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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL UNINTER

ESCOLA SUPERIOR POLITÉCNICA


BACHARELADO EM ENGENHARIA DA PRODUÇÃO
DISCIPLINA INSTALAÇÕES ELÉTRICAS INDUSTRIAIS

SEGURANÇA DO TRABALHO: INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

ALUNO: JAISON LIZ DE OLIVEIRA


PROFESSOR: JULIANO DE MELLO PEDROSO

TRÊS BARRAS – SC
2019 – FASE B - II
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1 INTRODUCAO

Certamente, o choque elétrico é o risco mais conhecido por quem pensa em


segurança em eletricidade. Grande parte das pessoas, incluindo aquelas que nunca
trabalharam com eletricidade, já tomou pelo menos um choque elétrico.
Os riscos à segurança e saúde dos trabalhadores que atuam em áreas ou
nas atividades com energia elétrica são inúmeros, podem acarretar lesões de grande
gravidade e em alguns casos o risco de morte.
A ação mais nociva da energia elétrica é a ocorrência do choque elétrico.
Também apresenta risco devido à possibilidade de ocorrências de curtos-circuitos ou
mau funcionamento do sistema elétrico, causando incêndios e explosões.
No entanto, esse está longe de ser o único risco para quem trabalha com
instalações elétricas. Por causa dos riscos que vamos elencar a seguir é que a
segurança em eletricidade merece toda a nossa atenção.

1.1 OBJETIVOS

Os serviços e atividades com eletricidade são regulamentados no Brasil


pelo Ministério do Trabalho e Aplicados através da NR-10 (Norma Regulamentadora
10).
Nesta atividade serão destacados os principais pontos da NR-10,
juntamente com outros pontos referentes às atividades desta área, efeitos da
passagem de corrente elétrica no corpo humano, Utilização de EPI’s e EPC’s e
outros riscos relacionados ao trabalho com instalações elétricas.

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Equipamentos eletrônicos como chuveiros, lâmpadas incandescentes,


secadores de cabelo, ferro elétricos, são alguns dos itens que mais usamos em
nosso dia e em nossas residências. Esses aparelhos assim como muitos outros
funcionam a base de energia elétrica.
O corpo humano é um excelente condutor de eletricidade. Quando o corpo
entra em contato com a corrente elétrica esta é conduzida para a terra ou para outro
elemento condutor. Isso é chamado de choque elétrico, que causa entre outros
efeitos calor e contrações musculares.
Definição: De acordo com OSHA (2005), o choque
elétrico ocorre quando o corpo humano torna-se parte
de um caminho através do qual os elétrons podem
fluir. É um estímulo rápido no corpo humano,
ocasionado pela passagem da corrente elétrica, que
circulará pelo corpo onde ele tornar-se parte do
circuito elétrico, havendo uma diferença de potencial
suficiente para vencer a resistência elétrica oferecida
pelo corpo.

A passagem de corrente elétrica por um condutor, no caso o corpo humano


em questão, dependem da intensidade da corrente e do tempo de exposição. De
qualquer maneira, podem variar desde queimaduras, contrações musculares, até
paradas cardíacas. Tal desorganização do arranjo fisiológico dos elementos
químicos das células provocada pelo choque elétrico pode levar à morte.
O choque elétrico pode ocasionar contrações violentas dos músculos, a fibri-
lação ventricular do coração, lesões térmicas e não térmicas, podendo levar a óbito
e, como efeito indireto, às quedas, batidas etc.
Abaixo serão detalhados, os efeitos e danos da passagem de corrente
elétrica pelo corpo humano.

Queimaduras:

Na medida em que a corrente elétrica é conduzida por um material, qualquer


oposição a esse fluxo de elétrons (resistência) resulta em uma dissipação de
energia, geralmente sob a forma de calor. Este é o efeito mais básico e fácil de

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entender da eletricidade no tecido vivo: a corrente faz aquecer. Se a quantidade de
calor gerado for suficiente, o tecido pode ser queimado.
O efeito é fisiologicamente o mesmo que os danos causados por uma chama
aberta ou outra fonte de calor de alta temperatura, exceto que a eletricidade tem a
capacidade de queimar o tecido bem abaixo da pele de uma vítima, até mesmo
queimando órgãos internos.

Contrações musculares e sistema nervoso:

Outro efeito da corrente elétrica no corpo, talvez o mais significativo em


termos de perigo, diz respeito ao sistema nervoso. Se uma corrente elétrica forte
suficiente for conduzida através de uma criatura viva, sobrecarregará o sistema
nervoso, impedindo que os sinais reflexivos possam atuar nos músculos.
Os músculos atingidos por uma corrente externa (choque) serão
involuntariamente contraídos, e não há como a vitima reagir.
Este problema é ainda mais perigoso se a vítima entrar em contato com um
condutor energizado com as mãos. Os músculos do antebraço responsáveis por
dobrar os dedos tendem a ser mais desenvolvidos do que os músculos responsáveis
pela extensão dos dedos, portanto, se ambos os conjuntos de músculos tentarem se
contrair devido a uma corrente elétrica conduzida através do braço da pessoa, os
músculos de “flexão” irão ser mais fortes, apertando os dedos em um punho.
Se o condutor estiver virado para a palma da mão da vítima, essa ação de
aperto forçará a mão a agarrar firmemente o fio, o que a impedirá de soltar o que lhe
está causando o choque.
Medicamente, essa condição de contração muscular involuntária é chamada
de tétano. O tétano induzido por choque só pode ser interrompido parando a
corrente através da vítima, mesmo quando a corrente é interrompida, a vítima pode
não recuperar o controle voluntário sobre seus músculos por um tempo, já que a
química do neurotransmissor ficará desorganizada.

O efeito nos corações e pulmão:

A corrente elétrica pode ainda afetar músculos vitais para nossa


sobrevivência. O músculo do diafragma (que controla os pulmões e o coração)

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também pode ser “congelado” em um estado de tétano por corrente elétrica. Os
pulmões também podem parar, causando séria asfixia.
A morte por asfixia ocorrerá se a intensidade da corrente elétrica for de valor
elevada, normalmente acima de 30mA, mesmo que circule por um período de tempo
relativamente pequeno, normalmente por alguns minutos. Ela se da do fato do
diafragma da respiração se contrair, parando assim, a respiração. Daí a necessidade
de uma ação rápida, no sentido de interromper a passagem da corrente elétrica pelo
corpo. Se não for aplicada a respiração artificial dentro de um intervalo de tempo
inferior a três minutos, podem ocorrer sérias lesões cerebrais e possível óbito.
Quando a corrente elétrica se aproxima do valor de 100mA e circula pelo
organismo humano por períodos de tempo superiores a um quarto de segundo,
ocorre a fibrilação ventricular do coração.
Fibrilação ventricular é definida como uma contração muito rápida e
descoordenada dos ventrículos do coração, resultando em perda de sincronização
entre batimentos cardíacos e a pulsação. Uma vez desencadeada a fibrilação
ventricular no coração ela vai continuar, e se não houver uma intervenção de
socorro, resultará em morte em poucos minutos. O uso de um dispositivo especial
chamado desfibrilador é necessário para salvar a vítima.

Figura 1: Aparelho Desfibrilador Fonte: http://newwordtec.blogspot.com

Um coração Fibrilante flutua em vez de bater, incapacitando o mesmo de


bombear sangue para órgãos vitais no corpo. O coração raramente se recupera por
si só da fibrilação ventricular. No entanto, se aplicado um desfibrilador, a fibrilação
pode ser interrompida e o ritmo normal do coração pode ser restabelecido. Na falta

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desse aparelho, a aplicação da massagem cardíaca permitirá que o sangue circule
pelo corpo, dando tempo para que se providencie o desfibrilador, até que a vítima
receba socorro especializado.

Os choques nos diferentes tipos de correntes elétricas

Os efeitos do choque podem ser diferentes em diferentes tipos de correntes,


considerando Corrente Direta (DC) – eletricidade que se move em direção contínua
em um circuito ou os sistemas de energia modernos de Corrente Alternada (AC) – a
intensidade e a direção são grandezas que variam ciclicamente ao contrário da
corrente contínua.
Como AC afeta o corpo depende da sua frequência. A AC de baixa
frequência (50 a 60 Hz) pode ser mais perigosa do que a CA de alta frequência e
ainda de 3 a 5 vezes mais perigosa que o DC da mesma tensão e amperagem.
Isso porque a CA de baixa frequência produz contração muscular
prolongada (tetania), que pode grudar a mão na fonte, prolongando a exposição. Na
DC é mais provável que cause uma única contração convulsiva, que muitas vezes
força a vítima longe da fonte atual.
A natureza alternada da AC tem uma maior tendência para colocar o
coração em uma condição de fibrilação, enquanto DC tende a apenas fazer o
coração ficar quieto.
Uma vez que a corrente de choque é interrompida, um coração “congelado”
tem uma melhor chance de recuperar um padrão de batida normal do que um
coração fibrilante.
É por isso que o equipamento desfibrilador usado por médicos de
emergência funciona: o choque de corrente fornecido pela unidade de desfibrilador é
DC, que interrompe a fibrilação e dá ao coração a chance de se recuperar.
A vítima de choque elétrico deve ser socorrida imediatamente, iniciando pelo
corte da corrente elétrica. Se não for possível cortar a corrente, a pessoa deve ser
afastada por meio de um material isolante, como plástico ou borracha.
Abaixo serão destacados os efeitos no corpo humano a diferentes valores de
tensão e alta tensão.

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 Limite de percepção (1 a 3 mA): Não a problemas, o contado pode se mantar
sem perigo para a pessoa que o sofre, corrente mínima no qual o individuo
sente a corrente.
 Limite de eletrização (3 a 10 mA): Produz uma sensação de formigamento,
podendo provocar movimentos reflexos. Corrente mínima na qual a maioria
do individuo queixa-se.
 Limite Tetanização (10 a 20 mA): Corrente mínima no qual o indivíduo
contraiu sua musculatura, impedindo de soltar o objeto que provocou o
acidente.
 Parada Respiratória (20 e 25 mA): Se a corrente atravessa o celebro pode
afetar o centro respiratório.
 Asfixia 25 a 30 mA: Os músculos ao se contrair e paralisar, impedem a função
dos pulmões, pelo qual a pessoa não respira.
 Fibrilação ventricular 60 a 75 mA: Se a corrente atravessa o coração,
descontrola-se ritmo cardíaco, e aparece a fibrilação ventricular.
 Corrente de fibrilação (100 a 500 mA): Corrente mínima no qual uma parcela
significante de indivíduos corre risco de vida.
 Corrente maior que 500 mA: Graves queimaduras e morte

Outros riscos Relacionados às Atividades Elétricas

Por último, o choque elétrico poderá causar simples contrações musculares


que, muito embora não acarretem de uma forma direta em lesões fatais ou não,
poderá originá-las, contudo, de uma maneira indireta: a contração do músculo
poderá levar a pessoa a, involuntariamente, chocar-se com alguma superfície,
sofrendo, assim, contusões, ou mesmo uma queda, quando a vítima estiver em local
elevad.
Quem sofre com falta de segurança em eletricidade está sujeito a outros
riscos ainda. Caso o trabalho seja em altura, por exemplo, um choque elétrico, ainda
que leve, pode levar a quedas.
Há, ainda, riscos decorrentes de exposição a campos eletromagnéticos,
explosões e choques acústicos, dentre outros.

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Um risco que merece atenção por parte de quem trabalha com instalações
elétricas é o de ataques de insetos. Há postes e subestações que estão infestados
de abelhas ou marimbondos, por exemplo.
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Figura 2. Atividades Elétricas em Altura. Fonte. O Autor 2019.

EPI’s e EPEC’c recomendados para atividades com eletricidade

Equipamentos de Segurança Individual (EPI)

 Capacete de segurança com isolamento para eletricidade


 Meia bota isolada
 Óculos de segurança incolor e com proteção contra raios ultravioletas
 Roupas de algodão
 Luvas de borracha isolantes BT e AT
 Luvas de pelica para proteção das luvas de borracha
 Luvas de raspa para trabalhos rústicos
 Cinturão de segurança com talabarte para trabalhos em grandes alturas

Equipamentos de segurança Coletivos (EPC)

 Vara de manobra isolada


 Conjunto de aterramento temporário
 Detector de tensão

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 Cones de sinalização
 Escadas com isolamento próprias para trabalho com eletricidade

NR10: Principais Pontos Abordados.

A principal causa de acidentes em trabalhos com eletricidade está


relacionado a negligencia humana ou a falta de segurança em equipamento elétrico.
A negligencia é a falta ou não atendimento aos procedimentos de segurança.
No Brasil a Norma regulamentadora destas atividades é a NR 10 -
Segurança em Instalações e Serviços em eletricidade. Basicamente ela traz todas as
orientações para trabalhar com segurança em ambientes, atividades elétricas. O
objetivo da NR-10 é justamente garantir a segurança e saúde aos trabalhadores que
realizam instalações e serviços em eletricidade.
Podemos destacar que a NR-10 estabele medidas de controle de risco em
instalações elétricas.
 Medidas de proteção coletiva;
 Medidas de proteção individual;
 Procedimentos de trabalho.
Outro requisito normativo e a exigência de documentações e certificações
que comprovem o desempenho de tias medidas e dispositivos de segurança em
eletricidade.
A NR 10 também determina medidas de segurança em projetos e na
construção, montagem, operação e manutenção de equipamentos. Da mesma
maneira, estabelece orientações para segurança em instalações elétricas
desernegizadas e energizadas.

Qualificação Profissional Regulamentada pela NR 10.

A NR 10 regulamenta, inclusive, a habilitação necessária para que


profissionais trabalhem com segurança em eletricidade.

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De acordo com a NR 10 há três tipos de profissionais aptos a trabalhar em
instalações elétricas:
 Profissional qualificado: aquele que comprovar conclusão de curso específico na
área elétrica reconhecida pelo Sistema Oficial de Ensino;
 Profissional habilitado: aquele trabalhador previamente qualificado e com registro
no competente conselho de classe;
 Profissional capacitado: aquele que atenda às seguintes condições,
simultaneamente: Receba capacitação sob orientação e responsabilidade de
profissional habilitado e autorizado; Trabalhe sob a responsabilidade de
profissional habilitado e autorizado.
.
Responsabilidades determinadas pela NR 10

A NR 10 determina que, para trabalhar com segurança em eletricidade, há


responsabilidades para a empresa e os trabalhadores.
A Empresa Cabe:
 Informar os trabalhadores acerca dos riscos aos quais estão expostos
 No caso de acidentes de trabalho com eletricidade, propor e adotar medidas
preventivas e corretivas.
 Promover ações de controle de riscos em suas instalações elétricas
 Oferecer, quando cabível, denúncia aos órgãos competentes.
Da mesma maneira, cabe aos trabalhadores:
 Zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser
afetadas por suas ações ou omissões.
 Responsabilizar-se junto com a empresa pelo cumprimento das disposições
legais e regulamentares, inclusive quanto aos procedimentos internos de
segurança e saúde.
 Comunicar, de imediato, ao responsável pela execução do serviço as situações
que considerar de risco para sua segurança e saúde e a de outras pessoas.

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3 CONCLUSÕES

Nesta atividade foi possível ver fatores internos e externos e os efeitos da


passagem de corrente elétrica pelo corpo humano. Os fatores internos podem variar
de pessoa para pessoa em função de seu perfil biológico. Porém, os fatores
externos podem e devem ser evitados como medida de segurança nas atividades
com eletricidade.
De um modo geral o ser humano apresenta uma determinada característica
de resistência elétrica, que faz com que suporte alguns valores de corrente elétrica
sem que haja danos à saúde ou risco de vida. Mas em função de fatores externos,
como área de contato, tempo de contato e umidade, os riscos à vida podem ser
potencializados e, portanto devem ser evitados.
Em conclusão trabalhar com eletricidade não é complicado nem perigoso.
Se seguirmos as orientações da NR 10 e assegurar-se do uso correto de todos os
EPI’s e EPC’s necessários pra a atividade. É muito melhor prevenir do que ficar
exposto ou sujeito aos riscos que podem custar à vida.
Por isso, cumprir e exigir o cumprimento de todas as orientações legais
garante a segurança em atividades com eletricidade.

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4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

https://betaeducacao.com.br/consequencias-da-eletricidade-no-corpo-
humano-2/

https://betaeducacao.com.br/procedimentos-de-seguranca-em-instalacoes-
eletricas/

http://www.copel.com/hpcopel/root/sitearquivos2.nsf/arquivos/dicas_de_segu
ranca_nas_instalacoes_eletricas/$FILE/pdf_seguranca.pdf

http://www.eletricistaconsciente.com.br/pontue/fasciculos/8-riscos-
eletricos/efeitos-da-corrente-sobre-o-corpo-humano/

OSHA’s Normas de segurança elétrica, SEGURANÇA ELÉTRICA BÁSICA,


disponível em: http://www.labtrain.noaa.gov/osha600/refer/menu12a.pdf

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