos, quatrocentos e trinta e cinco; jumentos, seis mil
setecentos e vinte. Alguns dos cabeças das famílias contribuíram
para a obra. O governador deu para o tesouro, em ouro, mil
daricos, cinquenta bacias e quinhentas e trinta vestes sacerdotais.
E alguns mais dos cabeças das famílias deram para o tesouro da
obra, em ouro, vinte mil daricos e, em prata, dois mil e duzentos
arráteis. O que deu o restante do povo foi, em ouro, vinte mil
daricos, e dois mil arráteis em prata, e sessenta e sete vestes
sacerdotais. Os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os cantores,
alguns do povo, os servidores do templo e todo o Israel habitavam
nas suas cidades.

A lista de nomes é quase idêntica à de Esdras 2. Algumas diver-


gências insignificantes nas listas de nomes são mostradas abaixo, o que
provavelmente ocorreu no processo de cópia. “Ao repetir a lista de
nomes em Esdras 2 e Neemias 7, o(s) autor(es) de Esdras-Neemias
criaram uma inclusio literária que une as três principais seções do livro
(i.e., Esdras 1-6; 7-10; e Neemias 1-7). Agora que as três ondas de
construção e de renovação foram concluídas, a nação estava prepara-
da para o avivamento espiritual que se seguiu (Ne 8-10).’’339
N ee m ia s 7 147

Comparação entre as listas de repatriados em Esdras 2 e Neemias 7.


N om e E sd ra s 2 N e e m ia s 7
Zorobabel X X

Jesua X X

Neemias X X

Seraías1 X -
Raamías2 - X

Mordecai X X

Bilsã X X

Mispar X X

Bigvai X X

Reum3 X -
Baaná X X

Parós X X

Sefatias X X

Ará X X

Paate-Moabe X X

Jesua X X

Joabe X X

Elão X X

Zatu X X

Zacai X X

Bani X X

Bebai X X

Azgade X X
Adonicão X X

Bigvai X X

Adim X X

Ater X X

Bezai X X

Jora X -
Hasum X X

Gibeão4 - X

Azmavete5 X -
148 E sdras e N eemias

Quiriate-Arim X _
Cefira X X

Beerote X X

Ramá X X

Geba X X

Micmás X X

Nebo X X

Magbis X -

(0 outro) Elão X X
Harim X X

Lode X X

Hadide X X

Ono X X

Jericó X X

Senaá6 X X

Sacerdotes
Jedaías X X

Jesua X X

Imer X X

Pasur X X

Harim X X
Levitas
Jesua X X

Cadmiel X X

Hodavias7 X -

Cantores
Asafe X X

Salum X X

Ater X X

Talmon X X

Acube X X

Hatita X X

Sobai X X

Servidores do templo
Zia8 X X
N eemias 7 149

Hasufa X X

Tabaote X X

Queros X X

Sia - X
Padom X X

Lebana X -
Hagaba X -
Acube X X

Hagabe X -
Salmai9 - X

Hanã X X
Gidel X X
Gaar X X
Reaías X X

Rezim X X

Necoda X X

Gazão X X
Uzá X X

Paseia X X
Bezai X X
Asná X -
Meunim - X

Nefusesim10 - X

Baquebuque X X
Hacufa X X
Harur X X

Bazlite" - X

Meída X X
Harsa X X
Barcos X X
Sísera X X
Temá X X

Nesias X X
Hatifa X X
Filhos dos servos de Salomão
Sotai X X
150 E sdras e N eemias

S o ferete X -
P e r id a 12 - X

Jaala X -
D arcom X X

G id el X X

S efa tia s X X

H atil X X

P o q u erete-H a zeb a im X X

A m o n 13 - X

A q u e le s s e m r e g is tr o
d e fa m ília
D ela ía s X X

T ob ias X X

N eco d a X X

Notas para a tabela


1) Mencionado em Neemias 10.2 como um dos que selaram a aliança.
2) Esdras 2.2 tem Reelaías.
3) Mencionado em Neemias 10.25 como um dos que selaram a aliança.
4) Esdras 2.20 traz Gibar onde Neemias 7.25 traz o nome do local Gibeão.
O texto de Esdras é preferível porque contém a fórmula “filhos de”.
5) Em Neemias 12.29, Azmavete aparece como uma localidade geográfica.
6) Mishná Taanith IV 5 (Tosephta Taanith 82) afirma que Senaá era um
importante clã pertencente à tribo de Benjamim.
7) Listado entre os descendentes de Davi e Salomão em 1Crônicas 3.24 e entre
os repatriados do exílio em 1Crônicas 9.7.
8) Esdras 2.44 traz Sia.
9) Esdras 2.46 traz Sanlai.
10) Esdras 2.50 traz os filhos dos meunitas, os filhos dos nefuseus.
11) Esdras 2.52 traz Baslute. Seu nome significa “cebola”, e pode ser um
apelido.
12) Esdras 2.55 traz Peruda.
13) Esdras 2.57 traz Ami.
Neemias 8
E sboço
8.1-6 - O fiel lê a Palavra
8.7-8 - O fiel explica a Palavra
8.9-12 - O fiel se regozija na Palavra
8.13-18 - O fiel obedece à Palavra

I. O fiel lê a Palavra (8.1-6)

8.1-6 - Em chegando o sétimo mês, e estando os filhos de


Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem,
na praça, diante da Porta das Aguas; e disseram a Esdras, o escriba,
que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o S enhor tinha
prescrito a Israel. Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a
congregação, tanto de homens como de mulheres e de todos os
que eram capazes de entender o que ouviam. Era o primeiro dia do
sétimo mês. E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à
Porta das Aguas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e
mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos
atentos ao Livro da Lei. Esdras, o escriba, estava num púlpito de
madeira, que fizeram para aquele fim; estavam em pé junto a ele, à
sua direita, Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e Maaseias; e à
sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana,
Zacarias e Mesulão. Esdras abriu o livro à vista de todo o povo,
porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em
pé. Esdras bendisse ao S enhor, o grande Deus; e todo o povo
respondeu: Amém! Amém! E, levantando as mãos; inclinaram-se e
adoraram o S enhor, com o rosto em terra.

O povo que se reuniu tomou a iniciativa de pedir a Esdras para ler a


Palavra de Deus,340 o que sugere a fome pela Palavra que era caracte-
rística da comunidade pós-exflica. A fome pela Palavra de Deus é uma
característica que os fiéis devem exibir diariamente. Esses versículos
152 E sdras e N eemias

atestam a historicidade da Lei de Moisés, a qual, obviamente, existia


nessa época em forma escrita. Assim, a Lei de Moisés não pode ter
sido um desenvolvimento pós-exílico, como alguns estudiosos sugerem.341
O fato de que essas pessoas passaram voluntariamente muitas horas
ouvindo atentamente a Palavra de Deus enfatiza sua fome por ela.
Pode muito bem ser que o exílio lhes tenha privado da oportunidade de
ouvir a Lei, visto que a leitura da Lei era principalmente uma experiên-
cia no templo. Além de seus nomes, não nos é dito nada mais sobre os
homens que se juntaram a Esdras no púlpito, portanto, especular seria
impróprio. O povo ficou em pé quando o rolo foi desenrolado, mostran-
do sua reverência para com Deus e sua Palavra. Em algumas culturas,
essa prática ainda está viva. Muitas comunidades cristãs hispânicas,
asiáticas, africanas e europeias ficam em pé por respeito à leitura da
Palavra de Deus.
A bênção de Esdras concluiu a leitura da Palavra e foi seguida
pela resposta do povo, a qual é marcada por três características impor-
tantes: ela foi verbalizada, humilde e reverente. Seus améns verbaliza-
dos foram combinados com o levantar de suas mãos, o que “demons-
trou o seu senso de necessidade e dependência”.342 Sua humilde ado-
ração foi vista em sua atitude de prostrarem-se no chão. Esse foi um
dia de adoração incitado pela presença e poder da Palavra de Deus
entregue por Esdras, o homem de Deus.

II. O fiel explica a Palavra (8.7-8)

8.7-8 - E Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai,


Hodias, Maaseias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os
levitas ensinavam o povo na Lei; e o povo estava no seu lugar.
Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de
maneira que entendessem o que se lia.

Os treze levitas, que ajudaram o povo a entender o que estava


sendo lido, estavam cumprindo sua tarefa dada por Deus, conforme
descrito na Lei. Antes de sua morte, Moisés abençoou os levitas e
afirmou que eles deviam ensinar “os teus juízos a Jacó e a tua lei, a
Israel” (Dt 33.10). Durante o reinado de Josafá, alguns levitas toma-
ram-se professores itinerantes “e percorriam todas as cidades de Judá
N eemias 8 153

e ensinavam ao povo” (2Cr 17.7-9). Esses versículos enfatizam a im-


portância do ministério da Palavra em uma grande assembléia, bem
como em um grupo pequeno. Ambos são importantes, necessários e
vitais para a vida da comunidade dos fiéis.

III. O fiel se regozija na Palavra (8.9-12)

8.9-12 - Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote


e escriba, e os levitas que ensinavam todo o povo lhe disseram:
Este dia é consagrado ao S enhor , vosso Deus, pelo que não
pranteeis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as
palavras da Lei. Disse-lhes mais: ide, comei carnes gordas, tomai
bebidas doces e enviai porções aos que não têm nada preparado
para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto,
não vos entristeçais, porque a alegria do S enhor é a vossa força.
Os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque
este dia é santo; e não estejais contristados. Então, todo o povo se
foi a comer, a beber, a enviar porções e a regozijar-se grandemente,
porque tinham entendido as palavras que lhes foram explicadas.

Para algumas pessoas, as palavras da Lei provavelmente produ-


ziram nova vida, enquanto que para outras, foi um lembrete do que elas
já haviam ouvido no passado. Ambos os grupos responderam com pranto.
A Palavra penetrou profundamente, como uma espada viva, nos cora-
ções da audiência (Hb 4.12), e as lágrimas que foram derramadas leva-
ram ao arrependimento (2Co 7.10). Suas lágrimas defini ti vamente não
eram lágrimas de alegria, visto que Esdras e Neemias exortaram o
povo a não se entristecer. Esdras e Neemias não ficaram no caminho
do arrependimento do povo, mas lhe ensinaram que o arrependimento
deve ser seguido de regozijo. Afinal, a alegria do S enhor - e não a
tristeza do S enhor - é a força dos fiéis. Wong afirma: “ É a alegria de
Yahweh sobre o seu povo que constitui a base para a esperança de que
eles serão salvos ou protegidos contra a sua ira”. Além disso, “a alegria
de Yahweh é a base da sua proteção contra as consequências de sua
negligência da lei”.343
O comer e beber eram as expressões externas de um estado in-
temo. Na Lei, o Sábado foi declarado “santo ao S enh or ” ( Ê x 31.15;
35.2), mas Esdras e Neemias declararam este dia como “consagrado
154 E sdras e N eemias

ao S enhor ” , porque nele o povo agiu de acordo com a Lei de D eus.


A obediência do povo fez com que ele se alegrasse e festejasse, e
também compartilhasse sua abundância com os necessitados. Na ver-
dade, os fiéis tinham compreendido o conceito de que o povo de Deus
deve ser composto de pessoas generosas que cuidam dos menos afor-
tunados. Warren Wiersbe resume a experiência como uma sequência
importante: condenação, purificação, celebração.344

IV. O fiel obedece à Palavra (8.1318‫)־‬


8.13-18 - N o dia seguinte, ajuntaram-se a Esdras, o escriba,
os cabeças das famílias de todo o povo, os sacerdotes e os levitas,
e isto para atentarem nas palavras da Lei. Acharam escrito na Lei
que o S enhor ordenara por intermédio de Moisés que os filhos de
Israel habitassem em cabanas, durante a festa do sétimo mês; que
publicassem e fizessem passar pregão por todas as suas cidades e
em Jerusalém, dizendo: Saí ao monte e trazei ramos de oliveiras,
ramos de zambujeiros, ramos de murtas, ramos de palmeiras e ramos
de árvores frondosas, para fazer cabanas, como está escrito. Saiu,
pois, o povo, trouxeram os ramos e fizeram para si cabanas, cada
um no seu terraço, e nos seus pátios, e nos átrios da Casa de
Deus, e na praça da Porta das Águas, e na praça da Porta de
Effaim. Toda a congregação dos que tinham voltado do cativeiro
fez cabanas e nelas habitou; porque nunca fizeram assim os filhos
de Israel, desde os dias de Josué, filho de Num, até àquele dia; e
houve mui grande alegria. Dia após dia, leu Esdras no Livro da
Lei de Deus, desde o primeiro dia até ao último; e celebraram a
festa por sete dias; no oitavo dia, houve uma assembléia solene,
segundo o prescrito.

Os sacerdotes, os levitas e os cabeças das famílias vieram a Es-


dras para um estudo aprofundado da Palavra de Deus revelada na Lei;
e, ao estudarem, descobriram a legislação relativa à celebração da Fes-
ta dos Tabemáculos. De acordo com a Lei, a Festa das Tendas ou
Tabemáculos começava no dia 15 de Tisri, e era principalmente uma
festa de ação de graças, demonstrando gratidão pela provisão de Deus
(Êx 34.22; Lv 23.33). Essa festa da colheita de outono fechava o ano
agrícola e também celebrava a peregrinação dos israelitas pelo deserto,
N eemias 8 155

as tendas sendo um lembrete de que os israelitas viveram em tendas


durante a jornada de 40 anos, do Egito à Terra Prometida (Lv 23.42-
43). Os israelitas chegaram primeiramente em Sucote, depois de deixar
Ramsés (Êx 12.7). A Festa das Tendas foi observada durante o período
da monarquia (2Cr 8.13), bem como no período pós-exílico (Ed 3.4; Zc
14.16,18-19) e durante o período da igreja primitiva. Essa é a única
festa que ordenava que os israelitas se alegrassem diante do S enhor
(Lv 23.40).
Os repatriados estavam ansiosos para obedecer à Palavra de Deus,
a qual fora ignorada desde os tempos de sua conquista. Os habitantes
de Jerusalém ergueram as tendas ao lado de suas casas ou sobre os
seus telhados, enquanto que aqueles que habitavam a área rural ergue-
ram tendas em espaços abertos, como nos átrios do templo, nas praças
ao lado das Portas das Águas e de Efraim. O resultado dessa obediên-
cia foi grande regozijo. Apercepção de Wiersbe é profunda: “Deus não
nos dá alegria em vez de tristeza, ou alegria, apesar da tristeza, mas
alegria em meio à tristeza. Não é substituição, mas sim transforma-
ção”.345 O povo celebrou a festa pronta e precisamente como a Lei
instruía, com o Livro da Lei de Deus tendo o papel central. Afinal, os
israelitas estavam destinados a ser o povo do Livro. McCarthy resume
isso bem, observando que “o principal não são as regras gerais, mas
uma atitude pessoal, fidelidade e arrependimento humilde, um ‘coração
pronto para ouvir’, de modo que o povo possa desfrutar da unidade
com Deus na adoração”.346
Neemias 9 47
E sboço
9.1-6 - Deus é grande e digno de ser louvado
9.7-17 - Deus escolheu e cuidou de Israel
9.18-22 - Deus conduziu Israel
9.23-30 - Deus repreendeu Israel
9.31-38 - Deus concedeu graça a Israel
I. Deus é grande e digno de ser louvado (9.1-6)

9.1-6 - No dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os


filhos de Israel com jejum e pano de saco e traziam terra sobre si.
Os da linhagem de Israel se apartaram de todos os estranhos,
puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados e das
iniquidades de seus pais. Levantando-se no seu lugar, leram no
Livro da Lei do S enhor, seu Deus, uma quarta parte do dia; em
outra quarta parte dele fizeram confissão e adoraram o S enhor, seu
Deus. Jesua, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni,348 Serebias, Bani e
Quenani se puseram em pé no estrado dos levitas e clamaram em
alta voz ao S enhor, seu Deus. Os levitas Jesua, Cadmiel, Bani,
Hasabneias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías disseram:
Levantai-vos, bendizei ao S enhor, vosso Deus, de eternidade em
eternidade. Então, se disse: Bendito seja o nome da tua glória, que
ultrapassa todo bendizer e louvor. Só tu és S enhor, tu fizeste o
céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto
nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos
com vida, e o exército dos céus te adora.

Tanto Esdras quanto Neemias eram homens de oração e de je-


jum (Ed 9.5; Ne 1.4). Agora, o povo seguiu o seu exemplo. Os dias de
festa foram seguidos pelo jejum. Esse dia não estava ligado a nenhu-
ma das festas prescritas no Pentateuco, mas era antes um dia especí-
fico para o jejum. Vestir-se de pano de saco e cobrir-se com terra era
N eemias 9 157

um sinal de luto bastante comum no Antigo Oriente Próximo. Esse dia


de jejum também incluiu a separação dos estrangeiros, cuja “parti-
cipação na confissão dos pecados de Israel teria sido im possível”.349
A separação dos estrangeiros foi o resultado direto da leitura da
L ei, que era evidência da intenção do povo de retomar a guardar a
Lei de Deus (Lv 20.26).350
Metade do dia foi gasto com a leitura da Lei, com confissão de
pecados e com a adoração ao Senhor. Os levitas assumiram a lideran-
ça, clamando ao Senhor e exortando o povo a fazer o mesmo. Seu
chamado à adoração incluiu alguns temas teológicos importantes. Em
primeiro lugar, Deus é eterno. Ele é “de eternidade em eternidade”;
portanto, ele não tem com eço nem fim. Esse é um tema consistente em
toda a Escritura, a qual se destina a mostrar o contraste entre os ídolos
das nações feitos pelo homem e o verdadeiro Deus, que é o Criador
(lC r 16.36; SI 90.2; Ap 1.8). Em segundo lugar, não há outro Deus
verdadeiro senão ele mesmo. “Só tu és S enhor ” é uma afirmação enfá-
tica da unicidade de Deus. Em terceiro lugar, Deus é o Deus Criador.
As palavras “céu”, “terra” e “mares” deveríam trazer Gênesis 1 e os
seis dias da criação à memória dos judeus. Não apenas Deus é o Deus
Criador, como também é aquele que sustenta a criação. Como resulta-
do, a criação o adora e ao seu glorioso nome.

II. Deus escolheu e cuidou de Israel351 (9.717‫)־‬


9.7-17 - Tu és o S enhor , o Deus que elegeste Abrão, e o
tiraste de Ur dos caldeus, e lhe puseste por nome Abraão. Achaste
o seu coração fiel perante ti e com ele fizeste aliança, para dares à
sua descendência a terra dos cananeus, dos hcteus, dos amorreus,
dos ferezeus, dos jebuseus e dos girgaseus; e cumpriste as tuas
promessas, porquanto és justo. Viste a aflição de nossos pais no
Egito, e lhes ouviste o clamor junto ao mar Vermelho. Fizeste sinais
e milagres contra Faraó e seus servos e contra todo o povo da sua
terra, porque soubeste que os trataram com soberba; e, assim,
adquiriste renome, como hoje se vê. Dividiste o mar perante eles,
de maneira que o atravessaram em seco; lançaste os seus
perseguidores nas profundezas, com o uma pedra nas águas
impetuosas. Guiaste-os, de dia, por uma coluna de nuvem e, de
noite, por uma coluna de fogo, para lhes alumiar o caminho por
158 E sdras e N eemias

onde haviam de ir. Desceste sobre o monte Sinai, do céu falaste


com eles e lhes deste juízos retos, leis verdadeiras, estatutos e
mandamentos bons. O teu santo sábado lhes fizeste conhecer;
preceitos, estatutos e lei, por intermédio de Moisés, teu servo,
lhes mandaste. Pão dos céus lhes deste na sua fome e água da
rocha lhes fizeste brotar na sua sede; e lhes disseste que entrassem
para possuírem a terra que, com mão levantada, lhes juraste dar.
Porém eles, nossos pais, se houveram soberbamente, e endureceram
a sua cerviz, e não deram ouvidos aos teus mandamentos. Recusaram
ouvir-te e não se lembraram das tuas maravilhas, que lhes fizeste;
endureceram a sua cerviz e na sua rebelião levantaram um chefe,
com o propósito de voltarem para a sua servidão no Egito. Porém tu,
ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te e
grande em bondade, tu não os desamparaste.

A oração dos levitas contrasta a fidelidade de Deus com a in-


gratidão dos israelitas. Uma melhor compreensão de Deus pode ser
alcançada ao recitar seus atos ao longo da história; portanto, a oração
dos levitas relatou as ações de Deus desde a aliança que fez com
Abraão até o retom o do exílio. A oração continua a exaltar o Deus
que não apenas criou o mundo, mas também o Deus que escolheu
Abrão (pai exaltado) e mudou seu nome para Abraão (pai de uma
multidão). Abraão foi fiel; por essa razão ele recebeu uma aliança do
S enhor . Uma das principais promessas da aliança era a herança da
Terra Prometida, a terra de Canaã, para os descendentes de Abraão.
Deus não apenas escolheu Israel ao escolher Abraão, mas Deus tam-
bém mostrou a sua benignidade para com ele ao proteger e cuidar
dele. A oração enfatiza claramente que Deus, o S enhor justo, sempre
cumpre suas promessas.
O foco do restante da oração está em Deus, na sua fidelidade, no
seu poder, no seu amor, na sua graça e na sua misericórdia. Ao contrá-
rio dos falsos deuses das nações vizinhas, que são cegos, surdos e mu-
dos (SI 115.4-7), Yahweh é o Deus que vê a aflição do seu povo. Deus
libertou o seu povo da escravidão no Egito, ele o levou através do de-
serto e lhe deu suas leis e mandamentos, aos quais o seu povo não
obedeceu. Ainda assim, Deus continuou a amá-lo, porque ele é um
Deus perdoador, gracioso, m isericordioso, paciente e amoroso.
N eem ia s 9 159

III. Deus conduziu Israel (9.18-22)

9.18-22 - Ainda mesmo quando fizeram para si um bezerro de


fundição e disseram: Este é o teu Deus, que te tirou do Egito; e
cometeram grandes blasfêmias. Todavia, tu, pela multidão das tuas
misericórdias, não os deixaste no deserto. A coluna de nuvem
nunca se apartou deles de dia, para os guiar pelo caminho, nem a
coluna de fogo de noite, para lhes alumiar o caminho por onde
haviam de ir. E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar;
não lhes negaste para a boca o teu maná; e água lhes deste na sua
sede. Desse modo os sustentaste quarenta anos no deserto, e
nada lhes faltou; as suas vestes não envelheceram, e os seus pés
não se incharam. Também lhes deste reinos e povos, que lhes
repartiste em porções; assim, possuíram a terra de Seom, a saber, a
terra do rei de Hesbom e a terra de Ogue, rei de Basã.

Essa parte da oração continua a contrastar a infidelidade dos isra-


elitas com a fidelidade de Deus. O cronista conta novamente sobre o
perdão de Deus ao seu povo e sua misericórdia para com ele, ainda que
ele tivesse adorado um bezerro de ouro. Deus continuou a mostrar
graça e misericórdia para com o povo, conduzindo-o milagrosamente
através do deserto pelas colunas de nuvem e fogo. A presença do Espí-
rito de Deus teve um propósito didático - as pessoas somente podiam
aprender sobre Deus por meio do Espírito de Deus. Deus providenciou
tanto alimento espiritual quanto físico, e milagres como “as suas vestes
não envelheceram, e os seus pés não se incharam”. Além disso, Deus
lhe deu a vitória sobre seus inimigos. As vitórias que o povo experimen-
tou desde o deserto até a Terra Prometida não são atribuídas ao gênio
militar de Josué, mas à onipotência de Deus. Deus deu ao seu povo
reinos e povos. Essa oração nos faz lembrar mais uma vez de que a
Bíblia é um livro sobre Deus.

IV. D eus repreendeu Israel (9.23-30)

9.23-30 - Multiplicaste os seus filhos como as estrelas do


céu e trouxeste-os à terra de que tinhas dito a seus pais que nela
entrariam para a possuírem. Entraram os filhos e tomaram posse da
terra; abateste perante eles os moradores da terra, os cananeus, e
lhos entregaste nas mãos, como também os reis e os povos da
160 E sdras e N eemias

terra, para fazerem deles segundo a sua vontade. Tomaram cidades


fortificadas e terra fértil e possuíram casas cheias de toda sorte de
coisas boas, cisternas cavadas, vinhas e olivais e árvores frutíferas
em abundância; comeram, e se fartaram, e engordaram, e viveram
em d elícias, pela tua grande bondade. Ainda assim foram
desobedientes e se revoltaram contra ti; viraram as costas à tua lei
e mataram os teus profetas, que protestavam contra eles, para os
fazerem voltar a ti; e cometeram grandes blasfêmias. Pelo que os
entregaste nas mãos dos seus opressores, que os angustiaram;
mas no tempo de sua angústia, clamando eles a ti, dos céus tu os
ouviste; e, segundo a tua grande m isericórdia, lhes deste
libertadores que os salvaram das mãos dos que os oprimiam. Porém,
quando se viam em descanso, tomavam a fazer o mal diante de ti;
e tu os desamparavas nas mãos dos seus inimigos, para que
dominassem sobre eles; mas, convertendo-se eles e clamando a ti,
tu os ouviste dos céus e, segundo a tua misericórdia, os livraste
muitas vezes. Testemunhaste contra eles, para que voltassem à
tua lei; porém eles se houveram soberbamente e não deram ouvidos
aos teus mandamentos, mas pecaram contra os teus juízos, pelo
cumprimento dos quais o homem viverá; obstinadamente deram
de ombros, endureceram a cerviz e não quiseram ouvir. No entanto,
os aturaste por muitos anos e testemunhaste contra eles pelo teu
Espírito, por intermédio dos teus profetas; porém eles não deram
ouvidos; pelo que os entregaste nas mãos dos povos de outras
terras.

A oração continua a mostrar o completo contraste entre a bonda-


de de Deus e a rebelião do povo. Deus abençoou seus filhos com des-
cendentes, com vitória sobre os seus inim igos e com inúmeras provi-
sões. Em vez de responderem com consagração, eles responderam
com desobediência. Em vez de responderem com simples submissão,
eles responderam com rebelião arrogante. Em vez de conhecerem a Deus
por meio dos profetas, eles mataram os profetas de Deus. O povo virou
as costas para a boa Lei; virou as costas para Deus em vez de voltar-se
para o bom S enhor que o escolheu para ser seu povo.
Os versículos 28-29 recordam os dias dos Juizes, quando o povo
de Deus passou por um ciclo vicioso de pecado, opressão do inim igo,
clamor a Deus e libertação.352 Visto que as advertências de Deus por
N eemias 9 161

meio do Espírito e de seus profetas não foram atendidas, Deus final-


mente permitiu que seu povo fosse para o exílio. De fato, em 722 a.C ,
os assírios dominaram Samaria e levaram algumas pessoas do Reino
do Norte para o cativeiro. A irmã de Israel, Judá, não aprendeu a lição
com Israel, por isso Deus enviou Nabucodonosor para tomar Jerusa-
lém. O rei da Babilônia queimou a cidade com fogo, destruiu o templo e
levou alguns para o exílio. O pecado do povo se encontrou com o julga-
mento de Deus, mas somente depois de Deus persistentemente buscar
seu povo, chamando-o ao arrependimento e à mudança. A repreensão
de Deus sempre está enraizada no amor de Deus, e sempre seguida
pela restauração de Deus. A mensagem sobre o pecado de Israel, se-
guido pela repreensão e restauração de Deus, é central para a mensa-
gem dos profetas pré-exílicos, exílicos e pós-exílicos.

V. Deus concedeu graça a Israel (9.31-38)


9.31-38 - Mas, pela tua grande misericórdia, não acabaste
com eles nem os desamparaste; porque tu és Deus clemente e
misericordioso. Agora, pois, ó Deus nosso, ó Deus grande,
poderoso e temível, que guardas a aliança e a misericórdia, não
menosprezes toda a aflição que nos sobreveio, a nós, aos nossos
reis, aos nossos príncipes, aos nossos sacerdotes, aos nossos
profetas, aos nossos pais e a todo o teu povo, desde os dias dos
reis da Assíria até ao dia de hoje. Porque tu és justo em tudo
quanto tem vindo sobre nós; pois tu fielmente procedeste, e nós,
perversamente. Os nossos reis, os nossos príncipes, os nossos
sacerdotes e os nossos pais não guardaram a tua lei, nem deram
ouvidos aos teus mandamentos e aos teus testemunhos, que
testificaste contra eles. Pois eles no seu reino, na muita abundância
de bens que lhes deste, na terra espaçosa e fértil que puseste
diante deles não te serviram, nem se converteram de suas más
obras. Eis que hoje somos servos; e até na terra que deste a nossos
pais, para comerem o seu fruto e o seu bem, eis que somos servos
nela. Seus abundantes produtos são para os reis que puseste sobre
nós por causa dos nossos pecados; e, segundo a sua vontade,
dominam sobre o nosso corpo e sobre o nosso gado; estamos em
grande angústia. Por causa de tudo isso, estabelecemos aliança fiel
e o escrevemos; e selaram-na os nossos príncipes, os nossos
levitas e os nossos sacerdotes.
162 E sdras e N eemias

Deus é descrito como misericordioso353 e clem ente,354 grande,355


tem ível,356 leal à aliança, amoroso,357justo358 e reto. O povo de Deus é
descrito como perverso, desobediente, rebelde e sem vontade para ser-
vir ou se arrepender. O povo de Deus compreendeu que se tomara
escravo de outras nações devido à sua rebeldia e desobediência.
Ele sabia que o ex ílio era o veículo pelo qual colhera o fruto da sua
desobediência e rebelião. O povo mostrou seu espírito arrependido e
redirecionou seus corações, fazendo uma aliança com Deus.359
T e x to A ção d e D eus
9 .7 D e u s e s c o lh e u
9 .7 D e u s tirou
9 .7 D e u s m u d ou 0 n o m e d e A b rão
9 .8 D e u s ex a m in a 0 coração
9 .8 D e u s in ic ia e fa z u m a alia n ça
9 .9 D e u s v iu a a fliç ã o d o seu p o v o
9 .9 D e u s o u v iu 0 cla m o r d o se u p o v o
9 .1 0 D e u s f e z sin a is e m ila g res
9 .1 1 D e u s d iv id iu o mar
9 .1 2 D e u s o s g u io u n o d eserto
9 .1 3 D e u s d eu ao se u p o v o le is verd ad eiras, esta tu to s e
m a n d am en tos b o n s
9 .1 4 D e u s in fo rm o u se u p o v o sob re a im p o rtâ n cia d o S áb ad o
9 .1 5 D e u s a lim en to u seu p o v o c o m 0 m aná dos céus
9 .1 5 D e u s lh e d eu á g u a d a roch a
9 .1 5 D e u s lh e a sseg u ro u a Terra P rom etid a
9 .1 7 D e u s p erd o o u
9 .1 7 D e u s fo i g r a c io s o para c o m se u p o v o
9 .1 7 D e u s f o i p a c ie n te para c o m seu p o v o
9 .2 0 D e u s lh e d eu se u E sp írito
9.2 1 D e u s su sten to u 0 se u p o v o
9 .2 2 D e u s d eu a o se u p o v o vitó ria so b r e s e u s in im ig o s
9 .2 3 D e u s fe z se u s filh o s férteis
9 .2 7 D e u s en treg o u se u p o v o n a s m ã o s d o s se u s in im ig o s
9 .2 7 D e u s p ro v eu seu p o v o c o m líd e r e s q u e o s libertaram
9 .2 9 - 3 0 D e u s ad vertiu se u p o v o q u a n d o e le f e z o q u e era m al
9.31 D e u s te v e c le m ê n c ia e m iseric ó rd ia para c o m seu p o v o

T ab ela x: A s e x p r e ss õ e s q u e d e sc r e v e m a gran d eza, o p o d er, o am or e a graça


d e D e u s na ora çã o le v ític a d e N e e m ia s 9 .6 - 3 1 .
Neemias 10

Esboço
10.1-27 - Os signatários da aliança
10.28-29 - As promessas da aliança
10.30-39 - As estipulações da aliança

I. Os signatários da aliança (10.1-27)

10.1-27 - Os que selaram foram: Neemias, o governador, filho


de Hacalias, e Zedequias, Seraías, Azarias, Jeremias, Pasur, Amarias,
Malquias, Hatus, Sebanias, Maluque, Harim, Meremote, Obadias,
Daniel, Ginetom, Baruque, Mesulão, Abias, Miamim, Maazias,
Bilgai, Semaías; estes eram os sacerdotes. E os levitas: Jesua, filho
de Azanias, Binui, dos filhos de Henadade, Cadmiel e os irmãos deles:
Sebanias, Hodias, Quelita, Pelaías, Hanã, Mica, Reobe, Hasabias, Zacur,
Serebias, Sebanias, Hodias, Bani e Beninu. Os chefes do povo: Parós,
Paate-Moabe, Elão, Zatu, Bani, Buni, Azgade, Bebai, Adonias,
Bigvai, Adim, Ater, Ezequias, Azur, Hodias, Hasum, Besai, Harife,
Anatote, Nebai, Magpias, Mesulão, Hezir,360Mesezabel, Zadoque,
Jadua, Pelatias, Hanã, Anaías, Oseias, Hananias, Hassube, Haloés,
Pilha, Sobeque, Reum, Hasabna, Maaseias, Aías, Hanã, Anã,
Maluque, Harim e Baaná.

A lista de nomes dos que assinaram a aliança é encabeçada por


Neemias, que é apresentado como governador. Na verdade, o título
tirshãthã é de origem persa e aparece cinco vezes em Esdras-Neemias
(Ed 2.63; Ne 7.65,69; 8.9; 10.2). A palavra identifica o governador persa
no Israel pós-exílico. Os deveres de Zedequias são desconhecidos,
embora alguns sugiram que ele possa ter sido secretário de Neemias.361
A lista inclui 21 sacerdotes, 17 levitas e 44 líderes leigos.
164 E sdras e N eemias

II. As prom essas da aliança (10.28-29)

10.28-29 - O resto do povo, os sacerdotes, os levitas, os


porteiros, os cantores, os servidores do templo e todos os que
se tinham separado dos povos de outras terras para a Lei de
Deus, suas mulheres, seus filhos e suas filhas, todos os que
tinham saber e entendimento, firmemente aderiram a seus irmãos;
seus nobres convieram, numa imprecação e num juramento, de
que andariam na Lei de Deus, que foi dada por intermédio de
Moisés, servo de Deus, de que guardariam e cumpriríam todos
os mandamentos do S enhor , nosso Deus, e os seus juízos e os
seus estatutos.

O povo de Deus se realinhou com Deus e com sua Lei, e compro-


meteu-se a andar na Lei de Deus e a observar os seus mandamentos,
juízos e estatutos. A ideia de “andar” na Lei de Deus está presente em
todo o Antigo Testamento. Josué exortou o povo que entrou na Terra
Prometida a andar na Lei de Deus (Js 22.5), e o salmista classificou
como “bem-aventurados” aqueles que fazem o mesmo (SI 119.1). Por
outro lado, aqueles que não andam na Lei de Deus passaram a fazer o
mal aos olhos do Senhor (2Rs 10.31) e, finalmente, foram levados para
o exílio (Jr 32.23). O conceito de guardar os mandamentos e estatutos
de Deus também está sempre presente no Antigo Testamento, come-
çando com o Pentateuco e terminando com os Escritos (Dt 4.40; 11.1;
26.17; lRs 2.3; 2Rs 23.3; 2Cr 34.31). As palavras “juízos” e “estatu-
tos” aparecem juntas com frequência em todas as três partes do Antigo
Testamento. Elas aparecem 27 vezes no Pentateuco, 27 vezes nos Pro-
fetas e 10 vezes nos Escritos.
O juramento do povo foi reforçado por uma maldição. Williamson
afirma que “essa foi provavelmente a aceitação ritual de alguma forma
de julgamento que eles sabiam que cairia justamente sobre eles caso
transgredissem os termos de seu compromisso”.162 Essa não foi uma
incursão espiritual individual, mas sim a adesão do povo com suas famí-
lias a uma aliança para seguir a Deus e sua Lei. Na verdade, se o povo
queria um relacionamento renovado com Deus, ele devia voltar a uma
obediência completa e inabalável da sua Lei.
N e e m ia s 10 165

III. As estipulações da aliança363 (10.30-39)

10.30-39 - De que não dariam as suas filhas aos povos da


terra, nem tomariam as filhas deles para os seus filhos; de que,
trazendo os povos da terra no dia de sábado qualquer mercadoria
e qualquer cereal para venderem, nada comprariam deles no sábado,
nem no dia santificado; e de que, no ano sétimo, abriríam mão da
colheita e de toda e qualquer cobrança. Também sobre nós pusemos
preceitos, impondo-nos cada ano a terça parte de um siclo para o
serviço da casa do nosso Deus, e para os pães da proposição, e
para a contínua oferta de manjares, e para o contínuo holocausto
dos sábados e das Festas da Lua Nova, e para as festas fixas, e
para as coisas sagradas, e para as ofertas pelo pecado, e para fazer
expiação por Israel, e para toda a obra da casa do nosso Deus.
Nós, os sacerdotes, os levitas e o povo deitamos sortes acerca da
oferta da lenha que se havia de trazer à casa do nosso Deus,
segundo as nossas famílias, a tempos determinados, de ano em
ano, para se queimar sobre o altar do S enhor, nosso Deus, como
está escrito na Lei. E que também traríamos as primícias da nossa
terra e todas as primícias de todas as árvores frutíferas, de ano em
ano, à Casa do S enhor; os primogênitos dos nossos filhos e os do
nosso gado, como está escrito na Lei; e que os primogênitos das
nossas manadas e das nossas ovelhas traríamos à casa do nosso
Deus, aos sacerdotes que ministram nela. As primícias da nossa
massa, as nossas ofertas, o fruto de toda árvore, o vinho e o azeite
traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do nosso Deus; os
dízimos da nossa terra, aos levitas, pois a eles cumpre receber os
dízimos em todas as cidades onde há lavoura. O sacerdote, filho
de Arão, estaria com os levitas quando estes recebessem os
dízimos, e os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do
nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro. Porque àquelas
câmaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas
do cereal, do vinho e do azeite; porquanto se acham ali os vasos
do santuário, como também os sacerdotes que ministram, e os
porteiros, e os cantores; e, assim, não desampararíamos a casa do
nosso Deus.

A questão dos casamentos mistos foi abordada em primeiro lugar,


e o povo se comprometeu a manter-se santo ao S enhor , não permitindo
166 E sdras e N eemias

que seus filhos se casassem com os gentios. Embora a lei mais antiga
(Êx 3 4 .1 1 1 6 ‫ )־‬expressamente proibisse o casamento com os amor-
reus, cananeus, hititas, perezeus, heveus e jebuseus, Neem ias expan-
diu essa lei, incluindo todas as nações estrangeiras. Clines observa
corretamente que

o espírito da lei pode ser mais rigoroso do que a letra. Uma


interpretação mais literal da lei do Pentateuco teria permitido
casamentos com asdoditas, amonitas e moabitas - pois eles não
são explicitamente mencionados entre as nações proibidas. Esdras,
Neemias e os eruditos da época de Neemias adotaram uma
interpretação de acordo com o espírito (poderiamos dizer assim),
pois claramente a intenção das leis do Pentateuco era proibir o
casamento com nações estrangeiras próximas (cananeus,
palestinos).364

Segundo, o povo jurou guardar o Sábado e tratá-lo de acordo com


a intenção original, a saber, mantê-lo santo. Até agora, o povo de Deus
tinha ignorado sua ordem concernente ao ano sabático. De acordo com
a Lei, no sétimo ano a terra não deveria ser cultivada (Êx 23.10-11; Lv
25.2-7), mas o povo desobedeceu grosseiramente esse mandamento, e
o cronista registra que esse foi um dos motivos do exílio.

Os que escaparam da espada, a esses levou ele para a


Babilônia, onde se tomaram seus servos e de seus filhos, até ao
tempo do reino da Pérsia; para que se cumprisse a palavra do
S enhor , por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos
seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os
setenta anos se cumpriram (2Cr 36.20-21).

Essa mudança também levou o povo a cancelar a cobrança de


dívidas durante o ano sabático, como estipulado no Pentateuco desde
os tempos de M oisés (Dt 15.1-3).
Para o templo funcionar eficazmente, foi exigido anteriormente que
o povo contribuísse com meio siclo (Êx 30.13). A mudança para um terço
de siclo pode ser explicada pelo fato de que o sistema monetário persa
era diferente do usado nos tempos pré-conquista. Essa oferta garantia
que os pães da proposição fossem providenciados para o Lugar Santo, e
N eemias 10 167

que os recursos estivessem disponíveis para as ofertas e as celebra-


ções das festas. O lançamento de sortes para decidir quem traria a
lenha necessária para as ofertas não é mencionado em Levítico (1.17;
6.12ss.), embora o lançar sortes para decidir quem seria o responsável
por uma determinada tarefa não era um conceito estranho no Antigo
Testamento (Js 18.6-10; ISm 14.42; lC r25.8; Jn 1.7).
A fim de que o quadro de servidores do templo realizasse suas
tarefas, tinha que ser fornecido alimento pelo povo de suas primícias.
A exigência de primícias para essas ofertas foi iniciada no período de
M oisés (Êx 23.19; 34.26; Dt 26.1-11), assim, o que podería ser visto
como generosidade do povo era simplesmente um retomo à obediência
a Lei de Deus. Além disso, os dízim os que foram declarados santos ao
S enhor (L v 27.30) foram destinados para beneficiar os levitas (Lv 28.30).
No período de Neem ias, os levitas eram tanto beneficiários quanto co-
letores dos dízimos. A promessa “não desampararíamos a casa do nos-
so Deus” poder ser lida como “não desampararíamos mais a casa do
nosso Deus”.365
Neemias 11
E sboço
11.1-24 - O repovoamento de Jerusalém
11.25-36 - As aldeias de Judá e de Benjamim
I. O repovoam ento de Jerusalém (11.1-24)

11.1 -2 - Os príncipes do povo habitaram em Jerusalém, mas o


seu restante deitou sortes para trazer um de dez para que habitasse na
santa cidade de Jerusalém; e as nove partes permaneceríam em outras
cidades. O povo bendisse todos os homens que voluntariamente se
ofereciam ainda para habitar em Jerusalém.
O capítulo 11 concentra-se na “fortificação da força física, huma-
na e governamental de Jerusalém”, bem como “na centralidade reno-
vada da cidade santa”.366Embora os líderes já vivessem em Jerusalém,
eram necessárias mais pessoas para repovoar a capital estéril de Israel.
Na verdade, os repatriados precisavam se engajar em um projeto ati-
vo de urbanização. A prática de redistribuição de populações, conhe-
cida como sinoiquismo (ou sinoecismo, união de aldeias, na Grécia
antiga, em cidade-estado ou polis), também foi usada para estabele-
cer cidades gregas e helenísticas, e envolvia a transferência forçada
de povoados rurais para os centros urbanos.367 Não nos é dito como o
povo chegou à decisão de que 10% das pessoas deveria residir em
Jerusalém, mas não há nenhuma evidência de desacordo. Yamauchi
sugere que a população de Jerusalém, na época de Neemias, tinha
diminuído para 6.000 pessoas.368
Jerusalém é apresentada aqui como “santa cidade”, uma expres-
são usada de modo escasso no Antigo Testamento, mas duas vezes em
Neemias.369 Lipschits sugere que “a santidade se estendeu sobre toda a
cidade. Esse era um tipo de extensão da santidade que prevalecia sobre
o Santo dos Santos (compare lRs 8.10; Ez 42.13-14; etc.), em vez de
sobre todo o santuário (compare Is 27.13; 56.7; 65.11; Ez 20.40; 28.14;
N eemias 11 169

43.12), sobre toda a cidade”.370 Assim , “toda a Jerusalém se toma a


casa de Deus”.371
A prática de lançar sortes não era estranha aos judeus do Antigo
Testamento,372 assim, usá-la nessa situação não teria sido considerado
estranho. O lançamento de sortes sugere que as pessoas preferiam não
viver na capital; por esta razão, como Fensham aponta, “A o lançar as
sortes, já não é Neemias quem os obriga a viver em Jerusalém, mas é a
vontade de Deus”.373 Aqueles que acabaram vivendo em Jerusalém
porque a sorte caiu sobre eles foram contrastados com aqueles que “se
ofereceram voluntariamente para morar em Jerusalém”. Os que se
voluntariarampara viver em Jerusalém foram elogiados (benditos) por
aqueles que preferiram viver em suas cidades e aldeias de origem.374
11.3-9 - São estes os chefes da província que habitaram em
Jerusalém; porém nas cidades de Judá habitou cada um na sua
possessão, nas suas cidades, a saber, Israel, os sacerdotes, os
levitas, os servidores do templo e os filhos dos servos de Salomão.
Habitaram, pois, em Jerusalém alguns dos filhos de Judá e dos
filhos de Benjamim. Dos filhos de Judá: Ataías, filho de Uzias, filho
de Zacarias, filho de Amarias, filho de Sefatias, filho de Maalalel,375
dos filhos de Perez; e Maaseias, filho de Baruque, filho de Col-
Hozé, filho de Hazaías, filho de Adaías, filho de Joiaribe, filho de
Zacarias, filho do silonita. Todos os filhos de Perez que habitaram
em Jerusalém foram quatrocentos e sessenta e oito homens
valentes. São estes os filhos de Benjamim: Saiu, filho de Mesulão,
filho de Joede, filho de Pedaías, filho de Colaías, filho de Maaseias,
filho de Itiel, filho de Jesaías. Depois dele, Gabai e Salai; ao todo,
novecentos e vinte e oito. Joel, filho de Zicri, superintendente
deles; e Judá, filho de Senua, o segundo sobre a cidade.
Os versículos 3-9 listam os líderes de Jerusalém, os versículos 10-14
listam os sacerdotes; os versículos 15-18 listam os levitas; e os versícu-
los 19-24 listam vários outros grupos.376Definitivamente, a lista de lide-
res não é abrangente, uma vez que são dados apenas os líderes das
tribos de Judá e de Benjamim.
11.10-14 - Dos sacerdotes: Jedaías, filho de Joiaribe, Jaquim,
Seraías, filho de Hilquias, filho de Mesulão, filho de Zadoque,
filho de Meraiote, filho de Aitube, príncipe da Casa de Deus, e os
irmãos deles, que faziam o serviço do templo, oitocentos e vinte e
170 E sdras e N eemias

dois; e Adaías, filho de Jeroão, filho de Pelalias, filho de Anzi, filho


de Zacarias, filho de Pasur, filho de Malquias, e seus irmãos, cabeças
de famílias, duzentos e quarenta e dois; e Amasai, filho de Azarei,
filho de Azai,377filho de Mesilemote, filho de Imer, e os irmãos deles,
homens valentes, cento e vinte e oito; e, superintendente deles,
Zabdiel,378filho de Gedolim.
Cinco famílias sacerdotais são mencionadas aqui. Os nomes que
aparecem em outras partes de Esdras-Neemias são: Jedaías (Ed 2.36),
Seraías (Ed 2.2; 7.1; Ne 10.2; 12.1,12), Adaías (Ne 11.5).
11.15-18- Dos levitas: Semaías, filho de Hassube, filho de
Azricão, filho de Hasabias, filho de Buni; Sabetai e Jozabade, dos
cabeças dos levitas, que presidiam o serviço de fora da Casa de
Deus; Matanias, filho de Mica, filho de Zabdi,379filho de Asafe, o
chefe, que dirigia os louvores nas orações, e Baquebuquias, o
segundo de seus irmãos; depois, Abda, filho de Samua, filho de
Galai,380filho de Jedutum. Todos os levitas na santa cidade foram
duzentos e oitenta e quatro.
Os levitas e cantores são mencionados juntos, ao contrário das lis-
tas anteriores, nas quais foram listados separadamente (Ed 7.7). Somos
informados a respeito de algumas das responsabilidades dos líderes, algo
que está ausente nas listas anteriores. M atanias era o líder do louvor.
A palavra traduzida como “louvores” vem da tradução grega, uma vez
que o texto hebraico tem teshillah, que significa “início”. Esse é um
exemplo clássico de um erro intencional do escriba, visto que a palavra
hebraica que significa “louvor” é tehillah. Matanias era descendente
direto de Asafe. N esse caso, a expressão “filho de” indica a linhagem da
família, não o filho imediato. O número de levitas é relativamente peque-
no quando comparado com o total da população repatriada, e especial-
mente quando comparado com o número de sacerdotes. Batten calcula
que “há pouco mais de quatro sacerdotes para cada levita”.381
11.19-24 - Dos porteiros: Acube, Talmom e os irmãos deles,
os guardas das portas, cento e setenta e dois. O restante de
Israel, dos sacerdotes e levitas se estabeleceu em todas as cidades
de Judá, cada um na sua herança. Os servidores do templo habitaram
em Ofel e estavam a cargo de Zia e Gispa. O superintendente dos
levitas em Jerusalém era Uzi, filho de Bani, filho de Hasabias, filho
N eem ia s 11 171

de Matanias, filho de Mica, dos filhos de Asafe, que eram cantores


ao serviço da Casa de Deus. Porque havia um mandado do rei a
respeito deles e certo acordo com os cantores, concernente às
obrigações de cada dia. Petaías, filho de Mesezabel, dos filhos
de Zera, filho de Judá, estava à disposição do rei, em todos os
negócios do povo.
Apenas dois porteiros são mencionados aqui, o que indica que
essa não é uma lista abrangente.382 Os servidores do templo viviam em
Ofel, “o morro que leva até o Templo, no extremo norte da cidade”.383
O versículo 24 nos dá outro vislumbre de como a monarquia persa
lidava com os judeus. O rei persa nomeou um líder judeu, um levita,
para manter a corte real informada sobre todas as necessidades que o
povo pudesse ter. Petaías serviu, então, como conselheiro do rei persa
em favor do povo judeu.384
II. As aldeias de Judá e de Benjam im 385 (1 1 .2 5 3 6 ‫)־‬
11.25-36 - Quanto às aldeias, com os seus campos, alguns
dos filhos de Judá habitaram em Quiriate-Arba e suas aldeias, em
Dibom e suas aldeias, em Jecabzeel e suas aldeias, e em Jesua, em
Moladá, em Bete-Palete, em Hazar-Sual, em Berseba e suas aldeias;
em Ziclague, em Mecona e suas aldeias; em En-Rimom, em Zorá,
em Jarmute; em Zanoa, em Adulão e nas aldeias delas; em Laquis
e em seus campos, em Azeca e suas aldeias. Acamparam-se desde
Berseba até ao vale de Hinom. Os filhos de Benjamim também se
estabeleceram em Geba e daí em diante, em Micmás, Aia, Betei e
suas aldeias; em Anatote, em Nobe, em Ananias, em Hazor, em
Ramá, em Gitaim, em Hadide, em Zeboim, em Nebalate, em Lode e
em Ono, no vale dos Artífices. Dos levitas, havia grupos tanto em
Judá como em Benjamim.
“Desde Berseba até ao vale de Hinom” é um resumo das frontei-
ras de Judá. O território de Benjamim é resumido pela menção das
cidades maiores e menores.386 Algumas das cidades mais importantes
mencionados foram Geba,387 Anatote388 e Ramá.389
Texto Lista de assentados Número de assentados
7.6-71 Aqueles que retornam do cativeiro 30.447
11.4-19 Aqueles que se estabeleceram em Jerusalém 3.044
Neemias 12
E sboço
12.1-26 - Os sacerdotes e os levitas que retomaram do exílio
12.27-43 - O muro da cidade é dedicado
12.44-47 - Ofertas para o serviço do templo

I. Os sacerdotes e os levitas que retornaram do exílio (12.1-26)

12.1-9 - São estes os sacerdotes e levitas que subiram com


Zorobabel, filho de Sealtiel, e com Jesua: Seraías, Jeremias, Esdras,
Amarias, Maluque, Hatus, Secanias, Reum, Meremote, Ido, Ginetoi,
Abias, Miamim, Maadias, Bilga, Semaías, Joiaribe, Jedaías, Saiu,
Amoque, Hilquias e Jedaías; estes foram os chefes dos sacerdotes
e de seus irmãos, nos dias de Jesua. Também os levitas Jesua,
Binui, Cadmiel, Serebias, Judá e Matanias; este e seus irmãos
dirigiam os louvores. Baquebuquias e Uni, seus irmãos, estavam
defronte deles, cada qual no seu mister.

Os nove primeiros versículos listam os nomes de famílias dos


sacerdotes e dos levitas que retornaram sob a liderança de Zorobabel.
Kidner identifica três listas diferentes em Neemias, capítulos 10-12.
Neemias 12.1-7 contém a lista dos primeiros a chegar, Neemias 12.12-
21 contém a lista de uma geração posterior, enquanto que Neemias
10.2-8 contém a lista de pessoas da geração de Neemias.390
12.10-11 - Jesua gerou a Joiaquim,391 Joiaquim gerou a
Eliasibe, Eliasibe gerou a Joiada, Joiada gerou a Jônatas, e Jônatas
gerou a Jadua.

Os versículos 10 e 11 apresentam uma lista de sacerdotes que se


estende por mais de 100 anos (538-400 a.C.). A lista mostra a conexão
entre Jesua, o sumo sacerdote na época do retomo, Eliasibe, o sumo
sacerdote durante o período de Neemias, e Jônatas.392
N ee m ia s 12 ]7 3

12.12-21 - Nos dias de Joiaquim, foram sacerdotes, cabeças


de famílias: de Seraías, Meraías; de Jeremias, Hananias; de Esdras,
Mesulão; de Amarias, Joanã; de Maluqui, Jônatas; de Sebanias,
José; de Harim, Adna; de Meraiote, Helcai; de Ido, Zacarias; de
Ginetom, Mesulão; de Abias, Zicri; de Miniamim e de Moadias,
Piltai; de Bilga, Samua; de Semaías, Jônatas; de Joiaribe, Matenai;
de Jedaías, Uzi; de Salai, Calai; de Amoque, Héber; de Hilquias,
Hasabias; de Jedaías, Netanel.

Os versículos 12-21 listam os cabeças das casas sacerdotais nos


tempos de Joiaquim. As 21 famílias listadas aqui já foram mencionadas
nos primeiros sete versículos, e são repetidas aqui com o propósito de
mencionar o nome dos cabeças das famílias.393

12.22-26-D o s levitas, nos dias deEliasibe, foram inscritos


como cabeças de famílias Joiada, Joanã e Jadua, como também os
sacerdotes, até ao reinado de Dario, o persa. Os filhos de Levi foram
inscritos como cabeças de famílias no Livro das Crônicas, até aos
dias de Joanã, filho de Eliasibe. Foram, pois, chefes dos levitas:
Hasabias, Serebias e Jesua, filho de Cadmiel; os irmãos deles lhes
estavam fronteiros para louvarem e darem graças, segundo o
mandado de Davi, homem de Deus, coro contra coro. Matanias,
Baquebuquias, Obadias, Mesulão, Talmom e Acube eram porteiros
e faziam a guarda aos depósitos das portas. Estes viveram nos dias
de Joiaquim, filho de Jesua, filho de Jozadaque, e nos dias de Neemias,
o governador, e de Esdras, o sacerdote e escriba.

Os versículos 22-26 nos dão uma lista concernente aos levitas, a qual
é baseada em material de arquivo, como o Livro das Crônicas (v. 23).
Ela não tem o propósito de ser uma lista exaustiva, mas são dados alguns
indícios cronológicos na menção a Dario, o persa (v. 22), Joiaquim,
Esdras e Neemias (v. 26). Esses não são mencionados em ordem cro-
nológica, mas “mencionados em sua ordem oficial de importância”.394

II. O m uro da cidade é dedicado (12.27-43)

12.27-30 - Na dedicação dos muros de Jerusalém, procuraram


aos levitas de todos os seus lugares, para fazê-los vir a fim de que
fizessem a dedicação com alegria, louvores, canto, címbalos, alaúdes
174 E sd r a s e N eem ia s

e harpas. Ajuntaram-se os filhos dos cantores, tanto da campina


dos arredores de Jerusalém como das aldeias dos netofatitas, como
também de Bete-Gilgal e dos campos de Geba e de Azmavete;
porque os cantores tinham edificado para si aldeias nos arredores
de Jerusalém. Purificaram-se os sacerdotes e os levitas, que também
purificaram o povo e as portas e o muro.

Não sabemos quanto tempo decorreu desde a conclusão do muro


até a sua dedicação, mas quando a hora chegou, Neemias convocou os
levitas que haviam se instalado em zonas rurais nos arredores. A ce-
lebração envolve alegria, louvores e canto.395 As aldeias e regiões
mencionadas são do norte de Jerusalém (Netofá, Geba, Azmavete) e
do leste de Jerusalém (Bete-Gilgal). Não é explicado como os sacerdo-
tes e os levitas se purificaram, mas estes rituais de purificação geral-
mente envolviam a lavagem do corpo e da roupa, juntamente com a
apresentação de ofertas e a abstenção de relações sexuais (Êx 19.10;
Lv 16.28; Nm 8.21). Também não é explicado como os sacerdotes e
levitas purificaram o povo, as portas e o muro.

12.31-37- Então, fiz subir os príncipes de Judá sobre o muro


e formei dois grandes coros em procissão, sendo um à mão direita
sobre a muralha para o lado da Porta do Monturo. Após eles, ia
Hosaías e a metade dos príncipes de Judá, Azarias, Esdras,
Mesulão, Judá, Benjamim, Semaías e Jeremias; e dos filhos dos
sacerdotes, com trombetas: Zacarias, filho de Jônatas, filho de
Semaías, filho de Matanias, filho de Micaías, filho de Zacur, filho
de Asafe, e seus irmãos, Semaías, Azarei, Milalai, Gilalai, Maai,
Netanel, Judá e Hanani, com os instrumentos músicos de Davi,
homem de Deus; Esdras, o escriba, ia adiante deles. A entrada da
Porta da Fonte, subiram diretamente as escadas da Cidade de Davi,
onde se eleva o muro por sobre a casa de Davi, até à Porta das
Águas, do lado oriental.

A dedicação dos muros incluiu duas procissões, uma indo para o


sul, e outra, para o norte. Os versículos 31-37 descrevem o movimento
processional para o sul em direção à Porta do Monturo, que incluiu um
coro (v. 31), trombetistas (v. 35) e uma orquestra formada por diferentes
instrumentos musicais (v. 36). A procissão, então, foi uma celebração
musical liderada por Esdras (v. 36).396 Esse versículo fornece ainda
N eemias 12 175

mais evidência de que Esdras e Neemias foram de fato contemporâneos,


estando ambos presentes na dedicação do muro.

12.38-43 - O segundo coro ia em frente, e eu, após ele; metade


do povo ia por cima do muro, desde a Torre dos Fomos até ao
Muro Largo; e desde a Porta de Efraim, passaram por cima da Porta
Velha e da Porta do Peixe, pela Torre de Hananel, pela Torre dos
Cem, até à Porta do Gado; e pararam à Porta da Guarda. Então,
ambos os coros pararam na Casa de Deus, como também eu e a
metade dos magistrados comigo. Os sacerdotes Eliaquim,397
Maaseias, Miniamim, Micaías, Elioenai, Zacarias e Hananias iam
com trombetas, como também Maaseias, Semaías, Eleazar, Uzi,
Joanã, Malquias, Elão e Ezer; e faziam-se ouvir os cantores sob a
direção de Jezraías. No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios
e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande alegria; também
as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de
Jerusalém se ouviu até de longe.

O segundo coro dirigiu-se para o norte e passou pelas portas e


torres já mencionadas anteriormente no capítulo 3. Destaca-se a Porta
de Efraim, que não é mencionada no capítulo 3, portanto, uma das poucas
portas que não necessitaram de reparo. A celebração alcançou seu auge
quando os coros se encontraram no templo. Os sacrifícios oferecidos e
as músicas cantadas foram uma expressão de alegria, uma alegria que se
originava em Deus, o Doador da alegria. A alegria do S enhor não conhe-
cia limites físicos ou de idade. Assim, as canções de alegria e os sons de
comemoração foram ouvidos além dos muros da cidade.398

III. Ofertas para o serviço do templo (12.44-47)

12.44-47 - Ainda no mesmo dia, se nomearam homens para


as câmaras dos tesouros, das ofertas, das primícias e dos dízimos,
para ajuntarem nelas, das cidades, as porções designadas pela Lei
para os sacerdotes e para os levitas; pois Judá estava alegre, porque
os sacerdotes e os levitas ministravam ali; e executavam o serviço
do seu Deus e o da purificação; como também os cantores e
porteiros, segundo o mandado de Davi e de seu filho Salomão.
Pois já outrora, nos dias de Davi e de Asafe, havia chefes dos
cantores, cânticos de louvor e ações de graças a Deus. Todo o
176 E sd r a s e N eem ia s

Israel, nos dias de Zorobabel e nos dias de Neemias, dava aos


cantores e aos porteiros as porções de cada dia; e consagrava as
coisas destinadas aos levitas, e os levitas, as destinadas aos filhos
de Arão.

O regresso do povo a Deus e à sua Lei continuou com a provisão


sendo feita por meio dos dízimos, das contribuições e de outras ques-
tões logísticas, que garantiríam o bom funcionamento dos ministérios do
templo. O povo se alegrou com os sacerdotes e levitas, a quem eles
consideravam como a provisão de Deus de liderança e serviço para
eles. Isso está em nítido contraste com algumas das igrejas atuais, que
permitem que seus líderes se tornem alvos de crítica e ataques perver-
sos das pessoas.
A celebração incluiu música e ritos de purificação (Lv 11-15),
com a parte da música remontando aos tempos de Davi e Salomão.
Na verdade, 1Crônicas 23-26 detalha a organização dos levitas, dos
sacerdotes, dos porteiros e dos músicos. Agora, a organização dos
trabalhadores do templo seguia novamente a prescrição de Davi, que
também foi seguida por seu filho Salomão (2Cr 8.14). Tudo que foi
feito na época de Neemias foi de acordo com o modelo anterior.
Assim como os padrões dos músicos e dos porteiros foram dispôs-
tos como nos tempos de Davi e Salomão, as porções diárias foram
dadas como nos tempos de Moisés e Arão.
Neemias 13
E sboço
13.1-3 - Reforma por meio de exclusão
13.4-9 - Reforma por meio de expulsão
13.10-14 - Reforma por meio de organização
13.15-22 - Reforma por meio da observação do sábado
13.23-31 - Reforma por meio da separação do pecado

I. Reform a por m eio de exclusão (13.1-3)

13.1-3 -N aquele dia, se leu para o povo no Livro de Moisés;


achou-se escrito que os amonitas e os moabitas não entrassem
jamais na congregação de Deus, porquanto não tinham saído ao
encontro dos filhos de Israel com pão e água; antes, assalariaram
contra eles Balaão para os amaldiçoar; mas o nosso Deus converteu
a maldição em bênção. Ouvindo eles, o povo, esta lei, apartaram de
Israel todo elemento misto.

A restauração do muro da cidade foi um desenvolvimento bem-


vindo aos judeus do pós-exílio, mas a reforma do povo era o objetivo
principal de Deus. A reforma por meio da exclusão não é um tema
popular hoje, como provavelmente não era um tema popular na época
de Neemias, mas era, e ainda é, um passo necessário no caminho da
reforma piedosa. Os amonitas e os moabitas foram inimigos de Israel
durante séculos, e aqui eles foram usados como representantes de to-
dos os não israelitas. A referência a Balaão foi feita para lembrar os
judeus do evento histórico no qual o rei Balaque de Moabe contratou o
profeta pagão Balaão para amaldiçoar o povo de Deus (Nm 22.4ss),
porém Deus, em sua soberania, fez Balaão abençoar seu povo ao invés
disso. Da mesma forma, Deus removerá a maldição do casamento misto
com pagãos e a transformará em bênção, uma vez que seu povo obedeça
178 E sdras e N eemias

aos seus mandamentos. Casamentos com não israelitas eram contra a


Lei de Deus desde os tempos de M oisés (Dt 23.4-7).

II. Reforma por meio de expulsão (13.4-9)

13.4-9 - Ora, antes disto, Eliasibe, sacerdote, encarregado


da câmara da casa do nosso Deus, se tinha aparentado com Tobias;
e fizera para este uma câmara grande, onde dantes se depositavam
as ofertas de manjares, o incenso, os utensílios e os dízimos dos
cereais, do vinho e do azeite, que se ordenaram para os levitas,
cantores e porteiros, como também contribuições para os
sacerdotes. Mas, quando isso aconteceu, não estive em Jerusalém,
porque no trigésimo segundo ano de Artaxerxes, rei da Babilônia,
eu fora ter com ele; mas ao cabo de certo tempo pedi licença ao rei
e voltei para Jerusalém. Então, soube do mal que Eliasibe fizera
para beneficiar a Tobias, fazendo-lhe uma câmara nos pátios da
Casa de Deus. Isso muito me indignou a tal ponto, que atirei todos
os móveis da casa de Tobias fora da câmara. Então, ordenei que se
purificassem as câmaras e tomei a trazer para ali os utensílios da
Casa de Deus, com as ofertas de manjares e o incenso.

Não sabemos o que motivou o retomo de Neemias ao palácio real


do rei Artaxerxes, mas somos informados agora que, enquanto ele es-
teve em Susã, algumas coisas impróprias aconteceram em Jerusalém.
Eliasibe (Ne 3.1,20-21; 12.10,22; 13.28), o sumo sacerdote, permitiu
que Tobias, um não israelita, vivesse em uma câmara do templo que
estava destinada a ser um depósito.399 Na verdade, o templo de Saio-
mão foi projetado com armazéns, para serem utilizados para o recolhi-
mento de contribuições, dízimos e ofertas - certamente não para se
tomar local de residência (2Cr 31.11-13). A reação de Neemias foi
dupla: ira e ação. Sua ira o levou a purificar e restaurar a integridade
do tem plo.400 Olyan afirma que “a ordem de Neem ias para que a
câmara fosse purificada sugere que ele a considerava ‘ritualmente’
imunda, e a fonte da imundice (...) é a presença de Tobias, o amonita,
seus pertences e os de sua casa”.401 Os utensílios dom ésticos ritu-
almente imundos de Tobias foram jogados fora e substituídos pelos
utensílios do tem plo - provavelm ente os m esm os tomados durante a
pilhagem de Jerusalém por Nabucodonosor, e utilizados por Belsazar
N e e m ia s 13 179

durante a festa descrita em Daniel 5. A substituição dos utensílios ocor-


reu somente depois de as câmaras serem cerimonialmente purificadas,
como exigido pela Lei (Lv 11-15).

III. Reform a por m eio de organização (13.10-14)

13.10-14 - Também soube que os quinhões dos levitas não


se lhes davam, de maneira que os levitas e os cantores, que faziam
o serviço, tinham fugido cada um para o seu campo. Então, contendí
com os magistrados e disse: Por que se desamparou a Casa de
Deus? Ajuntei os levitas e os cantores e os restituí a seus postos.
Então, todo o Judá trouxe os dízimos dos cereais, do vinho e do
azeite aos depósitos. Por tesoureiros dos depósitos pus Selemias,
o sacerdote, Zadoque, o escrivão, e, dentre os levitas, Pedaías;
como assistente deles, Hanã, filho de Zacur, filho de Matanias;
porque foram achados fiéis, e se lhes encarregou que repartissem
as porções para seus irmãos. Por isto, Deus meu, lembra-te de mim
e não apagues as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus e
para o seu serviço.

Quando o templo deixou de existir, cessou também a entrega dos


dízimos402 ao templo. Enquanto o templo esteve em ruínas, os levitas
não tinham deveres e, portanto, o templo não necessitava de nenhuma
contribuição.403 Os levitas podiam ser pobres, mas eram pragmáticos.
Para sobreviver, eles se mudaram para as zonas rurais que lhes foram
designadas, onde puderam cultivar a terra e sustentar as suas famílias
(Ne 12.28-29). A pergunta de Neemias “Por que se desamparou a Casa
de Deus?” aponta para a negligência para com a função adequada do
templo. Sua pergunta é paralela à que Deus fez ao seu povo por meio
do profeta Ageu: “Acaso, é tempo de habitardes vós em casas apaine-
ladas, enquanto esta casa permanece em ruínas?” (Ag 1.4). Enquanto
que, em Ageu, a questão se concentra no aspecto físico do templo, em
Neemias, o aspecto cúltico foi trazido para o primeiro plano.
Por causa da importância da Lei de Deus e de um retomo a ela,
Neemias escreveu restauração como “resTORAção”. O versículo 12
representa um ponto de virada no relato em que o povo agiu em obediên-
cia à Lei, e trouxe o dízimo dos cereais, do vinho e do azeite mais uma
180 E sdras e N eemias

vez. Na verdade, a Lei afirma claramente que “todas as dízimas da


terra, tanto dos cereais do campo com o dos frutos das árvores, são do
S enhor ; santas são ao S enhor ” (L v 27.30). Sua ação também estava
de acordo com a aliança feita anteriormente, pela qual o povo concor-
dou em “trazer ofertas do cereal, do vinho e do azeite” (N e 10.39).
Neem ias nomeou homens de confiança404 cujo dever era distribuir as
ofertas aos “seus irmãos”. Por quatro vezes no livro de Neem ias, o
líder ora a Deus, “Lembra-te de mim” (5.19; 13.14,22,31). A figura de
linguagem compara a memória de Deus com uma lousa na qual as
boas ações de alguém são registradas.405 Assim , Neem ias pede que
Deus não apague a lousa em que foram registradas as boas ações de
Neem ias para com o tem plo e o culto. Fensham afirma corretamente
que “o tem plo era considerado o lugar onde Deus estava presente.
Importar-se com o tem plo significava também im portar-se com
D eus”.406

IV. Reforma por meio da observação do sábado (13.15-22)


13.15-22 - Naqueles dias, vi em Judá os que pisavam lagares
ao sábado e traziam trigo que carregavam sobre jumentos; como
também vinho, uvas e figos e toda sorte de cargas, que traziam a
Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles por venderem
mantimentos neste dia. Também habitavam em Jerusalém tírios que
traziam peixes e toda sorte de mercadorias, que no sábado vendiam
aos filhos de Judá e em Jerusalém. Contendí com os nobres de
Judá e lhes disse: Que mal é este que fazeis, profanando o dia de
sábado? Acaso, não fizeram vossos pais assim, e não trouxe o
nosso Deus todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? E vós
ainda trazeis ira maior sobre Israel, profanando o sábado. Dando já
sombra as portas de Jerusalém antes do sábado, ordenei que se
fechassem; e determinei que não se abrissem, senão após o sábado;
às portas coloquei alguns dos meus moços, para que nenhuma
carga entrasse no dia de sábado. Então, os negociantes e os
vendedores de toda sorte de mercadorias pernoitaram fora de
Jerusalém, uma ou duas vezes. Protestei, pois, contra eles e lhes
disse: Por que passais a noite defronte do muro? Se outra vez o
fizerdes, lançarei mão sobre vós. Daí em diante não tomaram a vir
no sábado. Também mandei aos levitas que se purificassem e
N e e m ia s 13 181

viessem guardar as portas, para santificar o dia de sábado. Também


nisto, Deus meu, lembra-te de mim; e perdoa-me segundo a
abundância da tua misericórdia.

No zelo do povo de se reerguer por meio do comércio, ele ignorou


a Lei de Deus a respeito do sábado. Os profetas pré-exílicos foram
claros em dizer que uma das razões para o exílio foi precisamente o
fracasso do povo em obedecer ao quarto mandamento (Jr 17.27; Ez
20.16-24). Pode-se esperar que não israelitas se envolvessem em ne-
gócios no sábado (13.16), mas o versículo 15 indica que tais infratores
eram judeus que viviam fora de Jerusalém. O comércio por meio da
Porta do Peixe era intenso, com tírios trazendo peixes e outras merca-
dorias. Isso quer dizer que os judeus tanto vendiam quanto compravam
no sábado, uma prática claramente proibida pela Lei de Moisés (Êx
20.8-10; 31.14-15; 35.2; Lv 23.3; Dt 5.14; Jr 17.22-24). A observância
do Sábado tinha o objetivo de reconhecer a Deus como o Criador e
Sustentador (Êx 20.8-11). Ao quebrar a lei para fins comerciais, as
pessoas diminuíam tanto a grandeza de Deus quanto a sua providência.
Como consequência, Neemias primeiro advertiu o povo (13.15), e, em
seguida, confrontou seus líderes (13.16). Sua lição de história lembrou
o povo do infortúnio de se quebrar a lei, e que foi exatamente isso que
trouxe a destruição e o exílio sobre Israel. A palavra “destruição” se
refere à destruição do templo e de Jerusalém feita por Nabucodonosor,
em 587 a.C., como descrito pelo cronista e por Jeremias (2Cr 36.15-21;
Jr 52.4-15). Sua admoestação: “E vós ainda trazeis ira maior sobre
Israel” (13.18), sugeria que o pecado deles era ainda maior, pois eles
tinham tanto o testemunho da Lei quanto o testemunho da história.
Como um homem de visão e ação, Neemias assumiu o controle
da situação, e as coisas mudaram. Servos foram colocados nos portões
para impedir o transporte de mercadorias durante o Sábado. Ele tam-
bém advertiu que aqueles que se estabeleceram fora dos portões da
cidade, embora mantivessem a letra da Lei, eram culpados pela quebra
de seu espírito (13.20-21). Ele expandiu o papel dos levitas para incluir
a segurança das portas do templo, o que não estava na Lei original.
Neemias mais uma vez recorreu ao amor fiel de Deus (hesed) por
meio do apelo frequentemente repetido, “Lembra-te de mim”.
182 E sdras e N eemias

V. Reforma por meio da separação do pecado (13.23-31)

13.23-25 - Vi também, naqueles dias, que judeus haviam


casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas. Seus filhos
falavam meio asdodita e não sabiam falar judaico, mas a língua de
seu respectivo povo. Contendí com eles, e os amaldiçoei, e
espanquei alguns deles, e lhes arranquei os cabelos, e os conjurei
por Deus, dizendo: Não dareis mais vossas filhas a seus filhos e
não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos nem para
vós mesmos.

Um dos problemas mais graves era o casamento de judeus com


mulheres estrangeiras. Esse problema não se originou na época de
Neemias, visto que Esdras já havia tomado medidas drásticas (Ed 9-10).
Esses casamentos também foram mencionados na renovação da alian-
ça que Neemias e outros líderes propuseram (N e 10), mas fica claro
que o problema persistiu. O casamento misto com mulheres de Asdode,
de Amom e de Moabe era ajudado pelo fato de que as línguas faladas por
esses grupos eram provavelmente semelhantes ao hebraico.407 A dura
reação de Neemias foi descritiva, não prescritiva.408 Esdras era um ho-
mem piedoso como Neem ias, mas sua abordagem foi muito diferente e
muito mais dócil (Ed 9.3-10.1). Essa é a segunda vez no livro que
Neemias fez um grupo de pessoas fazer um juramento,409 e com isso
ele procurava evitar essa grave violação da Lei no futuro.

13.2627‫ ־‬- Não pecou nisto Salomão, rei de Israel? Todavia,


entre muitas nações não havia rei semelhante a ele, e ele era amado
do seu Deus, e Deus o constituiu rei sobre todo o Israel. Não
obstante isso, as mulheres estrangeiras o fizeram cair no pecado.
Dar-vos-íamos nós ouvidos, para fazermos todo este grande mal,
prevaricando contra o nosso Deus, casando com mulheres
estrangeiras?

Para reforçar o seu ponto de vista, Neemias utilizou provável-


mente o melhor exemplo conhecido de sua história. Sua pergunta é
retórica, visto que todos sabiam que a resposta era um sonoro “sim”.
De fato, o(s) cronista(s) deixou claro que, embora Salomão fosse ama-
do por Deus (2Sm 12.24) e grande em fama e sabedoria (lR s 4.29-34),
N eem ia s 13 183

“suas mulheres lhe perverteram 0 coração para seguir outros deuses;


e o seu coração não era de todo fiel para com o S e n h o r , seu Deus”
(lR s 11.4). O ato de casar-se com mulheres pagãs foi descrito como
mau e traiçoeiro. Esse pecado não era contra seus ancestrais ou sua
cultura, mas era uma ofensa contra o Legislador.

13.28 - Um dos filhos de Joiada, filho do sumo sacerdote


Eliasibe, era genro de Sambalate, o horonita, pelo que o afugentei
de mim.

Embora Neemias tivesse uma relação de trabalho com Eliasibe


(Ne 3.1), Eliasibe havia não apenas se associado a Tobias (Ne 13.4),
mas o neto de Eliasibe havia se casado com uma mulher pagã. O que
tomou a situação pior foi que essa mulher era filha de Sambalate, o
horonita, um dos piores inimigos de Neemias. A Lei proibia o sumo
sacerdote de se casar com uma mulher estrangeira (Lv 21.14), e visto
que o neto estava na linhagem de Eliasibe, ele podería vir a se tomar
sumo sacerdote.410 Kidner observa que “nada além de um casamento
com o próprio sumo sacerdote podería ter sido mais sujo”.411 Neemias
expulsou esse neto infrator de Eliasibe da comunidade judaica.

13.29-31 - Lembra-te deles, Deus meu, pois contaminaram o


sacerdócio, como também a aliança sacerdotal e levítica. Limpei-os,
pois, de toda estrangeirice e designei o serviço dos sacerdotes e
dos levitas, cada um no seu mister, como também o fornecimento
de lenha em tempos determinados, bem como as primícias. Lembra-te
de mim, Deus meu, para o meu bem.

Neemias contrasta a si mesmo com aqueles que “contaminaram o


sacerdócio, como também a aliança”. Enquanto os da família de Eliasibe
profanaram o que é santo, Neemias purificou os sacerdotes e os levitas
para que pudessem realizar seu trabalho designado por Deus. Neemias
ainda proveu o que era necessário para o recolhimento das ofertas.
O contraste também pode ser visto nas orações “Lembra-te de
mim” de Neemias (Ne 5.19; 13.14,22,31), em oposição aos pedidos
“Lembra-te deles” (Ne 6.14; 13.29).
O livro de Neemias começa e termina com oração, consistente
com o conceito de Neemias de um Deus poderoso que ouve a oração
184 E sdras e N eemias

do seu povo, e indicativo da humildade de Neemias. Neemias entendeu


que, à parte de Deus e de um relacionamento correto com ele, nada
duradouro podería ser realizado. Fensham conclui,

Uma nova era da adoração judaica começou; adoração de


acordo com os princípios legais prescritos. Foi somente com a
vinda de Cristo e a interpretação da sua vinda por Paulo que outra
era foi iniciada, na qual o fardo legal foi removido dos ombros da
humanidade e o centro da religião colocado em seu sofrimento
vicário na cruz. É a nova era de fé e amor em Jesus Cristo.
Texto Modvo para o pedido Contexto
5.19 Os bons feitos de Neemias impediu o empréstimo de
Neemias dinheiro com juros e cancelou as
dívidas; ele não colocou fardos
pesados sobre o povo como os
governadores anteriores.
13.14 Os tesoureiros do O recolhimento das ofertas para o
templo nomeados templo havia parado durante o exílio;
por Neemias Neemias reinstituiu o dízimo.
1322 Neemias restaura a Neemias impediu o povo de trabalhar e
santidade do Sábado realizar comércio durante o Sábado.
13.31 Neemias lida com os 0 povo quebrou a Lei casando-se com
casamentos mistos mulheres estrangeiras. Neemias proibiu
essa prática.
Os pedidos de “Lembra-te de mim” de Neemias
Como matéria de aplicação, é importante explicar quais princípios
desse texto não se aplicam à comunidade cristã atual. O líder da atualida-
de não deve seguir o exemplo de Neemias literalmente. Assim, o pastor
atual não pode bater em seus congregantes, arrancar os cabelos de quem
pecou ou amaldiçoar aqueles com quem ele não concorda (v. 25).
No entanto, esse capítulo apresenta alguns princípios importantes que
podemos seguir. Em primeiro lugar, Deus deseja que seu povo seja
separado e viva uma vida santa. O povo de Deus não deve se confor-
mar com o mundo, mas transformá-lo. Em segundo lugar, os líderes de
Deus precisam ter a certeza de que a Palavra de Deus tem a primazia,
e que a sua Palavra é o padrão de fé e de prática das pessoas.
Apêndice A
Problemas de autoria em
Esdras-Neemias

A autoria dos livros de Esdras e Neemias tem sido objeto de con-


tínuo debate, conjecturas e pesquisa. Visto que tanto Esdras quanto
Neemias escrevem na primeira pessoa, alguns estudiosos concordam
com o Talmude de que Esdras escreveu a maior parte da obra, enquan-
to que Neemias a concluiu. Alguns estudiosos sugerem que um editor/
compilador reuniu o livro em sua forma atual. Ultimamente, tem sido
sugerido que os autores de Esdras-Neemias foram um grupo de levitas
ou, pelo menos, um grupo clerical pró-levítico. Nessa seção, examina-
rei os argumentos textuais, linguísticos e teológicos a favor e/ou contra
essas opções.

I. Esdras com o o autor de Esdras-N eem ias


A tradição e a literatura rabínica primitiva identificam Esdras como
o autor de Esdras-Neemias. O fato de que os dois livros eram vistos
como uma unidade é mencionado tanto no Talmude Babilônico (Baba
Bathra 15a) quanto nos escritos do historiador judeu do Io século,
Flávio Josefo, bem como nos de Eusébio, o bispo de Cesareia Marítima,
do 3o século. No 3o século, Orígenes dividiu os livros em dois distintos
ao traduzir o Antigo Testamento para o grego. Ao traduzir a Bíblia para
o latim, no 4o século, Jerônimo reconheceu a mesma divisão e a usou na
Vulgata.412W. F. Albright foi um dos principais proponentes desse concei-
to. Juntamente com Torrey, ele viu Esdras como o autor tanto de Crôni-
cas quanto de Esdras-Neemias. Albright cita Torrey: “Não há uma única
roupa em todo o guarda-roupa de Esdras que não caiba perfeitamente no
186 E sdras e N eemias

cronista”.413 Para Albright, Torrey demonstrou que, em nenhum lugar,


as “peculiaridades literárias do cronista (...) são mais fortemente mar-
cadas, mais abundantes, mais uniforme e continuamente distribuídas, e
mais facilmente reconhecíveis do que na narrativa hebraica de Esdras
7-10 e Neemias 8 -1 0”.414 Torrey acreditava que Esdras era como o
cronista, mas não o cronista. Esdras “era um homem exatamente como
o próprio cronista: interessado muito visivelm ente nos levitas, e especi-
almente na classe dos cantores; profundamente preocupado em todos
os momentos com os detalhes do culto e com a organização eclesiásti-
ca em Jerusalém (...)”415 Na introdução de seu comentário sobre Es-
dras-Neemias, Jacob M. Myers também afirma que “após um estudo
mais aprofundado e a pesagem das possibilidades disponíveis, Esdras
aparece cada vez mais como o provável candidato à autoria”.416
G leason Archer concorda, colocand o a chegada de Esdras a
Jerusalém no sétim o ano de A rtaxerxes I Longím ano, em 457 a.C.
(Ed 7 .8 ). E le afirm a que “o próprio Esdras, sem dúvida, escreveu a
maior parte do livro que leva seu nome (...) mas ele evidentemente
incorporou na edição final as memórias pessoais de Neem ias (‫ ״‬.),
incluindo até mesmo a sua forma da lista de repatriados. Usando as
instalações da biblioteca de Neem ias, Esdras provavelmente compôs
Crônicas durante esse mesmo período”.417

II. Um historiador/cronista anônimo como o autor de


Esdras-Neemias
O conceito mais aceito hoje é o de que um cronista, com uma
porção de fontes à sua disposição, foi o autor final de Esdras-Neemias.
Esse conceito abre a porta a uma grande quantidade de perguntas.
Será que o cronista alterou as fontes a partir das quais ele trabalhou?
Será que ele trabalhou com suas próprias idéias? Será que ele distorceu
“muitos fatos em seu zelo para propagar o conceito da sua época”?4'8
J. M. Myers e Η. H. Grosheide adotam uma abordagem positiva e
sugerem que 0 cronista usou “fontes confiáveis, algumas vezes re-
produzindo-as textualmente, e outras, transformando-as em suas pró-
prias palavras”.419 Fensham conclui que “ainda parece melhor aceitar
o cronista como o autor desses dois livros, especialm ente uma vez
A pêndice A 187

que 2Crônicas 36.22-23 pressupõe Esdras 1. (...) o cronista escreveu


uma história pragmática, salientando certos temas religiosos, mas essa
tendência é típica da escrita histórica do AT”.420
Charles C. Torrey sugere que “a grande tarefa do cronista foi
estabelecer a autoridade suprema do culto de Jerusalém. Assim, ele vê
o cronista tanto como um editor quanto como um narrador. Como editor,
ele usou pelo menos duas fontes: 1) Esdras 4.8-6.18, que ele chama de
a ‘história aramaica’, e 2) os primeiros seis capítulos de Neemias, que
ele chama de ‘As palavras de Neemias’.”421
Torrey afirma que “é completamente possível que algumas pala-
vras, ou até mesmo frases, tenham sido alteradas ou acrescentadas por
ele, aqui e ali..., mas podemos estar certos de que ele não realizou altera-
ções significativas nas passagens em aramaico citadas, e é bastante pro-
vável que ele não tenha nem mesmo mudado uma única palavra.”422
Como um narrador independente, o cronista contribui com cerca
de dois terços de Esdras-Neemias. Torrey afirma que o cronista muda
o livro de memórias de Esdras para a primeira pessoa, “imitando o livro
de memórias de Neemias”.423As duas memórias eram dois documentos,
a partir dos quais o cronista trabalhou. No entanto, Torrey chama o
livro de memórias Esdras de um “conto popular aramaico sobre a
construção do templo (...)”, datando “inequivocamente dos reinados
de Artaxerxes I e Dario II”.424 Ele data as memórias de Neemias du-
rante o reinado de Artaxerxes II (405-359 a.C.). Torrey conclui que
além das duas memórias “e alguns dados nos profetas Ageu, Zacarias
e Malaquias, todo o período persa era um espaço em branco, o qual ele
estava livre para preencher como melhor lhe parecesse” .425 Para
Torrey, “o cronista tomou-se um editor mais por necessidade do que
por opção. Quem quer que fosse o cronista, por gosto e talento, ele era
um escritor (...) com um propósito apologético”.426
A autoria comum de Crônicas e Esdras-Neemias tem sido aceita
por muitos por um longo tempo. As coisas começaram a mudar com o
artigo de Sara Japhet de 1968, no qual ela investigou as diferenças
entre Crônicas e Esdras-Neemias. Ela se concentrou em três categorias,
a saber, 1) oposição linguística, 2) termos técnicos, e 3) peculiarida-
des estilísticas.427Ao olhar para a formação do imperfeito consecutivo,
Japhet observa que, no livro de Crônicas, é usada a forma abreviada do
188 E sdras e N eemias

im peifeito consecutivo, enquanto que em Esdras-Neemias, é usada a


forma completa.428 Por exemplo, na dedicação do Templo, como des-
crito em 2Crônicas 6.10, Salomão fala sobre o que ele construiu ao
Nome do S enhor . Aforma verbal é ‫( ו א ב נ ה‬qal, impf, lc s, + vaw conse-
cutivo) = e edifiquei. Em Esdras 1.3, por outro lado, ocorre a forma
abreviada,‫( ריבו‬qal, jussivo, 3ms + vaw conjuntivo) = e edifique. Para
reforçar o seu argumento de que a linguagem em Crônicas e Esdras-
Neemias é bastante diferente, Japhet escolhe as formas imperfeitas da
primeira pessoa com ο Π paragógico. Essa forma aparece com ffequên-
cia em Esdras-Neemias, mas não aparece em nenhum momento em
Crônicas. Como resultado, Japhet conclui, “a diferença entre Esdras-
Neemias e Crônicas não é uma questão de quantidade, mas de princí-
pio. O ponto principal não é a existência dessas formas em Esdras-
Neemias e a sua ausência em Crônicas, mas a presença de um princí-
pio linguístico normativo, que é empregado em Crônicas em contraste
com todos os outros textos do mesmo período.”429
O ataque de Japhet à hipótese do autor único continua com seu
estudo dos nomes teofóricos. Enquanto que em Esdras-Neemias esses
nomes terminam com a curta terminação ‫י ה‬, em Crônicas, tanto as
terminações curtas quanto as longas são usadas para nomes teofóricos.
Quando se trata de termos técnicos, Japhet percebe que, enquanto que
o livro de Crônicas usa ‫ כ הו‬como título para o sumo sacerdote,
o título preferido utilizado em Esdras-Neemias é ‫ ל‬1‫* הג ד‬ΓώΠ 430Assim,
Japhet conclui que “os livros não poderíam ter sido escritos ou
compilados pelo mesmo autor. Parece, antes, que um certo período de
tempo deve separar os dois”.431
Alguns anos mais tarde, o próprio W illiamson olhou para as su-
postas semelhanças entre Crônicas e Esdras-Neemias. De 34 regis-
tros, ele encontrou apenas seis que não favorecem a diversidade de
autoria. Os seis que formam o argumento mais forte a favor da unidade
de autoria são:432

a) ‫ = אעזמה‬transgressão, culpa; uma palavra usada sete vezes


em Crônicas e seis vezes em Esdras (lC r 21.3; duas vezes
em 2Cr 24.18; 28.10,13; 33.23; Ed 9.7,13,15; 10.10, e duas
vezes em 10.19).
A pêndice A 189

b) ‫ = ירם ביוים‬dia a dia, ou no dia a dia; uma expressão que


aparece quatro vezes em Crônicas e três vezes no hebraico
de Esdras-Neemias (lC r 12.23; 2Cr 8.13; 24.11; 30.21;
Ed 3.4; 6.9; Ne 8.18).
c) O uso do artigo definido ‫ ה‬no lugar do pronome relativo.
d) A combinação das preposições ‫ ע ד‬e ‫ ל‬antes de um
substantivo. Essa com binação acontece 15 vezes em
Crônicas e quatro vezes em Esdras.
e ) A palavra ‫= מצלחי ם‬s címbalos aparece 11 vezes em Crônicas,
uma vez em Esdras e uma vez em Neemias.
f) A expressão ‫ ל ה‬1‫ = שמהה ג ד‬grande alegria/regozijo aparece
duas vezes em Crônicas (lC r 29.9; 2Cr 30.26), e três vezes
em Neemias (8.12,17; 12.43).433

Um dos mais recentes estudiosos a rejeitar a autoria comum de


Crônicas e Esdras-Neemias é Tamara Cohn Eskenazi.434 Eu me
concentrarei apenas em sua análise das supostas semelhanças
ideológicas entre Esdras-Neemias e Crônicas. Ela discute seis dessas
principais características ideológicas: Davi e sua dinastia, a ênfase sobre
o culto, as genealogias, o conceito de retribuição, o conceito de Israel,
e a polêmica antissamaritana.

a) Davi. E geralmente aceito que Davi é o principal foco do


cronista. Ele “recebe o crédito por todos os aspectos impor-
tantes da vida de Israel, incluindo a construção do templo. (...)
ele é idealizado (...) aparecendo sem as manchas que marcam
a sua vida em 2Samuel”.435 Visto que Davi é relativamente
insignificante em Esdras-Neemias e tem apenas um papel
periférico, alguns estudiosos concluem que a autoria comum
parece improvável. De fato, em Esdras-Neemias, Zorobabel
não é identificado como um descendente de Davi. Além dis-
so, quando Neemias narra a história de Israel em sua ora-
ção, ele não menciona nem Davi, nem o Templo. Em vez dis-
so, ele é apresentado “como um paradigma para o pecado”
(Ne 13.26).436Assim, Eskenazi conclui que “um contraste de-
cisivo entre os dois livros toma a autoria comum implausível”.437
190 E sd r a s e N eem ia s

b) A ênfase no culto. Visto que os sacerdotes, os levitas, os


músicos, os cantores e os porteiros estão muito presentes
tanto em Crônicas quanto em Esdras-Neemias, alguns estu-
diosos acham irresistível a conclusão de autoria comum.438
Por outro lado, Eskenazi aponta que “os detalhes do culto em
Esdras-Neemias e Crônicas nem sempre concordam, mes-
mo que a terminologia seja semelhante”.439Por exemplo, en-
quanto os cantores e porteiros são contados com os levitas
em Crônicas (2Cr 5.12), eles são contados separadamente
em Esdras-Neemias (Ed 7.24).
c) Genealogias. Embora as genealogias e listas sejam uma
marca registrada do cronista, Μ. Z. Segai mostra que tais
gêneros aparecem também em Gênesis. “Além disso, argu-
menta-se que um estudo atento dessas genealogias ressalta
suas diferenças, não semelhanças.”440 Robert Wilson apon-
ta para o fato de que as genealogias de Crônicas são seg-
mentadas (lC r 1.5-16), enquanto que as de Esdras-Neemias
são lineares. Ele define uma genealogia segmentada como
uma genealogia “que expressa mais do que uma linha de
descendência de um determinado antepassado”. Por outro
lado, uma genealogia linear “expressa apenas uma linha de
descendência de um determinado antepassado”.441 Marshall
D. Johnson argumenta que, embora as genealogias de Es-
dras-Neemias estejam preocupadas com a legitimação, em
Crônicas, o objetivo do autor é “incorporar na sua obra todos
os dados genealógicos contidos em Gênesis”. Johnson argu-
menta que “os livros de Esdras e Neemias como um todo
apresentam a ideia de pureza genealógica de forma mais
explícita do que qualquer outro material do AT. O autor está
preocupado com que ‘a semente santa’ (U71Í2H ‫ ) ל ר ע‬não se
misture com os povos de outras terras. Assim também o
material genealógico é aqui utilizado para salvaguardar a
pureza da nação - uma função não explícita em outras se-
ções genealógicos do AT.”442
d) O conceito de retribuição. O cronista pressupõe que o destino
de cada geração é determinado por sua obediência ou desobe­
A pêndice A 191

diência a Deus. Recompensa pela obediência e punição pela


desobediência é o status quo em Crônicas. Williamson argu-
menta que a teologia da retribuição está ausente em Esdras-
Neemias. “A piedade dos líderes e/ou do povo não é refleti-
da em súbitas reviravoltas de prosperidade, mas, pelo con-
trário, pode implicar um aumento da oposição (Ed 4, Ne 4), e
não há qualquer indicação de que a confissão do pecado leve
à restauração (Ed 9; Ne 9).,443‫ י‬Eskenazi também observa
que o papel dos profetas, que é “tão decisivo em Crônicas, é
quase nulo em Esdras-Neemias. (...) Ageu e Zacarias, os
profetas mais proeminentes em Esdras-Neemias, não aler-
tam o povo, nem apresentam promessas; em vez disso, eles
exortam o povo a construir”.444
e) O conceito de Israel e sua relação com os outros. Embora o
livro de Crônicas reconheça a divisão do reino, ele ainda en-
fatiza “a totalidade do povo ao longo de sua história”.445Eske-
nazi cita Braun, que vai mais longe ao sugerir que Crônicas
“reflete uma atitude mais positiva em relação ao norte do
que as gerações anteriores de eruditos supunham”:
Após a divisão do reino, o escritor [de Crônicas] tem uma
preocupação constante de indicar aceitação e participação no culto
de Jerusalém por parte das pessoas do norte. Imediatamente após
a divisão do reino, sacerdotes e levitas do norte tomam posição ao
lado de Roboão em Jerusalém, acompanhados por representantes
de todas as tribos (2Cr 9.16). A participação de javistas do norte nas
alianças de Asa e Ezequias é explicitamente notada (2Cr 15.9-15,31).
Profetas de Yahweh, como Elias e Odede, continuam a ministrar aqui,
e diz-se que as pessoas de Samaria responderam favoravelmente às
suas advertências e libertaram seus cativos de Judá, que são duas
vezes descritos como seus parentes (2Cr 28.8,11).446

Em Esdras-Neemias, por outro lado, Von Rad sugere que Judá e


Benjamin são agora o verdadeiro Israel.

f) Polêmica antissamaritana. Em Esdras-Neemias, fica eviden-


te que os samaritanos são parte de uma oposição clara e
ativa. Eles não são espectadores inocentes, mas adversários
192 E sd r a s e N eem ia s

dinâmicos. Não apenas isso, mas os judeus não deveríam se


casar com os samaritanos. “Consequentemente, a participa-
ção e a adesão dos samaritanos na comunidade de Israel são
rejeitadas.”447 Em Crônicas, a presença de estrangeiros no
território de Israel não é reconhecida. O mais surpreendente
é a ausência do reassentamento de Samaria por estrangei-
ros, sob a liderança da Assíria, um episódio descrito em deta-
lhes em2Reis 17. Eskenazi conclui: “Nada em Crônicas pode
ser interpretado como antissamaritanismo porque não há, de
fato, nenhum samaritano em Crônicas!”448

Parece que a hipótese de um autor é bastante fraca, e que mui-


tos estudiosos têm encontrado diversos buracos no que parecia ser
uma teoria impenetrável. Assim, podemos abandoná-la e olhar para
outras opções.

III. L evitas pós-exflicos com o autores de E sdras-N eem ias


Uma das propostas mais recentes vem da dissertação revisada
de Kyung-Jin Min na Universidade de Durham, sob a supervisão de
Stuart Weeks. Nela, Min argumenta que uma classe clerical de levitas,
ou um corpo de clérigos fortemente pró-levíticos são responsáveis pela
escrita de Esdras-Neemias.
Levitas em Esdras-Neemias. Das 65 ocorrências da palavra ‫לוי‬
em Esdras-Neemias, apenas três parecem ter conotações negativas.
Esdras 9.1 e 10.23 afirmam que os levitas tomaram mulheres
estrangeiras, enquanto que, em Esdras 10.15, temos um levita que está
apoiando aqueles que se opuseram à reforma de Esdras. No entanto,
isso não pode ser usado como argumento para a autoria sacerdotal ou
pró-sacerdotal, visto que a mesma crítica é dirigida contra os sacerdotes
quando se trata de casamentos mistos com mulheres estrangeiras (Ed
9.1; 10.18-22). Min argumenta que alguns textos demonstram uma
perspectiva pró-levítica. Vinte e cinco vezes os levitas aparecem em
justaposição com os sacerdotes, 31 vezes eles aparecem juntos
contextualmente, e nove vezes os levitas aparecem sem os sacerdotes.
“Quase todas as referências aos levitas (56 de 65 ocorrências) aparecem
em justaposição, ou contextualmente com os sacerdotes.”449Na verdade,
A pêndice A 193

a expressão ‫( ; ה כ הני ם ו ה לוי ם‬os sacerdotes e os levitas), ou uma forma


muito semelhante a ela aparece 20 vezes em Esdras-Neemias. Assim,
fica bastante claro que os levitas são reconhecidos como entidade social
e parceiros iguais dos sacerdotes. “Não há nenhuma indicação de
subordinação levítica aos sacerdotes, mas sim um esforço para promover
a paridade levítica com os sacerdotes.”450
Muitos textos mostram os levitas e os sacerdotes trabalhando juntos.
Primeiro, eles aparecem juntos nas listas de grupos sociais, especialmente
“em face de outros profissionais do culto (Ed 2.40, Ne 3.17; 7.43; 10.10;
11.15-16,18,22,36; 12.8,22,24)”.451Em segundo lugar, na discussão sobre
o dízimo, os levitas são tratados favoravelmente (Ne 10.38-39; 13.5).
Eles não apenas devem se beneficiar do dízimo, mas lidar com o dízimo
e transportá-lo do templo para os armazéns. Assim, na época de Neemias,
os levitas eram tanto os beneficiários quanto os coletores dos dízimos.
Em terceiro lugar, “os levitas são descritos como cooperando com os
sacerdotes em todo o trabalho crucial”.452 Eles são vistos trabalhando
juntos na reconstrução do templo em Esdras (3.8 ss) e na leitura da Lei
em Neemias (8).
O argumento mais forte de Min para uma autoria levítica ou
pró-levítica de Esdras-Neemias vem em sua análise dos textos nos
quais os levitas aparecem sem os sacerdotes.453 Ele observa sete
maneiras pelas quais “os levitas são retratados favoravelmente”.454

1. Esdras 8.20 é o único texto no Antigo Testamento que


menciona a origem dos ‫ נ תיני ם‬como assistentes dos levitas
prescritos por Davi, e, portanto, oferece uma pista para o
status mais elevado deles.

2. Esdras 10.15 descreve Sabetai, o levita, como cooperando


com a reforma de Esdras, não se opondo a ela. Esse ponto
é altamente discutível, uma vez que Esdras 10.14-15 diz:
“Ora, que os nossos príncipes decidam por toda a
congregação, e que venham a eles em tempos determinados
todos os que em nossas cidades casaram com mulheres
estrangeiras, e com estes os anciãos de cada cidade, e os
seus juizes, até que desviemos de nós o brasume da ira do
194 E sdras e N eemias

nosso Deus, por esta coisa. No entanto, Jônatas, filho de


Asael, e Jazeías, filho de Ticvá, se opuseram a esta coisa; e
Mesulão e Sabetai, levita, os apoiaram”.

3. Em Neemias 7.1, os levitas são designados como guardiões


dos portões do muro reconstruído.

4. Neemias 9.4-5 descreve os levitas liderando a grande


confissão. “Jesua, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, Serebias,
Bani e Quenani se puseram em pé no estrado dos levitas
e clamaram em alta voz ao S e n h o r , seu Deus. Os levitas
Jesua, Cadmiel, Bani, Hasabneias, Serebias, Hodias,
Sebanias e Petaías disseram: Levantai-vos, bendizei ao
S e n h o r , vosso Deus, de eternidade em eternidade. Então,
se disse: Bendito seja o nome da tua glória, que ultrapassa
todo bendizer e louvor”.

5. Em Neemias 12.27, os levitas não são ignorados, mas


procurados para participar na cerimônia de dedicação do
muro. “Na dedicação dos muros de Jerusalém, procuraram
aos levitas de todos os seus lugares, para fazê-los vir a fim
de que fizessem a dedicação com alegria, louvores, canto,
címbalos, alaúdes e harpas.”

6. Neemias 13.10 em diante descreve uma repreensão dada


aos que haviam se esquecido de trazer as porções devidas
aos levitas. “Também soube que os quinhões dos levitas
não se lhes davam, de maneira que os levitas e os cantores,
que faziam o serviço, tinham fugido cada um para o seu campo.
Então, contendí com os magistrados e disse: Por que se
desamparou a Casa de Deus? Ajuntei os levitas e os
cantores e os restituí a seus postos.”

7. Em Neemias 13.22, os levitas são escolhidos para guardar


as portas no sábado. “Também mandei aos levitas que se
purificassem e viessem guardar as portas, para santificar o
dia de sábado.”
A pêndice A 195

Min conclui esta seção afirmando que os levitas não são descritos
como uma ordem menor ou retratados de forma negativa; ao contrário,
eles são “descritos favoravelmente, normalmente como colegas de
trabalho dos sacerdotes”.455
Min também aponta para três expressões adicionais que ele pensa
vir de grupos de levitas: a) A boca de Jeremias, b) Judá e Benjamim, e
‫וזכוזנים הלוי ט ס‬.

1. Esdras 1.1 afirma que o edito de Ciro veio como um


cumprimento direto da Palavra de Deus falada “pela boca de
Jeremias”, ‫ י ר מי ה‬,SE. Porém, o que isso tem a ver com os
levitas? Jeremias 1.1 afirma que Jeremias é o filho de Hilquias,
um dos sacerdotes em Anatote, na terra de Benjamim. O que
os sacerdotes estavam fazendo em Anatote? IReis 2.26-27
descreve como Abiatar, o último sacerdote da família de Eli,
foi exilado em Anatote, por ter participado de uma trama
malsucedida para tomar Adonias rei após a morte de Davi.
Min conecta esse episódio e Anatote com as cidades de refúgio,
afirmando que Anatote tomou-se uma “cidade de refúgio
levítico”.456 Além disso, visto que Jeremias tem uma forte
afinidade com o livro de Deuteronômio - que também lida
extensivamente com os levitas, e visto que Jeremias “era de
descendência sacerdotal desprivilegiada (...) é possível que ele
estivesse associado de alguma maneira com o grupo levítico”.457

2. Judá e Benjamim. Sempre que o autor de Esdras menciona a


tribo de Benjamim, ela está sempre “em justaposição com a tribo de
Judá (Ed 1.5; 4.1; 10.9; Ne 11.4), ou contextualmente com a tribo de
Judá (Ne 11.7,31; 11.4, 25).”458 Min escreve,

Por exemplo, todas as áreas do norte de Israel,


assim como Judá (Ed 2.21-35) são com um ente
representadas simplesmente pela expressão ‘Jerusalém
e Judá’ (2.1), em vez da combinação das duas tribos,
‘Judá e Benjamim’. Assim, essa prática significa que
Judá sozinho era suficiente para representar todo o
196 E sdras e N eemias

povo de Israel. Podería ser afirmado, portanto, que


‫ בני מו‬na frase ‫‘ ( י הו ד ה ובניבוו‬Judá e Benjamim’)não
é realmente necessário para transmitir o significado
pretendido. (...) Ao colocar a palavra ‘Benjamim’ depois
de Judá, o autor pode ter pretendido que os leitores
tratassem Benjamim, representando as cidades levíticas,
como a tribo parceira de Judá, representando grupos
sacerdotais.459

3. ‫ קצהנים ה לוי ם‬. a expressão ‫ הכ!הנים הלרים‬a


13 vezes no AT, e cinco dessas vezes estão em Esdras-Neemias
(Ed 10.5;Ne 10.1,29,35; 11.20), e é geralmente traduzida como
“os sacerdotes e os levitas”. O que é incomum é a forma
invertida ‫ ינו‬7 0 ‫ לויטי‬, que é geralmente traduzida como “nossos
levitas e nossos sacerdotes”, mesmo que não haja conjunção ‫ו‬
entre os substantivos. É interessante notar, porém, que essa
expressão, nessa ordem invertida, aparece apenas uma outra
vez, em Jeremias (33.18), que Min vê como pró-levítica.460

Com esses argumentos como base, Min continua a argumentar


fortemente a favor de uma autoria pró-levítica ou levítica de Esdras-
Neemias.

1. Levitas como agentes imperiais no final do 5o século a.C.


Geralmente aceita-se que Esdras-Neemias “se originou em
um grupo pró-persa”. Se esse grupo era de levitas, há
evidências de que eles desfrutaram do apoio imperial durante
o período em que o livro foi composto?461 Depois de afirmar
que as memórias de Neemias são uma fonte histórica
confiável, ele cita Noth, que sugere “que o envio oficial de
Neemias para Jeúde deve ser entendido no contexto do
interesse do império em restaurar a estabilidade nessa área,
e sua consequente abertura ao pedido de Neemias, acordo
com o qual ele esperava apaziguar o povo dali”.462 Durante
a sua segunda missão é retratado como valorizando os
levitas “igualando os maus tratos a eles com a negligência à
A pêndice A 197

casa de Deus e assegurando o pagamento dos dízimos a


eles (v. 10-14)”.463Após a restauração do sábado, Neemias
nomeia os levitas para “guardar as portas, para santificar o
dia de sábado”, uma responsabilidade inicialmente dada aos
servos de Neemias (v. 15-22). Em Neemias 13, a oração
de Neemias “Lembra-te de mim” aparece quatro vezes, e
é importante notar que “os levitas são mencionados
imediatamente antes de cada oração (v. 13,22,29- 30). Min
sugere que isso não é acidental, mas ele presume que “o que
Neemias queria que Deus se lembrasse está intimamente
ligado aos levitas e que a palavra ‫ לוי‬serve como uma palavra
de ligação para cada unidade”.464Min continua, concluindo
que o objetivo de Neemias 13 é “destacar o favor mostrado
aos levitas e a imposição de restrições contra os sacerdotes”.465
Ele continua, propondo que a política imperial aquemênida
era favorável: a) aos sacerdotes em 538-520 e 515^158
a.C., b) aos anciãos em 520-515 a.C., c) a vários grupos,
incluindo o poder sacerdotal em 458^153 a.C., e d) aos
levitas em 433 a.C. em diante. Min, então, se toma mais
confiante de que Esdras-Neemias foi “composto no final
do 5o século a. C , e) e foi provavelmente escrito por alguém
com o apoio persa”, muito provavelmente de um grupo
levítico.466
IV. Esdras e Neemias com o autores de seus respectivos livros
Esse é o conceito que adotei, ainda que esteja faltando o apoio de
muitos estudiosos do Antigo Testamento. O único estudioso renomado
que apoia esse ponto de vista é R. K. Harrison. Ele classifica como
pouco sábio o conceito de que o cronista é “aquele que compilou e
transmitiu Esdras e Neemias juntamente com seus próprios escritos e
os formulou em um corpus unificado”.467 Harrison observa que os es-
tilos literários e os pontos de vista históricos divergem bastante. Além
disso, ambos os autores parecem ter sido governados por diferentes
pressupostos teológicos. Ele afirma que “embora a relação entre
Esdras-Neemias e a obra do cronista ainda seja obscura, o menor grau
de dificuldade é encontrado quando se supõe que Esdras e Neemias
198 E sdras e N eemias

foram os principais responsáveis pelos escritos atribuídos a eles”.468


Harrison tira suas conclusões com base no fato de que Esdras-Neemias
“foram contemporâneos. (...) seus escritos estavam substancialmente
em sua forma atual por volta de 440 e 430 a.C., e que 0 cronista com-
pilou sua obra de forma independente por volta de 400 a.C. ou um
pouco mais tarde”.469
Em uma obra recente, Jacob L. Wright discute tanto esse concei-
to quanto o de que o livro de memórias Neemias foi escrito pelo próprio
Neemias. Wright sugere que os relatos na primeira pessoa, que podem
ser atribuídos a Neemias, param em 6.15. “O restante dos relatos na
primeira pessoa (...) representa 0 trabalho de editores posteriores.”470
Assim, Wright afirma que “a composição de Esdras-Neemias culminou
em meados do período helenístico - não no 4° século”.471
Notas
1Lindsay Allen, T h e P e r s ia n E m p ir e (Chicago: UCP, 2005), 4.
2 Jon L. Berquist, J u d a is m I n P e r s i a ’s S h a d o w (Minneapolis: Fortress, 1995), 24.
3 Veja Edwin M. Yamauchi, P e r s ia a n d th e B ib l e (Grand Rapids: Baker, 1996),
411-433.
4 Ibid., 96.
5 Mary Boyce, Z o r o a s tr ia n s (Londres: Routledge & Kegan Paul, 1979), 18-19.
6 Winfried Corduan, N e ig h b o r in g F a ith s (Downers Grove: IVP, 1998), 119.
7 Boyce, 42.
8 ib id ., ‫ ד ד‬.
9 Siegfried J. Schwantes, A S h o r t H is to r y o f th e A n c ie n t N e a r E a s t (Grand Rapids:
Baker, 1965), 151.
10 Boyce, 45.
" John M. Cook, T h e P e r s ia n E m p ir e (Nova York: Schocken, 1983), 149.
12 Brian Dicks, T h e A n c i e n t P e r s ia n s : H o w T h e y L iv e d a n d W o rk e d (North Pomfret,
Vt.: David & Charles, 1979), 123.
13 Boyce, 17.
14 Edwin M. Yamauchi, P e r s ia a n d th e B ib l e , 403-404.
15 Boyce, 35.
16 Levitico 23 afirma que a Festa das Tendas ou Tabemáculos começava no dia 15 de
Tisri, e era principalmente uma festa de ação de graças que mostrava a gratidão pela
provisão de Deus (Ex 34.22). Também se celebrava a peregrinação pelo deserto, as
tendas (Sucote) eram um lembrete de que os israelitas haviam vivido em tendas
durante a viagem de 40 anos, do Egito à Terra Prometida (Lv 23.42-43). Sucote foi
o primeiro lugar ao qual os israelitas chegaram após deixar Ramsés (Ex 12.7).
A Festa dos Tabemáculos foi celebrada durante o período pós-exílico (2Cr 8.13; Ed
3.4; Zc 14.16,18,19) e durante o período da igreja primitiva.
17Esdras 1.10-11 nos dá indicação sólida de que pelo menos parte do livro dos Salmos
existia durante esse tempo, e de que o rei Davi estava intimamente associado a ele.
18 Gn 24.3; 24.7; 2Cr 36.23; Ed 1.2; Ne 1.2,4-5; 2.4,20 eJn 1.9.
19 Mervin Breneman, E zra , N e h e m ia h , E sth er. NAC, vol. 10 (Nashville: Broadman
and Holman, 1993), 171.
20 Veja a oração de Salomão em 2Crônicas 6.40. Tanto Salomão quanto Neemias
apelam para um Deus que vê e ouve.
21A oração de Neemias está enraizada na Torá de Deus. Neemias 1.8-9 é uma paráfrase
de Deuteronômio 30.1-5.
22 Essa ideia não é nova ou original para Neemias. O tríplice tema pecado-julgamento-
restauração é encontrado em todo o material profético, especialmente nos Profetas
Menores.
200 E sdras e N eemias

23A expressão “ a boa mão do S e n h o r , seu Deus, estava sobre ele” também aparece em
Esdras 7.6,9,28; 8.18,22,31; Neemias 2.8,18.
24 H. G. M. Williamson, E z r a , N e h e m ia h , WBC., vol. 16 (Waco, Texas: Word,
1985), 93.
25 Raymond Brown, T h e M e s s a g e o f N e h e m ia h , BST (Downers Grove, Illinois: IVP,
1998), 54.
26Loring W. Batten, A C r itic a l a n d E x e g e tic a l C o m m e n ta r y o n T h e B o o k s o f E z r a a n d
N e h e m ia h , ICC (Edimburgo: T & T Clark, 1961), 204.
27 Williamson, 217. Veja também 2Reis 19.14-19. E importante notar aqui que a
oração de Neemias, à luz dos ensinos de Jesus, não é prescritiva, mas descritiva.
28 Breneman, 198.
29 Williamson, 227.
30 Veja Breneman, 212.
31 Dt 32.35; SI 94.1; Rm 12.19.
32Enquanto a maioria dos estudiosos concorda que Elul corresponde a agosto-setembro,
alguns sugerem que uma data de outubro é mais provável. Para uma discussão
aprofundada sobre a cronologia, veja R. A. Parker e W.H. Dubberstein, B a b y lo n ia n
C h r o n o lo g y 6 2 6 B c -A .D . 75 (Providence, Rhode Island: BUP, 1956).
33 Joseph Blenkinsopp, E z r a -N e h e m ia h : A C o m m en ta ry , OTL(Filadélfia: Westminster,
1988), 273.
34 Batten, 264.
35 Veja Leslie Allen, “For He is Good...: Worship in Ezra-Nehemiah”, em M.P. Graham,
R.R. Marrs, e S.L. McKenzie (orgs.), W o rsh ip a n d th e H e b r e w B ib le (Sheffield:
Sheffield Academic, 1999), 15-34.
36 O título h ã ’è l õ h i m h a g g ã d ô l (o grande Deus) não aparece em nenhum outro
lugar no Antigo Testamento. No entanto, a forma h ã eZ h a g g ã d ô l (uma forma
abreviada de grande Deus) pode ser encontrada em Neemias 1.5; 9.32; Jeremias
32.18; Daniel 9.4.
37 Neemias 9 . 3 menciona o Livro da Lei do S e n h o r , apontando novamente para a
origem divina da Lei.
38 Veja L. J. Liebreich, “The Impact of Nehemiah 9.5-37 on the Liturgy o f the
Synagogue,” H U C A 32 (1961): 227-237.
39 Veja F. C. Fensham, “Neh 9 and Pss 105, 106, and 136: Post-Exilic Historical
Traditions in Poetic Form,” J N S L 9 (1981): 35-51.
40 Para uma visão mais aprofundada sobre o uso de merismo na Bíblia hebraica, veja
Joze Krasovec, “Merism: Polar Expression in Biblical Hebrew”, Bíblica, 64/2 (1983):
231-239.
41 Veja Frederick C. Holmgren, “Faithful Abraham and the ‘amãnâ Covenant: Nehemiah
9,6-10,1" emZ4W 104/2 (1992): 249-254.
42 A expressão “sinais e milagres” aparece com frequência em Deuteronômio, nas
homílias de Moisés, que focam a libertação de Deus de seu povo do Egito.
Deuteronômio 4.34; 6.22; 7.19; 26.8; 29.3; 34.11. Para um excelente tratamento
sobre o Êxodo, veia John J. Davis, M o s e s a n d th e g o d s o f E g y p t (Winona Lake,
Indiana: BMH, 1986).
N otas 201

43
No antigo Oriente Próximo, o nome de alguém era equivalente à sua reputação.
44
A sequência de atributos “clemente e misericordioso, tardio em irar-se e grande em
bondade” também aparece em Êxodo 34.6; Salmos 103.8; Joel 2.13; Jonas 4.2.
45
A promessa de Deus de não abandonar o seu povo também é mencionada em
Deuteronômio 31.6,8 e lReis6.13.
46
Três vezes, no livro de Neemias, o substantivo “misericórdia” é modificado pelo
adjetivo “grande”. A mesma expressão “grande compaixão” é usada para descrever
Deus em Isaías 54.7 e Daniel 9.18.
47
Algumas versões gregas têm “santo espírito”.
48
Breneman, 240.
49
Neemias confessa o fato de que Deus é justo, tanto no início (9.8) quanto no final da
oração (9.33).
50
Breneman, 275-6.
51 Nesse artigo, Neemias e aqueles que estão trabalhando na reconstrução são
apresentados como povo de Deus, ao passo que Sambalate. Tobias e os que se
opõem à reconstrução serão apresentados como incrédulos. Veja David C. Kraemer,
“On the Relationship o f the Books of Ezra and Nehemiah,” em J S O T 59 (1993):
73-92.
52Na Bíblia hebraica, os livros de Esdras-Neemias aparecem como um único livro. O fato
de ambos os livros terem narrativas na primeira pessoa sugere que tanto Esdras quanto
Neemias escreveram os livros que levam seus nomes, com algum editor/compilador
colocando os dois juntos em um único livro.
53Todos os grandes homens e mulheres da Bíblia e da história da Igreja foram homens
e mulheres de oração e jejum.
54
O Dr. Robert Smith, professor de pregação da Beeson Divinity School, afirma que
antes de alguém se levantar e declarar: “Assim diz o S e n h o r ” , é preciso saber o
q u e o S e n h o r diz.
55Williamson, 174.
56
Brown, 47-48.
57W. C. Van Wyke A.P.B. Breytenbach, “The Nature o f Conflict in Ezra-Nehemiah”,
em H e r v o r m d e T e o lo g ie s e S tu d ie s 57/3-4 (2001): 1254-1263.
58 Blenkinsopp, 226.
59
Williamson, 198.
60
Dez portas são incluídas no projeto de reconstrução (Ne 3.1,3,6, 13-15,26,28-
29,31).
61
Esdras 10.6; Neemias 3.20-21.
62
F. Charles Fensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h (Grand Rapids: Eerdmans,
1982), 173.
63
Breneman, 186.
64
No hebraico se lê “os seus nobres não trouxeram seus pescoços no serviço do
S e n h o r ” .
65
Williamson, 204.
66
A palavra “judeus”, aqui, pode ser usada como uma ofensa étnica destinada a
desprezar a herança nacional do povo.
202 E sdras e N eemias

67 O número de inimigos aumenta e agora inclui os asdoditas.


68 O versículo 10 contém um lamento “indicativo do desespero da melancolia.”
Williamson, 226.
69Breneman, 196.
70J. Gordon McConville, E zra, N e h e m ia h a n d E sther, DST (Edimburgo: SAP, 1985), 91.
71 As habilidades de liderança de Neemias também são vistas no fato de que ele avalia
corretamente a situação (“inspecionei”), vendo, assim, a necessidade de
encorajamento (“Não os temais”).
72 A ideia de que Deus lutará por eles também está presente em Êxodo 14.14;
Deuteronômio 1.30; 3.22; 20.4; Josué 10.14,42; 23.10.
73 Não parece haver nenhum apoio nesse capítulo à euforia do “evangelho da
prosperidade” atual, criada por aqueles que apenas pregam e ensinam a Bíblia
seletivamente.
74 Edwin Yamauchi, E z r a - N e h e m ia h EBC4 (Grand Rapids: Zondervan, 1992), 710.
75 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 200. Embora Fensham possa estar correto, também
é possível que Deus tenha ajudado Neemias a discernir o perigo iminente.
76 lCrônicas menciona que Delaías era sacerdote, assim, Semaías também era sacerdote
que tinha acesso ao templo, onde ele sugere que Neemias busque refúgio.
77 Breneman, 212.
78 Os capítulos 1 6 focam a reconstrução do muro, enquanto que os capítulos 7-13
focam a reforma do povo.
79 Hanani (7.2) é uma forma abreviada de Hananias (1.2).
80 Williamson, 271.
81 Os verbos “adorar” e “curvar-se” são usados algumas vezes em conjunto
(Gn 24.26,28; Êx 4.31; 12.27; 2Cr 29.29).
82 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 218.
83 Veja Saul Olyan, “Purity Ideology in Ezra-Nehemiah as a Tool to Reconstitute the
Community,” em J o u r n a l f o r th e S tu d y o f J u d a is m in th e P e r s ia n , H e lle n is tic a n d
R o m a n P e r io d , 35:1 (2004), 1-16.
84 Veja a Parte 1 “O que o livro de Neemias nos ensina a respeito de Deus?”
85 Williamson, 332.
86 Neemias 10.30-39 descreve as estipulações/obrigações da aliança. Para saber mais
sobre a questão do “casamento misto”, veja John Goldingay, O ld T e s ta m e n t
T h e o lo g y : I s r a e l ’s G o s p e l, vol. 1 (Downers Grove, IL: IVP, 2003), 747-751.
87 Williamson, 373.
88 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 261.
89 Fensham sugere que Neemias recebeu permissão da corte persa, e é por isso que ele
foi capaz de bater em alguns dos homens e arrancar seus cabelos. Fensham, E zra
a n d N e h e m ia h , 267. Williamson está provavelmente correto quando sugere que
esse incidente foi “isolado e restrito”, Neemias sendo “provocado pela linguagem
infantil em uma explosão repentina e violenta”. Williamson, 398-399.
90 O Talmude Babilônico (Bab. Bath. 15a) afirma que Esdras é o autor de Crônicas e
Esdras-Neemias. Os rabinos também afirmam que, embora Esdras tenha começado a
N otas 203

obra, Neemias a completou. Algum trabalho editorial provavelmente foi feito, mas
este é pequeno, tanto na forma quanto na extensão. Devido à semelhança na linguagem
com 2Crônicas 36.22-23, também é possível que Esdras tenha escrito Crônicas.
O conceito de que o cronista escreveu tanto Esdras-Neemias quanto Crônicas foi
desenvolvido por Torrey, Pfeiffer, Grosheide e Myers. Enquanto Torrey e Pfeiffer
têm um conceito mais radical de que “Esdras é uma falsificação do Cronista”, Grosheide
e Myers sugerem que “o cronista compilou Esdras-Neemias ao usar algumas fontes
confiáveis”. VejaFensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , 2-3.
91 Roland K. Harrison, In tr o d u c tio n to th e O ld T e s ta m e n t (Peabody, Massachusetts:
Prince, 1999), 1135.
92 Para uma discussão mais detalhada, veja David Kraemer, “On the Relationship of
the Books of Ezra and Nehemiah,” em J S O T 59 (1993):73-92.
9‫ י‬Todas as referências bíblicas são da versão ARA.
94 E.M. Yamauchi, “Ezra Nehemiah”, em D ic tio n a r y o f th e O ld T e s ta m e n t H is to r ic a l
B o o k s (Downers Grove, II., IVP, 2005), 286. A primeira menção a “Ciro, rei da
Pérsia” ocorre na Crônica de Nabonido (ANET, 306).
95 F. Charles Fensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , NICOT (Grand Rapids:
Eerdmans, 1982), 42.
96 H.GM. Williamson, E zra , N e h e m ia h , WBC vol. 16 (Waco, Texas: Word, 1985), 9.
97 Jacob Myers, E z r a -N e h e m ia h , AB (Garden City, Nova York: Doubleday, 1965), 6.
98 Frolov sugere que Deus revogou a parte cronológica da profecia de Jeremias.
Veja Serge Frolov, “The Prophecy o f Jeremiah in Esr 1,1” em Z A W 116 (4:2004):
595-601.
99 Ibid., 4.
100Williamson, 12.
1111 Mervin Breneman, E zra , N e h e m ia h , E sth er. NAC, vol. 10 (Nashville: Broadman
and Holman, 1993), 171. Aexpressão também aparece em Gênesis 24.3,7; 2Crônicas
36.23; Esdras 1.2; Neemias 1.4-5; 2.4,20; Jonas 1.9.
102 Esdras 4.24; 5.2,16-17; 6.3,12,18; 7.16-17,19.
103Edwin Yamauchi, “Archaeological Backgrounds o f the Exilic and Postexilic Era, part 3;
The Archaeological Background of Ezra”, S5acl37/547 (1980), 200.
104Êxodo 12.35-36.
105 Êxodo 35-36; Levítico 7.16 e 22.23 também mencionam ofertas voluntárias como
parte da instrução de Deus.
106 O termo “Casa do S e n h o r ” é comumente usado para o templo em Jerusalém, que
aparece mais de 50 vezes no Antigo Testamento. Veja Melody D. Knowles,
“Pilgrimage Imagery in the Returns in Ezra,” em JBL 123/1 (2005);57-74.
107 Em Juizes, Judá e Simeão fazem um pacto para agir como um em face de inimigos
comuns (Jz 1.3,17).
108 1Crônicas 12.16; 2Crônicas 11.1,3,10,12,23; 15.2,8-9; 25.5; 31.1; 34.9; Esdras
4.1; 12.34; Neemias 11.4; 12.34.
109 O nome acadiano original de Nabucodonosor era Nabü-kudduri-usur e significa
“Que Deus proteja o príncipe herdeiro”. Veja E z r a a n d N e h e m ia h , BHQ 20
(Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2006), 39.
204 E sdras e N eemias
110
Edwin Yamauchi, E z r a - N e h e m ia h , EBC, 4:604.
111
Esdras 1.8,11; 5.14,16
1‫נו‬
Williamson, 17-18. “Não há nenhuma evidência direta para considerar Sesbazar
como membro da família real de Judá.” Josefo faz essa correlação (A n t. 11.13-14).
113 ■
Em hebraico, Sesbazar soa como “seis problemas”. Rabino A. J. Rosenberg, D a n ie l,
E zra , N e h e m ia h (Nova York: Judaica, 2000), 117.
) 14
Fensham, 46-47.
115
Rosenberg, 118.
116
A. Philip Brown II, “Chronological Anomalies in the Book of Ezra”, em B S a c 162/2
(2005), 37.
117
Hayyim Angel, “The Literary Significance of the Name List in Ezra-Nehemiah”,
em J B Q 35/3 (2007), 146.
118
Williamson, 33.
119
Myers, 12.
120Parós significa “pulga”, e podería ser um apelido.
121
Zacai é uma forma abreviada de Zacarias, e significa “O Senhor se lembrou”.
122
Adonicão significa “Yahweh se levantou”.
123
Ater significa “canhoto”, e podería ser um apelido.
124
Visto que não existe uma cidade chamada Quiriate-Arim nas proximidades de
Gibeão, parece que esse é um erro cometido pelo escriba, no qual a verdadeira
cidade era Quiriate-Jearim (como em Ne 7.29). Se não for um erro do escriba, esse
podería ser um modo arcaico de escrever o nome da cidade.
125
Mishna Taanith IV 5 (Tosephta Taanith 82) afirma que Senaá era um clã importante
pertencente à tribo de Benjamim. Veja, R. Zadok, “A Note on SN’H”, em VT38/4
(1988): 483-486.
126
Veja Williamson, 21 ss.
127
Williamson, 34.
128
Williamson, 35.
) 29
Myers, 18.
130
Loring Batten, A C r itic a l a n d E x e g e tic a l C o m m e n ta r y o n th e B o o k s o f E z r a a n d
N e h e m ia h , ICC (Edimburgo: T& T Clark, 1961), 85.
131
Blenkinsopp, 89.
132
Hagaba significa “locusta” ou “gafanhoto”, e podería ser um apelido.
! 33
Gidel é uma forma abreviada de Gidelias, e significa “Yahweh tomou excelente”.
134
Baquebuque significa “frasco”, e podería ser um apelido.
135
Blenkinsopp, 91.
136
Batten, 87.
137
Williamson, 36.
138
Coz significa “o espinho”, e podería ser um apelido.
139
Barzilai significa “homem de ferro”, e podería ser um apelido.
140
Saul M. Olyan, “Purity Ideology in Ezra-Nehemiah as a Tool to Reconstitute the
Community”, em JSJ 35/1 (2004):9.
14|
lEsdras 9.49 menciona Neemias como o governador; Myers o identifica como
Zorobabel (20); Williamson sugere que tanto Sesbazar quanto Zorobabel são
prováveis candidatos (37).
N otas 205

142Williamson, 37.
143 Myers, 21.
144 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 59; Blenkinsopp, E z r a - N e h e m ia h , 74; Wilhelm
Rudolph, E s r a u n d N e h e m ia , HAT 20 (Tübingen: J.C.B. Mohr, 1949), 29.
145Jozadaque significa “Yahweh agiu corretamente”.
'4‫ י׳‬Em Ageu e Zacarias, o nome do sumo sacerdote é escrito como ‫י הו ש ע‬, enquanto
que em Esdras-Neemias é escrito como ‫ ״שוע‬.
147 Zacarias 3 traz Josué como um personagem chave, enquanto que Zorobabel
desempenha um papel importante em Zacarias 4.
148 Em Levítico 14.18-20, a Lei era clara em dizer que o sacerdote devia trazer o
holocausto, a fim de fazer expiação pela pessoa curada de uma doença de pele.
O verbo “expiar” pode significar “limpar”, “purgar”, “purificar” ou “fazer expiação”.
Como resultado, ela será declarada limpa e, então, perdoada, pronta para entrar
com confiança na presença de Deus. O conceito é importante para a teologia
sacrificial de Levítico porque a expiação limpará uma pessoa de todos os pecados,
conhecidos e desconhecidos. A linguagem empregada afirma que a impureza física
é purificada, enquanto que a impureza moral deve ser perdoada. As vezes, a
expressão holocausto (Nm 15.3; Dt 12.6; ISm 15.22; 2Rs 5.17; Is 43.23) é uma
figura de linguagem chamada merismo, e aponta para todos os sacrifícios. A intenção
da Lei era banir todos os sacrifícios oferecidos a qualquer outro deus, exceto Yahweh.
149 Citado em H.L. Ellison, “The Importance o f Ezra”, em E Q 53/1 (1981), 49.
150Para alguns excelentes argumentos a favor de uma data aproximada do Pentateuco
e contra a hipótese JEDP, veja Kenneth A. Mathews, G e n e s is 1 - 1 1 : 2 6 , NAC
(Nashville: B & Η, 2001), 71-81, e Allen P. Ross, C re a tio n a n d B le s s in g (Grand
Rapids: Baker, 1998), 24-36).
151 Rosenberg, 126.
152 Allen P. Ross, H o lin e s s to th e L ord: A G u id e to th e E x p o s itio n o f th e B o o k o f
L e v itic u s (Grand Rapids: Baker, 2002), 182.
153 Myers, E z r a -N e h e m ia h , 27.
154 IRs 4.33; 5.6,14; SI 92.12; Ct 3.9; Is 60.13; Ez 31.16; Os 14.5.
155Abril-Maio era o início da estação seca, assim, esse seria o período adequado para
começar a construção.
156 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 63.
157 Blenkinsopp, E z r a -N e h e m ia h , 101.
158 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 65.
159 Parece haver um padrão repetido nos capítulos 4 e 5: Conflito (4.1-5; 5.1-5),
Pedido 4.6-16; 5.6-17), Decreto (4.17-22; 5.1-12) e Promulgação (4.23-24; 5.13-
15). Veja Stefan C. Matzal, “The Structure of Ezra 1V-V1,” em V T 50/4 (2000):
566-568.
160 2Reis 19.37 e Isaías 37.38 relatam o assassinato de Senaqueribe e o início do
reinado de Esar-Hadom.
161 Batten, E z r a a n d N e h e m ia h , 127.
162 Veja Williamson, E z r a /N e h e m ia h , 49; Blenkisopp, E z r a -N e h e m ia h , 107.
163 Brenemen, E zra , N e h e m ia h , E sth er, 97.
206 E sdras e N eemias

164 Blenkinsopp, E z r a -N e h e m ia h , 108.


165 Rosenberg, D a n ie l, E zra , N e h e m ia h , 131.
166 Blenkinsopp, E z r a -N e h e m ia h , 112.
167 Richard C. Steiner, “Why Bishlam (Ezra 4:7) Cannot Rest ‘In Peace’: On the
Aramaic and Hebrew Sound Changes that Conspired to Blot Out the Remembrance
of Bel-Shalam the Archivist,” em J B L 126/2 (2007), 401.
168 Edwin Yamauchi, “Archaeological Backgrounds of the Exilic and Postexilic Era,
part 3: The Archaeological Background 0fEzra,” ifSarl 37/547 (1980), 201.
169A. Philip Brown II, “Chronological Anomalies in the Book of Ezra”, em B S a c 162/
645 (2005), 38.
170Brenemen, E zra , N e h e m ia h , E sth er, 106.
171 Ageu 1.1. Algumas pessoas supõem que Zorobabel não é mencionado novamente
porque foi afastado do cargo devido à atividade sediciosa, mas tal a r g u m e n tu m e
s ile n tio é pura conjectura.
177 Myers, E z r a /N e h e m ia h , 44.
173 Juizes 18.6; Salmos 33.18; Zacarias 9.1.
174 David J.A. Clines, E zra , N e h e m ia h , E sth e r , NCB (Grand Rapids: Eerdmans, 1984),
85-86.
175 Fora de Esdras-Neemias, a expressão “daquém do Euffates” aparece também em
Josué 24.3,14-15 e Isaías 7.20.
176 A frase também pode ser traduzida como “a grande casa de Deus”, mas seria
improvável que esses persas fossem monoteístas adorando o único Deus verdadeiro,
Yahweh.
177 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 82.
178 Warren Wiersbe, T h e B ib le E x p o s itio n C o m m e n ta r y : H is to r y (Colorado Springs:
Victor, 2003), 614.
179 Breneman, E zra , N e h e m ia h , Esther, 111.
1m A N E T , 316.
181 Sean E. McEvenue, “The Political Structure in Judah from Cyrus to Nehemiah,”
em CBQ43 (1981): 353.
182Williamson, E zra , N e h e m ia h , 80.
183 Lindsay Allen, T h e P e r s ia n E m p ir e (Chicago: UCP, 2005), 62.
184 Roland de Vaux, T h e B ib le a n d th e A n c ie n t N e a r E a s t (Garden City: Doubleday,
1971), 90.
185 IReis 6.2.
186 Ageu 2.3.
187 Salmos 24.1.
188F. Rundgren, “Über einenjuristichen Terminus bei Esra 6:6”, ZAVF70(1958): 213.
189 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 89.
190A generosidade e preocupação de Dario com o culto judaico não é um fato isolado.
Reis anteriores, como Ciro e Cambises, também demonstraram preocupação com
seus súditos.
191 Blenkinsopp, E z r a -N e h e m ia h , 127-128.
N otas 207

1,2 Breneman, 117-118; Myers, 52; Williamson, 83.


193 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 92.
194 Breneman, E zra , N e h e m ia h , E sth er, 119.
195 Na dedicação do templo de Salomão, o povo sacrificou 22.100 bovinos e 120.000
ovelhas (IRs 8.63).
196 Rosenberg, D a n ie l, E zra , N e h e m ia h , 147.
197 O Livro de Moisés é, provavelmente, uma referência ao Pentateuco, visto que é lá
que afluem as prescrições legais.
198Aqueles que sugerem que o Pentateuco é obra de um historiador, que colocou todos
os documentos juntos após o exílio, estão equivocados novamente. Fica claro que,
nesse momento, o Pentateuco já existia e, mais importante ainda, estava em uso.
Assim, isso esclarece que o autor de Esdras não é o mesmo autor de Crônicas, visto
que o cronista afirma claramente que a organização dos sacerdotes e levitas deve ser
feita de acordo com as diretivas de Davi.
199Fensham sugere que “os samaritanos com certeza foram excluídos”. Fensham, Ezra
and Nehemiah, 96.
200 Rosenberg, D a n ie l, E zra , N e h e m ia h , 148.
201 Ibid.
202 Williamson, E zra , N e h e m ia h , 85.
203 Aitube é um nome descritivo e significa “O irmão é bom”.
204 A. Philip Brown II, “Chronological Anomalies in the Book o f Esdras”, em B S a c
162/645 (2005), 43.
205 Williamson, E zra , N e h e m ia h , 91.
206 Isso pode ser devido a um erro de escriba intencional ou não intencional, ou
corrupção textual.
207 Myers, E z r a -N e h e m ia h , 60.
208 Isso é, na realidade, consistente com a narrativa de Daniel (Daniel 1-3).
209 Oito vezes em Esdras-Neemias nos é dito que a mão de Deus estava sobre Esdras,
Neemias ou sobre os fiéis; seis vezes em Esdras (7.6,9,28; 8.18,22,31) e duas vezes
em Neemias (2.8,18).
210 Derek Kidner, E z r a a n d N e h e m ia h , TOTC (Downers Grove, IVP, 1979), 62.
211 Fensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , 104.
212 Este esquema é semelhante às outras cartas reais encontradas em Esdras 4.17-22 e
6. 11- 12.
213 Blenkinsopp, E z r a -N e h e m ia h , 147.
214Na inscrição Behistun, Dario chama a si mesmo de “0 grande rei, rei dos reis, rei da
Pérsia, o rei das nações”.
215 A expressão “Deus do céu” aparece 22 vezes no Antigo Testamento, e 13 dessas
aparecem nos livros de Esdras e Neemias.
216 Myers, E z r a -N e h e m ia h , 58.
217 Veja Melody D. Knowles, “Pilgrimage Imagery in the Returns in Ezra”, em J B L
123/1 (2004), 73.
2,8 A N E T , 491.
208 E sdras e N eemias

219 Elefantina é uma ilha no Nilo, onde “vivia uma guarnição de mercenários judeus e
suas famílias” durante o 5° século a.C. Veja James K. Hoffineier, T h e A r c h a e o lo g y
o f th e B ib le (Oxford: Lion Hudson, 2008), 118.
220 Breneman, E zra , N e h e m ia h , E sth er, 134-135.
221 Fensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , 107.
222 David Janzen, “The ‘Mission’ of Ezra and the Persian-Period Temple Community”,
em J B L 119/4 (2000), 633-634.
223 Richard N. Frye, T h e H e r ita g e o f P e r sia (Cleveland/Nova York: World, 1963), 100.
224 Veja E z r a a n d N e h e m ia h , BHQ 20 (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2006),
42-43.
225 Elioenai significa “Para Yahweh são meus olhos”. Brockington observa que
“a maioria dos nomes próprios hebraicos eram, em sua origem, frases curtas que
podiam ser verbais ou nominais”.
226 Micael significa “Quem é como Deus?”.
227 Hacatã significa “o pequeno”, e pode ser um apelido.
228 O nome de Artaxerxes também aparece três vezes em Neemias (2.1; 5.14; 13.6).
229 Eliézer significa “Deus é auxílio”.
230 Elnatã significa “Deus deu”.
231 A palavra h a n n e t i n i m refere-se a uma classe de servidores do templo chamada
Netinim (Ed 2.43,58,70; 8.17,20; Ne 3.31; 7.46,60,72; 10.29; 11.21). Veja E z r a
a n d N e h e m ia h , BHQ 20 (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2006), 43.
232 O nome Elnatã aparece três vezes em 8.16 se referindo a três pessoas diferentes.
233 Isso leva alguns estudiosos a duvidarem da autenticidade dessa lista. Veja Arvid S.
Kapelrud, T h e Q u e s t i o n o f A u t h o r s h i p in t h e E z r a - N a r r a t i v e : A L e x i c a l
I n v e s tig a tio n (Oslo: Jacob Dybwad, 1944), 45-46.
234 Em hebraico, o Ido de Casifia é escrito como ‫ א ד ו‬, enquanto que o Ido, ancestral de
Zacarias, é escrito como ‫ ע דו‬.
235 Fora de Esdras-Neemias, a expressão aparece somente duas outras vezes: no Salmo
135.2eem Joel 1.16.
236 Esdras 8.18,24; Neemias 8.7; 9.4-5; 10.12; 12.8,24.
237 Hasabias também é mencionado em Neemias 12.24 como um dos chefes dos levitas.
238 O infinitivo construto empregado ( l e h i t f a n n ô t ) é mais bem classificado como um
infinitivo de propósito; “Jejuamos com o propósito de nos humilhar”.
239 Isso é diferente do conceito de buscar o S e n h o r , q u e tem mais um conceito de
arrependimento, ou de se voltar para Deus (2Cr 11.16; 20.4.; Is 55.6.; Jr 50.4;
Am 5.6).
240 John Piper, A H u n g e r f o r G o d (Wheaton, IL: Good News, 1997), 125.
241 Richard Foster, T he C eleb ra tio n o f D iscip lin e (Nova York: Harper & Row, 1978), 41-42.
Esse parágrafo aparece também no meu tratamento de Neemias 1.4.
242 Myers, E zra , N e h e m ia h , 71.
243 Williamson, E zra , N e h e m ia h , 119.
244 A expressão “santo ao S e n h o r ” também se refere ao dia de sábado (Ex 31.15), ao
dízimo (Lv 27,30) e aos filhos de Israel (Dt 7.6; 14.2,21; 26.19).
245 Williamson, E zra , N e h e m ia h , 120.
N otas 209

246 Urias significa “Yahweh é a minha luz”.


247 Ibid.
248 Blenkinsopp, E z r a -N e h e m ia h , 171.
249 Joachim Schaper, “The Temple Treasury Committee in the Times o f Nehemiah
and Ezra”, em V T 47/2 (1997): 204.
250 lEsdras 8.66 tern 72.
251 Fensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , 122.
252 Ester 3.12; 8.9; 9.3; Daniel 3.2-3, 27; 6.2-5,7-8.
252Alguns estudiosos sugerem que “a preocupação com a pureza étnica e as objeções
a casamentos mistos são produtos das questões socioeconômicas da época”. Veja
Tamara C. Eskenazi, “Out from the Shadows: Biblical Women in the Postexilic
Era”, em J S O T 54 (1992):35.
254 Fensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , 124.
255 Blenkinsopp, E z r a -N e h e m ia h , 177. Veja também, Morris Jastrow, “The Tearing
of Garments as a Symbol of Mourning with Especial Reference to the Customs of
the Ancient Hebrews”, em/AOS 21 (1900): 23-39.
256A palavra hebraica é um particípio masculino singular no raro tronco polel da raiz
Sm m .
257 McCarthy observa que “o gênero do discurso é difícil de definir. E um sermão, uma
confissão, uma chamada para uma nova resolução. Estruturalmente, é uma
'formulação pactuai’ em seu caminho para se tomar uma oração litúrgica, mas a
forma pactuai ainda lhe dá um contexto geral”. Veja McCarthy, “Covenant and Law
in Chronicles-Nehemiah”, em CBQ44 (1982): 33.
258Dean Merrill apresenta um argumento convincente de que ajoelhar em oração reduz
a nossa tentação de fazer discursos a Deus, e isso nos lembra “quem é quem no
diálogo”. Ver Dean Merrill, “Whatever Happened to Kneeling”, C h r is tia n ity T o day
36 (1992): 24-25.
259A reação e oração de Esdras são muito semelhantes às de Daniel (Dn 9.3-19).
260 Fensham sugere que o escritor usa textos de Levítico 18,20; Deuteronômio 4,18;
2Reis 16,21 e Ezequiel 37. Veja Fensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , 131.
261 Jonathan Klawans, “Idolatry, Incest, and Impurity: Moral Defilement in Ancient
Judaism”, em 75/29/4 (1998), 399.
262 Os Rolos do Mar Morto, descobertos em Qumran, afirmam que a comunidade dos
essênios ali também possuía uma legislação que proibia o casamento entre israelitas
e estrangeiros. Veja Christine Hayes, “Intermarriage and Impurity in Ancient Jewish
Sources”, em H T R 92/1 (1999): 3-36.
263A palavra hebraica s a d d i q pode ser traduzida tanto por “justo” quanto “reto”. No
entanto, no período pós-exílico, a palavra tomou-se sinônimo de “graça”. Assim,
quando Deus é justo, ele concede graça.
264 No capítulo 9, Esdras escreve na primeira pessoa, enquanto que o capítulo 10
é escrito na terceira pessoa. Eissfeldt sugere que o capítulo 10 vem de uma
fonte diferente das memórias de Esdras, enquanto que Rudolph sugere que o
cronista estava usando as memórias de Esdras enquanto escrevia esse capítulo.
Veja O. Eissfeldt, T h e O ld T e s ta m e n t: A n I n tr o d u c tio n (Nova York: Harper and
210 E sdras e N eemias

Row, 1965), 544, e W. Rudolph, E s r a u n d N e h e m ia , HAT 20 (Tübingen: J.C.B.


Mohr, 1949), 93.
265 Secanias aparece pela primeira vez na lista dos repatriados em Esdras 8.5.
266 1Reis 11.1; Esdras 10.2,10-11,14,17-18; Neemias 13.26-27.
267 A. Philip Brown II, “The Problem of Mixed Marriages in Ezra-Nehemiah 9-10”,
em B S a c 162/648 (2005), 449.
268 Há uma diferença fundamental entre os contextos de Deuteronômio 24 e Esdras 10.
Deuteronômio 24 não lida com situações em que as mulheres estrangeiras estavam
presentes, enquanto que Esdras 10 lida especificamente com a quebra da Lei.
269 Eliasibe significa “Que Deus restaure” ou “Deus restaurará”.
270 Brad Creed, “Oaths”, em H o lm a n B ib le D ic tio n a r y , (Nashville: Holman, 1991),
1034.
271 Um jejum absoluto consiste da ausência de alimentos ou água. Para uma excelente
fonte sobre o jejum, veja Kent D. Berghuis, “A Biblical Perspective on Fasting”,
B ib S a c 158 (Jan-Mar2001): 86-103.
272 A citação é atribuída a James A. Garfield, o 20° presidente dos Estados Unidos da
América.
273 Williamson, E zra , N e h e m ia h , 155.
274 Myers, E zra , N e h e m ia h , 86.
275 Fensham, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , 143.
276 Rudolph, E s r a u n d N e h e m ia , 97. Para Rudolph, quanto maior o número de
pessoas que se casaram com mulheres estrangeiras, mais embaraçoso seria para
os líderes de Israel.
277 Malquias significa “Yahweh é (meu) rei”.
278 Benaia significa “Yahweh construiu”.
279 Tanto Simeão quanto Semaías significam “Yahweh ouviu”.
280Naum é a forma abreviada de Neemias, e baseia-se na mesma raiz hebraica, n a h a m ,
que pode ser traduzida como “confortar”. Dois outros homens são chamados de
Neemias no livro de Esdras-Neemias (Ed 2.2; Ne 3.16; 7.7). O nome aparece na
literatura extrabíblica, como Eclesiástico 49.13 e 2Macabeus 1.18-36. O nome de
Neemias aparece como Nehemyahu em uma ostraca de Arade, do 7o século a.C. Veja
Edwin Yamauchi, “Archaeological Backgrounds of the Exilic and Postexilic Era, part
4: The Archaeological Background of Nehemiah”, em B S a c 137/548 (1980), 296.
281 Artaxerxes I govemou de 465 a 424/3 a.C., portanto, o seu 20° ano teria sido 444 a.C.
282 Pierre De Miroschedji, “Susa”. A B D 6:242-245.
283 Após o palácio de Dario I incendiar, Artaxerxes mudou-se para Persépolis. Veja
Yamauchi, “Archaeological Backgrounds of the Exilic and Postexilic Era, part 4:
The Archaeological Background o f Nehemiah”, 291.
284A palavra “irmão” pode significar irmão biológico, parente, compatriota ou amigo.
285 John Maxwell, T h e P o w e r o f A ttitu d e (Colorado Springs: Cook, 2001), 70.
286A palavra traduzida como “desprezo” pode significar também desgraça, e aparece
mais de 20 vezes no Antigo Testamento.
287As orações de Neemias estão registradas em 1.5-10; 2.4; 4.4,9; 5.19; 6.9,14; 9.5-11;
13.14,22,29,31.
N otas 211

288 R .A . Torrey, H ow to P ray (N o v a York: R e v e ll, 1 9 0 0 ), 1 2 8 -1 2 9 .


289 Joh n P i p « , A H unger f o r G od (W h ea to n , IL: G o o d N e w s , 1 9 9 7 ), 1 2 5 .
290 R ich ard F o ster, The Celebration o f D iscipline (N o v a York: H arper & R o w , 1 9 7 8 ),
4 1 -4 2 .
291 K . B a ltz e r v ê u m claro p a ra lelo en tre N e e m ia s 1 .8 -9 e o liv r o d e D e u te r o n ô m io .
V eja D a v id S h ep h erd , “P rop h etap h ob ia: F ear and F a lse P r o p h e c y in N e h e m ia h
V I ” , e m VT 5 5 /2 (2 0 0 5 ): 2 3 2 -2 5 0 .
292 J. J. M o d i, “ W in e A m o n g th e A n c ie n t P e r sia n s”, A sia tic P apers (B o m b a im : R o y a l
A sia tic S o c ie ty , 1 9 0 5 -2 9 : 3 ), 2 3 1 -4 6 .
293 F en sh a m , Ezra and Nehem iah, 1 5 8 .
294 W illia m so n , Ezra, Nehemiah, 1 7 9 .
295 P ierre B rian t, From Cyrus to A lexander: A H istory o f the Persian Em pire (W in o n a
L ak e, Ind.: E isen b rau n s, 2 0 0 2 ), 5 7 1 .
296 Josu é 2 4 .3 ,1 4 -1 5 ; Esdras 4 .1 0 -1 1 ,1 6 - 1 7 ,2 0 ; 5 .3 ,6 ; 6 .6 ,8 ,1 3 ; 7 .2 1 ,2 5 ; N e e m ia s 2 .7 ,9 ;
3 .7 ; Isa ia s 7 .2 0 .
297 E ssa r e g iã o ta m b ém é ch am ad a d e T ran seu frates.
298 E ssa resid ên cia p o d e ter sid o u m a co n stru çã o n o v a o u ren ovad a. O te x to n ã o in d ica
q u a l é o c a s o , a ssim , é im p róp rio esp ecu lar.
2,9 F en sh a m , Ezra and Nehemiah, 163.
300A nt. x i.5
301 E d w in Y am au ch i, “A rch a eo lo g ic a l B ack grou n d o f th e E x ilic and P o ste x ilic Era, part
4 : T h e A r c h a e o lo g ic a l B a ck g ro u n d o f N e h e m ia h ,” 2 9 1 .
302 A m o m e M o a b e eram filh o s d e L ó , o resu ltad o d a relaçã o in c e stu o sa en tre L ó e su as
filh a s (G n 1 9 .3 6 -3 8 ). O s isra elita s en fren taram o s a m o n ita s n o ca m in h o d o E g ito
para C an aã (N m 2 1 ; D t 2 .1 6 - 3 7 ) . D u ran te o p erío d o d o s j u iz e s , tan to o s am on itas
q u an to o s m oab itas lutaram contra o p o v o d e D e u s (Jz 3; 1 0 ). D u ran te a m onarquia,
o se g u n d o rei d e Isra el, D a v i, travou u m a gu erra con tra o s m o a b ita s (2 S m 8 ) e o s
a m o n ita s. D a v i c o n q u is to u a ca p ita l a m o n ita R ab á -A m o n (2 S m 1 0 - 1 2 ) .
303 K a th leen K e n y o n , Jerusalem : E xcavating 3000 Years of H istory (N o v a York:
M c G r a w -H ill, 1 9 6 7 ), 1 0 7 .
304 A p ala v ra trad u zid a aq u i c o m o “op ró b rio ” é o h eb ra ico ΓΓΘΟΠ, q u e p o d e ser
trad u zid o c o m o “o p ró b rio ” , “v erg o n h a ” o u “d esg ra ça ” . E m N e e m ia s , a p alavra
a p arece p e la p rim eira v e z em 1 .3 , e é trad u zid a c o m o “d e sp r e z o ” e d e sc r e v e o
retrato d e H an an i so b re o rem a n escen te. A palavra é u sa d a 3 6 v e z e s; u m a v e z e m
G ê n e s is, d u a s e m I S a m u el, d u a s e m N e e m ia s , u m a e m J ó , d e z v e z e s n o s S a lm o s,
u m a e m P ro v érb io s, u m a e m Isa ía s, d e z v e z e s e m Jerem ias, u m a e m L a m en ta çõ es,
três v e z e s e m E z e q u ie l, u m a e m D a n ie l, d u as e m J o e l e u m a e m S o fo n ia s.
305 É p o s s ív e l q u e G e sé m , o aráb io, seja a m esm a p e s s o a id en tific a d a e m fo n te s
ex tra b íb lica s co m o “rei d e Q uedar” . V eja W illia m F. A lb rig h t, The A rchaeology o f
Palestine (B a ltim ore: P en g u in , 1 9 6 0 ), 145.
306 F en sh a m , Ezra a n d Nehem iah, 1 6 9 .
307 R ay m o n d B r o w n , The M essage o f Nehemiah, 5 8 .
308 Z acu r é a a b rev ia ção d e Z acarias q u e s ig n ific a “Y ah w eh s e lem b ro u ” .
212 E sdras e N eemias

309 N ic h o la s B a ile y o b serv a q u e a d e sc r iç ã o n o ca p ítu lo 3 n ã o é a cid en tal, m as s e g u e


“u m a ló g ic a in tern a b á sica ( ...) e m ostra c o e s ã o extern a c o m o restan te d o liv r o d e
N e e m ia s” . V eja N ic h o la s B a ile y , “N e h e m ia h 3 :1 -3 2 : A n In tersectio n o f th e T ext
and th e T op ograp h y” , JO T T 5 (1 :1 9 9 2 ): 5.
310 Ibid., 6 .
3,1 M e se z a b e l é u m a sen ten ça p articip ial, e sig n ific a “D e u s é o ú n ic o q u e lib erta” .
312 B len k in so p p , Ezra-N ehem iah , 2 3 4 .
313 B e so d ia s sig n ific a “N o c o n se lh o /a m iz a d e d e Y a h w eh ” .
314 A lg u n s traduzem c o m o “A porta d a c id a d e a n tiga” o u “A p orta d o bairro n o v o ” .
P orém , v is to q u e Jesaná era o n o m e d e um a cid a d e, p a rece fazer sen tid o q u e a porta
ten h a sid o ch am ad a p e lo n o m e da cid a d e, a ss im c o m o a P orta d e Jafa, h o je , s e abre
n a d ireçã o d e Jafa.
315 H aru m afe s ig n ific a “p o r c o ”, e p o d e ter sid o u m a p elid o .
316 A lgu n s sugerem q u e essa é equivalente a Torre d e D avi, próxim o à Porta de Jafa
317 V eja The C ity o f D avid: R evisiting E a rly E xcavations, o rg . H ersh el S h a n k s
(W ash in g to n D .C .: B A S , 2 0 0 4 ).
318 W illia m so n , Ezra, Nehem iah, 2 0 9 .
319 O s S a lm o s 3 5 , 5 5 , 5 9 , 6 9 , 7 9 , 1 0 9 e 1 3 7 p o d e m ser c la s s ific a d o s c o m o sa lm o s
im p reca tó rios. N e s s e s sa lm o s, o sa lm ista ora para q u e o m a l so b rev en h a so b re se u s
p erseg u id o res'e/o u d o p o v o .
320A lé m d e a v is o d e p e r ig o im in en te, o ch ifre d e carneiro ( shofar ) an u n ciava a ch eg a d a
d o S á b a d o , d a L u a N o v a ou a m orte d e a lg u é m d a n ob reza.
321 E stim a -se q u e o s re is p ersas r e c o lh ia m o e q u iv a le n te a 2 0 m ilh õ e s d e d a rico s p or
an o e m im p o sto s. U m d arico p esa v a 8 ,4 gram as d e ou ro. V eja E d w in M . Y am auchi,
Persia a n d the Bible (G rand R ap id s: B ak er, 1 9 9 6 ), 2 7 4 .
322 W arren W iersb e, The Bible E xposition Commentary: H istory, 6 5 5 .
323 É p r e c iso ter cu id a d o sob re c o m o ap lica r e s s e tex to à situ a çã o con tem p orân ea.
G ary W illia m s o b serv o u q u e “ e x p o sito r e s m o d ern o s en con tram e m N e e m ia s 5
e n s in o s sob re a ssu n to s c o m o p lan ejam en to fam iliar (5 .2 ) , o e x e r c íc io ad eq u ad o da
ira (5 .6 -7 a ), p en sa r antes d e agir (5 .7 ) , o v iv e r ex em p la r (5 .8 ,1 4 - 1 8 ), o testem u n h o
d a ig reja d ia n te d e u m m u n d o ob serv a d o r (5 .9 ) , cu m p rim en to d e p r o m e ssa (5 .1 2 -
1 3 ), sa c r ifíc io s co rreto s ( 5 .1 4 - 1 8 ), o tem o r d e D e u s (5 .9 ,1 5 ) , n ão co n fo rm id a d e
c o m o m u n d o ( 5 .1 5 ) , e c o n fia n ç a n a r eco m p en sa d e D e u s ( 5 .1 9 ) ” . N o en tan to,
q u a n d o s e interpreta o tex to e m seu c o n te x to p róp rio, “esp e r a -se q u e a p rin cip al
a p lic a ç ã o d e N e e m ia s 5 seja q u e d e v e m o s ajudar o s p o b res, e q u e as a p lic a ç õ e s
m a is e s p e c ífic a s d e v e m in clu ir o s so frim en to s d o s p o b res (b a sea d o e m 5 .1 - 5 ) , a
co n d e n a ç ã o d a in ju stiça so c ia l (b a sea d o e m 5 .1 - 9 ) , ex o r ta ç õ e s para s e e n v o lv e r n a
correção d e in ju stiças so c ia is (b asead o e m 5 .6 -1 3 ), co n selh o s sob re c o m o o s credores
d ev em tratar o s d eved o res (b asead o e m 5.1 -1 2 ), e su g e stõ e s sob re a resp on sab ilid ad e
d o g o v e r n o para c o m o s p o b res (b a sea d o e m 5 .6 - 1 8 ) ” . V eja G ary R . W illia m s,
“C o n tex tu a l In flu e n c e s in R ea d in g s o f N e h e m ia h 5: A C a se S tu d y” , em TB 5 3 .1
(2 0 0 2 ): 5 8 -5 9 .
324 D e n n is J. M cC arthy, “C o v en a n t and L aw in C h r o n ic le s-N e h e m ia h ” , e m CBQ 4 4
(1 9 8 2 ): 2 5 -4 4 .
N otas 213

325 Loring W. Batten, T h e B o o k s o f E z r a a n d N e h e m ia h , ICC (Edimburgo: T & T


Clark, 1961), 244.
326A palavra hebraica DH é um empréstimo do persa e é traduzida como “governador”.
A palavra tem uma vasta gama de significados e, portanto, também pode ser traduzida
como “sátrapa”. O termo também é usado para descrever Sesbazar (Ed 5.14),
Zorobabel (Ag 1.1,14; 2.2) e outras autoridades persas (Ed 5.3,6; 6.6-7,13; 8.36;
Ne 2.7,9; 3.7).
327Alguns estudiosos sugerem que os antecessores de Neemias, que foram nomeados
governadores, eram “comissários especiais, cujos papéis eram restritos a tarefas
específicas e cronologicamente limitadas ligadas ao culto de Jerusalém”. Veja
H.GM. Williamson, “The Governors o f Judah under the Persians”, em T B 39
(1988): 59-82.
328 Sean E. McEvenue, “The Political Structure in Judah from Cyrus to Nehemiah”,
em C B Q 4 3 (1981): 358.
329 Para construir essa lista de governadores, Avigad utilizou, dentre outras coisas, de
uma coleção de lacres e selos que datam do 5° e 6° século a.C. Veja Edwin Yamauchi,
“Archaeological Backgrounds o f the Exilic and Postexilic Era, part 4: The
Archaeological Background of Nehemiah”, em B S a c 137/548 (1980), 298-299.
330 Derek Kidner, E z r a a n d N e h e m ia h , TOTC (Downers Grove, II.: IVP, 1979), 98.
331 Edwin Yamauchi, E z r a a n d N e h e m ia h , EBC 4. Org. por Frank E. Gaebelein (Grand
Rapids: Zondervan, 1988), 712.
332 Derek Kidner, E zra a n d N e h e m ia h , TOTC (Downers Grove, II.,: IVP, 1979), 100.
333 Veja a tabela do calendário judaico em Esdras 3.
334 Williamson, E zra , N e h e m ia h , 270.
335 Não temos mais nenhuma informação sobre Hananias. Visto que Hananias pode ser
uma forma alternativa de Hanani, alguns estudiosos sugerem que o nome do segundo
explica o primeiro.
336A palavra “irmão” pode significar irmão, parente, conterrâneo ou amigo.
337 Jó 28.28; SI 19.9; 111.10; Pv 1.9; 9.10; Is 11.3; At 9.31; 2C0 5.11.
338 Contra James Barr, que argumenta que “Neemias está ordenando que as portas
devam ser mantidas fechadas durante o calor do dia (...)”. Veja James Barr, “Hebrew
‫ ע י‬, Especially at Job 1.18 and Neh. VII.3”, em J S S XXVII/2 (1982): 186.
339 Hayyim Angel, “The Literary Significance o f the Name List in Ezra-Nehemiah”,
em J B Q 35/3 (2007): 148.
34(1 McCarthy compara a lei em Neemias com a lei em Deuteronômio e vê diferenças.
“Em Deuteronômio, a primeira etapa é uma promessa cujo objeto é uma relação
pessoal, a lei um guia para se viver essa relação. Em Neemias, a própria lei é o
objeto da promessa. O compromisso parece ser com a lei, não com uma pessoa que
orienta um relacionamento mediante diretivas ou ‘leis’.” Veja Dennis J. McCarthy,
“Covenant and Law in Chronicles-Nehemiah”, em C R Q 44 (1982): 26. Eu acredito
que McCarthy está equivocado em conceber uma diferença entre o que a Lei deveria
realizar durante o período de Moisés e durante o período de Neemias. Em ambos os
casos, Deus queria que seu povo fosse obediente à Lei e, ao fazer isso. mostrasse
fidelidade ao relacionamento com o Deus Criador que deu a Lei.
214 E sdras e N eemias

341 A hipótese JEDP aprimorada, mas não produzida pelo estudioso alemão Julius
Wellhausen, sugere que o Pentateuco foi uma compilação de quatro fontes (J, E, D
e P), que foram reunidas por um cronista por volta do 4o século a.C. Veja John J.
Collins, I n tr o d u c tio n to th e H e b r e w B ib le (Minneapolis: Fortress, 2004), 47-65.
342 Williamson, E zra , N e h e m ia h , 289.
343 GC.I. Wong, “A Note on ‘Joy’ in Nehemiah VIII 10", em V T 45/3 (1995): 384.
344 Warren Wiersbe, T h e B ib le E x p o s itio n C o m m e n ta r y : H is to r y (Colorado Springs,
Victor: 2003), 674.
345 Ibid., 676.
346 McCarthy, “Covenant and Law in Chronicles-Nehemiah,” 41.
347 Tollefson e Williamson veem três métodos usados para motivar a mudança do
grupo nesse capítulo:
• Encenação de uma demonstração pública para revigorar o povo (9.1-3)
• Aumento da magnitude da dissonância cultural a um nível intolerável (9.6-35)
• Limpeza de feridas públicas de descontentamento (9.36-37)
Veja Kenneth D. Tollefson e H.GM. Williamson, “Nehemiah as Cultural Revitalization:
An Anthropological Perspective”, em J S O T 56 (1992): 41-68.
348 Buni é uma forma abreviada de Benaías, e significa “Yahweh construiu”.
349 Fensham, E z r a a n d N e h e m ia h , 223.
350 Mark Boda observa as formas e vocabulário em comum com as orações de
arrependimento encontradas em Esdras 9, Neemias 1, Daniel 9 e no Salmo 106. Os
temas consistentes de aliança, terra e lei também estão presentes. Veja Mark J.
Boda, “Praying the Tradition: The Origin and Use of Tradition in Nehemiah 9”, em
T B 48/1 (1997): 179-182.
351 Os eventos históricos recordados aqui fazem referência ao Pentateuco: Ex 13.21-
22; 16.4; 17.6; 19.18-20; 20.22; 32.1-6; Nm 14.14, 30; 20.8; Dt 1.33; 8.4. Bliese
concebe Neemias 9.6-37 como um exemplo de quiasmo, enquanto que Boda
argumenta que “a preocupação com a métrica, palavras de alta frequência e o
desprezo do padrão cíclico” de Bliese leva-0 a apresentar estruturas quiásticas
irregulares e errôneas. Veja Loren F. Bliese, “Chiastic Structures, Peaks and Cohesion
in Nehemiah 9:6-37”, em B T 39/2 (1988): 208-215, e Mark J. Boda, “Chiasmus in
Ubiquity: Symmetrical Mirages in Nehemiah 9”, em J S O T 71 (1996): 55-70.
352 Juizes 2.11-19 traça esse ciclo de apostasia que será repetido sete vezes ao longo
do livro:
• Pecado de Israel, v. 11-13
• Servidão a um vizinho opressor, v. 14-15
• Súplica por Israel, v. 15b
• Salvação pelo juiz enviado por Yahweh, v. 16
• O ciclo repetido, v. 17
• Explicação, v. 18-19
353 A misericórdia de Deus ( r a h ã m i m ) é tema de outros escritores do Antigo
Testamento e não é exclusivo de Esdras-Neemias. A expressão “sua misericórdia”
ou “suas misericórdias” também ocorre em Ne 9.19,27-28; SI 25.6; 40.12; 51.3;
69.17; 79.8; 119.77; 119.156; Is 63.15;eD n 9.18.
N otas 215

334 D e u s se id e n tific a c o m o c le m e n te ( h a n n ú n ) e m Ê x o d o 2 2 .6 , e e le é d escrito c o m o


tal e m 2 C r 3 0 .9 ; N e 9 .1 7 ; SI 1 1 1 .4 ; 1 1 2 .4 ; 1 1 6 .5 ; 1 4 5 .8 ; Is 3 0 .1 9 ; J12 .1 3 ; e Jn 4 .2 .
333 O utras p a ssa g e n s e m q u e D e u s é d ecla ra d o c o m o se n d o “gran d e” ( g ã d ô l ) sã o N e
1.5; 9 .3 2 ; J ó 3 6 .2 6 ; SI 9 9 .2 ; 1 3 5 .5 ; Jr 3 2 .1 8 ; D n 9 .4 ; e J 1 2 .4 .
334 A palavra trad u zid a co m o “te m ív e l” (h a n n ô rG *) v e m d a raiz d e “tem er” , e e la tem
a c o n o ta ç ã o d e estar e m tem or d ian te d a m ajestad e e d a g ló r ia d e D e u s . E la é usad a
para d e sc r e v e r D e u s e m D t 1 0 .1 7 ; 2 8 .5 8 ; N e 1 .5 ; 4 .8 ; e D n 9 .4 .
337 A o lo n g o d o A n tig o T esta m en to , D e u s é ap resen tad o c o m o e x ib in d o a lia n ça d e
am or (h ese d ) para c o m o se u p o v o (G n 3 9 .2 1 ; Ê x 3 4 .6 ; N m 1 4 .1 8 ; E d 7 .2 8 ; SI
2 5 .1 0 ; 3 3 .5 ; 1 0 3 .8 ; 1 4 5 .8 ; Jr 9 .2 4 ; 3 1 3 ; 3 2 .1 8 ; J12 .1 3 ; Jn 4 .2 ) .
338 U m a d a s p rin cip a is características d e D e u s é a su a ju s tiç a . A o lo n g o d o A n tig o
T esta m en to , D e u s é d ecla ra d o c o m o ju s to (ç a d d iq ) (2 C r 1 2 .6 ; E d 9 .1 5 ; SI 11.7;
1 1 9 .1 3 7 : 1 2 9 .4 ; 1 4 5 .1 7 ; I s 4 5 .2 1 ; Jr 1 2 .1 ;L m 1 .1 8 ; D n 9 .1 4 ; S f 3 .5 ).
339 A s e s tip u la ç õ e s d a a lia n ça serão d eta lh a d a s n o p r ó x im o ca p ítu lo .
360 H e z ir s ig n ific a “p o r c o ” e p r o v a v elm en te era u m a p elid o .
361 M y ers, Ezra, Nehemiah, 2 3 6 .
362 W illia m so n , Ezra, Nehemiah, 3 3 3 .
343 C lin e s sa lien ta q u e e s s a n ã o era um a a lia n ça b ilateral (berít), n e m u m c o n ju n to d e
le i s sa cerd o ta is (tô rõ (), m a s “u m c o m p r o m iss o u n ila teral p o r p arte d e to d a a
c o m u n id a d e, sa cerd o tes, le v ita s e p o v o .” V eja D a v id J .A . C lin e s , “N e h e m ia h 10 as
A n E x a m p le o f E arly J ew ish B ib lic a l E x e g e s is ” , JS O T 21 ( 1 9 8 1 ) : 1 1 1 . M cC arth y
v ê u m a estrutura d o m in a n te n o s e x e m p lo s d e r e n o v a ç ã o d e a lia n ça e m C rô n ica s-
N e e m ia s.
• P a rên ese, u sa d a a q u i c o m o u m a p alavra geral para v á r io s tip o s d e ex o rta çã o
• R ea liza ç ã o d a a lia n ça
• P u rifica çã o da terra e d o p o v o
• C u lto ren o v a d o .
V eja M cC arth y, “C o v e n a n t and L aw in C h r o n ic le s-N e h e m ia h ”, 3 6 .
364 C lin e s , “N e h e m ia h 10 as A n E x a m p le o f E a r ly J e w ish B ib lic a l E x e g e s is ”, 116.
343 N o liv r o d o p ro feta A g e u , D e u s rep reen d e a co m u n id a d e p ó s - e x ílic a p o r cu id ar
m a is d a co n stru çã o d e su a s p róp rias ca sa s d o q u e d a reco n stru çã o d o te m p lo (A g
1.2 - 8).
366 O d ed L ip sc h its, “L iterary an d I d e o lo g ic a l A sp e c ts o f N eh em ia h 11” , e m J B L 1 2 1 /
3 (2 0 0 2 ) : 4 2 3 .
367 E d w in Y a m a u ch i, E zra a n d Nehem iah, E B C 4 (G rand R ap id s: Z o n d erv a n , 1 9 8 8 ),
744.
368 E d w in Y a m a u ch i, “A r c h a e o lo g ic a l B ack g ro u n d s o f th e E x ilic an d P o s te x ilic Era,
p art 3 : T h e A r c h a e o lo g ic a l B a ck g ro u n d o f E zra” , B S a c l3 7 / 5 4 7 ( 1 9 8 0 ) , 1 9 5 .
369 Is 4 8 .2 ; 5 2 .1 ; D n 9 .2 4 .
370 L ip sc h its, “L iterary an d I d e o lo g ic a l A sp e c ts o f N e h e m ia h 11”, 4 3 4 .
371 Ibid.
372 L v 1 6 .8 ; J s 1 8 .6 ,8 ,1 0 ; lC r 2 4 .3 1 ; 2 5 .8 ; 2 6 .1 3 s .; N e 1 0 .3 4 ; 1 1 .1 ; E t 3 .7 ; 9 .2 4 ; Jó
6 .2 7 ; SI 2 2 .1 8 ; J 1 3 .3 ; O b 1 .1 1 ; Jn 1.7; N a 3 .1 0 .
373 F en sh a m , Ezra a n d Nehem iah, 2 4 3 .
216 E sdras e N eemias

374O modelo de “comunidade cidadão-templo” de Weinberg sugere que o templo “se


tomou uma organização autônoma e privilegiada dos estratos superiores que
governaram durante a segunda metade do segundo milênio a.C. Ao fundir-se com a
comunidade, o templo formou uma estrutura essencialmente nova—a comunidade
cidadão-templo. Essa comunidade cidadão-templo deu aos seus membros uma
unidade organizacional e uma autoadministração coletiva, e cuidou da mútua ajuda
política e econômica”. Veja Joel Weinberg, The Citizen-Temple Community, traduzido
porD.L. Smith-Christopher, JSOTSup., 151 (Sheffield: SAP, 1992), 92-93. Cataldo
argumenta que o modelo de Weinberg é incompleto quando sugere que “a instituição
política imperialmente estabelecida e o culto eventualmente se fundiram em um
único chefe de governo, com os líderes de culto assumindo o papel de autoridade
tanto sobre as instituições políticas quanto as teológicas de Yehud”. Veja Jeremiah
Cataldo, “Persian Policy and the Yehud Community During Nehemiah”, em JSO T
28/2 (2003): 131-143. Na verdade, o texto bíblico não parece apoiar a teoria de
Weinberg, visto que Esdras-Neemias retrata a reconstrução tanto da instituição
política quanto do culto.
375Maalalel é uma sentença participial, e significa “Deus é aquele que ilumina”.
376Existem semelhanças entre essa lista e a lista em lCrônicas 9.2ss., mas também há
diferenças. Embora alguns sugiram que uma dependeu da outra, não existe evidência
conclusiva a respeito de qual dependeu de qual, se for esse o caso. Alguns estudiosos
preferem a versão mais curta da LXX. Veja P.K. McCarter, Textual Criticism:
R ecovering the Text o f the H ebrew Bible (Filadélfia: Fortress, 1986), 93-94.
377Azai é uma forma abreviada de Acazias, e significa “Yahweh compreendeu”.
378Zabdiel significa “Deus deu” ou “presente de Deus”.
379Zabdi é uma forma abreviada de Zabdiel, e significa “Deus deu” ou “presente de
Deus”.
380Galai significa “tartaruga” ou “esterco” e pode ter sido um apelido.
381 Batten, The B ooks o f Ezra a n d Nehem iah, 271.
382Acube e Talmon estão listados tanto na lista de Esdras 2.42 quanto na de
Neemias 12.25.
383 Kidner, Ezra and Nehem iah, 120.
384Alguns estudiosos sugerem que esse cargo foi ocupado anteriormente por Esdras.
Embora não haja nenhuma prova disso, a hipótese não é sem mérito.
385Lipschits sugere que a lista de aldeias não é “um reflexo real das fronteiras de Judá”,
mas sim “uma perspectiva utópica, baseada em percepções do passado remoto e
em esperanças para o futuro, após a construção dos muros de Jerusalém”. Veja
Lipschits, “Literary and Ideological Aspects of Nehemiah 11,” 430-431.
386Alguns sugerem que essas aldeias “são os povoados que não foram destruídos
pelos babilônios e continuaram a ser ocupados por judeus, apesar de terem sido
submetidos à influência árabe-edomita”. Veja Lipschits, “Literary and Ideological
Aspects of Nehemiah 11”, 430.
387 Uma cidade atribuída aos levitas (Js 21.17), onde Saul e Jônatas combateram os
filisteus (ISm 13 e 14).
388Uma cidade levítica (Js 21.18), a qual também foi a cidade natal de Jeremias (Jr 1.1).
N otas 217

389O local de nascimento de Samuel (ISm 1.19).


390Derek Kidner, Ezra and Nehemiah, 122.
391Joiaquim significa “Yahweh estabelecerá” ou “Que Yahweh estabeleça”.
392Alguns sugerem que Jônatas seja um erro de escriba para Joanã. Se assim for, Joana
é mencionado nos papiros de Elefantina. Veja L.H. Brockington, Ezra, N ehem iah
and E sther (Melbourne: Thomas Nelson and Sons, 1969), 199-200, and Fensham,
The Books o f Ezra and Nehem iah, 2 5 1.
393 Existem algumas pequenas diferenças de ortografia entre as duas listas: Reum/
Harim, Secanias/Sebanias, Meremote/Meraiote, Ginetoi/Ginetom, Miamim/
Miniamim, Maadias/Moadias, Salu/Salai. As diferenças de ortografia podem ser
devido a erro de escriba.
394Fensham, 254.
395 Mark Boda sugere que a palavra traduzida como “louvores” podería se referir à
apresentação de sacrifícios. Veja Mark Boda, “The Use of Tôdôt in Nehemiah
ΧΠ”, em V T 44/3 (1994): 388.
396 Alguns sugerem que o nome de Esdras foi uma inserção editorial destinada a
mostrar que Esdras e Neemias foram contemporâneos. Veja Brockington, Ezra,
Nehem iah, and Esther, 205.
397Eliaquim significa “Deus estabelecerá” ou “Que Deus estabeleça”.
398Yamauchi aponta que as descobertas arqueológicas atestam o fato de que os persas,
gregos e romanos tinham celebrações similares. Veja Edwin Yamauchi, Ezra and
Nehemiah, 757.
399Muitos estudiosos sugerem que esse não é Eliasibe, o sumo sacerdote, uma vez
que a função de um sumo sacerdote não incluiría a supervisão das câmaras do
templo. Veja Williamson, Ezra, Nehem iah, 386 e Brockington, Ezra, Nehem iah,
a n d Esther, 208.
400Somos lembrados da justa ira de Jesus que limpou o templo quando este se tomou
algo para o que nunca foi destinado a ser (Mt 21.12ss; Mc 11.15ss; Lc 19.45ss; Jo
2.14ss).
401 Saul M. Olyan, “Purity Ideology in Ezra-Nehemiah as a Tool to Reconstitute the
Community”, em JSJ35/1 (2004): 10.
402O sistema de dízimos de Israel não era exclusivo. Yamauchi afirma que “templos na
Mesopotâmia também cobravam o dízimo para o sustento de seu pessoal”. Veja
Edwin Yamauchi, Ezra and Nehemiah, 762.
403Números 18.21 descreve a ordem de Deus para a provisão dos levitas por meio dos
dízimos de Israel.
404Esses homens de integridade representavam os sacerdotes e os levitas; nada mais se
sabe sobre a sua identidade ou história.
403 Há uma série de semelhanças aqui com o livro de Malaquias, que discute temas
semelhantes, como os casamentos mistos, o dízimo e um livro de recordações (Ml 2.14;
3.8-10,16). Veja também Cyril J. Barber, N ehem iah and the D ynam ics o f Effective
Leadership (Neptune, Nova Jersey: Loizeaux Brothers, 1976), 167-174.
406 Fensham, The Books o f Ezra a n d Nehemiah, 262.
407Veja Fensham, The Books o f Ezra and Nehem iah, 266.
218 E sdras e N eemias
408
Os líderes da Igreja atual não podem pegar uma página do manual de Neemias e
tratar seus congregantes da mesma maneira. A eclesiologia e os princípios de liderança
do Novo Testamento são muito diferentes do estilo não convencional empregado
por Neemias.
O primeiro exemplo está no capítulo 5, quando Neemias faz os sacerdotes prestarem
409 ‫ן‬

umjuramento selando sua promessa de parar de cobrar juros de seus irmãos judeus
e devolver as propriedades daqueles com quem erraram (Ne 5.10-12). O discurso
na segunda pessoa “Não dareis mais vossas filhas a seus filhos (...)" é paralelo ao
discurso em segunda pessoa em Deuteronômio 7.3: “nem contrairás matrimônio
com os filhos dessas nações (...)”.
410
O historiador judeu do Γ século, Josefo, relata que “Manassés, filho de Joanã,
irmão do sumo sacerdote Joiada, havia se casado com a filha de Sambalate, que ele
foi expulso por Neemias, que ele foi até Sambalate, e que Sambalate construiu um
templo para ele em Gerizim”. Veja Fensham, 267.
411
Kidner, Ezra and Nehem iah, 132.
412
Charles Fensham, Ezra and N ehem iah (Grand Rapids: Eerdmans, 1982), 1.
413
W.F. Albright, “The Date and Personality of the Chronicler”, em JB L 40 %
(1921), 119.
414
Ibid.
415
Ibid.
416
Jacob M. Myers, E zra-N ehem iah, AB (Garden City, Nova York: Doubleday,
1965), LXVni.
417
Gleason L. Archer, A Survey o f O ld Testament Introduction (Chicago: Moody,
1994), 457.
418
Fensham, 3.
419
Ibid.
420
Ibid., 3-4.
421
Charles C. Toney, Ezra Studies, (Chicago, UCP, 1910), 223-224.
422
Torrey, 224.
423
Ibid., 238-239.
424
Ibid., 239.
425
Ibid.
426
Ibid., 250-251.
427
Mark A. Throntveit, “Linguistic Analysis and the Question of Authorship in
Chronicles, Ezra, and Nehemiah,” em VT32/2 (1982), 202.
428
Sara Japhet, “The Supposed Common Authorship of Chronicles and Ezra-
Nehemiah Investigated Anew,” em VT18/3 (1968), 334-337.
429
Japhet, 338.
430
Acredito que a seção de Japhet sobre as peculiaridades de estilo é subjetiva e,
portanto, não usarei seus argumentos nesse artigo.
431
Japhet, 371.
432
H.GM. Williamson, Israel in the Books o f Chronicles (Cambridge: CUP, 1977),
58-59.
N otas 219

433
Williamson sugere que a expressão aparece três vezes em Esdras, mas apenas a
palavra ililDto aparece três vezes em Esdras (3.12-13; 6.22).
434‫׳‬
Tamara Cohn Eskenazi, In an A ge o f Prose: A Literary Approach to Ezra-Nehemiah,
SBLMS 36 (Atlanta: Scholars, 1988).
435
Eskenazi, 22.
43 «
Ibid.
437
Ibid., 23.
438
Eskenazi cita o comentário de Curtis e Madsen sobre Crônicas, 23.
439
Eskenazi, 24.
440
Ibid., 25. Veja Μ. Z. Segal, The Books o f Ezra and Nehemiah, Tarbiz 14, 86-87.
441
Robert R. Wilson, G enealogy a n d H istory in the Biblical World (New Haven: YUP,
1977), 9.
442
Marshall D. Johnson, The P urpose o f B iblical G enealogies With Special Reference
to the Setting o f the Genealogies o f Jesus (Cambridge: CUP, 1969), 74.
443
Williamson, Israel in the B ooks o f Chronicles, 67-68.
444
Eskenazi, 28.
445
Ibid., 29.
446
Ibid., 29-30.
447
Ibid., 31.
448
Ibid., 32.
449
Kyun-Jin Min, The L evitica l A u th o rsh ip o f E zra-N ehem iah, JSOTSup, 409
(Londres: T & T Clark, 2004), 74.
450
Min, The Levitical Authorship, 76.
451
Ibid., 79.
452
Ibid.
453
Ed 8.20; 10.15; Ne 7.1; 9.4-5; 12.27; duas vezes em 13.10,22).
454
Min, The Levitical A uthorship, 80-81. Essa parte é baseada somente na lista de
Min.
455
Ibid., 81.
456
Ibid., 83.
457
Ibid.
458
Ibid.
459
Ibid., 85.
460
Ibid., 86.
461
Ibid., 127.
462
Martin Noth, The H istory o f Israel (Londres, SCM: 1983), 318.
463
M in, The Levitical Authorship, 133.
464
Ibid., 132.
465
Ibid., 134.
466
Ibid., 137.
467
R.K. Harrison, Introduction to the O ld Testament (Peabody, Massachusetts: Prince,
1999), 1149.
468
Ibid., 1150.
220 E sdras e N eemias
469
Ibid.
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471
Ibid., 347.
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C omentários do A ntigo T estamento

ESDRAS F NEEMIAS
E ste co m entário de E sdras e N eemias é c u id a d o sa m en te d o c u m e n ­
TADO E SOBERBAMENTE ESCRITO, UM COMENTÁRIO INTELIGENTE QUE É
EIOLÍSTICO NA ABORDAGEM. RATA IIABILMENTE TECE MATÉRIAS DO TEXTO
HEBRAICO, HISTÓRIA, TEOLOGIA E DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS. TAMBÉM
NÃO FICARAM ESQUECIDAS AS NECESSIDADES PRÁTICAS DO CRISTÃO CON­
TEMPORÂNEO. ESTE É UM LIVRO APROPRIADO PARA A SALA DE AULA, O
ESCRITÓRIO DO PASTOR, OU O ESTUDO DO ERUDITO.

Jo h n ]. D avis - P residente / P rofessor E mérito , G race C ollege e


G race T heological S em inary , W in o n a L ake , I n d ia n a .

T iberius R ata forneceu À Igreja um a síntese esclarecedora , escrita


DE FORMA CLARA, DOS LIVROS MUITAS VEZES NEGLIGENCIADOS DE ESDRAS E
N eem ias . O estilo d o autor é c o nciso e de fácil leitura ; ele m a ntém
o r um o e recusa - se a desviar - se de seu principal objetivo de ilum inar
o sentido e significado d o texto bíblico . U ma d a s características
m ais úteis deste volum e é a su a a t e n ç ã o para a relevância c o ntem ­
' PORÂNEA. S em violar o significado do antig o texto em seu contexto ,
. O AUTOR OBTÉM ÚTEIS PERCEPÇÕES PRÁTICAS CONSISTENTES COM A SUA
INTENÇÃO ORIGINAL.

R obert B. C h isholm , Jr. - P rofessor de E stu do s do A ntigo T esta ­


m ento d o D allas T heological S em inar y .

T iberius R ata , natural da R omênia, é professor do D epartamento de E s ­


! tudos B íblicos e professor de E studos do A ntigo T estamento no G race
C ollege e no T heological S eminary, em W inona L ake, Indiana . É
MEMBRO DA SOCIEDADE TEOLÓGICA E v ANGÉUCA E DO INSTITUTO DE PESQUISA
B íblica e apresentou trabalhos nas convenções nacionais da S ociedade
T eológica E vangélica , É casado com C armen e eles têm dois filhos.

txeflese/Esiudobiblico/Comentários

ISBN: 978-85-7622 654-3


s
(EDITORR CUITURR CRISTR
www.editoraculturacrista.com.br 9 788576 226543