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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

1. O que são os “Orixás”?

Os Orixás são ancestrais divinizados africanos que correspondem a pontos de força


da Natureza e os seus arquétipos. Estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de
cada Orixá aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem
raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular,
composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, oferendas, espaços físicos e até horários.

Significado da palavra “ORIXÁ”: Ori = cabeça Xá = iluminação


Então temos “cabeça iluminada” ou “espírito iluminado”.
Quando cultuamos nossos Orixás, cultuamos também as forças elementares oriundas da água,
da terra, do ar, do fogo, etc. Essas forças em equilíbrio, produzem uma enorme energia (axé), que nos
auxilia em nosso dia a dia, ajudando para que nosso destino se torne cada vez mais favorável.
Na África antes e durante o processo de escravidão existia (hoje em pequenas proporções)
o culto aos Orixás. No continente ele se desenvolvia como um culto familiar e tinha relação com as
regiões, era como se cada lugar pertencesse a um Orixá.
Essa tradição foi trazida para o Brasil pelos africanos e aqui tomou pra si outro formato que
culminou no que nós conhecemos hoje como Candomblé. É por esse motivo que o Candomblé se
classifica como uma religião afro-brasileira, nasce em solo brasileiro, mas possui matriz africana.
O Orixá, pela cosmogonia umbandista, nunca viveu na terra, ele é muito mais que o espírito
desencarnado de um homem; Toda criação é o resultado do trabalho harmônico dos orixás, espíritos
elevadíssimos, verdadeiros arquitetos e mantenedores da criação.
A Umbanda trabalha com 9 Orixás, os quais estão distribuídos na chamada 7 Linhas de
Umbanda. São eles: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iemanjá, Oxum, Iansã, Nana Burukê e
Obaluaê/Omulú. Vale lembrar que na Umbanda não existe incorporação de Orixás, mas sim, de
espíritos e falangeiros que trabalham na sua energia.
O Candomblé Ketu, reverencia no mínimo 16 Orixás, chegando alguns há 21 e até 72 Orixás.
Na nação Jejê e na Angola, os Voduns e Nkises também passam de 20.
No Candomblé os orixás são considerados deuses e somente há a incorporação ou transe
desses; na Umbanda são considerados forças da natureza e há a incorporação dos “falangeiros” do Orixá.
Os Orixás não são Deuses como muitas pessoas podem conceber como em outras religiões,
mas sim Divindades criadas por um único Deus: Olorun (dentro da corrente Nagô) ou Zambi (dentro da
corrente Bantu e das correntes sincréticas).
Na UMBANDA (de uma maneira geral, pois existem variações referentes às diversas
ramificações existentes), os Orixás são cultuados como divindades de um plano astral superior,
ARUANDA, que na Terra representam às forças da natureza (muitas vezes confundindo-se a força da
natureza com o próprio Orixá)
Oxalá: o senhor da força, o senhor do poder da vida.
Oxum: senhora das águas doces, das cachoeiras;
Iemanjá: a rainha dos peixes, das águas salgadas;

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Iansã: senhora dos ventos, chuvas fortes, dos relâmpagos;


Xangô: a força do trovão e o fogo provocado pelos relâmpagos quando (diz uma lenda que
"sem Iansã, Xangô não faz fogo ... ") chegam à Terra;
Ogum: senhor dos caminhos; o desbravador dos caminhos; senhor do ferro;
Oxóssi: o Orixá caçador, senhor da fartura à mesa, senhor da caça;
Nanã: senhora do lodo, das águas lodosas da junção entre o rio e o mar, fonte de vida, e
também senhora da morte;
Obaluaê/Omulú: "O dono da Terra, o Senhor da Terra"; o Orixá das doenças, senhor dos
mortos (pois conta uma lenda que Obaluaê foi o único Orixá que
dominou a morte); é aquele que tira a doença, mas também aquele que dá
a doença.
Oxumaré: é o Orixá do arco-íris, um dos pontos de ligação entre o Ayê (a Terra) e o Orun
(o Céu); também representa a fartura, o bem estar.

A cada Orixá está associada uma personalidade e um comportamento diante do mundo e com
seus filhos, os quais, são seus protegidos e uma parte das emanações do próprio Orixá, presentes no Orí
(Cabeça) desses filhos.
Orixá, dentro do culto Umbandista (de uma maneira geral) não são incorporados (não se
incorpora o fogo de Xangô, os ventos de Iansã, as águas doces de Oxum ...). O que se vê dentro dos vários
terreiros, centros, tendas etc., são os Falangeiros dos Orixás (ou também conhecidos como encantados);
ou seja, Espíritos (não reencarnacionais) de grande força espiritual (de grande Luz, como alguns gostam
de falar) que trabalham sob as Ordens de um determinado Orixá.
Os Falangeiros são os representantes dos Orixás, e, em muitos casos, a essência dos próprios
Orixás manifestada nos médiuns, pois sua força é a emanação pura dos Orixás (ou como alguns dizem:
são a vibração virginal dos Orixás). Sendo assim, eles podem incorporar nos médiuns, em seus “cavalos”,
e mostram sua presença e sua força em nome de um Orixá. Porém, são frágeis (o médium pode perder sua
sintonia muito facilmente) e exigem muito dos médiuns, não podendo permanecer por muito tempo em
Terra.
Os Falangeiros dos Orixás não falam, não bebem, não fumam (na grande maioria dos casos),
não dão consultas, e estão vinculados à casas de corrente Africana (casas de Umbanda com fundamentos
como feitura, camarinha, boris, obrigações, oferendas, cortes ...). Trabalham na harmonização do terreiro,
afastando cargas e no desenvolvimento e equilíbrio dos médiuns. Já os Guias Capangueiros dos Orixás
dão consultas, fumam, bebem e falam (interagem) com os assistenciados (e as casas em que trabalham, em
sua grande maioria, não estão vinculados à corrente Africana diretamente).
Só lembrando que todos os guias (Pretos-velhos, Caboclos, Crianças, Boiadeiros, Marinheiros,
Baianos, Exus / Pombas Giras, ...) trabalham sob as ordem de um Orixá e também podem ser considerados
como "Capangueiros".
A diferença entre Falangeiros e os Guias Capangueiros dos Orixás é que eles não carregam
em seus nomes o próprio nome do Orixá de trabalho.
Dentro da cultura Afro-brasileira é considerada a existência de uma “vida passada na Terra”,
na qual os Orixás teriam entrado em contato direto com os seres humanos, aos quais passaram
ensinamentos diretos e se mostraram em forma humana.
Essa teria sido uma época muito distante na qual o ser humano necessitava da presença física
dos Orixás (um estado presencial em forma humana), pois o ser humano ainda se encontrava em um

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estágio muito primitivo, tanto materialmente como espiritualmente. Após passarem seus ensinamento
voltaram à Aruanda, mas deixaram na Terra sua essência e representatividade nas forças da natureza.

2. SINCRETISMO
”Sincretismo é a reunião de doutrinas diferentes, com a manutenção embora de traços perceptíveis
das doutrinas originais.”(fonte Wikipédia)
O Sincretismo Religioso existente na Umbanda dá-se devido a fatores histórico-culturais
presentes na história do Brasil. Durante o Brasil Colônia, os índios brasileiros e os negros eram mantidos
como escravos. Eram proibidos de expressar, cultuar ou fazer ritos de acordo com suas próprias crenças
religiosas por conta dos preconceitos (e medos) dos seus senhores, e tinham que fingir e “aceitar” a
imposição da religião Católica, pois a missão Jesuíta era impor isso a eles, para que todas as impurezas de
espírito fossem retiradas dos “não-civilizados”. Muitos deles, ao demonstrarem essa não-aceitação ao
catolicismo, acabavam sendo severamente castigados.
Não satisfeitos em dar continuidade às suas crenças de forma silenciosa, a saída encontrada
pelos escravos foi associar os Orixás aos santos católicos que melhor pudessem representar cada
divindade. Desta forma sábia, eles puderam contornar a ignorância e a intolerância a eles impostas e assim
surgiu o sincretismo que permanece até os dias de hoje.
A representação dos Orixás através dos santos católicos pode sofrer variações de cidade para
cidade, mas o importante é que se tenha em mente as características e essência de cada Orixá.

3. BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE “ODU”.

Odú significa destino, presságio; é uma espécie de signo que rege o nascimento de cada pessoa.
Dentro dos Odús estão os caminhos e as possibilidades que cada um de nós carregará para o
resto das vidas. Nesse sentido, Odú é o destino possível de cada um.
Os “Odús” representam os destinos criados por Olorum com todas as características da vida
cotidiana e baseada no comportamento e temperamento humano.
Então os Odús seriam os signos do destino que regem cada Orixá, que por sua vez, regem
cada ser sobre a terra. Os Odús são os principais responsáveis pelos destinos dos seres humanos e do
mundo que os cerca. Os Orixás não mudam o destino da vida e sim executam suas funções dentro da
natureza, liberando energia para que todos dela possam se alimentar.
O Odú é o caminho, a existência do destino o qual o Orixá e todos os seres estão inseridos.
Nós quando nascemos, somos regidos por um Odú de Ori (cabeça) que representa nosso “eu”, assim como
Odú de destino, espiritualidade, etc...

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4. O MISTÉRIO DO ORIXÁ ANCESTRAL, DE FRENTE E ADJUNTÓ


Qual é o meu Orixá?
De quem eu sou filho? Quem é o meu Pai de cabeça? Quem é o meu padrinho? Qual é o casal
de Orixás que me acompanham?
Antes, porém, de saber qual é o meu Orixá é importante entender o que isso quer dizer, qual
é a minha relação com os Orixás. Entendendo que temos também um problema de linguagem, o que um
Terreiro entende por meus Orixás, outro Terreiro entende de uma forma diferente.
É muito comum as pessoas procurarem alguém que jogue búzios e ali fazer uma leitura de
Orixá. Agora, é mais comum ainda você ir a um lugar e alguém lhe falar:

“Você é filho de Xangô”; aí você vai num outro lugar e lhe dizem: “Você é filho de
Ogum”; vai num terceiro lugar e lhe dizem: “Você é filho de Oxóssi”; sem contar que as
características de Xangô, Ogum e Oxóssi são diferentes.

E você fica sem saber, fica vendido, sem entender qual é, afinal, o meu Orixá?
A contra pergunta é: do que é que lhe adianta saber qual é o seu Orixá, se você não sabe o que
isso significa na sua vida? Do que é que lhe adianta saber que é filho de Ogum, se você não conhece Ogum.
No Candomblé é um recurso comum jogar os búzios, identificar o seu Orixá, a validade do
jogo de búzios num Terreiro de Candomblé é proporcional ao quanto você deposita de confiança naquele
sacerdote, essa é a questão.

O jogo de búzios não é um fundamento da religião de Umbanda.


O que quer dizer que não é um fundamento?
Isso quer dizer que a Umbanda não prescinde do jogo de búzios para existir.
No ritual de Umbanda, as consultas espirituais são feitas com as entidades incorporadas,
diferente do Candomblé onde o sacerdote faz a consulta por meio de um oráculo. É por isso que na
Umbanda não é tão comum usar o jogo de búzios, embora não seja proibido.
Quem faz a identificação do seu Orixá, do seu “Pai de Cabeça”?
Geralmente, é o dirigente do Terreiro que identifica quais os Orixás de cada um dos filhos,
mas ainda assim, é comum esse médium passar um tempo num Terreiro e ali fazer uma leitura de Orixá,
depois vai para outro Terreiro e lhe dizem: “Não, aqui o seu Orixá é outro”. Ainda, para complicar mais a
questão, pra ficar mais complexo ainda, há de se pensar que há Terreiros de Umbanda que trabalham com
apenas sete Orixás.
Por exemplo, há Terreiro de Umbanda que trabalha apenas com: Oxalá, Oxum, Oxóssi,
Xangô, Ogum, Obaluaê, Iemanjá. E se esta pessoa for um filho de Oxumaré? Uma filha de Obá? E se é
uma filha de Iansã? E aquele Terreiro não cultua Iansã. Então, nunca será feita uma leitura de que você é
filha de Iansã?.
Tudo isso torna a questão um tanto complexa. Nesses casos, por exemplo, se alguém é filho
de Oxumaré e está num Terreiro que não cultua Oxumaré, ele vai aparecer como filho de Oxum; se é
uma filha de Egunitá e não cultua Egunitá, vai aparecer como filha de Iansã; se é uma filha de Nanã

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Burukê e naquele Terreiro não cultua Nanã Burukê, vai aparecer como filha de Obaluaê, porque são
Orixás que fazem pares.
É comum que se diga então que a leitura está errada, no entanto, se esquece de perceber que
nada acontece por acaso, não existe leitura errada, existe leitura que faz parte daquele contexto, naquele
contexto esta leitura é a mais adequada. Assim como há momentos na vida em que embora você seja filho
de Xangô, por exemplo, outro Orixá toma a sua frente para lhe ajudar em alguma situação.
Isso tudo vai tornando a leitura de Orixá uma coisa cada vez mais complexa, mais complicada.
Qual é o ideal? O ideal é: você conhecer os Orixás, identificar os Orixás e você se identificar com eles,
reconhecer em você as qualidades dos Orixás.
O caminho mais seguro para você saber qual é o seu Orixá é o caminho do autoconhecimento
e do conhecer os Orixás.
Há de se conhecer os Orixás, o maior número de Orixás.
Conhecendo os Orixás, identificando qual é ou quais são as qualidades desses Orixás e como
elas se refletem nos seus filhos, ou seja, quais são as qualidades de Oxalá? São qualidades de tranquilidade,
de passividade, de religiosidade, os filhos de Oxalá têm um perfil mais magnético, envolvente,
congregador.
Como são as filhas ou os filhos de Oxum? São pessoas amorosas, vaidosas, sentimentais – Ah
mais todo mundo é amoroso, todo mundo é vaidoso – a questão é: as filhas e os filhos de Oxum têm isso
num grau de importância maior do que, por exemplo, os filhos de Ogum, as filhas de Iansã.
As filhas de Iansã são mais guerreiras, são mulheres que vão à guerra. Os filhos de Ogum
também são altamente guerreiros, são ordenadores, gostam de mandar, de dar ordem, filho de Ogum é
aquele que vai à frente. Então, isso dá um perfil emocional, psicológico, dá inclusive, um perfil de arquétipo
físico.
Se o filho de Ogum é alguém que gosta de ir à frente, que toma a frente gosta de mandar,
geralmente o seu biótipo físico é de alguém forte, de alguém grande porque o perfil emocional de uma
pessoa mexe com seus hormônios, os hormônios mexem com o corpo, isso está diretamente ligado ao
campo de interesse daquela pessoa. O filho de Ogum geralmente tem interesse em atividade física, em
manter o corpo sempre esbelto, forte, se não é dessa maneira pelo menos ele se sente assim.
Mas, temos filhos de Ogum com Oxum, filhos de Ogum com Iemanjá, filhos de Ogum com
Obá, filhos de Ogum com Nanã, etc...
Dessa maneira, nem todos os filhos de Ogum são iguais porque se eu tiver um filho de Ogum
com Nanã, ao mesmo tempo em que ele tem esse ímpeto para guerra, ele tem Nanã pra lhe acalmar.
Agora, se é um filho de Ogum com Iansã, o tempo todo ele está procurando onde fazer guerra
– “fazer guerra” nesse sentido é defender algo, defender uma ideia, defender um ideal, fazer valer os seus
valores.
Já um filho de Xangô, assim como um filho de Ogum é alguém que se movimenta de forma
muito emotiva e emocional, é alguém que quando você o convida para uma briga, ele não pergunta por
que você vai brigar, ele só quer saber se você é amigo dele ou não.
Um filho de Xangô é extremamente racional, Xangô é o Orixá da razão, então, o perfil do
filho de Xangô é o perfil de racionalizar as coisas, de fazer justiça, de colocar na balança, então, não importa
para o filho de Xangô sair correndo, ir à frente, ir brigar, fazer guerra, o que importa para ele é saber se é
justo, se é correto.
O filho de Xangô tem uma tendência a ficar mais sossegado, avaliando as coisas, pesando,
medindo. Quando ele vê uma injustiça, ele vai para cima, mas ele é alguém muito mais sossegado, mais
bonachão, mais tranquilo.

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Assim como a filha de Iemanjá é aquelas que onde se estabelece famílias, gosta de formar
vínculos emocionais com as pessoas, a filha de Iemanjá é muito zelosa, cuidadosa e às vezes até um pouco,
no negativo, manipuladora.

“Isso é conhecer os Orixás”.

Como saber qual é o meu Orixá?


É importante estabelecer uma relação entre as qualidades do Orixá e as minhas qualidades,
isso se chama “autoconhecimento”. Estudar os Orixás, saber qual é o meu Orixá dentro da Umbanda
deve ser um mérito. É um campo de estudos e conhecimento. Não é simplesmente jogar o búzio ou
perguntar para um Caboclo: “Qual é o meu Orixá?” E depois ficar em dúvida “Será?”...“Será que é esse
mesmo o meu Orixá?”.

Quem é o seu Orixá?


É aquele que lhe dá as suas características, suas qualidades principais, essas que você mostra
para o mundo, que aparece para todo mundo.

E quem é esse Orixá?


Esse é o seu Orixá de Frente, é aquele que é chamado: “Pai de cabeça”. No entanto, somos
filhos de todos os Orixás.
Há, porém, um Orixá que está de frente para mim, chakra frontal, e outro que vibra no
chakra posterior, que é o Orixá de Juntó ou de Adjuntó.
O de Adjuntó é o que vibra por trás e temos um Orixá Ancestral, na verdade, nós temos
dois Orixás Ancestrais, um Orixá Ancestral dominante e um Orixá Ancestral recessivo. Isso gera
uma quadratura: Pai e Mãe Ancestral, Pai e Mãe de cabeça.
Quando se fala em Orixá Ancestral, geralmente estamos falando do “Orixá dominante”, que
é aquele que vibra no centro do chakra da coroa - é esse Orixá que nos deu a nossa natureza - e o
“recessivo” vibra no chakra básico.
Este casal é o seu Pai e a sua Mãe Ancestral que nunca vai mudar. É o casal de Orixás que
lhe acolheu no seu primeiro momento de existência, muito antes de se tornar um ser humano, entrar no
ciclo reencarnatório. Lá, na origem, quando você era só uma centelha, o Pai e a Mãe lhe fecundaram e
você foi se desenvolvendo como uma célula, como um zigoto e foi crescendo. Começaram a se formar os
seus chacras, os vórtices de energia no seu corpo e esse Pai e essa Mãe mantiveram um vínculo até o seu
retorno ao criador.
E esse vínculo se dá por uma ligação que vem do alto, pelo chakra da coroa e por embaixo,
pelo chakra de base e que é justamente essa ligação que estabelece o eixo de energia e equilíbrio que a
gente tem que permeia todos os chacras e esse eixo existe desde o início dos tempos para cada um de nós
e é o eixo de energia original, primordial de cada um de nós, então, esse é o eixo da nossa natureza.
Nossos Orixás Ancestrais são aqueles que dão a nossa natureza, uma natureza mais íntima.
É o Orixá Ancestral que diz quem você é na sua essência primeira e mais íntima.

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Quanto ao Orixá de Frente e o Orixá de Juntó são aqueles Orixás que regem esta
encarnação. Então, em cada encarnação, nós temos um casal de Orixás diferentes, regendo aquela
encarnação no aspecto de Frente e de Juntó ou Adjunto.
O Orixá de Frente nos conduz de forma racional, o Orixá de Juntó nos conduz de forma
emocional. Se você observar os chacras, nós teremos, então, o Orixá Ancestral dominante vibrando aqui
em cima na coroa. Nós teremos o Orixá de Frente vibrando na parte da frente do chakra frontal e o
Orixá Juntó ou Adjuntó vibrando na parte posterior do chakra frontal. Isso forma um triângulo de
forças, esse triângulo de forças é formado: com Orixá Ancestral no vértice de cima, Orixá de Frente no
vértice da Direita e Orixá de Juntó no vértice da esquerda, a gente chama isso de: “triângulo de forças
do médium”.
Orixá Ancestral dominante e recessivo formam um casal porque é necessário um casal para
lhe fatorar, é necessário um casal para lhe conceber. Qual casal? Qualquer Pai com qualquer Mãe pode
ser o casal Ancestral. Então, pode ser Oxalá com Oxum, pode ser Oxumaré com Obá, pode ser Obaluaê
com Iemanjá, pode ser Xangô com Nanã, qualquer casal pode ser o seu Ancestre.
Orixá de Ancestre é muito difícil de fazer leitura porque é uma qualidade íntima, quase
imperceptível.
Nós temos um problema na Umbanda de linguagem, cada um fala uma língua, cada um quando
diz: “Qual é o seu Orixá?”, faz uma leitura diferente e às vezes ainda diz: “Não, meu filho. No Candomblé
o seu Orixá é tal, na Umbanda o seu Orixá é outro”. Então, quem é filho de Ogum é filho de Ogum na
Umbanda e é filho de Ogum no Candomblé. Quem é filho de Oxalá é filho de Oxalá em qualquer lugar.
Diz-se também: “Todos somos filhos de Oxalá”, pois é, mas há aqueles que nascem com Oxalá
de Frente, porque, na verdade, todos somos filhos de todos os Orixás. E se eu tenho um casal que forma
Orixá de Frente e Orixá de Juntó porque o Orixá de Frente está vibrando no chakra frontal e de
Juntó está vibrando atrás do chakra frontal, também, temos outro Orixá vibrando na frente do chakra
cardíaco e outro atrás do chakra cardíaco, temos um Orixá vibrando na frente do chakra esplênico e
outro atrás do chakra esplênico, na frente do umbilical e atrás do umbilical etc..

Podemos ter um Orixá de Frente atuando no campo de outro


Orixá. O que isso quer dizer?

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Quer dizer que, por exemplo, se você é filho de Ogum - Ogum é o Orixá ordenador, o Orixá
da lei, é aquele que põe disciplina, que põe ordem, que toma à frente - se ele está no campo de Xangô isso
quer dizer que o seu Ogum pessoal, o Ogum que você incorpora é um Ogum trabalhando no campo da
justiça, quer dizer que ele é um ordenador da justiça.
E ele podia ser um Ogum no campo de Oxum: seria ordenador do amor; podia ser um Ogum
no campo de Iemanjá: ordenador da vida; podia ser um Ogum no campo de Oxalá: ordenador da fé.
Se for um Ogum no campo de Oxalá, isso quer dizer que: o seu Pai de cabeça Maior é Ogum
e o seu Ogum pessoal é um Orixá que é especialista em colocar a ordem e trazer a lei no campo da fé.
Logo, você vai herdar essas qualidades – “herdar” aqui tem o significado de que você está o tempo todo
sendo influenciado – por isso se diz: “Seu Orixá de Frente”. Qual é o objetivo de ter um Orixá de Frente?
É que durante toda aquela encarnação, este Orixá vai lhe orientar pra você aprender aquilo que, pra ele é
natural. Por exemplo, em cada encarnação você é filho de um ou outro Orixá diferente.
Se eu nasci, encarnei tendo por missão aprender as coisas do amor, então, eu vou nascer com
Oxum de Frente. E ela vai me orientar de forma racional, isso quer dizer que o tempo todo ela está
vibrando: é o meu Orixá de Frente, ela vai vibrar as qualidades dela em mim.

É como se fosse o contrário de um médium obsidiado, um


médium obsidiado vibra as qualidades do obsessor, aqui é como se fosse
uma obsessão divina, o tempo todo você está vibrando as qualidades do
Orixá, que ao contrário de um obsessor que tira a sua energia, o Orixá
está lhe dando a energia dele o tempo todo.
Nós encarnamos tendo por Orixá de Frente aquilo que é a missão de aprender nessa
encarnação, temos por Orixá de Juntó aquele que nos dá o equilíbrio.
É preciso estabelecer uma relação de proximidade com o Orixá, criar uma intimidade com o
Orixá, intimidade não é você ser amiguinho do Orixá, é uma relação íntima, de sentir a presença do
Orixá.
.
O que é que eu estou vibrando?
Carga, todo mundo sente...demanda, todo mundo sente, todos sentem que estão com uma
praga, com mal olhado, com quebranto, com inveja, todo mundo sente que tem uma demanda mental, tem
alguém que não gosta muito de você, não para de pensar em você. Agora, sentir a presença dos Orixás na
sua vida é que precisa um pouquinho mais de refinamento, de você afinar, perceber, precisa de estudo,
precisa você sentir a presença do Orixá.
Segurar uma vela na mão, oferecer para o Orixá e trazer essa energia aqui no alto da sua
coroa, sentir essa energia, essa vibração. Rezar para aquele Orixá, firmar essa vela e sentir que essa energia
está firmada, está colocada, está vibrando ali, chama-se “firmar força”.
Não adianta querer colocar uma vela para um Orixá, firmar uma vela para algo que você não
está sentindo. O que adianta dizer que é filho de Xangô se você não sente a energia de Xangô, se você não
sente a presença de Xangô? Então, é importante sentir, criar uma relação de intimidade, de proximidade
com o Orixá.

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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

5. O QUE SIGNIFICA “ARQUÉTIPO”?


“O modelo que se utiliza como exemplo para; padrão; paradigma”.
(Wikipédia). Exemplo: Madre Teresa de Calcutá é um arquétipo de bondade.

6. OXALÁ
Representa juntamente com nosso Pai Maior – DEUS – e com o ESPÍRITO
SANTO, o centro gerador do universo. Sempre quando falamos de um, falamos
dos três e quando falamos dos três, falamos de um. Oxalá é o primeiro na criação,
o branco puro do universo, é o filho de DEUS e o senhor de todas as cores.
Mesmo sendo o senhor de todas as cores, tem o branco como a cor de comando,
por simbolizar a paz, a pureza, a transparência. O símbolo de Oxalá, na
Umbanda, é a Fé, a Cruz de Cristo. Não há incorporação de Oxalá na
Umbanda, somente em Nação (Candomblé).

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE OXALÁ: São pessoas tranquilas,


com tendência à calma, até nos momentos mais difíceis; conseguem o respeito
mesmo sem que se esforcem objetivamente para obtê-lo. São amáveis e
pensativos, mas nunca de maneira subserviente. Às vezes chegam a ser
autoritários, mas isso acontece com os que têm Orixás guerreiros ou autoritários como adjutores
(adjuntós).
Sabem argumentar bem, tendo uma queda para trabalhos que impliquem em organização. Gostam de
centralizar tudo em torno de si mesmos. São reservados, mas raramente orgulhosos. Seu defeito mais
comum é a teimosia, principalmente quando têm certeza de suas convicções; será difícil convencê-los de
que estão errados ou que existem outros caminhos para a resolução de um problema.

QUALIDADES DE OXALÁ:
Oxalufã (Oxalá mais velho) a tendência se traduz em ranzinzisse e intolerância.
Oxaguiã (Oxalá novo) tem um certo furor pelo debate e pela argumentação. Para Oxalá, a ideia e o verbo
são sempre mais importantes que a ação, não sendo raro encontrá-los em carreiras onde a
linguagem (escrita ou falada) seja o ponto fundamental.
SINCRETISMO: Jesus Cristo
DATA: 25 de dezembro
DIA DA SEMANA: Sexta-Feira.
COR: Branco.
PONTOS DE FORÇA: Água e o Ar.
FERRAMENTA: Cajado encimado por um Pombo Branco.

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SÍMBOLO: Estrela de 5 pontas.(Em algumas casas, a Cruz).


SAUDAÇÃO: Êpa Babá (“Obrigado Pai”).
COMIDA: Canjica de Oxalá, Cuscuz de Milho, Jaca, Arroz Cozido (somente c/ água).
ERVAS: Tapete de Oxalá (Boldo), Saião, Manjericão Branco, Rosa Branca.
FLORES: Lírios brancos e todas as flores que sejam brancas, as rosas de preferência sem espinhos.
LOCAL DAS OFERENDAS: colinas descampadas, campos, montanhas, praias.
ESSÊNCIAS: Aloés, almíscar, lírio, benjoim, flores do campo, flores de laranjeira.
PEDRAS: Diamante, cristal de rocha, perolas brancas.
METAL: Prata (Em algumas casas: platina, ouro branco).
BEBIDA: Água mineral, vinho branco.

7. OGUM
Representa o ferro e a eterna luta a favor da paz do Universo, a luta do espírito
contra a matéria. É o senhor dos caminhos, cujos quartéis estão espalhados por
todos os cantos da terra. Orixá do ferro, dos campos de batalha, comandante
abaixo de OXALÁ do exército celestial, patrulheiro das estradas, protetor da
Paz Mundial. Sendo guerreiro da paz, nos defende dos ataques do mal, o mal do
coração humano, o mal dos sentimentos negativos para com nossos
semelhantes, o mal praticado a mãe natureza. Sua mensagem é sempre combater
a guerra e levar a paz aos homens em qualquer canto onde houver desavenças.
Orixá da energia (ligada a atitude), perseverança, vencedor de demanda,
persistência, tenacidade, renascimento (no sentido de capacidade de se
reerguer).

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE OGUM: têm forte tendência as lideranças, lutam


bravamente até a vitória. Às vezes são egoístas e encrenqueiros, gostam de comprar brigas de amigos.
Com temperamento quente, irritam-se facilmente. São pessoas inteligentes, alegres e gostam de
compartilhar as alegrias. Assim como o seu Orixá são mulherengos, festeiros e entrosados. Quando põem
uma coisa na cabeça. Ninguém tira. Gastam aqui o que ganham ali. Geralmente são de estaturas médias
para alto, fortes e de musculatura definida. São sempre valentes, impetuosos, destemidos, corajosos,
objetivos, sentem um gosto por mudanças de lugares, por conquistas e assuntos ligados ao domínio de
ferramentas e tecnologia.

QUALIDADES DE OGUM:
Ogum Matinata: Veste vermelho apenas, é a linha mais pura de Ogum, sendo chamado por Ogum
Guerreiro.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

Ogum Beira-Mar: Veste vermelho e azul claro, ligado as praias de Iemanjá, conhecido como o
Sentinela de Maria.

Ogum de Lei (Ogum Delê): Ligado a Xangô. Usa vermelho e dourado, cor de sua armadura; traz uma
balança nas mãos ligado a execução da justiça.
Ogum Yara: Ligado a Ibeji e Oxum, usa vermelho e azul escuro; trabalha nas nascentes dos rios.
Ogum Malê ou Malei: Ogum ligado a Oxalá, patrono das entidades do Oriente e de Cura, cuida de todos
espíritos dos médicos astrais, usa vermelho e branco, não usa capacete.
Ogum Megê: Serventia de Obaluaê, regula os Exus, trabalha muitas vezes dentro da Calunguinha. Veste
preto, vermelho e amarelo, usa bandeira e lança como arma, alguns usam espadas, sempre
representado montado num cavalo branco.
Ogum Rompe-Mato: Ligado a Oxóssi, cuida das entradas das matas e florestas, usa verde escuro e
vermelho, uma espada de São Jorge na mão. Alguns usam fitas na cabeça.
Ogum Sete-Espadas: Ligado a energia pura de Ogum, vibra com Ogum Matinata. Usa uma espada na
mão e outras seis cruzadas na capa. Usa vermelho e prata.
Ogum Sete-Ondas: Vibra com Ogum Beira-Mar. Trabalha nas ondas do mar, ligado a Iemanjá. Usa
azul royal e vermelho, se veste com capacete de conchas.
Ogum das Pedreiras: Guarda as pedreiras de Xangô. Usa armadura dourada e penas marrons, vibra com
Ogum de Lei; quase não se desloca; grande executor, não aceita ordens.
Ogum Caiçara: Vibra com Ogum Yara. Usa vermelho e azul bebê; se desloca pelo templo, cuida do fundo
da foz dos rios.
Ogum do Oriente: Vibra com Ogum Malê, com ligações árabes. Traz um turbante, vibra com as cores
vermelho, branco e dourado.
Ogum de Ronda: Trabalha com Ogum Megê. Trabalha nas entradas da Calunguinha, corre sua ronda a
Meia-Noite. Usa preto, vermelho e verde. Traz cruz de malta no peito.
Ogum das Matas: Usa verde e branco. São espíritos indígenas, usam espadas e bradam muito.
Ogum Sete-Lanças: Ligado a Ogum Matinata e Sete-Espadas. Usa apenas vermelho; roda cruzando o
terreiro.
Ogum Sete-Mares: Ligado a Ogum Beira-Mar e Ogum Sete-Ondas, cuida dos mares. Usa azul bem
escuro e vermelho.
Ogum de Ouro: Trabalha com Ogum de Lei e Ogum das Pedreiras, Usa vermelho e amarelo. Vibra
com Iansã.
Ogum Menino: Vem com Ogum Yara e Ogum Caiçara trabalha nos lajeados e barrado de corais. Usa
vermelho e azul.
Ogum da Lua: vibra com Ogum Malê e Ogum do Oriente, trabalha nas vibrações lunares, nos campos
abertos do Humaitá. Usa vermelho e branco.
Ogum Xoroquê: Trabalha com Ogum Megê e Ogum de Ronda. Vibra muito com Exu, ligado a Obaluaê
também, é o Ogum mais negativo. Usa preto, vermelho e branco.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

Ogum dos Rios: Trabalha com Ogum Rompe-Mato e Ogum das Matas. Usa verde-água e vermelho e
apesar do nome trabalha nas pontes.
Além desses ainda existem outros Oguns: Ogum Naruê (Trabalha na calunguinha), Ogum
da Estrada (Trabalha na estrada), Ogum Rompe Folha (Trabalha na Mata) Ogum Bandeira
(Trabalha no Humaitá), Ogum Gererê (Ligado a Xangô).

SINCRETISMO: São Jorge


DATA: 23 de abril.
DIA DA SEMANA: Terça-Feira.
COR: Vermelho e branco.
PONTOS DE FORÇA: Campos, caminhos de terra, caminhos de ferro, mas a energia de Ogum está em
todos os lugares.
FERRAMENTA: Espada.
SÍMBOLO: Espadas.
SAUDAÇÃO: Ogunhê (“Salve o Senhor da Guerra”).
COMIDA: Feijoada de Ogum, Cará, Angu de Arroz, Vatapá de Ogum.
ERVAS: Espada de São Jorge, Alecrim do Campo, Guiné, Negra mina, Levante.
FLORES: Crista de Galo, cravos e palmas vermelhas.
LOCAL DAS OFERENDAS: Os campos por onde passam os animais, as fazendas, os caminhos de
terra, as trilhas nos campos, e os caminhos de ferro.
ESSÊNCIAS: Violeta.
PEDRAS: Granada, Rubi, Sardio. (Em algumas casas: Lápis-Lazúli, Topázio Azul).
METAL: Ferro (Aço e Manganês).
BEBIDA: Cerveja Branca

8. XANGÔ
É o fogo, o raio, o trovão, seu axé está nas pedreiras, nas rochas que não se
consegue quebrar a não ser pelo seu próprio raio, tão dura e fortes que são a
exemplo do próprio Orixá. Sua área de maio atuação é a justiça, assim como seu
símbolo principal é o “Oxe”, um machado de duas lâminas, pois não se faz justiça
sem que se atente para os dois lados de cada situação. Além disso Xangô
representa a liderança, a autoridade, e sem dúvida o erotismo no seu melhor
sentido e tradução. Foi casado com três divindades: Obá, Oxum e Oyá, esta
última guerreira teria reinado ao seu lado até o fim da sua jornada antes de se
tornar Orixá. Representa o fogo virginal, o fogo que não queima mas aquece,
alimenta e dá vida ao espírito. Xangô é o calor central da terra, é a lava dos
vulcões, é o próprio vulcão. Também está ligado ao calor do sol. Representa a
justiça divina na condução das decisões do homem.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE XANGÔ: Fisicamente, um filho de Xangô tem (ou busca
ter) o corpo forte e pode apresentar tendência à obesidade. Mas, em geral, sua boa constituição óssea
suporta o físico avantajado. Os filhos de Xangô têm muita energia, autoestima e a consciência de serem
importantes e respeitáveis. São fortes, podem beirar o autoritarismo, ousados, cheios de iniciativa,
obstinados, agem com estratégia e geralmente conseguem o que querem. Sua postura é sempre nobre, com
a dignidade de um rei. Tudo o que fazem marca de alguma forma sua presença. Fazem questão de
viver ao lado de muita gente e não gostam de ser esquecidos. Muito racionais e meditativos, quando
emitem sua opinião é para encerrar o assunto. Conscientemente, são incapazes de ser injustos com alguém.
O poder e o saber são os seus grandes objetivos.

QUALIDADES DE XANGÔ:
Dadá: Vem em vibração com Nanã Buruquê, Iemanjá e Oxum.
Afonjá: Vem em vibração com Iansã, Oxalá e Ogum (mesmo existindo demanda entre Xangô e
Ogum).
Lubé: Vem em vibração com Obá, Oxum e Iansã.
Agodô/Agogô: Vem em vibração com Iansã, Oxum e Iemanjá.
Koso: Vem em vibração com Obá e Iansã.
Jakuta: Vem em vibração com Olorum e Iansã.
Aganjú: Vem em vibração com Ogum, Obaluaê/Omulú e Oxum.
Baru: Vem em vibração com Iansã, Oxalufã (Oxalá na forma idosa) e Omulú.
Oloroke: Vem em vibração com Ewa, Nanã Buruquê, Omulú e Obaluaê.
Airá Intile: Vem em vibração com Oxalá, Iemanjá e Oxum.
Airá Igbonam: Vem em vibração com Iansã e Exu.
Airá Mofe: Vem em vibração com Oxum.
Alafim: Vem em vibração com Oxalá, Ogum e Oxóssi.

SINCRETISMO: São Jerônimo.


DATA: 30 de setembro.
DIA DA SEMANA: Quarta-feira.
COR: Marrom.
PONTOS DE FORÇA: Pedras, Pedreiras
FERRAMENTA: Oxé (seu machado de poder contendo duas faces cortantes).
SÍMBOLO: Machados.
SAUDAÇÃO: Kaô Kabecilê (“Permita-me vê-lo Majestade”).
COMIDA: Caruru, Rabada com polenta(feita com dendê).

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

ERVAS: Erva de São João, Erva de Santa Maria, Cordão de Frade, Jarrinha, Erva de Bicho.
FLORES: Cravos Vermelhos e brancos.
LOCAL DAS OFERENDAS: Pedreiras.
ESSÊNCIAS: Cravo (flor).
PEDRAS: Pirita, jaspe.
METAL: Estanho.
BEBIDA: Cerveja Preta.

9. OXUMARÉ
Filho mais novo e preferido de Nanã, irmão de Omulú, Orixá típico da Nação
Jejê do Candomblé, sendo este não muito comum na religião da Umbanda. É
uma entidade branca muito antiga, participou da criação do mundo enrolando-
se ao redor da terra, reunindo a matéria e dando forma ao Mundo. Sustenta o
Universo, controla e põe os astros e o oceano em movimento. Rastejando pelo
Mundo, desenhou seus vales e rios. É a grande cobra que morde a cauda,
representando a continuidade do movimento e do ciclo vital. A cobra é dele e é
por isso que no Candomblé não se mata cobra. Sua essência é o movimento, a
fertilidade, a continuidade da vida. A comunicação entre o céu e a terra é
garantida por Oxumaré. Leva a água dos mares, para o céu, para que a chuva
possa formar o arco-íris, a grande cobra colorida. Assegura comunicação entre o
mundo sobrenatural, os antepassados e os homens e por isso à associa do ao cordão umbilical. Dizem que
Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida,
pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá masculino.

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE OXUMARÉ: Seus filhos, assim como conta a


lenda, em sua maioria no início passam por muitas dificuldades, quase miseráveis, porém mais tarde, dando
a grande volta em seu caminho, se tornando ricos, poderosos, e muitas vezes orgulhosos.
Porém, nunca se negam a ajudar quando alguém realmente precisa deles. E não raro, é ver um
filho de Oxumaré se desfazer de algo seu, em favor dos necessitados, com a maior facilidade, contrapondo
seu estado de orgulho e ostentação, a exibir sua riqueza. Nessa fase estão no arco-íris, a fase mais doce e
sincera que possuem.
São pessoas de temperamento fácil de se lidar estando calmas, porém; se tornam terríveis
quando com raiva, representando nesse estado a serpente, que vem trazendo o lado negativo de Oxumaré,
o seu lado mais perigoso, que é a falsidade e a perversidade.
São pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objetivos e não medem sacrifícios para
alcançá-los. Tudo muda em suas vidas: os amigos, os romances, as cidades que moram. Gostam de
mudanças e quando a fazem, se tornam radicais.
Podem desenvolver a bissexualidade, pois faz parte da característica deste Orixá, que é 6 meses
homem e 6 meses mulher, não que seus filhos tenham os dois sexos, mas que podem gostar e sentir atração
por homem e mulher, de forma natural.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

A filha de Oxumaré é do tipo mulher fatal, adora badalações, festas, joias e tudo que é caro.
Descontraída e muito divertida, sempre com alto astral ela vive em movimento constante. Qualquer
prazer a diverte e por isto mesmo conquistar uma filha deste Orixá é tarefa difícil. Geralmente são pessoas
muito livres, não suportam serem controladas e não sentem o menor ciúme do parceiro.
Já os homens filhos de Oxumaré são fascinantes, aqueles que todos cobiçam em uma festa, mas
são difíceis de conquistar. Sabem que marcam presença, discutem sobre qualquer assunto muito bem. Pelo
sexo que é possível prender os filhos desse Orixá que são muito livres e não gostam de parceiras ciumentas.

QUALIDADES DE OXUMARÉ:

Dan: Corresponde ao nome Jejê de Oxumaré e, no Alakétu, constitui uma qualidade deste último, é a cobra
que participou da criação. É uma qualidade benéfica, ligada a chuva, à fertilidade de abundância,
gosta de ovos e de azeite de dendê. Como tipo humano, é generoso e até perdulário.
Dangbé: É um Oxumaré mais velho que seria o pai de Dan; governa os movimentos dos astros. Menos
agitado que Dan, possui uma grande intuição e pode ser um adivinho esperto.
Becém: Dono do terreiro do Bogun, veste-se de branco e leva uma espada. Becém é um nobre e generoso
guerreiro, um tipo ambicioso, combativo de Oxumaré, menos afetado e menos superficial que
Dan.
Azaunodor: É o príncipe de branco que reside no Baobá, relacionado com os antepassados, come frutas e
"leva tudo de dois".
Frekuen: É o lado feminino de Oxumaré, representado pela serpente mais venenosa. O lado masculino
de Oxumaré é geralmente representado pelo Arco-Íris.

DIA: Terça-feira.
CORES: Amarelo e verde (ou preto) e todas as cores do arco-íris
DATA COMEMORATIVA: 24 de agosto.
SÍMBOLOS: Ebiri (espécie de vassoura feita com nervuras das folhas das palmeiras.), serpente, círculo,
arco-íris.
ELEMENTOS: Água.
PONTOS DA NATUREZA: Próximo da queda das cachoeiras.
DOMÍNIOS: Riqueza, vida longa, ciclos, movimentos constantes.
SAUDAÇÃO: Arroboboi (“Senhor das Águas Supremas”)
SINCRETISMO: São Bartolomeu.
ERVAS: Mesmas de Oxum.
FLORES: Amarelas.
BEBIDA: Água mineral.
PEDRAS: Ágata (topázio, esmeralda, diamante).
METAL: Latão (ouro e prata mesclados)
COMIDAS: Batata doce em formato de cobra, bertalha (trepadeira asiática) com ovos.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

10. IEMANJÁ
É a mãe das águas primeiras, que precedem a forma e sustentam a criação. É a
força do princípio, a mãe do mundo. É a senhora dos mares e simboliza o coração
do planeta terra. É o Orixá que comanda a Calunga Grande (mar) e que sustenta
uma parte fundamental da vida, no seu infinito círculo de geração e manutenção
da vida no planeta. Iemanjá é a onda do mar, o maremoto, a ressaca do mar, a
maré alta e a baixa, as ondas gigantes cavalgando as montanhas submersas, as
correntes de águas quentes e geladas dos oceanos que vagueiam pelos sete mares.
Iemanjá são os bilhões de seres vivos que vivem e morrem nos mares dando
sequência à eterna cadeia alimentar oceânica. Iemanjá significa a “mãe que tem
filhos peixes”. Comanda legiões de caboclos e caboclas espalhados pelos sete mares
do mundo, legiões estas ligadas aos bilhões de formas de vidas existentes no mais
profundo mar.

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE IEMANJÁ: É imponente, majestoso e belo. São


pessoas calmas, sensuais, fecundas e cheias de dignidade e dotados de irresistível fascínio (o canto da
sereia), são voluntariosos, fortes, rigorosos, protetores, altivos e, algumas vezes, impetuosos e arrogantes;
têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas, mas formais; põem à prova as amizades que
lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquece jamais. As filhas de
Iemanjá são boas donas de casa, educadoras pródigas e generosas, criando até os filhos de outros. Não
perdoam facilmente, quando ofendidas. São possessivas e muito ciumentas. Os filhos de Iemanjá parecem
estar sempre lutando para galgar um lugar de destaque, qualquer que seja o empreendimento a que se
dediquem. É, por sua própria natureza, um lutador. São profundamente emotivos, razão pela qual são
chamados de chorões.

QUALIDADES DE IEMANJÁ:
Iemanjá Sobá: É a mais velha, manca de uma perna devido a uma luta com Exu; rabugenta, e feiticeira,
fala de costas, gosta de fiar seu cristal. Comanda as caçadas mais profundas do oceano, tem
afinidade com Nanã. Veste branco.
Iemanjá Akurá: Vive nas espumas do mar, aparece vestida com lodo do mar e coberta de algas marinhas.
Muito rica e pouco vaidosa. Adora carneiro. Come com Nanã.
Iemanjá Ataramaba: Nessa forma ela está no colo de seu pai Olokun.
Iemanjá Iyáku: Vive na espuma da ressaca da maré
Iemanjá Ayio: Muito velha. Veste sete anáguas para se proteger. Vive no mar e descansa nas lagoas.
Iemanjá Iamasse: É a mãe de Xangô e quem cuidou de Oxumaré. É muito festejada durante as festas
consagradas a seu filho Xangô. As suas contas são branca leitosas, rajadas de vermelho
e azul.
Iemanjá Iyemoyo: É uma das mais velhas, possui ligação com Oxalá, o seu fundamento está no Ori,
representa a vida, pode curar doenças da cabeça. Veste branco e cristal.
Iemanjá Konla: O seu mito conta que ela afoga os pescadores.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

Iemanjá Maleleo: Esta Yemanjá vive no meio do oceano no lugar onde se encontram as sete correntes
oceânicas.
Iemanjá Odo: Tem aproximação com Oxum, e vive na água doce sendo muito feminina e vaidosa.
Iemanjá Ogunté: Considerada a nova guerreira, dona da espada, esposa de Ogum ferreiro (Alagbedé) e
mãe de Ogum Akorô e Oxóssi. O seu nome significa aquela que contém Ogum. Vive
perto das praias, no encontro das águas com as pedras. Traz na cintura um facão e todas
as ferramentas de Ogum. Veste branco; azul marinho, cristal, ou verde e branco.
Iemanjá Olossá: Veste verde-claro e suas contas são branco cristal. É uma das Iemanjás velha.
Iemanjá Oyo: Benéfica, muito feminina, veste de branco, rosa e azul claro.
Iemanjá Saba: Fiadeira de algodão, foi esposa de Orunmilá.
Iemanjá Sessu: Ligada à gestação. Voluntariosa e respeitável, vive nas águas sujas do mar e é muito
esquecida e lenta. Veste branco, verde água e suas contas branco cristal.
Iemanjá Malelé: Aquela que os filhos sempre serão peixes. Também conhecida como Marabô, mora nas
águas mais profundas. É a sereia, ligada à reprodução dos peixes; vem sempre a beira
do mar apanhar as suas oferendas; está ligada a Oxalá e Exu.

Música de Marisa Monte...”A Lenda das Sereias”


Oguntê, Marabô, Caiala, e Sobá
Oloxum, Ynaê, Janaina e Iemanjá
Oguntê, Marabô, Caiala, e Sobá
Oloxum, Ynaê, Janaina e Iemanjá
São rainhas do mar...

SINCRETISMO: Nossa Senhora dos Navegantes (algumas regiões do Brasil) Nossa Senhora da
Glória(RJ) Nossa Senhora da Conceição(SP).
DATA: 08 de dezembro.
DIA DA SEMANA: Sábado.
COR: Azul claro e branco.
PONTOS DE FORÇA: Calunga Grande (mares).
FERRAMENTA: Abebé prateado com espelho (leque prateado).
SÍMBOLO: Ancora, peixes, ondas do mar.
SAUDAÇÃO: Odoiá ou Odociabá (“Salve a Senhora das Águas”).
COMIDA: Manjar branco, peixe, camarão, canjica, arroz,
ERVAS: Alfazema, pata de vaca, embaúba, abebê, jarrinha, golfo, rama de leite.
FLORES: Rosas brancas, palmas brancas, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos.
LOCAL DAS OFERENDAS: beira da praia, mar.
ESSÊNCIAS: Alfazema, jasmim, rosa branca, orquídea, crisântemo.
PEDRAS: Pérola, água marinha, lápis-lazúli, calcedônia, turquesa.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

METAL: Prata.
BEBIDA: Água mineral ou champanhe.

11. OMULU/OBALUAÊ
Obaluaê = Oba(Rei), Luaê (Céu e Terra).
Obaluaê/Omulú é o Rei, dono, senhor da vida na terra; sua “arma” (emblema) é
o Sàsàrà, espécie de cetro de mão, feito de nervuras da palha do dendezeiro,
enfeitado com búzios e contas, em que ele capta das casas e das pessoas as
energias negativas, bem como “varre” as doenças, impurezas e males
sobrenaturais. Esta representação nos mostra sua ligação com a terra, com o
tronco e com as raízes das árvores pela ligação das mesmas com a terra. Suas
cores são o branco e preto como Obaluaê, e o preto e branco como Omulú.
Ambos controlam as forças da terra, onde dão sustentação aos ligamentos de
pedra e água. Comandam as legiões dos Pretos Velhos, que chamamos “anciões”
de nossa Umbanda. O símbolo de Obaluaê e Omulú é o tridente cruzado, e o
cruzeiro; principalmente o cruzeiro de beira de estrada ou no alto do morro, ou na porta do cemitério, ou
ainda o cruzeiro dos cemitérios. Orixá de transformação energética, de toda energia produzida de forma
natural ou artificial, quer dizer, a energia natural é toda aquela emanada da natureza ou do nosso próprio
pensamento e a artificial é a fabricada (oferendas). Ele transforma tudo e descarrega para terra.
Orixá da transição para a vida astral. Senhor dos segredos da vida e da morte. Mestre das
Almas. Se Exu é o grande manipulador das forças de magia, Omulú é o Mestre. Quando desencarnamos
tem sempre um enviado de Omulú do nosso lado, por isso é que ele sempre diz que temos que resgatar a
nossa dívida; temos que agir efetivamente para resgatarmos o nosso Karma.
Observação: Obaluaê é um desdobramento de Omulú, vibrando em forma mais
jovem. Não se trata de outro Orixá, mas sim de um desdobramento.
ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE OBALUAÊ/OMULU: São pessoas
extremamente pessimistas e teimosas que adoram exibir seus sofrimentos, daqueles que procuram o
caminho mais longo e difícil para atingir algum fim. Deprimidos e depressivos, são capazes de desanimar
o mais otimista dos seres; acham que nada pode dar certo, que nada está bom. Às vezes, são doces, mas
geralmente são pessoas que possuem manias de velho, como as rabugices. Gostam da ordem, gostam que
as coisas saiam da maneira que planejaram. Não são do tipo que levam desaforo para casa e se sentirem
ofendidos responde no ato, não importa a quem. Pensam que só eles sofrem e que ninguém os compreende.
Não possuem grandes ambições. Podem apresentar doenças de pele, marcas no rosto, dores e outros
problemas nas pernas. São pessoas sem muito brilho, sem muita beleza. São perversos e adoram irritar as
pessoas; são lentos, exigentes e reclamam demais. São reprimidos, amargos e vingativos. É difícil
relacionar-se com eles. Parece que são pessoas que possuem muitos defeitos e poucas qualidades, mas, os
filhos deste ORIXÁ têm várias qualidades e uma delas que devemos destacar é uma qualidade que pode
compensar qualquer defeito: são extremamente prestativos e trabalhadores. São amigos de verdade.

QUALIDADES DE OBALUAÊ/OMULU:
Akavan: Tem ligação com Oyá, veste estampado.
Azonsu: Tem fundamentos com Oxumaré, Oxum e Oxalá. Carrega lança e veste branco.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

Azoani: É jovem, veste vermelho, palha vermelha. Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Iemanjá e Oyá.
Arawe : Tem fundamento com Oyá e Oxalá.
Ajoji: Tem fundamentos com Ogum e Oxaguiam.
Avimaje: Tem fundamento com Nanã, Ossain e Odé.
Ajoji: Tem ligação com Iemanjá, Oxumaré e Nanã.
Afomam: Veste a estopa e carrega duas bolsas de onde retira as doenças. Veste de amarelo e preto. Todas
as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Oxumaré e Ogum de quem é
companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.
Agbagba Jagun: tem fundamento com Oyá.
Itubé Jagun: É jovem e guerreiro; leva na mão uma lança chamada Okó; tem caminhos com Ogunjá,
Oxaguiã, Ayrá, Exu e Oxalufã. Não come feijão preto e é o único que come Igbin (Caracol).
Ipopó: Tem forte fundamento com Nanã, usa biokô.
Tetu: É jovem e guerreiro. Come com Ogum e Oyá. Veste de branco, usa biokô.
Agoró: veste branco, usa biokô com franjas de palha
Itetù Jagun: ligado a Iemanjá e Oxalá.
Sapatá: Ligado a Oxalufã e todos os Orixás Brancos.
Xapanã: Ligado e companheiro de Exu, usa preto e vermelho.
Jeholu: Nome sagrado, Senhor das pérolas, usa bege.
Iluinã: Chão quente, único fundamento com Xangô.

SINCRETISMO: São Lázaro (Obaluaê); São Roque (Omulú).


DATA: 17 de dezembro.
DIA DA SEMANA: Segunda-feira.
COR: Branco e preto (Obaluaê); preto e branco (Omulú).
PONTOS DE FORÇA: Cemitérios (Calunga pequena).
FERRAMENTA: Xaxará, cajado.
SÍMBOLO: Cruzeiro.
SAUDAÇÃO: Atotô (“Peço quietude meu Pai”).
COMIDA: Canjica com pau de dendezeiro, pipoca, feijão preto, carne de porco, Abadô (amendoim pilado
e torrado) , Latipá (folha de mostarda), Ibêrem (bolo de milho envolvido na folha de bananeira).
ERVAS: Erva de bicho, mamona, canela de velho, erva de passarinho, barba de milho, barba de velho,
cinco chagas, fortuna, fera.
FLORES: Monsenhor branco.
LOCAL DAS OFERENDAS: Cruzeiros de cemitérios, de beira de estrada de terra, praia.
ESSÊNCIAS: Cravo e menta.
PEDRAS: Obsidiana, ônix, olho-de-gato.
METAL: Chumbo.
BEBIDA: vinho tinto, vinho com mel, cachaça com mel.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

12. NANÃ
A Deusa dos mistérios, tem sua origem simultânea com a criação do mundo, pois
antes da terra ser formada, o barro, os pântanos, a lama do fundo dos rios e os
grandes lagos já existiam. Nanã consegue sintetizar em si , morte, fecundidade e
riqueza. Sendo a mais antiga dos ORIXÁS, (das divindades das águas) representa
a memória das raças. Nanã é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a
morte; Ela é origem e poder. É a água parada, a água da vida e da morte; as águas
paradas e lamacentas dos pântanos (que tem aparência morta); ninguém imagina
que por detrás daquelas águas possa existir vida, que sob a benção de Nanã darão
origem a inúmeras plantas e vidas animais. Nanã é o começo porque Nanã é o
barro e o barro é a vida que resulta da soma da terra mais a água. Nanã é o início
porque é a terra úmida em cujo ventre serão germinadas as sementes que
alimentam os bilhões de seres viventes deste planeta. Nanã é a terra úmida que recebe e acalenta os corpos
dos seres vivos, dos vegetais, recebe corpos e grãos para prepará-los para o renascimento e florescimento,
pois que enquanto estiverem abaixo da terra, sem receber a luz do sol, estão sob o domínio de Nanã.
Também tem o poder da cura e controla um dos ligamentos com a morte, condição para o renascimento e
para a fecundidade na terra.

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE NANÃ: São pessoas com uma capacidade


extrema de entendimento e compreensão com as falhas humanas e por causa disso perdoam e consolam
aos que erram com grande facilidade. Vivem voltados para o bem-estar da comunidade sempre fazendo o
possível para atender as vontades e necessidades de todos. O filho de Nanã sempre parece ser muito mais
velho do que realmente é. É um conservador por natureza e sente com frequência saudades de um tempo
que não viveu sempre achando que as coisas no passado eram bem melhores e, assim, sente-se distanciado
da modernidade em que vive. Às vezes carinhosos até em excesso, se tornam também ranzinzas,
preocupados em demasia com detalhes e têm uma forte tendência a criticar tudo e todos. Não costumam
ter muito senso de humor e valorizam demais pequenos incidentes que transformam em grandes dramas.
Odeiam ser contrariados e quando batem o pé em uma posição, dificilmente voltam atrás.
Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões, o conservam sempre no caminho
da sabedoria e da justiça. Calmos, discretos e extremamente benevolentes, sempre agem com dignidade e
gentileza, mas têm uma dificuldade nata em cumprir horários já que estão sempre achando que o dia é
muito mais longo do que realmente é e pode esperar por sua lentidão. Com um temperamento severo e
austero, chega bem perto da rabugice se tornando assim mais temido que amado. As mulheres, filhas desse
Orixá, não procuram embelezar-se para atrair ninguém e, muitas vezes, tornam-se distanciadas da
sexualidade passando uma imagem de pouca feminilidade. Geralmente os filhos de Nanã se dedicam ao
trabalho e à ambição social e, pelo medo exacerbado de ser abandonado e sofrer, deixam de lado a vida
amorosa sem se tornarem com isso, amargos ou tristes.

QUALIDADES DE NANÃ:
Nanã Abenegi: Dessa Nanã nasceu o Ibá Odu, que é a cabaça que traz Oxumaré, Oxóssi, Olodé, Oya e
Iemanjá.
Nanã Adjaoci: É a guerreira e agressiva às vezes confundida com Obá. Mora nas águas doces e veste-se
de azul.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

Nanã Ajapá: É a guardiã que mata, vive no fundo dos pântanos, é uma Orixá bastante temida, ligado a
lama, a morte, e a terra. Está ligada aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se
como enfermeira; cuida dos velhos e dos doentes, toma conta dos moribundos. Nela
predomina a razão.
Nanã Asainan: sem dados inerentes a este caminho do Orixá Nanã.
Nanã Buruku ou Búkùú: Também é chamada Olú aiye (senhora da terra), ou Oló wo (senhora do dinheiro).
Ligado à água doce dos pântanos, usa um ibiri azul.
Nanã Iyabahin: Sem dados inerentes a este caminho do Orixá Nanã.
Nanã Obaiá: É ligada a água e a lama. Mora nos pântanos; usa contas cristal vestes lilás.
Nanã Omilaré: É a mais velha, acredita-se ser a verdadeira esposa de Oxalá. Associada aos pântanos
profundos e ao fogo. É a dona do universo, a verdadeira mãe de Omulú Intoto. Veste
musgo e cristal.
Nanã Savè: Veste-se de azul e branco, e usa uma coroa de búzios.
Nanã Ybain: É a mais temida. Orixá da varíola. Usa cor vermelha, é a principal, come direto na lagoa,
dando origem a outros caminhos.
Nanã Oporá: É a mãe de Obaluaê, ligada a terra, temida, agressiva e irascível (gênio difícil).
Nanã Xalá: Muito ligada ao Branco e a Oxalá.

SINCRETISMO: Nossa Senhora de Santana.


DATA: 26 de julho.
DIA DA SEMANA: Segunda-feira ou sábado.
COR: Lilás.
PONTOS DE FORÇA: pântanos e águas paradas, lagoas e locais de origem d´agua sem rio.
FERRAMENTA: Ibiri cetro - Vassoura de palha da costa com palitos de dendezeiro).
SÍMBOLO: Cruz.
SAUDAÇÃO: Salubá Nanã (“Salve a Mãe das águas pantaneiras”).
COMIDA: Feijão preto com purê de batata doce, aberum. Mungunzá, caruru sem azeite.
ERVAS: Manjericão roxo, colônia, ipê roxo, folha da quaresma, erva de passarinho, dama da noite,
canela de velho, salsa da praia, manacá.
FLORES: Todas as flores roxas.
LOCAL DAS OFERENDAS: Pântanos, beira de lagoas com águas paradas, mangues.
ESSÊNCIAS: Lírio, orquídea, limão, narciso, dália.
PEDRAS: Ametista, cacoxenita, tanzanita.
METAL: Latão ou Níquel.
BEBIDA: água mineral, Champanhe.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

13. OXÓSSI
É o gerador de alimentos, as florestas soturnas que são derrubadas, mas que
pela força de Oxóssi sempre estão ressurgindo. Representa também os animais
selvagens espalhados pelos quatro cantos do mundo. É o Orixá senhor das
matas virgens, o caçador da corte celestial, o grande guerreiro que luta pela
busca do nosso pão e defensor de nosso teto. É aquele que caça as boas
influências, das energias positivas para os trabalhadores de uma aldeia, de uma
casa de santo. É sempre homenageado com o melhor das colheitas, caça e com
as melhores frutas. Orixá representado pelas legiões de caboclos da natureza,
que estão espalhados em todos os locais. Orixá da saúde, prosperidade, força,
energia (ligada a saúde), farmacopeia (farmácia), nutrição. É o “caçador” do Axé.

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE OXÓSSI: No positivo: São joviais, rápidos e


espertos, mental e fisicamente. Cheios de iniciativa, dotados de um espírito curioso e observador, estão
abertos a novas descobertas e novas atividades e são geralmente desbravadores, pioneiros. Têm grande
capacidade de concentração e de atenção, firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para
aguardar o momento correto para agir. Lidam bem com a realidade material, têm os pés ligados à terra, o
que não quer dizer que sejam ambiciosos em demasia. São discretos, não gostam de fazer julgamentos
sobre os outros e respeitam muito o espaço individual de cada um.
Independentes, não apreciam muito os trabalhos em equipe. Mas têm grande senso de dever e
de responsabilidade, principalmente em relação aos cuidados para com a família (pois o “caçador” tem a
responsabilidade de sustentar a tribo). Sentem a necessidade do silêncio para desenvolver a capacidade de
observação, e neste aspecto, são reservados. Isso pode levá-los ao rompimento de laços, o que não quer
dizer que sejam instáveis em seus amores. Fisicamente, tendem a ser magros, um pouco nervosos, mas
controlados.
No negativo: Tornam-se muito solitários, fechados, introvertidos, críticos, respondões, brigam por
qualquer motivo e podem tornar-se vingativos.

QUALIDADES DE OXÓSSI:
Ybualamo: É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. Sua vestimenta é azul celeste, como suas
contas. Usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha.
Inle: É o filho querido de Oxaguiã e Iemanjá. Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu
com plumas brancas e azuis claro.
Dana Dana: Tem fundamento com Exu, Ossain, Oxumaré e Oya. É ele o Orixá que entra na mata da
morte e sai sem temer Egun e a própria morte. Veste azul claro.
Akuereran: Tem fundamento com Oxumaré e Ossain. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele
é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras
vermelhas. Suas contas são azul claro. Seus bichos são: pavão, papagaio e arara, tiram-se as
penas e se solta o bicho.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

Otyn: Guerreiro e muito parecido com seu irmão Ogum, vive na companhia dele, caçando e lutando. É
muito manhoso e não tem caráter fácil. Muito valente, está sempre pronto a sacar sua arma
quando provocado. Não leva desaforos e castiga seus filhos quando desobedecido. Usa azul claro
e o vermelho, conta azul, leva capangas, roupas de couro de leopardo e bode.
Mutalambo: Tem fundamento com Exu.
Gongobila: É um Oxóssi jovem. Tem fundamento com Oxalá e Oxum.
Odé Koifé: Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste
vermelho, leva na mão uma espada e uma lança.; vive muito escondido dentro das matas,
sozinho. Suas contas são azuis claras, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe
cobre todo o rosto.
Arolé: Propicia a caça abundante. É um dos mais belos tipos de Oxóssi. Um verdadeiro rei de Ketu. As
pessoas dele são muito antipáticas. Jovem e romântico, gosta de namorar, vive mirando-se nas
águas, apreciando sua beleza. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é ágil na arte de caçar.
Odé Karé: É ligado as águas e a Oxum, porém os dois não se dão bem, pois, exercem as mesmas forças e
funções. Usa azul e um Banté dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom
caçador mora sempre perto das fontes.
Wawa: Vem da origem dos Orixás caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do
touro selvagem.
Walé: É velho e usa contas azuis escuro. É considerado como rei na África, pois, seu culto é ligado,
diretamente, a pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois, as acha
chatas, falam demais, são vaidosas e fracas.
Oseewe: É o senhor da floresta, ligado as folhas e a Ossain, com quem vive nas matas. Veste azul claro e
usa capacete quase tapando o seu rosto.
Ofá: Não é qualidade, significa, “o arco e a flecha do caçador, sendo de Oxóssi o seu principal apetrecho”.
Tafá-Tafá: O caçador arqueiro, aquele que exímio atirador de flechas, é predicado que se diz de Oxóssi.
Erinlé: É também um outro Oxóssi, que, a exemplo de Inlè, cujo culto também caiu no obscurantismo,
acabando por tornar-se “qualidade de Oxóssi”.
Odé Tokueran: O caçador é quem mata a caça, diz-se da atuação do caçador.
Otokan Sosó: Embora muitas vezes seja citado como uma qualidade, não é qualidade, é um Oriki (são
orações que exaltam os poderes e feitos dos orixás) que significa o caçador que só tem uma
flecha. Ele não precisa de mais nenhuma flecha porque jamais erra o alvo.
SINCRETISMO: São Sebastião.
DATA: 20 de janeiro.
DIA DA SEMANA: Quinta-feira.
COR: Verde.
PONTOS DE FORÇA: Matas virgens.
FERRAMENTA: Ofá (o arco e a flecha).
SÍMBOLO: o arco e a flecha, flecha.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

SAUDAÇÃO: Okê Arô (“Dê seu brado Majestade”).


COMIDA: frutas (não cítricas), moranga, abóbora com camarão seco, canjica de milho verde, Axoxô
(milho com fatias de coco), milho cozido com mel de abelha, mandioca cozida.
ERVAS: Samambaias, alecrim, guiné, abre caminho, taioba, espinheira santa, jurema, mangueira, alfavaca,
eucalipto.
FLORES: Flores do campo.
LOCAL DAS OFERENDAS: Matas e florestas virgens.
ESSÊNCIAS: Alecrim.
PEDRAS: Esmeralda, amazonita, turquesa, quartzo verde, calcita verde.
METAL: Bronze (latão).
BEBIDA: cerveja branca, vinho tinto ou aluá (cachaça de milho).

14. OXUM
Deusa da fecundidade (fertilidade); é a mãe do ouro, senhora das águas cristalinas
e que comanda as cachoeiras, representando a força da vida. É o símbolo do
amor, é a pureza das águas que mata nossa sede e que sustenta nossa vida . Oxum
tem a missão de zelar pelos nascimentos; a vida intrauterina de um ser vivo
começa na água contida dentro do útero materno, e por esse motivo, zela pelos
seres vivos enquanto ainda em gestação no ventre de suas mães, e esta proteção
estende-se ao ser vivo após o seu nascimento, enquanto não estiver integrado ao
mundo. Também participa do processo de alimentação de todos os seres vivos,
nos doando a água que alimenta e mantém vivo o planeta, seres e vegetais.
Oxum é a força dos mistérios que envolve a água, e conjuga todas as energias
que vem das águas cristalinas e caminham de encontro com o mar. Por este
motivo, reina ao lado de Iemanjá, as águas doces e nos mares.

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE OXUM: Os filhos e filhas de Oxum amam


espelhos, joias e ouro; são impecáveis no trajar e não se exibem publicamente sem primeiro cuidar da
vestimenta, do cabelo e, as mulheres, da pintura. As pessoas de Oxum são vaidosas, elegantes, sensuais,
amam tudo que se relaciona com a beleza. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que as de Iansã.
Elas evitam chocar a opinião pública, à qual dão muita importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora,
escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social.
Os filhos de Oxum são mais discretos, pois, assim com apreciam o destaque social, temem os
escândalos ou qualquer coisa que possa denegrir a imagem de inofensivos, bondosos, que constroem
cautelosamente. A imagem doce esconde uma determinação forte e uma ambição bastante marcante. Os
filhos de Oxum têm tendência para engordar; gostam da vida social, das festas e dos prazeres em geral.
Gostam de chamar a atenção do sexo oposto.
Pode vir a ser interesseiro e indeciso, mas seu maior defeito é o ciúme. Um dos defeitos mais
comuns associados à superficialidade de Oxum é compreensível como manifestação mais profunda: seus
filhos tendem a ser fofoqueiros, mas não pelo mero prazer de falar e contar os segredos dos outros, mas
porque essa é a única maneira de terem informações em troca.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

Os filhos de Oxum preferem contornar habilmente um obstáculo a enfrentá-lo de frente. São


muito persistentes no que buscam, tendo objetivos fortemente delineados, chegando mesmo a ser
incrivelmente teimosos e obstinados. Entretanto, às vezes, parece esquecer um objetivo que antes era tão
importante, não se importando mais com o mesmo. Na realidade, estará agindo por outros caminhos,
utilizando outras estratégias. Oxum é assim: “bateu, levou”. Não tolera o que considera injusto e adora
uma pirraça. Da beleza à destreza, da fragilidade à força, com toque feminino de bondade.

QUALIDADES DE OXUM:
Abalô: É uma velha Oxum, de culto antigo, tem ligação com Oyá, Ogum e Oxóssi; veste-se de cores
claras, usa abebé (leque) e alfanje (foice de cabo longo).
Ijimú: É outro tipo de Oxum velha. Veste-se de azul claro ou cor de rosa. Leva abebê e alfanje, tem ligação
com as Iyamís (grande mãe), é responsável por todos os Otás (seixos) dos rios.
Abotô: Também uma velha Oxum de culto antigo, ligada às Iyamís, feiticeira, carrega abebê e alfanje, tem
ligação com Nanã, Oyá de culto Igbalé.
Opará: Seria a mais jovem das Oxuns e um tipo guerreiro que acompanha Ogum, vivendo com ele pelas
estradas; dança com ele quando se manifestam juntos numa festa; leva uma espada na mão e pode
vestir-se de cor de marrom avermelhado. Considerada a Senhora da Espada.
Ajagura:: Outra Oxum guerreira que leva espada. Jovem, tem ligação com Iemanjá e Xangô.
Yeye Oke: Oxum jovem guerreira, muito ligada a Oxóssi, carrega ofá (arco e flecha) e erukerê (cetro feito
com pelos do rabo de touro).
Yeye Ipondá: É também uma Oxum guerreira ligada. Leva uma espada e veste-se de amarelo ouro e
branco quando acompanha Oxaguiã.
Yeye Ogá: É uma Oxum velha e muito guerreira, carrega abebê e alfanje.
Yeye Karé: é uma Oxum jovem e guerreira, ligada a Odé Karè, Logun Edé.
Yeye Ipetu: É uma Oxum de culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a
Ossain e principalmente a Oyá dada a sua ligação com Egun.

Yeye Ayaalá- É talvez a mais ancestral dentre todas, veste-se de branco, ligada a Orunmilá e as Iyamis,
considerada a avó.
Yeye Otin: Oxum com estreita ligação com Inlè, ligada a caça e usa ofá e abebé.
Yeye Iberí: Oxum nova; concentra a vaidade e toda beleza e elegância de uma Oxum, dizem que ser a
Oxum de mãe Menininha do Gantois.
Yeye Mouwó: Oxum ligada a Olokun e Iemanjá, grande poder das Iyamís, veste-se de cores claras e usa
abebé e alfanje.
Yeye Popolokun: Oxum de culto raro, ligado aos lagos e lagoas,
Yeye Olokó: Oxum guerreira, vive na floresta nos grandes poços de água, padroeira do poço.

SINCRETISMO: Nossa Senhora Aparecida (SP) / Nossa Senhora da Conceição (algumas regiões do
Brasil).
DATA: 15 de agosto.
DIA DA SEMANA: Sábado.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

COR: Azul escuro.


PONTOS DE FORÇA: Cachoeiras e Rios (calmos).
SÍMBOLO: Coração.
FERRAMENTA: Abebé dourado com espelho.
SAUDAÇÃO: Ora Iê (“Olha por nós mãezinha”).
COMIDA: Omolocum de Oxum, ipeté, quindim, banana frita, moqueca de peixe e pirão feito com a
cabeça do peixe.
ERVAS: Lírio do campo, flor de laranjeira.
FLORES: amarelas.
LOCAL DAS OFERENDAS: Cachoeiras, rios (calmos).
ESSÊNCIAS: Lírio.
PEDRAS: Topázio.
METAL: Ouro.
BEBIDA: água mineral.

15. IANSÃ

Deusa da espada de fogo, é a senhora dos ventos, dos raios, das tempestades, dos
ciclones, dos furacões e dos vendavais. É o poder do movimento que nasce do
encontro do ar com o calor da terra e com os vapores suspensos das águas, e que
forma uma poderosíssima força no movimento das energias que formam os raios.
Esta poderosa mãe, ao lado de OGUM forma a força do exército celestial na
defesa do planeta terra, protegendo as cidades, as nossas casas e tudo mais que
existe. Aonde estivermos, ali existirá vento, ali IANSÃ estará presente.

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE IANSÃ: Para os filhos de Iansã,


viver é uma grande aventura. Enfrentar os riscos e desafios da vida são os
prazeres dessas pessoas, tudo para elas é festa. Escolhem seus caminhos mais
por paixão do por reflexão. São pessoas atiradas, extrovertidas e diretas, que jamais escondem seus
sentimentos, seja de felicidade, seja de tristeza. Entregam-se a súbitas paixões e de repente esquecem,
partem para outra, e o antigo parceiro é como se nunca tivesse existido. Isso não é prova de promiscuidade,
pelo contrário, são extremamente fiéis à pessoa que amam, mas só enquanto amam.
Essas pessoas tendem a ser autoritárias e possessivas; seu gênio muda repentinamente sem
que ninguém esteja preparado para essas guinadas. Os relacionamentos longos só acontecem quando
controlam seus impulsos, aí, são capazes de viver para o resto da vida ao lado da mesma pessoa, que deve
permitir que se torne os senhores da situação. As filhas de Iansã são sempre extremadas: ou amam
apaixonadamente ou simplesmente esquecem. Incapazes de odiar, não hesitam em se reaproximar de
alguém que lhes tenha magoado, sentindo, não raras vezes, uma real piedade e amor por essa mesma pessoa
se, por qualquer razão, estiver em posição de dor ou inferioridade. Será sempre um temporal num copo

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

d’água, passando da tranquilidade de um lago sereno a incerteza de um mar tempestuoso. Sua principal
característica positiva reside na sua capacidade de não apenas perdoar quem eventualmente lhe haja
ofendido, como principalmente, esquecer a ofensa. Talvez nenhum outro consiga realmente esquecer o
filho de Iansã. Quando líderes em alguma atividade, quase sempre marcam, de maneira indelével, suas
administrações, mesmo que isso lhes custe sacrifícios.
Os filhos de Iansã, na condição de amigos, revelam-se pessoas confiáveis, mas cuidado, os mais
prudentes, no entanto, não ousariam lhe confiar um segredo, pois, se mais tarde acontecer uma desavença,
um filho de Iansã não pensará antes de usar tudo que lhe foi contado como arma.
Seu comportamento pode ser explosivo, como uma tempestade, ou calmo, como uma brisa de
fim de tarde. Só uma coisa a tira do sério: mexer com um filho seu é o mesmo que comprar uma briga de
morte: batem em qualquer um, crescem no corpo e na raiva, matam se for preciso.

QUALIDADES DE IANSÃ:
Abomi: Tem fundamento com Xangô e Oxum.
Afefe: É ela quem comanda os ventos, tem caminhos com Obaluaê e Egun. Veste vermelho e branco,
também usa coral, o chorão de seu adê é alaranjado. Afefe, o vento, a tempestade, acompanha Oyá.
Akaran; Tiodô; Leié e Oniacará: Só encontrada em algumas casas. Sem referências.
Arirá: uma de suas formas.
Bagan: Não tem cabeça. Tem caminhos com Egun.
Bagbure: Não tem fundamento com nenhum Orixá. Parece pertencer ao culto de Egunguns.
Bamila: tem fundamento com Oxalufã.
Biniká: Tem fundamento com Oxum Opará.
Euá: Um Orixá em particular, mais que em alguns Ilês foram encontradas como forma de Oyá.
Filiaba: Tem fundamento com Omulú.
Gunán ou Gigan: Tem fundamento com Xangô.
Kedimolu: tem fundamento com Oxumaré e Omulú.
Kodun: Tem fundamento com Oxaguiã.
Luo: Tem fundamento com Ossaim; culto Nagô.
Maganbelle ou Agangbele: esse caminho mostra a dificuldade quanto à geração de filhos. Tem
fundamento com Irokô e Xangô.
Messan ou Yamesan: É a que foi esposa de Oxóssi, meio animal e meia mulher. Só come caça com Oxóssi
nas matas.
Obá: Orixá independente, mais que em algumas casas foi encontrada como qualidade de Oyá.
Odo: Ligada às águas e apaixonada carnal, é muito louca por amor.
Ogaraju: É uma das mais antigas no Brasil.
Onirá: É uma ninfa das águas doces e seu culto aqui no Brasil é confundido com o culto das outras Oyá’s
por ser uma grande guerreira. É saudada como Oyá, sendo seu culto na África totalmente diferente.
Tem ligação com o culto a Egun. Tem grande ligação com Oxum, pois foi ela quem ensinou Oxum
Opará a lutar. É muito perigosa por sua ligação e caminhos com Oxaguiã, Ogum e Obaluaê.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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“AS QUALIDADES DOS ORIXÁS”

Veste coral e amarelo. É Rainha da cidade de Irá (filha ou mulher de Xangô). “Onirá” na África é
um título de Oyá, significando “Senhora da Cidade de Irá”.
Onisoni: Tem fundamento com Omulú.
Petu: Nesse aspecto ela convive com Xangô. Ligada aos ventos e as árvores. Vem sempre antes de Xangô,
anunciando a sua chegada.
Semi: Tem fundamento com Obaluaê.
Seno ou Ceno: Tem fundamento com Oxumaré.
Sinsirá: Tem fundamento com Obaluaê.
Sire: Tem fundamentos com Ossaim e Ayrá.
Yapopo: Tem fundamento com Obaluaê.
Tope ou Yatopé ou Tupé: Tem ligação com Xangô e veste-se de branco. Tem fundamento com Ogum
e Exu.
Gbale ou Igbalé ou Balé (aquela que retorna a terra): É a Deusa dos mortos. É ligada diretamente ao
culto de Egun, por isso é a senhora dos cemitérios. Tem pleno domínio sobre
os mortos,

SINCRETISMO: Santa Bárbara.


DATA: 04 de dezembro.
DIA DA SEMANA: Quarta-feira ou sábado.
COR: Amarelo ouro.
PONTOS DE FORÇA: Ventos, raios e tempestades.
FERRAMENTA: Espada de Iansã, Eruexim (cabo de ferro ou cobre com um rabo de cavalo).
SÍMBOLO: Raio.
SAUDAÇÃO: Êparrey (“Salve o raio, Iansã”).
COMIDA: Acarajé, ipetê, bobó de inhame.
ERVAS: Bambu amarelo, espada de Iansã, cana do brejo, folha da canela.
FLORES: Amarelas ou corais.
LOCAL DAS OFERENDAS: Pedreiras, locais de pedras em beira dos rios, cachoeiras ou mar, bambuzal.
ESSÊNCIAS: Patchouli.
PEDRAS: Coral, cornalina, rubi, granada.
METAL: Cobre.
BEBIDA: Champanhe.

Palestrante: Pai Cesinha de Ogum


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