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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - UFES

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS - CCHN


DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO, POLÍTICA E SOCIEDADE - DEPS
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA - DEPGEO
TÓPICOS ESPECIAIS DE ENSINO III

CAROLYNI CARQUENO SILVA SANTOS


JUAN MANUEL GATICA
LUCAS PINETTI RAMLO
NATALIA PETRI DA SILVA
RAYCE RARIANI SANTOS BOTELHO

O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA: PRÁTICAS,


PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

VITÓRIA
2018
CAROLYNI CARQUENO SILVA SANTOS
JUAN MANUEL GATICA
LUCAS PINETTI RAMLO
NATALIA PETRI DA SILVA
RAYCE RARIANI SANTOS BOTELHO

O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA: PRÁTICAS,


PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao


Centro de Ciências Humanas e Naturais – CCHN.
Departamento de Educação, Política e Sociedade
- DEPS da Universidade Federal do Espírito Santo
- UFES, como requisito parcial para obtenção do
Grau em Licenciatura em Geografia.
Orientador: Prof. Me. Eder Lira.

VITÓRIA
2018
CAROLYNI CARQUENO SILVA SANTOS
JUAN MANUEL GATICA
LUCAS PINETTI RAMLO
NATALIA PETRI DA SILVA
RAYCE RARIANI SANTOS BOTELHO

O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA: PRÁTICAS,


PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro de Ciências Humanas e


Naturais – CCHN, Departamento de Educação, Política e Sociedade - DEPS da
Universidade Federal do Espírito Santo - UFES, como requisito parcial para
obtenção do Grau em Licenciatura em Geografia.

Aprovada em ........ de ........................ de 2018.

COMISSÃO EXAMINADORA

______________________________________
Prof. Me. Eder Lira
(Orientador)

______________________________________
Prof. Me. Wagner Scopel Falcão
Instituto Federal do Espírito Santo

______________________________________
Samira de Souza Sanches
Professora de Geografia
DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho aos nossos familiares e amigos, que acreditaram em nós,
contribuíram com palavras de motivação, foram compreensivos com os momentos
de ausência e a todos que de forma direta ou indireta contribuíram para que
conseguíssemos atingir nosso objetivo.
AGRADECIMENTOS

Eterno agradecimento às nossas famílias por todo o apoio que recebemos e por
enfrentarem conosco tantas dificuldades. Obrigado (a) pelos conselhos, palavras de
apoio, puxões de orelha. Esse TCC também é de vocês.

Aos nossos amigos, pela contribuição valiosa durante a jornada universitária. Só


temos a agradecer pelos momentos inesquecíveis de risadas, de tensões e por tudo
o que aprendemos juntos.

Somos gratos aos professores que acompanharam nossa trajetória acadêmica de


perto e deram muito apoio em sala de aula. Obrigado (a) pela incansável dedicação e
confiança. Somos gratos, principalmente ao mestre Eder Lira pela orientação que
muito contribuiu para com a realização dessa pesquisa.

À Universidade Federal do Espírito Santo pela oportunidade de fazer o curso de


Licenciatura em Geografia. Agradecemos por nos oferecer professores incríveis, um
ambiente de estudo saudável e muitos estímulos para participar de atividades
acadêmicas. Obrigado (a), inclusive, aos demais colaboradores da instituição.
RESUMO

A prática do Estágio Supervisionado é um fundamental processo de ensino-


aprendizagem na formação de futuros educadores e faz parte da realidade do cotidiano
de muitas escolas preceptoras e das universidades que oferecem licenciatura em seus
cursos de graduação. Este estudo objetivou caracterizar a prática do Estágio
Supervisionado na formação docente dos alunos de graduação de licenciatura em
Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo e explanar as percepções e os
desafios encontrados nessa prática. A proposta também foi analisar quais são as
possibilidades de melhoria da prática do estágio a partir da identificação do seu
panorama atual. Quanto à sua metodologia, a pesquisa delineou-se em levantamento
bibliográfico, pesquisa documental, entrevistas aplicadas aos mais diversos grupos
relacionados à prática do estágio e também questionários, destinados à alunos do
ensino fundamental e médio. Diante disto, observou-se a grande importância de
aspectos característicos que só o estágio proporciona para a formação docente do
futuro profissional da educação, assim como muitas adversidades que permeiam a sua
prática, constatando a necessidade de alterações e criação de meios alternativos para
seu desenvolvimento, visando o completo aproveitamento e aperfeiçoamento da
disciplina.

Palavras-chave: Estágio Supervisionado. Formação docente. Licenciatura. Educação.


Geografia.
ABSTRACT

The practice of Supervised Internship is a fundamental teaching-learning process in


the training of future educators and is part of the daily reality of many preceptor schools
and universities that offer a degree in their undergraduate courses. This study aimed
to characterize the practice of Supervised Internship in the teaching training of
undergraduate students in Geography of the Federal University of Espírito Santo and
to explain the perceptions and challenges encountered in this practice. The proposal
was also to analyze what are the possibilities of improving the practice of the stage
from the identification of its current panorama. As for its methodology, the research
was outlined in a bibliographical survey, documentary research, interviews applied to
the most diverse groups related to the practice of the internship and also
questionnaires, intended for primary and secondary school students. In view of this, it
was observed the great importance of characteristic aspects that only the stage
provides for the teacher training of the future professional of education, as well as many
adversities that permeate its practice, noting the need for changes and creation of
alternative means for its development, aiming at the full use and improvement of the
discipline.

Keywords: Supervised Internship. Teacher training. Graduation. Education.


Geography.
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Você acha que há alguma mudança no comportamento da turma quando


há uma pessoa diferente na sala de aula?................................................................30

Gráfico 2 - E seu comportamento, muda?................................................................30

Gráfico 3 – E o comportamento do professor,


muda?........................................................................................................................30

Gráfico 4 – Qual a qualidade do aproveitamento da aula quando ministrada pelo


professor efetivo?.......................................................................................................31

Gráfico 5 – Qual a qualidade do aproveitamento da aula quando ministrada por um


estagiária?..................................................................................................................31

Gráfico 6 – O estagiário demonstra dominar o conteúdo aplicado em sala de


aula?...........................................................................................................................31

Gráfico 7 – Qual a relação da turma com o estagiário?............................................32

Gráfico 8 – Qual a relação do estagiário com a turma?............................................32

Gráfico 9 – O estagiário costuma trabalhar atividades diferentes do comum


elaboradas pelo professor?........................................................................................33

Gráfico 10 – Qual a qualidade dessas atividades?...................................................33


SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO....................................................................................................9
2 APARATO HISTÓRICO E JUÍZO SOBRE O ESTÁGIO
SUPERVISIONADO...................................................................................................13
2.1 SABERES TEÓRICOS PARA A PRÁTICA DO
ESTÁGIO....................................................................................................................16
2.2 A METODOLOGIA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE GEOGRAFIA NA
UFES..........................................................................................................................19
3 PERCEPÇÕES SOBRE A PRÁTICA DO ESTÁGIO
SUPERVISIONADO...................................................................................................21
3.1. As expectativas...................................................................................................21
3.2. Na prática............................................................................................................23
3.3 O que os alunos dizem.........................................................................................30
4. REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DO ESTÁGIO
SUPERVISIONADO...................................................................................................34
5. CONSIDERAÇÕES................................................................................................36
BIBLIOGRAFIA..........................................................................................................38
APÊNDICES...............................................................................................................40
9

1 APRESENTAÇÃO

O estágio supervisionado é uma realidade na formação de docentes nos cursos de


licenciatura de Geografia e é um fundamental processo de aprendizagem para um
profissional que deseja estar preparado para enfrentar desafios em sua carreira. Esta
ferramenta é composta de observação e prática em sala de aula, proporcionando ao
aluno-docente entrar em contato com a realidade sociocultural da população e
instituição. O estágio visa a proporção da aliança entre teorias aprendidas na
academia e a prática na sala de aula, permitindo uma visão mais realista do cotidiano
da profissão.

Para Tardif (2002), o estágio é uma das etapas mais importantes na vida acadêmica
dos alunos de licenciatura. Ao cumprir as exigências da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDBEN), a partir do ano de 2006, se constitui numa proposta de
estágio supervisionado com o objetivo de oportunizar ao aluno a observação, a
pesquisa, o planejamento, a execução e a avaliação de diferentes atividades
pedagógicas.

Souza e Bonela (2007) afirmam que o estagiário em contato com a escola, coloca em
prática a observação e a identificação de problemas, construindo seu conhecimento
através de práticas reflexivas, proporcionando ainda a troca de experiências com
professores mais experientes. Assim, o estágio é um ponto de partida para o início da
formação docente, já que é por meio dele que vamos solucionar problemas, criar
novas estratégias de aprendizado e identificar inúmeras formas de ensinar e ao
mesmo tempo aprender.

Como Freire (1996) aponta, ensinar inexiste sem aprender e vice e versa e foi
aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era
possível ensinar. Foi assim, socialmente aprendendo, que ao longo dos tempos
mulheres e homens perceberam que era possível - depois, preciso - trabalhar maneiras,
caminhos, métodos de ensinar. Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar
possibilidades para a sua própria produção ou construção.
10

Diante do exposto, este trabalho apresenta como problema de pesquisa: Como se


caracteriza a prática do Estágio Supervisionado na formação docente em Geografia na
Universidade Federal do Espírito Santo e quais são as percepções e os desafios
encontrados nessa prática. E como objetivo geral, a pesquisa se propôs analisar quais
são as possibilidades de melhoria da prática do estágio a partir da identificação do seu
panorama atual.

A fim de atingir esse objetivo, foram propostos os seguintes objetivos específicos:


apresentar um breve histórico e aparato geral sobre o juízo do Estágio Supervisionado;
caracterizar sua importância para a formação do docente em Geografia; identificar os
saberes e conhecimentos teóricos que antecedem e ajudam no preparatório para a
prática do Estágio e verificar a eficácia da disciplina de Estágio sob a perspectiva do
aluno de Geografia.

Quanto ao procedimento metodológico, a pesquisa se configura em uma abordagem


quali-quantitativa, onde foram aplicadas 21 entrevistas aos seguintes depoentes: três
alunos de graduação que ainda não realizaram a disciplina de Estágio Supervisionado;
oito alunos que, durante o período desta pesquisa, estavam cursando a disciplina de
Estágio ou que já realizaram a mesma; três professores receptores do estágio; quatro
professores que realizaram a disciplina e estão atuando no mercado de trabalho e três
professores que ministram a disciplina de Estágio Supervisionado. Os nomes dos
depoentes foram apresentados, autorizados por cartas-cessão e estão anexadas ao
final deste trabalho. Além disso, foram aplicados questionários semiabertos aos alunos
dos 8º e 9º anos do ensino fundamental e 1º e 3º anos do ensino médio da educação
regular.

Em relação aos objetivos, a pesquisa caracteriza-se por ser descritiva e explicativa,


onde, de acordo com Medeiros (2002), após a coleta e o registro dos fatos, há análise
e interpretação dos mesmos, identificando suas causas. Para que o estudo fosse
possível, houve um levantamento bibliográfico acerca dos conceitos gerais e
importância do Estágio Supervisionado utilizando-se dos principais autores: Tardif
(2002), Bissoli (2002), Pimenta (1996) e Scalabrin e Molinari (2013). Além disso,
11

também foi realizada pesquisa documental, utilizando-se como fonte as seguintes leis:
Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977 e Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008,
cedidos pelo site oficial do Congresso Nacional.

Com relação ao local de coleta, a pesquisa foi pensada na abordagem do Estágio


Supervisionado do curso de graduação em Geografia da Universidade Federal do
Espírito Santo. Por isso, as entrevistas coletadas foram majoritariamente aplicadas
dentro da universidade, salvo algumas exceções. Entretanto, sempre com seus
depoentes relacionados à instituição. Os questionários aplicados aos alunos do ensino
fundamental e médio foram realizados nas escolas EMEF “Aureníria Correa Pimentel”,
EMEF “Irmã Feliciana Garcia”, e EEEFM “Almirante Barroso”, localizadas nos bairros
de Novo Horizonte – Serra, Ilha dos Ayres - Vila Velha e Goiabeiras - Vitória,
respectivamente.

Para a análise das informações, os dados foram transcritos e categorizados,


proporcionando uma visão qualitativa e quantitativa dos resultados. Na fase final da
interpretação, foi feito um balanço do discurso dos entrevistados para que houvesse
um diálogo entre o diagnóstico observado e as possibilidades que permeiam as
mudanças diante do quadro exposto.

Este trabalho de conclusão de curso está dividido da seguinte forma: o segundo


capítulo aborda conceitos gerais do Estágio, bem como um breve histórico e um aparato
geral sobre seus juízos, apontando suas principais características. Foram abordados
também os conhecimentos e saberes teóricos que precedem a prática do estágio, que
permite ao aluno o contato com pedagogias e didáticas que visam seu melhor resultado
na sua aplicação dentro da sala de aula. Neste capítulo também apresentamos a forma
como o estágio é trabalhado no curso de Geografia da Universidade Federal do Espírito
Santo.

O terceiro capítulo traz a exposição das expectativas e realidades acerca da prática do


Estágio Supervisionado de acordo com as percepções dos entrevistados desta
pesquisa, bem como o diálogo entre as suas mais diversas adversidades encontradas,
sob a ótica dos diferentes grupos de depoentes. Além disso, também expõe os
resultados quantitativos dos questionários aplicados aos alunos das escolas regulares.
12

O capítulo quatro apresenta os principais problemas identificados na prática do Estágio


Supervisionado de acordo com as reflexões realizadas. Inclusive as sugestões
possíveis para a melhoria e o aperfeiçoamento dessa prática para todos os envolvidos
no processo de ensino-aprendizagem.
13

2 APARATO HISTÓRICO E JUÍZO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO

É significativo obter um resgate histórico e legal que nos guie no entendimento do


Estágio Supervisionado. Haja vista o objetivo de compreender melhor tal conjuntura,
inserido na organização do ensino superior e consenti-lo como um apetrecho útil para
formação dos estudantes de nível superior.

Bianchi et al (2003, p.07) definem que estágio é o período de estudos práticos,


exigidos dos candidatos ao exercício de certas profissões liberais. É também um
período probatório durante o qual uma pessoa exerce uma atividade temporária em
uma empresa.

Já para Bissoli:
“O Estágio é um procedimento didático-pedagógico cuja atividade é de
competência da instituição de ensino, a quem cabe a decisão sobre o
conteúdo teórico, e de pessoas jurídicas de direito público ou privado, cujo
papel está restrito à oferta de vagas, contribuindo no processo educativo no
que se refere ao aprendizado prático (2002, p. 15)”.

O Centro de Integração Empresa Escola apresenta o estágio como

“Atividade de aprendizagem profissional, social e cultural oferecidas ao


estudante pela participação em situações reais de trabalho proporcionadas
por pessoa jurídica de direito privado, órgãos de administração pública e
instituições de ensino, sempre sob a responsabilidade e coordenação da
instituição de ensino que pertence, para o desenvolvimento de atividades
relacionadas à sua área de formação profissional (CIEE (1997, p. 15) ”

O primeiro encontro com a intenção de pensar e discutir sobre a legislação que se


modificaria, se tornando obrigatório o estágio de alunos em seus respectivos campos
de estudo, ocorrera em junho de 1972 no Encontro Nacional de Professores de
Didática na Universidade de Brasília. Naquela época, o professor e coordenador do
evento Valmir Chagas e o Ministro Jarbas Passarinho acreditavam que seria de
grande relevância que os estudantes tivessem a oportunidade de serem inseridos no
mercado de trabalho ainda frequentando a universidade, para que pudessem ter o
14

contato direto com a profissão e pudessem desenvolver suas próprias percepções das
futuras áreas de atuação.

Deste modo, a oficialização para que o Estágio supervisionado pudesse começar a


compor o currículo obrigatório deu-se pela Portaria no. 1002 do dia 29 de setembro
de 1972 do Departamento Nacional de Mão de Obra do Ministério do Trabalho.
Entretanto, a disciplina só passou a ser regularizada por uma legislatura federal em
1977, por meio da Lei no. 6494 que “dispõe sobre os estágios de estudantes de
estabelecimentos de ensino superior e de ensino profissional de 2º. Grau e Supletivo”.
Assim, define em seu art. 1º, inciso 2º:

“[...] os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da


aprendizagem a serem planejados, executados, acompanhados e avaliados
em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares, a
fim de se constituírem em instrumentos de integração, em termos de
treinamento prático, de aperfeiçoamento técnico cultural, científico e de
relacionamento humano(Lei nº 6.494, artigo 1º). ”

Em seguida, o Decreto nº 87.497, de 18 de agosto de 1982, regulamenta a Lei nº


6.494 por meio da seguinte complementação que pode ser vista no artigo 2º:

“Considera-se estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades


de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionada ao estudante
pela participação em situações reais da vida e trabalho de seu meio, sendo
realizada na comunidade em geral ou junto à pessoas jurídicas de direito
público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de
ensino(Lei nº 6.494, artigo 2º).”

O artigo 3.º também estabelece:

“O estágio curricular, como procedimento didático-pedagógico, é atividade de


competência da instituição a quem cabe a decisão sobre a matéria, e dele
participam pessoas jurídicas de direito público e privado, oferecendo
oportunidade e campos de estágio, outras formas de ajuda, e colaborando no
processo educativo (Lei nº 6.494, artigo 3º).”
15

É necessário compreender, conforme o supracitado, que o desenvolvimento


acadêmico vai muito além de aprovar e certificar o aluno teoricamente. Introduzir o
campo profissional, social e cultural é elementar, tendo a essência de estar apto a
exercer na prática.

“Os sistemas de ensino estabelecerão as normas para realização dos estágios dos
alunos regularmente matriculados no ensino médio ou superior em sua jurisdição”.
Haja vista a Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996) art. 82.

As Diretrizes curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação (2002, p.10) dizem que
o estágio supervisionado “deve ser concedido como conteúdo curricular
implementador do perfil do formando. Consiste numa atividade obrigatória, mas
diversificada, tendo em vista a consolidação prévia dos desempenhos profissionais
desejados, segundo as peculiaridades de cada curso de graduação”.

O Estágio tem o dever de apresentar índole investigativa, auxiliando de inspiração


para a pesquisa. Assim, Gisi et al dialogam:

“As possibilidades de o estágio constituir-se em uma estratégia que favoreça


a aquisição de aptidões, competências e habilidades definidas para o curso,
pressupõe considerá-lo como parte integrante e essencial do processo de
formação devendo ser planejado de modo a propiciar experiências de
aprendizagem dinâmicas, criativas e que possibilitem reflexão sobre a
atuação profissional e a sua intencionalidade (2000, p.05).”

Para Scalabrin e Molinari (2013) o estágio supervisionado exigido nos cursos de


licenciatura é importante porque ali, o futuro docente compreende que os professores
e alunos devem estar num mesmo mundo, falar a mesma linguagem. Além disso,
utilizar como ponto de partida o meio em que o aluno se encontra inserido. Assim,
consegue fazer uma analogia, pois é conhecedor de sua realidade e a partir de ali
aprofundar os conhecimentos.
16

2.1 SABERES TEÓRICOS PARA A PRÁTICA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO

O saber docente não é formado apenas da prática, sendo também alimentado pelas
teorias da educação. A teoria mantém a prática ao nosso alcance de maneira a mediar
e compreender de forma crítica o tipo de prática necessária em certo ambiente, em
um momento particular.

Na Pedagogia do Oprimido, Freire afirma que “os homens são seres do quefazer é
exatamente porque seu fazer é ação e reflexão. É práxis. É transformação do mundo”
(FREIRE, 1987, p. 121). O ser humano, portanto, é um ser das práxis. Sendo assim,
a educação se desenvolve na relação reflexão-ação, tendo em vista que o educador
se constrói ao longo de seu processo de formação que, por sua vez, se dá de forma
continuada.

O exercício da docência, enquanto ação transformadora que se renova tanto na teoria


quanto na prática, requer necessariamente o desenvolvimento dessa consciência
crítica. Neste sentido, podemos dizer que o exercício da ação docente requer preparo,
reforçando que a teoria é fundamental.

Pimenta e Lima (2004) Estágio como um eixo de todas as disciplinas do curso, e não
apenas daquelas erroneamente denominadas práticas. Todas as disciplinas,
conforme nosso entendimento, são ao mesmo tempo teóricas e práticas. Num curso
de formação de professores, todas as disciplinas, as de fundamentos e as didáticas,
devem contribuir para a sua finalidade que é a de formar professores, a partir da
análise, da crítica e da proposição de novas maneiras de fazer educação. Nesse
sentido, todas as disciplinas necessitam oferecer conhecimentos e métodos para esse
processo.

Durante toda a sua graduação, o licenciando de Geografia entra em contato com


diversos saberes teóricos fundamentais para o desenvolvimento de sua identidade
docente, vistos e trabalhados em disciplinas pedagógicas ao longo do curso, a fim de
tornar o futuro profissional, um professor reflexivo ou professor pesquisador de sua
prática.
17

De acordo com o currículo referente ao curso de licenciatura de Geografia da


Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), é no 3º período que o graduando
entra no universo pedagógico. A disciplina obrigatória responsável pelo primeiro
contato com a formação docente é Tópicos especiais de ensino I.

Nela são abordados pressupostos teórico-metodológicos do ensino de Geografia.


Pesquisa como ação docente visando a elaboração do pensamento geográfico dos
alunos e dos professores na educação básica.

Já em Tópicos especiais de ensino II, no 4º período, são trabalhados procedimentos


didáticos no ensino de Geografia e no cotidiano escolar. Criação, elaboração, seleção,
avaliação e uso de recursos didáticos no ensino de Geografia. Além da pesquisa como
possibilidade de criação de procedimentos técnicos e de recursos didáticos para o
ensino de Geografia.

Ademais, a disciplina de Psicologia da educação se relaciona com a dinâmica


psicossocial da educação: sistema educacional brasileiro, práticas educacionais e
cotidiano escolar. Concepções de aprendizagem e processos educacionais.

No 5º período, a disciplina de Didática B VI trabalha pressupostos, características e


diferentes concepções de Didática. O processo e as formas de ensino: planejamento
da organização, da avaliação, e de formas de interação com a escola. A elaboração
de objetivos, a seleção e a natureza dos conteúdos, e a adequação da metodologia.

Ainda neste período, Política e Organização da Educação Básica engloba a função


social da educação e definição da política educacional. Estado e planejamento
educacional: centralização/descentralização, público/privado e quantidade/qualidade.
Organização, financiamento, gestão e avaliação da Educação Básica. Política de
formação de professores no Brasil e Política educacional no Espírito Santo.

A partir disso, ao nos apropriarmos de fundamentação teórica, nos beneficiamos de


variados pontos de vista para uma tomada de decisão dentro de uma ação
18

contextualizada e assim, adquirimos perspectivas de julgamento para compreender


as diversas circunstâncias do cotidiano.

Simultaneamente o professor deve saber que para ensinar, deve aprender o que
ensinar, como ensinar e para que ensinar. É claro que este trabalho não se esgota ao
final da formação acadêmica, porém contribui de forma específica enquanto formação
teórica. Assim sendo, as probabilidades de reflexão e crítica sobre as práticas
docentes surgem com maior coerência.

É importante lembrar que o bom professor não se constitui apenas de teoria, embora
ela tenha sua importância. O educador se forma na conjuntura da relação entre teoria
e prática, pois é a partir da reflexão e da ação que o professor se identifica enquanto
indivíduo em absoluto estado de mudança.

Apesar da formação oferecida em sala de aula para a compreensão do processo de


ensino-aprendizagem ser essencial, só ela não é suficiente no preparo dos
graduandos para o pleno exercício de sua profissão. Faz-se necessário a inserção na
realidade do cotidiano escolar com a prática pedagógica.

Para preencher essa lacuna, existe o estágio supervisionado curricular, responsável


por propiciar o contato direto de futuros professores com sua profissão. Segundo
Borges e Santos (2017, p. 362), uma das identificações do estágio supervisionado é
“como momento de superação da separação entre teoria e prática, entendendo-o
como pesquisa e a pesquisa como estágio”.
19

2.3 A METODOLOGIA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE GEOGRAFIA NA


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

As metodologias e abordagens do Estágio Supervisionado podem se modificar de


acordo com a variedade de licenciaturas da UFES e de outras universidades. No
contexto da Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo, esta disciplina se
fragmenta em duas etapas:

Estágio supervisionado I, ofertado no 6º período da grade regular e Estágio


supervisionado II, no 8º período. Utilizando-se de diferentes metodologias, as duas
disciplinas apresentam-se de forma complementar, visando no primeiro momento a
reflexão da prática e no segundo momento, a reflexão e a prática.

Segundo a ementa da licenciatura (ano/versão 2006), os objetivos do Estágio


Supervisionado I, devem:
a) propiciar embasamento teórico-metodológico necessário ao ensino da Geografia
no ensino da Educação Básica; b) potencializar a pesquisa e a reflexão sobre/na/com
prática docente; c) vivenciar situações de regência de ensino e de desenvolvimento
de projetos pedagógicos.

Concomitantemente, a metodologia deve contemplar atividades de observação,


análise, pesquisa, registro e avaliação na prática docente. Os processos didático-
pedagógicos na formação e na prática do professor de Geografia no cotidiano escolar
na Educação Básica.

Já o Estágio Supervisionado II, abarca os seguintes objetivos de acordo com a


ementa:

a) conhecer princípios teórico-metodológicos da aprendizagem da Geografia na


Educação Básica; b) refletir sobre a pesquisa e o ensino na e com a prática docente
nos cotidianos escolares; c) vivenciar situações de regência de ensino e de realização
de projetos pedagógicos; d) discutir a formação e a postura profissional do professor
de Geografia.
20

Na metodologia da disciplina, a pesquisa pedagógica como estratégia para o ensino


de Geografia deve abarcar: metodologias de observação, análise, pesquisa, registro
e avaliação na vivência pedagógica; Projetos de pesquisa em escola e ambientes de
vivência do aluno; A elaboração do pensamento geográfico no ensino médio; A
relação saber geográfico e o trabalho profissional; Os conteúdos, os recursos e as
técnicas para o ensino de Geografia no ensino médio: seleção, planejamento,
adequação, elaboração, registro e avaliação.
21

3 PERCEPÇÕES SOBRE PRÁTICA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Durante os meses de setembro e outubro de 2018, foram realizadas 21 entrevistas


com grupos de diferentes abordagens e percepções sobre o estágio supervisionado,
de acordo com suas próprias vivências. Para auxiliar na compreensão dessas
múltiplas visões, setorizamos essas experiências em seis categorias. Sendo elas:
alunos da graduação de Geografia que ainda não realizaram a disciplina de estágio;
alunos que estão fazendo estágio; alunos que já realizaram a disciplina; alunos que
concluíram a graduação e estão exercendo a docência; professores receptores do
estágio e professores supervisores da disciplina de estágio supervisionado.

Além disso, foram aplicados 114 questionários aos alunos de 8º e 9º anos do ensino
fundamental e 1º e 3º anos do ensino médio da educação regular. Os estudantes que
recebem estagiários são de três diferentes escolas públicas, que abrangem os
municípios de Vitória, Serra e Vila Velha, no estado do Espírito Santo.

3.1. As expectativas

Acerca do que se espera em relação à disciplina, escutamos diferentes relatos de


pessoas que ainda não fizeram o Estágio Supervisionado. Pudemos observar que há
em comum nas expectativas inserir-se na realidade escolar e capacitar-se para o
exercício docente.

Ao serem perguntados sobre o que se espera da disciplina essas foram as principais


constatações:

Para Andressa, estudante do 2º período de licenciatura: “Espero que o Estágio


Supervisionado vá me preparar mais na prática, de estar lá na frente na posição de
professor”.
22

De acordo com Natalia, estudante de graduação e que ainda também não realizou o
estágio, “é necessário a gente ter essa experiência de dar aula antes da nossa
formação, antes da gente concluir a faculdade”.

Para Pimenta (1997), o estágio supervisionado torna-se substancial no processo de


formação docente, pois oferece condições aos futuros educadores, em específico aos
estudantes da graduação, uma relação próxima com o ambiente que envolve o
cotidiano de um professor e, a partir desta experiência os acadêmicos começarão a
se compreenderem como futuros professores, pela primeira vez encarando o desafio
de conviver, falar e ouvir, com linguagens e saberes distintos do seu meio, mais
acessível à criança.

Por outro lado, ainda existe a ideia de que os Estágios Supervisionados I e II são
apenas o início de uma longa construção. O graduando, ao encerrá-los, não está
completamente apto para atuar em sala de aula.

Leandro acredita que

“O término do Estágio não é suficiente para o aluno estar preparado para o


mercado de trabalho, mas é superimportante para essa caminhada. É um dos
alicerces. ” (Leandro Baldon, 26 anos)

Natalia reforça:

“Não acho que o graduando termina a disciplina pronto para trabalhar, pelo
contrário, acho ruim a gente só ter dois Estágios Supervisionados. Por
exemplo, o curso de Artes tem 4: educação infantil, ensino fundamental,
ensino médio e ensino não formal. Acho isso fantástico. Eu acho que eles
também não saem prontos para trabalhar com a docência, mas eles saem
mais preparados que a gente.” (Natalia Couto, 22 anos)

Podemos perceber que apesar de ainda não terem realizado o estágio, os alunos já
conseguem assimilar os efeitos da disciplina. Ainda que seja trabalhada de maneira
dinâmica e que abarque as mais diversas realidades, ela não conseguirá proporcionar
ao graduando todas as situações inerentes ao cotidiano escolar. Caberá ao
licenciando, preocupar-se com sua formação continuada que, será de suma
importância para a composição de sua identidade docente.
23

3.2. Na prática...

Uma questão imprescindível para o exercício de um Estágio proficiente é o critério de


escolha de onde se realizará o laboratório. Entre todos os professores que ministram
a disciplina, a seleção de escolas públicas é indispensável. Por lei, nenhuma escola
poderá se recusar a aceitar um estagiário, no entanto, os professores regentes
preferem que seja da vontade do docente receptor recebê-los, pois assim, a
probabilidade de o trabalho ser realizado com máxima qualidade é ampla.

“No meu caso a preocupação, o critério número um é o professor ou


professora de Geografia que atua na escola. São professores e professoras
abertos a reavaliar suas práticas? [...] O decreto que regula a portaria do
MEC, diz que a escola é obrigada a receber estagiários. Por ela ser obrigada,
então: se a Carolina trabalha na escola A eu posso ligar para ela e trazer os
Estagiários para atuarem aqui, mas é claro que nós não vamos fazer isso! É
fundamental que o professor ou professora de Geografia deseje e aceite
receber os estagiários”. (José Américo Cararo, Professor regente da
disciplina de Estágio Supervisionado).

Ademais, há a preocupação com o deslocamento feito pelo estagiário até chegar à


escola. As escolhas, em muitos casos, podem ser feitas considerando as possíveis
dificuldades de locomoção. Dessa forma, geralmente, o Estágio é realizado em
escolas localizadas próximo à Universidade Federal do Espírito Santo.

“O fato de escolher escolas próximas à UFES é porque como eles têm que
vir para a UFES, então fica mais fácil eles se deslocarem em um percurso
menor, né. Eu não vou tirar tanto eles da rota...” (Vilmar Borges, Professor
regente da disciplina de Estágio Supervisionado).

Em algumas situações, devido aos impedimentos de acesso à escola, o professor se


vê sem opções e pressionado pelo calendário acadêmico, assim, sua única alternativa
se torna adequar-se às possibilidades que lhe surgem.

“Às vezes o critério não sou eu que escolho, ele vem para mim. Por exemplo:
Quando acontece no turno noturno de não termos escolas para atender a
quantidade de alunos que nós temos na disciplina ou não termos um número
menor de escolas que dê pra gente poder acompanhar. Então se eu abrir
cada um para uma escola, como já aconteceu por conta que estão em greve,
essas coisas, eu não consigo. São cerca de 25, 32 alunos, eu vou em três
escolas? É inviável, sem condições (...) Então todas elas têm contextos
diversos, não têm um padrão. No Estágio II, por exemplo, a gente tem mais
24

possibilidade de trabalho, de organizar grupos em duas ou três escolas que


consigamos acompanhar. No estágio I quando é no noturno, isso fica muito
comprometido, semestre passado eu concentrei a turma em Jardim Camburi,
Bairro República e em Jardim da Penha para conseguir acompanhar”. (Soler
Gonzalez, Professor regente da disciplina de Estágio Supervisionado).

O Estágio Supervisionado possui potencialidades para auxiliar, para instrumentalizar,


trabalhando, assim, com a formação inicial do licenciando. Delega a ele, a
responsabilidade de dar continuidade a sua formação docente. Formação esta que
ocorrerá num processo gradual, ao longo de sua carreira como educador. O
embasamento teórico-metodológico proporcionado pela disciplina sugere o caminho
a ser seguido, todavia, é o professor que constrói sua estrutura, sua identidade
docente.
“Na educação a gente nunca pode falar que estamos prontos. Nós temos que
estar constantemente buscando conhecimento, buscando saber e buscando
aprimorar as nossas metodologias, aprimorar nosso modo de ação (...) a área
de ciências humanas não forma definitivamente o profissional. É no exercício
da prática, exercendo essa atividade de reflexão que nós vamos nos fazendo
professores”. (Vilmar Borges, professor da disciplina de Estágio
Supervisionado).

É preciso fortalecer a formação dos professores para que tenhamos o


desenvolvimento cada vez mais completo de profissionais capacitados e cientes de
suas responsabilidades como agente impulsionador do saber. Além disso, deve-se
valorizar o aprimoramento de técnicas e produção de metodologias inclusivas, afinal,
durante o exercício da profissão, o futuro docente deve estar inteirado das
diversidades e diferenças até mesmo cognitivas que há em sala de aula.

“Não existe só a questão de você lidar com a Geografia, mas também existe
a questão de você lidar com outros temas. Crianças com necessidades
especiais, crianças que você precisa fazer um acompanhamento, né. Então,
o Estágio Supervisionado é muito importante para dar uma amplitude no seu
olhar e te permitir ver a escola com um pouco mais de clareza. ” (Patrícia
Coelho, professora receptora).

Existem inúmeras maneiras de ensinar, assim como, existem inúmeras maneiras de


aprender. Portanto, cabe ao profissional da educação, inclusive aos que estão em
formação, respeitar o direito à educação possuído por todos e buscar desenvolver
métodos que atendam apropriadamente às diferenças.
25

A oportunidade de vivenciar variadas experiências possibilita ao graduando refletir


acerca dos contextos e realidades que ele poderá, um dia, estar inserido devido a sua
profissão. Em Estágio Supervisionado para o curso de Geografia-UFES, há uma
disparidade no processo de desenvolvimento da disciplina entre os turnos matutinos
e noturnos.

Apesar de a metodologia ser a mesma, tanto para um turno quanto para o outro,
ocorrem adversidades, durante a realização do Estágio que geram contrastes entre o
turno da manhã e o da noite. Os condicionantes restritivos são muito menores para o
turno matutino, o processo de escolha das escolas pode se dar ao luxo de ser mais
criterioso, enquanto devido a questões de segurança e ao rol de possibilidades de
escolas à noite onde se poderá estagiar, é muito mais estreito.

“As diferenças são atribuições decorrentes das diferenças de campos, onde


a gente vai desenvolver. Quando você vai para uma escola pública de turno
noturno você vê que a realidade é totalmente diferente. Geralmente,
estagiários com uma idade mais avançada, alunos que trabalham durante o
dia, portanto, chegam na escola mais cansados. Geralmente a gente vê que
as pessoas estão mais defasadas em termos de conteúdo (...) Então, é nesse
sentido que pode ser que tenha diferença, agora na forma de como conduzir
o estágio supervisionado, eu penso que no curso de geografia, a proposta é
a mesma. ” (Vilmar Borges, professor da disciplina de Estágio
Supervisionado).

Os professores receptores, em suas entrevistas, reafirmam a relevância que o Estágio


possui, promovendo a inserção de futuros educadores em seu campo de atuação.
Ainda destacam como é aprazível ter a presença de alguém que almeja praticar a
docência.

Para eles foram abordadas questões que envolvem suas relações com os estagiários,
bem como a maneira que essa relação contribui para a evolução de ambas as partes.

“Eu entendo e compreendo o conhecimento numa questão dialógica, então


quem ensina também aprende. A aula com estagiário é um momento de
compartilhamento de conhecimento e não o professor que é o dono do saber
ou o estagiário que é um mero que aprendiz. (Carlos Alberto Nascimento,
professor receptor).
26

O professor que recebe um estagiário, pratica a manutenção de sua formação,


ponderando acerca de novas e possíveis práticas. Enquanto o estudante assimila
conhecimentos a partir das experiências de seu receptor.

“Para o professor de Geografia, expressivamente, há uma modificação nos


conteúdos praticamente diária. Então, muita coisa que ontem era, hoje já não
é mais. É necessário que haja essa atualização. Então, acredito que o
profissional que recebe o estagiário, ele está contribuindo com a formação do
estagiário, mas ao mesmo tempo está contribuindo com a formação dele. ”
(Patrícia Coelho, professora receptora).

A dificuldade inicial do estagiário na escola está relacionada à sua adaptação neste


ambiente que integra corpo docente, discente e pedagógico. Para os entrevistados,
esses obstáculos abarcam desde a invisibilidade até a hostilidade. Em consequência
disso, os estagiários, em muitos casos ficam privados de se inserir e se sentir parte
do contexto escolar, além de não possuírem um local adequado para planejar suas
aulas. Para elucidar:

“[...] muitos professores nem sabem o que estamos fazendo, quem somos e
também não temos onde ficar. O grupo de estagiários da escola (a gente) não
fica nem na sala dos professores porque não se sentem bem-vindos e nem
na sala de planejamento. Lá recebemos olhares e perguntas e por conta disso
os estagiários ficam em uma área externa. A gente se sente mal recebido,
deslocado. ” (Camila Nunes, estagiária, 21 anos)

Dessa forma, fica evidente que é importante que todo o corpo integrante da escola
enxergue o estagiário como parte daquele espaço, que tem dificuldades, receios e
assim, necessita ser acolhido e sentir-se pertencente ao contexto escolar. Essa
relação harmônica possibilita que o graduando aproveite de forma mais completa toda
a experiência adquirida em seu período de formação prática.

Após enfrentar a aceitação da escola, o estagiário esbarra na dificuldade de


desenvolver o planejamento das aulas. Seja pela busca da linguagem ou metodologia
que facilite aos alunos a compreensão dos conteúdos, seja por não possuir ciência de
como executá-lo sem orientação do professor regente. Acerca deste problema,
enuncia uma das entrevistadas:
27

“[...] Então, eu acho que o professor deveria sentar com os alunos, deveria
fazer um planejamento junto com os alunos, dividir, sabe? ‘Gente, ó... fulano
vai trabalhar com essa turma, ciclano vai trabalhar com essa turma... quais
são os conteúdos possíveis?’ Por que querendo ou não, não é só chegar na
escola e jogar os alunos lá e falar ‘Ah, se organizem aí em grupos, vocês
agora vão subir para essa, essa e essa turma’. Não é isso. Por que a gente
tá tendo um contato na graduação, mas é aquele momento que a gente vai
ter para começar a se organizar, começar a ter o contato com o conteúdo que
está sendo dado ali... Por que até então isso tudo é teoria na graduação.
Então eu acho que o que falta é a articulação do professor com os alunos, de
orientar...” (Ariany Pereira, ex-estagiária, 23 anos).

Entretanto, o estagiário muitas vezes pode não desempenhar sua função de modo
adequado.

“É importante, no estágio supervisionado, os estudantes se planejarem e


enviarem com antecedência o material para o professor poder analisar, o
professor regente, né? Só que tem alguns estagiários que não se organizam,
de maneira que não enviam para o professor antes, aí fica muito restrita à
sala de aula, né? ” (Nathan Fernandes, professor receptor, 27 anos)

Devido a contratempos como esses, o planejamento do conteúdo pode não ocorrer


da melhor forma. Os alunos podem estar expostos a conteúdos trabalhados de
maneiras mais complexas do que a turma está habituada ou até mesmo
equivocadas. Portanto, é fundamental um pleno comprometimento do estagiário
com o conteúdo, pois o professor regente ainda possui encargo sobre a qualidade
de aprendizagem dos estudantes a partir das aulas ministradas pelos estagiários.

“A aprendizagem dos meus estudantes, que estão sob minha orientação, vai
ser responsabilidade minha e do estagiário. Então, é uma dupla que vai estar
trabalhando”. (Patrícia Coelho, professora receptora)

Um planejamento conjunto com o professor da disciplina de Estágio e o professor


receptor, aproxima o estagiário dos temas que serão lecionados por eles. Contudo,
sem deixar esquecer que existem diversas maneiras de abordar determinado
conteúdo e sempre respeitar as múltiplas visões que os graduandos têm.

Para mais, o acompanhamento dos professores é essencial para explanar aos


estagiários outras questões burocráticas que permeiam o desenvolvimento da
28

prática educativa. Como o planejamento anual da disciplina, pautas, correções de


provas, atividades, entre outros.

“As questões mais burocráticas, algumas questões que são mais ‘profundas’
no âmbito escolar, a gente não tem. A gente poderia vivenciar não atuando,
mas tendo exemplos ou de forma supervisionada mesmo... supervisionar o
trabalho do professor... como que ele faz, como é que ele procede com
provas, com atividades [...] a questão da pauta mesmo, no caso do Estado, a
pauta é online, de você registrar... A gente podia ter um pouco mais de
contato com essas questões dentro da escola, mais extra sala, porque a
função do professor também vai além da sala de aula, né? Dentro da escola
ainda. E essas questões falharam um pouco. Faltou na experiência...”
(Jhoseph Coutinho, ex-estagiário, 25 anos).

Outro ponto relatado pelos entrevistados foi a falta de feedback entre estagiários
e professores. Ao longo da disciplina, não existe um diálogo para apontar as
percepções, tanto de aluno quanto de professor, e propor soluções para eventuais
falhas que estejam ocorrendo na prática do Estágio. Essa defasagem impede que
o estagiário reflita sobre seu trabalho e avance no aperfeiçoamento de suas
técnicas.

“Outra questão que eu ficava esperando muito, era o feedback. Eu esperava


que no Estágio II eu teria esse retorno. Pronto, fui lá, dei minha aula, mas o
que o (a) professor (a) pode me falar pra me melhorar ou que foi legal pra que
eu possa repetir, ou algo que não foi tão legal assim, que é pra eu evitar,
sabe? Um retorno... Eu acho que no Estágio II, como é uma experiência que
a gente tá começando de fato a dar aula, a gente sente muita insegurança
daquilo que a gente pode fazer ou não. Então eu acho que interessante seria
que a gente tivesse um momento de feedback do professor. Tanto do
professor regente, que tá assistindo a nossa aula, né? Que daria a aula pra
esses alunos, da maneira dele, nos falar ‘olha, isso foi legal, não, isso aqui
não é muito legal’, sabe? Um retorno ao final pra gente poder se nortear no
que a gente tá fazendo bem e no que a gente não tá fazendo tão legal assim.
Isso eu também estendo pro professor da disciplina, de sentar com a gente e
ter essa avaliação, esse retorno. Porque é importante... porque a gente acaba
dando a aula do nosso jeito e não sabendo o que que a gente pode fazer de
melhor. A gente vai ter a nossa nota na disciplina, mas e o processo enquanto
futuro professor? O processo que é o importante, que é estar lá, dando aula...
A forma como vou dar aula, no que eu posso melhorar... porque a tendência
é sempre melhorar. Então, eu sinto falta desse retorno. Me faz falta saber no
que eu posso aprimorar as minhas aulas. Então eu acho que isso deveria, de
alguma forma, ser incluído no Estágio II, enquanto disciplina aqui da
universidade. ” (Camila Nunes, estagiária, 21 anos)
29

A única metodologia que expõe o que foi executado é a produção de um portfólio


ao final do semestre, que deve conter todas as atividades realizadas, inclusive as
de colegas de turma, com o intuito de avaliar suas práticas. À vista disso, não é
possível aplicar, ainda durante o curso da disciplina, as mudanças que poderão
ocorrer na atuação do estagiário a partir do exercício reflexivo de suas práxis.

Todos esses contratempos encontrados durante a prática dos Estágios poderiam


ser convertidos se a disciplina fosse ofertada antes dos períodos finais. Dessa
maneira, haveria a oportunidade de os graduandos superarem os erros e
aprimorarem suas técnicas docentes até o final do curso.

Diniz-Pereira (2007) afirmam que na realidade brasileira os estágios


supervisionados e as práticas de ensino ocupam espaços pouco prestigiados nos
currículos. Em geral, aparecem bastante tardiamente nesse percurso, alimentando
a ideia de que chegou a hora de aplicar os conhecimentos aprendidos (ou
supostamente aprendidos) por meio das disciplinas de conteúdo específico e/ou
pedagógicos.

“Eu acredito que se você fizer a inserção dele pelo menos da metade do curso
para a frente e ele desenvolver esse projeto na escola (...) eu entendo que
ele sairá muito mais preparado e deixará de ser um estagiário que vai passar
para professor, alguém que vai estar inserido na escola, naquele campo de
trabalho e projetos que podem ser aplicados em qualquer lugar. ” (Carlos
Alberto Nascimento Professor receptor.)

Outra alternativa para minimizar os impactos das eventuais adversidades, seria


aumentar a carga horária prática do Estágio Supervisionado. A sua vivência é
produtiva, o acúmulo de experiências adquiridas pode ser volumoso, porém, o
tempo de permanência na escola mostra-se breve, considerando a pluralidade e
complexidade do ambiente escolar e da formação do professor.
30

3.3 O que os alunos dizem

Nos questionários aplicados aos alunos das três escolas diferentes que recebem
estagiários, podemos verificar como o estagiário está inserido na escola, como é a
relação com a turma e avaliar o processo de formação docente do estagiário na visão
dos estudantes.

Gráfico 1 Gráfico 2

Fonte: Elaborado pelos autores. Fonte: Elaborado pelos autores.

Gráfico 3

Fonte: Elaborado pelos autores.

Nesta pesquisa, 73% dos alunos que responderam ao questionário acreditam que
haja mudança no comportamento geral da turma quando há uma pessoa diferente em
sala de aula. Para a maioria, existe uma mudança na atuação do professor em sala
de aula quando o estagiário está presente. O acompanhamento do estagiário pode
31

fazer com o que o docente modifique alguns aspectos de suas aulas, saindo um pouco
do que está habituado, como ser mais rigoroso com as avaliações, trazer conteúdos
novos, praticar novas atividades, entre outros.

Gráfico 4 Gráfico 5

Fonte: Elaborado pelos autores. Fonte: Elaborado pelos autores.

Gráfico 6

Fonte: Elaborado pelos autores.

Ambos os resultados apresentaram um aproveitamento bastante satisfatório,


entendendo que as categorias ‘’ótimo e bom’’ estão dentro de uma margem adequada
para a aprendizagem de qualidade dos estudantes. Isso nos mostra que
mesmo que o estagiário não tenha a experiência do professor, ele supre de alguma
forma, as demandas dos alunos.
32

Segundo o comentário apresentado no questionário semiaberto aplicado a uma aluna


da escola EMEF Aureníria Correia Pimentel,

“A interação entre a turma e o estagiário tende a ser dinâmica, didática e


divertida, devido à proximidade de nossas idades, assim, a aula se torna mais
proveitosa e o aprendizado tende a ser mais fácil. “(Aluna da EMEF
“Aureníria Correia Pimentel”)

Isso nos leva a crer que, possivelmente, o aproveitamento apresentado nos gráficos
acima está relacionado à forma de linguagem e a relação que se estabelece entre os
estagiários e os seus alunos.

Gráfico 7 Gráfico 8

Fonte: Elaborado pelos autores. Fonte: Elaborado pelos autores.

De forma geral, alunos e estagiários mantêm uma boa relação. Essa informação pode
justificar o bom aproveitamento, por parte dos alunos da escola, do conteúdo
ministrado pelos licenciandos.
33

Gráfico 9 Gráfico 10

Fonte: Elaborado pelos autores. Fonte: Elaborado pelos autores.

A partir desse resultado, a reflexão que podemos fazer é que os estagiários trabalham
com algumas atividades diferenciadas em relação às metodologias do professor
regente, mas sem fugir muito do padrão exercido por ele. Contudo, são atividades
bem elaboradas e que contribuem para o aprendizado dos alunos de forma
adequada.
34

4 REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO

No capítulo anterior, explanamos acerca das perspectivas do Estágio Supervisionado


de acordo com depoentes de diferentes grupos entrevistados. Diante do exposto,
podemos perceber que existem aspectos do Estágio de grande relevância e
que contribuem de maneira significativa para a formação docente dos estagiários.
Porém, são grandes as adversidades e entraves que permeiam a prática dessa
disciplina, que envolvem os mais diversos indivíduos atuantes.

A escolha da escola onde se realizará o Estágio é o ponto de partida do desenrolar


da disciplina. Estabelecer uma parceria com uma rede de escolas públicas, próximas
à UFES, seria uma alternativa aos impedimentos de acesso à escola. Principalmente
no turno da noite em que as restrições se intensificam.

No período noturno o estágio tem que tentar responder a condicionantes mais


desafiadoras do que no matutino. Não se pode dizer que há um turno em que a prática
do Estágio é mais proveitosa, as diferenças estão nas formas de observar e
desenvolver habilidades, sendo nem uma das modalidades melhor ou pior, apenas
experiências diferentes.

O estagiário apresenta-se como uma ferramenta de manutenção da formação do


professor receptor na escola. O profissional que recebe um estagiário contribui com a
formação do futuro professor, além de auxiliar no entendimento das dinâmicas
escolares, sem deixar de aprimorar os seus próprios métodos a partir das atualizações
trazidas pelo estagiário que está em contato diário, no berço da universidade, com os
conceitos e teorias. Estabelece-se então, uma relação dialógica, de troca.

Além da boa relação entre estagiário e professor receptor, é preciso que todo o corpo
integrante da escola acolha o sujeito em formação, ajude-o a se sentir parte integrante
daquele contexto e a compreender a importância social de seu trabalho. O bom
planejamento é extremamente importante, principalmente quando realizado em
conjunto, professores e estagiários. Pois apesar de ser para o graduando uma
experiência laboratorial, a responsabilidade é imensa, tendo em vista que para os
35

estudantes da escola, as aulas lecionadas pelos estagiários fazem parte de suas


avaliações e, mais do que isso, fazem parte da construção do saber desses alunos.

Durante prática do estágio, é importante que o docente em formação tenha a


oportunidade de refletir acerca de suas práticas. Os professores receptores e da
disciplina devem orientá-lo acerca de possíveis lacunas que estejam abertas em sua
metodologia para que possa retificá-las durante sua prática. Para isso, o exercício do
“feedback” entre eles poderá ser a solução para a identificação e reflexão sobre os
desacertos.

Além disso, as propostas de adiantar a oferta das disciplinas de Estágio no curso de


Geografia, aumentar as respectivas cargas horárias ou a criação de uma disciplina
que abarque uma terceira etapa do Estágio Supervisionado, seriam possíveis
soluções para o curto período de prática pedagógica. Ademais, essas sugestões
colaborariam para uma formação ainda mais satisfatória, tendo em vista que o maior
tempo de vivência em âmbito escolar familiariza o estagiário com seu campo de
atuação.
36

5 CONSIDERAÇÕES

A figura do professor é fundamental no desenvolvimento escolar do estudante e em


sua formação como cidadão consciente. Ele é um facilitador de conhecimento que
gera no estudante a dúvida, a reflexão e a contestação. O professor é o canal que
ilumina as vias do conhecimento humano, conhecimento sobre a vida e a sociedade.
Estimulador de questionamentos, inovações e a procura por respostas de questões
encontradas fora de suas zonas de conforto.

Transmitir conhecimentos não é uma tarefa fácil, muito pelo contrário, é a execução
das práticas educativas que tornará o desempenho do professor cada vez mais
eficiente e natural. Não podendo deixar esquecer que a relação professor/aluno, deve
ser horizontal, sem hierarquias e exercício de poder, além disso, uma via de mão
dupla, em que o estudante também poderá contribuir para a evolução do professor.
Dessa forma, o Estágio possui uma enorme relevância para a formação dos futuros
professores que desejam fazer a diferença na vida de inúmeros estudantes, uma vez
que ele proporciona uma percepção do cotidiano escolar.

Viabiliza o contato direto com o ambiente, com alunos, professores, funcionários, ou


seja, todo o corpo escolar. Além do mais, as complexidades e desafios enfrentados,
principalmente nas instituições públicas de ensino, são questões que só é possível ter
uma ilustração prévia através da prática do Estágio Supervisionado.

Ele nos permite vivenciar grandes experiências. Dá-nos a oportunidade de estar em


contato com a sala de aula, com todo o cotidiano escolar. Promove o desenvolvimento
de práticas educativas e da personalidade do ser professor.

Acreditamos que este Trabalho de Conclusão de Curso conseguiu atender aos


objetivos propostos inicialmente. Apresentou e reafirmou a importância dos Estágios
Supervisionados I e II na formação do educador de Geografia pela
Universidade Federal do Espírito Santo e, diante do seu panorama atual, apresentou
as possibilidades de melhoria em sua estrutura e metodologia.
37

Durante o desenvolvimento desta pesquisa, entendemos que o Estágio é, de fato, o


ponto de partida para o início da formação docente do estudante de Geografia. É
no exercício da prática que identificamos e criamos diversas formas de lecionar,
que nos capacitamos para acolher diferentes realidades, descobrimos que ao ensinar,
também aprendemos e que ser professor, não significa transferir conhecimentos, mas
criar possibilidades para a sua produção.
38

BIBLIOGRAFIA

BIANCHI, A. C.; ALVARENGA, M.; BIANCHI, R. Manual de orientação: estágio


supervisionado. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
BISSOLI, M. Â. M. A. (2002). Estágio em turismo e hotelaria. São Paulo, SP:
Editora Aleph.

BISSOLI, M. Â. M. A. (2002). Estágio em turismo e hotelaria. São Paulo, SP:


Editora Aleph.

Brasil. Decreto nº 87.497, de 18 de agosto de 1982. Brasília, DF, 18 ago. 1982.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei número 9394, 20 de


dezembro de 1996.

Brasil. Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977. Brasília, DF, 7 dez. 1977.

BRASIL. Portaria Nº 1002, de 29 de setembro de 1967. Brasília, DF, 29 set. 1967.

BORGES, V. J; SANTOS, S. M. E. Pesquisa e extensão na formação docente:


memórias vivenciadas no estágio supervisionado Educação. Santa Maria.
Revista do Centro de Educação, vol. 42, núm. 2, 2017, Maio-Agosto 2017.

______. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 9, 18 de fevereiro de 2002.


Institui as diretrizes curriculares nacionais para os cursos de graduação. Disponível
em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf.

DINIZ PEREIRA, Júlio Emílio. Formação de professores, trabalho docente e suas


repercussões na escola e na sala de aula. Educação & Linguagem, São Paulo:
Universidade Metodista de São Paulo, ano 10, n. 15, p. 82-98, jan./jun. 2007.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática


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1987.

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LACERDA, V. A. D. Professor: a construção da identidade em formação. Estudo


de casos e depoimentos de professores alfabetizadores. São Paulo: PUC-SP, 1996.

MEDEIROS, João Bosco. Redação científica. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2003. p.263-
65.

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identidade do professor. R. Fac. Educ. São Paulo, v 22, n.2, p.72-89, jul./dez.1996.
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PIMENTA, S. G. O estágio na formação de professores: unidade, teoria e


prática. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1997.

PIMENTA, S. G; LIMA, M. S. L. Estágio e docência: diferentes


concepções. Revista Poíesis -Volume 3, Números 3 e 4, pp.5-24, 2005/2006.

SOUZA, J. C. A.; BONELA, L. A. A Importância do Estágio Supervisionado na


Formação do Profissional de Educação Física: Uma Visão Docente e Discente.
MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física, v.2, n.2, p. 1-16, ago/dez,
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SCALABRIN, I. C; MOLINARI, A. M. C. A importância do estágio supervisionado


nas licenciaturas. Revista Científica. Centro universitário de Araras
“Dr Edmundo Ulson”, v 7, n.1. 2013.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes,


2002.
APÊNDICES
APÊNDICE A – ROTEIRO DE ENTREVISTA APLICADA AOS ALUNOS QUE AINDA
NÃO FIZERAM ESTÁGIO SUPERVISIONADO

PESQUISA ACADÊMICA: O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA:


PRÁTICAS, PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

1. Quais são as suas expectativas com relação ao estágio supervisionado?

2. De que forma você acha que o estágio supervisionado pode contribuir para sua
formação docente?

3. Como você acha que será a sua postura em sala de aula?

4. Quais os objetivos do estágio supervisionado para você?

5. Você acha que o graduando termina a disciplina de estágio supervisionado pronto


para trabalhar em sala de aula?
APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTA APLICADA AOS ALUNOS QUE
ESTÃO CURSANDO A DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

PESQUISA ACADÊMICA: O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA:


PRÁTICAS, PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

1. Quais dificuldades você encontrou para iniciar o estágio?

2. A disciplina de estágio tem atendido às suas expectativas?

3. Quais desafios você tem encontrado na prática do estágio supervisionado?

4. Qual sua percepção enquanto estagiário com relação ao professor na sala de


aula? E em relação aos alunos?

5. Em toda sua experiência de estágio, como foi e como é sua participação em sala
de aula?

6. Você acredita que as disciplinas pedagógicas auxiliam na prática/experiência do


estágio supervisionado?

7. Como você aplica a teoria pedagógica aprendida na universidade na prática em


sala de aula?

8. O quão aplicável é o conhecimento que você aprende na universidade no


conteúdo escolar?

9. Alguma observação que você gostaria de fazer sobre o estágio supervisionado


que não foram mencionadas nas perguntas?
APÊNDICE C – ROTEIRO DE ENTREVISTA APLICADA AOS ALUNOS QUE JÁ
CURSARAM A DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

PESQUISA ACADÊMICA: O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA:


PRÁTICAS, PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

1. Você considera que o estágio supervisionado foi importante para a sua formação?
Por quê?

2. Como você avalia seu rendimento, aproveitamento e capacitação após o estágio?

3. Você acredita estar pronto para entrar em sala de aula, após ter feito o estágio
supervisionado?

4. A disciplina alcançou suas expectativas?

5. Quais mudanças você faria para que esta experiência fosse mais proveitosa para
o estagiário?

6. O que mudou nas suas perspectivas acerca da prática docente após o estágio
supervisionado?

7. Você teve autonomia na sua prática em sala de aula?

8. O ambiente de estágio possibilita a interação com outros profissionais e a troca de


conhecimentos e experiências?

9. Quais os desafios que você encontrou na prática do estágio?

10. Alguma observação que você gostaria de fazer sobre o estágio supervisionado
que não foram mencionadas nas perguntas?
APÊNDICE D – ROTEIRO DE ENTREVISTA APLICADA AOS ALUNOS QUE JÁ
CURSARAM A DISCIPLINA DE ESTÁGIO E ESTÃO ATIVOS NO MERCADO DE
TRABALHO

PESQUISA ACADÊMICA: O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA:


PRÁTICAS, PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

1. Você acha que o estágio supervisionado te preparou para atuar no mercado de


trabalho? Por quê?

2. Quais mudanças você faria na disciplina de estágio supervisionado?

3. O quão importante a disciplina foi para sua formação profissional?

4. Quais as diferenças entre as suas expectativas enquanto estagiário e sua atual


realidade?

5. Ao final do estágio você se sentiu preparado para atuar como profissional da


educação?

6. Você receberia um estagiário?

7. Qual seria sua postura hoje ao receber um estagiário? Você faria algo diferente do
que o professor que te recebeu fez?

8. Você acredita que o estágio supervisionado alcançou suas expectativas para o


mercado de trabalho?

9. O que você manteve e o que você mudou em suas práticas profissionais desde a
sua experiência no estágio supervisionado até aqui? (Atividades, metodologias de
ensino, métodos avaliativos…)

10. Alguma observação que você gostaria de fazer sobre o estágio supervisionado
que não foram mencionadas nas perguntas?
APÊNDICE E – ROTEIRO DE ENTREVISTA APLICADA AOS PROFESSORES
RECEPTORES DOS ESTAGIÁRIOS

PESQUISA ACADÊMICA: O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA:


PRÁTICAS, PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

1. O que você acha do estágio supervisionado?

2. Você acha que há alguma mudança nas aulas quando o estagiário está presente?

3. Você acredita que os estagiários também contribuem para sua formação


continuada?

4. Mesmo por um curto período de tempo presente no ambiente escolar, é possível


que o estagiário possa ter um grande aproveitamento? E estreitar a relação da
universidade com o mercado de trabalho?

5. Quais mudanças você acredita que poderiam melhorar ainda mais o tempo do
estagiário na escola?

6. Você se sente intimidado com o estagiário na sala de aula?

7. Enquanto professor receptor, existe alguma prática no estágio hoje que seja muito
diferente do estágio da sua época de graduação?

8. Você se envolve no planejamento das aulas ministradas pelos estagiários?

9. Você faz uso de alguma metodologia que foi pensada junto ao estagiário ou feita
por ele?

10. Você acha que os alunos conseguem ter um bom rendimento com as aulas
ministradas pelos estagiários?

11 O ambiente de estágio possibilita a interação com os profissionais e a troca de


conhecimentos e experiências?

12. Você acha que o estágio supervisionado prepara o graduando para atuar no
mercado de trabalho? Por quê?

13. Alguma observação que você gostaria de fazer sobre o estágio supervisionado
que não foram mencionadas nas perguntas?
APÊNDICE F – ROTEIRO DE ENTREVISTA APLICADA AOS PROFESSORES
REGENTES DA DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

PESQUISA ACADÊMICA: O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA:


PRÁTICAS, PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES
1. Qual a importância do estágio na formação docente dos licenciandos?

2. Em toda conjuntura do estágio supervisionado, há algo que você gostaria que fosse
diferente?

3. Você acha que o estágio supervisionado prepara, de fato, o graduando para a


realidade escolar?

4. Sabemos que existem muitas diferenças no quadro estudantil nas escolas


hoje (alunos com necessidades especiais - físicas e mentais - , que estão em
vulnerabilidade social, bullying, entre outros). O estágio supervisionado se preocupa em
abordar questões como estas?

5. Quais os critérios escolhidos para a seleção das escolas que recebem


os estagiários? Esses critérios tem o objetivo de selecionar escolas que abarcam
diferentes realidades?

6. Tendo em vista a diversidade de lugares de ensino formal e não formal em que o


professor de geografia tem a possibilidade de atuar (como EJA, ensino prisional,
supletivo, educação especial, entre outros), não falta no estágio supervisionado
trabalhar em diferentes realidades além do ensino regular?

7. Existe diferença na maneira de aplicar o estágio no período matutino e noturno?

8. Você tem consciência das dificuldades enfrentadas pelos alunos em toda experiência
do estágio supervisionado? Quais? E o que poderia ser feito para minimizar esses
problemas?

9. Você acha importante que tenha um feedback dos estagiários sobre os desafios da
escola? Quais medidas você acha que podem ser tomadas para auxiliar o estagiário
nessas questões?

10. Sabendo a importância que o conteúdo tem na vida escolar dos alunos, e que um
conteúdo inadequadamente abordado tem consequências nas respectivas formações,
você considera os estagiários bem supervisionados durante o planejamento de suas
aulas?

11. Os estagiários, ao final da disciplina, estão prontos para exercer a atividade docente
com qualidade em sala de aula? Por que?

12. Alguma observação que você gostaria de fazer sobre o estágio supervisionado que
não foram mencionadas nas perguntas?
APÊNDICE G – ROTEIRO DE QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS DO
ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

PESQUISA ACADÊMICA: O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA:


PRÁTICAS, PERCEPÇÕES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES

1. Você acha que há uma mudança no comportamento da turma quando há uma


pessoa diferente na sala de aula?
( ) Sim ( ) Não

2. E o seu comportamento, muda?


( ) Sim ( ) Não

3. E o comportamento do professor?
( ) Sim ( ) Não

4. Qual é a qualidade de aproveitamento da aula quando é ministrada pelo professor


efetivo?
( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim

5. Qual é a qualidade de aproveitamento da aula quando é ministrada por um


estagiário?
( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim

6. O estagiário demonstra dominar o conteúdo aplicado em sala de aula?


( ) Sim ( ) Não

7. O estagiário costuma trabalhar atividades diferentes do comum elaboradas pelo


professor?
( ) Sim ( ) Não

8. Qual a qualidade dessas atividades?


( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim

9. Qual a relação da turma com o estagiário?


( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim

10. Qual a relação do estagiário com a turma?


( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim

11. Fique à vontade para fazer comentários sobre questões que não foram
abordadas nesta pesquisa e que você julgue importante destacar:

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